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Rohan se ajoelhou a seu lado. Pôs a mão sobre a dela. —Salve-o e lhe concederei qualquer petição que esteja em meu poder. Ele sentiu tremer a mão sob a sua. E se as circunstâncias fossem diferentes, tombaria-a aí mesmo e daria a seu inocente corpo mais estremecimentos que o simples contato da mão. Por um breve instante, encontrou-se capturado por esses grandes olhos violetas. A curva delicada do nariz deu uma labareda. Notou um sutil leque de sardas através do nariz. Baixou os olhos para os lábios entreabertos. Eram carnudos e da cor de uma rosa de sangue. Ela umedeceu os lábios, lhes dando brilho. Rohan lhe apertou a mão com mais força. Ela se sobressaltou, mas não emitiu nenhum som. —Cavalheiro, sou incapaz de trabalhar com uma mão só. Rohan retrocedeu, soltando-a. Levantou-se com a mão direita sobre a espada, Rohan a observou rasgar uma tira da prega do vestido, deslocá-la e removê-la através e ao redor de suas camadas de roupa antes de assegurá-la ao redor da coxa do Manhku justo por cima da ferida. Retorceu o tecido até esticá-lo, continuando, tomou a adaga do cinturão. Antes que a tirasse da bainha, o instinto guerreiro de Rohan se apoderou dele. Tomando a arma de sua mão. Isabel chiou e se apartou. Voltou uns assassinos olhos para ele. Rohan agarrou a adaga do chão. A donzela imediatamente se acalmou, apertou as unhas até deixar os nódulos brancos com as mãos na cintura. Ficou em pé, jogando os ombros para trás. Enquanto o fazia, o aroma suave de urze lhe formou redemoinhos ao redor do nariz. Estendeu-lhe a mão, com a palma para cima, pedindo a arma. —Cavalheiro tolo! Para salva-lo tenho que formar um torniquete. Dê-me a faca. Os olhos se enfrentaram. E pela segunda vez nesse dia, algo sobre o espírito guerreiro desta mulher lhe comoveu. Tinha invadido seu lar, aprisionado a sua gente, a humilhado na frente deles, e aí estava ela, cuspindo o fogo do inferno para que a devolvesse a adaga para salvar seu homem. Entreabriu os olhos. Era uma bruxa? Ou estava cegado por sua beleza? Rohan ofegou ante a idéia. Só havia uma mulher nesta terra que teve algo de seu afeto. E estava morta. Rohan lançou ao ar o punho da adaga agarrando-a pela ponta. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. O penetrante olhar percorreu seu rosto, firmando-se nos olhos cor de urze que brilhavam com indignação para ele. Lançou a adaga uma última vez, agarrando-a pela ponta da lâmina antes de entregar-lhe pelo cabo. A outra mão transferida ao punho da espada. A moça fez pouco caso da ameaça, lhe dando as costas e inclinando-se para continuar com a tarefa. Retorceu a tira do tecido esticando-a mais, envolvendo os extremos ao redor da adaga e atando-os para formar um torniquete. Ficou em pé, secando as mãos na túnica. —Levem-no ao salão. Que um de seus homens prepare um leito com palha do abrigo e a coloque diante da grande chaminé. Os cavalheiros se apressaram para obedecer. Quande Rohan a ajudou a levantar-se com uma mão em seu cotovelo, ela apartou o braço. —Eu não quero nada de você, normando. Isabel se afastou a grandes passos tão rapidamente como pôde do irritante cavalheiro, e sem olhar, como se estivesse fugindo dele. Uma vez que o gigante de ébano estava instalado frente ao fogo recém reavivado da grande chaminé, Isabel se inclinou a seu lado, verificando o torniquete. Levantou o olhar para o Rohan, franzindo o cenho.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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