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Table of Contents Title Page CAPÍTULO UM CAPÍTULO DOIS CAPÍTULO TRÊS CAPÍTULO QUATRO CAPÍTULO CINCO CAPÍTULO SEIS CAPÍTULO SETE CAPÍTULO OITO


LOUCA PELO HOMEM ERRADO

de Virna DePaul


CAPÍTULO UM Era difícil fingir desinteresse em uma conversa quando o assunto do momento era um homem com quem você fantasiou por anos. Mesmo assim, era isso que Bryn Donovon estava fazendo. “Vamos lá, Bryn, seja honesta,” Tamara Logan pediu enquanto balançava um garfo cheio de salada. “Não tem como você olhar para Daniel Mays no tribunal semana após semana e não querer agarrá-lo. Você é uma mulher, você tem olhos, e ele é lindo. Ele terminou o Ironman entre os cinco


melhores, pelo amor de Deus!” Bryn fungou, tomou um gole da sua garrafa de água e balançou os ombros. “O triátlon adicionou uma categoria nova? Para Homens Mais Cabeçudos, talvez?” Bom, aquilo foi bom. O comentário dela não revelou nem um pouco do desejo e vontade que haviam percorrido o seu corpo no segundo em que Tamara mencionou o nome de Daniel. Tam riu, fazendo os seus grandes brincos balançarem. “Com certeza adicionou, só que os juízes não estavam medindo a cabeça de cima. Ele se qualificou porque tinha a maior—”


Levantando as mãos para cobrir os ouvidos, Bryn gemeu. “Por favor. Me poupe dos detalhes sórdidos.” “Infelizmente, eu vou ter que fazer isso.” O rosto de Tam se acendeu quando ela sorriu, seus olhos brilhando e os cantos de sua boca formando covinhas, tornando impossível não sorrir também. Apesar de a amizade das duas ser relativamente nova, almoçar com Tam havia se tornado a melhor parte do dia de Bryn. “Eu realmente me arrependo de nunca ter tido a chance de ver aquele homem nu,” Tam disse, balançando o garfo novamente. “Pelo menos, eu comprovei que ele beija


muito bem.” Com as palavras de Tam, Bryn se esforçou para manter seu rosto sem expressão. Tam havia saído com Daniel uma ou duas vezes, mas era Bryn quem sofria com os sonhos recorrentes com ele. No sonho da noite passada, eles fizeram muito mais do que beijar. O cabelo escuro dele havia roçado nas suas coxas e a sua língua fazia coisas deliciosas nela— Ela inspirou tremulamente. Até mesmo agora, a memória do seu estado de excitação e calor quando ela acordou a deixou irritada. Também a deixou confusa. Existem homens muito mais


atraentes no mundo, mas apenas Daniel Mays atormentava seus sonhos e sua vida diária. Com cabelos castanho-claros, olhos verdes e uma pequena cova no queixo, o homem era obviamente atraente. Ele tinha um corpo largo e longo bem maior do que o corpo magro de 1,62 m de Bryn, um sorriso fácil, um leve sotaque sulista e um charme autêntico e lacônico que o tornava popular entre as funcionárias do tribunal. Os relacionamentos de Daniel e sua habilidade de permanecer amigo da maioria das suas ex-namoradas mostravam que ele apreciava as


diferenças únicas em cada uma das suas admiradoras e as tratava bem. Nos dois anos em que ela havia entrado e saído de tribunais, ele havia saído com uma variedade de mulheres: uma loura alta do departamento de pesquisa, uma repórter asiática mignon e, claro, Tam, uma das advogadas do tribunal. Ele não parecia ter um tipo, e sim gostar da companhia variada de mulheres inteligentes e complicadas. No entanto, nenhuma delas parecia manter o seu interesse por muito tempo. E apesar da sua beleza, sua natureza gentil e seu charme óbvio, Daniel Mays defendia criminosos como profissão.


Este fato deveria ter acabado com a atração que ela sentia a muito tempo. Isso não havia acontecido. Percebendo que Tam a estava encarando, Bryn se esforçou para lembrar do que elas estavam falando. Ah, sim. Da habilidade de beijar de Daniel. “Não é surpresa nenhuma ele ser bom de beijo,” Bryn murmurou. “Ele praticou bastante.” “Ele é galinha,” Tam admitiu, “mas ele é solteiro... quem pode culpá-lo? Ele nem precisa fazer muito esforço. E a prática dele valeu a pena. O que aquele homem faz com a língua é um milagre da natureza. Vance é a exceção, claro, mas


beijar Daniel Mays é mais erótico do que transar com quase qualquer homem. E tem mais chances de fazer uma mulher gozar!” Bryn jogou o resto do seu sanduíche no saco de papel e o amassou. “É, eu não sei e nem quero saber. A única coisa que é menos atraente para mim do que beijar Mays é a profissão dele.” E ele claramente sabia como ela se sentia. No começo, ele havia sido amigável. Curioso sobre ela. Quando ela não respondeu, ele abandonou todos os seus esforços de conhecê-la melhor. Ele era cortês, mas não mais do que isso. “Advogados de defesa não são


monstros,” Tam disse suavemente. Bryn contraiu o rosto. Ela esticou o braço para tocar a mão de Tam mas recuou antes de fazer contato. “Desculpe. Eu não deveria generalizar tanto. Existem muitos advogados de defesa que eu gosto e respeito. Especialmente Vance. Mas Mays é tão...tão...” “Perturbador?” Tam sorriu sabiamente. Demais, Bryn pensou. Ele realmente a distraía do que era mais importante— trazer justiça para as vítimas de crimes: o mesmo tipo de justiça que a sua irmã não teve. Suspirando, ela se levantou.


“Casual. Ele é um pouco casual demais com o que faz. Mas não vamos falar dele. Como você está se sentindo?” Tam também se levantou, gemendo ao fazê-lo. A saliência arredondada do seu estômago fazia parecer que ela tinha engolido uma bola de basquete. “Com exceção das dores nas costas e a vontade constante de fazer xixi, eu estou ótima. Eu acho que esse bebê só gosta de duas coisas—dançar sapateado na minha coluna e se deitar na minha bexiga.” Bryn jogou seu lixo fora e caminhou na direção do escritório geral, mas parou na entrada. Ela olhou para Tam,


que havia se forçado a parar atrás dela. “Então,” Bryn começou, tentando soar casual, “eu estava pensando na sua oferta de marcar um encontro para mim com o irmão de Vance. Eu sei que não estava muito interessada na ideia antes, mas você sabe se ele tem compromisso para a próxima sexta-feira? Porque...bem...” “A festa de noivado da sua irmã é no próximo fim de semana, e você está desesperada por um homem que possa ficar entre você e a sua mãe?” “Algo assim,” Bryn concordou. “Eu só não quero ouvir a mesma ladainha de sempre sobre como eu sou viciada em


trabalho e vou morrer solteira e amarga com um monte de gatos e partir o coração dela. Quem sabe, se Thad estiver livre e ele—” Alguém limpou a garganta. Ela se agitou e se virou. Daniel Mays. Ele estava apoiado em um armário de arquivos, seus braços cruzados sobre o peito. Como sempre, o pulso dela acelerou. Desta vez, além da intensa pulsação em suas veias, a sua boca secou e o embaraço formou um nó em sua garganta. Era provável que ele as tivesse ouvido falar sobre ele, e era inteligente o suficiente para saber o que


estava por trás das palavras dela— desejo reprimido. Por ele. *** Logo depois do meio-dia, Daniel entrou no escritório dos procuradores, agradavelmente surpreso ao ouvir a voz de Tam vindo de uma sala distante. Geralmente, Tam passava a sua hora de almoço com o marido, Vance, sócio e melhor amigo de Daniel, e o sortudo filho da mãe que havia conquistado Tam logo depois de Daniel convida-la para sair. Daniel não poderia estar mais feliz


por eles. Vance era como um irmão, e Tam estava rapidamente se tornando uma irmã. Uma irmã que ele havia beijado, ele costumava provocar Vance. Rindo, ele começou a andar na direção da voz dela, quando de repente, captou o assunto da conversa. Entretido, lisonjeado e pensando novamente que Vance era um cara de sorte, Daniel se virou para sair. Mas então, ele ouviu Tam chamar a sua companhia pelo nome e parou onde estava. Bryn Donovon, a promotora certinha e linha-dura, chamada corretamente de “Justiça” pela comunidade jurídica? Ele nem sequer sabia que Tam conhecia


Bryn, muito menos que era amiga dela. E, aparentemente, elas eram amigas o suficiente para falar sobre homens? E fantasias? E sobre ele? Ele deveria ir embora. Realmente deveria. Duas mulheres falando de homens e sexo e dele não era uma conversa que ele deveria estar ouvindo. Mas, depois de perder no tribunal naquela manhã, ele estava precisando de uma reforçada no ego. Quando Tam mencionou o triátlon Ironman, Daniel fez uma careta. Hm. Não era exatamente o reforço no ego que ele esperava. Aquele triátlon quase o


matou. Ele franziu o rosto com a resposta de Bryn, surpreso. Eles não eram amigos, mas ele certamente não havia feito nada para merecer aquele desprezo. E a sua reputação com as mulheres era extremamente exagerada. Ela, mais do que qualquer um, deveria entender o conceito de inocência até a prova da culpa. Ele afastou qualquer culpa residual que estava sentindo por estar ouvindo a conversa. Ele apenas havia entrado para verificar uma moção. Se as duas mulheres não eram sábias o suficiente para fechar a porta quando fofocavam, a culpa não era dele.


“Por favor,” ele ouviu Bryn dizer. “Me poupe dos detalhes sórdidos.” Daniel respirou fundo. Sórdidos? A sua irritação aumentou com cada palavra dita por Bryn Donovon. Quando ela desdenhou de sua profissão e expressou desinteresse nas suas habilidades sexuais, Daniel teve uma vontade louca de interromper a conversa e beijá-la até que gozasse, apenas para provar que ela estava errada. Opa. Beijar Bryn Donovon? Esta era definitivamente uma ideia nova. Se pressionado, ele teria que descrevê-la, no máximo, como mediana. Cabelo escuro, longilínea, postura


impecável, roupas neutras. Inofensivas, nada que chamasse a atenção. Nada extravagante, e nada que indicasse que ela tinha uma personalidade divertida ou gentil. Daniel não precisava de extravagância, mas ele precisava de diversão e gentileza. No entanto, a coragem era interessante. E Bryn era corajosa. Definitivamente corajosa. De repente, ele não conseguia tirar a ideia de beijála da cabeça. Ele teria errado totalmente com ela? Ou simplesmente trabalhado demais? Ele havia pensado nela por tanto tempo como uma adversária profissional que


aquilo confundiu sua percepção dela? Daniel encolheu os ombros e riu. Nada como o presente para descobrir. Ele cruzou os braços sobre o peito, se encostou em um armário de arquivos e esperou que as mulheres saíssem da sala. Quando elas pararam na porta, conversando, ele ficou impaciente e limpou a garganta, chamando a atenção de Bryn. Quando ela se virou e o viu, ele deveria ter ficado feliz com a reação nervosa dela. Ao invés disso, ele teve a sua própria reação inesperada para lidar. Quando o rosto dela corou e seus olhos se arregalaram, Daniel percebeu


pela primeira vez—como era possível? —que seus olhos não tinham nada de comuns. Eles eram castanho-dourados e quentes, cercados por cílios pretos que complementavam o formato levemente exótico deles. Ele tentou evitar, mas o seu olhar a percorreu de cima a baixo. Que idiota ele havia sido. Bryn era linda. Seus cabelos negros e brilhosos sem um traço de cachos. A curva excitante de suas panturrilhas acima daqueles sapatos pretos sem graça. O volume do seu lábio inferior, que


agora ela punia com dentes retos e brancos. E seus olhos. Cara, que olhos. Ele imaginou aqueles olhos dourados deslumbrados de prazer, prazer que ele poderia dar a ela de tantas formas. Verbalmente. Fisicamente. Deitado. Em pé. Suave e lentamente. Depois rápido. E ainda mais rápido. Como se tivesse lido a mente dele, ela corou, mas não disse nada. Tam sorriu para Daniel por trás do ombro de Bryn. Alta e usando saltos, apesar da melancia em seu estômago, ela se destacava ao lado da estrutura pequena de Bryn. Ela balançou os dedos


em uma onda alegre. “Olá, gato. Nós estávamos falando de você.” Bryn parecia pronta para estrangular Tam com as próprias mãos. Em vez disso, ela levantou o queixo e passou por Daniel. Quer dizer, ela tentou. Daniel bloqueou a passagem. Apesar da excitação que corria dentro dele, ele reprimiu a vontade de rir. “É mesmo? Parecia que vocês estavam falando sobre conseguir que Thad leve Bryn a uma festa de noivado.” Ele lançou um olhar para Bryn. “Mas eu conheço o cara a anos e, mesmo que ele não estivesse em um relacionamento


agora…” Ele viu os olhos de Tam se abrirem e fechou os dele levemente. Imediatamente, ela apertou os lábios para reprimir um sorriso. “…eu não sei como ele se sentiria sendo usado como uma—deixe-me ver, como poderíamos chamar?—uma distração. Mas eu não posso culpar você. Eu também tenho uma mãe eternamente otimista.” O olhar de Bryn piscou, indicando que, apesar das suas melhores intenções, ele a estava afetando. “Mas quem podia imaginar? Aparentemente, algo assusta você, Srta. Donovon.” Ele riu, querendo que aqueles ombros rígidos relaxassem. Pela


forma com que havia conversado com Tam, ela certamente tinha um senso de humor que combinava com a sua profunda inteligência. Talvez, assim que relaxasse, ela seria mais divertida e gentil do que ele jamais imaginou que ela pudesse ser. “Cuidado, ou você vai manchar a sua reputação de durona no tribunal.” Ela corou. Para ela, aquilo era o equivalente a gaguejar e cair de bunda no chão. “Com licença, mas eu estou atrasada.” Daniel levantou o olhar para o relógio do escritório. “O tribunal só recomeça em dez minutos.”


Ela levantou seu nariz arrogante no ar. “Talvez, eu prefira ficar de pé do lado de fora do tribunal do que ficar aqui com você.” Coragem, ele pensou novamente. “É, sai do caminho, Daniel,” Tam interrompeu. “Você não quer que Bryn ataque você, não é?” Tam piscou disfarçadamente atrás de Bryn. Daniel se ajeitou, deu um passo para o lado e deslizou a mão em sua frente. Quando Bryn passou, ele disse, “Eu acho que depende do que ela tem em mente. E se, por exemplo, ela quisesse arrancar a minha—oh, eu não sei—


cabeçona…?” Bryn congelou e Daniel a ouviu arfar. “Isso seria meio divertido,” ele disse, rindo abertamente agora. “O que você acha, Justiça?” Com os ombros tensionados, ela se virou lentamente para ele. “Eu acho que prefiro encarar um júri usando roupas de baixo.” “Como você preferir. E eu estou falando sério.” Ela saiu marchando, suas costas mais retas do que nunca. Quando ela se distanciou o suficiente, Daniel se virou para ver Tam


balançando a cabeça para ele. Ele encolheu os ombros, inocentemente. “O quê?” Tam riu. “Thad não está em nenhum relacionamento sério, e você sabe disso.” Abrindo seus olhos dramaticamente, Daniel disse, “É mesmo? Eu jurava que tinha ouvido Vance dizer isso. Hmm. Engano meu.” “Ela não gosta muito de advogados de defesa.” “A maioria dos promotores não gostam. Ela vai superar isso. Afinal, eu beijo muito bem, não é?” Tam riu alto de novo e ele sorriu.


