Jornal Médico 109

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A sobrecarga do cuidador do idoso, a depressão pós-parto, as perturbações da personalidade e o papel do MF no desenvolvimento da criança são temas abordados nesta edição do JornalMédico. Na foto, o coordenador da USF do Parque, Paulo Coelho, com o presidente da ARSLVT, Luís Pisco.

oferecer cuidados integrados e evitar internamentos

ESPECiaL

Hipertensão

Luís Bronze / Rosa de Pinho Na véspera de mais um Congresso da Sociedade Portuguesa de Hipertensão…

Rogério Ferreira Hiperaldosteronismo – o que há de novo?

Paula Felgueiras

Hipertensão arterial induzida por fármacos

Francisca abecasis

Abordagem terapêutica na HTA maligna

Fernando Martos Gonçalves Como otimizar a adesão terapêutica no hipertenso

Heloísa Ribeiro

Uma equipa multidisciplinar na abordagem da HTA

Vitória Cunha

Polipílula: uma opção eficaz e segura Manuel Viana Hipertensão no idoso frágil

Nesta edição Especial Hipertensão Servier Portugal – Especialidades Farmacêuticas, Lda Torre Oriente. Avenida Colégio Militar 37F – piso 6 – fração B. 1500-180 Lisboa - Telefone: +351 213122000 www.justnews.pt dos cuidados de saúde primários Publicações Diretor: José Alberto Soares Mensal • Janeiro 2023 Ano X • Número 109 • 3 euros Fernanda Geraldes A menopausa não é um fardo que a mulher tenha de carregar P. 6 PUB Esta foi a primeira das 15 unidades de CSP da ULS Matosinhos a estabelecer um protocolo de articulação formal com a Equipa de Suporte a Doentes Crónicos Complexos do Hospital Pedro Hispano. Na foto, a coordenadora da USF Lagoa, Rosa Santos, com Jorge Martins, o seu colega internista que coordena a ESDCC. PUB USF LaGoa, aCES MatoSiNHoS P. 16/22 PUB PUB 40x40_gasoxmed_02.indd 1 14/06/18 14:26
P C U d
P. 23/31
aS
Promover
7.
JoRNaDaS USF Do PaRqUE
a saúde Mental ao longo do ciclo de vida
Quem matou o SNS?
7
Joana Barrona
P.
Rui Costa Antevisão das V Jornadas Multidisciplinares de MGF P. 8 PUB PUB VI EDIÇÃO ST RT MGF 1 - 4 MARÇO 2023 CONVENTO PUB PUB VI EDIÇÃO ST RT MGF 1 - 4 MARÇO 2023 CONVENTO DE SÃO FRANCISCO COIMBRA PUB PUB VI EDIÇÃO ST RT MGF 1 - 4 MARÇO 2023 CONVENTO DE SÃO FRANCISCO COIMBRA P. 10/14

Valorizar

Publicação de referêNcia Na área doS cuidadoS de Saúde PrimárioS.

JorNal diStribuído aoS ProfiSSioNaiS de Saúde daS uNidadeS hoSPitalareS do SNS.

Publicações

www.justnews.pt

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23
eXecuti
de março 2021 – rafic
NordiN, diretor

Valorizar o SNS

Jornal Médico | 3 Janeiro 2023
ecutiVo do aceS liSboa ocideNtal e oeiraS, No Seu GabiNete… Que o coNSelho clíNico e de Saúde também uSa Para Se reuNir (foto JuStNeWS).

Da Ética à (i)moralidade: um olhar no meio da ponte

A moralidade assente nos costumes e na interação sistémica da sociedade permite-nos, enquanto Pessoas Humanas, ter uma noção consciente das decisões que nos conduzem ao comportamento que fere ou abraça as normas sociais no contexto tempo-espaço-circunstância em que nos encontramos. Já a Ética permite-nos, usando a metáfora de Saramago, “sair da ilha para ver a ilha”. Os princípios éticos permitem-nos usar a inteligibilidade que nos caracteriza como Pessoas Humanas, para refletir sofre as condutas, sobre os costumes e sobre o Sentido de Ser nas formas de Estar na interação, connosco, mas acima de tudo com os outros.

é, por si só, um espelho onde quem assume um cargo político deveria olhar-se e questionar-se. Nesse primeiro diálogo consigo mesmo, a Ética deveria nortear o sentido do questionamento e, diria, o questionamento do sentido de abraçar essa mesma missão:

Quero, no meu cargo político, orientar-me pela beneficência? Neste caso, focando empaticamente o bem dos outros,

mesmo que signifique um sentido de altruísmo e cedência do próprio bem próprio imediato?

Quero, no meu cargo político, orientar-me pela não maleficência? Negando o ruído passado ou presente, ou a intenção de futuro, que ensurdeça a conquista do “Bem-comum”?

como ventos fortes que abanam os mares da vivência social, agitando a confiança, o sentido de esperança e arrastando as areias do “Bem-comum”, espraiando a Política em menos Política.

Do comportamento baseado em normas à reflexão sobre o comportamento, estão interligados os conceitos de moral e de ética.

Atualmente, as circunstâncias de membros do sistema político português tornam mediática a necessidade de refletir sobre esta ilha que é a vida em sociedade em Portugal.

Política, que significa “Bem-comum”, deveria ser uma missão de serviço aos outros, assente em pilares éticos que enformassem a moralidade de ser a Pessoa que a exerce. O entendimento de que se vai ter uma função de servir a sociedade

Atualmente, as circunstâncias de membros do sistema político português tornam mediática a necessidade de refletir sobre esta ilha que é a vida em sociedade em Portugal.

Quero, no meu cargo político, orientar-me pela justiça? E neste caso entender que equidade não significa o mesmo que igualdade e que o sentido de oportunidade é em função do que é certo, no momento certo, para a pessoa certa?

Quero, no meu cargo político, orientar-me para a autonomia dos que sirvo? Alicerçando no sentido da democracia o direito de os outros escrutinarem a minha conduta e decidirem se sou eu ou não quem escolhem que os sirva?

Tudo isto parece, talvez, óbvio, mas diria que cada um de nós deve ser o primeiro juiz de si mesmo, antes de decidir ser julgado pelos outros.

As notícias que indiciam corrupção, imoralidade e agressão à Ética, nas pessoas que constituem o sistema político, são

Diria que é preciso refletir sobre a Ética e é preciso usar as suas lentes para desenvolver competências para viver em moralidade. Desde cedo.

Neste contexto, os enfermeiros, podem, num contexto transdisciplinar, usar a Ciência de Enfermagem para potenciar firmeza no sistema sociopolítico.

Como? Através dos cuidados às comunidades escolares, aos indivíduos e famílias e às organizações políticas que se orientem para o diagnóstico e intervenção para a promoção da plena cidadania. Otimizando conhecimentos, crenças potenciadoras e comportamentos de adesão às decisões de conduta moral e à autorresponsabilização.

Queiram os próprios enfermeiros também sair da ilha para ver a própria ilha em que exercem a profissão.

Foto de família...

identificado como “Informação”.

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JoRNaLMÉDiCo
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diretor: José Alberto Soares assistente da direção: Cherlei Correia redação: Miguel Anes Soares, Raquel Braz Oliveira Fotografia: Nuno Branco publicidade: Ana Mota, Ana Paula Reis, Diogo Varela diretor de produção Gráfica: José Manuel Soares diretor de multimédia: Luís Soares morada: Alameda dos Oceanos, Nº 25, E 3, 1990-196 Lisboa Jornalmédicoé uma publicação híbrida da JustNews, de periodicidade mensal, dirigida a profissionais de saúde, isenta de registo na ERC, ao abrigo do Decreto Regulamentar 8/99, de 9/06, Artigo 12º nº 1A Tiragem: 12.000 exemplares preço: 3 euros depósito Legal: 355.701/13 Notas: 1. A reprodução total ou parcial de textos ou fotografias é possível, desde que devidamente autorizada e com referência à JustNews 2. Qualquer texto de origem comercial eventualmente publicado neste jornal estará
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DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM
Pedro Melo em Enfermagem Comunitária. Professor auxiliar convidado do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa
Fotografia oficial da Comissão Organizadora das VII Jornadas da USF do Parque, que se realizaram nos dias 13 e 14 de outubro. PUB 2023 23 a 25 de março Centro de Congressos Hotel Sheraton Porto 2023 23 a 25 de março Centro de Congressos Hotel Sheraton Porto 2023 23 a 25 de março Centro de Congressos Hotel Sheraton Porto
Jornal Médico | 5 Janeiro 2023

Entrevista

“a menopausa não é um fardo que a mulher tem de carregar”

Ainda existe a ideia de que as consequências da menopausa devem ser sentidas e vividas.

A ginecologista Fernanda Geraldes vem desmitificar este assunto, salientando que é possível viver com qualidade e que os profissionais de saúde, sobretudo os ginecologistas e os médicos de família, têm um papel preponderante nesta área. Porque “a menopausa não é um fardo”, mas sim “uma nova fase” da vida.

“É preciso contrariar a ideia generalizada de que a menopausa é um fardo que a mulher tem de suportar, sem que nada possa ser feito. Atualmente, existem opções terapêuticas e atitudes preventivas que permitem melhorar a qualidade de vida”, afirma Fernanda Geraldes, ginecologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), em entrevista à Just News na qualidade de presidente da Secção da Menopausa da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), mandato que termina agora em meados de janeiro.

A médica refere “a importância” dos especialistas de Medicina Geral e Familiar, mas também dos ginecologistas e, até, dos endocrinologistas, no sentido de consciencializar as mulheres para o facto de existirem formas de combater os sintomas e as consequências desta fase fisiológica das suas vidas.

“As mulheres não têm de encarar e aceitar a menopausa como algo terrível e que as condiciona. Há a ideia de que é preciso sentir tudo o que é mau: calores, insónias, disfunções sexuais, síndrome geniturinária, secura vaginal, dores durante as relações sexuais, entre outros. Isto não é verdade e é preciso mudar este paradigma de que a menopausa é o acabar das coisas boas da vida”, observa.

E salienta: “É outra fase, que deve ser vivida da melhor forma. Os médicos devem estar atentos e dar toda a informação necessária a estas mulheres, sensibilizando-as a recorrer aos serviços de saúde.”

“Há muito a fazer nesta área”, até porque, de acordo com Fernanda Geral-

des, existem até tabus no que respeita à terapêutica farmacológica, uma vez que há ainda quem diga, por exemplo, que “as hormonas podem ser prejudiciais à saúde”. Daí que insista: “Os médicos têm um papel essencial para mudar esta realidade.”

Fazendo referência aos dados do Censos 2021, como forma de justificar a importância desta causa, a ginecologista sublinha que a população feminina é maioritária em Portugal. “A nossa população é constituída por 52% de mulheres e 49% de homens. Além disso, a percentagem das que têm mais de 45 anos também é superior a 50%. Temos um elevado número de mulheres tanto na perimenopausa como na menopausa e, tendo em conta que a sua esperança média de vida é superior à dos homens, facilmente se percebe que mais de um terço das suas vidas é passado na fase da menopausa”, sublinha.

Menopausa e sexualidade sem tabus

A sexualidade da mulher nesta fase da menopausa é outra das áreas tabu e que Fernanda Geraldes diz dever ser abordada, defendendo ser necessário que os médicos tomem essa iniciativa, para informar e esclarecer todas as dúvidas que possam existir.

“Enquanto na idade reprodutiva as mulheres procuram o médico por causa da contraceção, quando entram na menopausa não abordam estes assuntos, porque já não engravidam e, muitas vezes, pensam que estão no fim da linha. Realmente, isso é verdade em termos de capacidade reprodutiva, mas não relati-

vamente à sua capacidade sexual”, refere.

E continua: “Aos 50 anos a mulher é jovem, ativa e a menopausa pode ser o início de uma nova vida, até porque, em muitos casos, as mulheres sentem-se melhor no que respeita às relações sexuais. Os seus filhos já estão crescidos, já não se preocupam por poder engravidar e não têm menstruações abundantes ou dores menstruais, logo há uma libertação da mulher.”

“É necessário que se lhe explique tudo para que se sinta bem, porém, o tempo de consulta não é muito. Claramente, este é um dos problemas do Serviço Nacional de Saúde, uma vez que os médicos deveriam ter mais tempo para explicar às utentes o que lhes está a acontecer e o que pode ser feito”, frisa.

Por mais consultas de menopausa

Fernanda Geraldes não pode deixar de criticar o facto de em muitos serviços de Ginecologia do país não existirem consultas es-

pecíficas de menopausa: “É inacreditável que tantas mulheres não sejam seguidas numa Consulta de Menopausa. São vistas noutras, mas é importante lembrar que uma abordagem específica é muito mais benéfica.”

Obviamente, Fernanda Geraldes reconhece que esta realidade se deve à limitação de recursos do SNS. “Não é que não se façam consultas de menopausa, simplesmente, elas estão integradas”, refere. No caso do CHUC, onde trabalha, até existem duas consultas, uma na Maternidade Bissaya Barreto e outra no Hospital Universitário de Coimbra.

Quando questionada acerca da abordagem à mulher, assim como à consciência da própria sobre esta fase da sua vida, em outros países da Europa, a ginecologista responde que, no geral, “a situação é transversal a todos”.

“Este foi um dos temas abordados no 18.º Congresso Mundial da Menopausa, que se realizou recentemente em Lisboa. Foi in-

teressante perceber que os representantes dos outros países também se queixam da abordagem feita à mulher na menopausa, isto é, da falta de informação adequada, da falta de médicos vocacionados e do facto de as senhoras não recorrerem aos serviços de saúde”, diz Fernanda Geraldes.

Porém, e de acordo com a nossa entrevistada, já há muita literatura sobre o tema e as sociedades científicas dos vários países são unânimes relativamente às orientações.

Tal como indica, enquanto presidente da Secção da Menopausa da SPG, ou seja, ao longo dos últimos sete anos, foram publicados dois consensos nacionais em matéria de menopausa, precisamente em 2016 e em finais de 2021. Além disso, foi publicado um livro, em português, sobre este tema, disponível na página da SPG. “Foi um trabalho hercúleo, que juntou especialistas a nível nacional, de norte a sul do país”, observa, terminando: “Temos feito o nosso percurso, mas ainda há muito a fazer.”

Em 2022, Portugal recebeu, pela primeira vez, o Congresso Mundial da Menopausa. O 18th World Congress on Menopause teve como palco Lisboa, de 26 a 29 de outubro, e foi um sucesso, tendo contado com cerca de 2 mil participantes.

“É um número muito representativo, com especialistas provenientes de todo o mundo, o que demonstra a im-

portância do evento”, afirma Fernanda Geraldes, membro da Comissão Organizadora.

Segundo a ginecologista, Portugal foi escolhido para palco deste Congresso pela própria International Menopause Society (IMS): “Foi-nos feita uma proposta de colaboração. Aceitámos e fomos envolvidos na sua organização, que incluiu também um programa pa-

ralelo nas línguas oficiais portuguesa e espanhola.”

“Foi muito trabalhoso, mas muito recompensador! De acordo com o presidente da IMS, Steve Goldstein, este foi um dos congressos mais participados!”, exclama Fernanda Geraldes.

O Congresso Mundial da Menopausa realiza-se a cada três anos. A próxima edição vai ter lugar em Melbourne, na Austrália.

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FERNaNDa GERaLDES, GiNECoLoGiSta Do CENtRo HoSPitaL aR E UNiVERSitáRio DE CoiMBRa: Fernanda Geraldes: “os médicos devem estar atentos e dar toda a informação necessária a estas mulheres”
18.º World Congress on Menopause em Lisboa: um dos mais participados de sempre

Opinião

antevisão das V Jornadas Multidisciplinares de MGF

pessoas. Numa sessão tipo casos clínicos flash, abordaremos as principais síndromes de interesse para a MGF.

Iremos ter uma sessão sobre doença coronária onde, para além de se falar do seu diagnóstico, será dado um grande ênfase às indicações dos múltiplos exames complementares de diagnóstico necessários ao estudo desta importante e letal doença.

À semelhança das edições anteriores, teremos uma sessão eminentemente prática e didática na área da Dermatologia, este ano subordinada aos eczemas.

Sabendo que o consumo de álcool é um dos principais problemas no nosso país e que a questão da dinâmica do álcool e as problemáticas associadas ao seu consumo são muito pouco relevadas ou faladas, te-

Multidisciplinares de MGF, escolhemos um tema da área da Oftalmologia que julgamos ser do maior interesse para o MF, subordinado à patologia mais frequente da pálpebra e da conjuntiva, na perspetiva da atuação da MGF.

Vamos também ter, novamente, uma mesa-redonda sobre Gastrenterologia de consultório que, na edição do ano passa-

A Comissão Organizadora das V Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar, que decorrem de 23 a 25 de março, no Porto, elaborou um programa diversificado, com formatos diversos, baseados em mesas-redondas e casos clínicos flash, e escolheu temas pertinentes e considerados do maior interesse para a prática clínica da MGF.

O objetivo principal das Jornadas é a educação médica contínua, assente na partilha de saber e conhecimento científico atualizado, das melhores práticas e do estado da arte médica nas diversas situações clínicas com que o médico de família é diariamente confrontado no exercício da sua atividade.

Iniciaremos o evento com uma mesa-redonda subordinada às doenças respiratórias de consultório. A patologia respiratória tem tido uma relevância cada vez maior na consulta do MF, com uma crescente procura de consulta médica pelos utentes, criando assim novos desafios. Será um fórum de aberta discussão da abordagem das agudizações de asma e de DPOC, da sibilância na criança com menos de 6 anos, da vacinação antipneumocócica e do rastreio do cancro do pulmão.

Como nas edições anteriores, teremos uma sessão sobre a tão frequente patologia osteoarticular, abordando este ano a patologia da coluna. Sabemos que a lombalgia é a principal causa de dor em Portugal e, quando crónica, tem um significativo impacto na qualidade de vida das

A

remos uma sessão de casos clínicos flash sobre a abordagem dos problemas ligados ao álcool. Esperamos, desta forma, sensibilizar e contribuir para uma melhor deteção e abordagem pelo MF dos problemas associados ao consumo de álcool.

Vamos ter uma mesa-redonda onde serão abordados, de forma eminentemente vocacionada para as reais necessidades do MF, os desafios em Geriatria que encontramos na nossa prática clínica diária. O envelhecimento da população portuguesa é uma realidade em crescendo – atualmente, cerca de um quarto da mesma tem mais de 65 anos e as múltiplas situações clínicas na faixa geriátrica assumem desafios cada vez maiores para o MF.

