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Publicação Digital| 1

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CFAEPPP


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ÍNDICE 03

Editorial

05

A diversidade: o imperativo do(s) desafio(s) partilhar e refletir para melhor intervir

Teresa Sá, Diretora CFAEPPP

Vitor Tété Gonçalves

07

Uma escola verdadeiramente inclusiva Joaquim Liberal

11

O desafio de incluir todos

13

Inclusão: uma escola de todos e para todos

Ana Paula Pascoal

Rosa Campos

15

Educação Inclusiva: relacionar-se e acreditar para viver, aprender e ser feliz Vanessa Pereira

19

Percursos Inclusivos antes da Educação Inclusiva Anabela Gil, Sílvia Ferreira, Susana Pacheco e Vânia Leal

23 25

Fotografia da capa https://tinyurl.com/y59u4o3u Henry & Co. Photography

Educação e Terapia Psicomotora: dois conceitos com um objetivo e uma finalidade Marina Magalhães e Pedro Flores

Número 1| maio 2019 Direção Teresa Sá Assessora Anabela Gil Design Gisela Meireles Assessora informática Lúcia Letra Serviços Administrativos Cristina Mendonça

Asas para voar…

Sílvia Ferreira

29

“O caminho faz-se caminhando…”

Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva Agrupamento de Escolas de Eiriz


Editorial

TEMPESTADE

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Espera sempre dos momentos Alguma coisa que ao passar Te leve mais além A mais algum conhecimento Mas não queiras salvamento Se faltar a alguém Dança o teu azar Enterra-o por aí Vem passar por dentro

Esta é a segunda publicação digital PPP. Estas edições

Da tempestade

procuram abordar temáticas atuais e pertinentes para

Lança-te a voar

os docentes das nossas escolas associadas. Neste

Nada como abrir

caso, a temática da Educação Inclusiva, não sendo nova, sofreu uma mudança de paradigma a que não

As asas ao vento

podemos permanecer alheios. O Decreto Lei 54/2018

E aprender a cair

estabelece como prioridade uma escola inclusiva,

Convence o próprio pensamento

que dá acesso a todos(as) a um nível de educação e

A abrir as portas para passar

formação facilitador de uma plena inclusão social.

Sem vetar ninguém

Os artigos publicados têm na sua origem momentos

Cada Ser seu sentimento

formativos de caráter diverso, como sejam a formação

E talvez o salvamento

acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico da

Nos salve a nós também

Formação Contínua, ações de curta duração, projetos das escolas associadas e incluem reflexões de

Dança o teu azar

formadores, formandos e de alunos(as).

Enterra-o por aí Vem passar por dentro

Esperamos que seja uma leitura profícua mas

Da tempestade

também de prazer, do género que te leva mais além, a mais algum conhecimento. Aconselho a que seja

Lança-te a voar Nada como abrir As asas ao vento E aprender a cair Letra e música de Márcia (Álbum Vai e Vem)

acompanhada pela audição da canção – Tempestade.


Não importa a quantidade de recursos que temos Se não soubermos como usá-los Serafim Queirós/Vítor Tété Gonçalves


Vitor Tété Gonçalves

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Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano Assessor CFAE Guilhermina Suggia

A DIVERSIDADE: O IMPERATIVO DO(S) DESAFIO(S) PARTILHAR E REFLETIR PARA MELHOR INTERVIR

Como nos preparamos para a inclusão senão

Quem receia a diferença e a sente como uma ameaça

incluíndo? A “perfeição” não pode ser desculpa para

não trilhará certamente o caminho do encontro e

não incluir, quiçá jamais seremos “perfeitos” sem a

da mudança aguardada. Não se fica o mesmo, com

participação do outro que está do lado de fora. Incluir,

certeza, quando se inclui. Ninguém inclui o igual, o

abrir espaços, alcançar quem não corre ou corre por

mesmo, mas o diferente de si, o outro, o que tem algo

fora, reconhecer identidades, é um passo importante na

a acrescentar àquilo que se sabe, que se pode ou que

justeza e no reconhecimento da dignidade de todas as

se faz, que se é. Por outro lado e não de somenos

pessoas. Tudo será repensado para considerar todos,

importância, a inclusão carece de gestão, diária e

ao incluir, o que pressupõe níveis altos de excelência

permanente, não bastando para tanto, dizer não à

na qualidade da educação oferecida, nunca podendo

discriminação. Contemplar a diversidade e compor

a diversidade ser encarada como um obstáculo para

grupos diversos pode não gerar riqueza além da

a qualidade, antes uma ponte para o sucesso das

riqueza já presente. A adição do valor da diversidade

pessoas, das organizações e da convivência social.

é um potencial indiscutível, inegociável, como transformação de um todo, mas que exige interação,

A diversidade como o conjunto de diferenças e

participação ativa e não contemplativa na e sobre a

semelhanças que nos caraterizam, não se restringe

realidade, para que todos não corramos o risco de

apenas às diferenças. Diversos não são os outros,

rapidamente ficar parecidos no mesmo registo, como

ou apenas os outros, que estão em situação de

estratégia de sobrevivência ou de conveniência.

desvantagem, exclusão ou vulnerabilidade. A forma de encarar a diversidade como uma caraterística de

A diversidade vivifica e materializa-se na inclusão,

todos nós, e não de alguns de nós, fará toda a diferença

como uma mentalidade, como uma cultura, um

quando pensamos esta temática e concretamente ao

carisma, uma intencionalidade. Naturalmente que a

não arrepio de uma educação inclusiva. Ninguém inclui

inclusão está e vai muito além da prática da instrução e

ninguém! Incluir é uma disposição para a mudança,

quando incorporada num ambiente escolar como uma

trabalhar para que o outro exista, para a proximidade,

prática não negociável, os seus resultados e benefícios

um interação de todos, e não de um, não sumindo com

coletivos são extraordinários. Uma escola inclusiva

qualquer característica essencial de ninguém e sob

celebra e reconhece a normalidade da diversidade em

algum pretexto.

todas as áreas da existência humana.


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No controverso mas rico mundo atual, volátil, incerto, complexo e ambíguo, como o define o panta rei de Heráclito, ou por Zygmut Bauman como o “tempo da modernidade líquida”, ninguém se banhará duas vezes na mesma água. E pensar a educação num entendimento inclusivo passa necessariamente por uma renovada oportunidade de escola. Discutir hoje a educação de alunos vulneráveis, em risco, com dificuldades ou problemas constitucionais, se implica resgatar o sentido da escola na linha da abordagem efetuada, por um lado, obriga também a um entendimento mais vasto de currículo (tudo é currículo!) e de cultura, por outro. A escola não é inclusiva só porque a anunciamos como tal, nem a educação é um processo que se restringe a sujeitos incluídos e excluídos. A escola inclusiva não é, ou não é só sinónimo de escola regular, não é, ou não deve ser

Quem receia a diferença e a sente como uma ameaça não trilhará certamente o caminho do encontro e da mudança aguardada.

só, sinónimo da escola que se tem. Escola inclusiva é e tem de ser sinónimo de uma escola plena, desafiadora, confiável, com significado para todos. A escola é um espaço de socialização e aprendizagem únicos; uma escola resiliente desenvolverá experiências como desafios e não como ameaças e construirá interações de qualidade com estabilidade e coesão. A escola deve evitar tornar-se um ambiente de risco, embora solitariamente a escola não consiga resolver todos os problemas de todos os seus alunos. Vivamos de forma permanente o espírito dos Direitos Humanos Emergentes, numa lógica de cidadania participativa, incomerciável, para não corrermos o risco, tão familiar, parafraseando o ilustre professor David Rodrigues,

Referências Ainscow, M and Booth, A (revised 2002) Index for Inclusion: Developing learning and participation in schools, Bristol: CSIE, p.13. Connell, RW (1997) Esculeas y justicia social, Ed Morata, Madrid

eminente figura dos assuntos da educação inclusiva,

Rodrigues, D (2013) Equidade e educação inclusiva, Profedições

de “como soará antigo o zumbido do mosquito acabado

Stubbs. S (2008), Educação Inclusiva, Onde existem poucos recursos, Ed por Ingrid Lewis (Versão revista e atualizada), The Atlas Alliance Oslo, Norway

de nascer”. Não sei quem é mais sofredor, aquele que espera eternamente por alguém ou por alguma coisa, ou quem nunca espera, nem por ninguém nem por coisa alguma!

