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PEPPER WINTERS


Disponibilizado: Eva e Liz Tradução e Pré-Revisão: Vivi Gueixinha Revisão: Thay, Mallu Leitura Final: Ly Formatação: Niquevenen

PEPPER WINTERS


Agradeço a aqueles que começaram esta jornada comigo. Obrigada por cada resenha, cada mensagem, cada vislumbre de suas almas. Não faz diferença se este é o meu décimo livro ou o meu centésimo, eu vou sempre amar cada leitor, cada sorriso, e valorizar cada coisa maravilhosa que me foi proporcionada através da escrita.

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“Aos 18 anos, eu tinha algumas moedas, mas o dinheiro não me fez mais corajosa. Aos 19 anos, eu tinha alguns dólares, mas isto não aliviou a dor de ser vendida. Aos 20 anos, eu tinha centenas de dólares, mas então eu o conheci e fui salva. Aos 21 anos, eu tinha milhares de dólares, mas tudo o que eu queria era ser presa.” *** “Aos 23 anos, eu tinha alguns dólares, mas a vida mudou e me fez rico. Aos 25 anos, eu tinha centenas de dólares, mas isso não era suficiente para satisfazer os meus desejos. Aos 27 anos, eu tinha milhares de dólares, mas minha reputação não me libertou. Aos 29 anos, eu tinha milhões de dólares, mas eu a encontrei e pude finalmente ver.” ***

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Tasmin foi morta no seu 18º aniversário. Ela tinha tudo planejado. O início de uma graduação em psicologia, uma mãe que a impulsionava para grandeza, e um futuro que qualquer um gostaria de ter. Mas então seu assassino salvou sua vida, somente para vendê-la e mudar a sua história. Elder saiu de uma situação na qual não tinha um centavo e se tornou podre de rico através de uma reviravolta do destino. Sua vida de crimes e roubos ficou para trás, mas não importa o poder que ele agora possui, não é suficiente. Ele tem um objetivo a alcançar, e não vai parar até conseguir. Mas então, eles se encontram. Uma escrava espancada e um ladrão ricamente vestido. Dinheiro foi o que definiu cada um dos seus destinos. Dinheiro foi o que os uniu. E dinheiro foi o que os destruiu no fim. Ela era pobre. Ele era rico. Juntos... eles foram à falência.

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Pennies

(Dollars

#1) é um ROMANCE DARK. Isto

significa que nele serão encontradas cenas difíceis de ler, linguagem gráfica, e conteúdo sexual (escrito de forma implícita e explícita). Por favor, não leia se o ato de se apaixonar por um homem que se comporta como um monstro ao invés de comportar-se como um cavaleiro de armadura branca ofende você. Este não é um conto de fadas. Este é um abismo escuro que deve ser escalado as cegas antes de chegar a luz. Além de possuir um conteúdo dark, este livro é o primeiro de uma série de cinco livros. Cada novela subsequente será lançada em intervalos curtos (para que você não fique desesperada pelos cliffhanger1), e cada um será um livro completo. Por favor, lembre-se também de que nem todas as respostas serão dadas e de que nem todos os personagens são o que aparentam. Existem lobos em pele de cordeiros e cordeiros em pele de lobos. Lembre-se disto. Você foi avisado. Não diga que eu não te contei. Leia por sua própria conta e risco. Assuma a responsabilidade de apaixonar-se por Elder Prest. Você está pronto? 1

Recurso de roteiro utilizado para prender a atenção do leitor e fazê-lo continuar acompanhando a

história para testemunhar a conclusão dos acontecimentos.

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Você tem certeza? Você tem realmente certeza? Ok então... entre no mundo de pennies2 e dólares.

2

Moedas ou tostões.

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LIBERDADE. Uma palavra tão modesta. Ela carrega pouca importância para aqueles que a possuem. Mas para aqueles que não, ela é a mais preciosa, estimada, e carregada de esperança de todas as palavras existentes. Eu acho que eu fui sortuda em conhecer a sensação da liberdade. Por dezoito anos, eu fui livre. Livre para aprender o que eu quis, para fazer amizades com quem eu gostasse, e para flertar com os garotos que passassem pelo meu precioso crivo. Eu era uma garota simples com ideais e sonhos, encorajada pela sociedade a acreditar que nada me machucaria, que deveria me esforçar para conseguir uma excelente carreira, e que ninguém poderia me parar. Regras me manteriam salva, a polícia afastaria de mim todos os monstros e eu poderia me manter inocente e ingênua em relação à escuridão do mundo. Liberdade. Eu a tinha. Mas então, eu a perdi. Assassinada, ressuscitada, e vendida.

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Eu fiquei presa por tantos anos. AtĂŠ o dia que ele entrou na minha jaula. Ele, dotado de olhos escuros e alma negra. O homem que desafiou meu dono. E transformou meu aprisionamento em algo completamente diferente.

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QUERIDO DIÁRIO, Não, isto não soou bem. Uma expressão muito alegre para o meu conto. Querido Universo, Risque isto. Muito grandioso. Para a Pessoa que está lendo isto. Muito vago. Para a pessoa que eu gostaria que me ajudasse. Isso me colocaria em problemas. E eu me recuso a parecer fraca.

Não se estas palavras serão a única coisa pelas qual

serei lembrada pelo estranho que ler este conto. Para ...

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Batendo o lápis quebrado na minha têmpora, eu fiz o melhor que podia para me focar. Por semanas eu estive confinada, da mesma forma que um animal de zoológico, sendo aclimatada em minha nova jaula. Eu fui alimentada, vestida, e recebi atenção médica para curar os danos causados pela minha captura. Eu tinha uma cama com lençóis, uma privada, e shampoo para o banho. Eu tinha o básico que todos os seres humanos e não humanos precisavam para viver. Mas eu não estava vivendo. Eu estava morrendo. Eles só não conseguiam notar isto. Espere ... Já sei. Inspiração

me

tomou

quando eu

consegui definir a

saudação perfeita para o destinatário desta triste carta.

A

expressão era a única coisa perfeita neste horrível novo mundo. Para Ninguém. No momento em que escrevi essas palavras no papel, eu não fui capaz de parar as memórias que surgiram na minha mente. Minha mão esquerda segurou firmemente o papel higiênico no qual eu estava escrevendo, enquanto a minha mão direita voou, calmamente transcrevendo o meu passado.

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EU TINHA DEZOITO ANOS quando eu morri. Eu me lembro daquele dia melhor do que qualquer outro em minha curta vida. E eu sei que você está revirando os olhos, dizendo que isto só aconteceu há três semanas, mas acredite em mim, eu nunca vou esquecer. Eu sei que algumas pessoas dizem que certos acontecimentos têm impactos eternos na psique humana, mas até então eu não tinha passado por nada do gênero. Veja bem, Ninguém, eu acho que você me chamaria de mimada. Algumas pessoas podem até dizer que eu mereço isto. Não, isto é uma mentira. Ninguém desejaria isto a seu pior inimigo. Porém de todas as formas, você é o único que sabe que eu não estou morta. Eu estou viva nesta cela a espera de ser vendida. Eu fui machucada, tocada e violada de todas as formas que não envolvessem estupro, e fui despojada de tudo o que eu costumava ser. No entanto para minha mãe? Eu estou morta. Eu morri. Quem sabe se ela um dia saberá a verdade a respeito do que aconteceu comigo. O movimento do meu lápis parou. Eu comecei a ofegar, tremendo muito ao reviver mentalmente o que me aconteceu. Minha

vontade

de

continuar

respirando

desapareceu.

Demorou um tempo para que eles conseguissem me quebrar, mas conseguiram. E agora eles conquistaram seu objetivo, eu era nada mais que uma carga esperando pela transação de venda.

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Por dias, tudo o que eu tinha para me entreter eram os meus pensamentos caóticos, minhas memórias terríveis e o pânico sufocante que me tomava ao imaginar o que eles tinham planejado para o futuro. Mas isso foi antes de encontrar a mastigada metade de um lápis embaixo da cama. A descoberta foi melhor que comida ou liberdade; melhor porque meus traficantes controlam meticulosamente estas duas coisas. Eu não tenho poder para decidir quando vou tomar café da manhã ou jantar, e não posso mudar o fato de que eu estaria sendo vendida como um pedaço de carne para o maior lance. Eu não posso controlar o fato de estar sozinha em um quarto minúsculo que outrora tinha sido uma suíte de um hotel, que teve suas instalações compradas para a realização de estadias mais desagradáveis. As toalhas surradas possuem o logotipo de algum estabelecimento antigo, e os tapetes tem detalhes de ouro e bronze, indicando que a decoração do lugar não foi trocada desde os anos setenta. Há quanto tempo este lápis esteve escondido embaixo de minha cama? Seriam estas marcas de mordida dadas por uma criança impaciente enquanto esperava os pais para poder ir explorar uma nova cidade? Ou alguma camareira o perdeu ao arrumar a cama? Eu nunca saberia. Mas eu gostava de fantasiar, já que não tinha outra coisa para fazer. Eu passei os meus agonizantes e chatos dias

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explorando todos os recantos da minha prisão. Eles quebraram o meu espírito, acabaram com meu desejo de lutar, mas não conseguiram acabar com meu instinto de sobrevivência. O instinto que todos têm - pelo menos eu acho que sim. Eu estive sozinha por tanto tempo até então, que não sei como as outras garotas, que foram trazidas juntas comigo, estavam lidando com a situação. Será que elas apenas se deitam na cama esperando os acontecimentos futuros? Será que elas estão encolhidas em um canto, rezando para que seus pais as salvem deste pesadelo? Ou elas simplesmente aceitam a situação, já que a aceitação é mais fácil que a luta? No meu caso? Eu corri meus dedos machucados por todas as paredes, todas as rachaduras, todos os quadros e todas as janelas e fachadas. Eu me arrastei pelo chão, procurando por algo que pudesse me ajudar. E quando eu pensei em ajuda, eu não sei se eu queria algo para usar como arma para poder escapar ou se eu queria algo para acabar com meu sofrimento antes que ele começasse de verdade. Eu levei dias investigando cada centímetro deste quarto. Mas tudo o que eu pude encontrar foi este pedaço de lápis meio mastigado. Um presente. Um tesouro. A ponta de grafite estava quase no fim, e não demoraria muito até que ele precisasse ser apontado, mas eu me preocuparia com isso outro dia. Eu me tornei mestre em ignorar minhas preocupações e necessidades.

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A única coisa que eu não pude encontrar foi papel. Não nas gavetas da mesa e nem no armário embaixo da televisão estragada. O único material no qual eu poderia escrever era papel higiênico, e o lápis não aceitou bem esta ideia, rasgando o suave tecido ao invés de marcá-lo com suas linhas prateadas. No entanto, eu estava determinada a deixar algum tipo de nota para trás. Alguma parte de mim que esses bastardos não tinham tomado e nunca tomariam. Respirando profundamente, eu ignorei minhas condições atuais e segurei o lápis de forma mais firme. Olhando a porta para me certificar de que estava sozinha, eu estiquei com mais precisão o pedaço de papel para facilitar o ato de escrever, e continuei o meu relato. Eu desejo poder dizer que um mostro me matou. Que um terrível acidente causou esta situação. E eu posso dizer isto ... Até certo ponto. No entanto, a verdadeira e principal razão pela qual eu estou morta e me transformei em um brinquedo prestes a ser vendido é a minha criação. Sabe a postura confiante que minha mãe incutiu em mim? Esta qualidade não me garantiu uma carreira rentável ou um belo marido. Tal postura irritava as pessoas. Eu passava uma imagem de arrogância, de sabe-tudo, de egocêntrica. Isto me tornou um alvo.

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Eu não sei se alguém além de você, Ninguém, vai ler esse relato, mas se por acaso sim, eu espero que esta outra pessoa esqueça o que eu estou prestes a admitir. Eu sou filha única de uma mãe solteira. Eu amo minha mãe. Realmente amo. Mas se eu sobreviver ao que está prestes a me acontecer, e se por algum milagre, eu me tornar livre novamente, eu vou manter essa parte para mim mesma quando eu recontar minha experiência no purgatório. Eu amo minha mãe, mas eu a odeio. Sinto falta da minha mãe, mas eu nunca quero vê-la novamente. Obedeci a minha mãe, mas eu quero amaldiçoa-la por toda a eternidade. Ela é a única que eu posso culpar. A única responsável por eu ter sido transformada em uma prostituta.

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Dois dias se passaram. No mundo do qual eu tinha sido roubada, dois dias não eram nada. Dois alarmes para despertar, duas aulas na Universidade, duas noites falando ao telefone com os meus amigos, e duas noites de um maravilhoso sono protegido no qual eu estupidamente acreditava que ninguém poderia me causar dano. Neste novo mundo? Dois dias foram suficientes para eu me coçar sem motivo, simplesmente para sentir algo. Dois dias significavam que eu usei meu lápis e lentamente descasquei a madeira em volta da ponta para revelar mais grafite para que eu continuasse escrevendo, ocupando assim o meu tempo. Dois dias significavam que eu continuei a trabalhar no meu livro feito de papel higiênico, o tempo todo sem saber que no final destas quarenta e oito horas, a minha breve estadia no limbo tinha acabado. Minha transformação tinha terminado. Minha data de venda foi definida.

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Eles vieram para mim na hora do jantar. Em vez do habitual arroz empapado e frango ou do ensopado aguado, que eram empurrados para mim através do buraco na parede, a porta se abriu. A porta se abriu! Pela primeira vez em semanas. Eu tenho estado tão sozinha neste lugar, contando apenas com espelhos encardidos que me mostravam o reflexo de alguém desesperada por companhia, que esta visita alegrou meu coração. Quando eu fui capturada, eu tinha um curvilíneo corpo adolescente, seios empinados e barriga arredondada. Meu cabelo castanho tinha sido tingido de cor chocolate graças a uma visita exclusiva do meu cabelereiro, arranjada pela minha mãe, que queria que eu ficasse linda para um evento de caridade. O mesmo evento no qual eu fui sequestrada. Antes, meus pensamentos eram todos superficiais e giravam em torno do que fazer para emagrecer e do como me maquiar como as modelos, usando tutoriais do Youtube. Apesar da minha aparência mimada, eu era inteligente e tinha acabado de ingressar

numa

prestigiosa

universidade

para

estudar

psicologia – do jeito que minha mãe queria. Seguindo seus passos e cumprindo seus planos para minha vida.

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Agora, minha aparência e pensamentos parecem ser de uma garota completamente diferente. Não mais uma adolescente, mas uma mulher. Meu cabelo desbotou e voltou para seu tom normal de castanho escuro. Minha estrutura corporal perdeu suas curvas graças ao cardápio de baixa caloria ao qual eu tinha acesso. Se eu tivesse minha liberdade eu seria feliz. Eu consegui tudo o que eu queria. Eu estava mais magra e já não me importava com tinturas de cabelos e moda. No entanto, eu odiei minha transformação porque ela era outra marca do meu aprisionamento. "Venha". O homem estalou os dedos. Ver outro ser humano me trouxe certo alívio. Algo intrínseco dentro de mim necessitava de companhia – mesmo que essa companhia fosse minha desgraça. Mas eu não conseguia ver seus olhos, sua boca e seu nariz. Ele era um fantasma, uma caricatura, uma face escondida por uma máscara veneziana preta e branca de um palhaço com lágrimas correndo por sua face. Seriam lágrimas de pesar por mim? Ou apenas uma gozação? Eu caminhei em direção a ele, odiando o traço de obediência que eles incutiram em mim nos primeiros dias de cativeiro. As marcas dos machucados desapareceram, mas a lição foi aprendida.

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Mas então, eu parei, olhando os relatos escritos no papel higiênico. O relato da minha história. Eu não tinha mais nada de valor. Os trapos que eu usava de tantas mulheres traficadas anteriormente não eram meus. Os travesseiros nos quais eu chorei até dormir não eram meus. Minha vida não era mais minha. O desejo de manter meus pensamentos rabiscados não tinha sentido, mas eu me recusei a deixar ainda outro pedaço de mim para trás. Se eu tenho que passar por este novo tormento, o meu passado servirá como talismã, que me lembrará de que eu ainda estou respirando, e se eu posso respirar eu posso escrever, e quando eu escrever, eu encontrarei alguma liberdade no ato. "Agora, garota!" O homem entrou no quarto, sua estrutura imensa pronta para me machucar. Antes que ele pudesse me agarrar, eu corri até a mesa e peguei os pedaços frágeis da minha vida. Os segurando firmemente, eu dei a volta em torno dele e saí do quarto. Saí do quarto! Eu estou fora da quarto. A familiaridade do meu já conhecido espaço foi embora no momento em que eu caminhei descalça em direção ao corredor adornado com o mesmo tapete de cor ouro e bronze. Os passos pesados do meu captor ressoaram atrás de mim.

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Ele não me agarrou ou me forçou a andar mais devagar. Ele sabia tão bem quanto eu que não existia nenhuma escapatória. Eu fui vendada ao ser conduzida para este lugar, mas uma vez dentro do edifício, eles me deixaram ver livremente. À medida que passávamos por salas fechadas como em qualquer outro hotel normal, eu me preparei para o que viria a seguir. Você pode superar isso. Eles me queriam viva, não morta. Por alguma

razão, esse

pensamento

não

me

trouxe

conforto... Pelo contrário, ele fez meu medo aumentar. "Entre no elevador. Nós vamos descer.” A voz do homem ecoou no espaço claustrofóbico. Virando à esquerda, entrei no saguão onde vi quatro elevadores. Amaldiçoei a ligeira trepidação na minha mão ao pressionar o botão para a abertura de um deles. O sino do elevador soou imediatamente e as portas se abriram, acolhendo-me na sombria caixa espelhada. Eu não consegui olhar para o meu reflexo ao entrar no local e me coloquei próxima à porta de saída. Eu podia ver minhas pernas vestidas em short amarelo desbotado que eu tinha recebido. Meus braços magros mostravam os últimos sinais da minha juventude em uma camiseta cinzenta, folgada e puída.

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Eu não quis olhar para mim mesma, porque o estado do meu corpo não retratava a situação da minha alma. Sim, eu parecia quebrada. Sim, eu obedecia implicitamente. Mas por dentro, de alguma forma, reuni todas as partes de mim que eles tinham quebrado e as colei, criando assim, algo que passei a estimar. Eu estou mais forte agora do que quando cheguei pela primeira vez. Eu não sou mais aquela menina chorosa que foi despida sem cuidado e asperamente lavada por mãos raivosas, e que foi depois catalogada como um objeto juntamente com outras mulheres. Agora eu fiquei calada, porque aqui ninguém pode me ouvir. Dessa vez, ninguém poderia usar meus lamentos contra mim. O silêncio era uma arma que eu poderia manejar melhor do que o pânico. E se isso significava que eu nunca proferiria uma palavra novamente até que eu encontrasse a liberdade, então que assim seja. O homem que me acompanhava, pressionou o botão para o quarto andar. A julgar pelos números nas portas de quartos pelos quais passamos, eu deduzi que eles tinham me alocado no décimo segundo andar. Quantas meninas estavam trancadas por trás dessas portas? Quantos andares abrigavam mulheres cativas à espera de serem vendidas?

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A descida foi um pouco rápida demais, a gravidade me causou um aperto no estômago. Prendi a respiração quando o elevador se abriu novamente, revelando uma plataforma de desembarque idêntica. O homem cutucou-me entre as omoplatas. Eu andei para frente. Sem tropeçar. Sem implorar. Sem uma pergunta ou pedido de explicação. Não havia nenhum ponto. Esfreguei minha bochecha onde eu fui socada poucas horas depois de minha chegada semanas atrás. Eu fiz exigências. Eu disse que quando minha mãe os encontrasse eles iriam sofrer. Eu acreditava que era uma princesa com um regimento de cavaleiros que iria correr atrás de mim. Eu aprenderia rapidamente através de chutes em meu estômago e socos na minha cara que tudo que eu acreditava era uma mentira. "Aqui." O homem apontou para o corredor esquerdo. Seguindo a direção escolhida, eu tremi em resposta à maciez do tapete que fazia o seu melhor para me trazer conforto. O hotel era um cenário perfeito. A temperatura era confortável, então eu não senti frio ou calor. As luzes brilhavam de forma uniforme, então eu não tive dificuldades para enxergar. Todos os meus sentidos corporais foram controlados

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até o ponto de me fazer esquecer a sensação do vento em minha pele e dos raios do sol em minha face. Eu seria permitida a sair do hotel? Onde ele está me levando? O homem andou na minha frente, abrindo uma porta que dava acesso a uma antiga academia de ginástica. O hotel devia ter sido um estabelecimento quatro estrelas, antes que tivesse sido comprado e se tornado uma ruína. Entrando no vestiário feminino, onde as paredes eram encardidas

e

secadores

de

cabelos

antigos

se

se

viam

pendurados como máscaras de gás, eu aguardei por instruções. Notei que pendurado em uma das paredes havia um saco de roupa, fechado, mas transparente, que mostrou um vestido branco. Mesmo distante, pude ver um corpete bordado com pérolas e um lenço bordado com diamantes que denotavam um refinamento que destoou de um local tão decadente quanto este. O homem por trás da máscara veneziana murmurou, "Tome banho, arrume seu cabelo e se vista. Eu venho buscá-la em uma hora.” Uma hora para arrumar-me? Para quê?

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Ele se inclinou para perto de mim, cheirando a fritura e cerveja. "Não pense em fugir." Inclinando a cabeça, ele afastouse enquanto duas outras meninas entraram no espaço. "Ah, companhia." O encarregado das recém-chegadas apontou para seus correspondentes sacos de roupa na parede oposta. Seus vestidos eram de cor preta e de cor cinza. "Preparem-se, vocês duas." Assim como todas as sensações foram roubadas de nós, através de um ambiente controlado que não nos deixava sentir calor ou frio, também perdemos o estímulo visual em nossas vestimentas. Branco, preto e cinza. Cores monocrômicas sem um traço de qualquer outra cor.

Meu guarda acenou para seu colega com máscara de leão. "Você fica de guarda. Vou dizer ao chefe que estamos quase prontos”.

As meninas olharam para mim. Olhei para elas. Todas nós olhávamos para os homens que traziam o nosso destino em suas garras sujas. A vontade de perguntar o que iria acontecer queimou minha língua. Mas não o fiz. Não por falta de coragem,

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mas porque eu já sabia a resposta: rizadas frias, zombarias, e as frases enigmáticas destinadas a aterrorizar ao invés de consolar. Não, eu não faria nenhuma pergunta. Infelizmente esta minha convicção não alcançou a menina loira de cabelo embaraçado que estava mais perto de mim, usando um vestido rosa bebê. “Por que vocês estão fazendo isto? O que vai acontecer conosco?” O homem com a máscara veneziana olhou para o homem com a máscara de leão. Juntos, eles avançaram sobre ela, empurrando-a contra a parede de azulejos. Eles preferiram intimidá-la com sua aura de perigo a machucá-la fisicamente, mostrando que eles nos feriram no início de nosso cativeiro para nos controlar, mas agora, nós valemos mais incólumes. Afinal, quão boa seria uma mercadoria se ela está feia e machucada? "Eu já te disse. Você vai ser vendida, anjo bonito”. Disse o homem com a máscara de leão ao acariciá-la na bochecha. "Você vai ser escolhida por alguém e comprada, e quando o doce dinheiro cair em nossas mãos, você irá embora. Tchau tchau. Não será mais nossa preocupação". A outra menina, uma ruiva com o cabelo opaco, se desequilibrou, gemendo silenciosamente. Como elas não sabiam? Se elas passaram a mesma quantidade de tempo que eu passei trancada sozinha, deveriam

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ter imaginado que algo assim aconteceria. Talvez, eu tenha lido muitos livros dark ou assistido muitos programas policiais na televisão. De qualquer maneira, eu não era estúpida, e eu definitivamente não era ingênua mais. Assim como eu nunca voltaria para a universidade para terminar o meu curso de psicologia, essas meninas nunca voltariam para suas vidas. Ao contrário de mim, que culpava minha mãe por essa bagunça, elas poderiam culpar um mau namorado ou decisão idiota de beber muito e confiar na pessoa errada. Não importa o que nos trouxe até aqui, estávamos na mesma jornada. Apenas com destinos diferentes, a serem determinados por quem nos comprasse. Afastando-me das lágrimas das meninas e da zombaria dos captores, eu despi meus shorts e camiseta, coloquei as folhas de papel higiênico com meus preciosos relatos no balcão, e me dirigi para um chuveiro. Não havia portas ou cortinas. Minha nudez continuou a mostra, enquanto eu entrei na água e passei shampoo sem cheiro no cabelo. Estar nua na frente de estranhos teria me petrificado de medo há um mês. Agora isso já não me é importante, já que eu não posso controlar quem me olha ou toca ou até mesmo, evitar o estupro e a destruição.

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Não pense sobre isso. Rangendo os dentes, eu manipulei o shampoo até formar bolhas. O sabão não me trouxe nenhum aroma ou conforto. Eu sinto falta do meu esfoliante corporal de melancia e meu gloss de framboesa. Assim como anseio por refrigerante e um cobertor de flanela após um longo dia de estudo. O que eu não daria para cheirar, ouvir e sentir novamente. Enquanto as outras meninas lamentavam por suas vidas e temiam o futuro, eu senti alívio. Eu estava feliz que esta fase havia terminado. Mais uma hora naquele quarto teria me enlouquecido. Pelo menos desta maneira, eu teria algo para fazer, alguém para desafiar, algum outro lugar para ir. E quem sabe, talvez eu encontrasse uma maneira de escapar. O barulho do chuveiro bloqueou todos os sons. Eu me mantive de costas com os olhos fechados enquanto ensaboava o cabelo e não me virei até estar enxaguada e depilada, utilizando o aparelho de barbear fornecido por eles, e envolvida em toalha puída. Os homens e suas máscaras tinham desaparecido, e as outras

mulheres

seguiram

meu

exemplo,

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cada

uma


obedientemente

pegando

uma

cabine,

se

desfazendo

lágrimas enquanto se banhavam. Esta não foi uma limpeza simples ou preparação. Este foi um batismo para o Inferno.

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em


PARA NINGUÉM, Minha mãe sempre me disse que valentões são pessoas também. Ela me avisou para nunca julgar ninguém pelas primeiras impressões ou ser superficial. Ela disse que eu não deveria criticar as pessoas, já que não sabia se eles estavam sofrendo ou se viviam uma vida terrível e descontavam suas frustrações nos outros. Bem, a minha situação atual poderia me fazer discordar desses ensinamentos, porém neste caso, estes homens não são valentões, eles são monstros. Então eu acho que as regras de minha mãe ainda são válidas. Não julgue. Ouça. Ela me prometeu que isso me traria benefícios, e eu que faria amigos, não inimigos. O que ela não me disse foi que ninguém gostava de ser observado como um espécime, e todo mundo odiava um sabe-tudo compassivo. E foi por isso que me tornei um alvo. Ou pelo menos... Eu acho que foi por isso.

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Então, NINGUÉM, tudo começou como uma noite normal. Arrumei-me no meu quarto em frente ao da minha mãe. Eu calcei os sapatos de saltos baixos que ela tinha escolhido, usei o vestido modelo de um ombro só que ela tinha selecionado, e entrei no táxi que ela tinha arranjado. Eu era grata por ser incluída em algo já que normalmente não era o caso. Eu me orgulho da minha mãe. Respeito-a, tenho temor por ela... Mas não a adoro. Ela me amava, mas não tinha tempo para crianças tolas, mesmo que a criança tola pertencesse a ela. Ela se certificou de que eu amadurecesse rápido para poder me virar sozinha,

enquanto

ela

lidava

com

adultos

agressivos

diariamente. Ela vendeu seus serviços ao Estado para livrar a sociedade de psicopatas e pedófilos. Ela tratava a todos como cobaia, examinando nossas mentes ‒ quando eu fazia algo errado ela sempre exigia explicações ao invés de me repreender. Exigia sempre relatos articulados ao invés de falas confusas e emocionais. Meus amigos me chamavam de louca por confiar nas orientações da minha mãe. Mas eu era uma boa menina, uma filha exemplar, uma criança guiada por uma mulher que ganhava a vida desvendando os segredos da mente humana. Ela me fez acreditar que eu tinha o mesmo dom, e que era meu dever ajudar aqueles sem tal habilidade. Ela me fez o que eu era.

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Eu acho que tenho que ser grata por isso, porque, sem ela e sua educação rígida, eu estaria em um canto chorando como as outras meninas estão fazendo no momento, a espera do que está por vir. Eu sou grata à mulher que me pariu por incutir em mim essas habilidades de sobrevivência, mas isso não significa que eu posso perdoa-la um dia. Das 21h00 até a meia-noite, eu estava segura. Eu mistureime com os homens de ternos e conversei com as pessoas, representando minha mãe e seu negócio, portando-me de acordo com suas exigências. Somente então, por volta daquela hora mágica, quando as regras relaxam e o cansaço aparece debaixo da obscuridade divertida, encontrei um homem. Enquanto minha mãe intoxicava os benfeitores com sua inteligência e charme, ganhando generosas doações para sua instituição de caridade para o bemestar mental das pessoas no corredor da morte (por que alguém gostaria de fazer uma doação neste caso, eu não tinha ideia), um homem misterioso chamado Sr. Kewet flertou comigo. Ele riu das minhas piadas adolescentes. Ele se entregou aos meus caprichos infantis. E eu caí em cada truque maldito de seu arsenal covarde. Enquanto

as

outras

pessoas

evitaram

esse

homem,

instintivamente notando que nele havia algo mau, eu fiz de tudo para que ele se sentisse confortável. Eu não dei ouvidos à voz em

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minha cabeça que me disse para ficar longe dele; em vez disso, eu coloquei em prática a regra de ‘Não julgue. Ouça.' Minha mãe me ensinou errado. Ela me fez simpatizar ao invés de ter medo. Ela me fez acreditar em ser boa em vez de reconhecer o mal. Eu dancei com meu assassino. Eu sorri quando ele me encurralou lá fora. Tentei acalma-lo enquanto ele me ameaçou. E quando suas mãos se apertaram em torno de minha garganta e ele me estrangulou, eu ainda acreditava que poderia redimi-lo. Ele me matou na varanda do salão de baile a poucos metros da minha mãe. E enquanto isso tudo estava acontecendo, eu ainda achava que ele era o único que precisava de salvação, não eu. "Acabou o tempo. É melhor vocês estarem prontas para ir.” Meu lápis parou de escrever no papel higiênico. Eu precisava relatar o que aconteceu depois que fiquei inconsciente nos braços assassinos de Sr. Kewet. Kewet como ele tinha me trazido de volta à vida em um mundo que eu não reconhecia. E contar como tudo o que eu tinha conhecido na vida se tornou embaralhado e completamente estranho a mim.

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Mas o homem com a máscara veneziana retornou, cruzando os braços sobre sua grande massa de músculos não tonificados. Mesmo sua voz era identificável, sem nenhum sotaque algo que indicasse sua origem. Sem características faciais ou pistas raciais, eu não tinha ideia do local ao qual eu havia sido transportada ou em qual país eu estava. Amassando o papel com um punhado de parágrafos rabiscados, eu o coloquei dentro do corpete bordado do meu vestido. Meus dedos traçaram os bordados do vestido até chegar a minha garganta. Mesmo agora, as marcas de dedos eram visíveis. Ser estrangulada foi uma morte dolorosa. E que deixou vestígios em forma de dores e contusões, que estão sempre lá como um lembrete do que me aconteceu toda vez que olho em um espelho. Ele tinha me matado. Eu não tinha sido capaz de pará-lo. Então, por que ele não poderia ter me deixado morta? Por que aquilo não foi o fim, em vez de apenas o começo? Porque você vale muito mais viva. Aprumei minhas costas. Eu usei o secador para arrumar o cabelo e apliquei o rímel e o batom fornecido. Eu não sei por que eu me dei ao trabalho. No entanto, a beleza poderia ser a maldição que me concederia um

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destino amável. Na minha lógica inquietante, achei que se alguém pagar caro por mim, mais bem tratada eu seria. A não ser que o tiro saia pela culatra e um bilionário psicótico me compre para praticar tiro ao alvo. Minha garganta se fecha e meu coraç��o parece querer encontrar uma escada e pular do meu peito. Eu tentei me acalmar. Por mais que eu não queria enfrentar essa situação, eu preciso do meu coração batendo, caso uma chance de sobreviver me seja apresentada. Apoiando-me nos azulejos, ajustei meu vestido branco como se estivesse prestes a ser apresentada ao Primeiro Ministro. Os botões pitorescos na parte de trás tinham sido fechados graças à ajuda da ruiva. O cetim beijou meu corpo nu, protegendo a pele sensível dos meus mamilos e o meu núcleo, comprido até o chão, um milímetro longe de ser muito longo. As medidas foram exatas, até o tamanho ‘35’ dos sapatos brancos de salto em meus pés. Eu nunca tinha sido fã de branco. Preferia para vestir preto ‒ por transmitir uma imagem de autoridade (de acordo com a minha mãe) ‒ ou cores pastéis dependendo do meu humor nas aulas. Roupas brancas eram muito trabalhosas. O branco atraia manchas de sujeira no instante em que fosse vestido. Mas

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também concedida uma imagem de inocência, que no meu entendimento, era a razão pela qual os meus traficantes escolheram essa cor para meu vestido. Meu cabelo parecia mais brilhante; meus olhos verdes maiores, minha pele mais bonita. A menina vestida de preto parecia dura e mais velha, enquanto a ruiva em cinza parecia desbotada e já implorando por uma sepultura. Se estivermos prestes a adentrar um covil de lobos, eu não quero já estar cheirando a sangue antes da luta. Estreitando os ombros, eu passei pelo guarda e segui os passos do Máscara de Leão. Silenciosamente, eu segui os nossos algozes liderando a triste linha de escravas pelo corredor, para dentro do elevador, e então para o segundo andar. Lá, comoção nos recebe com sons de conversa, risos masculinos, e música suave de um piano. Fazia tanto tempo desde que eu escutei música ou senti calor humano que eu me perdi. Esquecendo minha necessidade de permanecer distante e intocada, eu parei bruscamente. Minha falha me rendeu um golpe na cabeça ao ser empurrada para frente por Máscara de Leão. Eu me senti fraca pela primeira vez desde o meu primeiro espancamento, quando eu tentei resistir e sofri uma lição. Eu senti os olhares de todos na sala. Olhares famintos.

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Olhares insanos. Olhares terríveis, cheios de luxúria. Todos espiando por trás de máscaras. Um foco de luz, proveniente de uma brilhante bola prateada que inundava o espaço com luzes intermitentes, foi colocado diretamente acima de nós. O piano parou de tocar enquanto as duas meninas e eu caminhamos para o centro do que costumava ser uma pista de dança sob a orientação de nossos guardas. Isto era um leilão. Completo com um pódio para inspeção e um leiloeiro e seu martelo. As duas meninas com as quais eu tinha tomado banho soluçavam em silêncio, ao serem alinhadas em uma procissão de outras mulheres. Mulheres que viveram no hotel comigo, mas eu nunca tinha visto. Mulheres de todas as idades e etnias, todas roubadas de seu lugar de direito e tratadas como gado. Meus amigos não iriam realmente sentir minha falta porque eles não me entendiam. Eu não tinha namorado para se lamentar por mim, nenhum pai para vir em minha busca. No que diz respeito a amigos e familiares, eu não tinha muito. Eu suponho que isso facilitou o meu desapego do desejo de amar e ser amada, sabendo que eu nunca sentiria tais coisas novamente. Mas também doeu mais porque se pelo menos eu tivesse tido essas coisas, eu poderia dizer que eu tinha vivido

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brevemente; que eu não tinha considerado minha liberdade como garantida. Agora, tudo o que eu conheceria era cativeiro. A sala se silenciou quando um homem entrou no local, vestindo um smoking perfeito e uma máscara preta, com um microfone próximo aos lábios. "Sejam bem-vindos, senhores, ao QMB, também conhecido como Quarterly Market of Beauties." Apontando na direção das mercadorias, ele disse: "Como vocês podem ver, temos uma grande variedade para vocês hoje à noite." Uma por uma, ele apontou para nós. Nós éramos as únicas sem máscaras na sala. Uma por uma, nós encolhemos para dentro de nós mesmas. Doze foram contadas antes de mim. Eu era a sortuda número treze. Ou era a azarada número treze? Tudo o que eu precisava era de um gato preto, de passar por baixo de uma escada, e de ser amaldiçoada por uma bruxa para completar minha maldição. O homem caminhou orgulhosamente como se ele tivesse, pessoalmente criado todas e cada uma de nós. Se ele estava no comando de nossa destruição total e de nossa reconstrução em nada, então talvez ele tivesse. Talvez ele nos fez suas e tinha pleno direito de nos vender, já que não éramos mais nós mesmas.

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"Como de costume, temos uma variedade de belezas disponíveis para o seu prazer. Todos vocês tiveram tempo para ler os arquivos e ver as fotos que fornecemos.” Espere. Quais fotos e arquivos? Nossos quartos tinham câmeras? Nós fomos secretamente catalogadas

e

investigadas?

Meu

peito

subia

e

descia,

pressionando contra os meus rabiscos no papel higiênico roubado. Será que eles sabem sobre a minha escrita? Será que eles a levariam para longe de mim? Minhas perguntas me mantiveram ocupada enquanto o homem atravessou a pista de dança e agarrou a primeira garota da fila. Arrastando-a para frente, ele a forçou subir no pódio, segurando-a até ela equilibrar-se. O holofote mostrou cada linha de seu stress, todo o seu terror, todas as lágrimas. Ela não podia esconder nada debaixo de um brilho tão invasivo. Sua nudez facial se fez mais evidente já que nenhuma humanidade a observava. Somente máscaras, em diversas formas. Eu não quero me parecer com ela. Eu não deixaria esses babacas verem o meu horror. Se eles se recusaram a deixar-nos vê-los, eu me recuso a deixá-los me

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ver. Eu não tinha penas ou diamantes para esconder o meu verdadeiro eu, mas eu tenho força de vontade. Foi necessária a venda de quatro meninas para que eu moldasse minha face em uma concha rígida e insensível. Com a venda de outras quatro eu excluí a emoção do meu olhar e reuni o resto dos sentimentos os empacotei em uma mala em minha mente (ou devo dizer na minha alma?). E com a venda das últimas quatro meninas eu encontrei uma maneira de trancar essa mala imaginária, banindo todos os meus segredos, esperanças e aspirações, e jogar a chave fora. Meu nome era Tasmin Blythe, mas quando chegou minha vez e eu fui forçada a ficar altiva e orgulhosa no pódio, eles me deram um novo nome. Um nome que sempre me lembraria de onde eu vim, mas que me desprovia de tudo ao mesmo tempo. Pimlico. Depois do subúrbio de Londres onde o evento de minha mãe foi realizado. Eu já não era mais Tasmin. Pimlico... Pim. Estou feliz. Eu já não tenho que fingir ser forte e distante; Pimlico é forte e distante. Tasmin foi bloqueada no fundo da minha

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mente, bem no fundo e foi esquecida enquanto eu piscava com as luzes brilhantes e ouvia o discurso mais degradante. "Eu vou pagar cem mil." "Eu pago duzentos." "Eu cubro a todos e dobro o lance." A sala engasgou em um suspiro ao mesmo tempo em que uma silhueta de um homem alto e magro entrou na pista de dança. "Quatrocentos mil dólares pela menina de branco." Meu coração mais uma vez tentou construir um páraquedas e escapar. Esse foi o lance mais alto da noite. Ele me deu nojo. Como ousam decidir o meu valor? Decidir o que minhas companheiras escravas valiam. Vidas humanas não deveriam ser vendidas. Eu não deveria ser vendida. Eu não tinha dito uma palavra desde o terceiro dia da minha prisão. Eu não tinha respondido às suas perguntas sobre a minha idade ou histórico sexual. Recusei-me a compartilhar quaisquer detalhes invasivos. Eu me senti poderosa por essa resistência, mesmo sabendo que eles conseguiriam as informações em minha carteira de motorista e redes sociais.

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Mas agora ... aqui, prestes a ser vendida, eu tinha algo a dizer. Gesticulando, eu olhei para o homem indistinto que desejava me possuir. Minha voz soou macia e pura, o único som feminino em um ninho de homens. "Dou um milhão. Deixe-me comprar-me, senhor, e eu vou esquecer que tudo isso aconteceu.” As meninas compradas, já entregues a seus novos senhores, engasgaram de surpresa. Minha audácia podia encurtar a minha vida ou prolongá-la. De qualquer maneira, foi uma proposta consciente e voluntária de minha parte. Eu não tenho um milhão. Minha mãe poderia ter se ela vender nosso apartamento de dois quartos em Londres. Mas, assim como eu ignorei as outras preocupações, ignorei esta também. Dinheiro era apenas dinheiro. Moedas adicionadas a notas e notas adicionadas a maços, formando centenas. No final, as lindas notas impressas serão inúteis porque a inflação roubará seu valor numérico, tornando aqueles que as possuem infelizes. Minha vida, por outro lado, aumentaria em valor, ficando mais sábia e mais rica em experiência quanto mais tempo eu sobrevivesse. Eu era um investimento, não um passivo. E eu investiria tudo o que tenho para ser capaz de ter um futuro.

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O homem se aproximou, sendo iluminado de forma que sua silhueta se transformou em massa física. Seu cabelo loiro sujo era a única coisa visível por trás de uma principesca máscara de Lord Inglês. "Você está fazendo uma oferta por si mesma?" Sua voz tinha sotaque estrangeiro, mas eu não consegui identificar de qual local. Mediterrâneo, talvez? Ergui meu queixo, o pódio me fazia mais alta que ele então eu olhei para baixo como se ele fosse meu servo e eu sua rainha. Eu iria governar ele. Eu nunca iria me curvar. "Está correto. Eu sou muito cara para você. Um milhão de libras, não dólares. Um lance alto sobre o seu montante patético". O leiloeiro se atrapalhou, claramente sem saber o que fazer com essa mudança de eventos. Seu papel no jogo era fazer dinheiro. A venda de mulheres era altamente lucrativa, mas se ele poderia ganhar mais me vendendo para mim mesma, ele se importaria em quebrar algumas regras do negócio? Ele seria pago de qualquer maneira. Ignorando o homem em sua máscara de Lord Inglês, eu enfrentei o carrasco, implorando para que o meu lance fosse aceito. "Um milhão, senhor, e eu vou embora e nunca mencionarei essa situação." E as outras meninas?

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Minha mãe me repreenderia pela vergonha e culpa que eu senti ao pensar em deixar as mulheres vendidas. Mas ela também ficaria orgulhosa porque eu tinha escolhido um caminho com determinação e convicção. Algo que ela disse que sempre me faltou. Feliz agora, mãe? A

sala

entrou

em

erupção

com

os

murmúrios

de

deliberação, enquanto eu estava no refluxo do mar de vozes. Por um momento, eu estupidamente acreditei que havia ganhado. Que eu tinha realizado a oferta no momento perfeito e ganhado a minha liberdade. Mas eu não tinha aprendido a lição final. A soberba precede a queda. E eu estava prestes a despencar. "Eu considerei a sua oferta e a cubro:" Máscara de Lord murmurou. "Um milhão e quinhentas mil libras, não dólares. O que você diz?" Antes que eu pudesse responder, antes de poder aumentar meu lance e alterar minhas circunstâncias, o leiloeiro bateu o temido martelo.

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"Vendida!" Gritou o leiloeiro. "Para o Sr. Máscara de Lord por um milhão e quinhentas mil libras." ***** Para Ninguém, Essa foi a última vez que falei. A última vez que eu perdi. A última vez que eu soube o que era não viver com dor a cada dia. Daquele dia em diante, eu era Pimlico a Muda, a Mulher Sem Voz em Branco. Não importa o que o homem fez para mim, eu não quebrei. Não importa a surra que ele me deu ou a punição sexual que empregou, eu permaneci em silêncio e forte. Eu gostaria de dizer que eu encontrei uma maneira de escapar. Que corri. Que eu estou escrevendo isso para você de uma loja de café pitoresca em Londres com um namorado bonito na minha esquerda e um melhor amigo à minha direita. Mas eu nunca fui boa em mentir. Esta novela em papel higiênico nunca vai ser ficção. Esta é a minha autobiografia, para que um dia, quando o meu valor for esgotado, e cada centavo que meu mestre pagou por mim for descontado, alguém se lembre da escrava muda que suportou tanto. Talvez então, eu seja livre.

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Em vez de contar o que eu tinha perdido e nunca mais veria, preferi contar o que eu tinha. Isso me manteve ocupada enquanto a transação de venda era completada, a sala se tornou vazia à medida que cada comprador vitorioso levava sua posse para casa, e meus braços foram puxados para trás, amarrados por um fio grosso em torno dos meus pulsos como uma espécie de anel de casamento bizarro. Eu não disse uma palavra quando fui vendada, sendo mergulhada na escuridão, e nem dei um pio enquanto mãos dominantes guiaram-me do salão de baile, preenchido com calor e notas de piano, para corredores que eu não podia ver, e através de um vestíbulo que eu nunca testemunhei. Uma conversa suave aconteceu enquanto eu era empurrada como uma fugitiva para dentro da parte de trás de um carro, o meu vestido branco e um lenço ainda me decoravam como um brinquedo premiado saído da prateleira. Eu não sabia se era um Honda acabado ou um Maybach caro que me transportava do Hotel de tráfico sexual para uma

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pista privada. Eu não tinha permissão para ver ou tocar ou mover-me sem o auxílio das duas mãos de quem tinha me comprado. Ele não falou comigo. Eu não falei com ele. E o pessoal em torno de nós não precisava falar, porque eles foram orientados e obedeciam explicitamente. Entrei em uma estrutura que eu creio ser um jato particular, sendo guiada com empurrões suaves por um corredor, antes de me sentar em um assento desconhecido. Pelo menos, afastada do ambiente estéril daquele hotel, eu tinha o que eu precisava. Fragmentos e sensações da vida me cercaram. O ar da cidade no meu rosto, ouvir os sons da civilização quando eu estava

sendo

conduzida

pelas

ruas,

passando

por

pais

desavisados e amantes passeando, e agora... eu estava sentada no couro mais macio que se possa imaginar com as minhas costas bloqueadas, pulsos amarrados, e sem visão. Essa situação aumentou os meus sentidos livres restantes. Eu senti um aroma de licor, um cheiro forte de canela e caviar, e um consegui identificar a essência de uma loção pós-barba. Ao longo do meu aprisionamento, eu não tinha tentado libertar-me sendo estúpida. Eu nunca discutia (não após o espancamento de boas vindas) e nem uma vez recusei as refeições tinham sido servidas. Todas essas ideias ridículas de

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passar fome e lutar com palavras foram removidas nas primeiras horas de chegada. Nestas novas circunstâncias, eu não deixaria de ser sábia. Eu não gritaria ou choraria ou tentaria fazer amizade com o meu carcereiro. Em vez disso, gostaria de permanecer em silêncio e forte e nunca ser idiota, recusando qualquer que seja o sustento que este homem queira me dar. Eu precisava de toda a saúde e determinação para que eu pudesse me agarrar. Bolhas geladas de champanhe foram encostadas aos meus lábios. Eu não tinha provado nada tão acentuado em um tempo muito longo. Minha boca se abriu, e eu tomei um gole. A taça foi removida após precisamente dois goles, os motores do jato privados foram acionados, alguém me colocou o cinto de segurança em mim, e a voz de um piloto desconhecido anunciou que estávamos prontos para a descolagem. Eu gostaria de saber para onde estávamos voando. Eu gostaria de saber quem era este novo adversário. Eu gostaria de saber quanto tempo eu resistiria antes que a máscara que eu tinha posto no pódio caísse. Uma máscara de papel dura pouco tempo antes de ser destruída pela umidade. E quanto a uma feita de pura teimosia e rebeldia? Quanto tempo ela duraria?

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Mas querer não é poder, então eu não tinha escolha a não ser sentar na minha cadeira enquanto decolávamos. Meus ouvidos estalaram com subida íngreme, e ninguém murmurou uma palavra por um longo tempo. Ninguém se mobilizou para me soltar ou devolver-me o dom da visão, também. Minutos se tornaram horas, e eu esperei que o homem falasse. Relaxei tanto quanto eu podia assumindo uma postura introspectiva, mantendo-me sã mentalmente e me preparando para a próxima etapa. Eu sabia que isso iria acontecer desde que o bastardo que tinha me estrangulado e me revivido ao fazer Ressuscitação Cardiopulmonar. Eu não tinha ninguém em quem confiar mais. Ninguém para me dizer o que fazer e como agir. Todas as ações seriam unicamente minhas. Qualquer que seja a dor ou os maus tratos que podem ou não estar no meu futuro, eu tenho que segurar minha própria mão, enxugar minhas próprias lágrimas, e encontrar conforto em meus braços, não importa quão sangrentos eles estarão. Essa constatação me aterroriza, mas também me encoraja. Porque eu só tinha que cuidar de mim mesma. Estando sozinha, eu poderia ser egoísta. Eu poderia evitar emoções e tornar o meu coração tão mudo quanto minha boca. As outras meninas vendidas seriam esquecidas, então eu não me preocuparia com sua existência. Minha mãe seria ignorada, então eu seria a única responsável por mim.

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Era a única maneira que eu tinha de sobreviver. À medida que mais minutos se passaram, o tempo de viagem foi suficiente para que duas comissárias de bordo servissem o homem e eu, e o piloto a anunciou que tinha outra hora de vôo obtida, meus nervos lutaram uma batalha perdida. Mesmo com meus pensamentos positivos, eu não conseguia parar o cronometro em minha cabeça, mostrando a contagem regressiva para o evento seguinte que eu teria que superar. Tentei manter a calma ‒ para evitar fazer perguntas. Mas tudo que eu queria era saber quem eu teria de suportar, enquanto planejava minha fuga. Quem era esse bastardo que tinha comprado uma vida? O que ele esperava de mim? E quantas vezes ele realizou esta mesma transação? "Vamos tirar as apresentações básicas para fora do caminho, não é?" Eu congelei quando a voz do homem quebrou o silêncio estagnado. Sua escolha de falar neste momento causou arrepios na minha espinha, quase como se ele tivesse ouvido meus pensamentos. Será que ele espera que eu fale sem vê-lo? Sem assistir a sua linguagem corporal e pegando muito mais informações do que eu faria se ele me mantivesse vendada?

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Eu tinha prometido não voltar a falar. Sempre. Mas, neste caso, seria benéfico para mim, não para ele. Eu permito-me três palavras. Uma dieta escassa de sílabas antes de voltar à fome. "Desate-me em primeiro lugar." Por um longo momento, ele não respondeu. Em seguida, senti o leve roçar de seu terno quando ele se inclinou para frente e afastou meus ombros do assento. Minha pele se arrepiou sob seu toque, eriçada de ódio. Fazendo o meu melhor para afastar-me, contorci-me para a borda da cadeira de couro, segurando meus pulsos para tornálo mais fácil. Com uma serra rápida, as demoníacas cordas ao redor minha pele caíram, seu aperto sendo guardado para outro dia. A venda saiu dos meus olhos, concedendo um pouquinho de alívio da dor de cabeça causada por sua demora. No momento em que fui libertada, vi o homem reclinado na cadeira. Pisquei, lutando contra o clarão de, finalmente, ter a visão novamente. Ele estava sentado de frente a mim, e não no assento ao lado como eu pensava. Ele tinha tirado a máscara, e ao reconhecer o seu olhar, eu queria colocar a venda de volta e perder todos os sentidos. Eu não quero ver, ouvir, tocar, ou Deus me perdoe nunca quero provar este homem.

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A máscara de Lord Inglês que ele usava tinha sido muito amável para o monstro que se escondia embaixo dela. Lutando para manter meu rosto firme e ilegível, eu inclinei meu queixo. O desejo de barganhar e fazer perguntas formava uma mordaça em torno de minha garganta. Eu estava grata. Ele não merecia nenhuma palavra a mais de mim. Ele merecia ser fuzilado e que eu dançasse seu túmulo. Antes quando a vida era segura e minha única preocupação era qual programa de TV eu deveria assistir quando não conseguia dormir, eu fazia maratonas de séries policiais, documentários forenses e investigações criminais. Eu amava identificar o suspeito antes que ele fosse apresentado em cena, observando as características mostradas pelo teste de DNA e as comparando com cada assassino em potencial na tela. Na maioria dos casos, o assassino teria a aparência de qualquer outro vizinho ou amigo da família. Jovem ou velho, rico ou pobre, eles eram apenas uma pessoa qualquer. Uma pessoa com maldade dentro de si. No entanto, quando a câmera se aproximava de suas faces quando era apresentada a eles a punição na conclusão do show, eles sempre tinham algo em comum. Seus olhos. Algo em seus olhos revelava a verdade, assim como os deste homem fizeram.

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Algo estava faltando. Eu não queria dizer uma alma, porque eu não sabia exatamente o que era uma. Mas também poderia ser algo muito pior. Um impostor. Não o suficiente humano de sentir compaixão e empatia. Pessoas que matam e estupram eram demônios de coração frio, sedentas de dor. Eu tinha sido vendida a esse demônio. Ele sorriu, mostrando os dentes brancos quadrados em um rosto

bronzeado.

Seu

cabelo

loiro

escuro

indicava uma

característica sueca ou talvez norueguesa. Ele tinha a mesma estrutura óssea dos europeus esguios com um longo nariz, maçãs do rosto pronunciadas, e olhos azuis penetrantes. Imaginei que ele teria trinta e tantos anos. Uma idade em que ele poderia ter sido meu pai se tivesse um filho jovem. Espere… Será que ele tem filhos? Uma esposa? Uma família? Olhamos um para o outro, sem dizer uma palavra. Parecia um concurso, uma luta por domínio, mas eu compreendi o jogo. Ele queria que eu caísse em sua armadilha. Eu já tinha, solicitado que ele me soltasse. Eu tinha feito a minha parte. O resto seria com ele. Ele sorriu friamente. "Agora que você pode me ver, vamos começar."

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Inclinando-se para frente, ele afundou os dedos nas minhas rótulas. Ninguém nunca tinha me atingido lá antes, mas sentir as unhas se afundarem rapidamente através do cetim do meu vestido e se agarrarem em torno dos ossos que protegiam minhas articulações, de repente me fez entender como joelhos eram partes vulneráveis. Fáceis de serem arrancados do lugar. Engoli em seco, congelando no assento. "Meu nome é Alrik Asbjorn. Para você, eu sou Mestre A. Você entendeu?" Seus dedos me apertaram mais forte. Meus lábios permaneceram colados, recusando-se a falar. Eu tinha poder sobre minha fala, mas não sobre meu olhar. Meus olhos estavam vidrados com dor que ele estava me proporcionando. "Não tem nada a responder?" Sua mandíbula aperta quando ele afunda ainda mais os dedos nos meus joelhos. "O que aconteceu com a menina que deu o lance de um milhão para si mesma? Eu gosto mais daquela postura de cadela.” Desconforto agonizante atingia minhas pernas, mas eu não cedi. Eu não podia. Se ele ganhasse esta batalha, então eu perderia a guerra. Eu não poderia fazer isso comigo tão cedo. “Tímida? Bem". Removendo a ameaça, ele se encostou-se de volta no assento. "Você vai falar. Você verá." O alívio em meus ossos pulsava com cada batimento cardíaco.

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Vou fazer o meu melhor para que você nunca ouça a minha voz novamente. "Eu vejo que teremos que fazer algumas adaptações, mas não me subestime, menina. Você não quer se meter comigo.” Pegando um arquivo preto que eu não tinha visto ao seu lado, ele abriu a bolsa de couro e tirou dela um maço de papéis. Agitando-os no meu rosto, ele sorriu. "Esta é você. A soma de sua vida. Seus amigos nas redes sociais. Suas fotos de família. Suas mensagens pessoais. Cada pensamento bobo e cada feio lembrete de seu passado”. Sua voz suave estupidamente me acalmou até que ele explodiu violentamente, atirando à papelada através da cabine com acabamento de madeira e prata. "Já era! Tudo isso. Você não é nada mais que uma vadia. Você é minha puta. A você foi dado o nome de Pimlico, e de agora em diante, isso é tudo que você é. Entendido? Você não tem nome ou família, e é minha." Ele levantou a mão, e as lições que os traficantes tinham ensinado me mantiveram subserviente. Encolhi-me antes de ser atingida, já lhe dando o controle que ele desejava. Ele me bateu na região da orelha, causando um barulho afiado dentro do meu crânio. Mordi o lábio, segurando qualquer choro e lágrimas, curvando-me para frente para fazer com que meu cabelo escondesse meu rosto.

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Eu precisava sumir. Desaparecer. Ele não parecia se importar com a minha falta de gritos e choro. Esfregando as mãos, ele ficou calmo novamente. Muito calmo. Ele agiu como se estivéssemos em uma reunião de negócios, discutindo uma transação benéfica para nós dois. Eu queria ensinar-lhe o que seria benéfico: suas bolas na minha mão esquerda e um mandado de prisão em minha direita. Alrik ‒ Que gostaria que o chamasse de Mestre A? (Idiota sádico). Ele colocou a palma da mão sobre o queixo bem barbeado. "É justo que eu te diga uma coisa sobre mim, já que eu sei tudo o que há para saber sobre você." Alisando as unhas em sua camisa, ele suspirou como se essa coisa toda fosse chata para ele. "Vou levá-la para minha casa em Creta. Lá, você vai fazer o que eu quero, quando eu quiser. Você não irá se recusar a menos que você goste de agonia.” Seus olhos estavam focados em mim sem misericórdia. "Porém talvez você goste de dor. Você gosta, Pimlico? Responda-me; Não seja tímida. Você gosta secretamente de ser ferida?” Eu endureci enquanto ele acariciava meu joelho de novo, ameaçando-me com a lembrança do que ele já tinha feito. "Seja qual for o empoderamento que estar em silêncio te dá... pense novamente." Sua mão tocou o meu vestido, o subindo até minhas coxas.

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Não. Por favor, não. Apertei os olhos, à espera do toque dos seus dedos horríveis entre as minhas pernas. Mas ele parou. Pairando sobre a minha pele

delicada,

ele

resmungou:

"Você

vai

falar

comigo.

Eventualmente. Mas não se preocupe, se você só aprender a gritar, eu posso trabalhar com isso.” Reclinando-se para trás, seu toque vil me deu um alívio quando ele pegou seu copo. Tomando três goles longos, ele girou a taça delicada com um sorriso persistente. "Esqueça tudo sobre o seu passado e só se lembre disso. Você é meu brinquedo; meu bem mais precioso. Não se esqueça do quanto eu paguei por você e que eu espero em troca”. Suas palavras caíram como granadas carregadas no chão do avião. Eu esperei para ver se elas explodiriam e me destruiriam, mas qualquer liberdade que eu encontrei ao me trancar em mim mesma prevaleceu. O silêncio se estendeu como uma pausa suja, mas eu não me importava. Se eu fosse permanecer fiel ao meu futuro sem voz, eu tinha de fazer amizade com o silêncio e encontrar refúgio em qualquer constrangimento que ele criasse. No entanto, Alrik não estava preparado para fazer essas coisas. Seus olhos se estreitaram quando ele se inclinou para

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mim. "Você não vai perguntar o que você pode esperar em troca?" Cada instinto meu ordenou que eu acenasse com a cabeça. Para responder de alguma forma. Mas eu lutei contra isso também. Comunicação verbal e não verbal seriam sempre proibidas. Assim como eu havia trancado quem eu era, eu iria banir toda a memória de conexão sociável. Ele resmungou baixinho. "Quanto mais você me desafiar, mais você vai pagar quando chegarmos." Chegarmos. Longe da minha casa e mãe. Longe de tudo o que eu tinha sido. Eu podia controlar a minha resposta externa, mas eu não conseguia controlar meu coração batendo loucamente em meu peito. Alrik suspirou profundamente, estalando os dedos para mais uma taça de champanhe. Instantaneamente, uma taça coberta de orvalho preenchida com licor espumante foi entregue diretamente em sua mão estendida. Desfrutando de um gole, ele disse, "Considerando que você não vai perguntar, eu não vou contar. Mas só para você saber, depois de uma semana, você vai estar de joelhos desejando ter sido mais inteligente. Você dormir implorando para saber o que te espera."