“Só estou dizendo…” ele disse. Vinte minutos mais tarde, depois de dizer a Tam que compraria um kit de bateria como presente de aniversário de dois anos para o seu bebê ainda não nascido se ela marcasse um encontro entre Bryn e qualquer outro, principalmente Thad, Daniel olhou para as costas de Bryn de longe. Não havia nenhuma dúvida. Ela o intrigava. Ele queria conhecê-la melhor, inclusive saber o que a faria relaxar. O que a faria sorrir. Ou abraçá-lo e gemer de prazer. Uma onda renovada de desejo o fez sorrir melancolicamente.


Apesar dos rumores, ele era cuidadoso com suas namoradas. Ele raramente saía com advogadas, e nunca havia namorado uma promotora, muito menos uma com a rigidez de Bryn. No entanto, quem poderia imaginar que Bryn Donovon tinha tantas camadas excitantes. Ele se orgulhava de ver as nuances que os outros não viam, e o fato de ele não ter percebido as dela o irritava. Eles haviam trabalhado juntos no Tribunal de Sacramento pelos últimos dois anos. Ele havia sorrido cordialmente para cumprimentá-la. Admirava a sua técnica durante os


julgamentos. Até apertou a sua mão para parabenizá-la por vencê-lo no tribunal, o que, até o momento, tinha acontecido todas as vezes. Mas até hoje, ele nunca havia sentado em um tribunal com o único propósito de saber mais sobre ela. Ele nunca havia estudado o seu corpo com tanto interesse, guardando cada ângulo e curva na memória, como se estivesse se preparando para um ataque frontal. Isto era exatamente o que ele estava fazendo agora, e exatamente o que ele estava planejando. Ele levou menos de um minuto para aceitar a verdade.


Ele havia sido um idiota por subestimá-la. Mas não seria mais assim. A promotora durona com olhos sexy era um mistério, e ele não ficaria satisfeito até descobri-lo. Graças a Tam, ele teria essa chance. O oficial declarou o início da sessão. Vagamente, ele ouviu o advogado de defesa e Bryn lidarem com os primeiros casos. Depois, quando o oficial anunciou o caso de Kyle Winsor, ele se levantou e caminhou até a frente da sala. Ele sentou na mesa da defesa com seu cliente, um arruaceiro de dezenove anos com tempo demais nas mãos, mas um arruaceiro que ainda


podia mudar de vida. “Está tudo certo para o julgamento semana que vez, Sr. Mays?” o juiz perguntou. “A não ser que a Srta. Donovon esteja disposta a concordar com condicional em troca de uma declaração de não contestação.” Ele olhou para o perfil de Bryn, mesmo que já soubesse o que ela iria dizer. Sem olhar para ele, Bryn disse em voz baixa, “Isso não vai acontecer, Meritíssimo. O povo pede pela sentença máxima neste caso, e nós estamos preparados para ir a julgamento.” “Muito bem, senhores.”


Enquanto o juiz discutia logística com o oficial, Kyle xingou em voz baixa. Atrás deles, seu pai, que Daniel conhecia apenas como Winsor, xingou bem mais alto. O xingamento de Winsor foi o único aviso que a corte recebeu. Antes que qualquer um deles percebesse a intenção do homem, ele pulou sobre a murada que separava o público dos funcionários do tribunal e foi na direção de Bryn. Bryn olhou para cima, os olhos arregalados quando o pai de Kyle avançava sobre ela. “Não!” Daniel gritou, pulando da cadeira. Quando Daniel alcançou Bryn,


Winsor a estava segurando contra a mesa. Ela tentava freneticamente agarrar as mãos dele. Lutava para respirar. Ela chutou o saco de Winsor um segundo antes de Daniel agarrar o homem pela camisa. Winsor soltou a garganta dela, mas conseguiu segurar a lapela do seu casaco, puxando-a. Daniel o fez soltá-la e cobriu o corpo dela com o seu. Winsor atacou novamente, e o meirinho o acertou na nuca com o cassetete. Ele caiu no chão. O meirinho segurou o homem pela parte de trás das calças e o arrastou para longe de Bryn. Gritos ecoaram. O juiz ordenou que


todos se acalmassem enquanto Daniel e Bryn se levantavam, Bryn tremia. Alguém atravessou a multidão, tentando chegar até Bryn. Daniel agarrou o desgraçado, percebendo que era o irmão de Kyle, Paul. “Afaste-se,” Daniel rosnou, com os braços em torno do peito de Paul. O homem continuou a atacar, tentando arrastar Daniel com ele. “Me solte,” ele sibilou. “Eu vou terminar o que o meu pai começou. Deixe o meu irmão em paz,” ele gritou para Bryn. Quando Daniel o jogou no chão, Paul conseguiu acertar um soco forte no rosto


de Daniel, sangrando o seu lábio antes que dois outros meirinhos o arrastassem junto com Winsor. Uma olhada rápida confirmou para Daniel que o seu cliente havia sido retirado do tribunal. Um pouco antes de desaparecer, Kyle olhou para Daniel, com uma expressão de choque. Bryn se inclinou sobre a mesa. Daniel correu até ela. Com uma mão embaixo do cotovelo e a outra na nuca dela, ele olhou em seus olhos vidrados. Diferente dele, que inspirava e expirava o ar de seu peito ondulante, ela parecia não conseguir respirar. “Bryn, você está bem? Bryn!”


Ela apenas olhou para ele. Ele correu os olhos pelo corpo dela, tentando verificar se ela estava machucada. A garganta dela estava vermelha onde os dedos de Winsor haviam apertado sua pele delicada. O blazer dela havia sido puxado para o lado e a sua camisa havia aberto, expondo parte de um sutiã de renda rosa que cobria um seio redondo. O coração dele desacelerou sua pulsação terrível quando ela finalmente conseguiu inspirar um pouco de ar. “Você está bem,” ele a acalmou. E a si mesmo. Quando esticou o braço para ajeitar as roupas dela, ele notou uma


marca escura acima do seio que aparecia por detrás da sua camisa. Pensando que fosse um hematoma, ele puxou o tecido. Não era um hematoma. Uma tatuagem. Um coração em curvas na sua pele branca e pálida. Daniel levantou suas sobrancelhas e olhou para Bryn. Ela ainda estava nervosa, se apoiando nele. Pelo que ele sabia sobre ela, ela nunca se permitia apoiar em ninguém. Ele olhou em seus olhos e sentiu um aperto estranho no peito, como se algo o tivesse perfurado. Ele contraiu o braço no momento em que ela pareceu se recuperar, se afastou e começou a abotoar a blusa.


“Bryn—” ele começou, mas foi imediatamente empurrado para o lado por Linda Mendell, a repórter do tribunal. A mulher, que mais parecia um trem de carga, agarrou o braço de Bryn, a puxou e a levou até a sala do juiz. Bryn olhou para ele, seus olhos dourados arregalados, e ele sentiu algo no estômago. Ele havia sido socado, com força, e não apenas pelo velho Winsor.


CAPÍTULO DOIS “Aí está uma mulher que só está esperando por uma desculpa para cortar as bolas de um homem e as enfiar em sua garganta.” Sabendo exatamente de quem Vance estava falando, Daniel se virou para observar Bryn entrar na sala dos advogados. Exatamente como Vance havia descrito, ela parecia bastante capaz de cortar o...ego de um homem. O dele, para ser mais específico. Ela certamente havia tentado ao máximo nos últimos tempos.


Uma semana havia se passado desde o ataque, e Bryn havia se recuperado bem. Bem demais. Ela havia voltado para o tribunal um dia depois com sua armadura perfeitamente no lugar. Apesar de sempre ter sido fria com ele, ela havia aperfeiçoado a arte de congelá-lo ultimamente. Na manhã depois de retornar ao trabalho, Daniel perguntou como ela estava se sentindo. Ela bufou, o afastando com um aceno casual da mão, como se ser atacada no tribunal fosse uma coisa normal para ela. Então, ela o irritou. “Até parece que você se importa,” ela disse, depois continuou,


dizendo, “O quê? Você está tentando tirar outra casquinha?” Em uma das únicas vezes na sua vida, Daniel estava sem palavras. Irritado, ele não tinha certeza de o que fazer. Nada de casquinha. Ele a comeria até que ela não conseguisse andar, ate que ela não conseguisse respirar com os orgasmos múltiplos que ele lhe daria. Ele estava prestes a tocá-la quando percebeu que ela não o olhava nos olhos. E que as suas mãos não estavam exatamente firmes. Muito estranho para a promotora corajosa. Ele continuou em pé ali, sem dizer nada. Quando ela levantou o olhar,


ele a encarou por vários momentos antes de decidir não pressionar. Desde então, ela havia continuado a tratá-lo com partes iguais de desprezo e hostilidade. A verdade era que ele não podia ser enganado tão facilmente. Ou dissuadido. Uma das coisas que fazia de Daniel um advogado tão bom era a sua paciência e determinação persistentes. Isso não significava que ele ganhava todos os seus casos de defesa criminal —ele nem sequer havia ganho a maioria deles. Das centenas de réus que ele havia representado nos últimos seis anos, apenas vinte haviam resultado em anulações, e apenas quatorze haviam


sido inocentados. Mas, em litígios de defesa criminal, uma taxa de sucesso de 15% era quase inédita. Ele tinha confiança em si mesmo como advogado e como amante. Ele queria Bryn. Ela o queria. Mais cedo ou mais tarde, as coisas iriam acontecer. Ao passar por ele, Daniel fez contato visual com Bryn. Era apenas a sua imaginação, ou o seu passo ligeiro vacilou um pouco? Ela passou rápido, deixando para trás o suave perfume de rosas que ele associava com ela. Outra surpresa. O que fez Daniel pensar naquela tatuagem, feita tão sedutoramente sobre


o seu seio esquerdo. Ele estava obcecado com ela. Quando ela a havia feito? Ela tinha outras? Uma tatuagem com certeza não combinava com a sua imagem de promotora durona e certinha. Ele ainda estava pensando nas possibilidades quando o oficial se levantou e anunciou a chegada do juiz Lancaster. “Levantem-se…” *** Bryn colocou sua pilha de arquivos sobre a mesa e se sentou ao lado do seu investigador. Relutantemente, o seu olhar procurou Daniel.


A sua atração pelo homem sempre havia sido perturbadora, mas o trabalho sempre havia sido uma boa distração. Assim como a indiferença dele. Mas agora, depois do ataque de Winsor, Daniel parecia determinado a encantála. Agora, ele fazia questão de iniciar uma conversa, tocar seu ombro casualmente, ou simplesmente sorrir do outro lado da sala, seus olhos quentes e intensos. Agora, sempre que ela olhava para ele, era arrebatada por memórias de estar em seus braços. E do quanto aquilo havia sido bom. Ela estava apavorada quando Winsor a agarrou. Havia tido dificuldade de


recuperar a respiração depois. Havia tremido por horas. Ela ainda sentia um certo nervosismo de vez em quando ao andar até o seu carro depois do trabalho ou quando estava em casa sozinha. Mas a memória da preocupação de Daniel e a tentação do interesse atual dele ofuscavam o medo. A sua reação a Daniel a fazia se sentir fraca de uma forma que o ataque de Winsor não havia conseguido fazer. Respirando fundo, determinada a tirar Daniel Mays da cabeça, ela pegou seu telefone celular, verificou seus emails e franziu a testa. Havia uma mensagem de texto de Tam.


Encontrei alguém ainda melhor do que Thad. Ele vai pegar você amanhã às 18:30h. A sua mãe vai ficar sem fala. A primeira coisa que Bryn pensou foi: Sem fala era bom. Sem fala significava que a mãe dela não a encurralaria e “expressaria sua preocupação” com a falta de companhia masculina de Bryn, mais uma vez. Mas a mensagem de Tam era inesperada e vaga, o que deixava Bryn instintivamente desconfiada, o que, por sua vez, a fazia se sentir culpada. Ela gostava de Tam. Confiava nela. Mas elas não eram amigas de longa data ou


algo assim. Mesmo assim, havia sido ela quem perguntou a Tam sobre Thad. E a ideia de a amiga estar tentando lhe fazer um favor a fazia se sentir…hm, querida, e ela não se sentia assim a muito tempo. Seus dedos planavam sobre o teclado do telefone, prontos para digitar a mensagem, “Não, obrigado.” Ao invés disso, ela apertou os lábios e guardou o telefone. Talvez, fosse a hora de começar a deixar Tam chegar um pouco mais perto. Afinal, quão ruim esse encontro poderia ser? Ela não estava procurando um relacionamento duradouro, afinal. O cara estaria lá para


criar uma barreira entre ela e a mãe, e isso era tudo o que importava. Com um suspiro, Bryn mexeu em sua pilha de arquivos. O oficial pediu para o meirinho conduzir os jurados ao tribunal. Enquanto esperavam, Bryn sentiu o olhar de Daniel nela. Ela precisou de toda a sua força para não olhar para ele. Durante os seus esforços de conversar com ela, ele havia aceitado as suas cortadas verbais sobre a sua profissão com tranquilidade. Frequentemente, ele lançava um olhar levemente reprovador para ela, como se soubesse que ela estava tentando mantê-


lo distante de propósito. Às vezes, ele usava o insulto dela como uma oportunidade de compartilhar informações pessoais sobre ele ou para começar uma discussão intelectual. Por mais que tentasse, ela não conseguia fazê-lo se afastar. E a pior parte de tudo era que ela não queria que ele se afastasse. Mas ela precisava ser forte, apesar dos sonhos que estavam vindo com mais frequência agora. Entre fantasias de lamber a cova do seu queixo enquanto ele levantava a sua saia e apertava seu corpo contra o dela, ela havia lembrado de tudo que sentia falta em sua vida.