Entretanto, para estas V Jornadas

do, foi um enorme sucesso. Nesta sessão de discussão aberta entre os palestrantes convidados iremos abordar os temas da obstipação, da síndrome do intestino irritável, do meteorismo e do refluxo gastresofágico. Estas situações clínicas do foro digestivo são motivo frequente de consulta do MF. Como tal, convém estarmos devidamente capacitados para a sua gestão mais adequada.

A antibioterapia e a preocupação com o uso indevido dos antibióticos e as resistências microbianas serão o tema da sessão onde abordaremos os erros comuns da antibioterapia no ambulatório. Será uma boa forma de atualizarmos conhecimentos na área das patologias com necessidade de prescrição antibiótica, suas indicações e a racionalidade do seu uso no ambulatório.

No último dia das Jornadas, terá lugar um workshop sobre lípidos direcionado para o interesse e a realidade quotidiana do MF como elemento chave na prevenção cardio e cerebrovascular da população.

No último dia das Jornadas, terá lugar um workshop sobre lípidos direcionado para o interesse e a realidade quotidiana do MF como elemento chave na prevenção cardio e cerebrovascular da população. A dislipidemia é um importante fator de risco de aterosclerose e de doença vascular, sendo a principal causa de morte em Portugal e nos países desenvolvidos. Assim, o seu controlo, de acordo com o risco cardiovascular global de cada pessoa, é determinante para melhorar a qualidade global de saúde e evitar a ocorrência de eventos cardio e cerebrovasculares ou a morte precoce.

Por fim, teremos a apresentação de comunicações livres selecionadas nas três tipologias a concurso, ou seja, investigação clínica e qualidade, revisão baseada na evidência ou revisão de temas, e casos clínicos. A submissão de trabalhos encerra no dia 31 de janeiro.

Com estas Jornadas Multidisciplinares, esperamos proporcionar uma ação de educação e de formação médica diversificada e interativa, dirigida às reais necessidades dos internos e especialistas em Medicina Geral e Familiar. É nossa intenção acrescentar valor formativo e educacional aos médicos e outros profissionais de saúde, no âmbito dos cuidados de saúde primários, com vista à atualização científica, partilha de conhecimento e discussão de temas relevantes para a sua prática quotidiana.

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Rui Costa Especialista de MGF. Copresidente das Jornadas
patologia respiratória tem tido uma relevância cada vez maior na consulta do MF, com uma crescente procura
consulta médica pelos utentes,
novos desafios.
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Servier Portugal – Especialidades Farmacêuticas, Lda Torre Oriente. Avenida Colégio Militar 37F – piso 6 – fração B. 1500-180 Lisboa - Telefone: +351 213122000
as iV Jornadas Multidisciplinares de MGF (na foto) decorreram nos dias 19 a 21 de maio de 2022

Nutrição

Estratégias nutricionais na HTA

indivíduos com 4 ou menos anos de escolaridade vs 25,6% dos indivíduos com 12 ou mais anos de escolaridade). Tal pode ser parcialmente explicado pelas barreiras de acesso a uma alimentação adequada em indivíduos com maior vulnerabilidade.

Estratégias nutricionais e alimentares

São duas as estratégias mais eficazes do ponto de vista alimentar para tratar/controlar a HTA em adultos, detalhadas de seguida. Será sempre fundamental associá-las a um padrão alimentar adequado ao indivíduo, do ponto de vista das necessidades energéticas e nutricionais, e com boa palatibilidade, para garantir uma dieta adotada de forma sustentada. De forma global, o padrão alimentar da “Dieta mediterrânica”, em muito semelhante à Dieta DASH, amplamente reconhecida como o padrão alimentar para controlo da HTA, é um padrão perfeitamente aconselhável a adotar nesta condição.

A prevalência de hipertensão arterial (HTA) em Portugal na população adulta é de 36%, de acordo com dados de 2015-2016 do INSEF.

É uma condição que demonstra afetar, em diferente medida, distintos grupos da população portuguesa, em que indivíduos de maior vulnerabilidade socioeconómica são mais afetados (HTA atinge 45,1% dos

1) Limitar o consumo de sódio. O consumo de sódio elevado, prevalente por toda a Europa, é um importante fator de hipertensão. A redução no seu consumo pode ter um impacto significativo na pressão arterial.

Assim, deve-se: – Diminuir gradualmente o consumo

de sal adicionado à preparação das refeições ou como tempero, mesmo equacionando os diversos tipos de sal disponíveis no mercado, nomeadamente o sal dos Himalaias. Apesar de conter mais minerais e um teor de sódio ligeiramente inferior ao sal marinho / refinado, este menor valor torna-se pouco significativo no seu uso para justificar uma substituição. A medida a adotar será sempre a redução do consumo de sal, em qualquer das suas versões. – No caso dos produtos transformados, apesar da recente reformulação dos produtos alimentares em Portugal, que teve lugar entre 2018 e 2021 e que levou a uma redução global de 11,5% no consumo de sal (diminuição que se focou nos principais produtos processados fornecedores de sal, como “batatas fritas e outros snacks salgados”, “pizzas” e “cereais de pequeno-almoço”), este grupo continua a ser dos maiores fornecedores de sal na alimentação diária. Assim, o seu consumo deve ser limitado, e sempre que for feita a opção por produtos processados estes devem ser comparados entre si e escolhido o que tiver menor teor de sal por porção que irá ser consumida. É importante avaliar o binómio “teor de sal” e “porção consumida”, pois, mesmo produtos com teor moderado de sódio podem levar a um consumo excessivo de sal

se consumidos em grandes quantidades/ /indiscriminadamente.

– No caso do pão, que contribui fortemente para o consumo de sal diário dos portugueses por ser um dos alimentos mais populares, já há legislação concreta que limita o teor máximo de sal no pão. Têm sido mesmo várias, ao longo dos anos, as iniciativas de produtores e retalhistas no sentido de reduzir o teor de sal no pão para além do que está legislado. Recentemente, a Auchan substituiu o uso de sal convencional por sal líquido de formentera nos pães de fabrico próprio, o que permitiu diminuir em 25% a percentagem de sódio face à receita anterior, com manutenção do sabor (este sal apresenta apenas 8% de sódio na sua composição vs 40% do sal tradicional).

– Limitar produtos de charcutaria e queijaria e, quando houver consumo, optar pelas versões com sal reduzido.

– Substituir o saleiro colocado na mesa por especiarias / ervas aromáticas secas.

– Foco no consumo de mais produtos naturalmente pobres em sódio, o que levará a uma natural redução do consumo de sódio com menor perceção de restrição.

2) Aumento da ingesta de potássio.

O balanço entre sódio e potássio é reco-

nhecidamente muito relevante na regulação da pressão arterial e nos efeitos pressores da ingesta de sódio, ao ser essencial na manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, do volume sanguíneo e da atividade celular.

Para aumentar o consumo de potássio:

– Incluir fontes naturais de potássio na alimentação, como fruta, frutos secos e hortícolas.

– Substituir as fontes de hidratos de carbono refinadas por integrais – optar por arroz e massas integrais, variar estes acompanhamentos e introduzir bulgur e quinoa.

– Para pequeno-almoço e refeições intermédias, preferir flocos de aveia e pão de mistura / integral.

– Aumentar o consumo de leguminosas como fonte proteica principal ou major.

– Substituir snacks como bolachas aperitivas por frutos secos.

Apoio:

auchaneeu.auchan.pt/vidasaudavel/

Jornal Médico | 9 Janeiro 2023
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AF_NN_HCP_JornalMedico.pdf 1 09/01/2023 16:44
Espaço
Vera Fernandes Nutricionista Auchan. Membro da Ordem dos Nutricionistas n.º 1581N verasofia.fernandes@auchan.pt

7.as Jornadas

USF do Parque

Promover a saúde mental ao longo da vida

Decorreram em outubro, em Lisboa, as VII Jornadas da USF do Parque, que tiveram como tema central “A saúde mental ao longo do ciclo de vida”.

Reforçar a importância da saúde mental ao longo da vida e advogar a relevância da promoção da mesma e da intervenção de âmbito multidisciplinar foi o grande objetivo das Jornadas de 2022.

Em declarações à Just News, a médica de família Catarina Pinto, que integrava a CO, considera que “a consulta de MGF é, sem dúvida, uma das melhores oportunidades para fazermos a identificação e acompanhamento da patologia psiquiátrica. E explica porquê:

“Habitualmente, são utentes que seguimos, conhecendo o seu contexto pessoal, familiar e laboral, entre outros. Nem sempre é possível nestes doentes e

nestas patologias resolver tudo numa só consulta. Mas, mais uma vez, a MGF é particular nesta abordagem, visto poder estender a vigilância e o acompanhamento a vários momentos.”

Por outro lado, considera que “uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento médico, de enfermagem, com a psicóloga e a assistente social, permite um envolvimento clínico muito mais global e longitudinal”.

Paulo Batista Coelho, coordenador da USF do Parque, salienta igualmente a importância de um trabalho desenvolvido em equipa multidisciplinar e recorda que, “durante alguns anos, tivemos consultoria com um colega psiquiatra

na USF, permitindo discutir alguns casos clínicos e acertar arestas face à terapêutica”.

Essa consultoria, entretanto, terminou, “por aposentação do colega”, mas, na sua opinião, “esse modelo faz muito sentido, sobretudo porque, numa realidade em que a prevalência de doença mental é elevada, os médicos de família assumem uma abrangência cada vez mais lata de tratamento destes doentes... mas é natural que tenhamos dúvidas”.

Desta forma, considera que um regime de consultoria que possibilite o “esclarecimento das dúvidas” é fundamental, assim como um “reforço da intervenção e do número de psicólogos na USF, pois, permitiria reservar as referenciações a Psiquiatria apenas para os casos efetivamente graves de doença psiquiátrica”. Qual seria o resultado? “Permitia otimizar recursos, favorecendo todos os intervenientes.”

Intervenção do Serviço Social: “integração plena na equipa multidisciplinar da USF”

Entre os oradores convidados para estas Jornadas estiveram profissionais do Serviço Social, como Susana Pina, que desenvolve atividade no âmbito do ACES Lisboa Norte. “A minha intervenção nos CSP, nomeadamente, junto da USF do Parque, pauta-se por uma visão holística e de prática sistémica em prol do doente e família”, refere a assistente social, que

Catarina Pinto: “A consulta de MGF é uma das melhores oportunidades para fazermos a identificação e acompanhamento da patologia psiquiátrica.”

interveio numa mesa-redonda intitulada: “Sinais de alarme em idade pediátrica e estratégias de parentalidade”.

Na sua opinião, “a intervenção social só é devidamente eficaz na prevenção primária da doença e na promoção da saúde se o Serviço Social estiver plenamente integrado na equipa multidisciplinar da USF”.

" a saúde mental deve ser abordada o mais holisticamente possível"

“A saúde mental deve ser abordada tão cedo quanto possível, o mais próximo do local onde as pessoas trabalham e vivem e também o mais holisticamente possível, sendo que os únicos que o podem fazer, de facto, são os médicos de família”, considera Luís Pisco.

O presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, que presidiu à sessão de abertura das 7.as Jornadas USF do Parque, fez referência aos “novos desafios” – como a utilização intensiva do telemóvel pelas crianças – que se vêm juntar

às situações de ansiedade e depressão, alertando: “Se não tivermos cuidado e não atuarmos a tempo, iremos ter grandes problemas, e são os médicos de família que estão sempre na linha da frente.”

Considerando o tema da saúde mental como “importante e atual”, João Ramires, presidente do Conselho Clínico e de Saúde do ACES Lisboa Norte, lembrou que o mesmo “vai de encontro àquilo que é a atividade diária das equipas de família desta unidade”.

Para que tal ocorra com sucesso, “é necessário que haja um reconhecimento dos benefícios para o doente, e para o desempenho da equipa, da existência do assistente social como uma mais-valia e como mais um elemento da equipa multidisciplinar, facilitando o acesso do doente a bens de saúde e respostas sociais da comunidade”.

Susana Pina esclarece que o assistente social deverá ter um conhecimento “sobre as várias políticas sociais, judiciais e de saúde, transversais na sociedade”, para que possa proporcionar aos médicos e enfermeiros “uma abordagem multissistémica da situação do doente e da sua família”.

Assim, para o “sucesso do tratamento do doente, este deverá ter acesso, não só ao diagnóstico e tratamento, ao conhecimento, por exemplo, sobre os seus direitos e benefícios sociais ao seu dispor”. E, para que tal ocorra, naturalmente que deverá ter “conhecimento da existência do profissional de Serviço Social na USF”.

Faz ainda questão de destacar a cultura e métodos de trabalho na USF do Parque: “É com regozijo que traba -

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João Ramires e Luís Pisco LUíS PiSCo, PRESiDENtE Da aRSLV t: os três principais impulsionadores das Vii Jornadas da USF do Parque: os médicos de família Paula atalaia, Catarina Pinto e Paulo Coelho

lho diariamente com profissionais de excelência e humanismo nesta unida de, que integraram o Serviço Social como uma complementaridade e mais um contributo para a abordagem junto do doente na sua melhoroa de quali dade de vida, através da prescrição social.”

Envolver a comunidade para “servir bem os nossos utentes”

Um dos workshops do programa foi dedicado à problemática da vio lência contra profissionais de saúde e contou com a intervenção de Sandra Rodrigues, chefe da PSP. À semelhança de outros elementos da comunidade, esta presença da Polícia na vida da USF é algo habitual, conforme explica Paulo Baptista Coelho: “A noção de que apenas integrando todos os elementos da rede de apoio da comunidade é que conseguimos servir bem os nossos utentes constitui um princípio norteador para nós.”

E acrescenta: “É nesta lógica que relações de proximidade, com a PSP, por exemplo, nos permitem rapidamente

identificar situações de risco e atuar em consonância, numa partilha bilateral de informação, alicerçada no conhecimento complementar que temos da comunidade.”

Fazendo a ponte com o tema das Jornadas, o coordenador da USF do Parque dá um exemplo concreto da mais-valia

destas sinergias que têm vindo a ser desenvolvidas: “Temos, em Alvalade, várias situações de doentes do foro mental que beneficiam com esta articulação próxima USF/PSP.”

O médico destaca também “a vertente importante de formação sobre violência que a PSP já nos ministrou, alertando

quer para violência existente na comunidade sobre os utentes, quer para a violência sobre os profissionais de saúde, capacitando-nos para atuarmos em ambas as situações”.

À semelhança de edições anteriores, as VII Jornadas pretenderam ser, elas próprias, mais um veículo de “aproxi -

mação e integração na comunidade», pelo que a Comissão Organizadora abriu novamente as portas aos «parceiros da comunidade, com o intuito de aperfeiçoar a nossa intervenção e refletir sobre a nossa prática clínica, através da partilha de conhecimentos e experiências”.

Jornal Médico | 11 Janeiro 2023
Outubro 2022

7.as Jornadas USF do Parque

As VII Jornadas da USF do Parque vieram confirmar o ímpeto de trabalho em rede com que os profissionais da unidade se identificam e que leva a que os resultados em saúde sejam efetivos e úteis para a população que servimos. Este ano sob o tema “Saúde Mental ao Longo do Ciclo de Vida”. Num primeiro dia muito participado, em que a discussão interdisciplinar definiu o mote para o trabalho, percorremos

as problemáticas que sentimos como mais relevantes na área da Saúde Mental na sua expressão diária da nossa realidade em cuidados de saúde primários.

O resultado da partilha interpares com os vários parceiros da comunidade em Alvalade foi o estabelecimento de contactos e a definição de protocolos de atuação face a problemas comuns e diários.

Começámos com a avaliação sistemática da puérpera em risco de depressão pós-parto, vincando a importância de uma abordagem sistemática a este problema e os contributos complementares dos vários técnicos de saúde.

Continuámos com a discussão de estratégias de parentalidade e o lidar com a criança em sofrimento, passando pela vertente fundamental do adolescente, realçando, nas palavras da Dr.ª Maria São José Tavares, coordenadora do Aparece, que “A doença mental é a mais prevalente na adolescência e o suicídio segunda causa de morte (...) Para todos temos de ter tempo certo, ouvin -

As VII Jornadas da USF do Parque vieram confirmar o ímpeto de trabalho em rede com que os profissionais da unidade se identificam e que leva a que os resultados em saúde sejam efetivos e úteis para a população que servimos.

do as suas histórias, interpretações e fragilidades”.

Discutimos, em conjunto com a Psiquiatria e a PSP, formas de lidar com o

Reflexão introdutória a sobrecarga do cuidador do idoso

doente psiquiátrico difícil, definindo estratégias de atuação quando pela descompensação da doença é colocado em risco o próprio e o outro, otimizando a atuação e valorizando sempre o sofrimento pessoal que decorre da doença mental.

Por fim, dedicámos tempo a uma mesa muito participada, dedicada a quem muitas vezes sofre em silêncio, pela responsabilidade e altruísmo de cuidar de quem está doente – falamos dos cuidadores e da importância da sua avaliação sistemática, planeando estratégias conjuntas de intervenção em equipa com as instituições da freguesia.

A ideia de reservar um segundo dia para a realização de workshops práticos de 4 horas de duração revelou-se um sucesso. Com 50 participantes por curso, foi otimizada a discussão interpares e a atualização em temas fundamentais para os quais sentimos necessidade de formação, designadamente: orientações de parentalidade e criança difícil (Dr.ª Lurdes Sá, psicóloga clínica), aborda -

gem da violência nos profissionais de saúde (chefe Sandra Rodrigues - PSP) comunicação de más notícias (Dr.ª Carolina Cabaços, médica interna de Psiquiatria) e abordagem ao doente difícil (Dr.ª Rita André, médica interna de Psiquiatria).

As VIII Jornadas do Parque terão lugar em 2024.

Com uma frequência bianual, as Jornadas da USF do Parque têm já um lugar sedimentado no panorama formativo em Lisboa e a equipa iniciou, entretanto, o planeamento das VIII Jornadas, que terão lugar em 2024, subordinadas ao tema “As novas tecnologias de informação ao serviço dos Cuidados de Saúde Primários”. Contamos com todos novamente em 2024!

A sobrecarga do cuidador do idoso é uma realidade com prevalência crescente no contexto do envelhecimento da população e do aumento da sua dependência. Cada vez mais se reconhece e valoriza o papel do cuidador e a importância de cuidar de quem cuida. A atenção dos profissionais de saúde deve incidir igualmente no cuidador, que está em risco de desenvolver doença mental ou física, podendo também colocar em

risco a prestação de cuidados ao idoso dependente.

