Hospital Público 29

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H

Diretor: José Alberto Soares Bimestral • Maio/Junho 2021 Ano IV • Número 29 • 3 euros

Luís Bronze Hipertensão já é uma pandemia em que o contágio é cultural

P. 20

OSPITAL Público

PublicaçãoPeriódicaHíbrida

A PARTILHA DE BOAS PRÁTICAS

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Sónia Ribas Patologia da parede abdominal não é devidamente valorizada

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Publicações

Cuidados Respiratórios Domiciliários

P. 14

Entrevista a Nuno Duarte, presidente do CA do CH Tondela-Viseu

P. 8/12

Apostar na inovação e na substituição de equipamentos

Hospital de Braga

Prestar cuidados de informação de excelência P. 46/47

A construção de um Centro de Ambulatório e Radiotera14/06/18 pia, a ampliação da Urgência e dos Cuidados Intensivos e a deslocalização do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental são projetos que deverão vir a concretizar-se a curto prazo no Hospital de São Teotónio.

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Curry Cabral Consulta Multidisciplinar de Geriatria focada nos doentes idosos frágeis

P. 48/49 PUB

Nuno Madeira

O despertar para a intervenção precoce na psicose

SERVIÇO DE MEDICINA INTENSIVA DO CHUSJ

P. 28/35

Capacita

todas as camas para nível 3

P. 22

Triplica

Victor Fernandes

Estabelecer interfaces entre a Cirurgia Plástica e as outras especialidades

quartos de isolamento até ao inverno

Forma

P. 17

ESPECIAL 20.ª Reunião da Primavera SPAIC

primeiros internos da nova especialidade

José Artur Paiva, o diretor, com alguns dos seus internos de formação específica de Medicina Intensiva

P. 50/55

CHTS reforça a resposta às patologias infeciosas agudas e crónicas P. 40/42

A boca

é de todos e não é de ninguém

14:26

P. 38

Unidade de Tratamento Ambulatório de Medicina Interna

Consulta Aberta no CHVNG/E poupa a Urgência e assegura resposta rápida ao doente agudo P. 44/46

Ândrea Figueiredo Diogo Ayres de Campos P. 26

E se não houvesse enfermeiros especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica?

Todos os novos especialistas de Ginecologia/Obstetrícia são absorvidos pelo SNS P. 18


2 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RCM Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas pelo sítio da internet do INFARMED: http://www.infarmed.pt/web/infarmed/submissaoram ou e-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt. NOME DO MEDICAMENTO: Juluca 50 mg/25 mg comprimidos revestidos por película. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA: Cada comprimido contém dolutegravir sódico equivalente a 50 mg de dolutegravir e cloridrato de rilpivirina equivalente a 25 mg de rilpivirina. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS: tratamento da infeção por VIH-1 em adultos com ARN VIH-1 <50 cópias/ml, num regime antirretrovírico estável durante, pelo menos, seis meses sem histórico de falência virológica e sem resistência conhecida ou suspeita de resistência a qualquer análogo não nucleósido inibidor da transcriptase reversa ou inibidor da integrase. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO: Juluca deve ser prescrito por médicos experientes no controlo da infeção por VIH. Posologia: um comprimido uma vez por dia, à refeição. Doses esquecidas: tomar Juluca com uma refeição o mais rapidamente possível, desde que a próxima dose não esteja prevista no prazo de 12 horas. Neste caso, o doente não deve tomar a dose esquecida e deve, simplesmente, retomar o esquema posológico habitual. Se um doente vomitar no período de 4 horas após a toma, deverá tomar outro comprimido de Juluca com uma refeição. Se vomitar num período superior a 4 horas após ter tomado Juluca, não necessita de tomar outra dose de Juluca até à próxima toma do esquema posológico habitual. Idosos: os dados disponíveis são limitados. Não existe evidência de que os idosos requeiram uma dose diferente da dos adultos jovens.Compromisso renal:não é necessário ajuste da dose no compromisso renal ligeiro ou moderado. Em doentes com compromisso renal grave ou doença renal em fase terminal, a associação de Juluca com um inibidor potente do CYP3A só deve ser utilizada se o benefício for superior ao risco. Não existem dados disponíveis em indivíduos que estão a fazer diálise, contudo, não se esperam diferenças na farmacocinética nesta população. Compromisso hepático: não é necessário ajuste da no compromisso hepático ligeiro ou moderado (Child-Pugh grau A ou B). Utilizar com precaução em doentes com compromisso hepático moderado. Não existem dados disponíveis em doentes com compromisso hepático grave (Child-Pugh grau C), por esse motivo Juluca não é recomendado nestes doentes. População pediátrica: a segurança e eficácia de Juluca em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos não foram ainda estabelecidas. Gravidez: a segurança e eficácia de Juluca na gravidez não foram VIIVH IV Healthcare, Unipessoal Lda., R. Dr. António Loureiro Borges, nº3, Arquiparque-Miraflores, 1499-013 Algés, Portugal. NIPC: 509117961 JULUCA é propriedade ou licença das empresas do grupo ViiV Healthcare. ©2019 empresas do grupo ViiV Healthcare ou sob licença

ainda estabelecidas, pelo que a utilização de Juluca não é recomendada durante a gravidez. Modo de administração: Via oral, uma vez por dia com uma refeição. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros com água e não mastigados ou esmagados. CONTRAINDICAÇÕES: hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer um dos excipientes. Administração concomitante com os seguintes medicamentos: dofetilida, carbamazepina, oxcarbazepina, fenobarbital, fenitoína, rifampicina, rifapentina, inibidores da bomba de protões (omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol, rabeprazol), dexametasona sistémica, exceto como tratamento de dose única, hipericão. ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES ESPECIAIS DE UTILIZAÇÃO: Transmissão do VIH: embora uma supressão vírica eficaz com terapêutica antirretrovírica tenha provado reduzir substancialmente o risco de transmissão sexual, não pode ser excluída a existência de um risco residual. Para prevenir a transmissão devem ser tomadas precauções de acordo com as orientações nacionais. Reações de hipersensibilidade: foram notificadas reações de hipersensibilidade com dolutegravir, caracterizadas por erupção cutânea, alterações constitucionais, por vezes disfunção orgânica, incluindo reações hepáticas graves. Caso se desenvolvam sinais ou sintomas de reações de hipersensibilidade (incluindo, mas não limitado a, erupção cutânea grave ou erupção cutânea acompanhada de aumento das enzimas hepáticas, febre, mal-estar geral, fadiga, dor articular ou muscular, vesículas, lesões orais, conjuntivite, edema facial, eosinofilia, angioedema), Juluca deve ser imediatamente suspenso. Deve ser monitorizado o estado clínico incluindo transaminases hepáticas e bilirrubina. Após início de hipersensibilidade, a demora em suspender o tratamento com Juluca pode resultar numa reação alérgica com risco de vida. Cardiovascular: a doses supraterapêuticas (75 mg e 300 mg uma vez por dia), a rilpivirina tem sido associada ao prolongamento do intervalo QTc do ECG. A rilpivirina na dose recomendada de 25 mg uma vez por dia não está associada a um efeito clinicamente significativo no intervalo QTc. Juluca deve ser utilizado com precaução quando administrado concomitantemente com medicamentos com risco conhecido de Torsade de Pointes. Infeções oportunistas: os doentes devem ser alertados de que Juluca não é uma cura para a infeção por VIH e que podem continuar a desenvolver infeções oportunistas e outras complicações da infeção por VIH. os doentes devem manter-se sob cuidadosa observação clínica por médicos experientes no tratamento das doenças associadas à infeção por VIH. Osteonecrose: foram notificados casos de osteonecrose em doentes com infeção por VIH avançada e/ou exposição prolongada a TARC, apesar da etiologia ser considerada multifatorial (incluindo a utilização de corticosteroides, bifosfonatos, consumo de álcool, imunossupressão grave, um índice de massa corporal elevado). Os doentes devem ser alertados para procurar aconselhamento médico caso sintam mal-estar e dor articular, rigidez articular ou dificuldade de Janssen-Cilag Farmacêutica, Lda. Lagoas Park, Edifício 9, 2740-262 Porto Salvo, Portugal. NIPC: 500189412


Maio/Junho 2021

Hospital Público ■ 3

Para doentes infetados por VIH-1 com carga vírica suprimida*

CONTINUAR O TRATAMENTO COM MENOS ANTIRRETROVÍRICOS • O primeiro regime de 2 fármacos numa associação de dose fixa, com dolutegravir no centro da terapêutica1,2 • Supressão virológica duradoura ao longo de 3 anos2

dolutegravir/rilpivirina

*JULUCA é indicado para o tratamento da infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana tipo 1 (VIH-1) em adultos com carga vírica suprimida (ARN VIH-1 <50 cópias/ ml), num regime antirretrovírico estável durante, pelo menos, seis meses sem histórico de falência virológica e sem resistência conhecida ou suspeita de resistência a qualquer análogo não nucleósido inibidor da transcriptase reversa ou inibidor da integrase.1 DTG 50 mg + RPV 25 mg (bioequivalente a JULUCA) utilizado nos estudos SWORD.1,2 movimentos. Doentes com hepatite B ou C: não estão disponíveis dados clínicos em doentes com coinfeção por hepatite B. Estão disponíveis dados limitados em doentes com coinfeção por hepatite C. Foi observada uma maior incidência de aumentos dos valores das análises hepáticas (Grau 1) em doentes tratados com dolutegravir e rilpivirina coinfetados com hepatite C em comparação com aqueles que não estavam coinfetados. Recomenda-se a monitorização da função hepática em doentes com coinfeção por hepatite B e/ou C. Interações medicamentosas: Juluca não deve ser administrado com: outros antirretrovíricos para o VIH, com antagonistas dos recetores H2 (recomenda-se que estes medicamentos sejam administrados 12 horas antes ou 4 horas após Juluca), antiácidos (recomenda-se que estes medicamentos sejam administrados 6 horas antes ou 4 horas após Juluca. Os suplementos de cálcio ou ferro ou multivitaminas devem ser administrados concomitantemente com Juluca, à refeição ou 6 horas antes ou 4 horas após a toma de Juluca. O dolutegravir aumentou as concentrações de metformina; deve considerar-se um ajuste de dose de metformina quando se inicia e interrompe a administração concomitante de Juluca, neste caso, é importante monitorizar a função renal; esta combinação pode aumentar o risco de acidose láctica em doentes com compromisso renal moderado. A redução da dose da metformina deve ser fortemente considerada. Juluca não deve ser tomado com qualquer outro medicamento contendo dolutegravir ou rilpivirina, exceto em caso de administração concomitante com rifabutina. Síndrome de Reativação Imunitária: em doentes infetados pelo VIH com deficiência imunitária grave na altura da instituição da terapêutica antiretrovírica combinada (TARC), pode surgir uma reação inflamatória a patogénios oportunistas assintomáticos ou residuais e causar situações clínicas graves ou agravamento dos sintomas. Tipicamente, tais reações foram observadas nas primeiras semanas ou meses após o início da TARC. Exemplos relevantes são retinite por citomegalovírus, infeções micobaterianas generalizadas e/ou focais e pneumonia por Pneumocystis jirovecii. Quaisquer sintomas inflamatórios devem ser avaliados e o tratamento instituído quando necessário. Foi também notificada a ocorrência de perturbações autoimunes (tais como doença de Graves e hepatite autoimune) no contexto de reconstituição imunitária, contudo, o tempo de início é mais variável e estes acontecimentos podem ocorrer vários meses após o início do tratamento. Excipientes: Juluca contém lactose. Doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase ou malabsorção de glucose-galactose não devem tomar este medicamento. Efeitos indesejáveis: Resumo do perfil de segurança: Os dados de segurança clínica com Juluca são limitados. As reações adversas mais frequentemente notificadas foram diarreia (2%) e cefaleia (2%). A reação adversa mais grave vista num doente individual, foi uma reação de hipersensibilidade que incluiu erupção cutânea e efeitos hepáticos graves. Doenças do sangue e do sistema linfático: frequentes diminuição do número de glóbulos brancos, da hemoglobina e das plaquetas Doenças do sistema

imunitário Pouco frequente Hipersensibilidade, Desconhecido síndrome de reconstituição imunológica Doenças do metabolismo e da nutrição muito frequentes aumento do colesterol total e LDL frequentes diminuição do apetite, aumento dos triglicéridos Perturbações do foro psiquiátrico muito frequentes Insónia, frequente sonhos anormais, depressão, perturbações do sono, humor depressivo, ansiedade Pouco frequente Ideação suicida ou tentativa de suicídio (principalmente em doentes com história pré-existente de depressão ou doença psiquiátrica) Doenças do sistema nervoso Muito frequente Cefaleia, Tonturas Frequente sonolência Doenças gastrointestinais Muito frequente Náuseas, diarreia, aumento da amilase pancreática Frequente Vómitos, flatulência, dor e desconforto abdominal, aumento da lipase, xerostomia Afeções hepatobiliares muito frequentes aumento das transaminases frequentes aumento da bilirrubina Pouco frequente Hepatite raro insuficiência hepática aguda Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos Frequente Erupção cutânea, prurido Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos Pouco frequente Artralgia, mialgia Perturbações gerais e alterações no local de administração Frequente Fadiga Exames complementares de diagnóstico Frequente Aumentos da ALT e/ou AST e CPK. Alterações nos parâmetros bioquímicos laboratoriais Quando administrados com outros medicamentos antirretrovíricos, dolutegravir e rilpivirina têm sido associados a aumentos na creatinina sérica que ocorreram na primeira semana de tratamento. Durante as primeiras quatro semanas de tratamento com Juluca, ocorreram aumentos na creatinina sérica que se mantiveram estáveis ao longo de 48 semanas. Estas alterações estão relacionadas com a inibição do transporte ativo e não são consideradas clinicamente relevantes uma vez que não refletem uma alteração na taxa de filtração glomerular. TITULAR DA AIM: ViiV Healthcare BV, Huis ter Heideweg 62, 3705 LZ Zeist, Holanda DATA AIM: 16 Maio 2018; DATA REVISÃO DO TEXTO: 23 Janeiro 2019. Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu. Para mais informações deverá contactar o representante local do titular da AIM. VIIVHIV, Unipessoal Lda., R. Dr. António Loureiro Borges, nº3, Arquiparque-Miraflores, 1495-131 Algés, NIPC-509117961. Medicamento sujeito a receita médica restrita, de utilização reservada a certos meios especializados. Para mais informações ou em caso de suspeita de acontecimento adverso contactar o Departamento Médico da ViiV Healthcare – Telf: +351 21 094 08 01. Sujeito a regime de avaliação prévia.

Referências: 1. Resumo das características do medicamento JULUCA - janeiro 2019. 2. van Wyk J, Orkin C, Rubio R, et al. Durable suppression and low rate of virologic failures 3 years after switch to DTG+RPV 2-drug regimen: SWORD 1&2 studies. Apresentado na: 25th Annual Conference of the British HIV Association; 2-5 abril, 2019; Bournemouth, Reino Unido. Poster P008. PM-PT-DGR-ADVT-190001 dezembro 2019.


4 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

Em pessoas com diabetes tipo 2 e DCV estabelecida

o Relatório de Consenso ADA/EASD 2018 recomenda o tratamento com arGLP-1 com benefício CV comprovado6


Maio/Junho 2021

Miguel Guimarães

Bastonário da Ordem dos Médicos

Uma sociedade moderna tem de ser regida em torno da verdade, ainda mais quando estamos perante uma pandemia que atenta contra a vida de muitos de nós.

As garantias repetidas muitas vezes

A Gestão do Hospital Público

Ao longo do último ano e três meses de pandemia, se nos focarmos apenas no discurso oficial, verificamos que houve garantias que foram ditas e repetidas várias vezes. Foco-me em duas que, em nosso entender, constituíram erros de comunicação, com consequências graves para os cidadãos. A primeira foi a ideia que se quis dar de que o Serviço Nacional de Saúde (onde foi desenvolvido um trabalho notável que nos honra a todos como país) era infinitamente elástico, com um potencial de camas para resposta à pandemia que era sempre capaz de acompanhar as ondas pandémicas, mesmo nos piores picos. A segunda ideia perniciosa esteve, e continua a estar, na mensagem que se transmite de que apenas a atividade considerada não urgente ficaria para trás, pelo que os doentes mais graves e de áreas sensíveis – como a Oncologia, a título de exemplo – nunca ficariam sem uma resposta em tempo útil.

Na maioria dos países de elevada renda, até à década de 1980, as organizações de saúde podiam ser vistas como uma burocracia Weberiana, com uma hierarquia administrativa padrão do governo nacional, passando pelo governo regional ou mais local, até unidades operacionais. A postura da gestão era neutra, com quadro administrativo bem definido, que “valorizava probidade, estabilidade e o respeito das garantias processuais”, e muitas vezes era caracterizada como oferecendo uma função de “diplomata”. Os serviços de saúde obedeciam a uma burocracia profissional em que os profissionais de saúde lideravam e se protegiam da intrusão externa do serviço público e dos políticos.

O foco noticioso e as conferências de imprensa continuam a dar primazia ao número de novos casos de covid-19 e ao consequente impacto nos internamentos em Enfermaria e em Cuidados Intensivos. É evidente que esses serão sempre valores a acompanhar. Mas o foco no SARS-CoV-2 não nos pode fazer desfocar o resto, sobretudo quando o resto é tanto e quando uma garantia, por muitas vezes que se repita, não é obviamente uma verdade. O Movimento Saúde em Dia, que a Ordem dos Médicos constituiu juntamente com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, com o apoio da Roche, tem vindo a congregar e a analisar o impacto das opções políticas feitas durante a pandemia em todos os outros doentes. O cenário, não há outra forma de o dizer, é grave, preocupante e merece um plano de ação forte para recuperarmos tudo o que ainda for possível recuperar. É por isso que a Ordem dos Médicos tem insistido em várias medidas e na necessidade de uma nova matriz (Indicador de Avaliação da Pandemia) que integre diferentes indicadores parciais e que seja mais equilibrada para o acesso de todos a cuidados de saúde em tempo útil. Durante o primeiro ano de pandemia todas as linhas de atividade foram afetadas – e não negamos que houve uma necessidade de adaptação que é perfeitamente compreensível perante uma emergência como a que vivemos, mas que foi muito para lá do razoável, com a tutela a escusar-se a ouvir quem está no terreno. Os médicos de família foram infinitamente desviados para o acompanhamento aos doentes com covid-19 (e é bom lembrar que cerca de 96% dos casos foram acompanhados fora dos hospitais). Já nas unidades hospitalares, com recursos humanos e espaços limitados, nunca foi suficientemente transparente a mensagem de que por cama covid aberta uma cama para não covid deixava de estar disponível. Todos os médicos fizeram um trabalho extraordinário nas suas áreas de atuação e a resiliência e capacidade de adaptação são de saudar, mas há naturalmente linhas vermelhas ultrapassadas, com prejuízo para os profissionais de saúde e para os doentes. Um médico não se forma num par de meses, como é, aliás, possível ver neste número do Hospital Público, que nos conta como estão a terminar a sua formação, iniciada em 2017, os primeiros especialistas da nova especialidade de Medicina Intensiva. O resultado das opções políticas do último ano traduziu-se numa brutal quebra de acesso. Nos centros de saúde as consultas médicas presenciais caíram 46%. Nos hospitais a quebra nas consultas foi de 13% (mas o Portal da Transparência não nos permite desagregar os contactos telefónicos simples das consultas presenciais). As urgências caíram 40%, com valores de redução muito significativos nos doentes com prioridade vermelha, laranja e verde, isto é, nos mais graves. Já as cirurgias sofreram uma quebra de 25% e foram feitos menos 29 milhões de exames complementares de diagnóstico e terapêutica. Estes números são suficientes para percebermos que é absolutamente impossível e falso que a pandemia apenas tenha atrasado cuidados de saúde de doentes que podem esperar por uma resposta. A título de exemplo, partilho dados relacionados com a Oncologia e que antecipam um verdadeiro tsunami nesta área. Relativamente ao programa de rastreios oncológicos, registaram-se menos 21% de mulheres com registo

Carlos Andrade Costa troca o CHMT pelo HVFX Depois de seis anos à frente do CH do Médio Tejo, Carlos Andrade Costa aceitou o desafio que lhe foi colocado pelo Ministério da Saúde e “mudou-se” para o Hospital Vila Franca de Xira, na sequência da anunciada reversão da PPP, passando a ter uma gestão pública.

Em muitos aspetos, em Portugal, ainda não saímos deste modelo. A administração hospitalar portuguesa, nos anos 70 inovadora, desenvolveu-se dentro deste enquadramento.

Alexandre Lourenço

Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH)

Nestes últimos vinte anos, nenhum esforço real foi realizado para qualificar estruturalmente a Gestão do Hospital Público.

Desde meados dos anos 80, verificou-se a necessidade de fortalecer a componente gestionária das instituições de saúde, através da utilização de novos instrumentos e modelos de gestão. Procurando seguir estas tendências internacionais, o Governo Português procurou introduzir avulsamente algumas mudanças, nem sempre pelos melhores motivos. Em síntese, ao invés de se apostar na qualificação e na profissionalização da gestão de serviços de saúde, optou-se pelo compadrio da nomeação política e a desqualificação dos quadros superiores. Porventura, o maior expoente de gestão dos hospitais públicos surgiu na última metade dos anos noventa, com a experiência de empresarialização do Hospital D. Sebastião. Desde então, nunca mais existiu um verdadeiro projeto de fortalecimento da gestão pública na Saúde. Contudo, apesar dos hospitais SA partirem do preconceito face à gestão pública, foram introduzidos novos instrumentos gestionários que a maioria dos hospitais desconhecia. Os hospitais EPE prosseguiram o processo de empresarialização. Na gestão de topo das organizações manteve-se o modelo de nomeações de índole partidária e, apesar de algumas tentativas, nenhum modelo de avaliação ou responsabilização foi implementado. Na gestão intermédia, procurouse introduzir novos processos, como a contratualização interna, ou a difusão de diretórios clínicos (troikas de médico, gestor, enfermeiro). Contudo, a cultura gestionária vem do topo... Depois chegou o Programa de Assistência Económica Financeira. Com a imposição externa, avançou-se no benchmarking entre hospitais, publicitação mensal de dados, definição do quadro regulamentar do contrato de gestão para responsabilização da gestão de topo, e mais algumas iniciativas. Uma delas, a CRESAP, não passou da ilusão e rapidamente se veio a transformar na desculpa perfeita para manter o sistema inalterado. Depois, nada vem à memória, para além da claudicação junto das Finanças e do desaparecimento de qualquer autonomia do Ministério da Saúde, ou da tentativa de recriar os CRI para combater listas de espera. De resto, perdas como a contabilidade analítica, atualmente inexistente. Recordo uma conferência em que participei com a Prof.ª Teodoro Cardoso. Ela argumentava sobre a incapacidade dos hospitais públicos conhecerem os seus custos de produção e, necessariamente, os utilizarem como informação para a gestão. Perguntei-lhe se sabia que hospitais com orçamentos de 500 milhões de euros tinham apenas um técnico oficial de contas. Ou que outros, com mais de cinco mil colaboradores, tinham um técnico superior nos recursos humanos? E que, mesmo assim, o Ministério das Finanças não autorizava qualquer contratação adicional de técnicos qualificados. Nestes últimos vinte anos, nenhum esforço real foi realizado para qualificar estruturalmente a Gestão do Hospital Público. Entretanto, muito mudou nos serviços de saúde e, ainda mais, na exigência colocada sobre os gestores. Os desafios são tremendos e, mais do que nunca, os serviços de saúde em Portugal necessitam de um corpo profissional e qualificado de administradores hospitalares e de serviços de saúde. Podemos colocar os milhões que quisermos no SNS. Sem assegurar a revisão e qualificação da gestão, dificilmente se traduzirão em ganhos para a população.

“A experiência de ter servido o CHMT é inesquecível e, sinceramente, muito fico a dever a todos”, afirmou, no momento da despedida, deixando para trás uma estrutura que cresceu bastante nos últimos anos. Por exemplo, a 30 de junho de 2014, este CH tinha 1690 profissionais no quadro, número que a 31 de março de 2021 já era de 2105. Nesse mesmo período de tempo, foram investidos 15,6 milhões de euros.

Hospital Público Diretor: José Alberto Soares Redação: Maria João Garcia, Miguel Anes Soares, Raquel Braz Oliveira Fotografia: Joana Jesus, Nuno Branco - Editor Publicidade e Marketing: Ana Paula Reis, Ana Pinto, Kamaldeep Kaur Diretor de Produção Gráfica: José Manuel Soares Diretor de Multimédia: Luís Soares Morada: Alameda dos Oceanos, Nº 25, E 2, 1990-196 Lisboa Hospital Público é uma publicação híbrida da Just News, impressa e em formato digital (e-paper), de periodicidade bimestral. Dirigida a profissionais de saúde, isenta de registo na ERC, ao abrigo do Decreto Regulamentar 8/99, de 9/06, Artigo 12º nº 1A Tiragem: 15.000 exemplares Preço: 3 euros Depósito Legal: 426353/17 Impressão: TYPIA – Grupo Monterreina, Área Empresarial Andalucia 28320 Pinto Madrid, España Notas: 1. A reprodução total ou parcial de textos ou fotografias é possível, desde que devidamente autorizada e com referência à Just News. 2. Qualquer texto de origem comercial eventualmente publicado neste jornal estará identificado como “Informação”.

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(Continua na pág. 6)

Hospital Público ■ 5

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6 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

A capa da última edição

(Continuação da pág. 5)

As garantias repetidas muitas vezes Miguel Guimarães de mamografia nos últimos dois anos (menos 169 mil), menos 12% de mulheres com colpocitologia atualizada (menos 140 mil) e menos 7% de utentes inscritos com rastreio do cólon e reto efetuado (menos 125 mil). Estes valores traduzem-se, naturalmente, em muitos doentes “transparentes”, que não sabemos quem são e que, por isso mesmo, não figuram nas listas das consultas e cirurgias hospitalares por fazer. Infelizmente, há muitos mais exemplos. Na diabetes, área em que Portugal já tinha um complexo caminho a percorrer, a incidência de novos casos caiu 26%. Não sendo possível uma melhoria de um ano para o outro numa doença associada a estilos de vida, isto significa que vamos reencontrar estas pessoas mais tarde, mais doentes e com mais sequelas. Mas mesmo para quem o sistema conhece o impacto também se fez sentir: os doentes inscritos com diabetes com exame dos pés realizado reduziram-se 34%, com menos 210 mil exames feitos no primeiro ano da pandemia. Também a proporção de doentes diabéticos com exame oftalmológico teve uma quebra de quase 20%.

Exatamente um ano depois, foi assinalada, em maio, a atribuição da certificação europeia ao Programa de Reabilitação Cardiovascular implementado no CHU Lisboa Norte. “É um momento de reconhecimento do trabalho de todos os envolvidos no projeto”, afirmou o diretor do Departamento de Coração e Vasos, o cardiologista Fausto Pinto. A pandemia de covid-19 adiou a cerimónia que visou assinalar a acreditação europeia do Centro de Reabilitação Cardiovascular (RCV ), um projeto que engloba o CHULN, a FMUL e o Centro de Reabilitação Cardiovascular da UL (CRECUL). A placa que agora está afixada à entrada do Centro de RCV, no Hospital Pulido Valente – unidade que, juntamente com Santa Maria, faz parte do CHULN --, atesta a obtenção da acreditação na categoria de Prevenção Secundária e Reabilitação Cardíaca. O título foi atribuído pela Associação Europeia de Cardiologia Preventiva, afiliada da Sociedade Europeia de Cardiologia. A abrir a sessão que, entretanto, teve lugar no auditório do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, localizado no Parque de

Saúde Pulido Valente, a cardiologista Ana Abreu estava visivelmente satisfeita por “sermos reconhecidos em termos de qualidade de trabalho”. A coordenadora do Centro de RCV considerou estarem reunidas as con-

dições para que o Programa de Reabilitação Cardiovascular “melhore cada vez mais e tenha destaque a nível nacional mas também europeu”. Fausto Pinto, que esteve presente na qualidade de diretor do Serviço

HESE já tem uma U

Medicina Intensiva no HFF celebrou 25 anos de excelência e vanguarda O Serviço de Medicina Intensiva (SMI) do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca celebrou 25 anos de existência. De destacar os mais de 17.000 doentes críticos que ao longo do último quarto de século receberam cuidados de saúde neste serviço de Medicina altamente diferenciado do HFF. Entrou em pleno funcionamento a 25 de março de 1996, uma semana antes da abertura oficial do HFF, disponibilizando dez camas de CI. Desde essa altura, passaram por este Serviço mais de 300 médicos internos de várias especialidades e terminaram a sua formação 16 especialistas em Medicina Intensiva. Destaca-se ainda o seu papel no ensino pré-graduado de Medicina, sendo responsável pela cadeira de Medicina Intensiva da FMUL.

de Cardiologia e do próprio Departamento em que aquele está inserido, e ainda como diretor da FMUL, afirmou ser a acreditação “o corolário do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos anos”. E

Paulo Telles de Freitas, diretor do SMI do HFF, é o rosto desta unidade desde a fase embrionária de projeto e um dos “pais” da novíssima especialidade de Medicina Intensiva. Atualmente, o SMI do HFF disponibiliza um total de 35 camas: as dez camas da UCIP - Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente, que agora comemoraram 25 anos, seis camas da UCICRE Unidade de Cuidados Intensivos Cirúrgicos Especiais, e a recentemente inaugurada UCI-II, que entrou em funcionamento e, janeiro, adicionando 15 camas, instalações e equipamentos de última geração. Durante o mês de fevereiro, pico da pandemia no HFF, o SMI aumentou a sua capacidade de resposta ao doente crítico, expandindo a sua capacidade para um total de 50 camas.

A Unidade de Cuidados Intermédios Médicos (UCIM) do Hospital do Espírito Santo de Évora entrou em funcionamento em março. Trata-se de um projeto inovador, que permite dar resposta aos doentes que necessitem de cuidados médicos de nível

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Uma sociedade moderna tem de ser regida em torno da verdade, ainda mais quando estamos perante uma pandemia que atenta contra a vida de muitos de nós. É essencial que a política não saia ainda mais desacreditada de uma crise que vai exigir mais das lideranças para revitalizar a saúde, a economia, a cultura, etc. Porque, não nos enganemos, como dizia Galileu Galileu, a verdade é filha do tempo e não da autoridade – e a retrospetiva desta pandemia vai deixar más lembranças das opções, em particular de comunicação.

Cerimónia distinguiu acreditação euro do Centro de Reabilitação Cardiovascu

2 A 5 OUT

2021

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semaglutido injetável

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1. Integra o mais recente Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) do HESE, constituído pelos serviços de Urgência e Emergência e de Medicina Intensiva (CRISUMEDI), o primeiro CRI a nível nacional da área da Urgência, Emergência Pré-hospitalar e Medicina Intensiva. Esta UCIM (nível 1) iniciou a sua

Veja o vídeo de lançamento >>>>

INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RCM - OZEMPIC® NOME DO MEDICAMENTO: Ozempic® 0,25mg, Ozempic® 0,5 mg e Ozempic® 1 mg. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA: Um ml de solução contém 1,34 mg de semaglutido. Ozempic® 0,25mg e Ozempic® 0,5 mg: Solução injetável em caneta pré-cheia. Uma caneta pré-cheia contém 2 mg de semaglutido em 1,5 ml de solução. Ozempic® 1 mg: Solução injetável em caneta pré-cheia. Uma caneta pré-cheia contém 4 mg de semaglutido em 3,0 ml de solução. INFORMAÇÕES CLÍNICAS: Indicações terapêuticas: Ozempic® é indicado no tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlada, como adjuvante à dieta e exercício: em monoterapia, quando a metformina é considerada inapropriada devido a intolerância ou contraindicações; em adição a outros medicamentos para o tratamento da diabetes. Para informação sobre os resultados de estudos relativamente às associações, efeitos sobre o controlo glicémico e acontecimentos cardiovasculares, e as populações estudadas, ver o Resumo das Características do Medicamento. Posologia: A dose inicial é de 0,25 mg de semaglutido uma vez por semana. Após 4 semanas, a dose deve ser aumentada para 0,5 mg uma vez por semana. Após, pelo menos, 4 semanas com uma dose de 0,5 mg uma vez por semana, a dose pode ser aumentada para 1 mg uma vez por semana para melhorar o controlo glicémico. Se não tiver sido tomada uma dose, a mesma ®

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opeia ular reconheceu estar muito orgulhoso pela forma como o projeto tem evoluído. Daniel Ferro, presidente do CA do CHULN, fez questão em estar presente na cerimónia de descerramento da placa e na sessão que se lhe seguiu. Felicitou os profissionais que o ouviam pela distinção atribuída, mas logo acrescentou que “o reconhecimento do Centro por uma entidade europeia dá-vos uma responsabilidade acrescida”. “Nós temos como objetivo melhorar a qualidade dos cuidados prestados, mas, frequentemente, temos dificuldade em evidenciar o que melhoramos e como. Neste caso, o patamar que atingiram é reconhecido por uma entidade europeia”, afirmou. E ainda acrescentou que “todas as áreas de especialização do CHULN deviam seguir um caminho deste tipo, porque se torna muito mais fácil saber onde estamos e o que temos que fazer!” Note-se que se trata do primeiro centro português de RCV a receber esta acreditação em Prevenção Secundária e Reabilitação Cardíaca.

UCIM a funcionar atividade com um total de 6 camas, duas das quais para doentes com necessidade de isolamento. A curto/ /médio prazo, poderá aumentar a sua capacidade para 9 camas. Segundo Rui Matono, diretor do CRISUMEDI, “iniciamos o funcionamento de uma UCIM de nível 1 ligada à Urgência e em articulação com as UCI de níveis 2 e 3. Habitualmente, estas unidades estão mais articuladas com os serviços de Medicina (ou de Cirurgia), no entanto, neste caso, avançamos com um projeto inovador, que tem o seu core na interligação dos cuidados de nível 1 e de nível 2 e que vai permitir uma melhoria do circuito do doente crítico e emergente. É um modelo de gestão completamente novo. A força do projeto está aqui.” Maria Filomena Mendes, presidente do CA, realça que “a abertura desta Unidade é exemplo de que o hospital continua a diferenciar-se, a centrar-se na qualidade e na melhoria da prestação dos cuidados ao doente. Uma UCI de nível 1 há muito que era necessária e no contexto da atual pandemia assume especial relevância, tendo em conta que permite ‘aliviar’ a pressão nos CI. Acresce tratar-se de um projeto estruturante e extremamente motivador, que permitirá uma maior especialização dos profissionais, com realização de técnicas diferenciadas”.

CHUA foi o mais eficiente em 2020 O Centro Hospitalar Universitário do Algarve foi o mais eficiente em 2020, revela um estudo da Coimbra Business School (CBS), que avaliou o impacto da pandemia na eficiência de 37 hospitais EPE, recorrendo aos dados disponibilizados pelo SNS, entre janeiro de 2019 e novembro de 2020. Carla Henriques e Maria do Castelo Gouveia, professoras na CBS e autoras do estudo, basearam-se no número de

médicos, enfermeiros e pessoal operacional em cada unidade de saúde, no número de camas, consultas externas, altas e urgências para identificar os fatores que levaram à evolução dos níveis de eficiência de cada hospital. No que concerne à eficiência, ao CHUA, que ocupa a 1.ª posição, seguem-se o CHU de São João e o CHU do Porto, que ocupam o 2.º e 3.º lugares, respetivamente.

Parceria entre o IPO de Coimbra e o Hospital de Cantanhede O IPO de Coimbra e o Hospital Arcebispo João Crisóstomo estabeleceram um protocolo de cooperação no âmbito da atividade cirúrgica, envolvendo o novo Bloco Operatório Periférico, inaugurado em fevereiro. Uma equipa de enfermagem desloca-se de Cantanhede até Coimbra, integrando as equipas cirúrgicas e otimizando a formação em contexto de trabalho. O protocolo prevê a eventual mobilidade de recursos humanos entre as duas instituições. Este Bloco possui duas salas cirúrgicas equipadas com a mais avançada tecnologia, tratando-se de uma unidade inovadora e diferenciada do ponto de vista físico e tecnológico.

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Medicamento sujeito a receita médica restrita de utilização reservada a certos meios especializados. Para mais informações deverá contactar o Representante Local do Titular da AIM.

CONSULTAR RCM Para saber mais sobre esta patologia aceda a: www.pfizerpro.pt/attr-homepage Referências: 1. Pinney JH, Whelan CJ, Petrie A, et al. Senile systemic amyloidosis: clinical features at presentation and outcome. J Am Heart Assoc. 2013;2(2):e000098. 2. RCM Vyndaqel 61mg. Outubro 2020. 3. Maurer M et al. N Engl J Med. 2018 Sep 13;379(11):1007-1016. PP-VYN-PRT-0515 | Data de preparação: Janeiro 2021

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8 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

NUNO DUARTE, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO CENTRO HOSPITALAR TONDELA-VISEU (CHTV):

“Se durante alguns anos foi possível agora temos que apostar na inovação ESTA É UMA DAS PRINCIPAIS PREOCUPAÇÕES DE NUNO DUARTE QUE, CIENTE DO POTENCIAL DE CRESCIMENTO DESTE CENTRO HOSPITALAR, TEM PROCURADO DELINEAR VÁRIOS PROJETOS QUE RESPONDAM ÀS NECESSIDADES ATUAIS. A CONSTRUÇÃO DE UM CENTRO DE AMBULATÓRIO E RADIOTERAPIA, A AMPLIAÇÃO DA URGÊNCIA E DOS CUIDADOS INTENSIVOS E A DESLOCALIZAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL SÃO PLANOS QUE PROJETA A CURTO PRAZO. RECONHECENDO A ENTREGA DE TODOS OS PROFISSIONAIS A ESTA INSTITUIÇÃO, PRINCIPALMENTE NA ÉPOCA PANDÉMICA, NÃO DEIXA DE LEMBRAR A CARÊNCIA QUE EXISTE A ESTE NÍVEL. Just News ( JN) – Estamos perante um CH do interior? Nuno Duarte (ND) – Creio que, localmente, este CH continua a estar inserido numa região que se considera do interior, embora o CHTV seja classificado como um hospital central que disponibiliza a maior parte das valências e consegue solucionar a maioria das questões trazidas pelos utentes. Uma dificuldade com que continuamos a defrontar-nos é com a acessibilidade ao litoral. Embora o acesso a norte seja razoável, temos algumas dificuldades em relação à zona oeste. A criação de uma linha ferroviária ajudaria bastante, até para existir uma ligação mais direta a Lisboa. JN – Estruturalmente, é correto caracterizarmos o CHTV como uma instituição que se encontra entre o CHU de Coimbra e a ULS da Guarda? ND – Sim. E privilegiamos a relação com os dois. Nós damos muito apoio ao Hospital Sousa Martins (ULS da Guarda) em especialidades como a Ortopedia, a Oftalmologia e a Hematologia, recebendo doentes transferidos de lá. Sempre que é identificada uma dificuldade em determinada área, nós oferecemos o apoio devido. Por outro lado, há um conjunto de centros de saúde que ficam do lado de cá da serra da Estrela. Se pensarmos na cidade de Seia, é mais fácil os seus habitantes deslocarem-se a Viseu do que à Guarda. Relativamente ao CHUC, a situação acaba por ser inversa. Quando nós não temos capacidade para prestar determinado serviço, há um entendimento extremamente frutuoso entre o CHTV e o CHUC. Esta é uma necessidade que temos até porque alguns dos nossos serviços

não têm Urgência durante algumas horas, principalmente à noite, e nesse caso o CHUC dá-nos esse apoio, como também o oferece a nível da Pediatria. JN – Aqui sentirá a dificuldade típica dos hospitais do interior em fixar profissionais... ND – Sim, temos alguma dificuldade nessa área. Nós gostaríamos que alguns internos que concluem aqui a especialidade ficassem neste hospital. E é difícil. Também nos concursos para colocação de especialistas notamos que é difícil recrutá-los e fixá-los aqui. Apesar de Viseu ser uma cidade simpática e acolhedora, que tem todas as infraestruturas necessárias para oferecer uma boa qualidade de vida, de que faz parte integrante este hospital, e estar, inclusivamente, qualificada como uma das melhores cidades do país para se viver, continuamos a identificar esta carência. Efetivamente, muitas vezes, quando os profissionais conhecem este hospital, já têm alguns compromissos familiares noutras zonas do país. Também existe uma tendência para alguns médicos preferirem os de maior dimensão e em zonas onde possam prestar cumulativamente atividade privada. Creio que esta é uma realidade comum aos hospitais mais afastados da faixa litoral. JN – Esta carência também se verifica em relação aos enfermeiros e assistentes operacionais? ND – Posso dizer-lhe que em 2019 tínhamos 2476 funcionários e em 2020 esse número aumentou para 2656, principalmente devido à consolidação desses grupos de profissionais, em virtude da pandemia. Concretamente em relação aos enfermeiros, não tem havido problemas

em recrutar, até porque temos aqui escolas de enfermagem com uma boa reputação nacional e internacional. JN – Que tipo de população serve este CH? ND – Nós temos uma zona de influência que abarca cerca de 300 mil habitantes, e aproximadamente meio milhão se considerarmos a referência indireta. O distrito de Viseu tem muitas zonas rurais, pelo que tendencialmente servimos uma população mais envelhecida e proveniente dessas zonas. Nalgumas situações, apoiamos ainda outros hospitais da área, nomeadamente, o da Guarda e o de Castelo Branco. JN – Este CH é constituído por duas unidades... ND – Sim, o Hospital de São Teotónio (HST), em Viseu, e o Hospital Cândido de Figueiredo, em Tondela. Este último fica a cerca de 20 quilómetros de Viseu e é formado por uma Urgência básica, uma área de Medicina e outra de Cuidados Paliativos. Pode relevar-se a sua importância também em termos de Cirurgia de

“Tendencialmente, servimos uma população mais envelhecida e proveniente de zonas rurais.” Ambulatório, onde existe uma unidade extremamente produtiva, que serve a maioria dos pedidos do CH. É uma unidade hospitalar extremamente importante a nível estrutural, cuja atividade vamos ajustando em função dos espaços e das condições. “CRIAR CONDIÇÕES PARA RECEBER OS NOSSOS UTENTES DA MELHOR FORMA” JN – Qual é a história do Hospital de São Teotónio? ND – Estas instalações surgiram em 1997, para substituir o antigo

hospital, que pertencia à Santa Casa da Misericórdia, e que foi posteriormente convertido numa pousada. Estas novas condições permitiram um crescimento em termos de especialidades, tendo alguns serviços sido considerados de referência, como a Ginecologia/Obstetrícia e a Pediatria. Esta estrutura foi-se desenvolvendo ao longo dos anos até que, em 2006, foi considerado um hospital central. Fruto dos avanços a nível da Medicina, mas também da própria Gestão, este hospital tem hoje diversas áreas que não estavam previstas inicialmente, como os hospitais de dia, que vieram dar resposta à necessidade de a população recorrer cada vez mais ao ambulatório. Por outro lado, a necessidade crescente de prestar cuidados ao doente oncológico fomentou o desenvolvimento dessa área também. Se em 1997 o hospital parecia uma estrutura gigantesca, o certo é que agora temos falta de espaço. Atualmente, delineámos alguns projetos exatamente para adequar a (Continua na pág. 10)


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Hospital Público ■ 9

reduzir o investimento no hospital, o e na substituição de equipamentos” NUNO DUARTE:

"Ao trabalhar para o SNS, estou a trabalhar para a população" O presidente do Conselho de Administração do CH Tondela-Viseu nasceu a 27 de agosto de 1969, em Coimbra. Filho de pais professores, passou por Leiria e pela Marinha Grande até se ter finalmente sediado em Coimbra, onde realizou a sua licenciatura em Economia. Logo que terminou, passou por uma empresa comercial, tendo depois a oportunidade de realizar um estágio profissional no Hospital dos Covões, entre 1997 e 2000. A partir desse último ano, ficou a dirigir os serviços financeiros do então CH de Coimbra. “Economia é a minha área predileta, mas aquilo de que gosto mesmo, sinceramente, é da gestão hospitalar”, refere. Em 2008, foi convidado a assumir a função de vogal do CA dos Hospitais da Universidade de Coimbra, lugar onde se manteve até 2011, quando foi coordenar o projeto de fusão da área financeira do CHUC, “um processo algo complexo por se tratar de três instituições”. Entre 2012 e 2018 voltou a dirigir os Serviços Financeiros. Foi em 2018, já com 20 anos de experiência, que conheceu o CHTV, enquanto vogal executivo do CA, tendo encarado esse convite como “um desafio, por se tratar de um CH com características muito diferentes daquele onde trabalhava e pela

oportunidade de fazer algo por esta zona do país”. Com o final do mandato, no fim de 2019, aceitou ser nomeado presidente do CA, o que aconteceu só em julho do ano seguinte por inerência da pandemia. Constituindo um novo grupo de trabalho, Nuno Duarte ad-

financeiro como também de equipas, o administrador executivo assume gostar muito da área hospitalar e, particularmente, do Serviço Nacional de Saúde. “Tento fazer o melhor que posso em prol do SNS, até porque, ao trabalhar para o SNS, estou a trabalhar para a população”, destaca.

mite, desde logo, que “a experiência de fazer parte de uma equipa de gestão numa época de pandemia foi extremamente exigente”. Tendo vindo sempre a trabalhar no âmbito da gestão, não só a nível

Continuando diariamente a fazer o percurso até Coimbra, onde reside, sempre que pode, privilegia os momentos de passeio pela cidade de Viseu, que “tem demonstrado um excelente acolhimento”.

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO CHTV EDUARDO MELO, DIRETOR CLÍNICO

Um mandato marcado pelo “binómio pandemia/retoma” Esta é a primeira experiência de Eduardo Melo enquanto diretor clínico, não tendo hesitado em a aceitar, pela “oportunidade de enriquecimento profissional, num ano particularmente exigente”. Se numa fase inicial manteve alguma atividade no Serviço de Medicina Intensiva, rapidamente percebeu que essa acumulação seria “totalmente impossível”, dedicando-se agora a tempo inteiro à Direção Clínica. Destacando que este mandato está a ser marcado pelo “binómio pandemia/retoma”, o intensivista adianta que a fase mais difícil coincidiu com a terceira vaga. Servindo uma população muito envelhecida, refere que existiram “muitos surtos, polifocais, em diversos lares, o que começou a refletir-se

na Urgência e nos Cuidados Intensivos”. Natural de Viseu, Eduardo Melo estudou na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e especializou-se em Medicina Interna, no Hospital de Egas Moniz, em Lisboa. Durante esse período, realizou alguns estágios complementares em Medicina Intensiva e, quando regressou a Viseu, em 1998, começou logo a trabalhar nesse Serviço. Decidida já a expansão dessa estrutura, Eduardo Melo comenta que, “se à data da abertura do hospital, aquele número de camas parecia razoável − até porque a anterior estrutura não tinha qualquer cama para doentes críticos −, com a sua diferenciação, começaram a tornar-se escassas”. Identifi-

cando existir um défice de camas de cuidados intermédios, o nosso interlocutor afirma que “a Medi-

cina Intensiva deve abarcar uma tipologia de doentes mais diversificada, no sentido de intervir na evolução das doenças o mais cedo possível, para os doentes não entrarem em falência multiorgânica, oferecendo um caráter mais preventivo”. O diretor clínico reconhece existirem carências a nível de recursos humanos médicos, sendo a Oncologia o serviço mais deficitário, “pois, depende de médicos prestadores de serviços e já esteve, inclusivamente, em risco de encerrar”. Para inverter essa tendência, realça que se tem procurado “atrair os profissionais com base num futuro que só pode ser melhor e no projeto de criação do Centro de Ambulatório e Radioterapia”. Adicionalmente, acrescenta que em serviços como

a Urologia ou a Neurocirurgia a escassez de profissionais não permite garantir uma escala de apoio diário à Urgência. Enaltecendo a mobilização geral que existiu no apoio aos doentes covid-19, refere que chegaram a alocar 10 enfermarias de 26 camas a estes casos, tendo existido a necessidade de acantonar as especialidades cirúrgicas em serviços cada vez mais pequenos. Reconhecendo o “sentido de ligação dos profissionais e da comunidade ao hospital”, o intensivista reforça que, “apesar das dificuldades relativas aos recursos humanos e materiais, temos conseguido manter-nos como um CH de referência do interior, com um alto nível de diferenciação”.


10 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

(Continuação da pág. 8)

estrutura existente às necessidades atuais. JN – Que necessidades são essas? ND – São necessidades decorrentes da evolução da prestação de cuidados de saúde e da realidade da pandemia. Não podemos descurar que os circuitos, após março de 2020, nunca mais voltaram a ser os mesmos. Até

“A nossa prioridade é construirmos um Centro de Ambulatório e Radioterapia, onde possam ser alocados os Hospitais de Dia e criada uma Unidade de Radioterapia.” há pouco tempo, o Hospital de Dia de Hemato-Oncologia estava situado numa pequena área do primeiro piso e, com o surgimento da pandemia, percebemos que tal não era exequível. O que fizemos foi deslocalizá-lo para parte da área do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação, penalizando essa atividade. Neste momento, não podemos continuar a ter esse Serviço ocupado, porque o aumento da atividade cirúrgica do hospital está a exigir mais resposta à MFR, mas ainda não conseguimos criar condições para fazer retornar o Hospital de Dia Hemato-Oncológico às antigas instalações. A construção de raiz de um Centro de Ambulatório e Radioterapia, num edifício contíguo, onde possa ser alocado este Hospital de Dia Hemato-Oncológico e também uma Unidade de Radioterapia, é um projeto muito acarinhado pela população e pelas estruturas dirigentes, que remonta pelo menos a 2016, e estamos a redesenhar o projeto para o dar a conhecer no final de junho. Com a criação deste Centro, evitaríamos que os nossos doentes, que se encontram numa situação extrema-

mente frágil, tivessem de se deslocar a Coimbra para fazer esses tratamentos de radioterapia. Para o piso superior dessa estrutura, pretendemos deslocalizar o Hospital de Dia Médico, a Unidade Integrada de Diabetes e a Unidade Multidisciplinar de Dor, para libertarmos espaços do atual edifício. Na área onde vai desembocar a ligação do novo edifício com o edifício principal do HST está prevista a ampliação das Consultas Externas, numa área de cerca de 900 m2. A nossa prioridade é conseguirmos lançar este projeto o mais brevemente possível. Se tudo correr como planeamos, a obra será iniciada no final do primeiro trimestre de 2022 e estará concluída em setembro de 2023. JN – Que outros projetos tem idealizados? ND – Pretendemos igualmente expandir o número de gabinetes da consulta externa. Com a pandemia, esta foi outra área que sofreu várias li-

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mitações, porque tivemos de alargar os horários e criar circuitos para distanciar os doentes. As consultas irão manter-se no edifício principal, mas com um maior número de gabinetes. Temos já em obra a ampliação e remodelação do Serviço de Urgência Polivalente, que se iniciou em novem-

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bro e esperamos ver concluída no primeiro trimestre de 2022. De facto, a Urgência, que remonta a 1997, estava subdimensionada para a procura. Sendo esta uma zona que tem muitos imigrantes no verão, nessa época do ano, verificava-se desde logo um aumento da afluência. Por outro lado, os pró-

Conselho de Administração 1

Presidente Nuno Duarte

2

Diretor clínico Eduardo Melo

3

Enfermeiro diretor José Luís Gomes

4

Vogal executiva Ana Mafalda Guiné

5

Vogal executiva Sandra Gil

prios imigrantes acabavam por trazer os familiares à Urgência ao verificarem que algo não estava bem com eles. O outro pico de afluência acontecia no inverno, com a gripe sazonal. Esta requalificação vai permitir ao hospital criar condições para receber os nossos utentes da melhor forma.

