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HOSTOS REVIEW

R E V I S TA H O S T O S I A N A

A N I N T E R NAT I O NA L J O U R NA L O F L I T E R AT U R E A N D C U LT U R E R E V I S T A I N T E R N A C I O N A L D E L I T E R A T U R A Y C U LT U R A

ECOS URBANOS LITERATURA CONTEMPORÁNEA EN ESPAÑOL EN ESTADOS UNIDOS

E D I TO R AS I N V I TA DAS A M R I TA DAS NA I DA SA AV E D R A

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REVISTA HOSTOSIANA/ HOSTOS REVIEW CHIEF EDITOR/ EDITORA EN JEFE Inmaculada Lara Bonilla Diagramación y Diseño / Layout and Design Mutandis

Imagen de la portada, cortesía de / Cover image, courtesy of Editorial del Instituto de Cultura Puertorriqueña

Hostos Review/Revista Hostosiana es una publicación internacional dedicada a la literatura y la cultura.

Hostos Review/Revista Hostosiana is an international journal devoted to literature and culture. La revista no comparte necesariamente la opinión de sus colaboradores. / Articles represent the opinions of the contributors, not necessarily those of the journal. Por favor dirijan toda la correspondencia a la Directora Please address all correspondence to the Editor Instituto de Escritores Latinoamericanos Latin American Writers Institute Hostos Community College / CUNY Office of Academic Affairs 500 Grand Concourse Bronx, New York 10451. U.S.A. E-Mail: ilarabonilla@hostos.cuny.edu


La publicación de Hostos Review/Revista Hostosiana es posible gracias al apoyo de

The publication of Hostos Review/Revista Hostosiana is made possible by support from

David Gómez, President, Hostos Community College

Christine Mangino, Provost & Vice President of Academic Affairs, Hostos Community College Esther Rodríguez-Chardavoyne, Vice President of Administration and Finance, Hostos Community College Alisa Roost, Chair, Humanities Department, Hostos Community College

ISSN: 1547-4577 Copyright © 2019 by Latin American Writers Institute Todos los derechos reservados / All Rights Reserved


C O N S E J O E D I TO R I A L H O N O R A R I O H O N O R A RY E D I T O R I A L B OA R D

MA RJ OR I E AGOSÍN ( Wellesley College)

HEL EN E M. A N D ERSON ( New York U n iversit y) CA R M EN B OU LLOSA ( Cit y College-CU NY)

M A R IO B EL L AT I N ( Fo rm e r D ire c tor, Fon do Nac ion al para la

Cul t ura y l a s A rte s & Es c u e l a D in á mic a de Esc ritores, M ex ic o)

J OS É CAST RO U RIOST E ( Purdue U n iversit y)

N OR M A E. CA NT Ú ( Trin it y U n iversit y) CA R LOTA CAU LFIELD ( M ills College)

R AQU EL CHA N G - ROD R ÍGU EZ ( Cit y College-CU NY)

A R I EL D O RFM AN ( Duke U n iversit y)

MA R I E- L I S E GA ZA RIAN ( St . J ohn’ s U n iversit y)

M A RG O G L A N T Z ( U n ive r s id a d N a c i on al Autón oma de M éx ic o)

F LO R I NDA F. G OL D B ERG ( T h e H e b re w U n iversit y of J erusalem) ISA AC G OL D EM B ERG ( Fo u n der, Lat in Americ an Writers I n s t it u te a n d H o s to s Rev iew/ Rev is ta Ho s to s ia na)

E D UA R D O G ON ZÁ L EZ VI A ÑA ( Western Oregon U n iversit y) ÓS CAR HAHN ( Iowa U n iversit y)

ST EP HEN HA RT ( Lon don U n iversit y)

PAT R I CI O L ERZU N DI ( Lehman College-CU NY)

EL ENA M ACHA D O-SÁEZ ( Buc kn ell U n iversit y)


LO U I S E M . M I R R ER ( N e w Yo rk His to r ic a l Soc iet y) D O R I TA NO U HAU D ( U n ive rs id a d d e L a B o rgoñ a) JU L I O O RTE GA ( B row n U n ive rs it y )

JO S É M I G U E L OVI ED O ( Pe n n S t a te U n ive rs it y) E D M U ND O PA Z S OL DÁ N ( Co rn e l l U n ive rs it y ) R A ND O L P H P O P E ( U n ive r s it y o f Virg in ia )

A L E JA ND RO SÁ N CHEZ A I ZCOR B E ( Pe r uv ia n Cen ter of

PE N I nte r na t i on a l . S o u t hwe s t M in n e s o t a St ate U n iversit y) STE P HE N A . SA D OW ( N o r t h e a s te r n U n ive r s it y) RÓ G E R SA NTI VÁ Ñ EZ ( Te m p l e U n ive rs it y )

JU D I TH S CHNE I D ER ( U n ive r s it y o f Ma r yl a n d)

JACO B O S E FA M Í ( U n ive r s it y o f Ca l ifo r n ia , Irvin e) M E RCE D E S S E RNA ( U n ive r s it a t d e B a rc e l o na) SAÚ L S O S NOW S K I ( U n ive rs it y o f Ma r yl a n d ) A NTHO NY STA N TON ( El Co l e g io d e M éxic o ) I L Á N STAVA NS ( A m h e r s t Co l l e g e )

JO NATHA N TI TT L ER ( Ru tg e r s U n ive rs it y )

SILVI O TO R R E S-SA I L L A N T ( Sy ra c u s e U n iversit y)

VÍ CTO R TO L E DO ( U n ive r s id a d Au tó n o m a de Puebla)

SA NTI AG O VAQ U ER A-VÁS QU EZ ( N e w M exic o St ate U n iversit y)


Editorial Note Dear Reader, Welcome to a new issue of Hostos Review/Revista Hostosiana. As the Latin American Writers Institute (LAWI), which houses it, our journal seeks to support and disseminate the work of living Latin American and Latina/o/x authors who reside in the United States, primarily, but also by those who live in Latin America and elsewhere. I have embraced the invitation to fulfill the journal’s ambitious mission with a deep sense of commitment and immense gratitude towards its founder, Isaac Goldemberg for trusting me as its new Chief Editor and Director of the Institute. I envision that the upcoming issues will continue to generate meaningful exchanges on our literature across languages, national and cultural borders, identities, institutions, academic disciplines, and genres. With each issue, the guest editors and myself will seek to reinvigorate current dialogues and to create new ones that challenge those and other demarcations. Ecos urbanos: literatura contemporánea en español en Estados Unidos, (Urban Echoes: Contemporary U.S. Literature in Spanish) is issue no.15 of the Hostos Review/ Revista Hostosina and our latest Spanishlanguage volume. By devoting this collection to recent writings produced in diverse genres and in the vast geopolitical context of the United States, we wanted not only to offer a panoramic view of this contemporary literature, but also to explore the plurality of forms and sentiments that authors of different backgrounds and legacies hold towards the American urban world. The volume invites us to immerse ourselves in those experiences. And it does so at a time in which understanding writers who feel the Spanish language (and its mixing) as a literary home in the U.S. is a particularly meaningful act. Thank you for embarking on this journey with us. Inmaculada Lara Bonilla, PhD Chief Editor Hostos Review/Revista Hostosiana

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Nota editorial Querido/a lector/a: Bienvenida/o a un nuevo número de Hostos Review/Revista Hostosiana. Al igual que el Instituto de Escritores Latinoamericanos que la alberga, nuestra revista persigue apoyar y difundir el trabajo de autores/as latinoamericanos/as y latinos/as que viven en los Estados Unidos principalmente, pero también el de aquellos que residen en Latinoamérica y otras geografías. Como nueva Editora en Jefe, he aceptado la invitación a cumplir la ambiciosa misión de esta revista con un profundo sentido de compromiso y una inmensa gratitud hacia su fundador, Isaac Goldemberg, por confiar en mí el proyecto que fundó. Los próximos números continuarán generando valiosos intercambios sobre nuestra literatura y sobrepasando las barreras del idioma, así como fronteras nacionales y culturales, identidades, instituciones, disciplinas académicas y géneros literarios. Con cada ejemplar, los/ as editores/as invitados/as y yo buscaremos revitalizar los diálogos actuales y crear otros nuevos que desafíen esas y otras demarcaciones. Ecos urbanos: literatura contemporánea en español en Estados Unidos, es el número 15 de Hostos Review / Revista Hostosina y nuestro más reciente volumen en español. Al dedicar esta colección a escritos producidos en diversos géneros y en el vasto contexto geopolítico de los Estados Unidos en los últimos años, no solo deseamos ofrecer una visión panorámica de esta literatura, sino también explorar la pluralidad de formas y de sentires con los que autores/as de diferentes orígenes y legados se acercan al mundo urbano estadounidense. El volumen nos invita a sumergirnos en esas experiencias. Lo hace en un momento en el que entender a las/os escritoras/es que sienten el idioma español (y su mezcla) como un hogar literario en Estados Unidos es un acto particularmente significativo. Gracias por emprender este viaje con nosotras. Inmaculada Lara Bonilla, PhD Chief Editor Hostos Review/Revista Hostosiana

REVISTA HOSTOSIANA ⎹

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ECOS URBANOS LITERATURA CONTEMPORÁNEA EN ESPAÑOL EN ESTADOS UNIDOS


CONTENTS/ ÍNDICE Introducción. Amrita Das y Naida Saavedra

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Rosalba Henao: Hay ciudades

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Pedro Medina León: Los socios del Póker Marcos Pico Rentería: Amazon Graveyard Legna Rodríguez Iglesias: Strong Enough Mario Bencastro: Golpe de suerte

Carolina Rivera Escamilla: Prosperidad

Yosie Crespo: Pequeña ciudad no disponible City Blues Ciudad, aunque eres algo más que eso Julio Rivera: Parada 22

María del Pilar Clemente: Tejiendo el textil de la nostalgia José Ángel Navejas: Chicago

Dinapiera Di Donato: Mandarinas, por favor Felipe Hugueño: El subway neoyorquino… Melanie Márquez Adams: Legends Corner

23 29 33 39 46 50 50 51 53 60 64 69 78 80


Oswaldo Estrada: El otro mar

84

Arturo Salcedo Martínez: De idas y regresos

95

Consuelo Hernández: Ciudad En el mismo espacio Efectos de la distancia La espera Mariana Ruiz González Renteria: Fragmentos de Chavito

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Hernán Vera Álvarez: El barco

102

Gizella Meneses: La última parada

113

María Mínguez Arias: #SFciudadelíptica# Douglas Gómez Barrueta: Un cappuccino en el Silicon Valley Lucía Orellana Damacela: Después del huracán Gastón Virkel: Algo de verdad y de presagio

Claudia Salazar Jiménez: La ciudad y sus residuos Jesús Rosales: Ecos: Entre arena y cemento

Anjanette Delgado: De mangós y de murciélagos

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Amrita Das y Naida Saavedra INTRODUCCIÓN


ECOS URBANOS: LITERATURA CONTEMPORÁNEA EN ESPAÑOL EN ESTADOS UNIDOS

En las primeras dos décadas del siglo XXI se está dando un fenómeno literario en Estados Unidos caracterizado por la proliferación de obras escritas en español a través del surgimiento de editoriales independientes que publican exclusivamente en esta lengua. Este movimiento se ha gestado principalmente fuera de la academia y cuenta con la presencia de diversos agentes culturales como ferias de libros, librerías, festivales de arte, revistas literarias, etc. Al faltar poco tiempo para que acabe esta década, resulta imperativo documentar y analizar el desarrollo de este movimiento literario en español. Es el momento crucial para que la academia preste atención a un grupo de autorxs y editorxs que están dejando una marca en la literatura Latinx en Estados Unidos. Por esta razón, vemos la necesidad de editar este número especial para Hostos Review/Revista Hostosiana y dedicar un espacio preferente a escritorxs que escogen el español como lengua de preferencia para sus obras en este país. Es importante reconocer que las raíces de la literatura en español de los Estados Unidos se sembraron hace mucho tiempo. Con este número no pretendemos desmerecer ni olvidar la tradición de literatura ya establecida; mas aún, consideramos necesario reconocer a escritorxs que escriben en español en este país bien sea desde hace mucho o poco tiempo. Nuestro objetivo es resaltar lo que está ocurriendo en el siglo XXI a nivel creativo y de colaboración entre los actorxs partícipes del movimiento. Nos mueve la observación de un crecimiento de publicaciones en español tanto en libros de un solo autor y antologías como en revistas culturales y literarias, además de conversatorios y presentaciones para promoverlas.

Atención al fenómeno literario En la época contemporánea, cuando se nombra la literatura Latinx o US Latina/o se piensa en literatura escrita en inglés o en inglés con español mezclado. Es verdad que lxs autorxs de herencia latina en este país han recibido más reconocimiento escribiendo en inglés por parte de las editoriales e incluso en salones universitarios, pero esto no quiere decir que no exista literatura Latinx escrita en español.

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A finales de la década de los 60 y durante la década de los 70 el Renacimiento Chicano nos dio un florecimiento de literatura en español en este país debido a un compromiso por mantener la lengua de herencia de la población chicana. No obstante, las fuerzas del mercado, y la preferencia lingüística en la segunda y la tercera generación de escritorxs dieron un ímpetu a la literatura latinx en inglés. Este no fue el caso único de la comunidad chicana sino que se observó también en otros grupos--como en las comunidades Nuyorican y miamense donde se concentraban artistas Latinxs de esa época. Sin embargo, la producción literaria en español continuó en este país. Es posible afirmar que en los Estados Unidos no se conoce ampliamente a muchos autorxs que escogen el español para crear sus obras en este país por no haber tenido las mismas vías de promoción que tienen escritorxs que escriben en inglés. Muchos han publicado con editoriales extranjeras o en editoriales pequeñas de este país o han quedado escondidos en las revistas con circulación limitada y entre comunidades locales. Ediciones Universal, por ejemplo, establecida desde 1965 en Miami, aunque cerró las puertas de su local físico en 2013 por razones económicas, aún continúa publicando libros y atendiendo a la comunidad miamense. Muchas otras ya no pudieron sostenerse. A finales del siglo XX y principios del XXI vemos una tendencia en la que prevalece una nueva determinación de publicar en español, fortalecida por el uso de la tecnología por parte de autorxs, editoriales, librerías y agentes culturales. Los nuevos medios de comunicación, especialmente las redes sociales, se han convertido en herramientas necesarias del movimiento literario en español en los Estados Unidos. Las redes sociales ofrecen la oportunidad de conectarse instantáneamente con el mundo y especialmente con lxs lectorxs, quienes a su vez pueden entablar una relación con lxs creadorxs y distribuidorxs de las obras. Muchos escritorxs establecen contacto digital directo con el público, acortando la distancia que siempre había existido entre artistas y lectorxs. El ente creador se convierte en un ser activo. Promociona sus publicaciones; invita a sus lecturas y a las de otros artistas; está pendiente de los comentarios que le hacen sus seguidorxs y les contesta. Asimismo, tanto editoriales como librerías hacen uso de las redes sociales para comunicarse y promocionar y difundir esta literatura. Algunas de las nuevas editoriales de los Estados Unidos que publican literatura en español escrita por autorxs que residen en este país y que poseen 16 ⎹ HOSTOS REVIEW


una presencia sólida en las redes sociales son, Suburbano Ediciones, Ars Communis, El BeiSMan PrESs, Editorial Paroxismo, Chatos inhumanos, Katakana Editores, entre otras. El amplio uso de las herramientas que brinda el internet ha sido beneficioso para las editoriales independientes ya que un esfuerzo económico de bajo costo se traduce en buenos resultados y el factor económico siempre ha sido un reto para las compañías pequeñas en el mercado editorial. El reto es aún mayor si este tipo de empresas se especializa en un idioma que no es el dominante y cuyo trasfondo revela la imagen del inmigrante como objeto de ataque por el discurso oficial. Así, el trabajo de estas editoriales y la posibilidad de una fuerte presencia digital ha permitido que el fenómeno de la nueva literatura estadounidense en español adquiera visibilidad, que se escuche en diferentes medios y latitudes. Al mismo tiempo, las editoriales independientes, las revistas literarias y editoriales académicas de este país han sido esenciales para la sobrevivencia de la literatura en español. Dos editoriales que han podido sobrepasar desafíos financieros y lingüísticos son las de Arizona State University, Bilingual Press/Editorial Bilingüe y de University of Houston, Arte Público Press. Ellas han trabajado desde la década de los 70 para mantener una publicación continua de textos en español, a menudo apoyándose en la estrategia de la edición de textos bilingües en los que el original y la traducción aparecen en el mismo libro o solo las traducciones del texto original en español. Como otras editoriales desarrolladas en universidades, también publican libros críticos con temática latina de este país y cuentan con apoyo institucional. Aunque aún la presencia de la literatura Latinx en español es menor en comparación con literatura Latinx en inglés en los estudios críticos, las universidades estadounidenses se están dando cuenta de la necesidad de crear oportunidades para nuevos autorxs y han diseñado programas de escritura creativa en español con un cuerpo de profesorxs que incluye autorxs que escriben en esta lengua y residen en Estados Unidos. Hasta este momento, las instituciones de educación superior que ofrecen estudios de posgrado de creación literaria en español son New York University (MFA, Spanish and Portuguese Languages and Literatures), Iowa State University (MFA, World Languages, Literatures and Cultures), University of Texas El Paso (MFA, Creative Writing), Hofstra University (MFA, Romance Languages and Literatures and English), University of Houston (Ph.D. in Spanish with Concentration in Creative Writing, REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 17


Hispanic Studies). Esta última es la primera que ofrece un programa de doctorado, el cual comenzó en el otoño de 2017. Además, diversas universidades se han interesado en la producción literaria en español durante el siglo XXI y organizan eventos a los que invitan escritorxs que únicamente publican en español. De este modo, los centros de educación superior están estableciendo también una relación más estrecha con las editoriales y revistas literarias no académicas. Por ejemplo, podemos nombrar en Chicago a De Paul University y la revista Contratiempo y el evento Poesía en abril, así como en el sur de Florida observamos la Miami Book Fair International y su relación con Miami Dade College y la revista cultural Suburbano o el CUNY Graduate Center y la revista Los Bárbaros en Nueva York, entre muchos otros. Asimismo, es en este momento en el que se comienza a discutir el fenómeno de la literatura en español de Estados Unidos en el mundo académico. Es decir, es ahora cuando se observa como un fenómeno artístico contemporáneo de peso. Diversos escritorxs y críticxs están prestando atención a lo que está ocurriendo y están escribiendo al respecto. A principios de siglo, Debra Castillo publicó el artículo “Los ‘nuevos’ latinos y la globalización de los estudios literarios” (2003).1 Allí discute la presencia de literatura escrita por autorxs inmigrantes de primera generación y construye el término “nuevos latinos” para diferenciarlos de lxs escritorxs de segunda y tercera generación, quienes predominantemente usan el inglés y son más estudiados por la crítica. Paralelamente, Naida Saavedra en su artículo “El New Latino Boom” (2018), observa a estos autorxs prestando especial atención a la forma de promocionar sus textos en redes sociales como Facebook, Twitter e Instagram.2 Lxs autorxs tienen seguidorxs no sólo en su comunidad local, sino también en otras partes del país y fuera de él. Ella nombró este fenómeno New Latino Boom, diferenciándolo del boom latinoamericano de los años 60 y el Latino Boom en Estados Unidos de los 80 y 90. El reciente interés en este nuevo grupo de autorxs ha llevado también 1 Castillo, Debra. “Los ‘nuevos’ latinos y la globalización de los estudios

literarios.” Más allá de la ciudad letrada: Crónicas y espacios urbanos. Edited by Boris Muñoz and Silva Spitta, Biblioteca de América, Instituto Internacional de Literatura Iberoamericana, U of Pittsburg, 2003, 439-459. 2 Saavedra, Naida. “El New Latino Boom.” Latin American Literature Today, vol 1, no. 8, Nov. 2018, http://www.latinamericanliteraturetoday.org/en/2018/ november/new-latino-boom-naida-saavedra 18 ⎹ HOSTOS REVIEW


a repensar el trabajo de muchos otros que viven en este país y siguen escribiendo en su idioma, aunque todavía no han recibido la misma atención que sus contemporáneos que escriben en inglés.

Experiencias urbanas Hostos Review/Revista Hostosiana ha sido parte de la conversación sobre la escritura en español de Estados Unidos desde 2004, siendo muchos de sus números testimonio de esta producción literaria. Con el objeto de expandir y renovar los temas de números anteriores decidimos centrarnos en la publicación en español en el siglo XXI en este país y explorar cómo se da la interacción entre los humanos y las --a veces caóticas--urbes, teniendo en cuenta que un gran número de la población vive en ellas.3 Los artistas, por su parte, forman parte de dicha población citadina y es indiscutible la presencia y participación de autorxs, editorxs y agentes culturales en estos lugares. Hay centros urbanos que resaltan en el movimiento literario en español del momento, como Miami, Nueva York o Chicago. Vemos el surgimiento de editoriales, conversatorios, ferias de libros y presentaciones de obras en dichas ciudades. Lxs escritorxs así como las editoriales que no residen en estas ciudades viajan a ellas para participar en los eventos y establecer un diálogo. Inclusive, se han dedicado antologías a las ciudades; por ejemplo, Miami (Un)plugged (Suburbano Ediciones, 2016), Viaje One Way (Suburbano Ediciones, 2014), Los topos mecánicos (Ígneo, 2018). El espacio urbano se convierte tanto en tema de las historias como en lugar de encuentro y formación del fenómeno literario. Por ello, para “Ecos urbanos” invitamos a escritorxs latinxs que residen en Estados Unidos a enviar cuentos, crónicas, poemas, ensayos personales o textos que combinen géneros literarios en donde el tema urbano tuviera una fuerte presencia. Nuestro llamado tuvo como respuesta un buen número de textos y, tras la mucha deliberación que caracteriza estos proyectos, incluimos textos de veintiséis autorxs que proceden de diferentes partes del mundo hispano y ahora residen en los Estados Unidos. Entendimos la literatura Latinx como el corpus de textos producidos en los Estados Unidos por autorxs de herencia latinoamericana. No pusimos 3 Según las Naciones Unidas 55% de la población mundial ya vive en centros

urbanos y se proyecta que 68% vivirá en ciudades de aquí a 2050.

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ninguna restricción en cuanto a la procedencia, ya que nos interesaba más enfatizar la producción en español en este momento en este país. Lxs autorxs representan una gran variedad de experiencias: algunos nacieron en un país y crecieron en otro y otros vivieron en diferentes lugares y en la actualidad residen en este país, desde hace poco o desde hace mucho tiempo. No queríamos etiquetarlos por su país de nacimiento, ya que preferíamos resaltar que forman parte de una larga tradición literaria de literatura en español y de la literatura Latinx. Los géneros incluidos en “Ecos urbanos” son el poema, el cuento, la crónica y el monólogo teatral. Uno de los criterios más importantes para nosotras en el proceso de selección de textos fue la representación de la ciudad, no solo como el trasfondo de los textos, sino también como la razón de las acciones, de las oportunidades, de las decisiones que toman los personajes o las voces autoriales. Una de las características de los centros urbanos en comparación con los espacios rurales es la limitación de espacio físico que cada uno posee. En este número, la falta de privacidad está bien ilustrada por vivir en los apartamentos, las casas en las que no solo se comparten muros con los vecinos sino también experiencias. Esa cercanía hace imposible que los sonidos sean lejanos, las voces de los prójimos o el bullicio de las calles están dentro y fuera. Dentro de la muchedumbre de la ciudad nuestros textos muestran la necesidad de buscar conexiones humanas. Algunas veces se logran y otras veces no. Hay quienes buscan nuevos amigos y familias y hay quienes deciden esconderse en sus apartamentos y usar el mundo virtual para seguir conectados con familias ubicadas en lugares remotos. Para muchos el idioma es el que crea la distancia y los malentendidos, pero para otros es la base de la comunidad. Así como nuestros autorxs proceden de diversos lugares y contextos, los textos también ocurren en ciudades diferentes: algunos en centros urbanos grandes como Los Ángeles, Chicago, Nueva York y Miami y otros en lugares más inesperados, como Nashville en Tennessee, Seattle en Washington o Chesterfield en Virginia. También incluimos dos textos ubicados en San Juan, Puerto Rico, un territorio de Estados Unidos donde se vive bajo la influencia del imperialismo norteamericano mientras se mantiene una identidad latina. Otros ocurren en metrópolis sin nombres pero que pueden ser cualquier urbe de este país, identificadas solo por las imágenes y los sonidos de las ciudades que están en constante movimiento. Esta diversidad de ubicaciones es muestra de la expansión de la experiencia latina de este país y sus representaciones en nuestros 20 ⎹ HOSTOS REVIEW


días. Es por ello que no estructuramos el orden de los textos por género literario, ni por ciudad, ni sub-tema. Los organizamos de tal manera que no haya una repetición de género, ciudad, ni contenido, sino una exhibición de variedad. Allí se encuentra el punto crucial del recorrido al que invitamos a nuestros lectorxs. En este viaje por las diferentes ciudades, algunas conocidas y otras no tanto, siempre se esconde lo inesperado y queremos que ustedes disfruten de lo imprevisto. Con esta edición de Hostos Review/Revista Hostosiana, por lo tanto, presentamos a autorxs y textos que continúan fortaleciendo esta tradición literaria en este siglo. Esperamos que la presente compilación entre en diálogo con los esfuerzos de todos quienes trabajamos para mantener dicha tradición viva en este país, sean autorxs, editorxs, críticxs y ustedes, lectorxs. “Ecos urbanos” constituye una oportunidad de conocer una muestra de la literatura Latinx contemporánea en español, de apreciarla y darle el reconocimiento que merece. Amrita Das University of North Carolina Wilmington Naida Saavedra Worcester State University

*** Amrita Das, Ph.D., es Associate Professor de español y literatura Latinx. Es co-editora del volumen crítico Contemporary U.S. Latinx Literature in Spanish: Straddling Identities (2018) y la antología de teatro Teatro latino: Nuevas obras de los Estados Unidos (2019). Naida Saavedra, Ph.D., es Assistant Professor de español y literatura Latinx. También es autora de Vos no viste que no lloré por vos (2009), Última inocencia (2013) y Vestier y otras miserias (2015). Su libro de cuentos, Desordenadas y su libro de ensayo New Latino Boom serán publicados en 2019. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 21


ECOS URBANOS


Pedro Medina León LOS SOCIOS DEL PÓKER A David Díaz —Estoy de pinga —dijo David y tiró sobre la silla un siete de tréboles, un tres de corazones y el nueve de espadas. Ni siquiera había logrado armar un par en las dos últimas partidas. No quedaba nadie más que nosotros en el Coin Laundry y la máquina en la que se secaba mi ropa, acababa de emitir un pito indicando que ya estaba lista. David y yo coincidíamos en el Coin una vez a la semana: a la hora en que él salía de trabajar y yo hacía un break en mi sesión de escritura. Al comienzo David llegaba con un dominó, pero desistió en su idea de jugarlo conmigo, que nunca antes lo había hecho, y lo cambió por unos naipes. A veces jugábamos Black Jack y a veces Póker, y el que perdía más partidas invitaba unas wings y un par de cervezas en la barra del Normandy. Mientras guardaba la ropa limpia en mi mochila, le comenté a David que estaba cansado y no escribiría más, así que, en lugar de ir al Normandy, propuso pagar la apuesta en su efficiency con un Havana Club que le acababan de traer de Cuba. Nuestras reuniones en el Coin Laundry resultaban también una suerte de pretexto para que lo pusiera al tanto de los últimos avances de mi libro, incluso cuando cerraba un capítulo lo imprimía y se lo leía y lo comentábamos en el Normandy, frente a un side de wings y secando un pitcher de Miller , y no se cansaba de decir que lo tuviera en cuenta para uno de mis próximos personajes, que sobre él se podría escribir el próximo libro para el Nobel. Ya tenía el primer draft de la novela listo, le dije además, con título, Making Off, y David pareció más entusiasmado que yo con la noticia. En su efficiency David dejó su mochila con ropa sobre la cama y dijo que me acomodara por ahí en el suelo que ahora venía lo bueno, y sacó el Havana de un mueble de madera donde sonreían algunos rostros enmarcados, pero en el que hasta hacía poco, que yo recordara, no había nada. Esto está de pinga, mi socio, es añejo, así que se toma puro y solo con un cubito de hielo. Llenamos los vasos e hicimos un salud por Making Off, y David se volteó hacia el mueble y a una de las fotografías donde salía una mujer, remojando sus pies en la orilla del mar, con un traje de baño rojo que le envolvía unas REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 23


caderas gruesas y dejaba ver los muslos agujereados por la celulitis, le dijo salud negra de mi vida. Tantas veces me había hablado de ella, de Saylin su mujer, la negra de su vida, y por fin pude verla en esas imágenes que le habían llegado en el mismo paquete del ron. –Socio, anda, nos echamos un póker. –No, así estoy bien –respondí. –Bueno, compadre, era para no aburrirte con mi comemierdería. Cuando terminé el segundo ron, me levanté. Al día siguiente me esperaba una jornada larga de escritura y no podía despertar con una resaca que no me permitiera sentarme en el ordenador. David insistió en que me quedara, alcanzaba para un buchecito más de cada uno, coño, él había tomado cinco o seis vasos, la bebida le duraba un par de sorbos largos si acaso. Pero mi respuesta fue la misma: me tengo que ir. Coño, entonces regálame un minutico, mi socio, que quiero darte algo. Debajo de su cama guardaba un maletín deportivo donde tenía más fotos, un par de prendas interiores de mujer, eran de su negra, y los olió y dijo que su hembra tenía el coño más rico de la isla y del mundo, y una pequeña grabadora. Esto, mi socio, esto escúchalo, dijo, y me la alcanzó y me dio un abrazo impregnado de su tufo a ron, yo era su único amigo en esta nueva ciudad, era su familia. Estaba guardando la grabadora para escucharla con su negra cuando estuvieran juntos otra vez, pero me la prestaba, quería que la oyera, si con lo de la grabadora no escribía de él, perdía las esperanzas de ser alguno de mis personajes. A David lo conocí en el Coin hacía un año y medio. Se paró adelante mío, con su cesto de ropa sucia, llevaba una camiseta verde limón de cuello y botones, y la luz amarillenta de los focos desnudos que colgaban del techo le daba brillo a su calva. Ven acá, dijo, a ver enséñame a andar esta nave espacial, mirando a la lavadora. Acababa de llegar de Cuba, y era la primera vez en su vida que se topaba con uno de esos monstruos. Esa misma noche, casualmente, nos volvimos a cruzar en el Varadero Market, en los anaqueles de Coca Cola, y me dijo que entre tanta botella grande, tanta botella chica, mediana, de vidrio, de plástico y latas, sentía que estaba paseando por Disneylandia, antes jamás había probado Coca Cola, y se las quería tomar todas juntas. Recién en ese momento nos presentamos: David Díaz, un placer; Martín, respondí, un placer. Se había conseguido un trabajito en el Vicky Bakery, en esa misma calle, cualquier cosa estaba a la orden. Un par de veces más coincidimos en el Coin y 24 ⎹ HOSTOS REVIEW


también cuando regresaba a mi efficiency después de terminar mis jornadas de escritura en la Public Library, lo veía a través de los ventanales del Bakery y lo saludaba con un gesto. Poco a poco nos fuimos poniendo de acuerdo para encontrarnos en el laundry y así surgieron el Dominó, el Póker, el Black Jack y el Normandy. Incluso íbamos a pasar la navidad en su efficiency, pero le ofrecieron over time para hornear lechones en el bakery, y se quedó trabajando toda la madrugada. Lo mismo sucedió en año nuevo. Yo pasé ambas fechas revisando Making Off con un par de tazas de café. Era poca la ropa que había traído en mi mochila para doblar, así que terminé y encendí el ordenador con la intención de darle una mirada a Making Off, pero me retracté oportunamente. Aún no tenía sueño, iba meterme en la cama a hojear una New Yorker hasta que me dieran ganas de dormir, cuando caí en cuenta que tenía la grabadora sobre la mesa de noche. Era una Sanyo, de mini cassettes, hacía mucho no veía una. Muchísimo. Hundí play y la cinta reprodujo un ruido que quizá podía ser el de unos pasos arrastrándose sobre ramas, luego el de una respiración cercana, cercana y agitada, y una voz que primero no se entendía ni se distinguía de quién era, pero luego era fácil de identificar, era David, David diciendo coño, coño mi negra, no sé dónde estoy… No tengo fuerza ni para caminar. El bote se viró. El oleaje, fue el oleaje con el viento. Me cago en la madre. El mar me ha varado, estoy solo. Me cago en la resingada madre que me parió, no sé dónde estoy. Hacia el fondo veo luces. Como de ciudad. No sé dónde pinga estoy. Luego se escuchó algo impreciso, como si la grabadora se le cayera o se la quitaran. Gritos en inglés. Gritos de David. Más gritos en inglés. Imposible entender qué decían. Retrocedí la cinta y volví a darle al botón de play: pasos sobre las ramas, la respiración agitada, la voz…Play otra vez. Y marqué el número de David que contestó tras varias timbradas; de fondo, un murmullo uniforme se confundía con “Hotel California”. El ron se le terminó y fue al Normandy, y bebía la cuarta botella de Presidente. Al día siguiente estaba off, había que aprovechar. Oíste el tape, mi socio, oíste el tape, la voz REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 25


de David se perdía en la bulla de su alrededor. Vamos a ganarnos el Nobel ese, lo repartimos fifty fifty y mando a traer a mi negra. Te espero en el Normandy, socio, vente que debemos brindar por Making Off, fue lo último que dijo y colgó. Dejé la grabadora sobre la mesa de noche, agarré la New Yorker y me metí en la cama. Pero antes de empezar a leer, busqué otra vez el botón de play.

*** Pedro Medina León (1977) nació en Lima, Perú. Su novela Varsovia ganó el Florida Book Award 2017. Es autor de los libros Mañana no te veré en Miami, Marginal y Tour: una vuelta por la cultura popular de Miami, y editor de las antologías Viaje One Way y Miami (Un)Plugged. Además es creador y editor del portal cultural y sello editorial Suburbano Ediciones y como gestor cultural ha sido co-creador de los programas Pido la Palabra, #CuentoManía, Miami Film Machine, Miami Literario y Escribe Aquí –galardonado con una beca Knight Arts Challenge por la Knight Foundation Center. Es conferencista en temas de historia y cultura popular de Miami para el Florida Humanities Council y estudió Literatura en Florida International University y, en su país, Derecho y Ciencias Políticas. Actualmente vive en Miami.

