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Boletim d os estudantes de Geografia da Unicamp | n. 8 | out ’12

Gustavo Teramatsu

CACT informa

A oitava Semana

Renata Beltramin

Gustavo Teramatsu

Renata Beltramin

Recorde de inscritos e ampliação da participação de colegas de outras universidades marcam a Semana de 2012

Início, meio e fim: Luciano Duarte apresenta o professor Ricardo Antunes, na abertura; Rafael Straforini faz a mediação da mesa sobre Educação e Geografia na sexta potência mundial, na quarta; e José Gilberto de Souza fala durante o encerramento

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VIII Semana de Geografia da Unicamp foi realizada entre os dias 24 e 29 de setembro. Neste ano, a divulgação foi feita sobretudo pela internet, por meio de um site que recebeu as inscrições, perfil no Facebook e convites por e-mails. Os trabalhos de organização, sobretudo pela coordenação do CACT e estudantes de graduação, foram iniciados no mês de fevereiro. A novidade foi a realização da Semana no mês de setembro e não em outubro, como vinha sendo feito

desde sua criação, em 2005. A qualidade de nossa Semana já vem se destacando entre os eventos estudantis: recebemos colegas do Rio de Janeiro (UERJ e UFRJ), do Rio Grande do Norte (UFRN), de Alfenas (Unifal), de Belo Horizonte (UFMG), de Rio Claro (IGCE -Unesp), de São Paulo (USP), de Presidente Prudente (FCT-Unesp) e de Sorocaba (UFScar). Alguns foram hospedados em casas na Moradia Estudantil. Serão emitidos mais de 120 certificados de participação para

aqueles que estiveram presentes em ao menos metade das atividades — foram, ao todo, seis mesas-redondas e duas conferências. Nos Espaços de Diálogo Geográfico, foram mais de 50 apresentações de trabalhos simultâneas na tarde de quarta-feira, nas salas da Engenharia Básica, que serão publicados nos Anais. Também foram realizados seis minicursos nas manhãs de terça a quinta-feira, percorrendo temas diversos, com grande procura. Leia mais nas páginas 3 e 4! >

CENTRO ACADÊMICO DE GEOGRAFIA E CIÊNCIAS DA TERRA — GESTÃO LEVANTA, CACT! Anderson Cordeiro Sabino (101466), Anderson Sirini dos Santos (116106), André Lopes de Souza (080674), Carolina Leardine Zechinatto (090698), Diego Luciano do Nascimento (102018), Diogo Ronchi Negrão (081170), Everton Vinicius Valezio (091055), Frederico Zilioti Amorim (104955), Guilherme Henrique Gabriel (081542), Gustavo Henrique Beraldino Teramatsu (081566), Guilherme Rodrigues Ramos (091433), Jéssica Cecim (117337), João Paulo Marçola (081744), Luciano Pereira Duarte Silva (106127), Maico Diego Machado (083826), Rolver Bernardes Costa (120130), Stéphanie Rodrigues Panutto (092994), Thais Moreno de Barros (104166), Valderson Salomão da Silva (104238).

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CACTadas do guaxinim Get back, Jojo De férias entre 10 de setembro e 15 de outubro, a Jô fez falta. Ela não aguentou e deu uma pausa no descanso para fechar os horários das disciplinas do próximo semestre, mas agora já está de volta.

Vautrin Lud Considerado o Nobel da Geografia, o prêmio deste ano foi dado ao geógrafo chinês Yi-fu Tuan. A laureação, que existe desde 1991, já foi concedida a autores como Milton Santos, Yves Lacoste, David Harvey e Horacio Capel. Vitória em 2014 A capital capixaba sediará o VII Congresso Brasileiro de Geógrafos, em 2014. A aprovação foi unânime na 113ª Reunião da Gestão Coletiva da AGB realizada em Marechal Cândido Rondon (PR).

