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Fechou os olhos. Nay, não o faria! Obrigaria-lhe a cumprir com sua promessa. Abriu os olhos e se alegrou ao ver as sanguessugas travadas. Deveriam estar fartas para o amanhecer. Isabel se sentou sobre os calcanhares e limpou as mãos em um trapo úmido. Aye, não só se ocuparia de que Sir Rohan mantivesse seu juramento, mas também ela manteria o seu. E apesar do medo que lhe inspirava o compromisso, lhe esquentou o corpo enquanto se perguntava que mais ele faria. Seria mais intenso do que experimentou na cozinha? Moveu a mão para tocar o pescoço, onde tinha pressionado os lábios. Os seios incharam e uma sensação de formigamento incitou os mamilos. Desviou o olhar para a escada que conduzia à câmara do Lorde, e gritou. Rohan estava em pé no patamar, os olhos cravados nela. Pouco a pouco, ele caminhou pelo amplo espaço, sem afastar o olhar do seu. A pele de Isabel se esquentou para rivalizar com as chamas que seguramente despediam de um estranho resplendor a seu redor. Rohan estava nu aos pés da escada, exceto pelos braies20 que usava. A luz do fogo piscava sobre os planos e bordos de seu corpo, iluminando as antigas cicatrizes de guerra e as novas de Hastings. O tecido ao redor dos quadris se agitou e ela se sobressaltou dando um passo para trás roçando com o calcanhar as brasas da chaminé. —Donzela, evita a minha cama. Os olhos continuavam mantendo-a presa. Embora não fosse assim, ela não pode ser capaz de afastar os olhos dele. O comprido cabelo negro pendurava grosseiramente ao seu redor à maneira dos vikings. O largo e musculoso peito subia e descia em um ritmo rápido. O poder e o perigo formavam redemoinhos ao redor dele. Em sua presença, enquanto estava aterrada, soube que se alguma vez necessitasse de um campeão, este seria o homem que escolheria. Sua destreza era legendária. O tecido ao redor dos quadris se elevou como se uma serpente se retorcesse debaixo dela. Agora, no lugar do medo, algo intenso e primitivo se moveu dentro dela. Não o questionou. Em seu lugar, imperturbável, ela seguiu lhe apreciando. —Não pode se esconder do destino, mocinha. — disse Rohan brandamente, aproximando-se tão clandestinamente como um lobo espreitando um cervo. Sem nenhum lugar aonde ir exceto dentro do fogo, Isabel se manteve firme, com o queixo alto e orgulhoso. —Você não é meu destino. —Esta noite eu sou. — Rohan riu em voz baixa, um som rouco, provocador e aterrador. Ela passou por ele, sem vacilação no olhar. —Não sucumbirei. —Não será necessário. Os músculos tremeram quando ele flexionou os largos braços. Isabel negou com a cabeça, aterrorizada do que a pudesse fazer, sabendo que se a pressionasse regularmente, apesar da vontade, voltaria-se tão viciante para ele como o vinho tinha sido para seu pai depois da morte de sua mãe. O orgulho padeceria muito por converter-se em sua disposta amante. Para não mencionar que não devia nunca envolver o coração, este homem a deixaria feita em pedaços no chão quando partisse à próxima conquista. Como se o gesto fosse imobilizá-lo, Isabel estendeu a mão para lhe deter.

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Bermudas ou calças usadas na época medieval, ceroula.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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