Não só o sexo. Ele nunca havia sido especialmente bom para ela, de qualquer jeito. Mas ela havia quase esquecido de como era bom ter um homem com quem conversar. Com quem rir. Em quem depender. Ela não podia depender de Daniel. Tam havia admitido que ele era um galinha. E pior, ele também era um advogado de defesa e, por isso, não era alguém com quem ela queria se relacionar. Por um instante, ela lembrou do medo no rosto da sua irmã cinco anos atrás. Bryn havia acabado de começar a faculdade de direito e estava em casa de


férias. Ela e Carin haviam ido a uma festa juntas. Quando elas se encontraram novamente, Carin estava machucada e chorando e, apesar de ter tentado negar inicialmente, ela finalmente confessou que o rapaz com quem ela estava saindo, Carl Pageant, a havia pressionado a ir mais longe sexualmente, depois a atacou quando ela disse não. Ele havia estuprado a sua irmã mais nova. E ele havia feito isso enquanto Bryn deveria estar cuidando dela. Na época, Bryn estava considerando trabalhar na defesa, mas depois que o advogado de Pageant conseguiu


inocentá-lo por um detalhe técnico, ela mudou seu foco para a promotoria. Não era justo colocar todos os advogados de defesa no mesmo grupo. Ela não deveria pensar o pior de todos eles, mas isso também não significava que ela deveria namorar um. Mas, às vezes...quando ela olhava para Daniel… Sabendo que aquilo significaria passar mais tempo com ele, ela quis chorar quando Kyle Winsor se recusou a admitir a culpa em troca de uma pena reduzida. O julgamento havia durado apenas dois dias, com as alegações finais agendadas para hoje, mas até isso


seria demais. Daniel era como uma droga. Quanto mais tempo ela passava com ele, mas ela o queria. Ao invés de chorar, ela havia agido como uma verdadeira bruxa durante a sessão. Daniel não parecia se importar. O homem era incrivelmente persistente. Uma droga de um masoquista, Bryn pensou, irritada. Mas um masoquista talentoso. Por mais que odiasse admitir, ela estava tendo que trabalhar duro para conseguir a condenação naquele caso. Às vezes, os jurados tinham dificuldade em confiar em provas circunstanciais para condenar criminosos profissionais, e era ainda


mais difícil quando se tratava de um garoto de dezenove anos que conseguia transmitir uma sinceridade infantil e uma vontade de agradar. Isso, combinado com o estilo único de Mays na arte da persuasão, e um júri ficaria bastante tentado a acreditar no testemunho de Kyle Winsor de que ele não estava envolvido no assalto da loja do seu antigo patrão. Mas Bryn ainda não se dava por vencida. Ela não culpava a filho pelas ações do pai, mas com base nas provas, a culpa de Kyle estava clara. Ela apenas esperava que o júri visse além da sua fachada, e ela planejava focar neste


tema em sua alegação final. Pelos próximos quarenta e cinco minutos, o juiz Lancaster instruiu o júri. Por um momento, Daniel a encarou tão intensamente que ela não conseguiu mais aguentar. Ela se virou para olhar para ele. Quando ele levantou uma sobrancelha e sorriu de lado, alegria e desejo a inundaram. Para encobrir a sua reação, ela levantou sua própria sobrancelha e tentou encará-lo também. Anos pareceram se passar, nenhum dos dois querendo desviar o olhar. Ela havia começado a se perguntar como ele havia conseguido a pequena cicatriz em sua bochecha esquerda quando alguém


chamou o nome dela, chamando a sua atenção de volta para o julgamento. “Srta. Donovon?” O juiz Lancaster parecia irritado. “O júri está esperando a sua alegação final.” Um calor cobriu seu corpo inteiro. Meu Deus! O que estava acontecendo com ela? Ela havia realmente esquecido onde estava. “Obrigado, Meritíssimo.” Ela não se levantou imediatamente. Tomou um gole de água e se recompôs mentalmente. Quando levantou, ela o fez com uma confiança clara, e então, se dirigiu ao júri. Bryn logo esqueceu do seu constrangimento e focou em sua


alegação. Ao resumir as provas, Bryn enfatizou o motivo de Kyle Winsor para assaltar a loja de automóveis de Bill Sherman (Sherman o havia despedido alguns dias antes), a familiaridade do assaltante com os horários de Sherman (o assalto havia acontecido às 14:30h, quando Sherman geralmente saía para almoçar) e com a loja em si (os assaltantes sabiam onde o cofre estava), e o uso de uma janela com problemas na fechadura pelos assaltantes para entrar na loja. “Todos estes fatos,” ela disse, “exigiam alguém com informações privilegiadas. Então, não é de espantar


que um dos assaltantes tenha mencionado Kyle Winsor como um cúmplice. Lembrem-se também que Winsor tentou correr quando foi abordado pelo detetive Lance Romero no dia seguinte. Vocês podem usar esta fuga como prova da consciência culpada de Winsor. Por que ele teria corrido se não tinha nada a esconder? Não importa o quanto ele queira convencê-los de sua inocência, as provas indicam o contrário. Este jovem precisa assumir a responsabilidade por seus atos em vez de usar sua aparência e seu sorriso agradável para chegar onde quiser na vida.”


Com esta última declaração, Bryn olhou sutilmente para Mays, que sorriu brevemente ao identificar a sua pequena cutucada. Bryn concluiu sua alegação ao resumir os elementos do assalto, assim como os padrões apropriados das provas. Quando agradeceu aos jurados, ela pode ver que havia afetado alguns deles. Com a confiança renovada, ela voltou ao seu lugar, e os jurados desviaram a atenção para Mays. Mays levou mais tempo do que de costume para responder. Ele se recostou em sua cadeira, suas longas pernas esticadas à sua frente, seu queixo


descansando em seus dois dedos indicadores. Depois de alguns segundos, Mays levantou, deu um tapinha nas costas de Kyle Winsor e permaneceu deliberadamente em silêncio por mais dois ou três segundos. A primeira coisa que ele fez foi concordar com Bryn. “As provas neste caso são certamente comprometedoras, senhoras e senhores. Se eu fosse forçado a dar um palpite, eu teria que dizer que é bem provável que o jovem Kyle estava envolvido neste crime.” Bryn franziu o rosto, sem se deixar enganar. Ela sabia por experiência onde Mays estava indo com seu argumento.


Construiria um homem de palha e o destruiria. Como ela imaginava, ele continuou, “É isso que a promotoria está pedindo que vocês façam hoje. Olhem para as provas que eles lhes deram e deem seu melhor palpite. Bem, para citar a saudosa Ann Richards, que tornou esta expressão sulista famosa: ‘Esse cachorro não vai caçar.’ Como indivíduos, vocês já têm um bom palpite sobre a culpa ou a inocência de Kyle. Mas como jurados, vocês estão preparados para dizer que não há nenhuma dúvida sequer em sua mente de que talvez, talvez, Kyle tenha sido apenas um espectador inocente de tudo


isso?” Dois jurados, parecendo hipnotizados pela alegação de Mays, balançaram as cabeças. “Vamos falar sobre um assunto que a Srta. Donovon trouxe à tona, algo a respeito de aparências externas. Nós estamos pedindo a vocês que inocentem Kyle por causa da sua aparência? Absolutamente não. Mas a aparência de uma pessoa, seu comportamento, sua habilidade de olhar nos olhos, é exatamente o que vocês estão aqui para julgar. De que outra forma vocês vão determinar se acreditam em Kyle ou não? Ele tem credibilidade? Eu acredito


que sim. As provas, no entanto, não têm. “Primeiro, vamos abordar a questão da fuga. O meu cliente admite ter fugido do detetive Romero. Bem, olhem para ele.” Daniel apontou para o detetive musculoso na primeira fila. “Ele é um cara bem intimidador. Eu sou adulto e correria se o Sr. Romero me abordasse.” Os jurados riram, como se concordassem que eles também odiariam ser abordados pelo enorme detetive com braços do tamanho de troncos de árvore. Mays continuou, “Quando vocês olham para o Kyle, ele parece ser


alguém que arriscaria o seu futuro pela quarta parte de $800? Agora, eu não estou dizendo que vocês podem olhar para o Kyle e verem a verdade, mas vocês certamente podem levar em consideração tudo o que observaram a respeito dele nos últimos dias. Ele pareceu ser alguém que andaria com três adolescentes delinquentes com nada melhor para fazer do que fumar maconha e procurar o próximo roubo? Não. Kyle testemunhou que não teve nada a ver com o roubo da loja do Sr. Sherman, e a promotoria não lhes deu nada de concreto para rebater isto. Ela lhes deu circunstâncias e suspeitas, apenas isso.


“Agora, a Srta. Donovon é a advogada mais bonita que eu já conheci. Ela também é uma das mais talentosas. Mas ela está certa: As aparências não são suficientes para inocentar um homem, e com certeza não são suficientes para condenar um.” Inicialmente, Bryn pensou que tinha ouvido errado. Ele havia realmente comentado sobre a aparência dela durante sua alegação final? Aparentemente sim, já que todos os olhos no tribunal, incluindo os do juiz Lancaster, haviam se voltado para ela. Bryn corou, mas antes que pudesse fazer uma objeção ao comentário


pessoal de Mays, ele disse com um sorriso, “Agora, eu posso afirmar olhando para o rosto da Srta. Donovon que nós teremos uma pequena reunião mais tarde devido ao meu comentário chauvinista, mas eu tenho um propósito, então, por favor, sejam pacientes comigo. Então,” ele disse, “a lei define dúvida razoável como uma convicção permanente na verdade de algo. Eu posso olhar para a Srta. Donovon e ter uma convicção permanente da sua beleza. Eu posso vê-la por mim mesmo. Todos nós podemos. Eu posso trabalhar com ela e ter uma convicção permanente da sua inteligência e paixão. Eu posso


ouvir isto em cada palavra que ela diz. Vocês também. Mas, apesar destas aparências externas, eu não posso ter uma convicção permanente das suas conclusões, porque estas conclusões, assim como tudo neste julgamento, têm que estar baseadas nas provas, e as provas que temos aqui simplesmente não são suficientes para condenar Kyle.” Mays continuou a criticar a credibilidade da principal testemunha da promotoria, o assaltante que havia entregado Kyle Winsor, mas Bryn mal o ouviu. Ela não conseguia acreditar que o idiota havia usado o seu nome durante a


sua alegação daquele jeito. Quando ele terminou, ela estava tão furiosa que não conseguiu se recuperar para fazer uma contra-argumentação coerente. Mas ela o fez. Quando o júri havia sido levado à sala de deliberação e apenas Vance e os dois estavam na sala, Bryn estava pronta para atacar. “Você está louco?” ela disparou, andando rápido até ele e o cutucando no peito. “Como você se atreve a fazer isso?” Daniel levantou suas mãos como se quisesse afastá-la. “Vamos lá, Bryn, eu só estava explicando um ponto de vista. Um ponto de vista válido.”


Bryn mal conseguia responder. Ela explodiu por alguns segundos, fazendo Daniel ter que reprimir um sorriso. Bryn apertou seus olhos e se inclinou na direção dele. Sem pensar, ela esticou o braço e cutucou o meio da clavícula dele com seu dedo indicador. Ela deslizou o dedo pela sua gravata bordô e sentiu o seu peito, depois seus músculos abdominais, enrijecerem. Ela parou seu dedo na barra das calças dele um segundo antes que ele segurasse seu pulso. Com uma hostilidade suavizada, ela cravou sua unha no abdômen firme dele e disse, “Da próxima vez que você decidir explicar um ponto de vista se


referindo à minha aparência, doutor, eu vou colocar você e os seus maneirismos sulistas no picador de papel. Eu estou me explicando claramente?” Finalizando a sua fúria com um último olhar, Bryn puxou sua mão da dele, se virou e marchou até a porta do tribunal. Mas ela não conseguiu sair antes que o riso e o comentário de Vance a alcançasse. “Ei, cara, você quer um copo de água para ajudar a engolir essa?”


CAPÍTULO TRÊS Eram quase dezenove horas quando Bryn desligou o telefone após falar com a sua testemunha preliminar no caso de Jeff Mancini. O policial estava contando sobre a sua perseguição em alta velocidade do réu, quando ele mencionou repentinamente que o réu havia jogado uma arma da janela do seu carro. Uma arma que o policial disse ter recuperado mais tarde, mas que nunca havia sido mencionada em nenhum dos relatórios policiais que ela tinha em seu arquivo. Aparentemente, o policial


havia escrito um relatório suplementar, mas ela não o tinha recebido. Bryn tentou massagear para longe a dor que sentia perto das têmporas. Ela já estava ouvindo os gritos melodramáticos do defensor público sobre incompetência, ou ainda pior, conspiração. Que final perfeito para um dia desastroso. Ela havia começado de manhã perdendo a paciência no tribunal e ameaçando Daniel Mays. Ela ainda conseguia relembrar o calor do corpo dele quando ela havia se inclinado sobre ele e—sim, ela realmente havia feito aquilo—o cutucado um pouco acima da


sua virilha enquanto ameaçava picá-lo. Apesar de ter ficado lívida, ela havia sentido a satisfação perversa dele ao fazê-la perder o controle. Ela também havia visto os seus olhos escurecerem e seu maxilar se apertar quando ela o tocou, e havia sentido um aperto em seu próprio estômago. Nossa, ela pensou. O que ela estava pensando, tocando-o daquele jeito? E só porque ele havia a chamado de “bonita” durante a sua alegação final? Envergonhada por seu comportamento, a sua única defesa havia sido uma saida rápida. Ela passou os próximos quarenta minutos na biblioteca


jurídica deserta do tribunal, antes que o oficial do juiz Lancaster a chamasse via pager. Pelos próximos vinte minutos, ela se sentou na sala do tribunal enquanto os jurados liam os seus vereditos de “inocente”, colocando um fim ao seu currículo perfeito de condenações. Assim que o júri foi dispensado, ela saiu do tribunal, seu nariz no ar, enquanto Mays finalizava as coisas com seu cliente. Felizmente, ela havia conseguido passar pelas conferências pré-julgamento daquela tarde sem incidentes antes de voltar ao seu escritório para fazer algumas ligações. Infelizmente, ela ainda tinha muito o


que fazer antes de poder cair em sua cama enorme e se entregar ao sono. Trabalhar. Dormir. Era a isso que a sua vida praticamente se resumia. Na maior parte do tempo, o padrão não a incomodava. Ela gostava do seu trabalho. Gostava de ajudar os outros. Gostava do fato de as pessoas, o público geral e outros advogados, a respeitarem. Mas, de vez em quando, quando ela queria compartilhar os detalhes do seu dia ou esquecê-los durante uma caminhada no parque, ela percebia que não havia ninguém lá para escutar ou para acompanhá-la. Então, não era de se estranhar que a


atenção de Daniel a havia desequilibrado, ela disse a si mesma. O homem era muito cheio de si, e ela odiava o fato de ela, como qualquer mulher viva, ficar atraída por ele. No ano passado, ele havia saído com Natalie Chan, uma repórter de tribunal. Bryn viu os dois se cumprimentarem depois da sessão um dia. Daniel foi até Natalie, dizendo, “Olá, moça bonita,” e avançou para beijá-la. Bryn achou que o gesto público de carinho era um tanto inapropriado por eles estarem no trabalho, mas Natalie não parecia se importar. Ela colocou os braços ao redor de Daniel e respondeu ao seu


beijo com vontade. Daniel acariciou as suas costas com mãos grandes e fortes, e depois as moveu para o cabelo dela. Bryn não havia conseguido deixar de olhar. Ela havia assistido ao par com um sentimento desconfortavelmente próximo ao ciúme, e por um momento, desejou desesperadamente estar no lugar de Natalie. Quando Daniel levantou a cabeça, ele a viu olhando para eles e sorriu. Bryn havia ficado totalmente envergonhada. Ela fugiu rapidamente, chamando a si mesma de tola. Desde aquele dia, ela disse a si mesma repetidamente que não poderia


de forma alguma desejar Daniel Mays. Um advogado de defesa. Alguém que ganhava a vida tentando ajudar pessoas a se livrarem de pagar por seus crimes. Na maior parte do tempo, o seu raciocínio funcionava. Ela havia convencido a si mesma de que Mays podia ser bonito, mas que não era para ela. Quando Daniel a chamou de “bonita” durante a alegação final, Bryn não estava preparada para a intensidade da sua reação. Sim, aquilo foi inapropriado, mas não foi por isso que ela havia perdido o controle. Ela estava furiosa. Furiosa com ele. E consigo


mesma. Furiosa pelas suas próprias escolhas erradas a terem levado até ali, um lugar onde até mesmo um simples elogio podia fazê-la cair em um oceano de desejo. Bryn suspirou. Ele não estava falando sério de qualquer jeito. Ela tinha certeza de que ele estava tentando encantar os jurados ao mesmo tempo em que a desiquilibrava. O que era exatamente o que havia acontecido. Ele havia ganho o caso de lavada. Cerca de trinta minutos mais tarde, ela pegou sua caixa de arquivos e saiu da área segura do promotor, indo até o salão público. Ela parou imediatamente


quando viu Daniel Mays atirado desconfortavelmente em uma das cadeiras genéricas da sala de espera. Ele se levantou lentamente, sorriu de leve para ela e disse, “Oi. Como você está?” “Ótima,” ela disse. “Considerando que eu acabo de perder o meu primeiro caso para um criminoso pós-adolescente manipulador com mais beleza do que cérebro.” “Ah, por favor,” ele disse. “Kyle Winsor não é tão ruim assim.” “Eu não estava falando de Kyle Winsor.” Daniel franziu o rosto. “Ai,” ele


