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TEMPORALIDADES O PARQUE COMO MEDIADOR ENTRE PASSADO, PRESENTE E FUTURO GIOVANNA EIDLER MOLES


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TEMPORALIDADES O PARQUE COMO SÍNTESE ENTRE PASSADO, PRESENTE E FUTURO

GIOVANNA EIDLER MOLES TRABALHO DE GRADUAÇÃO INTEGRADO I INSTITUTO DE ARQUITETURA E URBANISMO UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - IAU USP

COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO PERMANENTE (CAP) Prof Drª Akemi Ino Prof Drª Aline Coelho Sanches Corato Prof. Dr. David Moreno Sperling Prof Drª Joubert José Lancha COORDENADOR DO GRUPO TEMÁTICO Prof Drª Luciana Bongiovanni M. Shenk

SÃO CARLOS 2019 GIOVANNA EIDLER MOLES


UM BREVE PERCURSO ESTRUTURA Acredito ser pertinente justificar a estruturação desse trabalho e falar, brevemente, do seu processo: A estrutura linear do caderno permite que a cada capítulo haja um aprofundamento maior tanto em nível teórico quanto projetual, o que é importante já que esse trabalho é, acima de tudo, um trabalho de escalas: Parto da escala do território para chegar na escala do corpo. A narrativa desse percurso se iniciou na disciplina de pré-tgi, em que pude investigar questões da dimensão sensível e poética do percorrer, da relação intercambial entre corpo e cidade, e da cidade - especialmente, do espaço público - como local de encontro com o outro. Após essa primeira sensibilização em questões ainda genéricas pude partir para a escolha de uma cidade - um outro desafio.


Sendo assim, o capítulo 01 trata de questões consideradas anteriores, que foram abordadas no artigo final da disciplina de pré-tgi mas que introduzem alguns conceitos e ideias que permanecem apesar do desenvolvimento do projeto. O capítulo 02, ao ter um título que se apropria de um termo tratado por Merleau-Ponty, “Sobrevoo”, traz consigo uma carga filosófica, se assim pode-se afirmar. Quando ouvi esse termo pela primeira vez no sentido que Merleau-Ponty o colocou eu imaginei imediatamente um sobrevoo sobre uma cidade, no qual se entende de forma genérica todo o território: se entende a dinâmica dos campos, onde se cultiva, onde se mora, os principais fluxos e onde estão os corpos d’água de maiores dimensões. Assim se justifica o nome desse capítulo já que nele são tratadas questões superficiais, à distância, questões da ciência mas que não envolvem, ainda, a questão da percepção do corpo ness O capítulo 03, é a imersão física. Diferentemente da análise fria e superfi-

cial do sobrevoo, esse capítulo trata de uma leitura sensível do território, determinante para todo o processo projetual. Assim, toda a importância dada ao “percorrer” no primeiro capítulo é posta em prática, é o capítulo em que pode-se ver a criação de significados para as cidades visitadas, para além de conhecimento de dados. O capítulo 04 é um retorno aos mapas frios, mas com toda as significações criadas ao longo dos percursos, e, por tanto, um olhar mais atento e sensível. Essa percepção promovida pelo caminhar e pelo viver as cidades, associada ao conhecimento de mapas e textos torna possível não somente o reconhecimento de questões que sensibilizam a nível pessoal, mas permitem a proposição de um projeto. O capítulo 05 é uma segunda aproximação, com olhar de projeto, para a área levantada e estudada. A partir de tudo que foi visto, lido, estudado e sentido, são selecionadas dois recortes passíveis de projetos mais detalhados.


INQUIETAÇÕES

O SOBREVOO

O PERCORRER

ENTRE VALES E VIDEIRAS

PERCURSOS SENSIBILIZAÇÕES

01

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PRIMEIRA APROXIMAÇÃO

SEGUNDA APROXIMAÇÃO

FERROVIA E CÓRREGO

CASA FLÁVIO DE CARVALHO

BIBLIOGRAFIA

ENTRE CIDADES

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06


01 INQUIETAÇÕES


CORPO-ESPAÇO ENCONTRO Foram muitas as camadas conceituais relacionadas ao percorrer, ao espaço, ao encontro, etc, que me sensibilizaram de alguma forma, dessas muitas, selecionei alguns pontos e conceitos mais pertinentes para o estágio atual das minhas leituras e propostas. Os pontos trazidos possuem um embasamento teórico, o qual será brevemente abordado para cada caso, seguido de uma síntese com interpretação pessoal. CORPO- ESPAÇO O espaço é o locus onde todas as interações ocorrem. A interação entre uma pessoa e outra, a interação entre pessoa e natureza, ou indivíduo-cidade. As cidades são formas de mediação da nossa experiência física: nossa experiência é construída pelos sentidos que capturam, sensorialmente, o ambiente e as 10


cidades possuem uma estrutura que trazem determinados sentidos à tona - cheiros, sensações, barulhos, aspecto visual (...) tudo isso compõe uma experiência e nossa experiência do mundo se descerra a partir das tramas de canais e os topoi da cidade (NETTO 2013) O Ser humano é algo que não alheio à cidade, ao espaço, mas uma estrutura física essencial à ela. Assim, o corpo e a cidade formam uma complexa unidade, quase biológica. “à medida que me assento no espaço, o espaço se assenta em mim. Vivo em uma cidade, e a cidade vive em mim. Estamos em um constante intercâmbio com nossos entornos; internalizamos o entorno ao mesmo tempo que projetamos nossos próprios corpos no entorno” (PALLASMAA 2007) Síntese: Relação intercambial. Cidade/Espaço constroi corpo, corpo constroi cidade/espaço.

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CORPO-ESPAÇO ENCONTRO MEMÓRIA Para Pallasmaa, a arquitetura e a paisagem são formas de mediação entre passado e futuro, nesse processo, a arquitetura traz significância humana para as coisas. Isso está diretamente relacionado à memória, dar um significado humano para algo é dar, automaticamente, uma história para esse algo: A mais simples construção está carregada de significância humana e história. As edificações tornam visível uma passagem do tempo e ao mesmo tempo lembrar de uma edificação também é lembrar de situações e pessoas. A relação indivíduo espaço é uma experiência que extrapola o presente, que permite imaginação para o futuro,recordação do passado e que ajuda na construção do “eu” como indivíduo com identidade própria.

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O lembrar, como Pallasmaa vai afirmar, envolve o corpo inteiro, não é um evento mental mas é também um ato de corporificação e projeção, o corpo deixa de ser apenas um locus de recordação mas se torna o sítio e o meio de toda obra criativa. Síntese: Aquilo que possui uma significância humana. Associado à identidade individual e/ou coletiva. HABITAR “todos habitam e todos devem habitar. É uma dimensão que funda coletividades, que coloca homens e mulheres em um mesmo espaço organizado, o qual vai ser denominado de comunidade. E, desta forma, o habitar instaura uma dimensão de comunidade no sentido em que é comum a todos” (LIMA 2007) O habitar comumente está associado com o espaço da casa, da família. Lima aponta uma dimensão mais ampla do habitar, em que as cidades tem uma função de abrir, e portanto, também são habitadas, e cidades, tornando o habitar


algo também coletivo: “ato de habitar surge como a potência coletiva que permite que as comunidades se lembrem, fundando um conhecimento histórico sobre as condições de toda habitabilidade.” (LIMA 2007) “Assim como uma família torna-se o que ela é nos espaços de uma casa, uma comunidade inteira forja-se nos espaços comuns de uma cidade. Neste sentido, é comum que o imaginário de alguma comunidade dependa, mais profundamente, de algum espaço tornado emblemático e, a este título, carregado de significados.” (LIMA 2007) Síntese: Espaço que possui significado pessoal e/ou coletivo. Espaço associado à memória e identidade.

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CONCEITOS PERCORRER “O andar é tão importante quanto o parar. Quem levanta a âncora para uma longa viagem, além das velas e dos remos, leva certamente consigo a âncora: a possibilidade de parar e conhecer outros territórios e outras gentes” CARERI No espaço indefinido, o indivíduo nômade brincava e construía um efêmero sistema de relações entre a natureza e a vida. O nomadismo, por permitir o jogo, exploração da terra, aventura e especulação intelectual, nas palavras de Careri, permitia ao ser humano apenas ser, ser na sua mais pura forma, ser sem as obrigações de ser. Há uma noção de ludicidade e de liberdade enraizada no “percorrer livremente”. Isso torna possível a criação de um universo simbólico do indivíduo em torno de si próprio, ao invés de criá-lo sempre em torno de obje-

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tos, dos outros ou de espaços específicos. Então Careri afirma o caminhar como uma criação artística. Nessa criação artística há também a criação própria, afinal, passar a vida percorrendo significa percorrer significa estar diante de novas situações, espaços e pessoas, e a simultaneamente às transformações no entorno há uma transformação interna do ser. Ao mesmo tempo, Hissa enxerga no caminhar uma forma de devolver à cidade a explicitação de sua condição cidade-corpo. Enquanto o automóvel nos distancia da cidade, os nossos passos expressam o movimento dos nossos corpos pela cidade: a transpõe, infiltra, perpassa, experimenta (HISSA 2013). O corpo dá liberdade, pode entrar em locais estreitos ou largos, pode retornar a qualquer momento, pode brincar e dançar, improvisar, já o automóvel se mantém nos eixos das ruas, limita os movimentos do corpo. Andar é o processo e é no processo que a vida acontece: por isso Careri fala que o parar é uma parte do longo processo de caminhar. Síntese: Caminhar como experiência estética, como ativador da percepção, uma forma de encontrar o outro.


