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ANO 3 – 8 edição – março 2011 – www.makom.com.br

MÍSTICA O verdadeiro significado do Shemá Israel

bate papo Com o carioca nato, Rabino Passy

Dia a DIA Quatro concepções sobre judaísmo

CHAGUIM Purim: A festa mascarada

makom seu

todo mundo pertence a um lugar e este é o seu


Editorial • Seu Makom • 1

Queridos amigos, Há algumas semanas ocorreram dois casos diferentes em nossa sinagoga que muito me marcaram e que gostaria de compartilhá-los: primeiramente, escutei duas pessoas conversando sobre como a Congregação Monte Sinai cresceu nesses últimos dois anos. Elas discutiam, com certo tom de surpresa, o aumento radical de pessoas frequentando as aulas e rezas e sobre o interesse que esses frequentadores manifestam. O segundo momento retrata o crescimento de nosso Kabalat Shabat. Começamos a fazer no início de 2010 um Kabalat Shabat Carlebach (cantado de uma forma muito especial) para mais ou menos 10 pessoas, e terminamos o ano com mais ou menos 40. Neste ano, nossa sinagoga entrou em reforma, nos impossibilitando-nos de realizar nosso minian. Nos dias que seguiram o princípio da reforma, recebemos centenas de pedidos para que voltássemos a organizar o Kabalat Shabat e acabamos realizando a reza no salão inacabado! Surpreendentemente foi um grande sucesso. Não havia sequer uma cadeira vazia. Ver isso foi realmente uma grande emoção, pois as pessoas que vieram estavam lá realmente para rezar. Melhor do que ver uma sinagoga bonita cheia, é ver uma sinagoga em reforma cheia.

"Melhor do que ver uma sinagoga bonita cheia, é ver uma sinagoga em reforma cheia. "

Essa cena me fez entender que o jovem quer algo fora de sua rotina, vai em busca de algo a mais, e me fez pensar na sede que a juventude tem para descobrir o judaísmo. Foi esta sede, esta busca, que nos inspirou para montar a pauta da revista e decidir os temas que serão abordados nesta edição. Temas escolhidos de acordo com o que esperamos para este novo ano: fazer as pessoas vibrarem e trazer alegria para suas vidas através dos nossos valores judaicos. Aproveito a oportunidade para dar calorosas boas vindas aos nossos novos parceiros: Yaacov G., Chaim B. e David S.H.. Que vocês tenham muito sucesso em seu trabalho comunitário e que ajudem os jovens a encontrar o que eles tanto buscam! Purim Sameach, Rabino Shlomo Safra


2 • Seu Makom • Sumário

ANO 3 – 8 EDIÇÃO – MARÇO 2011 – WWW.MAKOM.COM.BR

MÍSTICA

BATE PAPO

O verdadeiro significado do Shemá Israel

Com o carioca nato, Rabino Passy

DIA A DIA Quatro concepções sobre judaísmo

CHAGUIM Purim: A festa mascarada

makom SEU

TODO MUNDO PERTENCE A UM LUGAR E ESTE É O SEU

SEU MAKOM EDIÇÃO março 2011

"Nesse mundo da instantaneidade, tudo muda, toda hora, a todo momento e é assim que as coisas se renovam e evoluem. Assim também, a oitava edição do Seu Makom está de cara nova, mas desta vez não se trata do conteúdo mas sim do design da revista. Preparamos para vocês uma revista visualmente nova, com conceitos novos e um estilo totalmente diferente, sem tirar sua essência. Confira você mesmo!"

Coordenação Geral Rabino Shlomo Safra Adminstração Mariana Safra Revisão de Texto Melina Mester Projeto Gráfico, diagramação e edição de imagens Gilberto Duobles www.gibad.com.br

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Editoração Tais Gaon Colaboraram nesta edição Ariel Grabarz, Rabino Dany Roitman, Ezra Dayan, Jairo Fridlin, Rabino Passy, Rodrigo Hofnik, Salomão Cohen e Rabino Yeoshua Weisz Impressão HR gráfica Tiragem 2.000 exemplares

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Comentários e sugestões seumakom@makom.com.br Rua Piauí, 624 - Higienópolis Tel. (11) 3661-7715

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Sumário • Seu Makom • 3

Bate Papo

6

Com Rabino Passy

Curiosidades

10

Um segredo no coração do Vaticano

Mística

16

O verdadeiro significado do Shemá Israel

46

História

36

22

Uma carta de arrependimento

Crônica

30

Um olhar diferenciado

Dia a dia

32

Quatro concepções erradas sobre judaísmo

História

34

Meu - Seu

42

Dia a dia

36

Talmud: imprecisão ou cuidado extremo?

Chaguim

42

Purim: a festa mascarada

Personalidades

46

A nova era da Kashrut

46

Nossa congregação

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50

Nossa congregação em férias

Curiosidades

56

O grande mistério da maçonaria

Curiosidades

66

Judaísmo Vs Vegetarianismo

Programação

76

Programação de dias 2011

56

66

Com a palavra Por Rabino Azulay

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ma Corpo Executivo Diretoria Executiva 2011 Presidente Issac Salomão Sayeg

Diretor de Patrimônio Ricardo Kibrit

Vice-Presidente Nathan Victor Perez

Diretor de Patrimônio Elias Zitune

1o Secretário David Salim Cohen

Diretor Administrativo Marcos Dana

2o Secretario Marcos Hadid Feferman

Diretoria Jovem David Elias Cohen Alan Kalili

Diretor Religioso Nathan Isaac Peres Diretor Religioso Edgar De Picciotto Diretor Social/Cultural David Sayeg

Diretor Adjunto Shlomo Dayan Daniel Haim Erick Bedosa Ibraim Romano

Diretor Social/Cultural Eduardo Cohen

Corpo rabínico Rabino da Congregação Rabino Azulay Rabino da Comunidade e diretor do projeto Makom Rabino Shlomo Safra Coordenador dos adolescentes e de conteúdo da juventude Rabino Dany Roitman Coordenador das aulas e conteúdo da sinagoga Rabino Yeoshua Weiz Coordenador da parte social do grupo da juventude Rabino Dani Wainnan

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Dirigido por um grupo de empresários, O Makom foi estabelecido em 2006. Filiado ao projeto Kiruv nacional, tem como objetivo ser um lugar onde a comunidade jovem judaica tenha a possibilidade de se expressar, aprender e questionar. Há quatro anos o Makom oferece aulas e vivências: como viagens, churrascos, festas, Shabatonim, seminários e outros eventos sociais, que vem enriquecer os jovens e estreitar os laços entre eles e entre os professores e o aluno.

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Muito além do institucional, o Makom quer ser uma família para o jovem onde este possa ter amigos e conselheiros. Ser um lugar onde crescer espiritualmente não seja o único objetivo, mas também crescer como pessoa, formar uma identidade e prepará-lo para os desafios do mundo afora.

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6 • Seu Makom • Bate Papo

Rabino Passy

ilustração: dreamstime

Carioca nato, o rabino Passy se formou em odontologia, mas largou a profissão do sorriso superficial para dar aula e fazer o sorriso interior e profundo da alma surgir. Amante da bondade e fã da comunidade paulista e de seu avanço, um dos principais professores da Yeshivá de Cotia conta sua trajetória de vida..


Bate Papo • Seu Makom • 7

Como era sua família em termos religiosos? E o lugar que você morava, tinha algo de religião? Meus pais sempre se esforçaram para manter as tradições, íamos à sinagoga nas Grandes Festas, tínhamos mezuzá na porta, etc. Em termos de educação fora de casa, eu frequentava o Liessin que era considerada uma escola judaica tradicional. Depois de morar no Rio, onde já é difícil cumprir a religião, você e sua família se mudaram para uma cidade no interior de Minas Gerais. Como era tentar seguir a religião por lá? Quando nos mudamos para Muriae, cidade no interior de Minas, ficou mais difícil, mas sempre tentamos manter a tradição, indo à sinagoga no Rosh HaShaná para escutar o shofar, rezar em Yom Kipur. Mesmo estando longe nunca deixamos de cumprir os preceitos. Em que colégio estudou nessa cidade interiorana? Em Minas estudei num colégio chamado São Paulo e depois fui para Yeshivá de Cotia onde terminei os estudos secundários. E este colégio era considerado um colégio secular? Não, o Colégio S. Paulo é um colégio religioso, onde as aulas de religião são obrigatórias. Tive que aprender tudo sobre o catolicismo, mas Baruch Hashem - graças a D-us meus pais sempre deixaram claro para nós qual era a nos-

sa religião e quais eram as diferenças entre elas, por isso as aulas não me atrapalhavam, nunca tive dúvidas sobre minha fé. Vindo de uma casa judaica e estudando num colégio católico, você devia enfrentar um conflito interno contínuo, isso não lhe despertava dúvidas sobre o aprendido? Lembro de um episódio que me marcou quando perguntei ao professor de religião algum detalhe sobre um versículo que não havia entendido e ele me respondeu de forma simples e clara que não devia me apegar aos detalhes da Bíblia, mas simplesmente aceitar. Isso me ajudou também a perder qualquer interesse e credibilidade sobre aquilo. Como não podia debater nem discutir nunca me interessei de forma profunda, mas


8 • Seu Makom • Bate Papo

eu queria ir mais além, procurar um significado mais profundo para minha vida. Quando começou a se questionar a respeito do que aprendia na escola? Graças à minha rotina. Eu tinha dois hobbys, que eram andar de skate e bicicleta. Todos os dias, chegava da escola, pegava meu skate e ia andar, foi quando após um tempo me perguntei aonde isso tudo ia parar. Todos os meus colegas faziam a mesma coisa todos os dias. Comecei a ficar bom nas

"...Sinto-me lisonjeado por ter tido um mérito muito grande de poder dar aulas no lugar onde tanto aprendi." manobras, participando de campeonatos de Halfpipe e até de corridas de bicicross. Participava de uma equipe de jovens que andavam de skate e bicicleta. Achava que a vida era aquilo, não tinha ideia da imensidão que é o mundo, de quantas coisas você pode aprender e trabalhar para se tornar um ser humano melhor. Jovem gosta de se divertir, não quer ter responsabilidades. Por isso, a importância do Bar mitsvá , que é uma forma de despertar o jovem para suas obrigações como ser humano, me tocou. Comecei a questionar nossas obrigações e perceber que viemos ao mundo para construir algo, não somente passear por aqui e pronto.

E essa rotina, somada ao episódio de questionamento na escola, teve uma influência grande na sua vida? Sim, com esse sentimento de busca fui convidado a participar de um acampamento na Yeshivá de Petrópolis, onde encontrei o meu início de tudo. Fiz o meu primeiro tsitsit, aprendi a fazer uma caixinha de tsedaká de madeira, etc. Pequenas coisas que acenderam a minha alma. E como, de Muriae, foi parar na Yeshivá de Cotia? No mesmo ano do acampamento, a Yeshivá já estava no seu segundo ano de funcionamento, fui convidado a visitar e acabei ficando. Quando chegou o choque foi grande? Qual a diferença de sua cidade para S.Paulo? Na verdade, a Yeshivá de Cotia não parece que é S. Paulo, quem vem aqui entende o que estou querendo dizer, as paredes desse lugar tem uma santidade especial, de Minas para lá foi um grande salto. Após a Yeshivá, você se formou em odontologia. Em que momento aconteceu o “click” que te fez ir de dentista para rabino? A verdade é que, ao escolher a faculdade, estava em busca de algo que eu pudesse fazer pelos outros. Pensei em ser médico, já que tenho dois tios médicos, mas não tinha condições na época nem de passar em um vestibular para medicina e nem de pagar


foto: sxc.hu

Bate Papo • Seu Makom • 9

uma faculdade particular, então optei pela odontologia, mas já estava dando aulas de Torá em instituições no Rio de Janeiro onde morei quando voltei de Israel. Cursei a faculdade e terminei, porém as aulas de Torá foram aumentando cada vez mais, até que não tive mais como escapar e acabei me dedicando exclusivamente para a Torá. Dava aulas no Colégio BarIlan, Binian Olam-RJ e participava do Kolel Rio, onde fui pioneiro junto com outros avrechim. Foi uma época de muito trabalho na comunidade do Rio, onde graças a D-us, muitos jovens se aproximaram. Como, já adulto, voltou a SP? E precisamente para Yeshivá? Depois de cerca de cinco anos trabalhando com kiruv (Binian OlamKolelrio) no Rio, nossa família foi crescendo e os filhos já exigiam um ambiente diferenciado. Com todo o esforço que a kehilá do Rio faz para manter o ambiente judaico, ainda assim tínhamos certo receio de como iríamos criar nossos filhos. Esse fator foi crucial para decidirmos nos mudar para S. Paulo. Nesse mesmo período, surgiu a oportunidade de lecionar na Yeshivá de

Cotia. Sinto-me lisonjeado por ter tido um mérito muito grande de poder dar aulas no lugar onde tanto aprendi.

"...as paredes desse lugar têm uma santidade especial, de Minas para Yeshivá foi um grande salto." O que acha que falta em SP em termos de religião/ comunidade? O que melhorou? O que piorou? Acho que São Paulo vem crescendo a cada ano, vários projetos são lançados a todo o momento. Lembro que há cerca de 20 anos, quando cheguei na Yeshivá de Cotia para estudar, no final de semana passava em casa ou na cidade de S. Paulo e fazíamos nossa tefilá em algumas sinagogas. Comparado a hoje em dia, o público que vinha rezar era pequeno e hoje me impressiono com a imensidão e grandiosidade que tomam parte desses lugares. Isso é fruto de 20 anos de trabalho das lideranças da kehilá, dos colelim, das yeshivot, novas escolas, etc. Por Tais Gaon


10 • Seu Makom • Curiosidades

Um segredo no coração do vaticano

FOTO: dreamstime

Localizada no coração do vaticano, a Capela Sistina, é o lugar do conclave, onde cada novo papa é eleito para seu cargo. É sem sombra de dúvida o lugar mais sagrado do mundo para os cristãos, por onde passam mais de quatro milhões de visitantes por ano. Além de sua santidade, é mundialmente conhecido por ser um lugar suntuoso, cheio de ouro, hospedar imensas riquezas e por seus gigantes afrescos pintados pelo maior pintor renascentista que já existiu, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. O que pouquíssimas pessoas sabem é o que há por trás desses lindos afrescos. Nesta cidade do Cristianismo reside talvez o maior ato subversivo da história da arte...


