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—De joelhos, donzela. Para cada momento que se negar, uma cabeça rodará através dos juncos. O orgulho empreendeu uma terrível guerra com o medo. A Espada Negra levantou uma mão, e um dos cavalheiros mais próximos a ela agarrou Enid. A faxineira gritou. Isabel mordeu os lábios com tanta força que saboreou o cobre de seu próprio sangue. Deixou-se cair de joelhos. Mas não inclinou a cabeça de modo respeitoso. Olhou-o com dureza, com os olhos entreabertos. Depois lhe cuspiu. Os leoninos olhos se sobressaltaram com surpresa. E uma vez mais o aterrador sorriso lhe torceu os lábios. —Desfrutarei quebrando seu espírito, Lady Isabel. Ele se agachou, e enquanto a elevava, um silvo agudo de ar agitou o comprido cabelo, seguido pelo grito de guerra de um insensato moço. Isabel gritou e deu um passo atrás enquanto uma flecha golpeou o cavalheiro escuro no peito. Quando a seta ricocheteou e caiu ao chão, a mandíbula se desprendeu. No tempo que tomou um piscar, os cavalheiros se adiantaram. O cavalheiro escuro ladrou uma ordem para deter seus homens. O menino era dele. Os olhos de Rohan nunca se separaram de Russell, quem estava desafiante a metade do caminho da escada. Isabel sabia que ele pagaria com a vida pelo ataque. Não podia suportar a perda. Com fria, dura compreensão, Isabel se colocou diretamente frente à trajetória do cavalheiro para a escada. Enquanto ele alcançava a tocha de guerra e a lançava através do salão, Rohan a empurrou para um lado. Isabel ficou paralisada com horror, observando o movimento da arma quando a passou por cima da cabeça em direção a Russell, parecendo em câmara lenta. O moço correu a toda pressa para o oco da escada, onde o fio da arma mordeu fundo na nuca de sua túnica e se cravou na viga de madeira. O furioso cavalheiro se precipitou pela escada, liberando a tocha de madeira e levantando-a para separar a cabeça do Russell do corpo. Isabel se equilibrou subindo pela escada, jogando-se nas costas do menino. —Nay! Não lhe matem! O cavalheiro rugiu de irritação e a agarrou com um punho da túnica, levantando-a a grande altura. Uma tormenta deu começo nos ângulos afiados do rosto, mas Isabel recusou acovardar-se. Era por ela que Russell se encarregou por si mesmo de defender sua honra. Olho por olho com o filho de Satanás, Isabel levantou o queixo, embora a prendesse como se empunhasse um trapo de cozinha. Os olhos brilharam resplandecentes antes que se endurecessem outra vez. —Não interfira, moça! Chutou-lhe na tíbia. —Não sou uma empregada. Sou Lady do Rossmoor. E como tal, tenho direito a algumas palavras. Não machuque o menino! A surpresa faiscou nos olhos. —Exige o que já não é seu. Sou o senhor aqui até que William ordene o contrário. —És tão demoníaco que assassina meninos, assim como a seus pais? O cavalheiro grunhiu baixo: —Dou-lhes a morte aqueles que me matariam.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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