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seu marido em matrimônio. Olhou a mandíbula do homem que desde sua chegada a tinha posto a vida do reverso. Aye, podia admitir que desejava o homem. Arderam-lhe as bochechas. Não mentiria. Mas era um cavalheiro sem terras, não havia futuro para eles. Isabel suspirou profundamente. E ela era uma nobre saxã sem terras. Não tinha nada exceto os restos do tesouro de seu pai ao seu dispor, e que não tocaria, porque na verdade pertenciam a seu irmão agora. E nunca roubaria Geoff. Assim, como Rohan não tinha nada. Era nada o suficiente? Talvez fosse se houvesse amor entre eles, mas realmente só eram as divagações de uma velha transtornada no bosque. O peito de Isabel se contraiu quando a dor e o desespero a envolveram. Pela primeira vez desde a chegada dos normandos, sentiu a necessidade de renunciar. Ir longe e lamber as feridas. Que a deixassem completamente sozinha. Estava cansada de cuidar de todos. Queria que alguém cuidasse dela. Acomodou-se contra o duro peito do homem que dominava cada pensamento seu, e fechou os olhos. Talvez quando despertasse, o mundo seria mais alegre. Não foi assim. Uma escura sombra se abatia sobre o castelo, conferindo-lhe uma aparência triste e sombria. Considerando que os aldeãos pareciam alegres e despreocupados essa manhã, agora pareciam tristes e desesperados. Wulfson a lançou um olhar furioso. As bochechas de Isabel avermelharam. Não era sua intenção envergonhar o cavaleiro aos olhos de seu senhor. Rohan lançou as rédeas a Hugh e desmontou, voltou-se para Isabel e estendeu os braços. Lançou-se facilmente a eles, e quando a desceu do cavalo, o corpo se pressionou contra o seu. Conteve o fôlego ante o calor que radiava dele. Olhou-lhe nos olhos tormentosos. O coração pulsava tão forte contra o peito que sentia como se fosse romper. A tormenta passou em seus olhos, voltou-se e a ofereceu o braço. Ela tomou. Ele ignorou ao Wulfson, que não parecia tão assustado como Warner tinha estado quando ela tinha se esquivado do cavalheiro. De fato, a cara do Wulfson se torcia com furiosa ira. Rohan ignorou ao seu homem. Entraram no salão, e apesar da fadiga, animou-se quando viu que estava vazia de qualquer Willingham. Não tinha forças para intercambiar farpas com a displicente Deidre. Isabel se manteve em silencio durante toda a comida, os acontecimentos do dia desenvolvendo uma e outra vez na cabeça. Estava cansada, confusa e assustada. Mas também sentia uma tensão diferente e espectante. Viu a grande mão de Rohan cortar carne no prato, depois servir uma taça de bom vinho e beber nela. Tinha matado sem escrúpulos no dia de hoje. Entretanto essas mãos podiam ser gentis. E tinham sido com ela. Tremeu. O que esperaria dela essa noite? Levantou o olhar para ver os leoninos olhos que em silêncio a contemplavam. Embora ardessem, havia um brilho sereno neles. Isabel baixou o olhar à comida e mordiscou um pedaço de capão condimentado. As emoções colidiram no coração. Não sucumbiria a ele. Não podia. Chegaria virgem ao seu marido. Não podia suportar a idéia de ter um bastardo. Não era justo para o menino, e não era justo para ela. Sabia que Rohan a pressionaria até a completa rendição. Não se dobraria. Sobre esse assunto, manteria-se firme em sua determinação. —Isabel, o que lhe atormenta? —perguntou Rohan brandamente. Uma repentina quebra de onda de quentes lágrimas brotou dos olhos. Negou com a cabeça, mas uma grande lágrima caiu sobre a mão. Moveu-se para secá-la com a manga, mas ele levou a mão aos lábios e a beijou. Levantou os lábios, deixando-os justo sobre a pele, e disse: —Sua valentia hoje é digna de elogio. Não se desespere muito, donzela. Esta guerra está chegando a seu fim, e se beneficiará dos resultados.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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