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Ele pintou um quadro horrível. Um futuro no qual eu não queria ter nada a ver. Alguns batimentos cardíacos trovejaram, fazendo meu peito subir e descer e se esfregar contra os pedaços de papel guardados no meu corpete, fazendo cócegas nos meus mamilos. Minha carta a Ninguém. Eu era estúpida por encontrar conforto naqueles pedaços rabiscados. Mas eu fiz. Minhas costas se endireitaram, e os meus dedos se ligaram recatadamente no meu colo. Este bastardo era apenas um homem. A pior merda na face da Terra. Sim, ele poderia me machucar. Sim, ele poderia me fazer implorar pela morte. Mas nós somos da mesma espécie. E somos adversários. E um dia, em breve, gostaria de descobrir uma maneira de vencer e me livrar dele. Alrik me brindou com seu champanhe, não me ofereceu uma bebida ou jantar. Seu olhar viajou sobre cada polegada de mim quando o avião inclinou para a esquerda. "Estamos quase em

casa.

Eu

não

posso

esperar

para

redondezas."

PEPPER WINTERS

lhe

mostrar

as


Ele riu, gostando de ser o criador da brincadeira e da piada que dará o tom da nova narração da minha vida. "Uma vez que chegar lá, você vai perceber o quanto você está desperdiçando minha abertura para conversar. Pobre Pimlico ... você realmente deveria ter perguntado. "E agora ... é tarde demais."

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"Este é o seu quarto." Alrik empurrou-me para dentro da casa, barrando a porta com seu corpo. Meus saltos brancos bateram sobre o piso brilhante, afundando-se profundamente em um tapete de pele de carneiro quando eu tropecei com seu toque. Eu queria esfregar minha pele onde ele me tocou. Eu queria lavar e lavar e lavar. Nós chegamos há pouco tempo, passando das nuvens a terra, concluindo a viagem em uma pista privada. Um carro com motorista nos trouxe de lá para cá, e a casa resplandecente do meu captor não fez nada para tornar a minha estadia mais acolhedora. No momento em que me arrastou para dentro, ele me levou através do espaço, passando pela sala de jantar, cozinha, sala de estar, e por uma escada que levava um piso que se ramificava em duas direções. Ele tomou à esquerda, segurando o meu pulso de forma firme, de modo a evitar que eu fugisse a qualquer momento. Não há para onde correr.

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Eu não tinha idéia de onde estava. Sem esperança de escapar. Eu perdi a conta de quantos quartos existiam no corredor até que ele abriu uma porta branca e me jogou dentro do cômodo. Ou Alrik tinha um fascínio com a cor branca, ou ele não estava inspirado quando decorou o lugar. As paredes eram brancas, a cama branca, mesmo a penteadeira, mesas de cabeceira e armário. Branco, branco, branco. Meus olhos caíram para o meu vestido. Foi por isso que ele me comprou? Porque eu tinha sido preparado para venda em um vestido branco como a neve? Eu caminhei na direção das cortinas de alabastro, que escondiam uma vista de um país que eu nunca tinha visitado, escondido na escuridão da noite. Suas mãos se espalham como algemas enquanto marchava em direção a mim. "É hora de recebê-la em sua nova casa, você não acha?" Agarrando a frente do meu vestido, ele o abriu. Com toda a força. As pérolas bonitas e a costura intrincada fizeram o seu melhor para resistir a tal tortura, mas as peças rasgaram-se com um som alto. Meus braços subiram automaticamente para evitar que o vestido se abrisse. Não para proteger a minha decência, esse

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desejo tinha sido retirando de mim violentamente no hotel do tráfico, mas para esconder os meus relatos em papel higiênico. Mas era tarde. As peças rabiscadas se espalharam sobre o tapete como pequenos quadrados de miséria. Meu lápis mordido saltou livre como uma lasca do meu coração. Eu queria pegá-los, mas não adiantava mais. Ele os tinha visto, e não importava se eu os escondesse ou os deixasse no chão, ele os roubaria de mim. Isso é o que homens como ele fazem. Eu tinha sido comprada para compartilhar sua vida pervertida de qualquer maneira que ele bem entendesse. Eu não iria chorar pelas minhas palavras reveladas, e eu não iria implorar para que ele as deixasse. Seus olhos se prenderam à bagunça no chão, um sorriso sinistro contraiu seus lábios. "Bem, bem, o que temos aqui?" Eu respirei fundo, o encarando com toda a força que me restava. Ele levantou uma sobrancelha quando ele se agachou para pegar um pedaço. Lendo os rabiscos, ele olhou para cima. O fato de ele se curvar diante de mim não me passou despercebido. No entanto, eu não era tola o suficiente para acreditar que a posição o faria vulnerável a mim. Ele, ajoelhado, poderia me causar tanta dor, quanto comigo amassada e chorando a seus pés. "O que exatamente é isso?"

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Eu quebrei nosso contato visual, passando a olhar para a parede pintada de branco. Nenhuma obra de arte. Nenhuma personalidade ‒ um espaço preenchido por nada. "Essa falta de respostas está ficando cansativa." Alrik endireitou-se, empurrando um punhado das minhas páginas na minha face. "Não quer me dizer? Bem. Então, você não precisa mais delas." Após recolher todas as folhas, ele dirigiu-se para porta. "Eu sugiro que você durma um pouco, Pimlico, porque amanhã, sua verdadeira recepção de boas vindas começa." Para Ninguém, Ele se foi. Ele levou minhas confissões anteriores para você, mas não o meu lápis. Eu vou esconder todos os meus relatos a partir de agora, para que ele nunca tenha estas novas páginas. É tarde, muito tarde, mas eu não tenho um relógio neste túmulo sem emoção. Amanhã, minha vida vai mudar, e posso não ser capaz de relatar a você o que eu vou viver. Porém saber que você existe para me ouvir é suficiente. Ter a sua aceitação sem julgamentos me dá forças. Minha mãe ficaria orgulhosa de mim. Eu tenho resistido tanto tempo com a minha dignidade intacta. Posso te contar um segredo, Ninguém? Seja o que for que Alrik faça para mim amanhã, sexualmente será a primeira coisa

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que alguém faz para mim. Tenho dezoito e sou uma virgem. Risível, certo? Mas isso é o que acontece quando você vive no meu mundo. Minha mãe me forçou a escolher os livros ao invés de meninos e estudos ao invés de sexo. Quer dizer, se eu tivesse encontrado um cara que eu gostasse o suficiente para querer mais que alguns encontros com beijos molhados, suas regras não teriam me parado. Mas eu não o encontrei. E agora, eu nunca iria, porque essa escolha foi tirada de mim. É estúpido não ter medo de seus punhos, botas ou correntes? É ridículo que eu não tema paus, chicotes e equipamentos de tortura? Tudo o que eu realmente temo é ele. Seu ... Pau. Será que vai doer? Será que vou sangrar? Quem estará lá para falar comigo quando acabar e eu me sentir diferente? Quando ele me forçar a passar de menina para mulher? De adolescente a escrava? De uma pessoa livre para uma quebrada? Você, eu acho. Só você. Até amanhã, Ninguém. Durma bem, porque eu não vou.

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Para Ninguém, E-eu pensei que eu poderia fazer isso. Mas eu não posso. Eu pensei que eu poderia dizer-lhe o que ele fez. Mas eu não vou. Tudo o que posso dizer é... Sua ideia de boas-vindas incluía coisas que eu nunca iria querer experimentar novamente. Isso me machucou. Muito. Eu mal posso sentar sem querer gritar de agonia ao escrever isso para você. Ele tirou a minha virgindade. Várias vezes. Ele me fez desejar que sexo nunca fosse inventado. Deus, doeu tanto, Ninguém. Mas ele não vai me matar. Então, eu vou me focar nisso. E fazer o meu melhor para descobrir como sobreviver.

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Para Ninguém, Há quanto tempo eu vivo aqui? Não me lembro. São duas semanas ou três? Dez semanas ou doze anos? Alrik deliberadamente não mantém calendários em casa, e cada dispositivo de tecnologia que ele possui é protegido por senha. Eu sei por que eu tentei. No escuro eu tentei descobrir suas senhas. Eu fingia dormir, acorrentada no canto do seu quarto, enquanto tentava descobrir o padrão de bloqueio do seu celular. A única maneira pela qual eu posso identificar os meses que se passam é a injeção anticoncepcional, que ele me aplica regularmente. Oh, Ninguem, se você pudesse me ver? Deus, eu estou tão feliz que você não pode me ver. Por que eu vaidosamente pensava que era bonita? Por que eu quis perder a gordura que me dava curvas? Posso dizer honestamente que se minha mãe me visse agora, ela passaria direto por mim. Ela não me reconheceria. Eu não me reconheço.

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Alrik cortou meu cabelo há três noites. Ou eram seis? Eu não sei. Tudo o que sei foi socar minha pele e chutar minha barriga não foi suficiente para ele. Ele teve que cortar o cabelo que eu usava para proteger meu rosto dele. Ele levou a minha proteção com quatro recortes de uma tesoura de cozinha. Ele me deixou com um corte horrível na altura da mandíbula. Isso não me incomoda. Os fios cortados não podem me enfraquecer, mas o fato de ele não arrumar o corte horrível danificou minha crença de que eu poderia suportar o que o meu futuro nos reserva. Ao deixar-me desta maneira, ele mostra o quanto ele não se importa. Ele me chamou seu bem mais valioso. Eu não pareço valiosa. Eu sou o seu troféu a ser manchado e amassado para depois ser envolvido em um manto de modo que o ouro se torne uma cor bronze envelhecida, antes de ser enfiado em uma caixa e esquecido. Eu tenho quanto tempo antes que de ser encaixotada, Ninguém? Eu realmente devo saber?

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Para Ninguém, Eu falo com você todos os dias (se eu possuo tempo), mas você tem notado que eu não estou escrevendo tudo o que tem acontecido? Que eu não descrevo os meus horrores diários ou relato o que eu suporto? Você quer saber por quê? Porque ninguém deve ler sobre a transformação que eu passei. Ninguém deve ver o que aquele bastardo estuprador faz. Vou poupá-lo. E eu vou me poupar não recontando os fatos.

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Querido Ninguém, Hoje, Alrik me disse que eu estive com ele por um ano. Um ano! Um nojento, horrível e incapacitante ano. Um ano… Isso é muito tempo para contemplar. Eu fiz tudo que podia para escapar, você sabe disso. Eu me escondi dele, eu lutei com ele, até tentei matá-lo. E eu pago pelas minhas tentativas. Você é a única coisa que eu tenho, Ninguém. Só você sabe os fatos verdadeiros. Só você entende o que eu fiz para sobreviver. Como eu dei um pedaço de mim para proteger o que me resta. Como ele pode ferir o meu corpo, mas ele não pode mais ferir a minha alma. Eu aprendi a manipulá-lo. Ele ainda bate-me ‒ meu Deus, ele encontra novas maneiras todos os dias ‒ depois de todo esse tempo, ele ainda promete que vai me quebrar. Porém o oposto é verdadeiro. Estou mais forte agora do que eu já estive. Eu sou mais velha agora. Eu sou mais sábia agora. E eu finalmente entendi o que minha mãe tentou me ensinar.

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Há poder em escutar, em analisar, em observar. Alrik é uma fossa profunda preenchida com o mal, mas ele me aprisionou. Enquanto eu procuro maneiras de matá-lo, eu irei controlá-lo... Pouco a pouco. Polegada por polegada, eu ganharei uma refeição extra por ser educada. Eu irei minar a seus abusos por ser obediente. Ele não me quebrará Ele nunca vai me quebrar. E em breve, eu serei livre.

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Querido Ninguém, Um ano e meio ... Minha mãe .... deve ter seguido em frente. Meus amigos estarão na metade de suas graduações na universidade. Suas vidas progrediram enquanto a minha regrediu. Eu ainda sou uma garota? Eu não sei. Tudo o que conheço é a dor. Eu fui forte por tanto tempo. Eu me calei profundamente dentro de mim. Eu tinha santuário seguro para fugir quando ele vinha para mim. Mas ontem... Ele abordou o meu reino interior e convidou seus amigos para me quebrar. Eles não tiveram êxito. Mas eles tiveram êxito em outra coisa. Mata-me admitir isso para você, Ninguém... Mas eu... Eu fui tão corajosa quanto podia ser. Eu resisti por tanto tempo. Estou cansada. Quando o viver se torna a escolha errada e morte a mais certa? Quando é que tirar sua própria vida é mais sábio do que deixar alguém destruí-la? Eu não quero morrer, porque eu sou fraca.

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Eu quero morrer, porque isso é a última coisa que eu posso fazer para ganhar. Ele não teria mais de mim. Eu tiraria seu poder. O suicídio pode ser a rebelião final e um ato que ele não conseguiu evitar. Você acha que tirar minha vida seria um ato de fraqueza? Você acredita que eu resisti o suficiente? Eu já suportei ossos quebrados suficientes para provar o meu desejo de continuar vivendo? Eu sou uma escrava, Ninguém. Uma escrava de seus caprichos, mesmo enquanto eu amaldiçôo sua própria criação. Ele marcou-me, arruinou-me, e agora, ele está me partilhando como se eu não valesse nada. Eu tenho valor. E eu finalmente tive o suficiente.

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QUERIDO NINGUÉM, Você me apoiou em cada corte e violência. Você ouviu os meus pesadelos, e segurou a minha mão, quando aquele bastardo me fez sangrar. Tantas vezes você já ouviu e me abraçou e esteve junto de mim. Mas você já pensou que você teve que me ouvir por dois anos? Dois. Anos. Eu estive com este monstro horrível por dois anos. Não tenho mais nada a dizer. Nada mais para dar. Seis meses atrás, cheguei ao meu limite. Eu desliguei todos os sentimentos que me restaram e decidi que entre a morte e o delírio. A morte se eu pudesse enganar o seu divertimento em me

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machucar. Delírio, se eu não pudesse correr para a minha sepultura. Mas de alguma forma... Ele soube. Um dia, as facas na cozinha estavam no lugar de sempre, me tentando a usá-las; no outro, elas tinham desaparecido. Os cordões de cortina, as ferramentas de uso doméstico, eletrodomésticos, qualquer coisa que poderia ter ajudado no meu suicídio desapareceu magicamente. Ele fez isso para me manter fraca. Mas não funcionou. Ele lembrou-me de que tenho durado muito tempo. Eu posso durar mais tempo ainda. Por que eu deveria morrer? Ele é o único que merece conhecer o seu criador e pagar por tudo o que ele fez. E ele vai pagar. Eu vou me certificar disso. Levou muito tempo, mas ele não suspeitou de minhas intenções mais. Eu parei de lutar, eu... Obedeci. Mas não porque ele me quebrou. Ah não. Eu obedeci, porque eu sou mais inteligente do que ele. Eu sou paciente o suficiente para esperar o momento perfeito. Não importa se eu me tornei mestre em dormir acorrentada, em respirar amordaçada, em viver espancada. Fiz coisas das quais eu me orgulho. Fiz coisas das quais eu não me orgulho. Mas no final, nada disso importa.

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Senti coisas antes, Ninguém. Eu ainda acreditava em fantasias como esperança e casa e felicidade. Agora, tudo o que eu acredito é em dormência, na avaliação clínica de como manipular o meu mestre, e na bomba-relógio dentro de mim que poderia detonar a qualquer momento. Foi-se a vaidosa adolescente que pensou que iria governar o mundo. Meus ossos querem escapar de minha carne magra. Meus olhos estão vagos e frios. O meu cabelo cresceu de novo em um corte esfarrapado como o de uma boneca de pano. Eu não me importo que ele tenha tomado tudo. Ainda há uma coisa que ele nunca vai ter. Dois anos sem uma palavra. Minha voz é o seu santo graal e o meu último ‘foda-se’. Ele nunca vai ganhar. Não que ele vá parar de tentar. Nove meses atrás, Mestre A quebrou minha perna só para me ouvir gritar. Ele ganhou esse round. Eu não pude me conter. E sim, você ouviu esse direito. Parei de chamá-lo de Alrik quando ele... Você sabe o quê? Não importa. Tudo o que importa é hoje é o nosso aniversário. Dois anos. Será o nosso último aniversário. Isso eu prometo a você. *****

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"Ajoelhe-se, Pim". Meus machucados berraram, mas eu não lhe daria mais um motivo para me bater. Meus joelhos estalaram quando eu cautelosamente fiz como me foi dito. Viver nesta casa com ele? É um perpétuo purgatório. Eu odiava cada maldito segundo, mas eu odiava o ato de acordar ainda mais. Pelo menos ao dormir, eu tinha um pouco de liberdade. Livre para estar a céu aberto novamente. Rir novamente. E correr novamente, para muito longe. Ele era um idiota entediado que não tinha nada melhor para fazer, a não ser me atormentar. Ele não trabalhava. Ele não tem empregados, além de uma equipe de limpeza que vem uma vez por semana e um serviço de entrega de alimentação que acontece às dezoito horas todos os dias. Seus recursos eram ilimitados. Ele tem poder para agir sem consequências. No início, eu não tinha ideia de suas motivações ou por que ele me tratou tão terrivelmente. Mas dois anos foi um longo tempo, e eu tinha aprendido rapidamente. Cada espancamento, cada chicotada, cada noite horrível que passei embaixo dele, me deu pistas sobre como sobreviver. Afrontá-lo não era uma opção. Correr, gritar, desobedecer, todas essas ações me renderam mais dor do que eu podia suportar. Mas a observação.

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Ela é a minha arma. No começo, saber que quando seu temperamento passava de suave para agitado significava que ele preferia me chicotear a me foder não ajudou em nada. Eu não poderia evitar o que ele tinha planejado. Não importava se seu tom de voz me fazia identificar o seu humor ou se ele me contava as tortura que planejou. Mas com o passar do tempo, essas coisas me serviram de aviso. Eu me tornei mais forte, anestesiei o meu corpo, e vencia apenas por respirar. Comecei a entender quem ele era além dos chicotes e correntes e o achei incrivelmente insatisfatório. Ele é o epítome de um covarde repugnante que me manteve na linha por meio da violência. Eu tinha entrado em sua casa acreditando que eu poderia permanecer forte. Isso foi antes do primeiro estupro. Do primeiro espancamento. Dos primeiros chutes, socos e chicotadas. Minha desobediência durou mais tempo do que eu pensava, mas tudo parou bruscamente quando ele me mostrou as fotos do que aconteceu com sua última menina. Morta. Ele a matou. No entanto, ao envolver outra corda em volta do meu corpo para me segurar, ele murmurou que eu não iria acabar do

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mesmo jeito que ela. Ele tinha pagado o quadruplo por mim do que ele pagou por ela. Eu realmente era seu brinquedo mais caro, e mesmo que ele desejasse destruir meu espírito e acorrentar-me a sua alma, ele não iria me matar. Eu valia mais viva do que morta. Foi uma conclusão terrível. E a minha rebeldia foi rapidamente trocada por uma constatação interna. Quando eu desviei os olhos em submissão, eu realmente neguei-lhe o direito de me ler. Quando eu antecipei seu jogo colocando-me de joelhos, eu recusei-lhe a oportunidade de me bater. E quando ele me fez realizar tarefas, completamente nua, minha mente se vestiu de uma roupa feita de retribuição e vingança. Eu teria uma chance de matá-lo. Apenas uma. E mesmo se eu tivesse sucesso, eu não tinha nenhuma garantia de que eu poderia escapar sem ser inteligente. Tudo nesta casa estava ligado a um sistema eletrônico. Se eu o matasse sem aprender esse código, eu morreria aqui. Recuseime a compartilhar uma cripta com este estuprador. "Nós temos algo para comemorar. Você não concorda?" Ele andou em volta de mim com o queixo estreito erguido. "Dois anos, minha querida. Eu posso imaginar que na sua tenra idade este é o relacionamento mais longo que você já teve.” Isto não é uma relação, seu porco.

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Meu lábio superior se contraiu de nojo quando eu abaixei a cabeça, olhando para o tapete de pele de carneiro. Infelizmente, ele viu a minha injúria facial. Seu punho atingiu o lado da minha cabeça. "Não me dê uma atitude de merda, Pim! Não em nosso aniversário". Eu caí para o lado, balançando a cabeça para afastar as estrelas pulsantes, forçando o meu corpo de volta para meus joelhos antes que ele me chutasse para que eu voltasse para minha posição. Ignorando a dor de cabeça súbita, eu catalogava seu humor. Tudo falava comigo nestes dias, e não apenas o seu comportamento, mas o seu vestuário, o relógio que ele estava usando, e até mesmo a maneira como ele arrumava o cabelo. Tudo era uma pista do seu humor. Enquanto ele passeava em torno de mim, tagarelando sobre como sua viagem para a cidade foi boa e sobre um negócio qualquer que deu certo, olhei para seus sapatos (mocassins pretos significavam que ele estava despreocupado e confiante). Olhei para as calças (jeans claro indicava que sua visita à cidade não foi totalmente relacionada ao trabalho). Meus olhos subiram ao seu pulso e vi berrante Rolex de ouro (hoje, ele queria mostrar sua superioridade). Finalmente, eu olhei sua camisa de manga comprida azul claro (descontraído, mas formal). No entanto, o casaco de linho desabotoado não fazia

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parte do seu vestuário habitual (ele queria impressionar, mas mostrar indiferença ao mesmo tempo). Impressionar a quem? Eu não gostava de coisas que eu não conseguia entender. Ele vestiu-se para o nosso 'aniversário', ou ele convidou pessoas para virem hoje à noite? Meu

coração

recolheu-se

em

sua

concha

com

o

pensamento. A primeira vez que ele me ofereceu a seus amigos, Darryl, Tony, e Monty, eu tinha vomitado não só do horror de ser usada por quatro homens, mas também pelos golpes dados em minha barriga. Desde então, a partilha era frequente. Eu não tinha escolha. Mas, pelo menos, sua arrogância e as de seus amigos me deram um abrigo para que eu me desligasse e me escondesse. Eles poderiam ter meu corpo, mas enquanto eu flutuava em um lugar entre dois mundos, eu era capaz de manter minha alma intacta, e sempre negar minha voz a eles. Ele passou a mão no cabelo loiro espetado. "Você foi uma boa menina enquanto eu estava fora?" Você sabe a resposta para isso, seu bastardo. Eu olhei para a parede.

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Por alguma razão, sempre que ele saia, ele tinha tanta certeza de que eu nunca escaparia, ele não me atava como ele fazia durante a noite. A primeira vez que ele me deixou sozinha, eu tinha recrutado as facas da cozinha, até mesmo escondendo algumas lâminas com a esperança de matá-lo em seu sono. Mas quando ele voltou, ele sabia exatamente o que eu tinha feito. Segurando meu cabelo, ele me arrastou pela casa, recolhendo as três facas de açougueiro que tinha guardado em esconderijos. Após confiscar o meu arsenal, ele me levou para uma sala privada de segurança na garagem, escondida atrás de um pedaço de placa de gesso, e revelou como ele sabia. Cada polegada de sua propriedade era monitorada. Como eu não vi alguma câmera? Não havia pontos cegos ou cômodos não vigiados. Na época, meu coração pegou uma pá e cavou um buraco tão profundo e cavernoso dentro de mim para se esconder, que eu temi que eu nunca me recuperasse. Mas eu me recuperei. Porque eu não tinha escolha. "Ah, Pim, não seja assim. Estive fora durante três horas... certamente, você sentiu minha falta." Como eu sinto falta de contrair ebola. Eu estreitei o meu olhar, arriscando olhar para ele.

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No momento em que fiz contato com seus os olhos, ele sorriu. "Ainda recusando-se a falar, eu vejo. Você pode apertar os lábios, o inferno, você pode arrancar sua língua, mas eu a ouço gritar para mim. Ouço suas réplicas, mesmo que você não as diz em voz alta". Eu te odeio. Eu te odeio. Eu te odeio. Eu esperava que ele tivesse me ouvido agora; os decibéis vibraram através do meu corpo de forma que qualquer pessoa surda ou cega possa senti-los. Ele riu, abaixando-se ao meu nível de joelhos. A ponta do seu dedo traçou a linha de minha mandíbula, deliberadamente pressionando a contusão que ele tinha deixado lá última noite. "Você sabe... se você tivesse falado comigo desde o início, eu poderia ter sido um pouco mais agradável para você." Besteira. Eu movi meu rosto longe do seu toque. Ele inspirou com raiva. Sua mão caiu para o meu peito nu, beliscando meu mamilo. "Eu poderia te dado roupas, pelo menos."

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Eu não acredito em você. Ele não faria isso. Ele não tinha compaixão e só vivia para causar dor. Na manhã da minha recepção, ele tinha me tirado o vestido branco e nunca me deu de volta. Com o vestido roubado, eu não tinha nada. Nenhuma roupa existiu para mim em qualquer um dos armários de sua propriedade de doze quartos. Quando eu tinha tentado pegar uma de suas camisetas, ele me bateu tão forte, que evitei todos os espelhos do banheiro por semanas. Sentir o abuso em mim era uma coisa. Ver as marcas na minha pele era totalmente outra. Após essa primeira iniciação, eu enlouqueci. Eu tinha voado ao redor de sua casa como um pássaro psicótico preso em uma gaiola. Eu abri cada porta, agarrei cada janela, e procurei por uma fenda na fortaleza dessa casa, à procura de qualquer via de escape. Eu falhei. No entanto, a minha luta não havia desaparecido. Ele tentou me fazer falar. Ele se tornou... inventivo em sua persuasão. Mas eu não vacilei. Se ele me falava, eu olhava para uma parede. Se ele me levava para a cama, eu desligava minha mente. Se ele me jogava

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coisas ou me batia, eu segurava firme em minha alma até ele terminar. E cada vez, eu me erguia de volta. Um passo em frente do outro ... até que um dia, eu iria parar. Mas naquele dia não era hoje. Ou amanhã. "Você sabe que coisa especial que eu planejei hoje à noite?" É a sua morte? Esse é o único presente que eu quero de você. "Vai ser uma noite duplamente impressionante para mim." Batendo na minha cabeça, ele sorriu. "Primeiro, eu tenho um visitante muito importante que eu espero que você o entretenha se solicitado." Eu congelei. "Em segundo lugar, uma vez que ele se vá... nós vamos ter a nossa própria celebração de dois anos." Ele sorriu. "Oh, enquanto eu estava fora, eu fui fazer compras. Peguei uma nova mordaça e corda nova. Sou tão generoso quando se trata de você, Pim". A escada, a pá e o paraquedas que meu coração usou anteriormente para tentar escapar, bateram ruidosamente contra minhas costelas enquanto o órgão maldito criou pernas e correu para muito longe.

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Ele poderia manter para si mesmo sua generosidade bárbara. Indo para o pequeno frigobar ao lado da penteadeira, onde ele mantinha um estoque de cerveja para manter-se hidratado ao gastar horas fazendo-me desejar que eu estivesse morta, ele abriu uma garrafa de sua marca favorita e bebeu um longo gole. "Uma coisa que você deve saber sobre esta noite, Pim, é esse desgraçado não sabe quão único nosso amor é. É especial; você entende?" Levou tudo que eu tinha para não revirar os olhos. Você é louco. Insano! Amor? Bah! Ser propriedade de alguém era a própria definição de fodido. "Você vai estar no seu melhor comportamento, porque eu tenho outra coisa para lhe dar." Meus ombros rolaram, protegendo-me de uma pancada ou beijo doloroso de qualquer novo item que ele tinha comprado. Minha capacidade de lê-lo foi bagunçada com a súbita inferência que mudou sua rotina habitual. Se você não pode prever suas atitudes, você falhou em Psicologia 101.

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Minha mãe não ficaria orgulhosa. Meus pensamentos não vão frequentemente para ela, mas quando é o caso, eu me perguntava se ela havia se misturado com o bastardo que tinha me levado. Se ela sorriu para ele, pensando que ele estava lá pelo seu negócio, ao mesmo tempo em que ele sorria com a intenção de meu sequestro para seu lucro. Qual foi a sua porcentagem no um milhão e meio que foi pago por mim? Quanto ele conseguiria por mim agora? Agora que eu estava magra, abatida e roxa? Mestre A se virou para mim. Minha carne arrepiou com um mau pressentimento. Tudo o que eu queria fazer era matá-lo e ir embora. Eu precisava de uma boa notícia para contar a Ninguém. Mesmo ao compartilhar a vida com o meu amigo de correspondência imaginário, eu não poderia escrever a maioria das confissões. Ele me machuca de forma mais brutal do que eu gostaria de imortalizar em grafite. Ele poderia me corromper, abusar de mim, e até mesmo me adular para falar, mas eu nunca iria dar o que ele mais queria. Minha voz. Às vezes, ele me levou à beira da fala me estrangulando ou me cortando, quase extrapolando meus limites e me fazendo

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falar. Mas, sentindo que, se ele me fizesse falar, eu seria inútil, ele voltou a trás no último momento excruciante. Após tal incidente, eu usei a minha força restante para trancar a porta com meu armário ‒ para evitar que ele me machucasse mais. Ele

tinha

enlouquecido,

agarrando

um

machado

da

garagem, e cortando através do mobiliário imaculado. E o que ele fez quando ele entrou... Estremeci, incapaz de revivê-lo. Mas isso não impediu os meus dedos de tocarem o meu pé onde cada metacarpo tinha sido quebrado ao serem pisados e brutalizados. "Levante-se. Tenho uma surpresa para você." Surpresa? Eu odiava surpresas. Surpresa significava ser estrangulada. Surpresa significava ser vendida. Meus lábios se apertaram quando eu fiquei de pé. Ele desapareceu do quarto só para voltar um segundo depois com uma sacola. "Continue. Olhe o meu presente. Não seja uma puta ingrata." Se eu não tivesse feito um voto de silêncio, eu teria amaldiçoado sua alma podre. Eu teria gritado o desejo de sua morte repetidamente.

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Dando um passo hesitante, aceitei a sacola e olhei dentro. Roupas. Por que diabos ele está me dando roupas agora... depois de todo esse tempo? Ele estava de alguma forma esperando que eu fosse perdoálo pelo que ele tinha feito? Algodão e seda não podiam fazer isso. Nada podia. Não, ele nunca seria humano o suficiente para buscar o perdão ou mesmo são o suficiente para perceber o quão doente ele estava. Sem esperar que eu tirasse as roupas da sacola, ele puxou o saco dos meus dedos, e jogou as roupas brancas no chão. Eles se misturaram com o piso e o tapete de pele de carneiro abaixo. "Suas. Eu espero que você as use." Quando não me mexi, ele veio atrás de mim, esfregando sua ereção na fenda da minha bunda. "Porra, você me irrita ao não falar." Ele deu um tapa na minha coxa. "Você acha que é tão forte, mas você não é forte. Você não quer falar comigo? Eu não preciso de você para conversar." Mordendo minha orelha com força suficiente para tirar sangue, ele riu quando eu vacilei. "Um dia, você vai quebrar, e quando o fizer, eu vou comemorar por ouvir seus gritos." Agarrando minha nuca, ele me empurrou para frente até que bati contra a penteadeira. "Siga em frente em não falar

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comigo. Eu não preciso de sua voz de menina quando eu sei que você gosta de escrever." Minha carne ondulou com indignação, ao mesmo tempo em que uma gota carmim caiu da minha orelha mordida e pousou no meu ombro. Ele revirou os quadris, cavando seu pau em minhas costas. "Lembre-se aquelas notas que roubei de você quando você chegou... eles eram a leitura divertida. Eu quero mais. Eu quero saber o que você sentiu quando eu te possuí. Quero saber tudo o que você mantém escondido dentro desse pequeno cérebro de muda." Eu me forcei a não olhar por cima do ombro para o meu esconderijo. Folhas e folhas de notas escritas para Ninguém estavam escondidas tão maldito perto de onde estávamos. Eu teria nada se ele as encontrasse. Eu não conseguia respirar quando ele bateu meu rosto contra um grande livro que descansava na borda da mesa. "Este é outro presente, porque eu estou me sentindo como um Papai Noel do caralho esta noite." Apertando minha bochecha no diário ornamentado fechado, ele sussurrou, "Escreva minha querida. Vamos ver o que você tem a dizer sobre mim.” A nova caneta Mont Blanc ao lado das novas páginas me pedia para usá-la como um arpão. Esfaqueá-la em seu olho e festejar sua cegueira.

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Faça. Mate ele. Agora! Meus dedos se arrastaram até a caneta, mas ele bateu em meu punho. "Pensando bem... isso é muito bom para você." Lambendo meu ouvido, ele espalhava meu sangue. "Eu adivinhei os seus planos, Pim. Que vergonha pensar em usar meu presente para outras atividades." Maldito. Dane-se! Deixe-me ir! Lágrimas quentes de raiva turvam a minha visão. E então nada mais importava quando ele me jogou no chão e plantou o pé no meu estômago. "Sua cadela ingrata. Não reconhece as coisas que eu faço para você!" Pontapé. Pontapé. Pontapé.

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Institivamente eu quero me encolher, mas a disciplina me fez ficar reta e aceitar. Eu tinha a muito aprendido que tentar evitar suas agressões só levava a outras. "Você acha que é melhor que eu. Você não é!" Pontapé. Pontapé. As minhas costelas gritaram. Meus pulmões se sufocavam. Eu estava muito machucada.

Eu sou forte o suficiente para obedecer. A campainha tocou em perfeita sincronia com seu abuso condenável. O carrilhão alegre correspondia a lâminas cortando a minha espinha. Respirando com dificuldade, ele se abaixou e quase arrancou um punhado de meu cabelo enquanto ele me colocou de pé, ainda instável. "Ah, ele está aqui. Hora de brincar." Eu contive um suspiro cheio de ódio, agonizando em fogo ardente. Ele me soltou, endireitando a camisa. "Agora que você já viu o tamanho da minha generosidade, é hora de você fazer o mesmo ao ser a puta perfeita para o meu convidado esta noite. Vista a porra da roupa. E desça. "

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***** Para Ninguém, Estou aqui sentada, dedilhando estas estranhas roupas novas, e eu não quero usá-las. Isso faz de mim estranha? Eu não quero ser confinada. Eu não quero que o tecido desta criação me estrangule. Você pode vê-las ‒ a monstruosidade branca? Não, é claro, você não pode, porque você não tem olhos ou ouvidos ou um coração. Ele disse que tem um convidado vindo esta noite. Outro diferente dos animais habituais ele me compartilha. Eu não sei o que isso significa. Eu não gosto de não saber. Eu posso rastejar dentro de suas folhas macias e me esconder atrás de suas linhas de lápis até que esteja terminado? ... Eu me vesti, Ninguém. Vesti a saia e a camisa polo e me fiquei me olhando no espelho por um maldito tempo longo. Estou confusa por que ele está fazendo com que eu vista essas roupas. Não é sexy. Elas são folgadas, escondendo minha estrutura esquelética e todos os hematomas e cicatrizes que ele me deu. Mas por que ele faria isso?

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Por que esconder as marcas de seus feitos? Ele gosta delas. Ele as chama minhas joias. Diz-me como generoso que ele é ao me dar mais um colar ou pulseira ao me estrangular com a corda. Ah, não, ele está me chamando. Eu não quero ir. Eu não tenho escolha a não ser ir.

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Existem múltiplas versões do Inferno. A maioria era cheia de clichês e nada mais do que um incômodo ‒ dramatizado ao extremo e tema de conversa para os carentes de atenção. No entanto, algumas versões justificam o nome. Uma versão do termo remetia a um breve momento que uma vida era rasgada, e as ruínas eram deixadas para quem tem a coragem de pegar os pedaços sangrentos. Outra versão é destinada

especialmente

retribuição

para

quaisquer

aos

desgraçados,

atrocidades

que

oferecendo eles

tinham

cometido. Uma terceira correspondia à ação de um furacão, trazendo

destruição

a

todos

aqueles

em

seu

caminho,

merecedores ou não. E, em seguida, houve isso. A mentirosa, enganadora forma do Inferno onde cada contração e cada vogal devem ser cuidadosamente escolhidas e meticulosamente entregues, porque se o cuidado não existir, a morte não era o pior castigo disponível. Eu estava naquele inferno.

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Eu voluntariamente entrei na cova do demônio, e para quê? Por que diabos eu estou aqui? A resposta pendia como um verme dentro da minha mente. Mas se havia um verme dentro dos meus pensamentos, significava que meu núcleo já estava estragado. Uma maçã podre lentamente devorada pela imundície. E era. Por muitos anos, isso era exatamente o que eu era. Mas não mais. Onde o verme tinha escavado um túnel através da minha humanidade e justiça, algo mais tinha enchido os buracos. Algo que tem sede de poder, embora eu já tenha quantidades infinitas. Algo que desejava riqueza, embora eu já tivesse oceanos. Algo que exigiu que eu nunca me esquecesse de quem eu era no início. E quem eu era no início não era um cidadão de valor. Eu estava cheio de sombras, sangue e gritos. Eu tinha perdido minha honra, a minha família e tudo o que me fez humano. Perder tudo significava que quando eu ganhei tudo, a fortuna não fez a minha escuridão interna melhorar... Ela fez piorar. Muito pior. Não que o meu novo anfitrião sabia disso.

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Meus lábios tremeram enquanto eu saí do meu carro e acenei para Selix. "Eu não vou precisar de seus serviços hoje à noite." Meu guarda-costas, motorista, e faz-tudo, estreitou seu olhar. Seu cabelo escuro em um coque no alto da cabeça absorveu a luz do início da noite, seu o queixo bem barbeado e fino. "Você tem certeza? Você sabe o que este homem é. Você fez a pesquisa. Eu aconselharia a repensar sua-” "Eu aconselho que você pare de tentar me dar conselhos." Nós nos conhecemos antes que eu fosse alguém na vida. Um inimigo que sofreu as mesmas dificuldades que eu. Quando a minha sorte tinha mudado, eu o tinha arrastado da lama comigo. Afinal de contas, não havia melhor pessoa para empregar do que um inimigo. Se eu pudesse comprar sua lealdade e ganhar sua amizade depois que tentamos matar um ao outro, nada poderia nos separar. Nós tínhamos construído uma fundação em algo muito mais forte do que a luz e felicidade. Nós fomos forjadas a partir do mesmo mau. Há fraqueza nisso, assim como força.

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E por causa disso, eu não parava de lembrá-lo de que eu poderia confiar nele com a minha vida, mas ele não era a minha consciência. Não antes, nem agora, nem nunca. Eu duvido que ainda tenha uma consciência. De acordo com a minha herança, eu era um ninguém. Um ser indigno de ser chamado de homem. Eu estou bem com isso. Selix estalou os lábios. "Eu estarei por perto se precisar de mim." Abrindo o meu botão de blazer, eu assenti. "Você saberá caso eu precise." Disse ao dispensar, e caminhei em direção à porta da frente da grande mansão branca. Branco. Eu zombei. A maior mentira de todas. Ele dava a um visitante a impressão de inocência e pureza. Mas o oposto era verdade. Branco era a cor com múltiplas faces. Ele mentia sobre sua identidade, escondendo seu pigmento, enquanto sufocava outros. A última cor vista antes da morte. Meu novo anfitrião acreditava que eu era o que eu disse que era. Mesmo que ele tivesse me pesquisado como eu o tinha

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pesquisado, ele não saberia nada de verdadeiro sobre mim. Somente

as

migalhas

cuidadosamente

definidas

de

conhecimento inútil. Ele não sabia o meu passado. Ele não sabia minhas habilidades. E ele não sabia o meu objetivo final. Mas logo, ele o faria. E, em seguida, a minha tarefa no inferno estaria completa.

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Esta noite foi diferente. Eu não gosto do diferente. Meu estômago doía de onde ele tinha me chutado. Minha cabeça estava zonza por conta do seu soco. Minha orelha doía por sua mordida. E isso era ele sendo gentil. As lições de minha mãe sobre como ler agressores havia se tornado uma ocupação de tempo inteiro. Eu já sabia o que motivava homens como meu mestre. Eu roubei pedaços dele em cada momento que ele olhou para mim ou me tocou. Eu era a esponja para a sua maldade, absorvendo tudo o que podia para meu benefício. No entanto, não importa as pequenas vitórias que tive, as tragédias superaram os meus triunfos. Hoje à noite não seria um triunfo. Eu podia sentir isso. O que vai acontecer?

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A cada resposta que eu imaginei, eu tremia cada vez mais, cada cenário pior que o outro. A casa parecia perigosa e estranha, pronta para algo que eu não poderia me preparar. Deixando meu quarto sem portas, eu desci as escadas. Meus pés descalços não poderiam camuflar as sombras pretas e azuis que marcavam a quebra dos meus ossos, nem esconder o pigmento desnutrido da minha pele. Mas a saia branca, como se flutuava em torno das minhas pernas, cobrindo minha nudez e cicatrizes, pela primeira vez desde que cheguei a Creta. Se isso era mesmo onde eu estava. A gola polo sem cor agarrou minha garganta com seus dedos de algodão, fazendo-me remexer e puxar a obstrução. Ultimamente, ele tinha uma tendência a usar coleiras e cordas,

mantendo-me

amarrada

em

posições

terríveis.

Normalmente, essa posição acabava me estrangulando no fim do seu divertimento. Isso me aterrorizava quando acontecia, mas também contaminava às vezes quando ele não fazia. Sempre

que

ele

tocava

meu

pescoço,

as

lágrimas

instantaneamente desciam. Não importa o quão forte eu era, isto se tornou um gatilho para terror em meu corpo. E agora, ele tinha me vestido com roupas que me sufocavam para o seu benefício. Engolindo o meu pânico crescente, parei no meio da descida das escadas.

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Eu não posso fazer isso. Voltando para trás, eu queria fugir de volta. Você não tem uma escolha. Parei no patamar com o meu rosto em minhas mãos, soluços ameaçando desfazer todas as costelas. Eu odiava meu medo súbito. O desconhecido faz isto ‒ sacode a minha frágil força ‒ pronto para detonar a minha estrutura. Nos últimos dois anos, eu tinha desenvolvido um sistema de segurança que garantiu que eu respirasse por mais um dia mesmo quando em alguns dias eu queria morrer. Outros, eu queria gritar. Na maioria, eu queria matá-lo. Foram os pensamentos de assassiná-lo que me fizeram seguir em frente. E eu evoluí. Antes, quando ele me forçava a ajoelhar, eu me forçava a ficar de pé. Ele arrastava meu rosto no chão, e eu me erguia em desafio. Pela minha rebeldia, eu era ferida repetidamente. Agora, eu me ajoelhava porque o fazia acreditar que eu o respeitava, ao mesmo tempo meu coração afiava os punhais que eu queria mergulhar nele. Eu me ajoelhava porque lhe dava poder, e quando ele tinha poder, ele não o afirmava tão frequentemente.

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Ele era um covarde com uma viciosa e sadista veia de motivação. Mas eu o manipulei da melhor forma que pude. Entrei em sua cabeça. Eu não poderia evitar a sua ferocidade diária, mas eu podia evitar a dor absoluta, ao ser inteligente. No entanto, ser inteligente e subserviente veio com um preço. Minhas ações de sobrevivência me fizeram viver e respirar a existência de um escravo, e, ocasionalmente, apenas ocasionalmente, o medo constante e infelicidade ganhavam. Como estavam ganhando agora. Os soluços me engoliram até que minha pele implorou por alívio da roupa apertada. Eu queria despir-me e desaparecer. Você está perdendo tempo. Mova-se. Se eu não fosse conta própria, ele viria por mim. Ele me machucaria. Eu tinha sido ferida o suficiente hoje. Eu sou forte o suficiente para obedecer. Essa frase tornou-se um grito de guerra, uma canção de ninar, uma oração. Lembrei-me constantemente que era verdade. Não importa se alguns dias foi uma mentira... Eu ainda estava aqui. De uma forma estranha, eu tinha ganhado.

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Sugando as lágrimas, eu fiz o meu melhor para endireitar a espinha que a muito tinha se curvado sob a dominação e dor, e voltei a descer as escadas. Lentamente. De forma muito lenta. Mas não o suficientemente lento. Meus dedos atingiram o piso inferior antes que eu tivesse tempo de limpar a gota na minha bochecha. Minha garganta se contraiu quando eu avancei todo o corredor até a sala de estar. A gola da minha camisa me apertava, transformando o meu medo em algo grosso e enjoativo. Eu estava a dois segundos de me despir dos itens ofensivos quando vi o hóspede do Mestre A pela primeira vez. Meu primeiro pensamento foi... correr. Seus olhos combinam com os dos homens que o rodeia. Os olhos de um assassino, causador e dependente de dor. Mas meu segundo pensamento foi... correr para ele. Ele não me conhecia. Mestre A não o governava. Ele poderia finalmente ser o único a me libertar. Ou me matar. Qualquer opção me serviria porque, pela primeira vez em muito tempo, eu me lembrei de como era ver um estranho. De sentir esperança ao invés de forçar-me a permanecer forte.

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Meus joelhos vacilaram enquanto sua atenção permanecia no grupo habitual de idiotas que se aproveitavam de mim, a critério do Mestre A. Ele não tinha me visto, pairando como um fantasma silencioso contra a parede. O intruso sentava-se tenso, como uma espada a espera de ser desembainhada, olhando para os três homens no sofá oposto. Mestre A nunca tinha me apresentado aos animais que tinham abusado de mim, mas eu sabia seus nomes. Eu conhecia os seus gostos bárbaros. E eu sabia que eles eram tão ruins quanto o resto. Darryl, Monty, e Tony descartaram minha presença no segundo que olharam em minha direção. Eu não era nada para eles. Nada, assim como o lustre de cristal sobre a mesa da sala de jantar, ou como o vaso sobre o aparador no hall de entrada. Eles me viram, podendo até me apreciar por um breve momento, mas depois eu não era importante. Eu apenas desejei que eu não fosse importante o suficiente para não atrair seu interesse sexual quando o álcool flui, e Mestre A dá a ordem para fazerem o que diabos eles quisessem. O

idiota

doente

se

satisfez

com

seus

amigos

me

machucando, os três de uma só vez. Ele se sentou ali se masturbando enquanto eles-

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Pare! Enterrei cada memória horrível profundamente em meu interior. Era a única maneira que eu poderia aguentar mais no topo de uma montanha que já tinha sido escalada. Além disso, não importa. Eu estava muito mais interessado neste estranho no meio do meu pesadelo. Quem é ele? Meus dedos agarraram a saia feia, buscando refúgio sua fria fragilidade. Passou-se um longo tempo desde que eu tinha sido vestida; Eu tinha esquecido como confortante uma cobertura simples poderia ser. Não que esta roupa protegesse meu corpo. Cada parte de mim ainda era visível, o tecido apenas... sombreava. O material branco não escondeu meus mamilos em seu aperto, e a saia insinuava segredos, o lugar violado entre minhas pernas. Eu lembrava vagamente de minha mãe dizendo, por vezes, as roupas eram mais provocativas do que a nudez franca. Talvez esse fosse o caso? Uma provocação? Um show de strip inverso?

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Mestre A reparou em mim, vindo da cozinha com uma taça de champanhe. Ele não bebia muitas vezes, e eu quase recuei em surpresa quando ele passou a delicada taça para mim. Beijando meu rosto, ele olhou para o estranho antes de sussurrar

no

meu

ouvido.

"Nosso

convidado

não

tem

conhecimento de nossos pequenos jogos, minha doce Pim? E se você sabe o que é bom para você, você não vai dar-lhe qualquer razão para descobrir.” De costas para o seu hóspede, ele sutilmente traçou uma linha sobre sua garganta em uma ameaça. Eu não sei se isso significava que ele mataria o recémchegado ou a mim. Roubando o champanhe dos meus dedos sem uma única gota espirrar na minha língua, ele passou um braço em volta de mim e me transportou para o homem. Quanto mais me aproximei, mais intrigada ficava. Ao contrário de Mestre A e os seus homólogos loiros, este homem era uma mancha negra no meio das compleições europeias. Seu cabelo era mais preto do que o preto, parecendo um derramamento de tinta sobre a morte de uma noite perfeita. Seu olhar combinava as profundezas de carvão, escondendo tanto, mas levando tudo em redor. Imaginei que ele saiu da adolescência há um tempo e estava no fim dos vinte anos, talvez uns trinta, trinta e poucos anos.

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Ele era o que minha mãe costumava chamar de "etnia confusa." Ele não era como eu, que poderia identificar suas raízes nos anglo-saxões e vikings. Ele foi um desencontro de origens étnicas exóticas. Ele era bonito e estava olhando diretamente para mim. Encarando como se ele não esperasse que uma menina estivesse aqui; uma escrava que já tinha verdadeiramente esquecido o mundo exterior. Abaixei meu olhar, encorajando um pedaço de cabelo a ocultar os vestígios de contusões na minha bochecha. Eu não fui a qualquer lugar ou vi nada novo em dois anos. Até este homem. Parando diante do estranho que se sentava ereto no sofá, mestre A resmungou: "Eu pensei trazer mais uma para o jantar se você não se importa." Enterrando as unhas no meu cotovelo, ele sorriu cordialmente. "Esta é a minha namorada, Pimlico." O homem levantou uma sobrancelha, chamando minha atenção de seus cabelos e olhos para o resto do seu rosto simetricamente masculino. Seu nariz exalava autoridade na medida sem ser demasiado grande. Seu queixo era quadrado suficiente para expor cada aperto de seus dentes, e sua garganta

poderosa

o

suficiente

para

revelar

cada

gole,

ondulando com nervos e músculos. Meus olhos seguiram seu pescoço, seguindo os contornos de sua pele impecável que desaparecia debaixo de uma camisa

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cinza

escuro

com

o

colarinho

desabotoado.

Ele

usava

casualmente um blazer preto, como se ele tivesse o colocado no último minuto enquanto fazia compras na Armani ou Gucci, e suas longas pernas o fazem uma cabeça mais alto do que Mestre A, que por sua vez era muito mais alto do que eu. Só que, onde o Mestre A me fez sentir pequena e indefesa, este novo homem... Não o fez. Eu não poderia descrever o sentimento. Eu tinha ouvido muitas vezes as minhas amigas da escola mencionar algum tipo de reação “beije-me” quando elas conheceram seus namorados, mas eu nunca senti. Meu coração me traiu quando o homem inclinou a cabeça, seus olhos nunca deixando os meus. Ele se movia como um líquido, como se tivesse o poder de afogar a todos com apenas uma gota ou erradicar paisagens inteiras como um tsunami. Eu não conseguia respirar quando ele se inclinou para frente em um ligeiro arco, estendendo a mão. Cada movimento foi fluido e aperfeiçoado, sex appeal o contornava como uma névoa fina. Eu vacilei. Por que ele olhava para mim como se eu valesse alguma coisa? Ele não podia ver que ele iria ficar em apuros se o Mestre A considerasse eu tinha recebido presentes que não eram devidos?

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Meus ombros se curvaram quando eu olhei para os azulejos brancos sob os meus pés. Mestre A aproximou-me de seu lado com um aperto de aviso. "Aperte a mão do Sr. Prest, Pim". Apertar? Eu tinha esquecido tais sutilezas sociais. Por dois anos, uma palma da mão estendida significava dor, e não uma introdução comum. O que diabos está acontecendo? Se eu não tivesse jogado os jogos do Mestre A por tanto tempo, eu poderia ter-me curvado aos seus desejos, esperando que esta noite teria um resultado mais feliz do que as outras vezes. Mas eu não podia negar que tenho sido sua por muitos anos e já não acreditava na esperança. Eu não podia evitar a dor. Não importa o que eu fizesse. Então, por que eu deveria fazer alguma coisa? Ele poderia querer que eu apertasse a mão do desconhecido apenas para que ele pudesse gritar comigo por tocar outro homem contra a sua vontade. Ou ele poderia me repreender por não obedecer. De qualquer maneira, as consequências seriam as mesmas.

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Eu não vou fazer nada. Inclinando minha cabeça, eu olho nos olhos do Sr. Prest. E cruzo os braços. Darryl, Monty, e Tony riram no sofá, sabendo que eu seria ferida

pelas

minhas

ações.

Muito

ferida.

Assim

que

o

desconhecido fosse embora. Tony gargalhou. "Ahhh, merda, você vai ser-" "Basta!"

Mestre

A

estalou,

silenciando

o

deslize

em

potencial. Seu rosto empalideceu, coincidindo com os fios loiros em sua cabeça. Interessante. Não era uma farsa; ele realmente não queria que este homem soubesse. Meu coração fez o seu melhor para livrar sua mortalha de morte e encontrar esperança mais uma vez. Por muito tempo, ele tinha embalado sua escada e paraquedas, se preparando para lutar uma guerra para me manter viva, e seguindo as fodidas regras. Mas agora, ele sacudiu a poeira e os detritos de batalha, brilhando em um carmesim hesitante. Se eu me lembrasse de como usar a minha voz, eu poderia ter informado este misterioso Sr. Prest que ele tinha acabado de entrar em uma prisão de sexo. E que ele voluntariamente fez

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amizade com estes animais que me compartilharam e ferem, sem na alma gritando silenciosamente dentro de mim. Mas dois anos era muito tempo. E dizer uma palavra me era tão estranho quanto ser livre. Abaixando sua mão não apertada, o Sr. Prest fez uma careta. Seu olhar dançou por mim, com seu rosto escondendo seus pensamentos, mas sendo incapaz de impedir as dúvidas. Assim como eu queria saber quem ele era, ele queria me conhecer. Lutei contra a vontade para soltar meus olhos, mas a intensidade feroz em que ele me estudou concedia coragem ao invés de despojá-la. Eu nunca tirei meus olhos dos seus quando seu olhar negro observou a minha postura tensa, notou os meus mamilos visíveis através da polo branca, e se fixou no meu braço onde Mestre A me agarrava firmemente. Seus lábios se apertaram ao mesmo tempo em que uma conclusão transpareceu em seu rosto. Eu queria aplaudi-lo. Dar-lhe um prêmio mínimo por perceber que nem tudo era o que parecia. Mas então, a constatação na qual ele chegou foi descartada de seu rosto, quando ele sorriu de modo tão frio, tão mal e tão sórdido, assim como Mestre A e seus associados. "Olá, Pim". Pim.

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Simplesmente, ele encurtou o meu nome como se me conhecesse. Meus braços cruzados se apertaram. Você não me conhece. Você nunca vai me conhecer. Seu olhar se desviou para os meus ombros, onde os meus músculos se contraíram. Não que eu tivesse muitos músculos. Eles foram perdidos graças a minha dieta de uma única refeição por dia, e isso só se eu merecesse. Eu não tinha visto o sol em dois anos, somente através da janela. Eu não tinha sentido uma brisa em dois anos, somente a que vem de um aparelho de ar-condicionado. O desejo do mundo exterior que eu tive no hotel de tráfico era o mesmo aqui onde o mármore tinha substituído os tapetes dos anos setenta e os lençóis de algodão egípcios tinham substituído os brancos engomados do hotel. O negro desespero de viver permanentemente nos limites da minha força ameaçou me estrangular. Meu coração chutou meus outros órgãos, como se tentasse me acordar ou me matar. Forçando uma reação que há muito tempo eu dei ordens para permanecer escondida.

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Este estranho pode ser a única coisa nova em dois anos que veria antes de morrer. Eu nunca mais inalaria a fragrância de uma flor ou provaria uma gota de chuva em minha língua. Engoli em seco quando um ataque de pânico iminente se aproximava. Durante um ano e meio, eu tinha sido capaz de controlar a minha histeria. Mas alguns meses atrás, eu tinha sofrido uma quantidade tão grande de horror e desespero, que Mestre A foi forçado a chamar um médico particular (que não fazia perguntas) para garantir que eu não estava morrendo de insuficiência cardíaca. Eu tinha sido diagnosticada como severamente deprimida com tendências a ter ataques de pânico. Eu estava grata por um diagnóstico, mas cheio de ódio que a forte adolescente que eu tinha sido, agora era nada mais do que uma emocional em ruína ‒ não importando quão corajosa eu me forcei a ser. Mestre A me segurou mais forte, sibilando no meu ouvido. "Controle-se, Pim. Você não vai ter um ataque na presença do nosso convidado." Se eu pudesse controlá-lo, eu iria obedecer. Não havia nada de bom em revelar o quão profundo o meu medo é. Mas quando o desespero e a falta de ar se agarraram a mim, eu fui tomada. Engolindo, eu arranhava o algodão que se apertava em volta da minha garganta.

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Eu não posso respirar. Preciso de ar. Eu preciso correr e correr e correr. Seus dedos opressivos me arrastaram para o lado. "Acalmese!" Eu não posso. Eu não posso. Memórias de uma morte lenta me corromperam. Lembreime da sensação final de ver e sentir as últimas coisas. Lembranças reprimidas, de ser estrangulada e acordar dentro deste pesadelo ‒ traficada por sexo, me invadiram. Pare! Faça parar! Minha asfixia tornou-se um ofegar de boca aberta. Mestre A arrastou-me pela sala para me colocar em algum lugar onde eu não iria constrangê-lo. Mr. Prest seguiu o nosso rastro. Quando eu tropecei na soleira da porta que dava para o corredor, uma voz fria exigiu: "Deixe-a ir."

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Mestre A congelou, olhando por cima do ombro. Com um aperto raivoso, ele me girou para enfrentar o desconhecido. "Não se preocupe. Isto não é da sua conta." Eu não posso respirar. Agarrando meu peito, eu monitorei as confusas duplas batidas do meu coração. De acordo com o médico, eu poderia parar o ataque se me lembrasse de que a minha situação atual não mudaria, não importando os meus sentimentos. Eu não devo me preocupar, já que não posso reverter às circunstâncias da minha situação. Ele teve a audácia de dizer isso. Para mim. A escrava muda que foi espancada, estuprada e deixada com fome diariamente. O meu terror era plenamente justificado. Eu só acho surpreendente que os ataques tenham começado há alguns meses e não no dia que eu tinha sido vendida. Oh Deus. Dois anos. Dois longos anos.

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Eu me abaixei, segurando o peito, fazendo o meu melhor para manter a minha alma dentro do corpo. Quando eu estou presa em um episódio, minha cabeça ruge, meu coração enlouquece, e tudo que eu quero é morrer. Parar o horror e tornar-me calma novamente parecia ser algo impossível. Eu não posso lidar com mais dois anos. Eu não consigo lidar com mais dois dias. Mr. Prest inclinou a cabeça, passando a mão pela mandíbula sombria. Tudo nele boicotava a vastidão branca da mansão

de

Mestre

A,

trazendo

a

escuridão

para

seus

corredores. "Se você quiser fazer negócio comigo Alrik, considere esta minha preocupação." Seus olhos se arrastaram sobre mim. Ele não parecia sentir empatia pelo meu sofrimento, apenas frieza e uma leve irritação. Sua sobrancelha levantou-se em um arco aristocrático na medida em que meus lábios trementes se tornaram azulados e minha respiração ofegante tornou-se fatigada. Ele me olhou como se eu fosse uma aberração de circo fazendo uma apresentação particular. Uma apresentação da qual ele não gostou.

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Ignorando Mestre A, que ainda lutava para me manter em pé e não ajoelhada no chão como eu queria, Sr. Prest murmurou duramente, "Pare com isso." Eu queria gritar. Clamar. Falar. Para mostrar a ele que eu era algo humano, e não um objeto que ele poderia comandar. Mas eu murchei sob seu olhar pesado, me curvando ao aperto doloroso do meu dono. Ser repreendida não era novidade. As únicas palavras dirigidas a mim consistiam em comentários sarcásticos, ordens, e xingamentos. Por isso, não me chocava que esse estranho agia da mesma forma que os outros. Nenhuma palavra gentil ou piedade. Sem empatia ou capacidade de ver além das mentiras e compreender a verdade. E mesmo se ele compreendesse... Por que ele deveria se importar? Eu não era nada para ele. Apenas um brinquedo rebelde que rapidamente tornou-se cansativo e pronto para ser substituído. Mestre A me balançou, sibilando no meu ouvido. "Você ouviu o nosso convidado. Pare com isso." Puxando-me mais perto, ele disse algo que apenas eu ouvi. "Você acha que esse comportamento ficará impune? Boba, boba, Pim. Hoje à noite, a suas costas serão desfiadas. Cicatrizes em cima das cicatrizes.” Eu

convulsionava,

livrando-me

do

escorregando para o chão.

