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Nome: GABARITO

Professor: Gizele Caparroz de Almeida Avaliação: Português

nº:

Ano: 9º F.II Trimestre: 3º

Data: 18/11/13 Nota:

/ 10

Orientações gerais:          

A duração da avaliação é de 100 minutos. Não haverá tempo suplementar. O tempo mínimo para a realização da avaliação é de 60 minutos. Mantenha-se em silêncio. Durante a avaliação o professor não responderá a nenhuma questão. O entendimento do enunciado faz parte do processo avaliativo. Todas as questões devem ser respondidas somente a caneta azul ou preta. Deve-se obrigatoriamente respeitar o espaço deixado para resposta. Não será permitido o uso de corretivos. Quando ocorrer um erro coloque-o entre parênteses e risque apenas uma vez. Ex. O (conserto) concerto deve começar em uma hora. Revise, releia, avalie e corrija a redação deste instrumento de avaliação, de acordo com a Norma Padrão da Língua e as novas regras do acordo ortográfico. Será descontado 0,05 de cada questão com problemas de caligrafia, ortografia, acentuação e uso de registro inadequado à produção acadêmica (vocabulário informal ou inadequado ao conteúdo estudado). Será descontado até o valor total da questão com problemas de coesão textual que comprometam a coerência da resposta. Consulte sempre o relógio e gerencie bem o seu tempo. Após a entrega, permaneça na sala realizando outra atividade sem atrapalhar os demais. Não será permitida a saída da sala de aula.

Orientações específicas da disciplina: 

Apenas esta avaliação, em especial, deverá ser realizada com consulta da síntese de estudos, elaborada pelo aluno. A síntese deverá ser anexada ao final e agregará o valor de até 1,0 ponto à avaliação.

Competências e habilidades desenvolvidas nesta avaliação: Competência de área 5: H15 - Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. Competência de área 6: H18 – Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H21 – Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22– Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. Competência de área 8: H27 - Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.

Objetivos específicos: -

Reconhecer o tema central dos textos apresentados neste instrumento de avaliação. Diferenciar tema e tese de um artigo de opinião. Reconhecer a estrutura do gênero do artigo de opinião. Reconhecer os recursos argumentativos do artigo de opinião. Reconhecer as Orações Subordinadas Substantivas no artigo de opinião. Reconhecer as Orações Subordinadas Adverbiais no artigo de opinião. Classificar as Orações Subordinadas Substantivas e Adverbiais.


PARTE A – VALE A PENA VER DE NOVO (1,0 ponto) 1) O cartum é um gênero textual capaz de apresentar de forma sintética e bemhumorada problemas sociais.

a) No cartum acima, considerando as várias linguagens utilizadas (verbal, não verbal e elementos extralinguísticos), que relação podemos estabelecer entre a charge e o artigo de opinião Doutor Preto? (0,25) H18,21, 22 Tanto a charge quanto o artigo de opinião se referem ao mesmo episódio da chegada dos médicos cubanos no aeroporto e compartilham da mesma tese: o preconceito é uma doença social. b) A fala do laboratorista apresenta um período composto; porém, com um problema de pontuação.

Existem duas formas de reescrever esta fala. Escolha a forma e

reescreva: utilize pontuação adequada ou troque a pontuação por uma conjunção. (0,25) H 27 Há duas formas de reescrever a fala: 1. Os exames confirmam: o preconceito de alguns médicos é um vírus que estava incubado. 2. Os exames confirmam que o preconceito de alguns médicos é um vírus que estava incubado. c) Copie da fala reescrita por você uma oração subordinada substantiva. (0,25) H 27 1. 1. o preconceito de alguns médicos é um vírus 2. que o preconceito de alguns médicos é um vírus d) Classifique a oração subordinada substantiva copiada por você no exercício “c”. (0,25) H 27 Nas duas reescritas a oração é subordinada substantiva objetiva direta. 2