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Rosalba Henao HAY CIUDADES como hace 500 años seguimos tras la ilusión del oro y los espejos Hay ciudades que aspiran a un plato de comida y bendicen las gotas de agua que llegan desde el cielo. Otras, sueñan con tener una maestra un médico, un artista. Hay ciudades que tocan las nubes con sus edificios de espejos, han vendido por metro cuadrado los planetas y tienen dinero suficiente como para comprar una estrella. Al sur... Hay ciudades que trabajan incesantemente para que los muertos de 30 años escondidos en el silencio, tengan nombre y la palabra tenga de nuevo su lugar. En las ciudades de los pies descalzos los habitantes han emigrado a las ciudades que nunca duermen y trabajan sin ver el sol. Un puñado de los que quedan con sus armas bajo la almohada vigilan lo poco que les resta. Cada mañana entonan cantos para que no lleguen a sus costas los que parten los suelos para sacar hasta el último brillo de la montaña. Estos últimos, vienen desde las ciudades de los edificios altos y de espejos REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 27


se nombran a sí mismos dioses y necesitan el dinero de todos y las manos de todos para escarbar la luna.

*** Rosalba Henao Quiceno nació en Colombia. Llegó a Florida en 2010 y actualmente vive en Nueva York. Se dedica a la pintura y a la poesía. Tiene una maestría en Educación por el Arte y la Animación Sociocultural de IPLAC, La Habana, Cuba. Ha publicado las obras Desde la piel (1996) y Tiempo eterno (2016). En 2017 hace parte, con una de sus crónicas, del libro Narradores colombianos en Nueva York, el cual circula de forma gratuita en el metro de Medellín, Colombia. Su trabajo visual ha sido expuesto en bibliotecas públicas de la ciudad de Nueva York. Es co-fundadora de “Crónica, Poesía y Palabra”, un evento de lectura y conversación poética que reúne a nuevos y experimentados escritores en Nueva York.

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Marcos Pico Rentería AMAZON GRAVEYARD “Our passion for pioneering will drive us to explore narrow passages, and, unavoidably, many will turn out to be blind alleys.” –Jeff Bezos —Yes, thank you, we’ll be there this afternoon. —Make sure you don’t forget the two forms of ID. —Yes, of course, we won’t forget. Colgué inmediatamente y le dije al Gordo que se apurara que ya pronto teníamos que reportarnos a trabajar. Era la primera vez que trabajaba tomando el nombre de alguien más, era como usurpar las vivencias de alguien, volcar mi persona en el existir de otro. El Gordo de Ralf sabía que lo que hacíamos estaba mal, pero en la Amazonía todo se vale, por lo menos eso era lo que se me había dicho. —Órale cabrón, me llamaron de Amazon, ¡chíngale que se nos hace tarde! —No mames, ¿de Brasil? —No, güey, de Amazon, la bodega que está a la salida del pueblo. —¿Y qué vamos a hacer allá? —¡Qué chintolas sé yo! Creo que necesitan gente para que descarguemos y carguemos camiones. —¡Pero estamos de vacaciones, cabrón! —Decimos vacaciones porque no tenemos trabajo, pero tenemos que pagar el siguiente semestre, así que chíngale que tenemos que ir a la bodega hoy por la tarde. —¿Cuánto nos falta para completar lo del semestre? —Yo diría que como unos 2,500 por cabeza. —No mames, lo bueno es que es el último año y ya. —Sí, pero hay que terminar de pagar antes de que comience el semestre y así no preocuparnos de eso. Por la tarde ya habíamos llenado todo el papeleo. La burocracia para entrar a ese trabajo era exhaustiva. Un nombre por aquí, un número de seguro social por acá, el historial laboral. La petición de REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 29


información era exagerada, y todo eso, para levantar unas cajas. En ese instante no sabía realmente a dónde nos metíamos. Amazon tenía que contratar más de 50 empleados temporales para trabajar el turno de noche, que en inglés tiene más sentido con su nombre ‘graveyard shift’: turno de panteonero (traducción absolutamente irreverente). Los primeros días no fueron tan malos. Entramos con un grupo de jóvenes que también ambicionaban una quincena segura por algunos meses. Al principio todos parecían amigables, amenos. —Hey, what’s your name? Le di el primer nombre que me vino a la mente. —Tito, yours? —I’m Vincent. But you can call me Vinnie. —Órale, nice to meet you Vinnie. Look, that’s Ralf. —Sup, man. —Nice to meet ya, Ralf. Vinnie parecía que estaba fuera de sí. Había algo que no cuadraba. Le pregunté a Ralf y me hizo un gesto de tampoco saber y dejé de pensar en eso. A la entrada de la bodega estaba una fila completa esperando pasar por los detectores de metales. Era una fila con cuerpos que caminaban a una distancia mínima entre sí para comenzar a trabajar el turno de noche. —Oyes güey, no se te hace que están todos medios dormidos. —Sí, parecen muertos. —¿Cómo van a estar muertos güey? —Son zombis, cabrón. —¡No mames! Me quedé con esa imagen toda la tarde. La bodega toda estaba pensada y materializada a partir de la noción de tener partícipes que engranan sus vidas al ritmo de esa jungla. Lo más impresionante del lugar eran las bandas y las cajas que continuamente pasaban de un lugar a otro. Un constante camino de paquetes que llevaban el mandato de una serie de números. La sistematización del movimiento me sofocaba un poco, hasta que logré acostumbrarme al paso. La primera noche no fue muy difícil. Tuve que aprender a encajar en la maquinaria de Amazon. Primero me dieron una pistola para localizar mercancía y un carrito; me dieron el título de picker. En la zona oeste de la bodega estaban todas las particiones donde los pickers iban por la mercancía que les dictaba su aparato que sabía dónde cada una de las cosas estaba en ese lugar. De cuando en vez

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quise buscar dónde se almacenaban los libros, pero pocas veces pude encontrar alguno que no fuera de autoayuda o de recetas de cocina. El libro había muerto. Así me lo aseguró un compañero cuando le pregunté dónde se almacenaban los libros en ese lugar. —Cabrón, ¿ya viste? Ralf apuntó a unos tipos que iban a toda velocidad con su carrito lleno de cajas. Uno iba bailando. Pensé que iba escuchando música, pero no vi ningunos audífonos. La música la escuchaba, estoy seguro. Los pasos imitaban a Michael Jackson en su Thriller. —¿Qué onda con ese? —‘Ta volando. Me di cuenta de que ellos no estaban con nosotros. Habían llegado a la misma hora que nosotros. Habían seguido el mismo entrenamiento que nosotros. Habían marchado los mismos pasillos buscando cajas, como nosotros. Pero ellos estaban en otra línea de tiempo. Eran unos zombis en anfetaminas. Sus posturas indicaban que estaban bajo la influencia, pero parecían felices y trabajaban a un ritmo mucho mayor que al nuestro. Quise evitarlos, pero todos los pasillos llegaban al mismo lugar. A la línea de embarque. —Sup brotha? —Nada. —Isn’t this job great? —It sure is! —This is the best job I’ve had. Sonreí y no dije nada. Según él, se había sacado la lotería y quién era yo para contradecírselo. ¡Pinche madre! El engranaje laboral le había hecho pensar que estaba en la panacea de la época del silicio. Los pasos en esa bodega los sentía como sentía el caer de la gota en la clepsidra vieja. Me encontré mucho tiempo sin hablarle a nadie. Pensando. Meditando. Buscando al que movía los hilos del yo. Cada minuto que pasaba intentaba conversar con quien podía. Las conversaciones no iban a ningún buen puerto. —Hey there! —Sup? Igual intentaba hablar con los muertos vivientes. Pero nada. No conseguía que dijeran mayor cosa. Muchas voces tenían la amargura acumulada por las largas horas que trabajaban de noche. Las voces roncas y lerdas eran el rastro del polvo y aceite perpetuado en el mausoleo de las bandas elásticas. El ciclo de vida no era otro

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que el movimiento generado por una economía digital, etérea, casi inexistente para los que acarreábamos los productos. Entre las voces hubo una que cimbró y me dejó estupefacto parado sobre el frío y sombrío cemento sepulcral de Amazon. —What are we doing here? Callé y seguí caminando.

*** Marcos Pico Rentería (1981) nació en Apatzingán, México. Llegó a Reno, Nevada en 1996. Estudió su licenciatura y maestría en Literatura y Letras Extranjeras con énfasis en español en University of Nevada, Reno, donde también fue instructor y asistente de investigación. Obtuvo su doctorado en Arizona State University en 2016 con una tesis doctoral sobre el grupo literario mexicano Crack y dos colecciones de ensayo de Jorge Volpi. Es editor de Nueve délficos: Ensayos sobre Lezama (2014, ensayo) publicado por la editorial Verbum (Madrid). Además, varios de sus textos han aparecido en revistas como Conexos, Aurora Boreal, La Santa Crítica, Revista Crítica, Nuestra Aparente Rendición, Eñe: Revista para Leer, Vozed, Digo.palabra.txt, Confluencia y en antologías como Alebrije de palabras (2013), Pelota jára: Cuentos de fútbol (2014). Actualmente es profesor en el Defense Language Institute en Monterey, California. Página de autor: digitusindie.com. Twitter: @MarcosIPico.

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Legna Rodríguez Iglesias STRONG ENOUGH Sobre ser usada, yo podría escribir un libro. Cher He empezado a descargar música desde una plataforma llamada BitLord. Lo más importante de todo es tener la paciencia necesaria para no sobrecargar al sistema y evitar un bloqueo indeseado. Una canción puede descargarse con eficiencia si pones amor en ello. 
Una recopilación entera puede descargarse con eficiencia si pones amor e inteligencia en ello. 
De acuerdo a la hora del día será mayor el porcentaje de amor o de inteligencia que uno deberá poner al descargar canciones o recopilaciones. Llevo más de tres horas decidiendo cuál canción descargaré primero. 
Como cualquier persona con un gusto ecléctico a la cual le gustan canciones diferentes. Yo ni siquiera ambiciono canciones, lo mío son las recopilaciones y los discos originales completos. La gente suele hacer una lista de canciones para cada situación y no hay nada que yo no soporte menos.
 Hay una gran relación entre una lista de canciones y la experiencia personal de quien la hace.
 Así como entre las preguntas y el modo en que las respondo.
 Me encanta responder preguntas embarazosas. Me encanta embarazarme con preguntas como ¿ya leíste a fulana de tal? Las preguntas por escrito son una delicia, soy capaz de aprendérmelas de memoria y recitarlas en una entrevista de trabajo como respuesta a esa entrevista. Básicamente nuestra forma de comunicación desde que estamos fuera de nuestros países es solo tecnológica y social.
 Me afecta, nos afecta. Hace tiempo que no le escribo a personas que tienen un vínculo conmigo extra literario. 
La razón es que sospecho de esa realidad que nos unía porque ya no la capto igual. Ahora todo depende de una red, de una conexión. Es triste y monstruosamente interesante. Uno de los exponentes de la más intransigente poesía contemporánea se conecta, y yo puedo saber, entonces, que es real.
 Sus afinidades alcanzan una evaluación de diez porque él y yo estamos conectados.
 La anécdota literaria que hay en ello, más allá de narrativa, llega a ser REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 33


poética. Breve historia para decirte que una vez mordido el anzuelo, no hay salvación posible. Escribo con satisfacción a través del filtro de una red social.
 No envío a concursos mis diarios personales mecanografiados a máquina de escribir sino que, Georgia mediante, forman parte de documentos adjuntos que atraviesan geografías en menos de diez segundos, si la Wifi funciona bien. Mi próximo libro, que será escrito como una sinfonía y rindiendo homenaje a la literatura de un país escrita fuera de ese país, comenzará con una frase que dice: Lo que nos une es un link.
 El libro amenazará con estar disponible al mes siguiente de ser publicado y se venderá de manera online bajo el sello editorial Casa Vacía. Los lectores introducirán los datos de sus tarjetas de crédito y podrán acceder al texto si así lo quieren. Un compendio foráneo llamado Transtucé. A falta de una palabra que nombre eso desconocido que empieza a formar parte de mi propia historia 
tendré que suponer un nombre más allá de un idioma. El idioma de la tecnología, más amplio, más abstracto, más concreto, logrará hidratar cada uno de mis mensajes. A veces pienso que ya no escribo poemas o textos narrativos, sino mensajes. Y eso es, sin duda, mucho más importante. Envío mensajes fuera de mí. Mi huella digital sobre un botón es la llave a mi cuenta bancaria, en cero. Una huella ineficaz para un botón ideal. Debería escribir una canción. Debería escribir una canción de amor. Debería escribir una canción de amor y desengaño. Todos los días, por ejemplo, me llaman por teléfono a las diez de la mañana y me preguntan si mi nombre es Rafael. Como mi nombre no es Rafael, me tomo la molestia de contestarles que no, que mi nombre no es Rafael. Me siguen hablando a mí, Rafael, para convencerme de acceder a una deliciosa cobertura médica. Yo vuelvo a decirles que no, que mi nombre no es Rafael, y que no quiero acceder a ninguna cobertura deliciosa. Continúan refiriéndose al Rafael que soy yo, aunque nunca haya sido Rafael. Utilizan unos términos de convencimiento que se acercan a términos de ventaja, para no decir de manipulación. A las diez de la mañana empieza la fiesta de Rafael. ¿Eres o no Rafael? Porque si no lo eres deberías serlo. Y yo que no, que mi nombre no es Rafael. Se disculpan aceptando que ha habido un error. Que 34 ⎹ HOSTOS REVIEW


me piden mil disculpas. Mil perdones. Un millón de disculpas. Lo sentimos tanto.
 Que acaban de darse cuenta de que, en efecto, mi nombre no es Rafael, sino otro, pero que, en última instancia, la cobertura médica sigue siendo una opción deliciosa para mí. Dado el caso de que no tuviera otras opciones debería aproximarme a una. Son las diez de la mañana. La gata se ha acostado sobre mi pecho, el pecho de alguien que no es Rafael, teniendo en cuenta que estoy echada en un sofá, y me mira como si de todos modos me llamara Rafael. Miro a la gata a sus ojos, dos círculos amarillos de día y dos circunferencias negras de noche. Le digo con la mirada que no, que yo no soy Rafael. Es mi gata desde que tiene más o menos tres semanas, es la única que puede estar segura de mí. La cargo suavemente y la devuelvo a su saco. No me gusta Rafael. No me llamo Rafael. Nunca seré Rafael. Como me siga mirando así, tendré que deshacerme de ella. Antes de tener la gata trabajé en el circuito sur de la ciudad. Con una licra negra me cubría las piernas. Con un abrigo rojo me cubría los brazos. Debajo del abrigo usaba un pullover rojo, muy masculino y ancho. Eso me hacía parecer un niño. Me cubría las piernas, me cubría los brazos, intencionalmente. Iba en bicicleta al trabajo. La bicicleta celeste más femenina del circuito sur. Al doblar por la 14 y tomar la 17 ya sabía que los conductores se quedarían mirando. El freno de pedal funcionaba bien. Con tal precisión que a veces permanecía en vilo, presionando el pie derecho, sintiendo la tensión de la cadena, exquisita. Durante aquellos meses llegué a usar tres pares de tenis distintos. Un día dejé de hacerlo. Dejé de cubrir mis piernas. Me puse un pantalón corto, negro, como la licra, pero corto y con bolsillos. La primera cocinera que me vio no pudo quitar la vista, maleducada. La segunda cocinera, lo mismo. El hombre que limpiaba los salones tampoco pudo quitar la vista. Se hizo un coro de cajeras, cocineras, limpiapisos y clientes frente a mí. Es un hecho que a la gente no le gusta ver heridas. Son solo dos quemaduras que se extienden por las piernas, los tobillos y los muslos. Quemaduras a relieve, como en las películas. Pero qué se le va a hacer. Los brazos también, dejé de cubrírmelos.

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Desde las 6 de la tarde hasta las 5 de la mañana permanecía de pie, moviéndome en mi estación, o yendo de la estación a los refrigeradores, y de los refrigeradores al almacén, y del almacén otra vez a la estación. Tanto movimiento es más fácil sin abrigos, sin obstáculos. El trabajo físico agota al cuerpo. A la mente no la agota, solo la suprime. Por eso lo más fácil, lo mejor, es comer flores. Las flores siempre caen bien. A veces, si la flor huele muy fuerte, es mejor no comérsela. El olor da la medida de su intensidad. Al menos yo prefiero meterme en la boca cosas pequeñas y leves. Es por eso que no voy a restaurantes, ni a cafeterías, ni a pizzerías, ni a panaderías, ni a churrasquerías, ni a ferias de comida, ni al Festival de la Carne, ni al Festival de la Hamburguesa. Tampoco fui, siendo adolescente, al Festival de la Juventud. Se trataba de un Festival en el que participaba la juventud, los estudiantes. Pero la verdad es que participaba, además, otro tipo de personajes, un concepto más abstracto. Prefiero las librerías y mi rincón en mi cuarto. Y caminar un rato por las mañanas, y arrancar cualquier flor y comérmela. Después de arrancar la primera, ya no puedo detenerme. La acera por donde voy es un sendero de polen. Wells Fargo, ese banco de Mayami en el que tengo una cuenta, se ve a lo lejos como un asilo. Parezco más vieja de lo que soy porque siempre estoy pensando. No me gusta ir al asilo. Hay dos mexicanos parados en las cajas automáticas. O tal vez son hondureños, o salvadoreños, no estoy segura. Venezolanos no son, porque los venezolanos no andan por ahí vestidos de constructores, con arena en los zapatos y cemento en el cabello. Tienen que ser mexicanos. Yo también quiero depositar dinero en mi tarjeta. Quiero depositar tres mil dólares pero solo tengo cien y un sobregiro de treinta y cinco. Meto la tarjeta y recuerdo la sensación de la primera flor en mi boca. Deslizándose así: una tarjeta magnética por una ranura estrecha. Los mexicanos atraviesan el parqueo y me miran como a una loca. A veces me quedan restos de flor en las comisuras. Americanos no son, porque los americanos que andan en pareja o parados frente a cajas automáticas suelen encontrarse en el distrito siguiente, el distrito financiero. Tienen que ser mexicanos.

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Es por eso que no voy a las cajas de Wells Fargo casi nunca. Porque al salir de Wells Fargo veo unas flores violetas, esmirriadas y débiles, que no tienen buen sabor. Nunca me las he comido pero sé bien a qué saben. El viento las bate y se las lleva. Flores así, que el viento bate y se lleva, saben a otra cosa. Mi lista de canciones, dado el caso de que la velocidad en la aplicación continúe como hasta ahora, lenta y torpe, es la siguiente: una de Cher, una de Elza Soares, y una de Glen Gould. Ojo, he decidido descargar tres canciones cada vez. Cada vez, si pienso en ellas como un campo magnético, es uno. Pero puede multiplicarse. La razón por la que quiero pasarme la noche oyendo a Glen Gould es porque he planificado comenzar la lectura de El malogrado, una novela de Thomas Bernhard, a las 6:17 am.
 Esta sería mi sexta novela leída en mi lista de novelas leídas de Thomas Bernhard. La canción de Elza Soares se llama La mujer del fin del mundo. En el video se ve a la cantante interpretando una obra maestra sobre una silla, rígida y maquillada. El escenario parece en realidad el fin del mundo. Me pregunto cuál será la sensación que experimentaré cuando empiece a descargar la pieza de Elza Soares en contraposición a la pieza de Glen Gould. La canción de Cher será la primera porque con esa canción, cuando yo era niña, recibí mi primer beso.

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*** Legna Rodríguez Iglesias (1984) es de Camagüey, Cuba. Actualmente vive en Miami. Premio Iberoamericano de Cuentos Julio Cortázar, 2011, es ganadora del Premio Casa de las Américas, teatro, 2016, con la obra Si esto es una tragedia yo soy una bicicleta. Es autora de varios libros como Hilo+Hilo, poesía, Editorial Bokeh, Leiden, 2015; Las analfabetas, novela, Editorial Bokeh, Leiden, 2015; No sabe/no contesta, cuento, Ediciones La Palma, España, 2015; Mayonesa bien brillante, novela, Hypermedia Ediciones, 2016; Dame Spray, poesía, Hypermedia Ediciones, 2016; Chicle (ahora es cuando), poesía, Editorial Letras Cubanas, 2016; Todo sobre papá, poesía para niños, Ediciones Aguadulce, 2016; Transtucé, Editorial Casa Vacía, EEUU, 2017; La mujer que compró el mundo, cuento, Editorial Los Libros de la Mujer Rota, Chile, 2017; y Mi novia preferida fue un bulldog francés, Alfaguara, España, 2017. En 2016 mereció el Paz Prize, otorgado por The National Poetry Series, con Miami Century Fox, 51 sonetos, Akashic Books, 2017.

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Mario Bencastro GOLPE DE SUERTE “Así como cualquiera de ustedes es uno de la multitud, uno yo fui”. Walt Whitman, En el transbordador de Brooklyn. “La aurora de Nueva York gime por las inmensas escaleras buscando entre las aristas nardos de angustia dibujada”. Federico García Lorca, Poeta en Nueva York.

1 El vuelo de San Salvador a Nueva York en el que Carlos y Sergio viajaban transcurrió sin ningún contratiempo. Así llegaron al aeropuerto Kennedy después de la media noche. Pasaron Migración, retiraron sus maletas, las revisaron en la aduana y tomaron asiento cerca de la salida de la estación de taxis a esperar que los recogieran como les habían indicado. Carlos descubrió una máquina de cigarrillos próxima a ellos y fue a examinarla. —Hay de toda clase de cigarrillos —dijo entusiasmado al ver la variedad de marcas—. ¿Cuál será la mejor? —No lo sé —le contestó Sergio—. No las conozco. Tampoco sé cómo operar la máquina. Se ve complicada. Carlos haló las manivelas pero no salía nada. —¿Le pusiste dinero? —¿Cuánto? —Tal vez un dólar. —¿Dónde? —Busca una hendidura. La máquina se tragó el billete. —Hala una palanca. Una cajetilla de cigarrillos y otra de cerillos salieron seguidas de monedas que hicieron un estruendo de lluvia metálica al caer en el depósito. Carlos rompió la envoltura y extrajo un cigarrillo, sin filtro, lo encendió e inhaló con tanta fuerza que casi se ahoga. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 39


—No es nada suave —dijo entre tos y tos. —Quizá compraste el más fuerte. —Tiene sabor agrio y huele a monte quemado como los que fuma mi tata. Le ofreció uno pero Sergio le dijo que él no fumaba. —Mejor. No te gustaría para nada. Continuaron esperando. Les habían asegurado que vendría a recogerlos un tal Francisco, que no se movieran de allí para no despertar las sospechas de Migración, cuyos agentes rastreaban el aeropuerto en busca de personas como ellos que entraban con visa de turista con la intención de trabajar y quedarse en el país después de los seis meses de estadía legal que permitía la ley. —Ya le agarré el gusto al cigarrillo —dijo Carlos encendiendo otro con la colilla. —¿Qué nombre tiene? —Luqui Estrique —dijo inseguro—. No sé inglés. Léelo tú que eres bachiller y entiendes esa lengua. Sergio tomó la cajetilla. —Creo que se dice “Lucky Strike”. —¿Qué significa? —Golpe de suerte. Mientras Carlos continuaba echando largas fumarolas Sergio se puso de pie para estirar las piernas y caminar unos metros alrededor de las maletas. Les habían advertido que llevaran poco equipaje, pero traían unas maletas enormes y pesadas con todas sus posesiones como si vinieran a quedarse para siempre. Sergio incluso acarreaba un pequeño tocadiscos y un curso intensivo de inglés, con manuales y discos, porque pensaba intensificar el estudio del idioma, el que él había rechazado en la escuela y escogido el francés porque en sus sueños de adolescente planeaba irse a París, la Ciudad Luz, pero la realidad lo había traído a Nueva York, la Ciudad Imperial. Carlos se puso de pie y, como Sergio, caminó unos metros alrededor de las maletas. Empezaba a dar señales de impaciencia porque había transcurrido más de una hora y Francisco no aparecía, pero no se atrevía a reclamar y se conformaba con fumar. Era un joven de pocas palabras, bastante reservado, quizá por sus hábitos de campesino y sus limitados estudios. Era vecino de Sergio en el barrio, parte de una familia de tres hermanos y tres hermanas. Su padre vendía papas en el mercado y su madre se ocupaba de las faenas domésticas. Ocho personas que ocupaban una habitación al fondo de un callejón que terminaba en un barranco en cuyo fondo serpenteaba una quebrada seca. 40 ⎹ HOSTOS REVIEW


Carlos asistía a Lorenzo, su padre, en la venta de papas. El viejo, contrariamente, era bastante locuaz, quien en muchas ocasiones charlaba con Sergio en el callejón mientras mascaba tabaco, y lanzaba gruesos escupitajos que se consumían en la polvareda. Cuando Sergio le contó que se había inscrito en un viaje a Nueva York en busca de oportunidades le pareció una idea excelente, quiso saber los detalles y empujó a su hijo para que se enrolara. La decisión de Lorenzo estaba influenciada por la historia de Simón, su primo que también vendía papas en el mercado, quien en su juventud se fue a California a trabajar de bracero, ahorró dinero y regresó a su país a comprar una casa cuyos cuartos alquilaba, y a poner una venta de papas, negocios afortunados que le permitieron casarse con una hermosa mujer que le había prodigado dos saludables hijos. Lorenzo pensaba que si Carlos corría parecida suerte, el futuro le sonreiría con creces al menos estudiado de sus hijos. Sergio, cuyo padre se desempeñaba como profesor en un hospicio de huérfanos, tuvo la suerte de concluir sus estudios de secundaria y se graduó de bachiller. Sus excelentes calificaciones le granjearon una beca en la universidad nacional donde estudiaría arquitectura, lo cual llenó de alegría a su familia. En la fiesta de graduación de Sergio un compañero estudiante lo entusiasmó a viajar a Nueva York para practicar el inglés en los tres meses de vacaciones antes de que empezaran las clases en la universidad. Aunque sus padres no estaban de acuerdo con aquel supuesto “viaje de vacaciones” el espíritu de aventura de Sergio y el atractivo de Nueva York fueron más fuertes que los ruegos de sus padres. 2 Carlos y Sergio continuaban esperando. El aeropuerto estaba más calmado, y los amplios corredores de pronto fueron ocupados por máquinas barredoras que manejaban expertos obreros dejando a su paso el piso limpio y brillante. Un obrero detuvo la ruidosa máquina y vino hacia los dos muchachos que permanecían sentados. Ellos creyeron que el hombre venía a pedirles que se quitaran de allí y apartaran las maletas para limpiar el lugar. Los sorprendió cuando les habló en español. —¿De dónde vienen? —les preguntó con una amplia sonrisa en su moreno rostro. Carlos no se atrevió a contestar, pues prefería fumar. —De El Salvador —dijo Sergio—. ¿Y usted? REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 41


—De Puerto Rico. Me llamo Nelson. ¿Y tú? —Sergio, y mi amigo Carlos. —¿Están esperando a que los vengan a recoger? —Sí. Un tal Francisco está supuesto a recogernos. —¿Cuánto tiempo han esperado? —Más de cinco horas. —No creo que venga —dijo Nelson—. Creo que los han engañado. El mismo caso se ha repetido muchas veces últimamente. He visto gente que como ustedes vienen de lejanos países bajo la promesa de trabajo en Estados Unidos y cuando llegan aquí los abandonan. Carlos aventó el cigarrillo al suelo y su rostro se arrugó de la furia. Olvidó su mudez y gritó: —¡No lo puedo creer, nos han engañado! ¿Y ahora qué hacemos? Nelson, acostumbrado a ver aquella dramática escena de personajes defraudados, ofreció un consejo: —Muchas personas, cuando se ven engañadas y no tienen adonde ir, retornan a sus países. —¡Yo me regreso! —dijo Carlos—. No me voy a quedar aquí sin conocer a nadie y sin hablar inglés. Tomó su maleta y la fue arrastrando hacia el mostrador de la aerolínea. —¿Y tú, qué piensas hacer? —preguntó Nelson a Sergio presa de la curiosidad. —¿Cómo se va de aquí a Manhattan? —preguntó Sergio. Nelson sonrió con cierta complacencia solidaria. —Muy fácil —dijo y señaló con el dedo índice un largo pasillo—. Vete en esta dirección y al final encontrarás la estación del tren subterráneo que te llevará directo a Manhattan. Al observar la abultada maleta de Sergio, agregó: —No te aconsejo que lleves esa enorme valija a la ciudad. Extendió hacia él una de las bolsas plásticas negras que ocupaba para la basura. —Mete lo necesario en esta bolsa y deja la maleta guardada en el aeropuerto. —Buena idea. Muchas gracias. —Que la suerte te acompañe. Bienvenido a Nueva York. —Gracias amigo. Muy amable.

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Nelson encendió la máquina y se fue barriendo el corredor. Sergio quiso despedirse de Carlos pero no alcanzó a divisarlo. Posiblemente ya había abordado el avión de regreso a El Salvador. 3 En un texto de historia Sergio había leído que los nativos Lenape llamaban a Manhattan “La isla que intoxica”. Los colonizadores holandeses les compraron la isla por una suma equivalente a 24 dólares. Los aborígenes recibieron el dinero un tanto confundidos por la transacción, porque no imaginaban que la tierra pudiera ser poseída por nadie, igual que la lluvia, el aire, la luna, el sol. Así nació Nueva Amsterdam que eventualmente se llamaría Nueva York. Sergio viajaba en el tren que a gran velocidad recorría los túneles subterráneos de Manhattan. Sostenía en una mano un mapa y en la otra la bolsa plástica con sus posesiones. Era ya la hora de entrar al trabajo y el interior del tren estaba totalmente ocupado. Los pasajeros parecían sardinas empacadas, sardinas silenciosas que leían el periódico, bostezaban y miraban el techo con ojos soñolientos. Gran número de pasajeros se bajó en la estación Fulton Street en el bajo Manhattan y Sergio se unió al frenético flujo de gente que subía por las escaleras eléctricas. Cuando salió a la calle se topó con un panorama deslumbrante. Avenidas saturadas de taxis, buses, motocicletas, carros, que producían un ruido ensordecedor. Un mar humano se desplazaba como hormigas nerviosas por andenes, calles, entradas, salidas, callejones. Rascacielos de vidrio, hierro y concreto competían en altura hasta punzar la piel azul del cielo. La inmensa ciudad se presentaba ante sus ojos como algo excitante e inalcanzable, que lo hacía sentirse diminuto al extremo de poner en duda su existencia y su importancia como ser viviente. Para Sergio Manhattan emanaba un poderoso atractivo, y aunque representaba un enorme desafío, presentía que en algún rincón de la ciudad estaba escrito su destino. De pronto cayó en la cuenta de que esa era realmente su razón de ser: buscar la fortuna que aquella maravillosa urbe guardaba en sus entrañas reservada para él. Por el momento las circunstancias no se presentaban favorables pero se prometió que no descansaría hasta encontrar su suerte y hacerla realidad.

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Como muchos antes que él, había venido de un lugar lejano a descubrir Manhattan, “La isla que intoxica”; aquel mundo extraño, ancho y misterioso que como gigantesco monstruo de vidrio, concreto y hierro se convirtió en ciudad. Llegó a la avenida Broadway y dobló a la derecha, siguiendo el rumbo hacia Battery Park de donde, según indicaba el arrugado mapa que llevaba en la mano, se divisaba la Estatua de la Libertad, situada no muy lejos de Ellis Island donde fueron recibidos doce millones de inmigrantes entre 1892 y 1954. En la intersección entre Broadway y Wall Street se detuvo a observar la fachada de la antigua iglesia de la Trinidad, antes un faro gigante guía de navegantes, hoy minúsculo edificio asfixiado por rascacielos. Un vagabundo estaba sentado en las gradas de la entrada del templo, aferrado a dos grandes bolsas plásticas negras. Al ver a Sergio, le dijo: —Hey, hermano, ¿solo esa pequeña bolsa tienes? El vagabundo acarició con orgullo sus dos enormes bultos. —¡Yo tengo más cosas que tú! Sergio observó el infortunado aspecto del mendigo, y con una sonrisa replicó: —Tienes razón, hermano, tú tienes más que yo. Que te aproveche. Siguió su camino, cavilando: “Espero que esa no sea la suerte que Manhattan tiene reservada para mí”.

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Mario Bencastro (1949) nació en Ahuachapán, El Salvador y llegó a los Estados Unidos en 1978, a Nueva York. Su trayectoria artística incluye pintura y literatura. Es el único pintor latinoamericano seleccionado para el Premio Benedictine de Arte, Nueva York, Mención de Honor (1975). Su pintura ha sido expuesta internacionalmente en siete exhibiciones individuales y en más de cuarenta exposiciones colectivas. El drama político y social de su país llevó al pintor a incursionar en la literatura. Su primera novela Disparo en la catedral fue Finalista en el Premio Literario Internacional Novedades y Diana, México, 1989. Su novela Odisea del Norte, ganó el Premio de Editores Independientes, Finalista, 1999. Ha publicado la novela de literatura juvenil Viaje a la tierra del abuelo (2005), la colección de cuento, poesía y novela breve Paraíso portátil (2010), la novela La mansión del olvido (2015) que obtuvo el Premio Internacional del Libro Latino, EEUU, 2016, como “La mejor novela de ficción histórica en español” y la novela El vuelo de la alondra (2018). Actualmente reside en Port Saint Lucie en Florida. Página de autor: www.MarioBencastro.org.