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO CHTV JOSÉ LUÍS GOMES, ENFERMEIRO DIRETOR

Um “hospital atrativo” do ponto de vista da Enfermagem Este é o quinto mandato de José Luís Gomes enquanto enfermeiro diretor. Os anteriores aconteceram entre 1997 e 2002 – os primeiros anos no novo edifício − e entre 2012 e 2017 e, após uma interrupção, regressou a esta função. Se no primeiro trimestre deste ano a situação pandémica estava muito agudizada, o responsável admite que agora “é momento de respirar fundo e olhar para as listas de espera. que foram crescendo brutalmente e carecem de resposta”. Destacando que a Escola Superior de Saúde de Viseu tem vindo a formar enfermeiros que exercem funções em todo o país, José Luís Gomes reconhece que “a grande maioria ingressa nesta instituição, até porque sempre

fomos um hospital atrativo do ponto de vista da Enfermagem”. Mas não só: “Esta é uma instituição com um peso muito grande na sociedade viseense, o que acentua a vontade de os enfermeiros se fixarem aqui.” Com uma dotação de sensivelmente 1000 enfermeiros, em que grande parte do grupo etário é jovem, mas outra está próxima da idade de aposentação, o nosso interlocutor recorda a adaptação destes últimos, “que se encontravam no Bloco Operatório ou noutras unidades menos exigentes do ponto de vista físico, ao contexto pandémico, garantindo apoio aos Cuidados Intensivos”. E acrescenta que tantos outros enfermeiros vie-

ram do estrangeiro, principalmente de Londres, quando foi anunciado o processo de recrutamento. A amplitude de enfermeiros e assistentes operacionais infetados foi algo que o preocupou, reconhecendo que o seu maior receio era “até onde conseguiríamos controlar a situação quando não tivéssemos profissionais suficientes para tratar os doentes”. Natural de Moimenta da Beira, José Luís Gomes, 64 anos, completou o curso de Enfermagem precisamente na Escola Superior de Saúde de Viseu, em 1978. Oito anos depois, quando trabalhava na Ortopedia, especializou-se na área de Reabilitação, na Escola de Enfermagem Dr. Ânge-

lo da Fonseca, em Coimbra. “Era um campo que me interessava bastante e que veio acumular-se à minha experiência em Medicina Desportiva”, explica. Pai de dois filhos, o enfermeiro diretor integra a Associação dos Diretores de Enfermagem.

“É momento de respirar fundo e olhar para as listas de espera."


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“Este hospital atingiu a sua maioridade não só em termos de instalações físicas, mas também de equipamentos clínicos e estruturais, que estão já obsoletos.”

Recursos Humanos (dezembro 2020) Dirigentes

18 Médicos especialistas

367 Internos de Formação Geral

57 Internos de Formação Específica

139 Técnicos superiores

Em curso está também a ampliação do Serviço de Medicina Intensiva. Em março de 2020, o hospital tinha oito camas de cuidados críticos de nível 3 e, através de um financiamento específico, será possível alargarmos a nossa capacidade para 20 camas, com uma capacida-

de flexível de prestar cuidados de nível 2 e 3. Creio que conseguiremos ter essas camas funcionais no final de outubro. Mesmo que nessa data a pandemia de covid-19 não seja significativa, haverá certamente uma maior pressão devido à gripe sazonal.

JN – Os restantes serviços hospitalares contarão também com requalificações? ND – Na sequência da pandemia, identificámos a necessidade de criar circuitos covid-19 e não covid-19 na Imagiologia, para garantir a segurança de utentes e profissionais. Criámos uma nova área exclusivamente dedicada aos doentes urgentes para minimizar o cruzamento com utentes do Internamento e da Consulta Externa. Relativamente ao nosso Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, que está localizado num edifício dos anos 50, na zona de Abraveses, a seis quilómetros de Viseu, prevemos construir uma nova estrutura junto ao hospital, cujo financiamento está inscrito no Plano de Recuperação e Resiliência. Além de trazer melhores condições, entendemos que esta proximidade é benéfica para garantir um tratamento médico integrado aos doentes da Psiquiatria e fomentar a Psiquiatria de Ligação.

JN – Nos próximos tempos farão muitas melhorias que durante largos anos não aconteceram... ND – Sim. É preciso ver que este hospital tem 24 anos. Atingiu a sua maioridade não só em termos de instalações físicas, que neste momento já não são suficientes para assegurar a nossa prestação de serviços de um modo adequado, mas também a nível de equipamentos clínicos e estruturais, que estão já obsoletos. No ano passado, tivemos que substituir a central telefónica, o sistema de gestão técnica centralizada, os elevadores e vários equipamentos clínicos pesados. Já começámos a substituir as mesas do Bloco Operatório e até mesmo os próprios candeeiros. Se durante alguns anos foi possível reduzir o investimento no hospital, penso que a partir de agora temos que apostar na inovação e na substituição de equipamentos. Logo que aqui cheguei, percebi que havia uma necessidade muito grande de investimento para manter o edifício e a funcionalidade dos equipamentos. JN – Conseguiram já implementar outras ideias que tinham? ND – Sim, a criação do Laboratório de Biologia Molecular foi um feito muito importante para nós. Este era dos poucos hospitais que não tinha esta valência, que se destina, entre outras atividades, à realização de testes à covid-19. Quando a pandemia surgiu, nós recorremos à ULS da Guarda, porque era a unidade de referência. Com a criação de uma linha de financiamento no âmbito do (Continua na pág. 12)

35 Técnicos superiores de saúde

6 Farmacêuticos

15 Enfermeiros

1015 Técnicos de diagnóstico e terapêutica

190 Assistentes técnicos

250 Assistentes operacionais

600 Pessoal informático

9 Docentes

3 Total

2704 Distribuição por género

feminino 2052 masculino 652 Média etária

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CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO CHTV ANA MAFALDA GUINÉ, VOGAL EXECUTIVA

Um esforço por garantir “equipamentos que se adequem aos cuidados prestados” Tendo o seu pai estado ligado à administração deste hospital e a sua mãe sido funcionária do mesmo, Ana Mafalda Guiné refere que "o bichinho" da Saúde foi crescendo desde criança, e ao longo de mais de duas décadas. Após frequentar o curso de Estudos Europeus, especializou-se em Administração Hospitalar, na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). Iniciou então a sua carreira profissional no CH de Trás-os-Montes e Alto Douro em 2006, tendo lá permanecido até 2018, quando assumiu as funções de diretora do Serviço de Aprovisionamento e Logística do CHTV. Em 2020, foi nomeada vogal executiva, com a responsabilidade

pelos Serviços de Aprovisionamento e Logística, Instalações e Equipamentos e ainda pelos Serviços Farmacêuticos. Relativamente à pandemia, Ana Mafalda Guiné destaca “o esforço no sentido de garantir que doentes, profissionais e comunidade pudessem vir ao hospital em segurança”. Confrontada com várias dificuldades inerentes às suas áreas de trabalho, refere que “o maior desafio se prendeu com a aquisição de equipamentos de proteção individual, procurando negociar os preços que estavam inflacionados e antecipar as situações”. No entanto, admite que “nada faltou aos profissionais”.

A esse desafio, somou-se a “necessidade de adquirir ventiladores e monitores e de instalar redes de oxigénio e estruturas modelares para definir circuitos distintos”. A título futuro, Ana Mafalda Guiné sublinha o “grande investimento que será realizado para dotar o hospital de melhores equipamentos, que se adequem aos cuidados de queremos prestar”. Quanto aos Serviços Farmacêuticos, refere a existência de uma iniciativa de proximidade que evita que os doentes mais vulneráveis tenham que se deslocar ao hospital, com uma transportadora a ser responsável por entregar os medicamentos nas respetivas residências, algo que,

aliás, já acontecia previamente à pandemia de covid-19. Em relação aos vários projetos que o CH tem em curso, decorrentes da “visão estratégica contínua”, destaca a “intervenção direta de muitos profissionais, ‘a prata da casa’, que lhes dedicam muitas horas, por vezes, em detrimento da sua vida pessoal”, distinguindo concretamente o trabalho dos serviços por que é responsável. De uma forma global, a administradora hospitalar, que completa 45 anos em julho, realça “a dedicação e a disponibilidade das equipas, que têm como missão tratar bem esta população. De outra forma não seria possível”.


12 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

(Continuação da pág. 11)

desígnio do Ministério da Saúde para aumentar a capacidade laboratorial do SNS, nós avançámos para a conceção deste laboratório com condições ótimas de biossegurança, que agora nos permite sermos autónomos, não só na realização dos testes à covid-19, mas a outras doenças infeciosas ou a eventuais pandemias futuras. Com este laboratório, conseguimos ter respostas mais rápidas, o que nos permite gerir melhor a capacidade do hospital. No limite, como aconteceu na fase mais aguda da pandemia, esta estrutura permitiu gerir melhor as camas. Nós iniciámos a obra em outubro, que ficou concluída em dezembro, e no final de janeiro já estávamos autónomos. Até então, por vezes, tínhamos camas ocupadas enquanto se aguardava o resultado do teste para saber se o doente seria internado na área covid-19 ou não. COVID-19: “O MAIOR DESAFIO PROFISSIONAL E PESSOAL DA MINHA VIDA” JN – Quando a pandemia de covid-19 surgiu era vogal executivo do Conselho de Administração... ND – Exatamente. Para mim, desde março de 2020 que este tem sido o maior desafio profissional da minha vida. E acredito que para cada um de nós tenha sido também um grande desafio pessoal, pela questão da sobrevivência à pandemia. Fazer parte de uma equipa de gestão numa época de pandemia foi extremamente exigente. Inicialmente, o desconhecimento era enorme, e eu recordo-me de termos refletido imenso sobre aquilo que poderíamos e conseguiríamos fazer, sempre com o intuito de garantir o melhor para os nossos utentes e profissionais. Nessa fase, havia uma grande preocupação com a segurança destes últimos, porque até então o uso de equipamentos de proteção individual era muito mais reduzido. Nós estivemos aqui fisicamente desde o início porque acreditamos na missão que estamos a cumprir, mesmo que correndo um risco brutal. Não nos interessa estarmos muito comodamente no recolhimento das nos-

sas casas, num ambiente extremamente seguro, quando sabemos que os nossos colegas estão aqui a dar o seu melhor e a correr um risco extremamente elevado. Eu sou um defensor do Serviço Nacional de Saúde e acredito que quando estamos em lugares de direção temos que ter espírito de missão e pugnar pelas melhores condições para a nossa população. JN – O seu mandato enquanto presidente iniciou-se num período de maior acalmia, o que o deve ter deixado mais descansado...

“Acredito que, quando estamos em lugares de direção, temos que ter espírito de missão e pugnar pelas melhores condições para a nossa população.”

Produção 2020 66.985 primeiras consultas 152.815 consultas subsequentes

15.931 cirurgias 37.224 sessões de Hospital de Dia

Dados covid-19 (a 26/04/2021) Doentes desde o início da pandemia: 1659 (630 até 31 dez. e 1029 em 2021) | média de idades: 74 anos Pico de internamentos em 25 de janeiro com 276 doentes Pico na enfermaria: 256; Pico na UCI: 24 Doentes em Cuidados Intensivos: 125 (7,5%) | média de idades: 64 anos Profissionais infetados: 342

Um dia no Centro Hospitalar Tondela-Viseu (valores médios com base no ano de 2020) •P artos - 5 •C irurgias - 20 •C irurgias de ambulatório - 24 •U rgência Geral - 243 •U rgência Obstétrica - 37

•U rgência Pediátrica - 50 •C onsultas - 601 •S essões de Hospital de Dia - 102 •E xames e análises - 7908 •A ltas de internamento - 50 ND – A partir do momento em que assumi a liderança do CH, em julho de 2020, a exigência foi ainda maior. Embora estivéssemos num período de acalmia, até fevereiro de 2021 não existiu muito tempo para refletir sobre outros aspetos do hospital que não fossem relativos à pandemia. O mandato termina em dezembro de 2022 e há determinados projetos que gostaríamos de ter tempo para conseguir concretizar. A projetada ampliação e requalificação da Urgência tem vindo a arrastar-se já há alguns anos. Quando há mudanças de Direção, os projetos atrasam sempre um pouco e o CH tem escassez de recursos humanos intermédios que assegurem a sua gestão. Estamos neste momento a desenvolver precisamente essa estrutura. Este hospital terá um número significativo de projetos no âmbito da modernização administrativa, relacionados com a diminuição do papel, a utilização de quiosques, ou o utente 4.0, e são poucos os recursos.

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO CHTV SANDRA GIL, VOGAL EXECUTIVA

Um CH que tem “ótimos profissionais e um elevado grau de diferenciação” Com o pelouro do Planeamento e Controlo de Gestão, Informática e Gestão de Recursos Humanos e de Doentes, Sandra Gil destaca, como preocupação principal, “a tentativa de reunir esforços no sentido de iniciar um programa que permitisse, recorrendo a produção adicional, recuperar a produção em atraso e melhorar o acesso aos cuidados de saúde”, admitindo que tal processo está a ser produtivo. Quanto à sua área de eleição, apesar de reconhecer que todas elas estão fortemente inter-relacionadas, admite que a Gestão de Doentes é uma das vertentes que lhe é mais querida, “pela proximidade ao core business da organização”, permitindo-lhe “identificar as necessidades e encontrar estratégias para ir ao seu encontro”. No entender de Sandra Gil, para essa

componente ser bem-sucedida, “é extremamente importante existir uma articulação com a Informática, para se “alcançar a desmaterialização dos processos e a melhoria do acesso à informação”. Ao mesmo tempo, considera essencial “ser integrada numa forte dimensão de planeamento estratégico e controlo de gestão para se alcançarem os resultados esperados, os quais, por sua vez, estão intrinsecamente ligados à Gestão de Recursos Humanos”. Como nota, “só é possível atingir resultados através das pessoas, pelo que um adequado planeamento e gestão de recursos humanos é fundamental”. Apesar do grande potencial de atração em termos de Enfermagem, a vogal executiva nota que alguns médicos têm deixado o CH em prol de outros projetos profissionais, maiorita-

riamente na área privada. No entanto, refere que tem havido uma entrada significativa de recém-especialistas nos últimos concursos, acompanhada pela

“tentativa de conversão de vínculos de médicos que estão a título precário para título definitivo, de forma a consolidar determinadas especialidades”. Como salienta, “este CH tem ótimos profissionais, a que acresce um elevado grau de diferenciação, tendo vindo a desenvolver-se de forma consolidada”. Nascida em Viseu, após realizar o curso de Direito, em Coimbra, Sandra Gil, 43 anos, decidiu especializar-se em Administração Hospitalar na ENSP, por lhe ter agradado a possibilidade de desenvolver “um trabalho de equipa, cujo resultado traz uma mais-valia à população”. Após ter feito o estágio no HST, em 2004 e 2005, transitou para o Hospital Distrital de Santarém, onde trabalhou no âmbito da gestão intermédia. Durante os três anos seguintes, foi vogal do CA do Hospital de Nossa Senhora da Assunção, em Seia, e

colaborou na elaboração do projeto da futura ULS da Guarda. Aí assumiu várias funções de gestão, até que, entre 2017 a 2020, voltou à função de vogal executiva. Foi nesse seguimen-

“Só é possível atingir resultados através das pessoas.” to que aceitou o presente desafio. Na sua opinião, é “a soma das experiências de gestão intermédia e de topo que permite olhar as coisas de forma diferente, porque existe uma melhor compreensão das necessidades que estão no terreno”.


Nome do medicamento, composição e Forma farmacêutica*: Lipocomb® 10 mg/10 mg cápsulas contém 10 mg de rosuvastatina (sob a forma de zinco) e 10 mg de ezetimiba; Lipocomb® 20 mg/10 mg cápsulas contém 20 mg de rosuvastatina (sob a forma de zinco) e 10 mg de ezetimiba. | Indicações terapêuticas*: Lipocomb® está indicado como adjuvante da dieta para o tratamento de hipercolesterolemia primária como terapêutica de substituição em doentes adultos adequadamente controlados com as substâncias individuais administradas concomitantemente na mesma dose que na combinação de dose fixa, mas enquanto medicamentos separados. | Posologia E Modo De Administração*: Uma cápsula da dosagem indicada, com ou sem alimentos, todos os dias à mesma hora, engolida inteira com um copo de água. Lipocomb® não é adequado para terapêutica inicial. A iniciação do tratamento ou o ajuste posológico, se necessário, devem ser efetuados através da administração dos componentes em monoterapia. Lipocomb® 10 mg/10 mg e 20 mg/10 mg não são adequados para o tratamento de doentes que requeiram uma dose de 40 mg de rosuvastatina. Lipocomb® deve ser administrado ≥2 horas antes ou ≥4 horas após a administração de um sequestrante do ácido biliar. População pediátrica: A utilização não é recomendada. Doentes com insuficiência renal: Não é necessário ajuste posológico em doentes com compromisso renal ligeiro a moderado. Doentes com compromisso hepático: Não é necessário qualquer ajuste posológico em doentes com pontuação 5 a 6 na escala de ChildPugh. Não recomendado em doentes com pontuação ≥7 na escala de ChildPugh. Doentes idosos (>70 anos), doentes asiáticos, doentes com compromisso renal moderado (ClCr <60 ml/min), doentes com predisposição para a miopatia: Recomenda-se uma dose inicial de 5 mg de rosuvastatina. A iniciação do tratamento ou ajuste posológico deve ser apenas efetuada através da administração dos componentes em monoterapia e, após a determinação da posologia apropriada, é possível considerar a mudança para a Lipocomb® na dosagem apropriada. Contraindicações*: Hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer um dos excipientes; Doença hepática ativa incluindo elevações persistentes e inexplicáveis das transaminases séricas e qualquer elevação das transaminases séricas excedendo 3 vezes o limite superior dos valores normais (LSN); Durante a gravidez e amamentação e em mulheres com potencial para engravidar que não adotam medidas contracetivas apropriadas; Doentes com compromisso renal grave (ClCr <30 ml/min); Doentes com miopatia; Doentes tratados concomitantemente com ciclosporina. | Advertências e precauções especiais de utilização*: Ácido fusídico: Lipocomb® não pode ser coadministrado com formulações sistémicas de ácido fusídico ou no espaço de 7 dias após ter parado o tratamento com ácido fusídico. Medição da creatina quinase: Se os níveis basais de CK estiverem significativamente elevados (>5xLSN), deverão ser reavaliados após 5 - 7 dias. Se a repetição do teste confirmar um valor basal de CK >5xLSN, o tratamento não deverá ser iniciado. Antes do tratamento: Lipocomb®, tal como outros inibidores da redutase da HMGCoA, deverá ser prescrito com precaução em doentes com fatores predisponentes para miopatia/rabdomiólise (p. ex. compromisso renal; hipotiroidismo; antecedentes pessoais ou familiares de alterações musculares hereditárias; antecedentes de toxicidade muscular com outro inibidor da redutase da HMGCoA ou fibrato; abuso de álcool; idade >70 anos; situações em que possa ocorrer um aumento dos níveis plasmáticos; utilização concomitante de fibratos). Nestes doentes, deverá ser avaliado o risco do tratamento relativamente aos possíveis benefícios, sendo recomendada uma monitorização clínica. Se os níveis basais de creatina quinase (CK) forem significativamente elevados (> 5xLSN), o tratamento não deverá ser iniciado. Durante o tratamento: Os doentes devem ser aconselhados a notificar imediatamente qualquer dor muscular, astenia ou cãibras inexplicáveis, particularmente se associadas a malestar ou febre. A terapêutica deve ser interrompida se os níveis de CK estiverem significativamente elevados (> 5xLSN) ou se os sintomas musculares forem graves e causarem desconforto diário. Lipocomb® não deve ser utilizado em qualquer doente com uma situação aguda grave, sugestiva de miopatia ou de predisposição para o desenvolvimento de falência renal secundária a rabdomiólise (p. ex. sépsis, hipotensão, grande cirurgia, trauma, disfunções metabólicas, endócrinas e eletrolíticas graves ou convulsões não controladas). Efeitos hepáticos: Recomenda se que sejam realizados testes da função hepática 3 meses após o início do tratamento com rosuvastatina. Se o nível das transaminases séricas exceder 3 vezes o limite superior da normalidade, a rosuvastatina deve ser interrompida ou a dose deve ser reduzida. Raça: Estudos de farmacocinética da rosuvastatina revelaram um aumento da exposição em indivíduos Asiáticos. Doença pulmonar intersticial: Foram notificados casos excecionais de doença pulmonar intersticial com algumas estatinas, especialmente com tratamentos de longa duração. Os sintomas observados incluem dispneia, tosse não produtiva e deterioração do estado de saúde em geral (fadiga, perda de peso e febre). Se houver suspeita de desenvolvimento de doença pulmonar intersticial, a terapêutica deve ser interrompida. Diabetes mellitus: Os doentes em risco (glicemia em jejum entre 5,6 a 6,9 mmol/l, IMC >30 kg/m2, triglicéridos aumentados, hipertensão) devem ser monitorizados quer clínica quer bioquimicamente de acordo com as normas de orientação terapêutica nacionais. Anticoagulantes: Se Lipocomb® for adicionado à varfarina, a outro anticoagulante cumarínico ou à fluindiona, o INR deve ser monitorizado de forma apropriada. Doença hepática e álcool: Lipocomb® deve ser utilizado com precaução em doentes que ingerem quantidades excessivas de álcool. | Interações medicamentosas* Contraindicações: ciclosporina. Associações não recomendadas: inibidores da protease; inibidores das proteínas transportadoras (incluindo o transportador de captação hepático OATP1B1 e o transportador de efluxo BCRP), gemfibrozil e outros medicamentos hipolipemiantes, ácido fusídico. Precauções: antiácidos, eritromicina; antagonistas da Vitamina K; contracetivo oral/terapêutica hormonal de substituição, colestiramina. Medicamentos que requerem ajustes na dose de rosuvastatina: ciclosporina, regorafenib, atazanavir/ritonavir, simeprivir, velpatasvir, ombitasvir/paritaprevir/ ritonavir/dasabuvir, grazoprevir/elbasvir, glecaprevir/pibrentasvir, lopinavir/ritonavir, clopidogrel, gemfibrozil, eltrombopag, darunavir/ritonavir, tipranavir/ ritonavir, dronedarona, itraconazol, fosamprenavir/ritonavir, aleglitazar, silimarina, fenofibrato, rifampicina, cetoconazol, fluconazol, eritromicina, baicalina. | Fertilidade, gravidez e aleitamento*: Lipocomb® está contraindicado na gravidez e amamentação. As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar métodos contracetivos apropriados. | Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas*: Efeitos nulos ou desprezáveis. Contudo, é necessário ter em conta que podem ocorrer tonturas durante o tratamento. | Efeitos indesejáveis*: Frequentes: diabetes mellitus, cefaleias, tonturas, obstipação, náuseas, dor abdominal, diarreia, flatulência, mialgia, astenia, fadiga, aumento de ALT e/ou AST. Pouco frequentes: apetite diminuído, parestesia, afrontamentos, hipertensão, tosse, dispepsia, afeção de refluxo gastroesofágico, boca seca, gastrite, prurido, erupção cutânea, urticária, artralgia, espasmos musculares, dor cervical, dorsalgia, fraqueza muscular, dores nas extremidades, dor torácica, dor, edema periférico, aumento da CPK no sangue, aumento da gama glutamiltransferase, teste anormal da função hepática. Raros: trombocitopenia, reações de hipersensibilidade incluindo angiedema, pancreatite, transaminases hepáticas aumentadas, miopatia (incluindo miosite), rabdomiólise, síndrome tipo lúpus, rutura muscular. Muito raros: polineuropatia, perda de memória, icterícia, hepatite, hematúria, ginecomastia. Frequência desconhecida: hipersensibilidade (incluindo erupção cutânea, urticária, anafilaxia e angioedema), depressão, neuropatia periférica, alterações do sono (incluindo insónia e pesadelos), tonturas, parestesia, tosse, dispneia, colelitíase, colecistite, síndrome de Stevens Johnson, eritema multiforme, miopatia necrosante imunomediada, afeções dos tendões, por vezes complicadas devido a rutura, edema. | Sobredosagem*: Devem ser aplicadas medidas sintomáticas e de suporte. Os níveis de CK e da função hepática devem ser monitorizados. | Propriedades farmacológicas*: A rosuvastatina é um inibidor seletivo e competitivo da redutase da HMGCoA, a enzima limitante da taxa de conversão da 3hidroxi3metilglutaril coenzima A em mevalonato, um precursor do colesterol. A ezetimiba é uma nova classe de compostos hipolipemiantes que inibem seletivamente a absorção intestinal de colesterol e esteróis vegetais relacionados. | Apresentações Comercializadas*: Embalagens de 10 (apenas para o Lipocomb® 10 mg/10 mg cápsulas) e de 30 cápsulas | Titular da AIM: EGIS Pharmaceuticals PLC, 1106 Budapest, Keresztúri út 30 38, Hungria. Para mais informações contatar o representante do titular da AIM: Servier Portugal, Lda. Av. António Augusto de Aguiar 128, 1069-133 Lisboa. - Telefone: 213122000. Regime de comparticipação: Comparticipado pelo escalão C:RG=37%; RE=52%. Lipocomb® é um MSRM. RCM aprovado em 04.2020. IECRCM 18.09.2020. *Para uma informação completa por favor leia o Resumo das Características do Medicamento.

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LUÍS BRONZE, PRESIDENTE DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE HIPERTENSÃO (SPH):

“A hipertensão já é uma pandemia, mas em que o contágio é cultural” O CARDIOLOGISTA LUÍS BRONZE ARRISCA DIZER QUE A ÚNICA DIFERENÇA ENTRE A COVID-19 E A HTA É QUE O “CONTÁGIO”, NESTA ÚLTIMA, NÃO SE FAZ ATRAVÉS DE UM VÍRUS. NO FUNDO, O QUE O ATUAL PRESIDENTE DA SPH PRETENDE, COM ESTA COMPARAÇÃO, É ALERTAR PARA UM PROBLEMA DE SAÚDE QUE MATA MUITOS PORTUGUESES!

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ma característica “fundamental” que Luís Bronze faz questão de destacar relativamente à Sociedade Portuguesa de Hipertensão é o facto de ser “muito inclusiva”, conseguindo “congregar, de forma harmónica, especialistas de diferentes áreas”, com destaque para cardiologistas, internistas e médicos de família. Aliás, quando o recém-empossado presidente terminar o seu mandato, por alturas da primavera de 2023, suceder-lhe-á a especialista de Medicina Geral e Familiar Rosa Maria de Pinho. É sabido que as sociedades médicas são, tradicionalmente, de natureza científica, mas Luís Bronze diz que não se cansa de repetir que a SPH “tem uma obrigação maior, servir a população”. Porquê? “É que a hipertensão é o fator de risco cardiovascular mais importante, sem dúvida, o mais prevalente. E a verdade é que a mortalidade nos países desenvolvidos, de que nós não escapamos, é sobretudo de causa cardiovascular.” Para o nosso entrevistado, “a HTA tem algumas similitudes com a covid-19 porque ela já é uma pandemia, a única diferença é que o contágio não é feito por um vírus, ele é cultural”. E como é que se combate? “Com medidas que conduzam à alteração do estilo de vida. Essa tem que ser a ação principal dos grupos científicos dedicados às doenças ditas civilizacionais: a hipertensão, a aterosclerose, a diabetes...” Luís Bronze fala em “combate inesgotável”. Mas também confessa o seu otimismo, tendo em conta o que se tem conseguido em Portugal, nomeadamente em relação à mortalidade cardiovascular, que era de 40% nos anos 90 e que agora se situa nos 29-30%. As medidas que foram sendo tomadas ao nível do tratamento e da prevenção ajudarão a explicar essa descida. “A maior parte dos fármacos cardiovasculares que hoje se prescrevem são, por uma larga margem, para a pressão arterial. Houve aqui, portanto, um movimento de mudança”, sublinha o cardiologista, recordando que a SPH teve grande responsabilidade, por exemplo, na alteração da “lei do sal” relativamente ao fabrico de pão. Avaliar o efeito da pandemia nas pessoas hipertensas Luís Bronze assegura que grande parte dos hospitais do SNS está sensibilizada para a questão da HTA:

“Muitos já têm a sua Consulta de Hipertensão, alguns dentro da Medicina Interna, outros na Cardiologia, e há até hospitais em que a Consulta é partilhada, que é, aliás, uma solução bastante boa.”

o exemplo do CH Universitário Cova da Beira, em que no Hospital Pêro da Covilhã foi criada uma Consulta Aberta de Hipertensão, gerida pelo internista Miguel Castelo-Branco e pelo cardiologista Manuel Carvalho

Rodrigues. “Qualquer médico de família pode referenciar um doente que apresente dificuldade no controlo da pressão arterial, sendo atendido sem marcação”, explica. E que efeitos terá tido a pandemia covid-19 na pandemia HTA? “Os fatores que agravaram a situação relativamente à hipertensão e, secundariamente, à doença cardiovascular, prendem-se com o facto de que as pessoas têm passado muito tempo em casa. Fazem menos exercício físico, frequentemente comem pior, a obesidade aumenta, a hipertensão agrava-se. É possível que o consumo de sal tenha aumentado, mas nin-

Luís Bronze: “A doença cardiovascular é crónica e precisa sempre de ser seguida, pois, os doentes têm dúvidas, os medicamentos apresentam efeitos acessórios…”

Luís Bronze: “Se a Sociedade Portuguesa de Hipertensão não tiver um papel fundamental junto da população não estará a cumprir o seu dever. Falhou!” Mas chama a atenção para o facto de que “boa parte dos doentes, quer na fase de avaliação diagnóstica, como na de tratamento, é acompanhada, e ainda bem, por médicos de família, sendo referenciados para a Consulta de Hipertensão no hospital apenas nos casos em que há razão para isso”. Essa referenciação é fácil de se concretizar? O presidente da SPH cita

LUÍS BRONZE

Atividade militar, clínica, académica e associativa Luís Carlos Bronze dos Santos Carvalho, de seu nome completo, nasceu em Azeitão, no distrito de Setúbal. Comodoro médico naval, é cardiologista com o grau de consultor da carreira médica hospitalar, sendo, atualmente, o diretor de Saúde da Marinha Portuguesa. É doutorado em Medicina/Cardiologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, sendo professor auxiliar e coordenador do Bloco Cardiocirculatório do Mestrado Integrado de Medicina da Universidade da Beira Interior. Entre outros cargos, é coordenador da Linha de Investigação da Saúde no Centro de Investigação Naval, na Escola Naval. Diretor de

Saúde da Marinha Portuguesa desde 26 de julho de 2018, é investigador integrado do Centro de Investigação e Desenvolvimento do Instituto Universitário Militar. No passado, foi cardiologista do Hospital da Marinha, subdiretor do Centro de Medicina Naval e responsável pela Secção de Cardiologia dessa instituição. Foi igualmente chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital das Forças Armadas - Polo de Lisboa, diretor deste mesmo Polo e, por inerência, subdiretor daquele grupo hospitalar militar, que inclui o Polo do Porto. Iniciou em abril um mandato de dois anos como presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

guém sabe! Também se estima que as pessoas fumaram mais. E depois há uma componente psicossocial de ameaça e de pressão que também é perniciosa.” Mas nem tudo foi mau! Luís Bronze refere-se aos denominados “novos fatores de risco”, entre os quais a poluição e o sono: “Por um lado, houve menos poluição e, por outro, as pessoas tiveram, provavelmente, mais horas de sono, sendo certo que está demonstrado que dormir menos do que é suposto está associado a obesidade.” De acordo com um artigo científico recentemente publicado, o ideal será dormir umas 7 horas por noite. O presidente da SPH sublinha haver uma diferença fundamental entre a “pandemia do vírus” e a “pandemia cardiovascular”. Enquanto no primeiro caso “o percurso desde o contágio até à eventual morte pode ser relativamente curto, na HTA esse percurso é basicamente o mesmo, a questão é que demora bastante mais tempo”. “Vamos avaliar nos próximos anos o efeito que a pandemia covid teve nas pessoas hipertensas. De acordo com muitos colegas meus, e eu tendo a concordar com eles, o nível de mortalidade já é visível”, afirma Luís Bronze.

“A SPH tem feito um grande esforço para fomentar a adesão à terapêutica, sem a qual não se consegue modificar o risco”, frisa o cardiologista.

SPH aberta à entrada de enfermeiros Luís Bronze é perentório: “A SPH está aberta a qualquer profissional, nomeadamente enfermeiros, desde logo os que estão particularmente dedicados à HTA.” Afirma não ver razão para que a Sociedade Portuguesa de Hipertensão não possa acolher também cardiopneumologistas, nutricionistas, farmacêuticos… “É verdade que os enfermeiros têm um papel importante e o que eu advogo é que devemos trabalhar sempre em equipa. Aliás, se dúvidas houvesse, a pandemia veio mostrar isso mesmo”, conclui.


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Servier Portugal - Especialidades Farmacêuticas Lda. Informação científica a cargo de Servier Portugal Av. António Augusto de Aguiar 128. 1069-133 LISBOA Telefone: 21 312 20 00 - Fax: 21 312 20 90 Referências: 1. RCM de Coveram® (2019); 2. RCM de Triplixam® (2019); 3. RCM de Triveram® (2020); 4. RCM de Cosyrel® (2020); 5. Williams B et al. Eur Heart J. 2018;39(33):3021-3104. INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO: Nome do medicamento*: Coveram® 5 mg/5 mg; Coveram® 5 mg/10 mg; Coveram® 10 mg/5 mg; Coveram® 10 mg/10 mg. Composição qualitativa e quantitativa*: Coveram® 5 mg/5 mg contém 5 mg de perindopril arginina (per) e 5 mg de besilato de amlodipina (amlo). Coveram® 5 mg/10 mg contém 5 mg per/10 mg amlo. Coveram® 10 mg/5 mg contém 10 mg per/5 mg de amlo. Coveram® 10 mg/10 mg contém 10 mg per/10 mg amlo. Excipiente: contém lactose monohidratada. Forma farmacêutica*: Comprimido. (Continua na página seguinte)


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Indicações terapêuticas*: Coveram está indicado como terapêutica de substituição para o tratamento da hipertensão arterial essencial e/ou doença coronária arterial estável, em doentes já controlados com perindopril e amlodipina administrados em simultâneo e com o mesmo nível de dosagem. Posologia e modo de administração*: Via oral. Um comprimido por dia, numa única toma, de preferência de manhã e antes duma refeição. A associação fixa não é adequada para terapêutica inicial. Se for necessário alterar a posologia, a dose de Coveram pode ser modificada ou pode ser considerada a titulação individual com os componentes isolados. Compromisso renal e idosos: monitorização frequente da creatinina e potássio; Clcr < 60ml/min: não recomendado. Compromisso hepático: para encontrar a dose inicial e de manutenção ideal, os doentes devem ser titulados individualmente utilizando os componentes isolados de amlodipina e perindopril. População pediátrica: não deve ser utilizado em crianças e adolescentes. Contraindicações*: Hipersensibilidade às substâncias ativas, a qualquer outro IECA, a derivados das dihidropiridinas ou a qualquer um dos excipientes; Antecedentes de angioedema associado a uma terapêutica prévia com IECAs; Angioedema hereditário ou idiopático; Segundo e terceiro trimestres da gravidez (ver secções Advertências* e Gravidez e aleitamento*); Utilização concomitante com medicamentos contendo aliscireno em doentes com diabetes mellitus ou compromisso renal (TFG < 60 ml/min/1,73 m2) (ver secções Interações* e Propriedades farmacodinâmicas*); Hipotensão grave; Choque, incluindo choque cardiogénico; Obstrução no fluxo de saída do ventrículo esquerdo (p.e. grau elevado de estenose aórtica); Insuficiência cardíaca hemodinamicamente instável após enfarte agudo do miocárdio; Utilização concomitante com sacubitril/valsartan (ver secção Advertências* e Interações*); Tratamentos extracorpóreos nos quais o sangue entra em contato com superfícies polarizadas negativamente (ver secção Interações*); Estenose bilateral significativa da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional (ver secção Advertências*). Advertências e precauções especiais de utilização*: Advertências especiais: Hipersensibilidade/ Angioedema/Angioedema intestinal: o tratamento deve ser imediatamente interrompido e iniciada monitorização adequada até ao completo desaparecimento dos sintomas. O angioedema associado a edema da laringe pode ser fatal. Combinação com sacubitril/valsartan (contraindicada devido ao aumento do risco de angioedema). Sacubitril/valsartan não deve ser iniciado até 36 horas após a última dose da terapêutica com perindopril. A terapêutica com perindopril não deve ser iniciada até 36 horas após a última dose de sacubitril/valsartan. A utilização concomitante de outros inibidores da NEP (p.e. racecadotril) e IECAs também pode aumentar o risco de angioedema. Os doentes tratados concomitantemente com inibidores mTOR (p.e. sirolímus, everolímus, temsirolímus) podem ter risco acrescido de angioedema. Reações anafiláticas durante a aférese de lipoproteínas de baixa densidade (LDL): em raras ocasiões, os doentes sofreram reações anafiláticas com risco de vida, reações evitadas com a interrupção temporária do tratamento antes dos exames. Reações anafiláticas durante a dessensibilização: evitadas com a interrupção temporária do tratamento antes dos exames. Estas reações reapareceram após toma inadvertida. Neutropenia/ agranulocitose/ trombocitopenia/anemia: extrema precaução em doentes com doença vascular colagénica, terapêutica imunossupressora, em tratamento com alopurinol ou procainamida, sendo aconselhável monitorizar periodicamente os níveis de glóbulos brancos. Hipertensão renovascular: Existe um risco aumentado de hipotensão e insuficiência renal, em doentes com estenose bilateral da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional. O tratamento com diuréticos pode ser um fator contribuidor. Pode ocorrer perda da função renal (alterações ligeiras na creatinina sérica), mesmo em doentes com estenose unilateral da artéria renal. Duplo bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA): utilização concomitante de IECAs, ARAs II ou aliscireno aumenta o risco de hipotensão, hipercaliemia e redução da função renal (incluindo insuficiência renal aguda). O duplo bloqueio de SRAA não é, portanto, recomendado. Os IECA e ARAs II não devem ser associados em doentes com nefropatia diabética. Aldosteronismo primário: não recomendado em doentes com hiperaldosteronismo primário (não respondem a anti-hipertensores que atuam através da inibição do sistema renina-angiotensina). Gravidez: Quando é diagnosticada a gravidez, o tratamento com Coveram deve ser imediatamente interrompido e, se apropriado, deverá ser iniciada terapêutica alternativa. Precauções de utilização: Hipotensão: nos doentes com risco elevado de hipotensão sintomática (depleção de volume ou com hipertensão reninadependente grave) ou com doença cardíaca isquémica ou doença cerebrovascular, a pressão arterial, função renal e potássio sérico devem ser rigorosamente monitorizados durante o tratamento. Uma resposta hipotensiva transitória não é uma contraindicação para doses adicionais, desde que a pressão arterial tenha aumentado após a expansão do volume. Estenose da vávula aórtica e mitral/cardiomiopatia hipertrófica: utilizar com precaução. Doentes com insuficiência cardíaca: utilizar com precaução. Função renal comprometida: monitorizar o potássio e a creatinina; recomenda-se a titulação individual dos monocomponentes, se Clcr <60 ml/min. Em doentes com estenose da artéria renal, a ureia e creatinina séricas podem aumentar. Em caso de hipertensão renovascular existe um risco aumentado de hipotensão grave e insuficiência renal. Insuficiência renal: A amlodipina não é dialisável. Insuficiência hepática: em casos raros, os IECA têm sido associados a uma síndrome que começa com icterícia colestática e progride para necrose hepática fulminante e (por vezes) morte: parar o tratamento no caso de icterícia ou aumentos significativos de enzimas hepáticas. Função hepática comprometida: titulação gradual da dose e monitorização cuidadosa no caso de insuficiência hepática grave. Indivíduos de raça negra: o perindopril pode ser menos eficaz e causar uma taxa mais elevada de angioedema do que em doentes de raça não negra. Tosse não produtiva: desaparece com a descontinuação do tratamento. Cirurgia/Anestesia: interromper o tratamento um dia antes da cirurgia. Hipercaliemia: monitorizar frequentemente o potássio sérico no caso de insuficiência renal, agravamento da função renal, idade (>70 anos), diabetes mellitus, desidratação, descompensação cardíaca aguda, acidose metabólica e utilização concomitante de diuréticos poupadores de potássio, suplementos ou substitutos do sal que contêm potássio. Doentes diabéticos: monitorizar a glicémia durante o primeiro mês. Crise hipertensiva: A segurança e eficácia não foram estabelecidas. Doentes idosos: aumentar a dose com precaução. Doentes com intolerância à galactose/ malabsorção de glucose- galactose/deficiência total de lactase: não devem tomar este medicamento. Interacções medicamentosas e outras formas de interacção*: Utilização concomitante contraindicada: aliscireno em doentes diabéticos ou com compromisso renal, tratamentos extracorporais que levem ao contato do sangue com superfícies polarizadas negativamente, sacubitril/valsartan. Utilização concomitante não recomendado: aliscireno (em outros doentes), bloqueadores dos recetores da angiotensina, estramustina, cotrimoxazol (trimetoprim/sulfametoxazol), diuréticos poupadores de potássio (p.e. triamtereno, amilorida), sais de potássio, lítio, dantroleno (intravenoso), toranja ou sumo de toranja. Utilização concomitante que requer cuidados especiais: antidiabéticos (insulina, ADO), diuréticos não poupadores de potássio, diuréticos poupadores de potássio (eplerenona, espironolactona), racecadotril, inibidores mTOR (p.e. sirolímus, everolímus, temsirolímus), AINEs (incluindo aspirina ≥ 3 g/dia), indutores CYP3A4, inibidores CYP3A4, baclofeno. Utilização concomitante que requer alguns cuidados: gliptinas (linagliptina, saxagliptina, sitagliptina, vildagliptina), simpatomiméticos, ouro, tacrolímus, ciclosporina, sinvastatina, anti-hipertensores e vasodilatadores, corticosteróides, tetracosactido, alfa-bloqueadores (prazosina, alfuzosina, doxazosina, tamsulosina, terazosina), amifostina, antidepressivos tricíclicos, antipsicóticos, anestésicos, outros produtos medicinais com propriedades anti- hipertensivas. Gravidez e amamentação*: Não recomendado durante o primeiro trimestre de gravidez. Contraindicado durante o segundo e terceiro trimestres de gravidez. Não recomendado durante o aleitamento. Fertilidade*: Alterações bioquímicas reversíveis de espermatozoides em alguns doentes tratados com bloqueadores dos canais de cálcio. Capacidade de conduzir e utilizar máquinas*: Pode estar comprometida em caso de tonturas, cefaleias, fadiga, má disposição ou náuseas. Efeitos indesejáveis*: Muito frequentes: edema. Frequentes: sonolência, tonturas, cefaleia, disgeusia, parestesia, compromisso visual, diplopia, zumbidos, vertigens, palpitações, rubor, hipotensão, dispneia, tosse, dor abdominal, náusea, vómito, dispepsia, alteração dos hábitos intestinais, diarreia, obstipação, prurido, erupção cutânea, exantema, tumefação articular (tornozelos), espasmos musculares, fadiga, astenia. Pouco frequentes: rinite, eosinofilia, hipersensibilidade, hipoglicemia, hipercaliemia, hiponatremia, insónia, alterações do humor, Ansiedade, depressão, perturbações do sono, tremor, hipoestasia, síncope, taquicardia, arritmia (incluindo bradicardia, taquicardia ventricular e fibrilhação auricular), vasculite, broncospasmo, boca seca, angioedema da face, das extremidades, dos lábios, das mucosas, da língua, da glote e/ou da laringe, alopecia, púrpura, descoloração da pele, hiperidrose, urticária, reações de fotossensibilidade, penfigóide, artralgia, mialgia, dor de costas, alterações da micção, nictúria, polaquiúria, insuficiência renal, disfunção eréctil, ginecomastia, edema periférico, dor no peito, dor, mal-estar geral, pirexia, aumento de peso, diminuição de peso, ureia no sangue aumentada, creatininemia aumentada, quedas. Raros: estado confusional, agravamento da psoríase, bilirrubinemia aumentada, enzimas hepáticas aumentadas. Muito raros: leucopenia/neutropenia, agranulocitose ou pancitopenia, trombocitopenia, enzima específica da anemia hemolítica em doentes com deficiência congénita em G-6PDH, hiperglicemia, hipertonia, neuropatia periférica, AVC possivelmente secundário à excessiva hipotensão em doentes de elevado risco, angina de peito, enfarte do miocárdio, pneumonia eosinofílica, hiperplasia gengival, pancreatite, gastrite, hepatite, icterícia, hepatite citolítica ou colestática, aumento das enzimas hepáticas, edema de Quincke, eritema multiforme, Síndrome de Stevens-Johnson, dermatite esfoliativa, insuficiência renal aguda, diminuição da hemoglobina e hematócrito. Frequência desconhecida: afeção extrapiramidal (síndrome extrapiramidal); necrólise epidérmica tóxica e fenómeno de Raynaud. A síndrome de secreção inapropriada de hormona antidiurética (SIADH) pode ser considerada uma complicação muito rara, associada ao tratamento com IECAs. Sobredosagem*. Propriedades*: O perindopril é um inibidor da enzima que converte a angiotensina I em angiotensina II (Enzima de Conversão da Angiotensina - ECA). A amlodipina é um inibidor do fluxo de iões de cálcio do grupo das dihidropiridinas (bloqueador dos canais lentos de cálcio ou antagonista do ião de cálcio) e inibe o influxo transmembranar dos iões de cálcio para musculatura cardíaca e lisa vascular. Apresentações*: Embalagem de 10 comprimidos de Coveram 5 mg/5 mg. Embalagens de 30 comprimidos de Coveram 5 mg/5 mg, 5 mg/10 mg, 10 mg/5 mg e 10 mg/10 mg. Titular da AIM: Les Laboratoires Servier, 50, rue Carnot, 92284 Suresnes cedex, França. www.servier. com Para mais informações deverá contactar o representante do titular da AIM: Servier Portugal, Lda. Av. António Augusto de Aguiar, 128, 1069-133 Lisboa – tel: 213122000. Regime de comparticipação: Comparticipado pelo escalão B: RG=69%; RE=84%. Coveram é um MSRM. RCM aprovado em 07.2019. IECRCM 10.03.2020 *Para uma informação completa, por favor leia, o resumo das características do medicamento. INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO: Nome do medicamento*: Triplixam® 5mg/1,25mg/5mg; Triplixam® 5mg/1,25mg/10mg; Triplixam® 10mg/2,5mg/5mg; Triplixam® 10mg/2,5mg/10mg. Composição qualitativa e quantitativa *: Triplixam 5mg/1,25mg/5mg contém 5 mg de perindopril (per), 1,25 mg de indapamida (ind) e 5 mg de amlodipina (amlo). Triplixam 5mg/1,25mg/10mg contém 5 mg per/1,25 mg ind/10mg amlo; Triplixam 10mg/2,5mg/5mg contém 10 mg per/2,5 mg ind/5 mg amlo. Triplixam 10mg/2,5mg/10mg contém 10 mg per/2,5 mg ind/10 mg amlo. Forma farmacêutica: Comprimidos revestidos por película. Indicações terapêuticas*: Triplixam está indicado como terapêutica de substituição para o tratamento da hipertensão essencial, em doentes já controlados com a associação fixa perindopril/ indapamida e amlodipina tomados com a mesma dose. Posologia e modo de administração*: Via oral. Um comprimido revestido por película de Triplixam por dia, numa única toma, de preferência de manhã e antes de uma refeição. A associação fixa não é recomendada para terapêutica inicial. Se for necessário alterar a posologia, a titulação deve ser feita com os componentes isolados. População pediátrica: não deve ser utilizada. Contraindicações*: Doentes hemodialisados. Doentes com insuficiência cardíaca descompensada não tratada. Compromisso renal grave (depuração da creatinina (ClCr) < 30 mL/min). Compromisso renal moderado (ClCr 30-60 mL/min) para Triplixam 10mg/2,5mg/5mg e 10mg/2,5mg/10mg. Hipersensibilidade às substâncias ativas, às outras sulfonamidas, aos derivados das dihidropiridinas, a qualquer outro IECA ou a qualquer um dos excipientes. Antecedentes de angioedema (edema de Quincke) associado a prévia terapêutica com IECAs (ver secção de Advertências*). Angioedema hereditário ou idiopático. Segundo e terceiro trimestres da gravidez (ver secções de Advertências* e Fertilidade, gravidez e aleitamento*). Aleitamento (ver seção Fertilidade, gravidez e aleitamento*). Encefalopatia hepática. Compromisso hepático grave. Hipocaliemia. Hipotensão grave. Choque, incluindo choque cardiogénico. Obstrução no fluxo de saída do ventrículo esquerdo (p.e. grau elevado de estenose aórtica). Insuficiência cardíaca hemodinamicamente instável após enfarte agudo do miocárdio. Utilização concomitante de Triplixam com produtos que contenham aliscireno em doentes com diabetes mellitus ou com compromisso renal (TFG <60mL/min/1,73m2) (ver secções Interações*). Utilização concomitante com sacubitril/valsartan (ver secção Advertências* e Interações*). Tratamentos extracorpóreos nos quais o sangue entra em contato com superfícies polarizadas negativamente (ver secção Interações*). Estenose bilateral significativa da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional (ver secção Advertências*). Advertências e precauções especiais de utilização*: Advertências especiais: Associação com lítio: não recomendada. Duplo bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA): IECAs e bloqueadores dos receptores da angiotensina II não devem ser utilizados concomitantemente em doentes com nefropatia diabética. Neutropenia/agranulocitose/ trombocitopenia/anemia: extrema precaução nos doentes com doença vascular colagénica, terapêutica imunossupressora, tratamento com alopurinol ou procainamida, ou uma combinação destes fatores de risco, especialmente em caso de compromisso da função renal pré-existente. Monitorização periódica dos níveis de glóbulos brancos no sangue. Hipertensão renovascular: existe um risco aumentado de hipotensão e insuficiência renal, em doentes com estenose bilateral da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional. O tratamento com diuréticos pode ser um fator contributivo. Pode ocorrer perda da função renal (alterações menores na creatinina sérica), mesmo em doentes com estenose unilateral da artéria renal. Hipersensibilidade/angioedema/ angioedema intestinal: o tratamento deve ser imediatamente interrompido e iniciada monitorização adequada até ao completo desaparecimento dos sintomas. Angioedema associado a edema da faringe pode ser fatal. Utilização concomitante de inibidores mTOR (p.e. sirolimus, everolimus, temsirolimus): doentes podem estar em risco aumentado de angioedema (p.e. edema das vias respiratórias ou da língua, com ou sem insuficiência respiratória). Combinação com sacubitril/valsartan (contraindicada devido ao aumento do risco de angioedema). Sacubitril/valsartan não deve ser iniciado até 36 horas após a última dose de perindopril. Perindopril não deve ser iniciado até 36 horas após a última dose de sacubitril/valsartan. A utilização concomitante de outros inibidores da NEP (p.e. racecadotril) e IECAs também pode aumentar o risco de angioedema. Reações anafiláticas durante a dessensibilização: precaução em doentes alérgicos tratados com dessensibilização e evitar em imunoterapia com veneno. Suspensão temporária do IECA pelo menos 24 horas antes do tratamento. Reações anafiláticas durante a aférese de lipoproteínas de baixa densidade (LDL): raras vezes, os doentes experimentaram reações anafiláticas com risco de vida, reações evitadas com a interrupção temporária do tratamento antes dos exames. Doentes hemodialisados: nestes doentes deve considerar-se a utilização de um tipo diferente de membranas de diálise, que não as membranas de alto fluxo, ou outra classe de anti-hipertensor que não IECA, para evitar reações anafiláticas. Aldosteronismo primário: não recomendado em doentes com aldosteronismo primário (não respondem a anti-hipertensores que atuam através da inibição do sistema renina-angiotensina). Gravidez: os IECAs não devem ser iniciados durante a gravidez. Quando é diagnosticada a gravidez, o tratamento com IECA deve ser imediatamente interrompido e, se apropriado, deverá ser iniciada terapêutica alternativa. Encefalopatia hepática: interromper o tratamento. Fotossensibilidade: interromper o tratamento. Precauções de utilização: Função renal: Em alguns doentes hipertensos sem lesões renais pré-existentes aparentes e nos quais as análises de sangue demonstram insuficiência renal funcional, o tratamento deve ser interrompido e possivelmente recomeçado com uma dosagem mais baixa ou com um único constituinte. Monitorizar frequentemente o potássio e a creatinina, após duas semanas de tratamento e após cada dois meses durante o período de estabilização terapêutica. No caso de estenose bilateral da artéria renal ou só com um rim em funcionamento: utilização não recomendada. Risco de hipotensão e/ou insuficiência renal (em casos de insuficiência cardíaca, água e depleção eletrolítica, em doentes com pressão arterial baixa, estenose arterial renal, insuficiência cardíaca congestiva ou cirrose com edema e ascite): o tratamento deve ser iniciado com uma dose mais baixa e aumentado progressivamente. Hipotensão e depleção de água e sódio: risco de hipotensão súbita na presença de depleção sódica pré-existente (em particular em indivíduos com estenose da artéria renal): monitorização dos eletrólitos plasmáticos, restabelecimento do volume sanguíneo e pressão arterial satisfatórios, reiniciar o tratamento com uma dose reduzida ou com apenas um dos constituintes. Níveis de sódio: deve ser efetuada uma monitorização mais frequente no caso de idosos e doentes com cirrose. Níveis de potássio: hipercaliemia: monitorizar o potássio sérico na insuficiência renal, deterioração da função renal, idade (>70 anos), diabetes mellitus, eventos intercorrentes, em particular desidratação, descompensação cardíaca aguda, acidose metabólica e utilização concomitante de diuréticos poupadores do potássio, suplementos ou substitutos do sal contendo potássio ou outros medicamentos associados a aumentos do potássio sérico. A hipercaliemia pode

