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REVISTA DO MUNICÍPIO DE VILA NOVA DA BARQUINHA #32 DEZ 2014

BarquinhaViva FORAL DA ATALAIA CELEBRA 500 ANOS


BarquinhaViva Propriedade Município de Vila Nova da Barquinha Director Fernando Freire, Presidente da Câmara Coordenação, Design e Fotografia Pérsio Basso, Gabinete de Informação e Relações Públicas Redação Pérsio Basso, Miguel Freire Paginação Susana Graça Colaboraram neste número Adriano Milho Cordeiro, Andreia Lopes, Carlos Vicente, João Alves, Pedro Barbosa

Revista municipal é exemplo nacional A celebrar 15 anos de existência, a revista municipal “Barquinha Viva” foi reconhecida pela Agência para a Modernização Administrativa (AMA), como uma das boas práticas da Administração Pública (AP) em Portugal. A publicação oficial do Município está, desde agosto de 2014, incluída no Mapa de Boas práticas da AP do site da Rede Comum do Conhecimento, uma Rede que apoia e fomenta a partilha de Boas Práticas na Administração Pública, inserida na AMA - Agência de Modernização Administrativa, sob a tutela da Presidência de Conselho de Ministros. Numa altura em que as plataformas digitais assumem uma componente importantíssima na comunicação, a revista passou a ser publicada em formato exclusivamente digital. A opção da autarquia visa economizar recursos e tirar partido das novas tecnologias de informação, continuando a estabelecer um elo de ligação com os seus munícipes. O número 31 da revista municipal de Vila Nova da Barquinha (julho de 2014) foi o primeiro em versão exclusivamente digital, que prescinde assim da publicação em papel. A “Barquinha Viva” foi publicada pela primeira vez em dezembro de 1999. Surgiu com o objetivo de colmatar a escassez de informação acerca da atividade municipal veiculada para o exterior, num formato e numa linguagem acessível ao comum dos cidadãos. Sem periodicidade certa e com uma tiragem média de 4000 exemplares por edição, era distribuída em todo o concelho. Atualmente, e com o início da publicação em versão unicamente eletrónica, o objetivo do Município é oferecer informação de qualidade, que vá de encontro aos atuais padrões de exigência dos cidadãos, em suportes modernos e de baixo custo.

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su m ár i o

REGENERAÇÃO 6 Jardim da Nora devolvido à população depois de obras profundas

EFEMÉRIDE 8 A I Grande Guerra Mundial foi há 100 anos. HISTÓRIA 10 O Foral concedido por El Rei D. Manuel à Atalaia assinala 500 anos

ECONOMIA 22 Prémio Municipal de Empreendorismo: autarquia e escola motivam jovens a criar empresas em ambiente escolar

TURISMO 44 Castelo de Almourol renovado atrai turistas de diversas nacionalidades

FESTAS 28 Calor atrai milhares à Feira do Tejo

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e d i t o r i al POR FERNANDO FREIRE, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE VILA NOVA DA BARQUINHA

“Estamos em tempo de solidariedade, de sentir e vivificar. É tempo de Natal.”

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Caros munícipes e amigos Todos sabemos que ano de 2014 foi um ano difícil. Um ano de crise profunda onde a economia não se desenvolveu. Os portugueses assistiram a uma penetrante regressão na sua vida coletiva e nos seus direitos sociais. Mas é preciso acreditar e ter confiança no futuro. Por isso estamos a investir nas pessoas, na educação, na economia, na cultura, na ciência e no reforço da coesão social. Precisamos de confiança. Necessitamos de iniciar um processo de crescimento económico sustentável e assente na qualificação do capital humano e na captação de investimento. Este novel ciclo passa por valorizar as pessoas. Valorizar as pessoas é proporcionar a todos oportunidades de qualificação, através da educação e da formação. A estratégia de valorização das pessoas implica apostar na qualificação dos mais jovens, fazendo-o desde o ensino básico, com a aposta na ciência, de que é exemplo o Centro de Integrado de Educação em Ciências (CIEC), até ao ensino secundário, de que é exemplo o projeto Empreendorismo na Escola, até à criação de condições ideais para o estudo e para o lazer, de que são exemplo a edificação da Escola Ciência Viva e equipamentos adjacentes, da Escola D. Maria II e, a abertura em 2015, do novo Pavilhão Desportivo Escolar e Municipal. Valorizar as pessoas é valorizar o trabalho e promover o emprego, numa estratégia articulada com a política económica de que é exemplo o projeto “Barquinha 2020”. Este projeto visa o desenvolvimento de atividades de apoio ao fomento económico e de revitalização do tecido económico existente, de forma a potenciar economicamente o concelho de forma sustentável. Por isso aprovamos a isenção de derrama às empresas que se venham a instalar no concelho em 2015 e estamos a desenvolver novas formas de incentivo ao investimento através da restituição de impostos autárquicos a conceder aos promotores de atividades económicas e de projetos de investimento nas mais diversas áreas. Estamos a investir no turismo, no apoio às iniciativas culturais e à criação artística, no apoio à terceira idade, de que são exemplo a construção de residências turísticas, a dinâmica das coletividades, a Formação Ocupacional de Seniores – Universidade Sénior, já presente em todas as freguesias, e o Centro de Estudos de Arte Contemporânea. Estamos a investir no reforço da coesão social, com a instalação, no início do ano de 2015, de uma delegação da Loja Social na Praia do Ribatejo para diminuir as desigualdades e garantir apoio solidário a quem mais necessita. Estamos em tempo de solidariedade, de sentir e vivificar. É tempo de Natal. Vamos ser solidários nas nossas obras e ações nestes tempos tão desiguais. O espírito natalício e fraternal deve imperar nos nossos corações. Votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos!


ge s t ão

Executivo aprova Orçamento de 9,5 milhões A Câmara de Vila Nova da Barquinha aprovou o orçamento municipal para 2015, de 9,5 milhões de euros. O documento, aprovado com o voto contra do PSD, representa uma diminuição em relação a 2014, quando o orçamento foi de 11 milhões de euros. Um dos principais objetivos orçamentais é procurar melhorar a aderência dos orçamentos à capacidade real de execução física e financeira. De forma a atuar com urgência ao nível social, proporcionando um maior bem-estar às famílias que estão em situações mais desprotegidas, o Município vai apostar nas políticas sociais e nos estímulos à criação de emprego, além do investimento no setor turístico, um dos principais vetores nas Grandes Opções do Plano de 2015 e um dos mais importantes motores na geração de riqueza regional e nacional. Uma loja social, um ninho de empresas, a remodelação da Escola D. Maria II e a conclusão do novo pavilhão desportivo, a par da criação de um projeto de ciclovias e outro de percursos ribeirinhos são alguns dos projetos apontados no documento. Outras apostas são a intervenção ao nível dos arranjos paisagísticos do Castelo de Almourol, um investimento ao nível de conteúdos de musealização daquela fortaleza (monumento nacional), um projeto de equipamento, infraestruturação e programação do Parque de Esculturas de Arte Contemporânea e a criação de um Centro de Interpretação Templário. Em matéria de impostos, a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha vai devolver os 0,5% do Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS) aos munícipes e vai isentar as empresas instaladas no concelho do pagamento da derrama.

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d e s t aq u e

ESPAÇO FOI ALVO DE REQUALIFICAÇÃO NOS ÚLTIMOS 8 MESES

O novo Jardim da Nora

O Jardim da Nora, em Moita do Norte, foi inaugurado no passado dia 8 de Novembro depois de 8 meses de requalificação, num acontecimento que contou com a presença do Presidente da Junta de Freguesia, João Machado, e do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire. Com vários equipamentos de ginástica para idosos, equipamentos de recreio para crianças e jovens, bem como um aparelho para pessoas com mobilidade reduzida numa área especificamente pensada para o efeito, esta requalificação foi ao encontro de um desejo antigo da comunidade e há anos adiado. “Agradeço a todos os trabalhadores que participaram nesta intervenção. Foi a grande obra realizada pela Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha neste mandato autárquico”, referiu João Machado. O autarca confessou que este “foi um trabalho difícil” mas que existiu “muita dedicação e empenho” por parte de todos os intervenientes nesta requalificação. “Podemos dizer hoje: nós fizemos! As nossas prioridades sempre foram e continuarão a ser as pessoas. Foi com muito orgulho e alegria que acompanhei a renovação deste espaço e espero sinceramente que disfrutem dele da melhor forma e que, acima de tudo, o estimem”, concluiu. Já Fernando Freire, presidente da autarquia de Vila Nova da Barquinha, realçou a obra fruto de “várias boas vontades e altruísmo”, elogiando o jardim “agradável, com qualidade, e que as pessoas de Moita do Norte e das terras vizinhas o possam usufruir com alegria e, também, essencialmente para descanso e lazer dos mais idosos que bem precisam”. A cerimónia contou com a presença de várias dezenas de pessoas, incluindo o padre da paróquia que abençoou o novo local sendo que a placa de reabertura foi descerrada por duas crianças. Requalificado a baixos custos, cerca 35 mil euros, devido à envolvência de várias pessoas que a Junta de Freguesia conseguiu congregar, o espaço devolve à comunidade uma referência para cidadãos de todas as idades.

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efeméride

Homenagem aos combatentes no centenário da I Grande Guerra Vila Nova da Barquinha realizou, no passado dia 21 de Outubro, uma cerimónia comemorativa da I Grande Guerra (1914-1918) num evento que teve lugar no Monumento aos Combatentes. Perante a força militar, a cerimónia contou com discursos do Presidente da Liga de Combatentes, Tenente General Chito Rodrigues, e do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire. Durante a comemoração foram relembrados os vários soldados Portugueses que lutaram e perderam a vida na I Grande Guerra, com uma recordação especial para o primeiro soldado português morto em combate, António Gonçalves Curado, natural de Vila Nova da Barquinha. Foi ainda lida a mensagem deixada pelo Presidente da Republica e Comandante Supremo das Forças Armadas, Aníbal Cavaco Silva, seguindo-se a deposição de flores, as honras militares e a evocação religiosa. As comemorações viriam a terminar com o Hino aos Combatentes. As celebrações do Centenário da I Grande Guerra foram organizadas pela Liga dos Combatentes e pelo Município de Vila Nova da Barquinha, com o apoio do Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha.

O Monumento aos Combatentes, inaugurado em 11 de Abril de 1937, presta homenagem do concelho aos seus mortos na guerra de 1914-1918. Na base do monumento repousam os restos de António Gonçalves Curado, 1.º soldado do Corpo Expedicionário Português (CEP) falecido em combate e natural da freguesia da Barquinha. Depois de ter sido sepultado no cemitério inglês de Laventie, foi trasladado do cemitério português de Richebourg para a sua terra natal, por intermédio da extinta comissão dos Padrões da Grande Guerra, no dia 18 de agosto de 1929. Era soldado n.º 234, da 4.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 28. A preparação dos homens que fizeram parte do CEP foi realizada no Campo Militar de Tancos, concelho de Vila Nova da Barquinha, em 1916.

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COMEMORAÇÕES JUNTARAM CENTENAS DE PESSOAS

Atalaia celebra

500anos de Foral As vilas da Atalaia e Asseiceira assinalaram no passado dia 2 de novembro os 500 anos do Foral, concedido por El Rei D. Manuel em 1514, às duas localidades. A iniciativa conjunta das duas autarquias promoveu várias atividades que atraíram centenas de pessoas. As celebrações começaram na Atalaia pela manhã com missa na Igreja Matriz seguindo-se a romagem ao cemitério. A Igreja Matriz de Atalaia voltou a receber a população para ouvir a palestra dos 500 anos do Foral com presença e discursos de Fernando Freire, Presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, e Adriano Milho Cordeiro, licenciado em Línguas e Literaturas Clássicas variante Estudos Clássicos e Portugueses. Às 12 horas deu-se a chegada D’El Rei D. Manuel e sua corte para a entrega do foral à população terminando a encenação com gaitas de foles pelas ruas da Atalaia. As celebrações prosseguiram na Asseiceira com um almoço aberto à população, seguindo-se as gaitas de fole pelas ruas da freguesia. Após o repasto foi a vez do “Canto Firme – Oficina de Teatro”, de Tomar, ler o foral à população de Asseiceira seguindo-se durante a tarde a animação de época e diversos concertos. As comemorações dos 500 anos de Foral de Atalaia e Asseiceira foram organizadas pelas Juntas de Freguesia da Atalaia e da Asseiceira, com o apoio dos Municípios de Vila Nova da Barquinha e Tomar, do Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha, Grupo Folclórico “Os Pescadores de Tancos”, Grupo de Teatro “Fatias de Cá” e do Clube Hípico “Margens do Tejo”.