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Carolina Rivera Escamilla PROSPERIDAD MONÓLOGO “Yo vine a prosperar a la USA”, me dice ella, mi prima. Y la palabra prosperar me revuelve el pensamiento en un ciclón de imágenes y sonidos de esta ciudad de los años 1989 y 1990, Los Ángeles. ¡Ah! Los Ángeles, como una foto fija, nada pasa, bajo un sol brillante, un infierno chamuscándoles la cabeza a las palmeras largas, gigantes y flácidas en South Central o el sur central de Los Ángeles. Ciudad embustera de poderosas carreteras de concreto, qué distancias tan largas y ausentes de vida humana tienes; sí, esas calzadas que aíslan y dividen a un pueblo, que se acomodó a esta vida de concreto, nadie se queja de aquello en lo que te convirtieron, un gran invento, un invento perfecto para dividir las comunidades de los pobres, clase media y los ricos. Veo tus potentes parqueos inmensos, grises, de cemento que chisporrotean el calor repletos de carros y más carros… las carreteras que no duermen dicen con un orgullo y no sé de dónde viene ese orgullo… la niebla oscura que te cubre, un humo antiguo de imperialismos con corazones de hienas, los shopping carts en las esquinas abandonadas, un downtown con unos cadavéricos teatros, edificios de un pasado hollywoodense, entre ellos emergen unos pretenciosos rascacielos: ataúdes hundiéndose en una ciudad aislada emergiendo entre cemento y más cemento. Pienso. En una esquina llora la dama Tierra, en las calles retumban las voces perdidas: de los huérfanos de sueños, los sin techos, los huérfanos de sus drogas, estos de la sociedad capitalista. El tal presidente vaquero hollywoodense: el tan famoso, Mr. Hijo de la Gran Patria, Mr. Ronald Reagan, usted destituyó a los pobres de su país y otros países de sus derechos a la salud y a sus tierras, para alimentar su osadía, la de los banqueros y para ayudar a guerras que según usted eran para salvar al mundo del comunismo, ¿cuál? Usted, Mr. Reagan, dejó niños sin escuelas, sin hospitales, sin sus siembras, sin sus ríos, sin sus casas. Aún ahora, hay madres y padres que buscan sus desaparecidos. ¿No se acuerda, por favor? Nicaragua, El Salvador ¿no? Y estos para mencionar algunos, pero hubo muchos más… y ahora un olvido todo… conveniencia ¿no? y los que duermen bajo los majestuosos freeways de su patria con un boulevard llamado Hollywood, por cierto también, adornado de huérfanas y huérfanos adolescentes bajo un cielo estrellado de 46 ⎹ HOSTOS REVIEW


ilusiones falsas, con sus ojos hundidos y endrogados estiran la mano para que un turista les eche una cora, o veinticinco centavos, y es un inmigrante quien al final le pone un dólar. Ironía… y ellos, su gente, deambulando con sus pocas pertenencias, un pedazo de cartón, posible veterano de alguna guerra, y con un perro al lado que salvaron porque también andaba extraviado, una cobija de Goodwill, la tienda donde donan para los pobres y creo que son aquellos que donan para sentirse bien que algo están haciendo y tal vez con ese gesto se han ganado el imaginado cielo… si en caso… que dudo, las cosas que ya no les caben en sus casas, estoy segura de que es más que eso, porque aquí hay gente que consume como parte de su rutina, porque se siente sola, ir a un centro comercial, es como sentirse que convive con alguien, porque como ya mencioné antes, Los Ángeles es una ciudad de calzadas largas con comunidades de carros y más carros… Un estadounidense de San Francisco te describió así: “la ciudad que vomitaron y se desparramó por todas partes sin dirección alguna”; en ti, Los Ángeles, todos nos sentimos en movimiento… y nunca nos cruzamos humanamente, siempre se siente que la gente se está montando en un carro, o yendo a algún lugar, soñando su vida mientras maneja, “terapia de freeway”, dicen unos por ahí, te hace bien para pensar… ¿qué forma de pensar? me pregunto… y yo voy en ellos, ya me he suicidado varias veces… o inventado tantas veces en el freeway 405. Mr. Reagan, ellos, los ambulantes, los huérfanos hablan solos, quedaron afuera del juego, les mató el alma, cuentan sus historias en voces de niños, chillan en una madrugada empañada, soñando tal vez en regresar al vientre de la madre porque allí es lo más semejante a tener una casa, o con suerte a una cárcel para ser alimentados, mal pero algo es algo, o en un hospital por un día… encapsuladas quedaron sus memorias, allí se congeló todo, cuando sus opciones fueron únicamente buscar refugio en una esquina sin historia ni alma, tal vez bajo una palmera californiana, en un rincón de un baño público, ellos, hablan sentados en paradas de buses, la gente los ignoran, algunos de estos huérfanos aúllan como lobos heridos, su aullido comunica que no les tengan miedo, tienen corazón que late con recuerdos de niñas y niños que un día fueron, sus aullidos se revuelven con las alarmas de carros y con los sonidos de una ambulancia. Hablan buscando algo de comer en un basurero, sus historias se entrelazan con los arrullos de las palomas grises postradas en las cuerdas de los alumbrados que adornan la ciudad REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 47


de Los Ángeles. En Venice Beach, la playa de los hippies, así dicen, que fue en los años 60, los sin techos, los huérfanos, compiten con las gaviotas para ver quiénes son más rápidos en agarrar las sobras que los turistas dejan en una mesa o en un basurero, a veces las gaviotas son más rápidas que ellos, y en represalia arrojan palabras en vez de piedras, fuckin seagulls, “gaviotas malditas”. Colgando de un cable de luz también se suele ver un par de zapatos en un barrio de East Los Ángeles, y en South Central, y a veces en el vecindario de Echo Park por la intersección del famoso Sunset Boulevard, en dirección al Centro Angelino, es el símbolo de que aquí se vende droga, o es una señal de alguna pandilla, algo que aprendí sobre los zapatos colgados cuando llegué a esta ciudad, y me solía encontrar con tantos zapatos colgados en los alumbrados, y me pregunto: ¿pandillas, guerra, con quién? y pienso en el uso de la palabra “prosperidad” de mi prima. Su voz hablando de prosperidad, sus ecos rebotan en el concreto y el aleteo de una paloma, me transporta años atrás, cuando yo también fui forzada a dejar mi país. Y reflexiono sobre la tal “prosperidad” reflejada también a mi propia situación. Digo, es la palabra que se escucha entre las familias antes de que alguien se marche al Norte. ¡Ah! Los Ángeles, la locura de tu ciudad al borde de convertirse en la reina del tráfico alrededor del mundo. Te veo y estás al punto de convertirte en ciudad que piensa constantemente que se está transmutando en una ciudad metropolitana… la ciudad de la prosperidad de mi prima. Para mí la ciudad más lúgubre, tosca y solitaria en la que he vivido. El lugar donde invento para vivir.

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Carolina Rivera Escamilla nació en Antiguo Cuscatlán, El Salvador. Ha vivido en Los Ángeles desde 1989. Completó sus estudios de Literatura Inglesa con énfasis en Escritura Creativa y Literatura Española en la Universidad de California en Los Ángeles (UCLA). Fue becada en el Programa de Voces Emergentes de la Fundación Rosenthal de Pen Center West USA. Realizó un documental, titulado Manlio Argueta: poetas y volcanes en 2011. Su libro de cuentos, titulado ... after ... se publicó en 2015 y es incluido en estudios de escritura y de literatura en varias universidades. En estos momentos traduce al español su libro de cuentos …después…, y escribe una novela. El texto aquí incluido forma parte de su obra de teatro inédita Prosperidad. Página web de la autora: www.carolinariveraescamilla.com. Facebook: carolina.rivera.1989. Instagram: carolinariveraes.

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Yosie Crespo PEQUEÑA CIUDAD NO DISPONIBLE

Hace mucho que las puertas están clausuradas y parece tenue casi siempre la luz que va a dar otra vez en la herida ha sufrido los padres y sus hijos salvajes en el intento de ser un barrio son seres silenciosos, desconocidos una estadística de la felicidad casi insoportable de tan viva y solo los árboles son los que recuerdan sus raíces fueron fácilmente plantadas yo sabía tanto de los árboles anduve con una rama en la mano sentada en la piedra misma del umbral o en algún lugar inhóspito o solo a medias imaginado sobre los primeros que llegaron a este sitio se hicieron libros y echaron agua al vino y sobre lo cierto el fuego se elevó y en ruinas parecías noble imitaciones cuando el mundo se va quedando vacío y en los armarios lo que se esconde no tuvo memoria porque el mundo es muy preciso: todos somos extranjeros buscamos en la noche la verdad pensando con los ojos cerrados. CITY BLUES Mi ciudad pide que le haga unas fotos mientras cruza las piernas y amanece con entusiasmo aquella vieja y tristísima memoria de las causas perdidas trato de seducir con mis antecedentes

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debajo de la foto su rostro y no se encuentra es claro que se pierde se va hasta el fondo es la juventud toda que se llevaron y el incierto sentido de otro tiempo yo tengo mi propio sentido de otro tiempo respondo al tic toc de un pájaro a los parajes que vimos desde el amor y desde el amor a un instante que sucede al anterior y lo que ve la cámara en el vapor de un cafecito cómo la tarde se consume en sí misma. CIUDAD, AUNQUE ERES ALGO MÁS QUE ESO A mí también me gustan los animales y las mujeres que se vuelven a casar de nuevo me gustan las horas de llegada y las horas de partida y solo de vez en cuando trabajar dice un proverbio hebreo por más dulce que sea el amor no te alimentará pero yo prefiero un bocado de aire dentro de mi apacible vidrio días de una vida cualquiera en una ciudad cualquiera donde en verano por las noches se pueda hacer un picnic cabalgar sobre los campos arrasados mientras cae la noche y afloras más precisa en el verde de los ramajes debió haber sido temprano en una mañana como ésta ninguna nube iluminaba por detrás tus grandes ojos fijos y para que alguien te vuelva a nombrar como dicen que te nombro para entender de alguna forma lo intacto de tu nombre como un suave rumor o a veces golpe lo llevo: a casa lo tapo hasta el cuello le canto una nana a mí también me gusta el rumor de los minutos registrados por nadie cuando no arden como aceite en la penumbra.

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*** Yosie Crespo (1979) nació en Pinar del Río, Cuba y reside en Miami desde 1989. Poeta y narradora que piensa en inglés y escribe en español, en sus textos se encuentran las culturas cubana y anglosajona de manera nunca neutral. Sus publicaciones incluyen Solárium (2011), La ruta del pájaro sobre mi cabeza (Ediciones Torremozas, España, 2013) y Caravana (una pequeña versión publicada por El Quirófano Ediciones, Ecuador, 2015, y otra ampliada por la Editorial Letras Cubanas el año 2018). Con Solárium obtuvo en 2011 el Primer Premio “Nuevos Valores de la Poesía Hispana” convocado por las Ediciones Baquiana y el CCE (Centro Cultural Español) de Miami. El mismo año recibió Primer Premio del IV Concurso Juvenil de Poesía Federico García Lorca y fue Premio Internacional en la categoría de Cuento Corto en la Feria del Libro de Buenos Aires, Argentina. Otro de sus poemarios, Como si fueran grullas fugitivas, fue finalista del Premio Paz de Poesía 2016, convocado por National Poetry Series, en Nueva York. Sus trabajos aparecen regularmente en numerosas revistas y antologías digitales e impresas.

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Julio Rivera PARADA 22 Esa noche Gabriel fue el último en bajarse del autobús de la Parada 22, en San Juan. Iba listo para comenzar a trabajar. A esa hora no había mucha gente por la Avenida Ponce de León todavía, pero más entrada la madrugada se pondría más alegre. Le gustaba caminar al trabajo así. Se creía el dueño de todo aquello cuando caminaba por la avenida desierta. Las noches lluviosas eran particularmente especiales porque se veía reflejado en los charcos de agua y pensaba que había algo de romántico en eso, aunque siempre anduviera solo. Ese había sido el trabajo que más dinero le había traído desde que llegó de Santo Domingo. Limpiar oficinas cerradas después de las 5:00 PM los días de semana era tan aburrido que no lo pudo aguantar. Por eso se las arregló para conseguir otro puliendo pisos y sacando la basura de aquel centro comercial enorme en Hato Rey, del que nunca recuerda el nombre. Allí por lo menos podía hablar con los maniquíes que le sonreían del otro lado de las vitrinas. Algunos ya tenían nombre: Juan Manuel, Andrea, Mari, los rubios se llamaban Peter o Jennifer. Siempre lo escuchan a uno, y saben guardar secretos muy bien. También podía sentarse a mirar la televisión en las pantallas digitales HD que veía puestas en descuento en la tienda de electrónicos. Le gustaba ver los programas de boxeo. En la República había pensado meterse a boxeador, pero temía que después no le alcanzara para arreglarse los dientes cuando se los tumbaran. Además, le horrorizaba la idea de tener la cara llena de cicatrices arrugadas que siempre se le notarían por más maquillaje que se pusiera. En ese centro comercial se relajaba escuchando el agua de la enorme fuente del patio central mientras comía un sándwich de jamón y queso de Subway, que siempre traía en una bolsa plástica con papitas Lay’s. Pasaba las noches barriendo y mapeando al son de la misma música navideña, o de Beethoven, que repetían una y otra vez cuando a los de seguridad se les olvidaba apagar los altavoces. El supervisor era un hijo de puta al que le gustaba gritarle por cualquier cosa, así que decidió dejarlo y sobrevivir por el momento con lo que hacía los fines de semana. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 53


No gastaba tanto porque rentaba sólo un cuartito con un baño, una cocinita eléctrica y una neverita pequeña en el sótano de una casa en la urbanización Santa Rita, en Río Piedras. No era mucho lo que pagaba, sólo $200 al mes. Tampoco tenía que pagar la luz y el agua porque los cubría la dueña. Tenía unas ventanitas pequeñas y era medio oscuro. La tubería del desagüe del baño pasaba justo por encima de la hornillita eléctrica en que le gustaba hacerse sopas Lipton cuando hacía frío. Con el tiempo se había memorizado la rutina de los demás inquilinos y sabía quién y a qué hora cagaban. Pero nada de eso le importaba porque sabía que estaba ahorrando dinero. Como sus únicos gastos eran la membresía mensual del gimnasio y lo que se comía, le sobraba para mandarle un dinerito a su “mai” en la República una vez al mes. Ella había decidido quedarse allá porque decía que ya estaba demasiado vieja y cansada para esas andanzas; que tan pronto llegara a Puerto Rico tendría que ponerse a trabajar limpiando casas y no le quedaban fuerzas para eso. Además, quería morir en su patria. La extrañaba tanto. Miró el reloj porque pensó que iba tarde. Ya casi estaba llegando. En su nuevo trabajo también podía darse el lujo de verse sexy y lucir los músculos que tanto trabajo le había costado sacar en el gimnasio. Allí se la pasaba todo el tiempo. Había comenzado en la República levantando latas de manteca llenas de cemento en el patio de su primo Andrés, hasta que llegó a Puerto Rico y se lo tomó en serio. En una vida anterior tuvo que haber sido uno de esos negros congos que trajeron a picar caña y cargar madera; era fuerte y macizo. “Es que tú eres un muchacho joven todavía y tienes más testosterona que un buey” ––siempre le decía Pedro Luis, unos de los entrenadores, el más viejo de todos, cuando hacían ejercicio juntos. Había tenido algo con él y el tipo lo trataba bien, pero era demasiado exigente y celoso. Lo vigilaba y se ponía de mal humor cuando llegaba tarde por la noche, especialmente los fines de semana. Gabriel trató, pero nunca pudo enamorarse de él. Conocía a otros dos dominicanos, Marcos y Juan Ca, del Bar Tía María, allí cerquita, casi en la mismísima Parada 22, pero no los veía mucho porque los fines de semana tenía que trabajar y ya no pasaba tanto por allí; sólo de vez en cuando, a beberse una cerveza durante los breaks que se tomaba. Esos dos eran distintos a él. Se las 54 ⎹ HOSTOS REVIEW


habían arreglado para sacarle dinero a dos viejos que conocieron en el club. No les importaba tener que estar con ellos para mantenerlos contentos cuando se lo exigieran, hasta de día. Les daba igual que la gente se diera cuenta que aquellos obviamente eran dos putitos con sus sugar daddies. A Gabriel no le interesaba nada de eso, porque sabía que tarde o temprano tendría que meterse en la cama con ellos. Le daban asco los testículos pellejudos colgando y las piernas flacas y varicosas. No aguantaba las tetillas que parecían verrugas gigantes, y los pechos hundidos. Lampiños. Marcos y Juan Ca también eran de los que se anunciaban como escorts en el internet. Le había pasado por la mente probar eso algún día, pero primero tendría que ahorrar para comprarse una computadora y aprender a usarla. También necesitaba carro, y eso tendría que esperar bastante. Por el momento estaba bien con el dinero que hacía los fines de semana y no iba a venderle su libertad a ningún viejo apestoso. A decir verdad, casi no recuerda la última vez que tuvo una cita. Fue en la playa de Punta Cana, cuando trabajaba de bartender en el Hilton. Por más que trataba, las bebidas le quedaban malísimas. Los clientes se quejaban y el dueño del bar ya estaba pensando en echarlo y buscarse a otro. Una tarde llegó Jonathan, orgulloso del bronceado que le había tomado horas acostado en la arena volteándose cada veinte minutos. Había venido al Caribe escapando de la nieve y el hielo de Boston. Se las arreglaba muy bien con el español machucado que aprendió seis meses antes en su Spanish for Dummies. También lo había estudiado hacía mucho en la escuela, lo que le faltaba era practicar, las palabras ya le vendrían. Tan pronto puso las manos en el mostrador se quedó fijado en los ojos negros de Gabriel. Le sonrió y pidió un Bloody Mary. Hablaron de lo rico que era el clima tropical, especialmente en la primavera cuando hacía mucha brisa y no hacía calor ni había tanta humedad. A Jonathan le pareció bien lindo que Gabriel se tomaba el trabajo de corregirle la pronunciación. Le gustaba tanto la piel morena, gruesa y áspera del mulato, que lo invitó a cenar en el restaurante del hotel esa noche. Durante la cena le contó de su último viaje a Florencia y Venecia. Gabriel le hizo muchas preguntas porque había visto un documental de la National Geographic sobre el coliseo romano. Nunca había estado en Europa. Bueno, en realidad REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 55


nunca había salido de la República. A veces se imaginaba que era un gladiador famoso, como en la película Gladiator, con Russell Crow. Pero esta vez él sería el vencedor y el emperador lo premiaría con la libertad y una villa romana completa con esclavos, una huerta de olivos y los baños esos que construían los romanos para relajarse. Caminaron por la playa tomados de la mano. En lo alto la luna llena, junto a ellos el susurro de las olas. La arena tibia bajo los pies les hacía pensar en un universo secreto del que ellos eran los únicos residentes. Se dieron un beso bajo una palmera. Recordó los labios suaves y finos de aquel gringo, tan diferentes a las bembas africanas gruesas a las que estaba acostumbrado en Santo Domingo. Cada vez que terminaban de besarse, lo observaba abrir los ojos lentamente. Le maravillaba cómo podían ser tan azules, como el mar del verano. En su habitación, Gabriel lo abrazó con fuerza. Quería sentir cada pulgada de aquella piel suave y escurridiza. Jonathan no quería nada a cambio, sólo darle placer. Lo desnudó poco a poco, le lamió las tetillas amorosamente con la punta de la lengua mientras le metía la mano por el pantalón para acariciarle el manojo de carne entre las piernas. Le bajó la cremallera y se lo metió en la boca lentamente, con dulzura, mientras le apretaba las nalgas duras. Sabía a sal de mar. Le gustaba jugar con la piel de la punta, la halaba con los labios y metía la lengua dentro del túnel que formaba con su prepucio. Quería devorar aquello frenéticamente, con hambre, tragarse su masculinidad. Gabriel acariciaba con una curiosidad infantil aquel cuerpo blanco, el primer gringo con quien se acostaba. Se inclinó para mirar en los ojos a aquel hombre de tez pálida y barba rojiza, y se encontró en ellos. Después, Jonathan se volteó, se arrodilló en la cama de cara a la pared y se le ofreció. Arqueó la espalda para hacerle fácil la penetración. El mulato se acomodó en sus rodillas detrás de él y entró poco a poco; “Fuck me hard, please. . .” fue lo que oyó y dedujo que al gringo le gustaba que le diera duro. Así lo hizo, con los ojos cerrados. Le hubiera gustado verlo al otro día y hacer una caminata juntos, pero no se apareció por el bar. Lo más que le gustó de la noche anterior fue sentarse en la arena a escucharlo hablar su español 56 ⎹ HOSTOS REVIEW


quebrantado, con pronombres mal puestos. Cuando terminó su turno, se tomó el atrevimiento de subir al quinto piso y tocarle a la puerta. Quien contestó era un viejo canadiense retirado cuya esposa estaba abriendo las maletas y sacando unos pantalones cortos de gabardina grandes y ridículos, demasiado largos y pesados para el trópico. Jonathan ya se había ido. No volvió a Punta Cana nunca más. Al cruzar la Calle Canals, Gabriel siempre pasaba frente al restaurante Il Fornaio. Le gustaba mirar las cortinas venecianas afelpadas y los enormes jarrones faience en las esquinas. Había candelabros dorados colgando sobre un pianista en el centro, serenando a los comensales. Los platos parecían esculturas, tenían diseños geométricos como de origami, y eran servidos por meseros vestidos con manga larga y corbata. Dicen que allí habían cenado Ricky Martin y Jennifer López cuando estaba casada con Marc Anthony. Lo leyó en una revista de farándula. Si tuviera una cita, haría el gasto y traería a su novio a ese restaurante. Quería cenar allí al menos una vez en su vida, sin importar lo que le costara. Lo iba a hacer para su cumpleaños en junio. Invariablemente, acababa en el Subway en la esquina de la Calle Figueroa para comerse su sándwich de jamón con queso, lechuga, tomate y pepinillo; no le gustaba la mayonesa ––demasiadas calorías ocultas––, unas papitas fritas Lay’s y una Diet Coke con mucho hielo. Siempre lo hacía antes de comenzar a trabajar. A veces, cuando terminaba su ronda y se acordaba, compraba uno doble y se lo llevaba a su cuarto para tener desayuno y almuerzo el próximo día. Así ahorraba dinero. Sentado frente a su sándwich miró hacia el condominio al otro lado de la avenida y vio a la parejita gay en su ventana decorando un árbol de Navidad. “Apenas comienza noviembre y ya esas dos locas están decorando. ¡Los gays son así!” ––pensó sonriendo. El Condominio Metro Plaza Tower era el último, el de moda, todo en cristales, con piscina y guardia de seguridad en el lobby las veinticuatro horas, así que esos dos debían tener dinero. Los vio sonrientes. Mientras uno pasaba la guirnalda alrededor del árbol, el otro colgaba los adornos, los observaba un rato y luego los cambiaba de posición para que se vieran mejor. Entre los dos pusieron las luces y una estrella plástica en el tope que prendía y REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 57


apagaba como en las verbenas de pueblo. Cuando lo alumbraron se abrazaron y se dieron un beso de película, allí mismo en la ventana, para que todos en la calle fueran testigos de su felicidad doméstica, del pequeño mundo cuadrado y firme que habían creado. Él puso los codos en la mesa, miró hacia la calle y se quedó embelesado observando a la gente caminar por la otra acera. Se apresuraban a la Parada 22 porque no querían perderse el próximo autobús. Iban a sus casas, de compras, para reunirse con sus parejas y cenar o ir al cine. Iban a algún sitio. . . alguien los esperaba. Imaginó a Jonathan esperándolo en su covacha oscura y húmeda en la urbanización Santa Rita en Río Piedras. Estaba vacío de pensamientos. Se le quitó el apetito. Se había acostumbrado a ese tipo de tristeza hacía mucho. Tarde o temprano se le pasaba, con una buena sesión en el gimnasio o un chapuzón en la playa con Marcos y Juan Ca. Una borrachera o una orgía en una urbanización a veces ayudaba, pero prefería no hacerlo porque entonces un vacío profundo se le enroscaba por el cuello y le apretaba la garganta. El corazón se le aceleraba y pensaba que iba a ahogarse. Algunas noches, de regreso a su covacha, le dolía. La calle se había quedado desierta de nuevo. En la tienda sólo estaba él con su sándwich, sentado en una mesita para dos. Una luz de neón azul, verde y rojo, colgando de la ventana, prendía y apagaba. Anunciaba OPEN. Un carro azul convertible, recién pulido, pasó tocando reggaetón a todo volumen y lo sacó de su trance. Terminó su sándwich, se levantó y salió a la avenida. Ya le faltaba una cuadra. En ese trabajo él era su propio jefe. Era él quien hacía sus propias reglas. Tan pronto llegó a su esquina se subió bien las mangas para que todos notaran sus hombros inmensos y la coyuntura sexy que formaban donde se unían a los bíceps. Es de esos hombres que llevan un ramillete de venas en el antebrazo: pulsantes, jugosas con sudor viril. Se desabotonó la camisa para exhibir aquel pecho denso y majestuoso que lo hacía ver tan macho, tan alpha male. Metió las manos en los bolsillos y se recostó contra la pared apoyado en una pierna, como los modelos en los catálogos de Sears. Cuando trabajara de día traería gafas de sol, así parecía uno de Calvin Klein que vio en un billboard en Santurce.

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En estos días ya casi nadie se para a trabajar en una esquina excepto las drag queens y las putas baratas allá, bien arriba, en la Parada 25 y la Calle San Juan. Pero si lo había hecho así en la República y le había ido bien, en Puerto Rico le iría mejor. En eso pensaba cuando se cansaba de caminar de una esquina a otra como si fuera un guardia de seguridad. Tampoco le importaban los muchachitos de escuela que pasaban en carro y le tiraban botellas o le gritaban cosas para reírse de él porque sabían lo que estaba haciendo. Cobraba $100 por una mamada (en inglés blowjob para los turistas gringos) y $200 por una singada; él era el activo, con o sin condón. Algunos trataban de negociar el precio y por eso no le gustaba agarrar clientes nuevos todo el tiempo. Prefería a los regulares, a los que conocía bien y estaban dispuestos a pagar lo que fuera por un rato de placer absoluto con ese macho rico, forrado de músculos y sólido como un peñón. Siempre pasaban por allí hombres casados, policías bisexuales después de su turno y alguno que otro cura. Él sabía que su tarifa era alta, pero no tanto como la que anunciaban en el internet otros menos musculosos y masculinos. Con ese cuerpo y esos looks, Gabriel no les tira las perlas a los cerdos, aunque se muera de hambre.

*** Julio Rivera (1965) es de Puerto Rico. En 1988 llegó a Providence en Rhode Island. Hoy en día es profesor de Español en Foothill College, California. Es autor del libro de cuentos inédito titulado Rumpelstiltskin y otros relatos y actualmente escribe su primera novela, titulada El Mancebo de Arévalo. Vive en Menlo Park, California.

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María del Pilar Clemente Briones TEJIENDO EL TEXTIL DE LA NOSTALGIA Desde el avión, Virginia se veía como una alfombra tejida con hilos verdes, marrones y azules. En esta primera panorámica, los lagos, ríos y centros urbanos brillaban como las lentejuelas que se bordan en los tapices. Me gustó llegar a una zona pletórica de bosques y vías donde los vehículos circulaban en orden y respetando las reglas. La naturaleza me recordaba el sur de Chile, no así la eficiencia en los servicios y la pulcritud del tránsito. Corría el año 2008, un par de meses atrás yo había conocido la parcela de mi esposo, situada en Chesterfield, a una hora de Richmond. Entonces, él era un viudo, cuya infancia se remontaba a los pueblos mineros de Pensilvania. Hasta esas tierras de osos, acero y carbón habían llegado sus abuelos eslovacos a fines del siglo XIX. La reciente Estatua de la Libertad les había dado la bienvenida en el puerto de New York. En el barco, sus esperanzas se sumaban a las de tantos inmigrantes que huían del hambre y apostaban a un nuevo destino en esta nación joven. El pasado de mi esposo nos unió porque se parecía al mío. Tal como su abuelo, mi padre había dejado atrás el puerto de Barcelona. Era un corazón catalán que todavía mostraba las huellas dolorosas de la guerra civil española. El buque de mi progenitor arribó en 1956 a Río de Janeiro, en pleno carnaval. Inesperadas situaciones hicieron que cambiara su brújula hacia Santiago de Chile. Allí, bajo el marco de la cordillera de Los Andes, se enamoró de mi madre. Después de casarse, se trasladaron a las minas de carbón de Arauco, zona sureña donde las frías aguas del Pacífico lamen playas de arena gris y la niebla humedece bosques y ríos que bajan caudalosos hasta el mar. Desde la altura del avión, aquel tapiz virginiano me recordaba el paisaje de mi infancia. El sonido del idioma Aunque dominaba algo de inglés, el comprender el idioma me resultaba difícil. De esta forma, me inscribí en las clases que el county de Chesterfield ofrecía para adultos. Allí me encontré con inmigrantes legales e ilegales de muchas las nacionalidades. Todos deseaban familiarizarse con la lengua y la cultura. La tarea no era fácil, pues era frecuente caer en comparaciones y nostalgias, aunque siempre se hablaba de agradables sorpresas. Todo nuevo país siempre 60 ⎹ HOSTOS REVIEW


ofrece oportunidades, amigos, empleos, educación o festivales que se suman al tapiz de la nueva vida que se teje día a día. Obviamente, conocí a varios hispanos, con quienes hasta la fecha mantenemos amistad. En forma espontánea, surgió organizar actividades en las casas. En nuestra parcela organicé la celebración de la independencia chilena, que se conmemora el 18 de septiembre. Para simular una colorida ramada colgué guirnaldas y dibujé un cartel con el menú criollo: empanadas, porotos granados y dulce de manjar. Bauticé el festejo como “La Quiltra con tacos altos”. Quiltro es el modismo que señala a los perros vagos en mi país. Como soy mala para amasar, hice integración culinaria y compré bolsitas de masa congelada que encontré en el supermercado Big Apple, punto obligado de hispanos y asiáticos que en Richmond buscan los sabores perdidos de sus antiguos hogares. Pronto, sabría que “andar buscando alguna cosita del país” es algo frecuente entre inmigrantes. Compartiendo la cultura A la fiesta llegó una mexicana con su bandera y guacamole. Ya que su país celebra la independencia el 16 de septiembre ¿Por qué no hacer algo en conjunto? Tiempo después, una simpática familia cubana organizó un cerdo asado en nuestro jardín. Yo quedé a cargo de colectar la cuota solidaria para pagar el chancho, pero mi esposo gringo creyó que estaba vendiendo entradas y prefirió pagar él. Pese a las explicaciones, mi media naranja no pudo entender el concepto comunitario que suele marcar los festejos latinos. Para nosotros es normal que alguien ponga la casa para el asado, otro trae los postres, otro las ensaladas y se hace una colecta monetaria para comprar las carnes y vinos. Siguiendo el hilo de compartir pedacitos de cada cultura, las colombianas invitaron a sus deliciosos sancochos, tostones y arepas. El asunto arepas motivó entretenidas conversaciones entre venezolanas y colombianas, ya que cada territorio posee distintas recetas. Los residentes más antiguos nos hablaron del festival “Qué Pasa”, donde los hispanos se dan cita en Richmond con música, kioscos de comida, bailes de salsa, carnaval boliviano y sevillanas españolas. El caso de los españoles es curioso, ya que en Latinoamérica solemos calificarlos como europeos, aunque sabemos el origen mestizo de nuestra cultura. Ellos suelen deambular entre grupos de inmigrantes españoles e hispanos. Con los primeros, recuerdan sus costumbres REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 61


de acuerdo a las zonas geográficas de su país. Con los segundos, disfrutan los sonidos melódicos de las distintas pronunciaciones castellanas, la gastronomía y la forma americana de ser. En este punto, los habitantes de los Estados Unidos no suelen conocer el gentilicio que les tenemos y que aparece en la prensa de los inmigrantes. Ellos se identifican como “americanos”, pero nosotros los definimos como “estadounidenses”. Esta palabra grafica el hecho de que todos nos sentimos habitantes del continente americano, al cual no cabe reducirlo a un solo país, por muy grande que sea. Unidos y adaptados Recorriendo la avenida Jefferson Davis o ciertas zonas de la Hull y Midlothian Street, el espíritu hispano emerge en medio de los shopping centers. Tiendas, talleres mecánicos y restaurantes gritan su Pollo Fiesta, Arco Iris, Don Pepe, La Sabrosita, El Patrón, La Rumba y carteles variopintos con la correspondiente traducción. Son pequeños puntos que contrastan con los barrios de estilo georgiano de Richmond, su Capitolio colonial y los Irish Pubs, que durante el Saint Patrick Day llenan las calles con sus cervezas y tréboles verdes. De pronto, alguien anuncia viaje a su tierra natal. Todos nos alegramos y lo seguimos por las redes sociales hasta que regrese con alguna artesanía, camiseta o dulces que reparte entre quienes nos hemos quedado. Una vez más, nos llega a través de Internet, la radio o del canal Telemundo, el aviso de una celebración hispana. Puede ser el Día de los Muertos, la llegada de alguna banda de rancheras mexicanas, cumbias colombianas o salsa de República Dominicana. No falta la petición de voluntarios para traducir el ingreso de alguien al hospital, el pago de los impuestos o para “El Juguetazo”, evento donde los Reyes Magos reparten obsequios. Por ahí, nos enteramos que la “Mariquiña” es una perrita cubana que logró visa para salir de la isla. También, que hay un viejo barrio llamado Chimborazo, que es un volcán ecuatoriano y dan ganas de conocerlo. Un amigo de Guatemala hace llegar invitaciones, pues su hija cumple los quince. ¡Una gran fiesta! No falta la peruana que invita a su casa a comer ceviche para comentarla. Llamamos a estas actividades el coffee break. Es un alto en la rutina diaria, donde vivimos inmersos en el inglés y en las costumbres americanas. Tal como la primera vez, el paisaje de Virginia me sigue 62 ⎹ HOSTOS REVIEW


pareciendo una gigantesca alfombra. Los hispanos formamos parte de ese tapiz que se teje no solo con la naturaleza, sino que también con los hilos de nuestras vidas.