Na USF do Parque verificou-se uma prevalência de sobrecarga intensa dos cuidadores na ordem dos 50%, sendo estes predominantemente filhos. Com isto, assiste-se a uma necessidade de conciliar os cuidados ao idoso dependente com a vida social, familiar e laboral dos filhos cuidadores. O que, por um lado, poderá ser visto como um fator protetor, por permitir desviar o cuidador para outras tarefas além da prestação de cuidados. Por outro, poderá ser um indutor de stress, a dificuldade em conciliar todas estas dimensões da vida do cuidador. Em cerca de um quarto dos casos o cuidador é o cônjuge, igualmente idoso e frequentemente com doenças crónicas e necessidade de cuidados.

É importante conhecer alguns fatores de risco que se associam ao aumento da sobrecarga do cuidador para que possamos estar mais atentos. O baixo nível socioeconómico, a prestação de cuidados ao idoso com demência e com

alterações neurocomportamentais, o tempo reduzido que o cuidador despende para as suas necessidades, atividades sociais ou de lazer, são fatores que nos devem deixar em alerta.

Enquanto profissionais de saúde, podemos atenuar estes fatores de risco informando o cuidador relativamente aos apoios existentes na comunidade. Para reduzir a sobrecarga económica existe, por exemplo, o complemento por dependência e a comparticipação em produtos de apoio e dispositivos médicos. Para a redução da sobrecarga física, o cuidador e o idoso podem beneficiar de serviços de apoio domiciliário na alimentação e na higiene pessoal e da habitação. A possibilidade de referenciação do idoso para o descanso do cuidador é também uma opção que permite libertar o prestador de cuidados para outras atividades/necessidades da sua esfera social, familiar, pessoal ou outra.

A aplicação de escalas, nomeadamente a escala de Zarit, pode ser útil na

Na USF do Parque verificou-se uma prevalência de sobrecarga intensa dos cuidadores na ordem dos 50%, sendo estes predominantemente filhos.

deteção de cuidadores em sobrecarga, pelo que deve fazer parte da nossa prática habitual. No entanto, nas situações em que se torna difícil aplicá-las pelo tempo reduzido da consulta, alguns sinais podem deixar o alerta de que podemos estar perante um cuidador em sobrecarga. Entre eles, um cuidador que

manifesta irritabilidade, que procura recorrente e desproporcionalmente os cuidados de saúde ao idoso dependente ou quando deixa de cuidar adequadamente.

Nestas situações, é importante explorar sintomatologia sugestiva de um quadro reativo de ansiedade ou depressão, ou sintomas como a insónia, frequentemente a apresentação inicial da deterioração do estado de saúde mental do cuidador. Além da abordagem farmacológica, necessária quando se confirma a presença de psicopatologia, a referenciação para psicoterapia, ou para grupos psicopedagógicos de cuidadores com partilha de dificuldades e desafios no processo de cuidar, pode ser importante na recuperação destes quadros.

Dada a elevada prevalência e complexidade desta problemática, é importante identificar precocemente esta condição para prevenção de doença no cuidador e evicção da deterioração de prestação de cuidados aos idosos dependentes.

12 | Jornal Médico Janeiro 2023
Paulo Baptista Coelho Especialista de MGF. Coordenador da USF do Parque Priscila araújo Especialista de MGF, USF do Parque

Depressão pós-parto: uma realidade

Nas VII Jornadas da USF do Parque demos a conhecer a nossa realidade, não diferente do restante país. Expondo programas de intervenção associadas à Maternidade

Alfredo da Costa e ao Hospital Espírito Santo – Évora, onde a depressão pós-parto tem um acompanhamento muito cuidado e próximo, onde os recursos da comunida-

A depressão pós-parto é uma entidade clínica definida e com critérios de diagnóstico bem estabelecidos. É reconhecida pelos profissionais de saúde como importante, tendo uma prevalência que varia entre 10 a 15%. Mesmo assim, é uma patologia que está subdiagnosticada e subtratada. Um momento que ainda é culturalmente associado a uma felicidade extrema esconde um conjunto de fatores que podem mascarar e entorpecer a nossa perceção. Mas cabe aos profissionais de saúde, treinados e despertos para esta patologia, não deixar passar esta doença apenas por um redutor “estado de Graça”.

Com a pandemia a SARS CoV-2, múltiplos foram os estudos que demonstraram que o isolamento e a falta de apoio familiar e social tiveram efeitos na saúde mental da mulher no período pré-parto, parto e também no pós-parto. É, por isso, perentório olharmos para esta patologia de forma assertiva, atenta e holística.

Na Medicina Geral e Familiar, e em particular nos cuidados de saúde primários, encontramos os recursos humanos mais próximos do utente, da família e da comunidade. Somos, portanto, aqueles que têm o dever de “olhar... e ver...” esta patologia, intervindo nos vários níveis de prevenção, atuação, diagnóstico e tratamento da mesma. São os CSP que devem acompanhar estes doentes porque cada interveniente – a mãe, o pai, ambos, a criança – podem precisar da visão holística da sua Equipa de Família e de todos os recursos que a comunidade pode oferecer, psicólogos, educadores de infância, saúde pública, assistentes sociais, agentes de segurança, cuidados de saúde secundários, fisioterapeutas... entre outros.

Cada vez mais a influência da comunidade social e digital tem um papel significativo neste período “de Graça”. Mas devemos questionar que tipo de efeito na saúde mental terá esta influência da comunidade e que consequências trará para estes doentes.

de são aproveitados em benefício dos seus doentes. Mas todo este seguimento tem uma necessidade: recursos humanos. É necessário conhecermos a nossa realidade, o

contexto onde trabalhamos e a prevalência da doença para percebermos o que podemos oferecer aos nossos doentes e o que precisamos para melhorar.

Jornal Médico | 13 Janeiro 2023
Outubro 2022

7.as Jornadas USF do Parque

Perturbações da personalidade – como abordar?

vivências do dia-a-dia. Muitas pessoas têm traços disfuncionais, contudo, nem todas têm uma perturbação da personalidade. Personalidade difícil não é sinónimo de perturbação.

Nesse caso, qual a fronteira que define perturbação? Um padrão persistente e desajustado de comportamentos que se distanciam acentuadamente dos normalmente aceites na sociedade em que o indivíduo se insere. As pessoas com perturbações da personalidade adotam posturas rígidas, inflexíveis e desadequadas em relação à realidade.

Uma em cada dez pessoas apresenta uma perturbação da personalidade. É uma realidade bastante frequente nos CSP e constitui um verdadeiro desafio para os profissionais envolvidos na sua abordagem. Como devemos proceder?

A personalidade engloba formas relativamente estáveis de pensar, sentir, agir e interagir com os outros. A personalidade abrange os padrões de comportamento segundo os quais nos tentamos ajustar às

Apresentam padrões persistentes de funcionamento que se tornam evidentes no início da idade adulta, frequentemente na adolescência, e que tendem a durar toda a vida. São pessoas propensas a relações problemáticas a nível social, familiar e laboral. São pessoas complicadas, desafiantes para os profissionais de saúde que as tentam apoiar.

O médico de família lida frequentemente com estes doentes. Como prestador de cuidados de saúde longitudinais,

Perante padrões persistentes de comportamentos disruptivos, o médico realiza um seguimento mais apertado e tenta diversas abordagens, diferentes formas de aceder às necessidades destes doentes e das suas famílias.

o médico encontra-se numa posição privilegiada para reconhecer atempadamente estas situações e intervir de forma a minimizar o seu impacto no próprio e

nos que o rodeiam. O médico de família está atento a possíveis sinais de alarme. Doentes que se apresentam frequentemente nas instituições de saúde, resistentes às orientações facultadas, conflituosos e problemáticos. Estes são alguns exemplos.

Perante padrões persistentes de comportamentos disruptivos, o médico realiza um seguimento mais apertado e tenta diversas abordagens, diferentes formas de aceder às necessidades destes doentes e das suas famílias. Por vezes, o seu acompanhamento é alargado ao âmbito da Psicologia e da Psiquiatria. Por vezes, estes são doentes que necessitam de reintegração na sociedade, otimização de recursos e, por isso, são abrangidos também pelo serviço social.

E quando estes apoios não são suficientes? Quando os comportamentos se tornam excessivamente disruptivos?

Em situações extremas, os comportamentos adotados por estes doentes culminam em desrespeito e violação dos direitos dos outros e das normas

sociais. Representam um risco para o próprio, para as famílias e para a comunidade. Com a escalada de ocorrências, a saúde pública e as autoridades podem também ser articuladas com os restantes elementos já envolvidos nesta abordagem.

E foi este o debate promovido nas VII Jornadas da USF do Parque no passado dia 13 de outubro. Foi partilhada uma situação real, desafiante, e discutida a estratégia adotada, baseada na interligação destes vários grupos profissionais. Destacou-se a importância da estreita relação entre todos os envolvidos e das vias de diálogo criadas a partir da unidade de saúde.

Tal como dito inicialmente, estes doentes são frequentes e podem representar verdadeiros desafios para os profissionais envolvidos. Apenas a convergência de esforços e a estreita atuação de todos permitem a abordagem adequada destes casos e a minimização de impacto para o próprio, para as famílias e para a comunidade.

Criança – a caixa de Pandora que devemos abrir

nhã melhor, nelas se põe o ónus de transformarem o mundo naquilo que todos ambicionamos. São vistas como inocentes, verdadeiras naquilo que exprimem, possuindo um mundo de possibilidades pela frente, que todos queremos que sejam as melhores possíveis.

Todos nós sentimos que, de alguma maneira, somos fruto das nossas vivências, pelo que é fácil depreender que todas as experiências de uma criança são momentos chave e da maior importância no seu desenvolvimento emocional e intelectual.

que lhe são impostas, o que observa das relações entre os adultos são pilares importantíssimos no seu desenvolvimento emocional.

quando na realidade essa mesma criança apenas está a chamar a atenção, a pedir ajuda.

Na comunidade todos têm o seu papel, desde o médico ao professor, dos trabalhadores da higiene urbana ao polícia, do jovem ao idoso. No entanto, quando se trata das nossas crianças, todos sentimos esse assunto como algo mais sensível e merecedor da nossa atenção.

Efetivamente, as crianças são o futuro, nelas reside a esperança de um ama-

Muito se debate sobre o desenvolvimento intelectual das crianças, como é importante o sucesso escolar e uma boa formação que lhes dê oportunidades de uma vida melhor, mas pouca atenção se dá ao desenvolvimento emocional das mesmas.

A criança não nasce ensinada, a criança reproduz padrões, aprendizagens e situações que já experienciou, pelo que o afeto que recebe, as regras

Desta forma, qual o papel da comunidade no seu desenvolvimento emocional? Todos temos um papel a desempenhar, mas o nosso principal dever é estar atentos. Como médicos de família, nós não observamos a criança num só momento, nós conhecemos a sua família, o bairro onde vive, a sua casa, a sua escola, pelo que somos um pilar fundamental na integração de todas as informações provenientes dos diferentes atores comunitários e, consequentemente, no reconhecimento dos sinais de alerta que a criança nos vai deixando sem se aperceber.

A criança muitas vezes não sabe expressar o que sente, ainda não tem um desenvolvimento cerebral suficientemente avançado que o permita fazer. Desse modo, é frequentemente rotulada de mal comportada ou mal-educada,

É importante que pensemos sobre as nossas crianças nas nossas consultas de saúde infantil, parar para refletir sobre a criança que temos à frente, ir mais além do que avaliar apenas o seu desenvolvimento psicomotor e orgânico.

Cabe-nos a nós reconhecer estes sinais e investigar, em comunidade, como tão bem sabemos fazer. Falar com o(a) professor(a), convocar os pais e a criança para uma conversa mais calma sobre o assunto, perceber a dinâmica intrafamiliar, como se relacionam entre si e se necessário pedir uma avaliação pelo(a) assistente social.

É importante que pensemos sobre as nossas crianças nas nossas consultas de saúde infantil, parar para refletir sobre a criança que temos à frente, ir mais além do que avaliar apenas o seu desenvolvimento psicomotor e orgânico. Conversar com ela, por muito infantil que ainda seja, é tão ou mais importante do que falar com os pais. A sua inocência e verdade sem filtros são preciosos aliados para a entendermos emocionalmente e como um todo.

A nossa especialidade é a especialidade por excelência da proximidade com o utente e com a sua família e devemos lutar para que assim se mantenha.

14 | Jornal Médico Janeiro 2023
inês Mendes Médica interna de MGF, USF do Parque Pedro Parreira da Silva Médico interno de MGF, USF do Parque

BOLSAS 2022 FUNDAÇÃO URGO

Fundação URGo distingue instituições e profissionais

Pela primeira vez, em Portugal, a Fundação URGO criou um conjunto de bolsas e prémios destinados a reconhecer o trabalho de instituições e profissionais de saúde dedicados ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doentes com feridas. Os vencedores foram (re)conhecidos no evento Bolsas Fundação URGO Inovação em Feridas 4i, que se realizou em dezembro na Faculdade AESE, em Lisboa.

destinados a reconhecer o trabalho de instituições e profissionais de saúde dedicados ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doentes com feridas. Os vencedores foram conhecidos no evento 2022 Bolsas Fundação URGO Inovação em Feridas 4i, que se realizou em dezembro.

A Fundação URGO, em parceria com a Universidade Europeia e a Ordem dos Enfermeiros, procuraram distinguir a Inovação, a Iniciativa, a Investigação e o Impacto associados à área das feridas, através da entrega de duas bolsas e dois prémios.

Fundação URGO, em parceria com a Universidade Europeia e a Ordem dos Enfermeiros, através da entrega de duas bolsas e dois prémios distinguiram a Inovação, a Iniciativa, a Investigação e o Impacto associados à área das feridas.

Bolsa Inovação valoriza articulação entre cuidados assistenciais Esta bolsa pretendia distinguir o melhor programa de implementação da ligação entre vários níveis assistenciais de Saúde – nomeadamente CSP, cuidados hospitalares, farmácias, cuidados geriátricos e parcerias público-privadas –, capaz de impactar a qualidade de vida do doente com ferida e reduzir o tempo de cicatrização.

pretendia distinguir meprograma de implementação de ligação entre os vários níveis assistenciais de Saúde – nomeadamente cuidados de saúde primários (CSP), cuidados hospitalares, farmácias, cuidados geriátricos e parcerias público-privadas –, capaz de impactar a qualidade de vida do doente com ferida e reduzir o tempo de cicatrização.

“Diabético entre 2 mundos: cuidados de saúde primários e meio hospitalar”, projeto submetido pelas médicas do Serviço de Cirurgia do Hospital Espírito Santo de Évora Joana Patrício, Ana Raquel Martins e Manuela Saraiva, foi o que mereceu o reconhecimento do júri.

“Diabético entre 2 mundos: cuidados de saúde primários e meio hospitalar”, das médicas do Serviço de Cirurgia do Hospital Espírito Santo de Évora Joana Patrício, Ana Raquel Martins e MaSaraiva, foi o que mereceu o reconhecimento do júri.

Isabel Coelho, enfermeira do Serviço, recebeu esta bolsa, em representação das colegas, e destacou a “conjugação de esforços que existe entre os profissionais

Isabel Coelho, enfermeira do Serviço, recebeu esta bolsa, em representação das colegas, e destacou a “conjugação de esforços

de saúde que dinamizam a Consulta de Pé Diabético e o Hospital de Dia, integrados no Serviço de Cirurgia, e ainda os colegas dos CSP”.

Esta enfermeira, especialista em enfermagem médico-cirúrgica, que conta já com 30 anos de carreira, grande parte dos quais vividos nos serviços de Cirurgia e de Medicina Intensiva, realça que todos os dias convivem com doentes que apresentam pé diabético ou úlceras de perna e que, “frequentemente, têm grandes períodos de internamento, representando custos elevados para os próprios, para os familiares e para a instituição, realidade que tem vindo a mudar com esta parceria”.

que existe entre os profissionais de saúde que dinamizam a Consulta de Pé Diabético e o Hospital de Dia, integrados no Serviço de Cirurgia, e ainda os colegas dos CSP”. enfermeira, especialista em enfermagem médico-cirúrgica, que conta já com 30 anos de carreira, grande parte dos vividos nos serviços de Cirurgia e de Medicina Intensiva, realça que todos os dias convivem com doentes que apresentam úlceras pé diabético ou úlceras de perna e que, “frequentemente, têm grandes períodos de internamento, representando custos elevados para os próprios, para familiares e para a instituição, realidade tem vindo a mudar com esta parceria”.

Para si, esta bolsa representa o “reconhecimento do trabalho que é feito pelas equipas, que tem contribuído para a melhoria contínua dos cuidados prestados aos doentes e da sua qualidade de vida, ao terem de se deslocar menos vezes ao hospital”.

Para ela, esta bolsa representa o “reconhecimento do trabalho que feito pelas equipas, que tem contribuído para a melhoria contínua dos cuidados prestados aos doentes e da sua qualidade de vida, ao terem de se deslocar menos vezes ao hospital”.

Bolsa Iniciativa reconhece a formação especializada em feridas

Bolsa Iniciativa reconhece formação especializada e integrada de equipas

A Bolsa Iniciativa foi criada para distinguir o melhor projeto de implementação de um programa de formação interna, que

A Bolsa Iniciativa foi criada para distinguir o melhor projeto de implementação de um programa de formação interna, na área do tratamento de doentes com

deveria ser atual, contínuo e inovador, na área do tratamento de doentes com feridas.

A sua atribuição foi feita à enfermeira Ana João Barbosa, da Unidade Funcional de Internamento de Medicina, pelo “Programa de formação em feridas baseado no formulário de monitorização de feridas do Serviço”.

feridas, formação esta que se distingue pela sua atualidade e inovação. A sua atribuição foi feita à enfermeira Ana João Barbosa, da Unidade Funcional de Internamento de Medicina, pelo “Programa de formação em feridas baseado no formulário de monitorização de feridas do Serviço”.

associação, aproveitou para partilhar alguns dos sonhos que gostava de ver concretizados nesta área, particularmente “a

“Ao fazermos uma monitorização grande das feridas, que fica registada em formato digital, conseguimos perceber o nível de eficácia que temos no seu tratamento e identificar melhor as lacunas que possam existir, o que nos permite fazer uma formação mais diferenciada e direcionada a essas dificuldades, refletindo-se na melhoria do tratamento e da qualidade de vida dos doentes”, explicou.