Reinaldo Bulgarelli é sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação e especialista em diversidade. https://www.ethos.org.br/cedoc/inclusaoe-diversidade/#.XKMX6fdKhdg


Joaquim Liberal

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Agrupamento de Escolas D. António Taipa

UMA ESCOLA VERDADEIRAMENTE INCLUSIVA

O principal problema da escola, na atualidade,

Um professor, ao desenvolver atividades de

é a própria escola. Acredito na necessidade de

diferenciação pedagógica com os seus alunos, sabe

rompermos, de vez, com o uso do método simultâneo

que o trabalho tem que ser significativo se os quiser

de ensino, ainda vigente na maioria das salas de aula.

envolver na aprendizagem. Proponho, a título de

Precisamos, com urgência, sair do modelo escolar em

reflexão, algumas atividades e momentos de trabalho

que vivemos há séculos.

que podem tornar a diferenciação pedagógica uma

Para incluirmos, de facto, todos os alunos, na escola

evidência nas nossas salas:

e na vida, tendo como finalidade a construção de uma sociedade melhor, temos que os colocar no centro

- instituir um momento de conselho de turma para que

do processo de aprendizagem. No contexto atual, é

os alunos possam refletir sobre os problemas do seu

cada vez mais premente implicar todos os alunos

quotidiano e participar ativamente nas dinâmicas de

na vida da escola, tal como o determinam as várias

aprendizagem;

orientações legislativas. Torna-se assim evidente que o centro da atividade escolar tem que estar nas mãos das crianças. O papel do professor é determinante para garantir o sucesso de todos. Mas, não sendo o único detentor do saber deve guiar os alunos no caminho do conhecimento, em participação democrática constante. A escola não pode confirmar as desigualdades avaliando os alunos para os excluir do sistema, rejeitando a cultura de cada criança e centrando a avaliação apenas na cultura do professor. A diferenciação pedagógica surge então como forma de romper definitivamente com a aula tradicional. Acredita-se que todos os sujeitos são autores do seu próprio conhecimento e implica-os no ato de aprender.

- organizar, com a participação dos alunos, uma sala de aula rica em diversos materiais e recursos que permitam o desenvolvimento de todas as aprendizagens curriculares; - criar um conjunto de instrumentos de trabalho que os ajudem a planificar e desenvolver o conhecimento de modo autónomo e responsável, em interação permanente com os alunos; - prever, com a turma, momentos de planificação coletiva e individual do trabalho desenvolvido; - regular/monitorizar a progressão nas aprendizagens tendo sempre em vista a avaliação formativa de cada criança e do grupo;


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- estabelecer um momento diário para os alunos

Acredito que os princípios, subjacentes à nova

desenvolverem as suas aprendizagens de modo

proposta de legislação, para o Desenvolvimento

autónomo, o que permitirá ao professor acompanhar

de uma Escola Inclusiva, produzirão mudanças

aqueles que mais precisam da sua ajuda, em termos

significativas nas escolas. Espero que a Lei, tal como

de avanço nas aprendizagens, individualizando assim

os restantes normativos que a sustentam, produzam

as estratégias de ensino, levando todos ao sucesso;

a rutura definitiva com a escola tradicional, para que

- criar um tempo para os alunos desenvolverem projetos de estudo e/ou intervenção, partindo dos

possamos continuar a trabalhar na construção do país a que todos temos direito.

conteúdos programáticos e interesses de cada criança; - tornar visível a produção cultural (textos, cartazes, jornais digitais, páginas web, etc.) dos alunos permitindo-lhe que apresentem à turma, à escola ou à comunidade os projetos individuais e de grupo que vão desenvolvendo na sala de aula; - entender a produção de diversos objetos culturais como geradores de aprendizagem nos diferentes domínios: nas Artes, na Escrita, na Matemática e nas Ciências. Esta proposta de trabalho não se esgota no enunciado destes tópicos, requer um grupo de profissionais que refletem nas suas práticas e se empenham, com regularidade, na procura de novas soluções para os problemas surgidos, tendo sempre como finalidade os princípios de equidade e democracia de que a escola ainda carece. Neste texto procurei descrever, sucintamente, os princípios e atividades de diferenciação pedagógica presentes na sintaxe do Modelo Pedagógico do Movimento da Escola Moderna. Em anexo proponho uma breve bibliografia, cuja leitura complementa o trabalho aqui apresentado.

Bibliografia Liberal, J. (2010b). O Plano Individual de Trabalho: contributos para a avaliação qualitativa das aprendizagens. Escola Moderna, 37(5), 38-56. Niza, S. (1998). A organização social do trabalho de aprendizagem no 1ºCiclo do Ensino Básico, 1(Vol. 11), 77-98. Peças, A. (1999). Uma cultura para o trabalho de projeto. Escola Moderna, 6(5), 56-61.


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Mensagens inspiradoras deixadas pela professora nas mesas dos alunos em dias de prova. Chandni Langford, de Nova Jersey (EUA).

https://hitfull.com/articles/15-amazing-ideas-for-school_ORG.html

SERAFIM Q


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https://hitfull.com/articles/15-amazing-ideas-for-school_ORG.html


Ana Paula Pascoal

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Agrupamento de Escolas D. António Taipa

O DESAFIO DE INCLUIR TODOS

Aparelhei o barco da ilusão E reforcei a fé de marinheiro. Era longe o meu sonho, e traiçoeiro o mar… Miguel Torga

A Escola Inclusiva lança um grande desafio: reconstruir

conteúdos/conhecimentos que, neste contexto,

ambientes educativos invertendo a submissão inerente

passam a fazer sentido enquanto meios para a

do ato de aprender à ação do ato de ensinar. As

resolução de problemas e potenciando o Perfil dos

questões educativas serão o quê e como é que o aluno

Alunos à saída da escolaridade obrigatória.

pode aprender?

Segundo Ariana Cosme e Rui Trindade, os professores

O Decreto-Lei nº 54/2018 estabelece os princípios e as

passarão a ser interlocutores qualificados com a

normas que garantem a inclusão, enquanto processo

missão de conhecer a especificidade de saberes e

que visa responder à diversidade das necessidades

experiências inerentes à sua disciplina dispondo de

e potencialidades de todos e de cada um dos alunos,

medidas: universais, seletivas e adicionais para levar

através do aumento da participação nos processos

a cabo a sua missão: potenciar a aprendizagem.

de aprendizagem e na vida da comunidade educativa.

Apesar destas medidas serem auxiliadoras e,

O Decreto-Lei nº 55/2018 disponibiliza através

acredito, consigam exponenciar o que os alunos

da flexibilidade do currículo tempos e modos de

aprendem, elas exigem um trabalho minucioso que

trabalho para potenciar vivências e experiências com

passa por muitas tentativas-erro. Adivinha-se um

vista ao desenvolvimento dos princípios, valores e

trabalho compensador mas extenuante, só suprível

competências que norteiam o Perfil dos Alunos.

com o trabalho colaborativo e a partilha constante de materiais, experiências ou articulações através

O grande desafio é que se espera um romper de

de, por exemplo, implementação de projetos. Nesta

paradigmas há muito instalados nas comunidades

realidade educativa, a metodologia de projeto é uma

educativas, pelo que as resistências se fazem

das atividades interdisciplinares que promovem não

sentir. De facto, a tónica é colocada nos processos

só a aprendizagem de conteúdos mas pretendem ir

(ritmo, motivação, interesse) que fomentam a

mais longe: desenvolver experiências e desafios que

aprendizagem dos aprendentes e não exclusivamente

fomentem aprendizagens efetivas para os alunos. Urge,

na responsabilidade da transmissão de conhecimentos

em paralelo, desenvolver práticas mais consistentes e

independentemente de os alunos terem aprendido ou

refletidas de diferenciação pedagógica.

não. No fundo, pretende-se capacitar os estudantes de um perfil e não exclusivamente de uma lista de


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Por último, como avaliar os progressos de aprendizagem dos alunos? Augura-se uma aposta indiscutível na avaliação formativa, construtora e fomentadora de aprendizagens com significado e de qualidade ou ainda reguladora de desempenhos. Há que romper com o estigma da avaliação classificadora e categorizadora e dar lugar à autoavaliação e heteroavaliação que comprometem e envolvem os alunos, corresponsabilizando-os pelas suas aprendizagens. O desafio docente é “Como vou ensinar para que os alunos aprendam? Quais as barreiras a destruir?” O professor será, antes de mais, um potenciador de oportunidades para os alunos “brilharem”, subentendendo-se por “brilho” a partilha com os outros das suas potencialidades, competências e valores. Este paradigma educacional e a legislação que fundamenta a Escola Inclusiva colocam os professores numa situação desafiadora. Apesar da audácia do desafio, é importante encarar como

O desafio docente é “Como vou ensinar para que os alunos aprendam? Quais as barreiras a destruir?”

aliciante a construção de iniciativas e projetos. De facto, esta é mais uma “aventura” exigente, mas há que embarcar, “partir na aventura”, como inspira Miguel Torga, “sem desanimar”.

