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fervendo. Empurrou-a apartando-a e entrou pela porta com a intenção de esclarecer as coisas com a donzela. Deteve-se em seco quando viu a pequena forma curvada envolta em linho sobre o genuflexório. Aproximou-se. As bochechas dela brilhavam com lágrimas. Algo se moveu então em Rohan. Algo tão intenso e profundo que lhe aterrorizou. Não tinha palavras para explicar o que era ou o que significava. Só sabia que a mulher que jazia dormida ante ele era mais valente que os dez cavalheiros de William juntos. Quando o corpo dela se estremeceu enquanto tomava um dilacerador fôlego, ele se aproximou. Ela se moveu, e o linho caiu dos ombros, mostrando os altos montículos dos peitos. Pelo sangue de Deus, era formosa. Ela se moveu outra vez, só um pouco, mas o suficiente para que o espesso véu do cabelo caísse do pescoço. As contusões que a marcavam saltaram para ele, zombando por ser um tolo. Rohan se aproximou e se sentou ao lado da donzela adormecida. Percorrendo-a com o dedo os machucados, maravilhou-se pela suavidade dela. Sem ser capaz de deter-se, arrastou para baixo sobre a cremosa elevação do peito. Viu como a punha arrepiada e os mamilos se eriçaram contra o tecido. Acelerou-lhe o sangue, mas também o fez a dúvida, e a irritação brotou de novo. Apertando a mandíbula tão forte que pensou que romperia os dentes, Rohan quis sacudi-la até que lhe dissesse a verdade. Queria lhe levantar as saias e aliviar-se dentro de seu corpo e saber com segurança que era o primeiro. Rohan ficou em pé e se separou dela. Aye, podia tomá-la e saber com certeza. Levaria os lençóis ensangüentados pela comarca inteira para testemunhar a virtude dela. Não por seu prometido, como tinha insinuado Henri, e certamente não pelo mais ignóbil dos nobres, seu irmão! Rohan girou sobre os calcanhares, quase derrubando Enid. Malditos sejam todos no inferno! O que lhe importava quem a tinha tido? Só era uma mulher.

Rohan não quereia estar perto do castelo. E com essa decisão, encontrou mais que umas poucas tarefas para ocupá-lo no estábulo. Enquanto dava uma última escovada nos flancos de ébano do Mordred, Rohan olhava a palha perto do cavalo, pensando que seria muito mais cômodo dormir perto da besta peluda que jazer ao lado da suave e branda donzela. Aye, tomaria sua refeição aqui fora também. Não queria mais distrações. Devia focar-se no que tinha que obter para William. Esperava ser chamado qualquer dia por seu líder. E embora tratasse de afastar o seguinte pensamento sobre Isabel e deixá-la para trás, não pôde evitá-lo. Incomodava-lhe muito sua preocupação com ela. E se Henri decidia visitá-la de novo? Enquanto Rohan tinha fé completa em todos seus homens, sabia que Henri tinha um terror mais profundo de Rohan que qualquer de seus cavaleiros. Rohan lançou a escova a um caixa, depois agarrou uma faca para cascos. Sustentando a enorme pata entre os joelhos, Rohan começou a extrair o barro de entre os cascos do cavalo. O grande cavalo negro voltou à cabeça para Rohan e lhe mordiscou nas costas como se lhe assegurasse que a mulher não era digna de sua preocupação. —Aye, Mordred, é afortunado de ser uma simples besta. As mulheres não são um grande mistério para ti. Considere isso sua bênção. —o cavalo soprou com se estivesse de acordo. —Então, acha à donzela um mistério, verdade, Rohan? —perguntou Thorin de fora do grande compartimento. —Não te convidei a minha conversa. —disse Rohan laconicamente. —Não podia fazer mais que ouvir. Thorvald e eu tivemos um bate-papo similar.

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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