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geraldopost maGazine

JUNHO|JULHO 2013 R$ 6,90

Opinião

Parada Gay a ‘Parada’, ‘Paim’ e ‘PLC 122’

eu sou! Seu armário em 10x sem juros

salve Jorge LGBTs não souberam amar a novela de Glória Perez

maTeUS

SOLanO a BiCHa mÁ!

COnHeÇa OS “FÉLiX” Da ViDa ReaL! “O fato de eu gostar de homens e mulheres me faz um cara mais completo e feliz, curto prazeres que a vida me oferece, sem limitações, e com segurança.”

adoro! O maravilhoso mundo da barba


editorial

“Parada Gay” ou “Parada LGBT”?

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xiste uma tremenda diferença entre Parada Gay e Parada do Orgulho LGBT. Apesar da primeira ser a mais popular, ela é menos importante, apenas parte popularesca do movimento pelas causas LGBTs na sociedade. Mesmo homossexuais acabam vulgarizando o assunto, com a desculpa de que a Parada foi transformada em “micareta”. Cabe então a pergunta: de quem é a culpa? E nos vem a resposta: Do próprio gay. Não há problema algum ir à Parada para beijar na boca, ver os corpos nus e beber, mas é preciso ser gay antes, durante e depois da Parada, não apenas no domingo seguinte ao feriado de Corpus Christ. É preciso ser mais atuante. A população, de modo geral, reclama demais do evento e usa de termos cada vez mais pejorativos, denegrindo o movimento, exatamente por conta de comportamentos que em nada lembram a luta pela dignidade e pelo respeito aos homossexuais, independentemente de gênero. Quem precisa mudar não é a Parada, mas sim os gays brasileiros. Ficar em casa diante do computador, reclamando e criticando a postura da organização, é a mesma coisa que tapar os olhos e os ouvidos, agindo pelo simples prazer de criticar. Tal atitude assemelhasse ao voto nulo, que cabe como “protesto”, mas no fim das contas não serve para nada. Questionar, discutir e buscar informações a respeito é mais prudente do que a crítica, mesmo para aqueles que ainda se perguntam: será que eles estão abertos a receber o cidadão na sede da APOGLBT? Sim estão. Qualquer pessoa pode procurá-los. Basta querer, ser menos “cri-cri” e partir para uma postura apaziguadora. O gay brasileiro precisa primeiro mudar sua mente, antes de querer mudar a Parada Gay. Tudo depende da visão do receptor, do pré-conceito e da definição antes da compreensão. É preciso agir. Não adianta ficar “Parad@”!

Quem precisa mudar não é a Parada, mas sim os gays brasileiros

O MARAVILHOSO MUNDO DA BARBA PÁG. 11 Capa Mateus Solano é a ‘Bicha Má’ da Novela das nove PÁGs. 8 e 9

O que tem pra hoje? Marco Feliciano no “Festival Mix Brasil” pág. 14

Geraldopost magazine

Expediente

Jornalista Responsável Geraldo Ramos Junior email@geraldopost.com | geraldopost.com | +55 11 9 8312.5008

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Geraldopost magazine

estreia

A Notícia é Agora!

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eraldopost|Magazine chega para dar ao leitor uma nova alternativa quando se trata de publicações do gênero Variedades. Nesta edição de estreia, um especial sobre o circuito LGBT, reunindo opinião e reportagens sobre o assunto, com destaque para a “Parada do Orgulho LGBT.” O evento, conhecido popularmente como “Parada Gay”, é analisado por Dan Barreto, em um texto explícito de “um não conhecedor”. Quando foi convidado para falar sobre o assunto, disse que não se interessava pelo “evento” (assim mesmo entre aspas) e escreveu um texto que levanta uma discussão: “o gay não se interessa pelo assunto, ou o assunto virou tão popularesco a ponto de não despertar interesse?”. O técnico em eventos, Rodrigo Nascimento, reflete sobre o tema de forma bem humorada com “Seu armário em até em 10x sem juros”. A “PLC 122” ganha destaque com o texto franco de Marco Morcef, sobre o projeto de lei que visa criminalizar a homofobia no Brasil. Ele critica a postura de lideranças políticas e questiona a idoneidade da ação.

Nada mais do que justo colocar o lindo Mateus na capa com o título “Bicha Má!”, já que ele virou o mais novo queridinho da dramaturgia nacional... Fábio Justino, em “O maravilhoso mundo da barba”, defende, com descontração, o charme e a virilidade que os barbudos possuem. “Com barba, meu caro, a pegada é outra”. Surge na televisão brasileira o personagem Félix Khoury, interpretado por Mateus Solano, em Amor à Vida, novela de Walcyr Carrasco, que estreou no dia 20 de maio, conquistando o público que, anteriormente, pareceu “não entender” Salve Jorge, trama de Glória Perez. Nada mais do que justo colocar o lindo Mateus na capa com o título “Bicha Má!”, agora que o ator virou o mais novo queridinho da dramaturgia nacional. É a legítima representação gay do momento, em uma sociedade repleta de línguas afiadas. Geraldopost|Magazine entrevistou dois “Félix” da vida real e eles contam como é levar uma vida dupla por conta da sua orientação sexual. “O fato de eu gostar de homens e mulheres me faz um cara mais completo e feliz”, diz um deles.


tv | novela

Galãs vivem ‘par romântico’ sem estereótipos divulgação

“Ele não dá a mínima bandeira de que é homossexual. Isso me deixou tranquilo, porque percebi que vou poder fazer um ser humano e não uma caricatura” [Thiago Fragoso]

