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ID: 38885989

02-12-2011

Tiragem: 21711

Pág: 33

País: Portugal

Cores: Preto e Branco

Period.: Diária

Área: 15,39 x 29,63 cm²

Âmbito: Economia, Negócios e.

Corte: 1 de 1

Gesto Energia vai fazer atlas energético de Moçambique Grupo português, liderado por Miguel Barreto, está a investir fortemente em projectos no mercado africano. Ana Maria Gonçalves ana.goncalves@economico.pt

A Gesto Energia – empresa liderada pelo ex-director geral de Geologia e Energia, Miguel Barreto – foi escolhida para fazer o mapa das energias renováveis de Moçambique. O projecto levou recentemente uma equipa de seis elementos da consultora a percorrer 8.500 quilómetros em todo o território moçambicano – uma missão que visava identificar as melhores localizações para instalar 35 estações de medição de vento e sol, dando assim forma a um plano que conta com o aval do Governo do país. O objectivo é garantir um conhecimento detalhado dos recursos existentes em Moçambique, para mais tarde se definir o quadro de incentivos que servirá de base a futuros concursos. Além da energia eólica, também o potencial do sector hídrico, biomassa, solar, geotérmico e ondas será passado a pente fino pela equipa da Gesto Energia. “O projecto em Moçambique durará até 2013”, adiantou Miguel Barreto, realçando que todos os países africanos são potenciais clientes. Este não é o único projecto a ligar a consultora portuguesa a Moçambique. Ainda esta semana, a Gesto Energia assinou em Lisboa, no âmbito da cimeira luso-moçambicana, mais um acordo com o Fundo de Energia de Moçambique para a electrificação rural do país e o lançamento de duas dezenas de pequenas redes assentes em fontes renováveis. Martifer mantém participação e parceria com consultora

No currículo da Gesto Energia destaca-se o projecto desenvolvido em Cabo Verde. A consultora desenhou o Plano Energético para o arquipélago africano, e ainda concedeu apoio técnico ao licenciamento e operacionalização de um

A consultora Gesto Energia, presidida por Miguel Barreto. conta na sua estrutura accionista com uma participação residual da Martifer.

conjunto de projectos emblemáticos na área das renováveis, com destaque para as duas centrais fotovoltaicas de cinco megawatts (MW), em Santiago, e de 2,5 MW na ilha do Sal. A instalação destes activos foi adjudicada à Martifer, outra empresa portuguesa que, até ao início de 2011, foi accionista da Gesto Energia e que ainda mantém uma ligação accionista residual à empresa. “Fizemos o ‘road map’ das renováveis de Cabo Verde até 2020, horizonte a partir do qual 50% da energia fornecida será de origem verde, acompanhado por um plano de investimento em redes para suportar o trabalho anterior”, afirma Miguel Barreto. O gestor procura assim tirar partido do ‘know how’ do grupo de Oliveira de Frades e da sua experiência na Direcção-Geral de Energia. A aposta e investimento no arquipélago de Cabo Verde incidiram ainda sobre a prospecção geotérmica nas ilhas do Fogo, de Santo Antão e de São Vicente. Já antes, em 2009, a Gesto Energia tinha passado por Timor, território onde desenvolveu trabalhos também no plano energético. A consultora aposta ainda em projectos na área das energias renováveis em Portugal, mas está a atenta a outros mercados internacionais, como Itália e Espanha (ver caixa). ■

Aposta na internacionalização Outra área de actuação da consultora liderada por Miguel Barreto é o desenvolvimento de projectos renováveis em áreas específicas. Até hoje, a Gesto Energia concentrou-se na bombagem pura hidroeléctrica e na geotermia. Na bombagem, a consultora identificou inúmeros projectos em Portugal e Espanha e foi responsável pelo lançamento da Central de Carvão Ribeira com 400 MW, cujo concurso foi adjudicado à EDP. Em Itália,

na área da geotermia, um segmento recentemente liberalizado e com um atractivo quadro regulatório, a Gesto Energia conta com quatro concessões, rivalizando neste negócio com grandes operadores como a Enel. A Itália é actualmente o quinto país do mundo com maior capacidade eléctrica instalada com recurso à geotermia, 843 MW – um número que compara com os 29 MW de Portugal. A.M.G.


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