Curiosidades • Seu Makom • 11

A

o adentrar a Capela, pelo que se tem registro, nenhum dos visitantes percebe que se encontra diante de mensagens secretas, embutidas por Michelangelo em sua maior obra de arte. Certamente, ficariam surpresos ao descobrir que na capela do papa, o artista empregou mensagens secretas que defendem uma mudança revolucionária no Cristianismo com relação ao Judaísmo, e que o próprio código criado pelo artista está enraizado na tradição judaica. Michelangelo, um fervoroso admirador do judaísmo, fascinou-se quando jovem com os ensinamentos do Midrash e da Cabalá, sentimento que o levou a tomar aulas particulares dos dois livros, que foram financiadas pelo seu “mecenas”, Lorenzo de Medici. Usando seu conhecimento judaico e os seus símbolos místicos, incorporou mensagens, através de imagens pintadas nas paredes da igreja da Capela, perigosamente contrárias aos ensinamentos clericais. Desta forma, ele criticou o corrupto líder espiritual da época, e condenou o fracasso da Igreja em reconhecer sua dívida para com as origens judaicas. Michelangelo era um homem brilhante, que dominava as técnicas artísticas e sabia a fundo os conhecimentos filosóficos. Aprofundou-se em teologia cristã, tanto quanto no misticismo judaico. No entanto, aqueles que estudaram sua obra no passado não estavam familiarizados com seu vasto conhecimento, pois normalmente os historiadores e apreciadores das artes não só não possuiam esses conhecimentos, como desconheciam sua existência. A maioria

dos estudiosos da Capela Sistina não eram bem versados no judaísmo, nem na Cabalá, por isso era-lhes impossível perceber e compreender as alusões do artista. Alguns anos mais tarde, suas intensões seriam descobertas e suas mensagens secretas desvendadas. Desde o início, “O divino”, como foi apelidado após sua obra na Capela Sistina, tinha uma missão pessoal paralela a de seu patrono. Em 1508, sabemos que o papa Júlio II ordenou Michelangelo a engessar novamente, redesenhar e pintar o teto em ruínas da Capela

"A maioria dos estudiosos da Capela Sistina não eram bem versados no judaísmo, nem na Cabalá" Sistina. Um trabalho humilhante para qualquer grande artista, especialmente para Michelangelo, que detestava pintar e vivia somente para esculpir. O papa ordenou-lhe que fizesse um desenho simples, um layout padrão e banal de Jesus e Maria, nas duas extremidades do teto, rodeado pelos apóstolos e um projeto comum de formas geométricas no centro. O artista se recusou, e lutou com o papa doente e distraído, que finalmente o deixou desenvolver seu próprio plano. A surpresa do papa e dos espectadores, quando os segredos do projeto concluído foram desvendados quatro anos e meio depois, mostrando que noventa e cinco por cento da Capela foi decorada com heróis e heroínas da Bíblia


12 • Seu Makom • Curiosidades

judaica e o restante foi preenchido com sibilos pagãos e meninos nus que representavam os anjos, foi enorme. Nos 12 mil metros quadrados do maior afresco do mundo, não há sequer uma figura cristã. A única referência aos Evangelhos - e uma das formas que Michelangelo conseguiu salvar a sua vida e trabalho - foi uma quase imperceptível série de nomes desenhados de antepassados de Jesus que nem sequer aparecem em ordem cronológica. Por que Michelangelo desobedeceu o papa desta forma? Michelangelo escondia em sua obra um profundo objetivo: lembrar a Igreja que suas raízes e ensinamentos estão baseadas na Torá dada ao povo judeu e ensiná-los a não destratar as outras pessoas. O artista não se conformava com a ideia hipócrita que a Igreja pregava ao desmerecer aqueles que não acreditassem na sua fé, e o que essas pessoas, aparentemente tão pacíficas, eram capazes de fazer para provar seu ponto e justificar seus atos. Desde reescrever a Bíblia, até calar os revoltosos. Sabe-se que a Igreja e o Vaticano são considerados os lugares mais corruptos e antiéticos do mundo e Michelangelo quis se vingar e marcar a igreja do mesmo jeito que ela marcou o mundo. Essa percepção, que o pintor inseriu em toda sua obra, manteve-se secreta até pouco tempo atrás. Hoje, começa a re-

ceber certa atenção no estudo contemporâneo e a ganhar destaque nos grandes meios de comunicação. A revista Time de março, com a capa “10 ideias que estão mudando o mundo”, destacou o que os estudiosos estão chamando de “Jesus re-judaizante”1 como a ideia nova mais poderosa no campo da religião. Os afrescos de Michelangelo enfatizam a universalidade de D-us e do parentesco de toda a humanidade, começando a narrativa pictórica com a história da criação do Gênesis, não com o nascimento de Jesus. O primeiro traço de judaísmo que pode ser percebido é o fato do pintor ter iniciado sua obra com a Criação, este é um traço claro de que D-us, o mundo e as criaturas foram criados antes de Jesus e o catolicismo. Contrariando uma Igreja que pregava a excludência e salientava o amor Divino por apenas um número limitado de Seus

O artista classificou como gênio aquele que for capaz de ter uma “paciência eterna.” filhos, Michelangelo enfatizou tolerância a todas as fés, até mesmo aos judeus, que eram desprezados em seu tempo. Um afresco em que essas mensagens podem ser notadas com clareza é o re-

- O Movimento re-judaizante é uma vertente do cristianismo, no qual seus seguidores se baseiam no Novo Testamento e na ideia de que, como Jesus era judeu, devem seguir alguns traços da tradição judaica, como comemorar todos os anos as festas judaicas nas datas originais. Além disso, pregam que as castas levíticas e o legalismo exacerbado proporcionam aos fiéis um certo status de sacerdote e superioridade elevando-os a um nível de espiritualidade maior que o das pessoas de outras religiões.

FOTO: dreamstime

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Curiosidades • Seu Makom • 13

trato de Aminadav, pai de Nachshom2. Ele aparece acima da área elevada onde o papa senta em seu trono nas missas, conclaves, etc. Os judeus e os estudantes hebreus sabem que o nome de Aminadav em hebraico significa um “príncipe do meu povo”. Mas a Igreja interpreta “príncipe dos judeus” como Jesus. Michelangelo posicionou Aminadav, o “príncipe dos judeus”, propositalmente acima do papa, como substituto para o próprio Jesus e para mostrar que os judeus e D-us estão acima do líder clerical. Esta é uma das figuras extremamente raras pintadas por Michelangelo sentada, perfeitamente ereta, olhando para a frente, um sinal do artista que a figura é realmente notável. Além disso, um círculo amarelo (um anel de pano costurado em uma peça de vestuário) aparece na parte superior do braço esquerdo de Aminadav. (Este detalhe não foi revelado para o público moderno até 2001, quando os afrescos foram restaurados.) Este exibe o distintivo de vergonha forçado sobre os judeus da Europa pelo IV Concílio de Latrão em 1215 e pela Inquisição no século 15. Aqui, diretamente sobre a cabeça do papa, o Vigário de Cristo, Michelangelo lembrou à Igreja que Jesus era um judeu. E mais além, através da pintura condenou a Igreja pelo seu tratamento vergonhoso aos judeus, dos quais descende Jesus. Esta foi uma declaração corajosa. Suas mensagens veladas foram pintadas num momento em que o Talmud e

outros livros sagrados judaicos eram queimados por toda a Europa. A Inquisição operava com força total e o povo judeu tinha acabado de ser expulso da Espanha (em 1492). Michelangelo teve a coragem de desafiar a Corte Papal, pedindo através dos símbolos de sua pintura, que reconhecesse a família de “Nosso Senhor”. O desprezo de Michelangelo pelo tratamento aos judeus dado pela Igreja foi muito além de insultar o próprio papa com o gesto quase imperceptível em Aminadav. Praticamente escondido na sombra, este substituto para Jesus zomba dele ao apontar seus dedos para baixo em direção ao local onde o pálio ricamente bordado do papa Julio cerimonial teria sido, ao longo do trono papal, condecorado. De maneira semelhante, em outro afresco colocado sobre o portal da Capela original através do qual o papa Júlio entrava, Michelangelo retrata o profeta Zecharia usando o rosto do próprio papa. Por cima do ombro pode-se ver um pequeno anjo com seus dedos se enroscando de maneira a fazer um gesto obsceno conhecido na Itália como “dando o figo”, sinal de insatisfação e insulto. No simbolismo das imagens da Capela Sistina, em vez de vergonha e perseguição, a inclusão e reconhecimento do Divino estamparam-se em seu teto nos afrescos defensores de Michelangelo. Em sua obra posterior, “O Juízo Final”, Michelangelo enfrenta e ofende a Igreja de maneira ainda mais

- Personagem que aparece na Torá por ter sido uma das pessoas que, na saída do Egito, acreditou de forma plena em D-us e atravessou o mar Vermelho que só se abriu quando a água lhe chegou no pescoço.

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14 • Seu Makom • Curiosidades

incisiva. Nela, um anjo de cabelos dourados, vestido de vermelho pousa diretamente sobre a cabeça de Jesus e aponta para dois homens dentro de um grupo conhecido como os de “almas justas”, grupo de pessoas que representa os privilegiados a passar a eternidade em um estado de êxtase com Jesus, como recompensa por seus atos na terra. Michelangelo retrata esses dois homens como os ju-

Michelangelo enfatizou tolerância a todas as fés, até mesmo aos judeus, que eram desprezados em seu tempo deus, ao desenhar um deles usando um chapéu de duas pontas (representando chifres) que a Igreja forçava os homens de origem judaica a usarem para reforçar o preconceito medieval de que eram filhos do diabo e nasciam com chifres. A figura de chapéu vermelho, ao apontar seu dedo para cima, indica ao seu amigo a unicidade de Deus. A outra usa um chapéu amarelo de vergonha (o mesmo que durante o século 13, a Igreja obrigou os homens judeus da Itália a usarem em público). Na frente das duas figuras, uma mulher, com o cabelo recatadamente coberto, sussurra no ouvido de um jovem nu diante dela. A juventude representava o jovem tutor de Michelangelo, Pico della Mirandola, que possuía na época a maior biblioteca de Cabalá do mun-

do, e que ensinou ao jovem artista os segredos do misticismo judaico, os quais incandeceram dentro dele um grande respeito ao povo judeu. Ao concender aos judeus um lugar no céu com Jesus, Michelangelo provocou no século 16 e ainda hoje provoca acalorados debates entre os fervorosos cristãos. Sua descrição concedida claramente infringiu a doutrina oficial da Igreja, que defendia que os judeus nunca poderiam ter uma recompensa celestial, colocando-os como iguais ou até mesmo como superiores. Desvendado 500 anos antes da teologia contemporânea mais liberal do papa João Paulo II e “O Papa Bom”, João XXIII, a descoberta de seu código secreto e de suas visões heréticas poderiam ter custado a vida a Michelangelo. Hoje, Michelangelo é considerado o mestre da subversão e sua descoberta tornou-se mais uma prova usada para contestar a veracidade e o poder da Igreja. Despertou ainda mais a curiosidade das pessoas de conhecer este lugar, de desvendar seus segredos. Conseguiu e consegue iniciar as discussões acâdemicas e corriqueiras mais acirradas, ao redor do mundo. O artista classificou como gênio aquele que for capaz de ter uma “paciência eterna.” Este ano, no 500 º aniversário do início de seu trabalho no teto da Capela Sistina, podemos finalmente dizer que seu trabalho “rachado” e seu “código”, engenhosamente escondidos, podem finalmente ser ouvidos. Por Rav Benjamin Blech-aish.com, traduzido por Tais Gaon


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16 • Seu Makom • Mística

Shemá Israel: Qual o verda judaica mais fam

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hemá Israel Hashem Elokeinu Hashem Echad -- “Escute Oh Israel, o Eterno é nosso D-us, o Eterno é um” – é, ao redor do mundo, a reza mais proferida pelos judeus. É uma declaração de fé, uma promessa de fidelidade endereçada a um D-us único. Utilizada tanto nas situações em que queremos louvar a D-us, quanto naquelas que suplicamos por algo. É a primeira reza que uma criança aprende e a última que uma pessoa fala antes de morrer. O Talmud conta que, quando Yaacov Avinu em seu leito de morte quis revelar a seus filhos quando seria a redenção, ficou preocupado que algum deles não acreditasse no que ele diria. Naquele

momento, ao recitarem o Shemá Israel, Yaacov foi convecido do contrário.. O Shemá é a reza tanto do pergaminho da mezuzá, que afixamos nos umbrais de nossas portas, como dos filactérios (tefilin) da cabeça e do braço. Com o Shemá em seus lábios, os judeus aceitaram seu destino e morreram para santificar o nome de D-us na Inquisição. No Holocausto marcharam com fé recitando-o até as câmaras de gás e hoje o recitamos diante de um ladrão ou do Muro das Lamentações. Pela Torá, quando devemos recitá-lo? Além de utilizá-lo como escudo nas diferentes situações da vida, fomos


Mística • Seu Makom • 17

adeiro significado da reza mosa do mundo? ordenados a dizer o Shemá duas vezes ao dia: uma de manhã e outra ao anoitecer. Como diz o passuk: “E vocês deverão falar deles ao se deitarem e ao se levantarem” (Deut. 6:7). O Talmud explica que ao se levantar e ao se deitar não se refere literalmente às posições do corpo, mas sim ao tempo correto para recitar a reza. (Berachot 6) Precisamente, o tempo para recitar o Shemá noturno é a partir de 40 minutos após o pôr-do-sol, até a meia-noite. O tempo para recitar o Shemá matutino é uma hora antes do nascer do sol (quando a pessoa já consegue reconhecer um amigo a quatro cúbitos de distância) até as 9 horas da manhã. Na reza de Shabat e nos chaguim, todos

os iehudim recitam o Shemá antes de ler a Torá. E também o recitamos no final do dia mais sagrado do calendário judaico, Yom Kipur, quando, de tão elevados, alcançamos o nível dos anjos. Raio-X O Shemá é composto por três paragráfos da Torá. O primeiro ( Deut. 6:4-9) contém os conceitos de amar o Eterno, estudar Torá e passar a tradição para nossos filhos. Esses versos também se referem, especificamente, às mitsvot de tefilin e mezuzá. Enquanto rezamos, usamos o telifin como um sinal da proximidade de D-us com nossos corações e cérebros, para mostrar que todos os nossos


18 • Seu Makom • Mística

pensamentos e sentimentos estão direcionados a D-us. A mezuzá afixada em nossos umbrais representa que, através da Presença Divina, estamos seguros. O segundo parágrafo (Deut. 11:13-21) fala sobre as consequências positivas que o cumprimento das mitsvót trazem e suas consequências negativas caso não as cumprimos. O terceiro parágrafo (Num 15:37-41) fala especificamente sobre a mitsvá de usar tsitsit e sobre a saída do Egito. O tsitsit é a lembrança física dos 613 mandamentos da Torá. Unidade Divina Em seu discurso de despedida ao povo, Moshe Rabeinu, recitou o Shemá para ressaltar a unicidade de D-us e essa é a ideia principal do verso: “Escute Oh Israel, o Eterno é nosso D-us, o Eterno é um” (Deut. 6:4). Mais além dela, como está escrito no rolo da Torá, as letras “ayin” e “dalet” do primeiro verso estão ampliadas, para formar a palavra “Ed”, que quer dizer testemunha. Ou seja, quando falamos o Shemá, estamos testemunhando a unicidade de D-us. Por que a unicidade divina é tão importante na crença judaica? Realmente importa se D-us é um só ou três? É possível que o mesmo D-us que nos enche um dia de bondade e nos dá tudo que precisamos seja o mesmo que no dia seguinte deixe tudo acontecer da pior maneira possível? Os acontecimentos mundanos parecem mascarar essa ideia de que D-us é um só. Um dia acordamos e tudo corre bem. No outro, tudo dá errado. O que aconteceu?

Sabemos que D-us é bom, então como é possível que exista tanta dor? Será que é “azar”’? O Shemá Israel é a declaração oficial, onde reconhecemos que todos os eventos que acontecem são fruto da vontade de um D-us único. A confusão surge, pois os seres humanos têm uma percepção limitada da realidade. Um jeito de entender a unicidade divina é imaginar a luz brilhando através de um prisma. Mesmo quando vemos vários feixes coloridos vindo de diferentes direções sabemos que eles são emanados de uma única fonte de luz. Assim também, mesmo que alguns eventos não pareçam vir de D-us, causados por alguma outra força do mal ou pelo azar, eles vêm, de fato, de D-us, e Ele sabe o que é melhor para o ser humano. Na época de Mashiach, conseguiremos entender como até as coisas ruins que nos acometem, ocorrem para o bem. Nossos sábios contam que, o patriarca Yaacov, após 22 anos longe de seu filho Yossef , finalmente desceu ao Egito para ir ao seu encontro. Assim que estiveram juntos, Yaacov falou o Shemá. Os penosos anos que passou por sua perda foram expressos por um “Shema Israel!” cheio de emoção. Amar a D-us com todo seu coração… No segundo verso, o Shemá diz: “ E amarás ao Eterno, teu D-us com todo teu coração, toda sua alma e com todos teus recursos” (Deut. 6:5). O que significa amar a D-us com todo seu coração? O Talmud explica que a palavra “coração” representa os desejos. É comum que, ao querer expressar


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que gostamos muito de algo, usemos o termo “amo”. Por exemplo, dizer “Eu amo chocolate.”, na verdade é dizer “Eu desejo chocolate”. O Shemá fala para “amar a D-us com todo o seu coração”, isso quer dizer que devemos não somente usar as boas características para amar D-us, como a bondade ou a compaixão, mas também usar os nossos defeitos para servi-lo. Por exemplo, quando vamos a um bom restaurante, não devemos ir porque queremos devorar a comida, mas sim ir com o objetivo de saciar um desejo físico e que estamos comendo para manter o corpo saudável, que permitirá servir a D-us da melhor forma possível. ... com toda sua alma Rabi Akiva (líder do povo na época do Império Romano) amava D-us de tal forma que, mesmo com a proibição legal de ensinar e estudar Torá, imposta pelos gregos, ensinava-a. Quando os romanos descobriram, sentenciaram-no a uma dolorosa morte raspando sua pele com um grosso pente de metal. Enquanto era torturado, Rabi Akiva recitou alegremente o Shemá. Vendo isso, seus desnorteados estudantes perguntaram “Rabi, como você pode louvar a D-us em meio a essa tortura?” Ao que o Rabi Akiva respondeu: “Toda minha vida, me empenhei para amar a D-us com toda minha alma. Agora eu tenho a oportunidade de fazê-lo, entao o faço com alegria” Com seu último suspiro ele santificou o nome de D-us gritando as palavras do Shemá. (Talmud - Brachot 61a).

