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CAPA

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ÍNDICE PÁG. 6

Mulheres superam tabu e investem na paixão por futebol.

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Futebol Exemplar

Michael Jordan pode ser substituído? SPÁGDF.

PÁG. 18 PÁG.

NEYMAR: O LEGADO DO CRAQUE

Repórteres: PÁG. Giovanna Hueb Pricilla Kury Thor Meglionaro

Jornalismo ESPM-SP 3


Futebol

Exemplar

Quase dois meses após os acontecimentos fatídicos Molina, que se declarou vítima de perseguição política. que cercaram a partida entre San José e Corinthians, na Bolívia, as equipes voltam a enfrentar-se em São Paulo. Hoje à noite, no estádio do Pacaembu, haverá demonstrações em prol dos detidos. Que transcorram de O encontro anterior, no dia 20 de fevereiro, em modo pacífico e não se repitam comportamentos imOruro, foi marcado pela morte do boliviano Ke- próprios de torcedores, jogadores ou policiais --como vin Douglas Beltrán Espada, 14. O rapaz foi aba- observado em partida recente contra equipe argentina. tido por um sinalizador disparado da área em que se reunia a torcida do clube brasileiro. Os brasileiros têm razão em criticar atitudes que julgam arbitrárias ou violentas em gramados estrangeiros. Mas, Na ocasião, 12 torcedores corintianos foram detidos como sede da Copa de 2014, precisamos dar o exemplo. pela polícia local. Permanecem encarcerados até hoje, sob a alegação de que foram “surpreendidos em flagrante” --embora alguns nem estivessem na arquibancada no momento do ato irresponsável e criminoso. Dias depois da tragédia, um torcedor do Corinthians, menor de idade, apresentou-se no Brasil como autor do disparo. Informações sobre o caso já foram enviadas à Justiça boliviana, que reagiu à confissão com aparente descaso. Independentemente do mérito, questionam-se os procedimentos até aqui adotados pelo país vizinho, que suscitam apreensão quanto à perspectiva de um processo justo. A acusação é vaga; os detidos não foram atendidos em prerrogativas básicas, como o direito a usar tradutores; a defesa não tem obtido acesso aos autos. A situação preocupa ainda mais porque a legislação boliviana permite estender a prisão preventiva a até 18 meses sem acusação formalizada e até 36 meses sem a definição de uma sentença. Não se podem acusar as autoridades brasileiras de omissão. Os detentos receberam a visita de uma comitiva de parlamentares, e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse em audiência no Senado que tem feito gestões com o governo de Evo Morales para um encaminhamento mais transparente e razoável do processo. Dadas as circunstâncias, seria o caso de considerar manifestações mais incisivas, talvez da própria Presidência da República. Há, contudo, um complicador diplomático: o Brasil concedeu, no ano passado, asilo em sua embaixada ao líder oposicionista boliviano Roger Pinto 4


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Mulheres superam tabu e investem na paixão por FUTEBOL

Mais um clichê está caindo em desuso: “Futebol é coisa de homem”. O número de mulheres que acompanham algum esporte, principalmente o futebol, é cada vez maior. Blogueiras, comentaristas da televisão e das mídias digitais, além de inúmeras torcedoras fanáticas, representam o sexo feminino num ambiente que, antes, era formado principalmente por opiniões dos homens. Para além de cabelo, maquiagem e roupas, as mulheres têm visões a compartilhar – em especial, sobre o esporte líder do Brasil. E isso vai muito além de saber o que é um impedimento.

cional, e as mulheres são gente normal, com capacidades iguais às de um homem”. “Apesar de a opinião ser majoritariamente masculina, elas têm o mesmo potencial de falar sobre o que entendem e o que lhes interessa”, afirma. Por: Bianca Giacomazzi

Marília Ruiz, jornalista e comentarista esportiva, argumenta que não deve haver distinção por gênero nas esferas profissionais. “O objetivo tem de ser o exercício do jornalismo com competência e dedicação. Jornalista é um substantivo que funciona com artigo definido feminino e masculino – é uma enorme bobagem qualificar o trabalho de alguém pelo sexo”, completa. Quanto ao preconceito, Marília admite – e lamenta – sua existência, mas acredita que as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço. “O campo é machista, mas não éproibido”, enfatiza. Idas aos estádios e tardes de domingo acompanhando jogos pela televisão – com direito a opiniões apaixonadas sobre cada lance – são uma pequena parte das atitudes que as mulheres tomam para derrubar o preconceito. “O ambiente é muito machista, ainda somos motivo de piada para os homens. Entretanto, ao frequentar o estádio, as mulheres  são respeitadas, o que me leva a crer que, no fundo, eles não têm ou não demonstram preconceito”, diz Julia de Caro, corintiana e estudante de Nutrição na Universidade de São Paulo (USP).  Na televisão, o tabu já é coisa do passado. Programas de várias emissoras, como Globo e Record,  já têm importantes figuras femininas como apresentadoras. “A presença de mulheres nas bancadas dos programas fortalece nossa posição no esporte e mostra que também podemos entender do assunto”, completa Julia. Entre os homens, a opinião feminina é considerada importante. André Tiê Franco de Moraes, palmeirense e estudante de História da USP, diz que “esporte é uma coisa conven6


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Ele não é o próximo Ele é o primeiro Quatro meses, 107 dias, 2568 horas. Esse foi o tempo de espera, enfim a NBA está de volta. Junto com a nova temporada que se aproxima, muitos questionamentos são postos em pauta, perguntas e especulações características de um período de pré-temporada. “Será que a primeira escolha no draft jogará o que se espera dele?“, “será que Greg Oden conseguirá jogar mais do que 20 jogos?“, “quem será a novidade dessa temporada?“. Em meio a tantas perguntas sem respostas, uma questão está definida: LeBron James, ala do Miami Heat, será o MVP da temporada. Segundo pesquisa realizada com 30 diretores-gerais das franquias que disputam a competição, o nome do craque foi unanimidade. Aposta de 69% dos votantes para ser o melhor jogador (MVP) da temporada que se aproxima, ele seria o primeiro escolhido de 89,7% dos times caso eles pudessem contratar qualquer atleta da liga. James é ainda o melhor ala do mundo para 86,7%, bem à frente do segundo colocado, Kevin Durant (13,3%). LeBron James está há onze anos na liga, e em todo eles foi protagonista. As comparações com o maior jogador de todos os tempos, Michael Jordan, são inevitáveis e perfeitamente compreensíveis. The King, como é conhecido LeBron James, tem em sua carreira uma média de 27,5 pontos por jogo, 7,2 rebotes e 7 assistências, 52,8% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 33,8% de aproveitamento nos arremessos de 3 pontos. Além dos bons números, é bicampeão da NBA, e tem quatro prêmios de MVP‘s da temporada. De quebra, tem três medalhas olímpica, sendo duas de ouro e uma de bronze. Já Michael Jordan teve em sua careira uma média de 30,1 pontos por jogo, 6,2 rebotes, 5,3 assistências, 49,7% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 32,7% de aproveitamento nos arremessos de três pontos. O craque é hexacampeão da NBA, foi considerado por cinco vezes o melhor jogador da temporada (MVP‘s) e tem duas medalhas de ouro olímpicas. Os números são bastante parecidos, a única discrepância da-se pelo número de títulos. James tem apenas dois, contra seis de Jordan. Há quem diga que por essa razão a supremacia de Jor-

