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Giulia Bavia Lops

A História da Maquiagem Linguagem gráfica tendo o corpo humano como suporte Trabalho de conclusão da graduação como parte obrigatória para a obtenção do grau de Bacharel em DESENHO INDUSTRIAL com Habilitação em DESIGN GRÁFICO

Orientação: Professor Paulo Sampaio FAAP- Fundação Armando Alvarez Penteado Faculdade de Artes Plásticas São Paulo 2009

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Agradecimentos Meu especial agradecimento é para minha mãe, pela sua infinita capacidade de amar a distância e se fazer presente, ao mesmo tempo, em todos os momentos da minha vida; pelo seu incentivo constante, seu espírito de luta e confiança. Agradeço também aos professores Cecília Consolo, João Braga, Paulo Sampaio por entenderem que no desenvolvimento de uma idéia, principalmente como a proposta desse trabalho, onde o resultado implica no avanço acadêmico, a orientação, paciência e profissionalismo torna elementos fundamentais, assim, aceitem minha gratidão por me ouvirem, pelas orientações e paciência me fornecendo a certeza que precisava para concretizar esse trabalho.

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Dedicat贸ria Dedico este trabalho a todas as pessoas que se sentem interessadas pelo assunto.

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Professores Professor de projeto

Professor Ms. Miguel de Frias Professor Paulo Sampaio Professor Ms. Carlos E. L. Perrone Professora Ms. Cecilia Consolo

Professor Orientador

Professor Paulo Sampaio Professor Ms. Jo達o Braga

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Palavras Chaves Design Editoral

Desgin Grรกfico

Maquiagem

Desenho

Design

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“Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” Caio Graco (1153a.C - 1121 a.C) 9


Sumário 1. Tema 1.1 Introdução 1.2 Justificativa 1.3 Objetivo 1.3.1 Ojetivo Geral 1.3.2 Ojetivo Específico 1.4 Resumo / Abstract 2. Pesquisa 2.1 História da Maquiagem 2.2 Um Estudo de Design Editorial Aplicado 2.2.1 Design Editorial 2.2.2 Hoje 2.2.3 Abordando o Design Gráfico na produção de um livro 2.2.4 Formato 2.2.5 Layout 2.2.6 Tipografia 2.2.7 Cores 2.3 Campo 2.3.1 Público Alvo 3. Conceituação 3.1 Design 3.2 O Conceito 3.3 Paineis Semânticos 3.3.1 Estilo de vida do público alvo 3.3.2 Expressão do produto de Design Gráfico 3.3.3 Tema Visual

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4. Estudos 4.1 Estrutura da informação 4.2 Cores 4.3 Formas 4.4 Tipografia 4.5 Terminologias 5. O Projeto 5.1 Grids 5.1.1 Página de Abertura 5.1.2 Página de Continuação 5.2 Aproveitamento de Papel 5.3 Pré-impressão 5.4 Tipo de impressão 5.5 Tiragem 5.6 Acabamento 5.7 Formato 5.7.1 Formato Aberto 5.7.2 Formato Fechado 5.8 Modo de exposição e e compra e circulação 6. Conclusão 7. Bibliografia 8. Créditos / Anexos

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1. Tema

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1.1 Introdução

A idéia de desenvolver um livro ilustrativo e

interativo sobre a história da maquiagem e suas nuances durante os séculos surgiu a partir da aparente dificuldade em encontrar publicações sobre o assunto. Os exemplares disponíveis são, geralmente, livros técnicos com muito texto e pouca imagem sobre a didática da prática, sobre formato de rostos, tonalidade e tipos de pele, com pouco referencial histórico. O modo como sentimos , entendemos e desejamos ou não as coisas tem uma ligação direta com a informação visual que, comunica de modo não verbal, mas com muita força, sinais emocionais que nos motivam, nos orientam ou nos distraem. A comunicação baseada no comportamento, nos da uma conotação consciente da atitude humana e, através de registros milenares, já destaca a maquiagem, nas suas mais diferentes formas e propósitos. Os séculos testemunharam os acontecimentos sociais que mudaram a história do mundo e da maquiagem influenciando os desenhos, as cores e formas que

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ressaltavam ou escondiam, protestavam ou seduziam, através das diferentes bocas, olhos, sobrancelhas e bochechas, que marcaram suas épocas e passaram a ser um padrão coletivo de comportamento. Os registros das mudanças nos detalhes das maquiagens utilizadas no antigo Egito, Idade Média, século XVI e XVIII e todas as décadas do século XX, rumo ao século XXI, estão sutilmente relatadas , através de ilustrações sobrepostas, de acetato transparente, a um desenho representativo do formato de um rosto propiciando fácil visualização e entendimento de cada elemento. Esse livro busca ser ilustrativo, interativo e também, recreativo proporcionando uma leitura concisa, repleta de imagens ilustrativas dando ao leitor, uma visualização clara e completa das transformações da maquiagem até os dias atuais. Tem, também, como finalidade despertar a curiosidade em leitores não adeptos aos textos técnicos. Por ser um projeto de design, busca uma composição de imagens com o ideal de que esta fale pelo texto.

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1.2 Justificativa

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A dificuldade de se encontrar livros ilustrativos, textualmente conciso e interativo, que mostrem a influência dos acontecimentos históricos sociais no comportamento humano e o seu inter-relacionamento com as mudanças nas formas, cores e desenhos expressos na maquiagem através dos séculos, despertou o meu interesse e foi a causa da decisão de executar este projeto.

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1.3 Objetivo

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1.3.1 Objetivo geral:

Através de um estudo mais aprofundado no

design editorial compreende-se que para criar um livro é necessário ter noção de tipografia, cor, formato, utilização de espaço e diagramação de textos e imagens, além de criar uma hierarquia para a leitura.

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1.3.2 Objetivo Específico:

O objetivo deste produto gráfico é de proporcionar

ao público interessado e curioso, conhecimento sobre o tema maquiagem e suas características particulares nas diversas épocas da história de uma forma interativa e ilustrativa.

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1.4 Resumo/ Abstract

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Resumo:

A ausência de material ilustrativo e interativo

abordando de uma maneira suscinta a história da maquiagem e as suas nuances no decorrer dos séculos, motivou a criação desse produto gráfico, elaborado a partir dos conceitos básicos do design editorial, como hierarquização textual, tipografia, cor, formato, utilização de espaço, diagramação de textos e imagens , adquiridas durante o curso de design gráfico com a finalidade despertar a curiosidade dos leitores não adeptos aos textos técnicos e promover sua interação com o produto gráfico, que por ser um projeto de design, buscou também uma composição de imagens inseridas como protagonista do texto proporcionando caracteristicas não só, informativas , mas também recreativas.

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Abstract:

The lack of material about make-up history, specially

illustrative and interactive books about the subject motivated the creation of this graphic product. The final product was built using basic concepts applied throughout the graphic design course, necessary for using in editorial design such as typography, color, format, and text and image diagramming.The purpose of this book is to capture attention of the people who are interested in the subject and consequently lead them into interacting with the final design product, which is fulfilled with many images and contains little amounts of texts.

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2.Pesquisa

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2.1 História da Maquiagem Pré – História

A Pré-História é um período de transformações.

Há aproximadamente 30.000 a.C., um novo homem habita a terra, o homem moderno, mais conhecido como o Cro-magnon, aquele que tem a cabeça similar à dos homens de nossos dias. É exatamente a partir deste momento que o homem passa a se tornar um animal social, relacionando-se com os demais e, assim, reproduzindo e ganhando força. A formação de grupos muito contribuiu para a criação de hábitos e costumes, os quais se tornaram cada vez mais fortes e inseridos na sociedade primitiva. O Cro-magnon divergia dos seus antepassados, eles “...mostravam os primeiros estágios de uma preocupação em diferenciar-se, enfeitar-se.” (Vita, 2008; 11).1 Faziam uso de colares feitos de ossos, roupas feitas de pele de animais e alguns pintavam seus

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corpos. Tinham uma noção do uso das cores, que extraíam da natureza para fazer desenhos e usavam o ocre e o calcário para fazer suas artes.

