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Não veria sobrinhas e sobrinhos, e ele nunca seria o Lorde do Alethorpe. Isabel se afundou mais nas peles, sentia tanto frio no corpo como se descansasse sobre um bloco de gelo. Não soube que notícia a afetou mais, se a morte de seu irmão ou que Rohan tivesse matado a seu pai. Não ouviu a chamada à porta até que Enid a perguntou se devia responder. Isabel não respondeu. Uns instantes mais tarde, reconheceu a profunda voz de Thorin. A voz de Enid se elevou na discussão, só para ser silenciada pelo tom muito mais grave e zangado de Thorin. Isabel deu a volta, com os olhos tão inchados que logo que podia distinguir ao cavalheiro de um só olho. Aproximou-se dela e se inclinou de modo respeitoso. Por um comprido momento ele não falou, e quando o fez, suas palavras foram lentas e deliberadas. —Lady Isabel, os rodeios sobram. Suplico-lhe isso, não acredite no que um homem desesperado diz quando não tem nada a perder. Rohan é muitas coisas, mas acima de tudo é um nobre guerreiro no campo de batalha. A menos que houvesse uma boa razão, ele nunca mataria a um cavalheiro derrubado com uma adaga no pescoço. Ele usaria a espada e lhe atravessaria o coração. É como atua! Isabel se encolheu ante a gráfica descrição de Thorin. Ela soluçou e assentiu. Ele fez uma reverência e se apressou a sair da câmara.

Bastante no final da tarde, Rohan cavalgava. Montava com força, zangado, confuso. O coração lhe tinha aumentado até o dobro de seu tamanho normal no peito. A dor era insuportável. Assim como doloroso, sentia o coração de Isabel contra seu próprio coração, pulsando em angustiante ritmo. Não sabia o que fazer. O ato estava feito. Ele tinha matado ao Alethorpe ali nas sangrentas ladeiras do Senlac Hill. Quando o velho jazia agonizante, tinha-lhe suplicado ao Rohan que acabasse com ele, pois tinha sido apunhalado pelas costas por um dos seus. Não quis morrer por uma traidora mão saxã. Muito tempo depois que Harold caísse e o campo de batalha fora devastado, Rohan tinha estado limpando o campo dos corpos, quando ouviu a chamada de um homem. —Normando! Rohan tinha duvidado, mas se voltou para responder. Tinha procurado o espesso bosque de corpos antes que encontrasse a nua mão agitando-se no frio ar. O sol da tarde tinha começado a perder sua luz. Rohan se agachou e entrecerrou os olhos para lhe ver melhor. Ajoelhou-se ao lado de um cavalheiro saxão, um igual que Rohan via si mesmo dentro de muitos anos: um guerreiro endurecido, sempre leal a seu Rei e a pátria, lutando até o último fôlego. O saxão agarrou a mão de Rohan. —Me remate, normando. Não vou morrer pela mão de um covarde que me tirou a vida pelas costas. —sua voz, ainda forte para alguém tão envelhecido e tão ferido, continuou— Não deixe que os abutres biquem meus olhos. Olhe que eu e meus companheiros saxões sejamos confessados para obter a absolvição. Rohan assentiu, não sendo um homem de Deus, tinha mais interesse na espada que jazia sob o velho guerreiro. Ele a deslizou por debaixo de suas costas. O punho tinha o símbolo de Edward. Era uma espada saxã. Rohan franziu o cenho, mas a levantou. —É uma espada saxã, milord. O velho assentiu com a cabeça.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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