Mas corto as ondas sem desanimar. Em qualquer aventura, O que importa é partir, não é chegar. Miguel Torga


Rosa Campos

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Serviço de Psicologia e Orientação Agrupamento de Escolas de Paços de Ferreira

INCLUSÃO: UMA ESCOLA DE TODOS E PARA TODOS

Na qualidade de psicóloga educacional, a exercer

Flexibilidade: a gestão flexível do currículo, dos

funções no serviço de psicologia e orientação do

espaços e dos tempos escolares, de modo que

agrupamento vertical de escolas de Paços de Ferreira,

a ação educativa nos seus métodos, tempos,

membro da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Inclusão

instrumentos e atividades possa responder às

e formadora, sou totalmente favorável aos princípios

singularidades de cada um;

orientadores da Educação Inclusiva e às opções metodológicas associadas. De facto, constatei que o diploma se pauteia por oito princípios orientadores da Educação Inclusiva que destaco: Educabilidade universal: todas as crianças e alunos têm capacidade de aprendizagem e de desenvolvimento educativo; Equidade: garantia de que todas as crianças e alunos têm acesso aos apoios necessários de modo a concretizar o seu potencial de aprendizagem e desenvolvimento; Inclusão: o direito de todas as crianças e alunos ao acesso e participação, de modo pleno e efetivo, aos mesmos contextos educativos;

Autodeterminação: o respeito pela autonomia pessoal, tomando em consideração não apenas as necessidades do aluno, mas também os seus interesses e preferências, a expressão da sua identidade cultural e linguística, criando oportunidades para o exercício do direito de participação na tomada de decisões; Envolvimento Parental: o direito dos pais ou encarregados de educação à participação e à informação relativamente a todos os aspetos do processo educativo do seu educando; Interferência mínima: a intervenção técnica e educativa deve ser desenvolvida exclusivamente pelas entidades e instituições cuja ação se revele necessária à efetiva promoção do

Personalização: o planeamento educativo

desenvolvimento pessoal e educativo das

centrado no aluno, de modo que as medidas

crianças ou alunos e no respeito pela sua vida

sejam decididas casuisticamente de acordo

privada e familiar.

com as suas necessidades, potencialidades, interesses e preferências, através de uma abordagem multinível;


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Para além disto, também tive a oportunidade

apropriação às aprendizagens e o autoquestionamento

de frequentar o Curso de Formação “Para o

do docente em relação à sua prática pedagógica e,

desenvolvimento de uma escola inclusiva” que

ainda, dispensa categorização e diagnóstico para se

decorreu no AE de Eiriz, sob a orientação da colega

poder tomar medidas de melhoria da aprendizagem.

Vanessa Pereira, que tanto contribuiu para analisar e

Evolui-se de uma abordagem à espera do insucesso

refletir a educação inclusiva como uma educação onde

para uma intervenção precoce.

se deve respeitar as necessidades e características

Por fim, que consigamos promover a todos o meio

de toda a criança, para que a mesma adquira uma

ideal para que todos cresçam em aprendizagens

maior autonomia e independência. Permitiu, também,

académicas, pessoais e sociais tornando-se cada um

uma partilha de conhecimentos e experiências muito

num cidadão realizado.

enriquecedoras, sendo que o diploma 54/2018 vem alertar para uma nova visão de inclusão, bem como mostrar que toda a sociedade sairá beneficiada, uma vez que permitirá uma metodologia mais individualizada, dispondo de uma maior quantidade e variedade de recursos que desenvolverão valores e atitudes de solidariedade, colaboração e respeito. Na minha ótica, este diploma apresenta como máxima a consciencialização de todos os envolvidos na comunidade escolar para trabalharem em prol de uma escola e/ou educação inclusiva e vem motivar o agente educativo para a identificação e eliminação de possíveis barreiras que possam existir. Assenta numa abordagem multinível (medidas universais, seletivas e adicionais) e valoriza a implementação de projetos com evidências científicas, de práticas pedagógicas diversificadas com foco nas potencialidades dos alunos, bem como num maior envolvimento das autarquias. Atrevo-me a resumir o diploma num lema: “Que ninguém pode ficar pelo caminho pois qualquer um aprende desde que se adeqúe”. A maior diferença deste diploma em relação ao anterior é a inclusão de todos os alunos, privilegiando diferentes estratégias de

“Que ninguém pode ficar pelo caminho pois qualquer um aprende desde que se adeqúe”


Vanessa Pereira

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Serviço de Psicologia e Orientação Agrupamento de Escolas de Eiriz

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: RELACIONAR-SE E ACREDITAR PARA VIVER, APRENDER E SER FELIZ

Enquanto pessoa, formadora, psicóloga e membro da

A Abordagem Multinível é um modelo de atuação

Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva,

de escola, que se baseia em práticas teórica e

acredito e defendo os princípios orientadores da

cientificamente fundamentadas e num contínuo de

Educação Inclusiva e as opções metodológicas

intervenções, a fim de proporcionar a aprendizagem/

associadas. Frequentar e dinamizar o Curso de

mudança de comportamento (Brown-Chidsey & Steege,

Formação de Formadores “Para o desenvolvimento

2010; Erchul, 2011; citados por Carvalho, 2018).

de uma escola inclusiva” enriqueceu-me a nível

Sendo uma atuação integrada no acesso ao currículo,

dos conhecimentos, das competências e das

é essencial uma intervenção intencional, preventiva

atitudes. O facto de conviver, partilhar e construir com

e atempada, o enfoque na dimensão pedagógica e

diversas pessoas e profissionais foi fundamental

curricular, a avaliação para a aprendizagem e como

para realçar os benefícios da Educação Inclusiva

aprendizagem, e a reorganização organizacional e

e das outras medidas do Programa Nacional de

funcional. É necessária “uma conceção radicalmente

Promoção do Sucesso Escolar e para dar vida às

nova do ensino e do currículo” (Nóvoa, 2004; Cosme,

mesmas nos contextos escolares. Todas as reflexões

201), dando continuidade ao processo de mudança

proporcionadas permitiram-me, igualmente, ficar com

e acreditando nas capacidades de aprendizagem de

uma bagagem mais sustentada e abrangente, pensar

cada um/a, a fim de garantir que toda/os tenham

intencionalmente em várias estratégias interventivas,

oportunidade de “aprender mais e melhor”. Quando

adequando-me ainda mais aos diferentes contextos,

nos envolvemos na construção dos conhecimentos,

nomeadamente escolares. Efetivamente, a fim de

competências e atitudes em vez de seguir instruções,

garantir que toda/os e cada um/a da/os aluna/os

e quando partilhamos a/os mesma/os, tornamo-nos

têm oportunidades de aprendizagem, atendendo

atores/rizes ainda mais comunicativo/as, criativo/as,

em simultâneo às suas necessidades e criando as

aberto/as, cooperantes, autónomo/as e responsáveis,

condições necessárias à sua inclusão, participação

com maior capacidade de reflexão, espírito crítico,

e aprendizagem, a aplicação do Desenho Universal

escolha e resiliência, e maior motivação e controlo

para a Aprendizagem e da Intervenção Multinível em

em relação às nossas aprendizagens. Também,

contexto educativo tornam-se imprescindíveis.