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seu

aperto

e


Não! Não! Não! Recomponha-se. Respire! Todo o meu corpo tremia enquanto eu rasgava o algodão que circulava minha garganta. Minhas unhas quebradas marcaram dolorosamente a minha pele quando eu finalmente consegui agarrar a roupa ofensiva, me regozijando com o rasgo do material. A sufocante gola se abriu quando eu a dilacerei. Eu não parei até que a camisa branca se abriu escancarou, revelando as lacerações de chicote, os machucados dolorosos, e as

cicatrizes

prateadas

no

meu

peito

que

eram

as

consequências de pertencer a um mostro como Mestre A. Sr. Prest endureceu. Eu não ousei olhar para cima, mas suas coxas pareciam árvores feitas de aço, tencionando as calças pretas. O farfalhar suave de seu blazer deu a entender que ele não era mais um espectador da situação, mas sim uma testemunha da minha ruína. Antigamente, eu teria escondido o meu peito nu e tentaria cobrir meus mamilos ‒ eu era recatada e tímida. Agora ... Eu não me importava.

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Depois de tanto tempo sem roupas, eu estava mais confortável nua. Eu não podia suportar nada e ninguém me tocando. Tocar, assim como falar, havia se tornado um tabu. Era algo que só trazia dor. Não prazer. Mestre A me colocou bruscamente de pé, com as mãos ferozes e inflexíveis debaixo dos meus braços. "Que porra é essa que você fez?" Seu temperamento era como uma nevasca, me cobrindo de granizo e gelo. Eu tremi, esperando pelo congelamento ártico. Mas o Sr. Prest avançou. Retirando o seu blazer, ele ignorou o meu mestre enquanto envolvia o material sobre a minha forma seminua. Eu vacilei, temendo o menor toque. Mas nada aconteceu. Ele me deu seu casaco, ainda quente e cheirando a algo ricamente inebriante e exótico, mas ele fez tudo isso sem me encostar um dedo. Eu congelo. Eu me afogo. O ato de bondade quase me causou outro ataque de pânico. Eu relaxei sob o casaco, estranhando a sensação de calor que me envolvia. Um batimento cardíaco exigiu: Tire isso!

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O

próximo

lembrou-me

do

que

minha

carne

tinha

esquecido. Ele lembrou-me de como era bom ser protegida. Não ... não o tire. "Tire isso dela, Sr. Prest," Mestre A rosnou. "Ela vai subir e se vestir com as próprias roupas, não vai, Pim?" Com o que? Eu não tinha outras roupas. Mas o Sr. Prest não sabia disso, e eu esperei, com meus olhos voltados para o chão e coração em chamas, que me fosse retirado o único elemento de conforto que eu tive contato em um longo tempo. Tudo o que eu queria fazer era deslizar meus braços nas largas mangas, deitar no chão, e abraçar-me. Eu queria enrolarme em um casulo, protegido pela armadura do blazer, e reemergir muito mais corajosa e mais ousada do que antes com asas mágicas para voar para bem longe. Pelo menos o choque de Sr. Prest de compartilhar seu casaco, interrompeu meu ataque de nervos. A adrenalina parou de correr em minhas veias; Fiz o meu melhor para respirar normalmente. Mr. Prest cruzou os braços, com a camisa cinza escuro dobrada até os cotovelos, revelando músculos firmes e uma

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tatuagem com caracteres japoneses que formava uma pulseira em torno de seu pulso. "Ela pode ficar com ele." Mestre A olhou-me furiosamente, cravando as unhas no meu ombro enquanto ele me conduzia em direção à escada. "Não. Ela não pode". "Por quê?" Sr. Prest perguntou encostado no batente da porta, sem tirar os olhos negros de mim. "Porque eu disse isso." Mestre A me empurrou em direção à escada. "Ela vai descer novamente assim que se trocar." Eu tropecei, a jaqueta larga esvoaçava como uma nuvem nas minhas costas. Sr. Prest abaixou o queixo, nos observando com uma feição sombria. "Eu quero ouvir isso dela." Mestre A congelou. "O que?" Sr. Prest apontou na minha direção. Sua postura fluida e graciosa indicava tédio e desinteresse, mas deixava transparecer uma veia de mortalidade e perigo. "Dela. Eu quero ouvir isso dela." Eu girei para enfrentar o homem, absorvendo toda a brancura em volta dele. Fizemos contato visual antes que eu lembrasse qual era o meu lugar e olhasse para o chão. Mestre A passa os dedos duramente por seu cabelo loiro. "Você não entende, Elder. Ela não fala."

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Sr.

Prest

respondeu

sorrateiramente.

"Não

acho

que

podemos nos chamar pelo primeiro nome, Alrik. Eu certamente não dei esta liberdade a você". Minhas costas enrijeceram. Ninguém falava com Mestre A assim e ficava impune. Mas o impensável aconteceu. Mestre A engoliu sua réplica raivosa, balançando a cabeça respeitosamente. "Claro. Desculpe-me." Aproximando-se do Sr. Prest, ele acenou por cima do ombro. "Talvez, devemos começar a noite novamente. Temos uma boa refeição planejada. Vamos jantar ... Devemos começar? " "Não" Sr. Prest não se moveu da porta. "Eu quero saber o que diabos está acontecendo." Os olhos do Mestre A se arregalaram. Se eu não estivesse com tanto medo do homem ser castigado, eu teria apreciado essa mudança de eventos. Mas eu sabia que em última análise seria eu a pessoa a pagar o preço quando o estranho fosse embora. "Nada está acontecendo." Sr. Prest inclinou a cabeça, com um sorriso frio nos lábios. "Mentiras. Eu não faço negócios com mentirosos." "Eu não estou mentindo." "Então, a deixe falar." Os olhos do Sr. Prest se fixaram em mim novamente. "Pimlico ... Diga-me. Você quer manter o meu casaco ou você prefere usar as suas próprias roupas?" Seu

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olhar se desviou para a saia branca desagradável que eu usava, que mal escondia nada. "Você tem gosto estranho pela moda, mas não vou julgar. Você pode vestir o que quiser. Não que seja o meu papel mandar em você.” Sua careta pousou em Mestre A. "Mas também, não cabe ao seu namorado dizer-lhe como se vestir." Seu sotaque provocou a minha mente, lembrando-me de viajantes ricos e lugares estrangeiros. A maneira como ele disse 'namorado' me fez endurecer. Eu tinha razão. Ele entendeu a situação. Ele viu através das besteiras contadas e sabia o que eu era. Meu coração pulou em um oceano de lágrimas. Por que isso me dói tanto? Ser vista pelo o que eu era? Por este estranho nunca me conhecer como a feliz e confiante Tasmin, mas como a derrotada e feia Pimlico? "Responda-me", disse Prest. "Meu casaco ou suas próprias roupas?" A questão não me incitou a respondê-lo. Após dois anos de mudez, uma pergunta banal já não tinha tal poder. Minha laringe não se preparou para falar. Meus pulmões não inflam para conversar. Eu não tinha vontade de vocalizar. Meu corpo ficou tenso quando eu me concentrei na mandíbula e na garganta poderosa do Sr. Prest. Eu acho que ele

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tinha sangue estrangeiro em algum lugar em sua linhagem. Não era uma parte forte de suas características, mas seus olhos eram amendoados demais para serem estritamente Europeus. Nós três ficamos em um silêncio tenso. Sr. Prest lentamente exalou, seu temperamento ofuscando Mestre A, transformando a nevasca branca em um tufão escuro. "Fale." Mestre A riu. "Eu tentei lhe dizer." "Dizer-me o que?" "Ela não fala." Mestre A acenou na minha direção como se eu fosse uma mercadoria com defeito que só serve para ser torturada. "Ela é muda." "Por escolha ou por uma condição médica?" Whoa ... O quê? A pergunta pessoal cortou o silêncio como um facão. Mestre A sorriu, lentamente ganhando o controle da situação agora que a atenção voltou para ele. "Desde que ficamos juntos, ela tem sido muda. Você vê, quando a encontrei, ela estava tão quebrada, que não sabia como agir normalmente. Eu achei comovente, e eu fiz o meu melhor para ajuda-la a se curar." Ele passou a mão sobre o meu couro cabeludo, me acariciando com falso afeto. "Mas é claro, essas coisas levam tempo e muita paciência."

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Mas que monte de bestei"Besteira," Mr. Prest replicou. O fato de que ele tinha roubado a palavra da minha mente e a disse com o mesmo desprezo e descrença que eu diria, fez meu coração saltar. Rindo friamente, o Sr. Prest acrescentou, "Ajudá-la a curar? Estas cicatrizes e cortes em sua pele não são velhas. "Andando para frente, ele se elevou sobre Mestre A." Elas são recentes. Você ainda mente sobre como isso aconteceu?" Mestre A encolheu os ombros, fazendo seu melhor para parecer sereno. "Uma série de coisas está errada com ela. Ser muda é apenas uma delas." Uau, ele está dizendo que eu própria me machucava? Eu queria ficar com raiva, mas eu não senti nada mais que uma desgostosa aceitação. Será que o Sr. Prest acreditaria nele se eu arrancasse o blazer e revelasse minhas costas e coxas machucadas, e as queimaduras de cigarro nas nádegas? Ou seriam necessárias evidências mais profundas, como as horríveis lesões internas causadas por itens não consensuais que foram empurrados para dentro do meu corpo?

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Sr. Prest fez uma pausa, olhando-me de cima a baixo. "Eu não acredito em você. Ninguém se automutila a esse ponto." Seu rosto sombrio. "E acredite em mim, eu sei." Como é que ele sabe? Era uma sugestão velada de que ele se automutila? Sob suas caras roupas sob medida, ele estava tão marcado como eu estava? De alguma forma, eu duvidava. No entanto suas mãos eram marcadas ‒ por cicatrizes novas e antigas. As luzes do teto piscaram sobre as cicatrizes prateadas e hematomas. Ele as usava para outros fins além de fazer negócios com idiotas. Mestre A tornou-se feroz. "Bem, você não tem que acreditar em mim, porra. Ela é minha namorada. Imaginei que você gostaria de pouco de companhia feminina, porque ouvi dizer que você esteve no mar por meses. Mas isso é malditamente ridículo. Eu não preciso de suas lições." Acenando com o braço, ele rosnou, "Ela é minha, entendeu? Não é sua. Esqueça que a viu". Dirigindo sua ira para mim, ele ordenou. "Vá para cima, Pim. Agora!" A obediência que ele tinha incutido em mim respondeu ao comando. Virando-me para a escada, comecei a subir.

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Porém, o Sr. Prest rapidamente disse, "Pare". Virando-me de frente, ele agarrou meu pulso e me tirou fora da escada. Não! Eu não queria estar no meio dessa batalha por poder. Eu queria correr de volta para o meu quarto e contar a Ninguém a confusão deste encontro. Eu queria inalar o cheiro do blazer do Sr. Prest em privado e ceder às lágrimas que restaram do meu ataque de pânico. Mas não importava o que eu queria. Nunca importou. Tornei-me a corda em um cabo de guerra desagradável. Seus dedos eram tão cruéis quanto os do Mestre A, quando ele apertava a mão e me puxava para perto. Muito perto. Mais perto do que deveria. Seu hálito de hortelã fazia meus olhos arderem. "Diga-me a sua história. Agora." Eu olhei para o chão. Mestre A me tomou do aperto do seu convidado. "Que porra é o seu problema? Ela é muda. Acabei de te falar." Sr. Prest empurrou um dedo na cara de Mestre A. "Meu problema é que eu não faço negócios com pessoas que eu não entendo." Seus olhos se estreitaram. "E eu não entendo onde ela se encaixa."

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Mestre A me empurrou contra a parede. Ele fez isso de uma maneira que demonstrou autoridade e quase proteção contra um desconhecido agressivo em nossa suposta casa feliz. No entanto, o Sr. Prest viu a verdade através da minha postura instável, a procura de algo firme para me segurar. Agarrando o meu braço livre enquanto eu lutava para ficar em pé, Sr. Prest rosnou, "Você. Comece a falar. " Mestre A lutava para me segurar, uma batalha de posse em minha carne. "Deixe ela ir." "Se você deseja concluir nossa transação, você vai calar a boca." A voz de Sr. Prest tornou-se um sussurro assustador. "Pense bem, Alrik. Compartilhar a sua namorada é um preço muito alto a pagar por aquilo que você realmente quer?" Lentamente, um brilho calculista preencheu o olhar azul aquoso do Mestre A. "Compartilhar?" Ele riu, levantando uma sobrancelha em minha direção. Para quem não o conhecia, aquele denotava indecisão. Para mim, que tinha sido compartilhada todo santo dia durante anos, aquele olhar era uma ameaça. Uma afirmação de que antes que a noite terminasse, Elder Prest me provaria, usaria, e, finalmente, me destruiria com seu ódio da mesma forma que ele me destruiu com sua bondade. "Você está certo." Mestre A me soltou sem resistência. Eu ricocheteei para frente, caindo contra o corpo esculpido do Sr. Prest.

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No momento em que eu fui esmagada contra ele, eu recuei. Com ele não foi diferente. Ele fez o mesmo. E eu não tinha vontade de estar perto dele ou de qualquer homem. Mestre

A

estufou

o

peito,

cruzando

os

braços.

"O

compartilhamento é um requisito oficial para completar o nosso negócio?" Meu cabelo indomado pairava sobre o meu rosto enquanto o Sr. Prest me manobrava ao redor de seu corpo, colocando-me atrás dele. Seu braço me segurou firme, me mantendo presa atrás de suas costas duras. "Você realmente é um doente fodido". Energia e poder inexplorado percorreu sua espinha quando ele riu, me infectando com qual seja a loucura que ele sofria. Porque ele tinha que ser louco. Ele me protegeu do Mestre A, ao mesmo tempo em que discutia me compartilhar como requisito de uma transação comercial. Quem faz isso? Ninguém que eu quisesse por perto. Um ano atrás, eu poderia ter lutado ‒ morder seu pulso para me libertar. Mas, assim como eu tinha desenvolvido um

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senso

de

obediência

para

sobreviver,

eu

aprendi

que

antagonizar alguém sem motivo não era inteligente. Mestre A estendeu as mãos. "Isso é algo bastante ofensivo para dizer. Eu não estou te julgando. Então, eu apreciaria se você não me julgasse.” Olhando para trás, minha pele arrepiou ao ver que Darryl, Tony, e Monty haviam se reposicionado às costas do Sr. Prest, prontos para lhe mutilar ou matar caso ele ameasse seu amigo. Fechei os olhos, deliberadamente evitando que viria a seguir. No entanto, eu tinha subestimado o Sr. Prest. Quase como se sentisse o ataque iminente, ele deu um passo para trás, obrigando-me a mover-se com ele até que ele entrou na sala e girou para enfrentar os três homens, prendendo-me contra a parede. Ele os enfrentou enquanto Mestre A se juntou a seus cúmplices do mal. Mr. Prest apertou sua mandíbula, seus olhos cerrados e escuros. "Vamos começar de novo. Com a porra da verdade." Puxando-me de atrás de suas costas, ele me colocou ao seu lado. "Ela é uma prostituta". Eu tremi com essa palavra. Eu odiava essa palavra.

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Ela remetia a coisas tristes e quebradas. Mas eu não era isso. Eu era uma filha, um estudante, uma amiga. Eu era inteligente. Eu tinha sido bonita, uma vez. Eu significava alguma coisa. Mestre A compartilhou um olhar com Tony antes de sorrir. "Ela é mais do que uma prostituta. Eu a comprei. Negócio justo." "Então, ela é uma escrava." Sr. Prest disse a frase como uma afirmação, sem questionamentos. De alguma forma, ele sabia o tempo todo o que eu era no segundo em que me viu. Eu sou escrava dele; é verdade. Mas eu não quero ser. Mestre A olhou para seu convidado por um longo momento antes dos seus ombros relaxarem e um largo sorriso dividir seu rosto. "Ela é uma escrava, uma prostituta, uma vagabunda. Ela é o que eu quiser que seja." Aproximando-se, ele estendeu a mão pela segunda vez. "Conheça Pimlico... Minha posse. E você tem um passe completo para usá-la." Não…

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Meus

olhos

voaram

para

o

Sr.

Prest,

esperando

ardentemente que a proposição o abominasse. Que preferiria ir embora a lidar com essas pessoas terríveis e me levaria com ele. Mas o tenso impasse terminou quando ele aceitou o aperto de mão do Mestre A, sorrindo friamente. "Isso é mais a minha cara." Desfazendo o aperto, o Sr. Prest passou o braço sobre meus ombros. "Por que você não disse isso antes?" Não ... "Isso torna esta noite muito mais interessante."

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ESTE LUGAR fedia a mentiras e enganos. E isso era muito, já que geralmente eu era a pessoa que mais tinha a esconder. Este idiota passou pela maioria dos meus canais de investigação, mas a minha pesquisa não tinha revelado uma namorada morando ali. Definitivamente não uma namorada muda. No entanto, ela é nenhuma dessas coisas. Ela era uma abatida e quebrada prostituta. Uma escrava. Eu tinha visto merdas no meu passado. Eu tinha cometido crimes. Eu tinha feito o meu quinhão de sujeira. Mas eu nunca conheci alguém que pensou que poderia possuir uma alma humana antes. Parte de mim queria liberar toda minha ira em cima dele. Mas a outra ... a maior parte de mim ficou intrigada.

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Ao me distanciar de Pimlico, eu não podia negar o calor em minha carne causado pela fragilidade de seus ossos. Eu não conseguia desviar o olhar da translucidez de sua pele, que parecia um mapa de veias azuis e artérias vermelhas. Mexendo minhas mãos, eu dei outro passo. Ele começou a ofegar, e não como um flerte, mas com medo. Isso não era uma coisa boa. Não de acordo com meus conhecimentos. Ao longo dos anos do meu domínio, eu tinha ganhado um nome que pavimentou a estrada de tijolos dourados que levava ao núcleo deste mundo doente e torcido. Kaitou. Ladrão fantasma. Em primeiro lugar, porque eu era um batedor de carteira, ladrão, e mestre de cinco dedos. Em segundo lugar, porque, em vez de roubar objetos, comecei a roubar vidas. Mas apenas as vidas daqueles que me deviam ou daqueles muito fracos, sem utilidade. Em qual categoria ela se encaixa? Ela estava fraca, mas não inútil.

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Algo sobre ela ficou sob minha pele, na forma de uma curiosidade intolerável. De onde ela veio? Há quanto tempo ela está aqui? E há quanto tempo ela queria morrer? O olhar em seus olhos era um convite clássico para a morte. Dei mais um passo para longe da escrava. Só para garantir. Vi força nela, mas eu também provei seu desejo pelo fim. Uma vez que alguém cultivava pensamentos suicidas em sua alma, eles não desapareciam, lentamente, corrompendo a pessoa até que ela encontre novamente o desejo de viver ou ceda e deixe a morte reclamá-los. Eu tinha subestimado Alrik Asbjorn. Ele manteve esta mulher viva por quem sabe quanto tempo, mesmo quando o seu desejo de morrer ecoava com cada batimento cardíaco. Isso foi impressionante. A emoção de saber que eu poderia fazer qualquer coisa que quisesse a esta menina, sem repercussões, me dava nojo. Eu poderia machucá-la, fodê-la, tratá-la com nenhum respeito. E ela só poderia aceitar porque esse era o seu papel. Seu comprado e vendido papel. Eu poderia matá-la, e ela provavelmente iria me agradecer por deixá-la livre.

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Talvez eu deva. Talvez eu vá. Dependendo de como a noite transcorrer e de como nossa transação aconteça, eu poderia roubar sua vida e mantê-la como uma bugiganga, um símbolo, por mais um negócio sombrio realizado com monstros. "Vamos comer." Alrik sorriu, caminhando para a mesa de oito lugares posicionada debaixo de um candelabro comum. Sua casa me irritou. O branco austero. As paredes impessoais e móveis estéreis. Eu preferia personalidade na minha decoração. Por que viver em uma caixa de presente sem alma? Ele poderia muito bem viver em uma porra de um caixão. Amigos de Alrik tomaram seus assentos, sem esperar que o convidado de honra se sentasse em primeiro lugar. Meus lábios se apertaram com a falta de cortesia e respeito. A minha cultura exigia tais coisas. Mesmo quando eu vivia nas ruas de merda como um rato indesejado, eu me lembrei do que os mais velhos me ensinaram. Seja reverente aos mais sábios, mais velhos e mais espertos que você. Tenha apreço pelos mais amáveis, mais delicados, e mais agradáveis do que você. E adore aqueles que podem aniquilar a porra de você sem esforço.

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Segurando o encosto da cadeira, olhei para trás vendo a escrava se misturar ao ambiente, desaparecendo como uma assombração. A julgar pelo seu atual estado, eu diria que ela se tornou mestre em aceitar a dor. Ela era como eu nesse quesito. E por causa disso, ela ganhou meu interesse. Ela não era apenas uma posse, mas um quebra-cabeça, pronto para ser decifrado. Afundando-se de joelhos sobre os azulejos brancos duros, ela inclinou a cabeça. Mesmo com o meu blazer cobrindo o esqueleto austero, seu corpo desnutrido ainda podia ser visto. Meu casaco parecia cinco vezes maior do que ela. Seu cabelo parecia um esfregão marrom nojento com nenhum estilo. Seus olhos verdes se assemelhavam a um pântano, e sua pele deu a entender que ela beirava o escorbuto. Ela não estava saudável. Por que ela não falava? E por que seus pensamentos desafiadores gritavam muito mais alto do que suas palavras? Como ela poderia permanecer tão impertinente ao tocar a campainha da morte com os dedos ansiosos? Rasgando meu olhar, eu olhei para os hóspedes indesejados em torno da mesa. Alrik assegurou-me, quando combinamos a reunião, que seria apenas ele e eu. Não três outros desgraçados e uma menina silenciosa.

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Eu faria sua vontade durante o jantar já que eu me recuso a falar de negócios enquanto como, e nunca quando bebo, mas no momento em que terminássemos de comer, eles teriam que sair. Minhas costas ficaram tensas quando um pensamento preocupante me sucedeu. Ele pode ter envenenado a refeição? Graças a minha pesquisa incansável, eu sabia que ele não cozinhava e que o seu chefe particular fornecia iguarias todas as noites. Eu teria que confiar que ele não adicionaria óleo de rícino ao meu prato principal puramente por causa de seu ego e do que ele queria de mim. Se Alrik, por alguma decisão imbecil, tentar me despachar, em vez de fazer negócios, eu estava preparado. Ele não seria o primeiro a tentar me matar. E ele não seria o último. No entanto, a trilha de cadáveres deixados em meu caminho constantemente crescia à medida que eu provava para todos que era invencível. Sentando-me, eu reajustei a meus talheres, correndo meus dedos ansiosos sobre a faca serrilhada. Eu poderia assassinar a todos nesta sala antes que um grito fosse proferido. Talvez eu deva. Talvez eu vá.

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Antes que a noite termine. Alrik permaneceu de pé, abrindo sacos de comida gourmet e servindo-nos com cada prato: bok choi com molho de ostras, pato a Pequim, macarrão Cingapura e wontons. Os aromas transformaram o espaço monocromático em algo convidativo. Finalmente, ele sentou-se na cabeceira da mesa e sorriu. "Comam. Apreciem." Enquanto ele arrumava o guardanapo, olhei de novo para a menina. Ela não se mexia. A cabeça dela permaneceu baixa, com os olhos fixos em um pontinho na frente dela. Pegando meu garfo, eu apontei para ela. "Você não alimenta a sua escrava?" Alrik sorveu uma parte do macarrão, não mais tentando esconder a verdade. "Ela é alimentada quando se comporta. Ela sabe disso." Ele levantou a voz para que a menina pudesse ouvir. "E hoje à noite, ela não o fez. Esse episódio desagradável de antes não é tolerado." Ele sorriu, esfaqueando um pedaço do pato. "Ela vai comer amanhã." Eu concordei. Um animal de estimação impertinente deve ser punido. Mas ela não é apenas um animal de estimação. Ela é um ser humano, e eu ainda não terminei de inspecioná-la.

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Eu preciso dela mais perto. Eu pedi, "Convide-a para comer com a gente." Alrik e seus amigos congelaram, com a comida meio mastigada dentro da boca, ou com seus garfos cheios no ar. "O que?" "Convide-a para comer. Ela está com fome." "Mas este é um jantar de negócios. Eu não vou contaminá-lo com ela.” "Nós não estamos negociando. Este jantar é apenas uma cortesia social com o intuito de nós fazer sentir uma conexão antes que nossa transação seja concluída. Se fosse por mim, nós nos encontraríamos sozinhos, conforme combinamos, e concluiríamos o negócio rapidamente, ao invés dessa porra de espetáculo”. Meu queixo abaixou-se quando senti meu sangue esquentar em minhas veias. "Você é o único que mudou as regras. Agora, eu quero mudá-las para meu benefício. Deixe-a comer.” A pele clara de Alrik se tornou roxa de raiva. Eu sorri, esperando por uma explosão, ou qualquer surto de raiva. Eu alegremente lhe ensinaria uma lição, lhe mostrando que ninguém nunca me vence. Nunca.

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Lentamente, ele colocou seus talheres na mesa e olhou para sua puta. "Pimlico, pegue um prato e se junte a nós. Eu mudei de ideia. Você pode comer esta noite”. Eu não me virei para vê-la, mas seu suspiro atingiu a minha nuca, me fazendo tremer. Era muito fácil. A caça era muito divertida. Assim como o roubo. O truque para realizar um grande assalto era ganhar a confiança de sua vítima em primeiro lugar. Confie em mim, Pim. Deixe-me roubar seus segredos. Alrik tinha tentado fazer o mesmo comigo, atraindo-me para jantar com seus amigos. Mas ele não conseguir disfarçar seu desejo ganancioso de obter o que eu tenho a oferecer. Pimlico, por outro lado, comprou o meu favor com cada batimento cardíaco, ao colocar-se de pé e se arrastar para a cozinha. Eu não me movi com os sons das louças recolhidas e o tilintar de facas e garfos ecoando no espaço vazio. Seus passos eram tão tranquilos como os de uma sombra quando ela hesitantemente se aproximou da mesa. Estreitei os olhos ao notar que ela olhava para o chão, segurando o prato como um escudo. Os amigos de Alrik riam, tomando suas cervejas, apreciando o desconforto dela mais do que deveriam. Eu não precisei

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perguntar para saber que eles também tinham abusado desta menina. Eles foram responsáveis por alguns dos hematomas e cicatrizes que decoravam seu corpo. Alrik suspirou, revirando os olhos. "Bem, sente-se, Pim. Porra, não fique parada aí como uma aberração." Instantaneamente, ela se moveu e se sentou graciosamente na cadeira ao meu lado. Não sei se esta ação foi algo intencional ou subconsciente, mas o fato de que ela escolheu sentar perto de mim me causou sentimentos estranhos. Metade de mim queria acariciar sua bochecha e prometer que enquanto ela usasse o meu casaco eu a protegeria. Enquanto a outra metade queria ver quão bonitas suas lágrimas ficariam caindo em seu jantar. Retirando o meu olhar de seu rosto triste, eu peguei seu prato vazio e substituí pelo meu intocado e cheio. Ela respirou fundo, quando eu coloquei a comida mais próxima a ela. Eu não falei. Eu não precisava. Ela sabe o que eu ofereci e aceitaria ‒ se soubesse o que era bom para ela. O garfo de Alrik caiu na toalha de mesa, manchando-a com o molho de alho e óleo. "Espere... ela comer um sanduíche. Não há o suficiente para tod‒." Eu levantei a mão e o interrompi. "Eu não estou com fome. Ela está. Problema resolvido."

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Além disso, havia poder em não comer quando os outros sim. Eu teria liberdade para observar e analisar. Eu poderia fazer perguntas e investigar o que desejasse enquanto eles teriam que inconvenientemente engolir rápido e pensar em respostas mentirosas ao mesmo tempo. Sim, isto é perfeito. Eu posso realizar um bom acordo ‒ algo do qual eu estava precisando ‒ e também posso deixar esses homens com o pé atrás. Que comece o interrogatório.

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Eu não conseguia olhar para cima. Os aromas da comida deliciosa fizeram a minha fome eterna rugir. Isto é real? Eu estava realmente sentada em uma cadeira à mesa com um prato na minha frente? Ou era uma piada cruel, na qual Mestre A iria tomar a refeição de mim por maldade, como às vezes fazia? Estremeci, ao lembrar-me de quando, no mês passado, ele me fez rastejar atrás dele por horas, subindo e descendo as escadas, pelos corredores, provocando-me com uma tigela de cão cheia de espaguete à carbonara. Eu queria aquele macarrão cremoso mais do que qualquer outra coisa e odiei o que tive que fazer quando ele finalmente parou e exigiu que eu o chupasse em troca do jantar. O sabor do seu esperma arruinou a recompensa. Eu nunca quis carbonara novamente.

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Meus dedos tremiam em torno dos talheres enquanto eu me forçava a lembrar da mecânica. Como eu poderia esquecer algo tão simples como usar um garfo? E se eu não conseguisse me lembrar, o que o Sr. Prest pensaria de mim? Ele vai ver um puta e um boçal. Uma escrava não treinada, sem boas maneiras à mesa. Por que de repente eu quero ser notada ao invés de esquecida? Por que quero chamar atenção ao invés de ser deixada só? Por que este homem me faz sentir mais viva do que estive alguma vez em anos? Lutando contra o meu tremor, eu levei um bocado de comida para os lábios. A comida tinha gosto de papelão mesmo sabendo que Mestre A tinha encomendado um cardápio cinco estrelas. Meu paladar estava em estado de choque. Minha mente, meu corpo... Tudo em mim estava apreensivo, graças ao estranho ao meu lado. Eu não conseguia respirar sem inalar o inebriante perfume exótico do Sr. Prest. Eu não podia me mover sem roçar seu braço poderoso ou o seu blazer quente em meus ombros. Eu não queria piscar pelo medo de que tudo ia desaparecer, sem deixar rastros, em um poof. Eu nunca tive permissão para sentar à mesa. Nunca pude usar garfos ou um prato. E

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definitivamente nunca fui tratada como um ser humano por um homem que ofuscava o Mestre A em todos os sentidos. Eu me senti recompensada. Eu me senti viva. E eu odiei o Sr. Prest tanto quanto o agradeci por isso. A cada bocado, eu esperei que o Mestre A começasse a gritar e a jogar objetos em mim. Eu já sinto os chutes e o frio do piso em meu rosto quanto ele me jogar no chão. Este é apenas um ponto de bondade em um mundo de tortura, onde ele me obriga a brincar de jogos terríveis e a fazer coisas humilhantes. A comida insípida deslizou até minha barriga, mas a riqueza decadente dos temperos me fez mal. Meu sistema não estava acostumado a tais opulências. Mas eu não iria parar de comer. Eu não podia. Eu devoraria cada pedaço, sorveria cada molho, e depois lamberia o prato se me fosse permitido. Minha boca aguou com uma memória quase esquecida. Lembrei-me do sushi e molho de soja; dos hambúrgueres e batatas fritas. Parece que foi há muito tempo. Eu realmente era capaz de ir aonde eu quisesse? Eu realmente ria e era feliz? Eu era tão ingênua.

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Mestre A levantou a taça de vinho, brindando ao Sr. Prest. "À emocionantes empreendimentos e à novos amigos." Ugh, que idiota. Eu não pisquei ou franzi a testa, mas mentalmente, eu lhe mostrei a língua e o dedo do meio. Bajulador, falso. Ele era um réptil sem coração. O Sr. Prest não retornou o brinde; meramente inclinou a cabeça, deixando Mestre A com a taça estendida no ar, o forçado a tomar um gole estranho do vinho para disfarçar o constrangimento. Tony pigarreou, enquanto os outros focaram intensamente a comida. O tilintar de facas e garfos foi o único ruído além da música clássica que saia dos alto-falantes. Mestre A gostava de música. Mesmo que só nós dois vivêssemos aqui, a casa nunca estava silenciosa. Eu odiava isto. Minhas sinapses associaram as notas clássicas com a tortura, e eu não posso ouvir um piano ou violino, sem reviver os estupros e os espancamentos. Mestre A olhou em minha direção, comendo uma garfada de macarrão. Sua raiva pela minha posição ao lado de seu convidado era perceptível.

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O garfo balançou em minhas mãos. Eu vivo aqui há tanto tempo, e ainda sim eu não consigo prever as ações meu carcereiro. Imaginei inúmeras punições por desafiá-lo, mas eu seria surpreendida. Como sempre. Mestre A era criativo em tudo que fazia comigo. "Quanto tempo se passou desde que você comeu?" A pergunta me arrancou dos meus pensamentos. Pisquei, estupidamente esquecendo o que eu era e levantei a cabeça para olhá-lo diretamente. Mr. Prest me encarou de volta. Seus olhos escuros não se mexeram, fazendo o seu melhor desvendar todos os segredos que me restavam. Apontando para o meu prato, ele disse: "Você come como um pássaro, mas eu sei que você está morrendo de fome." Meu coração se apertou de preocupação. Muito tempo se passou desde que alguém olhou para mim como uma pessoa, em vez de uma boneca. Mas era tarde demais. Eu possuía muitas marcas. Eu era mais um objeto do que qualquer outra coisa nestes dias. Olhei para Mestre A. A indignação em seu rosto não foi por causa de algo que eu tinha feito, mas porque eu tinha atraído a atenção de alguém que ele não queria me compartilhar. "Não pergunte coisas particulares." Mestre A bateu a faca sobre a mesa. "Eu cuido dela. Isso é tudo que você precisa saber."

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Meu sangue ferveu de ódio pela nossa história. Por todas as coisas monstruosas que ele tinha feito comigo. Cuidou de mim? Merda nenhuma. Mr. Prest congelou, sua coluna reta vibrando com energia implacável. "Eu a fiz uma pergunta. Eu não preciso que você responda por ela." "E já te disse, ela nunca vai responder." "Ela me responde muito bem." Espere o que? Meu olhar dançava entre os dois homens. Como eu o respondi? E por que ele diz tais coisas? Ele não vê que minha recusa em falar deixa Mestre A furioso? Que ele me matará se achar que eu falo com outro e não com ele. "Deixe o que não é seu em paz, Sr. Prest," Mestre A ameaçou. "Ela é minha. Dirija as suas perguntas para mim e somente a mim". Sr. Prest não se mexeu. "Por quê?" "Por quê?" Mestre A balbuciou. "Por que eu ordenei que você pare de falar com minha escrava?" Ele levantou-se batendo os

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punhos na mesa. "Porque ela é minha e quaisquer respostas que você pensa que obtêm são mentiras." "Você está com medo que ela me diga coisas sobre você que atrapalhe nosso acordo de negócios." Errado. Ele tem medo que eu peça a você para mata-lo. Ele tem medo de eu dar a você a peça final que me completa e não a ele. "Ela não vai lhe dizer nada ‒ sejam coisas boas ou ruins." Forçando-se a relaxar, Mestre A sentou-se novamente. "Mas isso não vem ao caso. Você está certo. Eu ofereci Pimlico como uma prova de amizade, e você tem total direito de fazer o que quiser com ela. Qualquer coisa que garanta o nosso negócio." Ele sorriu como um tubarão. "Nada mais importa." Durante cinco dolorosos e longos segundos, o Sr. Prest não aceitou a oferta de paz. Testosterona invadiu a mesa. Mas pelo menos Darryl, Tony, e Monty ficaram fora da conversa. "Às vezes, não é o que é falado que é a resposta verdadeira Sr. Asbjorn" Murmurou o Sr. Prest. "E soube de todas as respostas às minhas perguntas sem a sua escrava proferir uma única sílaba." Mestre A perdeu o interesse no jantar. "O que você está dizendo?"

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Sr. Prest olhou para mim, seus olhos de carvão parecendo predatórios. "Eu não estou dizendo nada. Assim como Pimlico." Com graciosa precisão, ele segurou o meu pulso com dedos fortes. Eu endureci. Ele escoava mais poder e perigo de sua mão esquerda do Mestre A de todo o seu corpo loiro. Ele exalava uma autoridade que me aterrorizava, mas que também me incentivava a me aproximar com a esperança dele usar esse poder para me proteger. Mentiras. Tudo isso. Ele não iria me proteger. Eu balancei a cabeça para me livrar de tais pensamentos estúpidos. Sr. Prest deixou de me tocar, liberando meu pulso. Eu tive a sensação horrível que ele aferiu o meu pulso e não apenas me tocou por tocar. Ele sentiu o quão rápido meu coração galopava? Ele viu o terror e desespero em meu olhar? Sem deixar de me olhar, ele juntou as mãos em seu colo, como se ele não confiasse em si mesmo para controla-las. "Coma, Pim. Nossa conversa acabou... Por agora".

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Minha respiração tornou-se superficial. Seu longo toque me ameaçou. Eu não era estúpida de não reconhecer o quão perigoso ele era, mas ele me passou uma sensação de segurança também. O seu toque sussurrou que se ele me machucasse ele me faria bem ao mesmo tempo. Eu só não sabia como. Ele era uma contradição. Um enigma. Algo fascinante que eu não conseguia entender. Lentamente,

a

atmosfera

na

mesa

se

acalmou

provisoriamente; os homens voltaram a comer. Eu também. Afinal, eu não iria desperdiçar uma boa comida. Minhas papilas gustativas voltaram a funcionar, sinalizando para o meu cérebro quão rico e delicioso era o pedaço de pato que eu coloquei na boca. Tony, Darryl, e Monty eram os brutos habituais sem boas maneiras,

e

Mestre

A

manteve-se

em

seu

melhor

comportamento. Mas ele não podia esconder o fato de que ele odiava a minha posição na mesa. Todo o alimento que eu estava comendo provavelmente seria vomitado mais tarde quando ele chutasse o meu estômago. Pensar sobre isso quase me fez parar de comer. Mas não completamente. Humildemente, eu deixei cair o meu olhar. E corajosamente, comi outro bocado.

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Eu não poderia impedir o que ele faria comigo, mas eu daria ao meu corpo todas as vitaminas e nutrientes possíveis. "Eu mudei de ideia." O Sr. Prest disse calmamente, inclinando-se mais para perto. "Eu quero saber mais sobre a menina muda chamada Pimlico." A voz dele. Ela era como açúcar e doces; batatas fritas e chocolate. Seu corpo me atordoou ‒ não porque ele era bonito, mas porque a sua proximidade detonava todos os tipos de avisos no meu sangue. Dando uma rápida olhada, eu vi seus olhos enquanto ele descaradamente me olhava. De onde ele veio? Qual era a sua nacionalidade? Qual era seu país? E quem o nomeou Elder? Ele não era velho ou o líder de uma seita. Mas poderia ser por tudo o que eu sabia. O que diabos ele está fazendo se misturando com esta gentalha? Mestre A meu olhou com os olhos estreitos. Eu conhecia aquele olhar. Ele queria que eu respondesse. Por muito tempo, ele esperava que eu escorregasse e sem querer falasse alguma coisa.

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Nos primeiros meses, tinha sido difícil controlar o desejo de me comunicar, quando ele me fazia uma pergunta direta. Foi difícil não responder. Mas ao longo do tempo, ficou mais fácil. Mesmo este lindo e perigoso estranho não iria quebrar minha armadura de silêncio. Dando outra mordida, eu deliberadamente olhei para baixo, deixando-o ganhar o concurso de encarar, mas o fazendo perder a batalha de me fazer falar. O fogo queimando-me por dentro me manteve lutando mesmo quando eu queria desistir. Eu sabia o quão ruim a minha vida tinha se tornado, mas algo dentro de mim (oh, meu Deus, era orgulho?) odiou que o Sr. Prest me visse como uma menina magra, com cicatrizes, sem escapatória. Ele nunca tinha me visto em um vestido, com cabelo arrumado e com a maquiagem perfeita. Nunca me ouviu responder aos professores com sagacidade e inteligência. Nunca me viu dançar e entreter presidentes de instituições de caridade e sondar a mente dos meus colegas como minha mãe tinha me ensinado. Quem eu era nunca existiu para o Sr. Prest. Ele só viu quem eu sou hoje. Ele iria embora e para sempre se lembraria de mim como uma escrava, não como uma menina livre. Um

pensamento

zombeteiro

invadiu

a

enquanto eu mastigava o último pedaço do pato.

PEPPER WINTERS

minha

mente


Como se isto fosse verdade. Ele vai se esquecer de você no minuto em que se afastar. Às vezes, o meu ego ainda podia me machucar, mesmo agora. Não deixando o meu silêncio abatê-lo, o Sr. Prest invadiu o meu espaço pessoal. Sua mão grande desapareceu no bolso de sua calça, fazendo tilintar algumas moedas. Olhando-me nos olhos, ele se afastou de mim, não antes de depositar uma moeda americana de um centavo perto da minha mão. Olhei rapidamente para Mestre A. Assim como eu era autorizada a me sentar à mesa durante dois anos, eu não tinha acesso a moedas ou a dinheiro de qualquer tipo. Mestre A colocou a faca e o garfo em ambos os lados do prato com calma assustadora. "Sr. Prest, posso perguntar por que diabos você está dando dinheiro para minha escrava?" O Sr. Prest não tirou os olhos dos meus. "Isto é entre Pimlico e eu." Meu coração se afundou como uma âncora enferrujada de duas toneladas. Ele não vê que ele tinha acabado de tornar o meu espaçamento corriqueiro em algo que seria dez vezes pior? Ele

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tinha descartado Mestre A, e ninguém nunca, nunca deve fazer isso. Eu lutei contra o terror e infelicidade, mantendo o meu olhar fixo sobre a mesa. No entanto, isso não me impediu de ter um relance de Mestre A. Ele sorria malignamente, com uma promessa velada de me fazer passar fome por muito tempo. Seus três amigos sorriram, compreendendo ainda que eu receberia outra punição, e que desta, eles seriam convidados a participar. Maldito seja você, Sr. Prest. Engolindo em seco, eu não me permiti olhar para cima, mas quando o Sr. Prest empurrou a moeda para mais perto de mim, meus olhos fitaram os dele. Eu congelei. Os mais espessos e longos cílios que eu já vi enquadravam seus olhos negros. Tão densos e opacos que pareciam uma pelagem. Não era justo um homem ter olhos tão sedutores; e era duplamente injusto ele entrar em minha existência difícil e a tornar muito pior. Eu me lembrarei dele sempre. Ele iria esquecer-se de mim amanhã. Por que eu sentei ao lado dele? Eu deveria ter sentado aos pés do Mestre A.

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Isto é minha culpa. Estúpida. Tão estúpida. Baixando a voz inebriante, o Sr. Prest sussurrou: "Um centavo pelos seus pensamentos, menina." A frase antiga ecoou no meu peito. Ele queria pagar por minhas respostas silenciadas? Ele valorizava minhas respostas o suficiente para me subornar? Por quê? Mestre A nunca tinha me oferecido bondade em troca de uma conversa. Ele só tinha me punido e reforçado o meu desejo de permanecer em silêncio. Mas este homem... Ele era traiçoeiro. Respirando fundo, eu empurrei a moeda de volta para ele com o meu dedo mindinho. A vontade de sacudir a cabeça me tomou. Não gesticular era quase tão difícil quanto falar. Lutei contra a vontade, recolhendo o meu bocado final do macarrão e fazendo o meu melhor para não hiperventilar

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quando o Sr. Prest forçou a moeda em minha direção novamente. Ele não repetiu a frase. Ele não precisava. Eu a ouvi em minha mente. Um centavo por seus pensamentos. Fale, porra. Mestre A bateu na mesa com a palma da mão, fazendo Tony, Darryl, e Monty saltarem. Mas não o Sr. Prest. Ele moveu-se devagar da mesma forma que o óleo desliza na água, levantando uma sobrancelha para o seu anfitrião. "Sim?" Mestre A mostrou os dentes, sua mão fechada em torno de sua faca. "Eu me cansei dos seus jogos. Esqueça. Ela não é nada. Vamos falar de negócios." Esfaqueando o ar com a lâmina suja de comida, ele gritou: "Pim, limpe a porra da mesa. Você já acabou. Saia da minha frente." Imediatamente, eu me levantei. Felizmente, eu devorei meu jantar e não lamentaria a falta de tempo para terminar. Meu prato vazio brilhava com o lembrete de que minha barriga estava cheia, mas eu pagaria por isso com dor.

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O meu corpo que estava sofrendo com a indigestão por comer a carne exótica, já antecipava a sofrimento dos chutes e socos que estavam por vir. Mantendo

meus

olhos

voltados

para

baixo,

eu

respeitosamente recolhi os recipientes vazios e enfiei os sacos de papel debaixo dos meus braços. O blazer do Sr. Prest me atrapalhava, mas até que ele o roubasse de mim, eu não iria tirá-lo. Ele era meu. Mesmo que por pouco tempo. Sr. Prest me observava a levar as embalagens para a cozinha, as lavar, e as colocar na lixeira de reciclagem. Voltando, eu fiz o meu melhor para ficar fora do alcance das mãos dos homens enquanto eu coletava os pratos sujos. Sr. Prest viu como Monty bateu na minha bunda e Darryl pegou fios de meu cabelo para farejar dramaticamente. Mestre A não notou seu convidado vibrando com raiva, e eu não lhe diria. Eu me tornaria invisível novamente ao fazes os meus deveres de servente. Mestre A recostou-se na cadeira. "Então, agora que já jantamos. Vamos discutir o negócio." Sr. Prest colocou as mãos sobre a mesa, juntando os dedos em uma pose de equilíbrio e poder. "Antes disso, eu tenho condições a serem satisfeitas." "Quais condições?"

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"Eu não discuto detalhes na frente dos outros." Inclinando o queixo para os três estupradores, ele rosnou, "Eu quero que eles saiam." Darryl fungou. "Ei, perdedor. Estamos aqui para o nosso amigo. Nós o apoiamos." "Sim. Sem ‘nós’ sem ‘acordo’. Disse Monty cruzando os braços. Eu carregava a louça para a cozinha quando o Sr. Prest levantou-se tão rapidamente que sua cadeira chiou contra o chão. "Entendido." Saindo da mesa, ele passou por mim. Seus olhos pretos brilhavam com violência, flamejando ainda mais quando ele me olhou de cima a baixo. "Mantenha o casaco." Meu queixo caiu ao vê-lo se dirigir para a saída. Eu queria gritar para que ele não fosse. Eu não podia permitir. Com ele aqui, eu não tinha que temer tanto a Mestre A. Eu não tive tempo suficiente para descobrir se eu poderia usá-lo a meu favor. Ele poderia me ajudar? Me libertar? Não vá ... Mestre A impediu sua fuga. Levantando-se da mesa, ele estalou os dedos. “Vocês todos, fora.” Perseguindo o Sr. Prest, ele o alcançou na porta da frente.

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"Não faz isto, Elder. Você ganhou. Nenhuma companhia. Apenas você e eu." Mr. Prest parou com a mão na maçaneta da porta. Seus ombros se mantiveram firmes. Eu não sabia se ele iria aceitar a oferta do Mestre A ou simplesmente ia desaparecer. Respirei fundo, fazendo tinir a torre de louças em meus braços. Finalmente, o Sr. Prest virou, cerrando as mãos. "Não me faça lembrá-lo que não deve usar primeiro nome, Alrik. Esse é o último aviso, porra. Quanto à nossa discussão, eu quero que seja entre você, eu e ela." Seu olhar ardente se travou no meu. Ah não… Não não não. Eu não queria estar a par do seu bate-papo. Eu não queria dar a Mestre A mais razão para pensar que eu fiz algo errado. Depositando os pratos na pia, eu fiz uma curva estranha, pronta para sair da sala e correr para as escadas. Por favor, deixe-me chegar lá antes que ele me pare. Então eu me poderia trancar no andar de cima e escrever a Ninguém, tampando os meus ouvidos para que eu nunca

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tivesse que saber das coisas ilegais nas quais Mestre A estava envolvido. Mas, claro, isso não deu certo. Nada jamais dá. Sr. Prest foi o único a me parar. "Fique, menina. E tome o seu centavo. Você pode não ter vendido os seus pensamentos tão barato, mas você não vai nos deixar até que eu diga.” Meus

olhos

se

viraram

para

Mestre

A,

procurando

permissão. Sr. Prest pode ser o caçador de topo desta cadeia alimentar, mas ele não era o meu dono. Não era com ele que eu iria viver depois desta noite. Mestre A cerrou os dentes, recebendo tapas de adeus de seus amigos enquanto eles vestiam seus casacos para sair. Raiva o envolvia, exalando do seu corpo como uma fumaça tóxica. Passando a mão pelo cabelo loiro, ele grunhiu. "Porra, tudo bem. Fique, Pimlico. Pegue copos e o bourbon. "Sr. Prest e eu temos algo a discutir."

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Eu realmente odeio o sabor de bourbon. Eu prefiro saquê, gin ou mesmo o absinto. Eu não era um grande bebedor. Eu tenho minhas razões. E não bebi nada alcoólico em quase um ano. Mas um homem como Alrik acha que se deve beber álcool ao fazer negócios, porque ele ainda era um maldito Neandertal. Mas eu iria agradá-lo neste sentido, já que eu meus desejos foram satisfeitos até agora. A escrava não tinha se sentado, andando ao redor como a porra de um beija-flor, reunindo copos, endireitando almofadas brancas, e colocando pratos na máquina de lavar louça. Alrik não parecia se importar. Ela não era apenas sua escrava sexual, mas empregada doméstica também. Ele mal tinha consciência dela, ficando feliz em deixá-la morrer de fome e definhar. Ele merecia sofrer por isto. Dolorosamente. Ao longo dos próximos dias, eu iria pensar em uma punição criativa.

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O barulho da torneira na cozinha chamou minha atenção, e vi quando a menina se molhou acidentalmente com a água. Porra. Meus lábios se curvaram em desgosto. As mangas do meu casaco ficaram encharcadas enquanto ela lavava facas e garfos antes de colocá-los na máquina de lavar louça. Bebendo cautelosamente minha dose de bourbon, eu disse, "Chega, menina. Sente-se." Alrik se sentou no sofá oposto. Ele já havia bebido sua dose e estava colocando uma segunda no copo. Se ele ficar bêbado durante

esta

discussão,

melhor

para

mim.

Os

termos

funcionariam em meu favor e as cláusulas que normalmente eu adiciono sorrateiramente na papelada, esperando que não fossem notadas, não seriam vistas. Idiota do caralho. Eu tinha coisas para dizer, mas eu não iria começar até que a menina se sentasse e parasse de se remexer. Eu não gostava de distrações, e ela era uma distração, ainda que mínima. Algo caiu ruidosamente atrás de mim antes de Alrik berrar: "Pelo amor de Deus, Pimlico, vá sentar."

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Imediatamente, ela correu para a sala e ajoelhou-se no tapete branco da mesa de café, retomando a mesma posição curvada que tinha estado antes que eu a convidasse para comer. Ela não tocou o mobiliário, quase como se ela não fosse permitida. Como um cão ruim que tivesse sido estapeado muitas vezes por saltar sobre sofás arrumados. Quanto mais eu descobria sobre esse desgraçado, mais eu o desprezava. Ignorando Pimlico enquanto ela estava amontoada no chão, Alrik propôs um brinde. "Por estarmos sozinhos e sermos capazes de discutir o nosso novo empreendimento." "Não tão rápido." Eu pensei que eu poderia beber essa merda, mas eu não podia. Por que diabos eu estou aqui de qualquer forma? A partir do momento que eu conheci esse ser desprezível, eu tenho tido o impulso irresistível de me lavar sempre que ele olha para mim. Sempre que ele me observava. Sempre que ele ri e fala como se eu não pudesse ouvir seus segredos desprezíveis. Mas eu posso. E quanto mais tempo eu passava em sua companhia, menos eu queria que ele continuasse respirando. O dinheiro era

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dinheiro. O negócio era negócio. Mas quando os instintos gritavam para ignorar o acordo e sair... Eu escutava. Só que eu não queria ir. Ainda não. Por causa dela. Beliscando a ponta do meu nariz, eu olhava para as janelas atrás de Alrik onde, presumivelmente, havia um jardim. O segundo que entrei na casa deste psicopata, eu fiquei fascinado por ela. Não porque eu podia ver seus seios e a sombra entre as pernas, mas por causa da maneira que ela me observava. Ela viu tudo. O mundo tinha dois tipos de pessoas. Os primeiro eram os recebedores. Eles só notavam aqueles que poderiam ajudá-los, oferecendo amizade por motivos falsos ‒ seus egos impediam o aprofundamento do seu interesse superficial. Os segundos eram os doadores. Aqueles que sabiam que estavam sendo enganados, mas não impediam o ato. Eles davam e davam até que não tinham mais nada. Mas, dando, eles viam as coisas, observando silenciosamente nas sombras. Esta menina era uma doadora. Ela fez o julgamento silencioso, analisando tudo enquanto seu mestre e seus conhecidos fingiam que ela não existia. Ela

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era forte no interior, mas ela não tinha encontrado sua liberdade apesar implorar por ela, o que a fez necessitada. E eu me envolvo com necessitados. Então, porra, a esqueça, termine com isto, e saia. Me inclinado para frente, eu depositei o copo de cristal na mesa de café, entrelaçando os dedos entre as minhas pernas. "Você tem os fundos?" Alrik sorriu. "A sério? Você vai me perguntar isso? Mesmo depois de suas invasivas verificações de antecedentes?" Hum. Ele tinha descoberto sobre isso. Isso foi interessante e ganhou um pouco do meu respeito. Minhas habilidades de hacker

não

eram

tão

boas

como

as

de

alguns,

mas

normalmente, eu poderia me infiltrar e extrair informações sem deixar rastros. Ele bufou. "Olha, vamos fazer o negócio ou o quê?" "Possivelmente." Ele se atirou no sofá de couro macio. "Porra, me disseram que isto era exaustivo. Eu devia ter acreditado." Estendendo o copo vazio, ele estalou os dedos para Pimlico o servir. Ela o fez sem um pio ou piscada de olhos.

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Eu estive em torno de outros que se recusaram a falar. Fazer um voto de silêncio não era tão incomum na minha profissão (ou melhor, ex profissão), mas esta explicação não me satisfez totalmente. Principalmente porque eu não era um idiota como Alrik. Sua escrava lhe obedeceu, mas ela o odiava com toda a força. E de onde eu vim... Isto não era boa coisa. Se meu apelido era Kaitou por conta do ‘Ladrão Fantasma’, o dela seria Mokusatsu. Morte Silenciosa. Ela absorvia tudo, apenas esperando por uma oportunidade de acabar com a vida dele. Boa sorte para ela. Com base nesta breve interação que tive com eles, ela merece a vitória em cima deste idiota rico excessivamente mimado. Ela só tinha que perceber o seu poder e se comprometer. "Não

é

desgastante

negociar."

Eu

apertei

os

dedos,

segurando a minha ira. "É cansativo negociar com pessoas não confiáveis." Alrik franziu a testa. "Olha, você sabia qual era o negócio quando você chegou aqui. Você foi altamente recomendado. Não me faça ficar arrependido de tê-lo convidado para a minha casa.” Eu sorri. Este idiota achava que ele era melhor do que eu. Que ele poderia ganhar.

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Errado. Ignorando-o, mais uma vez olhei para a escrava no chão. Eu odiava o jeito que ela atraia o meu olhar continuamente. Não era uma encenação. Ela realmente estava lutando para sobreviver. Mas a vibração zumbido de sua determinação e força era uma droga para mim. Batendo no sofá, eu murmurei, "Sente-se aqui, menina." Seus ombros se encolheram, quando ela se inclinou mais ainda no tapete. Seu cabelo esfarrapado estremeceu quando ela olhou para o mestre. Alrik tentou me matar com os olhos. Se eu fosse qualquer outra pessoa, com qualquer outro passado, eu poderia ter mudar de ideia sobre jogar com os seus bens. Mas ele disse que eu poderia usá-la. E eu não tinha medo dele. Nunca tive medo de pessoas falsas. O silêncio caiu, chocando-se com a ira de Alrik, o terror de Pimlico, e a minha autoridade. Adivinhe quem ganhou porra? Alrik bebeu sua terceira dose de bourbon. "Vá para ele, Pim".

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Imediatamente, a menina colocou-se de pé e correu para o meu lado. Meu coração batia forte quando ela empoleirou-se como um pássaro frágil no couro branco austero, suas coxas tensas ‒ pronta para voar se Alrik mudasse de idéia. A julgar pela forma como ela manteve seu corpo de frente para ele, achei que ele mudava de ideia frequentemente ‒ seja para ofendê-la ou machucá-la. Olhando para minha jaqueta arruinada com a manga molhada e os pulsos pingando, pendurada em seus ombros de forma desleixada, eu pedi, "Dê-lhe permissão para me obedecer sem ter que passar por você." Eu olhei para cima, atraindo a atenção e Alrik com o comando. Faça. O que diabos eu estava fazendo? Esta menina não era importante. Eu corria o risco de destruir este negócio. Porém... Eu me importo? Fiz uma pausa, fazendo um balanço do que aconteceria se eu

deliberadamente

sabotasse

esta

transação.

Claro,

eu

perderia milhões. Mas eu tinha mais do que eu poderia contar e isto não era sobre o dinheiro. Sim, eu perderia a notoriedade que eu tinha feito o meu melhor para ganhar. Perdendo a oportunidade de frequentar lugares que, até agora, eu não era

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permitido. Mas eu não precisava da porra do Alrik para abrir as portas para mim. Eu podia arrombar essas portas conforme a minha vontade. Não, essa menina me interessa mais do que Alrik jamais fez. Ela vale o preço se tudo der errado. Alrik encarou sua escrava antes de me dar um breve aceno de cabeça. Ele não gostava de mim antes. Agora, ele me odiava. Eu sorri friamente. "Você disse que eu poderia usá-la." A menina tremia, seu corpo enviando ondas de temor ao longo do sofá. Eu não tinha tocado nela ainda, mas todas minhas terminações nervosas estavam sedentas de necessidade. "Pimlico." Alrik inclinou-se para frente, sua mão branca apertando com força o seu copo. "Obedeça ao Sr. Prest como você me obedece. Entendeu? Faça o que ele quiser, sem hesitar". Eu lutei a emoção correndo pela minha espinha. Pimlico olhou para mim, antes de deixar cair o olhar para o chão. Ela não assentiu ou deu qualquer indicação de estar de acordo. Mas eu sabia que ela tinha ouvido, avaliado e aceitado os novos termos. O fato de ela não falar alimentou meu interesse ‒ não porque eu queria seus segredos, mas porque ela me desafiou a fazer o que meu professor tinha ensinado uma década atrás: ‘Ouça com todo o seu corpo, não apenas com seus ouvidos. Veja

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com todo o seu ser, não apenas com seus olhos. E julgue com toda a tua alma, não apenas com a superfície.’ Eu nunca esqueci essa lição. Eu não era o tipo de pessoa que aprendia algo e, em seguida, jogava o conhecimento no lixo. Mas mesmo assim ela era uma boa revisão. Eu queria ficar sozinho com ela. Para lhe fazer perguntas que ela não iria responder, mas que eu ganharia a resposta de qualquer maneira. Eu queria roubá-la para discipliná-la conforme a minha vontade e não a deste idiota mentiroso. Testando a sua obediência, Bati em minha coxa. "Chegue mais perto." Por um segundo, ela hesitou. Seus lábios se franziram, mas ela apoiou a mão no sofá e se moveu. Ela não chegou tão perto quanto eu queria ‒ já que sua perna ainda criava um abismo entre nós ‒ Mas eu inalei, fazendo o meu melhor para sentir seu cheiro. Ela cheirava a nada. Não, isso não era verdade. Ela cheirava ao maldito desespero. Querendo mudar sua opinião sobre mim, para provar graciosamente que eu não era um cara tão ruim, eu descansei minha mão em sua coxa. Ela tremeu, mas permaneceu sentada, mesmo quando seus olhos se estreitaram de fúria.