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MOMENTOS DA HISTÓRIA DA ATALAIA E DA ASSEICEIRA POR FERNANDO FREIRE

Origens dos topónimos Atalaia e Asseiceira

Reconquista - Castelos de Tomar, Atalaia, Cardiga, Almourol e Ozêzere

A origem toponímica de Atalaia é árabe: At-tali’a, Ata-laã, Atalaya, Atalaia, isto é, monte donde se pode vigiar ou atalaiar ou pequena torre levantada em alguma eminência para vigiar os inimigos. Já a Asseiceira é topónimo de origem Salgueiral em latim, Salica. Salícia, Seiça, Ceiceira donde, juntando-lhe o artigo definido A, passou A Ceiceira que originou a forma atual Asseiceira. Com vestígios do homem de Neandertal, de há 300 mil anos, o vale da Ribeira da Atalaia ou da Cardiga foi ocupado desde os tempos do paleolítico por Alanos, Visigodos e Muçulmanos. No que diz respeito aos romanos existia um itinerário chamado de “Antonino” que ligava Braga (Bracara) ao Porto (Cale) e a Lisboa (Olisipo). Com ligação de Tomar (Sellium) a Santarém (Scalábis) este itinerário tinha 361,5 km e passaria pela Atalaia, na atual Rua Luís Picciochi, onde existiu um miliário, e pela Asseiceira. Existia também uma outra via que ligava Nabância e Abrantes à capital da província romana, Mérida.

“A Atalaia em 1129 estava já em poder dos Portugueses. Tornando anos depois a cair em poder dos Mouros, foi reconquistado em 1147, por D. Afonso Henriques, que mandou reedificar o castelo medieval. Reconquistado de novo pelos Mouros estes teriam arrasado e abandonado a fortaleza, que ficou completamente despovoada, até que D. Afonso II mandou reedificar o castelo e lhe concedeu foral em 1222, com muitos privilégios para os moradores a fim de mais facilmente ser povoada. Parece que, sendo de novo destruída pelos Mouros, D. Dinis a mandou repovoar e reedificar a fortaleza, construindo-lhe a torre de menagem, e dando novo foral à povoação em 1307. Hoje está totalmente destruída e o monte coberto de mato e arvoredo, mal se pressentindo que ali tivera um forte castelo medieval.” (1)

(1) Almeida, João - General “Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, volume II, Edição do Autor, 1946 (2) Inventário do maço 3 (mç. 443 dos Conventos de Viana) de documentos dos Mosteiros de Santa Maria de Muía e de São Martinho de Crasto, 1971 (3) Lopes, João Carlos Torres Novas e o seu termo no meio do Séc. XVIII, Amago da Questão, 1998) (4) Moreno, Humberto Baquero. Os itinerários de el-rei Dom João I: 13841433, Lisboa Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1988.

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Os acessos a Coimbra e Santarém passaram a ser defendidos pelas linhas dos castelos de Tomar e Torres Novas, e de Almourol, Ozêzere e Cardiga, ligados por algumas torres de vigia como o da Atalaia na margem direita do Zêzere, e pelos castelos de Torre (Punhete, atual Constância/1158), Pias (1160), Dornes (1160), Ferreira (1160), Castro Carretão (1160).” O Castelo de Ozêzere, situado em Paio de Pelle (atual Praia do Ribatejo) fora doado à Ordem do templo para reconstrução em 1151, seguindo-se Torre (Constância) em 1158. Doação que tinha em vista a defesa dos vales do Zêzere e Nabão essencialmente devido à sua riqueza agrícola. Gualdim Pais reconstruiu os castelos de Ozêzere e da Cardiga. Na Bula de Adriano IV (Papa de 1154 a 1159) consta que os templários fundaram os Castelos de Pombal, Tomar, Ozêzere e Almourol. Como postos destacados de vigilância estratégica, depois de


Tomar, parece erguerem-se já sobre o Médio Tejo, num sector de 10 Km os três pequenos castelos de Cardiga, senão, talvez na Atalaia, de Almourol e de Zêzere. Figuram esses castelos saliente agudo da cobertura estratégica de Afonso Henriques, apontando sobre o Alentejo. Após a conquista de Lisboa em 1147, é decidida uma forte investida contra os muçulmanos. Em 1169, D. Afonso I confirma à Ordem do Templo a doação que lhe fizera, em 1159, do Castelo de Tomar e seus termos e da Igreja de Santiago de Santarém, doando-lhe também os castelos do Ozêzere, da Cardiga e territórios adjacentes. Em 1218 o mestre da Ordem dos Templários Pedro Alvito faz doação de Asseiceira para uma albergaria que em 1229, por doação de Pedro Ferreiro, volta para a Ordem dos Templários.

A Vila Velha da Atalaia e da Asseiceira No século XIII algumas vilas novas ou meãs consolidavam-se pela construção de muralhas, outras afirmaram-se dispensando a sua construção. Numa primeira fase da reconquista a afirmação da Vila da Atalaia, dever-se-ia à existência de muralhas, talvez destruídas pelos mouros. Numa segunda fase, na época de D. Afonso II e de D. Dinis, à semelhança das Vilas de Salvaterra, Muge e Cartaxo, a Atalaia e a Asseiceira afirmaram-se devido à sua importância estratégica, atravessamento de boas vias de comunicação, e à complexidade dos tráfegos comerciais realizados através do rio Tejo.

em 1281, uma quinta em Torres Vedras e a lezíria da Atalaia. Numa sentença de 1338 que atribuiu a lezíria da Atalaia à coroa o procurador de Santarém apresentava, entre outros argumentos a favor da posse concelhia, ser a dita herdade no seu termo “e que el rej dom Affonso que filhara a vila aos mouros dera a dicta vila com o termo aos moradores de Santarem com ffro certo e diziam que o concelho filhara a dica herdade para si e que a mandara romper e que a defendera por muitas vezes aos mouros e que dito lugar faziam atalaya e que por esto lhe puserom nome” (2)

O termo das vilas Não é possível definir a precisa circunscrição dos termos destas Vilas nos primórdios da nacionalidade. A divisão possessória era “consequência direta dos movimentos de avanços e recuos a que a linha de fronteira se encontrava sujeita, de acordo com a sorte das armas” (3) Da luta cruel à posse do território tão depressa conquistado como novamente perdido, numa primeira fase na reconquista e posteriormente na luta dos senhores pelas terras, não seria certamente fácil calcular o seu termo ou fronteira e a agricultura devia ser efémera e nómada com resultados no trabalho agrícola diminutos. Teríamos então a norte o termo da Vila da Asseiceira a oeste o termo da Vila de Torres Nova e Santarém, a sul o rio Tejo velho passando pela Cardiga, a este o termo da Vila de Tancos.

Alguns acontecimentos relevantes A lezíria da Atalaia e a charneca da Asseiceira Os primeiros reis reivindicavam a propriedade das lezírias e das charnecas tendo por base o direito de conquista e as necessidades de defesa e povoamento. Pela posse das férteis terras digladiaram-se vários senhores. A lezíria da Atalaia e charneca da Asseiceira, pela proximidade das correntes de água, seriam muito produtivas como o demonstra as sucessivas doações que eram feitas sobre a propriedade. Estamos a referir-nos a um território, que à data, compreendia a terra da Lagoa Fedorenta, os portos da Cardiga, das Oliveiras, da Almofala, do Cortinhal, do Prado, dos Sazes, todos termos da Atalaia tendo a vila como limite do lado sul o Tejo “velho” que corria junto da Carregueira. É neste território que estão os formosos vales do Nabão e da Beselga. A 6 de Abril de 1251 o alcaide, alvazis e concelho de Lisboa dão carta de vizinhança a Estêvão Eanes, chanceler do rei D. Afonso III, doando-lhe os seus direitos sobre a lezíria da Atalaia. A rainha Santa Isabel, mulher de D. Dinis, recebeu como dote,

D. João I teria passado pelo território da Atalaia em 13 de Julho de 1385, pelo caminho que ia d’ Almourol para a Golegã, um mês antes da batalha de Aljubarrota, demorando-se na Torre da Quinta da Cardiga e no dia seguinte estava em Abrantes. (4) Carta de D. Afonso V, de 9 de Março de 1481, feita em Santarém, a D. Álvaro de Ataíde, que confirma a doação das terras que D. Pedro, Conde da Atalaia, trouxera. (in Chancelaria de D. Manuel I, liv. 28, fl. 102) Em 30 de Maio de 1496, carta de confirmação de inquiridor e contador no lugar de Atalaia a Álvaro Abrantes, tabelião do cível e crime em Atalaia e Asseiceira (in Chancelaria de D. Manuel I, liv. 43, fl. 32v) Carta de 19 de Agosto de 1498, a D. Pedro de Menezes, Conde de Cantanhede, confirmação da Doação em dias da sua vida das vilas de Atalaia e Asseiceira com a sua jurisdição civil e criminal, rendas e direitos reais (in Chancelaria de D. Manuel I, liv. 28, fl. 100) BarquinhaViva32

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Início da Epopeia: Descobrimentos A primeira expedição portuguesa que se pôde chamar de descobrimento foi a que enviou o infante D. Henrique, em 1416, à Terra Alta. Frei Gonçalo Velho, comendador de Almourol e da Cardiga, familiarizado com a ciência náutica delineou o itinerário da primeira navegação cientifica – sem terra à vista e em pleno mar largo – da qual resultou o estudo das correntes marítimas, a descoberta da Terra-Alta e mais tarde Santa Maria, nos Açores. Como sabemos existia uma ligação muito íntima da Ordem de Cristo, com sede em Tomar, proprietária da Quinta da Cardiga, ao projeto Descobrimentos. Um relatório redigido em Lisboa, datado de 23 de Abril de 1415, do espião castelhano Ruy Dias de Veja para o rei D. Fernando I de Aragão, dava-lhe a notícia dos preparativos da Armada que então se constituía em Portugal e nas margens do rio Zêzere (Sesar). Dizia então o relatório: «EI Prior et los maestres mandan fazer senhas galeotas de sesenta rremos cada una, saluo el maestre de Santyago. Et fazenlas en el ryo de Sesar [Zêzere] que es cerça de Punete, et entra en Tajo aquel rrio a syete leguas de Santareno Et ellos estan todos en sus tierras, adereçando pela la partyda, que na todos de partyr con el rrey.» As galeotas foram construídas no nosso concelho mais precisamente nas margens do rio Zêzere, entre as Limeiras e o Cafuz, local onde, ainda hoje, é possível visualizar a existência de um antigo porto. Neste local certamente por segredo, alma de qualquer projeto humano tendo em vista afastar qualquer putativa antecipação de concorrentes. Território pertença de Frei Gonçalo Velho.

Numeramento de 1527 Atalaia - Esta vila de Atalaia que é de D. Jorge de Menezes tem 147 vizinhos no corpo da vila. Título do seu termo - aldeia da Mouta tem 62 vizinhos. Tem mais 23 casais no circuito do termo da vila em que há 23 vizinhos. E tem de termo meia légua para todas as partes. Parte com a vila da Ceiceira e com a vila de Torres Novas e Tancos e com o termo de Santarém (Lugar de Golegã foi elevado à categoria de vila por carta de D. João III, em 1534). Segundo mais compridamente tenho por assinado do juiz e escrivão daí: Jorge Fernandes o escrevi. Soma ao todo 232 vizinhos. Asseiceira - Fui eu escrivão à vila da Ceiceira que é do dito D. Jorge e achei haver 40 vizinhos no corpo da vila. Título do seu

(5)Tombos da Ordem de Cristo, vol. II, Comendas do médio Tejo, 1504 a 1510)

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termo: A Lagoa do Grou tem 1 vizinho. A Roda tem 16 casais em que há 17 vizinhos. A Minhaveira tem 15 vizinhos com os seus casais. Tem de termo parte de Tomar meia légua e para a parte de Punhete tem de termo outra meia légua e para a Atalaia tem um terço de meia légua e da Ceiceira a Atalaia légua. Parte com as vilas de Atalaia e Tomar e Torres Novas e Paio de Pele. E por assim ser assinou o juiz no livro que em meu poder fica. Jorge Fernandes o escrevi. Soma 47 vizinhos.

Tombos da Ordem de Cristo Pelo Tombo dos bens e produção da comenda da Cardiga, ficamos a compreender a organização económica de uma vila no nosso território. (5) Vejamos o caso da Vila de Paio de Pelle. Todos os casais produziam cereais: trigo (66%) e centeio (34%). Dos quinze casais, dez cultivavam vinhas, oliveiras e oito continham pomares: entre as árvores plantadas havia ameixoeiras, pereiras, laranjeiras, figueiras e romanzeiras. Por este panorama de produtos podemos compreender a existência de “celeiros” em quase todos os casais. Ao lado dos terrenos cultivados, estavam os “matos maninhos” que serviam para pastagens; corte de madeira, mato e lenha, para uso comum.

A Igreja da Atalaia O rei manda proceder ao inventário do falecido, D. Lourenço Rodrigues, bispo de Lisboa, em 1364. Aqui aparece a primeira referência a uma Igreja na Atalaia: “constituem rendimentos episcopais os direitos sobre vários templos da diocese, com particular incidência para as igrejas da cidade e do termo de Lisboa, da Azambuja, Alenquer, Almoster e das vilas e dos termos de Santarém (S. Salvador, S. Julião, S. Nicolau, S. Mateus, S. Martinho, Santo Estêvão, S. Lourenço e Santa Cruz de Santarém, Santa Maria de Marvila, S. Pedro da Arrifana, Almonda e Atalaia).” Acredita-se que a Igreja Matriz fosse a ermida de S. Sebastião, situada no “Rocyo”, a escassos 300 metros da atual igreja matriz, pois parafraseando o Prior Bernardo Marques de Carvalho, nos inquéritos paroquiais de 1758 este assegura que aquela ermida “algum dia serviu de matriz”. A atual Igreja Matriz, e monumento nacional, foi mandada edificar por D. Pedro de Meneses, conde de Cantanhede. A data de construção, gravada numa pilastra do lado esquerdo do arco da capela-mor, é do ano de 1528. Este belo edifício reflete a orientação da escola de João de Castilho e de João de Ruão que enriqueceu entre nós “a arte da pedraria” com visibilidade acentuada no pórtico principal, verdadeira obra-prima da arte Renascentista. Relevo para o seu pórtico, para os painéis de azulejo do Séc. XVII, de duas cores combinadas, azul e amarelo, e para o honorífico túmulo de D. José Manuel da Câmara, 2.º cardeal patriarca de Lisboa.