Apesar de polêmica, a comparação diferente

dan está garantida. “Quando LeBron tiver seis anéis (títulos), a gente conversa“. É o que diz Rafael Britto, fã da NBA e torcedor fanático do Chicago Bulls. Para Michel Vieira, repórter do portal Basketeria, a questão dos títulos é secundária. “ Jordan tem mais títulos? Tem. Mas também sempre jogou em time bons. O Bulls foi uma máquina nos anos 90“. E completa. “LeBron jogou por sete anos no Cleveland Cavaliers, um time horroroso, e mesmo assim, quase ganhou títulos. É um feito que eu nunca vi um jogador fazer“. “LeBron e Jordan são muito parecidos, ambos mudaram o jogo. É difícil admitir que alguém possa vir a se igualar ao Michael, mas a verdade tem que ser dita: 8


o Michael Jordan... o LeBron James

o entre os dois atletas é factível e gera es opiniões Por Giovanna Hueb

convicto do Washington Wizards, LeBron é mais completo que Jordan. “LeBron é o jogador mais completo que já vi jogar. Ele joga tranquilamente nas cinco posições, enquanto Jordan jogou em no máximo duas“, diz. Guilherme ainda diz que o número de títulos não pode ser algo a ser comparado, uma vez que LeBron ainda segue com sua carreira e, assim, ainda pode conquistar a NBA mais vezes. Jordan e LeBron jogaram em épocas diferentes, em times diferentes. A questão é que ambos mudaram o jogo, ambos entraram para a história. LeBron talvez não tenha a mídia que Jordan teve nos anos 90 e por isso sofre resistência por parte de alguns fãs e de parto dos especialistas na área. Compará-los é justo e factível, porém impreciso. Seria como comparar Messi e Maradona, mais de duas décadas separam um do outro, nesse meio tempo muita coisa mudou.

Se quiser, LeBron pode ser o novo Michael Jordan“, diz. Michel vai além. “James é um jogador muito coletivo, ele se preocupa com o time. Não há jogador no mundo que não queira jogar com ele. Se fosse mais “fominha“, chegaria tranquilamente aos números de Jordan“. Sydney Teixeira, an golano que mora há muitos anos nos EUA, e torcedor fanático dos Los Angeles Lakers, LeBron nunca poderá ser comparado com Jordan. “Michael é simplesmente o melhor. Nada nem ninguém poderá superá-lo, muito menos LeBron James. Conte quantos títulos tem cada um“, afirma. Na opinião de Guilherme Nogueira, seu colega de quarto na faculdade Penn State e torcedor 9


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Ex-BBB muda histór campeão mundi

Um ano após o acidente que paralisou seu corpo mundo na modalidade, subindo ao lugar mais alto do da cintura para baixo, o ex-participante do Big Brother Brasil Fernando Fernandes conquistou o título mundial de canoagem paraolímpica. Em julho de 2009, o modelo recebia a notícia da grave lesão e 12 meses mais tarde, na Polônia, estava representando o Brasil na competição que reunia os melhores do

pódio apenas oito meses depois do início dos treinos.

No dia 20 de agosto de 2010, Fernando foi campeão mundial na prova K1 A 200 m (categoria específica para a lesão de Fernando. Além dessa categoria, existem outras duas: LA e LTA) com o tempo de 56s151. Mas de agosto do ano passado para cá, o atleta já me12


ria da canoagem e é ial em 8 meses lhorou muito seu tempo. Hoje em dia, ele consegue completar os 200 m em 45s, apenas 10s a mais que os atletas olímpicos. A meta agora é diminuir ainda mais essa diferença para, quem sabe, 7s. A evolução meteórica fez com que Fernando se tornasse referência no esporte, sendo inclusive, consultado por diversos países europeus para explicar como conquistou tanto sucesso em sua curta carreira de canoísta. Mas sua contribuição para o esporte não parou por aí. Antes do título mundial de Fernando, a canoagem ainda não era um esporte paraolímpico, mas a conquista ganhou grande proporção, por se tratar de um modelo internacional, ex-participante de um reality show de sucesso e, principalmente pela rapidez em sua recuperação. Tudo isso ajudou a convencer os Comitês Olímpico e Paraolímpico a integrar a modalidade na Olimpíada. Além disso, Fernando, ao lado de seu técnico Paulo Barbosa, o Paulinho, desenvolveu um barco capaz de navegar ainda mais rápido que os atuais e que hoje é o principal responsável por classificar atletas às grandes competições de canoagem. O barco foi feito em Portugal e atraiu a grande imprensa local, que ficou impressionada com o desempenho de Fernando e sua criação nas águas europeias.

Em entrevista exclusiva ao Terra, Fernando fala sobre os planos na canoagem, o amor pelo esporte e a recuperação do grave acidente sofrido no dia 4 de julho de 2009, quando perdeu o controle de seu carro na Avenida Indianápolis, na zona sul de São Paulo. Confira na íntegra: ESPM: O car ao

que te esporte

motivou depois

a do

se dediacidente?

Fernando Fernandes: Na verdade não teve antes e depois da lesão em relação ao esporte. O esporte sempre foi significante na minha vida, sempre foi meu dia a dia. Fiz faculdade de educação física, joguei futebol profissional, lutei boxe por 12 anos e acho que o que me fez tão bem depois da lesão e também antes foi o esporte. Só procurei uma forma de fazer o esporte adaptado à minha lesão. Sabia que existia isso, mas não sabia até onde poderia ir. Comecei a procurar essas modalidades e no centro de reabilitação acabei conhecendo várias e uma dessas foi a canoagem. ESPM:

Mas

por

que

escolheu

a

canoagem?