disse, esfregando a área acima do seu coração. “Você está ganhando de dois a zero, moça. Que tal me dar uma folga? Eu ainda tenho as marcas de hoje de manhã.” “Que você com certeza mereceu,” ela disse friamente. “Você passou do limite.” “Sim, passei,” ele admitiu. “Mas eu só estava tentando explicar algo.” Ele levantou as mãos quando ela abriu a boca para discutir com ele. “Explicar o quanto você é bonita. E passional. Isso apenas acabou ajudando o meu cliente também.” Bryn sentiu um verdadeiro aperto no


estômago e criticou a si mesma por sua estupidez. Algumas palavras doces não deveriam ser suficientes para convencêla. “Ah é? Você estava tentando me impressionar? Dizer que me acha bonita? Você me manipulou, do mesmo jeito que vem me manipulando desde…” Daniel terminou a frase de Bryn depois que alguns segundos haviam passado. “O ataque de Winsor? Eu não tenho manipulado você.” “Como você chama o que vem fazendo pela última semana? Me perseguindo no tribunal. Me encarando. Me abordando o tempo todo.” Me tocando. Ela lembrou da ponta do dedo


grande passando levemente sobre a sua tatuagem e quase tremeu de emoção, depois silenciou o pensamento. Ela não mencionaria aquilo de jeito nenhum. “Bem, eu não sei,” ele começou com uma certa veemência. “Se você precisa perguntar, talvez eu não esteja fazendo direito.” “Fazendo o que direito?” “Cortejando você?” Ela pausou, confusa. “Isso é uma pergunta?” “Não. É isso que eu estou fazendo. Você sabe, quando um cara demonstra a uma garota que está interessado nela?” “Geralmente, isso é feito com flores


e jantares.” “Simples demais,” ele disse. “Mas sem problemas, eu posso tentar isso se você preferir. Que tal?” “Que tal o quê?” ela perguntou, irritada. “Flores, jantar, luz de velas. Eu conheço um ótimo restaurante italiano perto daqui.” Bryn riu. “Você é incrível! Eu estou furiosa com você. Além disso, você ajudou Kyle Winsor a se safar! O que faz você pensar que eu sairia com você?” Daniel lançou um olhar reprovador para ela. “Negue o quanto quiser, mas


existe algo entre nós.” “Ah, existe sim,” ela retrucou. “O meu completo e absoluto desprezo pelo que você faz.” “O quê? Fazer valer a constituição?” “É assim que você chama quando um júri pode decidir um caso de tentativa de roubo sem ter acesso à informação de que o réu tem um histórico de roubo?” “Isso se chama dar uma chance justa ao acusado.” “Uma vantagem injusta, você quer dizer. Chance justa? Eu chamo a sua chance justa de uma falha no sistema jurídico.” Daniel balançou a cabeça. “Que


dureza. Você não acha que todo mundo merece ser julgado com base em suas verdadeiras ações e não em seus erros passados?” “O passado de uma pessoa pode ser um reflexo da sua verdadeira natureza.” Ouvir as palavras que voavam da boca dela a deixou atordoada. Ela pensou em como havia deixado sua irmã sozinha para sair com um garoto cujo nome ela nem sequer lembrava. Pensou no que aquilo dizia sobre a natureza dela. Se Daniel soubesse, o que ele pensaria dela? O que ele pensaria sobre as suas tentativas de compensar aquilo? “Mas não é uma garantia,” ele disse.


“Não, não é uma garantia. Mas o passado de alguém também não é irrelevante. Uma pessoa pode mudar a sua vida. Mas ele precisa estar disposto a aprender com seu passado. Por alguma razão, eu não acho que Kyle Winsor vai fazer isso.” Bryn mexeu com a caixa em seus braços. “Olha, isto está pesado e eu tenho que ir.” Daniel se moveu como se fosse pegar a caixa, mas parou quando ela fechou a cara. “Jantar?” ele perguntou, esperançoso. “Não,” ela disse. Depois de uma pequena hesitação, ela disse, “Mas obrigado.”


Ele sorriu. “A oferta está de pé quando quiser.” Quando ela começou a passar por ele, ele tocou o seu braço. “Bryn?” Ela olhou para ele, disfarçando o arrepio que sentiu com o toque dele. “Sim?” “Eu sinto muito por ter lhe causado qualquer constrangimento hoje de manhã. Quanto ao Winsor, você sabe tanto quanto eu que as provas não estavam lá.” “Bem, aparentemente, foi isso que o júri pensou,” ela disse, não disposta a aceitar a afirmação. “E nunca mais use a minha aparência em uma alegação


final,” ela disse, em tom de advertência. “Sem problemas,” ele disse, com seu sotaque sulista esticando as palavras. Ela resistiu à tentação de morder a linha forte e angular do seu maxilar. Por pouco. Ela estava quase saindo quando a voz dele a parou mais uma vez. “Eu vejo você nas acusações amanhã.” De costas para ele, ela fechou os olhos e respirou fundo. “Você vai representar alguém amanhã?” “Nah,” ele disse. “Mas a gente nunca sabe quem vai aparecer precisando de uma ajudinha.” Ela saiu sem dizer outra palavra,


feliz por ele não poder ver o leve sorriso em seus lábios. *** Daniel observou Bryn sair, observou enquanto ela colocava sua caixa no porta-malas do seu Jetta verde escuro antes de ir embora. Quando eles conversaram no lobby, a sua estrutura pequena e magra havia tido dificuldades com o peso da caixa, e ele precisou se controlar para não tirá-la dela. Ele tinha certeza de que ela não teria gostado do gesto. Na verdade, ela provavelmente teria brigado com ele ao invés de


agradecê-lo. A moça realmente gostava da sua independência. Tudo nela tinha classe, mas era discreto. Suas roupas eram obviamente de boa qualidade. Seus sapatos estavam engraxados. As pedras de diamante em suas orelhas eram reais. Mas não havia cor em suas unhas. E ela raramente sorria. Era como se ela precisasse se manter distante dos outros para ser levada a sério. Ele se perguntou se ela mantinha a farsa quando saía do trabalho, ou se gostava de uma massagem ocasional ou de uma saída com outras garotas, o que a maioria das mulheres parecia gostar.


Ele adoraria fazer uma massagem nela. Daniel a imaginou nua e deitada sobre uma mesa de massagem. Ele sabia que a pele dela parecia porcelana cremosa cobrindo curvas delicadas. Seus seios eram pequenos, mas Daniel nĂŁo se importava. Claro, ele adorava peitos grandes, tanto quanto qualquer outro homem, mas acreditava piamente que qualidade era melhor do que quantidade. E os de Bryn pareciam perfeitos. Seios grandes ficariam ridĂ­culos em sua estrutura pequena. Em vez disso, os dela eram pequenos globos, arredondados e cheios. As mĂŁos


grandes dele poderiam cobri-los facilmente. Ele se imaginou massageando-os com óleo, passando suas mãos por suas costelas, quadris e coxas, até que seu corpo inteiro brilhasse. Ela ficaria escorregadia. Tão escorregadia por fora quando estava por dentro. Ele massagearia os músculos das suas coxas até que eles relaxassem. Até que seus olhos ficassem vidrados de prazer. Então, ele ficaria em cima dela. Sua própria pele e músculos nus deslizariam facilmente sobre ela, dentro dela. E ela o imploraria para terminar. Para levá-la ao outro lado. Gritando de prazer enquanto ia.


Daniel balançou a cabeça para clarear a mente. Merda. Ele estava fantasiando de novo. Suas mãos estavam fazendo hora extra na última semana, tentando domar o seu corpo. Cada vez que ele procurava por alívio, acabava sentindo ainda mais insatisfação, como se o seu corpo dissesse à sua mente, “Vamos logo, idiota! Eu preciso dela. Agora!” Daniel sabia que estava passando do limite quando usou o nome dela na alegação final. Ele não precisava fazer aquilo. Ele tinha um bom instinto sobre júris, e sabia que não havia nenhuma chance de um júri condenar Kyle


Winsor. Mas, naquele tribunal, depois de ouvir Bryn alfinetá-lo por dias, ele estava pronto para dar o bote. Ele não a deixaria fingir que era indiferente a ele mais um minuto. Ele a achava bonita. Droga, mais do que bonita. De uma forma discreta, ela era linda. Ele sabia disso. E ele queria que ela soubesse. E o seu plano havia funcionado. Ela perdeu o controle. Tanto que ela havia chegado a tocar nele. Quando ela passou o dedo pelo seu peito e desceu em direção à sua virilha, ele quase explodiu seu zíper. Ele agarrou o pulso dela, pensando que ela fosse tentar arrancar as suas bolas. Ela parecia furiosa o


suficiente para fazê-lo. Até quando ela o ameaçou, ele pôde notar a delicadeza do seu pulso, o fogo em seus olhos e a maciez dos seus lábios. Quando ela foi embora, ele saiu logo atrás dela, com medo de que o tribunal inteiro pudesse ver a sua potente ereção. No fim, Vance o provocou o dia inteiro pela ereção. Quando o tribunal recomeçou, ele evitou olhar para ela. Como era de se esperar, o júri inocentou Kyle Winsor. Ele falou com Kyle depois, mas já havia planejado abordar Bryn. E vê-la, falar com ela, havia apenas confirmado que ela seria dele.


Ele a havia visto sorrir no reflexo das portas de vidro do prédio. Mesmo que a conversa deles tivesse terminado em um debate legal que apenas enfatizava as suas diferenças, eles haviam conseguido se conectar de uma forma pessoal que nunca havia acontecido antes. E o melhor de tudo, ele havia deixado as suas intenções claras. Ele estava atraído por ela. Ela estava lutando com todas as forças contra aquilo. Mas ela não poderia dizer que ele não a avisou. Ansioso pelo seu próximo encontro, Daniel saiu com seu próprio sorriso nos lábios.


CAPÍTULO QUATRO Na noite seguinte, enquanto ela caminhava pela sua sala de estar vestida para a festa de noivado de Carin, Bryn finalmente aceitou a verdade. O amigo de Tam não estava apenas atrasado, ele não viria. Ótimo. Simplesmente ótimo. A sua semana foi horrível. Primeiro, ela foi atacada pelo pai de Kyle Winsor no tribunal. Depois, ela perdeu o caso para Daniel. Agora, ela estava levando um bolo de um cara cujo nome ela nem sabia.


Sem falar do fato de Daniel Mays ter decidido de repente que estava atraído por ela e estar tentando conquistá-la com todas as forças. O que mais podia acontecer? Ela aguardou por mais cinco minutos, depois decidiu que era hora de ir. Ela não iria mais esperar o amigo mal-educado de Tam por mais um segundo sequer. Ela disse a si mesma que era melhor assim. Ela não estava esperando nada mais do que uma noite agradável dedicada a conhecer alguém novo. Talvez um pouco de flerte. Um papo. Uma farsa para provar para a sua mãe


que ela não acabaria sozinha e infeliz. Apesar da solidão, a última coisa que ela precisava era de um homem para complicar a sua vida. Ela era basicamente feliz. Ela não precisava de mais nada. Ela havia quase convencido a si mesma quando a campainha tocou. Então ela abriu a porta e viu Daniel Mays. *** Quando Bryn abriu a porta, a boca de Daniel quase abriu. Era a primeira vez que ele a via vestindo algo que não fosse um terno. Ela estava usando um


vestido preto simples, mas não havia nada de simples no que aquele vestido estava fazendo com as curvas dela. Elas estavam sendo mostradas perfeitamente, complementadas com um toque de joias e maquiagem que deixavam os seus traços já exóticos simplesmente sensuais. Naturalmente, o sangue saiu da sua cabeça e correu para baixo da sua cintura, porque ele disse a primeira coisa que veio à sua cabeça, “O seu cabelo...você...alisa antes do trabalho?” A mão de Bryn tocou os seus cabelos ondulados. Daniel já o achava bonito antes. Liso, ele parecia uma cachoeira


de seda negra e brilhante. Com permissão para ondular livremente, ele parecia mais leve. Mais selvagem. Mais macio. Daniel engoliu em seco e segurou as mãos para não tocá-la. “Merda!” Café quente escorreu por suas mãos e roupas, queimando-o. Ele soltou o copo e tentou sacudir a mão para tirar o líquido. A sua intenção era trazer vinho ou flores, mas Tam havia dito que um mocha de macadâmia e chocolate branco da cafeteria próxima à casa dela era a fraqueza de Bryn, 24 horas por dia. Já que ela provavelmente ficaria um pouco irritada com a armação de Tam e Daniel, Tam havia sugerido


que ele comprasse um café grande, que agora estava derramado nele. Era nisso que dava planejar demais… “Ah, não!” Bryn abriu mais a porta e saiu. Ela parecia indecisa por um momento, e depois voltou para dentro. “Espere aí! Eu vou pegar uma toalha para você.” Enquanto ela corria até a cozinha, Daniel se aproveitou da porta aberta e entrou na casa. A pouca mobília que havia na sala era de boa qualidade. O sofá verde escuro parecia confortável, suas almofadas fofas pareciam macias e convidativas. As mesas de centro e de


canto cor de madeira escura apoiavam pilhas de livros e revistas. Mas não haviam muitos toques pessoais. Nenhuma foto. A sala lembrava Daniel de Bryn. Controlada, mas convidativa, a despeito de si mesma. Bryn voltou, quase esbarrando dele. “O que—” Ela balançou a cabeça e lhe deu a toalha, dando um passo para trás após fazê-lo. “Eu não o convidei para entrar, Daniel.” Ela puxou o cabelo para longe do rosto. “Eu preciso que você se limpe e vá embora. Eu estou saindo.” Ela sacudiu a mão, apontando para a sua camisa e calças manchadas. Seus olhos pousaram no zíper dele por um breve


momento, mas por tempo suficiente para gerar uma reação. De repente, o ar parecia sobrecarregado de tensão. Uma corda imaginária o puxou, incentivando-o a deixar de lado o fingimento e a revelar as suas intenções claramente. Daniel soltou a toalha, caminhou até ela e levantou o rosto dela para cima segurando seu queixo. Ele queria olhar naqueles olhos quando a beijasse pela primeira vez. Lentamente, ele abaixou a cabeça. Ele viu os olhos dela se arregalarem e ouviu a sua respiração acelerar. Ele parou com os lábios a uma distância


milimétrica dos dela. Esperou até ela expirar tremulamente. Esperou até que ela inspirasse novamente. E então, colou seus lábios nos dela. *** Tam estava certa. Daniel Mays sabia beijar. Seus lábios eram um estudo em contraste. Suaves e firmes. Macios e vorazes. Frios e quentes. Ela gemeu quando a língua dele entrou em sua boca, provocando a dela. O seu corpo inteiro estava repentinamente inundado de sensações. Seu coração bateu mais forte.


