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DORMINDO COM O IRMÃO ERRADO de Virna DePaul


PRÓLOGO

Regra de Mágica dos Dalton Nº 1: Nunca revele os seus segredos. “Ei, Joaninha.” A mão de Melina Parker, de quatorze anos, estremeceu com o som da voz de Rhys Dalton, fazendo com que o lagarto em sua palma fugisse. De pé, ela franziu o rosto para esconder o voo repentino de borboletas em seu estômago. “Droga, Rhys. Levei quase uma hora para conseguir que aquele viesse até mim.” Rhys, que mesmo aos dezesseis anos, já era bem mais alto que a pequena Melina, revirou os olhos. Ele era um gêmeo idêntico, e era difícil para Melina acreditar que haviam dois garotos lindos com o mesmo tom de cabelos cor de mel e olhos verdes claros andando pela terra. “A sua mãe me disse para lhe dizer para não se sujar.” O lado esquerdo da sua boca se elevou, revelando o menor sinal de uma covinha. “Acho que é tarde demais para isso.” Melina olhou para a poeira cobrindo seus jeans. Com uma carranca, ela limpou a sujeira com as mãos e resmungou. “Ela vai me matar. Ela já está brava por eu não ter usado o vestido que ela comprou para mim. Você devia ter visto, Rhys. Ele tinha bolinhas. Quer dizer, eu usando bolinhas. Você consegue imaginar?” “Ah, vamos lá, faz sentido. Além disso, eu acho que você ficaria bonitinha de vestido.” Depois das palavras em voz baixa, a cabeça de Melina se levantou. Ele não poderia estar falando — Não, claro que não. Ele havia estado tão distante ultimamente. Ele não estava sequer olhando para ela. Em vez disso, ele estava olhando para uma carta de baralho em suas mãos, dobrando-a. Nada de estranho nisso. Como seus pais, Rhys e seu irmão gêmeo Max estavam sempre brincando com algum truque de mágica. Ele tinha um interesse em particular por fazer moedas desaparecerem. Às vezes, ela desejava conseguir fazer a sua atração por ele desaparecer com a mesma facilidade, mas primeiro, ela precisaria admitir o que sentia a ele. Isso nunca iria acontecer. Ela havia visto os tipos de meninas pelas quais ele e Max eram atraídos, e meninas sem graça, gordinhas e com jeito de menino não tinham a mínima chance. Pelo menos ele não a chamava de “Porquinha Parker Quatro Olhos” como alguns dos meninos na escola faziam. Na verdade, quando Rhys ouviu Scott Thompson chamá-la assim, ele foi atrás de Scott e lhe deu um aviso. Agora, sempre que Melina chegava perto, Scott fugia dela o mais rápido possível. Empurrando seus óculos para cima, ela chegou mais perto, tentando ver o que Rhys estava fazendo. “Hum. Então, o Max mandou notícias?” Suas mãos pausaram brevemente antes de continuar. “Só disse que não odeia o acampamento de futebol tanto quanto achou que odiaria. Pode ter algo a ver com o acampamento das garotas ao lado.” Ela riu baixo. “Aposto que você está desejando ter ido para o acampamento quando teve a chance, não é?”


“Não.” “Por que não?” Seu olhar encontrou o dela. Diferente de Max, as pupilas de Rhys tinham um leve anel âmbar ao redor delas. Ela havia lido em algum lugar que cores de olhos diferentes em gêmeos idênticos era extremamente raro. A diferença sutil combinava com a personalidade de Rhys. Enquanto Max era quase sempre despreocupado e brincalhão, Rhys tinha uma calma suave—como se parte da sua mente estivesse em outro lugar, em algum lugar onde ninguém mais conseguia chegar. Ele encolheu os ombros. “Tempo para ficar em casa é raro. Você sabe disso.” Melina assentiu. Ela sabia. Essa era a parte mais difícil de ser amiga dos gêmeos Dalton: quanto tempo ela precisava passar sentindo a falta deles. Com exceção de quando os pais de Rhys estavam trabalhando em um novo show, como agora, eles passavam o tempo viajando e se apresentando. Mesmo assim, apesar de terem sido educados na estrada por professores particulares, Rhys e Max pareciam gostar de visitar novos lugares. Ela certamente invejava a chance que eles tinham de ver mais do que esta pequena cidade universitária que ela chamava de casa. “Pobrezinho,” ela brincou, arrancando uma folha de grama do chão e torcendo-a. “Ver o mundo com seus pais famosos deve ser um saco, não é?” Ele franziu o rosto e balançou a cabeça. “Não, você está certa. É ótimo.” Ele esticou a mão na direção dela. “Tome. Para substituir o que eu assustei.” Soltando a folha de grama, ela esticou o braço e pegou a carta. Observando-a, ela suspirou. Ele havia dobrado a carta em um formato que claramente lembrava o de um lagarto, com um símbolo de espadas como olho. Um sorriso marcou seu rosto, e ela gritou. “É tão lindo!” Ela olhou para ele, feliz em ver que a sua carranca havia desaparecido. Uma mecha de cabelo havia caído sobre os olhos dele, e os dedos dela coçaram para puxá-la para trás. Ela não teria hesitado se fosse Max, mas Rhys? Ela não podia arriscar revelar o que ela sentia por ele. No fim, ele daria um tapinha em sua cabeça e pararia de falar com ela, e isso a mataria. Ele colocou as mãos nos bolsos e encolhe os ombros novamente. “Eu peguei um livro na biblioteca—” Um movimento por trás do ombro dele fez os olhos dela se arregalarem. “Max?” Ela olhou para Rhys, que endureceu a expressão. “É Max!” Passando por Rhys, ela se jogou sobre o irmão dele. Max sorriu e a levantou, girando-a antes de colocá-la no chão. Até mesmo para um estranho, as diferenças entre ele e seu irmão seriam óbvias agora. Ele estava mais bronzeado, e seu cabelo havia crescido, quase tocando seus ombros. Ela esticou o braço e o sacudiu. “E esse cabelo de menina?” Ele cerrou os olhos e balançou o dedo sobre o nariz dela. “Ainda brincando na terra, não é?” Ela deu um tapa na mão dele. “Você chegou cedo. Rhys disse que você estava se divertindo no acampamento.” “Eu estava. Mas eu queria ver o que mamãe e papai estavam fazendo com o show. Eles realmente querem alguma coisa diferente para a tour europeia. Seus pais estão aqui para ajudá-los?” “Todos os dias da última semana. Algum tipo de coisa mecânica.” Max riu e colocou um braço sobre o ombro dela. “Legal. Vamos dar uma olhada.”


“Ok. Mas primeiro, olhe o que o Rhys fez para mim.” Ela levantou o lagarto de papel enquanto se virava para Rhys. “É tão legal. Rhys, vamos—” Rhys passou por ela, acenando para o irmão e dando um tapa em seu ombro. “Vamos lá, cara. Você vai adorar. É enorme. É realmente—” Enquanto passaram por ela, os dois rindo e se empurrando, Melina franziu o rosto. Ela os observou, como eram tranquilos um com o outro, e hesitou. Eles voltariam para a estrada em mais algumas semanas, e então, seria apenas ela e seus pais em sua pequena casa silenciosa, todos os seus narizes imersos em livros. Ninguém para chamá-la de Joaninha ou com quem praticar truques. Ninguém com quem sonhar. O que era bobo, de qualquer forma. Seus pais diziam que as coisas aconteciam a partir de pesquisa e aplicação, não de sonhos. E eles estavam certos sobre tudo. Com exceção de vestidos de bolinha, ela corrigiu. Com um suspiro, ela colocou o lagarto de papel no bolso com cuidado e correu para alcançá-los. “Ei, meninos! Esperem!”


CAPÍTULO UM

Regra de Mágica dos Dalton Nº 2: Desafie a si mesmo continuamente. “Ouça isto,” Lucy Conrad disse, balançando a revista de Melina como uma bandeira vermelha. “98,9% de todas as mulheres às vezes desejam que seus amantes simplesmente as agarrassem, as jogassem no chão e transassem com elas até não poder mais.” Jogando a revista no sofá, ela apontou um dedo na direção de Melina, seu cabelo ruivo curto e espetado vibrando levemente. “Você sabe o que isto significa, não sabe?” “Que as mulheres gostam de se sentir desejadas?” Melina adivinhou, dando um pote de sorvete sabor Cherry Garcia da Ben & Jerry's para Lucy antes de cair na cadeira à sua frente. Sentada com as pernas cruzadas, Melina arrumou os óculos e pegou uma colherada de Chunky Monkey do seu próprio pote. Faziam exatamente sete dias desde a última vez que ela havia se permitido provar esta delícia. Quando o doce gelado tocou a sua língua, ela fechou os olhos com apreciação. “Hmm,” ela ronronou. “Eu adoro a noite das mulheres.” “Concordo plenamente.” A resposta suave, mas veemente veio de Grace Sinclair, que estava sentada ao lado de Melina. Melina esticou sua colher e Grace a tocou com a sua delicadamente. Grace, uma conselheira vocacional do departamento de humanas da universidade, era a classe e a calma em pessoa. Enquanto Lucy era Cherry Garcia—sorvete de cereja com flocos de chocolate e cerejas—Grace era o Crème Brǔlée da Ben & Jerry's—sorvete de creme com um toque de açúcar caramelizado. Loira e esbelta com uma pele de porcelana, Grace falava com um toque de sotaque sulista. “Tudo o que nós precisamos é de um filme com Viggo Mortensen e eu já chego à metade do caminho para o paraíso.” “Você já tentou isso, lembra? Mesmo com a voz do Viggo no fundo, você não conseguiu gozar.” Grace lançou um olhar para Lucy enquanto balançava sua colher. “Agora, não vá culpar o Viggo. Eu mal conseguia ouvi-lo com todos os grunhidos de Phillip.” Grace franziu o nariz. “É verdade, o homem tem ótimas maneiras à mesa, mas na cama …” Ela fingiu tremer. Melina riu enquanto Lucy bateu na revista que estava lendo. “Falando sério,” Lucy insistiu. “Isto não significa que as mulheres gostam de se sentir desejadas. Significa que elas se contentam com fantasias em vez de focar no que elas realmente querem no começo de um relacionamento. Que é exatamente o que você está fazendo, Melina.” Suspirando, Melina forçou um sorriso. A última coisa que ela queria era ter outra discussão com Lucy sobre o professor Jamie Whitcomb. Infelizmente, apesar das sardas que faziam Lucy parecer mais com uma das suas alunas do que uma professora titular, Lucy era como um buldogue quando o assunto era proteger suas amigas—até de si mesmas. “E no que, exatamente, eu deveria estar focando?” ela perguntou. “Paixão,” Lucy disparou. Claro. Paixão. A palavra favorita de Lucy. “E por paixão, você quer dizer …” “Química, pura e animalística. O tipo que faz vocês quererem arrancar as roupas um do outro e


transar encostados em uma árvore se for necessário. O tipo de paixão que você não sente por Jamie.” O tipo de paixão que ela nunca havia sentido por nenhum homem, Melina pensou. Quer dizer, nenhum homem, exceto Rhys. Mas pensar em Rhys apenas a deixava triste, e ficar triste enquanto comia Ben & Jerry's era simplesmente errado. “Ahh,” Melina disse suavemente, tentando não parecer amarga demais. “Você está falando do tipo de paixão mútua que leva ao amor e à felicidade eterna e é tão real quanto unicórnios ou dragões voadores.” “Raridade não é o mesmo que fantasia,” Lucy exclamou. Ela se levantou, seu rosto corado e suas mãos gesticulando loucamente. “É isso que as mulheres são ensinadas hoje em dia. Que a paixão e o amor e amizade verdadeiros, tudo no mesmo pacote, é impossível. Então, elas se contentam.” “Lucy tem uma certa razão,” Grace admitiu. “A paixão deve ser uma necessidade básica das mulheres. Se não fosse, por que uma porcentagem tão alta de mulheres iria querer paixão?” “Talvez,” Melina disse, tentando ser a voz da razão, “porque 98,9% dos homens não sejam do tipo que joga uma mulher no chão.” Seus olhos desviaram para as fotos de Max e Rhys na sua estante. Ela sentia que eles fossem a exceção, mas eles não representavam exatamente o homem comum. “As mulheres querem paixão, mas se dar isto a elas não fizer parte da natureza real dos homens, qual é o propósito de desejá-la? Compatibilidade. Respeito, Até amor. É isso o que importa.” “Então, para que todos estes?” Lucy apontou para vários livros na mesinha de centro de Melina. Os Prazeres do Sexo descansava proeminentemente no topo da pilha. Melina encolheu os ombros prosaicamente, certa de que Lucy já sabia a resposta. “Homens gostam de sexo. Jamie é um homem. Portanto, parte de conquistar e ficar com Jamie é lhe dar sexo.” E não qualquer tipo de sexo, Melina pensou. Sexo enlouquecedor, do tipo não-posso-viver-sem ou eu-nunca-vou-olhar-para-outra-mulher-por-medo-de-que-você-não-me-dê-mais. O tipo de sexo que ela aparentemente não sabia oferecer, mas que iria dominar desta vez, mesmo que tivesse que alugar todos os filmes pornô que ela pudesse encontrar na Internet. “Você também gosta de sexo,” Grace ressaltou. “Você não leva isso em consideração?” “Claro que levo. Eu não tenho dúvidas de que Jamie pode me dar o que eu quero.” Lucy pigarreou e cerrou os olhos para ela. “Bom, eu fico feliz em saber que as suas necessidades ainda são relevantes. Pelo menos, Brian não acabou totalmente com a sua confiança sexual quando ficou com a aluninha dele.” Não, Melina pensou, ele havia acabado com a confiança dela muito antes disso. Sempre que ele insinuava que ela precisava perder alguns quilos. E ele não havia sido o único dos namorados dela a fazer isso. Mas, independentemente das inseguranças, ela sabia que era saudável e razoavelmente atraente. Isso simplesmente não era o suficiente para alguns homens. A questão era encontrar o homem que a amaria pelo o que ela era. E pelo o que ela poderia aprender a ser na cama. “A verdadeira paixão não tem a ver com técnica, Melina,” Lucy insistiu. “Você não pode fabricála lendo sobre ela.” Melina assentiu. “Eu sei disso. Mas eu nunca fui muito apaixonada, de qualquer jeito. Depois do Brian, eu tinha certeza de que não queria mais saber dos homens. Mas então, Jamie se aproximou de mim. Ele é inteligente e engraçado. Eu acho que posso ser feliz com ele.” Ela ouviu a hesitação em


sua voz, mas continuou. “Eu só preciso de um pouco mais de certeza de que também posso fazê-lo feliz.” Bufando, Lucy balançou a cabeça. “Se você está falando de fazê-lo feliz na cama, não existe certeza. Você vai ter que cair de cabeça, por assim dizer.” “Não necessariamente,” Grace disse lentamente. “Como a minha mãe sempre disse, a prática leva à perfeição, não é?” As sobrancelhas de Lucy se franziram, enquanto Melina deu um gemido interno. Ela reconheceu um desafio por trás daquelas palavras. Para uma mulher tão contida. Grace sabia lançar um desafio como ninguém. E o que era pior, ela seria a primeira a aceitar um desafio, o que deixou Lucy e Melina querendo lançar um também. Melina se virou para Grace, cujo sorriso travesso era inconfundível. “E com quem exatamente você está sugerindo que eu pratique?” ela perguntou. Ao mesmo tempo, todos os seus olhares se viraram para a mesma prateleira de fotos. O estômago de Melina se apertou quando ela focou na adição mais recente. Max e Rhys ficavam incrivelmente charmosos de smoking. Ela havia tirado a foto na Convenção de Mágica da IBM em Las Vegas no ano anterior, um pouco antes de eles terem derrotado Chris Angel e Lance Burton para Melhor Mágico de Palco do Ano. Claro que, na foto, cada um deles estava com uma convidada ao lado: Max, com uma ruiva de pernas longas e Rhys, com uma morena bem equipada com peitos que estavam quase escapando do seu decote profundo. Melina olhou para o seu pote de sorvete. A menos que eles houvessem começado a fabricar implantes, ela apostaria que aquela morena nunca havia ouvido falar de Ben & Jerry. Sentindo de repente como se cada colherada de sorvete estivesse indo direto para o seu quadril e coxas, ela largou o pote. “Rhys?” ela perguntou, duvidando. “Eu disse que preciso ter certeza de que posso satisfazer Jamie, e vocês querem que eu vá direto em direção ao muro. Rhys está em um nível superior ao do Jamie.” “Exatamente,” Grace respondeu. “Você o quer, mas está deixando o medo lhe segurar. Você vai fazer vinte e oito anos em uma semana, Melina. Por que não superar dois medos ao mesmo tempo? Prove a si mesma que pode satisfazer um homem como Rhys, e você estará provando que pode satisfazer alguém como Jamie também.” “Você é diabólica,” Lucy respirou, soando totalmente impressionada. Grace baixou a cabeça em reconhecimento. Melina balançou a cabeça e levantou as mãos. “Espere aí. Você está supondo que eu posso satisfazer Rhys. Qual é a probabilidade disso? Eu não conseguia sequer manter Brian satisfeito na cama, e ele só havia estado com duas outras mulheres. Com todas as mulheres que Rhys já teve…” Melina engoliu em seco, a mera ideia de todas aquelas mulheres lhe causando uma dor de grandes proporções no peito. “Razão maior ainda para pedir a ele. Pense em como ele seria ótimo como professor,” Grace insistiu. Mas Melina já estava balançando a cabeça novamente. Desafiadora, ela pegou seu pote de


sorvete e deu uma colherada reforçada. “Sem chance,” ela resmungou ao redor da colher. “Rhys nem sequer gosta mais de mim. Não conversamos a meses.” Obviamente, ele estava preocupado demais com mulheres do tipo dançarina, com quem ele costumava ser fotografado, para ter tempo para uma velha amiga. Claro, ele havia provado a ela a muito tempo atrás que dormir com a garota mais gostosa era mais importante do que amizade. O erro dela havia sido pensar que aquilo só aconteceria uma vez. “Esqueça. Eu não vou pedir nada para Rhys.” O tom dela não deu espaço para nenhuma discussão, ou foi isso que ela pensou. Depois de alguns segundos, Lucy lhe lançou um olhar atravessado. “Ok, mas se não for Rhys, que tal o Max?” Melina se afogou, tossiu e ofegou, “Max?” “Claro,” Grace disse, acenando com a cabeça e sorrindo satisfeita. “Ele tem ainda mais experiência do que Rhys. E ela fica totalmente confortável com ele.” “Não tão confortável,” Melina interrompeu, apenas para ser ignorada. “Ela confia nele,” Lucy concordou. “Ele é um gato. Eles já se beijaram uma vez—” “Isso foi a quase doze anos atrás e ele estava com pena de mim—” “E ele vai vir para o aniversário dela. Ele é perfeito.” “Perfeito,” Grace repetiu. “É isso que é poder sexual.” O olhar de Melina foi de uma para outra amiga enquanto sua mente tentava freneticamente encontrar uma razão pela qual dormir com Max era uma má ideia. Ela não conseguiu encontrar uma. Mesmo assim, seria humilhante ceder tão rápido. Cerrando os olhos, ela perguntou, “E com qual problema sexual vocês duas vão estar lidando durante o meu curso rápido em como satisfazer um homem?” Ela olhou para Grace, que havia começado a trançar uma mecha de seus longos cabelos pálidos. “Grace?” Grace parou de trançar, mordeu o lábio, depois deu de ombros, a boca contorcida em um sorriso sardônico. “Não adianta negar o meu maior medo, não é? Meu aniversário é duas semanas depois do seu, então eu vou tentar encontrar um homem que eu acredito não existir: o homem que pode me fazer gozar. Eu tenho certeza de que isso só vai levar a outra semana de frustração, mas desde que eu possa manter meu vibrador por perto, eu aceito sofrer pela causa.” Apesar de sentir que estava amolecendo, Melina não respondeu à amiga. Este desafio tinha sido ideia de Grace. Talvez, ela precisasse mais daquilo do que Melina. Ela não havia saído com ninguém em quase um ano, convencida de que, se ela não conseguia sequer sentir prazer com um homem, não fazia sentido aguentar um. Lucy, no entanto, dava tanta importância ao prazer que costumava suportar os defeitos de um homem por mais tempo do que devia. Melina se virou para a amiga, mantendo o rosto impassível, apesar da cara feia de Lucy. O aniversário de Lucy não viria em alguns meses, mas era o grande 3.0. “Eu deveria ser dispensada dessa vez,” Lucy disse. “Eu não tenho medo nenhum quando se trata de sexo, vocês sabem disso. Eu já experimentei de tudo. Não há razão nenhuma—” “Você tem medo de intimidade,” Grace disse gentilmente. “Você só sai com idiotas que nunca vão se comprometer com você—”


“Só porque eu gosto de homens pensativos e criativos com algo diferente não significa que eu tenho medo de intimidade,” Lucy protestou. “É um fim de semana, Lucy. Um fim de semana com um cara legal para quem você não olharia duas vezes,” Melina esclareceu. “Um cara legal?” Lucy estava horrorizada. “Oh, claro. Para o seu fim de semana de aniversário, você tem a chance de pedir que um amigo gostoso lhe ensine tudo o que ele sabe na cama. Grace consegue alguém para lhe dar prazer por dois dias inteiros ou morrer tentando. E o que eu ganho? Um cara legal que não sabe a diferença entre um anel peniano e um anel de noivado.” Ela levantou uma mão para antecipar a resposta de Melina. “Mas tudo bem. Se vocês duas conseguem, eu também consigo.” Lucy pausou e sorriu docemente, o que, para ela, era o equivalente a um grande e luminoso sinal de “perigo”. “Eu decido a aposta. Quem colocar seu plano em prática e continuar durante o fim de semana inteiro, independente dos resultados, ganha um dia inteiro de mordomia no Silk Spa. Quem desistir vai ter que ficar na frente da minha turma de Estudos Femininos e explicar porque desistiu. Em detalhes excruciantes. E responder as perguntas depois.” Lucy esticou a mão, com a palma para baixo. Depois de uma leve hesitação, Grace colocou a mão gentilmente sobre a dela. A mão de Melina se fechou. Seu olhar caiu sobre a revista que Lucy estava lendo, a que tinha a pesquisa sobre sexo que ela havia lido antes. Ela havia guardado um parágrafo na memória: “Daquelas que estão satisfeitas com suas vidas sexuais, 90% também estão muito satisfeitas com seu casamento ou relação em geral. Quanto menos satisfeitas sexualmente as pessoas disseram ser, menos satisfeitas elas estavam com seu casamento ou relacionamento.” Parecia tão simples, ela pensou. Mantenha um homem satisfeito e ele terá menos chances de sumir, certo? Continue a enlouquecer um homem na cama e ele será seu para sempre. Nesse sentido, os homens não eram diferentes dos insetos que Melina estudava: dê o que eles querem e eles farão o mesmo por você. Com Max como seu professor, ela aprenderia como manter um homem satisfeito. E ela era uma excelente aluna. Ela apenas não havia se concentrado totalmente nesta habilidade em particular. Quando o fizesse, as coisas não podiam ser muito difíceis. Ela colocou a mão trêmula sobre a de Grace. Ele nunca teria Rhys. Talvez, ficar com Max fosse o melhor que ela conseguiria. Uma coisa era certa, com os parâmetros que Lucy havia definido, nenhuma delas desistiria deste desafio. *** “Então, quando você vai para Sacramento?” Rhys perguntou a Max. Ele tentou parecer desinteressado, focando a atenção em levantar a perna feminina e firme de Laura e colocar seu tornozelo delicado na presilha de couro. Ele se recusou a olhar para Max, puxando o couro para se certificar de que a presilha estava bem apertada. Então, ele fez a mesma coisa com a outra perna de Laura, terminando com um grunhido divertido que a fez rir. Satisfeito em ver que ela estava totalmente presa, ele continuou a fazer o seu papel, passando as


pontas dos dedos sem muito empenho pela parte de dentro da panturrilha suavemente contornada dela e depois por sua coxa macia e pálida, continuando a jornada sobre seus quadris voluptuosos, cintura apertada, seio generoso e braço levantado, até que ele alcançasse a única presilha que prendia seus dois pulsos frágeis. Max ainda não havia respondido. Parado diretamente na frente de Laura, seus pés separados, seu peito quase tocando os magníficos seios dela, ele se virou para o irmão. “Max?” Seu irmão não estava prestando nenhuma atenção a ele. Em vez disso, ele estava olhando para o chão, com o cenho franzido. Rhys suspirou, soltou a presilha de couro que estava suspensa de um equipamento em uma corrente, e sorriu para Laura. “Me dá um segundo?” Ela mascou seu chiclete e piscou. “Eu não vou a lugar algum.” Rhys se impressionou com a rouquidão de sua voz. Apesar de estar vestindo um collant modesto e leggings ao invés da pequena roupa de paetês que ela usava durante o show, tudo nela, de sua voz até os belos dedos do pé, era um sonho erótico ao vivo. E não era exatamente um personagem. Até quando estava dando um sermão no filho adolescente sobre fazer o dever de casa, ela ainda soava como uma telefonista do telesexo. Caminhando na direção de Max, que estava se apoiando na parede esquerda do palco, Rhys girou os ombros e tentou esconder sua impaciência. Fazia sentido que, no momento em que o sonho deles estava ao seu alcance, Max ficasse melancólico. Normalmente, Rhys conseguia tolerar e compensar o temperamento de Max, assim como Max fazia com ele, mas com os longos ensaios recentes combinados com o tempo que ele estava passando ajustando o mais novo truque dos irmãos Dalton—o mais espetacular até o momento —a sua tolerância estava baixíssima. O show da próxima semana tinha que acontecer sem nenhum problema. Além de todo o estresse, o aniversário de Melina estava chegando. Exausto nem sequer começava a descrever como ele estava se sentindo. “Max? Max!” Max piscou e se endireitou, seu olhar distante focando em Rhys e depois em Laura, que ainda estava pendurada no equipamento especial atrás deles. Ele passou a mão pelo cabelo já despenteado e apontou o queixo para Rhys. “Você precisa que eu teste aquelas presilhas agora?” Rhys sorriu rigidamente. “Eu tenho certeza de que Laura pode esperar até que suas mãos fiquem roxas caso você precise de mais alguns minutos sonhando acordado.” Balançando a cabeça, Max foi até Laura. “Desculpe por isso, querida. Eu só estava pensando.” Atrás dele, Rhys bufou. “Eu pensei que nós havíamos concordado que, até conseguirmos o contrato com o Seven Seas, eu seria o pensador enquanto você se concentraria em flexionar os músculos e mexer o traseiro para a plateia.” “E faria alguma diferença se o traseiro fosse o meu ou o seu? O público raramente vê a diferença.” Rhys abaixou a cabeça. Quando Max estava certo, ele realmente estava certo. Toda a mística do Show de Mágica dos Gêmeos Dalton era que o público sabia que o mágico se apresentando aquela noite era um gêmeo idêntico; eles só não sabiam qual dos gêmeos. Não até o fim do show. O problema era que ele estava cada vez mais feliz em deixar Max ser o astro do show para que ele pudesse fazer o que gostava mais: se concentrar em administrar o show e inventar novos truques. Ele


havia tido que aumentar o número de suas performances para não perder o mistério do show. Além disso, assim que eles estreassem seu novo truque, Rhys não teria uma folga por muito tempo. A Metamorfose Flutuante só seria espetacular se o público visse os dois gêmeos Dalton no palco ao mesmo tempo. Depois de puxar as presilhas como um voluntário da plateia faria, Max acenou com a cabeça para Lou, um dos assistentes de palco. Quando Lou começou a soltar as presilhas, Max bateu nos quadris de Laura distraidamente. Em resposta, Laura soprou um beijo para Max. Laura e Lou saíram do palco, mas não antes de Laura lançar um olhar sedutor para Max. De repente, o fato dos dois terem entrado no ensaio meia hora atrasados, com os cabelos despenteados e parecendo não ter dormido, teve um novo significado. Rhys lançou um olhar de fúria para o irmão. “Jesus, Max, você não podia ter ficado longe, não é? Nem mesmo por algumas semanas?” Max deu de ombros e levantou as palmas para cima em um gesto do tipo “e daí?”. “O que vai acontecer quando você a irritar e ela pedir demissão em uma noite de show? Você está tentando acabar com tudo pelo qual nós trabalhamos?” “Você não está dando crédito suficiente à Laura. Ela é adulta. A noite passada foi divertida, mas ela ainda gosta do ex. Ela vai visitá-lo neste fim de semana. E seu filho também, claro.” “A questão não é essa,” Rhys retrucou. “Eu tive que aumentar a segurança desde quando pegamos Joey Salvador tentando entrar nos bastidores. A Seven Seas está insistindo que nós criemos uma proposta com censura livre para os shows das noites de família. E não vamos esquecer que, depois do show desta noite, eu vou ter que encaixotar e enviar tudo para Reno sozinho, enquanto você voa para a Califórnia para passar o fim de semana. As coisas estão doidas o suficiente por aqui sem que eu tenha que me preocupar com a sua vida sexual também.” Com uma expressão séria, Max abriu a boca para responder, mas uma voz fora do palco o fez parar. Era o pai deles. “Meninos, a mãe de vocês está quase tendo um ataque cardíaco. Jillian insiste que nós precisamos fazer algo diferente para o pessoal da Seven Seas e trocar os seus smokings por algo que combine com as roupas das meninas. Eu acho que elas estão prestes a sair no tapa. Venham rápido!” Esquecendo por um momento da razão pela qual ele estava furioso, Rhys olhou para Max. Ele teve certeza de que o seu rosto refletia o mesmo horror que o de Max. As suas assistentes de palco usavam roupas brilhantes e cheias de lantejoulas com cores que iam do magenta à fúcsia. Não importava como Jillian chamava, ainda era rosa para Rhys. Max disse irritado. “Você já acabou de me criticar? Porque eu com certeza não quero entrar no palco parecendo uma mocinha.” Rhys passou as mãos no rosto antes de balançar a cabeça. Para que discutir? Max só estava sendo Max. Não era culpa dele que Rhys estava sempre tão tenso. Não de verdade. “Merda. Esqueça. Eu só estou cansado. Vou falar com Jillian.” Ele pausou, depois murmurou, “Deseje feliz aniversário à Melina por mim.” Rhys não tinha dado quatro passos antes que Max colocasse a mão em seu ombro, puxando-o de volta. “Por que você mesmo não diz isso a ela? Eu sei que não tenho feito a minha parte ultimamente. Eu fico. Você usa a minha passagem e faz uma surpresa para Melina.” Max sorriu. “Veja se ela nota a


diferença desta vez.” Rhys conseguiu sorrir. Quando eles eram mais jovens, ele e Max haviam feito com Melina as mesmas brincadeiras bobas que faziam com todo mundo. Eles fingiam ser um dos gêmeos enquanto tentavam sutilmente fazer com que a pessoa dissesse algo pejorativo sobre o outro. Melina havia sido a única pessoa que nunca havia caído na armadilha. Ela tinha uma habilidade incrível de distinguilos, até mesmo de longe. Esta era uma das coisas que o havia atraído nela. Também foi por isso que, quando ele a viu beijando Max na noite do seu aniversário de dezesseis anos, ele não pôde se convencer de que ela achava que estava o beijando. O sorriso de Rhys sumiu com a memória. Aquele beijo havia interferido em duas amizades com o tempo: sua amizade com Melina e sua amizade com seu irmão. O beijo de Max e Melina aparentemente havia sido um evento único, mas ele havia aumentado a sensação de desconforto que ele já sentia quando os três estavam juntos. Ele havia lutado contra aquele desconforto por quase dez anos tentando continuar a ser amigo de Melina. Tudo o que aquilo fez foi tornar impossível para ele esquecê-la. No entanto, o seu plano estava funcionando. Ao minimizar o contato com ela nos últimos dois anos, ele estava finalmente começando a sentir menos falta dela. Atualmente, ele conseguia ficar horas, até dias, sem pensar nela, e o seu foco estava exatamente onde deveria estar: na sua família, no seu show e em garantir o sucesso contínuo de ambos. Max o empurrou de leve. “A minha passagem está no meu camarim. Se você fizer as malas agora, pode ir logo após o show e—” Balançando a cabeça, Rhys não conseguia olhar nos olhos do irmão. “Eu não posso,” ele o cortou. “Há muita coisa para fazer.” “O que há para fazer? A equipe sabe como encaixotar as coisas sem nós. Os irmãos Salvador não teriam a coragem de aparecer por aqui de novo. E quanto ao pedido ridículo do Seven Seas de um show infantil, eles podem tomar no—” Rhys levantou as sobrancelhas, fazendo que as palavras de Max pausassem. Ele franziu o rosto. “Demais?” “Só um pouquinho.” “Eu posso baixar o tom. Eu sei que Melina adoraria ver você—” “Não,” Rhys disse, balançando a cabeça novamente. “É com você que ela se sente confortável. Sempre foi assim.” “Droga, Rhys, ela não é mais uma menina. E ela tem uma queda por você a anos.” Rhys virou para trás como se o seu irmão tivesse lhe dado um soco. Ele imediatamente apertou os olhos em advertência. “Eu não sou seu substituto, ou de ninguém, Max. Nunca serei.” Seu irmão corou de culpa. “Foi só um beijo, e ela nem sequer teve a iniciativa—” “É, foi isso que você me disse, mas estamos falando do passado longínquo. Eu esqueci dela a muito tempo atrás.” Os dois, idênticos, olharam um para o outro, e foi a vez de Rhys corar. Sem querer encarar sua própria desonestidade, ele olhou para o chão do palco. “Quando você se transformou em um mentiroso?” Max perguntou calmamente. “E o principal, quando você começou a achar que eu sou idiota? Nós trabalhamos juntos. Somos irmãos. Você não


acha que eu consigo ler você?” O rosto de Rhys virou para cima. “Sim, mas, talvez este seja o problema.” “Agora nós temos um problema?” “Você acha que me conhece, mas não conhece. Assim como não conhece a Melina de verdade. Se conhecesse, nós não estaríamos tendo essa conversa. Mesmo se ela me quisesse para algo mais do que substituir você, eu não posso dá-la o que ela quer, assim como você.” “Fale por si mesmo.” Seu olhar caiu na virilha de Rhys. “Alguma coisa aconteceu que eu não esteja sabendo?” “Idiota,” Rhys disse entre dentes cerrados. Ele esticou o braço e socou o ombro de Max com um pouco mais de força do que o necessário. “Eu estou falando de estabilidade. Raízes.” Seu irmão esfregou o lugar onde ele o havia socado. Ah.” “É. Ah. Você sabe que ela é do tipo maternal. Ela tem um trabalho que ama. Ela quer a casinha com cerca branca e 2,2 filhos. Eu não posso dar isso a ela.” “Talvez você não saiba o que ela quer. Talvez ela queira viajar. Cair na estrada poderia ser uma aventura.” “Ela podia viajar. Ela não vai porque não quer. Nem mesmo com seus pais. Mesmo que ela considere isso, não seria por muito tempo. Você realmente acha que ela faria isso com os filhos? A infância que tivemos, Max—” Ele levantou os braços e abrangeu todo o teatro com um único movimento. “A vida que temos agora não é convencional. Não é o que a maioria das pessoas quer.” “Parece que, talvez, não seja mais o que você quer. É isso?” Um desconforto tocou seu cérebro. Ele podia sentir. Eles estavam prestes a se tornar famosos— muito famosos—e ele estava acostumado com o estilo de vida. Talvez, em algum momento, ele tenha desejado algo diferente, mas havia sido um momento do tipo “a grama do vizinho é sempre mais verde”. “Você está brincando? Eu nunca gostei de viajar como você, mas se nós conseguirmos este contrato com a Seven Seas, nós teremos pelo menos o nosso próprio teatro. Nada de ir de um lugar para o outro a cada duas semanas. Estamos na nossa melhor forma. É o que vocês sempre quiseram.” “Você quer dizer ‘nós’.” “O quê?” Max o encarou. “Você quer dizer que é o que nós sempre quisemos.” “Claro. Você. Mamãe e papai. Eu. Nós. É o que eu quis dizer.” “Ah, tá.” “Meninos!” Seu pai apareceu no canto do palco, seus cabelos esparsos para cima em tufos, como se ele os houvesse puxado. “Um aviso. Não sou eu que vou entrar no palco vestindo lantejoulas.” “Estou indo, pai.” Balançando a cabeça, Rhys começou a caminhar para trás. “Olha, eu não sei como nós começamos a falar desse assunto ridículo. Melina e eu somos amigos. Eu estou feliz com o show. Tudo está ótimo.” Virando-se para que não precisasse mais ver a dúvida no rosto do irmão, Rhys caminhou na direção dos bastidores. Por cima do ombro, ele disse, “Leve-a para sair. Faça-a se sentir especial. E diga a ela que eu a verei... bem, eu a verei algum dia.” Rhys se forçou a continuar caminhando apesar da vozinha em sua cabeça gritando que ele era um covarde. Droga, ele não era um covarde, era apenas realista.


Ele tinha a vida dele e Melina tinha a dela. Além disso, ele havia dito a verdade a Max: os objetivos deles eram tão diferentes que eles poderiam estar vivendo em lados opostos do planeta. Ainda assim, ele pensou com um suspirou depois de abrir a porta para a sala de figurino, ele ficou tentado em aceitar a oferta de Max mais do que deveria. Especialmente porque ele queria que Melina o confundisse com Max. Só uma vez, ele gostaria que Melina o cumprimentasse da mesma forma que cumprimentava Max. Com os braços abertos e um sorriso aberto, ao invés da distância amigável, mas reservada que sempre o deixava querendo mais.


CAPÍTULO DOIS

Regra de Mágica dos Dalton Nº 3: Aprenda com quem tem mais experiência. “Me ensine como agradar um homem.” Max, que havia acabado de tomar um gole de sua cerveja, se engasgou com ela e continuou tossindo até que Melina se levantou da cadeira e começou a bater em suas costas. Colocando a garrafa na mesa, ele levantou as mãos, respirou fundo e a empurrou gentilmente para longe. “Eu estou bem. Só... acho que não entendi direito—” Com o rosto em chamas, mas tentando agir com frieza, Melina voltou para a cadeira ao lado do sofá, cruzou as pernas e alisou sua saia de lã até que ela cobrisse seus joelhos. “Você ouviu direito. Eu quero que você me ensine como agradar um homem.” Ele olhou para ela com olhos arregalados que se apertaram rapidamente. Olhando ostensivamente para a pequena e arrumada sala de estar, ele murmurou, “Isso é uma piada? O Rhys lhe forçou a fazer isso?” Ela se inclinou para frente e balançou a mão na frente do rosto dele, sabendo que isso o irritaria. “Concentre-se, Max. Eu não estou brincando.” Rindo agora, Max segurou a mão dela e moveu as sobrancelhas para cima e para baixo. “Ah, é mesmo? O que aconteceu, você ficou a fim desse corpinho de repente? Não que eu lhe culpe, mas—” “Você quer parar?” ela sussurrou. “Eu estou falando sério.” Ela puxou seu pulso para longe e se levantou, dando as costas para ele ao segurar os braços sobre o peito. Onde estavam suas amigas e seu sorvete do Ben & Jerry’s quando ela precisava deles? Sabendo que não tinha escolha, ela se forçou a continuar. “E-e-eu sou um terror na cama.” O silêncio de surpresa atrás dela era ensurdecedor. O constrangimento ameaçava engoli-la completamente, e ela teve que se esforçar para não correr para o outro quarto. “Ei, isso pode ser uma coisa boa,” Max brincou, mas a sua tentativa de humor foi obviamente forçada. “Eu sou uma péssima amante,” ela esclareceu. Novamente, aquele momento de silêncio. “Quem disse?” Max resmungou. Ela estudou suas unhas, fazendo uma careta ao ver como elas estavam malcuidadas. Ela andava mordendo as unhas de novo. “Muita gente.” “Muita?” “Ok, não muita. Três. Mas eles sabiam das coisas.” “Três? Droga, Melina, isso não é suficiente para concluir nada. E quem disse isso por último? Aquele trouxa que terminou com você seis meses atrás? Para uma mulher que estuda insetos por profissão, você com certeza tem um problema em reconhecer os menos desenvolvidos entre os machos da espécie. Aquele cara provavelmente não conseguiria encontrar o ponto G de uma mulher se eu lhe desse um mapa.”