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Sua pele estava gelada sob o meu toque; sua saia branca não oferecia propriedades térmicas. Alrik nunca tirou o olhar lívido de mim enquanto eu a acariciava com uma delicadeza, com a qual eu aposto que ela não foi tocada em anos. Em vez de relaxar, ela só endureceu ainda mais. Se eu fosse um homem amável, eu teria removido a minha mão e lhe permitido voltar para o seu lugar no chão onde ela obviamente sentia alguma segurança. Mas eu não era um bom homem. Eu era um torturador. Um assassino. Um ladrão. E eu queria roubar a sua coragem gota por gota.

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PALAVRAS E VOZES e negócios. Há quanto tempo eu estou sentada aqui? Acorrentada por amarras invisíveis a um homem que eu tinha que obedecer absolutamente como meu mestre. Fechei os olhos jargões e promessas vazias voaram através da sala. Eu não tinha ideia de qual era o negócio entre o Mestre A e o Sr. Prest, mas o que quer que fosse valia mais de trinta milhões de dólares e envolvia frases como ‘indetectável, irrefutável, e de máxima segurança em termos de velocidade e entrega. ’ Passou-se tanto tempo desde a última vez que eu ouvi uma conversa normal, que isto acabou por me induzir a um estado semi relaxado. Eu estava no centro das atenções, e os comandos emitidos eram trocados entre estes dois homens e não direcionados a mim. Sutilmente,

eu

esfreguei

os

joelhos,

onde

contusões

constantes por ficar de joelhos marcavam minha carne. A saia branca me incomodava por apertar as minhas costelas e barriga doloridas da surra de mais cedo.

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Mesmo que este tempo de pausa fosse agradável ‒ não importando quão agradecida eu estou por sentar em um sofá depois de anos me rastejando no chão ‒ ele não seria de graça. Vou ser compartilhada esta noite. Assim como na maioria das noites. Sr. Prest tinha carta branca para me controlar, o que nunca aconteceu com Tony, Darryl, e Monty. Ele poderia me pedir para fazer qualquer coisa, e eu teria que obedecer. E uma vez que eu tivesse obedecido, Mestre A iria me machucar porque ele odiava que outras pessoas tomassem liberdades ele não tinha dado. Eu tinha visto isso em primeira mão, quando Tony foi longe demais e tomou alguma coisa de mim que ele não deveria tomar. Ele não havia retornado por uma quinzena por causa das feridas que Mestre A lhe tinha infligido. O Sr. Prest deve ser muito importante, para Mestre A tolerar que eu me sentasse em seus móveis e ouvisse sua conversa incompreensível. Mestre A bebeu outro dose. "E você vai instalar os melhores defletores fantasmas?” "De acordo com o seu pedido, sim." "E o armamento será muito superior ao que eles vão usar em retaliação?"

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Sr. Prest endureceu. "Você duvida da minha ética de trabalho e contrato?" "Não. Mas isto é um monte de dinheiro e um arranjo sensível." "Assim como todas as minhas transações. Discrição máxima é exigida de ambas as partes. Não só eu." Sr. Prest ergueu a sobrancelha, desconsiderando a acusação pomposa de Mestre A. "Eu tenho a sua palavra de que você nunca mencionará o meu nome ou a origem do armamento a bordo no momento da entrega do navio?" Hã? Saí do meu estado sonolento e me tornei consciente da conversa. Um estalo de adrenalina inundou o meu sistema nervoso. O que eles estavam discutindo? Navios e armas? O que é isso? Mestre A tinha dito algo sobre o Sr. Prest estar no mar por alguns meses e precisar de companhia feminina. Ele era da

Marinha? Vendia segredos de Estado e

espionagem? Mestre A assentiu. "Claro. Mas apenas se os torpedos forem indetectáveis por meio de radar".

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"Com o aumento da tecnologia nos dias de hoje, isso não é totalmente garantido." "E você tem certeza de que não é possível obter uma ogiva nuclear. Eu pagaria a mais por isso." "Eu disse que não trabalho com elas. Se você as quiser, não será através de mim." A voz do Sr. Prest se tornou um rosnado. "Mas você já está ciente desses termos." Seus olhos profundos se voltaram para os meus, sugando a luz e vida de mim. "O que você acha Pimlico? Quer ser presa em um barco, ao invés de em uma mansão? Seu mestre aqui parece estar indo para a guerra." Um barco? Guerra? O que diabos ele está falando? Eu não poderia imaginar uma coisa dessas. Uma imagem de um bote com remos a propulsão e os lados de madeira para evitar afogamento veio à mente. Por que alguém iria querer trocar uma casa por isso? Rangendo os dentes, desviei o olhar do Sr. Prest, ignorando a pergunta. Eu não me importava com o que eu não entendia. O que importava era que ele tentou me fazer responder.

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Não vai funcionar. Eu tinha anos de prática. Ele riu. "Não se preocupe. Tenho certeza que ele não vai levá-la para a guerra." Sua mão pousou possessiva na minha coxa. "E se ele a levar, pelo menos, você pode encontrar o que você está procurando." Eu congelo. O que? O que estou procurando? Como você sabe o que eu preciso? Mesmo repetindo continuamente essas perguntas, eu não estava certa das respostas. Eu sobrevivi neste mundo fazendo pequenas coisas para me manter forte. Eu tinha o prazer de evitar um braço quebrado, quando fazia tarefas antes de ser solicitada. Fui premiada com horas extras de sono ou jantares quando obedeci às duras ordens, ao mesmo tempo em que escondia com sucesso o meu ódio. Eu fiz tudo isso porque eu precisava de algo para me focar. Caso contrário, o desejo de acabar com tudo me tomaria. Se eu me concentrasse nas pequenas coisas, eu poderia ignorar a falta de liberdade.

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Mas se eu não o fizesse... A morte seria a única saída. Ela tinha uma voz sedutora e calculista, prometendo um fim à dor e sofrimento. Eu a tinha escutado uma vez e teria obedecido

a

seus

comandos

se

as

facas

não

tivessem

desaparecido. Eu pensei que a minha fraqueza momentânea havia passado. Eu menti. Os murmúrios de suicídio se escondiam nos ataques de pânico, que me aconteciam sempre quando minha força vacilava. Eu já não era inteira ‒ partes de mim se toram minhas inimigas, querendo que eu morresse ao invés de sobreviver. Ele cheirou desejo de suicídio em mim. Isso aconteceu no segundo em que ele colocou os olhos em mim; da mesma forma que eu soube que ele era mais do que um homem de negócios e um desgraçado aristocrático. Ele era um assassino. E um bom, já que ele está aqui conosco e não preso ou morto. Os dedos de Mr. Prest deslizaram da minha coxa até o meu joelho, exatamente como Mestre A fez durante a viagem de avião até aqui. Ao contrário de antes, quando aquela pequena ameaça me apavorou, isto não é nada comparado ao que eu tinha sofrido. Eu fui treinada com toques como esse.

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Eu não me mexi quando o Sr. Prest manipulou as minhas articulações, forçando o meu corpo a prestar atenção. No entanto, quando os meus músculos se tencionaram a espera do abuso e meu coração acelerou com o nervosismo, seu toque passou de especulativo para calmante. Sua respiração se tornou ofegante quando ele olhou para o lugar no qual os nossos corpos se tocavam. "Eu não vou te machucar." Por favor. Eu não ouvi isso antes. Eu queria revirar os olhos por sua promessa vazia, mas não me atrevi. Quem sabe o que o Mestre A faria? Ele poderia arrancar meus olhos com uma colher se eu fosse rebelde. Mestre A limpou a garganta, seu olhar fixo onde o Sr. Prest estava me tocando. Ele vibrava com ódio e ciúme, mesmo sendo ele o único que me ofereceu para adoçar o negócio entre eles. "Você tem a oportunidade de tomar ar fresco e conhecer novos lugares, Pim?" Sr. Prest nunca parou de me acariciar. Seus dedos lentamente deixaram meu joelho, avançando para cima a cada toque. Assim como meu paladar reviveu após alguns bocados de uma comida deliciosa, também fez a minha pele ao receber carícias suaves, pela primeira vez em muito tempo.

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Minha carne se tornou quente e começou a formigar, querendo mais do seu toque. Traidor. Engoli em seco, forçando o meu olhar a se tornar nebuloso e não focar o homem me tocando, o meu mestre, ou as coisas que eu vou ser obrigada a fazer no futuro. "Ela não é um cão maldito, Elder." Mestre A riu. "Eu não a ponho na coleira para levá-la para caminhar na porra de parque. Ela é uma prostituta. Esta é a sua casa. Ela não precisa ir a qualquer lugar." Sim. Sim, eu preciso. Eu preciso ir a algum lugar. Longe de você. Longe desta gaiola. As unhas do Sr. Prest substituíram sua suave carícia, marcando minha coxa. "Terceiro deslize, Mr. Asbjorn. Mais um, e essa porra de negócio será desfeito. Eu não me importo se tudo está organizado e os contratos já estão elaborados." Sua mão esquerda deixou minha pele, para apontar severamente para Mestre A. "Use meu nome mais uma vez e você nunca mais vai falar novamente. Entendido?"

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Eu tremi quando a mesma mão que vibrava com a violência me tocou novamente. Em um momento, ele era vicioso e cruel, e no próximo, era sereno e tranquilizante. Mestre A, levantou e serviu a si mesmo outra dose de bourbon e a tomou. Seu ódio frágil o perfurava como cacos de vidro enquanto ele se obrigava a manter a calma. Mr. Prest não se importava. Sua atenção total voltou a mim, se aproximando cada vez mais, pressionando o joelho contra o meu. Eu respirei profundamente quando sua cabeça se inclinou em direção ao meu ouvido, fazendo com que seu aroma inebriante e exótico tomasse meu nariz como um incêndio florestal. Ele explodiu em meus pulmões e sobre a minha língua, fazendo-me inspirá-lo e saboreá-lo de uma só vez. "Diga-me, Pimlico, você gosta de ser tocada delicadamente ou você está acostumada a uma mão mais forte?" Sua palma espalhou-se ao longo da minha coxa, agarrando com força suficiente para me fazer recuar. Senti a queimação. Prendi a respiração, permitindo que os receptores de dor se acalmassem e a dormência assumisse. Eu usei esse truque muitas vezes. Sr. Prest foi cruel e duro e dominante. Mas sob essa escuridão, ele não poderia apagar completamente a estranheza que espreita profundamente de dentro dele. Eu não sei se era uma estranheza boa ou ruim, mas ele era diferente do Mestre A.

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Essa excentricidade me atraiu. Mestre A sentou-se de volta para o sofá, nos olhando com desdém. "Eu não sei por que você se incomoda. Ela não fala. Bata nela, a machuque, sussurre, ou a corteje ‒ tudo surte o mesmo efeito." Sr.

Prest

acariciou

o

minha

orelha

com

o

nariz,

murmurando tão baixo que Mestre A não podia ouvir. "Você não pode usar sua voz, pequena silenciosa, mas você fala do mesmo jeito." A ponta de sua língua correu sobre a carne altamente sensível do meu ouvido e desceu até o início da minha mandíbula. "Quer saber o que você já me disse?" Sua mão se arrastou mais para cima na minha perna, chegando ao lugar onde eu mais fui ferida. Eu passei pela minha adolescência apenas com um flerte ocasional de um menino ansioso, que ganhou a minha aprovação para chegar perto o suficiente para me tocar.

E

então, eu me tornei mulher com um estupro brutal que arruinou o sexo para mim eternamente. Tudo sobre o acoplamento entre homens e mulheres era doente, sujo e errado. Nenhuma parte de mim, em qualquer circunstância, queria ser tocada lá. Não por Mr. Prest, não por Mestre A, e certamente não por qualquer um dos seus amigos covardes. Eu o odiava por tomar liberdades. Eu não quero que minha pele e meus sentidos respondam a seu toque.

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Eu queria ser insensível. Indiferente. E a audácia do Sr. Prest de me fazer sentir as coisas de novo, de fazer o meu coração bater e meu paladar despertar, não era justa. Mas, pelo menos, meu corpo repelia a ele assim como a qualquer outro homem. Eu não senti arrepios. Minha boceta não se apertou; meu sangue não esquentou. Meu espírito pode ter permanecido firme, recusando-se a quebrar, mas Mestre A tinha quebrado o meu corpo. O sexo era revoltante. O sexo era nauseante. O sexo não era algo que fosse gostar um dia. Eu tinha certeza disso. Isso não impediu o Sr. Prest de passar a ponta dos dedos entre minhas pernas. Sua voz ficou pesada e baixa. "Eu estou acostumado com o silêncio, pequena silenciosa. Mas você não é muito boa em esconder seus pensamentos, os seus olhos falam." Afastando-se, ele tocou meu queixo com os nós dos dedos. "Quer que eu prove isso? Eu sei que você me odeia por tocar em você, e você não pode parar a fúria em seu interior.” Seus olhos se desviaram rapidamente para Mestre A, antes de inclinar a cabeça novamente. Ele passava a impressão de

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que estávamos sussurrando segredos um para o outro. "Ele não a vê como eu. Ele não a ouve como eu faço.” Mestre A se levantou, claramente pronto para esta encerrar esta reunião. "Eu acho que nós discutimos os principais detalhes. O resto pode ser feito quando você liberar o contrato para assinatura final”. Sr. Prest entendeu a mensagem subjacente. Vá embora. Inclinando-se para longe de mim, ele sorriu. "Quer a sua escrava de volta tão cedo?" Ele bateu no meu pé, antagonizando a ele. "Eu não acho que você entende o conceito de partilha, Alrik." Eu me irritei. Eu não sou nenhum brinquedo para ser emprestado. Eu não era uma novidade ou uma boneca para se brincar conforme

os

caprichos

do

dono

para

então

depois

ser

desmembrada quando o tédio substituir o fascínio. Eu estava indecisa. O Sr. Prest fez o meu coração bater enlouquecido com seus toques suaves e comandos macios. Eu o temia mais do que eu temia Mestre A. Eu queria que ele se fosse embora. Imediatamente. Mas uma grande parte de mim queria

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continuar sendo acariciada porque tinha se passado muito tempo desde que alguém tinha. Feito isso Eu queria que ele me libertasse. No entanto, eu nunca consegui o que queria. Mestre A se aproximou, encarando a mão do Sr. Prest na minha coxa. "Você gosta de seu toque mais do que o meu, Pim?" Sua voz era um estrondo perigoso. "Eu aconselho que você diga que prefere a mim a esse estranho." Ele me encarou. Eu o encarei. Não o respondi. Ele não merece saber, mesmo que eu queria falar. Eu nunca vou preferir a ele. Eu queria enterrar suas cinzas e fazer com que todos os cães da vizinhança mijassem em sua sepultura. Nesse quesito, sim, eu muito prefiro muito mais o toque do Sr. Prest, mesmo que ele o fez sem permissão, em vez de ter solicitado. A raiva do Mestre A aumentou conforme o silêncio persistia. "Houve bastante partilha por uma noite. Agora é necessário relembrá-la de quem é o seu verdadeiro mestre. O que você acha disso, minha doce Pim?" Verdadeiro mestre. Isso significava pontapés, chicotes, correntes. Baixei a cabeça, mantendo o meu rosto encoberto. Você me disse para obedecer-lhe.

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Raiva tomou o meu peito porque eu sabia que não importava o que fosse acontecer com seu acordo de negócios, eu estaria em um mundo de dor no momento em que o Sr. Prest saísse. Um pouco instável pelas múltiplas doses de bourbon, Mestre A saiu da sala e foi em direção ao hall de entrada. Meu coração apertou 'start' em um cronômetro imaginário, contabilizando os segundos até que eu fosse machucada novamente. Um, dois, três, quatro. Por favor, não me deixe sofrer novamente. Mestre A berrou: "Vá embora, Sr. Prest. Nosso negócio acabou. Pim e eu precisamos ter uma pequena conversa." Olhando por cima do ombro, ele não sutilmente esperou na porta para chutar o Sr. Prest para fora, tudo isso enquanto seu olhar martelava facas no meu peito. Os dedos do Sr. Prest apertavam a minha perna, cavando as unhas perfeitamente aparadas na minha saia. Ele segurou a pressão por um segundo demasiado longo, prendendo a respiração.

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Não ousei olhar para cima. Mesmo sabendo que ele queria que eu olhasse. Ele tinha arrancado mais respostas de mim sem falar do Mestre A tinha conseguido em dois anos. Tivemos um entendimento tácito entre nós. A química reconheceu nossas semelhanças e nos ligou. O que nos atraiu? Por que eu sinto que o conheço de alguma forma? Eu odeio que você pode desvendar os meus segredos. Mas, em troca, eu desvendo alguns dos seus. Sua conversa de negócios e as armas não era quem ele era no coração. Essa conversa era como teias de aranha e escudos, mantendo a verdade escondida. Como eu sei disso, não faço ideia. Como ele pode me ler, não entendi. E isso me aterrorizou tanto quanto me intriga. "Volte para o seu mestre, pequena silenciosa. Espero te ver de novo." Você não pode ir. Eu… Ele me soltou e se levantou. Com um meio sorriso, ele se dirigiu elegante e tranquilamente em direção à saída, onde

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Mestre A aguardava com os braços cruzados. Eu nunca tinha visto ele tão zangado com outro homem por me tocar. "Vem cá, Pim." Mestre A estalou os dedos, puxando o fio invisível em torno de minha garganta. Instantaneamente, eu coloquei de pé minha estrutura raquítica, mantendo a cabeça abaixada em sinal de respeito. Apenas extrema servidão iria me salvar esta noite. Neste momento o meu sangue já se congelou de terror. Meu corpo chorou com o pensamento do que iria acontecer. A única coisa que me encorajava a seguir em frente era o cheiro inebriante e o calor do blazer do Sr. Prest. Eu pertencia a uma besta. Mas se isso fosse verdade e Mestre A era um animal, então o Sr. Prest era o domador. Ele era o mestre com as gaiolas, as chaves e o poder. Ele tinha a competência para chicotear os animais até que eles se tornem submissos, para corrigi-los pelo mau comportamento, e forçálos a se agir contra os seus desejos básicos. Eu não sabia o que era pior. O animal ou o líder. "Tire o casaco do Sr. Prest do seu maldito corpo sem valor, Pim!" Mestre A gritou quando eu me aproximei, me fazendo recuar. Meus dedos correram para obedecer, puxando as lapelas imaculadas e deslizando o material caro pelos meus braços. Lamentei a perda de calor e conforto imediatamente.

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Sr. Prest levantou a mão. "Não, eu disse que ela poderia ficar com ele." Seu olhar se tornou maligno ao olhar para o Mestre A. "E eu quero dizer isso. Quando eu voltar em poucos dias, espero vê-la com ele. Compreendeu?" Mestre A engoliu sua ira, mas sem sucesso em esconder a raiva em seu rosto. "Sim." "Muito bem." Voltando seu olhar perigoso para mim, Sr. Prest murmurou, "Até a próxima, pequena silenciosa. Não estrague o meu presente." Com uma última olhada, ele saiu da mansão branca. A forma pela qual o Mestre A o chutou para fora demonstrou uma falta de respeito. A forma pela qual o Sr. Prest saiu demonstrou nenhuma gratidão. A guerra foi armada, e eu tive uma sensação horrível que tinha sido por causa de mim. Eu não o instiguei. Eu não me comportei como uma namorada mimada flertando com os conhecidos de seu amante para causar problemas. Eu era apenas uma menina que implorava por uma existência tranquila, e desejava desaparecer para nunca ter que ver outro homem novamente. A ira de ambos os lados formou uma unidade, esbofeteando o meu corpo na medida em que a porta lentamente se fechava.

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Tal ira quebrar-me-ia, salvar-me-ia, e me faria desejar deixar a morte. Lutando contra um ataque de pânico que se aproximava, eu mantive meus olhos na porção final da garagem. A última coisa que eu vi, antes de tudo se dissolver em um ataque de agonia, era o estranho terrível e suas costas poderosas afastando-se de mim.

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NO MOMENTO em que o Sr. Prest saiu, eu dirigi-me para o corredor e a escada. Eu realizei o meu papel. Eu tinha sido o peão na transação comercial do Mestre A. Eu estava feita. "Oh, Piiiimmm." A provocação do Mestre A soou atrás de mim. "Onde você pensa que vai?" Minhas costas se endireitaram e a adrenalina corre por minhas pernas. Cada instinto meu gritou: ‘Corra!’. Corra e se esconda o mais longe possível. Mas eu não iria correr. Eu nunca corri. Isto era uma fraqueza, e eu era muitas coisas, mas eu me recusei a ser uma covarde. Inclinando o queixo, eu dei-lhe um olhar e continuei a minha trajetória em direção ao corredor. O som de seus sapatos no piso pareciam facas prontas para arrancar a minha espinha. "Você sabe que não deve virar as costas para mim, Pimlico." Apenas continue.

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Mais alguns passos. Apoiei-me no batente da porta ao sair da sala e respirei fundo. Um passo, dois, três. Meus dedos dos pés descalços tocaram o primeiro degrau; o meu coração acelerado me fez tremer ao segurar o corrimão polido. "Volte aqui." Mestre A acelerou o passo, aparecendo a poucos metros atrás de mim. Ele estalou os dedos, inclinando a cabeça em uma ameaça bem conhecida. "Você não acha que você iria livrar-se tão facilmente, não é? Você sabe que você está fodida esta noite." Seus dentes brilhavam selvagemente brancos. "Você sentouse na porra da minha mesa, sua cadela. Você comeu minha comida. Você seduziu meu convidado. Você foi rude comigo, e você sabe o que isso significa." A cada passo que ele dava em direção a mim, minhas células gritavam mais alto. Foi tão difícil ignorá-lo. Tão difícil que eu tive que agarrar o corrimão para me manter no lugar; meus pobres dedos estalavam com a pressão. Mas eu não iria aumentar a minha velocidade. Não importa que ele apontasse uma arma pronta para mim, apenas para me fazer correr, eu subia os degraus lentamente, majestosamente, com a cabeça erguida e com o silêncio envolto como um vestido cintilante em torno de mim.

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Eu já perdi o controle uma vez esta noite com o meu ataque de pânico. O absoluto terror tomou o meu corpo frágil no pior momento possível. Detesto pensar que o estranho me viu dessa forma. Sem fôlego e azul. Oh Deus. O constrangimento era algo novo. Eu não me preocupava sobre o que outros pensavam sobre mim... Até ele. Mas isso não importava. Ele tinha ido embora. Eu nunca o veria novamente. Depois do que o Mestre A faria comigo esta noite... Talvez eu nunca veja outra pessoa novamente. Sete degraus, oito, nove. Vinte e sete a mais, e eu chegaria a meu quarto, a minha prisão. Se eu conseguir chegar lá, talvez Mestre A se lembre de que eu era sua e não do Sr. Prest. Outro homem pode me tocar e me usar a critério do meu dono, mas eu nunca seria levada embora. Só eu que posso me libertar, acabando com a minha vida ou com a dele. A minha coluna coçava, como se nela estivessem rastejando baratas, correndo cada vez mais rápido. Mestre A subiu as escadas silenciosamente atrás de mim. Meus ouvidos ficaram tensos, a espera dos gritos e ataques.

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Mas ele continuou a me seguir calmamente pelas escadas, observando as minhas ações. Ele não estava com pressa para me castigar. Nós dois sabíamos que não existia nenhuma alternativa diferente para esta noite. Ele acha que eu fui desobediente. Eu não concordo. A dor seria a mesma. "Você está pronta para mais um presente de aniversário, minha querida?" Sua risada era rançosa e maligna. "Eu acho que você é a única que me deve um presente após eu deixar você sentar no meu sofá. Não quero que você acredite que você vale mais do que você é". Ele estava tão perto. Minha velocidade aumentou um pouco. Ele rosnou quando meus pés atingiram o último degrau. "Correr não vai mudar o que está prestes a acontecer, Pim". Suas palavras me atingiram como um empurrão de uma mão fantasma entre as minhas omoplatas. Não era mais uma batalha entre lento e rápido, forte ou fraco, corajoso ou manso. Eu era uma guerreira veterana em combate. Mas eu também era uma soldada derrotada que queria fugir das linhas inimigas. Fuja!

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O instinto me

instigou a fazer isso. A necessidade

animalesca de esconder-me não me deu outra opção. Eu não conseguia impedir minhas pernas de correr, assim como eu não consegui parar as batidas frenéticas do meu coração rasgando em meu machucado peito. Eu não deveria. Eu seria punida. Eu deveria lutar contra meu terror e ajoelhar-me. Como sempre. Mas eu não podia. Não dessa vez. Eu fugi. "Pim!" Ele me perseguiu. Assim como eu já sabia. Minhas pernas frágeis transportaram o meu corpo magro do corredor para o meu quarto. Não havia uma porta para ser fechada e nem uma fechadura para ser trancada. Mesmo o meu banheiro não tinha porta, não me sendo oferecida privacidade em nenhum momento. Eu acho que eu tive sorte por ter o meu próprio espaço, mas isto foi apenas mais um elemento nos jogos do Mestre A. Não importa o que eu faça, não há lugar onde eu possa escapar e me esconder, ele sempre me encontra. Porque ele era o deus desta casa, e eu era apenas sua prostituta. Minha boca se abriu com um grito silencioso quando ele apareceu na porta, ofegante com os olhos irritados. "Eu já não te ensinei a não correr desse jeito assim que você chegou a esta

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casa?” Andando em minha direção, ele rosnou: "Será que esse maldito

idiota

de

algum

modo

desfez

todos

os

meus

ensinamentos no segundo que ele tocou em você? É verdade? Responda-me!" Cada célula minha se encolheu, meu sangue secou e meu coração parou de bater. Derretendo no chão ladrilhado, eu implorei mais do que a qualquer outro momento. Eu não me curvei com meu queixo dobrado e ombros encolhidos. Atirei-me inteiramente no chão, com os braços estendidos como eu tinha visto monges fazerem em profunda oração, pedindo misericórdia, mas sabendo que não iria obter qualquer. "Isso não vai te salvar desta vez, cadela." Parei de respirar quando ele pisou na minha mão esquerda, torcendo o pé, até que minha pele cedeu. Eu gritei mentalmente. Dor. Dor. Dor! Meu grito silencioso foi tão alto que fez meus tímpanos sangrarem. "Você gostou dele tocar em você, não é!? Não negue, porra. Eu sei a verdade. "Ele pisava mais forte na minha mão,

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colocando todo o seu peso sobre os ossos minúsculos e quebráveis. "Você acha que eu não percebi? Que eu não vi o jeito com o qual você olhou para ele? Foda-se, Pimlico você é minha!" Gritei de novo, me afogando no som doloroso de agonia, mas o quarto permaneceu em silêncio enquanto ele pisava de novo e de novo, fazendo o seu melhor para quebrar os dedos delicados. "Só porque você não fala não significa que eu não sei quando você está mentindo para mim, porra!" Pare com isso! Agora! Lutando contra uma onda de esmagadora de náuseas, forcei cada terminação nervosa a se acalmar. Eu fiz o que meu corpo me ensinou. Um mantra encheu a minha cabeça, enquanto os receptores de dor na minha mão se desligavam. Afinal de contas, a dor era apenas uma sensação. Um sinal para alertar que algo não estava bem e que uma ação deveria ser tomada para evitar danos piores. Entendi a mensagem, algo estava errado. Eu a recebi com sucesso, alta e clara. Eu não preciso ouvi-la continuamente. Ligar ou desligar. Clique.

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Desligar-me. Isso não significa que eu poderia ignorar a latejante e berrante agonia que ricocheteou pelo meu braço. O mantra só me permite compartimentar e ficar alerta para antecipar o que vem a seguir. Ele deixou de esmagar a minha mão, para poder me chutar nas costelas. Lutei contra a vontade de me encolher. Mesmo que ele tenha me chutado há apenas algumas horas e que as minhas contusões anteriores se tornem mais doloridas, ou que eu tenha um sangramento interno. Tudo que eu podia fazer era permanecer reta e suportar o seu abuso. Eu vou fazer o meu melhor para adormecer os meus sentidos e aceitar as opções que eu tenho: ou eu sobrevivo a esta noite, para depois lamber as minhas feridas em privado e, finalmente, chorar abertamente, ou ele me mata e nada mais será importante. Mate-me, acabe com isso. "Por que você não fala, porra?!" Ele me chutou novamente, agora no o meu quadril, me deixando completamente cheia de hematomas. "Fale, droga." Seu sapato afiado esfaqueou a minha

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coxa, então o meu joelho, panturrilha e tornozelo. "Diga uma palavra e eu paro." Não. Nunca. Esta batalha não era nova. Eu já a lutei muitas vezes antes. No entanto, ele foi mais cruel esta noite, tudo por causa do Sr. Prest. Condenado seja ele. Maldito. Nunca volte. Jamais ouse aparecer de novo. Voltando sua atenção para o meu lado esquerdo, ele repetiu todo o espancamento nas costelas, quadril, coxa, joelho, panturrilha e tornozelo. Pelo menos as marcas seriam iguais nos dois lados. Linhas de código Morse pontilhavam a minha carne. Será que elas expressavam um pedido de ajuda? Ou anunciavam que eu era dele e podia ser usada de qualquer forma? "Você não vai falar comigo, mas você falou com ele." O que? "Você falou com um babaca que pensa que é melhor do que eu."

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Não! "Você acha que pode mentir para mim? Mesmo o seu silêncio goteja com a porra da verdade." Que verdade? Não há nenhuma verdade! Ele me chutou com toda a energia restante, diretamente na parte inferior das minhas costas, arrancando de mim um gemido profundo que eu não podia controlar. "Ah, doce vitória. Você fez um barulho." Abaixando-se ao meu lado, ele puxou meu cabelo, forçando-me a olhar para ele. "Você o queria, não é, Pim? Você prefere o pau ao meu. Você queria aquele doente fodido porque ele a deixou comer à mesa como um ser humano. Porque ele a permitiu sentar no sofá como uma mulher." Sacudindo-me, ele cuspiu na minha cara. "Você não é uma mulher. Você é minha para ser o que eu quiser. Se eu digo que você é a porra de um flamingo, você fica parada em um pé só. Se eu te disser que você é um cadela, você fica de quatro e espera para ser montada. Você entendeu isso? Sim!?" Eu

me

encolhi

desgostosa

ao

extremo,

escorrendo pelo meu queixo.

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com

saliva


Eu sou uma mulher. E eu não sou sua. Não importa por quanto tempo você me possuir, eu nunca vou ser sua. "Esses presentes não eram dele para dar." Levantando-me bruscamente, ele usou o meu cabelo como uma coleira, guiando-me do meu quarto para o seu. Eu tropecei ao lado dele, respirando com dificuldade, com lágrimas que eu não me lembro de chorar escorrendo pelo meu rosto, ao mesmo tempo em que segurava a minha mão mutilada. Parecia que com cada passo eu me quebrava em um bilhão de partes. Eu queria quebrar completamente. Talvez, então, a agonia iria parar. Minha mão estava quebrada. Eu não precisava de um médico para me dizer isso. Ele me jogou em seu quarto, rapidamente se dirigindo para sua mesa de cabeceira, tirando dela uma corda. Eu tentei defender-me dele, mas fui agarrada pelo pulso e jogada na cama. No momento em que me deitei, ele arrancou blazer do Sr. Prest, tirou a minha saia, puxou o resto da minha camisa arruinada, e sorriu com a vitória. "Eu queria me divertir esta noite. Nem todo dia é tão especial como um aniversário de dois anos".

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Ele enfiou a cara na minha. "Mas você tinha que arruinar tudo, não é porra?! Você tinha que ficar molhada para esse filho da puta enquanto ele tentava me tirar milhões. Você teve a audácia de deixá-lo tocá-la e gostar disso". Afastando-se, ele passou as mãos instáveis pelo cabelo. Seu tremor combinava com o meu, mas por razões completamente diferentes. Eu lutei contra o terror com os últimos restos de força que possuía. Ele estava bêbado da brutalidade e pronto para agir. Enrolando a corda em torno de sua mão, ele riu. "Sabe o que eu acabei de perceber, doce pequena Pim?" Ele fez a corda de chicote. "Eu percebi que se passaram muitos meses desde que eu fiz você gritar." O primeiro golpe me acertou no peito, criando um vergão lívido instantaneamente. Eu apertei meus lábios e olhei para o teto. Eu teria dado qualquer coisa para afastar-me para o lado e enrolar-me em uma bola. Eu tinha estado com ele por tempo suficiente para saber qual era seu plano. Não era algo bom. Ele me chicoteou uma e outra vez, as minúsculas fibras corda cortando a minha pele macia como uma lâmina afiada. Filetes de sangue brotaram nos meus seios e baixo ventre. "Lembra daquela noite ... quando eu quebrei o seu braço? Você fez o som mais doce." Ele agarrou seu pau através da

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calça, antes de desfazer rapidamente o cinto, tirar a calça e jogá-la no chão. Ele não usava roupa de baixo, e seu pau feio saiu de uma moita de cabelo loiro. "Quando eu a ouvi gritar? Porra, isso me deixou excitado." Rasgando a camisa, ele subiu no colchão, nu, com apenas a corda em suas mãos. Eu desviei os olhos. De agora em diante, eu não olharia para ele. Ele iria fazer o seu melhor para fazer-me berrar. Ele me forçaria a assistir. Ordenar-me a ouvir cada coisa depravada que ele dissesse. Mas ele não poderia fazer-me ficar. Quando seu corpo suado atacou o meu corpo enquanto a corda grossa prendia os meus pulsos e tornozelos, eu disse adeus a Pimlico e tornei-me Tasmin outra vez. Eu afundei e afundei. Voltei para um tempo mais feliz. Cavando através do meu período de escravidão, minha mente encontrou a inocência. Onde nada e ninguém poderia me tocar.

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Quem é ela? A pergunta me deixou louco. Ela estava em minha mente com seu silêncio julgador; em meus pensamentos com seu olhar conhecedor. Ela era apenas uma menina. Uma abatida, magra, menina insolente. Então, por que eu me lembro dela como algo muito mais do que o que ela era? Por ela causou tal impressão em mim? Ninguém tinha me deixado uma marca desde que eu vivi nas ruas cheias de frieza e crueldade. Ela me lembrou daquela época. De um tempo que eu tentei tão duramente esquecer. "Senhor, o contrato está redigido." Minha cabeça se levantou do meu laptop. Eu encarei Selix. Ele foi um dos poucos a conhecer-me antes da riqueza encontrar-me ‒ bem, antes que eu roubasse a riqueza que se tornou minha. Corri a mão pelo meu braço nu, traçando as palavras japonesas escritas com tinta em volta do meu pulso. O provérbio zombou de mim, me lembrando da promessa que

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tinha feito a minha mãe quando eu tinha sido um homem melhor. "Bom. Organizar a reunião final para que possamos dar o fora deste porto." "Muito bem." Ele retirou-se do meu escritório, carregando a pasta de papel pardo grosso cheio de esquemas e letras miúdas. Eu não relaxei até que o ruído suave da porta sendo fechada encontrou meus ouvidos. No momento em que eu estava sozinho, eu plantei meus cotovelos sobre a mesa e esfreguei o meu rosto. Eu era muito ocupado para esta porra absurda. Ela é apenas uma menina. Merda, não a chame assim. Ela é uma escrava. Nos últimos dois dias, minha mente tinha lentamente a transformado de uma posse para um ser humano. Eu não queria isso. Eu queria que ela permanecesse sem rosto ... sem valor, para que eu pudesse esquecê-la e seguir em frente. Eu tinha muitos idiotas requisitando os meus serviços para ter uma distração atrapalhando-me. Além disso, se eu precisasse de uma mulher, eu poderia ter duas ou dez entregues para mim dentro de uma hora. Eu não precisava dela. Não que eu muitas vezes cedi aos desejos

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corporais. Coisas ruins aconteceram quando eu cedi aos meus desejos. Olhe para o meu reino atual. De alguma forma, dos pequenos furtos eu passei para as extorsões. Eu transformei os roubos em uma dinastia ilegal, e nenhuma lei ou regra poderia me parar. Eu operava em águas internacionais. Sem constituições de países para respeitar. Na verdade, eu sou um pirata com objetivos singulares. Pensando no oceano aberto, meus olhos se voltaram para o horizonte. Um desejo físico de lançar a âncora e ir embora me tomou. Para navegar para longe desta porra de cidade suja. Em breve. Mais um dia. Então eu poderia deixar este lugar esquecido por Deus e viajar para o meu próximo encontro de negócios do outro lado do globo. Alrik foi fiel à sua palavra. Ele fez o pagamento, e minha conta bancária estava milhões de dólares mais rica. Não que o dinheiro miserável significava qualquer coisa nestes dias. Eu poderia sobreviver com nada ‒ já provei que sim

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‒ mesmo fazendo coisas para sobreviver que não teria a aprovação de muitos. Antes que eu tivesse dinheiro ... a vida era fácil. Eu sabia quem eu era. Eu sabia o que era. Mas então, o destino decidiu me dar ouro em vez de sujeira, fazendo com eu me tornasse alguém na vida. Fui feito para ferir aqueles abaixo de mim, para manipular e controlar. Então, por que diabos eu me sinto como se eu tivesse esmagado um rato de sarjeta sob meu sapato quando eu havia sido apenas bom e cortês? Droga de mulher. Colocando-me de pé, eu empurrei a minha cadeira para o lado e caminhei até as janelas que iam do chão ao teto, revelando um porto espumante com catamarãs, lanchas e botes pintados. Nós tínhamos atracado nesse porto há quase uma semana, e já era hora de sair. Eu não me sinto bem preso em um só lugar. "Porra." A maldição saiu silenciosamente quando vi uma mulher com cabelos castanhos escuros rindo no cais a distância. Ela não se parecia em nada com a escrava magra que eu conheci, mas a cor do cabelo despertou em mim coisas que eu já não reconhecia. Eu tinha ganhado o que eu queria no encontro com Alrik.

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Eu deveria estar feliz. Mas eu não podia me livrar deste sentimento repugnante como se eu tivesse feito algo do qual eu não poderia me orgulhar. Minhas mãos se fecharam em punhos. Eu não tinha dado a ela a minha própria jaqueta, porra? Eu não tinha falado cordialmente e me assegurado de que ela comesse? Sim! Então, por que não posso esquecê-la? Ela deve ter ficado muito grata pela minha atenção. Tratei-a muito melhor do que o seu mestre já fez algum dia. O que lhe aconteceu nos dois dias desde que eu tinha estado lá? Ela havia sido molestada outra vez? Bateram-lhe de novo? Não que isso importasse. Eu tinha visto as pessoas terem os dentes arrombados e ossos quebrados na rua. Eu tinha visto homens terem seus dedos cortados em um restaurante cinco estrelas, onde chefes da máfia não tinham medo de retaliação. Eu vivia em violência. Eu era violência. Portanto, o pensamento de uma menina recebendo uns tapas não devia malditamente me incomodar.

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Mas incomodou... Alguém bateu na porta do meu escritório. Virando-me, eu rosnei, "Entre". Uma das empregadas entrou na ponta dos pés, carregando uma bandeja com o almoço desconhecido sob uma cúpula de prata. Ela não disse uma palavra, mas andava com confiança, colocando a comida na minha mesa com um sorriso educado antes de se retirar. Ela movia-se com liberdade e felicidade. Pimlico movia-se com a servidão e depressão. Eu a quero. Meu corpo ficou tenso com a necessidade obsessiva de raptar a escrava de Alrik. Deslizando os dedos pelo meu cabelo, eu tentei domar os fios pretos grossos, tentando desfazer esta ideia. Pimlico tinha muito a compartilhar, toda uma história para contar. Ela tinha ficado intrigada por mim também. Eu senti. Seu interesse não tinha sido pela minha riqueza, mas algo mais profundo. Alguma coisa, que eu não conseguia descobrir. Alguma coisa que eu nunca saberia, porque ela não era minha e eu tinha um código de conduta a seguir. Eu tinha visto ela uma vez. Toquei-lhe uma vez. Uma vez que teria de ser suficiente.

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Porque um homem como eu nunca poderia ter uma segunda chance. Foi a minha lei mais inquebrável. Amanhã, eu voltaria e completaria o nosso negócio. Eu deveria estar animado por mais um negócio bem sucedido. No entanto, eu não poderia ligar menos para isso. O que meu empolgou foi o pensamento de encontrar a escrava e roubar seus segredos silenciosos. Eu tenho força de vontade para fazer isso? Andando no meu escritório, eu fiz uma careta para a decoração cara com móveis artesanais. Eu convivi com meus apetites incomuns toda a minha vida. Eu não deixaria uma garota quebrada destruir minhas diretrizes rígidas. Gostaria de vê-la novamente. Eu não iria falar com ela. Eu não iria olhar para ela. E eu definitivamente não exigiria me aproximar dela.

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Dois dias se passaram. Depois da surra, quando o Sr. Prest se foi, e Mestre A me usou impiedosamente. Neste dia, ele me fez desejar que eu tivesse sido mais corajosa e me matado o momento em que ele me comprou. À noite, ele me fez dormir como um cão enrolado no fim de sua cama, onde ele poderia me chutar em seus sonhos e em seguida me estuprar quando acordasse. Pela manhã, eu estava privada de sono e tremendo de agonia residual. Ele não chamaria o médico para cuidar da minha mão, e depois de fazer o café da manhã, eu saqueei o armário médico no banheiro do térreo, fazendo o meu melhor para corrigir-me. Eu encontrei uns curativos e analgésicos ‒ não bons o suficiente para corrigir o estrago feito ‒ mas melhor do que nada. Por que me dar ao trabalho? Eu não fazia ideia. Ele simplesmente me machucaria novamente e novamente. Era inútil dar o meu corpo uma tentativa de sobrevivência

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quando a minha alma já tinha embalado suas malas e pulado ao mar. No entanto, quando eu enfaixei os meus dedos quebrados e passei arnica sobre meus braços e pernas, minha mente vagou para o Sr. Prest. Ele tinha causado a minha dor. Ele foi a razão pela qual Mestre A foi tão vil. Eu nunca esqueceria isso. Eu não queria ter nada a ver com seu blazer, seu cheiro exótico, ou pensar em seus olhos negros e características ferozes. Ele não era nada para mim. Assim como eu não era nada para o meu mestre. A única graça foi que eu não tinha visto Darryl, Monty, ou Tony desde a noite eles foram expulsos. Eu não acho que foi porque o Mestre A precisava de um descanso de seus supostos amigos, mas porque ele estava com ciúmes da atenção dada a mim. "Oh, Pimlicooo? Saia, saia, de onde quer que esteja." Estremeci quando meu inimigo apareceu na cozinha. "Ah, aí está você." Sim, aqui estou. Lavando sua roupa e louça e realizando todas as tarefas que você necessita.

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Vindo atrás de mim, ele envolveu os braços terríveis volta do meu corpo doloroso. "Senti sua falta." Vá para o inferno. Pressionando

uma

contusão

na

minha

clavícula, ele

murmurou, "Você foi uma boa menina enquanto eu estive no meu escritório?" Uma hora ou mais atrás, ele retirou-se para seu escritório, mandando e-mails e fazendo sabe lá o que. Eu tinha desfrutado de alguns momentos longe de seus olhos sujos e maldições críticas. Enquanto ele estava ocupado, eu tinha feito o meu melhor para encontrar os comprimidos para dormir que ele às vezes tomava. Eu não poderia lidar com outra surra tão cedo, então planejei para esmagar um pouco em sua comida para que eu pudesse ter a noite de folga. No entanto, a garrafa estava vazia. Meu plano para evitar mais agonia foi frustrado. Se eu tivesse que bater-lhe na cabeça com a frigideira ... eu o faria. Eu iria bater e bater e bater até que seu crânio se rachasse como um ovo podre e eu pudesse finalmente me tornar uma mulher livre. Livre…

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Meu queixo levantou-se quando eu olhei para longe. Meus dedos dos pés descalços cavavam os azulejos frios, encolhendo o meu corpo nu sob seu toque. Desde a partida do Sr. Prest, eu estava nua e todas as roupas desapareceram mais uma vez. Em um momento, Mestre A me apertou, e no próximo, ele me jogou em direção a pia, golpeando meu rosto com o punho. "Eu perguntei se você foi uma boa menina, Pim. Responda-me." Eu olhei através de lágrimas, olhos vidrados, segurando minha bochecha ardente. Você nunca vai aprender. Não importa o que você faça... Eu nunca vou te responder. Suas

mãos

fecharam

quando

entramos

mais

uma

competição de encarar que normalmente terminava comigo curvando-me aos seus pés implorando por misericórdia. Durante todo o dia, ele tinha estado em um humor diabólico. Tudo começou com ele me acordando ao forçar o meu rosto em sua virilha, me fazendo sufocar com seu pau em minha garganta. O café da manhã se passou comigo em pé sobre a mesa como uma estatueta nua para que ele pudesse jogar utensílios em mim enquanto comia seu cereal.

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Na hora do almoço eu tive o meu corpo empurrado e pressionado no couro branco de seu sofá enquanto ele me chicoteava. E agora, era noite. O pior momento. Por anos, eu tinha mantido um pouco de dignidade. Eu mantive o meu silêncio. Eu amaldiçoei com força e mantive o queixo acentuadamente inclinado. E não importava o que ele fazia, eu nunca deixei ele me quebrar. Mas ao fazer isso, fui tomada por pensamentos de assassinato e fuga que poderiam encher uma enciclopédia inteira. Eu estava pronta para matá-lo ou ser morta. Eu não poderia viver assim por mais tempo. Eu queria sair. Agora! Sacudindo o punho ele tinha usado para me esmurrar, ele rosnou, "Vá para o andar de cima, Pim. Já passou da sua hora de dormir, e eu tenho algo para ajudá-la adormecer." ***** Três dias desde que o Sr. Prest desapareceu. Hora do almoço.

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Eu tinha sido alimentada esta tarde, o que foi a primeira vez em vinte e sete horas. Não que eu estivesse contando ou qualquer coisa. A refeição consistia de restos de lasanha servidos em meu recipiente de cão. Foi uma das minhas pequenas vitórias. Eu tinha ganhado na noite passada. Eu antecipei seus planos, e com alguns olhares bem colocados, mudei seu humor de volátil para sã. Ele ainda me machucou, mas não tanto quanto ele tinha previsto. E hoje, ele concordou que eu era uma boa menina. Idiota. No momento, agora que eu lavei a louça e ajoelhei-me aos pés do sofá enquanto ele assistia a algum filme de ação horrível, ele estalou os dedos para que eu rastejasse para perto. Meu estômago tremeu ao mesmo tempo em que o vômito correu até minha garganta. Eu sabia o que ele queria ‒ a mesma coisa de sempre quando ele assistia a um filme antes do jantar. Um boquete. Nos primeiros que ele me forçou a fazer, eu o mordi. Não muito forte, mas o suficiente para expressar o meu desagrado de forma clara.

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Ele me bateu na cabeça com tanta força que eu apaguei, e ao acordar vi que ele me usou sem minha permissão. Lambi meus lábios, correndo minha língua sobre a carne rachada e ferida das gengivas. Na minha perspectiva, era a melhor forma de preparar meu corpo para uma tarefa tão desagradável. Na dele, era um gesto sensual, que indicava vontade de chupá-lo. Mestre A gemeu quando ele arqueou seus quadris para fora do sofá, desfazendo seu zíper, e puxando para fora seu pau. "Você se tornou tão talentosa nisso, minha doce Pim." Agarrando o controle remoto ao lado dele, ele desligou os sons de explosões e tiros, substituindo o filme por macios sons de violino e piano. Instantaneamente, eu tremi com repulsa. Música clássica. Intrinsecamente ligada a meu abuso. Eu não sabia se o Mestre A era inteligente o suficiente para acorrentar minha mente com música ao obrigar o meu corpo fazer coisas abomináveis. Mas minha mãe teria ficado intrigada com seus métodos. Ela ficaria louca para descobrir por que eu queria explodir em lágrimas no momento em que a nota trêmula do instrumento suave ecoou em torno de mim. Encostando-se no sofá, Mestre A agarrou minha nuca, guiando meu rosto para seu colo. "Estou tão feliz que você está

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se comportando novamente. Parece que a nossa pequena conversa fez-lhe muito bem”. Eu o desprezo até as entranhas do cosmos. A minha alma recuou. Eu tentei resistir, tanto quanto me atrevi. Mas, afinal, eu o deixei guiar-me para onde ele queria, mantendo meus olhos espremidos quando seu pau empurrou contra o meu lábio inferior. Bing bong. Nós dois congelamos. A campainha pairava no espaço com a demanda. Mestre A respirava com dificuldade, seu peito trabalhando com a antecipação de minha boca. "Quem diabos será?" Como diabos eu vou saber? Afastando-me, agradeci a quem quer que fosse. Ninguém poderia impedir que isso acontecesse, mas pelo eu teria um pequeno alívio, o suficiente para digerir o meu almoço e mentalmente desligar a música clássica, para então ser capaz

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de realizar minhas obrigações enquanto me refugiava na minha mente e adormecia. Empurrou-me para longe, sem remorsos por me derrubar quando ele saiu do sofá, ajustando a sua calça jeans e fechando a braguilha. "Se for aquela merda do Darryl, eu disse a ele que era amanhã." Espero que todos os seus amigos apodreçam. Mestre A me olhou, apontando para a parede. "Ajoelhe-se. Comporte-se." A campainha tocou novamente quando ele desapareceu da sala. Porra. Eu lhe mostrei a língua. Era juvenil e ridículo, mas isso fez meu coração mais leve de uma forma pequena. Apenas em um pequeno segundo, olhei para as janelas a minha esquerda. O sol tinha se posto no mar, extinguindo-se em

uma

fogueira

de

tons

rosa

e

laranja.

A

vista

da

monstruosidade branca nunca era bela, não importando o que mostrasse. Era apenas mais um componente da minha prisão. Eu a odiava. Eu odiava muitas coisas nestes dias.

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Deixei de observar o crepúsculo e me arrastei para o lugar onde ele me disse para esperar. Embalando a minha mão enfaixada, eu olhei para cima quando Mestre A entrou na sala. Seu rosto tinha perdido o seu desejo de antes, o substituído com aborrecimento gritante. Ele jogou algo macio e branco em meu corpo nu. "Porra! Eu esqueci que ele viria hoje." Meu coração disparou até que eu prometi amarrá-lo se ele não parasse. Quem? Quem está vindo? Esquivando-se, ele empurrou um dedo na minha cara. "Vista-se. Agora. Mantenha seus olhos para baixo, obedeça-me, e se eu pegar você olhando para ele, porra, as últimas noites poderão ser consideradas como um ensaio leve para o verdadeiro show." Tocando meu queixo com o dedo, ele beijoume com força e desleixo. "Entendeu? Você é minha. Não dele. Minha. Agora, cubra-se e não se atreva a se mover." Não me esperando a obedecer, ele se dirigiu ao hall de entrada, deixando-me a acariciar o vestido branco que ele me deu. Roupas. A última vez que ele me deu roupas ...

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Oh, meu Deus, ele está de volta. O maldito Elder Prest. O homem que provocou o meu mestre. O homem cuja diversão quase me custou a vida. Nos últimos dias, ele provavelmente contou seus milhões e esqueceu tudo sobre mim enquanto eu sofria com ossos quebrados e agonia. Agora, ele estava de volta para mais. Minha pele eclodiu em fogo e gelo, lutando pela supremacia. Eu não sei por que Mestre A me queria coberta para este convidado quando ele permitiu que todos os outros me olhassem, mas eu não hesitei escorregando minhas mãos nas mangas longas e puxando o material elástico sobre a minha cabeça. Meus ombros gritaram. Meus cotovelos estalaram. Cada polegada de mim gritou quando eu coloquei o vestido. Ele chegava até as minhas panturrilhas ‒ não o suficiente para esconder os hematomas nas minhas pernas, mas o suficiente para cobrir todo o resto. Ele está aqui. Eu não poderia aliviar o meu coração, mesmo acariciando o meu peito suavemente e sussurrando para ele se acalmar. O coitado já não me escuta depois de tanto ser ameaçado.

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Sr. Prest era apenas um homem. Um homem que eu não gostava. Um homem que com apenas uma vista encheu o meu mundo de dor. Mas ainda assim apenas um homem. Eu tenho sobrevivido a um por tanto tempo... Eu poderia sobreviver a outro. Passos pesados soaram no vestíbulo enquanto eu ajustava a minha posição e usava a minha mão boa para jogar o cabelo no rosto para protegê-lo de ver demais. Ele havia retornado, mas isso não quer dizer que eu o olharia. Se Mestre A queria que eu me tornasse invisível e ouvisse a sua conversa de negócios, mas sem prestar atenção no Sr. Prest, eu cumpriria todas as instruções. Eu acho que o comando para obedecer ao Sr. Prest foi revogado. Descansando minha mão ferida no colo, suspirei ao tocar o material pegajoso do vestido que me foi dado. Mais uma vez, a claustrofobia me tomava, trazendo com ela os ataques de pânico e fraqueza. Eu cerrei os dentes.

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Você é mais forte do que isso. Você é melhor do que todos eles. Respirando com dificuldade pelo nariz, ousei acreditar nas minhas mentiras e forcei-me a ter calma. O piso duro e frio feria os meus joelhos ao mesmo tempo em que murmúrios baixos se aproximavam. Escutei atentamente quando o clique gentil de sapatos de homem ecoou no espaço vazio. Meu corpo implorou para que eu olhasse para a perfeição da beleza do Sr. Prest, ao sentir a sua presença e cheiro. Eu o proíbo. Em vez disso, eu mantive a minha cabeça baixa, olhando diretamente para a linha de argamassa entre os ladrilhos que seguia por toda a sala. "Você recebeu o pagamento?" Mestre A perguntou. As pernas do Sr. Prest entraram na minha linha de visão. Abaixei minha cabeça ainda mais. Ele não está aqui. Ele não é real. Não o olhe ou o ouça ou o cheire.

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Meu coração continua a bater loucamente, mas eu ganho a guerra. Meus olhos permaneceram firmes no chão. O Sr. Prest avançou alguns passos, colocando as suas longas e fortes pernas em um lugar que eu não desejava. Pernas não eram tão ruins. Eu poderia lidar com as pernas... Na verdade com os tornozelos. Até aí tudo bem. Mas qualquer outra parte dele, eu não quero ver. "Recebi. E enviei-lhe os esquemas e modelos do projeto." O Sr. Prest tirou algo de dentro da pasta de couro que estava em suas mãos, fazendo um barulho áspero. "Aqui." Como você sabe que é uma pasta? Merda, eu olhei para cima. Meu olhar passou por suas largas coxas, pela ligeira protuberância em suas calças, pelas linhas graciosas de seu peito, até os cumes afiados de sua garganta. Abaixe a sua cabeça! Meu comando fez meus ombros se encolherem quando eu me encolhi ainda mais no chão. Eu não podia encontrar seus olhos. É ali onde o perigo estava.

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Se eu escorregasse e olhasse para cima, eu duvidava que eu vivesse até amanhã. Mestre A considerava eu tinha algum tipo de fascinação doente (ou era atração?) por este monstro que eu não podia suportar). Não, não é atração. Não podia ser. Depois de perder minha virgindade brutalmente e virado escrava, eu não tenho esperança de achar alguém atraente pelo qual eu pudesse me apaixonar. Eu duvido que eu tenha encontrado alguém assim. Meu destino é diferente do das minhas amigas que viverão felizes e por muito tempo, casadas com um homem amoroso e tendo filhos. Eu queria ficar sozinha. Segura. Longe dos homens. Os dois vilões falavam em vozes baixas sobre datas de entrega e inspeções. Eu não me incomodei tentando ouvir. Eu não me importava. Minha pele se arrepiou quando a voz do Sr. Prest se misturou com a do Mestre A. Saber que ambos me observavam me dava a sensação de sufocamento. Eu não ousava me mover;

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Eu mal podia respirar. O Sr. Prest de alguma forma roubou todos os sentidos e os guardou com ele. A batalha para manter a minha cabeça baixa tornou-se cada vez mais difícil de vencer. Cada arrastar de pés e farfalhar de suas roupas me instigava a dar uma espiada. Uma espiada. Eu não posso. Respirando fundo, eu fiz o que eu nunca pensei que eu iria fazer e foquei-me na música clássica, tentando ignorar o meu fascínio repugnante pelo nosso visitante. De bom grado deixei os instrumentos de cordas me distraírem, mesmo que eles só me trouxessem pesadelos geralmente. Isso é Mestre A: um pesadelo. E algum dia, eu vou acordar e será o fim. Acorde, Pim ... acorde. Depois de dez minutos ou mais, Mestre A estalou os dedos, deixando a conversa. "Pegue uma bebida para o Sr. Prest, Pim". Levantar-me? Mover-me?

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Correr o risco de olhá-lo sem permissão? Minha coluna tencionou em desobediência. Quando eu não me movi, Mestre A baixou a voz. "Será que você não me ouviu?" Empurrando meu joelho com o seu dedo do pé, ele resmungou: "Vai!" Meu corpo rosnou com muitas dores quando eu me levantei, derrapando na cozinha. Milagrosamente, eu mantive meu queixo dobrado e os olhos para baixo. No entanto, mesmo sem vê-lo, eu senti o Sr. Prest me observando. O ouvi pensar em mim. Sua sombra espreitava o meu campo de visão enquanto eu corria em torno da bancada. Em nenhuma vez o Sr. Prest se dirigiu a mim. Ele não brincou comigo como da primeira vez quando me deu um apelido. Ele não foi ameaçado pelo Mestre A, então por que não estava sendo bom e gentil como foi da outra vez? Eu não queria admitir, mas a sua frieza me doeu mais do que um chute do meu dono estúpido. Isto era cruel. Quando uma pessoa só recebe maus tratos, ela não espera por algo melhor, mas quando uma pessoa recebe carinho e cuidado e depois é abandonada é muito pior. Foi este o objetivo do Sr. Prest desde o início?

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Mantendo o meu rosto coberto por meu cabelo, tanto quanto possível, eu fui para a pequena despensa, onde uma pequena adega estava localizada no chão. Pressionando um botão prateado na parede, o alçapão se abriu e uma garrafa de Bourbon que Mestre A havia selecionado foi entregue automaticamente pelo sistema. Agarrando o licor caro, eu tremia enquanto despejava em taças a bebida. Eu derrubei algumas gotas. De costas rígidas. Esperei por uma repreensão. Eu tinha deixado cair uma garrafa uma vez. Eu só tinha estado com o Mestre A por um mês, e ainda era rebelde. Eu não me recordo se eu a deixei cair por acidente ou se foi de propósito. Mas eu me lembro da punição muito bem. Ela envolvia os cacos da garrafa quebrada e licor sendo jogado nos cortes que ele desenhou em minha pele. Eu chorei silenciosamente. Mas eu não tinha dado a ele o que ele mais queria, a minha voz. Não que isso importasse. Ele tinha curado o meu jeito desastrado nesta ocasião. Ignorando a cicatriz no meu antebraço que marcava aquela memória horrível, eu rapidamente limpei a bagunça e fechei a garrafa.

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Eu guardei a bebida de volta a adega, servi os homens e voltei para o meu posto, me ajoelhando aos pés da parede com uma careta de dor mal disfarçada. O Sr. Prest murmurou algo parecido com um ‘obrigado’, com os olhos voltados para mim mesmo quando um barulho de taças brindando cobriu o som da música. Mas ele não disse mais nada. Nenhuma observação sobre as minhas roupas ou tentativa de me fazer falar. Ele me ignorou, concentrando-se em Mestre A. Pelos próximos trinta minutos, eu mergulhei em minha mente. Eu fiquei muito mais feliz em ouvi-los falar do que ser forçada a chupá-los. No entanto, após as últimas noites sem dormir, eu lutava para combater a pesada nuvem de sonolência. Eu lutei para não fechar os olhos, obrigando-me a não ficar inconsciente. Eu tinha feito isso uma vez: caí no sono quando eu estava ajoelhada. Darryl tinha sido o único a me punir naquela noite. Mestre A o tinha incitado, dizendo como indisciplinada eu era e precisava de uma dura lição. Eu não tinha sido capaz de me mover por uma semana. O zumbido baixo de vozes de repente parou. Eu entrei em pânico.