causar arritmias sérias, por vezes fatais. Hipocaliemia: elevado risco para idosos e/ou indivíduos subnutridos, doentes cirróticos com edema e ascites, doentes coronários e com insuficiência renal ou cardíaca, com um intervalo QT longo: análises mais frequentes aos níveis de potássio. Poderá favorecer o aparecimento de torsades de pointes, que podem ser fatais. Níveis de cálcio: hipercalcemia: o tratamento deve ser interrompido antes da investigação da função paratiróide. Hipertensão renovascular: doentes com estenose da artéria renal: o tratamento deve ser iniciado em meio hospitalar com uma dose baixa; monitorizar a função renal e os níveis de potássio. Tosse: a tosse é não-produtiva, persistente e desaparece com a suspensão do tratamento. Aterosclerose: o tratamento a ser iniciado com uma dose baixa em doentes com doença cardíaca isquémica ou insuficiência circulatória cerebral. Crise hipertensiva: a segurança e eficácia não foram estabelecidas. Insuficiência cardíaca/Insuficiência cardíaca grave: precaução nos doentes com insuficiência cardíaca. Em doentes com insuficiência cardíaca grave (grau IV) o tratamento deve iniciar-se sob vigilância médica e com uma dose inicial reduzida. Estenose da válvula aórtica ou mitral/Cardiomiopatia hipertrófica: precaução em doentes com uma obstrução no fluxo de saída do ventrículo esquerdo. Diabéticos: em doentes com diabetes mellitus insulinodependentes o tratamento deve ser iniciado sob supervisão médica e com uma dose inicial reduzida; Os níveis de glicémia devem ser cuidadosamente controlados durante o primeiro mês de tratamento e/ou quando os níveis de potássio são baixos. Indivíduos de raça negra: maior incidência de angioedema em doentes de raça negra e aparentemente menor eficácia na redução da pressão arterial do que em indivíduos de raça não negra. Cirurgia/Anestesia: interromper o tratamento um dia antes da cirurgia. Insuficiência hepática: deve ser utilizado com precaução em doentes com insuficiência hepática ligeira a moderada. Raras vezes, os IECAs foram associados a uma síndrome que começa com icterícia colestática e progride para necrose hepática fulminante e (por vezes) morte. Parar o tratamento no caso de icterícia ou aumento acentuado de enzimas hepáticas e seguimento médico apropriado. Ácido úrico: hiperuricemia: aumento da tendência para ataques de gota. Idosos: a função renal e os níveis de potássio devem ser avaliados antes do início do tratamento. O aumento da dose deve ser feito com cuidado. Excipientes: praticamente isento de sódio (contém menos do que 23 mg de sódio por comprimido). Interações medicamentosas e outras formas de interação*: Contraindicado: Aliscireno em doentes diabéticos ou com compromisso renal, Tratamentos extracorpóreos nos quais o sangue entra em contato com superfícies polarizadas negativamente, Sacubitril/valsartan. Não recomendado: Lítio, Aliscireno (em outros doentes), Terapêutica concomitante com IECAs e ARAs, Estramustina, Fármacos poupadores do potássio (p.e. triamtereno, amilorida), Sais de potássio, Cotrimoxazol (trimetoprim/sulfametoxazol), Dantroleno (infusão), Toranja ou sumo de toranja. Utilização concomitante que requer cuidados especiais: Baclofeno, AINES (incluindo ácido acetilsalicílico em doses elevadas), Antidiabéticos (insulina, antidiabéticos orais), Diuréticos não poupadores de potássio e diuréticos poupadores de potássio (eplerenona, espironolactona), Racecadotril, Inibidores mTOR (p.e. sirolimus, everolimus, temsirolimus), Medicamentos que induzem “Torsades de pointes”, Anfotericina B (via IV), Glucocorticoides e mineralocorticóides (via sistémica), Tetracosactido, Laxantes estimulantes, Glicósidos cardíacos, Alopurinol, Indutores do CYP3A4, Inibidores do CYP3A4. Utilização concomitante a considerar: Anti-depressores tipo imipramínicos (tricíclicos), Neurolépticos, Outros fármacos anti-hipertensores, Vasodilatadores, Corticosteroides, Tetracosactido, Alopurinol, Fármacos imunossupressores ou citostáticos, Corticosteroides sistémicos ou procainamida, Fármacos anestésicos, Diuréticos (tiazida ou diuréticos da ansa), Gliptinas (linagliptina, saxagliptina, sitagliptina, vildagliptina), Simpatomiméticos, Ouro, Metformina, Meios de contraste iodados, Cálcio (sais), Ciclosporina, Atorvastatina, Digoxina, Varfarina, Tacrolimus, Sinvastatina. Gravidez e amamentação*: Contraindicado durante o segundo e terceiro trimestres da gravidez e aleitamento. Não é recomendado durante o primeiro trimestre da gravidez. Fertilidade*: Alterações bioquímicas reversíveis na cabeça dos espermatozoides em alguns doentes tratados com bloqueadores dos canais de cálcio. Capacidade de conduzir e utilizar máquinas*: Pode estar comprometida devido à baixa pressão arterial que poderá ocorrer em alguns doentes, especialmente no início do tratamento. Efeitos indesejáveis*: Muito frequentes: Edema. Frequentes: Tonturas, Cefaleia, Parestesia, Vertigens, Sonolência, Disgeusia, Compromisso visual, Dipoplia, Zumbidos, Palpitações, Rubor, Hipotensão (e efeitos relacionados com hipotensão), Tosse, Dispneia, Dor abdominal, Obstipação, Diarreia, Dispepsia, Náusea, Vómito, Alterações dos hábitos intestinais, Prurido, Erupção cutânea, Erupção cutânea maculopapulosa, Cãibras musculares, Inchaço dos tornozelos, Astenia, Fadiga. Pouco frequentes: Rinite, Eosinofilia, Hipersensibilidade, Hipoglicemia, Hipercaliemia reversível com a descontinuação, Hiponatremia, Insónia, Alterações do humor (incluindo ansiedade), Depressão, Perturbações do sono, Hipostesia, Tremor, Síncope, Taquicardia, Arritmia (incluindo bradicardia, taquicardia ventricular e fibrilhação auricular), Vasculite, Broncoespasmo, Boca seca, Urticária, Angioedema, Alopecia, Púrpura, Descoloração cutânea, Hiperidrose, Exantema, Fotossensibilidade, Penfigóide, Artralgia, Mialgia, Dor de costas, Perturbação da micção, Nictúria, Polaquiúria, Insuficiência renal, Disfunção eréctil, Ginecomastia, Dor, Dor no peito, Mal-estar geral, Edema periférico, Pirexia, Aumento de peso, Diminuição de peso, Aumento da ureia no sangue, Aumento da creatinina no sangue, Quedas. Raros: Estado confusional, Aumento da bilirrubina no sangue, Aumento das enzimas hepáticas, Agravamento da psoríase. Muito raros: agranulocitose, anemia aplástica, pancitopenia, leucopenia, neutropenia, anemia hemolítica, trombocitopenia, reações alérgicas, hiperglicemia, hipercalcemia, hipertonia, neuropatia periférica, AVC possivelmente secundário a hipotensão excessiva em doentes de alto risco, angina de peito, enfarte do miocárdio possivelmente secundário a hipotensão excessiva em doentes de alto risco, pneumonia eosinofílica, hiperplasia gengival, pancreatite, gastrite, hepatite, icterícia, função hepática anormal, eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson, dermatite esfoliativa, necrólise epidérmica tóxica, edema de Quincke, insuficiência renal aguda, diminuição da hemoglobina e do hematócrito. Desconhecidos: Depleção de potássio com hipocaliemia particularmente grave em certas populações de alto risco, Alteração extrapiramidal (síndrome extrapiramidal), Miopia, Visão turva, Torsade de pointes (potencialmente fatal), Possibilidade de aparecimento de encefalopatia hepática em caso de insuficiência hepática, Possível deterioração de lúpus eritematoso sistémico pré-existente, Eletrocardiograma com QT prolongado, Aumento da glicemia, Aumento do ácido úrico, Fenómeno de Raynaud. A síndrome de secreção inapropriada de hormona antidiurética (SIADH) pode ser considerada uma complicação muito rara, associada ao tratamento com IECAs. Sobredosagem*. Propriedades*: o perindopril é um inibidor da enzima que converte a angiotensina (IECA) que converte a angiotensina I em angiotensina II. Indapamida é um derivado sulfonamídico com anel indólico, farmacologicamente relacionada aos diuréticos tiazídicos. A amlodipina é um inibidor do fluxo iónico do cálcio do grupo dihidripiridina (bloqueador dos canais lentos do cálcio ou antagonista do ião cálcio) e inibe o influxo transmembranar dos iões para as células cardíacas e da musculatura lisa vascular. Apresentações*: Caixas de 10 (Triplixam 5mg/1,25mg/5mg) e 30 comprimidos. Titular da AIM: Les Laboratoires Servier, 50, rue Carnot, 92284 Suresnes cedex, França. www.servier.com Para mais informações deverá contactar o representante do titular da AIM: Servier Portugal Lda., Avenida António Augusto de Aguiar, 128, 1069-133 Lisboa – tel: 213122000. Regime de comparticipação: Comparticipado pelo escalão B: RG=69%; RE=84%. Triplixam é um MSRM. RCM aprovado em 07.2019. IECRCM 21.09.2020 *Para uma informação completa, por favor leia, o resumo das características do medicamento. INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO. Nome do medicamento e forma Farmacêutica: Triveram® 10mg/5mg/5mg, 20mg/5mg/5mg, 20mg/10mg/5mg, 20mg/10mg/10mg, 40mg/10mg/10mg comprimidos revestidos por pelicula. COMPOSIÇÃO*: Triveram® 10mg/5mg/5mg contêm 10mg atorvastatina (ator)/5mg perindopril arginina (per)/5mg amlodipina (amlo); Triveram® 20mg ator/5mg per/5mg amlo; Triveram® 20mg ator/10mg per/5mg amlo; Triveram®20mg ator/10mg per/10mg amlo,; Triveram® 40mg ator/10mg per/10mg amlo. Contém lactose como excipiente. INDICAÇÕES*: Triveram® está indicado para o tratamento da hipertensão arterial essencial e/ou da doença arterial coronária estável, em associação com hipercolesterolemia primária ou hiperlipidemia mista, como terapia de substituição em doentes adultos adequadamente controlados com atorvastatina, perindopril e amlodipina administrados concomitantemente com a mesma dosagem da associação fixa. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO*: Um comprimido por dia, de manhã antes de uma refeição. Triveram® não é adequado para terapêutica inicial. Se for necessária uma mudança de posologia, a titulação deve ser feita com os componentes individuais. Nos doentes em tratamento com os agentes antivirais elbasvir/grazoprevir ou letermovir concomitantemente com Triveram®, a dose de atorvastatina no Triveram® não deverá exceder 20 mg/dia. Não se recomenda a utilização de Triveram, em doentes a tomar letermovir administrado concomitantemente com ciclosporina. Idosos e doentes com compromisso renal: monitorizar frequentemente a creatinina e o potássio. Clcr<60 ml/min: não adequado. Compromisso hepático: utilizar com precaução. Triveram® está contraindicado em doentes com doença hepática ativa. População pediátrica: não deve ser utilizada. CONTRAINDICAÇÕES*: Hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer outro IECA, ou a derivados da dihidropiridina ou estatina ou a qualquer um dos excipientes; doença hepática ativa ou aumentos inexplicados e persistentes das transaminases séricas que excedam 3 vezes o limite superior dos valores normais; contraindicado durante a gravidez, enquanto estiver a amamentar e em mulheres em idade fértil que não usem medidas contracetivas apropriadas, em doentes tratados concomitantemente com os agentes antivirais glecaprevir/pibrentasvir para a hepatite C, em caso de hipotensão grave, choque (incluindo choque cardiogénico), obstrução no fluxo de saída do ventrículo esquerdo (p.e. cardiomiopatia obstrutiva hipertrofica e grau elevado de estenose aórtica), insuficiência cardíaca hemodinamicamente instável após enfarte agudo do miocárdio, antecedentes de angioedema (edema de Quincke) associado a prévia terapêutica com IECAs, angioedema hereditário ou idiopático contraindicado o uso concomitante com medicamentos contendo aliscireno, em doentes com diabetes mellitus ou compromisso renal (TFG < 60 mL/min/1,73m2), o uso concomitante com sacubitril / valsartan, e nos doentes a fazer tratamentos extracorporais que conduzam ao contato do sangue com superfícies eletrizadas negativamente (. Em caso de estenose bilateral significativa da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional. ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES ESPECIAIS DE UTILIZAÇÃO*: Efeitos hepáticos: devem ser realizados periodicamente testes à função hepática e em caso de aumento dos níveis das transaminases, os doentes devem ser monitorizados até à resolução das alterações. Descontinuar o tratamento em caso de icterícia ou aumento significativo das enzimas hepáticas (aumento das transaminases séricas excedendo 3 vezes o limite superior dos valores normais) e em doentes com doença hepática ativa. Utilizar com precaução nos doentes com compromisso hepático, que consomem quantidades substanciais de álcool e/ou que têm história de doença hepática. Efeitos músculo-esqueléticos: descontinuar o tratamento em caso de aumento dos níveis CK > 10 x Limite Superior Normal (LSN) ou sintomas musculares com aumento dos níveis CK>5x LSN ou de se suspeitar de rabdomiólise. Triveram® deve ser utilizado com precaução com determinados medicamentos que podem aumentar a concentração plasmática da atorvastatina e, portanto, o risco de rabdomiólise, tais como inibidores potentes do CYP3A4 ou proteínas de transporte (p.e. a ciclosporina, cetoconazol, letermovir, ritonavir…). Risco aumentado de miopatia com o uso concomitante de gemfibrozil e outros derivados do ácido fíbrico, antivirais para o tratamento da hepatite C, eritromicina, niacina e ezetimiba. Não é recomendada a coadministração com formulações sistémicas de ácido fusídico ou nos 7 dias seguintes após ter parado o tratamento com ácido fusídico. Se o tratamento com ácido fusídico for considerado essencial, o Triveram® deve ser descontinuado durante o mesmo. Doença pulmonar intersticial: se houver suspeita, a terapêutica deverá ser descontinuada. Diabetes Mellitus: em doentes diabéticos, o controlo da glicemia deve ser rigorosamente monitorizado durante o primeiro mês de tratamento. Insuficiência cardíaca: utilizar com precaução. Hipotensão: monitorizar a pressão arterial, a função renal e o potássio nos doentes com elevado risco de hipotensão sintomática (depleção de volume ou doentes com hipertensão grave renina-dependente) ou com insuficiência cardíaca sintomática (com ou sem insuficiência renal), ou com doença cardíaca isquémica ou doença cerebrovascular. Uma resposta hipotensora transitória não é uma contraindicação para doses adicionais, logo que a pressão arterial tenha aumentado após aumento da volémia. Estenose das válvulas aórtica e mitral / cardiomiopatia hipertrófica: utilizar com precaução e ver CONTRAINDICAÇÕES*, Transplante renal: não há experiência em doentes com transplante renal recente. Hipertensão renovascular: Existe um risco aumentado de hipotensão e insuficiência renal no doente com estenose bilateral da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional. Diuréticos podem ser um fator contributivo. A perda a função renal pode ocorrer com apenas alterações menores na creatinina sérica, mesmo em doentes com estenose unilateral da artéria renal. Compromisso renal: monitorizar o potássio e a creatinina; se Clcr < 60 mL/min, recomenda-se uma titulação da dose individual com os monocomponentes. Em doentes com estenose bilateral da artéria renal, a ureia e a creatinina séricas podem aumentar; com hipertensão renovascular, existe um risco aumentado de hipotensão grave e insuficiência renal. A amlodipina pode ser administrada nas doses normais em doentes com insuficiência renal. A amlodipina não é dialisável. Doentes hemodialisados: utilizar com precaução. Hipersensibilidade/Angioedema: interromper o tratamento e monitorizar até ao completo desaparecimento dos sintomas. O angioedema associado ao edema da laringe pode ser fatal. A associação de perindopril com sacubitril / valsartan está contraindicada devido ao aumento do risco de angioedema. O sacubitril / valsartan não deve ser iniciado até 36 horas após ter tomado a última dose de perindopril. O tratamento com perindopril não deve ser iniciado até 36 horas após a última dose de sacubitril / valsartan. O uso concomitante de outros inibidores da NEP (p.e. racecadotril) e IECAs também pode aumentar o risco de angioedema. Uso concomitante de inibidores mTOR: risco aumentado de angioedema. Reações anafiláticas durante a aférese de lipoproteínas de baixa densidade (LDL): são raros os casos de doentes que sofreram reações anafiláticas com risco de vida. Interromper temporariamente o tratamento antes de cada aférese. Reações anafiláticas durante a dessensibilização: suspender temporariamente o tratamento antes dos exames. Estas reações reapareceram após readministração inadvertida. Neutropenia/agranulocitose/ trombocitopenia/anemia: recomenda- se utilizar com precaução extrema nos doentes com doença vascular colagénica, terapêutica imunossupressora, tratamento com alopurinol ou procainamida, monitorizar periodicamente os níveis de glóbulos brancos no sangue. Raça: perindopril, pode ser menos eficaz e causar uma taxa mais elevada de angioedema em doentes de raça negra do que nos de raça não negra. Tosse: desaparece com a descontinuação do tratamento. Cirurgia/Anestesia: interromper o tratamento um dia antes da cirurgia. Hipercaliemia: monitorização frequente do potássio sérico em caso de insuficiência renal, agravamento da função renal, idade (>70 anos) diabetes mellitus, desidratação, descompensação cardíaca aguda, acidose metabólica e uso concomitante de diuréticos poupadores de potássio, suplementos ou substitutos do sal contendo potássio. Associação com lítio: não é recomendada. Duplo bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA): utilização concomitante de IECAs, antagonistas dos recetores da angiotensina II ou aliscireno aumenta o risco de hipotensão, hipercaliemia e diminuição da função renal (incluindo insuficiência renal aguda). Portanto, não se recomenda o duplo bloqueio do SRAA. IECAs e antagonistas dos recetores da angiotensina II não devem ser administrados concomitantemente em doentes com nefropatia diabética. Aldosteronismo primário: Não se recomenda o uso em doentes com hiperaldosteronismo primário (usualmente não respondem a medicamentos anti-hipertensores que atuam através da inibição do sistema renina-angiotensina). Doentes com intolerância à galactose/malabsorção de glucose-galactose/deficiência total de lactase: não devem tomar este medicamento. Sódio: ‘isento de sódio’; INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS*: Contraindicado: aliscireno: (nos doentes diabéticos ou insuficientes renais), tratamentos extracorporais, sacubitril/valsartan, glecaprevir/pibrentasvir. Não recomendado: inibidores CYP3A4, aliscireno, terapêutica concomitante com IECAs e bloqueador dos recetores da angiotensina, estramustina, lítio, cotrimoxazol (trimetoprim/sulfametoxazol), diuréticos poupadores do potássio (p.e. triamtereno, amilorida, eplerenona, espironolactona), sais de potássio, dantroleno (infusão), toranja ou sumo de toranja. Precauções: indutores CYP3A4, digoxina, ezetimiba, ácido fusídico, gemfibrozil/derivados de ácido fíbrico, inibidores de transporte, varfarina, antidiabéticos (insulinas, antidiabéticos orais), baclofeno, anti-inflamatórios não-esteróides (AINE) (incluindo aspirina ≥ 3g/dia), racecadotril, inibidores mTOR (p.e. sirolimus, everolimus, temsirolimus). Alguns cuidados: colquicina, colestipol, contracetivos orais, gliptinas (linagliptina, saxagliptina, sitagliptina, vildagliptina), simpaticomiméticos, antidepressivos tricíclicos/ antipsicóticos/ anestésicos, ouro, digoxina, atorvastatina, varfarina, tacrolimus, ciclosporina, anti-hipertensores e vasodilatadores. FERTILIDADE, GRAVIDEZ E ALEITAMENTO*: Gravidez e aleitamento: Triveram® está contraindicado durante a gravidez e a amamentação. Fertilidade: Alterações bioquímicas reversíveis na cabeça dos espermatozoides em alguns doentes tratados com bloqueadores dos canais de cálcio. CONDUZIR E UTILIZAR MÁQUINAS*: A capacidade de conduzir e utilizar máquinas podem estar comprometidas se ocorrer tonturas, dores de cabeça, fadiga, ou náuseas. Recomenda-se precaução especialmente no início do tratamento. EFEITOS INDESEJÁVEIS*: Muito Frequente: edema. Frequentes: nasofaringite, hipersensibilidade, hiperglicemia, sonolência, tonturas, cefaleias, disgeusia, parestesia, vertigem, compromisso visual, diplopia, acufenos, palpitações, hipotensão (e efeitos relacionados com

hipotensão), rubor, dor faringolaringea, epistaxis, tosse, dispneia, náusea, vómitos, dor abdominal alta e baixa, dispepsia, diarreia, obstipação, alteração dos hábitos intestinais, flatulência, erupção cutânea, prurido, inchaço das articulações, inchaço dos tornozelos, dor nas extremidades, artralgia, espasmos musculares, mialgia, dor nas costas, astenia, fadiga, alteração nos testes da função hepática, aumento da creatinina quinase no sangue. Pouco frequentes: Rinite, eosinofilia, hipoglicemia, hiponatremia, hipercaliemia reversível com a descontinuação, anorexia, insónia, alterações do humor (incluindo ansiedade), perturbações do sono, depressão, pesadelos, tremor, síncope, hipoestasia, amnesia, arritmia (incluindo bradicardia, taquicardia ventricular e fibrilação auricular) visão turva, taquicardia, vasculite, broncospasmo, secura da boca, pancreatite, eructação, hepatite citolítica ou colestática, urticária, purpura, descoloração cutânea, hiperhidrose, exantema, alopecia, angioedema, penfigoide, reações de fotossensibilidade, dor no pescoço, fadiga muscular, alterações na micção, nictúria, polaciúria, insuficiência renal, disfunção eréctil, ginecomastia, dor no peito, dor, mal-estar, edema periférico, pirexia, aumento da ureia no sangue, aumento da creatinina no sangue, aumento de peso, glóbulos brancos na urina positivo, diminuição de peso, queda. Raros: trombocitopenia, estado confusional, neuropatia periférica, colestase, agravamento da psoríase, síndroma de stevens-johnson, necrólise epidérmica tóxica, eritema multiforme, miopatia, miosites, rabdomiólise, rutura muscular, tendinopatia algumas vezes complicada com rutura, aumento das enzimas hepáticas, aumento da bilirrubina no sangue. Muito Raros: leucopenia/neutropenia, agranulocitose ou pancitopenia, anemia hemolítica em doentes com deficiência congénita em g-6pdh, diminuição da hemoglobina e do hematrócito, anafilaxia, hipertonia, perda de audição, enfarte do miocárdio secundário à hipotensão excessiva em doentes de alto risco, angina de peito, AVC possivelmente secundário à hipotensão excessiva em doentes de alto risco, pneumonia eosinofilica, gastrite, hiperplasia gengival, icterícia, insuficiência hepática, dermatite esfoliativa, síndrome de tipo lúpus, insuficiência renal aguda. Desconhecidos: miopatia necrozante imunomediada, perturbação extrapiramidal (síndrome extrapiramidal), fenómeno de Raynaud. A síndrome de secreção inapropriada da hormona antidiurética (SIADH) pode ser considerada uma complicação muito rara, associada ao tratamento com IECAs. SOBREDOSAGEM*. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS*: A atorvastatina é um inibidor seletivo, competitivo da redutase HMG-CoA. O perindopril é um inibidor da enzima que converte a angiotensina I em angiotensina II (Enzima de Conversão da Angiotensina - ECA). A amlodipina é um inibidor do influxo iónico do cálcio do grupo dihidropiridina (bloqueador dos canais lentos do cálcio ou antagonista do ião cálcio) e inibe o influxo transmembranar dos iões de cálcio para as células do músculo liso cardíaco e vascular. APRESENTAÇÃO*: Caixas de 10 (Triveram® 10mg+5mg+5mg) e de 30 comprimidos. TITULAR DA AIM: LES LABORATOIRES SERVIER, 50 rue Carnot, 92284 Suresnes cedex France. www.servier.com Para mais informações deverá contactar o representante do titular de AIM: Servier Portugal, Lda. Av. António Augusto Aguiar, 128, 1069-133 Lisboa. tel: 213122000. REGIME DE COMPARTICIPAÇÃO: Comparticipado pelo escalão B: RG=69%; RE=84%. Triveram® é um MSRM. RCM aprovado em 10.2020. IECRCM 10.12.2020. *Para uma informação completa por favor leia o Resumo das Características do Medicamento. INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO: Nome do medicamento*: Cosyrel® 5 mg/5 mg, Cosyrel® 5 mg/10 mg, Cosyrel® 10 mg/5 mg, Cosyrel® 10 mg/10 mg. Composição Qualitativa e Quantitativa*: Cosyrel® 5 mg/5 mg contém 5 mg de bisoprolol fumarato (equivalente a 4,24 mg de bisoprolol) e 5 mg de perindopril arginina (equivalente a 3,395 mg de perindopril). Cosyrel® 5 mg/10 mg contém 5 mg de bisoprolol fumarato (equivalente a 4,24 mg de bisoprolol) e 10 mg de perindopril arginina (equivalente a 6,79 mg de perindopril). Cosyrel® 10 mg/5 mg contém 10 mg de bisoprolol fumarato (equivalente a 8,49 mg de bisoprolol) e 5 mg de perindopril arginina (equivalente a 3,395 mg de perindopril). Cosyrel® 10 mg/10 mg contém 10 mg de bisoprolol fumarato (equivalente a 8,49 mg de bisoprolol) e 10 mg de perindopril arginina (equivalente a 6,79 mg de perindopril). Forma farmacêutica*: Comprimidos revestidos por película. Indicações terapêuticas*: Cosyrel® está indicado como terapêutica de substituição para tratamento da hipertensão arterial essencial e/ou da doença arterial coronária estável em doentes com história de enfarte do miocárdio e/ou revascularização e/ou da insuficiência cardíaca crónica estável, com função sistólica ventricular esquerda reduzida (apenas Cosyrel®5 mg/5 mg e 10 mg/5 mg) em doentes adultos adequadamente controlados com bisoprolol e perindopril administrados concomitantemente com a mesma dosagem. Posologia e modo de administração*: A posologia usual é de 1 comprimido uma vez por dia, de manhã antes de uma refeição. Os doentes devem ser estabilizados com bisoprolol e perindopril com a mesma dosagem pelo menos durante 4 semanas. A associação fixa não é adequada para terapêutica inicial. Para os doentes estabilizados com bisoprolol 2,5 mg e perindopril 2,5 mg ou bisoprolol 2,5 mg e perindopril 5 mg, a posologia é meio comprimido de 5 mg/ 5 mg ou de 5 mg/10 mg, respetivamente, uma vez por dia. Se for necessária uma mudança de posologia, a titulação deve ser feita com os componentes individuais. Compromisso renal: Em doentes com compromisso renal, a dose recomendada deve ser baseada nos valores da depuração da creatinina. Cosyrel® 5 mg/5 mg: ClCR ≥ 60 (mL/min): 1 comprimido; 30 < ClCR < 60: metade de 1 comprimido; ClCR < 30: não adequado, recomenda-se a titulação individual com os monocomponentes. Cosyrel® 5 mg/10 mg: ClCR ≥ 60: metade de 1 comprimido; ClCR < 60: não adequado. Cosyrel® 10 mg/5 mg: ClCR ≥ 60: 1 comprimido; ClCR < 60: não adequado. Cosyrel® 10 mg/10 mg: não adequado. Compromisso hepático: não é necessário ajuste da dose. Idosos: deve ser administrado de acordo com a função renal. População pediátrica: a segurança e eficácia de Cosyrel® em crianças e adolescentes não foram estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Por isso, não se recomenda a utilização em crianças e adolescentes. Contraindicações*: Hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1. ou a qualquer outro inibidor da enzima de conversão da angiotensina (IECA); insuficiência cardíaca aguda ou durante episódios de descompensação de insuficiência cardíaca requerendo terapia inotrópica i.v.; choque cardiogénico; bloqueio AV de segundo ou terceiro grau (sem pacemaker); síndrome do nódulo sinusal; bloqueio sino-auricular; bradicardia sintomática; hipotensão sintomática; asma brônquica grave ou doença pulmonar obstrutiva crónica grave; formas graves da doença arterial oclusiva periférica ou do síndrome de Raynaud; feocromocitoma não tratado; acidose metabólica; antecedentes de angioedema associado a uma terapêutica prévia com IECAs; angioedema hereditário ou idiopático; segundo e terceiro trimestres da gravidez; Utilização concomitante de Cosyrel® com medicamentos contendo aliscireno em doentes com diabetes mellitus ou compromisso renal (TFG <60ml/ min/1,73m2); Utilização concomitante com sacubitril / valsartan; Tratamentos extracorporais que conduzam ao contato do sangue com superfícies eletrizadas negativamente; Estenose bilateral significativa da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional. Advertências e precauções especiais de utilização*: Hipotensão: o início da terapêutica deve ser cuidadosamente monitorizado em doentes com depleção de volume, com hipertensão grave reninadependente, com insuficiência cardíaca sintomática associada, ou não, a insuficiência renal, com isquémia cardíaca ou doença vascular cerebral. Uma resposta hipotensora transitória não é uma contraindicação para doses adicionais, que geralmente podem ser administradas sem constrangimentos logo que a pressão arterial tenha aumentado após aumento da volémia. Hipersensibilidade/Angioedema/Angioedema intestinal: o tratamento deve ser imediatamente interrompido e monitorizado adequada e continuadamente até ao completo desaparecimento dos sintomas. A terapêutica com o betabloqueador deve continuar. O angioedema associado a um edema da laringe pode ser fatal. A combinação com sacubitril / valsartan está contraindicada devido ao aumento do risco de angioedema. Sacubitril / valsartan não deve ser iniciado até 36 horas após a última dose de perindopril. A terapêutica com perindopril não deve ser iniciada até 36 horas após a última dose de sacubitril / valsartan. A utilização concomitante de outros inibidores da NEP (ex.: racecadotril) e IECAs também pode aumentar o risco de angioedema. Os doentes tratados concomitantemente com inibidores de mTOR (ex: sirolímus, everolímus, temsirolímus) podem ter risco acrescido de angioedema. Insuficiência hepática: os IECAs têm sido raramente associados a um síndrome que começa com icterícia colestática e progride para necrose hepática fulminante e (por vezes) morte: caso se desenvolvam icterícia ou elevação acentuada das enzimas hepáticas o tratamento deve ser descontinuado. Raça negra: o perindopril pode ser menos eficaz na diminuição da pressão arterial e causar uma taxa mais elevada de angioedema em doentes de raça negra do que em doentes de raça não negra. Tosse: geralmente, não-produtiva, persistente e desaparece com a descontinuação do tratamento. Hipercaliemia: monitorização frequente do potássio sérico se existir insuficiência renal, deterioração da função renal, idade (> 70 anos), diabetes mellitus, desidratação, descompensação cardíaca aguda, acidose metabólica, utilização concomitante de diuréticos poupadores de potássio, suplementos de potássio ou substitutos do sal contendo potássio ou os doentes a tomar simultaneamente outros medicamentos associados ao aumento do potássio sérico. Combinação com lítio, com medicamentos poupadores de potássio, suplementos de potássio ou substitutos do sal contendo potássio, com antagonistas do cálcio, medicamentos antiarrítmicos Classe I e medicamentos anti-hipertensores de ação central: não recomendado. Duplo bloqueio do sistema reninaangiotensina-aldosterona (SRAA): utilização concomitante de IECAs, antagonistas dos recetores da angiotensina II ou aliscireno aumenta o risco de hipotensão, hipercaliemia e função renal diminuída (incluindo insuficiência renal aguda). Portanto, não se recomenda o duplo bloqueio do SRAA. Os IECAs e bloqueadores dos recetores da angiotensina II não devem ser usados concomitantemente em doentes com nefropatia diabética. Interrupção do tratamento: a interrupção abrupta da terapêutica deve ser evitada. A posologia deve ser diminuída progressivamente, usando os componentes individuais, idealmente ao longo de um período de duas semanas. Bradicardia: se a frequência cardíaca em repouso descer abaixo dos 50-55 batimentos por minuto e o doente tiver sintomas relacionados com bradicardia, a dose deve ser diminuída usando os componentes individuais com uma dose apropriada de bisoprolol. Bloqueio aurículo ventricular de primeiro grau, estenose das válvulas aórtica e mitral, cardiomiopatia hipertrófica, diabetes, jejum rigoroso: utilizar com precaução. Doentes com angina de Prinzmetal: os betabloqueadores podem aumentar o número e a duração de episódios de ang m m m M m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m mm m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m mm m m m m m m m m m m … m M m m M m m mm m m m m m mm m m m m m m m m m M m m M m m m m m m m m m m m m m m M m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m M m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m mm m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m M m m M m m m m % % mM M M m M m m m m M m


Maio/Junho 2021 Hospital Público ■ 17

VICTOR FERNANDES, DIRETOR DO SERVIÇO DE CIRURGIA PLÁSTICA DO CHULN E PRESIDENTE DA 50.ª REUNIÃO ANUAL DA SPCPRE:

“Tenho procurado estabelecer interfaces com as várias especialidades” CONSIDERANDO QUE A EXPOSIÇÃO DA ESPECIALIDADE É RELATIVAMENTE PEQUENA E QUE HÁ COLEGAS DOS CSP E DOS PRÓPRIOS CUIDADOS HOSPITALARES QUE NÃO REFERENCIAM TODA A TIPOLOGIA DE DOENTES INERENTE À CIRURGIA PLÁSTICA, VICTOR FERNANDES REFERE QUE A CRIAÇÃO DE INTERFACES TEM SIDO A SUA PRINCIPAL APOSTA. NESTA ENTREVISTA À JUST NEWS, O DIRETOR DO SERVIÇO DE CIRURGIA PLÁSTICA DO CHULN, A QUEM CABE ORGANIZAR A 50.ª REUNIÃO ANUAL DA SPCPRE, FALA SOBRE O EVENTO E SOBRE A IMPORTÂNCIA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS NESTA ESPECIALIDADE.

V

ictor Fernandes, diretor do Serviço de Cirurgia Plástica do CHU Lisboa Norte, que preside este ano à reunião da SPCPRE - Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética, refere que uma das suas principais preocupações tem sido aumentar a penetração do ensino da Cirurgia Plástica no âmbito da FMUL. Reconhecendo que “muitas vezes este é o único contacto que o médico de família terá com esta especialidade durante toda a sua vida”, entende como prioritário o aumento do número e da duração das aulas de Cirurgia Plástica, “para que o scope de intervenção que temos fique claro e não seja referenciada uma seleção adversa de patologia”. Concretamente no meio hospitalar, “porque a exposição da especialidade é relativamente pequena, tenho procurado estabelecer novas interfaces com as várias especialidades, por exemplo, a Reumatologia e a Pediatria”, destaca. Tal esforço passa pela manutenção sistemática de protocolos e pela sensibilização dos colegas para a orientação dos doentes. Defendendo que a Cirurgia Plástica não se coaduna com a prestação de cuidados de proximidade, denota que “esta especialidade necessita de equipamentos, infraestruturas e interfaces noutras áreas médicas, que só podem e devem existir em determinados locais”. De outra forma, nota que “o facto de esta especialidade ter fronteiras muito fluídas leva a que estas tendam a ser penetradas” e se, por um lado, diz reconhecer competências ao cirurgião geral para fazer o tratamento cirúrgico do cancro da mama, não lhe reconhece qualificações para a reconstrução mamária. Com cerca de 260 médicos especialistas em Cirurgia Plástica em Portugal, Victor Fernandes adianta que cerca de 25% estarão exclusivamente alocados ao setor privado e que este número tem vido a aumentar, até pelo crescendo leque de intervenções disponibilizadas. No entanto, destaca que “continua a ser grande a apetência pelos hospitais do SNS, pela organização do Serviço, pela vertente hierárquica própria e pelo movimento constante”. Como realça, “esta é uma especialidade que começa na unha do pé e termina na ponta do cabelo e os hospitais públicos oferecem uma atividade maior, que é apetecível principalmente aos jovens especialistas”. Também a organização vertical permite “a distribuição de tarefas, o crescimento profissional e, mais importante ainda, a subespecialização”.

Victor Fernandes: “Esta especialidade não tem uma área anatómica definida”

Victor Fernandes: “No SNS, os jovens cirurgiões plásticos conseguem diferenciar-se, ter uma projeção interna dentro da especialidade e trabalhar sem limitações”

“Do ponto de vista organizativo, nos hospitais privados, a atividade da Cirurgia Plástica é geralmente anémica”, considera o presidente da 50.ª Reunião Anual da SPCPRE. O facto de nas instituições públicas “não existir qualquer limitação nas escolhas técnico-científicas” acaba por ser, para Victor Fernandes, outra mais-valia, permitindo que cada Serviço possa fazer “um aprofundamento cada vez maior nas suas áreas de diferenciação, que podem exigir maiores ocupações de Bloco Operatório”. “Vamos colocar a Arte e a Cirurgia Plástica em diálogo” Fundada em abril de 1961, a Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plás-

50.ª Reunião Anual da SPCPRE: Miguel Andrade (secretário-geral), Victor Fernandes (presidente) e José Paulo Guimarães Ferreira (presidente da Comissão Científica)

tica, Reconstrutiva e Estética conta já com 60 anos de existência, tendo, ao longo desse período, realizado 49 reuniões. Organizadas de forma rotativa pelos serviços que têm o corpo crítico necessário para o fazer, a número 50 ficou a cargo de Santa Maria. “Um dos meus objetivos, quando comecei a dirigir este Serviço, foi precisamente participar na organização das reuniões da Sociedade e fomos contemplados com esta efeméride”, comenta. Notando que “toda a estrutura da reunião é partilhada com a SPCPRE”, explica que “o Serviço

limita-se a hospedá-la, organizá-la e dar-lhe corpo”. Tendo sido planeada para acontecer em 2020, a verdade é que todos concordaram que “esta comemoração não se coadunava com a via telemática”, acreditando Victor Fernandes que em setembro, “principalmente no meio médico, haverá segurança suficiente para se realizar a reunião presencialmente, com a qualidade merecida”. Registando que serão cerca de 250 os cirurgiões plásticos em Portugal, e que geralmente se associam à

Victor Fernandes nasceu há 68 anos, em Lisboa, e licenciou-se em Medicina pela Universidade Clássica de Lisboa. Após especializar-se, em 1987, em Cirurgia Plástica, começou a trabalhar no atual CH Lisboa Ocidental, onde permaneceu até 2015, quando foi mobilizado para assumir a direção do Serviço de Cirurgia Plástica do então CH Lisboa Norte. A amplitude e o nível de interface da Cirurgia Plástica com outras áreas foram desde logo aspetos que o atraíram, destacando que “esta especialidade não tem uma área anatómica definida” e o ato de se “deparar com situações novas por parte dos colegas e o diálogo constante são extremamente importantes”. A componente formativa é algo que valoriza, sendo professor convidado de Clínica de Cirurgia Plástica na FMUL. Com mais de 30 anos de experiência e 6000 cirurgias realizadas, Victor Fernandes integrou ainda a Direção do Colégio da Especialidade durante 25 anos, 15 dos quais como presidente. Sociedade logo enquanto internos de formação específica, mantendo a sua ligação ao longo da vida, o presidente da 50.ª Reunião Anual da SPCPRE prevê que pelo evento passem cerca de 150 especialistas. Agendado para os dias 16, 17 e 18 de setembro, no Hotel Pestana Palace, em Lisboa, o evento contará com a presença de vários palestrantes estrangeiros. O marco da 50.ª Reunião será assinalado numa sessão comemorativa, no âmbito da sessão inaugural, que estará a cargo da Direção da Sociedade. Entre as várias temáticas que serão debatidas, Victor Fernandes destaca a realização de um fórum entre os diretores de serviço do país para discutir a formação da Cirurgia Plástica. De forma inovadora, existirá ainda uma sessão que pretende “colocar a Arte e a Cirurgia Plástica em diálogo, porque esta especialidade não é só técnica, é muito mais do que isso”.


18 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

DIOGO AYRES DE CAMPOS, PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DAS SOCIEDADES PORTUGUESAS DE OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA (FSPOG):

“Se houvesse mais gente a formar-se, durante A GINECOLOGIA/ /OBSTETRÍCIA CONTINUA A CATIVAR MAIS AS MULHERES DO QUE OS HOMENS, TAL COMO HÁ 40 ANOS. NESTA ENTREVISTA À JUST NEWS, DIOGO AYRES DE CAMPOS DIZ QUE É UMA ESPECIALIDADE FORTE E ATRAENTE. QUANTO À FSPOG, A QUE AGORA PRESIDE, AFIRMA QUE TEM SIDO UM FATOR DE UNIÃO DAS QUATRO SOCIEDADES QUE REPRESENTA. ALIÁS, CINCO, DESDE JANEIRO!

se podem orgulhar do facto de se tratar de uma estrutura que não copiou qualquer modelo estrangeiro. Os seus principais mentores terão sido – frisa Diogo Ayres de Campos – Carlos Freire de Oliveira e Daniel Pereira da Silva. O atual presidente destaca o facto de as várias sociedades que integram a FSPOG se sentirem representadas, com o dirigente de cada uma delas a ocupar um dos cinco lugares da

“Se a Federação não existisse, seria muito complicado saber quem representava o país a nível internacional”, garante o presidente da FSPOG.

“A FSPOG tem agora três sociedades da área da Ginecologia e duas da área da Obstetrícia”, resume Diogo Ayres de Campos

D

iogo Ayres de Campos, 58 anos, considera a Ginecologia/Obstetrícia uma especialidade “atraente”, fundamentalmente por ser muito variada, cativando tanto os jovens médicos que gostam mais da parte cirúrgica como aqueles que preferem optar pela sua vertente médica. “Há quem apenas faça cirurgia ginecológica e quem se dedique praticamente só à ecografia obstétrica. Depois temos pessoas que preferem fazer endocrinologia ginecológica e outras que se dedicam quase por inteiro à genética”, enumera o novo presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (FSPOG), que há pouco mais de 4 anos trocou o Porto por Lisboa para dar aulas na Faculdade de Medicina da UL e que em janeiro de 2019 aceitou o convite para ser diretor do Serviço de Obstetrícia do CH Universitário Lisboa Norte. No seu entender, a Ginecologia/ /Obstetrícia também é uma especialidade “forte” porque “trata muitas das doenças mais importantes da mulher, não necessariamente obstétricas, desde a adolescência até à idade mais sénior”. Para além de “ter todas as grávidas a seu cargo, o que implica, desde logo, ser responsável pelo número mais elevado de internamentos de quase todos os hospitais, com o trabalho de parto a originar entradas e saídas consecutivas”. Diogo Ayres de Campos faz questão de sublinhar a relevância que a gravidez tem para o exterior do hospital, com todo o “impacto social” do nascimento de uma criança, “na família e na sociedade”, o que também contribui, na sua opinião, para dar

força a esta especialidade, que coloca num plano semelhante à Pediatria. No âmbito hospitalar, a especialidade ganha relevância – particularmente a área da Obstetrícia – quando em causa está a administração de terapêutica a uma doente grávida, por exemplo, num quadro de cirurgia programada: “Os nossos colegas optam frequentemente por nos solicitar um parecer sobre se devem ou não fazer determinado medicamento.” O médico diz que até se compreende esse receio porque “a produção científica no campo da Obstetrícia é muito profícua, mas não se fazem ensaios randomizados com medicação envolvendo grávidas, o que faz com que seja necessário um grande esforço de atualização e de interpretação da qualidade da evidência”. Note-se que estão contabilizados cerca de 1400 ginecologistas/obstetras em Portugal, número que se tem mantido relativamente estável durante os últimos 10 anos. Desse total, 400 fazem exclusivamente clínica privada. Segundo Diogo Ayres de Campos, os pouco mais de 50 novos especialistas que surgem todos os anos “são logo absorvidos pelo SNS”. Tendo em conta que muitos profissionais têm vindo a atingir a idade da reforma, “eu penso que se houvesse mais gente a formar-se, durante alguns anos, haveria lugar para todos”. FSPOG: “Um papel importante na junção dos interesses das sociedades que a integram” Embora os primórdios da criação da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Gi-

Porto-Oxford-Lisboa Nascido no Porto, em 1962, Diogo Ayres de Campos é filho de um professor catedrático de Física, que lecionou em Coimbra, tendo a sua mãe feito o curso de Belas Artes, em Lisboa. Tinha 8 anos quando a família se mudou para Oxford, acompanhando o seu pai, que ali foi fazer o doutoramento. O regresso a Portugal aconteceu pouco depois do 25 de abril. Frequentando o Colégio Inglês no Porto, o jovem Diogo fortaleceu a sua educação anglo-saxónica. Foi só mesmo no final do seu curso de Medicina, na FMUP, que abandonou a ideia de se tornar cirurgião geral, optando pela Obstetrícia. “A certa altura, achei que tinha dificuldade em lidar com as situações em que os desfechos eram negativos, pois, a minha forma de pensar lida mal com a morte. De maneira que descobri na Obstetrícia tudo aquilo que eu gostaria de fazer, mas sem essa noção de perda, porque na maioria das vezes as coisas correm bem”, justifica. Abra-

-se um parêntesis para dizer que acabou casado precisamente com uma cirurgiã geral! Fez o internato no Hospital de São João, que terminou em 1998, sempre com a ideia de se dedicar à cirurgia ginecológica por via vaginal. No entanto, acabou por se doutorar, em 2001, na área da Obstetrícia. “E descobri aí a minha verdadeira vocação!”, exclama. Em 2005 deram-lhe a responsabilidade de gerir o Bloco de Partos do São João. Entretanto, muda-se para Lisboa. Em janeiro de 2017 começa a dar aulas na FMUL, três meses depois integra o Serviço de Obstetrícia do CHULN e em janeiro de 2019 assume a Direção do mesmo. Entretanto, inicia o mandato de presidente da European Association of Perinatal Medicine a 14 de julho. Para além, claro, de presidir à Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia desde 30 de janeiro de 2021.

necologia remontem a 2004/2005, a FSPOG nasceu formalmente em 2008, tendo sido seu primeiro presidente Carlos Freire de Oliveira, que haveria depois de cumprir um segundo mandato de três anos. Seguiu-se-lhe Daniel Pereira da Silva, médico também de Coimbra, que assegurou a presidência durante os seis anos seguintes. Diogo Ayres de Campos, que tomou posse como presidente no passado dia 30 de janeiro e que estará

à frente da FSPOG no triénio 20202022, conhece bem a Federação. Era o secretário-geral na Direção do seu antecessor, mas esteve desde o início ligado a esta entidade de características únicas em Portugal. Pode-se dizer que a Federação agrega as mais relevantes organizações representativas da Ginecologia/Obstetrícia, agora que inclui na sua estrutura, desde janeiro último, a Associação Portuguesa de Diagnóstico Pré-Natal. E todos

Entidades que integram a FSPOG SPG - Sociedade Portuguesa de Ginecologia (Pres.: Teresa Mascarenhas) SPMR – Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (Pres.: Pedro Xavier) SPDC – Sociedade Portuguesa da Contracepção (Pres.: Fátima Palma) SPOMMF – Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno Fetal (Pres.: Nuno Clode) APDPN – Associação Portuguesa de Diagnóstico Pré-Natal (Pres.: Álvaro Cohen)

22.º Congresso de e Ginecologia Com a sua organização a cargo de Daniel Pereira da Silva, o 22.º Congresso da FSPOG foi adiado de 2020 para 2021, mantendo-se o local (Centro de Congressos Alfândega do Porto). Decorrerá nos próximos dias 8 e 9 de novembro. A reunião magna da Federação deveria acontecer sempre de 3 em 3 anos, coincidindo com o final de mandato do seu presidente. Procurando “voltar à normalidade possível”, como diz Diogo Ayres de Campos, o Congresso seguinte deverá ocorrer já daqui a 2 anos, em 2023.


