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—Sou Manhku. Como você, não desejo morrer. — Nos diga, sarraceno. Diga-nos como nos livrar deste castigo! —exigiu Wulfson através da sala. Como chamadas pela conversa, as chaves soaram fora da grossa porta de madeira. O som de metal contra metal raspando deu passo aos gemidos das dobradiças abrindo-se. O homem que entrou pela porta, com uma tocha no alto, não era Ocba, seu torturador habitual. Este homem estava melhor vestido. Suas roupas estavam limpas e eram ricas em seda. Praticamente fazia cambalhotas passando pelo chão encharcado de urina. Apertava um lenço carmesim de seda contra o nariz, e Rohan riu dele quando o pretensioso vomitou na mão. —Não é homem suficiente para se aventurar aqui, sarraceno. —incitou Rohan. Manhku sussurrou em um suspiro, e os homens que lhe rodeavam guardaram silêncio. O recém-chegado limpou as comissuras da boca, alheio às brincadeiras de Rohan. Depois de pôr a tocha no anel de ferro na parede, estalou os dedos. Detrás dele, Ocba e outro guarda empurraram um carrinho de mão profundo de metal com brasas ardendo através da porta. Os músculos de Rohan se esticaram. Vários punhos de espada se sobressaíam das brasas. Reconheceu uma como a sua. Depois de haver-se recomposto, o homem baixou o lenço e girou os olhos cor de ébano para Rohan. —Sou Tariq ibn-Ziyad, segundo filho do Aleyed, Emir do Viseu. Vim ante seu pedido, porque parece que seus cavalheiros cristãos oferecem sua espada ao melhor concorrente, desafiando a superioridade do Jahannam. —Os saltados olhos negros exploraram muitos deles. Os lábios púrpuros retrocederam, mostrando uns surpreendentes dentes brancos. —Assim agora nos torturá até mais para que sucumbamos a sua hospitalidade? —carregou Thorin. Tariq sorriu, o gesto nada mais era que um olhar malicioso sem escrúpulos. —Assim será. —Colocou umas pesadas luvas de couro— E já que se negam a se submeterem a Alá, o único Deus verdadeiro, para lhes salvar, estarão dispostos a levar a marca de um que vive e morre pela espada. —Tirou a espada de Rohan das brasas. Brilhava com o laranja fundido. A balançou pelo ar. O anguloso rosto afiado se iluminou de alegria quando elevou os olhos para os de Rohan—. Uma arma mais que digna, não diriam isso, kafir5? Ocba, auxiliado pelo outro guarda, agarrou as pernas de Rohan e lhe esticou o corpo. Rohan se forçou contra o muro de pedra, completamente consciente da intenção do sarraceno. Tariq deu um passo mais perto de Rohan, balançando a ponta da espada sob seu nariz. O calor da arma lhe queimou a pele. —Agora, se prepare para levá-la por toda a eternidade! —Tariq pressionou a espada, orientando-a para baixo, com o protetor cruzado do punho justo debaixo do pescoço, e o comprimento

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Kafir é uma palavra árabe que significa "que rejeita". O sentido da doutrina islámica, o termo se refere a uma pessoa que não reconhece a Alá, ou o profeta Maomé. Em termos culturais, é visto como um termo depreciativo se utiliza para descrever um incrédulo, os não muçulmanos, apóstata do Islam, e inclui os mulçumanos de diferentes seitas. Em geral se traduz como "infiel" o "incrédulo".

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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