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CFAEPPP


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ÍNDICE 03

Editorial

05

Encontros com…Cidadania

Teresa Sá, Diretora CFAEPPP

Anabela Gil

09

Educar para a cidadania ou educar na cidadania? Ana Granja

15

Missão Amar(es) – Voluntariado: um direito ou um dever? Fernando Lima

25

Cubos QR Code de Cidadania: um projeto no âmbito do programa Ler+ Hermínia Marques

29

Hábitos Alimentares Saudáveis Mónica Costa

31

“A minha Lancheira é TOP! E a tua?” Paula Susana Rocha

35

Pela Educação… Para um Mundo Melhor! Rosa Lourenço

Número 2| janeiro 2020 Direção Teresa Sá Assessora Anabela Gil Design Gisela Meireles Assessora informática Lúcia Letra Serviços Administrativos Cristina Mendonça

41

Partilha de Emoções entre Gerações Teresa Lobo

43

Estudo do Parque das Serras do Porto – Ocupação Humana e Património Fernando Monteiro


Editorial

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Esta primeira publicação digital do ano letivo 2019/20 reúne os contributos dos palestrantes no Encontros com…Cidadania, realizado no Salão Nobre da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, no dia 16 do mês de julho de 2019. Esse encontro foi pontuado por intervenções cativantes e testemunhadas por uma audiência atenta, e reforçou em todos nós a importância e a potencialidade da partilha de práticas entre escolas. Um dos momentos altos foi a participação das alunas do Agrupamento de Escolas de Pinheiro que nos deliciaram com as suas intervenções. Sendo as nossas publicações, espaços de participação abertos a todos os docentes das escolas associadas ao CFAEPPP tem sido a própria temática a estruturar cada edição. Neste caso, o trabalho coletivo e a partilha gerados na ação de formação sobre Cidadania, promovida pela DGAE e organizada pelo nosso Centro, foram o ponto de partida. As imagens que ilustram a publicação foram gentilmente cedidas pelo docente/formador Armando Afonso, do Agrupamento de Escolas de Fazão e muitas delas resultaram de uma ação de Colagem (Collage) realizada no ano letivo anterior. A todos os docentes o nosso agradecimento. Esperamos que seja uma leitura prazerosa e incentivadora para participar no próximo número da publicação PPP.

Armando Afonso

formação com a designação A Técnica e Atitude Processual da


Ana Margarida Terra |4


Anabela Gil

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Agrupamento de Escolas de Vilela Assessora CFAE Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel

“A educação para a cidadania visa contribuir para a formação de pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo, tendo como referência os valores dos direitos humanos.” [https://www.dge.mec.pt/educacao-para-cidadania]

“A Educação para a Cidadania: do enquadramento

maturidade alcançada pelos formandos, partilhando

às Práticas” foi uma Oficina de Formação,

os projetos realizados nas escolas e envolvendo

organizada pelo CFAEPPP, em parceria com a

outros professores. Assim, no sentido de proporcionar

DGE, e orientada pela Formadora Ana Granja. A

momentos reflexivos entre docentes das escolas

temática é fundamental para o desenvolvimento de

associadas organizou-se em colaboração com a

uma sociedade mais “próspera e rica” em valores

Câmara Municipal de Paços de Ferreira, o “Encontros

e os conteúdos abordados são alicerçados no

com… Cidadania”, a 16 de julho de 2019, no Salão Nobre

atual quadro legal da Educação. A formadora foi a

- iniciativa enquadrada no “Ano Municipal do Ambiente

nossa guru espiritual – uma verdadeira mediadora/

e Cidadania”. O Vereador da Educação, Dr. Paulo Sérgio,

tradutora entre o quadro teórico e a prática exigida

demonstrou grande envolvimento na organização do

nos diversos contextos. Desenvolveu a ação numa

referido evento. Destacamos os excelentes contributos

conceção teórico-prática, privilegiando a articulação

culturais, sugeridos pelo Dr. Luís Agostinho, que

entre as aprendizagens teóricas e a sua aplicação em

incluíram a participação das alunas Francisca Barbosa

trabalhos práticos: padlet, planificações, Estratégia de

(Violoncelo) e Maria Rita Pereira (Poesia - O Meio

Cidadania de Escola (aperfeiçoamento/construção),

Ambiente, Cidadania e a Escola), as quais contribuíram

projetos/ aulas com os alunos – aprofundando as

para o maior sucesso das jornadas. As intervenções

dimensões da Cidadania (…). O tempo da formação

dos professores nos Painéis Temáticos ilustraram com

foi muito volátil, não se sentiram as trinta horas e em

profissionalismo e entusiasmo, o trabalho desenvolvido

contrapartida no grupo disseminou-se a partilha, a

junto das comunidades educativas.

colaboração, e o espírito de uma Cidadania Ativa. Após este momento formativo, o CFAEPPP

As temáticas abordadas incidiram nos domínios

considerou que seria fundamental divulgar a

previstos na ENEC (Estratégia Nacional de Educação


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lancheira é TOP! E a tua?”, Paula Rocha, da AE Frazão (com artigo nesta publicação), passando pelo Bem-estar animal “Do risco à segurança Os Direitos dos Animais: Operação 4 patas”, Helena Barros e Liliana Neto, da Escola Secundária de Penafiel, a temas ligados à Educação Ambiental: “Educação ambiental para a sustentabilidade: Parque das Serras do Porto, Teresa Cerqueira, Fernando Monteiro e Lurdes Barbosa, da

AE Sobreira, (com artigo nesta publicação), “Educação ambiental: Água e Floresta”, Carla Anahory Valente e Clara Santos, do AE Paços de Ferreira, aos Direitos Humanos “Pela Educação...Para um Mundo melhor!”, Rosa Lourenço, da AE Paço de Sousa, a “10 Minutos de práticas de Cidadania no AE de Vale de Ovil”, desenvolvido pela Coordenadora da Biblioteca Escolar, Hermínia Marques. (com artigo nesta publicação). Salientam-se as alunas Luísa Coelho, Juliana Ferraz, da AE de Pinheiro, pela excelente e vibrante apresentação do projeto “Escolas que são Asas!”, pela orientação da Isabel Vilarinho. As Jornadas, contaram ainda, com a participação, de um convidado especial, o professor de Educação Moral Religiosa e Católica, Bernardino Silva que leciona no AE de Amares. Este docente criou o grupo Missão Amar(es),

Luís António Xavier

para a Cidadania), e vão desde a Saúde: “A minha


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constituído por alunos de diversas turmas do 11º e 12º anos de escolaridade da Escola Secundária de Amares, visando a criação de missões de voluntariado em países como: Cabo Verde, Moçambique... – este projeto contou com a participação e envolvimento do docente Fernando Lima (com artigo nesta publicação). O professor, Bernardino Silva, partilhou as experiências em que participou, nomeadamente nas ações de voluntariado com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, nas ações humanitárias e de emergência em países como Paquistão, Afeganistão, Somália, Ruanda, Sudão, República Centro Africana, Congo, Chade, Nigéria, Serra Leoa, Etiópia, Haiti, Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Vietname, Índia, Tailândia e Laos (OIKOS). Decorrente destas experiências, publicou o livro intitulado “Lugares e Instantes”, considerado por António Guterres, Alto-Comissário das Nações Unidas para os


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Refugiados, como “(...) um eloquente título para esta pessoalíssima colecção de fotografias, é o resultado das duas paixões de Bernardino Silva: a descoberta de novas culturas, e o esforço, sem medida, no sentido de superar barreiras culturais e ajudar o próximo.” Na moderação deste evento contamos com a participação da formadora Ana Granja – nossa cúmplice em “Educar para a cidadania ou educar na cidadania?” Esta iniciativa do CFAEPPP demonstra bem o estádio de desenvolvimento/ maturidade deste Centro de Formação, preocupando-se em dar uma resposta de qualidade às diferentes necessidades formativas dos docentes, mas partilha, redes de colaboração e divulgação das práticas, que refletem os processos formativos a montante.

Luís António Xavier

em simultâneo, procurando desenvolver dinâmicas de


Ana Granja

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Agrupamento de Escolas de Águas Santas Assessora CFAE Maia Trofa

EDUCAR PARA A CIDADANIA OU EDUCAR NA CIDADANIA?

Não é uma mera questão semântica ou linguística Trata-se de uma distinção concetual e paradigmática que, a montante, irá determinar e enformar as dinâmicas pedagógicas que nas nossas escolas pretenderão dar corpo à nova componente curricular de Cidadania e Desenvolvimento.

Carlos Moreira Santos

aquela que a interrogação do título deste texto encerra.

Educar para a cidadania, e em cidadania, são conceitos

Educar para a cidadania numa perspetiva de projeção

complexos e polissémicos dos quais é impossível

num tempo e num espaço que não são o da escola é

erradicar uma inevitável contaminação ideológica. Mas

uma contradição nos próprios termos e um perigoso

é precisamente esta falta de neutralidade, e sobretudo

descomprometimento da escola enquanto espaço de

a forma como a assumirmos, que condicionará o rumo

cidadania ativa.

a dar a esta nova componente do currículo.