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Adormeci e eles notaram? Eles me deram uma ordem e eu estava cochilando? Meu coração ficou enlouquecido. Quase saiu do peito quando ouvi o Sr. Prest amaldiçoar baixinho. Meus ombros se encolheram ainda mais quando ele finalmente resolveu me dar atenção. "Este vestido fica melhor em você do que aquela saia feia.” Sua voz agiu como tesouras, cortando o vestido que ele tinha elogiado, lambendo minha pele com ameaças afiadas. Ele deslizou no sofá e sua sombra se aproximou de mim enquanto o sol terminava de se pôr e as luzes automáticas se acendiam. Não olhe. Não. O. Olhe. Ele estava empoleirado na extremidade do sofá como um corvo negro da intriga. "Vamos voltar para a assinatura final do contrato?" Mestre A murmurou, segurando sua bebida. "Em um momento." Sr. Prest o dispensou, impaciente. Mesmo com o meu cabelo obscurecendo a minha visão e meu olhar fixo no chão, eu não afastar a tentação olhá-lo. Eu odeio você pelo o que me aconteceu.

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Então, por que eu ainda me sinto atraída por ele? Magia? Destino? O que? Sentindo que eu estava ouvindo, Sr. Prest se aproximou. Inclinando-se sobre a ponta do sofá com os dedos ligados em torno de sua taça e os olhos fixos em mim, disse: "Ainda em silêncio, eu vejo." Ele riu preparado para me inquirir ao invés de dar a sua atenção para Mestre A. Não faça isso. Você não vê o que vai me custar? Olhe para ele, não para mim. Inclinando-se para frente, ele colocou seu copo de bebida intocado na mesa de café antes de voltar a me olhar. Meu couro cabeludo formigava sob seu olhar, a temperatura da sala subia na medida em que ficávamos presos em seu jogo. "Sr. Prest ..." Um barulho de papel e uma caneta batendo no vidro sinalizou a tentativa não muito sutil do Mestre A chamar sua atenção. Não funcionou.

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O Sr. Prest apenas continuou a me encarar, como se pudesse abrir minha cabeça e tirar dele os meus pensamentos sem ter que ouvi-los da minha boca muda. Movimentando-se, ele enfiou a mão no bolso. Que não seja uma moeda. De novo não. Senti o toque suave do pequeno objeto de cobre em meu joelho, antes que ele escorregasse e caísse no chão. "Um centavo pelos seus pensamentos, pequena silenciosa. Talvez, hoje você resolva falar." Pare de fazer isso comigo! Maldito seja ele e seus tostões. Eu não quero ser paga por palavras que eu jamais pronunciaria. Que tal ele me pagar um centavo para cada chute que eu tinha sofrido, cada osso quebrado, cada estupro, cada lágrima? Eu seria uma maldita milionária com os meios para escapar daqui. Mestre A colocou-se de pé. Meus dentes apertavam o meu lábio inferior e eu me encolhi ainda mais.

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Eu não fiz nada! Machuque-o, não a mim! Mas ao invés de me golpear na cabeça ou me chutar, Mestre A se colocou entre o Sr. Prest e eu. A distância da minha posição no pé da parede e a extremidade do sofá não era muito longa, então meu dono ficou tão próximo a mim que eu pude sentir o cheiro floral do sabão em pó que ele insistia que eu usasse ao lavar suas roupas. O cheiro do Mestre A era muito diferente do Sr. Prest, que exalava um perfume de poder e crueldade. Eu não sabia de onde ele obteve essa fragrância, mas era fato que ele nadava nela e a espalhava por todo o ambiente no qual se entrava. "Pare de dar dinheiro a minha escrava." Pegando a moeda de um centavo do chão, Mestre A a manteve firmemente presa em seu punho. "Neste acordo de negócios, eu sou o único que deve pagar a alguém. O que eu fiz, como você bem sabe, porra. A transferência dos fundos está completa. Eu assinei o contrato de aceitação final. Nossa reunião acabou." Eu respirei de alívio por Mestre A não poder me ver. Como ele estava de costas para mim, eu me permiti levantar a cabeça, apenas um pouco. O impacto de sua declaração durou por alguns segundos tensos.

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Ao invés de levantar-se para sair, o Sr. Prest reclinou-se confortavelmente no sofá. O grito do couro caro agiu como uma interrupção na música terrível que ainda tocava. "Eu não vou embora. Ainda não." O que? Será que ele tem um desejo de morte? Basta ir! Eu peguei o movimento entre as pernas do Mestre A quando o Sr. Prest levantou o braço, apontando para mim. "O que aconteceu com ela?" "Que porra é essa que você quer dizer, o que aconteceu com ela?" Mestre A cruzou os braços, não retornando a moeda ou afastando-se. "Ela não é da sua conta." Eu congelei quando o Sr. Prest apontou de forma acusadora para a minha mão quebrada, mal enfaixada. "Como ela fez isso?" Uma bolha estranha de riso fez cócegas meu interior. Quem se importa? Por que ele insiste em irritar meu dono? Ele não se importa comigo. Foi tudo um ato para irritar Mestre A e de alguma forma obter melhores condições no acordo entre eles, seja qual for.

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"Ela fez isso para si mesma." Disse Mestre A ao mesmo tempo em que abria as pernas, numa posição ameaçadora. "Não se preocupe com um pequeno acidente. Preocupe-se em entregar o meu iate na porra do tempo certo." "Oh, eu não me preocupo com coisas desse tipo." Disse o Sr. Prest também assumindo uma postura agressiva. "Tenho certeza de que sua compra será de alta qualidade, cumprindo as mais rigorosas especificações, e entregue perfeitamente a tempo." Mestre A não tinha réplica para isto. "Então, para garantir que eu cumpra a minha parte no negócio, que tal responder uma simples pergunta?" Desviando o olhar do Mestre A e encontrando o meu, o Sr. Prest disse: "Conte-me." Merda! Eu olhei para cima, esquecendo-me. No momento em que fizemos contato com os olhos, minha respiração parou, e cada veia anexada ao meu coração bateu livre como uma mangueira, pulverizando sangue aquecido como rios em todo o meu peito. "Diga-me como ela machucou a mão." Sua mandíbula endureceu, seus olhos como pedras de ônix, muito mais valiosos do que qualquer moeda que ele poderia me dar. "Você

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vai mentir pra mim, sobre o motivo dela estar toda preta e azul?” Sua raiva crescente podia ser percebida em seu rosto tenso e em testa franzida em linhas furiosas. Ele estava me intoxicando. Sua

fúria

era

um

cobertor

quente,

lembrando-me

brevemente o que era ser vista como algo de valor, em vez de uma coisa estragada. Meu queixo subiu e minha boca se abriu enquanto continuávamos a nos olhar. Ele lambeu os lábios como se algo não dito e não reconhecido tivesse saído do seu corpo e alcançado o meu. Eu não tinha escolha a não ser deixar a sua eletricidade corruptível correr através de minhas veias, passar pelo meu peito, antes de voltar para ele. Quanto mais observávamos um ao outro, a ligação entre nós se tornou mais espessa até que cada célula do meu corpo ansiava por algo maior, mais forte, mais assustador e mais seguro do que tudo que já me foi dado. Desvie o olhar ... Desvie o olhar! Eu o encarei por muito tempo. Eu me prejudiquei por muito pouco.

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Meu pescoço quis resistir, mas eu forcei-me a olhar para o chão novamente. Foi tão difícil quanto arrancar uma unha, mas consegui. Isso foi apenas um instante antes de Mestre A se voltar para mim e ver-me dócil e comportada atrás dele. "A mão dela? Não é nada. Como eu disse, ela machucou a si mesma." Eu nunca faria uma coisa dessas... "Como?" A voz do Sr. Prest foi afiada e ágil. Homem estúpido. Você nunca vai chegar à verdade. Saia antes que você me faça errar novamente. Olhar para ele de alguma forma substituiu o ódio que eu senti pelo o que eu sofri, retirando a culpa de seus ombros, e eu quis que ele ficasse. Ele era o único com poder exclusivo sobre Mestre A. O que eu poderia fazer para que ele me libertasse, em vez de me destruir? Mestre A zombou. "Ela caiu da escada." Sério? Deus, isto é um cliché.

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Eu fiquei congelada esperando por mais perguntas do Sr. Prest. Como ela caiu? O que você fez? Por que eu deveria acreditar em suas mentiras? Só que, não houve nenhuma. Lentamente, ele grunhiu em concordância, e foi isso. Movendo-se no sofá, o Sr. Prest fechou suas mãos. "Nesse caso, o nosso negócio está completo." O que? Não! Como ele se atrevia a provocar Mestre A com perguntas que já sabia as respostas? Maldito. Maldito seja! Saia! E nunca mais volte! Eu tremia no chão. Tomada por uma raiva tão espessa e violenta, que mordi a língua. Mestre A riu, instantaneamente relaxado, sentindo a vitória, enquanto eu me envolvia em derrota. "Excelente." Caminhando para frente, ele estendeu a mão. "Você vai entrar em contato em oito meses para fazer a entrega?" "Correto." O Sr. Prest aceitou o aperto de mão, seus olhos carregavam o peso do céu e do inferno quando olhou para mim, demorando-se no meu corpo oculto pelo vestido.

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Consegui manter

minha cabeça abaixada, mesmo com a

minha mente cheia de maldições e insultos dirigidos a ele pelo seu jogo horrível. Ele me fez pensar que sentiu algo especial entre nós e me fez acreditar que eu valia a atenção de alguém. Estúpida, Pim. Estúpida, estúpida, estúpida! Ele não sentiu nada. Nada! Meus olhos vidraram ao sentir vir à tona as lágrimas espontâneas. Eu queria esquecer essa situação. Mestre A estava certo. Eu queria Sr. Prest mais do que o queria ‒ não sexualmente, não emocionalmente, inferno, eu não sabia como o desejava. Mas tudo acabou. E agora, eu estava curada, sabia o meu lugar e nunca me permitiria sair dele. Suspirando com toda a decepção e desespero que corria em minhas veias, me abracei, descansando minha testa nos joelhos. Eu não me importava mais. Eu só queria ficar sozinha.

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A voz régia e profunda do Sr. Prest rasgou através do meu manto de depressão. "Ela ainda tem o meu casaco?" Sim. E você não pode tê-lo de volta. Porque eu vou queimá-lo, enquanto pensao em você. Mestre A assentiu. "Ela ainda o tem e vai buscá-lo para te devolver, se quiser" Encolhi-me mais ainda. Não me faça ir, seu estúpido. Isso é meu para fazer o que diabos eu quiser. "Não. Foi um presente." Passando a mão pelo queixo, Sr. Prest acrescentou calmamente, "No entanto, antes que este negócio seja cem por cento concluído, eu tenho um termo extra para adicionar." Mestre A ficou tranquilo, acreditando que era algo que estaria disposto a aceitar. Ele pensou que já tinha ganhado. "Oh?" Eu sabia melhor. Minha coluna endureceu quando eu parei de respirar... Esperando.

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Mr. Prest riu baixinho, arrastando a antecipação. "Esta cláusula deverá ser fácil para você. Algo que você não terá nenhum problema em cumprir já que você ofereceu tal coisa quando eu estive aqui da última vez." Não. Eu ousei olhar para cima, minha cabeça subindo, enquanto o resto do meu corpo afundou mais nos azulejos gelados. Não faça isto. "Ofereci?" Mestre A perguntou. Pare. Sr. Prest fez contato visual comigo, sabendo muito bem que eu sabia o que ele estava prestes a solicitar, e não poderia dizer nada sobre isso, tendo que obedecer mesmo que levasse a minha morte. Por que isso me aterroriza tanto? Eu passei os últimos dias pensando na morte, a dele, a minha e de todos.

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Eu deveria estar feliz sabendo que depois desta noite, Mestre A me mataria. Eu só posso esperar que seja rápido ao invés de uma longa e agonizante tortura. Talvez, o Sr. Prest me mate? Uma vez que ele tenha terminado comigo, eu poderia pedir uma coisa. Eu poderia falar pela primeira vez em anos e pedir a morte como prêmio final. O Sr. Prest desviou o olhar sem profundidade do meu, se voltando para o seu parceiro de negócios. Ele sorriu, tentando não mostrar os dentes, mas incapaz de esconder sua expressão predatória. Sua mão estendeu-se, apontando diretamente para mim. "Ela." Mestre A girou, vendo-me com a cabeça levantada, olhando ao Sr. Prest. "O que?" Imediatamente, eu deixei cair meu queixo, apertando os olhos como se pudesse convencê-lo de que não estava olhando. Sr. Prest se colocou ao meu lado em um movimento ágil. Ele desviou-se de Mestre A com a elegância e rapidez de uma águia mergulhando sobre um coelho antes que alguém piscasse. Eu saltei quando sua mão fria pousou no meu couro cabeludo, as pontas dos seus dedos tocando a minha testa. "Eu a quero."

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Ele puxou tufos feios de cabelo, me penteando, acariciando e me preparando para o que tinha planejado. Eu tremia por uma razão completamente diferente. Mestre A engasgou. "De jeito nenhum." O toque do Sr. Prest voltou ao meu couro cabeludo. Engoli um gemido quando ele mais uma vez me acariciou. A maneira pela qual ele fazia isto não era sexual, era mais como um caçador com sua presa; um domador com sua égua derrotada. "Você se ofereceu para compartilhá-la. Você disse que eu poderia fazer o que quisesse." Reunindo mais do meu cabelo, ele puxou um pouco, forçando meu corpo a se levantar do chão e me sentar ereta pela primeira vez em meses. Minha caixa torácica decorou o vestido apertado como as teclas de um xilofone e os meus mamilos endureceram sob o tecido. Ele me segurou lá como uma estátua. "Eu aceito a oferta." O temperamento de Mestre A tornou-se mais quente, mais proeminente e mais louco a cada segundo. "Essa parte do negócio não está mais em ofer-" "Está, se você quer que a transação seja completada." A voz do Sr. Prest se assemelhava a um machado, cortando através do ar. "Quero ela só para mim. E eu a quero por uma noite inteira." Uma noite inteira?

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O ar desapareceu da sala. Entrei em um portal onde o pânico governava com tempestades e furacões. Eu estou ... Oh, eu não consigo respirar. Minha mão subiu para a minha garganta, agarrando-se aos músculos tensos que me impediam de sugar oxigênio. Outro ataque de pânico começou do nada enquanto meus olhos saltaram com descrença. Ele não pode estar falando sério. Eu esperava uma hora. Um pedido para me foder e depois ir embora. Não uma noite inteira. Manchas negras dançavam em meus olhos, enquanto me tornava cada vez mais histérica. O Sr. Prest não oferece nenhum conforto, apenas me segura pelos cabelos. Sua atenção estava em Mestre A, à espera de sua aprovação. O que ele vai fazer comigo? Ao sentir a dor das minhas unhas arranhando a minha garganta, eu fiz o meu melhor para acalmar as batidas do meu

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coração. Não importava. Nunca iria acontecer. Mestre A nunca iria deixá-lo me ter por uma noite inteira. Ninguém tinha feito isso. Ninguém. Eu fui emprestada por breves interlúdios. Não alugada por períodos negociados. Ele não vai deixar isso acontecer. Eu estou bem ... Eu vou ficar bem. Eu não tinha explicação pelo ataque que estava tendo. Eu já sofri nas mãos de homens piores que o Sr. Prest. Sim, ele era o diabo vestido com asas de anjo, mas ele tinha um veneno refinado que faltava nos outros monstros. Ele era aterrorizante. "Que se foda o negócio então. Eu vou encontrar alguém para construir o que eu quero." "Ninguém mais tem os contatos, e você sabe disso." Mestre A rosnou, "Você não vai foder a minha escrava." "Ela é uma escrava por esse motivo." A voz do Sr. Prest nunca subiu, ficando regiamente calma e melódica. "E eu vou tê-la ... se você quer o que eu tenho para dar."

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Meu corpo sofreu um espasmo enquanto eu respirava audivelmente, odiando o modo como a minha pele se aqueceu a ser disputada. Eu nunca pensei que eu ia ser tão querida, tão desejada‒ mesmo que fosse por razões terríveis, eu era valiosa por um segundo. "Eu paguei-lhe a porra de uma fortuna!" "E eu quero algo mais." "De jeito nenhum." Os dedos do Sr. Prest se apertaram em volta da minha nuca, me içando sem cerimônias para os meus pés. Eu não podia lutar contra a pressão de sua forte aderência, algemada inteiramente à sua mercê. Ficar de pé não ajudou com o meu ataque de pânico iminente. Eu vacilei no lugar enquanto o Sr. Prest me forçou a olhar para ele. Meus olhos lacrimejantes abriram-se bebendo seu rosto, como se ele pudesse garantir o futuro e não o fim. Seu cabelo penteado, preto azulado, grosso, parecia um poço de piche ‒ pronto para extinguir a minha vida. Seu olhar escuro brilhou de raiva. "Sim. E eu vou te dizer o porquê." Sua voz tornou-se um silvo. "Eu sei que você é a pessoa que bateu nela. Eu sei que sua mão não se quebrou por cair da escada maldita. E eu sei que a puniu pelas coisas que fiz da última vez que estive aqui. Eu a quero. Você a trata como uma merda. O mínimo que você pode fazer é a dar para mim para que eu possa fazer o mesmo."

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Meus joelhos se dobraram. Meu infantil sonho irrisório de finalmente ser tratada cordialmente foi pulverizado. Ele queria ... não dormir comigo ... mas me machucar? Era assim que ele se divertia? Batendo em mulheres já massacradas? Minha raiva aniquilou o meu ataque de pânico, dando-me um pilar para me sustentar enquanto arrastava o ar para meus pulmões relutantes. Como ele ousa! Como esse maldito ousa barganhar o meu corpo, pelo simples desejo de arruiná-lo ainda mais. Porra! Mestre A endireitou os ombros, ainda lutando uma batalha já perdida. "Você está esquecendo o que ela é? Ela não é humana, é uma posse. Minha posse. Eu paguei por ela e posso fazer o que quero inclusive a emprestar para quem eu quiser." "Eu sugiro que você mude de ideia a respeito de me negá-la. Só porque ela é sua não significa que eu não vou tomá-la se você não vai cedê-la a mim." Arrastando-me para frente, ele enfrentou Mestre A. "Eu sou um ladrão, Alrik, antes de ser um fornecedor de guerra. Eu poderia roubá-la, e você nunca saberia. Mas eu não vou por

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respeito ao nosso acordo." Ele estreitou os olhos. "Fazendo negócios ou não. De qualquer forma, eu não vou embora sem saboreá-la." Saborear-me? Mestre A sabia que foi derrotado. Seu olhar caiu sobre mim, turbulento e possessivo. "Você não vai abandonar as instalações com ela." "Bem. Vou passar a noite aqui." "Onde?" "Ela tem um quarto?" Mestre A suspirou. "Sim." "Privado?" Ele encolheu os ombros. "Não há nenhuma porta, mas sim, privado o suficiente." "Coloque a porta, dê-me a chave para que não sejamos perturbados, e você tem o seu acordo." Eu queria gritar e exigir que eles me vissem como um ser humano. Uma mulher. Não uma transação a ser completada para a noite. Eles queriam me machucar. Isso era tudo o que eu era para eles. Ambos mereciam morrer.

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Mantendo meus lábios apertados, eu me enrolei os braços em minha volta, protegendo meu peito frágil e mão quebrada. Eu faria sexo hoje à noite. Eu seria machucada esta noite. Pelo Mestre A ou o Sr. Prest. Já não fazia um pingo de diferença.

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. "Tudo bem, porra!" Alrik olhou-me com todo o ódio que pode evocar. Ele tinha uma obsessão com sua escrava. Pouco saudável. Perigoso. Uma obsessão que excluía a racionalidade. E eu simplesmente redirecionei essa possessividade idiota para mim mesmo, ao demandar a única coisa que eu jurei que não iria. Você não foi forte o suficiente. Eu vim aqui me prometendo que não iria fazer essa porra. Eu tinha jurado uma e outra vez que eu não iria olhá-la, falar com ela ou mesmo notá-la. Na primeira parte da reunião, eu consegui fazer isso. Mas, então, minha mente vagou para a quieta ratinha machucada no canto. Seu silêncio me atraiu, chamando minha atenção a cada vez que eu queria me afastar. Agora, eu tinha feito algo que eu já me arrependi.

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Que porra estou fazendo? Isto não iria acabar bem. Era para eu obter as cópias finais do contrato assinadas, dá-las para Selix para enviá-las para o meu advogado, e partir em seguida. Eu não deveria estar passando a noite com uma garota que estava quase tendo um ataque de pânico porque eu tinha reclamado ela por algumas horas. Eu não poderia confiar em mim mesmo. Eu já tinha ido longe demais ao tocá-la. Um homem como eu tinha regras por uma maldita razão. Meus dedos apertaram-se. Obriguei-me a não prestar atenção nos fios sedosos do cabelo dela contra a minha pele. Seu crânio era tão pequeno sob o meu toque, preso pelas garras que já tinham assassinado homens para lucrar e roubando de quem me trouxe prejuízo. Esfregando o rosto com as duas mãos, Alrik murmurou, "Dê-me vinte minutos para encontrar a porta. Você vai recolocála. Eu não vou ajudar, porra." "Eu posso fazer isso." Eu engoli o meu temperamento. "E não se incomode procurando. Eu não quero que você alegue que não

pode

encontrá-la

e

para

começar

uma

discussão

novamente." Olhando para Pim, eu sorri levemente. "Diga-me onde ela está e Pimlico vai ajudar." A escrava ficou rígida, seus ombros duros e afiados.

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Mais uma vez, o seu silêncio estava cheio de som. Se eu fechasse os olhos e escutasse com todos os sentidos e não apenas os meus ouvidos, eu seria capaz de pegar as maldições e xingamentos que sem dúvida ela estava dizendo e os apelos inconscientes de compaixão que saiam do seu corpo. Apelos não funcionam comigo. Nunca funcionaram. Nunca iriam. Alrik bufou, puxando algumas chaves em um aro prata do bolso de trás. "Você não desiste, não é? Você quer uma noite com ela? Bem. Acabe logo com isso, porra." Lançando o chaveiro de metal para mim, ele rosnou, "Ela sabe onde está a porta. Está em um lugar seguro com um monte de outras coisas que ela perdeu o privilégio de usar." Aproximando-se de Pimlico, que ainda estava segura por mim, ele agarrou suas bochechas, beliscando forte. Seus lábios formaram um arco inocente quando ele olhou nos olhos dela. "Agora, minha pequena doce Pim. O Sr. Prest vai se divertir com você. Assim como todos os nossos outros amigos, entendeu? Eu não quero que isso aconteça, e nem você. Então, pense em mim, e não se atreva a gostar de passar um tempo com ele, porra.” O corpo dela estremeceu quando ela lutou contra o instinto de curvar-se e a obediência de ficar de pé. Desviei o olhar de desgosto.

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Por que diabos eu tinha lutado por uma noite com esta menina? Ela tinha sido abusada demais para me querer. Não importava que eu a trataria melhor do que os idiotas que a tinham arruinado. Em sua mente, eu era a mesma coisa: alguém para tolerar, fantasiar a morte, e desligar a alma enquanto era fodida. Não tinha nada sexy em roubá-la. Nada do que eu estava prestes a fazer era certo. Então, porra, pare e vá embora. Ignorei o pensamento, porque isso era impossível. Eu tenho que tê-la atrás de portas fechadas. Eu tenho que tirá-la do meu pensamento para encontrar a paz novamente. Já nesse momento, eu senti a corrupção dentro de mim clamando por mais. Um gosto, um toque, um beijo, uma foda. Uma vez era tudo que me seria permitido. E se fosse para aceitar a oferta de usá-la, que seja esta noite. Porque eu não tenho planos de vê-la novamente. Alrik tocou a sua testa a advertindo como um pai faria com sua filha. "Comporte-se, mas não me deixe ciumento. Caso contrário ... lembre-se de que eu prometi que as últimas noites seriam nada perto do que eu posso fazer." Meu instinto se apertou.

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Ele era malditamente louco; Tanto que nem sequer tentou esconder que as contusões multicoloridas no corpo de sua escrava eram de seus punhos. Alguns outros machucados a vista, entretanto, pareciam marcas de outra coisa... de sapato, talvez? Meu olhar caiu para o meu próprio calçado ridiculamente caro. De que cor sua pele ficaria se eu o usasse para marcá-la da mesma forma? Será que seus hematomas seriam mais bonitos? Será que eu seria mais suave ou mais brutal que seu dono? Tantas coisas para descobrir. Se eu me deixasse ser um monstro como ele. O que eu não faria. Eu acho que não. Eu feri muitas pessoas antes, mas nunca por um prazer egoísta. Socá-la seria diferente de socar alguém que me machucou? Dormir com ela seria melhor do que pagar uma prostituta de alta classe que geralmente apreciava o seu trabalho quando eram bem tratadas? Eu precisava de respostas para todas essas perguntas para poder seguir em frente com a minha vida fodida. E uma vez que eu saiba o que preciso, eu exterminaria o sofrimento dela. Morte seria o presente mais gentil que eu poderia oferecê-la.

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No entanto, será que eu poderia tomar a sua luta final, sabendo que eu iria matá-la em troca? Isso era frio? Ou eu era um maldito idiota egoísta, que iria usá-la sem o estômago para matá-la depois? Eu acho que o tempo dirá. Alrik bateu palmas. "Vá pegar a porta, Pim. Não me faça pedir duas vezes." A menina imediatamente soltou-se do meu aperto, correndo da sala para o corredor onde eu tinha lhe dado o meu casaco e visto seus seios maltratados pela primeira vez. "Eu sugiro que você siga." Alrik sorriu. "Ela é pequena, mas ela se move rapidamente. Você não quer perdê-la. Existem muitos cômodos nesta casa." Meus olhos se estreitaram, ao ouvir a ameaça, mas não mordendo a isca. Sem olhar para trás, eu caminhei atrás da escrava que eu barganhei para ganhar uma noite com ela. Eu tinha estado interessado nesta menina desde o segundo que a notei. Cada vez mais eu ficava mais curioso a seu respeito. Descendo o corredor, ela virou à esquerda antes de entrar em uma garagem interna, correndo em torno de um Porsche branco, e movendo-se em direção ao fundo do espaço.

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Lá, ela esperou com os olhos baixos, com o corpo virado para uma jaula trancada onde três portas, bugigangas, caixas de papelão, e outros apetrechos descansavam na penumbra. "Essa é a porta?", Perguntei, passando-lhe as chaves para desfazer o cadeado. A minha pergunta ficou no ar sem resposta. Eu não recebi um retorno. Não que eu esperasse um. Hesitante, ela pegou o chaveiro oferecido, cuidando para não me tocar. Virando as costas, ela tentou um pouco antes de encontrar a chave certa e abrir o cadeado. Seu estranho silêncio foi ainda mais pronunciado na garagem sem vida. Nenhum som veio de seus pés descalços, sem barulho de respiração, nenhum farfalhar de roupas. Era como se eu estivesse só. Se eu não a tivesse tocado para me certificar de que ela era de carne e osso, eu poderia pensar que ela era um fantasma. Minha mãe a amaria pra caralho. Não por causa de sua espancada e quebrada aura, mas porque era muito raro alguém ser totalmente silencioso. Meu pau endureceu quando a menina se dirigiu para as três portas que descansam como guardas aposentados na parede. Eu de onde eram as outras duas, mas ela estava ao lado de uma branca lacada com marcas de machado e arranhões ao longo de ambos os lados, sendo prováveis marcas de sua

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tentativa de manter o seu mestre fora do quarto e dele fazendo o seu melhor para chegar até ela. Imagens do que essa experiência deve ter sido me invadiram. Ela encolheu-se e gritou quando Alrik conseguiu abrir a porta? Ou tinha ela esperado deitada na cama já morta de terror? Porra. Andei para frente. Minha mão elevou-se. O desejo de acalmá-la catapultou dos meus dedos em sua bochecha. Minha pele sentiu o seu calor delicado. Eu já gastei o meu único toque permitido quando eu tinha acariciado seu cabelo. Um segundo não me era permitido. Mas isso não me parou. Em um momento, ela estava perto de mim, arqueando o queixo para a porta. No momento seguinte, ela estava do outro lado da jaula, alcançando uma pilha de caixas que caíram espalhando facas e garfos pontiagudos. Seus

olhos

se

tornaram

luminosos

encontrando os meus com raiva. Merda.

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na

escuridão,


Eu me distraí sentindo pena dessa espancada escrava, mas ela não havia esquecido seu esmagador ódio dos homens. Eu não desviei o olhar. Mas eu não me explicaria, também. Eu a tinha como empréstimo por esta noite. Se eu quisesse tocá-la, eu poderia. O fato de que ela afastou-se de mim significava que eu poderia denunciá-la ao seu mestre e fazer com ela fosse castigada. Ou você mesmo poderia puni-la. A distância entre nós ficou mais significativa à medida que respirávamos. Eu esperei... Querendo saber quão profunda a sua educação no prazer tinha ido. Rasgando o seu olhar do meu, ela engoliu em seco. Devagar, ela escondeu o seu ódio, substituindo-o com certa reticência. Movendo-se, os seus dedos dos pés jogavam as lâminas afiadas para o lado enquanto ela aproximava-se de mim e ajoelhava-se no concreto frio. Uma parte de mim foi tomada por um desejo louco. A outra e maior parte se esquivou com repulsa, ao ver seu cabelo desgrenhado cobrir o rosto, mas não antes de eu ver o desgosto e o desespero em sua face.

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"Levante-se," eu murmurei. Mesmo que minha voz fosse baixa,

o

vazio

da

garagem

a

amplificava,

a

tornando

proeminente. Instantaneamente, ela se pôs de pé. Os estalos de suas articulações e das cartilagens maltratadas dos seus ossos pareciam um pequeno tiroteio. "Não se ajoelhe. Não aqui." Seu queixo se inclinou enquanto ela balançava no lugar. Constrangimento caiu entre nós. Eu não estava acostumado a isso. Eu nunca tinha comprado uma escrava antes. Eu estava acostumado com pessoas fazendo o que eu queria, sem dizerlhes. Eu era malditamente ocupado para lidar com microgestão de pessoas. Ter esta menina respondendo a qualquer comando em minhas mãos mostrou-me que eu não era tão mau quanto pensava. Eu não quero dar-lhe uma tarefa que ela não tinha escolha a não ser obedecer. Eu queria que ela usasse o seu livre arbítrio e me escolhesse, independentemente das outras opções dadas. Suspirando pesadamente, quebrei a tensão levantando uma sobrancelha para os utensílios espalhados por seus pés. Eu não me importava com a bagunça. Eu só me preocupava com essa garota louca e a raiva furiosa em seu olhar. Ela me temia. O fedor do seu medo tomou todo o ambiente. Mas ela me odiava mais do que receava.

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Será que ela acha que eu iria fazer com ela o que Alrik fazia? Ela tinha razão para pensar isso. Eu ainda não estava certo do por que eu tinha demandado uma noite com ela. Seus olhos pousaram-se na faca grande de açougueiro aos seus pés. Meus lábios se curvaram, seguindo seus pensamentos. "Você já tentou alguma vez?" Seus ombros enrijeceram-se. "Alguma vez você já tentou matá-lo?" Um suspiro audível saiu dos seus lábios. Ela queria me encarar, mas manteve a cabeça baixa. Esquivando-me, eu peguei a faca, segurando-a pela lâmina, em vez do cabo. Pressionando o punho de madeira em seu estômago, eu sussurrei, "Toque-a. Pegue. Fique com ela. Esconda-a e faça o que quiser com ela." Minha outra mão envolveu o seu pescoço. "Use-a nele, mas não ouse usar essa porra em mim." Sua mão saudável não reivindicou a arma. Peguei seus dedos, envolvendo-os ao redor do punho, e deixei a ir. No momento em que o peso do objeto foi transferido de mim para ela, virei-me e agarrei a porta danificada. Sem dizer outra palavra, levei-a da gaiola.

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Pimlico respirou fundo, tremendo no lugar onde eu a tinha deixado. Sua face foi tomada pelo medo, não de mim ou do sexo, mas da faca. Ela deu alguns passos antes do seu desejo ser cancelado pela lembrança de qualquer punição que sofreu no passado. Uma única lágrima rolou pelo seu rosto quando ela se virou para pegar as facas e garfos espalhados, colocando a que eu tinha dado a ela na caixa. Quando o espaço foi arrumado, ela aproximou-se para mim sem se atrapalhar com o cadeado. Droga. Claro, ela não levaria a faca. Quem iria, depois de anos de abuso, sabendo muito bem o que aconteceria se fosse pego? Ela era fraca demais para pegar a faca ou forte o suficiente para não roubá-la? Sem dúvidas ela pensou no assunto. Não havia um jeito de esconder o objeto. Nenhuma maneira de levá-la para o quarto dela sem que seu mestre percebesse. Nós provavelmente estamos sendo filmados a cada passo que damos. Ela estava certa em deixar a faca pra trás. Mas eu comandei de qualquer maneira. "Espere." Colocando a porta contra a gaiola, eu voltei para dentro, peguei a faca da caixa e guardei nas costas de minhas calças, me assegurando de que o meu blazer a esconderia antes de sair novamente. "Agora, você pode fechar."

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Seus olhos saltaram, mas ela cumpriu o meu comando. Eu queria ouvir seus pensamentos. O que se passava em sua mente? Ela estaria preocupada por achar que eu vá usar a faca nela? Estaria esperançosa de que eu usasse a faca em Alrik? Seu

silêncio

era

impecável,

deixando-me

ansiando

raivosamente por respostas. Virando-me,

eu

carreguei

a

porta

enquanto

Pimlico

arrastava-se atrás de mim. O tilintar suave das chaves me fez sorrir. O barulho soava como um sino. Um sino ao redor do pescoço de uma ovelha inocente indo para o matadouro. Eu só não sabia se eu era o carrasco cruel ou o pastor que a resgataria.

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Nós estávamos sozinhos. Meu quarto tinha uma porta. Pela primeira vez em mais de um ano. Meu banheiro ainda não tem uma, e eu podia ver o chuveiro brilhante da minha posição ajoelhada nos pés da minha cama, mas, pelo menos, o corredor estava escondido e a paz caiu, ainda que brevemente, no meu quarto. O Sr. Prest havia apontado para o tapete branco com uma sobrancelha levantada quando eu tinha lhe mostrado que o quarto era o meu. Ele tinha olhado ao redor do espaço indefinido com uma decepção furiosa. Eu não sabia por que ele estava com raiva. A decoração era tão branda e dura que ninguém poderia achar que era muito berrante. No momento em que me ajoelhei no chão, Sr. Prest virou as costas para mim e foi fixar a porta. Ele não podia fazer um trabalho perfeito, sem as ferramentas necessárias para proteger as dobradiças, mas a madeira nos impedia de visitantes, e ele apoiou o aparador em frente a ela, dando-nos um elemento de privacidade.

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Privacidade. Bem, na verdade não. Meus olhos se voltaram para os cantos da sala onde eu tinha certeza de que câmeras se escondiam. Eu nunca tinha sido capaz de encontrá-las, mesmo olhando e sabendo que estavam ali eu nunca tinha visto um flash de uma lente. Eu deveria dizer ao Sr. Prest, avisá-lo, informá-lo que tudo o que fizemos aqui seria um show. Mas como eu poderia quando eu recusava-me a comunicarme? O terror que o Mestre A me fez viver com por tanto tempo deslizou sobre o meu corpo. Eu estupidamente cedi a um pequeno segundo de relaxamento quando o Sr. Prest colocou a porta. Eu finalmente fiquei insana, acreditando que este estranho e uma frágil barreira de alguma forma me manteria segura. Estúpida, Pim. Você não mais está protegida aqui do que você estava ao correr em torno da mansão. Eu estou provavelmente ainda mais em perigo. Era mais perigoso porque eu conhecia o Mestre A. Eu poderia imaginá-lo andando no andar de baixo, perfurando uma

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parede ou duas, olhando para o teto, como se pudesse penetrar no chão e ver no meu quarto. Ele não lidaria bem com a ideia de eu ser usada em particular. Ele havia sido banido. Ele vai fazer alguma coisa ... e logo. Engoli em seco quando o Sr. Prest se virou para mim. Será que ele sabia o quão perigosa essa situação era? O quão frágil, volátil e aterrorizante? No momento em que ele tinha negociado uma noite comigo, era como se ele tivesse acionando uma bomba, que estava em contagem regressiva para explodir. Por que, oh por que, você não pegou a faca quando teve a chance? Pela centésima vez desde que estávamos na garagem, onde tinha as chaves para tantas coisas que me haviam sido tiradas, eu me amaldiçoei. Sim, eu não tinha nenhum lugar para esconder a faca. Sim, Mestre A saberia que eu a peguei, onde eu coloquei, e muito provavelmente a usaria em mim como uma lição de que nada era meu para cobiçar.

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Mas, pelo menos, quando ele invadisse o local (uma vez que o seu temperamento explodir cansado de nos assistir), eu poderia ter algo para me defender. Eu seria punida por tudo, não apenas o pequeno lapso na garagem. Eu deveria estar horrorizada, medrosa, chorosa. Só que eu estava esperando para ser livre por tanto tempo. Se eu estava na véspera deste acontecimento, então que assim seja. Esta noite, eu iria me libertar ou morrer. As duas opções eram igualmente atraentes. Minha atenção mudou-se para o Sr. Prest. Eu o odiava por aquilo

que

aconteceu

comigo,

mas

quanto

mais

tempo

estávamos juntos, mais minha trama evoluiu. Ele pediu uma noite comigo, porque ele sentiu o mesmo que eu. Ele queria explorar o que era esta sensação crepitante que existia entre nós. A princípio, eu tinha planejado ignorá-lo, desligar-me, e evitar o que ele faria para mim. Mas e se eu pudesse manipulálo para me ajudar? Sim, ele tinha um contrato multimilionário com o Mestre A que eu duvidava que eu pudesse arruinar... mas valia a pena a chance. Eu valia a pena. Além disso, eu não conseguia deixar de estar curiosa a respeito do homem que arriscou tudo para estar comigo.

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O Sr. Prest limpou as mãos na calça depois de tocar a porta empoeirada. Minha atenção permaneceu quando ele tirou a faca roubada e colocou-a no aparador bloqueando a entrada. Ele pensou que me tinha para si mesmo. Ele pensou que estava a salvo. Ele está errado. Respirando fundo, o Sr. Prest passou a palma da mão sobre sua mandíbula. A cabeça inclinada, olhos se arrastando por cima do meu vestido branco e a posição que eu estava ajoelhada. Humilde e submissa. O perfeito brinquedo bem treinado. Quanto mais tempo o Sr. Prest me olhava, mais o quarto se enchia com a mesma eletricidade de antes. Eu tremia, amaldiçoando os arrepios nos meus braços. Eu não estava acostumada a alguém usando a mesma ferramenta que eu. Eu ficava em silêncio, mas o Mestre A não. Ele enchia meu vazio com bobagens e ameaças, constantemente me dizendo o que aconteceria se eu não obedecesse. Sua conversa permitiame um refúgio seguro para ficar quieta. Ele impulsionava o meu desejo de permanecer muda. Mas o Sr. Prest não era o meu mestre. E ele entendia o poder do som muito bem.

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Como um assassino, ele se aproximou da cama para se sentar no colchão duro. Minha cama era o único lugar que eu tinha lençóis para cobrir-me. Mas, como sempre, Mestre A se assegurava de que eu não tivesse o suficiente, nada quente para ter uma boa noite de sono. Não que eu dormisse sem ser molestada no meu próprio quarto muitas vezes, acontecia apenas quando eu estava menstruada ou quando o Mestre A ficava doente. Eu achava surpreendente que em todo esse tempo ele contraiu gripe duas vezes, teve três constipações e febres, passou mal duas vezes com dor de estômago (doenças pelas quais ele me culpou), mas eu não adoeci nenhuma vez. Mesmo no meu estado de desnutrição. Movendo-se na cama, e inclinando-se contra a cabeceira branca onde eu escrevia minhas notas a ‘Ninguém’, o Sr. Prest deu um tapinha no espaço ao lado dele. "Vem." Eu tenho um diploma em obediência, graças ao meu treinamento. Eu poderia não estar na universidade como meus amigos, mas isso não significava que eu não tinha obtido um doutorado em cumprir ordens. No entanto, não foi a submissão que me fez obedecer... Era a astúcia. Eu precisava aprender sobre este homem para que eu pudesse enganá-lo, conquistá-lo e encontrar uma maneira de usá-lo.

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Você vai me dar o que eu quero. Você verá. Mantendo a cabeça baixa, eu subi (tomando cuidado com a mão quebrada) e mais uma vez ajoelhei-me com meu queixo abaixado. Eu nunca tinha permissão para deitar-me por completo. Meu corpo estava acostumado a ser enrolado e amarrado, contorcido em qualquer posição que desse prazer ao meu estúpido mestre. Ciúme encheu-me quando o meu olhar caiu sobre as pernas estendidas, longas e ágeis, cruzadas nos tornozelos com uma confiança indiferente. Ele não tirou os sapatos, e o couro preto absorvia a luz escassa. Eles não eram brilhantes ou ostensivos, combinando com seu estilo sóbrio e escuro ‒ acentuando seus profundos olhos de ébano e seu cabelo cor de carvão. Mudando um pouco, ele estendeu a palma da mão, onde uma pilha de moedas de um centavo manchadas descansavam. Qual o problema desse cara com as moedas? Derrubando-as ao seu lado, uma cascata de cobre caiu nos meus joelhos. Ele não falou enquanto o dinheiro tilintando rolava, descansando contra a minha pele como se eu fosse um ímã.

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"Eu não vou perguntar de novo, porque eu vejo agora seus pensamentos valem mais do que meros tostões." Pegando uma moeda que tinha saltado para trás em sua direção, ele a jogou com o polegar, girando-a no ar. "Então eu vou fazer perguntas sem oferecer uma recompensa. E você vai responder-me, porque é o que deseja.” Eu nunca vou querer falar; para você ou qualquer um. "Diga-me o que eu quero saber. Você está aqui comigo, longe daquele idiota ‒ pelo menos por enquanto... então fale.” De jeito nenhum. Minhas defesas se acionaram, identificando a armadilha, já sentindo as pinças frias de uma cilada em volta do meu pescoço. "Você quer falar comigo." Não, eu não quero. "Sim, você quer, menina." Menina, ugh.

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Por que ele usa o meu nome? Mesmo que ‘Pimlico’ não fosse meu nome de verdade. Eu era tão insignificante que não merecia ser chamada da forma correta? Será que ele acha que eu não dou digna de um nome, devendo ser chamada por um adjetivo ou verbo? Eu não me movi. Não encolhi os ombros ou pressionei levemente a cabeça. Meu corpo estava amordaçado, assim como a minha boca. A voz do Sr. Prest pairava no espaço por muito mais tempo do que o habitual. As palavras suaves eram como a fumaça de uma vela apagada, ainda visível, mas enfraquecendo lentamente quanto mais o tempo passava. Quando a sílaba final foi extinta, ele murmurou, "Você não gosta disso, não é?" Gostar do quê? "O fato de eu não usar o seu nome." Meus olhos se arregalaram até que a pele delicada ao redor deles apertou-se com o choque. Que diabos? Ele sorriu. "Qual é o seu nome?" Você sabe meu nome. "Deixe-me reformular isso... qual é o seu verdadeiro nome?"

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Eu me transformei em pedra. Você nunca saberá. "De onde você vem?" Não é da sua conta. Eu o encarei mais duramente; seus olhos se estreitaram em frustração. "Quantos anos você tem?" Muito velha. Muito jovem. A novidade de ser questionada ameaçou quebrar o meu mundo de pesadelos. Ele era perigoso, mas também muito insano e comum. Se eu tivesse ido a mais encontros, os rapazes teriam me perguntado exatamente as mesmas coisas. E naquela época, eu teria respondido. Mas não aqui. Agora não. Rindo em voz baixa, ele se inclinou para frente. Suas pernas dobraram-se para apoiar o seu torso ereto; o colchão balançou um pouco sob seu peso. "Você sabe, eu estive em torno de muitas pessoas que não falam." Ele movimentou uma moeda pelos nós dos dedos com graça e sem esforço. "Isso não me incomodava naquela época, e isso não me incomoda agora." Pegando a moeda na mão, ele

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rosnou, "Eu vou conseguir respostas que eu quero de você, Pim". Pode tentar. Seu sorriso se tornou frio. "Antes de nós terminamos, eu saberei mais do que qualquer besteira superficial. Eu vou saber quem você é..." Ele atirou-se para frente, com um dedo apunhalando o meu peito. "... aqui dentro." Eu vacilei sob o seu toque. Ele atingiu uma contusão anterior, ampliando a dor. Não que fosse difícil achar lesões no meu corpo. Seus olhos prenderam-se nos meus. Eu queria gritar. 'Você acha que pode me decifrar? Eu que vou conhecê-lo melhor. Que tal uma troca de informações? Ele poderia ter os meus segredos se me contrabandeasse para

fora

daqui.

Havia

algo

sobre

este

homem.

Algo

desconhecido, intrínseco e essencial. Muito, muito essencial. Eu não conhecia o seu monstro interno, mas isso não significa nada enquanto eu olhava em olhos profundos, sentindo o desafio de guerrear com ele.

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Quanto mais nos olhávamos, mais profunda a nossa ligação desconhecida se tornou. A eletricidade maldita estava de volta, fluindo sem limites, sibilando no meu sangue. Nunca olhando para longe, seu dedo pressionando em meu peito se tornou dois, depois três, depois quatro, até a sua mão inteira pressionar o meu esterno. Eu fiquei parada. Eu não podia me mover quando ele se aproximou, com as narinas se dilatando, ao tocar os meus seios. Lágrimas brotaram. Em parte devido ao seu toque terno, mas principalmente devido ao peso do seu olhar que me empurrava profundamente no colchão. Meu coração não tinha a menor chance, desistiu de tentar vencer e apenas tombou-se se fingindo de morto. "Você gosta disso?" Seu sussurro quebrou o feitiço. Não. De modo nenhum. Mordendo o lábio inferior, ele parecia mais jovem e mais imprudente ao mesmo tempo. Eu nunca conheci ninguém como ele. Nenhum menino em meu passado ou homem em meu presente.

Ele

era

estranho,

fascinante

assustador.

PEPPER WINTERS

e

completamente


O Sr. Prest olhou para onde me tocava. Seu polegar roçou o meu mamilo. A maldita coisa floresceu para ele. Ver o brilho branco de seus dentes quando ele mordeu o lábio mais duramente me fez ficar ainda mais arrepiada. Eu nunca pensei que um homem mordendo o lábio seria tão excitante. Mas por Deus, era. De alguma forma, ele me fez esquecer que eu não estava lá por minha própria vontade ‒ que não estávamos em um encontro e que não havia um proprietário louco a ponto de estourar a porta no momento em que o Sr. Prest tentasse dormir comigo. Lembrar-me disso me fez congelar, acabando com todo o desejo. A conexão que fluía do seu corpo para o meu cessou de repente, como se eu a tivesse executado. Afastando-me para trás, eu mantive meu queixo alto. Sua mão deslizou do meu peito, caindo pesadamente em seu colo. O silêncio tornou-se um inimigo em vez de um amigo quando a nossa respiração caiu em um ritmo lento e esfarrapado. "Você é diferente do que eu pensei que seria." Sua voz lambeu onde seu toque tinha sido. E você é diferente de quem eu pensava que era.

PEPPER WINTERS


Ele passou a língua sobre seu lábio, onde seus dentes tinham beliscado. "Você sabe por que eu pedi uma noite com você?" Eu enrolei minha mão boa ao redor do meu corpo quebrado, para protegê-lo, mas apertando um pouco demasiado duro. Não. Ele olhou para o teto, reclinando-se contra a cabeceira da cama novamente. "Nem eu." Jogando um centavo para cima, ele o pegou como um gato pega um rato, golpeando-o com seu punho. "Mas nós temos toda a noite para descobrir." Não, nós não temos. Temos até Mestre A enlouquecer e vir te atacar. Eu o vi através dos meus olhos baixos. Ele esparramou-se na minha cama como se fosse o dono de tudo no quarto e não só de mim. O cheiro de sua colônia exótica entrelaçou-se com o ar fresco e sua própria atitude exalava confiança e poder, afastando de mim a ideia aterrorizante do mestre A aparecer a qualquer momento. Abandonando a moeda, ele me lançou um olhar. Abaixei a cabeça, com raiva que eu tinha sido pega o olhando.

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Com um leve sorriso, ele abriu seu blazer e tirou um telefone celular fino do bolso do peito. "Quase esqueci." Desbloqueando o dispositivo, ele discou um número, com os olhos colados em mim enquanto quem ele ligava atendeu. "Selix, não vou precisar do carro hoje à noite." A resposta metálica soou, mas não consegui distinguir as palavras. "Sim, tenho certeza. Vou ficar a noite. Vamos partir na primeira hora amanhã." Partir? Para onde ele irá? Eu queria que ele fosse. Agora. Antes que eu pudesse perder-me ainda mais. Mas eu queria que ele me levasse com ele. Liberte-me. Eu não me importo se você me largar nas ruas. Apenas ... me tire daqui. "Certo, tudo bem. Fique aí fora. Eu não desejava que você fizesse isso, mas se você quer dormir no carro, que assim seja. Vou sair quando amanhecer." Terminando a ligação, ele jogou o telefone no fim da cama. Meus olhos seguiram o objeto.

PEPPER WINTERS


Um telefone. A curta distância. Poucos segundos se passaram enquanto eu ficava de boca aberta. "Acho que você não tem permissão para usar a tais coisas." O Sr. Prest riu suavemente. "Ele não morde." Não, mas eu poderia ligar para minha mãe, meus amigos... a polícia. Mais uma vez, a sua capacidade irritante para ler a minha linguagem corporal apareceu. "Ah, você está pensando em ligar para sua família." Usando a ponta de um pé, tirou um sapato, seguido pelo outro, chutando os dois para fora da cama e revelando seus pés cobertos por meias pretas. "De qualquer forma, vamos tentar. Vou lhe dar uma chance para ligar para quem quiser. A senha é 88098." Eu tremi. Quer dizer que... você não irá me impedir? Quem era esse homem? E qual era o seu objetivo? Cruzando os braços atrás da cabeça, ele sussurrou, "Eu não vou dizer." Fechando os olhos, de alguma forma estranha me dando privacidade, ele descansou sua cabeça suas mãos.

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Por um minuto sem fim, eu encarei o telefone. Tudo o que eu precisava fazer era pegá-lo e discar. Eu poderia falar com minha mãe depois de tanto tempo. Eu poderia finalmente informar a alguém o que aconteceu comigo, pedir-lhes para vir, e acabar com esse terror. "Claro, que para usá-lo, você terá que falar." A voz do Sr. Prest colocava obstáculos no meu caminho. "Está em suas mãos, Pimlico. Fale e ganhe a sua liberdade. Ou não e o telefone não terá serventia.” Meus pulmões expandiram-se com raiva. Esse era o seu jogo o tempo todo. Maldito seja ele. Ele quase ganhou. No entanto... se ele me permitir fazer a ligação, e eu falar com minha mãe ... Quem realmente ganha? Eu ou ele? Nós dois. Meu corpo decidiu antes de minha mente. Minha mão boa alcançou o dispositivo e o segurei como uma tigresa faria com seu filhote. O Sr. Prest nunca abriu os olhos, mas a sua boca mostrou um sorriso. "Estou ansioso para ouvir a sua voz." Ignorando a sua provocação, eu acionei a tela de entrada e teclei a senha. O código brilhou na minha cabeça, para nunca mais ser esquecido. No momento em que o menu chamada

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apareceu, disquei o número da minha antiga casa, cometi três erros por causa de minhas mãos severamente trêmulas. Eu tinha um telefone. Eu estava a segundos de distância de falar com a mãe que me enfiou nesta bagunça. Minha garganta se fechou com o pensamento do do Sr. Prest arrancando o celular das minhas mãos e rindo. Ou que o Mestre A escolheria este momento exato invadir o quarto. O pânico rodando. O que eu diria para a mulher que eu tinha culpado por tanto tempo? Eu esperei e esperei para a linha para se conectar. Mãe... Socorro. Bip, bip... Com cada toque, minha espinha rolou até que me agachei na cama com meus cotovelos cavando o colchão. Eu não consegui controlar o tremor, nem o nó em minha garganta quebrada quando uma mensagem automática respondeu, ao invés da mulher que me levou a esta vida. "Sinto muito, o número que você ligou foi desconectado. Nenhum contato de encaminhamento foi dado. Por favor, use outro meio de comunicação ou ligue para o diretório local para obter mais informações.”

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Não. Não. Não! O telefone caiu da minha mão, batendo suavemente enquanto minha testa pressionou duramente na cama. Ela não apenas se esqueceu de mim, como também seguiu em frente, vivendo outras experiências e construindo um império sem eu ao seu lado. Eu não era nada. Por que não chamei a polícia? Você tinha uma chance! A pergunta me esfaqueava quando o Sr. Prest pegou seu telefone e acabou com a oportunidade de comunicação. Eu tive uma única oportunidade de ligar para obter ajuda e fui uma menina idiota e desesperada para falar com sua mãe. Eu queria me dar um tapa. Por um segundo fugaz, o Sr. Prest acariciou meu ombro antes de se acomodar novamente contra a cabeceira. "Bem, que merda. Eu acho que não vou ouvi-la falar no fim das contas."

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BEM ESSA PORRA saiu pela culatra. Eu não tinha planejado dar-lhe a opção de falar com o seu passado, simplesmente aconteceu. Em um momento, meu telefone era algo tão comum, uma ferramenta que eu usava a cada hora, de cada dia. No próximo ele era como a porra do elixir sagrado para esta criatura delicada, que tremia como se o celular pudesse se transformar em um portal e levá-la para longe. Minhas mãos se fecharam em punhos apertados. "Para quem você ligou?" Sua cabeça afundou-se ainda mais no colchão. Um colchão tão duro quanto uma pedra. Ela não era somente espancada‒ todo o seu corpo e rosto ostentavam marcas roxas‒ mas seu único lugar de conforto garantia que a tortura fosse contínua. Fiquei confuso tentando imaginar para quem ela ligou. O pai? Irmão? Namorado? Quem diabos não tinha estado lá para ela quando ela finalmente teve a oportunidade de pedir ajuda? Não seja um maldito hipócrita.

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Eu não tinha o direito de desprezar os entes queridos do seu passado por não salvá-la quando eu estava prestes a fazer exatamente a mesma coisa que todos os homens em seu presente faziam. Eu deveria dar-lhe outra chance, deixá-la chamar a polícia. Seja melhor do que aqueles que a prenderam. Esse pensamento deveria me impedir. Mas ele não fez. Não depois de eu ter tocado seu peito e minha pele detonou como as armas que eu lidava. Eu me conhecia, e eu sabia quais eram os meus limites. Eu poderia me afastar de outras tentações antes que elas se tornassem fortes o suficiente para não serem ignoradas. Mas eu duvidava que eu pudesse me afastar dela, sem ter o que eu precisava. "Sente-se..., menin- Pim". Corrigi meu erro. Quando eu tinha chamado 'menina' antes, seu corpo liberou onda de indignação tinha me dado uma pista. Ela odiava ser uma propriedade de alguém, mas queria pertencer a um nome. Uma contradição interessante, resultando em mais segredos que eu precisava descobrir. Prendi a respiração, esperando para ver se o seu desespero iria se sobrepor ao meu comando.

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Ele não o fez. Lentamente, sua espinha se ergueu como uma maldita flor tentadora, levantando os ombros, dobrando o pescoço, e mostrando o seu rosto raivoso e triste. Eu não tinha mentido sobre estar perto de outras pessoas que não falavam a fim de ganhar talentos em outras áreas. Eu tinha sido iniciado em tal sanção. Desde o dia em que cheguei ao dia em que saí em desgraça, os mestres nunca falavam esperando que nós soubéssemos exatamente o que eles queriam. Eu aprendi outra língua, tornando-me

mais

do

que

bilíngue,

mas

multilíngue,

compreendendo as nuances do movimento de sobrancelhas, obtendo dicas em contrações musculares. Quanto mais ficava em sua presença, mais utilizava essas habilidades. Limpando a garganta, olhei ao redor do quarto. Não deixei de notar o modo pelo qual ela ficou olhando para os cantos superiores das paredes, enquanto eu prendia a porta. Existiam câmeras e alarmes em toda a maldita casa, até mesmo nos vidros das janelas. Eu negociei uma noite ininterrupta, mas eu não iria conseguir. Alrik não seria fiel à sua palavra. E o pensamento de estar nu e com as bolas no fundo de sua escrava ‒ vulnerável e passível de ser surpreendido ‒ não era algo que eu planejava deixar acontecer.

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No momento em que Pimlico descansou na posição vertical sobre os joelhos, eu disse: "Esqueça o telefone. Ninguém mais existe, somente nós." Seus olhos brilharam, mas impediu que seus pensamentos se mostrassem completamente. "Nesta sala, não há passado nem futuro, apenas o presente. Tudo que você precisa fazer é se comportar, e eu vou tratá-la melhor do que os outros." Sua mandíbula se apertou. "Não acredita em mim?" A contração de seu queixo me deu a resposta. "Você não tem que acreditar em mim. Eu vou provar isso." Colocando-me de joelhos, eu imitei sua posição. Ao contrário dela, minhas articulações não estalavam com relutância. Meu corpo estava afiado, treinado e tratado como uma ferramenta de valor inestimável, porque isso era o que ele era. No entanto, você quer arriscar sua saúde, fodendo esta menina. Bem, isso e algo a mais. Eu queria entrar em sua mente maldita... mesmo que eu tivesse que machucá-la para conseguir tal feito. Eu iria.

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Eu congelei enquanto o Sr. Prest se equilibrava de joelhos diante de mim. Seu terno farfalhou quando ele estendeu a mão e colocou as mãos grandes sobre os meus ombros. Seus olhos caíram para os meus seios como se a obstrução do vestido branco não escondesse o que estava por baixo. Eu

fiquei

tensa,

esperando

que

ele

me

tocasse

novamente. No entanto, seus dedos apertaram os meus braços esqueléticos, aumentando a pressão até que eu balancei a contragosto. Eu lutei com ele, fazendo o meu melhor para ignorar o seu impulso. O que diabos ele está fazendo? "A primeira coisa que quero de você é que..." Ele me empurrou, sorrindo enquanto me deitava de lado, com as mãos espalmadas

para

aparar

a

minha

queda

entrelaçadas. " ... pare de se sentar assim."

PEPPER WINTERS

e

as

pernas


O quê? Como uma mulher que não tem uma escolha? Quase como se ouvisse a minha mente, ele mais uma vez colocou pressão sobre meus ombros, forçando-me a deitar. "Relaxe." Sem chance. Eu me contorci para ficar em uma posição vertical, estremecendo com a dor e os ossos latejantes na minha mão. Eu não confiava nele para não me dar um soco no estômago ou tirar proveito do meu corpo quando me deitasse. Ele não me deixou levantar, prendendo-me no colchão com os dedos em torno de minha garganta. Me solte. Eu parei de respirar. Meus músculos travaram-se. O seu toque levou-me me em um redemoinho de horror. Ele está tocando meu pescoço.