Em aproximadamente

5.000 a.C., usando a pintura corporal e técnicas como tatuagem e escarificação, o ser humano começa a criar a sua identidade. Os processos artísticos eram usados para diferenciar os povos e grupos. Inicialmente, os chefes das comunidades eram os que faziam uso das técnicas para se diferenciar dos demais e, com o avanço da civilização, outros membros passaram a aderir ao uso desses costumes.

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Escarificação:

Como método de embelezamento, a

escarificação era usada por tribos africanas e, até hoje, podemos encontrar algumas delas dando continuidade a essa tradição. A prática da escarificação, geralmente nos rostos, costas, peitos e braços, é feita com facas, espinhos ou até mesmo ossos. As linhas, listras, símbolos, círculos ou desenhos de animais usados na escarificação diferenciam as tribos e seu momento histórico.2 Essas marcas podem ser usadas como forma de diferenciar, também, os povos criando uma marca registrada, ou representar beleza, força, coragem, fertilidade e até mesmo proteção contra a morte.

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Pintura Corporal | Tatuagem

A tatuagem, um tipo de intervenção gráfica na

pele usada desde as primeiras civilizações e presente em todas as culturas, tem como base a pigmentação subcutânea através de agulhas. Cada cultura carrega uma simbologia nos seus padrões de tatuagens, algumas usam símbolos de guerrilha, outros símbolos religiosos. A tatuagem tem muitas finalidades, como identificação de grupos sociais, marcação de prisioneiros, ornamentação e camuflagem. O relato mais antigo do uso da tatuagem foi descoberto em 1991, nos Alpes, num homem do gelo, uma múmia de aproximadamente 5.300 anos que tinha a maior parte do seu corpo pigmentado. No Egito, diversas múmias foram, também, encontradas com tatuagens no corpo. A tatuagem também era usada como marcação de prisioneiros no império romano, na Grécia antiga e na época do holocausto, quando Hitler mandou marcar

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todos os judeus e outros. No Taiti, acreditava-se que os deuses ensinavam os homens a se tatuar. As mulheres só eram permitidas a tatuar os rostos e os braços, enquanto os homens podiam tatuar o corpo todo. Na Nova Zelândia, os povos Maori tinham como costume tatuar os rostos com espirais, o que representava o status social de cada pessoa: quando mais espirais, maior seu nível social.3 Após a morte dos líderes, suas cabeças eram cortadas e guardadas como relíquia. Até hoje, esse estilo (moko) de tatuagem é usado, mas não leva a mesma simbologia de antigamente. No Japão, foram desenvolvidas diversas técnicas de tatuagem. Os japoneses tinham como costume tatuar todo o corpo, exceto as mãos e os pés. Uma das técnicas usadas pelos japoneses chama-se Kakoushibori, um tipo de tatuagem que só aparece em algumas situações, por exemplo, após um ato sexual ou quando alguém está alcoolizado.

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Mesopotâmia

Segundo Ana Carlota Vita, “...a região da

Mesopotâmia... foi sem dúvida o berço da civilização.” (Vita, 2008; 18). No período de 4000 a.C. a beleza começa a ter um valor mais significativo na história com a definição dos conceitos de beleza e vaidade posteriormente estabelecido pelos gregos. Existem provas do uso da maquiagem dos povos assírios, persas e babilônios, já habituados a cuidar da beleza usando elementos extraídos da natureza, como o

kohl, a hena, o açafrão, a terra vermelha e frutas vermelhas, como produtos cosméticos. Alguns produtos tóxicos também eram usados, como o chumbo e o mercúrio, mas pouco conhecimento se tinha sobre toxicidade. Assim, muitas pessoas tiveram ferimentos na pele e até vieram a óbito, devido ao uso dessas substâncias. Dentre as características da maquiagem usada na antiguidade, destacavam-se os olhos

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escurecidos, as sobrancelhas juntas ao centro da testa, usadas pelos homens, e as raspadas, usadas pelas mulheres, as bochechas eram rosadas e muitos faziam ornamentações nas mãos e nos pés. O uso da maquiagem não era limitado apenas para as mulheres, os homens também faziam uso de produtos para aprimorar a sua beleza. Os relatos disponíveis hoje são, em maioria, de homens. Apesar de ser comum para os babilônicos, muitas vezes eles eram estranhados por guerreiros de outros países, “(...) os olhos excessivamente pintados e as maçãs do rosto enrubescidas... surpreendiam os guerreiros de outros países, que chegaram a referir-se à corte babilônica como um ambiente no qual os homens pareciam afeminados e não mais possuíam aspecto guerreiros (...)” (Vita 2008; 21). Os babilônios e os assírios ficaram famosos pela vaidade e beleza dos seus povos.

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Egito

No Egito, os homens e as mulheres tinham como

rotina o cuidado especial com a beleza. As relíquias da época são a prova do uso dos produtos e dos utensílios para maquiagem. Tratava-se de um ritual, em que acreditavam em resultados mágicos que retardavam as rugas que estavam por vir. Os homens e as mulheres extraíam elementos da natureza e os utilizavam com a finalidade de se embelezarem, se hidratarem, se purificarem e se protegerem do forte calor. As razões espirituais para o uso da maquiagem também se fizeram presentes entre os egípcios, que pintavam seus rostos por acreditarem na direta relação de dependência entre a espiritualidade e a aparência, assim, quanto melhor a aparência, maior a espiritualidade. Os egípcios tinham uma noção do uso de cores, Ana Carlota Vita cita o livro, de Ermanno Zoffili; Costume e cultura dell’antico Egitto: da Narmer a Cleópatra da editora Milano Fabbri:

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“...há uma série de escalas de cores que mostra detalhadamente a ordem das cores que os egípcios usavam, enfatizando a gama e as misturas feitas para conseguirem os efeitos desejados e o formato de cada traço que delineava os olhos e as sobrancelhas.”. (Vita 2008; 32). Os egípcios buscavam uma estética cromática harmoniosa, “(...) o pó de turquesa, as argilas vermelhas, castanhas ou violetas, puras ou misturadas com óxidos de cobre ou de ferro para obter novos matizes, eram igualmente muito apreciados.” (Faux 2000; 31). Os seus cosméticos eram em maioria extraídos da natureza como, por exemplo, o chumbo, o giz, o óleo de oliva, o ocre (barro), a gordura animal, o kohl e a hena. Cada um desses produtos eram usados para obter determinado efeito, uns para hidratar, outros para colorir as bochechas, mãos e pés, mamilos, cílios e olhos. A maquiagem passa a mostrar seu infinito poder

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de sedução com Cleópatra, a rainha do Egito, ideal de beleza daqueles tempos, que se banhava em leite de cabra, usava máscaras faciais com argila e maquiava seus olhos com pó de kohl. O “Olho de Hórus”, muito usado por Cleópatra, era uma forma de se aproximar do Deus Hórus, trazendo proteção e saúde.

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Gregos

A maquiagem já se mostrava sem fronteiras.

Os gregos também aderiram à maquiagem, mas com a conotação de incrementar a beleza, pela possibilidade de se sentirem mais belos uns para os outros. Na Grécia, a maquiagem foi oficialmente proibida durante um período de tempo. Os gregos admiravam as proporções do corpo, isso é facilmente visível nas estátuas e esculturas da época. Os gregos apreciavam uma boa higiene, cuidado com o corpo, e muito exercício físico. As mulheres pintavam os olhos de maneira bastante diferenciada do povo do Egito, esfumaçando-os e deixando-os sombreados.