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...e com todos seus recursos A parte final do terceiro parágrafo fala para amar D-us com todos os nossos recursos. Esse conceito é complicado, porque normalmente a Torá apresenta os fatos do mais fácil para o mais difícil. Aqui, a ordem é: Ame D-us emocionalmente (com todo seu coração), mesmo que tenha que sacrificar sua vida (com toda sua alma) e ainda deve estar disposto a gastar todo seu dinheiro para isso (com todos seus recursos financeiros) Levando em conta que esta linha é uma progressão crescente, será que realmente existem pessoas que consideram o dinheiro mais importante do que sua própria vida? A resposta é sim! O Talmud traz em massechet Brachot 54a, o caso de uma pessoa que atravessa um campo cheio de espinhos e levanta sua calça para não rasgá-la. As pernas da pessoa ficaram cortadas e arranhadas, mas pelo menos as calças foram salvas! Em Nevada, onde apostar é legalmente permitido e todo hotel possui um cassino, as janelas dos hotéis são feitas de forma a evitar que as pessoas que FOTO: dreamstime

perderam muito dinheiro possam se atirar por elas. Sim, infelizmente, para alguns, o dinheiro é mais importante do que eles mesmos. União Judaica Seth Mandel, pai de Koby Mandel, menino de 13 anos que foi espancado até a morte em uma caverna por terroristas árabes, participou do comício pró-Israel em Washington, DC, em abril de 2002, e contou na ocasião a seguinte história: No atentado à pizzaria Sbarro ocorrido em Jerusalém, faleceram 15 pessoas. Cinco membros de uma família alemã foram mortos, sendo um deles um menininho de quatro anos de idade chamado Avraham Itzchak. Enquanto permanecia deitado no chão, sagrando, queimando e ardendo falou para seu pai: “Aba, por favor me ajuda! Me salva!” O pai envolveu o filho em seus braços e juntos falaram o Shemá Israel. Após contar essa história Seth Mandel falou ao público de DC: “Meu filho morreu sozinho. Eu não


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tive a chance de falar o Shemá com ele. Então, agora peço a ajuda de vocês para falar o Shemá pelas centenas de pessoas que foram mortas no conflito do Oriente Médio. Falem o Shemá comigo em homenagem ao menino da Sbarro e falem o Shemá comigo em mérito de meu filho Koby”. Ele então levou a multidão de 250 mil pessoas a recitarem o Shemá Israel juntos. O poder do Shemá Histórias bíblicas e modernas demonstram como a união judaica trouxe segurança aos judeus como povo e ao mundo em si. A agressão física e espiritual da humanidade foi lançada em 11 de setembro, com o ataque às Torres Gêmeas. A tensão em Israel continua a crescer. A ameaça do terrorismo ainda é grande. Quem sabe o que está por vir? O que podemos fazer? Agora, em nossos tempos turbulentos, cada um de nós - homens, mulheres e crianças - pode ajudar de maneira simples, mas poderosa: toda manhã e à noite, faça uma pausa de 15 segundos de tudo o que está fazendo e recite o Shemá. Esta

reza é muito mais poderosa do que imaginamos, pois como dizia Rabi Akiva “se ao recitar o Shemá você acreditar que D-us é único, que Ele tudo pode, tudo lhe pertence e que tudo que faz é para o bem, conseguirá amá-lo, reconhecer sua bondade e consequentemente, se aproximará Dele”. Quando o iehudi se aproxima, D-us o protege e lhe manda bênção. O importante é compreender e se concentrar no significado das palavras. Se a pessoa que o recita não entende hebraico, pode proferi-lo também em português. O Shemá pode ser muito reconfortante para as crianças ao tornar sua pronunciação um ritual noturno. É uma oração ao Todo-Poderoso para protegê-los e proporcionar-lhes um sono tranquilo que lhes ensina desde pequenos a serem temerosos a D-us. Essa reza foi e ainda é considerada uma simples e poderosa fórmula, de seis palavras, capaz de unir todos os povos amantes da paz, salvar vidas e capaz de trazer mais luz espiritual ao nosso mundo. Adaptado do Aish.com


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Uma carta de arrependimento A Neshama do iehudi é comparada a uma vela, que possui uma faísca divina a qual emana luz e permanece acesa até o momento em que ele deixa fisicamente este mundo. Na vida, muitas vezes nos arrependemos de coisas que fizemos ou daquelas que deixamos de fazer e ainda existem aquelas que gostaríamos de ter feito de outro jeito. Em todas estas ocasiões, D-us se apieda de nós e nos dá uma nova chance para reescrever a história até o último momento. Isso quer dizer que sempre há tempo de se arrepender, mas nem sempre dá tempo de agir. Udi teve uma grande ideia e foi abençoado com o tempo suficiente para iluminar os outros , através desta carta, a que reajam e corrijam seus erros conseguindo assim, se perdoar e ser perdoado.

Q

uando você ler estas linhas, eu não estarei mais com vocês. Eu me encontro, neste instante, muito longe de você, em um outro mundo. Espero que as coisas que você lerá não lhe tragam sofrimento, e que você consiga se sobrepor e ter forças para voltar aos trilhos de sua vida o mais rápido possível. Mas há certas coisas que senti, que eu simplesmente sou obrigado a te contar. Há apenas algumas horas, terminou a festa de aniversário que vocês fizeram pra mim no hospital. Foi tão bom ver toda a

turma que veio me visitar e a alegria foi imensa. Quando nos despedimos, você me perguntou. “OK Udi, então quando é que vamos nos ver de novo?”. Pensei nisso com um sorriso falso que escondia a tempestade que transcorria dentro de mim. “Viveremos e veremos...”. Será que agora você realmente entende o sentido dessas palavras? As coisas pelas quais eu passei nos últimos 3 meses (curtos), eu não desejo para nenhum homem no mundo. Eu lembro como se fosse ontem. O dia em que sentávamos, eu, meu pai, e minha


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mãe, na sala de espera do Prof. Steinberg e esperávamos que nos informasse os resultados do exame. Desconfiávamos que havia algo de errado com a minha saúde, pois há muito eu reclamava de dores nas costas no último meio ano, mas nunca passou pela nossa cabeça que o problema poderia ser tão grave. O professor veio até nós, na sala de espera, olhou nos olhos do meu pai e minha mãe e depois me observou de uma maneira estranha por uns longos segundos. Seu rosto não revelava qualquer coisa e ele então pediu para que meus pais o acompanhassem. Eu me surpreendi que ele não me chamara, mas em seguida ele se virou para mim “Daqui a pouco te chamo, meu irmão”. Esperei sozinho na sala de espera e num silêncio profundo tentava ouvir o que se passava lá dentro. Nem bem passou um minuto e um grito de minha mãe rompeu pelo ar “Não pode ser doutor, aqui existe algum engano! Isso não é possível! Vocês devem examinar mais uma vez!”. Depois de dois minutos que pareceram o infinito, o doutor também me chamou para que eu entrasse. Minha mãe estava sentada na cadeira tremendo, e meu pai, ao seu lado, estava tão branco como a parede atrás dele. O professor pediu que eu sentasse. “Udi, eu sinto muito, mas você tem um tumor nas suas costas”. Naqueles meses passei por vários tipos de tratamentos, dietas, quimioterapias. Não sei o que eles fizeram contra o câncer, mas eu fui destruído. De um jovem feliz e brilhante, cheio de independência e vida, virei um vaso quebrado, abatido, perdi meus cabelos e enfraqueci muito.

A última esperança era uma cirurgia demorada de 6 horas com 5 médicos. Mesmo que ninguém me dissesse isso sabia que minha vida dependia do resultado dela. Quando acordei da cirurgia, no quarto de recuperação vi meu pai e minha mãe de pé ao meu lado. Senti-me bem, especialmente. Meu pai sorriu e me disse “Parabéns Udi, hoje é o seu aniversário”. De repente, lembrei. Devido a todos os tormentos que passara havia esquecido que tinha um aniversário. Hoje eu tenho 17 anos. A noite vocês chegaram, para celebrar comigo. Foi uma surpresa muito agradável e fiquei muito feliz depois de tanto tempo que não nos víamos. No meio da festa, o Prof Steinberg entrou no quarto. Pelo visto ele não queria acabar com a festa, então pediu que meus pais saíssem do quarto. Dentro a festa continuou e o barulho não me deixou ouvir o que eles conversavam. Vocês continuaram a festejar, Eran, mas o meu coração já estava em outro lugar. Sabia que eles discutiam os resultados da cirurgia. Sobre o destino de minha vida. Depois de alguns instantes minha mãe voltou para o quarto, pálida e tremendo. Meu pai que tentava acalmá-la parecia, ele próprio, prestes a desmaiar, mas eles não disseram nada. Entretanto eu já havia entendido. Sabia que eles tentavam esconder o que se passava dentro deles. Eles forçaram um sorriso e meu pai disse a todos “Por que pararam, pessoal? Continuem! Continuem!”. A turma estava ocupada, uma parte comendo e a outra cantando músicas de aniversário e nem perceberam o que


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acontecia. Quando o pessoal que cantava chegou às palavras “Ken tizkê, leshaná habaá, ad meá veesrim shaná”, (“que assim logre, o próximo ano, até os 120 anos”), os olhos de minha mãe se encheram de lágrimas e parecia que ela ia explodir em choros. Meu pai a olhou com um olhar de consolo, ela saiu correndo do quarto, e meu pai, rapidamente atrás dela. Peço desculpas Eran, se eu te encho com descrições chatas. Você sabe que eu odeio fazer isso. Mas eu simplesmente estou tão cansado agora que me é difícil trazer o que eu realmente queria falar. Agora tudo está quieto. A festa acabou e todos se foram. Meu pai foi levar minha mãe para casa e daqui a pouco estará de volta para passar a noite comigo. Agora estou sozinho, fazendo o que eu fiz muito durante esta última época: Pensando.... “Sobre o quê?” – você deve se perguntar. Sobre o que não? Tantas coisas passam pela minha cabeça que eu simplesmente não sei por onde começar. Mas de qualquer forma tentarei. Faz uma semana, veio aqui o Frishman. Lembra dele? Yechezkel Frishman, o nosso professor de biologia? Aquele que nós sempre amamos zoar, e deixar ele louco? Ele se deu ao trabalho de vir ao hospital especialmente para me visitar. Muito bonito da parte dele, né? Ele sentou do meu lado e estava muito interessado e saber como eu estava e me desejou melhoras do fundo do coração. Ele foi tão simpático e amigo. Mas, sabe Eran, no que eu estava pen-

sando durante todo o tempo que ele esteve aqui? Eu pensei em tudo que fizemos pra ele em todos esses anos: as piadas, a zoeira, as atrapalhações. Como zombávamos dele, como ridicularizávamos ele, como ríamos dele pelas costas (e as vezes, também pela frente...). Teve uma hora na visita que eu simplesmente não agüentava mais. Queria parar e pedir desculpas pra ele por tudo. Não fiz isso. Tive vergonha. Quando nos despedimos ele me deu uma caixa de chocolates doces de presente. Sim, eu os comi. “Como estavam?” – você deve estar perguntando. De forma alguma estavam doces. Estavam amargos. Muito. Pensei comigo mesmo que precisava ir até ele antes de Rosh HaShana pra pedir desculpas, por tudo. Pensei de novo. Não sei se vou durar até Rosh HaShaná. Daí eu pensei no Arik. Nós éramos os melhores amigos. Crescemos juntos, fizemos de tudo juntos. De verdade – como carne e osso. Até que chegou aquela briga. Agora eu nem sei por que ela começou. Você entende, Eran, tínhamos uma amizade linda que acabou por causa de uma briga idiota sobre uma coisa sem importância. Onde, em qualquer lugar do mundo, eu posso encontrá-lo agora? Ouvi que ele foi com seus pais pra uma shlichut nos EUA por um ano. Mas isso já faz 5 anos. Desde então não ouvi nada dele. Mas tem uma coisa que por causa dela


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eu realmente, mas realmente, me arrependo. É a Michali, minha irmã pequena. A única. A verdade é que eu nunca fui muito bom com ela. Muitas vezes quando eu chegava em casa, ela pedia para eu brincar com ela, que eu lesse alguma história. Mas eu nunca tinha tempo pra ela. Sempre estava “ocupado”. Nunca me interessei por como ela ia na escola, o que acontecia com ela. Sempre tinha coisas “mais importantes” pra fazer. Ela tinha tanto orgulho de mim, de seu irmão grande (eu tenho 8 anos a mais que ela) essa menina doce. Mas eu nunca retornei este amor do jeito que devia. Ai, Eran, o que eu não daria agora, pra sentar do lado dela, abraçá-la contar uma história ou simplesmente brincar com ela. Como eu queria estar no seu Bat Mitzvá. Meu pai deve chegar a qualquer instante pra passar a noite comigo. Falei pra ele que não precisa e que eu me viro sozinho, mas ele e minha mãe fazem questão de toda noite ficar comigo (eles fazem um rodízio pra ver quem vai ficar comigo e quem ficará com a Michal, em casa). Eles foram tão bons e dedicados comigo durante essa época difícil, que eu não sei como, em alguma hora, poderei retribuir essa bondade. Eu tenho certeza que pra eles, essa também não foi uma época fácil. Parecem como se tivessem envelhecido dez. No rosto de minha mãe surgiram rugas, e nos cabelos de meu pai, velhice. Eu tenho que te contar mais uma coisa Eran. Ontem à noite, minha mãe ficou comi-

go no hospital. Não sei se ela chegou a dormir, pois toda hora eu a via lendo tehilim. De repente eu acordei. Eu a ouvi rezando em voz baixa. Ela não sabia que eu estava acordado e prestando atenção. Mas eu consegui ouvir uma parte de suas palavras: “Senhor do mundo, eu me lamento frente a você... Não me pegue o menino...ele ainda é tão jovem...Se ele precisa morrer...eu dou meus anos pra ele...”. Fiquei bobo.  Não sabia como reagir. Fingi que estava dormindo. No dia seguinte não falei uma palavra sobre o assunto. A verdade Eran, é que eu tenho um aperto muito grande no coração. A minha bússola me repreende tanto, porque também, com meu pai e minha mãe, nunca me comportei como devia. Não lhes dei o respeito que mereciam, não prestei atenção ao que diziam. Sempre senti como se eu entendesse as coisas melhor do que eles. Como se eles fossem “velhos”, “pesados”, pertencentes a uma geração ultrapassada. Ai, esses pensamentos me deixam louco. Nós tínhamos muitos planos juntos, Eran. Queríamos no verão fazer um passeio de praia em praia pelo norte. Fazer rapel nos penhascos de midbar Yehudá, e “desbravar” o Golan. Também tínhamos planos a longo prazo. Alistar-nos na Tzavá, estudar (dessa vez, de verdade...), construir uma família (eu tenho certeza que nada no mundo ia deixar minha mãe mais feliz do que me ver alegre debaixo da chupá)... Queríamos fazer muita coisa grande em nossas vidas. Eu lembro como trabalhamos, nós dois, pra fazer um livro de memórias pro Do-


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ron. Depois que nós saímos do choque da sua morte num acidente de carro. Pensamos sobre um modo qualquer de eternizá-lo e decidimos editar um livro em sua memória. Um livro com pensamentos e discursos, coisas que ele escreveu e coisas que escreveram sobre ele. A gente queria que ficasse uma lembrança, qualquer que fosse, dele. Mas você com certeza se lembra, do que eu te disse então, que não me fazia nenhum sentido que do Doron, o cara mais alegre e cheio de vida que eu conheci, pudessem sobrar só umas folhas frias, fotos e lembranças... Agora eu penso em mim mesmo. Não. Não. Não. Eu não quero que o que sobre de mim seja só um livro. Eu quero viver! Eu ainda tenho tanta coisa pra fazer no mundo. Tanta coisa pra consertar. Tanta coisa que eu preciso fazer do jeito certo. Levantei da cama e puxei atrás de mim o suporte da infusão até a janela. Olhei pro saquinho que estava pendurado nele, pingando gota após gota, como se representasse o relógio da minha vida, que vai e escorre. Olhei pela janela. O relógia marcava meia-noite. Silêncio na cidade, e o braço das estrelas brilhando envolvia a cidade. Pensei comigo mesmo, quantas pessoas estão dormindo agora em paz nas suas camas, saudáveis e inteiros, e não valorizam o suficiente o presente da vida. A oportunidade valiosa que eles têm nas mãos deles. E eu que finalmente consigo entender. Eu não tenho mais essa oportunidade... O rádio do lado da minha cama estava

ligado todo o tempo, tocando músicas tranquilas. De repente meus ouvidos captaram a letra duma música que tocava. Uma música conhecida, mas que descrevia tão bem o que eu sentia naquela hora, que eu sou obrigado a escrever pra você algumas palavras dela:   Com essas mãos ainda não construí uma aldeia Ainda não encontrei água no meio do deserto Ainda não desenhei uma flor, ainda não sei como O caminho me leva e para onde eu vou   Ainda não plantei grama, ainda não levantei uma cidade, Ainda não plantei vinhedos sobre todas as montanhas da cidade Ainda não fiz tudo, assim com as minhas mãos Ainda não experimentei tudo. Ainda não amei o suficiente (Od lo hakol nissiti. Od lo ahavti dai)   Ainda não levantei uma tribo, ainda não compus uma música, Ainda não vi cair neve durante a colheita Ainda não escrevi minhas memórias Ainda não construí a casa dos meus sonhos   Olhei para as minhas mãos, as minhas mãos que uma vez foram sadias e fortes, agora furadas cheias de infusões. “Beele haidadaim... od lo ahavti dai” (“com essas mãos... ainda não amei o suficiente”). Eu vou te contar uma coisa Eran, que talvez não te pareça real, mas me acredite. Nessas horas as pessoas já não mentem mais.