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RECONSTRUIR-SE NO PERCORRER ENCONTRO “Navegar, caminhar, perder-se carregam consigo o tema do encontro com o outro.” CARERI

É, no contato com o outro, efetivamente, que podemos evoluir a nossa sensibilidade humana e nos reconhecer a si próprios também como humanos: “os homens dão testemunho uns aos outros de que eles não são coisas” (LEFORT 2002).

Síntese: Eu me reconheço no outro. URBANIDADE (...) observemos que nossa experiência do mundo e do Outro é profundamente mediada pela cidade - como uma estru-

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tura do sensorial, como emaranhados da ação e interação ancorados sob a forma de lugares e espacialidades(...)Essa estruturação da experiência do mundo e do outro que toma a forma de cidade é, na verdade, um primeiro esboço da definição de “urbanidade”(...) Experienciar urbanidade significa experienciar o mundo em condições diferentes de outros arranjos espaciais da vida coletiva - um modo particular entre tantas experiências possíveis, atrelado à estrutura da própria cidade, caleidoscópio de nós e canais da ação (NETTO 2013 ) Síntese: Urbanidade como aquilo que é experienciado na cidade. PERCEPÇÃO “O corpo próprio está no mundo como o coração no organismo: ele mantém continuamente em vida o espetáculo visível, ele o anima e o nutre interiormente, forma com ele um sistema” (MERLEAU PONTY, 1999)

Merleau-Ponty defende que o corpo é o centro da relação do ser humano com o mundo, e que todos nossos sentidos fazem parte do processo de percepção: o tato, a audição e a visão. É nesse corpo que a


percepção é realizada e sintetizada, dessa forma, corpo e consciência formam algo único, em que a percepção é um primeiro passo para o conhecimento de fato, já que primeiro o corpo sente e depois a informação é assimilada. “Nós vemos a profundidade, o aveludado, a maciez, a dureza dos objetos Cézanne dizia mesmo: seu cheiro. Se o pintor quer exprimir o mundo, é preciso que o arranjo das cores traga em si este Todo indivisível” (MERLEAU PONTY, 2013)

Pallasmaa, ainda, chama atenção para importância do tato no processo da percepção: “quando vemos, o olho toca, e ainda antes de ver o objeto, já o temos tocado apreciando seu peso, temperatura e superfície externa. O tato é a inconsciência da visão, e esta experiência tátil escondida determina as qualidades sensíveis do objeto percebido” (PALLASMAA apus DIACONU, 2011)

Síntese: Primeiro forma de contato do indivíduo com o mundo. Experiência que envolve o corpo inteiro e não somente a dimensão do olhar.

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PAISAGEM Paisagem, segundo Oliveira (2013) é algo que reúne diversas disciplinas do conhecimento, integrando ciência, psicologia e estética, objetividades e subjetividades. A paisagem é um “conjunto heterogêneo de formas naturais e artificiais”, ou seja, uma somatória de elementos que existem independentemente do ser humano e elementos que sofreram intervenção humana, ou seja, rios, ruas, edifícios, árvores, e tudo aquilo que dá identidade ao espaço. Mas a paisagem não só é feita de elementos físicos, ela também resulta da experiência pessoal em relação à essa paisagem. “A paisagem existe através de suas formas, criadas em momentos históricos diferentes, porém coexistindo no momento atual” (MILTON SANTOS 1997)

A paisagem é também um resultado de uma projeção do próprio indivíduo no espaço: “A informação vista no momento vai ser misturada com toda a memória

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vivida pelo mesmo, portanto uma só paisagem pode ser representada de maneiras diferentes, revelando vivências, sentimentos, enfim as especificidades de cada autor”

vão sendo ocupados. CIDADE

A paisagem é, portanto, também algo construído. “se estivermos fisicamente num lugar e as características desse lugar forem absorvidas pelos nossos sentidos: visão, olfato, tato, paladar e audição, então estamos perante uma paisagem”.

Síntese: Resultado de composição de elementos naturais e artificiais somados à uma percepção individual. ESPAÇOS - ENTRE A partir de interpretações próprias os espaços entre seriam espaços da cidade de difícil caracterização. Espaços que estão à margem, de alguma forma. Não se caracterizam como lugares residenciais, ou comerciais, nem como espaços de preservação, ou espaços rurais. Espaços que de alguma forma “sobram” enquanto o resto das cidades

PSAVENTO(2007)

Síntese: Colcha de retalhos, conjunto de fragmentos. Uma colagem.

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VAZIO “Há vazio somente quando não há nada para ver ou para encontrar(...) Tudo para o qual somos cegos ou surdos, experienciamos como vazio” (HERTZBERGER 2000) Ou seja, aquilo que não compreendemos bem, que não vemos bem, experienciamos como vazio. Talvez com isso seja possível entender que esse vazio é antes de tudo uma sensação. E pode ser que para os seres humanos ele esteja completamente associado a pessoas. Quando nos deparamos com um espaço sem nenhuma construção mas cheio de pessoas não existe uma sensação de vazio, existe uma sensação de euforia, de muita gente e de muito movimento. É a questão dos seres viventes, eles se movimentam sozinhos, eles tem emoções, reações e se apropriam e alteram o meio em que estão. A maneira como crianças brincam e amigos dão risada. É essa vida que as pessoas são capazes de reverberar, são as pessoas que fazem os espaços se tornarem lugares conferindo-lhes significados, memórias, símbolos. Síntese: Sentido de espaço com poucas ou nenhuma pessoa. Interpretado de vazio como uma sensação e não como espaço vazio como algo com ausência de signi-

ficado. 20


SISTEMA

Síntese: Forma de organização: pontos conectados por linhas. Elementos pensados conjuntamente e não de forma isolada. CAMADAS

Parc de la Villette Síntese: Entender elementos de forma individual para conseguir entendê-los conjuntamente

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02 O SOBREVOO


ENTRE VALES E VIDEIRAS

A escolha do local de projeto não foi nada pessoal, aliás, foi praticamente aleatória, à princípio - se não for impróprio demais dizer isso. A busca por um novo desafio, por algo desconhecido ou pouco conhecido, me levou até as cidades de Valinhos e Vinhedo localizadas na Região Metropolitana de Campinas. 24

Vinhedo, um pouco mais familiar aos meus olhos. Valinhos, uma completa estranha. Essa escolha, a princípio fria e impessoal, permitiu um processo de leitura muito complexo, já que foi um trabalho de exploração e descobrimento. Para além do percorrer, o perder-se, o andar sem rumo, também se tornaram parte ativa do processo de leitura dessas cidades e permitiram uma imersão do corpo no espaço dessas cidades. Foi no caminhar e no parar (momentos de desenhar e fotografar) que pude vivenciar os locais e problematizar questões muito peculiares dessas cidades. Ao percorrer a ferrovia houve também uma vontade de incluir em todo esse processo a cidade de Campinas, por representar a centralidade de toda a RMC - causando, assim, impactos significantes em toda a região - e também por ser conurbada com Valinhos. Porém, considerando o tempo disponível para o projeto e também as significantes diferenças entre essa cidade grande e Valinhos e Vinhedo, considerou-se pertinente concentrar-se nessas duas cidades de porte e problemáticas mais parecidos.


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REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS HISTÓRIA Para o entendimento da organização, estrutura, dinâmicas e problemáticas atuais das cidades de Valinhos e Vinhedo é impossível desconsiderar o seu processo histórico e sua associação com a Região Metropolitana de Campinas. Afinal, a cidade do hoje é antes de mais nada a consequência da cidade de ontem. É inegável a importância de Campinas para suas cidades vizinhas e também das cidades vizinhas para Campinas. Esse importante centro econômico surgiu da gradual conurbação e dependência entre Campinas e mais 18 cidades que a rodeiam - incluindo Valinhos e Vinhedo - resultando, em 2000, à instituição da Região Metropolitana de Campinas.