*** María del Pilar Clemente Briones (1962) nació en Santiago de Chile. En 2008 se mudó a Chesterfield, Virginia, donde vive actualmente y se dedica al arte. Ha trabajado en medios como el diario El Mercurio, el diario Atacama y la radio Estrella del mar en la isla de Chiloé. En Atacama fue seleccionada como mejor periodista de la región en 1994. Ese mismo año ganó el segundo lugar del concurso nacional organizado por la Secretaría de la Mujer con el cuento Por las calles de Alcalá, escrito en memoria de su padre. En 1997 su novela Personal Estéreo los Gusanos Star obtuvo el primer lugar en el certamen de novela juvenil “Marcela Paz”, convocado por la Editorial Universitaria. En 2004 Quitapenas Bar ganó el concurso “Pedro de Oña” y en el 2007 publicó la novela Tropas urbanas. También ha publicado cuentos en varias antologías de autores hispanos en Estados Unidos y su cuento “El caballo que sabía rezar” ha obtenido tercer lugar en el concurso “Cuéntale tu Cuento a la Nota Latina”. En 2018 lanzó un libro de historias sobre inmigrantes en Virginia No te olvides del James River, durante el Segundo Festival del Libro Hispano de Virginia. Fue profesora de redacción periodística en la Universidad de Chile, donde se desempeñó hasta mudarse a Richmond, Virginia, Estados Unidos. Página de la autora en Facebook: Maria del Pilar Clemente, Richmond. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 63


José Ángel Navejas CHICAGO

10 de febrero de 2018

Entre las preguntas más frecuentes que me hacen están estas: qué te llevó a escribir este libro; qué quieres lograr con él; qué planes tienes, etc. Mis respuestas son casi siempre las mismas, muy mesuradas, muy diplomáticas, casi tímidas. Ha de ser por eso que, cansado ya de repetirme tanto en la vida concreta, en un sueño reciente me veo contestando que escribí el libro en cuestión, Ilegal, porque a ninguno de los autores que se han detenido en el tema le ha interesado ni ha querido o no ha podido proporcionar una imagen fiel de la vida del indocumentado, me puse a escribir ese libro hace casi 15 años porque quería decirles, miren, aquí estoy, yo existo, y sin necesidad de ustedes, sin necesidad de que aprueben mi novata prosa, mi parco estilo, mi vida marginal que nada tiene que ver con las suyas, que es, de hecho, una refutación directa de la formación tradicional, del acceso al aula donde se educan las buenas conciencias, que nada tiene que ver con la mafia de los centros de poder cultural, económico, político, que la mía es una historia clandestina, una historia urdida en las penumbras que esas buenas conciencias, acurrucaditas en el seno de la sociedad, no pueden siquiera imaginar, y que la quería escribir, no para justificarme, sino simplemente para poder respirar, hablar, pronunciarme, después de una vida entera de sentirme sofocado, asfixiado, inhibido, silenciado a causa de vivir al margen, de ser, desde siempre, una sombra, una muda sombra en sus páginas, en este sitio que los caciques políticos y culturales me asignaron, primero, en la economía, luego, en la narrativa de esa elitista sociedad mexicana, que se rehúsa a aceptar que quiero, que puedo y que, a final de cuentas, me da la pinche gana de articular una contranarrativa porque, mientras viva, no me queda más que ser y ser y ser y seguir existiendo en esta condición de paria, sacándole la lengua a sus refinados libros, a su idealizada historia, a sus compadrazgos y a sus autores que a veces escriben sobre nosotros, sus paisanos en el norte, sin siquiera ponerse a pensar, ni un poquito, en nosotros, en la subversiva ontología del indocumentado, porque eso rompería con sus propios esquemas, con los paradigmas que han inventado para encasillarnos, o que quizá hayan tratado de descifrar al Dasein indocumentado y con buenas intenciones, de seguro, pero que igual lo han hecho muy mal porque en sus elocuentes narrativas no es la 64 ⎹ HOSTOS REVIEW


esencia, el indocumentado en sí lo que se discierne, sino un avariento deseo de apropiación cultural: seguir imaginándonos, escribiendo y publicando sendos libros sobre nosotros, aunque seamos nosotros el último asunto que entre sus páginas se trate, así que lo que quería lograr era vindicarme, informarles por escrito que no somos sombras ni estamos mudos ni nada de eso de lo que ellos escriben, que no somos fantasmas, que somos gente trabajadora, chambeadores todos, y, además, que México nos debe mucho, que nos debe más de lo que se imagina, nos debe su existencia misma, porque nuestras remesas lo mantienen, porque ni los ingresos percibidos por el petróleo ni el turismo ni la agricultura se comparan con la lana que nosotros les mandamos a nuestras jefecitas para que se ayuden, para que se mantengan, para que puedan comprarse algo, una falda, un vestido, y que si hubiera manera de gastar esos dolaritos sin ayudarle al gobierno, esquivando la llamada economía nacional, eso nos pondría muy contentos, pero que sabemos que eso es imposible porque los tentáculos del poder son por naturaleza oscuros y mezquinos y largos y escurridizos, que tienen algo así como brújulas internas apuntando siempre hacia el norte, tentáculos camaleónicos, hábiles y fresones que acechan, que se esconden, que se agazapan y luego sueltan el zarpazo y lo apañan todo, y lo único que queda es una negra estela, una nube de humo que se desvanece lentamente, y claro, quedamos nosotros, como idiotizados, diciendo, uta qué chingados fue eso, porque no sabíamos que trucos como ese fueran posibles, que nuestras remesas, que esa economía generada por un ejército de sombras pudiera inspirar un acto de desaparición, una magia tan acá, pero bueno, ahora ya lo sabemos, y todo muy chingón, pero lo que no es chingón para nada es ese discurso que han manejado en torno a nosotros, el discurso en el que nos tildan de nacos y mojados y reducen el impacto real de nuestros dólares denominándolo, trivializándolo como economía informal, eso, la neta, es lo que más nos caga: enterarnos de que nuestra lana ha terminado engordando las arcas del gobierno mexicano, financiando las vacaciones a París y a Londres y a Hong Kong de Angélica Rivera, los innumerables frascos de vaselina para el copete, el grasiento penacho azteca de Peña Nieto, las muchas cirugías plásticas de la maestra Gordillo (que por cierto le quedaron todas muy mal porque se parece mucho al Guasón) y las cuantiosas becas que les dan a los escritores consagrados para que se vengan a hacer un doctorado a Nueva York y que nada de eso nos sirve para nada a nosotros, los indocumentados, y que entonces en mis planes yo contemplo poder REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 65


abrir una especie de universidad del barrio, donde los cocineros y los yonqueros y los ruferos y los busboys y los lavaplatos estudien, digo, si quieren, y si no entonces que de todos modos vengan a ayudar con el mantenimiento de las instalaciones, porque ahí se ofrecerán clases gratis de inglés y de GED para ellos, y que será un head start para todos sus hijos, mejor que un head start, será un centro comunitario en el que se enseñe, sí, que se enseñe de todo: desde clases de tejido, seminarios sobre la preparación de tejuino, de mole, un semestre completo de investigaciones sobre cómo el chocolate y el jitomate y el aguacate, el maíz, el tequila, el mezcal y el mariachi han conquistado el mundo, en específico, indagar en las múltiples dimensiones del chocolate, enfocándonos en las dos más extremas y populares, la carnal y la metafísica, investigar sus propiedades afrodisiacas, luego preguntar qué sería del amor sin él—ver si podemos obtener una compensación de la industria cada 14 de febrero—preguntar también qué hubiera sido de la comida italiana sin el jitomate (o de su mitología, de ese romántico final en la saga de la mafia neoyorquina: Don Corleone colapsado en su idílico huerto), qué sería de Wall Street sin el maíz (dios de los antiguos mexicanos ahora reducido a mercancía abstracta por los operadores financieros yanquis), y qué milagro, qué perversa intervención guadalupana o huitzilopotchtla, fue lo que nos reservó a los indocumentados, y a nadie más en el mundo, el supremo arte de preparar guacamole, el irónico destino de venir a esclavizarnos voluntariamente para deleitar a la gringada con esta verde suculencia, esta ofrenda, adiestrar y seducir su vulgar y enorme panza con un acto compasivo y bélico, un acto humanitario y civilizante: la sencilla y refinada preparación de guacamole, un fresco guacamole con limón y cebolla y cilantro y, claro, jitomate y sal y un chile bien, bien picadito (y más y más chips, por supuesto), porque yo recuerdo que, al hacer el papel de presidente de Estados Unidos en una serie televisiva, Martin Sheen expresa, con ese don que tiene él para darle vida a sus personajes, una infinita gratitud por el guacamole recién hecho, recién machucado ahí, frente a él, y lo dice todo así como en un éxtasis, con un gusto infinito que sólo se puede explicar gracias al proporcionalmente infinito talento del indocumentado para preparar esa exquisita mezcla que no tiene la consistencia del mole ni de la crema pero que deleita con la textura de ambas cosas a la vez, que explota en el paladar con la delicadeza y la complejidad de un manjar aterciopelado, así que ese sería un buen tema, explorar el talento

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innato de estos artesanos de la cocina, de estos genios culinarios, hacer de ellos su propio tema de estudio, mostrarles tan sólo el sendero para que, por cuenta propia, puedan, muy a lo Gramsci, volverse intelectuales orgánicos, y así, comenzar a desmenuzar los clásicos de la literatura mexicana—a Vasconcelos, Ramos, Yáñez, Paz, Rulfo, Fuentes—en cuyas obras no somos más que un pedestre ejército de sombras y fantasmas, y lo bueno va a ser poder presenciar la reacción de todos, ver cómo con un parco ahhh se niega y se cancela toda una tradición literaria y se comienza a escribir una nueva historia, o por lo menos se comienza a replantear, sembrada ya la semilla del escepticismo, así que eso es parte de mi plan, abrir una universidad del barrio, en Pilsen o en La Villita (no como el céntrico edificio de la UNAM Chicago que por nosotros, los indocumentados, que seguramente la mantenemos con nuestras remesas, no hace absolutamente nada en cuanto a nuestras aspiraciones humanas ni intelectuales), la universidad del barrio estará cerca de la línea rosita, para demostrarle a Emanuel, al honorable y excelso alcalde Rahm Emanuel, que, por más que quiera, por más que intente, no será tan fácil poder gentrificarnos, además que no le conviene porque, como él bien lo ha dicho, después de los ingresos generados en la Avenida Michigan, el lugar donde más impuestos recauda es en la 26, el corazón de La Villita, así que más le vale que le baje, que no se pase de lanza con eso del desplazamiento y que ya era hora que se pusiera a pensar en darnos una identificación municipal a los indocumentados, que una identificación oficial con foto y el skyline de Chicago en el fondo estaría muy chida y haría mucho por nuestra moral, pero que esto de ninguna manera hace que se nos olvide que en años anteriores logró que muchos demócratas se pronunciaran contra los inmigrantes y que a Obama le aconsejó que no le moviera a la cuestión de la reforma migratoria durante sus primeros cuatro años, lo cual Obama no necesitaba escuchar porque de todos modos no pensaba hacerlo, y que, ya que estamos en eso, mejor yo mismo me postulo o corro, como dicen acá, y los apantallo a todos—José Ángel Navejas: primer alcalde mojado de Chicago, al cabo que, con más de 25 años en la ciudad, creo que llevo más tiempo yo aquí que el mismo Emanuel y soy más chicagoense que él y que, por lo tanto, tengo todo derecho a ser su más serio contrincante por el mito ese, tan gringamente engañoso e hipócrita, que no puede haber taxation sin representation, así que mi plataforma se erigirá sobre la emancipation de toda nuestra population. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 67


Y esos son, en breve, mis motivos, mis intenciones y mis planes. Etcétera.

*** José Ángel Navejas (1973) es de Guadalajara, México. Llegó a Chicago en 1993, donde ha residido desde entonces. Su libro autobiográfico, Illegal: Reflections of an Undocumented Immigrant fue publicado por la Universidad de Illinois en 2014. Su traducción al español apareció en 2019. Es también compilador de Palabras migrantes: 10 ensayistas mexican@s de Chicago, el cual se publicó bajo el sello El BeiSMan Press en 2018. Navejas es candidato a doctor en Letras Hispánicas por la Universidad de Illinois en Chicago. “Chicago” es parte del libro inédito La música en mi vida, que será publicado por la editorial El BeiSMan. Página web del autor: joseangeln.wordpress.com.

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Dinapiera Di Donato MANDARINAS, POR FAVOR Las cajas Murió el amigo en Caracas. Lee la noticia y corre a hacer una lasaña sin gluten. De dónde sacar huevas de lisa y cerecitas de monte. Habían compartido huevas en salmuera y langosta con casabe la última vez. El vino blanco portugués estaba fresco pero la conserva de merey con cerecitas sabía horrible por un exceso de panela. A quién darle el pésame. Al último minuto recuerda la dieta de Marguerite que la estaba esperando en la Hispanic con enormes cartones de embalaje para nutrientes y remedios y bota el táper antes de entrar. La amiga común que le avisó ya no vivía allá. Mandarinas fue lo que escribió el auto-corrector al final del mensaje cortado al preguntar si tendría en pdf los últimos poemas del amigo y “mándamelos por favor” llegó convertido en “mandarinas, por favor”. Ahora no sabe si duerme mal por un comentario pescado en las redes que suma al amigo a la estadística de los mal curados, o si es por lo del Plan Cárnico Regional que amenaza con desaparecer la proteína de la mesa de la madre. Los revendedores de la comida repartida a precio fijado por El Gran Timonel II de la Cruzada Cárnica Contra los Muros Imperiales piden dólares o euros. Caen por igual tanto los que aplaudieron cuando empezaba el régimen, como los distraídos o los apartados desde el minuto cero. ¿Se adaptó mal su amigo, habló o calló a destiempo, lo cuidó o se desentendió la comunidad de artistas olvidados porque ya no accedían a la moneda extranjera? ¿La conseguirá su madre? A las dos de la mañana, con medio cuerpo dentro de una caja revuelta por enésima vez porque ya no ubica las latas de cochino con quinchonchos verdes y lo que conviene enviar es polpette di tonno, chequea las etiquetas para desechar grasas saturadas. Por recomendación del señor Guru de la Hispanic elimina las albóndigas que solamente producen grasa mala.

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La amiga perdió su apartamento de Caracas y se marchó a países donde no la esperaba nadie. Un celular, alguna muda de ropa y tres libros. Su ejemplar del Bosque de la Noche y La Pasión según GH, en ediciones de Monte Ávila de otros tiempos, uno de sus propios libros y todos los pdf de Victoria de Stefano y de Elisa Lerner. Los trescientos dólares escondidos en la ropa interior le dieron la suficiente confianza de avanzar. Por lo menos hay asistencia médica en los refugios. Mientras sella definitivamente la caja repite como una letra pegajosa, la frase usada en el juego de Truco, Venga a mí que tengo flor. Así empezaba un poema de Carlos que le oyó la primera noche bajo el nivel del mar donde viviría como en un barco los años previos de su llegada a Manhattan, antes de la recrudescencia de la crisis general. Parecía menos fatigoso que andar sola leyendo, escribiendo así, como mareada, en la deslumbrante Caracas literaria donde ella no supo desenvolverse. Su propia crisis fuera de tiempo era como un defecto de fábrica. Cómo saber, que la flor de la esperanza de la izquierda mundial ahora convertido en Timonel I Eterno, también había usado la expresión del Truco Venga a mí que tengo flor, entendida como El que se venga conmigo será el ganador, en alocuciones hipnóticas para unos, inofensivas para otros, ingenuotas para los más. La primera vez se sintió rara con aquellos cartones enormes caminando por el estrecho museo de la Hispanic Society, mirando hacia los lados como si anduviera en cosas ilegales; como si planeara llevarse un niño bañista de Sorolla o el Goya más alto que ella, la duquesa vestida de maja, bajo las propias narices del señor Guru, el vigilante que suele anunciarla con Marguerite. Al principio los paquetes salían casi a escondidas con la complicidad de íntimos. Ahora, apenas le notan el acento venezolano todos quieren novedades, le piden reportes sobre caravanas del programa de ayuda enfiladas desde los bordes. – ¿Ya llegó, ya llegó? ¿Ya se fue? Antes las horas libres eran para exposiciones y conferencias. Solía esperar los veranos para descansar en la playa de los rusos hasta que un día se vio sobre todo recorriendo las bodegas entre la calle 150 y la 217, con las mejores ofertas de caraotas negras y harina de maíz. Una tarde en Taszo con Marguerite, cerca de la Hispanic, ya 70 ⎹ HOSTOS REVIEW


no se habló del ejemplar de 1490 del Libre apellat Tirant lo Blanch que su amiga solía llevar a Europa o a California y del que siempre creyó que se trataba de una copia. No se caían aviones con libros raros, había que confiar en las aseguradoras de tesoros. Ahora oía distraída sobre las exhibiciones itinerantes, sólo quiere hablar de las formas de hacer llegar proteínas porque el Timonel II de La Paz empezó a destruir toneladas de comida y medicamentos so pretexto de que los camiones de la ayuda son caballos de Troya. Avanzan desde las fronteras con tropas imperialistas camufladas entre alimentos pediátricos, antibióticos, o suero. Lo declara en serio. Los quema realmente. Hubo mejores tiempos. Recuerda cuando una vecina de Cuba les enseñó a camuflar un traje de novia con todo y cola más el de la madrina, colocados por capas debajo de conjuntos de chaqueta de invierno, sin que se notara. Imposible llevarlos como equipaje, casi siempre lo importante era confiscado en las aduanas nacionales. La vecina boricua, mejor enterada, intentó disuadirlas con catálogos virtuales de trajes a la medida fletados a buen precio desde China, pero tenían el inconveniente de que los modistos hacían las pruebas vía Skype después de medianoche y no siempre había conexión a esas horas. Desconfiaban además de los encajes chinos. Marguerite y su novio Hyon cuestionaban casarse pero asistieron a una boda en Brooklyn en la que la pareja iba vestida de bailarines de El lago de los cisnes. Odette y Sigfrid avanzaron por el centro de la iglesia haciendo piruetas en punta, lanzando velos azulados en el holograma del Titicaca. Los invitados hablaron de los desaciertos de la película El cisne negro, de los de Tchaikovski, de los últimos exterminios y de los avances de la tecnología. Marguerite y Hyon tuvieron que reconocer que conocían poco de aquellas fluctuaciones de la ciudad que invertía en moda y en activismo por igual, sin olvidar los enfermitos terminales. Y aprendieron sobre todo de encajes de Cluny. – No sé en Guayana, pero en San Juan no se vería normal una bufanda tan pesada –insistía Marguerite. Por un momento la preocupación mayor fue esconder alrededor del cuello el tocado de blonda y las gargantillas que llevarían las damas de honor. Nada raro en Guayana donde se usaba de todo, bastaba con que pareciera de diseñador. Guerra o no, allá se fijarían primero en su sobrepeso, en su corte de pelo, en la montura de los lentes.

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Enviar más paquetes de comida en lugar de ir personalmente, la noticia no le gusta a Marguerite. Esperaba asistir a una feria de libros de Caracas, que, según escritores de renombre seguía siendo la plaza latinoamericana de las ediciones generosas. Merecidamente los autores simpatizantes de las buenas causas y premiados con los mejores tirajes sabían de qué hablaban. Salvo los que tuvieron razones para evitar el tema y que no necesitaban publicaciones de Caracas y Vargas Llosa, que le encantaba ir a la contra. Decide no discutirle a Marguerite. Una poeta libanesa del Japón con quien quiso abrirse solía ubicarla: no vives allá, nadie te conoce, nadie te recuerda, no hables de lo que no sabes. También un poeta que continuaba viviendo en la Habana, siempre en gira literaria para testimoniar ante el mundo libre cómo le va mal al artista cuando vive en un mundo sancionado, le explicó una Venezuela desconocida. Todos los que visitaban el país literario de Caracas regresaban cargados de libros y vivencias. Tampoco era comprensible que una escritora de allá tuviera solamente ediciones feas de aquí. Suspende el plan para ver a la madre, definitivamente (no le llegó el pasaporte y ya no tenía para comprar uno en el mercado negro, recomendación del artista cubano), ya no le mortificaba el recuerdo desdibujado, ni su cintura engruesada, ni siquiera la insignificancia literaria o los malentendidos que la alejaban también de los poetas locales importantes; ahora lo que cuenta es hacer que la proteína deshidratada llegue a tiempo. Y los cartones especiales que Marguerite y Hyon le dejan cada mes en el museo. Los cooperantes Las últimas cajas a medio llenar ocupan casi toda la habitación. Han desfilado vecinos solidarios. En la zona de su madre anuncian el Plan Cárnico Final Contra el Ataque Mediático Imperialista que inventó la mentira de la necesidad de ayuda humanitaria. La madre reporta al vocero regional que clama Déjanos en paz, Trump, deja a los DREAMers en paz. El Timonel II de la Paz se ocupará personalmente de lo que es prácticamente (¿?) el problema alimentario, estos planes van a fortalecer la Venezuela Bella que preserve la vida del planeta para que no haya muros. La poeta libanesa del Japón pone en Facebook: el poeta Zurita conoce el corazón auténtico de la izquierda. Alguien pone como comentario: Zurita coño’e tu madre. La madre hace chistes cuando el 72 ⎹ HOSTOS REVIEW


Gran Timonel II agradece la explicación de su vicepresidenta según la cual la comida donada por el enemigo es un arma biológica, porque la derecha tiene el plan de enfermar al pueblo. Gracias, combatiente, siempre hablando la verdad y obrando, dijo. Dijo Obrando y la señora recuerda a la maestra de primer grado de los años cuarenta: “niños no pidan permiso para ir a cagar, se dice obrar”. La poeta libanesa del Japón difunde a través de las redes que el deber de un artista auténtico es prestar su voz a los que no tienen voz, los verdaderos poetas deben volverse traductores sin esperar nada a cambio. Estuvo en la cena dada en honor al gran Rafael Cadenas y tendrá el privilegio de verter uno de sus textos a varias lenguas. No entendió mucho pero todo lo que pedía era un dólar o un like. ¿Para Cáritas, para los poetas en estado de vulnerabilidad, para los mudos? O para los niñitos indígenas venezolanos huérfanos con HIV porque hay que reconstruir el tejido local. – No metas cebollas ni guineo verde, llegan podridos. Mejor mete malagueta, --recomendaba una de las vecinas. Ni cebollines, ni una manzana cripps pink con sabor a ponsigué maduro envuelta cuidadosamente porque a la madre le dio por hablar de la escasez de frutas; a diferencia de los escritores con quienes se cartea la poeta libanesa del Japón, no se consiguen mereyes en Guayana, ni mamones. Se le están olvidando cómo eran las ciruelas de huesito de la primera casa que tuvieron. Un puñado equivaldría a lo que imagina una lucha reñida en la subasta de melones híbridos de Yūbari. La madre no sabe que los remates de comida en las altas esferas son las más cómodas del mundo. En la playa de Brooklyn un ruso contó que estuvo pujando por un melón mientras tomaba un baño en su pieza que funcionaba como una terma de aguas minerales y casi gana. Pero la madre no usa celular y las cosas han cambiado tanto que antes le hacía ascos al culantro porque era el alimento favorito de las culebras y ahora pedía que le consiguiera con los mexicanos. Prácticamente lo del tejido local era lo más difícil. – No metas recaíto, ni ajo majado, llega negro. Que cocine la habichuela con malagueta –insiste la otra dominicana mientras introduce más bolsitas de guayabitas ligeramente anisadas en el espacio vacío de los rollos de papel de baño que en realidad se aprovechan para rellenar con antibióticos. Las amigas españolas meten azafrán y jabón Magno porque ya hay suficientes latas de carnes, bacalao seco, todos los granos, aceite y azúcar, detergente para la ropa, Janumet, cintas para medir la glucemia, toallas sanitarias para incontinencia REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 73


y huevos en polvo. Sin que las vecinas lo noten va sacando las malaguetas que corren por todo el apartamento, porque la colega Haemalatha estuvo moliendo especias en Sri Lanka para los turrones de leche con coco y cardamomo; recordó una conversación con la venezolana. En el transbordo de los Emiratos Árabes cargó con dos vinos argentinos y una caja gigantesca de dátiles que agregó a la bolsa de los regalos. No meten el vino. Tampoco el Awamori añejo, obsequio del estudiante japonés, porque era o eso o más champú (la poeta libanesa del Japón opina que no es auténtico Awamori). A la madre le haría ilusión ofrecerle un trago comprado en Abu Dabi a su comadre de Caracas inconsolable porque le mataron al nieto en una protesta. Pero ahora es imposible enviarle nada desde Guayana. Años atrás Haemalatha también tuvo que salir de su casa con lo puesto, traspasó todos los bienes al negociador y logró que no la mataran. En momentos así no puedes circular ni siquiera por carreteras. Haemalatha no hablaba de sus cosas, más aún cuando te cruzas en el metro con el que persiguió a tu familia porque a su vez negoció para salir vivo, convertido oficialmente también en perseguido. La poeta libanesa del Japón hace saber que es muy triste lo que la política norteamericana ha hecho con el ser humano. Escribe un gran poema que podría conmover a Billy Collins en inglés, a Cadenas en español. En Sri Lanka muelen más turrones con cerecita de monte cuando cuenta de su amigo poeta muerto, de su amiga escritora que por falta de capital no puede gestionar un caso de asilo, pero al menos come mejor con lo que obtiene por leer para señoras mayores. No hace falta que la poeta libanesa del Japón repita que hay mecanismos para que las instituciones de acogida ubiquen a los artistas expatriados según el nivel. De estas cosas se sabía por novelas autorizadas, por películas taquilleras, como si nunca pasaran en la vida real. Nadie te lo va a estar recordando porque si no te quedaste resistiendo probablemente es que no eres grande; para irse o quedarse correctamente hay que ser de los mejores. No le muestra su propio poema de la escritora mayor que huyó sin documentos debidamente apostillados a la poeta libanesa del Japón que no comprendería cómo alguien sin cartas de presentación del querido Cadenas se pueda hacer llamar escritora venezolana. A Haemalatha sí. Haemalatha comprende incluso el drama íntimo de la poeta libanesa del Japón algo tristona porque no logra que la consideren 74 ⎹ HOSTOS REVIEW


poeta americana, o sea, universal, parte de la mente planetaria, a pesar de su multiculturalismo reconocido y de llevar aquí la mayor parte de la vida. Le compra su último poemario. A la venezolana no le pregunta cuándo se irán los invasores, Haemalatha se enfoca en las mandarinas del poemita. Tal vez le pueda enviar algunas y turrones, muchos turrones. Mandarinas para la lectora de Beatriz los pensamientos pedestres si acaso la tortuga de la casa de mi madre comió los brotes si acaso mi madre comió si la empleada de la señora Beatriz escritora que huye de Caracas que tiene al fin papeles volverá a escribir sobre un teclado bajo techo estrellado si le dan mandarinas cuando llega triste a leer y la señora Beatriz no quiere páginas del Bosque de la noche ni de Victoria de Stefano ni siquiera versos de la casa sensible quiere asegurarse con el diario de izquierda de que Estados Unidos no siga dejando a inocentes venezolanos sin comer Las correcciones Se salta el video del fantasma del fucking Timonel I y sigue tarareando Venga a mí mientras recorre enlaces. Uno acerca del documento titulado La agonía florida de Carlos Brito. Así tal cual. No se trata del amigo perdido. Pero la cosa no quedó allí. En otro aparece REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 75


un hombre idéntico, con la nota “Carlos Brito escribe Vale a pena ter esperança”. Tampoco era él. Siente una confusión de costas, el Hudson empieza a sonar alto, parece que oye el mar de hace treinta años. Hablaban a los gritos alrededor de un juego de mesa. El escritor latinista Fortunato Malan, baraja en mano, contrastaba la novela La muerte de Virgilio con los Dialoghi de Leucò de Cesare Pavese, donde no había leyendas sino un mito de transformación, vivo. La novela en cambio presentaba algunas inexactitudes. O sería que la mudanza de la fortuna no contaba entonces para ellos, la mudanza de los hombres era impensable en aquel círculo. Las últimas horas del poeta Virgilio ya se estaban decidiendo y no lo sabían. Al fin aparece un enlace de los últimos textos de Brito, Cuando raya el esplendor. Se puede bajar en pdf, ¿existirá en una bella edición? Cómo saber de sus últimos tiempos. Venga a mí que tengo flor probablemente forme parte del poemario Pica y se extiende. No sabe quién fue al velorio, todos están desbordados, corriendo por la vida. De Malan, enterrado antes, al menos guarda su novela Chronica falsa. Una edición fea, castigada, ¿de alguien no muy listo? A la amiga huida le envió los ensayos de horas suspendidas de Brito, sin agregar nada. Demasiado tiene con aprender su nueva ciudad violentamente, la agotan las buenas gentes del país de recepción que se confunden de Ocupación y temen la inminente entrada del invasor norteamericano. Si por ellos fuera la devolverían. No lo dicen. No se entiende cómo alguien no se quede a dar la vida por la revolución. La poeta libanesa del Japón invita para el evento pro Venezuela: Los poetas son los testigos del presente. Le da un like pero no logra llegar al evento. Se le fue el tiempo buscando conserva de merey. Hace veinte años Carlos Brito la despidió advirtiendo que ya andaban al final de la juventud como para seguir rodando por costas sin anclaje. Que él había escrito De paso por el frío en Canadá a los veinte años, cuando comprendió que no valía la pena morir lejos.

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*** Dinapiera Di Donato (1957) nació en Upata, Venezuela. Actualmente reside en Nueva York. Ha publicado Relatos (2016), Colaterales/Collateral (Akashic, 2013, “Paz Poetry Prize” 2012), La Sorda (ICUM, 2011), Desventuras del ocio, Libro de Rachid avenida Paul Doumer (FEES, 1996. Premio de Poesía Bienal “Tomás Alfaro Calatrava” 1996), La sonrisa de Bernardo Atxaga (Predios, 1995. Premio de Narrativa “Alfredo Armas Alfonso” 1994), Noche con nieve y amantes (Fundarte, 1991. Premio de Narrativa de la X Bienal Internacional “José Antonio Ramos Sucre” 1990). Aristeguieta (parte de este proyecto recibió una beca de The Northern Manhattan Arts Alliance NoMAA en 2012). Sus ficciones han aparecido en diversos estudios y antologías: Nuestros más cercanos parientes: Breve antología del cuento venezolano de los últimos 25 años ( Kalathos, 2016), Voces de América Latina (MediaIsla, 2016), Sinister Wisdom 97: Latina Lesbians (Sinister Wisdom Inc, 2015), El hilo de la voz (Libros en red, 2015 y Fundación Polar-Angria, Venezuela, 2003), Hostos Review/ Revista Hostosiana (No. 11, 2014), Literatura con acento (Editorial Campana, 2014), Escribir en Nueva York: Antología de narradores hispanoamericanos (Editorial Caja Negra, 2014), Poetas venezolanos contemporáneos: Tramas cruzadas, destinos comunes (Fundación Común Presencia, Col. Los Conjurados, 2014), Campo de los Patos: Poesía norteamericana (segunda parte) (Saltadera, 2013), Pasaje de ida: 15 escritores venezolanos en el exterior (Alfaguara, 2013), Voces para Lilith: Literatura contemporánea de temática lésbica en Sudamérica (Estruendosmudos, 2011). REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 77


Felipe Hugueño EL SUBWAY NEOYORQUINO… El subway es tan impaciente que chilla antes de llegar a su destino El chillar de los metales raspándose es señal de que no quiere detenerse en ningún lugar pero tiene que parar El ruido es el descontento de lo que viene como el chillar de las langostas que son lanzadas al agua caliente Es la vida, pero es la que tienen que llevar: las langostas seguirán siendo comidas mientras que los subways seguirán chillando a toda hora del día El subway lucha por seguir viajando y las langostas por seguir viviendo Hablando de movimiento, el zarandeo del subway me recuerda a los terremotos que nos sacuden mientras ocurren Los terremotos se acaban y los subways se estabilizan, pero el mundo y el subway siguen en constante movimiento No se detienen por mucho rato y uno se mueve dentro del otro Y nosotros seguimos chillando como las langostas que solo quieren vivir un momento de paz,  sin el constante movimiento

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Felipe Hugueño (1986) nació en Valparaíso, Chile y emigró a los Estados Unidos con once años. Obtuvo una doble licenciatura en Biología y Español de la Universidad de Binghamton, Nueva York y una maestría en Literaturas Hispánicas de la Universidad de St. John’s en Queens, Nueva York. Actualmente completa un programa doctoral en la Universidad de Búfalo con una tesis que se enfoca en la relación entre la violencia y la poesía en Latinoamérica. En su tiempo libre, le fascina leer y escribir poesía. Algunos de sus poemas han aparecido en antologías de los Estados Unidos como Al norte de la cordillera y Antología de poemas de lujo.