Império Romano

O império romano não deixou nada a desejar

em relação ao fator embelezamento. Os homens e as mulheres passavam horas do dia nos locais de banho e

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os escravos os esfregavam e os ajudavam no banho, na maquiagem e no vestir. “Podemos dizer sem medo de errar, que por trezentos anos a cosmética e a cosmetologia, aliadas à medicina grega, conquistaram o nível mais alto de que se tinha tido notícia ate então.” (Vita 2008; 47). Os romanos tinham acesso a todos os tipos de produtos para a beleza, remédios que ajudavam a evitar rugas ou manchas, óleos para cabelos, produtos para unhas, e maquiagens feitas através de gordura animal e extratos naturais. Os romanos costumavam fazer orgias, com direito a muito vinho e música, fato que contribuiu para o uso cada vez mais sobrecarregado e diferente da maquiagem.

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Idade Média

Após a queda do Império Romano, o uso desses

produtos foi praticamente abandonado na maior parte do continente europeu e, durante toda a Idade Média, o pensamento religioso falou mais alto que a vaidade. As mulheres que fossem flagradas usando maquiagens eram punidas, podendo assim levar chicotadas durante semanas. A igreja aliava as pessoas que usavam maquiagem ao demônio. A mulher admirada nos tempos medievais era a mulher frágil, delicada, pálida. As cores não mais eram usadas com freqüência, muitas moças usavam sanguessugas para colocar no rosto e tirar o excesso de sangue, e assim ficarem com a aparência muito pálida. Outro método usado era uma máscara feita de farinha de trigo, mel e óleo que ajudava a clarear a pele. As mulheres da Idade Média “tinham testas altas e curvas, sobrancelhas finas e desenhadas, face cheios e queixo pequeno, rostos puros e sem pinturas” (Faz 2000; 39).

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Renascimento

No Renascimento, por volta de 1300, as pessoas

da época procuravam ter boas maneiras e sempre mostrar elegância tanto na forma de se maquiar quanto na forma de se vestir e se comportar. Ter boas maneiras era uma forma de mostrar status. As roupas usadas no Renascimento escondiam todo o corpo, as cores usadas eram restritas ao preto e as pérolas eram as jóias de eleição. “O seio era escondido, a igreja condenava o uso de decotes que se tronavam um grave pecado passível de absolvição apenas pelo bispo... a beleza deve ser majestosa digna, solene.” (Faux 2000; 54). Catarina de Médicis (1519-1589), rainha da França no século XVI, ajudou a trazer a maquiagem de volta após séculos de proibição. A rainha trouxe a vaidade de volta às mulheres e lançou novos conceitos de beleza: as “moscas” (mouche em francês), que consistia

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em pedaços de tecido escuro cortados em rodelas pequenas e usadas como pintas nos rostos. Muitas mulheres não saíam de casa sem este acessório. As mulheres da Renascença faziam bom uso da maquiagem e não exageravam. Todas as pessoas podiam fazer uso da maquiagem, mesmo aquelas com poder aquisitivo mais baixo, porém, estas tinham que fazer uso de produtos mais baratos, ou aderir aos produtos naturais.

Século XVI ao Século XVIII

No período do século XVI ao século XVIII, o

uso da maquiagem chegou ao seu maior apogeu. Os homens e as mulheres pintavam seus rostos e corpos de branco usando pó de arroz ou até farinha de trigo. As bochechas e as bocas eram rosadas e os olhos eram delineados em preto. A pele branca causava uma aparência saudável, e muitos procuravam

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pintar as veias do pescoço ressaltando-as, desta forma, daria a aparência de pele quase transparente. A varíola devastou a Europa no século XVII, e isso contribuiu muito para o uso da maquiagem. Já que não existiam medicações para as feridas, as mulheres usavam a maquiagem para camuflar as imperfeições causadas pela doença. As moscas de beleza estavam em alta. Cada lugar onde a pinta era usada tinha um significado: “pinta: perto do olho, assassina; no canto da boca, a beijoqueira; na testa, a majestosa; na bochecha, a galante; sobre os lábios, a devassa; na covinha do sorriso, a bem humorada.”. (Kury 1999; 43). As mulheres ainda admiravam uma pele branca, pouco rosada na bochecha. O século XVIII trouxe muitas mudanças comportamentais. Os homens tornaram-se mais delicados e afeminados, entre muitos dos temas conversados entre os nobres, estava a preocupação com os penteados, as roupas, as barbas e o cuidado com o corpo. A tentativa da igreja em tentar conter o aprimoramento da beleza foi em vão. O rei da França Luís XIV, conhecido como o

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protetor das artes, procurou fazer da França o principal foco do glamour e do poder. O século XVIII é conhecido como um período histórico extremamente luxuoso e extravagante.7 Madame Pompadour é o melhor exemplo da elegância daquela época. Madame Pompadour não seguia nenhum padrão de beleza, mas procurava sempre estar bela. Pompadour pintava os lábios, olhos sobrancelhas, face, colo, e também fazia uso das “moscas”, que eram muito usadas neste período, em diversos tamanhos e formas (corações, estrelas, luas) que serviam para cobrir as imperfeições. Os homens também faziam uso da maquiagem e procuravam estar sempre arrumados e refinados. Maria Antonieta é um exemplo claro de como as mulheres da corte usavam maquiagem. A rainha usufruía de uma grande variedade de sombras, blushes e bases rosadas, maquiava todo o rosto, bochechas com rouge, bocas pintadas e “moscas” negras, que eram coladas na sua face.

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Século XIX

O século XIX foi o começo de uma nova fase, “a

nova classe dominante não é definida pelo nascimento, mas pelo poder aquisitivo: é

o triunfo dos burgueses.”

(Kury 1999; 43). As extravagâncias ficam para trás e surge então o Romantismo, período angelical quando as mulheres procuravam manter uma aparência delicada.10 Eram poucas as mulheres que se maquiavam. Preferiam beliscar as bochechas e morder a boca para dar uma aparência rosada. Na era Vitoriana, as mulheres que se aventuravam a usar maquiagem eram classificadas na sociedade como as atrizes ou prostitutas enquanto as que usavam maquiagem mais clara eram consideradas “as boas moças”. Somente em teatros e bordéis é que as mulheres usavam maquiagens mais carregadas. Usavam o batom, o blush, o pó para o rosto, delineavam os olhos e as sobrancelhas e ainda usavam sombras nos olhos. O uso destes produtos era inadmissível

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para as moças de família. As mulheres da era Vitoriana procuravam, também, nunca se expor ao sol, para evitar a possibilidade de bronzeamento de suas peles, uma vez que as campesinas, pela força da exposição ao sol, devido ao trabalho de campo, tinham a pele mais morena. A cor da pele passa a ser um diferenciador sócio-econômico.

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Século XX

Depois de muitas idas e vindas nos padrões de

beleza, chega finalmente o século XX e com ele um ideal de refinamento e jovialidade, sem exageros. “A época da pré-história estava quase terminada: a grande epopéia dos cuidados de beleza começava.” (Faux 2003; 90). A moças era femininas e sofisticadas. A pele deveria ser pálida, lisa, sem marcas, nem rugas ou rubor. O pó-de-arroz era o cosmético mais usado. E o rouge, considerado vulgar. Elizabeth Arden11 e Helena Rubinstein inauguraram cada uma, seu salão de beleza. Henana Rubinstein, “Imigrou com a família para a Austrália em 1902, e lá deu início ao império cosmético que ficou internacionalmente famoso.” (Vita 2008; 94). Ela também foi a criadora do Day of Beauty, que era o dia inteiramente dedicado par a beleza. Já Elizabeth Arden, criou produtos que ajudavam no rejuvenescimento da pele. No sala o de Elizabeth eram

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encontrados, lápis labial, cremes nutritivos, cremes para massagens, rouge para as bochechas, esmaltes, e loções com diversas funções. Com a Primeira Guerra Mundial, é possível notar uma mudança absurda no comportamento das pessoas. Os homens precisavam ir para a guerra e as mulheres precisavam ajudar substituindo a mão-de-obra masculina. As roupas mudam e passam a ser mais ágeis e práticos para situações de emergência da guerra, e surgiram grandes nomes na moda como Coco Chanel. A contribuição da indústria cinematográfica foi bastante significante para a divulgação da maquiagem. Os filmes da época, em preto e branco não dispunham de matizes de cinza suficientes para que pudessem ter uma imagem de qualidade, menos esbranquiçadas. O uso do talco piorava a situação quando usado para conter os suores dos rostos dos atores devido às longas horas

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de filmagem sob holofotes extremamente potentes. Hollywood saiu à procura de ajuda profissional, contratou um farmacêutico polonês, Max Factor que em 1914, criou para os estúdios de Hollywood uma maquiagem específica para atores de cinema, que não rachava nem endurecia.