Fernando Fernandes: A canoagem que me escolheu. Não sei te explicar. A hora que sentei no caiaque e eu não sei o que aconteceu comigo. Foi uma mistura de liberdade com capacidade me ver em cima da água, podendo remar. Olhei para o professor que estava ao lado e ele, sem lesão nenhuma. Nós estávamos remando igual. Me deu essa sensação muito forte de liberdade. Isso que me alimentou, que me deu muito prazer. Cheguei a fazer outros esportes, fiz o remo adaptado, corri a São Silvestre com cinco meses de lesão, mas não me senti tão bem como quando me sentei no caiaque. Aquilo me alimentou e ainda me alimenta a cada dia. Quero o máximo que o esporte pode dar. ESPM: Como a canoagem ajuda na sua reabilitação? Fernando Fernandes: A ajuda é total, porque como eu perdi a sensibilidade da cintura para baixo, o centro de gravidade mudou. Agora é só tronco e abdome. O movimento da canoagem é baseado no giro de tronco então 13


esse giro me coloca em instabilidade sempre e, de alguma forma, tenho que compensar isso, fortalecendo os músculos abdominais e a própria sensibilidade, para ter a sensação de saber o meu eixo. Minha perna fica em hiperextensão, mas tudo que eu tiver para baixo da minha lesão eu tenho que estar contraindo, ou seja, vou sempre estar estimulando esses músculos. Quando fui para Miami, não faz muito tempo, o médico ficou surpreso. Em um ano e meio de lesão ele disse que eu estou com

do no caiaque. Primeiro você tem que sentar no caiaque, aprender a remar em um barco largo, depois vai para um mais estreito, para ganhar equilíbrio. É um processo lento, mas tenho certeza que em 2015 terão outros países. Tem gente da Hungria me procurando para saber como é esse processo de adaptação. Mas a classificação é simples, tem as etapas de Copa do Mundo e o Mundial. Você vai se classificando e, de acordo com as vitórias, você conquista posições. Diferente de outros esportes na canoagem não existe um índice porque cada prova tem uma condição climática, como profundidade, densidade da água e velocidade do vento. ESPM:

Como

é

a

rotina

de

treinos?

Fernando Fernandes: Treino de segunda a sábado. Pela manhã vou para água. Fazemos treinos de acordo com as competições. É um período mais curto de treinos, porém muito mais intenso, porque são provas de 200 metros. Em torno de uma hora e meia, duas horas por dia mais ou menos. Além disso, quatro vezes por semana faço musculação. Vou para academia e faço treino de força com carga máxima, com peso, muita força e repetição em mais ou menos uma hora.

uma ótima condição física por causa da canoagem. ESPM: Você teve participação na decisão de tornar a canoagem um esporte paraolímpico? Fernando Fernandes: Foi uma coisa muito louca. Eu estava esperando para fazer uma campanha mundial como modelo e 15 dias antes de lançar essa campanha eu me lesionei e aí o mundo inteiro da moda ficou sabendo que o cara da Dolce e Gabanna havia se lesionado. Comecei o processo de reabilitação e depois de um ano do acidente estava sendo campeão mundial. Tenho certeza que tomou uma proporção enorme e colaborou de alguma forma. Uma pessoa que tinha uma imagem voltada para moda voltou para o esporte e isso somou de alguma maneira. Tenho certeza que ajudou. As coisas foram acontecendo e, de repente, se tornou paraolímpica e pegou esse ciclo da minha vida. Não tem muita explicação. No meio de tanta coisa ruim uma coisa boa aconteceu. ESPM: Como é a classificação para as Olimpíadas de 2016? Fernando Fernandes: Isso vai ser decidido mais próximo do evento. Na minha categoria fazemos finais direto por falta de competidores, porque é muito difícil ficar senta-

ESPM: E como está a preparação para as próximas competições? Fernando Fernandes: A preparação está focada em agosto, no Mundial. Não sei como estarei em 2016. Tenho Sul-Americano no Rio de Janeiro neste domingo e em agosto temos o mundial. Vamos fazer ano a ano, competição por competição para que tudo dê certo. ESPM: Você sempre foi um bom jogador de futebol e chegou a participar da Seleção Brasileira de artis14


tas, sendo, inclusive, campeão ao lado de atores como Marcos Palmeira. Como eram os jogos com esse time? Fernando Fernandes: Foi a maior experiência cultural que tive na minha vida. Fomos para Rússia duas vezes, Argentina, etc. Eram 16 países e cada andar do hotel hospedava um país. Você tinha que levar um número musical e quando descia no hall parecia um show de talentos, porque tinha Gipsy Kings tocando com os ingleses nos vocais, com Max Vianna no piano, era uma mistura fantástica. Parava e pensava onde estava. Era muita diversão. É uma galera muito importante na minha adaptação, que sempre liga, vem me visitar. Existem várias histórias legais daquela época. Chegamos à Rússia para comer e não sabíamos o que era que tinha no prato. Tinha um arroz com um grão esquisito, uma carne super estranha e tínhamos que ficar 15 dias com aquilo. Aí tivemos que procurar um McDonalds. Chegamos no McDonalds e não sabíamos pedir o número. Tínhamos que apontar para o lanche porque eles não falam inglês. ESPM: Em uma entrevista sua logo após o acidente, você disse que teria que conviver com uma palavra que não estava acostumado e nunca foi seu forte: a paciência. Aprendeu a conviver com ela? Fernando Fernandes: Aprendi muito a conviver com isso. A gente vive em um mundo onde a cobrança é muito grande, é tudo muito acelerado, as informações chegam demais e eu nunca fui paciente. E de repente entrei em uma outra onda. Passei a fazer o meu ritmo, porque aquele era um ritmo que nunca foi o meu. Estava vivendo uma vida que não queria ter, mas os acasos da vida me levaram para aquilo. Sempre foi ótimo viajar, trabalhar como modelo, mas meu barato sempre foi praticar esporte, porque tinha necessidade disso. Minha vida não era o que eu queria e por incrível que pareça, depois de passar por uma dificuldade muito grande, de ver a morte de perto, você vai e volta a suprir uma necessidade, uma frustração de não ter sido um atleta profissional. Mas hoje vivo isso. Hoje tenho muito mais paz. Quando vim para cá, viver no meio do nada, com chuva, sem chuva, com sol, sem sol, está tudo ótimo. Acordo cedo todo dia, a energia do esporte é muito positiva. É a competição positiva. Isso me faz muito mais bem do que a vida que eu levava.