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Melanie Márquez Adams LEGENDS CORNER Por los lujosos pasillos del Hotel Opryland en Nashville merodea una fantasma conocida como Lady in Black. Quienes la han visto comentan que tiene un aspecto terrorífico y que el vestido negro vaporoso que porta le da cierto aire gótico sureño. Los empleados del hotel aseguran que no hay que tenerle miedo: ella se contenta con observar a los huéspedes y a los turistas que recorren el mítico resort atraídos por sus fuentes y jardines opulentos. Más abajo en el mismo continente (o en otro, según en qué país hayas estudiando geografía de primaria) se escucha la leyenda de un personaje antiguo muy similar a esta Lady in Black. Excepto que esa otra alma en pena no se conforma con observar a la gente. Es más bien tradicional en su ocupación de fantasma por lo que en su momento se dio el gusto de aterrorizar y causar revuelo en las calles guayaquileñas. Se trata de la Dama Tapada quien comenzó a penar por la ciudad de Guayaquil allá por el año 1700. Casi todas las versiones de la leyenda describen a la Dama Tapada como una mujer de figura esbelta (la figura siempre es esbelta en el caso de las almas en pena femeninas) que lleva el rostro cubierto por un velo oscuro. Con la misión de interceptar y seducir a caballeros a la salida de las tabernas, cuentan que la Dama iniciaba su recorrido a partir de la medianoche. A esa hora en que las escasas farolas de aceite esparcían por las calles adoquinadas un resplandor siniestro (el ambiente perfecto para salir de caza). Los pobres señores, que bien sabemos carecen de control ante las artes seductoras de las bellas damas, seguían como en un trance a aquella mujer espléndida que los llevaba por callejones apartados y oscuros. Una vez que tenía arrinconadas a sus presas, la Dama Tapada se volteaba para mostrar su rostro: una calavera en la plenitud de la putrefacción. Como sucede en toda buena historia de espanto, aquella experiencia aterradora, o bien mataba a los señores de un infarto, o bien los dejaba traumatizados por un largo tiempo (también les regalaba tremenda anécdota, de esas que les gusta contar a los abuelos para asustar e impresionar a sus nietos). Podemos imaginar el pánico que causaron

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aquellos encuentros: “Cuidado señores, esto es lo que les puede ocurrir si no regresan derecho a sus casas después del trabajo”. Pero al parecer, la Dama Tapada se cansó de las calles de Guayaquil ya que de repente no se la vio más por la ciudad porteña. Se reportaron avistamientos esporádicos en el resto de Ecuador y países vecinos, pero con el tiempo, ¡puf! Por supuesto que un alma en pena que encuentra tanto placer en el mundo de los vivos no elegiría desaparecer así nada más: eso no tiene ningún sentido. La explicación es mucho más simple y es que al igual que varios de nosotros, la inquieta Dama decidió partir rumbo al Norte. Luego de que a Felipe V se le antojara hacer de El Callao el puerto principal, Guayaquil comenzó a perder ese esplendor que había resultado atractivo para la Dama Tapada. El brote de fiebre amarilla de 1742 que arrasó con la mitad de la población acabó por convencerla. ¿Cuál era la diversión de penar calles desiertas? ¡Goodbye, Perla del Pacífico! Podemos imaginar a la Dama explorando a través de las décadas las calles de Florida, Alabama y Georgia (todas ellas rebosantes de fantasmas como bien se sabe) hasta acabar en la capital de Tennessee. Privilegiada por una ubicación que le permitía ser puerto, así como también un centro ferroviario importante, a partir de 1779 la ciudad de Nashville experimentó un crecimiento que no pasó desapercibido para nuestra fantasmagórica viajera. Que el Río Cumberland atravesara la ciudad, otro atributo importante. Después de todo, las aguas del Río Guayas nunca dejarían de habitarla. Como una marejada, el alboroto de la vibrante capital sureña continuó en aumento a través de los siglos (recordemos que el tiempo no funciona igual para los fantasmas) acabando por seducir a la Dama Tapada. Y allí se quedó, a recorrer las calles llenas de gente, llenas de ruido por sus parlantes que explotan con música desde todos los rincones. La medida perfecta de movimiento y locura, sin desbordar, como pasa en las calles de las grandes urbes de Latinoamérica y Estados Unidos (esas en las que hasta los fantasmas caminan apretujados). En Nashville hay espacio para todos: Welcome y’all, tanto vivos como muertos. Esta ciudad nos recibe con un shot de whisky y la música más entretenida del mundo. Fue imposible para la Dama no enamorarse de la música country: canciones pegajosas que muchas veces no cuentan nada trascendente pero que vibran en el alma con remembranzas de sweet tea, trucks y amores en graneros. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 81


Eso sí, ni siquiera los fantasmas pueden escapar de las regulaciones de este país y a la Dama Tapada no le convalidaron la licencia ecuatoriana para ir asustando a hombres parranderos. Con el pasar del tiempo, también acabaron por prohibirle el uso del velo (cuidado y la fueran a confundir con una terrorista) por lo que llegó un momento en que su nombre dejó de tener sentido. Por suerte, cambiarse el nombre aquí es de lo más fácil y la creatividad es el límite a la hora de elegir cómo te vas a llamar dentro de tu sueño americano. Welcome to the USofA, dear Lady in Black, y ya que no la dejaban espantar, se le ocurrió que su nuevo pasatiempo podía ser el people-watching, muy fructífero con la cantidad y variedad de gente que llega desde todos los rincones del país, y del más allá, a la ciudad de la música. Tal vez el Hotel Opryland sea uno de los lugares favoritos de la Dama por el sonido persistente del agua, ese que emana de las fuentes y los estanques del lobby y que acecha cada rincón. El agua, siempre el agua, porque a pesar de que es feliz en su hogar sureño, no olvida que alguna vez tuvo sangre guayaquileña y esa nostalgia la lleva a veces de regreso a las calles que solía penar, tan diferentes ahora pero todavía impregnadas del olor y la tibieza del río. Después de entretenerse con observar a la gente en el hotel, a la Dama le gusta pasear a lo largo del Riverfront Park, ver las luces de los edificios derramarse en el río como acuarelas iridiscentes. Cuando tiene ganas de escuchar música tradicional atraviesa las paredes de los honky tonks donde puede ver a parejas mayores bailar el countrytwo-step: bailes de antes, amores de antes. Si prefiere disfrutar de tonadas modernas, se aparece en los bares de la calle Broadway. Le entretiene ver a los jóvenes (y a los no tan jóvenes) emborracharse y corear los últimos country hits de la radio junto a bandas que sueñan noche a noche con ser descubiertas. Afuera del Legends Corner, uno de los honky tonks más famosos en downtown Nashville, no faltan turistas posando frente a un mural en el que varias estrellas (las de antes y las de ahora) de la música country comparten mesas en un bar desplegando sus enormes sonrisas. A la Dama le gusta contemplar el mural, imaginar que puede entrar en ese mundo, ser parte de la fiesta, sentarse junto a Garth Brooks y Johnny Cash, conversar con Dolly Parton y Loretta 82 ⎹ HOSTOS REVIEW


Lynn. Intercambiar con esos personajes historias de seducción y de vidas pasadas. Transmitirles un chorrito de su energía guayaquileña. Agitar el Río Cumberland con el eco de las aguas y los manglares del Río Guayas.

*** Melanie Márquez Adams (1976) es de Guayaquil. Vivió en Boca Ratón entre 1997-2001 y reside en Nashville desde 2010. Actualmente cursa el Máster en Escritura Creativa de la Universidad de Iowa donde recibió la beca Iowa Arts Fellowship. Melanie Márquez Adams es autora de la colección de cuentos Mariposas negras (Premio North Texas Book Festival 2018) y editora de las antologías Pertenencia: Narradores sudamericanos en Estados Unidos y Del sur al norte: Narrativa y poesía de autores andinos (Primer Lugar en los International Latino Book Awards 2018). Sus textos de ficción y no ficción creativa en español aparecen en las revistas ViceVersa, Suburbano y Nagari y su obra creativa en inglés ha sido publicada en The Acentos Review, storySouth, The Hong Kong Review, Asteri(x), Lunch Ticket, entre otros. Página web de la autora: www. melaniemarquezadams.com. Twitter: @melmarquezadams. Instagram: melaniemarquezadams.

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Oswaldo Estrada EL OTRO MAR Conocí a Shimokawa en el muelle una tarde de abril. El cielo seguía encapotado como todos los días desde hacía meses, pero al menos había dejado de llover. —Parece que hoy no vamos a tener suerte. Hablaba con los ojos fijos en el mar. Sin esperar contestación. Con ganas de sentir el tirón repentino que todos anhelamos cuando vamos a pescar. No me gusta hablar con extraños, pero me atrajo que reconociera en mí a un aliado en ese mundo gris. Conversamos de los peces fosforescentes que de pronto aparecen entre las cuatro y las cinco de la tarde, de cómo sacar cangrejos con carnada de pollo del otro lado de la bahía y de la mejor época para extraer moluscos de las rocas. Era un experto en el tema. Me dio una clase sobre la paciencia y el arte de pescar. Con cariño. Dándolo todo. Revisas tus anzuelos, escoges bien el cebo. Analizas el movimiento del agua, el color de las algas. Y aun así todo te puede fallar. No decía nada que no hubiera escuchado antes. Pero su inglés rudimentario me daba confianza. —¿De dónde eres? Me la estaba jugando. ¿A quién le gusta que le pidan sus credenciales en un encuentro casual? Me fastidia que la gente quiera averiguar de dónde soy apenas abro la boca, cuando mi nombre les crea cierta molestia en la lengua y el paladar. O cuando descubren en mi aspecto foráneo los vestigios de imperios autóctonos, como los que han visto en algunas revistas. Se les iluminan los ojos, abren ligeramente la boca, se alegran de haberme encontrado. Otras veces mi origen los confunde. Eso está cerca de Guatemala, ¿no? ¿O de El Salvador? Soy benevolente. Mi país está en América del Sur, explico en cámara lenta. Pronunciando bien las palabras. Trazando en el aire un mapa elemental para hacerles la vida más fácil. Los más ágiles hacen como que entienden. Pero los negados sonríen con dificultad, maldiciendo la hora en que se les ocurrió hablarme. —¿Todavía no te has dado cuenta? Me contestó en español. Y entonces lo supe. Era eso lo que me llamaba la atención. Su énfasis

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exagerado y cantadito al inicio de cada palabra en traducción. Su manera de arrastrar las últimas sílabas con una cadencia parecida a la mía. No pescamos nada el resto de la tarde, pero me cayó bien desde que sacó de su mochila un huevo duro y me ofreció otro con un poco de sal. La escena me devolvió a mis años de primaria, cuando descubría con horror que mi madre me había puesto uno en la lonchera y apestaba todo el salón. Nos reímos compartiendo otras cosas que también nos hermanaban en ese muelle trazado con las acuarelas del noroeste. Nuestro gusto por el ají, los valses de Lucha Reyes, la leche caliente. Shimokawa llevaba tres años en el puerto. Era uno de los miles que se habían presentado a la lotería de visas y la había conseguido. Su prima era la única pariente que tenía en ese lado del Pacífico y por eso estaba ahí. —Yo hubiera preferido Miami o Nueva York, pero tampoco te puedes poner exigente cuando buscas dónde aterrizar. La empresa japonesa en la que había trabajado como contador por más de doce años había sido clausurada por problemas con el gobierno y no había esperanzas de que encontrara un trabajo remotamente parecido. Antes de mudarse, había trabajado en una tienda de juguetes cerca del centro. En una agencia de viajes, con el personal de seguridad. Quiso iniciar un negocio de importación llevando mercadería de Chile. Y nada. —Lo único que me faltó fue vender pollos en el puesto de mi tía. Y de pronto, cuando menos lo esperaba, me cayó del cielo la visa. Lo decía emocionado, reviviendo la felicidad de aquellos días en que la vida le tendía un puente para escapar, aunque no tuviera ni un quinto para el pasaje de avión y menos para establecerse de cero en otro país. Primero vendió el carro. Después la moto. Y por último el piano que aprendería a tocar el hijo que nunca tuvieron. Cuando su mujer se fue de casa ya no tenían nada de valor. Sólo su ropa de marca. Sus joyitas. Un televisor. Una de las señoras a las que le limpiaba la casa le había dicho que en el Vallarta había conocido a un mesero de su tierra. Fue tan políticamente correcta que lo único que sacó en claro Shimokawa fue que yo era de estatura mediana. Ni blanco ni moreno. De rasgos nativos pero muy servicial y educado. De pocas barbas y nariz incaica. —¿Eso te dijo?

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—¿Cómo crees que te reconocí en el muelle? Con esas señas no fue difícil dar con tu linda cara. Explotamos de risa. Tanta huevada para decir que había encontrado a un cholo frente a la playa. —Imagínate cómo me miran cuando les cuento de dónde soy. Los más entendidos actúan rápido y buscan equivalencias. Claro. También allá hay japoneses de segunda y tercera generación, responden fascinados. Los que tienen más mundo te hablan de la comida y sus fusiones asiáticas. Han probado cebiche y sashimi. Los bestias, en cambio, tratan de esconder su ignorancia, cagándola. Es verdad. Ustedes tuvieron un presidente japonés, ¿no? ¿Sushimori? ¿Ajinomoto? ¿No era japonés? No tardé mucho en unirme al grupito de Shimokawa. A través de él conocí a Manolita, la colombiana tan querida que se ganaba la vida leyendo las cartas. También al gordo Pérez a quien todos llamaban El Señor Barriga por su vientre de barril. Y a Magia Blanca, un mulato de Cañete que en el exilio seguía presentándose como en su barrio, con el nombre de un conocido detergente. Con ellos aprendí a comer arepas y sancochos, bandejas paisas, pupusas y chanfaina. Nos gustaba soñar que pondríamos un restaurante en el puerto y que vendrían de todas partes a degustar nuestros platos. Idelsa se peleaba con Silvia, una cubana que vivía en un barco, porque sus empanadas eran más crocantes. Y Marita, que de cocina entendía poco, decía que ella sería la cara bonita en la puerta del restaurante. Cuando volvíamos con truchas de buen tamaño, Shimokawa las preparaba en escabeche con un toque nikkei, aprendido de sus abuelos. Hacía los mejores chupes y parihuelas recordando punto por punto cómo los hacía su mujer. Cuando el amor era fresquito, recién salido del mar. Revuelto con yuyos y conchas negras. Esas veladas que siempre culminaban con karaoke o un baile improvisado en la sala o el comedor de alguno de ellos eran el bálsamo de todas las semanas. Llovía todos los días. Trabajábamos largas horas. Sentíamos la humedad en las sábanas y en la ropa. Pero éramos felices extrañando juntos, aprendiendo a bailar square dance por un capricho de Shimokawa, volviéndonos expertos en la pesca artesanal. Desde el muelle o con el agua a la cintura, enfundados en unas botas de pescador hechas para piernas más largas que las nuestras.

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—¿Por qué no estudias algo, Huapaya? Me sorprendió una tarde cualquiera, mientras caminábamos por la orilla de la bahía con nuestro equipo de pescar. Mírate en mi espejo. Cuando vine aquí sólo me importaba hacer plata. Y me metí en lo de las casas porque mi prima hacía lo mismo. No me quejo. Mis clientas me adoran. Me dan la llave de su casa. Una de ellas hasta me paga para que le saque al perro a dar una vuelta. Vivo tranquilo. Podría poner una empresa. Shimokawa Express. —Ese nombre es de carrito sanguchero, no de compañía de limpieza, intenté animarlo. Serían cerca de las cuatro y los pinos al otro lado del mar parecían recién pintados sobre el cielo terso. —Lo que te quiero decir es que ahora lo haría diferente. Estudiaría algo. Una de esas carreras técnicas de dos años. A mí siempre me gustaron los números, las matemáticas. Tú todavía eres muchacho. Si estudias se te abrirán otras puertas. Me molestó que me lo dijera. ¿Con qué autoridad me pedía que estudiara si todos estábamos en las mismas? ¿Qué le hacía pensar que yo podía tener una historia distinta? Cierto que a veces me trataban mal por no entender lo que me pedían los clientes. ¿Cómo putas iba yo a saber lo que era la carne blanca o morena de los pollos, que no debía soplar la espuma de las gaseosas antes de servirlas o que debía lavar con agua hirviendo los platos y cubiertos para eliminar la grasa? ¿Por qué no estudiaba él en vez de mandar su sueldo a casa? Para su madre viuda. Para la hermana que nunca llegaba a fin de mes. La diálisis del tío que había sido su maestro. El sobrino que quería ser arquitecto. ¿Por qué no estudiaba él en vez de venirme a joder? Me gustaba mi trabajo. Estaba juntando plata y hasta tenía para salir con una flaca. ¿Por qué no estudias algo? Su pregunta me perseguía cuando me duchaba y me ponía el uniforme, cuando alguna clienta me devolvía un plato porque la carne estaba cruda o muy hecha. Cuando iba al cine con Liliana y en vez de ver la película me ponía a pensar. En mí. En él. Me hubiera gustado que mi viejo me dijera eso y no Shimokawa. Que me dijera estudia. No te vayas. ¿Cómo te vas a ir así, a trabajar de quién sabe qué? Aquí tienes tu casa. Me aceptó porque mi vieja estaba preñada, pero sus hijos fueron mis hermanos y yo una astilla en el ojo, un constante recordatorio de que antes de él había habido otro. Y encima se había hecho del paquete. Un cholito de ojos negros que en nada se parecía a él. Cuando le dije que me

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vendría a trabajar con unos amigos, se alegró tanto que me ayudó con el pasaje. Eso sí: me advirtió que no volviera. Preocúpate por trabajar. Allá está tu destino. Aunque te mueras de pena. Él mismo me puso en contacto con un amigo suyo en Seattle. No llores, le decía alegre a mi vieja. Tu hijo va a estar bien. Es un lugar lindo, lleno de agua. Ya hubiera querido yo que a mí me mandaran así, con todo pagado y hospedaje por dos semanas. ¿A qué se queda?, le decía triunfante, ¿a patear latas? Lo evité varias semanas en las que lo odié por decir la verdad. Pero el día de su cumpleaños me aparecí con una botella de pisco y la noticia de haberme matriculado para tomar una clase por las noches. —Sabía que ibas a volver. Me recibió feliz en su fiesta y brindamos por mi futura carrera. Estudié como loco esos años. Llegaba cansado del restaurante y me quedaba dormido en las clases. Como ya no lo veía en el muelle, lo buscaba en su guarida. Una cabaña con techo de dos aguas en la parte trasera de una de las casas que limpiaba. Me recibía siempre igual: abrigado hasta las orejas con una chompa inmensa, con sus pantalones de buzo, sus sayonaras con medias blancas. —Mira lo que he pescado, Huapaya. Sacaba entonces un pulpo macerado y preparaba en el acto los mejores anticuchos de Gig Harbor. Me contaba que la última reunión en casa de Luchito fue tan escandalosa que terminaron llamando a la policía y que Manolita lo arregló todo invitándolos a pasar, ofreciéndoles un platito de comida. —La próxima tienes que ir como sea, aunque tengas que repetir el curso. Se reía rasgando los ojos. Mordiéndose los labios. La gente dice que ahora que eres intelectual ya no te juntas con la chusma. Siempre lo dejaba con la promesa de hacerlo. Pero era difícil. Con las justas tenía unas cuantas horas para ponerme al día con los libros y pasar las clases. De cálculos y estadística. El día de mi graduación, Shimokawa canceló sus dos casas de la mañana. Tengo diez años buscando una excusa para no ir a trabajar y por fin me la has dado. Se veía radiante de saco y corbata. Su bigotito escaso. Sus canas. Como la foto de matrimonio que tenía en su cuarto. —Me hubiera gustado tener un padre como tú, le dije con la voz entrecortada.

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—No me jodas, respondió todo serio. Si apenas te llevo unos añitos, Huapaya. Nos reímos a carcajadas para olvidar que en unos días me iría. En la fiesta con el grupo me dedicó unas palabras sentidas que remató cantándome Regresa. De rodillas, con un florero en la mano. Me dio un álbum de fotos tomadas en el muelle. De espaldas. Frente al mar. Dándole un beso a mi primer salmón. Cortando en el monte un arbolito de navidad. Decorando calabazas con él. Brindando con los patas en el bar. Hablamos mucho el primer año y el segundo, pero nos costó llegar al tercero. Nos separaban varias horas de diferencia, mi trabajo en la empresa de seguros, nuevas amistades, la ansiedad de echar raíces en otra parte. Me contó Manolita, después de varios años, que Shimokawa se regresó a cuidar a su mamá, aunque un amigo mutuo lo había visto en el barrio con la que fue su mujer. Yo creo que éste nunca dejó de quererla, me dijo ese día que la encontré de casualidad en el aeropuerto de Houston. En todos los años que vivió en el puerto nadie le conoció ninguna aventura. Era cierto. Cuando salíamos a bailar le ponía peros a todas. Esta porque no tenía el trasero de Estelita. La otra porque hablaba mucho. Aquella porque sólo quería encontrar un machucante que la sacara de pobre. Y esta otra no porque le apestaba la boca. En cambio le brillaban los ojos cuando soñaba con comprarse una casa en Ancón para vivir con su cholita. Irse a pescar y ponerse a cocinar juntos otra vez. Volver a ser muchachos y bailar en la cocina, con la radio a todo volumen, tomando sus cervecitas. Nunca supe la verdad. Por un tiempo le mandé mensajes pensando que alguna vez me llegaría su respuesta. En una botella de las que avientan las olas cuando salgo a pescar. Lo busco en los rostros que se parecen al suyo, aumentándole años, poniéndole anteojos, quitándole el pelo que habrá desaparecido estos años. Cierro los ojos, respiro profundo, me lleno de mar. Soy paciente. Relajo el brazo. Cuando el mar está revuelto, es mejor no intentar. Ya no me acuerdo si era de esta estatura o un poco más alto. Pero oigo su voz, su risa indecente. Y le hablo. Cuando voy a pescar con mi hijo y le cuento de los peces que sacábamos al lado de las rocas. Y los salmones y las truchas pecosas que no encuentro en este mar.

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*** Oswaldo Estrada (1976) nació en Estados Unidos y creció en Lima, Perú. A los catorce años llegó a al Valle de San Fernando en California y ahora vive en Carrboro, donde es profesor de literatura latinoamericana en la Universidad de Carolina del Norte en Chapel Hill. Es autor y editor de varios libros de crítica literaria y cultural, como Ser mujer y estar presente. Disidencias de género en la literatura mexicana contemporánea (UNAM, 2014), Senderos de violencia. Latinoamérica y sus narrativas armadas (Albatros, 2015), Troubled Memories: Iconic Mexican Women and the Traps of Representation (SUNY, 2018) y McCrack: McOndo, el Crack y los destinos de la literatura latinoamericana (Albatros, 2019). Sus textos de creación han aparecido en revistas como Pembroke Magazine, Border Senses, Rio Grande Review, Literal: Latin American Voices, Suburbano, Hiedra Magazine, Chiricú Journal: Latina/o Literatures, Arts, and Cultures, y Latin American Literature Today. Es autor de un libro para niños, El secreto de los trenes (2018).

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Consuelo Hernández CIUDAD En ti hay más que tú: hay diagramas inconclusos mapas ignorados observatorios secretos cuartos para extraviados mares que te han salado… Eres un rescoldo caliente un trueno interrumpido con pupila de estrella... Un suspiro en fuga una llovizna sostenida una calle transitada en solitario una danza solar en tu sangre cuerpo adentro. En ti hay más que tú: hay tinieblas de clubes nocturnos melodías que armonizan los grillos una luz que baña gota a gota un lugar sin puntos ni comas un abecedario de futuras catástrofes. En ti hay más que tú Eres mundos Galaxias una multitud.

EN EL MISMO ESPACIO En el mismo espacio hoy conviven el hacha de piedra y las armas nucleares la tecnología de punta y los jeroglíficos las fogatas y la radioactividad.

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Vician el aire bombas lacrimógenas el miedo cunde, el desamparo dura, asedian las pandillas disfrazadas con banderas se subastan falsos cielos un rap, un twist, un rock and roll este es mi mundo mi ciudad exterior la noche te saca los ojos con picotazos de búhos y la tormenta nos deja a la merced de la llama de una vela. En vez de avanzar retrocedemos registramos el vuelo de helicópteros en fuga y en la cama reinventamos el amor o bebemos un té que se amarga cada día con las espantosas noticias de las redes y la tele.

EFECTOS DE LA DISTANCIA La distancia tiene sus efectos las palabras se me apocan se van como huyendo de mí misma... Ventrílocua, me escucho hablar en otras lenguas protegiéndome de no sé qué extraño enemigo camino por calles ignoradas siento los reclamos, y las quejas lejanas son eco real en mis paisajes. Me duelen la soledad y el frío comulgo con mis culpas liviana me desplazo entre autopistas bajo un cielo anónimo que pasa sobre el mundo borrando fronteras devorando delirios.

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Ciudadana del universo me uno a la misión rotatoria de la tierra muestro al sol todas mis caras para que se bañe en cada resquicio de mi cuerpo.

LA ESPERA Todos esperamos aquí estación de la llegada y la partida cada uno con su fardo de nostalgias tejiendo su tapiz de sueños delineando el imposible paraíso en el breve paso por la tierra. Cada uno suspendido en su distancia con ojos asustados escarbando el futuro, planeando como cóndores hambrientos entre voces vienen entre voces que van …… Y el tren no llega se anuncia a tiempo pero desconocemos el andén exacto la ruta de árboles viajantes el puerto de llegada la estación donde culmina la partida. Partiremos en el tren que nos lleva para siempre de este espacio de lo que más queremos de lo que más odiamos del agua de los pozos donde brillan luceros y crecen los lagartos. Volveremos a descansar con millones de recuerdos a la espalda

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los ojos abiertos, cara al sol, germinando en la estación de la locura, ciudad infinita que para siempre nos acoge o nos devora.

*** Consuelo Hernández (1952) nació en Medellín, Colombia. Llegó a los Estados Unidos en 1986 a Nueva York. La poeta y catedrática universitaria colombo-estadounidense ha publicado los siguientes poemarios: El tren de la muerte (2018), Mi reino sin orillas (2016), Polifonía sobre rieles (2011), Poemas de escombros y ceniza (2006), Manual de peregrina (2003), Solo de violín. Poemario para músicos y pintores (1997), y Voces de la soledad (1982), y dos libros de crítica literaria: Voces y perspectivas en la poesía latinoamericana del siglo XX (2009), Álvaro Mutis: Una estética del deterioro (1996). Ha sido grabada y filmada para los archivos de la Biblioteca del Congreso en Washington DC. Ha sido traducida al árabe, al inglés, al italiano y al portugués. Por su obra poética ha recibido varias importantes distinciones, entre ellas, el premio Antonio Machado en España. Reside en Washington DC y es profesora Emérita de American University.

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Arturo Salcedo Martínez DE IDAS Y REGRESOS Bordeando el filo de las calles desconocidas, entre la Lincoln Street y la Washington Avenue, la sombra de mi sombra me incitaba agresiva, obsesiva, vesánica a regresar a mi olvidada patria. Yo no quería escucharla, pero ella, intensa, trataba de recordar nuestro pasado. A veces me traía las memorias del terruño agreste pero placentero que hace ya muchos años tuve que abandonar por falta de oportunidades y demasiada pobreza. Ese vacío se agigantaba cuando recorríamos las calles despiadadas de la metrópoli extranjera donde habíamos hallado hogar. Hogar de paso, pero hogar. ¿Por qué el recuerdo melancólico de la patria nos persigue a donde vamos? ¿Por qué esa colcha descolorida de retazos difusos y memorias entrelazadas que arrastramos por las calles de nuestro diario destino nos tienen amordazados? La sombra de mi sombra me perseguía, me acosaba. La había visto muchas veces en el espejo nublado del retrete que comparto con otros inmigrantes en una humilde pensión de pobres indocumentados. La sombra de mi sombra volvió a reflejarse múltiples veces en los sucios charcos de las calles. Vibraba su imagen, me hería la ciega oscuridad en los ojos con su luminosa intensidad de interrogantes grises acres. ¿Qué hacemos aquí, en estas tierras ajenas, de cemento vidrio, de asfalto plástico? Tierras huérfanas de sonrisas generosas, de flores perfumadas que por momentos nos devuelven la imagen de nuestros familiares muertos y que invocan la calma; esa calma agónica, antigua calma, pasajera e instantánea. Me detenía en la mitad de las calles como queriendo trastocar el tiempo. Observaba a los transeúntes de la urbana metrópoli. Los veía caminar afanados, ojeando sus relojes luminosos, prestos en veloz carrera hacia ninguna parte, vestidos de lluvia y desamparo, con un luto antiguo y degradado: de pies a cabeza forrados con sus grises trajes ataúdes y sus ejecutivas maletas mortuorias. De verlos así arrastrarse tan desorientados, tan masacrados por su destino, tan ajenos así mismos; se me fueron poco a poco espantando las ganas de luchar, de trabajar, de ganar dinero, de construir el ansiado progreso en esta urbe de luminoso neón y oscuras contradicciones. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 95


¿Pero,… y el propósito inicial que me empujó a venir y a enfrentar tantos peligros, tantos riesgos, tantas vejaciones? Aquella idea fija de querer ahorrar muchos dólares para la futura cuenta bancaria, la futura esposa, el futuro carro, la futura mascota, los futuros muebles, la futura casa, las futuras vacaciones a la futura Europa… ¿A dónde viajaron esos deseos, esas obsesiones incumplidas, esas pesadillas, esas ganas ausentes, esas elucubraciones, esos frustrados intentos de lograr el llamado Sueño Americano? Hurgué en el fondo de varios cubos de basura, con ese asco vergonzante de quienes no tenemos agallas para hacerle mal al prójimo o pedir una limosna. Escarbé insistente en el fondo metálico, buscando una respuesta a mi hambre, a mis inquietudes, a mis preguntas, a mis antiguos miedos, a mis actuales dolores. Sólo hallé entre las uñas de mis dedos, sobrados de desperdicios, huesos podridos de pollo, trozos tiesos de pizza: Quick Cooking, “Cocina instantánea”. Entre esos desperdicios rescaté la carátula brillante de la revista HOPE que con la despiadada imagen en portada de una hermosa modelo, una bella rubia norteamericana, parecía decirme con sus labios diabólicos y su intensa mirada: <<No regreses a tu patria, Baby. No pierdas el tiempo. ¡Ven a mí! ¡Yo soy tu futuro! ¡Your American Dream!>> Bordeando el filo de aquellas calles foráneas, entre la Lincoln Avenue y la Washington Street, la sombra de mi sombra, no sé cómo, pudo escaparse de mí para huir y regresar a su patria; pero en el intento resbaló tropezando con los barrotes metálicos de una alcantarilla. Fue rodando desbocada calle abajo por el piso jabón de hielo hasta golpearse la intimidad de su oscura esencia y permaneció allí: inmóvil, diluida, entre un charco fétido de lágrimas. Esa noche, como todas las noches siguientes de mi periplo, no pude volver a soñar. Mi vida cambió para siempre. Cada mañana al despertar, al abrir los ojos, compruebo perplejo que soy un náufrago, desnudo de sombra; ahogado en un río caudaloso de múltiples ausencias, de pocas esperanzas.

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*** Arturo Salcedo Martínez (1959) nació en Bogotá y llegó a Washington DC en 1984. Actualmente reside en Pickens, Carolina del Sur. Es escritor, traductor, periodista y autor de libros de cuento, poesía, artículos, literatura infantil y teatro. En 1988 obtuvo el premio literario Larry Neal Award de la Comisión de Artes y Humanidades del Distrito de Columbia con el cuento “La sombra extraviada.” En 1989 fue finalista del Concurso Nacional de Literatura “Letras de Oro” convocado por la Universidad de Miami con el libro de relatos La sombra extraviada. Ese mismo año fue tercero en el Concurso Nacional Chicano en Irvine, California con el cuento “El ascensor del contratiempo.” En 1991, su libro de relatos Carta para un suicida obtuvo el segundo lugar en el Concurso Internacional de Cuento Revista del Sur (París, Francia). En 2010 su poesía fue incluida en Al pie de la Casa Blanca, antología de poetas hispanos de Washington, DC. En 2002 ganó el premio Liderazgo para el Cambio Social que otorga anualmente la Fundación Ford a los líderes comunitarios más destacados de Estados Unidos. Es fundador del colectivo cultural Latino ParaEsoLaPalabra que realiza certámenes de poesía en la biblioteca Folger Shakespeare en Washington, D.C.

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Mariana Ruiz González Renteria FRAGMENTOS DE CHAVITO I Abrí sólo un ojo. La luz atravesaba la rendija de la puerta. Las puertas aquí son verdes, de ese tono que parece pasto con una veladura de sapo. La luz pintaba la carpeta, ahora así le dice ella a la alfombra. Los matices recorrían escalas doradas y grises que lastimaban mi retina pero abrí el otro ojo. Bostecé estirando mi cuerpo en espiral, y me quedó claro que las carpetas aquí huelen a tristeza. II Sentía los pasos del vecino, cada desplazamiento hundía un pedazo distinto del piso, parecía como si las maderas fueran muy largas y nuestro piso fuera parte de su piso. Y nuestro piso, a su vez, era parte del techo del otro vecino. Al prender el AC olíamos el curry de los de abajo, las enchiladas del otro y a veces el dejo de humo de un cigarro o de mota. Vivíamos entre los olores de los otros, compartíamos nuestras esencias por los ductos del aire. Todos los departamentos eran parte uno del otro. Entidades orgánicas de un sistema más grande, el famoso complex: un monstruo, mostro, the monster, the IT. Él le decía a ella que los complex parecen multis. Complex no tiene plural en Phoenix. Pero en el D.F. los multis son en singular el multifamiliar y en plural sólo multis a secas. Los multis fueron diseñados en 1949 porque había mucha gente, ahora dicen que aquí pasa lo mismo, pero en Phoenix mucha gente significa 400 apartments. Las construcciones son a lo largo porque él dice que hay muchos espacios vacíos. El paisaje es una línea recta que te hace sentir que todo está muy cerca, aunque sólo son espejismos del desierto. La mancha urbana es una nota larga de ocres y violetas, larga porque los edificios deben armonizar con el paisaje natural, una nota intermitente de aburrimiento y pesar; pesado como el sol de Arizona. Los multis se construyeron con letras del abecedario hacia arriba y a lo largo, pero todos viendo hacia el oriente. Él nunca entendió para qué lo hacían si en el D.F. el paisaje sólo son otros 98 ⎹ HOSTOS REVIEW


edificios que bloquean la vista. Aunque allá, el sol nunca se ve porque la nata de contaminación colorea de gris el cielo; bueno eso dice él. Y como él es pintor la luz era importante, o eso pensaba al menos, y luego cogía un poco de bermellón para tintar un rostro porque él nunca pintaba paisajes con sol. En realidad, se concentraba siempre en el paisaje urbano; aún no entiendo si por nostalgia. Aquí, abría la puerta y la sala se bañaba en dorado, no le servía para pintar pero sí para respirar. En el D.F. no tenía puerta para abrir, nada más una ventana rectangular, tan pequeña como la mirilla de una celda de aislamiento. Desde ahí, él podía ver la copa de un árbol y los resquicios de sus ramas empujando las paredes. En Arizona se huye de los resquicios. Acá la gente vive encerrada entre paredes, entre las puertas de los coches; el resquicio contamina el AC. A él, en las mañanas, le gustaba tomar café y fumar un cigarro en el balcón mientras escuchaba a unos pájaros que nunca había escuchado. ¡Una ciudad con pájaros! III Como todos los días el vecino caminaba como un león enjaulado. De izquierda a derecha, mientras desfiguraba nuestra carpeta con ondulaciones irregulares. Los pasos salieron de su departamento para parar frente a nuestra puerta. Del otro lado, él se quejó amargamente, el desfile de vecinos para verlo pintar había sido constante en los últimos días. Las visitas empezaron en un lunes cuando el “gringo rosa”, como ella le decía, había llegado con manchas de guacamole en la camiseta, la misma camiseta que usaba desde hace varios días. Tenía rastros de otras comidas en el rostro y entró a la casa con los pies descalzos. Yo no podía dejar de ver esos pies rosados y rollizos restregarse sobre mi carpeta. Ella también miró los pies, y pasaba sus ojos de los pies al rostro del gringo, y del rostro a las uñas de los pies. Los dedos se movían de arriba hacia abajo, de forma irregular. Con el peso de su cuerpo los pies se manchaban de blanco y asemejaban los colores del vitíligo: patches of the skin losing their pigment, según leí en Wikipedia… Ella tal vez pensaba en cómo las escamas de sus pies viejos caerían sobre la carpeta, aquel lugar que olía a tristeza donde me gustaba dormir. Mathew sólo quería verlo a él, desde que se lo presentaron a las pocas semanas de que ellos se mudaron al complex, no había dejado de visitarlo para hablar de pintura. Supuestamente, Mathew había estudiado Historia del arte. A él no le gustaba que fuera el gringo rosa porque le quitaba tiempo y usaba REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 99


a ella como sirvienta. “Coffee!”, ordenaban sus labios apretados. Ella era muy amable y lo hacía pero él se encabronaba, y lo sabía porque apretaba los labios y se le arqueaba la ceja izquierda, en una curvatura antinatural que, a él y a su mamá, se les hacía de forma natural cuando reían o se emputaban. Casi una marca registrada de los Diego porque su madre se apellidaba Diego por su madre, Rangel Diego. Y Diego era Diego por su madre pero en el nombre de pila. En cambio, ella tenía tres apellidos y eso siempre le había provocado problemas en México porque ella escribía Ruiz-González. Cuando tenía 18 años y debía sacar el IFE, esa credencial que se usa para votar pero que ahora se llama INE y, que ahora ellos no la tienen porque viven en Gringolandia y la política nacional ahora se ha vuelto la política de allá y que acá sólo importa cuando vamos a allá. A los 18 años ella se dio cuenta que Ruiz-González con guión había sido un invento de su padre y que su nombre verdadero era Ruiz González Renteria. Renteria por su madre, pero como no la conocía a los 18 años no le importaba este nombre. Ahora su padre se cambió el nombre, o regresó al original porque en su acta de nacimiento, una escrita aún a mano en 1937, su padre se llamaba Carlos Ruiz y González. Él cambió todos sus documentos y ante la ley Carlos Ruiz y González nunca se casó, nunca estudió y nunca tuvo hijos. Ahora ella es huérfana de padre justo como fue huérfana de madre hasta los 24 años. IV El vecino rosa, el white trash, nos gustaba llamarlo a veces, siempre nos buscaba para hablar de su vida de glamour, una vida ya marchita porque en ese complex todas las carpetas huelen a tristeza, y la suya olía a tristeza pero también a uñas, enfermedad y soledad. V En cada comida los observo. A ellos les gusta comer en la cama, al principio lo hacían porque no tenían mucho espacio: vivían en un estudio entre caballetes y libros; pero ya no y, aún así siguen comiendo en la cama. Yo creo que lo hacen a lo gringo, pero sin la tele. Dejaron de vivir en el monstruoso complex hace un año. No extrañan los olores mixturados de los vecinos. No extrañan los pasos del otro ni la carpeta o el rastro de tristeza que se respira en los complex. Siempre que me asomo a la ventana, veo una puerta 100⎹ HOSTOS REVIEW


seguida de otra, una interminable pared de mundos, de inmigrantes, de viejos abandonados, de pobres, junkies y jubilados, de estudiantes. Cada pared pintada como escuela de gobierno en ocre, en grises, amarillos. Cada pared tan hueca y artificial como la cultura de acá. Yo desde la ventana sólo relamo mis bigotes y escucho lo que ella y él tienen que decir. Hablan mucho de lo que ven afuera pero yo casi no los veo salir. Los veo observar desde la ventana como yo. Adentro es menos artificial, aunque ya usan el AC y ordenan a domicilio. Todo el día me llaman —¡Chavito! ¡Chavito!— y sólo a veces voy, prefiero quedarme en la ventana, donde se cuela un resquicio de aire caliente, pero aire de verdad.