PEPPER WINTERS


Meus lábios se separaram para respirar, lutando duramente para não afundar. Ele não é Mestre A. Ignorar este gatilho. Ignore isto! Nossos

olhos

se

encontraram

amplos,

suas

mãos

estreitaram-se quando seu corpo pairou perto do meu. Não. Eu não sabia o que eu pedi a ele para não fazer. Mas ele endureceu com a boca a milímetros dos meus lábios. "Continue lutando comigo, Pimlico, e nós vamos ter um problema do caralho." Sua voz me prendia em uma rede, impedindo que eu afundasse no escuro desprezível. Como ele poderia saber que eu estava lutando com ele? Como é que ele pode ouvir as minhas retóricas silenciosas? Eu não podia me esconder dele. Eu odiei isso. De repente, ele se sentou de volta, soltando o meu pescoço e passando a mão pelo cabelo. Eu respirei aliviada. "Existe algo que você deve saber sobre mim, garota." Ele mostrou os dentes ao dizer a palavra abominável. "Eu não sou

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seu mestre. Como eu disse antes, eu vejo mais do que ele faz. Eu sei mais do que ele sabe. E eu ouço todas as recusas que você pensa." Levantando-se de joelhos, elevando-se sobre mim, ele murmurou, "Eu sei que você tem medo de que eu te machuque como ele e tire vantagem de você." E não vai? É para isto que estamos aqui. Eu olhei para a parede, interrompendo-o. O Sr. Prest agarrou meu pulso, traçando seu polegar em torno da articulação óssea. "Olhe para mim." Eu não fiz. Sua voz tornou-se um silvo. "Olhe para mim." Fizemos contato visual. Algo disparou, cresceu e colidiu. A energia elétrica tornou-se pior, cantarolando com o poder. Merda. Feche seus olhos. Faça! Mas eu não podia. Como cimento, seu olhar me manteve presa, incapaz de me libertar.

PEPPER WINTERS


Seus lábios se espalharam mostrando dentes brancos e perfeitos. "Ah, finalmente... uma resposta." Sorrindo com frieza, ele disse: "Eu adivinhei corretamente, não é?" Não. "Eu adivinhei. Você não tem que refutar." Movendo-se, ele reclinou ao meu lado, seu corpo não tocava o meu diretamente, mas eu senti o seu calor escaldante, de forma que era a mesma coisa. Seus dedos não soltaram o meu pulso, acariciando-o com pequenos toques do seu polegar. "Que tal começar outra vez?" Ele trouxe a minha mão ao nariz, inalando meus dedos. "Você pode sentar-se no momento que quiser, mas tudo o que você fizer, eu vou fazer também. E tudo o que eu fizer, você faz. Seu polegar pressionou duramente na carne delicada entre os ossos quebradiços de meu pulso. "Combinado?" Sem acordo. Seus dedos me apertaram mais forte. Ele me segurou em um lugar tão não-sexual, mas a minha pele queimava sob seu toque. Eu parei de respirar ao sentir a eletricidade se espalhar e ficar mais difícil de ignorar.

PEPPER WINTERS


"Você quer que eu continue apertando?" Seus olhos se estreitaram enquanto meus dedos ficavam brancos com a perda de sangue. "Porque eu vou se você não concordar." Se eu fosse metade tão obediente como eu pensei que era, gostaria de balançar a cabeça e deixar que ele me manipulasse em tudo o que escolhesse. Mas algo sobre a maneira pela qual ele me segurava me fez pensar em coisas que eu nunca tivesse acesso. Eu nunca gostei de sexo, beijos ou carícias. Eu duvidava ‒ após passar por toda essa experiência ‒ que algum dia fosse encontrar prazer em tais atividades. Eu sabia disso nas profundezas da minha alma. Mas a forma como este homem estranho me tocava me tornou desesperada e faminta por coisas que eu não sabia que desejava. Coisas não relacionadas ao sexo e dominação, mas a igualdade e amizade. Deus, eu queria um amigo. ‘Ninguém’ me fazia companhia, mas meus rabiscos não eram o suficiente. Nada era suficiente. Ele riu baixinho, seu polegar pressionando sobre o espaço entre os ossos, onde artérias e veias fluíam. A pressão aumentou quando ele avançou um, dois, três centímetros para acima no meu braço, me fazendo tremer. "Você vai me dizer o que eu quero saber."

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Meu corpo estremeceu quando seus dedos se enrolaram em volta do meu cotovelo, me causando uma nova enxurrada de arrepios. "Você vai falar comigo." Falar? Meus olhos nebulosos se voltaram para o teto, procurando onde Mestre A estaria espionando. Será que suas câmeras têm capacidade de escuta, também? Será que ele me vê deitada ao lado do Sr. Prest e estava acreditando que eu estava falando agora, mas nunca tinha falado com ele? Meu coração abriu um alçapão e mergulhou em um abismo. Se ele pensar que eu estava conversando com um homem que ele desprezava, ele não iria me matar. Ele me rasgaria em pedaços minúsculos de forma excruciante. Com dispositivos de escuta ou não, eu não podia permitir qualquer indício de imagens em que eu respondia algo. Eu me levantei, não me importando com a minha mão quebrada enterrada no colchão. Não ligando que minha testa batesse contra o Sr. Prest, me trazendo agonia e me fazendo ver estrelas negras. Tudo que eu queria era ficar longe de tudo o que ele queria, porque o pensamento de falar com ele por um segundo não era horrível. Mas agradável.

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Gemendo, ele recuou, segurando a testa da mesma forma eu segurava a minha. "Droga." Ouch! Montei a onda de dor, bloqueando-a lentamente. No entanto, o Sr. Prest ia me bater. Esfregando sua pele, ele sacudiu a cabeça. "Eu sabia que você ia ser perigosa para a minha saúde, mas eu não achei que você ia tentar me tornar inconsciente." Pisquei, erradicando a visão das estrelas. Bem feito. "Eu não merecia isso." Seus olhos negros se estreitaram. "Eu não vou te machucar." Sim, você vai. Respirando fundo, ele colocou-se em nossa posição original de joelhos. Suas calças se apertaram em torno de suas coxas poderosas, lutando contra as costuras. A protuberância entre as pernas parecia maior do que a do mestre A, o que me aterrorizou. Processando tudo o que tinha acontecido, ele me chamou com o dedo. "Levante-se. Vendo como você prefere estar sentada desta forma, faça o que faço."

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O que ele estava tentando alcançar? Como eu poderia antecipar o seu próximo jogo quando ele próprio não sabia o que ia fazer comigo? Eu me senti como um cachorro seguindo seu líder enquanto eu copiava sua respiração profunda, me joelhando, e recuando tanto quanto possível. No entanto, eu não conseguia parar a sensação nervosa que ele tinha evocado dentro de mim. Eu não queria ter nada a ver com o interesse latejante que era tão estranho para mim como refeições regulares e sair ao ar livre. "Lembre-se, Pim. Novas regras. O que você faz, eu faço. E o que eu faço, você faz." Com os dedos elegantes, ele espalhou o material caro de seu blazer para os lados, revelando camisa preta que vestia por baixo. Lentamente, ele mexeu o tirou, jogando-o para fora da cama como se ele não tivesse nenhum valor, o tempo todo me olhando como se eu fosse uma sedutora inestimável. O que ele vê em mim que justifique colocar sua vida em risco? Eu devia arrancar meus olhos. Para parar de olhá-lo. Mas ele queria que eu o visse. Eu não posso negar que eu quero vê-lo.

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Não importa que eu ache que ele é algo raro e confuso. O fato dele encurralar a minha mente, forçando-me a ficar presente não me incomoda. Mestre A apenas tomava. Ele me dava a oportunidade de desligar os meus pensamentos e abandonar o meu corpo ao seu bel prazer. Sr. Prest não é assim. Junto com a rebeldia, ele trouxe vida e consciência de volta para o meu corpo, mesmo que esses sentimentos tenham me levado a bater minha testa contra a dele e sentir um formigamento indesejado na barriga, eu não poderia desligar a minha mente porque a noite foi ao mesmo tempo longa e curta. Em breve, tudo estaria terminado. Graças a Deus, vai acabar. Ele irá embora. Ele vai... me deixar . Meus ombros caíram um pouco antes de que eu me lembrasse que era isso o que eu queria. Eu o odiava por causa das consequências que eu teria que sofrer quando ele saísse pela porta. Mestre A provavelmente iria me matar, isto era tudo o que eu podia esperar do futuro. Uma morte limpa em vez de uma punição interminável.

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A menos que o meu plano funcionasse e o Sr. Prest me roubasse. O que o Sr. Prest fará no futuro? Governar um império, em um reino que eu só podia imaginar, em um palácio que eu só podia sonhar. Desviando os meus olhos, eu fiz o meu melhor para silenciar os pensamentos indesejados e voltar para a minha posição sem vida. "Você pode olhar", ele sussurrou. "Eu tenho plena intenção de olhar para você." Seus ombros tencionaram quando ele moveu os braços acima de sua cabeça e agarrou a parte de trás de sua camisa. Com um olhar escuro, ele arrancou a peça de roupa, despindo um peitoral eu só tinha visto em minhas fantasias. Para um homem com características de etnias mistas, seu corpo não deixava dúvidas do que o fez se destacar neste mundo. Braços longos e ágeis com bíceps perfeitamente proporcionados e antebraços firmes. Seu peito era amplo, mas não muito largo, seu peito tinha oblíquos definidos e um tanquinho que parecia querer escapar de sua pele. Mas nada disso importava enquanto meus olhos se desviaram para a obra-prima principal. Respirei com reverencia.

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Sua caixa torácica era visível. Sua carne aberta, revelando um dragão escondido sob os ossos. Isso não pode ser verdade. Mas era. Meus dedos coçaram para tocá-lo, para inserir a minha mão na câmara do seu peito e tocar o réptil que sibilava lá dentro. Em algum lugar dentro de mim, eu sabia que não era real, apenas um truque excelente. A tatuagem foi feita de modo tridimensional, parecendo tão realista, que eu jurei que estava olhando para dentro do seu corpo e testemunhava o coração batendo na mesma frequência que o dragão exalava sua fumaça, protegendo seu mestre como o porteiro para a sua alma. Sr. Prest não se mexeu. Sentado sobre os calcanhares, ele permitiu minha inspeção enquanto eu balancei para frente, presa na ilusão, pensando que se eu me virasse para a esquerda ou para a direita, eu veria o seu baço, fígado e os rins. A imagem era tão bem feita e profundamente detalhada, que eu me

contorci

com

o

pensamento

de

ossos

verdadeiros

pressionando contra mim sem estarem envoltos em carne humana. "Não é real." Ele passou a palma da mão sobre seu lado que parecia cavernoso e aberto. Seus dedos não se mancharam de

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sangue ao tocar na caixa torácica exposta e nem foram mordidos pelo dragão silvando em sua cavidade. "Vê?" Soltando sua mão, ele apontou o queixo para minha forma congelada. "O que eu faço, você deve fazer também." Sua sobrancelha levantou-se, terminando sua sentença. “Retire a sua roupa.” Eu endureci. Estar nua na frente dele não me assustava. A nudez era apenas mais um código de vestimenta. Mestre A me ensinou que não existem lugares particulares ou secretos em meu corpo. Mas isso foi antes de ver a beleza dele, com ou sem adornos. Tudo o que eu tinha para oferecer eram contusões lamacentas e pele privada de sol. O Sr. Prest abaixou o queixo, os olhos escurecendo. "Obedeça." A palavra ondulou de sua boca para os meus ouvidos. Tornando-me irritada e atordoada. Ele quer olhar-me? Bem. Quanto mais tempo eu gasto em sua companhia, mais eu sentia a hesitação de sua parte. Ele não era como os outros que

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já teria me virado e me tomado sobre a cama no momento em que a porta estava no lugar. Ele não estava aqui para me levar rapidamente. Ele não estava aqui para tomar alguma coisa física. O que é que ele quer? E o que vai acontecer se ele conseguir? Sentada sobre os meus joelhos, eu inclinei meu queixo para o canto do quarto, procurando mais uma vez para o portal por onde o Mestre A nos vigiava. Rangendo os dentes, esperando a porta se abrir com estilhaços e tiros de canhão, eu agarrei a bainha do vestido branco e o empurrei sobre a minha cabeça. A brisa do ar condicionado lambeu a minha carne. Torneime consciente de quando o Sr. Prest respirou profundamente, ao olhar para o meu corpo, partindo dos meus lábios, para meus mamilos até o meu núcleo. A maneira como ele me observava torcia meu estômago. Eu não era bonita como ele. Mas por alguma razão, ele viu algo em mim que eu tinha perdido há muito tempo. Inclinando-se, pegou o vestido de minhas mãos e jogou-o no chão. "Foda-se, é pior do que eu pensava. Mil vezes pior.” Pior?

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Qualquer confiança que ele tinha me concedido rasgou-se em bolhas cheias de lágrimas. Pior!? Como ele ousa dizer uma coisa dessas! Com nada para esconder-me, eu passei meus braços em volta do meu corpo, fazendo o melhor para proteger a minha nudez que ele disse que era a pior que já tinha visto. Raiva golpeou minha consternação. Eu não escolhi ser assim. Eu não quero ser tão magra e quebrada. Como ele se atreve a me destruir tão insensivelmente? Eu quase queria Mestre A aparecesse. Pelo menos, não importa quão feia e abatida eu fosse, ele sempre me queria. O Sr. Prest se moveu, suas grandes mãos cobrindo a protuberância entre suas pernas. "Eu tinha planejado encontrar prazer em você hoje à noite." Ele não foi sutil ao agarrar o contorno de seu pau grosso em suas calças. "Eu tinha planejado te comer porque, apesar de seu senso de moda horrível e cabelo selvagem, você me excitou." ‘Excitou’. Não ‘excita’. Eu deveria estar grata por sua atração ter ficado no passado. Isso significava que o quer que estes poucos minutos

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loucos foram, estava acabado antes que Mestre A invadisse o lugar. Ele olhou para o que ele acariciava. "Isso assusta você?" Que você me queria? Não. Eu era bonita, muito tempo atrás, mas isso não quer dizer que meu cabelo castanho escuro e olhos verdes me tornava atraente para todos os garotos. No entanto, nesse ambiente, eu poderia dizer com segurança que todos os homens me queriam. Porque todos os homens que entraram em contato comigo eram cães violentos, não me vendo como uma pessoa, mas como uma representação: a liberdade de foder e ferir alguém sem repercussões. Até ele, é claro. Minha cabeça nadou conforme a confusão me deixava tonta. "Infelizmente, agora eu vi o que ele tentou esconder sob suas roupas horríveis." Seu lábio superior enrolou-se com repulsa. "E essa porra muda tudo." Eu não podia encará-lo ‒ não podia olhar um homem que me negociou para me ter e depois me dispensou assim que eu tirei a roupa.

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Eu era uma escrava. Eu não tinha nada próprio. Minha autoconfiança era uma coisa frágil maltratada, e ele tinha acabado de pegar o último pequeno pedaço dela restante e pisou em cima. Sugando uma enorme rajada de ar, o Sr. Prest esfregou o rosto. "Abaixe os braços, deixe-me ver." Obedeci imediatamente. Ele queria se aterrorizar ainda mais, olhando para o meu grotesco corpo? Fique a vontade. Poucos

segundos

se

passaram

enquanto

seus

olhos

percorriam sobre mim. Finalmente, ele sussurrou, "A sua pela está mais negra do que branca e de um tom mais azul do que rosado, mas você teve vergonha de revelá-la." Vergonha? Não se tratava de vergonha. Era sobre saber meu lugar e fazer o que me foi dito. Eu fiz o que você pediu!

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Este homem não tinha noção das regras e leis sobre as quais eu vivia. Ele não tinha experiência em lidar com criaturas compradas. Isso acalmou minha raiva um pouco, sabendo que eu poderia ser o pior que ele já tinha visto, mas ele não foi o pior que eu já tinha encontrado. "O que aconteceu com você?" Sua voz caiu para níveis de sussurros. Meus mamilos endureceram com o frio enquanto seus olhos ardentes me mantinham aquecida. Será que ele espera que eu diga a ele quando as respostas estão todas ao seu redor? Homem estúpido. "O silêncio não vai salvar você de mim, Pimlico." O Sr. Prest sentou-se, reclinando-se na cama novamente. Sua cabeça descansou contra a cabeceira, seus movimentos suaves e sem pressa. Sem tirar sua atenção de cima de mim, ele endireitou as pernas e com dedos ágeis abriu as calças. Engoli em seco. O tilintar suave da fivela de metal soou alto quanto ele jogou as extremidades de seu cinto para lados opostos e abriu o botão antes do ruído duro de um zíper sendo desfeito encher a sala.

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"Você acha que eu não vou tocar em você só porque eu vi os seus ferimentos?" Meu coração tomou o controle, rugindo contra o meu peito como um ferreiro forjando o aço. "Você acha que eu sou um cara legal que irá tratá-la com mais respeito do que os homens que marcaram você?" Ele puxou o cós da cueca boxer preta de seu estômago tatuado, inserindo a mão direita em suas profundezas. Sua mandíbula apertou-se enquanto seus quadris se arqueavam um pouco, abrindo uma folga para seus dedos se envolverem em torno de si mesmo. A maneira como seu rosto estava em profunda concentração e seus dentes mordiam o lábio era a coisa mais excitante que eu tinha visto desde que eu tinha sido assassinada e vendida. "Eu não sou." Sua língua golpeou onde seus dentes tinham mordido. "Eu não sou alguém que você pode foder. Quando eu pedir alguma coisa, espero obtê-la. Imediatamente." Uma onda súbita de medo e revolta me envolveu quando sua mão se moveu em suas calças. "Você tem uma escolha. Dá-me o que eu quero ou eu vou levar o que eu quero." Ele sorriu asperamente, seus olhos passando rapidamente ao redor do quarto, como se esperasse uma surpresa a qualquer momento. "Sua escolha." Pisquei.

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Eu não entendia este novo jogo. Ele já tinha me dito que meus machucados mudavam tudo, que ele não me queria. Ele poderia ter me levado no momento em que ele tinha me roubado, então por que me ameaçar com o sexo quando ele preferiria estar em uma cama diferente com uma menina diferente? Meu queixo pressionado contra o meu esterno, fazendo o meu melhor para entender tal perplexidade. "Olhe para mim." Sua voz ficou rouca enquanto sua mão se movia, sussurrando com o pecado. Beliscando minhas coxas para manter algum tipo de dignidade, eu fiz o que ele pediu. Desta vez, eu não podia parar o meu fascínio enquanto eu bebia tudo dele. Da forma como seus lábios brilhavam, a seu estômago subindo e descendo e sua tatuagem de dragão sob a ilusão ótica de costelas. "Lembre-se, o que eu fizer, você faz." Minha boca se abriu em choque. Ele ... ele quer que eu me toque? Eu nunca tinha me tocado. Primeiro, porque uma mãe rigorosa, que invadia meu quarto em todas as horas sem ligar para a minha privacidade, me criou, e segundo, porque eu vivia com um mestre que me fez desprezar todas as regiões inferiores do meu corpo.

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Por que eu iria querer me tocar? Por que molestar essa parte de mim que já foi tanto molestada? Ele mordeu o lábio novamente, dessa vez sugando a carne molhada em sua boca enquanto seu braço parava. "Você quer que eu te trate como uma prostituta? Você prefere obedecer a exigências humilhantes a responder a algumas perguntas simples?" Sua voz soava como um rosnado. "Você vai aprender a fazer escolhas melhores em breve." Nossos olhos se encontraram antes que eu tivesse um ataque de pânico que trancou os meus pulmões como um parasita. Eu não posso acreditar que eu me senti mais segura com este homem, que eu achava que ele era diferente. Seu rosto se apertou com a frustração quando eu deixei cair meus olhos, deixando que ele tivesse a autoridade. "Diga-me de onde você veio. Diga-me quem te roubou e como Alrik acabou com você. Dê-me isso e eu vou envolvê-la em seu lençol e protegê-la nas horas restantes que temos juntos. Não responda e você vai ansiar ter aceitado essa proposta. " Eu tremi, odiando a forma como o meu corpo se encolheu, tentando me fazer menor e invisível. O tempo continuou a passar. Finalmente, ele suspirou profundamente. "Falar vale muito para você?" Ele tirou a mão de suas calças. "Nesse caso...

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vamos ver o quanto sua voz vale a pena quando todo o resto estรก na linha."

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Eu era muitas coisas, mas um abusador, estuprador, e filho da puta não faziam parte dos meus defeitos e falhas abundantes. Sim, eu tinha entrado na casa de Alrik pronto para tomar o que lhe pertencia. Sim, eu tinha intenções impuras de usá-la para o meu prazer. Eu mesmo me convenci de que ela não era o meu problema, apenas um adoçante para o nosso negócio. Mas então ela tinha tirado o vestido. E eu simplesmente não podia fazê-lo, porra. Como eu poderia ficar duro por uma menina que tinha tanta força em seu coração, mas muito abuso pintado em sua pele? Seu silêncio não era o desafio que eu acreditava. Sua mudez não era coragem ou ousadia. Era a única maldita coisa que lhe restava. E eu quero roubar isso mais do que qualquer coisa que seu corpo pode me dar.

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Eu a tinha ameaçado com o sexo. Eu enfiei a mão dentro das minhas calças, forçando-a a acreditar que eu transaria com ela de qualquer maneira. Em vez de terror e desgosto, ela me olhou com uma resignação fria. Ela vivia em um mundo de dor e sexo forçado por tanto tempo, que isso era nada para ela. Algo esperado e forçado enquanto ela permanecia escondida em sua fortaleza em silêncio, oferecendo o corpo, a fim de manter a mente. Porra, isso ganhou o meu respeito. Mas também me irritou. Abordar o fosso de seus pensamentos não seria um ataque simples, mas um cerco difícil. Ignorando minhas calças abertas e peito nu, eu fiquei de pé, mais uma vez ficando de joelhos. O aperto das minhas cuecas boxer machucava meu pau. Mesmo sentindo repulsa por suas contusões eu não consegui controlar o meu desejo. Ou era aversão? Não… Eu sabia o que era, e isso contaminou tudo ‒ cada respiração e piscar de olhos. Vergonha. Ela me encheu com uma maldita vergonha.

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Seus olhos me seguiram, escondendo o que ela pensava. A única maneira de quebrar-la era confundi-la. Fazê-la correr em círculos, a deixar no escuro e enfurecê-la. Então, talvez, ela quebraria seu voto de silêncio e me daria o que eu queria. "Eu pedi uma noite com você porque eu acreditei que era como eu." Ela congelou. Ela já conheceu alguém que usou a honestidade em seu benefício ao mesmo tempo em que escondia seu passado? Será que ela se importava que eu identificasse os seus pensamentos de suicídio por que sabia como eles eram? Que eu uma vez sido tão ferido como ela, mas ganhei mais de quem tinha me arruinado? Ela não merece saber por que ela se recusou a compartilhar uma única coisa em troca. Pim encolheu-se mais ainda em sua posição ajoelhada. O cabelo feio estava pendurado em volta do rosto, lançando sombras sobre os olhos, impedindo-me de ver seus segredos. Isto não é permitido. A vida nem sempre tinha sido tão preta e branca. Eu tinha justificado os meios, mesmo quando cometia um crime, exatamente como eu estava fazendo agora. Fez-me um ser humano de merda, mas e daí?

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Quando eu estava morrendo de fome e vivendo nas ruas, ninguém me deu uma jaqueta para manter longe a neve ou me comprou uma refeição para garantir que sobrevivesse mais um dia. Eu fui uma inconveniência. Uma monstruosidade. Ela não é uma monstruosidade. Mesmo desnutrida e muito magra, tinha uma certa beleza sobre ela. Seus olhos verdes eram os maiores que eu já vi. Seu cabelo escuro estava pendurado flácido e sem vida, mas a cor ainda insinuava de uma riqueza que não tinha inteiramente desbotado. No entanto, esse cabelo impediu a minha capacidade de ler o seu olhar. "Você tem um prendedor de cabelo?" Inclinando-me para frente, eu peguei os seus fios escuros e puxei-os para sua nuca. Ela tremou ‒ sua pele foi tomada por arrepios. Esperei por uma sobrancelha contraída ou uma leve torção de seus lábios. Eu queria saber o que ela pensava sobre eu tocá-la desta forma. Mas nenhuma resposta. Não que isso importasse. Até o final da noite, eu saberia tudo que eu precisava. Eu vou ganhar, Pimlico. Eu sempre faço.

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Mantendo

contato

com

os

seus

olhos,

meus

dedos

separaram partes de seu cabelo. Ela respirou fundo, quando eu envolvi uma seção menor em torno da maior e prendi o seu cabelo em um rabo de cavalo baixo. "Pronto, em nenhum outro lugar para se esconder." Sentando-me, eu olhava para ela, finalmente capaz de ver os ângulos de suas maçãs do rosto, a aridez de sua mandíbula, e o matiz azulado de sua pele maltratada. "Você não pode me impedir de obter minhas respostas", murmurei. "Então, eu desistiria se eu fosse você." Seu queixo se levantou com altivez. "Como você ainda está viva?" Eu ri. "Quando você é tão agressiva?" Seus olhos se estreitaram. "Você acha que você se comporta e faz o que é esperado, mas eu estive te observando." Deixei a minha voz baixar. "Eu vejo você olhar para ele. Eu vejo o seu ódio. Eu sinto." Seu olhar disparou para os cantos da sala, com os ombros tensos. Segui a sua preocupação. "Você espera que um visitante indesejado apareça em breve, não é?" Ela endureceu. "Você está certa. Ele não permitirá que eu fique por muito tempo." Eu olhei para a porta. "Eu não sei quanto tempo nós temos, então eu acho que vou ter que trabalhar rápido."

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Seu corpo ergueu-se; seu estômago ferido vibrou. "Eu não quero dizer que eu preciso te foder rápido." Seus olhos bateram nos meus. "Se eu te usar desse jeito, vai ser depois que eu aprender os seus segredos. Não antes." Um fantasma de um sorriso iluminou seus lábios. Eu ri baixinho. "Você acha que manter seus segredos irá protegê-la de mim?" Sua expressão me agradou enquanto eu passava a mão pelo meu cabelo e a vi lentamente relaxar com esta inquisição estranha. "Segredos têm uma maneira de sair com as pessoas certas pedindo, Pimlico." De certa forma, eu estava feliz que ela não falava. Minha própria história estava segura. Ela não iria descobrir as razões pelas quais eu estava atraído por ela. Ela não saberia que eu não poderia ir embora ainda porque eu vi o meu passado em seus olhos. Ela foi uma pequena interrupção no meu mundo. Meu interesse por ela não tinha nada a ver com a sua beleza danificada ou imensa coragem. Nada a ver com a silhueta do que estava escondido entre suas pernas ou os mamilos rosados. Não seja ridículo, porra. Eu tinha autocontrole.

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Eu vou provar isso. Apontando para ela, eu sussurrei, "Eu causei isto." Ela não se moveu, mas sua pele manchada pela violência ficou branca. Como

eu

não

iria

deixá-la afundar-se

em

todos os

pensamentos que vieram à tona em sua mente, eu gentilmente peguei sua mão quebrada. "Eu sei que causei isto por ter te tocado naquela noite. E eu sei que, quando eu sair, você vai ser submetida a mais." Meus dedos acariciaram a mão dela. "Mas eu não acho que vou me sentir culpado por isso. O mundo é um lugar fodido, e todos nós temos nossos demônios para suportar. Você não terá compaixão de mim, mas você vai ter respeito." Soltando a sua mão, eu empurrei seu ombro. "Deite-se." Ela oscilou em imprudência, mas eu aumentei a minha pressão, dando-lhe nenhuma escolha. Caindo para trás, suas pernas ficaram presas juntas, escondendo o que eu queria ver. Seus pequenos seios saltaram me dando água na boca. Foda-se, por que eu estava indo devagar com ela? Ela era minha para fazer qualquer coisa que eu quisesse. Torturar-me não era a minha idéia de um bom tempo. Seus olhos prenderam-se aos meus, amplos, mas sem medo. Ela me fascinava, mesmo que sua pele marcada e ossos aparentes não fossem sexys, eu achei a sua resiliência muito excitante.

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Eu a queria. Eu queria me soltar e fazer o que eu tinha sonhado sobre a noite passada. Mas eu não podia ... ainda não. Eu tinha coisas muito mais importantes para fazer. Além disso, tanto quanto a minha vida estava cheia de pecado (e eu não me desculpo pelo o que eu sou), eu me recuso a ser como Alrik. Ela tinha idiotas o suficiente em sua vida. Enquanto ela pertencer a mim, ela aprenderia que um bastardo ainda podia ser um cavalheiro. Deitando de lado, apoiei-me no meu cotovelo e passei um dedo pelo o seu lado nu. Seus mamilos duros viraram alfinetes, enquanto seu estômago descolorido ficou ofegante por oxigênio. Eu não disse uma palavra enquanto eu arrastava o meu toque sobre uma costela, depois duas, aproximando-me mais perto de seu peito. A cada centímetro que eu subia, ela desligava um pouco mais. Senti-a se afastando, deixando sua mente, usando qualquer mecanismo que ela desenvolveu para suportar tais torturas para levá-la para um lugar seguro. Eu parei. Ela não respirava. "Relaxe." Ela ficou mais tensa do que uma corda de violoncelo. "Eu vejo que você não gosta dessa palavra."

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Sua

cabeça

virou-se,

me

permitindo

ver

os

olhos

turbulentos, mas amotinados. "Ou talvez, você não confia nessa palavra." Eu não podia malditamente

culpá-la.

Retirando

a

mão

do

seu

corpo,

deliberadamente coloquei um pequeno espaço entre nossos corpos na capa. "Ok, vai ser do seu jeito. Sem mais toques. Mas você me deve, Pim, e eu nunca me esqueço de uma dívida." Sua testa se franziu. Eu não sabia se era em negação ou confusão, mas eu expliquei para ela de qualquer maneira. "A regra que lhe dei: o que eu faço, você deve fazer. E o que você faz, eu preciso fazer." Baixei a cabeça, roçando meu nariz sobre sua bochecha. "Você esqueceu-se de que eu toquei a mim mesmo?" O colchão balançou quando ela se afastou com os quadris. Não era muito perceptível, mas eu notei. E eu não estava feliz com isso, porra. Se ela achava que poderia evitar que eu a tocasse entre as pernas, ela não sabia que eu esperava obediência total. "Você sempre se opõe aos homens em sua cama ou só comigo?" Minha mão foi para cima, segurando em torno de sua garganta. "Você já me fez quebrar a regra de não tocá-la. Não me faça quebrar as outras regras que estão me mantendo na linha esta noite." Seus olhos se prenderam aos meus, cheios de incerteza e pânico.

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"Ah, isto intrigou você." Afrouxando os meus dedos, eu não ameacei estrangulá-la, apenas apertei suavemente, prendendo sua mente em seu corpo, para que ela não voe livre. "Eu tenho muitas leis que governam a minha vida." Mostrei-lhe os dentes. "Quer saber algumas?" Esperei que ela a acenar, piscar fazer algo que poderia ser um sinal para sim. Mas ela era muito boa. Ou muito apavorada. Ela era como um iceberg, seus olhos tão complexos como flocos de neve. "Você não gosta que toquem o seu pescoço?" Tirei mais do meu peso, mas não retirei meus dedos. "Será que ele te estrangula ... é por isso que você está me olhando como se eu tivesse crescido chifres?" Ela não respondeu de forma alguma, mas seu pulso jorrou como uma correnteza abaixo de meu polegar. "Não se concentre em onde eu estou te segurando. Concentre-se em por que eu estou te segurando." Meu polegar acariciou o lado de seu pescoço, enredando com o cabelo escapou de onde eu o tinha preso. "Concentre-se em minhas perguntas."

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Sombras tomaram os seus olhos, enquanto ela lutava para superar o sentimento de pânico que a invadia por associar um toque na garganta com alguma tortura que sofreu. Tentando chamar sua atenção por outras coisas, perguntei: "Quanto tempo você tem estado em silêncio? Estou bastante impressionado. Você evitou as minhas pergunta e ignorou a vontade de seu corpo de responder-me ‒ mesmo com o pequeno deslize mostrando o seu pavor." Seus lábios se franziram, desviando a atenção para sua boca. De alguma forma, ela transformou o medo em teimosia. Sua pele voltou a ter cor, queimando sob o meu toque. Calor nos envolveu. O desejo venenoso e necessidade intoxicante socaram-me no peito. Eu não era o único que sentiu isso. Os sentimentos ficavam mais fortes à medida que tentamos ignorar sua presença. Ela intrigou uma parte desumana de mim, embebedando-me e enchendo-me com coisas complicadas. Eu não tinha vindo aqui para conectar-me com ela. Eu não tinha reivindicado ela se sentir. Eu a peguei para roubar seus segredos. Isso foi tudo. E é exatamente o que eu pretendo fazer.

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"Eu tenho uma proposta." Eu lambi meus lábios. "Você responde a uma das minhas perguntas, e eu vou responder a uma das suas." Ela engoliu em seco, sua garganta trabalhando presa sob meus dedos. "Você não acredita que eu possa ouvir suas perguntas?" Arrastando meu toque para seu esterno, eu empurrei em um hematoma amarelado. "Eu posso. Assim como eu posso dizerlhe coisas sobre o seu mestre. Coisas que eu não tenho nenhuma dúvida que você queria saber por um tempo. Você sabe por que ele está deixando-me usá-la, mesmo quando isso o irrita? Por que ele me permite reivindicar o seu bem mais valioso? É porque você pode ser seu brinquedo favorito, por agora, mas o que eu estou construindo para ele vale mais do que uma menina, mais do que dinheiro, mais do que uma vida. É um bilhete para o poder, e para homens como Alrik, essa é a única coisa que importa." Ela

sacudiu-se,

incapaz

de

esconder

o

seu

choque.

Contorcendo-se como um peixe preso em um anzol, ela levantou-se da cama. Fechando as pernas juntas, e agarrando os joelhos quando se sentou, encostando-se contra a cabeceira da cama. Você realmente não deveria ter feito isso, Pim.

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Eu apoiei-me nos cotovelos, sentando-me. "Isso não foi muito inteligente." Agarrando o seu tornozelo, eu apertei os ossos sombreados de preto em seu pé. "Eu não disse que você podia se mover. Eu não vou te machucar, então não corra, porra." Sua mandíbula apertou-se, fazendo com que ficasse ainda mais fascinado por ela. Eu tinha exercido bastante o meu autocontrole esta noite. Ela tinha acabado de me empurrar para a borda. Pressionando o polegar contra o metacarpo que levava a seu dedão do pé onde os ossos mal curados mostravam uma lesão, eu disse: "Assim como ele quebrou sua mão, ele quebrou seu pé." Ela respirou fundo, e ao ver que o meu toque permaneceu na ponta dos seus pés ela aproximou o tornozelo da perna. "Por quê? Será que é para mantê-la na linha? Você é rebelde e merecedora de tamanha crueldade? Ou ele é apenas um fodido doente que ele brinca com você?" Uma faísca raivosa se acendeu em seu olhar. Pela primeira vez, eu não conseguia descobrir se ela estava chateada pela minha implicação de que a punição era merecida ou aliviada que eu decifrei o que Alrik era. "Vou te dar a resposta correta. Eu sei que não é você. É ele. Você não merece uma única contusão que ele lhe deu."

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Essa conexão maldita tornou-se mais espessa à medida que ela parou de respirar. Seus olhos mergulharam nos meus e o encantamento jogou em mim e ficou mais quente, firme e forte. Não poderia ser autorizado a continuar. Eu só tinha uma noite. Eu só queria uma noite. Eu não iria machucá-la, mas eu iria roubar algo dela, e então... Eu a deixaria. Porque eu era a porra de um egoísta e não teria a força de vontade para lutar contra o vício que ela rapidamente despertou em mim por ela. Meu polegar acariciou-a suavemente enquanto eu lutava para conquistar o controle dos meus pensamentos dispersos. "Eu tenho muitas perguntas para você, Pimlico. Questões que não me importavam até agora. No entanto, a sua recusa a me obedecer ao invés de me dissuadir fez o oposto." Eu sorri. "Só me fez mais determinado." Colocando-me de joelhos, eu puxei a sua perna. Eu não fui gentil ou bondoso. Ela escorregou na cama, e no momento em que ela estava deitada, eu agarrei a sua garganta novamente. O pânico que eu tinha testemunhado na minha primeira visita quando eu tinha dado a ela o meu casaco, revelou-se. Sua respiração parou, incapaz de evitar o sentimento de pânico sempre que eu tocava seu pescoço. Se eu fosse um homem agradável, removeria a minha mão e a tocaria em outro lugar.

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Mas eu já disse que tenho muitas falhas. Ela teria que viver com elas. Eu esperava que ela irrompesse em um ataque lutando para se libertar, mas mais uma vez ela inspirava e expirava, domando seu pulso disparado, controlando todo o corpo, inclusive os olhos. Porra, ela é muito mais do que eu pensava. Mais guerreira, mais ferida, mais mulher. Mas nada disso importava. Eu ainda iria ganhar minhas respostas. "Três perguntas." Deitando-me ao lado dela, eu sussurrei "Farei três perguntas. Se você responder, eu vou deixá-la ir. Eu não vou esperar algo mais." Seus olhos se arregalaram quando a minha mão escorregou de sua garganta para retomar a minha posição sobre o esterno. "No entanto, se você não respondê-las, então eu vou esperar tudo. Eu vou foder você, apenas porque eu posso. Vou tratá-la como uma escrava, porque isso é tudo que você sempre vai ser, se você não me deixar entrar em sua mente." Eu a olhei diretamente nos olhos. Meu controle rosnou, querendo se libertar. Mas eu tinha a disciplina o suficiente apenas para ignorá-lo. "Primeira pergunta, faz quanto tempo que você comeu?" O rosto mostrou a sua surpresa.

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Eu ri baixinho. "Não é algo que você esperava que eu perguntasse?" Vamos, mexa a cabeça. Responda-me. Quanto mais tempo ela ficava em silêncio, mais a minha obsessão aumentava. Vou quebrar você, Pim. Cutucando suas costelas machucadas, eu disse: "Eu quero saber porque eu vou garantir Alrik sofra a mesma privação, quando completarmos o negócio." Seus músculos ficaram tensos, seus olhos se dirigiram para o teto, procurando por câmeras. Eu não tinha necessidade de ficar quieto sobre o que eu pretendia fazer. Tínhamos um contrato. Esse contrato manteria a paz até a entrega do seu iate. Depois disso, ele tentaria me matar da mesma forma que os fodidos

que

compram

meus

serviços

sempre

fazem.

E

fracassaria da mesma forma que eles fizeram. Mas pelo menos eu teria cumprido o meu lado do negócio e minha reputação permaneceria intacta.

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No entanto, eu não mataria Alrik tão rápido. Eu o faria pagar por seus atos, o deixando viver a vida de Pimlico antes de terminar com a sua. O que ela diria se eu admitisse meu plano? Será que ela se alegraria ou se esconderia? Eu tive um sentimento de que se ela tivesse o poder de machucar o seu mestre, ela seria a única a fazer o trabalho sujo. Ela não ficaria satisfeita com um estranho o punindo. Nosso silêncio mútuo foi preenchido com pensamentos de vingança e o mínimo descongelamento em seu olhar me levou a fazer outra pergunta. Ela pode não saber, mas ela tinha acabado de perder. Ela me deixou entrar. Estúpida, garota estúpida. "Quanto tempo faz que você foi livre?" Seja qual for a abertura que ela tinha dado, foi encerrada com o barulho de uma porta de aço. Seus olhos se fecharam enquanto ela engolia. "Meses ou anos?" Ela não vacilou. Estudando o seu corpo, contando as fraturas, as marcas de pontapés e as contusões, eu respondi para ela. "Assim como uma árvore revela a sua idade quando seu tronco é analisado, assim faz o corpo, sem palavras." Sua testa se franziu, mantendo os olhos fechados.

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"Eu acho que há alguns anos." Raiva aqueceu meu sangue, não por causa de sua dor, mas por sua recusa em responder. Tais questões poderiam fazer um homem normal se importar e se arrepender de estar nesta situação tentando furtar segredos de uma menina. Mas eu não era um homem normal. Eu me importava... em algum lugar dentro de mim. Mas eu passei pelo meu próprio trauma, e ele tinha infectado a forma que eu via as outras pessoas. Eu não tive um salvador quando eu precisei de um. Eu não tinha intenção de ser um salvador para alguém. Quem se importava com essas perguntas genéricas? Eu ganharia suas respostas através de outros meios. Ela me devia. Era hora de pagar. O pensamento de vê-la se masturbando engrossou o meu pau. Alrik estava certo sobre uma coisa. Estar no mar tornou difícil encontrar alguém para foder ‒ a menos que eu fodesse alguém da minha tripulação ou mandasse alguém trazer uma acompanhante de helicóptero. No entanto, ambas as opções não eram atraentes. Não como esta criatura. Em breve eu retornaria para o oceano. Já perdi muito tempo. "Chega de perguntas. Hora de me pagar, Pimlico."

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Seus olhos se ampliaram quando a minha mão espalmou-se em seu baixo ventre, arrastando-se por sua caixa torácica, passando pela curva do seu seio até sua clavícula proeminente. Eu não parei de tocá-la, subindo até sua garganta, e chegando às suas bochechas onde eu cavei meu polegar em um lado, e os meus dedos no outro, puxando seu rosto para o meu. Ela parou de respirar. Eu a apertei com força, obrigando-a a prestar atenção e ouvir todas as instruções. "Abra suas pernas." Seus dentes cerraram-se debaixo do meu aperto. Minha mão apertou. "Faça." Por um momento, ela brilhou com ódio, mas muito lentamente suas pernas se abriram um pouco. Não o suficiente para uma mão ou língua, mas o suficiente para vislumbrar o que havia entre elas. Meu pau transformou-se em pedra. Balancei a cabeça, tentando me livrar do desejo e me focar no controle e no eterno sentimento de vergonha, eu rosnei, "Eu vou te soltar, mas você vai fazer tudo o que eu lhe digo. Entendeu?" Mesmo agora, eu ainda esperava um aceno de cabeça. No entanto, Pimlico apenas olhou para mim não oferecendo nenhuma confirmação ou recusa. Meus olhos caíram para os

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seus lábios, vendo a pele rosada rachada e lutando contra o desejo diabólico súbito de beijá-la. Eu quero muito beijá-la. Para forçar os lábios para se mover, mesmo que não fosse falando. Mas merda, isto era muito pessoal. Eu estava autorizado a provar um pouco de tudo. Um suspiro, uma noite, um orgasmo. Mas um beijo ... Eu não podia fazê-lo. Confiantes nos anos de treinamento em que Alrik a forçou a obedecer, eu solto o seu rosto. O rabo de cavalo frouxo eu tinha formado com seu cabelo espalhou-se na cama, enquanto ela rolava completamente de costas e abria as pernas um pouco mais. "Boa menina," eu murmurei, traçando as contusões em sua carne, que quase se pareciam como rosas em diferentes estágios de crescimento. Algumas eram amplas e belamente desbotadas e outras eram brilhantes e pequenas como um novo broto. Pressionando uma marca violeta em sua pele, eu disse: "Você se lembra da causa de cada uma delas? Ou você prefere esquecer?” Ela olhou para o teto enquanto eu seguia as pétalas de outro machucado que já estava se desvanecendo em uma cor marrom pálida. "Quanto mais eu estudo você, mais você me lembra um rato."

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A ingestão aguda e repentina de sua respiração foi a maior reação que eu tinha ganhado até agora. Eu invadi o mundo onde ela guardava a sua voz. "Você não gosta de ser chamada de um rato ou foi outra coisa que eu disse?" Seu queixo inclinou-se. Ela fechou-se novamente. Muito tarde. Eu tinha desbloqueado algo. Eu não sabia o que, mas eu iria descobrir. "Acho que vou chamá-la assim a partir de agora... ratinha. Você é uma rata silenciosa e atormentada em uma gaiola. No entanto, não importa quão pequeno e vulnerável um rato seja, eles têm o poder de causar estragos quando aceitam o que eles realmente são." "Eles também têm dentes incrivelmente afiados." Levei os meus dedos até sua boca, eu inseri a ponta de um em seus lábios até chegar na umidade quente. "Diga-me, Pimlico, você tem dentes afiados?" Ela não abriu a boca ou me deixou-me tocar os seus dentes caninos. Mas seu coração disparou, tornando seu pulso agitado visível pela veia do seu pescoço. Minha

‘pequena

silenciosa’

tornou-se

uma

‘ratinha

silenciosa’, o que lhe convinha pra caralho. Ela virou o rosto como se estivesse lidando com uma memória muito difícil.

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Cutucando seu queixo com os nós dos meus dedos, eu guiei sua face de volta para mim à força. "Você não me conhece, mas você precisa saber que, se você está na cama comigo, deve se concentrar em mim e me foder." Ela olhou-me com raiva. Eu corri minha mão pelo seu braço direito e enrolado meus dedos com os dela. "Você é destra?" Olhando para os dedos quebrados eu sorri. "Porque se você não for, isto não vai dar certo." Sua sobrancelha se contraiu, mas não disse nada. De qualquer maneira, ela faria o que eu quisesse e tocaria a si mesma. Eu não me importava se precisasse esperar a noite toda para isso. Desenroscando meus dedos dos dela, eu os envolvi em torno de seu pulso, guiando sua mão para sua boceta. Ela endureceu quando eu coloquei a mão sobre ela, escondendo o que eu queria ver. "Sua vez." Apoiando minha cabeça na mão, eu olhava para ela. "Continue. Toque-se como você faz quando está sozinha. Deixeme ver o seu prazer e ouvir os seus gemidos, eu quero assistir você se foder com os dedos." Ela recusou-se, retirando a mão da sua boceta para agarrar a roupa de cama embaixo dela. Minha raiva nublou os meus pensamentos. "Não desobedeça a uma ordem direta, Ratinha silenciosa. Você tem que fazer o

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que eu faço, lembra?" Tomando a mão dela novamente, eu guiei de volta para a posição. Liberando-a, eu alcancei os seus joelhos, abrindo as suas pernas mais amplamente. No momento em que tive uma visão completa dela, eu engoli um gemido. Eu tinha visto muitas mulheres em minhas viagens; Eu tinha provado algumas e evitei outras, mas nunca vi uma tão bonita como Pimlico. Poderia uma mulher ser chamada de bonita lá em baixo? Viciante e depilada, sim, mas bonita? Eu não sei porra, mas Pim era. Tudo nela era delicado e pequeno, escondido, como se quisesse evitar mais abusos, mas ainda feminino o suficiente para ser atraente para o sexo. Mordendo os lábios, eu enrolei o meu punho para me impedir de tocá-la. Se eu a sentisse... seria o fim. Não haveria nenhuma provocação ou aperitivo, apenas um maldito banquete quando eu a fodesse uma e outra vez. "Toque. Continue. Não seja tímida." Como poderia uma escrava sexual ser tímida? Cada parte dela era propriedade de outra pessoa. Eu não entendia o terror repentino em sua face. "Espere..." Fiz uma pausa. "Você já gozou antes, certo?" Ela congelou. Ah, porra.

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"Você ... nunca?" Como eu deveria reagir a isso? Ela apertou os olhos, tremendo, como se estivesse se preparando para uma surra. Alrik a espancaria por uma coisa dessas? Eu iria? Passei uma mão pelo meu rosto. "Você nunca teve um orgasmo com outra pessoa? E sozinha?" Seu corpo inteiro ficou vermelho com embaraço. Sua resposta foi alta e malditamente clara. Merda, quantos anos ela tem? Quantos anos ela tinha quando ela foi fodida pela primeira vez? Certamente, em algum momento, ela teria gozado? Ou, no mínimo, a curiosidade a teria forçado a se dar prazer por conta própria? Meu primeiro orgasmo foi quando eu tinha doze anos enquanto eu dormia atrás de uma lixeira. Tinha sido a única coisa boa em um mar de coisas horríveis. Depois disso, eu me tornei um pouco viciado na breve, mas satisfatória, sensação de prazer que eu poderia me dar. Se Pim nunca tinha experimentado tal escapatória, como se ela tinha sobrevivido todo esse tempo? Como não acabou

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consigo mesma e desejou um caixão sempre que Alrik a abusava? Maldição, esta noite se tornou muito mais complicada do que eu tinha planejado. Pelo menos, ela não moveu a mão neste momento. Aproximei o meu corpo do seu, meu peito com o dragão tatuado contra a sua nudez e coloquei uma das minhas pernas sobre suas coxas, segurando-a para baixo. Observando o seu olhar confuso, eu mais uma vez enrolei meus dedos com os dela diretamente sobre sua boceta. "Você tem que fazer o que faço. Mas, por agora, vamos fazer isso juntos." Colocando pressão em seu dedo médio, a forcei a acariciar seu clitóris. O calor de sua pele penetrou em mim, mesmo que eu não estava tocando-a diretamente. Meu pau endureceu até doer. Buscando alívio, eu me movi contra o seu quadril. Seus olhos saltaram. Eu continuei a me mover, odiando que seu osso ilíaco afiado cavou a minha ereção. "Eu vou te ensinar. Mas, para isso, vou ter que usá-la de outras maneiras. Caso contrário, eu vou enlouquecer." Ela se esquivou enquanto eu forçava a mão mais para baixo, encontrando sua entrada. "Não, você não vai ter o controle. Não dessa vez."

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Respirando com dificuldade, eu disse para o meu quase inexistente controle para permanecer firma. Isso iria testar os meus limites. Ela iria testar os meus limites. "Prepare-se para se tocar, Ratinha silenciosa. Eu vou apreciar isto."

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PUTA MERDA, o que ele está fazendo? Eu

endureci

quando

sua

mão

forçava

meu

núcleo,

pressionando meu dedo do meio, não me dando outra opção senão obedecer. Meus dedos ficaram quentes pelo contado com sua grande palma. Eu não conseguia parar de olhá-lo ao ver que ele estava mordendo o lábio inferior. Ele tornou impossível evitar que cada célula minha queimasse com a forma erótica pela qual ele empurrava contra o meu quadril. Ele não tinha tirado as calças, mas isso não impediu que o calor de aço de sua ereção me marcasse. Muita coisa estava acontecendo. Muitos estímulos. Eu não sabia em que focar: seu corpo imprensado junto ao meu, a sua mão ordenando-me a sentir-me, ou o seu pau obtendo prazer de mim de uma forma estranha. Ele me fez claustrofóbica e arisca. Eu quero correr!

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Mas, em seguida, tudo o resto desapareceu quando a ponta do meu dedo entrou em mim. Pare! Eu não queria isso. Eu detestava isso. Eu... odiava, odiava, odiava isso. Meu dedo estava tão magro e pequeno comparado aos que normalmente me brutalizavam. Minha unha estava afiada ao deslizar dentro de mim com a ajuda da dominação do Sr. Prest. Meu corpo se esticou para acomodar o dedo magro e a estranha sensação de sentir-me me fez tremer. Eu nunca tinha tocado nada tão estranho em toda a minha vida. Eu quero que isso acabe. Agora! "A sensação é estranha?" O Sr. Prest angulou minha mão, empurrando mais profundo. Meu rosto se contorceu quando a ponta do meu dedo encontrou uma crista estranha dentro de mim, algo não tão flexível ou tão quente como o resto.

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Era uma cicatriz dos maus tratos que eu tinha sofrido? Uma lesão que nunca vai se curar totalmente? Seja o que foi perdeu a importância quando ele me obrigou a afundar o dedo ainda mais. Sua voz profunda retumbou de seu peito ao meu. "Você gosta disso?" Se eu gosto disso? Não, eu não gosto. Senti culpa, vergonha e confusão. Ele riu suavemente. "Você vai aprender a gostar... é só esperar e ver." Eu duvido. Ele riu novamente, seu pulso deslocando para capturar o meu anelar e o mergulhando dentro de mim, também. Desta vez, a pressão e o alongamento foram maiores. No entanto, dois dos meus dedos estavam ainda eram muito mais estreitos do que o pau do Mestre A. Fiquei rígida ao sentir a respiração quente do Sr. Prest vibrando em meu cabelo e a sua ereção se esfregando contra o meu quadril. "Você precisa gozar, Pim. Eu preciso lhe dar isso,

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para que assim possa pagar de alguma forma as coisas que eu vou tirar de você.” De jeito nenhum. Sem chance. Mentalmente, fisicamente e espiritualmente, não havia nenhuma maneira de que eu pudesse ter um orgasmo. Gozar? Ha! Eu não acredito em ‘faz de conta’. De jeito nenhum desligaria a minha auto preservação, me renderia a alguém tão completamente, e confiaria que ele não iria me machucar no auge da minha rendição. Ele era um comediante para dizer o mínimo se acreditava que eu poderia fazer uma coisa dessas. Solte-me! Eu me contorci, encarando o em seu olhar negro. Deixe-me em paz! "Feche seus olhos."

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Vai se foder! Ele levantou uma sobrancelha quando eu desobedeci, mantendo os olhos nos meus. "Você quer assistir?" Ele acrescentou fazendo mais pressão, puxando

meu

braço

para

baixo

para que

meus

dedos

desaparecessem completamente dentro de mim. "Eu posso conseguir um espelho se você quiser? Narrar o que está acontecendo. Mostrar-lhe o que seus dedos safados estão fazendo.” Eu queria desesperadamente negar com a cabeça, para não deixar que ele pense que eu estava concordando com tais absurdos. Mas ele apenas riu do meu desconforto e libertou os meus dedos. "Vamos ver se você odeia tanto isso." Lentamente, muito lentamente, ele deslizou o meu toque para cima até que roçou a parte de mim que quebrou a dormência do meu corpo e me trouxe sensações estranhas. Meu clitóris. No momento em que meus dedos deslizaram sobre o broto duro, eu me sacudi. Seu sorriso era o próprio inferno. "Ah, aí está você, Ratinha. Lentamente se tornando viva." Mais uma vez, o apelido de 'Ratinha' apertou meus músculos, revogando tudo o que eu tinha vivido. Qualquer outro nome eu poderia tolerar, ser chamada de qualquer outro

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nome de roedor e até mesmo de puta ‒ e outros termos degradantes. Mas ratinha? Como ele poderia chamar-me assim? Como ele se atreve a usar algo que significou muito para mim? Rangendo os dentes, eu empurrei de lado as memórias que faziam o seu melhor para emergir. Eu não poderia pensar sobre ele nos últimos anos. Era extremamente difícil. Minha mãe não esteve muitas vezes em meus pensamentos, mas pelo menos ela ainda estava viva e felizmente não sabia o que tinha acontecido com sua filha. Meu pai, por outro lado, estava morto. Ele estava no céu me olhando de cima, de luto por minhas circunstâncias e vendo todas as coisas que fui obrigada a fazer. Horror e auto piedade tomaram o meu corpo, eu não conseguia respirar. Lutei para sentar-me e liberar a minha mão da pressão do Sr. Prest e retirar a minha perna de debaixo da dele. Eu precisava de espaço. Eu

precisava

bloquear

certas

memórias

antes

que

enlouquecesse. Mas ele não me soltou. Sua coxa meramente apertou a minha e seus dedos forçaram os meus a girar em volta do meu clitóris. "Você odeia esse apelido mais do que ser chamada de

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garota." Sua boca se moveu, mas sua voz era silenciosa como um sopro, quase apologética enquanto perseguia os meus segredos. "Diga-me o porquê." Como se eu me recuso a falar? Porque se eu não lhe conheço? Nunca, porque você não merece saber. Eu odiava quão bonito ele parecia reclinado ao meu lado, roubando a minha liberdade com a arte em seu torso exposto. Seu cabelo negro combinava com as linhas opacas marcavam a cavidade onde seus órgãos deveriam estar e seus lábios eram malditamente intoxicantes. Mas a beleza não escondia a besta, e eu não seria enganada. Eu estava feita com isso. "Feche os olhos, Pim. É muito mais fácil deixar gozar quando você está-" Eu arqueei as costas, quebrando sua sentença, determinado a remover o seu controle. Recusei-me a fazer o que ele ordenou já que eu não confiava nele. Espere, você não confia em Mestre A, mas você obedece.

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Isso era verdade, mas eu sabia o que aconteceria se eu não fizesse. Eu era inteligente o suficiente para escolher o caminho menos doloroso. Com o Sr. Prest, eu não sabia o que ele faria em retaliação. E valeu a pena correr o risco da agonia, a fim de descobrir. O Sr. Prest poderia não ter a coragem de me bater e me deixar ir embora com ele, e eu poderia evitar dormir este homem, o que por sua vez iria agradar mestre A, já que não será o seu desejo me compartilhar. Era um plano complicado... Mas ainda um plano. Meus ombros levantaram-se da cama enquanto eu lutava de forma mais forte do que eu fiz nos últimos anos. Seu rosto escureceu enquanto surpresa destacou-se em seus olhos. "Continue lutando e sua noite será dez vezes pior, Ratinha silenciosa." Encolhi-me, mas no meu estado selvagem, eu não focaria o apelido. No entanto, engasguei enquanto seus dentes se fecharam sobre minha clavícula sem piedade. Eu vacilei quando sua língua rodou sobre a mordida de seus incisivos. Eu não conseguia controlar o arrepio em meu corpo. "Você ousa desobedecer-me?" Sim, ouso! Estou cansada disso!

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O focinho de seu dragão chiou onde sua caixa torácica estava aberta quando ele segurou a minha forma contorcida. Mas isso não iria me parar. Isso não me assustou. A única coisa que poderia me aterrorizar era saber que não importa o que o Sr. Prest fizesse comigo, nunca seria tão ruim quanto o que o Mestre A faria. Eu tinha que usar esse homem para ajudar ou provar ao Mestre A, que era leal e submissa. Se ele me visse lutando... Ele poderia ser mais gentil para mim. Se o Sr. Prest visse a minha força, ele poderia me libertar. Dois cenários advindos de um corajoso e imprudente movimento. Ele congelou, seguindo o meu olhar para a tatuagem e para onde nossos corpos se encostavam. Seu rosto raivoso, incapaz de esconder a frustração. Por estar tão confiante a respeito de poder ler as minhas respostas silenciosas, ele nunca iria entender que "rata" era o nome que ele nunca poderia chamarme sem me fazer odiá-lo por toda a eternidade. A máscara impenetrável que ele usava (escondendo tudo o que o fazia real) caiu por um segundo. Ele perdeu o tom de empresário rude que projetava e tornou-se alguém fascinante e desconhecido em seu lugar. Estudou-me tão duro como eu o estudei. Eu vi um homem com problemas de controle.

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Um homem acostumado ao mundo curvando-se aos seus pés. Mas também vi um homem que sabia o que era ser como eu. Sem escolha, sem vida... sem esperança. Então, como se lembrasse de que eu não era nada mais do que uma prostituta que existia para satisfazer sua vontade, sua máscara voltou ao lugar. Seu toque me congelou. "Você não pode dirigir toda diversão desta noite, Pimlico. Esse é o meu trabalho." Minha respiração ficou presa quando ele forçou meus dedos a circularem o meu clitóris mais forte, fazendo-o pulsar com eletricidade. "Eu vou descobrir mais cedo ou mais tarde. Você vai me responder. Mas, por agora, eu me recuso perder mais tempo." Seu pau pressionava o meu quadril, pulsando sob suas calças. "Eu quero estar dentro de você, mas para o seu bem, eu vou esperar até que você esteja toda molhada." Seu nariz tocou o meu. "Isso não é justo e agradável da minha parte?" Agarrando minha mão quebrada com sua mão livre, ele a prendeu acima da minha cabeça, restringindo-me. Fixada ao colchão

por

seu

punho,

corpo

e

quadris,

eu

estava

completamente impotente, desesperada, e totalmente à sua mercê.

PEPPER WINTERS


Engoli em seco quando sua garganta trabalhou forte, seu cabelo caindo sobre um olho quando ele pressionava sua testa contra a minha têmpora. "Você vai sentir um coisa boa, Pim. Está tudo na sua cabeça." Seus dedos fizeram com que os meus me esfregassem a partir do meu clitóris até a minha entrada e voltassem novamente. O afago que senti era diferente desta vez, menos estranho, mas ainda terrível. Eu apertei os meus lábios para não soltar um gemido traidor que se construía em meu peito. Não de prazer, mas em um apelo. Ele poderia machucar-me, forçar-me, exigir, mas eu não gozaria. Eu não posso. Como eu poderia fazer algo que eu nunca tinha feito antes? Como eu poderia consertar algo que tinha sido quebrado desde o início? Eu nunca iria apreciar ou querer isto. Jamais.

E se ele se tornou exatamente como Alrik e só queria transar comigo... Que assim seja.

