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Disponibilizado: Liz e Eva Tradução: Regina e Poia Fanti Pré-Revisão: Regina e Poia Fanti Revisão Inicial: Cris Silva Revisão Final: Nedi L. e Michele Passos Leitura Final: Lucie / Si / Thay Formatação: Nanna Sá


Dinheiro ou amor? Qual você escolheria? Você provavelmente já respondeu à pergunta na sua cabeça, pensando que esta é uma decisão fácil. Para mim, não é. Eu já mencionei que é muito dinheiro? Muito mesmo. Precisei partir para longe, para pensar bem sobre o assunto. Assim que embarquei nessa viagem impulsiva, acabei me desviando do objetivo ao conhecer o sensual Carter no saguão do aeroporto. Nós tivemos uma conversa excitante.

E então ele partiu. Eu pensei que nunca o veria novamente. Mas o destino tinha outros planos. Surpresa! Ele era o piloto do meu voo. A maior surpresa foi a aventura que veio depois que o avião pousou. Carter era perigoso e estava sempre se movendo. Ainda que a nossa conexão fosse magnética, sabia que era apenas temporária. Ele me daria as passagens, e eu o seguiria ao redor do mundo por lugares exóticos. As várias comissárias de bordo que ele namorou, e rumores sobre a sua reputação nunca ficavam para trás.

Eu não sabia no que acreditar. Mas eu estava viciada. Nada mais importava. E iria me machucar. Porque uma parte de mim queria ser aquela que finalmente faria o piloto playboy pousar. Na pior das situações, ele estava me levando a um passeio emocionante. Todas as coisas boas devem acabar um dia, correto? Porém, o nosso final não era aquele que eu estava prevendo.


Dinheiro pode comprar um monte de coisas incrĂ­veis... Mas nĂŁo pode comprar amor. - The Beatles


Capítulo 1

Chris Hemsworth. Virei a página do catálogo das linhas aéreas American Worldwide Destinations na seção sobre a Austrália. As páginas estavam cheias de imagens coloridas – cangurus, águas turquesa, aquele prédio branco enorme que parecia um monte de velas balançando ao vento. Bonito. Mas não era realmente nisso em que eu estava interessada. Liam Hemsworth. Sotaque australiano. Meu Deus. Há dois deles. Na página seguinte tinha um mapa-múndi. Segui a rota traçada pela linha pontilhada, traçando com o dedo a rota de Miami até Sidney. Porcaria. É uma longa viagem de avião. Suspirando, segui em frente. Próxima página – Londres. Robert Pattinson. Theo James. Mais sotaques sensuais, com menos de um terço do tempo de voo. Dobrei uma orelha no canto da página e continuei folheando. Itália.

George Clooney.

Quem

se

importa

se

ele

tem

praticamente a mesma idade que o meu pai? O homem era como uma boa garrafa de Cabernet – melhora com a idade e foi feito para ser saboreado com a boca. Outra orelha no canto.


O atendente do bar interrompeu a minha pesquisa de destinos e apontou para o meu copo de Martini meio vazio. "Posso lhe trazer outro Appletini1?" "Ainda não. Obrigada." Ele assentiu e seguiu para o outro lado do bar lotado. Eu já estava na minha segunda bebida e não tinha nenhuma ideia de quantas horas ainda ficaria presa no saguão do aeroporto. Provavelmente teria sido uma boa ideia escolher o lugar onde estaria ficando nos próximos dez dias antes que o álcool fizesse muito efeito. Santorini. Hummm. As fotos pareciam lindas. Imponentes construções brancas com portas e janelas azul royal. Porém... realmente não tenho ideia de onde quero ir. Nada daquilo estava me ajudando a decidir; nem mesmo a ilha tropical estava me atraindo. Expirando profundamente ao perceber que já estava quase no final do grosso catálogo de viagens, eu trouxe a bebida para a minha boca e murmurei para mim mesma. "Para onde no mundo eu deveria ir?" Eu não estava esperando uma verdadeira resposta.

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Appletini é um cocktail com vodka e suco de maçã , cidra de maçã , licor de maçã , ou aguardente de maçã.


"Minha casa não é longe." Uma voz profunda disse ao meu lado. Como não percebi que alguém havia ocupado o banco do bar à minha direita, acabei me assustando, derrubando o meu copo de Martini e tudo o que restava da bebida sobre a minha novíssima blusa de marca. "Merda!" Levantei-me, rapidamente peguei um guardanapo do bar e comecei a passar na minha roupa de marca. "Isso é uma Roland Mouret2." "Desculpe por isso. Eu não queria te assustar." "Bem, então você não deveria se esgueirar ao redor das pessoas." "Relaxe. Eu vou pagar para que seja lavada a seco. Tudo bem?" "Vai manchar." "Então comprarei uma nova para você, querida. É apenas uma blusa." Minha cabeça se levantou. "Você me ouviu dizer que isto é uma Roland Mouret? Custou oitocentos dólares." "Por isto? Isso é uma camiseta." "É de marca."

2

Designer de roupas.


"Ainda é uma maldita camiseta. Não me interprete mal. Você a preenche muito bem. Mas você foi enganada. Já ouviu falar da Gap3?" "Você está brincando?" Perguntei antes de finalmente desistir de secar minha camiseta e olhar para o homem atrevido. Merda. Ele era um atrevido muito bom. Um atrevido alto, moreno e bonito. Muito lindo, na verdade. Afastei-me por um momento para me recompor e fui à procura de mais guardanapos. Não havia nenhum outro à vista. Quando retornei ao meu lugar, o Sr. Bonito chamou o atendente. "Ei, Louie. Será que posso ter uma garrafa de água com gás e alguns papéis toalha?" "Claro, Trip." Trip?4 "Seu nome é Trip?" "Às vezes." "Estou em um maldito bar de aeroporto com um cara chamado Trip?" Eu não pude deixar de rir. "E você é?"

3 4

Loja de departamentos. Viagem.


Dane-se, nunca mais iria ver esse homem de novo. Olhei para o catálogo de viagens que estive folheando quando meus olhos pousaram na capa. "Eu sou... " Hesitei, depois menti. "Sydney." "Sydney..." ele murmurou ceticamente. "Isso mesmo." Engolindo a seco, tive que desviar o olhar por um momento. Mesmo sem olhar para ele, podia sentir o peso dos seus grandes olhos cor de avelã sobre mim. O forte cheiro da sua colônia almiscarada era completamente atraente. Sua presença alta e arrogante ao meu lado tornava difícil focar a minha atenção em outro lugar. O atendente do bar retornou e entregou a ele a garrafa e um punhado de guardanapos. Trip levantou sua sobrancelha para mim. "Você quer tirar a mancha?" Eu assenti, minha pele formigava conforme ele se inclinava. Em questão de segundos, todas as coisas foram de quente a frio, assim que a sensação de molhado me atingiu enquanto ele derramava a água lentamente sobre a minha blusa e o liquido atravessava o material diretamente para o meu peito. "Ah! O que... que merda você está fazendo?" Bufei, olhando para baixo, para o ponto molhado no meu top de grife.


"Você quer tirar a mancha, não quer? Água gaseificada faz isto. Só é preciso deixar de molho por um tempo." "A mancha não é tão grande assim. Você acabou de derramar água sobre toda a frente da minha blusa!" "Não havia um jeito de evitar isso." "Você poderia não ter feito isso!" "Isso não teria nenhuma graça." Eu

olhei

para

mim

mesma.

Meus

mamilos

estavam

aparecendo através do pano molhado. "Você pode ver através do tecido agora!" "Eu estou dolorosamente ciente disso." Ele inspirou um pouco de ar, com os olhos colados no meu peito. "Cristo, você não está usando sutiã?" "Na verdade, não estou." Ele finalmente olhou para cima. "Posso perguntar, porque você está em um aeroporto sem nenhum sutiã?" Limpando a garganta, eu disse. "Queria ficar confortável durante o voo. Além disso.... Eu sou... alegre 5 . Realmente não preciso usar sutiã, geralmente. Bem, pelo menos não precisava até você me molhar! Não estava esperando que um homem estranho fosse me atacar com água." 5

Insinuação de que os seios são empinados.


Os olhos dele desceram para o meu peito mais uma vez. "Alegre... huh?" "Você poderia não me encarar desta forma?" Cruzei os meus braços sobre o meu peito. "Desculpe-me. Eu não esperava..." "Ver-me praticamente nua? Não diga..." Ele riu culposamente. "O que eu devo dizer? Veja, vim até aqui para comer algo e acabei conseguindo muito mais do que esperava. Você tem seios fantásticos. Você está certa. Eles são alegres... assim como a proprietária mal-humorada." Ele repentinamente tirou a jaqueta de couro que vestia e a envolveu em torno de mim. "Cubra-se com isto." Ela era pesada e eu me senti envolvida por um abraço caloroso com seu aroma de sândalo. Se isso já parecia bom, eu só poderia imaginar como seria ter seu corpo de verdade envolvido ao meu redor. Balancei a minha cabeça para afastar o pensamento. Olhando para baixo enquanto fechava a jaqueta, percebi um pequeno par de asas de metal fixada no peito. "O que é esse broche? Você foi um bom menino durante o seu voo ou o que?" Ele sorriu com ar afetado. "Algo assim." Quando abri um sorriso, ele estendeu sua grande mão. "Vamos começar de novo. Oi, eu sou Carter."


Carter. Hã. Ele até que se parece com um Carter. Segurei a sua mão e senti um arrepio rolar por mim quando ele apertou a minha mão vigorosamente. Estreitando os meus olhos, eu disse. "Carter... Eu pensei que o seu nome era Trip." "Não. Você presumiu que o meu nome era Trip porque foi assim que o Louie me chamou. Trip é um apelido." "De onde ele vem?" "Longa história." "Como é que eles te conhecem aqui, de qualquer forma? Você viaja muito a negócios?" "Você poderia dizer isso." "Você é um pouco esquisito, sabia disso?" "E você é fodidamente adorável. Qual o seu nome?" "Eu te disse o meu nome." "Ah, é verdade. Sydney... E o seu sobrenome é Opera-House. Sydney Opera-House." Ele riu, levantando o catálogo e apontando para o verdadeiro Sydney Opera-House na capa. "Porque você mentiu para mim, Perky6?"

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Perky: animada, alegre, ele faz uma brincadeira com o que ela disse sobre os seios.


Dei de ombros. "Não sei. Não gosto de dar o meu nome verdadeiro para estranhos." "Não é por isso. Você não é tímida. Você nem mesmo veste a porra de um sutiã em público, pelo amor de Deus. E levou quase um minuto inteiro para cobrir os seus seios depois de perceber que eu podia vê-los. Você não é recatada e certamente não estava sendo cautelosa." "Então, por que acha que eu menti sobre o meu nome?" "Acho que sentiu emoção por fingir que era outra pessoa. Pensou que nunca me veria novamente, então por que não? Estou certo?" "Você acabou de me rotular como uma buscadora de emoção descuidada? Você me conhece pelo o que... dez minutos?" "É preciso um para reconhecer o outro." "Sério?" "Sim. É como eu vivo a minha vida... sempre procurando por emoção, nunca em um só lugar." Depois de um momento de silêncio, ele apertou os olhos com um olhar examinador. "Você não sabe para onde está indo." "Como você sabe disso?" "Quando entrei você estava falando sozinha, imaginando onde deveria ir. Lembra?"


"Oh. Está certo. Sim. Estou indo numa viagem... Trip." "E em que direção está inclinada a ir?" "Eu ainda não tenho ideia." Ele me assustou quando colocou a mão no meu ombro. "Do que está fugindo, Kendall?" Meu coração bateu mais rápido. Movi-me para trás, me distanciando um pouco dele. "Como sabe o meu nome?" Ele enfiou a mão no bolso de trás e balançou um passaporte. "Você realmente precisa ser mais cuidadosa ao viajar sozinha. Se afaste por um segundo e alguém pode colocar alguma coisa na sua bebida ou pegar as suas coisas." "Isso é meu? Como você pegou?" "Quando se afastou para procurar por guardanapos, caiu da sua bolsa. Eu peguei, dei uma olhada no seu nome. Kendall Sparks. Gosto dele. Você tem sorte que pode confiar em mim." "Eu não tenho certeza sobre isso." Bufei, pegando o passaporte. Nós ficamos lá por um segundo, apenas encarando um ao outro. A boca dele curvou-se em um sorriso e pela primeira vez reparei na covinha que ele tinha no queixo. "Eu a vi parada lá." Disse. "O que?"


"A música dos Beatles: I Saw Her Standing There7." "O que a música tem a ver?" Perguntei. "Eu tenho essa teoria. Se você pensar, praticamente todos os momentos da vida tem música dos Beatles para descrevê-los." "Então, está é a música do momento?" "Exatamente. Eu vi você ali. Aproximei-me e, aparentemente, interrompi a sua tomada de decisão. Então, permita-me lhe comprar outra bebida. Podemos descobrir juntos para onde você irá. Nós podemos resolver isso." Quando ele riu, repeti suas últimas palavras em minha cabeça. Nós podemos resolver isso. Deus, ele é um pouco maluco. Balancei minha cabeça em descrença. "We can Work it Out 8 . Outra música dos Beatles. ” "Muito bom. Você é muito nova para conhecer os Beatles tão bem." "Minha mãe costumava ouvi-los. Qual é a sua desculpa?" "Eu apenas aprecio música boa, mesmo que ela tenha sido criada há muito tempo." Ele olhou para o seu relógio. "Falando do tempo, não tenho muito disponível. Que tal aquela bebida?"

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Tradução: Eu a vi Parada lá. Carter usa as músicas dos Beatles como duplo sentido. Trocadilhos. Nós podemos resolver isso

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Quando ele sorriu novamente, não pude evitar, apenas senti a minha resistência se desfazer. Não faria nenhum mal tomar mais uma bebida, já que ainda não havia decidido para onde iria. "Claro. Porque não?" Carter me guiou para uma das mesas e depois saiu para fazer o pedido no bar. "Espero que não se importe. Eu pedi alguns aperitivos para nós." "Obrigada. Está tudo bem." "Então, qual é o motivo desta viagem, Kendall?" "Tenho algumas coisas importantes sobre o que pensar. Preciso me afastar da vida real por um tempo para fazer isso." "Espero que sejam coisas boas? Você parece realmente no limite. É por isso que presumi que você estivesse fugindo de algo." "Apenas uma decisão importante que preciso tomar." "Qualquer coisa que eu possa ajudar?" Não, a menos que você queira me engravidar. Se ele ao menos soubesse. "Não. É um problema que tenho que resolver sozinha." "Sério, o quão ruim isto pode ser? Você é saudável, vibrante... bonita e parece ter dinheiro. Estou certo de que tudo irá se resolver."


"Você pensa que já descobriu tudo, hã?" "Você é jovem. Independentemente do que seja... tem bastante tempo para resolver o problema." Bem que desejaria que isso fosse verdade. "Quão jovem você acha que sou?" Ele coçou o queixo. "Vinte e dois?" "Estou prestes a completar vinte e cinco anos." Esse é exatamente o problema. Vinte e cinco fodidos anos. "Ok. Bem, você parece um pouco mais jovem." "E quantos anos você tem? Considerando o seu gosto musical, chutaria algo próximo aos cinquenta e três... mas pela sua aparência, lhe daria vinte e oito." "Passou perto. Vinte e nove." Uma garçonete trouxe nossos aperitivos para a mesa. Carter havia pedido uma mistura de palitos de mussarela, asas de frango e rolinhos de ovo. Meu estômago rosnou. "Ainda bem que não estou de dieta." "Sim. Eles não têm coisa melhor por aqui. Qualquer coisa frita é gostosa." Percebi que ele não havia pedido uma bebida para si. "Você não vai beber nada?" "Eu não posso."


"Por que não?" "Se me disser qual é o seu dilema, lhe direi por que não posso beber." Pegando um palito de queijo, mudei de assunto. "Não há tempo para entrar nesse assunto. Agora, apenas preciso realmente decidir para onde irei. Fale sobre você? Para onde está indo?" "Espere um pouco." Ele ignorou a minha questão, e ao invés de respondê-la, pegou o celular e começou a mexer nele. "O que está fazendo?" "Está é a lista completa de voos internacionais que irão partir nas próximas três horas." Ele virou a tela na minha direção. Eu peguei o celular. "Ok... Madri. Ibéria Airlines, 8h55." "Você não quer ir para a Espanha." "Por quê?" "É julho. Está muito quente lá. Você vai suar até o rabo. E não poderá tirar a blusa, porque não está vestindo um sutiã." Ao sentir meu rosto corar, voltei a olhar para a lista. "Ok... hum... Que tal México? American Airlines, 10h20." "Não." "Não?" "O novo norovírus está por todo o país." "O que?"


"Jesus, mulher. Você não assiste aos jornais?" "Não. É depressivo demais." "Então confie em mim. Você quer evitar a comida de lá no momento." "Tudo bem. E que tal Amsterdam? KLM, 9h45." "Não acho que essa seja uma boa escolha para você. Prostituição é legalizada por lá. Se você caminhar pela cidade sem sutiã, poderia acabar sendo confundida com alguma coisa que não é." Meus olhos se arregalaram. "Você acha que eu seria confundida com uma prostituta?" "As prostitutas são muito elegantes por lá, na verdade." "E como você sabe?" "Wow... eu não pago por sexo, se é isso o que está supondo." Ele soltou uma risada gutural. "Eu tenho justamente o problema oposto." "Espere. Mulheres pagam a você por sexo?" Cobri minha boca. "Meu Deus. Você é um prostituto! Ou um acompanhante? É por isso que você está vagando no saguão do aeroporto?" Ele inclinou sua cabeça para trás e riu. "Não." "Então, mulheres apenas se jogam sobre você. É isso o que quer dizer."


"Estava falando que... às vezes é divertido ser o caçador. Não tive a oportunidade de agir assim em um longo tempo, nem encontrei ninguém que realmente valesse a pena correr atrás. Então basicamente, a última coisa que eu preciso é pagar por sexo." Isso não me surpreendeu. Eu não poderia nem mesmo pensar em uma resposta. Este homem era lindo e carismático. Arrogante como o inferno. Mulheres amam isso. Quando ele pegou o celular de volta, o rápido toque da sua mão na minha foi realmente bom. Bom demais. "Já esteve no Brasil, Kendall?" "Não." "É realmente bonito lá nesta época do ano. É inverno. Mas ainda é quente o bastante para aproveitar." Ele colocou o celular na minha frente. "Rio. Internacional Airlines. 10h05." "O que mais há para fazer por lá?" "As praias são lindas. E ainda tem um monte de clubes e bares em Copacabana e Ipanema. É um lugar muito divertido." "E é seguro para uma mulher solteira viajar sozinha?" "Você precisa usar o mesmo senso comum que usaria em qualquer outro lugar. Talvez comprar um sutiã." Carter repentinamente pegou o celular novamente para olhar a hora. "Merda. Tenho que ir. Estou atrasado para o trabalho." Ele


disse enquanto se levantava de seu assento jogando um maço de dinheiro sobre a mesa. Ele não havia me dado à oportunidade de lhe perguntar o que fazia para viver, ou onde estava indo. Eu realmente não sabia nada sobre este homem ainda, mas o torturante sentimento de decepção dentro de mim provou que eu queria conhecê-lo melhor. "Hum... ok. Bem, obrigada pelos aperitivos." Depois de uma longa pausa, ele disse. "Deixe o destino decidir. Mas para que conste, meu voto é pelo Rio. Cuide-se, Kendall." Assim que ele começou a se afastar, percebi que ainda estava vestindo a sua jaqueta de couro. Eu o chamei. "Espere! Sua jaqueta!" "Fique com ela. Ela irá manter os seus seios aquecidos." Isso foi estranhamente encantador. "Está bem." Ri um pouco e levantei minha mão. "Tchau, eu acho." "Hello, Goodbye9." "O que?" "Outra música dos Beatles." Ele piscou. "Ah." Rolei os meus olhos. "Eu deveria ter imaginado." Ele sorriu, e percebi que esta era provavelmente a última vez que iria ver a covinha em seu queixo enquanto eu vivesse. Enquanto ele caminhava para longe, admirei sua bunda, já que não 9

Olá, adeus


tinha conseguido dar uma boa olhada até aquele momento. Ele de repente parou e se virou para mim. "Kendall..." "Sim?" "Se você não escolher o Brasil, tenha uma boa vida." Antes que eu pudesse responder, se virou novamente e afastou-se rapidamente. Um sentimento indesejado de solidão me dominou. Eu assisti até que ele virou na esquina e ficou fora de vista. Aquele era um comentário estranho, no entanto. Se não escolher o Brasil... Tenha uma boa vida? Será que eu era estúpida por ouvir o conselho de um estranho? O tempo não estava exatamente do meu lado. Tinha que escolher alguma coisa. Então... Rio de Janeiro? Se eu acabasse morta, iria culpar o Rio. Isso não era um filme? A culpa disso é do Rio10? Comecei a suar na jaqueta dele. Deus, eu estava tão quente e perturbada. A culpa disso é do Carter.

10

Filme: Blame it on Rio. Título em pt-br: Feitiço do Rio.


Capítulo 2

Não pude deixar de me sentir desapontada quando a comissária de bordo fechou a porta do avião, mesmo sabendo que era ridículo me sentir desta forma. Estava sentada na primeira classe, e ao invés de beber meu champanhe pré-voo e desfrutar dos amendoins tostados, me vi assistindo com esperança a entrada de todos os passageiros que embarcavam. Tinha certeza de que Carter estaria neste voo, apesar dele não ter dito exatamente que estava indo para o Brasil. Uma gravação veio pelo sistema de som da cabine e a comissária de bordo acompanhou a gravação demonstrando o uso das máscaras de oxigênio e do cinto de segurança. Depois que acabou a demonstração em inglês, ela repetiu o mesmo desempenho, a segunda vez acompanhando uma gravação em... brasileiro? Espere. Não. Isso não está correto. Português? Eu acho que sim. Merda. Estou indo para um país que não sei nada e definitivamente não sei falar a língua. Uma vez que nós estávamos no ar, outra comissária de bordo veio pegar o meu pedido para o jantar e bebida. Estranhamente, percebi que ela se parecia com a comissária de bordo que havia feito a mímica do cinto de segurança. Alta, magra, com um belo


rosto que estava pesadamente maquiado, embora não precisasse. Ambas tinham cabelos escuros puxados para trás e amarrados firmemente em um coque. Uma terceira comissária de bordo foi para frente do avião e, pela primeira vez percebi que todas elas pareciam iguais. Era como se alguém tivesse construído uma comissária de bordo ideal e a clonado. Depois de dez minutos o avião pareceu nivelar. Já que o acento ao meu lado estava vazio, tirei as minhas sapatilhas estilo bailarina Tory Burch11 e decidi fechar os olhos. É claro que isso foi quase exatamente ao mesmo tempo em que o Capitão decidiu fazer o discurso de boas-vindas. "Boa noite senhoras e senhores, este é o seu Comandante Supremo, também conhecido como Capitão Clynes. Gostaria de tomar um momento da noite de vocês para recebê-los em minha casa fora de casa, aqui neste belo Boeing 757. Nosso tempo de voo estimado de Miami para o Rio de Janeiro será de um pouco mais de oito horas hoje à noite. Nós antecipamos um voo calmo..." Puta merda. Esta voz. Ela é... Poderia ser? Naquele momento, a comissária de bordo chegou com o meu Appletini. "Desculpe-me. Você sabe qual é o primeiro nome do Capitão?" 11

Designer.


"É claro." Ela levantou a mão e a balançou, mostrando a enorme pedra no anel em seu dedo, depois piscou e se inclinou. "Eu costumava gritar o nome dele de vez em quando. Agora estou noiva de outra pessoa, então não faço mais isso. Este é o Capitão Carter Clynes. O homem dá novos significados a voar em céus amigáveis." Capitão Carter Clynes. Tudo faz sentido agora. As asas na jaqueta dele, tratar o pessoal do saguão do aeroporto pelo primeiro nome, até mesmo o jeito rápido que baixou os horários de voos em seu Iphone. Como pude perder as pistas? Eu sabia como. Estava distraída pela sua aparência e a atitude arrogante. Definitivamente, não era fácil relaxar depois disso. Sabendo que Carter estava a bordo, que a minha vida estava em suas mãos pelas próximas oito horas, me deixou ansiosa, para dizer o mínimo. Entretanto não era o tipo de ansiedade que se sentia esperando na cadeira do dentista antes dele entrar. Era mais como o sentimento de ansiedade que surgia ao ouvir o barulho do ajuste da trava de segurança sentada numa montanha russa. Este poderia ser o melhor passeio da minha vida ou eu poderia acabar espatifada no chão. Algumas horas mais tarde, outro discurso veio da cabine. A voz de Carter estava baixa e rouca quando falou. "Aqui é o Capitão Clynes. Nós estamos quase atravessando o mar do caribe agora.


Então agora vou diminuir as luzes da cabine, espero que vocês possam aproveitar para dormir." Um minuto mais tarde as luzes foram desligadas e a cabine ficou escura, exceto por algumas luzes para leitura que iluminavam alguns lugares. Decidindo tentar dormir um pouco, reclinei o meu assento completamente para trás, puxando o cobertor até o meu queixo e fechei os meus olhos. Uma musica começou a tocar baixinho depois disso – Lucy in the Sky with Dimonds. E o cantor – não era John Lennon falando sobre Lucy – era Carter cantando através do sistema de som da cabine. Ele realmente era louco. Mas por alguma razão, não pude deixar de sorrir durante toda a canção.

***

Fiquei momentaneamente confusa quando abri os olhos na manhã seguinte. Pelo menos pensei que era de manhã. Precisei de um minuto inteiro para perceber que ainda estava no avião. Eu estava realmente indo para o Brasil ou será que a noite passada foi um sonho? O assento ao meu lado não estava mais vazio também. A comissária de bordo estava bebendo café e lendo um jornal.


Pressionei o botão para levantar o meu assento e sorri para a mulher que estava ao meu lado. Não era a mesma comissária de bordo que havia me mostrado o brilhante anel e falado sobre Carter. "Bom dia. Espero que não se importe por eu sentar aqui. Nós nos revezamos em nossas pausas e é muito mais confortável sentar em um desses grandes assentos acolchoados do que nos dobráveis." "Eu imagino que sim." Hesitei antes de dar voz aos meus pensamentos, imaginando que ela provavelmente pensaria que eu era louca. "Posso te perguntar uma coisa?" "Claro." "Para onde nós estamos indo?" Suas sobrancelhas delineadas levantaram-se. "Rio de Janeiro. Não é para lá que você deveria estar indo?" "Não. É para lá. Eu apenas fiz uma mudança de planos no último minuto na noite passada e por um segundo achei que havia sonhado que estava indo para o Brasil." "Não. Nós devemos chegar em uma hora. Foi bom que você conseguiu dormir um pouco." Assenti. Já que ela estava achando que eu estava um pouco desorientada, resolvi fazer outra pergunta. "Era... o piloto cantando Lucy in the Sky with Diamonds na noite passada?"


Ela riu. "Sim. Ele canta em todos os voos noturnos. Não tenho certeza do por que." "Isso é um pouco estranho." "Este é o Capitão Clynes. Um pouco louco, mas lindo e divertido." "A outra comissária de bordo insinuou algo sobre ele ser divertido." "Eu tenho certeza de que muitas Comissárias de bordo que lhe diriam quão divertido ele é." "Mas não você?" Ela balançou a cabeça lentamente. "Homens como ele não são usualmente o meu tipo." Sentindo-me murchar, eu tive que concordar. "Também não é o meu, eu acho." Alguma coisa no rosto dela mudou e ela inclinou-se mais perto. "Você sabe qual é o meu tipo?" "Qual?" "Loiras pequeninas com grandes olhos azuis e lábios carnudos. Nós temos uma folga de dois dias para descansar no Rio, se você quiser alguma companhia." O que é isso em nome do Senhor? Todo mundo neste avião era louco? Talvez voar a mais de dez mil quilômetros todo o tempo


limitasse o oxigênio no cérebro. "Humm... obrigada. Mas eu não... humm... apenas não, obrigada." Ela sorriu educadamente e dobrou o jornal. "Pena. Mas aproveite a sua viagem de qualquer forma. Eu tenho que servir o café da manhã na terceira classe antes de pousarmos." Quando nosso avião finalmente pousou na pista, continuei onde estava enquanto o resto da primeira classe desembarcava, esperando que a porta da cabine se abrisse. Não estava certa do porque fiz isso, ou o que eu faria se isso acontecesse, mas mesmo assim me senti compelida a ver Carter ao menos uma última vez. Ele não estava ao menos curioso para saber se eu estava no avião? Essa resposta se tornou bem clara dez minutos mais tarde. Praticamente todo o avião já havia desembarcado e eu ainda estava parada, sentada no meu assento como uma idiota, dando olhares fugazes para a porta da cabine que nunca se abriu. "O que diabos há de errado comigo?" Resmunguei para mim mesma. Eu havia conhecido um homem aleatório no saguão do aeroporto, cujas primeiras palavras foram um convite para ir para a casa dele, e que depois deixou minha blusa transparente e falou sobre os meus seios. Então, obviamente, fiz a única coisa lógica que qualquer mulher em meu lugar teria feito – comprei uma passagem de três mil dólares da primeira classe para segui-lo até o Brasil. Minhas


ações estão de acordo com o atual estado fodido da minha vida. Esta deveria ser uma viagem para encontrar minhas próprias respostas (e talvez encontrar alguns pares de sapatos lindos pelo caminho), e não para virar um enfeite no pé da cama do Capitão Freelove12, não importa quão malditamente bonito ele seja. Levantando-me, peguei a minha bolsa Louis Vuitton Vênus, alisei a minha blusa amassada e respirei profundamente. Até mais, Capitão Clynes.

***

Levou mais de uma hora para encontrar a minha bagagem e esperar na fila por um taxi. O calor do lado de fora estava maçante, embora supostamente fosse inverno no Brasil, eu sentia gotas de suor começando a se formar nas minhas costas. Precisava de um banho frio, um copo gigante de café gelado (baunilha ou avelã seria bom), e possivelmente uma massagem de noventa minutos num Spa hotel. Quando finalmente cheguei ao início da fila, entrei rapidamente em um taxi com ar-condicionado enquanto o

12

Amor gratuito.


motorista guardava as minhas bagagens no porta-malas e depois se juntava a mim. "Olá. Onde gostaria de ir?" Merda. "No hablo Portuguese." Espera... no hablo é a mesma coisa em português e espanhol? O motorista se virou para mim. "Você fala inglês, sim?" "Sim." "Ok. Você me diz para onde quer ir, entendeu?" "Oh. Desculpe. Dê-me um segundo." Rapidamente digitei no Google “hotel de luxo com spa no Rio.” A conexão de internet estava lenta, mas eventualmente comecei a deslizar pelos anúncios procurando

por

cadeias

hoteleiras

com

as

quais

estava

familiarizada. Minha pesquisa foi interrompida pela abertura da porta do taxi. O taxista começou a gritar algo em português. Pelo jeito que ele estava balançando os dedos presumi que estava dizendo a pessoa que o taxi estava cheio. Mas o passageiro não ouviu. A próxima coisa que eu soube é que um homem sentou-se ao meu lado no banco de trás. Alguém vestindo um uniforme. Capitão Carter Clynes em pessoa.