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aíram os travestis, transexuais e gays traficados de Glória Perez e entraram três grandes e complexos personagens em Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, que estreou no dia 20 de maio, na TV Globo. Até o momento apenas Félix Khoury, interpretado por Mateus Solano, deu o ar da graça. E bota graça nisso. Em minutos da estreia ele virou o assunto mais comentado das redes sociais e está dando um show de interpretação. Fio condutor de toda a trama principal, Félix é o filho de César (Antônio Fagundes) e Pilar (Susana Vieira) e morre de inveja da irmã adotiva Paola (Paola Oliveira), além de desejar a presidência do hospital da família. Casado com Edith (Bárbara Paz) logo foi descoberto pela esposa, após marcar um encontro com seu “Anjinho”. Na sequência em que é desmascarado pela esposa, o vilão recitou as falas que a comunidade LGBT esperava ouvir: “Opção é a palavra errada”, em uma cena já considerada antológica. Na contramão do vilão da novela, logo entrarão os personagens Niko e Eron, interpretados por Thiago Fragoso e Marcello Antony, respectivamente, (um casal que vai usar a empregada como barriga de aluguel para ter um filho). Além

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disso, eles interpretarão personagens completamente fora do estereótipo afeminado. “É a primeira vez que o assunto está sendo abordado dessa maneira, bem direta, sem nenhum subterfúgio, até porque o meu personagem não dá a menor pinta de que é bissexual. Ele, inclusive, já namorou mulheres antes”, disse o ator Marcello Antony, que viverá um personagem cheio de questionamentos, enquanto o companheiro é gay assumido e também sem estereótipo. “Ele não dá a mínima bandeira de que é homossexual. Isso também é normal e me deixou mais tranquilo, porque percebi que vou poder fazer, acima de tudo, um ser humano, uma pessoa, e não uma caricatura que possa ser julgada ou classificada de qualquer forma diferente”, disse o ator Thiago Fragoso, em entrevista ao site da novela. BEIJO GAY Questionado se terá beijo gay, Antony

brinca que já havia sido perguntando pelos amigos: “Não sei se vai rolar, mas acho que esse assunto já é passado”, e diz que existe “uma grande possibilidade das pessoas torcerem pelo casal”. Para Fragoso, o casal é um divisor de águas porque “quero que a gente consiga mostrar uma família feliz e que o público torça pelo casal e que isso vire um marco na TV”.


aquenda!

Casamento Igualitário por Giovanni Moscato Junior

“E

ssa lei será a dissolução da família brasileira; as pessoas não terão mais interesse em ficar casadas; filhos de “lares desfeitos” crescerão como marginais; a sociedade irá sucumbir por este motivo.” O ano, 1977. A gritaria, promovida pela Igreja Católica (pois as pentecostais na época praticamente não tinham voz), era dirigida contra a lei do divórcio. E o tão propalado apocalipse familiar brasileiro teve de esperar quase 40 anos para acontecer, mas provocado pelo neoliberalismo, que transformou grande parte da humanidade em um bando de idiotas consumistas e eternamente endividados, seja pelas drogas (especialmente pelo crack), pela erotização precoce e exagerada de crianças e adolescentes e, principalmente, pela proibição, por parte do Estado, de que os pais possam educar seus filhos. Um ambiente familiar no qual os animais de estimação e as crianças é que mandam não pode redundar em coisa boa, sob hipótese alguma. Mas nada a ver com o divórcio, que foi uma resposta (tardia) do governo militar a algo que, na prática, a sociedade já vivenciava. Passados 40 anos, eis que a gritaria volta, mas por motivo diferente: o que vai causar um apocalipe familiar no Brasil e no mundo, agora, é o casamento gay. Qual o problema com essa gente, afinal de contas? Se você é agnóstico, ateu, budista, judeu ou muçulmano, talvez não se importe com o que Cristo tenha ou não dito. Para um cristão, porém, deveria ser parâmetro para a vida toda. Sobre os mandamentos, por exemplo, Cristo resumiu os dez de Moisés a apenas dois, sendo: 1. Amar a Deus sobre todas as coisas (autoexplicativo, pois não?) 2. Amar as pessoas como a nós mesmo.

Aqui, o bicho pega, e por dois bons motivos. Primeiro bom motivo: se você não se ama, não amará ninguém; Segundo bom motivo: Jesus disse para “amar as pessoas”. Ele especificou, por acaso, que tipo de pessoa deveria ser amada? NÃO! Disse apenas para amarmos as pessoas, em geral. Ponto final. Como não é de bom tom uma pessoa supostamente inteligente admitir que é preconceituosa e homofóbica, usa-se a “palavra de Deus”. Não sei se já perceberam, mas as igrejas, em especial as evangélicas, adoram fazer uma baguncinha com essa história de moral religiosa. Usam o Velho Testamento para domar o rebanho, mas o Velho Testamento, para um cristão, não deveria ter