Ao invés, educar para a cidadania numa escola que se

Controvérsias à parte, talvez seja útil buscar alguns

assume ela mesmo como um espaço onde a cidadania

consensos.

se exerce numa lógica do “aqui e agora” significa

Arrisco o primeiro: educar para a cidadania é um

cumprir o direito de cada um dos nossos alunos e

compromisso de todos os professores, mesmo

alunas a desenvolver o máximo das suas capacidades,

daqueles que não o assumem como seu. Estes fazem-no

de forma a conseguir participar ativamente na

sem saber e, como tal, sem conferir à sua prática uma

vida política, económica e social. Uma das tarefas

intencionalidade pedagogicamente assumida que, sem

fundamentais da prática educativa é desenvolver

isentar, pelo menos atenua os riscos perversos de um

nos educandos a capacidade de emancipação que

adestramento inconsciente. Tudo o que o professor diz e faz assume um sentido moral, o mesmo acontecendo com os seus silêncios e as suas omissões, já que qualquer ato educativo é um ato de influência, quer se reconheça ou não.1

Referências 1 Estrela, M. T. (2010). Profissão Docente: Dimensões Afectivas e Éticas. Porto: Areal Editores.


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permita assumirem-se como seres históricos,

sociais, criadores e transformadores, numa abertura respeitadora e dialogante ao outro e à diferença. Mas esta possibilidade de autonomia que se vai forma acrítica a informação que recebe. A Escola, muito mais do que um mero lugar de escolarização, deve ser um espaço de formação humana, o que implica assumir a construção do sujeito ético como a missão suprema e fulcral da Educação . 2

Nenhum espaço educativo pode alhear-se de um forte comprometimento com os valores universais, sob o risco de a atividade educativa se reduzir a mera atividade técnica. Significa isto que o facto de a educação ser uma atividade humana lhe confere uma dimensão ética de que não se consegue destrinçar. O papel da escola não é unicamente oferecer

A Escola, muito mais do que um mero lugar de escolarização, deve ser um espaço de formação humana (...)

conteúdos informativos, não é apenas instruir, mas promover o desenvolvimento do ser humano na complexidade e multidimensionalidade que o caracterizam, o que nos remete para uma visão

uma abordagem educacional atenta ao contexto, ao

pedagógica de cariz holístico que resiste a perspetivar

global, ao multidimensional e ao complexo.

o aluno apenas na sua dimensão cognitiva, enquanto

A perspetiva holística da ação educativa, que assume

mero recetáculo de conhecimentos, procurando

como grande finalidade a educação de cada uma

promover o desenvolvimento integral de todas e cada

e de todas as potencialidades humanas, surge nas

uma das potencialidades humanas: intelectuais,

sociedades atuais como um novo paradigma educativo,

emocionais, sociais, físicas, artísticas, criativas e

sistémico e integrador, capaz de colmatar as múltiplas

espirituais.

fraturas que o paradigma mecanicista da modernidade

Infelizmente, todo o fenómeno educativo (de que as

incutiu na nossa visão do mundo. Pretende-se assim

escolas não são palco exclusivo mas privilegiado)

romper com uma tradição positivista ainda muito

continua a sofrer de uma conceptualização mutilante

arreigada nas nossas escolas e responsável pelo

do ser humano: os saberes continuam a fragmentar-se em

sistemático desprezo por dimensões fundamentais do

disciplinas especializadas e monolíticas, as emoções

desenvolvimento integral e harmonioso do ser humano:

são consideradas fator de perturbação às cognições,

os sentimentos, a intuição, a fantasia, a espiritualidade,

o sujeito e as suas idiossincrasias existenciais e vivenciais continuam a ser ignorados em nome de uma neutralidade que, obviamente, não existe: “ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra” 3. Por isso, torna-se urgente restaurar a visão una e complexa da natureza humana, e promover

2 Rodrigues, N. (2001). Educação: da formação humana à construção do sujeito ético. Educação & Sociedade, 76, 232-257. 3 Freire, P. (2008). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa (37ª ed.). São Paulo: Editora Paz e Terra.


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Armando Afonso

a criatividade, a arte, a expressão corporal e o

ou quartel. Se tem portas, não é escola. Com certeza.

desenvolvimento moral .

Porque a escola é um local de aprendizagem para a vida”.6

Uma escola que não entende ensino e aprendizagem

Por tudo isto, o grande desafio da nossa época é

como pólos recursivos de uma relação dialógica,

precisamente adaptar todo o sistema educativo a

uma escola que separa alunos e professores das

um novo paradigma que educa para a totalidade,

pessoas que são (e já eram), uma escola que reduz

partindo da totalidade. O direito de cada aluno ao

o saber a disciplinas fragmentadas, e sem pontes

desenvolvimento da sua personalidade e à plenitude

entre si, uma escola que se isola do contexto de

da sua cidadania deve ser finalidade e fonte de

que faz parte e que não se assume como espaço

legitimidade de tudo o que se faça a título de educação.

de cidadania, configura uma escola incapaz de

Este novo paradigma do direito à educação deve

enfrentar o desafio da globalidade, inapta para tratar

centrar-se no interesse superior do educando e libertar-se

“realidades multidimensionais, globais, transnacionais,

da tendência tradicional de reproduzir as crianças e

planetárias, problemas cada vez mais transversais,

jovens à semelhança dos adultos. 7

4

pluridisciplinares, até mesmo transdisciplinares.” 5 Os contextos educativos são ainda espaços de preocupante solipsismo e isolamento, de divórcio entre a teoria e a prática, como se as escolas se tivessem entrincheirado em espaços fechados, longe da realidade: “é preciso deitar abaixo esses muros que nos aprisionam, que transformam a escola numa prisão

4 Ramos, R. Y. (2001). Educación Integral: una educación holística para el siglo XXI (Vol. I). Bilbao: Editorial Desclée de Brower. 5 Morin, E. (2001a). Os desafios da complexidade. In E. Morin (Ed.), O desafio do século XXI: Religar os Conhecimentos. Lisboa: Instituto Piaget. 6

Guerra, M. Á. (2002). Uma pedagogia da libertação. Porto: Asa Editores.

7

Monteiro, A. R. (1998). O Direito à Educação. Lisboa: Livros Horizonte.


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O papel da escola não é unicamente oferecer conteúdos informativos, não é apenas instruir, mas promover o desenvolvimento do ser humano na complexidade e multidimensionalidade que o caracterizam (...)

Educar para a cidadania significa desenvolver nos

de mera forma(ta)ção cívica (quase na forma de

nossos alunos e alunas a capacidade para pensar de

curso de boas maneiras), através da qual os alunos se

forma crítica e independente, de modo a estarem aptos

tornem seres submissos e passivos perante as receitas

a participar ativamente nos assuntos da comunidade

prescritivas que nós, professores, lhes impomos.

e do planeta. Se confinarmos a disciplina de Cidadania

Educar para a cidadania implica proporcionar aos

e Desenvolvimento à sala de aula e a tornarmos refém

alunos experiências reais e contextualizadas que lhes

de pedagogias transmissivas e expositivas estaremos

permitam ter voz ativa, propor e organizar iniciativas,

a matar à nascença o contributo inestimável que esta

fazer escolhas conscientes e tomar decisões

componente curricular pode ter no desenvolvimento

responsáveis e sustentadas. Educar para a cidadania

pessoal e social dos nossos alunos, ao mesmo

implica uma dimensão vivencial e experiencial que

tempo que lhes estamos perversamente a passar a

não se compadece com teorias ocas e abstratas,

mensagem de que Cidadania é qualquer coisa que só

que dificilmente se traduzem em aprendizagens

acontece na escola às quartas-feiras, das 10h30min às

significativas.

11h20min.

Compreender a abrangência e o potencial

Esta perspetiva monolítica e insular da disciplina de

transformador da disciplina de Cidadania e

Cidadania e Desenvolvimento acarreta o risco, real e

Desenvolvimento implica que a escola se liberte

perverso, de a vermos reduzida a iniciativas individuais

dos medos impostos pelo positivismo – “medos da


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razoabilidade, dos sentimentos, das emoções, dos desejos, das intuições, da falta de rigor, do afecto; (…) uma educação desenraízada fria e asséptica, confinada ao racional, onde não entra o sentimento e onde se esquece a vida enraízada no meio físico, social e cultural não contribui para a formação de um cidadão de corpo inteiro”.8 Somente uma educação não fragmentada, isto é, uma educação na totalidade e para a totalidade pode permitir ao ser humano cumprir-se como tal, ser plenamente. Ensinar a condição humana, aprender a viver e refazer a ideia de escola na e para a cidadania não é possível só com ciência e técnica. A escola deve

Carlos Moreira Santos

assumir-se como espaço de afetos. Tal como a vida.

8

Santos, M. E. V. M. (2005). Que Cidadania? (Vol. II). Lisboa: Santos-Edu.


Fรกtima Bessa

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Fernando Lima

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Agrupamento de Escolas de Eiriz, Baião

MISSÃO AMAR(ES) – VOLUNTARIADO: UM DIREITO OU UM DEVER?