Melina suspirou. Aquilo era realmente verdade. Mas ela precisava se manter focada. Ela sabia muito bem que a inabilidade de Brian para encontrar seu ponto G se devia ao fato de que ela não havia inspirado a busca. A nova namorada dele havia tido um grande prazer em informá-la deste fato. “Bem, nem todos os homens tem a sorte de ser artistas famosos cujas fãs querem que eles autografem suas roupas íntimas.” Ela ouviu Max se levantar e caminhar para perto dela. “Sim, é um trabalho duro, mas alguém precisa fazê-lo. E são seus corpos nus que elas querem que nós autografemos, não suas roupas íntimas. Claro que eu estou sempre feliz em ajudar.” Rindo forçadamente, ela levantou a mão. “Claro. Desculpe.” Os braços dele a seguraram por trás. Descansando o queixo na cabeça dela, ele apenas a abraçou. Como sempre, ela se sentiu protegida em seus braços. Abrigada. Mas não havia nenhum traço de desejo. Nada do calor ou calafrio que tomava conta dela quando Rhys estava por perto. A parte boa era que ela não se sentia como uma idiota e com vontade de fugir. Não que fizesse alguma diferença se Max a atraísse. Max e Rhys estavam fora do alcance dela, e nenhum dos dois havia demonstrado o mínimo interesse nela, de qualquer jeito. Claro, Max sempre havia flertado e brincado. Havia lhe dito para ir vê-lo quando ela quisesse um homem de verdade. Mas ela sabia que, assim como tudo com ele, aquilo era só um jogo. Infelizmente para ele, ela estava pagando para ver. “Se houveram, hum, problemas—” Ele limpou a garganta. “Eles foram culpa dele, Melina, não sua.” Ela bufou e se afastou. “Eu gostaria que isto fosse verdade, mas ele não é o único namorado a me dizer que eu não sei o que estou fazendo. E, de acordo com a nova namorada dele, ele é bombástico.” Ele fez uma careta. “Por favor. Não tente falar moderno. Realmente não funciona.” “Você entende do que eu estou falando?” ela fez bico. “Eu nem consigo falar de um jeito sexy.” “Você não precisa falar de um jeito sexy. Por trás desses óculos horríveis,” ele tocou a parte de cima dos seus óculos com armação de metal para enfatizar, “jalecos e ternos desalinhados que você veste, você é sexy. Você só não sai por aí fazendo propaganda disso.” “Tá.” “Melina,” ele disse em tom de advertência. “Eu não estou me menosprezando. Eu não sou linda e não tenho o melhor corpo do mundo, sou atraente, me visto bem—” O fungar dele estava ficando irritante agora. “—e eu sou inteligente. Isso conta para alguma coisa, não é?” “Melina—” “Eu sou gentil. Fiel. Eu acho que seria uma boa mãe.” Os olhos de Max se arregalaram. “Hum, Melina—” Ela colocou as mãos nos quadris. “Se acalme. Eu não estou pedindo que você seja o pai do meu filho. E você também não precisava ficar tão aliviado. Mas nós dois sabemos que eu não sou uma femme fatale. Eu não quero ser. Eu só quero me casar. Ter uma família.” Uma família grande. Ela queria muitos filhos, não apenas um que cresceria solitário e desejando o tipo de relacionamento


entre irmãos que Max tinha com Rhys. “Eu não quero murchar e morrer cercada por um monte de insetos.” Ela caiu graciosamente no sofá e recostou a cabeça na almofada. A expressão dele se tornou suspeita. “Isso tem a ver com o seu relógio biológico? Querida, você ainda é jovem. Ainda tem muito tempo para você começar uma família.” Quando ela não respondeu, ele caiu ao seu lado e segurou suas mãos. “Eu achei que você gostasse dos seus insetos,” Max disse em voz baixa. “Você é realmente tão infeliz? Por que não me disse?” Ela balançou a cabeça. “Eu amo meu trabalho, mas eu... eu quero ser—” Sua voz ficou presa. “Eu quero ser amada. Eu quero que alguém me ame.” “Seus pais a amam. Rhys e eu, nós lhe amamos, Melina.” “Meus pais e você, talvez. Rhys, eu não tenho mais tanta certeza. E de qualquer forma, isso não é suficiente. Eu quero um parceiro.” “Mas você está falando de sexo. Mecânica. Não de amor.” “Um leva ao outro,” ela insistiu. “Com os homens, o sexo vem em primeiro lugar, depois a emoção, não é?” Ele parecia querer que o chão se abrisse e o engolisse. “É, eu acho. Para alguns—” “Para você, não é?” “Mas não sou eu que você quer fazer se apaixonar por você.” Ele disse, hesitando, como se não tivesse certeza de qual seria a resposta dela. “Não. Mas você com certeza seria exigente. Na cama, eu quero dizer.” Ele passou uma mão por seu cabelo dourado. “Jesus, Melina—” “Eu só estou dizendo…” ela contemporizou. “O que está causando tudo isso? Você está de olho em alguém específico?” Os dedos dela passaram pela barra de corda de uma das almofadas do sofá. Apesar da crença firme de Lucy de que ela estava se contentando com Jamie, havia algo nele que a atraía. Um tipo de humor não convencional. Um olhar sério que a penetrava e a fazia se perguntar no que ele estava pensando. E se ele estava pensando nela ou não. Da mesma forma que o olhar de Rhys fazia. Mas, diferente de Rhys, ele havia expressado interesse nela. Convidou-a para tomar um drink depois da conferência no próximo fim de semana. E ela não ia estragar sua oportunidade com ele. Não desta vez. “Mais ou menos.” “‘Mais ou menos’ é uma resposta de covarde.” Ela bateu na almofada com o pulso. “Tá bom, eu estou.” “Deixe-me adivinhar. Ele é um acadêmico?” “É, claro. A coisa do sexo é necessária no começo—” “E no meio e no fim,” Max disse zombeteiramente. “—mas depois disso, nós precisamos de coisas em comum como base. Quer dizer, ele não é só inteligente. Ele também é sexy. E está interessado em mim. Vai haver uma conferência semana que vem na qual nós vamos nos apresentar—” Os olhos de Max se abriram naquela expressão de descrença novamente. “Você vai se apresentar em uma conferência? Desde quando? A última vez que você tentou falar em um evento público, quase


desmaiou.” “Obrigado pela lembrança,” ela disse irritada, mas sem muita energia. Ele estava certo. Ela não foi bem no palco. No workshop do qual Max estava falando, ela havia subido até o pódio apenas para ficar paralisada de pavor. Ela havia se transformado de cientista confiante em Cindy Brady, olhando para uma luz vermelha piscante de câmera apesar da plateia em volta dela. Não foi uma experiência que ela desejava repetir novamente. Por isso, ela havia escolhido fazer pesquisa na segurança e anonimato do seu laboratório. Era com aquilo que ela estava acostumada. Com aquilo que ela ficava confortável. Mas com Jamie, as coisas eram diferentes. Ele a havia feito sair de sua concha, e surpreendentemente, ela havia concordado, confiante de que ele iria ajudá-la se as coisas ficassem difíceis demais para ela. Isso em si já deve significar algo, não é? “Enfim, Jamie não deve ser tão difícil de agradar quanto, por exemplo, você ou Rhys seriam. Se você pudesse me fazer só este favor…” O terror a dominou. “Quer dizer, você me beijou uma vez. Eu sei que aquilo não significou nada, mas... bem, a ideia...ela não deixa você com nojo, não é?” “O quê? Claro que não.” Mas ele parecia estar em pânico agora. A mão dele se moveu para a sua nuca. “É que, eu não quero que você fique achando que tem alguma coisa de errado com você. Você é só, você é só—” “Uma amadora?” ela sugeriu. “Bem, eu ia dizer seletiva, mas com base nos homens que você escolheu, é óbvio que você não tem escolhido os melhores.” “O que isso quer dizer?” “Por favor. Eu conheci os caras.” “Todos eram inteligentes. Influentes. Ok, eles não eram todos altos e bonitos e voavam para Londres para se apresentar para a rainha, mas—” “Eles eram mulherzinhas. E parece que esse cara com quem você quer transar é mulherzinha também.” “Ele não é mulherzinha. E os outros apenas não tinham inspiração.” “Melina—” Ela balançou a cabeça. “Me diga a verdade. Você gosta de mulheres experientes. Mulheres que sabem como agradar você na cama.” “É claro, mas—” “No mundo dos insetos, eles acasalam por uma única razão, porque ganham alguma coisa com isso. Eu quero um parceiro, Max. Eu quero saber como manter um. Então, se você não fica com nojo de ficar comigo, pode me fazer este favor?” Ele pareceu pensar no assunto. “Por que eu? Por que não Rhys?” Por que eu não estou segura com Rhys, ela pensou. Não como eu estou com você. Com Rhys, assumindo que ele concordasse com aquilo, não seria uma questão de simples biologia, aprender posições e técnica, ou ir embora quando a sessão tivesse terminado. Com Rhys, ela perderia a si mesma. Ela começaria a acreditar em unicórnios e dragões voadores e paixão mútua que levaria à felicidade eterna. Ela iria querer mais do que podia ter. “Por que Rhys e não você?” ela acobertou. “Vamos lá, Melina. Nós dois sabemos que, de nós dois, eu sou o idiota. Eu sou o…o—”


“Galinha?” Ele limpou a garganta. “Novamente, eu ia dizer o menos exigente.” “Seja como for, você nunca me deixou na mão para transar com alguém.” Ela levantou a mão. “Eu sei que você está sempre tentando criar desculpas para o comportamento de Rhys naquela noite, mas foi sacanagem. E você estava lá comigo, como sempre esteve. Se isso não é razão suficiente, o fato de que você tem mais experiência é outro ponto em seu favor, não é?” Ele olhou para ela com estranheza. “Quantidade não necessariamente equivale à qualidade. Acredite, Rhys sabe o que está fazendo.” A imagem de Rhys fazendo qualquer coisa com ela deixava seus nervos vibrando em lugares interessantes e fez com que ela apertasse as coxas. “Olha, você vai fazer isso? Fazer comigo, ela corrigiu internamente. “Ou não?” “Eu vou perguntar de novo. Por que eu?” “Por que eu confio em você.” “E?” “Por que você será legal. Durante. E depois. Pelo menos, eu achei que você seria. Agora, eu não tenho tanta certeza,” ela disse incisivamente. “Sexo comigo não é legal, Melina. Sexo feito do jeito certo não é legal mesmo.” Ela engoliu em seco. Havia ficado quente aqui, de repente. “Então me mostre.” “E se eu disser não?” “Então, eu vou encontrar outra pessoa.” “Rhys?” “Ah! Que obsessão é essa com o seu irmão? É algum tipo de coisa esquisita entre gêmeos? Você quer que eu diga o nome dele quando nós estivermos transando?” “Não,” ele disse, obviamente tentando ser paciente. “Eu quero que você me diga com quem você vai falar se eu disser não.” Ela deu de ombros. “O que isso quer dizer? Você iria simplesmente transar com um estranho qualquer?” “E você nunca fez isso?” Fascinada, ela o viu ficar vermelho. “Nós não estamos falando de mim. E você está falando disso como se fosse uma das suas malditas experiências. Você não pode simplesmente decidir ser uma diva do sexo e me pedir para lhe ensinar como fazer isso, Melina.” “Na verdade, nós estamos falando de você. E é exatamente isso que eu estou pedindo.”


CAPÍTULO TRÊS

Regra de Mágica dos Dalton Nº 4: Pratique com as ferramentas certas. Nécessaire com itens de higiene. Ok. Lingerie sexy. Ok. Anticoncepcional. Ok. Quarto de hotel. Dã. Melina olhou para os três números de bronze presos na porta do quarto de hotel de Max. Eles não haviam mudado nos cinco minutos em que ela havia estado ali parada olhando para eles. Ela estava no quarto certo. Ela tinha tudo o que precisava. Que a educação sexual comece. Certo? Mordendo o lábio, ela fechou os olhos e tentou se convencer a colocar o cartão-chave na pequena abertura. Inserir a parte A na parte B nunca havia sido o problema dela. Era o que acontecia depois que ela claramente precisava aprender melhor. Mesmo assim, ela hesitou. Algo nisso estava errado. Ela realmente conseguiria ficar nua com Max? Tocá-lo? Deixá-lo tocar nela? A imagem dele inclinado sobre ela na cama, abraçando-a com a pele quente e músculos rijos, certamente não era desagradável, mas não estava exatamente fazendo-a se mexer. Talvez, realmente houvesse alguma coisa de errado com ela. “Aceite, Melina,” Brian havia dito a ela depois que ela o encontrou na cama com uma das suas residentes de veterinária. “Um homem precisa de mais do que uma tábua dura embaixo dele quando quer trepar. O estofamento não importa. Você demonstra mais paixão pelos insetos no seu laboratório do que por mim. Aceite o meu conselho. Pratique um pouco antes de tentar pegar um cara de novo.” Ela não havia caído no choro com a acusação. Na verdade, ela havia se portado como a dama que era, até mesmo deixando-o levar o cachorro que eles haviam adotado no canil um ano antes. Então, ela havia ligado para Lucy e Grace, e as três haviam jogado dardos nas fotos de Brian enquanto bebiam sangria. Mesmo assim, ficar sabendo que o que ela e Brian faziam era “trepar” quando ela achava que eles faziam amor a perturbou por dias. E a pior parte era que ele estava certo. Em relacionamentos anteriores, ela havia tentado ser uma amante ativa, apenas para ganhar notas baixas na hora da avaliação. Com Brian, ela havia se contentado em deixá-lo assumir o controle, achando que era isso que ele queria. Aparentemente, trepar era mais complicado do que ela imaginou, e querendo ou não, ela ia praticar, como Brian havia sugerido tão cruelmente. Em termos científicos, simplesmente fazia sentido. Dama em público. Prostituta no quarto. Ela podia fazer isso, não é? Cinco minutos depois, ainda parada no mesmo local, ela pensou, “aparentemente não”.


Ela recostou a testa na porta e bateu com ela duas vezes. Da segunda vez, não tão gentilmente. O que você está esperando? Max era lindo. Sexy. Ele se importava com ela. Além disso, ele havia jurado manter segredo. Além de Lucy e Grace, que esperariam um relatório completo, ninguém mais saberia disso além dos dois. E se ele não conseguisse trazer à tona a safada que existia dentro dela, quem conseguiria? O nome de Rhys veio à sua mente. Nesse momento, a imagem dela e Max se transformou na imagem dela e Rhys. Claro que a imagem não havia mudado muito, já que eles eram gêmeos, mas a sua reação a ela mudou. Era como se a imagem fosse bidimensional, mas houvesse se tornado real de repente. Ela podia sentir o calor da pele nua de Rhys, ver o suor brotando em sua testa, e ouvir seus gemidos de prazer enquanto ele se movia sobre ela. Dentro dela. E incrivelmente, ela estava em cima desta vez, que não costumava ser uma das suas posições favoritas. Fechando os olhos, ela ignorou bravamente a umidade repentina entre as pernas. Sim. Aquilo era estranho demais. Eles eram idênticos, mas apenas um deles a atraía. E era o que nem sequer se importava o suficiente com ela para ligar. Max se importava, ela lembrou a si mesma. E eles eram bons amigos o suficiente para que pudessem fazer isto. Ela via tudo aquilo como uma experiência. Dois dias de teste e análise de dados. Então, Max pegaria o avião de volta para Las Vegas ou seja lá onde o próximo show fosse, e da próxima vez que eles se vissem, ela estaria feliz e apaixonada por Jamie. Talvez até grávida, se a próxima tour do Show de Mágica dos Gêmeos Dalton continuasse por algum tempo. A imagem dela segurando um bebê tornou tudo mais fácil. Ela colocou o cartão na abertura, esperou pela luz verde e abriu a porta. *** No bar do lobby, Rhys observou Max olhar o relógio pela décima vez. Seu irmão estava estranho, não havia outra explicação. Recostado em sua cadeira, ele levantou a mão e balançou os dedos. “Fala.” “Hã?” “O que está acontecendo? Você está agindo como um frangote nervoso desde que chegou. O que a Melina disse que você não podia me contar por telefone?” A testa de Max franziu. “Frangote nervoso?” “Você sabe o que eu quero dizer, bobalhão. Agora, o que está acontecendo, afinal?” “Bobalhão? A sua habilidade com as palavras é fantástica.” Com o grunhido baixo de Rhys, Max levantou as mãos. “Tá bom, chega. Dá para você parar? Eu já lhe disse que não era uma emergência.” Rhys mal conseguiu deixar de agarrar o irmão pela garganta. “A sua mensagem exata era: ‘Algo estranho está acontecendo com Melina. Pegue um avião agora mesmo.' Você se recusou a atender as minhas ligações, então foi exatamente isso que eu fiz.”


“Você teria pego o avião se eu tivesse dito que precisava do seu conselho sobre algo?” Rhys bateu as palmas na mesa. “Droga, Max, eu não tenho tempo para isso. Você tem dez segundos para começar a falar ou eu vou voltar para o aeroporto.” “É aniversário dela.” Chocado, Rhys o encarou por vários segundos antes de responder. “É, eu sei. É por isso que eu pedi que você desejasse feliz aniversário a ela.” Também foi por isso que ele havia jogado o presente dela em sua mala enquanto corria para pegar o voo. Caso fosse preciso. Max levantou sua bebida—água ao invés da cerveja de sempre—e tomou um grande gole. Rhys apertou os olhos. O que estava acontecendo aqui? “Tudo aquilo que você disse sobre ela querer a casinha com cerca branca e 2,2 filhos? Aquilo não importa,” Max disse suavemente. “Você a está magoando.” A acusação o pegou de surpresa, mas ele não pôde negá-la. Ele olhou para longe. “Ela não é idiota, Rhys. Ela percebeu que você se afastou. Que você não liga. Não visita. Ela até tem certeza de que você esqueceu o aniversário dela. E por que ela não pensaria assim? Vocês mal se falam ultimamente.” Rhys apertou os dentes. “Ela trabalha com seus insetos. Visita seus pais uma vez por mês. Namora caras seguros e legais. O que mais eu preciso saber?” “Que tal o que aquele projeto de ex-namorado fez com ela?” Rhys se endireitou na cadeira. Foi por isso que Max havia ligado? Qual era o nome do idiota? Bradley? Brian? É, Brian. Ele a machucou? Bateu nela? Uma onda lenta, porém intensa de raiva correu por suas veias. “O quê?” Max balançou a cabeça, enojado. “Nada. Esqueça o que eu disse.” Rhys se levantou, apoiou as mãos na mesa e ficou frente a frente com o irmão. “Eu não esqueci de nada. Me conte. Ele a machucou?” Max se recostou e abriu as mãos em um gesto de boas-vindas. “E se machucou? O que você vai fazer a respeito? Assustá-lo para que ele faça xixi nas calças como Scott Thompson fez?” “Eu vou matá-lo,” Rhys cuspiu por entre os dentes. Max olhou para ele e sorriu. “Eu acredito que você faria isso.” “Do que você está rindo? Eu imaginava que você estaria pensando a mesma coisa.” “Eu sei que estaria. Eu só estou surpreso por você ter falado. Quando se trata da Melina, você tem o hábito de mudar de assunto.” Se endireitando, Rhys passou as mãos pelo cabelo. “Desde quando existe alguma dúvida de que eu gosto da Melina? Ela é uma das mulheres mais doces…” Mais sexy. Mais gostosas. Mais intrigantes. “…que eu conheço, e nós a conhecemos a anos. Até mamãe e papai entrariam na fila para dar uma surra neste cara.” “Então por quê? Se você gosta tanto dela, por que não abre o jogo, finalmente?” Rhys balançou o dedo. “Ah, não. Nós não vamos ter essa conversa de novo. Pare de fazer jogo, Max. Eu só quero saber se Melina está bem e se eu vou ter que matar alguém esta noite.” Max levantou os ombros. “Ela está bem. O namorado dela feriu seu orgulho, foi só isso. Ela está mais magoada com as suas ações insensíveis do que qualquer outra coisa. Eu sei que você não queria


vir aqui, mas não estou me desculpando. Você pode dar a droga do feliz aniversário direto para ela.” Rhys praticamente caiu da cadeira. Ele queria criticar o irmão por suas táticas enganosas, mas a sua própria culpa pesava demais. Ele não imaginava que se afastar magoaria Melina desta forma. Mesmo assim, ele não havia pensado em mais do que em parar a sua própria dor. Mas Max estava certo. Melina era sua amiga. Não era culpa dela que ele quisesse que ela fosse mais. “Amanhã de manhã, eu prometo.” “Bom. Você ainda vai voar para Reno?” “Logo depois de vê-la.” “Nós não precisamos estar em Reno por mais alguns dias. Você está obcecado—” “A última vez que nós trabalhamos no Magic Underground, a equipe de bastidores foi um desastre. E não foi você que foi pego tentando fazer um truque de baralho na frente de quinhentas pessoas e ter que dar um jeito quando o truque não funcionou. Eu não vou deixar algo assim acontecer quando o contrato com a Seven Seas está em jogo.” Seu irmão esticou o braço e colocou a mão no braço de Rhys. “Você sempre foi o cérebro por trás do nosso sucesso, Rhys. Eu sei disso, e mamãe e papai também sabem. Ninguém pode tirar esse sucesso de nós, mesmo se não conseguirmos o contrato com o Seven Seas.” Um pouco surpreso com a confissão de Max, Rhys disse, “Nós vamos conseguir o contrato desde que as coisas funcionem como planejado.” Max acenou levemente com a cabeça e levantou. Rhys olhou para ele, surpreso. “Para onde você vai?” “Tem uma loira no bar nos olhando. A não ser que você tenha mudado o seu estilo puritano e queira se juntar a nós—” Rhys nem se deu ao trabalho de olhar para a mulher. “Vá em frente. Eu vou para o quarto. Estou acabado.” “É. Você realmente deveria ir dormir.” Max se virou, pausou, depois olhou para trás. “Foi uma grande década na estrada, você não acha?” “Foi divertida. A melhor.” Max assentiu com a cabeça, depois sorriu. “Descanse bem, ouviu? Eu vejo você não muito cedo na segunda-feira de manhã no Magic Underground.” Rhys observou o irmão se aproximar da loira, que olhava para Rhys e acenava. Rhys sorriu e acenou para ela, sua pessoa pública firmemente no lugar, e se virou rapidamente. Ele desistiu da ideia de tomar outra cerveja. Ele não havia exagerado quando disse que estava cansado. Ele teve que fazer duas paradas para voar de Kentucky para Sacramento. Claro que, por ter sido no último minuto, a passagem havia custado uma pequena fortuna. No fim, isso não importava. Até mesmo antes de Max ligar, Rhys estava se aprontando para reservar uma passagem. A ligação de Max tinha apenas adicionado um pouco de pânico à longa viagem. Ele não podia deixar Melina achar que ele havia esquecido do seu aniversário. Mesmo que solidificasse a distância que ele havia estabelecido gradualmente entre eles, ele não podia magoá-la desse jeito. Instintivamente, ele sabia que seria uma mágoa que ele não poderia consertar, e a ideia de romper totalmente era apavorante. Assim como a sua repentina e inexplicável certeza de que ela precisava dele.


Talvez tivesse sido algum tipo de telepatia de gêmeos ou algo assim. Melina havia obviamente contado seus problemas de relacionamento para Max e o feito jurar que manteria segredo. A ideia de Melina ou Max escondendo segredos dele era perturbador, mas não surpreendente. Por que ela se abriria com ele quando ele estava fazendo o máximo para mantê-la longe? Mais perturbador era a ideia de que seu ex a havia machucado. Uma possessividade o inundou, mas ele facilmente a reprimiu. Ele tinha muita prática nisso, afinal. Melina não era dele, mas ela ainda era alguém extremamente especial para ele. Se alguém a havia ferido, mesmo que tenha sido apenas o seu orgulho, ele pagaria por isso. Rhys iria se certificar disso. “Com licença?” Rhys olhou na direção da voz suave e feminina. Era a loira do bar. Franzindo o rosto, ele olhou por cima do ombro, mas não viu nenhum sinal de Max. “O seu irmão estava me contando sobre o seu show. Ele foi pegar o carro. Eu estava me perguntando se você gostaria de uma companhia. Minha amiga Jocelyn ali,” ela apontou para uma morena magérrima que estava sentada no bar e olhando para eles, “é um amor, e eu me sentiria horrível de abandoná-la.” Mas ela o faria de qualquer jeito, Rhys pensou, tentando não julgar o gosto do irmão para mulheres. Ele havia tomado muitas decisões erradas na vida, por isso não tinha direito de julgar ninguém. Balançando a cabeça, ele começou a se levantar. “Desculpe, mas eu estava prestes a—” “Oi.” A morena veio até a sua mesa e esticou a mão. “Eu estou tão emocionada por conhecer você. Eu simplesmente amo o seu show de mágica. Você se importaria se eu me juntasse a você?” Suspirando, Rhys voltou a sentar na cadeira e viu quando a loira se afastou, acenou e foi na direção da saída, provavelmente para encontrar o irmão dele. Ele se concentrou na morena. Ela era bem dotada, sarada, e tinha um sorriso charmoso, mas ele só queria ir dormir. Sozinho. A última coisa que ele queria era falar sobre o show de mágica agora. Mas ele também não queria ser grosso com uma fã. “Então, onde você viu o show?” ele perguntou, chamando a atenção do garçom e indicando que queria outra cerveja. *** Quando Melina entrou no quarto de hotel, ela tinha uma certa expectativa de que Max tivesse arrumado as coisas. Velas. Flores. Alguma coisa. Mas tudo estava em seu estado normal, os lençóis esticados e as toalhas no banheiro, dobradas perfeitamente, indicando que a camareira já havia vindo e saído. Melina soltou um suspiro de alívio. Max estava cumprindo o plano, tornando este fim de semana exatamente o que ela queria, uma sessão de ensino objetiva ao invés de algo que parecesse um rendez-vous romântico ou uma falsa sedução. Quando uma mulher pede que você a ensine como agradar um homem, não é necessária muita sedução, afinal. Fingir que fosse diferente a deixaria ainda mais constrangida. Colocando sua única bolsa na cama, ela notou que Max também não tinha muita bagagem. Uma


mala no canto, com uma maleta de mágica familiar onde ele guardava suas cartas e truques menores. Uma vontade maléfica de abrir a maleta e mexer em seu conteúdo tomou conta dela, mas claro que ela não faria isso. A maleta de truques de um mágico era sua propriedade sagrada. Nem Max, nem Rhys jamais havia quebrado o código dos mágicos contando a ela como um truque era feito. Claro que ela havia feito sua própria pesquisa na Internet, mas nunca havia contado isso a eles. Eles ficariam horrorizados. Crescendo com mágicos profissionais como pais havia deixado Max e Rhys não só apaixonados pela arte, mas místicos em muitas formas. Eles falavam como se realmente acreditassem que era possível fazer uma carta aparecer do nada. E eles queriam que ela tivesse a mesma crença. Para a sua sorte, a sua mente científica não conseguia aceitar aquele papo. Sempre era melhor lidar com coisas concretas. Assim, você podia calcular os riscos e prever o resultado. Mesmo assim, o mundo era um lugar assustador. Adicionar algo como mágica à equação? Não, obrigado. Ela não levou muito tempo para guardar suas coisas, e logo, ela se viu sentada na beira da cama, tentando impedir a si mesma de fugir. Mordendo uma unha, ela olhou para o relógio do hotel: 19:30h. Max havia dito que estaria de volta no hotel perto das 20:30h e para ela ficar confortável e esperar por ele. “E por confortável, eu não quero dizer calças de abrigo e uma camiseta velha, Melina. Traga alguma coisa sexy para usar,” ele ordenou. “Deixe o cabelo solto. E esqueça os óculos.” “Mas eu não consigo ver direito sem meus óculos,” ela protestou. “Quer dizer, eu não vou bater nas paredes, mas não vou conseguir ver os detalhes menores.” Algo como satisfação brilhou nos olhos dele, mas depois sua expressão ficou vazia. “Você não tem lentes de contato?” “Eu não consigo usar lentes. Tenho secura nos olhos.” Balançando a cabeça e divertindo-se, ele disse, “Fique sem, querida.” Então, ele se inclinou para frente, beijou sua testa como havia feito tantas vezes no passado, e se levantou para sair. Antes de fechar a porta, no entanto, ele se virou para ela. “Você tem certeza disso?” Claro que ela não tinha certeza, ela queria gritar. Mas ele já havia dito sim. Além disso, ela não amava a ideia de contar a cinquenta universitários que era uma covarde sexual. E finalmente, ela havia se forçado a lembrar da vergonha que sentiu com as palavras de Brian. Dizendo que ela não era boa o suficiente, sexy o suficiente, para inspirar a paixão de um homem. Ela nunca mais iria deixar outro homem a machucar assim de novo, e ela confiava em Max para lhe ensinar coisas que colocariam a pequena residente de veterinária de Brian no chinelo. “Eu tenho certeza,” ela disse. “Afinal, amanhã é meu aniversário. O que poderia ser melhor para mim do que um pouco de educação extra?” Educação? Que boboca, ela pensou. Felizmente, ele havia apenas sorrido. “Isso mesmo. Lembrese, nada de óculos, ok?” “Eles são realmente tão feios assim?” ela havia perguntado hesitantemente, levantando uma mão para tocar na armação de metal que ela havia considerado moderna um dia. Tudo o que ele fez foi fechar a porta e cantar Feliz Aniversário bem alto enquanto descia a passarela até o seu carro.


Ela havia se sentido tão satisfeita consigo mesma naquele momento. Feliz por ele ter concordado em ajudá-la. Agora, ela olhava para a grande mala que havia sido posta em cima do suporte como se contivesse algo horrível. Em pé, ela caminhou na direção da mala, parando quando viu alguns itens que Max havia colocado em cima da longa cômoda. Uma nécessaire preta. Um frasco de colônia. Um pente. E— Seus olhos se arregalaram e ela esticou a mão, empurrando o frasco de colônia para o lado. Lá, saindo de dentro da nécessaire, estava um pacote de camisinhas. Com a mão tremendo, ela o pegou. O pacote estava aberto. Olhando ao seu redor para ter certeza de que ninguém havia entrado de mansinho no quarto enquanto ela estava distraída, ela leu o rótulo de perto. Que bom que ele havia vindo preparado, porque o que ela havia trazido não era tão interessante. Ela havia escolhido o tipo padrão, enquanto ele preferia o tipo Magnum extra grande, estriada e com sabor. Ela corou, mas não conseguiu resistir a pegar uma das Magnums embaladas e estudá-la. Os homens com quem ela havia ficado tinham tamanhos parecidos, e ela sabia que eles se encaixariam bem na faixa da média. Esta camisinha não parecia grande demais. Afinal, quanta diferença poderia haver entre a Magnum e o aceitável? Seria apenas uma estratégia de marketing para usar as inseguranças dos homens? Havia uma maneira de descobrir. Mexendo em sua própria bolsa, ela pegou uma das camisinhas que havia trazido. Sentada com as pernas cruzadas na cama, ela abriu cada pacote de alumínio e colocou os discos de látex na colcha. Puxando sua bolsa para mais perto dela, ela retirou uma pequena fita medidora de um dos bolsos laterais. Apertando os lábios, ela desenrolou as duas camisinhas e as colocou na cama. Depois de algumas medições rápidas, ela se recostou. Ok, havia uma diferença real. Ela não podia acusar os fabricantes de camisinhas de fazer propaganda falsa e enganosa. As Magnums eram realmente cerca de 30% maiores do que as camisinhas de tamanho normal. Principalmente em largura, já que a camisinha não havia sido criada para cobrir o comprimento inteiro do pênis de um homem, de qualquer forma. Se sentindo um pouco zonza, ela tentou imaginar a si mesma ajudando Max a colocar uma daquelas coisas. Aquilo só a fez começar a hiperventilar. Pare, ela disse a si mesma. Não pense nisso. Para se distrair, Melina colocou as duas camisinhas não usadas em sua nécessaire. Ela não podia deixá-las no lixo e arriscar que Max as visse e imaginasse o que ela havia feito. Ele a provocaria sem dó. Ele provavelmente a provocaria sobre toda essa situação assim que o choque cedesse. Isso se ele aparecesse. Depois de recuperar o fôlego, ela se sentiu zonza novamente. Inquieta. Desesperadamente, ela examinou o quarto, seu olhar caindo no minibar. Ela abriu a porta e observou as pequenas garrafas de álcool. Ela já havia visto um minibar cheio antes, mas nunca havia bebido nada dele. Caro demais. Além disso, as pequenas garrafas de álcool pareciam bobas, de certa forma. Neste momento, bobo parecia apropriado, e ela estava desesperada para acalmar seus nervos em frangalhos. Pegando as cinco


pequenas garrafas, ela as alinhou em cima da cômoda e examinou a seleção. Um dedo batendo nos lábios apertados, ela selecionou uma garrafa. Desenroscando a tampa, ela tomou um gole. E se engasgou. Nossa mãe, aquilo queimava. O segundo gole, nem tanto. Quando ela tomou o terceiro, já estava começando a se sentir melhor. Ela colocou a garrafa na cômoda e olhou para o relógio. Eram quase oito. Max deveria estar chegando em breve, e ela ainda estava totalmente vestida, e certamente não estava vestindo nada confortável. Correndo para o banheiro, ela tirou a roupa, ficando apenas de calcinhas do tipo short e uma camisola de algodão e sutiã. Com o rosto queimando pelo nervosismo e o álcool, ela olhou para si mesma no grande espelho. O que ela havia dito a Max era verdade. Ela não era linda, e não tinha o melhor corpo do mundo, mas era atraente. Com certeza nada do que ele e Rhys estavam acostumados, mas Max deveria achála pelo menos razoavelmente atraente, ou não teria concordado com a sua pequena proposta. A não ser que ele estivesse com pena dela. Meu Deus. Ela estava prestes a transar por pena? A ideia não a agradava. Ela era uma mulher forte e independente que só queria expandir seu repertório de truques. Ela havia lido livros sobre sexo. Ela havia assistido filmes pornô. Mas além de deixá-la incrivelmente excitada e frustrada, a maioria dos atos e respostas sexuais que ela havia visto eram um tanto desconcertantes. Toda aquela coisa com os mamilos, por exemplo. O estímulo dos mamilos não a fazia sentir quase nada, mas outras mulheres pareciam gostar. E os homens? Aquilo era o tipo de coisa que ela queria saber. O tipo de coisa pela qual Brian a havia ridicularizado quando ela fez a pergunta a ele. Ela encheria Max de perguntas e tentaria ao máximo tornar a experiência boa para ele. Ele provavelmente não teria muitas expectativas. Pelo menos, ela sabia que beijava melhor do que aos dezesseis anos. Fechando os olhos, ela se abriu para a memória daquela noite de anos atrás. Rhys havia pedido a ela para encontrá-lo no belvedere dos pais dela na noite do seu aniversário de dezesseis anos. Ele tinha algo especial que queria dar a ela, ele havia dito. E algo importante para dizer a ela. Com a imaginação à toda e a esperança no alto, ela esperou naquele belvedere por mais de uma hora antes que Max viesse para encontrá-la. Quando ela perguntou por Rhys, Max desconversou. Mas Melina continuou pressionando até que Max finalmente admitiu que Rhys estava aos beijos com Trisha James, a animadora de torcida loira e peituda que os pais de Melina a haviam obrigado a convidar. Ela havia chorado em toda a camisa do pobre Max, e depois, sentindo pena dela, ele a beijou. Mesmo naquela época, ela não havia deixado de perceber a sua habilidade. Aquele beijo lento, gentil, com a boca aberta estava no alto da sua lista de melhores beijos. Quando Rhys apareceu, com Trisha ao seu lado, Melina havia conseguido controlar sua dor e sair com dignidade. Ela sempre havia sido grata a Max por sua compaixão naquela noite. É por isso que ela sabia que ele não a decepcionaria.


Mais uma olhada rápida para o relógio confirmou que ela tinha mais vinte minutos até que ele chegasse. Ela subiu na cama. Ela experimentou várias posições mais “oferecidas”, mas apenas se sentiu exposta e tola. Finalmente, ela decidiu entrar para baixo das cobertas, mas não antes de colocar as garrafinhas do minibar na mesinha de cabeceira ao lado, alinhadas como pequenas doses. Só mais um pouquinho de coragem de whisky, ela pensou. Ela estava na última garrafa, uma moleza deliciosa crescendo dentro dela, quando lembrou do terceiro pedido de Max. Seus óculos. Ela os tirou, olhou com a visão embaçada para a armação frágil, e se moveu para colocá-los na cabeceira. Ela hesitou. Balançando os ombros, ela jogou os óculos na direção da poltrona, fazendo uma careta quando os ouviu bater em algo duro. Sem problema. Ela tinha um par extra em sua bolsa e mais em casa. Esta noite tinha a ver com experimentar coisas novas. Novas sensações. Ela seria uma boa aluna. Ela sabia, no entanto, que, como uma injeção no braço era para o seu próprio bem, às vezes era melhor não ver o que estava vindo. Especialmente se fosse algo de proporções magnânimas. *** Rhys saiu do elevador e se moveu cansadamente na direção do seu quarto de hotel. Ele estava parado na frente da porta e pescando o cartão-chave no bolso quando congelou de repente. Com a cabeça para trás, ele respirou fundo. Ele sentiu cheiro de limão, um cheiro fresco e limpo que ele sempre havia associado com Melina por causa do shampoo que sua mãe havia criado especialmente para seus cabelos longos, crespos e castanhos. Ele sentiu seu estômago se apertar enquanto relembrava sua conversa com Max. Seu irmão havia lhe dado duas pancadas em dois dias. A primeira, ao expor seus sentimentos por Melina. A segunda, acusando-o de tê-la magoado. As duas acertaram o alvo. Ele não queria magoar Melina. Essa era a última coisa que ele queria. Mas depois de mais de uma década tendo o que queria ao seu alcance, mas sabendo que não poderia tê-la, ele precisava seguir em frente. Diabos, ele e Max eram celebridades. As mulheres se atiravam em cima dele. A morena que ele deixou no bar havia deixado claro que estava interessada em mais do que o seu autógrafo e parecia realmente desapontada quando ele lhe desejou uma boa noite. Ainda assim, apesar de uma ou outra ter sido capaz de manter sua atenção por mais do que uma noite, elas nunca o haviam feito se sentir como se sentia quando estava com Melina. Como se uma parte dele tivesse sido amputada a muito tempo e magicamente religada. Como um baralho de cartas sem nenhum Ás, até que alguém os coloca de volta. Era uma sensação com a qual até mesmo o fervoroso aplauso de um teatro lotado no Caesars Palace não conseguia competir.


Mas era uma ilusão. Ela já havia demonstrado que preferia a companhia de Max, de longe. Além disso, além da atração física da parte dele e possivelmente da parte dela, eles não eram compatíveis e ele não queria passar a vida discutindo com ela ou a desapontando para provar que estava certo. Balançando a cabeça, ele inseriu o cartão-chave e entrou no quarto de hotel. Imediatamente, ele ficou tenso, sua visão afiada focando na mulher deitada em sua cama, seus olhos piscando sonolentos enquanto ela se apoiava em um cotovelo. Ele quase engoliu a língua quando o lençol caiu sobre o seu peito, expondo sua garganta delicada e seus ombros e braços nus. Seus cabelos, geralmente presos, caiam em torno do seu rosto como uma nuvem de vison. Como um homem enfeitiçado, ele entrou no quarto. Cambaleou talvez seja mais apropriado. Ele ouviu o clique alto da porta fechando atrás dele. Ela sorriu. “Oi.” Ele tremeu com a única palavra, dita em um tom rouco e sonolento que ele nunca havia ouvido sair dos lábios dela. Suas mãos se fecharam enquanto um incêndio iniciava dentro dele, se espalhando de sua virilha para suas extremidades. Seu pênis se encheu de sangue, endurecendo tão rápido que ele teria contorcido o rosto de prazer-dor se fosse capaz disto. Ele apenas a encarou e tentou falar. Ela se sentou na cama e prendeu o lençol ao seu redor. “Eu-eu devo ter cochilado.” Ela olhou para o relógio, apertando um pouco os olhos sem os óculos. Quando ele a havia visto sem óculos pela última vez? “Está tudo bem?” ela perguntou. Seu cérebro inundado tentava funcionar. Bem? As coisas pareciam simplesmente incríveis de onde ele estava. “Então, você quer tomar um banho primeiro, ou—” Ela limpou a garganta. “Ou vamos começar agora?” A boca dele se abriu. Ele a moveu para cima e para baixo. “Começar,” ele finalmente conseguiu murmurar. Ele queria que a palavra fosse uma pergunta, mas ela saiu como uma afirmação definitiva. Ela lhe lançou mais um sorriso doce, e se aproximou instintivamente. Deus, ela estava incrível. E a forma que ela olhava para ele, tão calorosa e confortável, um olhar que ela não havia lhe lançado em tanto tempo. Ele fez seu peito doer. Fez seu coração bater forte. Fez seu pênis latejar ainda mais. Ela esticou a mão. “Então venha aqui, garotão, e me ensine o que você gosta.”