Chefinha Duas rodas A professora Regina será chefe do No mesmo dia em que foi inauguraDepartamento de Geografia por dois do o Burger King em Barão Geraldo, anos, a contar a partir do dia 4/nov, substituindo o professor Archimedes. passou a funcionar no distrito o programa Vá de Bike, que pretende incorporar as bicicletas ao transporte Dança das cadeiras O próximo semestre será marcado por público. Ao mesmo tempo, começam mudanças: o professor Vitte assumirá a ser oferecidos, no campus, cursos Ciência do Sistema Mundo, o profes- para aqueles que não sabem se equisor Chico assumirá Geomorfologia e a librar sobre duas rodas. professora Regina será responsável Pochmann por Geomorfologia (Climática e Litorânea). Outra novidade será a participa- A Unicamp esteve no centro das eleição do professor Rafael em Estágio ções municipais de Campinas. Professor do IE e ex-presidente do IPEA, Supervisionado II. Marcio Pochmann, que tinha 1% das intenções de voto, conseguiu, no Dedo amigo Em breve, o empréstimo de livros nas segundo turno, 231.420 votos, ou bibliotecas se dará por meio do chip 42,31% dos votos válidos. No IG, o do cartão e da confirmação biométrica petista teve apoio declarado dos com as digitais. O cadastro da biome- professores Mauricio Compiani, Ostria foi feito no fim de outubro RA e car Negrão e Renato Dagnino, além de diversos estudantes. logo chegará a todas as bibliotecas.

R$570.178,29 É a quantia devolvida à Unicamp referente a supersalários recebidos em 2009 por ordem do Tribunal de Contas do Estado. O reitor, o vice-reitor, pró-reitores — incluindo Paulão — e diretores tiveram rendimentos acima do teto remuneratório constitucional. Ganhando um salário mínimo atualmente, um trabalhador demoraria miseráveis 75 anos para receber a soma, isto é, nem que trabalhasse a vida toda. Aos doutores, com carinho Dia 15, dia do professor, houve aula, como sempre. Mas o tradicional feriado de 28 de outubro — pois o professor universitário é, antes de tudo, funcionário público — caiu num domingo. Professores: nossas lembranças. Só mais um pouquinho Falta pouco para terminar o ano. É o momento de reunir forças e concentrar-se para terminar as atividades acadêmicas para três meses de férias ou a formatura. Sorte e paciência a todos!

Vestibular mais concorrido?

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Comvest divulgou a lista da relação candidato/vaga do vestibular deste ano: na Geografia, são 182 inscritos para o curso integral e 220 para o curso noturno. Considerando apenas o segundo, desde o primeiro vestibular para nosso curso, a concorrência passou de 3,1 c/v, com 92 candidatos em 1999, para 7,3 neste ano. No mesmo período, o número de inscritos no vestibular subiu de 33 mil para 67 mil. O número de vagas na Unicamp saltou de 2255 para 3444. Na Geografia, a análise da série histórica revela que a concorrência flutuou nestes anos.

35 30 25 52 55 53 54

20 c/v

!?

Paulão não será vice-prefeito Confirmada a vitória de Jonas Donizette para a prefeitura de Campinas, conforta saber que, ao menos, Paulão, que era pró-reitor de desenvolvimento universitário desde 2002, não será conduzido ao Palácio dos Jequitibás. O estrago causado por ele se restringirá aos muros da Unicamp.

15 10 5 0 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Ano

Em 2005, a relação candidato-vaga chegou a 14,1 no curso noturno de Geografia. Nos últimos, porém, esta relação só diminuía, enquanto só crescia no diurno — a favor do curso de Geologia. Quando os cursos foram separados, a procura pela Geolo-

gia se mostrou bem maior que a procura pela Geografia. Um dos resultados esperados se concretizou: ao oferecer o curso em dois turnos, a concorrência para o curso noturno diminuiu consideravelmente, mas dá sinais de que volta a se estabilizar.


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AVIII Semana de Geografia da Unicamp Segunda, 24/9 — Auditório da FEC A nova morfologia do trabalho: crise e alternativas — Ricardo Antunes Na abertura da semana, o sociólogo Ricardo Antunes (IFCH) buscou um diálogo entre as ciências sociais e a Geografia ao abordar as novas concepções de trabalho trazidas à tona a partir do fim dos anos 1960. Para o professor, que não poupou exemplos, a precarização do trabalho é grande atualmente devido à grande flexibilização dos capitais — o que explica, de certo modo, os fluxos migratórios recentes de brasileiros para a Europa, que vem passando por uma crise. “O mundo está hoje em convulsão”, declarou. O Brasil, por sua vez, repete os padrões de um consumo e de uma produção insustentáveis. Contudo, resta ainda esperança, ao vermos fervilhar movimentos de resistência em diversos países — como placas tectônicas, como comparou Antunes.