Da cidadania certificada à cidadania praticada

os membros de uma sociedade, conferindo-lhes direitos

No nosso país, desde o momento do nosso nascimento,

e deveres de participação na vida pública. Como esta

somos considerados cidadãos, com os mesmos

experiência é vivida de forma desigual pelos cidadãos,

direitos dos restantes, adquiridos gradualmente até

na prática confrontamo-nos com uma cidadania de

à idade adulta. Atualmente, à saída do hospital ou

dimensões múltiplas ou geometria variável”. Reis (2001).

maternidade, os pais já levam consigo a certificação

Esta perceção dá-se nos primeiros anos de vida, logo

dessa condição com a obtenção do Cartão de Cidadão.

na escola, onde percebemos que o conjunto de regras

De acordo com esta condição, espera-se que os anos

e de direitos não são aplicados de forma igual e que os

mais próximos sejam dedicados à apreensão de um

nossos colegas têm mais ou menos direitos e deveres

modo de vida com várias dimensões, sendo a mais

do que nós. Vamos percebendo o peso da família, da

importante a familiar. Com a entrada na escola, o

arbitrariedade, das imperfeições do sistema de ensino e

convívio com colegas e professores, desenvolve a

começa a fazer parte do nosso léxico a palavra injustiça.

componente social que nos prepara para a vida adulta,

Eis a sociedade, refletida num universo reduzido onde

onde a verdadeira avaliação dessa componente se

se reproduzem todas as imperfeições e virtudes de um

concretiza. Depois, sem nos apercebermos, estamos,

mundo para lá dos portões e dos muros.

por força da idade, na condição de transmissores de um conjunto de valores, práticas e atitudes aos nossos

A adaptação ao sistema vai acontecendo aos poucos

descendentes, restantes familiares e demais pessoas

e alguns conseguem efetuar uma adaptação plena que

que se vão cruzando no nosso caminho.

lhes limita a capacidade de análise ou, não limitando, leva a que considerem como natural a forma como tudo se

Este é, de forma muito redutora, o percurso tido como

processa quotidianamente. Não me refiro apenas àqueles

normal, descrito sem o peso da análise e verificação

que conseguem “adquirir” mais direitos, mas também

estatística. Mas desde muito cedo, confrontamo-nos

aos que vendo os seus direitos reduzidos e os deveres

com esse peso. O processo de análise faz-se de forma

aumentados, consideram esta situação como natural -

natural ao percebermos que os nossos direitos e os

fruto do acaso, das condições de vida que encontrou ou

nossos deveres carecem de igualdade e, acima de tudo,

que não conseguiu ter - e influenciam o meio familiar e

de equidade. “A cidadania é uma qualidade de todos

social em que se enquadram. Como refere Lima (2016),


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“o contexto onde nascemos e crescemos influencia

Sem querer fazer uma análise histórica, que foge ao

toda a nossa vivência, influencia o modo como

âmbito deste artigo, o que me parece evidente, é que

olhamos para os outros, para a sociedade e até para

decorridos 45 anos desde o 25 de abril de 1974, a

nós próprios. Será então, consoante este crescimento

nossa sociedade tem vindo, a pouco e pouco, a exercer

pessoal, que cada indivíduo estabelece os seus

a cidadania de forma bastante diferente. “A instauração

valores fundamentais, bem como uma hierarquia dos

de um regime ditatorial de direita em 1926 – o Estado

mesmos“.

Novo – trouxe um reforço da componente religiosa no domínio da promoção da Cidadania, que se manteve quase inalterável até ao final do regime”. Nogueira (2015). Antes da “Revolução dos Cravos”, o Estado assumia o controlo de todas as dimensões, incluindo a cidadania, estabelecendo, quer em forma de lei, através da igreja ou arbitrariamente, um conjunto de princípios e de procedimentos que não podiam ser desrespeitados, sob pena de severas sanções. Este controlo, hoje visto como inaceitável, tinha a “virtude” de situar os cidadãos em diferentes patamares e de tornar como natural a existência dessas diferenças, ou seja, de várias “cidadanias”. A revolução ocorrida em 1974 e mais tarde, a entrada na, então, Comunidade Económica Europeia, trouxe um conjunto de alterações que se alastraram a todas as vertentes da nossa sociedade e que, grosso modo, se traduziram numa melhoria das condições de vida, no aumento do rendimento disponível, na melhoria das relações de trabalho, enfim, num conjunto infindável de vertentes, das quais destaco, obviamente, a educação. Esta, massificada, tornada acessível a

Rui Oliveira

todas as crianças e jovens, e também aos adultos que não tiveram a oportunidade, em devido tempo, de a frequentar, tornou-nos globalmente numa sociedade mais informada e preparada para encarar os desafios de um mundo em mudança permanente. Chegados a 2019 podemos considerar que nunca tivemos uma sociedade com este nível de habilitações académicas. Mas o acesso ao conhecimento foi acompanhado pelo aumento da nossa dimensão cidadã?


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Quanto a esta questão, todos temos as nossas opiniões: convergentes, divergentes, mais incisivas, mais ou menos críticas, mais otimistas, baseadas em estudos ou empiricamente sustentadas. E não é uma questão cuja resposta seja consensual. No entanto, sou levado a afirmar que a maioria estará de acordo quanto à necessidade de pensarmos onde chegamos e para onde caminhamos. Assim, gostaria de propor o seguinte exercício mental: pensemos na forma como nos relacionamos uns com os outros, como discutimos os problemas comuns e onde o fazemos; na disponibilidade em escutar o outro; na forma como queremos fazer valer as nossas opiniões. Ou, se quisermos ser mais diretos, pensemos na forma como educamos os nossos filhos, quais os valores que lhes transmitimos, qual a ideia que lhes transmitimos no que se refere à escola, ao conhecimento e à relação com os professores; como nos comportamos na estrada; como encaramos os sucessivos escândalos que vão sendo conhecidos diariamente; como utilizamos as redes sociais; como somos manipulados e facilmente manipuláveis pelos órgãos de comunicação social, só para dar alguns exemplos. Agimos ou ignoramos, somos complacentes ou intransigentes, honestos ou desonestos, mais ou menos educados, e tudo isto, muitas vezes, à frente dos nossos filhos. Esquecemo-nos que exercemos influência através dos nossos atos e que estes se podem reproduzir. Como afirma Lima (2016), “a crise atual da sociedade é uma evidência em todos os sentidos: material e espiritual. A emergência da crise de valores é um facto e provoca a necessidade e urgência de educar para valores. Na escola e na família. (…) É a partir dos valores pessoais, que cada pessoa se rege e molda a sua vida pessoal. Os valores segundo os quais fomos educados, como por exemplo, o respeito, a solidariedade ou a ajuda ao próximo, são os pilares que irão sustentar a maioria das opções que

“a crise atual da sociedade é uma evidência em todos os sentidos: material e espiritual. A emergência da crise de valores é um facto e provoca a necessidade e urgência de educar para valores. Na escola e na família. (…)


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iremos tomar ao longo da nossa história individual.

justifica a opção da Escola como espaço privilegiado

No entanto, nem todos definimos valores do mesmo

para o desenvolvimento de uma cultura de cidadania

modo, uma vez que nem todos nos regemos pelos

e explicita de que forma foi preconizada, tendo-se

mesmos. O que para alguém é certo, para outro pode

recorrido a uma equipa alargada e abrangente para a

ser errado, e assim entramos num conflito de valores”.

sua definição. Outros documentos complementam esta

Mas, independentemente de tudo, continuamos a ser

Estratégia ou lhe atribuem coerência, como o Perfil

cidadãos certificados.

dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Aliás, neste último, é referido que “o aprender a conhecer, o

A instituição por excelência

aprender a fazer, o aprender a viver juntos e a viver com

Paradoxalmente, a instituição que tem perdido mais

os outros e o aprender a ser constituem elementos

prestígio é aquela a que os governantes sempre

que devem ser vistos nas suas diversas relações e

recorrem quando pretendem resolver uma qualquer

implicações. Isto mesmo obriga a colocar a educação

“situação” ou instituir uma qualquer mudança, tendo

durante toda a vida no coração da sociedade”. Ou seja,

em conta o médio e o longo prazo. Relativamente ao

importa ter pessoas preparadas para encarar um futuro

tema em equação, “se antes a família tinha o principal

cada vez mais incerto, transmitindo-lhe conhecimentos,

papel de transmitir valores e a escola apenas o fazia

mas estes só por si não são suficientes se não

por acréscimo, por estar implícito em qualquer relação

tivermos presente o respeito pelo outro e se não

humana, nos dias de hoje, talvez consequentemente do

soubermos viver em sociedade.

excesso de trabalho dos pais, tal já não acontece, pelo que a escola se vê obrigada a intervir nesse sentido”.

Nos dias de hoje, viver em sociedade implica o

Lima (2016). Várias são as instituições que trabalham

estabelecimento de compromissos: com a dignidade

com as escolas, nos dias de hoje, e os professores são

humana, com a inclusão, com uma cultura de exigência

os profissionais que têm de dar resposta a todas as

e com uma consciência ambiental muito clara. Neste

solicitações. Quer se trate de saúde, problemas sociais

sentido, o trabalho a desenvolver na Escola, reveste-

ou riscos resultantes da natureza ou da utilização

se de uma grande exigência e complexidade, tendo

de redes sociais, só para citar alguns exemplos,

em conta o caráter “completo” que se pretende dar

os professores são chamados a dar resposta. Não

à Cidadania. “Não podemos pensar em Cidadania

surpreende, portanto, que numa altura em que se

dissociada de autonomia, democracia e participação,

encara a questão da cidadania como uma urgência, se

ou seja, só pode ser considerado cidadão ou cidadã o

tenha recorrido à escola e aos seus profissionais.

ser humano capaz de agir e/ou tomar suas decisões, de maneira consciente, responsável e respeitosa,

Os motivos que levaram os nossos governantes a

visando o bem-estar próprio e social”. Neto (2001).

estabelecerem uma Estratégia Nacional de Educação

Assim, na minha perspetiva, importa mudar estratégias

para a Cidadania são bastante evidentes. O exercício

de abordagem, na medida em que, se considerarmos

proposto no ponto anterior ajuda, certamente, a

o modelo atual de escola como ultrapassado, então

perceber a urgência e a pertinência desta estratégia.

trabalhar a Cidadania nos mesmos moldes pode

O próprio documento fundamenta a Estratégia,

conduzir a mais um fracasso, à semelhança de tantas


Armando Afonso

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outras mudanças que se tentaram introduzir na Escola,

tornados o centro do processo educativo e vincar a

nos últimos anos, e às quais não se deu o devido tempo

complementaridade entre todos os assuntos a abordar.

de implementação e, muito menos, de avaliação.