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Os anos 1920

Os anos 1920, foram uma década marcante,

com muitas transformações. A principal causa dos “loucos anos 20”, como era chamada a época, foi à luta incorporada pelas mulheres em prol das igualdades. Houve uma reivindicação geral, crescente, individual ou em movimentos organizados, para a formulação de um estatuto de igualdade onde lhes fossem assegurados o direito de votar, a exercer funções políticas, a participar em eventos desportivos, o direito de acesso a cargos públicos, a igualdade no quadro familiar e no trabalho. Começa, aqui, uma era de auto-afirmação da mulher na sociedade e com ela vieram às mudanças. As mulheres usam o rímel, pintavam os olhos de preto usando sombras, e passavam rouge nas bochechas em exagero, e pintavam a boca em formato de coração deixando os cantos da boca sem cor.12* 13 Nesta época,

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os preconceitos e as idéias conservadoras com relação ao uso dos artefatos da maquiagem, passam por um processo de reavaliação. Isto faz com que aconteça um desenvolvimento nas industrias de cosméticos, e transforma o uso da maquiagem em uma mania mundial. É em 1920 que surge o prático batom em bastão. A marca do batom no guardanapo mostrava o erotismo das mulheres. O primeiro curvador de cílios também surge nesta década. Em 1925, Chanel e Jean Patou lançam a moda da pele bronzeada. Nascia, assim, o pancake, para preparar os rostos de atores sob forte iluminação em filmes preto-e-branco com forte contraste. Max Factor era o nome do farmacêutico criador do pancake. Na década de 1920, Factor resolveu industrializar esses cosméticos e liberá-lo para o mercado consumidor sob a forte afirmação de que; toda garota se parecesse com uma estrela de cinema ao usar a maquiagem Max Factor. O crescimento das indústrias de cosméticos, como a Mayballine e a Max

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Factory deu-se nesta época, por em os altos preços das maquiagens passa a consolidá-la como produto das elites, mas não deixava de ser uma referência de beleza.

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Os anos 1930

Nos anos 1930 manteve-se o vermelho forte

do batom e os olhos passaram a ser o principal foco para maquiagem, as sobrancelhas eram depiladas, bem redesenhadas a lápis ou tingidas, e as sombras eram escuras14. As mulheres fatais tinham as suas peles claras como Greta Garbo e Marlene Dietrich, e Jean Harlow15. Estas mulheres representavam um referencial de beleza da época segundo Faux, no seu livro “Beleza do Século”.

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No Brasil

No Brasil os cosméticos ainda não faziam tanto

sucesso. “Na realidade, a brasileira dos anos 1930 era mais preocupada com roupa do que com cosméticos. Ainda havia preconceitos em relação ao uso da pintura.” (Vita 2008; 123).

Os anos 1940

Nos anos 1940 as mulheres já podiam comprar

seus produtos com os seu dinheiro. E a variedade era grande. A indústria de cosméticos havia crescido tanto, que as mulheres podiam escolher entre diversas tonalidades de pancake e cores de batons e os blushes, sombras. As mulheres da década de 1940 deixavam as sobrancelhas crescerem naturalmente, mas iam ao salão de beleza fazer ajustes, usavam sobras de cores escuras e os batons estavam em destaque16.

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Os anos 1950

Na década de 1950, a elegância reinava. Depois

da guerra os valores conservadores retomaram sua posição de destaque na sociedade. As sombras e delineadores entram em evidência, as sobrancelhas cresciam naturalmente, fartas e bem feitas. Os lábios recebiam atenção especial, sempre bem desenhado e com cores vivas. Atrizes famosas como Brigitte Bardot, Ava Gardner, eram mulheres consideradas belas da época. Marylin Monroe,17 “Estrela entre as estrelas, ela seria o símbolo sexual da década trazendo, junto com a provocação ingênua, um erotismo devastador e libertador. Sua maquiagem muito estudada, mais natural do que as das sereias fatais, porém mais sedutora do que a das “garotas de rua”, era o resultado de três horas de trabalho; base, pó, sombra, rímel, cílios postiços, delineador, um batom rosa coberto de vaselina para dar à boca um volume voluptuoso, criaram uma imagem sem igual.” (Faux 2000; 161). Os homens faziam a linha “rebeldes”, mas o uso da

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maquiagem entre eles não era comum apenas na televisão teatro e shows. Elvis Presley é um ícone da rebeldia e beleza masculina da época. É na década de 1950 que as marcas famosas de cosméticos chegam ao Brasil (Max Factor, Helena Rubinstein, Elezabeth Arden).

No Brasil:

A fabrica Avon escolhe São Paulo como sua

matriz e lança o primeiro produto cosmético nacional, o batom “Clear Red”.

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Os anos 1960

Os anos 1960 levam o apelido de os “Swinging

Sixties”. Foi marcado por acontecimentos significativos como o surgimento da minissaia, da difusão da pílula anticoncepcional, a chegada do homem a lua e de uma maquiagem com tendências mais liberal. A maquiagem era essencial e feita especialmente para o público jovem. O foco estava nos olhos, sempre muito marcados. A tendência dos batons vermelhos chega ao fim e passa a ser substituído pelos bem claros ou mesmo brancos. Twiggy18 e Mary Quant foram as primeiras grandes modelos a fazer sucesso na época com os lápis claros, e olhos carregados com rímel, principalmente nos cílios inferiores. Os produtos preferidos eram os mais práticos e fáceis de usar, e a indústria cosmética cresceu tanto, que os produtos eram cada vez mais diferenciados, cheios de idéias novas. As mulheres procuravam produtos como cílios postiços, batons, lápis, sombras de todas as cores, blushes, rímeis, e delineadores líquidos.

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Barbara Hulanicki inovou ao criar novos modelos de embalagens, que as mulheres guardavam mesmo depois que acabavam os produtos. Sua loja, Bibelot, também abriu em São Paulo, na Augusta e vivia sempre cheia. A Clinique, uma marca de cosméticos americana também surge com os produtos de limpeza, hidratação e tonificação, isto em 1968. A indústria cosmética começou a participar na economia do mercado integralmente. Serge Lutens foi um grande maquiador dos anos 1960, trabalhou com Dior, e muitas modelos belas da época como Veruschka Vera Gräfin von Lehndorff-Steinort. Além de um excelente maquiador, Serge contribuiu para a beleza, “...criando cosméticos, maquiagens e perfumes, bem como fotografias, filmes publicitários, livros e exposições...” (Faux 2000; 176). Body Painting também começou a entrar em evidencia com a modelo Veruschka Vera Gräfin von LehndorffSteinort que pintava todo o corpo como uma forma de camuflagem e suas fotos nas revista cada vez se multiplicavam.

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Os anos 1970

Na década de 1970 começaram a surgir diversos

movimentos. Os hippies tomavam conta das ruas, e estabeleceram alguns padrões na beleza deles, contribuindo assim para a moda, cabelos, e forma de maquiar. Eles usavam muitas cores, tudo em exagero e psicodélico. Tudo nesta década parece ser mais exagerado. Os andrógenos (homens com aparência de mulheres) começam a aparecer nesta década. Os movimentos “Black Power” e os punks também eram comuns. Os punks usavam muita pintura nos olhos, e a forma como eles se vestiam era agressiva, procurando chocar a sociedade. Surge na década de 1970, o glam

rock e David Bowie19 diferencia nas suas capas de Cds, fazendo uso de maquiagens, e até se vestindo como mulher. No final da década de 1970, a banda KISS

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também faz sucesso. Esta banda torna-se muito

conhecida pois os participantes da banda maquiavam seus rostos, pintando personagens de gibi.