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anos, haveria lugar para todos” vice-presidência. E recorda: “Quando eu era interno, havia uma plêiade de reuniões científicas sobre assuntos da Ginecologia e de Obstetrícia e não havia uma coordenação que permitisse ordenar os vários eventos que tinham lugar.” “A Federação tem, no meu entender, um papel muito importante na junção dos interesses de todas as sociedades que a formam. Se ninguém questiona a relevância dessa

FSPOG Órgãos Diretivos 2021/2023 Direção Presidente Diogo Ayres de Campos Secretária-geral Teresa Almeida Santos Tesoureira Filomena Nunes Vice-presidentes Teresa Mascarenhas Pedro Xavier Fátima Palma Nuno Clode Álvaro Cohen Vogais Cristina Nogueira-Silva José Teixeira da Silva Margarida Martinho Teresa Bombas C

Assembleia-Geral Presidente Daniel Pereira da Silva Secretárias Ana Rosa Costa Ana Luísa Areia

Conselho Fiscal Presidente Carla Ramalho Secretários Ricardo Santos Luísa Pinto

Obstetrícia

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representação a nível internacional, O presidente da FSPOG diz a verdade é que também a nível na- haver algo que merece a sua mecional as áreas da Ginecologia e da lhor atenção: o número escasso Obstetrícia têm questões que devem de Orientações clínicas nacionais ser vistas em conjunto”, afirma Diogo nas áreas da Ginecologia e da ObsAyres de Campos. tetrícia.10:13“Algumas entidades têm AF_Anuncio Duplo_Gedeon_26,5x32.pdf 1 27/05/2021

orientações ou consensos elaborados, como é o caso da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno Fetal, mas é necessário garantir que não colidem

com as normas e orientações clínicas da Direção-Geral da Saúde. Temos procurado aproximar estas instituições de forma a que as orientações clínicas sejam nacionais, únicas para o país inteiro”, diz.


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SÓNIA RIBAS, PRESIDENTE DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE HÉRNIA E PAREDE ABDOMINAL (SPHPA):

“Acontecem erros no tratamento da parede abdominal por falta de formação” A ESCASSA COMPONENTE FORMATIVA ESPECÍFICA E O CONSTANTE SURGIMENTO DE TÉCNICAS INOVADORAS NA ÁREA DA PATOLOGIA DA HÉRNIA E DA PAREDE ABDOMINAL MOTIVARAM A CRIAÇÃO DA SPHPA, EM JANEIRO DE 2020. A SUA PRESIDENTE DIZ QUE SE TEM APOSTADO EM AÇÕES DE FORMAÇÃO DIGITAIS, ENQUANTO SE AGUARDA O MOMENTO CERTO PARA REALIZAR UMA APRESENTAÇÃO PRESENCIAL. A 1.ª REUNIÃO ESTÁ AGENDADA PARA NOVEMBRO.

“A

patologia da parede abdominal não pode ser vista como algo simples e rápido de resolver porque é muito mais do que isso e há casos bastante complexos”, começa por referir Sónia Ribas, presidente da Sociedade Portuguesa de Hérnia e Parede Abdominal (SPHPA). Na sua ótica, “muitos erros cometidos no tratamento da parede abdominal acontecem devido à falta de atenção que é dada a esta patologia”, sendo crucial “apostar numa formação mais sólida, mais fundamentada na evidência e mais certificada, para que os resultados sejam melhores”. A necessidade de sensibilizar os jovens internos de Cirurgia e de outras especialidades para a importância da parede abdominal contribuiu também para a ideia de investir na criação de uma sociedade científica dedicada a esta área, dado que, “até então, apenas descobríamos a verdadeira dimensão desta patologia já enquanto especialistas”. A nível institucional, a presidente da SPHPA realça também o facto de os hospitais centrais não valori-

zarem da devida forma a patologia da parede abdominal, privilegiando outras áreas de diferenciação e a cirurgia oncológica. São, por norma, os profissionais dos hospitais mais periféricos a mostrar, progressivamente, um maior interesse.

“É difícil encontrar profissionais de referência nesta área nos hospitais centrais”, afirma a presidente da SPHPA. Sendo as cirurgias da parede abdominal realizadas por um leque de especialidades cirúrgicas que pode contemplar ginecologistas, cirurgiões vasculares ou urologistas, além dos cirurgiões gerais, Sónia Ribas defende que todos devem procurar formar-se nesta vertente. A hérnia incisional é exemplo de uma complicação pós-cirúrgica que “pode surgir porque o encerramento da parede abdominal não foi realizado consoante demonstra a evidência”, alegando a cirurgiã geral que “a formação deve estar presente em todas as especialidades cirúrgicas que fazem abertura da parede abdominal”. No caso das hérnias complexas, presentes em “doentes operados já

quatro, cinco ou seis vezes, com utilização de próteses, em que a parede abdominal acaba por ser destruída”, a profissional salienta a necessidade de se utilizarem técnicas muito especializadas, como as de separação de componentes e a aplicação de toxina botulínica na parede abdominal. Por vezes, a dimensão da hérnia carece do apoio da Cirurgia Plástica, distinguindo que, enquanto a Cirurgia Geral se responsabiliza pelo tratamento da hérnia, a outra especialidade trata os tecidos. Expansão de técnicas mais avançadas viabiliza ganhos indiretos para a sociedade Realizando-se cerca de 30 milhões de cirurgias da hérnia e parede abdominal por ano, em todo o mundo, das quais dois milhões são relativas a hérnias inguinais, Sónia Ribas admite que esta é uma patologia muito frequente, que tem uma forte implicação a nível da qualidade de vida dos doentes. Muito prevalente em idades jovens e em pessoas que se encontram em situação laboral ativa, a especialista alerta para “os períodos de ausência laboral, que trazem elevados custos indiretos para a sociedade”. O domínio de técnicas mais avançadas, como as cirurgias minimamente invasivas, onde se incluem as laparoscópicas, é, para a profissional, uma mais-valia, ao permitir um

Sónia Ribas: “Dependendo da forma como encaramos a parede abdominal, pod de algumas hérnias”

SÓNIA RIBAS

A descoberta da parede abdominal enquanto especialista Sónia Ribas nasceu a 7 de abril de 1980, em Vila do Conde, onde reside. Escolhendo a Medicina para o seu percurso profissional, concluiu o curso na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em 2005, e iniciou a especialização em Cirurgia Geral no Hospital de São Marcos, vindo a terminá-la já no Hospital de Braga. Aliás, em 2011, já sob a forma de parceria público-privada, que se havia iniciado em 2008, Sónia Ribas testemunhou a transferência de instalações para o recém-criado Hospital de Braga, tendo, entretanto, transitado para o CH Póvoa de Varzim/Vila do Conde. A colaboração constante na Cirurgia de Ambulatório já enquanto especialista motivou o seu interesse pela patologia da pare-

de abdominal, somando-se ainda a Cirurgia Convencional, dirigida ao tratamento de hérnias complexas. O surgimento de técnicas inovadoras, aliado à carência de momentos formativos dedicados exclusivamente à parede abdominal e à hérnia, motivaram a decisão de criar uma sociedade nacional dirigida a esta temática, em conjunto com colegas que partilhavam o mesmo pensamento. “Esta era uma estrutura já organizada noutros países, existindo, inclusivamente, uma Sociedade Europeia da Hérnia”, explica Sónia Ribas. Pensada no início de 2019, foi em janeiro do ano seguinte que veio a ser registada, após a assembleia-geral que ditou o começo do mandato.

regresso do doente ao trabalho muito mais precoce. Daí a “importância de existir um grupo de cirurgiões que domine estas técnicas, viabilizando ganhos indiretos para a sociedade, através da recuperação mais rápida do doente, do retorno mais

célere à sua atividade diária normal, da sensação de menor incapacidade e da maior qualidade de vida”. Apesar de ser tão comum e ter tanta interferência na qualidade de vida dos doentes, Sónia Ribas avança que a maior parte dos casos sujeitos a cirurgia da hérnia e da parede abdominal não são considerados prioritários, a não ser os casos urgentes. Esta realidade levou a que este tipo de cirurgia fosse praticamente suspenso nas vagas mais intensas da pandemia de covid-19, sobretudo na primeira. No caso do Hospital de Braga, refere que “existiram momentos em que apenas eram realizadas as cirurgias prioritárias, sendo a grande maioria relativas à patologia oncológica”. Acrescenta, no entanto, que a recuperação dos atrasos acabou por suceder, através

1.ª Reunião da SPHPA acontecerá em novembro de 2021 A realização da 1.ª Reunião da SPHPA está agendada para os dias 19 e 20 de novembro, no Grande Hotel do Luso. Com um programa que vai tratar as atualizações nas principais áreas da Cirurgia da Hérnia e da Parede Abdominal – “Hérnias da região inguinal”, “Hérnias ventrais não complexas”, “Hérnias

ventrais complexas”, “Abdómen aberto”, “Hérnias para-estomais” e “Hérnia do hiato” −, envolvendo especialistas nacionais e estrangeiros, serão ainda discutidos vários casos clínicos oriundos dos hospitais. Será ainda realizado um Curso Pré-congresso, subordinado ao tema do “Abdómen aberto”, de caráter

teórico-prático, dirigido a médicos e enfermeiros. “Esta Reunião será o culminar de um trabalho intenso e dedicado, nem sempre nas circunstâncias mais favoráveis, e que pretende alterar paradigmas, procurar abordagens inovadoras e revelar novas perspetivas na cirurgia da hérnia e da parede abdominal”, remata.


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da realização de programas de recuperação de lista de espera. Criação da SPHPA fomenta formação A necessidade de ações formativas dedicadas à patologia da hérnia e da parede abdominal foi uma das lacunas que fomentaram a criação da SPHPA. Até então, esta temática era debatida em congressos de cirurgia geral e em vários cursos nacionais, sendo abordado “apenas 1/5 ou 1/6 do que se deveria”, sendo

o intuito dos atuais membros dos Corpos Sociais da Sociedade “realizar uma reunião totalmente vocacionada para a área, bem como vários cursos”. Com 140 sócios, estes profissionais ligados à área têm sido chamados a dar a sua opinião quanto aos temas mais relevantes a ser tratados nos webinars organizados pela SPHPA. Foram já cinco as formações digitais realizadas, sob a forma de módulos, dedicadas às temáticas da “Profilaxia da hérnia incisional”, “Hérnias ventrais e incisionais”,

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emos prevenir o aparecimento

SPHPA Corpos Sociais 2020/2023 Direção Presidente Sónia Ribas, CH Póvoa de Varzim/Vila do Conde Secretário Rogério Senhorinho, Hospital do Espírito Santo de Évora Tesoureiro António Ferreira, CH Vila Nova de Gaia/Espinho Vogais Ricardo Souto, Hospital Garcia de Orta Filipa Taré, ULS do Norte Alentejano C

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Assembleia-Geral Presidente Raquel Abreu, Hospital Cuf Torres Vedras Secretário Gabriel Oliveira, Hospital Garcia de Orta Vogais André Oliva, Hospital Espírito Santo de Évora Gilberto Figueiredo, CH de Leiria

Conselho Fiscal Presidente Manuel Mega, ULS de Castelo Branco Secretária Rita Falcão, CH do Oeste Vogal Raquel Sánchez, Hospital Espírito Santo de Évora

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Sónia Ribas: “Tradicionalmente, esta ainda não é uma área cirurgicamente diferenciada, mas para lá caminhamos.”

“Hérnias da região inguinal”, “Hérnias para-estomais” e ainda “Hérnias incisionais complexas”. Esta área educativa acabou por ser o modo de a Sociedade se apresentar aos profissionais de saúde no contexto pandémico, dado que, até ao momento, não foi ainda possível realizar-se qualquer apresentação ou formação presencial. “Nós tivemos de repensar a forma como nos poderíamos apresentar e esta foi uma oportunidade de resposta à pandemia em termos formativos”, refere Sónia Ribas.


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AS DUAS CERTEZAS QUE "ATRAVESSAM" ESTA ENTREVISTA SÃO TAMBÉM, PARA NUNO MADEIRA, UMA ESPÉCIE DE APELO. NÃO PARA OS SEUS COLEGAS PSIQUIATRAS, PARA QUEM SE TRATA DE “ALGO QUE É TOMADO, HOJE EM DIA, COMO UM MANDAMENTO”, MAS PARA AS OUTRAS ESPECIALIDADES MÉDICAS, PARA OS DOENTES E SUAS FAMÍLIAS, PARA A POPULAÇÃO EM GERAL E, ESPECIALMENTE, PARA QUEM MANDA NA SAÚDE EM PORTUGAL.

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uno Madeira é psiquiatra no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e também é o atual presidente da Secção do Primeiro Episódio Psicótico (triénio 2020-2022), um grupo de trabalho com autonomia, mas integrado na Sociedade Portuguesa de Psiquiatria

considera Nuno Madeira, que remata: “É viável, de facto, inverter esse paradigma. E penso que isso é cada vez mais claro para todos os intervenientes porque, realmente, dispomos de armas, nomeadamente farmacológicas, cada vez mais eficazes.” O psiquiatra alerta para a necessi-

para a Saúde Mental para que tal venha a acontecer. “A doença já tinha metastizado para a sua vida” Vale a pena recordar a história da criação da Consulta do Primeiro Episódio Psicótico nos CHUC porque, como diz o nosso entrevistado, à semelhança do que sucedeu noutros hospitais, também em Coimbra foi a iniciativa pessoal, “caracterizada até por algum voluntarismo”, com a autorização da Administração, que permitiu o surgir de uma resposta nesta área da Psiquiatria. Nuno Madeira concluía o seu internato em 2011 (ano de constituição, por fusão hospitalar, do CHUC), enquanto refletia sobre uma questão que o acompanhava desde os últimos anos da sua formação: estando num hospital central com uma área assistencial direta superior a meio milhão de pessoas e sabendo que, segundo as estatísticas, ocorreria no espaço

temente perdido, ou deixado os estudos. Em vários casos, a família já tinha praticamente desistido deles. Havia, portanto, muito menos a salvar, e a comparação com um processo oncológico é, infelizmente, muito válida. A doença já tinha metastizado para a sua vida”, descreve o nosso interlocutor. Nuno Madeira achou que o acompanhamento poderia ser outro se fosse possível marcar “de forma ágil” uma consulta a essas pessoas. E ser mais pró-ativo: “Se o doente não vem à primeira consulta, vamos tentar que venha à segunda. Ligamos, insistimos, marcamos! Persuadimo-lo a tomar a medicação, exploramos que motivos tem – muitas vezes válidos – para não a tomar. Porque prejudica a atividade sexual, porque não consegue trabalhar, porque anda com ‘ar de zombie’ e os colegas gozam com ele na escola...” Fará em 2022 dez anos que a Consulta do Primeiro Episódio Psicótico arrancou no CHUC, proposta

plasticidade, uma certa acrobacia do ponto de vista da relação”. À procura dos pré-psicóticos... Cerca de metade dos doentes que chegam à Consulta do Primeiro Episódio Psicótico são referenciados depois de terem estado internados em consequência de um episódio psicótico. A outra metade tem origem na Urgência. Muito pouco significativa é a percentagem dos que são encaminhados dos Cuidados de Saúde Primários (CSP). A esse propósito, Nuno Madeira diz que, provavelmente, a “fase seguinte” de intervenção da equipa da sua Consulta – e certamente também a de outros centros no nosso país – prender-se-á com a sensibilização dos seus colegas dos CSP para a necessidade de tentar identificar os chamados pré-psicóticos, os que estão em risco de vir a sofrer um primeiro episódio. Mas, para tal, será indispensável haver um acesso mais direto ao psiquiatra do hospital:

NUNO MADEIRA, PRESIDENTE DA SECÇÃO DO PRIMEIRO EPISÓDIO PSICÓTICO DA SPPSM:

“Sim, a intervenção precoce na psicose é possív Não, a esquizofrenia não é um diagnóstico de ‘fim “A Psiquiatria pareceu-me mais desafiante”

e Saúde Mental (SPPSM). Esta conversa com a Just News surge a propósito do 6.º Encontro desta Secção, que vai decorrer no início de outubro. “Digamos que aconteceu em Portugal, uns 15 anos depois de noutros países ocidentais, um grande interesse pela intervenção precoce na psicose”, afirma Nuno Madeira, justificando assim o crescimento em termos de participação que o Encontro tem vindo a registar, interrompido em 2020 em virtude da pandemia. No seu entender, esta reunião veio, afinal, “aglutinar uma massa crítica, que eu diria que hoje representa a maior parte da Psiquiatria, que acredita que é possível, com esforço, pela intervenção precoce, devolver às pessoas com uma perturbação psicótica – e a esquizofrenia é, de facto, a mais significativa – uma maior normalidade às suas vidas”.

Nuno Madeira: “Temos hoje uma Psiquiatria com mais esperança no tratamento da doença psicótica porque tem mais a oferecer.” “Sim, a intervenção precoce na psicose é possível. Não, a esquizofrenia não é um diagnóstico de ‘fim de linha’. Eu diria que agora isto é algo que é tomado como um mandamento comum para todos os psiquiatras”,

Nuno Madeira: “Nós estamos aqui para acompanhar o doente com psicose nos primeiros anos da sua viagem, que são os mais difíceis…”

dade de promover a implementação, “por recomendação, por incentivo positivo”, de equipas nos Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental que se dediquem à intervenção precoce na doença psicótica. E sublinha que a evidência recolhida nos países que já o fazem há alguns anos mostrou uma clara redução de custos diretos e indiretos. “É um investimento que compensa”, assegura, dizendo acreditar na disponibilidade da atual coordenação do Programa Nacional

de um ano um primeiro episódio psicótico por cada 3000 habitantes, por onde andariam esses mais de 150 casos? “Fizemos em 2010 um levantamento e verificámos que alguns vinham cá parar e eram internados; ao fim de um ano, apenas 40% estava em seguimento. Muitos dos outros 60% voltavam a entrar no hospital por via de internamento compulsivo, bastante descompensados. Os que tinham trabalho haviam-no frequen-

por Nuno Madeira, e cuja coordenação foi assumida até 2014 pelo psiquiatra António Macedo, que fora seu orientador de internato. Quando em 2017, por altura do 3.º Encontro do Primeiro Episódio Psicótico, se apresentou uma revisão da atividade da Consulta, “verificámos que já conseguíamos reter mais de 90% das pessoas ao fim de um ano”. No fundo, “os doentes estavam disponíveis para receber ajuda”. Contudo, “é sempre precisa alguma

Nuno Madeira nasceu em Coimbra, em 1980, apenas “por razões obstétricas”, uma vez que os seus pais viviam em Oliveira do Hospital, no interior do distrito. Mas há mais de 20 anos que ali reside, primeiro para estudar Medicina e depois para fazer o internato e dedicar-se à Psiquiatria. A escolha do curso foi feita no Secundário – pareceu-lhe que era “o plano mais complexo”, para além da profissão lhe permitir “estar com pessoas”. A opção pela especialidade de Psiquiatria surgiu a meio da licenciatura, por “curiosidade” e por lhe parecer “mais desafiante”. Pôs de parte a Neurologia porque esta “já tinha uma cartografia do cérebro mais ou menos bem feita e parecia-me uma especialidade... menos complexa, e também um pouco mais biomédica, mais árida...” “Na Psiquiatria havia maior diversidade: as Ciências Sociais e Humanas, estar com as pessoas, valorizando o encontro e a comunicação, podendo ainda fazer Ciência dita biomédica”, justifica Nuno Madeira. E, claro, não se pode esquecer depois a questão do cérebro, cuja patologia tem as “maiores dificuldades por resolver”.


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6.º Encontro Nacional (virtual) realiza-se a 8 de outubro Adiado para 2021 por causa da pandemia covid-19, o 6.º Encontro Nacional do Primeiro Episódio Psicótico vai realizar-se em formato apenas virtual e com o programa limitado ao dia 8 de outubro, com um simpósio pré-encontro na quinta-feira, dia 7. “Contaremos com a participação “Temos que estar mais disponíveis para os CSP, de forma a que possamos ajudar o médico de família a perceber melhor quando está perante um caso que, saindo de uma ‘zona cinzenta’, deve ser referenciado para a Consulta por já ir revelando alguns sintomas suspeitos.” A questão é delicada. Segundo Nuno Madeira, “a literatura científica diz-nos que há muitos falsos positivos, ou seja, relatos de pessoas que

das pessoas que, a nível nacional, têm ajudado a construir a intervenção precoce na psicose. Nomeadamente, contributos relativamente àquilo que pode ser a organização e implementação mais disseminada, através do Plano Nacional para a Saúde Mental, deste tipo de equipas”, afirma Nuno Madeira, acrescentando:

“Mas também novos progressos do ponto de vista da clínica, da fenomenologia, dos sintomas e das tecnologias, nomeadamente a análise do comportamento por meios digitais e como é que isso nos pode ajudar na prática clínica.” Eóin Killackey, o atual presidente da IEPA (Early Intervention

in Mental Health), proferirá uma conferência sobre recuperação. Toby Pillinger, do Institute of Psychiatry, Psychology & Neuroscience, em Londres, debruçar-se-á sobre as questões relacionadas com os riscos para a saúde física das pessoas com perturbações psicóticas.

Tratamento global da Esquizofrenia1

el. de linha’” são referenciadas por haver suspeita de terem uma psicose, ou por apresentarem um quadro de pré-psicose, vindo-se depois a saber que, felizmente, não passaria de um estado de ansiedade, uma depressão, uma crise de vida, uma adolescência marcada pelo consumo de determinadas substâncias, etc.”. C

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Daí que defenda ser prioritário, nesta fase, concentrar esforços na implementação daquilo a que chama os “alicerces fundamentais”: “Assegurar que alguém que já teve um primeiro episódio psicótico tenha um seguimento condigno, algo que deve estar disponível para qualquer cidadão português, independentemente do local onde viva no nosso país, seja no continente, nomeadamente no interior, ou nas ilhas.”

Ref.: 025.2021 | MP01/2021

“Já ficaríamos todos satisfeitos se víssemos um Plano Nacional para a Saúde Mental a refletir a intervenção precoce como uma prioridade”, sublinha Nuno Madeira.

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Informações essenciais compatíveis com o RCM 1. NOME DO MEDICAMENTO 1. Reagila 1,5 mg, 3 mg, 4,5 mg, 6 mg cápsulas 2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA Cada cápsula contém cloridrato de cariprazina equivalente a 1,5 mg, 3mg, 4,5mg ou 6mg de cariprazina. Excipientes com efeito conhecido: inclui 0,0003 mg, 0,0008 mg ou 0,0096 mg de Vermelho Allura AC (E 129) (Reagila 3mg, 4,5mg ou 6mg, respetivamente). 3. FORMA FARMACÊUTICA Cápsula. Reagila 1,5 mg: Cápsula de gelatina com cabeça branca opaca e corpo branco opaco, gravada no corpo com “GR 1.5”. Reagila 3 mg: Cápsula de gelatina com cabeça verde opaca e corpo branco opaco, gravada no corpo com “GR 3 Reagila 4,5 mg: Cápsula de gelatina com cabeça verde opaca e corpo verde opaco, gravada no corpo com “GR 4.5”. Reagila 6 mg: Cápsula de gelatina com cabeça roxa opaca e corpo branco opaco, gravada no corpo com “GR 6”. 4. Indicações terapêuticas Reagila é indicado para o tratamento de esquizofrenia em doentes adultos. 5. Posologia e modo de administração Reagila destina-se a ser utilizado por via oral, uma vez por dia, sempre à mesma hora, com ou sem alimentos. A dose inicial recomendada de cariprazina é de 1,5 mg. Depois, a dose pode ser aumentada de forma lenta em incrementos de 1,5 mg até uma dose máxima de 6 mg/dia. A dose eficaz mais baixa deve ser mantida de acordo com o critério clínico do médico assistente. Devido à longa semivida da cariprazina e respetivos metabolitos ativos, as alterações na dose não se irão refletir totalmente no plasma durante várias semanas. Os doentes devem ser monitorizados quanto às reações adversas e resposta ao tratamento durante várias semanas após o início do tratamento com cariprazina e após cada alteração da dosagem. Quando o doente estiver a fazer a transição de outro antipsicótico para a cariprazina, deve considerar-se uma titulação cruzada gradual, com a descontinuação gradual do tratamento anterior ao mesmo tempo que se inicia o tratamento com cariprazina. Quando o doente estiver a fazer a transição da cariprazina para outro antipsicótico, não é necessária uma titulação cruzada gradual e o novo antipsicótico deve ser iniciado na sua dose mais baixa ao mesmo tempo que a cariprazina é descontinuada. Não é necessário qualquer ajuste da dose nos doentes com compromisso renal ligeiro a moderado (depuração da creatinina (ClCr) ≥ 30 ml/min e < 89 ml/min) e/ou com compromisso hepático ligeiro a moderado (pontuação de Child-Pugh entre 5 e 9). Reagila não é recomendado em doentes com compromisso renal e/ou hepático grave, pois a segurança e eficácia da cariprazina não foram avaliadas nestes doentes. A seleção da dose para um doente idoso deve ser feita com precaução. A segurança e eficácia da cariprazina em crianças com menos de 18 anos de idade não foram ainda estabelecidas. 6. Contraindicações Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados em Lista de excipientes; administração concomitante de inibidores e/ou indutores fortes ou moderados da CYP3A4. 7. Advertências e precauções especiais de utilização A possibilidade de risco de suicídio (ideação suicida, tentativa de suicídio e suicídio concretizado) está inerente às doenças psicóticas e, em geral, é notificada pouco depois do início da terapêutica antipsicótica ou da transição de terapêutica antipsicótica. A terapêutica antipsicótica deve ser acompanhada de uma estrita supervisão dos doentes de alto risco. Dado que a cariprazina causa acatisia e agitação, deve ser utilizada com precaução em doentes propensos a ou que já apresentem sintomas de acatisia. A acatisia desenvolve-se numa fase precoce do tratamento. Por conseguinte, é importante uma monitorização atenta na primeira fase do tratamento. A dose pode ser modificada com base na resposta e tolerabilidade de cada indivíduo. Se surgirem sinais ou sintomas de discinesia tardia num doente tratado com cariprazina, deve considerar-se a descontinuação deste medicamento. Os medicamentos antipsicóticos poderão exacerbar a doença subjacente e agravar os sintomas da doença de Parkinson. Os médicos devem, portanto, ponderar os riscos e os benefícios ao prescrever cariprazina a doentes com doença de Parkinson. Os doentes que venham a desenvolver sintomas potencialmente relacionados com cataratas devem ser aconselhados a realizar um exame oftalmológico e a respetiva continuação do tratamento deve ser reavaliada. Se um doente desenvolver sinais e sintomas indicativos de síndrome neuroléptica maligna (SNM) ou apresentar febre alta inexplicada sem outras manifestações clínicas de SNM, a cariprazina tem de ser imediatamente descontinuada. A cariprazina não foi estudada em doentes idosos com demência e não é recomendado tratar este tipo de doentes devido ao risco acrescido de mortalidade global. A cariprazina deve ser utilizada com precaução em doentes com: história médica de convulsões ou que tenham problemas que possam baixar o limiar convulsivo; fatores de risco para acidente vascular cerebral; doença cardiovascular conhecida com predisposição para alterações na tensão arterial e em doentes com historial familiar de prolongamento do intervalo QT ou em doentes tratados com medicamentos que possam causar o prolongamento do intervalo QT. Uma vez que os doentes tratados com antipsicóticos apresentam, frequentemente, fatores de risco adquiridos para o tromboembolismo venoso, todos os fatores de risco possíveis para o TEV devem ser identificados antes e durante o tratamento com cariprazina e devem ser adotadas medidas preventivas.. Os doentes diabéticos ou os doentes com fatores de risco para a diabetes devem ser monitorizados quanto aos níveis séricos de glucose. As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar um método contracetivo altamente eficaz durante o tratamento com cariprazina e, pelo menos, durante 10 semanas após o fim do tratamento. Foi observado um aumento de peso significativo com a utilização de cariprazina. As cápsulas de 3 mg, 4,5 mg e 6 mg de Reagila contêm Vermelho Allura AC (E 129), que pode causar reações alérgicas. 8. Interações medicamentosas e outras formas de interação É contraindicada a coadministração de cariprazina com indutores fortes ou moderados da CYP3A4 (p. ex. carbamazepina, fenobarbital, fenitoína, rifampicina, hipericão (Hypericum perforatum), bosentano, efavirenz, etravirina, modafinil, nafcilina) e/ou com inibidores fortes ou moderados da CYP3A4 (p. ex., boceprevir, claritromicina, cobicistate, indinavir, itraconazol, cetoconazol, nefazodona, nelfinavir, posaconazol, ritonavir, saquinavir, telaprevir, telitromicina, voriconazol, diltiazem, eritromicina, fluconazol, verapamilo). O consumo de sumo de toranja deve ser evitado. A utilização de substratos da glicoproteína P (gp-P) que tenham um índice terapêutico estreito, tais como o dabigatrano e a digoxina, poderá exigir uma monitorização e ajuste da dose adicionais. As mulheres que utilizam contracetivos hormonais devem adicionar um segundo método de barreira. Reagila deve ser utilizado com precaução em combinação com outros medicamentos de ação central e com o álcool. 9. Efeitos indesejáveis Resumo do perfil de segurança As RAM mais frequentemente notificadas foram a acatisia (19%) e o parkinsonismo (17,5%). A maioria dos acontecimentos foram ligeiros a moderados em termos de gravidade. Resumo das reações adversas Muito frequentes: acatisia, parkinsonismo. Frequentes: aumento de peso, apetite diminuído, apetite aumentado, dislipidemia, perturbações do sono, ansiedade, sedação, tonturas, distonia, outras doenças extrapiramidais e afeções de movimentos anormais, visão turva, taquiarritmia, hipertensão, náuseas, obstipação, vómitos, enzimas hepáticas aumentadas, creatinafosfo quinase no sangue aumentada, fadiga. . Pouco frequentes: anemia, eosinofilia, tirotropina no sangue diminuída, natremia anormal, glicemia aumentada, diabetes mellitus, comportamento suicida, delírio, depressão, líbido diminuída, líbido aumentada, disfunção erétil, letargia, disestesia, discinesia, discinesia tardia, irritação ocular, tensão intraocular aumentada, alteração da acomodação, acuidade visual reduzida, vertigens, afeções da condução cardíaca, bradiarritmia, intervalo QT prolongado no ECG, onda T anormal no ECG, hipotensão, soluços, doença de refluxo gastroesofágico, bilirrubinemia aumentada, prurido, erupção cutânea, disúria, polaquiúria, sede. Raros: neutropenia, hipersensibilidade, hipotiroidismo, crises/convulsões, amnésia, afasia, fotofobia, catarata, disfagia, rabdomiólise. Frequência desconhecida: síndrome neuroléptica maligna, hepatite tóxica, síndrome neonatal de privação de fármacos. 10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO: Dezembro 2017 Medicamento sujeito a receita médica. Regime de Comparticipação: Escalão A – 90% Para mais informações deverá contactar o titular da autorização de introdução no mercado ou o seu representante local.

JABA RECORDATI S.A.

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1. Fleischhacker et al, “The efficacy of cariprazine in negative symptoms of schizophrenia: Post hoc analyses of PANSS individual items and PANSS-derived factors.” European Psychiatry 58 (2019) 1–9


24 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

NO HOSPITAL SOBRAL CID

CHUC inaugurou internamento específico p A CRIAÇÃO DE UMA UNIDADE DE INTERNAMENTO DO PRIMEIRO EPISÓDIO PSICÓTICO (UIPEP) CONTRIBUI PARA “UMA RECUPERAÇÃO MAIS CÉLERE E EVIDENTE” DE UMA SITUAÇÃO QUE SE MANIFESTA SOBRETUDO NA TRANSIÇÃO DA ADOLESCÊNCIA PARA A VIDA ADULTA, CONSIDERA O DIRETOR DO CRI DE PSIQUIATRIA DO CHUC, HORÁCIO FIRMINO.

A

o intervir na sessão de inauguração de uma nova unidade do Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria do CH e Universitário de Coimbra, Horácio Firmino sublinhou ser a mesma “dedicada a um grupo vulnerável e usualmente negligenciado nas respostas de saúde”. Apresentada como uma unidade multidisciplinar que pretende dar resposta a um evento de saúde crítico que ocorre habitualmente no final da adolescência ou no início da vida adulta – o denominado primeiro episódio psicótico --, ocupa parte do espaço de interna-

te do CA do CHUC. Salientando o aspeto inovador do projeto, Carlos Santos afirmaria que “os resultados obtêm-se quando há ousadia, quando há vontade de fazer diferente e capacidade de inovação”. E fez questão em agradecer a Horácio Firmino e aos elementos da sua equipa – em especial aos mais diretamente envolvidos na criação desta nova unidade – a sua “persistência na implantação de soluções inovadoras” e o “foco permanente que têm nos doentes”. O psiquiatra Miguel Bajouco

Horácio Firmino, diretor do Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria do CHUC

Célia Cravo, Horácio Firmino, António Bajouco, Joaquim Rodrigues, Carlos Santos, Miguel Bajouco e Pedro Simões

mento do Pavilhão 8 do Hospital Sobral Cid, instituição localizada nos arredores de Coimbra e que integra o CHUC. A cerimónia, que teve lugar no Dia Mundial da Saúde (7 de abril), contou com a presença do presiden-

usou da palavra na sessão para realçar, por exemplo, que a atividade da UIPEP decorrerá em articulação com a Consulta do Primeiro Episódio Psicótico, a que ele próprio também está ligado. Implementada no CRI de Psi-

quiatria do CHUC desde 2011, “constitui a resposta a nível ambulatório para estes doentes”, funcionando – à semelhança do Hospital de Dia, por exemplo – no edifício dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Em declarações à Just News, o psiquiatra Nuno Madeira diria que a criação da UIPEP “é uma resposta que complementa e é sinérgica com a Consulta”, por si coordenada, justificando: “Estes doentes, por vezes, a meio do processo, voltam a precisar de ser internados e a existência de uma equipa diferenciada, que consiga organizar-se e oferecer cuidados mais específicos do que os que seriam proporcionados numa cama de Psiquiatria geral, é, com certeza, uma mais-valia.”

uma doença que “tem um impacto no curso de vida das pessoas afetadas devido à disfunção cognitivo-perceptual, emocional e comportamental, interferindo significativamente na sua vida social e profissional”. Acrescentou saber-se hoje que “uma adequada intervenção na fase inicial da psicose terá como potenciais benefícios uma recuperação mais cé-

Horácio Firmino: criação da nova unidade é “relevante e necessária” O diretor do CRI de Psiquiatria do CHUC não deixou de frisar que o primeiro episódio psicótico é

Miguel Bajouco: “A atividade científica alicerçará uma melhor intervenção terapêutica” Quando usou da palavra, Miguel Bajouco procurou deixar clara a importância da “intervenção precoce” – conceito que emergiu nas últimas duas décadas – na abordagem dirigida à fase inicial do processo psicótico. É ponto assente que os primeiros anos da doença são considerados um período crítico para: prevenir a deterioração biológica e psicossocial do indivíduo; melhorar o prognóstico; reduzir o risco de recaída; eventualmente, atenuar a progressão da doença. Por outro lado, “a implementação de serviços especializados no tratamento das fases iniciais da psicose, como é o caso desta unidade, representam respostas diferenciadas na Psiquiatria, que vão de encontro ao estado da arte e seguem as guidelines internacionais”.

Quanto à integração das duas unidades (ou subunidades) que constituem a Unidade de Psicose (a

Miguel Bajouco

UCAERe-T e a UIPEP), ela traduzir-se-á “numa resposta assistencial mais completa às necessidades dos doentes que se encontram em períodos críticos das doenças psicóticas: fases iniciais (primeiro episódio psicótico) e formas resistentes à terapêutica”. Entretanto, a ligação à Unidade de Reabilitação vai permitir que as pessoas internadas na UIPEP “beneficiem de respostas de natureza psicossocial já existentes, como programas de readaptação funcional em desenvolvimento, como é o caso da Terapia Ocupacional, da Reabilitação Cognitiva e da Formação Profissional”. Miguel Bajouco quis destacar um último aspeto, que se prende com a atividade científica da unidade agora inaugurada, que será desenvolvida em articulação com o

Grupo de Investigação e Intervenção Precoce na Psicose, coordenado por António Macedo, professor catedrático de Psiquiatria da FMUC, mas não só. A ligação também existirá, nomeadamente, com o Instituto de Psicologia Médica da FMUC – centro de referência na área da psicose – e com o Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) / Centro de Imagem Biomédica e Translacional (CIBIT) – centro de referência em técnicas de neuroimagem. “Esta atividade científica alicerçará uma melhor intervenção terapêutica, cumprindo os objetivos orgânicos de um hospital universitário de referência e procurando contribuir para o prestígio da instituição”, concluiu Miguel Bajouco.

Investimento global a 2,5 milhões de eu Na sua intervenção, Carlos Santos, que estava acompanhado de dois elementos do CA, Célia Cravo e Pedro Simões, não hesitou em considerar que, “efetivamente, a Saúde Mental tem sido o parente pobre da Saúde”, reconhecendo a necessidade de “políticas ativas de proteção dos mais frágeis”. Esclareceu ainda estar a inauguração “integrada num projeto mais vasto”, que está em curso. E referiu-se então à “melhoria das condições dos doentes psiquiátricos, particularmente com especial foco nos da Psiquiatria Forense,


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para fases iniciais da psicose lere e evidente, com conservação das aptidões sociais, dos suportes sociais e familiares, da melhoria do prognóstico global, bem como da redução da mortalidade e das taxas de internamento”.

A UIPEP integra a Unidade de Psicose, coordenada por António Bajouco – com o apoio do enfermeiro Joaquim Rodrigues –, e funcionará em estreita ligação com a Unidade de Reabilitação, instalada noutro dos pavilhões do Sobral Cid.

superior ros onde estamos fortemente empenhados em mudar as condições de internamento”. Anunciando um investimento global superior a 2,5 milhões de euros, “num alinhamento forte que temos mantido” com o Programa Nacional para a Saúde Mental da DGS e com o Ministério da Justiça, afirmou: “Acho que podemos perspetivar uma melhoria das condições de trabalho e de atendimento dos utentes, de melhoria global da prestação de cuidados aos nossos doentes, que são a razão da nossa existência.”

Horácio Firmino explicou ter-se entendido como “relevante e necessária” a implementação no CHUC de uma unidade de internamento especializada na intervenção precoce nas fases iniciais de doenças mentais graves com

sintomas psicóticos e que “venha completar as respostas já existentes”. Referiria a Consulta do Primeiro Episódio Psicótico, “com resultados já reconhecidos”, e o trabalho desenvolvido pela Unidade de Cuidados

Avançados de Esquizofrenia Resistente ao Tratamento (UCAERe-T), que com a recém-criada UIPEP ocupa o Pavilhão 8 do Hospital Sobral Cid, constituindo ambas a Unidade de Psicose.

QUAL O SEU PLANO PARA OS DOENTES COM ESQUIZOFRENIA?

Com a eficácia do PLANO TREVICTA®*, os seus doentes poderão usufruir dos MOMENTOS REALMENTE IMPORTANTES das suas vidas.1-6

Referências: 1. Schreiner A et al. Clin Ther 2014; 36(10): 1372–1388; 2. Hargarter L et al. Expert Opin Pharmacother 2016; 17(8): 1043–1053; 3. Savitz A et al. Int J Neuropsychopharmacol. 2016; 19(7): 1–14; 4. Pandina G et al. J Clin Psychopharmacol 2010; 30: 235–244; 5. Gopal S et al. J Psychopharmacol 2011; 25(5): 685–697; 6. Berwaerts J et al. JAMA Psychiatry 2015; 72(8): 830–839. Material elaborado em junho de 2021 | CP-243466

*O PLANO TREVICTA® é a iniciação do tratamento com XEPLION® e posterior transição para TREVICTA®, após estabilização do doente, tendo em conta as indicações aprovadas para ambos os fármacos.

Informações Essenciais Compatíveis com o RCM de TREVICTA® TREVICTA® 175 mg, 263 mg, 350 mg, 525 mg, suspensão injetável de libertação prolongada. Composição qualitativa e quantitativa: TREVICTA® 175 mg - Cada seringa pré-cheia contém 273 mg de palmitato de paliperidona equivalente a 175 mg de paliperidona. TREVICTA® 263 mg - Cada seringa pré-cheia contém 410 mg de palmitato de paliperidona equivalente a 263 mg de paliperidona. TREVICTA® 350 mg - Cada seringa pré-cheia contém 546 mg de palmitato de paliperidona equivalente a 350 mg de paliperidona. TREVICTA® 525 mg - Cada seringa pré-cheia contém 819 mg de palmitato de paliperidona equivalente a 525 mg de paliperidona. Indicações terapêuticas: TREVICTA®, injeção trimestral, é indicado para o tratamento de manutenção da esquizofrenia em doentes adultos que estão clinicamente estáveis com a injeção mensal de palmitato de paliperidona. Posologia e modo de administração: Os doentes que estão a ser adequadamente tratados com a injeção mensal de palmitato de paliperidona (preferencialmente durante 4 meses ou mais) e não necessitam de ajuste de dose podem mudar para injeção (Continua no verso)


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ÂNDREA FIGUEIREDO, PRESIDENTE DA AEEEMC, EM ENTREVISTA

“E se não houvesse enfermeiros especiali A QUESTÃO COLOCADA NO TÍTULO É, AFINAL, O TEMA DO V CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO DE ENFERMEIROS ESPECIALISTAS EM ENFERMAGEM MÉDICO-CIRÚRGICA, QUE TEM DATA MARCADA PARA OUTUBRO DESTE ANO. “COOPERAÇÃO, DINAMISMO E QUALIDADE” SÃO VALORES QUE A SUA PRESIDENTE PROCURA EMPREGAR PARA ALAVANCAR A AEEEMC.

F

undada em 1988 na hoje denominada Escola Superior de Enfermagem de Coimbra por um grupo de alunos que lá se encontrava a especializar-se, a AEEEMC foi, desde logo, “uma organização de referência, a par da Associação dos Enfermeiros Portugueses, quando ainda não estava sequer constituída a Ordem dos Enfermeiros”, refere Ândrea Figueiredo. Após passar por um período de latência, ressurgiu em 2012 e, dois mandatos depois, em outubro de 2019, a atual presidente assumiu funções.

Ândrea Figueiredo: “A subespecialização da Enfermagem Médico-Cirúrgica faz sentido, mas tenho receio dos fracionamentos.”

Incluindo nos Órgãos Sociais profissionais de vários pontos do país, Ândrea Figueiredo destaca que essa é, precisamente, “uma das principais bandeiras da AEEEMC – torná-la o mais nacional possível e descentralizá-la”. Ao mesmo tempo, procura “congregar elementos das quatro áreas reconhecidas da Enfermagem Médico-Cirúrgica: En-­ fermagem à Pessoa em Situação Crítica, Crónica, Perioperatória e Paliativa”. Desenvolvendo esta incumbência num período particularmente difícil, marcado pela pandemia de covid-19, considera que “o projeto está claramente a meio, encontrando-se a equipa motivada para continuar, se os sócios assim o entenderem”. Com cerca de 500 associados, parte deles inativos há alguns anos, Ândrea Figueiredo refere que tem existido um trabalho no sentido de “rever as listagens e reativar o contacto com os mesmos”. Atualmente, são cerca de 350 os sócios ativos. Ao longo do seu mandato, que terminará já no final do ano, a enfermeira adianta que existiu uma revisão de estatutos, o que

V Congresso Internacional de Enfermagem Médico-Cirúrgica acontece em outubro, em formato presencial O Congresso Internacional de Enfermagem Médico-Cirúrgica é a reunião magna da AEEEMC, caracterizada pela participação de vários palestrantes internacionais. Projetado para os dias 25, 26 e 27 de outubro, no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz, o evento, que terá como temática “E se não houvesse enfermeiros especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica?”, será presencial, podendo transitar para formato online se as condições pandémicas assim o exigirem. A reunião, que vai na sua quinta edição, terá como parceiros o Hospital Distrital da Figueira da Foz e a Escola Superior de Saúde Norte da Cruz Vermelha Portuguesa e realiza-se com o apoio da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Como Ândrea Figueiredo sublinha, “além de nos associarmos à academia através das

instituições de ensino superior, é importante estender a ligação a entidades prestadoras de cuidados, que são os lugares onde os enfermeiros especialistas estão, caminhando em conjunto connosco”.

Ândrea Figueiredo: "Os doentes precisam de enfermeiros especialistas e essa necessidade ficou bastante evidente neste contexto pandémico"

não acontecia desde a fundação da Associação. Uma das alterações verificadas é que os mandatos passarão a ser de quatro anos e atualizaram-se também as áreas reconhecidas da Enfermagem Médico-Cirúrgica. Ao mesmo tempo, foram organizadas diversas reuniões, sob a forma de webinars, oferecendo aos associados a oportunidade de “participarem nas respetivas comissões organizadoras, consoante as suas áreas de perícia”. Ândrea Figueiredo também tem uma certeza: “Enquanto associação, queremos ser ativos, dinâmicos e cooperantes, e entendemos que trabalhando em conjunto com parceiros conseguimos alcançar mais enfermeiros e doentes.” Atuar de forma diferenciada preservando a transversalidade No entender da presidente da AEEEMC, “o enfermeiro especialista é ou deverá ser promotor de atividades, da discussão salutar e da partilha entre pares”. Os cerca de 4600 profissionais especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica constituem a maior das seis especialidades reconhecidas pela Ordem dos Enfermeiros. Apenas a Enfermagem de Reabilitação, “uma das mais antigas e desenvolvidas”, tem um número de elementos similar. Mas trata-se de um número que afirma estar a aumentar, “não só pela tendência crescente de os enfermeiros optarem por especializar-se, mas também porque a OE abriu a possibilidade de se pedir o reconhecimento do título de especialista com base na formação e na experiência profissional, sem

"A especialidade ajudou-me a prestar melhores cuidados e a liderar" Ândrea Figueiredo nasceu em dezembro de 1983, em Pombal, e o gosto por “cuidar das outras pessoas e poder ajudá-las” levou-a a decidir-se pela Enfermagem. O seu interesse em viajar e sair da “zona de conforto” motivou-a a candidatar-se à Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, o que recorda como “uma experiência fantástica”. Em 2006, tornou-se a primeira licenciada da família. Escolheu realizar vários estágios na área do doente crítico e, após experienciar períodos curtos de trabalho nos Cuidados de Saúde Primários e no Serviço de Medicina do Hospital de São José, integrou o projeto das Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV ), do INEM, aquando da sua implementação. A formação e a experiência que viveu enquanto bombeira em Angra do Heroísmo levou-a a percecionar que “o socorro ao doente nas ambulâncias era um trabalho muito aliciante inexplorado pela Enfermagem” e este novo projeto visava “diferenciar e aumentar a rede de so-

corro pré-hospitalar”. Neste âmbito, passou pelas regiões do Alentejo e do Centro e, em 2016, assumiu funções de Coordenação de Meios Regional na área de Enfermagem de algumas das Ambulâncias de SIV da Delegação Regional do Centro do INEM. Antes ainda, em 2012, iniciou a especialização e o mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, na Escola Superior de Saúde de Viseu, o que considera tê-la “ajudado a ser a enfermeira que é hoje, a prestar melhores cuidados, diferenciados e refletidos, e a liderar”. Continuando a desenvolver-se profissionalmente na vertente do doente crítico, no âmbito da especialização, investiu em estágios em serviços de Urgência e nos Cuidados Intensivos, passando pelo Hospital de São José, pelo Hospital de Haifa, em Israel, e pelo SAMUR, em Madrid. Foi também em 2016 que integrou os Órgãos Sociais da AEEEMC e as várias experiências associativas prévias levaram-na a candidatar-se à presidência da Associação para o mandato seguinte (2019-2021).

necessidade de obterem a especialidade exclusivamente em contexto académico”. Com a subespecialização desta vertente de Enfermagem pela OE em quatro áreas, Ândrea Figueiredo admite que, “apesar da transversa-

lidade de competências, a necessidade de cuidados de Enfermagem especializados e o seu contexto de intervenção levou a esta divisão, que permite que mais facilmente nos especializemos e possamos mostrar a evidência dos resultados dos nossos


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stas em Enfermagem Médico-Cirúrgica?” cuidados”. Adicionalmente, entende que a referenciação para colegas das outras áreas de diferenciação médico-cirúrgica, o que ainda não é muito praticado, fica potenciada, e “o ganho está precisamente no trabalho conjunto”. Se na sua perspetiva esta divisão é benéfica, por outro lado, a nossa entrevistada teme possíveis frações, advertindo que “em conjunto temos mais força e fazemo-nos ouvir melhor”. É esta ótica que a leva a considerar que “fracionar o Colégio da Especialidade em quatro pode ser um risco, sendo necessário perceber primeiro se há sustentabilidade para essas áreas serem, de facto, autónomas”. Admitindo que “o enfermeiro especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica desenvolve competências para cuidar da pessoa de uma

“Somos uma classe muito motivada e resiliente”, afirma a presidente da AEEEMC.