Ele se virou para olhar para mim e piscou com um sorriso em seu rosto. "Meu descanso acaba de ficar mais interessante." Droga. A barba dele parecia ter crescido durante a noite. "Como foi o voo, Perky? Aproveitou a carona que te dei?" "Minha blusa está seca. Acho que você pode esquecer o Perky." Os olhos dele abaixaram-se para os meus seios. Obviamente os meus mamilos estavam completamente eretos desde que minha pele suada entrou em contato com o frio do ar condicionado do táxi. Carter esfregou as mãos sobre o rosto. "Droga. Você não estava brincado sobre essas coisas. Não dormi em dezoito horas e eles já me acordaram. Acho que eles são contagiantes e estou fodidamente alegre agora." "Isso não é exatamente uma coisa apropriada para dizer a uma mulher que você acabou de conhecer, sabe." "Nós não acabamos de nos conhecer. Este é o nosso terceiro encontro." "Terceiro encontro?" "Eu te comprei o jantar em um restaurante elegante no nosso primeiro encontro e a levei para um passeio de avião no nosso segundo encontro. Foram encontros muito bons. Algumas mulheres matariam para ter esse tipo de exuberância. Parece certo que no terceiro encontro nós estejamos indo a um hotel." Ele piscou.


Não estava certa se foi a mudança de tempo, ou o meu cansaço por ter dormido mal durante o voo, ou se era a possibilidade de que este homem pudesse dizer qualquer coisa e eu não iria ficar ofendida. Por que não me sinto ofendida? Quando não respondi, ele continuou. "Estou feliz de ver você. Não pensei que a veria novamente." "Deve ser porque você não procurou por mim." "Nunca pensei que você iria aceitar a minha sugestão e voar para o Brasil." Resmunguei. "Nem eu pensei." O motorista do taxi nos interrompeu olhando entre nós para perguntar. "Vocês vão dividir o taxi, sim?" Surpreendendo-me, Carter respondeu. Em português. A língua que soava agitada e frustrante há apenas dois minutos atrás, repentinamente soava sensual e romântica. Ele se voltou para mim em inglês. "Em que hotel vai ficar?" "Estava tentando descobrir isso com uma pequena ajuda do Google. Você tem algum para recomendar?" "Confia em mim para escolher onde vai ficar hoje à noite?" Considerei a questão dele por um minuto. Era ilógico, isso eu sabia, mas confiava nele para escolher o meu hotel. O Senhor sabe por que. "Acho que confio."


Essa resposta me rendeu outro sorriso sensual, o que me deixou mais excitada do que já estive no último ano. Quase meia hora mais tarde, nós finalmente estávamos na estrada e viajando para o que parecia uma vizinhança residencial. "Barra da Tijuca." Eu li em voz alta uma das placas de rua. "Muito bem. Mas devo alertar você. Este provavelmente não é o tipo de hotel que está acostumada." "O que quer dizer?" "Você parece o tipo de mulher que está acostumada com um hotel luxuoso com Spa, isso é tudo." Apesar de ser exatamente o que eu havia digitado no Google, quando ele falou desta forma, soava como uma coisa ruim. Fez-me ficar na defensiva. "E o que há de errado com hotéis de luxo? Às vezes uma garota precisa de uma massagem e de um banho em uma boa banheira enquanto está viajando." "Bem, você certamente não terá nenhum destes no lugar para onde estamos indo." Carter pegou os meus olhos. "Isto é, a menos que eu seja a pessoa fazendo a massagem." Corei. O que fez com que Carter risse. "Você realmente é malditamente adorável. Não tenho certeza do que é mais sensual, o fato de que está disposta a me deixar levá-la nessa pequena


aventura ou que secretamente gosta de me imaginar fazendo massagem em você." "Eu não imaginei." Minha rápida resposta defensiva apenas confirmou que ele estava certo. Ele se inclinou para mim. "Eu imaginei, também." "Você está passando do limite." "Isso é uma pena. Já ouvi dizer que sou realmente bom com as mãos." Ele estendeu as mãos na frente de si mesmo para examinálas. Mãos grandes. Mãos que pareciam ser usadas para trabalhos manuais quando não estavam pilotando um avião. Droga. Eu precisava retomar o controle do meu corpo e desta conversa. "Realmente, ouvi que você era bom com as suas mãos." Carter franziu a testa. "A sua tripulação. Elas podem ter mencionado alguma coisa." "O que elas mencionaram?" "Não é importante." Carter estava prestes a me pressionar por mais informação quando o táxi estacionou. Olhei ao redor. "Onde nós estamos?" Ainda estávamos no meio de um bairro residencial. "Casa de hospedagem Maria Rosa, Rio."


"Você quer dizer que é um tipo de hotel bed e breakfest13?" "É mais como um tipo cama e jantar. Maria Rosa geralmente não se levanta até de tarde. Mas ela faz a melhor feijoada ao sul do equador." Ele saiu do carro e me surpreendeu oferecendo a mão. "Fei... o que?" Perguntei enquanto ele me ajudava a sair do táxi. "Confie em mim. É fodidamente delicioso. Fico duro apenas de pensar sobre ela." "Você é um porco, não é?" "Perky, você não tem ideia. Estive me segurando, tentado ser um cavaleiro já que você parece um pouco mais refinada do que eu estou acostumado." Carter pagou o motorista e carregou as nossas malas, a minha mala colocada em cima sua de rodinhas, enquanto caminhávamos através da garagem. Ele tocou a campainha e ficamos na entrada esperando, enquanto isso o taxi partiu. Foi neste momento que ele decidiu me dar uma pequena informação. "Não deixe que Maria Rosa te assuste. Ela não é realmente tão louca quanto parece."

13

Cama e café da manhã.


***

CARTER ERA UM MENTIROSO. "Meu filho americano!" Maria estava com um vestido colorido quando pegou o rosto de Carter com as suas duas mãos e ficou plantando beijos em cada uma das suas bochechas. Um aroma de açafrão e outras especiarias encheu o ar. Carter me apresentou. "Maria, está é a minha amiga Kendall." Deus, ele soava sexy. Mesmo que só entendi o meu próprio nome. Ele havia até usado um sotaque ao dizer Kendall, demorando-se um pouco no L do final. Maria olhou-me de cima a baixo, um fino bigode preto se estendeu pelo seu lábio superior quando ela sorriu. "Aha! Você nunca trouxe uma amiga antes..." Eu me virei para ele. "O que ela disse?" "Ela está dizendo que eu nunca trouxe nenhuma amiga aqui antes." "Com que frequência exatamente você fica aqui?" "Quase todas as vezes que venho para o Rio. Neste lugar sinto como se estivesse em um lar mesmo estando longe de casa."


O som de ruídos de um animal surgiu repentinamente. Antes que percebesse, um peso pousou nas minhas costas e quase me fez tropeçar por causa do impacto. Então senti um jato de liquido quente no meu pescoço. Endureci e balancei as minhas mãos histericamente. "O que é isso em mim? Tira isso de mim!" Gritei. "Tire isso de mim!" A criatura soltou uma série de gritos agudos enquanto as unhas começaram a me perfurar. Carter estava gargalhando descontroladamente enquanto levantava a coisa das minhas costas. Quando olhei para ele, descobri que o animal era um pequeno... macaco. Maria Rosa estava balançando a cabeça quase desdenhosamente e dizendo alguma coisa em português. Carter não pode conter o seu divertimento. "Maria pede desculpas. Macacos prego às vezes urinam nas pessoas para marcar o território deles." O macaco soltou um grito alto como se concordasse com Carter. "Eu tenho xixi de macaco escorrendo pela minha Roland Mouret. Isto é simplesmente fantástico." "Está blusa precisava ser lavada de qualquer maneira. Não se preocupe. Irei limpar você muito bem, mais tarde." As palavras dele enviaram um calafrio pelo meu corpo. Embora essa situação estivesse me enlouquecendo, não consegui


evitar me sentir atraída por Carter ao vê-lo parado lá, se elevando sobre mim, ainda vestido com o seu uniforme de piloto. O macaco agora estava confortavelmente empoleirado no ombro dele. Quando Carter sorriu para mim, notei mais uma vez a covinha em seu queixo e o minha irritação se suavizou. "Por que ele não está fazendo xixi em você, Capitão?" "Porque nós somos velhos amigos. Não somos Pedro?" O animal mostrou os dentes. Eu poderia jurar que ele sorriu antes de se jogar para o outro lado da sala. Maria parecia chateada sobre alguma coisa ao falar com Carter. "O que ela está dizendo?" "Ela não sabia que eu estava trazendo uma convidada e queria que soubesse que o outro único quarto para alugar já está reservado. Ela disse que nós teremos de dividir um quarto." "Eu não estou bem com isso." Ele sussurrou. "Nós vamos lidar com isso." "Não há nada para lidar, Carter." "Vamos apenas ir para o quarto e relaxar um pouco. Preciso sair deste uniforme e tirar um cochilo. Depois quero lhe mostrar a praia antes do jantar."


"Isso não vai funcionar... dividir um quarto. Preciso encontrar um hotel." "Perky... você não me seguiu até o Brasil apenas para me deixar agora. Você pode até dizer que está indo arranjar um hotel, mas a questão é: você não quer ficar sozinha. Não estaria aqui se quisesse. Agora acalme suas tetas e me acompanhe até o nosso quarto. Acredite em mim, mesmo se eu quisesse me aproveitar de você agora, estou sem dormir por dezoito fodidas horas. Preciso descansar." Enquanto o acompanhava silenciosamente pelo corredor até o quarto, me amaldiçoei por não conseguir refutá-lo. Ele havia pilotado aquele avião gigante por todo o caminho até o Brasil com prudência. Minha vida esteve nas mãos dele o tempo todo. Ele tinha um ponto, ele precisava dormir. Honestamente, eu estava cansada do voo também e nem mesmo tinha pilotado o avião. O quarto era pequeno, mas charmoso. Uma colcha de cama radiante com flores roxas bordadas feitas de algodão estava jogada sobre a cama queen-size. A única janela no quarto deixava que uma brisa gelada entrasse e permitia que tivéssemos uma bela vista da água ao longe.


Havia um banheiro no quarto com uma banheira antiga de cerâmica branca. Notei flores frescas na extremidade da pia, junto com uma variedade de sabonetes. "Isto é fofo. Como conseguiu encontrar esse lugar? Não está nos roteiros comuns." "Estava dirigindo por aí um dia, explorando o Rio. Sai do meu carro para dar uma caminhada e senti o cheiro da comida da Maria através da janela. Basicamente segui o meu nariz. Quando descobri que ela reservava quartos, cancelei a minha reserva no outro lugar e fiquei aqui. Prefiro este quarto a qualquer outro quarto de hotel." "Você disse que ficou aqui apenas metade das vezes. Nas outras vezes, você optou por um grande hotel?" Ele hesitou. "Venho para cá quando estou sozinho. Vou para hotéis quando..." "Não precisa dizer." Levantei minha mão. "Eu entendi." Os hotéis eram a porra do terreno dele, provavelmente com a comissária de bordo da semana. Não queria ouvir mais sobre isso. "Porque me trouxe aqui então?" "Queria te mostrar o lado autêntico do Rio. Sinto-me responsável por você estar aqui. O mínimo que posso fazer é ser um bom guia turístico." "Quanto tempo você vai ficar aqui antes de voar de novo?"


"Dois dias." Meu estômago afundou. Isso não era muito tempo. "E para onde irá então?" "Não sei. Ainda não chequei o meu itinerário." "Dois dias aqui..." Repeti. "Sim. Então vamos fazer o melhor deles." Carter começou a desabotoar a sua camisa branca de capitão. Pendurou-a no pequeno armário. Seu peito nu era perfeitamente delineado assim como eu havia imaginado. Tive uma repentina vontade de lambê-lo em linha reta do peito até o umbigo e depois acompanhar o caminho da felicidade, um fino rastro de cabelos que levava até a cintura da calça preta que ele vestia. Ele era maior que a maioria dos homens com quem eu saia. Apenas podia imaginar como seria sentir o seu peso pressionado contra o meu corpo pequeno. Queria ter essa sensação e isso não era onde a minha cabeça deveria estar. Quase tinha me esquecido que o motivo desta viagem era tentar colocar a minha vida nos trilhos e não complicá-la ainda mais me apaixonando por alguém com quem não poderia ficar. Não seria possível me apaixonar por qualquer homem num futuro próximo se seguisse com os meus planos.


Carter

levantou

uma

sobrancelha,

demonstrando

silenciosamente que havia percebido a minha cobiça. Rapidamente olhei para longe, mesmo tendo sido flagrada em meio ao ato. "Vamos tirar você dessas roupas." Ele disse. "Como é?" "Eu já volto." O que? Ele se afastou indo ao banheiro e fechou a porta. Podia ouvi-lo fazendo xixi. Em seguida a água do banheiro começou a correr por um longo tempo. Sentada na cama com as minhas costas ainda molhadas de urina de macaco, imaginei porque ele estava demorando tanto. A porta se abriu. Carter saiu ainda sem camisa e agora descalço, vestindo nada além da sua calça preta. Que havia deixado desabotoada. Tão incrivelmente gostoso. Eu limpei minha garganta. "Você tomou banho?" "Não, estava preparando o seu. O que quer que esteja te chateando está escrito por todo o seu rosto. Você está muito tensa. E está assim desde o momento em que lhe conheci. Você precisa desse banho mais do que eu agora." Ele lentamente se aproximou e colocou a mão no meu ombro. "Vamos esquecer os nossos


problemas por alguns dias. Pare de pensar demais sobre a questão do quarto. Dou a minha palavra de que irei manter as minhas mãos para mim mesmo. Não farei qualquer coisa se isso é o que está lhe deixando preocupada – a menos que me peça para fazer. Até lá, sem negócios de macaco14. Bem, não figurativamente pelo menos. Haverá alguns macacos de verdade às vezes." Comecei a rir. Sentia-me bem. Como a minha vida chegou a esta situação? "O que você me diz? Vai apenas relaxar comigo, Kendall?" Deus, realmente queria apenas relaxar e aproveitar esses dois dias. Pela primeira vez, olhei para a banheira e só então percebi o que ele realmente havia feito. Havia uma porção de bolhas sobre a água. Carter havia acendido duas pequenas velas e colocado na soleira da janela, acima da banheira. Ele poderia ser um mulherengo – comedor de Comissária de bordo – mas era malditamente delicado... e doce. Sem falar mais nada, ele desmaiou na cama de barriga. Meus olhos ficaram grudados na bunda dele enquanto o via se mexer no colchão, quase fazendo amor com ele. "Porra, essa cama é boa demais." Ele murmurou. Carter soltou um grunhido que parecia 14

Monkey Business – expressão em inglês que quer dizer negócios escusos.


quase um orgasmo. Esparramando-se com os braços abertos na forma de um T, suas costas subiam e desciam enquanto relaxava no travesseiro. Fiquei um momento admirando aquelas costas esculturais, percebendo o quanto gostaria de deitar sobre ela como se fosse um carrossel enquanto me movia para cima e para baixo. Quando presumi que era seguro e ele havia cochilado, encarei a parede e tirei a minha camiseta suja pela cabeça, jogando-a no chão. Caminhei na ponta dos pés e nua até o banheiro. Mergulhando na água quente, fechei os olhos e inspirei o vapor. O sentimento era de ter sido transportada para outro mundo. Acho que isso havia acontecido – um lugar estranho com um homem estranho. E um macaco. Ainda que não pudesse explicar, de alguma forma estar aqui neste momento parecia extremamente certo. Deixei a porta um pouco aberta porque assumi que Carter estava dormindo. Então quando ouvi sua voz sonolenta, senti um arrepio descer pela minha espinha. "Estou feliz por você ter escolhido o Rio, Perky."


Capítulo 3

Carter

Tenho certeza de que o meu pau me acordou como se dissesse, ‘Cara, olha o que você está perdendo. ’ As cortinas estavam abaixadas, o quarto estava escuro e eu estava fodidamente duro. Que horas eram? O relógio mostrava quatro e meia da tarde. Estive dormindo por duas horas. Quando olhei para a minha esquerda, a razão para a minha dolorosa ereção se tornou muito clara. Meu cérebro podia estar dormindo, mas o meu corpo estava completamente ciente do fato de que a bunda empinada de Kendall estava colada na lateral do meu corpo enquanto se encolhia na cama. Porra. Ela esteve deitada ao meu lado todo esse tempo. Talvez confiasse mesmo em mim. Esse provavelmente seria o seu primeiro erro. Dois dias com essa garota e prometi ser bom? Inteligente da minha parte. Eu não sabia nada sobre ela, e mesmo assim, desde o momento em que a vi, tem sido tudo o que consigo pensar. Isso pode ser


difícil de acreditar, mas nunca realmente peguei uma mulher no aeroporto antes. Sim, já fodi uma boa parte das minhas companheiras de trabalho, mas isso era uma parte do trabalho de piloto. Os membros solteiros da tripulação fodiam uns com os outros, pura e simplesmente. Se divertir com as Comissárias de bordo durante as folgas parecia excitante no início da minha carreira. Depois de um tempo, porém, isso acabou se tornando obsoleto e monótono. Era tudo muito fácil. Eu gostava de um desafio e Kendall foi a primeira mulher, em um longo tempo, que deu uma de difícil para eu conquistar. Isso me deixou duro. Fiquei chocado ao vê-la no aeroporto. Pensei nela durante todo o voo, secretamente esperando que ela estivesse nele, mas nunca acreditei realmente que sim. Certamente nunca pensei que iria acabar deitado na cama com ela. Kendall Sparks. Quem é você inferno? Porque preciso tanto de você? Ela era complexa, disso eu tinha certeza. No momento em que estava certo de que poderia rotulá-la como uma menina rica arrumadinha, ela anunciou que raramente usava um sutiã. Quanto mais ela falava, menos sabia sobre o que pensar dela. Tudo o que


realmente sabia era que estava incrivelmente atraído por ela e estava muito feliz por ter a chance de vê-la novamente. Meus olhos viajaram pelo comprimento do seu pequeno corpo. Deus, como queria aninhar o meu rosto na curva do seu pescoço e enterrar o meu nariz em seu cabelo. Eu precisava me livrar de um empecilho antes que ela acordasse, porém. Levantando-me tranquilamente da cama, fui para o banheiro me masturbar. A primeira coisa que meus olhos capturaram foi a calcinha branca dela, caída no chão. Porra. Eu a peguei e a segurei em minha mão por alguns minutos. Elas eram pequenas e delicadas, como ela. Não pude resistir ao desejo de cheirá-las. Inspirando profundamente o aroma dela, me surpreendi com a minha reação. O cheiro dela era viciante e apenas fez com que uma necessidade forte e incontrolável crescesse dentro de mim. Abri a água da torneira e deixei a banheira encher. Deitando de costas nela, coloquei a calcinha sobre o meu rosto, imaginando a boceta dela lá. Não me julgue. Peguei o meu pau e comecei a me tocar. Se isso era errado, eu não queria estar certo. Inspirei fundo novamente o doce e feminino cheiro enquanto me masturbava mais forte.


Eu era um fodido doente? Não me importava. Dizendo a mim mesmo que ninguém estava sendo ferido neste processo, continuei, precisando acabar com a frustração sexual que esteve crescendo dentro de mim desde o primeiro momento em que vi aqueles pequenos seios alegres no aeroporto. Só me levou alguns segundos. Gozei forte sobre mim, e ofegante desmoronei completamente na banheira. Depois de alguns minutos, ainda não podia me mover. Foi quando ouvi a voz dela. "Carter?" Saltei e joguei as calcinhas dela no outro lado do banheiro. "Indo! Quero dizer... já vou. Só preciso de um banho rápido." Depois disso, me lavei o mais rápido que pude. Kendall estava sentada na cama quando voltei para o quarto. Eu me sentia um pouco culpado, mas ainda teria feito tudo de novo. Segurei a minha toalha ao redor da minha cintura para prevenir que caísse. "Você está pronta para explorar a praia? É melhor irmos antes que o sol se ponha." Não pude deixar de notar o jeito que ela estava me avaliando. Porra, sim. Talvez haja esperança depois de tudo.


"Sim. Eu adoraria ir até lá embaixo." Kendall se dirigiu para o banheiro para colocar um biquíni. Quando saiu, estava usando um vestido de algodão casual sobre o traje de banho. Eu havia colocado um calção de banho e uma camiseta branca simples. Quando saímos do quarto, tivemos que passar pela sala de estar principal de Maria Rosa para chegar à porta da frente. Quando

Pedro

pulou

em

minha

direção,

Kendall

instintivamente recuou. O macaco se empoleirou no meu ombro e começou a mexer no meu cabelo antes de praticamente voar para longe mais uma vez. Kendall foi pega de surpresa quando Maria repentinamente a conduziu pela mão para uma mesa no canto da sala. Ah, Merda. Nós nunca iríamos sair daqui agora. "O que está acontecendo? O que ela está dizendo?" Kendall perguntou. Não querendo que ela ficasse ainda mais nervosa do que quando nós chegamos, preferi não dizer imediatamente a Kendall que Maria era, na verdade, uma vidente e clarividente. A maioria


da sua renda era proveniente das pessoas a procuravam por suas leituras. Traduzi o que Maria estava tentando dizer a ela. "Maria é uma vidente. Ela disse que está sentindo uma energia negativa ao redor de você." Kendall estremeceu. O medo nos olhos dela era palpável. Nós dois assistimos quando Maria pegou ambas as mãos de Kendall nas dela. Os olhos da mulher mais velha estavam fechados enquanto ela se concentrava. Continuei a decifrar o que ela estava dizendo do melhor jeito que pude. "Maria diz que está vendo um bebê... e ele tem duas cabeças." Kendall chicoteou a cabeça na minha direção. "O que?" Eu lutei para entender os grunhidos de Maria, pois estavam um pouco fragmentados. "Há uma maldição que foi colocada em você, uma maldição da qual você talvez não seja capaz de se livrar sozinha, sem a ajuda dela. Ela diz que há alguma coisa acontecendo que envolve um bebê e que esse bebê ou você pode estar em grave perigo se a maldição não for retirada. Não entendo o que ela quer dizer com as duas cabeças." Eu tinha de dizer, que por mais que amasse Maria, essa merda que ela fazia sempre me assustava pra caramba. Uma noite quando estava pronto para partir para o aeroporto, ela me barrou e me disse


que havia uma garota morta do outro lado que estava vindo e queria falar comigo. Fiquei tão perturbado pensando que era Lucy que quase não voltei nunca mais. Felizmente, Maria nunca mais tocou no assunto depois daquele dia. Decidi brincar um pouco sobre o assunto para impedir que Kendall ficasse muito estranha por causa disso. "Ela disse que para remover a maldição, você tem que me beijar." "Você está falando sério?" Minha expressão me denunciou e ela rolou os olhos. Eu prestei mais atenção ao que Maria dizia. "Ok... Eu acho que traduzi errado. Ela não vê um bebê com duas cabeças. Ela vê um bebê, mas a cabeça do bebê é na verdade uma moeda de dois lados, cabeças e caudas. Isso faz sentido para você?" Kendall ficou branca. Ou Maria estava assustando-a, ou alguma coisa sobre essa merda louca estava realmente fazendo sentido para ela. Eu continuei a traduzir. "Isso representa uma tomada de decisão a ser feita sobre dinheiro que pode envolver também uma criança no futuro." Kendall colocou a cabeça em suas mãos. Isso estava deixandoa chateada. Eu precisava tirá-la daqui.


Virei-me para Maria. "Vamos à praia. Podemos terminar mais tarde?" "Vamos. Está ficando escuro. Acabei de dizer a ela que nós estamos indo à praia." Ela ficou quieta pela maior parte da curta caminhada até a colina íngreme que levava a água. Eu precisava fazer com que ela se abrisse comigo um pouco ou pelo menos relaxasse. Puxando de brincadeira o rabo de cavalo dela, perguntei. "Você está bem?" Ela forçou um sorriso. "Yeah. Eu estou bem." "Aquela merda que Maria estava dizendo... isso fez algum sentido para você?" Para a minha surpresa, ela assentiu que sim. "Algumas coisas." "Você quer conversar sobre isso?" "Não. Realmente não quero. Apenas quero me divertir um pouco enquanto nós estamos aqui." "Muito justo." O sol estava começando a se pôr. Estava ficando muito tarde para realmente aproveitar a praia. Quando nós chegamos perto da beira do mar, as pessoas ao nosso redor começaram a bater palma. "O que está acontecendo?"


"Eles não estão batendo palmas para nós." Eu ri. "Há uma tradição aqui que quando o sol desliza para baixo do horizonte, todo mundo para, levanta e bate palmas." "Isso é muito legal." "Seria legal se as pessoas apreciassem a vida e a natureza assim com mais frequência, não seria?" "Sim." Ela sorriu. "Definitivamente." Ela olhou ao redor emocionada e realmente amei observar o rosto dela enquanto ela absorvia todas as coisas pela primeira vez. Um lugar familiar no canto oposto da praia atraiu o meu olhar. "Vamos. Eu sei exatamente o que nós vamos fazer." Em uma pequena placa fixada a um poste enterrado na areia lia-se, Samba na Água. "O que é isso?" "Eles dão aulas de samba na praia durante o pôr do sol aqui. Eles aceitam gorjetas, mas é de graça. Aconteceu de eu estar passando por aqui uma noite e acabei envolvido em uma dança por uma velha senhora uma vez. Você gostaria de tentar?" O sorriso de Kendall iluminou seu o rosto. "Claro." O pouco sol que restava parecia estar brilhando dentro dos olhos azul-água dela. Vendo-a sorrir assim me fez perceber quão naturalmente linda ela realmente era e quão malditamente bem eu me sentia por fazê-la


feliz. Não sabia dizer por que fazê-la feliz era tão importante para mim, considerando que mal a conhecia. Mas havia uma voz me roendo por dentro que parecia sussurrar: ‘Preste atenção. Essa garota é importante. ’ Eu não podia explicar e certamente como o inferno, não iria pedir a Maria para investigar. As aulas de samba não acabaram sendo exatamente o que eu havia esperado. Estava pensando que iria poder usá-las como uma desculpa para ter contato físico com Kendall, mas eles a colocaram para dançar com um homem velho que era instrutor. Assim não tive escolha senão dançar com a mulher que era parceira dele. Provavelmente fazia sentido desde que nenhum de nós sabia o que estava fazendo. Mesmo assim desfrutei de assisti-la tropeçar sobre seus pés enquanto ria me vendo fazer a mesma coisa. Rápido. Rápido. Devagar. Rápido. Rápido. Devagar. Mesmo separados pela areia entre um e outro, nós estávamos conectados de alguma forma naquela experiência. Uma emoção disparou por mim quando percebi que dormiria a seu lado mais uma vez essa noite. Então rapidamente me bati mentalmente por ficar excitado por uma garota que posso nunca mais ver de novo depois dessa viagem... E a quem eu jurei que não tocaria. Rápido. Rápido. Abaixe esta coisa, Carter.


Nós teríamos mais um dia inteiro amanhã antes que eu tivesse que partir para o aeroporto na noite seguinte. Percebi que nem mesmo sabia onde ela morava. Era hora de tomar o soro da verdade. No Brasil, isso também era conhecido como Caipirinha.

***

"O que tem nisso? É forte... mas é bom." "É limão, açúcar e cachaça." Kendall sorriu. "Diga isso novamente." "Cachaça." Eu sorri. "Eu amo quando você fala em português, Capitão." "Vou manter isso em mente." Nós havíamos parado em pequeno bar na praia. Depois de algumas bebidas, pegamos uma última rodada para a viagem em copos plásticos e continuamos a nossa festa, sentados na areia. "Então, Kendall Sparks. Você ama quando eu falo português. O que mais você ama? Preciso saber mais sobre a minha companheira de viagem." "O que você quer saber?"


"Para começar, você nunca me disse de onde veio. Ou o que você faz para viver?" "Eu moro no Texas. Venho de uma família de magnatas petroleiros. Trabalho dentro e fora nos negócios da família, mas não tenho realmente uma carreira exata." "Isso é difícil?" "Eu geralmente não gosto de falar para as pessoas sobre a minha família. Existem muitas noções preconceituosas sobre as pessoas que vem de famílias ricas." "O seu status econômico não define quem você é, assim como o meu trabalho também não me define." "Porque você não me disse que era um piloto quando nos conhecemos?" Enfiei os meus pés na areia e pensei sobre a minha resposta. "Não estava tentando esconder isso, realmente. O assunto apenas nunca surgiu. Eu teria dito a você, eventualmente, se nós tivéssemos tido mais tempo juntos. Estava secretamente esperando que você escolhesse o Rio, então poderia te surpreender. Porque você fez isso, aliás?" "Escolher o Rio?" "Sim." "Eu tinha de tomar uma decisão."


"Não teve nenhuma parte em você que pegou aquele avião porque pensou que eu poderia estar lá? Eu estava obviamente tentando te dar dicas." Embora estivesse escuro, ainda podia ver as bochechas dela corando. "O que você quer dizer? Que estou atraída por você e voei através do mundo porque você me deu a sua jaqueta?" Sim. "Se essa é a resposta honesta, então sim. O que tem de errado com apenas ser honesto? As pessoas gastam metade da vida delas mentindo. Porque não podemos ser sinceros uns com os outros?" Eu ri por dentro. Sim, certo. Então porque você não diz a ela que estava batendo punheta com a calcinha dela em sua cara. Algumas coisas ficam melhores se mantidas em segredo. "Vá em frente e me pergunte qualquer coisa que você queira. Eu não vou mentir para você, Kendall." Ela terminou o que restava da bebida dela. "Qualquer coisa?" Olhando profundamente nos olhos dela, repeti. "Qualquer coisa." Ela ergueu os olhos para o céu. "Com quantas das Comissárias de bordo naquele voo você já dormiu?" "Todas menos uma." Engoli. "Todas menos a lésbica."


"Sim." "Isso é nojento." "Por que nojento? Porque sou um cara solteiro que transa? É apenas sexo entre adultos que tem um estilo de vida similar. Sou responsável. Uso proteção. Não prometo nada a elas que não possa lhes dar. Na maioria do tempo, sou eu que estou sendo abordado." Percebi que tudo isso me fazia soar frio, mas era a verdade. "Você não quer qualquer coisa que seja mais do que disso? Uma conexão mais profunda com alguém?" "Eu não diria isso. Mas é apenas o jeito que as coisas tem sido até agora." Pegando o copo de plástico vazio dela e colocando-o dentro do meu, perguntei. "E quanto a você? Sem namorado?" "Não. Não no momento." "Por quê? Estou certo de que você poderia ter qualquer cara que queira." Parecendo aflita, ela fez uma pausa antes de responder. "Estou em um momento de transição." "Está é razão pela qual você está fugindo? Ela tem alguma coisa a ver com um homem?" "Não. Não tem." "Você pode falar-me sobre qualquer coisa, não vou julgar." "Você não pode prometer isso se não sabe o que é."


"Quão ruim isso poderia ser? Envolve assassinato?" "Não." "Então você está salva." Ela riu parecendo tão bonita com a brisa do oceano ao redor das ondas loiras de seu cabelo. "Eu mal o conheço. Não posso me abrir sobre tudo o que está acontecendo comigo depois de conhecer você por menos do que um dia." "Aposto que só levaria um minuto para eu saber tudo o que preciso sobre você, Kendall." "O que você quer dizer?" "Os pontos importantes na vida de qualquer um podem ser resumidos em menos de um minuto. A maioria das coisas mundanas que acontece entre eles são insignificantes." Retirei meu celular e entreguei para ela. "Quer testar? Vá até o aplicativo de cronômetro e controle o meu tempo. Eu vou lhe dizer tudo sobre mim em trinta segundos." Ela abriu o cronômetro. "Ok. Vai." Ela disse, pressionando o start. "Carter Clynes. Também conhecido como Triplo C, que significa Capitão Carter Clynes, às vezes reduzido a Trip. Quase trinta anos de idade. Cresci em Michigan. Palhaço da classe. De família católica. Pais ainda casados. Duas irmãs. Uma namorada.