Sua pele ficou mais quente. Seus lábios grudaram nos dele. Seus mamilos endureceram, e ela podia se sentir ficando úmida. Ela se sentiu desorientada. E com medo. Ela se afastou dele, em pânico, lutando para recuperar o fôlego. “O que você está fazendo aqui?” ela finalmente perguntou, constrangida pela rouquidão em sua voz. A voz de Daniel era ríspida. “Eu me ofereci para levar você ao jantar de noivado da sua irmã. A Tam não lhe disse?” Hum, não. Constrangimento e raiva a inundaram. “Ela não me disse que havia


marcado um encontro para mim com você. Se eu soubesse...” Ela balançou a cabeça. “Quero dizer…” Daniel acenou a cabeça. “Você quer dizer que nunca teria aberto a porta.” Ele levantou a cabeça. “Por quê?” “Nós trabalhamos juntos.” “Então, vamos sair juntos.” “Não!” Ela quase gritou, assustando ambos. Ela tremeu de pânico, querendo aceitar o seu convite, mas sabendo o quão fraca e patética aquilo a tornava. Ele franziu o rosto. “Bryn, existe algo entre nós. Aquele beijo foi incrível. Eu sabia que seria.” Ele deu um passo na direção dela, mas ela esticou os


braços. “Daniel, pare. Isso não vai acontecer entre nós. Nada vai acontecer.” Ele rosnou de frustração, passando a mão pelos cabelos. “Por quê?” “Você é um advogado—” “Um advogado de defesa. Sim, Bryn, eu sei. Eu sou um advogado de defesa. Não um pervertido. Não um criminoso. Eu apenas garanto que as pessoas acusadas de crimes tenham seus direitos constitucionais.” “Criminosos como Kyle Winsor, você quer dizer?” “O júri o inocentou, Justiça.” “Eu encontrei o relatório da polícia


e o testemunho da vítima era mais do que suficiente para provar a culpa dele.” Ele soltou uma risada curta e dura. “Ótimo. E daí? Eu deveria ter perdido de propósito? Só para que você saísse comigo?” Ele não parecia feliz, e a pontada de arrependimento que se formava em seu estômago ecoava aquele sentimento. Para lutar contra ele, ela forçou a si mesma a ser lógica. Analítica. “Por que você quer sair comigo, afinal?” “O quê?” Ele parecia totalmente confuso. “Uma semana atrás, você nem sabia quem eu era.”


“Isso não é verdade.” A sua declaração era enfática. Mesmo assim, ela sentiu o desconforto dele com este assunto em particular. “Bem, você com certeza não estava atraído por mim. Você provavelmente nem sequer me via como mulher, não é?” Quando ele continuou a não dizer nada, ela disse, “Sim, foi isso que eu pensei.” Ela esperava que o seu rosto não demonstrasse a onda de mágoa que a inundava. “Olhe, eu admito, eu fui um pouco lento para perceber. Isso não tem nada a ver com o fato de eu estar atraído por você, eu estou. Incrivelmente atraído.”


Ele colocou as mãos na cintura dela. “E eu sei que você está atraída por mim também. Não está?” “Eu…Eu…” As mãos dele quase cobriram a sua cintura. Elas eram mãos fortes, igualmente capazes de acariciar a pele macia de uma mulher e de bater em qualquer homem que a ameaçasse. “Não está?” ele sussurrou, antes de baixar seus lábios até os dela novamente. Ela não conseguia. Não poderia deixá-lo beijá-la. Ela não tinha certeza de que conseguiria parar novamente. Não agora que ela havia provado o gosto dele. E ela tinha que lembrar de


quem ele era. De quem ela havia trabalhado tanto para se tornar. E de como duas pessoas assim nunca poderiam se misturar. Não para ela. Ela se afastou antes que os seus lábios pudessem se encontrar. “Sim, eu estou atraída por você, mas já estive atraída por muitos homens.” Não era verdade, mas ele não precisava saber disso. “Eu nem sempre faço alguma coisa a respeito. E não farei nada a respeito com você.” “Isso é—” “Tudo. Tchau, Daniel. Mais uma vez, obrigado por se oferecer para me


ajudar, mas eu vou ao jantar sozinha.” Daniel tirou as mãos da cintura dela, deu meia volta e foi até a porta, depois a surpreendeu por voltar. Ele parecia um felino grande rondando a sua pequena sala de estar. E não um gato doméstico gordo como a sua Tikka. Não, Daniel Mays era uma grande e charmosa pantera, circundando a sua parceira, pronto para fazê-la sua. No entanto, ela não se sentia como uma presa, mas como uma vítima voluntária. “Meu Deus, Justiça, você está me fazendo trabalhar demais.” O seu sotaque sulista estava um pouco mais aparente, o que a fez tremer.


Calma, garota. “Pois é, esse é o jeito de me conquistar,” ela disse sarcasticamente. Daniel fechou os olhos, como se estivesse pedindo por força a algum poder maior. “Tudo bem,” ele disse, depois de um momento. “Qual é o jeito de conquistar você?” “Saia,” ela disse. Daniel caminhou lentamente até Bryn, que recuou sem querer. Ele continuou se aproximando até que ela bateu em uma parede. Então, ele colocou suas duas mãos sobre a cabeça dela e se inclinou, olhando em seus olhos. Ele estava tão perto que ela podia ver que


um círculo dourado contornava as suas pupilas negras. “Eu vou embora, mas isso ainda não acabou. Nem de longe. Nós provamos um ao outro, Bryn. Com um único beijo, você me deixou mais duro do que qualquer mulher já deixou. Pense em como foi bom. E como vai ser bom. Porque nós apenas começamos.” Daniel desceu o olhar até os lábios dela. Ela prendeu a respiração. Esperando, secretamente rezando que ele a beijasse. Em vez disso, ele se afastou dela, caminhou de costas até a porta, depois se virou e saiu da casa. Bryn deslizou pela parede lentamente até estar sentada no chão.


Com seu coração batendo forte no peito, ela tocou seus lábios com os dedos, fechou os olhos e, exatamente como ele havia comandando, pensou em como tinha sido bom. Apenas um beijo e o seu corpo havia se acendido. Queria mais. Queria ele. Seus sentidos famintos haviam despertado. Ela havia sentido o calor que emanava do corpo dele. Havia sentido seu cheiro, limpo e almiscarado. Sabonete misturado com o cheiro forte e sensual da sua colônia. Ela havia aberto a sua boca para ele, mas queria fazer mais. Ela queria tocá-lo. Apertar seu corpo contra o dele. O desejo não a


havia surpreendido, ou assustado. O que a assustou foi o desprendimento da sua reação. Se ela tivesse pensado que podia deitar embaixo de Daniel e deixá-lo fazer o que quisesse enquanto ela gemia suavemente, ela poderia ter cedido ao desejo do seu corpo por mais. Mas no minuto em que ele a beijou, ela soube que nunca conseguiria manter aquele nível de controle. Daniel trazia à tona o seu lado selvagem. Fazia com que ela quisesse jogá-lo no chão e arrancar as suas roupas. Fazia com que ela quisesse esquecer da cautela, do decoro e da respeitabilidade, e se contorcer, gemer e


gritar até que esquecesse de tudo, do seu passado, seu presente, seu futuro, e simplesmente se perdesse nele. Apenas um beijo, e ela já estava pronta para esquecer o bom senso. Era isso que a assustava. E havia lhe dado forças para recuar quando ele tentou beijá-la de novo. E era o que lhe daria forças da próxima vez. Porque ela não podia se esquecer do que importava para ela. A justiça era tudo para ela, e o trabalho de Daniel era obstruí-la. Ela não podia se dar ao luxo de perder o controle, e com Daniel, não haveria outro resultado.


CAPÍTULO CINCO “Então, o que nós vamos fazer com relação à Bryn?” Daniel levantou os olhos do seu jantar e fez uma careta para Tam. Ela e Vance o haviam encontrado na Casa no Barco, o restaurante favorito de Tam, e Tam não estava sequer deixando-o tomar a sua primeira cerveja antes de tocar no assunto. “Do que você está falando?” “Já fazem dois dias, Daniel. Você vai realmente deixar uma coisinha mínima como levar um fora dela impedi-


lo de conseguir o que quer?” “Ela te disse alguma coisa sobre mim?” ele perguntou, depois fez uma careta ao perceber o quanto soava como um adolescente. Tam lhe lançou um olhar do tipo “caia na real” enquanto alisava a barriga. “Você está brincando? Ela me deu um sermão daqueles. Eu achei que, por estar grávida, ela me daria uma folga, mas eu estava totalmente errada. Ela deve apavorar todas as testemunhas. Eu fiquei impressionada.” “Isso prova o que eu digo,” Vance disse, entregando a Daniel uma das cervejas que ele havia acabado de trazer


do bar. Ele se inclinou sobre Tam, colocou uma mão sobre a dela e beijou o topo de sua cabeça. “Ela é impiedosa. E eu achei que nós havíamos concordado que você iria parar de jogar o Daniel para cima da Bryn.” “Ela é impiedosa apenas quando precisa ser, e eu merecia a censura dela. Nós apenas começamos a nossa amizade e ela me contou sobre as suas inseguranças, pediu minha ajuda. Ao invés de ajudar, eu mandei você.” “Ei—” Daniel começou. Tam o tranquilizou. “Ah, você sabe o que eu quero dizer. Ela queria alguém fácil para resolver um problema. Sem


complicações. Você não é fácil. Não do jeito que ela queria.” “Ok, você vai me insultar a noite inteira? Porque, para isso, eu tenho os meus clientes.” “Não seja bobo. Eu estou fazendo uma constatação. Eu sabia que ela fugiria, mas eu quis fazer uma tentativa. Eu adoro você, e sei que qualquer mulher teria muita sorte de ter você. E eu realmente gosto da Bryn…” “Você é boa demais—” Vance começou. Tam deu um tapinha na mão dele e olhou para Daniel. “Eu só não entendo como você a deixou assustá-lo. Você


não é assim, Daniel.” “Ela não está interessada, Tam.” Tam riu alto. “Ela está interessada, Daniel, acredite em mim. Ela só está com medo!” “Com medo?” A ideia incomodou Daniel. Com preconceitos sobre ele, claro. Mas com medo? “De mim? Por quê?” Tam franziu o rosto. “Eu não tenho certeza. Ela nunca fala sobre as suas experiências com os homens. Ela não fala sobre ninguém, na verdade. Ela só relaxou o suficiente para falar sobre a sua irmã e sua mãe.” “Por que você continua tentando, se


é tão difícil fazê-la se abrir com você?” “Porque ela é especial. Ela se importa com as pessoas. Realmente se importa. Se eu precisasse dela, ela estaria lá para me ajudar.” Tam parecia tão certa das coisas. Como se tivesse acesso à uma janela secreta para o interior de Bryn Donovon. Ele desejava poder ver dentro de Bryn com a mesma claridade que Tam via. Tam continuou. “Eu acho que alguém no passado dela a magoou, e muito. Ela só saiu com uns dois caras nos últimos anos. Nada sério.” Era a vez de Daniel franzir o rosto,


com a ideia de algum homem sem rosto magoando-a e com a ideia dela saindo com alguém. Em qualquer um dos casos, ele queria bater em alguém. “Que caras?” “Eu não sei. Geralmente, caras que a mãe dela arranjava.” Ahh. Era isso. A mãe dela. Ele se mexeu na cadeira. “Então, como foi o jantar de noivado?” “Bem, depois que ela me deu uma surra verbal pela minha armação reconhecidamente traiçoeira, ela disse que as coisas foram exatamente como ela esperava. O que significa que não foi divertido. Mas ela ama demais a irmã, e


se Carin está feliz, Bryn está feliz.” Ele assentiu, mas apesar de saber pouco sobre Bryn, ele não conseguia vêla vivendo através de qualquer outra pessoa. Ela tinha opiniões demais. Paixão demais. Ela só precisava aprender como usar aquela paixão em algo que não fosse o trabalho. Mas Daniel não tinha certeza de que era o homem certo para ensiná-la a fazer isso. Divertida e gentil, ele lembrou a si mesmo. Ele tinha uma boa vida. Por que complicá-la com alguém que ele suspeitava ser especial, mas que parecia desinteressada em mostrar esse lado a ele? Era hora de desistir. “Desculpe,


Tam. Eu sei que você se importa com ela, mas ela tem um preconceito contra advogados de defesa. Eu acho que correr atrás da Bryn seria inútil.” Tam suspirou. “Ela realmente parece ser mais...intensa com relação à sua escolha de profissão do que eu imaginava que ela seria. Talvez, você devesse perguntar a ela o porquê.” Inesperadamente, a memória do seu beijo ardente surgiu em sua mente. Ele havia pensado naquele beijo. Muito. De noite. Durante o dia. Quando estava sozinho e em momentos totalmente inconvenientes. Tam se levantou, colocando as mãos


nos quadris e curvando as costas. “As minhas costas estão me matando, rapazes. Eu sinto muito por encurtar esta noite, mas preciso ir ao banheiro e depois preciso ir para casa. Vance, querido, você se importaria de pagar a conta e me encontrar na porta?” Vance disse, “Claro, Tam.” Tam deu a volta na mesa e beijou Daniel, que havia se levantado quando ela levantou. “Boa noite, querido. Lembre-se do que eu disse sobre Bryn, ok? Ela tem um lado mais gentil que a maioria das pessoas não vê. Um lado que ela não quer que as pessoas vejam. Mas, no fundo…”


Quando Tam foi em direção ao banheiro, Daniel se sentou, tomou um grande gole de cerveja e se virou para Vance, que estava olhando para a porta pela qual Tam havia entrado. “Você é um homem de sorte, Vance. Um homem de sorte.” Vance riu. “Acredite, eu tenho plena consciência disso.” De repente, o seu rosto ficou sério. “Olha, eu estive pensando sobre esta obsessão que você tem com Bryn Donovon.” Daniel não tinha certeza de que gostava de ouvir o seu interesse em Bryn caracterizado como uma obsessão, mas se não era uma obsessão, era o quê? Ele


não disse nada. “Eu tenho que dizer, eu não gosto dela. Tam se esforçou muito para ser amiga dela, e ela não foi muito receptiva.” “Elas pareciam bastante amigáveis para mim.” Daniel havia contado a Vance sobre ouvir a conversa delas naquele dia, mas o havia feito jurar que guardaria segredo. “Claro, se for no território dela. Ela conversa com Tam no trabalho, mas parece que ela não pode se relacionar com Tam fora dele. Isso magoou Tam. Eu acho que a mulher é fria demais. Talvez, você devesse desistir dessa.”


Daniel não tentou defender Bryn. O que ele diria? Que só porque ele tinha uma ereção sempre que estava perto dela, isso significava que ela era um ser humano caloroso? Ele sabia que havia mais nela, profundezas inexploradas, mas até ele tinha dificuldades para expressar aquilo em palavras. Na ida para casa, Daniel pensou sobre o que Vance havia dito. Será que a sua impressão inicial de Bryn Donovon tinha sido correta? Ele estava se enganando ao pensar que havia mais nela do que o que estava na superfície? Aquele beijo tinha sido quente, mas a atração sexual seria o suficiente?


Especialmente quando ela não admitia que havia atração? Talvez, as suas carreiras e naturezas opostas fossem diferentes demais para reconciliar. Talvez, fosse melhor deixar Bryn fazer o que fazia de melhor—defender os princípios e as vítimas de crimes, mas fazê-lo sozinha.


CAPÍTULO SEIS Quando Bryn abriu a porta da frente da sua casa, ela estava vestida e pronta para ir trabalhar. Ela saiu da casa, trancou a porta e se virou para ver Daniel caminhando em sua direção. O seu estômago se agitou com emoções conflitantes, e o calor cobriu as suas bochechas. Meu Deus, ele estava bonito. Ela olhou para o copo de café na sua mão. Provavelmente fresco e quente, o que ela não precisava, já que ele a estava aquecendo antes que seu dia tivesse sequer começado.


“Sabe, você realmente deveria tentar algo novo. Mesmo que seja para mim, café não vai me impedir de denunciar você, se continuar aparecendo sem ser convidado aqui.” “Só me ouça. Por favor.” Ele lhe alcançou o copo e ela o pegou, automaticamente, apesar de si mesma. Curiosa, Bryn se encostou na porta, tomou um gole do delicioso café quente e simplesmente olhou para ele. Internamente, ela tremia. O que ele iria dizer? E como ela iria resistir se ele a pressionasse novamente para sair com ele? “Eu preciso de um favor,” ele disse.