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A verdade é que eu não tenho medo de morrer. A verdade é que não me importaria tanto largar esse mundo e passar para um mundo onde tudo é bom, apesar de eu só ter 17 anos, se eu pudesse ter a tranquilidade de espírito, e a certeza de que eu fiz o que eu realmente precisava fazer! Que eu aproveitei a oportunidade que eu tive. Mas agora, quando eu chego nesse instante, e olho para minha vida atrás, eu percebo quantas coisas eu precisava ter feito diferente! No que diz respeito a minha ligação com meus pais, com a minha irmã, com os meus amigos, os vizinhos, os professores... Com D-us... Você sabe Eran, já faz muito tempo que eu não posso ir num Beit HaKnesset e rezar com minian. Todo esse último mês eu coloquei o Tfilin e rezei sozinho no meu quarto no hospital. Talvez vá te soar engraçado, pois você me conhece e sabe como, por todos esses anos custava-me pra levantar de manhã pra rezar com minian. Eu não era um cara que se entusiasmava com isso. E quando eu à tefilá, também estava sempre atrasado e até mesmo no que diz respeito a rezar com kavaná (devoção) eu não era um modelo de exemplo. Mas ontem de manhã quando eu coloquei o tfilin sozinho no quarto, de repente, eu senti tanta saudade de rezar junto com todos, de responder em voz alta pro Kadish e pra kedushá. Da kriat Hatorá, da tefilá verdadeira do fundo do coração junto com todo o tzibur (congregação). Você sabe Eran, que o estudo da Gue-

mará nunca foi “o amor da minha vida”. Eu sempre aproveitava qualquer chance pra fugir dos sedarim (aulas) da yeshivá. Mas agora, ai, como me faz falta. Sentar no beit midrash e estudar simplesmente um daf de gmará, ler a parashat hashavua com o Rashi. Ou até mesmo ouvir um shiur do nosso More. Você pode acreditar? Você me conhece Eran, sabe que eu sempre fui um cara supérfluo, um desses que “leva” a vida, que não se emociona com o que acontece, que aceita as coisas como elas são. Nem sempre me preocupei em esclarecer bem as coisas, me aprofundar nas coisas e compreendê-las de verdade. Eu não tenho dúvidas de que foi mais fácil me comportar do modo como me comportei, mas por outro lado, eu penso sobre tudo que desperdicei. Como eu queria agora estar na rechava do Kotel Hamaaravi (a esplanada na frente do Kotel), me apoiar nas suas pedras e colocar entre elas um bilhete com um pequeno pedido pro Criador do mundo. Um pedido de uma outra vida. Diferente daquela que eu tive... Não me entenda mal Eran. Eu devo agradecimentos a vida que eu tive. Sobre tudo que ganhei. Justo agora, eu percebo o quanto eu tenho de agradecer por toda a prosperidade que eu ganhei, e que até agora eu me relacionava, com ela, como se ela fosse uma coisa óbvia por si só. A linda família que eu tive, os meus amigos, os professore, as forças e preparos que eu ganhei (e não os aproveitei eles como devia...), a inteligência, a saúde, tudo! Até mesmo as coisas mais rotineiras, que talvez, justo por serem comuns a gente


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não valoriza como deveria – a possibilidade de respirar o ar puro, olhar o azul do céu, ouvir o pio dos pássaros, se surpreender-se, experimentar, sentir, amar.  Simplesmente, viver! Também penso comigo mesmo que se só tivesse um pouco mais de tempo, mais um ano, mais um mês, ou até mesmo mais uma semana, tanta coisa eu poderia fazer diferente. Mas eu simplesmente fui um bobo.  Um cara jovem e metido que acha que tem o mundo em suas mãos. Que tem certeza de ter mais dezenas de anos pela frente, e que nada irá desaparecer. Agora eu sei Eran, que nesse mundo ninguém tem uma apólice de seguro. A vida é um presente precioso demais. Temos de aproveitar cada gota dela. Tenho certeza que se durante toda a minha vida eu tivesse a perspectiva que eu tenho agora, muitas coisas eu teria feito totalmente diferente. Não tenho mais forças pra escrever, e eu também não quero te cansar com coisas compridas. Uma coisa eu te peço, Eran. Prometa que as coisas que eu te escrevi entrarão bem no fundo do seu coração. Eu não tenho mais a oportunidade de viver diferente. Por Shalom Eran Traduzida por Salomão Cohen

Mas você, ainda pode. Eu te escrevo, Eran, no fundo eu te peço, que mostre essa carta ao maior número de pessoas para que entendam o que eles têm nas mãos, pra que valorizem o que ganharam, que não achem que as coisas são óbvias por si só. Que vivam de verdade a vida até o fim e a aproveitem em todos os sentidos, para que, quando chegar a hora que eles precisem abandonar esse mundo não os acompanhe o sentimento horrivelmente azedo de tudo que eles desperdiçaram, de tudo que eles poderiam ter feito de forma diferente... Eu sinto muito, Eran, essas últimas palavras estão meio borradas. Estas são as minhas lágrimas que escorrem por si só. Sim, eu choro, e não tenho vergonha disso. Eu sou feliz e agradeço tudo que tive, mas quem me dera eu pudesse ter feito as coisas melhor. Me consolará saber que as minhas palavras entrarão no teu coração e graças a elas você viverá a sua vida um pouco diferente.   Com amor eterno Seu sempre Amigo, Udi


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Um olhar diferenciado A unicidade da fisionomia humana e a infinita diversidade são sinais da grandeza Divina. Faces diferentes evitam discórdia a respeito de identidades ou propriedades. Diferentes cores e sabores de comida tornam o nosso cotidiano mais interessante. Todo o mundo físico poderia ser incolor e insípido, como a água ou o céu cinza. Mas não é o tipo de mundo que D’us desejava para suas criaturas. O Talmud menciona, em massechet Berachot 58A que, da mesma forma que a fisionomia das pessoas são diferentes, assim são suas mentes. Sobre essa frase, o rabino E. Dessler explica que isto não se refere somente a opiniões e atitudes, mas também à individualidade de cada personalidade. Nenhum ser humano foi criado sem razão: “cada pessoa tem seu momento” dizem nossos sábios. O Talmud relata: “Quando Ben Zoma

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clássico estudo “Sight and Space” (publicado em 1932), de Marius Van Senden, primeiro cirurgião oftalmologista a operar em situações de risco, relata-nos acerca dos primeiros procedimentos cirúrgicos na remoção de cataratas. Os resultados foram surpreendentes. Muitos dos que eram cegos e logo após a operação recuperaram a visão não puderam assimilar de uma vez as novas informações de cor, profundidade, altura e distância. Eram “analfabetos visuais”, tendo que aprender o significado do que viam. Era como aprender uma nova linguagem, conectar as cores com seus nomes. As imagens que conhecemos pareciam para eles como um código a ser decifrado. Por exemplo, saber que as “marcas escuras” dos objetos são sombras. Perplexos, descobriram que o rosto de cada visitante era “completamente diferente”.


Crônica • Seu Makom • 31

viu a multidão de judeus (cerca de 600 mil) em uma celebração no Templo Sagrado, declarou: ‘Bendito sejas Tú, D’us, que conhece os segredos’ “(Berachot 58 A). O que passou pela cabeça de Ben Zomá que o levou a dizer isso? No Pirkei Avot, Irving Bunim nos esclarece seu pensamento: “Para nossos sábios, uma multidão não é uma massa de gente, senão um grupo de muitos indivíduos, cada um com seu próprio mundo, suas próprias percepções, pensamentos e segredos”. Complementa: “Quando vêem 10 mil pessoas, estão vendo 10 mil segredos escondidos em 10 mil mentes diferentes com 10 mil variadas percepções de mundo. Esta é a essência da liberdade humana, a mente de cada um é um mistério e por isso mesmo não pode ser controlada. A Suprema Inteligência, a qual criou o mundo, concluiu ser necessária a criação de indivíduos distintos uns dos outros em aparência e pensamento. Só Ele conhece os segredos, as percepções privadas e reflexões que enchem as mentes humanas”. Das constatações médicas, provavelmente a mais assombrosa foi o fato de que nem todos os previamente cegos estavam felizes com sua nova aquisição. Pelo contrário, muitos consideraram sua primeira experiência como negativa, traumatizante. Somente após um tempo, acostumaram-se com o mundo e puderam ver as coisas de forma diferente. Entenderam que se assustavam porque antes aquilo que hoje vêem não fazia parte de seu universo, portanto não existia. Após reaver a visão, conseguiram redescobrir o mundo e tudo que há nele.

Na obra “Um Antropólogo em Marte”, o neurólogo Dr. Oliver Sachs cita um de seus pacientes: “Ele percebeu que algumas das coisas que amava eram “feias” (incluindo sua esposa e a si mesmo) e estava frequentemente revoltado com as imperfeições e deficiências do mundo físico”. Nossos sábios comentam que em muitos momentos todos somos como estes pacientes, recusando-nos a abrir nossos olhos e ver o mundo criado por D’us, cheio de maravilhas e amor. Escolhemos viver na escuridão, por perceber que o mundo não é como imaginávamos. Frequentemente nos revoltamos com suas imperfeições e deficiências e esquecemo-nos de reparar nas coisas mais simples e maravilhosas, como a água da chuva caindo, uma montanha coberta de neve, a aparência de uma flor, o céu se abrindo ou até mesmo um ser humano sorrindo. Inclusive a luz mais benigna pode ser terrível para um olho acostumado à escuridão. É preciso coragem para abrilos. Temos medo de ser sobrecarregados por essa realidade confusa. E por medo de não poder lidar, mantemos os olhos fechados, inclusive para as coisas boas. O Rei David nos Salmos diz: “Provem e vejam que D’us é bom!”. Da mesma forma que entendemos que deve-se abrir a boca e desfrutar do sabor da comida, assim também devemos assimilar que, para desfrutar do mundo, requer que abramos nossos olhos e nossas perspectivas. Quem sabe assim, seremos capazes de ver que o mundo foi criado com bondade e está repleto de luz. Por Shlomo Safra


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Quatro concepções erradas sobre judaísmo O judaísmo é uma religião que tem como base as discussões, a contestação e os constantes questionamentos. Muitas explicações, leis e comentários surgem desses questionamentos. Explorar o judaísmo implica em aprender ideias novas, complexas e profundas, enfrentar dúvidas e soluções ou respostas diferentes. É comum que no meio do caminho, algumas pessoas se percam ou confundam. Apresentamos a seguir, quatro concepções erradas essenciais que muitos judeus têm sobre o judaísmo e suas esclarecedoras respostas.

1. “Judaísmo é “ou tudo ou nada” Todos estes mandamentos para cumprir? Você deve estar brincando. Muitas pessoas pensam que se não podem cumprir todos os mandamentos, não há razão para começar. Mas, será que isto é verdade? O judaísmo tradicional é “ou tudo ou nada”?

Imagine se você tropeçar numa mina de ouro. Você deixaria o ouro porque não sabe se encontrará TODAS as minas de ouro do mundo? Aquela única mina o tornará rico para o resto da vida! Toda mitsvá é como uma mina de ouro. Mesmo que façamos somente uma mitsvá, nossas vidas

são enriquecidas para sempre. O judaísmo é um processo, uma jornada, onde todos os passos contam. Não é “ou tudo ou nada”. Tudo o que for possível fazer agora já conta, e é ótimo! Faça e não se apresse, dê um passo de cada vez.

2. “Alguns judeus são melhores do que outros” Já encontrou algum judeu que olha diferente para todos que são menos religiosos do que ele? Ele pode ser condescendente, sensato ou querer excluir os outros do judaísmo. Mas, de acordo com a Torá, será que sabemos realmente quem é um “bom judeu”? Se um terrorista ordena ao maior rabino da Terra que mate um

ladrão ou então ele morrerá, o rabino está proibido de matar, mesmo que seja para salvar sua vida. Por que? A vida do rabino não é mais importante aos olhos de D’us do que a vida de um criminoso? O Talmud diz: “Ninguém sabe qual sangue é mais vermelho”. Ninguém pode julgar o valor de outra pessoa, pois ninguém

conhece onde ela está situada na escada de vida, onde começou e quantos degraus já subiu. Talvez o ladrão, dadas as circunstâncias de sua vida, fez escolhas maiores e mais difíceis do que o destacado rabino. A melhor política para todos nós é parar de julgar um ao outro e ao invés disso respeitar o próximo pelo que ele é.


Dia a dia • Seu Makom • 33

3. “A religião tira toda a diversão da vida” O Judaísmo se refere a D’us como nosso “Pai no Céu”. Assim como nossos pais desejam que tenhamos tudo de bom, o Todo-Poderoso também quer que aproveitemos de todos os prazeres! Quando o judaísmo proibe algo, por mais que esta intenção não seja clara, é porque D´us quer nos preservar e nos cuidar. A palavra “Torá” quer dizer “ins-

trução”, pois este sagrado livro contém instruções para toda a vida. Os computadores vêm com grandes manuais de instrução e sem eles estaríamos perdidos. A vida é muito mais complicada e se quisermos aproveitá-la ao máximo, as instruções com certeza fazem a diferença. D’us não nos pede para rezar porque precisa reforçar Seu ego. Ele quer que através da reza,

nós nos aproximemos Dele, que entendamos que é Ele é capaz de tudo e quem nos dá tudo e que assim peçamos o que necessitamos. Por quase três mil anos a Torá tem nos ensinado como construir uma vida significativa e prazerosa ao máximo. Não se contente somente com os pedaços, pois se assim desejar, pode conseguir o conjunto todo e uma realização completa.

4. “Ser religioso é uma fuga” “É um suporte”. “Uma vez que se é religioso você pára de pensar”. Muito pelo contrário, você pára pra pensar, pensa muito antes de agir do que se não tivesse que responder a ninguém, nem a nada. Uma vida sem limites é prazerosa por certo tempo, após ter experimentado tudo, ela perde a graça. Uma vida com limites, seguindo regras e mandamentos, proporciona um prazer eterno. “Ser religioso exige que acreditemos em algo que não é fácil de acreditar”. Longe de ser uma fuga de res-

ponsabilidades, o judaísmo ensina que somos responsáveis pelo mundo inteiro. Ao entender que cada um tem sua missão aqui na terra, tanto no âmbito espiritual, quanto no material, firmamos um importante compromisso. O Talmud diz que cada pessoa deve sentir que “o mundo foi criado para ela e é sua responsabilidade tomar conta dele”. Nossos heróis são os virtuosos e os sábios, pois, por milhões de anos, os judeus têm um caso amoroso com o saber sobre a vida e o esforço para crescer. A Torá é um guia e um padrão de conduta ética, mas aí vem a

parte mais difícil: aplicar estes princípios morais e corresponder a estas expectativas na sociedade e no dia-a-dia. E o fato de acreditarmos em algo difícil de acreditar? Não é judaico. O primeiro dos Dez Mandamentos é saber e entender que existe um D’us ao invés da aceitação cega. Ser um intelectual honrado, não um produto da sociedade. Ouça os indícios e comece a construir uma fundação racional para suas crenças, sejam elas quais forem. Esclarecer estas concepções erradas é um bom começo para descobrir o quê é realmente o judaísmo. Adaptado de Aish.com


34 • Seu Makom • História

Meu – Seu O Baal Shem Tov costumava dar a todo pobre que viesse visitá-lo dezoito centavos. Certa vez veio um judeu e começou a gritar: — Já fui muito rico, não aceito dezoito centavos, quero cinqüenta rublos. O gabai do Baal Shem Tov disse-lhe: — Muitos judeus que aqui estão já foram ricos, mas o Baal Shem Tov não é rico. Cada um recebe dezoito centavos. Se você não quer, não precisa. O homem começou a amaldiçoá-lo, provocando uma grande confusão. O Baal Shem Tov saiu de seus aposentos e perguntou: — O que está acontecendo? O shamash respondeu: — Este judeu se recusa a receber os dezoito centavos, ele quer cinqüenta rublos, porque já foi muito rico. O Baal Shem Tov olhou para o homem e disse: — Em vez de pedir cinqüenta rublos, por que você não me pergunta: “Por que o Santíssimo me castigou, fazendo com que eu perdesse todo o dinheiro que tinha?” E o judeu retrucou: — Muito bem, então estou perguntando...