PARTE B – QUESTÕES DISCURSIVAS (9,0 pontos com a síntese) Para responder às questões abaixo, leia o texto que acompanha esta avaliação, às páginas 6 e 7. 1) Anexe a esta avaliação sua síntese de estudos.(até 1,0) 2) O artigo de opinião da jornalista e editora executiva da revista Época Laura Greenhalgh, publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, apresenta uma questão bastante polêmica e atual. Identifique no artigo: H 18, 22, 23 a) o fato polêmico que motivou a produção do artigo de opinião. Justifique com trecho do texto.(0,5) H 18, 21, 22 Laura narra um fato ocorrido por ocasião da chegada dos primeiros médicos cubanos ao Brasil. Médicos estrangeiros são obrigados a cruzar um corredor polonês de manifestantes em jalecos brancos gritando slogans que julgam ser de grande elevação espiritual "Revalida!", "volta pra casa", "escravo, escravo...". b) o tema principal. Justifique com trechos do texto: (0,5) O tema é o Programa Mais Médicos, que contratou médicos estrangeiros e o preconceito que os médicos cubanos sofreram ao chegar ao Brasil. b) a tese defendida pela autora. Justifique com trechos do texto: (0,5) Laura defende a tese de que a sociedade brasileira é preconceituosa. Não funciona dizer que é culpa do governo, saída fácil a escamotear o pior. Trata-se de preconceito.

3. No desenvolvimento do artigo: a) Cite dois recursos argumentativos utilizados pela autora no 2º parágrafo, para defender sua tese. (0,5) H 18, 21, 22, 23, 24 Traz dados estatísticos e retrospectiva histórica (“não é de hoje que ...”). Há também pergunta retórica (afinal, quantos clínicos ou cirurgiões negros você conhece?). b) A partir do 3º parágrafo, qual foi o principal recurso argumentativo utilizado pela autora? (0,5) H 18, 21, 22, 23, 24 O principal recurso argumentativo é o da comparação dos fatos atuais com fato ocorrido na década de 30.

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c) A partir daí, qual foi o principal argumento utilizado no artigo? Retire trechos do texto. (0,5) H 18, 21, 22, 23, 24 Duas possibilidades de resposta: - Argumenta que quem perde com o preconceito é a Saúde pública e os cidadãos: Saiu vaiada a medicina social brasileira. Como saíram vaiados profissionais que deram e dão duro para fazer com que a saúde seja um direito de todos neste país. - Justiniano não possuía visão mercadológica da medicina e foi a lugares ermos do país: Justiniano Clímaco chegou em 1938 a uma Londrina sem luz elétrica para acionar o infravermelho que trouxe de Salvador. 4. a)

Conclusão e Título:

H 18, 21, 22, 23, 24

Podemos considerar que ocorre na conclusão uma Analogia? Explique-a. (0,5) Sim, pois a articulista narra episódio de preconceito sofrido pelo Dr. Justiniano, semelhante ao sofrido pelo médico cubano, recentemente.

b) Comente a importância do título do artigo para a defesa da tese. (0,5) O título “Doutor Preto” retoma o tema do preconceito na sociedade brasileira e é ambíguo, pois se refere a dois “Doutores Pretos”, o médico cubano atual e o Dr. Justiniano, neto de escravos que se tornou médico, na década de 30.

