Page 104

Isabel saiu de debaixo da mesa, afastando o temor para um lado de momento. Não era de pedir desculpas, inclusive quando era necessário. Era uma teimosa nervura orgulhosa que seu pai tinha tentado por todos os meios erradicar. Mas em vão. Manhku se inclinou para diante, a lança inclinando-se sob a tensão do grande corpo, e estendeu a enorme mão. Isabel tragou com dificuldade e procurou a artimanha no rosto. Não a encontrou. Silenciosamente, os olhos se arrependiam de seus atos. Tomando um profundo fôlego, depois soltando-o lentamente, Isabel aceitou a oferta. Deslizou a mão na sua. Manhku a levantou com a facilidade de uma mãe levantando um bebê de fraldas. Brandamente, a pôs em um banco, depois se voltou e mancou de novo para sua cama, onde tentou várias vezes sentar-se sem cair. Ela correu em sua ajuda, mas foi imediatamente apartada. Faria-o ele mesmo. Isabel ficou em pé detrás. Uma vez que Manhku se acomodou, Isabel foi conseguir os artigos que necessitaria para estancar a ferida. Quando se aproximou dele vários minutos depois, carregada com a cesta de ervas e tecidos, ele franziu o cenho, e apesar da lesão que tinha sofrido em suas mãos, franziu-lhe o cenho com igual força. Esclarecendo-a garganta e ignorando a estreiteza da mesma, ajoelhou-se ao lado dele e disse: —Temo que seria pior como mendigo tendo uma só perna. Agora, se deite e me deixe atender sua perna. Manhku assentiu e relaxou sobre a cama. Deixou escapar um comprido fôlego enquanto ela se inclinava sobre a tarefa. Não lhe deu trabalho enquanto limpava agressivamente e voltava a enfaixar a ferida. Apesar do dano, estava contente com o progresso. Passariam meses antes que tivesse pleno uso. Enquanto se inclinava sobre ele, atando os extremos das vendagens, ele alargou uma mão e lhe tocou com a ponta de um dedo o pescoço. Isabel estremeceu ante o contato, que não era normal na interação com os homens. —Dói? —perguntou ele em francês. Uma repentina cascata de ardentes lágrimas se desprendeu dos olhos. A pergunta de Manhku combinada com o cruel trato de Rohan e a devastação de sua gente se mesclava em um bálsamo duro de tragar. Já não tinha o controle de sua própria vida, mas sim estava submetida a homens que não conheciam a mais elementar das cortesias. Secou uma lágrima e negou com a cabeça. —Nay. Necessitaria um homem muito mais forte que você para me fazer mal. Manhku sorriu. Um som baixo, que Isabel assumiu que servia a modo de risada, retumboulhe profundamente no peito. —Beeeeeem. —disse ele, depois se afundou de novo na cama e fechou os olhos. Isabel ficou em pé, e durante um bom e comprido momento o olhou. Quando se agachou e lhe cobriu com o manto, sabia que estava louca. Que classe de saxã era que mimava assim ao inimigo? Quando o vigia gritou que se aproximavam cavaleiros, Isabel não lhe dedicou mais pensamentos a sua precária situação. Como fazia cada vez que ouvia da chegada de cavaleiros, o coração saltou, e o estômago zumbiu como se tivesse abelhas. Poderia ser esse o dia em que seu pai e seu irmão retornariam? Abriu a grande porta e saiu correndo para pátio.

Profile for Giselle Troitskyevna

O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

Advertisement