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Por outro lado, as mulheres também procuravam ter uma aparência mais natural, exageravam menos no uso da maquiagem, procurando manter a discrição.21 Os sombras era de cores claras, translúcidas e rosadas, os blushes são em tonalidades mais naturais, o uso do rímel também é usado menos durante o dia, para não ter a impressão de carregado. À noite, as mulheres buscavam ser mais extravagantes, exagerando, modificando. Batom vermelho, brilho labial, sombras e rímel carregados, e lápis para os olhos. Nos anos 1970 as pessoas começaram a perceber que tudo influência na aparência da pele, com por exemplo o estresse, ansiedade, e nervosismo. A partir dai, o uso de métodos de relaxamento para pele e corpo entram cada vez mais em vigor, trazendo benefícios para a pele. Surge a primeira loja politicamente correta em Londres, a loja

“Body Shop” não testava os produtos em animais, e todos os produtos eram extraídos da natureza. Hoje esta loja faz parte do grupo L’Oréal.

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21

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Os anos 1980

Na década de 1980, a beleza vira uma

competição. As mulheres procuravam ser o máximo de diferentes possível. É o fim do movimento hippie. As mulheres agora querem brilho, sofisticação e luxo, elas queriam se manter bonitas de qualquer forma. Os lábios usam os batons vermelhos, as sombras eram usadas em diversas cores, e os blushes realçavam as bochechas, e o gloss iluminava a boca das mulheres. Foi uma época em que tudo era exagerado. Madonna22 é icone musical na época e o seu uso divercificado da maquiagem e estilo foram o marco na sua época. Elizabeth Arden em 1983 criou um batom que durava mais tempo nos lábios, esta criação foi um milagre da época. Os cremes eram para rugas e celulites e foi o começo das cirurgias plásticas e enxertos. “O mercado dos produtos de cuidados da pele tornase imenso” (Faux 2000; 1999). Os maquiadores se tornam diretores artísticos, e passam a trabalhar para grandes marcas como Dior, Chanel, Givenchy. Alguns dos maquiadores da época eram Serge Lutens, Tyen, e Olivier Echaudemaison.

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O período de 1990 a 2000

Aqui, a beleza não obedece nenhuma regra. As

tendências não duravam mais que seis meses. Nesta década a imposição perde efeito e dá passagem ao estilo e personalidade própria, “Na realidade, a década de 1990 foi a das mudanças rápidas, das tendências que quase não duravam e das certezas que seriam desmentidas em pouco tempo.” (Vita 2008; 146). As tribos urbanas ainda encontradas por todas as partes, como as patricinhas, mauricinhos, cults,

clubbers, punks, góticos, surfistas, roqueiros são os poucos representantes das muitas tribos que surgiram neste período. O preconceito não deixou de existir, mas numa escala muito inferior ao observado nos anos anteriores. O visual sensual e erótico toma conta da época. Em busca da perfeição, a maquiagem não era mais suficiente para as mulheres intensificarem a beleza e a cirurgia plástica ganha espaço tornandose cada vez mais importante e fundamental para

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acertar, ajustar ou mesmo modificar os corpos ou os rostos. Os homens passam a se interessar mais pelos processos de embelezamentos do que nas décadas passadas. Os milagrosos cremes redutores de rugas, e o botox também estão entre os recursos que as mulheres e homens passam a buscar, cada vez mais, para ficarem impecáveis. No Brasil, a venda de cosméticos, inquestionavelmente, passa a ser uma crescente fonte de renda. “O sucesso das feiras de beleza e cosmética no Brasil mostram que esse segmento está cada vez mais competitivo do que jamais esteve, com a tecnologia de ponta e ocupando um lugar de grande destaque no mercado nacional.” (Vita 2008; 148). Os produtos mais usados são representados pelos os rímeis, base líquida, sombras de todas as cores e tipos, blushes, e diversos cremes rejuvenescedores para o rosto e para o corpo. Mesmo que a tendência não fosse duradora, na nossa historia nunca havia sido registrado tantos produtos para maquiagem, da mesma

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maneira que nunca havia visto aumento semelhante de estabelecimentos comerciais especializados em maquiagem. As mulheres Ă­cones da ĂŠpoca eram, a brasileira, Gisele BĂźndchen23 e as americanas Jennifer Lopez e Christina Aguilera.

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2.2 Um Estudo de Design Editorial Aplicado

2.2.1 Design Editorial:

Design editorial é uma área especifica den-

tro do design gráfico, uma das mais importantes linguagens de comunicação expressa numa página de jornal, de revista, periódicos ou de um livro. É responsável pela produção editorial, desde a diagramação, ilustração até a tipografia objetivando não somente despertar interesse, mas também, facilitar a leitura. A geometrização, a “gestalt”, a tipografia, as cores, o equilíbrio são as ferramentas básicas do designer gráfico para a criação e planejamento de um projeto editorial. As preferências textuais e visuais dos mais diferentes tipos de público se configuram como o grande desafio para o designer, que terá que buscar e manter uma sincronia para a composição gráfica de uma página, entre os diferentes fatores editoriais, como a ordem de leitura, a facilidade para percepção, localização dos assuntos e facilidade no entendimento.

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“O convite natural à leitura é a primeira fase da linguagem gráfica, a qual depende mais do aspecto morfológico que do semântico. Os dados morfológicos da obra gráfica, ou seja, sua forma, suscitam no leitor o desejo de conhecer o conteúdo, isto é, a face semântica ou do significado das palavras.” (Martín, 1970, p. 113). Como este trabalho final objetiva a projeção de um livro, torna-se necessário elaborar um relato sobre a história da existência do livro. Já vimos que a história da maquiagem, nossa referência textual, esta inteiramente ligada à história da humanidade, o que por sua vez está, também, o livro. “O livro é a forma mais antiga de documentação. Esta diretamente ligado à história da humanidade, registrando as idéias, as crenças, as fantasias as descobertas dos povos” ( Haslam 2006; 06).

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A escrita teve início com os sumérios na Mesopotâmia, responsáveis pelos primeiros registros em pedra e em árvores. Um dos mais antigos antepassados do papel é o papiro,uma invenção dos egípcios. Segundo Andrew Haslam (2006), os primeiros designer de livros eram os escribas egípcios que redigiam e aplicavam ilustrações em rolos de papiro. O fim da tradição do uso do papiro, se deu com o surgimento do códex, lascas de madeira transformadas em papel. O papel surge na China, aproximadamente 200 a.C., composto de fibras de plantas. Este processo não demorou muito para se espalhar pelo mundo. Até então, todas as obras eram manuscritas. Os chineses, também foram também os criadores da impressão com tipos móveis usados para imprimir dinheiro e cartas de baralho, porém foi para o alemão, Johannes Gutemberg que coube o título de “pai da impressão”. Gutemberg produziu a primeira Bíblia impressa com tipos móveis, que foi a obra mais publicada da História. Foi, também, eleito o indivíduo mais significativo do último milênio pelos leitores do jornal britânico “The Times”.

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A informação catalogada em forma de livro exerce um poder muito forte nas sociedades pela suas características de gerador de conhecimentos, fantasias e ficções. Monteiro Lobato, um dos maiores escritores brasileiro, já dizia: ”um país se faz com homens e livros” e acreditava que o crescimento da indústria do livro muito contribuiria para o desenvolvimento do Brasil (Koshiyama, 1982; 99). Obviamente, não são os livros que constroem uma nação, mas os pensamentos, as idéias neles contidas. Aqueles que procuram aprimorar os seus conhecimentos, nos mais variados campos, científicos, filosóficos, auto - ajuda literários, religiosos, etc., buscam nos livros a fonte segura de inspiração, informação e lazer. No Brasil, segundo Milton (2003), no período de Getulio Vargas, a indústria de livros foi revolucionada por Monteiro Lobato que introduziu técnicas de comercio e vendas ao publico que não estava acostumado a comprar livros. Esse meio de comunicação, trouxe um desenvolvimento intelectual, cultural e econômico não só para os leitores, mas, em geral, para nação.