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As vilas da Atalaia e Ceiceira no primeiro mapa de Portugal

A passagem de Cosme de Médicis pela Atalaia

O Mapa de Portugal de Álvaro Seco, de 1561, tendo sido, provavelmente, publicado na edição latina de 1574 por Coppenium Diesth, ou na de 1575 por Aegidium Radaeum Gandenfem, é possivelmente o primeiro mapa que representa Portugal no seu todo e que serviu de modelo para os mapas cartográficos que se seguiram. Nele podemos vislumbrar o território das Vilas de Atalaia e Ceiceira.

Cosme de Médicis, o terceiro Grão-Duque da Toscana, visitou Portugal no tempo em que ainda era príncipe herdeiro, em 1668-1669. Da comitiva do Príncipe, destacavam-se o Conde Lourenço Magalotti, que redigiu o relatório da viagem, e o pintor florentino Pier Maria Baldi, o artista «minucioso e fiel”, verdadeiro repórter fotográfico do tempo - Descrição da Atalaia em 1706: “Atalaia, fora da qual se vê por acabar um grande palácio quadrado de boa e nobre arquitectura, e que é do Conde que tem por título o nome da dita povoação. Aqui os campos circunvizinhos não estão tão cultivados, mas em troca são maravilhosamente adequados a caçadas.”

Este território no séc. XVI D. João III encarregou Frei António de Lisboa, prior da Ordem de Cristo, do alargamento da Comenda da Cardiga às terras confinantes. A seu mando foram desbravados muitos matos e terrenos maninhos e transformadas muitas terras baldias em propriedades lavradas. Dom Edme de Saulieu, abade de Claraval, visitador das comunidades monásticas cistercienses, nos meados do seculo XVI, anos de 1532 e 1533 passou pelas vilas de Atalaia e Golegã e nos seus termos diz-nos ter encontrado, pelo menos nos arredores da Atalaia, grande massa de terrenos incultos: “8 da manhã, imediatamente montamos a cavalo depois de ouvirmos missa. Fizemos uma milha ao longo de um vale entre as colinas áridas e cobertas de rochas, chegamos à vila chamada Asseiceira. Passamos por esta e à nossa direita e à nossa esquerda haviam colinas desertas e chegamos finalmente a uma grande vila chamada Atalaia.” Em 27 de Maio de 1581 passa Filipe I pela nossa Vila. Quem nos relata este facto é Isidro Velasquez Salamantino dizendo que este Rei permaneceu 5 dias na Quinta da Cardiga vindo de Tomar, passando pela Ponte da Quinta da Pedra. No Século XVI nascia-se fidalgo ou pelo Rei era concedida esta nobre condição. Ninguém era fidalgo se não se lhe reconhecesse riqueza em bens materiais mas, essencialmente, detendo a posse da terra. À data do domínio Filipino, também era grande a importância que o Conde de Atalaya tinha no Reino. Era referenciado como do “mejor del Reyno”. A sua influência era política e financeira com largo domínio sobre território. Igualmente, uma curiosa relação escrita em Madrid em meados da década de 1630, relata-nos a procura dos “bons partidos” entre a nobreza portuguesa informando “sobre os casamientos que ay en Portugal” sem olvidar o título, a varonia, a sua idade, as suas rendas e o número dos seus vassalos. Segundo descrição deste anónimo casamenteiro estavam então desembaraçados o Marquês de Ferreira, os Condes de Monsanto, de Calheta e da Atalaia todos eles nobres do melhor do reino que quer dizer, poder, riqueza e nobreza.

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Descrição da Atalaia em 1706 “A Villa da Atalaya, assim chamada, por estar em sítio alto, fica a três léguas de Thomar para o Poente. Tem trezentos e cinquenta vizinhos com uma Igreja Paroquial, Orago de N. Senhora da Assunção, Priorado, que apresentam hoje os Condes desta Villa, tem mais Casa da Misericórdia, Hospital, Ermidas, N. Senhora da Ajuda, N. Senhora da Esperança, e S. Sebastião. O seu termo é fértil de pão, azeite, vinho, frutas, gado e tem uma grande coutada, aonde há muita caça … Há nesta Villa um Ouvidor que representa o Conde Senhor desta terra (que o é também das Villas de Asseiceira e Tancos) Vereadores, um Escrivão da Câmara, um Procurador do Concelho, um Juiz dos Órfãos com o seu Escrivão, dois Tabeliães, e um Meirinho.” (6)

D. José Manoel I: 2º Cardeal Patriarca de Lisboa D. José era nono filho de D. Luiz Manoel de Távora, quarto Conde de Atalaia e senhor de Tancos e de D. Francisca Leonor de Mendonça. Nasceu em 25 de Dezembro de 1685 segundo relato de Bernardo Marques de Carvalho, prior da vila da Atalaia, conforme consta das Inquirições paroquiais de 1758. Foi batizado na Igreja da Atalaia no dia 6 de Janeiro de 1686. Estudou em Coimbra e foi provedor da Santa Casa da Misericórdia da Atalaia, fundada por alvará de D. Filipe I, de 15 de Fevereiro de 1588, e foi designado Patriarca de Lisboa em 7 de Março de 1754. Viria a ser eleito Cardeal, por Papa Bento XIV, a 10 de Abril de 1747.Na sequência do terramoto de 1755,


que destruiu Lisboa, deixa o palácio dos Marqueses de Tancos, para se instalar num palácio onde hoje é a Igreja de S. Roque (7). Sebastião de Carvalho e Melo, mais conhecido por Marquês de Pombal, interroga o Cardeal Patriarca se os mortos devem ser enterrados em valas comuns ou metidos em batelões e lançados ao mar. O Cardeal num gesto de grande sabedoria e de saúde pública advoga pela última hipótese pois se os corpos fossem sepultados em valas comuns contaminariam as águas do subsolo e tal facto, certamente, geraria elevado número de mortos. O Cardeal opta, à época, por uma solução sanitária, lúcida e determinada. Em confronto com algumas posições assumidas com o Marquês de Pombal, mormente a perseguição à Companhia de Jesus, e gravemente doente, retira-se para a Atalaia “para tomar ares” onde veio a falecer em 8 de Julho de 1758. Os restos mortais do nosso cardeal repousam na Atalaia e não no Panteão dos Cardeais, ao lado dos demais cardeais da Igreja Católica, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa.

Batalha da Asseiceira A vitória pelas tropas de D. Pedro, em 16 de Maio de 1834, na batalha de Asseiceira, abriu o caminho para a ocupação da cidade de Santarém, o derradeiro baluarte das tropas de D. Miguel. Com a vitória das tropas liberais na Asseiceira, auxiliadas por tropas estrangeiras, no dia 26 de Maio de 1834, na Convenção de Évora Monte, é colocado termo à guerra civil com a rendição de D. Miguel e exílio deste Rei para a Alemanha, país onde viria a falecer. Seis dias depois da batalha, em 22 de Maio de 1834, do auto da Câmara da Atalaia consta que: “Presentes o Juiz Ordinário, vereadores e mais oficiais da Câmara e outras pessoas. Foi dito que sendo restabelecidos os direitos da Senhora Dona Maria II e o Trono da Monarquia Portuguesa era chegado o momento de se fazer nesta Câmara a devida aclamação e reconhecimento ao Governo Legítimo da mesma Augusta Senhora … o que foi unanimemente acordado ... havendo por ilegítimo todo outro Governo que não seja desta Senhora estabelecido conforme a Carta Constitucional.”

Fotos: FF

A extinção dos concelhos (6) Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica – 1706 (7) Os Patriarcas de Lisboa, João Soalheiro e Celina Bastos, Alêthea, 2009.

O concelho da Atalaia foi extinto por decreto de 6 de Novembro de 1836, da rainha D. Maria II. Nesta data é criado um novo concelho com a designação de Vila Nova da Barquinha que anexou os anteriores 3 concelhos de Atalaia, Paio de Pele e Tancos. No mesmo ano é extinto o concelho da Asseiceira que passa a integrar o concelho de Tomar. BarquinhaViva32

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h i st ó r i a

OBSERVÂNCIAS SOBRE OS FORAIS E O MUNICIPALISMO EM PORTUGAL POR ADRIANO CORDEIRO

Uma Carta de Foral, ou simplesmente FORAL, foi um documento real utilizado em Portugal, que visava estabelecer um Concelho e regular a sua administração, deveres e privilégios. A palavra “foral” deriva da palavra portuguesa “foro”, que por sua vez provém do latim “forum”. Os Forais foram concedidos entre o século XII e o século XVI. Eram a base do estabelecimento do município e, desse modo, o evento mais importante da história da vila ou da cidade. Era determinante para assegurar as condições de fixação e prosperidade da comunidade, assim como no aumento da sua área cultivada, pela concessão de maiores liberdades e privilégios aos seus habitantes. O Foral tornava um concelho livre do controlo feudal, transferindo o poder para um concelho de vizinhos (concelho), com a sua própria autonomia municipal. Por conseguinte, a população ficava direta e exclusivamente sob o domínio e jurisdição da Coroa, excluindo o senhor feudal da hierarquia do poder. Para além disso garantia terras públicas para o uso coletivo da comunidade, regulava impostos, pedágios e multas e estabelecia direitos de proteção e deveres militares dentro do serviço real. Um pelourinho estava diretamente associada à existência de um Foral. Era erguido na praça principal da vila ou cidade quando o Foral era concedido e simboliza o poder e autoridade municipais, uma vez que era junto ao pelourinho que se executavam sentenças judiciais de crimes públicos que consistissem em castigos físicos. Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida pelos procuradores dos concelhos a sua reforma, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel I de Portugal. Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832.

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Origens dos Forais Portugueses No estudo das origens do municipalismo em território português temos de remontar ao século XI para estabelecermos a sua articulação com as instituições leonesas. Quer isto dizer que numerosos princípios registados nas cartas de foral não surgiram espontaneamente, remontam e atualizam disposições legais codificadas antes da invasão árabe. A tese que considera o município ibérico como um produto característico da fase da Reconquista, protagonizada pelo dinamismo da sociedade hispano-goda não é totalmente assertivo na sua totalidade. A existência de dois juízes ou alvazis, em alguns municípios portugueses, permite estabelecer uma certa ligação à ideia efectiva das magistraturas duunvirais e quatuórviros do município romano. O peso e a influência das instituições germânicas (suevas e visigóticas) esbateram-se, por isso, não é legítimo observar o município ibérico como um produto de exclusiva matriz germânica. Dispensamo-nos hic et nunc de considerações sobre as necessidades de vária ordem, que, nos conturbados tempos anteriores à decidida arrancada para a Reconquista e no contexto das vicissitudes desta morosa e plurifacetada empresa militar, estimularam as famílias e os pequenos grupos dispersos a associarem-se dentro dos mais variados padrões normativos mínimos, estabelecidos por cada uma dessas comunidades, em busca de meios de sobrevivência individual e colectiva, mas eficazes como suportes gregários das comunidades vicinais, mais tarde elevadas à condição de municípios. O grande objectivo invocado para a concessão de foral e respectiva constituição do concelho era a necessidade de responder a graves problemas de povoamento, mesmo quando não se estava numa situação de completo ermamento. Esta intenção estava presente, tanto quando a concessão do foral e a elevação da comunidade à dignidade de município visava recompensar os, então povoadores, como se pretendia atrair outros, a fim de aumentar o seu número e dar garantias de perenidade de povoamento. É isto que ressalta por exemplo dos forais de Guimarães (1095-1096) e de outros outorgados pelo Conde D. Henrique e D. Teresa: «facimus cartam de bonos foros ad vos homines qui venistis populare in Vimaranes et ad illos qui ibi habitare volverint usque in finem.» A par do interesse do outorgante, fosse ele qual ou quem fosse, corria também o dos destinatários, dandolhes especialmente garantias de estabilidade para eles e seus descendentes, como se revela nos forais de Coimbra e de Soure, de Maio e Julho de 1111. Este processo continuou mesmo depois de terminada a campanha militar contra os árabes, à medida que


as terras iam sendo reconquistadas. É o caso de Castelo Mendo, outorgado em 1229 por D. Sancho II. Outros casos se sucederam (Coimbra e Coja, 1260) quando a situação demográfica atingiu uma gravidade tal, por falta de habitantes que Coja se viu obrigada a rogar moradores a 12 de Setembro de 1260 ao Bispo e Cabido de Coimbra. Com estas referências documentais a situações tão distantes no tempo e no espaço, visamos simplesmente acentuar que os objectivos essenciais da erecção dos concelhos se integram numa inequívoca política de ordenamento do território e de enquadramento social das suas gentes. Muitas vezes o poder central nascente não tinha possibilidade de dar resposta a problemas de povoamento, organização e defesa pelos seus próprios meios. Este facto levou a que no século XII se tivesse recorrido à colaboração de prelados e cabidos, mosteiros, ordens militares e colegiadas, concedendo-lhes, mediante cartas de couto, imunidade e jurisdição sobre esses territórios, geralmente bem delimitados, a fim de os habitantes os povoarem, explorarem e organizarem económica e administrativamente, beneficiando também cada uma destas instituições dos direitos correspondentes. Durante o século XII as cartas foralengas foram efectivamente outorgadas pelos monarcas portugueses. A partir do segundo decénio do século XIII, verificamos que muitos forais foram outorgados por pessoas de diversas condições sociais: prelados, alcaides, mestres de ordens militares, um ou mais casais, etc. Os forais traduzem, de forma bem expressiva, a necessidade de ordem pública e de segurança de pessoas e bens, indispensáveis ao correcto desenvolvimento social. Nos forais davam-se a conhecer as medidas destinadas à paz social e protecção dos cidadãos (casos de homicídio, furto, rapto, violação, adultério, marcos divisórios das propriedades, estremas), etc. Para a segunda metade do século XIV e todo o século XV, a situação alterou-se com o alargamento a problemas do quotidiano das populações, como saúde, habitação, finanças, comunicações inter-regionais, abastecimento de água, conservação de caminhos e formas dos concelhos, controlo do número de mesteirais, defesa, etc. Em resumo: Na Idade Média o foral é a carta pela qual se consagra a existência jurídico-administrativa de um concelho. É geralmente concedido pelo rei. Às vezes acontecia os forais medievais serem concedidos por um bispo ou, mais raramente, por um nobre.