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Apesar da constituição efetiva da RMC ser recente, o processo que permitiu sua formação foi iniciado ainda no século XVIII com a “Estrada dos Goiases”, rota estabelecida pelos bandeirantes em busca de minas de ouro. Essas rotas exploratórias foram a primeira forma de apropriação humana dessa região e permitiram o estabelecimento de pousos, a partir dos quais se instalaram pequenos núcleos populacionais. Aos poucos, algumas atividades agrícolas foram se desenvolvendo na região, como a produção de cana de açúcar e, posteriormente, no século XIX, a produção de café. Essas produções trouxeram bastante prosperidade econômica e incentivaram, assim como a localização estratégica dessa região, os investimentos em uma ferrovia. A posição geográfica de Campinas foi determinante para o crescimento e desenvolvimento da região já que favorecia a ligação entre a zona oeste de SP, interior e capital, assim, já no segunda metade do século XIX a ferrovia foi implantada, permitindo uma maior integração entre todo o estado de São Paulo e favorecendo o escoamento da produção cafeeira.

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Com a crise do café, no século XX, houve uma diversificação da produção agrícola o que permitiu mais passo em direção à industrialização. Somado a isso, a construção da rodovia Anhanguera em 1940 e em 1960, do aeroporto Internacional de Viracopos, impactaram consideravelmente a uma intensificação da expansão industrial, principalmente ao considerar que a ferrovia já estava em um processo de obsolescência devido à priorização dada à indústria automobilística no Brasil. Outro ponto, apontando por Gonçalves(2015) para o aumento da expansão econômica da RMC foi a busca de regiões alternativas que não a Região Metropolitana de São Paulo para novos investimentos produtivos, encontrando, entre outras, na região de Campinas condições ideais para esses investimentos. Além disso houveram diversos investimentos públicos em infraestrutura, comunicação, ciência, tecnologia e ainda a implantação de uma das maiores universidades do país, UNICAMP. A soma desses fatores resultou na Região Metropolitana da atualidade: com um “complexo in-

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tercâmbio de pessoas, informações, economias e políticas”como afirma Gutman. As cidades desse conjunto, sendo elas de menor ou maior porte, sofrem os impactos desse grande centro econômico que atualmente possui quase 3 milhões de habitantes. Tanto as estruturas urbanas quanto os espaços públicos, os patrimônios, os deslocamentos e a forma de habitar são afetadas refletem essas dinâmicas complexas. Um dos efeitos dessa estrutura são os pontos de conurbação: em diversos pontos da RMC é possível observar uma continuidade interurbana e, ao mesmo tempo, existe uma descontinuidade intra-urbana. Ou seja, a ocupação de muitas cidades se dá de forma fragmentada e dispersa, longe dos centros e próximos às rodovias. Se antes essa dispersão era caracterizada pela implantação de bairros de baixa renda distantes dos centros urbanos, na Região Metropolitana, principalmente nas cidades de Valinhos e Vinhedo, essa dispersão é causada principalmente pelos condomínios horizontais de alta renda próximos à infraestrutura viária.


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VALINHOS E VINHEDO AS CIDADES-DORMITÓRIO

RIBEIRÃO DOS PINHEIROS BANDEIRANTES POUSO DO CÓRREGO DO RIBEIRÃO DOS PINHEIOS EM VALINHOS

CAFÉ, FIGO E UVA O esquema ao lado visa, antes de mostrar uma linha cronológica de eventos, mostrar elementos que foram essenciais para o desenvolvimento urbano dessas cidades. Assim como a história da maioria das cidades da Região Metropolitana, tanto Valinhos quanto Vinhedo inciam as suas histórias no século XVIII, quando os bandeirantes exploravam as densas matas do interior paulista. Porém é de se notar que uma parte importante da história dessas cidades - e anterior aos bandeirantes- é a presença do córrego Ribeirão dos Pinheiros. O rio está diretamente relacionado com as rotas dos bandeirantes até os sertões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, já que suas margens eram locais de pouso para os bandeirantes. Portanto, o córrego foi o primeiro eixo estruturador

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CAMPINAS

FAZENDAS CAFÉ

FERROVIA IMIGRANTES EUROPEUS DIVERSIFICAÇÃO DA AGRICULTURA IMPLANTAÇÃO DAS PRIMEIRAS INDÚSTRIAS


1889 - SURTO DE FEBRE AMARELA EM CAMPINAS FUGA DE MUITAS PESSOAS PARA VALINHOS 1953 - CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO DE VALINHOS

RODOVIA ANHANGUERA

INDUSTRIALIZAÇÃO

CHÁCARAS DE LAZER TURISMO RURAL CIRCUITO DAS FRUTAS

do território dessas cidades, o primeiro elemento a guiar uma ocupação e organização urbana. Isso prova não somente a importância ambiental do córrego, mas uma importância histórica, de memória coletiva. Os bandeirantes foram responsáveis, então, por dar à região uma estrutura caminhável e funcional de rotas, as quais seviam para o transporte de produtos (como ouro) e condução de boiadas (GONÇALVES 2015). Não somente os tropeiros entraram no território, mas deixaram suas marcas, as marcas do ir e vir, as marcas do percurso, as marcas com significado humano. Essas rotas seriam uma primeira intervenção humana no território rumo à uma futura urbanização, já que a partir delas e à partir de corpos d’água se instalavam os primeiros pousos. No caso de Valinhos o primeiro pouso foi implantado nas proximidades do córrego do Ribeirão dos Pinheiros. A importância do córrego é ainda intensificada quando a malha ferroviária é instalada, na segunda metade do século XIX paralelamente ao rio, reforçando ainda mais um eixo existente. A ferrovia atraiu diversos imigrantes para a região, os quais também foram

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essenciais para a identidade dessas cidades, que até hoje são conhecidas pela produção de figo roxo (Valinhos) e uva (Vinhedo). O cenário de Valinhos e Vinhedo passou a ser peculiar em relação às outras cidades da região quando se tornaram conhecidas pelas suas muitas chácaras de lazer - que atendiam principalmente a população de alta renda de Valinhos as quais transmitiam uma ideia de boa qualidade de vida. Esse ideal associado com a infraestrutura viária, proximidade de Campinas e São Paulo e o porte pequeno e tranquilo dessas cidades atraiu diversos moradores, inclusive paulistanos, desencadeando, a partir da década de 1980 uma disseminação de condomínios horizontais de alta renda.

“a proximidade de Valinhos com grandes centros, como São Paulo e Campinas, também se constitui em um atrativo, na medida em que permite aos moradores do município uma clara separação entre conviver com problemas diários de uma cidade grande, como congestionamentos e alta criminalidade, e continuar desfrutando do mercado de trabalho diversificado e competitivo, em termos salariais, dos grandes centros.”

MIGLIORANZA, CUNHA (2006)

POPULAÇÃO EST. VALINHOS: 127.100

DADOS GERAIS IBGE 2010

POPULAÇÃO EST. VINHEDO: 77.300 SALÁRIO MENSAL MÉDIO VALINHOS: 3,3 SM SALÁRIO MENSAL MÉDIO VINHEDO: 3,4 SM

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VALINHOS

VINHEDO

Área da unidade territorial:148,538 km² Esgotamento sanitário adequado:94,6 % Arborização de vias públicas: 93,4 % Urbanização de vias públicas: 77,2 %

Área da unidade territorial : 81,604 km² Esgotamento sanitário adequado: 95,2 % Arborização de vias públicas : 86,1 % Urbanização de vias públicas: 51,9 %

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QUESTÃO DE MOBILIDADE Como é possível notar no processo histórico, a questão da mobilidade foi e ainda é um fator decisivo no sucesso econômico das cidades da Região Metropolitana. Primeiramente com a ferrovia no século XIX, a qual, ao cortar Valinhos e Vinhedo tornou o acesso para essas cidades mais fácil - o que atraiu muitos imigrantes- e impulsionou também o início de uma infraestrutura urbana com a implantação de algumas ruas. Foi também graças à ferrovia que puderam ser instaladas as primeiras indústrias da região, no caso de Valinhos é evidente que as indústrias mais antigas se concentram nas proximidades da ferrovia. Com a obsolescência d precoce da ferroviária e o aumento da indústria automobilística no Brasil houve um grande investimento em um sistema viário em São Paulo, isso se refletiu na Região Metropolitana com a construção da Rodovia Anhanguera logo na primeira metade do século XX. A rodovia foi importante primeiramente por impulsionar, ainda mais, a industrialização de toda a Região Metropolitana. No caso de Valinhos e Vinhedo, além de 34

uma expansão industrial (visível na análise de mapas em que se vê um eixo industrial bem estabelecido ao longo da Rodovia Anhanguera) os investimentos em um sistema viário atraiu diversos novos moradores. É perceptível a existência de uma conurbação entre Valinhos e Campinas e também Valinhos e Vinhedo. Os espaços que antes eram rurais agora são caracterizados por uma ocupação não muito densa mas significativa. A presença de condomínios, indústrias, galpões e habitações de baixa renda são o que mais caracteriza essas ocupações. Muitas dessas moradias são consequências dos deslocamentos pendulares característicos da região, já que uma quantidade considerável dos habitantes das cidades pequenas da RMC trabalham em Campinas ou em alguma outra cidade vizinha e não na cidade em que mora. Isso faz com que algumas cidades, como Valinhos e Vinhedo sejam caracterizadas como cidades dormitórios em que a grande parte dos moradores não trabalham nessas cidades, utilizando-as apenas para dormir ou nos finais de semana. Valinhos é atravessada por duas rodovias extremamente importantes: Dom pedro I e Rodovia Anhanguera.


