Page 73

percorreu o corredor. Quando Warner se voltou, ela se apertou contra um vazio pouco profundo. O coração pulsava tão forte no peito que estava segura que rasgaria abrindo-a. As duras pedras frias cravavam nas costas. Depois de vários longos instantes, quando não surgiu nenhum som, atreveu-se a olhar. Com Warner de costas de novo para ela, Isabel se lançou pela curva do corredor para a escada contígua. De um lado, havia uma grossa porta de madeira que levava às antigas câmaras do torreão e baixava às cozinhas. Algumas ainda eram aptas para se habitar, mas a maioria eram usadas para armazenar. Do outro lado da porta havia pedra. Isabel se elevou tanto como pôde sobre os dedos dos pés e examinou ao longo da borda que sobressaía um resistente bloco esculpido. Pressionou as pontas dos dedos para cima e para baixo até que ouviu um pequeno estalo. Sorriu. Vários blocos grandes se moveram para frente, uma porta, que conduzia a uma passagem secreta para os fundos do castelo e bosques. Seu sorriso se estendeu quando recordou seu travesso irmão. Tão próximos em idade como eram, Geoff sempre a tinha incluído em suas aventuras. Em uma delas, tinham descoberto por acidente a passagem secreta. Muitas vezes, esconderam-se de seu pai nas escuras curvas da úmida escada quando irrompia no grande salão exigindo que seus filhos realizassem repugnantes tarefas. Doía-lhe o coração por seu irmão. Quando tinha ido ser treinado com Harold, ficou devastada. Mas Geoff havia regressado regularmente, e uma vez que ganhou as esporas, residia mais freqüentemente no Rossmoor. Rapidamente, deslizou-se através da estreita abertura até a escura e úmida escada. Isabel quase deixou cair sua cesta ante o odioso fedor dos excrementos que lhe assaltou os sentidos. A descida para o poço negro corria por essa passagem. Engasgou-se várias vezes antes de recompor-se e medir o passo pelas escorregadias escadas, usando a parede como guia. Ainda contendo o fôlego, Isabel chegou à parte inferior da escada. Muito lentamente, mediu procurando a fechadura que lhe abriria a porta ao exterior. O frio ar se jogou sobre ela, e Isabel o tragou a grandes baforadas. A luz do sol se filtrava através das densas sarças de amoreira que protegiam a porta de pedra da vista. Benzeu-se rapidamente enquanto lhe mandava um silencioso agradecimento a seu bisavô Leofric. Quando construiu Rossmoor, assegurou-se que se a família nórdica de sua esposa viesse sem convite, teria uma rota de escapamento. E agora servia para Isabel também. Devido ao lugar onde estava situar a entrada, tudo o que Isabel tinha que fazer era mover-se ao longo das paredes do senhorio aos altos muros de pedra que rodeavam Rossmoor. Escondendo-se detrás de outra grande amoreira, havia um passadiço através do muro de pedra para a periferia do bosque. Encontrou o fecho e deslizou para o outro lado para reunir-se com Ralph que a esperava. —Não encontrou nenhum normando? —perguntou Isabel, surpreendida de encontrar o ferreiro esperando tão logo com uma carreta de madeira cheia de comida. —Os normandos podem ter seu próprio fedor, mas não podem tolerar o fedor da cabana do curtidor. Ali fiz minha terceira parada. Sem dúvida, ainda estão vomitando a comida da manhã. Isabel sorriu e adotou um ritmo paralelo ao lado de Ralph enquanto ele empurrava o carro para o espesso bosque de árvores. —Poderemos não igualar aos ferozes cavalheiros normandos em armamento e cavalos, mas lhes ultrapassamos com nosso engenho. Esperemos que o resto dos saxões sejam tão ardilosos como nós, Ralph.

Profile for Giselle Troitskyevna

O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

Advertisement