AEEEMC

ÓRGÃOS SOCIAIS 2019-2021 ASSEMBLEIA-GERAL Presidente: Verónica Coutinho Vice-presidente: Paulo Oliveira Secretário: Ana Rita Loureiro Suplente: Luís Paiva DIREÇÃO Presidente: Ândrea Figueiredo Vice-presidente: Maria Arminda Tavares Secretária: Ana Santa Tesoureiro: Eduardo dos Santos Vogal: Isabel Costa Suplente: Sónia Rocha Suplente: Dário Rocha CONSELHO FISCAL Presidente: Rui Gonçalves Vogal: Amélia Oliveira Vogal: Sara Gomes Suplente: Teresa do Espírito Santo

forma diferenciada”, realça a necessidade de, futuramente, serem definidos indicadores da sua atividade “para, por exemplo, conseguirmos evidenciar o impacto dos nossos cuidados para a redução da taxa de

infeção ou do número de dias de internamento”. Outra grande carência que Ândrea Figueiredo identifica prende-se com o mapeamento destes enfermeiros – “Onde trabalham?

Encontram-se a desenvolver as suas competências? Com que área se identificam?” –, necessidade que já partilhou com o Colégio da Especialidade em 2020. Essa resposta, no seu entender, seria

fundamental, até para “verificar se todos se encontram a prestar os cuidados especializados para os quais estão habilitados e se estão posicionados como especialistas na carreira”.

QUAL O SEU PLANO PARA OS DOENTES COM ESQUIZOFRENIA?

trimestral de palmitato de paliperidona. TREVICTA® deve ser iniciado em substituição da próxima injeção mensal de palmitato de paliperidona programada (± 7 dias). A dose de TREVICTA® deve ser baseada na dose de injeção mensal de palmitato de paliperidona anterior, utilizando uma dose 3,5 vezes superior. Após a dose inicial de TREVICTA®, este deve ser administrado por injeção intramuscular, uma vez em intervalos de 3 meses (± 2 semanas). Consultar o RCM completo para obter mais informação relativa a “Mudança a partir de outros medicamentos antipsicóticos”, “Mudança a partir de TREVICTA® para outros medicamentos antipsicóticos”, “Mudança a partir de TREVICTA® para injeção mensal de palmitato de paliperidona” e “Mudança a partir de TREVICTA® para paliperidona diária oral em comprimidos de libertação prolongada”. No caso de doses omitidas deverão ser seguidas instruções específicas caso o tempo desde a última injeção seja “> 3½ meses até 4 meses”, “4 meses a 9 meses” ou “> 9 meses”. Idosos: A eficácia e segurança em idosos> 65 anos não foram estabelecidas; Compromisso renal: TREVICTA® não foi estudado em doentes com compromisso renal. No caso de doentes com compromisso renal ligeiro (depuração da creatinina ≥ 50 a < 80 ml/min), a dose deve ser ajustada e o doente estabilizado com a injeção mensal de palmitato de paliperidona, e em seguida fazer a transição para TREVICTA.; Compromisso hepático: TREVICTA® não foi estudado em doentes com compromisso hepático. Com base na experiência com paliperidona oral, não é necessário qualquer ajuste posológico em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado. Uma vez que a paliperidona não foi estudada em doentes com compromisso hepático grave, recomenda-se precaução no tratamento destes doentes; População pediátrica: A segurança e eficácia de TREVICTA® em crianças e adolescentes com idade < 18 anos não foram estabelecidas. Modo de administração: TREVICTA® destina-se apenas a utilização intramuscular. Deve ser injetado profunda e lentamente no músculo deltoide ou glúteo. É importante agitar a seringa vigorosamente com a extremidade para cima e com movimentos do pulso durante, pelo menos, 15 segundos para garantir uma suspensão homogénea. TREVICTA® deve ser administrado dentro de 5 minutos após a agitação. Para informações detalhadas relativas à administração de TREVICTA® recomenda-se a consulta da secção 4.2 do RCM. Contraindicações: Hipersensibilidade à substância ativa, à risperidona ou a qualquer um dos excipientes. Efeitos indesejáveis: Muito frequentes (≥ 1/10): insónia; Frequentes (≥ 1/100 a < 1/10): infeção das vias respiratórias superiores, infeção do trato urinário, vírus influenza, hiperprolactinemia, hiperglicemia, aumento de peso, diminuição de peso, diminuição do apetite, agitação, depressão, ansiedade, parkinsonismo, acatisia, sedação/ sonolência, distonia, tonturas, discinesia, tremores, cefaleia, taquicardia, hipertensão, tosse, congestão nasal, dor abdominal, vómitos, náusea, obstipação, diarreia, dispepsia, dor de dentes, aumento das transaminases, dor musculoesquelética, dorsalgia, artralgia, amenorreia, galactorreia, pirexia, astenia, fadiga, reação no local de injeção; Pouco frequentes (≥ 1/1.000 a < 1/100): pneumonia, bronquite, infeção das vias respiratórias, sinusite, cistite, infeção do ouvido, amigdalite, onicomicose, celulite, redução da contagem dos glóbulos brancos, trombocitopenia, anemia, hipersensibilidade, diabetes mellitus, hiperinsulinemia, aumento do apetite, anorexia, aumento dos triglicéridos no sangue, aumento de colesterol no sangue, distúrbios do sono, mania, diminuição da libido, nervosismo, pesadelos, discinesia tardia, síncope, hiperatividade psicomotora, tonturas posturais, distúrbios de atenção, disartria, digeusia, hipoestesia, parestesia, visão turva, conjuntivite, olho seco, vertigens, zumbido, dor de ouvido, bloqueio auriculoventricular, distúrbios na condução, QT prolongado no eletrocardiograma, síndrome de taquicardia postural ortostática, bradicardia, eletrocardiograma anormal, palpitações, hipotensão, hipotensão ortostática, dispneia, congestão das vias respiratórias, sibilos, dor faringolaringea, epistaxes, desconforto abdominal, gastroenterite, disfagia, boca seca, flatulência, aumento da gama-glutamiltransferase, aumento de enzimas hepáticas, urticária, prurido, erupção cutânea, alopecia, eczema, pele seca, eritema, acne, aumento da creatina fosfoquinase sanguínea, espasmos musculares, rigidez articular, fraqueza muscular, dor no pescoço, incontinência urinária, polaquiúria, disúria, disfunção erétil, alterações da ejaculação, alterações menstruais, ginecomastia, disfunção sexual, mastalgia, edema da face, edema, aumento da temperatura corporal, alteração da marcha, dor no peito, desconforto no peito, mal-estar generalizado, induração, queda; Raros (≥ 1/10.000 a < 1/1.000): infeção ocular, acarodermatite abcesso subcutâneo, neutropenia, aumento da contagem dos eosinófilos, secreção inapropriada de hormona antidiurética, presença de glucose na urina, cetoacidose diabética, hipoglicemia, polidipsia, catatonia, estado confusional, sonambulismo, diminuição da manifestação de emoções, anorgasmia, síndrome maligna dos neurolépticos, isquémia cerebral, sem resposta a estímulos, perda de consciência, diminuição do nível de consciência, convulsões, distúrbios de equilíbrio, coordenação anormal, glaucoma, distúrbios do movimento ocular, crises oculogiras, fotofobia, aumento do lacrimejo, hiperemia ocular, fibrilhação auricular, arritmia sinusal, trombose venosa, rubor, síndrome da apneia do sono, congestão pulmonar, crepitações, pancreatite, língua inchada, incontinência fecal, fecaloma, queilite, erupção medicamentosa, hiperqueratose, caspa, rabdomiólise, inchaço das articulações, retenção urinária, desconforto mamário, ingurgitamento mamário, aumento mamário, corrimento vaginal, hipotermia, arrepios, sede, síndrome de privação de fármacos, abcesso no local de injeção, celulite no local de injeção, quisto no local da injeção, hematoma no local de injeção; Desconhecido: agranulocitose, reação anafilática, intoxicação por água, perturbações alimentares ligadas ao sono, coma diabético, titubação da cabeça, síndrome da íris flácida (intraoperatória), embolismo pulmonar, isquemia, hiperventilação, pneumonia por aspiração, disfonia, obstrução intestinal, íleo, icterícia, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, angioedema, descoloração da pele, dermatite seborreica, postura anormal, síndrome neonatal de privação de fármaco, priapismo, diminuição da temperatura corporal, necrose no local de injeção, úlcera no local de injeção. Titular da Autorização de Introdução no Mercado: Janssen-Cilag International NV,Turnhoutseweg 30, B-2340 Beerse, Bélgica. Para mais informações deverá contactar o Representante Local: Janssen-Cilag Farmacêutica, Lda., Lagoas Park, Edifício 9, 2740-262 Porto Salvo. Medicamento sujeito a receita médica. Escalão A (90% de comparticipação). Notificação de acontecimentos adversos ou outras situações de segurança especiais: farmacovigilancia_portugal@its.jnj.com ou 214368600. Notificação de reclamações de qualidade: qualidade_janssen@its.jnj.com ou 214368600. Antes de prescrever consulte o RCM completo. IECRCM de TREVICTA®, Versão 7, revisto em 05/2021. Informações essenciais compatíveis com o RCM XEPLION® Xeplion® 50 mg, 75 mg, 100 mg, 150 mg suspensão injetável de libertação prolongada. Composição qualitativa e quantitativa: Xeplion® 50 mg - Cada seringa pré-cheia contém 78 mg de palmitato de paliperidona equivalente a 50 mg de paliperidona. Xeplion ® 75 mg - Cada seringa pré-cheia contém 117 mg de palmitato de paliperidona equivalente a 75 mg de paliperidona. Xeplion® 100 mg - Cada seringa pré-cheia contém 156 mg de palmitato de paliperidona equivalente a 100 mg de paliperidona. Xeplion® 150 mg - Cada seringa pré-cheia contém 234 mg de palmitato de paliperidona equivalente a 150 mg de paliperidona. Indicações terapêuticas: Xeplion® é indicado para o tratamento de manutenção da esquizofrenia em doentes adultos estabilizados com paliperidona ou risperidona. Xeplion® pode ser utilizado sem prévia estabilização com tratamento oral, em determinados doentes adultos com esquizofrenia e que tenham desenvolvido resposta anterior à paliperidona ou risperidona oral, se os sintomas psicóticos forem ligeiros a moderados e caso seja necessário um tratamento com um injetável de longa duração. Posologia e modo de administração: A dose inicial recomendada de Xeplion® é de 150 mg no 1º dia de tratamento e de 100 mg uma semana depois (8º dia), ambas administradas no músculo deltoide para atingir rapidamente as concentrações terapêuticas. A terceira dose deve ser administrada um mês após a segunda dose de iniciação. A dose de manutenção mensal recomendada é de 75 mg; alguns doentes podem beneficiar de doses inferiores ou superiores dentro do intervalo recomendado de 25 a 150 mg, com base na tolerabilidade e/ou eficácia individual do doente ao tratamento. Após a segunda dose, as doses de manutenção mensais podem ser administradas no músculo deltoide ou no músculo glúteo. O ajuste da dose de manutenção pode ser feito mensalmente. O início do tratamento com Xeplion® deverá cumprir determinadas especificações consoante ocorra: Mudança a partir de paliperidona oral de libertação prolongada ou risperidona oral para Xeplion®; Mudança a partir de risperidona injetável de longa duração para Xeplion®. No caso de doses omitidas deverão ser seguidas instruções específicas consoante se verifique: Omissão da segunda dose de iniciação (< 4 semanas desde a primeira injeção); Omissão da segunda dose de iniciação (4-7 semanas desde a primeira injeção); Omissão da segunda dose de iniciação (> 7 semanas desde a primeira injeção); Omissão da dose de manutenção mensal (1 mês a 6 semanas); Omissão da dose de manutenção mensal (> 6 semanas a 6 meses). Recomenda-se, assim, a leitura da versão completa deste RCM a fim de poder aferir o modo correto de início de tratamento e de atuação em caso de doses omitidas de Xeplion®. Populações especiais: Idosos: A eficácia e segurança em idosos > 65 anos não foram estabelecidas; Compromisso renal: Xeplion® não foi estudado sistematicamente em doentes com compromisso renal; Compromisso hepático: Com base na experiência com paliperidona oral, não é necessário qualquer ajuste posológico em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado. Uma vez que a paliperidona não foi estudada em doentes com afeção hepática grave, recomenda-se precaução no tratamento destes doentes; População pediátrica: A segurança e eficácia de Xeplion® em crianças com idade < 18 anos não foram estabelecidas; não existem dados disponíveis. Modo de administração: Xeplion® destina-se apenas a utilização intramuscular. Não deve ser administrado por qualquer outra via. Deve ser injetado profunda e lentamente no músculo deltoide ou glúteo por um profissional de saúde. Para informações detalhadas relativas à administração de Xeplion® recomenda-se a consulta da secção 4.2 do RCM. Contraindicações: Hipersensibilidade à substância ativa, à risperidona ou a qualquer um dos excipientes. Efeitos indesejáveis: RAMs reportadas em ensaios clínicos: Muito frequentes: insónia; Frequentes: infeção das vias respiratórias superiores, infeção do trato urinário, vírus influenza, hiperprolactinemia, hiperglicemia, aumento de peso, perda de peso, diminuição do apetite, agitação, depressão, ansiedade, parkinsonismo, acatisia, sedação/sonolência, distonia, tonturas, discinesia, tremor, cefaleia, taquicardia, hipertensão, tosse, congestão nasal, dor abdominal, vómitos, náusea, obstipação, diarreia, dispepsia, dor de dentes, aumento das transaminases, dor musculoesquelética, dor nas costas, artralgia, amenorreia, galactorreia, pirexia, astenia, fadiga, reação no local de injeção; Pouco frequentes: pneumonia, bronquite, infeção das vias respiratórias, sinusite, cistite, infeção do ouvido, amigdalite, onicomicose, celulite, redução da contagem de glóbulos brancos, trombocitopenia, anemia, hipersensibilidade, diabetes mellitus, hiperinsulinemia, aumento do apetite, anorexia, aumento dos triglicerídeos no sangue, aumento do colesterol no sangue, distúrbios do sono, mania, diminuição da líbido, nervosismo, pesadelos, discinesia tardia, síncope, hiperatividade psicomotora, tonturas posturais, distúrbio de atenção, disartria, disgeusia, hipoestesia, parestesia, visão turva, conjuntivite, olho seco, vertigens, zumbido, dor de ouvido, bloqueio auriculoventricular, perturbação da condução, QT prolongado no eletrocardiograma, síndrome de taquicardia postural ortostática, bradicardia, eletrocardiograma anormal, palpitações, hipotensão, hipotensão ortostática, dispneia, congestão das vias respiratórias, sibilos, dor faringolaringea, epistaxis, desconforto abdominal, gastroenterite, disfagia, boca seca, flatulência, aumento da gama-glutamiltransferase, aumento de enzimas hepáticas, urticária, prurido, erupção cutânea, alopécia, eczema, pele seca, eritema, acne, aumento da creatininafosfoquinase sanguínea, espasmos musculares, rigidez articular, fraqueza muscular, dor no pescoço, incontinência urinária, polaquiúria, disúria, disfunção eréctil, alterações da ejaculação, alterações menstruais, ginecomastia, disfunção sexual, mastalgia, edema da face, edema, aumento da temperatura corporal, alteração do modo de andar, dor no peito, desconforto no peito, desconforto generalizado, induração, queda; Raros: infeção ocular, acarodermatite, abcesso subcutâneo, neutropenia, aumento da contagem de eosinófilos, secreção inapropriada de hormona antidiurética, presença de glucose na urina, cetoacidose diabética, hipoglicemia, polidipsia, catatonia, estado confusional, sonambulismo, diminuição da manifestação de emoções, anorgasmia, síndrome maligna dos neurolépticos, isquemia cerebral, sem resposta a estímulos, perda de consciência, diminuição da consciência, convulsão, distúrbios de equilíbrio, coordenação anormal, glaucoma, distúrbios do movimento ocular, crises oculogiras, fotofobia, aumento do lacrimejo, hiperemia ocular, fibrilhação auricular, arritmia sinusal, trombose venosa, rubor, síndrome da apneia do sono, congestão pulmonar, crepitações, pancreatite, língua inchada, incontinência fecal, fecaloma, queilite, erupção medicamentosa, hiperqueratose, caspa, rabdomiólise, inchaço das articulações, retenção urinária, desconforto mamário, ingurgitamento mamário, aumento mamário, corrimento vaginal, hipotermia, arrepios, sede, síndrome de privação de fármacos, abcesso no local de injeção, celulite no local de injeção, quisto no local da injeção, hematoma no local de injeção; Desconhecido: agranulocitose, reação anafilática, intoxicação por água, perturbações alimentares ligadas ao sono, coma diabético, titubação da cabeça, síndrome de íris flácida (intraoperatória), embolismo pulmonar, isquemia, hiperventilação, pneumonia por aspiração, disfonia, obstrução intestinal, íleo, icterícia, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, angioedema, descoloração da pele, dermatite seborreica, postura anormal, síndrome neonatal de privação de fármacos, priapismo, diminuição da temperatura corporal, necrose no local de injeção, úlcera no local de injeção. A paliperidona é um metabolito ativo da risperidona, assim, os perfis de reações adversas destes compostos (incluindo as formulações oral e injetável) são relevantes um para o outro. Titular da Autorização de Introdução no Mercado: Janssen-Cilag International NV, Turnhoutseweg 30, B-2340 Beerse, Bélgica. Para mais informações deverá contactar o Representante Local: Janssen-Cilag Farmacêutica, Lda. Lagoas Park, Edifício 9, 2740-262 Porto Salvo. Medicamento sujeito a receita médica. Escalão A (90% de comparticipação). Notificação de acontecimentos adversos ou outras situações de segurança especiais: farmacovigilancia_portugal@its.jnj.com ou 214368600. Notificação de reclamações de qualidade: qualidade_janssen@its.jnj.com ou 214368600. Antes de prescrever consulte o RCM completo. IECRCM de Xeplion®, Versão 8, revisto em 05/2021.

Janssen-Cilag Farmacêutica, Lda. Lagoas Park, Edifício 9, 2740-262 Porto Salvo | Portugal | www.janssen.com/portugal Sociedade por quotas | Matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Oeiras, sob n.º 10576 Capital Social € 2.693.508,64 | N.º Contribuinte 500 189 412 Material elaborado em junho de 2021 | CP-243466


28 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

SERVIÇO DE MEDICINA INTENSIVA DO CENTRO HOSPITALAR E UNIVERSITÁRIO DE SÃO JOÃO JÁ TEM TODAS AS SUAS CAMAS COM CAPAC

Número de quartos de isolamento e primeiros internos da nova espe AO CONTRÁRIO DO QUE SE PODERIA PENSAR, O QUE MOTIVOU A REALIZAÇÃO DA PRESENTE REPORTAGEM, NESTA ALTURA ESPECÍFICA, AO SERVIÇO DE MEDICINA INTENSIVA DO CHUSJ NÃO FOI A COVID-19, MAS SIM O FACTO DE ESTE ANO, EM PORTUGAL, CONCLUÍREM A SUA FORMAÇÃO ESPECÍFICA NESTA ÁREA OS PRIMEIROS INTERNOS. UM DESSES CINCO MÉDICOS INTEGRA PRECISAMENTE O SERVIÇO DIRIGIDO POR JOSÉ ARTUR PAIVA, QUE DESDE O INÍCIO DE MAIO DE 2021 TEM TODAS AS SUAS CAMAS COM CAPACITAÇÃO DE NÍVEL 3 E QUE VAI TRIPLICAR O NÚMERO DE QUARTOS DE ISOLAMENTO ATÉ AO INVERNO.

O

Serviço de Medicina Intensiva do CHUSJ está distribuído por três pisos do Hospital de São João. Cada um dos espaços funciona como uma unidade funcional, com um coordenador médico e um ou dois “enfermeiros-chefe”, dependendo da sua dimensão. Embora um doente possa ser internado em qualquer uma delas, a verdade é que cada unidade tem a sua vocação específica. A mais pequena é a que fica situada no piso 8, com as suas 16 camas especialmente dedicadas à patologia neurocrítica. As 22 camas do 6.º andar estão mais dirigidas para a patologia cardiocrítica e a Unidade

Entretanto, a Sala de Emergência, coordenada por um intensivista, é apresentada por José Artur Paiva como “um posto avançado de trabalho”, onde se faz a triagem inicial de quem chega através da Urgência e se define se deve ser internado em Medicina Intensiva e para qual das três unidades deve ser encaminhado. Existe depois uma equipa de emergência interna que se desloca a qualquer enfermaria do hospital, quando tal é solicitado, para avaliar do benefício em transferir para a Medicina Intensiva determinado doente cujo estado de saúde se deteriorou. “A jusante do Serviço”, diz José Arcitando também o diretor o Centro de Referência de Neurorradiologia de Intervenção, no 8.º andar. Um legado da pandemia: “um reforço da Medicina Intensiva a nível nacional”

"Acho que a ideia de que a Medicina Intensiva é muito importante para o hospital está completamente sedimentada", afirma José Artur Paiva

do piso 1 – estrategicamente situada junto à Urgência – tem capacidade para receber até 22 doentes e está particularmente diferenciada em trauma em estado crítico.

tur Paiva, “temos a chamada Consulta de Follow-up, em que avaliamos, nomeadamente, tanto as sequelas da patologia que trouxe o doente até nós como do próprio tratamento que aqui

foi feito”. Finalmente, “ainda dentro do Serviço, temos participação em vários Centros de Referência, o mais destacado dos quais, e mais enraizado, é o de ECMO, ligado ao piso 6”,

Afirmando que a fase mais complicada da pandemia seria vivida em novembro, José Artur Paiva recorda: “Foi nessa altura que se registou a nossa ocupação máxima! Houve um momento em que tivemos 24 camas não covid no piso 1, 34 camas quase todas covid no piso 6, mais 16 covid no piso 8, com 10 de neurocríticos deslocadas para a Cirurgia Torácica, embora cuidadas por nós, e 9 camas covid no piso 9.” Nos três meses seguintes, até fevereiro, o Serviço continuou a viver um período de “resposta muito intensa”, recebendo doentes covid transferidos de hospitais da zona de Lisboa, principalmente do Fernando Fonseca e do Beatriz Ângelo. A esse respeito, o médico deixa clara uma questão: “Nós precisamos que a cuidados necessários correspondam cuidados prestados. A transferência inter-regional de

doentes baseia-se precisamente nesse princípio. Vemos muitas vezes ser transmitida a ideia de que isso é mau, mas não é. Embora, obviamente, fosse preferível não ser necessária, acaba por ser garantia de total equidade de acesso a Medicina Intensiva.” José Artur Paiva, que é presidente do Colégio da Especialidade

JOSÉ ARTUR PAIVA:

“Uma especia possa ser ‘por José Artur Paiva fala em “responsabilidade de grupo”, mas admite o seu “grande empenho pessoal” no nascimento da especialidade de Medicina Intensiva, “uma especialidade como as outras e que, como outras, possa ser ‘porto de abrigo’ para uma série de diferenciações”. Fala em “batalha muito longa”, que conduziu à data histórica de 2015, a que se seguiu a criação de um currículo do


Maio/Junho 2021 Hospital Público ■ 29

ITAÇÃO DE NÍVEL 3

o vai triplicar até ao inverno ecialidade concluem formação camas sustentáveis no tempo”. O número de intensivistas ronda os 450 e… “com uma riqueza muito grande, que são os internos de formação específica, que vão começar a reforçar a especialidade”. “Fica como legado da pandemia um reforço da Medicina Intensiva a nível nacional”, frisa, considerando que “houve, claramente, uma capacitação e, sobretudo, a aprendizagem de muitas coisas que têm que ficar para o futuro”. Uma delas é que “o acesso a cuidados de Medicina Intensiva diminui a mortalidade, salvando vidas”. Outra conclu-

José Artur Paiva: “A política de priorização, isto é, de haver doentes que precisam de cuidados intensivos e não os têm, não faz sentido e aqui isso nunca aconteceu.”

são a tirar é que “os recursos humanos são fundamentais” e que “precisamos de ter uma capacitação mais marcada a nível de médicos e de enfermeiros”. A terceira grande “lição” a reter, segundo o nosso entrevistado, é que “o plano de contingência para resposta a estes eventos críticos tem que estar constituído sistematicamente e ter uma natureza permanentemente adaptativa”. Por um lado, “havendo uma almofada de áreas hospitalares em que se possa realizar facilmente um upgrade para UCI para responder a estes eventos e depois tendo profissionais para dotar essas unidades quando a procura aumenta”. Há quem lhes comece a chamar “UCI silenciosas ou ocultas. “Nós, em pandemia, temos que construir um plano, mas sabendo geri-lo de uma forma adaptativa, porque o que se pretende é conseguir atingir o objetivo, mais do que o cumprimento do plano”, sublinha José Artur Paiva.

Breves notas sobre José Artur Paiva Nasceu no Porto, licenciou-se na FMUP, onde é professor associado convidado desde 2005, e fez a sua formação em Medicina Interna no São João e a formação em Medicina Intensiva no Guy’s Hospital, em Londres, integrando a Medicina Intensiva do São João em 1997. Em 2013, tornou-se o primeiro diretor do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos, cargo que voltou

Uma equipa de profissionais “muito dotados” O diretor do Serviço de Medicina Intensiva do CHUSJ considera que (Continua na pág. 30)

de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, afirma que “é preciso nunca mais sermos apanhados no momento em que estávamos em janeiro/fevereiro de 2020. Tínhamos um atraso histórico em termos do número de camas de Medicina Intensiva – 6.2 por 100 mil habitantes – e um total de intensivistas ativos muito abaixo da-

a assumir em março de 2020. Entre 2016 e 2019, foi diretor clínico do CHUSJ. Anteriormente, já tinha sido diretor da UAG de Urgência e Medicina Intensiva e do Serviço de Urgência. Em 2009 tornara-se diretor do Serviço de Medicina Intensiva, cargo que voltou a assumir em 2019, depois da passagem pelo CA do CHUSJ. É presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva desde 2015, eleito seis meses antes da criação da especialidade e cumprindo atualmente o 3.º mandato. Tem 60 anos.

quilo que deveria ser, cerca de 300. Isto para não falar no enorme défice de enfermeiros, mais marcado que o de médicos”. “Esse momento levou à necessidade de uma resposta hiperaguda, extremamente cansativa e intensa”, sublinha, acrescentando que, “hoje em dia, nós estamos com 9 camas por 100 mil habitantes, e refiro-me a

lidade como as outras e que, como outras, to de abrigo’ para uma série de diferenciações” internato de formação específica, em 2016, e a entrada dos primeiros internos, nomeadamente no São João, a 1 de janeiro de 2017. “A nossa vontade não foi a extinção do trajeto que vem de outra especialidade para a Medicina Intensiva, mas sim a sua manutenção. Se bem que, na minha opinião, a formação de via clássica irá, provavelmente, extinguir-se progressivamente daqui a alguns anos”, afirma o médico,

deixando claro considerar “fundamental” na formação a passagem do interno pela Medicina Interna e pela Anestesiologia – um ano na primeira, seis meses na segunda. O intensivista é confrontado, no seu dia-a-dia, com uma variedade tão grande de doentes e de patologias que a formação do interno desta nova especialidade obriga a que passe pelo menos um ano num dos 9 serviços de Medicina Intensiva com

idoneidade formativa total, quando o seu internato decorre num dos 22 hospitais em que essa idoneidade é apenas parcial. De tanto que se empenhou na criação da especialidade, José Artur Paiva faz questão de dizer que “é uma honra enorme estar a viver este momento” e, sobretudo, “um orgulho muito grande constatar a evolução destes jovens”. Percebe-se a questão do “orgulho” depois de re-

cordar que, tendo visto esta geração de internos que está mais próximo do final da sua formação a chegar ao Serviço, perdeu-lhes um pouco o trajeto -- “o contacto tornou-se menos íntimo” – durante o período em que assumiu as funções de diretor clínico do CHUSJ e só aos fins de semana tinha disponibilidade para trabalhar no Serviço. Foi assim até regressar “a tempo inteiro”, em 2019: “Dei por mim a

concluir que tinham tido uma evolução extraordinária! Olho para eles agora e vejo-os claramente integrados na equipa, a falar, a pensar, a comunicar, a relacionar-se como intensivistas!” José Artur Paiva contava à Just News, no dia em que aconteceu esta conversa, que estava já combinado que os internos do 5.º ano (Continua na pág. 30)


30 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

(Continuação da pág. 29)

dispõe de “uma equipa de profissionais muito dotados, não só bastante sabedores e competentes, mas também muito empenhados, comprometidos, responsáveis e trabalhadores”. “Ciência e suor foram necessários para este combate que temos estado a travar e eu acho que é algo que está na nossa genética. Nós gostamos do que fazemos e fazemo-lo com empenho, com brio. Essa matriz dos profissionais é, pode-se

responder a complicações de AVC e traumas cranioencefálicos; e uma última unidade ligada à Urgência e ao então SO, mas em que havia também doentes ventilados. “Nesta pletora de unidades diferentes, se bem que as pessoas se falassem e convivessem, não havia um sentido sinérgico. O grande desafio ao longo da década de 90 foi coalescer estas unidades num Serviço de Medicina Intensiva, uma sinergia de complementaridades, o que se efetivou com a nomeação de um diretor e de um coordenador para

“Em 1998, passámos a ter sistematicamente no SU – mais precisamente na área vermelha do Serviço de Urgência, a Sala de Emergência, que recebe diretamente todos os casos graves – um intensivista, com colegas em formação e enfermeiros específicos para o doente crítico”, explica José Artur Paiva. A 1 de janeiro de 1999 era criada uma equipa de emergência interna, que acorria a qualquer local do hospital – das enfermarias às consultas externas – em que houvesse um caso de deterioração clínica, ou

Foto de grupo obtida numa das reuniões clínicas semanais do Serviço

um evento súbito, e que, sendo necessário, conduzia o doente para dentro do Serviço de Medicina Intensiva. “Finalmente, no início do século, percebemos que a gestão global do doente crítico funcionaria melhor se integrássemos os níveis de cuidados 2 e 3, o que acabou por nos dar uma plasticidade muito grande. Essa adaptabilidade permitiu-nos passar para nível 2 um doente que ainda dizer, um pedigree do Serviço”, afirma. José Artur Paiva recorda que, quando começou a sua carreira de médico, em 1984, havia no Hospital de São João uma unidade de reanimação respiratória gerida pela Anestesiologia; uma unidade de cirurgia programada ligada à Cirurgia Geral para pós-operatórios mais graves; outra de Neurologia e de Neurocirurgia para o mesmo fim e ainda para (Continuação da pág. 29)

Nuno Cruz Reis e Joana Fernandes seriam os protagonistas de uma das seguintes reuniões clínicas semanais do Serviço. O diretor pediu-lhes que abordassem o tema: “Sou quase intensivista.” Porquê? “Para eles fazerem uma apreciação do que tem sido o seu trajeto durante o internato, o que é importante sustentar e o que é preciso melhorar.” Depois de ultrapassado o último obstáculo – o exame final, em outubro –, Nuno Cruz Reis verá ser-lhe concedido o título de especialista em Medicina Intensiva antes de 2021 terminar. Ele e mais outros quatro colegas que têm cumprido o internato noutros hospitais portugueses. “Despacham-se” mais cedo porque “transitaram de outra especialidade”, explica José Artur Paiva, nomeadamente da Medicina Interna, como foi o caso do próprio Nuno Cruz Reis. Joana Fernandes terá de esperar por fevereiro ou março de 2022 para ser oficialmente especialista, depois

cada uma das unidades”, reporta o médico. De acordo com o seu relato, continuou-se numa “evolução funcional muito importante, que é perceber que UCI é um conceito geográfico – quatro paredes, porta, camas e profissionais –, mas que Serviço de Medicina Intensiva é um conceito fisiológico”. Isso levou a que fosse adotada no São João, desde muito cedo, uma política de outreach: de realizado o indispensável exame no final do ano. Dispersos por diferentes unidades hospitalares, estão nessa situação perto de três dezenas de internos. “Nesta altura, entram por ano cerca de 50 IFE de Medicina Intensiva e não sobram vagas. Há uma procura muito significativa dos jovens por esta especialidade”, observa o diretor do Serviço, que também é, note-se, presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos. Feitas as contas, em 2019 eram 133 os internos de Medicina Intensiva, agora são duas centenas. Só o ano passado entraram 55, mas este número não deverá aumentar porque “temos que manter a qualidade da formação”. Embora houvesse “mercado para mais”, tendo em conta o aumento registado no número de camas de UCI disponíveis. As unidades privadas também vão dando o seu contributo para esta expansão da Medicina Intensiva: “Há vários hospitais que estruturaram áreas

não está em condições de ir para a enfermaria, libertando uma cama de nível 3 e garantindo a redução progressiva de níveis de cuidados”, refere José Artur Paiva. Com a chegada do mês de maio de 2021 viveu-se um “momento histórico” no Serviço: todas as camas passaram a ter capacitação de nível 3. Na prática, isso significa que, agora, qualquer doente que passe para nível 2 não precisa de mudar de cama,


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SERVIÇO DE MEDICINA INTENSIVA DO CHUSJ Data de criação 4 abril 2006

Recursos Humanos (maio de 2021) Médicos seniores

40 Médicos internos

17 Enfermeiros

196 Assistentes operacionais

74 Assistentes técnicos

4 nem de equipa clínica. Definitivamente, não são as camas que são de níveis diferentes, mas sim os cuidados prestados! O diretor chama-lhe “um upgrade” do Serviço. E logo adianta que não foi o único “que fizemos neste trajeto de nadir pós-pandémico”, explicando: “Acentuámos um trajeto que já vínhamos a fazer, mas que agora tornámos estratégico. Todos têm consciência, e de uma

forma quase regulada, que a unidade funcional do piso 8 tem uma vocação claramente neurocrítica, o que, aliás, já estava estruturado, que a unidade funcional do piso 6 tem uma diferenciação cardiocrítica e ECMO e que a unidade funcional do piso 1 tem uma diferenciação para trauma grave.” “Com esta capacidade de nos sentirmos tão maduros, tão unidos, tão nucleares, percebemos que o desenvolvimento futuro vai passar pela permissão e incentivo desta especialização/diferenciação dentro da Medicina Intensiva, desde que não se perca a atividade nuclear”, afirma José Artur Paiva, prosseguindo: “Temos esta visão de que partimos de uma série de peças soltas para a aquisição de um Serviço e que agora, mantendo o núcleo, devemos estimular alguma diferenciação que possibilite uma referenciação da rede, sendo certo que muita dela de-

corre destas três matrizes diferenciadas que nós temos aqui.”

diferenciadas de cuidados e equipas que realmente têm formação, com recursos e equipamentos muito bons. A questão é que a casuística é bastante diferente, o doente com patologia médica e traumática não tem o mesmo peso...” Há um Serviço de Medicina Intensiva de instituição privada a que a Ordem dos Médicos já forneceu idoneidade formativa parcial – o Hospital da Luz Lisboa. No total, são 31 os serviços de Medicina Intensiva com capacidade formativa, 9 dos quais possuem idoneidade total. José Artur Paiva adianta que o objetivo da OM é que todos tenham, pelo menos, idoneidade parcial, havendo 11 que ainda não a têm, desde logo por causa da “casuística muito reduzida”. Entretanto, no Colégio da Especialidade, “estamos a trabalhar em algo inovador, que consiste na criação de centros de referência educacionais, tendo sido decidido propor ao Conselho Nacional Executivo da OM a criação, para já, de quatro áreas, sendo a Neurocrítica

uma delas”. Para o nosso entrevistado, será, assim, mais fácil para os internos identificar “os serviços que são muito bons em determinada especificidade”.

Menos open space, mais quartos de isolamento A pandemia de covid-19 veio mostrar ser necessário apostar mais em quartos de isolamento nos serviços de Medicina Intensiva. “À semelhança do que sucedia a nível nacional, nós tínhamos uma filosofia de organização de unidades intensivas em open space, o que favorecia imenso a visibilidade dos doentes, embora prejudicasse a sua privacidade. Esta, erradamente, não era muito valorizada porque, historicamente, considerava-se que os doentes de cuidados intensivos estariam pesadamente sedados”, observa José Artur Paiva, concluindo: “A pandemia trouxe-nos uma visão muito clara de que se trata de um erro. Temos que ter um equilí-

IFE de Medicina Intensiva Região Norte

70 Região Centro

23 Sul e Reg. Aut.

90 Total

183

brio entre quartos de isolamento e open space, tendo em conta que os doentes que vão ocupar as respetivas camas são diferentes.”

O Serviço de Medicina Intensiva do CHUSJ tem nesta altura 5 quartos de isolamento. A intervenção vai centrar-se sobretudo no piso 6 e deverá estar concluída antes do inverno. As atuais 22 camas da unidade do piso 6, uma das quais em isolamento, darão lugar a 30, com 10 delas em quartos de isolamento, “o que nos vai permitir aumentar a segurança de doentes e profissionais, melhorar o controlo e a prevenção da infeção e, sobretudo, dar uma superior proteção ambiental e aérea, porque todos esses quartos vão ter modulação de pressão.” Segundo José Artur Paiva, “a covid-19 trouxe-nos uma visão muito diferente da própria bioengenharia e bioarquitetura das unidades hospitalares”. E exemplifica: “Seria muito mais fácil, através de um vidro, eu registar o que se passa com um doente se os pendentes, em vez de estarem à cabeceira, estivessem aos seus pés, sem que fosse necessário entrar para a zona de transmissão aérea.” Duas soft skills fundamentais: comunicação e liderança José Artur Paiva tem como especialidade base a Medicina Interna e a seu lado há intensivistas com formação em Anestesiologia, em Cardiologia, em Doenças Infe(Continua na pág. 32)

NUNO CRUZ REIS, INTERNO DO 5.º ANO DE MEDICINA INTENSIVA:

“Acho que o São João é um excelente sítio para se fazer formação” Nascido em Vila Nova de Famalicão a 5 de julho de 1989, Nuno Cruz Reis ficará para sempre na história da novíssima especialidade de Medicina Intensiva ao ser um dos cinco primeiros internos em Portugal a concluir, em 2021, a sua formação nesta área e a ser aprovado (espera-se!) no exame final. No Hospital de São João será o único a obter, antes do final do ano, o título de especialista desta forma e não pela chamada via clássica, com formação prévia em Medicina Interna ou Anestesiologia, por exemplo. Em todo o caso, estes cinco médicos conseguiram antecipar-se a uma vintena de outros colegas porque já haviam concluído, pelo menos, o primeiro ano do internato de Medicina Interna, tendo-lhes sido concedida a equivalência para Medicina Intensiva. Nuno Cruz Reis confirmou à Just News que já tinha um ano e meio de formação específica, tempo mais do que suficiente para perceber que se sentia muito mais atraído pela atividade na Urgência, confrontado com o doente agudo, do que pela consulta externa, por exemplo. Com uma mãe farmacêutica hospitalar, o ambiente hospitalar não era propriamente estranho para si. Tirou o curso de Medicina na Covilhã, que terminou em 2014, fez o internato de ano comum no CHMA, esteve um ano como interno de Medicina Interna no CHUA

e acabou no Serviço de Medicina Intensiva do CHUSJ. “Acho que é um excelente sítio para se fazer formação, temos oportunidade de crescer dos pontos de vista científico e prático. Também fui aprendendo que a Medicina Intensiva cuida de doentes que estão frequentemente numa situação muito

delicada e que, por vezes, também é preciso reconhecer quando se deve parar e dar um fim digno às pessoas”, reconhece Nuno Cruz Reis. Vai agora “tentando estudar”, preparando-se para o exame final, que se deverá realizar por volta de outubro, devendo obter o título de especialista em Medicina Intensiva nas semanas subsequentes.


32 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

Sala de Emergência: um emblema do Serviço José Artur Paiva refere-se à Sala de Emergência dizendo ser “um emblema do Serviço”! E explica: “É um espaço vital para nós porque promove o encontro rápido e imediato entre o doente que fica crítico, ou que chega crítico à Urgência, com uma equipa de médicos e enfermeiros capaz de avaliar o problema.” “Essa presença da Medicina Intensiva na Sala de Emergência é um fator de melhoria de prognóstico e de resultado muito determinante. Identifica as disfunções orgânicas do doente, promove um workup de diagnóstico, lidera a discussão convergente com outras especialidades vitais à análise do caso e define o ní-

zou-se em Medicina Interna, tendo feito a sua formação no mesmo Serviço a que estava ligado José Artur Paiva, que foi, aliás, seu orientador. Mas dois anos após obter o título de especialista já estava nos CI, no piso 1. Depois de passar uma temporada de quase uma década no piso 6, regressou à Unidade mais dedicada ao trauma crítico e há 3 anos que coordena a Sala de Emergência.

(Continuação da pág. 31)

ciosas, em Nefrologia... “Temos um Serviço muito variado, mas o que nos aproximava na minha geração, naqueles que têm hoje cerca de 60 anos, era o gosto por alargar a fronteira da vida, pela tecnologia de suporte orgânico, por intervenções rápidas, muitas vezes invasivas, cateteres, drenos, intubações... E era a capacidade de, por vezes, sem uma informação total, tomar decisões rápidas e muito determinantes do prognóstico do doente. Isso é o que eu chamo de intensivista hard skills”, diz.

dades, que muitas vezes não são só diferentes como paradoxais, e definir a estratégia depois de as avaliar.” José Artur Paiva refere-se à comunicação entre colegas, “que é quase um princípio de exercício ético fundamental”, mas ela “também é absolutamente essencial com o doente”. E frisa: “Ele é sempre autónomo, esteja sedado ou não, mas, ao contrário de antigamente, em que a representação dos seus valores era muitas vezes dada apenas através da sua família, dos seus íntimos, atualmente, com as formas de sedação leve que temos, o doente participa muito mais

no início da formação específica. Mas foi quando passou pelos Cuidados Intensivos, no ano 2000, que decidiu o que queria vir a fazer no futuro. A ligação a José Artur Paiva já

vezes, de forma direta, na construção das suas escolhas.”

vinha do tempo do internato geral. “Desde 31 de dezembro de 2005 que estou na Medicina Intensiva”, refere José Manuel Pereira, esclarecendo que começou no piso 1, mas que depois esteve ligado, entre 2007 e 2017, a uma unidade polivalente que existia no piso 7. Assumiu o papel de coordenador na sequência do falecimento, por doença crónica, da anterior responsável, a intensivista Conceição Sousa Dias. “A minha formação em Medicina Interna foi fundamental para a formação em Medicina Intensiva”, assegura José Manuel Pereira, que nasceu no Porto a 25 de junho de 1970 e não tem qualquer dúvida em afirmar: “Identifico-me com o doente crítico e com toda a instabilidade que o caracteriza. E ter capacidade de decisão é fundamental na nossa atividade.” A Unidade que dirige tem-se mantido sempre como área não covid, “o que se traduziu numa necessidade de dar resposta a um grande volume de doentes, com um turnover extremamente elevado e um número muito reduzido de profissionais”. Mas, acrescenta, “foi bastante gratificante porque nunca qualquer doente foi prejudicado por não haver capacidade de resposta”. Quanto à criação da especialidade de Medicina Intensiva, José Manuel Pereira defende que foi um passo que era necessário dar “para prepararmos profissionais que vão

A Unidade do piso 1 (trauma crítico) tem um total de 18 médicos especialistas.

Margarida Rios

Margarida Rios: “Perante um quadro abdominal, é claro que chamo o cirurgião, mas, no fundo, sou eu que assumo o destino desse doente.” vel de cuidados de que ele necessita. Pode ir para a enfermaria? Precisa de nível 2 de cuidados? Necessita mesmo de nível 3? E assim define o fluxo do doente”, esclarece o diretor do Serviço de Medicina Intensiva do CHUSJ. José Manuel Pereira confirma que é, “sem dúvida alguma, um dos principais locais do Serviço onde se faz realmente a gestão do doente crítico”. E como a Sala de Emergência – que integra o espaço da Urgência – fica “mesmo ao lado” da Unidade que coordena, no piso 1, é dali que parte o apoio imediato quando as coisas se complicam de repente. Dispondo de 5 boxes assistenciais, a verdade é que neste espaço já foram observados 6 ou 7 doentes em simultâneo. Com capacidade para oferecer suporte ventilatório, seja de uma forma invasiva ou não, existem todas as condições para iniciar os cuidados necessários a um doente crítico, não faltando sequer um aparelho de ECMO. Margarida Rios, que fará 56 anos agora no início de agosto, especiali-

“Os critérios de admissão são flexíveis. De acordo com a triagem de Manchester, são sempre os doentes triados como vermelhos, os mais graves, que entram diretamente na Sala de Emergência. Outros passam a estar sob a nossa responsabilidade quando, enquanto estão na Urgência, veem o seu estado agravar-se, ou por terem necessidade de alguma intervenção mais invasiva”, esclarece Margarida Rios. A intensivista salienta que, “como somos parte do Serviço de Medicina Intensiva, também a interação com a entrada de um doente numa UCI é mais fluida e facilitada porque temos a mesma forma de trabalhar e de tratar o doente crítico”. Sob a sua alçada está igualmente a denominada Equipa de Ressuscitação Intra-hospitalar, formada por um enfermeiro com diferenciação em ressuscitação e suporte avançado de vida e um médico de alguma das três UCI. Esta intervenção de emergência interna é ativada quando há uma situação de agravamento no estado de um doente internado, ou no caso de uma intercorrência grave. “Numa situação de paragem cardiorrespiratória, o doente é reanimado e depois, de acordo com a situação, decide-se se vai para uma das UCI, se é encaminhado para o Bloco, ou se vem para a Emergência”, exemplifica Margarida Rios.

“No currículo formativo que criámos para o internato de FE de Medicina Intensiva faz parte do acervo um curso de comunicação e liderança”, destaca José Artur Paiva. Mas as coisas foram evoluindo, a Medicina Intensiva do CHUSJ “saiu para fora das suas ‘quatro paredes’ e começou a participar em processos assistenciais que integram outros serviços do hospital. Isso fez com que o intensivista tivesse que desenvolver muito as suas soft skills, duas delas fundamentais, comunicação e liderança”. O nosso entrevistado explica: “Liderança não no sentido de chefia, mas de capacidade de funcionar como provedor do doente que está a seu cargo, fazendo convergir para si as opiniões das várias especiali-

José Manuel Pereira: “A minha formação em Medicina Interna foi fundamental” Por volta dos seus 14/15 anos, o coordenador da Unidade localizada no piso 1 queria ser médico e futebolista, mas a influência familiar levou-o a concentrar-se no curso de Medicina, que fez entre

José Manuel Pereira

1988 e 1994, a que se seguiu todo o internato, cumprido no HSJ. Podia ser hoje gastrenterologista, mas diz que adorou a Medicina Interna logo


Maio/Junho 2021 Hospital Público ■ 33

Roberto Roncon: “Todos os doentes covid-19 tratados com ECMO no CHUSJ foram-no na Unidade do piso 6 e com resultados positivos.”

ter uma formação de base já dirigida para aquilo que é prestar cuidados ao doente crítico”. José Cerqueira: “Esta é uma área muito específica para a enfermagem” Natural de Lousada, o enfermeiro-chefe José Cerqueira iniciou o seu percurso em 1986 e considera que para se ser enfermeiro “é necessário gostar de pessoas”. Diz mesmo que é “condição essencial”. No seu entender, “a enfermagem constitui-se como ciência e arte do cuidado humano. Se desumanizada, definhará e deixará de ser o que é, já que “fazer cuidados” não é a mesma coisa que “prestar cuidados” de enfermagem. O São João tem sido o seu hospital e os Cuidados Intensivos a área a que se dedicou, já lá vão 35 anos, a maior parte deste tempo naquela que era, na altura em que lá deu entrada – faz questão de sublinhar –, a única UCI Polivalente da instituição, denominada de Reanimação Respiratória, com 8 camas e gerida pelo Serviço de Anestesiologia. Da mesma forma, salienta “o privilégio de testemunhar e participar, nas últimas décadas, no desenvolvimento dos Cuidados Intensivos, materializados hoje no Serviço de Medicina Intensiva do CHUSJ. Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, José Cerqueira é um dos dois enfermeiros gestores da

Unidade do piso 1, a que se encontra ligado há 8 anos. No total, são 54 os profissionais que integram a ala A. Considera que “esta é uma área muito própria, muito específica” para a enfermagem: “Pela complexidade e elevada rotação de doentes em estado grave, pela tecnologia avançada e rigor de execução, pela imprevisibilidade do ambiente, pelo contacto frequente com a morte e os problemas éticos envolvidos e também pelos conflitos interdisciplinares, porque só se trabalha com sucesso nesta área em equipa e não existe equipa sem que todos os grupos profissionais estejam orientados em direção a um objetivo comum.”

“Tudo isto é muito exigente física e emocionalmente e a enfermagem de Cuidados Intensivos é mais do que um corpo de conhecimentos científicos, é também a socialização dos seus membros, que têm que incorporar qualidades dinâmicas que são específicas da profissão. As exigências do trabalho na UCI apontam para enfermeiros cada vez mais qualificados, capazes de se integrarem em processos de melhoria e formação constantes, onde o domínio das novas tecnologias, a participação e autonomia são traços fundamentais para o cuidado centralizado no doente crítico. Aliás, os enfermeiros de CI criaram, ao longo dos anos, uma performance e um sentido de orgulho muito próprios e muito especiais, que nos caracterizam efetivamente”, garante José Cerqueira. A importância da comunicação também é, para si, indiscutível: “Uma das particularidades desta área tem que ver com as dificuldades que os doentes têm normalmente em comunicar, sendo necessário que o enfermeiro desenvolva competências de comunicação para ultrapassar essa barreira. Também o acompanhamento das famílias/pessoas com significado para os doentes é foco de intervenção dos enfermeiros, que se define desde o primeiro momento e se constrói a partir dele.” Embora os anos de experiência lhe permitam olhar para as situações do dia-a-dia com mais tranquilidade, admite não conseguir ficar imune à vulnerabilidade e fragilidade da pessoa em estado crítico. “Temos os nossos mecanismos de defesa, mas não deixamos de ter compaixão pelo outro, ou seja, mantemos o impulso de mitigar a dor do outro, de agir para ajudar, ainda assim, evitando ficar sobrecarregados ou submersos na situação do outro”, conclui José Cerqueira. Roberto Roncon: “Os serviços não podem estar centrados nas especialidades, mas sim no tratamento dos doentes”

José Cerqueira

Não é muito difícil entender a razão pela qual foi entregue a Roberto Roncon a coordenação da Unidade que o Serviço de Medicina Intensiva tem no piso 6 do São João. Responsá-

vel pela implementação da técnica de oxigenação por membrana extracorporal (ECMO) no CHUSJ, foi com naturalidade que surgiu o convite para coordenar o respetivo Centro de Referência. Tendo em conta que a técnica de ECMO se aplica essencialmente aos doentes cardiovasculares e respiratórios críticos, percebe-se que o CR esteja fisicamente localizado nesta UCI, desde há cerca de 3 anos. O médico admite que “aquilo que aconteceu no último ano, o tipo de intensidade, o stress e a sobrecarga a que fomos submetidos, é difícil de sustentar no tempo, com o elevado número de casos muito graves e em simultâneo que tivemos que tratar e com uma doença desconhecida para nós”. Natural do Porto e filho de um cirurgião, Roberto Roncon, 43 anos, descobriu o interesse pela Medicina Intensiva durante o internato de Medicina Interna. Cedo se dedicou à investigação científica, tendo-se doutorado antes mesmo de se tornar especialista. Hoje, para além de internista, também é intensivista.