“Ao fazermos uma monitorização grande das feridas, que fica registada em formato digital, conseguimos perceber o nível de eficácia que temos no seu tratamento e identificar melhor as lacunas que possam existir, o que nos permite fazer uma formação mais diferenciada e direcionada a essas dificuldades, refletindo-se na melhoria do tratamento e da qualidade de vida dos doentes”, explicou.

Para já, o projeto está em execução no Serviço de Medicina Interna da CUF Descobertas, no entanto, o objetivo é “alargá-lo ao hospital e à própria rede CUF”. Esta bolsa vem “ajudar-nos a adquirir produtos que possam trazer melhores resultados ao tratamento dos doentes do Serviço”.

Para já, o projeto está em execução no Serviço de Medicina Interna da CUF Descobertas, no entanto, o objetivo é “alargá-lo ao hospital e à própria rede CUF”. Esta bolsa vem “ajudar-nos a adquirir produtos que possam trazer melhores resultados ao tratamento dos doentes do Serviço”.

Prémio Investigação distingue prática clínica de excelência na cicatrização de feridas

Prémio Investigação distingue prática clínica de excelência na cicatrização de feridas

Este prémio foi criado para valorizar o melhor poster científico que incida sobre a cicatrização de feridas. A distinção foi entregue à enfermeira Viviana Gonçalves, do Serviço de Neonatologia do CHUSJ, autora do trabalho “Prevenção da deiscência da ferida cirúrgica em neonatos após cirurgia cardíaca”.

Este prémio foi criado para valorizar o melhor poster científico que incida sobre a cicatrização de feridas. A distinção foi entregue à enfermeira Viviana Gonçalves, do Serviço de Neonatologia do CHUSJ, autora do trabalho “Prevenção da deiscência da ferida cirúrgica em neonatos após cirurgia cardíaca”.

A premiada definiu este reconhecimento como “o carimbar de anos de trabalho e da importância da atuação que é feita” e valorizou a projeção associada, que “permitirá a outras unidades fazer mais e melhor por doentes tão pequeninos que têm feridas tão grandes”. No seu

A premiada definiu este reconhecimento como “o carimbar de anos de trabalho e da importância da atuação que é feita” e valorizou a projeção associada, que “permitirá a outras unidades fazer mais e melhor por doentes tão pequeninos que têm feridas tão grandes”. No seu entender, é obrigação das equipas “pro-

porcionar-lhes uma vida muito maior do que as feridas que eles possuem”.

entender, é obrigação das equipas “pro-

Prémio Impacto diferencia profissional mais notável na cicatrização de feridas

sional mais notável no tratamento de doentes com feridas

organização

O Prémio Impacto visou reconhecer o profissional de saúde com maior impacto no tratamento de feridas. De um total de 149 nomes propostos, o júri elegeu 25 e o vencedor foi encontrado com base nas votações dos próprios profissionais de saúde. Pretendia-se que o voto recaísse sobre a pessoa que maior impacto positivo notável tenha tido no seu dia-a-dia a tratar doentes com feridas. Após contabilizados os 1900 votos, o prémio foi entregue ao enfermeiro Gustavo Afonso, da UCC Assucena Lopes Teixeira, em Braga.

O Prémio Impacto visou reconhecer o de saúde com maior impacto no tratamento de feridas a nível nacional. A do profissional de saúde foi realizada através da votação entre os pares. A concurso estiveram 25 profissionais de saúde, de norte a sul do país. Após contabilizados mais de 2000 votos, o prémio foi entregue ao enfermeiro Gustavo Afonso, da UCC Assucena Lopes Teixeira, em Braga.

organização de uma rede de referenciação em feridas e de centros de tratamento de feridas complexas e ainda a criação de uma especialidade de enfermagem dedicada”.

O profissional mostrou-se muito feliz por receber este reconhecimento e destacou a importância da equipa que quem trabalha na UCC, feita de “pessoas muito dedicadas, que permitem que este trabalho se realize”, e dos colegas da Associação Portuguesa de Tratamento de Feridas (APTFeridas), pois, “todos juntos, conseguimos crescer e ser melhores”.

O profissional mostrou-se muito feliz por receber este reconhecimento e destacou a importância da equipa que com quem trabalha na UCC, feita de “pessoas muito dedicadas, que permitem que este trabalho se realize”, e dos colegas da APTFeridas, pois, “todos juntos, consegui-

O júri da iniciativa é composto por José Fonseca Pires, médico, professor da AESE Business School e diretor do PADIS – Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde; Mário Pinto, médico de MGF e investigador do CINTESIS, Lourdes Martín Méndez, diretora executiva da área de Ciências da Saúde da Universidade Europeia; Alexandre Rodrigues, enfermeiro e professor da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro; e Luísa Rocha, diretora do Serviço Farmacêutico do CHVNG/E.

A cerimónia realizou-se no dia 7 de dezembro de 2022, na AESE Business School, em Lisboa.

O júri do evento foi composto por José Fonseca Pires, médico, professor da AESE Business School e diretor do PADIS – Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde; Mário Pinto, médico de MGF e investigador do CINTESIS, Lourdes Martín Méndez, diretora executiva da área de Ciências da Saúde da Universidade Europeia; Alexandre Rodrigues, enfermeiro e professor da Escola Superior de Saúda Universidade de Aveiro; e Luísa Rocha, diretora do Serviço Farmacêutico do CHVNG/E. Na cerimónia foram ainda falados programas inéditos a nível nacional como os Embaixadores da Cicratização, DesPÉrta e Missão Compressão, que fazem a diferença no tratamento dos doentes com feridas.

mos crescer e ser melhores” Gustavo Afonso, que integra a direção desta
PUB info@pt.urgo.com (para mais informações) • @urgomedical_portugal (instagram
Urgo Medical)
www.cicatrizarferidas.pt
Ana João Barbosa Viviana Gonçalves
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Gustavo Afonso INOVAÇÃO EM FERIDAS 4i
Um evento de
Parceiros Com o apoio da
Informação
Gustavo Afonso, que integra a direção desta associação, aproveitou para partilhar alguns dos sonhos que gostava de ver concretizados nesta área, particularmente “a de uma rede de referenciação em feridas e de centros de tratamento de feridas complexas e ainda a criação de uma especialidade de enfermagem dedicada”. o EVENto iNÉDito Na áREa DaS FERiDaS EM PoRtUGaL isabel Coelho ana João Barbosa Viviana Gonçalves Gustavo afonso

Tudo é mais fácil com o GlucoMen Areo

Precisão e Fiabilidade para pessoas com Diabetes

Reportagem USF Lagoa

Pioneira na ULSM a articular-se com o Hospital Pedro Hispano na disponibilização de cuidados integrados a doentes crónicos complexos, evitando internamentos

A USF Lagoa foi a primeira das 15 unidades da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, pertencentes ao ACES Matosinhos, a estabelecer um protocolo de articulação formal com a Equipa de Suporte a Doentes Crónicos Complexos, pertencente ao Hospital Pedro Hispano. Os benefícios desta proximidade são notórios, com a redução do número de internamentos e de idas à Urgência dos utentes abrangidos pelo projeto. Esta USF destaca-se também pela forma como impulsiona os seus internos a apostar na investigação e pelo trabalho que tem desenvolvido na melhoria do estilo de vida dos utentes.

Rosa Santos coordena a USF desde fevereiro de 2021, mas a sua ligação à Unidade e ao próprio edifício é bem mais antiga. Foi no outrora Centro de Saúde da Senhora da Hora que realizou o internato da especialidade de MGF, mantendo-se aí a trabalhar enquanto especialista até à sua extinção. Nesse espaço, nasceram, em 2010, a USF Lagoa, a UCSP da Senhora da Hora – que, posteriormente, evoluiu para USF Caravela − e a UCC Senhora da Hora.

A médica integra a equipa desde a sua constituição e 11 anos depois assumiu a coordenação de um grupo de 10 médicos de família, nove enfermeiros e sete secretários clínicos, que mantém. Soma-se o número de internos da especialidade, que, anualmente, se vai alterando. Recuando àquela data, recorda a tarefa como “particularmente desafiante, em período de pandemia, quando havia muito a fazer a nível de reestruturação da equipa, para garantir a assistência aos utentes”. Retomar a atividade assistencial em regime presencial, que, em 2020, “ficou condicionada pela necessidade de alocar os profis-

sionais a tarefas como o Trace Covid-19”, era uma das prioridades, que adianta ter sido bem conseguida.

O facto de servir uma população de 17.500 utentes, da União das Freguesias de São Mamede de Infesta e Senhora da Hora e da União das Freguesias de Custoias, Leça do Balio e Guifões, maioritariamente envelhecida -- “o que exige um maior tempo de consulta, para gerir devidamente as comorbilidades e a medicação crónica dos utentes” --, contribuiu para que, com o arranque da sua coordenação, se tenha iniciado também um projeto de articulação com a Equipa de Suporte a Doentes Crónicos Complexos (ESDCC) da ULS de Matosinhos.

“Já conhecíamos aquele grupo de trabalho, que existe desde outubro de 2016, e recorríamos a ele para esclarecer algumas dúvidas. Perante a proposta do seu coordenador, Jorge Martins, para formalizarmos esta interação, não hesitámos em avançar”, explica. A USF Lagoa configurou-se, assim, como a primeira unidade do ACES Matosinhos a articular-se formalmente com a ESDCC da ULSM.

Rosa Santos destaca que “essa colaboração é uma mais-valia, na medida em que há uma partilha da situação dos utentes com multimorbilidade e uma tentativa de otimizar cuidados, com o meio familiar e social que os rodeia, de forma a diminuir o número de internamentos e de idas à Urgência. Paralelamente, há muitos utentes idosos a viver sozinhos e o apoio da ESDCC é fundamental para melhorar a sua qualidade de vida”.

A partir de determinados critérios, relacionados com a idade (≥ 75), o número de internamentos (≥ 3) e de idas à Urgência (≥ 5) no último ano, o número de medicamentos (≥ 6) e de doenças crónicas (≥ 3 de 7 definidas: IC, DPOC, DHC, diabetes, neoplasia ativa, doença cerebrovascular e doença renal crónica), a equipa da USF passou a ter a possibilidade de solicitar o acompanhamento da ESDCC.

Esta equipa, formada por dois especialistas de Medicina Interna e seis

Rosa Santos: “Há uma partilha da situação dos utentes e uma tentativa de otimizar cuidados, com o meio familiar e social que os rodeia, de forma a diminuir o número de internamentos e de idas à Urgência.”

enfermeiros, que assumem a figura de gestores de caso, investe em áreas como a vigilância clínica, a planificação e a adesão medicamentosas e o empoderamento

dos utentes e dos cuidadores na gestão da doença crónica, no domicílio. Acresce a articulação com as respetivas equipas de saúde familiar e até com outras especialidades, no caso de os utentes serem internados.

A médica de família realça o facto de a ESDCC ter estabelecido “diferentes formas de apoio consoante os níveis em que os utentes se enquadrem, o que permite que, mesmo em situação de estabilidade, a ligação não desapareça abruptamente”.

Enquanto o nível 1 pressupõe a

16 | Jornal Médico Janeiro 2023 PUB
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Reportagem USF Lagoa

prestação de máximo apoio pela equipa ao domicílio e a possibilidade de os utentes com capacidade de mobilização recorrerem à Consulta Aberta, no Serviço de Atendimento a Situações Urgentes, em caso de necessidade, o nível 2 surge a partir do momento em que os utentes estão mais estáveis e conseguem, conjuntamente com os cuidadores, ir gerindo as doenças. Nesta circunstância, o gestor de caso substitui as visitas presenciais por contactos telefónicos regulares, mantendo-se o apoio dos internistas, de forma programada.

Nome: USF Lagoa surgiu pela ligação ao espaço físico em que se encontra localizada − a Rua da Lagoa.

Logótipo: Pretende representar a imagem da família, “pedra fundamental do nosso trabalho em saúde”. A linha pincelada a azul, em seu redor, simboliza os cuidados que toda a equipa da USF presta à população que abrange. A ligeira sobreposição revela que os cuidados não devem ser prestados unicamente pela equipa, mas em parceria com as próprias famílias, no desenvolvimento da literacia em saúde, como pilar necessário para a prevenção e controlo da doença crónica, que a equipa defende.

passam a ser seguidos apenas pelas suas equipas de saúde familiar, num regime de consultadoria.

“o tempo passado fora da Unidade é importante para o equilíbrio”

Rosa Santos nasceu há 43 anos, no Porto. A vontade de ser médica surgiu durante o ensino secundário, com o intuito de “poder melhorar a vida das pessoas”. Estudou na FMUP e, ao contactar com as diferentes especialidades, percebeu que “a MGF acompanhava a pessoa desde a gravidez até à última fase de vida, o que permitia ao médico preocupar-se mais com o utente e não tanto com a doença”.

“Esse modo de atuação, que percebi depois tratar-se da visão holística da MGF, era aquele que mais me realizava, pelo que fiz a escolha certa”, observa.

Realizou o internato da especiali-

também faz domicílios. A ESDCC não integra ainda a figura de assistente social, sendo estas profissionais dos CSP a poder dar apoio à Equipa.

dade no então Centro de Saúde da Senhora da Hora e tornou-se especialista em 2009.

Para a coordenadora da USF, “o tempo passado fora da Unidade é importante para o equilíbrio”, e não está apenas a referir-se ao convívio com os familiares e amigos, mas também com os próprios colegas. Recorda como atividades memoráveis a subida ao arco da Ponte da Arrábida, em 2021, para comemorar o 11.º aniversário da USF, bem como a visita cultural à Casa Museu de Eça de Queiroz, que aconteceu em 2022.

Mãe de dois filhos, de 15 e 11 anos, Rosa Santos gosta também de viajar, ler e fazer desporto.

Verificando-se estabilidade, os utentes evoluem para nível 3, que garante apenas a manutenção de consultas médicas, até chegarem ao nível 4, momento em que

Rosa Santos realça a importância das reuniões quadrimestrais ou semestrais com a ESDCC, recentemente instituídas, que visam discutir os doentes que estão a ser acompanhados pelas duas equipas e aqueles que regressaram aos cuidados exclusivos da USF, o que “facilita que, em caso de agravamento, rapidamente sejam reintegrados noutro nível e acompanhados de novo pela ESDCC”. Simultaneamente, o facto de serem presenciais contribui para “aproximar as equipas”.

Neste trabalho conjunto, participa ainda um nutricionista hospitalar, que

Integração em ULS favorece trabalho articulado com cuidados hospitalares

Rosa Santos explicita ainda que, perante a identificação de uma descompensação durante uma visita domiciliária, “facilmente é estabelecido o contacto com a ESDCC, que, no dia seguinte ou ainda no próprio, procede à reavaliação e, caso tenha dificuldade na gestão do caso, encaminha-o para a Urgência de forma mais direcionada”. Existe ainda a possibilidade de visitarem o utente em conjunto.

A coordenadora da USF realça “a vantagem associada à integração da USF numa ULS, que permite um contacto facilitado entre os profissionais dos dois ní-

Jornal Médico | 17 Janeiro 2023
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Reportagem
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(Continua na pág. 18)
RoSa SaNtoS, CooRDENaDoRa Da USF:
“Esta associação traz mais-valias ao nível da proximidade e da integração dos cuidados”, destaca a coordenadora da USF.
Jorge Martins e Rosa Santos

“o ambiente entre internos é de excelência”

José Caetano Silva nasceu em Vila Real, há 29 anos, e a sua trajetória académica foi-se desenhando no sentido de querer ser médico. Concluiu o curso na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em 2017, e, após fazer o Ano Comum no CH de Trás os Montes e Alto Douro, decidiu especializar-se em MGF, na USF Lagoa.

Encontrando-se, à data desta entrevista, realizada em novembro, prestes a terminar o 3.º ano de internato e tendo vindo a “caminhar no sentido de uma autonomia cada vez maior”, José Caetano Silva realça que “o internato de MGF traz competências fundamentais ao exercício da atividade, que no final do curso de Medicina não existiam”, manifestando-se contra a entrada em vigor da lei que permite a clínicos sem formação específica exercer a função de médico de família.

O interno de MGF fala num “ambiente entre internos de excelência”, que se “alarga àquele que se vive entre todos os grupos profissionais”. No caso dos oito internos, distingue a “colaboração que existe, que permite fazer trabalhos de melhor qualidade”.

José Caetano Silva, que tem como orientadora de internato a coordenadora da USF, realça o “incentivo que existe não só por parte da equipa como pela própria coordenação do Internato Abel Salazar, para apostar na investigação”, de tal forma que, “por vezes, podem exigir demasiado ao nível de quantidade, quando poderá ser mais importante privilegiar a qualidade, ainda que sejam menos”. Além do incentivo, valoriza o apoio que é dado pelos especialistas que integram o Grupo de Investigação da Senhora da Hora, que se disponibilizam a “rever os trabalhos e apresentar sugestões de melhoria, contribuindo para a

qualidade da produção científica”.

Neste âmbito, faz referência ao prémio que o grupo de internos recebeu, na categoria de Melhor Comunicação Oral, no 7.º Encontro de Internos Porto Oriental, que decorreu no final de setembro. O projeto baseava-se na forma como a USF tinha trabalhado o ensino da técnica de utilização dos dispositivos inalatórios aos doentes.

“a

“Conscientes de que um erro podia bastar para condicionar a eficácia da técnica inalatória, convocámos alguns utentes para fazer essa avaliação, identificámos os erros e preparámos uma apresentação que se focava nesse ensino. Alguns meses depois, voltámos a convocar esses utentes e verificámos que, entre os 30, apenas dois não a faziam corretamente, quando, anteriormente, a situação era inversa”, explica. Com este trabalho, José Caetano Silva diz terem conseguido comprovar que “os utentes conseguem fazer a técnica se forem bem ensinadas, o que evita a escalada terapêutica que podia ser feita desnecessariamente”.

Ficha técnica

Caracterização da população inscrita (dezembro de 2022)

Utentes: Idosos: Crianças e jovens com idade � 19 anos: Mulheres em idade fértil (dos 15 aos 49 anos):

Profissionais (dezembro 2022)

Médicos: Enfermeiros: Secretários Clínicos: Internos em Formação Específica em MGF:

formação é um pilar fundamental na nossa USF”

Miguel Silva nasceu em Felgueiras, há 39 anos, mas reside no Porto desde os 18, quando se inscreveu na Escola Superior de Enfermagem de Dona Ana Guedes. Concluída a sua formação, acabou por direcionar o seu foco para a ULSM. Enveredou pelos CSP, começando por trabalhar no Centro de Saúde da Senhora da Hora, em 2006, e logo ficou surpreendido por, “nessa altura, já estar efetivado o modelo de enfermeiro de família”, quando todas as outras unidades onde tinha estagiado “não estavam nesse patamar”.