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De olho no centená para estreia n

O encontro do Palmeiras com os cinemas será como uma típica reunião entre familiares italianos. Histórias para rir, momentos para rever e cornetar e a promessa de emoção até ao mais frio descendente da colônia. Assim avaliam produtores de três dos seis filmes que terão como mote a história do clube em seu centenário.

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ário, Palmeiras prenos cinemas A estratégia de entrar nas salas de cinemas já foi utilizada pelos rivais Corinthians, Santos e São Paulo, mas faltavam o Palmeiras investir. Estão previstos o lançamento de cinco filmes até o aniversário, em 26 de agosto, e mais um após esta data. LARGADA O pontapé inicial foi dado na semana passada com a exibição de “Primeiro Tempo”, dirigido por Rogério Zagallo, no shopping Bourbon, área vizinha à sede do clube. O documentário narra o último jogo oficial no Parque Antarctica, em 2010, antes do início da reforma da arena. Ídolos como Ademir da Guia, Oberdan, Marcos e Evair dão depoimentos sobre o estádio. Divulgação Canal Azul O diretor Mauro Beting (esq.) colhe depoimento do ex-jogador Zinho O diretor Mauro Beting (esq.) colhe depoimento do ex-jogador Zinho Já está em produção o “Segundo Tempo”, que irá mostrar a reforma e o primeiro jogo no local. O lançamento depende da arena, que deve ser inaugurada no início de 2014. Esses filmes são da produtora Oka Comunicações e não terão exibição nos cinemas. O próximo lançamento será de o “Santo Marcos”, da produtora Contém Conteúdo, agendado para chegar aos cinemas já agora em outubro. O filme inclui até a história do namoro entre o goleiro e o Corinthians, em 2005.

Outros três filmes com foco nas conquistas alviverdes estão em produção. A direção está a cargo da dupla Mauro Beting e Jaime Queiroz sob produção da Canal Azul. O primeiro filme é “12 de Junho de 1993”, sobre o fim do tabu de 16 anos sem títulos. Talvez a grande surpresa para o torcedor será o ver como foi o reencontro entre os campeões paulistas naquele ano diante do Corinthians. Este documentário ainda registrou fragmentos do Estadual de 1974, com cenas inéditas de Ademir da Guia e do técnico Oswaldo Brandão. Para o aniversário de cem anos será lançado “O Campeão do Século”, filme que contará a história do Palmeiras desde a sua fundação. Por fim, já para 2015, será lançado a “Conquista da América”, sobre o título da Libertadores de 1999. Os filmes, segundo Ricardo Aidar, produtor-executivo da Canal Azul, “mostram o DNA do clube. É uma macarronada italiana. É a família que se reúne para ver o time, corneta, chora, xinga”. RETORNO O Palmeiras prevê retornos significativos, embora nem todos os longas estarão nos cinema. Mesma visão tem as produtoras “Até os filmes do Pelé tiveram pouca bilheteria. O torcedor gosta de itens para colecionar”, disse Aidar. 17


(Futebol)

O LEGAD O DE

NEYMAR APÓS ANOS NO CLUBE, CRAQUE REALIZA SEU SONHO, MAS DEIXA O SANTOS EM SITUAÇÃO DIFÍCIL

por THOR MEGIOLARO

Q

uatros anos se passaram. Muitas alegrias, conquistas e pilhas de dinheiro

fez ídolo nacional e que o fez homem. Agora ele segue na direção do seu sonho, rumo ao Barcelona. A parte do alvinegro praiano foi de R$ 49 milhões. Pouco para quem moldou esse talento em um craque, lhe pagou salários astronômicos desde que ele estava com 15 anos e o acolheu quando o craque chegava ao litoral paulista. Nascido em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, Neymar chegou ao Santos em 2003, após fazer seis gols em um jogo contra o clube. Na época, o menino de nove anos defendia a Associação Atlética dos Portuários, clube da cidade de Santos que revelou Robinho. Com 11 anos, o garoto já ganhava fama nos bastidores da Vila Belmiro. Quatro anos mais tarde, o Santos foi obrigado a aumentar o salário de Neymar para

segurar na Vila Belmiro a promessa, que já havia recebido um convite para se juntar às categorias de base do Real Madrid. Com 15 anos, a multa rescisória de seu contrato já girava em torno dos R$ 35 milhões. Neymar permaneceu no Santos e disputou diversos campeonatos nas categorias de base. Foi destaque da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2008. E por conta da sua atuação, ganhou uma chance com o técnico Vágner Mancini no março, contra o Oeste, pelo Campeonato Paulista, no Estádio do Pacaembu. Nessa partida, Neymar não balançou a rede, mas viu seu time vencer por 2x1.

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Ainda no ano de 2009, o Brasil começou a vislumbrar o que muitos imaginavam ser a futura dupla da Seleção Brasileira. No Campeonato Brasileiro, Neymar e Ganso começavam a encantar o povo brasileiro. No ano seguinte, a dupla “estourou”. Em 2010, por sua vez, o Santos teve uma de suas melhores temporadas dos últimos anos. Era uma espécie de redenção do clube que vivia ainda das glórias passadas da dupla Diego e Robinho, que encantara o Brasil no Campeonato Brasileiro de 2002 e do time espetacular dos anos 1960, liderado por Pelé. Nascia um dos times que será lembrado para sempre. Daqui a alguns anos, com certeza ouviremos sobre Wesley, Arouca, Ganso, Robinho (que voltara a equipe que o formou), Neymar e André. O Santos conquistou o Campeonato Paulista desse ano.

Na Copa do Brasil, o Santos passeou. Goleadas por mais de quatro gols faziam parte da rotina santista na competição.

primeiro jogo e perdeu o jogo da volta pelo mesmo placar. Como havia feito melhor campanha, sagrou-se campeão. no 3º lugar no ranking de artilharia, com 13 gols. A artilharia

Será que a Copa do Mundo de 2010 seria diferente com o trio completo? Nunca saberemos. No Campeonato Brasileiro, apesar da campanha modesta do Santos, que já havia assegurado vaga na Copa Libertadores da

pelo Oeste.

com 17 gols.