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2.2.2 Hoje:

Atualmente, quando a tecnologia eletrônica,

desafia a manutenção da aquisição do livro em papel, poderíamos começar a questionar o seu futuro. Porém, a sua força vem sendo registrada através das incessantes publicações em diferentes tipos de papeis, cores, texturas e tamanhos. “O negócio do livro, em 2006 movimentou cerca de 69 bilhões de euros, superando o faturamento da indústria de venda de aluguel de vídeos e Cds, jogos de computador, e produtos musicais pela internet” (Spyer, 2007; 45). Em meio a tantas inovações tecnológicas do mundo virtual, os livros em papel podem ter perdido a novidade, mas nunca a sua importância (Firmino, 2007;1) e, acrescentaríamos , o seu encanto.

O livro, em papel, pela sua permissão de

manuseio de tato, nos aguça a sensibilidade e ainda exerce um poder fascinante na sociedade não só pela sua força geradora de conhecimento, desenvolvimento intelectual, cultural, econômico nos campos científicos,

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filosóficos, literários, religiosos e de auto-ajuda etc., mas também, pela fonte segura de inspiração e informação. Segundo Lencione (2002), com o livro entramos no mundo verdadeiramente mágico de mil faces. O leitor cativo aprecia o livro “degustando-o” a partir da visão da capa, sentindo seu peso e sua forma, a arte das iluminuras e o grafismo dos seus caracteres impressos. Assim, tendo como desafio a certeza de que: “Os livros estão submetidos às transformações nas formas de produção e circulação de cultura” (Lemos, 2007), e, por acreditar que ainda é um poderoso meio de comunicação, como estudante de design a minha proposta é criar um livro ilustrativo, interativo e que relate a história da maquiagem e suas nuances no decorrer dos séculos, através da utilização das técnicas que me foram apresentadas durante o curso de Desenho Industrial com Habilitação em Design Gráfico.

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2.2.3 Abordando o Design Gráfico na produção de um livro:

Para elaborar um livro, é necessário seguir alguns

caminhos básicos de criação. Como estudante de design, o objetivo deste livro, não é apenas despertar o interessante literário ou gerir informação de alta qualidade, mas criar um produto que possa vir a ser uma referencia e se transformar num produto comercial. Andrew Haslam, através da sua obra “O livro e o designer II”, vem ocupando o papel de inspirador e referencial para execução para essa minha proposta. O autor sinaliza algumas formas para a abordagem do design na criação de um livro, citando como de importância fundamental: a documentação, a análise, o conceito e a expressão. Para o desenvolvimento de qualquer tipo de projeto gráfico torna-se necessário o foco em um tema principal e, a partir dai, a coleta de informações nele envolvida. A documentação, composta por textos ou documentos visuais como imagens,

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fotografias e ilustrações, se faz necessária para preservação das idéias e documentação futura. A análise é também, uma forma de abordar o design na criação de um livro pois, busca dar forma, estrutura à documentação, o que pode ser obtido através da quebra de textos longos, criando então uma seqüência para os textos ou imagens a serem expostas. A abordagem analítica imprime força ao visual do conteúdo criando uma estrutura e mantendo uma hierarquização na documentação. As emoções também ajudam na abordagem do design que por meio de cores ou símbolos, leva o leitor a captar uma mensagem que toca no emocional. O designer é uma espécie de poeta, interpretando a documentação não só no racional, mas também pelo lado emocional. O designer expressa suas emoções através do uso de cores, imagens, símbolos buscando levar o leitor a reflexão, a emoção. Muitos designers usam a intuição motivada pela emoção para interpretar determinados documentos. Lógicamente, é

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necessário estudo, conhecimento para a prática dessa abordagem. Com relação à abordagem conceitual do design, o objetivo é passar a mensagem com precisão. O conceito pode ser criado através de estratégias de publicação, que são elaboradas com o uso de imagens, infográficos, slogans, trocadilhos, e títulos explicativos. O pensamento conceitual é a base da comunicação, ajudando o leitor na compreensão da documentação. Estas quatro formas de abordar o design fornecem o suporte básico, o alicerce para a criação desse livro contextualizado sobre a história da maquiagem. Essas tarefas não serão abordadas de uma só vez e, no decorrer da produção dessa proposta, poderão ser utilizadas conforme a necessidade de transmissão e registro do conteúdo.

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2.2.4 Formto

O formato também é de fundamental importância

para o design de um livro. Estabelece a praticidade, estética, facilidade de leitura, manuseio e custos. Um livro pode ter qualquer formato, determinado pela altura e pela largura, mas muitos fatores devem ser levados em consideração ao definir o formato, “... o design do livro representa para o mundo da escrita o que a cenografia e a direção teatral significam para o mundo da fala no teatro. O autor fornece a peça e o designer faz a coreografia do espetáculo” (Haslam 2007; 30). Para a execução deste livro o formato A4, (290 x 210mm) foi o escolhido. Esta decisão está relacionada `a praticidade, manuseio e redução de custos que este oferece, além de permitir um bom aproveitamento do papel 66 x99cm.

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2.2.5 Layout

Para a criação de um layout, é necessário

organizar o conteúdo do produto. O layout de um livro define onde os elementos serão inseridos em cada página criando assim, uma composição da obra fazendo uso do espaço. No layout é definido o uso de cores, a inserção de textos e imagens (Cullen, 2007). “Os dois pólos do layout são: o texto, que é organizado em torno de uma seqüência de leitura; e as imagens, cujos arranjos são determinados pelas considerações relativas à composição, derivada da produção de imagens” (Haslam 2007; 140). O layout do livro que estou propondo a produzir, busca harmonia equilibrando os elementos inseridos em cada página, objetivando proporcionar uma leitura de fácil acompanhamento, apropriada para o conhecimento e lazer com características diferentes, se propondo ser menos cansativas que a maioria dos outros sobre história. Através de idéias obtidas de consultas a bibliotecas e leituras de alguns capítulos de livros como “Layout” de Gavin Ambrose & Paul Harris (2005) , a

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informação será dividida em textos de diversos tamanhos e espalhada pelas páginas de forma a dar continuidade, e a chamar a atenção do leitor. A definição da quantidade de folhas, capítulos, imagens e textos a serem inseridos, em cada página, para criação do esboço desse projeto seguirá as orientações de Andrew Haslam através do seu livro, O Livro e o Designer II.

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2.2.6 Tipografia:

Os tipos móveis revolucionaram a produção de

livros no século XV, mas o que era estabelecido como certo ou errado naquela época, hoje, tem outra conotação. A diversidade de fontes tipográficas fornece elementos conceituais dos mais variados para a criação de qualquer trabalho gráfico. Como a tipografia, dependendo de como é empregada, pode alterar ritmos de leitura, o objetivo é a criação de um livro de fácil leitura, harmônico, e moderno. Para isso será observado o tamanho do tipo, espaçamento entre letras, e o espaçamento entre linhas, buscando fornecer um conforto aos olhos na hora da leitura (Hendel, 2006). A escolha da família tipográfica sem serifas, já está praticamente pré - estabelecida, por ser contemporânea e possuidora de suavidade e leveza. Os alinhamentos também serão estudados no desenvolvimento da criação do livro. Cada tipo de alinhamento usado vai ser escolhido de acôrdo com a forma em que os textos e imagens serao distribuídos nas páginas.