CAPÍTULO QUATRO

Regra de Mágica dos Dalton Nº 5: Chegue perto. Parte de Melina sabia que ela deveria estar apavorada. Ela não conseguia entender bem por que ela não estava. Em algum momento entre deitar na cama e a chegada de Max, um véu de calma havia claramente a coberto. Ela se sentiu como a Super Mulher Deusa do Sexo. Como se pudesse fazer qualquer coisa. Com qualquer pessoa. Especialmente agora que ela havia feito tudo consigo mesma. As palavras ecoavam em sua mente, e ela quase riu. Apesar de ter reprimido a vontade, ela não conseguiu impedir suas pernas de se moverem culposamente embaixo do cobertor. Será que Max conseguiria perceber o que ela estava fazendo antes de ele entrar? Graças a Deus, os tremores do seu orgasmo auto-induzido já haviam passado. E aquilo com certeza não era um crime. Na verdade, havia feito todo o sentido para ela enquanto deitava lá olhando para o teto, os nervos mais calmos, mas a mente funcionando a 100 quilômetros por minuto. É verdade, Max era seu amigo, mas não havia dúvidas de que ele também era incrivelmente gostoso e estava em outro nível. Apesar dos comentários contrários de Brian, ela tinha tanto tesão quanto qualquer outra mulher. Talvez até mais. Isto não seria bom para ela esta noite. Se ela estivesse excitada e estimulada quando Max se deitasse com ela, ela não conseguiria se concentrar na tarefa em si. Como ela sempre havia sido uma garota do tipo “um por dia”, se tivesse sorte, fazia sentido que ter aquele orgasmo sozinha a ajudaria a ser objetiva o suficiente durante a noite. Satisfeita com seu raciocínio, ela havia deslizado a mão por dentro da calcinha e feito o trabalho, massageando e apertando e penetrando de formas que ela imaginava serem bastante simples, mas que Brian não conseguia desempenhar, nem sequer o básico. Quando ela sentiu o prazer aumentando, fechou os olhos e se rendeu à uma de suas fantasias favoritas. Envolvia ela e Rhys. E água. Muita água. Chuva caindo sobre eles, colando suas roupas ao corpo. Rhys levantando sua saia e a empurrando contra um poste de varanda enquanto ela enlaçava as pernas ao redor da sua cintura. Mas a chuva não seria nada em comparação com a umidade quente que facilitaria a entrada dele. Seu pênis seria grosso e longo. Duro como pedra. Grande e lindo e preenchendo-a perfeitamente para que ela enlouquecesse em seus braços—um pouco antes de ele enlouquecer nos braços dela. Imaginando seus quadris empurrando e cedendo enquanto ele gritava o nome dela aos céus fazia seu corpo tremer de prazer. A pressão dentro dela havia crescido, saindo do controle até arrebentar finalmente. Ela havia mordido o lábio enquanto saboreava uma pulsada após a outra. Claro que, assim que as sensações diminuíram e ela se viu seca e sozinha na cama, ela mordeu o lábio novamente—desta vez tentando abafar seu gemido de dor. Ela sentiu dor quando percebeu que havia sido apenas mais uma fantasia. A mesma dor que sempre sentiu por Rhys. E quando estava prestes a cair no sono, com a vaga ideia de que, talvez, Max não aparecesse, ela ouviu a porta do quarto se abrir. Agora, aqui estava ele, parado a menos de 1,5 metro da cama, sua figura alta tão altiva e


poderosa quanto a que ela havia visto em sua fantasia. E apesar de ela estar um pouco nervosa por não saber exatamente o que ia acontecer, ela não estava apavorada. Na verdade, aquele lento e preguiçoso deslizar de prazer suave havia começado dentro dela novamente, pesando com uma infusão de desejo agradável, porém confusa. Obviamente, seus olhos estavam vendo Max, mas seu corpo estava pronto para tocar Rhys. Mesmo sem os óculos, ela podia perceber que Max estava se sentindo um pouco estranho também. Por alguma razão, isto a deixou ainda mais corajosa. Uau. Ela estava prestes a ficar com um dos gêmeos Dalton, talvez não o certo, mas pelo menos o que, diferente da maioria dos homens em sua vida, estava aqui para lhe dar o que ela precisava, e não o contrário. É, mais ou menos. Ela respirou fundo. É hora do show. Balançando os pés ao lado da cama, ela se levantou, e esticou a mão para se equilibrar imediatamente quando se sentiu cambalear. Oops. Não usar seus óculos não estava apenas dando um toque obscuro à sua visão, mas também estava prejudicando seu equilíbrio. Jogando o cabelo para trás, sua mão ainda planando sobre os lençóis para se equilibrar, ela contornou o colchão na direção de Max. Deliberadamente, ela jogou os ombros para trás e manteve o queixo para cima. Ela estava cansada de homens que eram ruins de cama e a culpavam por serem tão ruins. Ela assumia a sua parcela de responsabilidade, mas não toda. Pelo menos, ela era proativa. Pelo menos, ela queria aprender. E quem sabe? Ela era uma boa aluna. Se Max fosse um bom professor, talvez ela pudesse fazer sua fantasia se tornar realidade. Não com Rhys, claro, mas talvez com Jamie. E se não fosse com ele, talvez com outra pessoa. Parando abruptamente, ela sorriu. Ela estava começando a pensar que sua promessa de se dar uma última chance para encontrar um homem era tola. Ela nunca havia sido do tipo que desiste, afinal. Feliz com sua conclusão, ela levantou o olhar para Max. Ele não havia se movido. Apenas continuava a olhar para ela como se a sua oferta de agradá-lo o tivesse deixado sem fala, ou, pelo menos, lhe deixado em dúvida. Eles não podiam deixar isto acontecer. Levantando seus braços, ela deu uma volta lenta, terminando o show com as mãos sobre os quadris. “E então? Está sexy o suficiente para você?” *** Sexy o suficiente? Ela era sexy o suficiente para ele? Rhys molhou os lábios, mas teve cuidado para não fazer nenhum movimento brusco. Se ele estivesse enlouquecendo, não estava prestes a fazer nada para voltar à sanidade. Com sua camisola simples e calcinha tipo shorts, ela estava mostrando menos pele do que as mulheres costumavam mostrar na piscina. Até as garotas usavam menos roupa no palco.


Mas esta era Melina, e ele estava vendo partes dela que nunca havia visto antes. A sombra surpreendentemente profunda de seu decote que parecia macio como veludo. Mamilos duros roçando contra a dupla camada de seu sutiã e a fina camisola. E a pele leitosa e suave de suas coxas, que se apertavam uma contra a outra logo abaixo do V de sua vulva. Gemendo, ele não conseguia decidir qual abertura ele queria explorar com a língua primeiro. Aquela entre seus seios ou a que estava tentando proteger as dobras vulneráveis de seu sexo, juntamente com sua calcinha simples, mas feminina. “Você está bem?” Seu olhar se focou no dela. Um pequeno sulco havia se formado entre as sobrancelhas dela. Enquanto ele observava, as suas bochechas já rosadas haviam corado até ficarem vermelho-cereja. Ele viu o momento em que a insegurança começou a substituir a coragem dela. Aquilo o tirou rapidamente de seu transe. Ela o estava oferecendo o que ele havia desejado por anos. Ele não estava prestes a constrangêla. Dando os últimos passos na direção dela, ele levantou a mão, puxou o cabelo dela para longe do seu rosto, e segurou sua nuca. Com a outra mão, ele levantou o queixo dela. “Eu estou bem. Melhor do que bem. Eu só achei que você não faria isso de verdade. Vir até mim, eu quero dizer.” “Claro que viria, bobo. Eu não tenho nada para fazer este fim de semana a não ser aprender o que agrada você. É meu presente de aniversário para mim mesma.” O peito de Rhys se apertou. Ele era o presente de aniversário dela? Desde quando? Seria por que ele não havia ligado para ela? Por ele ter tentado ao máximo se manter longe? Será que a distância havia feito Melina perceber finalmente o quanto ela o queria? Se sim, a agonia havia valido a pena. “Você entendeu errado, querida. É você quem está me dando o presente, e o meu aniversário é só daqui a seis meses.” Mas e as razões dele para se manter longe dela, sua voz interna e totalmente irritante interrompeu. A casinha com cerca? Os 2,2 filhos? Ele afastou a voz rapidamente. Ele não ia pensar nisso. Não podia. Não com Melina na frente dele. “Você quer—” Ela levantou a mão e a pressionou contra a camisa dele. “Você sabe, tirar a roupa?” “É isso que você quer?” Quando ela assentiu com a cabeça, ele deu um passo para trás e congelou. Ele não podia soltá-la ainda. Ele massageou o seu pescoço, amando a forma como os olhos dela reviraram e ela mordeu o lábio com dentes fortes e brancos. “Você quer saber o que eu quero?” Ela limpou a garganta. “Claro. É por isso que eu estou aqui, lembra?” Certo. Ela estava aqui porque, por algum milagre, ela queria saber o que o excitava. Assim como com a mágica e a maioria das outras coisas, a ação era a sua forma favorita de comunicação. Ele se inclinou e os olhos dela se apertaram daquela forma adorável novamente. Quando os seus lábios fechados tocaram os dela, eles se fecharam completamente. Pensando ser uma boa ideia, ele fechou os seus olhos e saboreou aquele primeiro momento de contato. Era como mergulhar no paraíso. Os lábios dela eram macios. Seu hálito, suave. Gentilmente, no


começo, sua língua buscou a dela. Massageou. Se esquivou. Empurrou. Quando a respiração dela se normalizou, ele rosnou e abriu ainda mais a boca, mexendo a cabeça para uma penetração perfeita. A boca dela era tão doce, seu sabor tão intoxicante que ele imaginou imediatamente quão doce ela seria em outros lugares. Em suas calças, seu pênis inchou com tanta prontidão que o seu gemido áspero parecia de tortura. Trêmulo, ele se afastou. “Eu preciso mais de você. Preciso sentir o seu corpo contra o meu.” Os olhos dela estavam fixos nos seus dedos enquanto ele desabotoava a camisa. Mas quando terminou de abrir o último botão, ele se direcionou para ela. “Vamos deixar você confortável primeiro,” ele disse. Para sua surpresa, ela balançou a cabeça. No entanto, ao invés de se afastar dele, ela chegou mais perto, colocou as mãos dentro da camisa aberta dele e suas palmas em seu peito. Com um olhar de surpresa, ele puxou as mãos dela para cima, depois para baixo, e para cima novamente. “Você é tão—” Ela engoliu alto. “Você está tão quente e rijo.” Ele não estava só quente. Ele estava muito quente, e as mãos dela na sua pele o estavam queimando vivo. “Melina,” ele gemeu. Colocando os dedos em torno do pulso dela, ele direcionou a sua mão para o seu pênis pulsante. “Aqui. Só por um minuto,” ele implorou. “Por favor, me toque aqui.” Ele soltou a mão dela, mas ela não se moveu, e ele se perguntou se havia ido rápido demais. Mas então, ela o segurou por cima dos jeans e massageou suavemente. Ele inclinou a cabeça para trás, e apertou os dentes de prazer. “Isso é bom?” Ele olhou para baixo, mas ela não estava olhando para ele. Pelo menos não para o seu rosto. O olhar dela estava preso em sua mão e no que ela estava fazendo com ele. “É o paraíso,” ele murmurou. “Melhor do que o paraíso.” Aquilo a fez olhar para ele. “O que poderia ser melhor do que o paraíso?” ela provocou por baixo de pálpebras pesadas. Ele não conseguia mais resistir a tocar nela. Ele segurou seus seios, juntando-os e aprofundando sua fenda antes de enterrar o rosto nela. Massageando seus seios gentilmente, ele mergulhou a língua dentro do seu sutiã e em sua pele macia. “Tão doce.” Lentamente, uma mão desceu até o ponto entre suas coxas, fazendo-a tremer. “Tão quente. Você está molhada, Melina?” “Eu-eu—” Ele levantou a cabeça para olhar para ela. “Você está?” ele sussurrou. Ela apenas balançou a cabeça. “Não?” Ela balançou a cabeça novamente. “Eu-eu—” “Tudo bem,” ele disse. “Que tal se eu descobrir por mim mesmo?” Ele passou os dedos ao redor e por baixo de sua calcinha. Ele gemeu quando a lubrificação dela cobriu seus dedos imediatamente. Ela gemeu. “Ah, sim. Você está molhada. Exatamente como eu sempre imaginei.” Ele encontrou a saliência rígida do seu clitóris e o pressionou com firmeza. “Oh, meu Deus,” ela ofegou. “O que você está fazendo? Eu deveria estar agradando você.”


Ele riu. “Acredite em mim. Nada me agrada mais do que saber que você está molhada e faminta por mim. Você está com fome, Melina?” Lentamente, ele empurrou um dedo para dentro dela. A mão que segurava o seu pênis apertou e depois soltou completamente, se movendo para segurar o pulso dele. Ela não tentou puxar a mão dele, apenas a segurou com força, como se não soubesse exatamente o que ele iria fazer. Um segundo dedo se uniu ao primeiro, e ele os torceu, curvando-os para encontrar o ponto que a fez deitar a cabeça no ombro dele e gemer mais alto. Ela estava tremendo muito, mas ele percebeu de repente que também estava. Abruptamente, a sua paciência o deixou e sua necessidade se apoderou dele como um lobo pronto para atacar a presa. “Você quer saber do que mais eu gosto, Joaninha? Uma cama grande e macia embaixo de mim quando faço amor.” Quando ele tentou tirar seus dedos de dentro dela, ela apertou seu pulso e tentou mantê-lo onde estava. Ele se inclinou e a beijou, usando seus dentes desta vez, para adicionar uma nova dimensão ao prazer dela. Soltando seu pulso da mão dela, ele a pegou nos braços, a carregou até a cama e a soltou gentilmente. “Tire a roupa. Agora.” Ele viu os olhos dela se arregalarem com o comando áspero, mas ele já estava arrancando a camisa freneticamente, enquanto chutava os sapatos para longe. Ele desabotoou as calças e as baixou, com cueca e tudo, deixando-as no chão com suas meias. Quando ele olhou para cima, ela ainda não havia se mexido. Ela estava olhando para o seu pênis, um olhar de surpresa nos olhos que o fez inchar ainda mais. “Você é definitivamente tamanho Magnum,” ela sussurrou. Ele mal registrou o comentário. Ele era um pouco maior do que a média, mas ela não teria nenhum problema em acomodá-lo. Agarrando seus tornozelos, ele a puxou para si e segurou a parte de baixo de sua camisola. “Espere—” ela chiou. Ele levantou a camisola acima da sua cabeça e a jogou longe. Com os olhos vidrados em seu sutiã rendado e a carne voluptuosa que o preenchia, ele foi em direção da sua calcinha. “Eu quero ver você. Eu quero tocar você,” ela insistiu. A calcinha seguiu a camisola. Assim como ela o havia observado, ele não conseguia tirar os olhos dela. Caramba, ele pensou. Quem imaginaria isso? “Você fez uma depilação brasileira,” ele disse engasgado enquanto acariciava a pequena tira de cachos castanhos-chocolate. Ela limpou a garganta. “Na verdade, a garota que a fez me disse que se chama Tira Metro. Ela me disse para fazer um coração, mas parecia um pouco bobo demais, considerando o que nós—” “Você a fez para esta noite?” Ela hesitou, depois acenou com a cabeça. Ele passou um dedo sobre a sua carne rosada e doce, separando-a até que a sua boca salivasse. Empurrando um dedo para dentro dela, depois o retirando lentamente, ele a observou ficar mais e mais úmida enquanto ele entrava e saía gentilmente dentro dela. Seus músculos o seguravam, tentando prendê-lo, sugando-o com tanta força que o suor apareceu em sua testa. Ele caiu de joelhos, se acomodou entre as suas coxas, e se preparou para saboreá-la. Com a


rapidez de um raio, ela se esticou para se cobrir, algo que era difícil de fazer com o dedo dele ainda dentro dela, e ele rosnou de frustração. “Esta noite era para ser sobre o seu prazer,” ela o lembrou. Aquilo foi o suficiente. Retirando seu dedo, ele se levantou, olhou diretamente para ela e lambeu o suco de seu dedo. Quando os olhos dela se abriram, ele agarrou seus dois pulsos, levantou seus braços e se inclinou até que os seus narizes se encostassem. “Você quer me agradar?” ele respirou. Ela balançou a cabeça. “Então, é isso que você vai fazer.” Ele se inclinou e beijou seu pescoço, fez uma trilha de beijos até sua orelha, e depois mordeu o lóbulo antes de deslizar a língua por ele, lentamente. “Você vai usar as suas mãos para uma coisa, e só uma coisa. Você vai tirar o sutiã e expor seus seios. Depois, você vai segurá-los. Os seus dedos estão livres para fazer o que você quiser lá. Tocar seus mamilos, beliscá-los com força ou suavemente. Faça o que lhe excitar. Mas você não vai se cobrir. Você vai me deixar tocá-la e lambê-la e fazer qualquer coisa que me der na telha para lhe dar prazer, você entendeu?” “Você... você realmente quer isso ou está apenas sendo gentil?” Rindo, ele soltou um pouco seus pulsos e os guiou para os seus seios e para o fecho frontal do seu sutiã. “Eu quero isso mais do que qualquer coisa no mundo, Melina. Eu juro.” Ela olhou para ele, sua hesitação aparente. Depois, ela balançou a cabeça e abriu o fecho do sutiã para libertar seus pequenos seios. *** Ele realmente achava que os seus seios eram sensíveis? Mesmo com a visão embaçada, ela podia vê-lo olhando para eles. Claro que ela não podia dizer se o olhar dele era de aprovação ou não, mas com a sua ereção pressionada firmemente contra a sua barriga, ela podia apostar que ele aprovava. Pelo menos, os seus seios estavam convencidos disso. Eles estavam inchados e sensíveis—o tipo de sensibilidade que era indefinível, mas difícil de ignorar. Instintivamente, ela levantou suas mãos e segurou os seios, passando por suas costelas até o relevo de seus seios, sua respiração suavizando enquanto a leve pressão fez seus mamilos endurecerem ainda mais. Fechando os olhos, ela gemeu. Ela beliscou os mamilos. Gemeu ainda mais alto. “Você gosta disso, querida?” Seu único aviso foi o sopro de ar em sua pele antes que a sucção quente e úmida cobrisse um dos seus mamilos. Com os dois mamilos ainda entre seus dedos, ela alternou entre tocar um com a língua e depois o outro, dando uma atenção especial à pele sensível entre seu dedo indicador e seu dedão. Sem conseguir se controlar, ela segurou o cabelo dele e o puxou para mais perto dela. “Por favor,” ela gritou, trêmula. “Por favor, me agrade?” ele perguntou, um tom de provocação em sua voz enquanto substituía os dedos dela pelos dele, apertando seus mamilos com um pouco mais de força do que ela havia feito.


A sensação correspondente em seu sexo a fez se esticar para fora da cama. Balançando a cabeça freneticamente, ela disse, “Não, não. Me agrade. Me chupe. Por favor.” “E depois?” “E depois?” ela ecoou, seu cérebro congelado. “E depois, você vai me deixar chupá-la toda?” Ela recuperou a respiração. Então, ele não havia esquecido do seu objetivo inicial. Por mais que ela estivesse gostando disso, ela conseguiria lidar com ele fazendo sexo oral nela? Ela não conseguia nem sequer pensar nisso naquele momento sem ficar um pouco zonza. “Sim. Agora, por favor…” Ela se levantou, oferecendo seus seios a ele. Com um rosnado, ele aceitou o que ela ofereceu, colocando um mamilo na boca e sugando-o com força. Com um barulho, ele o soltou, apenas para ir para o próximo. Não, definitivamente eles não eram insensíveis. Seus seios eram muito sensíveis, na verdade. Tão, tão sensíveis. Ela quase chorou a perda quando ele levantou sua cabeça, mas ele segurou suas mãos e as colocou em seus seios novamente. “Fique com suas mãos em você,” ele sussurrou. Ela não conseguia evitar. Ela riu. Ele parecia paralisado. Depois de segundos, ela se mexeu, inquieta. “O que houve?” “É que... faz tempo que eu não ouço você rir. Senti falta.” Ela tentou se lembrar. Ela não havia rido ontem, quando eles conversaram? Quem se importava? Quem se importava com qualquer coisa, a não ser o que ele ia fazer agora. Por um momento, ela se sentiu culpada por seus pensamentos. Ela nunca havia imaginado que teria esta reação maluca e incontrolável a ser tocada por Max, e ela deveria estar preocupada com o prazer dele, não o dela. Mas quanto mais ele a tocava, quanto mais ele olhava para ela— Ela pulou quando as mãos dele seguraram o seu rosto e ele se inclinou até ela. “Meu prazer, você se lembra, Melina? Você não vai pensar no que está pensando porque eu já lhe disse o que você vai fazer, certo?” “Mas—” Ele a beijou com força, com um toque de dominação que a fez tremer. “Certo?” ele pressionou. “Certo.” “E o que você vai fazer?” Para lembrá-la, ele moveu suas mãos para cobrir as dela, guiando-as para começar uma massagem lenta e erótica em seus seios. “Me tocar.” “E o que você vai me deixar fazer com você?” “Me tocar?” ela sussurrou. “Seja mais específica.” “Eu... eu—” Corando de constrangimento, ela balançou a cabeça. “Por que você não faz logo?” Ela ouviu o seu sorriso mais do que o viu. “Você não sabe que a expectativa é metade do prazer? Você sabe a quanto tempo eu quis excitá-la? Eu quero ver isso. Sentir isso. Ouvir isso. Então,


antecipe o que eu vou fazer com você, Melina. Diga.” Lambendo os lábios, ela encontrou coragem. “Você vai... me beijar. Me lamber.” “Onde? Aqui?” Sua mão desceu por seu estômago até o seu umbigo, massageando círculos suaves e preguiçosos em sua barriga. Depois, ele se abaixou e plantou pequenos beijos estalados em seu corpo que a fizeram se contorcer. “Ou aqui?” Mãos, depois boca, continuaram sua descida antes de pausar logo acima do seu centro líquido. Levantando a cabeça e fazendo contato visual com ela, ele endureceu a língua e tocou a carne macia até encontrar a pequena protuberância que havia inchado com seu toque. “Ou aqui?” Antes que ela pudesse tentar responder, ele lambeu mais embaixo, passando a língua por suas dobras úmidas até que ela mal conseguisse segurar os gemidos de prazer. Automaticamente, ela levantou uma mão para cobrir a boca. Ele levantou a cabeça. “Volte para os seus seios, Melina. Eu quero ouvir você gritar, lembra?” Ela balançou a cabeça, como se a realidade houvesse finalmente a atingido. O desejo só conseguia levá-la até um certo ponto. Ela simplesmente não era do tipo que grita. “Eu não grito,” ela disse em uma voz objetiva que parecia completamente oposta às emoções turbulentas dentro dela. “Nunca?” “Nunca.” “Bem, Joaninha. Parece que estamos prestes a nos dar o melhor presente de todos.” Uma vaga onda de confusão passou por seu cérebro, mas desapareceu quando ele abaixou a cabeça, enterrando o rosto nela. Ele não mostrou nenhuma hesitação, e mergulhou nela como um homem faminto por alimento. Ele beijou e sugou e raspou os dentes levemente nela. Ele a espetou com sua língua dura, depois lambeu seu clitóris com uma devoção úmida e terna que a fez se esticar para fugir, depois para sentir mais. Usando apenas a boca no começo, depois adicionando seus dedos à mistura, ele a tocou como a um instrumento, ocasionalmente cantarolando e sussurrando para ela— palavras de desejo e sexo e adoração—até que as sensações cresceram e cresceram e ela não teve escolha, a não ser fazer o que ele queria. Ela gritou quando um tsunami de prazer a inundou, apenas para se surpreender quando ele começou tudo de novo. Ela gritou quando um segundo orgasmo trouxe lágrimas de surpresa aos seus olhos. E ela gritou enquanto se esforçava e lutava contra o prazer que ele estava determinado a lhe dar mais uma vez, dizendo que não podia mais aguentar, que ele iria matá-la, que ninguém jamais a havia feito se sentir dessa forma. Mas ele não se rendeu. Ele trabalhou com o corpo dela como se fosse um baralho, algo simples e chato e estático até que ele colocasse as mãos nele e fizesse a sua mágica. Quando terminou, quando ele a deu um momento para respirar e a segurou nos braços, beijando as lágrimas em seu rosto e alisando seus cabelos, ela fechou os olhos. Quase que instantaneamente, com sua cabeça contra o peito dele e o coração dele batendo no mesmo ritmo do dela, ela cedeu à fantasia. Ela podia sentir a chuva morna caindo sobre ela. A sensação da madeira contra suas costas um instante antes dele a pegar nos braços. Mas principalmente, ela podia senti-lo. Cercando-a. Amando-a. E parecia tão certo ser amada por ele.


Rhys, ela pensou, sem perceber ao cair em um sono de exaustĂŁo que havia dito o nome em voz alta.


CAPÍTULO CINCO

Regra de Mágica dos Dalton Nº 6: Aproveite qualquer oportunidade de se apresentar. “Você é tão gostosa. Eu quero ter você o tempo todo.” Melina sorriu com a voz rouca de Rhys, mas não se deu ao trabalho de responder, já que a sua boca estava ocupada fazendo outras coisas e não parecia interessada em deixar a carne quente que estava sugando. Em vez disso, ela sussurrou sua apreciação pelo comentário, sorrindo ainda mais enquanto ele gemia. “Eu nunca vou me cansar de você, Melina. Nunca, você entendeu?” Seus dedos seguraram os cabelos dela e os puxaram. “Olhe para mim.” Apenas para se divertir, ela resistiu e o chupou ainda mais. Ela torceu a língua em torno da sua ponta larga e em forma de cogumelo, depois a pressionou contra o ponto sensível logo abaixo da sua fenda. Ele sibilou ao respirar. Rhys segurou seus cabelos com mais força e puxou, forçando-a a soltálo, mesmo enquanto gemia em protesto. “Você rouba as cobertas, Joaninha.” Os olhos de Melina se abriram e, por um momento, seu sonho e sua realidade brigaram pela supremacia. Realidade: a sua visão estava exatamente como deveria estar sem os óculos e logo de manhã, um pouco embaçada, mas não o suficiente para impedi-la de ver que havia um homem deitado ao seu lado. Um homem grande e nu. Sonho: o homem era Rhys, sua cabeça recostada sobre seu braço dobrado. Uma alegria que ela nunca havia experimentado a inundou, mas depois desapareceu quase que imediatamente quando a realidade assumiu o controle. Ela não estava fazendo sexo oral em Rhys. Ele não havia segurado seus cabelos. E, felizmente, ele com certeza não a havia chamado de ladra de cobertas. Um pequeno conforto. Este era Max, ela se lembrou. E por mais que ela amasse e adorasse Max, ele não era Rhys e nunca seria. Ela nunca conseguiria se sentir da mesma forma por— Seus olhos se arregalaram de pavor quando ela esticou o braço e passou um dedo pelo seu ombro nu. Os eventos da noite anterior passaram por ela como um linebacker na rodada final de um jogo de playoff. Ou era de hóquei? Baseball? Ela não sabia mais sobre esportes do que sabia sobre mágica. Mesmo assim, ela sabia que a noite anterior não havia saído exatamente conforme o planejado. Não como ela havia planejado, pelo menos. Ela segurou um suspiro quando a mão de Max cobriu um de seus seios nus por baixo do lençol. Exatamente como haviam feito na noite anterior, seus mamilos se enrijeceram imediatamente, como se quisessem tocar os dedos dele. Provocando, ele roçou um, depois o outro, antes de começar a massagear um suavemente, em pequenos círculos firmes. Quando ela suspirou, ele sorriu. “Você é sensível aí. Eu notei ontem à noite.”


Estupefata, ela apenas olhou para ele. Ela nunca imaginaria que pudesse ser verdade, mas ele parecia despertar alguma coisa nela. Talvez, todos os testes solo haviam ativado algum tipo de substância química latente nela? Por qual outra razão ela responderia de forma tão calorosa ontem à noite? Com Max, ela lembrou a si mesma. Mas as circunstâncias atuais não provavam a sua teoria. Ela havia dormido a noite toda—depois de três orgasmos que a fizeram gritar—e ela ainda estava pronta para continuar. Aparentemente, ele também estava. Seus olhos se abriram quando teve outro pensamento. Ele estava pronto para continuar porque não tinha gozado. Ela não o tinha feito gozar. Ela se sentou na cama, mal segurando o lençol antes que ele expusesse seu peito nu para o mundo. “Oh, Deus. Eu sabia. Brian estava certo. Eu sou um terror na cama. E não,” ela levantou uma mão para impedir uma provável tentativa dele de ser engraçado, “no bom sentido.” Segurando os joelhos, ela enterrou seu rosto entre eles e cobriu a cabeça com os braços. Ela se esforçou para bloquear todos os estímulos e simplesmente pensar. Mesmo assim, ela o sentiu entesar ao seu lado. Suas palavras, quando elas vieram, não pareciam nem um pouco engraçadas. “O desgraçado lhe disse isso e você acreditou? Você ainda acredita? Depois de ontem?” Ela levantou o rosto e olhou para ele. “Claro que sim,” ela sussurrou, cutucando-o no peito com o dedo. “Você provou isso.” “Como assim?” Segurando o dedo dela, ele se inclinou na sua direção, até que ela pudesse ver sua expressão de desagrado claramente. Raiva emanava dele em ondas. “Tudo o que provamos ontem à noite foi que você é capaz de muito mais paixão do que imaginou. Eu tenho as marcas de unha e o zumbido nos ouvidos para provar isso.” Corando, ela puxou seu dedo para longe e enterrou o rosto nos joelhos novamente. Suas próximas palavras saíram abafadas e confusas. “Tudo provou você ebona cama.” “O quê?” Ela levantou a cabeça novamente e falou com o cabelo enrolado na boca. “Tudo o que isso provou é que você é bom na cama,” ela esclareceu. “Nós já sabíamos disso. Eu, no entanto, sou um fracasso. Eu só não aceitava antes.” Ele balançou a cabeça e disse, “Bobagem.” Apesar da fúria em sua voz, sua mão era suave enquanto ele retirava o cabelo do rosto dela. “Melina, do que você está falando? Ontem à noite foi a melhor—” “Você não gozou,” ela gritou. “Nós concordamos que você iria me ensinar como agradar um homem, e ao invés disso, você me deixou tão louca que eu…que eu—” Ela balançou a cabeça. “Termine de falar.” Sua voz havia ficado baixa, quase gelada. Ele também havia se afastado dela, apenas alguns centímetros, mas foi o suficiente para fazê-la sentir a sua rejeição. Ótimo, agora ele estava bravo. Mas por que ele deveria esta? Ela mal o havia tocado na noite anterior. Claro, ele a havia mandado não tocar, mas talvez aquilo tivesse sido algum tipo de desafio. Algum teste para ver se ela era agressiva o suficiente para lhe dar o que ele realmente queria? “Eu... eu fui egoísta. Eu me esqueci completamente o que deveria estar fazendo para você, Max. Mas foi só porque você foi tão…você foi muito mais—” Muito mais do que ela havia esperado. Com


base naquele beijo de tanto tempo atrás, ela pensou que estaria segura com Max. Ele havia sido gentil, mas ela não havia ficado impressionada. Aquilo não a havia afetado do jeito que apenas pensar em Rhys fazia. Não a havia feito tremer, mas ela estava tremendo agora. Quando o seu rosto estava enterrado entre seus joelhos e ela se lembrou conscientemente de quem ele era, ela conseguiu controlar as ondas de desejo que estavam se agitando dentro dela. Mas assim que ela levantou a cabeça e olhou para ele—assim que ela o absorveu—as batidas de uma paixão tão memorável começaram a soar em seus ouvidos, fazendo-a querer tocá-lo. “O que eu fui, Melina?” Apertando os lábios, ela ficou mexendo na colcha, se recusando a olhar para ele. “Você veio até a minha cama,” Rhys disse. “Aparentemente, você arranjou tudo isso para uma das suas experiências idiotas. Então olhe para mim, droga.” Segurando seu queixo, ele virou o rosto dela para ele, não duramente, mas também não gentilmente. “O que eu fui? Quem sou eu?” Ela franziu o rosto. “O quê?” “Quem. Sou. Eu?” “Você—” Ela apertou os olhos, mas a imagem não mudou. Ele era Max. Cabelos cor de mel, um pouco mais baixo do que a sua memória de dois dias atrás, mas ele poderia ter cortado o cabelo. Nariz e maxilar fortes. Ombros e peito largos, sedutoramente nus. Automaticamente, o seu olhar caiu e ela viu seus membros nus esticados por baixo do grosso lençol branco. Ela não conseguia ver a leve camada de pelo neles, mas os havia sentido na noite anterior. Quando ele se deitou sobre ela, com os pulsos presos pelas suas mãos— Ela respirou fundo e segurou a respiração. Como um flash da sua fantasia favorita, duas memórias da noite passada se formaram. A primeira, sua surpresa aparente quando ele entrou no quarto e a viu na sua cama. Ela a atribuiu aos nervos, mas teria sido algo mais? A segunda, ele a havia chamado de Joaninha. Apenas Rhys a chamava de Joaninha. Mas Rhys não estava aqui. Ele nem sequer gostava mais dela. Além disso, ele não teria como saber como chegar até ela. A não ser… “Rhys?” ela murmurou. Já esperando a resposta dele, ela levantou e puxou o lençol com ela. A expressão dele brilhou com a confirmação. “Melina,” ele disse ternamente, tentando pegar o lençol, mas ela se moveu rápido e desesperadamente, ganhando o cabo de guerra para que pudesse ir na direção da porta. E fazer o quê? Correr nua pelo corredor? Provar que era uma idiota ainda maior? Ela compensou dando um passo na direção da porta aberta do banheiro. Ele se levantou, sem se preocupar com sua nudez. “Venha aqui, Joaninha,” ele disse calmamente. Ela balançou a cabeça. “Você é o Max. Me diga que você é o Max.” Ele cruzou os braços sobre o peito, orgulhoso e alto. “Sinto muito. Eu não posso fazer isso.” Com sua mão livre, ela cobriu a boca para conter um gemido de horror. Ela sentiu que seus joelhos estavam prestes a ceder e colocou uma mão na parede para se equilibrar. Ela havia precisado se segurar na cama na noite passada também, ela lembrou. Ela pensou que era por não estar usando os seus óculos, mas era mais provável que fosse por causa do álcool. O álcool que a havia dado coragem de deitar na cama e se masturbar enquanto fantasiava com Rhys e pensava que podia ir para a cama com o irmão dele. Tudo pela ciência, claro.


E o que ela havia feito na verdade era se jogar para Rhys. Implorou para que ele a agradasse, ela lembrou, mortificada. O que ela havia dito? Me agrade. Me chupe. “Melina,” ele começou novamente. Ela balançou a cabeça. Agora que ela sabia, parecia tão óbvio. O cabelo dele era mais curto. Ele falava mais devagar. Ele a tocou de forma diferente. Com mais hesitação. Com mais e mais hesitação com o passar do tempo. Exceto ontem à noite. Uma dor cortante cruzou seu estômago, e ela automaticamente o segurou. A surpresa dele na noite passada havia sido exatamente isso. Ele não estava esperando que ela se jogasse para ele. Ele havia aceitado, provavelmente para não magoá-la. Com certeza não era por estar tomado pelo desejo. Ele não havia sequer tentado se satisfazer. Talvez, ele já soubesse que não conseguiria chegar a este tipo de satisfação com ela. Talvez, Max o tivesse avisado. Agora, uma sensação oca de traição queimava junto com o seu constrangimento e coração partido. “De quem é este quarto?” “Meu.” “Não é do Max?” “Max está em outro andar.” Um outro andar. Então, a recepção havia cometido um erro? Ou Max havia desistido no último minuto e enganado Rhys para que ele tomasse o seu lugar? Isso fazia mais sentido. Apesar da sua breve suspeita de que Max havia dito a Rhys que ela estava esperando por ele, as evidências não comprovavam que ele a havia enganado de propósito. Quando ela disse o nome do irmão dele, ele pareceu irritado—com ela, com seu irmão, com toda a situação. “Por que...o que... o que você está fazendo aqui?” “Eu vim para lhe dar o seu presente de aniversário. Ele está na cômoda. Você não o viu?” Estendendo as mãos como se ela fosse um cão raivoso prestes a mordê-lo, ele deu dois passos na direção dela, contornando a cama como ela havia feito na noite passada. Ela se moveu para trás, coincidindo com os passos dele, se sentindo de repente como um pequeno coelho sendo caçado por um lobo faminto. “Foi você quem me deu o presente. Pena que ele não era para mim, mas—” “Mas nada,” ela disse. “Você precisa sair.” Ele passou as mãos por sua forma alta e musculosa. “Você vai me fazer sair daqui nu?” “Você pode... você pode se vestir antes. Enquanto eu tomo banho.” Outro passo a frente dele. Outro passo para trás dela. “Vamos conversar.” Conversar. Sobre o que, além de ela querer morrer de humilhação? “Você não estava me esperando.” Ele parou e pareceu pensar bem em suas palavras antes de responder. “Não, mas—” “Você não queria isso.” “Isso não é verdade.” Ela riu mesmo enquanto secava as lágrimas se acumulando em seus olhos. “Ah, é por isso que você tem me cercado com tanta atenção? Com quem você está namorando agora, Rhys? Eu aposto


que ela é idêntica a mim, não é?” O olhar que cruzou o rosto dele era sutil, mas ela o captou. Ela lembrou da foto em sua estante. Aquela onde ele posava com uma mulher da qual Hugh Hefner ficaria orgulhoso. Ela tinha medidas de Barbie. Peitos avantajados, se ela não estava enganada. Melina tinha peitos menores do que a média, e a sua forma de ampulheta era maior embaixo. Ela provavelmente não teria permissão para limpar a mansão da Playboy, muito menos morar lá. Quando ela chegou à porta do banheiro, ele balançou a cabeça. “Melina, por favor, não—” “Vá embora,” ela sussurrou. Ela o viu entesar, o viu se apoiar na planta dos pés e sabia que ele ia tentar alcançá-la. Mas ele estava longe demais. Ele nunca chegaria a tempo. E foi por isso que ele xingou quando ela se projetou para dentro do banheiro, fechou a porta e a trancou. A batida forte de um pulso contra a porta a fez piscar, mas ele não a chamou. Ele murmurou uma lenta sequência de nomes feios que a teriam divertido se ela não estivesse tão arrasada. Rhys tinha muitas surpresas dentro da manga, incluindo um lado excêntrico e um temperamento forte. Lentamente, ela desceu até o chão, rastejou até o espaço embaixo da pia dupla e se encolheu no canto. Não importava o que ele havia dito, ele não a queria. Aquela caixa aberta de camisinhas não era para ela. E agora, ela estava presa neste banheiro, com sua nécessaire no chão do quarto, sem roupas. Sem orgulho. E sem esperança. Ela não era forte o suficiente para se arriscar a sentir este tipo de dor novamente. Ela nunca seria capaz de agradar um homem, e isso incluía Jamie. Quando Rhys saísse, ela se vestiria e iria para casa. Depois, ela se jogaria em seu trabalho em vez de ter sonhos tolos com uma família e filhos. Logo depois que ela matasse Max. *** Com o olhar fixo na porta fechada do banheiro, Rhys vestiu roupas limpas, xingando o tempo todo. Ela havia pensado que ele era Max. Quando ela havia se oferecido para agradá-lo. Quando ele a beijou. Quando ele deitou sobre ela, brincou com seus mamilos, colocou seus dedos e língua dentro dela. Ela estava pensando que ele era o irmão. A mágoa e a raiva lutavam pela supremacia. Ele queria acabar com o irmão. Queria gritar com ela por ter a coragem de pedir um favor tão estúpido, idiota, besta, ridículo, pessoal e íntimo ao irmão dele. Ela era um terror na cama? Ela havia acreditado tanto naquele trouxa do seu ex-namorado que havia pedido aulas de como dar prazer a um homem? Para Max? Passando as mãos pelo cabelo, ele parou de observar a porta por tempo suficiente para caminhar pelo quarto. E o irmão dele havia concordado, apenas para desistir no final. Não era preciso ser um gênio para deduzir isso, depois da conversa deles no teatro e no bar na noite passada, ele havia preparado tudo para Rhys. Ele não conseguia decidir se quebrava a cara de Max ou beijava seus pés


em agradecimento. Pausando, ele respirou fundo e sentou na cama. Ele observou a bolsa de Melina e sabia que ela não sairia do banheiro até que pensasse que ele havia ido embora. Pegando a bolsa, ele pensou em jogá-la no corredor. Em vez disso, ele a colocou embaixo da cama, escondida. Ele não facilitaria a partida dela. Caindo de volta na cama, ele olhou para o teto e se permitiu processar as coisas. Ele estava chateado, claro, mas ele também estava pensando claramente agora, algo que ele obviamente não estava fazendo quando viu Melina parada na frente dele de camisola ontem à noite. A sua capacidade de pensar claramente foi uma das coisas que fez o trabalho com seu irmão funcionar. Fora do palco, Max era certamente o mais extrovertido. Sua paixão e entusiasmo por se apresentar eram o que reforçava o interesse mais quieto, porém genuíno de Rhys na mágica. Diferente do irmão, Rhys não era impulsivo. Nunca. Ele pensava bem nas coisas, fosse a credibilidade de um truque de mágica, qual posição no palco o daria a melhor vantagem quando se tratava da ilusão, ou se uma mulher estava dando em cima dele por sua fama ou por um interesse genuíno no homem que ele era. Apesar de haverem mais do primeiro tipo do que do segundo, isto não significava necessariamente que ele recusaria uma mulher simplesmente porque ela gostava da fama. Ele apenas gostava de saber com o que estava lidando desde o começo. Desta forma, ele mantinha o controle do início ao fim, exatamente como fazia com a sua mágica. Ele decidia o que as pessoas viam e não viam. Ele fazia as coisas acontecerem. Mas não com Melina. Ele nunca havia tido esse tipo de controle com ela, e isto, mais do que qualquer coisa, foi o que provavelmente o manteve longe dela. Se ele não conseguia sequer controlar seus sentimentos por ela, o que o fazia pensar que, se ele a tivesse, ele conseguiria ir embora? E ir embora era sempre o que ele e o irmão faziam. Estava em seu sangue. Ele não conseguia se imaginar em um só lugar, dia após dia, mês após mês, no mesmo emprego. Até mesmo por Melina. Ou, mas precisamente, ele conseguia imaginar isto, mas não conseguia aceitar que tal felicidade seria realmente possível. Não da parte dele. E não da dela. A primeira coisa que ele havia pensado quando ela o chamou de Max foi, “De novo não.” Ele amava o irmão, mas às vezes sentia como se vivesse à sua sombra. Que ninguém o via realmente por quem ele era porque eles eram sempre um par. A única coisa que o impediu de enlouquecer completamente era o fato de ela ter dito o nome dele na noite anterior, logo depois de ele ter dado a ela o que certamente tinham sido os melhores orgasmos da sua vida. As suas defesas estavam baixas, e ela claramente não tinha percebido que Max não havia aparecido. Mas ela ainda havia dito o nome dele. Aquilo significou muito. Agora, aquilo significava tudo. Seu ombro direito coçou de intuição um pouco antes do telefone tocar. Rolando na cama, ele alcançou o telefone e o pegou, sabendo exatamente quem era. “Você está morto.” Silêncio. Depois um hesitante, “Onde está Melina?”