Roberto Roncon

“Nós não precisamos de especialistas, mas sim de médicos que saibam tratar os doentes de hoje. As especialidades são as ferramentas que nos permitem chegar a isso”, afirma Roberto Roncon. “Eu não queria dedicar-me a uma área demasiado específica e vi na Medicina Interna essa possibilidade de ter uma formação abrangente e, ao

LILIANA DE CASTRO COSTA, INTERNA DO 3.º ANO DE MEDICINA INTENSIVA:

“Este Serviço é um local extremamente organizado” O percurso de Liliana de Castro Costa, 30 anos feitos em abril, é fácil de descrever. Nasceu no Porto (Campanhã), estudou Medicina na FMUP, curso que concluiu em 2015, fez o ano comum em Évora e depois rumou a Penafiel (CHTS), decidida a um dia ser internista.

Um pouco mais de um ano depois foi obrigada a reconhecer que o internato “não estava a corresponder às expectativas”. Já com uma noção do que era a Medicina Intensiva, repetiu o exame, aproveitou a equivalência do ano que passou na Medicina Interna e ainda teve de esperar um ano para poder concorrer à nova especialidade. Começou em janeiro de 2020 a sua formação no Serviço de José Artur Paiva, mas entrando diretamente para o estágio de Anestesiologia, marcado pelo surgir da covid-19. Referindo-se ao Serviço que a acolheu, considera ser “um local extremamente organizado, em que há sempre uma preocupação com a formação dos internos, fazendo-nos sentir bastante bem e acarinhados”. mesmo tempo, profunda em muitas áreas da Medicina. Eu diria que o denominador comum entre aquela especialidade e a Medicina Intensiva é olharem para o doente como um todo e considerarem que a abordagem sistémica é uma mais-valia para o tratamento do doente. Claro que se nós olharmos para o sistémico e não para o particular, pode-nos estar a escapar o essencial, por isso é que são áreas muito exigentes. O sistémico não pode esquecer o específico”, adverte Robert Roncon, acrescentando: “Acima de tudo, eu tenho uma visão da formação médica pós-graduada dinâmica, ou seja, revejo-me muito nos modelos que estão em vigor em (Continua na pág. 34)


34 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

(Continuação da pág. 33)

países como a Alemanha e o Reino Unido, em que há uma maior responsabilização do médico para a escolha do seu percurso. Ou seja, nós temos que pensar cada vez menos em especialidades muito específicas e mais em currículos e em competências.” Para Roberto Roncon, “é óbvio que as especialidades médicas são importantes, temos que ter uma base de formação, mas depois não nos podemos esquecer que, no final do dia, aquela tem que estar centrada naquilo que são as necessidades dos doentes. E os próprios serviços não podem estar centrados nas especialidades, mas sim no tratamento dos doentes. Até porque eu acho que, hoje em dia, é quase impossível tratar uma doença grave sem recurso a várias especialidades médicas”. O coordenador da Unidade de Cardiocríticos informa que as obras que ali vão decorrer durante o verão e o outono vão aumentar em perto de 30% o número de camas e duplicar a área da Unidade. E deixa um alerta: “A Medicina Intensiva está a começar, está a crescer como especialidade primária. Existem poucos países no mundo onde isso acontece e acho que vai ter que fazer um grande esforço de atualização para que consiga ser, de facto, uma mais-valia para os doentes, que é isso que nos interessa.” Rosa Moreira: “Cada vez que sai um enfermeiro perde-se um conhecimento vital e a equipa fica mais pobre” Rosa Moreira, 47 anos, acabou de chegar à Unidade, coordenada por Roberto Roncon, dia 15 de abril, para assumir as mesmas funções que tinha

nos Neurocríticos, no piso 8: enfermeira especialista em funções de chefia. A justificação para a mudança centrou-se na necessidade de alguém com muita experiência em CI para acompanhar o processo de ampliação e reconfiguração da Unidade MI 6 B. Realmente, experiência não lhe falta, senão veja-se: começou por tra-

Rosa Moreira

balhar na UCI do piso 1, em 1995; em 2013, subiu ao piso 6, ficando responsável pela então UCI Polivalente Geral, que corresponde à atual Ala A do SMI 6 (atualmente, com doentes em ECMO não covid); em 2016, foi chefiar o SMI 8 Neurocríticos, no 8.º piso, onde exerceu funções durante 5 anos. “A experiência foi, de facto, enriquecedora, conheço imensas pessoas, e diferentes formas de trabalhar, até porque cada unidade tem a sua própria cultura. Contudo, apesar de terem raízes diferentes, cada vez mais atuam com processos cooperativos e programas assistenciais mais

integrados, para que o doente beneficie com tudo isso. O projeto e a missão do serviço são centrados no doente crítico, procurando responder às suas necessidades e expectativas com competência, rigor e humanismo, envolvendo a família/pessoa significativa”, afirma Rosa Moreira. A movimentação de enfermeiros, com saídas e entradas, é uma constante. “A rotatividade tem vantagens, mas se não for em excesso, pois, dessa forma, torna-se prejudicial à qualidade e segurança dos cuidados”, garante, prosseguindo: “É um problema. Penso que as pessoas deviam ser valorizadas por trabalharem numa área diferenciada, sendo preciso encontrar alguns mecanismos que levem à sua fixação. Até porque a formação de um enfermeiro nesta área está muito vinculada com a

Na altura desta reportagem, no início de maio, o doente covid há mais tempo no mundo em ECMO (182 dias) – de 68 anos, consciente, mas com prognóstico muito reservado – estava internado na Ala B da UCI do piso 6.

experiência do dia-a-dia. Cada vez que sai alguém perde-se um conhecimento vital e a equipa fica mais pobre. Penso que o sucesso deve estar na procura do equilíbrio entre a necessidade de rentabilizar os recursos humanos e a sua adequação, em qualidade e número, à missão do Serviço.” Rosa Moreira, que é especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, diz que esta é uma das especialidades mais próxima da Medicina Intensiva, mas logo acrescenta que as habilitações não são suficientes para desempenhar funções numa UCI: “É preciso conhecimento na ação, ou seja, competência. Há situações muito próprias e complexas, sendo necessário crescer dentro dos contextos clínicos. Eu diria que um enfermeiro leva 3 anos, no mínimo, para estar competente nesta área e prosseguir a sua formação contínua ao longo da vida.” Quanto ao último ano, dominado pela pandemia, “foi extremamente in-

Uma Nova

Celeste Dias

Coord. da Unidade de Neurocríticos entre 1999 e 2019. Coord. da Formação do Serviço de Medicina Intensiva do CHUSJ. Prof.ª auxiliar convidada da FMUP

JOANA FERNANDES, INTERNA DO 5.º ANO E PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE INTERNOS DE MEDICINA INTENSIVA:

“Todos os internos do país caminham a par connosco e tem sido muito positivo” Joana Fernandes está prestes a terminar o seu mandato de 2 anos como presidente da Associação de Internos de Medicina Intensiva. Ela foi um dos cerca de duas dezenas de elementos fundadores da AIMINT, oficialmente criada em novembro de 2019. De acordo com os estatutos, os internos são automaticamente associados – os números disponíveis indicam que serão 183. “Todos os internos do país caminham muito a par connosco e tem sido muito positivo. Temos realizado algumas iniciativas, nomeadamente em termos formativos, e procurado identificar algumas desigualdades a esse nível”, explica a presidente da AIMINT. Joana Fernandes recorda que

Realizar-se-á a 22-23 outubro de 2021 o 1.º Encontro Nacional de Internos de Medicina Intensiva.

foi um dos 26 médicos que, a nível nacional, começaram o internato da especialidade de Medicina Intensiva em janeiro de 2017. Ao contrário do seu colega Nuno Cruz Reis, que nessa altura já tinha concluído o 1.º ano do internato de Medicina Interna, terminando assim a formação mais cedo, no seu caso, só acaba em de-

zembro, devendo fazer o exame final entre março e abril de 2022. É a única nessa situação no CHUSJ. Natural de Lamego, onde nasceu a 26 de junho de 1990, é filha e sobrinha de enfermeiros e recorda

que ela e o irmão passavam muito tempo no pequeno hospital local, onde o pai e a mãe trabalhavam. Desde pequena que queria ser médica. Fez o curso em Coimbra e o ano comum em Vila Nova de Gaia, antes de rumar ao São João. Diz que escolheu este hospital de forma consciente. “Felizmente, tive essa oportunidade”, sublinha. O objetivo inicial era fazer o internato de Medicina Interna e depois obter a subespecialidade de Medicina Intensiva, mas em abril de 2016 chegou a notícia: tinha sido aprovada a especialidade. Em junho, Joana Fernandes fez a sua escolha. Afirma terem sido vários os fatores que a levaram a querer ser intensivista, identificando imediatamente dois: a adrenalina de lidar com o doente crítico e também a circunstância de ser muito polivalente. “O que me fascina na Medicina Intensiva é esta pluridisciplinaridade que também encontrava na Medicina Interna, mas com a vertente mais crítica do doente”, resume. Joana Fernandes admite identificar-se mais com a patologia neurocrítica e reconhece que a prática desta especialidade continua a proporcionar-lhe “uma descoberta diária”.

José Artur Paiva, o diretor, com boa parte dos 15 internos do Serviço de Medicina

tenso, uma carga de trabalho elevadíssima e com muita plasticidade exigida aos profissionais de saúde”. No entanto, “como passámos por situações de enorme complexidade, acabámos por revelar o melhor de cada um de nós e por ficar com uma união entre os elementos da equipa que é indescritível. Só quem viveu e sentiu é que consegue perceber do que estou a falar. Tenho muito orgulho em pertencer a esta instituição e ao Serviço de Medicina Intensiva, pela forma como geriu todo este processo. O suporte e o acompanhamento foram uma constante e a nossa resposta conjunta foi notável, sinérgica, em que enalteço o espírito de superação, com uma enorme capacidade adaptativa e de resiliência.

da no Centro de Ambulatório desde 2008. Tem 2 períodos semanais, num total de dezasseis horas. Com a pandemia covid-19, tem sido assegurada, maioritariamente, de forma não presencial. Tem como objetivos primordiais a avaliação das sequelas decorrentes da doença crítica e do

Isabel Coimbra: “O tempo de Consulta de Follow-up em Medicina Intensiva é insuficiente para tantos sobreviventes” A Consulta de Follow-up do Serviço de Medicina Intensiva do CHUSJ está implementada e integra-

Isabel Coimbra


Maio/Junho 2021 Hospital Público ■ 35

Medicina Intensiva A formação em Medicina Intensiva em Portugal tem vindo a sofrer modificações ao longo dos anos. Os primeiros médicos a praticar a Medicina Intensiva eram maioritariamente anestesiologistas, internistas e pneumologistas com especial interesse pela insuficiência respiratória aguda. A Escola de Medicina Intensiva foi crescendo, surgindo o Ciclo de Estudos Especiais. Contudo, o número de vagas era muito inferior às necessidades e havia muitos médicos que, entretanto, praticavam de forma regular cuidados intensivos, sem reconhecimento formal. Na década de 90, a Ordem dos Médicos definiu a formação específica com avaliação nacional, surgindo assim a Subespecialidade para os médicos que tinham uma Especiali-

dade afiliada e praticavam durante dois anos consecutivos cuidados intensivos em hospitais com idoneidade. No entanto, esta via de acesso à Medicina Intensiva continuava a ter constrangimentos de acesso e equidade. Por outro lado, a área de conhecimento da Medicina Intensiva alarga-se e expande-se para fora da UCI, prestando serviço em diferentes frentes hospitalares, como a organização de equipas de Emergência Interna e Externa, ou a Consultadoria e participação em comissões hospitalares como a de Farmácia e Terapêutica e a de Controlo de Infeção. Surge então o desafio: “porque é que a Medicina Intensiva não há de ser uma Especialidade com identidade própria?”

Claro que o processo de criar uma nova Especialidade é sempre muito turbulento, dado que cria um novo paradigma e se exige que esse paradigma não apresente quebras de qualidade em relação ao anterior. Por isso, sempre surgirão as vozes adamastorianas que, com pessimismo, preveem o pior. Contudo, a mais-valia da independência de uma Especialidade, a possibilidade de projetar a nível nacional um quadro de vagas adequado às necessidades, com equidade no acesso por jovens médicos e a aposta na capacidade formativa dos serviços de Medicina Intensiva, eram objetivos demasiados fortes que fizeram crescer e afirmar o desafio. Num contexto nacional médico de pouca moderação e tranquilidade relativamente à independência da Medicina intensiva, nasceu mesmo assim, a tão ansiada Especialidade, definida na Portaria n.º 103/2016 e que está atualmente a libertar os primeiros internos como Especialistas. Para qualquer serviço médico, os internos trazem não só a alegria e a força da juventude, mas também o desejo de melhoria e a esperança da renovação, dando continuidade às gerações mais velhas. Devem, por isso, ser acarinhados e simultaneamente estimulados, para que a aprendizagem de uma nova Especialidade aconteça num ambiente de permanente desafio intelectual e competição saudável. A formação de jovens médicos numa Especialidade é sempre um processo exigente. Para a Medicina Intensiva, este desafio está a ser duplamente exigente e de grande responsabilidade. Por um lado, nenhum serviço tinha a experiência de

formar jovens licenciados e, por outro, o termo de comparação formativo é injusto, ao ser efetuado com o modelo de formação de Subespecialidade de médicos já especialistas. Assim, o percurso dos primeiros cinco anos não se previa fácil, nem para os internos, nem para os especialistas responsáveis pela formação, à procura dos melhores modelos pedagógicos práticos e teóricos.

Os internos trazem não só a alegria e a força da juventude, mas também o desejo de melhoria e a esperança da renovação, dando continuidade às gerações mais velhas. Estávamos ainda longe de adivinhar que seríamos atropelados pela pandemia covid-19, dada a exigência que foi colocada aos sistemas de Saúde a nível mundial e, sobretudo, à Medicina Intensiva. Todos os internos foram imprescindíveis para ajudar a vencer a batalha, estivessem na linha da frente ou na retaguarda. A “dor de crescimento” foi imensa, mas a experiência altamente enriquecedora, dado o muito volume de

Intensiva do CHUSJ

suporte artificial de órgãos e ainda a qualidade de vida dos sobreviventes. É coordenada por Isabel Coimbra, médica intensivista do SMI, que trabalha na Unidade de Neurocritícos, no piso 8. A primeira avaliação em Consulta ocorre 1 a 3 meses após transferência para o domicílio. O percurso dos doentes após alta do SMI é muito variável, dependente do tempo de internamento hospitalar e da necessidade ou não de recorrerem à

Rede de Cuidados Continuados e/ou a um Centro de Reabilitação. Assim, até chegarem ao domicílio, podem passar dias, meses ou até um ano, continuando muitos sobreviventes a necessitar de reabilitação e de outros cuidados de saúde. “Fazemos uma avaliação neurocognitiva e funcional com recurso a exames subsidiários, aconselhamos e, quando necessário, também encaminhamos para outras especialidades”, explica Isabel Coimbra,

Solução integrada de monitorização para cuidados intensivos www.clinifar.pt

salientando que há sobreviventes e familiares “perdidos”, com falta de apoio em várias áreas. Com esta perceção abrangente, a Consulta é uma “mais-valia”. A médica acrescenta que

“o investimento no internamento é muito grande e deve ser monitorizado em follow-up de forma global”. Também por isso, defende uma relação estreita com os Cuidados de

trabalho de alta exigência clínica e humana. Claro que projetos e etapas predefinidos tiveram de ser reavaliados, estágios foram adiados e remarcados e os “medos e ansiedade” de lidar com o doente crítico tiveram de ser mais rapidamente enfrentados. Felizmente, a normalidade formativa tem vindo a regressar e estamos, em conjunto, a tentar recuperar. Os internos de Medicina Intensiva do CHUSJ que estão prestes a titular são dois jovens que são um exemplo de dedicação, de esforço, de vontade de aprender mais e consciência de partilha das suas angústias e dúvidas, para que as suas decisões sejam suportadas de uma forma segura e tranquila. Acho que, com estes dois exemplos e com os já 15 novos internos do Serviço, podemos ficar seguros de que o caminho que juntos estamos a trilhar é positivo e conduzirá a uma Nova Medicina Intensiva. O futuro da Medicina Intensiva é certamente de crescimento e, eventualmente, com o aparecimento de áreas de competência e até subespecialidades. Na realidade, a nível internacional, o neurointensivismo é uma das áreas que se planta na primeira linha como uma possível subespecialidade. Contudo, a abordagem e tratamento do doente crítico é uma tarefa de alta complexidade que exige o domínio de todas as áreas da Medicina Intensiva de forma sólida e segura. Costumo dizer que a minha medida estatística preferencial não é a média, mas sim a variância. É bom sermos médios a tudo, mas um Serviço, para ter diferenciação, necessita ter “craques”. Saúde Primários, pois, “são estes colegas que depois vão seguir os nossos sobreviventes na respetiva área de residência”. Por ano, em média, há mais de 1500 doentes com internamento superior a três/cinco dias no SMI, sendo a taxa de sobrevivência aos 6 meses superior a 60%. “O tempo de Consulta é insuficiente para avaliar todos os sobreviventes”, assegura. A médica, que trabalha no CHUSJ desde 1986 e em dedicação exclusiva no SMI desde 1999, acredita que, num futuro próximo, o Serviço pode redimensionar a gestão dos recursos humanos com os novos especialistas em Medicina Intensiva e alargar a sua capacidade assistencial na Consulta. “Neste momento, posso dizer, com muito orgulho e satisfação, que já temos internos com formação, autonomia e interesse nesta área”, conclui Isabel Coimbra.

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36 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

Em Viseu, equipa do hospital vai aos CSP ver doentes com diabetes O PLANO É SAIR DO HOSPITAL E IR AO ENCONTRO DA POPULAÇÃO COM DIABETES, ESTABELECENDO “POLOS DE CONSULTA” EM VÁRIOS LOCAIS DO ACES DÃO-LAFÕES. A MÉDICA EDITE NASCIMENTO É A IMPULSIONADORA DO PROJETO.

E

m consequência da pandemia, a lista de espera para primeira consulta de diabetes no CH Tondela-Viseu ultrapassou as duas centenas de utentes. O número nunca tinha sido tão elevado, o que deixou preocupada Edite Nascimento, coordenadora da Unidade de Diabetes do Serviço de Medicina Interna. Perante este cenário, procurou reunir as condições para pôr em prática algo que já fazia antes, mas não de forma consistente: ir ao encontro dos utentes, liderando uma equipa multidisciplinar, e atendê-los muito perto do local onde residem. Um dos grandes objetivos deste projeto consiste, de facto, em facilitar o acesso das pessoas com diabetes ao especialista hospitalar, normalmente referenciadas pelo seu médico de família. Seja em situação de primeira consulta ou quando se impõe o acompanhamento por um especialista em diabetes, como é o caso de Edite Nascimento, uma internista que há muitos anos se dedica a esta doença. A população servida pelo CHTS é em boa parte rural, com dificuldades acrescidas para ir a uma consulta a Viseu, o que pode obrigar a percorrer distâncias de algumas dezenas de quilómetros. Assim, com esta iniciativa, são os profissionais do Hospital de São Teotónio que se deslocam para examinar os doentes, pretendendo-se, no futuro, abranger outras zonas do distrito. Na fase atual, a “preocupação maior” é chegar próximo de quem aguarda a primeira consulta, mas a coordenadora da Unidade de Diabetes sublinha que não é suposto as coisas ficarem por aí: “Ou marcamos

novamente para nós, se precisarmos de ver o doente outra vez, ou então para o médico de família, se tivermos a situação orientada.” “Estreitar a ligação com os centros de saúde” Edite Nascimento, 56 anos, afirma que procurou sempre “estreitar a ligação com os centros de saúde, porque é aí que grande parte das pessoas com diabetes é seguida”. Na sua visão, os CSP devem permitir-lhes uma “melhor acessibilidade”, para que, por exemplo, só sintam necessidade de procurar o Serviço de Urgência como

“último recurso”. Para além de que mais de um milhão de portugueses tem a doença, portanto, “não podem, nem devem” todos eles estar a ser acompanhados no hospital. Outro motivo para que este projeto tivesse avançado nos últimos tempos teve que ver com um problema de espaço físico. Na altura em que surgiu a covid, os casos de infeção

começaram a ser internados no mesmo piso onde se situava a Unidade de Diabetes, o que fez com que esta tivesse que ser deslocalizada para um espaço muito mais pequeno, na área das consultas externas, “não permitindo dar a resposta adequada”. A internista, que também é coordenadora adjunta do Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, já anteriormente tinha passado por esta experiência de atender doentes com diabetes no CS, tendo-a consi-

derado “muito gratificante”. E não vai sozinha – acompanham-na uma enfermeira e uma nutricionista, o próprio diretor do Serviço de Cirurgia Vascular do CHTV e ainda um técnico da mesma área. Numa fase inicial, Edite Nascimento e a sua equipa têm sido acolhidos no CS de Vouzela, a uns 30 quilómetros de Viseu, onde lhes têm sido disponibilizadas as condições necessárias para atenderem utentes de diferentes unidades de saúde da zona. Nos dias previamente agenda-

Edite Nascimento espera vir a conseguir envolver no projeto, até ao final do ano, mais profissionais do hospital, abrangendo, assim, mais utentes.

Notícia .pt

Filipa Paraíso (enfermeira), Paula Almeida (nutricionista), Luís Ferreira (cardiopneumologista), António Simões (diretor do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular) e Edite Nascimento

dos, o grupo deixa o Hospital São Teotónio ao princípio da manhã, fazendo-se transportar numa viatura disponibilizada para o efeito pelo CA do CHTV, que desde o primeiro momento demonstrou todo o seu apoio à iniciativa. A médica diz querer estender o projeto “a oito ou nove polos” e passar em cada um deles de três em três meses, “porque é a periodicidade que as consultas devem ter”. Mangualde, Penalva do Castelo, Nelas e Castro Daire são alguns dos pontos do distrito tidos em conta.

CHUSJ implanta dispositivo que revoluciona a personalização da estimulação cerebral profunda

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São João foi o primeiro hospital em Portugal a implantar um dispositivo médico que promete revolucionar a personalização da terapia de estimulação cerebral profunda (DBS) nas doenças do movimento, como a doença de Parkinson e a epilepsia. A intervenção realizou-se dia 6 de abril. Rui Vaz, diretor do Serviço de Neurocirurgia e responsável por este procedimento, explica que “este novo sistema de elétrodo direcional, que surge para dar resposta às necessidades dos médicos e doentes, permite melhorar a deteção de potenciais campos locais, enquanto oferece uma estimulação direcional, fornecendo dados individualizados e específicos sobre o doente. Desta forma, e juntamente com as

funcionalidades de programação adicionais de que o dispositivo dispõe, é possível realizar um tratamento personalizado e mais centrado no doente”. O CHUSJ é, assim, a terceira instituição no mundo a implantar este dispositivo. Até ao momento, ele foi apenas realizado no Hospital Universitário de Würzburg, na Alemanha, e no Hospital Universitário Grenoble Alpes, em França. A tecnologia está ainda a ser avaliada pela FDA para ser lançada nos EUA, o que significa que a Europa foi pioneira na utilização desta tecnologia inovadora. O desafio da estimulação cerebral profunda prende-se precisamente com o fornecimento de estimulação numa região muito pequena do cérebro, apenas nos momentos nos quais os sintomas va-

Rui Vaz

riáveis requerem tratamento. O uso deste dispositivo, compatível com determinados neuroestimuladores, resultará em melhorias significativas na administração precisa de estimulação, na simplificação do procedimento cirúrgico e na recolha de dados para uma programação mais eficiente e informada. Cada movimento do corpo implica uma interação complexa entre o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), os nervos e os músculos. A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum depois da doença de Alzheimer e afeta cerca de 20 mil portugueses. Resulta da redução dos níveis de dopamina, uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos cen-

tros que comandam os movimentos. Esta é uma doença com uma sintomatologia muito alargada e que varia bastante entre os doentes. Muitos dos sintomas envolvem a capacidade de controlar os músculos e o movimento, havendo quatro sintomas que se destacam: lentidão de movimentos, rigidez muscular, tremor e alterações da postura. “É com grande expectativa que o CHSJ introduz em Portugal uma inovação tecnológica que vai acrescentar qualidade de vida a muitas pessoas que vivem com doenças do movimento e epilepsia, sobretudo num ano como este, tão desafiante para os hospitais portugueses, devido à sobrecarga que pandemia da covid-19 acabou por trazer a todos os serviços”, reforça Rui Vaz.


Maio/Junho 2021 Hospital Público ■ 37

Enfermeiro com “papel de catalisador” no rastreio do cancro do colo do útero

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ara assinalar o Dia Internacional da Mulher, o Hospital Garcia de Orta realizou um webinar sobre “Saúde da Mulher – O papel dos rastreios na promoção da saúde da Mulher”. A responsável pela iniciativa foi a enfermeira Vânia Leitão, especialista em Saúde Materna e Obstétrica da Consulta de Enfermagem de Saúde da Mulher do HGO, que sublinhou a necessidade de se investir “sempre numa abordagem multidisciplinar” e apostar numa “relação de proximidade” com as utentes na luta contra o cancro do colo do útero (CCU).

esta carga de ansiedade que tem imEssa é, assim, a principal missão pacto na sua saúde global.” da Consulta de Enfermagem da Saúde No entanto, “também é imprescindí- da Mulher, que integra o algoritmo do vel usar de um equilíbrio neste discurso, rastreio do CCU, desde que o HGO pois é crucial tranquilizar, mas em simul- passou a ser Centro de Referência tâneo responsabilizar/sensibilizar para a de Leitura de Testes HPV e Citologias importânciaAF_210x267_AD-Tenossis_28Abr'21.pdf da manutenção da vigilân- Reflexas Península de Setúbal, em 1 da 29/04/2021 06:43 cia e da adesão ao plano terapêutico”. 2018. “Tem sido, sem dúvida, uma

mais-valia para a qualidade assistencial, com ganhos efetivos para a saúde da mulher”, indica Vânia Leitão. No webinar, organizado pela Comissão de Humanização do HGO, Vânia Leitão foi a única preletora. Além do tema do CCU, houve ainda tempo para uma atividade online sobre

exercício físico no posto de trabalho, um pequeno momento de meditação (mindfulness) e uma sessão de homenagem a três colaboradoras do HGO, em destaque no livro SNS:40 anos ímpares - 40 mulheres notáveis, da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar.

Vânia Leitão

“É fundamental que a mulher seja informada e sensibilizada para manter a sua vigilância, dos 30 aos 65 anos, no Programa de Rastreios do Cancro do CCU, mesmo depois de já ter tratado alguma lesão”, diz Vânia Leitão. C

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A Enfermagem tem um papel-chave quando se trata de sensibilizar para a relevância do programa de rastreio do CCU. No entender de Vânia Leitão, “o enfermeiro tem um papel preponderante no incremento e incentivo na adesão ao rastreio, assim como na educação da mulher para a adoção de estilos de vida saudáveis. Assume, de facto, um papel de catalisador da mudança de comportamentos”. Mas, para o efeito, é necessário criar-se “uma relação de proximidade”, para que a mulher se sinta à vontade para esclarecer dúvidas: “É fundamental porque a infeção por HPV ainda tem associada dois estigmas: cancro e infeção sexualmente transmissível. É importante retirar

Tenossis 150 mg + 22400 U.I. comprimidos revestidos por película. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA. Cada comprimido revestido por película contém 150 mg de ácido ibandrónico (na forma de ibandronato de sódio mono-hidratado) e 22400 U.I. (560 µg) de colecalciferol. Cada comprimido contém 269,26 mg de lactose mono-hidratada. Este medicamento contém menos do que 1 mmol (23 mg) de sódio por comprimido revestido por película ou seja, é praticamente “isento de sódio”. FORMA FARMACÊUTICA. Comprimido revestido por película. Comprimidos revestidos por película brancos, oblongos e convexos. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS.Tenossis está indicado como terapêutica de substituição no tratamento da osteoporose pós-menopáusica, em mulheres com risco de insuficiência de vitamina D e risco aumentado de fratura e que se encontram medicadas com a administração concomitante, mensal, de ácido ibandrónico 150 mg e de colecalciferol 22400 U.I.. Foi demonstrada a redução do risco de fraturas vertebrais, a eficácia nas fraturas do colo do fémur não foi estabelecida. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO. Posologia: A dose recomendada é de um comprimido revestido por película uma vez por mês. O comprimido deverá ser tomado de preferência sempre no mesmo dia de cada mês. Tenossis deve ser tomado após o jejum noturno (de pelo menos 6 horas) e 1 hora antes da ingestão da primeira refeição ou bebida (se esta não for água) do dia ou de qualquer outro medicamento ou suplemento (incluindo cálcio), administrado por via oral. No caso de omissão de uma dose, os doentes devem ser instruídos a tomar um comprimido de Tenossis na manhã seguinte do dia em que se lembrarem, exceto se a dose seguinte estiver programada para daí a menos de 7 dias. Posteriormente, os doentes devem voltar a tomar o comprimido uma vez por mês, na data originalmente estabelecida para a administração. Se a dose seguinte estiver programada para um dos 7 dias seguintes os doentes deverão aguardar até ao dia originalmente estabelecido para a administração da dose seguinte e depois continuar a tomar o comprimido uma vez por mês, tal como anteriormente. Os doentes não devem tomar dois comprimidos na mesma semana. Na osteoporose, devido à natureza da doença, Tenossis está indicado para tratamento prolongado. Não foi estabelecida a duração adequada para o tratamento da osteoporose com bifosfonatos. A necessidade da continuação do tratamento deve ser reavaliada periodicamente de acordo com os benefícios e potenciais riscos de Tenossis em cada doente individualmente, particularmente após 5 ou mais anos de utilização. Populações especiais: Doentes com compromisso renal: Não é necessário ajuste da dose em doentes com compromisso renal ligeiro ou moderado, nos quais a taxa de filtração glomerular apresente um valor igual ou superior a 30 ml/min, devendo ser administrado com precaução. Tenossis não deve ser administrado em doentes com insuficiência renal grave (taxa de filtração glomerular inferior a 30 ml/min). Doentes com compromisso hepático: Não é necessário ajuste da dose. População idosa (> 65 anos): Não é necessário ajuste da dose. População pediátrica: Tenossis não se destina para utilização em doentes com menos de 18 anos de idade e não foi estudado na população pediátrica. Modo de administração: Para administração por via oral. - Os comprimidos devem ser deglutidos inteiros com o auxílio de um copo de água não gaseificada (180 a 240 ml) estando o doente sentado ou em pé, em posição vertical. Águas com uma elevada concentração de cálcio não devem ser utilizadas. Se houver preocupação quanto à existência de níveis de cálcio potencialmente elevados na água da torneira (água dura), recomenda-se usar água engarrafada com um baixo teor mineral. - Os doentes não devem deitar-se durante a hora que se segue à toma de Tenossis. A água é a única bebida que deve ser tomada com Tenossis. - Os doentes não devem mastigar nem chupar o comprimido devido ao potencial para ulceração orofaríngea. CONTRAINDICAÇÕES. Hipersensibilidade à substância ativa. Hipervitaminose D. Nefrolitíase. Doença ou condição resultante de alterações nas concentrações séricas de cálcio (hipocalcemia ou hipercalcemia) e/ou hipercalciúria. Insuficiência renal grave. Anomalias do esófago que atrasem o esvaziamento esofágico, tais como aperto ou acalasia. Incapacidade de permanecer de pé ou sentado na posição vertical durante, pelo menos, 60 minutos. EFEITOS INDESEJÁVEIS. As reações adversas encontram-se listadas por classes de sistemas de órgãos segundo a MedDRA e por categoria de frequência. As categorias de frequência definem-se usando a seguinte convenção: muito frequentes (≥ 1/10), frequentes (≥ 1/100 a < 1/10), pouco frequentes (≥ 1/1.000 a < 1/100), raros (≥ 1/10.000 a < 1/1.000), muito raros (< 1/10.000), desconhecido (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). Dentro de cada categoria de frequência, as reações adversas apresentam-se por ordem decrescente de gravidade. Efeitos indesejáveis associados ao Ácido ibandrónico: Doenças do sistema imunitário – Frequentes: Exacerbação da asma. Raros: Reação de hipersensibilidade. Muito raros: Reação anafilática/choque anafilático. Doenças do sistema nervoso – Frequentes: Cefaleia. Pouco frequentes: Tonturas. Afeções oculares – Raros: Inflamação ocular. Afeções do ouvido e do labirinto – Muito raros: Osteonecrose do canal auditivo externo (reação adversa de classe aos bifosfonatos). Doenças gastrointestinais – Frequentes: Esofagite, Gastrite, Afeção de refluxo gastroesofágico, Dispepsia, Diarreia, Dor abdominal, Náuseas. Pouco frequentes: Esofagite incluindo ulcerações ou apertos esofágicos e disfagia, Vómito, Flatulência. Raros: Duodenite. Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos – Frequentes: Erupção cutânea. Raros: Angioedema, Edema facial, Urticária. Muitos raros: Síndrome de Stevens-Johnson, Eritema multiforme, Dermatite bolhosa. Afeções músculo-esqueléticas e dos tecidos conjuntivos – Frequentes: Artralgia, Mialgia, Dor musculosquelética, Cãibra muscular, Rigidez musculosquelética. Pouco frequentes: Dorsalgia. Raros: Fraturas femorais subtrocantéricas e diafisárias atípicas. Muito raros: Osteonecrose da mandíbula. Perturbações gerais e alterações no local de administração – Frequentes: Estado gripal. Pouco frequentes: Fadiga. Efeitos indesejáveis associados ao Colecalciferol: Doenças do metabolismo e da nutrição – Pouco frequentes: Hipercalcemia e hipercalciúria. Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos – Raros: Prurido, exantema e urticária. Notificação de suspeitas de reações adversas: A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas diretamente ao INFARMED, I.P.: INFARMED, I.P. Direção de Gestão do Risco de Medicamentos. Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53. 1749-004 Lisboa. Tel: +351217987373. Linha do medicamento: 800222444 (gratuita). Sítio da internet: http://www.infarmed.pt/web/infarmed/submissaoram. E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt *A eficácia nas fraturas do colo do fémur não foi estabelecida. DATA DA REVISÃO DO TEXTO: Janeiro 2020. Para mais informações deverá contactar o representante do titular da autorização de introdução no mercado. MSRM. Medicamento comparticipado no escalão B. TECNIMEDE - Sociedade Técnico-Medicinal, S.A. • Rua da Tapada Grande, n.º 2, 2710-089 ABRUNHEIRA, PORTUGAL • Tel.: +351 210 414 100 • Fax: +351 219 412 157 • NIF: 500626413 • http://www.grupotecnimede.com

TTENO202A3CG Elaborado maio 2020/Revalidado anualmente


38 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

JOSÉ SARAIVA, OTORRINOLARINGOLOGISTA, COORDENADOR DO LIVRO DOENÇAS DA BOCA E DAS GLÂNDULAS SALIVARES:

“A área da boca é de todos e não é verda CONCLUÍDO HÁ UM ANO, FOI LANÇADO NO INÍCIO DE MAIO UM MANUAL CENTRADO NA BOCA, PARTE DO CORPO HUMANO QUE ATRAI AS ATENÇÕES DE UMA SÉRIE DE ESPECIALIDADES, MAS QUE NEM SEMPRE É OBSERVADA COM O DEVIDO CUIDADO. JOSÉ SARAIVA É UM DOS TRÊS COORDENADORES DA OBRA, QUE AGREGA TEXTOS DE QUATRO DEZENAS DE AUTORES, AO LONGO DE 27 CAPÍTULOS, E QUE FOI PATROCINADO PELA MINISOM, UMA MARCA AMPLIFON.

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sessão de lançamento do livro, que esteve para acontecer várias vezes ao longo do último ano, só agora ocorreu, obviamente, por culpa da pandemia. Em conversa com a Just News, José Saraiva, diretor do Centro de Otorrinolaringologia do Hospital CUF Descobertas, começa por deixar esse esclarecimento. E acrescenta que a ideia do projeto nasceu há uma meia dúzia de anos, na sequência de um curso de patologia da boca que coordenou, de uma outra ação de formação na área da cirurgia da boca, promovida por Francisco Salvado, diretor do Serviço de Estomatologia do CHU Lisboa Norte, e numa altura em que o otorrino Alberto

Francisco Salvado: “Este projeto representa a união, a convivência e a troca de conhecimentos de um conjunto grande de médicos de várias especialidades.”

Santos preparava a sua tese de doutoramento sobre endoscopia de contacto na mucosa oral. Estavam encontrados os três coordenadores da obra! José Saraiva afirma que o livro “aborda uma área da Medicina de grande importância para várias especialidades, mas que até agora tem sido muito pouco explorada de uma forma sistematizada em edições impressas”. Releva, por outro lado, “a forma multidisciplinar como os temas são abordados ao longo dos vários capítulos, contando principalmente com

José Saraiva: um mé que podia ser arquite “Não devemos encarar a boca apenas como um local de passagem”, afirma José Saraiva

Os coordenadores do livro com alguns dos autores dos vários artigos

a participação de colegas de ORL e de Estomatologia, mas envolvendo também outras especialidades”. Isso “torna o livro mais interessante, pois, permite observar as várias patologias de diferentes ângulos”.

A importância da multidisciplinaridade Francisco Salvado, 64 anos, é diretor do Serviço de Estomatologia do CHUL e docente da FMUL desde 2007. Natural de Nampula, Moçambique, em Portugal foi Trancoso que o adotou. Especialista há 32 anos, está habituado a tratar doentes com patologias da boca e das glândulas salivares. “A Estomatologia é uma especialidade central neste tipo de doenças, mas o trabalho multidisciplinar é fundamental, permitindo dar a melhor resposta aos doentes. Mantemos uma colaboração muito activa com as especialidades de ORL,

Cirurgia Plástica e Dermatologia, como é demonstrado neste livro”, afirma. Considerando que esta é uma “área muitas vezes esquecida pela classe médica”, vê no manual uma oportunidade para ajudar os colegas, inclusive da Medicina Geral e Familiar, no diagnóstico precoce deste problema de saúde. Francisco Salvado explica que “o objetivo sempre foi ter uma obra que pudesse ajudar na prática clínica, sem ser necessário um grande aprofundamento complexo de cada uma das patologias”.

Francisco Salvado, Alberto Santos e José Saraiva

A história da capa… José Saraiva reconhece que se iria sentir “um pouco incomodado” se a capa do livro Doenças da Boca e das Glândulas Salivares fosse dominada pelas habituais fotos de patologias, demasiado “agressivas”, pelo menos para o fim em causa. Foi assim que surgiu a ideia de pedir

a Susana Sousa, enfermeira coordenadora do Centro de Dermatologia do Hospital CUF Descobertas, que usasse as suas competências ao nível do desenho e da pintura para produzir uma aguarela que dominasse a capa e em que a boca estivesse presente. O resultado está à vista!

Alberto Santos: “O livro não é sobre doenças da boca, na verdade, é sobre a boca no seu sentido mais lato.”

Natural de Lisboa, onde nasceu a 25 de maio de 1951, José Saraiva recorda que o teste vocacional que nessa época os seus pais quiseram que fizesse indicou que apresentava mais propensão para Medicina ou Arquitetura. Optou pela primeira hipótese, mas reconhece que se sentiria com certeza “confortável” se fosse, hoje em dia, arquiteto. Quando acabou o curso tinha uma certeza: sentia-se atraído por uma especialidade médico-cirúrgica. Acabou por escolher Otorrinolaringologia. Depois de uma passagem por Évora, onde fez o denominado Serviço Médico à Periferia, iniciou a especialidade em Santa Maria, onde se manteve até 2000 e de onde saiu para a CUF Descobertas. Fez muita cirurgia de cabeça e pescoço enquanto esteve naquele hospital público, mas depois começou a dedicar-se mais à cirurgia otológica, pela qual se sente bastante atraído. Ao longo destes anos, têm sido várias as transformações que a especialidade tem tido: desde o crescente peso das mulheres numa especialidade que era quase totalmente masculina até à grande evolução a

Consulta de Doenças Alberto Santos, 55 anos, criou uma Consulta de Doenças da Boca no Hospital CUF Descobertas há uns 3 anos, mas há uma década que coordena uma consulta com o mesmo nome no Hospital Beatriz Ângelo, basicamente, desde a sua abertura. Foi no Hospital de Santa Maria que fez a especialidade de ORL e por lá se manteve um total de 18 anos, antes de se mudar para Loures. “O trabalho que desenvolvemos na Consulta das Doenças da Boca é uma consequência natural do estudo e da reflexão que fazemos da nossa investigação e daquilo que lemos so-


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deiramente de ninguém” Segundo José Saraiva, “há pouca coisa publicada de uma forma sistematizada, escrita em português, sobre esta área porque a boca é de todos e não é de ninguém”. E, no entanto, “a boca é o que a maioria de nós observa sistematicamente, do médico de família ao internista, não é só o otorrino que o faz”. “Eu observo um doente e uma das primeiras coisas que vejo é a boca, que,

José Saraiva: “Às doenças da boca decidimos juntar as das glândulas salivares, tornando a obra mais completa.”

édico eto que se tem assistido em termos de tratamento médico e cirúrgico. José Saraiva destaca os avanços registados na cirurgia endoscópica nasal e mais recentemente na otológica, os implantes cocleares, a subespecialização, ou a evolução dos protocolos em Oncologia da Cabeça e Pescoço. Também o serviço que dirige há 20 anos, desde a abertura da CUF Descobertas, em 2001, é bem diferente do que era então: uma pequena unidade com 4 médicos, um audiologista e um gabinete de consulta. Promovido a Centro de Otorrinolaringologia desde há pouco mais de um ano, tem neste momento 15 médicos otorrinos, 3 audiologistas, uma terapeuta da fala, num espaço com 6 gabinetes de consulta, 2 de audiologia, outros 2 de vertigem e um de enfermagem. Paralelamente à sua atividade profissional, José Saraiva tem tido uma participação ativa na Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cabeça e Pescoço (SPORL-CCP), tendo integrado várias direções, nomeadamente como secretário-geral em dois mandatos e também como presidente do Conselho Fiscal.

s da Boca bre o que vai sendo realizado por outras equipas. Estamos perante uma área de fronteira, multidisciplinar, envolvendo especialidades como a estomatologia ou a dermatologia, por exemplo”, diz o médico. Sublinhando que a boca tem dois tipos de doenças, “as que incomodam, que são muito frequentes, e as que podem ser mortais”, Alberto Santos considera que “temos muito para progredir numa área em que é mais fácil fazer o rastreio da boca do que da mama ou do melanoma. Qualquer um de nós se olha ao espelho e uma vez por mês consegue fazer essa revisão”.

por ser um bocadinho de todos, acaba por ser apenas, por vezes, uma passagem para ir observar os dentes, a faringe ou a laringe. Mas o estado da boca pode ser sinal de muita coisa, até de problemas noutros territórios”, refere,

aproveitando para lembrar que um dos capítulos é dedicado às repercussões das doenças sistémicas na boca. Convidado a prefaciar o livro, o otorrinolaringologista Nuno Santiago considera que “vai ajudar a esclarecer

muitas dúvidas sobre o diagnóstico e tratamento das patologias associadas à cavidade bucal graças à estreita colaboração entre a Estomatologia e a Otorrinolaringologia, sendo certamente de leitura obrigatória para to-

dos os profissionais de saúde que com elas se deparam”. A obra conta com o apoio científico da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cabeça e Pescoço e da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Oral.


40 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

UNIDADE DE DOENÇAS INFECIOSAS DO CENTRO HOSPITALAR DO TÂMEGA E SOUSA

CHTS reforça a resposta às patologias infe COM CERCA DE 2 ANOS E MEIO DE EXISTÊNCIA FORMAL E TRÊS ESPECIALISTAS, A UNIDADE DE DOENÇAS INFECIOSAS DO CHTS TEM VINDO, DESDE 2018, A DAR RESPOSTA ÀS PATOLOGIAS INFECIOSAS AGUDAS E CRÓNICAS DA POPULAÇÃO DA REGIÃO, QUE ATÉ ENTÃO NÃO TINHA A POSSIBILIDADE DE TER UMA ABORDAGEM TÃO ESPECÍFICA. NO CONTEXTO PANDÉMICO, ESTA EQUIPA FOI TAMBÉM PEÇA FUNDAMENTAL NÃO SÓ NA RESPOSTA INTERNA COMO EXTERNA, JUNTO DAS ESTRUTURAS DE SAÚDE.

“E

ntrei sozinha neste projeto, mas desde logo a minha vontade foi conseguir captar um segundo elemento, porque sem ajuda não conseguiria desenvolver um bom trabalho”, começa por referir Rita Ferraz, coordenadora da Unidade de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Chegando ao Hospital Padre Américo em maio de 2018, só pouco mais de um ano depois, em agosto de 2019, viria a integrar a Unidade um segundo especialista. Em setembro de 2020, juntou-se à equipa um terceiro elemento. Recorda os primeiros tempos como meses em que “tinha que perceber como era a dinâmica do hospital e definir que projetos queria desenvolver, não só na Unidade de Doenças Infeciosas como no GCL-PPCIRA” (Grupo de Coordenação Local – Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos), dado que assumiu também esta coordenação.

Responsável pela vigilância epidemiológica do hospital, que inclui doentes com colonizações ou infeções por agentes multirresistentes, este grupo procura também “avaliar e apoiar a prescrição de antibioterapia de forma diária em todo o centro hospitalar”, refere. Criada formalmente no final de 2018, o objetivo inicial desta Unidade era “atuar essencialmente no apoio às outras especialidades, sob a forma de consultadoria interna”. Só mais tarde começaram a ser atribuídas camas de internamento. No âmbito da Consulta Externa, Rita Ferraz procurou criar diversas consultas, com base na experiência que levava do CHU de São João”. Foram primeiro implementadas as consultas de VIH, Hepatites Víricas, Imunomodulação e Risco de Infeção, Profilaxia Pré-exposição da Infeção pelo VIH (Consulta de PreP) e Infeciologia Geral. Posteriormente, foi também iniciada a Consulta

No início do ano, a Infeciologia, a Pneumologia e outras especialidade uniram esforços na luta contra a pandemia

de VIH e Coinfeção VIH/hepatites víricas nos estabelecimentos prisionais de Vale do Sousa e de Paços de Ferreira. Através de um acordo entre os ministérios da Saúde e da Justiça, o objetivo era “facilitar o circuito de acesso destes doentes aos cuidados de saúde”. Com a abertura da sua própria consulta, a Infeciologia passou a assumir os novos diagnósticos de infeção pelo VIH, referenciados quer a partir do Internamento, quer dos Cuidados de Saúde Primários. Rita Ferraz destaca que este é “um processo que tem sido impulsionado pelo conhecimento crescente dos ACES face a esta

“Foi o sentido de missão que nos alimentou nos primeiros dois meses de pandemia, em que estávamos totalmente dedicados ao hospital”, considera Rogério Ruas.

especialidade e pela consultadoria realizada pela Unidade, que vem fomentando o encaminhamento dos doentes”. A especialista alerta para o facto de, “quando diagnosticados tardiamente, estes doentes poderem surgir já com o diagnóstico de infeções oportunistas”. Foi justamente a complexidade da gestão do doente com infeção VIH gravemente imunodeprimido que motivou a imediata abertura de uma cama de internamento atribuída a esta área, ainda que com um número reduzido de especialistas. A infeciologista adianta que a diversificação do leque de patologias

Radiografia da equipa Rita Ferraz, coordenadora da Unidade de Doenças Infeciosas e do GCL-PPCIRA do CHTS

Rita Ferraz, 35 anos, reside no Porto, mas é natural de Penafiel, onde viveu até aos 18 anos.

Veio até Lisboa tirar o curso de Medicina na FMUL e acabou a fazer o internato de formação específica no CHUSJ, que terminou em 2017. Viveu em Antuérpia, onde fez uma pós-graduação em Medicina Tropical pelo Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia. Participou também em missões humanitárias no continente africano. No CHTS não havia Infeciologia. “O desafio era esse!”, exclama, justificando: “Era um hospital com uma grande área populacional, com futuro, em que poderia desenvolver um projeto a longo prazo. Decidi investir nisso e... Penafiel é a minha terra natal, portanto, é um gosto poder criar um Serviço que vem valorizar o meu Centro Hospitalar.” Recordando que realizou o internato de formação específica “num Serviço muito bom, com profissionais de excelência”, admite que “a oportunidade de abraçar um novo projeto e fazê-lo crescer foi inegável”.

Rogério Ruas, infeciologista

Rogério Ruas, 33 anos, nascido no mesmo dia e mês de Rita Ferraz, em Resende (zona de influência do CHTS), também faz diariamente a viagem Porto-Penafiel-Porto. Frequentou igualmente a FMUL e o internato de formação específi-

ca foi feito no mesmo hospital, o São João. Viveu em Manaus, na Amazónia, onde estagiou em Medicina Tropical, e em Nova Iorque e em Bruxelas, tendo completado dois estágios em Imunodepressão. Recorda que adorou a cadeira de Microbiologia, começando a ter interesse pela Infeciologia quando frequentava o 3.º ano da Faculdade. Tal como Rita Ferraz, considera que a Infeciologia “é uma especialidade muito diversificada, com doentes que normalmente se apresentam com quadros clínicos muitas vezes gravíssimos, mas que, se forem rapidamente abordados, têm uma probabilidade de cura bastante grande”. “O nosso propósito era tentar reproduzir um pouco o Serviço de Doenças Infeciosas do CHUSJ, que é de excelência”, admite, recordando que a escolha da especialidade aconteceu no 5.º ano. “Contactei com esta realidade em Paris, durante o programa Erasmus, num grande serviço de Infeciologia, com muitos doentes com infeção pelo VIH e Medicina Tropical, áreas que me chamaram a atenção”, sublinha.

