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Quando Isabel descia pela escada, o salão estava inusualmente tranqüilo. Manhku estava sentado em uma cadeira com a perna elevada sobre outra. Lhe sorriu. E embora pudesse dizer que ele preferia que ela desaparecesse nas paredes de pedra, os lábios se contraíram em um sorriso. —Bom dia, Manhku, como vai a perna? —A dor se alivia. —Bem. Deixe-me trocar a cataplasma e as ataduras. Isabel pôs-se ao trabalho, e só quando terminou de envolver a última atadura de linho ao redor da coxa, ele pôs a mão sobre a sua. —Você é valente. As palavras a surpreenderam. Isabel levantou os olhos para os seus. —Isso é muito amável de sua parte, Manhku, mas só faço o que faria qualquer um. —Nay. Outra moça teria saído correndo gritando e arrancando os cabelos ante a primeira visão de nós. Você ficou e lutou. Isabel sorriu e ajustou a atadura atando-a, logo se sentou. —Aye, e me dei muito bem. —Rohan é um homem justo. —É um homem em primeiro lugar, Manhku. —Aye, é isso, mas não encontrarão um campeão mais valente que ele. Deixe-o dirigir. E não o traia. Ele nunca te perdoaria por isso. Isabel olhou fixamente ao sarraceno. —Por que me diz estas coisas? —Seu pai e irmão. Eles não voltarão. —Lágrimas quentes brilharam pelas frias palavras— Não tenho intenção de te ferir Lady Isabel, digo a verdade. Estariam aqui se tivessem sobrevivido à sangrenta colina do Senlac. Isabel limpou uma lágrima da bochecha. —Aye, menti pra mim mesmas estas últimas semanas. Mas ainda tenho esperança. —Pode esperar, mas finalmente terá que pôr sua confiança em alguém. —Está me pedindo que seja Rohan o homem em quem confie? —Aye, ou em qualquer um de suas Espadas de Sangue. Nenhum homem mais digno caminha por esta gelada ilha. —Aplaudo sua lealdade, Manhku, mas não há futuro para mim com qualquer cavaleiro daqui. São tão transitórios como o vento. Não têm nome, nem brasão. O mundo lhes chama bastardos. O sangue de três reis corre por minhas veias. Fui criada para administrar um grande senhorio. Para me desposar adequadamente, me relacionar com reis e rainhas. Abriu desmesuradamente os olhos. Ela sorriu e lhe deu uns tapinhas no braço. —Sei como soa tão egoísta. Mas foi o que escolhi. Escolhi esse caminho, pois nele há muito a minha disposição para ajudar a outros. Casada com um pobre e anônimo cavalheiro, poderia obter com muita dificuldade uma exígua existência para mim e para meus filhos, se for abençoada, enquanto meu

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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