Disse-lhe o Baal Shem Tov: — Entre e sente-se. Você se lembra que, no passado, foi o judeu mais rico da sua aldeia? No dia de Iom Kipur, você passava de um judeu a outro, dando-lhes um pouco de tabaco para cheirar. Um shmek [pitada] de tabaco. E realmente revivia todos os judeus. Durante o jejum, este shmek de tabaco de fato reanimava a alma! Na última vez, quando você ainda tinha muito dinheiro, foi de uma pessoa a outra e, bem lá no fundo, viu um judeu que não jejuava em Iom Kipur — ele jejuava o ano inteiro. Simplesmente nada tinha para comer. Ele ansiava por aquele shmek de tabaco o dia inteiro. Você achou que estava abaixo da sua dignidade dar-lhe um shmek de tabaco, e não o fez. Pois bem, este judeu quase morreu. Quase morreu. Houve uma grande comoção nos Céus... Nos Céus decidiram tirar todo o seu dinheiro e dá-lo a ele. Se você se lembra bem, ele agora é imensamente rico, e você não passa de um shleper [pobre coitado]. O judeu, no entanto, ainda não havia conseguido entender. E perguntou: — Bem, como posso reaver o meu dinheiro? Disse-lhe o Baal Shem Tov:


História • Seu Makom • 35

uma mesa e com ela dançou a mitsve tants. De repente, o judeu pobre tocou sua perna, pedindo-lhe: — Quero um shmek de tabaco... Desta vez, tinha certeza de que o rico lhe diria: “Realmente, que audácia! No meio da dança com minha filha”. Porém aquele, que era uma alma caridosa, retrucou: — Se você está pedindo, certamente precisa... O pobre então desmaiou. Depois que o acordaram, o rico perguntou-lhe: — Por que você desmaiou? Ele respondeu: — Você não se lembra de mim?! No passado fui muito rico. O Baal Shem Tov disse que você recebeu dos Céus, como privilégio, todo o dinheiro que era meu. Então o novo rico declarou: — Se o Baal Shem Tov afirmou que o seu dinheiro está em minhas mãos, lhe darei a metade. Com uma única condição: Nunca diga não quando um bebê lhe pedir algo... (Extraído, mediante autorização, do livro “Juntos... um só povo”, do Rabino Shlomo Carlebach, Editora e Livraria Sêfer, 2004.) foto: shutterstock

— Sabe o quê? Se você pedir a ele um shmek de tabaco e ele não lhe der, receberá seu dinheiro de volta. O judeu pensou: “Isso é fácil... Posso conseguir”. E voltou para a sua aldeia. E lá estava ele, o novo rico, de pé durante a oração de Shemone Esrê. Concluiu o Ossê Shalom, e perguntou: — O que você quer? — Um shmek de tabaco. E toda vez ele lhe dizia: — Se você está pedindo, certamente precisa... — e lhe dava. O novo rico foi convidado para subir à Torá, e o judeu ali parado, ao lado do púlpito, impedia que o fizesse. E ele lhe perguntou: — O que você quer?! — Um shmek de tabaco. — Se você está pedindo, certamente precisa... — e lhe dava. Por muitos anos o judeu realmente incomodou o novo rico com seus constantes pedidos, mas este nunca se negou a dar-lhe um shmek de tabaco. O judeu então pensou: “De uma vez por todas, tenho de fazer alguma coisa. Algo inacreditável”. O novo rico realizou o casamento de sua filha. Sua alegria era tanta que, tomando a jovem pela mão, pulou em cima de


36 • Seu Makom • Dia a Dia

Talmud : imprecisão ou cuidado extremo?

ilustração: dreamstime

O Talmud é conhecido por ser o livro das discórdias e discussões. Será que isso significa que seu conteúdo é impreciso? Na verdade, isso prova exatamente o contrário.


Dia a Dia • Seu Makom • 37

Definição Juntas, a Mishná e a Guemará são chamadas de Talmud. Ambas contêm regras legais e discussões que estão em constante avanço ou retrocesso. O Talmud é um complemento da Torá, pois abrange o que chamamos de Torá Oral, preenchendo as lacunas e explicando leis que à primeira vista parecem ilógicas. Além disso, inclui histórias e ditos que, tanto direta quanto alegoricamente, oferecem a filosofia e sabedoria do Judaísmo. No entanto, o Talmud é um texto difícil de ler porque contém muitas discussões, ocorridas ao longo de centenas de anos, na forma de prova e refutação .Ele cobre uma ampla variedade de assuntos, seguindo, no entanto, um plano coerente e muito bem estruturado a dizer, a Mishná, pilar central da Lei Oral. Compõe-se de uma série de declarações, organizadas por assunto e tópico que estão dentro de uma Massechet - um tratado, que ensinam as leis, a tradição e a história judaica. Se você já deu uma olhada no Talmud, notará duas coisas significativas: uma é que não importa a página que abra os sábios estarão discutindo. Hillel fala isso, Shamai fala aquilo. Rabi Meir fala isso, Rabi Yehuda fala aquilo. Provavelmente você estará pensando, o que está acontecendo? Como levar a sério um livro onde os rabinos não conseguem concordar em nada? A segunda coisa que notará é o fato de que os argumentos talmúdicos são desenvolvidos sempre sobre os detalhes mais minuciosos possíveis. Essas pessoas eram os líderes de gerações! Por que perdiam tanto tempo com coisas tão pequenas?

Isso não soa um pouco contraditório? Para ilustrar melhor essa ideia, segue uma pequena história: Conta-se que uma mulher de idade voltou para casa de uma viagem a Israel. Sua família ,que a esperava no aeroporto, ao vê-la perguntou: “Vóvó, você está de volta! Como foi a viagem?” “Oh, foi maravilhosa. Eu vi a tia Sadie e o tio Irving, foi lindo! “E como foi o vôo?” “Terrível! Aquela comida de avião era puro veneno. E vinha em porções tão pequenas.” Perceberam a contradição? A avó falou que a comida era como veneno, então por que ela reclamou sobre as porções pequenas? Essa é a mesma reclamação que os principiantes do Talmud fazem. O fato de os rabinos discutirem sobre coisas tão insignificantes mostra algo crucial: que eles concordam em todos os pontos principais. Maimônides comenta em seu livro “Mishneh Torah” (Laws of Mamrim 1:3): “no que diz respeito às leis tradicionais, a Torá escrita, nunca houve qualquer controvérsia. Se havia alguma, podemos ter certeza de que não remonta a Lei de Moisés”. No caso das regras procedentes dos princípios humanos, todos os membros do Sanhedrin - Supremo Tribunal Rabínico - deveriam concordar com a decisão para que algo mudasse. Se houvesse alguma contradição entre eles, fazia-se uma votação onde o Sanhedrin seguia a maioria e assim decidiam as leis. Este princípio se aplica até hoje aos decretos, leis e costumes.


38 • Seu Makom • Dia a Dia

O Exemplo do casamento No Tratado de Kidushin, discute-se sobre a cerimônia do casamento. No dia, o noivo deve dar à noiva um presente de valor debaixo da chupá. Sobre esse momento, o Talmud escreve que “o presente deve ter o valor da menor denominação” e o debate se desenrola sobre a definição desse termo. Em valores modernos, Shamai diz que “menor denominação” é o equivalente a um dólar. Hillel diz que pode ser o equivalente a uma moeda de um centavo. E foram gastas algumas páginas com as argumentações e discussões dos sábios a respeito desse valor. Por um lado, o por que de ser uma moeda de um dólar, por outro, o por que de ser uma moeda de um centavo. Falam que não é um dólar, nem um centavo e assim vai. Esse debate ainda está em andamento 2.000 anos depois! E encaremos, este é um argumento totalmente teórico pois qualquer pessoa que tente dar à sua noiva uma moeda de um centavo ou um dólar estará em apuros! Ambos, Shammai e Hillel concordam que tem de ocorrer uma cerimônia de casamento, que ela deve ser debaixo de um toldo, com uma Ketubá que sele a união do casal e que na hora do Kidushin tem de haver duas testemunhas. E até sobre a qualificação das testemunhas ambos concordam. No entanto, nada disso é citado no Talmud. Somente se estuda sobre o quanto o noivo supostamente tem de dar pela noiva. Daqui podemos aprender que os rabinos eram tão cuidadosos e meticulosos que até mesmo o menor ponto de diferença foi discutido.

A Convenção Rabínica É um princípio judaico que a Torá Oral (Talmud) foi transmitida a Moisés no Monte Sinai. Mas imaginemos por um minuto que a Torá Oral não viesse do Sinai e que em algum lugar, alguns milhares de anos atrás, um grupo de rabinos se reuniram para compor o Talmud e passá-lo como se viesse de D-us. Cinquenta rabinos sentados em um grande salão discutiam sobre os mais variados assuntos. O rabino que presidia a reunião levantou-se e disse: “Ok pessoal, vamos lidar com algumas questões. O que vamos falar na Torá Oral? Sobre como surgiu a ideia de uma leitura semanal da Torá na sinagoga? Quantos de vocês acham que este é um bom conceito para incluir?”. Todos levantaram a mão. Com a leitura da Torá semanal, todo mundo concorda. “Que tal recompensa e punição?”. Todos concordaram. Ao abordar a questão da cerimônia de casamento e discutirem as premissas básicas - Chupá, Ketubá, Edim - novamente concordaram. “Agora, vamos dizer que o noivo deva dar à noiva um presente. Qual deve ser o valor dele?”, falou o mediador. Hillel disse: “Eu acho que deveria ser o valor equivalente a uma moeda de um centavo”. Shamai rebateu: “Eu acho que deveria ser um dólar”. Hillel disse: “Não, um centavo”. Shamai disse: “Eu imploro seu perdão, mas acho que deveria ser um dólar”. - “Um centavo!” - “Um dólar!” - “Um centavo!” - “Um dólar!”


Dia a Dia • Seu Makom • 39

Um intenso debate encheu a sala de convenções. O que está acontecendo aqui? Quando foi discutido o fato de ler a Torá semanalmente, não houve problema. Recompensa e punição, todo mundo concordou. Mas quando se trata de um centavo ou um dólar a discussão não parava. Um rabino naquele momento falou: “Os rabinos chegaram a um acordo sobre todas as questões importantes. Vocês não podem apenas somar o dólar e o centavo e dividi-los para que o valor seja 50 centavos? Não. Eles não podem. Porque o judaísmo não quer comprometer a verdade. A Torá cuida até dos menores detalhes.

Pensamento Judaico Pensamento crítico, independente e buscando sempre a verdade. O judeu, por natureza é um povo que discorda. Através da discórdia foi que o ser humano evoluiu: quando as pessoas não concordam entre si, são obrigadas a analisar de maneira profunda o tema para formar argumentos consistentes que convença o outro de seu ponto. Assim também ocorria no Talmud. Quando alguém discordava de algo, trazia histórias ou casos que defendessem sua ideia, e baseados em leis e conceitos, provava ou não seu ponto ou acabavam cedendo. Quantos partidos políticos importantes existem nos EUA? Basicamente dois. Quantos no Brasil? Quatro. Inglaterra? Cinco. Itália? Nove principais partidos políticos.


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E em Israel? Há 17 partidos políticos principais, incluindo quatro partidos comunistas! Se considerarmos que os Estados Unidos possuem 250 milhões de pessoas e dois partidos, e Israel, um país pequeno, de cinco milhões de habitantes, tem 17 partidos políticos, chegaremos à conclusão de que é proporcionalmente absurdo. Não é por acaso. Esta é a maneira como o povo judeu funciona. Os judeus são comprometidos com suas crenças e não cedem. Na própria Torá, D-us chama os judeus de “povo cabeça dura.” Isso quer dizer, que estão convictos de seus ideais e de que será difícil convencê-los a mudar. Na história do povo judeu, apresentam-se inúmeras situações que servem de exemplo para esse traço característico. Conclusão É ridículo dizer: “Bem, com certeza, só os rabinos se reuniram e fizeram tudo isso. Eles concordaram em tudo, exceto nesses pequenos detalhes”. E é ainda mais absurdo acreditar que rabinos poderiam ficar juntos e embutir uma farsa na Torá Oral para todo o povo judeu! Prova contrária disso é o fato de concordarem e seguirem todos os costumes, leis e tradições da mesma forma. A eternidade e veracidade dos ensinamentos Na era moderna, tudo muda muito rápido e continuamente. Muitas teorias são criadas em segundos e der-

rubadas nos seguintes. Todo mundo explora, viaja, experimenta, se informa, e baseado em experiências ou em crenças e em interesses, decide seus próprios valores e leis que direcionarão suas ações. Um exemplo claro disso é o Novo Testamento, no qual as mais diversas vertentes do cristianismo se baseiam, onde versículos foram tirados, alterados ou cortados de acordo com o interesse ou crença de cada linha. Essa mudança constante de conceitos tira a credibilidade da Bíblia e dos valores pregados por estas organizações religiosas. Já a Torá, ao longo do tempo, foi escrita, traduzida, transliterada e copiada inúmeras vezes e nunca se modificou em sequer uma palavra. Profecias ditas há centenas de anos começam a se concretizar, animais classificados como kasher não desapareceram, nem nasceu um a mais ou um a menos. Assim também no Talmud, o que era decidido não era mudado, nem modificado. Quanto às divergências na Lei Oral, os rabinos apenas discordam sobre os mínimos detalhes e o fato de questionar tudo e discordar somente demonstra como nosso povo é um povo igualitário e quer tomar sempre a melhor decisão. Todas essas provas dão ao povo judeu uma confiança muito grande para observar as palavras da Torá Oral e da escrita, ensinamentos que foram fielmente transmitidos de geração em geração. Adaptado do Aish.com


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a d a r a c s a m a t s e F Purim: A

FOTO: dreamstime

les falou para igos, quando um de am de o up gr um m exatamente esta ersava co ndo, o que significa Há um tempo conv ta un rg pe e m i ue ou para zombar? ”. Fiq a-se para ofender Us o outro: “Mascarado ? ria gí a um ou o expressã lavra? palavra? Ela é uma to por trás desta pa Qual o sentido ocul


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A História Purim, a festa das fantasias conta uma história bastante mascarada: Vashti, esposa de Achashverosh, rei da Pérsia, recusa-se a participar de uma festa. Esta atitude proporciona-lhe uma sentença de morte. Ao procurar uma nova esposa, o rei Achashverosh escolhe Ester, sobrinha de Mordechai, para ser sua nova rainha. Haman, ministro do rei, revoltado com a atitude de Mordechai, que não se ajoelhava ante sua presença, tenta persuadir o rei para matar Mordechai e todo seu povo. Ao ouvir isso, Ester revela pela primeira vez sua verdadeira identidade ao rei e promove entre eles um encontro que desmascara Haman. Uma vez descoberto, Haman e toda sua família são condenados à morte pelo Rei e o povo Judeu ganha a difícil batalha contra os persas. Seguindo essa sequência de fatos, parece que os judeus tiveram uma “onda” de sorte. Tudo acontece “atrás das cortinas”, nada ocorre de maneira explícita e o que era para ser uma sentença de morte para os judeus, transformou-se em uma salvação milagrosa. Todos os acontecimentos parecem um mero acaso, mas na verdade é uma história mascarada, que esconde a Providência Divina por trás dos acontecimentos. Fato é que Seu nome não aparece nenhuma vez explicitamente dentro da Meguilá (Livro de Purim). Você sabia?? Em diversas sociedades primitivas, a máscara era usada como objeto religioso, pois se acreditava que ao vestir uma máscara feita de pele de crocodilo, toda

a bravura e poder do crocodilo seriam transmitidos àquele que a vestisse. No teatro grego e romano, o papel da máscara era criar uma completa interação entre o ator e seu personagem, possibilitando assim que o artista vivenciasse e representasse seu personagem de maneira íntegra. Até os dias de hoje, na África, por exemplo, as máscaras são usadas em rituais religiosos. No carnaval de Veneza, o uso da máscara tornou-se um prazeroso costume entre os nobres. Mulheres entregavamse aos prazeres mundanos sem que se identificassem e os homens poderosos matavam seus rivais impunemente. No carnaval Suíço, a máscara visava espantar os maus espíritos e assegurava de maneira simbólica a fertilidade da terra e de suas mulheres. O carnaval brasileiro tem o mesmo propósito do europeu e foi trazido pelos portugueses em 1723. Máscara de Purim Em Purim, também costumamos nos fantasiar e vestir máscaras, mas não as usamos para incorporar ou espantar “espíritos” e “energias” de crocodilos ou espíritos maus, nem para nos entregarmos aos prazeres mundanos, muito menos para matar pessoas inocentes. Então, porque usamos máscaras em Purim? Qual é o sentido que está por trás das máscaras? O Talmud (Tratado de Meguila, pág. 12) explica que todo o decreto ruim o qual afetou aquela geração foi consequência de um pecado cometido na época do rei Nabucodonosor. Naquela


