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—Quando me aproximei do ancião, estava sobre as costas lutando por respirar. Pediu-me que me aproximasse mais. Agarrou-me a mão e me disse seu nome e como ele e seu filho tinham caido sob uma covarde espada saxã. Isabel ficou sem fôlego. Rohan assentiu com a cabeça e a pegou na mão. —Ele dizia a verdade. Tirei uma espada saxã de debaixo dele. Também falou de sua rebelde filha. Exigiu meu juramento para ti para que lhes protegesse da raposa com pele de ovelha. O dei. Novas lágrimas se arrastaram pelas bochechas. —Depois me pediu que lhe outorgasse a morte de um guerreiro. —Isabel sacudiu a cabeça— Isabel, é indigno não morrer na mão de seu inimigo no campo de batalha. Alefric tinha sido abatido por um saxão covarde. Ele desejava a morte de um guerreiro. Uma de honra, às mãos do inimigo. A dei. Morreu em paz com o conhecimento de que ia ver Deus como um honorável cavalheiro do reino. Isabel fechou os olhos. As lágrimas foram caindo sob as pálpebras pelas bochechas. Rohan se inclinou sobre ela e as beijou. —Você de todas as pessoas sabe que sou um homem de palavra, Isa. Prometi a seu pai que lhe protegeria e lhe prometo que agora, têm meu coração em suas mãos. Então ele se levantou e saiu da câmara.

Isabel não podia compreender a ação de Rohan. A honra não se adquire por matar alguém no campo de batalha. A honra se ganha por como viveu sua vida. Sentia seu pai que não tinha vivido a vida de um homem honorável? Estava tão seguro de sua morte que insistiu a um estranho, um normando, que lhe desse o golpe final? Soluços fluíram do peito, girou-se, esmagando a cara nos travesseiros. Aye, era exatamente o que seu pai teria pedido! A honra não era uma palavra para ele, a não ser uma forma de vida. Tinha ensinado a sua filha também. A honra acima de tudo. Sumiu-se em um atormentado torpor. Quando despertou, a estadia estava escura, mas na pequena chaminé um fogo ardia com grande resplendor. Uma bandeja coberta de comida se encontrava em uma mesa próxima, e vigiando-a de um canto da habitação estava Enid. A donzela sorriu, mas não se aproximou. Por isso, Isabel se sentiu agradecida. Não queria comunicar-se a nenhum nível com ninguém. As feridas estavam recentes, e queria mais tempo para recuperar-se da comoção em sua vida. Fechou os olhos e se inundou em um sonho mais profundo. Quando despertou, Isabel sentiu a necessidade de utilizar o banheiro, e seu estômago bramou em sinal de protesto. Mas não sentia fome de mantimentos. De fato, não sentia fome de nada. Nem sequer de vingança. Estava totalmente esgotada. Depois de ocupar-se de algumas necessidades, Isabel conseguiu tomar um pouco de caldo e um pedaço de pão. Tirou a roupa, mas não se incomodou em tomar um banho. Uma vez mais, permitiu ao sonho reclamá-la. Era muito mais fácil que enfrentar à realidade do mundo. Na seguinte vez que Isabel despertou, soube que já não podia esconder-se. E igualmente ao seu pai tinha estado moralmente obrigado a morrer como um guerreiro, ela estava moralmente obrigada com sua gente a lhes guiar com exemplo e aceitar o decreto do duque. O estômago a revolveu com tal velocidade, ante o pensamento de viver com o Henri do Monfort, que Isabel pouco podia respirar. Mas se fosse, ele descarregaria sua ira contra as gentis almas do Alethorpe. Fez uma inspiração profunda e se negou a pensar no Henri como o senhor de suas terras.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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