Existem várias formas de o fazer. Os professores são profissionais habituados à mudança e à seleção de

Cidadania na Escola

estratégias de ensino que melhor se adequem aos

Cidadania na Escola é o mesmo que Cidadania na

seus alunos. Mas Nogueira (2015) defende que “a

sociedade. A promoção da Cidadania em ambiente

formação de professores para o exercício de funções

escolar, “deve assentar numa visão alargada e

neste domínio deveria ser disponibilizada a todos

transformadora do conceito de cidadania, defensora

os professores em exercício e desenvolvida em

de uma ética da participação, da reflexão crítica,

modalidades de formação especializada de média

da autonomia e promotora da justiça social e

ou longa duração. O sucesso desta missão que se

da solidariedade; essa visão avançada defende

estabeleceu para a Escola depende naturalmente

a promoção das “ferramentas” – competências

de recursos materiais e humanos adequados, da

cognitivas, ético afetivas e de ação ou sociais

autonomia efetiva, de estruturas de suporte, de

– necessárias ao desenvolvimento de um aluno

um clima adequado de autoridade, do culto da

comprometido, envolvido e responsável pelo seu

responsabilidade e da exigência”. Os professores

crescimento pessoal e que ao mesmo tempo pensa,

constituem, igualmente, um exemplo, pelo que a

age e comunica na esfera política, social, cultural

sua prática pedagógica diária pode-se tornar em

e económica, contribuindo, deste modo, para o

aprendizagem significativa, principalmente quando

desenvolvimento justo e equilibrado das sociedades”.

falamos em Cidadania.

Nogueira (2015). Regressando às várias abordagens para a apreensão Importa que o que se apreende do lado de cá dos

de uma cultura cidadã, o que pretendo transmitir

muros constitua prática comum no nosso dia a dia,

aqui e tornar visível, é apenas uma dessas formas

onde quer que nos encontremos. A utilização da

de abordagem, que considero completa, formadora

palavra “apreender” em lugar de “aprender” não foi

e marcante no percurso de vida de quem a executa.

escolhida ao acaso. A meu ver, estamos perante uma das tarefas mais difíceis, das muitas atribuídas à Escola. A Cidadania não se aprende, é algo que vai sendo interiorizado e que tem de resultar de vários exercícios, como a reflexão, o pensamento crítico ou a capacidade de nos colocarmos no lugar do “outro”. Daí que temas como a saúde, igualdade de género, segurança rodoviária ou empreendedorismo, não possam ser abordados de uma forma dita clássica. Devem partir da realidade experienciada pelos alunos


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Missão Amar(es), um Projeto, uma Proposta de Vida

A Missão Amar(es), levada a cabo há 3 anos pelo

o ano. Esta preparação consiste na sensibilização

grupo disciplinar de EMRC da Escola Secundária

e captação de várias parcerias, no sentido de obter

de Amares, sob a responsabilidade do professor

alimentos, produtos de higiene, medicamentos, entre

Bernardino Silva, constitui, na minha perspetiva, uma

outros artigos, que são doados às famílias daquele país

excelente proposta de abordagem ao conceito de

africano. Paralelamente, é necessário recolher alguma

Cidadania. Este professor, em conjunto com alunos

verba para que se possa comprar alguns materiais,

do 12.º ano de escolaridade e ex-alunos da referida

principalmente para a construção de habitações, que

escola (hoje médicos e enfermeiros, principalmente),

seriam muito difíceis de transportar.

desloca-se a Moçambique com o intuito de prestar auxílio a pessoas muito carenciadas daquele país.

Este Projeto enquadra-se neste conceito de Cidadania

A ajuda é vasta e insere-se nos domínios da saúde,

de uma forma bastante ampla. Em primeiro lugar,

educação, alimentação e habitação. São distribuídos

envolve toda a comunidade educativa: é pedido a

alimentos, livros e outros materiais, são prestados

cada aluno que frequenta este estabelecimento, um

cuidados de saúde e construídas habitações dignas

euro. O lema é: “um euro faz a diferença”; em segundo

para as famílias. Para que tudo isto se concretize

lugar, são realizadas várias iniciativas ao longo do

é necessária uma preparação prévia que dura todo

ano, algumas das quais de voluntariado, idealizadas e


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concretizadas por alunos de várias turmas e ciclos de

decidi convidar o professor Bernardino Silva para dar

escolaridade, com o objetivo de angariar alguma verba

uma palestra aos meus alunos, com o objetivo de este

e, também, divulgar o Projeto junto da comunidade

tema ser abordado por alguém que tem uma vasta

educativa e do Concelho, e assim obter as referidas

experiência no que diz respeito à ajuda humanitária e

doações; os alunos são sensibilizados a participar

transmiti-la, mostrando aspetos da realidade que eu

neste Projeto deslocando-se a Moçambique, o que

nunca poderia transmitir porque não a vivenciei. Em

tem sido uma realidade, visto que todos os anos um

todas as escolas onde trabalho, tenho feito este convite

grupo de 4 a 6 alunos do 12.º ano de escolaridade

e é muito gratificante perceber o quanto estas palestras

tem acompanhado o professor nesta viagem ao

contribuem para o enriquecimento dos alunos.

continente africano; as várias ações dinamizadas têm conteúdos em comum com o que é estudado em várias

Paralelamente, temos ajudado à concretização

disciplinas, pelo que podem e devem ser trabalhadas

da Missão Amar(es), participando na recolha de

tendo em conta a Autonomia e Flexibilidade Curricular,

um euro por aluno (que, como é evidente, consiste

por exemplo, constituindo um Domínio de Autonomia

numa participação voluntária) e a verba angariada

Curricular.

é disponibilizada duas semanas antes da partida para Moçambique. Os alunos envolvem-se de várias

Convém salientar que este Projeto não consiste

formas: uma das turmas ou um grupo de alunos

num peditório. A parte essencial do Projeto é a

encarrega-se de estabelecer a estratégia de divulgação

sensibilização dos alunos, pais e encarregados de

do Projeto e de sensibilização dos restantes alunos

educação, professores, para uma realidade diferente

e os Diretores de Turma procedem à recolha dos

da que existe no nosso país e dar a conhecer uma

donativos. Posteriormente, procede-se à divulgação,

forma de trabalhar para o “outro”. Deste modo, o

através da colocação de fotografias nas páginas dos

grande objetivo é o de trazer novos elementos que

Agrupamentos ou nos respetivos jornais escolares, da

atuem de forma ativa na ajuda humanitária e dotá-los

forma como foi gasta a contribuição de todos.

de “ferramentas” que os possam ajudar a criar outras formas de atuação ou a prestar auxílio em outras áreas

No final do ano letivo anterior, tive o prazer de ser

do país e do Mundo. Para os alunos que se deslocam a

convidado para, em conjunto com o professor

Moçambique, esta é uma experiência única, indelével,

Bernardino Silva, participar na atividade promovida

marcante nas suas vidas, e construtora de uma nova

por este Centro de Formação: “Encontros com…

forma de encarar a vida.

Cidadania”. Foi uma oportunidade de divulgar esta ação de voluntariado junto de elementos que trabalham

Tendo conhecido o Projeto, percebido a dinâmica

em vários Agrupamentos escolares, os quais volto,

e participado modestamente, aquando da minha

desta forma, a convidar a participar e a juntarem-se

passagem pela Escola Secundária de Amares, resolvi

ao Agrupamento de Escolas de Eiriz, Baião, e ao

contribuir de uma forma mais ativa. Assim, tendo em

Agrupamento de Escolas do Sudeste de Baião, que já

conta que em Geografia, no 9.º ano de escolaridade,

colaboram ativamente.

se estuda o tema “Contrastes de Desenvolvimento”,


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A ajuda humanitária nunca é suficiente, especialmente num dos países menos desenvolvidos do Mundo, e o enriquecimento dos nossos alunos, enquanto cidadãos merecedores de todas as oito letras desta palavra, aumenta a pertinência do desenvolvimento de ações como esta, enquadradas na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. Estamos, portanto, confrontados com um direito ou com um dever? Como diz o professor Bernardino Silva: “não existe nada mais gratificante do que o sorriso genuíno e o brilho dos olhos de uma criança que, não tendo nada, ama cada segundo da sua vida”.

Referências Bibliográficas LIMA, F. (2016). O desafio de educar para valores no século XXI. Instituto Superior de Educação e Ciências. Disponível em https:// comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/20258/1/Tese.pdf. [Consultado em 01/10/2019.] Neto, A. (2001). A família e a Escola na construção da Cidadania. Universidade Portucalense. Disponível em http://repositorio.ispa.pt/ bitstream/10400.12/5357/1/CPE_12_247-261.pdf. [Consultado em 03/10/2019.]

Documentos de Referência

Nóvoa, A. (2009). Educação 2021: Para uma história do futuro. Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. Universidade de Lisboa. Disponível em http://hdl.handle.net/10451/670. [Consultado em 04/10/2019.]

Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho

Nogueira, F. (2015). O Espaço e o Tempo da Cidadania na Educação. In Revista Portuguesa de Pedagogia. Disponível em https://impactumjournals.uc.pt/rppedagogia/article/view/2572. [Consultado em 01/10/2019.]

Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória

Reis, J. (2001). A Cidadania nas Escolas: Perspetivas e Realidades. Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Disponível em https://repositorio.ucp.pt/bitstream. [Consultado em 10/11/2017.]

Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania

Outras consultas online https://www.direitosedeveres.pt/q/constituicao-politica-e-sociedade/ cidadania/o-que-e-a-cidadania-portuguesa-e-o-que-implica https://justica.gov.pt/Guias/como-obter-nacionalidade-portuguesa


Armando Afonso | 24


Hermínia Marques

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Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil – Baião

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o Mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades Luís de Camões, século XVI

À escola, enquanto ambiente propício à aprendizagem e ao desenvolvimento de competências, onde alunos e alunas adquirem as múltiplas literacias que precisam de mobilizar, exige-se uma reconfiguração, a fim de responder às exigências destes tempos de imprevisibilidade e de mudanças aceleradas Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, 2017

CUBOS QR CODE DE CIDADANIA: UM PROJETO NO ÂMBITO DO PROGRAMA LER+ Não será novidade escrevermos que as crianças que

“futuro”. Conselheiros de robots (Robot Counsellor),

entram na escola em 2019 vão ser adultos em 2030,

“nostálgicos” (Nostalgist) especializados em design

com desafios e empregos que ainda não foram criados.

de interiores com memórias do passado para

O preâmbulo do Decreto-Lei nº 55/2018, de 6 de julho,

reformados, nutricionista escolar (school nutritionist),

remete-nos para esta “incerteza quanto ao futuro”, mas

gestor de comunidades online (Online Community

que é uma “miríade de oportunidades”. Certamente

Manager), responsáveis pela vigilância da vizinhança

todos nós ficamos com curiosidade em conhecer o

(Neighbourhood Watch Officer) que monitorizam

que nos reserva o futuro profissional e uma questão se

através de drones, tele-cirurgiões (Tele-surgeon) que

levanta: quais serão as profissões em 2030?

utilizam ferramentas robóticas em vez das mãos humanas… São muitos os desafios que esperam as

Um projeto da fundação Canadian Scholarship

nossas crianças e jovens. Contudo, é curioso descobrir

Trust Plan remete-nos para 71 profissões do 1

1

https://careers2030.cst.org/jobs


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o facto de os educadores de infância, professores e bibliotecários continuarem a ter um peso fulcral no futuro. É também interessante notar que “à medida que as máquinas inteligentes assumem alguns dos trabalhos de rotina, há uma procura crescente pelas habilidades que são (até ao momento) insubstituíveis por máquinas, como as criativas e críticas” (Störmer, Patscha, Prendergast, Daheim, Rhisiart, Glover & Beck, 2014). Se olharmos para o mundo que nos rodeia, para a mutabilidade e imprevisibilidade da sociedade atual, sem dúvida fará todo o sentido passarmos da normatividade curricular para o metacurrículo, em que o conhecimento, o fazer e o ser são parte integrante das aprendizagens consideradas socialmente necessárias. No presente, preparar os alunos para o futuro implica criarmos espaços para que possam desenvolver atitudes e comportamentos que os transformem em cidadãos conscientes, informados e interventivos na realidade social. Daí a relevância da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e de incluirmos nas nossas aulas projetos que possam fazer os alunos “pensar fora da caixa” (think out of the box). Tendo em conta estes pressupostos, a Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil aproveitou o Programa aLeR+2027 (resultado de uma parceria entre o Plano Nacional de Leitura e a Rede de Bibliotecas Escolares) para apresentar a candidatura a um projeto que articulasse a leitura com a Cidadania. Assim nasceu o projeto “Ler+, Ser+”, que associa as “estórias” contadas em família, à reflexão sobre temas ligados a uma cidadania ativa e à leitura/escrita em diversos suportes/formatos. Três grandes razões estiveram na base deste projeto. Por um lado, a “Estratégia Nacional de Educação

para a Cidadania” releva o papel das bibliotecas na mobilização de parcerias que viabilizem a sua operacionalização na Escola. Deste modo, considerouse importante desenvolver no Agrupamento um projeto de leitura que promova a consciência cívica e a reflexão/debate sobre os grandes desafios da atualidade. Uma segunda razão prende-se com o facto de a leitura ser um meio privilegiado para a formação de cidadãos críticos e para o exercício de uma cidadania ativa. Finalmente, há que ter em conta que o concelho de Baião, situado entre a serra e o rio, apresenta algumas características de ruralidade, de tradições (bengalas de Gestaçô, doce da Teixeira, …) e de história (conjunto megalítico da Serra da Aboboreira, rota do românico, …). A par desta vertente mais tradicional, que importa conhecer e preservar, é fulcral que se faça também a leitura e reflexão sobre os desafios do mundo atual.


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É forçoso lembrar que Baião, tal como outros concelhos

no nosso Agrupamento, a verdade é que sendo o

do país, é uma terra de histórias e tradições rurais, em

primeiro ano que tínhamos a disciplina de Cidadania e

que a “magia” ainda tem o seu espaço. As gerações

Desenvolvimento na Escola “ninguém tinha uma ideia

mais velhas são um repositório vivo destas lendas e

muito clara do que isso era e foi muito complicado

tradições. Deste modo, estruturou-se o projeto tendo

organizarmos tudo, mas, no fim, calhou tudo bem”.

por base quatro atividades. Com a atividade “Leituras d’Aldei@” partiu-se da realidade local para se refletir

Como reflexão final, consideramos que o grande

sobre os desafios da grande “aldeia global” (McLuhan,

desafio do século XXI é enfrentarmos a mudança.

1972) em que se transformou o mundo. A Escola

Esta atitude implica termos a coragem de sairmos

também quer levar este debate para fora dos seus

da nossa zona de conforto, ultrapassando a visão de

portões e propôs-se fazê-lo com as atividades “Cubos

currículo concebido como sinónimo de programa e de

QR de Cidadania” e “Lê e Argument@”, disponibilizando

preparação para os exames nacionais. Trabalharmos

objetos e um espaço onde a comunidade é incentivada

temáticas de Cidadania nas nossas aulas é, sem

a participar. Finalmente, a atividade “Ler+ #Banda

dúvida, uma forma de nos tornarmos “provocadores de

Desenhad@, Ser+ Cidadão” combina a leitura e a

aprendizagens” nos alunos.

criação de tiras de Banda Desenhada com a abordagem de temas previstos na Estratégia de Educação para a Cidadania da Escola. Destas atividades destacaremos os “Cubos QR Code de Cidadania”. Tratou-se de um projeto desenvolvido numa turma do sétimo ano, durante as aulas de Cidadania e Desenvolvimento. Tal como o nome indica, teve como objetivo criar QR Codes, que foram colados em cubos construídos pelos alunos, e que remetiam para textos de opinião/reflexões e questões sobre temas de cidadania, nomeadamente direitos humanos, igualdade de género, saúde. Depois de concluídos, os cubos foram utilizados no Dia da Mostra das Atividades, Clubes e Projetos, com os alunos do 2º ciclo, os quais responderam às questões levantadas ou comentaram as frases selecionadas e, por sua vez, criaram QR Codes com as suas respostas. Alguns

Referências bibliográficas XXI Governo Constitucional (2017). Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania. Direção Geral da Educação - Ministério da Educação. Disponível em http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/ECidadania/Docs_ referencia/estrategia_cidadania_original.pdf Decreto-Lei nº 55/2018, de 6 de julho (Currículo dos ensinos básico e secundário e princípios orientadores da sua conceção, operacionalização e avaliação das aprendizagens para alcançar as competências previstas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória). MCLUHAN, M. (1972). A galáxia de Gutenberg: a formação do homem tipográfico. São Paulo: Companhia Editora Nacional.

destes trabalhos foram publicados no jornal escolar. Dizer que foi fácil pôr em prática este projeto seria adulterar a verdade. Parafraseando a opinião de uma aluna a respeito de outro projeto desenvolvido

STÖRMER, E., Patscha, C., Prendergast, J., Daheim, C., Rhisiart, M., Glover, P., & Beck, H. (2014). The future of work: jobs and skills in 2030. London: UK Commission for Employment and Skills. Disponível em https://www.oitcinterfor.org/sites/default/files/file_publicacion/ thefutureofwork.pdf


Ana Margarida Terra

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Mónica Costa

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Agrupamento de Escolas de Frazão, Paços de Ferreira

HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS Boas práticas no Agrupamento de Escolas de Frazão, Paços de Ferreira

No ano letivo 2018/19, os alunos da turma C do 7.º ano de escolaridade, da Escola Básica de Frazão, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, procuraram sensibilizar a comunidade educativa para a prática de hábitos alimentares saudáveis com o intuito de promover a saúde pessoal e pública. Os alunos da turma começaram por fazer o levantamento dos hábitos alimentares dos alunos do 5.º e 7.º anos, através da aplicação de um inquérito, tendo posteriormente exposto os resultados do mesmo à restante comunidade escolar. A informação recolhida neste inquérito foi também alvo de análise nas palestras organizadas pela turma, intituladas “Hábitos Alimentares Saudáveis”, e dinamizadas pela nutricionista Dr.ª Soraya Bernardo, do Centro de Saúde de Paços de Ferreira. A palestra destinou-se aos alunos do 5.º e 7.º anos, respetivos pais e professores. Os alunos também expuseram pequenos cartazes e frutos, bem como as vantagens do consumo de alimentos resultantes da agricultura biológica. O trabalho desenvolveu-se em articulação com as disciplinas de Português, Matemática, TIC, Ciências Naturais e Educação Visual. Destaca-se o envolvimento e a dedicação dos alunos do 7.º C que, apesar de algumas contrariedades, concretizaram com sucesso o seu projeto e conseguiram despertar consciências para novas práticas alimentares.

