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Isabel ficou sem fôlego, surpreendida pela acusação. —Nay! Penso só em sua segurança e na dos outros. Aqui, no meio do bosque, são uma presa fácil para a fome e os assaltantes. No Rossmoor, têm uma oportunidade. —Isabel tirou a pesada lona da carregada carreta— Mildred, —disse à velha parteira— ajude Blythe a distribuir os mantimentos que trouxemos. Racione. Não posso garantir quando será a próxima vez. A mulher inclinou a cabeça e pôs-se à tarefa. Isabel se voltou para Ralph. —Me leve até os feridos. Seguiu-lhe até um conjunto de cabanas maiores detrás das menores. Quando se agachou, apartando o rasgado tecido que atuava como uma porta, o fedor que recebeu o nariz fez que a bílis subisse. Deteve-se a meio passo e se esforçou para conter o escasso café da manhã. Ralph a estabilizou. —Algumas das feridas estão ulceradas muito tempo, milady. Temo-me que estão ao longe de curar-se. Isabel assentiu e fez sinais a Brice, o robusto neto de Mildred, para que a seguisse até fora, ao ar fresco. —Traga as camas de arma aqui fora, perto do fogo. Ponha pra esquentar dois caldeirões para ferver água. Voltou-se para cumprir as ordens, mas ela lhe agarrou pelo ombro. Ele voltou os escuros olhos marrons para ela. —E Brice, me traga um machado bem afiado e uma adaga. O moço empalideceu consideravelmente, mas assentiu com a cabeça e se apressou a cumprir as demandas. —Tem estômago para isso, milady? —perguntou Ralph detrás. Endireitando as costas Isabel se voltou e olhou aos olhos escuros, só para encontrar a preocupação por seu bem-estar. —Aye, não tenho outra opção. Podem perder um membro ou perder a vida. Darei a cada um a escolha. Assim é como devia ser. Quando Paul, o irmão de Ralph, foi levado ante ela e depositado na cama de armar, desmaiou pela dor do braço que o incomodava. Isabel apartou o áspero tecido cravado na profunda ferida do antebraço. O fedor saiu da ferida causada pelo coice de um cavalo de guerra. Isabel respirou pela boca. A pele ao redor da ferida era negra. O pus espesso, amarelo e verde, brotava da extensão inflamada. A infecção se estendeu até o cotovelo. Tocou-lhe a frente. Ardia pela febre. Isabel apertou a mão na bochecha. Ele abriu os olhos. Sombrio e sem esperança, olhou-a. —Paul, não posso salvar seu braço. Mas posso salvar sua vida se me permite… —tragou saliva— se me permite amputá-lo. É a única forma de evitar que o veneno se propague. Ele assentiu com a cabeça e fechou os olhos. Isabel levantou o olhar para Ralph, que se ajoelhou a seu lado.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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