Com os FORAIS de D. Manuel I as terras perdem em parte a sua originalidade em termos de administração interna, mas há uma certa unificação administrativa. Chamam-se de leitura nova porque o D. Manuel I instituiu um tipo de letra, o gótico librário, que consiste numa grafia muito mais inteligível. Na altura foram reformados 596 forais novos. Os forais manuelinos encontram-se reunidos nos “Livros dos Forais Novos”. A reforma prolongou-se entre 1495 e 1520. A partir de D. Manuel e através dos forais, o rei podia, de uma forma mais precisa, controlar o que se passava sempre que reunia Cortes, porque havia disposições parecidas ou gerais para todos. Numa certa perspectiva, os forais limitavam a liberdade e os direitos dos concelhos, mas por outro lado limitavam também os direitos dos nobres ou do rei. Por vezes, os nobres chegavam com as suas e, em nome do direito de aposentadoria, assentavam arraiais e instalavam-se exigindo alimentação e outras comodidades. Não havia qualquer regulamento para evitar essas arbitrariedades. Os forais manuelinos, nesse aspecto, respondem a um objectivo que as populações locais têm e que é a sua defesa contra os poderosos. A partir daí começa-se a invocar o que consta no foral.

O Foral Manuelino de Atalaia: 500 anos de história e de estórias CARTA DE 1302 DE D. DINIS Na carta há um lugar com o nome de “Soveral da Lameira” que não vem referenciado nos Tombos da Ordem de Cristo, surgindo apenas a localidade de Lameira, termo de Tomar. Presumivelmente, tal ficaria situado entre a Atalaia e a Asseiceira. Este local era frequentado por inúmeros malfeitores, o que comprometia a vida e a segurança dos viajantes. Perante tal facto o rei ordena que façam duas póvoas, uma na Albergaria a que chamam Asseiceira e outra no “lugar” a que chamam Atalaia. À data estes dois lugares, pela sua excelsa situação geográfica, eram atravessados por uma via terrestre “caminho” como se atesta na carta do rei Poeta. CARTA DE 1303 DE D. DINIS

Os Forais Manuelinos Os forais medievais apresentavam discrepâncias muito grandes. Por outro lado, os forais medievais estavam escritos num latim bárbaro que os oficiais da Câmara já não conseguiam interpretar, além de muitos estarem em mau estado de conservação. D. Manuel nomeia, por isso, uma comissão que durante 20 anos manda recolher toda a documentação existente – Privilégios e antigos forais – e reformula-a segundo uma certa sistematização, o que faz com que todos os forais novos sejam quase idênticos.

Nesta carta o rei D. Dinis, o Lavrador, reitera que fez edificar três póvoas, a da Atalaia, Tojeira e na Asseiceira, em consequência dos roubos e da morte de muitos viajantes no território compreendido entre a ribeira da Cardiga (ou da Atalaia) e a ribeira de Beselga que corre a norte da Asseiceira e isenta estas populações de certos impostos.

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h i st ó r i a CARTA DE 1307 DE D. DINIS O monarca mantém o carácter protector e combate o furor tributário dos senhores dos concelhos vizinhos de Torres Novas e de Tomar sobre os povoadores a quem queriam obrigar, apesar da carta de 1303, a pagar tributos e ofícios que o rei os tinha isentado. CARTA DE 1325 DE D. AFONSO IV Nesta carta D. Afonso IV relembra a luta de seu pai contra o ímpeto tributário (agravamento) dos senhores dos concelhos vizinhos de Torres Novas e de Tomar impondo vários tipos de impostos, portagens e outros foros e lembra-os que estas populações estão isentas. CARTA DE 1328 DE D. AFONSO IV

Foral aos 2 de Novembro de 1514

O Rei neste documento, para além de outros assuntos, confirma a veracidade das cartas anteriores dos seus antecessores.

Nota: Todas estas cartas são originais, apresentadas perante a autoridade real, conforme se infere do Livro 28 da Chancelaria d’El Rei D. João III, fl. 1.

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Dom Manuel &c A quantos esta carta nossa carta de foral dado aas villas da Talla e Ceyceira virem que pellas Jimquiriçooes e jsames que mandámos fazer em nossos Regnos pera justificação dos direitos reaes, delles Achámos que na dita villa se non pagou nunca nem ham de pagar nenhuns foros, nem trabutos Reaaaes de nenhua sorte, e condiçam que seja, Porque tudo livremente foy dado ao dito lugar na primeyra povoaçam delle. Ho que nós avemos por bem que assy sempre se gaurde sem nenhuua outra mudança. Quanto aas sesmarias, Mandamos que se dem segundo nosso Regimento dellas, sem nehuum foro de nenhuua forma que seja livremente. E ho Gaado do vento quando se perder segundo a ordenaçam ese somente será do senhorio do dito lugar, e recadarsea na dita villa per nossa ordenaçom, com decraraçam que a pessoa a cuja mão ou poder for ter ho dito gaado, ho venha escrever a dez dias primeyros seguintes, sob pena de lhe ser demandado de furto. E a pena darma será do meyrinho posto pollo concelho, ou por quem quer que em alguum tempo for. Da qual se levará dozentos reis, e as arms perdidas., as quaes penas se som levarao quando apunharem espada ou qualquer outra arma sem a tirar. Nem os que sem prepósito em reixa nova tomarem pao, ou pedra, posto que com ella façam mal. E posto que de preposito as tome, se nom fizerem mal com ellas, nam pagaram. Nem a pagará moço de quinze annos e dy pera baixo. Nem molher de qualquer idade. Nem os que castigando sua molher, e filhos, e escravos tirarem sangue. Nem os que sem arma tirarem sangue com bofetada, ou punhada. Nem quem em defendimento de seu corpo, ou por apartar, e estremar outros em arroydo tirarem armas, posto que com ellas tirem sangue. Nem escravo de qualquer idade, que sem ferro tirar sangue. E este foral serve em ambollos lugares, a saber: Atallaya, e Ceyceyra. Dada em a nossa mui nobre leal cidade de Lixboa a dous dias de Novembro do nascimento de nosso Senhor Jesus Christo de mil e quinenhentos e quatorze annos, soescrito pelo dito Fernam de Pina, e concertado em quarenta regras com esta.


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Câmara anuncia Prémio Municipal de Empreendedorismo Cerca de 100 alunos do Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha, participantes no projeto “Empreendedorismo na Escola” foram recebidos no dia 25 de novembro na Câmara Municipal, onde o Presidente do Executivo Camarário anunciou a criação do “Prémio Municipal de Empreendedorismo em Ambiente Escolar”, uma medida inserida no Plano Estratégico de Desenvolvimento Económico “Barquinha 2020”. O projeto inovador que envolve 4 turmas do 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, tem como principal promotor o Agrupamento de Escolas, com a parceria do Município, Nersant, Tagusvalley, Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) e Associações de Pais. 22

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Os participantes na iniciativa visitaram duas empresas a laborar no Centro de Negócios de Vila Nova da Barquinha – Gonfersol e Espaço Mecânico. Seguiu-se uma passagem pela Loja do Cidadão de Vila Nova da Barquinha, onde os jovens empreendedores ficaram a conhecer o processo de constituição de uma empresa. Fernando Freire, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, foi o anfitrião da cerimónia protocolar realizada no Salão Nobre dos Paços do concelho, com palavras de incentivo aos pequenos empresários. O edil lançou também o desafio aos alunos para que participem no “Prémio Municipal de Empreendedorismo em Ambiente Escolar”, cujos resultados serão anunciados no final do ano letivo.

O Agrupamento de Escolas anunciou por seu lado uma iniciativa inédita no âmbito deste projeto – a criação de um “Viveiro de Empresas” em ambiente escolar, ou seja, existirá um espaço na escola destinado ao efeito, com meios e equipamentos próprios. Desafiar os jovens a pensar e criar empresas enquanto estudantes, desde tenra idade, num espaço próprio, é uma medida pioneira em Portugal. Marcaram presença nesta cerimónia o Presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova da Barquinha, Rui Picciochi, a Diretora do Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha, Antónia Coelho, o representante da Tagusvalley, Homero Cardoso, o representante da CIMT, Hugo Rodrigues, entre autarcas, empresários e professores.


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MEDIDA TEM INÍCIO EM JANEIRO DE 2015

Câmara Municipal reduz valor por 2 m no Centro de Negócios Instalar uma empresa no espaço de localização empresarial o concelho tem agora custos mais baixos. A Câmara Municipal aprovou, em reunião executiva, a alteração do valor padrão por m2 para aquisição de lotes do Centro de Negócios (CDN). Em Julho de 2007 tinha sido deliberada uma taxa de 24€ por m2 para aquisição de lotes naquele parque empresarial mas, face a atual conjuntura e evolução económica, foi proposto pelo CDN – Gestão e Promoção do Parque Empresarial de Vila Nova da Barquinha, uma nova alteração do valor que foi aprovada pela maioria do executivo camarário, passando a tarifa para 20 euros por m2, que cumprindo determinados pressupostos regulamentares poderá baixar para 10€ por m2. Esta é mais uma medida prevista no Plano Estratégico de Desenvolvimento Económico “Barquinha 2020”, um pacote de medidas de atração ao investimento e apoio a empresários e empresas.

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Isenção da derrama em 2015 A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha decidiu, em reunião executiva do dia 17 de setembro, aprovar a isenção da taxa da derrama a partir de 1 de Janeiro de 2015. Esta medida, que foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Municipal de 26 de setembro, tem como objetivo o incentivo à criação de emprego e aumento de competitividade da zona. A taxa da derrama é um imposto municipal cujo lançamento depende da deliberação anual das assembleias municipais de cada concelho e que incide sobre o lucro tributável das pessoas coletivas, sendo que a sua taxa pode ser fixada pelos municípios no valor máximo de 1,5%. Esta decisão surge no âmbito da implementação pelo Município do Plano Estratégico de Desenvolvimento Económico “Barquinha 2020”, um pacote de medidas de atração ao investimento e apoio a empresários.

Foto: João Alves

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obras

Novo pavilhão desportivo a funcionar em 2015 A obra erguida entre a Escola Ciência Viva e a Escola D. Maria II, em Vila Nova da Barquinha, encontra-se em fase de acabamentos, devendo estar concluída no início de 2015. Em breve alunos e comunidade em geral terão ao dispor um novo espaço para a prática do desporto.

Foto: FF

Centro Comunitário da Atalaia ganha forma O projeto de requalificação da EB1 da Atalaia em Centro Comunitário, sendo promotora a Junta de Freguesia da Atalaia, está na fase de acabamentos. A obra representa um investimento total de cerca de 198.000 euros e irá contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população.

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Albergue de Juventude e Centro de Convívio em Tancos concluído Estão concluídas as obras de recuperação da antiga Escola Básica n.º 1 de Tancos, que em breve abrirá portas ao público com novas funções. A intervenção requalificou um edifício histórico da freguesia, que irá prestar um novo serviço à população local através do Centro de convívio, e gerar mais-valias económicas criando condições para aumentar a capacidade de alojamento de turistas na região e de atratividade para a o território. O Albergue de Juventude terá capacidade para 30 camas.