*** Mariana Ruiz González Renteria (1983) nació en México, D.F. y llegó a Phoenix, Arizona, en 2014. Ahora reside en Tempe donde es estudiante doctoral en Español con una especialización en Estudios Culturales Latinoamericanos y Artes Visuales y un certificado en Humanidades Digitales en Arizona State University. Mariana Ruiz González Renteria estudió una licenciatura en Comunicaciones en la Universidad La Salle, Cuernavaca, y una licenciatura en Literatura Iberoamericana en El Claustro de Sor Juana University, Ciudad de México. Asimismo estudió cursos de ensayo creativo con Valeria Liuselli (2012), autobiografía con Rossa Nissan (2010) y poesía y narrativa con Javier Sicilia (2005). Sus cuentos han aparecido en las revistas digitales La Peste y Vozed y en la antología Cuentos de Moneda y Plata: Cuentos de odio y traición (Supuesta Editorial, 2013). Página de la autora en Facebook: mariana. ruizgonzalez.12.

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Hernán Vera Álvarez EL BARCO “Je n’ai pas fait un geste de menace”, répond-elle, “mais un geste de surprise. Car je le voyais loin d’Ispahan ce matin et je dois le prendre à Ispahan ce soir”. Jean Cocteau

Aquella noche Andy comentó: –Arreglaron el velero, viajamos. Se tendió en la cama e hicimos el amor. No me importaba el viaje a Puerto Rico, de alguna manera lo necesitaba; la vida en Estados Unidos se había vuelto trabajo, pagar deudas, rutina. Me molestaba la compañía. –No te preocupes– dijo tomándome la mano–. Los chicos no son tan malos como parece. Cuando se refería a “los chicos” quería decir Frank, Augusto y el holandés Basten, sus amigos. Los encontraba por el downtown o en las madrugadas de South Beach, muchas veces borrachos, en la puerta de algún dealer caritativo que pudiera darles un buen precio – aunque caritativo sea el antónimo de dealer. O simplemente en la playa, algún sábado. En el fondo, parecían graciosos y un tanto infantiles, pero sólo por la noche: de día eran insoportables. Quizá el holandés Basten lo fuera menos. Metódico en el trabajo –algo que lo llevaba a tener siempre dinero para gastar y, como es lógico, a estar en compañía –, disponible para ayudar a las personas y reservado. Augusto, en cambio, publicitaba cuánto hacía por la vida. Le gustaba con una fascinación pornográfica contar sus conquistas con los turistas europeos. *** Al mediodía desayuné con Andy fuera de casa. –Entonces se van por una semana –comenté, aunque supiese el tiempo exacto. Estaba celoso, y desconfiaba. 102⎹ HOSTOS REVIEW


–Seis noches. Después volvemos porque Augusto tiene que dar un show. –Seguro que es en la casa de una millonaria, a él le pone de mal humor la pobreza. Esas palabras por el estilo irritaban a Andy. Yo lo hacía porque era la única defensa que podía utilizar mientras estuviera en ese círculo. En verdad, sentía cierta envidia por Augusto. Se ganaba la vida con algo relacionado al arte; en cambio yo tenía que trabajar en el front desk de un motel de la Pequeña Habana. *** Finalmente, Andy se marchó con sus amigos. Lo hizo a la mañana muy temprano, y no tuvimos una buena despedida. Durante la noche caminé por Lincoln Road como un vagabundo triste, sin saber adónde iba, contemplando la luna hundida en el vientre del cielo. No quería volver a casa. Las vidrieras de los negocios de moda estaban a media luz; las sillas de los bares en las calles vacías. Dos prostitutas negras fumaban en la parada del bus. Me gustó la del cabello rubio, bien corto. El vestido rosa pegado al cuerpo le marcaba una silueta estirada, que hacía aún más resaltar su piel oscura. Dije algo, pero ni siquiera me miró. Pasé por Pizza Rústica donde trabajaba Fabián. Era un músico rosarino que se vino tres años antes de la crisis económica del 2002, que había desembocado en un éxodo desesperado. Los nuevos inmigrantes pedían trabajo, llenaban aplicaciones, averiguaban si no conocía a otro “compatriota” que quisiera alquilar un departamento para compartir los gastos y así mandar los dólares tan codiciados a la familia en Argentina. Muchas veces vivían seis en una pieza. Cuando podía, a espaldas del manager, Fabián les regalaba pizza o algún vaso de cerveza, como para que recobraran fuerza y así caminar otra vez bajo el pesado sol de Miami. A mí estar con Fabián me servía de excusa para hablar sobre el país y enterarme de alguna noticia que se hubiera escapado en la rutina de los días. Nuestras vidas estaban llenas de eso, precisamente, de reglas, de ese orden que muchos ansiaban en Argentina y que aquí terminaba por asfixiar. Di un par de vueltas en las que sólo encontré policías y la mirada solitaria de los taxi boys en Flamingo Park.

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*** A los dos días recibí un llamado de Mabel, la mejor amiga de Andy. Empezó diciéndome que no había ocurrido nada grave, lo que no hizo más que intranquilizarme. Los cuatro estaban bien, repitió. Durante la travesía el velero se había metido en una boca de tormenta. Los rescató el Coast Guard. Cuando me encontré con Andy me dijo entre lágrimas que se habían salvado por muy poco del naufragio. Temblaba, no quería desprenderse de mí. Esa noche hicimos el amor de una manera tierna, con tiempo, sin egoísmo, preocupándonos el uno del otro. En los días siguientes y en especial durante aquella fiesta el sábado logré saber más del incidente. Los protagonistas lo contaban con grandes palabras, entusiasmados en los momentos en que se enfrentaban al peligro, otras bajando adecuadamente el tono, para hacer todavía más efectiva la historia. En un momento, sin embargo, el relato se volvía diferente, escapaba a las convenciones de un malogrado naufragio. Era algo despojado de cualquier artificio. Augusto tenía la licencia de conducir y su ID del Estado de la Florida, dos documentos importantísimos para manejar y hacer alguna transacción monetaria. Sin embargo era ilegal. Hacía tiempo que su visa había expirado. Luego de que el Coast Guard los rescatara, se hicieron una serie de notificaciones reglamentarias. Así verificaron su estatus migratorio. De inmediato lo separaron del grupo; al cabo de horas y ante el terror de Augusto le informaron lo que jamás creyó escuchar: que había entrado cuatro años atrás por el Aeropuerto Internacional John F. Kennedy, que tenía una cuenta bancaria en el City Bank y que desde hacía dos años vivía en el 15 del South West y la 22nd Street. Pero no lo deportaron a Perú. Le dieron dos semanas para arreglar sus cosas en Estados Unidos; luego tendría que irse, caso contrario, vendrían a buscarlo. Era una situación terminada. Los datos que le habían dicho en la cara, con el tono firme del que sabe que tiene el poder, lo dejaba sin opción. *** Hacía un momento que Frank había vuelto a contar la historia. Augusto volvería a Lima y sus amigos de South Beach lo despedían con una fiesta. La música de Daft Punk salía por el estéreo del living comedor en aquel departamento en la playa. Era una noche agradable, con brisa, aunque desde el balcón se viera el mar agitado; 104⎹ HOSTOS REVIEW


las olas llegaban como picos blancos de espuma a la costa. Algunas parejas salían de entre los árboles mientras otras se metían. En el departamento quedaba algún que otro borracho y un grupito que se mantenía eufórico por el alcohol y las drogas. Una chica que había conocido tiempo atrás, creo en otra fiesta, pedía dinero para comprar pastillas. Todavía sonreía y miraba con una extraña dulzura, aunque esa felicidad se iba a desdibujar muy rápido si no conseguía las pastillas. Yo prefería otra cosa y por eso pregunté por el holandés Basten: tenía un buen dealer venido hacía poco de California. Lo busqué en las habitaciones y en el baño sin éxito, sólo vi en un momento a Augusto jugando con una chica. Aquello hizo que extrañe a Andy que esa noche debía suplantar a un compañero en la barra de Nikki Beach. Quise llamar por teléfono para solo escuchar su voz. En ocasiones como ésta, cuando estaba cansado y con ganas de tomar más cocaína, necesitaba hacer ese tipo de cosas. El amanecer quería descender por la ciudad y un grupo de nubes flotaba sobre el edificio. Por detrás se acercó un tipo; susurró algo que no alcancé a escuchar. Cuando me di vuelta lo encontré a Frank y otros dos haciendo heroína. Conversaban discretamente; uno se daba masajes en la sien con los ojos cerrados, en la paz más absoluta. La chica de las pastillas se besaba con el novio de Frank en un rincón. Pensé en sumarme después de ir al baño. Cuando pasé por el cuarto lo encontré a Augusto. Estaba tirado en el suelo. A su lado una muchacha veía televisión. Augusto se tocaba el estómago, en posición fetal. Tenía el rostro transparente como una lágrima. Fui a la cocina y busqué un vaso de agua. Apenas alcanzó a tomar un sorbo. Me pidió que llamara al 911. En ese momento se acercó alguien que dijo ser el dueño de casa. Lo vio a Augusto y enseguida se puso nervioso. –¡Qué vas a hacer! –Pedir una ambulancia –contesté mientras agarraba el teléfono. –¡Estás loco! Acá no quiero tener problemas – dijo sacándome el tubo de las manos. –It’s ok…–balbuceó la muchacha y salió del cuarto. Empezamos a discutir; de pronto se acercó Frank. Lancé una mirada de odio. Con tono de niño dijo: –Esperemos. Augusto es fuerte…. No fue una gran dosis.

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Augusto tenía la respiración entrecortada. Sus labios hinchados comenzaban a ensuciarse de saliva amarilla. Les rogué que me ayudaran a sacarlo del cuarto. –Yo tengo record en la policía... Esperemos…– se excusaba Frank. Con el corazón débil, con la mueca de la agonía y el cuerpo enloquecido de dolor, Augusto se moría lejos, tan lejos de Lima, y de todo.

*** Hernán Vera Álvarez (1977), a veces simplemente Vera, nació en Buenos Aires. En 2000 llegó a Miami donde reside actualmente. Es escritor, dibujante y editor. Realizó estudios de literatura latinoamericana y española en Florida International University y en la actualidad enseña Escritura Creativa en el Koubek Center del Miami Dade College. Ha publicado los libros de relatos Grand Nocturno y Una extraña felicidad (llamada América), la novela La librería del mal salvaje (Florida Book Award 2018) y el libro de comics ¡La gente no puede vivir sin problemas!. Es editor de las antologías Miami (Un)plugged y Viaje One Way. Varios de sus relatos fueron incluidos en 20/40 Autores latinos menores de 40 radicados en EE.UU., Los topos mecánicos, Estados Hispanos de América: Narrativa latinoamericana made in USA, entre otras antologías. Sus trabajos también han aparecido en revistas y diarios de Estados Unidos y América Latina, como El Nuevo Herald, Meansheets, Loft Magazine, El Sentinel, TintaFrescaUS, La Nación y Clarín. Ha entrevistado a Adolfo Bioy Casares, Carlos Santana, Ingrid Betancourt, Gyula Kosice, Sergio Ramírez, Maná, Gustavo Santaolalla, Gustavo Cerati, entre otros artistas. Vivió ocho años como indocumentado en los Estados Unidos, donde trabajó en un astillero, en la cocina de un cabaret, en algunas discotecas y en la construcción. Twitter del autor: @HVeraAlvarez.

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María Mínguez Arias #SFciudadelíptica# Por mis venas fluyen tres cuartos de siglo de urbe sanfranciscana, la ciudad en la que no he vivido nunca pero que he habitado siempre; el centro neurálgico al que se mudan un gallego, un mexicano y una vasco-americana de Arizona en 1942 para reinventarse a orillas del Pacífico. No, lo que cuento aquí no es un chiste, aunque su historia estuviera colmada de risas. ## Evodio se despierta sobresaltado pasada la medianoche. Le jura a su esposa que golpearon la puerta de su casita de Tucson, Arizona. ¡Estas no son horas! ¿Habrá pasado algo? Abre, por el amor de dios, abre la puerta. Margarita no ha oído nada pero se levanta porque su viejo está convencidísimo de que llamaron a la puerta. Camina hacia la entrada entumecida e incrédula, a su esposo le atracaron y le golpearon la cabeza unas horas antes y sabe que todo esto no son más que alucinaciones suyas. Pero no hay otra, el viejo se ha encabezonado. Tal y como sospechaba, al otro lado de la puerta no hay nadie. El telegrama les llega al día siguiente con la noticia de que María, una de las hermanas pequeñas de Margarita, falleció en su casa de Standard, California, a la misma hora en que llamaban a la puerta de Tucson, por complicaciones del parto tras haber dado a luz a una hermosa niña: Claudine. El corazón del padre de la niña, Orentino, entra en estado de hibernación porque no puede con el frío que le trae la muerte de su esposa. La tía Margarita y el tito Evodio atienden la llamada de la hermana pequeña y se hacen cargo. Orentino, cuando encuentres las fuerzas que necesitas para cuidar de la niña, nos avisas y te la traemos. Claudine viaja a Tucson sin saberlo, aunque su cuerpecito de dos meses de vida guarda en su memoria el acunamiento del pecho de su tía, que como líquido amniótico, la envuelve con el balanceo del tren. A esa primera llamada metafórica a medianoche le siguen 96 llamadas de teléfono entre California y Tucson. A la llamada semanal del padre acude la hija vestida de domingo, con zapatitos blancos y con el pelo recogido con dos impecables coletas. Es posible que a Claudine le costara reconocer la cara de su padre si se lo cruzara por la calle, pero reconoce sin ningún problema su carcajada contagiosa REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 107


y las zetas que golpean el aire como si fuera un tambor cuando le habla. Claudina, chatita, tu padre te quiere. La llamada número 97 llega dos años después, y como la primera que hizo María cuando llamó a la puerta de su hermana mayor, viene acompañada de una petición: Cuñada, ya duermo, he vuelto a comer y a sonreír. Encontré a una señora que cuidará de la chata en mi casa cuando yo esté en el aserradero. ¿Cuándo puedo ir a por ella? Por no abandonar a la niña, los tres lo abandonan todo. La familia de Claudine: su padre Orentino, su madre Margarita, su tito Evodio y su hermano mayor Pancho, hijo de estos dos últimos, converge en el barrio de North Beach de San Francisco. Con esta mudanza se reinventan todos. En apenas tres años se trasladarán definitivamente al Mission District donde operarán una tienda de comestibles, primero en régimen de alquiler en la intersección de la calle 25 con Treat, luego en propiedad en la intersección de la calle 25 con Bryant. Un negocio familiar que no cierra ningún día del año y en el que muchas madres del barrio compran a crédito. La generosidad de la tiendita será la que les permita competir con los Safeways que durante los años sesenta amenazan con engullirse el barrio. El recorrido de San Francisco por mis venas es como el de las aguas del legendario río Guadiana en la península ibérica: aparece y desaparece a lo largo de sus más de 700 kilómetros dejando que el imaginario español rellene lo que no puede ver con explicaciones variopintas, muchas ciertas, otras inventadas. De la misma forma imagino yo cómo transcurre la vida por las calles del Mission District de la joven que se convertirá en mi madre. ## Claudina viaja a Madrid con 26 años, la curiosidad por visitar la tierra de su padre le hace abandonarlo todo temporalmente y mudarse a la España franquista de finales de los años 1960: la militar, la del crucifijo, la censura y la pandereta. El San Francisco y el Madrid de esa década son dos ciudades convulsas que lidiarán de manera muy diferente con los levantamientos juveniles de la primavera del 68. San Francisco será tolerante, en Madrid las autoridades militares responderán con la más dura de las represiones. ¿Qué le lleva a una joven que trabaja para la Equal Employment Opportunity Commission de San Francisco y transcribe las primeras reuniones de la que se convertirá en la United Farm Workers de César Chávez a quedarse en la España franquista? El amor de un manchego. La primera hija de ambos nace en Madrid en 1970 después de un parto muy complicado. 108⎹ HOSTOS REVIEW


La niña se llamará María Margarita (María por la abuela que dio vida a su madre, Margarita por la que la crió). Entre sus nombres habrá también un de la Paz, pero esa es otra historia. El recorrido de España por mis venas desaparece como haría el Guadiana, abruptamente, cuando con 25 años y obligada por la crisis económica que atraviesa mi país, viajo a Estados Unidos a conocer la tierra de mi madre. Llego a este país con la intención de regresar a España. ¿Qué le lleva a esta joven periodista y escritora a abandonar su país y el idioma con el que escribe y trabaja? El amor de una californiana. Me asiento en la Bahía. Visito San Francisco a menudo, presiento que en ella hay una ciudad inacabada. ## En el 2003 nace nuestra hija, dos años más tarde, nuestro hijo, ambos después de partos bastante complicados. Visitamos España todos los veranos porque quiero que la España que recorra las venas de mis hijos sea lo más completa posible. Sin embargo, cuando viajamos lo hacemos con pasaporte norteamericano. El pasaporte español ellos no lo tienen todavía porque me cuesta claudicar ante la posibilidad, algunos dirían que inevitabilidad, de que uno de ellos acabe viajando a España temporalmente para conocer más a fondo el país de su madre, la española, y acabe quedándose. Entiendo que visto desde fuera pudiera parecer que para mi familia los partos complicados son inevitables y la emigración algo compulsivo. Para nada. En la familia ha habido bastantes más partos sin complicaciones médicas que con ellas, y en cuanto a la emigración, precisamente por el tipo de planificación y riesgo que conlleva, no tiene nada de compulsivo para nadie. Como cualquiera que se haya atrevido con ella sabe, la emigración es una de las apuestas más grandes que se le puede lanzar a la vida (además de la de criar hijos); y por ella la emigrante paga uno de los precios más caros. Es por ella que nos pasamos la vida llenando huecos existenciales con explicaciones variopintas, muchas ciertas, otras inventadas. Es por ella que nuestras ciudades se quedan siempre a medias y en nuestras historias abundan las elipsis. ## Le contamos nuestra historia a la siguiente generación en la lengua que mejor le viste a la palabra que queremos comunicar en ese momento. Yo he escuchado siempre las historias de la infancia y la juventud de mi madre en las calles de San Francisco en español, REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 109


aunque ocurrieran mayormente en español durante su infancia para pasar al inglés durante sus años de juventud. En sus anécdotas también asoman el mexicanglish o el gallegoglish, dependiendo de si el protagonista de la anécdota es el tito Evodio o mi abuelo Orentino. Mi abuela Margarita, la vasco-americana descendiente de los Baca y Gabaldón de Nuevo México, a la única que llegué a conocer, hablaba puro mexicano y nada de vascuence. Con este galimatías lingüístico creció mi madre intentando completar sus ciudades elípticas de Williams y Tucson (Arizona), Culiacán (México), Socorro (Nuevo México), San Miguel Do Campo (Galicia, España) y Orbaiceta (Navarra, España). Mis hijos escuchan las historias de mi infancia y juventud en España casi siempre en inglés, aunque ocurrieran mayormente en español salpicadas de las palabras malsonantes en inglés de mi madre, el mexicanglish de mi abuela Margarita, y el castellano exaltado que acabé heredando de mi padre, el manchego. Con este galimatías lingüístico crecí yo e intento ahora completar mi ciudad elíptica de San Francisco. También intento completar otras, pero esa es otra historia. Hablamos en lenguas incompletas de nuestras ciudades inacabadas a las que regresamos de la mano del humo de un cigarrillo, el aliño de una ensalada, o la estrofa de una canción porque la relación entre nuestros espacios urbanos y nuestra memoria es sensorial. A veces, la relación entre esos espacios y nuestra memoria pasa de sensorial a sentimental, entonces, insistimos en llenar las amnesias de nuestras ciudades inacabadas imaginando cómo fueron las historias que conforman el río que llevamos dentro porque no nos gusta cuando desaparece bajo la tierra y nos deja abandonados y estupefactos. ## Me incomoda la vulnerabilidad de las elipsis, la incertidumbre de mis ciudades inacabadas. Lleno los vacíos de mis ciudades elípticas tejiendo lazos de significado para convencerme de que todas esas idas y venidas generacionales entre ambas orillas del Océano Atlántico merecieron la pena. Imagino que le susurro a la madre de aquel jovenzuelo gallego que se cayó de la orilla do mundo con 20 años en 1919 y al que no volvió a ver, que la marcha de su hijo mereció la pena. Imagino que acaricio el mentón arrugado de ese jovenzuelo ya mayor y le digo que su hija partiendo rumbo a España en 1965 para quedarse 110⎹ HOSTOS REVIEW


definitivamente allí, también mereció la pena. Estos días, cuando hablo por teléfono con la chatita ya envejecida, intento a través de mis palabras y anécdotas en castellanglish que entienda que su hija española partiendo hacia California en 1996 para quedarse allí definitivamente también ha merecido la pena. Es mi forma de convencerme a mí misma de que mi abuelo, mi madre y yo no nos caímos de la orilla del mundo para desaparecer, sino que como el Guadiana, escogimos cauces subterráneos menos visibles pero no por ello menos presentes. ## El destino me trae de nuevo a San Francisco en el 2019 cuando empiezo a trabajar para una editorial en el Mission District. Para llegar al trabajo cada mañana paso por el callejón que lleva a la calle de mi madre. El callejón se llama Lucky, que es como me siento yo cuando camino los veinte minutos que me llevan de la estación de tren a la oficina. Pisando las aceras que mi madre ya no podrá transitar porque su salud le impide viajar, imagino que voy llenando de significado las elipsis de nuestra ciudad inacabada. Al poco tiempo de haber empezado a trabajar en la editorial, veo en el escaparate de una tienda de la calle 24 unos aretes de plata hechos por una artesana en México. Se me ocurre que harían un magnífico regalo de cumpleaños para nuestra hija. Decido comprarlos. Mientras la señora envuelve el paquete en papel de regalo hablamos de su tienda, de mis visitas anteriores al Mission District, de mi nuevo trabajo. Le cuento que mi madre creció una calle más arriba. Cuando termina de ajustar el nudo del lazo, me entrega el paquete y, con una sonrisa que bien vale el salto de un océano, me da la Bienvenida al barrio. ##

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*** María Mínguez Arias (1970) nació en Madrid y vino a los Estados Unidos en 1996. María Mínguez Arias es escritora, traductora y periodista. Su novela Patricia sigue aquí (Editorial Egales, 2018) es la ganadora de un 2018 International Latino Book Award. María parte de su identidad como inmigrante, mujer queer, madre y escritora en español en los Estados Unidos para explorar temas como la memoria digital, la maternidad, la familia, el lenguaje, o la cotidianidad y la fortaleza de la vida cursada desde los márgenes. Con su trabajo, esta escritora pretende ensanchar el hueco que hasta ahora ha ocupado la literatura para que así quepan más historias, más personajes, más escritoras. María trabaja como directora de operaciones en la editorial Aunt Lute Books, y vive en la Bahía de San Francisco con su mujer e hijos. Página web de la autora: www. mariaminguezarias.com. Facebook: Maria Minguez Arias. Twitter: @ MariaMinguezAr1.

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Gizella Meneses LA ÚLTIMA PARADA Subo las gradas, entro por la puerta que gira, mi nariz contra el vidrio engrasado pasamano engrasado, ventanal engrasado, brinco el torniquete racata racata racata ra, frenazo. Una parada, dos, diez. Salto al espacio, se me viene encima tacata tacata tacata ta. Bajo las gradas, la calle me aguarda, rostros anímicos, escarcha, sol tísico arrastrando cargando soportando, bajo el abominable peso del hado. El dragón plumado pavoneándose bam pam tsic tsic bam pam tsic tsic ilimitado, pelado, peleado desapacible, irreprochable Debajo de la cascada, riéndose, salpicando, labios acaramelados cristalizados estrepitosos, inagotables paletaaaaaaas, paletitaaaaaaaas, pa’ mi, pa’ ti, Me abalanzo, floto, me siento, Trastornada, transportada, liberada.

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*** Gizella Meneses es de Quito y ahora reside en Higland Park, cerca de Chicago. Es autora de varios cuentos cortos, poemas y ensayos. Sus obras han formado parte de varias antologías como Del sur al norte: Antología de autores andinos en Estados Unidos, ganadora de Primer lugar (ficciónautores múltiples) en los 2018 International Latino Book Awards y Nos pasamos de la raya. Como académica, tiene varios artículos, un libro y dos documentales. Su libro, Argentine Cinema: From Noir to Neo-Noir salió en diciembre de 2017 y su último artículo formó parte de la antología, Violence and Victimhood in Hispanic Crime Fiction, 2018. Es profesora en Lake Forest College.

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Douglas Gómez Barrueta UN CAPPUCCINO EN EL SILICON VALLEY Observar e imitar. Esta era la clave para aprender el idioma, para pedir comida y bebida, para sobrevivir. Las primeras cuatro tazas de café que tomé en Estados Unidos las ordenó Ana María. La primera fue en el aeropuerto de Atlanta en medio de una apresurada conexión para tomar vuelo hacia San Francisco. La segunda en un desayuno del hotel de Redwood City donde dormí mi primera noche en el país. La tercera y la cuarta en el Peet’s Coffee ubicado en El Camino Real de Menlo Park, la ciudad donde se fundó Facebook. Llegué a Estados Unidos por primera vez el 14 de agosto de 2013, a los 39 años y 142 días de edad. No hablaba inglés ni lo leía. Cursé el idioma en secundaria y lo aprobé sin aprenderlo. Nunca repetí una canción como muchos de mis compañeros de generación. No me gustaba el rock. Escuchaba jazz, pero solo los solos. Nada de cantantes ni de coristas. Cinco meses antes del viaje tomé clases particulares y memoricé los días de la semana, los números y el verbo ‘to be’. Sentía que ya podía nadar sin ahogarme. (La metáfora es buena, pero engañosa porque nadé por primera vez pasados los 30 años de edad). Ana María había aprendido el idioma en Boston (que ella pronunciaba ‘Boost’n’) y ahora había obtenido un fellowship de la Universidad de Stanford en el que estaría –junto a su esposo e hija– durante once meses. En total eran 44 fines de semana. Así que en mi cuarto día en territorio estadounidense me aventuré –con ella a mi lado– a pedir mi propio café. ––Hi, welcome to Peet’s. What can I get for you today? ––Hello. I’d like a cappuccino, please. ––What kind of milk? ––Two percent. ––What size would you like? ––Medium. ––For here or to go? REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 115


––For here. ––Your name, please? ––Douglas. Pagaba en efectivo, esperaba el vuelto y me iba a un costado hasta escuchar mi nombre, pero pronunciado en inglés. Ya no era ‘Duglas’ sino ‘Daglas’ o un sonido similar al que no estaba acostumbrado sino en las bromas de algunos amigos de Caracas que recordaban que un locutor de una radio en la que trabajé decía. “Jake on control. Daglas News & Production.” ‘Jake on’ era Germán Chacón en el control. ‘Daglas’ era ‘Duglas’ en las noticias y la producción. Pude pedir mi taza de café. Pude pronunciar mi nombre en inglés (y que lo entendieran). Pude insistir en volver a pedir café. Lo hice una segunda vez y resultó. Me sentí seguro en la tercera oportunidad. Insistí por una semana y todo sin problemas. Incluso en una de las compras pedí un biscotti para acompañarlo. Ese día leía La alegría de leer de J.G. Cobo Borda. Recuerdo que tomé una foto del libro y la taza de café en el atardecer de California. Al día siguiente sucedió lo inesperado. ––Hi, welcome to Peet’s. What can I get for you today? ––Hello. I’d like a cappuccino, please. ––Would you like whipped cream? ––Two percent ––Excuse me? ––Medium. ––What? ––Douglas. Algo no salió como en las ocasiones anteriores. Del enredo me salvó Jessica, una chica que me había tomado la orden en algunas oportunidades y que me preguntó en español. -–¿Vas a querer crema en el cappuccino?

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Mi confusión fue mayor. La pelirroja de piel blanca, ojos cansados y risa amable que me había atendido en Peet’s hablaba español. Me sorprendía que me sorprendiera. Arrastraba un prejuicio sin saberlo. Me parecía extraordinario que hablara español. Todo eso pensé en los segundos que siguieron. ––Quiero un cappuccino medium con leche two percent, como el que siempre he pedido hasta ahora. No crema please. Jessica se acercó a la caja y asistió a su compañero, le explicó mi orden –en inglés, claro está– y me cobró. “¿Pero tú hablas español?”, le dije. ––Hablo un poquito. Mi papá es mexicano. ––¿Y has ido a México? –– Nunca, yo nací aquí, y él venir hace mucho tiempo. Supe que Jessica tenía una hija pequeña, que uno de sus compañeros de trabajo también hablaba español, que otro estudiaba en La Cañada College, que otro casi pierde la vida en un accidente de tránsito, que trabajaban muchas horas, que fumaban y tomaban café, que ninguno vivía en Menlo Park o Palo Alto, sitios en los que los alquileres de una habitación podían sobrepasar los dos mil dólares mensuales, sino en Redwood City, San Mateo o South San Francisco. El Peet’s de El Camino Real (que en inglés pronunciaban ‘El caminou’) se convirtió en mi café habitual durante los once meses en el Silicon Valley, el corazón de las startups y empresas de tecnología del planeta. Especie de Meca de los desarrolladores, ingenieros y obsesivos de la informática. Sede de Apple, Facebook, Google, Hewlett Packard, Instagram, Netflix, Pinterest, Skype, Twitter, Yahoo, Youtube y muchas otras compañías que desconocemos, pero que en cualquier instante invadirán nuestra cotidianidad. Las mesas de ese Peet’s eran ocupadas por jóvenes que vestían jeans y cargaban computadoras Mac, adultos de mediana edad sin corbata que también usaban Mac, viejos que llegaban en bicicleta y leían ediciones impresas del San Francisco Chronicle, el San Jose Mercury News y el Palo Alto Weekly. Mis compañeros de café iban al baño y dejaban las computadoras en sus mesas, en algunas oportunidades uno que otro me decía que por favor observara las Mac por unos instantes: “Sure”, REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 117


decía. Inmediatamente traducía en mi mente. “Seguro”, y seguía conectando palabras: seguro social, seguridad, segundo, zamuro, zancudo, saludo. Durante toda mi vida había sobrevivido en una de las ciudades más violentas del mundo. Me parecía extraordinario que alguien pudiese colocar sus teléfonos celulares en la mesa de un café y abrir un bolso con una computadora y ponerla sobre la madera para trabajar o jugar. En el Silicon Valley no había miedo en las calles, aunque había una alta tasa de robo de bicicletas –o eso decía la gente. En ese Peet’s escuché música africana, leí libros prestados por la biblioteca de Menlo Park, tomé café y completé mis tareas de English as a Second Language. Entendí que observar e imitar no era suficiente. Que no podía creer que repetir una fórmula era comprender, que necesitaba comenzar a pensar en el nuevo idioma, a soñar, a vivir, a respirar en él. Entonces escribí un poema. Palo Alto, California Cuando escuchan el idioma español los árboles de Palo Alto recuerdan que son hijos de inmigrantes. Las secuoyas milenarias intuyen que otro día ha vuelto a comenzar. *** Douglas Gómez Barrueta (1974) es de Caracas, Venezuela. Emigró a Estados Unidos en 2013 y ha vivido en Menlo Park, California; Auburn, Alabama, y Miami, Florida. Actualmente reside en Miami. Posee estudios de Comunicación Social en la Universidad Central de Venezuela (19941999). Publicó el poemario Talla de agua (Editorial Eclepsidra, Caracas, 2013) y forma parte de la antología Jamming. 102 poetas (Oscar Todtmann Editores, Caracas, 2014). Ha publicado poemas en la revista literaria Suburbano. Twitter del autor: @dougomez. Instagram: @dougomezb. 118⎹ HOSTOS REVIEW


Lucía Orellana Damacela DESPUÉS DEL HURACÁN Sobre el barro bajo la lluvia un ojo perdido el otro colgando el osito de peluche yace lejos del abrazo de la niña que no podía dormir sin él atropellado por un bote a motor absurdo en medio de la calle principal. El parque de diversiones sumergido la montaña rusa en el agua escultura macabra evoca la beligerancia Atlántica del viento. Árboles inyecciones intravenosas al pavimento incertidumbre titila en los faroles humedad carcome las entrañas de las casas escalofríos colchas de retazos en las camas. Los seres queridos de los muertos repasan en sus mentes una y otra vez qué pudo ser diferente una y otra vez… Mientras los carruseles de acero corroído se hunden como antes se hundieron los barcos fantasmas sepultados en el fondo del océano. Inmolados monumentos a nuestro breve paso por esta tierra que se contuerce entre rugidos de viento y mar.