“Ouça aqui, seu—” “Se é o seu irmão,” Melina gritou do banheiro, “você pode dizer que ele é um homem morto quando eu o ver.” “Já fiz isso, Joaninha,” ele gritou entre dentes cerrados. “Ela ainda está aí?” Max parecia tão orgulhoso de si mesmo que Rhys apertou a mão no telefone, desejando que fosse o pescoço do irmão. “Então, qual é o problema, cara? Eu imagino que você tenha se aproveitado da situação?” “Esse é o problema, Max. Eu não me aproveito das mulheres, especialmente da Melina.” “Então você não—” Seu irmão limpou a garganta. “Você sabe?” “Não. Por que você não me diz? Exatamente o que você pensou que iria acontecer, Max?” “Ela estava usando alguma roupa sexy?” Rhys se lembrou dos shorts e sutiã que ela estava usando, modestos e simples, e caídos no chão no momento. “Pijama de flanela.” “Droga. E o cabelo?” Solto e lindo. Sentindo-se mais relaxado, Rhys se esticou na cama apenas para ficar tenso quando ouviu a porta do banheiro abrir. Fingindo desinteresse, ele ficou na cama enquanto Melina espiava do canto, suas mãos segurando seu lençol enquanto procurava pela bolsa que ele já havia colocado embaixo da escrivaninha. “Presos naquele coque dela.” “E os óculos?” Max resmungou. “Os óculos? Horrorosos como sempre.” Ele olhou diretamente para ela quando falou, e ela franziu o nariz e mostrou a língua para ele. Ele se sentou e os olhos dela se arregalaram, o que, safado como ele era, o deixou duro imediatamente. Apesar do fato de estar totalmente vestido, ele não deixou de perceber a forma que o olhar dela se moveu pelo corpo dele. Diferente de olhares similares que outras mulheres o haviam dado, a avaliação hesitante dela fez o seu peito se encher e seu coração bater fora de controle. “Então, o que vocês dois fizeram a noite toda, afinal?” “O que você acha que nós fizemos? Jogamos cartas, assistimos uma comédia romântica e eu acabei dormindo no chão.” Melina cobriu a boca para esconder um sorriso de alívio, mas ele o viu assim mesmo. Ele levantou uma sobrancelha para ela. “Nem um foguinho?” Estava mais para incêndio. “Nada.” Max suspirou. “É, olha, desculpa, cara. Eu realmente pensei... eu não sei. Eu só pensei que se finalmente fizesse vocês dois darem uma chance um ao outro—” Quase sentindo pena do irmão agora, Rhys sorriu e se levantou. “Você ainda está morto quando eu o ver.” “Então, a Melina está bem?” O sorriso dele se alargou até que dividisse o seu rosto. Apesar de ela permanecer congelada onde estava, enrolada no lençol como uma deusa grega, a determinação e a expectativa haviam se


apossado dele. Ele a encarou. O que ele poderia ter feito ou deveria ter feito não importava mais. Ela havia se oferecido para ele. Ela queria aulas de sexo? Ótimo. Engano ou não, ele definitivamente era o melhor para o cargo. Ele iria provar que ela e aquele trouxa com quem ela havia namorado estavam errados. Quando ele tivesse acabado, ela saberia exatamente o tipo de poder que tinha sobre um homem. Sobre ele. “Ela vai ficar bem.” Baixando o olhar, ele se permitiu absorver as curvas que havia sentido e provado na noite passada. Ele queria sumir com aquele lençol. Agora. E pela forma que ela estava olhando para ele, ela estava começando a perceber isto. “Na verdade, ela vai ficar simplesmente incrível.” Enquanto seu irmão gritava e começava a fazer perguntas, Rhys desligou o telefone. Ele plantou as mãos nos quadris e flexionou o maxilar agressivamente. “Você está pronta para a sua próxima aula, Joaninha?” Hora do jogo. *** Melina olhou para Rhys e pulou de um pé para o outro, inquieta. Próxima aula? Ele estava louco ou ela estava? Porque, de repente, ela quis soltar o lençol, abraçá-lo e nunca mais soltar. Felizmente para ela, seu lado mais lúcido prevaleceu. Depois de três relacionamentos fracassados, ela não acreditava que era melhor amar e perder do que nunca amar. Especialmente no caso de Rhys. Ela o amava. Ela sempre o amou. Mas aquele amor, combinado com o distanciamento dele, havia causado dor demais a ela ultimamente. Se ela fosse honesta consigo mesma, Rhys a havia magoado muito mais do que Brian jamais poderia, e isso não era algo que ela podia ignorar. Se ela ainda tinha um lugar no coração dele, ela teria que se contentar com isso; ela não iria pedir mais apenas para que ele sumisse novamente. Ela se virou para o banheiro. “Hum, eu acho que vou—” “E acho que é justo lhe avisar que, se você tentar se esconder no banheiro de novo, eu vou ter que derrubar a porta.” A surpresa veio primeiro, depois ela não conseguiu resistir. Ela riu. Ela riu muito e com vontade. Quando ela finalmente conseguiu se controlar e olhar para ele, ele tinha um olhar de fúria no rosto. “Bom saber que a ideia de eu fazer força o suficiente para derrubar uma porta diverte você.” Era a ideia dele fazendo tanta força por ela que a fez rir, mas ela não disse isso a ele. Balançando a cabeça, ela mordeu o lábio. “Desculpe. Não é isso. Eu só... eu rio quando estou nervosa.” Além disso, Rhys havia acabado de dizer a Max o que ele normalmente pensava dela. Com ela, os homens esperavam pijamas de flanela, cabelo preso, óculos horrorosos. Não haviam sido estas as mesmas palavras que Max havia usado para descrever a sua escolha em óculos? Mesmo apreciando a discrição dele, ela se perguntou se ele não havia feito aquilo porque estava envergonhado demais para admitir que tinha feito alguma coisa com ela. O pensamento tocou um


ponto sensível dentro dela, quando ela pensava ter isolado aqueles locais mais vulneráveis a muito tempo. “Então, eu deixo você nervosa? Por que, você acha?” Qualquer traço de humor sumiu, e ela desviou o olhar. Então, ele sabia que a deixava nervosa. Grande coisa. Como se ele ainda não tivesse percebido isso a muito tempo atrás, pelo jeito que ela corava e gaguejava perto dele. “Você pode me dar a minha bolsa? Eu pensei que a tinha deixado—” “Eu a dei para uma camareira quando você estava no banheiro.” Ela apertou os olhos. “Você não fez isso.” Ele deu de ombros. “Não, não fiz. Mas eu a escondi. Eu não quero que você se vista e fuja daqui antes de conversarmos.” “Mas isso é…é—” ela balbuciou. “Infantil? Ei, momentos de desespero e tudo mais. Mas se você quer procurar, fique a vontade…” Ele esticou a mão convidativamente. Por um momento, ela apenas o encarou. O que o estava motivando a ser tão difícil? Ele devia saber que ela estava constrangida com a confusão, mas ainda assim, ele a estava forçando a confrontá-lo. Por que ele simplesmente não esquecia tudo isso? Por que ele estava sentindo tanto prazer com a humilhação dela? A resposta veio até ela tão de repente que ela se sentiu tola por não pensar nela antes. Isto obviamente tinha a ver com o ego competitivo masculino. Ele provavelmente estava ofendido por ela ter pedido o favor a Max e não a ele. Bem, ele não precisava que ela afagasse mais o seu ego. O desempenho dela na noite passada já deveria ter demonstrado a ele que ela derretia em suas mãos. Ela olhou ao redor, mas não viu sua bolsa de viagem em lugar nenhum. Sua bolsa de mão, no entanto, estava ao lado da televisão. Ao lado da colônia dele e daquela caixa de camisinhas. Ela pegou sua bolsa, mexeu dentro dela e encontrou seu par de óculos extra. Com um movimento rebelde do queixo, ela os colocou. Sua visão focou imediatamente, fazendo-a se sentir um pouco mais calma. “Sério, Rhys,” ela disse, tentando parecer perplexa. “Eu não sei porque você não me dá logo a minha bolsa. Eu só quero as minhas roupas.” “Por que ver você toda nua e rosada e sem nada a não ser estes óculos me daria um prazer enorme.” Ele se aproximou dela e puxou levemente o lençol que ela segurava com força. “Muitos homens sonham em serem dominados pela bibliotecária puritana que na verdade é uma tigresa na cama. É disso que tudo isso aqui se trata, não é? Aprender como agradar um homem? Eu acho que nós confirmamos ontem à noite que eu sou um membro da espécie masculina. Pelo menos através do toque. Você gostaria de ver a prova?” Suas mãos pairaram sobre o zíper dos seus jeans. “Você não é engraçado.” Ele sorriu e balançou os ombros. “Engraçado é a última coisa que eu estou tentando ser.” Ela ponderou o que ele havia dito. “Os homens realmente têm fantasias com bibliotecárias? Eu imaginava que o homem comum preferisse algo mais extravagante. É por isso que os filmes pornô e as revistas de mulher pelada são tão populares, não é?” Agora era vez dele cair no riso. “Revistas de mulher pelada?” “O quê? É assim que elas são chamadas, não é?”


“Claro, por algumas pessoas. Eu apenas nunca pensei que ouviria esta expressão saindo dos seus lindos lábios.” O elogio casual a fez corar, mas ela imediatamente reprimiu o prazer que ele a causou. “Ah, então você me vê como assexual?” Em um instante, a expressão dele se tornou séria. Exaltada. “Eu nunca pensei em você como assexual. Nem de longe, e com certeza não depois de ontem à noite. Querida, você tem mais paixão em você do que a maioria dos homens conseguiria aguentar.” “A maioria, mas não você, certo?” “Eu acho que eu lidei muito bem com você ontem à noite.” Esticando o braço, ele segurou o queixo dela entre seu dedão e dedo indicador, se recusando a deixá-la virar o rosto. “Agora, por que você não me conta o que deu na sua cabeça de ir procurar o Max? O seu ex lhe contou uma história, Melina, e eu imaginava que você seria esperta demais para acreditar nela.” Esperta demais? Sim, esta era ela. Seu cérebro disse a ela que Brian era apenas um homem inseguro com um pênis de tamanho médio que precisava humilhá-la para se sentir mais homem. Mas seu coração machucado—o coração que desejava encontrar amor e companhia e família—disse a ela que a culpa era sua por estar sozinha. O que significava admitir a si mesma que Brian estava realmente certo. Ela havia ficado lá deitada como uma tábua na maior parte do tempo. Porque ela nunca havia se sentido inspirada a fazer outra coisa. Até a noite passada. “Por que você não contou a Max o que aconteceu quando ele ligou?” “Porque o que acontece entre você e eu não tem nada a ver com ele.” Ele parecia tão sério, tão possessivo, que ela tremeu. “Neste caso, tinha. Ele enganou você, não é?” “Ele não me enganou. Ele só não me disse que você estava esperando por mim.” “E se tivesse?” “Se ele tivesse, eu não teria esperado você fazer o seu pequeno desfile de moda. Eu estaria em cima de você antes de a porta fechar.” O corpo dela inteiro respondeu à calma declaração dele. Sua pele se arrepiou, seus mamilos endureceram e sua vulva umedeceu. Ela poderia jurar que, se ele tocasse os seus cabelos naquele momento, ela teria gozado com tanta força que provavelmente desmaiaria. Ela forçou sua mente a aquietar os desejos do seu corpo e a ser lógica. “Mentiroso,” ela sussurrou. “Você não ligou. Você não me visitou. Você não queria ter nada a ver comigo.” “Não por eu não querer você.” Ele hesitou. “Você não fez questão de anunciar que me queria.” “Eu... eu não queria—” “Não minta,” ele ordenou, segurando a nuca dela e a puxando para o seu peito. Surpresa, ela fechou os olhos e absorveu o toque dele. Com uma mão lenta, mas firme, ele esfregou as suas costas. “Nós já mentimos o suficiente um para o outro, você não acha? Você pode ter escolhido Max para ser o seu professor, mas foi o meu nome que você disse antes de cair no sono ontem à noite. E eu quero você, Melina. Eu estou disposto a dizer isto. Eu estou disposto a agir.” Ela se afastou para encontrar o olhar dele, a dúvida e a suspeita fervendo dentro dela. “Por que agora? Depois de todo este tempo?”


“Porque você me ofereceu isto.” “Eu o obriguei a isto.” “Essa é uma coisa estúpida de dizer, e você não é estúpida.” “É, bom, é aqui que a minha estupidez termina.” Se afastando dele, ela insistiu, “Se você me deixar vestir minhas roupas, eu vou embora daqui.” “Por quê? Você estava disposta a dormir com Max. É porque você o ama?” “Não! Eu quero dizer, claro, eu o amo, da mesma forma que eu amo você. Nós somos como uma família. Eu não quero estragar isto, Rhys, e isto que você está sugerindo irá estragar. Admita. Nós queremos coisas diferentes em nossas vidas e tentar fingir outra coisa seria tolo.” Ele não a contradisse. Como poderia? “Você e Max também querem coisas diferentes. Por que você estava disposta a deixá-lo ensiná-la, mas não eu?” Ah, então ela havia acertado. Isto era uma coisa de ego masculino. “Por que ele estava por perto, para começar.” “Eu estou aqui agora. E eu tenho o fim de semana livre, exatamente como você e Max concordaram, certo?” Alarmes dispararam em sua cabeça. “Sim, mas—” “E eu acho que nós confirmamos ontem à noite que temos química. Que eu tenho a habilidade de fazer você gozar.” Ele disse em voz baixa, com nenhum pouco da arrogância que a faria questionar sua atração por ele. Em vez disso, Melina se esforçou para respirar o ar que ficava cada vez mais raro. “A sua habilidade nunca esteve em dúvida. E a minha habilidade de... de—” Ela sentiu que estava ficando vermelha como pimenta. “—alcançar o clímax não está em debate. É a minha habilidade de dar prazer a um homem que está.” “É o que você diz.” “É o que diz Brian Montgomery. Lars Jensen. Gary Somada.” “Idiotas. Se eles queriam algo de você, eles não fizeram muito esforço para tê-lo. Além disso, eu posso lhe mostrar como agradar um homem.” “Você parecia mais preocupado em me agradar ontem à noite.” “As duas coisas não são independentes. Eu lhe mostrei uma coisa que dá prazer a um homem. Submissão. Confiança total da parte da parceira. Mas há outras coisas que você pode fazer, e eu irei mostrá-las a você, se você deixar.” O alarme em sua cabeça ainda estava soando, mas havia ficado um pouco mais baixo. Curiosidade, ela disse a si mesma. Só isso. Ela não ia realmente considerar a proposta dele. Ou ia? Com o silêncio dela, ele continuou. “Não me entenda mal. Eu não sou imune à um pouco de satisfação. Eu trabalhei bastante ontem à noite. Eu acho que tenho direito à um retorno do meu investimento, você não acha?” O alarme dela aumentou de volume. “Então, isto tem a ver com pagar uma dívida? Compensar você pelos serviços prestados?” “Isto tem a ver com você e eu e com dar o melhor sexo que já tivemos um ao outro.” “Viu? É exatamente isso. Se você está esperando sexo fantástico comigo, nunca vai acontecer. Eu


ficarei ansiosa. Me sentirei pressionada. Você está se iludindo se pensa que eu poderia competir com as mulheres com quem você esteve, Rhys.” Ele levantou uma sobrancelha. “E você está subestimando a minha habilidade de lhe inspirar.” Ok. A sua curiosidade estava definitivamente a dominando agora. Melina se forçou a não pensar no tipo especial de inspiração de Rhys. “Nós mal nos conhecemos hoje em dia—” “Você sabe que isso não é verdade. Como você disse, Melina, nós somos quase da mesma família. O que estamos fazendo este fim de semana pode não se encaixar dentro dos limites do nosso relacionamento anterior, mas assim que acabar, eu quero saber que você vai ficar bem. Eu posso ajudá-la. Por que você não deixa?” Assim que acabar, ele disse. Assim que ele for embora, ele quis dizer. Uma onda de tristeza a inundou. Se ela o entendeu corretamente, isto seria o adeus ao resquício de relacionamento ao qual eles se prendiam. Quase como o seu presente de despedida para ela. Já que isto estava para acontecer a algum tempo, ela tentou não demonstrar o quanto o pensamento a havia arrasado. Ou a convencido. Assim que o fim de semana estivesse terminado, ele a deixaria novamente. Quando seria o seu próximo encontro? Ela seria uma boba em não aceitar o que ele estava oferecendo. “E depois?” ela se esforçou para perguntar, mesmo que já soubesse a resposta. “O que você ia fazer depois que você e Max tivessem acabado?” Parecia obsceno de certa forma, a forma como ele continuava inserindo Max na conversa. O que era tolo, claro. “Nós iríamos nos despedir como amigos. Voltar para como as coisas sempre foram. Sem expectativas. Sem constrangimento.” Ele pareceu hesitar por um momento, depois disse, “Eu posso fazer isto. Você pode?” Com a atitude nada sutil dele, o que mais ela podia dizer? Lentamente, ela acenou a cabeça. Satisfação brilhou em seus olhos. “Bom.” Ele se moveu para frente e ela ficou tensa, esperando que ele a beijasse. A expectativa a atingiu, mas tudo o que ele fez foi se virar, dobrar os joelhos levemente e pegar uma bolsa familiar embaixo da escrivaninha. Ele a jogou na cama ao lado dela. “Agora, vista-se.” Ela olhou para a bolsa sem reação. “Agora você quer que eu me vista?” Ele sorriu levemente. “Sim.” “Por quê?” Ele levantou uma sobrancelha para ela. “Porque, minha querida Melina, a próxima aula envolve algo que os melhores mágicos e amantes sabem usar com uma mão muito sutil, porém firme.” “O que é?” ela sussurrou. “Imprevisibilidade.”


CAPÍTULO SEIS

Regra de Mágica dos Dalton Nº 7: Não esqueça da sua varinha mágica. Ao entrar com o carro de Melina na estrada que os levaria para o norte de Sacramento, Rhys teve que se esforçar para não demonstrar seu divertimento. Apesar de estar tentando parecer desinteressada, ele definitivamente a havia surpreendido. E se ele a estava lendo corretamente, e Rhys tinha um verdadeiro talento quando se tratava de ler as pessoas, ela estava um pouco desapontada por estar totalmente vestida e indo para sabe-se lá onde ao invés de estar desfrutando de mais tempo em seus braços e em sua cama. Que era exatamente a resposta que ele esperava. Ele não estava mentindo quando disse a ela que a imprevisibilidade era essencial para a boa mágica e o bom sexo. Ela também era a chave para fazer Melina baixar a guarda e para impedir aquelas enormes engrenagens em sua cabeça de analisarem tudo até o fim. Deus era testemunha, se ele iria participar da ridícula experiência sexual dela, ele iria aproveitar cada segundo do seu tempo juntos. Ele queria o mesmo para ela. Ele a queria relaxada e com a guarda baixa, desfrutando do seu tempo juntos ao invés de focada em coisas como técnica e estatísticas—cada orgasmo usado como prova de habilidade sexual. Ele quase bufou. Ela realmente pensava que era ruim de cama porque ele não havia se permitido gozar, quando a verdade era que ele sentiu mais prazer sexual em fazê-la gozar e tê-la dormindo em seus braços do que havia sentido em muito tempo. Ele não estava disposto a apelar para o gozo rápido ou a punheta autônoma porque ele queria mais com ela. Mais beijos. Mais toques. Mais. E agora ele teria a oportunidade, mas apenas porque ela havia colocado na cabeça que precisava de aulas. Ridículo, mas ele não iria olhar os dentes de um cavalo dado. Não desta vez. Ela limpou a garganta. “Então, onde estamos indo?” ela perguntou, como se ele ainda não tivesse se negado a responder das outras quatro vezes que ela perguntou. Ele se virou para olhar para ela com um sorriso solto. “Isso não ajudaria a manter o mistério, não é?” Ela fez um beicinho tão adorável que ele mal conseguiu deixar de segurar o seu queixo e o puxar para beijá-la. Não era preciso ser um gênio para entender que a sua Joaninha resistia tudo o que não podia controlar. Ele obviamente precisava direcionar sua mente para um local mais seguro. “Como estão os seus pais, afinal?” A pergunta retirou o beicinho de sua boca, e ela se recostou no banco. “Eles estão bem. Estão na China agora, dando uma olhada na Grande Muralha.” “Nós fomos lá uns dois anos atrás. Foi uma viagem incrível. Eles estão viajando a uns dois anos, não é? E as coisas ainda estão bem entre eles?” “Claro, por que não estariam?”


Ele pensou em todas as brigas que seus pais tiveram na estrada, apenas mais uma coisa a qual ele precisava se ajustar. “É um milagre o casamento dos meus pais ter sobrevivido às viagens. Às vezes, eu acho que eles nos levavam junto como um amortecedor para manter o casamento deles intacto.” Ela se mexeu um pouco no assento, se virando para ele ao invés de continuar a abraçar a porta. “Mas os seus pais parecem tão compatíveis. Eu acho que nunca os vi brigar.” Ele não pôde deixar de sorrir. “Sim, mas você só os viu em casa. Eles são completamente diferentes na estrada. Você já viu aquele programa The Amazing Race?” “Claro. Eu adoro, na verdade. Você não está dizendo…” “Todos aqueles casais tentando navegar por países estrangeiros sob pressão intensa—aquilo não traz a tona as suas melhores qualidades, não é? Bem, vamos dizer que a minha mãe mostra um lado completamente diferente dela quando está cansada ou com fome. E o meu pai parece perder a habilidade de a entender quando está distraído e na estrada.” “Isso era difícil para você? Eles brigarem tanto?” Havia sido, durante um período. Até que ele entendesse que aquilo era apenas parte do processo dos seus pais. Assim que ele entendeu que o amor deles era sólido o suficiente para superar as brigas, ele parou de se preocupar com isso. Ele, no entanto, não estava disposto a aguentar este tipo de conflito em seus próprios relacionamentos. “Rhys?” Melina esticou o braço e pegou a mão dele, apertando-a gentilmente. O afeto o inundou. Melina era tão adorável, com um coração generoso e lealdade feroz. Ela seria uma esposa maravilhosa para algum homem de sorte, uma mãe maravilhosa para uma criança. Por um momento, a decepção por ele não poder ser aquele marido, e a criança não poder ser deles, o perfurou. Ele apertou a mão dela e lhe deu um sorriso rápido. “Desculpe. Eu me ausentei por um segundo. O que você perguntou?” “Como eles estão agora?” “Eles estão aprendendo a gostar da companhia um do outro novamente, mas ainda estão viajando conosco metade do tempo. Papai é nosso empresário, como você sabe, e mamãe ensinou a metade das nossas assistentes de palco. Eles sempre serão parte do nosso show dessa forma.” “Isto é chato para você e Max, quando eles estão lá com vocês?” Ele fez uma cara feia quando ela afastou a mão. Quando ele olhou para ela, ela estava olhando para a janela e corando. Suas sobrancelhas se levantaram. Ao que exatamente a sua Joaninha estava se referindo? “Nem um pouco. Por quê?” “Eu imagino que não seja favorável para—” Ela ondulou a mão em um círculo para substituir as palavras. “Existem muitas mulheres interessadas em vocês na estrada. Eu não sou inocente ao ponto de achar que vocês não se aproveitam disso.” Internamente, ele estremeceu. A última coisa que ele queria discutir com Melina era a sua vida sexual, mas por ela ter sido corajosa o suficiente para perguntar, ele se forçou a ser honesto. “É difícil não aproveitar. Existem muitas mulheres dispostas. Mas eu me enjoei daquilo bem rápido. Acredite ou não, eu geralmente fico aliviado quando meus pais estão viajando conosco. Me dá uma ótima desculpa para deixar as baladas de lado e passar um tempo com eles.” “É legal,” ela disse tristemente, virando para olhar para ele novamente. “O relacionamento que


você tem com eles.” “E os seus pais?” Ele hesitou, depois fez a pergunta que nunca pensou que faria. “Você nunca quis viajar com eles?” “Eles não iriam gostar.” Ele se mexeu, surpreso. “Você não pode estar falando sério. Os seus pais sempre adoraram você. Como você pode dizer isso?” “Oh, eu não quis dizer exatamente isso. Por fora, eles me dariam as boas-vindas. Mas, na verdade, eu estaria sobrando. Eu sei que eles me amam, mas existe uma ligação entre eles. Eles não iriam gostar de me ter por perto.” “Sério?” “Foi só depois que eu cresci e saí de casa que meus pais começaram a viajar. Talvez, tenha sido aí que eles realmente sentiram que podiam ser um casal. Então, eu tento não atrapalhar. Além disso, eu não gosto tanto de viajar. As viagens atrapalham o trabalho, e eu gosto de ter uma casa fixa.” Mais provas de que ele não era o homem certo para Melina. Ele não tinha uma casa fixa. Nem sequer sabia mais como era ter uma. Ele ficou tentado a perguntar quantas viagens ela havia feito. Pelo o que ele sabia, ela não havia viajado muito, e ele sempre imaginou que isso era escolha dela. Agora, ele não tinha mais tanta certeza. Agora, ele se perguntava se ela simplesmente não queria viajar sozinha. Mas parecia ser um assunto que ela não queria continuar. E ele não tinha certeza se ele queria continuar, depois do olhar de melancolia que havia passado pelo rosto dela. “Quando você foi morar sozinha, eu pensei que a sua mãe pudesse começar a atuar novamente.” A mãe de Melina havia sido uma atriz emergente quando conheceu o pai de Melina. Anos atrás, ele havia alugado um dos seus filmes e ficado surpreso com a animação dela. Sempre que ele a via quando era um garoto, ela era amigável, mas quieta. Séria. Muito diferente da garota alegre e sedutora que ele viu na tela. Apesar de não ter sido quieta quando criança, Melina havia adaptado lentamente aquelas características quando cresceu, e ele havia se sentido cada vez mais distante dela. Agora, ele se perguntava qual das personalidades da sua mãe era a verdadeira e qual era atuação. Ele já sabia que o exterior quieto de Melina ocultava algo incrivelmente apaixonado, mas esta era uma nova descoberta feita apenas na noite passada. “Não. Ela abandonou aquele mundo a muito tempo atrás. Ela realmente amava meu pai.” Rhys não entendia exatamente porque desistir de seus sonhos de atuar era necessário para ficar com o pai de Melina, mas ele tinha que admitir que eles eram um belo casal. Na verdade, era difícil acreditar que Susan, a mãe de Melina, havia feito parte do show business. Ela havia se adaptado à vida acadêmica como se houvesse nascido nela. O relacionamento deles havia sido completamente diferente do relacionamento dos pais de Rhys pois não parecia haver muita volatilidade nele. Os pais de Melina trabalhavam juntos em sintonia, personalidades similares que conseguiam convergir em uma única unidade. Pela primeira vez, ele se perguntou exatamente como seria ser o intruso naquele relacionamento, quando uma filha nunca deveria se sentir como uma intrusa. Mas claramente, era assim que Melina se sentia. “E essas mulheres dispostas. Como elas deixam a sua disponibilidade aparente?”


Algo parecido com pânico o atravessou. “Hum…eu não acho que nós deveríamos falar sobre isso.” “Por que não? Agora, você conhece detalhes íntimos sobre a minha vida sexual enquanto eu não sei nada sobre a sua.” “Tudo o que eu sei é que, até ontem à noite, a sua escolha de amantes foi horrível.” “Você está se referindo ao seu irmão? Porque eu não escolhi você exatamente, escolhi?” Ele não deixou de notar como ela continuava mencionando Max. Ela o estava usando como um escudo, exatamente como havia feito no passado. “Você está aqui agora, não está? E considerando o que nós vamos fazer pelos próximos dois dias, eu diria que você definitivamente fez uma escolha. Ou você mudou de ideia?” Ela hesitou por tempo suficiente para que ele começasse a suar. Não mude de ideia, ele implorou silenciosamente. Não agora que eu apenas provei aquilo com o qual eu sonhei por tanto tempo. “Não,” ela sussurrou. “Eu não mudei de ideia. Não se você não mudou. Mas eu estou aqui por uma razão. Então, isto significa que você tem que responder as minhas perguntas.” A frustração o fez cerrar os dentes, mas ele relaxou o maxilar lentamente. “Geralmente é um bilhete que um porteiro nos passa. Às vezes, elas esperam até que nós saiamos do teatro. Uma vez—” Ele limpou a garganta, depois se forçou a ser honesto. “Uma mulher descobriu onde nós estávamos hospedados e se aproximou quando eu estava jantando. Ela, uh, deixou bem claro que não estava usando nada por baixo do casaco. Depois, ela disse que tinha uma mensagem para mim. Escrita no corpo com batom.” O silêncio encheu o carro por vários minutos, e ele tentou encontrar algo para dizer. Dane-se a honestidade. Ele deveria ter guardado o último comentário para si mesmo. “Então, porque nós não —” “Bem, o batom foi realmente... um pouco demais. Mas é disso que vocês gostam, não é? Funcionou? Você acabou transando com ela?” Ele apertou os depois em torno do volante. Sem tirar os olhos da estrada, ele respondeu em voz baixa. “Sim. Mas isso foi a muito tempo atrás. Quando eu ainda estava impressionado com a atenção e pensava mais com meu pau do que com meu cérebro.” “Ela realmente tinha alguma coisa escrita no corpo com batom?” Ele olhou para ela. “Sim.” Seus olhos se abriram e ela corou. “Era algo... explícito?” Suspirando, ele resmungou. “Vamos dizer que envolvia uma seta e duas pequenas palavras.” “Você fez o que estava escrito?” ela sussurrou. “Não.” “Por que não?” Como ele podia explicar que simplesmente não tinha tido vontade? Que ele nunca tinha vontade, à não ser que conhecesse bem a mulher. Gostasse dela. No entanto, ele havia transado com ela. Parecia tão desagradável agora. Ele estremeceu de pensar o que Melina deveria estar pensando dele. Antes que ele pudesse responder, ela disse, “Mas eu aposto que ela fez um boquete em você, não é?”


Ele cerrou os dentes, depois forçou seus músculos a relaxar. Por mais que ele desejasse ser para Melina, ele nunca havia dito que era perfeito. Se ela iria ficar com ele, seria com ele todo, qualidades e defeitos. Ainda assim, ele não queria passar mais nenhum pouco do tempo precioso que eles tinham juntos falando sobre algo do qual ele mal se lembrava. Então, do seu jeito, foi isso que ele decidiu dizer a ela. “Honestamente, aquela noite inteira está praticamente esquecida agora.” Segurando a respiração, ele manteve seu olhar na estrada. Ela ficou quieta por tanto tempo que ele finalmente se virou e olhou para ela. Seu rosto estava vazio de emoção, e ele esperava que ela começasse um sermão sobre sexo seguro ou direitos das mulheres. Ao invés disso, ela caiu no riso. Aliviado, ele esticou a mão para acariciar a perna dela. Ela ficou tensa, e o seu olhar imediatamente focou na mão dele. Ele a acariciou com um movimento suave e agradável. “Como eu disse, isso aconteceu a muito tempo atrás, Melina. Eu sou bem mais seletivo com quem eu fico agora.” A expressão dela se tornou séria. “A não ser quando uma velha amiga se infiltra no seu quarto de hotel.” “Especialmente quando uma velha amiga se infiltra no meu quarto de hotel. Acredite, ver você deitada na minha cama me excitou mais do que qualquer mulher jamais o fez.” “Você não precisa—” Ele apertou o joelho dela carinhosamente. “Eu estou falando sério.” Ela resmungou. “Claro. Com certeza.” Virando-se de volta para a janela, ela claramente comunicou que a conversa havia terminado. Ele a deixou silenciá-lo por algum tempo, mas manteve a mão na perna dela, lembrando a ela com o seu toque que ele não iria a lugar nenhum. Cerca de trinta minutos depois, ele percebeu o bocejo que ela tentou abafar. “Nós ainda vamos demorar para chegar. Por que você não dorme um pouco?” Ela balançou a cabeça. “Eu posso lhe fazer companhia.” “Você vai me fazer companhia depois. Além disso, você vai precisar descansar.” Os olhos dela se arredondaram. “O que nós vamos fazer?” Ele lançou um sorriso malicioso para ela. “Paciência, querida. Eu irei revelar o resumo da aula quando chegarmos onde estamos indo.” Ela apertou os olhos para ele. “Você está tentando ser engraçado?” Ele deslizou a mão um pouco mais para cima em sua perna e ela suspirou. Exatamente como ele esperava, ela esticou a mão e pegou a dele. Satisfeito, ele apertou a mão dela, descansando as suas mãos juntas em seu joelho. “Descanse. Eu prometo, você saberá de tudo em apenas duas horas.” Por um momento, os seus olhos se encontraram e ele levantou a mão dela até a boca para beijá-la. “Agora feche estes olhos lindos e durma, Joaninha.” Ele quase riu alto ao ver como os olhos dela se abriram novamente. Recostando a cabeça, ela olhou para ele enquanto ele se concentrava na estrada. Ele sentiu o olhar dela e passou o dedão na parte de trás da mão dela, em movimentos lentos e circulares. Dentro de alguns minutos, ele sentiu que ela começava a relaxar. Em dez minutos, ela havia fechado os olhos. E em vinte, a respiração leve e constante dela o informou que ela havia dormido.


Gentilmente, ele levantou as suas mãos juntas novamente até sua boca para mais um beijo suave. *** Quando Melina acordou, ela estava no banco do passageiro do seu carro, e estava sozinha. Se endireitando, ela procurou Rhys freneticamente e o viu imediatamente parado perto da frente do carro, falando com um homem de barba e boné de baseball. Puxando o visor para baixo, ela se olhou no espelho, fazendo uma careta para o rosto refletido. Seus óculos estavam tortos, seus cabelos sem vida, nada de maquiagem no rosto. Mas os dois homens haviam se virado para ela, e Rhys estava sinalizando para que ela saísse, e ela se sentiria uma completa idiota se não saísse e os cumprimentasse. Então, ela endireitou os óculos, respirou fundo e abriu a porta do carro. “Melina, este é meu amigo, Rod. Ele é dono da loja Holiday Harbor.” Rhys apontou para o antigo prédio de dois andares atrás deles. Além dele, um longo cais flutuava sobre um lago pacífico cercado por árvores altas. “Rod, esta é Melina.” Ela esticou a mão. “É um prazer conhecê-lo.” “O prazer é todo meu.” Ignorando a mão estendida, Rod a puxou para um grande abraço de urso. “É ótimo conhecer você finalmente. A família Dalton me falou muito sobre você por anos.” Corada de prazer, Melina alisou o cabelo. “Qu-que bom.” Ela olhou para Rhys, e ele colocou a mão ao redor da sua cintura e a puxou para perto dele. A princípio, ela se manteve levemente distante dele enquanto ele continuava a conversar com Rod, mas depois ela relaxou, se permitindo encostar nele. Ele olhou para ela e sorriu em aprovação. “Rod dá uma olhada na casa quando eu não estou aqui. Ele estava me contando as novidades do lago. A água esteve baixa este ano, mas a chuva do mês passado aumentou o nível para o uso dos barcos. Rod tem um barco que ele me deixa usar quando eu estou aqui.” “Onde é aqui?” “Lago Shasta. Cerca de trinta minutos de Redding.” “Eu... eu não sabia que você tinha uma casa aqui.” “É algo que eu comprei a alguns anos.” “Oh.” Algo estava claramente implícito no tom dela. Eles não haviam conversado o suficiente nos últimos anos para que ela soubesse muito de qualquer coisa sobre ele. Mas ela estava surpresa por Max não ter dito nada. “Ela é sua e de Max?” Rhys ficou momentaneamente tenso. “Não. Isso foi algo que eu fiz completamente sozinho. Max veio aqui algumas vezes, mas ele fica um pouco ansioso quando está aqui. Ele não é fã de passar trabalho.” “Eu também não consigo imaginar você passando trabalho.” Rod riu. “Ela te conhece, Rhys. Mas ele funciona surpreendentemente bem aqui. Ele tem boas habilidades de sobrevivência, mas vocês não precisarão muito delas. A casa de Rhys é ótima. Ele só precisou de algum tempo para deixá-la em estado habitável.”


Rhys reformou uma casa? Ele obviamente tinha mais habilidades com as mãos do que ela imaginava. Corando com aquele pensamento, ela disse rápido, “Tem algum banheiro que eu possa usar?” “Use o banheiro do restaurante. É melhor do que o banheiro público do lago.” Ela acenou. “Obrigado.” Ela correu para dentro do prédio, intensamente ciente dos olhares dos homens nela. Ela passou por uma pequena loja no caminho do banheiro, notando a lembrancinhas e produtos aquáticos à venda. Quando havia terminado, ela refez seus passos, parando quando viu uma prateleira de roupas de banho. Mordendo o lábio, ela olhou para o biquíni que estava proeminentemente exibido na vitrine. Se eles iriam ficar aqui alguns dias e Rhys quisesse ir nadar, ela precisaria de algo, não é? Ela já podia vê-lo tentando convencê-la a nadar nua, e ela não tinha certeza de que conseguiria fazer isso. Mesmo assim… Ela examinou as roupas de banho na prateleira. Haviam vários maiôs que se pareciam muito com o que ela tinha em casa. Modestos. Com bom caimento. Mas seus olhos continuavam fugindo para o biquíni. Ela nunca havia tido a coragem de usar um biquíni antes, mas Rhys não havia dito que ser imprevisível era sexy? Talvez, essa fosse a sua chance de provar que era uma ótima aluna. Antes que pudesse mudar de ideia, ela pegou o biquíni. “Você gostaria de ficar com o cabide?” a alegre adolescente atrás da caixa registradora perguntou. “Hum. Não, obrigado.” Ela deu à garota duas notas de vinte. “Eu adoro este modelo. Eu usei o preto um dia desses.” Melina fechou os olhos brevemente. Claro que a garota usava biquíni. Ela era alta, magra e tinha as curvas para preencher a roupa de banho como ela deveria ser preenchida. Melina tentou se imaginar usando o biquíni ao lado desta garota vestida de forma similar. Seu estômago se apertou de horror. Sua mão se esticou rápido para pegar o biquíni quando a menina o entregou. “Aqui está. Tenha um ótimo dia.” Melina olhou para os pequenos pedaços de pano, sem ter mais certeza de que a parte de baixo cobriria tudo o que precisava ser coberto. “Sabe de uma coisa, eu não sabia que vocês tinham este modelo em preto. Eu acho que deveria esperar até que eles cheguem.” A garota fez uma careta. “Oh. Desculpe, mas as roupas de banho não podem ser devolvidas.” “Claro. Mas eu acabei de comprá-lo,” Melina explicou com um sorriso luminoso. “Eu não saí e usei o biquíni.” “Bem—” “E se eu apenas trocar?” Ela pegou um maiô preto da prateleira. “Este aqui serve por enquanto. E veja, ele está em promoção, não é?” “Bem, sim, mas—” “Então eu vou levá-lo. Você pode até ficar com a diferença.” A garota olhou nervosamente para a porta de dava para a rua. “Eu não sei. Eu acho que poderia falar com Rod. Explicar que você mudou de ideia. Por que eu não vou até lá e—”


“Não!” Melina gritou em pânico, fazendo a garota tremer. “Quer dizer, eu não quero incomodar. Eu acho que vou levar o biquíni branco mesmo.” Ela colocou a coisa na bolsa e foi em direção à porta. “Obrigado,” ela disse. Antes que pudesse mudar de ideia, ela correu para onde Rhys e Rod ainda estavam conversando. O que ela estava pensando? Ela nunca havia usado um biquíni na vida, muito menos um branco. Ela não conseguia sequer usar calças brancas sem parecer que seus quadris haviam expandido em muitos centímetros. O maiô teria sido mais seguro. Mas, ela lembrou a si mesma, isso também teria sido previsível para ela. Dê um pouco de crédito a si mesma pela coragem, ela se convenceu. “A sua loja e restaurante são muito bonitos,” ela disse sem fôlego a Rod. “Nós definitivamente teremos que voltar um dia.” “Eu gostaria disso.” Rod sorriu para eles. Por dentro, Melina estava horrorizada. Ela havia acabado de insinuar que ela e Rhys voltariam no futuro? Juntos? Como um casal normal? Ela abriu a boca para corrigir seu erro, mas Rhys colocou um braço sobre seus ombros e apertou. Mais uma vez, a expressão dele irradiava aprovação, o que a confundia ao mesmo tempo em que enchia seu coração de alegria. “Foi um prazer conhecer você, Melina. Cuide do seu homem, ouviu?” Com o olhar ainda em Rhys, ela viu suas bochechas corarem. A ideia de que ele pudesse estar um pouco surpreso com o que estava acontecendo entre eles acalmou os seus nervos. Cuidar de Rhys? Era exatamente isso que ela estava aqui para fazer, não é? E daí que ela nunca havia usado um biquíni branco? Quem se importava se ela nunca usasse o que havia acabado de comprar? Ela poderia apenas fingir ser o tipo de mulher que o usaria, não é? Fazendo exatamente isso, ela abaixou suas pálpebras e tentou usar sua falta de fôlego a seu favor. “Oh, eu definitivamente vou cuidar dele,” ela sussurrou. Rod e Rhys pareciam atordoados, e uma excitante onda de poder vibrou dentro dela. Escondendo um sorriso, ela se virou e caminhou até o carro, adicionando um balanço extra aos quadris. Quando ela olhou para trás, os olhos de Rhys estavam plantados firmemente em seu traseiro. Rhys havia deixado de dizer uma coisa a ela sobre a sedução. Ela era tão excitante para o sedutor quanto para a pessoa sendo seduzida. Ela entrou no carro e bateu em sua grande bolsa. Ela havia quase entrado em pânico na loja, mas comprar aquele biquíni estúpido havia mudado algo nela. Era como um segredinho sexy que só ela sabia. Mesmo que tudo o que ela havia feito era agir como o tipo de pessoa que poderia usar aquilo, ninguém saberia disso. E valeria a pena ver aquele olhar no rosto de Rhys novamente, uma combinação de surpresa e aprovação, misturada com muito desejo. Quando Rhys voltou para o volante, ela sorriu. “Pronta para ir?” Ela colocou sua mão na parte superior da coxa dele e apertou. Ele suspirou, olhou para a mão dela, depois olhou para ela. Ela manteve seus olhos bem abertos e inocentes. “Eu estou pronta para qualquer coisa. A pergunta é, você está?” Respirando fundo e com uma expressão um pouco confusa, ele ligou o carro e voltou para a estrada. Melina se recostou em seu assento e sorriu. Ninguém poderia acusá-la de não aprender rápido.