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jogo por 2x0 e perdendo o jogo da volta por 2x1. O trio Ganso-Neymar-Robinho ganhou o Brasil. Neymar foi o artilheiro da competição com 11 gols, e Ganso foi considerado o melhor jogador da competição. Às vésperas da convocação para a Copa do Mundo de 2010, a pressão popular para que Dunga, então técnico da seleção, convocasse Neymar e Ganso era gigante. Em qualquer reunião de família, roda de amigos, ou até mesmo no banheiro feminino, o assunto era o mesmo: “Você convocaria Neymar e/ou Ganso?”. Quase sempre a resposta

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As boas atuações renderam-lhe sua primeira convocação para a Seleção, agora treinada por Mano Menezes, para um amistoso contra os EUA. Nesse jogo, Neymar marcou seu primeiro gol com a camisa da Seleção Brasileira. Porém, Neymar surpreendeu a todos com a recusa da proposta. Até então, era algo inédito no futebol brasileiro, e o craque permaneceu no Santos para a disputa da Libertadores do ano seguinte. Se 2010 foi uma das melhores temporadas da história recente do Santos, 2011 foi com certeza a melhor delas. Começou com a conquista do Campeonato Paulista. O time da Vila Belmiro bateu considerado o melhor jogador do campeonato. Apesar do título, o garoto de 18 anos com cabelo moicano ganhou seu presente antes Na Libertadores, o Santos não teve vida fácil. Sofreu para se

48 anos. Neymar foi considerado o melhor jogador da competição e Pelo Campeonato Brasileiro, a grande conquista do Santos foi de Neymar. O antológico gol do atacante contra o Flamengo, na Vila Belmiro, resume o que foi o campeonato para a equipe da Vila. Ao passar por três adversários, tabelar com Borges, dar uma meia-lua espetacular em Ronaldo Angelim e concluir com uma bela “cavadinha” sobre o goleiro Felipe, Neymar escreveu seu nome na história do futebol com um gol que lhe renderia, mais tarde, o Prêmio Puskas de gol mais bonito do ano de 2011. O Santos jogava para fazer sua joia brilhar, para prepará-la para o falava em mais nada, além do duelo entre Neymar e o argentino Lionel Messi, considerado o melhor jogador do mundo. No tão sonhado duelo, só um time jogou. O Santos viveu uma de suas únicas frustrações desde que Neymar pisou no campo, do lado santista. Foram impiedosos 4x0 para o time espanhol, com show de Messi. Apesar da má atuação santista, Neymar ganhou a Bola de Bronze do torneio. A perda do Mundial abalou demais a equipe santista. O time já não tinha o mesmo brilho. O ano de 2012 começa com o descenso do Santos, o time já não contava com jogadores de qualidade que ajudavam Neymar. O time baseava-se na dupla Neymar e Ganso, mas o último sofria por seguidas lesões e já não apresentava o mesmo futebol. Mesmo assim, logo na primeira competição, o primeiro título. Após vencer o Guarani em duas partidas, o time da Vila Belmiro sagrava-se com 20 gols e com o prêmio de melhor jogador do campeonato.

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Na Libertadores, o Santos fez boa campanha, mas caiu ante ao Corinthians, que jogava um futebol até então nunca visto pelos brasileiros. A marcação intensa se opôs ao jogo bonito

O ano seguinte começou cheios de especulações, cada jogo poderia ser a despedida,a saída de Neymar. Os rumores sobre sua transferência para o Barcelona já se arrastavam por anos. E o pior de tudo, o Santos já não era o mesmo de outrora.

com oito gols. Nos jogos Olímpicos, mais uma decepção. A badalada seleção brasileira era uma unanimidade, e o tão sonhado ouro olímpico no futebol parecia certo. O Brasil não fez bons jogos, mas

Paulista, mas o Corinthians impediu o tetracampeonato. Contudo, Neymar foi vice-artilheiro do Paulista. O Campeonato Brasileiro começou, mas cada vez mais Neymar estava distante da Vila Belmiro e do Brasil. Sua transferência para o Barcelona foi digna de uma novela. Espculava-se se ele ia preferir o Barcelona ou o Real Madri, ambos haviam feito propostas tentadoras.

mexicana, e a sina do ouro olímpico no futebol continuou. No Campeonato Brasileiro, o Santos, mais uma vez, teve

Por ter ganhado a Copa Libertadores do ano anterior, o Santos credenciou-se a participar da Recopa Sul-Americana 2012, contra o vencedor da Copa Sul-Americana do ano anterior, o Universidad de Chile. Em dois jogos bem ruins, Neymar era eminente.

minuto as tratativas que levariam o craque à Espanha. No dia 25 maio, a notícia pela qual todos esperavam veio à tona: Neymar ia de fato, jogar no Barcelona. Para o Santos, uma perda gigantesca. Para Neymar, a realização de um de vitórias e conquistas. Neymar fez pelo Santos Futebol Clube 230 jogos e neles marcou 138 gols.

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Muito mais do que títulos e alegria, Neymar trouxe nova energia ao clube e renovou sua torcida até em termos etários. Hoje há Santistas de 50 e de 5 anos. Podemos dizer que Neymar não deu continuidade ao Santos de Diego e Robinho, e sim ao Santos de Pelé. O time de 2010/2012 pode ser comparado ao dos anos 60/70, não individualmente, uma vez que Ganso, Neymar e André em hipótese alguma podem ser comparados a Pepe, Pelé e Coutinho. Mas a magia que ambas equipes tiveram, pode, sim, ser comparada. O Santos vendeu Neymar por cerca de 49 milhões de reais. Pouco por um jogador tão acima da média. Como ilustração deste cenário, imaginemos que o Santos queira contratar um jogador para cada área do campo: zagueiro, meio-campo e atacante. Se optar pela contratação de jogadores como: Rhodolfo (zagueiro do São Paulo, emprestado ao Grêmio), Jean (volante do Fluminense) e Romarinho (atacante do Corinthians), o Alvinegro terá que desembolsar algo em torno 48,6 milhões de reais. E não estamos listando nenhum jogador que está entre os melhores de sua posição. Porém o Santos estava em uma sinuca de bico: vender Neymar pelo preço oferecido pelo Barcelona, ainda que ganhar nada com a saída dele. O Santos optou pela primeira. Ao vender Neymar, o time da Vila Belmiro lucrou um valor razoável, mas se viu com um time fraquíssimo e totalmente dependente do craque. A venda pode resultar em algo ainda mais grave: o rebaixamento. Se não tanto, pelo menso uma Segurar Neymar, recusar o valor oferecido pelo Barcelona seria a decisão mais difícil: além de frustrar o atacante, o Santos não embolsaria nenhum centavo. Porém, para muitos, seria a opção correta.