valor algum. Uma igreja evangélica, como diz o próprio nome, prega o Evangelho, ou seja, a boa-nova, a palavra de Jesus, o Deus Vivo entre os homens. Vamos falar sério? Jesus, um tremendo de um revolucionário, fatalmente acabaria expulso de qualquer uma dessas igrejas pretensamente cristãs. De cristãos, esses pastores homofóbicos não tem nada. Lembram-se da passagem na qual o povo quer (cumprindo as leis da época, as leis de Moisés) apedrejar uma mulher adúltera? Qual foi a reação de Jesus? Morra, sua pecadora? Ora, me poupem! Ele salvou a vida daquela mulher, completamente despojado de preconceitos e de julgamentos. Por que vocês, religiosos, não conseguem fazer o mesmo? Porque vocês não acreditam em Deus! Apenas usam o nome Dele para ganhar dinheiro, muito dinheiro! Esse é o estelionato mais bem engendrado de que já tive notícia em toda a minha existência! Vamos ao que importa: A comunidade gay deve deixar de ser alienada e deve se unir. Deve votar em candidatos que os representem nos poderes legislativos (Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal). Os evangélicos fazem exatamente isso e estão com grande vantagem sobre vocês nesse aspecto. A situação é séria e não comporta mais espaço para brincadeiras. Esta não é apenas uma questão de “poder ou não se casar”, de “poder ou não adotar crianças”. Isso tem a ver com Direitos Humanos. Tem a ver com cidadãos serem discriminados, mortos em crimes de ódio derivados unicamente de sua condição sexual, não poderem viver plenamente sua cidadania e suas vidas por um detalhe, um único detalhe: nasceram atraídos sexualmente por pessoas do mesmo sexo. Isso para ficarmos no campo das simplificações, sem tratarmos da bissexualidade, por exemplo. Fiquemos apenas com os gays.O que importa se João ama Maria ou Antônio, sinceramente? Em que isso muda a minha vida, ou a sua, que me lê até aqui? Me responda: muda o quê? Se as religiões não quiserem celebrar cerimônias entre homens ou entre mulheres, tudo bem, problema delas. Mas o Estado não pode se omitir em hipótese alguma. Devem ser celebrados casamentos e divórcios civis sim, observadas estritamente as mesmas regras dos casamentos entre os heterossexuais. Todos os demais direitos civis, constitucionais e humanos de todos os cidadãos devem ser observados e respeitados, independente de qualquer irrelevância. O que fica de mais importante para mim, nesses meus 40 anos de vida, é que somos, no fundo, todos absolutamente iguais em nossas profundas diferenças. No final das contas, a raça é humana.

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eu sou!

SeU aRmÁRiO em aTÉ 10X Sem JUROS

Por roDriGo nasciMento

Rodrigo é paulista, tem 31 anos e é Tecnólogo em Eventos

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uando se fala em “sair do armário”, geralmente imaginamos uma drag queen sentada em uma poltrona em forma de salto alto, em cima de um ônibus em movimento e com uma echarpe balançando ao vento. É difícil imaginar seu médico ou seu dentista, pessoas aparentemente comuns, sendo gays e ainda mais difícil imaginá-los “assumidos”, não é mesmo? Temos aquela impressão de que “assumir-se” significa erguer a mão em um churrasco de família para pedir a palavra e dizer a todos: “Querida família, eu sou gay!”, ou travestir-se assumindo a identidade de uma “diva” (travestis merecem respeito como qualquer outra pessoa, apenas uma coisa não tem nada a ver com a outra). Falar em assumir-se traz também a sensação de que jamais seremos aceitos ou entendidos, de que as pessoas que gostamos e convivemos irão nos rejeitar. Algumas de fato poderão fazer isso, mas falar de aceitação é algo complexo e um grande abismo na cabeça e na vida de algumas pessoas. Do meu ponto de vista, vejo que a raça humana possui dois sentimentos conflitantes: aceitação e egoísmo. Ambas perfazem as necessidades que movem o mundo e determinam tudo o que as pessoas fazem, como agem e como pensam. Parece que a sociedade é norteada por esses dois pontos: “Faço qualquer coisa para ser aceito e, ao ser aceito, quero ser o melhor desse grupo que me aceitou”. São os caminhos e atalhos que as pessoas pegam para satisfazer essas duas necessidades que determinam o que me diferencia de você, você do seu amigo e seu amigo do vizinho dele. Para um homossexual, a sina da aceitação é algo como um fardo, uma carga pesadíssima formada de preconceitos, perseguição e ignorância, essas que são fabricadas graças a um daquele “norte” já citado: o egoísmo. Por conta do monstro da aceitação, o tema “assumir-se” torna-se um tabu no mundo gay. Alguns se casam como héteros e morrem reprimindo o que sentem, outros traem parceiros (alguns inclusive com travestis, iludindo-se de que não estão saindo com um “homem”) e alguns chegam ao extremo de tirarem a própria vida, pois o medo de não serem aceitos faz com que eles mesmos não se aceitem, acreditando que o suicídio seja uma tarefa mais fácil do que a de tentar convencer um mundo que não quer ser convencido. O mundo realmente não quer, mas no contexto de nossa própria vida, e de nossa felicidade, o que o mundo quer tem que ser o que menos importa. Para isso, precisamos entender o que é “assumir-se” e entender o que é “aceitação”. Tudo fica mais claro e fácil assim, pois o dilema não está em “ser”, mas em decidir o que “fazer”. Parece complicado? Parece, mas não é. A primeira coisa a entender é que você é especial, que você, seja hétero ou homo, é uma pessoa única. Se você é cristã, saiba que você é filho de Deus, independente do que digam igrejas ou pastores, e Ele te ama acima de qualquer coisa. Se você for ateu, ou sua crença seja em alguma força especial ou similar, vale a mesma regra, você é especial e nada vai mudar isso. Nada, nem ninguém. Portanto comece riscando da sua vida termos como: “sou doen-