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cultura EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE MANUEL BOTELHO

Confidencial/desclassificado:

Missa Campal Acolhendo pela primeira vez uma exposição que se realiza em simultâneo em dois locais (Vila Nova da Barquinha e Lisboa), a Galeria do Parque, nos Paços do Concelho, tem patente ao público até ao próximo dia 11 de janeiro “Confidencial/ Desclassificado: MISSA CAMPAL”, fotografia da autoria de Manuel Botelho. A mostra tem comissariado de João Pinharanda, dando continuidade à colaboração da Fundação EDP com o Município na programação da Galeria do Parque. Desta vez também com a parceria da Câmara Municipal de Lisboa. Com entrada livre, a exposição pode ser visitada à quarta, quinta e sexta-feira das 11:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00. Ao sábado e domingo a galeria abre as suas portas entre as 14:00 e as 19:00. Encerra à segunda e terça-feira. Esta exposição revela, em simultâneo com “Missa Campal” (Pavilhão Preto, Museu da Cidade, Lisboa), os mais recentes desenvolvimentos do trabalho de Manuel Botelho. São séries desenvolvidas na continuidade da longa e diversificada temática de “Confidencial/Desclassificado” que o artista iniciou em 2007 e que, até hoje, desdobrou já em inúmeras exposições e ações. A partir da iconografia da Guerra Colonial e da visão particular, histórica e socialmente delimitada por ela definida, Botelho alarga os territórios da sua reflexão ao conjunto de questões da História da Arte Ocidental, da política atual e da condição humana em geral. Neste campo, trabalha sobre a vida e a morte, evidentemente, mas também sobre as condições em que a sobrevivência do corpo individual e coletivo, da solidão e da misericórdia se podem revelar ou avaliar. Para tal, Botelho cria catálogos de objetos gerais e particulares. No espaço do Pavilhão Preto, apropria-se de álbuns de fotografias, tornando anónimos factos e situações concretas do quotidiano dos homens no mato, assim as tornando generalistas; encena, sobre essas imagens, personagens de iconografia religiosa que, retiradas ao contexto particular a que pertencem, alteram, não apenas o seu estatuto como o estatuto das imagens com as quais são relacionadas. No espaço da Galeria do Parque, na subsérie ‘Parada’ regista, de modo frontal, uma longa mas aleatória coleção de miniaturas de guiões/estandartes militares (quase novas ou desgastados até à obliteração) concentrando nessa corrente descontínua todas as tensões possíveis entre imagem e palavra e os valores cromáticos e compositivos - de tal modo que o confronto finalmente se resolve numa inevitável aproximação à abstração. João Pinharanda 28

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Foto: Manuel Botelho

CONVERSA ENTRE O ARTISTA E O CURADOR O Centro de Cultural de Vila Nova da Barquinha foi o local escolhido para uma conversa entre o fotógrafo Manuel Botelho, autor da exposição “Confidencial/ desclassificado: MISSA CAMPAL” e João Pinharanda, comissário. Realizado no passado dia 18 de outubro, o diálogo foi moderado por João Seguro, docente do Instituto Politécnico de Tomar, seguindo-se uma visita guiada à exposição.


EXPOSIÇÃO DE ÂNGELA FERREIRA

Indépendance Cha Cha na galeria

A Galeria do Parque, nos Paços do Concelho de Vila Nova da Barquinha, vai acolher, a partir do próximo dia 24 de janeiro de 2015, uma exposição da autoria de Ângela Ferreira, uma artista que está representada no Parque de Escultura Contemporânea Almourol. O trabalho “Indépendance Cha Cha” propõe ao espectador outra forma de interpretar o resultado das ações dos homens, através do som, da música e das canções. Ângela Ferreira nasceu em Maputo, Moçambique, em 1958. Com dupla nacionalidade, a artista tem vivido alternadamente entre a África do Sul e Portugal. Completou estudos na Michaelis School of Fine Arts da Universidade de Cape Town, em 1985, e residiu nos anos seguintes em Lisboa, onde rapidamente se afirmou no meio artístico. Foi a primeira a eleger a questão do passado colonial como temática artística. Utilizando a sua dupla experiência cultural, europeia e africana, Ângela Ferreira procura encontrar esse difícil ponto de vista que se apresenta como uma proposta de diálogo continuado. A artista desconstrói o referencial minimalista minando-o com o poder evocativo da memória. A exposição é mais uma iniciativa fruto da parceria do Município com a Fundação EDP na programação da Galeria do Parque e nas atividades ligadas ao Parque de Escultura Contemporânea Almourol.

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cultura

Mercado Ribeirinho anima Barquinha Parque Exposição e comercialização de produtos locais, artesanato, hortofrutícolas e plantas, cinema, música, dança, gastronomia tradicional, atividades de desporto e aventura, atraíram milhares de visitantes ao Barquinha Parque, entre os dias 12 e 14 de Setembro, em mais uma edição do Mercado Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha. O evento resulta da estratégia de eficiência coletiva PROVERE Mercados do Tejo - Rede para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Tejo, e é organizado pela Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, em parceria com as Associações de Desenvolvimento Local TAGUS – Ribatejo Interior e ADRIN – Ribatejo Norte. A iniciativa contou com a atuação da Banda da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha na inauguração do evento. Nos três dias da feira, mais de três dezenas de expositores participaram no festival onde não faltaram a tasquinha com gastronomia tradicional e a taberna de petiscos. Os visitantes tiveram ainda a oportunidade de comprar produtos hortofrutícolas frescos. Na primeira noite do festival houve cinema ao ar livre, com a exibição das curtas-metragens do projeto escolar Operação STOP, da Fundação Calouste Gulbenkian, que o Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha integra, e um filme da seleção da Associação Cultural Palha de Abrantes. No dia 13 teve lugar um workshop de lomografia, ministrado pela Embaixada Lomográfica de Lisboa.

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O programa do Mercado Ribeirinho incluiu várias atividades desportivas, com destaque para a descida de canoa no rio Tejo, de Constância a Vila Nova da Barquinha, organizada pela ADIRN. Por sua vez o Clube Náutico Barquinhense esteve presente com workshop’s de aprendizagem de canoagem para os mais pequenos. Houve também insufláveis para as crianças, aulas de Zumba, SpinningBike e Body&Mind e um passeio em bicicleta todo-o-terreno (BTT). No panorama musical, o festival contou com as atuações de João Grilo, Arregaita, Dixie Boys, Pedro Dionísio, Barquinha Saudosa e DJ Addline. O evento terminou com um espetáculo de danças de salão, pelo grupo do Clube União de Recreios de Moita do Norte (CUR). Tal como os Mercados de Abrantes e Constância, o Mercado Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha foi apoiado pelo Programa Operacional Regional do Centro - Mais Centro, do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) e pela Abordagem LEADER, do Programa de Desenvolvimento Rural (ProDeR).


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cultura

Divulgar o azeite e a sua importância no concelho Nove restaurantes do concelho de Vila Nova da Barquinha, em parceria com o Município, realizaram entre os dias 8 de Novembro e 14 de Dezembro a mostra gastronómica “À mesa com azeite”. A iniciativa, que se realizou pelo 14º ano consecutivo, teve como objetivo divulgar o azeite e a sua importância e tradição no concelho. Este ano foram várias as iguarias disponíveis para todos os que visitaram os restaurantes aderentes como as Petingas no Forno com Azeite, o Bacalhau à Lagareiro, a Sopa de Couve com Feijão, o Polvo à Lagareiro, entre outras. Vila Nova da Barquinha tem um passado histórico relacionado com o azeite pois este sempre foi um importante motor da atividade económica e em tempos um imenso e generoso olival que fornecia

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matéria-prima para alimentar a laboração de cerca de duas dezenas de lagares. De relembrar que o azeite é um dos produtos alimentares mais antigos do mundo e tem vários benefícios para o ser humano pois combate o envelhecimento, aumenta os níveis do chamado “bom colesterol” (HDL), previne doenças cardiovasculares e ajuda na diminuição da pressão arterial, protege o sistema digestivo e ajuda nas suas funções além de prevenir vários tipos de cancro graças às suas propriedades antioxidantes. Nesta edição participaram os restaurantes Almourol (Tancos), Carroça (Limeiras), Chico (Praia do Ribatejo), Recanto da Barquinha (V. N. Barquinha), Ribeirinho (V. N. Barquinha), Soltejo (V. N. Barquinha), STOP (Atalaia), Tasquinha da Adélia (V. N. Barquinha) e Trindade (Moita do Norte).


Foto: Carlos Vicente

MADE IN Vila Nova da Barquinha O Centro Náutico de Vila Nova da Barquinha recebeu nos dias 22 e 23 de Novembro mais uma edição da Feira d’Época. Durante o certame foram vários os produtos “Made In Vila Nova da Barquinha” disponíveis nas bancas com destaque principal para os produtos da terra, a fruta da época, o artesanato, a gastronomia, os chás, os licores, o mel e doçaria, sendo que os visitantes contaram ainda com muita animação musical. A Feira d’Época abriu no dia 22 de Novembro às 15 horas, num dia que teve como animação a música popular, a orquestra infantil e a “poesia na feira” do grupo de poesia CEAC (Centro de Estudos de Arte Contemporânea). Já no dia 23 foi a vez do grupo folclórico “Os Pescadores de Tancos” atuar, seguindo-se o Baile Saloio e o Sorteio d’Época (ovelha Zizi). Com organização do Município de Vila Nova da Barquinha, a iniciativa e tem como principal objetivo promover o artesanato e os produtos regionais do concelho.

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cultura

CENTRO DE ESTUDOS DE ARTE CONTEMPORÂNEA NASCEU EM 2013

Ateliers do CEAC têm mais de 60 alunos O Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC) de Vila Nova da Barquinha nasceu em janeiro de 2013, na antiga Casa da Hidráulica, e desde o primeiro ano de funcionamento que o número de alunos que frequentam os ateliers de arte têm aumentado, existindo atualmente mais de 60 alunos a frequentar as aulas. Fruto da parceria do Município de Vila Nova da Barquinha com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e a Fundação EDP, o CEAC tem disponível desde Outubro de 2013 vários ateliers em áreas tão diversas como a pintura, o desenho, a fotografia, o vídeo e o teatro de marionetas. “O CEAC funciona como uma incubadora de atitudes de arte. Em 2013 com o seu nascimento criou-se um espaço só para artes, o que facilitou a criação dos ateliers, que são lecionados em parceria com o IPT. Os ateliers têm uma componente social, e isso permite que os alunos convivam uns com os outros, que discutam sobre arte e que aprendam cada vez mais”, explicou Carlos Vicente, responsável pelo CEAC. Rogério Nunes, frequentador de ateliers do CEAC desde o seu início, afirma que esta “tem sido uma experiência muito positiva. A arte sempre foi uma coisa que me tocou desde criança e através das lições e das dicas que os professores nos dão vamos evoluindo e ganhando mais experiência. No final do ano temos oportunidade de expor os nossos trabalhos o que é muito bom”, referiu. Para Maria Silva, frequentadora do atelier de pintura do CEAC desde Outubro de 2014, esta é uma experiência “muito proveitosa. Sempre tive um gosto especial pela arte e nestas aulas passamos um bom bocado. Aqui a pessoa faz aquilo que gosta e fica a saber sempre mais. Depois existe sempre uma parte importante que é o convívio com as outras pessoas”, afirmou. “No fim do ano os alunos têm oportunidade de ver os seus trabalhos expostos à comunidade, o que lhes dá uma certa responsabilidade durante esta aprendizagem. Também existem alunos que já estão a expor trabalhos noutros locais, fora do concelho”, referiu. No final deste ano letivo o CEAC espera realizar uma exposição na galeria do IPT. Em breve esperam também realizar um teatro de marionetas no Castelo de Almourol com o tema de D. Beatriz e o Pajem. “Queremos mostrar à comunidade que se alguma coisa se passa no Castelo é interessante sermos nós, pessoas do concelho, a fazê-lo”, finalizou.

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Fotos: Carlos Vicente

Aulas de Guitarra no CEAC O Centro de Estudos e Arte Contemporânea (CEAC) de Vila Nova da Barquinha acolhe, desde o início do ano letivo 2014/2015, aulas de guitarra para os mais novos nas suas instalações. Este autêntico “atelier de música” é um projeto que se realiza no município há pelo menos 4 anos e que tem como responsável o professor Fernando Espanhol. Para já são 6 os alunos que dão os primeiros passos na guitarra, tendo concretizado já algumas atuações. “Os miúdos dão-se bem, têm várias brincadeiras mas quando começam a tocar ficam verdadeiramente concentrados, sente-se que estão a gostar e estão muito conscientes do que fazem”, afirmou Carlos Vicente. As expetativas neste momento “são boas” e espera-se “que o grupo cresça” num projeto que não vai parar, mesmo com a pausa dos ateliers do CEAC a partir de Maio. “Queremos que os jovens e todas as pessoas da comunidade passem pela experiência artística, que usem as suas habilidades, até para entenderem melhor o projeto belíssimo que têm na envolvência de Vila Nova da Barquinha” finalizou. Para a inscrição dos mais novos nas Aulas de Guitarra os pais poderão contatar diretamente o professor responsável, Fernando Espanhol, a partir do número 919606470. BarquinhaViva32

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cultura

Foto: João Alves

CEAC PROMOVE ATIVIDADES CULTURAIS

Tertúlias e palavras soltas O Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC) de Vila Nova da Barquinha apresentou nos últimos meses diversas atividades que chamaram a atenção do público do concelho e da região. O mês de Outubro iniciou-se com o teatro “Tenho-me esquecido”, um espetáculo para maiores de 16 que retratou o drama da violência doméstica, terminando o mês com mais uma edição de “Palavras Soltas” que desta vez contou com a presença do ator e apresentador António José Alves. Já no mês de Novembro, o evento “Palavras Soltas” contou com a presença de Manuel Cardoso (dia 13), antigo presidente da

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Junta de Freguesia de Tancos e principal impulsionador do grupo folclórico “Os Pescadores de Tancos”, e no dia 17 assistiuse à “Tertúlia Pictórica com o pintor João Alfaro”. Em Novembro e Dezembro, os serviços educativos do CEAC promoveram mais dois “Ateliers Livres para Crianças”. Depois do sucesso do primeiro espetáculo, em Dezembro teve lugar a reposição da peça de teatro “Tenho-me esquecido” (dia 6). Por fim, no dia 11, assistiu-se a uma edição das “Palavras Soltas” desta vez com o músico, poeta e fundador dos “Arregaita” Cândido Godinho.


