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CAPÍTULO 2 —Se preparem para entrar! —disse Rohan a seus homens— A madeira cede! Thorin, Ioan, Wulfson, e Rorick arremessaram o grosso tronco de carvalho para o golpe de misericórdia. Rhys, Stefan, e Warner empunharam igualmente. A uníssono, os dois aríetes se estalaram contra a porta, e a madeira cedeu, abrindo-se com um desagradável chiado. Rohan fincou as esporas no Mordred, e se equilibrou ruidosamente através dos restos destroçados das defesas saxonas. Com o escudo levantado e a espada pronta para usar, conduziu com o enorme cavalo de guerra no espaço aberto do salão. Esticou o corpo em preparação para um assalto total. Em lugar disso, a cena que lhe deu as boas-vindas o chocou. Uma solitária donzela, a que tão descaradamente tinha lhe desafiado da torre, em pé na metade do grande salão. Uma espada aos pés, uma adaga obstinada apertadamente contra o peito. Imediatamente passou os olhos dela para a ampla escada que conduzia às câmaras de cima. Seus homens se desdobraram a pé por trás dele. Rohan instigou ao cavalo além da garota e subiu pela ampla escada, os cascos ferrados produziam um afiado som que estalava na pedra. Caminhou pelo estreito corredor, seguro de encontrar os aldeãos à espreita para guerrear com seu adversário. Pelo contrário, encontrou-se com um inquietante silêncio. Aye, os covardes se escondiam detrás das portas fechadas, permitindo que uma mera empregada se ocupasse de sua segurança. Rohan se burlou com desprezo. Soltou as rédeas, e Mordred deu marcha atrás. Rohan permitiu que o negro se movesse a seu próprio passo pelos traiçoeiros degraus de pedra. A mulher permaneceu em pé, alta e orgulhosa, diante dele. Deteve-se vários passos dela. Se ela se movisse, o arnês com pontas na pata do Mordred a fragmentaria pela metade. O sangue lhe correu quente pelas veias, e lhe ocorreu que desperdiçar tal beleza seria uma tragédia. Não era mais alta que um moço jovem. A grande cabeleira dourada pendurava grosseiramente ao redor do rosto e dos ombros, chegando até a total redondeza dos quadris. Os olhos da incomum cor de urze14 na primeira floração, emoldurados por grossos cílios negros, olhavam-no desafiante. A pele era da cor da nata fresca batida. As bochechas rosadas pelo frio do ar e, supôs, por sua inoportuna visita. Percorreu-a baixando o olhar para os exuberantes seios elevados pela cólera. Já os podia sentir inchar-se completamente sob as mãos, e o suave impulso dos quadris quando se reunissem na paixão. A guerra desse dia foi agradável. Desfrutaria dela enquanto ainda pudesse. Dado que amanhã podia encontrar-se cavalgando para o horizonte ao chamado de seu senhor. Saudou com a cabeça, reconhecendo-a. —Se incline respeitosamente ante seu novo senhor — lhe ordenou em francês. —Nunca me inclinarei perante você — respondeu com veemência. Rohan assentiu com a cabeça e olhou a seus homens, quem flanqueavam as paredes, as espadas prontas para usar. Esperavam só sua palavra para dirigir-se ao profundo do salão e tirar a força de seu esconderijo os saxões. Lentamente, Rohan desmontou.

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Nota PRT: a flor da urze tem o tom de lilás, neste caso os olhos devem ter a cor violeta.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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