Com mais um ano e meio de Neymar, o Santos poderia vender alguns jogadores da base, como os superestimados Victor Andrade e Gabigol a preço de ouro, e fortalecer sua equipe para que, quando chegasse a hora do adeus do moicano, o time estivesse pronto para seguir em frente. O fato é que o craque se foi. A torcida brasileira acompanhará de camarote a ascensão de um dos melhores jogadores da história do futebol brasileiro. O menino que começou conquistando a cidade de Santos, depois o estado de São Paulo, e mais tarde o Brasil, agora terá de desbancar seu companheiro de clube (Messi) para conquistar o mundo. O Santos, por sua vez, luta para se manter na elite do Campeonato Brasileiro. É verdade que ainda é cedo, mas aceitar suas limitações e saber qual será seu papel no o começo dessa reviravolta, pois depender de meninos da base, que ainda vivem à sombra de Neymar e Ganso, é muito pouco para um time tão grande.

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Após um período de hiato, o Brasil volta ser um exportador de talentos para a Europa. Muitas promessas deixaram seus clubes formadores para ganhar o mundo, e apesar da pouca idade, já começam a se destacar e chamar atenção da mídia mundial. Eles são o futuro do Brasil

6 10 5

4

11

1 3

8

9 7

2

1 - Rafael

2 - Danilo

8 - Fernando

60

3 - M. Fernandes

7 - Bernard

4 - Marquinhos

10 - Oscar

9 - Lucas

6 - Marcelo

5 -Sandro

11 - Neymar

(BATCH )

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Rafael (goleiro) - 24 anos

30 milhões de reais.

Rafael ganhou destaque no futebol nacional por

Fernando (2º volante) – 21 anos

temporada para o Napoli, por 16 milhões de reais.

Confederações deste ano. Com bons passes e um

Originado das categorias de base do time do Santos,

ser um “pegador“ de pênaltis. Transferiu-se nesta

Danilo (lateral-direito) – 22 anos

Revelado pelo Santos, Danilo ganhou fama por fazer atleta foi negociado com o Porto, por 29 milhões de

reais, em 2011.

Marquinhos (zagueiro) – 19 anos

Zagueiro da base corintiana, Marquinhos jogou pouco

contrato por 6 milhões de Euro. Na última janela de

transferência foi comprado pelo milionário PSG, por

incríveis 101,5 milhões de reais.

Jóia gremista, chegou a jogar a Copa das

chute poderoso, Fernando chamou atenção do Shaktar Donetsk, que o comprou por 36 milhões de reais.

Oscar (meia) – 21 anos

Assim como Lucas, é cria do CT de Cotia. Saiu

do São Paulo de modo polêmico, e transferiu-se

para o Internacional-RS. Após boa participação no

Campeonato Brasileiro de 2011 e no Gauchão de

2012, foi comprado pelo Chelsea por 78 milhões de reais. Fazia parte do elenco campeão da Copa das

Confederações 2013.

Bernard (meia) – 20 anos

Criado na Cidade do Galo, Bernard ganhou destaque no ano passado. Suas arrancadas e dribles chamaram

Mário Fernandes (zagueiro) – 22 anos

atenção do técnico Luís Felipe Scolari, que o

transferiu-se para o Grêmio ainda jovem, e chamou

Sacramentou sua ida para o Shaktar Donetsk por

Revelado pelo São Caetano, Mário Fernandes

atenção pelo bom futebol e pelo sumiço, ás vésperas de se concentrar para um jogo importante pelo Grêmio.

convocou para a Copa das Confederações deste ano. 77 milhões de reais.

Foi vendido ao CSKA por 38 milhões de reais.

Lucas (atacante) – 20 anos

Alex Sandro (lateral-esquerdo) – 22 anos

no cenário nacional pelas arrancadas e pelos golaços

Formado pelo Santos, ganhou destaque pela dupla que fez com Danilo durante a campanha da Libertadores

de 2011. Assim como Danilo, foi vendido para o Porto após a Libertadores de 2011, por 21 milhões de reais. Sandro (1º volante) – 24 anos

Formado pelo Internacional de Porto Alegre,

Sandro ganhou uma vaga no time principal em 2008. No ano seguinte, ganhou projeção nacional a ponto de ser contratado pelo Totteham Hotspur por

Revelado pelo São Paulo, Lucas ganhou destaque

feitos. Estava presente no elenco campeão da Copa das Confederações deste ano. Transferiu-se por 108 milhões para o PSG.

Neymar (atacante) – 21 anos

Joia santista, brilhou em todos os campeonatos que

disputou. No Santos, fez uma dupla com PH Ganso

que será lembrada pro muito tempo. Antes de ganhar a Copa das Confederações deste ano, acertou sua ida ao Barcelona por 77 milhões de reais.

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Trabalhar corpo e mente

Pricilla Kury

Cada vez mais, a prática da corrida se tor-

nou um hábito entre jovens e adultos. Programe-se para montar seu treino. Faça frio, faça calor, a prática de exercícios regulares, quando combinada a uma boa alimentação, ajuda a manter o corpo em forma e garantir maior qualidade de vida. Sentir que o organismo está em dia, equilibrado e alinhado é um dos principais objetivos de práticas como a corrida ou maratona – uma boa pedida para quem deseja aliar o bem-estar à conservação da saúde. Para ter uma boa preparação, é preciso que um especialista seja consultado. A recomendação dos cardiologistas é fazer uma avaliação médica geral; diante este exame, deve-se procurar um personal trainer, que indicará o melhor jeito de dar seguimento à prática. Outro profissional essencial, e muitas vezes esquecido pelos atletas menos experientes, é o nutricionista. A alimentação saudável é fundamental para um bom desempenho – nas caminhadas informais ou mesmo nas provas. Além disso, é observada maior disposição para tr abalhar e realizar as atividades diárias se a dieta se torna mais equilibrada. O prato do corredor deve ser balanceado, com carboidratos, proteínas e sais minerais. É necessário se hidratar bastante com água e isotônicos, bem como evitar gorduras e bebidas alcoólicas. Outro ponto essencial é ter um bom café da manhã, especialmente antes das caminhadas matinais. Segundo a nutricionista Laís Vita, “o atleta precisa se alimentar com calorias suficientes – um componente essencial é a proteí-

na, que auxilia na preparação muscular. Outro fator é a relação da idade que a pessoa tem”, diz. “O corredor que compete precisa de um preparo especial, em alguns casos até com suplementação. É preciso equilibrar os gastos energéticos com a atividade física”, diz. Para quem aderiu à prática de correr, inclusive participando de maratonas e competições, os benefícios são claros e gradativamente maiores. Rafael Martins, por exemplo, caminha há um ano e foi convidado por um colega de trabalho para participar de uma corrida, com o apoio da empresa. “Participei da primeira e gostei muito da sensação de superação que tive depois de terminar a prova”. Daí em diante, o roteiro seguiu com participações em eventos de grande porte, como o Circuito das estações – Adidas (2012), a Série Delta – China (2012), o File Night Run (2012 e 2013) e a Corrida Pão de Açúcar (2012).  Martins considera a prática de atividade física muito importante e procura mantê-la na rotina. “Melhoro minha concentração, minha disposição e minha autoestima, sem falar nos benefícios para a saúde”, diz. Outro atleta é Vinícius Tarzo, que começou a correr em 2006 e sempre praticou esportes coletivos, como futebol, vôlei e squash. Com a chegada da idade adulta e a sensação de que o metabolismo do corpo havia mudado, procurou a corrida. Nesse mesmo período, Tarzo abriu sua própria agência de publicidade e recebeu um convite da Band FM para participar de corridas e provas de rua de 5 a 12 quilômetros; desde então, não parou27mais.


