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—Traga sua senhora de pressa. Diga-lhe que se atrasar, a verei atada no poste de flagelação em seguida. Enid ofegou, inclinou-se de novo, e saiu pelo portal. Rohan se moveu lentamente pela escada. Sem olhos para vê-lo, deixou passar à dor da perna direita. Outro constante aviso de seu passeio pelo poço negro da prisão.

Como se estivesse sendo conduzida à forca, Isabel subiu lentamente pela escada de pedra que conduzia às câmaras do senhor. Empurrou para abrir a pesada porta e conteve a respiração ante a visão que a saudou. Rohan estava em pé tão nu como no dia em que tinha nascido, de frente à luz do fogo da chaminé. Estava de costas, e não podia deixar de admirar as masculinas formas. As nádegas eram arredondadas e firmes, flexionando os músculos com os movimentos. As largas pernas eram igualmente musculosas e finamente proporcionais. Os amplos ombros diminuíam gradualmente até a estreita cintura. Baixou os olhos das nádegas às pernas e aos pés. Franziu o cenho. Uma cicatriz púrpura avermelhada desvirtuava na parte posterior do calcanhar direito. O vapor se elevava da tina de cobre situada frente ao fogo. Rohan lhe dirigiu um olhar zangado. —Demorou a meu gosto, jovenzinha. Meu banho se esfria. Isabel manteve os olhos fixos no peito. Quando fez isso, um grunhido a pegou de surpresa. Pressionando a mão contra os lábios, não podia fazer nada exceto olhar fixamente para grande cicatriz que lhe danificava a pele. Como se uma espada ardente tivesse sido pressionada contra o peito. Uma faísca de compaixão por este homem cresceu em seu peito. Para sobreviver a essa terrível lesão, devia ter sofrido uma dor insuportável. Rapidamente, Isabel conteve as emoções, depois, como se visse tão brutais cicatrize todo dia, disse: —A água ainda solta vapor. Deixe de se queixar, e se coloque dentro. Ele elevou uma escura sobrancelha, mas ela já havia se recomposto e estava pronta para lhe ajudar com o banho. Recolhendo um tecido e uma barra de sabão de sândalo do banco ao lado do gabinete, Isabel se precaveu com várias provisões e um pequeno baú situado no chão aos pés da grande cama de quatro postes. Por sua presença, sabia que ela pretendia ficar. Não era de estranhar. Uma coisa que os normandos não podiam dizer era que Rossmoor carecia de comodidades. O castelo era conhecido por sua hospitalidade e seus luxuosos serviços. Quande Rohan se introduziu na água quente, deixou escapar um comprido suspiro. —Por Deus, isto é tão bom. Isabel se colocou ao lado da tina e inundou o tecido na água, depois a melou de sabão. Enrugou o nariz. —Pelo aroma que emanam, já passou uma vintena de invernos da última vez que se banharam. Ele se recostou contra a alta borda e fechou os olhos. —Só a metade de uma vintena. Isabel decidiu não iniciar mais conversa com ele. Quanto antes estivesse banhado, mais rápido poderia lhe deixar. Ele a fazia sentir-se incômoda de uma forma que não estava acostumada.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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