44 • Seu Makom • Chaguim

época, os judeus foram obrigados a se curvar para idolatria, mesmo não querendo fazê-lo. Com medo do decreto do rei, se curvaram, porém de uma forma superficial e externa, sem uma real intenção. Por conta deste evento, Deus em Purim se ausentou de uma maneira superficial, sendo que sua real intenção era buscar o verdadeiro arrependimento de seu povo. “Está escrito na Torá (Deuteronômio 31:18): ´´Haster astir et panai mehemE Eu, certamente, esconderei o Meu rosto naquele dia por todo o mal que fizera, por se haver voltado para outros deuses.” Nossos sábios afirmam que D-us escondeu-se na festa de Purim, pois é exatamente desta maneira que

Ele rege o mundo, ocultando sua maneira de agir através da chamada “natureza”. É a vontade Dele não revelar Seus caminhos explicitamente pois nós não teríamos a chance da dúvida, o livre-arbítrio. Desmascarando.... Vivemos em uma realidade material e física onde criamos máscaras para nos relacionarmos com nossos familiares, amigos e até mesmo com D-us. Em um mundo com tantas turbulências não é difícil ser levado a vestir uma máscara, pois é mais cômodo guardar o seu intimo para si mesmo, do que revelá-lo as pessoas. Quantas vezes emitimos agrados falsos, omitimos

r te para desmascara en am st ju m ve m ri "A festa de Pu e fazendo que ra ca ás m sa es o d n essa visão, arranca D-us nos pequenos ar rg xe en e d es az p sejamos ca cada dia e dia." a os id d ce n co o sã milagres que nos


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"Nossos sábios a firmam que D-us escondeu-se na festa de Purim, p ois é exatamente dest a maneira que El e rege o mundo, oculta ndo sua maneira de agir através da cham ada “natureza”."

flito, por exemplo, no falecimento de um ente querido ou num momento de auto - reflexão, onde conectamos nossa vida com um propósito espiritual. Em outras, quando tudo ocorre de forma natural onde tendemos a esquecer Deus de nosso cotidiano. Este comportamento não nos permite enxergar o lado verdadeiro, oculto e espiritual do mundo. A festa de Purim vem justamente para desmascarar essa visão, fazendo que sejamos capazes de enxergar os pequenos milagres que nos são concedidos a cada dia e dia. Purim Sameach! Rabino Dany Roitman

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nossa opinião, ou deixamos de agir perante situações que obrigavam nossas ações simplesmente por estarmos presos às nossas máscaras?! Num sentido mais profundo, a pessoa tende a se desconectar de sua verdadeira identidade, criando uma personalidade alternativa baseada muitas vezes na expectativa alheia deixando sua essência longe de sua realidade. Essa máscara também e usada em relação a Deus, a diferença é que Ele tem total conhecimento de nossos atos e pensamentos. As únicas pessoas que podem se confundir com este tipo de máscara somos nós mesmos. Muitas vezes, percebemos essa máscara quando deparamos numa situação de con-


46 • Seu Makom • Personalidades

A nova era da Kashrut Quem nunca ouviu falar do BDK? Aquele órgão que faz a Ruffles, o Chandelle, o Crunch, os melhores enlatados etc, poderem ser consumidos. A maioria dos judeus sabe que é graças ao BDK que muitos dos alimentos que teoricamente ficariam somente na memória e com o gostinho guardado no fundo das papilas gustativas voltam às prateleiras e dispensas de nossas casas, mas será que sabem quem está por trás de tudo isso? Quem tem a enorme responsabilidade de pesquisar, comandar e dar essa permissão? Como é o processo de revisão e autorização? Seu Makom foi atrás do responsável pelo projeto e trouxe para você querido leitor, que quer saber um pouco mais, a resposta a todas essas perguntas...

Quem está por trás das cortinas Ezra Dayan,convidado pelo Rav Shmuel Havlin para dirigir o Beit Din Kashrut, (tribunal rabínico que trata dos assuntos da kashrut), tirou semichá em Israel e se especializou em assuntos relacionados à kashrut. Antes de vir ao Brasil, participou de um curso, em Rechovot, ministrado e orientado pelo rabino

Avraham Rubin, grande autoridade em kashrut de Israel, do qual recebeu bastante inspiração. Para se aprofundar nesses assuntos, continuou focando seus estudos nas halachot (leis judaicas) de kashrut e começou a dar shiurim sobre o assunto. Já no Brasil, ao mesmo tempo em que preparava e compilava o material para lançar seu


Ezra Dayan

livro "Casher na Prática" (que futuramente deu origem ao "Casher na Teoria") começou a se interessar em trabalhar no projeto BDK, por estar ligado a tudo que sempre estudou e por se tratar de um desafio pessoal. Hoje, divide seu precioso tempo entre a entidade, as aulas que dá no colel do Rav Havlin e sua família.

Além de avaliar fábricas novas e acompanhar o trabalho dos mashguichim (supervisores) que o ajudam nas pesquisas e na manutenção das fábricas já aprovadas, Ezra representa o BDK em diversas reuniões e situações, que envolvem desde apresentações do projeto aos patrocinadores, até responder dúvidas de consumidores.

FOTO: stock photo

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48 • Seu Makom • Personalidades

O que é o BDK? O Beit Din Kashrut, mais conhecido como BDK, foi criado em 2004 por um grupo de empresários e rabinos que não se conformavam com a escassez de variedade e oferta de

produtos kasher no mercado. Para viabilizar e dar credibilidade à organização, os empresários convidaram o Rav Havlin para liderar um projeto que superaria todas as expectativas.

O que faz o BDK? A principal função do BDK é determinar se certo alimento é ou não kasher, ou seja, se o produto é apropriado para o consumo do judeu. De modo geral, para ser kasher, os ingredientes, o processo de manufatura e os equipamentos com os quais são feitos os produtos devem estar de acordo com as halachot. Em alguns casos específicos, outros detalhes devem ser verificados. A verificação dos alimentos é feita através de visitas a fábricas onde são analisados os processos de feitio dos alimentos ou produtos desenvolvidos por determinado lugar. Após avaliar o processo, aprova-se ou não o local e a

produção. Ezra conta que a parte mais difícil é convencer a fábrica a deixar o BDK visitar e fazer a inspeção. Uma vez dentro, torna-se mais fácil, mas continua sendo trabalhoso, pois às vezes as fábricas são distantes, fator que obriga os mashguichim a dormirem fora de casa. Nessas visitas, o BDK avalia todos os ingredientes utilizados em cada produto. Às vezes, no processo de avaliação do conteúdo do produto, surgem dúvidas sobre a origem dos ingredientes e para saná-las torna-se necessário que os mashguichim visitem os fornecedores de matéria prima e assim se certifiquem que o produto pode ser consumido.

Para quem? Ao falar de público alvo, o diretor comentou que o projeto não é voltado para nenhuma parcela da comunidade judaica em especial, mas quer atender todo mundo. O que existe dentro da

classificação de kasher dada pelo BDK é uma subdivisão que separa os produtos como pertencentes à lista verde, voltada para o público mais exigente, ou à lista amarela, para os "iniciantes”.


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Lista verde e lista amarela A diferença da lista verde (padrão mehadrin) para a lista amarela é a hashgachá. Estar na lista verde significa que, desde a mistura dos ingredientes até a embalagem do produto não contradiz, nem desrespeita nenhuma lei de kashrut. Estar na lista amarela quer dizer que, o produto não foi elaborado necessariamente como desejado pelas leis judaicas mas, depois

de feito, ele é kasher. Esta lista foi destinada a ajudar aos judeus afastados a se aproximarem da kashrut, pois dá mais opções de alimentos. Existem ainda os casos onde esses produtos são bem feitos mas possuem alguma leniência. Exemplos clássicos de lista amarela são: leite chalav stam, pat palter, bitul b-60, corante carmin de cochonilha.

Democratização da Kashrut Quase todo judeu tem atualmente acesso à kashrut. Seja em facilidade de encontrar, sabor, qualidade, preço, etc. Pode-se dizer que o BDK trouxe a democratização da kashrut e facilitou o consumo de produtos kasher, pois ao autorizar produtos nacionais e que são vendidos no supermercado comum, permitiu que muita gente tivesse acesso a eles e quisesse consumi-los. Desta forma, não mudaria sua alimentação ou precisaria pagar a mais por certo produto, simplesmente comeria sem peso na consciência.

“Até o momento, o projeto superou todas as expectativas. Por outro lado, ainda existem muitas coisas a serem feitas. Existem muitos projetos na gaveta que com o tempo serão viabilizados e postos em prática”, ressalta Ezra com um tom de satisfação. O feedback é muito positivo, além do aumento de pessoas que consomem produtos kasher, o BDK é muito bem quisto, pois está ajudando muita gente. Mesmo assim existem ideias de fazer uma campanha para atingir as pessoas que ainda não comem kasher.

O que ainda está por vir Sobre os planos futuros, Ezra declara que as metas são alcançar cada vez o maior número de fábricas, empregar mais pessoas para trabalhar e conseguir mais verba para investir no projeto. Fazer lotes acompanhados para o público mehadrin, divulgar mais o projeto, alcançar os judeus que ainda

não comem kasher e desenvolver as partes de pesquisas nos diversos assuntos de kashrut. Ao falar sobre medos, Ezra revela que a mão-de-obra qualificada, responsável e dedicada como a que trabalha hoje, não é fácil de conseguir e que por isso teme que no futuro falte.

Por Tais Gaon


50 • Seu Makom • Nossa Congregração

Nossa Congregação de férias Confira por onde o nosso pessoal andou nas férias e os eventos que fizeram o ano começar com o pé direito...


Nossa Congregração • Seu Makom • 51


52 • Seu Makom • Nossa Comunidade

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VENHA SE DIVERTIR CoNOSCO!

Farta Seudat Purim, alegria, músicas, brincadeiras e muitas surpresas... QUANDO? Domingo, dia 20 de março ONDE? Monte Sinai QUE HORAS? As 15:00 horas


54 • Seu Makom • Nossa Comunidade

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LEGENDAS a, dia 15/02, ferida na terça feir t Simcha Azulay, pro 1- Aula da Rabani os se sobre Comunicação y Cohen e seus filh frequentador Ben 2- Rabino Shlomo, v el gada a Israel-Tel Avi encontram em Isra 2011 no dia da che i Bina Experience ot de 2010 Suc oed Ham 3- Grupo da Shaare l ceu em Cho lheres que aconte entações 4- Pizzada para Mu no Muro das Lam dia 30 de janeiro do lit ro muito Tag do po 5- Gru do ano, um encont n Lur and ch Lun do ano do iritual 6- Primeiro almoço esp a e ca físi e ta a fom an Kanas (direita) agradável que ma ) e Nathalie Fligelm a do rtzman (esquerda do em Cotia, na cas 7- Danielle Schwa liza rea foi que ncontro no churrasco de ree po) gru o ou anh mp 0 aco oed Sucot de 201 rabino Shlomo que ceu em Chol Ham lheres que aconte Mu a par ada Pizz 8-

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de reencontro que itando o churrasco po lit reunido aprove acompanhou o gru que o om Shl 9-  Pessoal do Tag ino es, ia, na casa do rab ro das Lamentaçõ Mu foi realizado em Cot no o nid reu eiro lit do dia 18 de Jan va. era esp 10- Grupo do Tag os louca viagem que dando a largada na dalá do dia 30 de janeiro s a cerimônia de Hav 11- Grupo do Taglit entando o rabino apó s da Kehilá cumprim 12- Frequentadore o nid reu eiro doa dia 25 de jan tou com a 13- Grupo do Taglit de Havdalá que con pando da cerimônia passou o Shabat que on, Dor 14-Mulheres partici shi Bak Rabino de Israel, presença do Gran gação iro na nossa congre omo  do dia 26 de fevere Azulay, Rabino Shl aro Kattan, Rabino Laz on, Dor i ksh 15- Rabino Ba tman Havdalá e Rabino Dany Roi ecial cerimônia de participando da esp 16- Congregação


56 • Seu Makom • Curiosidades

O grande mistério da Maçonaria Por séculos as sociedades secretas foram alvo de perseguições, mitos e desmistificações. Pertencer a elas outorgava e ainda outorga as pessoas certo padrão de status e um sentimento de inclusão e importância. Todas elas surgiram com um propósito e baseiam-se em uma ideologia. Algumas se esvaeceram junto aos impérios antigos ou com a evolução das civilizações e outras continuam até hoje. Entre as que ainda “vivem”, existe uma que se destaca, a tão misteriosa maçonaria...

I

magine que você está numa sala com pouca luz e sem janelas. Duas colunas marcam a entrada e o chão quadriculado em preto e branco lembra um imenso tabuleiro de xadrez. Os vários palcos e cadeiras espalhados pelo lugar te fazem pensar que o espaço é usado para algum tipo de cerimônia ou encenação. A grande mesa na frente com suas três cadeiras deixa a impressão que provavelmente os líderes, juízes ou chefes ali se sentam. As paredes repletas de símbolos expressivos e diferentes só aumentam sua curiosidade sobre a o significado do recinto, enquanto o caixão no fundo gera no seu coração uma sensação um tanto quanto macabra. Seria o lugar o ponto de encontro de alguma religião? Ou quem sabe de uma seita secreta com costumes bizarros?