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2.2.7 Cores:

As cores representam um papel fundamental no

design gráfico de qualquer impressão. O psicólogo alemão Wundt estabeleceu a divisão fundamental das cores em quentes e frias. As cores quentes são psicologicamente dinâmicas e estimulantes, sugerindo vitalidade, alegria, excitação e movimento. As cores frias são calmantes, tranqüilizantes, suaves e estáticas. As cores podem transmitir informações através de várias associações como: psicológica, fisiológica e sinestésica. Muitas dessas influências cromáticas são universais, outras estão relacionadas diretamente com a história pessoal, lembranças passadas, inconsciente coletivo etc. (Formasaro, 2007). Como na vida tudo é uma questão de escolha, muitos escolhem as cores simplesmente pelo gosto pessoal ou combinação estética, mas, de acordo com Batista (2005), a escolha das cores, num projeto gráfico, deveria ser bem mais criteriosa, levando-se em consideração algumas

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observações como o perfil do público alvo, o objetivo da publicação no mercado, projeto editorial da publicação, entre outros. Segundo Okida (2002), o mais difícil em relação a escolha das cores para um projeto de design gráfico é deixar de lado o gosto pessoal e o nosso senso estético particular. Seguir as regras, as formulações previamente elaboradas, estudos, seria o ideal, porém nem sempre a teoria se aplica na prática com facilidadte quando se pensa em atender a um público com preferência diferenciadas.

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2.3 Campo

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2.3.1 Público Alvo

Maquiagem é um tema que atrai diversos

públicos, independente da classe social, porém a diversidade de produtos varia entre qualidade e preço. A história da maquiagem descrita no produto gráfico atinge um público especifico, como profissionais ligados à estética da beleza, além de usuários masculinos entre 20 e 50 anos e femininos de todas as idades e até crianças e adolescentes entre 05 e 19 anos Contudo, devido ao valor de apresentação e o custo de produção, por ser um livro que requer uma produção gráfica mais elaborada, com papéis diferenciados, poderá se tornar inatingível, afunilando a aquisição para um público de classe A e B. Porém, sabemos que o prazer de olhar e admirar é generalizado. Essa observação é o resultado de um pequeno questionário aplicado, Informalmente, para 60 pessoas que circulavam pela Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis,na cidade de São Paulo, numa tarde de sábado (dia15 de 08 de 2009).

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3. Conceituação

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3.1 Design

O design é o ato de projetar. Criar um projeto,

conceituar executar e ter como o objetivo final o uso do mesmo.

3.2 O Conceito

O conceito deste trabalho é de garantir uma

relativa precisão às técnicas e peculiaridades usadas na época em seus respectivos tempos da historia.

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3.3 Paineis Semânticos

3.3.1 Estilo de vida do pĂşblico alvo

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3.3.2 ExpressĂŁo do produto de desing grĂĄfico

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3.3.3 Tema visual

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4. Estudos

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4.1 Estrutura da informação

O livro da história da maquiagem tem o formato

A4 (210 x 297 mm), com aproximadamente 25 lâminas, 50folhas, 100 paginas contando com a capa. O papel miolo é o couchê fosco 170g/m2 , e a capa e contra capa em empastamento em papelão 180g/m2 com forro couchê 150g/m2, acabamento debruagem.

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4.2 Cores:

Como se trata de um público bastante diversificado, a dificuldade para estabelecer uma

relação e manter uma coerência na criação de um conceito para o uso das cores é grande. Por outro lado, o tema do projeto editorial, maquiagem, compreende uma imensa gama de possibilidades quando envolve tons e matizes. Contudo, ao levar em consideração o objetivo da publicação deste livro, de criar uma leitura clara, simples e agradável, a solução que se propõe é a de manter uma ordem básica e coesa na utilização das tonalidade. Afim de dar dinamismo à leitura do livro, optou-se por usar cores quentes e frias, oscilando entre suas nuances para proporcionar continuidade e suavidade. As cores complementares verde e vermelho, foram usadas para abrir e fechar o produto gráfico gerando um trocadilho visual.

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O livro serĂĄ impresso em 4x4 cores de processo (CMYK). As capĂ­tulos foram divididas por cores da seguinte forma:

Antigo Egito : C: 65 M:0 Y:100 K:0

Idade MĂŠdia: C: 0 M:36 Y:3 K:0

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Renascimento / Século XVI – XVIII : C:4 M:30 Y:3 K:0

1920: C:5 M:50 Y:0 K:0

1930: C: 22 M:55 Y:0 K:0

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1940: C:50 M:55 Y:0 K:0

1950: C: 65 M:50 Y:0 K:0

1960: C:76 M:51 Y:0 K:0

102

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1970: C:6 M:0 Y:80 K:0

1980 : C:0 M:36 Y:90 K:0

1990: C:0 M:100 Y:100 K:0

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4.3 Formas

Todos os capítulos do livro terão listras verticais.

A idéia de usar as listras é para causar uma ilusão de ótica leve, pois por cima das listras existem boxes que suavizam a ilusão de ótica e permitem uma leitura do nome do capítulo. As listras causam modernidade. As cores são intercaladas com o preto causando um contraste máximo.Todos os capítulos são informativos, usando ilustrações de rostos, e dos elementos que compõem a maquiagem. Existem 4 rostos diferentes; o de Cleópatra, o representante da ‘epoca do renascimento, da idade média e o do representante dos períodos historicos relevantes do do século XX. Estudos/ Roughs: Estudos para a capa:

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Estudos / Roughs: Diagramação

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Estudos / Roughs Diagramação / Paginação

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Estudos / Roughs Rostos

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Estudos / Roughs Tonalidade de cor de pele

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Estudos / Roughs Cores / Listras

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Estudos / Roughs Listras / boxes / tipografia / diagramação

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Estudos / Roughs Páginas de Abertura e Continuação / Hieraquização do texto

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4.4 Tipografia

No projeto podem ser encontradas 02 Famílias

tipográficas: a Helvética Neue e SavoyeLet. A primeira é uma família tipográfica sem serifas, muito utilizada por todo o mundo. Este tipo costuma a se dar bem com qualquer outro tipo gráfico de classificações diferentes. A família tipográfica SavoyeLet é uma tipografia mais manuscrita, lembrando um pouco a forma antiga da escrita cursiva. A idéia de mesclar uma tipografia mais moderna com outra mais antiga tem o intuito de mesclar as características históricas. Antigamente as tipografias manuscritas eram extremamente rebuscadas, ou seja, para se escrever uma palavra não se podia tirar a caneta do papel ate sua conclusão . Hoje, com a modernização, podemos escrever uma palavra tirando a caneta da mesa e ter o mesmo efeito histórico, mas causando uma modernidade descolada. Como este livro é sobre a história da maquiagem, procurei usar Savoye Let como lembrança da antiguidade se adaptando a modernidade.

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Helvética Neue !@#$%^&*()_+=-,. 1234567890 abcdefghijklmnopqrstuvwxyz ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ

Savoye Let !$%&*()_=-,. 1234567890 abcdefghijklmnopqrstuvwxyz ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ

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4.5 Terminologias

Adorno:

a.dor.no (ô) (de adornar) sm Adereço, enfeite, ornamento. Açafrão: a.ça.frão (ár az-za’farân) sm 1 Bot Planta bulbosa européia da família das iridáceas. 2 Bot Flor dessa planta. 3 Tempero em pó amarelado, muito aromático Chumbo chum.bo (lat plumbu) sm 1 Quím Elemento metálico azulado. 2 Grãos desse metal usados como projéteis para caça miúda e outros usos. 3 Coisa muito pesada. Hena he.na (ár HinnA) sf 1 Bot Arbusto cujas flores, brancas e perfumadas, são usadas por budistas e maometanos em suas cerimônias religiosas. 2 Corante laranja-avermelhado, obtido das folhas dessa planta. 3 Pasta usada no

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Oriente para tingir de vermelho os cabelos ou as unhas. Maquiagem: ma.qui.la.gem (fr maquillage) sf Ato ou efeito de maquilar ou maquilar-se. Var: maquiagem. Ocre: o.cre (fr ocre) sm 1 Argila de várias tonalidades pardacentas, usada em pintura. 2 Cada uma das tonalidades dessa argila. Tatuagem: (tatuar+agem) sf. 1 Arte de introduzir debaixo da epiderme substâncias corantes, vegetais ou minerais, para produzir desenhos. 2 O desenho ou a pintura feitos por esse processo. Mehndi: Tatuagens temporárias feitas com tinturas de hena, usadas em cerimônias especiais em desenhos das mãos e pés, principalmente pelos hindus e árabes.