Essa forma de organização, que “não se baseava no trabalho à tarefa e que permitia manter um acompanhamento sistemático dos utentes ao longo dos anos, muito além do episódio de doença aguda, ao contrário da realidade hospitalar, conquistou-

-o. “Acredito que essa ligação traz enormes ganhos em saúde porque, ao conhecermos previamente o histórico do utente e ao sermos considerados por ele como uma referência, conseguimos intervir precocemente e a longo prazo”, destaca.

O enfermeiro considera que, ao longo dos anos, tem existido uma “evolução muito grande na saúde dos utentes, não só pela maior facilidade de acesso, que permite que ao mínimo problema saibam a quem podem recorrer, não ficando a patologia descontrolada, mas também com o surgimento de outras unidades, como as UCC e as ECCI, que complementam imenso o nosso trabalho”.

Miguel Silva valoriza a “forte articulação que existe entre os CSP e os cuidados

hospitalares, favorecida pelo facto de se inserirem numa ULS”, e refere como exemplo o contacto que é estabelecido pelo hospital quando os utentes têm alta hospitalar, quando necessitam de fazer reabilitação ou quando as grávidas têm o parto.

Neste último caso, distingue: “Esse aviso permite-nos contactar a puérpera e planear a visita domiciliária, o que contribui para que a utente se sinta acompanhada.” Nesse sentido, reconhece que “o utente tem um seguimento desde a sua entrada no hospital até à sua recuperação total, o que faz todo o sentido quer para ele, quer para nós”.

O nosso interlocutor entende que a equipa de enfermagem tem feito o seu melhor, no entanto, defende que, para

17.538 (23.027 UP) 4112 (Índice de dependência: 36,39%) 3039 (Índice de dependência: 18,8%) 3083 10 9 7 8

veis de cuidados para clarificar determinada situação ou esclarecer alguma dúvida”. Esta proximidade “facilita ainda a realização de exames e o acesso aos resultados dos mesmos, bem como aos respetivos processos clínicos”. Salvaguarda que esta é uma possibilidade que existe também em sentido contrário, permitindo aos colegas hospitalares aceder à informação reunida pelos CSP.

“Esta associação traz mais-valias ao nível da proximidade e da integração dos cuidados”, destaca.

Atualmente, além da USF Lagoa, há mais 13 USF e quatro UCC a integrar este projeto conjunto, acompanhando a ESDCC cerca de duas centenas de utentes. Durante o ano 2022, usufruíram deste projeto de articulação 30 utentes da USF Lagoa que, segundo Rosa Santos, “se mostram muito satisfeitos e agradecidos por terem esta personalização de cuidados e também por saberem que podem contar com a orientação destas equipas, o que lhes traz muita segurança”. Ao longo de seis anos de existência, a ESDCC conse-

“acompanhar o crescimento exponencial da população, sobretudo de imigrantes, que requerem uma maior atenção”, será necessário, futuramente, que o número de enfermeiros seja reforçado ou que surjam novas USF. Tal iria ao encontro do seu ideal de “aumentar a aposta na prevenção, o que originaria ganhos em saúde e permitiria que os hospitais se dedicassem apenas a situações agudas”.

O enfermeiro avança que “a formação é um pilar fundamental na dinâmica da USF” e descreve que “se há área que está em permanente permuta é a da Saúde”, pelo que “há uma tentativa da Unidade de apostar continuamente nesta vertente, através de formações, quer gerais multidisciplinares, como mais específicas e di-

18 | Jornal Médico Janeiro 2023
(Continuação da pág. 17)
JoSÉ CaEtaNo SiLVa, iNtERNo Do 3.º aNo DE FE EM MGF:
Reportagem USF Lagoa
MiGUEL SiLVa, ENFERMEiRo:

guiu reduzir mais de 60% dos episódios de urgência e de internamento dos utentes seguidos.

Promover a investigação e a produção científica

Localizada a um quilómetro de distância do Hospital Pedro Hispano, a USF Lagoa conta com uma boa rede de transportes, entre os quais o metro. Sendo, atualmente, a tecnologia uma das principais ferramentas de trabalho nos CSP, “recorrendo-se frequentemente ao e-mail e ao teams”, para Rosa Santos, “a substituição dos computadores é uma prioridade, pois, se não estiverem funcionais, o trabalho fica inviabilizado”.

Avaliando a evolução da USF ao longo destes 12 anos de existência, a sua coordenadora reconhece que “a equipa tem conseguido adaptar-se às exigências dos indicadores, que são cada vez mais complexos e distanciados do que deve ser a prática clínica”. Exemplificando que, “hoje em dia, existe uma maior valorização da formação”, destaca que, juntos, têm conseguido dar resposta, mas alerta que “é preciso ter um olhar crítico sobre os indicadores”.

A formação e a investigação são, de facto, duas áreas muito valorizadas por

esta USF, que procura, anualmente, “identificar as necessidades formativas de cada grupo de profissionais” e convidar vários colegas de especialidades hospitalares, tanto do Hospital Pedro Hispano como de instituições externas, como o CHUP, a abordar diferentes temas”. Além de existir uma equipa dedicada à

formação, Rosa Santos nota que o facto de se integrarem numa ULS “ajuda, muitas vezes, até pela partilha que existe, a que se perceba aquilo que se faz em cada nível de cuidados”.

O Grupo de Internos da USF e o Grupo de Investigação da Senhora da Hora – este último formado por médi -

cos de família, orientadores de formação e internos de MGF − são duas entidades que “contribuem para promover a investigação e a produção científica não só de casos clínicos mas também de trabalhos de investigação, bem como a sua publicação, além da divulgação em congressos”.

recionadas a cada grupo profissional”. A título de exemplo, refere a formação realizada recentemente, sobre a forma como se vive atualmente com o uso dos ecrãs, destacando que “há fenómenos que vão surgindo que exigem uma análise e reflexão mais clínica, para saber como intervir devidamente”.

Na sua opinião, “a formação contínua é fundamental para garantir um acompanhamento cada vez mais eficaz e funcional e fazer face às mudanças que vão surgindo na sociedade”. Também nesse sentido, entre os nove enfermeiros, alguns são especialistas em Saúde Comunitária e em Reabilitação e outros irão, brevemente, iniciar a especialização em Saúde Familiar.

Jornal Médico | 19 Janeiro 2023
Raquel Braga: recuperar a produção científica do Grupo de Investigação da Senhora da Hora
USF Lagoa
À semelhança de Rosa Santos, também Raquel Braga começou por trabalhar no
Reportagem
(Continua na pág. 20)
“A equipa tem conseguido adaptar-se às exigências dos indicadores, que são cada vez mais complexos e distanciados do que deve ser a prática clínica”, reconhece a médica de família.

antigo Centro de Saúde da Senhora da Hora e transitar para a USF Lagoa, com a sua génese. No seu caso, especializou-se em 2000, o que a levou a ser das primeiras médicas dos CSP a “vivenciar uma experiência que estava ainda a implementar-se

de integrar uma ULS”. Ao longo da sua carreira, tem vindo a dedicar-se à formação e à investigação, tendo começado por ser orientadora de formação e, depois, diretora do Internato de MGF da Zona Norte, entre 2006 e 2011.

Nessa sequência, em 2007, abraçou o desafio de ser uma das fundadoras do

Grupo de Investigação da Senhora da Hora (GISH), que surgiu “da necessidade de dinamizar a investigação a nível da formação pós-graduada”. Como recorda, “existia uma massa de internos não só do Centro de Saúde da Senhora da Hora como também da USF Horizonte e da USF Leça, com grande qualificação e vontade

de investigar, o que nos levou a criar um grupo que pudesse reunir vários saberes e potenciar a publicação tanto de trabalhos de investigação como de revisão, casos clínicos e instrumentos de apoio à educação para a saúde”.

Além das reuniões presenciais, existia ainda uma plataforma digital, onde o gru-

po “mantinha uma comunicação diária, que servia para partilhar experiências da consulta, dúvidas e conselhos, no sentido de ligar a investigação com a prática clínica”. Essa interação acabou por “aproximar os internos dos orientadores de formação e consolidar o grupo de tal forma que, mesmo que os internos fossem para outra unidade, acabavam por manter alguma colaboração em determinados trabalhos”. Na sua opinião, “os laços afetivos foram também reforçados através destes projetos conjuntos”.

“Cada vez mais o

clínico é a base de

Elsa Lourenço começa por explicar que as sete secretárias clínicas da USF dividem entre si as funções inerentes ao atendimento presencial e ao trabalho de retaguarda, de forma rotativa: “Todas fazemos as mesmas tarefas, apesar de ser em períodos diferentes do dia.” Enquanto na retaguarda, cada colega está alocada a um ou dois médicos, no atendimento aos utentes não existe essa diferenciação, para facilitar a gestão dessa tarefa.

Avaliando as mudanças na atividade observadas desde o surgimento da pandemia de covid-19, a secretária clínica fala numa “triplicação do trabalho a nível da gestão de e-mails e telefonemas”, notando que “os utentes estão mais impacientes e passaram a querer ter resposta no imediato, o que, por vezes, gera alguns conflitos”.

Elsa Lourenço refere que a existência de quiosque eletrónico “vem facilitar a organização no atendimento, na medida em que evita que o utente seguinte avance, quando ainda pudesse estar a ser finalizada alguma inscrição ou a ser estabelecido algum contacto digital com a equipa”.

Quanto à gestão de telefonemas, reconhece a importância da telefonista, que dá apoio às três unidades do edifício: “É uma grande ajuda porque, não se tratando de pedido de marcação de consulta de urgência, ela recolhe a identificação do utente, encaminha-nos a situação por e-mail e prontifica-se,

20 | Jornal Médico Janeiro 2023
secretariado
ELSa LoURENço, SECREtáRia CL
da pág. 19) Reportagem USF Lagoa
(Continuação Raquel Braga

A médica de família destaca a “elevada e premiada produção científica que existiu durante muito tempo, até ao surgimento da pandemia, que obrigou a que as atenções se voltassem para a prática clínica de forma mais premente”. Nesse sentido, realça a vontade da equipa de voltar a impulsionar a atividade do GISH, da qual faz parte a construção de um mural de publicações, onde serão colocadas as primeiras páginas de todos os trabalhos publicados.

“Queremos salientar a importância que a investigação tem nos CSP e mostrar aos utentes o quanto já produzimos, para que percecionem que o nosso trabalho vai além da atividade assistencial”, explica. Ao mesmo tempo, pretendem “demonstrar que muitos trabalhos surgem graças ao contributo dos utentes, que partilham as suas opiniões, as entrevistas e o seu historial clínico, pelo que são também feitos por e para eles”.

Paralelamente, “o facto de esta ser uma unidade formadora representa uma grande dádiva de formação médica para o país, dado que a produção de médicos de família ultrapassa já a capacidade de absorção da ULSM”. Nesse sentido, Raquel Braga avança que a equipa gostaria ainda de construir uma árvore de

CLíNiCa:

secretariado uma Unidade”

inclusivamente, a retornar o contacto com o utente para informá-lo da nossa resposta. Em casos urgentes, encaminha a chamada para nós.”

A secretária clínica tem consciência de que o seu grupo profissional é “a porta de entrada da USF, sem o qual certos procedimentos não podem avançar”. E

formandos, exatamente para realçar a amplitude desta dimensão formativa”. Lamenta, contudo, que tudo o que esteja associado a essas tarefas de investigação e formação “não corresponda a tempo protegido, mas a tempo de vida pessoal, que sai do coração e da força de vontade”.

Raquel Braga tem 52 anos e nasceu no Porto. Estudou no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, onde é docente desde 2017. O interesse por “uma área generalista, que fortalece a Saúde”, levou-a a seguir MGF. Ao longo da sua carreira, assumiu vários cargos de relevo, entre os quais o de presi -

dente do Conselho Clínico e de Saúde do ACES de Matosinhos, entre 2011 e 2013. Durante parte do mandato, acumulou a função de diretora executiva. Dirigiu ainda a Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar , de 2011 a 2013, e a área dos CSP da ULSM, entre 2012 e 2013.

Arminda Santos foi a primeira coordenadora da USF Lagoa, tendo assumido a

reconhece: “Somos uma equipa onde cada um tem a sua importância e cada vez mais o secretariado clínico é a base de uma unidade.”

Elsa Lourenço nasceu em Matosinhos e soma 43 anos de vida. Integrou a ULSM em 2008, começando por trabalhar no Centro de Saúde de Matosinhos. Dois anos depois, passou a trabalhar na USF Lagoa.

Jornal Médico | 21 Janeiro 2023
Arminda Santos: impulsionar projetos que contribuam para a melhoria do estilo de vida dos utentes
Reportagem USF Lagoa (Continua na pág. 22)

função entre 2010 e 2011. Antes, era especialista do Centro de Saúde da Senhora da Hora. Em 2022, passou a integrar o Conselho Técnico.

São vários os projetos aos quais está ligada, entre os quais o da criação de um horto, implementado em 2021. O seu

gosto por plantas levou-a a lançar o desafio à equipa de aproveitar os pequenos pátios da USF para colocar plantas, sendo que caberia a cada dupla de profissionais, formada aleatoriamente, ficar responsável por uma planta, como coentros, tomilho, cebolinho, alecrim e lúcia-lima. “O objetivo era motivar a equipa e, simultaneamente, sensibilizar os utentes para a necessidade de temperarem os alimentos com pouco sal, privilegiando o uso de plantas aromáticas”, explica.

Mensalmente, é ainda selecionada a Planta do Mês, que é exposta no balcão do secretariado clínico, com informações quanto aos seus benefícios nutricionais e à forma como pode ser utilizada. Em 2022, para comemorar o 12.º aniversário da USF, foram oferecidos aos utentes saquinhos com plantas aromáticas capazes de substituir a função do sal.

A médica de família refere ainda a existência de um projeto conjunto com as outras duas unidades que compõem o edifício, que prevê a instalação de equipamentos de exercício físico num dos átrios do edifício, destinados ao uso

da comunidade, a fim de combater o sedentarismo. “Temos vários programas relacionados com o incentivo ao exercício físico na diabetes e na gravidez, o envelhecimento saudável e a promoção da saúde mental, que podiam ser enriquecidos com a presença destes equipamentos”, refere.

“É necessária uma estratégia política para gerir os doentes crónicos”

“O doente crónico e crónico complexo” foi o tema escolhido para o II Encontro Nacional de Integração de Cuidados, que se realizou em novembro.

Em declarações à Just News , a presidente da Portuguese Association for Integrated Care (PAfIC), promotora do evento, destaca precisamente “a necessidade de uma estratégia política para a gestão das pessoas com doença crónica, especialmente para a multimorbilidade, centrada nas necessidades das pessoas, que não são só da área da saúde”.

Contudo, sublinha: “Para tal, tem de se saber a dimensão do problema, o que só é possível quando estiver instituída a Estratificação de Risco Populacional, que ainda não existe em Portugal.”

De acordo com Adelaide Belo, que é especialista de Medicina Interna da ULS do Litoral Alentejano, “com uma ferramenta de Estratificação de Risco Populacional identificam-se as pessoas de Baixo, Médio e Alto Risco, a nível local».

E acrescenta: “Com esta informação, podem organizar-se as respostas – de saúde, sociais, comunitárias, de acordo com as suas necessidades e os recursos existentes. Não é uma ‘varinha mágica’, mas é uma forma consistente de reorganizar os cuidados.”

Adelaide Belo refere que a equipa da PAfIC tem procurado desenvolver esforços para divulgar o que se vai fazendo neste campo, e que não é pouco: “Em Portugal, há muitas equipas que já inte-

riorizaram a necessidade de encontrar soluções de prestação de cuidados menos fragmentadas. A todos os níveis – nos

atualização de conceitos nesta área e a possibilidade de as equipas que estão no terreno poderem partilhar os seus projetos e as suas ideias de melhoria e tomar conhecimento de boas práticas que se fazem cá ou noutros países. E que também sirva para colocar na agenda política a integração de cuidados.”

E a quem é dirigido o Encontro? “Toda a gente pode participar – profissionais de saúde, da área social, da comunidade, nomeadamente, autarquias”, refere Adelaide Belo, estejam ou não envolvidos em projetos de integração de cuidados.

Adelaide Belo:

hospitais, nos CSP, nas empresas de prestação de serviços, etc.”.

A médica aproveita para recordar que a PAFIC lançou, em 2022, um programa para apoio de consultadoria a projetos de integração de cuidados que rececionou 34 candidaturas.

Na sua opinião, não há dúvidas: “Isto prova que, no terreno, as pessoas sentem necessidade de repensar e reorganizar a prestação dos cuidados que prestamos. Só precisam de um pequeno incentivo para darem um passo em frente.”

E acrescenta: “O que pretendemos com o Encontro Nacional de Integração de Cuidados é criar um espaço onde haja

“Em Portugal, há muitas equipas que já interiorizaram a necessidade de encontrar soluções de prestação de cuidados menos fragmentadas. A todos os níveis – nos hospitais, nos CSP, nas empresas de prestação de serviços, etc.”.

Arminda Santos considera que, “apesar da exigência dos últimos anos, o espírito de querer fazer bem e melhor mantém-se, e tal engloba também a proposta e aceitação de novos desafios”. Na sua ótica, a articulação com a Equipa de Suporte a Doentes Crónicos Complexos da ULSM é exemplo de um projeto bem-

-sucedido, que prova que “equipas abrangentes é que trazem ganhos em saúde e fazem a diferença nos cuidados prestados aos utentes”.

E reforça a sua ideia: “Acredito que os utentes não são do médico de família, mas de uma rede de cuidados da comunidade, e a redução do número de internamentos que se verificou desde a implementação do projeto é fruto precisamente do trabalho de equipa.”

Arminda Santos nasceu há 52 anos, no Porto. Estudou na FMUP e realizou o internato de MGF na USF Horizonte. Especializou-se em 2001.

DGS lança campanha “Proteja-se do frio”

A Direção-Geral da Saúde iniciou uma campanha de informação designada “Proteja-se do frio”, com medidas de proteção individual para enfrentar as baixas temperaturas.

Esta campanha está relacionada com o Plano de Contingência Saúde Sazonal, que reforça a importância e a necessidade dos serviços e estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) implementarem Planos de Contingência Saúde Sazonal.