Pedro Palma, infeciologista

Ao contrário dos seus colegas, Pedro Palma nasceu no sul do país, em Olhão, no dia 9 de março de 1989. Na altura desta reportagem, ainda com 31 anos, o mais recente infeciologista da Unidade de Doen-


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ciosas agudas e crónicas ço de 2020, “muito rapidamente, começámos a definir circuitos covid e não-covid”, o que a médica considera ter sido “difícil, numa altura de muito desconhecimento sobre a doença”.

infeciosas que necessitam dos cuidados da especialidade em regime de internamento veio determinar a abertura de mais três camas. Prevê-se ainda um aumento deste número, a par e passo com o crescimento dos recursos humanos. Unidade covid-19 “multidisciplinar e com responsabilidade partilhada” Com o surgimento da pandemia de covid-19, a infeciologista e o seu então único colega de equipa, Rogério Ruas, dedicaram-se maioritariamente às atividades da responsabilidade do GCL-PPCIRA. Em mar-

ças Infeciosas do CHTS explicou à Just News que frequentou a FMUC, fez o ano comum no CHUP e concluiu o internato da especialidade no CHUSJ. Passou por Barcelona, onde fez um estágio de Investigação Clínica em Cuidados Intensivos nas áreas de pneumonia e sépsis. Foi só quando estava no Hospital de Santo António que traçou o seu futuro profissional. “Uma escolha tardia”, diz. “Na altura da Faculdade, não me tinha chamado particularmente a atenção, mas depois fiz o estágio opcional na Infeciologia e achei que eram doentes muito interessantes, que nalguns casos se apresentavam mesmo muito mal e que nós conseguíamos tratar, através de uma abordagem muito complexa”, sublinha. Já conhecia Rita Ferraz do São João e “acompanhava a trajetória do projeto” de Penafiel. Realizado com êxito o exame de acesso à especialidade, pouco tempo depois integrou este projeto, que se pretendia (e pretende) expandir.

Os receios dos profissionais de saúde foram também um motivo de preocupação e rapidamente necessitaram de prestar formação sobre o uso de equipamentos de proteção individual a todo o hospital. “Vive-

mos momentos de grande stress e de muito trabalho, em que nos primeiros meses estávamos no hospital 12 horas por dia, incluindo fins de semana”, recorda. Rogério Ruas complementa:

“Nos primeiros meses, o que mais existia no hospital era medo, e a especialidade que poderia ter algum conhecimento em doenças infeciosas (Continua na pág. 42)

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(Continuação da pág. 41)

emergentes, à qual pertence a covid-19, era a Infeciologia.” Nesse sentido, foi disponibilizado, desde logo, apoio telefónico 24 horas por dia para responder a questões internas e solucionar problemas, assegurado pelos dois. Enquanto na primeira vaga eram só os dois e não tinham doentes internados a seu cargo, abarcando todas as outras tarefas – desde a vigilância epidemiológica no hospital, criação de circuitos, definição de procedimentos, formação, passando pelo apoio aos lares, reuniões com os ACES, ou envio diário dos dados da covid-19 à ARS Norte – na segunda vaga, passaram a abordar clinicamente os doentes covid-19. “São cansaços diferentes, mas a primeira fase foi emocionalmente mais difícil por não se saber nem quando, nem de que forma iria acabar”, regista Rita Ferraz. Com a chegada de Pedro Palma, em setembro, e dada a prevalência aumentada de doentes com pneumonia grave por SARS-CoV-2 na região, a Infeciologia, em articulação com a Pneumologia, e contando com o apoio das outras especialidades médicas, assumiu a criação de uma Unidade Covid-19.

fermagem e de assistentes operacionais já se encontrava alocada a esta área. O principal motivo que definia o internamento de doentes nesta unidade relacionava-se com a pneumonia por covid-19. Evoluir futuramente para Serviço, preservando a multitude de áreas A título futuro, Rita Ferraz assume que “o objetivo passa por controlar as infeções por agentes infeciosos multirresistentes no hospital”, almejando também desenvolver os vários projetos de stewardship antibiótico e apoio à prescrição antibiótica nos vários serviços. “Queremos retomar os projetos que ficaram em pausa devido à covid-19, como o apoio na abordagem de infeções de próteses osteoarticulares, de outras infeções cirúrgicas e também de todas as infeções difíceis de tratar, como aquelas associadas a material heterólogo, por agentes infeciosos multirresistentes ou em doentes imunodeprimidos”, explica. Pretende-se expandir a Consulta Interna no sentido de garantir o apoio da especialidade a todos os doentes internados com infeções de complexa abordagem, com patologia tropical ou doenças infeciosas emergentes e alargar a Consulta

Hospital de Cantanhede oferece a

O

Hospital Arcebispo João Crisóstomo, em Cantanhede, prepara-se para oferecer aos seus utentes e colaboradores um jardim e uma horta terapêuticas, disponibilizando igualmente o espaço às unidades de saúde mais próximas. Tudo deverá estar operacional antes do final do ano. O projeto consiste em plantar um jardim e uma horta com fins terapêuticos no terreno fronteiro à entrada principal do Hospital Arcebispo João Crisóstomo. Um dos principais objetivos é acompanhar os doentes na sua reabilitação, tanto cognitiva como motora, através de atividades neste espaço de características inéditas. A presidente do Conselho Diretivo daquela unidade hospitalar, Diana Breda, 46 anos, está pessoalmente envolvida na concretização da ideia. A Just News conversou com a administradora e com as terapeutas Sara Silva e Inês Cipriano. “A esmagadora maioria dos utentes que a nós recorrem tem mais de 65 anos e alguns podem sofrer de demência. As componentes das sensações e do cheiro nunca nos abandonam e, no cérebro, ficam muito próximas da zona da memória. Fazem-nos experienciar coisas boas”, lembra Diana Breda. Por se tratar de uma população rural, os doentes que passam por um período de internamento sen-

Notícia .pt

tem a falta do contacto com a terra, de tratar dos seus quintais. Juntar a familiaridade que eles têm com a natureza aos aspetos sensoriais de um jardim permite fazer um trabalho “bastante interessante a nível psicológico”, sublinha Sara Silva.

Pretende-se que o jardim e a horta terapêutica venham a servir uma comunidade mais vasta, e não apenas os doentes, os profissionais e os visitantes, algo possível através da cooperação com outras instituições.

Sara Silva, Diana Breda e Inês Cipriano

Com 30 anos, é terapeuta e trabalha essencialmente com utentes que apresentam limitação motora ou cognitiva. Frisa a importância de a horta estar mais acessível a todos, porque alguns já não conseguem trabalhar ao nível do chão, e informa que esse aspeto está salvaguardado. “As tarefas agrícolas costumam ser muito utilizadas no contexto de doença ou de deficiência mental, em instituições de Psiquiatria”, refere, aludindo ao trabalho de investigação que foi necessário empreender para que o projeto resulte. Considera, porém, que neste caso há uma junção de várias perspetivas de acompanhamento:

Imagiologia do CHULN é pioneira na percutânea da tiroide por micro-ondas

O

Serviço de Imagiologia do CHU Lisboa Norte aplicou recentemente, pela primeira vez no país, a técnica de ablação percutânea da tiroide por micro-ondas. Foi Leonor Fernandes, que integra este Serviço há 16 anos, quem realizou o procedimento, com o apoio da Anestesiologia e da Enfermagem.

Rita Ferraz, Rogério Ruas e Pedro Palma

“A responsabilidade pelas camas era partilhada entre a Infeciologia e a Pneumologia “, refere a médica, adiantando que ficaram responsáveis por 52 camas, distribuídas por duas alas. “Era uma unidade multidisciplinar, em que contávamos com a colaboração de colegas de todo o Departamento Médico”, observa Rogério Ruas. Consoante a disponibilidade de profissionais, assim se estabelecia o número de turnos de cada serviço. Diariamente, além de um pneumologista ou infeciologista responsável pela coordenação do turno, eram necessários entre quatro a cinco elementos, assegurados por estas especialidades e, de forma rotativa, pela Endocrinologia, Nefrologia, Reu­matologia, Gastrenterologia, Imu­noalergologia, Neurologia e Medicina Física e de Reabilitação. A equipa de en-

Externa a todas as vertentes da Infeciologia. A sua ambição passa também por transformar a Unidade num Serviço, necessitando para tal de mais elementos. “O objetivo é sempre a expansão”, realça Rogério Ruas, advertindo, no entanto, que a introdução de um elemento por ano não tem como intuito principal a transformação para Serviço, mas a “capacidade de realizar mais funções e concretizar projetos”. “Sempre fomos educados a trabalhar nas diversas áreas da Infeciologia, mas cada um de nós possui um leque de experiências muito variadas”, refere Rogério Ruas, acrescentando que, “de momento, ainda não temos capacidade logística para cada um de nós se diferenciar numa área muito específica, mas pretendemos crescer nesse sentido.”

Leonor Fernandes

“Estamos perante uma técnica muito promissora, possibilitada pelo avanço tecnológico, que se aplica a doentes selecionados de forma criteriosa. É o resultado de um trabalho conjunto da instituição, da equipa que veicula a técnica e do próprio equipamento, que é o vértice do cúmulo de uma pirâmide de cuidados”, refere. Apesar de a vasta maioria dos

nódulos da tiroide ser benigna, a médica explica que “é fundamental o radiologista proceder à estratificação de risco por ecografia, de forma a identificar a probabilidade de malignidade de cada nódulo”. Contudo, “ainda que o diagnóstico demonstre benignidade, poderá manter-se a necessidade de intervir, por ser muito volumoso, sintomático, nomeadamente, condicionando dispneia e disfagia, ou mesmo por motivos estéticos”. A opção pela realização de técnicas minimamente invasivas tem sido privilegiada pela vantagem de se evitar a cirurgia, a anestesia geral, a hospitalização e eventuais complicações. No caso da terapêutica ablativa por micro-ondas, que surge como alternativa à radiofrequência, Leonor Fernandes destaca como benéfico o facto de “a temperatura ser superior, mais homogénea e controlável”, permitindo “tratar nódulos maiores, de forma mais rápida e segura”. Sob orientação ecográfica, “o radiologista consegue controlar muito bem todo o proce-

dimento e mobilizar a agulha muito menos vezes, tratando o mesmo volume do nódulo, diminuindo o risco de hemorragia e de complicações”. Os atuais critérios de inclusão baseiam-se em nódulos benignos, com uma dimensão superior a 2 cm, que tenham sido confirmados por duas citologias prévias e sejam bem visíveis através de ecografia. Esta técnica tem uma duração média de 40 minutos e apenas requer anestesia local, uma ligeira sedação, privilegiando o diálogo durante todo o procedimento, a fim de monitorizar a qualidade da voz. Segundo Leonor Fernandes “a evidência científica aponta para uma redução do volume do nódulo superior a 50%, a seis meses, e para resultados ainda mais promissores nos controlos anuais.” “Resultando, pode ser realizada apenas uma vez”, esclarece a médica radiologista, destacando que “esta necrose por coagulação do tecido por efeito térmico deverá ser feita em pelo menos 80% do volume do nódulo para ser eficaz”.


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a utentes e colaboradores jardim e horta terapêuticas pitalar de Cantanhede no sentido de estar próxima da comunidade local, que abrange aproximadamente 60 mil pessoas. Por exemplo, durante a pandemia, reconheceu-se a importância de manter as visitas aos utentes internados, mesmo em época de confinamento, algo que valeu um prémio da Federação Internacional dos Hospitais. “E se os doentes viessem cá fora

a nível dos sentidos, do tratamento, e da reabilitação. As atividades podem até ser dirigidas aos doentes que se sentem tristes ou frustrados, uma possível consequência da hospitalização. O potencial do espaço verde não se esgota na recuperação psíquica dos pacientes. Inês Cipriano, 27 anos, vê-o como uma “oportunidade” para trabalhar no âmbito do exercício físico aplicado à saúde, mais concretamente na prevenção de patologias cardíacas. É técnica superior de diagnóstico e terapêutica e reforça a Cardiopneumologia do hospital. Esta não é a primeira iniciativa da atual administração da unidade hos-

João Leitão

é discutida qual a melhor terapêutica individualizada para cada doente, e da referenciação de colegas que conhecem a existência desta opção”.

Com a construção do jardim terapêutico, pretende-se também oferecer aos cerca de 150 colaboradores do Hospital Arcebispo João Crisóstomo a possibilidade de fazerem as suas pausas ao ar livre, ou até mesmo de ali realizarem algumas reuniões. Prevenir o burnout dos profissionais da instituição é uma das preocupações do Conselho Diretivo, que pretende aproveitar o futuro espaço para intervenções neste âmbito.

QUAN__O VÊ O SEU __OENTE, CONSEGUE I__ENTIFICAR O QUE FALTA?

VIGANTOL® NA ROTINA DIÁRIA DOS DOENTES QUE PRECISAM DE VITAMINA D

ablação Tendo recebido de imediato o apoio do Conselho de Administração do CHULN, João Leitão, diretor do Serviço de Imagiologia, adiantou à Just News que a utilização futura desta técnica está “apenas pendente da autorização da Comissão de Harmonização e Boas Práticas”. Reconhecendo que a Radiologia ainda se depara com a dificuldade de referenciação direta das restantes especialidades, aquele responsável afirma que a realização desta técnica está “muito dependente de reuniões multidisciplinares, onde

para estarem com os seus familiares? Se calhar até haveria muito mais privacidade, para além de apanharem ar puro. No momento atual, temos a limitação de uma visita por quarto e, nesse caso, a situação poderia ser, se calhar, mais agradável para o doente”, explica Diana Breda. Foi esta lógica de adaptação às adversidades criadas pela covid que ajudou a avançar com a ideia do jardim.

FAZ PARTE DA ROTINA DIÁRIA Informações essenciais compatíveis com o RCM - Neurobion 0,2 mg cianocobalamina + 200 mg piridoxina + 100 mg tiamina, comprimidos revestidos, brancos e biconvexos. Neurobion, 100 mg tiamina + 100 mg piridoxina + 1 mg cianocobalamina, solução injetável. Excipientes: Lactose mono-hidratada 40 mg (comprimidos), Potássio 0,019 mg/ ml, Sódio 13,99 mg/ml (injetável). Indicações terapêuticas: Tratamento adjuvante na neurite e nevralgia (mono e polineuropatia), radiculonevrites resultantes de alterações degenerativas da coluna vertebral, lumbago, ciática, síndrome cervical, síndrome ombro-braço, tratamento de manutenção da nevralgia do trigémio e tratamento de suporte da paresia do nervo facial e herpes zoster. Posologia e modo de administração: Comprimidos: 1 comprimido, 1 a 3 x/dia no tratamento de casos moderados, ou para administração intercalada e de seguimento do tratamento com a forma injetável. Engolir sem mastigar com um pouco de líquido durante ou após as refeições. Injetável: Administrado por via intramuscular. Casos graves, 1 ampola/dia enquanto os sintomas agudos persistirem. Na terapêutica de seguimento, 2 a 3 ampolas/semana. Quando não são administradas as ampolas ou como continuação da terapêutica pode utilizar-se Neurobion comprimidos revestidos. A duração do tratamento é determinada pelo médico. Contra-indicações: Hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer dos excipientes. Os comprimidos não são adequados para o tratamento de crianças. Advertências e precauções especiais de utilização: As neuropatias necessitam de tratamento de longa duração com uma dose média diária de vitamina B6 > 50 mg. Recomenda-se monitorização regular do doente sob tratamento de longa duração. A solução injectável contém menos de 39 mg de potássio e 41,97 mg de sódio/ampola. Ter em consideração em doentes com ingestão controlada de sódio. Interações medicamentosas e outras formas de interação: L-Dopa: os efeitos poderão ser reduzidos com a administração concomitante de vitamina B6. Antagonistas da piridoxina (ex., isoniazida, cicloserina, penicilamina e hidralazina): a eficácia da vitamina B6 pode estar reduzida. Com diuréticos da ansa (ex., furosemida) os níveis sanguíneos de tiamina podem ser reduzidos. Efeitos indesejáveis: Muito raros (<1/10.000): Doenças do sistema imunitário - choque anafilático. Desconhecidos (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis): reações de hipersensibilidade, como sudação, taquicardia e reações cutâneas como prurido e urticária; doenças gastrointestinais náuseas, vómitos, diarreia e dor abdominal; afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos - casos pontuais de acne ou eczema após a administração de doses de vitamina B12 por via parentérica; perturbações gerais e alterações no local de administração - reações no local da injeção. Titular da AIM: P&G Health Germany GmbH. Data da revisão do texto: 04/2020. Informação adicional: Medicamento sujeito a receita médica. Escalão de comparticipação: C. Para mais informação deverá contactar o Titular de Autorização de Introdução no Mercado.

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UNIDADE DE TRATAMENTO AMBULATÓRIO DE MEDICINA INTERNA (UTAMI) DO CH DE VILA NOVA DE GAIA / ESPINHO (CHVNG/E)

Consulta Aberta poupa a Urgência, ao doente agudo dos CSP e de várias COMEÇOU DEVAGARINHO NO FINAL DE 2017, GANHOU UM IMPULSO FORTE NA PRIMAVERA DE 2018 E MANTEVE A CAPACIDADE DE RESPOSTA DURANTE O ÚLTIMO ANO DE PANDEMIA. A UTAMI É UM PROJETO DO SERVIÇO DE MEDICINA INTERNA DO CHVNG/E QUE AS UNIDADES DE CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DAQUELA INSTITUIÇÃO CONSIDERAM UMA MAIS-VALIA E DE QUE USUFRUEM IGUALMENTE OUTRAS ESPECIALIDADES HOSPITALARES PARA ALÉM DA PRÓPRIA MI, FAZENDO TAMBÉM DIMINUIR A PROCURA PELA URGÊNCIA. O GRANDE BENEFICIADO É O PRÓPRIO DOENTE.

A

criação da Unidade de Tratamento Ambulatório de Medicina Interna aconteceu, basicamente, pela necessidade sentida de dar resposta a doentes em fase aguda da sua patologia, evitando que se dirigissem ao Serviço de Urgência. A internista Olga Gonçalves, que entretanto viria a assumir a coordenação do projeto de Hospitalização Domiciliária no CHVNG/E, foi a promotora da ideia. “Achávamos que faltava uma estrutura intermédia para atender aquele doente cujo médico de família verifica, no decorrer da consulta, que está em fase aguda, descompensado, a precisar de intervenção em meio hospitalar. Não se tratando de um caso emergente, que necessite de ir imediatamente ao Serviço de Urgência, ele precisa, no entanto, de ser visto no hospital num espaço muito curto de tempo, dois ou três dias”, explica Carina Silva, que assumiu a coordenação da UTAMI em maio de 2018, sucedendo à sua colega Marta Sousa, hoje em dia dedicada aos Cuidados Intensivos.

Carina Silva: “Os doentes têm relatado que estão contentes, porque temos evitado bastantes idas à Urgência e também muitos internamentos.”

A alternativa à Urgência era, antes de surgir esta Unidade, a consulta normal de Medicina Interna, habitualmente com um tempo médio de espera de um mês. “O doente agudo não poderia esperar tanto tempo para ser observado por nós, para além de que, nesta Consulta Aberta, ele tem a possibilidade de fazer logo análises ou até de ser submetido a terapêutica endovenosa, por exemplo”, sublinha a médica. A apresentação da UTAMI e dos critérios para referenciar doentes foi feita pela primeira vez num evento que o Serviço de Medicina Interna realiza há já alguns anos para promover a proximidade com os CSP. Esse trabalho de divulgação tem sido continuado, nomeadamente, com reuniões efetuadas no ACES Grande Porto VII – Gaia e no ACES Espinho/ /Gaia. “Nós gostaríamos de ter um contacto mais direto, indo aos centros de saúde e explicando melhor o que é a Unidade e como podem falar connosco, mas com a pandemia isso não tem sido fácil”, afirma a coordenadora. Mas chegar à fala com alguém da equipa médica da UTAMI é mesmo fácil. Via telemóvel, o médico de família apresenta o caso do doente que tem à sua frente e, concluindo-se que tem indicação para aquele ser observado na Consulta Aberta, faz-se a marcação para o dia seguinte ou, quanto muito, para daí a dois ou três dias. “Esse doente que está descompensado vem cá, é visto na nossa Consulta e, se precisar, faz logo análises, ou algum tratamento aqui ao lado, no Hospital de Dia. Se for necessário, segue diretamente para o Internamento de Medicina Interna ou para Hospitalização Domiciliária. Ele faz este circuito sem ter de passar

pelo Serviço de Urgência”, sublinha Carina Silva. A UTAMI também foi criada a pensar no típico doente da Medicina Interna, o idoso com múltiplas patologias e muita medicação. “Nós sabemos que nos dias seguintes a ter alta pode facilmente sofrer uma nova descompensação e queremos evitar que ele venha à Urgência, que seja reinternado. É, por isso, normal que seja logo convocado para, por exemplo, na semana seguinte, aparecer para uma consulta de reavaliação pós-internamento, de forma a percebermos se a evolução está a ser favorável, se é preciso intervirmos nalgum aspeto da terapêutica, se tem o necessário apoio familiar”, reporta a coordenadora da Unidade de Terapêutica Ambulatória de MI, acrescentando: “O mesmo sucede com o doente crónico que recorre com mais ou menos frequência à Urgência por sua iniciativa e relativamente ao qual nós temos noção de que corre o risco de voltar a descom-

pensar. Portanto, quando sai do SU já leva uma consulta marcada para cá vir nos dias seguintes e, assim, evitarmos que regresse à Urgência, ou que tenha de voltar a ser internado.” Um apoio que não existia anteriormente tem que ver com o prestado a especialidades como,

por exemplo, a Hematologia e a Oncologia, que têm “doentes obviamente muito complexos e que descompensam com bastante facilidade. Quando os colegas pedem o nosso apoio, vamos avaliar a situação e, se for preciso internar o doente, ele já não passa pelo circuito da Urgência”.


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assegurando uma resposta rápida especialidades hospitalares Carina Silva anseia agora por um reforço da equipa médica, por um segundo gabinete médico de trabalho, por mais espaço no Hospital de Dia e por um investimento nos recursos de enfermagem. Objetivo: aumentar a capacidade de resposta da UTAMI e tornar essa resposta mais rápida.

os médicos que fazem Urgência. Conseguimos dar alta a doentes que não têm critérios evidentes de internamento, mas que sabemos que provavelmente irão ter se não forem

CARINA SILVA:

“Acho que não existe médico mais completo do que o internista” Nascida em França há 39 anos, Carina Silva viveu toda a sua infância e adolescência em Braga, deslocando-se diariamente de Vila Nova de Famalicão para o hospital onde fez o seu internato de formação específica, depois do curso tirado na FMUP

cina Interna, que considera ser “a especialidade mais completa que existe, que, de facto, se dedica ao doente por inteiro”. E tem uma certeza: “Acho que não existe médico mais completo do que o internista.” Afirma ter, já desde o internato,

e do internato do ano comum cumprido no Hospital de São João. Diz-se “muito satisfeita, muito realizada” por ter escolhido Medi-

um particular interesse pela área das Doenças Autoimunes. Fez um estágio em Londres e está ligada à respetiva Consulta no CHVNG/E.

Rita Costa

sujeitos a uma reavaliação precoce a curto prazo, eventualmente, durante a semana seguinte”, afirma Rita Costa, interna do 5.º ano de formação específica de Medicina Interna, referindo-se, assim, a uma das competências da UTAMI. Natural de Ponte de Lima, onde nasceu a 20 de julho de 1990, sempre quis seguir Medicina – curso que fez na FMUL – e escolheu Medicina Interna quando chegou à conclusão de que a área cirúrgica não (Continua na pág. 46)

Consultas deverão aumentar 20% em 2022 É preciso não esquecer, igual­ mente, a intervenção que a UTAMI tem em toda a atividade programada em Hospital de Dia, com destaque para os doentes com cirrose hepática – que descompensam com muita facilidade e que precisam de tratamento específico –, ou para os doentes autoimunes, que necessitam de fazer terapêutica biológica endovenosa. Filipa Duarte Ribeiro: “Uma realidade muito diferente do Internamento” Foi no final de 2019 que Filipa Duarte Ribeiro, 35 anos, terminou o seu internato de formação específica no Serviço de Medicina Interna do CHVNG/E. Pouco tempo depois, logo no início da pandemia, foi alocada ao Serviço de Urgência, ali ficando em exclusividade. Mais tarde, ser-lhe-ia proposto integrar a UTAMI e... “foi com muito entusiasmo que abracei o projeto”. Na verdade, já antes ali fizera um

Filipa Duarte Ribeiro

período de consulta semanal, nos últimos tempos do seu internato, e “já nessa altura tinha sido bem recebida”. “É uma realidade muito diferente do trabalho que desenvolvemos no Internamento, mas muito completa. Temos muitas técnicas, o que a mim me satisfaz particularmente, sempre foi uma coisa que privilegiei na minha formação específica. Aqui podemos ver os doentes a entrarem de uma forma e a saírem muito mais leves, por terem evitado uma ida à Urgência ou um internamento”, refere Filipa Duarte Ribeiro, que fez o curso de Medicina no ICBAS e agora trabalha no mesmo hospital onde nasceu. Rita Costa: “Representa uma segurança para todos os médicos que fazem Urgência” “Representa uma segurança para mim, que sou interna, e para todos

Funcionando de segunda a sexta-feira, integram a equipa médica da UTAMI, para além da sua coordenadora, as internistas Raquel Barreira, Filipa Duarte Ribeiro e Catarina Pereira, e ainda um médico interno da especialidade de MI. Em 2019, que Carina Silva considera ter sido “o primeiro ano de maior otimização do funcionamento da Unidade”, foram realizadas 1800

consultas, a maior parte delas de primeira vez. Até porque acontece com frequência conseguir-se estabilizar o doente, passando este para a consulta normal de Medicina Interna, ou voltando a ser acompanhado pelo seu médico de família. A coordenadora da UTAMI confirma que se trata do doente típico de MI, com insuficiência cardíaca, DPOC, anemia, diabetes, hiperten-

são... “É sobretudo o tipo de doente com fatores de risco cardiovascular”, frisa. Em 2020, o número de consultas efetuadas (1700) não sofreu grande alteração, apesar de a disponibilidade de a equipa médica da Unidade ter sido menor, em virtude da necessidade de dar apoio no Internamento Covid e na Urgência Covid. “Continuámos a ter muitos doentes nossos do Internamento de Medicina e da Urgência. Notámos foi uma redução na referenciação dos centros de saúde, que agora já está a aumentar bastante”, dizia à Just News Carina Silva na altura em que esta reportagem foi feita, em meados de abril. Prevê-se que o número de consultas na UTAMI aumente uns 20% em 2021. Feitas as contas, cerca de 15% dos doentes atendidos na UTAMI vêm diretamente das unidades de CSP, perto de 60% são encaminhados do Serviço de Urgência, 15% chegam do Internamento de MI e uns 10% têm origem nas consultas de ambulatório de outras especialidades.


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lhe permitia “ser médica”... como desejava. Em janeiro, no início do 5.º ano, autopropôs-se para fazer consulta na UTAMI. “Já conhecia a Unidade e pareceu-me que seria um bom investimento do meu tempo, por ser uma grande mais-valia para os doentes”, confessa, salientando que “significa claramente uma melhoria na prestação de cuidados aqui no hospital”. “Em muitos casos representa uma admissão no Serviço de Urgência evitada. Em muitas outras situações quer dizer menos um internamento”, frisa, continuando: “A consulta é superdiversificada, vemos de tudo um pouco! Temos a possibilidade de fazer diversos procedimentos e conseguimos gerir o doente com alguma facilidade em termos de terapêuticas endovenosas.” Os doentes são atribuídos a Rita Costa da mesma forma que o são às suas colegas especialistas da UTAMI: “Faço a gestão que entender relativamente a cada um deles, atuando com autonomia, embora tenha todo o apoio como interna que sou, e a equipa funciona muito bem.” Maria José Carneiro: “A dimensão do Hospital de Dia não foi ampliada por necessidade da UTAMI” Maria José Carneiro, 63 anos, começou a trabalhar no Hospital Eduardo Santos Silva há 20 anos, quando ainda não existia o

Maria José Carneiro

CHVNG/E. Foi convidada para coordenar o Hospital de Dia de Medicina, que na altura estava a ser criado, e aceitou. Duas décadas depois, é responsável pelo HD Polivalente, localizado no mesmo Pavilhão de Ambulatório onde se situa a UTAMI e partilhando uma área open space que acolhe igualmente o HD de Oncologia. Maria José Carneiro chefia uma equipa de seis profissionais de enfermagem, dispondo de um total de 6 cadeirões e 3 macas. “A dimensão do Hospital de Dia não foi ampliada por necessidade da UTAMI, simplesmente foram aproveitados os recursos que já tínhamos, tendo-lhe sido atribuídos um cadeirão e uma maca. De

qualquer forma, se for necessário, há toda a flexibilidade para receber mais algum doente, até por parte das outras especialidades – Reumatologia, Dermatologia e Gastrenterologia –, que têm os seus cadeirões específicos”, assegura a enfermeira. Aliás, Maria José Carneiro diz estar preparada para isso “porque a Unidade de Tratamento Ambulatório dá agora cobertura à Urgência e, portanto, todos os dias recebem doentes novos, sendo que qualquer um deles por vir ou não a fazer tratamento, dependendo da avaliação feita na consulta, sendo, por isso, imprevisível saber. Os outros casos têm que ver, na sua maioria, com tratamentos periódicos programados”.

JOANA PIMENTA, DIRETORA DO SERVIÇO DE MEDICINA INTERNA DO CHVNG/E:

“Ajuda muito haver uma comunicação estreita entre os CSP e aqui a MI” Para Joana Pimenta, a utilidade de existir uma Unidade com as características da UTAMI “faz todo o sentido, desde logo porque nós temos normalmente muita dificuldade em conseguir uma articulação fluida entre os CSP e os Cuidados Hospitalares”. E acrescenta: “A maior parte das vezes a referenciação é feita de uma forma impessoal, através de meios informáticos. Depois existem as triagens e uma série de mecanismos processuais que dificultam a interação e a gestão de doentes que não podem esperar muito tempo pela prestação de cuidados. Mesmo com todas as medidas que têm vindo a ser tomadas, agilizar a tão desejada articulação não é fácil.” No entender da diretora do Serviço de Medicina Interna do CHVNG/E, “ajuda muito haver uma comunicação estreita entre os CSP e aqui a MI, bastando pegar no telefone ou enviar um e-mail para marcar uma consulta, boa parte das vezes, logo para o dia seguinte”.

SERVIÇO DE COMUNICAÇÃO E IMAGEM DO HOSPITAL DE

Prestar cuidado à população e a CONSTITUÍDO POR TRÊS ELEMENTOS RESPONSÁVEIS POR ÁREAS DE TRABALHO DISTINTAS, QUE RESPONDEM DIRETAMENTE AO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, O SERVIÇO DE COMUNICAÇÃO E IMAGEM DO HOSPITAL DE BRAGA TEM COMO OBJETIVO PRIMORDIAL PRESTAR CUIDADOS DE INFORMAÇÃO AOS SEUS UTENTES E COLABORADORES. RECONHECENDO QUE A SUA IMPORTÂNCIA FOI POTENCIALIZADA COM A PANDEMIA, A EQUIPA DESTACA O TRABALHO MOTIVACIONAL QUE TEM DESENVOLVIDO JUNTO DOS PROFISSIONAIS E AS AÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO DA COMUNIDADE.

C O facto de os elementos da equipa médica não estarem exclusivamente dedicados à UTAMI tem que ser visto, segundo Joana Pimenta, como algo positivo, pois, “permite-lhes testar modelos de prestação de cuidados inovadores como este, fazendo com que, ao mesmo tempo, não percam a diferenciação nesta especialidade generalista que é a Medicina Interna”.

MARIA FILOMENA SÁ, MÉDICA DE FAMÍLIA DA USF NOVA SALUS:

atherine Pereira, Sandra Silva e Diogo José Fernandes são os três elementos que estão à frente do Serviço de Comunicação e Imagem do Hospital de Braga. Enquanto a primeira tem à sua responsabilidade as áreas de Assessoria de Imprensa, Comunicação Externa e Apresentação de Eventos, Sandra Silva dedica-se à Comunicação Institucional, Comunicação Interna e Gestão de Eventos. O Marketing Digital, o Design e a Literacia em Saúde ficam a cabo de Diogo José Fernandes. No entanto, ressalvam que existe um trabalho de equipa e uma comunicação alinhada e estratégica, até porque todos têm competências nas várias vertentes. Considerando que durante largos anos os serviços de Comunicação e Imagem não teriam tanta visibilidade, os três concordam que a pandemia veio reforçar a importância desta área e que se mantiveram na linha da frente da prestação de cuidados de informação à população e aos colaboradores.

“A UTAMI veio institucionalizar aquilo que já procurávamos fazer informalmente”

Partilhar as mais-valias e comunicar qualquer situação da instituição de forma transparente

Maria Filomena Sá, 63 anos, foi uma das fundadoras da USF Nova Salus, há uma dúzia de anos. Começa por esclarecer que referencia doentes para a UTAMI logo desde que esta foi criada “porque gosto muito de trabalhar em conjunto com o hospital”. Aliás, garante que sempre o fez desde que começou a trabalhar como médica de família. “Acho que esta Unidade veio institucionalizar aquilo que já procurávamos de fazer de forma informal. Claro que já trabalhávamos juntos pela referenciação para as consultas externas, mas neste caso é diferen-

Procurando estabelecer uma relação com os meios de comunicação social e responder a todas as suas solicitações, o objetivo de Catherine Pereira é “mediatizar e mostrar o que de bom se faz no hospital, comunicando qualquer situação da instituição”. Se, por um lado, existe o cuidado de “responder sempre aos media porque consideramos que eles são nossos parceiros”, semanalmente, é ainda partilhada “informação robusta e diferenciada sobre a instituição – relativa a uma nova técnica ou a um novo Serviço, por exemplo −, no sentido de existir uma comunicação de proximidade”. Mesmo

te, temos um acesso imediato, o que é muito útil no nosso dia-a-dia na USF, mas também nos domicílios”, salienta. “A criação da UTAMI veio ajudar-nos a diminuir o envio de doentes para o Serviço de Urgência, o que proporciona, desde logo, um grande conforto aos nossos utentes. Eles ficam contentes porque são muito bem recebidos, veem o seu problema resolvido rapidamente e evitaram uma ida à Urgência, aspeto que ganhou ainda mais importância neste período de pandemia. É uma mais-valia muito, muito grande!”, exclama.

durante o período pandémico, esta responsável evidencia que as portas se mantiveram abertas, com todos os cuidados de segurança devidos. Quanto à necessidade de conhecerem as diferenciações do hospital para as poderem divulgar, Catherine Pereira revela que “tem existido um reforço junto dos serviços, no sentido de partilharem connosco aquilo que fazem”. No sentido contrário, nos últimos tempos, tem existido ainda um esforço por prover diariamente os profissionais, principalmente as chefias, da informação noticiosa publicada pelos meios de comunicação social sobre o hospital.

Catherine Pereira: “Nada é estanque, podemos ser nós a procurar as novidades ou então serem os serviços a informar-nos.” A nível corporativo, Catherine Pereira distingue que existe uma partilha de informação e de métodos com alguns serviços de Comunicação e Imagem do país, tendo até acontecido recentemente um webinar que juntou os vários assessores de comunicação e “trouxe outras realidades, que até desconhecíamos”. Informar e motivar utentes e profissionais da instituição A um nível mais interno, Sandra Silva divide-se, entre outros, entre a


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BRAGA

os de informação de excelência aos próprios colaboradores hospital ou que se aposentam. Realizada em conjunto com os Recursos Humanos e interrompida no ano que passou, o Serviço de Comunicação e Imagem prevê retomar esta iniciativa no final deste ano. Recentemente, Sandra Silva optou também por passar a divulgar as mensagens escritas dos livros de elogios no boletim Flash ou nos ambientes de trabalho, “para que os profissionais tenham um conhecimento mais alargado de que há pessoas que reconhecem o seu trabalho e a sua dedicação”. Adicionalmente, esta profissional identifica existir também uma ligação com parceiros da comunidade, como o Sporting Club de Braga, que tem marcado presença no Serviço de Pediatria todos os natais. Também esta equipa de futebol contribuiu para a dinamização da campanha “Braga Fecha a Porta ao Vírus”, promovida pelo hospital, com o apoio do ACES do Cávado I - Braga, da Universidade do Minho e da Câmara Municipal, “para sensibilizar a população para a minimização da disseminação do vírus”. A equipa integra uma instituição com cerca de 3300 colaboradores, 80% dos quais têm menos de 40 anos

informação aos mais de 3000 colaboradores e aos utentes da instituição, traduzida na elaboração de centenas de comunicações internas, de sinalética adequada, de campanhas de sensibilização dirigidas aos utentes e aos profissionais, e da conceção da newsletter e do boletim semanal Flash. Este último foi criado precisamente no contexto pandémico para partilhar com os colaboradores os números da covid-19 na instituição e outras informações relevantes, numa ótica de proximidade e envolvimento.

“Sentimos que os profissionais precisavam de saber mais e, melhor do que abrirem um jornal para perceberem o que se passa dentro da sua instituição, quisemos e queremos continuar a criar formas de lhes comunicar diretamente e atempadamente o que acontece no hospital”, refere. Em conjunto com alguns parceiros, têm também sido realizadas diversas iniciativas dirigidas aos profissionais de saúde. “Desconfinar o seu palhaço interior” foi o nome dado a um workshop digital de mo-

tivação, realizado em conjunto com a Operação Nariz Vermelho, instituição que até ao surgimento da pandemia já apoiava o hospital a nível da Pediatria. Segundo Sandra Silva, “depois deste ano bastante árduo e duro, sentimos necessidade de encontrar formas de motivar as equipas e de lhes oferecer outras atividades, para que se abstraiam do cansaço acumulado”. Estas ações de motivação e comemoração passam também pela homenagem anual aos colaboradores que completam 25 anos de carreira no

Apostar na oferta de informação digital No âmbito do Marketing Digital, Diogo José Fernandes procura gerir a produção de conteúdos da página de Facebook do Banco de Sangue do Hospital de Braga, que conta com 11.500 seguidores, e da página de Linkedin da instituição, que, criada há sensivelmente um ano e meio, é acompanhada por 9000 pessoas. Enquanto nesta última a vertente “é mais informativa, tentando associar também uma componente mais criativa e emocional ao copy”, desta-

ca que a página de Facebook requere “uma forte componente de gestão de comunidades online”, dado que recebe mensalmente cerca de 100 mensagens com dúvidas sobre o agendamento, o horário, as limitações e o ato da dádiva em si. A nível de design, é responsável pela produção de conteúdos, por exemplo, para sinaléticas ou para diversas iniciativas. Já em relação à Literacia em Saúde, Diogo José Fernandes estabelece a ligação entre os profissionais de saúde e os órgãos de comunicação social, onde são disseminados diversos artigos de opinião. “Semanalmente, divulgamos um artigo no Diário do Minho e outro no Correio do Minho; Mensalmente, há uma publicação na Revista Minha; Trimestralmente, na Revista Spot”, refere. E explica que, “se algumas vezes são os próprios profissionais a sugerir tratar determinados temas, na maioria dos casos, assumo essa decisão com base na sazonalidade – por exemplo, a Primavera e as Alergias –, ou na análise que faço das temáticas mais populares e nas palavras mais procuradas no Google e solicito esses artigos aos profissionais”. Contabilizando-se mais de 130 artigos de opinião anuais, este profissional é responsável por “receber os respetivos conteúdos e validá-los, porque a informação tem de ser inteligível para a população”. Futuramente, Diogo José Fernandes pretende “implementar um plano de Marketing Digital completo, através da participação em mais redes sociais, do e-mail marketing e de uma forte aposta no marketing de conteúdo, para acompanhar o comportamento da população, que agora é muito mais ativa na procura de informação sobre Saúde”.

A paixão comum pela Comunicação Nascida em França em abril de 1985, Catherine Pereira vive em Santo Tirso desde os cinco anos. Completou o curso de Relações Públicas no

Catherine Pereira

Instituto Superior da Maia em 2007 e, após passar pela experiência de ser rececionista de um ginásio, em 2009, começou a trabalhar na área de Assessoria de Imprensa do então criado Serviço de Comunicação e Imagem do CH de Trás-os-Montes e Alto Douro. Dez anos mais tarde, depois de os seus filhos gémeos nascerem, transitou para o Hospital da Senhora da Oliveira, em Guimarães, até surgir a oportunidade de se mudar para o Hospital de Braga. Sandra Silva tem 37 anos e é natural de Gondomar. Em 2002, iniciou o curso de Comunicação Social na Universidade do Minho. Após concluir a licenciatura, começou por trabalhar numa cooperativa de direitos de autor, e depois passou também pelo Departamento de Comunicação de uma empresa do ramo da engenharia ambiental. Em 2011, assumiu funções no Secreta-

Sandra Silva

riado da Administração do Hospital de Braga, quando este ainda se encontrava sob gestão privada. Dois anos depois, surgiu a oportunidade

de trabalhar na Direção de Comunicação e Sustentabilidade do hospital, agora denominado Serviço de Comunicação e Imagem, onde se mantém há oito anos. Diogo José Fernandes nasceu em junho de 1994, em Guimarães, e, antes de se licenciar em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, frequentou durante três anos o curso de Enfermagem. Ao identificar que gostaria de aliar a sua paixão pela Comunicação à área da Saúde, logo pensou em mudar, mas a sua forte componente associativa, ao ter sido presidente da Associação de Estudantes e ter integrado a Federação Nacional de Associações de Estudantes de Enfermagem, levou-o a permanecer nesse curso até ao final do seu mandato. No entanto, admite que essa experiência lhe deu muitas valências para exercer a função atual. Começou por ingressar no Hospital

de Braga em outubro de 2019, no âmbito de um estágio curricular do mestrado, tendo depois havido a oportunidade de ficar.

Diogo José Fernandes


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COORDENADA POR HEIDI GRUNER, ESPECIALISTA DE MEDICINA INTERNA, FOI CRIADA NO CURRY CABRAL (CHULC) EM MAIO DE 2018

Consulta Multidisciplinar de Geriatria focada na orientação de doentes idosos frágeis NUMA VISÃO GLOBAL, NA CONSULTA MULTIDISCIPLINAR DE GERIATRIA DO CURRY CABRAL (CHULC) DÁ-SE RESPOSTA AOS VÁRIOS PROBLEMAS QUE AFETAM IDOSOS COM SÍNDROME GERIÁTRICA. O OBJETIVO É QUE SE ENVELHEÇA COM QUALIDADE DE VIDA, INDEPENDENTEMENTE DA SITUAÇÃO DE MULTIPATOLOGIA.

A

lbino Duarte Teixeira tem 81 anos e na altura em que esta reportagem foi realizada era acompanhado há um ano na Consulta Multidisciplinar de Geriatria que funciona no Hospital Curry Cabral, uma das unidades do CH Universitário Lisboa Central. Os problemas cardíacos, osteoarticulares e respiratórios obrigam-no a ser visto com alguma regularidade pela equipa. “Sou muito bem tratado e veem tudo. Também os ajudo não comendo coisas muito salgadas. Deixei de beber álcool há alguns anos e agora é só água”, diz, informando que também é poeta e que, apesar da sua condição de saúde, ainda apoia a esposa. “Escrevo poemas. A Dr.ª sabe bem isso”, faz questão de esclarecer. A médica a quem se refere é Heidi Gruner, internista com competência em Geriatria, coordenadora da Consulta. “No Dia dos Namorados, escreveu um poema lindo à esposa e até lhe pedimos para tirar uma foto. Ficámos invejosíssimas”, reconhece a especialista de Medicina Interna. Tendo acompanhado sempre a luta pela afirmação da Geriatria em Portugal, Heidi Gruner foi responsável pela criação da Consulta, em maio de 2018. Além de médicos internos, integra farmacêuticos, enfermeiras, uma nutricionista, uma assistente social e alunos de Medicina da Nova Medical School. Não se dispensa o apoio de outras especialidades sempre que necessário, como a Psiquiatria de Ligação ou a Medicina Física e de Reabilitação, particularmente a Consulta de Posturologia. “Esta é das poucas consultas, em Lisboa, que se dedica à orientação de doentes idosos com mais de 75 anos, em situação de fragilidade, mas ainda com algum grau de independência, nos seus vários aspetos. Pretende-se a promoção do envelhecimento saudável e ativo, preferencialmente em ambiente familiar, de modo a que se potencie a reabilitação funcional e cognitiva, nunca esquecendo os apoios sociais”, observa Heidi Gruner. Atualmente, estão também a avaliar os que estiveram internados com covid. Para o efeito, recorre-se à avaliação

geriátrica global: “O objetivo é perceber qual o estado intelectual e emocional, o comportamento nutricional, o equilíbrio e a qualidade da marcha, a autonomia para as atividades de vida diária, o estado de saúde do idoso na sua globalidade. Contamos, assim, com diferentes grupos profissionais para otimizar os cuidados prestados a pessoas com mais de 75 anos, polimedicadas.” Estas consultas fazem cada vez mais sentido pelo aumento da esperança média de vida, mas não só: “Portugal é o 3.º país mais envelhecido do mundo e os idosos são muitas vezes o suporte e a estabilidade económica dos filhos e dos netos. Temos que aprender a envelhecer bem, mesmo com determinadas patologias. Há sempre truques para que se possa ser feliz.” Enfermagem: “É a nível cognitivo que se notam melhorias mais significativas” Vida é o que não falta no piso 1 do Pavilhão das Consultas Externas do Curry Cabral, onde, no início da segunda metade do mês de julho de 2020 – altura em que a Just News ali se deslocou --, a consulta presencial de Geriatria foi reativada. “Por causa da pandemia, apenas fazíamos teleconsulta. Esta população é de alto risco e obviamente que evitámos qualquer vinda ao hospital”, diz Heidi Gruner, enquanto se desdobra entre as mil e uma tarefas que tem.

Heidi Gruner: “Não faz sentido a ideia de que a partir de certa idade, e face a determinadas condicionantes, se tenha que sobreviver em vez de viver.”