Quebrei o coração dela antes de ir para a faculdade. Universidade de Michigan. Experimentei vários cursos. Larguei. Fui para a escola de pilotagem. Voo o tempo todo. Fico sozinho às vezes. Tenho um apartamento em Boca. Uma sobrinha, um sobrinho. Pessoa proativa. Amo pizza e qualquer tipo de música. Extremamente excitado. Sentado numa praia no Rio." Isso era praticamente tudo. É engraçado como a vida poderia ser diminuída em apenas um punhado de detalhes. Obviamente havia uma coisa que escolhi deixar de fora. Não que eu não quisesse lhe dizer, mas não era a hora certa nem o lugar para contar sobre Lucy, então escolhi omitir um não tão pequeno detalhe que havia basicamente moldado quem sou. "Uau. Foi exatamente trinta segundos." "Agora você sabe quase tudo que precisa saber." Ela sorriu afetadamente. "Quase?" Ignorando a pergunta dela, peguei o celular para usar o cronometro. "Sua vez." "Espere um pouco. Tenho que pensar." "Não. Isso frustra a finalidade. Você não deveria pensar sobre isso. Apenas diga a primeira coisa que vem a sua mente. Essas são as mais importantes." Ela inspirou profundamente e eu ativei o cronometro.


"Ok. Kendall Sparks. Dallas, Texas. Vinte e quatro. Filha única de um casal rico que desperdiçava a maior parte do dinheiro deles. Cresci em um rancho. Líder de torcida no ensino médio. Meu pai está morto. Minha mãe é uma alcoólatra. Pulei a faculdade. Trabalhei dentro e fora nos negócios da família. Vida encantadora por fora, mas não muito por dentro. Não sei onde me encaixo nesse mundo. Com medo do futuro. Sentada numa praia no Rio.” Quando ela desviou seus olhos para longe de mim, coloquei a minha mão em seu queixo e os trouxe de volta para os meus. "A última parte é boa, não é? Nossa única coisa em comum." Fechando os olhos brevemente, ela disse. "Eu tenho que dizer... que é sim." "Obrigado por compartilhar esse tempo comigo, Perky." Levantei-me e ela me seguiu, então caminhamos de volta para a casa de Maria Rosa. "O que nós vamos fazer amanhã?" Ela perguntou. "Essa é a beleza das férias, certo? Nós não temos que decidir o que fazer." "Eu suponho que sim." Um pouco antes de subirmos a colina de volta, paramos em um centro comercial. Notei uma loja de lingerie. Uma ideia surgiu


na minha cabeça. Estava hesitante em deixá-la sozinha, mas não queria que ela visse o que estava planejando fazer, também. "Fique aqui. Eu já volto." Quando voltei com uma pequena sacola plástica, ela sorriu de orelha a orelha. "O que você fez?" "Eu te comprei um presente." Entregando para ela, disse. "É para amanhã." "Posso abrir agora?" "Eu insisto." Ela balançou a cabeça quando olhou dentro da sacola e viu o sutiã branco com cobertura total que comprei para ela. O material era completamente opaco. Era o sutiã mais broxante que eu já tinha visto. "Isso me lembra do sutiã transpassado com corações que a minha avó costumava vestir." "Eu acertei o tamanho?" "Na verdade, você passou perto. Eu uso 34B e esse é um 36B. Vai caber." Ela o colocou na frente do peito. "Bem, definitivamente não há nenhum jeito de alguma coisa ficar a mostra através desse material."


"Exatamente. Se tenho de ser bom, eles não podem estar me cumprimentado em todos os segundos do dia. É tentador demais." "Eu já tenho um sutiã, sabe." Ela riu. "Apenas não o uso. Mas irei vestir esse se isso tem te distraído." "É mais uma piada do que qualquer coisa. Mas você deve pensar em vestir um se estiver viajando sozinha." Um sentimento ruim na boca do meu estômago começou a se formar diante do pensamento dela continuando essa viagem sozinha. Eu definitivamente não estava pronto para deixa-la depois de amanhã. "Obrigada por se preocupar comigo, Capitão." "A qualquer hora." Nós estávamos na metade do caminho de volta para a hospedagem quando eu disse. "Kendall..." "Sim?" "Quero segurar a sua mão." Minha boca se curvou em um sorriso. Ela entendeu imediatamente. "I Want to Hold Your Hand15. A música do Beatles. Eu pensei que você estivesse falando sério por um segundo." Rindo, eu disse. "Na verdade, estou falando sério. Muito sério. Posso?" Estendi a minha mão para tomar a sua. 15

Eu quero segurar sua mão.


Ela me estendeu a mão. "Sim." Os dedos dela pareciam tão pequenos entrelaçados com os meus grandes. Não os soltei durante todo o caminho de volta. A verdade era que eu queria fazer uma porrada de coisas a mais do que apenas segurar a mão dela... queria envolver o meu corpo ao redor dela. Infelizmente não havia nenhuma canção dos Beatles com o título: Eu quero dar uns amassos em você. Teria sido muito mais apropriado para o que estava sentindo naquele momento.


Capítulo 4 Carter

Se eu iria me tornar a porra de um cheirador de calcinhas, poderia muito bem me afundar de vez e pegar logo o título de ‘maior pedaço de merda do ano’. Eu acabava de fazer um longo xixi matinal e tive que praticamente me curvar sobre o vaso apenas para conseguir que o meu pau ficasse abaixado o suficiente para que pudesse mirar a água. Kendall ainda estava dormindo na cama e o meu autocontrole estava diminuindo. Não que eu realmente tenha gasto muito tempo na minha vida praticando o controle sobre mim mesmo, mas essa garota me fazia querer isso. Ontem à noite quando chegou a hora de ir para a cama, pude ver que ela estava desconfortável. Eu estava malditamente desconfortável também, mas principalmente porque tinha um pau duro que estava tentando convencer a abaixar por pelo menos uma hora depois que ela vestiu aquela camiseta de dormir fina como papel e aqueles shorts curtos. Então sendo o homem cavalheiro que não sou geralmente, insisti em dormir no chão. Agora as minhas costas estão me matando e descobri que não faria nenhum mal se subisse na cama e tivesse algumas poucas horas de cochilo de qualidade sobre o colchão. Eram quatro horas da madrugada e ela


não iria descobrir até de manhã. Até lá já seria tarde demais de qualquer forma. Então levantei o lençol e deslizei gentilmente para a cama, com cuidado de não mover muito o colchão. Kendall que estava voltada para o outro lado, quando a velha estrutura de madeira da cama rangeu, se virou para mim ainda adormecida. Congelei e esperei para ver se os olhos dela iriam se abrir. Depois de um minuto, ela ainda estava na terra dos sonhos, então aproveitei para cobiçá-la abertamente. Foi então que percebi que o primeiro botão da camiseta dela, que mesmo completamente abotoada já tinha um decote em V bem baixo, estava aberto. E todo o seio esquerdo dela estava totalmente à mostra. Puta merda essas coisas são alegres. E não apenas os seios. O mamilo, que tinha um bom tamanho para um seio que não era maior do que um bom punhado, estava completamente ereto. Era como se estivesse apontando para mim. Desafiando-me. Convidando-me. POORRAAA. Minha boca estava salivando. Eu queria chupar aquele seio mais do que já quis tocar qualquer mulher. Apenas uma lambida. Ela provavelmente não iria nem acordar. Meus olhos pularam para os dela. Ela estava profundamente adormecida. Duvidava que ela fosse sentir isso em seu atual estado.


Eu seria gentil. Apenas pincelaria a minha língua sobre o pequeno ponto curvado, apenas o bastante para ter um pouquinho do sabor. Apenas um pouco de sabor. Uma mini lambida. POOOORRA. Minha cabeça se aproximou alguns centímetros dos seios dela. Eu era um pedaço de merda. Poderia jurar que perdi a sanidade por um momento, porque jurava que podia ver um pequeno diabo sentado em cima do ombro direito dela. Na verdade, podia ouvir a coisa e vê-la tão clara quanto o dia. Obviamente o meu diabo não era do tipo daquele carinha vermelho, careca, com um rabo e que te fazia querer correr. Não, o meu diabo era uma morena alta, com o cabelo puxado para trás em um coque, um uniforme curto de comissária de bordo e dois pequenos chifres fofos na cabeça. Ela piscou para mim e sussurrou na minha orelha. Faça. Faça, seu covarde. Ela quer isso, de qualquer maneira. Minha consciência respondeu. Ela confia em você. Não seja um idiota a sua vida toda. Recomponha-se, cara. Encontre outro par de calcinhas, seu porco nojento. Kendall se moveu mais uma vez enquanto dormia, e desta vez ela levantou um braço sobre a cabeça. Todo o seio ficou completamente a mostra. A pele dela era cremosa e os mamilos


tinham um tom de rosa escuro, era uma visão verdadeiramente maravilhosa. Que porra está errada com você, covarde. Chupe-o. Chupe-o agora. A porra da minha diaba havia crescido para o dobro do tamanho. Esfreguei as minhas mãos sobre os meus olhos para limpar a minha visão. Isso não ajudou. Nem um pouco. Minha comissária de bordo diabo estava desabotoando a sua própria camiseta ali em cima do ombro de Kendall. Porra. Eu estava definitivamente perdido. Do nada, bloqueando todos os pensamentos pecaminosos que eu estava tendo, uma música dos Beatles surgiu no meu cérebro. You´re Going to Lose That Girl16. A letra começou a tocar na minha cabeça e a mulher diabo estava sorrindo e rebolando os seus quadris com a batida da música. Vai se foder, John Fodido Lennon. Ele estava certo. Ele sempre estava malditamente certo. Afastando os lençóis de mim antes que eu pudesse mudar de ideia, peguei os meus tênis de corrida e o meu boné de baseball e saí.

16

Você vai perder aquela menina.


***

Kendall não estava na cama quando voltei para o quarto duas horas depois. Eu havia ido para uma longa corrida de uma hora e depois sentei na praia para assistir ao sol nascer. O maldito problema era que eu desejava que uma garota que mal conhecia, estivesse sentada ao meu lado enquanto o sol surgia sobre o oceano, quase tanto quanto queria aquele suculento mamilo esta manhã. Eu estava amolecendo. Embora geralmente estivesse malditamente duro perto dela. Sentei na cama e comecei a tirar os meus sapatos quando Kendall saiu do banheiro. "Ei. Para onde você desapareceu tão cedo?" "Eu fui correr." "Você deveria ter me acordado. Eu teria ido com você." Eu queria acordar você, confie em mim. "Você parecia muito fofa dormindo, sorrindo com uma mão dentro da calcinha. Não podia arruinar isso para você." Menti e pisquei. Os olhos dela se arregalaram como pires. "Você está mentindo."


Eu dei de ombros. "Talvez." Ela me socou no abdômen e riu. "Cuidado aí, pequena. Você não quer quebrar essa pequena mão frágil em meu abdômen de pedra e definido." "Você é tão convencido." Ela sorriu e balançou a cabeça enquanto ia em direção à cama. Subindo, ela se sentou com as pernas cruzadas e puxou um livro da cabeceira. Eyes witness Travel: Top 10 Rio de Janeiro. "Onde você pegou isso?" "Estava no criado mudo." "É em inglês?" "Não. Mas eu estava olhando as figuras." Ela era tão malditamente fofa. "Alguma coisa atraiu o seu interesse, Sparks?" O rosto dela se iluminou quando falou novamente. "Tudo! Honestamente, minha ideia de viagem usualmente é encontrar aquelas ruas cheias de lojas caras e fazer compras o dia todo. Depois ir a um restaurante chique para mostrar o que comprei. Minha mãe me treinou bem. A única diferença entre nós é que eu geralmente não quero beber oito doses de uísque e plantar a minha cara no espaguete à bolonhesa. Mas esse lugar é diferente, não sei por quê. Talvez seja por estar aqui na casa da Maria Rosa, mas


quero ver tudo." Ela pausou e começou a folhear as páginas que havia marcado com orelhas. "O bondinho que sobe o Pão de Açúcar, a estátua do Cristo Redentor, a floresta da Tijuca – as cachoeiras gigantes, as favelas... quero ver tudo." "Isso é um pedido terrivelmente grande para apenas um dia." O brilhante sorriso dela diminuiu. "Eu queria que nós tivéssemos mais de um dia." Não havia nenhum jeito no mundo de que eu seria capaz de negar qualquer coisa a essa mulher que fizesse o rosto dela se iluminar daquela forma. Cocei o meu queixo. "Você quer saber? Tenho uma ideia." "Qual é?" "Acho que deveria ser uma surpresa." "Eu amo surpresas." Talvez eu não devesse ter saído essa manhã então. "Tudo bem. Você confia a sua vida em minhas mãos por hoje?" "Eu estava em suas mãos por uma viagem de avião inteira. Então não vejo por que não." Aquele não era o melhor momento para eu mencionar que costumava ser muito mais imprudente quando não estava no céu. "Ok. Coloque uma roupa. E você vai precisar usar alguma coisa apertada. Sem roupas largas. Se você tiver algum daqueles shorts


para andar de bicicleta e algum top de ginástica, seria melhor colocá-los." "Tudo bem." "Estou indo para a cozinha para nos preparar alguns ovos picantes e salsicha." "Humm... soa delicioso." "E é. Você vai amar a minha salsicha." Eu pisquei e deixei ela para se vestir.

***

Maria Rosa tinha um velho e gasto Jeep conversível que os hospedes poderiam usar pagando setenta e cinco reais o dia, o que convertido era mais ou menos vinte dólares. Eu amava aquela coisa, e Kendall parecia amá-lo também. Ela não havia parado de sorrir desde que havia colocado os olhos naquele lixo simpático. Uma vez eu havia alugado um mustang conversível enquanto estava de folga em Barcelona e havia planejado gastar o dia com uma comissária de bordo que havia levado para a cama na noite anterior. Ela me fez subir a capota para que o cabelo dela não ficasse bagunçado.


Aquela foi a última vez que me esforcei para fazer qualquer coisa além de foder quando ficava em um hotel. Mas Kendall, a mulher com uma blusa que custava mais do que o meu guarda-roupa inteiro apenas tirou um elástico de sua bolsa e prendeu o cabelo para trás sem nem mesmo pensar sobre a bagunça que o vento poderia causar. Isso a deixou ainda mais sexy para mim. "Quanto tempo falta? Nós vamos ver o cristo redentor primeiro?" Nos últimos dez minutos nós estivemos subindo lentamente uma estrada que cortava uma montanha, então o palpite dela havia sido bom. Embora ela ainda não soubesse, era mais provável que ela estaria rezando para que Cristo salvasse a bunda dela daqui a alguns segundos, ao invés de estar tirando fotos dele para o Instagram. "Nós estamos quase lá. Ainda não decidi o que nós iremos ver primeiro. Mas nós vamos ver a estátua em algum momento." Ela comprimiu o rosto. "Como você pode ainda não ter decidido a nossa primeira parada se já estamos quase lá?" "Ahh... um mistério. É para eu saber e você adivinhar, minha amiga Perky." Ela rolou os olhos, mas eu estava certo de que ela estava tendo um ótimo momento, mesmo sem termos chegado à parte legal


ainda. Quando estávamos há um minuto ou dois de onde iríamos sair, ela percebeu que eu não estava usando roupas apertadas, embora tivesse dito a ela que elas seriam necessárias. "Onde estão os seus shorts de ciclista?" "Eu não tenho nenhum." "Você não precisa de roupas apertadas?" "Não." "Como não? Você me disse que eu precisaria delas para o que nós vamos fazer hoje." "Na verdade, não disse. Eu disse que eu precisava que você vestisse roupas apertadas. Mas não disse que isso seria por causa do que nós iremos fazer hoje." "Eu não entendo." "Eu só queria ver você em roupas apertadas." Os olhos dela se alargaram. Mas ao invés de ficar brava, ela jogou a cabeça para trás e começou a rir. "Você é tão pervertido." "Você

gosta

de

pervertidos?"

Perguntei,

soando

completamente como um. Ela riu. "Eu acho que eles estão começando a me conquistar." Estacionei o carro em uma suja clareira no meio de um campo no topo da montanha. Havia alguns outros carros estacionados, mas ela não podia ver a atração principal porque precisávamos


descer mais ou menos 100 degraus para chegar ao lugar de onde poderíamos saltar. "Aqui estamos." Ela olhou ao redor. "Onde nós estamos? O que nós estamos vendo?" Peguei a mochila na parte de trás do Jeep e caminhei até o outro lado para abrir a porta para ela. Estendendo a minha mão, disse. "Nós não estamos vendo nada aqui. Nós estamos fazendo." Cuidadosamente, ela saiu do carro. "O que nós estamos fazendo, exatamente?" A resposta não poderia ter sido melhor do que foi, nem se eu tivesse planejado. Assim que ela terminou de fazer a pergunta, um planador passou sobre o limite da montanha. Era um voo de asa delta, igual ao que nós estaríamos fazendo, apontei para ele mesmo sabendo que ela já tinha visto. "Aquilo."


Capítulo 5

Kendall

Carter era insano. Eu suspeitava que ele tivesse alguns parafusos soltos, mas pensar que eu sairia voando de uma montanha com alguns pedaços de metal e um fino pedaço de poliéster confirmou que ele era pirado. "Eu vou assistir você fazer isso." Nós estivemos parados ao lado do Jeep pelos últimos dez minutos discutindo. "Você é uma dessas pessoas, huh?" "O que quer dizer?" "Um dos que ficam de lado." "Elabore." "Você fica sentada de lado e assiste a vida acontecer. Se você não joga o jogo, não pode se machucar. Expectadores estão seguros." "Neste caso, prefiro segurança a me deparar com uma eminente morte aos vinte e quatro anos." Carter coçou a parte de trás do pescoço e olhou para mim por um momento. "Todo expectador que assiste um evento está


assistindo porque quer ser o jogador. Mas eles, ou não tem o talento, ou não tem a coragem." "Bem, eu certamente não sei como voar pendurada em um planador. Então nesse caso, você está certo. Eu não tenho talento." "Você não precisa de nenhum talento para isso. Você voa em uma asa delta, com um guia experiente e treinado. Nenhum talento é necessário. Você sabe o que isso significa?" "O que?" "Que você é uma expectadora porque não tem coragem." "Eu tenho muita coragem." Me endireitei diante dele. "É. Quando foi a última vez que você tomou um risco?" "Eu diria dois dias atrás quando entrei num avião para o Brasil sob a recomendação de uma pessoa louca que conheci em um bar." "Tudo bem. Eu vou te dar essa. Isso realmente precisou de coragem. Mas quando foi a última vez que você sentiu uma dose real de adrenalina? O tipo que pulsa pelas suas veias tão poderosamente, que te faz pensar que realmente não havia vivido antes dela?" Eu sabia a resposta para isso. Quando entrei no taxi ontem. Só que não tinha coragem de dizer isso também. "Eu não me lembro." "É uma experiência que você nunca vai esquecer. Eu prometo." "Você faz isso com frequência?"


"Voar de asa delta? Não tão frequentemente ultimamente. Mas costumava fazer isso o tempo todo." "Eu não quis dizer isso. Quis dizer coisas que dão esse ímpeto de adrenalina?" "Eu ainda tenho um toda vez que levanto voo. Quando estou no avião, praticamente no final da pista de voo, a cento e oitenta quilômetros por hora e puxo o controle do avião para levantar a ponta e saímos do chão... é como se fosse a primeira vez, todas as vezes." "Então você é um caçador de emoções?" Carter levantou os ombros. "Às vezes. A vida sem um pouco de emoção é chata, bela." Eu realmente gostei quando ele me chamou de bela. Não podia acreditar que estava ao menos considerando fazer isso. Mas ele estava certo. Nos últimos anos a minha vida tem sido muito chata. E essa viagem era para ser sobre me descobrir. Encontrar respostas. Ele poderia dizer que eu estava reconsiderando. "Come fly with me17." Ele estendeu a mão. "Isso é Frank Sinatra, não os Beatles."

17

Venha voar comigo.


"Eu sei, mas achei que seria muito mais convincente agora do que In Spite of All the Danger18." Ele sorriu e eu senti calafrios se espalharem pelos meus braços quando coloquei minha mão na dele.

***

As aulas de treinamento preparatório, necessárias para planar, duraram uma hora e meia. Meu instrutor realmente parecia entender sobre o que estava falando, e isso conseguiu me tranquilizar. Bem, tranquilizar tanto quanto era possível quando você estava prestes a pular de uma montanha. E eu quero dizer pular. Provavelmente foi melhor que não soubesse que nós literalmente tínhamos de correr pelo lado da montanha antes de saltar quando concordei com essa loucura. Essa louca corrida era o que eu estava prestes a assistir quando Carter veio se sentar ao meu lado. Ele não precisou fazer as aulas de treinamento desde que já tinha vindo aqui várias vezes. "Nervosa?"

18

Apesar de todo o perigo.


"Estou com medo de que as minhas pernas não vão se mover quando tiver que correr para fora da plataforma." Ele sorriu e colocou a mão em minha coxa. "Elas irão funcionar. Você consegue." Eu realmente gostava da mão dele ali, então sorri de volta. Juntos, nós sentamos no gramado de nove metros, longe das duas pessoas que estavam prestes a saltar. Quando eles correram os sete passos

e

literalmente

correram

para

fora

da

montanha,

desapareceram de vista imediatamente. Levantei-me para ver o que havia dado errado. Carter riu. "Eles vão subir em um minuto. Relaxe. É assim que acontece." Trinta segundos mais tarde, os dois estavam voando alto acima de nossas cabeças a distância. Meu instrutor me chamou ao longe, balançando a mão para nós irmos. "Vem aqui mulher bonita. Vem." "Você está pronta?" Carter perguntou com um inesperado tom sério. Eu inspirei e expirei profundamente. "Agora ou nunca." Ele sorriu. "Essa é a minha garota." E pegou minha mão para caminharmos até a área de preparação. Naquele momento, percebi que com Carter segurando a minha mão e me chamando de sua garota, não havia muitas coisas que eu não tentaria. O pensamento


era reconfortante, mesmo assim me assustava pra caramba ao mesmo tempo. Ao invés do meu instrutor me ajudar com a minha roupa de voo, Carter o fez. Ele ajudou-me a entrar nos cintos e verificou as conexões do meu traje puxando-os algumas vezes. Ele então se vestiu. "Qual de nós vai primeiro?" A testa de Carter enrugou. "Vai primeiro?" Nós vamos ao mesmo tempo? "Você vai ser o meu piloto de planador." Eu havia presumido que o instrutor que fez o meu treinamento estaria me levando na asa delta. Casais saltavam ao mesmo tempo, mas sempre com um instrutor junto deles. Ele me saudou com dois dedos em sua testa. "Capitão Carter Clynes, ao seu serviço." "Mas... mas... você tem experiência suficiente?" "Eu tenho muita experiência." Ele meneou as sobrancelhas. "Sério. É sobre a minha vida que estamos falando." "E você está prestes a colocar sua vida em minhas mãos. Você é uma dama sortuda." Eu estava próxima ao pânico. "Carter. Fale sério por um minuto. Você é treinado para voar nessa coisa? Você já voou nisso sozinho antes?"


Ele colocou ambas as mãos em meus ombros e falou olhando nos meus olhos. "Eu nunca deixaria que nada acontecesse a você." Depois ele me surpreendeu me puxando para o peito dele para um longo abraço. Depois que a minha respiração se acalmou por estar nos braços dele, ele disse. "Você está bem?" "Eu acho que sim." Ele beijou a minha testa. "Vamos voar baby."

***

Minhas pernas ainda estavam correndo, mesmo sem nenhum chão sob os meus pés. Quando mergulhamos e começamos a perder altitude, cavei minhas unhas em Carter tão profundamente, que eu posso ter perfurado sua pele ─ “Carter!” “Entendi. Aguente firme. Aqui vamos nós. ” E assim como o instrutor havia explicado, pegamos uma rajada de vento e começamos

a

subir.

Meu

coração

estava

batendo

descontroladamente e estava segurando a minha respiração. Meu cinto estava fechado um pouco mais alto do que o de Carter, então


eu estava parcialmente inclinada sobre as costas dele e grudada a ele enquanto ele segurava a longa barra de metal. Depois de alguns segundos, tomei um muito necessário fôlego e Carter começou a fazer círculos ao redor, voando cada vez mais alto sobre a montanha da qual acabamos de saltar. Meu aperto ao redor dele diminuiu levemente enquanto começamos a planar. Pegando uma pequena corrente de vento, planamos suavemente pelo ar. "Ah Meu Deus, Carter. Nós estamos voando! Sinto-me como um pássaro." O rosto inteiro dele sorriu. "É uma sensação incrível, certo?" "Sim!" Era um sentimento indescritível. Olhando para baixo, para o Atlântico brilhando turquesa, quilômetros de areia de praia na costa e o verde exuberante das montanhas ao redor de nós era completamente deslumbrante. Eu estava feliz que Carter havia me convencido a fazer isso. E estava ainda mais extasiada por experimentar isso com ele. Enquanto nós voávamos ao redor, Carter estava assoviando. Embora estivéssemos lado a lado, às vezes era difícil de ouvir por causa do vento que preenchia os nossos ouvidos. Mas depois de um tempo, descobri qual era a música que ele estava cantando. Lucy in the Sky with Diamonds.


"Você cantou essa música durante o voo pelos sistemas de comunicação depois que apagou as luzes. Eu quase esqueci. Essa é a sua música de voo ou algo assim?" "Algo assim." Por mais de duas horas, nós planamos ao redor pelo céu do Rio de Janeiro. Não acho que o sorriso enorme deixou o meu rosto em momento algum. Nós vimos tudo o que eu queria ver – o bondinho do Pão de Açúcar, a estátua do Cristo Redentor, a floresta da Tijuca, cachoeiras gigantes, as favelas, as praias, paisagens extraordinárias. Nós não vimos o Rio, nós o experimentamos. Senti que se houvesse uma tela diante de mim, eu seria capaz de sangrar a beleza das minhas veias. Foi a mais incrível e revigorante experiência da minha vida. Quando havíamos visto todas as coisas que eu queria ver e mais, o vento começou a morrer e Carter disse que era hora de pousar. Descemos numa praia com apenas alguns pequenos tropeços. Minhas pernas estavam moles quando tentei me mover na areia. "Cuidado. Você está com pernas de ar. Leva um minuto ou dois para recuperar o seu balanço vertical mais uma vez." Uma equipe de homens da empresa de voo nos auxiliou e depois preparou algumas bebidas para nós na praia.


Eu ainda estava sorrindo enquanto provava a minha caipirinha dentro de um abacaxi furado. "Eu devo admitir que definitivamente posso ver como você ficou viciado na sensação. É assim que você se sente todas as vezes que está pilotando?" "É diferente, mas ainda empolgante. Hoje teve aquela adrenalina que sempre tem. Mas..." Ele hesitou e parecia repensar no que ia dizer. "Estou feliz que você gostou." "O que você ia dizer?" "Nada." "Mentiroso." Carter fez aquela coisa de estreitar os olhos e me encarar, o que parecia ser um hábito seu. Depois ele engoliu toda a bebida que estava dentro do seu abacaxi em um gole só. Quando ele terminou, se inclinou. "Eu ia dizer que hoje me senti melhor do que qualquer outra vez. Que malditamente amei ter os seus braços envolvidos ao redor do meu corpo o tempo inteiro, o jeito que me senti quando suas unhas arranhavam minha pele e os seus seios pressionavam contra as minhas costas. Ver o seu sorriso, sabendo que eu tinha feito algo para colocá-lo em seu lindo rosto, foi fodidamente muito melhor do que apenas levantar um avião ou voar sozinho de planador."


Eu engoli. Nossos olhos ficaram presos uns nos outros e Carter parecia procurar por alguma coisa nos meus. Então ele desviou o olhar. "Pronta para arrasar, Amelia Earhart19?" "Desculpe-me?" Carter riu. "Escolha ruim de palavras, suponho. Eu quis dizer, você está pronta para ir para estrada?" "Ah. Sim. Eu estou pronta." O percurso de volta para a casa de Maria Rosa foi quieto. Carter parecia perdido em pensamentos e eu me sentia como se estivesse descendo das alturas depois de passar o dia voando como um pássaro. Eu não consegui me lembrar da última vez em que me senti tão livre. Tinha que ter sido quando ainda era uma adolescente, andando a cavalo com Emilio. Rapidamente tirei esse pensamento da minha mente, e ao invés disso me foquei no fato de que Carter e eu tínhamos apenas a metade do dia juntos aqui no Rio. Amanhã de manhã, Carter iria voar para outro destino exótico e eu não conseguia deixar de imaginar se ele ficaria em um hotel ou em algum lugar como aquele em que estávamos essa noite. Sabendo o que as suas estadas em hotéis significavam, doía até mesmo pensar sobre isso.

19

Amelia Mary Earhart foi pioneira na aviação dos Estados Unidos, autora e defensora dos direitos das mulheres.


E eu. Eu tinha que voltar para a realidade. A minha realidade. Aquela que estive evitando pelos últimos dois anos e agora tinha apenas oito dias restando antes que tivesse de decidir por qual trajetória a minha vida iria seguir. Eu estava em uma encruzilhada, como as pessoas diziam, e ainda não estava pronta para escolher a minha rota. Honestamente, não tinha certeza se algum dia estaria. Mas essa era a coisa. Se não escolhesse até a semana que vem... Meu caminho seria escolhido por mim de qualquer forma. Eu não podia fazer mais isso. Minha vida inteira é uma série de passos, seguindo o itinerário que alguém traçou para mim. Já era hora tomar as minhas próprias decisões, independente de qual fossem. Enquanto nós seguíamos pelo bairro residencial, Carter deve ter percebido o quão quieta estive. "O que você estava pensando aí? Você estava completamente nas nuvens." "Apenas na vida. No geral, eu acho." "Qualquer coisa que você queira compartilhar?" "Não realmente." Ele assentiu. "Você já pensou no que vai fazer depois que eu partir amanhã? Você vai ficar na hospedagem da Maria Rosa?" Meu coração afundou. Ele realmente estaria partindo amanhã de manhã. "Não, suponho que deveria sair da hospedagem. Eu não


falo português ou sei me virar sozinha por aqui. Sem você lá, acho que irei me sentir desconfortável." Os olhos de Carter se desviaram para os meus e depois voltaram para a estrada. "Há um Westin não muito longe do aeroporto. É bom, limpo e estou quase certo de que tem um spa. Nós podemos dividir um taxi de manhã se você quiser." Eu assenti. Quando nós chegamos à hospedagem de Maria Rosa, Carter desligou o motor e se virou para mim. "Há alguma coisa que você gostaria de ver hoje à noite? Qualquer coisa que você queira que te mostre antes de partir amanhã?" "Não, acho que gostaria apenas de jantar e passear hoje à noite, se estiver tudo bem?" "Perfeito. É exatamente o que eu gostaria de fazer também."

***

O humor definitivamente havia mudado depois de hoje à tarde. O jantar foi bom e embora Carter e eu falássemos o tempo todo, parecia ter um enorme elefante branco na sala, que nenhum


de

nós

estava

mencionando.

