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O fôlego da Isabel ficou entupido no alto da garganta enquanto o diabo caminhava a grandes passos para ela. Todo som cessou, o mundo se deteve completamente. Olhos dourados brilharam intensamente atrás do negro elmo de metal. A grade protetora dividia o rosto em dois, lhe fazendo parecer inclusive mais ameaçador. Uma cicatriz em forma de meia lua, arruinava o queixo. Era enorme. Maior que qualquer homem com o que ela se encontrou em seus quase vinte e dois anos. Os ombros eram tão largos como a metade da largura da porta dupla de carvalho. As grossas pernas como sobreiros suportavam um amplo torso que levava uma escura armadura flexível com capa negra. Ela cravou os olhos no emblema desenhado no peito. A espada negra afundada através de um crânio, gotas de sangue carmesim pendiam da ponta. O manto não levava brasão. O destino de sua classe. Os rumores lhe chamavam sobrinho bastardo da mãe de William. Os franceses o chamavam A Lambe Noir, os ingleses a Espada Negra. O sangue a gelou, deixando a pele fria como o gelo. Era certo. O cavalheiro negro e o esquadrão da morte que lhe seguia eram célebres por sua habilidade ao matar. Isabel se atreveu a olhar além dele aos cavalheiros igualmente reconhecidos, em busca do gigante de ébano que segundo rumores podia matar a uma dúzia de homens com um golpe da espada. Os lábios do Espada Negra se franziram em um mortal sorriso. Sentiu-se tão indefesa como um camundongo nas mandíbulas de um tranqüilo gato. Entretanto, manteve-se firme, recusando-se a marchar para trás. —Firmes palavras para uma moça tão pequena — disse brandamente, o tom da voz provocava calafrios sobre a pele. —Não me subestime, normando. Estou bem instruída em muitas coisas. O cavalheiro negro avançou para ela, a larga pernada devorando a pequena distância. Levava a flexível armadura e as armas tão facilmente como ela levava uma cesta de flores. Deteve-se a um passo, elevando uns bons dois palmos acima dela. Como se fora tão insignificante como as esteiras de junco no chão, ele começou a examinar o vazio salão. Não lhe emprestou a menor atenção à adaga que empunhava na mão. Não tinha mais que cravar-lhe para atinar no negro coração. Reprimiu o impulso. Dirigiu o olhar para os homens que ele tinha detrás. A violência formava redemoinhos ao redor deles como o vento glacial do norte que passa pelos mouros nortistas. Em caso de que ele sucumbisse, haveria mais para tomar seu lugar. Lutando contra o medo do legendário cavalheiro que tinha tão perto, Isabel percebeu seu aroma. Cheirava a couro e cavalo, a suor masculino. Mas mais sobressalente era o aroma da matança. O peito a contraiu, quando se deu conta que ficou olhando ao rosto da morte. Ele e seus homens encheram o grande salão de fatalidade, e tão forte como Isabel tinha sido sempre, sentiu-se pequena e insignificante em sua presença. Um forte tremor a sacudiu o corpo. Sua vida já não estava nas mãos de Deus a não ser nas de Satanás. —Convoquem a sua gente que se escondem como covardes, e terei piedade deles. —Não podem lhes fazer dano onde estão. Olhou-a severamente. —Talvez, mas posso machucar a sua senhora. Isabel atacou com a adaga. Um instante depois, caiu com estrépito ao chão. Gritou de dor, esfregando-as mãos. O selvagem a agarrou pela parte dianteira da túnica. Deu-a um forte puxão para ele, e o fôlego a saiu precipitadamente do peito pelo impacto.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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