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*** Lucía Orellana Damacela es de Guayaquil. Ahora reside en Fairfield County, CT. Es la autora del poemario Sea of Rocks (Unsolicited Press, 2018), y de dos chapbooks de poesía Longevity River (Plan B Press, 2019) and Life Lines (2018), ganador del concurso de chapbooks The Bitchin Kitsch’s. Sus trabajos de poesía y prosa en inglés y en español han sido publicados en antologías y revistas literarias en más de una docena de países. Algunas de las publicaciones que los han incluido recientemente son: Tin House Online, Sharkpack Annual, Always Crashing, The Acentos Review, Nagari, y Frontera. Lucía obtuvo un doctorado en Psicología Social de Loyola University Chicago y en la actualidad estudia en el programa de maestría en Escritura Creativa en City College of New York. Lucía ha vivido en las Américas, Europa y Asia. Se puede encontrar más información sobre la autora y su escritura en sus blogs, notesfromlucia.wordpress.com y apuntes-de-aqui-y-alla.blogspot.com y seguirla en Twitter e Instagram, @lucyda.

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Gastón Virkel ALGO DE VERDAD Y DE PRESAGIO De nuevo mi constelación asociativa prendida fuego. El enamorado es como el paranoico, cree que todo le habla a él. PEDRO MAIRAL, La uruguaya. Resultó que mi papá tenía razón en parte, al menos en ese pedazo del mundo las ciudades podían ser más grandes o más pequeñas, más feas o más bonitas, pero eran la misma pinche cosa. JUAN PABLO VILLALOBOS, Si viviéramos en un lugar normal.

El aroma del thé de menta ayuda a ordenar mi mente. Solo así voy a poder contarte lo sucedido. Son las tres de la mañana en un Miami lluvioso. Anoche fui a comer con mis amigos a Las Dunas, el bistró de Wynwood donde pasamos tu última noche aquí en la Florida. ¿Los recordás? El mismo grupo que te presenté y del que nos reímos cuando detallé su letra pequeña. Hasta nos sentamos en la misma mesa. Fue más bien un festejo: un inesperado golpe de suerte me empujó a convencer a la dueña del departamento que rento. En un rato más, la mujer me estará esperando en la oficina de su realtor para cerrar el trato y firmar los papeles. Pero no voy a ir. Brindamos con un Cabernet Sauvignon que ordenó Jey Jey. Nunca recuerdo el nombre de los vinos. Como siempre, Marcelo, Inés y yo, apenas una copita. Me sorprendieron distraído un par de veces. A Inés le gusta preguntar “¿En qué pensabas?” Mentí. Dije que en la casa, que ahora podría, finalmente, encarar las refacciones planeadas tanto tiempo antes. No quise contarle de nuestras conversaciones interminables sobre deudas, raíces y desmesuras. Compartir con ella ciertas cuestiones equivale a publicarlas. Cuando salíamos, un homeless gritaba y peleaba con el personal del lugar. Uno de los gigantes le dio un empujón que lo REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 121


hizo trastabillar y caer en medio de la calle. Y entonces, un tipo que parecía el encargado del lugar o tal vez el dueño, se le acercó. Apoyó su mocasín punta cuadrada en una de las muñecas y, lentamente, fue descargando todo el peso de su cuerpo. El viejo no pudo más que abrir la mano dejando caer una bolsa de papel madera. El zapato lustroso la examinó y la pateó. Oímos rodar una botella que fue a dar al cordón de la vereda. Anisado del Magdalena. —Escúchame bien, Bernardo —dijo el tipo acuclillándose a distancia prudencial—: se me acabó la paciencia. Next time I call the cops, ¿así o más claro? Ahora, piérdete. Now. Se puso de pie y regresó al local. El viejo se sentó en medio del asfalto, resignado. La inclemencia de unos faros lo encegueció. Una enorme Mitsubishi Outlander debió subirse a la vereda para evitarlo. —Hablan paja. Me fajé veinte años —decía babeando sangre—; nunca ni me acerqué a la caja. Uno de los camareros no conseguía que se incorporara. El pordiosero no colaboraba, no podía hacerlo. —Bere, Bere —meneaba la cabeza, casi retándolo como a un chico—. Otra vez. Anda, trata de levantarte. Una suave brisa meció aquella larga y canosa barba. Sin saber por qué, lo tomé del otro brazo. El pobre apenas mantenía el equilibrio. Pero logramos que se sostuviera en pie. —Tienes que creerme —dijo una boca escondida bajo la maloliente mata de pelos—. ¡Tienen que creerme! —Le creo —contesté mientras lo cargaba en mis hombros. Las caras se transformaron. La de Inés, en repulsión. La del camarero, en sorpresa. La del viejo, en distensión y sabiduría milenarias. Fue un instante apenas, y el brillo se perdió. —Yo me encargo —dije. —Dios te lo pague, broder;—deslizó unos dólares en el bolsillo del homeless. Y dirigiéndose a él, agregó:—cuídate, Bere. Descansa, vete a pescar. El viejo no contestó. Pesaba cada vez más. —¿Estás loco, wey? —dijo Jey Jey—. Ya hiciste demasiado. Alcánzalo hasta la banqueta y que se arregle. —Dejame en paz. ¿Necesitás un ride o no? Él vive cerca de casa, siempre regresamos juntos. La pregunta lo dejó inmóvil. Bueno, para eso la formulé. Inés, como siempre, se cree llamada a intervenir y decidir por los demás. —Yo te llevo —le dijo con un nudo múltiple en el ceño. 122⎹ HOSTOS REVIEW


—Please. —Suerte —les dije, decepcionado y aliviado a la vez—; nos vemos mañana. Deseando que ese “mañana” se convirtiera en “nunca”, me concentré en el viejo. Un peso muerto. —Yo no fui —murmuraba desangelado—. Yo no fui. Apestaba. Lo subí al auto; pensé que jamás quitaría ese olor del tapizado. Quise colocarle el cinturón de seguridad. Lo rechazó. Volvíamos por la I-95 con el camino despejado y todo el mundo en la dirección opuesta. Rodeamos el downtown y noté su perfil de puro edificio. Me pregunté quiénes deciden vivir en esa mole, en una ciudad como Miami. O en cualquier ciudad. Todas las ciudades se parecen en sus miserias. —¿Un poco de aire? —dije, bajando su ventanilla. El viejo alzó los hombros. Balbuceaba vaya a saber qué. Un rato después, sacó un brazo por la ventanilla y lo mantuvo suspendido en el aire. Asomó la cabeza. El viento jugaba con la barba y sus ojos cerrados descubrían un rostro milenario y sabio disfrutando de las cosas simples. Un aroma de mar y desierto invadió el auto. El viejo se acomodó y se ajustó el cinturón de seguridad. Llegamos a casa. Se dio una ducha, le regalé ropas que ya no usaba. Improvisé un filet de salmón con una ensalada de hojas verdes. —¿Cuánto hace que no come? Engullía con desesperación. No me contestó. No hacía falta. Bebimos thé de menta. —¿Le gusta pescar? Tragó ruidosamente el sorbo del thé y me clavó una mirada furiosa. —Su amigo, el camarero —insistí—. Él le recomendó que se fuera a pescar. —Nací en Taganga, en el mar caribe —dijo mirando la taza—; a todos nos gusta pescar. —No parece un mal consejo. —Qué dice. No tengo ni para el bus. Tomé el saco desvencijado. —Su amigo —dije, mostrándole el dinero. —Bacán —suspiró. Nos quedamos callados.

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—Tal vez debería hacerle caso —dije, envalentonado por el silencio—; empezar de nuevo, en otro lado. —¿Por qué me ayuda? —preguntó desconfiado, acomodándose en el sofá. —Una dulce voz me lo sugirió. (Anne: esa voz es la tuya, ¿te acordás? Cuando te conté de aquel viaje por Marruecos y el viejo pescador bereber que me invitó a su casa. “Ahora tienes una deuda” —dijiste con la severidad que solo muestran las certezas y el acento parisino de la rive gauche—. “El te dio su casa, su pescado, su thé de menta, y vos tendrás que saldar esa deuda en algún momento”. Recuerdo haber quedado perplejo. Me resultaba tan evidente la deuda contraída como imposible hallar una situación inversa en la que yo pudiera saldarla con el bereber. Me convenciste de que debía buscar esa oportunidad. En aquel momento te percibí increíblemente hermosa. Y toda belleza tiene algo de verdad y de presagio.) El viejo se acostó en el sofá. Dejé la puerta entornada. Mil imágenes se sucedían, una tras otra sin sentido aparente. El bereber, el golpe de suerte, la dueña del departamento, el homeless. El thé de menta, tu rostro, la última cena. Me despertó el ruido de un cajón. El viejo revisaba frenéticamente el escritorio. Me quedé inmóvil sin decidirme a intervenir. Un rato más tarde —del cual no tengo registro— me levanté. Encendí la luz del living. El viejo continuó revisando como si la justicia divina hubiera sido la responsable de iluminarlo, de facilitarle las cosas. Cuando notó mi presencia, se volvió. Pero no se mostró contrariado. Retrocedió buscando agazaparse para responder a un ataque que nunca le llegó. Lucía indefenso. Desesperadamente indefenso. El escritorio lo detuvo, tambaleó. Su mano buscó apoyo y, en el intento, volcó la taza. El thé frío se esparció sobre el vidrio alcanzando unos papeles: las fotocopias del contrato de compra del apartamento. Se tomó la muñeca con un gesto de dolor. Cuando vio la taza, la rompió contra el escritorio. Me amenazaba con el borde de la loza, sosteniéndola por el asa. Patético. Levanté las manos y me senté a esperar el desenlace. —Dame el billete —tartamudeó blandiendo la taza—. Dame el billete o te doy chuleta. Tal vez se haya referido a la billetera. Con un gesto le indiqué el maletín. El viejo, dándome la espalda, lo tomó con ambas manos como si fuera un bebé y lo depositó sobre 124⎹ HOSTOS REVIEW


el escritorio. Después de varios intentos logró abrirlo. Tomó una carpeta y la tiró al suelo. Vi la fotocopia de mi pasaporte y la carta del banco. El pordiosero no podía creerlo. ¿Habría visto alguna vez ochenta y cinco mil dólares, todos juntos? ¿Para qué carajo lo tenía en cash? ¿Se puede creer en un golpe de suerte que no deja marca? Tardó en volver en sí. Cerró el maletín y se lo llevó al pecho. Se me acercó. Vi aquel rostro milenario, una vez más. —¿Las llaves? —dijo y, antes de que pudiera responderle, se dirigió al esquinero. Los restos de la taza fueron a dar al suelo. El viejo abrió la puerta. Oí la cerradura y sus pasos en las escaleras. Mis raíces se fueron con él. Mi deuda también. Los bolsillos del saco abandonado guardan ciento cincuenta dólares, su driver license vencida y una postal gratis de Las Dunas. Mientras termino el thé de menta y curioseo en la página de Air France, espero que atiendas mi llamado. Amanece en París pero necesito escucharte. Sentir esa voz con algo de verdad y de presagio.

*** Gastón Virkel (1972) es de Buenos Aires y se mudó a Miami en 2001 donde reside actualmente. Es escritor y guionista. En días soleados se define como un storyteller para no dejar plataforma alguna fuera de sus posibilidades. Sus textos han sido publicados en antologías como Pasajeros en Arcadia (Marcelo Di Marco), Viaje One Way y Miami (Un) plugged (H. Vera Álvarez y P. Medina León, Suburbano Ediciones), Los topos mecánicos (Raquel Abend Van Dalen, Editorial Ígneo). En 2017 publicó Cuentos atravesados, su primer libro de relatos por Suburbano Ediciones (SEd). Ha escrito y dirigido el largometraje De rodillas, además de haber participado en numerosos cortometrajes. En TV ha trabajado para marcas como MTV, Discovery Kids, Sony Entertainment Television, Boomerang/Turner y Paramount entre otros. Publicó la novela por entregas #Lasticön en el magazine digital Suburbano.net donde además es responsable de la imagen de marca y redes sociales. Se puede seguir al autor en Twitter e Instagram, @gvirkel y Facebook, Gaston Virkel.

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Claudia Salazar Jiménez LA CIUDAD Y SUS RESIDUOS

Al linaje de The Road

Fue idea de Lee. –Se trata de recorrer las calles fijándonos en objetos diversos, en cosas que están sueltas o descartadas –así lo anunció, sin darme más detalles. Me entusiasma la idea de limpiar mi propia mirada sobre la ciudad, de liberarla de esa inevitable cortina rutinaria que se impone con el paso del tiempo. ¿Cómo renovarla? ¿Cómo ver a Nueva York de otra manera que no esté aún en los millones de películas, fotografías, crónicas y relatos que se le han dedicado? Los objetos sueltos pueden ser una buena pista. Hace pocos días acaban de inaugurar Hudson Yards, un nuevo complejo urbano al lado de la High Line, que incluye edificios con alquileres de precios desbordados y un mall de marcas exclusivas. El nuevo playground de los ricos lo ha llamado algún periodista. Frente a esa opulencia, me provoca doblemente darles atención a los desechos. Explorar qué nos dice la ciudad en sus residuos, en lo que ha sido descartado y que, aparentemente, ya no sirve para nada. Lee tendrá sus propias motivaciones, pero no se las pregunto. Estoy en la ciudad hace ya algunos años, la llegada de Lee es más reciente. No nací en este país; Lee, sí. –Sería como un acto de meditación urbano, para pensar en lo inútil, en cómo gastamos el tiempo, en lo silly. –Ahí se detuvo y me dirigió una mirada preguntando por la traducción al español, pero ninguna le cabe: tonto (no), imbécil (menos), loco (¡no!). Mi primera reacción fue corregirle ese gastamos el tiempo pero preferí dejarlo. Su español ha mejorado muchísimo las últimas semanas y sus ganas de aprenderlo son avasallantes. Quizás no es realmente silly lo que quiere decir. ¿Cuánto de lo que hablamos se queda lost in translation? Decidimos hacer el recorrido por Broadway, desde el Village hacia Uptown. Prometió escribirme con detalles que aclararían el objetivo de la experiencia. En general no se apura, se toma su tiempo. Al contrario del espíritu de la ciudad, esa es siempre su actitud: de calma, como si tuviera todo el tiempo del mundo. Me pregunto cuánto más le irá a durar esa calma, hasta que se neoyorquice y le comience a quedar corto el tiempo porque –ya lo sabemos– siempre estamos todos muy ocupados. 126⎹ HOSTOS REVIEW


El día acordado nos encontramos. Lee no llegó a enviarme los “objetivos de la experiencia”; pero lo que me importa ahora es el camino que vamos a compartir. Me abro y observo. Que las calles ofrezcan lo que quieran. Así que ahí voy, ahí vamos, por la ciudad y sus residuos. Caminamos, observo, miramos, hablamos poco. Y escribo. UN PAQUETE DE GALLETAS MARÍA Uno de mis comfort food. Parece que de Lee también. Usualmente las compro en una bodega de mi barrio que tiene dos gatos. Me acabo de dar cuenta. Quería limpiar mi mirada neoyorquina y acabo de nombrar al típico bodega cat. Es que siempre están ahí. Pero hablaba de las galletas, que a mí me traen recuerdos de mi abuelita. Abuelita, digo, y un sentimiento tibio se mueve en mi pecho. Ella remojaba el pan en el café, así como yo mojo estas galletas y a veces las dejo flotando. Abuelita, pienso. –Una vez que las probaste mojaditas, ya no las quieres comer secas. –apunta Lee. Ni lo afirmo, ni lo niego. No quería caer en la consabida operación de la magdalena proustiana, pero me acaba de suceder, como si no bastara el bodega cat. Pretendía zafarme del lugar común del migrante: los zarpazos del recuerdo y la nostalgia, pero he caído en ese territorio. Al primer residuo. Me sacudo un poco y retomo la caminata. UN ARETE ¿Qué habrá sido del otro? ¿Cómo se pierde un arete así? ¿Le habrá dolido a su dueña (o dueño) cuando saltó de su oreja? Probablemente no, sino lo hubiera recuperado. No es pequeño, es bastante llamativo. Tiene forma de medialuna, con incrustaciones de tonos turquesa y aguamarina, como esas alhajas de la tumba del Señor de Sipán (y se acaba de insertar otro modo del migrante: la asociación libre revela mi origen). Pero este no es una piedra, es de plástico, fácilmente descartable, no causará mayores problemas para ser reemplazado. ¿No? Un objeto al que nadie extraña, tal vez. ¿Cuántas vidas puede tener? Un objeto que nunca más. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 127


UN LIBRO Por poco Lee me gana en recogerlo. Sin pensarlo, andamos así, con ganas de llegar antes, como si compitiéramos por estos restos que, de todos modos, no vamos a conservar. Dejamos que los residuos permanezcan como tales, nos resistimos a la fiebre archivadora. Yo escribo mis impresiones y sigo adelante; pero un libro es otro tipo de tentación. Es un tomo grueso de pasta dura. La tapa está muy raspada y apenas se logra leer Classics. Muchas páginas están pegadas y no se pueden abrir. Algunas ofrecen todavía sus letras. Son trozos borroneados de un Salmo: rivers Babylon sat and wept Zion while in a foreign land El objeto que aún. COLILLAS DE CIGARRO Negras Blancas Castañas Dobladas Quemadas No enteras Fuera del basurero Una colilla tras otra Horas de conversaciones Bocanadas colmadas de historias Las manos que duelen en el invierno Intercambiándolas entre los bolsillos Para que no se apague Que siga la conversa Dos colillas más Que todo fluya No enteras Quemadas

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Dobladas Castañas Blancas Negras CUP DE CAFÉ Si pienso en vaso, pienso en vidrio. Si es de cartón, me suena mejor llamarlo cup. No lleva el típico diseño griego de los delis. Es más simple y obvio: granos de café dibujados. Este es el verdadero ícono de la ciudad. Siempre, en todas partes. New York runs on cuoooffee. Todo es run run run. Cada vez quedan menos lugares donde sentarse tranquilamente por horas y horas para conversar, sin que te echen miradas de reojo a-qué-hora-se-van si no pides alguna otra cosa o sin que te traigan la cuenta aunque no la hayas pedido. Ven, Nueva York, siéntate y tomemos una taza de café. Una taza de porcelana o de vidrio, observa esta taza. Siéntate. Hablemos. Y la ciudad se sienta, por un minuto. Un New York minute. Pero Nueva York no es Lee, y vuelve a correr correr correr con su cup of cuoooffee en la mano. Como dice Gertrude Stein en Tender Buttons: “A piece of coffee is not a detainer”. UNA ESCOBITA Tanto mirar desperdicios y aparece una escoba pequeñita. –La ciudad nos pide que hagamos una limpieza. –le digo a Lee. –Sí, supongo… Lee ha comenzado a tomar sus propios apuntes. ¿Los compartirá después? Por momentos no llego a descifrar lo que piensa. A veces se escuda en el silencio, a veces elude, a veces siento que piensa doblemente lo que va a decir. Compartimos esta meditación urbana y nos fijamos en objetos distintos. Seguramente estamos escribiendo textos muy diferentes. ¿Cuánto se puede conocer de alguien hablando poco y compartiendo una experiencia? Los objetos hablan a su manera. Lee también. REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 129


CÁSCARAS DE MANDARINA Hay una manzana mordisqueada también, pero es demasiado bíblico. Ya me bastan los mitos del migrante y de la ciudad para tener que lidiar con los del origen. Ahora que lo pienso, Adán y Eva ¿no fueron acaso los primeros migrantes? Exiliados, expulsados por un gran poder, refugiados en la Tierra. Las cáscaras están frente a un McDonalds al que Lee no duda en llamar “símbolo de mi patria”. Lo dice sin ironía, con mucho convencimiento. A mí me suena un poco extraño que alguien se refiera a los Estados Unidos como su patria. Hubiera esperado más un “símbolo de mi país”. Se lo digo. Sonríe y responde: –Bienvenida a mi patria. Tuve muchos welcome to New York: cuando vi unas ratas en la plataforma del tren, welcome to New York! , cuando descubrí ratones en mi apartamento, welcome to New York!, cuando no me fijé bien en cuántas copas pedí y recibí una cuenta impensada, welcome to New York!, cuando el piso de la calle retumbó y pensé que era un temblor, no estás en Lima, welcome to New York! Después de tantos años, y ya sintiéndome at home en la ciudad, la bienvenida de Lee tiene el sabor de galletas María. TECLAS SUELTAS DE UNA MÁQUINA DE ESCRIBIR Como si las hubieran arrancado de una máquina de escribir ya desgastada. Reunidas y atadas con una cuerda roja. Me provoca liberarlas y devolverlas a la máquina de la que salieron. Que sigan escribiendo, que sigan haciendo aquello para lo que fueron creadas. Para escribir cosas como: “Now I spoke as to an old friend: What of you, I said, since he was free to leave, have you no wish to go home, to see the city again? This is my home, he said. The city — the city is where I disappear”. (Louise Glück)

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“Los límites de mi lenguaje son los límites de mi mundo” (Wittgenstein) “Las cosas no existen. Lo que existe es la idea melancólica y suave que nos hacemos de las cosas”. (Hilda Hilst) “No list of things to be done. The day providential to itself. The hour. There is no later. This is later. All things of grace and beauty such that one holds them to one’s heart have a common provenance in pain”. (Cormac McCarthy). “Vuelvo otra vez. Pregunto. Tal vez ese silencio dice algo, es una inmensa letra que nos nombra y contiene en su aire profundo”. (Blanca Varela) “La música, los estados de la felicidad, la mitología, las caras trabajadas por el tiempo, ciertos crepúsculos y ciertos lugares, quieren decirnos algo, o algo dijeron que no hubiéramos debido perder, o están por decir algo; esta inminencia de una revelación, que no se produce, es, quizá, el hecho estético”. (Jorge Luis Borges) Lee no me ha dicho nada sobre sus propios objetos. ¿Habrá escrito en inglés o en español? Después de la caminata, he impreso este texto para revisarlo. Lo he dejado cerca de una ventana abierta y ha comenzado inesperadamente una tormenta. La mezcla de viento y lluvia ha succionado la primera página. He corrido a cerrar la ventana. Afuera, el viento ha arrastrado ese papel por varios metros. La lluvia no me ha dejado ver más. Es inútil salir a buscarlo. Supongo que la tinta se habrá disuelto. A los pocos minutos, la lluvia se ha detenido. Una página de este texto ya es, mientras tanto, otro residuo más de la ciudad.

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*** Claudia Salazar Jiménez (1976) nació en Lima y se mudó a Nueva York en 2004 donde reside y trabaja actualmente. Es escritora y académica. Estudió literatura en la Universidad Nacional Mayor de San Marcos. Es Doctora en Literatura por la Universidad de Nueva York (NYU). Su primera novela La sangre de la aurora mereció el Premio Internacional Las Américas de Narrativa en 2014. Ha publicado también las antologías Voces para Lilith y Escribir en Nueva York. Sus relatos han aparecido en diversas antologías y revistas internacionales en diversos idiomas como el inglés, francés, italiano, portugués y alemán. Otros libros suyos son la colección de relatos Coordenadas temporales y la novela histórica juvenil 1814. Año de la independencia. Página web de la autora, claudiasalazarjimenez. wordpress.com. Facebook, claudiasalazarjimenez. Twitter, @claudiagsj.

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Jesús Rosales ECOS: ENTRE ARENA Y CEMENTO La piedra Me gustaría creer que estoy sentado en un trono construido de piedra fina. Pero la realidad es que me encuentro llenando el espacio de un pequeño hueco de una piedra colosal pensando en la simpleza de mis días. Es una piedra grande y áspera, expuesta fatalmente a los incesantes trancazos de las interminables olas del mar. Es una de esas piedras que los años no pulen y el agua no la trabaja para producir una lisa y duradera. Esta piedra es frágil y porosa. Una que paulatinamente el tiempo y el agua desmoronarán sin misericordia. Poco a poco el agua cargará con su fuerza los minúsculos fragmentos de minerales que la componen para mezclarlos con los granos de fina arena de playas solitarias, un proceso desalentador y misterioso que fascina y a la vez causa dolor. En mis momentos de desesperación fue necesario nadar hacia la piedra que desde la playa muchos vemos y pocos nos atrevemos a ocupar. Es una pequeña isla de ilusión y de amparo situada no muy lejos de la orilla de la playa. Arriba de ella, empapado por el agua salada y fría del Océano Pacífico, me siento pequeño ante la grandeza del mar y de la noche. Vine a embeberme en lo desconocido. A llenarme de oscuridad y presenciar la destrucción de su negrura por el amanecer de un nuevo día. De incógnito Hace días caminé al azar por mi barrio pisando babosas desnudas que cruzaban letárgicamente por la acera de la casa. Más de una vez intencionalmente he despegado unas de las hojas de los geranios para estrellar sus conchas contra el cemento o para girarlas al cielo, y con anticipación perversa, escuchar su frágil concha explotar contra el piso. Lamentablemente a veces caen en el césped y no se escucha más que el llanto de los detestables grillos que nunca en la vida he podido uno atrapar. Caminar por las calles oscuras de la ciudad es un deleite para los ojos y para la nariz. En la noche las sombras de los árboles cuentan historias que ciegan la vista y sofocan las humildes intenciones de REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 133


descifrar su misterio. El olor dulce y penetrante de las magnolias y gardenias se mezclan con el de los orines incógnitos que nutren los recuerdos. Alguien en el pasado ha disimulado grandezas, quizás ha mal interpretado fracasos al caminar por esos pedazos de concreto que enfrían los pies. Muchas noches me he recostado en la playa mirando hacia arriba tratando de remover estrellas con una oleada de mano, transportándolas en grupitos a puntos más oscuros del cielo. Al caminar no se pueden manipular los sueños heroicos, es casi imposible, sólo se pueden aplastar las sombras que se entrecruzan en el camino o pisar los cuerpos vivos de animales pequeños, tal como lo hago con las babosas que, pensándolo bien, sufren más bañándolas con puños de sal. En noches como éstas camino por la ciudad tratando de enumerar a las personas que saben que existo en este mundo. Que me toman en cuenta y se preocupan si me entran o no los conceptos de la ciencia o de las matemáticas. Lamento confesar que me tortura esta consideración porque no existe ese número y esto afirma el vacío que siento dentro de mí. Articulo una palabra y se convierte en una oración que la considero incongruente a mis sentimientos. Cuando trato de compartir mis inquietudes con alguien, los gritos que explotan dentro de mi cuerpo se convierten en murmullos que salen flotando débilmente de mi boca hacia los oídos de gente que aún no conozco. Mi ciudad Mi ciudad está situada en un espacio bendito protegida por las montañas Santa Ynez y por el Océano Pacífico. Su historia es una llena de romanticismo y fantasía creada por la necesidad de encontrar un paraíso utópico aquí en la tierra. Es limpia, detalladamente conservada y sus edificios comerciales son joyas codiciadas por inversionistas sin escrúpulos. Cuando hay necesidad de hacer cambios sus dueños reconstruyen la fachada y remodelan su interior para adaptarse a las nuevas generaciones de turistas que la visitan. Brownie’s Grocery Store se convierte en Picadelly Square, después en The Prolific Oven, en el transcurso de un año. Existen pocos edificios que aún reconozco de cuando era niño porque la ciudad cambia de imagen con demasiada frecuencia. Sólo los árboles, el día y la noche, los edificios históricos y la playa son intocables. Todo lo demás es efímero.

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La mayor parte de los edificios públicos de esta ciudad están pintados de blanco. Tan blanco es el color que la suciedad de una mosca podría fácilmente destacarse en una de sus paredes. Aquí mi color moreno es altamente visible y, sin embargo, existo desapercibido. De noche la ciudad está llena de postes de luz que impiden realizar el deseo de caminar en completa oscuridad. Vivo incógnito y lo que no veo o lo que no está a mi alcance lo puedo justificar con menos titubeos. Me estimula la noche por la posibilidad de que algún misterio me pueda sorprender, de que en cualquier momento algo o alguien aparezca en el tronco de un pirul y cambie mi vida. Todo es un engaño en esta ciudad. Todo menos el día, la noche, la montaña y el mar y algunos otros elementos relacionados con ellos. Cuenta la historia que el hombre blanco, con hambre de tierra y de comercializar una salud física bajo el sol se adueñó de mi ciudad en el siglo diecinueve. Los libros de historia dicen que esta gente vino en manadas a plantar palmeras y árboles magnolia y robles que crecerían derechos, altos y sólidos cien años después por la State Street y el Cabrillo Boulevard. De estas conquistas se ha escrito una historia fantástica con títulos en español y contenidos en inglés que apenas empiezo a descubrir. Desde entonces la ciudad se atreve a presumir de una tradición netamente española en una tierra inicialmente habitada por indígenas y mestizos. El caminar por la ciudad En esta ciudad no se camina por el gusto de caminar. Sólo los turistas que vienen de grandes centros urbanos lo hacen. Y cuando se hace se camina por espacios muy cortos. Es muy difícil perderse dentro de ella. Si alguien quiere extender su camino es necesario caminar lentamente y creer que uno camina largas distancias para llegar a un lugar. Como no hay destinos gloriosos por conquistar se inventan aventuras épicas y románticas. A mí me daba por caminar construyendo, o imaginándome letras en la calle. De tal manera que cuando he querido pasar por la casa del vecino caminaba trazando la imagen de una “O” cuadrada. El domingo que fui a misa caminé escalando las líneas horizontales de una “E” mayúscula. Cuando no tengo ningún lugar a donde ir me lanzo a caminar en una “i” sin punto. Anoche la meta era la playa y de la casa de López caminé

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por el esquema mental de una “H” mayúscula. Las letras las escogía de acuerdo con el tiempo que deseaba aprovechar o perder en la búsqueda de la gloriosa victoria de una conquista inventada. Andar a pie En películas, en la tele, en mi escuela parecía que todos los muchachos tenían algo en que movilizarse de un lado a otro. Carros, motocicletas, bicicletas, o patines. Los decoraban con etiquetas florecientes o con luces de color rojo o azul que en serie se prendían y apagaban alrededor de placas cuadradas. Parecía que yo era el único en andar a pie por la ciudad en mis Converse blancos, descoloridos y gastados. Los muchachos me recordaban a los personajes que actuaban en películas donde jóvenes construían grandes fogatas en las playas de Malibú y de Zuma Beach. Ellos paseaban a sus novias en Mustangs, Camaros, dune buggies y motocicletas Hondas. Mis pies desconocían la velocidad de estos vehículos, pero los codiciaban. Para igualarme a ellos una vez pinté alitas a los lados para darles la potencia y la velocidad sobrehumana de un Mercurio chicano. El deseo fue pasajero al darme cuenta que la pintura no me ayudaba a sobrepasar mis desventajas. Mi cuarto En mi cuarto encuentro un espacio singular. Detrás de la puerta siento que nada puede conquistarme. Son breves los momentos en que considero esto, pero hay ocasiones en que doy gracias por ser el único hijo de la familia. Entrar en la recámara y no encontrar a otro ser es salvarme la molestia de justificar o de fingir un comportamiento adecuado. Mi soledad sería más aguda, quizás más trágica porque tendría la presencia cotidiana de un espectador que se burlaría de mis inseguridades. Por otra parte, jamás consideré que al tener un hermano mi soledad sería compartida con otro ser humano, por lo tanto, calaría menos. Sin embargo, compartiéndola, mi soledad la sentiría menos épica y gloriosa. De todas maneras, es un alivio para mí entrar en un cuarto cubierto de pósteres de deportistas y de rocanroleros sin que nadie me moleste o me niegue la palabra. Felicito la necesidad de sentirme libre. Lo que no comprendo es la manera en que trato de manifestarla. Hablo conmigo mismo, fuera y dentro de mí, en los confines de las cuatro paredes de la habitación. Gozo de mi tiempo libre, que suelo tener con abundancia. 136⎹ HOSTOS REVIEW


Lo que yo no sé de mis padres ¿Es necesario pasar por este proceso de la vida que en el futuro quizás no tenga sentido? ¿Me torturo? ¿Es posible que esté fabricando problemas que no existen? Y si son problemas, ¿son tan extremos como me los imagino? Por ejemplo, ¿por qué esta actitud de enfado hacia la casa? ¿En verdad me molesta que mi papá me ignore y que se duerma enfrente de mí con la boca abierta y el televisor prendido? ¿Me importa que mi mamá sea dolorosamente callada? De seguro ellos ven las cosas desde otro punto de vista y es angustioso tratar de decidir quién tiene o no la razón. «Estudien la historia de su familia,» nos decía un profesor en la escuela. ¿Pero, cómo puedo aprender de ella si se me presenta en un rompecabezas de mil piezas y en pocos colores? ¿Qué sé de mis padres? Muy poco. He visto algunas fotografías descoloridas donde están sentados en la plaza central de Durango, México. Supongo que entre ellos existió un primer delicado abrazo y un apasionado beso. Que hubo un «tú eres todo para mí». Lo lamentable es que no me tocó ser testigo de estos momentos sentimentales. De bebé me daban de comer en la boca y me levantaban cuando me caía tratando de tomar mis primeros pasos. Posiblemente en un momento de compasión sus manos rozaron mis mejillas con tiernas caricias. ¿En qué momento en la historia de nuestra familia se interrumpió esta muestra de cariño? No lo recuerdo, esa es la gran tragedia, no puedo recordar más que las palabras desorganizadas de mi papá y el silencio de mi mamá. No encuentro respuestas que puedan explicar mi pasado. No conozco la historia lo bastante para poder señalar el inicio de mi enfado de vivir en casa. Necesito saber de mí, pero los protagonistas que pueden iluminarme están en una triste e interminable huelga de silencio. ¿Hasta cuándo decidirán romper con él? ¿Hasta que otra fuerza, más contundente y poderosa les ofrezca la oportunidad de hablar? Esto sería esperar por un largo tiempo, posiblemente hasta la muerte o hasta que algo sobrehumano los despierte de su entorpecimiento. El silencio El silencio de la noche es mi aliado. Penetra en mí sin preguntas o rencores. No intenta perjudicar. No ofrece ambigüedades. Existe. Es exclusivo y quiero creer que me pertenece. Sentado en esta piedra el REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 137


silencio gira piadosamente a mi alrededor y se une con el agua del mar para producir otro silencio. El silencio que siento es un silencio más allá de lo profundo. Flota alrededor mío, chocando suavemente en movimientos inoportunos por toda la cara. El silencio esconde gritos y voces de toda una ciudad. En algún lugar de ella, en un rincón, alguien ama o llora y nadie lo sabrá. El silencio que gira a mi alrededor hace comunión con el mar, apropia una voz que me habla sin preferencia a una sola lengua. Me habla del ayer y del hoy en sonidos que penetran delicadamente. Es cierto que en presencia de otra gente no sé hablar en voz alta. Únicamente en mi soledad puedo hablar dentro de mí— comprendiéndome o traicionándome—con mis propias palabras. En la oscuridad mis palabras flotan por el aire espeso de la playa. El mar que veo y no veo es el cuerpo de una sombra que las recibe y las hace vibrar de emoción, que las alimenta y protege. En la misma piedra La esperanza de entenderme y de encontrar respuestas a mis acciones fue la razón que permití que el mar me arrullara en esta noche sin luna. Quería tomar control de mi situación y nadé hacia la piedra donde ahora me encuentro sentado, pensando en fragmentos de mi vida que por años he tratado de conectar y que ocupan la mayor parte de las preocupaciones de mi presente. Estoy aquí para soltarlos al aire y liberarme de ellos. Nadé hacia esta piedra porque desde que recuerdo ha representado un punto de enfoque en los miles de peregrinaciones que he hecho por la playa. Es una piedra inhabitable, olvidada por la historia, que no existe en ningún mapa topográfico. Antes, quizá cientos o miles de años, esta piedra era parte de tierra firme, así como lo son ahora las frágiles colinas en las costas de esta ciudad que se van desmoronando con los golpes cotidianos de las olas. Estoy sentado a espaldas de la ciudad. Quiero evitar sus luces y los faroles de los carros que se mueven y distraen el enfoque de la mirada que la estoy alternando entre la negrura del mar y el punto distante de una estrella. Pienso y reconstruyo mi pasado con el propósito de poner orden a un caótico desorden. Es absurda esta consideración. ¿Cómo poner orden a las estrellas, a los pedacitos de arena o a las olas del mar? Así es mi vida. No la puedo organizar en capítulos congruentes. Lo único cierto es el número de horas, de semanas, de años que pasan y no regresan pero que parecen repetirse 138⎹ HOSTOS REVIEW


en círculos. Mi vida quizás sea eso, un progreso linear que se mueve en círculos, que rebota y da vueltas por caminos bajo la protección de una burbuja que me impide respirar el aire externo de los más afortunados. Por ahora sé que la noche y el mar, la playa, toda la fuerza de la naturaleza, me acompañan y me tranquilizan porque sólo aquí siento que importa algo la vida. Aquí existo, puedo tocarme y sentir la palpitación de las sienes. En la playa nada de lo que se toca es previsible. Por eso en la arena escribo deseos y maldiciones, porque sé que con la fuerza de una pequeña ola desaparecen sin la aprobación o el rechazo de la gente. En la arena nada se materializa como se planea, tal es la fuerza de mi pensamiento y de mi desorientada mirada. Quizás mi padre tenga razón al pensar de mí como un introvertido inútil. Pienso demasiado las cosas, lo sé, sin embargo, mis gozos más palpables son aliarme con el pasado, revivir recuerdos y sobre todo caminar y dar vueltas por las mismas calles que conozco desde niño. En la noche el mar aparenta transformarse en un misterio menos descifrable que palpita con la fuerza de olas de diferentes tamaños que en la tierra formarán los diferentes granos de arena que al fin de cuentas, en conjunto, se ven igual. Sólo la piedra donde me encuentro sentado es diferente. Desde niño su presencia me cautivaba y presumía de ser inalcanzable. Hoy por primera vez me atreví a cruzar ese espacio de agua que la separa de la playa. Nadé hacia ella y cuando llegué las manos acariciaron sus lados mojados y resbalosos antes de subir y sentarme en ella. La piedra es tangible y humana porque siento el peso de mi angustia. Me siento en ella de tal manera que me protege de las luces de la ciudad y de la fuerza del viento. Estoy a su misericordia porque me presento agotado y vulnerable, confesándole que soy un hombre sin sombra. Le digo que me hable y me conteste en la manera más simple y directa. Deseo comprender el por qué me gustaría creer que estoy sentado sobre un trono hecho de piedra fina. Pero la piedra no me contesta. La realidad es que el pequeño hueco donde estoy sentado es un tétrico refugio donde la piedra no tiene la capacidad de desplomarse ni de tirarme al mar o de tragarme y hundirme en sus entrañas. Su humanidad requiere la voluntad de un milagro.