Quando

terminamos,

Carter

perguntou se eu estava a fim de andar pela praia. Nós tiramos os nossos sapatos e os deixamos perto da trilha de areia que levava ao estacionamento. Realmente adorei que Carter pegou a minha mão quando começamos a caminhar. "Você sabe para onde vai voar amanhã?" "Dubai. Eu olhei os meus horários enquanto você estava no chuveiro." "Eles não te avisam até uns dias antes?" "Não. Eles planejam com meses de antecedência. Sou apenas eu que não gosto de saber." "Você não gosta de saber para onde está indo?" Ele deu de ombros. "Eventualmente eu sei, quero dizer, tenho que saber antes de entrar na cabine de piloto. Eu acho que apenas não há razão para olhar antes." "Você nunca quer planejar com antecedência quando sabe que vai estar em uma determinada cidade?" "Não realmente." "Isso é estranho, Carter. Você sabe disso, certo?" "Nunca disse que eu era normal." Nós caminhamos por mais quinze minutos, e eventualmente chegamos a duas cadeiras montadas lado a lado aleatoriamente na


beira da praia. Não havia ninguém por perto. Carter puxou minhas mãos para elas e reposicionou as cadeiras para que estivéssemos de frente um para o outro. "Elas estavam colocadas para assistir ao mar." "Eu sei. Mas porque eu iria querer olhar para a água quando tenho você para olhar?" Nós dois nos sentamos. No começo os nossos pés estavam exatamente lado a lado na areia. Mas quando começamos a conversar, Carter roçava os pés dele contra os meus. A sola do pé dele massageava o meu tornozelo. Era bom, então retribui o favor. Nossos pés começaram a se entrelaçar enquanto conversávamos. "Então, diga-me Kendall Sparks. Por que você está nessa viagem? O que você está tentando encontrar?" Eu estava envergonhada de admitir a verdade. Não queria que Carter soubesse o quão superficial e desesperada eu era. Quanto controle o dinheiro tinha sobre a minha vida. "Se te disser, você iria pensar que sou horrível. Que eu preciso de terapia para o que provavelmente irei fazer." "Eu estou certo de que não iria." "Iria." "Não iria."


"Nós somos todos fodidos de alguma maneira. Todos temos segredos para manter e cruzes para carregar na vida." Eu zombei. "Talvez. Mas sou mais fodida do que a maioria." "Eu duvido disso." "Bem, sou mais fodida do que você. Você tem um ótimo trabalho, tem uma casa na Flórida e sabe como aproveitar a vida." "É isso que você pensa? Que a sua história é mais fodida do que a minha e você irá parecer má?" Eu assenti. "Talvez." Carter olhou para o céu por um tempo e começou a falar baixinho. "Eu tinha dezesseis anos quando conheci Lucy Langella. Ela tinha longos cabelos pretos, grandes olhos azuis e escrevia poesia. Nós ficamos juntos por mais de dois anos. Ela foi a minha primeira e por um longo tempo, realmente pensei que seria a última também. Pensei que eu a amava. Até disse isso para ela." "Durante o nosso último ano de ensino médio, ela começou a mudar. Ela nunca queria sair e dormia muito. Era o nosso último ano – festas, amigos, esportes, viagens – Eu queria fazer tudo isso. Por um tempo eu consegui convencê-la a fazer essas coisas comigo, mas foi ficando cada vez mais difícil conforme os meses passavam. Ela começou a ter algumas loucas mudanças de humor também. Chegou a um ponto em que eu já não fazia mais ideia de qual Lucy


eu iria encontrar quando chegasse à casa dela. Então diminui as minhas visitas. Basicamente, tinha dezoito anos e pensava que ela estava se tornando chata. Ela costumava ser uma estudante melhor do que eu e quando nós começamos a namorar planejávamos nos inscrever juntos para a universidade de Michigan. Quando chegou a hora de enviarmos a nossas inscrições para a faculdade, ela não enviou nenhuma. Quando nós nos formamos, ela raramente saia e ficar ao redor dela era completamente deprimente." "No verão antes da faculdade começar, eu sabia que tinha que terminar nosso namoro antes de me mudar para um lugar que ficava há três horas para estudar. Quando o fiz, ela chorou por uma semana. Senti-me um merda porque tudo o que ela continuava a dizer era: Você disse que me amava. Você disse que me amava." Carter parou de falar por um minuto. Depois ele limpou a garganta e continuou. "No meu primeiro dia de faculdade, eu havia acabado de sair da aula e trouxe uma garota que conheci durante as orientações para o meu quarto de dormitório. Nós acabamos na minha cama e o meu celular ficava tocando enquanto eu estava transando com uma garota que acabei de conhecer. Pensei que a faculdade era a melhor coisa no mundo naquele dia." Ele zombou e balançou a cabeça. "Na manhã seguinte, olhei o meu telefone e vi que todas as ligações haviam sido de Lucy. Não liguei de volta para


ela. Outro dia passou e eu estava na cama com a minha nova garota quando começou a acontecer de novo. Meu telefone tocando mais e mais. Mas quando o nome apareceu na minha tela, percebi que era a minha mãe. Sabia que se ela estava ligando tantas vezes, alguma coisa deveria estar errada. Então atendi. Ela estava chorando histericamente." Carter parou mais uma vez, olhando para baixo para os nossos tornozelos envolvidos na areia. "Lucy havia cometido suicídio. O que pensei que era chatice, clinicamente era depressão." Eu arfei. "Meu deus, Carter. Você não poderia saber." "De qualquer forma. Hoje você me perguntou qual é o significado de eu cantar toda vez que voo a música Lucy in the Sky with Diamonds. Eu canto Beatles para a minha ex-namorada morta todas as vezes que começo a voar pelo céu. E você pensou que você era a pessoa fodida?" "Desculpe-me. É horrível que você tenha passado por isso." "Obrigado. Mas não te disse essa história para que você sentisse simpatia por mim. É a sua vez, Perky. Aposto que você vai se sentir melhor por dividir o que quer que seja que esteja te perturbando. Além disso, quero ouvir como a minha bela garota ficou tão desmiolada a ponto de viajar para um país estrangeiro com alguém como eu."


"Você não vai olhar para mim diferente depois que eu lhe disser?" Apesar de termos apenas mais doze horas sobrando, o pensamento me deixava triste. "Sem chance." "Ok." Respirei fundo e comecei do princípio. "Meu avô, Rutherford Sparks, era um homem muito rico. Ele era também dominador, excêntrico, racista, homofóbico e controlador. E muito chauvinista. Para a sorte dele, teve dois filhos e nenhuma filha. Mas o primeiro filho dele morreu com quatro anos, de pneumonia. O segundo era meu pai, que era Rutherford Sparks Terceiro. Devo ressaltar que Rutherford Sparks Junior era o irmão mais velho do meu pai que morreu antes dele nascer." "Meu pai morreu cinco anos atrás de um ataque cardíaco. Então meu avô basicamente enterrou os seus dois filhos, ambos com o seu nome. Embora eu tivesse apenas dezenove anos quando o meu pai morreu, meu avô começou a me pressionar para ter um filho. Ele literalmente começou a me azucrinar no funeral do meu pai, demandando que eu tinha que ter um filho o mais rápido possível – um menino, claro – então ele poderia ter certeza de que o precioso nome dele se perpetuaria. Eu não tinha nenhum interesse em ter uma criança, então continuei o ignorando, mesmo que ele


basicamente financiasse o meu estilo de vida luxuoso desde o dia que nasci." "De qualquer forma, sem te chatear com todos os detalhes, meu avô morreu há dois anos. Tenho um fundo de garantia que paga por todas as minhas despesas de vida, mas ele será cortado quando eu completar vinte e cinco anos. Há um segundo fundo de garantia, um que vale milhões de dólares que também foi deixado para mim. Entretanto, meu avô colocou uma pequena condição para isso. Para conseguir receber o fundo de garantia, sou obrigada a ter um filho homem antes de completar vinte e seis anos. Ah... e a criança deve se chamar Rutherford Sparks." "Essa merda é legal?" "Aparentemente.

Os

meus

advogados

analisaram

isso.

Restrições em fundos de garantia são comuns. As únicas hipóteses de retirar as restrições são se elas forem ilegais ou contra as políticas públicas." "E forçar alguém a ter um bebê não é contra as políticas públicas?" "Aparentemente, não." "Então, você está pensando em ter um filho e é por isso que fez essa viagem?"


"Na verdade... Esta é a parte que me faz ganhar a disputa de quem é a pessoa mais fodida. Descobri uma pequena brecha no testamento do meu avô. Tenho de dar à luz a um herdeiro homem, mas não tenho de ficar com a criança. A maioria das pessoas assumiria que está subentendido, você mantém a criança quando intencionalmente a têm. Não estou pronta para ter uma criança. Mas há uma porção de casais gays que estão prontos para ter uma criança e não podem. Então tenho um encontro daqui a nove dias com um casal de gays casados na Alemanha. Eu faria inseminação com o esperma geneticamente modificado de ambos os homens para assegurar que seja um menino. Depois de dar à luz, o pequeno Rutherford Sparks será deles. Países estrangeiros são menos restritivos com a modificação genética de embriões. É por isso que estou fazendo isso fora dos Estados Unidos." Carter balançou a cabeça para cima e para baixo algumas vezes e sorriu ironicamente. "Merda. Eu não achei que iria dizer isso, mas essa passou perto. Não tenho certeza de quem ganha essa disputa." Estranhamente, por mais que eu estivesse enojada comigo mesma e envergonhada do que estava planejando fazer, senti um peso deixar os meus ombros depois de contar a Carter. Ele não


parecia estar me julgando também. Ele estava apenas olhando para a água. "Sobre o que você está pensando agora?" Ele riu. "Se te disser, posso acabar ganhando essa disputa." "Diga-me." "Estava imaginando você grávida e pensando que ficaria muito gostosa com uma barriga grande e peitos inchados." "Você vence." Nós dois nos animamos um pouco depois disso. Até Carter parecia um pouco mais leve depois da nossa conversa. "Está certo. Qualquer outra coisa que eu deveria saber sobre você, Sparks?" "Eu dividi uma coisa. Você dividiu uma coisa. Nós estamos empatados, Capitão." "Quero saber mais." "O que você quer saber?" "Você está certa de que não tem nenhum namorado em casa?" "Estou certa." "Houve muitos namorados?" "Não, não dos sérios." "Você nunca esteve apaixonada."


Olhando para as ondas, uma dor familiar cresceu no meu peito. Era a segunda vez hoje que pensava sobre Emilio. Finalmente respondi. "Uma vez." "O que aconteceu?" Fazia anos que eu havia aberto essa velha ferida. Essa noite estava ficando profunda demais para aguentar. Mesmo assim queria contar a Carter tudo o que havia para saber sobre mim. Não entendia de onde vinha essa necessidade. "Emilio era um empregado que trabalhava em nossa propriedade quando eu era uma adolescente. Nós começamos a passar muito tempo juntos, particularmente quando os meus pais não estavam em casa. Nós iríamos cavalgar, falar sobre coisas normais de adolescentes – nossos desejos e sonhos. Era tão revigorante estar com ele, porque nenhuma das nossas conversas envolvia dinheiro ou o estilo de vida aristocrático que me foi imposto desde o dia que nasci. Com Emilio, eu era apenas Kendall – não uma garota com dinheiro e um milhão de expectativas pesando sobre ela. Conversar com ele e cavalgar juntos ao vento... Essas são algumas das melhores memórias da minha vida. Sempre que estava com ele, me sentia como se fosse eu mesma. Sentia-me livre."


"Pelo olhar em seu rosto agora, imagino que as coisas não acabaram bem." Balançando a minha cabeça, continuei. "Emilio não era exatamente legalizado. Ele e a sua família haviam fugido do México. Certo dia descobri que ele estava ajudando a cuidar de uma família de amigos doentes, que também eram imigrantes ilegais. Ele nem uma vez me pediu ajuda, Carter. Eu havia implorado a ele para me deixar ajudar." "O que você fez?" "Ela era uma mulher de meia idade. O nome dela era Wanda e estava sofrendo com policísticos renais, precisando constantemente de hemodiálise para viver. Ela estava ficando mais fraca a cada dia. Nós tínhamos essa casa velha na propriedade. Eu levei ela para lá, basicamente dei a ela comida e teto e tentei cuidar dela da melhor forma possível. Mas o que ela realmente precisava era de um rim novo. Ela tinha um familiar que estava disposto a doar um, mas eles não podiam pagar pela cirurgia." "Foi realmente bom da sua parte, cuidar dela assim." "Bem, me fez sentir como se tivesse um propósito pela primeira vez na minha vida. Além disso, estava me apaixonando por Emilio e teria feito qualquer coisa por ele neste ponto."


Quando comecei a me desfazer, Carter colocou sua mão em minha bochecha. "O que aconteceu, Kendall?" "Meus pais voltaram mais cedo para casa de uma viagem de final de semana e me pegaram na velha casa com Wanda e Emilio. Eu implorei e pedi para o meu pai. Em certo ponto, minhas emoções foram mais fortes e acabei estupidamente revelando que estava apaixonada por Emilio. Meu pai ameaçou mandar prender os dois e os deportar." Carter se encolheu. "O que ele fez?" "Quando ele descobriu sobre a doença de Wanda, se acalmou um pouco. Mas ele não iria de forma alguma aceitar que eu estivesse com Emilio. Ele fez um acordo comigo. Ele disse que iria pagar pelo transplante de rim para Wanda e providenciar para que Emilio e Wanda nunca mais colocassem os pés na propriedade e se eu nunca mais vesse o Emilio novamente." Ele soltou um longo fôlego. "Acho que sei aonde isso vai dar." "Sim. Então... não poderia em sã consciência, negar a Wanda a vida dela por causa da minha necessidade egoísta por um garoto. Emilio e eu concordamos que esse era o jeito que tinha de ser. Meu pai fez todos os preparativos, Wanda fez a cirurgia dela e nunca mais vi Emilio de novo." "Você fez a coisa certa, Kendall."


"Tentei encontrar ele depois disso, mas por causa do status de ilegalidade dele, não havia nenhum registro seu ou de sua família. Eu tinha um endereço de onde sabia que eles iriam ficar, mas quando fui até lá alguns meses depois da cirurgia, estava abandonado." Olhei para o céu. "É aí que a história realmente acaba." "Desculpe-me, Perky. Obrigado por dividir isso comigo." "Bem, toda essa experiência definitivamente teve um grande impacto na minha vida, me fez ter medo de me abrir com qualquer outra pessoa novamente, por medo de machucá-los ou me machucar. Nos anos seguintes desde então, apenas aprendi a suprimir os meus sentimentos e ir levando." "Bem, eu diria que você fez um ótimo trabalho se abrindo hoje à noite, mas acho que nós precisamos de um intervalo." Eventualmente, ele se ergueu e ofereceu-me sua mão. "O que você diz de bebermos até cair?" "Eu acho que essa seria a conclusão perfeita para a nossa noite de confissões."

***


Nós dois estávamos muito bêbados quando voltamos tropeçando para nosso quarto na hospedagem naquela noite. Carter estava deitado na cama com as mãos unidas atrás da cabeça quando sai do banheiro depois de me trocar. "Vou dormir no chão hoje à noite." Eu disse. "Estava pensando que nós poderíamos dividir a cama hoje à noite. Vou ser o mais comportado possível. Eu prometo. Mas quero te segurar nos meus braços enquanto dormimos. Nem mesmo me importo de soar como uma menininha dizendo isso. Porque é a verdade." Nem precisei pensar sobre isso. "Eu adoraria." Carter estendeu os seus braços abertos para mim, subi na cama e descansei a minha cabeça no peito dele. Ele envolveu seus braços fortemente ao meu redor e ficamos grudados. Era tão bom ser abraçada por ele. Mas meus sentimentos estavam em conflito. O pensamento dele partir amanhã de manhã causava uma dor física no meu peito. Tive de segurar as lagrimas enquanto pensava em quão bom era o seu toque. Nenhum de nós disse outra palavra depois disso e parecia certo nos deitar em silêncio em nossa última noite juntos. As batidas do coração dele eventualmente me fizeram dormir.


Na manhã seguinte, nós dois perdemos a hora. Correndo ao redor e trombando um no outro, tomamos banhos rápidos e arrumamos nossas malas. Carter tinha de estar no aeroporto as nove, já era oito horas, e ainda tínhamos uma hora de viagem a nossa frente. Ao invés de arriscar um atraso esperando por um taxi, Maria Rosa nos levou até o aeroporto. Quando chegamos ao terminal de partida, mal conseguia segurar as minhas lágrimas. Isso era realmente o fim. O pensamento de nunca mais ver Carter novamente era doloroso. Eu havia tido apenas dois dias com ele, mesmo assim sentia como se ele me conhecesse melhor do que a maioria das pessoas. Saí do carro junto com ele para poder dizer adeus. Ele explicou algo em português para Maria e depois lhe deu dinheiro. Depois que ele descarregou a sua mala, nós dois ficamos parados olhando um para o outro na parte de trás do Jeep. "Maria vai te levar ao Westin. Ela sabe onde é. Enquanto você estava no banho, peguei o seu telefone e programei o número dela nele. Se você precisar de qualquer coisa, ligue para ela. Ela é um pouco louca, mas é uma pessoa boa." "Ok."


Ele segurou as minhas bochechas com as suas duas mãos. "Não vá para bares sem sutiã e nem fale com homens brasileiros estranhos. Entendeu?" Eu assenti. "Agora me dê a porra de um beijo logo. Eu fui bom por dois dias. Sem chance no inferno que estou deixando você sair da minha vida sem um gostinho." Antes que eu pudesse dizer algo, o que obviamente teria sido sim, por favor, a boca de Carter se chocou contra a minha. Os meus joelhos ficaram totalmente moles. Meu pulso estava disparado enquanto ele me puxava para perto com força contra o corpo dele. Ele gemeu quando envolvi os meus braços ao redor dele tão forte quanto ele estava me segurando. Nossas línguas colidiram frequentemente, nenhum de nós queria desperdiçar outro segundo antes que fosse tarde demais. Nós precisávamos provar um ao outro, sentir um ao outro, dizer isso tudo com aquele único beijo. Quando ele começou a liberar a minha boca, lamentei com um gemido e o beijo ficou forte mais uma vez. Até mais faminto. Eu não tinha ideia de quanto tempo isso durou, apenas soube que quando acabasse, estaria devastada. Carter encostou a testa dele contra a minha. "Obrigado por tudo, Perky."


"Você cuidou de mim por dois dias. Sou eu quem tem que agradecer." "Não há nada para me agradecer. Foi um prazer para mim. Eu ficaria exatamente aqui com você se pudesse. Fodidamente odeio deixar você. Especialmente depois desse beijo." Uma lágrima caiu do meu rosto e Carter a pegou com o dedão. "Independentemente da decisão que você tomar, vai ser a certa. Não deixe ninguém te dizer qualquer coisa diferente. Prometa para mim." "Eu prometo." Nós nos beijamos algumas vezes mais. "Tenho de voar, bela. Você se cuide." "Você também." Assisti quando ele entrou pela porta. Ele se virou para acenar uma última vez antes de desaparecer. Então chorei como um bebê.


Capítulo 6

Carter

Quase

imediatamente

depois

de

entrar

pelas

portas

automáticas, senti que algo estava errado – não era natural – ter que dizer adeus a ela. Você é um fodido idiota. Encontrei alguns membros da minha tribulação chegando, as malas com rodinhas deles soavam como unhas deslizando contra um quadro negro. Duas das comissárias de bordo estavam conversando no canto. Uma delas piscou para mim e respondi com uma leve inclinação da cabeça. Olhei ao redor para as filas de pessoas. O sentimento de vazio estava me consumindo. Pela primeira vez em anos, não queria estar aqui. Eu não queria voar. Não queria escapar para o meu próximo destino. Tudo o que queria era retornar para o carro, voltar para a casa da Maria Rosa e abraçar Kendall mais uma vez. Mesmo depois daquela confissão abaladora sobre a merda de herança, ela era tudo o que eu queria agora.


Sentia falta dela já e não fazia nem mesmo cinco minutos. Programei o número dela no meu celular mais cedo, então impulsivamente o disquei. Não houve resposta. Então, com o coração pulando, mandei uma mensagem pra ela.

Lembre-me porque nós acabamos de dizer adeus?

Mandei outra.

Porque pela minha vida, não consigo pensar em nenhuma porra de boa razão.

Outra.

O que você diria se eu dissesse para você que não estou pronto para deixá-la ir ainda?

Depois de vários minutos, ainda não havia nenhuma resposta. Suando através do meu uniforme de poliéster, decidi fazer uma coisa precipitada.


Fui até o balcão de passagens e adquiri para ela um assento no meu voo. Não tinha nem mesmo o e-mail dela, então tive que mandar a passagem para o endereço de e-mail do website de vidente da Maria Rosa. Era um grande risco. Havia quase nenhuma chance dela conseguir voltar para cá em tempo de embarcar. Mas não iria me perdoar se ao menos não tentasse.

Eu não sei se você vai receber isso a tempo, mas acabei de te mandar uma passagem para o meu voo. Peça a Maria para checar a conta de e-mail dela. Está lá. Nós partimos em pouco mais de uma hora. Você vai precisar pegar as suas coisas e correr de volta para cá. Sem pressão, mas iria adorar mais do que qualquer coisa continuar a nossa pequena aventura. Se a resposta for não, irei entender.

Eu ri abafado da minha tentativa de parecer casual. "Sem pressão." O que eu realmente queria dizer era: "Kendall, traga a sua bunda de volta para cá porque não posso imaginar como vou respirar durante esse maldito voo sem você." De novo, sem resposta depois que tentei ligar para ela uma última vez.


Fui para a sala dos pilotos para fazer check-in, peguei o roteiro e comecei a analisar os detalhes do voo. Ainda nenhuma palavra de Kendall. Não havia escolha, mas segui com o itinerário porque esse avião não ia voar sozinho. Olhando o meu celular constantemente enquanto encontrava a minha tripulação, estava começando a parecer que encontrar Kendall entrar neste avião não ia acontecer. Em um último esforço de ganhar tempo, fiz algo que nunca nem mesmo considerei fazer em toda a minha careira: Eu intencionalmente causei um atraso. Como o primeiro oficial, é minha responsabilidade inspecionar o avião quando chego. Criei um falso pretexto dizendo que um dos instrumentos na cabine de piloto não estava calibrado devidamente e precisava ser verificado. Isso resultou em um engenheiro tendo de fazer alguns testes na cabine. Embora a inspeção tenha acabado atrasando o voo por mais de uma hora, foi tudo em vão. Nada de Kendall. Finalmente fechei as portas da cabine do piloto e quando a minha papelada pré-voo estava completa, recebi a permissão para ir em frente e decolar. Dez minutos mais tarde, levantei o avião em uma decolagem suave enquanto imagens de uma loira, com honestos olhos azuis e o


sorriso mais bonito que já vi passaram pelo meu cérebro. Perguntome se nossos caminhos iriam se cruzar novamente. Uma vez que nós estávamos na fase de cruzeiro, decidi usar o meu último brilho de esperança. A passagem que eu havia comprado para Kendall era para o assento 12C. Às vezes alguns atrasados embarcavam no último minuto. Poderia eu não ter visto ela? Quando uma comissária de bordo entrou com água, perguntei. "Há alguém sentado no 12C, por acaso?" "Deixe-me checar." Ela disse. As vidas de aproximadamente duzentas pessoas estavam em minhas mãos e isso não me deixava nem um pouco nervoso. Esperar até a comissária de bordo voltar com a resposta? Foi uma tortura. A porta abriu. "Na verdade, Capitão, não há. Aquele assento está vazio." "Obrigado, Cammie." Com a confirmação de que Kendall definitivamente não estava no avião, soltei o fôlego que estive segurando e peguei o intercomunicador para fazer o que eu sempre fazia ao me sentir para baixo. Mas essa era para ela.


Capítulo 7

Kendall

Tentei relaxar no meu assento, embora estivesse com os nervos arruinados. A comissária de bordo fez o comunicado pedindo para desligar todos os aparelhos com wireless, mas isso não era necessário no meu caso, desde que o meu celular havia morrido. Na minha pressa para ficar pronta essa manhã, havia deixado o meu carregador de celular conectado a parede de trás no quarto da hospedagem de Maria. Pouco depois de me despedir de Carter no aeroporto, tive o que parecia ser um ataque de pânico no carro de Maria Rosa. O pensamento de continuar essa viagem sozinha parecia insuportável. Nós estávamos quase no hotel quando tudo se tornou claro. Nem mesmo sei como falar português, então usei um palpite sem noção enquanto tentava transmitir os meus pensamentos para Maria. Apontando a direção atrás de nós, disse: "Aeropuerto!" Ela assentiu e continuou a dirigir em direção a Westin. "Maria, preciso voltar para o aeroporto."


Ela deve ter entendido, porque, de repente, fez uma curva fechada para a esquerda e passou por cima do canteiro central. Então nós finalmente seguimos pelo caminho de volta ao aeroporto. Meu coração estava batendo a um quilometro por minuto durante a viagem. Quando ela parou o carro na área de descarga, lhe dei um abraço rápido. "Muchas gracias!" Imediatamente percebi que isso era espanhol, mas simplesmente não tinha tempo suficiente para descobrir como seria o jeito correto de agradecer a ela. Mais tarde, iria enviar a ela uma nota traduzida agradecendo, junto com algum dinheiro para retirar a aparente maldição de mim. Correndo pela porta para o balcão para comprar passagens de linhas aéreas internacionais, quase tropecei sobre a minha mala. "O voo para Dubai já partiu?" A atendente clicou em alguns botões. "Na verdade, esse está atrasado devido a problemas técnicos." Obrigada, Jesus. "Ainda dá tempo de embarcar neste voo?" Ela fez uma ligação antes de responder. "Você tem que se apressar, mas alertei-os para te esperar no portão. Dê-me o seu cartão de crédito e nós vamos liberar você o mais rápido possível."


Ela imprimiu minha passagem para embarque e corri o mais rápido que pude até a segurança. Felizmente não houve problemas para passar e consegui embarcar no avião. Ele não havia me pedido para vir com ele. Esse era um enorme risco. Apesar da minha crescente insegurança, me segurei às memórias do seu olhar quando ele se virou para acenar uma última vez para mim. A expressão dele parecia cheia de arrependimento e dúvida. Ele tinha refletido o que eu estava sentindo. Seriam quatorze horas antes de descobrir se isso era um grande erro. A cabine do piloto já estava fechada quando entrei no avião. Agora, tentaria apenas relaxar. Bem, da melhor forma que pudesse com o conhecimento de que a maioria, se não todas, as morenas pernudas que andavam pelos corredores haviam provavelmente dormido com Carter. Enquanto o avião taxiava pela pista de decolagem, fechei os olhos e me permiti sentir a presença dele em todos os movimentos da aeronave enquanto ela ascendia em direção ao céu. Memórias do nosso voo de asa delta passaram pela minha mente. O pensamento de que Carter era a pessoa controlando essa aeronave era tão reconfortante quanto era uma grande tentação. Não havia nada


mais poderoso do que segurar dúzias de vidas em suas mãos. Ele era um herói, se você me perguntasse. Uma vez que o avião estava nivelado, meu coração pulou uma batida ao ouvir o som da profunda e suave voz dele pelo intercomunicador. "Boa tarde Senhoras e Senhores, este é o seu Comandante Supremo, também conhecido como Capitão Clynes. Gostaria de tomar um momento para recebê-los nesta tarde em minha casa fora de casa, aqui neste belo Boeing 757. Nosso tempo de voo do Rio de Janeiro a Dubai serão gritantes 14 horas. Nós antecipamos algumas pequenas turbulências nos primeiros quarenta minutos ou um pouco mais, mas depois disso o voo deve ser suave. Novamente, bem-vindos a bordo do voo Internacional Airlines 237 para os Emirados Árabes Unidos." Então, sem aviso, Carter começou a cantar. Enquanto todos os passageiros pareciam surpresos, as comissárias de bordo que estavam claramente acostumadas com ele cantando, ficaram completamente apáticas. A música do Beatles que havia escolhido dessa vez era Ticket to Ride20. Duas coisas não passaram despercebidas para mim: o fato de que a música era sobre uma garota despreocupada que estava 20

Bilhete de entrada


partindo e o fato de que ele cantou isso ao invés de Lucy in the Sky with Diamonds. Ele tinha substituído a música que era sua marca registrada por uma que eu estava praticamente certa de que era sobre mim. Se você queria que eu ficasse, porque você não me pediu? Não podia deixar de imaginar qual seria a reação dele quando me visse em Dubai. O dia havia cobrado seu preço em mim. Eu normalmente não conseguia dormir em uma aeronave, mas Carter estando no controle me fazia sentir segura. Acabei dormindo por algumas horas. Quando acordei, fui recebida por um rude despertador. Algumas comissárias de bordo estavam fofocando na cozinha. Meu assento era na última fileira e estava localizado exatamente em frente à área onde elas preparavam a comida. Tentei bloquear os sons ao meu redor para focar naquilo que elas estavam dizendo. "Você e o Trip ficaram juntos no Rio?" "Não. Nós não estamos mais vendo um ao outro. E não ouse me dizer ‘eu te avisei’." "Honestamente... você durou mais tempo com ele do que qualquer outra com quem já o vi saindo por aí."


"Dois meses inteiros." Ela riu. Virei para trás para poder ver qual delas estava falando. Era aquela chamada Jolene. Alta morena. História comovente. "Dois meses é uma vida para os padrões de Trip. Estava esperando que fosse dar certo para você. Mas já sabia... por experiência pessoal, infelizmente." "Eu deveria ter ouvido você." "Às vezes nós precisamos descobrir as coisas por nós mesmos." "Desculpe-me por quase arriscar a nossa amizade para estar com ele." "Quando você me disse que estava dormindo com ele, eu já estava feliz com Brian. Algum dia você vai conhecer um bom cara também. Foda-se o Carter." "Esse é o problema. Eu já fodi. Agora, apenas preciso superar isso." Eu não aguentava ouvir mais nada. Colocando os fones de ouvido, liguei a música. Eu estava doente da cabeça? Há tantos indícios de que posso estar potencialmente enlouquecendo. Esse cara tinha um comprovado registro de ser um cafajeste com as mulheres. Mulheres atraentes. Então de repente, eu


seria

aquela

que

iria

mudá-lo?

Uma

garota

que

estava

potencialmente prestes a ser engravidada por outro homem. Sem saber se deveria rir ou chorar, me senti presa. Literalmente dentro deste longo voo e figurativamente pelo meu próprio coração idiota. Porque mesmo sabendo que deveria sair dessa situação, o meu coração não iria me permitir. E se. E se. E se. E se o que nós tivemos foi diferente? Quando Jolene veio para pegar o meu pedido para o jantar, não consegui me impedir. "Posso lhe perguntar uma coisa?" "Claro." Ela sorriu, mostrando seus perfeitos dentes brancos. Deus, ela poderia ser ainda mais fisicamente diferente de mim? Ela era como uma Amazona. Elas todas eram. O que ele queria comigo, se gostava delas? "Eu percebi que o piloto gosta de músicas do Beatles. Estava em outro voo com ele e ele cantou Lucy in the Sky with Diamonds." "Uh-huh. Geralmente, ele apenas canta essa. Por alguma razão, ele cantou uma diferente hoje."


"Meu pai costumava cantar a música da Lucy para mim." Eu menti. "Você sabe se tem uma história que explique o porquê dele cantar essa música especificamente?" Sem hesitação, ela balançou a cabeça. "Eu não acho que tenha. Ele me disse uma vez que apenas gosta da música." Examinei o rosto dela procurando por qualquer sinal de desonestidade. "Ok. Obrigada." Sabia que ela estava me dizendo a verdade porque ela não tinha razão para protegê-lo neste ponto. Ao contrário, ela provavelmente iria ter prazer em revelar o segredo dele. Ele não havia dito a ela o significado por trás da música. Enquanto Jolene pegava o meu pedido, meu coração estava fazendo um pouco de uma dança feliz. O fato de que ele havia saído com ela por dois meses e nunca se abriu como fez comigo me deu um pouco de esperança. O lado cínico em mim, porém, rapidamente concluiu que talvez ele me contou sobre sua vida, porque pensou que ele nunca iria me ver de novo. O resto do voo inteiro foi gasto refletindo. Pedi a Deus para me dar uma pista de que a minha vinda não era um grande erro. Em certo ponto, fui capaz de dormir novamente.