DICA DE COMPRA

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DICA DE COMPRA

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Corinthians fecha parceria com ESPM-SP e disponibiliza vagas de estágio para alunos da faculdade O Esporte Clube Corinthians Paulista iniciou as atividades de contratação na última segunda feira e a classificação ocorrerá em três etapas Pricilla Kury A principal escola de Comunicação, segundo dados divulgados na Folha De São Paulo, a ESPM – SP (Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo) e o Bicampeão Mundial de Clubes da Fifa, o Corinthians, anunciaram o laboratório avançado ESPM/Corinthians, e entre os dias 9 e 11 de setembro, o clube iniciou atividades com palestras e workshops na faculdade. O acordo tem como objetivo o desenvolvimento de um programa de estágio para estudantes de Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Design, Administração e Relações Internacionais, cursos oferecidos pela instituição. No primeiro dia, a palestra contou com a participação de Washington Olivetto, publicitário do ramo esportivo, Emmanuel Publio Dias, vice-presidente corporativo da ESPM, presidente do Corinthians Mário Gobbi Filho e Luis Paulo Rosenberg, vice. Em conversa com os alunos da ESPM, o presidente do clube falou que o Corinthians é um gigante, e que pouca gente tem noção deste gigantismo. Disse também que a demanda por marketing é muito grande e os alunos terão espaço para criar, produzir e aprender. O gerente de Marketing do Corinthians Caio Campos, também esteve na palestra. Campos explicou que o projeto é inovador, pois a criação de uma agência dentro de um clube nunca foi feita em nenhum lugar do mundo. “A gente sempre tem ótimos profissionais, de faculdades conceituadas, que não conseguem se adaptar à realidade de um clube de futebol. Com essa parceria, a gente vai conseguir inserir o estudante na realidade de um clube político, mas ao mesmo tempo profissional”, concluiu. O primeiro dia de evento, foi marcado com o tema “Futebol como forma de mídia”, já no segundo dia, que aconteceu na última terça-feira (10), o “Cenário do Marketing Esportivo Atual e Futuro”. E por fim das palestras, na quarta-feira (11), o assunto discutido foi “Gerindo Marcas & Resultados Futuros”. Para David Freire, aluno do segundo semestre de jornalismo e torcedor do clube, a parceria é uma grande oportunidade de conhecer mais sobre a área de marketing e o envolvimento da marca Corin-

thians no mercado. “É muito bom ter essa oportunidade de conhecer mais sobre o time do coração”, explica. “Eu acho também que a parceria vai trazer benefícios tanto pra ESPM, quanto para o Corinthians . A ESPM ganha ao disponibilizar aos seus alunos de comunicação uma oportunidade de começar no mercado de trabalho em uma das maiores marcas do país, e o nome da ESPM relacionado com o nome Corinthians, é também uma forma da faculdade ficar mais conhecida do que já é. E para o Corinthians eu acredito que os pontos positivos é poder receber alunos do melhor curso de marketing do pais”, comenta Freire. JPara os candidatos que fizeram a inscrição, a participação nos três dias era essencial, e apenas 20 candidatos serão selecionados para a segunda fase do projeto, que tratará do tema “Jogando no Terrão”: duas semanas no Departamento de Marketing e Comunicação do Corinthians. Após o período de treinamento, apenas cinco candidatos, serão escolhidos para o início do estágio.

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PALAVRA DE ESPECIALISTA

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Bate-papo com a medalhista olĂ­mpica

Magic Paula 32


Maria Paula Gonçalves da Silva, conhecida como Paula ou “Magic Paula”, é, hoje, uma das ex-jogadoras do basquete nacional mais conhecidas do país pelo seu bom desempenho no esporte e medalhas olímpicas conquistadas. E ela começou a carreira já fazendo história, uma vez que com apenas 14 foi convocada a integrar a seleção, tornando-se a mais jovem atleta a fazer parte da equipe do Brasil. Nascida na cidade de Oswaldo Cruz, interior da capital paulista, Paula, neste ano, foi condecorada pela Fiba (Federação Internacional de Basquete) a integrar o Hall da Fama do Basquete, que conta com apenas mais quatro profissionais brasileiros da modalidade. A ex-atleta, agora gestora do Instituto Passe de Mágica, nos conta nesta entrevista exclusiva para o Sincodiv-SP Online sua trajetória no basquete e a história à frente da instituição social que criou, e que atualmente, além de realizar um trabalho com 780 crianças através da prática do basquete como ensinamento de vida, administra o Projeto Plataforma 2016, de autoria do instituto, que integra o Programa Petrobras Esporte & Cidadania. Confira abaixo, a íntegra da conversa do Sincodiv-SP Online com a medalhista olímpica, Magic Paula: ESPM: Conte-nos um pouco sobre sua infância e como foi sua iniciação no basquete. Houve influência da família? Magic Paula: Eu nasci em uma cidade do interior paulista chamada Oswaldo Cruz e lá eu dividia meu tempo entre a escola e o esporte, praticado no clube a cidade. Meu interesse pelo basquete surgiu logo quando foi formada a primeira equipe masculina e sempre que tinha oportunidade assistia aos treinos e jogos. Como não podia jogar, ao chegar em casa tentava imitar os passes dos jogadores. Um pouco mais para frente, com a criação do time feminino, comecei a acompanhar minha irmã e sempre pedia para jogar, entretanto, o treinador não deixava, pois era muito pequena e nova em comparação com as demais jogadoras. Após insistir nos pedidos, me deixaram participar de um jogo e logo no primeiro amistoso fui titular

do grupo. Daí, não parei mais. Saí de casa aos 12 anos e aos 14 fui convidada a integrar a seleção brasileira de basquete. ESPM: Como surgiu “Magic” Paula? Magic Paula: Todos acham que quem me deu esse “nome” foi o Luciano do Vale, mas não foi. Na verdade, “Magic Paula” foi uma invenção do Juarez Araujo, que escrevia na antiga Gazeta Esportiva. Ele, ao sentar ao lado de um técnico do Peru que estava nos assistindo jogar, comentou que o meu estilo de jogo parecia com o do Magic Jonhson (ex-jogador da liga norte-americana). A partir desse momento, o Juarez çou a me chamar Magic Paula e

comepegou.

