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Os muros não eram acessíveis, salvo pela torre, mas a porta na parte superior e a entrada do salão eram tão sólidas como as portas dianteiras. E, estava segura, o inimigo nunca encontraria a passagem secreta que só ela, seu pai e seu irmão conheciam. Por agora estavam a salvo. O duro golpe de um punho esmurrou a porta. —Sou Rohan du Luc. Venho em nome de William duque da Normandía. Abram estas portas — as palavras francesas soaram claramente e embora os aldeãos não as entendessem, o tom era indiscutível. Bertram se precipitou da torre, com o rosto vermelho, os claros olhos aquosos enormemente abertos e aterrorizados. —Tranquei a porta. Se escalarem o muro, não encontrarão um modo de penetrar. —Abram está porta, ou preparem-se para as conseqüências — trovejou a voz de du Luc através da madeira. Isabel se moveu entre a multidão para a porta da torre. —Nay, milady! —gritou Russell, sujeitando-a por detrás— É uma loucura. Certamente lhes abaterão com uma flecha! Tirou-lhe a mão do ombro. —Me deixe em paz, Russell. São cavalheiros, não arqueiros. Elevou o pesado ferrolho do suporte e se apressou pelo retorcido e estreito corredor até que chegou à porta da mesma grossura que a da torre de vigilância. Levantou a trava e abriu a pesada porta. O ar gelado de novembro formou redemoinhos furiosamente ao redor dos tornozelos, deslizando para cima das saias. Rangeu os dentes por esta razão. Isabel hesitou antes de pisar no parapeito. E se Russell tinha razão? Morreria nas mãos de um arqueiro normando? Passando as mãos para cima e para baixo pelos braços para esquentar-se, endireitou a coluna vertebral e baixou os braços. Tomando uma profunda inspiração, aproximou-se do bordo do parapeito de pedra. Colocando as mãos sobre a fria pedra, Isabel olhou para baixo e pôde ver cada um dos cavalheiros negros salvo o líder, com os arcos e as flechas preparadas, apontando diretamente para ela. Conteve o grito na garganta. Não mostraria temor. —Matariam a uma mulher desarmada? —zombou do que supunha ser du Luc. Estava sentado com arrogância escarranchado sobre um enorme cavalo negro coberto com uma armadura de couro negro cheia de espinhos. Enquanto, com o olhar nervoso estimava a grande quantidade deles, o sangue congelou nas veias. Cada corcel de guerra estava igualmente equipado. Pareciam os cavalos do diabo. —Sou Isabel do Alethorpe. Que assunto lhes traz ante mim? —Abram as portas para que possamos falar — disse o cavalheiro à frente. Isabel riu, o vento levou o enigmático som. —Acaso me acham tola? Digam o que tiverem que dizer aí do cavalo. Como um, os cavalheiros esticaram os arcos. O medo a paralisava até as extremidades. Não sentiu o forte golpe do vento contra o rosto ou a maneira que este lhe arrancou o véu e soltou o seu cabelo. Ficou em pé como uma estátua de mármore. Rígida e inflexível. Não mostraria temor. Não daria a volta e correria. Nunca cederia ante este cavalheiro negro. —Em nome do duque William, reclamo este castelo e suas terras. Agora, nos deixem entrar!

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O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

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