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te” – porque doença a gente cura com remédio; “sou impuro, sujo” – porque sentimentos são incontroláveis, ações a gente pode controlar, sentimento não, então o que você sente não o torna impuro e sujo. Sujos são aqueles que não tomam banho. Respire fundo e sinta-se leve em saber que você é um ser pensante e especial e que as terminologias inventadas pelas pessoas são apenas isso: invenções, invenções de pessoas imperfeitas como você. E falando em invencionices, é bom saber que a sociedade inventou uma alcunha para os gays que é uma visão totalmente deturpada e ignorante que diz: gay é quem faz sexo com outra pessoa do mesmo sexo que ela. Parece simples e verdadeiro, mas tal definição não poderia ser mais imprópria para definir um homossexual e aqui entra o que citei no começo do nosso papo quando disse que “ser” e “fazer” são coisas completamente distintas. Todo mundo sabe o que é o “ato” de fazer sexo e com imaginação você pode fazer sexo até com uma cadeira. Não no sentido literal, claro, mas ter prazer por meio de estímulos sexuais qualquer pessoa pode ter com qualquer coisa ou pessoa, basta, como eu disse, ser criativo e ter imaginação. Portanto, mesmo quem é virgem, e nunca fez sexo com quem quer que seja, pode ser homossexual, porque ser gay não é fazer sexo com alguém do mesmo sexo, mas sim ter sentimentos, atração emocional e atração sexual – não o ato especificamente, mas a vontade de fazê-lo – por alguém do mesmo sexo. Lembra quando disse que sentimento é algo que você não controla? Você pode escolher sentir ou não saudade de alguém? Você pode escolher amar ou não alguém? Pois é exatamente isso. Quando os grupos GLBTTs tentam convencer as pessoas de que não é “opção sexual” ser gay, mas sim “atração sexual” ou até “orientação sexual” é isso que eles querem dizer, que a gente não escolhe gostar de alguém do mesmo sexo, que isso é involuntário, faz parte da nossa essência, independente de ficar ou não com homens (ou mulheres, para as mulheres), transar com um ou não, é o que sentimos, esse desejo, essa atração emocional e física que define se uma pessoa é hétero, homo ou bissexual. Por isso você não é doente, não é impuro, não é sujo. Por isso não se “escolhe” ser gay, ou não, e por este motivo não existe “ex-gay”. Entender isso é o ponto chave, é a premissa de tudo, porque existe uma pessoa específica que precisa ser convencida a aceitar isso e te aceitar. Ela é bem complicada, teimosa e, por vezes, marrenta. Essa pessoa não aceita nada facilmente. Se você conseguir convencer essa pessoa, talvez você não conseguirá fazer todo mundo te aceitar, mas, no mínimo, pode-

rá defender a sua verdade com respeito e orgulho. Sabe quem é essa pessoa? Veio alguém específico na sua mente? Será que você acertou? É..., é ela mesma: essa pessoa é exatamente você! Você é a única pessoa no mundo que precisa se aceitar, porque se nem você mesmo se aceita, como as pessoas te aceitarão? Como terão respeito por você se nem você se respeita? Portanto “aceitação” é isso, é entender seus sentimentos, entender que o que te faz ser homossexual e se aceitar assim, e sentir-se bem por saber que isso é só mais uma das muitas coisas que te fazem diferente da maioria, como a cor do seu cabelo, por exemplo, e falando novamente de “ser” e “fazer”, independente de qualquer atitude que você venha a tomar daqui para frente, essa é a diferença. Então, finalizemos essa parte. Se você tem sentimentos e atração emocional e sexual por pessoas do mesmo sexo que você, você é homossexual. Ponto. Você não é doente, louco, sujo ou inferior a qualquer pessoa. Você não precisa usar batom ou vestir saia, nem precisa sair com homens se não quiser simplesmente por causa disso. Isso é “aceitação”, se aceite como você é e fique bem com você mesmo! Simples assim. Muito bem, agora, ao se aceitar, você precisa avaliar consigo mesmo quais atitudes vai tomar daqui pra frente. É como definir uma profissão. Você pode gostar da matemática, é um sentimento, involuntário, você gosta e ponto. O que vai fazer daqui pra frente, vai estudar matemática? Ser professor? Buscar alternativas na mesma área? Ou não, vai buscar outras coisas e guardar isso só pra você? Com a homossexualidade é a mesma coisa, e é muito pessoal dizer como alguém tem que viver a sua vida. “Sair do seu próprio armário”, ao meu ver, é isso, é aceitar-se e ser feliz sendo quem você é! E o melhor é que não precisa nem parcelar, dá pra fazer à vista! Há há há! É tirar um espinho que a sociedade fincou no seu peito e que está machucando. Agora contar isso aos seus pais, aos seus amigos, é outra história, e isso é você mesmo que vai avaliar, que vai decidir. Vai ficar com pessoas do mesmo sexo? Transar com elas? Fazer amor? Vai seguir sua cabeça ou os preceitos e ensinamentos de determinada religião ou pessoa? Você decide, pois é muito pessoal, envolve crenças, sentimentos, decisões grandes e pequenas, mas, independente do que escolha para sua vida, ao sair do seu próprio armário, você será mais feliz! O que você vai fazer daqui para frente, é um problema seu e só seu, e eu lhe desejo sorte e muitas, muitas alegrias!

