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—Necessito de outra faca, esquentada até um vermelho vivo. Sustentou o duro olhar. Um tremor a percorreu e saltou atravessando-a a pele, mas se negou a voltar atrás. Quando continuou olhando-a, sem responder, levantou as mãos para o ar. —Uma faca ou morre. —Nay. Ela negou com a cabeça. —Então não posso te ajudar, senhor. Quando tentou passar ao lado do teimoso cavalheiro, um braço saiu disparado detendo-a. A captura, embora firme, nem doeu nem a acalmou. Olhou-o nos olhos. O elmo protegia a maior parte do rosto, mas podia ver o brilho dos dourados olhos e a teimosa linha da mandíbula marcada com uma cicatriz. Seu contínuo silêncio a frustrou. Lhe ocorreu então que este não era um homem que mudava de idéia uma vez que tomava uma decisão. E apesar de que certamente não era partidária de salvar um inimigo, não podia, em sã consciência, permitir que um homem morresse quando possuía habilidades que poderiam lhe dar uma oportunidade de seguir vivo. Olhou mais à frente do teimoso cavalheiro para o homem chamado Thorin e franziu o cenho. Em uma inspeção mais detalhada, ao que parecia... Tinha um olho só! Ele sorriu abertamente ante a insesperada reação e tirou o elmo da cabeça, removendo para trás o capuz, expondo completamente a cabeça com um comprido cabelo loiro. Mas o que mais a cativou foi o contraste da pele bronzeada e o curativo de couro negro que lhe cobria o olho direito. Uma dentada cicatriz saía diretamente debaixo do couro descendo pela bochecha até a mandíbula. O único olho são era de uma profunda cor avelã. A mesma cicatriz em forma de meia lua, parecida com a de seu senhor, marcava-lhe o queixo. Era tão grande como Rohan e levava o peso de seu ofício sem esforço. Afastou o olhar dele e o dirigiu a cada um dos cavalheiros em pé detrás dele. E igualmente o que fez seu senhor, cada um a encarou firmemente, como se tivessem mais direito que ela em estar no salão. Observou de novo a Rohan, com o olhar fixo sobre a pequena cicatriz em forma de meia lua do queixo, logo depois de volta aos cavalheiros que estavam mais perto. Vários deles levavam a mesma marca. E enquanto muitos dos Les morts luziam a capa negra adornada com a horrível caveira, só os cavalheiros com os queixos marcados os levavam com a sangrenta espada afundada nela. Estes homens eram mais que guerreiros cheios de cicatrizes de guerra, eram guerreiros forjados na batalha. Um frio profundo transpassou seus ossos quando a imaginação correu descontrolada com cruéis visões destes cavalheiros cortando a machadadas seus parentes nas ensangüentadas ladeiras da batalha. O gigante gemeu, perturbando o inquietante silêncio. Isabel voltou uma vez mais a atenção para o Rohan. —Não posso deter o fluxo de sangue por muito tempo só com o torniquete. Depois de limpar a ferida, vou necessitar um abrasador para deter o sangue do profundo corte. É extremo, mas de outra maneira o fluxo não será detido. Tenho que fazê-lo agora. —Não confio nas mulheres em geral, moça, e menos ainda nas mulheres saxonas. Se assegure de que a faca não escorregue. — moveu a mão para o punho da grande espada— Tome nota de minhas palavras, minha espada nunca perde seu alvo. Os olhos de Isabel se entreabriram. —Isso não é nenhuma surpresa para mim, normando. A inclinação de seu duque em assassinar mulheres e meninos naturalmente só deveria recair em seus cavalheiros.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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