PEPPER WINTERS


Eu tinha uma maneira de me proteger. Eu minha mente viajaria enquanto ele estivesse devastando o meu corpo. E eu nunca iria pensar nele de novo, porque ele destruiu quaisquer sentimentos que eu pudesse ter desenvolvido. Corra… Engoli em seco, tencionando-me e relaxando em seguida. Eu vibrava e formigava, tudo ao mesmo tempo em que o meu sexo se contraía por vontade própria e minha soberania sobre meus membros desaparecia. Tornei-me flexível, exatamente como a boneca que esses bastardos gostavam de abusar. Meus músculos relaxaram na cama, minhas pernas se abriram, e minha mente... esta era a melhor parte. Eu escapei. Desapareci dentro de mim, girando cada vez mais rápido até que eu estava muito longe para ser alcançada e espancada, e também protegida de ser mais arruinada do que eu já estava. Eu não me importava se seu dragão soprava fumaça quando estava com raiva. Eu não ouvi seu gemido atormentado. Eu não sentia os meus dedos dentro de mim. Eu

PEPPER WINTERS


fui embora.

PEPPER WINTERS


Ela ainda estava aqui. Seu corpo quente ainda estava sob nossos dedos unidos. Sua respiração ainda fazia cócegas meu peito. Sua presença ainda me fazia duro. Mas tudo o que a fazia Pimlico desapareceu. Sua luta, a sua justa ira, sua confusão, força e coragem. Tudo desapareceu. Então é assim que ela se protegia. Ela pode não saber sobre prazer. Ela só entende a dor. Mas ela descobriu como proteger sua mente. Porra, se isso não me intriga ainda mais. Se ficasse ainda mais interessado nesta mulher, eu não seria capaz de ir embora quando o momento chegasse. Mesmo agora, nosso tempo estava acabando. Fiquei chocado por Alrik não ter invadido o quarto enquanto eu a tocava. (Não que

eu

tocasse

diretamente, apenas

a

exploração).

PEPPER WINTERS

guiava

na

auto


O fato de que ele não tinha chegado ainda despertou os meus alarmes internos. Mas agora, eu tinha fodido tudo e perdido a menina e seus segredos. A única coisa que eu podia fazer era trazê-la de volta para mim antes que fosse tarde demais. Libertando nossos dedos unidos, eu rearranjei meu pau para não ficar com bolas azuis e sentei-me. A cama balançou, mas Pimlico permaneceu olhando em branco para o teto. Ela não vacilou quando minha sombra caiu sobre ela ou enrolou-se em uma bola quando eu estendi a mão e acariciei sua bochecha. Ela simplesmente estava ali, esperando. Se eu quisesse roubar desta escrava, eu teria que usar seu condicionamento contra ela. Eu não poderia fazer mais perguntas. Eu teria que exigir respostas. Foi o jeito que ela tinha sido ensinada. A única maneira que ela responderia. Passando as duas mãos pelo meu cabelo, eu descartei a minha necessidade de oferecer-lhe algum prazer e sentei-me mais ereto. Meus lábios se separaram para lhe dar um comando para retornar. Para exigir que ela saísse desse estado. Mas algo me parou.

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Ela parecia tão inocente e tão extremamente cansada. Olheiras profundas marcavam a sua face, enquanto a exaustão oprimia os seus membros. Eu tinha ido longe demais. O mínimo que eu podia fazer era conceder a ela um momento de descanso. Minha impaciência se desvaneceu quando memórias suaves de cuidar de outra pessoa me deram a capacidade de ser gentil. "Role de lado", eu sussurrei, empurrando seu ombro. Ela moveu-se obedientemente, mas não deu sinais de ter me escutado. Quando ela obedeceu, eu deslizei para cima da cama e me reclinei contra a cabeceira mais uma vez. Meu olhar se fixou na porta quando eu coloquei minha mão sobre suas costas nuas. Ela não vacilou, não por confiar em mim ou me aceitar, mas porque ela tinha deixado seu corpo para trás. Ela não se importava com o que lhe fazia, porque tinha me impedido de afetar sua mente. Quanto tempo tinha sido desde que ela tinha dormido com segurança? Quanto tempo desde que sonhou com tempos mais felizes? A palma da minha mão moveu-se por vontade própria, acariciando-a

suavemente,

garantindo

conforto

PEPPER WINTERS

depois

de


oferecer nada mais que sofrimento. "Descanse Pim. Eu vou cuidar de você.” Eu não podia ver seu rosto, mas seu corpo permaneceu tenso e imóvel. Colocando um braço acima da minha cabeça, eu passei os dedos através da cabeceira, preparando-me para acariciá-la novamente que ela cedesse. Eu fiz uma careta enquanto meus dedos tocaram algo macio dentro das tabuas da moldura. Tentei descobrir o que era, mas Pim de repente se sacudiu, soltando o suspiro mais pesado que eu já ouvi. Sua coluna e músculos relaxaram, e ela aceitou as minhas carícias como se fosse um presente. A sua aceitação arrancou quaisquer outros pensamentos da minha mente e me acomodei na minha tarefa de protegê-la o tempo todo, a tocando com bondade. Nos primeiros minutos, eu estava ciente de cada inalar e exalar seu. Mas à medida que o tempo passava e nos acostumamos um com o outro, eu achei reconfortante estar perto dela. Eu não tinha estado com outra pessoa, desta forma por tanto tempo, que tinha esquecido o quão gratificante era cuidar de alguém. Também é difícil, cansativo e desmoralizante.

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Isso era verdade. Cuidar da minha mãe e fazendo o meu melhor para corrigir o que eu fiz, era a razão pela qual eu carregava tanta vergonha. Família tinha expectativas. Pimlico não tinha nenhuma. Ela iria aceitar o que eu dava a ela sem descartar minhas tentativas de generosidade. E, em troca, ela me fazia querer dar mais. Muito mais. Minha mente vagou, e minha mão livre foi de encontro ao meu bolso e a nota de dólar dobrada dentro dele. Eu não me importava com o silêncio em outras pessoas, mas o silêncio em meu redor não era uma coisa boa. Memórias tinham um jeito de me encontrar quando as coisas estavam muito calmas, tão fortes que eu apertei a nota na mão esquerda sem nunca cessar as carícias com a minha direita. Ela se contorceu e suspirou novamente, caindo no mais profundo no sono. Enquanto ela dormia ao meu lado, não sabendo o tipo de homem que eu era, mas confiando que eu faria o que tinha prometido e a manteria segura, dobrei o dinheiro e deixei as lembranças dolorosas e as escravas suicidas dormirem.

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Meu relógio de Minnie mostrava que eram 12h33 da madrugada. Minha mãe odiava que eu usasse essa coisa, dizia que eu era velha demais para essas bugigangas infantis. Mas eu amava a estampa e as correias desgastadas. Era tudo o que eu tinha dele. O homem que me chamava de ‘ratinha’ desde que eu conseguia me lembrar. A memória do seu apelido para mim ressoava com cada escala das mãos sobre as orelhas grandes da Minnie. O apelido era derivado do meu próprio nome, que de alguma forma se transformou em um personagem da Disney. Tasmin tornou-se Min, que se tornou Minnie, que se tornou Ratinha. Eu tinha muitos apelidos, mas apenas o meu pai me chamava de Ratinha enquanto todas as outras pessoas me chamavam de Tas. Ele morreu quando eu tinha sete anos. Era por isso que eu nunca iria tirar o relógio, não importa o quão juvenil ele fosse. Eu nunca cresceria na perspectiva do meu pai. Isso deixava a minha mãe furiosa.

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De acordo com meu relógio, eu estava nesta festa com ela durante cinco horas, e queria ir para casa. Meus pés doíam, minha barriga roncava, e estava sendo simpática com pessoas que não mereciam. Mas, então, o Sr. Kewet sorriu e perguntou se eu podia acompanhá-lo na varanda; e estupidamente fui com ele, mesmo o reconhecendo como um lobo. Eu era a filha de uma psicóloga. Eu estava aqui para trocar idéias seus clientes e endossar seus patrocínios. Eu não a decepcionaria. A conversa foi normal. Mr. Kewet elogiou meu vestido, cabelo e sorriso. Então seus olhos caíram para o meu relógio Minnie Mouse, e seu sorriso se tornou cruel. Ele não era mais um rico homem mais velho, mas sim um assassino que me via como presa. "Por que uma menina tão bonita como você está usando uma coisa tão feia?" Arrepios de aviso se espalharam pela minha espinha quando ele se aproximou. O desejo de fugir fracassou em minhas pernas paralisadas, mas eu tinha sido ensinada a permanecer educada, porém distante. "Significa muito para mim. Não é apenas um relógio.” "Tudo bem." Ele riu. "Nesse caso, eu vou guardá-lo para você para mantê-lo seguro."

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Minha sobrancelha subiu. "Guardá-lo?" Eu não tinha a intenção de dar a este homem o último presente do meu pai. Colocando os dedos de forma protetora em torno da pulseira vermelha e branca, eu balancei a cabeça. "Eu não vou dá-lo a você." "Oh, não é uma questão de dar." Um segundo as suas mãos estavam ao lado do meu corpo. O próximo eles estavam na minha garganta. "É uma questão de tomar." Meus dedos subiram para arranhá-lo; minha boca se abriu para gritar. Mas ele não me estrangulava suavemente e devagar. O ato foi cometido com rapidez e força. Suas mãos bloquearam a minha traquéia. As lágrimas que eu derramei deram lugar à hipóxia e choque. Meus braços se tornaram membros inúteis. Minhas pernas param de chutar e amoleceram. Minha cabeça rugiu, e em um segundo eu estava viva e respirando e no outro estava morta e depois... não estava mais. Mesmo quando eu fui levada para a garagem, com os lábios vis nos meus soprando ar para dentro meu cadáver desinflado, tudo que notei foi que o meu pulso estava nu. Meu relógio se foi. Minha infância foi destroçada. Ele não só tinha roubado minha vida, mas o meu apelido, pai e a felicidade também.

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***** Adormeci com carícias suaves nos braços acolhedores das memórias. Algumas boas, algumas ruins... Outras que me fizeram lembrar que eu tinha sido uma garota uma vez e não esta escrava a beira da morte. Eu não tive palpitações com o pensamento de mais um dia no inferno. Eu não me encharquei em suor frio desejando que pudesse dormir e nunca mais acordar. No entanto, não foi assim que acordei. O pesadelo recorrente foi o que me trouxe a consciência, meus dedos tatearam para meu pulso vazio, a aflição comum da perda lacerando o meu coração, e a saudade esculpindo um buraco na minha alma. Mas nada disso importava quando um ronronar sensual salvou o meu coração de se esfaquear ainda mais com o passado, dando-me uma ordem para que eu pudesse me agarrar. "Volte, Pimlico. Agora." Acordei completamente, trocando a angústia da noite em que eu perdi a minha vida por um relaxamento contente, mesmo estando deitada com um estranho em meu colchão duro. Por quanto tempo eu dormi? Por quanto o Sr. Prest me deixou descansar? E quanto faltava para o Mestre A perder a paciência e vir me buscar?

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Pisquei

quando

o

Sr.

Prest

levantou-se.

"Levante-se.

Imediatamente." Finalmente, um comando que eu poderia obedecer sem pensar duas vezes. Eu não tenho estar plenamente consciente ‒ somente agir automaticamente como uma escrava. Desviando os olhos de sua tatuagem de dragão, sentei-me e preparei-me para escorregar para o tapete. Porém, a sua voz me fez parar no meio do movimento. "Não vá para o chão. Fique em pé na cama. Segure a cabeceira se for necessário." OK… Fazendo o que me foi dito, plantei meus pés instáveis no chão e me levantei. Ele grunhiu quando teve uma visão do meu corpo inteiro. A boceta nua que o Mestre A exigia. O estômago côncavo de uma menina morrendo de fome. Os pequenos seios de uma mulher sem nenhuma gordura ou quadris femininos. Eu não era atraente. Eu não era curvilínea ou flexível como as artistas pop, cujas músicas eu costumava dançar a alguns anos atrás. Eu não amava nada sobre mim quando me olhava no espelho. Incluindo as manchas roxas, verdes e azuis me decorando da cabeça aos pés. Minha mão enfaixada doeu

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quando eu a usei para me equilibrar para me ajudar a subir na cama. Eu ousei olhar para ele. Não importa a sua forma estranha de me atingir e suas tentativas de roubar minha mente, eu ainda temia que ele fosse surtar e agir como os outros homens. Ele tinha sido tão estranhamente gentil em me deixar dormir, quando poderia ter me usado para seu prazer. Não estou entendendo. Para ele, eu era nada mais do que um objeto para brincar. Mas e se ele ficou entediado? O que fará em seguida? Porém, eu posso estar errada. Talvez, ele realmente não quer me estuprar, apenas conversar. Talvez, o Sr. Prest deixoume descansar, porque, mesmo com seus negócios obscuros e contratos de iates blindados e ogivas, ele tinha alguma decência distorcida. Ele andava no chão do meu quarto, realocando sua ereção descaradamente, mas ele não olhou para a minha forma nua ou para os meus machucados. Seus olhos nunca saíram do meu rosto, observando a minha forma de encará-lo, mordendo o lábio forte quando eu fui contra todos os meus votos e inspirei audivelmente. Nós não falamos.

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Apenas nos olhamos. Eu, de pé como uma deusa caída, e ele, como um adorador do diabo fazendo o melhor para encontrar a luz. Os minutos se passaram, mas ele não parou de andar. Sua mandíbula ficou tensa, a garganta trabalhou, e seu corpo se contraiu enquanto ele trabalhava os seus pensamentos. Quanto mais nos olhávamos, mais despertos ficávamos. Qualquer que seja a química que existia entre nós tornou-se contaminada ‒ diferente. Minha ideia de usá-lo para me libertar parecia ridícula agora que eu não estava tão apavorada. Ele deveria ir embora antes do Mestre A matá-lo. Esta palhaçada já foi longe o suficiente. "Porra." Sua cabeça caiu para trás ao mesmo tempo em que um rosnado baixo escapou de seus lábios. "Eu não tenho ideia do que estou fazendo aqui." Eu tremi com uma mistura de repulsa e fascínio. Será que ele quer que eu me importe e simpatize com sua confusão? Eu não vou. Fiquei grata pelo pequeno alívio que ele me proporcionou, mas eu não esqueceria o que aconteceu antes. Ele fez-me

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recuar para me proteger, provando que não entendia a palavra não, mesmo que eu nunca disse isso verbalmente. Eu bufei, ignorando o desejo de cruzar os braços e apontar o queixo para a porta. Você pode sair quando quiser. "Eu acho você impressionante, isto é uma asneira? É fodido que eu não me importe que você não está nua porque quer... mas porque eu ordenei a você?" Ele retomou sua movimentação. "Merda, esta foi uma má ideia." Seus olhos se voltaram para o blazer jogado sobre a borda da cama. Huh, ele deve tê-lo pegado. O objeto estava no chão quando eu tinha adormecido. Seu rosto se contorceu como se estivesse lutando contra o desejo de se vestir e sair ou desnudar-se e cumprir o que tinha ameaçado. Se eu fosse qualquer garota normal, eu teria caído no colchão e me coberto de seu olhar lascivo. Para responder a seu dilema e forçá-lo a escolher a primeira opção e ir embora. Mas eu não era e não me foram dadas instruções para ajoelhar-me, então eu permaneci de pé, mesmo quando ele se afastou com suas calças abertas e cinto balançando, entrando no meu banheiro para jogar água fria na testa.

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Sem porta para escondê-lo, continuei olhando. Não que ele se importasse. O que ele estava pensando enquanto eu dormia? Fosse o que fosse tinha o levado ao seu limite. Será que o Mestre A tentou entrar? O Sr. Prest fez algo que eu não sei? Tantas perguntas que não podem ser feitas em voz alta. Após lavar o rosto, ele penteou o cabelo para trás com os dedos e afivelou o cinto. Seus olhos negros misteriosos se encontraram com os meus no espelho. Ele não deixou de me observar enquanto secava as gotas finais em suas mãos usando a pequena toalha ao lado da pia. Ao entrar no quarto, ele se sentou no banquinho da penteadeira que nunca usei. Ligando os dedos entre suas coxas, ele se inclinou para frente, plantando seus pés no tapete branco. "Venha aqui." Eu quis me rebelar, mas eu lutei contra esse desejo. O jogo dele estava começando a me intrigar, fazendo com que o meu desejo de deixar o meu corpo desaparecesse, obrigando-me a permanecer aqui com ele... Para o melhor ou pior. "Pim, venha." Seu pesado timbre forçou as minhas pernas a se moverem. Saltei da cama, escondendo a minha careta quando meu corpo machucado tentou amortecer a ação.

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Ele sinalizou com dedo, me convocando mais perto. "Não tenha medo." Eu não fiz um som enquanto me movia nua e descalça para ficar na sua frente. Minha mão esquerda pendia quebrada ao meu lado, enquanto a minha direita apertou-se em um punho, forçandome a esvaziar o meu corpo de toda a confusão e dúvidas, para torná-lo emudecido. O Sr. Prest olhou para cima. Como ele estava sentado, eu estava mais alta. Mas não acreditei por um segundo que teria algum controle do que estava prestes a acontecer. Sua voz era um sussurro sedutor. "Eu não vou forçá-la a fazer algo que você não quer, mas quero que prometa que não vai desaparecer novamente. Combinado?" Não. Sim. Quem diabos é você? "Você está confusa com o que fizemos juntos, mas você não se importava tanto quanto você acha que deveria." Pare de colocar palavras na minha boca.

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Meus dedos do pé agarraram o tapete enquanto eu abaixava a cabeça, esperando que ele não fosse capaz de me ler. "Vendo como você não vai me dizer seus pensamentos, eu vou lhe dizer os meus." Ele se mexeu um pouco no banco. "Eu estou fazendo negócios com o Alrik porque ele tem contatos que quero. No entanto, em minha pesquisa, descobri que ele é um fodido doente que matou outras quatro mulheres, que segundo ele foram suas amantes e nunca foi processado por isso. Ele também assassinou a alguns homens, mas isso não é importante para você. Quando analisei os relatórios de autópsia das moças, as alegações de abuso de longo prazo foram predominantes, mas ainda não foram suficientes para pegá-lo." Ele estendeu a mão e passou o braço em volta do meu quadril. "Ele vem de uma família rica. Seu bisavô era fabricante de aço, seu avô investiu com sucesso no mercado de ações, e seu pai morreu jovem, deixando tudo para ele. Ele jogou maior parte da riqueza fora, e eu fiz a minha parte pegando uma boa quantia da fortuna dele. No entanto, eu não sabia nada sobre você. Ele a manteve escondida. E isso me irrita pra caralho. Na minha linha de trabalho, eu preciso saber tudo o que há sobre uma pessoa. Agora, sei mais do que suficiente apenas passando um tempo com você.” Ele olhava para onde ele me tocava.

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Meu corpo se arrepiou e ficou quente, sem saber se deveria ficar feliz por ser tocado ou enjoado por estar preso por seu toque. "Eu vim aqui hoje à noite querendo transar com você. Mas vejo agora que já tomei tudo o que podia do Alrik. Eu não vou abusar de você também, porque mesmo parecendo idiota, eu senti alguma coisa. Eu não entendo o que é, e não faz uma porra de diferença, mas há algo entre nós.” Minhas narinas se dilataram. Ele sentia, também? Retirando a mão do meu quadril, ele a deixou pairando sobre minha pele. Quanto mais tempo a promessa de um toque se estendia, mais a minha carne formigava. "Você sente isso?" Seus olhos capturaram os meus. "Porque eu sim. E isso me enlouquece, porque eu não consigo resistir a você." Sua mão me tocou novamente, me puxando para dentro da prisão de suas pernas abertas. "No momento em que a vi, soube o que era e o que queria de você. Eu não me importo se você está aqui contra a sua vontade e que deveria fazer a coisa certa e libertá-la." Seus dedos me apertaram. "Sabe por quê?" Porque você é igual a eles.

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"Porque perdi tudo o que me faz humano há muito tempo. Eu envergonhei a mim mesmo. Não tenho nenhuma honra do caralho, tomo e roubo das pessoas. E o ato de roubar, me dá estímulo para viver. Então veja Ratinha silenciosa, eu não estou aqui para ser um cavalheiro. Eu quero as minhas respostas, e então irei embora e nunca mais olharei para trás." Seus dedos apertaram uma contusão laranja causada por um chute do Mestre A. "Eu quero você fora da minha mente. Fora da minha cabeça. Eu fui claro?" Espera... Você pensou em mim? Nestes três dias desde que nos conhecemos, ele tinha pensado em mim tanto quanto eu pensei nele? Meus lábios se contraíram em saber que nós dois pensamos um no outro, não com afeto ou desejo, mas com ódio por diferentes razões. Ele odiava o pouquinho de poder que eu tinha sobre seu corpo. Eu o odiava por representar o fim da minha vida. Eu lutei contra um arrepio quando ele me puxou forte para frente, apertando minha boceta nua contra seu peito tatuado. "Eu tinha planejado em dar-lhe algo em troca. Assim, mesmo roubando de você; eu teria pagado de alguma forma. Queria dar-lhe um orgasmo. Mas vejo agora que... você não vai me deixar."

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Não é que eu não vou... é que eu não posso. O material caro da calça fez cócegas nas minhas pernas quando ele apertou os joelhos, mantendo-me presa. "Você realmente é o pior tipo de mulher, Pimlico." O que? Eu empurrei de volta, lutando contra o aperto. Ele riu. "Não se ofenda. Eu quis dizer isso como um elogio." Você é uma merda fazendo elogios. "Quer saber por que você é o pior tipo?" Minha testa franziu-se. Não… Certo, sim. "O fato de ser viciante é o que a torna o pior tipo de mulher. Você tem tantos segredos e tudo o que eu quero fazer é desvendá-los, incluindo aqueles que ainda não conheço. Eu estou exercendo toda a minha força de vontade para não ser igual a seu mestre e te machucar para obter o que quero.”

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Mesmo julgando as brincadeiras assassinas do Mestre A, ele era tão ruim, talvez pior, do que o monstro a quem eu pertencia. Isso doeu mais do que eu pensava. Os homens são todos iguais. "Isso lhe surpreende, compreendo." Você não compreendeu nada. "Você está surpresa que mesmo com o meu desejo de espanca-la e fodê-la, eu vou sair por aquela porta sem machucá-la? Ou está mais surpresa pela minha admissão honesta de estar obcecado por você?" Seu toque passou do meu quadril para o meu umbigo. Nunca olhando para longe, ele pressionou a ponta do dedo no local, empurrando forte, de alguma forma ativando um fio de prazer que eu nunca soube que existia. Eu odiava sexo. Eu só conhecia a dor quando era fodida, e dor não me excitava. Mesmo na única ocasião em que toques desastrados e beijos molhados tinham evocado certo desejo em mim, essa sensação foi ofuscada pelo fato de que Scott (meu primeiro e único namorado por duas semanas) me usou como qualquer homem.

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Ele não abusou do meu corpo, mas sim da minha mente. Copiando minhas respostas em seu dever de casa, me ludibriando a ajuda-lo a passar em seus exames. Talvez tudo isso seja culpa minha, e eu apenas deixo que os homens me usem? Não apenas os homens. Minha mãe havia me usado como sua filha perfeita. Um

assassino

tinha

me

usado

como

uma

venda

conveniente. Por que com o Sr. Prest seria diferente? Ele interrompeu meus pensamentos tortuosos. "A coisa é, você nunca vai me entender, assim como eu nunca vou compreendê-la. Eu não falo muito, tampouco. Eu prefiro o silêncio. Acho que ele agrega mais do que retira." Inclinei meu queixo em desacordo. Você está muito falador no momento. Suas

pálpebras

se

cerraram

quando

seu

braço

me

aproximou ainda mais dele. Seu nariz tocou a minha barriga. "Você está certa. Por alguma razão, eu falo o suficiente por nós dois quando estou perto de você. Vamos apenas dizer, que gosto

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de falar quando estou na cama. No sexo é quando a verdade vem à tona, independentemente do que tentamos esconder”. Nós não estamos na cama... Suas desculpas não faziam sentido. "Porra, o que estou dizendo?" Levantando-se do banco, ele caminhou em direção à porta. "Eu preciso ir." Ir?! Mas você não pode... Não até que eu descobrir como usá-lo para me libertar. O esquema rígido de outra ereção mostrou-se em suas calças. Ele não tinha colocado a camisa e sua tatuagem era tão impressionante, a cauda do dragão parecia cintilar com impaciência sobre o seu fígado com a face protegendo o seu coração. "Ah caralho, eu não posso. Não até que eu tenha-" Passando a mão pelo cabelo, ele exalou pesadamente. "Merda, eu deveria-" Parando perto do colchão, ele sacudiu a cabeça e me chamou com o dedo. "Foda-se. Venha aqui. Há algo que eu preciso fazer." Meus pés ficaram colados no tapete.

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Fazer o quê, exatamente? Será que isso importa? Eu estava ficando sem chances de fazê-lo me querer o suficiente para me roubar. Ele já admitiu me deseja de uma forma que não deveria. Eu precisava de bom senso para usar isso contra ele. Dei um passo para frente. Ele sorriu, afiado e tão perigoso quanto o seu dragão. "Boa menina. Um pouco mais perto." Eu cerrei os olhos, estudando-o enquanto suas mãos se abriam e fechavam em suas coxas. Ele olhou de mim para o seu blazer e para mim de novo, mais uma vez, com culpa e confusão mostrando-se no seu rosto. O que ele faria causaria dor a nós dois. Do que é que ele tem medo? Minha curiosidade era mais forte do que o medo. Caminhei em sua direção.

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Que porra você está fazendo? Eu desliguei minha mente. Eu não conseguia controlar meu corpo ou a luxúria pulsante ao ver a aproximação de Pimlico, mas eu ignorar as repreensões de minha mente. Eu tinha prometido a mim mesmo que não faria isso. Enquanto ela dormia e o desejo de fazer o que queria cresceu como uma bola de neve, eu me acorrentei para não fazer nada. Meu autocontrole acabou por ser malditamente bom. Tenho permissão para fazer um pouco de tudo. E eu queria tudo. Muito. Pra. Caralho. Mas isso vai contraDesliguei meus pensamentos.

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Mesmo

que

isso

fosse

errado,

eu

nunca

ter

outra

oportunidade novamente. Eu precisava saber como era antes de sair pela maldita porta, sem olhar para trás. Depois disso, eu iria embora. Não esperaria por Alrik invadir nosso santuário e roubar de volta a sua escrava. Ele poderia tê-la. Ela era demais para mim. Muito trabalho, muita tentação, demasiada dependência. Fiquei contente que Selix tinha ficado por perto com o carro, porque quanto mais cedo eu estivesse fora de aqui, seria o melhor para todos. Quando Pim alcançou meu lado, eu apontei para a cama. "Sente-se." Ao contrário de sua ferocidade anterior, ela obedeceu imediatamente. Suas

coxas

esconderam

o

lugar

que

ela

tocou

tão

indisposta, sua caixa torácica pressionado contra sua pele enquanto ela respirava mais rápido com a incerteza. Ela parecia tão malditamente bonita mesmo parcialmente quebrada. Pairando sobre ela, fiz uma pausa. Se eu fizesse isso, eu estaria infringindo mais de uma lei no meu mundo. Eu pagaria por este ato durante meses. Mas se eu não fizer isso, eu sempre me imaginaria o que teria sido, e eu não gosto disso, porra. Era um desperdício de

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tempo. Uma vez que eu precisava me dedicar ao meu império. Eu tomaria esta última coisa dela e então... Tudo estaria acabado. Nunca afastando o olhar, eu me ajoelhei. Ela engasgou quando nos ficamos da mesma altura e cada selvageria dentro de mim disse para deitá-la e transar com ela. Fazer o que eu quisesse. Mas ela iria fugir como antes e perder-se profundamente dentro de si. E eu não queria reclamar seu corpo. Eu queria a sua mente. Ela era astuta e adaptável e esta era a única maneira que eu poderia aproveitar um pedaço dela e fazê-la ficar. Eu só não sei o quanto de mim mesmo eu iria dar no processo.

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Suas mãos se levantaram. Eu tentei me afastar, mas seus dedos fortes seguraram a parte de trás da minha cabeça, me mantendo presa. O terror familiar me congelou quando o botão para a dor apagou meus sentidos. Eu não podia parar. Eu tinha sido brutalizada muitas vezes para impedir o impulso de apagar a minha mente. "Eu não vou te machucar." Sua respiração atingiu o meu rosto. Sua promessa não fez nada para acalmar meus nervos. A maneira como ele se ajoelhou diante de mim fez o meu coração se envolver com arame farpado e sangrar. Com esta pequena posição, ele me deu mais poder e mais respeito do que já tinham me dado em toda a vida. Ele me eviscerava. Mas então seus lábios pousaram nos meus. E o mundo parou antes de girar descontroladamente na direção errada. Eu não sabia o que fazer, como agir. Devo me afastar? Mordê-lo? Ceder a ele?

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Eu congelo. Fugir? Esconder-me? Sair do meu corpo? Eu tremi. Eu não podia fazer nada, porque seus lábios eram uma coleira perfeita, me mantendo presa e tremente. Em primeiro lugar, ele me desgastou com suas perguntas, e agora, ele tinha finalmente tomado algo físico. Um beijo. Sua língua deslizou em minha boca. Meu

queixo

arqueou-se

por

sua

vontade

própria,

desesperado por paixão, mesmo quando eu não sabia o que era. Um calor borbulhante fluiu a galope pelo meu sangue. Mestre A raramente me beijava, e quando fazia era excessivamente molhado e ruim. Mas isto... Não havia nada de errado com isso. Peculiar, definitivamente. Surpreendente, absolutamente. Mas ruim, de forma alguma. Meus lábios despertaram-se para um tipo diferente de beijo de um tipo diferente de homem, mas por algum motivo, o Sr. Prest parou. Sua boca pairou sobre a minha, como um teste para ver até onde ele tinha me empurrado, e empurrado a si mesmo. Seus olhos brilhavam com a necessidade de parar. Mas os seus lábios me chamaram para recomeçar e nunca cessar.

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Eu queria que ele parasse. Eu precisava que ele parasse. Mas uma parte microscópica de mim negava minhas mentiras. Meu coração balançou, estendendo-se por mais ternura, sabendo sem ser dito que esta seria a única vez em que eu receberia uma coisa dessas. Se eu não me deixasse aproveitar este momento, no qual um belo estranho me dava algo que eu pensei que nunca teria, então eu era uma idiota. Eu queria isso. Eu precisava disso. Eu mereço isso. "Você quer que eu te beije? Você vai me deixar levar uma coisa de você?” Mais uma vez, a pergunta foi feita para me fazer tropeçar e me forçar a responder. Ele era bom. Ele tinha confundido minha mente com sonhos e beijos e agora espera que eu acene com minha permissão. Mas eu tinha estado em silêncio por muito tempo para escorregar. Em vez de balançar a cabeça ou me afastar, fiquei onde eu estava. Nossas respirações se misturavam, nossos corpos

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formigavam, e o feitiço que havia entre nós nos arrastou em seu charme. Ele deu um meio sorriso, bufando em impaciência. "Você realmente não vai falar, mesmo sabendo que eu não sou como ele." Olhei em seus olhos, ignorando o desejo de responder. Eu esperava que ele terminasse o beijo, se levantasse e se afastasse. Mas seu olhar mergulhou no meu, desconsiderando a minha rebeldia, e aceitando a minha atitude. "Porra, você é forte." Seus lábios pousaram na minha boca novamente. Seus dedos apertavam o meu rosto, me segurando firme. Seu domínio era reconfortante e uma armadilha. A maior parte de mim queria correr. Mas, quando a língua mais uma vez brincou em minha boca, eu deixei de lado o que deveria e o que não deveria fazer. Em dois anos, eu nunca me permiti pensar que estivesse quebrada. Eu não estava quebrada. Eu ainda estava viva. Mas eu sabia de algo que o Sr. Prest não fazia ideia. Mestre A não se importaria que seu convidado não tivesse dormido comigo. Ele não se importaria que nada tivesse realmente acontecido entre nós. Ele ia me matar de qualquer maneira.

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Eu tinha sido o seu troféu mais caro, mas esta noite foi aquela em que outro homem me deixou marcada, e eu vou passar da estante para uma caixa. Para um caixão. Meu coração pulava como se estivesse preso em um cofre, desesperado para sentir alguma coisa boa antes das coisas ruins começarem. Inclinei-me para o beijo, dando-lhe uma resposta silenciosa que sim, eu queria que ele me beijasse, e sim, eu estava grata pelo que ele me deu, apesar de ainda o odiá-lo por usar o apelido que meu pai deu para mim. O beijo mudou de estranho para acolhedor; nossos corpos se encaixaram juntos. Suas mãos deslizaram do meu rosto para o meu cabelo, puxando minha cabeça para beijar-me com mais força. Meus dedos, tanto os saudáveis quanto os quebrados agarraram os seus pulsos, prendendo-o em vez de empurrá-lo. Eu nunca pensei que eu iria encontrar algo tão singular e doce. Mas eu tinha. Ele tinha me encontrado. Ele tinha me dado uma noite de demandas e aceitação, e este era um adeus.

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Todo o controle foi drenado do meu corpo quando me entreguei ao seu toque. Eu desisti completamente. Seja isso o que for, eu não quero que acabe. O beijo se tornou mais profundo, soltando faíscas enquanto nossas bocas nunca mais paravam. Eu me mexi inquieta, desesperada, quando minha atenção foi levada por sua língua ágil na manipulação magistral. Ele despertou em mim um sentido estranho, pelo qual eu já não ouvia o mundo exterior, mas o meu interior. Aquele que eu abandonei quando fui sequestrada e vendida. O que era muito maior do que o universo que eu vivia. Um fogo nos queimava lentamente, enquanto nossas bocas se buscavam com fome passional. Não havia mais nenhuma sincronização. "Você sente isso, Pim?" Ele ofegava entre beijos. "Você sente seu corpo preparar-se para mim?" Sua voz mudou para um grunhido, seus lábios brutais na minha boca. "Merda, eu quero você." Minhas costas se curvaram enquanto ele me apertava em seu abraço. Algo aconteceu comigo. Eu não estava mais no mesmo caminho. Eu tinha saído dele. Não, eu tinha sido arrastada dele. Por este homem.

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Este anjo pecador tinha de alguma forma se tornado o meu defensor e libertador. Eu não o conhecia. Mas eu queria. Ele tinha salvado minha vida, dando-me um segundo de felicidade. Eu queria que ele permanecesse nela. Mas eu sabia que não era possível. Ele praticamente assobiou com o calor. Eu não conseguia pensar quando ele olhava para mim assim, me beijado desse jeito, roubando tudo de mim. Sua língua deslizou prazerosamente ao longo meu lábio inferior, fazendo-me desejá-lo tão imprudentemente. Eu queria sua língua em mim, dentro de mim, me consumindo. Eu queria todas as coisas que eu não entendia nem nunca pensei que eu iria contemplar. Seu olhar ameaçador ficou furioso, zangado, cheio de cobiça, e muita luxúria. Ele gritava sexo. Mas não forçado. Sexo. Consensual, algo desconhecido para mim. Seu peito ondulava enquanto sua mão segurou o meu rosto novamente. Sua barriga estava tensa, fazendo seu dragão e chiar. "Eu finalmente fiz você falar, Pim." O brilho em seu olhar dançou com o conhecimento. "Seu corpo gosta de mim, mesmo se você não gosta."

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Ondas

de

emoções

desconhecidas

me

golpearam

tão

perversamente como os punhos do Mestre A. Eu não sei por que, mas nesse segundo, eu fiquei devastada ‒ não pelo prazer que ele tinha dado, mas pela depressão que me atingiria quando ele me deixasse. Eu queria viver neste momento por toda a eternidade. Eu queria encontrar a autoestima e felicidade nesta falsa união. Eu queria companhia, mas por me fazer querer isso, ele me fez fraca, porque agora eu queria o seu apoio, depois de tanto tempo dependendo apenas de mim mesma. Eu gostei dele. Ele me beijou de novo, parando meus pensamentos e obrigando-me a aceitá-lo em um nível mais profundo do que eu jamais pretendi. Eu já não era uma escrava. Eu fui beijada. Beijada. O Sr. Prest se afastou lentamente, levando seu calor, acolhimento e proteção com ele. Isto foi... Eu não tenho palavras. Requintado? Divino?

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Aterrorizante? Eu pairava na bem-aventurança final da melhor coisa que me aconteceu em muito tempo, caindo em uma letargia tão pesada e demorada, que me fez lutar para manter os olhos abertos. O que ele tinha feito comigo? Por que eu me sinto drogada, obcecada e tão cansada? Ele não se moveu. Seu olhar travou guerra com desejos muito mais profundos e perigosos que apenas um beijo, e eu fiquei grata quando ele balançou a cabeça, cuidadosamente mascarando tudo o que tinha acontecido. Seus lábios se moveram em um sorriso satisfeito. "Presumo que foi o seu primeiro beijo?" Minhas bochechas aqueceram. Fechei os olhos, libertando-me da torre de prazer que ele tinha me colocado. Os nós dos seus dedos tocaram meu queixo, fazendo com que eu me assustasse e abrisse os olhos. "Quais outras primeiras vezes você tem sido negada?" O que? Como assim? Colocando-se de pé, ele se sentou na cama e passou a mão sobre sua boca.

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Algo quente e necessitado ganhou vida dentro de mim. Desconhecido e hesitante, forte e confuso, mas focado. Voltando-se para me encarar, ele pressionou a ponta do dedo na minha testa. "Alguém já lhe deixou molhada apenas falando com você? Dizendo o que vai fazer com você? Detalhando explicitamente o que gosta sobre o seu corpo, sobre os seus sons, seu gosto, seus gemidos?" Ele se aproximou com sua voz máscula inebriando-me. "Sussurrando como o quanto precisa estar dentro de você até que se derreta no primeiro toque?" Uau… O choque por suas palavras e o poder de sua voz quase me fez esquecer o meu voto de silêncio. Minha cabeça se moveu ligeiramente de um lado para o outro sinalizando claramente um ‘não’. Ele exalou pesadamente. "Acho que isso é outra primeira vez. Finalmente você respondeu a uma pergunta." Seus dentes brilharam nas luzes fracas. "Não se preocupe. Eu não vou contar para o seu dono.” O estranho era que eu acreditava nele. Ele odiava Mestre A quase tanto quanto eu. Ele não iria correr para ele e relatar tudo o que tinha acabado de fazer. Isto não o beneficiaria de qualquer forma.

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Fiquei tensa quando o dedo deslizou de minha testa, passando pelo meu nariz, até os meus lábios. "E sobre esta primeira vez?" Sua cabeça abaixou-se, me beijando brevemente. "Alguém já te beijou tão forte ao ponto de machucar? Alguém já te beijou por horas, atormentando-a até que você esteja implorando por seu pau?” Deus, pare. Pressionei meus lábios juntos. Senti uma ligeira ternura por suas atenções. Desta vez, eu lutei contra a vontade de responder, mas ele leu a forma como a minha língua lambeu a vermelhidão em meus lábios causada por ele. Eu tremi quando ele afastou-se, removendo a tentação de seu beijo. A conversa sobre primeiras experiências e a maneira indescritível pela qual ele falou sobre elas despertou um desejo em mim, mesmo considerando as minhas atuais circunstâncias. Desejo de continuar viva para passar por todas estas experiências. Ao invés de desejar a morte para nunca ter que vivê-las. Seu dedo se moveu novamente, deixando a minha boca para trilhar um caminho ao longo do meu queixo, pescoço, até os meus seios. Tocando em um, ele murmurou, "E aqui, Pim?

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Alguém já sugou seu mamilo tão forte que ele ficou inchado? Alguém já te mordeu até que você implorou por misericórdia ou colocou grampos em seus mamilos, fazendo você obedecer todas as ordens?" Ele agarrou o meu mamilo, apertando apenas um pouco. Não… Minha respiração se transformou em um suspiro quando a ponta do seu dedo seguiu a curva suave do meu peito, descendo pela minha caixa torácica, cintura, finalmente, traçando meu umbigo. Seu olhar intenso deu a entender que queria me tocar entre as minhas pernas, mas que não faria isso. Apanhados na rede insana que tínhamos tecido, eu tremi quando ele disse, "Eu queria dar-lhe outra primeira experiência. Eu queria fazer você gozar. Vejo agora que teria sido impossível, porque você nunca sentiu prazer de verdade." Sua testa franziu-se. "Há tantas estréias para explorar com sua boceta, Pim. Alguma vez você já sentiu a língua de um homem dentro de você? Sua boca em seu clitóris? E quanto sentir os dedos dele te fodendo tão profundamente, ao ponto de se esquecer de ser humana e virar um animal?" Sua sedução deixou os meus membros tensos.

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"Eu quero te dar tantas estreias." Ele se inclinou para mim, os olhos cerrados, com a boca a milímetros da minha. "Eu a quero" O desastre começou. A porta explodiu. Um estrondo ruidoso soou quando as dobradiças cederam e os painéis de madeira lascaram. Não! Os grunhidos de Tony rasgaram o silêncio enquanto ele destruía a porta de entrada com um bastão de beisebol, demolindo a única coisa que nos protegia. Mestre A estava atrás dele, gritando instruções. Meu coração disparou errante do provisório paraíso onde estava e voltou para sua prisão. Não! Não! Não! Foi por isso que ele nos deu tanto tempo. Por isso que o Sr. Prest teve o privilégio de deitar ao meu lado e sair ileso. Mestre A tinha chamado reforços. "Que porra é essa?" O Sr. Prest lançou-se de pé, com o corpo pronto para uma luta. "Dê o fora. Eu não acabei." Eu murchei quando o Mestre A invadiu o quarto. Em sua mão, ele segurava uma arma.

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Eu nunca o tinha visto com o revólver preto, mas a maneira como o segurava com confiança e precisão revelava que ele não era um estranho para essas coisas. Seu olhar analisou a minha nudez e a forma como a calça do Sr. Prest estava aberta. "Você se divertiu com a porra da minha

escrava?"

condescendente,

Ele

olhando

inclinou para

a

mim.

cabeça "Será

de

que

forma você

se

comportou, Pim?" Olhei para baixo, escondendo-me atrás do meu cabelo emaranhado pelo sono. Dê o fora, aberração! A espada proverbial e o escudo que eu utilizava para lutar tinham sido estupidamente abandonados durante o fantástico beijo do Sr. Prest. Eu não tenho forças para o combate. Para continuar vivendo com ódio e dor. Perguntas absurdas correram em motim quando eu fiz o meu melhor para afundar na proteção da minha mudez. Por quanto tempo o Sr. Prest me deixou descansar ao mesmo tempo em que traçava os padrões mais doces nas minhas costas? Quanto do tempo, que poderíamos ter passado nos beijando, foi desperdiçado antes de Mestre A chegar para nos separar?

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Não importa. Acabou. Eu estava no meu próprio mundo novamente. Como sempre. O Sr. Prest rosnou. "Será que você não me ouviu? Eu. Disse. Que. Não. Acabei." "Oh, sim, você já acabou porra!" Mestre A ficou vermelho de raiva quando sua mão começou a tremer ao redor da arma. "Saia. Eu quero esse iate, Sr. Prest, mas eu paguei-lhe mais do que suficiente. Saia!" Meus ombros caíram quando uma conclusão cristalina me atingiu. Meus planos de usar o Sr. Prest para libertar-me desapareceram. Ele nunca me libertaria. Ele tinha um contrato com o meu dono, e esse contrato superava tudo, até o beijo bobo nós tínhamos dado. Não peça mais nada para ele. Vai ser sua culpa se ele morrer. Lágrimas picavam meus olhos enquanto Mestre A avançava pela frente. Ele mal olhou para mim, obcecado em chutar esse invasor de sua casa.

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O fato de que esperou por Tony para atuar como suporte reafirmou que ele era um covarde. Ele não teve coragem para tirar Sr. Prest por conta própria. O cano da arma elevou-se, apontando diretamente para a tatuagem de dragão. Memórias cometidos

do

pelo

Sr. meu

Prest

me

covarde

dizendo

dono

os

enviou

assassinatos uma

energia

catastrófica em minhas pernas. Eu sabia do meu destino. Eu o aceitei. Mas eu não deixaria outra pessoa sangrar por mim, mesmo que ele não fosse inocente do crime. O Sr. Prest foi o único homem que tinha sido bom para mim. Eu não vou vê-lo morrer. Instinto controlou o meu corpo. O impulso foi mais forte que a sanidade e a submissão. Eu fiz algo que nunca tinha feito e não foi por mim. Eu fiz isso por ele. Correndo, eu me coloquei na frente do ladrão que tinha me beijado. Na frente da arma. Enfrentando tudo o que iria acontecer comigo por causa da minha estupidez maldita. O quarto ficou silencioso. Eu congelei.

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O horror do que eu tinha acabado de fazer me atingiu com o peso de um chumbo, fazendo-me afundar completamente com medo. A boca de Tony ficou boquiaberta quando seu olhar aguado compreendeu o meu ato. "Puta merda". Os olhos do Mestre A literalmente estalaram em sua cabeça. Ele balbuciou em desgosto lívido, "Sai do caminho, Pim. Eu vou lidar com você mais tarde.” Aprumei os ombros, mesmo que a minha forma nua não oferecesse

proteção

alguma. Ninguém

me protegeria. Eu

morreria. Mas pelo menos o ciclo triste estaria terminado. O terror habitual rolou através da minha espinha enquanto eu lutava contra a vontade de se afastar-me e obedecer. Eu não sei por que eu tentei proteger um homem com o dobro do meu tamanho, com mais habilidades de se manter vivo do que eu. Mas eu fiz. Era minha última tentativa de ser Tasmin antes de Pimlico desaparecer. Não atire nele. Deixe-o ir. O Sr. Prest me puxou e colocou-me atrás dele, envolvendo o braço nu em torno de mim. "Ela está confusa. Eu pedi a ela para me proteger caso você invadisse o local." Seus dedos

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escavaram a minha pele. "Não vá feri-la por um comando que eu dei." Você está mentindo. Ele está tentando proteger-me. "Oh, ela vai ser bastante ferida. Não se preocupe com isso. Tudo que você precisa se preocupar é levar a porra da sua bunda para fora da minha casa. Agora mesmo!" O dedo de Mestre A brincou no gatilho, apontando diretamente para a tatuagem do Sr. Prest. Inclinando a cabeça para a bagunça que Tony tinha feito na porta, ele gritou: "Quero você fora!" "Não amanheceu." "Não importa." "Ela é minha até que eu vá." "Errado." A mão de mestre A estava esbranquiçada em volta da arma. "Ela é minha, imbecil. Eu não vou dizer de novo." O Sr. Prest não se moveu. Ele simplesmente cruzou os braços. Eu fiquei na ponta dos pés atrás dele, querendo estar em posição de tanto correr ou ajoelhar-me caso fosse necessário fazer algo para acabar com esta situação tensa. Mestre A mudou de tática. Seus olhos azuis sorriram cruelmente quando ele apontou a arma para mim. Eu endureci.

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"Você tem algo que eu quero Sr. Prest. Então se considere malditamente sortudo, porque se não, eu teria atirado em você no momento em que tomou a minha Pimlico. No entanto, você também quer algo de mim." Engoli em seco vendo a cena de um assassinato iminente. O buraco sinistro da arma, por onde uma bala sairia para me matar, me hipnotizava. Eu não conseguia desviar o olhar. Se esta fosse à forma mais humana pela qual eu seria morta, que assim seja. Eu ganhei o meu primeiro beijo de verdade. Eu tinha sido bem tratada pela primeira vez em anos. Se este é o epílogo da minha horrível história, eu estava bem com isso. Meus músculos relaxaram prontos para aceitar o rasgo dilacerante do chumbo excruciante. Por favor, que ele consiga uma boa mira. "Você quer esta prostituta." Mestre A balançou a arma. "Você a quer o suficiente para mantê-la viva. Eu vou matá-la com prazer se isso te fará obedecer nosso acordo." Faça. Acabe com isso.

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O rosto do Sr. Prest tornou-se monstruoso. "Você mataria sua própria escrava ao invés de me dar mais algumas horas?" "Absolutamente." Sua resposta foi instantânea. "Então, o que é que vai ser? Ela ou você. Fui tolerante o suficiente. Ela precisa de uma porra de um chuveiro para livrar-se de sua sujeira e, em seguida, um lembrete de quem ela pertence." Apenas dispare em mim. Eu não queria um lembrete. Eu não queria que ninguém me tocasse nunca mais. O Sr. Prest o olhou ameaçadoramente. “Você é um idiota." Mestre A mostrou os dentes. "O que vai ser?" "Você não vai fazer isso." "Eu não vou?" Sua testa franziu-se de raiva. "Você quer que eu prove isso, porra?" Ele vai fazer. Talvez, esse era o plano do Sr. Prest? Fazer com que meu dono atire em mim para que ele pudesse ir embora, sabendo que eu não iria sofrer mais? Ele disse que não se importava comigo, que todos têm demônios pessoais para suportar. Era misericordioso me despachar desta forma.

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Mestre A veio na minha direção e capturando os meus cabelos, aproximando-me dele. "Vamos ver o quanto ela sangra?" Sr. Prest deu um passo, esquecendo-se de si mesmo enquanto a fúria revestia suas feições. "Tire as mãos de cima dela." A ameaça legal da morte apresentou-me contra minha têmpora quando Mestre A grunhiu, "Minha paciência acabou." Ele me bateu com a arma. O objeto de metal atingiu o meu nariz. "Diga adeus à prostituta. Mantenha a porra do seu iate, eu não- " "Pare!" o Sr. Prest deixou cair os braços, movendo as mãos em sinal de rendição. "Não a mate." Seu olhar se fixou no meu, cheio de amargura e pedindo desculpas. "Você acabou de cometer o pior erro de sua vida, Alrik Asbjorn." A arma bateu contra a minha cabeça. O hematoma anestesiou o meu crânio, onde uma bala iria entrar e me matar. "Errado, Elder. Você que cometeu. Dê-me o que eu quero ‒ o que eu malditamente paguei

‒ e eu vou esquecer que essa

porra aconteceu.” O Sr. Prest riu. O som aterrissou de forma agressiva no chão, queimando com uma alegria gelada e promessas árticas. "Essa

é

a

quarta

Impulsionando-se

vez

para

que frente,

você ele

usa

o

meu

retrucou,

PEPPER WINTERS

nome."

"Você

me


desrespeitou, Alrik e isso não é uma boa coisa para se fazer, porra." Apanhando o blazer e camisa do tapete, ele me deu uma olhada. "Eu pensei que eu poderia fazê-lo. Eu pensei que eu poderia vê-la morrer. Mas eu não vou. A vida é sua e não vou intrometer-me mais." Ele balançou a cabeça. "Um fim triste para as suas primeiras experiências, Pim. Eu sinto muito." O rosto vermelho de Mestre A fluía como lava enquanto apontava a arma para o ar. "Fora!" "Você vai se arrepender disso." Sr. Prest abaixou o queixo, observando-o com olhos assassinos. "Eu vou fazer você amaldiçoar tudo o que você é." Apontando o dedo para mim, ele rosnou: "Não ouse machucá-la. A culpa é minha, não dela. Deixe-me corrigir os meus próprios erros." Atirando-me um último olhar ilegível, ele desapareceu pela porta. Espere você não pode ir! No momento em que ele desapareceu, Mestre A sorriu. "Eu acho que eu ganhei essa, hein? Merda, isso deixou o meu pau duro." Ele beijou minha bochecha. "Entre no chuveiro. Tenho algo especial planejado para você”. Com a ameaça persistente no ar, ele me empurrou e seguiu seu hóspede indesejado, deixando-me sozinha com Tony.

PEPPER WINTERS


Tony o idiota que tinha me usado muitas vezes soprou-me um beijo hediondo. "Faça o que ele diz, querida. Os jogos vão começar logo que aquele bastardo se for." Ele se virou para sair, depois parou. Uma gargalhada alta saiu dos seus lábios. Curvando-se, ele pegou a faca que o Sr. Prest havia furtado da garagem. Meu coração se afundou ainda mais na areia movediça. Merda. Tony girou, batendo a lâmina contra o taco de beisebol que usou para derrubar a porta. "Contrabandeando agora, doçura?" Sua risada me enojou. "Vamos apenas acrescentar isto na lista do seu mau comportamento e nos certificar que você aprenda a lição." Ele me cumprimentou com a faca. "Até breve." Ele saiu. Seus passos ecoavam quando ele desceu as escadas, batendo o taco de beisebol no corrimão. Um

ataque

de

pânico

começou,

instantaneamente. Eu não posso respirar. O quarto me espremia.

PEPPER WINTERS

me

sufocando


Infelicidade me tomou. Lágrimas correram em minha garganta quando eu as proibi sair pelos os meus olhos. Fiquei grata que Mestre A tinha ido. Mas eu gritei pelo buraco que o Sr. Prest deixou para trás. Um buraco que tinha sido quente e quase contente por algumas horas roubadas agora assobiava com os ventos fortes de um medo cavernoso. Será que ele realmente foi embora? Sem um adeus? Sem um... O que? Um agradecimento a você? O que você esperava? Ele lhe deu prazer. Ele deixou-a dormir em paz. Ele lhe deu mais presentes do que ninguém, e você espera mais dele? Eu ri silenciosamente. Eu era uma idiota. Uma idiota morta. Inalei quando a minha pulsação se tornava irregular, tentando desesperadamente me acalmar. Você não tem tempo para isso! Respire!

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No momento em que o Sr. Prest fosse expulso da casa, Mestre A voltaria. E ele não teria a arma com ele. Ele teria maneiras muito mais inventivas para me matar. Maneiras que lhe dariam entretenimento e lazer. Se ao menos ele tivesse deixado a arma em cima da cama. Eu a teria pegado, mirado meu rosto, passado meus dedos no gatilho, e dito adeus. Eu trocaria qualquer esperança de ir para o céu por cometer suicídio apenas para finalmente ser livre deste purgatório. Eu receberia a morte com suas asas geladas, esperando que eu tivesse pagado o suficiente por uma vida melhor. Como vou sobreviver a isso? Enquanto minha mente corria em desespero, e meu corpo continuou a sufocar o terror, eu compilei uma última vontade no testamento na minha cabeça. Não que eu tivesse alguma coisa para dar. Voei de volta ao passado e ao meu quarto em Londres, revivendo jantares com minha mãe na nossa mesa perto das janelas voltadas para a baía e os momentos nos quais eu me esgueirava para assistir TV quando eu deveria estar fazendo lição de casa. Eu fui até meus pertences infantis bobos que, na época, pareciam tão importantes e agora eram completamente inconsequentes.

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Para minha mãe, eu iria deixar minha coleção rara de selos ingleses. Para minha amiga, Amanda, deixaria o meu DVD do filme ‘Os amores de Anne’Pare com isso Ratinha. Apenas... Pare. Eu estremeci. Eu tinha me chamado de Ratinha assim como o Sr. Prest. Eu passei muito tempo em minhas memórias, muito tempo com um homem que me fez lembrar de uma outra vida. Entrei em um estado de choque e horror, tropeçando para sentar no colchão, mas caindo de joelhos em vez disso. Meu coração deixou de pular como um tambor para bater como castanholas e pratos. Não deixe que ele me machuque. De novo não. Eu teria preferido levar um tiro. Uma centena de vezes. Eu queria que meu primeiro beijo fosse minha memória final. Eu queria ir a um sono sem fim onde eu encontraria meu pai e ele teria o meu relógio da Minnie Mouse. Eu queria tantas coisas que eu nunca iria ganhar. Mas, tanto quanto o meu coração doía, e desejava odiar o Sr. Prest por me fazer desejar viver momentos antes da morte, eu não poderia desprezá-lo. Ele tinha feito o que disse e me

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tirou do seu sistema. Ele beijou-me para se livrar de qualquer feitiço que eu lancei sobre ele. Ele não me fez outras promessas. Na verdade, seu único juramento foi que ele iria me usar e depois me deixar. Ele tinha cumprido esse juramento. Eu não era dele. Eu pertencia ao Mestre A, e contrato entre eles permanecia. Lutando contra o abandono e a estupidez muito mais doloridos do que quaisquer ferimentos abusivos eu tinha sofrido, o meu mundo mais uma vez ficou escuro quando eu fechei os olhos e me preparei para o meu fim. Eu agarrei o lençol, puxando-o para me cobrir. No entanto, algo caiu e vibrou com a brancura, aterrissando no chão ao meu lado. O choque de ver algo desconhecido interrompeu o meu ataque de pânico. O que é isso? Soluçando, sentei-me na posição vertical. Minhas mãos tremiam enquanto eu pegava a nota de um dólar. Uma nota de um dólar americano. Mas não foi dobrada como dinheiro normal. Não estava plana ou dobrada ao meio como qualquer outra nota. Esta

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estava na forma de uma pequena borboleta com asas e antenas delicadas. A luz verde da nota deu a ilusão das asas serem feitas de fios e tinta enquanto o seu corpo encapsulava o valor numérico do papel. É tão bonito. Mas de onde ela vem? A resposta era óbvia. Ele. Mas por quê? Manuseando objeto, fui tomada pela raiva. Meu ataque de pânico desapareceu, encontrando força mais uma vez. Era uma maneira de me pagar por aquilo que ele tinha feito comigo? Só valeu um dólar para ele? Em vez do bonito origami, tudo o que eu vi foi algo barato. Algo que me fez sentir barata. O nosso beijo foi tão sem valor? Ao jogá-la para longe, o flash de algo escrito no papel me fez desdobrá-lo.

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Eu não gostava da ideia de destruir a criação, mesmo que fosse degradante, mas a curiosidade era muito maior. Peguei a pequena borboleta, e a desdobrei para revelar o bilhete interno. Rabiscado com caligrafia masculina estava escrito: Eu vim aqui para te tirar de meus pensamentos. Mas você caiu no sono, e eu duvido que irei conseguir. Para um homem como eu, isto é um problema. Portanto, eu estou saindo no momento em que você acordar. Adeus, Pequena Silenciosa. Era isso. Sem promessas de voltar ou sugerir que iria pedir para me passar um tempo comigo novamente. Ele teve sua noite e foi honesto o suficiente para dizer que não capturei a sua atenção. Suas palavras eram afiadas como farpas, injetando veneno em meu coração. Não o odeie. Não morra com ódio. Se essa foi a única chance prazer que eu teria na vida, pelo menos eu experimentei como era. Eu tenho que dizer à ‘Ninguém’.

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Eu tenho que escrever assim que nunca esquecerei. O Sr. Prest se tornaria um produto da minha imaginação, trancado para sempre em meu livro escrito no papel higiênico. Eu não contaria a ninguém sobre ele. Eu não iria conhecê-lo ou começar a gostar dele. Esta seria apenas mais uma razão pela qual eu iria permanecer em silêncio para sempre, guardando os meus segredos. Até o fim.

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Como ele ousa me expulsar porra! Será que ele acha que o nosso negócio iria continuar como o planejado após tal grosseria? Será que ele realmente acha que eu não iria cortá-lo em pedaços pela falta de respeito que ele tinha mostrado? Eu vou feri-lo pelo que ele tinha feito para Pim, mas eu o mataria pelo que ele tinha feito para mim. A ninguém foi permitida tal insolência intolerável. Se ele tivesse me dado mais alguns minutos, eu teria aberto a maldita porta pela minha própria vontade. Eu sairia por causa de sua escrava. Aquele beijo... Merda. Eu nunca deveria ter feito isso. Grande erro. Enorme erro, porra. E agora, Alrik tinha cometido o seu próprio. O amanhecer tinha começado, mas eu queria sair desse inferno branco. Tocá-la? Prová-la? Porra era mais do que eu poderia manejar. Eu não tinha intenção de ficar sozinho com

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ela de novo, porque eu me conheço e sabia o que aconteceria se eu fizesse isso. Eu estava feliz que ela pertencia a outro. Desta forma, eu não tinha como voltar para segundas experiências. Por um momento terrível, eu queria que ele a matasse. Imaginei a bala rasgando o seu cérebro e a luz em seus olhos apagando. Ela iria embora e eu ganharia absolvição. Se ela estava morta, ela estava livre de mim e Alrik. Eu estava tão perto de deixá-lo puxar o gatilho. Mas mesmo que esta seria a coisa certa para tirá-la de seu sofrimento, eu não tive a coragem de ter sua morte em minha consciência. Eu já tinha vergonha o suficiente para me devorar. Eu não podia adicionar mais. Não, eu a deixei porque ela não era o meu problema. Sua vida ‒ não importando se era um inferno ou feliz ‒ não era da minha conta. Ela. Não. É. Minha. Eu tinha que acreditar nisto se quisesse permanecer são. Eu tive o suficiente. Acabou. Era o fim.