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Os deslocamentos pendulares são outra questão a ser analisada: Comuns e rotineiros na RMC, se caracterizam por ser o deslocamento do ir mas não ficar, do ir e voltar, como um pêndulo. Isso é ainda mais frequente Em Valinhos e Vinhedo e ocorre, principalmente, pelo fato de não coincidir o local onde se mora com o local onde se trabalha para grande parte da população. Esses movimentos não apenas são uma característica dessa região, mas são um dos motivos pela RMC se tornar tão atrativa para novos moradores, já que a possibilidade de morar em um lugar tranquilo, com boa qualidade de vida, segurança, natureza - que é o que muitas cidades da RMC proporcionam- e ao mesmo tempo poder trabalhar em um grande centro econômico se torna a condição ideal para muitas pessoas, principalmente àquelas de renda mais alta.

É também, por esse motivo, que na RMC as cidades crescem em direção às rodovias - principalmente Anhanguera e Bandeirantes (GONÇALVES 2015) - deixando muitos vazios urbanos pelas cidades o que culmina em cidades muitas vezes fragmentadas e dispersas, como é o caso de Valinhos e Vinhedo. Se, a princípio, essa dispersão se dava mais pela classe de mais baixa renda, que sem condições de pagar os altos valores dos centros se instalavam nas margens das cidades, a partir da década de 1990 com a disseminação dos loteamentos fechados e condomínios horizontais a classe de média e alta renda passa a se espalhar pelo território. Isso ocorre especialmente nas cidades mencionadas, as duas que serão mais profundamente analisadas, segundo Gutmann.

PERCENTUAL DA POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA QUE REALIZA O DESLOCAMENTO PENDULAR (2000)

VALINHOS: 20,7% VINHEDO: 15,5%

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O MOVIMENTO PENDULAR SOBRE FLUXOS INTERURBANOS

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MURALHAS CONTEMPORÂNEAS A história das habitações intra muros se inicia muito antes dos condomínios fechados: O processo histórico se inicia na Idade Média (GONÇALVES 2015) com os grandes muros medievais e retorna com a Revolução Industrial. quando as cidades se tornaram sujas, super populadas, poluídas e apertadas levando uma elite a buscar “ares mais limpos”(BARROSO 2010). Diante da impossibilidade de uma vida salubre nessas cidades, a elite se encontrou nos campos, distantes da confusão urbana, a tranquilidade que procurava. A princípio essas casas distantes serviam como locais de descanso principalmente nos finais de semana, mas a elite ainda mantinha moradia dentro das cidades. Essa ideia de harmonia entre campo e cidade apareceu com força na proposta de cidade-jardim de Howard, no final do século XIX, a qual foi posteriormente adaptada pelos norte-americanos na ideia de subúrbios distanciados dos grandes centros urbanos e também de determinadas classes.

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Na atualidade, portanto, os condomínios aparecem como um reflexo de todo um processo histórico muito anterior associado com as dinâmicas urbanas cada vez mais complexas. Seguindo esse processo os muros foram retomados visando garantir a segurança dos moradores assim como ocorria na Idade Média. No Brasil esse processo se iniciou no século XX com chácaras de lazer de final de semana, como foi visto acontecer em Valinhos e Vinhedo. Contudo, a partir da década de 1980 foi perceptível que uma significativa parcela da população de alta renda passou a preferir morar nesse tipo de lugar ao invés de passar apenas os finais de semana, o que serviu de estímulo para uma disseminação dos condomínios horizontais e loteamentos fechados. Valinhos e Vinhedo são as cidades com mais condomínios e loteamentos fechados da RMC, o que torna essas cidades aquilo que é chamado “cidades-dormitório”. Essa quantidade expressiva desse tipo de modo de morar, como já explicado, é consequência da presença de uma boa infraestrutura viária, da proximidade de grandes centros e de um marketing local so-


bre as boa qualidade de vida dessas cidades. No caso de Valinhos e Vinhedo, ainda, outro fator que contribuiu para a disseminação dos condomínios foi o desmembramento de diversas fazendas - o que expressa um valor histórico das fazendas não apenas por em um primeiro plano marcar na arquitetura e estrutura uma época, mas por terem sido determinantes na morfologia dessas cidades. A substituição das fazen-

das por condomínios e loteamentos fechados - principalmente de alto padrão - continuaram a promover a ideia de segurança e qualidade de vida dentro de seus extensos muros, atraindo diversos moradores para a região, principalmente aqueles que trabalham na RMC. Em 1970-80, houve um boom de investimentos em loteamentos fechados em Vinhedo, o que aumentou consideravelmente a população da cidade. No caso dessa cidade, Gonçalves(2015) mostra que houve uma associação entre os investidores imobiliários e a prefeitura, já na década de 1980, em que, os proprietários concediam terras - distantes- para que a prefeitura pudesse abrigar a população de mais renda, evitando assim, a criação de favelas. Isso favorecia tanto a prefeitura, que conseguia áreas para abrigar a população de baixa renda, quanto os proprietários por manter a cidade valorizada. O crescimento do número de condomínios não afetou apenas a morfologia e organização urbana dessas cidades, mas impactou diretamente seus espaços públicos e patrimônio.

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O IMPACTO DE UM MURO Como já exposto, uma parcela expressiva de moradores de Vinhedo e Valinhos não trabalham na mesma cidade em que habitam, o que, associado com a grande quantidade de condomínios existentes nessas cidades traz diversos reflexos para os espaços públicos. Segundo Miglioranza(2006), as divergências do local de trabalho e de moradia fazem com que os indivíduos usufruam muito pouco da cidade de origem. Isso é agravado pelo fato dos condomínios fechados normalmente possuírem diversos espaços de lazer e convivência intra-muros o que desestimula mais ainda o uso de espaços públicos por essas pessoas. Os espaços públicos ficam, assim, cada vez mais esvaziados (Gutmann 2011) e a socialização se restringe à pessoas de mesma classe social nos clubes ou dentro dos condomínios. Além de um esvaziamento, os espaços públicos passam a receber menos investimentos e cuidados, já que não existem pessoas suficientes para cobrar que eles sejam qualificados. Os espaços públicos e patrimônios muitas vezes ficam na sombra desses condomínios, o que gera espaços consequência espaços monótonos e sem vida devido aos altos e extensos muros dos condomínios.

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CONSEQUÊNCIAS URBANAS, SOCIAIS Entre as problemáticas trazidas pelos condomínios, estão ( Miglioranza 2006) : -O desequilíbrio entre zonas urbanas (nos quesitos de ocupação e densidades dos planos diretores -Descontinuidade: Interrupção de fluxos (peatonais e tráfego urbano) -Fragmentação do território e consequente perda de integração entre bairros, grupos, etc. -Áreas públicas e institucionais localizada na parte interna dos muros passam a ser de uso apenas dos moradores. (No caso de Valinhos e Vinhedo é muito comum que os condomínios possuam sedes de antigas fazendas dentro dos muros assim como matas remanescentes e corpos d’água) -Alienação dos moradores em relação ao que está fora dos muros -Concentração de atividades de lazer intra-muros e diminuição de espaços de lazer públicos -Ruas monótonas e sem vida -Sensação de insegurança nas margens dos

condomínios -Segregação socio-espacial e aumento das desigualdades sociais

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É perceptível o impacto dessas estruturas nos espaços públicos, os quais tem sido cada vez mais abandonados nas cidades brasileiras , no caso de Valinhos e Vinhedo esse processo está diretamente associado aos condomínios fechados, às conurbações e fluxos migratórios que afetam a apropriação do espaço público por determinadas classes sociais. As consequências desse abandono é expressa de diversas formas como a diminuição de comércios de rua, uma crescente individualização e a perda de identidades locais e coletivas. No desespero para se sentir seguro em nível individual há um aumento da insegurança coletiva. O local público, é o espaço de representação simbólica e e expressão cultural, de comemorações, de encontros festivos, é espaço de trocas sociais, estabelecimento de vínculos, é o espaço de diversidade de pessoas, usos e situações. Apenas no espaço público o comércio se mistura com o transeunte, a música com a feira, o trabalhador com o indivíduo em situação de rua. O espaço público não só permite como estimula as mais diversas sensações e fugas da rotina. Gutman afirma que as praças, ruas e monumentos tornam-se suportes físicos

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de significações compartilhadas. É no espaço público que há o encontro e troca espontâneos entre mundos distintos e são essas relações que constroem a história de uma cidade e uma memória coletiva. Os patrimônios são uma importante parte dos espaços públicos. O patrimônio não carrega em si apenas uma memória do que a arquitetura já foi, ou da história da cidade, mas carrega uma memória coletiva associada àquele patrimônio. Os espaços urbanos se tornam então “espaços com significações compartilhadas e individuais” (Gutmann 2011). E cada edifício, esquina ou praça possui um valor único e particular e fazem parte do sistema de referências e identidade da cidade. O mundo é um local com muita diversidade e especificidade, muita riqueza, e, por vezes a globalização parece ameaçar algumas áreas dessas especificidades: as vestimentas, a arquitetura e ás vezes até mesmo a alimentação e comportamento, isso se torna evidente na disseminação dos Shopping-centers, impessoais em qualquer lugar do mundo. Fazer as questões locais de cada comunidade, cada cidade, cada nação “vibrarem” se torna importante quando se pensa na necessidade de preservar essas particularidades.


