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CARACTERIZAÇÃO BOTÂNICO-AGRONÔMICA DE DOIS ACESSOS DE Eugenia dysenterica COLETADOS EM GURUPI-TO Romualdo Júlio Cavalcante

1 Wanderley ,

Henrique Guilhon de

2 Castro .

1Aluno

do curso de Engenharia Florestal; Campus de Gurupi; julio_cavalcanti@hotmail.com; PIVIC/UFT 2Orientador do curso de agronomia; Campus de Gurupi; hguilhon@uft.edu.br . INTRODUÇÃO Entre as diversas espécies nativas do cerrado brasileiro que apresentam potencial de utilização em sistemas tradicionais de produção agrícola, a cagaiteira (Eugenia dysenterica) merece destaque, pela utilização de seus frutos. A cagaiteira pertence à família Myrtaceae e apresenta tanto autofecundação quanto fecundação cruzada. . A época de frutificação ocorre de outubro a dezembro. É uma árvore frutífera nativa dos cerrados de até 10 m de altura, de tronco e ramos tortuosos, casca grossa, fissurada. A cagaiteira apresenta germinação satisfatória, porém com crescimento posterior lento.

OBJETIVOS O objetivo deste trabalho foi caracterizar por meio de características botânicoagronômicas dois acessos de cagaita coletados no município de Gurupi em cinco épocas de avaliação.

MATERIAL E MÉTODOS As mudas de cagaita foram obtidas a partir de sementes coletadas de dois acessos localizadas no município de Gurupi-TO. Foi utilizado o delineamento inteiramente casualizado em esquema fatorial (2 acessos x 5 épocas de avaliação), com oito repetições. A parcela foi constituída por 2 mudas cultivadas em vasos de 10 L. As épocas de avaliação foram realizadas em intervalos regulares de 30 dias. Foram avaliadas as seguintes características: altura das mudas, número de folhas, área foliar, vigor da muda e diâmetro basal (mm). A área foliar foi obtida utilizando a seguinte equação: AF = 0,719 C x L (C = comprimento médio da folha; L = largura média da folha) (Brito et al, 2003). O vigor das mudas foi avaliado por uma escala de notas (0 a 4). Os dados foram interpretados por meio de análises de variância e de regressão. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. As análises estatísticas foram feitas no programa SAEG (Sistema para Análises Estatísticas e Genéticas) (Ribeiro Júnior e Melo, 2009).

RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com a análise de variância não foi verificado diferença significativa entre as épocas de avaliação nas variáveis avaliadas e, portanto, não foi realizado análise de regressão no fator épocas de avaliação. A ausência de diferença significativa entre as épocas de avaliação mostrou que as mudas de cagaita apresentam crescimento inicial lento. Foi verificado diferença estatística entre os acessos somente na primeira época de avaliação na variável vigor e na segunda época de avaliação na variável número de brotos. Com exceção da quinta época de avaliação na variável vigor, que os acessos apresentaram valores iguais, em todas as outras épocas o acesso 2 apresentou maior valor que o acesso 1 nas variáveis avaliadas (Tabela 2).

Tabela 1. Resumo das análises de variância nas variáveis área foliar (AF), altura da plântula (ALT), número de folhas (NF), número de brotos (NB) e vigor (VIG) de dois acessos (AC) de cagaita, em cinco épocas de avaliação (EA). Gurupi, TO. Quadrado Médio FV

GL

AF

ALT

AC

1

174,6405 *

83,2320

74,1125*

11,2500*

2,8125*

EA

4

11,7267

13,9980

18,1688

1,2063

0,3625

AC x EA

4

2,1552

2,9170

3,3938

0,2188

0,3750

Resíduo

70

27,2021

28,5293

15,8018

1,7321

0,7089

28,20

23,79

43,033

79,76

32,54

CV (%)

NF

NB

VIG

** = significativo a 5% de probabilidade pelo teste F.

Tabela 2- Valores médios do crescimento de dois acessos de cagaita nas variáveis área foliar, altura, número de folhas, número de brotos e vigor, em cinco épocas de avaliação, em Gurupi-TO.

Épocas de avaliação Acesso 65 95 125 155 185 Área foliar 1 19,96 a 18,69 a 19,53 a 20,78 a 20,91 a 2 20,83 a 21,49 a 22,70 a 23,78 a 23,64 a Altura 1 20,82 a 21,34 a 21,48 a 21,84 a 22,00 a 2 21,85 a 22,34 a 23,61 a 24,61 a 24,95 a Número de folhas 1 6,63 a 7,38 a 7,75 a 9,63 a 10,00 a 2 9,00 a 10,25 a 10,25 a 10,50 a 11,00 a Número de brotos 1 0,88 a 1,00 b 1,25 a 1,63 a 1,63 a 2 1,63 a 2,12 a 2,00 a 2,13 a 2,25 a Vigor 1 2,38 a 2,25 a 2,13 a 2,62 a 2,63 a 2 3,13 b 2,75 a 2,63 a 2,75 a 2,63 a Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (P > 0,05).

CONCLUSÕES Não foi verificado diferença significativa entre as épocas de avaliação nas variáveis avaliadas. Dessa forma os dois acessos devem ser selecionados na constituição da coleção de germoplasma de cagaita visto a necessidade de preservação de genes de características desejáveis nesta espécie de ocorrência espontânea no cerrado.


PIVI  

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