Renata Beltramin

Paula Ribas e Simone Gatti (acima) e Oswaldo Sevá, Carlos Lobão e Hilbedrando Herrmann (direita)

corporativa às possibilidades de resistência — Eduardo Sombini, Paula Ribas e Simone Gatti

A política econômica dos recursos naturais no país — Carlos Lobão, Hildebrando Herrmann e Oswaldo Sevá

A mesa explorou o caso recente da região da Cracolância e Nova Luz, no distrito de Santa Ifigênia, em São Paulo. Simone, da USP, falou do patrimônio cultural local que deve ser considerado e preservado. São pessoas que vivem ali há décadas e que serão expulsas após a valorização dos imóveis, como a jornalista Paula Terça, 25/9 — Anfiteatro do IEL Ribas, que sai às ruas com um megaA cidade e seus usos atuais: da lógica fone chamando a população à luta.

Herrmann, secretário de meio ambiente de Campinas, lembrou que as atividades mineradoras não devem entrar em conflito com as comunidades tradicionais. Sevá, provocador, observou o título da mesa: se estamos falamos de recursos naturais no ou do Brasil, pois apenas o fato de estarem localizados no território nacional não significa que pertençam de fato aos brasileiros. Luciano Duarte

Os minicursos Foram realizados seis minicursos durante a Semana: na terça, Federação e território usado: o sistema elétrico nacional e a renovação das materialidade, com Ana Paula Mestre, Mariana Traldi e Rodrigo Fernandes Silva, do GEOPLAN, e O tema “solos” na disciplina de Geografia do Ensino Básico, com Fernanda Leonardi e Joseane Carvalho; na quarta, Estratégias de preservação ambiental: as unidades de conservação em Campinas, com Ângela Guirao e Mariana Cisotto, Geografia Humanista e abordagem fenomenológica, com Tiago de Paula e Priscila Dal Gallo, e As formas de comércio e o consumo na (re)produção da cidade contemporânea, com Cláudio Ressurreição dos Santos. Na quinta, aconteceu ainda o Geografia em campo: observação, entrevistas e observação participante, com Tiago Rodrigues Santos.

Quarta, 26/9 — Auditório da DGA Educação e Geografia na sexta potência mundial — Rafael Straforini, Núria Cacete e Rosemberg Ferracini Cacete expôs algumas contradições: em São Paulo, mais de 90% dos professores de escolas públicas são formados em faculdades particulares e muitos atuam sem ter formação específica. Na Geografia, apenas 26% são formados na área. Algumas propostas vem no sentido de resolver o problema, como o PIBID, licenciaturas plenas abrangentes, ensino à distância e criação de cursos de licenciatura. Ferracini vê como principal desafio a transposição didática dos conteúdos acadêmicos para a realidade da escola pública.

J David Lee participou da Semana e fez o sketch acima durante a mesa de quarta


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Sexta, 28/9 — Auditório da FEC O turismo e a funcionalidade dos lugares no Brasil — Tereza Paes, Juleusa Turra e Marcelo Sotratti

Sotratti, que realizou pós-graduação no IG, tratou de políticas públicas de turismo e suas relações com o território. A partir dos anos 1990, segundo ele, o turismo passou a ser visto como estratégia de desenvolvimento, com planos elaborados pelo Governo Federal. Juleusa Turra questinou o papel do Brasil no circuito turístico internacional, relevando projetos que remetem a iniciativas esMesas redondas de quinta e sexta feira: por ordem, Fabricio, Vicente e Angelita; Archi- trangeiras e que são postos em prátimedes, Silvia e Rui; Juleusa, Tereza e Marcelo, que realizam bons debates na Semana ca no país já descaracterizados. Protagonismo internacional brasileiro e suas determinações territoriais: uma agenda de pesquisa geográfica — José Gilberto de Souza

Quinta, 27/9 — Auditório da FEC O imperalismo brasileiro na América Latina — Vicente Alves, Angelita Matos Souza e Fabricio Gallo Angelita considera que o designativo “imperalista” não é adequado ao Brasil, por não ser uma economia central, mas reconhece que há o expansionismo de empresas eleitas pelo BNDES . Gallo vê o mesmo com objetos técnicos e sistemas de engenharia, que são meios de poder dispostos pelo Estado, também ressaltando o papel do financiamento do BNDES em territórios estrangeiros.