PROJETO DE INCENTIVO À CRIAÇÃO E DISCUSSÃO DE ARTE

Residências Artísticas em 2015 O Município de Vila Nova da Barquinha está a desenvolver um projeto de Residências Artísticas de curta duração que pretendem trazer ao concelho artistas que queiram desenvolver ações tendo em vista a discussão contemporânea, a dinamização da criatividade e a divulgação e intercâmbio com a comunidade. Este projeto, uma parceria do Município de Vila Nova da Barquinha, da Fundação EDP e do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) no âmbito do projeto Parque de Escultura Contemporânea Almourol (PECA), terá início em Abril ou Maio de 2015 e vai atuar em diversas áreas artísticas como desenho, pintura, fotografia, vídeo, escultura, teatro, música, escrita criativa, entre outras. “Queremos que este projeto funcione no final dos ateliers anuais do Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC), por volta de Abril ou Maio, para que o espaço esteja aberto aos autores que venham utilizar as residências artísticas”, explicou Carlos Vicente, responsável do CEAC, equipamento igualmente afeto ao PECA. No que diz respeito às Residências Artísticas, o técnico afirma que “têm ótimas condições para receber 3 ou mais artistas”. “São residências com 3 quartos autónomos equipados com casa de banho, internet e onde as pessoas poderão confecionar as suas próprias refeições, incluindo um quintal onde o artista poderá estar a trabalhar ou em tempo de lazer”, referiu. Mas, para além das residências, o Município de Vila Nova da Barquinha também vai apoiar o artista na sua estadia no concelho, sendo que o valor monetário para a ajuda não será superior a 300€. “Sabemos que cada artista vai precisar uma quantia para iniciar o seu trabalho e vamos apoiar com os materiais necessários para o desenvolvimento do seu projeto”, afirmou Carlos Vicente. Já no que diz respeito às candidaturas a estas Residências Artísticas, os artistas poderão fazê-lo entre 1 de Fevereiro e 30 de Março sendo que a avaliação de cada candidatura estará a cargo do Município, Fundação EDP e IPT.

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cultura

Sessão projetar mostra Ieoh Ming

“Sábado às cinco…” em Tancos

A rede municipal de bibliotecas de Vila Nova da Barquinha (que incluem a biblioteca da sede de concelho, a biblioteca da Escola Ciência Viva e a biblioteca da Praia do Ribatejo) promoveram diversas atividades nos últimos meses, com participantes de todas as faixas etárias. Agosto iniciou-se com a iniciativa “1 mês, 1 escritor” sendo que o autor do mês foi o escritor angolano Luandino Vieira. Já em setembro o autor escolhido foi o americano Nicholas Sparks sendo que no dia 27 a biblioteca da Escola Ciência Viva recebeu a palestra “Bom e mau uso da internet pelas crianças no mundo atual”. No mês de outubro a iniciativa “1 mês, 1 escritor” foi dedicada ao autor o escritor italiano Italo Calvino e no dia 18 celebrou-se, na biblioteca da Escola Ciência Viva, o Dia Mundial da Alimentação uma ação que tinha como públicoalvo os jovens entre os 6 e os 16 anos. Já no que diz respeito a novembro, o escritor do mês foi o britânico Joseph Conrad. No dia 29, realizaram-se dois eventos em simultâneo na Escola Ciência Viva - Hora do Conto “A zebra Camila” e “Rota do Livro”, uma feira com obras para todas as faixas etárias. Por fim, em dezembro, a iniciativa “1 mês, 1 escritor” escolheu para a mostra bibliográfica a escritora, compositora e atriz Rosa Lobato de Faria e no dia 6 de dezembro, na biblioteca da Praia do Ribatejo, realizou-se a primeira sessão da “Hora do Conto Infantil” com a escritora Maria João Gonçalves, que viria a ser repetida no dia 20.

A vigésima terceira sessão PROJECTAR, promovida pela Ordem do Arquitetos, Secção Regional Sul – Delegação de Abrantes, realizou-se no dia 17 de Julho de 2014, no Auditório do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha. O documentário escolhido recaiu sobre o arquiteto sino-americano Ieoh Ming.

O ciclo de palestras sobre património “Sábado às cinco com…” realizou-se pela primeira vez fora do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, em 4 anos de existência. A Igreja Matriz de Tancos foi o local escolhido para debater o tema “A Igreja de Tancos - Azulejaria e Salvamento Arqueológico”, no dia 4 de outubro de 2014. O evento contou com a presença de Ana Cruz, Diretora do Centro de pré-História do Instituto Politécnico de Tomar (IPT); Ana Graça, Técnica Superior do Centro de Pré-História do IPT e José Manuel da Silva, antigo foi docente no IPT, na área da Conservação e Restauro. Datada do século XVI a Igreja Matriz de Tancos é dedicada a Nossa Senhora da Conceição e é provavelmente o símbolo mais importante da vila de Tancos. Possui uma ampla abóbada de caixotões, azulejos do século XVII e retábulo de talha maneirista, enquadrando pinturas da época.

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Foto: Carlos Vicente

Rede de bibliotecas com animação


Barquinha apresenta Carta Arqueológicohistórica do Concelho No âmbito das diversas iniciativas de homenagem póstuma a José Gomes, um dos grandes impulsionadores da arqueologia em Vila Nova da Barquinha e na região, o Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha recebeu, no passado dia 13 de Dezembro, a apresentação da Carta-galeria Arqueológico-histórica do Concelho numa iniciativa que teve como lema “Conhecer para preservar, conhecer para divulgar”. José da Silva Gomes (1942 – 2012) foi Presidente da ACIAAR – Associação Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo, sediada em Vila Nova da Barquinha, até ao último dia de vida e teve um papel pioneiro na investigação sobre o passado e sobre o território, no Alto Ribatejo. O arqueólogo, professor e investigador “transmitiu a paixão pela arqueologia e pelo conhecimento a dezenas de jovens do concelho”, conta Sara Cura, arqueóloga natural de Vila Nova da Barquinha e hoje doutorada na área e Técnica Superior do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação. “Foi ele que descobriu a grande parte dos sítios arqueológicos que constam nesta Carta”, referiu. A apresentação contou com a presença de Fernando Freire, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha; Ana Cruz, Diretora do Centro de préHistória do Instituto Politécnico de Tomar (IPT); Pierluigi Rosina, Docente do IPT; António Luís Roldão, Investigador da história local; José Manuel da Silva, antigo docente no IPT, Ana Graça, Técnica Superior do Centro de Pré-História do IPT; Cidália Delgado, Técnica Superior do Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo e Rita Anastácio, docente no IPT. A iniciativa foi promovida pelo Município de Vila Nova da Barquinha, CIAAR, Instituto Politécnico de Tomar e Centro de Pré-História do IPT (CPH).

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comunicação DR

TVI no castelo de almourol O Castelo de Almourol foi o tema central da reportagem realizada por uma equipa de jornalistas da TVI, no dia 29 de agosto, em Vila Nova da Barquinha. O trabalho conduzido pela jornalista Brigite Martins, contou com a participação de João Fiandeiro, técnico de turismo, Fernando Freire, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha e de José Ferreira, empresário. A reportagem foi transmitida no dia 6 de setembro de 2014, no “Jornal das 8”.

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Final de Reality Show da SIC no concelho A produção do programa de entretenimento “Poder do Amor”, transmitido no último verão na SIC, apresentado por Bárbara Guimarães, escolheu Vila Nova da Barquinha para os programas finais, que foram gravados em Tancos e Almourol. A equipa do reality show “O Poder Do Amor” deslocou-se ao concelho de Vila Nova da Barquinha durante os dias 12, 13 e 14 de agosto para realizar as últimas provas daquele programa, decorrendo a final junto ao Castelo de Almourol, emitida na televisão dia 31 de agosto de 2014. Os casais finalistas – Tânia e Ricardo, Cátia e Márcio – realizaram diversas provas em cenários como o rio Tejo, junto ao Cais de Tancos, a Escola Prática de Engenharia de Tancos, Escola de Tropas Aerotransportadas e a margem do Tejo junto ao Castelo de Almourol. A produção contou com o apoio do Município de Vila Nova da Barquinha.

Continente escolhe Almourol A campanha publicitária do site de viagens do hipermercado CONTINENTE com o título “Vá para fora cá dentro” que decorre até 31 de março de 2015, elegeu o Castelo de Almourol como uma das principais imagens da campanha. Entre os 50 destinos turísticos da região Centro incluídos na iniciativa, a escolha para promoção da região recaiu sobre o ícone do concelho e de Vila Nova da Barquinha.


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Foto: CIEC

Escola D. Maria II recebe bandeira verde Eco-escolas A Escola D. Maria II de Vila Nova da Barquinha foi uma das galardoadas do distrito de Santarém com a entrega das bandeiras verdes Eco-Escolas, no passado dia 15 de outubro. A bandeira foi içada no agrupamento no dia 14 de novembro, durante as comemorações do São Martinho. O Dia das Bandeiras Verdes 2014 realizou-se no Pavilhão Desportivo Municipal de Vila Nova de Gaia, em Oliveira do Douro, no qual esteve presente, em representação do Município de Vila Nova da Barquinha, o Gabinete Técnico Florestal. Durante a sessão foram entregues certificados aos Municípios parceiros e foi realçada a participação dos mesmos no Programa Eco-Escolas. O programa Eco-escolas nasceu em Portugal há 18 anos e o Município de Vila Nova da Barquinha é seu parceiro pelo 2º ano consecutivo.

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CIEC oferece atividades para miúdos e graúdos O Centro Integrado de Educação em Ciências (CIEC) de Vila Nova da Barquinha organizou, nos últimos meses, diversas iniciativas para miúdos e graúdos. No mês de setembro o CIEC promoveu o “Café com pré-história”, direcionado a toda a população e que teve como convidado o técnico de Arqueologia Pedro Cura, e “No tempo das cavernas - Os Flinstones”, atividade que se insere nos “Contos & Ciências – Barquinha de Vivências” e que teve como público-alvo as crianças. Já no mês de outubro realizou-se o percurso de interpretação da natureza e paisagem “Payo de Pelle e os trilhos de Ozêzere” que se insere na temática “Trilhos de Ciência & Arte” e que deu a conhecer as paisagens magníficas do concelho num percurso de 5,6 quilómetros. Novembro iniciou-se com “Poupar é que está a dar” no dia 8, atividade direcionada para as crianças e relacionada com a temática “Contos & Ciências”. Já no dia 15 realizou-se o workshop “Arte e ciência de conservar frutos” no âmbito das oficinas “Ciência nos Sabores”. Ainda em Novembro, no dia 28, realizou-se o primeiro “Fim de tarde com Ciência”, sobre “Os riscos de uma alimentação industrializada”, uma atividade aberta a toda a comunidade. No mesmo dia houve lugar para mais uma edição dos “Jantares com Ciência” acerca da temática “Farinhas & açúcares: inimigos ou aliados?” direcionada também a toda a população e que contou com a presença do Professor Doutor Jorge Paiva, investigador principal do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra. Em dezembro foi apresentada a história “A cigarra e a formiga” em Teatro de Fantoches (dia 13).