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capa

SOBRe a SeXUaLiDaDe: “OS ‘FÉLiX’ Da ViDa ReaL” “O fato de eu gostar de homens e mulheres me faz um cara mais completo e feliz, curto prazeres que a vida me oferece, sem limitações, mas com segurança.” por GeraLDo raMos Junior

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presença de Félix, de Amor à Vida, na casa de milhões de telespectadores Brasil a fora está deixando muitas pulgas atrás da orelha de muita gente por aí. A bissexualidade do vilão da novela de Walcyr Carrasco é muito mais comum do que se imaginava. Na novela, Félix foi flagrado pela esposa logo no segundo capítulo, no terceiro confessou o deslize e ela acabou aceitando-o de volta, devido às circunstâncias financeiras. Além dos homens que saem com outros homens, existem também aqueles que procuram exclusivamente travestis. Quando tive a ideia de abordar esse assunto, logo fui barrado pelas “barreiras” do anonimato. Convencer homens casados que saem com homens a falar sobre o assunto foi um problemão. Eles morrem de medo de aparecer, mas consegui convencer dois a falarem sobre o assunto e até levei uma cantada. “Lindo assim pode me entrevistar até na cama”. Dei risada e respondi educadamente: “Obrigado, mas já tenho compromisso.” Ele logo retrucou: “Este é o problema, o compromisso! Eu também tenho, mas não me prendo a isso”. Hugo tem quarenta e poucos anos, disse que “adora amigos virtuais”, que procura amizade na internet para falar sobre mulher, e que seu tesão por homens se limita a vê-los ao abrir a webcam, se masturbar e gozar junto. “Antes eu entrava nas salas de bate-papo ‘normais’, mas sempre era taxado de gay por querer teclar com homem”, disse. Ele é casado há 10 anos com uma mulher, sem filhos e atua como metalúrgico. “Como não era muito aceito nas salas ‘normais’, entrei nas de ‘sexo gay’. Lá foi mais chocante, porque 99% são mesmo gays, sendo que existe muita gente boa”. Neste instante, Hugo resolveu desabafar: “(o corpo) deixa uma ilusão de ótica. Peso 60kg, tenho e 1,70m de altura, fiz academia em 2005 e, como sou magro, fiquei um pouco definido. Pesava 57kg e cheguei a 63kg, mas hoje estou com 60kg” isso atrai mais os homossexuais. “Comi (fez sexo com homem) quando era solteiro, mas foi ‘aquilo...’ seco, sem carícias, sem beijos”. Hugo disse ainda que a “novela (Amor à Vida) vai dar Ibope” e que “era uma coisa que a gente sabia que existia, mas é ‘foda’ o olhar dele com o novo médico. Entrega! É um tema bem atual”. Paulo, de 44 anos, é empresário, casado e sem filhos, “por não poder” e nunca querer adotar. Disse que quem “sai com homem, não é 8


reProdução

O personagem Félix, interpretado pelo ator Mateus Solano, encontra o seu “anjinho” em um shopping.

heterossexual” e que a aceitação foi difícil: “Todos têm (crise existencial), já tive a minha, mas superei e toco a minha vida de boa hoje. O fato de eu gostar dos dois me faz um cara mais completo e feliz, curto prazeres que a vida me oferece, sem limitações, mas com segurança” e que está assistindo esporadicamente a novela Amor à Vida. “Acho o cara meio frustrado, se optou por ter filho, que não o maltrate. Ele não tem culpa de sua opção (sic), ele realmente é um gay enrustido”, diz. A “opção” acima dita é em “não se assumir” e que “Não tem essa de se assumir, se gosto dos dois, para que entregar e estragar uma relação legal e perder toda uma sociedade em que vivemos e é hipócrita

em não aceitar?” e completa: “todas as formas de prazer dentro de quatro paredes são válidas”. Paulo diz também que nunca passou por um analista: “acho que analista é mais pra questão de aceitação. Como me aceito, continuo bem. Mesmo que isso (sair com homens) seja esporádico, eu tenho uma vida sexual ativa sim, hipócrita é quem diz que não. E ‘não pago’ (para sair com homens), quero prazer pelo prazer e não pagando”. Paulo conclui dizendo que nunca encontrou ninguém (homem) que “sentisse vontade de repetir mais do que duas vezes. Sou flex. Se não tem gasolina vai com álcool. E não curto ‘afeminados’, curto ‘macho’”. 9


opinião

impossível ninguém detectar a feminilidade de Félix Khoury

Gays não souberam amar a novela “Salve Jorge”

