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Esfregou-se o peito onde a marca da espada ainda lhe incomodava. Depois de todos esses anos, ainda não se acostumou à dura cicatriz, um aviso constante do poço da prisão. Rohan passou através da porta meio reconstruída, contente de ver que o carpinteiro fazia rápidos progressos na reparação. Uma nova porta permanente seria colocada na manhã seguinte. Ficou em pé no degrau mais alto do grande salão conhecido como Rossmoor. Um nome apropriado. As ricas tapeçarias e os finos móveis lhe agradavam. Rossmoor não era um casebre. O grande senhorio estava situado em um pequeno montículo orientado para baixo de um campo aberto rodeado de um denso bosque. Na aldeia escondida entre os muros da guarnição exterior próximo ao caminho ferviam peritos artesãos e operários. Os celeiros estavam cheios a transbordar, o defumadouro carregado com uma grande variedade de carnes. O estábulo alardeava de várias finas éguas que reforçariam sua linhagem. O olhar de Rohan viajou da mesa a grande cadeira do senhor colocada junto à chaminé acesa. Se seguisse em sua sorte e William fosse fiel ao seu juramento de compensar a inquebrável fidelidade de Rohan nesses últimos seis anos, um dia se sentaria nela. Acelerou-lhe o sangue. Aye, podia ver a si mesmo como senhor e amo ali. Desviou o olhar para sua mão esquerda de confiança, Manhku. Thorin era sua mão direita. Desceu na escada contígua, depois se moveu lentamente através das esteiras tecidas. Vários cachorros farejavam perto da entrada da cozinha, procurando um bocado. Rohan franziu o cenho e deu um olhar pelo grande salão. Nem um servente à vista. Sem dúvida, amontoavam-se assustados em um canto escuro. Teria que falar com a senhora para que lhes instruíssem de ficarem mais visíveis. Eram inúteis se não pudesse utilizá-los. Rohan se deteve e ficou agachado junto a Manhku. O africano dormia profundamente. Um suave brilho de suor lhe salpicava na testa. A ferida era maligna, admitiu, mas Manhku já tinha sofrido piores. Todos tinham sofrido. Sobreviveria para ver muitos mais invernos. Rohan ficou em pé e deixou que o calor do fogo se infiltrasse nos cansados músculos. Tinham montado sem parar desde o Senlac Hill, não passando mais de dois dias em cada comarca que reclamavam em nome de William. Rossmoor seria seu assentamento até que recebesse notícias de seu senhor de que deveria unir-se a sua comitiva no Westminster. Acolhia com agrado a trégua. Rohan inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Como tantas vezes aconteceu, a visão de A’isha veio à mente. Seu anjo de misericórdia no Jubb. Caso não tivesse desafiado seu irmão e seu pai e sacrificado sua vida por eles, ele e todos os da Espada de Sangue não seriam nada mais que pó. Devia tanto a ela que nunca poderia pagar. Tinha voltado por ela. Mas os morcegos. Rodearam-na com uma escura e envolvente espiral de morte. Tinha-lhes gritado para dispersá-los. Mas se voltaram para ele, e só teve um sentido de reação. E assim se moveu tão rápido quanto as pernas lhe permitiram voltando a convidativa luz do dia, e a liberdade. Rohan abriu os olhos e os fixou no fogo. Uma valente mulher que nunca tinha conhecido. Nunca esqueceria seu sacrifício por ele. —Sir du Luc? —chiou uma tímida voz de mulher atrás dele. Rohan desviou os cansados olhos para a donzela Enid e franziu o cenho. Ela inclinou a cabeça e olhou para o chão. —Seu banho está preparado, Senhor.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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