*** Rhys estava tão excitado com a pressão gentil da mão de Melina em sua coxa que ele estava com medo de desmaiar. Ao chegar na casa, no entanto, seus nervos conseguiram superar o seu desejo de alguma forma. Ele tentou dizer a si mesmo que estava sendo ridículo. Ele nunca havia trazido uma mulher aqui, era verdade, mas ele não estava tentando impressionar Melina com a casa. Não havia nada de incrível nela. Ela nem sequer era no lago, apesar de a água ficar a apenas alguns minutos de carro dali. A casa era pré-fabricada, mas ela estava em um estado tão ruim que Rhys teve que reconstruir um terço dela. Com a sua agenda de shows, ele não tinha muito tempo para investir nela, mas quando o fazia, ele trabalhava com total devoção. Ele adorava cuidar do lugar. Era o mais próximo de uma casa fixa que ele havia tido desde quando era um menino. Ele apenas não vinha aqui tanto quanto gostaria. E apesar de, às vezes, chamar Max ou Rod para ajudá-lo com uma coisa ou outra, ele gostava de ficar ali sozinho na maior parte do tempo. Hoje, no entanto, ele havia se sentido obrigado a mostrá-la a Melina. Fosse como fosse, ele estava nervoso para ver qual seria a reação dela. Ele não precisava ter se preocupado. “Oh, Rhys,” ela suspirou quando viu a pequena casa em um terreno elevado ao fim de uma estrada de terra. “Ela é maravilhosa.” Ela saiu do carro e deu uma volta lentamente, absorvendo a paisagem de árvores e montanhas. “Que lugar lindo.” Ficou evidente para ele que ela havia amado o lugar. A surpresa em seu rosto era genuína e correspondia bem a como ele havia se sentido quando ele o viu pela primeira vez. “Obrigado. Eu gosto.” “Como você a encontrou?” “Rod e eu somos amigos a algum tempo, desde quando Max e eu alugamos uma casa flutuante no lago a alguns anos atrás. Eu comentei que gostaria de ter uma casa de férias aqui, e ele me ligou quando esta ficou disponível.” Ela sorriu, um sorriso largo e solto que o fez ficar sem fôlego. “Você vai me mostrar tudo?” Ele riu. “Não há muita coisa para ver, mas claro, eu vou lhe mostrar tudo.” Cerca de trinta minutos depois, ele esfregou as mãos. “Então, vamos fazer um piquenique no lago. Ir nadar.” Ela franziu o rosto. “Mas eu não tenho roupa de banho.” Um sorriso largo dividiu o seu rosto. Ele havia gostado da roupa de baixo que ela havia usado na noite passada. Ele esperava que ela estivesse usando um conjunto igual. “Eu acho que podemos improvisar alguma coisa.” Ela hesitou, depois levantou o queixo. “Ok, isto seria bom.” Ela foi na direção do quarto de hóspedes, parando quando Rhys a chamou. “Nós vamos dormir na cama do quarto principal, Melina.” Ela piscou e corou. Seus olhos correram nervosamente para a porta aberta do quarto, onde a sua


grande cama estava claramente visível. “Ah. Claro.” Mudando de caminho, ela entrou no quarto principal e fechou a porta. Quando a porta do quarto se abriu, Melina saiu usando shorts largos de ginástica e uma camiseta comprida. Apesar de as suas roupas não valorizarem seu corpo, Rhys não se importou. Mesmo que ele não conseguisse convencê-la a tirar a roupa, a água fazia coisas maravilhosas com uma camiseta branca. “Estou pronta,” ela disse suavemente, parecendo bem menos confiante do que estava quando colocou a mão na coxa dele. Depois de superar o choque, ele havia reconhecido a satisfação que a reação dele havia dado a ela. Melina definitivamente gostava de um desafio, e ele estava prestes a lhe propor o maior de todos até agora. “Ótimo. Eu já volto.” Ele entrou no banheiro e vestiu shorts e uma camisa aberta rapidamente. Quando ele saiu do banheiro, Melina sorriu e se virou para a porta da frente. “Espere,” ele disse. “Tem uma coisa que eu preciso fazer primeiro.” “O que é?” Ele segurou os braços dela gentilmente e ela inclinou a cabeça para trás, seus olhos bem abertos, seus lábios entreabertos. “Eu preciso fazer a primeira pergunta do teste-surpresa.”


CAPÍTULO SETE

Regra de Mágica dos Dalton Nº 8: Incentive a participação ativa. A ideia de um teste-surpresa obviamente não era algo que excitava Melina. Ela se afastou dele e cruzou os braços sobre o peito, seus olhos imediatamente refletindo seu desconforto. “Eu não sou muito boa em testes-surpresa.” Um sorriso levantou um canto de sua boca. Não, ela não seria. Melina gostava de se preparar. Pesquisar. Ter as respostas à disposição para que pudesse controlar a situação. Para a sua sorte, ele estava aqui para tirá-la de sua zona de conforto. “A pergunta que eu vou fazer agora não tem uma resposta errada.” Ela apertou os olhos, desconfiada. “Então, não é um teste de verdade. A natureza de um teste implica que exista uma resposta certa ou errada.” Um grande sorriso dividiu seu rosto agora. “E as perguntas de múltipla escolha? Você nunca respondeu uma com D, todas as alternativas estão corretas?” “Sim, claro,” ela começou, hesitante. “Mas—” “Nada de ‘mas,'” ele disse. “Não nesta situação.” Parecendo querer discutir um pouco mais, ela simplesmente deu de ombros e disse, “Tudo bem. Não existem respostas erradas.” “Ótimo. Outra coisa sobre esta pergunta é que você não responde na hora. Você apenas pensa nela. E responde quando estiver pronta.” “Então, qual é a pergunta?” “O que você faria para me ter?” Ela olhou para ele sem entender. “O quê?” Esticando o braço, ele passou o dedão sobre o lábio inferior dela, amando o jeito como as suas pálpebras ficaram pesadas de repente. “Esta é a pergunta sobre a qual você deve pensar. O que você faria para me ter? Sexualmente, claro.” Ela franziu a testa. “Eu não tenho certeza de que entendi a pergunta. No contexto do nosso... nosso acordo, eu acho que faria qualquer coisa que você me dissesse que lhe agrada.” “Então, é assim que você pretende lidar com o próximo homem na sua vida? Dando carta branca a ele? Qualquer coisa vale?” “Bem…” “Sadomasoquismo?” Seus olhos se arredondaram. “Eu acho que depende…” “Brinquedos sexuais?” Ela afastou o olhar, corando desde a raiz do cabelo. “Eu-eu não tenho problemas com—” “E que tal vários parceiros? Duas mulheres? Dois homens?” Os olhos dela voltaram a focar nos dele. “Não. Eu não tenho conseguido satisfazer um parceiro. Não preciso de uma pessoa extra na minha cama com quem me preocupar.”


“Como você sabe que este é o seu limite? Você já experimentou?” “Não. Eu nunca experimentei comer minhocas também, mas eu sei que isso nunca vai acontecer.” “Ok, então você tem uma ideia definitiva do que não faria. Mas não sabe bem o que faria.” “Por que você não me diz logo o que quer, e eu lhe digo se é algo com o qual eu não estou confortável.” A expressão dele ficou séria. “E é aí que a sua vontade de aprender termina? Com a resposta óbvia?” Ela reagiu exatamente como ele esperava. Desafiar a fome de Melina por conhecimento e complexidade e esperar que ela ficasse quieta e aguentasse? De jeito nenhum. Com as mãos nos quadris, ela levantou o queixo. “Onde exatamente você está querendo chegar, Rhys?” “Você sabe tão bem quanto eu que, às vezes, a chave do aprendizado é descobrir as coisas por si mesmo. Por que isso não se encaixaria nesta situação também?” Ela chegou perto de fazer beicinho. “Está parecendo uma pergunta do tipo pegadinha.” Ele riu. “Não pode ser, porque a resposta é o que é. Se você está disposta a fazer o que eu pedir e nada mais, então, esta é a resposta.” “Você está falando em círculos,” ela gritou. “Eu não quero adivinhar o que preciso fazer. Eu quero saber. Foi por isso que eu pedi ajuda ao Max. Eu não quero jogar apenas para perder novamente.” O coração dele pulou quando ele viu a verdadeira agonia em seus olhos. “Querida, você não vai perder. Isto não é possível.” Ela apenas balançou a cabeça, mordendo o lábio até que ele quis pegá-la nos braços e segurá-la. Então, foi isto que ele fez. Ele a abraçou e a embalou. Ela o deixou abraçá-la, mas não retornou o favor. Logo, ela se afastou. “Eu sinto muito. É óbvio que eu não consigo nem fazer isto direito. Eu acho melhor ir embora.” “É isso que você realmente quer?” ele perguntou em voz baixa para disfarçar seu próprio desespero. “Desistir antes que a gente comece?” “Não. Mas eu não entendo porque você está tornando isso tão complicado.” “Porque, apesar do que você com certeza pensa, os homens são complicados. Prazer é complicado. Não é apenas uma questão de dizer a alguém o que eu gosto. É uma questão de você descobrir. Ler os sinais. Aprender a confiar nos seus instintos. E depois agir, mesmo que isto a deixe desconfortável. Porque você sabe que, no fim, o prazer valerá a pena.” Ela não parecia convencida. Droga, ela praticamente revirou os olhos, o que deixou claro para ele algo sobre o grau de prazer que os seus amantes haviam dado a ela. Ela obviamente precisaria ser mais convencida antes de concordar com o seu plano de aula. “Ok, então vamos voltar para a nossa conversa no carro. Você disse que os homens queriam algo extravagante. Uma seta pintada com batom vermelho cai nesta categoria, certo?” Ela franziu o rosto, claramente nem um pouco feliz de pensar naquela pequena mensagem de novo. “Bem, as coisas nem sempre são tão simples. Quando você diz que os homens gostam de extravagância, você está simplificando demais as coisas.”


“É mesmo? E como eu estou fazendo isso?” “O que aquela mulher fez... não foi excitante porque ela se sentou na minha frente praticamente nua—” Ela soltou uma gargalhada e ele parou, lançando um olhar irritado para ela. “Desculpe,” ela murmurou. “Foi excitante porque ela teve a coragem de fazer aquilo. Sejam quais forem as razões dela, ela realmente queria transar comigo. Não comigo, necessariamente. Eu poderia ter sido Max ou outro mágico famoso, mas ela iria conseguir o que queria desesperadamente, de um jeito ou de outro. Você já quis alguma coisa assim, Melina? Porque, acredite, eu quis. E eu nunca pensei que teria a mínima chance de conseguir isso. Não até eu entrar no meu quarto de hotel ontem e encontrar você me esperando. Não até eu entender que faria qualquer coisa—correr pela avenida principal de Las Vegas com batom em todo o meu corpo—para sentir o seu sabor só uma vez antes que você recuperasse a sanidade e fosse embora.” Ela estava respirando fundo, seus olhos arregalados e confusos, olhando para ele como se nunca o tivesse visto antes. E ela não tinha. Não de verdade. Ele nunca a tinha deixado ver a paixão que ele nutria por ela, não de forma tão clara e exposta. Mas ele a estava deixando ver agora, se ela se desse ao trabalho de enxergar. “Você já se sentiu dessa forma por qualquer um dos seus amantes, Melina?” Lentamente, ela balançou a cabeça. “Então, se os seus ex-namorados lhe acharam insatisfatória, não foi porque você não tinha habilidade suficiente. Foi porque eles sabiam que você não sentia aquela paixão por eles. Isto não significa que você não tenha a paixão dentro de você.” Eu que o diga, ele pensou. Ela o havia dado o que ele desejava, e ele quase enlouqueceu. Ela balançou a cabeça, e seus olhos focaram e se apertaram. “Eu não acredito em você,” ela murmurou. “Como diz aquele velho ditado? Todos os gatos são pardos no escuro? Uma mulher sem inibição, uma mulher que só se importa com seu próprio prazer, faz exigências. Seu foco não está no homem. Claro, faz bem ao ego ter uma mulher louca por ele, mas no fim, o homem vai querer se satisfazer. Eu não sou uma pessoa muito apaixonada, mas se eu tiver a habilidade, é isso que vai fazer diferença no fim.” “Eu não disse que a mulher só se importaria com seu próprio prazer o tempo todo. Sexo de qualidade tem a ver com conexão, mesmo se for apenas em um nível químico. Tem a ver com dar e receber. Tem a ver com alguém querendo você por tudo o que é e não é, independente de medidas, dinheiro ou passado. Foi por isso que a audácia daquela mulher me excitou, mas apenas até um ponto. Ela não queria a mim. Ela queria um personagem. Quem ela pensava que eu era.” Seus olhares se encontraram antes que ela respirasse fundo. “Mas o que você está dizendo... quase parece que você está descrevendo emoção. Amor.” Ele deu de ombros, querendo levar a conversa para aquela direção, mas sabendo que isto apenas a assustaria. E a ele também. Ele tinha sorte de ter este fim de semana. Ele não podia exagerar e esperar mais. “Parece, não é? Como eu disse, as coisas não são tão simples. Poucas coisas são. Este fim de semana tem a ver com experimentação. Descobrir o que o outro gosta e não gosta. Brincar e


acariciar. Mas também tem a ver com expandir os limites um do outro. Descobrir o que nos move. Até onde você irá para me ter. É assim que você irá entender o que agrada um homem, Melina. Não comigo mostrando ou dizendo isso a você. E sim estando motivada a descobrir isso por si mesma.” “E você acha que pode me motivar?” Sem dizer nada, ele lançou um sorriso travesso para ela. Isso já foi suficiente para fazê-la corar. No entanto, ela não desistiu sem lutar. “Então, deixe-me ver se entendi. Você está dizendo que, ao invés de me dar instruções claras sobre o que um homem gosta, você vai me fazer descobrir isso sozinha?” “Eu prometo fazer muitos comentários. Mas o que eu gosto pode não ser o que outro homem gosta. Fazer as coisas assim não só fortalece a sua confiança, mas os seus instintos também.” “Ou apenas me faz parecer uma boba de novo. E provavelmente traz muita frustração para você.” “Se você está disposta a correr o risco, eu acho que conseguirei aguentar.” Ela apertou os lábios, pensando naquilo. “Eu não sei, Rhys. Talvez isso não seja—” “O que você acha de fazermos um acordo?” Ela deu um passo para trás, claramente desconfiada. “Que acordo?” “Eu concordo em lhe contar o que eu gosto. O que a maioria dos homens gosta. Mas sempre que eu o fizer, você terá que tentar algo por si mesma.” “E se eu fizer alguma coisa que você não gosta?” “Aí você ganha e não terá que fazer isto de novo.” “Você está tão seguro assim da sua teoria?” “Eu estou tão seguro de você. Você pode ficar ali parada e não fazer nada e eu ainda ficarei excitado. Imagine se você fizer alguma coisa, qualquer coisa, comigo.” Ele rosnou, fazendo os olhos dela se arregalarem. “Mas, como você vai saber se você ganhou?” “Eu não posso perder nesta situação, não é? Eu lhe digo o que me agrada, você faz. Você experimenta alguma coisa que eu gosto, e me agrada. Você experimenta alguma coisa que eu não gosto, nós voltamos ao começo e eu lhe digo o que eu gosto. Certo?” Ela apertou os olhos, como se tentasse entender o raciocínio enrolado dele. “Eu acho.” “Bom. Agora, nós provavelmente deveríamos ir se queremos entrar na água antes que fique frio.” Ele lhe entregou uma cesta com uma colcha e utensílios de papel. “O que você acha de jogar um jogo durante a viagem até lá?” “Um jogo?” Ela o seguiu até o carro. “Sim. Isso é algo que os homens também gostam. Provocação. Brincar com seu parceiro. E não apenas fisicamente. Ontem à noite, eu lhe pressionei um pouco para falar comigo. Me dizer o que você gosta.” “E?” ela perguntou cautelosamente. “E eu percebi que nunca havia ouvido você falar sacanagem antes.” No carro, ele abriu a porta do motorista e se virou para ela com uma sobrancelha levantada. “Então, o que você acha, Melina? Você pode me dizer algumas das suas palavras sexuais favoritas?” ***


Melina não sabia porque, mas algo no pedido de Rhys a irritou. Ela entrou no carro e bateu a porta. Enquanto Rhys ligava o motor e saía da garagem, ela o observava com um olhar de fúria. “Você não acha que eu vou fazer isso, não é?” “Por que eu acharia isso? Você é muito boa em seguir instruções.” Ela sentiu sua têmpora latejar, ainda sem entender a razão da sua irritação. Tudo o que ela sabia era que ele parecia calmo e controlado demais para ela, especialmente quando ela estava sentindo o oposto. “Como assim? Você não acha que eu tenha a criatividade para ser uma boa amante? Bem, você está certo. Mas se existe uma coisa na qual eu sou boa, são as palavras.” “Por que você está brava?” Ela olhou para fora e cruzou seus braços sobre o peito. “Eu-eu não sei. Talvez porque isso tudo parece uma grande piada para você.” Ele freou tão de repente que ela foi empurrada para frente, contra o seu cinto de segurança. Com uma mão no volante e outra do apoio de cabeça atrás dela, ele a encarou. “Me diga uma coisa que eu fiz para fazer você pensar que isso é uma piada para mim.” “É óbvio, não é? Você está tentando me deixar desconfortável descrevendo as coisas. Tirando sarro do meu lado intelectual.” “Eu não estou tirando sarro. Eu adoro o seu lado intelectual. Você iria preferir se nós simplesmente tirássemos a roupa e transássemos algumas vezes para aliviar a tensão?” “Sim,” ela afirmou. “Bem, não é disso que você precisa, e não é isso que você vai conseguir comigo. Se você não gosta dos meus métodos, eu posso levar você para casa. Eu tenho certeza que você pode fazer o Max lhe encontrar com uma ligação.” Com isso, ele se endireitou no assentou até estar virado para frente. Ela apertou os lábios, tentando não chorar. “Desculpe. Eu não sei o que há de errado comigo. E eu não quero ligar para o Max.” Eu quero você, ela pensou. Sempre foi você. Ele suspirou e começou a dirigir novamente. “Não há nada de errado com você. Você só está se sentindo fora do seu elemento. Mas, em algum momento, para que nós possamos progredir, você vai ter que confiar em mim. Acreditar que eu só quero o melhor para você.” Ela riu graciosamente. “Então, é o meu aniversário de dezesseis anos de novo. Você decide tudo, e eu apenas espero que você aja. A Trisha James vai fazer uma aparição surpresa também?” O maxilar dele se apertou. “Se você quer discutir aquela noite, nós podemos. Francamente, eu não acho que você está pronta para ouvir o que eu tenho para dizer.” Sem dúvida nenhuma, as palavras dele despertaram a sua curiosidade. O que ele podia dizer a não ser que sentia muito? Ela baixou a cabeça. “Não, não vamos entrar nesse assunto. E eu confio em você, Rhys. Com essa situação, comigo, eu confio em você.” Ele não disse nada. O clima no carro havia ficado sério, e ela era a única culpada. A sua única chance de ficar com Rhys, e o que ela havia feito? Estragado tudo, apenas porque ele não a jogou na cama assim que eles entraram no seu chalé. Pensando rápido, ela soltou, “Arrebol*.” “O quê?”


“Esta é a minha primeira palavra. Arrebol.” Ele olhou para ela, sua boca curvada e um ar de divertimento enrugando os cantos dos seus olhos. “Legal, mas um pouco adiantado, você não acha?” Ela deu um suspiro de alívio. Talvez ela conseguisse consertar as coisas. “Boquete,” ela disse, tentando chocá-lo. “Ah. Uma das minhas favoritas.” Ela acenou. “Mas um pouco previsível.” Ela descruzou os braços e se aproximou dele. Ela balançava levemente com as vibrações suaves do carro, e colocou uma mão no painel para se firmar. “Clitóris. P-pau.” Ele riu quando ela gaguejou, mas a risada soou um pouco forçada, então, ela não se ofendeu. “Novamente, alguns claros favoritos. Continue.” Ela se perguntou se ele havia ligado o ar quente, ou se era apenas o desejo dela que a estava fazendo corar e se sentir leve e formigando por dentro. “Clímax. Coito. Gozo.” “Uau. Estas são ótimas escolhas.” Apesar do seu esforço para parecer tranquilo, ela sabia que o estava afetando. Suor havia aparecido sobre o seu lábio superior, e seus dedos pareciam segurar o volante com força extra. Os nós dos seus dedos estavam brancos enquanto ela continuou. “Copular. Creme.” “Esta não é uma palavra de sacanagem.” “É se você estiver lambendo creme do corpo de alguém.” Ele fez uma careta. “Você fez muito isso, então?” A ideia de que ele pudesse estar com ciúme a fez distorcer a verdade um pouquinho. Ela havia assistido a um filme onde o chantili havia sido um acessório importante. “Só uma vez. Mas eu pude ver o que estava perdendo.” Ele não disse nada, mas respirou fundo. “E agora, a minha favorita.” Se inclinando para frente, ela encostou os lábios na orelha dele e sussurrou sua próxima palavra. “Cunnilingus.” Ele assoviou ao respirar. Quando ela esticou a mão para colocá-la em sua coxa novamente, a mão dele se levantou, segurando o pulso dela. “Não,” ele resmungou, sua voz gutural. “Ou vai acontecer o quê?” ela sussurrou. “Nós nunca vamos chegar na água. E eu estou precisando me refrescar.” Ele parou o carro e ela olhou ao redor. Eles haviam chegado ao lago. “Que pena. Eu estava só começando. Mas eu acho que você está certo. Os homens realmente gostam de papo de sacanagem.” Ela baixou os olhos para ver a sua ereção, que estava saltando de seus shorts. “Pelo menos você gosta. Tem certeza de que não quer ouvir a próxima palavra?” Ele apertou os olhos para ela. “É bom, não é?” Ela se afastou e ele a soltou lentamente. “O quê?” “Saber que você pode me deixar duro só de falar comigo. Saber que apenas o som da sua voz me agrada.” “Agrada mesmo, não é?” ela perguntou, uma sensação de surpresa a fazendo sorrir. “Segure-se aí, Joaninha. Existe um limite do que um homem consegue aguentar antes de ceder.”


“Qual é o seu limite?” ela fez um biquinho. “Isso é para eu saber e—” “—para eu descobrir.” Ele piscou, depois abriu a porta do carro. “Vamos. Eu estou faminto.” Pegando a cesta e a colcha, ele caminhou até um lugar com sombra na beira do lago. Ela ainda estava cheia de satisfação enquanto desempacotava a comida. Aquela sensação sumiu cinco minutos mais tarde quando Rhys tirou a camisa. Pele macia e bronzeada, músculos definidos e uma barriga tanquinho que quase a hipnotizou. “O que você quer fazer primeiro?” ele perguntou, apontando para a toalha com pão crocante, queijo gouda, uvas e presunto. “Uh…” Ela balançou a cabeça. “Eu não estou com muita fome, na verdade.” “Eu serei rápido.” Ele pegou uma uva. Antes que ela se desse conta do que estava fazendo, ela colocou a mão sobre a dele, parando-o. Ela estava respirando rápido, seu coração batendo forte em seus ouvidos, quando ela encontrou os olhos dele. “É minha vez, não é? De fazer o que eu acho que irá agradar você?” Seus olhos verdes se escureceram. “O que você tem em mente?” “Você…poderia chegar mais perto?” Obedientemente, ele o fez. Ela pegou uma uva grande e a levantou. Quando ele abriu a boca, ela colocou a uva em sua língua. Ele mastigou a fruta suculenta devagar, depois engoliu. “Você…você quer outra?” “Por favor.” Ela pegou outra uva e a deu a ele. Desta vez, antes que ele a deixasse afastar a mão, ele chupou as pontas de seus dedos. Ela respirou rápido. Aos poucos, ela o alimentou. Com as uvas. O pão e o queijo. Quando ela enrolou uma folha fina de presunto em seu dedo indicador e a ofereceu para ele, a sua respiração estava tão forte quanto a dela. Segurando seu pulso suavemente, ele guiou o dedo dela até a sua boca, retirando lentamente o alimento de seu dedo e o chupando com firmeza. Ela gemeu. Ele gemeu. Depois de soltar o dedo dela com um barulho, ele se levantou. “Rhys,” ela sussurrou. “Você é uma moça perigosa. Eu vou ter que entrar na água ou vou atacar você.” “Então, você gostou que eu o alimentasse?” “O que você acha?” Ela engoliu em seco. “Que você gostou.” “É. Gostar é pouco.” E com isso, ele se afastou dela, os olhos vidrados nos dela até o último momento possível, então ele se virou e se jogou na água, respingando-a com uma grande onda que a fez gritar enquanto ria alto. *** “Entre. A água está ótima.” Melina ficou parada na beira do lago sem ter certeza do que fazer enquanto Rhys sinalizava para


que ela se aproximasse. Ela queria ficar perto. Mais perto. Ela queria tanto que seus dentes doíam. Seu corpo estava queimando e ela não sabia quanto mais ela conseguiria aguentar a provocação. Havia apenas um problema. Ela era covarde. Ela tinha sido covarde demais para usar o biquíni, e era covarde demais para tirar a roupa e ficar de sutiã e calcinhas. Não brancas, mas um tom de pêssego pálido que era tão transparente que não deixava nada para a imaginação. Talvez ela tenha se mexido com aquele pensamento, porque Rhys estava olhando para ela de modo estranho. Ela precisava entrar na água e rápido. Que outra escolha ela tinha? “Eu já vi tudo o que há para ver, lembra?” ele disse, gentilmente. Nem tudo, ela pensou histericamente. Ele nunca a havia visto tentando ser uma femme fatale. Ele nunca havia visto seu corpo nu sob a luz do sol, cada curva e quilo extra de carne visível. A noite passada havia sido diferente. Na noite passada, estava escuro. Na noite passada, ela não sabia que era ele, e também havia bebido. Por que ele não tinha trazido um vinho para combinar com o piquenique romântico? Ela sacudiu quando percebeu que havia feito a pergunta em voz alta. “Porque nós vamos assumir total responsabilidade pelo o que vamos fazer. Nada de se esconder atrás de maus entendidos, visão embaçada ou embriaguez. Da próxima vez que eu ficar entre as suas pernas, Melina, você vai estar totalmente consciente de quem está lá.” “Eu-eu—” Ele levantou uma sobrancelha com a incapacidade dela de responder. Isto a deixou irritada novamente. Morte por frustração, ela jurou. Ele ficaria bem familiar com o termo antes que ela terminasse com ele. Respirando fundo e levantando seu queixo desafiadoramente, ela puxou a camiseta por cima da cabeça. Ela ouviu a respiração profunda e imediata de Rhys. Antes que pudesse mudar de ideia, ela puxou os shorts para baixo, chutou-os para longe e se preparou para mergulhar na água. “Pare.” Ela congelou com a firmeza intensa na sua voz, que estava acompanhada de sons distintos de água. Ele estava saindo da água rapidamente, sua mão levantada para corresponder ao seu comando. O olhar dele estava preso no corpo seminu dela, o calor negro dele queimando-a da melhor forma possível. Ele parou a alguns centímetros de distância dela, água caindo do seu cabelo e ombros em linhas sinuosas que ela desejava sorver. Todos os pensamentos de provocá-lo até a loucura desapareceram. Ela caiu para frente, querendo ficar de joelhos, puxar seu calção de banho para baixo e colocá-lo em sua boca. Ao invés disso, ela disse a primeira coisa que veio à sua cabeça. “Eu comprei um biquíni na Holiday Harbor, mas eu não sou o tipo que usa biquíni, então eu pensei em simplesmente—” Ele riu e foi na direção dela até que estivesse na sua frente. “Você é exatamente o tipo que usa biquíni, Melina.” Pegando os seus pulsos gentilmente, ele descruzou os braços dela e os manteve abertos. A total aprovação no rosto dele fez as suas coxas se apertarem de desejo. “Mas eu adoro a sua lingerie. Deus, a sua pele parece tão macia. Como creme. E os seus seios…” Ele gemeu.


Ela olhou para o próprio peito, onde seus seios estavam seguros e levantados por um sutiã meiataça. Suas curvas eram de tamanho médio, mas seus mamilos estavam rijos e apertados contra o tecido. Soltando os pulsos dela, ele esticou as mãos, segurou seus dois seios, depois apertou seus mamilos entre os dedos, girando-os suavemente antes de soltá-los. “Rhys,” ela gemeu enquanto ele baixou a cabeça, sugando primeiro um mamilo e depois o outro. Ele os sugou com força, como se quisesse engoli-la inteira, e ela entrelaçou seus dedos no cabelo dele, pronta para se oferecer completamente para ele. Com um suspiro, ele se moveu para beijar seu colo, mordiscando sua pele de uma forma que, ela sabia, iria deixá-la marcada. Marcada da melhor forma possível. Mas então, ele se afastou dela. De novo. Não, não, não. “A única coisa que seria mais linda do que você assim, é você assim e molhada. Especialmente molhada.” Antes que ela pudesse responder, ele se virou e pulou de novo na água. “Você vai entrar?” A pergunta dele parecia sufocada. Como se ele tivesse que se esforçar para fazê-la. Apesar da dor frustrante que ele havia causado em seu corpo novamente, ela sorriu. A dor era muito melhor do que o nervosismo havia sido. Além disso, ela estava começando a entender o que Rhys queria dizer com imprevisibilidade e sexo ser divertido mesmo quando você estava apenas insinuando-o. Sim, ele tinha mais experiência, mas isso apenas a dava mais com o que trabalhar. Com um movimento rápido, ela mergulhou atrás dele. *** Na segurança relativa da água, Rhys segurou seu pênis rijo dentro do calção de banho. Freneticamente, ele tentou pensar em algo, qualquer coisa, que o desse um pouco de controle enquanto ele observava Melina nadar lentamente na direção dele. Infelizmente, até pensar em seu episódio favorito de Seinfeld não promoveu o encolhimento que havia causado tanto constrangimento a George Costanza. Ele estava pronto para a ação, especialmente depois do jogo de palavras que eles haviam jogado e dos dedos dela o alimentando, com os olhos vidrados na boca dele o tempo todo. Vê-la com aquele sutiã e calcinha transparentes quase o fizeram perder o controle. Então, o que, afinal, ele estava esperando? Quando Melina gritou e riu, depois mergulhou para ver o que havia se esfregado nela, ele pensou, Isto. Ele estava esperando por isto. Claro que ele queria desfrutar do corpo dela, mas ele queria muito mais do que isso. A oportunidade de brincar com ela. Saber mais sobre ela. Desfrutar dela. Quando este fim de semana terminasse, ele perderia esta chance. Melina estava baixando a guarda porque ela tinha uma desculpa, mas assim que a sua desculpa acabasse, a estranheza e a timidez e as diferenças voltariam ao seu radar. Na verdade, elas provavelmente ficariam piores. Ele seria Rhys, o irmão de Max, de novo. Mas ele também seria o homem que havia a visto vulnerável e, quando voltasse para o mundo real, Melina se lembraria disso.


Ele teria que encaixar uma vida inteira de amor por Melina em apenas dois dias. Quando subiu à superfície para respirar, ela estava sorrindo. “Você deveria ter me avisado que tínhamos companhia.” Ele deu de ombros. “Você gosta da natureza. Peixes. Insetos. Qual é a diferença?” Ela riu alto. “Você só pode estar brincando. Os insetos estão mais alto na cadeia evolucionária do que os peixes, sabia?” As sobrancelhas dele se ergueram. “É mesmo?” Ele sabia de alguns fatos sobre insetos simplesmente porque Melina costumava mencioná-los ocasionalmente durante uma conversa. Ele havia até feito algumas pesquisas independentes porque saber mais sobre insetos era um patético passo mais perto de saber mais sobre Melina. Isto, no entanto, ele nunca havia ouvido antes. Ela boiou de costas, fechando os olhos com um sorriso de satisfação em seus lábios que o fez lembrar da expressão que ela havia tido no rosto quando disse o nome dele e dormiu em seus braços. “Hã-hã!.” Ele nadou para mais perto, observando a água pairar sobre a barriga macia e arredondada e coxas suculentas dela. “E no que você baseia essa teoria?” ele perguntou sem muito interesse, sem conseguir tirar os olhos do umbigo dela. Ele queria mergulhar a língua nele e depois descer devagar. “Darwin ou o Gênesis?” Ela bocejou. “Os dois, na verdade. Mas você não quer ouvir sobre isso.” Silenciosamente, ele a segurou pela cintura e a puxou na direção dele. Com um grito de surpresa, ela colocou os braços ao redor do pescoço dele, e ele a convidou a colocar suas pernas em torno da sua cintura. Os olhos dela se arredondaram quando a rigidez dele se estabeleceu entre as suas coxas. Sem conseguir se controlar, ele apertou o corpo dela contra o dele e inclinou a testa contra a dela. “Agora, eu quero ouvir qualquer coisa que você queira me dizer.” Ela se recostou para trás com a boca aberta, mas depois hesitou. Eles olharam um para o outro, tão próximos que ele podia ver as rajadas douradas nos olhos gentis dela. Creme e calda, ele pensou, se aproximando para dar um beijo suave em seu ombro. Ele continuou, beijou o outro ombro, mordiscou-o, depois lambeu a pequena mordida. “Você é a coisa mais linda que eu já vi, Joaninha.” Ela suspirou, mordeu o lábio e piscou várias vezes. Quando ele se aproximou para beijá-la, ela deu uma risada forçada, balançou a cabeça e o afastou, olhando para ele por cima do ombro. “De acordo com o criacionismo, os peixes foram criados no dia cinco, os insetos no dia seis, juntos com o homem e a mulher. Para os evolucionistas, a vida originou nos oceanos primitivos. É uma das poucas coisas nas quais os dois concordam. Peixes primeiro. Insetos depois.” “Hum. Eu vou fazer questão de lembrar deste fato. Venha aqui.” Ele tentou tocá-la, mas ela nadou para longe novamente, fazendo-o rosnar de frustração. Ela nunca o havia provocado deste jeito. Max, sim. Ele havia observado ela e seu irmão flertarem e tocarem um ao outro com afeição enquanto ele não fazia nada a não ser se afastar, desejando que as coisas fossem diferentes. Ele gostou da sua provocação bem mais do que ele imaginou ser possível. “Eu acho isso interessante, sabe—a teoria de que os homens e os insetos foram criados no mesmo dia. Assim como os homens, os insetos machos são bastante dispostos a desempenhar rituais de acasalamento para conseguir o que querem de uma fêmea.”


Com os olhos apertados, ele teve a sensação clara de que ela estava tentando reconstruir uma parede entre eles. Ele nadou para perto dela e, como ele imaginava, ela nadou na direção oposta. O que ele havia feito para assustá-la? Para testá-la, ele não avançou, mas se deixou flutuar imperceptivelmente mais perto. “Você faz isso parecer tão calculado. As mulheres—e eu imagino que os insetos fêmeas—também tem seus propósitos, suas necessidades.” “Diga isso ao percevejo fêmea. Quando ela deixa um macho que aproximar, ele perfura a sua cavidade com o pênis para depositar esperma. Parece bem calculado para mim.” Ele fez uma cara feia. “O que você está dizendo, Melina? Você está com medo que eu a machuque? Os insetos machos também não têm uma vida fácil, sabia? Todo mundo sabe o que acontece com um louva-deus macho quando ele acasala.” A confusão tomou conta da expressão dela, fazendo-a parecer com a garotinha que ele conheceu quando os pais dela haviam aparecido pela primeira vez para ajudar os pais dele. Novamente, ela pareceu forçar um pequeno sorriso. “A fêmea apenas arranca a cabeça dele ocasionalmente. Apenas quando é merecido, eu tenho certeza.” Ela balançou a cabeça e sua expressão ficou mais melancólica. “Falando sério, claro que eu não acho que você vá me machucar. Eu acho que o que estou querendo dizer é que eu sei como as coisas são. É por isso que eu quero aprender como agradar um homem fisicamente. As flores. Chocolates. A conversa que um homem usa quando está interessado em uma mulher. Tudo isso é parte do ritual de acasalamento. O homem faz um grande esforço para conseguir a atenção da mulher para que consiga o que quer.” Não gostando do que estava ouvindo, ele a cercou como um tubarão, notando o aumento da cor nas bochechas dela e a rapidez da sua respiração. “Eu ainda não estou entendendo onde você quer chegar.” “O que eu quero dizer é que…você não precisa fazer nada disso. A provocação. O piquenique. Os elogios.” Ela dispersou o ar que os separava. “As pequenas aulas sobre confiança e submissão. Tudo isso. Eu não preciso ser cortejada, Rhys. Eu lhe darei o que você quer. Eu lhe darei tudo o que você quer neste fim de semana.” A sua mensagem estava implícita, mas clara. Neste fim de semana, mas não mais do que isso. Ele avançou na direção dela e ela gritou, mal conseguindo escapar do alcance dele desta vez. Apesar da lenta e crescente raiva dentro dele, ele tentou sorrir predatoriamente. “Eu sou o professor aqui, lembra, querida? Ou você decidiu que há uma ou duas coisas que você pode me ensinar? Se sim, eu vou me deitar naquela colcha de piquenique agora mesmo para que você me mostre o que sabe. Você vai me entender claramente.” Os olhos dela se arregalaram, e ele podia vê-la pensando. O que ela disse, no entanto, foi como um balde de água fria. “E que tal se você se deitasse em uma cama e me deixasse amarrá-lo? Isso seria imprevisível o suficiente para você?”


CAPÍTULO OITO

Regra de Mágica dos Dalton Nº 9: Amarre alguém e coloque uma música ambiente. Depois da declaração ousada dela, Melina não ouviu nada a não ser o barulho gentil da água. Sem conseguir aguentar, ela olhou para baixo, forçando o olhar como se quisesse ver um dos peixes que haviam passado por ela. Talvez ela tivesse sido ousada demais? Cruzado o limite? Ele não havia dito que eles fariam as coisas pelos seus métodos, ou não fariam nada? “Olhe para mim.” Tremendo com o comando forte dele, ela levantou a cabeça relutantemente. Ela arfou ao ver o intenso desejo refletido em seus olhos semiabertos, que brilhavam como gemas quentes, mas ela não deixou de perceber o toque de temperamento ao redor deles. “Depende do que está motivando você. Você está com medo de mim? Porque, se for isso, então toda essa coisa—” “Eu não estou com medo,” ela disse rapidamente. “Eu disse que confio em você, e confio. É apenas algo que eu nunca fiz antes. Todos os meus outros amantes, eu teria me sentido tola pedindo a eles. Mas com você—” Ela balançou a cabeça. “Esqueça. Foi mais uma ideia estúpida—” “Venha aqui, Melina.” O jeito como ele disse aquilo, com mais do que uma sugestão de desafio, fez o seu coração pular fora de controle. Para responder àquilo, ela levantou uma sobrancelha, mas não se aproximou dele. “Por quê?” Em resposta, ele deslizou lentamente na direção dela, até que eles estivessem um ao lado do outro, suas pernas ocasionalmente batendo nas dela. O que ele havia dito sobre vê-la molhada? Porque, se ele a tocasse no lugar certo—ela quase gemeu ao pensar—ele sentiria que ela estava bem mais molhada do que a água podia deixá-la. Ela também estava tão quente que ficou surpresa de a água em torno deles não ter começado a ferver. Esticando a mão, ele tocou o rosto dela, passando o dedão sobre a sua sobrancelha em um gesto terno que ainda conseguia fazê-la pensar naquela cama grande no quarto dele e nele amarrado e pronto para o prazer. Dele e dela. Ele sorriu como se conseguisse ouvir o pensamento dela. “Porque eu vou beijar você, E nós vamos sair deste lago, guardar as coisas, voltar para a minha casa, de preferência sem bater em nada, e você vai me amarrar. Mas com uma condição.” Ele flutuou mais perto, até que os mamilos dela roçassem no peito dele, em uma dança de provocação coreografada pela água que os cercava. O desejo corria nas veias dela, uma dor pesada que a fazia querer colocar os braços ao redor dele e afundar até o ponto mais profundo, como uma sereia levando seu marinheiro para longe de suas funções em favor da sensação decadente. Sem conseguir se controlar, ela esticou as mãos e as colocou nos ombros dele, segurando o músculo firme ao voltar a sua posição com as pernas ao redor da cintura dele. “E qual é?” A expectativa, uma mistura excitante de medo e desejo, a invadiu. Com mãos firmes, Rhys segurou as polpas do traseiro dela e se curvou sobre ela, indicando claramente que a brincadeira havia acabado. Ele esperou até que o gemido baixo dela aquietasse antes de responder. “Eu irei devolver o favor.”