Bryn levantou uma sobrancelha para ele e riu. “Um favor? De mim?” “Claro, por que não?” Orgulho ferido, por exemplo. Mas ele não parecia muito triste por ela ter rejeitado as suas investidas românticas. Ela não tinha certeza de como se sentia a esse respeito. Bryn não disse nada, mas gesticulou para que ele continuasse. “A Clínica de Mediação Biltmore em Fresno. Você já ouviu falar?” Bryn assentiu. “Claro. Ela trabalha com criminosos e suas vítimas para tentar criar um encerramento emocional para os casos.” Daniel limpou a garganta. “Bem,


Vance e eu estamos trabalhando para abrir uma dessas em Sacramento. Totalmente gratuita no momento. Nós nos registramos como uma empresa sem fins lucrativos e vamos trabalhar em nosso escritório.” As palavras surpreenderam Bryn, e ela tentou esconder a sua surpresa. Aquela era uma empreitada bastante ambiciosa. Mas seria honesta? Ele se importava com os dois lados, com as vítimas tanto quanto se importava com os criminosos? Ou isso seria apenas uma forma de aliviar a sua culpa por representar os clientes que representou? “E o que eu posso fazer por você?”


“Naturalmente, para sermos vistos como legítimos, precisamos ter o apoio da promotoria. Nós gostaríamos do seu endosso ou do seu tempo, como voluntária. Queremos começar o programa trabalhando com jovens, e eu sei que você trabalhou com eles a alguns meses atrás.” “Sim, trabalhei.” Aquilo havia sido uma das experiências mais difíceis da sua carreira. Ela sentiu dificuldade em esconder a simpatia que sentiu por muitos dos jovens criminosos que havia visto. Apesar do propósito do sistema de correção juvenil ser a reabilitação e não a punição, era difícil acreditar nisso


quando você estava recomendando que um garoto de dezesseis anos fosse internado em um desses lugares. Ela acabou desejando ajudar alguns dos réus, e isso a fez se sentir uma hipócrita. Como se estivesse traindo a sua irmã novamente. Logicamente, a sua compaixão por jovens problemáticos era uma coisa boa, mas sempre que ela percebia que estava começando a sentir pena de qualquer um dos homens ou mulheres acusados de qualquer tipo de crime violento, Bryn não conseguia deixar de pensar no medo no rosto da sua irmã, na noite em que foi atacada. Cheia de hematomas e chorando. Porque


Bryn a havia deixado sozinha em um clube para ficar com um cara qualquer e fumar maconha no carro dele. Sempre que ela defendia uma vítima, Bryn sentia estar defendendo a sua irmã também. E ficava um pouco mais perto de perdoar a si mesma. Namorar um advogado de defesa estragaria isso. Não seria a mesma coisa se ela fizesse o favor que Daniel estava pedindo? Ela balançou a cabeça, para limpar a mente e em resposta ao pedido de Daniel. “Eu não sei, Daniel. Pessoalmente, eu não vejo o propósito de fazer as


vítimas encararem as pessoas que as feriram. A minha esperança é que, se eu fizer meu trabalho direito, elas terão justiça quando o criminoso for condenado. Parece que você só quer aliviar a culpa dos seus clientes.” Ao invés de responder ao insulto dela com um pouco de bom humor, Daniel suspirou e olhou para o chão. Por um minuto, ele parecia derrotado. “Você realmente acredita nisso? Que jogar criminosos na cadeia resolve tudo? E reparação? Reabilitação? Compreensão?” Bryn o encarou. Por que ele tinha que continuar tocando naquele assunto?


Por que ele estava falando sobre isso com ela? A sua irmã havia sofrido muito nas mãos de um jovem que saiu ileso, e agora, Daniel estava dando uma dura nela por ter questionado os motivos de criminosos quererem encontrar com suas vítimas? Ela se endireitou e se forçou a soar ríspida. “Olha, desculpa. Eu não posso te ajudar. Isso não é algo que eu posso apoiar. Eu não tenho tempo para ajudar criminosos a se sentirem melhor com relação aos seus crimes.” Um olhar de decepção cruzou o rosto dele, e aquilo a fez sentir um aperto no estômago. Ela não estava tentando ser


fria ou cruel, mas ele tinha as crenças dele, e ela tinha as dela. Com muita frequência, as pessoas pensavam que podiam desfazer ações terríveis através do remorso, mas não podiam. Muitas pessoas não sentiam remorso. Ele estava pedindo demais dela. Apesar de ele não ter respondido, ela sentiu a necessidade de se defender. “Eu acredito em redenção e reabilitação,” ela disse. “Mas as pessoas precisam trabalhar para conseguir isso. Elas precisam mudar suas vidas. Não explicar seus crimes ou pedir absolvição às suas vítimas.” Daniel balançou a cabeça.


“Ok. Eu acho que você está decidida.” Bryn engoliu em seco, tentando dizer a si mesma que a decepção nos olhos de Daniel era algo bom. Ela estava tentando fazer com que ele a deixasse em paz. Aparentemente, isso seria o suficiente. “Espero que goste do café, Bryn. Eu não vou lhe incomodar mais.” Apesar das suas palavras, Daniel esticou o braço e tirou uma mecha de cabelo do rosto dela, colocando-a atrás de sua orelha. Por um momento, ele deteve seu toque. Ele a encarou intensamente, como se quisesse memorizar cada linha em seu


rosto. Então, ele abaixou o braço. “Cuide-se, querida.” Daniel se virou e foi embora, deixando Bryn com uma vontade irracional de correr atrás dele. Era melhor assim, ela disse a si mesma novamente. Pena que o coração dela não concordava. Bryn limpou furiosamente o líquido que corria de seus olhos e foi até o seu carro. Ela tinha trabalho a fazer.


CAPÍTULO SETE Daniel bateu o telefone com raiva. Faziam apenas alguns dias desde que Bryn havia rejeitado a sua oferta para fazer parte do seu programa. O que ele havia feito? Ele a havia julgado e condenado por causa disso. Ele não havia se afastado mais do que dois quilômetros da casa dela quando percebeu que havia cometido um erro. Vê-la nesta última semana havia consolidado o pensamento na sua mente. Alguma coisa estava acontecendo com ela. Das últimas vezes que ele a viu


no tribunal, ela parecia cansada. Não parecia tão em controle quanto era de costume. Ele havia sentido o olhar dela nele durante a audiência de supressão ontem. Quando o juiz Peters anunciou que ela ficaria com o caso em questão, Daniel se virou para encontrar o olhar de Bryn sobre ele. Ela desviou o olhar quando alguém se aproximou dela, mas não antes que ele pudesse ver a tristeza em seus olhos. Naquele momento, ele se convenceu de que, talvez, apenas talvez, ela estava triste porque sentia falta dele. Então, ele finalmente cedeu e ligou para ela. Ela não havia atendido a


ligação ou respondido à sua mensagem. Ele passou a mão pelo cabelo e soltou uma risada dura, sem nenhum toque de humor. Ela sentia falta dele? Ele realmente estava sonhando. E ele não podia culpar o seu desejo desesperado de vê-la somente em sua libido. Pelo amor de Deus, ele já havia beijado a mulher uma vez. Se sexo fosse o que ele queria, haviam muitas mulheres que gostariam de passar algum tempo com ele. Mas sexo não era tudo o que ele queria. Não, Bryn Donovon o tocou de uma forma completamente diferente.


Era óbvio que ela tinha problemas com os quais estava lidando, problemas que a fizeram se tornar uma promotora. E, aparentemente, ela detestava advogados de defesa. Mas os problemas dela não significavam que ela era fria, ou pelo menos, ele não acreditava nisso. Ele sabia que havia mais nela do que ela o deixava ver, e algo o dizia que, se ele não desse mais uma chance para o que havia entre eles—seja lá o que isso fosse—ele se arrependeria pelo resto de sua vida. Muitas pessoas teriam um problema com a ideia de colocar vítimas frente a frente com seus agressores. Era uma


reação comum, e por uma boa razão. Mas ele havia aceitado a rejeição dela à sua proposta e ido embora, sem sequer lutar. A verdade era que Bryn Donovon o assustava muito. Ele havia usado a reação dela à sua proposta como uma oportunidade de pegar o caminho mais fácil. E, ao mesmo tempo em que o fazia, ele sabia que não estava sendo honesto consigo mesmo. Ou com ela. Vance estava completamente certo quando disse que Daniel estava obcecado com ela. Ele notou tudo nela. A delicadeza da sua clavícula. O fato de as suas unhas não estarem pintadas, mas


serem bem cuidadas. Droga, até o fato de ela usar um único diamante em cada orelha, apesar de cada uma ter vários furos. Ela era uma contradição complexa após a outra. Ele podia olhar para ela por cem anos e nunca ficar cansado. Que homem de trinta e poucos anos e no seu auge sexual não lutaria contra esse sentimento? Mas no fim das contas, ele a queria. Agora, mais do que nunca. Ele precisava vê-la. Hoje. Agora. E não no tribunal. Daniel suspirou. Talvez eles apenas precisassem conversar. Se ela entendesse que ele a via como mais do


que uma mulher gostosa, talvez ela baixasse um pouco a guarda. Talvez, ela o deixasse ver a mulher que ela realmente era. Apesar de ela ter se recusado a trabalhar na clínica de mediação, ele não acreditava que ela não tinha sentimentos. Planejando parar no escritório da promotoria depois do almoço para ver Bryn, Daniel agitou o jornal em sua frente, esperando encontrar os resultados dos jogos da NBA. Ele examinou a reportagem de primeira página. Homem Absolvido Mata Mulher, Deixa um Bebê Órfão.


Seu estômago se apertava mais com cada palavra que lia. Aparentemente, Kyle Winsor havia ficado mais confiante com a sua vitória no tribunal. Na noite anterior, ele entrou em uma casa no centro da cidade, com a intenção de roubar. Quando Tess Blaker o surpreendeu, ele a atacou. Os gritos de Blaker alertaram os vizinhos, que chamaram a polícia. Blaker tinha vinte anos e era mãe solteira de um bebê de oito meses. A jovem mãe claramente amava seu bebê. Ela havia atraído Winsor para a cozinha, o local mais distante de onde o bebê estava dormindo. Winsor


esfaqueou Tess Blaker com uma das facas dela. Blaker morreu no local, mas ela não havia morrido rapidamente. Ela lutou primeiro. Lutou para não deixar o seu bebê, mas no fim, ela perdeu. O jornal caiu dos dedos dormentes de Daniel. Ele colocou a mão na cabeça e se inclinou até que a sua testa tocasse os seus joelhos. Meu Deus, o que ele havia feito? *** Bryn olhou para o seu relógio. Duas horas até o chá de bebê de Tam. Por não ser fã de bater papo, Bryn havia dito que


não iria ao chá de bebê, mas ela se perguntou mais uma vez se deveria reconsiderar. Ela olhou para a pequena caixa colorida em cima da sua mesa. Ela havia planejado dá-la para uma das colegas de Tam, para que ela levasse ao chá em nome dela, mas algo a impediu. Culpa, provavelmente. Tam estava se tornando uma boa amiga. Ela era uma pessoa incrível, divertida e alegre. A sua presença luminosa havia alegrado o dia de Bryn muitas vezes, e saber que elas podiam conversar um pouco no trabalho havia sido reconfortante. Mas Bryn não tinha realmente se aberto com Tam. Em vez


disso, Bryn havia recusado repetidamente todas as ofertas de Tam para sair depois do trabalho ou no fim de semana. Não porque ela não queria, mas porque a sua solidão havia se tornado tão normal que ela tinha medo de sair dela. Era como se, em alguma parte irracional e teimosa dela, ela acreditasse que, já que não havia estado lá para ajudar a irmã, ela não merecia ter amigos porque mais cedo ou mais tarde, ela decepcionaria alguém. Era mais fácil se preocupar apenas com ela mesma, mas que tipo de vida era essa? Ela não podia tentar demonstrar um pouco mais que gostava de Tam? Ela


não queria magoá-la. Talvez, ela ficasse em casa como planejado, mas ela podia, ao menos, levar o presente para Tam. Visitá-la para demonstrar à amiga que ela se importava. Ela se levantou para pegar a caixa, quando o som da pequena TV no canto do seu escritório, que ela mantinha no canal de notícias como barulho de fundo, chamou a sua atenção. “…um fundo de apoio para o bebê foi iniciado para ajudar a tia da menina, que já tem cinco filhos, a pagar pelos cuidados que ela precisará. Repetindo, Malia Blaker tem oito meses de idade. Sua mãe, Tess Blaker, foi brutalmente


assassinada ontem à noite. Nos foi informado que o suspeito, Kyle Winsor, foi recentemente absolvido de uma acusação de assalto à um estabelecimento comercial. Nós continuaremos a seguir esta história…” Seu coração bateu forte no peito. Ela respirou fundo várias vezes para se acalmar, depois desligou a TV e olhou para o seu reflexo na tela escura. Arrependimento e compaixão a inundaram ao pensar na jovem que havia perdido sua vida, assim como no bebê que havia perdido a mãe de forma tão violenta. Em primeiro lugar em sua mente, no entanto, estava preocupação.


Preocupação com Daniel. Ela esticou o braço para pegar o telefone e ligar para ele, mas parou. O que ela diria? Da última vez que eles conversaram, ela havia sido fria com ele. Insultado-o mais uma vez. Talvez, ela estivesse dando importância demais para a notícia, afinal. Daniel ficaria preocupado com a notícia. Ela não tinha certeza. Eles haviam conversado algumas vezes. Um beijo incrível. Mas, além disso, eles mal se conheciam. Mesmo assim, ela pegou o telefone e então percebeu que nem sequer tinha o número de Daniel. Mas Tam teria. Vance era o melhor amigo de Daniel.


A realidade a abateu, e ela baixou o telefone lentamente. O que ela estava pensando? Daniel não precisava dela. Vance e Tam eram amigos de Daniel. Eles lhe dariam apoio se ele precisasse. Forçando a si mesma a se afastar do telefone, Bryn sentou em sua mesa e pegou um fax. Para Daniel, ela era uma bruxa amarga e dura. Ela sabia que não era uma boa amiga. Seu coração se apertou. Ela olhou para o presente que havia comprado para Tam e decidiu deixá-lo no escritório da colega dela, afinal.


CAPÍTULO OITO No dia seguinte, Bryn não conseguia parar de pensar em Daniel. Ela precisava se certificar de que ele estava bem. E daí que ele tinha amigos? Esses amigos talvez nunca tivessem sentido o tipo de culpa que Daniel estaria sentindo. O tipo de culpa que Bryn havia sentido e ainda sentia. Ela podia ser uma amiga para ele. Assim como podia ser uma amiga melhor para Tam. Começando agora. Os Logans moravam em uma pequena e aconchegante vizinhança


perto do parque McKinley. Ela subiu as escadas até a porta da frente do chalé e bateu. Tam abriu a porta com um grito de alegria, tendo verificado a identidade de Bryn pelo olho mágico. Ela usava uma camisa de maternidade rosa clara com flores que conseguia ser chique e combinar com a sua cor de pele. “Que surpresa ótima! Uau, adorei o seu cabelo.” “Oi.” Bryn tocou as ondas morenas e macias, que ela não alisava nos fins de semana. “Eu espero que não seja cedo demais para visitar. Eu...eu sinto muito por não ter conseguido vir ao chá ontem.