da reDação

da reDação

oi Félix entrar em cena em Amor à Vida para se tornar o mais novo queridinho dos críticos e do público. Não precisou de dez minutos para Mateus Solano entrar nos assuntos mais comentados do Twitter e assim ficar por quase todos os dez capítulos já exibidos. Nas cenas iniciais, e repletas de licenças poéticas, o público se encantou com a vilania do personagem: a frase “Meu amor, genética não tem nada haver com cabelo tingido”, após contar à irmã que ela era adotada, foi apenas uma das que se seguiram-se causando impacto, reforçadas por trejeitos afeminados. E como diria aquele antigo personagem de Jô Soares: é aí que mora o perigo. Impossível ninguém não detectar a feminilidade do marido de Edite que, ao flagrá-lo com outro homem, desabafou: ”Me avisaram... mas ele não é gay?”, em uma discussão ao descobrir a traição do marido. A interpretação de Mateus Solano é magistral. Se alguém tinha alguma dúvida do seu talento, ali findou-se. Além, é claro, da direção de Wolf Maya e do texto de Walcyr Carrasco, que caprichou após um primeiro capítulo canastrão. Quando Félix se justificou: “Não é opção, mas condição”, ele acabou ganhando a simpatia do público, principalmente dos militantes e, definitivamente, consagrou-se como o melhor personagem da novela. Félix é lindo, rico e o grande vilão da trama. Jogou a sobrinha na caçamba após chamá-la de “Ratinha”, além de usar inúmeros comentários e gírias gays como: “fizeram a elza” e “é um tipão de deixar qualquer mulher molhadinha”. O personagem é maravilhoso, e permite a Solano mostrar todo o seu talento. O personagem acaba discutindo um tema comum na sociedade, mas fora do foco: a bissexualidade. Porém, como toda novela, existe o lado negativo. A pinta que Félix dá é demais para quem está no armário. Soa tão piada quantos os erros de continuidade de Salve Jorge, o que faz o personagem acalentar o tipo mais comum nas novelas brasileiras: o gay afeminado. Walcyr Carrasco promete outros dois grandes personagens gays: Niko e Eron, ao tocar no assunto sobre nova família. É esperar para ver. Até aqui, a cotação: é Ótimo.

uando Rosângela (Paloma Bernardi) abordou o primeiro gay a ser traficado em Salve Jorge, os militantes LGBTs poderiam ter entrado em ação. A novela de Glória Perez colocou o dedo na ferida da sociedade ao abordar o tráfico de pessoas, mas muitos não entenderam o contexto da história e resolveram questionar os inúmeros erros de edição e continuidade da novela, deixando o tema principal como coadjuvante. Um erro tremendo. Afinal, os travestis são um dos mais visados dos traficantes que, com as promessas de fazerem shows no exterior – alguns querem mesmo é se prostituir, também é verdade –, acabam caindo em verdadeiras armadilhas, como mostrou a novelista com a transexual Anita (Maria Clara Spinelli) e pela travesti Patrícia Araújo. Aproveitar o gancho para abordar outro assunto pertinente à sociedade, que é a criminalização da homofobia, deveria ter acontecido mas não o fizeram. Não se soube aproveitar a repercussão de uma novela das nove, certamente por pura falta de discernimento quanto a interpretação de texto, ou pelo simples medo de dar a cara para bater. Será que aqui elas também não são vítimas de escravidão? Será que a escravidão só existe lá fora? É só mais uma demonstração do quanto o gay, no Brasil, mais está preocupado com a festa e o glamour, e deixa o social e a militância de lado. Lamentável.

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Q

reProdução


adoro!

O maravilhoso mundo da barba por fÁBio Justino

30 anos, Fábio é barbudo há sete e é autor do site d’O Caralho do Rock: www.cdorock.com

N

ão é moda, é virilidade. É resgatar o que existe de essencialmente masculino em si e no outro. É afirmar que a beleza não está na lisura asséptica de uma pele de bunda de bebê. Porque, quando se assume que é homem, se assume também que é um ser erótico, adulto, e o erotismo num homem está nos detalhes que o destacam como tal, como os pelos. Na cara, e onde for. Não se deve cortar os cabelos de Sansão, sob nenhuma hipótese. Eles traduzem o que procuramos em seu dono: a maturidade, a proteção, os culhões. Não se gosta verdadeiramente de homem se rejeitamos os seus pelos. Quanto mais a barba, que roça, arrepia, afaga e castiga. Nossa pele arranhada e eriçada, da nuca às coxas, na ordem e no tempo que se quiser. Até tentam oprimí-la, pagam celebridades da TV para lucrar com a tragédia de raspá-la e passar a imagem de que ela é suja ou pode se tornar exagerada. Só os tolos compram essa ideia. Os mais inteligentes, sejam eles ou sejam elas, sabem: não há nada melhor que uma barba, seja ela extravagante e farta. Se duas barbas se encontram, então, é mais que atração, é poesia. Uma explosão de macheza, a confrontar as estrelas, os livros sagrados e tudo que, de tão velho, nem mais tem vida. Duas barbas que se roçam é a própria revolução e o progresso. E a inteligência, e o charme. Com a barba se chega à vida adulta e à plenitude sexual. Pela barba se identificam os que fogem às regras, os que não se submetem, os que leem a boa literatura, os que ouvem a boa música e até os que votam correto. Pela barba, você sabe quem mete bem e mete certo. Homem que gosta de homem, gosta de barba. Mulher que gosta de homem, gosta de barba. Quem não gosta, prefere os brinquedos, de plástico e sem cheiro. Quem não gosta, prefere os príncipes da Disney, todos castrados. Quem odeia, boa coisa não é. Não se pode separar as pessoas, por gênero ou por gosto, mas os homens que gostam de homem tem lá suas vantagens. Só eles tornam o mundo mais belo quando têm barba e beijam outro de barba. As mulheres mais sensíveis até apreciam. Tem coisa mais bonita? Não, não tem. Só se os pelos continuarem corpo abaixo. A perfeição existe e pode estar do seu lado. Não se é homem suficiente sem barba e não se gosta de homem suficientemente se nunca se experimentou uma barba grossa abrindo suas pernas ou agredindo a sua boca. Experimente uma barba. Cultive uma barba. Com uma barba o samba é mais samba, o rock é mais rock. E uma cama nunca é só uma cama. Com barba, meu caro, a pegada é outra.