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Gutmann (2011) estabelece três parâmetros fundamentais dos espaços públicos: são simbióticos no sentido de gerar integração entre distintos, é simbólico, por conter símbolos que gera identidades coletivas distintas e simultâneas, e possui o sentido de polis por ser o lugar da cidade de maior disputa. Portanto, os espaços públicos se mostram importantes e insubstituíveis e o convívio social intra-muros nunca será o mesmo daquele extra-muros.

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Em relação aos planos diretores de Valinhos, é perceptível um certo descaso, se assim pode-se afirmar, com os espaços públicos. Para além dos patrimônios edificados tombados pela CONDEPHAAT - que também não apresentam atualmente qualquer cuidado, apesar do tombamento - os dois primeiros planos diretores não apresentam diretrizes que expressem uma preocupação para a preservação dos valores das praças e espaços de lazer públicos já existentes na cidade, segundo Gutmann (2011). Já no Plano diretor III existem algumas diretrizes em relação ao espaço público, mas faltam projetos e regulamentações bem definidos para sustentar as diretrizes apresentadas no plano. Além disso, os patrimônios tombados são dispersos, e em relação à Casa Flávio de Carvalho e à Sede da Antiga Fazenda de Cacutá - Vale Verde apresentam-se isolados e não conectados com a centralidade da cidade. Há um avanço dos empreendimentos privados tanto em Valinhos quanto em Vinhedo, colocando em risco ainda mais os espaços públicos dessas cidades que são essenciais para uma

memória urbana e coletiva. O tombamento não se mostra suficiente na preservação e valorização desses patrimônios, isso é perceptível ao ver a condição atual da maioria dos patrimônios dessas cidades, principalmente a estação ferroviária de Vinhedo e a Casa Flávio de Carvalho que encontram-se extremamente degradadas. Além disso não parece haver preocupação em relacionar esses patrimônios com os espaços que estão em seus entornos: o patrimônio parece se limitar ao edifício isolado antes de considerar o entorno desses edifícios uma parte constituinte do mesmo. Para exemplificar basta analisar a condição da estação ferroviária de Valinhos que é escondida por um estacionamento e a Casa de Flávio de Carvalho que teve seu entorno quase imediato todo vendido para a construção de condomínios. Há uma desconsideração das relações entre interior e exterior que deveriam também ser parte desse patrimônio. Os interesses enquadramentos para paisagem verde da Casa de Flávio de Carvalho logo serão substituídos da por um enquadramento de muros.

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CARTOGRAFIA LEITURA DO SOBREVOO


O mapa de evolução urbana talvez seja um dos mais importantes para a análise em questão. É possível ver que os primeiros núcleos urbanos se concentravam no entorno da ferrovia. É perceptível, principalmente em Valinhos, a aglomeração de indústrias (as mais antigas) ao longo da ferrovia, incentivando ainda mais

EVOLUÇÃO URBANA

a ocupação dessa região na época. As indústrias mais novas se concentram principalmente em torno da Rodovia Anhanguera o que reflete também as consequências do gradativo abandono dos investimentos nas ferrovias e priorização dos automóveis em relação.

INDÚSTRIAS

INDUSTRIAS MAIS NOVAS INDUSTRIAS MAIS VELHAS


Apesar da gradativa obsolescência da ferrovia as cidades ainda expressam na sua morfologia, estruturação e organização essa memória. Abaixo, observa-se que os centros urbanos das duas cidades estão diretamente ligados à essa estrutura, além disso, as áreas que margeiam a ferrovia possuem um uso diversificado do solo.

ZONEAMENTO

O mapa de condomínios e loteamentos fechados permite visualizar aquilo que já foi anteriormente discuto a respeitos dessas estruturas habitacionais. É perceptível que são numerosos nas duas cidades e estão dispersos no território o que se reflete na fragmentação dessas cidades.

CONDOMÍNIOS OU LOTEAMENTOS FECHADOS

CONDOMÍNIOS E LOTEAMENTOS FECHADOS EMPREENDIMENTOS APROVADOS

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A leitura do mapa de condomínios, seguida do mapa de renda expõe o óbvio: as manchas das maiores rendas são àquelas que se sobrepõe aos condomínios e loteamentos fechados. Observa-se que a maior concentração de alta renda está à sudoeste do município de Valinhos.

RENDA (2010)

PER CAPITA NOS DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES

Em relação à densidade, é de se notar que grande parte da cidade de Valinhos possui baixa densidade, principalmente do lado oeste da cidade onde também estão localizados a maioria dos condomínios horizontais e de vazios urbanos. Além disso, as manchas que apresentam as maiores densidades são bairros de baixa renda.

DENSIDADE


Em relação às áreas de preservação, Valinhos possui três bem delimitadas enquanto Vinhedo, além de apontar áreas de preservação nas áreas rurais da cidade também considera a preservação ao longo de córregos.

ÁREAS DE PRESERVAÇÃO

Valinhos e Vinhedo estão inclusos nas Sub-bacias do Rio Capivari e do Rio Atibaia. Para esse estudo, porém, o que será de maior interesse será a microbacia do córrego do Ribeirão Pinheiros e a microbacia do Pinheiros, nas quais corre o córrego do Ribeirão Pinheiros.

HIDROGRAFIA

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03 O PERCORRER


MEUS OLHOS JÁ ESQUECERAM O QUE VIRAM MAS MEU CORPO AINDA SE LEMBRA JUHANI PALLASMAA


PERCORRER PERCEBER DESCOBRIR O CAMINHAR NA PRÁTICA Considerando a importância dada ao percorrer desde as discussões, leituras e estudos na disciplina de pré-tgi e a interpretação pessoal de percurso como um possível partido projetual, me propus, como meio de conhecer e descobrir as cidades de Valinhos e Vinhedo, a imergir no território, andar sem rumo e sem mapas. Os percursos, realizados em dias distintos, me auxiliaram a sistematizar esse território e criar significações próprias para as cidades e principalmente para a linha férrea e o córrego do Ribeirão

PERCEBER

PERCORRER

ASSIMILAR PROBLEMATIZAR

DESCOBRIR

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dos Pinheiros que foram importantes elementos de referência do espaço - os quais usei para me encontrar nas cidades especialmente Valinhos. O desenhar e o fotografar foram formas de vivenciar os lugares e tentar apreender ainda mais aquilo que eu via, sentia ou percebia. O caminhar por envolver o nosso corpo como todo - os olhos, a audição, o tato - permite que o mundo ao redor seja mais facilmente apreendido, já que é mais lento do que outras formas de lomocoção. Pallasmaa afirma que há uma relação entre lentidão e a memória, quanto mais rápido as coisas acontencem, mais rapidamente elas somem da memória. Os percursos foram organizados em 4 transversais e um quinto que é paralelo ao eixo da ferrovia e que sintetiza todos os percursos realizados.