Eu ia pedir para uma das meninas trazerem o meu presente, mas…” Ela alcançou o pequeno pacote à Tam. “Obrigado!” Tam pegou o presente e segurou seu braço, puxando-a para dentro. Roupas de bebê, sacolas de presentes e caixas com vários produtos de bebê estavam empilhadas na sala. Tam riu. “Eu sei. A bebê nem chegou ainda, e já está tomando conta da casa.” “A bebê? Você vai ter uma menina?” Bryn imediatamente imaginou um bebê angélico com o cabelo ruivo da mãe e os olhos azuis do pai. “Não sei com certeza. Vance disse


que tem um pressentimento. Eu tenho que admitir que também tenho.” Tam alisou a barriga e fez uma careta. Ela vai ser uma jogadora de futebol, isso é certo.” Ela começou a abrir o pequeno pacote em sua mão, dizendo, “Eu quero abri-lo enquanto você está aqui. Obrigado. Eu realmente…” Ela parou de falar e olhou para o que estava na caixa. Bryn apertou as mãos. “Hum, você...gostou?” Ela havia ido a cinco lojas diferentes para encontrá-lo, e finalmente acabou comprando-o online. Talvez ela tivesse comprado o errado. Tam segurou o livro em miniatura chamado, “As Pessoas Que Me Amam.”


Ela havia mencionado casualmente durante um almoço que havia visto o livro no chá de bebê de uma amiga e adorou a ideia. Em cada página, inclusive na capa, havia um local para inserir uma foto. Bryn havia pego uma foto de Tam e Vance da mesa dela uma noite e a escaneado antes de devolvê-la. Depois de ler em algum lugar que os bebês gostavam de cores primárias, ela coloriu a foto no Photoshop para que parecesse uma imagem bem colorida de Andy Warhol e a colocou na capa. Ela achou que tinha ficado bom, mas talvez… Tam olhou para ela com lágrimas


nos olhos, e o coração de Bryn se apertou. “Oh não, eu sinto muito se fiz algo—” “Muito obrigado. É lindo!” Tam colocou os braços em torno de Bryn e a deu um grande abraço. Tão grande quanto uma mulher grávida que estava prestes a dar a luz podia dar, pelo menos. Bryn ficou tensa por um momento, mas devolveu o abraço de Tam, feliz com a proximidade entre as duas quase tanto quanto havia ficado com o beijo de Daniel. Quando ela sentiu algo chutar seu estômago, ela pulou para trás, assustada. Tam riu novamente. “Viu, o que eu te


disse? Nós vamos gastar uma fortuna em uniformes de futebol.” “Jogadora de futebol ou não, o seu bebê será abençoado.” Ela olhou ao seu redor. “Vance está em casa?” A expressão de Tam ficou séria. “Não. Ele passou a noite com...um amigo.” “Daniel,” Bryn disse suavemente. “Eu insisti. Daniel precisava dele, e a minha amiga Lucille ficou comigo. Ela estava aqui para o chá de bebê, e não estava a fim de dirigir até Folsom aquela hora. Então... você está sabendo do Winsor?” Ela acenou com a cabeça, apesar de


se sentir um pouco estranha falando de Daniel. Da última vez que ela havia falado sobre ele, ela havia mencionado o seu total desprezo por ele e havia ficado incrivelmente irritada com Tam por tentar armar um encontro entre os dois. Mas agora? Imaginando que Daniel estava tão abalado que precisava do conforto da presença de Vance até durante a noite? Aquilo fez seu coração doer. “Sim, estou. Eu vi as notícias. Ele…?” Tam assentiu. “Ele se culpa.” Ela não disse nada. “Eu sei o que você está pensando, e


não é verdade.” Bryn balançou a cabeça. “Claro que não é. Ele não tinha como saber o que Winsor iria fazer. Ninguém tinha.” Mesmo assim, ele defende criminosos, uma voz sussurrou. Ela expulsou aquele pensamento da mente. “Já havia acontecido algo assim com ele?” “Não, nunca.” Tam pausou, sua voz mais suave. “E com você?” Bryn balançou a cabeça. “Você se sente culpada?” A pergunta surpreendeu Bryn, mas não tanto quanto a resposta. Ela não se sentia culpada. Por que não? Ela


poderia ter impedido o que aconteceu, se tivesse lidado com o caso de forma diferente? Ela achava que não. “Não, não me sinto. Mesmo que Winsor tivesse sido condenado, ele teria ficado apenas alguns meses na cadeia. Quem poderia afirmar que ele não teria feito a mesma coisa depois que saísse? Era óbvio que ele havia enganado todo mundo. Não apenas Daniel, mas um júri de doze cidadãos. E mesmo que ele não os tivesse enganado, o seu trabalho era lidar com provas reais. E eles fizeram isso.” Ela pensou naquilo. Ele havia sido inocentado por pouco. Tão pouco, que


ela havia sido capaz de criar uma dúvida razoável na mente dos jurados, e era isso que o sistema jurídico deveria fazer. Eliminar a condenação de qualquer pessoa cuja culpa não houvesse sido provada além da dúvida razoável. O sistema não era perfeito, mas Daniel estava fazendo o seu trabalho, da mesma forma que ela havia feito. “Eu fico feliz em ver que você entende.” Tam suspirou. “Eu espero que Daniel também entenda, eventualmente. Ele está sofrendo tanto. Eu sei que qualquer pessoa sofreria, mas Daniel—” Tam olhou para ela. “Ele é um homem


incrível, Bryn. Ele se importa com as pessoas. Com seus clientes. Isto está o machucando. Eu nunca o vi tão abalado.” Bryn sentiu a necessidade crescer dentro dela. Tentou se convencer de que Daniel não precisava dela quando tinha Vance. Mas o sentimento não se calava. “Tam, eu preciso do endereço de Daniel.” *** Dez minutos mais tarde, ela chegou até a porta de Daniel, mas apenas ficou lá parada, sem conseguir bater na porta.


Pela terceira vez, ela se virou, foi até o seu carro, depois voltou. Ela estava louca. O que ela estava pensando? Quando ela pediu o endereço de Daniel a Tam, ela sabia que havia surpreendido sua amiga. Mas a ideia de Daniel se culpar pela morte de Tess Blaker era mais do que ela podia aguentar. Do seu jeito confuso, Bryn sabia que a culpa estava destruindo a sua vida. Ela não podia apagar quase dez anos de danos, mas a ideia de Daniel cair nas profundezas do que ela havia sentido era terrível. Ela não podia deixar de se lembrar de todas as conversas que eles haviam


tido, nas quais ela o havia criticado por sua profissão. Apesar das suas opiniões relacionadas à promotoria na casa de Tam, ela não culpava Daniel pela explosão de violência repentina de Winsor. Daniel era um advogado de defesa, mas era honesto. Alguém que tinha uma função importante na sociedade. O sistema de justiça era baseado na advocacia. Em colocar um lado contra o outro, Não era um sistema perfeito, mas era necessário para garantir que os culpados não fossem punidos por mais do que os crimes que cometeram. Por causa da sua própria culpa com relação


à irmã, ela não queria gostar de Daniel. Não queria aceitar que o que ele fazia era importante. Mas ela gostava dele. Ela o respeitava e respeitava o seu trabalho. E ela precisava garantir que ele soubesse disso. Antes que ela pudesse desistir novamente, Bryn bateu na porta. A casa de Daniel era uma versão mais antiga da casa dos Logans, mas em uma vizinhança tão boa quanto a deles. Carvalhos cercavam as ruas e o parque McKinley ficava apenas a alguns metros de distância. Ela podia imaginar um grupo de crianças perseguindo um caminhão de sorvetes pela rua larga em


um dia quente. Vance Logan abriu a porta e olhou para Bryn com uma expressão séria. O homem alto andou até a varanda e fechou a porta. Com cabelos negros e olhos azuis quase transparentes, Vance sempre havia parecido extremamente bonito para Bryn, complementando perfeitamente o visual ruivo e alegre de Tam. “Que diabos você está fazendo aqui? Veio para se vangloriar?” Bryn ficou surpresa com a hostilidade de Vance. Ela havia trabalhado em vários casos com ele, mas havia apenas conversado com ele de forma pessoal uma ou duas vezes.


Nestas ocasiões, ele havia sido perfeitamente educado com ela. Mas foram ocasiões em que eles haviam estado com Tam. Aparentemente, a sua verdadeira impressão sobre ela estava clara agora que a sua mulher não estava presente. Bryn imediatamente entrou no jogo. Endireitando seus ombros, ela o olhou nos olhos. “Eu estou aqui para ver Daniel. Ele está?” “Não para você.” “Eu não pedi a sua permissão, Vance. Se Daniel não quer me ver, ele pode me dizer isso pessoalmente.” “Olha, Bryn, você já causou


problemas suficientes para ele. Faça um favor a ele e vá embora.” A ideia de ela ter causado dor à Daniel não era confortável. Já que ela não podia passar por cima de Vance, Bryn acenou com a cabeça. “Tudo bem.” Ela voltaria mais tarde. Bryn se virou e estava prestes a ir embora quando ouviu a porta da frente abrir novamente. “Espere,” Daniel gritou. Ela se virou para vê-lo colocar uma mão tranquilizadora sobre o ombro de Vance. “Está tudo bem. Verdade. Eu posso continuar daqui. Por que você não vai para casa ver a sua esposa e o seu bebê que chegará em breve?”


Vance olhou desconfiado para Bryn. “Você tem certeza?” “Definitivamente, cara. Muito obrigado.” Vance entrou na casa e voltou alguns segundos depois, seu casaco e chave na mão, então parou para dar um abraço em Daniel e um tapinha caloroso em suas costas. “Não se preocupe com os seus compromissos, eu vou pedir para um dos júniores cuidar das coisas.” Com um último olhar irritado para Bryn, Vance foi até o seu carro, um Mustang preto estacionado na esquina, ligou o motor e foi embora. Depois de vários segundos de


silêncio desconfortável, Bryn limpou a garganta. “Júniores?” “Nossos novos contratados no escritório,” Daniel esclareceu. Ele parecia cansado. Seus olhos estavam vermelhos, como se ele tivesse passado a noite inteira bebendo. Instintivamente, a mão dela se mexeu para acariciar o rosto dele. Para alisar os círculos sob os seus olhos e oferecer um pouco de alívio para a sua dor. “O que você está fazendo aqui, Bryn? Vance está certo? Você veio para se vangloriar?” Bryn aceitou o insulto. Ela o


merecia, mas odiava a ideia de que ele pensasse daquele jeito. “Não! Claro que não. Eu fiquei sabendo do que aconteceu. Quis ter certeza de que você estava bem.” “Por quê?” “Bem, eu soube que você estava se sentindo mal…” Daniel balançou a cabeça. “Não, eu quero dizer, por que você se importaria?” Bryn não respondeu. Ela não sabia o que dizer. Ela se importava. Se importava o suficiente para esquecer do seu orgulho. E superar seus próprios medos e problemas pessoais. Mas como


ela poderia expressar estes pensamentos para um homem magoado e irritado? Daniel suspirou. “Está tudo bem, Bryn. Eu não preciso de você aqui. Estou bem.” Ele se virou, entrou na casa e fechou a porta. Ela olhou para a porta fechada por alguns segundos. Talvez, ela devesse apenas deixá-lo em paz, ela pensou. Mas não, Daniel estava claramente sofrendo. Se as suas palavras passadas estavam contribuindo para esse sofrimento, ela precisava consertar as coisas. Bryn abriu a porta com força. “Você está sendo—” Suas palavras foram interrompidas bruscamente quando ela


viu Daniel sentado em um sofá de couro, seu rosto em suas mãos. Bryn olhou em volta, mas não viu nenhum sinal de álcool. Lençóis cobriam o sofá, provavelmente onde Vance havia dormido na noite anterior. Bryn sentiu um aperto no coração. Graças a Deus por Vance ter ficado com ele na noite passada. Ela caminhou lentamente na direção dele. Esticou o braço e colocou uma mão em seu ombro. Ela se sentiu estranha. Desajeitada. Seu corpo se movia rigidamente. Os músculos do ombro de Daniel tensionaram sob a sua mão e ela esperou que ele a retirasse.


Ao invés disso, ele segurou a sua mão e descansou o rosto em seus dedos, esfregando sua testa nela como um gato. Sem conseguir se mover, ela levantou a outra mão e começou a alisar o seu cabelo macio. Ele ficou imóvel. Apenas respirava. Como se tivesse medo de que ela parasse. Ele colocou o outro braço em torno da cintura dela e a puxou para ele, encostando seu rosto no estômago dela. Bryn fechou os olhos, desfrutando da sensação de ser abraçada por Daniel. De abraçá-lo. Deus, ela sentiu falta dele. “A culpa é minha,” ele sussurrou. “Não, não,” ela disse, se afastando.


Ele se recusou a olhar para ela, então ela se abaixou na frente dele. “Daniel.” Ela levantou os braços, segurou o rosto dele em suas mãos e o forçou a olhar para ela. “Daniel, me ouça. Você sabe que isso não é verdade.” “Como você pode dizer isso? Você estava lá, Bryn! Eu livrei o desgraçado.” Os dedos dele estavam apertando os pulsos dela agressivamente, se preparando para afastá-la. Ela não o deixou fazer isso. “O júri o absolveu. Você fez o seu trabalho.” “Meu trabalho. Tá certo.” Ele riu sarcasticamente. “Eu realmente fiz o


meu trabalho. Eu recebi o meu pagamento, e agora Malia Blaker está órfã.” “Não diga isso. Você fez o que achou certo. Você teve que fazer isso. As provas não estavam lá. Não o suficiente para convencer o júri além da dúvida razoável.” Ele não disse nada por um momento. “Mas eu sabia. Eu sabia que ele era culpado.” “Eu sei,” ela sussurrou. “Mas o júri não sabia.” Ele olhou para ela com olhos torturados, como se tentasse medir a sua sinceridade. “Você não tinha como


saber o que ia acontecer,” ela insistiu. “Ninguém tinha.” “Você sabia,” ele disse. “Você tentou nos avisar.” Ela balançou a cabeça. “Você cumpriu a lei. Daniel…” Ele não a deixou terminar. Ele se levantou lentamente, com as mãos ainda em torno dos pulsos dela, levando-a com ele. “Nós deveríamos ter ouvido você...nós deveríamos ter ouvido. Deus.” Fechando os olhos em agonia, ele tentou se virar. Bryn segurou a sua camisa. “Pare,” ela disse firmemente, sacudindo-o. “Por


esse raciocínio, eu deveria me sentir culpada também. Eu sinto muito por aquela mulher e sua filha, mas não foi culpa minha e não é culpa sua. É de Winsor. Nós dois fizemos o melhor que podíamos, Daniel. Não tínhamos como saber o que ele iria fazer.” Quando ele não respondeu, Bryn o puxou para perto dela. Ela não se sentia mais estranha. Abraçá-lo parecia a coisa mais natural do mundo. Ela pressionou a testa contra o pescoço dele, suspirando de alívio quando ele colocou os braços ao redor dela. “Está tudo bem,” ela murmurou. “Você está bem.” Com seus olhos


fechados, ela saboreava a proximidade entre eles. Ela passou sua bochecha no maxilar dele. Seus lábios tocaram o início de uma leve barba, e a fricção a fez tremer. Ela não podia resistir a tocálo com os lábios novamente. E novamente. E novamente. Até que a culpa sumisse dos seus olhos. Até que a mente dela ficasse livre de qualquer pensamento, exceto tirar as roupas dele e dela, segurá-lo em seus braços e tê-lo tão profundamente dentro dela que ele não conseguiria pensar em nada a não ser o prazer que sentia. O prazer que ela o daria.