*** Eles não bateram na viagem de volta até a casa de Rhys, mas a situação foi literalmente “perigosa” por todo o caminho. O perigo vinha principalmente dela, tocando e provocando Rhys do banco do passageiro, suas mãos cruzando o peito dele, acariciando suas coxas, segurando o pacote espetacular entre elas enquanto ele apertava os dentes e tentava se concentrar na estrada, os nós brancos de seus dedos segurando o volante com força. Durante a louca viagem de cinco minutos, ela saboreou a agora familiar e intoxicante onda de poder, a certeza de que ela era a razão para que ele estivesse quase perdendo o controle. O poder foi transferido, no entanto, quando ela começou a beijá-lo. Ela começou em seu pescoço, nos cantos de sua boca, e estava descendo quando ele parou o carro de repente e a afastou. Com sua respiração curta preenchendo o pequeno espaço do carro, ele a impediu de se afastar dele, balançando a cabeça em advertência. “Estamos quase lá.” O tom baixo de sua voz correu pela sua pele como seda áspera, rica e macia, mas com textura suficiente para provocar ao invés de satisfazer. “Então, por que você parou?” ela sussurrou ao inclinar a cabeça como se implorasse por um beijo. A mão em seu cabelo se apertou, e a sensação de prazer e dor fez seus olhos se abrirem. A pressão profunda de necessidade entre suas coxas deixou ainda mais claro que ela provavelmente gostava das coisas mais brutas do que ela poderia imaginar. “Porque as suas mãos em mim são uma coisa, mas se os seus lábios chegarem mais perto do meu pau, nós não vamos chegar até a cama. Eu vou parar o carro e te agarrar aqui mesmo, e não foi isso que você pediu—” “Eu mudei de ideia,” ela suspirou, amaldiçoando a própria estupidez em silêncio. Ela esqueceu a razão de ter tido a ideia de amarrá-lo. Se ele estivesse amarrado, ele não poderia colocar as mãos nela, e ela queria as mãos dele nela. Tanto que ela estava pronta para implorar, mas ele apenas balançou a cabeça rigidamente. “Me beije. Um beijo. Depois sente-se direitinho como uma boa garota até que cheguemos lá.” Ela cravou as unhas nos ombros dele, dando-lhe uma amostra da fome que existia dentro dela. “Mas eu não quero ser uma boa garota. Não mais.” Ele rosnou e tomou o beijo pelo qual havia pedido. Seus lábios cercaram os dela, sua língua mergulhou profundamente, e o tempo todo, ele manteve as mãos na cabeça dela, em seus cabelos, guiando sua boca, virando-a deste jeito e daquele, exigindo que ela o desse o que queria. Então, ela o afastou. “Não se mexa,” ele disse ao soltá-la e voltou a olhar para a estrada, começando a dirigir com uma certa inclinação. Aquela era uma ordem difícil de obedecer, mas ela cravou as unhas em suas palmas, se consolando com a ideia de que eles chegariam logo. Ao olhar para ele, no entanto, uma vontade diabólica de empurrá-lo ainda mais para a beira do abismo se apoderou dela. Ela sempre havia tido dificuldade em falar sacanagem na cama, mas agora, a vontade a estava controlando


totalmente. “A primeira coisa que eu vou fazer quando você estiver amarrado é colocá-lo na minha boca,” ela disse suavemente. Ele se mexeu de surpresa e olhou para ela, depois apertou o maxilar ao se concentrar na estrada novamente. “Eu-eu não tenho muita experiência com isso,” ela confessou, “porque eu nunca gostei realmente. Mas com você, eu quero provar cada pedaço. Prendê-lo na minha boca. Na minha garganta, para que você não consiga escapar jamais.” Ele piscou. Gemeu. Baixou a mão para se tocar. Mas apenas por um segundo. Quando ele estava com as duas mãos no volante novamente, ele lançou um olhar penetrante para ela, o brilho em seus olhos prometendo retribuição. “E quando eu estiver na sua garganta e não conseguir escapar, o que você vai fazer?” “Eu-eu—” Ela se esforçou para encontrar algo inteligente para dizer. Algo safado e excitante e depravado. Mas tudo o que ela conseguiu dizer foi a verdade. “Eu vou chupá-lo até que você goze.” Ele suspirou e fez uma curva fechada. “A não ser que você goze primeiro.” “Como assim?” ela perguntou tolamente. O carro parou. Ela sequer notou que eles haviam chegado na casa. “Eu não quero apenas deitar lá quando uma mulher está me satisfazendo com a boca, Melina. Eu devolvo o prazer a ela.” Surpresa, ela não conseguiu fazer nada além de olhar para ele boquiaberta enquanto ele dava a volta no carro, abria a sua porta e a pegava nos braços, carregando-a pelos degraus até a casa com uma agilidade que a deixou sem fôlego. Manobrando até o quarto, ele a depositou gentilmente na cama. Ele a deu mais um dos seus beijos intensos e dominadores e começou a tirar a sua roupa. As mãos dela correram para fazer o mesmo, mas de alguma forma, ele havia conseguido ficar nu antes que ela pudesse fazer mais do que puxar a camisa dele sobre seus ombros. Ele segurou as mãos dela ao lado da cama, suas bochechas coradas, sua respiração difícil, e um olhar definitivamente confuso em seus olhos. “Eu não consigo.” Ela pulou de surpresa e o embaraço a dominou rapidamente. “O quê?” É isso, ela pensou. Eu estava errada antes. É agora que ele vai me magoar. “Eu não posso esperar. Desculpe, Melina, eu pensei que pudesse, mas—” Ele fechou os olhos e encostou a testa na dela, como havia feito no lago. Com o seu toque, ela percebeu que ele estava tremendo. “Se eu não tiver você agora, eu acho que vou morrer.” A sua honestidade crua a surpreendeu. Ele estava tão molhado quanto ela, seus cabelos úmidos, seus calções puxados sobre a coxa musculosa que pressionava entre as pernas dela, para que a pele nua dela tocasse a dele. Ao invés de ficar constrangida com a umidade ali, como ela normalmente ficaria, ela a celebrava. Instintivamente, ela se apertou contra ele, querendo mais pressão no pequeno grupo de nervos que estava inchando com o toque dele. Não estava perto o suficiente, então ela tentou libertar as mãos. Quando ele não soltou os seus pulsos, ela se inclinou e o beijo suavemente, depois seguiu o toque terno com uma mordiscada em seu lábio inferior. “Tudo bem, Rhys. Eu também não quero esperar.” “Mas você disse que queria brincar—”


“A brincadeira pode esperar.” Ela engoliu em seco e se forçou a dizer. “Eu o quis por tanto tempo. Em cima de mim. Dentro de mim. Se é isso que você quer—” Ele pegou uma das mãos dela e a colocou dentro dos seus calções, cobrindo seus dedos com os dele até que ela estivesse segurando-o firmemente. Movendo a mão, ela começou uma fricção suave e estável que fez os olhos dele se fecharem e sua cabeça cair para trás. “Eu quero.” “Então me possua,” ela sussurrou. Com um gemido forte, ele se levantou, abaixou os calções de banho e pulou até a mesa de cabeceira de onde ele retirou um pequeno pacote quadrado. Rasgando-o, ele colocou a camisinha e pulou sobre ela. Ela o aceitou, braços e coxas abertas, e ele pressionou o corpo contra o dela. Penetrá-la não seria tão fácil. Ele empurrou a cabeça do pênis para dentro dela, gemendo enquanto os músculos das coxas dela lentamente permitiam a sua entrada. Centímetro por centímetro, ele a possuiu, olhos abertos agora, olhando para a alma dela e recusando-se a deixá-la desviar o olhar. Quando ele deu o empurrão final, mergulhando nela totalmente, o choramingo de prazer dela se misturou melodicamente com o seu gemido profundo. Imediatamente, ele começou a empurrar levemente, e aumentou a velocidade e o impacto em um ritmo constante. “Rhys?” ela disse ofegante quando ele alcançou um ponto dentro dela que ela nem sequer sabia que existia. Aparentemente, Rhys não precisava de nenhuma ajuda para encontrar o ponto G dela. Ele a beijou suavemente, um roçar provocante dos seus lábios que a fez se inclinar para ficar mais próxima dele. “Você é tão gostosa. Exatamente como eu sempre imaginei.” A ideia de que ele pudesse ter imaginado esta noite antes trouxe lágrimas aos olhos dela. Ela segurou os ombros dele com mais força, mesmo enquanto seus músculos internos se apertavam ao redor da grossa lança dentro dela. O deslizar do seu pau contra os nervos sensíveis dela a deixaram tão excitada, tão rápido, que ela ficou deslumbrada. Ela ficou impressionada com a habilidade deste homem de destruí-la ao mesmo tempo em que a renovava, preenchia e recarregava. “Eu vou gozar, Rhys,” ela gemeu, sem querer deixá-lo para trás novamente. As suas estocadas ficaram ainda mais rápidas agora. “Goze, querida. Eu vou estar lá com você.” E ele estava. Juntos, eles gemeram e tremeram, músculos se apertando, respiração forte, dedos agarrando enquanto eles cruzavam o limite juntos. E exatamente como antes, quando ela desceu das alturas, estava nos braços de Rhys, tremendo e sussurrando o nome dele. Desta vez, no entanto, a sua mente não havia criado a sua fantasia favorita. Ela não precisava. A sua fantasia estava em seus braços, acariciando seus cabelos e sussurrando as palavras mais doces que ela jamais pensou ouvir. Sentindo seu coração crescer de amor por ele, ela tentou se controlar. Proteger a si mesma enquanto ainda podia. “Então, isto conta como algo que você gosta?” ela disse, respirando profundamente antes que pudesse continuar. “Ou é algo que eu decidi por mim mesma?” “Eu não sei e não me importo,” ele sussurrou. “Tudo o que eu sei é que quero fazer de novo. E de novo—” Ele beijou sua orelha e foi descendo até seu ombro, continuando os beijos enquanto repetia


as palavras sem parar. “E de novo.” *** Pelo resto da noite, “de novo” e “mais” se tornaram os mantras pessoais de Rhys. Melina gravou as palavras na memória, adorando-as, mas também considerando-as como um desafio. Parte dela não queria que ele parasse nunca de dizer aquelas palavras, então ela se esforçou para fazer coisas com as quais ela nunca havia estado muito confortável. Primeiro, lembrando de uma cena de Sex and the City, ela o montou. Com as costas arqueadas e suas mãos sobre a cabeça, ela o cavalgou tão rápido e com tanta força que seus seios se agitaram. Bem, não exatamente. Os seios de Samantha haviam se agitado no programa. Na vida real, os seios de Melina apenas balançaram. Ainda assim, ao ver a resposta de Rhys, o balanço claramente funcionava para ele. Depois, ela recomeçou o jogo de palavras sacanas, suspirando uma nova palavra a cada estocada profunda e lânguida, e xingando-o eventualmente quando ele se recusava a deixá-la gozar até o fim. Ele riu e apertou os quadris para baixo, controlando os movimentos dela, e ela quase entrou em pânico. De alguma forma, ela pensou em “xenerótica”, o ato de ficar estimulada sexualmente por estranhos. Então, antes que ela pudesse pensar em outra palavra, ele esticou a mão e a tocou no lugar onde os dois estavam conectados. Ela desistiu, gritando “zelofilia” tão alto que mal ouviu os gemidos de prazer dele. Ele caiu ao lado dela, tentando recuperar o fôlego. “Zelofilia?” ele perguntou ceticamente. “Estímulo sexual oriundo do ciúme,” ela respirou. “Como—” Virando-se de lado, ela descansou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos, passando os dedos sobre o seu peito musculoso. “A minha amiga Lucy é fanática por Scrabble.” Eles fizeram uma pausa para o jantar, comendo mais algumas das delícias que Rhys havia preparado para o almoço antes de acender a fogueira. Agora, eles estavam sentados no sofá, Melina praticamente no colo dele e Rhys brincava com os cabelos dela. Tapados por um cobertor macio, ela olhou para o fogo, se perguntando que parte do dia se tornaria a sua fantasia favorita quando o fim de semana tivesse acabado. “Você se distanciou um pouco,” ele disse. “O que houve?” Ela pulou, surpresa com ele ter percebido a sua mudança de humor tão rápido. Forçando-se a sorriu, ela balançou a cabeça. “Nada. Eu apenas lembrei que não tive a chance de amarrar você.” A mão dele parou. “E o que está impedindo você?” Ela beijou o ombro dele. “Eu não tenho certeza de que tenho esse tipo de energia agora. Podemos tentar amanhã, quem sabe?” Suspirando com pesar, ele resmungou. Quando falou, sua voz foi firme. “Eu não prometo nada a esse respeito.” O medo havia feito o coração dela disparar. Se afastando, ela se sentou, observando o rosto dele. “Desculpe. Se você quer, nós podemos fazer isso agora. Eu apenas pensei que nós podíamos—”


Ele balançou a cabeça e segurou o rosto dela em suas mãos. “Eu estava brincando, Melina.” Fechando seus olhos, aliviada, ela deu um tapinha em seu ombro. “Eu sabia disso.” “Sabia, é?” Ele a puxou de volta para os seus braços de forma que a cabeça dela descansasse em seu peito e o queixo dele tocasse o topo da cabeça dela. Ele respirou fundo. “Você ainda usa o shampoo que a sua mãe fez para você.” “Mmm. Eu acho que sou uma pessoa de hábitos.” Ela levantou os olhos para vê-lo. “Apesar de que você está certamente mudando isso.” “Eu não mudei nada,” ele disse, sério. “Você ainda é a mesma pessoa que era. Está apenas se dando permissão de ser quem realmente é.” “Hmm. Bem, uma coisa é certa. Eu nunca pensei que chegaria aqui.” “Aqui?” “Nos seus…quer dizer, nos braços de um dos gêmeos Dalton,” ela esclareceu, em pânico. Rhys enrijeceu. Ela se encolheu. Nossa mãe. Ela havia realmente dito aquilo? Ela não apenas quase revelou o que sentia por Rhys, mas havia praticamente indicado que ele e Max eram a mesma coisa. Lembrando o que ele havia dito sobre a mulher de casaco e batom que o queria pelo personagem que representava e não por ele mesmo, ela balançou a cabeça e se virou para olhar para ele. “Eu quero dizer—” Rhys a soltou e levantou. A carranca em seu rosto confirmou que ele havia interpretado as palavras dela da pior forma possível. “Então você estava pensando em mim ou no Max todo esse tempo?” ele disse. “Rhys, desculpe. Não foi isso que eu—” “Talvez, você trocasse de um para o outro, dependendo do que estava fazendo? Me diga, era eu que você estava cavalgando como um bronco selvagem ou era o meu irmão?” Ela se levantou, se cobrindo com o cobertor quando o olhar dele desceu sobre o corpo nu dela. Pela primeira vez, ela viu nojo nos olhos dele. Ela esticou os braços, se encolhendo quando ele se afastou. “Não foi isso que eu quis dizer, Rhys. Juro. Por favor, não pense isso.” “Eu não sei porque estou surpreso,” ele disse. Passando as mãos pelo cabelo, ele riu, um tom amargo e rancoroso. “Você sempre preferiu a companhia do Max. Droga, você pediu a ele um favor sexual. Era realmente por causa do que os seus namorados disseram, ou só fazia muito tempo que você não transava? Precisa saciar a vontade? Chame o Max. E, se ele não puder, sempre tem o Rhys.” Sentindo como se estivesse atravessando um campo minado, Melina disse, “Não, não foi isso que —” Rhys riu alto. “Não? Vamos lá, Melina, você mesmo quem disse. Qualquer um de nós teria servido. Aparentemente, nada mudou em doze anos.” Ele se virou, indo em direção ao quarto. Zonza, Melina olhou para as costas largas e o traseiro firme, sem saber o que havia acabado de acontecer. Quando ela entendeu a referência que ele havia feito àquela noite, doze anos atrás, no entanto, ela cerrou os olhos. “Seu-seu bobão!” ela gritou. Rhys parou e virou para ela lentamente. “Seu bobão?” ele provocou. “Você diz coisas como


‘xenerótica’ e ‘zelofilia,’ mas isso é o melhor que você pode dizer agora?” Ele caminhou na direção dela, o olhar dele a fazendo recuar instintivamente. “Vamos lá, Melina. Você pode fazer melhor do que isso. Você é especialista nas palavras, não é?” “Pare,” ela murmurou, destruída pelo ódio em seu tom de voz. Ele segurou um dos braços dela e depois o soltou, seu toque pairando sobre ela como se quisesse sacudi-la, mas estava se controlando para não fazê-lo. “Você usou palavras como ‘pau’ e ‘rola’ antes. Que tal cu? Essa é sempre boa.” “Por que você está tão bravo?” ela disse. “Eu sei que o que eu disse soou mal, mas você sabe que eu sempre amei você.” “Quer saber? Eu não preciso desse tipo de amor. Pelo menos, as mulheres que querem transar comigo pela minha fama são honestas em seus motivos. Você precisou usar a pena para conseguir levar um de nós para a cama.” Ela deu um passo para trás, chocada demais para pensar em uma resposta. Pelo olhar no rosto dele, ele havia conseguido chocar a si mesmo. Ele esticou os braços para tocá-la. “Ah, merda. Desculpe, Melina. Eu não quis dizer—” Ela o empurrou para longe com as duas mãos, conseguindo distanciá-lo um ou dois passos. “Seu...seu cretino!” Cegada pelas lágrimas, ela se virou e tentou correr, mas suas pernas ficaram presas no cobertor e ela tropeçou, caindo no chão. Mais surpresa do que machucada, ela se agitou, tentando libertar os braços e pernas para que pudesse fugir. Ele se abaixou ao lado dela, tentando ajudá-la. Ela estapeou as mãos dele para longe. “Não me toque,” ela gritou. “Me desculpe por ter dito aquilo, Melina. Me desculpe por ter explodido daquele jeito. Você pode me ouvir? Por favor?” Já que ele estava sobre ela e ela estava tremendo tanto que não conseguia se levantar sozinha, ela se sentou e agarrou os joelhos, levando-os até o seu peito. Em sua mente, ela lembrou de que havia começado tudo aquilo com sua péssima escolha de palavras. De alguma forma, no entanto, a raiva e hostilidade dele—algo que ela nunca havia enfrentado antes—não a permitia ceder. “Tudo bem. Mas quando você terminar, eu vou embora.” Ela focou o olhar no canto do cobertor. Idiota, ela pensou. Ela sabia que, se permitisse a si mesma acreditar nele, as coisas acabariam mal. E agora, ela teria que viver o resto da vida sabendo exatamente o que estava perdendo. Ele assentiu. “Ok. Se é assim que você quer, eu vou levar você de volta.” “Eu posso ir sozinha,” ela disse, irritada. “Você pode achar um jeito de ir para... para seja lá onde você vai, sozinho.” “Ok.” Ele esticou as mãos. “Tudo bem.” Lentamente, ele se levantou do chão, sentando ao lado dela. Ele baixou a cabeça, tentando fazer com que ela olhasse para ele. “Primeiro, eu peço desculpas pelo que eu disse. Eu jurei que nunca a machucaria de propósito, e eu machuquei. Você aceita as minhas desculpas?” Ainda se recusando a olhar para ele, ela deu de ombros, se recusando a dizer qualquer coisa. “O que você disse sobre querer estar com um dos gêmeos Dalton obviamente tocou em um assunto delicado para mim.”


Ela traçou o veio em uma tábua de madeira do piso. “Não foi isso que eu quis dizer,” ela disse com rancor. “Ok, mas você pode entender o porque de eu ter entendido mal, não pode? E porque eu ficaria incomodado por você me ver apenas como um substituto sexual para o meu irmão?” Forçando-se a olhar para cima, ela assentiu. “Sim. Eu entendo isso, e tentei pedir desculpas na hora e explicar.” “Eu sei que tentou. Eu aceito as suas desculpas. Você pode explicar agora?” Ela viu o arrependimento genuíno no rosto dele, e o sentiu. Ela odiava a ideia de magoar Rhys, ou de ele estar com raiva dela, mas ela também não podia ceder. Não sem algum tipo de explicação. “Primeiro, eu quero saber o que você quis dizer com eu não ter mudado em doze anos.” Ele hesitou brevemente. “Eu estava falando de como você beijou Max no belvedere, quando eu havia pedido que você me encontrasse lá. Eu sei que foi uma só vez, mas eu sempre vi aquilo como você trocando um gêmeo Dalton pelo outro.” Espantada, ela se endireitou. “E como você acha que eu me senti com relação à Trisha? Lá estava eu, esperando por você por mais de uma hora, pensando que você fosse finalmente... e você estava com ela todo aquele tempo. Eu não troquei Max por você. Ele só estava tentando me fazer sentir melhor. Foi por isso que ele me beijou. E eu sinto muito se isso o incomoda, mas depois do que você fez, eu não acho que você tem o direito de apontar o dedo para ninguém.” Rhys balançou a cabeça, a confusão franzindo sua testa. “O que você quer dizer com ‘você estava com a Trisha o tempo todo’? Eu nunca fiquei com ela.” Abruptamente puxando o cobertor até as coxas, Melina levantou. “Por que você está mentindo?” Levantando mais lentamente, Rhys passou por ela e entrou no quarto. Ela o observou sem entender. “Onde você está—” Antes que ela pudesse terminar a pergunta, ele havia voltado, colocando um par de shorts com movimentos rápidos e fortes. “O Max lhe disse que eu estava ficando com a Trisha?” Ela cruzou os braços sobre o peito, sem saber o que pensar. “Sim. Você está me dizendo que não ficou?” “É exatamente isso que eu estou lhe dizendo.” Ela apertou o cobertor ao redor de si mesma. “Mas por que Max mentiria?” “Eu faço uma boa ideia.” Rhys jogou as mãos para o alto e começou a caminhar. “É por isso que ele se sentiu tão mal depois. Me dizendo que não era nada. Que ele havia iniciado tudo. Que eu não deveria deixar que aquilo me impedisse de lhe dizer o que eu sentia.” Parando, ele apontou o dedo para ela para enfatizar o que dizia. “Eu pedi que o Max fosse lhe dizer o porque do meu atraso. Eu peguei a Trisha vomitando no banheiro. Forçando o vômito. Você sabe como ela era obcecada com permanecer magra. Bem, ela se apavorou quando eu a peguei. Pensou que eu fosse contar aos pais dela, e eu sentei com ela, lhe dizendo que era exatamente o que ela deveria fazer. Quando ela se acalmou e finalmente concordou, eu a levei até a porta, quando vi você beijando Max. Então, você foi embora. Quando eu tentei falar com você, você—” Tremendo, Melina sentou no sofá. “Eu impedi você. Eu estava tão magoada, eu não queria falar com você. Nunca mais quis, depois daquela noite.”


Rhys sentou ao lado dela, seus cotovelos nos joelhos, olhando para o chão sob seus pés. “Você disse que tinha algo que queria me contar sobre aquela noite. O que era?” Rhys apertou os lábios. “Eu ia convidá-la para sair.” Era o que ela havia imaginado, mas ouvi-lo confirmar isso todos esses anos depois era quase bom demais para ser verdade. “Sair, sair?” Um sorriso lento curvou os lábios de Rhys. “Sim. Sair, sair.” “Então você gostava mesmo de mim?” Melina sabia que soava como uma idiota, mas do jeito que as coisas estavam indo, ela queria ser a mais clara possível. “Sim,” Rhys disse, simplesmente. “Eu também gostava de você. Ainda gosto,” ela murmurou. Esticando o braço, ele pegou a sua mão e a apertou. “Gosta mesmo?” Ela riu. “Sim.” “Você ainda gosta de mim o suficiente para me dar um abraço?” Ela praticamente pulou em seus braços, derrubando-o e caindo em cima dele. As suas bocas se encontraram para muitos beijos longos e profundos antes que ela se afastasse. “Eu quero lhe perguntar uma coisa,” ela confessou, “mas eu tenho medo que você fique bravo novamente.” Ele a segurou mais forte. “Talvez fique, mas eu prometo ficar calmo e deixar você dizer o que precisa dizer.” Esticando o braço, ela traçou os lábios dele com o dedo. Como provocação, ele pegou a ponta do seu dedo com os dentes, fazendo-a rir. Já que o assunto era obviamente tão importante para ele, no entanto, ela se esforçou para ficar séria. “Você realmente acha que as pessoas veem você e Max como a mesma pessoa? Qualquer um consegue ver as diferenças entre vocês.” Acariciando o cabelo dela, ele disse, “É mesmo? E quais diferenças você vê?” “Max tem menos confiança em si mesmo, e ele disfarça isso fingindo ser metido. É por isso que ele dorme com tantas mulheres, e é por isso que ele faz tantas piadas. Você é mais introspectivo, mais sério. Você coloca o peso do mundo nos ombros porque se importa tanto com as pessoas. Como o que você me contou sobre a Trisha. Você interrompeu seus planos para conversar com ela. Max não teria feito isso. Não que Max não se importe, mas ele não teria se sentido confortável chegando tão perto das cicatrizes de alguém. Ele a teria ajudado, mas chamando um de nós ou a sua mãe para falar com ela.” Por um momento, Rhys não conseguiu responder. Ele ficou tão sensibilizado pela forma como ela o via que quase quis se esconder por medo que ela visse o quanto. Max ficava mais confortável com as pessoas, mas ela estava certa: era em um nível superficial. Rhys, seus pais, Melina—eles eram os únicos que Max realmente confiava para se expor. O círculo de Rhys não era muito maior, então ele sabia que Melina estava exagerando de certa forma. Mesmo assim, ele gostou do que ela viu nele. “Existe outra grande diferença entre vocês, mas eu não tenho certeza se devo contar. Você pode ficar muito cheio de si,” ela sussurrou. Ele riu e curvou os lábios para ela, fazendo-a suspirar. “Tarde demais para isso.” Ela se esticou para que pudesse sussurrar no ouvido dele, deliberadamente encostando seus mamilos no peito dele. “Você promete que não vai contar para ninguém?”


Descendo as mãos sobre os quadris voluptuosos dela e a puxando para mais perto, Rhys sussurrou, “Eu prometo.” Se levantando um pouco, Melina olhou diretamente nos olhos de Rhys. “Você é muito mais bonito do que o Max,” ela brincou. Os olhos de Rhys se abriram, depois se apertaram. “Sua pequena—” Pressionando os dedos nas laterais de Melina, ele fez cócegas nela, fazendo-a gritar e rir de prazer, mesmo enquanto tentava fugir. Ele parou de fazer cócegas nela imediatamente, e colocou os braços ao redor dela, abraçando-a com força. A última coisa que ele queria, ele percebeu, era que ela fugisse.


CAPÍTULO NOVE

Regra de Mágica dos Dalton Nº 10: Saiba quando seguir em frente. Na manhã seguinte, Melina acordou com um som estranho de assobio. Deitada de barriga para baixo e aconchegada embaixo do edredom de Rhys, ela tocou no lugar ao seu lado na cama, confirmando que Rhys não estava mais lá. Abrindo os olhos, ela bocejou e se espreguiçou, gemendo pela dor de seus músculos a muito negligenciados, mesmo enquanto sorria. Virando de costas, ela olhou para o teto, forçando os ouvidos para identificar o som que continuava a entrar pela porta fechada do quarto. Um clarão branco chamou a atenção dela, e ela sentou na cama e tateou pela cabeceira em busca dos seus óculos. Depois de colocá-los, ela olhou para os pedaços de tecido brancos sobre a maçaneta da porta. Era o biquíni que ela havia comprado. Aquele que ela havia retirado da bolsa e perdido a coragem de usar. Ela havia colocado-o em sua bolsa de viagem antes que eles fossem até o lago, mas Rhys obviamente o tinha encontrado. A sua primeira reação foi ficar constrangida. Claro, ele havia dito que ela uma garota do tipo que usa biquíni, mas algo tão extravagante e ousado? Algo tão incomum para ela? Ele havia se divertido com a sua compra ou ficado excitado? Em pé, ela foi em direção da porta e pegou o biquíni, fazendo uma careta ao ver o pequeno pedaço de fio que deveria (ou não) cobrir seu traseiro. Mas quanto mais ela o olhava, mais confiante ela se tornava. O biquíni o havia excitado, ela decidiu. Por que não excitaria? Ele respondia ao teste-surpresa que Rhys havia feito. Se o biquíni não demonstrasse até onde ela estava disposta a ir para tê-lo, ela não sabia o que demonstraria. Mas então, ela fechou o rosto. Ela havia comprado o biquíni, sim, mas ela não o havia usado. E o que era pior, ele provavelmente havia adivinhado o porquê. Assobio. Assobio. O estranho som estava um pouco mais alto agora que ela estava tão perto da porta. Fosse o que fosse que ele estava fazendo lá fora, ela tentou imaginar a reação dele se ela saísse usando nada além do biquíni. Ela ficou excitada pensando naquilo, então vestiu a parte debaixo rapidamente, depois olhou para si mesma. Já que ela havia se depilado, a sua virilha estava lisa. A sua pele parecia suave e quase cremosa, exatamente como ele havia dito. Infelizmente, se ela olhasse de perto, poderia ver o primeiro sinal de pelos nascendo em suas pernas, e sabia que seu bumbum tinha um ou dois ou dez furinhos que ela não poderia esconder. De repente, ela não estava mais tão excitada. Ela mordeu o lábio, indecisa. Este era o seu último dia com Rhys. Ela queria aproveitá-lo ao máximo. Ela realmente queria usar algo com o qual ela se sentiria menos confiante? Balançando a cabeça, ela tirou rapidamente a parte de baixo, colocou as duas partes de volta em sua bolsa e correu para o banheiro para escovar os dentes e se vestir. Cedendo um pouco, ela


colocou shorts e uma regata lavanda que havia comprado para o fim de semana. Ela mostrava mais pele do que ela estava acostumada, por isso, ela não se sentiu tão covarde como se sentiu com relação ao biquíni. Ela abriu a porta e congelou, suspirando com a visão à sua frente. Rhys estava na sala de estar com a porta da frente aberta. Ele estava usando jeans e nada mais. A luz do sol iluminava seu peito nu e braços musculosos enquanto ele passava uma lixa ritmicamente sobre algum tipo de moldura de madeira. Uma leve camada de suor o cobria, e ele parou para secar a testa, depois tomou um pouco de água direto da garrafa. Olhando para a sua garganta enquanto ele bebia, Melina lambeu os lábios e automaticamente deu um passo a frente, querendo colocar seus braços ao redor dele e ficar toda suada também. Ele olhou para cima e a viu, seu sorriso fazendo os joelhos dela tremerem. Ele colocou a garrafa d’água no chão. “Oi.” “Oi,” ela respondeu, chegando mais perto. Os olhos dele desceram pelo seu corpo. “Muito sexy. Mas não é um biquíni.” O beicinho exagerado dele a fez rir. “Não.” “Eu espero que você não se importe de eu ter mexido na sua bolsa, Eu coloquei seus shorts e camiseta na máquina de lavar, e pensei em colocar tudo o que precisasse ser limpo também.” “Isso foi muito gentil. Obrigado.” “De nada,” ele respondeu, parecendo feliz. Ela olhou para o que ele estava fazendo. Ela estava certa—era uma moldura, com curvas suaves e um trabalho com contas intrincado. “Oh, Rhys. Que abóbada linda.” Sorrindo, ele deslizou a mão sobre a superfície. “Não é? Alguém a pintou, e eu estava querendo ver o veio por baixo da tinta. Como você estava dormindo, eu pensei em tentar fazer isso antes de nós irmos embora.” A voz dele parou e ele fechou o rosto. Desejosamente, ela se perguntou se era porque ele não gostava da ideia de o fim de semana acabar. Como ele não disse isso, ela apenas balançou a cabeça, tentando dizer a si mesma que o aperto repentino em sua garganta era o resultado de toda a falação da noite anterior. Olhando ao redor, ela pegou uma banana do balcão e voltou para o quarto. “Você pode continuar trabalhando nisso, Eu tenho algumas coisas que preciso ler, de qualquer forma. Vou me apresentar na conferência esta semana…” Agora era a vez dela de fechar o rosto. Olá. Conferência. Jamie. Bebê. Anteontem, ela havia se imaginado segurando o bebê de Jamie. Ela não havia pensado nele uma só vez desde que ficou com Rhys. Ela certamente não havia sequer pensado, de forma entusiástica ou não, no seu encontro depois da conferência. E isso não era nem um pouco bom. Apesar das preocupações com Lucy, Melina genuinamente gostava de Jamie. Ele era atraente. Gentil. Profundo. Ela havia ficado entusiasmada com a ideia de sair com ele. Com a possibilidade do seu futuro juntos. Ela até havia gostado o suficiente dele para tentar se transformar em uma rainha do sexo. Na verdade, ela mal conseguia lembrar do rosto dele. Tudo o que ela via—tudo o que cheirava e sentia e queria—era Rhys. Agora, aqui estava ele, na sua frente, e tudo o que ela conseguia pensar era em como aquilo ia terminar.


“Melina? Você está bem?” Ela mordeu o lábio, querendo gritar, Não, eu não estou bem. Ela nunca ficaria bem. Não depois disso. “Você sabe como eu sou para falar em público,” ela se forçou a dizer. “Vou apresentar um workshop com Jamie. É uma ótima oportunidade, já que eu serei apenas uma das três pessoas no painel. Jamie me convenceu a ir, mas eu acho que estou um pouco mais nervosa do que pensei que ficaria.” “Você vai ser ótima.” Ele largou a lixa, deu a volta na lareira e esticou os braços. “Eu ganho um beijo de bom dia?” Ela foi até ele, apertando-o com força e beijando-o com tanto entusiasmo que seus dentes rasparam nos dele. Obviamente sentido o desespero dela, ele se afastou, a testa franzida. Ele passou a mão em seu cabelo. “Me conte qual é o problema.” “Nada, nada.” Ela se afastou e balançou o dedão por sobre o ombro. “Eu só vou pegar meus papéis e ler no quarto, se você não se importa.” “Você tem certeza?” “Sim. Eu realmente preciso recuperar o atraso.” Ele parecia querer discutir, mas apenas disse, “Uma hora, e depois nós vamos até a cidade. Eu pago o almoço e nós podemos passear?” A hesitação em sua voz indicou que ele havia ficado confuso com o comportamento estranho dela, e ela se esforçou para acalmá-lo. A última coisa que ela queria era que ele sentisse pena dela quando eles se separassem. “Parece perfeito.” Sentindo como se o seu rosto fosse quebrar por forçar tanto o riso, ela entrou no quarto e abanou para ele alegremente. Hesitando, ele abanou de volta. Ela fechou a porta. Recostando a testa nela, ela tentou dizer a si mesma que o fim de semana ainda não havia acabado. Ela tinha o dia inteiro com ele antes que ele fosse para…para… Ela enrugou o rosto. Ela nem sequer sabia para onde ele iria quando fosse embora. Com o pensamento, veio uma onda de emoção intensa. Deixando a banana cair no chão, ela cobriu a boca com as duas mãos para abafar a dor que tentava transbordar de dentro dela. Virandose, ela cambaleou, mas não chegou até a cama. Lentamente, ela caiu no chão e se encolheu em uma posição fetal. Ela estava rachando, ela pensou. Não importava o quanto ela apertava os olhos, as lágrimas conseguiam escapar, ainda mais doloridas por seu silêncio. *** Rhys olhava para a porta fechada do quarto, mais uma vez discutindo se deveria seguir Melina. Ele ficou a 60 cm dela, sua mão pronta para bater, antes que desistisse. Esfregando as mãos sobre seu rosto, ele resmungou algum xingamento. Vários xingamentos. Quando ele havia mencionado o fim do fim de semana, ele pensou ter visto uma onda de pânico no rosto de Melina que refletia a dele. Mas quando ela começou a falar da conferência, ele não tinha mais certeza do que pensar. Tudo o que ele sabia era que não queria deixá-la. Mas, como ele poderia


justificar isso para ela, ou para si mesmo? Tudo o que ele havia dito ao Max ainda era verdade. Eles queriam coisas diferentes na vida. Se ele tivesse apenas a si mesmo para considerar, ele não hesitaria em fazer mudanças. Mas não era só ele. Ele era uma parte integral do Show de Mágica dos Gêmeos Dalton. Muitas pessoas contavam com ele, incluindo seus pais que haviam sacrificado suas aposentadorias para investir nos sonhos dos filhos. A sua equipe e assistentes tinham famílias para cuidar, e Max… Rhys fechou os olhos. Max era inteligente e talentoso, mas ele simplesmente não tinha o foco ou a vontade de lidar com os aspectos comerciais do show. Então, peça para ela vir com você, ele pensou. Ele olhou para a porta novamente. Ela já havia demonstrado ser bem mais ousada do que ele jamais havia imaginado. Droga, aquele biquinizinho que ele havia encontrado quase o fez cair para trás. Ele podia imaginá-la facilmente vestindo-o, seus seios empinados e firmes, seus quadris curvilíneos e traseiro deliciosamente expostos. Como ele poderia realmente saber o que ela queria se não perguntasse? Pela primeira vez, ele se permitiu sentir esperança com relação à Melina. Virando-se para a lareira, Rhys começou a lixar com força. Uma hora, ele havia dito. Ele terminaria aqui, a levaria para sair, talvez bebesse um pouco de vinho com ela durante o almoço e depois perguntaria o que ela achava de expandir a sua pequena experiência. Indefinitivamente. *** Depois de caminhar pelo pequeno centro de Shasta com suas lojas pitorescas, incluindo um museu da corrida do ouro, Rhys levou Melina ao seu bistrô favorito. Enquanto o garçom servia seus pratos, Melina deliberadamente ignorou o clima maravilhoso, assim como as vibrantes explosões de vinhas de azaleia e rosas que subiam pela treliça de ferro que cercava o pátio. Ela se forçou a lembrar da dor intensa que a havia debilitado naquela manhã. Ela sabia que, para evitar ainda mais dor, ela precisava se afastar de Rhys o mais rápido possível. “Que tal um pouco de vinho?” Rhys perguntou. Sem desviar o olhar de sua salada, Melina sacudiu a cabeça. “É melhor não. Eu estou com um pouco de dor de estômago.” “O quê? Por que você não me disse?” Com a preocupação genuína na voz de Rhys, Melina levantou os olhos. A culpa quase a fez se contrair. Ele parecia tão preocupado, e por razão nenhuma. Ela apenas havia dito que estava com dor de estômago para se preparar para a sua fuga, mas ela também não queria arruinar os seus últimos momentos juntos. Esticando o braço, ela apertou a mão dele. “Não é nada demais, mas é melhor que eu continue com a água.” Ele levantou a mão dela até sua boca e a beijou. Melina fechou os olhos, ordenando a si mesma a não chorar. “Então,” ela se forçou a dizer, puxando a mão. “Você tem um show para fazer em breve,


não é? Onde você vai se apresentar?” “Reno.” As sobrancelhas dela se levantaram. “Reno. Não é um dos seus locais mais exóticos.” Rindo, ele balançou a cabeça. “Não. Mas é definitivamente um dos nossos shows mais importantes.” “Por quê?” Ele se recostou na cadeira. “Algumas pessoas importantes vão estar assistindo na quarta-feira à noite. De certa forma, nós vamos estar fazendo um teste para eles. Os Cruzeiros Seven Seas saem da Flórida. Eles querem que o Show de Mágica dos Gêmeos Dalton seja parte do seu entretenimento a bordo, o que significa que nós teríamos um teatro permanente onde trabalhar.” Apesar de se perguntar por que ela não havia ouvido nada sobre isso antes, mesmo de Max, a surpresa e o entusiasmo a atravessaram tão intensamente que ela gritou. Apesar do seu comportamento casual, ela conseguia ver claramente o quanto esta oportunidade significava para ele. “Oh. Meu. Deus!” Ela pulou e o abraçou. Isto é incrível. Que maravilha. Os seus pais devem estar muito felizes. Você e Max estão ficando famosos, como sempre quiseram.” “Sim. Como nós sempre quisemos.” Algo na voz dele a fez recuar. Misturado ao seu entusiasmo estava algo parecido com nervosismo. Até dúvida. “Alguma coisa errada?” Ele riu nervosamente. “A não ser o fato de eu ter a tendência de ficar enjoado? Não. Me confirmaram que os navios do Seven Seas têm os melhores estabilizadores do ramo.” Ela voltou para a cadeira e sentou. “Então, quando este contrato começa?” “Nós precisamos ser escolhidos primeiro, mas depois, eu acho que começamos imediatamente.” Ela gesticulou com a mão, indicando que o negócio estava praticamente fechado. “Eles vão reconhecer o talento de vocês quando o virem,” ela disse alegremente. “Mas e o resto da sua tour?” “Nós temos mais um show em Vegas, e depois havíamos planejado tirar umas férias. A nossa disponibilidade é uma grande vantagem. Os cruzeiros deles duram de sete a vinte e uma noites, dependendo do itinerário.” “Uau. E vocês se apresentariam todas as noites?” “O plano é esse.” Ele encolheu os ombros. “Só há uma questão problemática. Eles querem um show para a família também. Eu não tenho certeza que nós podemos fazer isso.” “Por que não?” “O show mudou desde que você o viu pela última vez. Para competir com os outros, nós aumentamos o conteúdo adulto dos nossos shows.” Ela estava prestes a morder a salada, mas o garfo congelou na frente do seu rosto. “Conteúdo adulto?” ela repetiu. “Nada de vulgar,” ele disse rapidamente. “Roupas curtas. Humor sexual.” A sua voz permaneceu firme, mas uma pequena vermelhidão havia colorido as suas bochechas. “Quão curtas são as roupas?” ela perguntou, desconfiada. “Há um ou dois truques nos quais a assistente fica de topless.” Ela deixou o garfo cair no prato. “É sério?” ela chiou.


“Sim.” “Mas isso é... isso é objetificação, você não acha?” “Não há nada de objetificação na nudez.” Seus lábios se apertaram. “É entretenimento.” “Me desculpe, mas se a nudez é apenas para provocação, que é do que você está falando, ela objetifica a mulher que está nua. Ela se torna apenas um par de peitos.” “Então, quer dizer que você não aprova.” “Eu-eu—” Além da sua reação imediata, ela não conseguia dizer com certeza se aprovava ou não. Ela nunca havia pensado muito no assunto. Além disso, ela não podia dizer com certeza se tinha problemas com as assistentes de topless, ou com a ideia delas desfilando na frente de Rhys uma noite após a outra. “O que eu aprovo ou não é irrelevante. O show não é meu. Eu acho que apenas achava o seu show bom do jeito que era.” “Era bom, mas não estava nos levando até onde queríamos ir.” “Até o topo,” ela verificou. “Sim.” Melina balançou a cabeça. Parecia que as coisas estavam dando certo para a família Dalton. Apesar de estar feliz por eles, ela não conseguia imaginar Rhys vivendo em um cruzeiro. Não por muito tempo. Mas afinal, do que ela sabia? Depois de muitas tentativas de comer, ela afastou o prato, sem ter mais que fingir que o seu estômago doía. “Melina, talvez essa não seja a melhor hora para perguntar, mas eu quero saber se—” “Eu tenho que ir embora,” ela disse abruptamente. A boca de Rhys fechou rapidamente. Ele fechou o rosto. “O quê?” Ela levantou uma mão hesitante até a testa. “Eu acho que estou me sentindo pior do que imaginava. Eu queria que nós voltássemos para casa agora.” “Você quer dizer, para o chalé?” “Não. Eu quero dizer, voltar para Sacramento.” “Mas o fim de semana ainda não acabou. E se—” Ela balançou a cabeça. “Não se preocupe. Você é um gênio. Eu não precisava aprender a técnica, eu só precisava levantar minha autoconfiança e estar disposta a experimentar coisas diferentes. Você me fez ver isso, e eu sempre, sempre irei agradecer. Mas eu acho que posso continuar sozinha.” Ele olhou para ela, seu rosto escurecendo com algo parecido com raiva. “E se eu não quiser levar você para casa?” O coração dela começou a bater forte. “Como assim?” Inclinando-se, ele segurou as mãos dela. “Quero dizer, eu realmente gostei do nosso tempo juntos.” “Eu também. Acho que o plano de Max funcionou, afinal.” Funcionou bem demais. “Venha para Reno comigo.” Melina piscou. “O quê?” “Eu sei que você tem que trabalhar, mas eu estava esperando que talvez você pudesse tirar uma folga.”