SINTETIZAR

SELECIONAR

INTERVIR


VALINHOS

VINHEDO

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PERCURSOS FEITOS DE CARRO PERCURSOS FEITOS À PÉ


PERCORRER TRANSVERSALIDADES


INÍCIO

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INÍCIO

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INÍCIO INÍCIO

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INÍCIO INÍCIO

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SÍNTESE

UM EIXO ESTRUTURANTE


PERCURS0 INTERURBANO A última visão serial apresentada é formada por desenhos feitos in loco como forma de vivenciar os locais. Apesar de estarem organizados de maneira linear, são resultados de uma seleção e síntese de tudo o que foi percorrido. Em todos os percursos realizados a ferrovia e o córrego do Ribeirão dos Pinheiros se fizeram presentes, o que expressa o importante papel conectivo dessa estrutura. Além disso, é perceptível que diversas áreas de interesse como patrimônios históricos tombados - as estações ferroviárias das duas cidades e a Casa Flávio de Carvalho - e áreas de lazer como o Centro de Lazer do Trabalhador em Valinhos e a represa 1 de Vinhedo - estão diretamente conectadas com a ferrovia. Somado a isso, os dois centros urbanos também estão diretamente relacionados com a ferrovia , assim como a UPA em Valinhos, importante ponto de concentração de pessoas. A partir de tudo isso, se torna perceptível a importância desse eixo e o interesse em trabalhar com ele e a partir dele. 70

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INTERURBANO


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POTENCIALIDADES

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A partir do eixo ferroviário e do Córrego do Ribeirão Pinheiros foram identificados primeiramente 4 trechos ao longo da ferrovia nas duas cidades: Os trechos A e C se caracterizam por serem áreas com menos ocupação, áreas “entre” cidades, ainda com algumas características rurais, áreas interurbanas e que estão em um processo de conurbação com Campinas e Vinhedo, respectivamente. Os outros trechos B e D são trechos já consolidados. Ao adentrar um pouco mais a área de leitura foram identificados, a partir do percursos, 5 pontos de potencialidades nas áreas consolidadas das cidades.Esses Pontos, apesar de divergirem quanto às caracterizações foram selecionados com base nas categorias: espaços públicos, patrimônio histórico, espaço de lazer, espaço livre, ou ponto de concentração de pessoas. Os pontos são: I.Parque dos Girassóis e Casa Flavio de Carvalho II.Centro de lazer do trabalhador, III. Upa Valinhos, Pontos de ônibus agitados e estação ferroviária de Valinhos IV. Estação ferroviária de Vinhedo V. Represa I de Vinhedo Esses pontos servirão de pontos de referência para a criação de um sistema de espaços livres a partir da ferrovia e serão mais bem detalhados no capítulo seguinte.


CENTRALIDADE ENTRE CENTRALIDADE

ENTRE

II. V. IV.

III. I. 79


04 PRIMEIRA APROXIMAÇÃO


PROJETAMOS CONTINUAMENTE SIGNIFICADOS E SIGNIFICAÇÕES EM TUDO AQUILO QUE ENCONTRAMOS JUHANI PALLASMAA


ENTRE PARALELOS UM EIXO ESTRUTURADOR: UMA POTENCIALIDADE DE COSTURA

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Ao ler essas cidades através do corpo reconheci no córrego do Ribeirão Pinheiros e na ferrovia um eixo de referência para me guiar nas descobertas pelo território. Ao mesmo tempo que o reconheci de forma pessoal, reconheci essas linhas paralelas também como eixo estruturante dessas cidades e com um importante valor histórico, considerando se tratar de uma ferrovia e no caso do córrego, um elemento ambiental que atravessa a mancha urbana de duas cidades e que “participou” ativa-


mente do processo de urbanização. Além de estruturar as duas cidades individualmente, o eixo também conecta essas duas entre si e com Campinas. Devido a isso, e considerando os percursos realizados, considerei pertinente trazer tanto Valinhos quanto Vinhedo para uma proposta projetual. Ao caminhar e explorar as duas cidades foi possível perceber que ao longo da ferrovia existem diversas narrativas, diversos pontos extremamente interessantes que estão diretamente ligados à

esse eixo. Além dos patrimônios que surgiram junto com a ferrovia - estações ferroviárias e algumas casas remanescentes - o eixo contempla a Casa de Flávio de Carvalho no norte de Valinhos, O CLT, um espaço “entre” no encontro das duas cidades e a Represa I mais no sul de Vinhedo. Além, é claro, dos vazios urbanos espalhados ao longo dessa ferrovia, por questões de especulação imobiliária, principalmente. Após os percursos iniciais foi necessário um retorno aos mapas frios, que serão mostrados a seguir.

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A escolha desse eixo não foi somente uma sensibilização pessoal, mas também uma atenção ao potencial que o mesmo possui em relação à mobilidade, preservação ambiental, espaço público e uma memória. As cidades de Valinhos e Vinhedo nascem desse eixo e evoluem nesse eixo. As intenções projetuais nascem junto com os percursos realizados e as leituras de mapas da cidade, por conta disso, a preocupação está em mapear tudo aquilo que cerca a ferrovia, focando nas transversalidades, transposição, potencialidades e espaços livres diretamente ligados à ferrovia

também é pensado como um corredor verde que conecta as cidades de forma saudável e em harmonia com a natureza e paisagem. Ao tratar esse corredor como espaço público de preservação e de encnotro há uma ideia de que as pessoas possam estabelecer um afeto com o ambiente natural dessas cidades e assim, respeitar e preservar esses espaços, fauna e flora.

Aumentar habitações de interesse social nesse vazio urbano, já que atualmente o bairro jardim são marcos, de renda mais baixa, está cercado por condomínios de alto padrão.

O interesse, a princípio, seria que esse parque chegasse até o centro de campinas, devido à importância desse centro para as cidades de Valinhos e Vinhedo, porém, devido ao tempo necessário para esse estudo e a maior complexidade de Campinas quando comparada com Valinhos e Vinhedo, fez-se necessário escolher apenas as duas últimas que possuem problemáticas e portes parecidos.

A escala do parque é pensada principalmente para os habitantes dessas cidades Valinhos e Vinhedo, mas também é considerado o fato das duas cidades receberem muitos visitantes anualmente - tanto pelas traficionais festas do circuito da fruta qunto de empregos das indústrias da região. O parque

Valinhos e Vinhedo são as cidades que mais usam carros na RMC, parte disso é devido à topografia acidentada, mas é perceptível, ao fazer longos percursos nas duas cidades que o problema é muito maior do que a topografia: foram cidades pensadas para os carros, em grande parte das cidades as ruas

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são largas e as calçadas pequenas, os núcleos urbanos são dispersos e fragmentados, tornando tudo os percursos distantes e até mesmo monótonos, principalmente aqueles que são realizados ao longo dos extensos muros de condomínios. Além não há um sistema de conexão, pensado para o pedestre, que conecte esses núcleos e nem que conecte transversalmente : ruas arborizadas, calçadas largas, áreas sombreadas e de descanso, aliás, são raros os espaços da cidade que possuem algum banco, e mesmo em algumas ruas que possuem área disponível para calçadas largas elas se mostram insuficientes. Portanto, esse parque, que corta a cidade junto com a ferrovia e o córrego do Ribeirão Pinheiros se torna um importante elemento de conexão da cidade, principalmente por integrar o centro das cidades e outros pontos de destino interessantes, tais quais, o Centro de Lazer do Trabalhador em Valinhos, instituições, 3 patrimônios tombados, represa I de Vinhedo, bibliotecas municipais e habitações.

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QUESTÃO DE MOBILIDADE A partir da leitura de “Morte e Vida de Grandes Cidades”, de Jacobs, e da leitura dessas cidades (através do corpo e da cartografia) é possível estabelecer algumas diretrizes: ACESSIBILIDADE Pontos de ônibus: a facilidade de acesso aos espaços públicos e espaços livres aumenta o número de pessoas que irão para o mesmo, além disso, os pontos de ônibus trazem movimentação Acessos facilitados (mais de um lugar para entrar e sair) COMBINAÇÃO DE USOS Proximidade de instituições: a presença de crianças nos espaços públicos gera maior sensação de segurança Parque entre usos principais para que as pessoas façam uso dele pela travessia (exemplo: escola e habitação) habitações voltadas para os parques por uma questão de aumentar a segurança fachadas ativas EQUIPAMENTOS E ESTRUTURA Colocar equipamentos nos espaços entre Quadras mais curtas e esquinas como ponto chave de projeto


HIDROGRAFIA Caracterizações Córregos e corpos d’água desconectados em relação às cidades e às pessoas. Córrego do Ribeirão Pinheiros : apesar de cruzar as duas cidades é escondido em grande parte de sua extensão (principalmente por matas densas) Está Contaminado CLT (Valinhos) e Represas (Vinhedo) possuem poucos acessos e pouca conexão com o sistema de mobilidade das cidades

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Diretrizes:

Recuperar e Proteger: Tratamento das águas do Córrego do Ribeirão Pinheiros (que atualmente estão contaminadas) e articulação com Vegetação Integrar: Corpos d’água com a cidade e equipamentos; incorporação na rede de espaços públicos. Aproximar: Incentivar o contato com água propondo uma aproximação de estruturas urbanas (pontes, arquibancas e deques) com corpos d’água já existentes assim como propor elementos lúdicos (espelhos d’água, sprinklers,...) que remetam à água Memória: Propor elementos artísticos que retomomem o significado histórico do córrego do Ribeirão dos Pinheiros para as cidades. Consciência ambiental: Propor aulas ao ar livre em ambientes do córrego para desenvolver uma consciência ambiental


Diretrizes: Recuperar e Proteger: Recuperar vegetação nativa dentro das áreas urbanas Integrar: Integrar vazios presentes na área de influência do Córrego Ribeirão dos Pinheiros e da ferrovia ao sistema de espaços livres propondo que nesses espaços se desenvolvam atividades diversificadas: esportes, cultura, lazer. Aproximar: Propor espaços que estimulem o encontro e a interação Identidade: Identificar vazios que foram fazendas no passado para propor elementos que dialoguem com essa história