Luis Octaviano, da Editora Consequência, que vendeu durante o evento, doou ao CACT cinco livros. O livreiro Junior entregou o presente aos coordenadores. Quatro foram para a biblioteca (Política, Cidade, Educação, A Prisão e a Ágora, Indústria e Território no Brasil Contemporâneo e A Cidade Caleidoscópica) e um (Contribuição à História e à Epistemologia da Geografia) foi sorteado entre os participantes da Semana.

O pensamento e a militância de Aziz Ab’Sáber: uma reflexão sobre o papel e os rumos da ciência no Brasil — Silvia Figueirôa, Archimedes Perez Filho e Rui Ribeiro de Campos Archimedes relembrou histórias do professor Aziz Ab’Sáber, de quem foi aluno; Rui Ribeiro de Campos, que recentemente lançou o livro Breve Histórico do Pensamento Geográfico Brasileiro nos Séculos XIX e XX, percorreu diversos autores que trataram da Geografia antes do nascimento de Aziz e também alguns de seus contemporâneos.

Com o pôr-do-sol na Chapada Diamantina, na viagem à Bahia da disciplina Geomorfologia (Climática e Litorânea), de 2009, a estudante Cibele Lima venceu o concurso de fotografias de trabalhos de campo e ganhou um exemplar do livro A Obra de Aziz Nacib Ab’Sáber (Beca, 2011), em homenagem ao geógrafo.

O professor da Unesp de Rio Claro percebe uma acomodação social no país atualmente, uma vez que as taxas de desemprego são decrescentes, bem como o índice de Gini. De todo modo, ele vê que o Brasil se insere perifericamente no mercado internacional, por meio da exportações de commodities, ao mesmo tempo, o país é apenas o 14º maior receptor global de investimentos diretos estrangeiros, demonstrando que, no período atual e no mercado internacional, vem representando o papel de dependente.

Josineide Kaline e Maria José, estudantes da UFRN, vieram diretamente de Natal para apresentar trabalho na Semana, sobre educação ambiental em um assentamento em Touros (RN). A dupla aproveitou a passagem para conhecer o campus e pontos turísticos de Campinas. “Mas o frio era tão grande que mal dava vontade de tirar fotos”, conta Josineide.


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Concurso do DPCT habilita quatro candidatos Na avaliação de curso les, atualmente professora da Facamp — Gabriela Marques di Giulio — pesquisadora do NEPAM, exorientanda de Newton Pereira e Bernardino Figueiredo — e André Luiz Sica de Campos — da FCA, exorientando de André Furtado. Acervo pessoal

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epois da vinda de Renato Pedrosa (ex-IMECC) para o DPCT, Flávia Luciane Consoni de Mello, formada em Ciência Sociais pela UFScar e com mestrado e doutorado no IG com o professor Ruy Quadros, obteve o primeiro lugar no concurso encerrado em 24/out, nas áreas de Mudança Tecnológica, Transformações Sociais e Meio Ambiente e Ciências da Terra, nas disciplinas CT147, Meio Ambiente, Tecnologia e Desenvolvimento e GN101, Ciência, Tecnologia e Sociedade. A Comissão Julgadora foi presidida pelo professor Wilson Suzigan (DPCT) e composta por Silvia Figueirôa (DGAE), Ricardo Castillo (DGEO), Arnaldo Walter (FEM) e José Bomtempo Martins (UFRJ). Também foram habilitados, por ordem de colocação, os candidatos Rosana Icassatti Corazza, exorientanda do professor Sergio Sal-

Flávia Consoni, aprovada em primeiro lugar

A Geografia da Unicamp no EREGEO-SE!