5. As orações subordinadas adverbiais são importantes na construção de um artigo de opinião, pois servem para inserir na argumentação noções de tempo, finalidade, condição, concessão, ou ainda para estabelecer comparação, concomitância ou relações de causa e consequência entre dois fatos. Classifique as orações adverbiais em negrito, retiradas do artigo de opinião. a) Saíram vaiados profissionais que deram e dão duro para fazer da saúde um direito de todos neste país. – adaptado. (0,25) Oração sub. adverbial final b) Hoje pretendo usar este espaço para lembrar de um deles, por coincidência negro e, mais coincidência ainda, neto de escravos. (0,25) Oração sub. adverbial final c) Com o tempo, arrumou um Ford 28 para atender na roça e levar casos graves até Curitiba. (0,25) Oração sub. adverbial final d) A casa onde morou até morrer foi derrubada. (0,25) Oração sub. adverbial temporal e) Pensou: se tem doença, precisa de médico. (0,25) or adverbial condicional

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6. Quatro das orações destacadas no exercício 5 semântico).

possuem o mesmo sentido (valor

a)

Que orações são estas? Indique a letra referente ao exercício. (0,5) A, b, c b) Uma destas orações destacadas traz a preposição implícita. Qual? Copie. (0,5) (para) levar casos graves até Curitiba. c) Algumas das orações em destaque são subordinadas reduzidas. Escolha uma delas para desenvolver, com a ajuda do conectivo “que”. (0,5) a – para que a saúde seja um direito de todos neste país. b – para que nos lembremos de um deles. c – para que atendesse na roça/ para que levasse casos graves até ... d – até que morresse. 7.

I - Não é de hoje que a medicina no Brasil se fez uma profissão tão branca quanto a roupa. II - Queria ser como ele.

a) Nos dois períodos acima, as orações adverbiais apresentam um termo implícito. Reescreva as frases explicitando os termos, conforme o sentido pretendido no artigo de opinião. (0,5) I - quanto a roupa é. II - como ele era. b) Nas duas frases, as orações adverbiais possuem o mesmo sentido. Qual?(0,5)

Sentido de comparação

c) Classifique as orações adverbais de acordo com seu sentido (relação semântica). (0,25)

Ambas são adverbiais comparativas.

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Doutor Preto 31 de agosto de 2013

Laura Greenhalgh

Espetáculo patético. Médicos estrangeiros são obrigados a cruzar um corredor polonês de manifestantes em jalecos brancos gritando slogans que julgam ser de grande elevação espiritual - "Revalida!", "volta pra casa", "escravo, escravo...". A nau dos insensatos parecia ecoar no dia seguinte, na imagem publicada de um médico cubano, negro, visivelmente constrangido pelo protesto de que era alvo, em Fortaleza. E as insanidades prosseguiram: da tuiteira que indaga como lidar com médicas parecidas a domésticas a comentaristas tratando os vaiados como "agentes cubanos". É triste, bate até um desalento. Não funciona dizer que é culpa do governo, saída fácil a escamotear o pior. Trata-se de preconceito. Sabemos não é de hoje que a medicina no Brasil se fez uma profissão tão branca quanto a roupa - apenas 1,5% deles se declaram negros, segundo o IBGE. Dado estatístico, de uma constatação empírica - afinal, quantos clínicos ou cirurgiões negros você conhece? Não é de hoje que este país sofre da má distribuição de seus médicos, o que faz com que vastidões continuem desassistidas para o atendimento básico, o que dizer então dos casos em que se requer atendimento especializado. Como não é de hoje que, embora tenhamos o SUS, predomina em nossas vidas, bem como em nossas expectativas de futuro, a visão mercadológica da medicina, no sentido de que o melhor estará sempre reservado a quem pode bancar. Mas, ainda que saibamos de tudo, vale indagar se os atores do protesto terão vaiado apenas os profissionais de fora, inscritos no programa oficial. Saiu vaiada a medicina social brasileira. Como saíram vaiados profissionais que deram e dão duro para fazer com que a saúde seja um direito de todos neste país. Hoje pretendo usar este espaço para lembrar de um deles, por coincidência negro e, mais coincidência ainda, neto de escravos. Chamava-se Justiniano Clímaco da Silva, mas a clientela o tratava como "Doutor Preto". Fez história no Paraná, precisamente em Londrina, onde trabalhou até morrer, em 2000, aos 93 anos. Destacou-se numa cidade muito pobre até idos de 1930, depois enriquecida pela cafeicultura - cidade em cujos anais consta a saga vitoriosa dos colonos brancos, de origem europeia, nem tanto a força de trabalho dos negros libertos. E não foram poucos no século 19, os escravos representavam 25% da população do Estado. Pois bem, Justiniano Clímaco nasceu preto e pobre em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1908. Filho de carpinteiro e criada doméstica, cismou de imitar o Dr. Bião, médico da cidade. Queria ser como ele. Então virou preto, pobre e pretensioso. Tanto fez que lhe arrumaram estudos num seminário e cama na casa de uma tia em Salvador. Daí, preto, pobre, pretensioso e persistente, não virou padre, mas bacharel em Ciências e Letras. Depois virou professor do ginásio, deu aulas de matemática e latim, o que pagaria o preparatório para a Faculdade de Medicina da Bahia. Entrou. Fez o curso. Formou-se em 6