*** A culpa e a confusão de Daniel não haviam desaparecido. De alguma forma, no entanto, com os leves beijos de Bryn em seu queixo e bochecha, a sua dor havia sido varrida para algum canto longínquo da sua mente. A sensação do corpo dela contra o dele e o cheiro da sua pele quente aliviavam a dor que vibrava dentro dele. Ao invés de visões de violência e morte, ele a imaginou —os dois—com seus membros entrelaçados, corpos unidos, bocas encontrando as montanhas e vales do


corpo um do outro. Gemendo, ele segurou o rosto dela até que seus olhos se abrissem. Ela parecia tão deslumbrada e sonhadora quanto ele, e quando a língua dela se moveu para umedecer seus lábios, ele a seguiu. Ela tinha o gosto do chá gelado doce que a sua avó costumava fazer para ele quando visitava no verão. Um aperitivo fresco e líquido que precedia as sobremesas deliciosas que seguiriam. Ela suspirou quando ele beijou sua orelha e segurou seus seios. Os dedos finos dela seguraram os pulsos dele, mas não para afastá-lo. Ao invés disso,


quando ele esticou os dedos, ela os moveu para estimular as pontas dos seus mamilos. Ele continuou a tocando até que a respiração dela se acelerou e ela sussurrou o nome dele. “Eu—eu—” Daniel gaguejou. Eu quero você. Eu preciso de você. Mas ele não conseguia dizer as palavras. Como ele poderia? Ela só estava ali por causa de Winsor. Ela sabia que ele— “Shhh,” ela sussurrou, dando um passo para trás. “Não volte para lá. Fique comigo, Daniel. Fique aqui.” Segurando a barra da sua blusa, ela a puxou por cima da cabeça, expondo seus seios belos e pálidos, cobertos por um


sutiã de renda rosa. A boca dele abriu e fechou, mas antes que ele pudesse falar, ela abriu o sutiã, deixando-o pendurado enquanto tirava as calças, suas calcinhas junto com elas. Então, ela caiu de joelhos na frente dele e começou a descer o zíper das suas calças. Ele suspirou e gemeu quando os dedos dela o tocaram levemente, fazendo-o inchar de uma forma quase ridícula. “Espere. Bryn, você não pode —” “Claro que eu posso. Eu fui louca de não o fazer.” Ela olhou para ele, sua expressão determinada, sua boca tão próxima que ele podia sentir a sua


respiração o acariciando por cima das suas roupas. Com um puxão, ela tirou suas calças e cueca, expondo a sua lança inchada ao olhar faminto dela. Tremores o invadiram enquanto ele esperava. Felizmente, ela não precisou fazê-lo esperar por muito tempo, mas também não usou sua mão como ele esperava. Em vez disso, ela se inclinou para frente e deu um beijo longo e com a boca aberta na sua ponta. Os dedos dele se enrolaram nos cabelos dela. A lógica e a cautela desintegraram. Havia algo importante sobre o qual eles precisavam conversar. Algo grande que havia


acontecido na vida dele. Mas agora, ele nĂŁo conseguia lembrar. Agora, a Ăşnica coisa em seu mundo era Bryn. Ele suspirou quando ela o sugou, o calor da sua boca o cercando de prazer, um prazer que apenas aumentou quando ela segurou o seu traseiro e ele sentiu o aperto das suas unhas. Era bom. Muito bom. Mas nĂŁo era suficiente. Ele a queria. Queria entrar nela. Ele queria o conforto que ela o estava oferecendo, mas mais do que isso, ele queria segui-la e usar o seu corpo para demonstrar a ela o quanto ela significava para ele. Gentilmente, ele se afastou dela,


ignorando seu protesto. Ele se livrou da camisa e do sutiã dela. Caindo de joelhos ao lado dela, ele colocou um braço ao redor da cintura dela, a inclinou para trás e baixou a cabeça. Ele fez questão de beijar a tatuagem na curva do seio dela. Depois sugou um mamilo enquanto puxava o outro. Ela gemeu, puxando-o para mais perto dela e separando as coxas quando ele passou os dedos pelas dobras vulneráveis entre elas. Ela o molhou com seu desejo e ele massageou seu clitóris antes de penetrar dois dedos grossos nela. Ela era incrivelmente apertada, fazendo-o retorcer o rosto ao se imaginar


mergulhando todo o seu comprimento nas suas profundezas úmidas. “Eu quero mais, Daniel,” ela gemeu. “Eu quero você. Por favor.” Guiado pelas suas mãos e súplicas por satisfação, ele a deitou no carpete e ajustou as suas posições até que a sua ponta tocasse no centro dela, e deslizasse alguns centímetros para dentro. A sua entrada foi facilitada pela sua umidade, mas o corpo dela ainda tremeu com a invasão dele, todos os seus pequenos músculos femininos apertando em torno dele como mil pulsos. “Mais. Eu quero você todo,” ela


gemeu. Ele lhe deu o que ela queria, penetrando-a com uma estocada forte. Os olhos dela se abriram e ela gemeu de puro prazer. “Meu Deus, Bryn,” ele disse baixo. Sem conseguir se controlar, ele se afastou e penetrou novamente. Com estocadas constantes, ele olhou para ela, memorizando a forma sutil em que a sua expressão mudava dependendo da rapidez ou da profundidade das suas estocadas. Ele continuou mesmo depois que ela havia alcançado o seu clímax, levando-a a outro e depois outro até que ela implorasse para que ele gozasse.


Para sentir o prazer dele. Para que ele se liberasse dentro dela. Quando aconteceu, ele gritou o nome dela e a deixou levá-lo ao céu. *** Bryn ficou nos braços de Daniel desenhando pequenos círculos no seu peito com a ponta do dedo. O corpo dela ainda tremia com o prazer que ele havia lhe dado, o prazer que eles haviam dado um ao outro. Eles haviam se movido da sala para o quarto, e não havia nenhum centímetro do seu corpo que ele não havia explorado na última hora, mas por


mais perfeito que o sexo havia sido, o silêncio e os músculos tensionados dele diziam que a realidade havia retornado. “Ele me enganou,” ele sussurrou. “Quer dizer, eu sabia que ele provavelmente havia organizado o assalto de Sherman. Mas eu achei que tinha sido apenas um ato impulsivo e imaturo. Eu achei que ele fosse basicamente um garoto bom.” “Ele até pode ser,” ela disse. Pessoas boas cometem assassinatos o tempo todo. “Mas isso importa? As provas não estavam lá. Não de acordo com o júri. Culpado ou inocente, as provas têm que estar presentes para


condenar alguém.” Ela se apoiou em um cotovelo e olhou em seus olhos. “Não duvide de si mesmo, Daniel. Você fez o que achou que era certo. Coisas ruins acontecem o tempo todo.” Ela suspirou. “É assim que as coisas funcionam.” Daniel acariciou o cabelo dela. “Que coisa ruim aconteceu com você?” Bryn imediatamente tentou se afastar, mas Daniel segurou o seu braço. “Shhh. Tudo bem,” ele disse. “Eu só quero ajudar. Eu quero entender porque você detesta tanto os advogados de defesa.” “Nada de ruim aconteceu comigo, Daniel. Eu sou a sortuda.” Ela engoliu o


nó em sua garganta, o mesmo nó que se formava sempre que ela pensava naquela noite. “A sortuda? O que você quer dizer?” Ela hesitou. Lembrou-se de como havia sido importante para ela lhe oferecer conforto em seus braços. Seria possível que ele queria dá-la o mesmo conforto? E que ela realmente aceitaria? Ela limpou a garganta. “Quando eu era mais jovem, eu era um pouco mais maluca.” Ele tocou de leve a tatuagem em seu seio, aparentemente fascinado pelo desenho em formato de coração. “Foi quando você—”


“Eu a fiz quando entrei para a faculdade de direito.” Ele sorriu e a beijou suavemente. “Com base na última hora que você passou nos meus lençóis, você ainda é um pouco maluca, Justiça. E eu gosto disso.” O elogio dele a encheu de calor, e o interessante foi não sentir nem um pouco da culpa que ela esperava sentir. Ela se forçou a continuar. “A minha irmã foi estuprada por um rapaz uma noite. Eu— eu podia ter impedido. Em vez disso, eu estava em um carro transando e fumando maconha. Eu estava agindo como uma idiota enquanto Carl Pageant atacava a


minha irmã.” Ela esperou que ele dissesse algo, mas não disse. Com medo, ela olhou para cima. Ele olhou para ela em silêncio, sua expressão estoica. “Você não vai dizer nada?” “Por quê? Você já sabe o que eu diria sobre essa bobagem.” Com uma expressão séria, ela se afastou. “Não é—” “Eu vou te perguntar uma coisa, Bryn. A sua irmã culpa você?” Ela culpava? Carin havia dito repetidamente que o que havia acontecido não era culpa de Bryn, mas ela nunca havia levado as suas palavras


a sério. E que diferença fazia o que os outros pensavam? Ela sabia que tinha culpa. “Ok, eu posso ver pela expressão contrariada no seu rosto que você não acha esse argumento muito convincente. Então, vamos falar sobre algo que vai convencer você. Vamos olhar para as provas. Onde isso aconteceu?” Ela se mexeu, sentindo de repente que estava sendo interrogada. “No clube noturno da cidade.” “E quantos anos vocês tinham?” “Eu tinha 23; ela tinha 21.” “Uma adulta.” “Isso não importa,” ela disse


fervorosamente. “E onde ela estava quando isso aconteceu? No clube? Um lugar onde haviam testemunhas?” Ela percebeu onde ele estava querendo chegar e tentou pará-lo. “Ela estava no carro com ele, mas nada disso importa. Não justifica o que ele fez.” “Claro que não, Bryn. O que isso quer dizer é que a sua irmã era uma adulta que tem que assumir a responsabilidade por suas ações. E o que esse cara fez com ela foi horrível e errado, mas a culpa não foi dela, e nem sua. Foi dele.” Pela primeira vez, as palavras


tiveram algum impacto sobre ela. Ela ainda não acreditava nelas, não totalmente. Mas ela se perguntou se, algum dia—talvez—isso mudaria. Ela afastou seus pensamentos. Ela estava ali para confortá-lo, não o contrário. “Você comeu?” ela perguntou ao se levantar. “Que tal se eu preparar algo para você?” Ela foi até a sala de estar para vestir a sua tanguinha branca e sutiã rendado. Ela sentiu os olhos de Daniel nela e se virou para vê-lo encostado no batente da porta, ainda completamente nu. “Sabe,” ele disse, “se eu soubesse o tipo de lingerie que você usava, Lady


Justiça, eu não teria resistido aos seus charmes abundantes por tanto tempo.” Bryn se virou para esconder o seu sorriso amargo e pegou suas calças. “Sim, mas o que é uma semana ou duas no todo? Nós estamos trabalhando juntos por dois anos, e você nunca havia sequer me notado.” Ela odiava o fato de que aquilo ainda a magoava. E que ele podia ouvir a mágoa na sua voz. Quase imediatamente, Daniel colocou seus braços em torno dela por trás, descansando o queixo no topo da cabeça dela. Ele beijou a sua orelha. “Eu fui um idiota. Completamente


enganado por aquele exterior gelado e os sapatos sóbrios. Mas agora…” Os lábios dele percorreram o pescoço dela, mordendo o doce ponto que unia seu pescoço e seu ombro. “Agora, eu vejo tudo o que você é. Cada pedacinho.” Enquanto ele falava, deslizava a mão lentamente pelo seu esterno, até a carne macia do seu estômago, e para dentro das suas calcinhas. “E agora, eu não me canso de você. E acho que nunca vou cansar.” O dedo dele tateou através dos seus pelos e se aconchegou dentro das suas dobras úmidas. Ela virou a cabeça e encostou o


rosto no antebraço forte dele. Quando os dedos dele tocaram no seu pequeno nó, ela mordeu o braço dele, depois lambeu a pequena marca. O braço dele a apertou com mais força. Ele a levou até o sofá. Abaixou suas calcinhas e a empurrou para frente. Quando ele a penetrou por trás, seus músculos doloridos resistiram. Ele agarrou as suas coxas. Separou-as mais. Continuou empurrando. Ele se sentiu ainda maior nesta posição. Ela segurou o sofá com força e gemeu. Depois de penetrá-la totalmente, ele começou a dar estocadas leves. A sua lança batia agressivamente em suas dobras apertadas, enquanto seus dedos


faziam mágica no clitóris dela. Bryn gemeu. Daniel rosnou. Ele saiu completamente de dentro dela, separou as suas coxas ainda mais e começou a lambê-la por trás. A pressão do desejo subia cada vez mais no corpo de Bryn, até que ela explodiu. Ele deslizou para dentro dela, gemendo com a forma como ela o prendia, e gozou menos de um minuto depois. Beijando o seu ombro, ele saiu lentamente dela, e a levou de volta para o quarto, onde eles entraram para debaixo das cobertas, seu corpo grande cobrindo o dela por trás.


Depois de um tempo, ela recuperou a energia. “Eu não ia fazer algo para você comer?” ela murmurou. “Quem precisa de comida quando eu tenho você aqui? Além disso, eu pensei que podia mostrar para você que ser um pouco maluca não é uma coisa ruim. Não quando você está com alguém com quem está segura.” Com seu corpo ainda vibrando, ela se virou para olhar para ele. “Então, você está se sentindo melhor? Não está mais se culpando?” “O fato de você estar aqui ajuda. Mais do que você jamais saberá. E você?”


Ela pensou naquilo. Esticou o braço e entrelaçou seus dedos nos dele. “Ajuda,” ela ecoou. “Então, nós formamos uma boa equipe, você não acha? Mesmo que você seja uma promotora e eu um advogado de defesa.” Ele olhou para ela com olhos ansiosos, e aquela expressão de insegurança destruiu todas as suas defesas restantes. Nada era perfeito. As suas carreiras eram complicadas. O que motivava as pessoas a machucar as outras e o que motivava os outros a acreditar em redenção era complicado. Nada naquele dia havia feito a culpa de Daniel ou de


Bryn desaparecer. Talvez, ela nunca desaparecesse completamente. Mesmo assim, juntos, eles tinham muito mais a ganhar do que separados. Bryn puxou o rosto de Daniel para baixo para um beijo. “Nós seremos uma equipe incrível. A melhor.” “Claro, nós temos a nossa amiga Tam para agradecer. Por ver o quão especial você é e por me fazer ver isso também.” “Hmm,” ela ronronou de satisfação. “E por mandar você para a minha casa naquela noite. Por me incentivar a ir atrás do que eu queria, apesar dos meus medos.”


“Ela é boa nisso,” Daniel concordou. “E eu também sou. Mas eu sou bom em dar também. Eu lhe darei tudo o que você sempre quis, Bryn. Tudo o que você precisa.” Seus olhos se encheram de lágrimas e ela o abraçou com força. “Você já fez isso.”

FIM

Obrigado por ler Louca Pelo Homem Errado. Se você gostou deste conto,


poderá gostar de Dormindo com o Irmão Errado, o Livro 1 na série Dormindo com os Solteirões de Virna. A série continua com o Livro 2, Dormindo com o Bad Boy, e o Livro 3, Dormindo com o Bilionário. Participe da minha lista de e-mails em http://www.virnadepaul.com para receber atualizações. Além disso, você encontrará o mesmo coração e calor em meus outros livros, sejam contemporâneos, paranormais, suspenses românticos, ou romances eróticos. Virna DePaul é uma ex-promotora


criminal e escritora de ficção erótica e cheia de suspense, e está na lista dos escritores mais populares do NY Times e USA Today. Sejam sobre vampiros, uma equipe de Para-Ops, policiais charmosos ou lindos gêmeos idênticos, as suas histórias giram em torno de indivíduos complexos que estão dispostos a vencer os maiores obstáculos pelo amor. Ela adora receber mensagens de seus leitores em www.virnadepaul.com.


Virna depaul dalton brothers #2 louca pelo homem errado