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*** Jesús Rosales nació en Durango, México. Creció en Santa Barbara, California. Actualmente reside en Tempe, Arizona. Posee una licenciatura de University of California, Los Ángeles, y maestría y doctorado de Stanford University. Su investigación se enfoca en la historia literaria chicana y la literatura chicana en español. Sus cuentos han sido publicados en Confluencia (Colorado), Novosantanderino (Texas), Ventana Abierta (California), Saguaro (Arizona), Palabra Nueva, Cuentos Chicanos II (New Mexico), Cariátides (México), entre otros. Sus textos académicos incluyen Spanish Perspectives on Chicano Literature: Literary and Cultural Essays (co-editor, The Ohio State University Press, 2017), Thinking en español: Interviews with Critics of Chicana/o Literature (The University of Arizona Press, 2014) y Alejandro Morales: Encuentro, historia y compromiso social (Peter Lang, 1999). Jesús Rosales es el fundador y editor de Puentes: Revista méxico-chicana de literatura, cultura y arte. Es profesor de literatura chicana en Arizona State University.

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Anjanette Delgado DE MANGÓS Y DE MURCIÉLAGOS Nunca aprendí a vivir sola. Por eso, tan pronto Lucas y yo nos peleamos, el apartamento del Viejo San Juan que durante años me había parecido acogedor y hasta romántico, se me convirtió en un cuartucho frío, melancólico, opresivo. ¿Que por qué nos dejamos? Quizás porque un día me dio por contar. Los días que llegaba tarde a buscarme a la oficina, versus los que llegaba a tiempo. Los días en que discutíamos durante horas porque él no sabía perder, versus los días en los que no salíamos de la cama, enroscados, uno alrededor de las piernas del otro, borrachos del olor a sal de mar que barre los balcones del Viejo San Juan en las tardes. Así cumplí los 29, los 30, los 31 y así pronto hubiese cumplido también los 32. El tiempo de mi vida pasaba sin que nada pasara en mi vida y un día me hastié de contar. De hacer inventario de algo que no iba para ninguna parte. —Si quieres, salimos a comer —me había dicho él aquel día igual a todos. —No, pero así no —contesté yo. —¿Cómo que “así no”? —Así no, con ese “si quieres”, como si tú no tuvieras que comer también. —Mira, Natacha, vamos a dejarlo ahí, hazme el favor, que hace demasiado calor para peleas imbéciles. Le hice caso y ahí mismo lo dejé. Le dije que tenía razón, que lo de nosotros era una imbecilidad y que mejor dejábamos de ser imbéciles. Para mi sorpresa, estuvo de acuerdo. Se fue prometiendo regresar a buscar sus cosas y esa misma madrugada escuché el primer llanto. O más bien, los primeros lamentos. Como si un gato enfermo o una persona ronca intentara cantar y llorar a la vez. Una mezcla de sorpresa y dolor, como si alguien pellizcase a otro alguien de súbito y con saña, haciendo que emitiera aquel aullido rabioso que desfallecía para repetirse segundos después, entremezclándose con los silbidos del viento al deslizarse por sobre los tejados del casco de la ciudad.

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Pero si aquello era un gato, era un gato extraño. Yo conocía los distintos maullidos felinos porque San Juan está lleno de ellos, pero este sonido era tan extraño que esa primera noche no pude volver a dormirme, aguzando el oído, tratando de ubicar la dirección general de los quejidos, aunque, en verdad, no había mucho en donde buscar. El 51 de la Calle Caleta de San Juan era un edificio pequeño de tres pisos y un patio interior en el que vivía una media docena de los susodichos gatos. De los dos apartamentos que había en cada piso, uno era grande y tenía un balcón largo y estrecho que daba hacia la calle, y el otro era poco más que un desván compuesto por una salita/cocina minúscula y una habitación cuya ventana miraba hacia el patio de los gatos. Esa distribución tan poco equitativa se debía a que, en épocas pasadas, los “apartamentos” como el mío fueron los cuartos de los sirvientes de los ricos que vivían en los apartamentos grandes. Por eso estaban más destartalados y no contaban con clósets, aunque, por fortuna para mí, por vivir en el último piso (en el 3A), yo contaba con un receso debajo de un tragaluz que convertí en guardarropa con la ayuda de unas cortinas de gaza, un gavetero, ganchos y tres tablillas. Según la corredora de bienes raíces que me consiguió el alquiler del 3A, el espacio bajo el tragaluz fue alguna vez el pasillito por el que la sirvienta de turno pasaba de su habitación a la residencia de “los señores” sin ser vista por las visitas. Recuerdo que se llamaba Ceci o Celia la corredora y que se sabía la vida, crímenes y milagros de las familias adineradas que durante décadas ocuparon estas hermosas casas coloniales de techos altos y grandes ventanales, de balcones con tejas, pisos de madera y losa tradicional original, muchas con la mejor vista al Océano Atlántico desde lo que antes fue el casco de defensa de esta islita de sol y sal que es Puerto Rico. Dos días después, volví a escuchar el llanto maldito. Era sábado y hacía yoga cuando oí aquellos estertores de perro agonizante forzado a gimotear lo que hubiese querido ladrar. De inmediato abandoné mi pose de guerrero y me doblé en una “Uttanasana” (como si quisiera tocarme la punta de los pies) para acorralar mi maranta de pelo negro sobre la corona de mi cabeza en un enorme moño y asomarme al quicio de la escalera con los pies descalzos y los ojos sin rastro de la relajación que me había propuesto al despertar.

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Cerré la puerta tras de mí y escuché. Nada. O al menos nada anormal. Un par de voces conversaban en la acera, o quizás en el patio interior que todo lo amplificaba. Algo con ruedas luchaba por navegar sobre los adoquines azules e irregulares que cubren esta parte vieja de la ciudad. Un predicador radial te exhortaba a aceptar a Cristo como tu único salvador. ¿Y si me lo había imaginado? Era posible. Nunca escuché ruidos extraños en todo el tiempo que estuve con Lucas y me parecía demasiada casualidad escucharlos ahora. Esa tarde, según el breve de las 2:00 pm del noticiero de fin de semana, una mujer había sido asesinada a puñaladas frente a un centro comercial en Guaynabo, mientras que en Caimito, otra había sido asesinada la noche anterior en su propia casa y por su propio esposo. Su hijo de cinco años lo vio todo. Y en el área metropolitana, advertían sobre un violador que atacaba mujeres a la salida de Plaza las Américas, dejando sus paquetes coloridos abandonados sobre la brea del estacionamiento del que las secuestraba. Apagué el televisor y me fui a sentar en el alfeizar de mi única ventana. En el cielo, nubes negras amenazaban con sus contenidos y los que estaban sentados en la placita que hace esquina con la Calle del Cristo, se levantaron con prisa para escapar del aguacero. En mi apartamento, nadie me pedía una cerveza de la nevera ni peleaba por controlar el televisor. En vez, el silencio lo invadía todo, pintando las paredes de un gris plomo aguado, como si estuviera lloviendo adentro, de la misma forma en que pronto llovería afuera y haciendo que sintiera lástima de mí misma. De estar más sola que aquellos adoquines azules que la lluvia pronto azotaría, sin una persona de mi sangre a la que amar. Sin una madre que supiera dónde ubicar, ni una hermana… sin un hijo. En esas tonterías pensaba cuando escuché pasos en el rellano. Cuando había silencio se escuchaban porque era un edificio muy viejo y los techos eran muy altos. Seguro era el nuevo vecino y tuve deseos de salir al pasillo y preguntarle si él también había escuchado los gritos, aunque fuera para tener con quien compartir mi miedo. Para hablar algo con alguien. Pero no me atreví, atinando solo a acercarme sigilosa hasta la puerta, colocándome frente al agujero hasta ubicarlo del otro lado. En efecto, era Jota Francioni. Estaba allí, parado ante su puerta, y a través del lente cóncavo de la mirilla podía verlo hasta la cintura, aunque un poco borroso. Sabía que se llamaba así porque eso decía su buzón en el primer piso: J. Francioni.

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Era trigueño, de ojos achinados. Guapo. Espejuelos. Llevaba un suéter gris de cuello alto y un reloj grueso y suelto, casi como pulsera. Buscaba sus llaves en un messenger de cuero color canela tostada. Sí, no había duda de que Jota Francioni era un hombre atractivo y pensé que esto era lo que ocurría cuando se andaba en relaciones sin futuro: se volvía una ciega a las posibilidades que estaban justa y literalmente enfrente de una. Este hombre llevaba varias semanas viviendo enfrente de mi cara y yo ni había visto la suya hasta ese día. Él seguía frente a su puerta a pesar de ya tener el llavero en la mano, y pensé que podría haber olvidado donde estaba, como pasa cuando uno se muda a un lugar nuevo. Pero no. Más bien se había quedado perfectamente quieto. No. Miento. No perfectamente. Lo que pasaba era que estaba ladeando la cabeza en mi dirección con tanta lentitud, que parecía que no se había movido, pero sí, como si mirara por encima de su hombro y pudiera verme a la perfección. No te lo voy a negar. Quedó en mí congelado cada pelo negro y lacio que me oscurece los antebrazos. Se me ocurrió que se voltearía a verme, que me miraría a través del lente de la misma mirilla por la cual yo lo espiaba a él, descubriéndome. Esa noche, el noticiero de las once cumplió su promesa de darme “todos los detalles” de las cosas horribles que me habían adelantado esa tarde, y de otras más que se les habían olvidado: una madre pedía por su hija de doce años, secuestrada del Hospital de Niños San Jorge mientras convalecía de un tipo de leucemia rara cuyo nombre no alcancé a entender bien. La madre lloraba angustiada, mostrando a la cámara la foto de una rubiecita pecosísima. “Es que nadie sabe cómo una madre se sienteeeee” dijo a la reportera con la voz quebrada y el rostro hinchado de tanto llorar, y a mí, oyendo aquellas palabras, se me escaparon dos grandes lágrimas porque yo hubiese dado cualquier cosa por tener un hijo y saber lo que ella sentía. Las autoridades sospechaban del exesposo y padre de la niña, radicado en Estados Unidos. Quizás en Chicago, dijeron. El domingo siguió lloviendo y hacía frío. Las calles del Viejo San Juan estaban desiertas, lúgubres, pero yo volví a poner el noticiero, decidida a enterarme de todo y a no tener miedo. A rezar un Padre Nuestro y a dormir como un lirón después. Me enteré de que la mujer que habían asesinado frente a su hijo había sido antes golpeada durante días por el marido que le quitó la vida y

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que sus vecinos la oyeron gritar sin siquiera una llamada anónima a la policía. Desgraciados. Inmundos. Les deseé una muerte lenta y dolorosa a todos. Eran tan asesinos como el marido cobarde que no tuvo valor ni para matarse después. Debo haberme quedado dormida pensando en eso porque me despertó el llanto aquel, ya familiar, pero más tenue, como si quien fuera perdiese fuerzas. Los vecinos cobardes de la mujer asesinada seguían en mi mente y tuve que aceptar lo que ya sabía: que los gritos venían de al lado y de ningún otro lugar, que alguien sufría allí y que yo no podía seguir mirando para otro lado como si lo que oía no tuviera que ver conmigo. El reloj decía que eran las 3:33. Llamé a la policía. —Okey, señora, cójalo con calma. Una patrulla va para allá —fue lo único que dijeron cuando contestaron por fin. Mientras llegaban, me puse chancletas, una bata de baño sobre el pijama y salí a subir y a bajar las escaleras porque estar en mi apartamento con aquel llanto me desordenaba los nervios. ¿Y si Jota Francioni era un asesino y tenía a una mujer encerrada allí adentro? A lo mejor era el secuestrador de Plaza Las Américas y estaba allí con alguna de sus víctimas. Quince minutos después, todavía no había llegado una sola patrulla, así que regresé a mi habitación y abrí las cortinas de gaza de par en par, arrellanándome contra la pared de mi clóset improvisado que sabía conectaba con alguna parte del 3B. Pues claro que el sonido venía de allí y me dio vergüenza haberle deseado la muerte a los vecinos de la mujer asesinada en Caimito, cuando yo llevaba días convenciéndome de que no escuchaba lo que sí escuchaba: aquel alarido cansado, lleno de consonantes como si una mujer vomitara, atragantándose en su propia sangre, a punto de morir. Ante esa imagen mental, la razón me abandonó. Empecé a abrir gavetas buscando uno de los malditos taladros de Lucas. No encontré ninguno, pero encontré un martillo. Vacié mi clóset, tirándolo todo encima de la cama, halando el gavetero con todo y gavetas y dando golpes en la pared hasta que escuché como si algo cayera desde una tablilla alta. Seguí dando golpes, mis martillazos lanzando escombros en varias direcciones hasta que vi los siglos del mar en las viejas vigas de madera de la pared y una sombra en la penumbra del otro lado. —¿Estás bien? Contéstame, por favor. Iba a seguir intentando con el martillo pero de nuevo ese llanto difícil, como si le costara respirar. Pensé decirle que la policía REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 145


estaba en camino, pero ¿y si él estaba allí escondido y la mataba al saberse atrapado? —¿Puedes hablar? Bueno, quédate ahí que yo te voy a sacar —dije, fustigándome de inmediato, pues, ¿a dónde demonios podría ir la pobre persona atrapada allí? Pero ella—estaba segura de que era una ella —seguía llorando su llanto aspirado y decidí que si Jota Francioni estuviera allí, ya habría salido a tumbarme la puerta y que yo no podía seguir siendo una mujer cobarde si iba a seguir viviendo en, y queriendo a, este Puerto Rico traumatizado. Marqué de nuevo a la policía y esta vez me dijeron “un momento, por favor” y me pusieron en “hold” antes de que pudiera decir una palabra. Sentí que me mareaba de rabia e impotencia y que nada tenía sentido. Pensé en llamar a Lucas. Él habría venido, pero, al instante de pensarlo, sentí, allí en mi vientre que hacía amago de desalojarlo todo, que no tenía caso. Que él ya se había ido de mí, que vivía en otro mundo desde hacía mucho y que yo no había querido saberlo. Se me ocurrió también tocarle la puerta a alguien del edificio, pero eran viejitos mis vecinos. Sabían de sus gatos y de sus programas de radio y tardarían más en llegar a sus puertas que la policía en contestar el teléfono. Afuera, no había un alma esa madrugada de domingo que ya era lunes y yo, ni tenía un carro con el cual ir a buscar a alguien que pudiera ayudar, ni conocía a nadie a quien me hubiese atrevido a pedirle ayuda a aquellas horas. Estaba como nunca había sabido estar: sola, y tenía una decisión que tomar. O regresaba a mi apartamento y esperaba a la policía, sabiendo que si algo malo pasaba sería por mi cobardía, o me daba prisa en sacar a aquella mujer de allí antes de que Jota Francioni reapareciera con su maldito messenger color canela tostado. Busqué la ganzúa cruciforme de segunda mano que Lucas me regaló cuando quedó claro que yo iba a dejar mis llaves olvidadas dentro del apartamento por lo menos una vez al mes y, todavía con el teléfono junto al oído, me paré ante la puerta de Jota Francioni, tocando varias veces mientras esperaba a que alguien me respondiera en la policía, preguntándome cómo era posible que no atendieran un teléfono designado para emergencias de vida o muerte y deseando con todo mi corazón que lo hicieran para no tener que entrar allí sola. Cuando nadie respondió, actué y trece minutos más tarde, escuché el “clic” avisándome que la cerradura había cedido y que no había vuelta atrás. Solo entonces colgué, guardando la ganzúa y el 146⎹ HOSTOS REVIEW


teléfono ya medio descargado en el bolsillito de la bata de baño antes de abrir la puerta. En el 3B todo era oscuridad y no había señal de Jota Francioni. Las ventanas y puertas al balcón estaban cerradas, así que dejé la puerta abierta para alumbrarme el paso un poco con la luz del recibidor. Había cajas y un sofá oscuro al que le faltaban los cojines del asiento. En el piso, alrededor del sofá, muñecos amontonados: rotos y sin ropa como una advertencia: no solo estaba entrando de manera ilegal en donde no me habían llamado, sino que además estaba entrando en la casa de alguien que no estaba bien de la cabeza. Avancé entonces, inhalando hondo con la intención de aclarar con un poco de aire mi cerebro despavorido, pero en vez de oxígeno, lo que me invadió fue un olor intenso a mangó podrido que, unido al calor denso y holgazán de ese lugar, me recordó a otro lugar, también olvidado por Dios. Como una máquina de tiempo, aquel olor dulce y putrefacto me llevó en segundos a un momento que había borrado de mi memoria: el día en que escapé del hueco rancio de una niñez brutalizada y violenta. Me vi, una niña flacucha y descuidada, de largas trenzas negras, haciendo frente a hombres viejos y depravados, pero bendecidos con la fuerza que Dios debió otorgarles a todas las niñas del mundo. Aquel olor, lejos de debilitarme o causarme nauseas, me serenaba, convenciéndome por fin de algo que me había repetido a mí misma sin convicción durante años: que las víctimas tienen fuerzas ocultas y que a veces en la soledad hay más paz y protección que en el seno de una familia. Así entonces, intoxicada por ese aroma de mis memorias, dejé atrás la poca luz de la bombilla que entraba todavía desde el recibidor para adentrarme por aquel pasillo negro en busca de la fuente de lo podrido. Lo que hallé: cuartos vacíos, más juguetes rotos, uniformes; fatigas azul verdosas como los que se usan en las salas quirúrgicas de los hospitales. En el piso, dos peceras sin agua, con tablas encima y lo que me parecieron muchísimos ratones amontonados adentro. Yo seguía avanzando por aquel pasillo oscuro, cada dos pasos volteándome a ver a mis espaldas y, cada vez, el espacio que dejaba tras de mí lucía tan negro y tan profundo como un pozo, en vez de ser solo el tramo de pasillo que recién había atravesado. Al final del pasillo había una cocina amplia, una multitud de moscas y platos sucios y un calor insoportable. En el medio, como REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 147


isla, había una gran mesa de madera rectangular y, sobre ella, cajas y más cajas de fruta, algunas frescas, otras podridas hacía mucho. La mayoría eran mangós porque estaban en temporada, pero también había acerolas, quenepas y muchísimas guayabas. Sobre la estufa llena de cacerolas sucias, una buena cantidad de moscas intoxicadas dormía sobre una cédula de identificación: Jesús Manuel Francioni, Conserje, Clasificación A, Hospital San Jorge. Era su rostro, pero en la foto se veía diferente, desencajado, sus facciones desalineadas, con ángulos que no sumaban lo que debían y una mirada tan fija como artificial. Las moscas que estaban despiertas eran tantas que volaban en formación. Para neutralizarlas, agarré unas cajas de frutas gusanosas y las llevé a una esquina de la habitación para dirigirlas hacia allí. Pero al soltar las cajas escuché un aleteo intenso seguido de uno de aquellos aullidos pellizcados. Venía de la pared izquierda de la cocina, la que estaría más cerca de mí habitación y cuando puse mis manos sobre ella, se movió porque no era una pared, sino una puerta corrediza pintada del mismo color de la pared, que deslicé para ver por primera vez la otra mitad del rellano bajo el tragaluz que me servía de armario. Este lado era igual al mío, de quizás dos por tres pies. Allí estaban los cojines del sofá que faltaban en la sala y, sobre ellos, una mujer pequeña con una bata de hospital asquerosa y el pelo sudado y encaracolado alrededor de un rostro delgado, casi consumido. Verla, ya no solo estármela imaginando, me provocó un hipo compulsivo y sin pausas, cada uno como una argolla que se unía con el próximo en un collar extendido de sonido ahogado, una variación enferma del lamento cantado que me había llevado allí y que yo, en mi inocencia de días atrás, había catalogado como grito de gato. Me puse en cuclillas para acercarme a la mujer y el olor que me abofeteó era una combinación de todo lo que se escapa de los seres humanos cuando ya no hallamos donde esconder nuestras miserias: llanto, excremento, sudor y hasta el deseo solitario de un hombre enfermo estaban allí, en aquel dos por tres. Traté de levantarla y haciéndolo me di cuenta de que no era una mujer, sino una niña de enormes ojos y tan delgada que casi no tenía cachetes ni labios, solo frente y ojos y pelo. —¿Puedes hablar? Abrió la boca y emitió un maullido y supe sin lugar a dudas que esta niña y la mujer que me había estado llamando sin decir mi nombre eran una y la misma. 148⎹ HOSTOS REVIEW


hipo.

—¿Dónde. Están. Tu mamá y. Tú papá? —le preguntó mi

Su rostro se oscureció e hizo gesto de no saber, señalando al cielo con la barbilla. —¿Eres huérfana? (Y, Dios mío, perdóname, estaba tan flaquita que deseé que lo fuera para quedarme con ella y cuidarla.) Volvió a hacer gesto de no saber y a señalar hacia el cielo hasta que miré a donde indicaba y los vi: por lo menos una docena de murciélagos oscureciendo el vidrio del tragaluz sobre aquella diminuta cavidad. Todos negros, todos como muertos, suspendidos a distintas alturas, sus alitas de ardillas voladoras extendidas. Desde el que estaba más cerca, a unos tres pies de altura, había un tubo plástico por el que corría algo amarilloso como el vómito y que llegaba hasta donde estaba la niña, pero que no estaba conectado a ella, solo amarrado a su brazo con una goma elástica como las que usan quienes se drogan por vena, permitiendo que el líquido se regase, empapando su bata. Al lado de la niña, estaba el murciélago que había escuchado caer en medio de mis martillazos. Lo miré por un momento y me sorprendió ver una carita hermosa. Negra y peluda, redondita, con sus ojitos cerrados como los de un angelito negro. ¿Lo habría matado yo con mi martillo? Sus compañeros aleteaban, chasqueando ahora, conscientes de que la intrusa se disponía a remover una parte crucial del hábitat que ellos vigilaban. El sonido era asqueroso y sentí desespero por salir de allí. —Te voy a sacar de aquí, ¿okey? La niña miraba al vacío con ojos aterrorizados. —¿Te ha hecho daño? ¿Francioni? Pestañeó sin dejar de mirar al vacío como si no me hubiese oído y yo me concentré en levantarla como si no le hubiese hecho una pregunta, identificándome con ella de inmediato; la solidaridad de los niños victimizados. Yo seguía haciendo fuerza por levantarla de aquel espacio tan reducido sin tocar el murciélago, pero ella no me ayudaba. Había cerrado los ojos, desfallecida, y le retiré el pelo de la cara, queriendo pedirle que hiciera un esfuerzo. Fue en ese momento, temiendo que se me muriera, que la reconocí: la niña de las noticias. La que se habían llevado del hospital, estaba segura. Mi corazón latía, pero ya no de miedo sino queriendo darlo todo por aquella muchachita pecosa.

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Me quité la bata de baño y trataba de envolverla en ella y de ubicar mi teléfono, cuando escuché una voz a mis espaldas. —No la puedes mover. Era Jota Francioni y del susto casi caigo sentada sobre cojines que habían servido de cama, habitación y prisión, pero ni así solté a la niña. —La policía está al llegar, ¿okey? Si yo fuera tú, escapaba ahora —dije, aunque no sé si me entendió porque mi terror era tanto que perdí el control de mis mandíbulas y de lo que sea que hace que el cerebro produzca palabras. —¡Está enferma! —me gritó él y comenzó a pegarse a sí mismo muy fuerte en plena cara. Yo no decía nada porque me moría de miedo de tenerlo tan cerca y no lograr recordar en qué bolsillo estaba la ganzúa, ni como la sujetaba si la ubicaba. Él también estaba agitado, hablando como si estuviese a punto de llorar a causa de una enorme frustración. —¡La estoy curando! Porque las demás se murieron y… por ley de probabilidades, ¿okey? … por ley de probabilidades, coño… ¡Pero no la podías moveeeer! Como el loco que era, caminaba de un lado para el otro mirando para todas partes hasta que vio la caja de frutas gusanosas que yo había puesto en la esquina y fue hacía allí sin mirarme, decidido. Empezó a revisar la caja de mangós, a contarlos, diciendo cosas como que yo no tenía que estar allí, dos, cuatro, que él no molestaba a nadie, siete, ocho. Lo demás no lo entendí porque estaba tan enfurecido que sonaba a jeringonza. Yo seguía tratando de ubicar el bolsillo de la bata de baño en la que había puesto la ganzúa, pero tenía a la niña cargada con ambos brazos y no podía pensar. —La comida de ellos, doce, bendito sea el diablo, yo no sé por qué puñeta, catorce, se tienen que meter con uno —dijo trayendo las cajas de regreso a la mesa y tirándolas allí con furia. No sé cuántos minutos pasaron así, pero en algún momento levantó la voz y la niña, sus ojos cerrados todavía, se contrajo contra mi pecho. Pensé: “No tengas miedo. No permitiré que te haga daño, no importa qué”. Quise transmitirle mis palabras, comprendiendo como si lo viese a través de una puerta entreabierta, que yo no era tan diferente de aquel loco frenético cuya soledad lo había llevado a obsesionarse con una niña que no era suya. Quizás por eso, cuando oí a la policía tumbar la puerta que Jota Francioni encontró abierta y cerró con tanto sigilo que yo jamás lo escuché, me dio lástima y hasta tristeza verlo levantar los brazos 150⎹ HOSTOS REVIEW


en rendición, mirando hacia sus murciélagos como si solo le pesara no haberles podido dar su suero de mangó una última vez. Mientras, a nosotros, a mi niña y a mí, ni nos miró. Ni siquiera cuando se lo llevaron arrestado, y nunca supe qué fue lo que vio en mi rostro que lo hizo despotricar sin atreverse a atacarme ni con la mirada. ¿Quién sabe lo que piensa un loco? Quizás es tan sencillo como que olvidó que estábamos allí. Esa mañana de lunes, viajé con ella en la ambulancia. Pensaba en la alegría de su mamá—la mujer que yo había visto llorar en el noticiero—cuando la viera. Pero cuando llegamos y abrieron las puertas de par en par para sacarla con todo y camilla, la mujer que se acercó corriendo como si volara fue otra. Confusa, miré a mi niña y solo entonces vi que no era la que yo pensaba. Esta niña era más pequeña, tendría ocho o nueve años y no era rubia, sino morena, ni una sola peca en su rostro de angelito negro. Fue tanto mi asombro, que no atiné a rogar que me dejaran abrazarla una última vez antes de que se la llevaran. De que me la quitaran. Los investigadores insistieron en transferirme al Hospital Pavía para que los médicos me revisaran a mí también. El doctor que me atendió me dijo que era normal confundir rostros de gente, incluso alucinar, en momentos de mucha tensión, de terror, pero tardé mucho en creerles. No me parecía posible. Me enteré luego por los investigadores, que los murciélagos de Jota Francioni eran llamados murciélagos de la fruta porque eso comían. Que él les dijo a los policías que sabía más que los médicos y que había creado un “protocolo” para curar a los niños del pabellón de trastornos hematológicos del hospital, que consistía de mezclar su propio semen con sangre extraída de sus murciélagos alimentados con puré de mangó y que, en su delirio, pensó que inyectaba a la niña con ese suero, aunque la policía no encontró marca de aguja alguna en su cuerpecito. Cuando aquello, yo no quería saber mucho para no volverme más loca de lo que ya me sentía, pero sí quise saber si durante el interrogatorio, el que fuera mi vecino había entendido aunque fuera por un instante que había torturado a una niña indefensa y a animalitos inocentes. Los detectives no sabían, pero pensaban que no. Lo que sí sabían era que no se habían encontrado los muñecos rotos ni los ratones en peceras que yo había visto. Insistieron en que tratara de recordar, en que era necesario corregir la incongruencia de esos “pequeños” detalles de mi testimonio. Pero no debe haber sido tan vital na’ porque un buen día, cuando se cansaron de que REVISTA HOSTOSIANA ⎹ 151


eso fuera lo que recordara y de que no pudiera estar segura de si en realidad los había visto, o si solo los había imaginado, me dejaron en paz. La otra niña también fue devuelta. La policía de Chicago la encontró en la casa de su padre y los noticieros cubrieron a la madre subiendo al avión en el que viajaría a buscarla. Me pregunto aún si el secuestro de esa niña fue lo que le dio la idea a Jota Francioni de hacerse pasar por enfermero para llevarse a la mía. Digo la mía, pero ya sé que no lo era. Nadie me quiso dar su nombre y no fue publicado en la prensa por ser el nombre de una menor que de alguna manera había sido agredida sexualmente. Nunca la he vuelto a ver. No sé si vive. A veces, cuando me viene a la mente algo de aquella madrugada, ya sea el olor a mangó descompuesto, o la carita de angelito de aquel murciélago negro, hago un esfuerzo y pienso en ella abrazada a mi pecho, el loco que la había lastimado dando gritos a escasos pasos de nosotras. Pienso en lo fuerte que fue—que es, supongo— en que su mamá la ama y, seguro, la protegerá como nadie me protegió a mí. Que sobrevivirá y se recuperará, aunque para ello tenga que convertirse en una mujer que no podrá ver un mangó ni en pintura, que les tendrá terror a los murciélagos y que, como yo, jamás aprenderá a vivir sola.

*** Anjanette Delgado (1967), escritora y periodista, nació en Río Piedras/ Carolina, Puerto Rico. Ha vivido en Nueva York, Atlanta y Miami, donde reside actualmente. Es la autora de La píldora del mal amor (Simon and Schuster, 2009), novela ganadora del Latino International Book Award en 2009, y de La clarividente de la Calle Ocho (Kensington Publishing & Penguin Random House, 2014). Su obra ha sido publicada en numerosas antologías, así como en The Kenyon Review, Pleiades, Vogue, The Hong Kong Review, NPR y HBO, entre otros.

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