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A rádio Liberdade PROJETO TEVE INÍCIO NO DIA 25 DE ABRIL

A associação de estudantes da Escola D. Maria II, em Vila Nova da Barquinha, tem desenvolvido nos últimos meses um projeto de rádio escolar, que teve início no dia 25 de Abril, com o nome de “Rádio Liberdade”. “Como foi lançada nas comemorações do 25 de Abril, a direção da escola achou por bem colocar este nome”, explicou Andreia Machado, da associação de estudantes. Os materiais utilizados atualmente na rádio pertencem, na sua maior parte, à escola mas também existem outros apoios, nomeadamente da autarquia. Para já o projeto tem maior participação dos alunos da associação de estudantes e o tempo de emissão é de cerca de 1 hora por dia, dedicada em exclusivo à música. “Surgiu a ideia por parte de um professor de colocar vários alunos a fazer locução, mas ainda não se concretizou. A emissão da Rádio Liberdade acontece nos intervalos e na hora de almoço”, refere Simão Antunes, da associação de estudantes. “Qualquer pessoa pode passar música”, acrescenta, sendo que se os géneros escolhidos são bem diversificados. “Passamos todos os tipos de música como são exemplo o kizomba, house, drum and bass, rap, música comercial entre outras. No futuro cada turma vai ter o seu tempo na rádio para apresentar projetos ou trabalhos”, afirmou Andreia Machado. Nos próximos tempos a rádio liberdade espera ganhar novos materiais, mais apoios, para além de um espaço novo para continuar a desenvolver o projeto. “Estão previstas obras para fazer uma cabine para a rádio na sala de convívio, também por questões de segurança. Estamos a aguardar a aquisição de colunas para colocar na sala de convívio e na entrada da escola. Temos o apoio da associação de pais e vamos trabalhar em parceria com o técnico Carlos Adelino da Câmara Municipal, ele que também nos ajudou no início deste projeto”, finalizou.

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Almourol CONQUISTA turistas estrangeiros Desde a reabertura a 4 de julho, depois de obras de intervenção na torre de menagem, que o Castelo de Almourol começou a receber visitantes que vêm de todas as partes de Portugal e também do estrangeiro. “É um castelo lindo e o passeio de barco torna este passeio único”, afirma Louis, que vive em Seattle, nos Estados Unidos, e que ficou a conhecer o Castelo através do roteiro turístico que liga Lisboa e Santiago de Compostela. Já o seu amigo Clay, de São Francisco, Califórnia, considera que a visita ao Castelo de Almourol “é uma experiência diferente porque na américa é possível andar à volta dos castelos mas nunca nos permitem ver e ir até às torres. Aliás, quem o fizer pode ser multado”. Para Christine Foucault, francesa, este “é um castelo maravilhoso, muito bem arranjado, que é um sítio ótimo para todos os visitantes”. “Uma amiga disse-me que era dos sítios mais bonitos para visitar no ribatejo e de facto é uma zona muito agradável. Estar no meio do rio e ter de apanhar o barco até à ilha é o que dá charme ao Castelo”, revela Emanuela do Carmo, emigrante na Alemanha. Joana Alves, de Lisboa, visitou pela primeira vez o Castelo de Almourol e achou a “paisagem muito bonita. Não é em qualquer sítio que se encontra um castelo numa ilha, diferente de todos os outros”, afirmou. As visitas ao Castelo de Almourol, que incluem a passagem de barco até a ilha, têm um custo de 2,5€ por pessoa e acontecem todas as semanas de terça-feira a domingo.

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Barquinha pioneira no Turismo Militar Vila Nova da Barquinha e a região do Médio Tejo foi a escolhida pelo Governo, a par de Lisboa e Elvas, como zona piloto para implementar um conjunto de circuitos e itinerários no segmento do Turismo Militar. A assinatura de um Protocolo de Colaboração, no dia 14 de novembro, no Instituto Politécnico de Tomar, entre a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Berta Cabral, e aquela instituição, veio ajudar a cimentar um objetivo “há muito delineado”, de acordo com as palavras do Presidente do IPT, Eugénio Pina de Almeida. A marca “Turismo Militar” já está criada e registada pelo Governo. Conferir atratividade ao património militar nacional e potenciar turisticamente fortificações, castelos e quartéis em todo o território é o objetivo da proposta de Carta Nacional do Turismo Militar, que está a ser elaborada pelo Politécnico de Tomar (a nível do ensino superior), pelo Exército (através da Brigada de Reação Rápida, sediada em Tancos) e pelo Município de Vila Nova da Barquinha, que agrupa no seu território diversas corporações militares, a Base Aérea n.º 3 (Tancos) e mais de 1.500 hectares de área de servidão militar. Segundo o tenente-coronel Luz Costa, responsável militar pelo projeto em palavras proferidas no colóquio Praxis, no dia 23 de outubro em Vila Nova da Barquinha, o objetivo é “criar uma rede integrável e visitável, nas ofertas turísticas e culturais existentes, para que os operadores turísticos saibam com o que podem contar a nível nacional, com um fio condutor ao nível dos cerca de vinte quartéis existentes e com os Museus da Marinha e do Ar, por exemplo, projetando esta marca a nível internacional, certificando-a.” Neste processo, Vila Nova da Barquinha tem funcionado como laboratório devido à histórica e forte presença de unidades militares no denominado Polígono de Tancos, incluindo a Escola Prática de Engenharia, a Escola de Tropas Aerotransportadas e a Unidade de Aviação Ligeira, da qual faz parte a Brigada de Reação Rápida, e a ligação aos Templários exemplificada pelo Castelo de Almourol. 46

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“Relação Umbilical entre o Turismo e a Cultura: Oportunidades e Desafios” “Relação Umbilical entre o Turismo e a Cultura: Oportunidades e Desafios”, foi o tema do Colóquio Praxis III, iniciativa que teve como objetivo principal a discussão sobre estratégias de investimento do poder local em atividades culturais e turísticas, realizado no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, no passado dia 23 de Outubro. Com centenas de participantes oriundos de toda a região, o colóquio teve como oradores Fernando Freire, Presidente do Município de Vila Nova da Barquinha; João Coroado, Diretor da Escola Superior de Tecnologia do IPT; Júlia Amorim, Vice-Presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo; Vasco Estrela, Presidente do Município de Mação; Luís Dias, Vereador da Cultura do Município de Abrantes; Anabela Freitas, Presidente do Município de Tomar; Pedro Machado, Presidente da Entidade Regional Turismo Centro de Portugal; Ana Cruz, Diretora do Centro de Pré-História do IPT e Luís Mota Figueira, Diretor do Curso de Gestão Turística e Cultural do IPT, entre outros. O Colóquio Praxis III foi organizado pelo Município de Vila Nova da Barquinha, Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e Centro de Pré-História do IPT, com o apoio do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra, do Centro de Estudos do Politécnico de Mação, do CIAAR, do Instituto Terra e Memória e do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes (MIAA).

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Torre do Castelo reabre ao público Já pode ser visitada a torre de menagem do Castelo de Almourol, que reabriu no dia 19 de agosto, após a conclusão das obras de requalificação. O monumento nacional foi alvo de uma intervenção nas muralhas e interiores, tendo aberto as portas aos visitantes no dia 4 de julho, ficando entretanto alguns trabalhos do sistema de iluminação da torre por concluir. A paisagem ímpar que se avista no ponto mais alto do castelo, construído numa ilha do rio Tejo, pode novamente ser apreciada na sua plenitude.

Almourol palco de teatro O grupo de Teatro Fatias de Cá levou à cena a peça “Viriato” junto ao Castelo de Almourol nos dias 5, 12 e 19 de julho, uma reposição a exemplo de anos anteriores. No dia 16 de Agosto, o mesmo grupo ofereceu a peça “Imprecação” diante das Muralhas. As iniciativas contaram com o apoio do Município de Vila Nova da Barquinha.

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Tejo Vivo apresenta Centros de Interpretação A parceria Tajo/Tejo Vivo - Rede para a Revalorização dos Territórios Vinculados ao Tejo, apoiada pela abordagem LEADER, do Programa de Desenvolvimento Rural (ProDeR), lançou publicamente os Centros de Interpretação Tejo/Tajo Vivo, em Vila Nova da Barquinha, no dia 27 de novembro de 2014. Os módulos expositivos são constituídos por equipamentos multimédia com as funcionalidades de quiosque de produtos locais e por um sistema de informação turística. Estes equipamentos de promoção turística, social e cultural dos territórios em torno do Tejo serão distribuídos pelas regiões parceiras nacionais do projeto, sendo que em Vila Nova da Barquinha o Centro de Interpretação ficará instalado no Posto de Turismo. Partilhar uma identidade comum; promover e divulgar o Tejo Vivo e a rede de cooperação transnacional existente; aproximar os diferentes territórios e agentes; e interpretar, conhecer e valorizar o maior rio da Península Ibérica são alguns dos objectivos da Rede para a Revalorização dos Territórios Vinculados ao Tejo. A parceria Tejo/Tajo Vivo é constituída por 18 Grupos de Acção Local portugueses e espanhóis, que têm em comum o rio Tejo, e pretende contribuir para o aumento da competitividade e para o desenvolvimento económico, social e ambiental destes territórios. Em Portugal é representado pela ADRACES – Raia Centro-Sul, Pinhal Maior – Pinhal Interior Sul, LEADER SÔR – Alto Alentejo, TAGUS - Ribatejo Interior, ADIRN – Ribatejo Norte e APRODER – Ribatejo.

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desp o r to

Escola de Futebol inicia ano letivo Atualmente com 93 inscritos, a Escola Municipal de Futebol iniciou no dia 13 de Setembro mais um ano letivo. O projeto da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha destina-se a crianças dos 5 aos 14 anos de ambos os sexos, e funciona nas instalações do Parque Desportivo Municipal de Atalaia, à quarta-feira e sábado. As inscrições para esta escola de “pequenos craques” podem ser feitas no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha (tel. 249720358) ou diretamente no local dos treinos.

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Aquagym realizou Semana Aberta O Centro Municipal de Atividade Física de Vila Nova da Barquinha AQUAGYM abriu as suas portas ao público, entre 8 e 13 de Setembro, para oferecer atividades desportivas gratuitas a todos os que desejaram conhecer as instalações e praticar exercício na infraestrutura localizada na Moita do Norte. Durante este período, o AQUAGYM permitiu a livre utilização do Ginásio “Almourol” (Sala de Cardio/Musculação) e a participação nas atividades de grupo GAP, Spinning, Explosionfit e ABS. Todas as vertentes da escola de natação (Piscinas “Zêzere” e “Tejo”), exceto fisioterapia no meio aquático, forma igualmente experimentadas pelos utentes. No que toca à escola municipal de natação foram realizadas aulas de Aquabike, Aquadeep e Natação Adaptada. A “Semana aberta” ofereceu ainda a utilização livre do SPA (Hidropool, Banho Turco e Sauna). Com esta atividade pretendeu-se oferecer e dar a conhecer todos os serviços disponíveis no centro, de forma a poder adquirir novos utentes.


Barquinha recebe 1.º Kayak Festival O Parque Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha acolheu no dia 26 de Julho de 2014 a primeira edição do Kayak Festival, evento organizado pela Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte (ADIRN) com o apoio do Município de Vila Nova da Barquinha. O Kayak Festival contou com diversas atividades como exposições, vendas de kayaks e material de canoagem, espaço chill out e massagens, workshops, picnics, canoagem noturna, enokayak, ecokayak, águas bravas, entre outros. O evento registou grande adesão, com mais de uma centena de participantes, num dia de promoção do desporto aventura e da região, com uma forte interação entre as margens e o rio Tejo.

Foto: FF

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desporto

Clube Náutico promove 1.ªs pagaiadas Taça de Portugal de Paraquedismo no Parque

O rio Tejo, em Vila Nova da Barquinha, foi o palco da prova de canoagem "Primeiras Pagaiadas", no dia 7 de Setembro de 2014. A competição destinada aos escalões mais jovens contou com a presença de 9 clubes e teve a organização do Clube Náutico Barquinhense, com apoio da Federação Portuguesa de Canoagem, Acbtejo -Associação de Canoagem da Bacia do Tejo e do Município de Vila Nova da Barquinha. Foto: FF

O Para Clube Nacional “Os Boinas verdes”, sedeado em Vila Nova da Barquinha, organizou, nos dias 27 e 28 de setembro de 2014, em parceria com o Município, mais uma prova da Taça de Portugal de Paraquedismo. O cenário escolhido foi novamente o Barquinha Parque, perante centenas de pessoas a assistir aos dois dias de competição.

Foto: CNB

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Barquinhenses vice-campeões regionais em Danças de Salão O par de dançarinos Joka Correia e Rita Forinho, do Grupo de Danças de Salão do Clube União e Recreios de Moita do Norte, Vila Nova da Barquinha, alcançaram no passado dia 15 de novembro, o segundo lugar na 5ª Eliminatória e Final Troféu José Casebre 2014. A prova disputou-se no Pavilhão Desportivo de Santarém, onde os jovens dançarinos do concelho de sagraram Vicecampeões regionais. Foto: CUR

Natação: Carolina Carpinteiro é Campeã Distrital de Fundo

Foto: CNT

A nadadora Carolina Carpinteiro, de Vila Nova da Barquinha, sagrou-se Campeã Distrital de Fundo, Inf A, na edição de 2014 do Torneio Distrital de Infantis e Juvenis, que decorreu nos passados dias 22 e 23 de Novembro, na piscina municipal de Ponte de Sor, em que estiveram presentes 147 nadadores, em representação de 17 clubes. A jovem barquinhense alcançou 880 pontos, fruto de duas excelentes provas (3ª nos 400 Estilos e 1ª nos 800 Livres), obtendo ainda 4 tempos de participação, para os nacionais (Zona Sul), a realizar em Tavira e um tempo para os Nacionais de verão, na mítica piscina do Jamor. O CNTejo esteve presente nesta prova, orientado pelo técnico Paulo Serra, com os atletas Carolina Carpinteiro, Mafalda Marques, David Carvalho, Alexandre Silva, Daniel Oliveira e David Carpinteiro.