1933 numa classe com 95 alunos, contabilizados aí uma única mulher e ele, o único negro. Topou com a notícia de que a Companhia de Terras Norte do Paraná, firma inglesa que loteava uma vasta área do Estado, recrutava braços para a lavoura, apesar do avanço do tifo e da febre amarela. Pensou: se tem doença, precisa de médico. É lá que eu vou. Assim começa a maior viração do Doutor Preto, 50 anos de clínica, mais de 30 mil pacientes, fundador de hospitais na região e tema de trabalho acadêmico de Maria Nilza da Silva, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A pesquisa da socióloga, da qual participou a aluna Mariana Panta, dá conta de um "escravo da medicina", usando expressão do médico cubano vaiado em Fortaleza. Justiniano Clímaco chegou em 1938 a uma Londrina sem luz elétrica para acionar o infravermelho que trouxe de Salvador. Fervia e flambava os próprios instrumentos, não tinha raio X, anestesiava os pacientes com máscaras de clorofórmio, rastreava tumores por apalpação, ouvia pulmões e corações longamente. Dizia: "Clínica geral tem que ser feita assim: sem pressa". Foi pioneiro no uso da penicilina ao tratar doenças sexualmente transmitidas, que proliferavam numa fronteira agrícola com gente de tudo quanto é lugar. Com o tempo, arrumou um Ford 28 para atender na roça e levar casos graves até Curitiba - 400 quilômetros por terra, dois dias de viagem. Cobrava de quem tinha para pagar. E aceitava uma leitoinha, ou um queijo caseiro, por serviços prestados. Da clínica que abriu inicialmente, Casa de Saúde Santa Cecília, passou a se articular com os mais influentes para criar instituições como a Santa Casa de Londrina e a Sociedade Médica de Maringá. Chegou a arrancar do presidente Dutra os tostões necessários para um hospital de tuberculosos em Apucarana, depois transferido para Londrina. Hoje ali funciona o Hospital Universitário, centro de referência médica do norte do Paraná.

(...) Só um dia perdeu as estribeiras com paciente. O sujeito marrento o interpelou no corredor do hospital, perguntando pelo Doutor Clímaco. Ouviu um naturalíssimo "sou eu". E rebateu com um insultuoso "não vem não, negão, vai logo chamar o médico". Preconceito não só fere, como turva os sentidos. Justiniano Clímaco agarrou o homem e jogou-o no rua. Sem consulta. Fez cardiologista seu único filho, adotivo, e doou tudo para a cidade, inclusive a maleta de médico. A casa onde morou até morrer foi derrubada, mas seu nome continua de pé numa unidade básica de saúde. Neto de escravos, Doutor Preto teria algo a dizer aos médicos brasileiros que hoje vaiam médicos cubanos. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,doutor-preto-,1069772,0.htm 10/09/13

Acesso em

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Gabarito avaliação português 3ºtri 9º ano novembro 2013  

avaliação português 9º ano - 18/11/13

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