compreendemos e acedemos a uma aprendizagem


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mais profunda, consolidada, autêntica e significativa

reconhecidas como “pedagogias de tomada de

em vez de memorizar e repetir. Desta forma, a

decisão”, permitem a “melhoria e transformação das

intervenção adequa-se às diversas competências

aprendizagens com uma gestão do currículo de forma

e paixões/interesses, sendo valorizado o respeito

flexível e contextualizada” (Cosme, 2018) e facilitam

pelas diferenças e estimulada a aprendizagem

a implementação desta mesma metodologia. É, de

por autodescoberta e os diferentes potenciais. A

facto, importante “empurrar a/os aluna/os” (Cosme,

Diferenciação Pedagógica (foco no conhecimento

2018) para a sua Zona de Desenvolvimento Proximal

da/o aluna/o), ou seja a adequação dos conteúdos,

(Vigotsky, 1978), que coincide com a distância entre o

processos e produtos ao nível de preparação, dos

nível de desenvolvimento atual/capacidades de resolver

interesses e do perfil de aprendizagem de cada

problemas sem ajuda e a gama de possibilidade com

um/a do/as aluno/as, valoriza a intencionalidade

a orientação da/o adulta/o ou a colaboração de pares/

da planificação (diversidade e Aprendizagens

potencial para aprender, privilegiando a aprendizagem

Essenciais), a variedade dos métodos e das técnicas

cooperativa. Esgotando-se as medidas universais

pedagógicas e dos recursos/materiais (flexibilidade),

e correndo a necessidade de intervenção dirigida a

e a monotorização dos progressos (reflexão frequente

grupos específicos que precisam de uma intervenção

e diversidade de avaliação), a fim de garantir maior

focada no desenvolvimento de competências mais

sucesso do processo de ensino-aprendizagem (Bartolo

específicas ou de uma intervenção mais intensiva

et al., 2007; Berger, 2011; Tomlinson & Allan, 2002;

e individualizada, poderão serem implementadas

Carvalho & Azevedo, 2018). Esta abordagem, que

medidas seletivas e/ou adicionais (Lopes & Almeida,

integra medidas universais, seletivas e adicionais de

2015; Referencial Técnico para os Psicólogos

suporte à aprendizagem e à inclusão torna-se mais

Escolares, 2016).

eficaz e eficiente com a Autonomia e Flexibilidade Curricular conferida às escolas.

Embora não seja fácil organizar, planificar e

O Desenho Universal para a Aprendizagem (foco

reajustes, o esforço e a persistência valem a pena.

na gestão do currículo) reforça a importância de

Na autorregulação da aprendizagem, a autonomia/

proporcionar múltiplos meios de representação

escolha e o controlo/autoperceção de eficácia estão

(formas de apresentação dos conteúdos), de ação e

diretamente relacionados com a vinculação à tarefa

expressão (formas de expressão dos conhecimentos

(Rosário, 2017) e reforçados pelos interesses e

e competências pela/os aluna/os) e de envolvimento

motivação associados. A/os aluna/os consideram

(estimulação dos interesses e da motivação para

geralmente as técnicas ativas como sendo mais

aprender; CAST, 2011; Azevedo, 2018). Estas

interessantes, motivadores, atuais, acessíveis e bem

diferentes formas de apresentação, de expressão

sucedidas, garantindo-lhes maior aprendizagem.

e de envolvimento, a orientação de pares e adulta/

Para a/os docentes, também, são mais atrativas,

os e o feedback diferenciado e personalizado

motivadoras e enriquecedoras, conseguindo maior

proporcionam uma aprendizagem mais efetiva.

envolvimento da/os aluna/os e mais tempo para se

As acomodações curriculares (medida universal),

dedicar a cada um/a. A valorização do significado

antecipar, pensando nas diversas necessidades e


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da aprendizagem, a adaptação dos conteúdos às

Na escola, é essencial ajudar a/os aluna/os a “crescer

necessidades do dia a dia, a comunicação não violenta

sem parar”, a fim de toda/os terem oportunidade de

(Rosenberg, 2006), o não julgamento (diferentes

“aprender mais e melhor” (Cosme, 2018). Também,

formas de olhar, compreender e resolver problemas), a

não podemos esquecer que “o ser humano não

aceitação, a abertura com curiosidade, a capacidade de

pode deixar de aprender, tem sorte de aprender e é

adaptação, o acreditar/confiar, a empatia, a criatividade

condenado a aprender.” (Charlot, 2000; Cosme, 2018).

(sem ter medo de arriscar) e a cooperação facilitam

De facto, “aprendendo, ele constrói suas relações

o processo de ensino-aprendizagem e qualquer

com o mundo, com os outros e consigo mesmo e,

“processo em desenvolvimento e constante mudança”,

portanto, uma forma de aprendizagem ou de saber

com o da Educação Inclusiva (Trindade, 2018), nunca

sempre envolve determinada forma de relação com

se esquecendo que as nossas expetativas (acreditar)

o mundo, com os outros e consigo mesmo.” (Charlot,

são fundamentais para o sucesso e bem-estar da/o

2005). Não correndo tão bem, tiramos proveito

aluna/o. É preferível observar/constatar os factos

para aprender, repensar e reajustar, sem se zangar

em vez de fazer juízos de valor, exprimir os nossos

com o que acontece. Como é com @s outr@s que

sentimentos (mensagem no “eu”) e testar os pré-

aprendi, muito obrigada a tod@s pelas aprendizagens

requisitos/partir das experiências da/o outra/o em

proporcionadas.

vez de opinar logo, partilhar as nossas necessidades/ valores em vez de escolher as soluções no lugar da/o outra/o, e exprimir o nosso pedido em vez de exigir e/

“viver em vez do ensinar” (formar) e os três domínios

Na escola, é essencial ajudar a/os aluna/ os a “crescer sem parar”, a fim de toda/os terem oportunidade de “aprender mais e melhor”

do saber (conhecimentos, competências/capacidades

Cosme, 2018

ou ameaçar (Rosenberg, 2006), escutando de forma mais ativa. As recompensas, os elogios e os reforços, após um esforço, facilitam a aprendizagem (Coquart, 2011) e permitem evitar o sentimento de impotência, que poderia afogar os próximos esforços (Dehaene, 2013). Não só “a diferença não é um problema, mas uma oportunidade.” (Trindade, 2018), mas também “corrigir ajuda” e “encorajar, ajuda ainda mais” (Goethe, 1810). Sem afeto, não há aprendizagem, e sem interesse e utilidade para a prática e o dia a dia, não há motivação (Trindade, 2018). Neste sentido, é fundamental valorizar o “direito de pensar diferente”, o

e atitudes), como reforçados no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e na Educação para a Cidadania, para “formar cidadãos democráticos, participativos e humanísticos” (Cosme, 2018).


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Fotografia · https://tinyurl.com/yyjqwgkn · Rahul


Anabela Gil e Sílvia Ferreira

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Agrupamento de Escolas de Vilela

PERCURSOS INCLUSIVOS ANTES DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

O ano de 2018 trouxe amplas possibilidades de

Atualmente, uma das prioridades da ação governativa

enquadrar legalmente algumas transformações nas

“aposta numa escola inclusiva onde todos e cada

comunidades educativas, ilustrados pelos Decretos-

um dos alunos, independentemente da sua situação

Lei n.º 54/2018 e o n.º 55/2018, de 6 de Julho. Não

pessoal e social, encontram respostas que lhes

obstante, de anteriormente, já existir um longo percurso

possibilitam a aquisição de um nível de educação e

de trabalho realizado nas escolas e de legislação

formação facilitadoras da sua plena inclusão social.

que procuravam ir ao encontro dos alunos com

Esta prioridade política vem concretizar o direito de

Necessidades Educativas Especiais.