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aç ã o so c i al

PROJETO VISA AJUDAR POPULAÇÃO IDOSA OU EM SITUAÇÃO DE CARÊNCIA

Loja Social apoia pequenas reparações a domicílios

A Loja Social de Vila Nova da Barquinha está a desenvolver um projeto de Assistência Técnica ao Domicílio que visa a apoiar os idosos e pessoas em situação de carência, do concelho de Vila Nova da Barquinha, em pequenas reparações nas suas casas. Com este projeto pretende-se oferecer manutenção habitacional evitando os efeitos de envelhecimento de casas ajudando em reparações elétricas, na canalização, em mobiliários, na adequabilidade, no auxílio de problemas de acessibilidade, entre outras. Este projeto tornou-se viável devido aos apoios fornecidos por parte dos diversos parceiros mas também devido à envolvência por parte da comunidade. A contribuição por parte da comunidade é fundamental, seja a partir de doações de bens materiais ou na prestação direta de serviços mediante a realização de voluntariado. O projeto é suportado pelos parceiros da Loja Social - Município de Vila Nova da Barquinha, Santa Casa da Misericórdia, Essência da Partilha, Cáritas, Juntas de Freguesia do concelho, Fundação Dr. Francisco Cruz, Associação de Bem-Estar das Madeiras, Centro Social e Paroquial da Atalaia, Conferência Vicentina da Nossa Senhora da Assunção e Conferência Vicentina da Nossa Senhora dos Remédios. O serviço de “Assistência Técnica ao Domicílio” pode ser requisitado através do telefone 937 819 436.

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ATÉ 30 DE DEZEMBRO

Venda de Natal em Vila Nova da Barquinha A Loja Social de Vila Nova da Barquinha está a organizar, juntamente com os seus parceiros, uma Venda de Natal que decorre até ao dia 30 de dezembro, no Largo Manuel Henriques Pirão (espaço Tecnorém). Com o objetivo de angariar fundos para a Loja Social, a iniciativa conta com a comercialização de produtos da própria Loja bem como de produtos da marca Princess Pea, entidade parceira. A venda de Natal da Loja Social de Vila Nova da Barquinha está disponível desde o dia 6 de dezembro, de terça a domingo, entre as 14 e as 19 horas e conta com o apoio do Município de Vila Nova da Barquinha, da Tecnorém e da Princess Pea.


breves

Foto: Miguel Freire

35 anos do serviço nacional de saúde As comemorações do 35.º aniversário do Serviço Nacional de Saúde (SNS) passaram por Vila Nova da Barquinha, no dia 10 de setembro de 2014. Entre profissionais de saúde e utentes, várias dezenas de pessoas participaram na iniciativa, que arrancou em Tomar, com a realização de uma conferência alusiva ao SNS. As celebrações continuaram no Barquinha parque, local de partida para uma caminhada até Tancos, seguida de passeio fluvial ao Castelo de Almourol.

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Regimento de Engenharia nº1 em Tancos A Escola Prática de Engenharia (EPE) de Tancos, foi deslocalizada para Mafra no ano de 2013. Em consequência dessa reorganização do Exército ficou instalado em Tancos o Pólo Permanente do Prédio Militar 001/VNB – RE1. A partir de 1 de Outubro de 2014 é deslocalizado o Regimento de Engenharia n.º 1, da Pontinha para Tancos, uma medida que decorre do projeto de reestruturação em curso no Exército Português e que já tinha sido anunciado anteriormente, em abril de 2013, pelo General Artur Pina Monteiro, atual Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas. “Nenhum campo militar vai ser encerrado, antes o dispositivo vai ser alvo de uma reestruturação. O Regimento de Engenharia nº 1, por exemplo, vai ser transferido para a Escola Prática de Tancos, uma guarnição que vai ser robustecida com uma grande capacidade operacional de engenharia”, explicou em declarações à agência Lusa. A EPE de Tancos foi criada a 28 de Junho de 1880 e transferida para Mafra em 1 de Outubro de 2013, na sequência da decisão tomada de se unificar as diversas escolas práticas das armas do Exército numa única Escola das Armas. O RE1 tem assegurada a sua missão desse o longínquo dia 24 de Outubro de 1812 o que indicia um distinto grau de motivação, competência técnica e entrega de todos os militares e civis que neste Regimento serviram e servem o Exército Português.

Projeto “Ser Europeu” Entre os dias 22 e 26 de julho de 2014 celebraram-se em Vila Nova da Barquinha os 14 anos de Amizade Europeia, com a participação das vilas geminadas com Vila Nova da Barquinha - Dissay e Madone - no âmbito do projeto “Ser Europeu”. O programa de comemorações incluiu várias atividades entre as quais uma visita ao Monumento aos Combatentes situado em Vila Nova da Barquinha e a realização de um Workshop de Danças Europeias, no dia 22. No dia 23 teve lugar uma visita ao Espaço Europa, em Lisboa. Já no dia 24 os intervenientes participaram num peddy-paper sobre a Europa, a sua história, a sua geografia e as suas instituições, no Barquinha Parque. A última ação, um debate sobre o futuro da Europa, realizado no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha no dia 26, contou com a moderação de Fernando Freire, Presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha. O projeto “Ser Europeu” apresentado no âmbito da Medida 2.1 «Geminação de Cidades» teve como principal objetivo promover o debate sobre o futuro da Europa, permitindo em simultâneo aos participantes aprofundar conhecimentos sobre a Europa através da participação nos eventos realizados. BarquinhaViva32

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Governador do Rotary Club visita Vila Nova da Barquinha Fernando Freire, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, recebeu no passado dia 15 de outubro, no edifício dos Paços do Concelho, António Mendes, Governador do Rotary Club Distrito 1960, no âmbito de uma visita à região. Acompanhado por elementos do Rotary Clube do Entroncamento, António Mendes assinou o Livro de Honra do Município onde lavrou o seguinte testemunho: “ Enche-me o coração de esperança no futuro do país e do mundo ter conhecimento da interação altamente positiva que existe entre o Rotary e a Câmara Municipal. Juntos estão a iluminar a vida da comunidade e, de modo particular, dos mais carenciados. Parabéns a todos”. Posteriormente, visitou a Galeria do Parque, onde está patente ao público a exposição “Confidencial/ Desclassificado: MISSA CAMPAL”, da autoria de Manuel Botelho. O Rotary Club é um clube filantrópico e social que presta serviço à comunidade, sem fins lucrativos. 56

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Protocolo com Conselho para a Paz e Cooperação O Município de Vila Nova da Barquinha e o Conselho Português para a Paz e Cooperação celebraram um protocolo de colaboração para a realização de uma exposição sobre os 100 anos da Primeira Grande Guerra e a luta pela Paz. O documento foi assinado pela Presidente do Conselho, Ilda Figueiredo, e pelo Vereador da Câmara Municipal, Ricardo Honório. A data da exposição será anunciada em breve, prevendo-se para o início de 2015.


Foto: Andreia Lopes

PROTEÇÃO IN DIVIDUAL NO COMBATE A INCÊNDIOS

Bombeiros recebem novos fardamentos Os Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha receberam no dia 7 de Agosto, pelas mãos do Vereador da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Rui Constantino, novos equipamentos para o combate aos incêndios. Foram entregues um total de 68 dólmens e 68 calças à corporação de Vila Nova da Barquinha numa medida que tem como finalidade dotar os bombeiros com equipamentos de proteção individual para combate a incêndios. Esta entrega de equipamentos surge no âmbito de uma candidatura apresentada pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, CIMT, em que cada município suportou a comparticipação nacional referente ao seu Corpo de Bombeiros.

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as s o c i at i v i smo

GRUPO DE CICLOTURISMO BARQUINHENSE COMPLETA 15 ANOS

BARQUINHA, destino de BTT

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“Existem pessoas que vêm propositadamente de Lisboa para aqui e é normal encontrarmos nos trilhos pessoas de Cascais ou de Sintra, por exemplo, especialmente ao fim de semana que é quando têm mais tempo”, afirmou. Ainda relativamente aos trilhos, todos os anos é eleito o principal, sendo que no ano de 2013 o escolhido foi o “Trilho Luís Vaz de Camões” que liga o Centro Náutico de Constância à ponte férrea da Praia do Ribatejo, com a extensão de 1 quilómetro, mas hoje são já vários os trilhos muito procurados no concelho. “O Trilho do Castelo, junto ao Castelo de Almourol é possivelmente um dos mais utilizados e mais procurados. Outro importante é o Trilho da Água, também muito falado. Por se situarem junto ao rio, estes trilhos têm muita procura. Esperamos abrir mais 2 ou 3 este ano, também porque queremos sempre apresentar coisas novas nos eventos que realizamos”, referiu. Já no que diz respeito ao futuro o grupo espera realizar novas atividades como o TRAIL (corridas de montanha) ou caminhadas sendo que existe ainda um projeto em mente para a construção de um Centro de BTT no concelho. “Vamos continuar a apostar forte no BTT e temos um projeto, em parceria com a Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha, para junto das piscinas da Moita do Norte criarmos um Centro de BTT, que dê apoio a esta modalidade, às caminhadas, ao TRAIL e a tudo o que esteja ligado aos desportos de natureza”, finalizou.

Foto: Pedro Barbosa

O Grupo de Cicloturismo Barquinhense, fundado em 1999, completa 15 anos no próximo dia 22 de Dezembro de 2014. A associação tem como principais atividades o BTT e o ciclismo de estrada. “A base do clube passa pelo ciclismo em si. Começou pelo cicloturismo, com passeios de estrada mas quando apareceu o BTT tudo o que o clube quis fazer cresceu. Tentamos ainda fazer outras atividades para os sócios como são o exemplo das caminhadas e das descidas de canoa”, explicou João Correia, Presidente do Grupo de Cicloturismo Barquinhense. Atualmente com 164 sócios, o grupo tem juntado um grande número de pessoas nas atividades realizadas ao longo do ano e para 26 de Abril de 2015 está marcado o principal evento promovido anualmente pela associação, o “Almourol à Vista”, que se vai realizar pela oitava vez. “Este ano ganhámos 30 novos sócios e as provas que temos organizado têm tido um sucesso muito grande. Fazemos passeios de bicicleta guiados onde aparecem 30 ou 40 pessoas e nas descidas de canoa temos habitualmente 50 participantes. Mas o grande evento, ao qual nos dedicamos o ano inteiro, é o “Almourol à Vista”, onde vão participar cerca de 600 pessoas”, referiu João Correia. Com mais de uma dezena de trilhos “feitos de raiz” pelo grupo no concelho de Vila Nova da Barquinha, com larga utilização por pessoas de várias partes do país, o Presidente do Grupo de Cicloturismo Barquinhense não tem dúvidas que o concelho “é já um destino de BTT”.


Foto: Novo Almourol

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am b i e n t e

Água para consumo em Vila Nova da Barquinha entre as melhores do país A Águas do Centro é a entidade gestora que distribui a melhor água do país, revelou a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR). A empresa, que serve 17 municípios na zona Centro, entre os quais Vila Nova da Barquinha, recebeu no dia 19 de novembro o prémio ‘Qualidade exemplar da água para consumo humano’ da ERSAR, por “fornecer água para consumo humano de qualidade exemplar numa vasta área, que se estende desde a fronteira com Espanha até ao rio Nabão”. A Águas do Centro abrange, na componente designada ‘em alta’ – ou seja, na captação, tratamento, adução e reserva de água também os municípios de Alvaiázere, Castanheira de Pêra, Castelo Branco, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Idanha-a-Nova, Mação, Oleiros, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Proença-a-Nova, Sardoal, Sertã, Tomar e Vila Velha de Ródão, além de alguns aglomerados do Sul do concelho do Fundão.

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Foto: Miguel Freire


Recolha de resíduos sólidos urbanos Se possui qualquer tipo de resíduo superior às dimensões do contentor de lixo doméstico, ou outro tipo de resíduo para os quais a Câmara criou circuitos autónomos, atente neste calendário de recolha da sua zona e deposite o lixo no dia anterior ao da recolha. A sua colaboração permitirá que tornemos o concelho de Vila Nova da Barquinha num concelho mais limpo. O Município não se responsabiliza por resíduos mal acondicionados ou que possam colocar em perigo a saúde pública. Seja responsável. Colabore!

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SMS municipal Receba no seu telemóvel notícias sobre a actualidade do concelho, eventos e informações úteis. Envie um SMS para o número 926 612 791, com o nome e apelido, seguido da palavra ADERIR*. Para cancelar este serviço, basta enviar um SMS para o mesmo número, com o nome e apelido, seguido da palavra CANCELAR*. O serviço é gratuito. Só terá de despender o custo do sms de adesão ou de cancelamento. *(custo normal de envio de SMS para a rede MEO, de acordo com cada tarifário)

Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha Praça da República 2260-411 Vila Nova da Barquinha Tel: 249 720350 Fax: 249 720368 E-mail: geral@cm-vnbarquinha.pt www.cm-vnbarquinha.pt www.facebook.com/cm.vnbarquinha

Barquinha Viva 32  

Revista Municipal "Barquinha Viva", publicação oficial do Município de Vila Nova da Barquinha, número 32, de dezembro de 2014.

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