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—Isto não é apropriado voltar a usá-lo - Se escarneceu Enid, e atirou o vulto de roupa ao fogo. Envolveu Isabel em uma grossa toalha de linho e voltou a deixar contra o genuflexório. —Se deite, milady, e descanse enquanto preparo seu banho. Isabel fez isso. Quando fechou os olhos e tragou, a garganta em carne viva a fez rememorar o dia. O peito esticou quando recordou, não o ataque de Henri a e sim o modo em que Rohan a tinha olhado, como se não fosse apta de lhe limpar o urinol. Verdadeiramente acreditava em seu irmão? Como podia? Rohan, de todos os homens, sabia como desesperadamente se aferrava a sua virtude. Um forte soluço a sacudiu o peito, e apesar dos esforços, Isabel não pôde conter as lágrimas. Em silencioso protesto, deslizaram-se pelas bochechas. Com os olhos fechados, tomou um enorme fôlego e desejou desesperadamente dormir. Cansada, exalou e rezou para que ao despertar, o pesadelo tivesse terminado.

Rohan não desejava companhia. Nem sequer de seus homens, que sentindo seu estado de ânimo sombrio se foram ao outro extremo do salão e ao fogo dali. Queria solidão absoluta. Queria estrangular o seu irmão por tocar em Isabel, e mais que isso, queria forçar a verdade da donzela. Entretanto, não fez nada exceto ficar em pé frente ao fogo crepitante e tomar outra jarra de cerveja. Era a quarta. Uma vez mais, o orgulho estava em uma terrível guerra com sentimentos que não compreendia. Quando Henri subiu as saias de Isabel e expôs o traseiro nu para que todos o vissem, Rohan sentiu uma inexplicável quebra de onda de fúria. E um estranho sentido de propriedade. Não queria que seus homens ou ninguém mais vissem essa parte de Isabel que só ele tinha visto. Ou ao menos, isso pensava. Escarneceu Henri com mentiras, ou dizia a verdade? Uniu-se a donzela com seu prometido? Estaria grávida? Rohan se encolheu ante a idéia dela jazendo com outro homem. Bebeu o último gole de cerveja. Nay, disse-lhe o instinto. Não levava um menino, nem tinha entregue de boa vontade sua virtude. Desde sua chegada, tinha sido vigiada. Gelou-lhe o sangue. E o tempo que esteve ontem no bosque? Esteve sozinha a maior parte do dia e das horas da noite. Talvez Arlys se reuniu com ela ali. Os cabelos da parte de trás do pescoço de Rohan se arrepiaram. Aye, escapuliu de Warner com pouco esforço. Talvez houvesse uma passagem secreta no castelo. Isso tinha perfeito sentido. E talvez se encontrassem dessa maneira. Rohan agarrou a jarra com a mão tão fortemente que os nódulos empalideceram. E essas marcas no pescoço dela? Eram recentes, as marcas de uma mão masculina fortemente impressas. Nenhum homem no senhorio se atreveria a tocá-la por temor a sua ira. E o que? Como tinham chegado ali essas marca? Isabel gostava, como Henri sugeriu, de jogos bruscos? Conhecia mulheres assim. De fato, tinha tido a umas quantas. E embora ele nunca tivesse deixado tais marcas, não podia estar seguro. Porque nunca ficava o tempo suficiente para ver a cara do chafurdar noturno. Assim, era mais que possível que suas marcas tivessem vindo da agonia da paixão. Rohan arremessou a jarra ao fogo e se voltou, determinado a pôr fim às dúvidas a descansar de uma vez por todas. Subiu as escadas para sua câmara. Quando abriu a porta para encontrar só uma habitação fria e vazia, a fúria s disparou. Deixou a habitação, dando uma portada tão forte que retumbou a parede. Moveu-se pelo corredor para as dependências da senhora, onde viu Enid carregando dois grandes cubos de água

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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