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CAPÍTULO 6

Isabel despertou com o som de um estrondo. —Abra esta porta, moça! Esfregando-os olhos com sono, jogou-se uma túnica por cima para abrir o pesado ferrolho. A porta se abriu de repente do exterior. O tempestuoso semblante de Rohan era um mau agouro para todos. —Meu homem está acordado e gritando para Deus sabe lá o que. Lhe atenda. Os guturais gritos do salão chegaram a seus ouvidos. Outras vozes tentavam lhe acalmar. Quanto mais tentavam, mais zangadas se voltavam às palavras estrangeiras do gigante. Rohan a agarrou pelo braço e a tirou da câmara. —Se apresse antes que destrua o salão. Um zombador sorriso se desdobrou nos lábios quando foi arrastada por todo do corredor e para descer a escada. Divertia-a ver este valente e terrível cavalheiro tão longe de sua controlada forma. Quase riu quando viu os outros em pé desamparadamente como nervosas noivas. A cara da Isabel passou a ser séria quando se aproximou do gigante. Tirou a maioria dos curativos e todas as sanguessugas. Uma parte da cataplasma jazia sobre o chão. A cólera a levou para frente. Quando o africano se moveu para levantar-se, ela gritou com uma voz segura e firme: —Pare! —disse em francês, duvidando que ele entendesse inglês. Dezenas de olhos seguiram o tom de voz, olhando-a e logo para o gigante para ver a reação. Estava com um humor severamente espinhoso pelo rude despertar e também porque este homem ia acabar com seus esforços de cura. Os negros olhos do gigante se alargaram para seguidamente reduzir-se a perigosas frestas. Os lábios se separaram dos dentes afiados como de lobo até um ponto antinatural. Fez um grunhido baixo e ameaçador. Sem deixar-se intimidar pela postura, o temperamento de Isabel se soltou. Caminhou para ele e lhe esbofeteou a mão que quase tinha retirado o curativo. —Irresponsável! Deite! — Quando ele não se moveu, ela insistiu: — Te apliquei uma de minhas melhores beberagens para salvar sua perna, fui ao pântano na metade da noite para procurar sanguessugas, e perdi muito sono ontem à noite e esta manhã. Ela desfez a maltrapilha atadura com movimentos rápidos e firmes. O dano era intenso. Ia necessitar de roupa nova e preparar uma cataplasma fresca. Levantou o olhar para ele. —E me recompensa desta maneira? Se não estivesse tão zangada, teria rido da expressão de assombro na cara tatuada. Não estava acostumado a ser tratado desta maneira, estava segura. Isabel olhou por cima do ombro para Rohan, que estava em igual estado de choque. Afastou os olhos dele para os homens ao redor. Cada um deles permanecia em atônito silêncio. Ignorando todos eles, Isabel voltou à atenção para o gigante, e franziu o cenho ante a tormenta que se abatia sobre o rosto. Com as mãos nos quadris, perguntou-lhe:

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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