cada aluno a uma educação inclusiva, que responda

Portugal estabelece um compromisso com a

às suas potencialidades, expectativas e necessidades,

educação inclusiva, de acordo com a definição da

no âmbito de um projeto educativo comum e plural

UNESCO (2009), procurando responder à diversidade

que proporcione a todos a participação e o sentido

de necessidades dos alunos, através do aumento

de pertença em efetivas condições de equidade,

da participação de todos na aprendizagem e na

contribuindo assim, decisivamente, para maiores níveis

vida da comunidade escolar, em conformidade com

de coesão social” (in Decreto-Lei n.º 54/2018).

a “ratificação da Convenção sobre os Direitos das

O sentido da ação procura integrar todas as estruturas

Pessoas com Deficiência e o seu protocolo opcional,

organizacionais existentes num único sentido, como

adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas,

se encontra explícito no Decreto-Lei n.º 55/2018, “uma

em Nova Iorque, no dia 13 de dezembro de 2006,

escola inclusiva, promotora de melhores aprendizagens

aprovada pela Resolução da Assembleia da República

para todos os alunos e a operacionalização do perfil

n.º 56/2009, de 30 de julho, ratificada pelo Decreto do

de competências que se pretende que os mesmos

Presidente da República n.º 71/2009, de 30 de julho, e

desenvolvam, para o exercício de uma cidadania ativa e

reafirmada na «Declaração de Lisboa sobre Equidade

informada ao longo da vida, implicam que seja dada às

Educativa», em julho de 2015. Este compromisso

escolas autonomia para um desenvolvimento curricular

visa ainda dar cumprimento aos objetivos do

adequado a contextos específicos e às necessidades

desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 da ONU.”

dos seus alunos ” (in Decreto-Lei n.º 55/2018).

(in Decreto-Lei n.º 54/2018)


| 20

A experiência pedagógica que abaixo se retrata, foi

Development of the Students’ Educational Quality”

desenvolvida com os alunos do Agrupamento de

2016-1-LT01-KA219-023141, permitiu ampliar as

Escolas de Vilela (AEV) [12º VC do Curso Científico

competências no exercício de metodologias que

Humanístico de Línguas e Humanidades e todos os

poderiam ser diferenciadoras como estratégias

alunos com Necessidade Educativas Especiais (NEE)

de ensino-aprendizagem dos alunos, e a enorme

do 12ºVC e de outros anos/turmas], no ano letivo de

vontade em partilhá-la no contexto. A exploração

2017/18. Integrou a Planificação e Desenvolvimento

do Kinesthetic Method (metodologias cinestésicas

Curricular do Núcleo de Inovação Pedagógica

– estilo/ método de aprendizagem – associando a

(assessoria técnico-pedagógica da Universidade

intencionalidade e significância do movimento aos

Católica Portuguesa) e está em perfeita sintonia com

conteúdos), aplicando-o aos conteúdos programáticos

o enquadramento legal atual. Fomentou nos alunos

de Geografia C e de Geografia do Ensino Básico,

“o desenvolvimento de competências de pesquisa,

permitiu que todos os alunos pudessem realizar

avaliação, reflexão, mobilização crítica e autónoma

“aprendizagens significativas e o desenvolvimento

de informação, com vista à resolução de problemas

de competências mais complexas, (...) valorizando

e ao reforço da sua autoestima e bem-estar (…);

os saberes disciplinares, mas também o trabalho

apostou na dinamização do trabalho de projeto e no

interdisciplinar, a diversificação de procedimentos e

desenvolvimento de experiências de comunicação

instrumentos de avaliação, a promoção de capacidade

e expressão nas modalidades oral, escrita, visual

de pesquisa, relação, análise, o domínio de técnicas de

e multimodal, valorizando o papel dos alunos

exposição e argumentação, a capacidade de trabalhar

enquanto autores, proporcionando-lhes situações

cooperativamente e com autonomia” (in Decreto-Lei n.º

de aprendizagens significativas” (in Decreto-Lei n.º

55/2018)

55/2018).

Nos artigos das alunas Susana Pacheco e Vânia Leal,

Os momentos vivenciados foram únicos e bastante

podem-se testemunhar alguns dos sentimentos que

gratificantes, desde a identificação da problemática

marcaram esta Experiência Pedagógica.

[escassez/ inexistência de momentos/ atividades que pudessem incluir mais os alunos com NEE (com um Currículo Especifico Individual) na turma, na planificação e opções tomadas, durante todo o processo até ao produto final – a realização de atividades. O processo avaliativo contemplou uma

Susana de Barros Pacheco Agrupamento de Escolas de Vilela

“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”

dimensão mais formativa, envolvendo todos alunos

Nos últimos anos, têm sido implementadas, nas

neste processo, refletido as diferentes fases de

escolas, políticas educativas de inclusão, dando asas

trabalho, culminando numa, inevitável, diferenciação

ao crescimento do conceito de escola e educação

na classificação – pelo empenho, organização,

inclusivas. De facto, este modelo educativo pede uma

envolvimento, (…), demostrados.

constante adaptação, evolução, atualização e precisa

A frequência do Projeto Erasmus + - “Influence

de ser sempre repensado, à medida que o tempo passa,

of Kinesthetic Teaching and Learning Upon the


| 21

e consoante as próprias características e necessidades

No meu caso, foi muito gratificante ter a possibilidade de

de cada aluno ou grupo de alunos.

criar toda uma atividade em volta dos próprios conteúdos

A Educação Inclusiva tem, sem dúvida alguma, um

lecionados em Geografia C, adaptando-os para os

papel extremamente importante no que toca ao

alunos com NEE. Apesar de ter sido muito desafiante

inter-relacionamento e integração dos alunos com

encontrar uma solução criativa, divertida e diferente

Necessidades Educativas Especiais (NEE), na medida

para adequar ao contexto escolar, julgo que o resultado

em que visa a educação integrada (sem distinções

obtido foi bastante satisfatório, não só pelo “produto

entre os discentes) com os mais diversos métodos de

final”, mas por tudo aquilo que eu própria absorvi de todo

aprendizagem, nomeadamente aqueles que envolvem

aquele trabalho – a possibilidade de quebrar barreiras

atividades cinestésicas, ou seja, que incluem a

completamente desnecessárias, absurdas e retrógradas

expressão corporal como um grande auxiliar lúdico.

que são criadas entre os alunos com necessidades educativas especiais e os restantes.

Segundo a Direção Geral da Educação (DGE), “a criação de escolas inclusivas implica considerar as

Considero que estes métodos são extremamente

três dimensões que a mesma incorpora: a dimensão

produtivos, enriquecedores e essenciais para a

ética, referente aos princípios e valores que se

construção de um bom perfil do aluno – algo que,

encontram na sua génese; a dimensão relativa à

ultimamente, tem sido muito relevado – visto que aqui

implementação de medidas de política educativa que

também se aplicam largos e abrangentes conceitos

promovam e enquadrem a ação das escolas e das suas

que são referidos todos os dias nas escolas e que nem

comunidades educativas e a dimensão respeitante às

sempre são levados a cabo: companheirismo, integração,

práticas educativas, não podendo nenhuma delas ser

compreensão, educação, afetividade, amizade, estima

negligenciada”.

e, sobretudo, solidariedade e respeito. Além disso, é importante frisar que, por experiência própria, posso

Na minha opinião, toda esta conceção de inclusão é

afirmar que a cinestesia é um excelente aliado para

extremamente importante para o desaparecimento

uma aprendizagem mais rápida e eficaz, sendo que nem

de qualquer tipo de preconceitos na comunidade

sequer chega a provocar tanta fadiga nos alunos (pelo

escolar e para atingir a homogeneidade da mesma.

contrário, ajuda e incentiva à própria concentração e a um

No âmbito da disciplina de Geografia C, no meu 12.ºano,

maior cuidado na realização das tarefas).

no ano letivo de 2017/2018, tive a possibilidade de lidar com um método de trabalho inovador e

Efetivamente, ainda há um longo caminho a percorrer

completamente diferente daquilo a que estava

(embora bem mais curto do que há algumas décadas)

habituada – o “Kinesthetic learning”, que defende que

para que este sistema educativo de inclusão seja

os alunos obtêm mais capacidade de concentração

implementado em todas as escolas e seja visto como

e aprendizagem através do movimento/atividade

algo comum e essencial à formação dos alunos de

física, do que propriamente pela leitura de teoria e

ensino básico e secundário.

demonstração de técnicas.