ESPAÇOS LIVRES VERDES Caracterizações Presença de muitos espaços livres dentro das zonas centrais das cidades (fragmentação urbana) A maioria dos espaços livres são áreas privadas Praças públicas mal cuidadas e desqualificadas Parques públicos pouco qualificados Poucos espaços públicos Inexistência de diretrizes para as áreas verdes dentro das manchas urbanas

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MOBILIDADE Caracterizações:

Priorização evidente dos carros em detrimento de outras formas de locomoção Relevo acidentado dificulta ciclismo e percursos a pé (mesmo assim eles representam 26,42 % dos viagens diárias realizadas a pé ) Os transportes coletivos representam 44% das viagens realizadas Fragmentação das cidades é outro problema para a locomoção a pé Inexistência de calçadas em grande parte das cidades

Diretrizes: Conectar: Ciclovia no eixo da ferrovia aproveitando o relevo mais ameno Integrar: Integrar mobilidade e espaços públicos através de percursos que por hora entram na cidade, por hora em parques e praças Qualificar: Calçadas largas, ruas arborizadas, sinalizações adequadas, ruas compartilhadas Acessibilidade: articular sistema de espaços livres com pontos de ônibus Parque como Elemento de Conexão do Território


Diretrizes: Reciclar: Usar edifícios abandonados ou subutilizados ao longo do eixo ferroviário e propor novos usos, associados com o uso coletivo, público e diversificado Integrar: Integrar escolas e pontos de saúde com o sistema de parque para reforçar o uso do parque Memória: Propor não apenas um relacionamento direto entre patrimônio e espaços livres e de lazer, mas o uso das estruturas dos edifícios para atividades culturais e coletivas Estar: Mobiliário e espaços de contemplação e tranquilidade

EQUIPAMENTOS Caracterizações: Patrimônio histórico abandonado e isolados da cidades e espaços públicos Escolas desarticuladas em relação aos espaços de lazer Pontos de saúde (como UPA Valinhos) sem mobliário para espera, sem qualquer relação com os espaços externos, com muitas filas e crianças


BARREIRAS Caracterizações: Cidades fragmentadas e desarticuladas Muros extensos Segregação Socio- espacial Bairros de Baixa Renda cercados por condomínios e isolados dos centros e atividades Poucos pontos de transposição da ferrovia e do córrego Separação da Cidade em Leste-Oeste

Diretrizes: Intervir: Tratamento para muros com arte, jardins verticais, iluminação e elementos lúdicos Articular: Conectar bairros de baixa renda com centralidades, utilizando de espaços vazios e requalificação de ruas Atravessar: Porpor mais pontos de transposição da ferrovia e do Córrego do Ribeirão dos Pinheiros com pontes


Diretrizes: Tornar os espaços livres mais dinâmicos, com usos, mas sem tirar deles seu caráter ambiental e de drenagem urbana Propor diretrizes para ocupação de alguns vazios de forma associada com os espaços públicos e livres

ESPAÇOS LIVRES Caracterizações: Muitos espaços livres não qualificados que servem apenas para fragmentar a mobilidade peatonal e de bicicleta mais monótonas e longas


CORTES URBANOS O RELEVO AO LONGO DA FERROVIA

A B C D 96


E F G

F

A A

B

C D

E

97

G


REFERÊNCIAS E DIRETRIZES GERAIS


05 SEGUNDA APROXIMAÇÃO


ENTRE TEMPORALIDADES ENTRE CIDADES A impossibilidade, considerando o tempo disponível ao longo do TGI de detalhar cada parte do sistema de espaços livres proposto - visando uma conexões interurbanas mais saudáveis , se assim pode-se afirmar - levou à escolha de áreas consideradas mais problemáticas do ponto de vista pessoal para propor projetos mais detalhados. Essas áreas são, à princípio, o local onde encontra-se a Casa Flávio de Carvalho, no norte de Valinhos - pelo fato dessa área possuir uma complexidade urbana peculiar- e o espaço de transição entre Vinhedo e Valinhos, caracterizado por uma conurbação - porém ainda com baixa ocupação e por isso passível de projeto. 102


ENTRE

VALINHOS E CAMPINAS

ENTRE

VALINHOS E VINHEDO

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DISPUTAS ENTRE TEMPOS

dim São Marcos na década de 1980, e no entorno surgiram diversos bairros até 1990.(BUSNARDO)

- a qual foi comprada pela família de Flávio de Carvalho no século XX.

“ o parcelamento e o uso das terras da antiga Fazenda Capuava são objetos de estudo acadêmico por possuírem algumas da mais significativas especificidades encontradas no urbanismo moderno brasileiro. Pois que, nela, há habitações para diversos segmentos sociais (população de baixa, média e alta renta), um vazio urbano com mata remanescente, vários equipamentos urbanos que atendem às necessidades locais e que dispensam o munícipe de se deslocar para dentro da cidade, uma sede modernista tombada e com potencial turístico e cultural. Além disso, está situada em local de conurbação e que ainda possui em seu entorno uma Estação de tratamento de esgoto” (BUSNARDO 2009)

As fazendas foram encolhendo no século XX por conta tanto da crise do café quanto pela urbanização da cidade. Dentro da fazenda surgiu o bairro Jar-

cenário atual , em que ainda se podeobservar uma fazenda (área para cavalos, pequenas casas, , estabulo, casa e acesa restará apenas a casa e

A FAZENDA CAPUAVA Assim como foi falado no início, a cidade de Valinhos como é na atualidade é um resultado de um processo histórico que envolveu diversos fatores como a grande quantidade de fazendas que caracterizavam a Valinhos do século XIX. Entre as 25 fazendas de Valinhos naquele período estava a Fazenda Rosário, que inicialmente se caracterizava pela produção cafeeira e por ser a maior entre as 25 fazendas, mas que no século XX foi adquirida pela família do artista Flávio de Carvalho.

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a cesa. A fazenda atualmente abriga, segundo Busnardo (2009) : A.C.E.S.A, Casa Flávio de Carvalho, Sede da fazenda, Conjunto HIS B JD São Marcos, escolas, condomínios fechados, mata remanescente e córrego, o extinto Shopping Caribe Center e um grande espaço livre que, segundo entrevista com Luciana Piton - uma das responsáveis pelos cuidados com a ACESA - já foi vendido para empreendimentos imobiliários de condomínios fechados.

FLÁVIO DE CARVALHO Flávio de Carvalho foi uma figura extremamente polêmica que apareceu no movimento moderno, o engenheiro, arquiteto, artista e cenógrafo - para nomear alguns dos ofícios que o caracterizam - reverberou suas inquietações não somente no mundo intelectual e artístico, como também no cotidiano dos paulistas, chocando-os das mais diversas formas. Nascido no Rio de Janeiro e formado intelectualmente na Europa, o artista retorna ao Brasil justamente em

1922, ano da Semana de Arte Moderna e, portanto, ano de muitos questionamentos e transformações culturais. Nos primeiros anos de seu regresso ao país de origem, Flávio de Carvalho atuou principalmente como engenheiro, chegando a trabalhar, inclusive, no escritório de Ramos de Azevedo. Em 1926 Flávio de Carvalho organiza o seu primeiro escritório de arquitetura e já em 1927 projeta o primeiro edifício moderno do Brasil, como afirma Rossetti, para o concurso do Palácio do Governo. Apesar de não ter sido vencedor, trouxe para si bastante atenção e discussão. A partir desse episódio o arquiteto se envolveu em diversos concursos, dos quais não foi vencedor, mas pôde materializar em projeto - mesmo que ainda no papel suas concepções de cidade e arquitetura muito presentes em seus textos. Foi também nesse contexto, que Flávio de Carvalho começa a se envolver e criar laços com diversos personagens modernistas, como Oswald de andrade, os quais futuramente visitariam a casa do artista e Valinhos. Após vários anos de inconstâncias como dificuldades econômicas, conflitos com a família, amores e mudanças no local

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e na forma de trabalhar, como Lira vai relatar, finalmente, na década de 30, Flávio de Carvalho pôde construir dois projetos em terrenos de família, estando um no centro urbano de São Paulo e o outro em uma região praticamente rural na cidade de Valinhos. Com a inauguração da Casa Capuava em Valinhos, em 1938, Flávio de Carvalho passa a habitá-la até a sua morte em 1973.