Uau. O mundo parecia estar girando fora de controle. Ele também não queria que o tempo deles juntos terminasse? “Eu não ficaria no caminho?” “Eu vou estar ocupado. Preciso organizar o show e ensaiar, mas você pode estar junto. Ver como as coisas são. Você podia visitar papai e mamãe. Então, sempre que eu tivesse um tempo…” Ela arqueou uma sobrancelha. “O quê?” Ele levantou e abaixou as sobrancelhas, fazendo-a lembrar de Max, quando ele aprontava alguma. “Nós podíamos sair.” Ela corou, não de vergonha, mas de excitação. “Isso realmente parece tentador.” Mas ela estaria apenas adiando a separação deles, não é? E não seria como aqui. Ela não teria a atenção total de Rhys. Isso poderia ser uma coisa boa, mas também poderia ser ruim. Ela adorava os pais dele. Eles nunca deixaram de fazê-la se sentir bem-vinda e uma parte da família. O que tornaria ir embora ainda mais difícil. Ela não conseguia pensar em passar mais tempo com Rhys, sabendo que a dor estaria esperando por ela. Então, apesar de seu coração estar gritando sim, sim, sim, ela se forçou a dizer, “Eu agradeço a oferta, mas vou ter que dizer não. Eu preciso voltar para casa e para o meu laboratório.” Ela se recostou na cadeira, e por um momento, ela pensou ter visto verdadeiro sofrimento em seus olhos. Então, ele encolheu os ombros. “Você está certa. O que eu estava pensando? Há muita coisa para fazer, me preparar para o Seven Seas e tudo mais. Eu deveria me concentrar totalmente nisso.” “Claro. É o seu sonho se tornando realidade, afinal.” “Sim,” ele murmurou. Ele largou o guardanapo, tirou várias notas de sua carteira e as jogou na mesa. “Você está pronta para ir?”


CAPÍTULO DEZ

Regra de Mágica dos Dalton Nº 11: Use o seu cérebro e coração tanto quanto as suas mãos. De volta no chalé de Rhys, Melina arrumou suas coisas enquanto Rhys guardava a abóbada e organizava as coisas na casa. Eles mal haviam se falado na viagem de volta, e cada vez que ela olhou para ele, teve que se esforçar para não dizer, “Eu mudei de ideia. É claro que vou para Reno com você.” Isto é o melhor para nós, ela disse a si mesma pela milésima vez. Este fim de semana tinha a ver com aprendizado sexual, não suicídio emocional, e ela tinha sorte por Rhys ter feito parte dele. “Você está quase pronta?” Ela se virou ao ouvir o som da voz de Rhys. Ele estava parado na porta, uma mão segurando a armação e a outra escondida atrás das costas. Ela levantou uma sobrancelha. “Esse é mais um testesurpresa?” Quando ele sorriu—um sorriso genuíno que salientava a sua covinha adorável—o alívio foi desorientador. Ela odiava quando as coisas estavam tensas entre eles, mas se ele podia sorrir, talvez, isso significasse que tudo ficaria bem. “Eu acho que, de certa forma, é sim,” ele confessou. “Eu trouxe o seu presente comigo, mas com toda a confusão, eu acho que acabei não lhe desejando feliz aniversário.” Entrando na brincadeira, ela fingiu pensar no assunto. “Não. Eu acho que não desejou.” “Eu acho que não.” Ele entrou no quarto. “Então, você está pronta para a pergunta?” Ela balançou a cabeça. “Qual é o seu inseto favorito?” Ele tinha que estar brincando. “É sério? Que tipo de pergunta é essa? Você já sabe—” “Você pode fazer de conta?” ele disparou em uma voz sofrida. “Ok, ok.” Ela respirou fundo. “Meu inseto favorito...” Ela fez uma pausa dramática. “É a joaninha.” “E por que ela é o seu inseto favorito?” “Por causa das suas bolinhas,” ela resmungou, lembrando do dia em que ela havia reclamado que sua mãe queria que ela usasse um vestido de bolinhas. “Mas as bolinhas da joaninha são muito diferentes das bolinhas em um vestido. Especialmente quando você tem quatorze anos e é gorda.” Ele a encarou. “Você não era gorda. Você era apenas... bem estofada.” Ela riu alto, mesmo que Rhys, diferente de Brian, tenha dito aquilo como um elogio. “De qualquer forma, talvez você se sinta diferente com relação a isto.” Ele levantou o braço e a entregou uma pequena caixa embalada em papel branco simples. “Feliz aniversário, Joaninha.” Ela pegou a caixa com as mãos tremendo e tentou piscar para parar as lágrimas. Ela não teve muito sucesso. Uma delas desceu pela sua bochecha, e ele a secou com o dedão. Ele não questionou as suas lágrimas, e ela não as explicou. Sentando na cama, ela removeu o papel cuidadosamente e levantou a tampa da caixa. Seus olhos


se arregalaram sem acreditar quando ela viu o que estava dentro dela. Um pequeno riso explodiu de dentro dela. “É um biquíni.” Ele se sentou ao lado dela, sua expressão contemplativa, como se não tivesse certeza de que ela havia gostado. “É. Eu o vi quando estava na França. O branco que você comprou é bem mais ousado, mas esse…” Ele encolheu os ombros. “Eu não sei. Ele apenas me lembrou de você.” Ela levantou as duas partes de dentro da caixa. O tecido era preto, cheio de bolinhas vermelhas. Elas não eram extravagantes e o corte do biquíni também não era. Diferente do que ela havia comprado, este a cobriria onde ela queria ficar coberta, e também era estiloso. Moderno. Sexy. Ela sentiu o tecido e olhou para ele. “É assim que você me vê?” Ele franziu o rosto. “Antes que eu responda, você gostou?” A felicidade cresceu dentro dela. Antes que ela pudesse pensar duas vezes, ela se lançou para cima dele, empurrando-o para trás enquanto o abraçava. “Eu adorei. Obrigado.” Ela o beijou suavemente na boca, seu sorriso morrendo lentamente quando ele segurou o rosto dela e trouxe seus lábios de volta aos dele. Ele inclinou a cabeça dela para encontrar o ângulo certo, fazendo seus lábios se abrirem para seus beijos famintos. Quando se afastou um pouco, ele puxou o cabelo dela para longe de seus olhos e a ajudou a sentar novamente. “Você é tão sexy quanto se permite ser. Sempre lembre-se disso, Melina.” Ele se levantou e colocou as mãos nos bolsos. “Eu vou terminar de guardar minhas coisas e depois podemos ir. Você me dá dez minutos?” “Não,” ela disse abruptamente. Ele congelou e se virou para olhar para ela. “Como é?” Levantando-se rápido, ela colocou a caixa com o presente de Rhys na cômoda do banheiro e colocou as mãos nos quadris. “O biquíni é maravilhoso, mas não vai me fazer esquecer o que você me prometeu ontem. Ou aquilo foi apenas um monte de papo e nada de ação?” Ele estava claramente confuso com suas palavras e com sua atitude agressiva. “Eu não tenho certeza do que você—” “Você disse que me deixaria amarrar você, lembra? Claro, eu estava cansada ontem, mas estou me sentindo extremamente descansada agora.” Cruzando os braços sobre o peito, ele se encostou no batente da porta. “E a sua dor de estômago?” “Foi embora,” ela disse alegremente. “Então, você quer...” Ele olhou sutilmente para a cama com dossel atrás dela. “Você vai ficar parado aí, ou vai me dar algo para amarrar você?” “Tudo bem, então.” Ele se endireitou, suas pálpebras pesadas e intensas. “Eu tenho exatamente o que você precisa.” *** Sentando na cama grande de Rhys, Melina tentou passar uma impressão de tranquilidade e sensualidade enquanto Rhys pegava “o que ela precisava” em sua maleta de truques. A cada trinta


segundos, uma dúvida surgia em sua mente e ela forçava a si mesma a olhar para o biquíni, ainda na cômoda, dentro da caixa de presente. Esqueça o que vai acontecer depois. Ela só iria pensar no hoje. Aqui e agora. Ela e Rhys. E quando ela usasse aquele biquíni na praia—e ela iria usá-lo—ela pensaria nele e sorriria e saberia que, por um curto período de tempo, ela havia feito algo que nunca imaginou ter feito. Paixão. Paixão mútua. Mesmo que ela não viesse com unicórnios e dragões voadores, ela sabia quão preciosa ela era agora. E ela nunca se contentaria com menos novamente. “Eu volteeeei,” Rhys declarou da porta, e ela se levantou. Ela riu quando viu um arco-íris de cores flutuando no ar. Em cada uma das suas mãos, ele segurava lenços de seda. Roxos e verdes. Rosas e azuis. “Eles são absolutamente decadentes,” ela disse. “Espere até que você os sinta em sua pele.” “Boa tentativa. Mas eu os quero na sua pele. Bem, pelo menos um pouco da sua pele, pelo menos.” “E o resto de mim?” Uma onda de malícia a atravessou, e ela sabia que o seu rosto mostrava isso quando ela respirou. “Vamos dizer apenas que eu farei o melhor para garantir que nenhum único centímetro seu seja negligenciado.” *** Rhys havia sido ativo sexualmente por quinze anos, e neste período, ele havia ouvido falar em prazer tão intenso que era possível morrer dele. Ele nunca havia experimentado algo assim. Não até agora. Não até Melina. Algo havia mudado nela, Rhys pensou. Ele havia visto a insegurança em seu rosto. Havia suspeitado que ela estava prestes a desistir antes de ele mostrar os lenços para ela. Mas todas as dúvidas que ela teve haviam sumido. Ela parecia determinada a tocá-lo inteiro, prová-lo inteiro, deixá-lo louco de desejo—e ela estava fazendo um ótimo trabalho. Ela havia amarrado as mãos e pés dele à cama com nós seguros que ele ainda conseguiria desatar, mas escapar era a última coisa na qual ele estava pensando. Começando em seus pés e subindo lentamente, ela havia provado ser uma mulher de palavra. Nenhum único centímetro do corpo dele havia sido negligenciado por ela até agora. Ela havia até descoberto uma área atrás do seu joelho que era uma zona erógena. Ao beijar a parte interna da sua coxa, seu pênis vibrou em antecipação, e ele gemeu de prazer quando sentiu esperma sair, uma evidência inegável de que ele estava quase perdendo o controle. Ela sorriu quando viu a gota de esperma sobre a cabeça de seu pênis. “Mmm,” ela sussurrou. “Delícia.” “Oh, Deus,” ele suspirou antes que a boca dela descesse sobre ele como um vício quente e delicioso. O toque da sua língua sobre a sua fenda fez seus quadris arquearem, e ele se impressionou por não ter gozado no segundo que ela começou a chupá-lo. O som úmido da boca dela combinado


com seus gemidos persistentes de prazer. Ele arqueou os quadris, tentando dar mais dele, mas ela concentrou sua atenção apenas na ponta. Ele se esticou contra os lenços. “Mais fundo. Coloque mais de mim em sua boca. Por favor.” Ela levantou os olhos para olhar para ele e, ao invés de fazer o que ele pedia, ela o retirou da boca lentamente. Ele mal conseguia controlar seus gemidos de agonia. “Onde você quer estar, Rhys? Mais fundo na minha boca? Ou mais fundo em outro lugar?” Seus olhos se abriram com as palavras dela. Com a confiança sexual pura que escorria delas. Amarrá-lo estava claramente funcionando para ela. E com certeza funcionava para ele. “Que tal se começarmos com a sua boca e explorarmos as opções depois?” Com uma risada, ela se inclinou para colocá-lo em sua boca novamente, mas ele disparou, “Não.” O olhar confuso dela procurou o dele. Parte dele achava que ele era um tolo. Como ele podia privar a si mesmo de até um só segundo da boca dela nele? Mas a outra parte dele estava imaginando algo magnífico, que ele não podia deixar escapar. “Lembra do que eu disse antes? Eu não vou simplesmente deitar aqui e deixar você me dar prazer, Melina.” Agora, foram os olhos dela que se abriram. Ela apertou os lábios enquanto seu olhar corria pelo corpo dele. “Pelo jeito que as coisas vão, eu acho que não tenho nenhuma escolha nessa situação.” Nossa, ela gostava dela irritada. “Você está errada,” ele disse calmamente. Com o arquear desafiador de uma sobrancelha, ela se inclinou até que sua respiração tocasse de leve o pênis dele. Então, ela o engoliu. Profundamente. Ela usou sua boca nele de todas as formas possíveis. Superficial e profunda. Rápida e lenta. Suavemente e com uma agressão selvagem que o permitiu sentir as pontas dos dentes dela em sua vara sensível e o toque das unhas dela em suas bolas. Ele nem sequer tentou reprimir seus gemidos de prazer. A sua garganta estava dolorida quando ela parou, seus lábios vermelhos e secos, seus olhos dilatados com seu próprio desejo. “Agora, o que você estava dizendo sobre estar errada?” Ele teve que respirar várias vezes antes que pudesse falar. “Eu só estou...esperando a minha vez, querida.” “É mesmo?” Ela o agarrou com força e começou a acariciá-lo. Ele sabia que estava a trinta segundos de gozar em sua mão. “É isso mesmo,” ele disse, tentando parecer controlado. “Porque eu consigo ver o líquido brilhando entre as suas coxas. E eu vou lambê-lo enquanto você coloca o meu pau na sua boca de novo. Você já fez sessenta e nove, Melina?” Ele não ficou surpreso quando ela lambeu os lábios e balançou a cabeça. “Nunca pareceu particularmente interessante para mim.” “Mais uma coisa que você precisa aprender. Agora, fique em cima de mim. Eu fiquei com um bom apetite nos últimos minutos.” Ela hesitou e o soltou. “Rhys, por que eu não—” “Agora, Melina,” ele disse firmemente. Ele sabia por que a maioria das mulheres não gostavam


de sessenta e nove. Ele as expunha. Fazia-as se sentir inseguras de si mesmas. Estranhas. Ele queria tudo o que Melina era. A confiança e a insegurança. A graça e a estranheza. Mas ela não poderia se esconder, assim como ele não poderia se esconder “Eu quero você perto de mim. Em cima de mim. Na minha língua. E é isso que você quer também, não é?” “Sim,” ela murmurou. “Então, nos dê o que queremos, querida.” Se movendo lentamente, ela ficou na posição. Ele esperou até que ela parecesse confortável. Até que ela o colocasse na boca novamente. Até que ela começasse a se soltar no ato de dar prazer a ele. Então, levantando sua cabeça, ele mergulhou o rosto em seu doce aroma. Lambendo suavemente, ele deslizou pelas dobras que haviam ficado vulneráveis após a sua depilação. Deliberadamente, ele ficou longe do nó rijo que ficava em seu centro, até que ela começasse a se esfregar nele e implorar. Ele a deu o que ela queria, manipulando seu clitóris com a língua até que ela chorasse. Ao mesmo tempo, a boca dela apertava ao redor do seu pênis enquanto ela tentava retirar o gozo de suas bolas. O corpo dele enrijeceu quando o prazer correu por ele. Antes que explodisse, ele conseguiu penetrar a língua dentro dela, detonando seu gozo para que coincidisse perfeitamente com o dele. Naquele instante, o seu mundo inteiro se tornou Melina. Ele gritou seu nome ao mesmo tempo em que ela gritou o dele.


CAPÍTULO ONZE

Regra de Mágica dos Dalton Nº 12: Quando tudo mais falhar, tire o coelho da cartola. “Me diga que você está brincando, Max. Por favor.” Com o tom de urgência de Rhys, os olhos de Melina se abriram. Seu olhar varreu o quarto rapidamente, absorvendo os lenços que ainda estavam pendurados nos postes da cama, assim como a sua bolsa de viagem pronta ao lado da porta do quarto, que estava entreaberta. Sentando-se cuidadosamente, ela colocou as pernas para fora da cama e vestiu suas roupas rapidamente. Ela abriu a porta e viu Rhys caminhando enquanto falava no telefone celular. “Eles não podem esperar até depois da nossa apresentação no Seven Seas?” Ele parou, passou uma mão no cabelo, depois voltou a caminhar. “Eu sei que você não pode programar algo assim, mas ela assinou um contrato. Não, eu não estou dizendo que vou processá-la, mas o que ela espera que nós façamos? Nós a contratamos especificamente por ser mais baixa do que as outras garotas. É isso que o show precisa—alguém com cerca de 1,62 m.” Ele riu com escárnio, afastou o telefone de si mesmo, como se quisesse jogá-lo na parede, depois o levou até a orelha novamente. “Você sabe quanto tempo levaria para modificá-lo? Bem, eu sei. Muito tempo.” Com a sua irritação crescente, Melina saiu do quarto e olhou para ele. Ela fez um gesto de “o que está acontecendo?” para ele. Ele fechou os olhos brevemente, levantou um dedo, depois disse a Max, “Eu estou no Lago Shasta com Melina. Preciso levá-la para casa e depois eu vou pegar meu voo. Eu vejo você aí antes da meia-noite.” Ele pausou, olhando para Melina antes de dizer em voz baixa, “Não.” Ele desligou o telefone. “Me desculpe por isso. Eu preciso ir imediatamente e resolver alguns problemas.” “Uma das suas assistentes não pode se apresentar?” “Ela decidiu mostrar ao ex que está falando sério sobre reconciliação, e isso significa que ela vai parar de viajar imediatamente.” “E ela é a única garota que pode ajudar com o truque?” Ele beliscou o nariz, seus olhos apertados como se estivesse com dor. “Sim.” “Vocês não podem simplesmente fazer outro truque?” “Claro. É que esse truque é espetacular. Eu acho que, se der certo, nós vamos surpreender a Seven Seas. Sem ele…” Ele suspirou e balançou a cabeça. “Eu não sei se temos o suficiente. Nós estamos competindo com alguns shows muito bons, incluindo o dos irmãos Salvador. Eles também vão mostrar um novo truque.” Parecendo ter perdido a força para ficar em pé de repente, ele foi até o sofá, se atirou nele, inclinou a cabeça para trás e fixou os olhos no teto. Ele parecia tão derrotado que ela correu para sentar ao seu lado e segurar sua mão. “Eu trabalhei muito nesse truque. Mas, fazer o quê,” ele disse, olhando para ela com um sorriso forçado. “Talvez seja um sinal de que o mar não é para mim. Nós temos nosso circuito estabelecido.


Vamos continuar trabalhando nele.” “Por que esse contrato é tão importante para você? Claro, é prestigioso, mas vocês já são tão bem-sucedidos.” “Não é apenas o prestígio. É ter o melhor de dois mundos, ou o mais perto que podemos chegar. Estabilidade e a emoção de se apresentar. Mesmo que essa estabilidade seja em um navio de cruzeiro, ainda é melhor do que fazer malas e desfazer malas a cada duas semanas.” Ela olhou ao seu redor, a casa que Rhys havia reformado e essencialmente guardava para si mesmo. Sua complexidade também era a sua fraqueza. Como ele poderia saciar sua sede por aventuras quando também queria raízes que o prendessem? Ela imaginou que o Seven Seas seria a solução perfeita. “Eu sinto muito, Rhys,” ela disse, sem saber o que dizer. “Mas eu tenho certeza de que os seus outros truques também irão impressionar o Seven Seas.” Ele respirou fundo e tocou na mão dela sem entusiasmo. “Obrigado.” Seus olhos focaram, como se ele a estivesse vendo pela primeira vez desde que ela saiu do quarto. Ele a beijou gentilmente. “Obrigado por tudo.” Fechando os olhos, ele encostou sua testa na dela, sua respiração constante e suave. Finalmente, ele levantou a cabeça. “Você está pronta?” Ele se levantou e esticou a mão. Ela a pegou automaticamente e se levantou, enquanto tentava pensar em uma solução para o problema de Rhys. Devia haver alguma coisa que eles pudessem fazer. Que ela pudesse fazer. Ela parou. O que ela estava pensando parecia quase risível, mas que outras opções eles tinham? Ela apertou a mão dele. “Rhys, você disse que o Seven Seas vai vir para ver um dos seus shows. Qual?” “A estreia. Nesta quarta-feira.” “Então, essa apresentação é a que realmente importa em termos daquele truque em particular.” “Sim, mas como eu disse, as chances de modificar o aparato até lá são poucas.” “E se você não precisasse mudá-lo? Você não pode simplesmente treinar alguém que seja do tamanho certo?” “Eu acho que sim, mas onde vou encontrar essa pessoa agora? Ele balançou a cabeça. “Como eu disse, nós vamos dar um jeito—” “Eu tenho 1,62 m.” Ele soltou a mão dela. “Hã?” “Eu disse, eu tenho 1,62 m. Eu posso...eu posso ficar no lugar da sua assistente se isso for ajudar. Eu tenho certeza que sou bem mais pesada do que ela. E com certeza não sou artística, mas...” Ela continuou falando. Ele não disse nada. Ele não se moveu. Ele apenas olhou para ela, com uma expressão completamente surpresa. Ela podia sentir o sangue em seu rosto pelo constrangimento. “Sabe, foi uma ideia estúpida—” “Você faria isso por mim?” ele perguntou. “Ficar no palco na frente de estranhos e me deixar amarrar você?” “Bem, é melhor não pensar nos estranhos por enquanto—” “E o seu trabalho? Você disse que tinha que voltar, e para que nós conseguíssemos que as coisas funcionassem, eu precisaria de você agora, para que pudéssemos ensaiar.”


“Quando você precisaria de mim?” “Esta noite. No máximo, amanhã.” “Então, me leve para casa, eu faço as malas, ligo para o trabalho de manhã e viajo logo depois.” “Por que você faria isso?” Ela foi até ele, sem parar até que estivesse perto o suficiente para pegar suas mãos e beijá-las. “Como você pode me perguntar isso? Eu sei o quanto esse contrato significa para você. Se eu puder fazer qualquer coisa para ajudar você a consegui-lo, eu farei.” Ela soltou as mãos deles e deu um passo para trás. “Eu me sinto um pouco tola. Quer dizer, eu no palco? Se você quiser me agradecer e esquecer tudo, eu entenderei.” Ele pegou as mãos dela novamente. “Obrigado,” ele disse. “E eu acho—” Ele pausou e ela segurou a respiração, esperando que ele a rejeitasse. “Eu acho que você ficará perfeita no palco.” Tudo o que ela sentiu foi alívio. E alegria. “Mesmo?” “Sim.” Ela pulou de excitação, sua insegurança momentaneamente esquecida. “Ok, então vamos em frente.” Ela se soltou dele e correu para o quarto para pegar sua bolsa. Ele se virou para pegar suas coisas, parando quando ela chamou, “Ah, e Rhys?” “Sim?” “Eu só quero deixar uma coisa totalmente clara.” A preocupação cruzou seu rosto. “O quê?” “Eu não vou fazer absolutamente nada de topless.” A boca dele curvou. “Você tem certeza? Porque, nossa, com o seu corpo, nós definitivamente conseguiríamos atrair um bom—” “Rhys…” ela disse em tom de advertência. “Ok, claro. Nada de topless. Mas isso só vale no palco, não é?” “Você tem algum outro lugar em mente?” “Ah, eu com certeza tenho vários lugares em mente.” Os olhos dela se arredondaram. “Desde que nós não tenhamos uma plateia, eu acho que podemos fazer algo a respeito.” “Tudo bem para mim. Eu faço o meu melhor trabalho em particular, de qualquer forma.”


CAPÍTULO DOZE

Regra de Mágica dos Dalton Nº 13: Crie a tensão até o grande final. “Deixe-me entender isso,” Lucy insistiu. “Ele realmente conseguiu que você fizesse um sessenta e nove, e você gostou?” Melina jogou mais uma camisa na mala antes de se virar para a amiga. “Sim, Lucy, ele conseguiu. S-I-M. E sim, eu gostei. As respostas serão as mesmas, não importam quantas vezes você faz as perguntas. Agora, podemos falar de assuntos mais importantes, por favor? Tipo, como eu vou entrar no palco sem vomitar e sem arruinar a chance de Rhys ficar com esse contrato?” De onde estava na cama, Grace se abanou com as duas mãos. “Eu não sei, querida. Depois do que você descreveu, como você pode pensar em outra coisa a não ser quando vocês vão se pegar de novo?” “Por outro lado,” Lucy interrompeu, “pense em como ele vai ficar agradecido depois de você o ajudar a ficar com aquele trabalho no cruzeiro. Meu Deus, o homem provavelmente vai fazer qualquer coisa que você peça. Qual-quer coi-sa.” Melina balançou a cabeça. “Dá para vocês pararem? Vocês deviam ter visto o rosto dele quando eu disse que o ajudaria. Ele quer aquele contrato—ele precisa dele—e ele está contando comigo. E se eu não conseguir? E se eu o decepcionar?” “E se unicórnios e dragões voadores realmente existirem?” Lucy respondeu. “Por que você está focando no show e no contrato que Rhys pode ou não pode fechar? Você fez sexo de enlouquecer e bater cabeça com o homem dos seus sonhos, e ele está obviamente apaixonado por você.” Melina sentou na cama ao lado de Grace, apenas para cair para trás e olhar para o teto. “Acredite, o sexo não está longe da minha mente. Mas de onde você tirou que ele está apaixonado por mim?” “Ele pediu para você ir para Reno com ele antes do Max ligar,” Grace salientou. Mordendo o lábio, ela se levantou. “Vocês realmente acham que ele está apaixonado por mim?” “Sim,” Lucy disse. “Definitivamente,” concordou Grace. “Então, por que ele simplesmente não diz isso?” Melina perguntou suavemente. “Por que você não contou para ele que o ama?” Lucy replicou. Com os olhos arregalados, Melina olhou para ela. “Porque eu tenho medo.” “De quê? Ele não vai rejeitar você. O cara comprou um super biquíni para você na França, pelo amor de Deus!” “Eu tenho medo que ele vá embora de qualquer jeito,” ela insistiu. Lucy abriu a boca para responder, mas foi Grace quem respondeu, “Não, você não tem, Melina. Você tem medo que ele vá embora e peça que você vá com ele. E você não tem certeza se o ama o suficiente para fazer isso.” Melina e Lucy olharam para ela. Lucy se virou para Melina. “Isso é verdade?”


“Não. Quer dizer…” Melina fechou os olhos e se forçou a procurar bem dentro de si mesma pela resposta. Ela abriu os olhos e lançou um olhar de ódio para Grace. “Droga, eu odeio quando você faz isso.” Lucy sentou na cama ao lado dela. “Eu estou confusa.” “É, eu também,” Melina retrucou. Levantando, ela caminhou pela pequena área entre a cama e a cômoda. “Grace está certa. Quando nós estamos juntos, eu não consigo me imaginar sem ele. Mas quando estamos separados, eu não consigo me imaginar fazendo parte do mundo dele. Eu nem tenho certeza do que quero fazer. Claro, parece emocionante, mas eu sou caseira. Eu gostaria de viajar mais, mas apenas se tiver uma casa para onde voltar. Algum lugar para criar meus filhos e memórias. Agora, eu sei que Rhys quer uma versão disso também, mas eu não consigo me ver na estrada ou no mar, vivendo na sombra e esperando que ele termine um show após o outro.” “Então, todo esse tempo, não tinha nada a ver com você ser capaz de satisfazê-lo ou se ele podia amar você,” Lucy disse. “Você está dizendo que, mesmo que estas coisas estejam perfeitas, você ainda não tem certeza de que as coisas funcionariam?” “Estas coisas são definitivamente medos reais, mas mesmo sem elas, sim. Eu acho que é isso que eu estou dizendo.” Pela primeira vez desde que se conheceram, Lucy não parecia saber o que dizer. Isso não era nada bom. “Então, o que eu faço?” Melina gritou. Grace se ajoelhou na frente dela e segurou suas mãos. “Você já está fazendo, querida. Você está deixando o seu mundo e se aventurando no dele. Chega de especular sobre como as coisas seriam. Nada de se perguntar se você vai gostar ou não. De um jeito ou de outro, você vai descobrir a resposta daquele teste-surpresa. Estar com ele faria com que você tivesse que mudar a sua vida inteira. Se você decidir que não quer fazer isto, então, ele não é o homem para você. E daí? Talvez Jamie seja.” “Por favor.” Lucy revirou os olhos. “Ela acabou de dizer que não ia mais se contentar com sexo sem paixão de novo. O professor Jamie Whitcomb não é o tipo que inspira paixão em qualquer mulher. Ele é arrogante e formal demais para o seu próprio bem.” Melina estudou a amiga, esquecendo seus próprios problemas por um segundo. “De onde vem toda essa hostilidade? Eu achei que você mal conhecesse Jamie.” “Oh, eu conheço ele sim.” Quando ela não se aprofundou, Melina se virou para Grace. “Parece que o reitor também quer o departamento de Lucy representado na conferência amanhã,” Grace explicou. “Como Jamie está coordenando tudo...” Melina suspirou. Que merda. A conferência. Ela segurou as mãos de Grace. “A conferência. Eu tenho que me apresentar com Jamie. Ele está dependendo de mim.” Lucy balançou a mão com desinteresse. “Ah, por favor. Como se alguém fosse sentir a sua falta.” Ela não deixou de ver o olhar ameaçador de Melina. “Você sabe o que eu quero dizer. Você tem uma apresentação em PowerPoint pronta, não tem? Jamie pode fazer a sua parte, ou outra pessoa pode.” “Você,” Melina ao mesmo tempo em que pensou.


Olhando para ela como se fosse louca, Lucy riu alto e levantou a mão. “Como é? Eu acho que não. Eu tenho que ir à conferência—contra a minha vontade, devo dizer—para fazer contatos na recepção. Mas eu não estava planejando em ir a nenhuma das apresentações.” “Você pode fazer a minha apresentação com as suas mãos atadas. Você aprende rápido e não tem nenhum problema em falar em público.” “Eu não sou entomologista,” Lucy exclamou, começando a parecer estar em pânico. “Eu não sei nada sobre insetos.” Melina correu até a escrivaninha na sala de estar e voltou ao quarto com uma pasta, bemorganizada e cheia de anotações. “Você não precisa. Como você disse, tudo está pronto. Você só precisa ler as minhas anotações. Por favor, Lucy?” “Eu-eu…” Parecendo um coelho caçado, Lucy olhou para Grace. “Eu não vou estar na cidade nesse dia,” Grace disse rapidamente. “Por favor, Lucy. Ele não é a minha alma gêmea, mas eu gosto de Jamie e o respeito. Eu não posso dispensá-lo. Esta conferência é importantíssima e, como o organizador, ele vai ficar super ocupado. Faça isso para mim e eu vou ficar te devendo, prometo.” “Você vai ficar me devendo, huh?” Lucy disse, ainda parecendo preferir comer terra. Melina apenas assentiu e a alcançou a pasta. Com um suspiro, Lucy o pegou. “Tudo bem. Eu vou manter você nas graças de Jamie, caso você decida que não quer Rhys tanto quanto pensava.” “Não é com Rhys que eu estou insegura,” Melina insistiu. “Não mais.” “Querida, é tudo parte do pacote, ok? Você não pode ter Rhys sem todo o resto.” Depois que suas amigas foram embora, Melina pensou no que Lucy havia dito. Ela pensou naquilo enquanto terminava de fazer as malas. Ela pensou naquilo quando entrou no avião na manhã seguinte. E ela pensou naquilo quando saiu para encontrar Rhys. Quando ela viu Rhys, largou a bagagem e correu para os seus braços, quase chorando de alívio quando ele colocou os braços ao redor dela e a segurou forte. Ela levantou o rosto para beijá-lo no momento em que a sua boca cobria a dela. A língua dele mergulhou em sua boca, roubando sua respiração e sua sanidade até que eles finalmente se separaram. Ela abriu a boca e tentou dizer: Eu amo você. Eu quero passar o resto da minha vida com você. Se isso significar viagens ou viver com uma mala pelo resto da minha vida, eu farei isso. Em vez disso, ela apenas o beijou novamente. “Você está pronta para trabalhar?” ele perguntou com um sorriso. Ela forçou um sorriso. “Você me amarra. Você faz a sua mágica. Eu só preciso sorrir e ficar bonita, certo? Não pode ser muito difícil.” *** Jillian bateu na porta do camarim mais alto dessa vez. “Você ainda não está pronta?” Melina olhou para si mesma no espelho de corpo inteiro, fazendo caretas para a imagem refletida. A roupa brilhante que Jillian estava tentando alterar para servir em sua forma era do seu tamanho


exato, mas a assistente de palco de Rhys tinha obviamente mais para amar na parte de cima do que ela. Ao invés de aumentar suas curvas mínimas, o decote caído a deixava parecendo com uma tábua de passar roupa, e a saia minúscula fazia as suas coxas parecerem troncos de árvore. “Eu te disse, essa roupa não me serve,” Melina gritou novamente, se perguntando se a mulher não ouvia bem. “Claro que não serve,” Jillian disse, sua voz claramente refletindo sua impaciência. “Eu ainda não acabei de alterá-la. Agora, saia daí para poder voltar para o ensaio.” Melina resmungou. Ensaio. Certo. Ela e Rhys estavam praticando desde que ela havia chegado do aeroporto. Não que ele fosse um carrasco. Ele a havia dado muitas folgas, para comer e transar, mas assim que eles começassem a ensaiar novamente, tudo era negócios. Seu corpo doía de se alongar e ficar presa no aparato Metamorfose, e ela estava nervosa com a forma que Rhys corria as mãos pelo seu corpo repetidamente. “Geralmente, eu não acho nada demais de fazer algo assim,” ele havia dito. “É apenas o meu trabalho.” Antes que ela pudesse rir e o chamar de mentiroso, ele beijou o pescoço dela e sussurrou em seu ouvido, “Fazer isso com você me lembra de algo.” Ela engoliu em seco e suspirou, “Do quê?” “Eu estou lhe devendo por me torturar quando eu estava amarrado. Quando você estiver esticada na minha frente e não puder fazer nada a não ser implorar para que eu a toque, lembre-se disso.” Fechando os olhos, ela lambeu os lábios. “Eu estou lhe fazendo um favor aqui. Eu não acho que ameaças são apropriadas nesse momento Além disso, eu pensei que você tivesse gostado do que nós fizemos.” Ele apenas riu e se afastou, liberando-a para o figurino. Sabendo que não podia mais adiar, ela abriu a porta e espiou. Jillian se virou e a chamou. “Venha aqui para que eu possa ver com que estou trabalhando.” Relutante, Melina entrou. Ao invés de rir até cair, como Melina esperava, Jillian balançou a cabeça. “Bom. Está bom.” “Bom?” Melina ecoou, surpresa. “Eu pareço com uma pera enfiada em um vestido tubinho dos anos setenta.” “Pode deixar comigo. Quando eu terminar com essa roupa, você vai parecer ter nascido para entrar no palco.” “É, mas eu não vou caminhar muito. Eu vou ficar mais pendurada,” ela murmurou, depois se sentiu como uma chorona boba. Ela estava com Rhys, e para Rhys, isso era tudo o que importava. Era como se Jillian pudesse ler a sua mente. “Sim, bem, é esse tipo de coisa que as mulheres fazem pelos homens que amam.” Melina automaticamente balançou a cabeça. “Eu só estou fazendo um favor a um amigo.” Agora, Jillian riu. “Ok, querida. Mas não se preocupe com isso. Não importa se eles nunca namoraram ninguém por mais de seis semanas. Nós todas nos apaixonamos por um desses meninos mais cedo ou mais tarde. Nem todas nós temos a sorte de ter esse amor correspondido, é só.” “Pelo o que eu ouvi, eles amam o bastante por aqui.”