paUlO rUiZ

raOni liMa

renat0 gUrgel

tiagO castrO

tHiagO araUJO

edder dias

HenriQUe castanHeirO

leOnardO pradO

MarcelO silva

rOdrigO saMpaiO


especial parada gay

divulgação

A ‘Parada’, ‘Paim’ e ‘PLC 122’

“O Brasil não tem uma lei nacional específica que criminalize a homofobia, o discurso de ódio, o preconceito no trabalho, em locais públicos, e nem que garanta a livre manifestação do afeto LGTB.”

por Marco Morcef

idealizador do Grupo “Ação Pró-PLC 122” no Facebook

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esmo durante a proximidade da Parada Gay de São Paulo, uma das maiores do mundo em tamanho e de grande importância financeira e turística para a cidade, ainda impera a covardia das direções LGTBs quanto ao destino político do evento, amordaçando a sua vocação natural, num momento em que se deveria avançar na luta contra a homofobia. O Brasil não tem uma lei nacional específica que criminalize a homofobia, o discurso de ódio, o preconceito no trabalho, em locais públicos, e nem que garanta a livre manifestação do afeto LGTB. O PLC 122 original, que tramita desde 2006 no Congresso, garante a manifestação livre do afeto LGBT. Por esse motivo, nosso grupo defende o projeto firmemente, além da criminalização da homofobia, perante o Código Penal Brasileiro, imputando penas severas e inibindo a prática machista, sexista e homofóbica. O desperdício de capital mobilizador da cau-

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sa infelizmente tem sido a característica dos últimos movimentos – , como o Fora Feliciano!, por exemplo -, uma ação que apenas demonstra a falta de eixo e de programa político, impedindo que a causa em si avance. Neste contexto, Paulo Paim, senador pelo PT, cuja posição não é nada confiável quanto a manutenção do texto da PLC 122, retomou a questão no Senado, enquanto a própria ‘Parada’, o deputado Jean Wyllys, e os demais partidos de esquerda fizeram apenas “ouvidos de mercador”. O que esperam? Que o assunto morra na praia ou uma negociação porca e a aprovação de um PLC 122 medonho, colocando os LGTBs como uma segunda categoria de “cidadãos”? Ou tomamos um “Chá de Vergonha e Coragem” e damos uma Virada na Parada!, que esta totalmente no armário (como bem “insinuou” nosso bloguista Vitor Ângelo) assumindo-a como um grande palco pelo PLC 122, abrangendo a criminalização da homofobia e defendo o Estado Laico de direito, ou assistamos apenas a passagem dos trios, como se todas as batalhas já estivessem vencidas.


A “Parada Gay”? reprodução

“Vários heteros, brutamontes, querendo pegar as amiguinhas dos gays”

por Dan Barreto

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hoje tem a Parada Gay, ou seria uma Micareta em plena Avenida Paulista? Fui duas vezes apenas (2007 e 2009) e nessa época já era isso. Vários heteros, brutamontes, querendo pegar as amiguinhas dos gays, travestis, praticamente nuas, andando pelas ruas. Milhares de pessoas fantasiadas e, o pior, várias famílias

Beijo Gay

da Redação

com crianças no meio desse “evento”. Aliás, qual o propósito da Parada Gay mesmo? Sinceramente não sei. Há muito tempo já perdeu o foco de lutar pelos nossos direitos (união homoafetiva, menos preconceito, entre outros), e, infelizmente, as pessoas “vão no embalo”. Mas o que passa na cabeça dessas pessoas? Algumas delas, assim como suas atitudes, ainda denigrem a imagem de todos os gays, que apenas lutam pelos seus direitos. Outra questão é sobre o tema desse ano: “Para o armário nunca mais!”. Em meio a tantos acontecimentos, como a eleição do deputado Marcos Feliciano para presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM), me parece surreal a escolha. Enfim... Os organizadores da Parada poderiam ter focado em temas como a “Homofobia Mata!”. Seria muito mais relevante do que a proposta abordada. Sei que cada um tem o seu modo de pensar e os organizadores fizeram as suas escolhas. Porém, este é o meu modo de pensar e essa é a minha opinião sobre a Parada Gay, se é que ainda podemos chamá-la dessa maneira.

reprodução

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ntra novela, sai novela e o tema é o mesmo: “o beijo gay”. Em 2005, na novela Ámerica, de Glória Perez, o beijo foi vetado pela alta direção da Globo e acabou não indo ao ar, causando grande protesto na internet, ampliado para sua sucessora, a novela Passione, do autor Silvio de Abreu. O beijo gay é importante sim para a sociedade, mas fica sem sentindo se a PLC 122 não for aprovada antes. Adianta eu beijar meu companheiro na boca se eu não for respaldado pela lei, caso alguém queira nos agredir? A novela deve mostrar o beijo ‘igualitário’; porém, se a lei não vier em defesa do afeto, de nada vai adiantar. Beijar em público tem sido cada vez mais comum entre os homossexuais, muitos até trocam carícias nos transportes públicos, porém, dentro de casa ainda existe um grande e impertinente tabu, até porque na rua é muito mais fácil encontrar entusiastas que defendam o ato (do beijo).

“Que sentido terá o beijo gay, se a PLC 122 não for aprovada?”

