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—Vou necessitar de sua força, Ralph. Para separar o braço limpamente será necessário mais que uma afiada lâmina e minhas escassas forças. —Me diga o que fazer. Isabel ficou a trabalhar. Formou um torniquete várias polegadas acima da negra carne, lhe dando tempo para que adormecesse a parte do braço envenenado de Paul. Pediu cordas e lhe deram de vários comprimentos. Atou uma a cada um dos tornozelos de Paul e outras duas aos pulsos. Os homens mais robustos o seguravam tensamente a fim de que não pudesse mover-se agitadamente e impedisse a pontaria de Ralph. Por último, encontrou um grosso ramo e deu ao homem pra morder. —Peço-lhe perdão, Ralph, por te pedir tal coisa. Se tivesse a força necessária, eu mesma faria. —disse Isabel em voz baixa. —Sinto-me honrado, milady. Ela voltou à vista para Paul que apesar de sua desesperada situação, estava totalmente acordado. O temor no rosto era quase suficiente para que Isabel partisse dando meia volta. Mas se manteve firme. Benzeu-se e disse uma silenciosa oração. —É o melhor, Paul. Cauterizarei o coto e a dor afrouxará, assim como também a febre. Ele assentiu com a cabeça. —Faça já! Isabel deu o sinal aos homens, e puxaram as tensas extremidades. Ralph levantou o machado e, em um rápido ataque, deixou-o cair, cortando o braço pela metade. Paul gritou, perturbando a tranqüilidade misteriosa do bosque circundante. Isabel não pôde agüentar a bílis nesse momento. Tão discretamente como pôde, lançou o que restava do café da manhã na dura terra. Limpou a boca com a manga e se inclinou à tarefa da cauterização da ferida. E assim transcorreu a tarde. Não contou os membros amputados, os dedos da mão ou dos pés. Não contou os pálidos rostos sem vida que não puderam salvar. Não contou às vezes que pensava que não poderia suportar outra ferida ou banhar outro corpo com furiosa febre. Quando o último de sua gente foi atendido, Isabel olhou Ralph, que parecia tão cansado como ela se sentia. —Ralph, parece que os assaltantes estavam mais interessados em mutilar que matar. Que classe de homem faz isto? O velho ferreiro se agachou junto a ela. Ficou com o olhar fixo no fogo durante muito tempo, sem falar. Tomou as mãos nodosas, as linhas nelas eram profundas e rachadas. —Os homens estavam bem armados e eram peritos na arte da guerra. Juraria que alguns eram de sangre viking, mas não levavam cores. —a olhou— Na verdade, não poderia dizer de onde vieram. Isabel pôs uma reconfortante mão sobre o robusto braço do homem. —O sangue viking é profundo entre nosso povo, Ralph. Poderiam ser parentes? O ferreiro franziu o cenho e sacudiu a cabeça, mas voltou um zangado olhar para ela. —Quem mataria a sua própria família? Isabel pensou na resposta. Não gostava do que era óbvio.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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