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CAPÍTULO 5

Isabel olhou pensativamente para seu vinho. Queria dizer ao arrogante cavalheiro que não podia lhe dar ordens como a uma faxineira, mas captou o olhar de vários aldeãos atendendo a suas tarefas. Winston empilhava mais troncos junto à chaminé, Lyn acendendo velas ao longo das mesas inferiores, Garth pondo a correia nos cães de caça, e vários outros carregando pesadas bandejas com comida. Fumegantes pratos de porco assado, aves e veado junto com o cozido de pescado fresco do rio, adornavam a mesa. Doces secos e hortaliças se somavam ao festim. Entretanto, a fome de Isabel se desvaneceu enquanto a mente lógica se mantinha em conflito com suas emoções. Lutou para encontrar uma maneira viável de fazer frente à Rohan du Luc. Se continuasse discutindo sobre as pequenas coisas, como tomar assento ao lado deste indesejado e temporário convidado, perderia um terreno precioso e minaria o pequeno cordato de prudência que sua gente pudesse ter. Assim, cederia ante os pequenos conflitos. Para no dia seguinte, pois poderia necessitar de todas as forças para lutar uma batalha muito maior. Isabel olhou a grande mão de Rohan segurando a taça de vinho, quase cobrindo o cálice de ouro e prata. Esquentou o corpo ao pensar nesses dedos tocando-a. Elevou o olhar para encontrar os leoninos olhos olhando-a fixamente. —Pensa em nosso momento na véspera deste festim como eu? As bochechas da Isabel se ruborizaram, e apartou o olhar não confiando na voz. —Aqui, donzela, beba. O vinho, como sabe, é excepcional. Talvez lhe tranqüilize. — ofereceu Rohan, deslizando a taça cheia por baixo do nariz. A última coisa que queria fazer era beber da mesma taça que ele. Mas não tinha escolha. Seria uma das batalhas que perderia, porque se ela pressionasse sobre a situação, ficaria sem beber, e no momento, tinha um forte desejo pelo rico vinho Borgonha. Deu meia volta na taça, tomando um sorvo do lado contrário ao dele. O insulto foi sutil, mas soube que havia tocado uma fibra sensível quando ficou rígido ao seu lado. —Seu insulto é bem recebido, e esteja segura que não me importo, mocinha. Depois deste haverá outro e logo outro depois deste. Isabel ignorou a brincadeira e voltou à atenção para Rorick, quem estava sentado a sua direita. Os olhos de um azul profundo brilhavam com um humor malicioso. Deu-se conta que tinha a mesma cicatriz de meia lua do queixo que Rohan. Desviou o olhar para o Wulfson e ao chamado Ioan, e logo a vários outros. Os oito cavalheiros sentados à mesa do senhor possuíam a mesma cicatriz e a mesma espada carmesim afundada através do crânio. —Como todos conseguiram a cicatriz do queixo, e por que só a aqueles que a têm levam a Espada de Sangue no sobretudo, Sir Rorick? —perguntou Isabel em voz baixa. O fogo nos olhos escureceu por um breve instante antes que se reavivassem. Tomou a mão direita e a levou aos lábios. —É uma história desagradável não apta para os ouvidos de uma dama. —Isabel, — disse Rohan do outro lado— O trinchero está cheio, e cortei sua carne. Jante. Necessitará de forças para mais adiante.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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