Nas casas o problema é maior. Estudos mostram que a homofobia é maior dentro dos lares e por isso a questão deve ser levada para todas as esferas, inclusive a TV, reconhecidamente o maior meio de comunicação de massa do país, como forma de conscientizar o público. O mote é simples: “Beijo gay. sim, é normal”. Contudo, sem a aprovação da PLC 122, será um tiro n’água ver a concretização do beijo gay na TV. É preciso uma lei civil que não deixe homossexuais sujeitos às agressões e até a morte. 13


o que tem pra hoje?

Fotos: Beijaço em Brasília, em 24/abril/2013 de Ueslei Marcelino/Reuters, peça publicitário do festival, divulgação.

“Festival Mix Brasil” convida o dep. Marco Feliciano e ele aceita

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s organizadores do 21º Festival Mix Brasil 2013 fizeram um convite em forma de anúncio (em uma página do jornal Folha de S.Paulo) ao deputado Marco Feliciano para participar da 21ª Edição do evento, que discute a diversidade sexual nos cinemas. O deputado, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) aceitou o convite e em nota disse que “um festival, que de forma ordeira e pacífica, levanta a bandeira da diversidade, merece nosso respeito e compreensão” e completou com uma frase bíblica “Ide e pregai o evangelho a todos”, completando que “não significa que sejamos inimigos, antes de tudo, somos filhos do mesmo Deus.” Segundo reportagem da Folha, os organizadores do Festival prometem ainda convidar personalida-

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des como Joelma, da Banda Calypso, Silas Malafaia e Jair Bolsonaro. Para João Federici, “esses episódios de homofobia chateiam muito. Mas é só uma questão de tempo, porque as reações só existem quando se avança”. O Festival Mix Brasil vai acontecer entre os dias 7 e 17 de novembro, na cidade de São Paulo, e entre os dias 21 de novembro e 1º de dezembro no Rio de Janeiro. Para inscrever sua obra é preciso preencher o formulário no site (www.mixbrasil.org.br) e levar o DVD para os organizadores. O evento conta com quatro categorias: Longa-Metragem de Ficção ou Experimental; Documentário de Longa-Metragem; Curta e Comédia-Metragem Ficção ou Experimental (menos de 60 minutos), e Documentário de Curta ou Média-Metragem (menos de 60 minutos).


Uma “droga” que pode acabar com os grisalhos

De onde surgiram os termos “Veado” e “Sapatão”?

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ma notícia divulgada na semana passada sobre uma droga descoberta para acabar com os cabelos grisalhos já está deixando muitas pessoas em polvorosa. Para o bem e para o mal, um tratamento pode acabar com os cabelos brancos. As mulheres ficariam felizes, pois a vaidade sempre fala mais alto. Por outro lado, “a descoberta”, afinal, está prometendo acabar com os charmosos grisalhos. A causa do embranquecimento dos cabelos é conhecida como “estresse oxidativo”. Durante o envelhecimento, os cabelos acabam acumulando o peróxido de hidrogênio, que é um descolorante da cor natural dos cabelos – uma versão natural da água oxigenada usada em tinturas de cabelos. O tratamento foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Bradfor, na Grã-Bretanha, e da Universidade de Freifswald, na Alemanha, segundo reportagem do portal G1.

PARTE BOA O mesmo tratamento poderá ajudar

ainda às pessoas com vitiligo, pois o remédio ajuda a repigmentar a pele e os cílios. “O desenvolvimento do tratamento efetivo para essa condição tem o potencial de melhorar radicalmente as vidas de muitas pessoas”, disse o editor-chefe da Federação das Sociedades Americanas para Biologia Experimental (Faseb), publicação especializada que divulgou a descoberta.

egundo reportagem de Artur Louback Lopes, da revista Superinteressante, a origem destes termos tão comuns e pejorativos, que atormentam a sociedade, são advindos literalmente do sapato e do animal, segundo o etimologista Reinaldo Pimenta. Ele explica no livro Casa da Mãe Joana 2 que “sapatão” surgiu na década de 1970, quando as mulheres homossexuais, e mais masculinizadas, tinham predileção por usar sapatos grandes. Complementando a ideia, Deonísio da Silva, autor do livro De Onde Vêm as Palavras, diz que “em casais de lésbicas, as mulheres que faziam as vezes de marido assimilaram o preconceito, fazendo questão de usar sapatos grandes. Já as que faziam às vezes da esposinha eram em geral menores, mais esbeltas e usavam sapatos menores. Logo, foram caricaturadas como sapatão e sapatinha”. Sobre o termo “veado”, mas que na expressão popular é dito como “viado” (destaque à alteração do e pelo i) um policial na década de 1920 foi incumbido de prender homossexuais que circulavam pela Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Ao fracassar, teria dito ele que estes cidadãos teriam corrido como “veados”. A declaração do policial ganhou a imprensa e o termo acabou ganhando repercussão popularesca.

Hormônios nos frangos tornam crianças gays? P

elo menos foi o que disse a modelo colombiana Natalie Paris, em entrevista à TV Caracol, em março. Para ela, os hormônios injetados nos frangos são os responsáveis “por fazer” crianças se tornarem gays. “Os meninos que comem esses frangos estão começando a virar homossexuais”, disse a modelo, que tem 39 anos e mora em Bogotá. Ela disse ainda que os hormônios são responsáveis por deixar as meninas com “corpo adulto” muito rápido. Esse pensamento é o mesmo de Evo Morales, presidente da Bolívia. Em 2010, Evo afirmou que frangos com hormônios poderiam levar à homossexualidade e à perda de cabelo. É mole?

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