Quando acordei desta vez, o sol estava brilhando pelas janelas do avião e nós estávamos quase em Dubai. Eu não tinha nenhuma ideia de que horas eram lá. Percebi que o homem sentado do outro lado do corredor ao meu lado tinha um carregador ligado. Felizmente, ele deixou que eu o pegasse emprestado para carregar o meu celular descarregado. Quando a voz de Carter soou pelo intercomunicador, senti calafrios, não apenas porque eu não tinha o ouvido por um tempo, mas porque ele parecia triste e cansado. "Senhoras e Senhores, nós estamos agora no final do nosso percurso para o Aeroporto Internacional de Dubai. A hora aqui é um pouco depois da uma e meia da tarde. Essa é a época mais quente do ano nos Emirados Árabes Unidos. Atualmente a temperatura está atingindo 32° Graus. Fiquem bem e obrigado mais uma vez por voar pela Internacional Airlines. Nós esperamos vê-los novamente em breve." Fechando os meus olhos, fiz uma pequena prece pedindo uma aterrissagem suave. Meus ouvidos estralaram enquanto o avião perdia altitude. Meu coração começou a bater fora de controle com a antecipação de me revelar a Carter.


A aterrissagem foi tão suave quanto poderia ser. Quando os motores foram desligados, liguei o meu celular, chocada por descobrir que havia várias mensagens perdidas – todas de Carter. A Meu Deus! Ele comprou-me uma passagem. Ele me queria aqui. Ele deve ter pensado que eu estava o ignorando. Suor começou a se espalhar por mim. Meu coração parecia que ia explodir. Impossibilitada de ver através da fila de pessoas esperando para sair da aeronave, estiquei o meu pescoço para procurar por ele. Lá estava ele, em pé, alto na frente do avião com uma mão cruzada sobre a outra enquanto as pessoas agradeciam a ele por ter pousado o avião com segurança. Ele não parecia como o Carter que eu conhecia. Os olhos dele estavam escuros e vazios enquanto ele assentia para eles, indo de acordo com o movimento. Pareceu demorar uma vida para eu chegar até a frente. Com cada passo para frente, meu pulso corria mais rápido. Apenas mais alguns passos até ele.


Alguém tinha perguntado algo e no meio da resposta, ele parou no meio da sentença quando finalmente se virou e me viu parada lá. Por alguns minutos, ele congelou em aparente choque. O peito dele estava subindo e descendo enquanto sua respiração ficava mais rápida. Então o olhar taciturno que estava no rosto dele antes foi lentamente dando lugar para um grande sorriso. Isso era um daqueles momentos na vida quando palavras não são necessárias. Carter lentamente balançou a cabeça em descrença, parecendo delirantemente feliz. Eu ainda tenho minhas dúvidas sobre as intenções dele? Sim. Mas ele tão certo quanto o inferno não poderia ter forjado o olhar de genuína felicidade no rosto naquele momento. Nós apenas ficamos lá olhando um para o outro por vários segundos. Todos os passageiros haviam saído do avião, mas a tripulação ainda estava dispersa ao redor. Carter se inclinou e sussurrou. "Então você recebeu minhas mensagens." "Não." "Não?" "Não. Meu celular descarregou pouco depois de deixar você. Apenas vi essas mensagens agora. Acabei correndo de volta e comprando a minha própria passagem."


Os olhos dele estavam movendo para cá e para lá enquanto processava isso. "Perky..." Ele pausou. "O que?" Eu sorri. "Eu não sei o que é isso." "Nem eu. Eu..." "Deixe-me terminar." Ele me interrompeu. "Não sei que porra está acontecendo aqui, mas quando pensei que você havia partido me senti muito pior do que deveria depois de conhecer alguém por apenas dois dias. Então, não sei o que isso é. Apenas sei que quero mais disso." Ele olhou ao redor, depois colocou a mão na minha cintura, conduziu-me até a cabine do piloto e fechou a porta atrás de nós. "Não posso acreditar que você realmente veio." Em um instante, eu fui imprensada contra a parede enquanto ele pressionava os seus lábios fortes contra os meus e gemia em minha boca. Abri espaço para ele e saboreei o gosto que apenas havia experimentado uma vez antes – O gosto que pensei que nunca iria ter a chance de provar novamente. Nossas línguas se exploravam desesperadamente enquanto eu corria os meus dedos pelos cabelos dele e me agarrava a seu corpo. Ele interrompeu o beijo primeiro. "Eu precisava tanto disso." Arquejando, eu disse. "Essas foram longas quatorze horas."


Ele colocou o meu cabelo para trás da minha orelha. "Ouça, parte da razão pela qual eu acabei de te atacar como se você fosse a minha última refeição... é por causa de onde nós estamos ok?" "Eu não entendo." "Uma vez que nós estivermos fora desse aeroporto e em público, nós não teremos permissão para nos tocar." "O que você quer dizer?" "As coisas são muito diferentes em Dubai. Nós não temos permissão para fazer demonstrações públicas de afeto. Nós podemos literalmente ser presos. Mesmo pessoas casadas só podem segurar as mãos. Beijar ou mesmo abraçar para eles é considerado indecente." "Você está malditamente brincando comigo?" "Você não pode xingar em público, também. É um crime de ofensa." "Jesus. Eu preciso de um drink." "Isso é outra coisa. Nós só temos permissão para beber em hotéis e clubes aqui." Ele olhou para mim de cima para baixo. "Nós precisamos cobrir você antes de sairmos também. Espero que você tenha trazido o sutiã que eu te comprei." "Está na minha mala."


Ele tirou a jaqueta dele. "Use isso por agora. Nรณs temos que sair daqui." Carter colocou a mรฃo dele na pequena curva das minhas costas e me guiou para fora da cabine de piloto. "Para onde nรณs vamos?" Ele piscou e mostrou um sorriso misterioso. "Talvez eu conheรงa um pequeno esconderijo."


Capítulo 8

Carter

Meu esconderijo habitual estava completamente reservado. Amari tinha me oferecido o sofá sem nenhuma cobrança até que um dos seus três quartos vagassem na manhã seguinte. Se estivesse sozinho, teria aceitado sua oferta sabendo que iria desabar e ficar morto para o mundo de qualquer forma, assim que chegasse lá. Mas Kendall merecia mais do que compartilhar um sofá enquanto estranhos aleatórios iam e vinham. Além disso, mesmo o pensamento de alguém olhando para ela dormindo naquela fina camiseta de dormir já me irritava. Ao invés de me arriscar tentando encontrar uma nova hospedagem em um lugar como Dubai, peguei um quarto no hotel em que a companhia aérea costumava colocar a tripulação. Certamente não era ideal, mas era seguro e eu precisava dormir um pouco. Fora do aeroporto, conduzi Kendall para longe da van reservada para levar os empregados da companhia aérea para o Resort Hilton Dubai Jumeirah. Não queria expô-la mais às indiscrições do meu passado do que ela já havia sido. Na fila do táxi, conseguimos encontrar uma van compartilhada sem muita


espera. Sentamos em um banco traseiro e as outras fileiras estavam cheias de pessoas falando em um idioma que deduzi ser Farsi. A parte de trás do assento a nossa frente ostentava uma bolsa plástica cheia de panfletos laminados com as leis locais de Dubai em diferentes línguas. Eu havia folheado eles antes e pensei que Kendall iria se divertir com eles. Pegando a versão em inglês do banco, segurei e apontei a primeira lei: Sem demonstrações públicas de afeto. Isso inclui beijar, abraçar e segurar a mão. A mão dela estava sobre o assento. Conferi para ter certeza de que ninguém estava prestando atenção e então deslizei a minha mão sobre a dela entrelaçando os nossos dedos. Ela me deu um longo olhar de lado com um brilho em seus olhos. Mantendo a sua mão direita sob a minha, ela estendeu a mão esquerda e pegou o panfleto com as leis da minha mão. Ela colocouo no banco e silenciosamente apontou para a segunda regra: As roupas devem ser conservadoras. Mulheres devem evitar o uso de roupas transparentes, com decotes baixos ou curtas. Barrigas, ombros e as costas devem estar cobertas. Homens devem cobrir o peito e não devem mostrar sua roupa íntima. Ela olhou para frente para ter certeza de que ninguém nas fileiras à nossa frente estava nos assistindo e então lentamente começou a levantar a saia do vestido de verão que ela


estava usando. Sabendo que era ilegal e acompanhando o lento e sensual movimento da mão dela enquanto levantava pouco a pouco, eu precisei me segurar muito para conter um gemido. Quando ela alcançou o topo das suas coxas, tive de me arrumar no assento. Eu havia visto ela na porra de um biquíni, mas isso... se esgueirar enquanto as pessoas estavam logo ali era puramente erótico. Com as mãos unidas, a saia dela puxada para cima e mal cobrindo a calcinhas, ela me devolveu o panfleto. Sem querer chamar atenção para nós por agir de forma estranha, e precisando de um minuto para diminuir a agitação do meu pau, passei um minuto olhando pela janela, fingindo estar interessado em qualquer coisa além da visão das coxas dela e da sensação de pele com pele. Depois apontei para a regra de número seis no panfleto: Nenhuma linguagem fula e nenhum gesto indecente serão tolerados. Esperei até que o motorista estivesse ocupado conduzindo pela estrada e que a família a nossa frente estivesse entretida em uma conversa alta. Então me inclinei para frente e sussurrei no ouvido dela: "Meu pau está duro como pedra imaginando se você iria me parar caso eu puxasse essa saia um pouco mais para cima." Ela engasgou. Por sorte, ninguém pareceu perceber. Alguns minutos mais tarde nós já estávamos saindo da estrada e sabia que


não estávamos longe do hotel. Kendall virou o panfleto de regras na direção dela e olhou para mim com um sorriso malicioso que dizia: que outras regras nós podemos quebrar? Ela procurou pela lista mais uma vez e então atraiu os meus olhos ao prender os lábios superiores com os dentes antes de apontar a regra de número 9: Sexo fora do casamento não é permitido em Dubai e é um fato que esta lei se aplica a visitantes, independentemente de onde eles venham. Não haveria uma lei nesse maldito país que eu não iria fazer o meu melhor para tentar quebrar enquanto estivesse aqui!

***

Infelizmente, a excitação e o tesão construídos durante o percurso de van não duraram muito. A recepção do hotel Hilton estava praticamente vazia quando chegamos. Exceto por umas poucas comissárias de bordo com quem eu preferia não cruzar. Quando as duas nos abordaram, queria tanto puxar Kendall para perto de mim, envolver os meus braços ao redor dela possessivamente para lhe oferecer algum tipo de reafirmação física,


mas não queria que ela tivesse problemas com a lei. Essas pessoas em países Árabes não brincam em serviço. Alguns meses atrás, dois atendentes de voo britânicos de uma companhia diferente foram presos por 90 dias porque foram pegos mandando mensagens eróticas e sexuais pelo celular um para o outro. Três malditos meses. "Trip." Jolene ronronou. "Eu não tinha certeza se você iria ficar aqui nessa folga." Parado ao lado de Kendall, a época que fiquei com Jolene parecia ter acontecido há uma vida atrás. Mas na realidade não era. Há menos de um mês atrás nós estávamos fodendo neste mesmo hotel. Kendall endureceu quando Jolene veio para mais perto de mim. Ela falou rapidamente, mas alto o bastante para que ambos, Kendall e eu, pudéssemos ouvir enquanto ela deslizava um cartão chave no bolso da minha camisa. "Se você quiser companhia mais tarde, estou no quarto 4030. Lana está na porta ao lado da minha desta vez então pelo menos nós não vamos ter reclamações sobre a bagunça e o barulho alto mais uma vez." Dei um passo para trás, a fim de me afastar dela e Jolene percebeu a presença de Kendall pela primeira vez. "Quem é você? Oh... do avião, certo?" Kendall encarou Jolene. No começo, achei que Kendall ia ficar chateada. Mas então vi o fogo nos olhos dela. Ela estava com raiva.


Mesmo assim colou um sorriso falso no rosto, estendeu a mão e com um pesado sotaque texano que nunca ouvi antes, respondeu. "Kendall Sparks, prazer em te conhecer." Jolene relutantemente deu a mão. Uma vez que Kendall tinha a mão de Jolene na dela, ela a segurou e se inclinou. "Sou a terapeuta pessoal do Carter. Fico triste em dizer que ele está fazendo uma pausa das bagunças e barulhos altos por um tempo. Disfunção erétil induzida pelo estresse." Kendall pegou o cartão chave no meu bolso e o estendeu para Jolene. "Ele não estará visitando o quarto 4030." A boca de Jolene escancarou quando nós saímos andando. "Você sabe que minha masculinidade precisa provar que tudo o que você disse lá atrás era mentira." "Talvez se você mantiver as suas calças fechadas de vez em quando, sua masculinidade tenha essa oportunidade algum dia." "Vou te lembrar disso, Perky. Vou te lembrar disso." Minha folga era de três noites em Dubai desta vez. Mas eu disse a Kendall para pegar um quarto apenas para hoje à noite quando fizemos o check-in. Odeio que nós não estaríamos dividindo um quarto, como na Maria Rosa. Mas pelo menos essa merda era apenas por uma noite. Uma vez que nós estivéssemos no Amari amanhã, não haveria mais olhos nos observando.


Nossos quartos eram no oitavo andar, três portas de distância um do outro. Chegamos ao de Kendall primeiro e tentei convencêla a me deixar entrar. "Obrigado por continuar essa viagem comigo, Perky. Não estava pronto para te deixar ir, de jeito nenhum. Não sei o que isso é, mas é a melhor coisa que tenho em minha vida ultimamente e não quero perder isso." "Estou feliz de ter vindo também." Quando ela abriu a porta, tentei dar um passo para dentro do quarto dela, mas ela me parou com a mão em meu peito. "O corredor tem câmeras." "Eu iria para a cadeia por um beijo agora. Poderia até passar algum tempo na cadeia para poder ter um gosto dos seus mamilos." Ela balançou a cabeça, mas sorriu. "Você tem uma língua perversa." Eu arqueei minhas sobrancelhas. "Vai. Durma um pouco. Você deve estar exausto. Hoje à noite quero que você me leve à cidade. Leve-me para dançar." Ela estava certa. Eu definitivamente precisava de algumas horas de sono. Mas não havia nenhuma chance no inferno de que iria fazer isso sem outro pequeno gosto. Eu a tinha provado duas vezes e agora estava viciado. Empurrei para entrar no quarto dela antes que a porta fosse fechada.


Quando ela viu a determinação em meu rosto, deixou a porta fechar atrás de mim. "Carter... Nós poderíamos ter problemas." "Mais um motivo para fazer isso valer a pena." Dez minutos mais tarde, sai do quarto dela com uma persistente ereção. Não havia nem percebido o que eu estava assobiando até estar de banho tomado e subindo na cama. I Want to Be Your Man21, dos Beatles. Eu estava muito ferrado.

21

Eu quero ser seu homem.


Capítulo 9

Kendall

Eu estava mergulhada na banheira depois de uma longa soneca

quando

o

telefone

do

quarto

do

hotel

tocou.

Convenientemente, havia uma extensão do telefone no banheiro e tudo o que tive de fazer foi me esticar para alcançá-lo e atender. "Eu tive um sonho onde você estava ao meu lado na cama quando acordei." A voz de Carter ainda estava rouca por causa do sono. O som viajou do aparelho, atravessou a minha orelha e seguiu direto para baixo entre as minhas pernas. "Fiquei desapontado quando me estendi sobre a cama e tudo o que encontrei foi uma cama vazia." Afundei de volta na banheira, deixando apenas os meus mamilos sobre a água quente. Entre o ar frio e a voz de Carter, eles estavam firmemente erguidos e eretos. Joguei um pouco de água quente neles, mas não ajudou. "Você está dizendo que sonhou comigo?" "Estive sonhando com você desde o minuto que coloquei os meus olhos sobre você no saguão do aeroporto. Embora não tenha certeza se algumas das coisas nas quais estive pensando sobre você


poderiam ser chamadas de sonho. Fantasias seria uma definição melhor." "É assim, então?" "É." Peguei um punhado de água e despejei sobre os meus mamilos enquanto falava. "Você dormiu bem ou foi duro dormir por causa desses sonhos?" "Ah, foi definitivamente duro. Mas pelo menos consegui cochilar por algumas horas. E você?" "Eu dormi um pouco. Estava dolorida por causa do longo voo, então pensei que tomar um banho poderia relaxar meus músculos." "Você está no banho agora?" "Hmmm-mmm." Carter fez um barulho que soou como um gemido. "Você está fodidamente me matando, Perky. Finalmente consegui colocar o meu mastro para baixo e agora você me diz que está conversando comigo nua, deitada em uma banheira." "É tão gostoso. Você deveria tentar." "Você não tem que pedir duas vezes. Estou indo aí." Eu gargalhei. "Você tem disfunção erétil causada pelo estresse, lembra?" "Eu irei te mostrar quão disfuncional a minha ereção é."


"Seja legal. Eu poderia ter dito a ela que você tinha uma DST, sabe. Então você teria problemas para recuperar as vadias do céu, mesmo depois que eu me for." "Vadias do céu, huh?" Assenti. "Vamos falar sobre outra coisa. Não gosto de pensar sobre você dessa forma. Você parece... tão diferente quando está comigo." "Eu sou diferente quando estou com você." Fiquei quieta por um minuto. Pode uma pessoa ser duas pessoas diferentes? Eu não achava que isso era realmente possível. Muito provavelmente, uma das duas personalidades era uma farsa. Não me permitiria pensar sobre isso... Talvez eu não fosse aquela que estava vendo o Carter real. "Você ficou quieta. Sobre o que você estava pensando?" "Para ser sincera, estava pensando qual Carter é o real. O cara que dormiu no chão no Rio sem que eu pedisse, porque ele sabia que eu estava desconfortável. Ou o cara que se envolve com uma comissária de bordo diferente a cada semana." "Estou meio que confuso comigo mesmo também. Mas sei qual das personalidades gosto mais. Gosto mais de mim mesmo quando estou com você. Acho que você desperta o melhor que há em mim, Kendall – um lado que não tenho visto por muito tempo. É como se


eu tivesse esquecido que essa parte de mim ainda existia até você entrar no meu voo." "Eu acho que essa é a coisa mais doce e realista que alguém já me disse. Gosto de você também, Carter Clynes." Por alguns minutos, apenas ouvimos a respiração um do outro. Estranhamente, esses minutos relaxaram os meus músculos mais do que a soneca ou o banho quente de banheira combinados. "Você ainda está disposto a sair para dançar hoje à noite? Vou entender se não estiver. Você pilotou um avião por quatorze horas e apenas deu um cochilo." "Eu não preciso dormir muito. Estarei pronto para ir em uma hora." "Olhei por toda a minha mala antes. Honestamente não tenho muita roupa de sair que cubra todas as partes que precisam estar cobertas." "Você tem uma jaqueta leve?" "Sim." "Vista o mais sexy possível. Jogue a jaqueta por cima para cobrir. As regras não se aplicam em clubes licenciados e estou ansioso para ver alguma pele." "Ok. Bem, então você verá alguma pele, Capitão."


***

Esqueça Dubai, havia uma chance de eu não conseguir entrar no Texas com essa roupa. Quando me virei para a minha esquerda e então para a direita, vendo o meu vestido no espelho uma última vez para ter certeza de que todas as minhas partes importantes estavam adequadamente cobertas. Elas estavam... por pouco. Olhando de frente, parecia um curto vestido preto simples, embora fosse realmente curto. Apenas quando me virava de lado que você poderia ver que toda a lateral do vestido era transparente. Uma tira de pano de mais ou menos vinte centímetros de largura unia o material preto e mostrava que era impossível usar qualquer coisa por baixo. Ficar sem sutiã não era algo incomum para mim, mas sair sem calcinha para dançar em um clube era a primeira vez. Era por isso que eu ainda não havia usado esse vestido desde que o havia escolhido em uma liquidação há quatro meses. Para acompanhar meu visual de garota fina, penteei os meus cachos loiros para dar um volume extra e maquiei os meus olhos com um esfumaçado roxo-acinzentado. Havia uma linha tênue entre parecer sexy e puta e esperava que estivesse pendendo para o


lado certo. Quando Carter bateu na porta, estava repentinamente nervosa e com borboletas no estômago. "Um minuto!" Dei uma última olhada no espelho e respirei profundamente antes de correr para a porta sobre os meus saltos. Aparentemente, o visual de vadia era um que Carter realmente gostava. Os olhos dele saíram de orbitas e ele amaldiçoou sob um fôlego. "Jesus, Maria e José. Você está fodidamente tentando me matar?" Virei lentamente em círculo para dar a ele uma visão completa. "Você gosta?" "Você não está usando nenhum sutiã ou calcinha sob essa coisa, está?" "Não tem lateral, não dá para vestir nenhuma roupa íntima por baixo. É demais?" Ele ficou na porta, segurando ambos os lados da soleira tão forte que as juntas dos seus dedos começaram a ficar brancas. O jeito pelo qual ele olhava para mim com tanta crueza e intensidade fez minha pele se arrepiar. "Você está linda, Kendall. Não é demais. Apenas odeio o pensamento de dividir você nesta roupa com qualquer outra pessoa." "Você disse que queria ver pele. Então vesti isso para você."


"Obrigado. Isso fez o meu dia. Foda-se, isso fez o meu ano. Agora pegue a sua jaqueta e se cubra antes que eu faça alguma coisa que você pode não concordar." Meu casaco estava na cama. Deslizando para dentro dele, o prendi com firmeza ao redor da minha cintura e estava feliz que ele cobria todo o caminho até os meus joelhos. Ninguém imaginaria o quão pouco eu tinha por baixo. Carter segurou a porta enquanto eu passava, mas parei para sussurrar. "Não posso pensar em nada que você faria que eu não concordasse."

***

O CLUB BOUDOIR era mais glamouroso do que qualquer outro clube que já fui. E isso contando com a viagem anual das garotas que eu fazia nos últimos anos para a cidade de Nova Iorque. Havia uma longa fila para entrar, mas Carter me surpreendeu ao caminhar para frente da fila. Quando ele deu o nome dele, nós fomos escoltados direto para dentro. Ele havia reservado uma mesa que vinha com uma cara garrafa de champanhe.


"Isso é lindo." Ele puxou a minha cadeira. "Estou feliz que você tenha gostado. Porque provavelmente não poderei pagar pelo jantar nos próximos dias depois disso." Ele estava brincando, mas sabia que tinha lhe custado uma pequena fortuna para conseguir uma sala VIP e não esperar para entrar. Nós dividimos uma mesa cheia de aperitivos e bebemos toda a garrafa de champanhe enquanto assistíamos as pessoas juntos. Era tão tranquilo passar um tempo com Carter, tanto quando estava sentada em nosso quarto na casa da Maria Rosa, quanto agora enquanto me balançava de acordo com a música em minha cadeira em um clube arrogante no meio da chique Dubai. Quanto mais pensava sobre isso, mais percebia quão estranha era toda essa situação. "Eu não posso acreditar que há poucos dias um macaco urinou nos meus ombros em uma hospedaria e agora estou sentada em um clube cheio de pessoas bonitas, bebendo champanhe com você." "Qual você mais gosta?" "Eu não sei. Você não me mostrou o seu gingado ainda. Você sabe dançar, Capitão Clynes?" Ele engoliu o que restava de champanhe em seu copo. "Talvez."


Eu me levantei e lhe ofereci a minha mão. "Mostre-me o que você sabe, gostosão." Ele curvou uma sobrancelha. "Gostosão?" O champanhe me fez desinibida. Envolvi os meus braços ao redor do pescoço de Carter. "Você é lindo, confiante, engraçado e piloto de avião. A única coisa que pode deixar o pacote ainda melhor é se você tiver ritmo." Carter se inclinou lentamente, passando sua bochecha contra a minha e sussurrou na minha orelha enquanto os dedos dele lentamente traçavam um lado do meu corpo. "Ah, eu tenho ritmo. Mas você vai ver mais tarde em particular. Prometo." Quando ele puxou a cabeça para trás, meus lábios se separaram e minha respiração estava ofegante. Eu o queria tanto, que doía fisicamente. "Nós podemos pular a dança?" "De jeito nenhum. Eu vou ficar me esfregando contra você naquela pista de dança. Vão ser as suas preliminares. Porque não estou certo de quanto tempo você vai ter quando eu tirar esse vestido de você mais tarde."

***


Carter gemeu na minha boca quando deslizei a minha mão para dentro de sua cueca, pelas suas costas. Nós estávamos num corredor perto do banheiro, ambos molhados com suor por causa das horas dançando. Nós tínhamos rido e dançado, bailado ao som de músicas lentas e nos esfregado durante as músicas americanas de R&B. Senhor, Carter Clynes podia dançar. O jeito que ele movia os quadris, empurrando a sua incansável ereção em mim, quase podia me fazer gozar apenas com isso. Nos últimos dez minutos, entretanto, as coisas haviam mudado. Os beijos ficaram mais urgentes, a necessidade atingiu um nível tão alto que se nós não tirássemos as nossas roupas nas próximas poucas batidas de coração, eu iria desmaiar por falta de sexo. Uma música lenta começou. Eu não sabia a letra, mas Carter cantou algumas partes, com nossos corpos se movendo enquanto ficávamos pressionados um contra o outro na privacidade oferecida pelo corredor escuro. "Você está me deixando louca. Nós precisamos ir." Eu disse. Havia uma saída de emergência no final do corredor. Não importava que nós não tivéssemos ideia de onde ela nos levaria. Tudo o que importava era que o lado de fora nos deixava mais


perto de voltar para o hotel. Peguei a mão de Carter. Ele me seguiu enquanto eu empurrava a porta lateral e a abria. O ar fresco parecia tão bom em minha pele suada, enviando arrepios por todos os lugares molhados. Não podia me lembrar de já ter me sentido tão viva antes. Até a minha pele sentia a excitação. Quando a porta do clube estava prestes a se fechar, Carter a segurou. "Merda. Deixei o meu cartão de crédito com o garçom. Preciso fechar a conta e pegálo. Nós temos de voltar para dentro." Era a noite de verão mais inacreditável. Eu podia sentir o cheiro de água salgada no ar e a leve brisa parecia tão boa. A rua estava silenciosa e não havia ninguém por perto. "Eu vou esperar aqui." "De jeito nenhum. Não vou deixar você aqui fora sozinha." Eu tirei os sapatos dos meus pés. "Não posso voltar para dentro. Você vai. Depressa." Ele tentou protestar novamente, então envolvi os meus braços na cintura dele e me inclinei na ponta dos pés. "Se você não for depressa... vou começar sem você." Carter gemeu. "Não se mexa. Estarei de volta em dois minutos." Eu ainda podia ouvir a música lá dentro mesmo depois de a porta se fechar. Fechando os meus olhos, sorri, me sentindo mais livre e feliz do que poderia imaginar. A música da Beyonce,


Dangerously in Love tocou e comecei a mover o meu corpo ao som da música, pensando em quão sintonizados a música e eu estávamos. Senti-me livre, mesmo que o homem por quem estava me apaixonando fosse perigoso. Eu levantei os meus braços no ar enquanto o refrão tocava, girei algumas vezes cantando junto com Dangerously, Dangerously in Love. Estava tão perdida, tão feliz, tão apaixonada por esse homem que não estava nem prestando atenção ao meu redor. Provavelmente foi por isso que não percebi o carro de polícia descendo a rua até que as sirenes estivessem soando.

***

O tradutor não estava fazendo nenhum sentido. "Mas isso não estava no panfleto de regras. Como dançar em público pode ser ilegal? Ninguém me disse? Eu não estava nem dançando de verdade. Estava mais rebolando." "Isso é considerado um ato indecente. Não se preocupe, você vai diante do juiz e vai alegar inocência. É improvável que você receba uma sentença de mais do que noventa dias desde que é a sua primeira ofensa."


"Noventa dias! Não posso ficar noventa dias na cadeia. Não fiz nada de errado. Onde está o Carter? Preciso do Carter. Ou do meu advogado. Posso ligar para o meu advogado na América? Ele vai saber o que fazer." "Depois que você falar com o juiz, vai ser levada para o local de detenção. Eles vão te acomodar e depois, em alguns dias, você poderá fazer algumas ligações." "Não. Não posso. Você não entende. Não fiz nada de errado." Meu coração começou a bater fora do meu peito e senti uma coceira horrível no meu braço. Eu continuei coçando e coçando, mas ela apenas não acabava. A urticaria havia se espalhado por todo o meu corpo como costumava acontecer quando era uma criança. Isso não pode estar acontecendo. Como isso pode estar acontecendo? Isso é loucura! "Senhora. Você precisa se acalmar. O juiz vai ficar muito chateado se você agir dessa forma na corte dele. A expectativa é de que você permanecerá em silêncio a menos que lhe seja dirigida a palavra." Fale quando lhe for dirigida a palavra. Eu não estava mais na América. Pouco tempo depois, meu tradutor desapareceu me deixando sozinha em uma sala que me lembrava de uma cena ruim de interrogatório do CSI. Não tinha nenhuma janela, apenas duas


cadeiras e uma velha mesa suja. Eu queria chorar, mas estava com medo de que uma vez que começasse, nunca mais seria capaz de parar. A realidade de onde estava começava a se encaixar. Uma mulher sozinha numa nação Árabe, onde havia infringido a lei sobre indecência. Assustada nem mesmo poderia começar a descrever como me sentia. Eles haviam pegado o meu telefone e não havia nenhum relógio na parede, então não tinha nenhuma ideia de quanto tempo já havia passado. Minha cabeça estava descansando sobre a mesa, mas era impossível adormecer. Horas depois do meu intérprete sair, um oficial uniformizado usando uma boina e não um, mas dois coldres com armas, entrou. Ele estava carregando um prato com um sanduiche e o jogou na minha direção. A louça fez um ruído alto ao bater na mesa e me assustei, saltando fora do meu assento. Não estava certa se ele falava inglês ou apenas fingia não falar, mas ele ignorou todas as questões que lhe fiz e saiu da sala. Em algum ponto, devo ter desmaiado. Um oficial diferente bateu a porta para me acordar. Secando a baba do meu rosto, fiquei de pé. "Preciso fazer uma ligação." "Você vai ver o juiz agora." "Mas não falei com o meu advogado ainda ou fiz uma ligação. Eu não tenho o direito de fazer isso antes?"


Novamente, fui ignorada. Ao invés de receber uma resposta, fui algemada a uma dúzia de outras pessoas e nós fomos levados em

uma

fila

reta

por

uma

série

de

longos

corredores.

Eventualmente, chegamos a uma porta e fomos colocados para dentro. Uma vez dentro, percebi as barras do outro lado da sala e depois dela uma sala de corte vazia. Senti-me como um animal enjaulado prestes a ser julgado por um crime que mal cometi. Alguns minutos depois, dois oficiais uniformizados abriram as portas dos fundos da sala da corte e pessoas começaram a encher o espaço. Segurei-me às barras, desesperadamente procurando através das pessoas entrando. Carter! Obrigada Deus. "Carter!" Levantei a minha mão para acenar, puxando para cima o braço da pessoa ao meu lado, a quem ainda estava algemada, sem nenhum aviso. Ele tentou vir até mim, mas um dos guardas o impediram de chegar tão perto. "Não diga nada. Consegui uma advogada. Ela vai cuidar de tudo." Eu assenti, sentindo a sensação de alívio pela primeira vez desde que esse pesadelo havia começado. Lágrimas começaram a descer pelo meu rosto, mas não podia nem mesmo secá-las sem incomodar as pessoas ao meu lado. Então apenas as deixei cair.