O espaço tinha, nessa altura, novos “vizinhos”, já que a covid-19 obrigou à deslocalização da Consulta de Transplante Hepático para a zona onde se encontra a Geriatria. Percebe-se que os doentes chegam sorri-

Manuela Luís Barão

dentes, como quem mata saudades de algo que fazia mesmo falta... Como o tempo escasseia, os profissionais de saúde procuram otimizá-lo ao máximo, havendo sempre utentes nalgum dos gabinetes. “No da Enfermagem consegue-se ter uma visão global do que se passa com o idoso, sendo aplicadas escalas que monitorizam a qualidade de vida, as atividades diárias

“Somos muito bem tratados por todos”, faz questão de salientar Albino, o doente que também é poeta. e o estado intelectual, assim como a capacidade da marcha, para se perceber o grau de dependência de cada um”, explica a enfermeira Manuela Luís Barão, há 30 anos no Curry Cabral e que integra a equipa de Geriatria desde que a Consulta foi iniciada. A profissional garante que é notória a diferença entre a primeira consulta e as seguintes: “As pessoas não chegam tão deprimidas. Penso que a nível cognitivo é onde se notam melhorias mais significativas, o que se deve ao facto de os idosos se sentirem acompanhados, mas também a todo o trabalho de revisão e ajuste terapêutico, adoção de estilos de vida mais saudáveis, etc.”

ou de quatro em quatro meses, mas não têm de passar sempre por todos os elementos da equipa. É o caso específico da Nutrição. Maria Saldanha, nutricionista, com uma pós-graduação em Geriatria, explica que, excetuando os casos que assim o exigem, muitos utentes podem apenas ser observados semestralmente nesta especialidade. “Numa primeira consulta, é avaliado o estado nutricional e, em função dos resultados obtidos, são tomadas as medidas terapêuticas necessárias”, explica. O problema transversal a estes doentes é a baixa ingestão hídrica, porque o reflexo da sede se encontra

Nutrição: “Bom senso e equilíbrio” Após a primeira consulta, os doentes são reavaliados de três em três

Maria Saldanha


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HEIDI GRUNER

A lutar pela Geriatria desde pequena

A polimedicação é um dos critérios para se referenciar à Consulta Multidisciplinar de Geriatria, onde não falta o apoio da Farmácia. diminuído. “É preciso compreender o que está por detrás de certos comportamentos para se conseguir encontrar soluções. Além da diminuição do reflexo da sede, é frequente sofrerem de incontinência urinária ou de urgência miccional, agravada pela própria medicação”, refere Maria Saldanha. Nesses casos, o melhor é ir ao encontro das dificuldades e dar sugestões: “É uma forma de não deixarem de beber água e de se sentirem motivados a sair de casa e a caminhar porque, se ficarem parados, a sua saúde global vai deteriorar-se.” A nível da alimentação, predomina também a falta de apetite, além dos erros há muito enraizados. Mas, mesmo aí, é preciso “bom senso e equilíbrio”: “Temos que estabelecer prioridades porque se trata de uma faixa etária com certas particularidades. Por exemplo, se tenho um doente desnutrido com problemas cardiovasculares não posso insistir tanto na diminuição do sal porque correr-se-á o risco de ainda comer menos.” Maria Saldanha prossegue: “Os alimentos acabam também por ser um consolo emocional, daí que todas as decisões tenham que ser muito ponderadas. Outra das limitações prende-se com o poder económico dos utentes. As reformas são baixas e a alimentação é cada vez mais dispendiosa.” Nos casos mais extremos, a nutricionista recorre a suplementos

alimentares, mas também aí há um senão: “São caros, embora o bom suporte familiar tenha sido muitas vezes uma ajuda nestas situações.” Farmácia: “Por ser natural, não quer dizer que seja inócuo” Se o poeta Albino toma apenas 4 fármacos por dia, há outros doentes que necessitam de quatro vezes mais medicamentos. Ricardo Silva, também desde o primeiro dia na equipa, é um dos quatro farmacêuticos que faz a revisão terapêutica de cada doente, vendo quando é necessário um reajuste da mesma ou até a desprescrição. “Pedimos sempre para trazerem as caixas de todos os medicamentos que tomam para percebemos quais as possíveis interações ou identificarmos os fármacos que não são adequados. Muitas vezes, as pessoas recorrem a várias especialidades, acabando por sobrepor terapêuticas, ou então mantêm tratamentos que foram importantes em determinada situação, mas que já deviam ter sido descontinuados”, afirma o farmacêutico. Relativamente à desprescrição, os casos mais frequentes referem-se a benzodiazepinas e a inibidores da bomba de protões. “Quanto aos primeiros, face à probabilidade de existir dependência, é necessário que a redução da dose seja progressiva. Contudo, temos sempre que pensar

Pedro Vieira Baptista

no bem-estar da pessoa. Por exemplo, passar a fazer essa medicação apenas em SOS é uma possível solução”, diz Ricardo Silva. A circunstância de as caixas de genéricos terem cores diferentes, inclusive quando a substância ativa é a mesma, também é uma fonte de confusão, sobretudo para quem tem menos escolaridade. Por isso, “identificamos cada uma das embalagens, de maneira a que facilmente se saiba qual é o seu conteúdo e quando é que determinado medicamento deve ser tomado”. O uso de produtos de ervanárias é outro hábito enraizado e que tem que ser bem analisado, daí que se queira sempre saber se o doente toma suplementos ou chás. “Por ser natural, isso não quer dizer que seja inócuo e que não haja quaisquer interações. É preciso desmistificar essa ideia”, frisa Ricardo Silva. “Tem sido muito gratificante vermos que diminuiu o uso de medicamentos não necessários, assim como as interações”, conclui o farmacêutico. Serviço Social: “Não sabem aquilo a que têm direito” Como o ambiente que rodeia o doente também afeta a sua saúde,

Heidi Gruner tem 48 anos e é natural de Lisboa. A paixão pela Medicina Interna, em particular a área das doenças autoimunes, e pela Geriatria já vem desde pequena. É fácil perceber porquê: foi o seu pai, o

cal Societies, acredita que, “no futuro, a Geriatria será uma especialidade”. Explica porquê: “Compreendo que tal possa ainda ser visto pelos restantes internistas e outros especialistas como uma ameaça, já que

internista alemão Wolfgang Gruner, a criar, juntamente com a internista Maria Antónia Santos, uma das primeiras consultas de Geriatria, em 1996, em Almada, onde Heidi Gruner viria a estagiar em 1998. “Não me via a fazer outra coisa. Gosto mesmo muito! Tanto que acordo todos os dias de manhã a sorrir e com vontade de vir trabalhar”, confessa. Após a licenciatura em Medicina pela FMUL, o objetivo era integrar a equipa de doenças autoimunes do Hospital Curry Cabral e conseguiu, nunca deixando de lutar pela Geriatria. Daí que muitos doentes seguidos na Consulta Multidisciplinar tenham a particularidade de ser imunodeprimidos. É assistente convidada da Nova Medical School e contribuiu também para a criação do Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, em 2008, e para que esta área fosse aceite como competência pela Ordem dos Médicos, em 2016, fazendo atualmente parte da Direção. E não parou. Como membro da European Union of Geriatric Medi-

temos uma Medicina Interna de excelência, que consegue dar resposta às mais variadas situações, como uma pandemia. Contudo, a nossa atuação é específica, pretendendo abordar idosos em risco de fragilidade que necessitam e possam beneficiar de cuidados geriátricos, por um período variável de tempo.” A médica afirma ainda que o “caminho difícil” que a Geriatria tem feito em Portugal, comparativamente com o que tem sucedido noutros países, acaba por ser uma oportunidade: “Aproveitamos este compasso de espera para consolidar conhecimentos, dar provas do nosso valor e formar novos colegas, como já acontece nesta Consulta. Recebemos internos de Medicina Interna e de Medicina Geral e Familiar, que estão muito empenhados em dar seguimento a esta área.” Casada, tem duas filhas, de 12 e 15 anos. Nos tempos livres, gosta de praticar vela com a família: “As minhas filhas e o meu marido são desportistas federados e sempre que o tempo ajuda não perdemos uma oportunidade para ver o mar.”

na Consulta Multidisciplinar de Geriatria conta-se com o apoio da assistente social Maria da Luz Ramires, que afirma: “Analisamos as diferentes situações sempre que os médicos referenciam um caso.” A resposta pode ser a mais variada, entre ativar o apoio domiciliário ou encaminhar para a Segurança Social e/ou a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. “Analisamos ainda toda a rede de suporte formal e informal, de forma a envolvermos sempre a comunidade para ajudar o idoso”, afirma Maria da Luz Ramires. Na Consulta dá-se apoio, maioritariamente, a utentes da região de Lisboa, que, ao contrário do que se possa pensar, não têm problemas de solidão: “Muitos deles chegam acompanhados por familiares, amigos ou vizinhos, ou com o próprio cônjuge.” O mais comum é o desconhecimento dos apoios sociais existentes. “As pessoas não têm noção dos seus direitos, quer por motivos de saúde ou da própria idade, e acabam por ficar sem ajuda”, indica Maria da Luz Ramires. E é assim, em equipa multidisciplinar, que se consegue o objetivo

que tanto é defendido: “viver e não sobreviver” quando se tem mais de 75 anos e multipatologia. Que o diga o poeta Albino, que nunca larga a mão da sua esposa, com demência, e que, por detrás da máscara, não deixa de sorrir e de agradecer, talvez já a pensar num poema a dedicar a todos os profissionais da Consulta Multidisciplinar de Geriatria do CHULC.

Maria da Luz Ramires


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ESPECIAL

A

Reunião da Primavera da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), que decorreu, em formato virtual, no passado dia 17 de abril, foi pela primeira vez dedicada à temática das Imunodeficiências Primárias. “Esta tem vindo a afirmar-se como uma área distintiva da nossa especialidade”, sublinha Manuel Branco Ferreira, presidente da SPAIC. De acordo com este responsável, que exerce atividade no CHU Lisboa Norte, as Imunodeficiências Primárias “exigem uma colaboração multidisciplinar, envolvendo, nomeadamente, a Pediatria, a Infeciologia, a Gastrenterologia, a Medicina e a Cirurgia)”. Isso requer a “plena integração dos nossos especialistas nas estruturas hospitalares, à semelhança do que sucede noutras áreas multidisciplinares da Imunoalergologia”. Manuel Branco Ferreira faz questão de recordar que “o conhecimen-

to científico nesta área e as possibilidades terapêuticas para vários destes doentes têm sofrido um desenvolvimento extraordinário nos últimos anos”. Nesse sentido, fica “plena-

mente justificada” a escolha do tema desta Reunião monotemática. Dirigido a “todos os sócios ou outros profissionais de saúde com interesse nesta área”, o evento visou promo-

Manuel Branco Ferreira, presidente da SPAIC

ver “a atualização e formação contínua, bem como o debate sobre os aspetos mais recentes, inovadores ou controversos do diagnóstico e da terapêutica das imunodeficiências primárias”. O presidente da SPAIC salienta ainda que se trata de patologias “que colocam diariamente inúmeros e complexos desafios aos imunoalergologistas que acompanham estes doentes”. Também a coordenadora do Grupo de Interesse de Imunodeficiências Primárias, Sara Silva, refere a importância de a Reunião ter abrangido temas “simultaneamente interessantes e úteis na prática clínica de internos e especialistas de Imunoalergologia e de outras especialidades relacionadas”. Com o propósito de envolver e “dar visibilidade ao ponto de vista dos doentes, marcaram presença duas associações, num espírito de colaboração que esta Direção tem procurado cultivar”, sublinha Manuel Branco Ferreira.

Terapêutica de substituição com imunoglobina – novos desafios

Frederico Regateiro

Imunoalergologista, CHUC

A

imunoglobulina humana (IgH) é um tratamento vital para algumas imunodeficiências primárias (IDP), entre elas a imunodeficiência comum variável (IDCV ) e a agamaglo-

bulinemia de Bruton (ALX). Pode estar também indicada em alguns casos de imunodeficiência severa combinada (SCID), síndrome de hiper-IgM, alguns défices de subclasses de IgG com infeções recorrentes e, em casos de autoimunidade associada a IDP, PTI, citopenias, etc. Na IDCV e na ALX, o tratamento precoce com imunoglobulina humana tem um importante impacto na frequência e gravidade das infeções, na evolução clínica e aparecimento de complicações, no recurso a Urgências e número de internamentos, na qualidade de vida e, acima de tudo, na sobrevida destes doentes. Permanecem ainda alguns desafios na utilização desta terapêutica, entre os quais: - A definição clara de algumas indicações, e.g., a decisão de quando iniciar IgH nem sempre é fácil; em al-

Continuamos

a aproximar os profissionais e a valorizar as equipas dos hospitais do SNS.

guns défices de anticorpos não classificáveis não está demonstrada a sua eficácia ou benefício adicional quando comparado com a antibioterapia;

- A adaptação a novos métodos de administração de Ig subcutânea, e.g., bomba infusora vs “rapid push”.

- Qual o papel da IgH na prevenção de complicações não infeciosas e quais as necessidades de tratamento nestes casos;

A pandemia de covid-19 trouxe também dificuldades de acesso ao tratamento com IgH causadas pela redução de dadores de sangue/ /plasma neste período. A recolha de plasma e fracionamento de imunoglobulinas de dadores portugueses poderá contribuir para reduzir o risco de indisponibilidade e, eventualmente, reduzir os custos do tratamento. O tratamento com IgH recolhida na mesma população que recebe o tratamento poderá ter, também, vantagens clínicas, uma vez que o repertório de anticorpos será mais adequado aos patogénicos circulantes nessa população.

- Até que ponto os defeitos genéticos subjacentes às IDCV monogénicas têm diferentes tipos de indicações/benefícios da IgH; - Quais as indicações de formulações que incluam IgA e IgM, quais as suas vantagens e desvantagens; - A adaptação a novas formulações de imunoglobulina humana subcutânea (IgSC), nomeadamente a IgSC “facilitada”, contendo ácido hialurónico;

H

PublicaçãoPeriódicaHíbrida

OSPITAL Público

A PARTILHA DE BOAS PRÁTICAS

Miguel Paiva

Imunoalergologista, Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada

A

s infeções respiratórias (IR) são uma causa frequente de recurso aos serviços de saúde. Quando ocorrem de forma repetida, as IR podem representar uma primeira manifestação de uma doença crónica, sendo a forma de apresentação mais comum das imunodeficiências primárias (IDP). A definição de infeções respiratórias de repetição (IRR) não é consensual, podendo-se basear no número total de IR (ex: > 6 episódios/ano) ou ter em conta a sua localização específica (ex: >2 pneumonias/ano). Os doentes com IRR distribuem-se, genericamente, por 4 grupos: 50% dos casos correspondem a indivíduos saudáveis; cerca de 1/3 são doentes com doença alérgica respiratória; os restantes 20% são distribuídos equitativamente pelo grupo de doentes com imunodeficiências (primária ou secundária) e os doentes com outras doenças crónicas (defeitos anatómicos ou funcionais). A abordagem diagnóstica de um doente com IRR baseia-se na história clínica e exame objetivo detalhados, que permitam identificar os doentes com necessidade de investigação diagnóstica complementar e eventual referenciação a consulta especializada. Na história clínica, é importante caracterizar a idade de início, a frequência, localização e gravidade das IR, os agentes etiológicos envolvidos e a história familiar. No primeiro semestre de vida, a existência de IRR, sobretudo se associadas a má progressão ponde-

Abril 2020

Novos paradigmas em Imunodeficiências Primárias

Abordagem com infeçõ

Serviço de Medicina Intensiva do CHULN - H. Santa Maria

20.ª REUNIÃO DA PRIMAVERA DA SPAIC


Maio/Junho 2021 Hospital Público ■ 51

ESPECIAL

diagnóstica do doente es respiratórias de repetição ral (MPP) e infeções noutros órgão, deve alertar para a possibilidade de uma IDP combinada ou ID secundária ( VIH). A partir dos 6 meses, os fatores de risco (ex. frequência de infantário) assumem um papel relevante no aparecimento de IRR, mesmo em crianças saudáveis. A doença alérgica é uma causa frequente de IRR na criança em idade pré-escolar. Nesta faixa etária, em doentes com infeções sinopulmonares de repetição e MPP deve ser investigada a fibrose quística e as IDP de anticorpos. A doença respiratória crónica (DPOC, bronquiectasias), as diferentes formas de ID secundárias e as IDP de anticorpos são diagnósticos a considerar no adulto com IRR. A gravidade das infeções, traduzida na necessidade de internamento, de antibioterapia endovenosa ou de um curso com complicações, constitui um importante sinal de alarme de IDP.

sendo necessário, em muitos casos, uma índice de suspeição deve ser elevado, 26/05/21 abordagem210526_leti-banner-100anos_PT_AF.pdf multidisciplinar. uma vez1 que o atraso 16:06 no diagnóstico Perante um doente com IRR, o de uma IDP pode ter como conse-

quência o desenvolvimento de complicações que podem afetar, de forma irreversível, a qualidade e esperança

de vida destes doentes. Não devemos protelar a investigação destas patologias sempre que pensarmos nelas.

A doença alérgica é uma causa frequente de IRR na criança em idade pré-escolar. C

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A ocorrência de IRR num mesmo local sugere a existência de um defeito anatómico, devendo ser excluído corpo estranho abaixo dos 3 anos de idade. O tipo de micro-organismo envolvido nas IRR pode ser indicativo de um defeito imunitário subjacente, sendo exemplo disso a infeção por agentes oportunistas (CMV, P jirovecii) na IDP combinada ou infeção por VIH. A história familiar de IDP está presente em apenas 20% dos casos, mas a morte precoce de familiar ou consanguinidade dos progenitores são dados a valorizar na investigação do doente com IRR. No exame objetivo é importante realizar a avaliação estaturo-ponderal, bem como a pesquisa de dismorfias faciais, lesões da pele e/ou mucosas, alterações no desenvolvimento do sistema linfoide, polipose nasal e alterações da auscultação cardiopulmonar. Nos doentes com sinais de alarme devemos proceder a investigação complementar inicial com os seguintes exames: hemograma com contagem diferencial, velocidade de sedimentação, bioquímica geral, incluindo exame sumário de urina, doseamento de classes de imunoglobulinas e radiograma do tórax. Outros testes poderão ser incluídos de acordo com a clínica (ex: exames culturais, prova de suor). A integração dos dados clínicos com o estudo complementar determinará a necessidade de referenciar a consulta especializada (ex. IDP, Pneumologia), Y

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52 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

ESPECIAL

Covid e imunodeficiências primárias Aspetos práticos da ab

Joana Sofia Pita

Imunoalergologista do CHULC – Hospital D. Estefânia. Membro do Grupo de Interesse de Imunodeficiências Primárias da SPAIC

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esde o início da pandemia pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 que os doentes com imunodeficiências primárias (IDP) têm constituído um foco de especial atenção, dada a sua predisposição para infeções respiratórias. Foram elaborados questionários por várias entidades, como a IPOPI, ESID, IUIS ( Joint Forces of International Societies for Immunodeficiencies), na tentativa de identificar e seguir os doentes com IDP durante a pandemia. Dados internacionais de 1.ª fase demonstraram que > 30% dos doentes com IDP tiveram doença ligeira. No geral, os sintomas e os fatores de

risco para covid-19 grave nos doentes com IDP parecem ser semelhantes aos da população em geral, com doença mais grave em pessoas com idade avançada e comorbilidades. Verificou-se uma predominância da infeção por covid-19 no sexo masculino em todos os doentes identificados, bem como nos admitidos em UCI (2.8:1). Relativamente à distribuição dos casos de infeção por idades, nas séries existentes, atualmente, verificaram-se diferenças em relação à população em geral (maior n.º de casos no grupo etário dos 25-34 anos). Relativamente à mortalidade, está descrito um ratio case-fatality de 10%-20%. A principal dificuldade no seguimento destes doentes é a escassez de conhecimento sobre os mecanismos imunológicos durante a infeção por covid-19. Através do estudo de doentes infetados, identificou-se que a IL-6, a IL-8 e a STAT3 contribuem para a resposta inflamatória e consequente gravidade da doença; o INF tipo I (atividade antiviral) é um importante factor de controlo do SARS-CoV-2. A presença de anticorpos neutralizadores do IFN tipo I e variações genéticas na via do IFN estão associadas a covid grave, portanto, doentes com formas de IDP que resultem na redução da função/sinalização do IFN tipo I devem ser considerados doentes de risco para infeção grave. Deve ser prestada atenção especial em doentes

com APS1/APECED e em doentes com erros de imunidade que resultem em perda de função de IFNAR1, INFAR2, STAT1, STAT2, IRF9, devido à associação a formas mais graves de covid-19. O diagnóstico da covid-19 nas IDP deve ser realizado através de zaragatoa nasofaríngea e PCR. Após o diagnóstico, as terapêuticas utilizadas para o tratamento da covid-19 nestes doentes (por ordem decrescente de frequência) foram: antibioterapia, reposição de imunoglobulina, hidroxicloroquina, corticoterapia sistémica, anticorpos monoclonais e plasma convalescente. Relativamente à vacinação anti-covid-19, a ESID recomenda que os doentes com defeitos de anticorpos sejam vacinados assim que possível. A resposta à vacinação parece ser variável nos estudos realizados, não existindo, atualmente, dados sobre o benefício de uma determinada vacina em detrimento de outra ou em relação à eficácia da vacinação. A vacinação não está indicada em doentes com imunodeficiência combinada grave, por não ser expectável qualquer benefício. Nos doentes sob terapêutica com imunoglobulina humana, segundo a literatura atual, a interação entre imunoglobulinas (Ig) e vacinas inativadas é reduzida, pelo que estas podem ser administradas em simultâneo, antes ou depois da administração de produtos contendo imunoglobulinas, desde que em locais anatómicos diferentes.

Rúben Duarte Ferreira

Imunoalergologista, CHOeste

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diagnóstico diferencial da IgE elevada é um problema frequente nas consultas de Imunoalergologia. As doenças alérgicas (asma, rinite alérgica, eczema atópico, alergia alimentar, etc.) são a causa mais comum nos países industrializados – a própria definição de atopia assenta numa predisposição genética para a produção de IgE específica. Nos países em desenvolvimento, contudo, a elevação de IgE deve ser pensada no contexto de infeções parasitárias, sendo conhecido o papel desta imunoglobulina na defesa contra este tipo de microrganismos. Outras doenças infeciosas também cursam

com aumento da IgE, ex. a infeção por VIH, por micobactérias, CMV ou EBV. Excluídas as causas frequentes, um aumento inexplicado da IgE pode, por exemplo, relacionar-se com neoplasias (ex. linfomas, mieloma IgE). Também a aspergilose broncopulmonar alérgica, classicamente associada a bronquiectasias centrais e presença de precipitinas para Aspergillus spp., cursa frequentemente com IgE > 1000 UI/dL. De relevo para a Imunoalergologia, algumas patologias que se associam ao aumento de IgE são as imunodeficiências primárias (IDP). Ponsford et al. (2018) delinearam alguns cenários clínicos que, na presença de elevação marcada de IgE, devem fazer suspeitar de IDP: eritrodermia neonatal, eczema infantil associado a infeções recorrentes, características sindrómicas ou doença do tecido conjuntivo e autoimunidade. A eritrodemia é uma emergência médica que, ao surgir no primeiro mês de vida, sugere uma causa monogénica. Quando associada a IgE elevada, deve fazer pensar em síndrome de imunodeficiência combinada grave. A síndrome de Omenn é exemplo desta apresentação, cursando com alopecia, adenomegalias, diarreia persistente

Imunoterapia inespecífica e outras terapêuticas nas infeções respiratórias de repetição

Luís Miguel Borrego

Prof. associado com Agregação da FCM-UNL. Diretor do Serviço de Imunoalergologia do H. da Luz Lisboa, H. da Luz Oeiras e Clínicas de Lisboa

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ão existe um consenso internacional quanto à definição de infeção respiratória de repetição (IRR). Contudo, na sua globalidade, podemos aceitar que estamos perante duas entidades diferentes: infeções respiratórias de repetição e infeções respiratórias localizadas de repetição. As primeiras, de per si, têm inerente mais de 6 episódios por ano na ausência de sinais sugestivos de

imunodeficiências primárias. As segundas são otites e amigdalites, verificando-se 3 ou mais otites no espaço de 6 meses ou 4 por ano; mais de 3 amigdalites por ano e em 3 anos consecutivos; ou mais de 5 amigdalites em 2 anos ou mais que 6 amigdalites por ano. Sendo mais comuns na idade pediátrica, uma das abordagens terapêuticas é a imunoterapia inespecífica ou vacinação anti-infeciosa inespecífica, que compreende dois grandes grupos terapêuticos: bactérias completas inativadas e lisados bacterianos. Nas primeiras é possível a prescrição individualizada para cada doente e com diferentes tipos de administração (nasofaríngea, sublingual e injetável). O objetivo é estimular a imunidade inata e a fagocitose. Os estudos com bactérias inativas são mais escassos, comparativamente aos lisados bacterianos, mas existem alguns mais recentes que apresentam alguma robustez. Um deles é de 2018, do Dipartimento Testa – Collo e Neuroscienze – IRCCS L’Istituto Giannina Gaslini (Itália), que acompanhou 80 crianças com uma média de idades de 5 anos e que foram tratadas com duas estirpes diferentes

de Streptococcus por via nasal – dois puffs, 2 vezes por dia, no período de uma semana, em 3 meses consecutivos. Além do número de infeções, estudou-se também o impacto nas faltas às escolas e no absentismo laboral dos pais e chegou-se à conclusão de que, efetivamente, este regime terapêutico estava associado a uma menor incidência de infeções respiratórias e, por conseguinte, a um menor número de faltas à escola e de ausência laboral dos progenitores. Também em 2019, um outro grupo italiano foi avaliar 202 crianças com diagnóstico de IRR do trato superior, sendo tratadas 2 vezes por dia, durante 3 meses, com um esquema terapêutico idêntico ao anterior estudo. Os investigadores chegaram à conclusão de que esta bacteroterapia profilática estava associada a diminuição de infeções. Relativamente aos lisados bacterianos, estes já são investigados há mais de uma década, constam de guidelines e sabe-se que são resistentes a enzimas digestivas e pH gástrico. Os lisados bacterianos foram também preconizados no European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polips de 2012, como sendo

Outras terapêuticas também são procuradas pelos próprios doentes, nomeadamente os probióticos. Existem estudos que documentam o benefício dos mesmos. de recomendação de grau A e evidência 1B. Um dos trabalhos mais recentes, randomizado e com placebo, consistiu na administração dos lisados bacterianos por 10 dias consecutivos, durante 3 meses seguidos. Efetivamente, a utilização dos mesmos está preconizada para a prevenção de infeções respiratórias, nomeadamente de otite, rinossinusite aguda ou até de agudizações da rinossinusite crónica.

Outro ponto a ter em atenção é a relevância da vacinação, como a vacina da gripe e a antipneumocócica. Contudo, com base numa revisão de Cochrane, de 2019, para a prevenção de otite média aguda, a vacina pneumocócica não tem grande efeito nas crianças saudáveis. A eficácia da imunoterapia inespecífica baseia-se assim num papel imunomodelador à estimulação de imunidade inata e fagocitose, à resposta celular e humoral específicas, ao aumento do perfil Th1 e diminuição do Th2 e à estimulação da Treg. Deste modo, prevê-se uma redução de 25 a 50% no número de episódios infeciosos e de menos 35% de episódios de sibilância e de infeções respiratórias (crianças em idade pré-escolar), além do impacto na modulação da resposta alérgica. Outras terapêuticas também são procuradas pelos próprios doentes, nomeadamente os probióticos. Existem estudos que documentam o benefício dos mesmos, inclusive durante um episódio infecioso agudo, diminuindo o tempo de infeção. É o caso do uso de pidotimod e bifidobacterias em crianças com IRR. No entanto, em 2020, foi dado a conhecer o Consenso da World As-


Maio/Junho 2021 Hospital Público ■ 53

ESPECIAL

ordagem clínica do doente com IgE elevada crónica e má progressão estaturoponderal. Inicialmente descrita para variantes nos genes RAG1 e 2, o seu diagnóstico precoce permite o transplante de células estaminais hematopoiéticas, potencialmente curativo e life-saving. O eczema, depois das infeções, é a segunda manifestação cutânea mais frequente de IDP. Os exemplos paradigmáticos deste cenário são as “síndromes de Hiper-IgE”. Classicamente descritas como autossómica dominante por défice de STAT3 ou autossómica recessiva por défice de DOCK8, estas síndromes têm sido relacionadas com muitos outros defeitos genéticos. O défice de STAT3 (“síndrome de Job”) caracteriza-se, adicionalmente, pela formação de abcessos frios estafilocócicos, abcessos pulmonares ou pneumatocelos, predisposição para candidíase mucocutânea por défice de Th17 e algumas características sindrómicas: assimetria da face, craniossinostose, palato em ogiva, hiperlaxidão ligamentar, escoliose e retenção da dentição primária. A síndrome de Wiskott-Aldrich é outra entidade caracterizada por elevação da IgE que, historicamente, se descreve em associação a uma tríade de eczema, trombocitopenia e infeções sinopulmonares recorrentes.

sociation of Infectious Diseases and Immunological Disorders de que a imunoterapia parece ser muito atrativa, particularmente com lisados bacterianos nas IRR, e que o uso de probióticos ainda não é comprovado por escassez de investigações e por não existir um esquema terapêutico padronizado. Existem ainda outras opções utilizadas pelos doentes, como é o caso da homeopatia. A revisão Cochrane, publicada em 2020, é perentória: não há evidência suficiente para esta terapia alternativa. Quanto a vitaminas, há vários estudos na área da Nutrição, mas a vitamina D não tem qualquer comprovação científica quanto à sua eficácia na prevenção das IRR. E a alimentação? De acordo com um estudo de 2020, da Universidade de Twente, Holanda, fica por provar a eficácia de alguns alimentos, tais como o alho ou quivi. Em suma, a imunoterapia inespecífica e a vacinação (gripe e pneumocócica) são as terapêuticas que demonstram, comprovadamente, benefícios nas IRR, contrariamente ao verificado com probióticos, homeopatia, vitamina D e intervenção nutricional.

Fenómenos de autoimunidade na presença de IgE elevada podem orientar no sentido de patologias como a síndrome linfoproliferativa autoimune (defeitos na apoptose

dos linfócitos). As apresentações mais comuns são anemia hemolítica autoimune, trombocitopenia ou neutropenia. Assim, a elevação de IgE pode

associar-se a diversas etiologias – os seus mecanismos nem sempre estão esclarecidos. Neste campo, os imunoalergologistas estão singularmente preparados para o

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diagnóstico diferencial. A suspeição clínica é essencial para um diagnóstico precoce, o qual pode ser determinante para a sobrevivência do doente.


54 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

ESPECIAL

AEH – genética e clínica

Eunice Dias de Castro

Responsável pela Consulta de Angioedema Hereditário, Serviço de Imunoalergologia do CHUSJ

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angioedema hereditário (AEH) é uma doença genética rara, de transmissão autossómica dominante, que se manifesta por episódios recorrentes e imprevisíveis de angioedema mucocutâneo. O angioedema é geralmente assimétrico e exuberante e atinge mais frequentemente as extremidades, face, genitais, mucosa gastrointestinal e vias aéreas superiores, incluindo a laríngea. O angioedema laríngeo é a forma mais grave de apresentação e potencialmente fatal. Os episódios têm uma duração média de 3 a 5 dias, sem tratamento, e não se associam a urticária ou prurido cutâneo. Podem ocorrer espontaneamente ou desencadeados por determinados fatores, como traumatismo, stresse emocional, infeções e fármacos (estrogénios e IECA). Atualmente, classifica-se em AEH com défice de C1 inibidor e AEH com C1 inibidor normal. O AEH com défice de C1 inibidor (C1-INH) tem uma prevalência de 1:50.000 e está associado a mutações no gene SERPING, estando descritas mais de 500. Em cerca de 20% dos casos ocorrem mutações de novo. O défice de C1-INH pode ser quantitativo (AEH tipo I; cerca de 85% dos casos) ou funcional (AEH tipo II). O C1-INH tem um papel na regulação do sistema do complemento, fibrinolítico e de contacto, e o seu défice conduz à produção exagerada da bradicinina, potente vasodilatador que atua nos recetores β2 na superfície das células endoteliais. As primeiras manifestações ocorrem habitualmente na 1.ª-2.ª décadas de vida e persistem ao longo da vida, com frequência e gravidade imprevisíveis. Geralmente, quanto mais precoce o início mais grave o curso da doença. As crises de AEH tipo I e II podem apresentar sintomas prodrómicos, como eritema marginatum, em cerca de 1/3 dos doentes. É importante o seu reconhecimento, permitindo estar alerta para o aparecimento de uma crise e tratá-la precocemente. Mais de 95% dos doentes apresentam crises com envolvimento cutâneo, predominantemente das extremidades, face e lábios.

O angioedema abdominal é também muito frequente, cursando com dor intensa tipo cólica, podendo ocorrer náuseas, vómitos, diarreia e distensão abdominal, bem como hipotensão e taquicardia, associadas a hipovolemia. Relativamente às crises laríngeas, estima-se que mais de 50% dos doentes experienciem, pelo menos, uma crise com risco de asfixia durante a vida. Uma revisão sistemática recente mostrou uma prevalência significativamente maior de doenças autoimunes nos doentes com AEH com défice de C1-INH relativamente à população em geral. Outras manifestações menos comuns de AEH, como derrame pleural, pancreatite aguda ou sintomas neurológicos, foram reportadas. O AEH com C1 inibidor normal com características clínicas muito semelhantes ao AEH tipo I e tipo II, mas com uma atividade plasmática normal de C1-INH, foi descrito pela 1.ª vez em 2000. Desde então, foram identificadas algumas mutações em genes que codificam várias proteases do sistema fibrinolítico e de contacto, associadas a este tipo de AEH. De acordo com as mutações subjacentes, podemos considerar 5 subtipos: AEH associado ao FXII da coagulação (AEH-FXII), ao plasminogénio (AEH-PLG), à angiopoetina (AEH-AGP1), ao cininogénio (AEH-KNG1) e à mioferlina (AEH-MYO). O conhecimento relativo a este tipo de AEH é muito mais limitado, não se conhecendo, por exemplo, a sua prevalência. O maior conhecimento advém do AEH-FXII, já descrito em quase duas centenas de famílias e com 4 diferentes mutações identificadas, todas no exão 9 do gene do FXII. A mutação Thr328Lys é a mais prevalente. A principal característica do AEH-FXII é a associação aos estrogénios, uma vez que estes aumentam a expressão do FXII. As primeiras manifestações ocorrem habitualmente no início da vida adulta, frequentemente após a introdução dos anticoncetivos orais ou na gravidez. O AEH-PLG, com 2 mutações identificadas em 3 dezenas de famílias, tem como particularidade a localização frequente do angioedema a nível da face e principalmente da língua, de forma exclusiva em alguns doentes e com risco elevado de asfixia. Para os outros 3 subtipos foi identificada apenas uma mutação e somente numa família cada. O AEH-AGPT1 e o AEH-MYO parecem associar-se a mecanismos fisiopatológicos distintos, que aumentam a permeabilidade vascular e conduzem ao angioedema. Os doentes com AEH-AGPT1 evidenciaram anormalidades a nível microvascular, desconhecendo-se outras repercussões clínicas além do angioedema. Assim, as características particulares de cada um dos tipos/subtipos de AEH já identificados podem permitir delinear diferentes fenótipos e, num futuro próximo, instituir estratégias terapêuticas à medida de cada um.

Novas alternativas para a profilaxia

Manuel Branco Ferreira

Diretor da Clínica Universitária de Imunoalergologia, FMUL. Imunoalergologista, Serviço de Imunoalergologia do CHULN. Presidente da SPAIC

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omo sabemos que é o défice de C1 inibidor que é responsável pela maior parte dos quadros de angioedema hereditário é lógico suplementar esta proteína. Esta suplementação tem sido feita por via endovenosa, mas desde há uns anos, e à semelhança do que se passou com as imunoglobulinas, começou-se a trabalhar na via subcutânea, que permite obter valores mais estáveis e, dependendo da dose, quase sempre acima dos valores de atividade

funcional de 40%, que é um valor-alvo acima do qual a probabilidade de crise é menor. É exatamente essa maior constância de valores acima dos limiares que justifica as comparações favoráveis à via subcutânea em relação à via endovenosa, com maior redução de número e de gravidade dos ataques. Contudo, tal como na forma endovenosa, mantém-se a necessidade de administrações duas vezes por semana. Adicionalmente, demonstrou-se que a mudança num mesmo doente da formulação endovenosa para a subcutânea se associa a uma redução de 50% do número mensal de ataques, sugerindo-se assim a eficácia da mudança para a via subcutânea. Para além do C1 inibidor, outro ponto de intervenção terapêutica é a inibição da kalikreina plasmática ativada, já que esta é a enzima chave na produção de bradicinina. Nesta categoria de inibidores da kalikreína, temos um biológico, o lanadelumab e um fármaco oral, que é o bero­ tralstat. O lanadelumab é de adminis­ tração subcutânea, a cada duas semanas, e pode ser autoadministrado após ensino e verificação da capacidade do doente em executar, por si

só, a injeção. Foi aprovado pela FDA em 2018 e pela EMA em 2019. Em Portugal houve um PAP que decorreu durante o ano de 2020 e, atualmente, está-se em processo de aprovação de comparticipação. O lanadelumab demonstra uma eficácia muito significativa, sendo que na dose aprovada de 300 mg a cada 2 semanas, obtém-se uma diminuição de 50% ou mais no número de crises em praticamente todos os doentes; com cerca de 48% dos doentes a não referirem qualquer ataque ao longo do tempo do estudo (6 meses). Como tantas vezes acontece, infelizmente, não há estudos head to head de comparação entre a terapêutica preventiva com concentrado de C1 inibidor e com lanadelumab. No entanto, em fevereiro passado, foi publicada uma comparação indireta entre o lanadelumab e o C1 inibidor endovenoso, a partir dos resultados publicados nos ensaios clínicos destes fármacos. Nesse trabalho, observa-se uma maior redução do número de crises com o lanadelumab, mas a comparação mais correta seria com o C1 inibidor subcutâneo que, como vimos, tem resultados mais favoráveis do que o endovenoso.

Angioedema hereditário – algoritmo diagnóstico e terapêuti

Márcio Mesquita

Médico interno de Imunoalergologia, CHVNG/E

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angioedema hereditário (AEH) é uma patologia infrequente, mas incapacitante. O diagnóstico precoce e adequada instituição de terapêutica são fulcrais para um prognóstico favorável para o doente. O AEH subdivide-se em 3 subtipos: AEH com défice de C1-inibidor (AEH tipo 1), AEH com C1-inibidor disfuncional (AEH tipo 2) e AEH com C1-inibidor normal. A fisiopatologia subjacente é complexa dada a multiplicidade de sistemas envolvidas, nomeadamente os sistemas do complemento, fibrinolítico, cinina-calicreína e da coagulação. As interações entre

estes sistemas culminam no excesso de produção de bradicinina, sendo este o principal mediador em qualquer um dos subtipos. Relativamente ao seu diagnóstico, perante uma história sugestiva de AEH, devemos solicitar a avaliação do C1-inibidor (quantitativa e funcional), C4 e C1q. No AEH tipo 1 existe défice quantitativo de C1 inibidor e, consequentemente, diminuição da sua função. No AEH tipo 2, apesar de níveis de C1-inibidor normais, este é disfuncional. O fator C4 do complemento, no normal funcionamento da cascata, é degradado pelo fator C1, pelo que um défice de C1 inibidor condicionará uma diminuição dos níveis de C4, e este encontrar-se-á diminuído no AEH tipo 1 e 2. A avaliação da fração C1q poderá ter utilidade na distinção entre o AEH e angioedema adquirido, uma vez que neste último o C1q estará diminuído em até 75% dos casos. Valores normais de C1-inibior (quantitativo e funcional), C4 e C1q devem colocar a hipótese de AH com C1-inibidor normal. Este último subtipo, o menos bem investigado, poderá ter subjacente mutações numa diversidade de genes, sendo a mutação do FXII a mais bem estudada. O tratamento do AEH assenta em 3 pilares: tratamento em crise,

profilaxia a curto prazo e profilaxia a longo prazo. O tratamento em crise está indicado para qualquer episódio de angioedema, independentemente da localização, e deve ser iniciado precocemente de forma diminuir a duração e a gravidade dos sintomas.

O tratamento do AEH assenta em 3 pilares: tratamento em crise, profilaxia a curto prazo e profilaxia a longo prazo. O concentrado de C1-inibidor é o tratamento de primeira linha e está disponível para crianças e adultos, assim como o icatibant (antagonista dos recetores B2 da bradicinina). Quando estes dois fármacos não estão disponíveis, o plasma fresco congelado (PFC) é uma alternativa, não sendo negligenciável a imprevisibilidade quanto à sua eficácia. É recomendado que os


Maio/Junho 2021 Hospital Público ■ 55

ESPECIAL

a longo prazo no angioedema hereditário Ainda no capítulo da prevenção a longo prazo através da inibição da kalikreína, a FDA aprovou, em dezembro do ano passado, o berotralstat, que pertence a uma nova classe de fármacos por via oral, de toma única diária. A via oral é importante, na medida em que é claramente uma via que muitos doentes preferem e para a qual dizem que estariam dispostos a mudar.

Demonstrou-se que a mudança num mesmo doente da formulação endovenosa para a subcutânea se associa a uma redução de 50% do número mensal de ataques.

i co doentes sejam portadores da medicação, estando o concentrado de C1-inibidor e o icatibant disponíveis para autoadministração. Relativamente à profilaxia a curto prazo, esta deve ser instituída previamente a procedimentos médicos/ /cirúrgicos ou situações de stresse. O concentrado de C1-inibidor surge novamente como 1.ª linha, sendo que na sua indisponibilidade poderão ser utilizados PFC, androgénios ou anti-fibrinolíticos. O tratamento profilático a longo prazo visa diminuir a frequência e gravidade dos episódios e não existem indicações específicas para a sua utilização. É uma decisão individualizada, conjunta médico-doente, na qual fatores como atividade da doença, qualidade de vida, disponibilidade de tratamento em crise e cuidados de saúde devem ser considerados. O concentrado C-inibidor é a 1.ª opção, seguida dos anti-fibrinolíticos e androgénios, sendo que os efeitos adversos destes últimos devem ser acautelados aquando da sua utilização. Recentemente surgiu o anticorpo monoclonal, lanadelumab, inibidor da calicreína que demonstrou elevada eficácia na prevenção de crises. Apesar de aprovado pela EMA para a profilaxia a longo prazo, não se encontra ainda financiado pelo Infarmed.

O estudo APEX-2, que suportou a introdução do berotralstat, foi publicado em outubro do ano passado no JACI, tendo sido demonstrada uma maior redução do número de crises,

em comparação com o placebo, quer da dose de 110 mg, quer da dose dos 150 mg, que é a dose proposta para a generalidade dos doentes. Quanto aos efeitos adversos, no

azilsartan medoxomilo/clorotalidona

40/12,5mg • 40/25mg comprimidos

: ▼ Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. NOME DO MEDICAMENTO Edarclor 40 mg + 12.5 mg comprimidos revestidos por película. Edarclor 40 mg + 25 mg comprimidos revestidos por película. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA Edarclor 40 mg + 12.5 mg comprimidos revestidos por película, e Edarclor 40 mg + 25 mg comprimidos revestidos por película. Cada comprimido contém 40 mg de azilsartan medoxomilo (sob a forma de potássio) e 12.5 mg ou 25mg de clorotalidona. FORMA FARMACÊUTICA Edarclor 40 mg + 12.5 mg comprimidos revestidos por película: Comprimido revestido por película de cor vermelho pálido, redondo (aproximadamente 9.7 mm de diâmetro), biconvexo, com A/C 40/12.5 gravado numa das faces. Edarclor 40 mg + 25 mg comprimidos revestidos por película: Comprimido revestido por película de cor vermelho claro, redondo (aproximadamente 9.7 mm de diâmetro), biconvexo, com A/C 40/25 gravado numa das faces. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS Tratamento da hipertensão em adultos. Edarclor é uma associação de dose fixa indicada em adultos cuja pressão arterial não é adequadamente controlada por monoterapia com azilsartan medoxomilo. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO Posologia - Adultos: A dose inicial recomendada é de 40 mg + 12.5 mg uma vez por dia em doentes cuja pressão arterial não é adequadamente controlada com monoterapia anti-hipertensiva corrente como Edarbi 40 mg ou Edarbi 80 mg. Se necessário a dose pode ser aumentada para um máximo de 40 mg + 25 mg uma vez por dia. O efeito anti-hipertensor perto do máximo torna-se normalmente evidente ao fim de 1-2 semanas, com os efeitos máximos atingidos às 4 semanas. Populações especiais: Idosos (idade igual ou superior a 65 anos): Não é necessário um ajuste inicial da dose nos doentes idosos; nos doentes muito idosos (≥75 anos), o tratamento deve ser efetuado com precaução e recomenda-se uma monitorização médica apertada. Compromisso renal e Afeção hepática: A clorotalidona, um dos componentes ativos do Edarclor, não deve ser usada em doentes com compromisso renal grave , anúria e afeção hepática grave. Não há experiência da administração de Edarclor em doentes com transplante renal recente. Não é necessário um ajuste da dose nos doentes com compromisso renal ligeiro ou moderado. É limitada a experiência de utilização em doentes com afeção hepática ligeira a moderada; no entanto não é necessário um ajuste inicial da dose de Edarclor em doentes com afeção hepática ligeira a moderada. Alterações menores do equilíbrio hidro eletrolítico devidas a diuréticos tiazídicos podem precipitar um coma hepático. Recomenda-se monitorização estreita. Depleção do volume intravascular: Edarclor deve ser iniciado sob supervisão médica estreita, apenas após ter sido alcançado um volume correto. Uma resposta hipotensiva temporária devida a depleção de volume não impede que os doentes continuem o tratamento, o qual pode normalmente ser continuado sem dificuldade uma vez estabilizados a pressão arterial e o estado do volume. Insuficiência cardíaca: Recomenda-se precaução em doentes hipertensos com insuficiência cardíaca congestiva dado que não existe experiência de utilização nestes doentes. População de raça negra: Não é necessário um ajuste da dose na população de raça negra. População pediátrica: A segurança e eficácia em crianças e adolescentes dos 0 aos <18 anos de idade não foram ainda estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Modo de administração: Via oral e pode ser tomado com ou sem alimentos. CONTRAINDICAÇÕES - Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes. - Gravidez. - Afeção hepática grave. - Compromisso renal grave (TFG <30 mL/min/1.73m2). - Anúria. - Hiponatremia refratária. Hipercalcemia. - Hiperuricemia sintomática. - O uso concomitante de Edarclor com medicamentos contendo aliscireno é contraindicado em doentes com diabetes mellitus ou compromisso renal. EFEITOS INDESEJÁVEIS Lista tabelada de reações adversas As reações adversas baseadas nos dados agregados de todos ensaios clínicos de fase 3 são apresentadas em baixo, de

caso do berotralstat, o que predomina são os efeitos gastrointestinais, que podem ser reduzidos ao passar para a dose de 110 mg, enquanto no lanadelumab são os efeitos

azilsartan medoxomilo

20mg • 40mg • 80mg comprimidos

acordo com as classes de sistemas de órgãos e termos preferenciais. Estão classificadas por frequência, utilizando a seguinte convenção: muito frequentes (≥ 1/10); frequentes (≥ 1/100, < 1/10); pouco frequentes (≥ 1/1,000, < 1/100); raras (≥ 1/10,000, < 1/1,000); muito raras (< 1/10,000), incluindo notificações isoladas. Dentro de cada classe de frequência, as reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade. Doenças do metabolismo e da nutrição – Reações adversas frequentes: Aumento do ácido úrico no sangue, hiperuricémia. Doenças do sistema nervoso – Reações adversas frequentes: Tonturas, tonturas posturais. Vasculopatias – Reações adversas frequentes: Hipotensão. Doenças gastrointestinais - Reações adversas frequentes: Diarreia, náuseas. Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos- Reações adversas frequentes:Espasmos musculares. Perturbações gerais e alterações no local de administração - Reações adversas frequentes: Fadiga. Exames complementares de diagnóstico - Reações adversas:muito frequentes: Aumento da creatinina no sangue; Reações adversas frequentes: Aumento da ureia no sangue. Informação adicional sobre os componentes individuais: As reações adversas que se sabe ocorrerem com cada componente administrado isoladamente mas que não foram observadas nos estudos clínicos podem ocorrer durante o tratamento com Edarclor. Clorotalidona: Adicionalmente às reações adversas listadas para o Edarclor, foram notificadas as seguintes reações adversas para a clorotalidona: Doenças do metabolismo e da nutrição - Reações adversas:muito frequentes: Aumento dos lípidos no sangue; Reações adversas frequentes: Hipomagnesemia. Cardiopatias – Reações adversas frequentes: Hipotensão postural. Doenças gastrointestinais – Reações adversas frequentes: Perda de apetite, desconforto gastrointestinal menor. Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos – Reações adversas frequentes: Urticaria. Doenças dos órgãos genitais e da mama - Reações adversas frequentes: Impotência. Exames complementares de diagnóstico. Creatinina sérica: O tratamento com Edarclor resultou numa maior incidência de aumentos da creatinina sérica, comparativamente com o azilsartan medoxomilo e a clorotalidona. Estes aumentos foram temporários ou não progressivos e reversíveis, e associados com acentuadas reduções da pressão arterial. Ácido úrico: O Edarclor esteve associado a aumentos do ácido úrico sérico. Os aumentos de ácido úrico são dependentes da dose, aumentando com a dose de clorotalidona, embora tenham sido pouco frequentes as notificações de gota nos grupos de tratamento, mesmo nos estudos de longo prazo. Hemoglobina e hematócrito: O Edarclor esteve associado com reduções ligeiras nos níveis de hemoglobina, hematócrito, e na contagem de células vermelhas, consistentes com os efeitos farmacológicos conhecidos dos inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Experiência pós-comercialização - Foi notificada uma rara incidência de angioedema associado ao uso de Edarclor. Não foram identificadas outras reações adversas nas notificações espontâneas pós-comercialização. Notificação de suspeitas de reações adversas: A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema de notificação mencionado abaixo: INFARMED, I.P. Direção de Gestão do Risco de Medicamentos, Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53, 1749-004 Lisboa; Tel: +351 21 798 73 73; Linha do Medicamento: 800222444 (gratuita); Fax: +351 21 798 73 97; Sítio da internet: http://extranet.infarmed.pt/page.seram.frontoffice.seramhomepage; E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt. DATA DA REVISÃO DO TEXTO janeiro 2018. Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos http://www. ema.europa.eu. Para mais informações deverá contactar o representante do titular da autorização de introdução no mercado. MSRM. Medicamento comparticipado no escalão B.

Zona Industrial da Abrunheira; Rua da Tapada Grande n.º 2 — Abrunheira • 2710-089 Sintra NIF: 500 626 413

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decorrentes da própria injeção subcutânea, nomeadamente a dor que a injeção pode acarretar, a qual também pode ser minorada com uma administração mais lenta.

NOME DO MEDICAMENTO: Edarbi 20 mg comprimidos. Edarbi 40 mg comprimidos. Edarbi 80 mg comprimidos. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA: Cada comprimido contém 20 mg, 40mg ou 80 mg de azilsartan medoxomilo (sob a forma de potássio). FORMA FARMACÊUTICA: Comprimido branco a esbranquiçado redondo, com 6,0 mm, 7,6 mm ou 9,6 mm de diâmetro; com “ASL” gravado numa das faces e “20”, “40” ou “80” gravado na outra face, para os comprimidos de 20 mg, 40 mg ou 80 mg respetivamente. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS: Edarbi é indicado para o tratamento da hipertensão essencial em adultos. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO: Posologia: A dose inicial recomendada é de 40 mg uma vez ao dia. A dose pode ser aumentada até um máximo de 80 mg uma vez ao dia nos doentes cuja pressão arterial não é adequadamente controlada com a dose mais baixa. O efeito anti-hipertensor perto do máximo torna-se visível ao fim de 2 semanas, com os efeitos máximos atingidos às 4 semanas. Se a pressão arterial não for adequadamente controlada com o Edarbi isoladamente, pode obter-se uma redução adicional da pressão arterial quando o Edarbi é administrado concomitantemente com outros medicamentos anti-hipertensores, incluindo diuréticos e bloqueadores dos canais do cálcio. CONTRAINDICAÇÕES: - Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes. - No segundo e terceiro trimestres da gravidez. - O uso concomitante de Edarbi com medicamentos contendo aliscireno é contraindicado em doentes com diabetes mellitus ou compromisso renal (TFG < 60 ml/min/1,73 m2). EFEITOS INDESEJÁVEIS: Resumo do perfil de seguranca: Edarbi nas doses de 20, 40 ou 80 mg foi avaliado em termos de segurança em estudos clinicos com doentes tratados durante até 56 semanas. Nestes estudos clinicos, as reações adversas associadas ao tratamento com o Edarbi foram, na sua maioria, ligeiras ou moderadas, com uma incidência global semelhante ao placebo. As tonturas constituiram a reação adversa mais frequente. A incidência das reações adversas com o Edarbi não foi afetada pelo sexo, idade ou raça. Lista tabelada de reações adversas: As reações adversas (doses de 40 e 80 mg) classificadas por frequencia são: tonturas, diarreia e aumento da creatina fosfoquinase plasmática (frequentes (> 1/100, < 1/10)); hipotensão, náuseas, erupção cutânea e prurido, espasmos musculares, fadiga e edema periférico, aumento da creatina plasmática e aumento do ácido úrico plasmático (pouco frequentes (> 1/1000, < 1/100)); angioedemas (raras (> 1/10.000, < 1/1000)). As reações adversas foram notificadas para a dose de Edarbi 20 mg com uma frequencia semelhante às doses de 40 e 80 mg num estudo controlado por placebo. Notificação de suspeitas de reações adversas: A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado abaixo: INFARMED, I.P. Direção de Gestão do Risco de Medicamentos, Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53 1749-004 Lisboa, Tel: +351217987140 Fax: +351217987397; Sítio da internet: http://extranet.infarmed.pt/page.seram.frontoffice.seramhomepage; E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt. Data da revisão do texto: janeiro 2020. MSRM. Medicamento comparticipado escalão B. Para mais informações contactar o titular da autorização de introdução no mercado. Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu.

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56 ■ Hospital Público Maio/Junho 2021

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40/12,5mg • 40/25mg comprimidos

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Imagem gentilmente cedida pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

▼ Edarclor® está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas.

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