Os planos das ARS e das unidades de saúde, que para a sua operacionalização definem os próprios objetivos, metodologias, medidas e atividades específicos, assim como os circuitos de informação e de comunicação que considerem mais adequadas ao nível regional e local

Cada plano deve conter as orientações estratégicas que permitem comunicar o risco e a gestão desse risco à população e aos parceiros do setor da saúde e capacitar os cidadãos para a sua proteção individual (aumentando a sua literacia).

O Plano pretende promover em todos os níveis do Sistema de Saúde várias estratégias, de que destacamos:

– Avaliação, gestão e comunicação do risco;

– Prevenção, contenção e controlo;

– Medidas de Saúde Pública:

– Prestação de cuidados de saúde; – Monitorização e avaliação.

O objetivo destas atividades é evitar a propagação de doenças, como a gripe, a pneumonia e outras infeções respiratórias, e proteger os grupos de risco: idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas

E possível consultar mais informação sobre a campanha e o Plano no site da DGS, na secção Saúde de A a Z, em Frio.

22 | Jornal Médico Janeiro 2023
Cada plano deve conter as orientações estratégicas que permitem comunicar o risco e a gestão desse risco à população e aos parceiros do setor da saúde.
Reportagem USF Lagoa
arminda Santos
(Continuação da pág. 21)
Arminda Santos: “Acredito que os utentes não são do médico de família, mas de uma rede de cuidados da comunidade.”
aDELaiDE BELo, PRESiDENtE Da PoRtUGUESE aSSoCiatioN FoR iNtEGRatED CaRE (PaFiC): adelaide Belo

Hipertensão

Este Especial foi elaborado com a colaboração da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e dos próprios autores dos artigos que aqui se publicam e surge a propósito do 17.º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global, que se vai realizar entre os dias 10 e 12 de fevereiro de 2023, em Albufeira.

controlados com as substâncias individuais administradas concomitantemente na mesma dose que na associação de dose fixa, mas enquanto medicamentos separados. | Posologia E Modo De Administração*: A dose diária recomendada é de uma cápsula da dosagem indicada, com ou sem alimentos, todos os dias à mesma hora, engolida inteira com um copo de água. Lipocomb® não é adequado para terapêutica inicial. A iniciação do tratamento ou o ajuste posológico, se necessário, deve apenas ser efetuado através da administração dos componentes em monoterapia. Após a determinação da posologia apropriada, é possível considerar a mudança para a associação de dose fixa na dosagem apropriada. Lipocomb® 10 mg/10 mg e 20 mg/10 mg não são adequados para o tratamento de doentes que requeiram uma dose de 40 mg de rosuvastatina. Lipocomb® deve ser administrado ≥ 2 horas antes ou ≥ 4 horas após a administração de um sequestrante do ácido biliar. População pediátrica: Não deve ser utilizado em crianças com idade inferior a 18 anos. Doentes idosos (>70 anos), doentes com compromisso renal moderado (ClCr <60 ml/min), doentes asiáticos (ascendência asiática) e doentes com predisposição para a miopatia: Recomenda-se uma dose inicial de 5 mg de rosuvastatina. Doentes com compromisso renal ligeiro a moderado: Não é necessário ajuste posológico. Doentes com compromisso hepático: Compromisso ligeiro (pontuação 5 a 6 na escala de ChildPugh): Não é necessário qualquer ajuste posológico. Compromisso hepático moderado (pontuação 7 a 9 na escala de ChildPugh) e grave (pontuação ≥ 9 na escala de ChildPugh): Não recomendado. Polimor smos genéticos Recomenda-se uma dose diária mais baixa. Terapêutica concomitante: Não se recomenda a administração concomitante com as combinações de ritonavir com atazanavir, lopinavir e/ou tipranavir (ver lista completa na seção abaixo Interações medicamentosas*) | Contraindicações*: Hipersensibilidade às substâncias ativas (rosuvastatina, ezetimiba) ou a qualquer um dos excipientes; Doença hepática ativa, incluindo elevações persistentes e inexplicáveis das transaminases séricas e qualquer elevação das transaminases séricas excedendo 3 vezes o limite superior dos valores normais (LSN); Durante a gravidez e amamentação e em mulheres com potencial para engravidar que não adotam medidas contracetivas apropriadas; Doentes com compromisso renal grave (ClCr <30 ml/min); Doentes com miopatia; Doentes a receber associação concomitante de sofosbuvir/ velpatasvir/voxilaprevir; Doentes tratados concomitantemente com ciclosporina. Advertências e precauções especiais de utilização*: Reações adversas cutâneas graves: Foram notificadas com rosuvastatina, reações adversas cutâneas graves incluindo síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS), que podem ser fatais ou com risco de vida. Os doentes devem ser alertados sobre os sinais e sintomas de reações cutâneas graves e ser monitorizados de perto. Se aparecerem sinais e sintomas sugestivos desta reação, Lipocomb® deve ser descontinuado imediatamente e deve ser considerado um tratamento alternativo. Se o doente desenvolveu uma reação grave como SJS ou DRESS com a utilização de Lipocomb®, o tratamento com Lipocomb® não deve ser reiniciado em nenhum momento neste doente. Efeitos musculosqueléticos: Efeitos musculares: Pare o tratamento se ocorrerem sintomas musculares com elevação do nível de CK> 5 x LSN ou se os sintomas musculares forem graves e causarem desconforto diário (mesmo se os níveis de CK forem ≤ 5 x LSN). Lipocomb® deve ser utilizado com precaução em doentes tratados com derivados do ácido fíbrico, incluindo gemfibrozil, ciclosporina, ácido nicotínico, antifúngicos do grupo dos azóis, inibidores da protease e antibióticos macrólidos. A coadministração com gemfibrozil aumenta o risco de miopatia e, por isso o seu uso não é recomendado. Lipocomb® não pode ser coadministrado com formulações sistémicas de ácido fusídico ou no espaço de 7 dias após ter parado o tratamento com ácido fusídico. Se a administração for considerada essencial, Lipocomb® deve ser descontinuado durante o tratamento com ácido fusídico. Efeitos hepáticos: Recomenda-se que sejam realizados testes da função hepática 3 meses antes e 3 meses após o início do tratamento com rosuvastatina. Interromper o tratamento ou reduzir a dose, em caso de icterícia, hepatite ou aumento acentuado das enzimas hepáticas (transaminases séricas a exceder 3 vezes o LSN). Efeitos renais (proteinúria): Recomenda-se a monitorização, por tiras de teste, em doentes tratados com doses elevadas de rosuvastatina, em particular 40 mg. Raça: Lipocomb® pode causar um aumento na exposição de rosuvastatina em indivíduos asiáticos, comparativamente a caucasianos. Inibidores da protease: A utilização concomitante com determinados inibidores da protease não é recomendada, a menos que a dose de Lipocomb® seja ajustada. Doença pulmonar intersticial: Se houver suspeita, a terapêutica deve ser interrompida. Diabetes mellitus: Os doentes em risco (glicemia em jejum entre 5,6 a 6,9 mmol/l, IMC >30 kg/m2, triglicéridos aumentados, hipertensão) devem ser monitorizados. Fibratos: Caso se suspeite de colelitíase num doente a receber Lipocomb® e fenofibrato, o tratamento deve ser descontinuado. Anticoagulantes: Se

menos de 1 mmol de sódio (23 mg) por cápsula. | Interações medicamentosas* Contraindicações: Associações com ciclosporina, sofosbuvir/velpatasvir/voxilaprevir. Associações não recomendadas: inibidores da protease (p. ex. atazanavir/ritonavir), inibidores das proteínas transportadoras (incluindo o transportador de captação hepático OATP1B1 e o transportador de efluxo BCRP), gemfibrozil e outros medicamentos hipolipemiantes (fibratos e niacina (ácido nicotínico)), ácido fusídico. Precauções: antiácidos, eritromicina, enzimas do citocromo P450 (inibidor/indutor), antagonistas da Vitamina K (p. ex. varfarina ou outro anticoagulante cumarínico), contracetivo oral/terapêutica hormonal de substituição (THS), colestiramina, estatinas (atorvastatina, sinvastatina, pravastatina, lovastatina, fluvastatina ou rosuvastatina), outros medicamentos (dapsona, dextrometorfano, digoxina, glipizida, tolbutamida, midazolam, cimetidina). Fertilidade, gravidez e aleitamento*: Lipocomb® está contraindicado na gravidez e amamentação. As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar métodos contracetivos apropriados. | Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas*: Podem ocorrer tonturas. | Efeitos indesejáveis*: Frequentes:

afrontamentos, hipertensão, tosse, dispepsia, afeção de

gastrite, prurido, erupção cutânea, urticária, artralgia, espasmos musculares, dor cervical, dorsalgia, fraqueza muscular, dores nas extremidades, dor torácica, dor, edema periférico, aumento da CPK no sangue; aumento da gama glutamiltransferase, teste anormal da função hepática. Raros: trombocitopenia, reações de hipersensibilidade incluindo angioedema, pancreatite, miopatia (incluindo miosite), rabdomiólise, síndrome tipo lúpus, rutura muscular. Muito raros: polineuropatia, perda de memória, icterícia, hepatite, artralgia, hematúria, ginecomastia. Frequência desconhecida: trombocitopenia, hipersensibilidade (incluindo anafilaxia), depressão, neuropatia periférica, alterações do sono (incluindo insónia e pesadelos), dispneia, colelitíase, colecistite, síndrome de Stevens- Johnson, reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS), eritema multiforme, miopatia necrosante imunomediada, afeções dos tendões, por vezes complicadas devido a rutura. | Sobredosagem*: Devem ser aplicadas medidas sintomáticas e de suporte. Os níveis de CK e da função hepática devem ser monitorizados. Propriedades farmacológicas*: A rosuvastatina é um inibidor seletivo e competitivo da redutase da HMGCoA, a enzima limitante da taxa de conversão da 3hidroxi3metilglutaril

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Luís Bronze / Rosa de Pinho

Na véspera de mais um Congresso da Sociedade Portuguesa de Hipertensão…

Rogério Ferreira

Hiperaldosteronismo – o que há de novo?

Paula Felgueiras

Hipertensão arterial induzida por fármacos

Francisca abecasis

Abordagem terapêutica na HTA maligna

Fernando Martos Gonçalves

Como otimizar a adesão terapêutica no hipertenso

Heloísa Ribeiro

Uma equipa multidisciplinar na abordagem da HTA

Vitória Cunha

Polipílula: uma opção eficaz e segura

Manuel Viana Hipertensão no idoso frágil

Jornal Médico | 23 Janeiro 2023 C-LDL = Colesterol de lipoproteína de baixa densidade Ref 1. Ballantyne, C.M., et al., Atherosclerosis, 2014. 232(1): p. 86-93
,
Informações Essenciais Compatíveis com o Resumo das Características do Medicamento (IECRCM) Nome do medicamento, composição e Forma farmacêutica*: Lipocomb® 10 mg/10 mg cápsulas contém 10 mg de rosuvastatina (sob a forma de rosuvastatina zinco) e 10 mg de ezetimiba; Lipocomb® 10 mg/10 mg cápsulas contém 20 mg de rosuvastatina (sob a forma de rosuvastatina zinco) e 10 mg de ezetimiba. | Indicações terapêuticas*: Lipocomb® está indicado como adjuvante da dieta para o tratamento de hipercolesterolemia primária como terapêutica de substituição em doentes adultos adequadamente
Lipocomb® for adicionado à varfarina, a outro anticoagulante cumarínico ou à fluindiona, o INR deve ser monitorizado de forma apropriada. Doença hepática e álcool: Lipocomb® deve ser utilizado com precaução em doentes que ingerem quantidades excessivas de álcool e/ou têm histórico de doença hepática. Isento de sódio: contém
coenzima A em mevalonato, um precursor do colesterol. A ezetimiba
hipolipemiantes que inibem seletivamente a absorção intestinal de colesterol e esteróis vegetais relacionados. Apresentações Comercializadas*: Embalagem de 30
| Titular da AIM: EGIS Pharmaceuticals
30-38, Hungria. Para mais informações contatar o representante do titular da AIM: Servier Portugal, Lda. Av. António Augusto de Aguiar 128, 1069-133 Lisboa. - Telefone: 213122000. Regime de comparticipação: Comparticipado pelo escalão
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diabetes mellitus, cefaleias, tonturas, obstipação, náuseas, dor abdominal, diarreia, flatulência, mialgia, astenia, fadiga, aumento de ALT e/ou AST. Pouco frequentes: apetite diminuído, parestesia,
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09.2021. IECRCM 09.05.2022. *Para uma informação completa por favor leia o Resumo das Características do Medicamento. Servier Portugal - Especialidades Farmacêuticas, Lda, Avenida António Augusto Aguiar, 128, 1069-133 LISBOA Tel.: +351 213 122 000 | Fax: +351 213 122 090

Na véspera de mais um Congresso da Sociedade Portuguesa de Hipertensão…

qual precisamos de refletir. Será pela não adesão, a inércia médica ou a sobrecarga de trabalho que não melhoramos a principal causa de mortalidade e morbilidade geral?

Comigomedesavim, nãopossovivercomigo nempossofugirdemim…

Francisco Sá de Miranda, Coimbra (1481-1558)

Estamos na véspera de mais um Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular. Será um momento científico de grande relevância, onde especialistas de variadas áreas se juntam com um mesmo objetivo, o de abordar a problemática do principal fator de risco cardiovascular, a hipertensão arterial.

Trata-se de mais um tremendo empenho ao nível da sua organização. Dito

desta forma, pensaríamos que, eventualmente, nada de novo se prepara para acontecer. Nada está mais longe da verdade… Como o poema acima procura traduzir, trata-se de uma busca constante do desafio de fazer o melhor possível, em que muitos participaram…

Organizar um evento científico, no tempo presente, tem de facto – sabemos bem – desafios extraordinários. De entre estes, destacamos claramente a forte complexidade do “risco cardiovascular”, como o entendemos hoje, que, obviamente, está muito para lá da hipertensão arterial. Apesar de não termos novas armas terapêuticas disponíveis, continua a ser uma problemática muito presente e sobre a

Será pela não adesão, a inércia médica ou a sobrecarga de trabalho que não melhoramos a principal causa de mortalidade e morbilidade geral?

Interessa, ainda, incluir as novidades mais recentes no domínio de áreas que contribuem para o risco global do doente, como a da diabetes mellitus, cuja terapêutica tem apresentado uma evolução meteórica. Teremos também um novo olhar sobre a dislipidemia, cuja valorização e terapêutica evoluiu.

No capítulo estrito da hipertensão, também muitos temas estão em evolução,

dos quais daremos conta. Entre os mais interessantes está a utilização de equipamentos sem braçadeira no diagnóstico da hipertensão arterial, bem como o uso de equipamentos digitais no controlo terapêutico, fomentando uma melhor adesão à terapêutica, entre outros. A propósito da adesão à terapêutica, a Sociedade Portuguesa de Hipertensão dará conta de uma iniciativa nacional para a sua promoção, objetivo a vários anos, que consideramos fundamental para a melhoria do grau de controlo tensional em Portugal e consequente redução da mortalidade cardiovascular – um dos objetivos maiores da SPH…

Muitos outros aspetos captarão certamente a atenção dos participantes, já que pretendemos abordar temas clínicos muito práticos, como a questão da hipertensão arterial resistente, ou da hipertensão arterial maligna, focando-nos também em pormenores específicos, forçosamente distintos, mas com igual importância, de governação clínica, como a organização das consultas de hipertensão arterial, quer em contexto hospitalar, quer na Medicina Geral e Familiar.

A mudança do local do Congresso representou outro desafio. Além de circuns-

Hiperaldosteronismo – o que há de novo?

Após a publicação, em 2016, dos resultados do primeiro estudo multicêntrico português sobre HAP realizado pelo Grupo de Estudos de Tumores da Suprarrenal (SR), ficámos a conhecer melhor a realidade nacional, nomeadamente quanto à apresentação clínico-analítica (com hipocaliemia em 32,8% dos doentes), às diferentes metodologias utilizadas nos testes confirmatórios (87% foram submetidos a prova de infusão salina) e à realização de cateterismo das veias suprarrenais (CVSR), realizado em apenas 9 dos 63 doentes e com resultado conclusivo em apenas 1 doente.

ra mais recente (sobretudo os cut-offs ideais a utilizar nos doseamentos hormonais para rastreio/diagnóstico e à necessidade de melhorar a fiabilidade dos resultados do CVSR) soma-se, hoje em dia, a noção da marcada variabilidade intraindividual dos doseamentos, levando alguns autores a questionar se apenas um doseamento hormonal é suficiente para excluir um HAP.

De acordo com as guidelines da Sociedade Europeia de Hipertensão, está recomendado o rastreio de HAP em doentes que apresentem:

1) HTA de grau 2 ou 3;

Apesar de o hiperaldosteronismo primário (HAP) constituir a etiologia mais frequente de HTA secundária, encontra-se francamente subdiagnosticado na população (dados recentes europeus sugerem uma prevalência de cerca de 5,5% de HAP em doentes recém-diagnosticados com HTA em CSP).

Dado que os doentes com HAP têm, comparativamente com os que têm HTA dita essencial, mais eventos cardiovasculares, é crucial melhorar as estratégias de rastreio, confirmação diagnóstica e abordagem terapêutica.

A recém-publicada (dezembro 2022) casuística espanhola sobre diagnóstico e tratamento de HAP por especialistas em Endocrinologia e Nutrição espanhóis mostra também interessantes dados quanto a: 1) heterogeneidade dos valores de cut-off do ratio aldosterona/renina (RAR) utilizados; 2) tipos de teste confirmatórios utilizados (uso da prova de infusão salina em cerca de 2/3 dos casos); e 3) realização de CVSR (disponível para 67,4% dos clínicos, sendo utilizadas metodologias pouco estandardizadas e com 48% dos clínicos a reportarem que a taxa de sucesso do procedimento era inferior a 50%).

A estas questões metodológicas que permanecem tema de discussão na literatu-

2) HTA com pressão sistólica > 150 ou diastólica > 100 mmHg, de forma sustentada;

3) Início de HTA antes dos 40 anos

4) HTA e hipocaliemia espontânea ou facilmente induzida por diuréticos;

5) HTA resistente (após excluídas causas de pseudorresistência);

6) HTA e fibrilhação auricular (não justificada por doença cardíaca estrutural);

7) HTA e história familiar de HAP ou AVC em idade jovem;

8) HTA em doentes que apresentem nódulo na glândula SR;

9) HTA e síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS).