Sincodiv-SP Online: Com apenas 14 anos, você foi convocada para integrar a seleção adulta de basquete, tornando-se a mais nova atleta a participar da seleção. Qual foi a sua reação diante desse convite? Magic Paula: Na verdade, não houve qualquer tipo de reação (risos). Primeiro, pelo fato de ser muito nova e, por isso, não tinha muita noção das coisas. Em segundo, porque naquela época o basquete ainda estava em fase de desenvolvimento para mim. O esporte só foi se tornar uma profissão, mesmo, quando atingi meus 18 anos. Até então, eu achava que aquilo fazia parte de uma grande brincadeira. ESPM: Quanto tempo permaneceu atuando no exterior e 33 como foi essa experiência? De alguma forma ela colaborou


para suas decisões futuras, principalmente na área social? Magic Paula: Fiquei na Espanha durante um ano e meio. Minha experiência no país, profissionalmente, não foi das melhores. Lá, o basquete, comparado ao do Brasil, parecia amador. Os treinamentos aconteciam apenas uma vez ao dia, com cerca de uma ou duas horas de duração. Fora esta situação, que para mim não era interessante visto que estava no auge de minha carreira, sofri uma contusão no joelho e fiquei seis meses afastada, então joguei pouco. O contrato, que tinha duração de dois anos, foi interrompido a meu pedido devido a essas situações. Culturalmente, foi ótima a experiência, mas se tivesse a chance de voltar no tempo, não sairia do Brasil.

ESPM: Você jogou até os 38 anos de idade, situação rara no esporte. Quando percebeu que era o momento de parar? Naquele momento já tinha em mente o que iria fazer no futuro? Magic Paula: Diferentemente de outras áreas de profissões, o esporte é ingrato. Nós, esportistas, temos um limite de idade para aguentarmos a prática das atividades e, isso, costuma ser quando as demais pessoas ainda estão na prática regular de suas atividades profissionais. Não tive problemas ao chegar nessa hora, mas sempre prestei muita atenção nesta questão da dificuldade pós-carreira. Quando comecei a pensar sobre a chegada deste momento, iniciei um processo de apoio psicológico, ao mesmo tempo em que precisava me reinventar. A decisão, ao contrário do que se espera, foi tranquila e, inclusive, decidi antecipar essa transição, quando percebi que realmente era a hora de parar. Foi um processo bem digerido para mim. Em relação ao futuro, achei que conseguiria ficar parada e descansar, mas logo percebi que não conseguiria e dei continuidade aos meus estudos.

ESPM: Após a aposentadoria do basquete, você iniciou a carreira executiva, assumindo, pela prefeitura de São Paulo, o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa. Como foi e por quanto tempo ficou à frente desta função? Magic Paula: Na época em que estava cursando gestão esportiva pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), a então secretária de Esportes, Nádia Campeão, me ligou, convidan34


do para ser diretora do Centro Olímpico de Treinamento. Nunca me considerei uma pessoa que caminhou pela área pública. Na verdade, utilizei dessa oportunidade para aprender a ser gestora na área de Esporte. Foram nove anos à frente do Centro Olímpico, nos quais tive autonomia para fazer um trabalho bacana, o que foi feito. Passei também pela Secretaria de Esportes. Nesta última, fiquei apenas seis meses. Achei que poderia mudar o mundo, mas não é assim que a coisa funciona, por isso fiquei pouco tempo. ESPM: Durante o tempo em que esteve no setor público, quais foram os principais desafios? Como avalia a gestão pública em geral de acordo com sua experiência? Como é lidar com o Estado? Magic Paula: É complicado. Enquanto em uma empresa privada você tem planejamento e recursos para colocar os projetos em prática, no setor público não funciona dessa forma. Não há sequer um planejamento e quando se trata de Esporte. O orçamento público destinado a este segmento é o último a ser pensado em uma gestão. Tudo é muito burocrático e d e v a g a r . Durante todo o período em que fiquei à frente dessas iniciativas, tive que correr atrás de parcerias, pois não há essas ferramentas. Para desenvolver um bom trabalho, é preciso um esforço além do que se imagina.

ESPM: Paralelamente a seu trabalho no setor público, você deu início à criação do Instituto Passe de Mágica. Conte-nos um pouco sobre a iniciativa. Como surgiu o interesse pela área social? Magic Paula: Na verdade, no fim da minha carreira no basquete comecei a dar os primeiros passos para a criação do Instituto, que há nove anos está na ativa. Inicialmente, o projeto começou de forma empírica e após quatro anos com a chegada do primeiro parceiro começamos a nos profissionalizar. O Passe de Mágica surgiu realmente em retribuição ao que o esporte me deu, não no que se trata a fama e o reconhecimento, mas sim na experiencia e no aprendizado de vida que absorvino tempo em que atuei no basquete profissional.

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No Instituto, trabalhamos através do esporte, os quatro pilares educacionais da co (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) – der a Conhecer, a Fazer, a Viver com os Outros e a Ser. Esse sistema de educação é do a crianças residentes na periferia através de atividades lúdicas realizadas por assistentes

UnesAprenaplicasociais.

Nossa proposta não é ser uma escola de esporte, uma vez que isso é muito elitista, mas sim que todos tenham acesso a essa prática e que por meio do basquete se desenvolvam como pessoas.

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CORNETADA DO LEITOR

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“NÃO GOSTEI DA MATÉRIA SOBRE O PALMEIRAS DA EDIÇÃO PASSADA” - Marcos da Silva, 25 anos, Sao Paulo - SP

“ADOREI A ENTREVISTA COM O CÉSAR CIELLO NA EDIÇÃO PASSADA”Raquel Amaral, 27 anos, Uberaba - MG

“NAO GOSTEI MUITO DA CAPA DA SEMANA PASSADA. ACHO DESNECESSÁRIO ESSE FANATISMO POR CLUBES INTERNACIONAIS” Renato Araujo, 32 anos, Sao Paulo - SP

Cornete também!

Você tem alguma crítica, sugestão ou até mesmo elogio sobre a revista? Mande para a gente que nós publicamos na próxima edição! Envie um e-mail para: cornetadaespm@hotmail.com

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ESPM Mundo dos Esportes