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Baiata & Sanguessuga

-Veja, Super Sanguessuga, eu acho que talvez nós devêssemos virar vilões. -Como assim, Barata Voadora? O que você está dizendo? -O problema, Super Sanguessuga, é que as pessoas nos temem. E com razão. -Como você pode dizer isso, Barata Voadora? Nós fazemos o bem. -Sim, claro, com certeza. Nós realmente fazemos o bem. Nós ajudamos as pessoas quando elas estão em perigo. Mas nós devíamos nos tornar vilões. -Baiata, eu não estou te reconhecendo. -Por favor, Sanguessuga. Toda vez que nós ajudamos alguém a pessoa pensa que nós vamos atacá-la. -Nós não devemos deixar o fato, Baiata, nós não devemos deixar o fato de que as pessoas nos odeiam e nos temem mudar o fato de que elas precisam de nós. -Mas, Sangue, nós espalhamos doenças. Nós fazemos mal a eles, Sangue. -Não mais, Baiata! Nossas roupas impedem que nós façamos mal a elas. -Sanguessuga, eu gosto de você. De verdade. Mas nossas roupas não impedem que nós façamos mal a eles. Eu e você não fazemos mal a eles, mas as baratas e sanguessugas fazem, Super. Eles não querem saber das nossas roupas e se nós fazemos o bem, pra eles as baratas e sanguessugas fazem mal. -Mas e daí? É verdade. As baratas e os sanguessugas fazem mal aos homens. Só que nós somos apenas dois dos diversos males que as pessoas tem que enfrentar, sem contar elas mesmas. É por isso que nós optamos por ajudá-los quando ganhamos nossos super poderes: porque eles precisam de ajuda. -Sangue, eu não penso mais assim. Eu não acho mais normal o fato de que eles nos atacam. -Foi você mesmo que falou. Eles nos temem por isso nos atacam. Nós levamos doenças para eles, então eles nos atacam. -Eu não acho mais que eles devessem nos atacar. -E mesmo assim, Baiata. Eles nunca vão conseguir nos exterminar. -Sim, Sanguessuga, mais pra mim isso não justifica mais eles nos exterminarem em massa. Desculpa, mas você não é uma barata. Cada uma que morre faz falta. Nós só entramos nas casas quando elas estão sujas. -Vocês são os animais que mais evoluem nesse planeta. Vocês estão ficando cada vez mais fortes.


-Não só mais forte, Sangue. Eu sou um exemplo disso, isso que eu estou dizendo é um exemplo disso. Você é um exemplo disso. -Nós somos exemplos diferentes, Voadora. -Mas mesmo vocês, Sangue. Qual o problema na forma com que você se alimenta. Os seus são perseguidos, cara. -Desculpa, Baiata. Eu não consigo pensar desse jeito. -Puxa, Super. Então eu acho que é aqui que a gente se separa. -Você vai defender as baratas, Voadora? -Vou. Sabe, eu andei pensando o seguinte, que tudo pensa, cara. As pessoas nos ofendem o tempo inteiro. Dói ser pisado. E os cupins? É apocalipse atrás de apocalipse. A gente precisa se defender das pessoas. -É, Voadora, mas elas precisam de ajuda. Eu ainda acredito que tenho de ajudá-las. -Eu também, mas nós precisamos nos defender deles também. -Nossa, vamos seguir caminhos diferentes mesmo. Puxa. Mas, nós não precisamos nos tornar inimigos. -Não, de jeito nenhum. Isso nunca. A gente só vai encarar algumas coisas por ângulos diferentes agora. É só isso. -E no fundo, pensando agora, nem são tão diferentes assim. -Não são mesmo, Super. É isso aí. Pensando agora, nós vamos continuar trabalhando pela mesma coisa. -Que legal. Tudo pensa, Barata Voadora? -Pensa, sim, Super Sangue Suga. -Então, me dá um abraço, querida. Adeus.

Baiata & Sanguessuga  

Uma dupla de super-heróis discute o futuro de suas ações.

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