Um estudo do final de 2022 envolvendo doentes com HAP e diabetes que foram submetidos a adrenalectomia mostrou que em metade deles houve melhoria do controlo da diabetes após a adrenalectomia.

Precisamente neste último grupo, recentemente, vários autores salientaram a associação bidirecional entre o HAP e o SAOS (nomeadamente, com o tratamento do HAP a poder reduzir a gravidade da obstrução da apneia do sono) e alertaram que é necessário criar nestes doentes estratégias mais eficazes de screening de HAP.

Um estudo do final de 2022 envolvendo doentes com HAP e diabetes que foram submetidos a adrenalectomia mos-

tâncias exclusivamente conjunturais, vai permitir reacender o interesse em muitos, já que as emoções seguem os lugares e a rotina instalada – injustificadamente cara – poderia desencorajar muitos. Ninguém ficará desiludido, pois, este ano, o nosso Congresso terá uma participação recorde da indústria farmacêutica. E outras áreas, técnicas, igualmente importantes no domínio da hipertensão, também estarão representadas.

Uma parte importante do nosso Congresso prende-se com o envolvimento e participação dos internos e de outros grupos profissionais, quer por através de comunicações orais ou da apresentação de posters. Acresce que se espera que esteja já concretizada, aquando do Congresso, a indexação da Revista Portuguesa de Hipertensão e Risco Cardiovascular, valorizando-se deste modo, ainda mais, o esforço de quem apresenta trabalhos.

Em conclusão, esperamos, mais uma vez, que o Congresso seja marcante na alma daqueles que nos visitarem. Será inovador de muitas formas, no nosso ser, desavindo por produzir um evento cientificamente importante, agradável para o participante, memorável para todos… O futuro dirá se conseguimos!

trou que em metade deles houve melhoria do controlo da diabetes após a adrenalectomia. Um maior tempo de evolução da HTA, uma maior concentração urinária de magnésio e um maior doseamento de potássio urinário em amostra de 24h foram os fatores preditores de uma menor melhoria do controlo da diabetes após adrenalectomia. Assim, o doseamento dos eletrólitos urinários poderá ser pertinente para prever qual a evolução expectável da diabetes após a adrenalectomia.

Em relação à terapêutica para os doentes que não desejam cirurgia, continuam a ser estudadas alternativas utilizando ablação adrenal por cateter.

Bibliografia:

- Exp Clin Endocrinol Diabetes. 2022 Dec;130(12):801-805.doi:10.1055/a-1938-4242. Epub2022Sep7.

- RevPortEndocrinolDiabetesMetab.2016;11(2):163–170.

- Endocrinol Diabetes Nutr (Engl Ed). 2022 Dec 12;S2530-0180(22)00241-4. doi: 10.1016/j.endien.2022.01.013.

- Surgery. 2023 Jan;173(1):59-64. doi: 10.1016/j. surg.2022.05.041.Epub2022Oct2.

- Liuetal.BMCEndocrineDisorders(2022)22:331 https://doi.org/10.1186/s12902-022-01254-6.

- Hypertens Res. 2023 Jan;46(1):91-99. doi: 10.1038/s41440-022-01034-8.Epub2022Oct14.

24 | Jornal Médico Janeiro 2023
Luís Bronze Cardiologista. Presidente da SPH Rosa de Pinho Especialista de MGF. Presidente eleita da SPH Rogério Ferreira Internista. Consulta de Aterosclerose e Hipertensão, Serv. de MI do CH e Universitário de Coimbra
Especial Hipertensão
TRIPLIXAM® COVERAM® TRIVERAM® PRETERAX ® COVERAM® INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO Nome do medicamento* Coveram® 5 mg/5 mg; Coveram® 5 mg/10 mg; Coveram® 10 mg/5 mg; Coveram® 10 mg/10 mg. Composição qualitativa e quantitativa*: Coveram® 5 mg/5 mg contém 5 mg de perindopril arginina (per) e 5 mg de besilato de amlodipina (amlo). Coveram® 5 mg/10 mg contém 5 mg per/10 mg amlo. Coveram® 10 mg/5 mg contém 10 mg per/5 mg de amlo. Coveram® 10 mg/10 mg contém 10 mg per/10 mg amlo. Excipiente: contém lactose monohidratada. Forma farmacêutica* Comprimido. Indicações terapêuticas*: Coveram® está indicado como terapêutica de substituição para o tratamento da hipertensão arterial essencial e/ou doença coronária arterial estável, em doentes já controlados com perindopril e amlodipina administrados em simultâneo e com o mesmo nível de dosagem. Posologia e modo de administração*: Via oral. Um comprimido por dia, numa única toma, de preferência de manhã e antes duma refeição. A associação xa não é adequada para terapêutica inicial. Se for necessário alterar a posologia, a dose de Coveram® pode ser modi cada ou pode ser considerada a titulação individual com os componentes isolados. Compromisso renal e idosos: monitorização frequente da creatinina e potássio; Clcr < 60ml/min: não recomendado. Compromisso hepático: para encontrar a dose inicial e de manutenção ideal, os doentes devem ser titulados individualmente utilizando os componentes isolados de amlodipina e perindopril. População pediátrica não deve ser utilizado em crianças e adolescentes. Contraindicações*: Hipersensibilidade às substâncias ativas, a qualquer outro IECA, a derivados das dihidropiridinas ou a qualquer um dos excipientes; Antecedentes de angioedema associado a uma terapêutica prévia com IECAs; Angioedema hereditário ou idiopático; Segundo e terceiro trimestres da gravidez; Utilização concomitante com medicamentos contendo aliscireno em doentes com diabetes mellitus ou compromisso renal (TFG < 60 ml/min/1,73 m ); Hipotensão grave; Choque, incluindo choque cardiogénico; Obstrução no uxo de saída do ventrículo esquerdo (ex: grau elevado de estenose aórtica); Insu ciência cardíaca hemodinamicamente instável após enfarte agudo do miocárdio; Utilização concomitante com sacubitril/valsartan. Coveram® não deve ser iniciado até 36 horas após a última dose de sacubitril/valsartan; Tratamentos extracorporais nos quais o sangue entra em contato com superfícies polarizadas negativamente; Estenose bilateral signi cativa da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional. Advertências e precauções especiais de utilização*: Advertências especiais: Hipersensibilidade/Angioedema/Angioedema intestinal: o tratamento deve ser imediatamente interrompido e iniciada monitorização adequada até ao completo desaparecimento dos sintomas. O angioedema associado a edema da laringe pode ser fatal. Combinação com sacubitril/valsartan (contraindicada devido ao aumento do risco de angioedema). Sacubitril/valsartan não deve ser iniciado até 36 horas após a última dose da terapêutica com perindopril. A terapêutica com perindopril não deve ser iniciada até 36 horas após a última dose de sacubitril/valsartan. A utilização concomitante de IECAs com inibidores da NEP (ex: racecadotril), inibidores mTOR (ex: sirolímus, everolímus, temsirolímus) e gliptinas (ex: linagliptina, saxagliptina, sitagliptina, vildagliptina) pode levar a um aumento do risco de angioedema (ex: inchaço das vias respiratórias ou da língua, com ou sem compromisso respiratório). Recomenda-se precaução ao iniciar racecadotril, inibidores mTOR (ex: sirolímus, everolímus, temsirolímus) e gliptinas (ex: linagliptina, saxagliptina, sitagliptina, vildagliptina) num doente que já esteja a tomar um IECA. Reações ana láticas durante a aférese de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) em raras ocasiões, os doentes sofreram reações ana láticas com risco de vida, reações evitadas com a interrupção temporária do tratamento antes dos exames. Reações ana láticas durante a dessensibilização: evitadas com a interrupção temporária do tratamento antes dos exames. Estas reações reapareceram após toma inadvertida. Neutropenia/agranulocitose/trombocitopenia/anemia extrema precaução em doentes com doença vascular colagénica, terapêutica imunossupressora, em tratamento com alopurinol ou procainamida, sendo aconselhável monitorizar periodicamente os níveis de glóbulos brancos. Hipertensão renovascular: Existe um risco aumentado de hipotensão e insu ciência renal, em doentes com estenose bilateral da artéria renal ou estenose da artéria para o único rim funcional. O tratamento com diuréticos pode ser um fator contribuidor. Pode ocorrer perda da função renal (alterações menores na creatinina sérica), mesmo em doentes com estenose unilateral da artéria renal. Duplo bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA): utilização concomitante de IECAs, ARAs II ou aliscireno aumenta o risco de hipotensão, hipercaliemia e redução da função renal (incluindo insu ciência renal aguda). O duplo bloqueio de SRAA não é, portanto, recomendado. Os IECA e ARAs II não devem ser associados em doentes com nefropatia diabética. Aldosteronismo primário: não recomendado em doentes com hiperaldosteronismo primário (não respondem a anti-hipertensores que atuam através da inibição do sistema renina-angiotensina). Gravidez: Quando é diagnosticada a gravidez, o tratamento com Coveram® deve ser imediatamente interrompido e, se apropriado, deverá ser iniciada terapêutica alternativa. Precauções de utilização: Hipotensão nos doentes com risco elevado de hipotensão sintomática (depleção de volume ou com hipertensão renina-dependente grave) ou com doença cardíaca isquémica ou doença cerebrovascular, a pressão arterial, função renal e potássio sérico devem ser rigorosamente monitorizados durante o tratamento. Uma resposta hipotensiva transitória não é uma contraindicação para doses adicionais, desde que a pressão arterial tenha aumentado após a expansão do volume. Estenose da válvula aórtica e mitral/cardiomiopatia hipertró ca: utilizar com precaução. Doentes com insu ciência cardíaca utilizar com precaução. Função renal comprometida: monitorizar o potássio e a creatinina; recomenda-se a titulação individual dos monocomponentes, se Clcr <60 ml/min. Em doentes com estenose da artéria renal, a ureia e creatinina séricas podem aumentar. Em caso de hipertensão renovascular existe um risco aumentado de hipotensão grave e insu ciência renal. Insu ciência renal A amlodipina não é dialisável. Insu ciência hepática: em casos raros, os IECA têm sido associados a uma síndrome que começa com icterícia colestática e progride para necrose hepática fulminante e (por vezes) morte: parar o tratamento no caso de icterícia ou aumentos signi cativos de enzimas hepáticas. Função hepática comprometida: titulação gradual da dose e monitorização cuidadosa no caso de insu ciência hepática grave. Indivíduos de raça negra: o perindopril pode ser menos e caz e causar uma taxa mais elevada de angioedema do que em doentes de raça não negra. Tosse não produtiva desaparece com a descontinuação do tratamento. Cirurgia/Anestesia interromper o tratamento um dia antes da cirurgia. Hipercaliemia monitorizar frequentemente o potássio sérico no caso de insu ciência renal, agravamento da função renal, idade (>70 anos), diabetes mellitus, desidratação, descompensação cardíaca aguda, acidose metabólica e utilização concomitante de diuréticos poupadores de potássio, suplementos ou substitutos do sal que contêm potássio e, especialmente, antagonistas da aldosterona ou bloqueadores dos recetores da angiotensina. Doentes diabéticos: monitorizar a glicemia durante o primeiro mês. Crise hipertensiva: A segurança e e cácia não foram estabelecidas. Doentes idosos aumentar a dose com precaução. Doentes com intolerância à galactose/malabsorção de glucose-galactose/de ciência total de lactase: não devem tomar este medicamento. Interacções medicamentosas e outras formas de interacção*: Utilização concomitante contraindicada: aliscireno em doentes diabéticos ou com compromisso renal, tratamentos extracorporais que levem ao contato do sangue com superfícies polarizadas negativamente, sacubitril/valsartan. Utilização concomitante não recomendada aliscireno (em outros doentes), bloqueadores dos recetores da angiotensina, estramustina, diuréticos poupadores de potássio (triamtereno, amilorida), sais de potássio, lítio, dantroleno (intravenoso), toranja ou sumo de toranja. Utilização concomitante que requer cuidados especiais: antidiabéticos (insulina, agentes hipoglicemiantes orais), diuréticos não poupadores de potássio, diuréticos poupadores de potássio (eplerenona, espironolactona), racecadotril, inibidores mTOR (sirolímus, everolímus, temsirolímus), gliptinas (ex: linagliptina, saxagliptina, sitagliptina, vildagliptina), AINEs (incluindo ácido acetilsalicílico ≥ 3 g/dia), indutores CYP3A4, inibidores CYP3A4, baclofeno. Utilização concomitante que requer alguns cuidados: simpaticomiméticos, ouro, tacrolímus, ciclosporina, sinvastatina, anti-hipertensores e vasodilatadores, corticosteroides, tetracosactido, alfa-bloqueadores (prazosina, alfuzosina, doxazosina, tamsulosina, terazosina), amifostina, antidepressivos tricíclicos, antipsicóticos, anestésicos, outros produtos medicinais com propriedades anti-hipertensivas. Medicamentos indutores de hipercaliemia: aliscireno, substitutos do sal que contêm potássio, diuréticos poupadores de potássio, IECAs, antagonistas dos recetores da angiotensina II, AINEs, heparinas, medicamentos imunossupressores como a ciclosporina ou tacrolímus, trimetoprim e cotrimoxazol (trimetoprim/sulfametoxazol). Gravidez e amamentação*: Não recomendado durante o primeiro trimestre de gravidez e na amamentação. Contraindicado durante o segundo e terceiro trimestres de gravidez. Fertilidade*: Alterações bioquímicas reversíveis de espermatozoides em alguns doentes tratados com

Hipertensão arterial induzida por fármacos

substituição, parecem não ter impacto na pressão arterial. Os contracetivos progestativos (implantes, DIU, pílulas progestativas, injetáveis) não parecem

A hipertensão arterial é um dos problemas de saúde pública mais importantes a nível mundial, acarretando enorme impacto quer a nível económico, quer na qualidade de vida das pessoas, pelas complicações a esta associadas (sejam as doenças cerebrovasculares, como o acidente vascular cerebral, e/ou as cardíacas, como o enfarte agudo do miocárdio e a insuficiência cardíaca).

A HTA é na maioria das vezes silenciosa, representando, por si só, um fator de risco para muitas outras doenças, como sejam a doença arterial coronária, o AVC ou a insuficiência cardíaca. É, assim, fundamental o bom controlo tensional, de modo a evitar o aparecimento de lesão de órgão alvo.

Para além da avaliação global do utente, é fundamental em Consulta de Hipertensão a exclusão das causas secundárias de HTA, assim como os fármacos e/ou condições médicas que possam contribuir para um não controlo adequado da pressão arterial.

Uma das causas de HTA é a induzida por fármacos. Uma elevada percentagem da população, para além da terapêutica prescrita, tem acesso a fármacos de venda livre ou a produtos de ervanária que podem interferir com o bom controlo da pressão arterial. São vários os fármacos e substâncias que podem aumentar a pressão arterial ou interferir com a terapêutica, nomeadamente:

– Os contracetivos orais, particularmente os que contêm estrogénio. Têm como mecanismo de ação a estimulação da produção hepática de angiotensinogénio pelo estrogénio, ativando o sistema renina-angiotensina, no entanto, há também evidências de que o estrogénio interfere igualmente na ativação do sistema nervoso simpático. São necessários níveis farmacológicos de estrogénios, como os encontrados nos contracetivos orais, para causar aumento da pressão arterial em algumas pessoas. Os contracetivos não orais, como os anéis vaginais, transdérmicos ou combinados, parecem ter um impacto menor na subida da pressão arterial, comparativamente com os contracetivos orais, embora sejam necessários mais estudos. Níveis fisiológicos de estrogénios, como os que são encontrados na terapêutica hormonal de

estar associados a aumento da pressão arterial. Assim, nas mulheres em idade fértil que sejam hipertensas torna-se fulcral a consulta para avaliação do

seu risco individual e para a escolha da terapêutica mais adequada, tanto a anti-hipertensiva como o método contracetivo. (1,2,3)

– Os anti-inflamatórios não esteroides (AINE), particularmente se usados

By meneses at 1:34 pm, Oct 25, 2022

Jornal Médico | 27 Janeiro 2023
Paula
na pág. 28)
(Continua

de forma crónica, estão associados a aumento da pressão arterial. Os AINE, quando usados em dose terapêutica, podem aumentar a pressão arterial e diminuir o efeito dos fármacos anti-hipertensores (exceto os antagonistas dos canais de cálcio). O mecanismo pelo qual causam aumento da pressão arterial relaciona-se com a redução da excreção de sódio e o aumento do volume intravascular. Apenas a aspirina usada em baixa dose (como agente antitrombótico) não aumenta a pressão arterial. Nos doentes hipertensos que usam AINE é importante a restrição salina da dieta, assim como a monitorização frequente da pressão arterial e da função renal.(6)

– Os antidepressivos são usados numa elevada percentagem da população, no entanto, nas pessoas hipertensas devem ser tidos alguns cuidados, pelos efeitos adversos. Os antidepressivos da nova geração (inibidores da recaptação da serotonina-norepinefrina) têm como efeito adverso o aumento da pressão ar-

terial e isso parece estar relacionado com o efeito da norepinefrina. Os antidepressivos tricíclicos têm vários efeitos cardiovasculares, devendo ser evitados em doentes com doença cardiovascular. Os inibidores da monoaminoxidase (IMAO) também estão envolvidos no aumento da pressão arterial e podem até induzir crises hipertensivas.(8)

– Os corticosteroides, que incluem tanto os glucocorticoides como os mineralocorticoides, também estão envolvidos no aumento da pressão arterial.

– A eritropoetina (EPO) também parece estar envolvida no aumento da pressão arterial. O mecanismo de ação subjacente a este fenómeno permanece ainda pouco conhecido e parecem existir outras causas concomitantes. Sabe-se que aproximadamente 20 a 30% dos doentes tratados com EPO para a correção da anemia na doença renal crónica desenvolvem elevação em cerca de 10 mmHg na pressão arterial diastólica. Há fatores de risco associados ao desenvolvimento de hipertensão induzido pela EPO, tais como: administração subcu-

tânea, hemodiálise, história familiar de hipertensão, doses mais elevadas de EPO. O estudo CREATE demonstrou que existia um risco estimado de 50% no desenvolvimento de hipertensão relacionado principalmente com uso de doses elevadas de EPO e incremento rápido no valor da hemoglobina(4). O tratamento da hipertensão induzida pela EPO começa com a prevenção, uma vez que este risco diminui se a correção da hemoglobina for mais lenta e progressiva.(5)

– A ciclosporina e o tacrolimus – estes fármacos induzem hipertensão logo nas primeiras semanas de terapêutica, uma vez que induzem vasoconstrição e retenção de sódio. Habitualmente, com a redução da dose do fármaco a pressão arterial reduz-se, no entanto, pode ser necessário início/ajuste da terapêutica anti-hipertensora, sendo os antagonistas dos canais de cálcio o grupo farmacológico de eleição nos doentes sob ciclosporina.(7)

Muitos outros, tais como: os descongestionantes nasais; os medicamentos usados para perda de peso/anorexigé-

nios; os antiácidos contendo sódio; os estimulantes, como o metilfenidato e as anfetaminas; os antipsicóticos, como a olanzapina e a clozapina; os inibidores da angiogénese, como o bevacizumab; os inibidores da tirosina quinase, como o sutanitib e o sorafenib. E também as drogas ilícitas, como as metanfetaminas e a cocaína, podem causar um aumento da pressão arterial.