Ana Margarida Terra

sobre os benefícios alimentares de determinados legumes


Maria Pereira

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Paula Susana Rocha

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Agrupamento de Escolas de Frazão, Paços de Ferreira

“A MINHA LANCHEIRA É TOP! E A TUA?”

"A minha lancheira é TOP! E a tua?" nasceu no grupo de Escolas de Frazão, Paços de Ferreira, no âmbito da Estratégia de Educação para a Cidadania de Escola. Após o levantamento das maiores necessidades nas turmas, o grupo entendeu que era urgente atuar nos lanches das crianças, como forma de diminuir o consumo excessivo de açúcar e por consequente

Maria Fernanda Neves

disciplinar de professores do 1.º ano do Agrupamento

contribuir para a diminuição dos números de obesidade infantil em Portugal. Apesar da escola facultar o leite escolar e a fruta,

desta mudança. E isso para as professoras foi o mais

constatou-se que grande parte dos alunos consomem

importante, para que se torne um hábito para a vida e

alimentos muito açucarados. Feitas as contas,

para poderem crescer e resistir às “doces” tentações

percebeu-se que a maioria das crianças consomem

que a sociedade proporciona. Um outro ponto fulcral é

por dia o equivalente a cerca de 11 pacotes de açúcar

que as crianças são grandes “veículos” de informação,

(usados no café) só em dois lanches diários, sendo que

ao levarem para casa estes cuidados alimentares,

a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda

os seus familiares irão certamente adaptar os seus

apenas o consumo de 2 pacotes por dia. Perante tal

hábitos alimentares. As crianças são o futuro, ao

preocupação, fez-se a sensibilização com os alunos e

investir-se na saúde delas agora, está-se a capacitá-las

criou-se uma grelha para aplicar diariamente na sala

para um futuro mais sadio e consciente.

de aula, em que se atribuía uma estrelinha verde aos alunos que trouxessem a lancheira com alimentos

Uma outra dimensão fundamental no problema, é

saudáveis, com o intuito de serem os heróis do lanche.

a pouca informação que os pais / encarregados

O facto é que esta ação tão simples aos olhos de

de educação possuem acerca da composição dos

quem a vê, provocou uma acentuada melhoria nos

alimentos que disponibilizam aos seus educandos

lanches e mostrou que o trabalho desenvolvido com

para o lanche escolar. Como tal, foi-lhes enviado um

persistência e resiliência traz o sucesso desejado para

prospeto informativo com alertas e até exemplos

todos. As crianças passaram a optar pelo leite escolar,

de lanches, fornecidos por uma nutricionista. E foi

pela fruta e pelo pão, apercebendo-se da importância

precisamente com o objetivo de abraçar o maior


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número de pessoas que se preparou, no final do ano letivo transato, uma palestra para toda a comunidade concelhia, realizada no salão nobre da Câmara Municipal do município, intitulada “A minha lancheira é TOP! E a tua?”. Palestra esta dirigida pelos próprios alunos e com a presença de profissionais da educação e da saúde. Devido ao seu impacto e importância, o projeto continua a ser implementado no presente ano letivo, abarcando, agora, todo o universo do 1.º ciclo, incluindo o pré – escolar.


Armando Afonso

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Rui Pedro Oliveira

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Rosa Lourenço

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Coordenadora da Estratégia de Educação para a Cidadania do Agrupamento de Escolas de Paço de Sousa

“A única forma que temos de chegar ao impossível é não deixar de acreditar que é possível”. Lewis Carroll

PELA EDUCAÇÃO… PARA UM MUNDO MELHOR! O mundo está a mudar a muitos níveis… Sim, este é um

projetos que promovam a construção de sociedades

dos maiores desafios da educação: ajustar, criar novas

mais justas e inclusivas.

respostas, inovar, ir ao encontro das necessidades dos alunos do século XXI. E porque há uma relação

Ao longo do ano letivo 2018/2019, no Agrupamento

intrínseca e inata entre cidadania e educação, onde

de Escolas de Paço de Sousa (AGPSOUSA), perante

a educação visa a formação cidadã das pessoas e a

o desafio de abordar conteúdos conducentes a

cidadania (re)constrói-se na e pela educação, cabe

desenvolver nos alunos atitudes de cidadania global

à Escola articular estes dois conceitos de forma a

e, por conseguinte, formar cidadãos humanistas,

preparar os estudantes para uma cidadania ativa,

responsáveis e participativos de forma ativa, em

assumindo, assim, as suas responsabilidades numa

Cidadania e Desenvolvimento, decidiu-se trabalhar os

sociedade democrática.

17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). É fulcral o envolvimento dos nossos alunos neste

Deste modo, num contexto em que a cidadania ganha

apelo global de participação da agenda 2030 para o

formato de disciplina e estratégia nacional e, como

desenvolvimento sustentável mundial.

tal, a abertura da Escola à sociedade a que pertence é requisito fundamental para a construção de uma

Começou por se definir um tema aglutinador – “Por

sociedade democrática e solidária, que respeita

mais e melhores cidadãos!”, que permitisse então uma

a diversidade e defende os direitos humanos, é

coerência de agrupamento e, a partir daí, cada turma

fundamental desenvolver/participar ativamente em

criou os seus próprios projetos.


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Armando Afonso

Escolhi, para partilhar aqui, o trabalho desenvolvido

uma candidatura à “A Maior Lição do Mundo”, iniciativa

pela turma C do sétimo ano. Tendo em linha de

internacional da responsabilidade do Comité Português

conta que, no 7º ano, os domínios de educação para

para a UNICEF, em colaboração com a Direção-Geral

a cidadania a explorar eram os direitos humanos, a

da Educação. Com esta atividade, os alunos foram

igualdade de género, a sexualidade e o risco e, tal

impelidos a desenvolver, ao longo do ano letivo,

como consta na Estratégia Nacional de Educação

trabalhos sobre a importância de uma educação de

para a Cidadania: “Todos os domínios a trabalhar na

qualidade (ODS 4) e a promoção da paz e da justiça

Cidadania e Desenvolvimento devem ser vistos como

(ODS 16).

intercomunicantes, tendo na base uma visão holística da pessoa”, o objetivo foi num único projeto abordar

Durante as quatro fases de desenvolvimento do

esses quatro domínios.

trabalho (desafio, planificação, experimentação e divulgação), os alunos, num processo de aprendizagem

A proposta dos alunos foi dramatizar o conto “Maria

ativo, que incluiu o debate e a troca de ideias, a

do Mar”, conto esse que fora escrito por eles quando

pesquisa de informação, a representação e o trabalho

frequentavam o quarto ano, em 2016. O conto faz

de projeto, entre outras metodologias, abordaram os

parte do livro “Contos para crianças”, publicado pela

conteúdos, associando-os a situações e problemas

Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco

presentes no quotidiano, tomando consciência,

de Penafiel (CPCJ), no âmbito das comemorações dos

refletindo e discutindo sobre as problemáticas com

seus 25 anos.

o propósito de defenderem os Direitos Humanos. Na opinião da representante dos encarregados de

“Contei aos meus avós a história que iríamos

educação, Sílvia Santos, “foi realmente um bom

apresentar e eles acharam que era um tema atual por

exercício para as nossas crianças e nós, pais

causa do que viam nas notícias” foram palavras como

destes alunos, reconhecemos a sua relevância

estas, proferidas pela aluna da turma, Inês Santos, que

para a evolução dos nossos filhos e das nossas

nos levou a acreditar que este era o trilho e deu-nos

filhas como futuros adultos nesta sociedade já tão

motivação para prosseguir. Conjuntamente foi feita

multicultural”. A encarregada de educação referiu que


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“Foi entusiasmante ver o projeto a desenvolver-se e,

colaborativo essencialmente entre os docentes de sete

mais motivante ainda, foi constatar que os alunos se

disciplinas (Cidadania e Desenvolvimento, Educação

sentiam parte integrante de todas as etapas, desde a

Visual, Português, Geografia, TIC, Introdução à Política

logística ao estudo das personagens que cada um teria

e Francês), a diretora de turma, os encarregados de

que representar em palco.”

educação e o professor/encenador, Pedro Soares, da Escola Superior de Música e Artes dos Espetáculos,

Após concretizadas as ações necessárias ao nível da

do Porto. Com base na opinião dos alunos, é reforçada

leitura e análise do conto “Maria do Mar” e à sua divisão

a ideia de que foi bastante frutífera a vinda deste

em atos e cenas, ficou concluído o brainstorming de

profissional à E.B. 2, 3 de Paço de Sousa. O Nuno

ideias básicas para o arco narrativo, a história e o

Ferreira disse: “Achei diferente e interessante nas

enredo, e a estrutura. Seguidamente, foi escrito o guião

aulas de Cidadania termos a presença do professor

para a representação teatral do conto, escolheram-se

de teatro, porque ele cativou-nos ao apresentar vários

os atores e figurantes e realizaram-se os ensaios. Estes

estilos de cenários, técnicas de interpretação, de som

decorriam às quartas feiras, da parte de tarde, período

e colocação de voz. Não tenho dúvidas que com tantas

em que a turma não tinha aulas. A aluna Sofia Garcêz

boas ideias saia um grande projeto”. Já para a Beatriz

revela que para ela “Desde os ensaios à apresentação

Silva “O professor está a ajudar-nos a realizar um bom

final da peça de teatro houve um longo caminho. Deu

trabalho e diferente. Deu-me esperanças para tudo

tudo muito trabalho, mas valeu a pena o esforço.”

correr bem”.