De repente um espetáculo inusitado tem inicio. Entram diversos homens vestidos com roupas medievais que provavelmente há muitos séculos estavam na gaveta, assim como barbas brancas postiças que lembram as de papai Noel. Uma estranha encenação teatral começa. Um dos homens tem o rosto vendado, e outros três insistem para que este passe os segredos, sendo sua negativa bastante veemente. Vendo que suas investidas não terão sucesso, os três bandidos o matam, deixando seu corpo estendido no chão. Você já não sabe mais o que pensar quando alguém te explica: essa é uma loja maçônica e você acabou de presenciar a cerimônia de passagem de um membro ao 3º grau da ordem. Esta cena já vem sendo executada há aproximadamente 300 anos e os homens de


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barba não são atores, e sim empresários e profissionais liberais, verdadeiros maçons do século XXI. O espetáculo no qual um homem é assassinado é uma referencia a Hiram Abiff, grande fonte de inspiração e exemplar modelo de conduta para todos os presentes. Hiram era um grande arquiteto que possuía em seu poder inúmeros segredos da arte da engenharia, sendo parte de um seleto grupo que fundou uma ordem, na qual se jurava manter sigilo sobre toda e qualquer técnica de construção e arquitetura, assim como sobre os processos de trabalho em pedra e madeira. A discrição deveria ser mantida mesmo com o pesado custo de ter que entregar a própria vida, e Hiram incorporou esse espírito de maneira completa. Três de seus aprendizes, Jubela, Jubelo e Jubelum queriam esse conhecimento desesperadamente e tentaram obtê-lo através de Hiram, percebendo rapidamente porem que este era irredutível na preservação dos segredos e não os passaria nem sob tortura. Os aprendizes decidiram então matar Hiram para evitar que fossem denunciados por tentar roubar as técnicas e efetuaram violentos ataques com os instrumentos de trabalho dos pedreiros, uma vez que estas eram as únicas armas disponíveis no momento. Os instrumentos usados foram a régua, o esquadro e o maço, tendo as três ferramentas contribuído para essa morte e passando a ter significado especial nos rituais maçonicos. A devoção de Hiram simboliza o espírito secreto da maçonaria e a completa entrega de seus membros a seus ritos e preceitos. Assim como Hiram, um

mestre maçom deve dar a vida mas nunca revelar os segredos da ordem para pessoas não iniciadas. Por esse motivo, os templos maçons, ou lojas, nao tem janelas impedindo assim a aproximação de curiosos. Hiram personifica os valores que os maçons almejam atingir em suas vidas até que se tornem mestres. Representa o mito maçónico, o ego que deve ser morto para que o espirito seja livre. No 1º grau, ainda chamado aprendiz, o maçom transpõe os elementos da natureza e faz estágios nas estradas da vida. No 2º, o agora companheiro vai em busca do conhecimento. No 3º grau

"Os instrumentos usados foram a régua, o esquadro e o maço, tendo as três ferramentas contribuído pa ra essa morte e passando a ter significado especial no s rituais maçonicos" o maçom viaja no tempo para desvendar este terrível crime no qual Hiram Abiff foi morto. O ritual dramatico de passagem ao 3º grau, no qual o membro adquire agora o título de mestre, representa o controle sobre o ego e seu símbolo é o caixão, que seria uma alusão ao antigo homem que morreu na cerimônia de passagem. Embora já seja chamado de mestre, o o maçom ainda tem uma longa jornada de aprendizado pela frente já que


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o último grau da ordem é o 33, onde é fechado o ciclo de estudos e o maçom se torna guardião e condutor da ordem no país onde mora e é entitulado soberano grande inspetor geral. Independente do episódio de Hiram Abiff ter acontecido mesmo ou não, o que pode ser afirmado com total certeza é que a maçonaria teve ação ativa nos rumos da historia da humanidade e participação fundamental em diversos governos, instituições e revoluções. O ideal da revolução francesa por exemplo “liberdade, igualdade e fraternidade” tem origem na grande loja maçonica de Marselha, onde inclusive a revolta foi projetada. Alem disso, o hino da França até os dias de hoje é “a marselhesa”, hino este que até a revolução era entoado na loja marselhense. De maneira similar, a história americana está repleta de personagens maçons, como por exemplo Benjamin Franklin e George Washington, dois grandes expoentes do processo de independência americana. Até mesmo a nota de um dólar possui símbolos maçônicos, como o olho e a pirâmide luminosa e especula-se que a cidade de Washington esteja repleta de alusões às suas tradições em sua arquitetura. Conta-se que até mesmo o Imperador D. Pedro I ingressou na ordem, abandonandoa no entanto em algumas semanas. O motivo seria a sensação por parte de sua alteza que não era respeitado por seus membros na medida que gostaria, uma vez que um dos ideais maçônicos mais importantes é a igualdade, independente de você ser rei ou camponês. Quando falamos que a maçonaria tem participação na história, você pode ter

certeza que isso não se resume a dois ou três séculos. A data provável de seu nascimento é entre os anos de 1200 e 1300 na região da Europa. Nessa época, a humanidade vivia no total obscurantismo, não havendo nenhuma forma de ciência ou pesquisas e o conhecimento era condenado e perseguido pelos governos. Imensas catedrais de pedra eram erguidas pelo continente sendo a arte da construção porem restrita a um seleto grupo de pessoas, os pedreiros ou maçons. Esse conhecimento valia mais que o ouro e a prata e os maçons eram uma espécie de elite intelectual e econômica. Como consequencia disso, foi criada uma associação que exigia de seus membros um juramento no qual cada integrante se comprometia a manter todo o conhecimento usado nas obras em segredo, sob risco de ser morto. Dessa forma, os maçons puderam manter sua riqueza e poder durante muito tempo, e eram como nobres que passam seus titulos de pai para filho. Com o tempo e o desenvolvimento científico no continente europeu, as técnicas de construção se tornaram mais e mais conhecidas, e já nao havia sentido em cultivar segredos que haviam se tornado de conhecimento público. Assim, por volta do ano 1500 a maçonaria mudou completamente seus rumos e passou a ser um grupo de estudos sobre moral, filosofia e alquimia. Os antigos símbolos dos pedreiros porém foram mantidos assim como a aura de mistério e segredos, recebendo porém uma nova roupagem e simbologia.


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Estes são os símbolos maçônicos: O COMPASSO – Representa a espiritualidade e o conhecime nto humano. No 1º grau, quando ainda se é um aprendiz, ele está em baixo do esquadro indicando que a matéria predomina ainda sob re o espírito. A abertura indica o nível do

O ESQUADRO - Companheiro por excelência do compasso, o esquadro permite traçar o ângulo reto e por tanto desenhar e esboçar todas as formas. Assim, é o símbolo da retidão. É a jóia do Venerável mestre, A TROLHA – Chamada também de colher de pedreiro. Trata-se de uma espécie de pá achatada com a qual os pedreiros assentam e alisam a argamassa. Sendo um instrumento que não é usado para quebrar e sim para acrescentar, deve ser visto com o um símbolo da tolerância com que

conhecimento humano, sen do este limitado ao máximo de 90º, ou seja, ainda reduzido. Pode ser ent endido também como símbolo da just iça com a qual devem ser medid os os atos humanos. Simboliza a exa tidão da pesquisa.

o chefe da loja, pois este deve ser o mais justo e equitativo dos maçons. O esquadro, ao contrário do Compasso, representa a matéria. Por este motivo isso o aprendiz se apresenta normalmente sobre o compasso. o maçom deve aceitar as possíveis falhas e defeitos dos demais irmãos. É também o símbolo do amor que cimenta toda a maçonaria. O uso dess a ferramenta é alcançado quando as diferenças são perdoadas, desculpadas e esquecidas, assim como as falhas da argamassa ficaram para trás.

O AVENTAL - É o símbolo do trabalho e a parte principal do vestuário maçônico, sendo um dos símbolos mais importantes da ordem. Tem a forma de um retângulo com um triângulo dentro. Nos dois primeiA PEDRA BRUTA - Simboliza a inteligência do aprendiz maçom que ainda não foi trabalhada já que este apenas inicia seu caminho nos mistérios da maçonaria. As arestas desta pedra bruta cabe ao aprendiz aparar através de disciplina e

ros graus são simples e brancos sem enfeites ou adornos. Os aventais dos demais níveis têm cores e desenhos variados conforme os graus, sendo o fundo no entanto sempre branco.

educação assim como através da superação de suas paixões e prática do bem. Assim sua tarefa principal consiste em trabalhar e estudar para adquirir o conhecimento do simbolismo do seu grau e a sua interpretação filosófica.


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s O MALHO E O CINZEL - Estas dua a rar apa para em ferramentas serv nta ese repr eira prim A a. brut pedra o nossas resoluções espirituais: é re sob ca apli se cinzel de aço, que a pedra com a mão esquerda e A PEDRA CÚBICA - Havendo o aprendiz trabalhado na pedra bruta com o malho e o cinzel, transformando-a num cubo imperfeito, cabe ao companheir o de grau dois polir este cubo com o auxílio do esquadro e de algu ns outros instrumentos. Neste momento, o cubo que ainda esta va inacabado se torna uma verdade iO MALHETE - É o instrumento de trabalho do Venerável Mestre e dos Vigilantes, que na hierarquia maçônica estão imediatamente abaixo deste ajudando-o na direção da loja. Nada mais é que uma espécie de malho e como tal é símbolo da vontade, da força, do

"Quando falamos que a maçonaria tem participação na história, você pode ter certeza que isso nao se resum e a dois ou três séculos. A data provável de seu nascimento é entre os anos de 1200 e 13 00 na região da Europa. "

ao corresponde à receptividade, e tavon a é a und seg A to. men erni disc mão a com de e a ação e é vibrado ndireita que é o lado ativo. Represe da tro den al mor ação rmin dete ta a realização prática. ra pedra cúbica. Similarmente, o companheiro deve disciplinar suas ações através do conhecimento adquirido realizando contornos e nuances delicadas em sua visã o de mundo. A partir de então seu eu se torna um cubo perfeito, a ped ra polida que assim estará apta a ser utilizada na construção do gran de edifício da humanidade. trabalho e da determinação. Um aspecto fundamental na utilização moral deste instrumento é o discernimento e lógica que devem conduzir a vontade, uma vez que utilizado apenas com força, passará a ser um instrumento de destruição.

Os símbolos maçônicos são muitos em número e variados, mas se você perguntar a um membro o que se faz numa loja ele te dirá que as reuniões ensinam ao homem como fazer o bem, além do aumento do conhecimento e o consequente aprimoramento das virtudes e opiniões. Os lemas principais da vida de um maçom são amor fraternal, verdade e assistência. Sendo assim, quando os maçons se encontram é permitido falar sobre qualquer tema exceto religião e política, uma vez que esses assuntos dividem as pessoas e os corações.


06,13,20,27 de Maio e 02 de Junho


Nas reuniões, se discutem os rumos que o mundo deve tomar, e como o caminho da luz e da racionalidade pode conduzir a humanidade à perfeição. Isso era algo extremamente atual e inovador até o século XVIII,

"... o mito do segredo maç om foi feito para criar uma au ra de mistério e atrair pessoa s para a ordem..." quando os reis dominavam o planeta e a igreja impedia qualquer enfoque mais racional sobre a realidade e o ser humano. Nesse contexto, a maçonaria era tremendamente ousada e revolucionária, uma vez que propunha uma nova ordem mundial baseada em seus valores(o que terminou realmente por acontecer na revolução francesa). No mundo atual contudo esse tipo de discussão já é bastante ultrapassada, uma vez que forças como nobreza e clero já não atuam no cenário político e cultural das sociedades. Dessa forma, muitos historiadores explicam que a maçonaria dos tempos atuais é constituída por grupos de senhores de idade avançada que se reúnem para buscar o sentido da vida. Ateus não são aceitos na ordem assim como pessoas com antecedentes criminais ou deficiência física. Apesar de mulheres tradicionalmente também não poderem se tornar integrantes, os ventos da modernidade já sopram na

maçonaria, fazendo com que dogmas seculares sejam revistos; recentemente no Canadá algumas lojas passaram a aceitar mulheres em seus quadros com igualdade de direitos e deveres. A maçonaria possui hoje cerca de cinco milhões de membros que se espalham por todos os continentes. A sede está em Londres e é lá que são formuladas as diretrizes de funcionamento para as lojas do mundo todo, apesar de não haver nenhuma autoridade central como papa, bispo ou superior muçulmano. É possível encontrar a maçonaria em dezenas de cidades do Brasil, havendo inclusive lojas exclusivamente para judeus nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo. Quanto aos segredos maçônicos, a resposta é bastante decepcionante: não há segredo nenhum. O filósofo inglês John Locke explica que o mito do segredo maçom foi feito para criar uma aura de mistério e atrair pessoas para a ordem, e na verdade se resume a alguns sinais de reconhecimento e codificação nos textos da ordem. Quando dois maçons se encontram e apertam as mãos, o indicador deve tocar o punho de quem esta sendo cumprimentado. Imediatamente, os dois homens saberão que o outro é um companheiro e irmão. De forma similar o abraço, que aliás esta presente em vários rituais, consiste em colocar um braço por cima do outro, cruzá-los e bater 3 vezes nas costas do irmão. Já nos textos, são usados diversos tipos de abreviações, e ao invés de se escrever loja, se escreve loj, sem a letra “a”. Outra forma de codificação é escrever as palavras ao contrario: ao invés de


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"Ao cumprir todas as mits vot, cada traço de caráter receberá a iluminaç ão respectiva a cada mitsvá e a pessoa estará ap ta a se conectar com D-us de forma apropr iada"

escrever maçom se escreve moçam. Muito pouco para um segredo secular e tão badalado. Você deve estar se perguntando :tudo muito bonito, mas o que isso tem a ver com o judaísmo? Todos sabem que o judaísmo e a maçonaria são coisas diferentes. Contudo, o que poucos entendem é que todas essas diferenças são oriundas do mesmo ponto: A Torá foi entregue por D´us, ao contrário dos outros sistemas religiosos e de aprimoramento pessoal, que foram feitos pelo homem. Ela nos ensina que um judeu deve cumprir 248 preceitos positivos e 365 negativos, totalizando 613 mitsvot. Entre os positivos estão respeitar os pais, colocar Tefilin, rezar a D-us todos os dias, fixar a mezuzá na porta de casa, amar ao próximo com a ti mesmo, emprestar dinheiro Shabat, comer alimentos proibidos, falar palavras negativas sobre outra pessoa, vingar-se, guardar rancor e relações sexuais ilícitas. Cada um dos 613 preceitos do judaísmo é relativo a um aspecto da perfeição e ao executá-lo de maneira apropriada uma parte da personalidade do judeu

respectiva ao cumprimento daquele preceito recebe luz e santidade. Assim, ao colocar o Tefilin da cabeça é gerada uma elevação espiritual no cérebro do ser humano que proporcionará a ele um maior entendimento dos caminhos de D-us e da Torá. Similarmente ao comer kasher, o judeu mantém os canais espirituais que o conectam aos mundos espirituais limpos e puros, possibilitando que a santidade possa preencher sua vida, o que não acontece com quem não come kasher, já que tal alimento bloqueia essa comuicação e impossibilita que a santidade chegue até ele. Ao cumprir todas as mitsvot, cada traço de caráter receberá a iluminação respectiva a cada mitsvá e a pessoa estará apta a se conectar com D-us de forma apropriada, já que possui uma estrutura espiritual mais desenvolvida. Desta forma, o cumprimnto das 613 mitsvot é a única forma de atingir essa completude, uma vez que somente o próprio Criador pode explicar qual sistema é realmente eficiente para um aprimoramento verdadeiro, completo e profundo.


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Um homem pode chegar a entender que a vingança é algo reprovável e negativo, mas a inteligência humana nunca poderia atingir sozinha que o Shabat tem um efeito fortíssimo na alma do judeu e que pode causar um despetar espiritual e um sentido de conexão com D-us que nem mil horas de palestras e estudos causarão. O próprio Criador do mundo explica que no momento que você não faz trabalhos proibidos no Shabat é como se um imenso gerador de santidade e luz fosse ligado em sua alma, sendo os efeitos espirituais incomensuráveis. Para exemplificar a idéia imagine uma grande rede de supermercados, com dezenas de filiais por todo o país. De repente todos se surpreendem ao ouvir que a empresa está com sérios problemas e as dívidas ja alcançam a casa dos milhões. Um humilde funcionário de uma das filiais do interior pensa que com sua ajuda a empresa seguramente sairá do grande buraco em que se meteu. Sabendo que todos os dias vários tomates terminam caindo no chão e se estragando, o homem decide que irá cuidá-los com especial cuidado, e que

daqui por diante nenhum tomate se perderá. Com essa economia seguramente a firma se levantará de novo e voltará a ser forte como antes. Obviamente que esse trabalhador apesar de bem intencionado é ignorante, já que uma quantia desse porte não será paga com a economia de alguns tomates. Para equacionar um problema dessa envergadura são necessárias pesadas negociações com fornecedores, cálculo de dívidas e cuidadoso planejamento. Um judeu que busca elevação espiritual por outro caminho que não o de suas proprias tradições se parece com esse humilde funcionário, querendo chegar a perfeição economizando alguns tomates ao invés de seguir o perfeito e completo plano de evolução elaborado pelo próprio Criador do mundo: o caminho da Torá e das Mitsvot. Somente D-us, que visualiza todos os aspectos e leva em conta todas as questões, pode afirmar qual a forma correta para se viver. O que com certeza vai muito alem de alguns tomates. Por Yeoshua Weisz


Almoรงo com Rabino Azulay e Rabino Yeoshua


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Judaísmo Vs Vegetarianismo Cada dia que passa a dieta vegetariana ganha mais e mais fãs.. Alguns escolhem se tornar vegetarianos por razões estéticas, como o fato de não apreciar o sabor da carne ou pensar que uma dieta baseada em carne é menos saudável. Outros, escolhem tirá-la do cardápio por achar moralmente errado e sofrido matar um animal para se alimentar.