Algum tempo depois, a sessão da corte se iniciou. Um juiz trajando um tradicional vestido Kandoora branco que ia até os tornozelos e um lenço xadrez vermelho e branco cobrindo a sua cabeça sentou-se no banco. Ele falou rápido e furiosamente em árabe e raramente olhou para cima. Tanta coisa estava acontecendo ao mesmo tempo. O juiz estava falando para uma pessoa enquanto duas ou três outras estavam tendo conversas à parte em línguas diferentes – algumas das quais eu nem estava certa de qual língua eles estavam falando. Apenas continuava olhando para frente da sala de corte e para Carter que estava sentado no fundo. Foi a primeira vez que vi Carter parecendo qualquer coisa além de calmo, relaxado e confiante. Isso sozinho já me assustava pra caramba. Eventualmente, um oficial chamou o meu nome. Ele me soltou da cadeia de prisioneiros e me guiou para um corredor onde uma mulher vestindo um terno estava me esperando. Ela falava inglês perfeitamente, mas com um sotaque árabe acentuado. Ela também era chocantemente bonita. "Quando o juiz chamar o seu nome, irei falar por você. Nós iremos alegar inocência. O oficial que te prendeu não irá comparecer para testemunhar e isso irá chatear o juiz."


"O que? Como você sabe que o policial que me prendeu não vai aparecer e porque nós queremos chatear o juiz?" Ela gesticulou como se eu estivesse irritando ela. "Porque o policial recebeu ordem para não aparecer hoje. E esse juiz é um obcecado por ouvir o testemunho na audiência inicial. Há cinquenta por cento de chance de que isso irá irritar tanto ele que ele vai soltar você para provar um ponto." "O que acontece se as coisas forem por outra direção? O que acontece se o outro cinquenta por cento de chances vencerem?" "Então você irá para a cadeia por no máximo trinta dias até que o oficial seja localizado e apareça." "Mas..." Antes que pudesse argumentar, um policial chamou o meu nome. "É a nossa vez. Vamos." "Espere..." "Não. Nós entramos agora." Tudo que aconteceu depois se desenvolveu na minha frente como se eu estivesse assistindo a distância. Estava fisicamente presente na sala da corte, mas a minha mente estava flutuando longe, assistindo a tudo o que acontecia. Olhei para trás, para Carter, que antes estava em pé ao lado da minha advogada na


frente da corte. Ele estava sentado na beira do seu assento parecendo tão nervoso quanto eu me sentia. O juiz disse algumas coisas que não entendi e então a advogada respondeu em árabe. Prendi a respiração enquanto assistia o juiz ficar cada vez mais nervoso a cada saraivada de palavras que soltava. Depois de um caloroso debate, o juiz pegou o seu martelo e o bateu furiosamente. Eu saltei com o som. "Venha comigo." Um policial pegou o meu cotovelo e começou a me guiar para fora da sala de julgamento. "Espere. Espere... O que aconteceu?" Perguntei à minha advogada. "O que o juiz disse?" Ela rolou os olhos. "Você está livre para ir. O oficial vai levar você para pegar os seus pertences, agora."

***

Carter estava me esperando nos degraus em frente ao fórum com a minha advogada. Minha primeira reação foi correr para ele e jogar os meus braços ao redor dele. Mas então me lembrei de que foi assim que acabei com problemas da primeira vez – sendo indecente em público.


"Você está bem?" O rosto dele estava tão cheio de preocupação. "Eu acho que sim." Ele se virou para a minha advogada. "Não sei como te agradecer, Serine." Um sorriso dissimulado atravessou o rosto dela e ela assentiu. "Tenho certeza de que você irá pensar em alguma coisa da próxima vez que os nossos caminhos se cruzarem em um voo para a América, Capitão." Ela se virou para mim. "Boa sorte com a sua irmã. Tente manter ela decente de agora em diante." Eu fiquei com a boca aberta enquanto ela se afastava. "Sua irmã?" Carter tentou explicar. "Nós nos encontramos algumas vezes nos voos. Pensei que as chances de ela me ajudar seriam melhores se..." Eu levantei a minha mão e parei-o. "Eu não quero nem saber." "Desculpe-me, Kendall. Nunca deveria ter deixado você lá fora sozinha. Eu deveria ter feito você vir comigo e isso nunca teria acontecido." "Isso não foi sua culpa." Ele apontou o queixo para o estacionamento do outro lado da rua. "Aluguei um carro. Nós podemos sair daqui, por favor?"


"Deus, sim. Preciso muito tomar um banho e sair dessas roupas." "Bom. JĂĄ tenho as suas malas. Pedi a camareira para abrir o seu quarto. Fingi que perdi as minhas chaves." "Minhas malas? Onde nĂłs estamos indo?" "Para onde deveria ter levado vocĂŞ na primeira noite."


Capítulo 10

Carter

Eu realmente fodi tudo. Sob nenhuma circunstância deveria ter deixado Kendall sozinha. Mesmo que ela continuasse tentando me convencer de que a prisão não fosse minha culpa, não podia deixar de me sentir responsável por todo o ocorrido. Ela estava estranhamente quieta por todo o percurso até a hospedagem de Amari. Meu amigo havia reservado para nós um dos quartos em sua hospedagem para os próximos dias. O lugar ficava no coração do deserto, longe da movimentação da cidade. Felizmente, Amari não era conservador. Enquanto nós fossemos discretos, fingindo ser casados para que os outros convidados não ficassem perturbados, ele estava completamente de acordo com Kendall e eu dividindo um quarto. Ele podia ser confiável e não nos denunciaria. Nós havíamos acabado de chegar no nosso quarto quando percebi que Kendall estava encarando pensativamente a areia do deserto do lado de fora da janela. "Você está bem?"


"Só preciso de um banho." Ela respondeu sem se virar para mim. O tom dela me alarmou. Eu precisava consertar isso. Tudo o que queria era desfazer o dano feito pela prisão. "Deixe-me preparar o seu banho." Apesar de ela não me responder, segui para o banheiro e preparei a banheira até que ela estivesse cheia de água e sabão. Ainda me sentindo ansioso por causa de sua divagação, voltei para o quarto e ofereci a minha mão para levantá-la da cama. Guiando-a até o banheiro, não queria mais nada além de abraça-la sob a água quente. "Tire as suas roupas." Mandei. "Mas deixe o sutiã e a calcinha porque nós iremos tomar banho juntos." Aliviado por ela não ter protestado, tirei as minhas calças, mantendo a minha cueca boxer antes de entrar na água. Depois que ela tirou o vestido, meu pau inchou diante da visão do corpo dela, vestindo nada além da calcinha e do sutiã. Estendi a minha mão para ela. "Entre. Prometo que não irei morder."

Ela hesitantemente colocou as pernas para dentro, uma por uma, então abaixou o corpo na minha frente, acomodando-se entre


os meus joelhos. Com as costas dela pressionadas contra o meu peito e a bunda dela tão perto do meu pau, a minha ereção não podia ser resolvida. Felizmente, ela entendeu. Kendall estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo. Puxando o prendedor de cabelo, assisti enquanto os belos cabelos loiros caiam soltos. Pegando um pouco de água quente em minhas mãos, repetitivamente molhei os cabelos dela, depois coloquei umas gostas de xampu na minha palma. Comecei a lentamente massagear o seu coro cabeludo enquanto ela inclinava a cabeça para trás. "Relaxe, baby." Eu sussurrei. "Apenas relaxe." Não queria nada mais do que cuidar desta garota agora, e fazê-la se sentir segura mais uma vez. Estava silencioso, a não ser pelo som de vozes masculinas falando árabe no quarto adjacente. Depois de vários minutos de quase silêncio, Kendall falou pela primeira vez. "Eu sou uma tola, Carter?" Instintivamente, parei o movimento dos meus dedos em seu cabelo para processar a pergunta dela. "O que você quer dizer?" "O que estou fazendo aqui?" Meu coração afundou. Ouvir essa questão foi como um soco no estômago. "Você se arrepende de ter me seguido? ”


Ela se endireitou um pouco e parou antes de falar. "Você é um homem lindo... tão carismático... com um espírito tão livre. E você me faz sentir coisas que nunca senti antes. Mas acho que acabei perdendo o controle. Eu apenas não entendo como vou sair ilesa do que quer que isso seja." "Porque você está se preocupando com coisas que ainda não aconteceram? Porque não pode apenas ser sobre o presente?" "Eu posso pensar em uma porção de razões porque não pode ser." "Ok... Quais são elas? Fale comigo. Tirando a prisão, me diga por que tudo o que aconteceu antes desse ponto te levou a repentinamente acreditar que tudo isso foi um erro colossal?" O tom raivoso da minha própria voz me surpreendeu. Meu corpo ficou rígido enquanto esperava a resposta dela. "Não é apenas sobre você. Eu fui egoísta. Você quer saber por que tudo isso é fodido? Porque há dois homens que convenci a esperarem por mim em cinco dias para determinar se eles terão uma família ou não. Porque eu deveria estar tomando vitaminas pré-natais e não bebendo. Porque ainda não decidi se vou adiante com isso tudo. Porque ouvi Jolene durante o voo dizendo a outra comissária de bordo – com quem você também já havia fodido – que cafajeste você é. Porque a minha advogada, que me tirou da


cadeira, é mais uma das suas transas baratas. Porque sinto como se talvez eu seja uma idiota por pensar que, de alguma forma, sou diferente de todas as outras. Porque talvez ser presa tenha sido um sinal de que dormir com você teria sido um erro colossal. Porque ainda não sei se posso confiar em você. Eu realmente poderia continuar listando." Isso foi difícil de ouvir e honestamente não sabia o que dizer. Eu podia entender as dúvidas dela sobre mim e independente de quão fortes eram os meus sentimentos, não haveria um jeito fácil de provar isso a ela. Depois de um longo silêncio, eu finalmente disse. "Entendo a situação em que você está e está certa de ter essas preocupações sobre mim." "Há tanta coisa em jogo e não poderia sacrificar tudo por um homem que irá me queimar. Como eu sou diferente delas, Carter? Diga-me. Todas as outras mulheres... como sou diferente de qualquer uma?" Eu sabia que era isso. Essa era a minha única chance de responder essa questão de uma maneira tão honesta quanto fosse possível ou iria perdê-la. Passei a minha mão molhada pelo meu cabelo e soltei uma profunda respiração. "Não estou orgulhoso de mim mesmo pelo


jeito que tenho vivido a minha vida até hoje. Tudo o que você ouviu... é tudo verdade, Kendall, tudo isso. Não estou tentando esconder nada de você. Mas nada tem sido o mesmo desde o dia que nos conhecemos. Não sei exatamente como explicar porque isso é diferente. É ainda muito novo. A única coisa que continuo a ter certeza é que quero mais tempo para descobrir o que é isso, mais do que quero qualquer coisa." O fôlego dela ficou mais pesado e sabia que eu precisava olhar nos olhos dela. "Eu preciso que você se vire e olhe para mim." Quando ela finalmente fez o que pedi, reposicionei as minhas pernas ao redor dela, prendendo-a. "Isso sou eu, o eu real. Não o piloto, não o playboy ou qualquer um dos rótulos que foram colocados em mim por causa das minhas decisões estúpidas. Preciso que você saiba que a última coisa que quero é machucar você. Eu vou fazer tudo em meu poder para evitar isso. Mas você tem que entender que não posso mudar o meu passado fodido." Os olhos dela começaram a se levantar. "Não é apenas você. Sou tão fodida também, Carter." Eu sequei uma lágrima que caiu pela bochecha dela com o meu dedão. "Nós dois somos fodidos. Talvez seja isso. Talvez nós vejamos um pouco de nós mesmos, um no outro. Nós dois somos


dois errados, que de alguma forma damos certo. Separados, nós somos miseráveis, mas juntos... de alguma forma funcionamos. Eu sei que essa não é uma situação simples. Sei que você tem de tomar decisões." "Estou com medo." "Quer saber a verdade? Estou com medo por você também. Quando você me disse o que estava acontecendo com você lá no Rio, realmente não deixei a ficha cair. Pensei muito sobre isso durante o voo até aqui, na verdade. Essa é uma merda assustadora. Mas entendo o seu dilema. É um montão de dinheiro – o legado da sua família. Você se sente responsável por manter isso e está tentando fazer isso de um jeito que realmente ajude as pessoas – esses caras na Alemanha. Mas você não está pronta para tomar uma decisão, Kendall. Não quero que você cometa um erro que nunca poderá desfazer. Não é preciso ser um gênio para perceber que você apenas não está pronta para se comprometer a ter uma criança. Isso não vai mudar em cinco dias também. Você precisa de mais tempo. Você precisa adiar essa viagem à Alemanha até que pelo menos tenha certeza." Eu preciso de mais tempo, também. Apenas me dê mais tempo com você.


"Se nós continuarmos essa aventura, não poderei dormir com você, Carter. Por mais que queira, eu decidi que não seria uma boa ideia depois de tudo." "Entendi. Não vou mentir e dizer que isso me deixa feliz ou que vai ser fácil para mim. Mas entendo isso e respeito. E prometo não pressionar você, também." Nós nos encaramos até que me inclinei e a beijei na testa e mantive os meus lábios pressionados contra ela. Momentaneamente perdi o meu bom senso e minha compostura quando falei contra a sua pele. "Não me deixe ainda, Perky." Ela se afastou para olhar para mim e quando repentinamente sorriu, senti como se ela tivesse soltado o meu coração de uma chave de braço. "O que temos planejado para hoje, então?" Ela perguntou. Alívio. "Bem..." Eu sorri. "Nós cochilamos. Depois de acordamos, iremos jantar cedo algum shawarma do Amari e depois um pouco de hookah." "Você acabou de me chamar de puta?" Ela riu. Minha risada ecoou pelo banheiro. Senti-me tão fodidamente bem de deixá-la sair depois da tensão de alguns minutos atrás.


"Não. Hookah. Também conhecido como shisha. É um cachimbo com água usado para fumar tabaco com sabores. Eles fumam isso lá atrás depois das refeições. É uma tradição aqui. Você não tem que fumar se não quiser. Mas prometo que é o único cachimbo que irei pedir para você colocar na sua boca hoje à noite." Kendall divertidamente beliscou a minha bochecha. "Aí está ele. Estava começando a pensar que você ia tornar essa coisa de sem sexo fácil para mim fechando a sua boca suja também." "Ah, eu disse que iria respeitar a sua decisão, mas não tem nenhuma chance de isso se estender a minha boca suja." "Eu amo a sua boca suja, na verdade." "Algum dia, Perky. Algum dia... quando você estiver pronta, você vai perceber como essa boca suja pode te consumir inteira. E você vai adorar isso."

***

A conversa que tivemos na banheira pareceu nos aproximar mais. Naquela noite, sentamos lá fora no quintal dos fundos da propriedade de Amari, o que era basicamente um vasto e seco


deserto, dividindo não apenas um cachimbo hookah, mas também histórias sobre a nossa infância. Kendall me contou tudo sobre crescer em um rancho no Texas e a deixei saber sobre alguns segredos engraçados, tipo como a minha irmã costumava me maquiar enquanto eu dormia quando nós éramos crianças. Kendall era uma alegria de se assistir enquanto ela sentava com as pernas cruzadas, soprando anéis de fumaça do cachimbo hookan com aquela bonita boca pequena enquanto ria e se abria para mim. Nunca a desejei mais, mas por mais que estivesse dolorido para provar o gosto dela, jurei que manteria a minha promessa de não empurrar as barreiras físicas enquanto ela estava neste estado de limbo. Mais tarde naquela noite, ela adormeceu com a bunda pressionada a minha lateral. Em meio ao silêncio do deserto e a minha pulsante ereção, não consegui dormir merda nenhuma. Desesperadamente precisando de alivio, me levantei da cama silenciosamente e me retirei para o banheiro. Com as minhas costas encostadas contra a porta, fechei os olhos e me lembrei do nosso tempo no clube, mas ao invés de me lembrar da nossa dança, a minha mente de alguma forma imaginou Kendall completamente


nua envolvida ao meu redor enquanto montava no meu pau no meio da pista de dança. Nós estávamos tão perto do Nirvana naquela noite antes de eu foder tudo e deixá-la sozinha na rua. Afastando esse pensamento deprimente da minha cabeça, tentei focar mais uma vez na minha fantasia sobre o clube. Ofegante, segurei o meu pau, o bombeei com força enquanto me imaginava fodendo aquela boceta quente e molhada, me lembrando do jeito que ela cheirava quando os nossos corpos estavam perto, do quanto ela me queria naquela noite, e o sabor da sua língua quando nos beijamos. Eu me movimentei mais forte antes de parar repentinamente ao ouvir o som da voz dela atrás da porta. "Carter? O que você está fazendo?" Merda. Eu ri sob a minha respiração e bati a parte de trás da minha cabeça contra a madeira. "Rezando?" "Você sempre respira assim quando está rezando?" "É uma reza intensa." "O que você está realmente fazendo?" "Eu acho que você já sabe o que estou realmente fazendo, Kendall."


"Posso entrar?" Ainda completamente ereto, coloquei meu pau de volta na minha cueca da melhor forma que pude antes de abrir a porta. Ela desviou os olhos para a minha grande ereção. "Desculpeme... por fazer você se render a isso." "Está bem. Minha mão e eu não temos gastado um tempo assim desde que era um adolescente. Acho que ela sentiu minha falta." "Sobre o que você estava pensando?" "Você." "Sim... Mas o que especificamente?" "Era uma fantasia sobre transar com você na pista de dança daquele clube." Ela olhou para baixo novamente. A expressão dela estava seria quando perguntou. "Você precisa de alguma ajuda?" "Pensei que você disse que não iríamos fazer sexo." "Não posso ter sexo com você. Mas quero tocar você. Eu poderia tirar as minhas roupas, deixar você terminar o que começou. Você sabe... ajudar você." Olhando para o teto, balancei minha cabeça. "Você não tem nenhuma maldita pista, tem?" "O que você quer dizer?"


"Quão louco você me deixa. Não tem nenhum meio termo com você. Gozar com o seu corpo nu na minha frente... não ser capaz de fazer o que realmente quero com você... seria uma tortura. Não tenho esse tipo de controle, não com você, não mais. Mesmo quando beijo você, tudo o que consigo pensar é me enterrar dentro do seu corpo. Mas você pelada na minha frente? É demais, Kendall. Quando se despir para mim, quero que você esteja pronta para me deixar tê-la. Antes disso é melhor se eu não souber o que estou perdendo." Parecendo cheia de remorso, ela balançou a mão. "Ok. Entendi. Desculpe-me... por interromper." "Volte para a cama. Eu já estarei de volta." Depois que Kendall saiu, fechei os meus olhos com arrependimento. Eu era louco de recusá-la desse jeito? Agora que ela sabia o que estava fazendo aqui, não conseguia relaxar. Ainda precisando de alívio como um filho da puta, me virei para o chuveiro e entrei nele. Ironicamente, me masturbei pensando no corpo dela pelado contra a porta do banheiro e imaginei-a me assistindo. Porra de vida.


Capítulo 11

Kendall

Quando abri meus olhos na manhã seguinte, Carter já tinha saído do quarto. Ele provavelmente estava pegando o café da manhã. Eu não tinha nenhuma ideia de que horas eram. Deus, eu me sentia tão estúpida. Que inferno estava pensando ao interrompê-lo daquela forma ontem à noite, oferecendo a ele nada mais do que outra tentação para aquele pau gigante? Ouvi-lo ofegante daquela forma, saber o que ele estava fazendo atrás daquela porta, estava me deixando louca. Ou monta ou sai de cima, Kendall. Carter não fazia ideia do quanto eu queria dar tudo a ele. Apenas não podia me deixar ir até que a minha cabeça tivesse tomado uma decisão, porque de jeito nenhum eu ia conseguir ter só sexo com ele, de jeito nenhum conseguiria manter as minhas emoções fora disso. Tinha que ter certeza, não apenas das intenções dele, mas das minhas próprias também antes de dar um passo como esse. Eu ouvi uma batida contra a janela.


Que inferno? Então veio outra batida. Depois de deslizar as cortinas para o lado, literalmente pulei diante da visão que encontrei. Era a cabeça de um animal que rapidamente percebi que era um camelo. Em cima deste animal estava Carter, que estava sorrindo e acenando como um lunático. "Abra." Ele falou. Levantei o peitoril da janela. "Que inferno está acontecendo?" "Se vista e traga a sua bela bunda aqui pra fora. Nós iremos cavalgar nesse cara. Calças longas seriam melhores." "Eu não estou montando nessa coisa." "Infelizmente, essa não é a primeira vez que você disse isso para mim." Ele zombou. "Mas desta vez, você não vai se livrar. Vamos. Nós o temos apenas por uma hora." Carter abriu o seu lindo sorriso e um olhar para aquela covinha no queixo dele foi o que me fez sair da cama. O calor do deserto já estava ardendo, embora ainda fosse muito cedo. Carter estava fora do camelo e em pé ao lado de Amari. Nosso anfitrião sorriu para mim. "Bom dia." Ele acariciou o camelo. "Vocês dois se divirtam com Fouad. Depois que vocês terminarem, terão um bom café da manhã árabe tradicional esperando por vocês."


"Obrigada, Amari. Isso parece ótimo." "Amari vai nos ajudar a montar." Carter disse. Amari fez o animal sentar e disse. "Subir é a parte mais difícil. Depois disso é um passeio suave." Depois que ele ajudou a nós dois a subir sobre o animal, ele disse. "Carter é um profissional nisso. Você está em boas mãos." Sussurrei por trás das costas de Carter. "Você parece ser profissional em tudo." Ele se virou. "Exceto em conseguir a única coisa que realmente quero." Ele piscou. "Só brincando, bela." "Não, você não está." "Você está certa, não estou." Carter colocou um beijo carinhoso nos meus lábios que foi interrompido quando o camelo começou a se mover para frente. "Nós vamos partir, eu acho! Como exatamente direcionamos um camelo?" Perguntei. "Na verdade, não tenho a menor ideia. Camelos, na verdade, não respondem se você tentar comandar eles. Mas sempre tive sorte apenas indo com o fluxo. A coisa principal é apenas não fazer nada extravagante que possa desorientá-los." Piscando para livrar os meus olhos da areia que vinha com a brisa do deserto, eu me inclinei para Carter, relaxando a minha


bochecha contra as costas dele. Como sempre, eu me sentia segura por tê-lo no controle. Nós cavalgamos em silêncio por algum tempo antes que eu fosse a primeira a falar. "Desculpe-me por ontem à noite. Foi estúpido da minha parte fazer algo como aquilo, quando não tinha nenhuma intenção de levar isso adiante com você." "Não se preocupe sobre isso. Espero que você tenha entendido o meu lado, porém." "Eu entendo." "Quando eu finalmente tiver você, não irei me segurar por nada. É por isso que preciso que você esteja completamente pronta para mim." "Eu sei que você não está acostumado a mulheres pensando duas vezes antes de abrir as pernas para você." "Você se lembra de quando lhe disse que gostava de um desafio?" "Eu lembro." "Estou disposto a vencer esse, Perky. Não se preocupe. Vou esperar por quanto tempo você precisar que eu espere." "Posso te perguntar uma coisa?" "Vá em frente. Qualquer coisa. Você sabe disso."


"Todas essas mulheres... nunca deixou ninguém te conhecer... até mesmo a sua carreira, que assegura que você nunca esteja em um lugar por muito tempo... é tudo por causa da Lucy?" Silêncio. Deus, eu era tão idiota. Novamente. Depois de alguns minutos, finalmente falei. "Desculpe-me, Carter. Não deveria ter perguntado isso. Parece que apenas continuo colocando o meu nariz em lugares onde não devo nas últimas doze horas. Primeiro o banheiro, agora isso. Eu passei do limite. Espero que você não esteja chateado." A voz dele era baixa. "Estou chateado, mas não tem nada a ver com você." Carter direcionou o camelo para baixo de uma pequena colina. Não havia nada além de areia por quilômetros.

Só nós. As poucas

construções que esporadicamente apareciam no deserto já não estavam mais a vista. "Nós não temos que falar sobre isso." "Esse é o problema. Nunca falei sobre Lucy. Com ninguém. Meus pais tentaram por um tempo, mas eles rapidamente perceberam que não iriam chegar a lugar nenhum e desistiram. Por mais horrível que soe, apenas segui em frente. Passaram anos desde que me permiti parar e pensar sobre tudo o que aconteceu. Estou quase certo de que pensei mais sobre a minha vida nas últimas


quarenta e oito horas do que tenho pensado nos últimos quinze anos. Eu não percebi o quanto ainda estava me segurando a isso." "Às vezes as coisas em que nós mais nos seguramos são as coisas das quais nós mais precisamos nos livrar." Carter concordou. "Sim." "Meio que faz sentido. O estilo de vida que você leva. Sempre se movendo e passando pelas mulheres. Você não pode se machucar se nunca se aproximar." "E não posso machucá-las se elas nunca ficarem perto demais." "É um mecanismo de proteção. Nós todos fazemos isso por algum tempo. Eu tenho feito isso nos últimos anos comigo mesma. No fundo da minha mente, sabia o que eventualmente iria ter que fazer e comecei a afastar as pessoas para longe. Meus amigos, a pequena família que ainda me resta... não queria que eles me julgassem quando viesse a hora." De alguma forma, Carter controlou Fouad e nós paramos. Ele conseguiu jogar uma perna sobre o camelo e se virar para que nós ficássemos um de frente para o outro. Empurrando uma mexa de cabelo para trás da minha orelha, ele disse. "Eu não vou julgar você, Perky. Nunca. Dou a minha palavra." Os olhos dele estavam cheios de sinceridade. Realmente acreditei que ele queria dizer isso.


"E estou aqui se você quiser falar sobre Lucy. Qualquer hora, qualquer lugar. Mesmo quando essa viagem terminar." Meu coração apertou ao pensar que não demoraria muito agora, o final da estrada estava se aproximando. Carter beijou a minha testa e me envolveu em um abraço apertado. "Obrigado. Isso significa muito para mim." Aparentemente, Fouad decidiu que nós tínhamos terminado com o nosso pequeno coração para coração. Ele começou a andar novamente, forçando Carter a jogar a perna de volta e virar para frente. Pelo resto da cavalgada, mantive os meus braços envolvidos ao redor dele por trás e fiz o que havia feito de melhor desde a primeira vez, segui esse homem – segurando-o firme.

***

"Sim, bem, tem uma primeira vez para tudo." Carter estava conversando ao telefone quando saí do banheiro envolvida em uma toalha. Nós passamos o dia inteiro alternando entre ficar sentados lá fora no deserto, comer refeições árabes tradicionais e ouvir o amigo de Carter, Amari, nos contar histórias sobre as mudanças em


Dubai durante os últimos vinte anos. No meio disso, escapamos para nos aconchegar por um tempo em nosso quarto. Agora o sol havia se posto e eu tinha acabado de retirar um monte de areia do meu couro cabeludo. "Dê-me quinze minutos e me deixe falar com a minha mulher." Carter desligou e jogou o telefone dele sobre a cama. "Sua mulher?" Olhei sobre o meu ombro para a direita e depois para a esquerda para zombar. "Você tem uma mulher por aqui, em algum lugar?" Mesmo de pé do outro lado do quarto, o jeito que Carter estava me olhando, fez o meu corpo se aquecer. A toalha não era muito longa, meus pequenos seios estavam empurrados para cima e saltando no topo. "Eu gostaria de ter você. Se você continuar parada aí por muito tempo nessa toalha minúscula, você vai sentir o quanto você me tem em dois minutos." Escondi o meu rosto corado enterrando-o na minha mala enquanto procurava por roupas limpas para me trocar. "Quem era esse ao telefone com quem você estava falando?" Ele caminhou até estar parado atrás de mim e beijou os meus ombros nus. "Um piloto amigo. Ele me pediu para cobrir um voo para ele amanhã de manhã. Ele está aqui em Dubai e precisa fazer um voo rápido."


"Ele está doente ou alguma coisa assim?" Carter deslizou o nariz pelo meu pescoço, o ar quente dele enviou arrepios pela minha pele, praticamente estava exposta. "Gripe?" O sorriso na voz dele era inconfundível. Ele sabia o efeito que tinha em mim. Eu o ignorei. "Você vai pegar o voo dele?" "Isso depende." "Do que?" "Se você está afim de outra aventura." Virei-me e ele não se afastou. "Você quer que eu vá com você?" "Eu só vou pegar o voo se você for comigo. Se você quiser ficar por mais dois dias, por mim tudo bem também." "Para onde você vai daqui a dois dias?" Os olhos de Carter olharam para os meus. "Casa. Tenho cinco dias de descanso depois disso. Voarei daqui de volta para os Estados Unidos e depois irei pegar uma conexão como passageiro para voltar para casa na Flórida." Nossa. Nossa pequena viagem realmente estava chegando ao fim. O pensamento me fez doente do estômago. Carter deve ter sentido o que eu estava pensando. Ele levantou o meu queixo para fazer os nossos olhos se encontrarem. "Não vamos pensar nisso ainda. Fique comigo. Ainda que seja aqui ou em outra aventura, nós


ainda temos tempo. Não quero que isso termine ainda, também. Fique neste momento comigo, Kendall." "Para onde nós iríamos?" Ele sorriu e tudo o que pude fazer foi segurar a minha toalha para não a derrubar em resposta. "Isso é uma surpresa." "Dê-me uma dica." Carter coçou o queixo por um minuto. "Ok. Se você quiser continuar a nossa pequena aventura, você vai me dar luz verde, mas você pode acabar sendo parada pela luz vermelha no meio do caminho." "Que porra isso deveria significar? Eu disse uma dica, não uma charada." Ele riu. "O que você me diz, Perky? Você está afim de mais uma aventura comigo?" "Posso ser presa por dançar, amaldiçoar, mostrar pele ou tocar você neste lugar para onde estamos indo?" "Definitivamente não." Ele beijou a ponta do meu nariz. "Na verdade, essas coisas são fortemente encorajadas na próxima parada do nosso tour." Carter sorriu e aquela maldita covinha se juntou a nós. Deus, sou uma trouxa por aquela coisa. Quem poderia dizer não?


Rolei os meus olhos. "Está certo. Estou dentro. Mas se acabar na cadeia mais uma vez. Vou responsabilizar essa sua covinha por isso."

***

Nosso voo na manhã seguinte era em uma hora ingrata. Tivemos que sair da hospedagem de Amari ás três e trinta da manhã para que Carter conseguisse fazer o check-in. Ia ser o que ele chamava de um retorno rápido, significando que estaríamos chegando ao lugar para onde estávamos indo no final daquela tarde e estaríamos de volta a Dubai dentro de vinte e quatro horas. Depois, iríamos encontrar com a tripulação regular dele e voar de volta para os Estados Unidos. Era sobre esse depois que não queria pensar. Provavelmente iria voltar para casa em alguns dias antes de partir para a Alemanha. No caminho para o aeroporto, eu olhei pela janela assistindo Dubai passar por nós, mas sem realmente ver nada. Melancolia havia dominado o meu humor, pensando em quão rápido as coisas iriam terminar.


"Você está bem?" O taxi havia saído da estrada seguindo as placas para o aeroporto. "Apenas cansada." "Peguei um assento na primeira classe para você, então com sorte você pode dormir um pouco durante o voo." "Quanto tempo leva o voo?" "Mais ou menos sete horas." "O que você faz lá em cima na cabine de piloto o tempo inteiro? Quero dizer, sei que você pilota o avião... mas sete horas é um longo tempo para ficar olhando para o céu." Ele deu de ombros. "Gosto disso. É o único lugar que sempre me sinto realmente relaxado." "Você deve ficar pensando muito." "Às vezes. Depende de com quem estou voando. Alguns copilotos são como eu e ficam quietos. Outros falam sem parar. Quando pego um desses, costumo cochilar." Meus olhos se arregalaram. "Você cochila enquanto pilota o avião?" Carter riu. "Sim. Mas não se preocupe. Nós nos revezamos. O avião voa mesmo com ambos os pilotos dormindo ao mesmo tempo." "Posso ver a cabine de piloto?"