No entanto, como diria Fernando Pessoa, “primeiro estranha-se, depois entranha- se”.


| 22

Vânia Leal AE de Vilela

mais especificamente métodos que envolvam o movimento, podem melhorar a capacidade de concentração, e de interiorização das matérias em causa,

Projeto Kinesthetic Method

por parte dos alunos.

Ao longo de toda a minha vida escolar deparei-me

De facto, este projeto foi um pouco trabalhoso, mas

com meninos e meninas que eram “diferentes”, que

muito gratificante no final. Ao longo de todas as

precisavam de uma ajuda extra para alcançar certas

apresentações começamos a conhecer ainda melhor

coisas que, para mim, até eram relativamente fáceis. E

estes meninos e começamos a ver que estes eram

muito poucas foram as vezes em que alguém, de facto,

simplesmente crianças ditas “normais”, apenas tinham

me fez ver para além das limitações que estes meninos

as suas limitações, assim como cada um de nós tem

e meninas apresentavam.

as suas, as deles apenas eram mais notáveis. Ao ver a sua interação com o resto da turma comecei a perceber

Na verdade, acho que só o fiz quando entrei para o

então o que “educação inclusiva”, de facto, significa.

meu secundário, mais precisamente, quando convivi diretamente com estes casos dentro da minha turma.

O Projeto Kinesthetic Method, à primeira vista, pode

Como era de esperar, o primeiro impacto que tive com

parecer muito complicado e trabalhoso, mas depois de

a entrada destes novos alunos foi de estranheza, mas

o colocarmos em prática é extremamente gratificante e,

rapidamente ao observar as aulas das disciplinas de

para além disso, faz-nos crescer a nível pessoal. E, por

Geografia e de Inglês comecei a perceber melhor o método

isso mesmo, considero que deveria ser utilizado cada

destes alunos. Eles eram tão capazes como todos os

vez mais no ensino português. Como é óbvio, mudanças

outros, apenas precisavam de uma motivação extra.

como estas não vão acontecer de um dia para o outro, mas acredito que seja uma mais valia para todos.

A ligação que as duas professoras, Anabela Gil e Sílvia Ferreira em concreto, criaram com este menino muito

É claro que os métodos de ensino tradicionais também

especial foi incrível, e dei por mim a admirar muito este

são importantes, mas um equilíbrio entre os dois seria

trabalho de equipa e a ter curiosidade pelo mesmo. No

uma grande vantagem. De facto, é um projeto muito

ano seguinte, o meu 12ºano, o último do ensino escolar

diferente, no entanto, a única “pena” que tenho, é nunca

obrigatório, surgiu-nos uma proposta no âmbito da

ter tido a oportunidade de o fazer mais cedo.

disciplina de Geografia C. O desafio era que cada grupo cria-se um novo meio de aprendizagem, utilizando o Projeto Kinesthetic Method, que conseguisse captar a atenção de toda a turma e, em especial, destes alunos com necessidades educativas especiais. O Projeto Kinesthetic Method acredita que a aprendizagem através de métodos mais dinâmicos,


Sílvia Ferreira

| 23

Agrupamento de Escolas de Vilela Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva

ASAS PARA VOAR…

No ano letivo de 2016/2017 criou-se o “clube raízes

efetiva e de aprendizagem constante, através do

e asas”. Este projeto surge do trabalho desenvolvido

exemplo e do saber-fazer. Pretende-se, também, que

pela articulação do Curso de Animador Sociocultural

os alunos conheçam um pouco das raízes dos nossos

e a Educação Especial da Escola Básica e Secundária

ancestrais para poderem dar asas ao seu imaginário e

de Vilela no letivo 2015/16, trabalho com o objetivo

poder criativo. Só com conhecimento e saber fazer o

primordial da inclusão (criando ambientes e

poderão desenvolver.

metodologias de trabalho totalmente inclusivos).

O saber pode ser uma arma de libertação, de

É um projeto multidisciplinar, com intervenientes

transformação social e educativa. As expressões e os

ativos, professores, funcionários, alunos e elementos

labores aguçam o desejo de falar, escrever, ler, ouvir,

convidados da comunidade local, e é um recurso

paralelamente ao prazer da realização e construção.

pedagógico-lúdico, que pretende aproveitar o seu poder

De acordo com o professor Max Haetinger (1998),

motivador para levar a cabo atividades orientadas no

quem se expressa e cria, se adapta e se transforma

sentido da consecução de objetivos educativos das

com mais facilidade diante de diversas situações,

diversas áreas, conduzindo à formação integral dos

revela-se a si mesmo e aos outros e através dos jogos

alunos e sensibilização dos jovens para a diferença.

de situações, o aluno, tem o seu mais espontâneo meio

A criação laboral na escola é um tempo de

de expressão: a simulação.

disponibilidade, de exploração, de fantasia, de olhar

A comunidade local e dos pais não se podem/ não

atento às realidades, e de comunicação feita de prazer

devem ficar alheios a tudo isto. “Quando os pais

e aprendizagem. É urgente incentivá-la através do

colaboram com a escola, os professores beneficiam

desenvolvimento de um projeto em que os labores e a

porque essa colaboração tem um impacto positivo na

funcionalidade para uma vida ativa se assumem como

aprendizagem dos alunos. A escola também beneficia

instrumento de formação no Agrupamento de Escolas

porque a sua imagem social sai reforçada. Os pais

de Vilela (AEV). São muitos os alunos que apresentam

também têm vantagens porque melhoram as suas

uma disponibilidade e uma criatividade sem limites,

competências como educadores e aprendem a conhecer

pronta a ser canalizada para algo que os motive e para

melhor os seus filhos” (Marques, 1997).

a ajuda ao próximo. E outros alunos que necessitam

“A filosofia inclusiva encoraja a escola a provocar

deles para os ajudar a crescer numa base de inclusão

ambientes de entreajuda entre a mesma e a família


| 24

no processo educativo de alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) …” (Correia, 2008). Estas afirmações levam-nos a considerar que este projeto “Clube Raízes e Asas” é um bom caminho para desenvolver e trabalhar valores educativos, para favorecer o desenvolvimento pessoal e social, para promover o conhecimento, para mudar comportamentos, para desenvolver a responsabilidade e a autonomia criando “Raízes”. Desta forma, será possível contribuir para um desenvolvimento da atividade e participação dos alunos com NEE de um modo totalmente inclusivo, facultar saberes que contribuam para uma vida o mais ativa possível, e promover aptidões para que consigam construir as suas “Asas”. O AEV visava já no seu dia-a-dia a inclusão e o desenvolvimento de um trabalho com um objetivo totalmente inclusivo, defendendo, desde sempre o aluno como um todo e uma pedagogia de trabalho de todos e para cada um. Assumimos sempre uma orientação inclusiva, reforçando o direito de cada um dos alunos a uma educação consentânea com as suas potencialidades, expetativas e necessidades, proporcionando a todos a participação e o sentido de pertença num conjunto de respostas planeadas em verdadeiras condições de equidade, de que são exemplo, os factos descritos.