Jillian a lançou um olhar desapontado. “Você deveria ser a inteligente, não é?” Antes que Melina pudesse fazer mais do que suspirar, a mãe de Rhys, Rachel, entrou. Elas já haviam se visto várias vezes, mas ainda era uma boa surpresa vê-la novamente. A forma que ela abraçou Melina sugeria que ela sentia o mesmo. “Então, o que você acha, Jillian? Nós não lhe dissemos que Melina era adorável?” Assentindo, Jillian puxou o vestido de Melina e ajustou os alfinetes aqui e ali. “Ela é mesmo. Um pouco em dúvida sobre a reputação dos seus garotos com as mulheres, mas fora isso, ela é ótima.” Melina corou e tentou gaguejar uma resposta, mas Jillian apenas plantou suas mãos em seus quadris e a olhou de cima a baixo. “É. O público vai adorá-la,” ela declarou. “Só esperamos que o Seven Seas também adore.” A mãe de Rhys olhou para o relógio. “Você tem tempo suficiente para mais um ensaio, Melina, mas Rhys disse que você aprendeu muito rápido. Ele está bem impressionado com você, minha jovem.” “O que Rhys está fazendo agora?” ela perguntou, tentando parecer apenas casualmente interessada. “Ele está ensaiando no palco principal com Max e as outras garotas.” “Posso ir ver?” “Claro!” Rachel exclamou. “Você faz parte da equipe agora.” Parte da equipe. Ao tirar a sua roupa horrível e se vestir, um sorriso cruzou seu rosto. Apesar do nervosismo persistente, parte dela estava começando a se sentir parte da equipe. Todos eram amigáveis e a deram as boas-vindas de braços abertos, conversando com ela sobre suas famílias e a emoção que sentiam sobre conseguir o contrato no Seven Seas. Ao correr para o palco principal, Melina pensou no que Jillian disse. Que todo mundo se apaixonava por Rhys ou Max em algum momento, mas apenas algumas pessoas especiais tinham sorte de ter seu amor correspondido. Ela sabia que Rhys e Max a amavam desde que tinha quatorze anos. Apesar dos altos e baixos entre eles, ela sabia que podia contar com eles sempre que precisasse. A presença dela provava que eles podiam fazer o mesmo. Tentando ser silenciosa ao abrir as portas pesadas do teatro, ela se escondeu na última fileira e assistiu Rhys fazer um truque após o outro. Haviam outras duas assistentes que ajudavam no show. Tendo ficado pendurada no aparato Metamorfose e visto o novo e complicado truque de Rhys por si mesma, agora ela sabia porque ele precisava de uma assistente mais baixa. Isso não era necessário em seus outros truques. As outras duas garotas, apresentadas a ela como Amanda e Tina, tinham quase 1,80 m, seus corpos eram magros, mas curvilíneos, especialmente na área do busto. Amanda tinha cabelos compridos e loiros de vários tons, e Tina tinha um penteado Chanel ondulado e ruivo que parecia sempre bagunçado. Elas pareciam modelos, e seria fácil odiá-las, não fosse pelo fato de que elas eram extremamente gentis e simples. Amanda tinha um diploma como enfermeira, e Tina usava cristais e havia se oferecido para ler cartas de tarô para Melina. Ela gostou delas, mesmo que elas a fizessem se sentir como uma nerd baixinha que não fazia parte do grupo. Com um floreio, Rhys terminou um truque, depois trocou de lugar com Max, que estava sentado em uma cadeira ao lado do palco. Ela não havia passado muito tempo com Max, a não ser para


xingá-lo, depois beijá-lo, pelo o que havia feito no hotel. Ela não havia mencionado Trisha ou o incidente de doze anos atrás, e Rhys também não tinha. Mesmo assim, ela podia perceber que Max estava se sentindo estranho. Ele estava bem mais quieto do que o normal e, com exceção dos ensaios, ele ficava a maior parte do tempo sozinho. Ela havia perguntado a Rhys sobre isso, mas ele apenas encolheu os ombros, dizendo que Max podia ficar mal-humorado, mas que voltaria ao normal eventualmente. A música começou a tocar e outro truque começou, todos desfilando pelo palco como se tivessem nascido para estar ali. A certa altura, Rhys pediu que eles parassem, e ele e Max discutiram algo enquanto as garotas saíam do palco. Melina sentiu tanto orgulho ao vê-los. Eles eram bons no que faziam, e era óbvio que, apesar de Max e Rhys serem uma dupla, Rhys fazia as coisas acontecerem. Ele as fazia continuar a funcionar. Ele era o coração do Show de Mágica dos Gêmeos Dalton. Sem ele, o show não sobreviveria. Passar tempo com a sua família e se apresentar com eles havia lhe dado uma energia que não estava lá antes, mesmo quando ele estava relaxado e se divertindo no Lago Shasta. Sabendo que não tinha muito tempo antes de ser chamada para o palco, Melina se levantou e correu para a saída silenciosamente. Ela estava quase lá quando viu Amanda e Tina voltarem. Elas estavam de topless, seus grandes seios redondos e expostos para todos. Rhys e Max olharam para elas e continuaram a conversar, obviamente despreocupados com a nudez delas. Melina, no entanto, sentiu o chão cair debaixo dos seus pés. Segurando-se com uma mão trêmula, ela sentou lentamente em outro assento. Ela viu quando Max fez um truque após o outro, mantendo pelo menos uma das garotas por perto o tempo todo. Ele as tocava frequentemente, quase sem interesse, uma mão em um quadril aqui, ou uma carícia na lateral de um seio ali. Melina sabia que era apenas atuação—que aquilo não significava nada para eles—mas ela não conseguia evitar de pensar na forma que Rhys a havia tocado quando eles ensaiaram. E apesar de não ser ele tocando as meninas agora, ela sabia que ele e Max se revezavam em todos os truques, então, ele as havia tocado em algum momento e continuaria a tocar. Alguém tocou o seu ombro, e ela virou a cabeça. Rhys estava ao seu lado, com preocupação no rosto. “Oi,” ele disse. Ela se voltou para o palco. “Oi,” ela sussurrou. Ele sentou no assento ao seu lado e suspirou. “Eu lhe avisei que haviam alguns truques que tinham nudez, Melina.” Balançando a cabeça, ela lambeu os lábios. “Sim. Você disse. Mas você não me disse com que frequência você dava uma pegadinha.” Assim que as palavras amargas saíram de sua boca, ela quis retirá-las. Mas não podia. E ela não podia fingir que não se sentia daquela forma. Não tanto pelo toque ser sexual ou até ofensivo, mas porque ele parecia destacar o quão diferentes as vidas deles realmente eram. Ele pegou seus braços gentilmente e a virou para ele. “É só atuação. O equivalente de um beijo no cinema. Não significa nada.” “Eu sei disso.” Mas significa algo para mim, ela pensou. E é isso que ele faria, noite após noite, enquanto eu espero por ele. Enquanto eu desisto da minha vida por ele. Ela era uma pessoa


insegura na maior parte do tempo. Quão baixo ela iria se tivesse que imaginar as mãos de Rhys no corpo de outra mulher todas as noites? Ela se levantou. “Eu ia comer alguma coisa antes de ensaiarmos. Que horas eu devo estar de volta?” “Melina, podemos conversar sobre isto?” “Não há nada para conversar,” ela disse com um sorriso superficial. “Esta é a sua vida, e não há nada de errado com ela. Agora, que horas você quer que eu volte?” “Nós vamos ensaiar em uma hora. Pode ser?” “Uma hora está ótimo.” Ela tentou passar por ele, mas não havia espaço suficiente, a não ser que ela encostasse nele. Sabendo que era tolice, ela se virou e passou pelo outro lado do teatro, saindo por outra porta. Ela não olhou para trás, mas acabou não comendo nada. Ao invés disso, se sentindo mais como uma intrusa do que nunca, ela caminhou pelas ruas próximas ao teatro até que chegou a uma área comercial. Uma loja em particular chamou sua atenção, e ela parou para olhar a vitrine. O manequim vestido de couro deveria parecer ridículo, mas para Melina, ele representava a natureza ousada, quase surreal do estilo de vida de celebridade de Rhys. Estranho. Exótico. Fora de alcance. No entanto, ela se lembrou de que estava gostando do tempo que estava passando aqui. Que ela havia começado a se sentir a vontade no mundo dele. E daí que ela havia chegado à um pequeno obstáculo na estrada? Por que ela não podia usar a roupa de couro na vitrine, assim como havia usado o figurino de Jillian? Apesar de não ficar confortável no começo, ela se acostumaria com ele eventualmente. Não é? Pelo menos, Rhys saberia que ela estava disposta a tentar. Talvez, independentemente da sua reação às assistentes de topless dele, as coisas podiam funcionar para eles. Talvez, ela apenas precisasse provar isso a si mesma, e essa sensação vazia de desespero sumisse para sempre. Mas se ela iria se arriscar, não seria a única. Rhys havia se permitido ficar vulnerável quando deixou que ela o amarrasse, mas as coisas haviam ficado significativamente mais complicadas desde então. Se ela iria ficar totalmente exposta por ele, então ele iria ter que fazer o mesmo. Só então, ela acreditaria em quão profundos seus sentimentos eram por ela. Com determinação renovada, Melina entrou na loja. *** Aquela noite, depois que o ensaio havia finalmente acabado, Rhys praticamente correu de volta para o seu hotel. Ele estava exausto. Com fome. Irritado. Nada daquilo se comparava com a vontade desesperada que ele tinha de ver Melina e confirmar que as coisas estavam bem entre eles. Quando ele a notou no fundo do teatro, seus olhos em Max e nas assistentes de topless, ele se sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Ela parecia tão triste. Derrotada. Nada como a mulher que estava tentando corajosamente se ajustar ao mundo estranho no qual ela havia sido


jogada. Ele havia ficado péssimo depois daquilo. Distraído. Irritadiço. Mas quando ela apareceu para o ensaio, Melina parecia ter voltado ao seu normal. Ela havia rido quando ele brincou com ela, e havia lhe dado um longo e delicioso beijo antes de deixar o teatro, dizendo que tinha uma surpresa para ele no quarto. Agora, duas horas depois, tudo o que ele queria era cair nos braços de Melina. Ele nem estava nervoso com o show de amanhã. Fosse como fosse, ele só queria saber como o seu futuro com Melina seria. Ele faria o que deveria ter sido feito a muito tempo. Ele daria uma escolha à Melina—casa e família, ou ele. E não importava se aquilo era justo ou não, mas ele faria todo o possível para garantir que ela escolhesse a ele. Quando ele abriu a porta de sua suíte, ele o fez silenciosamente, no caso de Melina estar dormindo. Realmente, o quarto estava escuro e quieto, com exceção do chiado constante do ar condicionado. Ele fechou a porta, depois acendeu a luz do banheiro para tirar a roupa. Quando ele viu Melina, ficou paralisado. “Melina?” Uma música com uma batida lenta e dançante começou a tocar. De onde estava sentada no canto, Melina levantou e caminhou até ele, seus quadris balançando exageradamente, seus passos no ritmo da música. Ele quase engoliu sua língua quando viu os laços cruzados entre seus seios estufados. Ela estava usando um espartilho? Estava. E não era apenas um espartilho. Ele era feito de um couro preto macio que se moldava às suas curvas. Ela usava uma coleira de couro e pulseiras; nada de spikes, graças a Deus, apenas tachinhas de prata iguais às que tinha no peito. Maquiagem, mais maquiagem do que ele jamais havia visto nela, cobria o seu rosto, fazendo-a parecer uma estranha. Uma linda, tentadora e excitante estranha, mas uma estranha de qualquer forma. Ela olhou para ele desafiadoramente, torceu o dedo e o convidou a se aproximar. Ele não se moveu. “Onde você comprou isso?” ele perguntou, quase rouco. “Há muitas lojas aqui perto.” Abrindo bem as pernas, ela plantou os pulsos nos quadris, uma pose atrevida de Super Mulher que chamou a atenção para os saltos doze que ela estava usando. “O que você acha?” O que ele achava? Não achava nada, já que todo o seu sangue havia corrido direto para o seu pau. “Você parece...” Ele pausou, sabendo que “uma estranha” não era a coisa certa a dizer. “Gostosa. Você está gostosa. Mas você ficará ainda mais gostosa quando estiver nua.” Ela fez biquinho e balançou a cabeça. “Obrigado por dizer, mas não sou eu quem vai ficar nua. É você.” “Ah, é mesmo?” Ele não pôde deixar de pensar na noite em que ele entrou no quarto de hotel em Sacramento e a encontrou esperando por ele. Apesar da surpresa, aquilo parecia certo. Algo aqui estava errado, mas ele não conseguia identificar exatamente o que era. “É.” Puxando uma cadeira, ela a virou lentamente até que pudesse montá-la, suas pernas abertas, a parte de baixo exposta da sua roupa revelando aquela pequena tira de pelo que o havia


enlouquecido. Ele suspirou e começou a tentar abrir botões. Seja o que fosse que estava acontecendo aqui, eles lidariam com isso. Depois. Arrancando sua camisa, ele chegou mais perto. “Pare,” ela ordenou. Ele parou, enquanto apertava os punhos e aspirava o ar como uma locomotiva. “Dance para mim. Tire a roupa para mim.” Sua voz parecia dura. Exigente. Um pouco irritante. Mesmo enquanto sua ereção crescia, uma parte dele resistia. “Foi uma noite longa, querida. Eu não acho que estou disposto a—” “Ah, você está disposto sim. E você vai ficar disposto. Pelo tempo que eu quiser que você fique. Agora tire a roupa.” Com mãos trêmulas, ele desabotoou suas calças e as puxou para baixo, assim como suas meias e sapatos. Quando ele estava pronto, cruzou os braços sobre o peito, olhos semiabertos. “E agora?” Ela se levantou e apontou para a cadeira da qual havia saído. “Agora sente-se aqui. Coloque as suas mãos para trás.” “Melina—” “Vamos.” Ele suspirou e se sentou. Imediatamente, ela o montou, esfregando sua carne doce em seu pênis, deixando-o molhado com sua umidade enquanto se levantava nas pontas dos dedos, empurrava seu peito no queixo dele, e se inclinava para frente para prender os seus pulsos. Ele abaixou a cabeça para sentir o seu cheiro, quando percebeu que ela não estava usando lenços, e sim algemas. “O que —” Ele balançou as algemas, mas ela balançou a cabeça. Ela mostrou a chave para ele, provocantemente. “Uh-uh. Nada de truques esta noite, Rhys. É só você e eu. Lembra quando você disse que eu torturei você? Bem, eu descobri que uma só vez não é suficiente para mim. Eu quero torturá-lo um pouco mais.” Ele nunca havia ficado tão irritado e tão excitado ao mesmo tempo. Apertando os dentes, ele a lembrou, “Você é quem está merecendo ser torturada. Mais e mais com cada segundo que passa. Agora, tire estas algemas de mim.” “O que houve? O mágico não consegue tirá-las sozinho? Parece que você vai ter que aguentar o que eu fizer.” Ela se ajoelhou em frente dele, separando suas coxas, e se posicionando entre elas. Ele as apertou em torno dela como advertência, não o suficiente para machucá-la, mas o suficiente para que ela entendesse que ele não estava brincando. “Me solte. Agora, Melina. Eu não estou brincando.” Ela moveu suas mãos até a curva do traseiro dele e ousou mergulhar um dedo na fenda. Então, ela se inclinou, olhando para ele o tempo todo, e o colocou na boca. Ela o devorou como se estivesse faminta. Ela o lambeu como se ele fosse uma casquinha de sorvete e ela estivesse queimando. Ela segurou suas bolas e passou suas unhas pelo comprimento do pênis enquanto trabalhava na ponta com a língua, alternando toques e chupadas. Ela o sugou como se fizesse isso a anos, sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia, praticando sem parar para este momento, para que o


enlouquecesse totalmente. Quando seus gritos de prazer cessaram, ela limpou a boca, viu uma gota de esperma que havia escapado dela, e a lambeu. Ele gemeu, mal conseguindo se mexer, e não apenas por causa das algemas. “Me beije,” ele sussurrou, precisando ficar perto dela. Precisando de algo que ele nem sequer conseguia identificar. Para a sua surpresa, ela balançou a cabeça. Alisando seu espartilho, ela desfilou em seus saltos doze apelativos até o banheiro. Quando ela voltou, estava segurando um chicote. Os olhos dele se arregalaram, sem acreditar. “Eu comprei mais algumas coisas quando saí.” Ela bateu com o chicote em seu traseiro e fez um biquinho. “Talvez, se você for bonzinho, vai poder me bater mais tarde.” Aquilo era demais para ele. A maquiagem. A sua provocação fria. A forma como ela havia se recusado a beijá-lo ou a lhe dar um centímetro da sua suavidade. Com um impulso, ele se levantou. Quando o fez, as suas mãos presas escorregaram sobre o encosto da cadeira e, com um movimento que deixou Melina de boca aberta, ele passou as suas mãos para a frente. Ela piscou várias vezes, como se não tivesse certeza do que havia acontecido. “Como você—” “Eu acho que você não sabia que eu tinha juntas flexíveis. É útil de vez em quando.” Ele esticou os braços e lançou um olhar furioso para ela. “Tire-as.” Ela balançou a cabeça, se afastando dele. Quando ela bateu na porta, ele segurou seus pulsos e os levantou sobre a cabeça dela. Depois, com um empurrão, ele a virou e a jogou na cama. Ele a cobriu com seu corpo e a prendeu em três segundos. “Que negócio é esse?” ele disse entre dentes cerrados, tentando recuperar o controle apesar de seus pulsos ainda estarem presos. Ela tentou lutar embaixo dele, suas tentativas de fuga parecendo bastante reais. “Imprevisibilidade,” ela disparou. “Eu pensei que você gostava dela.” “Eu gosto da roupa. Mas não da maquiagem. Não da atitude. Eu não quero transar com uma estranha sexy. Eu quero transar com você. Droga, eu amo você, Melina. Você ainda não entendeu isso?” Ela parou de lutar imediatamente, e as lágrimas encheram seus olhos. “O que você quer de mim? Eu estou tentando me encaixar. Estou tentando lhe dar a emoção que outras mulheres na sua vida lhe deram.” Ele apertou os dentes. “Ninguém me deu o que você tem, Melina. Ninguém. Você me faz sentir coisas que ninguém mais faz. Neste momento, isso inclui me deixar terrivelmente furioso, mas eu amo você de qualquer jeito. Isso não vai mudar, e você não precisa mudar porque tem medo que eu deixe de amá-la.” “Mas isso é porque nós estamos aqui e porque tudo é novidade. O que acontece quando você perceber que eu não me encaixo na sua vida? O que acontece quando você perder o interesse? Porque você vai perder o interesse, Rhys. Você sempre perde.” “Do que diabos você está falando?” “Você nunca namorou com ninguém por mais de seis semanas.” “Quem lhe contou essa bobagem?”


Ela apertou os lábios. Abruptamente, Rhys a soltou e se levantou. Cautelosamente, silenciosamente, ela pegou as chaves e abriu as algemas. Ele se vestiu. Quando ele apertou o cinto, se virou para ela. “Eu percebi que você não respondeu à minha declaração de amor. Como eu devo interpretar isso?” Ela se sentou. Pegou seu robe e o vestiu. “Eu já lhe disse antes que amo você.” “Sim, mas na mesma hora em que disse que ama o Max. Então, como vai ser, Melina? Eu amo você. Eu sei que a minha vida não é o que você escolheria, mas eu tenho outras pessoas em quem pensar. Eu quero saber. Você me ama e quer fazer parte da minha vida, seja ela como for?” “Seja ela como for.” Ela riu em tom de zombaria. “Você não pede muito, não é?” Os ombros dele caíram, e ele olhou para o chão. “E esta não é uma resposta muito animadora, não é?” “Você não pode simplesmente—” Os dois pularam quando alguém bateu na porta. “Rhys! Melina. Abram. Nós temos problemas.” Era Max. Melina se levantou com um pulo enquanto Rhys abria a porta. Max entrou. Depois de absorver a maquiagem de Melina e sua roupa surpreendente, assim como as expressões sérias deles, ele balançou a cabeça. “Ótimo. Eu estou vendo que as coisas também estão indo bem por aqui.” “O que é?” Os olhos de Max irradiavam remorso. “Alguém entrou no teatro depois do ensaio. Eu voltei porque havia me esquecido de trancar tudo e…” “E o quê?” Rhys perguntou. “E o aparato do Metamorfose foi destruído.” Melina arfou e imediatamente cobriu a boca com as duas mãos. “O quê?” Rhys murmurou. Ele caiu sobre a cadeira que ainda estava no centro do quarto. Ele viu Melina se aproximar dele, e parar. Aquilo doeu mais do que o que Max disse depois. “Alguém usou um machado nele. Está em pedaços. Não vamos conseguir consertá-lo. Não até o show de amanhã.” *** Dois dias depois, Melina estava em seu laboratório, tentando se concentrar em sua experiência atual. Era difícil, pois seus olhos ficavam cheios de lágrimas e ela tinha que ficar pedindo licença para poder chorar em particular. Ela havia ligado para Max logo de manhã, e ele havia dito que o Seven Seas havia decidido contratar os irmãos Salvador como suas atrações permanentes. Quando Melina perguntou sobre Rhys, Max havia rido amargamente. “Rhys vai ficar bem, Melina. Ele vai dar a volta por cima com algo que fará o Seven Seas voltar para nós de joelhos, eu garanto. Se recuperar do que você fez com ele é que não vai ser tão fácil.” Ela ficou tensa com o tom de crítica dele. “Eu? Eu não fiz—”


“Você não podia ir embora rápido o suficiente, não é? Quando você soube que não era mais necessária para o truque, você foi embora.” “Eu falei com você e Rhys. Eu perguntei se vocês precisavam de mim para alguma coisa, e os dois disseram que não. Rhys nem sequer quis falar comigo.” “Ele estava triste, e quando está triste, ele se isola. É o jeito dele. Ele me contou o que aconteceu no quarto antes de eu interromper.” Ela suspirou, horrorizada. Rhys havia contado a Max sobre o espartilho e o chicote? As algemas? Ela quase gemeu de horror, mas Max continuou falando. “Ele me disse que pediu que você ficasse com ele. Disse que amava você. E que você jogou tudo de volta na cara dele.” “Eu-eu não fiz isso,” ela protestou. “Eu não fiz nada disso. Eu só… eu não tive uma chance de responder. Você entrou no quarto e tudo ficou confuso e—” “E você pegou um avião e foi para casa. Essa foi a sua resposta, Melina. E Rhys sabe disso.” Quando ela desligou, Melina estava quase paralisada pela dúvida. Ela apenas queria ir para casa para poder pensar, mas pegar um avião havia sido a sua resposta? Ela não tinha direito de pensar bem nas coisas antes de mudar sua vida de forma tão drástica? Ela ainda estava questionando a si mesma, o que havia feito, e o que queria quando voltou para o laboratório. Em vez do trabalho passar voando como acontecia normalmente, as horas passavam terrivelmente devagar, e mesmo assim, ela não havia feito quase nada. Quando ela chegou em casa, tinha uma mensagem na secretária eletrônica. Seu coração estava batendo forte, ela a reproduziu, esperando que fosse Rhys. Era a sua mãe, pedindo que ela ligasse o mais rápido possível. Melina pegou o telefone e digitou o número que sua mãe havia deixado na mensagem. Sua mãe atendeu o telefone. “Oi, mãe,” ela disse. “Oi, querida. Obrigado por me ligar. Nós só teremos acesso a um telefone por alguns dias antes que o passeio pelo Vietnã comece.” “Vietnã? Eu pensei que vocês ainda estavam na China!” “Nós saímos da China dias atrás, querida. Agora me diga, como você está?” Melina engoliu em seco e tentou responder calmamente. Em vez disso, ela soltou um soluço alto e cheio de dor. “Oh, não. Querida, qual é o problema?” Ela despejou tudo. Seus sentimentos por Rhys. O desafio que Grace havia feito. A armação de Max com os quartos. O lago e o sexo incrível e como Melina se sentiu bem-vinda e alienada quando eles chegaram em Reno. Quando ela parou de falar, sua voz estava rouca. Houve apenas silêncio do outro lado da linha. Melina cobriu os olhos com a mão, horrorizada por ter despejado tudo aquilo em sua mãe quieta e reservada, especialmente quando ela estava tão longe e não podia fazer nada para ajudá-la. “Está tudo bem,” ela garantiu. “Eu estou bem. Eu só preciso aceitar quem sou e o que eu sou. Você fez isso. É por isso que você parou de atuar, não é? Porque você se encaixava melhor no tipo de vida que


papai tinha.” “Ah, por favor, Melina,” sua mãe disse. “Você não acredita mesmo nisso, acredita?” “Como assim?” “Eu não abandonei a atuação porque aquela vida não combinava comigo. Eu a abandonei porque eu achei que era isso que eu precisava fazer para ficar com o seu pai. Os pais dele eram muito conservadores e não aprovavam a atuação. Para eles, era a mesma coisa que ser uma prostituta. Eu queria a aprovação deles tanto quanto eu queria o seu pai. Então, eu desisti da minha paixão por atuar e tive a sorte de ser abençoada com outro tipo de paixão.” “Paixão de novo,” ela murmurou. Sua mãe estava descrevendo exatamente o que Melina havia dito a Lucy que não existia. Dentro dela, a esperança batia as suas asas como uma borboleta saindo de um casulo. “Então, é isso que eu deveria fazer? Quero dizer, você é obviamente feliz. Você não tem arrependimentos—” Sua mãe riu. “Querida, eu tenho muitos arrependimentos. E eu realmente não estou lhe dizendo para seguir os meus passos e desistir da sua vida apenas para ficar com Rhys.” “Então, você está dizendo que eu estava certa de voltar para casa?” “Não.” “Não,” Melina ecoou. A frustração tornou as suas próximas palavras mais duras do que ela tinha a intenção. “Então, o que você está dizendo, mãe? Porque eu preciso saber qual é a coisa certa a fazer.” “Não existe resposta certa ou errada, Melina. As coisas serão como você exigir que elas sejam.” Afastando o telefone da orelha, ela olhou para ele, certa de que algum ser estranho deveria ter possuído o corpo de sua mãe. A sua mãe não falava daquele jeito. Rhys falava. Indo até a sala de estar, ela colocou o telefone de volta na orelha. “Eu não entendo,” ela suspirou. Ela pegou a foto de Max e Rhys com suas acompanhantes, a foto na qual ela havia focado antes de fazer a proposta para Max. “Eu estou olhando para uma foto de Rhys e Max depois de eles terem ganho seu prêmio em Las Vegas. Eles estão com suas acompanhantes, e eu...eu estou achando difícil me imaginar com eles na foto.” “Isso é porque você está olhando para a foto errada. Você tem muitas fotos suas com Rhys. Pegueas e olhe para elas. Pergunte a si mesma o que você vê.” “Eu sei o que vou ver. Eu. Comum e sem graça como sempre.” Mas ela também não era uma dominatrix, pelo menos não uma que gostava de usar couro e usar um chicote. Não se Rhys não quisesse. Até mesmo agora, ela se encolhia de pensar em como ela o havia tratado, agindo friamente porque ela queria que ele se sentisse tão vulnerável quanto ela. “Se é isso que você vê, você está focando na pessoa errada. Em vez de focar em si mesma, foque no Rhys. Depois, pergunte a si mesma o que você vê.” “Mas, mãe—” “Desculpe, meu anjo, mas eu tenho que ir. Eu amo você.” Sua mãe desligou, deixando Melina ponderar suas palavras finais. Ela largou o porta-retrato com a foto de Rhys e Max, e pegou as caixas de fotos soltas que guardava embaixo da cama. Então, ela as espalhou, pegando as dela com Rhys. Já que eles se conheciam a anos, haviam fotos suficientes para


cobrir a sua cama queensize. Ela caminhou ao redor da cama, estudando-as, tentando ignorar a sua própria imagem e se ela estava gorda ou com o cabelo feio. Ela focou em Rhys, na expressão em seu rosto, na forma como ele frequentemente olhava para ela ao invés de olhar para as lentes da câmera. E ela viu exatamente o que a sua mãe queria que ela visse. Ela viu a diferença entre o Rhys nas suas fotos e o que estava na foto no porta-retrato. Ela viu a diferença na expressão dele. Ela viu a felicidade que ela trazia a ele. A mesma felicidade que ele sempre a fez sentir. Ela ligou para a mãe novamente na hora. “Mãe, eu sei que você tem que ir, mas posso dizer só uma coisa?” “Claro, querida.” “Eu sou uma idiota.” Sua mãe riu. “Todos os cientistas precisam encaram eventualmente aquilo que não conseguem entender. Normalmente, isso acontece antes que uma grande descoberta mude as suas vidas.” “Você se arrepende de desistir de atuar pelo papai?” “Sim. Mas eu me arrependo da minha vida com o seu pai? De forma nenhuma. Eu enganei a mim mesma, e ao fazer isso, eu enganei o seu pai. Você não precisa fazer o mesmo. Eu tenho certeza que vocês podem encontrar uma forma de transformar as suas vidas em algo com o qual os dois fiquem felizes.”


CAPÍTULO TREZE

Regra de Mágica dos Dalton Nº 14: Revele todas as cartas no seu baralho e esteja disposto a fazer papel de bobo. Com as luzes do palco brilhando sobre ele, Rhys sorriu e se moveu fluidamente durante o número final do show. Ele foi perfeito, e a plateia estava lá com ele, um mar de rostos sorridentes que, pelo menos naquela noite, queria acreditar que a vida era mais do que aquilo que podia ser explicado racionalmente. Por dentro, ele estava no piloto automático. Não havia diversão. Não havia adrenalina. Nenhum orgulho por ter inventado mais da metade dos truques no show. Tudo o que ele conseguia pensar era Melina. Ele estremecia por dentro sempre que pensava naquela última noite. Ela havia feito exatamente o que ele havia pedido a ela—se arriscado e tentado agradá-lo. Sim, ela havia ido longe demais, e estava motivada pelo medo mais do que pelo desejo, mas ele devia ter sido mais cuidadoso ao dizer isto. Em vez disso, ele havia feito exatamente o que os ex namorados dela haviam feito—fazê-la se sentir inadequada. Claro que esta não tinha sido a sua intenção, mas ele havia estragado tanto as coisas que não era de se estranhar o fato de ela ter ignorado a declaração de amor dele e pego um avião assim que pôde. Max fez um sinal para ele do canto direito do palco, indicando que era a hora de chamar o voluntário final da plateia. Rhys balançou a cabeça, feliz por estar chegando ao fim do show. Assim que o público fosse embora, ele contaria a Max o que havia decidido. Se Melina não conseguia aguentar viver em seu mundo, ele teria que viver no dela. Poderia ser difícil no começo, mas Max era um grande mágico. Se ele precisasse de Rhys, ele estaria lá para ajudá-lo, mas ele não iria mais viajar. Ele já havia contado aos seus pais, que ofereceram apenas seu apoio e votos de felicidade. Ele amava Melina. Se ele tinha alguma chance de reconquistá-la, era isso que ele iria fazer. Com Amanda e Tina paradas na sombra do fundo do palco, ele se moveu para a frente. “Agora, para o meu truque final, eu vou precisar da ajuda de alguém da plateia.” Metade da plateia levantou as mãos, e Rhys sorriu como uma criança levada. “Na verdade, eu deveria ter sido mais específico. Eu vou precisar de um voluntário que esteja usando uma saia.” Três quartos das mãos se abaixaram. Rhys riu. “Vamos eliminar ainda mais. Uma voluntária mulher que esteja usando uma saia.” Vários homens riram e abaixaram as mãos. Max caminhou até a plateia, se aproximou de uma mulher de cabelos escuros e começou a levá-la até o palco. “Ah, ótimo. Por favor, suba aqui, moça.” Eles se aproximaram, e Rhys apertou os olhos, se esforçando para ver além do brilho das luzes do palco. Ele deu um suspiro de surpresa quando reconheceu Melina. “Melina?” ele disse, esquecendo que estava usando um microfone. O nome dela ecoou no teatro. “Sim, é Melina, pessoal.” Max ajudou Melina a subir os degraus do palco, depois usou seu próprio microfone para apresentá-la. “Melina se ofereceu para colocar sua vida nas mãos capazes de Rhys, por isso, vamos lhe dar uma salva de palmas.” Rhys apenas conseguia olhar para ela. Seus olhos eram como pratos, e sua pele pálida estava


corada. Suas pernas estavam nuas, e ela usava os mesmos saltos que usou com o espartilho, mas seu casaco verde-claro cobria o que ela estava vestindo. Com as duas mãos, ela segurava o casaco, como se temesse que ele o arrancasse dela. “Querida,” Rhys disse, sem se importar mais com quem o estava ouvindo. “Você não precisa—” Max levou Melina ao centro do palco e, com um floreio, indicou que Rhys devia começar. Quando ele hesitou, Max caminhou rapidamente até ele, cobriu seu microfone e disse, “Quanto mais rápido você fizer a droga do truque, mais rápido você pode tirá-la do palco. É melhor que você faça isso antes que ela desmaie.” “Por que—” Mas Max caminhou para longe, e Rhys se aproximou de Melina. Ela olhou para ele, sua boca tremendo. Então, ela levantou o queixo e sorriu, um sorriso doce e corajoso. Ele esticou o braço e apertou a mão dela. Ela a apertou de volta. “Vá em frente,” ela sussurrou. Saindo de seu transe, Rhys pegou os lenços. Eles não eram os mesmos que eles haviam usado no Lago Shasta—ele havia aposentado aqueles lenços e os guardado em uma gaveta de sua cômoda. Ele mostrou dois lenços brancos para a plateia, depois os amarrou. Então, ele se virou para Melina. “Senhorita, você pode colocar estes lenços embaixo da barra da sua saia, por favor?” Melina pegou os lenços com uma mão, segurando firmemente o seu casaco com a outra, e os colocou desajeitadamente embaixo da barra do seu casaco. Inclinada, ela olhou para ele com curiosidade. Rhys limpou a garganta. “Ótimo. Agora, você pode me dizer qual é a cor da sua roupa de baixo?” Os olhos de Melina ficaram ainda maiores. “P-por quê?” ela gaguejou. Rhys sorriu e se virou para a plateia. “Mulher esperta. Sempre faça perguntas antes de contar qualquer coisa sobre as suas calcinhas a um homem.” A plateia riu, e Melina apenas olhou para ele, paralisada e quieta. Eles nunca haviam ensaiado este truque em particular na frente dela, então ele disse isso a ela para que não ficasse nervosa. “Se você me contar a cor da sua calcinha, eu vou fazer um lenço desta mesma cor aparecer magicamente, amarrado entre os dois lenços que você tem embaixo da sua saia.” Ela sorriu. “É mesmo? Você pode fazer isso? Isso é incrível.” “Eu posso fazer muitas coisas com as mãos que você acharia incrível.” A plateia riu, mas ele mal os ouviu. Ele e Melina sorriram um para o outro e, pela primeira vez em vários dias, a tensão se aliviou nele. As coisas iriam ficar bem. Melina se endireitou, deixando os lenços amarrados flutuarem até o chão. “Em vez de lhe contar a cor da minha calcinha, posso mostrá-la a você?” Os olhos de Rhys se arredondaram. Ele riu nervosamente e balançou a cabeça para a plateia que havia ficado silenciosa de repente. “Querida, eu sei que posso fazer uma mulher esquecer onde está, mas nós ainda temos uma plateia aqui.” “Eu sei,” ela disse. “Mas eu estou querendo provar algo.” Ela agarrou a barra do seu casaco. Rhys esticou a mão para impedi-la. “Melina, não—” Ela tirou o casaco e o jogou no chão.


A plateia enlouqueceu. Do fundo do palco, Amanda e Tina assobiavam. Do lado direito do palco, Max balançava o pulso no ar. Rhys apenas olhava. Ele sabia que, quando morresse, de preferencia só depois de uma vida longa e plena com Melina, ele a imaginaria neste momento—totalmente apavorada, mas sem deixar transparecer, seus ombros para trás, seu queixo para cima, e um desafio nos olhos, duvidando que ele ou qualquer outra pessoa respondesse de forma não positiva ao seu corpo de biquíni. Seu corpo super sexy, do tipo “ele gostaria que os dois estivessem sozinhos para que ele pudesse transar com ela”. Droga, ele era bom, ele pensou, notando que o biquininho preto e vermelho de bolinhas segurava as suas curvas em todos os melhores lugares. A plateia silenciou, e Rhys ainda não havia se movido ou falado. Melina apertou os olhos e olhou mais de perto para ele. Foi quando ele percebeu que Melina não estava usando óculos. “Onde estão os seus óculos?” Ela franziu a testa. “No…no meu casaco.” Rhys pegou o casaco do chão e mexeu nos bolsos até encontrar os óculos dela. Com cuidado, ele os colocou sobre o nariz dela. Ela piscou para ele. Ele riu. “Quando você quer provar alguma coisa, você não mede esforços, não é?” “Estar apaixonada por um mágico profissional não vai ser fácil. Eu preciso roubar o espetáculo de vez em quando.” “Então você está apaixonada por mim?” Melina balançou a cabeça. “Há anos.” “Amor, tipo, amor, amor?” “Amor, amor,” ela ecoou. Ele abaixou a cabeça e a beijou, um encontro de lábios emocionante que fez a plateia soltar um “ahhh”. Colocando os braços ao redor dele, ela enterrou o rosto no peito dele. “Podemos sair do palco agora?” “Com certeza.” Rhys se virou para Max. “Você pode assumir o posto?” Max andou até eles, os abraçou e se virou para a plateia. “Isso que é um ato difícil de seguir. Agora, moças, quem está usando algo que pode competir com esse biquíni?” A plateia riu alto enquanto Rhys ajudava Melina a colocar o casaco e a sair do palco. Ele a levou até seu camarim antes de a pegar no colo e girá-la. Suas mãos imediatamente passearam por dentro do casaco, e as dela fizeram o mesmo, puxando o casaco dele e abrindo sua camisa mais rápido do que ele imaginou ser possível. Ela estava trabalhando no zíper das calças dele quando parou de repente. “Espere. Eu esqueci de uma coisa.” Rhys gemeu. “Isso pode esperar? Eu estou no meio de uma apresentação.” Ela riu e o alisou por cima das calças, amando o seu gemido de prazer. “Vai levar só um segundo, eu prometo.”


Ele respirou fundo. “Ok.” “Eu estou pronta para responder o teste-surpresa agora,” ela disse. Rhys riu. “Ok,” ele repetiu. “O que eu faria para ter você?” ela o lembrou. “Foi isso que você me perguntou.” “Eu não esqueci. Então, qual é a sua resposta?” Levando a mão até a parte de cima do biquíni, ela puxou um pequeno livreto que havia colocado sobre um seio. Ele olhou para o objeto. “É o seu passaporte.” “É isso mesmo. Agora abra-o.” Ele o fez. Entre as páginas em branco estava um lagarto de papel que ele havia dado a ela a muito tempo atrás. “Você o guardou.” “Eu não lhe respondi antes, e sinto muito por isso. Eu amo você. Se você ainda quiser, eu quero ser parte da sua vida. Eu não posso viajar o tempo todo porque eu sei que isso não me fará feliz. Mas eu acho que isso também não fará você feliz.” “Então, o que você está propondo?” “Eu proponho que nós pensemos juntos e façamos o que fazemos melhor.” “O quê?” ele sussurrou. “O que mais? Nós vamos fazer mágica,” ela sussurrou de volta.


EPÍLOGO

Regra de Mágica dos Dalton Nº 15: O show tem que continuar. Melina levantou o olhar quando Rhys entrou na casa. Ele suspirou ao soltar a sua mala e afrouxar a gravata, tudo nele irradiando exaustão. Preocupada, ela foi até ele. Ele sorriu quando a viu. “Oi, Joaninha.” “Oi, você,” ela disse, lhe dando um abraço e um beijo suave. Ele rosnou quando ela se afastou, segurando sua cabeça e a puxando de volta para uma sessão de beijos mais longos e profundos. Antes que ela percebesse, ele a estava levando para o quarto dos dois e atacando suas roupas com uma determinação que a fez rir. “E eu estava pensando que você estava cansado.” Ele estalou a língua. “Eu nunca estou cansado demais para isto.” Assim que ela ficou nua, ele a deitou na cama, acariciou seu estômago e congelou. Ele se aproximou, separando as coxas dela para olhar melhor. Com um toque suave, ele passou os dedos pelos cachos delicados que agora tinham a forma de um coração. “Uau.” Ela apertou os lábios. “É só isso? Uau? Você tem alguma ideia de quão traumático é para uma mulher ser depilada?” “Não.” Ele acariciou seu estômago em círculos suaves e agradáveis. “Se é desconfortável, pare de fazer.” Beijando seu estômago, ele deslizou até o seu centro e colocou o nariz nele. “Mas eu devo dizer, este coração é muito sexy.” “Então valeu a pena ficar um pouco constrangida para fazê-lo.” Ele levantou uma sobrancelha questionadora. “O que acontece exatamente nestes salões de depilação? “ Ela empurrou a cabeça dele para baixo. “Dá para você parar de falar e voltar a fazer o que estava fazendo?” “Sim, senhora,” ele disse. Como sempre, ele se esforçou ao máximo, com resultados mágicos. Uma hora depois, eles estavam deitados e felizes nos braços um do outro quando Melina lembrou. “Lucy ligou.” “E?” Não havia como disfarçar a preocupação no tom de Rhys; “Ela disse que o reitor está pressionando-a a fazer outra apresentação com Jamie. Aparentemente, eles causaram uma boa impressão da primeira vez.” “E quão rápido ela disse não?” “Na verdade, eu fiquei surpresa. Ela disse sim. Mas resmungou o tempo todo. Ela disse que está tentando agradar o reitor para receber um dinheiro de subsídio extra.” Rhys riu. “Agradar não é a especialidade de Lucy. Ela está interessada no professor.” Melina respirou. “Você está brincando? Lucy e Jamie. De jeito nenhum. Isso é como...como unir —”


“O quê?” Rhys questionou. “Um mágico profissional sem paradeiro e uma entomologista de cidade pequena?” Ele segurou seu braço e ela voltou a se aconchegar no dele. “Eu acho que tudo é possível, mas isso seria bem chocante.” “Tão chocante quando Max estar interessado em Grace?” “O quê?” ela gritou. Ela o empurrou, levantou e vestiu seu robe. Depois de amarrar o cinto, ela colocou as mãos nos quadris. “Ok, agora você está tirando sarro comigo.” Rhys juntou os dedos atrás da cabeça e encolheu os ombros. “Quando?” “Na noite depois que você subiu no palco de biquíni. Grace ligou para o teatro para saber de você e Max atendeu. Eu não tenho ideia do que foi dito ou se e quando eles já se viram em pessoa. Tudo o que eu sei é que ele tem andado em um transe, falando o nome dela. Ele voltou a ser como era, nada como o novo e melhorado Maxwell Dalton, mágico e apresentador do futuramente muito famoso Teatro Dalton.” Ainda tentando imaginar Grace com Max, ou o que era pior, Lucy com Jamie, Melina foi até sua cômoda e tocou na pequena caixa que havia colocado ali mais cedo. Sorrindo com malícia, ela decidiu esperar um pouco mais antes de dar a caixa a ele. “Bem, eu acho que ele merece alguma misericórdia por bom comportamento. Nós não podemos esquecer que estamos juntos por causa dele.” Rhys riu. “Não podemos esquecer que ele é a razão de eu não ter transado com você com tinha dezesseis anos.” “Como se isso fosse acontecer.” Quando ele olhou para ela, ela sorriu. “Tá bom, com certeza teria acontecido. Mas quem pode culpá-lo por ficar com ciúme de você? Ele se sentiu mal e tentou consertar as coisas.” Com os olhos arregalados, Rhys se levantou e balançou a palma da mão na frente do rosto dela. “Alô? Este é o mesmo homem que admitiu ter destruído o Metamorfose com um machado.” Melina empurrou a mão dele para longe. “Impulsivo, mas determinado. Ele sabia que vocês não seriam felizes com o Seven Seas, então ele garantiu que as coisas não acontecessem. Depois, ele trabalhou como um louco para fechar um contrato com o Cassino Portofino. Vocês dois trabalharam.” “Eu acho que sim,” Rhys resmungou. “De qualquer forma, a reunião com os advogados para fechar o último contrato foi bem hoje.” Ele se entusiasmou. Esfregando as mãos, ele começou a desatar o cinto dela. “Agora, eu posso aproveitar os frutos do meu trabalho—em casa e na cama com a minha pequena rainha do sexo—enquanto ele se acaba em shows para pessoas em pé no mais novo resort de luxo em Las Vegas.” Melina revirou os olhos. “Sim, eu tenho certeza que toda a fama e a atenção das mulheres vai ficar chata uma hora.” Ele se ajoelhou na frente dela, tirou seu robe e beijou seu estômago. Ela passou a mão pelo cabelo dele e baixou o olhar. “Rainha do sexo, huh?” “Ei, foi você quem comprou o espartilho e o chicote. Eu era apenas a sua pobre vítima.” Ela caiu sobre ele e o empurrou para baixo ao mesmo tempo, apertando os dedos em suas costelas, mesmo enquanto ele fazia exatamente o que ela queria que fizesse. Virando-a, ele a cobriu


com o corpo e prendeu seus dois pulsos sobre a cabeça dela com uma mão. “Eu adoro o fato de esta ser a sua posição favorita,” ele sussurrou, depois riu quando ela tentou dar uma joelhada nele. Ele escapou da pancada facilmente, separou as pernas dela e apertou a parte mais dura dele contra a parte mais macia dela. Eles gemeram juntos, e ele considerou isso como uma dica para começar a se ocupar com sua mão livre. “Antes que você—” Ela suspirou quando ele sugou um de seus mamilos, depois tocou nele com a língua. Entrelaçando os dedos no cabelo dele, ela se mexeu para chamar a atenção dele. “Antes que você me distraia com sexo, posso fazer uma pergunta séria?” Ele gemeu dramaticamente e deitou a cabeça suavemente no peito dela. “Se você quer, mas seja rápida. Eu tenho uma esposa para satisfazer.” “Seja honesto. Você tem algum arrependimento por deixar o show?” Ele suspirou e olhou nos olhos dela. “Apenas um,” ele disse. Ela se mexeu, surpresa, batendo sem querer na ereção dele. Ele reprimiu um gemido enquanto balançava a cabeça. “Não faça essa cara. Eu amo a minha vida. Eu amo a nossa casa, eu amo poder viajar com você quando nós queremos, amo poder administrar a carreira promissora do meu irmão e cobrar uma quantia obscena dele pelos truques que crio para ele. Mais do que tudo, eu amo ter tudo isso enquanto você é feliz estudando os seus insetos na UNLV. Eu amo você.” “Então, qual é o seu único arrependimento?” Ele abaixou a cabeça e sussurrou no ouvido dela. Ela sorriu. Desta vez, quando ela bateu na ereção dele, foi de propósito. “Tudo bem. Aquele par de algemas traz más lembranças de qualquer jeito. Pense em como será divertido encontrar o nosso novo par favorito.” Não seria difícil, ela pensou, com todos os equipamentos variados que agora estavam na sua cômoda. Mas por enquanto, ela queria apenas o toque dele.

FIM


Virna de paul 1 dormindo com o irm úo errado