"Não há nada mais que gostaria de fazer do que lhe mostrar o meu cockpit. Pensei que você nunca iria pedir." Carter tinha a minha passagem de embarque no Iphone junto com as ordens dele, então nós não precisamos parar para fazer check-in.

Nós

passamos

pela

entrada

de

segurança

para

funcionários e paramos na praça de alimentação para pegar um pouco de café da manhã. Fiz o meu pedido a Carter e fui ao banheiro das mulheres. Quando voltei, encontrei Carter sentado numa mesa com uma bandeja. Só que ele não estava sozinho. Uma linda morena estava sentada de frente para ele. Imagine. Ela estava vestindo as mesmas cores azuis que ele, outra fã comissária de bordo, presumi. Ela olhou para mim de cima para baixo quando cheguei à mesa, claramente me medindo. Carter se levantou e puxou uma cadeira para mim. "Kendall, essa é Alexa Purdy. Nós trabalhamos na Internacional Airlines juntos." A mulher me mostrou seus dentes perfeitos. Considerando que os meus pais também tinham gasto uma fortuna nos meus cuidados odontológicos, lhe dei um sorriso ainda maior. "Prazer em conhecê-la Alexa. Você vai estar no voo do Carter hoje?" "Eu vou. Mas na verdade é meu voo e Carter vai estar nele, não o inverso."


Carter explicou. "Serei o copiloto hoje. Alexa é a capitã, a piloto no comando. É a rota dela. Estou apenas preenchendo o espaço hoje." "Ah." Não fiquei feliz ao pensar que essa linda mulher não era uma comissária de bordo. Sabendo que ela era inteligente e ia estar trancada em uma sala pequena com Carter hoje, imediatamente não gostei dela. Carter estava me observando. "Eu não sabia que Alexa tinha sido realocada e se mudou dos Estados Unidos. Nós não voamos juntos há anos." Ele provavelmente estava tentando me tranquilizar, mas Capitã Purdy claramente tinha outras ideias. Ela bateu os cílios para Carter. "Tem sido muito tempo. Nós temos muita conversa para pôr em dia. Lembra quanta diversão costumávamos ter durante os longos voos juntos quando éramos pilotos reservas?" Carter tossiu. "Alexa e eu começamos como pilotos reservas, pegando qualquer voo que conseguíamos pegar. Assim como o marido dela, Trent. Como está o Trent? Tem sido um longo tempo desde que cruzei com ele?" "Ele está ótimo. Da última vez que soube, ele estava fazendo a rota de Milão e dormindo com uma modelo de 40 quilos que conheceu em um voo."


"Vocês se separaram?" "Divorciamo-nos." "É uma pena ouvir isso." Carter disse. Alexa tocou o braço dele e murmurou. "Não é. O divórcio foi ideia minha. Eu gosto da minha liberdade. Estar casada tornava os voos pelo céu amigável drasticamente hostis." Por sorte, nós não tínhamos muito tempo a perder com o café da manhã, porque se tivesse que testemunhar mais algum flerte ou ouvir mais uma história sobre os bons velhos tempos, provavelmente teria perdido a paciência. Geralmente não era uma pessoa ciumenta por natureza. Sempre senti como se fosse uma perda de tempo e energia me preocupar sobre o que os outros tinham e eu não tinha. Mas pela primeira vez, estava pensando que talvez, a razão para a minha falta de ciúmes antes, era porque não houve nada que quis o bastante para isso. Nós não conseguimos nos livrar de Alexa até que estivéssemos quase no portão de embarque. Por sorte, ela recebeu uma ligação e disse a Carter que o encontraria a bordo antes de se retirar. Ainda sendo cuidadoso para discretamente me tocar em público, Carter me guiou pelo corredor até o banheiro para termos um pouco de privacidade.


Ele passou os dedos pelo cabelo dele. "Desculpe-me por isso. Não tinha ideia de que eu seria o seu copiloto. Fazia anos que não a via." Era masoquismo da minha parte perguntar, mas não pude me parar. "Vocês dois, costumavam..." Carter soltou a respiração. "Sim. Mas isso foi há muito tempo atrás." "Você dois alguma vez... transaram dentro da cabine de piloto?" "Kendall..." Carter avisou. Nenhuma resposta era necessária porque o meu cérebro já havia conjurado uma imagem vivida da Miss Dentes Perfeitos com a cabeça embaixo do volante do avião. Ugh. Levantei minha mão. "Tudo bem. Nós dois somos adultos. E não é como se estivéssemos fodendo ou qualquer coisa assim." "Isso não é por escolha minha e você sabe disso." "Tanto faz." "Você não está sendo justa aqui, Kendall. Tenho sido honesto com você desde o dia que te conheci. Você preferiria que mentisse para você e te dissesse que nada aconteceu entre nós dois?"


"Preferiria não estar mais aqui." Estava tentando machucar ele, o fazê-lo sentir a dor que estava sentindo. O rosto dele me disse que eu tinha conseguido. Ele se inclinou, aproximando o seu rosto do meu. "É isso o que você realmente quer? Você quer ir embora? Então vá em frente. Eu não posso mudar quem eu era. Gosto de você Kendall. Muito. Provavelmente uma porra de muito mais do que deveria gostar neste ponto. Mas saiba disso. Não tenho interesse em Alexa ou qualquer outra mulher. Você quer saber por quê? Porque a única mulher por quem tenho qualquer porra de interesse é você. Se você não pode confiar em mim para pilotar um avião, então não há nenhum ponto nisso de qualquer forma." Encaramo-nos, nenhum de nós recuou um centímetro. "Tenho que ir. Espero que você se junte a mim. Mas mesmo se você não o fizer, nada vai mudar. A vida que eu levava não é digna de uma mulher como você, e tudo o que posso fazer é tentar mudar isso de agora em diante. O passado é exatamente o que é, passado." E só com isso, Carter se afastou. Vinte minutos mais tarde, a atendente do portão anunciou que o embarque estava terminando. Ainda estava sentada na cadeira da área de espera, insegura do que no inferno eu deveria fazer. Eu não queria deixar Carter de jeito nenhum, mas ficar com ele iria apenas


tornar o nosso inevitável adeus ainda mais difícil. E se por algum milagre nós não tivéssemos de dizer adeus em alguns dias, poderia construir alguma coisa com ele sabendo que ele estava sempre na estrada? Poderia dormir de noite imaginando quem estaria fazendo companhia a ele durante as noites solitárias de viagem? As atendentes do portão desligaram a placa iluminada que mostrava o destino e começaram a guardar os seus documentos. Era isso. Agora ou nunca. Estava morrendo de medo de continuar, mas o pensamento de nunca ver Carter novamente era ainda mais aterrorizante. Eles estavam apenas começando a fechar a porta para o caminho de embarque, quando gritei: "Esperem!" As duas mulheres se viraram no exato segundo em que Carter atravessou a porta correndo freneticamente. Dane-se Dubai e as estúpidas leis deles. Corri para ele e ele me envolveu em seus braços, me segurando com força. "Não me deixe, Perky." Então ele pegou o meu rosto com ambas as mãos e me beijou apaixonadamente. "Desculpe-me. Eu fui estúpida. Você prometeu que não iria me julgar e aqui estava eu, julgando você." "Desculpe-me também, Perky. Desculpe por ter tanta coisa no meu passado para julgar. Vamos apenas seguir em frente, está bem?"


"Sim. Isso é o que quero, também." "Bom. Agora vamos sair desse inferno aqui antes que eu faça você ser presa de novo." Ele estendeu a mão dele. "Venha voar comigo, bela."


Capítulo 12

Carter

Quando pousamos na Holanda, não podia sair do avião rápido o bastante. A Capitã Alexa havia me perturbado durante o voo inteiro, alternando entre relembrar histórias do passado e falando sobre o divórcio dela, sendo que nenhum dos dois assuntos me importava. Desde o segundo em que embarcamos, tudo o que queria era estar novamente com Kendall. Sete horas depois, realizei o meu desejo. Depois de um pouso irregular, meu pequeno anjo alegre, loiro, estava esperando por mim quando sai da cabine de piloto. Ignorando Alexa e os outros membros da tripulação, puxei Kendall para mim e dei um beijo nela que foi tão intenso quanto aquele que demos antes de embarcarmos – como se nós estivéssemos continuando exatamente de onde paramos. Eu não podia esperar para mostrar Amsterdã para ela e ser capaz de tocá-la livremente em público em qualquer lugar e quando quisesse de acordo com o meu desejo. Nós não teríamos muito tempo aqui, então queria aproveitar o melhor disso antes que nós tivéssemos de voar de volta para Dubai. Sabia que algumas grandes


decisões deveriam ser tomadas depois desse passeio. Nós poderíamos deixar as coisas pesadas para depois. Essa parte da nossa jornada seria toda sobre se divertir em um lugar sem limites. Enquanto esperávamos nossa bagagem chegar, fiquei atrás dela, envolvendo os meus braços ao redor de sua cintura e falando em seu ouvido. "Coloque todas as preocupações nesta sua linda cabecinha para longe. Esqueça-se delas por hoje, ok? Nós vamos ter o melhor dia das nossas vidas. Você topa, linda?" "Topo, com certeza," ela disse, se virando e enfiando o dedo na fissura do meu queixo por brincadeira. Escolhi um hotel perto do bairro da Luz Vermelha. Kendall e eu tivemos uma rápida soneca antes de sairmos para as ruas. Desde que o ciclismo é enorme em Amsterdã, alugamos uma bicicleta com dois lugares, com a qual andamos por toda cidade. Nós paramos na vizinhança de Jordaan. Andamos de mãos dadas pelas ruas estreitas, visitando algumas galerias de arte e lojas de antiguidade pelo caminho. Mais tarde, fizemos um tour com um guia por um dos canais que atravessavam a cidade, onde assistimos o que os locais chamavam de casas dançantes – um monte de casas históricas altas e inclinadas.


Ao anoitecer, a exaustão acabou nos vencendo. Depois de jantar em um restaurante simples, decidimos conhecer o bairro da Luz Vermelha, antes de nos recolhermos para a noite. A rua estava repleta de janelas com luzes vermelhas, cada edifício tinha uma cabine onde os foliões poderiam participar, seja com um espetáculo ou com uma prostituta – o que quer que eles desejam. Não havia nada como isso no mundo. Eu já tinha pesquisado essa rua por diversas vezes, mas nunca havia participado. Mesmo eu tinha limites. Divertiu-me ver as reações de Kendall, absorvendo tudo isso pela primeira vez. "Então, isso é tudo permitido?" "Sim. E faz muito sentido que haja uma igreja gigante no meio de tudo isso, certo?" Eu disse, me referindo a Velha Igreja. "Provavelmente é o único local no mundo onde você encontra religião e prostituição, tudo em apenas um local." "Meio que mágico e perverso." Ela riu. "Cisnes nadando pela barragem, cercado por uma igreja, algumas prostitutas e muita maconha a venda." "É como um sonho alucinante. Você sabe o que o faria ainda melhor, entretanto?" "O que?" Ela riu.


"Isso." Eu disse, repentinamente puxando ela para mim e dando um beijo firme nos lábios quentes dela. Pressionando o meu corpo contra o dela, sabia que ela poderia sentir a ereção praticamente socando o meu jeans. Uma indeterminada quantidade de tempo se passou enquanto continuávamos sugando o rosto um do outro em frente a um dos bordéis. Uma batida no vidro interrompeu o nosso momento. Uma loira alta escassamente vestida que estava do lado de dentro da janela que estávamos em frente estava acenando para que nós saíssemos do caminho. Nós devíamos estar obstruindo a visão dela para a rua. "Desculpe." Eu disse, envolvendo o meu corpo inteiro ao redor de Kendall por trás enquanto continuávamos nosso lento passeio. "Então, algumas dessas mulheres te atraem?" Ela perguntou. "Não." "Mentiroso." "Estou falando sério. Elas são atraentes, mas não as quero. Agora se você estivesse em uma dessas janelas de bordel... essa seria uma história diferente. Eu definitivamente iria para dentro, e iria à falência. Apenas continuaria te dando mais e mais dinheiro para que você me deixasse tentar de tudo com você." Parei de andar e


puxei-a para mim novamente, falando sobre seus lábios. "Apenas pegue o meu fodido dinheiro." Ela riu durante o nosso beijo e disse. "Eu te daria um belo desconto." Enquanto as nossas piadas eram uma boa diversão, estar nesse ambiente de sensualidade escancarada com Kendall e todos esses beijos estavam me deixando tão excitado quanto o inferno. Estava com o pau tão duro quanto um osso durante o nosso caminho de volta para o hotel. Sentindo-me mais fraco a cada segundo, sabia que mesmo se ela apenas olhasse para mim em nosso quarto, não seria capaz de evitar que qualquer coisa acontecesse dessa vez. O hotel onde estávamos ficando era um pequeno lugar moderno, que imitava o tema do bairro da Luz Vermelha. Os quartos até mesmo tinham uma luz vermelha opcional, o que era legal como o inferno. "Você sabe o que eu realmente gostaria de buscar agora?" Kendall perguntou quando chegamos ao nosso quarto. "Eu sei a minha resposta para isso." Ela brincou dando um tapa no meu peito. "Um copo de vinho." "Eu poderia ir buscar uma garrafa ou duas se você quiser." "Sinto-me mal por fazer você sair novamente, mas realmente, isso seria ótimo."


"Porque você não relaxa e toma um banho enquanto vou buscar." "Isso me parece bom." Procurando por uma loja de bebidas próxima no meu celular, corri para fora do hotel para evitar perder muito tempo longe dela. Depois de tudo, essa poderia ser tecnicamente a nossa última noite juntos. Já havia decidido que iria pedir a ela para voltar para casa na Flórida comigo. Entretanto, se ela não concordasse, nossa aventura acabaria logo. Porra. Um sentimento de pânico começou a crescer. Não. Eu não iria deixar o medo me dominar hoje à noite. Essa noite era sobre aproveitar cada momento em Amsterdã. Ponto. Tentando bloquear todos os pensamentos depressivos da minha mente, entrei na loja e solicitei a atendente as melhores garrafas de vinho vermelho e branco que eles tinham. No meu caminho de volta para o hotel, meu telefone se iluminou com uma mensagem de Kendall. Kendall: Apenas acompanhe o jogo.

Que porra isso significava?


Carter: Acompanhar que jogo? Kendall: Onde você está? Carter: Há um quarteirão do hotel. Kendall: Mande-me uma mensagem quando você estiver quase aqui, mas antes que você entre no hotel.

Alguns minutos mais tarde, fiz como ela me pediu.

Carter: Estou aqui. Kendall: Fique aí fora e olhe para cima para o segundo andar do prédio no lado da rua Bloedstraat.

Lá era onde eu estava. Olhei para cima. Ah. Meu. Deus. Porra. Meu coração começou a pulsar mais rápido. Kendall havia ligado as luzes vermelhas em nosso quarto. A frente do corpo dela estava pressionada contra a janela enquanto ela vestia nada além de um sutiã com laço e uma calcinha. Ela havia arrumado os cabelos


em duas tranças e estava rebolando o corpo lentamente e sensualmente, parecendo tão confortável quanto qualquer uma das outras damas nas janelas que vimos hoje à noite. Exceto que essa não era apenas qualquer dama de janela. Essa era a garota dos meus sonhos realizando uma fantasia que era melhor do que qualquer coisa que a minha imaginação mais selvagem poderia conjurar. Com um olhar de venha me pegar, ela levantou o dedo indicador e gesticulou para que eu subisse as escadas. Congelado na calçada, tentei gravar aquela cena na minha memória – a visão dela naquela janela, iluminando uma noite nebulosa em Amsterdã. Sabia que nunca iria esquecer isso enquanto vivesse. O fato de que ainda estava segurando as garrafas de vinho sem deixá-las cair da minha mão e se espatifarem no chão, era louvável. O elevador estava levando tempo demais, então usei as escadas, pulando alguns degraus para chegar a ela mais rápido. Antes de abrir a porta, inspirei fundo e fechei meus olhos, jurando que apenas iria deixar fluir. Nem mesmo sabia se ela estava realmente oferecendo alguma coisa ou apenas brincando comigo. Apenas sabia que estava no jogo por qualquer coisa que estivesse me esperando atrás daquela porta. Kendall abriu.


Minha boca se abriu num sorriso quando a admirei e esperei que ela desse a direção. "Eu vi você olhando para mim." Ela disse. "Você está interessado?" Acompanhe o jogo. Foda-se sim. Minha voz estava grossa por causa do desejo. "Sim." Engoli. "Entre." Apenas acompanhe o jogo. "Qual é o seu nome?" Eu perguntei. "Kendall. Qual o seu?" "Carter." "Olá Carter." "Olá Kendall." Lentamente me aproximando, eu disse. "Posso apenas te dizer uma coisa?" "Sim?" "Eu estive andando por essas ruas o dia inteiro, procurando em vão. Nunca tinha visto ninguém nessas janelas que seja mais bonita do que você. Finalmente encontrei o que estava procurando. Obrigado por me deixar entrar."


Ela pareceu corar, provavelmente por sentir que as minhas palavras significavam mais do que apenas uma fala vazia nessa pequena encenação. "De nada." Enquanto andava de maneira predatória em sua direção, ela provocava dando passos para trás com um sorriso endiabrado. "Então, diga-me, Kendall. Eu nunca fiz isso antes. O que acontece agora?" "Nós negociamos. Você me diz o que quer e te digo o que estou disposta a fazer." Ela se inclinou contra uma parede próxima da janela, ligeiramente separando as pernas torneadas. As luzes da rua lá fora estavam brilhando atrás dela. Puxando uma das tranças dela, eu disse. "Quero tudo. Então você vai ter que ser aquela que impõe os limites." Passei a ponta dos meus dedos pela bochecha dela e fui descendo até o pescoço. "Que tal se nós apenas nos tocarmos por algum tempo até você descobrir o que sente confortável em fazer?" Fechando os olhos e deixando o ar sair do seu peito, ela disse. "Você quer que eu tire o resto?" "Apenas se você estiver de acordo com isso?" Ela se endireitou e se aproximou de mim. "Eu estou." Nós estávamos bem próximos quando perguntei. "Posso despir você?"


Ela assentiu. "Por favor." Soltei o sutiã dela pela frente e tomei alguns minutos para admirar os seus lindos seios que me lembravam de duas perfeitas xícaras de chá. "Você é linda." "Eu quero ver você também." Ela sussurrou. Lentamente levantando a camisa sobre a minha cabeça, senti como se ela fosse capaz de ver o meu coração batendo através do meu peito. Não tinha nenhuma ideia de como eu continuaria exercendo tanto autocontrole. Apenas aproveite um momento por vez. Saboreie isso. Eu tirei o meu cinto e o joguei de lado, depois baixei as minhas calças e deslizei para fora delas. Nós dois estávamos apenas com a parte de baixo agora. Passei a minha mão para baixo do pescoço dela e envolvi ambos os seios em minhas mãos, massageando-os lentamente. Tentando manter algum controle sobre mim mesmo, endureci o meu abdômen para conseguir manter o meu pau quieto. "Posso te tocar?" Ela perguntou. Relaxando o meu corpo, implorei. "Por favor."


Kendall passou as suas mãos pequenas de cima para baixo pelo meu peito e em volta dos meus bíceps. Eu amava o jeito que os mamilos dela se excitaram em reação ao contato. Tocá-la enquanto estava me tocando e ainda ter de me conter era de longe a coisa mais erótica que já tinha experimentado. Era tão difícil de manter a minha boca longe dela. Molhei os meus lábios várias vezes tentando me segurar para não perder o controle e devorá-la. Eu estava olhando nos seus olhos quando senti a sua mão deslizar para dentro da minha cueca e envolver o meu pau. Sensível demais eu gemi com o contato. Ela começou a bombeá-lo lentamente em sua mão enquanto continuava a olhar para mim. Fechando os meus olhos em êxtase, inclinei a minha cabeça para trás enquanto Kendall me masturbava, movendo a sua pequena mão ao redor do meu pau mais e mais. Ela usou o dedão para espalhar a pré-ejaculação sobre a cabeça. O quarto estava tão quieto, nossa respiração frenética era o único som. Eu ia gozar. Prestes a explodir, coloquei a minha mão sobre a sua para pará-la. "Parar ou continuar, Kendall. Você me diz. Mas não vou aguentar muito mais. Nós já fomos longe demais."


Por mais que adorasse que ela estivesse realizando a minha fantasia, não podia ignorar que ainda havia hesitação nos olhos dela. Estava certo de que ela me queria tanto quanto eu a queria, mas ela não estava pronta. Hoje à noite não era ‘a noite’. Isso não mudava o fato de que precisava de alivio como um filho da puta. Eu precisava assumir o controle. "Eu quero que você continue me masturbando enquanto acaricio você. Nós iremos gozar juntos, nada mais, nada menos." Um olhar de alivio substituiu a incerteza no rosto dela. A conversa acabou ali. Nós nos beijamos esfomeadamente enquanto ela bombeava o meu pau para cima e para baixo entre nós dois e eu me esforçava para tirar a calcinha dela. Massageando o clitóris dela com o meu dedo indicador e o dedo do meio, não levou muito tempo antes que os músculos entre as pernas dela começassem a pulsar. A respiração dela ficou ofegante e sabia que ela estava para gozar. Deus, ela estava ainda mais excitada do que eu. Ouvi-la gemer de êxtase foi o bastante para disparar o meu próprio orgasmo e espalhar a minha porra por toda a mão dela.


Não era exatamente como havia imaginado o nosso primeiro contato físico. Foi bagunçado e frenético, mas talvez isso fizesse parte da imprevisibilidade que nos perseguia desde o começo. Você nunca sabia o que iria acontecer de um momento para o outro. Envolvendo as minhas mãos ao redor da bunda dela, eu disse. "Isso foi gostoso. Eu queria ter feito tanta coisa mais, porém." "Eu teria dado mais." "Embora eu realmente aprecie essa surpresa que você me deu hoje à noite, você não estava pronta Kendall, e você sabe disso." "Como você me conhece tão bem?" "Eu gastei bastante tempo olhando para os seus olhos para saber como entender você. Você ainda não tem certeza e não vou tomar você completamente, até que os seus olhos não demonstrem nenhum sinal de dúvida neles. Mesmo o que nós fizemos já te pressionou demais." "Bem,

tecnicamente,

estava

te

masturbando,

não

pressionando." "Você pode fazer isso de novo mais tarde se quiser, aliás." Depois de pegar a calcinha dela do chão, a levei ao meu nariz e resmunguei. "Deus, senti falta desse cheiro." "Quando você sentiu o meu cheiro antes?" Merda.


"Huum..." "Carter..." "Naquele primeiro dia na hospedagem da Maria. Posso ter jogado a sua calcinha no meu rosto enquanto me masturbava na banheira." "Isso é tão errado... mas meio que doce e sexy ao mesmo tempo. Assim como você." "Viu... você me entende. Você me aceita sendo o cheirador de calcinha que sou. É por isso que você não pode me deixar. Ninguém mais irá me aceitar." Beijei ela com força e depois falei contra o pescoço dela. "Não me deixe, Perky. Não me deixe em Dubai. Venha comigo para a Flórida... mais uma parte para a nossa aventura. Depois você faz a sua grande decisão... Depois de Boca. O que você me diz?" "Ir para casa com você é um pouco diferente de viajar aleatoriamente ao redor do mundo. Deixe-me pensar sobre isso durante o voo de volta para Dubai, ok? Vou ter sete horas para refletir e então vou te dar a minha decisão sobre Flórida." Por mais que desejasse que ela me desse um sim imediato, tinha de respeitar seus desejos sem argumentar. Naquela noite, segurei-a bem perto enquanto dormíamos na posição mais íntima do que já tínhamos dormido antes – com o meu


pau ereto pressionado contra a bunda dela, com apenas o pano da camisola dela nos separando. Meu pau estava implorando por mais tanto quanto eu estava. A pior parte era a dor no meu peito que veio junto de uma especifica música do Beatles que continuava passando pela minha cabeça. A música não estava tocando alto o bastante ainda, era mais como uma música de fundo, bem baixinha, porque a minha mente ainda não estava pronta para aumentar o seu volume. Eu não estava pronto para acreditar nisso. Ainda assim, a música estava lá. And I Love Her22.

22

E eu a amo.


Capítulo 13

Kendall

Eu me senti como uma garota de dezesseis anos de idade, louca por um garoto que usava uma jaqueta de couro e estava sempre indo para a detenção no ensino médio. Isso deve ter alguma coisa a ver com o fato de que estava sendo apalpada no canto de um estande de revistas quando Carter achava que ninguém estava olhando. "Pare." Sussurrei em aviso, mas não pude deixar de sorrir, Carter estava em pé atrás de mim e enquanto nós olhávamos para o estande de revistas, uma mão deslizou discretamente para baixo da minha camiseta enquanto ele envolvia o meu seio esquerdo. "Eu totalmente entendo a vantagem de viajar sem sutiã agora. Na verdade, insisto que você nunca use um novamente quando estivermos juntos. Ser capaz de alcançar e envolver esse delicioso mamilo..." Ele o apertou. "...onde eu quiser, é fodidamente maravilhoso. Queime os seus sutiãs, Perky." Eu ri. Um homem mais velho se aproximou do estande e parou ao nosso lado. Ao invés de mover a mão dele para fora da minha camiseta, Carter decidiu beliscar o meu mamilo. Forte. O


cruzamento entre um gemido e um ‘ai’ saiu dos meus lábios e tentei disfarçar fingindo uma tosse. "Desculpe." Eu disse quando o homem olhou para mim. Dei uma cotovelada nas costelas de Carter quando o homem se afastou. Ele gemeu, ainda assim conseguiu dar um último beliscão no meu mamilo antes de puxar a mão para fora da minha camisa. "Nós estamos em um lugar público. Pare com isso." Carter pegou a concha da minha orelha entre os seus dentes e deu uma mordidinha antes de sussurrar contra ela. "Você adora e você sabe disso." Ele estava absolutamente certo. Eu realmente adorava. Porém, Carter era o tipo de homem que você nunca deveria deixar saber disso. Ele não tinha escrúpulos com as suas sessões de carícias em público. E se eu havia aprendido alguma coisa sobre as minhas reações físicas a ele, é que devia ser cuidadosa com o que iniciava, porque uma vez que nós começávamos, era quase impossível me parar. "Eu vou ao banheiro antes de embarcarmos. Escolha a sua revista. Já volto." Ele alcançou a estande e tirou uma cópia de Cinquenta Tons de Cinza e passou para mim. "Vamos comprar isso. Você grifa as partes safadas e depois quando decidir vir para casa comigo, nós podemos encenar algumas delas." Ele piscou.


Eu estava terminando de escolher a minha última revista para a viagem de avião quando Alexa se aproximou. Capitã Alexa. Eu odiava que apenas ver essa mulher podia me fazer sentir insegura. "Kendra. Como é bom ver você. Você já perdeu o Trip?" Vadia. "É Kendall, e Carter já vai voltar." Escolhi uma revista e fiz o meu melhor para ignorá-la, voltando a minha total atenção enquanto passava pelas estantes. Ela ficou parada ao meu lado por mais um momento antes de falar novamente. Deus, a vadia até cheirava bem. "Você lê holandês?" Ela disse. "Umm... huh?" Ela riu. Não, na verdade ela não riu. Ela cacarejou. Eu fui até o caixa, confusa, até que olhei para baixo e percebi que estivera fingindo ler uma revista People em holandês. Carter apareceu quando só havia nós duas na fila. Capitã Cara de Vadia estava em pé atrás de mim. "Alexa. Estava procurando por você." "Ah?" A voz dela animou-se. Ele envolveu os braços dele ao redor da minha cintura possessivamente. "Você se importaria de me dar uns dez minutos quando estivermos prontos para embarcar? Quero mostrar a Kendall a cabine de piloto. Dar um tour a minha garota."


"Ummm... claro." No minuto em que saímos da banca de jornal, parei Carter. Jogando os meus braços ao redor do pescoço dele, dei nele um beijo longo e forte no meio do terminal. Quando finalmente nos separamos, ambos estávamos ofegantes, ele sorriu e disse. "Eu não estou reclamando, mas qual foi a razão disso?" "Nada. A sua garota não pode te beijar onde ela quiser?"

***

Com mais ou menos três horas de voo, decidi colocar de volta o meu cinto e tentar dormir um pouco. Basicamente não havia feito nada além de pensar obsessivamente sobre o que deveria fazer uma vez que pousássemos, já que Carter havia mencionado que queria me levar para casa na Florida com ele. Fechei os meus olhos, mas deveria saber que o meu cérebro nunca seria capaz de desligar e relaxar. Ao invés, comecei a imaginar o que seria estar em casa com Carter em um tipo de sonho acordado. Como seria o lugar em que ele vivia? Nunca havia ido a Boca, então não estava certa da arquitetura ou do panorama, mas de


alguma forma imaginei ele em um edifício alto, moderno, um arranha-céu liso. Talvez uma suíte de cobertura. Nós iríamos entrar em uma recepção suntuosa feita com vidro e ferro, dizer oi a um guarda uniformizado e ir direto para um elevador que estaria a nossa espera. Carter iria deslizar um cartão chave no painel do elevador e subiríamos direto para o último andar, sem nenhuma parada. Ele iria sorrir para mim pelo reflexo das brilhantes portas prateadas e eu iria sorrir de volta, excitação correndo pelas minhas veias enquanto esperava para estar na intimidade da casa de Carter. Chegando ao topo, as portas iriam abrir – dando-nos acesso direto ao apartamento dele. No meu estado semiconsciente de sono, respirei fundo para me preparar antes de entrar na cobertura. Foi aí que o meu sonho se transformou em pesadelo. Parada do lado de dentro, em frente às janelas que iam do chão ao teto na grande sala de estar, estavam três comissárias de bordo. Todas elas estavam nuas dos pés à cabeça, a não ser pelos saltos azuis e um pequeno chapéu, em formato de caixa, caído para o lado. Meus olhos se arregalaram. Deus. Não importa o quanto tentava me lembrar do homem com quem gastei meu tempo, o homem que era doce e atento, nunca olhando para outra mulher quando estávamos juntos, meus medos


apenas continuavam voltando para me perturbar. É assim que sempre seria se Carter e eu, de alguma forma, conseguíssemos nos manter em contato? O que aconteceria ao homem com um desejo sexual insaciável quando eu estivesse grande e gorda, com sete meses de gravidez e carregando um bebê que não era dele? Ele iria me querer? Será que nós conseguiríamos fazer as coisas entre nós funcionarem se prosseguisse com os meus planos? Eu não havia nem mesmo percebido que estava chorando até sentir as lágrimas caírem do meu rosto e molharem a minha mão. O que eu faria? Como iria continuar essa viagem com esse homem e me apaixonar ainda mais? Pior, e igualmente difícil era a pergunta, como poderia não continuar essa viagem? Milagrosamente, adormeci um pouco depois disso. Acordei ao sentir uma mão na minha bochecha. "Ei bela. Em pouco menos de uma hora nós estaremos chegando." Estiquei as minhas mãos sobre a minha cabeça. "Carter. Porque você não está na cabine de piloto?" "Eu precisava ver o seu rosto. Estava ficando fodidamente louco nas últimas seis horas por saber que você está sentada aqui atrás, pensando sobre o que vai acontecer daqui pra frente entre nós dois."