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omento importante da formação dos geógrafos, a oportunidade de diálogo com colegas de outras universidades não deve ser desperdiçada. Por isso, o CACT pretende enviar ônibus com estudantes para o XV Encontro Regional de Estudantes de Geografia do Sudeste (EREGEO-SE), que será realizado entre 15 e 18 de novembro na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (FEBF-UERJ), em Duque de Caixas, na região metropolitana do Rio. Serão 25 vagas. Para maiores informações, deve ser feito contato pelo e-mail cacteng2012

@gmail.com ou com o discente Valderson “Zinho” Salomão, coordenador geral do CACT. Locais dos encontros passados da EREG-SE 1996 I UFJF — Juiz de Fora (MG) 1997 II IPRJ/UERJ — Nova Friburgo (RJ) 1998 III UFJF — Juiz de Fora (MG) 1999 IV USP — São Paulo (SP) 2000 V UFES — Vitória (ES) 2001 VI UFMG — Belo Horizonte (SP) 2002 VII FFP/UERJ — São Gonçalo (RJ) 2004 VIII Unesp — Rio Claro (SP) 2006 IX UFMG — Belo Horizonte (MG) 2007 X UFES — Vitória (ES) 2008 XI UFF — Niteroi (RJ) 2009 XII Unicamp — Campinas (SP) 2010 XIII Unifal — Alfenas (MG) 2011 XIV IFF — Campos dos Goytacazes (RJ)

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este semestre, a avaliação de curso foi realizada no dia 9/out. Houve duas reuniões com pequeno público: apenas quatro alunos na reunião do curso 54 (entre eles, nenhum ingressante), às 14h, e 25 alunos na reunião do curso 55, às 19h30, na EB13. Os encontros foram presididos pela professora Adriana Bernardes, coordenadora de Graduação. Os professores Lindon e Carlos — que substitui o professor Marcio Cataia — e três estudantes participaram de ambas as reuniões; os professores Sergio Queiroz, Marko Monteiro e Adriana Momma-Bardela, representante da FE na CGCT, compareceram à noite. A discussão foi mais uma vez guiada por uma apresentação preparada pelo CACT e seguiu o formato tradicional, começando por considerações dos primeiranistas, passando por todos até chegar aos alunos concluintes. De modo geral, as queixas foram rebatidas pelos próprios professores presentes, que pontuaram a sobrecarga de compromissos que está implícita no trabalho docente. A professora Adriana da FE fez um comentário sobre o processo de avaliação do IG, lembrando que aspectos positivos e elementos favoráveis também devem ser trazidos à tona e avaliados de que maneira auxiliam a formação dos estudantes. Mais do que culpabilizar indivíduos, para ela, a discussão de uma avaliação de curso deve passar para o âmbito político e ideológico. Lindon reforçou a necessidade de os alunos repensarem seu papel dentro do curso de Geografia. No semestre passado, levantamos a bandeira da maior participação dos professores, ao lado dos estudantes, no processo de avaliação dos cursos do IG. Neste semestre, foi nosso lado que deixou a desejar. O desafio para 2013, assim, é incentivar o debate do corpo discente para fazer a crítica acertada ao curso e, da mesma forma, o elogio.


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Unicamp em campanha Em novembro, estudantes escolhem os representantes para o DCE, CCG, CONSU e para o CACT. No próximo semestre, comunidade da Unicamp escolhe o próximo reitor e IG decide sua nova diretoria e coordenação de graduação