CASA FLÁVIO DE CARVALHO A casa é uma materialização, na arquiteutra, da personalidade de Flávio de Carvalho: polêmica, dinâmica e artística. Uma mistura de templo e avião, que não é facilmente apreendida apenas com um olhar superficial. Assim, nessa casa a questão do percurso também se faz presente: Para compreendê-la é necessário pecorrê-la: tanto em seus entornos quanto em seu interior. Seu valor arquitetônico, artístico e histórico é inigualável: marca um período histórico, reflete uma personalidade peculiar. 106


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que aparece em todos os planos diretores da cidade. Segundo entrevista com Luciana Piton, uma das administradoras da ACESA e responsáveis pelas visitações da casa, os espaços livres que existem na área da fazenda foram vendidos para empreendimentos imobiliários de condomínios fechados. Do que existe hoje, nesse grande espaço livre, restará apenas a A.C.E.S.A. e a Casa de Flávio de Carvalho, a qual será diretamente afetada pela transformação da paisagem dos próximos anos. Atualmente os espaços livres da fazenda se caracterizam por abrigar pequenas casas, estábulos e espaços de equitação, mas os muros de condomínios do entorno já existentes são visíveis em diversos pontos da fazenda remanescente. Não se sabe ao certo como esses novos empreendimentos serão implantados, mas uma coisa é certa: eles terão muros. A paisagem que hoje é verde e integrada, será substituída por muralhas de proteção. Nesse processo, apesar da casa ser um bem tombado e por isso, estar legalmente protegida, seu entorno é ignorado como parte desse patrimônio. Não há uma preocupação na relação dos espaços entre o interior e exterior da casa, entre arquitetura e paisagem. A casa, que se abre para todos os lados e fica em uma posição mais alta na fazenda, logo terá essa integração espacial vedada por muros.


A escolha dessa área se torna, então, em face ao que já está ocorrendocomo uma forma de resistência. Alguns outros pontos que tornam a área interessante para a proposição e um projeto são: É uma área de amortecimento de APP, portanto é pertinente estudar formas de manter o espaços livres verdes Essa área da cidade est´´a em um processo de conurbação com Campinas Área importante do ponto de vista ambiental por possuir mata remanescente e córrego Área com grande potencial para uso público e mistura de classes (por estar no miolo entre condomíos e bairros de baixa renda) A Área pode melhorar a mobilidade peatonal para a área (além de possibilitar a conexão entre CLT e Bairro Jardim São Marcos


A a área contempla diversos corpos d’água, O Corpo d’água mais a norte está intra-muros do condomínio Terras do Caribe, mas o córrego que se extende para dentro da fazenda está fora do condomínio, podendo ser articulado com o parque proposto. sendo de interesse integrar a área da casa de Flávio de Carvalho com o CLT

HIDROGRAFIA

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CASA FLÁVIO DE CARVALHO A.C.E.S.A.

RELEVO


Como é perceptível a Casa Flávio de Carvalho fica em um grande espaço livre, com floresta remanescente. A intenção é manter a área dessa mata naturalizada porém criar percursos entre árvores. Nos espaços mais livres serão propostas elementos esportivos, de recreação e lúdicos, enquanto nos espaços mais densos serão propostos espaços de estar e contemplação

ESPAÇOS LIVRES E ARBORIZAÇÃO

CHEIOS E VAZIOS

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Os muros e cercas caracterizam essa área e margeiam a floresta remanescente no norte da área, dando ao local uma sensação de insegurança, então, nas imediações dos muros é interessante que os percursos sejam mais amplos, bem iluminados e acessíveis.

BARREIRAS

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É possível observar instituições bem próximas da área de intervenção, o que justifica a criação de espaços para o público infantil e jovem, com espaços lúdicos, educacionais e de lazer.

DENSIDADE


A área de intervenção está em um miolo, cercada por muros , ferrovia e uma barreira vegetal, seu acesso se torna, assim, difícil o que limita a circulação de pessoas e ciclistas pela área. Além disso à lesta da área de intervenção existem muitos pontos de ônibus, o que não acontece à oeste devido aos condomínios horizontais.

MOBILIDADE

À esquerda é perceptível uma uniformidade de uso residencial (caracterizando os condomínios) enquanto pela esquerda existe um eixo comercial e usos mais diversos, tornando interessante relacioná-los com a área de projeto.

USOS

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DIRETRIZES PATRIMÔNIO:

LAZER

Preservar o patrimônio material (o edifício da casa) Preserver a paisagem, os espaços livres, a integração visual mas propor uma qualificação de seus espçaos Propor novos usos para a Casa Flávio de Carvalho: um museu sobre a obra e vida do artista Usar o espaço da casa para atividades de escolas de toda a região (e não apenas da A.C.E.S.A.) Usar a sala que era uma antiga biblioteca da Casa como uma pequena biblioteca para uso púlico Porpor espaços de leitura e estar

áres esportivas Espaços lúdicos Adaptar os passeios à cavalo que hoje ficam apenas no entre-cercas para passeios por todo o espaço livre Área com animais da fazenda, pensado principalmente para o público infantil e retomando a memória de fazenda

CULTURA: Propor outras atividades para a área que se relacionem com as escolas da região, como: Espaços para aulas de música (PROJETO GURI) e dança Espaços de leitura Espaços de artes

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AMBIENTAL: Áreas de contemplação Estabelecer áreas de estar e descanso Tranquilidade Contato com água Horta coletiva para as escolas Feiras com venda de alimentos e artesanato Novo prédio para a A.C.E.S.A, mais integrado com a casa de FLávio de Carvalho e com a paisagem


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CARACTERIZAÇÕES

ÁREA DE INTERVENÇÃO CONDOMÍNIOS BAIRROS DE BAIXA RENDA


ENTRE CIDADES UM ESPAÇO À ENTRE E À MARGEM Essa área, apesar de também se configurar como um espaço “Entre” assim como o espaço da Casa de Flávio de Carvalho, possui algumas questões que divergem da primeira: Essa área já é considerada conurbada com Vinhedo, apesar de apresentar grandes espaços livres e alguns espaços de plantações. Essa área se caracteriza pelos deslocamentos de ida e vinda, principalmente, de indivíduos que vão trabalhar em Valinhos ou Campinas e voltam a noite para Vinhedo ou em menores casos, indivíduos de Valinhos que vão trabalhar em Vinhedo.Por ser uma zona de muitos fluxos é uma área com grande potencial de projeto Em um raio de 2km proximidades dessa área, à esquerda, está a zona mais rica de Valinhos com condomínios de luxo, escolas mais caras. Porém, nesse 118

espaço Não há, contudo, um anseio em ocupar esses espços livres no entre-cidades principalmente pelo fato de já haver diversos espaços vazios dentro das manchas urbanas de Valinhos e Vinhedo. Porém, por se tratar de uma área que tende a ser ocupada é interessante que existam diretrizes e elementos projetuais que direcionem para uma ocupação mais sustentável. Para isso, foi pensado em propor em algo que pudesse atrair indivíduos tanto de Valinhos quanto de Vinhedo. Um espaço que servisse de ponto de articulação entre as duas cidades, como um centro cultural em que diversas e distintas atividades podem ser realizadas: teatro, música, esportes, biblioteca, espaços de eventos (pensando nas indústrias), tudo isso associado aos espaços livres. Há nisso uma intenção de voltar os olhos para esses espaços “vazios” e reconhecer neles significado. Por isso, a área a ser ocupada pelo edifício do centro seria no espaço entre córrego do Ribeirão dos Pinehiros e ferrovia.


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Terreno mais suave e quase plano ao longo da ferrovia.

Nessa รกrea existem alguns pesqueiros que configuram espaรงos de lazer.

HIDROGRAFIA

RELEVO


Como uma área que mistura o rural com o urbanizado, existem muitos espaços livres e ainda preservados.

ESPAÇOS LIVRES E ARBORIZAÇÃO

Há uma presença de muitos condomínios verticalizados assim como bairros de baixa renda. Então, apesar de dispera, a área é populosa

HIDROGRAFIA


Os muros dessa área são menos extensos se comparados aos muros da área da Casa Flávio de Carvalho, porém, com a expansão dessas cidades há sempre o risco dos condomínios ocuparem todos os vazios urbanos próximos à rodovias, avenidas e ruas importantes.

MUROS

Condomínios e loteamentos

Como é uma área que ainda está em processo de conurbação não possui muitos equipamentos e instituições.

INSTITUIÇÕES


Ao lado Oeste existem mais linhas de ônibus, o que se justifica pelo fato de ser mais ocupado. A via desse espaço entre cidades se caracteriza por não ter calçadas e a ciclovia existente foi dominada pelos carros. Os fluxos são mais rápidos e os usos do das edificações do eixo da ferrovia são variados, mas muitas dessas edificações são galpões ou indústrias.

A área é majoritariamente residencial, mas nota-se um eixo com mais comércios e serviços acompanhando a ferrovia.

MOBILIDADE

USO DO SOLO


CARACTERIZAÇÕES

ÁREA DE INTERVENÇÃO

CONDOMÍNIOS BAIRROS DE BAIXA RENDA


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Entre Temporalidades: O parque como mediador entre passado, presente e futuro  

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