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"Senhor?" Selix saltou do carro enquanto eu caminhei para ele, vestindo a minha jaqueta. Os bolsos tilintaram com as coisas que eu tinha pilhado quando fechei botão do meio. O pobre cara (fiel à sua palavra) tinha passado a noite esperando. Ele sabia que eu preferia fazer negócios por conta própria. Eu poderia lidar com minha segurança se algo desse errado. Não precisava dele para isso. Mas eu estava grato que ele estava aqui para me levar para o mais longe possível da porra deste lugar e Pim. Ela vai se machucar. Não é problema meu. Ele poderia matá-la. Não é problema meu. Quando eu tinha a levado para cima, eu tinha feito isso com a promessa de matá-la depois. Eu não tinha mantido essa promessa. O que importava se era eu ou Alrik que finalmente fizesse isso? Quem se importava se eu estava lá para assistir ou no oceano onde eu pertencia? Porra! Selix limpou a garganta. "Tudo certo?"

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Nada está bem. "Eu quero ir embora. Imediatamente." Eu passei as mãos pelo meu cabelo. "O iate está pronto?" Ele abriu a porta traseira. "Sim. Tudo preparado e pronto para içar as velas.” "Bom. Quero deixar este país de merda assim que eu puder.” "Eu vou ligar com antecedência. Certificar-me de partir no momento em que pisarmos a bordo." Ele fechou a porta, me envolvendo no sedan preto antes correr para o lado do motorista. Dando um último olhar para a prisão de Pim, eu murmurei, "Leve-me para o Phanton. Agora."

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QUERIDO NINGUÉM, Eu não sei o que aconteceu. Todas as minhas notas e confissões para você... Elas desapareceram. Você as levou? Por favor, me diga que você as pegou. Eu posso lidar com isso. Diga-me você está cansado de que eu escreva para você, e você jogou tudo no vaso sanitário, ou as queimou e jogou as cinzas pela janela. Diga-me qualquer coisa, contanto que não seja que o Mestre A as tenha encontrado. Não me diga isso! Elas estavam lá antes do café da manhã de ontem. Eu chequei. Eu não verifiquei na noite passada enquanto o Sr. Prest me fazia companhia. Mas agora, eu perdi você. Eu não quero perder você! Ah não. Eu posso ouvi-lo chegando. Merda, Ninguém... E se ele-

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"Sua maldita putinha!" Mestre A entrou no quarto, pegou a minha carta, e a rasgou em pedacinhos. Meu coração gritou como se tivesse assassinando um vivente amigo. "Todo esse tempo, você tem escrito e escondendo isso de mim!" Pare! Eu me encolhia, deslizando para fora da cama para me curvar no chão. Quaisquer humanidade e autoconsciência que eu tinha ganhado graças a algumas horas com o Sr. Prest desapareceu. Voltei para o meu papel de escrava, pressionando minha testa contra o tapete. Não me machuque. Apenas me mate. Eu desejei a minha liberdade. Eu implorei pela felicidade. Mas eu não iria encontrar nenhuma dessas coisas aqui, especialmente agora que minhas notas a ninguém tinham desaparecido e o Sr. Prest tinha ido embora. Ele tinha me deixado, sabendo o que eu sofreria, sem compreender o quão grave seria o meu castigo por ter me tocado.

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Não é justo! Nada disso é certo. "Você ocultou isso de mim porra!" Ele estendeu a mão, com as palavras desfiadas caindo dos seus dedos. "Dê-me o resto. Agora!" Lágrimas caíram sobre meu nariz, infiltrando os fios brancos abaixo de mim. Eu devia estar aliviada. Mestre A não tinha as achado. Ele não era um bom mentiroso. Ele preferia se vangloriar demais para isso. Isso significava que o ladrão era o Sr. Prest. Por quê? Como ele pôde? Um tapa estalou no meu rosto. "Dê-me as outras páginas, Pim. Não me faça pedir de novo." Eu não as tenho, seu imbecil! Como pôde o Sr. Prest tomar as minhas últimas posses? Depois de roubar o meu corpo com seu beijo... Como ele as tinha encontrado?

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Enquanto você dormia. Quando você confiou nele. Isso não é possível. Era? "O silêncio não vai manter seus segredos desta vez." Mestre A disse, seu corpo tomado pela adrenalina. "Não precisa me dizer onde eles estão. E eu vou vasculhar o seu quarto até encontrá-las eu mesmo." Curvando-se, ele sussurrou, "E quando eu fizer isso, a punição será a segunda coisa mais dolorosa que você vai sofrer.” Espere, segunda? Qual é a primeira? Que pergunta mais estúpida! Minhas narinas tremiam enquanto a minha mente tentava desvendar o quebra-cabeça. Confusão me manteve aérea, sem perceber o punho voando pelo do ar, conectando-se com um baque terrível no lado do meu crânio. Oh Deus… A agonia. A pressão. O pulsar.

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Envolvendo as mãos sobre minha cabeça, eu tombei de lado, mordendo minha língua para parar de chorar. "Você pode evitar isso, se você me disser onde o resto está. Vou te dar uma última chance.” Vi estrelas quando os meus olhos dispararam ao redor do meu quarto, fazendo o meu melhor para detectar as páginas antes que ele pudesse. Se o Sr. Prest as encontrou, por que ele iria levá-las? Talvez ele não sabia o que eram e deixou-as no meu armário ou abandonadas no chão? Era este o porquê do dólar borboleta, para pagar por elas? Como pagamento pelos meus mais escuros e profundos pensamentos íntimos? Ele era um ladrão. Ele pegou meu primeiro beijo. Assim como ele tomou o meu livro. Mas por quê? "Responda-me!" Mestre A me deu um soco novamente. Estrelas se transformaram em um raio de sol direto nos olhos, apagando a minha visão completamente. Cada polegada de mim queria rastejar, correr, manter a distância. Eu não conseguia parar de pensar. Por que ele roubou minhas palavras preciosas?

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Para ler minhas emoções e rir? Rir da minha estupidez e escravidão? Ele disse que iria se esquecer de mim. Por que então ter algo para lembrar-se de mim? Minhas mãos arranharam o tapete enquanto eu atravessava a atual onda de agonia. A borboleta dólar desdobrada escovou os meus dedos ‒ tão quebrados quanto eu. Arrebatando-o, eu usei-o como um talismã de esperança. Enquanto eu o segurasse, eu iria sobreviver. Eu me arrastei para frente, fazendo o meu melhor para me afastar do abuso. De cócoras sobre minha cabeça, ele riu. "Tentando fugir de mim, doce Pim? Garota estúpida. Você sabe que não há para onde ir; nenhum lugar para se esconder. Algumas horas com aquele filho da puta e você já está arruinada.” Meu estômago se agitou com náuseas quando ele se levantou novamente. "Mas não se preocupe. Vou me certificar de que você lembre-se quem o seu mestre é e o que acontece quando você se esquece.” Meus lábios se entreabriram para sugar oxigênio quando ele saiu da sala, sua risada fria se arrastando atrás dele. O que ele vai fazer?

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Eu não quero saber. Nos poucos minutos em que eu estava sozinha, eu não me incomodei tentando sentar. Fiquei enrolada no chão, cuidando de minha tontura e cabeça latejante, segurando o meu único dólar. Ele voltou. Eu consegui sufocar o meu soluço quando meu olhar caiu sobre o que estava em suas mãos. Ele havia trocado o revólver preto pela coisa que eu mais odiava. O laço de corda. O laço que ele usou para me pendurar como uma estrela de quatro pontas em seu teto. O laço que ele usou como uma coleira, um colar, e uma ferramenta disciplinar. Meu inimigo mais odiado. Eu me movi para trás quando ele agarrou o meu cabelo, torcendo-o em seu pulso. "Você vai aprender, Pim. Você não quer conversar? Bem. Não fale porra. Escreva suas notas estúpidas em um diário que não dá a mínima para você. Minta para mim e o esconda. Tudo isso é perdoável, porque você é minha, doce Pimlico, e sendo minha significa que eu sou possessivo com sua mente, mas indulgente também.” Seus dedos se apertaram, arrancando alguns fios do meu couro cabeludo. "Mas se você acha que pode passar a noite com a porra de um estranho, deitar ao lado dele, fantasiar sobre ter

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a porra do pau dele dentro de você, e manter o que você disse a ele em segredo, pense novamente." Envolvendo a corda grossa em volta do meu pescoço, ele puxou forte. "Você vai me dizer o que aconteceu. Você vai porra. Eu fui paciente o suficiente. Você falou com ele, não foi?" A saliva voou de sua boca quando ele me arrastou do meu quarto para o corredor. "Você quer que ele seja o seu mestre e não eu. Você não pode negar isso.” O tapete queimou minhas mãos e joelhos enquanto eu fazia o meu melhor para acompanhá-lo, mas não consegui. Meus dentes bateram juntos quando ele me puxou para baixo da escada. Eu me desequilibrei, saltando para baixo enquanto ele segurava a corda, me sufocando quando eu caí em um amontoado na parte inferior. Minhas articulações berraram, mas eu nunca deixei de lado minha borboleta dólar. "Levanta porra." Puxando a corda, ele obrigou-me a ficar de joelhos. Eu folheava o almanaque da minha dor, vendo se havia novas entradas a temer. Minha mão quebrada gritou, mas nada mais parecia estar quebrado. "Eu vou ensinar você." Bing bong. Ele congelou quando a campainha soou pela casa.

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Eu respirei fundo, incapaz de parar a torrente de lágrimas. Ele voltou! Graças por tudo o que é santo, ele voltou. No entanto, enquanto eu comemorava com alívio, Mestre A sorriu com depravação. "Ah, timing perfeito." Espere. O que? Quem está na porta? Pânico assobiou através do meu sangue me aterrorizando mais do que qualquer outra coisa. Não! Pare! Meus dedos voaram para o meu pescoço (mão quebrada e tudo), arranhando a corda apertada. Tira isso! Eu não posso mais fazer isso! Mestre A puxou forte a corda como se eu fosse um cavalo rebelde lutando com as rédeas. "Pare com isso!" Ele se dirigiu

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para a sala, me arrastando atrás de si, cortando meu suprimento de ar quando o laço apertou mais e mais. Meus olhos saltaram com a pressão construída em minha cabeça já latejante. Puxando-me para o meio do espaço com empurrões fortes, ele me amarrou à perna da mesa de café. "Fique." Eu não conseguia parar a minha esperança satânica quando ele desapareceu para atender a porta da frente. Por favor, que seja ele. A cada clique de seus sapatos, eu implorei para que ele fosse o Sr. Prest. Era errado desistir da liberdade e me contentar com um novo mestre em vez disso? Liberdade era inatingível, mas um novo proprietário poderia ser viável. Se ele retornou por mim, ele poderia me manter. Eu não iria tentar executar ou matá-lo. Basta salvar-me e eu sou sua. Mas eu era estúpida. Meus instintos sabiam a verdade. Mestre A estava feliz, e não furioso.

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Tony se escondia na cozinha, observando-me com os olhos nefastos. "Você está pronta para algum divertimento, Pim?" Agarrei meu dólar dobrado quando vozes masculinas chegaram aos meus ouvidos, ecoando com dois conjuntos de passos. "Estou feliz que você está aqui." Mestre A apareceu, sorrindo para o amigo. A última esperança estúpida de ser livre da dor evaporou. Darryl. "Ei, cara." Tony deslizou em direção a ele, dando um tapinha em suas costas. "Vamos ter uma festa, não é?" Darryl sorriu. "Onde está o pequeno demônio?" "Bem ali." Mestre A apontou na minha direção. O olhar de Darryl caiu sobre mim, seus dedos se apertando ao redor da mochila preta que carregava. "Olá, Pimlico. Eu soube que você foi uma menina má." Seu cabelo loiro sujo combinava com o Mestre A, tornando-os irmãos pelo pecado se não pelo sangue. "Muito, eu tenho que dizer," Mestre A murmurou. "No momento em que o bastardo me entregar a minha compra, ele está morto. Se eu não precisasse tanto do seu produto, eu teria matado ele no segundo que ele entrou na minha casa."

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"O que é tão grandiosos assim que ele pode fazer, afinal?" Tony limpou o nariz com as costas da mão. "É apenas um barco." Mestre A rosnou, "Não é apenas um barco. É uma cidade flutuante. Não, é mais do que isso. É uma arca, seu idiota. E eu preciso da merda da proteção." Darryl sorriu. "Você finalmente ficará sem dinheiro, A? Os tubarões agiotas vão vir atrás de você?" "Não é da sua maldita conta." Mestre A de repente riu. "Vamos apenas dizer que, os únicos tubarões que eu quero ao meu redor são aqueles abaixo de meu iate totalmente blindado onde posso acabar com eles." "Boa." Tony deu uma gargalhada. Suas vozes eram tão nauseantes como lâminas de barbear no vidro. Eu odiava esta parte. A antecipação do que eles fariam. A facilidade da conversa entre amigos antes de me machucar apenas por diversão. Olhei para trás, vendo se Monty iria participar. Mas não havia mais visitantes. Eu deveria estar feliz. Hoje, eu só tinha de entreter três em vez de quatro. Você consegue fazer isso. Você já fez isso uma centena de vezes antes.

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Então, por que parecia muito pior? "Certo,

o

suficiente

de

bate-papo.

Vamos

começar."

Desfazendo a corda em torno da perna mesa de café, Mestre A içou-me na posição vertical com um puxão e me chutou na coxa. No momento em que eu me encolhi, ele deixou o balançar corda entre meus seios nus. "Eu não posso acreditar que aquele bastardo tocou Pim. Ele tocou a minha Pim. Ele estava prestes a transar com ela, o maldito idiota.” Isso não é verdade. E eu não podia decifrar por que eu estava frustrada com isso. Por que ele me ameaçou com o sexo, mas nunca seguiu adiante? Eu falhei de alguma forma? Ele decidiu que eu não valia o risco de dormir comigo? Se ele estava desconfiado de dormir com uma escrava por causa de doenças, ele não precisava se preocupar. Eu tinha perdido minha virgindade com este ogro e seus amigos todos foram submetidos a testes antes de Mestre A deixá-los perto de mim. "Ele se foi agora. É tempo dela pagar." Darryl lambeu os lábios, aproximando-se do Mestre A e Tony, suas cabeças inclinadas em conjunto, discutindo o meu castigo.

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Eles amam esta parte ‒ me fazer esperar, construindo meu terror. Eles resmungavam e praguejavam muito baixo para que eu compreendesse. Ocasionalmente, uma maldição fluía através da sala, alargando meus olhos. Finalmente, quando a coceira da corda grossa em volta do meu pescoço se tornou demais para suportar, e os meus dedos ficaram brancos protegendo minha borboleta dólar, Mestre A deu um tapa nas costas de Darryl. "Sim, você está certo. Eu não queria, mas eu estou cansado de dar-lhe tantas chances." Seu olhar encontrou o meu, escuro e sem profundidade. "Ela não quer falar? Vamos lhe conceder esse desejo." O que? O que isso significa? Tony ficou para trás, cruzando os braços enquanto Darryl sorriu. "Ouviu menina?" Se aproximando do sofá onde ele tinha colocado sua mochila preta, ele abriu o zíper. "Quão legal é isso?" Retirando algo dela, ele o manteve escondido enquanto se movia em direção a mim. "Você é a única que decidiu que não somos dignos de sua voz. Eu acho que é apenas justo que os outros não tenham acesso a ela, tampouco." Mestre A enfiou a cara na minha. "Você falou com ele na noite passada, não é? Você sussurrou para aquele filho da puta

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quando ele empurrou seus dedos dentro de você. Você pediu por mais e para ele salvá-la." Sua mão disparou em meu cabelo, arrancando mais alguns fios em sua indignação. "Responda-me, Pim. Você falou com ele e não comigo!? "Uma risada maníaca caiu de seus lábios. "Bem, não por muito tempo. Aquele desgraçado Prest desapareceu. O nosso contrato está assinado. E ele nunca vai vê-lo novamente e com certeza nunca mais ouvi-la novamente.” Cacarejando como um animal louco, ele estalou os dedos. Darryl se aproximou imediatamente. Eu me encolhi, olhando entre os dois homens e o item horrendo na mão de Darryl. Grandes tesouras. Do tipo para cortar rolos de tecido ou peças de metal. Engoli em seco. Não… Contorcendo-me, tentei esquivar-me, mas Mestre A socou do lado da minha cabeça já inchada e macia. Eu caí de joelhos, segurando-me no tapete enquanto a sala guinou e balançou. Meus joelhos gritaram de dor e meu crânio lutou contra rachaduras, eu estava impotente para impedir qualquer coisa. Eu estava irremediavelmente perdida quando as mãos me rolaram para minhas costas.

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Seus joelhos prenderam meus quadris. E o riso frio encheu meus ouvidos quando os dedos rançosos arrombavam minha boca e apertavam a minha língua. A voz de Mestre A sussurrou ao meu redor. "Você se recusa a falar, minha querida doce Pim? Agora, você nunca mais vai falar de novo."

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QUERIDO NINGUÉM, É errado que eu ainda a odeio? Depois de um ano de ser brinquedo de alguém, eu não deveria abrigar maus sentimentos para aqueles que nunca me machucaram. Eu deveria ser grata a minha mãe por me dar a vida, mesmo que seja uma odiosa. Eu tive sorte antes de ser vendida. Eu tinha sorrisos, escola e segurança. Mas isso acabou agora. E eu odeio não ter apreciado o que eu tinha antes de ter sido roubada. Ele tirou a minha virgindade antes que eu pudesse ter quaisquer sussurros ou conversa pré-sexo com a minha mãe ou risadas sobre namorados tolos. Não que ela fosse fazer tais coisas. Mas agora, nós nunca vamos falar novamente. Ela não me conhece mais. Ela não tem idéia do que eu vivi. Eu odeio que ela não está lá para mim. Eu odeio que ela não me procurou e me achou. Eu odeio que eu não sou mais a filha. Eu sou dele.

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Eu odeio que eu estou morta para ela, mas eu ainda estou aqui. Eu ainda estou aqui, ninguém. Desaparecendo, desintegrando, em decomposição. Mas ainda aqui. * QUERIDO NINGUÉM, Hoje, ele quebrou um osso pela primeira vez. Você pensaria que estaria mais amedrontada, mais dolorida. Mas eu não estou. Eu esperava este momento desde que o Sr. Kewet me matou a poucos metros da minha mãe. No minuto em seus dedos foram em torno de minha garganta e ele roubou meu relógio, eu não estava vivendo mais, era meramente um cadáver trazido de volta à vida para servir. Ele pode ter me ressuscitado, Ninguém, e salvo alguns anos de batimentos cardíacos, mas eu morri naquele dia e não voltei a viver. Então, o que é um osso quebrado próximo à morte? Não é nada. Eu não sou nada. Eu só quero que isso acabe. *

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"Volte com o carro." Que porra estou fazendo? Esta pergunta está ficando velha. Meus dedos tremiam enquanto eu passava pelos rabiscos no papel higiênico, um após o outro. Quando eu empurrei minhas mãos através da cabeceira da cama na noite passada, tentando ficar confortável no colchão duro de Pimlico, encontrei algo macio dentro de uma rachadura na madeira. Pimlico tinha-me distraído no primeiro contato, e eu tinha me mantido ocupado escrevendo uma nota e dobrando-lhe o pequeno presente em origami. No entanto, uma vez que a borboleta foi formada, eu não conseguia parar meus dedos de se arrastarem de volta para o que tinha encontrado. Eu puxei. E a porra de um livro de histórias caiu em minhas mãos. Eu deveria ter colocado de volta onde pertencia. Eu deveria ter respeitado a privacidade dela. Mas como a menina muda dormia ao meu lado, sua respiração tão silenciosa como tudo o mais sobre ela, eu li algumas linhas. E eu não pude parar. Eu li sobre seu tempo no hotel de tráfico e mercado chamado QMB. Eu aprendi que tinha perdido a virgindade com aquele bastardo estuprador, Alrik. Eu li sobre seu ódio por sua

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mãe, sua saudade de seu passado, e como desesperador o seu mundo tinha se tornado. Meu coração (que tinha há muito tempo tinha se calcificado às dificuldades dos outros) bateu para a dor que ela tinha sofrido. Ela viveu mais do que ninguém deveria enfrentar. No entanto, isso não alterava os fatos. Eu tinha negociado uma noite com ela. Isso era tudo que eu queria. Tudo o que eu poderia ter. Então, quando ela se mexeu, e culpa me infestou por ler seus pensamentos particulares, eu voltei a acariciar as suas costas magras. Eu empurrei um punhado de suas páginas no meu bolso do blazer porque não tinha outra escolha. Não era certo roubar a única posse que ela tinha em um mundo onde não tinha nada, mas era quem eu era. Um ladrão. Com questões mais profundas que não podia controlar. Eu roubo porque eu adoro isso. Mas também por outra razão. Sua história era minha agora. Eu justifiquei o roubo, traçando meus dedos sobre as contas de sua coluna vertebral, após contusões e borrões, a tratando com doçura depois de tanto tempo sem nenhuma. Eu esperava que ela vacilasse e acordasse, mas ela enterrou-se nos lençóis, murmurando inconsciente ao me dar tanta confiança.

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Eu tinha encontrado uma recompensa nisso. Que ela procurou conforto em meu toque, mesmo que eu a peguei emprestado de um mestre que a tratava como merda. A partição entre Selix e eu deslizou com um zumbido suave. "Senhor? Você acabou de dizer para voltar?" Meus dedos se apertaram ao longo dos papeis macios, onde Pim tinha derramado as suas confissões mais profundas. "Sim. Agora." "Mas... você vai perd-" "Eu não me importo. Faça." Cada polegada de mim desejava ir para casa. Sentir o mar debaixo dos meus pés e deixar este descalabro de merda, incluindo a noite que passei com Pim, para trás. Mas eu também não podia ignorar que ela iria morrer por causa de mim. Ela já poderia estar morta. Ele poderia ter atirado nela. Teria sido mais amável do que outras coisas que ele poderia fazer. Eu tinha aceitado sua morte, acreditando que era a melhor coisa para todos. Mas ela havia pagado demais. Ela merecia algo melhor do que morrer tão extremamente jovem. Ela valia mais do que uma sepultura.

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O que importa se ninguém me apoiou quando eu tinha estado no fundo do poço? O que importa se ninguém me ajudou? Eu poderia ajudá-la. Eu poderia fazer a coisa certa... pela primeira vez na minha vida sem Deus. Seu amigo imaginário, ‘Ninguém’, tinha cuidado dela até agora. E se eu não pudesse protegê-la melhor do que uma entidade fictícia, porra, que tipo de homem isso me torna? Um covarde? Coração frio? Honesto sobre a natureza fodida do mundo? Você poderia tê-la para si mesmo. O pensamento não era novo. Ela era uma escrava, depois de tudo. E eu era um rico maldito. Eu poderia comprá-la dele. Eu poderia mantê-la trancada para usar sempre que eu quisesse, sem me distrair da minha empresa. A ideia era muito atraente. Ela seria um animal de estimação. Um invisível, animal desconhecido. Eu não teria que levá-la para passear ou dar mimos especiais. Enquanto tivesse comida e um lugar para descansar, ela teria uma qualidade de vida muito melhor comigo do que ela jamais teria com Alrik.

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Mas por que eu iria comprá-la quando eu poderia levá-la? Eu não deveria. Eu deveria ir embora antes que eu a ferisse mais que Alrik jamais poderia. Mas eu tinha mentido quando eu tinha dobrado a borboleta origami com a minha nota dentro. Eu não conseguiria esquecê-la até que eu tome o que eu preciso dela. E o que eu preciso ainda não conquistei. Quero transar com ela. Uma vez. A única vez. Então, eu poderia vendê-la ou libertá-la. Uma coisa era certa, eu não iria mantê-la por muito tempo. Não era possível para um homem como eu. Mas por pouco tempo... "Sim, tenho certeza. Volte." "Imediatamente, senhor." Que se foda a ideologia de manter os negócios longe do prazer Eu era um ladrão. E eu iria roubar a menina silenciosa e fazê-la falar.

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MEU CORAÇÃO estava em minha boca, saltando na minha língua como se fosse um trampolim maldito, sem se importar que as tesouras afiadas logo fossem cortar a única parte que eu queria desesperadamente manter. Era estranho que eu quisesse mais a minha língua do que um dedo da mão ou pé? Era errado que eu pensei em negociar outras partes pela minha língua? Pegue o meu dedo mindinho. Não, meu dedo indicador. Espera ... toma o meu dedão do pé. Apenas não toque em minha língua! Eu engasguei sob o peso de Darryl quando Mestre A moveuse sobre a minha cabeça para me segurar. Apertando meu crânio entre os joelhos, olhou para mim, seu rosto de cabeça para baixo.

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Seus lábios se moviam, fundindo com a agonia dentro de mim. "Eu prometi a você que isso aconteceria se você não fosse falasse comigo um dia, Pim. Isto é o que vai acontecer.” Minha mão quebrada queimava enquanto eu batia no chão e tentava o meu melhor para me esquivar. O dólar na palma da minha outra mão não foi suficiente para tornar livre. Minhas lutas se tornaram violentas. Mas havia dois homens e uma de mim ‒ homens que tinham comido nas últimas vinte e quatro horas e tinham músculos que não estavam atrofiados de desnutrição. Eu não tinha a menor chance. Darryl sorriu enquanto abria e fechava a tesoura com um floreio. As lâminas raspavam juntos em um silvo sinistro. "Você está pronta?" Não! Não! Não! Suas unhas cortavam a minha língua enquanto ele a segurava firme, não deixando minha saliva lubrificar os dedos. O pedaço de carne secava a cada segundo que ele a segurava. Não!

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A parte de mim que eu não tinha usado há muito tempo estava no corredor da morte. Minha maldição de silêncio se tornaria realidade. Mesmo que eu quisesse, eu nunca seria capaz de falar novamente. Eu entrei neste mundo com o silêncio sendo minha arma. A escolha de não falar. Escolha agora que me seria tirada para sempre. Como eu poderia dizer à polícia o que foi que foi feito para mim, se eu não podia falar? Como eu poderia pedir ajuda? Meu corpo tremia enquanto eu silenciosamente soluçava, jogando minha cabeça, tanto quanto eu podia nos confins de joelhos de Mestre A. Por algumas horas, eu tinha estado na segurança do controle de outro homem. Um homem que colocou Mestre A em seu lugar. Por que, oh por que, não falei com ele quando tive a chance? Por que eu fui tão teimosa? Tão medrosa? Eu merecia isso. Eu tinha sido tão estúpida. E agora, eu nunca iria dizer outra palavra para o resto da minha vida. Pelo menos eu ainda tinha meus dedos. Eu poderia escrever. Eu poderia continuar o meu livro. Mas meu livro desapareceu!

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Anos de memórias roubadas. Talvez isso, aqui, era o ponto em que eu desisto. Onde eu admito que eu esteja quebrada. Talvez quando ele cortasse a minha língua, eu iria morrer de perda de sangue, e finalmente tudo teria acabado. Por favor, termine logo com isso. Pode não ser tão indolor quanto à arma, mas daria o resultado desejado. A luta dos meus membros parou. Aceitar o inevitável, porque eu literalmente não tinha mais nada. Eu não podia ganhar. Eu nunca tinha sido capaz de vencer. Tudo o que eu podia fazer era parar e aceitar. Finalmente aceitar que Tasmin estava morta e Pimlico seria também. No momento em que parei de lutar, Darryl riu. "Finalmente percebeu que você não pode parar isso, hein, prostituta?" Você vai apodrecer no inferno. Meus olhos se estreitaram quando ele puxou minha língua ainda mais dos meus lábios. Ele sorriu. "Que tal uma palavra para o seu mestre? Uma pequena palavra..."

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Mestre A riu. "Sim, vá em frente, Pim. Uma palavra e eu vou reconsiderar cortar a sua língua." Ele se inclinou e beijou minha testa, o cabelo fazendo cócegas no meu nariz. "Se eu gostar de sua voz, eu vou deixar você mantê-la." O dilema era difícil. Se eu fizesse isso, ele finalmente ganharia. Minha prisão incluiria gritos e respostas às suas perguntas torturantes. Se ele me levasse a proferir uma palavra agora, ele poderia fazer isso outras vezes. Ele nunca me deixaria ficar em silêncio novamente. Ou eu poderia tornar a minha mudez real. Como um seguidor

devoto

religioso

renunciando

a

toda

a

riqueza

monetária ao entrar para um convento, já não é apenas praticando a sua fé, mas tornando-se sua fé. Eu ficaria muda não por escolha, mas por incapacidade. Eu era vaidosa o suficiente para odiar o pensamento de não ser perfeita? Ou forte o suficiente para aceitar o preço que eu tinha que pagar para ganhar? Os dedos de Mestre A beliscou minhas bochechas. "Decida, Pimlico. Você tem dez segundos para decidir." Ele olhou para Darryl. "Corte no um. Se ela tenta falar, solte a língua dela." "Entendi, A." Meu coração começou uma contagem regressiva, marcando a cada segundo com dinamite como Mestre A disse: "Dez ..."

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Devo falar? "Nove..." O que eu deveria dizer? "Oito…" Que palavra vai me manter segura? "Sete…" Eu realmente quero que ele ganhe desta maneira? "Seis…" Quão rapidamente vou morrer se eu recusar? "Cinco..." Será que vou me afogar em meu próprio sangue? "Quatro…" Tome uma decisão!

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Os dedos de Darryl apertavam, um sabor tênue de cobre encheu minha boca, quando a unha cavou mais fundo, puxando a minha língua para fora, tanto quanto possível. Faça! Uma palavra. Que tal: Ajuda. Ou misericórdia. Ou por favor. "Três." Eu saturava meus pulmões com oxigênio, inalando forte pela primeira vez, sabendo que eu iria finalmente transformar o ar em ondas sonoras através da magia da engenharia humana. "Dois…" Eu balancei a cabeça, mostrando selvagemente nos olhos a promessa de que eu iria falar. Os homens fizeram uma pausa, sobrancelhas arqueadas, mas Darryl não largou minha língua. "Vá em frente, Pim... um pouco de barulho. Mostre-nos que você vai obedecer antes de começar soltar sua língua.” Um barulho era mais fácil do que uma palavra. Ele tinha obtido pior de mim antes. Obedeci. O gemido esfarrapado levantou-se com ferrugem e mau uso, uma vibração estranha no meu peito.

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Mestre A estava encharcando com meu o suor de terror. "Boa menina. VocĂŞ finalmente obedeceu." Beijando a minha testa, ele sussurrou, "Mas que pena... Eu realmente nĂŁo gostei do som da sua voz." Golpeando meu rosto, ele acenou para Darryl. "Um." Ele cortou.

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O carro parou. Saí. A porta da frente estava trancada. Eu usei minhas habilidades de ladrão para entrar em segundos. No instante em que entrei, o alarme estalou meus tímpanos com um alerta estridente. Eu

ignorei,

seguindo

em

frente

pelos

corredores

desprezíveis. A casa branca zombou de mim quando eu irrompi da entrada para sala. E, de repente, eu já não vi branco. Mas vermelho. Lotes e lotes de vermelho. Eu não parei para pensar. Eu não adivinhei. Eu deixei aflorar os instintos que eu passei anos tentando esconder, a raiva surda me tomar; a memória muscular assumir. No meu passado sórdido, eu tinha feito coisas que me evoluíram de ladrão para assassino, de assassino para carrasco, de carrasco para ladrão de almas sem coração. Lutar sempre

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tinha sido mais do que apenas um hobby. Esteve no meu passado por gerações. E por causa dos meus únicos defeitos pessoais me tornei mestre nisso. Minha mão formou uma lâmina, meus dedos firmes e longos, juntos como um facão. Eu balancei a arma na jugular do homem sentado em cima de Pimlico. Ele tombou de lado, inconsciente em um único golpe. Pimlico não se moveu enquanto o sangue se derramava em sua frente, encharcando a sua nudez. Um par de tesouras grandes caiu da mão do homem inconsciente, fazendo barulho no chão. "Que porra é essa!?" Alrik se levantou, deixando a menina sangrando por todo tapete. Afastando-se, ele me deu a oportunidade de me aproximar dela. O homem que tinha derrubado a porta do quarto com um taco de beisebol avançou para mim, balançando a faca que eu pegado na garagem. "Seu louco! Você vai morrer.” Normalmente, gostaria de me divertir com o idiota. Eu iria brincar com a presa, lentamente a desgastando até que implorasse para finalizar a luta. Mas Pim precisava de mim. Não precisava nem pensar. Em um segundo, o homem estava esfaqueando ar, fazendo o seu melhor para me atingir. No próximo, a faca foi torcida de sua mão para a minha e o cabo foi enterrado em seu estômago.

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Ele gritou quando eu cortei suas entranhas antes de arrancar a faca e apunhalar em seu coração. Seu olhar perdeu o foco no momento em que o objeto atravessou o músculo que o mantinha vivo. No entanto, isso não impediu que seu corpo parasse de bombear o seu sangue para fora e que seus intestinos desenrolassem quando ele caiu no tapete. Pimlico levantou-se, com os olhos tão grandes como luas gêmeas. O homem estava morto. Ele não valia mais a pena o meu tempo. Seu olhar encontrou o meu selvagem e agonizante. Sangue descia como um rio de sua boca. O que eles fizeram com ela? Que tipo de monstro faria uma coisa dessas? Você fez pior. Sim eu tinha. Eu não iria negar. Mas nunca para uma mulher. Nunca para uma mulher inocente. Agachando-me, eu puxei-a para uma posição sentada, embalando-a contra meu peito. Eu não me importava com o sangue.

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Tudo o que me importava era ter certeza de que ela iria sobreviver mais alguns minutos para que eu pudesse fazer o que eu deveria ter feito no início, quando esse idiota me contatou. Matá-lo. Dane-se o contrato. Que se dane a porra do dinheiro. Ele está morto. Alrik ficou boquiaberto como uma carpa olhando para o amigo morto, com as tripas enroladas no chão. Seu outro amigo permaneceu inconsciente ao lado dele. "Seu filho da puta!" Sacudindo a cabeça em negação, ele entrou na cozinha. Eu não o deixaria ir. O mais provável é que ele tivesse outra arma escondida em algum lugar. Ele pensou que tinha poder sobre mim com uma arma tão inútil. Estúpido idiota. Empunhar uma pistola não iria salvá-lo de mim. Balas não tinham a menor chance com os métodos de abate que me tinham sido ensinados. Desconsiderando-o, eu investiguei a boca de Pimlico. O sangue deixou tudo escorregadio e liso.

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Ela fez uma careta, lágrimas misturando-se com a boca sangrenta enquanto eu a obrigava a me mostrar o que tinha sido feito. A partir de experiências anteriores, eu sabia o que sangrava tão copiosamente. A língua. E porque eu não era estúpido, eu entendi por que ele fez uma coisa dessas. Ela se recusou a falar. Eu tinha o feito suspeitar de que ela falou comigo. Por que ela não tinha falado comigo? Foi essa a razão? Porque ela sabia que eu iria embora e fez o melhor para evitar a próxima brutalidade? Isto era minha culpa. Eu fiz isso. Mas, pelo menos, eu voltei para corrigir essa porra. Pimlico lutava em meus braços enquanto eu segui avaliando os danos à sua língua. Eu esperava encontrar um pedaço cortado de carne, mas eu não tinha chegado tarde demais. Ela tinha um corte em um terço do caminho através do músculo. Doeria. Continuaria sangrando. Mas ela não perderia o poder da fala. E ela não morreria... Espero.

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"Você vai ficar bem.” Pegando deitei-a no sofá branco, tendo a satisfação suprema quando o carmesim escuro choveu sobre as superfícies cristalinas. "Fique aqui. Eu tenho que terminar algumas coisas.” Alrik tinha desaparecido, mas barulho vinha da despensa onde ele pegava tudo o que podia para fazê-lo seguro. Eu o deixaria vir. Eu não iria persegui-lo para começar uma guerra antes que ele estivesse armado. Eu não era esse tipo de pessoa. Ele queria uma luta. Eu lutaria. No entanto, o idiota que tinha cortado a língua de Pimlico não merecia tal respeito. Os olhos de Pim se travaram com os meus enquanto eu caminhava em direção ao homem inconsciente e pegava a tesoura ao lado dele. Toquei com o polegar a lâmina machada com o sangue ainda quente da garota que eu não consigo tirar da cabeça e segurei as alças. Pim engasgou, segurando sua boca, tentando conter o mórbido fluxo rubi. Eu balancei minha cabeça. "Não engula. Basta deixá-lo fluir. Eu vou cuidar de você. Apenas mais alguns minutos e depois vamos embora." Ir para onde? Meu iate?

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Um hospital? Eu decidiria quando fosse o tempo. Por agora, eu tinha outras coisas em minha mente. Ela não relaxaria. Como poderia com tal ferimento? Mas seus saíram dos meus até a tesoura no meu punho. Ela não falou, mas eu ouvi a sua pergunta através do arco de sua sobrancelha e ódio cintilante em seu olhar. O que você vai fazer? Inclinei o meu queixo, observando-a. "Eu vou matá-lo." Esse foi o único aviso que lhe dei. Ajoelhando-me, eu enterrei as lâminas pesadas através da garganta do homem que havia ferido a mulher que eu ia roubar. As tesouras eram afiadas. Seu pescoço era macio. Os dois se complementaram; o macio com o afiado. Sua

garganta

se

abriu,

revelando

as

entranhas

da

cartilagem e esôfago antes que o sangue jorrasse e juntar-se a confusão de Pimlico em uma avalanche de vermelho. Um tiro explodiu acima da minha cabeça, assobiando e atingindo a grande janela oval atrás de mim. O vidro quebrou, caindo, deixando a brisa do mar entrar no espaço.

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"Dê o fora da minha casa e eu não vou te matar". Alrik grita confuso da cozinha, ambas as mãos sobre a pistola, os dedos apertando o gatilho. Ele ainda pensava que eu iria entregar a sua compra. Mesmo depois disso. Eu ri. "Se você fosse metade do homem que pensa que é, teria atirado em mim." Ele fez uma careta. "Eu sou o homem melhor, porque eu não o fiz." "Não, você é apenas um bastardo ganancioso que ainda acha que o nosso negócio vai acontecer." Ele empalideceu. "Eu paguei. Você concordou. Claro, que vai acontecer. Eu preciso da porra do iate!” "Precisar diferentes."

e

merecer

Movendo-me

são no

duas sofá,

coisas eu

parei

completamente meus

dedos

brevemente sobre a bochecha encharcada de sangue de Pimlico. "Nosso acordo foi anulado no momento em que você mutilou a jovem." "Ela é minha para fazer o qu-" "Como quiser." Levantando minha mão, eu pintei a minha bochecha com o seu sangue, encharcando-me na dor da pessoa que eu estava protegendo ‒ assim como os da minha linhagem. Nós tínhamos lutado para imperatrizes e rainhas. Nós tínhamos dado a nossa vida a serviço dos outros e vingamos aqueles que tinham nos ofendido.

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Esta situação não era diferente. Os ensinamentos que eu aprendi voltaram a minha mente, fluindo como memórias mágicas através das minhas veias. Eu senti falta da minha espada, mas minhas mãos serviriam neste caso. "Você foi longe demais desta vez, Alrik." "Você não tem autoridade para me dizer o que eu posso e não posso fazer." "Sim." Eu me aproximei dele. "Eu tenho." Seus braços tremiam. "Pense de novo." O vacilo de seus músculos me deu todo o aviso que eu precisava. Ele puxou o gatilho e outra bala quebrou o tecido do ar com toda velocidade. Eu

abaixei-me

sem

esforço

e,

em

seguida,

avancei,

empurrando-o com o meu ombro, esmagando-o contra a bancada da cozinha. Todo o oxigênio em seus pulmões se extinguiu. O baque sólido do mármore na sua espinha teve uma boa probabilidade de deixá-lo aleijado. Ele caiu de joelhos, apenas para recuperar o fôlego e voltar a ficar de pé. Não o ajeitou, depois de tudo. Oh bem, sem problema.

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Meu cérebro desligou quando eu estendi a mão e arranquei a arma incômoda de suas garras. Joguei-a no sofá ao lado de Pimlico. Imediatamente, ela se arrastou para ela, segurando a boca com uma mão e fazendo o seu melhor para suportar o peso da pistola preta com a outra. Eu queria dizer a ela que eu ia protegê-la, ajudá-la, mas minhas intenções não eram a de um homem gentil. Eu vim para roubá-la não libertá-la. Ela não precisava saber disso. Não até que eu a tivesse exatamente onde eu queria. Não até que ela estivesse curada. Alrik tentou atingir o meu rosto agora que ele tinha sido despojado de sua arma. Seu punho me socou apenas porque eu deixei. A dor foi utilizada como energia no meu treinamento, dando munição aos instintos animalescos quando o corpo era ameaçado. Eu poderia matá-lo rápido ou lentamente. Se fosse por minha vontade, seria lento. Mas Pimlico não iria resistir pelas horas que eu gostaria de torturá-lo. Eu não tinha tempo para fazê-lo morrer de fome por anos de abuso físico e mental. Ele estava se livrando muito fácil. Mas agora, por causa dela, tinha que ser rápido. Minha mão subiu para frente; meus dedos se atolando em sua laringe.

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Ele engasgou. Enquanto ele se dobrava, tentando respirar, eu agarrei seus ombros e atingi seu rosto com meu joelho. Com mãos assassinas, agarrei seu queixo, pronto para quebrar o seu pescoço. Fiquei decepcionado com o quão rápido três vidas foram ceifadas. Esta expedição fria não me satisfez. Mas isso não era sobre mim. É sobre ela. Um som feral soou atrás de mim. Eu congelei, olhando por cima do meu ombro. Pimlico caída sobre as costas do sofá, sangue por toda parte, as duas mãos segurando a arma. Ela balançou a cabeça ‒ a resposta mais extensiva que eu já tinha ganho ‒ enquanto seus olhos caiam para Alrik lutando nas minhas mãos. "Você quer fazer isso?" Ela assentiu com a cabeça. Ela estava muito agitada. Não seria capaz de apontar. Mas eu não iria negar a única coisa que ela já me pediu. "Tudo bem." Movendo o corpo de Alrik, eu o icei usando sua mandíbula e apertando sua nuca, ameaçando quebrar seu pescoço. "Parado, seu inútil saco de merda."

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Seus pés escorregaram sobre o assoalho, mas ele fez o seu melhor para obedecer. "Você não tem que fazer isso. Você quer mais dinheiro? Pegue tudo. Você a quer pode levá-la. Eu não me importo." "Não é sobre isso." Eu sorri. "É sobre karma e pagar por aquilo que você fez. Se fosse por mim, você iria sofrer por décadas, da mesma forma que você fez Pim e inúmeras outras meninas sofrerem. Mas não temos esse luxo, por isso, considerar-se com sorte.” Pimlico nunca tirou os olhos de cima dele, seu dedo seguro no gatilho. Ela engasgou enquanto mais sangue fluiu, forçandoa a vomitar sobre o encosto do sofá. Enxugando as lágrimas, a arma vacilou quando ela se esticou para atirar. "Espere," eu pedi. Arrastando Alrik em direção a ela, eu assenti e chutei a perna dele para fazê-lo se ajoelhar-se e apertei sua cabeça suada contra o cano da arma. "Agora, você pode matá-lo." Ela suspirou, riachos escarlates manchando os seios nus. O olhar que ela deu para mim era tão cheio de agradecimento, alívio e vitória, que me fez encolher. Ela estava tomada pelo ódio, após dois anos de tortura que sofreu. Meu pau se endureceu, reconhecendo o conquistador dentro dela. Foi por isso que eu não poderia esquecê-la. A razão que me impulsionou a roubá-la. Ela era única.

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Minha igual. Mesmo que eu nunca fosse admitisse tais coisas. "Faça, Pimlico. Mate-o." Minha voz rugiu com impaciência e ganância. "Termine isso." Alrik uniu as mãos em oração. "Espere! Pim... Doce e pequena Pim. Não faça isso. Eu te amo!" Ela cuspiu outra porção de sangue, salpicando por todo seu rosto. Sua aversão disse a ele exatamente o que ela pensava do seu assim chamado amor. Alrik se contorceu, seu temperamento, mais uma o colocando em apuros. "Por que, sua putinha? Eu vou chicotear você tant-" Meus punhos se cerraram com a vontade de surrar o bastardo. Mas a raiva quente caiu sobre Pim, dando-me uma fração de segundo de aviso para sair do caminho maldito. Soltando Alrik, eu desviei para evitar um tiro incorreto ou ricochete. Eu sacudi quando a arma explodiu. O cheiro de enxofre bateu no meu nariz, quando o barulho de uma bala encheu a sala de estar branca. Por um segundo, Alrik ficou balançando onde eu o tinha colocado. Em seguida, ele caiu. Atordoado e confuso, ele tropeçou enquanto suas mãos subiram para segurar um buraco recém-formado na barriga.

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Pim o olhou. Choque fundiu com a descrença de que ela finalmente o tinha reembolsado com dor. Ele gritou: "Porra, você atirou em mim! Você me deu um tiro." Ela fez, mas não é suficiente. Não era uma ferida mortal. Eu não tinha intenção de deixa-lo aqui com qualquer chance dele ser encontrado por paramédicos. Dando um passo para frente, meus dedos doíam para terminar o serviço. Porém mais uma vez, Pim me surpreendeu. Ela deu um sorriso vermelho horripilante, puxando o gatilho uma segunda vez. Boom! O tiro entrou em sua bochecha. Dois furos, mas ainda vivo. Ela tinha perdido seu cérebro e coração. Alrik gritou mais alto, não proferindo palavras concisas, mas uivando para a sua vida. Soluços tomaram o corpo dela quando a adrenalina mudou rapidamente para estupefação.

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Ela desmaiaria a qualquer segundo, eu estava chocado que ela ainda não tivesse caído. Eu não queria que ela desmaiasse sem vê-lo morto. Ela precisava ver isso. Recusei-me a deixá-lo escapar e assombrá-la. Movendo-se no sofá, eu me ajoelhei ao lado dela e tomei as suas mãos trêmulas nas minhas. "Aqui, eu vou ajudá-la." Alrik ilegível: "Não! Não faça isso!" Sangue foi expelindo por sua bochecha quando ele fez o seu melhor para segurar ambas as feridas. Seus apelos não foram registrados enquanto eu guiava a as mãos de Pim e apontava a arma diretamente para a testa dele. "Vá em frente, Ratinha Silenciosa." O corpo dela estremeceu ao ouvir o apelido, mas seu dedo puxou o gatilho pela terceira vez. Bang! Três era o número de sorte. Não houve gritos, nem pedidos de ajuda ‒ nada além do silêncio latejante e o constante gotejamento do sangue caindo no sofá. Alrik passou de estuprador a cadáver, fazendo um favor ao mundo ao deixar de respirar. Ela não tripudiou sobre sua matança. Ela não chorou ou questionou.

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E eu não a deixaria se aprofundar no que tinha feito. Eu tinha coisas mais importantes para me preocupar ‒ não sobre a polícia, testemunhas ou outras coisas triviais. Não, algo muito mais importante do que isso. A mulher que eu viria a reivindicar estava morrendo. Eu não podia permitir isso que até eu tivesse tomado o que precisava. Quase como se ouvisse os meus pensamentos, Pim deixou a arma cair sobre o cadáver de Alrik, e desmaiou no sofá. "Merda." Eu a peguei, carregando-a em meus braços e subindo a sala. Sua pele não tinha mais cor, parecendo azul e sem sangue enquanto eu saia da sala. Não dei nenhuma atenção aos três homens que ficaram no local em um lago de sangue. Eu estava focado na mulher pequena, porém formidável nos meus braços. "Fique comigo, Pim. Eu estou com você." Ela não respondeu enquanto nós marchávamos pela sua prisão e saindo pela porta principal, libertando-a da mansão branca.

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ISSO DÓI. Muito mesmo. Era tudo que eu conseguia pensar. A única coisa que eu poderia focar. Derivei dentro e fora da escuridão. Meu corpo queria afundar... Para afastar a dor. Mas minha força de vontade tinha esperado muito tempo por isso. Ele está morto. Eu o matei! Eu não conseguia dormir agora. Eu estou livre! Mas, oh meu Deus, a agonia. Os braços de Mr. Prest em torno de mim não poderiam competir com o ardor doloroso em minha língua. O ar fresco depois de dois anos trancafiada passou despercebido. O mundo e todos nele eram nada enquanto eu vivia o inferno torturante,

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com sangue quente me asfixiando e uma dor maior do que eu pensava ser possível. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo. Eu estava do lado de fora! Longe da mansão branca pela primeira vez desde que Mestre A cobriu o meu lance de um milhão por mim mesma. O atrito das pedras sob os sapatos de Mr. Prest foram abafados. A vista da casa de Mestre A no alto de um penhasco com vista para o mar final era nebuloso. Eu queria beijar o concreto da calçada e dançar no solo, onde brilhantes arbustos verdes dormiam. A Brisa. O sal. O guincho de aves marinhas. Tanto caos depois de tanto silêncio. E eu estava muito enrolada em agonia para aproveitar. Ele está morto. Darryl também. Tony. Todos mortos. O Sr. Prest fez o que eu tinha sonhado durante anos. Mesmo este conhecimento estava mudo e não parecia real. Eu precisava que a minha língua parasse de me afogar em sangue, para que eu pudesse concentrar-me nesta nova realidade.

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Eu acabara de testemunhar um assassinato. Um tenebroso, assassinato horrível. Eu cometi um assassinato. Uma execução de vingança a sangue-frio. E eu gostei disso! Eu não fiquei triste por suas mortes. Foi o karma. Considerando, eles sofreram pouco. No entanto, eu não conseguia descobrir o que viria a seguir. Será que o Sr. Prest matará a mim também? Por que voltou? Como ele planeja que eu o pague por este resgate? Devo correr, gritar, implorar? Eu não poderia fazer qualquer uma dessas coisas com o meu corpo rapidamente morrendo, mas eu precisava saber, para me preparar... Qual será o meu novo destino? Junto com uma lavagem constante de sangue, eu lutava para respirar. Minha língua tinha inchado até ficar do tamanho de um navio de cruzeiro. Ela não deu ouvidos aos meus comandos

para

se

mover.

Ela

simplesmente

sentou-se,

parcialmente cortada e agonizante, distraindo-me de tudo. O Sr. Prest me levou até seu carro, ignorando o olhar chocado de um homem com cabelo escuro parado em pé, com os olhos dançando para cima e para baixo da entrada como se esperasse que a polícia aparecesse a qualquer momento. "Senhor…"

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"Sem perguntas." O Sr. Prest esperou até que o homem abrisse o veículo, em seguida, entrou. Ele não falou de novo enquanto me manipulava em seus braços, sentando-se ao mesmo tempo em que me colocava em seu colo. Meu sangue decorava sua bochecha onde ele tinha desenhado a marca de guerra, se pintando como o diabo que eu suspeitava que ele fosse, enquanto o vermelho fresco molhava sua roupa como óleo. Eu tremia de dor e frio. Entendendo sem perguntar, o Sr. Prest deslizou-me no couro preto (não mais um mundo de branco) e tirou seu blazer. Colocando-o em torno de mim, sobre os meus braços, não se importando com o meu sangue em suas roupas e carro. Quanto sangue eu tinha perdido? Quanto mais eu poderia me dar ao luxo de perder antes de morrer? Eu já me sentia tonta e fraca. Minha língua continuou a inchar, bloqueando minha habilidade de engolir. Por muito tempo, eu implorei pela morte. E agora que ela estava tão próxima, eu não queria ir. Eu estava livre. Eu estava em um mundo de cores ao invés de preto e branco. Eu não quero morrer.

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Se eu não estivesse tão confusa e tomada pela dor, eu poderia me importar que este salvador, este anjo escuro, via-me babando e de olhos vidrados. Ele me viu oscilar na beira da inconsciência. "Dirija, Selix." O som abafado de uma porta se fechando aconteceu um nano segundo antes que o carro arrancasse com os pneus gritando. "Para onde, senhor?" "Phanton. Ligue antes. Diga a Michaels para estar pronto". "Certo." A divisória móvel subiu quando o Sr. Prest arrastou a minha forma tonta para os seus braços novamente. Ele me manteve segura, agindo como um cinto de segurança quando o veículo entrou em curvas e desceu por estradas que eu nunca tinha visto antes. Respirando com dificuldade, ele passou a mão suja de morte sobre o rosto, manchando-se de sangue na testa e queixo. Encolhi-me em seus braços, tentando fazer desaparecer todo o engasgar e líquido metálico. Oh, Deus, por favor deixe a dor parar. Por favor, não me deixe morrer. Agora não.

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O Sr. Prest olhou para baixo, pegando meu olhar fora de foco. Feche seus olhos. Você ficará mais segura assim. Era um truque estúpido, fingir que ele não poderia me ver se eu não pudesse vê-lo. Mas a minha perda de sangue e estranha agonia vaporosa deu fundamentação sólida para as fantasias lunáticas. Aproximando-me ainda mais do seu corpo, minha pele se arrepiou com intensidade quando senti o Sr. Prest abaixar a cabeça,

seu

hálito

quente

patinando

em

meu

rosto

ensanguentado. Durante muito tempo, ele ficou ali, imóvel e em silêncio, esperando que eu abrisse os olhos. Mas eu não podia. Eu não posso. Eu desejei ser cega, assim como muda. Surda também, então eu nunca teria ouvido o som esmagador da minha língua sendo cortada ou o som dos ossos se triturando quando ele jogou Mestre A contra o balcão da cozinha. Finalmente, sua paciência se esgotou. Tomando meu queixo, ele levantou o meu rosto.

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Eu estava fraca e enjoada e não tive escolha, mas eu obedeci porque eu acabara de testemunhar o que aconteceu com aqueles que o irritaram. Ele matou-os tão rapidamente, tão facilmente, como se fossem nada para ele. Eu não queria ser nada. Eu queria permanecer em suas boas graças. Lá, eu poderia encontrar uma palavra gentil ou carinho suave. Eu não queria mais violência. Eu já tive o suficiente por toda uma vida. O Sr. Prest segurou meu queixo, seus dedos escorregando no sangue pegajoso. "Ele mereceu morrer pelo que fez." Eu concordo. Ele mereceu morrer por centenas de coisas. Eu não me movi. Nenhum aceno de cabeça, nem contração. Nada. Ele franziu a testa. "Eu sei que você me entende. Do que você tem medo? Você está segura agora." Medo? Eu tenho medo de você. Eu não sei o que é pior, você ou morte. E eu não sei como obter respostas antes que seja tarde demais.

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Minhas pálpebras fecharam-se quando a escuridão gelada roubou a minha consciência, cobrindo tudo por um momento. Era a morte? Ou meramente o choque? Eu estava vagamente ciente de Mr. Prest rosnando para seu motorista, "Dirija mais rápido, Selix." O carro deu uma guinada em seu comando, o motor rosnando. Alguns minutos se passaram. Oscilei entre estar acordada e inconsciente. Sua voz arrastou-me de volta; sua pergunta me fez abrir os olhos. "Você está grata? Que eu te salvei?” Cansada, tão, tão cansada. Eu o encarei. Não. Sim. Obrigada. Ele me encarou de volta, incapaz de parar de esperar por uma resposta que nunca chegaria. Finalmente, ele bufou. "Bem, você não deve estar." Meu coração dançou. O carro saltou sobre um quebra molas, pressionando nossos corpos mais juntos. Seus dedos deixaram a minha

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mandíbula para agarrar o meu pulso flexível forjando uma nova algema, um novo mestre, uma nova vida na servidão. "Eu não sou o herói desta história, Pimlico. Eu sou outro vilão. É melhor que você se lembre disso." Olhando para a bagunça que eu tinha feito e as amarras do seu toque, meus olhos caíram na nota de dólar que ele me deu. Eu de alguma forma consegui segurá-la enquanto minha língua foi cortada e três vidas foram tiradas. Ele notou também, roubando-a de meu aperto. O dinheiro verde agora se assemelhava a um tie-dye3 macabro manchado de vermelho sujo. "Você achou o meu origami." É meu. Eu não conseguia tirar os olhos da única coisa que me restava. Eu não me importava que fosse dinheiro. Eu só me importava que fosse um presente e o queria mais do que qualquer coisa. Sentindo que eu precisava tê-lo de volta como uma criança precisava de seu brinquedo favorito para se confortar, ele abriu a palma da mão. Agarrei-o. "É seu. Vou te fazer outro quando estivermos em casa”. Casa. Onde era a casa? 3

É uma técnica de tingimento artístico de tecidos.

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O que era Phantom? Nuvens escuras encheram a minha cabeça com algodão e tempestades. Minhas pálpebras caíram quando derrapei na escuridão novamente. Porém, quando minha visão fraquejou e eu me agarrei a lucidez, vi algo branco dentro do bolso do casaco que eu usava. Instantaneamente, o nevoeiro se dissipou. Eu conheço isso. Meus olhos se voltaram para o Sr. Prest. Você os levou. Minhas cartas à ninguém. Como você ousou! Enfiando o cabelo sujo de sangue atrás da minha orelha, ele sorriu. "Sim, eu roubei seus relatos. Mas agora, eu roubei você, então você pode tê-los de volta." Você leu? Riu deles? Por isso que você voltou, porque você sentiu pena de mim?

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Estremeci, gostando dele e o odiando ao mesmo tempo. Grata e confusa. Chocada e trêmula. Seu sorriso foi áspero. "Você tem todo o direito de me olhar assim. Peguei algo que para você é um tesouro, mas não vou pedir desculpas." Suas pernas se moveram debaixo de mim. "Eu não vou pedir desculpas porque eu acabei de roubá-la e isto não é uma coisa boa." Eu respirei fundo, engasgando com o sangue. Por quê? Por que não é bom? Ele me resgatou. Eu estava viva por causa dele. Se ele me quisesse morta, não precisava retornar. Sua voz tornou-se um sussurro quando ele segurou meu rosto. "Eu vou dizer que sinto muito por uma coisa." Eu tremia enquanto seu polegar me acariciou docemente. "Sinto muito pelo que eu estou prestes a fazer. Sinto muito pelo que eu sou. Você vale tostões agora, mas eu vou fazer você valer milhões. No entanto, o que eu espero em retorno será impagável." Seu rosto suavizou um pouco, incapaz de ocultar a ferocidade que carregava. A calmaria que canalizava. As

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ameaças que prometia. "Estamos deixando este lugar e você nunca vai ser encontrada. Você pertence a mim." Seus lábios tocaram os meus, esfregando o meu sangue entre nós. "Oh, e já que você é minha agora, você pode me chamar de Elder."

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Eu sou péssima nisto. A parte mais difícil de escrever um livro para mim é esta pequena seção no final. Eu vou agradecer cegamente a todos com os quais eu já falei já que meu cérebro nessas horas se torna um mingau. No entanto, devo dar um épico agradecimento aos meus leitores beta: Amy, Vickie, Tamicka, Katrina, Melissa, Yaya, e Celesha. Obrigada a Jenny pela edição, Katrina por me manter sã, ao meu marido por me manter alimentada, e a cada autor que sabe a dor e a alegria de reescrever um livro seis vezes. Eu também estou incrivelmente grata a todos que estão lendo esta nova série. Desde o momento em que publiquei Tears of Tess, eu tenho vivido um sonho e a cada dia acordo com palavras na minha cabeça e letras se derramando dos meus dedos, então envio grandes abraços a todos que tornam isso possível. Tenha um fabuloso resto de 2016 e espero que tenha gostado de Pennies. Beijos.

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Pepper winters dollar #1 pennies [revisado]