Daí que na avaliação do doente hipertenso se torne fundamental a colheita cuidada e detalhada da história clínica, de modo a excluir causas secundárias de hipertensão arterial, nomeadamente a induzida por fármacos/drogas.

Bibliografia:

1.Curtis KM, Tepper NK, Jatlaoiui TC, et al. US . Medical Eligibility Criteria for Contraceptise use,2016.MMWRRecommRep2016;65-1. 2.WheltonPK,CareyRM,AronowWS,etal.2017. ACC/AHA/AAPA/ABC/ACPM/AGS/APhA/ASH/ /ASPC/NMA/PCNAGuidelineforthePrevention, Detection, Evaluation, and management of HighBloodPressureinAdults.AReportofthe American College of Cardiology/American He-

art Association Task Force on Clinical Practice Guidelines.Hypertension2018;71:213.

3. ACOGPracticeBulletinNo.206:UseofHormonal Contraception in Women with coexisting medical conditions. Obstet Gynecol 2019; 133:e128.Reaffirmed2022.

4.DruekeTB,LacatelliF,ClyneN,EckardtKU,MacdougallIC,TsakirisD,BurgerHU,ScherhagA. CREATEInvestigators,Hypertensionassociated with erythropoiesis-stimulating agents (ESAs) inpatinetswithchronicKidneydisease.NEng JMed.2006;355(20):2071.

5.LundbyC,ThmsenJJ,BoushelR,etal.Erythropoetin treatment elevates haemoglobin concentrations by invreasing red cell volume and depressing plasma volume. J Physiol 2007; 578:309.

6.MacIntyreIM,TurtleEJ,FarrahTE,etal.Regular Acetaminophen use and Blood pressure in people with hypertension: The PATH-BP trial. Circulation2022;145:416.

7.Hoorn EJ, Walsh SB, McCormick JA, et al. The calcineurin inhibitor tacrolimus activates the renal sodium chloride cotransporter to cause hypertension.NatMed2011;17:1304.

8. Krishnan KRR. Monoamino oxidase inhibitors. In: The American Psychiatric Association Publishing Textbook of Psychopharmacology, FifthEdition,SchatzbergAF,AmericanPsychiatric Association Publishing, Arlington, VA 2017.p.283.

abordagem terapêutica

A hipertensão arterial maligna é uma emergência hipertensiva que, de acordo com a mais recente definição publicada pelas sociedades científicas europeias, se caracteriza pela elevação extrema da pressão arterial (geralmente para valores superiores a 200/120 mmHg), com afeção multiorgânica traduzida por disfunção aguda de pelo menos três órgãos-alvo (rim, retina, cérebro, coração e endotélio vascular).

Com o avanço no conhecimento e utilização de terapêutica anti-hipertensora a HTA maligna tornou-se uma doença rara. Ainda assim, a sua prevalência mantém-se estável nos últimos 30 anos, sendo se-

Como otimizar a adesão

lo tem um impacto benéfico na redução desta mortalidade.

Dispondo hoje de medicamentos anti-hipertensores eficazes, globalmente bem tolerados, e de um maior conhecimento da hipertensão por parte da população em geral, não seria expectável a grande percentagem de hipertensos não controlados observada em todo o mundo, mesmo nas “sociedades mais desenvolvidas”.

A hipertensão arterial é o principal fator de risco de mortalidade e morbilidade no mundo. É reconhecido o aumento do risco de doença cardiovascular associado à hipertensão arterial e que o seu contro-

Centrando-nos em Portugal, mais de 50% dos hipertensos não estão controlados e mais de 40% dos hipertensos medicados também não. Analisando as causas deste paradoxo, conclui-se ser importante a não adesão, constituindo mesmo um problema de saúde pública, pela mortalidade e morbilidade inerente.

Ainda em Portugal, num estudo realizado em doentes com hipertensão arterial resistente, confirmada por MAPA, quando fizeram a toma vigiada, mais de 50% dei-

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Janeiro 2023
Entrevista
Francisca abecasis Espec. em Medicina Interna, H. Garcia de Orta Fernando Martos Gonçalves  Espec. de Hipertensão Clínica da Soc. Europeia de Hipertensão. Coord. de Medicina Interna, H. Beatriz Ângelo
(Continuação da pág. 27)
Especial Hipertensão

Uma equipa multidisciplinar na abordagem da Hta

valência de HTA, associado ao envelhecimento da população, e apesar da existência de fármacos muito eficazes na redução da pressão arterial, para prevenir eventos e reduzir mortalidade, uma grande proporção dos doentes mantém-se fora do alvo desejado. Torna-se, assim, necessário desenvolver outras estratégias para aumentar o seu tratamento e controlo, destacando-se a necessidade de uma mudança de paradigma na prestação de cuidados.

A hipertensão arterial (HTA) é um fator de risco major para doenças cérebro-cardiovasculares, grupo de patologias que se mantém como principal causa de morte no nosso país, com um aumento do número absoluto de mortos no ano de 2020.

Globalmente, com o aumento da pre-

De facto, estudos randomizados e de meta-análise, incidindo na colaboração com enfermeiros e farmacêuticos, mostraram uma redução da pressão arterial sistólica e diastólica e/ou uma maior proporção de atingimento do alvo quando comparado com o seguimento habitual. Neste sentido, as guidelines de 2017 do American College of Cardiology e da American Heart Association (ACC/AHA) e de 2018 da European Society of Cardiology e da European Society of Hypertension (ESC/ESH) recomendam

terapêutica na Hta maligna

melhante nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. O progresso da ciência permitiu também melhorar o prognóstico desta entidade com uma sobrevida a 5 anos de 90%, mantendo, contudo, taxas de morbilidade significativas com até 35% dos indivíduos afetados com necessidade de diálise ou transplante renal.

Apesar dos mecanismos subjacentes ao desenvolvimento de HTA maligna não estarem totalmente esclarecidos, sabe-se que a elevação aguda da pressão arterial (PA) leva a perda da capacidade de autorregulação da perfusão dos órgãos-alvo, culminando em lesão endotelial, ativação

plaquetária, coagulação intravascular e microangiopatia trombótica.

A nível renal, estas alterações levam a necrose fibrinóide das arteríolas, endarterite proliferativa e isquemia justaglomerular, que conduz à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Por sua vez este vai exacerbar a lesão vascular, causar vasoconstrição e ativar o sistema nervoso simpático, que, num mecanismo de feedback positivo, irá aumentar a produção de renina, criando um ciclo vicioso, com progressão da HTA.

A abordagem clínica das emergências hipertensivas, nomeadamente da HTA

A importância das equipas multidisciplinares estende-se por toda a rede de cuidados do doente hipertenso, desde os CSP até ao nível hospitalar.

uma abordagem estruturada baseada em equipa (team-based care) e centrada no paciente. E envolvendo outros profissionais que, tendo em conta a sua formação de base, complementam a atividade do médico, desempenhando uma função importante ao nível da educação, do suporte e do seguimento ao doente, nomeadamente,

reforçando a adesão terapêutica e a monitorização da pressão arterial.

A definição dos diversos papéis na equipa, com base no conhecimento, competências e disponibilidade dos diversos grupos envolvidos, permite não só responder às necessidades do doente como também delegar tarefas, possibilitando ao médico ter uma maior disponibilidade para atender casos mais difíceis.

A importância das equipas multidisciplinares estende-se por toda a rede de cuidados do doente hipertenso, desde os CSP, onde a maior parte dos casos é seguida, até ao nível hospitalar, onde se abordam situações mais complexas, incluindo casos de hipertensão resistente e secundária e doentes de alto e muito alto risco cardiovascular. Neste caso, ainda se salienta o trabalho em equipa de diversas especialidades médicas (Endocrinologia, Imagiologia e Pneumologia, entre outras), articuladas de forma eficaz com o médico assistente do doente, nomeadamen-

te, através da criação de consultas multidisciplinares (ou do agendamento das diversas consultas no mesmo dia).

É possível, desta forma, agilizar o seguimento, evitando a burocracia da orientação formal para cada consulta individualmente e consequente janela temporal até à observação pretendida, racionalizar o pedido de exames complementares de diagnóstico e estabelecer um plano comum, proporcionando ao doente uma maior celeridade do processo, uma redução dos níveis de ansiedade e um menor absentismo laboral.

Como tal, torna-se necessário envidar esforços com vista à criação de protocolos de formalização e atuação destas equipas multidisciplinares, de procurando-se homogeneizar a prestação de cuidados a nível nacional, e não pontualmente, com iniciativas locais, bem como evitar a duplicação desnecessária de recursos ou a referenciação do doente para múltiplas consultas para resolução do mesmo problema.

maligna, mantém-se muito heterogénea e inconsistente. Os estudos científicos nesta área são escassos, geralmente retrospetivos e unicêntricos, o que leva a que as recomendações terapêuticas se baseiem essencialmente na opinião de peritos.

As mais recentes guidelines da Sociedade Europeia de Hipertensão, elaboradas em conjunto com a Sociedade Europeia de Cardiologia, em 2018, indicam que o tratamento da HTA maligna deve ser realizado com fármacos endovenosos tendo como objetivo a redução da PA média em 20-25%.

Após publicação destas recomendações, o interesse científico neste tema re-

crudesceu e vários autores questionam se a utilização de fármacos endovenosos de curta ação é necessária para uma redução progressiva e segura dos valores tensionais. Propõem em alternativa, e com base nos mecanismos fisiopatológicos conhecidos até à data, a utilização de fármacos orais, inibidores do SRAA, com titulação progressiva de dose ao longo das primeiras 48 horas.

Esta estratégia permite uma redução mais gradual da PA média e reduz o risco de lesões isquémicas associadas a uma descida demasiado abrupta da PA. Os estudos baseados nesta estratégia te-

rapêutica mostram um prognóstico semelhante ao tratamento convencional, o que poderá permitir a sua utilização de forma segura, sendo uma estratégia particularmente interessante para os países em desenvolvimento, onde a disponibilidade da terapêutica endovenosa é menor.

O estudo da HTA maligna é um campo cheio de novos desafios. É urgente identificar fatores que predispõem à elevação aguda da PA, desenvolver algoritmos preditores de risco, identificar biomarcadores de diagnóstico e harmonizar a abordagem com vista a uma terapêutica personalizada.

adesão terapêutica no hipertenso

xaram de ter resistência, demonstrando-se que esta resultava da não adesão.

Sabemos que esta problemática é transversal a todas as patologias crónicas que requeiram terapêutica prolongada (por exemplo, diabetes mellitus, dislipidemia, asma, tuberculose, depressão, epilepsia...) e é uma preocupação reconhecida pelas autoridades de saúde.

A OMS apresentou, já em 2003, um relatório sobre este tema. Foram então considerados 5 tipos de fatores relacionados com a não adesão – socioeconómicos, envolvendo o sistema/equipa de saúde ou associados ao tratamento, ao doente ou à doença.

O conceito de adesão é amplo e, tal como definido pela OMS, deverá englobar não só a toma dos medicamentos prescritos mas também, e pensando na hipertensão arterial, a implementação de todas as medidas necessárias ao controlo tensional, como o cumprimento da dieta e as mudanças no

estilo de vida... E ainda tem necessariamente inerente a persistência das mesmas.

De forma arbitrária, tem-se considerado como não aderente o doente que falha mais de 80% das tomas prescritas, não estando este valor validado para a hipertensão arterial.

Magnitude

Não é fácil estimar a importância da não adesão, pois, não há nenhum método de avaliação considerado “gold standard”. Nos trabalhos sobre este tema têm sido usados diferentes critérios, o que explica encontrarmos na literatura números distintos.

Poderemos considerar como não aderentes 1 em cada 3 hipertensos. É também conhecido que 50% dos doentes deixam de tomar a medicação ao fim de 1 ano.

Meta-análises de estudos prospetivos

referem que a adesão poderia diminuir em 20% o risco de doença cardiovascular. Para além deste benefício na saúde, também permitiria uma redução entre 3 e 10% nas despesas de saúde.

Avaliação

Num doente com hipertensão arterial não controlada, sobretudo se tem prescritos vários medicamentos, impõe-se avaliar a adesão do doente à terapêutica. Como referido acima, não é fácil, pois, não há um método universalmente aceite e os mais simples, e exigindo menos recursos, são os menos fiáveis.

Poderemos dividi-los em métodos subjetivos (perceção do clínico ou o autorreporte, existindo vários questionários com esta finalidade) e métodos objetivos, sejam diretos (toma vigiada, monitorização eletrónica, deteção de fármacos/me-

tabolitos de líquidos biológicos) ou indiretos (contagem de comprimidos, taxa de dispensa de prescrições).

Será fácil inferir que os métodos mais fiáveis, como, por exemplo, a toma vigiada, em que o doente vai tomar os medicamentos ao hospital, não é viável em termos universais.

Fatores que influenciam a adesão ao tratamento

As razões para a não adesão são complexas e multifatoriais. A aderência é inversamente proporcional ao número de medicamentos e de tomas diárias e, como sabemos, muitos destes doentes têm outras comorbilidades, obrigando a tomar muitos outros medicamentos.

Poderemos resumir da seguinte forma os fatores que influenciam a adesão ao tratamento e que estão relacionados com:

O sistema de saúde – dificuldade no acesso dos doentes, custo da medicação;

O médico – comunicação ineficaz, esquema terapêutico complexo, inércia terapêutica, consultas afastadas no tempo, eventualmente, outro médico;

O tratamento – esquema posológico complexo, pouco adaptado ao doente, efeitos secundários;

O doente – doença assintomática, suspendendo a medicação contínua, assintomático de tal forma que pode não haver a perceção do benefício do tratamento.

No caso de um hipertenso jovem, um esquema terapêutico pouco adequado à sua atividade diária, o receio de efeitos adversos e, inclusive, a dificuldade em aceitar o estigma de doença crónica pode torná-lo num “não aderente voluntário”.

Por outro lado, um idoso com diferentes

Jornal Médico | 29 Janeiro 2023
Reportagem
Internista do CH de Entre o Douro e Vouga. Secretária-adjunta do Norte da SPH
(Continua na pág. 30)

eficaz e segura

níveis, os comprimidos não são divisíveis, a omissão do comprimido leva à omissão de todos os componentes e a intolerância a um componente implica ad initio descontinuação de todos até diagnóstico da situação.

Mas do outro lado da balança temos importantes vantagens: a possibilidade de simplificar o esquema terapêutico, aumentando a adesão terapêutica, reduzindo os erros de omissão na toma, potenciando o sinergismo dos componentes e abordando vários FR simultaneamente. A questão da adesão é particularmente significativa no caso da HTA e da dislipidemia – doenças crónicas com terapêutica para a vida e frequentemente coexistentes no mesmo indivíduo.

Cerca de metade dos doentes suspende a terapêutica ao fim de um ano, mas a polipílula mostrou, em várias meta-análises, aumentar a adesão em 30 a 75%. A própria OMS colocou as associações fixas na lista de medicamentos essenciais e defende que aumentar a eficácia das intervenções sobre a adesão à terapêutica tem ou terá mais impacto sobre a saúde da população do que a melhoria em tratamentos médicos específicos.

A polipílula (com e sem aspirina) já demonstrou ser eficaz na prevenção primária, com redução na PA sistólica e no

colesterol LDL, e, consequentemente, nos eventos CV, sem aumento significativo dos efeitos adversos. Mostrou também ser eficaz na prevenção secundária, com

redução da morbimortalidade cardiovascular de forma significativa, mais uma vez, sem aumento dos efeitos adversos graves. Assim sendo, como profissionais de

saúde interessados na abordagem do risco CV global, devemos considerar a polipílula como uma opção eficaz e segura quer na prevenção primária, quer na pre-

venção secundária, aumentando a adesão terapêutica e a eficácia da intervenção nos nossos doentes para redução de morbilidade e mortalidade cardiovascular.

frágil

– Informação precisa da capacidade funcional e da função cognitiva; – Estimativa do prognóstico; – Atenção a comorbilidades, à polimedicação e ao risco de reações adversas; – Avaliação sistemática e estratificação da síndrome de fragilidade (pex. Clinical Frailty Scale);

– Identificação e correção de fatores que predispõem a uma descida excessiva da TA e a hipotensão ortostática, tais como tratamentos concomitantes, malnutrição, desidratação e doenças agudas.

Por razões de segurança, os medicamentos anti-hipertensivos devem ser reduzidos ou mesmo descontinuados, temporária ou permanentemente, em situações específicas (principalmente se a TAS < 130 mmHg, doenças agudas, variações na temperatura ambiente, etc.).

Devem-se manter os valores-alvo da TAS entre 130 e 150 mmHg como uma amplitude de segurança. Usar a automedição em casa e, se necessário, a MAPA de 24 horas para identificar os doentes tratados, com valores muito baixos da TA e sintomáticos.

Deve-se igualmente avaliar as variáveis não cardiometabólicas (poluição atmosférica, temperatura ambiente).

A decisão do médico assistente de iniciar tratamento anti-hipertensor num doente muito idoso frágil deve ser cautelosa – monoterapia em baixas doses –, com monitorização frequente do estado do doente.

Jornal Médico | 31 Janeiro 2023
Reportagem
32 | Jornal Médico Entrevista Janeiro 2023 PARA GRANDES MALES, GRANDES REMÉDIOS Imagem gentilmente cedida pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão. 20mg • 40mg • 80mg comprimidos azilsartan medoxomilo 40/12,5mg • 40/25mg comprimidos azilsartan medoxomilo/clorotalidona Zona Industrial da Abrunheira; Rua da Tapada Grande n.º 2 — Abrunheira • 2710-089 Sintra NIF: 500 626 413 TEDARC222A2CA /Mai/2022, revalidado anualmente