Page 10

O estandarte de William duque da Normandía, dois leões dourados sobre um campo vermelho, batia as asas vigorosamente no frio ar da manhã, mas o mais aterrorizante era o estandarte dos morts. Ondulava com arrogância ao final de cada lança. Um pendão ardente com um fundo negro onde uma espada ensangüentada se afundava atravessando uma caveira sorridente. Morte. —Façam soar o berrante para que os aldeãos procurem refúgio no bosque! Se preparem para a batalha! Isabel girou, e se precipitou no espaço da escada para o pátio, apressando os assustados aldeãos para o salão. Vários dos serventes apareceram da cozinha e outros das câmaras superiores. Bertram se apressou da torre, espada em mão; Russell ia detrás dele. Com a ajuda de Thomas, o ajudante do mercado; jogou a grossa e pesada trava da porta sobre os suportes metálicos, logo seguraria os postes contra esta. —Fechem todas as lacunas e janelas! Vigiem as portas exteriores! Avivem os fogos para que não possam penetrar por cima. Tragam as facas das cozinhas. —O que tem nas latrinas? —perguntou Enid, retorcendo-as mãos. —Há espinhos. Podem tentar, mas se farão em pedaços. —Isabel sorriu brevemente ao imaginar os cavalheiros de William apanhados nas pontas desenhadas especificamente para afastar a qualquer que pensasse que era uma boa idéia subir furtivamente pelo poço negro. Uma vez que as ordens tinham sido acatadas e a gente reagrupada no salão, Isabel respirou fundo. Por agora, estavam a salvo. —Milady? —chamou Russell a seu lado. Ela levantou o olhar para os claros olhos azuis do menino próximo à virilidade. Sorriu-lhe e lhe deu um tapinha tranqüilizador no antebraço. —O ferrolho agüentará. Nossos muros não podem ser escalados. Temos muitas provisões para sobreviver bem até a entrada do ano novo. Até lá então meu pai e irmão terão retornado: — o moço lhe ofereceu um olhar de incredulidade. A ira estalou, mas a conteve— Acredite, Russell. Isabel se voltou e correu para a ampla escada de pedra que conduzia aos quartos do segundo andar do castelo. Girou e falou com sua gente. Como tinha feito quando o primeiro ataque foi lançado fazia quase duas semanas, tranqüilizou-os com sua própria presença acalmada. Quando se dispôs a abrir a boca, da torre o vigia exclamou:

—Escalaram o muro do pátio! O pânico estalou ao redor dela. —Ouçam-me! —proclamou— Escutem-me, agora! —O tumulto diminuiu um pouco, mas ainda precisava elevar a voz— Estamos bem preparados. As portas resistirão! —Mas, milady, não temos arqueiros, nem lançadores. Nenhum soldado para nos proteger! —Aye, —assentiu Isabel— e não precisamos — apontou para as grossas portas duplas esculpidas que franqueavam a entrada impenetrável do Rossmoor. Em comparação com a riqueza interior do salão, o grosso carvalho inglês parecia muito rústico. Mas as portas cumpriam com seu objetivo. Tinham sido desenhadas para impedir a entrada até do perseguidor mais fervente— Rossmoor resistiu os ataques mais vigorosos. Agüentaremos até que voltem meu pai e meu irmão.

Profile for Giselle Troitskyevna

O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

O legado da espada de sangue 01 - o senhor da rendição - Karin tabke  

Advertisement