Para o DCE Três chapas estão inscritas: "Pra Fazer Diferente — Oposição" (chapa 1), "Prelúdio das Primaveras" (chapa 2) e "Viramundo" (chapa 3), que representa a continuidade da atual “Rompendo Amarras” e inclui estudantes do IG — Anderson Sabino, Jéssica Gomes de Jesus e Valderson Salomão. Integrantes das chapas 1 e 2 também concorrem à representação discente na CCG e CONSU, instâncias máximas da Universidade. Os servidores também escolhem seus representantes nesta época. A votação acontece entre os dias 6 e 9/nov e a nova gestão será conhecida no dia 10. Para a Comissão Eleitoral, o CACT indicou o colega Vitor Pelegrin. Cada chapa pode gastar até incríveis 5 mil reais na campanha, que este ano foi para além do papel kraft e tem colorido a Unicamp com TNT e cartolinas pintadas de amarelo e roxo e amarelo e preto. Nas redes sociais, é possível ler as propostas de cada chapa. Para o CACT A votação acontece também entre os dias 7 e 9/nov. A inscrição de chapas acontece entre 31/out e 6/nov. Fazem parte da Comissão Eleitoral os discentes Maico Machado, Hugo de Abreu e Jéssica Cecim. Para a Reitoria Ao menos três chapas já fazem campanha (veja quadro), embora as inscrições abram apenas em fevereiro de 2013 e a consulta seja realizada apenas em março, em dois turnos. É IG de novo: A professora Silvia, diretora do IG, presidirá a Comissão Organizadora da Consulta (COC), como fizeram os professores Archimedes Perez Filho em 2005 e Alvaro Crósta em 2009, quando eram diretores.

E por falar na Silvia Silvia Figueirôa (DGAE) deixará a diretoria no próximo semestre, após mandato de quatro anos. Pouco se falou, até agora, sobre quem será o sucessor, mas o tema pode gerar ainda debates acalorados em breve. Em 2009, ela assumiu a direção com o professor André Furtado (DPCT), que assinaram a carta programa "Consolidando a trajetória virtuosa do IG". De outro lado, mas defendendo propostas bem semelhantes com o programa "Novos rumos para o IG", estiveram os professores Elson Paiva (DGRN) e Lindon Matias (DGEO). Após os debates entre os candidatos, a posição do CACT, diante da impossibilidade do voto paritário, foi a recomendação do voto nulo. A consulta foi disputada. A diretoria atual ficou pouco à frente da oposição (51,27% contra

48,73%). Elson e Lindon ganharam entre os servidores e alunos (21 votos contra 19 e 138 votos contra 102, respectivamente). Silvia e André, entretanto, ganharam entre os docentes (22 a 19). Nesse caso, o voto dos docentes vale 60%, enquanto o voto dos funcionários e dos alunos, 20% cada. Apenas 7 alunos anularam o voto. Para a Coordenação de Graduação Adriana Bernardes e Giorgio Basilici deixarão a Coordenação de Graduação no ano que vem após dois anos e os alunos também serão consultados. Na consulta passada, em que Adriana concorreu sozinha, chamou a atenção a pequena participação dos estudantes. Seu mandato ficará marcado por finalmente conseguir a separação dos cursos no vestibular.

QUEM É QUEM NA DISPUTA PELA REITORIA Votos dos alunos valem apenas 1/5 na consulta que será realizada em março de 2013 JOSÉ GEROMEL e JORGE COLI (A mudança) Geromel é professor da FEEC e foi próreitor de pós-graduação da Unicamp (1998-2002). Coli é professor do IFCH e foi chefe do Departamento de História (1991-1993). MARIO SAAD e MARCELO KNOBEL (Unicamp no caminho certo) Saad é o atual diretor da FCM, cargo que já ocupou (1998-2001). Também foi diretor pro-tempore da FCA (2009-2010). Knobel, do IFGW, é o atual pró-reitor de graduação. Representam a continuidade da gestão de Fernando Costa. JOSÉ TADEU JORGE e ALVARO CRÓSTA (Unicamp de todos os saberes) Jorge foi reitor (2005-2009), coordenador geral da Unicamp (2002-2005), diretor da Feagri (1987-1991 e 1999-2002) e pró-reitor (PRDU, 1994-1998). E quer voltar. Crósta foi diretor do IG (20052009) e pró-reitor (PRDU, 2001-2002).