Marina Magalhães

| 25

Agrupamento de Escolas de Vilela Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva

Pedro Flores Agrupamento de Escolas Paredes

EDUCAÇÃO E TERAPIA PSICOMOTORA: DOIS CONCEITOS COM UM OBJETIVO E UMA FINALIDADE

Cada vez mais as nossas crianças são menos

necessita de se exercitar livremente, ou seja, de

ativas o que pode comprometer, seriamente, o seu

desenvolver as suas capacidades e melhorar o seu

desenvolvimento psicomotor e, consequentemente, as

potencial.

suas aprendizagens. Mas, esta inatividade física pode,

Inúmeras são as razões etiológicas que originaram

também, ter consequências nefastas na saúde das

uma redução da atividade física das nossas crianças.

crianças num futuro próximo, tornando-se cidadãos

Quem não se recorda, na década de setenta, e

em risco de adquirirem, precocemente, doenças

anteriores, onde se brincava à vontade nas ruas, haviam

metabólicas, nomeadamente a diabetes e a obesidade

poucos carros, poucos edifícios e muitos espaços

e, ainda, doenças cardiovasculares. Para além dos

verdes. Nos dias de hoje, tudo se alterou. Assistimos

problemas relacionados com as aprendizagens e

a uma diminuição significativa dos espaços naturais

com a saúde, as crianças com uma baixa atividade

para a criança brincar. Perguntamos, quem são os

física, são, geralmente, crianças que apresentam uma

responsáveis? São as crianças?

baixa aptidão física, o que compromete as atividades

Também a evolução tecnológica alterou,

normais do seu quotidiano, ou seja, estas crianças

significativamente, as brincadeiras das crianças.

cansam-se facilmente na realização de simples

Em vez de interagirem com os seus pares passaram

tarefas do dia a dia, como subir escadas, caminhar

a interagir com um aparelho eletrónico (telemóvel,

a uma intensidade moderada, etc., e, até mesmo, em

consola, televisão, etc.). Outro dado interessante é que,

manterem-se na mesma posição durante um curto

num passado recente, as crianças para interagirem

período de tempo. Assim, a baixa aptidão física poderá

com os pares tinham de se deslocar, hoje em dia,

comprometer as aprendizagens escolares, bem como,

trocam a informação por via eletrónica aumentando,

a saúde das nossas crianças.

cada vez mais, a sua inatividade física. A maioria das

Mas quem serão os principais responsáveis pela

crianças deslocava-se para a escola a pé, e inúmeras

diminuição da atividade física das crianças?

eram as brincadeiras no trajeto de casa para a escola e

Não percebemos como muitos adultos conseguem

vice-versa, agora raramente isso acontece.

apontar as crianças como as principais responsáveis

Nos últimos anos, muitos casais têm optado por

pela sua inatividade. Pela sua natureza, a criança

um ou dois filhos, sendo raros os casos de três ou


| 26

mais. Isto significa que as brincadeiras e os jogos

processo adaptativo que tanto contribui para a

em casa, também, poderão ter diminuído. Se outrora

construção da sua personalidade.

só trabalhava um elemento do casal, hoje, na grande

Pela nossa experiência profissional, ao longo dos anos,

maioria dos casos, trabalham os dois, fazendo com

temo-nos deparado com o facto das crianças revelarem

que o tempo para estar com os filhos tenha diminuído

mais dificuldades em partilharem brincadeiras, ou

significativamente.

seja, criam conflitos em, e por, coisas mínimas, têm

A criança passou a estar a maior parte do seu tempo

dificuldades em aceitar uma derrota ou o inêxito

na escola. Será que a escola se preparou para a receber

numa tarefa, rejeitam atividades que exijam mais

durante tantas horas? Foi suficientemente ativa para ir

habilidade, ou que sejam muito intensas, etc. Hoje em

de encontro às necessidades da criança? Pensamos

dia, nos intervalos escolares, o principal passatempo

que não. A criança passa tempo de mais na escola com

das crianças é o telemóvel ou a consola. São poucas

atividades, muitas das vezes, pouco enriquecedoras

aquelas que saem da sala de aula e vão a correr para

para desenvolver o seu potencial cognitivo, criativo,

os espaços desportivos ou pátios de recreio para

desportivo, emocional, critico, etc.

brincarem. Atrevemo-nos a dizer que as crianças, nos

Também, na escola ainda há um culto pela inatividade

dias de hoje, não sabem brincar e, consequentemente,

física, ou seja, o menino “bom” e “bem-comportado”

revelam dificuldades de organização, orientação,

é aquele que está “quietinho” na sala de aula e no

autonomia e partilha.

intervalo não participa em brincadeiras, ou seja, não

A partir da educação e da terapia psicomotora a

entra transpirado na sala de aula.

criança pode recuperar em parte as lacunas do

No ensino pré-escolar, por vezes, existe uma maior

seu vivido. A educação ou terapia psicomotora não

preocupação com as aprendizagens cognitivas do que

serão “remédio” para todos os problemas da criança,

com as psicomotoras. Esta metodologia tem vindo

assim como, a medicina também não cura todas as

a comprometer, seriamente, o desenvolvimento da

doenças, mas um meio para ajudar as crianças a

criança, uma vez que as aprendizagens cognitivas

superar, com menor dificuldade, as suas limitações

só serão conseguidas se o potencial psicomotor

psicomotoras. A educação psicomotora está na base

for atingido. Neste sentido, consideramos urgente a

da educação física, ou seja, ela não pretende que a

disciplina de Educação Física no ensino pré-escolar

criança automatize gestos ou técnicas desportivas,

para contribuir no desenvolvimento psicomotor das

mas que adquira conceitos abstratos, perceções e

crianças.

sensações que lhe permitirão o conhecimento, preciso

De facto, todo o contexto atual favorece a uma

e harmonioso, do seu corpo. Que interesse tem uma

diminuição da atividade física nas nossas crianças

criança em dominar perfeitamente a técnica de um

comprometendo o seu desenvolvimento psicomotor

passe se não consegue perceber o deslocamento

e, consequentemente, as suas aprendizagens. Quanto

dos seus colegas de equipa em relação aos seus

mais ricas e numerosas forem as situações vividas

adversários. E é precisamente a partir do corpo que a

pela criança maior poderá ser o número de esquemas

criança se relaciona com o mundo que a rodeia. Neste

por ela adquiridos aumentando, deste modo, o seu

sentido, quanto melhor o conhecimento que a criança


| 27

tem do seu corpo, melhor a sua adaptação a novas situações e, consequentemente, êxito das mesmas. Após o exposto, quanto mais precocemente se iniciar a educação psicomotora maiores serão as possibilidades adaptativas da criança, ou seja, ela aceitar-se-á melhor a si própria, realizará mais facilmente aquisições de toda a ordem, integrar-se-á melhor na sociedade e

Bibliografia Flores, P. (2016). Avaliação físico motora em crianças com necessidades educativas especiais. Edições Pedago Flores, P. & Magalhães, M. (2019). Exercitar para aprender. Chiado Editora

Fotografia · https://tinyurl.com/y3owkxrv · Alexander Dummer

adaptar-se-á a mudanças com mais facilidade.


https://www.pexels.com/photo/take-it-easy-painted-road-1570264// | 28


| 29

Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva Agrupamento de Escolas de Eiriz

“O caminho faz-se caminhando…"

Consideramos que a transição para a implementação

Agrupamento em relação às medidas de suporte à

do Decreto-lei n.º 54/2018, de 6 de julho,

aprendizagem e à inclusão, valorizando e reforçando

nomeadamente os princípios orientadores e as opções

as medidas universais para todos e cada um dos

metodológicas subjacentes, de uma forma consciente

alunos. As equipas variáveis e a equipa permanente

e estruturada, estão a ser o caminho para proporcionar

ponderaram sobre estas medidas universais,

maior sucesso escolar, inclusão social e bem-estar de

selecionando as medidas necessárias e aplicáveis,

todos e de cada um dos alunos.

valorizando as necessidades do aluno e da própria

A Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação

família. Desta forma, os docentes conseguiram ficar

Inclusiva, os órgãos de gestão e o curso de formação

com uma visão mais abrangente da sua turma e

“Para o desenvolvimento de uma escola inclusiva”,

mais específica dos diferentes alunos que integram a

dinamizada pelo Serviço de Psicologia e Orientação nos

mesma, nomeadamente explorando os interesses, as

meses de julho e de setembro de 2018, impulsionaram

expectativas, as necessidades e as potencialidades dos

esta mudança, promovendo a reflexão dos profissionais

mesmos.

do Agrupamento de Escolas de Eiriz.

No que diz respeito às medidas universais

As medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão

(diferenciação pedagógica, acomodações

têm como principal finalidade responder às

curriculares, enriquecimento curricular, promoção do

necessidades, expectativas e interesses de todos e de

comportamento pró-social e intervenção com foco

cada um dos alunos, realçando as potencialidades dos

académico ou comportamental em pequenos grupos),

mesmos e garantindo as condições da sua realização

não sendo necessária a identificação da necessidade

plena ao promover a equidade e a igualdade de

de medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão,

oportunidades no acesso ao currículo, na frequência

para promover a aprendizagem, o sucesso e bem-estar,

e na progressão ao longo da escolaridade obrigatória.

estas estão a ser implementadas com muitos alunos,

As aprendizagens dos alunos serão, com certeza, mais

pontualmente ou de uma forma mais frequente, de

efetivas e melhor sucedidas se forem aplicados estes

acordo com as necessidades apresentadas pelos

princípios orientadores.

mesmos.