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O que o judaísmo fala sobre isso? O judaísmo é conhecido como uma religião que aprecia muito a comida e, de acordo com Maimônides, não somente apóia o consumo, como nos ordena comer carne em determinadas datas festivas e em Shabat para engrandecer o dia, pois esse alimento sempre foi sinônimo de fartura, prazer e satisfação (na prática, isso não se aplica àquelas pessoas que não gostam de comer carne). Além de ser uma mitsvá, é indiscutível que ao comer uma quantidade de carne o homem sente-se muito mais satisfeito do que quando se alimenta da mesma quantidade de uma comida láctea. Por outro lado, existem algumas mitsvót que protegem os animais e que nos levam a pensar que matar um animal é errado. Afinal, o judaísmo apoia ou não o vegetarianismo? Idealmente não deveria haver barreiras entre a nossa existência física e espiritual. A vida deveria ser uma expressão contínua de conexão com o Mestre do Universo, o Autor de nossa existência. Do ponto de vista judaico, atividades que são consideradas mundanas, como comer, dormir, trabalhar e se relacionar possuem suma importância no serviço divino tanto quanto rezar, estudar, fazer caridade e cumprir a Torá. O ato de comer não é uma indulgência, nem somente um meio necessário para manter o nosso bem estar físico. Pode e deve ser uma escada para o céu - um meio de trazer santidade em nossas vidas. O Talmud fala que a primeira pergunta que nos é feita quando chegamos ao céu é:

“Você experimentou cada fruto que eu coloquei na terra?”. Nós fomos convidados a apreciar todos os prazeres da vida. Precedentes Históricos Historicamente, Adão e Eva eram vegetarianos, como está escrito: “vegetais e frutas serão seu alimento” (Genesis 1:29). Após a geração de Noé, que foi considerada a pior de todas, pois cometia os piores crimes, e por isso D-us quis tirá-los do mundo, Hashem dá uma permissão aos humanos para comer carne. Por que a mudança? Os comentaristas explicam que antes do Dilúvio, o homem estava acima da cadeia alimentar e era responsável por cuidar do mundo e de tudo que nele continha. Após esse evento, o homem desceu de nível e se ligou à cadeia alimentar, ocupando o topo. A bondade das pessoas falhava na missão de influenciar o mundo animal através das ações. Por isso, o homem teve que começar a comer os animais para desta forma influenciá-los positivamente. Outro ponto que o Rav Avraham Israel Kook , grande sábio que era vegetariano, traz em seu livro “Al Harmonia. Tzmechonot veShalom”, de Chagui Londlin, é que em sua natureza o homem tem um instinto de querer matar, tem uma cota de bondade, e que após o Dilúvio, , quando o mundo e a humanidade desceram de nível automaticamente, D-us, percebendo isso, concluiu que seria melhor para o “novo homem” que investisse essa cota de bondade com os seres humanos e não com os animais, pois só assim conseguiriam saciar esse instinto.


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No geral, o judaísmo permite o consumo de carne que venha de espécies permitidas pela Torá (Levítico, capítulo 11); que sejam abatidas pelo ritual da shechitá (Deut. 12:21); que tenha os elementos não kasher removidos (sangue e partes proibidas) (Levítico 3:17; Genesis 32:33); que seja preparada sem adicionar leite (Êxodo 34:26) e que sejam ditas as bênçãos apropriadas (Deuteronômio. 8:10). Comendo da maneira certa e com o propósito certo, fala o Talmud, a mesa pode se tornar um altar virtual no serviço divino. Compaixão por animais Ao mesmo tempo em que a Torá defende o consumo da carne, ela preza a compaixão pelos animais. De fato, nossos patriarcas são carinhosamente reconhecidos como “os sete pastores”. O Talmud descreve como D-us escolheu Moisés para ser o líder do povo baseado em seu jeito amoroso de cuidar das ovelhas. Aqui apresentamos alguns exemplos da Legislação Judaica relacionados ao tratamento ético dos animais: 1) É proibido causar dor aos animais tzaar ba’alei chaim. (Talmud - Baba Metzia 32b, baseado em Êxodo 23:5). 2) O indivíduo é obrigado a acudir um animal que esteja sofrendo, mesmo que ele pertença ao seu inimigo. (Êxodo 23:5). 3) Se um animal é sustentado pela pessoa, ela não pode comer antes de alimentar seu animal. (Tal-

mud - Brachot 40a, baseado em Deuteronômio. 11:15). 4) Fomos ordenados a dar ao animal um dia de descanso no Shabat. (Êxodo 20:10). 5) É proibido usar duas espécies diferentes para empurrar a mesma carroça, pois o animal mais fraco será envergonhado. (Deut. 22:10). 6) É proibido matar uma vaca e seu bezerro no mesmo dia. (Levítico 22:28). 7) É proibido cortar e comer um membro de um animal vivo. (Gênesis 9:4) 8) A shechitá (ritual de abate) deve ser feita causando o mínimo de dor para o animal. A lâmina deve ser meticulosamente examinada para se assegurar de que a morte seja quase indolor. (“Chinuch” 451; “Pri Megadim” – Introdução às leis de shechitá). 9) Caçar animais por esporte ou prazer é visto como um ato abominável pelos nossos sábios. (Talmud - Avoda Zará 18b; “Noda BeYehuda” 2-YD 10). 10) Lidar com a vida de um animal de forma arrogante e sem cuidado é uma ação totalmente antiética do ponto de vista. Uma grande história Conta-se que, certa vez, num vilarejo europeu, um shochet (abatedor de animais) preparava seus utensílios para o abate e trouxe um pouco de água para aplicar em cima de sua faca. Enquanto se preparava, avistou um velho homem distante, olhando para ele e mexendo a cabeça em sinal de reprovação. O jovem shochet pediu ao velho homem uma explicação. Este lhe explicou que ao vê-lo preparar sua faca, lem-


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brou-se que, em sua juventude, observou o santo Rav Israel Baal Shem Tov (fundador do movimento chassídico) fazendo a mesma coisa. Mas, a diferença era que o Rav não precisou buscar água para afiar a faca, pois as lágrimas fizeram o trabalho. Hierarquia da criação No entanto, o judaísmo também defende a ideia de que os animais foram criados para servir a humanidade, como está escrito: “Deixe os homem dominar os peixes, os pássaros e animais” (Genesis 1:26). Nota-se uma clara hierarquia da criação onde o homem se posiciona no topo. Maimônides explica que existem quatro níveis na hierarquia da criação, em que cada criatura obtém seu sustento do nível abaixo dela: Nível 1: Domínios - os elementos e seres inanimados: ( terra e minerais) constitui a existência mais baixa e se auto-sustenta.

Nível 2: Tzomeach – vegetação: é alimentada pelo nível 1, a terra. Nível 3: Chaia – o reino animal, que em sua maioria se alimenta de vegetais. Nível 4: Medaber – seres humanos (lit.: a criação que fala): alimentase de vegetais e animais. Quando o alimento é consumido, sua identidade é transformada na mesma da pessoa que a consome . O Talmud (Pesachim 59b) considera como moralmente justificado comer animais somente quando estamos envolvidos em atividades sagradas e espirituais. Só então é que o ser humano concretiza seu potencial mais elevado. Ao ser consumido, ou usado para realização do Serviço Divino (sacrifícios do Templo), o animal cumpre sua missão e alcança o nível mais alto que poderia! Extremismo verde Os direitos dos animais podem ser uma faca de dois gumes: enquanto o reino animal deve ser tratado


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com respeito, precisamos reconhecer que não há como igualar as espécies. Entre todos os seres vivos, os humanos são a única criação feita a “imagem de D-us” (Genesis 1:26). Quando são igualados, e a vida animal é considerada tão sagrada quanto a do homem , isto pode desencadear uma filosofia perigosa que preze que matar um animal tem o mesmo valor punitivo do que matar um homem, fazendo com que não haja distinção nenhuma entre os dois. O Rav Yosef Albo (sábio da geração no século 14) afirma que esta filosofia igualitária tem suas raízes na passagem bíblica de Caim e Abel. O capitulo 4 descreve como Caim trouxe um sacrifício feito de grãos, enquanto seu irmão Abel trouxe um sacrifício animal. Rav Albo explica que Caim considerava seres humanos e animais como iguais, por isso sentiu que não tinha direito de matá-los. Caim, em seguida, estendeu essa lógica errada: se as pessoas e os animais são intrinsecamente iguais, então como se permitia tirar a vida de um animal, também se poderia permitir tirar a vida de meus semelhantes. Assim, Caim foi capaz de justificar o assassinato de seu irmão. Nos tempos modernos, a extensão radicalizada da filosofia de Caim veio durante os anos 1939 a 1945, quando

os nazistas passaram uma série de leis que protegiam animais, por exemplo, restringindo seu uso em experimentos biomédicos. Por outro lado, matavam milhões de seres humanos, usando judeus, relegando-os à condição de “sub-humanos.” Hoje este vegetarianismo radical é expresso pela organização PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais). Uma das atitudes da organização, é usar o sensacionalismo midiático através de propagandas com frases como “Holocausto em seu prato”, no qual justapõe fotografias de vítimas dos campos de concentração nazistas com fotos de galinhas granjeiras, estabelecendo assim uma equivalência moral grave. Rav Moshe Chaim Lutzatto, o maior cabalista do século 18, explica que todos os seres vivos têm uma alma. Porém, nem todas as almas foram criadas iguais. Os animais possuem uma alma que lhes dá a vida e os instintos de sobrevivência, procriação, medo, etc. Somente os seres humanos, que possuem uma alma divina, têm a habilidade de criar uma relação transcendental com D-us. Somente os homens têm a habilidade de escolher os “prazeres da alma”, como ajudar o pobre ou guardar um pedaço da porção para o outro. Você nunca verá um cachorro faminto falar para seus amigos: “Amigos cães, não vamos brigar por isso. Guardemos um pouco de comida para os cachorros que não estão aqui”. Vegetarianismo por razões estéticas, de desejo ou de saúde é aceitável. Na verdade, o mandato da Torá para “guardar cuidadosamente a si


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mesmo” (Deuteronômio 4:15) exige que prestemos atenção às questões de saúde relacionadas a uma dieta baseada no consumo de carne excessivo. Alguns pontos a serem considerados incluem o aumento contemporâneo de doenças em animais criados pelas condições de exploração da fábrica, e a administração de hormônios de crescimento, antibióticos e outros medicamentos destinados a animais que podem causar riscos à saúde dos seres humanos. O grande sábio do século 20 , rabino Moshe Feinstein, proibiu a criação de gado em condições difíceis e dolorosas, e a alimentação animal com produtos químicos ao invés de comida, uma vez que este iria privá-los do prazer de comer. (“Igros Moshe” 4:92 EH). Rabino Benzion de Bobov estava passeando com um discípulo, profundamente envolvido na conversa erudita. Ao passarem perto de uma árvore, inconscientemente o aluno tirou uma folha e a despedaçou inteira. De repente, o Rebe parou abruptamente. O aluno, assustado, perguntou o que estava errado. Em resposta, o rabino perguntou por que ele tinha feito aquilo. O discípulo, surpreso, não conseguia pensar em nenhuma resposta. O rabino explicou que toda a natureza - pássaros, árvores, mesmo cada fio de grama - tudo que D-us criou neste mundo, canta a sua própria melodia de louvor ao Criador. Eles são necessários para o alimento e sustento, mas puxar a folha de uma árvore sem nenhum propósito silencia essa melodia, dando a ela nenhum recurso,

por assim dizer, para se juntar a qualquer outro instrumento na sinfonia da natureza. O que quer dizer tratar bem os animais? O que ganhamos com isso? Além de ser moralmente correto, os animais próprios nos ensinam a sermos mais piedosos. Por exemplo, a mitsvá de shaatnez, na qual é proibido misturar lã e linho numa mesma peça de roupa, nos ensina exatamente isso. A lã é retirada da ovelha, que sem ela sofre e fica com frio, enquanto o linho, que vem do campo, ao ser descascado não sente frio. Ao colocar as duas matérias primas juntas elas perderiam seu valor porque a ovelha sofreu e o planta não, desmerecendo o sofrimento da ovelha.


74 • Seu Makom • Matéria

Época de Mashiach O Rav Kook afirma que na época da redenção, os homens conseguirão alcançar o nível espiritual e ideal que Adão e Eva tinham antes de pecar e voltarão a ser vegetarianos. Nessa era, enxergarão de forma clara os conceitos da Torá e os animais farão parte da ética e da retidão do homem. Muitas vezes não entendemos com clareza o motivo de certas mitsvót, mesmo assim fazemos porque nos foram ordenados; a medida em que avançamos nos estudos e subimos de nível essas dúvidas serão esclarecidas.

Aos poucos o ser humano cumprirá todas as mitsvót para com seu semelhante, como está escrito: “Ani ieirecha kodmi” – quem está próximo de você merece atenção antes, isso significa que o indivíduo deve primeiro se preocupar com os homens, e, quando estiver cumprindo todos os mandamentos relacionados a nossos semelhantes (bondade básica), poderá se ocupar dos animais (bondade extrema). Fonte: Aish.com Por Tais Gaon


76 • Seu Makom • Programação

programa

Domingo

Pais

Legacy 1

Legacy 2

10:00-11:00

R. Yoshua

R. Dany

R. Wainman

11:00-12:00

Prof. Faldini

R. Wainman

R. Dany

Segunda

Intensive

Teen

Connection

Discovery

18:00 – 19:00

R. Wainman / Yaacov G.

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19:00 - 20:00

R. Wainman

R. Dany

R. Shlomo

R. Shlomo

20:00 - 21:00

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Paula

Yaacov G.

Ivrit

Terça

Intensive

Midot

18:00 -19:00

R. Wainman / Yaacov G.

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19:00 - 20:00

R. Wainman

R. Shlomo

20:00 - 21:00

Yaacov G.

Efrat W.

21:00 - 22:00

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GUEMARA 1

R. Shlomo


ação - 2011

Programação • Seu Makom • 77

Quarta

Intensive

Discovery Connection

18:00-19:00

R. Wainman / Yaacov G.

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19:00 - 20:00

Yaacov G.

R. Shlomo

Mariana / R. Wainman

R. Tawil

20:00 - 21:00

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R. Dany

R. Shlomo / Yaacov G.

R. Wainman

Quarta

Teen

Legacy 1

Legacy 2

18:00 - 19:00

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19:00 - 20:00

R. Dany R. Wainman

20:00 - 21:00

Mariana

Yaacov G.

Mariana R. Shlomo

* continuação da quarta.

Quinta

Intensive

Midot

18:00 - 19:00

R. Wainman / Jequiel

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19:00 - 20:00

Yaacov G.

R. Dany

20:00 - 21:00

R. Dany

Efrat W.

21:00 - 22:00

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Pais


78 • Seu Makom

E a luz do judaísmo iluminará os outros povos Mais um semestre teve início e com ele, a volta às aulas. As faculdades estão a todo vapor, lotando os jovens de trabalhos, horas de estágio a serem cumpridas e muitas festas. Situação que os envolve e faz com que, muitas vezes, esqueçam-se do judaísmo, que só existe pelo mérito daqueles que ainda hoje seguem a Torá e continuam cumprindo a tradição judaica. Para exemplificar melhor o que quero dizer, cito a seguir duas histórias verídicas


Seu Makom • 79

FOTO: heroturko

E

m 1959 Tenzin Gyatso, mais conhecido como Dalai Lama, foi obrigado a abandonar o Tibete, devido às manifestações de resistência à invasão da República Popular da China, que ocorreu em março daquele ano. Após 30 anos de exílio em Dharamsala, Tenzin Gyatso buscava uma solução para o seu grande dilema: como seria possível manter a sua religião viva ao longo do tempo, entre os mais dos 120 mil tibetanos refugiados? Essa resposta ele sabia muito bem que só a encontraria no povo judeu, nação que há quase 3 mil anos peregrina pelo mundo, e que apesar das constantes perseguições ainda é o único povo que

se mantém firme e forte ligado às suas leis, tradições e história. Posteriormente, num encontro com quatro líderes judeus em Nova Jersey – EUA, no ano de 1989 (New York Times-25/9/1989), após apreciar a inteligência dos palestrantes e comprovar sua teoria a respeito do povo judeu, Dalai Lama concluiu: “Eu quero aprender com os judeus a “técnica secreta” da sobrevivência judaica.” Outro fato a respeito desse mesmo ponto ocorreu com o poeta judeu alemão Heinrich Heine, quando foi questionado pelos seus colegas de faculdade a respeito da eternidade do povo judeu: “Como esse “povinho” que não têm uma terra, nem mesmo compartilha de uma identidade nacional pode continuar existindo?” Apesar de ser um judeu assimilado, soube responder à altura. “Vocês estão muito enganados, pois os judeus possuem uma pátria, uma pátria móvel, que se chama Torá”. Caro leitor, participe das aulas, shiurim; conecte-se com a Sabedoria Divina através dos estudos da Torá e assegure assim o futuro do nosso povo. Rabino David Azulay



Revista Seu Makom