Walker Art Center

CACT informa | n. 8, out ’12| 7

Neil Smith (1954-2012) Nas últimas semanas, fomos surpreendidos com a doença e o falecimento do geógrafo Neil Smith, no dia 29/ set. Nascido em 1954, na Escócia, ficou conhecido pela popularização do termo gentrificação, que bem descreve os cruéis processos de expulsão de moradores e valorização imobiliária em áreas centrais de cidades. A palavra vem do inglês gentry, referente à pequena aristocracia ou burguesia — gentrification, então, seria algo como o aburguesamento dos lugares. Ao tratar da transformação dos centros urbanos na lógica da globalização, projetou-se como um dos principais nomes da Geografia Crítica anglo-saxônica. Tal como David Harvey, seu orientador na pósgraduação, lecionava na City University of New York (CUNY). Durante a pós, quando publicava os primeiros textos sobre gentrificação e direito à cidade, integrou a International Socialist Organization e foi editor da Antipode - A Radical Journal of Geography, um dos mais destacados periódicos internacionais de Geografia. Um colega da Universidade de Aberdeen (no Reino Unido), professor Kevin Edwards, o descreveu como "um intelectual socialista, um defensor da arte urbana, um humanitário e um grande professor". Recentemente, Neil Smith foi entrevistado para o Boletim Campineiro de Geografia. A entrevista será publicada em breve.

Curso sobre águas subterrâneas

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curso Proteção das águas subterrâneas no estado de São Paulo, que tem por objetivo disseminar a importância dos perímetros de alerta de poços de abastecimento para proteger a qualidade da água captada, vulnerabilidades à poluição e instrumentos legais de proteção, será realizado na Engenharia Básica nos dias 26 e 27 de novembro, segunda

e terça, com carga horária de 16 horas. O curso, organizado com apoio do CACT, é gratuito, aberto à comunidade e será oferecido por Amélia João Fernandes, do Instituto Geológico, e Mara Magalhães Gaeta Lemos, da Cetesb. Para as inscrições, os interessados devem enviar e-mail para treinamento@cetesbnet.sp.gov.br até 14 de novembro com nome, entidade, endereço, e-mail e telefone. Gustavo Teramatsu

XX Congresso de Iniciação Científica

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Congresso Interno de Iniciação Científica chegou este ano à vigésima edição, realizada no Ginásio da FEF em três dias — 24 a 26/ out. Os alunos da Geografia participaram no primeiro dia, reservado às Ciências Humanas. Outros estudantes foram monitores. A mesa de abertura foi um ode à meritocracia e à

produtividade. Cerca de duas dezenas de trabalhos realizados por estudantes da Geografia — orientados por docentes do IG e de outras unidades como a FCA e o NEPO, e financiados por diversas agências de fomento à pesquisa — foram apresentados em pôster. No ano passado, um dos trabalhos de nossos colegas foi premiado com o mérito científico.


8 | CACT informa | n. 8, out ’12 Divulgação

Eric Hobsbawm em Campinas A Unicamp recebeu o historiador, falecido em 1 de outubro, em duas ocasiões

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quilo que o observador contemporâneo vê não é necessariamente a verdade, mas o historiador tem de buscála à viva força, escreveu Hobsbawm. Assim começa seu livro Da Revolução Industrial Inglesa ao Imperialismo, leitura obrigatória para a primeira sessão (como gostam de chamar) da disciplina Ciência, Tecnologia e Sociedade, uma das primeiras do curso. O historiador esteve na Unicamp em maio de 1975 durante a Conferência sobre História e Ciências Sociais. No auditório da CATI, na avenida Brasil com a Theodureto de Camargo, o historiador apresentou fala com o tema "Movimentos prépolíticos em áreas periféricas", que foi escrutinada por Boris Fausto, a socióloga Maria Isaura Pereira de Queiroz e os antropólogos Otávio Velho e Verena Martinez-Alier. A fala está transcrita no livro O Estado autoritário e os movimentos populares (Paz e Terra, 1979). Sobre a visita, Hobsbawm escreveu em sua autobiografia Tempos Interessantes — Uma vida no século XX (Cia. das Letras, 2002): O lugar onde a intelectualidade e a política se encontravam mais estreitamente ligadas era o chamado Terceiro Mundo, no qual o marxismo, por ser antiimperialista, não era apenas um rótulo de uma pequena minoria acadêmica, e sim a ideologia prevalecente entre os intelectuais mais jovens. O Brasil pode servir de exemplo. Até mesmo durante o regime militar (1964-85), que expulsou da vida pública praticamente todos os que tinham ligações conhecidas com a esquerda e que não estavam presos ou não tinham sido obrigados a emigrar, pessoas como eu foram consultadas sobre a contratação de professores para uma nova universidade. E, além disso, fui convidado para dar uma palestra em 1975 sobre um tema vagamente definido como "História e Sociedade" na universidade sobre a qual tinha sido consultado, cujo