Assim que entrou em vigor este novo decreto-lei,

Também, surgiu a preocupação imediata de adequar

foi definida a pirâmide da Abordagem Multinível do

às medidas dos alunos que beneficiavam de Programa


| 30

Educativo Individual, de acordo com as medidas

pedagógicas mais flexíveis e personalizadas oferecem

de suporte à aprendizagem e à inclusão. Numa

oportunidades para todos os alunos em termos de

Abordagem Multinível, foram ponderadas e definidas

métodos e técnicas, de recursos e formas de avaliação,

as medidas universais, seletivas e/ou adicionais

sem nunca alterar o nível de desafio e mantendo

necessárias para cada um destes alunos, a fim de

elevadas aspirações, expectativas, interesses,

proporcionar o desenvolvimento das competências

envolvimento e motivação durante a aprendizagem.

definidas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade

Desta forma, a nossa Escola cumpre e continuará

Obrigatória.

a cumprir com a sua missão, em que todos e

Para os alunos que, até ao final do ano letivo

cada um dos alunos irão aprender, desenvolvendo

2017/2018, beneficiaram de Currículo Especifico

conhecimentos, competências e atitudes. Embora não

Individual, após reflexão e definição das medidas,

tenha sido uma mudança fácil para a comunidade

foram elaborados os respetivos Relatórios Técnico-

escolar e educativa, surgindo sempre algumas

pedagógicos, os Programas Educativos Individuais e

resistências às mudanças e tendo em conta toda a

os Planos Individuais de Transição, quando aplicável,

reorganização necessária, reconhecemos que esta

valorizando os recursos humanos, organizacionais e da

mesma mudança era e é imprescindível e vale a pena.

comunidade.

Ainda muito há a fazer, mas “o caminho faz-se

No primeiro momento de avaliação trimestral do

caminhando…”.

presente ano letivo, foi preenchido o documento Medidas Universais de Suporte à Aprendizagem (MUSA) pelos professores do conselho de turma e titulares de turma, para os alunos com algum insucesso escolar. Para alguns destes alunos, também considerou-se necessária a implementação de algumas medidas seletivas, a fim de proporcionar maior acesso ao currículo, desenvolvimento de competências e sucesso escolar. Neste sentido, procedeu-se à elaboração dos respetivos Relatórios Técnicopedagógicos. Foram, igualmente, monitorizadas as medidas seletivas e adicionais implementadas. Para além da Abordagem Multinível, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), é fundamental para garantir maior sucesso escolar, respondendo às necessidades da Flexibilidade e Autonomia Curricular. Esta opção metodológica é, igualmente, essencial nos Domínios de Autonomia Curricular e Projetos. A valorização dos múltiplos meios de apresentação, expressão e envolvimento nas práticas


| 31

https://www.pexels.com/photo/boy-child-clouds-kid-346796/


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Abordagem Multinível Opção metodológica que permite o acesso ao currículo ajustada às potencialidades e dificuldades dos alunos, com recurso a diferentes níveis de intervenção, através

PEREIRA, Filomena (Coord.); et al (2018). Para uma Educação Inclusiva: Manual de Apoio à Prática. Ministério da Educação/Direção-Geral da Educação (DGE). https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/ EEspecial/manual_de_apoio_a_pratica.pdf COSME, Ariana (2018). Autonomia e Flexibilidade Curricular: Propostas e Estratégias de Ação. Porto: Porto Editora.

LEGISLAÇÃO E SITES Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho Define os princípios de organização do currículo dos ensinos básico e secundário. Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho Estabelece o regime jurídico da Educação Inclusiva. Direção-Geral da Educação do Ministério da Educação Responsável pela execução das políticas relativas às componentes pedagógica e didática da educação pré-escolar, dos ensinos básico e secundário e da educação extra - escolar e de apoio técnico à sua formulação, incindindo, sobretudo, nas áreas do desenvolvimento curricular, dos instrumentos de ensino e avaliação e dos apoios e complementos educativos. http://www.dge.mec.pt/

de: medidas universais, que constituem respostas educativas a mobilizar para todos os alunos; medidas seletivas, que visam colmatar as necessidades de suporte à aprendizagem não supridas pela aplicação de medidas universais; e medidas adicionais, que visam colmatar dificuldades acentuadas e persistentes ao nível da comunicação, interação, cognição ou aprendizagem, exigindo recursos especializados de apoio à aprendizagem e à inclusão. (Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho) Autonomia e Flexibilidade Curricular Permite à Escola gerir o currículo dos ensinos básico e secundário e a organização das matrizes curricularesbase, ao nível das áreas disciplinares e disciplinas e da sua carga horária. http://afc.dge.mec.pt/ Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória Viabilização da construção do quadro de referência que pressupõe a liberdade, a responsabilidade, a valorização do trabalho, a consciência de si próprio, a inserção familiar e comunitária e a participação na sociedade que nos rodeia. http://dge.mec.pt/sites/ default/files/Curriculo Currículo do ensino básico e do ensino secundário Conjunto de conhecimentos, capacidades e atitudes constantes nas “aprendizagens essenciais”, a partir dos quais as escolas definem as suas opções curriculares com vista à aquisição do conjunto de competências definidas no “Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória”. http://www.dge.mec.pt/sites/default/ files/Curriculo/Projeto_Autonomia_e_Flexibilidade/ ae_documento_enquadrador.pdf


Aprendizagens Essenciais [Ensinos Básico e Secundário] Conjunto comum de conhecimentos a adquirir, capacidades e atitudes a desenvolver obrigatoriamente

FORMAÇÃO PROMOVIDA PELO CFAEPPP

| 33

Acreditada pelo CCPFC

por todos os alunos em cada área disciplinar ou escolaridade ou de formação.

Para o desenvolvimento de uma escola inclusiva – Curso de Formação (25h) — Formadora

http://www.dge.mec.pt/aprendizagens-essenciais-

Vanessa Pereira – AE Eiriz setembro 2018

ensino-basico

Para o desenvolvimento de uma escola inclusiva – Curso de Formação (25h) – Formadores

disciplina, tendo, em regra, por referência o ano de

http://www.dge.mec.pt/aprendizagens-essenciaisensino-secundario Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania A educação para a cidadania visa contribuir para a formação de pessoas responsáveis, autónomas,

Joaquim Liberal e Júlia Rocha ­­– AE D. António Taipa (outubro 2018)

Para o desenvolvimento de uma escola inclusiva ­– Curso de Formação (25h) – Formadora

solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos

Vanessa Pereira - AE Pinheiro (março 2019)

e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo, tendo

Para o desenvolvimento de uma escola inclusiva – Curso de Formação (25h) – Formadora

como referência os valores dos direitos humanos.

Rosa Campos - AE Paços de Ferreira (abril 2019)

http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/ECidadania/ Docs_referencia/estrategia_cidadania_original.pdf

AÇÕES DE CURTA DURAÇÃO

Certificadas pelo Conselho de Diretores do CFAEPPP

Escola inclusiva ­­– Formadora Vanessa Pereira (3h) AE Eiriz (setembro 2018)

O Compromisso com a inclusão: o direito dos Direitos Humanos – Formador Vitor Tété (3h) AE de Cristelo (janeiro 2019)

Educação inclusiva: das políticas às práticas Formadora Marisa Carvalho - 3h - AE Frazão (janeiro 2019)

O compromisso com a inclusão: o direito dos Direitos Humanos – Formador Vitor Tété (3h) Escola Secundária de Paços de Ferreira (março 2019)

O compromisso com a inclusão: o direito dos Direitos Humanos – Formador Vitor Tété (3h) AE Frazão (abril 2019)


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http://cfaeppp.esvilela.pt/ Av JosĂŠ Ferreira da Cruz, 263 4580-651 Vilela|Paredes

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Publicação PPP  

Promover, Participar e Partilhar Publicação das atividades formativas promovidas pelo Centro de Formação da Associação de Escolas de Paços d...

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