Por sua vez a Inês Santos diz que “Durante os ensaios para a representação da nossa peça, pensei muito nas

Com o intuito de desenvolver o espírito de equipa e de

dificuldades dos refugiados e nas crianças e jovens

partilha, num trabalho colaborativo entre docentes/

que vivem nos países em guerra”.

discentes/ família, procurando maximizar a interação com a comunidade através do estabelecimento de

Quanto aos cenários, nomeadamente os skayliner,

parcerias institucionais, neste projeto contou-se ainda

foram construídos nas aulas, enquanto outros

com a colaboração da CPCJ de Penafiel, da paróquia

materiais foram executados por encarregados de

de Paço de Sousa, do maestro da Banda de Música de

educação, tendo estes concebido também os adereços

Paço de Sousa e dos alunos e ex. alunos que tocam

de representação e o guarda-roupa, e colaborado

nas Bandas de Música de Lagares e Paço de Sousa.

na parte da acústica, divulgação e apresentação do espetáculo. Disse-nos Sílvia Santos: “Claro que tudo

No início do terceiro período realizou-se, no Salão

isto só foi possível com a preciosa ajuda e orientação

Paroquial de Paço de Sousa, a representação da peça

dos professores que sempre os acompanharam, em

de teatro, para a comunidade escolar: um encontro

especial a professora de cidadania, e a colaboração

multifacetado de formação, debate, arte, envolvido

dos pais que sempre acreditaram que este tipo de

igualmente com muito afeto. É exemplar a este respeito

projetos são uma mais valia para a educação dos

o parecer das gémeas Bárbara e Beatriz Costa. Para

nossos filhos.” De facto, houve um trabalho que reflete

elas o espetáculo “teve um acompanhamento musical

uma visão interdisciplinar do currículo, um trabalho

e interativo que transmitiu uma enorme motivação a


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quem foi protagonista, dando assim um mérito enorme

Com este processo de ensino/aprendizagem da

a todos os envolvidos. Alunos, pais e professores, de

literatura, do teatro, da música e das artes visuais,

mãos dadas desenvolveram um enorme trabalho que

foram trabalhadas as dez áreas de competência do

conseguimos revelar em palco”. Também, para a dita

Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória.

encarregada de educação “Foi curioso e gratificante

Espera-se estar a contribuir para o desenvolvimento

ver o que os nossos filhos tinham escrito, enquanto

de uma sociedade não apenas mais justa e educada,

crianças a frequentar o quarto ano, tornar-se numa

mas mais humana, mais consciente da sua identidade

peça de teatro e, mais uma vez, tomarem nas suas

e do poder que a cultura exerce no que somos e no

mãos a tarefa de demonstrar, em palco, como é

que nos tornaremos no futuro. Nesta sensibilização,

importante ajudar, respeitar quem mais precisa.”

particularmente, para os direitos dos desprotegidos

De um modo geral “O resultado final, a meu ver, foi

o pensamento da aluna Inês Santos diz-nos: “o mais

óptimo” afirmou Sofia Garcêz. Mas não ficou por aqui.

relevante foi que eu e os meus colegas de turma

Disse “Esta foi também a opinião de todos aqueles

percebemos e demos a entender que a nossa história

que quiseram compartilhá-la connosco e que ficou

trata de uma questão muito importante, que é a do

escrita num mural à saída do evento”. Inês Santos

respeito pelos outros e em especial o direito que

relatou ainda: “Gostei muito de fazer parte deste

todas as crianças no mundo têm em ter uma vida com

projeto de educação para a cidadania, porque fez-me

educação, qualidade e muito carinho”.

relembrar os bons tempos do primeiro ciclo e de quando escrevemos a história. Para além disso, este

Esta promoção de uma cidadania global ativa e uma

projeto fez com que eu me sentisse mais responsável

maior consciencialização do papel de cada um na

em ajudar os outros e fez com que eu me tornasse

construção de um mundo mais seguro, mais saudável

mais participativa em relação à minha comunidade e à

e mais sustentável, permite-nos entender os Direitos

minha escola”.

Humanos como um bem universal comum a todos os seres humanos, que é necessário proteger. Sílvia Santos considerou ser relevante acrescentar que, “como pais, achamos que quaisquer projetos ou atividades que sejam promovidos por entidades, como a nossa escola e a nossa CPCJ, de forma a ajudar na educação da nossa sociedade para o mundo de hoje, deverão ser sempre considerados e devidamente reconhecidos. Que este projeto tenha sido apenas o início de um grande caminho para a boa cidadania das nossas crianças!” Pessoalmente, acarinhei esta iniciativa desde o primeiro momento e acompanhei com grande proximidade e interesse todo o trabalho. É com enorme


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satisfação que enuncio o reconhecimento obtido, a nível nacional, no âmbito da iniciativa A Maior Lição do Mundo 20182019. Possivelmente pela sua originalidade, qualidade e pelo envolvimento ativo da comunidade educativa, o nosso projeto foi selecionado e está publicado num livro digital oficial da iniciativa, divulgado no website da AMLM e nas plataformas das entidades promotoras (link do livro, - https://unicef.pt/oque-fazemos/o-nosso-trabalho-em-portugal/ educacao-pelos-direitos-das-criancas/). Este galardão é o corolário do trabalho desenvolvido no âmbito da Educação para a Cidadania. É um estímulo muito grande para se continuar a apostar no trabalho de projeto. Não fossemos nós um instrumento de cordas! Estas, diferentes uma das outras, só cumprem a sua verdadeira vocação quando resultam numa belíssima melodia. Essa melodia são os nossos jovens, que serão os construtores de uma sociedade mais sadia e feliz. “Maria do Mar” é, pois, essa melodia plena de afeto que nos ensina que nada nem ninguém nos pode separar do amor. Só ele, o AMOR, fica nesta vida! Todos juntos (alunos, professores, pais, comunidade e poder local) somos agentes da educação e, consequentemente, construtores de mais e melhores cidadãos!

Apenas juntos será possível. Vamos! “Paço a passo… por um futuro melhor!”


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Armando Afonso


Teresa Lobo

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Agrupamento de Escolas de Sobreira, Paredes

Luís António Xavier

PARTILHA DE EMOÇÕES ENTRE GERAÇÕES A implementação da Estratégia de Educação para a Cidadania no Agrupamento de Escolas de Sobreira veio alargar e reforçar a rede de parcerias com entidades externas à escola, associando as ações desenvolvidas em sala de aula com os projetos já existentes neste Agrupamento e com outros criados a partir de oportunidades emergentes a partir desta nova energia da Educação para a Cidadania. Um dos novos projetos desenvolvido ao longo de todo o ano foi a Partilha de Emoções entre Gerações. Este projeto assentou em 3 dos domínios da Educação para a Cidadania – Direitos Humanos, Interculturalidade e Voluntariado e foi levado a cabo ao longo de todo o

alunos. Houve ainda uma aula de ginástica adaptada

ano letivo – em três momentos distintos - “Encontro

a todos os participantes, realizada com todos os

de Gerações”, “Leitura Solidária” e “Praia Acessível

participantes sentados, utilizando muitas respirações,

– Praia para todos”. Foi feita uma articulação entre

alongamentos, balões e muitas gargalhadas. Foi uma

o trabalho dos alunos na disciplina de Cidadania

tarde de muito convívio, alegria e troca de experiencias.

e Desenvolvimento do 7º ano com os Projeto de

Aqui nasceu a vontade de manter a ligação dos nossos

Agrupamento Alma Solidária e a Biblioteca Escolar

alunos com os utentes deste Centro ao longo do ano,

e o Projeto Nacional Escolas Solidárias – fundação

pois muito ficou ainda por contar e fazer.

EDP, num reforço da parceria com o Centro Social e Paroquial de Recarei.

Em Abril foi mês de Leituras Solidárias. Integradas na semana da Leitura do Agrupamento as Leituras

Em Dezembro realizamos o Encontro de Gerações. Na

Solidárias foram preparadas ao longo de quatro

disciplina de Cidadania e Desenvolvimento os alunos

semanas pelos professores responsáveis pela

do 7º E prepararam a receção a um grupo de utentes

Biblioteca Escolar com um grupo de alunos do Projeto

do Centro Social e Paroquial de Recarei, com leituras,

Alma Solidária. Deste trabalho resultou uma tarde

danças, canto e um lanche preparado por todos os

muito agradável de leituras e dramatização de histórias,


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desta vez no próprio Centro Social e Paroquial de Recarei. Todos regressamos à escola de coração cheio e certos do muito que podíamos continuar a fazer com este grupo de pessoas. Durante o mês de Julho um grupo de alunos e professoras do Projeto Alma Solidária juntaram-se aos utentes do Centro Social e Paroquial nas praias de Gaia, associando-nos ao lema Praia acessível - Praia para todos. Houve tempo para uma Aula de ginástica, momentos de convívio e acompanhamento à água dos mais jovens aos menos jovens. Foi na praia de Miramar, uma das praia com melhores acessibilidades no nosso país, dispondo de um serviço de apoio a banhos através de protocolos com as corporações de bombeiros, com a disponibilização de carros anfíbios, que permitem levar pessoas com mobilidade reduzida ao mar. Neste projeto de Educação para a Cidadania estiveram envolvidos 80 alunos, 10 professores e 8 funcionárias da Escola Básica de Sobreira, 30 utentes e 10 colaboradores do Centro Social e Paroquial de Recarei. Todos são apologistas da sua continuidade nos próximos anos, possibilitando momentos de convívio e importantes trocas de experiências entre idosos e jovens, como instrumento de inclusão social, construção e exercício da Cidadania.