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Pintura Corporal: Modificações elaboradas, desenhadas, riscads, na estrutura do corpo humano e são mostradas através das pinturas corporais pelo tingimento e as incisões, (LUX, 2007). Kohl: Kohl é um pigmento preto, feito de uma mistura do mineral malaquita com carvão e cinzas, é usado até hoje no contorno dos olhos, cílios e sobrancelhas. Escarificação: Vem de escara que significa crosta de ferida e é uma técnica usada por tribos africanas, obtida pela cicatrização de cortes feitos em períodos especiais da vida podendo estar relacionadas a uma forma de embelezamento. Este método ainda é usado nos dias de hoje por algumas tribos e pessoas adeptas as diferentes tipos de arte decorativa corporal

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Mouche de Beauté: As “moscas” (mouche em francês), que consistia em pedaços de tecido escuro cortados em rodelas pequenas e usadas como pintas nos rostos. Muitas mulheres não saíam de casa sem este acessório. Cada lugar onde a pinta era usada tinha um significado: “pinta: perto do olho, assassina; no canto da boca, a beijoqueira; na testa, a majestosa; na bochecha, a galante; sobre os lábios, a devassa; na covinha do sorriso, a bem humorada.”. (Kury 1999; 43).

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5.O Projeto

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5.1 Grids: 5.1.1 Pรกgina de Abertura

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5.1.2 Página de Continuação

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5.1.2 Página de Continuação

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5.2 Aproveitamento do papel

Formato Padronizado de papel offset:

66x96 cm Formato A4: 21,0 X 29,7 cm Para um melhor aproveitamento de papel, cabem 8 pรกginas A4 no formato 66x96cm sendo assim, 16 pรกginas frente e verso.

66cm

29,7cm

21cm

96cm

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5.3 Pré-impressão

Para desenvolver o projeto, os softwares

utilizados foram, Illustrator, Photoshop e Indesign. Cada um destes programa ajuda a complementar o outro. Sem algum destes programas, o processo de criação é decididamente mais lento e complicado, pois um ajuda o outro. Illustrator é uma ferramenta de vetorização. Muitos dos desenhos encontrados no livro assim como a capa tiveram toques feitos neste software. O Photoshop ajuda a corrigir erros, e tratar as imagens, e finalmente o InDesign é a ferramenta que definitivamente teve muita importância neste trabalho, pois permitiu a diagramação do projeto.

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5.4 Tipo de Impressão O tipo de impressão usada para a produção do Livro sobre a história da maquiagem é Offset. O livro será impresso em 4x4 cores.

5.5 Tiragem

3 mil copias

5.6 Acabamento

Capa com laminação fosca

5.7 Formato

5.7.1 Formato Aberto

5.7.2 Formato fechado

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42 x 29.7cm 21 x 29.7 cm


5.8 Modos de exposição e compra e circulação

O livro pode ser encontrado em livrarias como a

Saraiva, Cultura, HaiKai, Nobel entre muitas outras por todo o Brasil. Este tipo de leitura pode ser encontrada na sessão de artes plásticas, moda e design.

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6. Conclus達o

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Desenvolver esse trabalho, foi realmente sur-

preendente e gratificante. Surpreendente pelo excesso de informações a que me vi exposta ao tentar discorrer sobre um assunto que me fascina que é a maquiagem e, experimentar algo novo que é a elaboração desse livro fundamentado no design gráfico. Confesso, que ao frequentar as livrarias e bibliotecas em busca de apoio para o meu projeto, meu interesse pela informação escrita, pelos livros em geral, me levou a reflexão sobre a grande capacidade de gerar informação contidas nesses objetos que muitas vezes me passaram desapercebidos pela ausência do hábito de frequentá-los ou então pela maneira como os mesmos se expõem. Foi gratificante, também, pois me colocou frente a todo o aprendizado de 4 anos do curso de desenho industrial com habilitação em design gráfico e me abriu horizontes, para começar a planejar um pós graduação. Assim, se eu não conseguir alcançar os objetivos propostos para esse meu primeiro trabalho, ou mesmo os méritos almejados, por certo outros melhores virão

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7. Bibliografia

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Livros: AUCOIN, Kevin. Face Foward. New York: Hachette Book Group. USA, 2000. BAHIANA, Ana Maria. Almanaque anos 70. São Paulo: Ediouro, 2006. Dicionario Michaellis Escolar da Língua Portuguesa. Versao 2.0. Sao Paulo: Editora Melhoramentos Ltda., 2002. CULLEN, Kristin. Layout work book: a real-world guide to building pages in graphic design. Sao Paulo: Rockport publishers, 2007 FAUX, Dorothy Scheller; CHAHINE, Nathalie; JAZDZEWAKI, Catharine. Beleza do Século. São Paulo: Cosac Naify, 2000.

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FRASER,Tom & BANKS,Adam. O Guia Completo da Cor. São Paulo: Senac, 2007 GAVIN, Ambrose.; HARRIS, P. Layout. São Paulo: Artmed. 2005. vol 1. 176p. HASLAM, Andrew. O Livro e o Designer II. São Paulo: Rosari 2007. HENDEL, Richard. O design do livro. 2ª ed. São Paulo: Ateliê editorial. 2006. vol1. 224p. KOSHIYAMA, Alice. Monteiro Lobato, intelectual, empresário, editor. São Paulo: Queiroz. 1982. 99p. KURY, Lorelai. Ritos do Corpo. São Paulo: Senac, 1999. MARTÍN, E. La Composición en Artes Gráficas - Tomo II. Barcelona: Don Bosco, 1970.

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8.CrĂŠditos/ Anexos


1: Cro-magon Imagem disponível em: http://www.authorsden.com/visit/viewArticle. asp?id=15438 Aceso em Maio 2009. 2: Retirada do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux pg. 241 3: Chefe Maori: Imagem disponível em: http://www.library.csi.cuny.edu/dept/history/lavender/ maoritattoo.html Acesso em: junho 2009 4: Ilustração Rainha Cleópatra -Ideal de beleza da época. Imagem disponível em: http://www.giantbomb.com/cleopatra/94-5296/ Acesso em: maio 2009 5: Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 41

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6: Ilustração Mouche de Beauté Imagem disponível em: http://www.giantbomb.com/cleopatra/94-5296/ Acessado em: maio 2009 7: Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 56 8: Pintura de Maria Antonieta Imagem disponível em: http://www.geocities.com/Athens/Olympus/1262/maria_ antonietta/home_en.html Acessado em: junho 2009 9: Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 61 10: Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 67 11: Elizabeth Arden Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 92

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12: Ilustração anos 1920 – 1920’s Makeup Guide Imagem disponível em: http://www.return2style.de/homepage.htm Acessado em: Abril 2009 13: Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 106 14: Ilustração anos 1930 – 1930’s Makeup Guide Imagem disponível em: http://www.return2style.de/homepage.htm Acessado em: Abril 2009 15: Jean Harlow Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 122 16: Ilustração anos 1940 – 1940’s Makeup Guide Imagem disponível em: http://www.return2style.de/homepage.htm Acessado em: Abril 2009 17: Marilyn Monroe Imagem disponível em: http://www.marilynmonroe.com/about./photos/bw_

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photos.htm. Acessado em: Junho 2009 18: Twiggy Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 165 19: David Bowie 20: Kiss Imagem disponível em: http://www.scribd.com/doc/7533860/ReMineKiss-Band Acessado em: Junho 2009 21: Retirado do livro: Beleza do Século De Dorothy Schefer Faux Pg. 169 22: Kiss Imagem disponível em: http://img186.imageshack.us/img186/2340/ madonna0761zjjf1ve0.jpg. Acessado em: Junho 2009 23: Gisele Bundchen Imagem disponível em: http://www.giselepics.com/photos.php?page=4. Acessado em: Junho 2009

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Memorial