Hobsbawm, segundo à esquerda, em Campinas, em 1975 corpo discente — talvez não surpreendentemente — era passionalmente hostil ao regime. Isso não era um acaso. A imprensa, que dedicou espaço desproporcional a um acontecimento acadêmico na província, embora de maneira nem sempre precisa (o Estado de São Paulo me caracterizou como "irlandês de nascimento"), exagerou ao dar ênfase à minha "formação marxista". Na verdade, como disseram jornalistas amistosos, em meados dos anos 70 o regime começara a relaxar um pouco, e a conferência de Campinas foi parte de um esquema mais amplo para testar a medida de liberalização que se dispunha a tolerar. Que teste mais eficaz poderia haver do que anunciar o convite a um conhecido marxista, alguém cujas ideias não acadêmicas seriam provavelmente aplaudidas com entusiasmo pelos estudantes -- como na verdade foram — e dar considerável publicidade ao acontecimento? Esse foi um exemplo característico da admirável combinação brasileira de coragem cívica e inteligência, jamais aceitando a ditadura e jamais deixando de pressionar além do limite da tolerância. É verdade que os generais brasileiros não eram tão sanguinários como alguns outros na América Latina, mas o regime tinha as mãos sujas de sangue e havia risco de prisão e tortura. Mas a oposição calculara bem: o regime estava pronto para ceder.

Eustáquio Gomes também lembra da conferência em O Mandarim: História da infância da Unicamp (Ed. da Unicamp, 2007): Era o primeiro grande evento internacional promovido pelo grupo de cientistas sociais do IFCH (...). Para além dos resultados científicos e dos engenhos da tecnologia que

era possível desenvolver no terceiro mundo, Zeferino compreendeu que podia tirar bom partido da circulação de ideias heterodoxas dentro de um ecumenismo matizado pelos muros da academia, até porque essa tradição estava se perdendo desde o golpe de 1964. Prezava seus pupilos à esquerda e, diante de Hobsbawm, num rapapé na reitoria, apontou para alguns deles e fez um comentário que deixou o inglês com um sorriso nos olhos míopes: — Está vendo esses rapazes aí? São todos comunistas, mas vou dizer uma coisa a você: sabem trabalhar. Fossem comunistas ou não, ele estaria contente com seus pupilos desde que engordassem a biografia da universidade com feitos acadêmicos capazes de aumentar seu poder de fogo. A Unicamp ainda precisava justificar sua existência autônoma e Zeferino queria a todo custo evitar que se repetisse em Campinas o efeito deletério da intolerância de que fora vítima a Universidade de Brasília nos anos seguintes ao golpe militar. No sinistro ano político de 1975, a pluralidade de pensamento marcava uma vitória na ilha de liberalidade que eram as ciências humanas da Unicamp. Hobsbawm voltaria à Unicamp em junho de 1988 para o seminário Histórias de Liberdade: Cidadãos e Escravos no Mundo Moderno, em razão do centenário da Abolição da Escravatura. Naquele ano, seu livro A Era dos Impérios ganhava uma edição no Brasil. Desde então, em entrevistas, já fazia questão de assinalar que havia nascido com a Revolução de 1917. Foi testemunha dos acontecimentos do século XX e viveu, ele mesmo, por quase um século. Morto aos 95 anos, deixa uma vasta obra crítica que, certamente, será por vários outros, ainda.

CACT informa — Boletim informativo dos estudantes de Geografia da Unicamp editado pelo CACT, de periodicidade mensal, publicado na primeira quinzena de cada mês. Diagramação, edição e textos: Gustavo Teramatsu e Melissa Steda. Leitura crítica: Melissa Steda e Valderson Salomão.

CACT informa #8, outubro de 2012  

CACT informa #8, outubro de 2012