Fernando Monteiro

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Agrupamento de Escolas de Sobreira, Paredes

ESTUDO DO PARQUE DAS SERRAS DO PORTO – OCUPAÇÃO HUMANA E PATRIMÓNIO

Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento - 5º Ano

A Escola Básica e Secundária de Sobreira (EBSS ) localiza-se a sul do município de Paredes, nas proximidades dos Parque das Serras do Porto (PSdP) – um território com cerca de 6000 ha que abrange os municípios de Valongo, Gondomar e Paredes. Esta área protegida resultou de interesses comuns destes três municípios na valorização dos valores naturais e patrimoniais da região. Nesse sentido foi criado, em junho de 2018, o Clube das Escolas do PSdP, com claros objetivos pedagógicos de promover o conhecimento dos valores locais, assim como a sua preservação. Neste sentido, todas as turmas do 5ºano de escolaridade da EBSS desenvolveram no ano letivo 2018/2019 o projeto “Estudo do Parque das Serras do Porto – Ocupação humana e Património”, cujos principais objetivos foram promover o conhecimento dos valores da região, com destaque para o património natural e arqueológico, assim como fomentar o sentimento de identidade dos alunos com o seu meio social e natural envolvente, criando bases sustentáveis para a sua preservação. Promovido pela disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, este projeto envolveu várias outras disciplinas, proporcionando assim a abordagem interdisciplinar dos temas e a interligação curricular das aprendizagens, tornando-as mais significativas. Seguiu-se assim o estipulado na ESTRATÉGIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA (setembro de 2017), que prevê a definição de prioridades e finalidades educativas tendo em conta a diversidade de contextos socioeconómicos e geográficos e onde também se destaca “a valorização das especificidades e realidades locais em detrimento de abordagens de temáticas abstratas e descontextualizadas da vida real – importância do diagnóstico local.”

Armando Afonso


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A fundamentação do projeto desenvolvido radica igualmente no PERFIL DOS ALUNOS À SAÍDA DA ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA (2017), que aponta para uma “educação escolar em que os alunos desta geração global constroem e sedimentam uma cultura científica e artística de base humanista. Para tal, mobilizam valores e competências que lhes permitem intervir na vida e na história dos indivíduos e das sociedades, tomar decisões livres e fundamentadas sobre questões naturais, sociais e éticas, e dispor de uma capacidade de participação cívica, ativa, consciente e responsável”. O projeto desenvolvido priorizou as seguintes competências:

- Bem-estar, saúde e ambiente;

- Saber científico, técnico e tecnológico;

- Informação e comunicação:

- Desenvolvimento pessoal e autonomia.

Para a construção do projeto contribuiu também o estipulado no PROJETO DE AUTONOMIA E FLEXIBILIDADE CURRICULAR (Decreto-lei n.º 55/2018, de 6 de julho), que confere às escolas a possibilidade de “gerir o currículo dos ensinos básico e secundário e a organização das matrizes curriculares base, ao nível das áreas disciplinares e disciplinas e da sua carga horária, assente na possibilidade de enriquecimento do currículo com os conhecimentos, capacidades e atitudes que contribuam para alcançar as competências previstas no “Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória”. Neste sentido, foram definidas áreas de confluência de trabalho interdisciplinar / articulação curricular e integradas nas matrizes curriculares das disciplinas intervenientes. Foi criado um Domínio de Autonomia Curricular, onde intervieram essas disciplinas e respetivas aprendizagens. Disciplinas

Aprendizagens

Cidadania e Desenvolvimento

Desenvolvimento Sustentável Educação Ambiental

Ciências Naturais

Flora e fauna das serras Influência da presença humana na evolução da paisagem

História e Geografia de Portugal

História da ocupação humana do território das serras Caracterização da exploração aurífera e dos recursos das serras

Ed. Tecnológica l

Evolução do conhecimento técnico e tecnológico associado à exploração mineira Técnicas e fases de exploração dos recursos naturais

Educação Visual

Criação de uma banda desenhada alusiva à história da exploração romana do ouro nas serras (exposição em grande formato)

Educação Física

Pedestrianismo e exploração do ambiente natural – preparação das atividades; cuidados de saúde e segurança; técnicas de interpretação do espaço físico


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A implementação deste DAC contou com a participação do Eco-Clube – uma estrutura pedagógica criada na escola para promover a implementação de projetos no âmbito da educação ambiental e desenvolvimento sustentável, como o Programa Eco-Escolas, o Projeto Rios, o Clube da Floresta ou a Horta Pedagógica. As atividades valorizam os contextos natural, histórico e cultural onde a escola se insere e visam melhorar a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade das aprendizagens a par da formação cívica dos alunos e da adoção de práticas e estilos de vida saudáveis. O trabalho articulado desenvolvido pelas disciplinas intervenientes concretizou-se na escola (dentro e fora de sala de aula) e em ambiente natural. Como atividades de complemento curricular organizou-se uma palestra e uma exposição na escola e uma visita de estudo que contemplou o Centro de interpretação das Minas de Castromil e Banjas e o PSdP (Alvre e S.ª do Salto – Aguiar de Sousa). Estas atividades contaram com o apoio técnico e logístico da Câmara Municipal de Paredes em todas as fases do processo, desde a planificação à dinamização.

Centro de Interpretação das Minas de Ouro de Castromil e Banjas

Visita de Estudo – S.ª do Salto Mina de Castromil


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LEGISLAÇÃO E SITES Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho Define os princípios de organização do currículo dos

BARBOSA, M. (2006). Educação e Cidadania -

ensinos básico e secundário.

Renovação da Pedagogia. Amarante: Editora Labirinto.

Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho

BETTENCOURT, A.; Campos, J. & Fragateiro, L. (1999).

Estabelece o regime jurídico da Educação Inclusiva.

Educação para a Cidadania. Lisboa: Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres. COSME, A. (2018). Autonomia e Flexibilidade Curricular: Propostas e Estratégias de Ação. Porto: Porto Editora.

SITES IMPORTANTES Direção-Geral da Educação do Ministério da Educação Responsável pela execução das políticas relativas

COHEN, A.C. & Fradique J. (2018). Guia da Autonomia e

às componentes pedagógica e didática da educação

Flexibilidade Curricular. Lisboa: Raiz Editora.

pré-escolar, dos ensinos básico e secundário e da

GRANJA, A., Costa, N. & Rebelo, J. E., (2011). Escola: (também) um espaço de afectos. Revista Lusófona de Educação. 18, 141-153. LETRIA, J. (2000). Cidadania Explicada aos Jovens … e aos Outros. Lisboa: Terramar. NEVES, M. J. (2010). EDC/HRE: partnerships for a whole school community approach. Pestalozzi

educação extra - escolar e de apoio técnico à sua formulação, incindindo, sobretudo, nas áreas do

FORMAÇÃO PROMOVIDA PELO CFAEPPP

Acreditada pelo CCPFC

Educação para a Cidadania: do Enquadramento às

ProgrammeTraining Resources. Council of Europe.

Praticas – Oficina de Formação (60h) — Formadora

OLIVEIRA, C. (2016). Manual Breve de Cidadania

2018)

Local. É um Cidadão ou um Súbdito?. Valongo: Câmara

Ana Granja – Esc. Sec. de Paredes (outubro - dezembro

Municipal de Valongo.

Educar para a Cidadania ou Educar na Cidadania? –

Provedor de Justiça (2003). Democracia e Direitos

Curso de Formação (25h) — Formadora Ana Granja –

Humanos no Século XXI. Lisboa: Provedoria da Justiça.

AE Vilela (prevista para abril - maio 2020)


AÇÕES DE CURTA DURAÇÃO

Certificadas pelo Conselho de Diretores do CFAEPPP

Educar para a Cidadania - constrangimentos e possibilidades - Formadora Ana Granja (3h) Esc. Sec. de Paredes (15 março 2019) Estratégias comportamentais em cidadania – Formadora Maria de Lurdes Neves (6h) AE Joaquim de Araújo de Cristelo (junho 2019) Cidadania e Desenvolvimento: Uma constante – Formadoras Anabela Gil e Isabel Vilarinho (4h) AE Pinheiro (12 julho 2019) Encontros com... Cidadania – Formadora Anabela Gil (4h) Salão Nobre da Câmara Municipal de Paços de Ferreira (16 julho 2019) Educar para a Cidadania - Formadora Ana Granja (4h) AE

Armando Afonso

Paredes (prevista para janeiro 2020)

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http://cfaeppp.esvilela.pt/ Av JosĂŠ Ferreira da Cruz, 263 4580-651 Vilela Paredes

Profile for gisela.meireles.cfaeppp

Publicação PPP - Cidadania  

Publicação PPP Promover, Participar e Partilhar Número 2 - Cidadania

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