Eu sorri. Ele parecia estar esperando que lhe desse a minha decisão, mas ainda não tinha ideia do que ia fazer. "Desculpe-me. Eu não tenho uma resposta ainda." "Está bem. Preciso voltar. Só que queria te dizer uma coisa antes de pousarmos e você tomar a sua decisão." "O que é?" Ele pegou a minha mão. "Depois que Lucy morreu, decidi que queria estudar para ser piloto de avião. Mas estava com medo de não ser bem-sucedido. Estava festejando o tempo todo e fodendo por aí, basicamente, agindo como um idiota imaturo. Fui aceito no programa de aviação e não tinha certeza do que fazer. Pilotar um avião era uma grande responsabilidade e duvidava que eu fosse capaz. Então fiz algo que nunca havia feito antes. Vasculhei alguns dos velhos poemas que Lucy havia escrito para mim quando estávamos juntos e os reli. Eu não estou certo do que estava procurando, ou o que esperava, mas parecia ser uma coisa que tinha que fazer. De qualquer forma, li todos eles – devia haver uns cinquenta – incerto do que estava procurando. Não compreendi o que era até que li o último." "O que ele dizia?" "Eu não me lembro as palavras exatas, mas o final era algo como: As suas asas já existem; agora você deve aprender a voar." Carter


encolheu os ombros. "É tolo, mas vi isso como um sinal. Quer dizer, quais eram as chances do poema de Lucy ser sobre aprender a voar quando estava tentando decidir se me tornaria um piloto?" "Eu não acho que seja nada tolo. Realmente acredito que às vezes Deus nos leva a ler sinais que guiam as nossas decisões. Elas estão todas lá, mas Ele nos faz ver as coisas em certo momento da nossa vida. Acho que isso era o que eu estava esperando que acontecesse nessa viagem quando a comecei. Que encontraria sinais que iriam me guiar para a escolha certa." Carter sorriu. "Estou feliz que você se sinta dessa forma. Por acaso você leu o artigo sobre algum daqueles Kardashians nas suas revistas de tabloide?" Eu franzi a testa. "Acho que sim. Alguma coisa sobre uma das gêmeas conhecendo um rapper?" Ele beijou os meus lábios. "Eu tenho que voltar. Dê outra olhada no artigo. Talvez esse seja o seu sinal." Confusa, eu ri. "Ok." "Vejo você quando pousarmos, bela." Ele se levantou e começou a se afastar, quando chamei por ele. "Carter?" "Sim?" "Alguma comissária de bordo mora no seu prédio?"


Ele deu um meio sorriso sexy. "Definitivamente, não." "Há algum porteiro uniformizado?" "Não." "Você mora numa cobertura?" O meio sorriso dele aumentou para um grande sorriso. "Nem mesmo perto." "Então uma mulher nua usando salto alto não encontrará você na porta quando chegar em casa?" Ele riu. "Graças a Deus, não. Você não tem ideia de quão engraçada essa questão é. Se você decidir vir para casa comigo, lembre-se do que você acabou de perguntar." "Ok." Depois que Carter desapareceu de volta na cabine de piloto, peguei a revista e folheei as páginas até chegar a uma história sobre uma das Kardashians. Curiosa sobre como ele pensou que poderia haver um sinal para nós ali, reli o artigo inteiro. A história era sobre Kendall, então havia isso em comum, mas isso era tudo o que poderia encontrar como um possível sinal. Ela havia conhecido um novo cara, isso certamente não era nada novo e o artigo tinha algumas

fotos

deles

se

beijando

e

andando

de

patins.

Aparentemente, eles estavam em uma viagem por Miami, então havia uma pequena ligação com a Flórida também. Incapaz de


encontrar a mensagem criptografada dele, decidi que ia perguntar sobre isso quando nós pousássemos. Mas então fechei a revista e o sinal dele me acertou como um tapa na cara. Na capa da revista havia várias frases. Na parte superior direita do canto tinha uma foto da Taylor Swift e embaixo dela liase. Taylor: Música é melhor do que sexo. Eu ri comigo mesma pensando que aquele definitivamente não seria o sinal que ele queria que eu lesse. Mais em baixo, no rodapé da capa havia uma foto de Kendall Jenner. As palavras me bateram com força e sabia exatamente o que Carter estava esperando que eu visse como um sinal. Kendall: Eu me apaixonei na Flórida.

***

Quando pousamos em Dubai, esperei no meu lugar até que o avião estivesse quase vazio. Depois que a última pessoa passou, coloquei a minha revista Okay na minha bolsa e fiz o meu caminho até a cabine do piloto onde Carter estava em pé. Pela primeira vez, ele parecia nervoso. O piloto sorridente, arrogante e confiante que


conhecia havia desaparecido e em seu lugar estava alguém que parecia muito mais vulnerável. Nós não dissemos nada até eu estar em pé na frente dele. Então ele estendeu a mão para mim hesitantemente. "O que você me diz, Perky? Vem para casa comigo?" Eu mantive o meu rosto sem emoções enquanto me levantava na ponta dos pés para quase conseguir ficar olhos nos olhos com ele. "Como eu poderia ir contra um conselho de uma Kardashian?"

***

Voar com Carter ao meu lado era muito mais divertido do que tê-lo na cabine de piloto onde eu não poderia olhar para o seu belo rosto. O voo de Dubai para a Flórida era um codeshare o que significava que estávamos em uma linha aérea filiada e, portanto, não estaríamos sujeitos ao usual harém de comissárias de bordo de Carter por um tortuoso longo voo. Nós gastamos quinze horas voando e mudando de aviões, no entanto entre dormir com a minha cabeça no peito de Carter e brincar de nos tocar por debaixo da


coberta, realmente aproveitei todos os momentos. De fato, me sentia renovada desde que nós deixamos o terminal em Miami. Nós subimos num ônibus que nos transportou até um estacionamento e quando caminhamos para o carro de Carter, percebi o quanto estava prestes a aprender sobre esse homem, o vendo em seu ambiente familiar. "Este é meu." Carter disse quando nos aproximamos de um grande Suburban preto. Ele abriu o porta-malas e colocou a nossa bagagem dentro, depois andou em volta do carro até a porta do passageiro, abriu-a e me ajudou a entrar no carro. Virei e conferi o lado de dentro enquanto ele andava ao redor do carro para o lado do motorista. "Essa coisa é enorme. Eu poderia colocar dois carros aqui dentro. Acho que te imaginei em um pequeno modelo esportivo com dois lugares ao invés desse ônibus. Ainda assim, de alguma forma, isso combina com você, também." "Eu costumava ter exatamente isso. Um pequeno Porsche Targa vermelho 1972. Amava aquela coisa. Troquei-o com um amigo no ano passado por essa besta. Ele tinha saído de uma cirurgia e estava tendo problema em subir nesse banco alto e eu precisava de algum carro maior para poder transportar as minhas tralhas por aí." "Transportar as suas tralhas por aí?"


Carter colocou na primeira marcha e saiu do estacionamento. "Sim. Sempre estou carregando essa besta por alguma razão." "Quanto tempo de viagem até a sua casa?" "Mais ou menos meia hora. Passa rápido, a maior parte é na estrada." Durante a viagem, visualizei os meus e-mails. Havia um que já estava evitando por alguns dias – responder a minha mãe. Sabia que ela estava pelo menos meio chapada quando escreveu, apenas pelas suas frases sem espaços. Minha tão conhecida mãe costumava perder os conhecimentos adquiridos no colégio interno do exterior depois de algumas doses de vodca. Ao invés de lhe explicar o que realmente estive fazendo, tomei o caminho mais fácil e apenas lhe enviei um e-mail de volta dizendo que ainda estava viajando com um amigo e entraria em contato em alguns dias. Pouco tempo depois, saímos da estrada, fizemos algumas curvas rápidas e passamos por uma avenida que levava a uma comunidade residencial. Na entrada havia uma grande fonte no meio de uma rotatória e um edifício no estilo club house. Na esquerda e direita haviam portões de entrada que bloqueavam a passagem para o que pareciam ser centenas de residências em uma arrumada e planejada comunidade. Carter foi para o portão à esquerda, abriu a janela e digitou o código de entrada em um


porteiro eletrônico. O portão abriu lentamente e nós passamos por ele. Uma placa decorativa nos cumprimentou do outro lado do portão. Bem-vindos a Silver Shores. Nós estamos felizes que você esteja seguro em casa. Um homem mais velho, vestindo um macacão cinza estava dirigindo uma lambreta com uma cesta na frente, acenou e gritou quando nós passamos. "Ei Cap. Bem-vindo ao lar." Carter acenou de volta e sorriu. "Aquele é Ben. Ele foi um lixeiro na cidade de Nova Iorque por quarenta anos. Ainda veste o macacão todos os dias. Ele seria a coisa mais próxima do seu porteiro imaginário." Enquanto dirigíamos pela comunidade, olhei ao redor. Não era nada como esperava. Embora fosse tudo limpo e muito bem cuidado, estava longe de ser um arranha-céu liso. Ao invés disso, todas as construções eram simples residências de dois andares, muito padrão e normal. Depois de alguns quarteirões, nós viramos à esquerda e entramos em uma vaga de estacionamento. Carter sorriu e apontou para uma das unidades no primeiro andar. "E aquela ali, seria a minha cobertura."


Capítulo 14

Kendall

"Bem-vinda a minha humilde residência." Carter abriu os braços assim que entramos na casa. Ela tinha um bom tamanho, não era pequena demais, nem grande demais. Dois sofás de pelúcia amarelados estavam no meio do espaço aberto. Palmeiras balançavam do lado de fora da porta de vidro na parte de trás, que levava a uma pequena área de pátio. "Aqui é como um pequeno paraíso escondido." "Não é exatamente o que você estava esperando?" "Honestamente? Não é. Estava imaginando algo como um arranha-céu em South Beach." "Eu sei que a minha vida é bem louca, mas quando estou em casa, quero paz, basicamente o total oposto da vida agitada que levo quando estou pilotando." Meu estômago roncou. "Merda... desculpe-me por isso." "Você está com fome? Vou fazer o café da manhã para você." "Talvez um pouco. Sim. Isso seria ótimo." Carter abriu a sua imaculada geladeira de inox. "Vamos ver o que nós temos. Parece que temos algumas tigelas de comida."


"Essa coisa não pode estar boa. Você esteve fora por tempo demais." "Não. Isso foi feito hoje." Ele apontou para o rotulo. "Vê a data?" Alguém havia colado um adesivo com a data de hoje em cima da Tupperware. Dizia: Uma coisa gostosa para o meu gostoso – Muriel. Ele tirou outra tigela da geladeira. Nesta tinha um rótulo que dizia: Prove este. É melhor do que o da Muriel. Meu coração acelerou. "Que porra é essa? Você tem mulheres cozinhando para você?" "Minhas vizinhas. Elas têm minhas datas de retorno em seus calendários e me deixam comida. Elas têm a chave daqui porque alimentam a minha gata e limpam a caixa de areia." "Você tem uma gata?" "Sim. O nome dela é Matilda. Ela se esconde quando sente o cheiro de pessoa nova. É por isso que você não a viu." "Claro que sua pussy23 tinha que ser uma fêmea." "A pussy que me interessa está parada bem na minha frente, porque não há nenhuma outra que eu queira." O olhar no rosto dele era totalmente sério quando disse. "Eu mal posso esperar para comê-la também." 23

Como o mocinho faz sucesso com as mulheres, a mocinha faz uma piada com o fato dele ter uma pussy, palavra que pode significar gatinho(a) ou buceta dependendo do contexto.


Tendo que cerrar os músculos entre as minhas pernas, limpei a minha garganta e mudei de assunto. "Quem são essas vizinhas?" Balançando a cabeça, ele disse. "Não é o que você pensa." "O que é então?" "Elas são velhas o bastante para serem a sua bisavó, Kendall." Aliviada, cerrei os olhos. "Você tem senhorinhas cozinhando para você?" "Sim. Elas insistem, e eu pago a elas para ajudá-las de vez em quando." "Na verdade, isso é realmente doce." "É uma maldita sorte que elas façam isso, porque não poderia cozinhar nem se minha vida dependesse disso." Depois de um café da manhã provando ambas as marmitas, de Muriel e de Irene, me aventurei a ir ao banheiro de Carter e tomar um banho quente. Assim que abri a porta, saltei ao ver Matilda, pois a gata chiou ao me ver. Com as garras para fora, ela não queria nem me deixar passar pela porta. Eu gritei no corredor. "Carter! A sua gata parece possuída. Ajude-me! Ela não quer me deixar passar." "Merda. Já estou indo!"


Eu olhei de volta para Matilda. "Acalme-se gata. Eu não vou te machucar." Carter apareceu uns segundos mais tarde. "Não percebi que ela estava aqui. Ela geralmente se esconde debaixo da minha cama. Ela é muito possessiva." Ele levantou a gata gorda e cinza do chão e ela miou. Matilda era apenas mais uma das vadias loucas de Carter para eu lutar. Meu coração pulou uma batida quando ele enterrou o rosto no pelo dela, alvejando ela com beijos. Tentei rapidamente me livrar do pensamento repentino de que Carter poderia ser um bom pai algum dia. Pensar nisso me fez sentir uma dor física por alguma razão. Talvez porque meu instinto ainda me dizia que os nossos futuros não iriam se unir. "Não demore demais no banho. Quero te mostrar o bairro. Nós temos um grande dia. O primeiro dia de volta é sempre um dia ocupado." "Porque ocupado?" Ele sorriu. "Você vai ver." O que isso significa? Depois que saí do chuveiro, Carter abriu a porta do banheiro e instintivamente peguei uma toalha para me cobrir. Ele estendeu a mão. "Posso?"


Não entendi exatamente com o que estava concordando, então simplesmente assenti. Carter pegou a toalha da minha mão enquanto os olhos dele viajavam pelo meu corpo molhado e nu. Ele começou a gentilmente secar todas as gotas de água da minha pele. A mão dele ficou sobre a minha buceta enquanto ele levou algum tempo passando a toalha entre as minhas pernas. Eu deveria estar ficando seca, mas ao invés disso comecei a ficar molhada quando o meu clitóris começou a pulsar. A toalha caiu no chão, porém a mão de Carter permaneceu, me acariciando para frente e para trás até que repentinamente comecei a gozar. "Goze. Está tudo bem. Goze." Ele sussurrou. "Eu quero ver o seu rosto." Meus olhos rolaram para trás quando deixei que o meu orgasmo se espalhasse por mim. Foi o mais rápido que já tive, mas foi muito intenso. Quando os meus olhos finalmente se abriram, Carter estava apontando para o pau dele, chamando a minha atenção para a ereção dele. "Merda! Isso pode ter sido um erro." Ele rugiu. O pau dele estava se esticando sob o jeans. Olhei para o cabelo dele que ainda estava desarrumado de brincar com a gatinha. Ele parecia muito sexy. Senti o intenso impulso de me ajoelhar na frente


dele e resolver o seu problema, mas antes que pudesse me mover, ele se afastou. "Deus, é demais aguentar às vezes." Ele disse antes de repentinamente sair do banheiro, me deixando completamente excitada apesar de acabar de ter gozado. Quando saí do banheiro, completamente vestida, Carter já não tinha mais uma ereção, o que me fez imaginar se ele havia ido ao quarto dele para se masturbar. O pensamento me deixou com ainda mais tesão. Depois que ele tomou o seu próprio banho, saiu do banheiro parecendo delicioso com o cabelo molhado jogado para trás e usando uma camiseta justa e um short cargo. "Pronta para um tour pela vizinhança?" "Claro." Eu sorri. O sol da Flórida estava brilhando quando Carter e eu andamos por mais ou menos uma quadra até chegarmos a uma fileira de mais ou menos cinquenta lambretas Segway estacionadas ao lado de uma grade. Ele se curvou e pegou uma delas. "O que está acontecendo?" "Essas lambretas pertencem a todos na vizinhança. Eles nos dão chaves para ligá-las. É o que a maioria das pessoas usam para passear por aqui."


Tão estranho. Carter era tão grande que ficou meio ridículo quando montou em uma e começou a descer a rua para demonstrar como funcionava. Ele se virou um tempo depois para me ajudar a montar na minha e esperou até que eu estivesse confortável com ela para dirigir. Incapaz de conter o sorriso no meu rosto enquanto andávamos de

lambreta

juntos,

ouvi

enquanto

Carter

apontava

para

importantes locais da vizinhança, como o lago que se estendia ao lado da local, um pequeno centro comunitário e uma piscina. A área era bem grande, estava começando a fazer sentido porque as pessoas usavam lambreta para se locomover por aqui. Enquanto nós continuávamos dirigindo, outra coisa ficou muito clara. Nós não havíamos passado por ninguém com idade inferior a setenta e cinco anos. Além disso, todo mundo que passava por nós de lambreta ou tinha cabelo grisalho ou não tinha cabelo nenhum. "Com certeza há muitos moradores idosos na sua vizinhança." Assim que as palavras deixaram a minha boca, Carter quase caiu da sua lambreta. Ele parou e começou a rir histericamente. Não era uma risada normal. Era uma gargalhada com o corpo inteiro.


Ele segurou o seu estômago enquanto dizia. "Eu estava esperando que você percebesse isso, Perky." "Percebesse o que?" "Você é tão fofa." Ele desmontou da lambreta e beijou o meu nariz. "Porque você está rindo de mim?" "Você levou bastante tempo." "Do que você está falando?" "Não

é

um

monte

de

vizinhos

idosos,

Kendall.

Praticamente, todos eles são idosos. Essa é uma comunidade para idosos ativos com idade acima de sessenta e cinco anos. A maioria dos moradores está, na verdade, com setenta e oitenta anos." Espere. O que? "Que caralho você está fazendo morando aqui então?" "Essa é a pergunta do ano, não é?" Ele me deu um rápido tapa na bunda. "Vamos lá. Monte na sua lambreta. Vou te contar uma pequena história." Enquanto nós dirigíamos juntos, Carter começou a explicar. "Ok, então alguns anos atrás a minha avó faleceu." "Meus pêsames."


"Obrigado. De qualquer forma, a minha casa era na verdade dela. Ela e a sua gata Matilda moraram aqui por muitos nos. Depois que ela morreu, fiquei surpreso ao descobrir que ela havia me deixado o local no testamento." "Porque você e não as suas irmãs?" "Eu acho que ela não queria ter que escolher entre as duas. Elas são muito competitivas. Ela lhes deixou algum dinheiro e me deu o apartamento. Eu tinha toda a intenção de vendê-lo. Mas quando voei até aqui para limpá-lo, e com cada dia que passava por aqui, tinha mais certeza de que nunca poderia ter mais paz na minha vida. Não importava a minha aparência, o que fazia para viver... não há mulheres da minha idade para me preocupar se vou acabar fodendo as coisas. É como se fugisse completamente, um esconderijo." "Então, você ficou." "Fiquei." "Você é a única pessoa jovem por aqui?" "Até onde sei, eu sou. Mas o problema é... mesmo se quisesse sair agora, me sentiria um pouco culpado." "Por quê?" "Isso pode soar estranho..."


"Estranho?" Eu repeti cheia de sarcasmo. "Não há nada nessa situação que seja estranho." "Muitas dessas pessoas acabam dependendo de mim. Na maior parte do tempo, tenho uma vida praticamente egoísta quando estou voando. Mas quando estou aqui, deixo o meu egoísmo no céu. Sabe? Ajudar essas pessoas, seja dirigindo para elas por aí, ou levantando alguma coisa... faz me sentir bem." Foi então que caiu a ficha. "Meu deus. O Suburban. É por isso que você tem um carro tão grande, não é?" "Sim." Ele deu de ombros. "Você é como aquela van que vai ao supermercado e carrega os idosos por aí." "Basicamente, algumas vezes por mês, eu sou." "Nossa. Acho que há um monte de coisas que não havia percebido sobre você, Carter." "Há um monte de coisas mais que gostaria de lhe mostrar, baby. Confie em mim." "Nem mesmo tente deixar isso sensual." Eu disse enquanto continuávamos a dirigir. "Essa definitivamente teria sido a primeira vez que tentei seduzir alguém em uma lambreta." "Onde nós estamos indo?"


"Nós estamos quase lá." "Onde?" "Na casa do meu pai." "Seu pai? Pensei que seus pais estivessem em Michigan." "Eles estão." "Eu estou confusa." "Você vai entender rapidamente. Lembre-se o que você me disse em Amsterdã... apenas acompanhe o jogo?" "Sim." "É isso o que estou prestes a te pedir para fazer."

***

Carter tinha uma chave para entrar em uma das outras unidades. Um homem que parecia estar com seus oitenta anos estava sentado em frente a uma televisão. "Já era hora, Brucey! Meus malditos pés estão me matando." Brucey? Carter olhou para mim com um sorriso. "Não me envergonhe na frente da minha amiga, velho."


"O que você está fazendo aqui com Michelle Pfeiffer?" "Ela não é Michelle Pfeiffer, Pops." "Quem é então?" "O nome dela é Kendall." "Ken Doll?" Carter aumentou a voz. "Kendall... Kendall." "Que seja. Venha cortar as minhas unhas dos pés." "Elas não foram feitas desde a última vez que estive aqui?" "Quem mais iria fazê-las?" O homem reclamou. "Verdade. Onde você colocou o alicate de unha?" "Foda-se se eu sei." "Você vai me colocar numa caça ao tesouro novamente?" "Aproveite e pegue um pouco de suco de ameixa para mim enquanto você está de pé. Estou desejando isso há dias." Ele disse antes de soltar o grande peido. Ah. Ok. "Ah, esse soou molhado." Carter brincou antes de acenar com a cabeça para que eu o seguisse pelo corredor. "Quem é ele, Carter?" Carter falou baixo. "O nome é Gordon Reitman. Ele era um amigo da minha avó. No testamento dela, ela pediu que eu desse


uma olhada nele às vezes. Ele não tem mais ninguém. A mulher dele o deixou anos antes da vovó falecer. Ele é visitado por enfermeiras algumas vezes por semana, mas isso não é o suficiente." "Porque ele te chama de Brucey?" "Bruce era o nome do filho dele. Filho único. O menino morreu em um acidente de carro quando era um adolescente. Quando Gordon começou a perder a memória, ele começou a pensar que Bruce estava vivo e que eu era o Bruce crescido. Tentei corrigir ele uma vez e ele não acreditou. Ficou agressivo. Então apenas aceitei." "Ele realmente acredita que você é o menino ou ele quer que você seja ele?" "Eu acho que ele realmente acredita nisso a esse ponto, sim." Nossa. Carter procurou pelas gavetas do banheiro de Gordon até finalmente localizar uma pequena bolsa de plástico, onde estava o alicate de unha. Ele também pegou um par de luvas e colocou nas mãos. "Porque você precisa das luvas para cortar as unhas dele?" "Você já vai descobrir?" De volta a sala de estar, Carter sentou-se num divã em frente aos pés de Gordon antes de tirar as meias do velho. As unhas do pé


dele estavam amarelas e com crostas. Ficou absolutamente claro agora porque Carter estava usando as luvas de látex. Enquanto ele cuidava das unhas de Gordon, andei até a prateleira sobre a lareira onde estavam expostas fotos de um jovem menino usando um boné de baseball. Havia outra foto com o mesmo garoto quando adolescente. Depois, na ponta mais distante da prateleira tinha uma foto de Carter ajoelhado ao lado de Gordon. "Puta que pariu!" Gordon gritou, me fazendo virar de frente para eles. "Mantenha o seu pé parado e cuidado com o que fala na frente da minha garota, Pops, ou terei de fazer cócegas no seu pé." Carter demonstrou fazendo leves cócegas na sola do pé de Gordan como um aviso e o senhor soltou uma gargalhada incomum. "Há mais de onde essa veio." Carter disse. "Já era tempo de você trazer uma garota para casa, filho." Carter olhou para mim. "Bem, essa é especial." Ele nunca havia trazido uma mulher a esse lugar? "Eu adorei você em Grease." Gordon disse. Eu olhei para Carter confusa. "Oi?" "Aparentemente, ele ainda acha que você é Michelle Pfeiffer. Apenas concorde." Carter colocou o alicate de unha de volta na bolsa de plástico. "Tudo pronto."


Para a minha surpresa, Carter então começou a despejar uma loção em sua mão e depois a passar nos pés de Gordon. O homem jogou a cabeça para trás na cadeira e fechou os olhos. Ele começou a gemer de prazer. Depois de vários segundos, os gemidos se transformaram em roncos. Gordon apagou como uma lâmpada. Carter se levantou e o segui até o banheiro. Ele repentinamente se virou e levantou as mãos cobertas de loção por brincadeira. "Deixe-me segurar o seu rosto." "Nojo!" Eu ri. "Tire essas luvas." "Vamos lá, você sabe que quer um pouco do que eu tenho." "Carter, sério, sem brincadeira. Limpe isso de suas mãos se quer sonhar em me tocar novamente." Ele se aproximou brincando ainda mais e levantou as sobrancelhas. "Não há nada de errado com um pouco de fungos." "Carter!" “Está certo. Está certo!" Carter removeu as luvas antes de lavar as mãos. Então ele se virou lentamente me fazendo ir de encontro a parede atrás de mim e plantando um beijo quente nos meus lábios. Correndo os meus dedos pelos cabelos dele, olhei nos olhos. "Você sabe, estou lentamente aprendendo a confiar em você, vendo a pessoa por baixo da fachada de piloto playboy. Mas isso, o que


você tem feito por esse homem – não apenas a coisa do pé, mas deixá-lo sentir que tem alguma família – realmente demonstra quem você é. Isso me lembra de quanto adorei ajudar Wanda todos esses anos atrás e me inspirou a ser uma pessoa melhor. Você é altruísta, Carter." Ele se aproximou ainda mais. "Bem, neste momento em particular, estou me sentindo exatamente o oposto de altruísta... muito ganancioso." "Então é assim?" "Eu já lhe disse quão bonita você é, Perky?" "Eu acho que sim." "Não, quero dizer, se realmente te disse. Não acho que já deixei realmente claro o quanto quero você e preciso que você saiba disso antes que você tente partir. Eu sei que estive no meu melhor comportamento, mas vou ser honesto. Desde que nós pousamos aqui na Flórida está ficando cada vez mais difícil de me segurar. Se você dissesse agora que me deixaria te foder exatamente neste segundo, estou muito certo de que não seria capaz de resistir mais. Então, apenas estou te deixando ciente de que atingi o meu limite – meu pau atingiu seu limite. Preciso foder você, preciso estar dentro de você."


"Aqui? No banheiro deste senhor? Com a dentadura dele praticamente nos encarando dali da pia?" "Se você me dissesse que me quer aqui... malditamente sim. Eu iria foder você exatamente aqui. Não iria perder mais nenhum segundo do nosso precioso tempo. Mas sério, a bola está do seu lado. Tenho um quarto de hóspede. Você dorme lá hoje à noite, certo?" "Espere. Eu não entendo. Agora, você está me dizendo que não quer dormir comigo?" "Não. Não mais. Não posso mais dormir ao seu lado com o meu pau contra a sua bunda a menos que você me queira dentro de você. Há um limite que um homem pode suportar." "Ok. Entendo isso." "E enquanto estou sendo honesto com você, vou te dizer outra coisa, porque as coisas podem ficar um pouco loucas hoje à noite e posso não ter a chance." "Tudo bem..." "Nós apenas temos alguns dias aqui. Eu sei que você tem gasto algum tempo decidindo o que fazer. Sinto que apesar do pouco tempo, nós nos tornamos amigos próximos, então, como seu amigo, preciso te dizer que acho que você está fazendo um grande erro indo adiante com essa inseminação artificial na Alemanha."


"Ok, me diga por que." "É uma quantidade malditamente grande de dinheiro em jogo. Entendo. Mas dinheiro não é tudo Kendall. Algum dia, quando o pânico criado por esse prazo limite tiver passado, você vai olhar para trás e se arrepender de desistir do seu lindo bebê. E acredite em mim, esse bebê será precioso se nascer de você. Você não pode brincar como quiser com uma vida humana. Para não mencionar que o dinheiro pode não te fazer verdadeiramente feliz. Eu acho que a sua infância é prova disso. Pode não valer milhões, mas esses são os meus dois centavos24. Com trocadilho e tudo." Eu apenas olhei para os olhos dele, absorvendo as suas palavras antes de perguntar. "O que te faz feliz?" "Você." Ele disse sem hesitação. "Você é a única coisa que conseguiu me deixar feliz em muito tempo. E não quero nem imaginar perder esse sentimento." "Obrigada. Eu sinto o mesmo e a sua opinião sobre tudo está anotada. Acredite em mim, ouvi alto e claro." Carter soltou uma respiração profunda e olhou para baixo, para o telefone dele. "É melhor sairmos daqui antes que ele acorde e me faça limpar a bunda dele." "O que? Isso já aconteceu antes?" 24

"My two cents" é uma expressão idiomática originalmente americana que sugere que a pessoa vai fazer uma pequena contribuição sobre um assunto.


"Ele tem um problema nas costas... tem problema para alcançar a parte de trás. Eu vou voltar amanhã e checá-lo." "Deus, você é um santo." "Nah. Apenas fazendo o que qualquer bom filho iria fazer." Ele piscou. "Mais cedo você disse que nós teríamos uma noite ocupada. Há alguma coisa acontecendo hoje à noite?" Ele parecia divertido demais para o meu conforto. "Vou te deixar adivinhar, mas antes que chute, apenas se lembre de onde você está." "Dê-me uma dica." "Começa com um B." "Boquete?" "Merda. Porque você disse isso? Agora, vou andar de lambreta ao seu lado com uma terceira perna." Eu me concentrei e repeti para mim mesmo. "Onde nós estamos... Onde nós estamos... Eu sei! Churrasco 25!" "Bom palpite, mas não. Vou te dar outra dica. Você pode ter sorte hoje à noite." Eu ri. "Mordaça26." "Bingo!" 25 26

Barbecue. Ball gag.


"É isso? Estou certa? Mordaça?" "Não, Perky. Bingo. Essa é a resposta. É noite do Bingo."


Capítulo 15

Kendall

"Entre" Eu gritei por cima do meu ombro enquanto estava na frente do espelho no quarto de hóspedes terminando de amarrar meu cabelo em um rabo de cavalo. A porta se abriu. "Entre? Porra. Você tem que parar de falar safadezas comigo quando estamos prestes a sair e ficar na frente de uma centena de idosos." Eu ri. "’Entre’ não é safado. É seu cérebro que é, Carter." Ele andou e ficou logo atrás de mim, falando com o meu reflexo. "Eu acho que você deve evitar o uso de certas palavras esta noite, como esta e talvez algumas outras." "Que outras poderiam ser?" "De improviso em minha cabeça? Sugar, chupar, movimentar, buraco, cavalgada, abaixar, engolir, por dentro, carne, bolas, sorver, gosto, saborear, lamber, puxar, arrancar, excitante, quente, molhado, morder, palpitação, bater, cereja, tapa, comer, dor, golpe, incitar, atração, forçar, transar, suar, trepar, impulso e preencher."


Minhas sobrancelhas se ergueram. "Tudo isso de improviso na sua cabeça?" Carter olhou para baixo e gemeu. "Porra. Melhor adicionar cabeça a essa lista, também." "Eu acho que você ficou louco." Finalizando o meu cabelo, me virei para encará-lo. Já que ele estava em pé atrás de mim no espelho, eu não tinha percebido o que ele estava vestindo. "Você está vestindo seu uniforme? No Bingo?" O arrogante Carter pareceu corar. "As senhoras me pedem para usá-lo." Cobri minha boca e rachei. "Meu Deus. Você é um colírio para os olhos das velhas senhoras." "Cale a boca." Carter ficou constrangido. Foi a primeira vez que o vi ser modesto sobre sua aparência, então não podia ignorar a tentação de provocá-lo. "Você é a putinha do bingo." "Cale-se, Perky." "O visitante das pumas27." Ele balançou a cabeça, mas eu podia ver os cantos de sua boca se contraírem.

27

Mulher de meia idade que ativamente procura a companhia casual, geralmente sexual, de homens mais jovens, normalmente com menos de 30 anos.


"Você é um PILF28" "PILF?" "’Piloto que eu gostaria de foder’. Como uma milf29, mas com um piloto gostoso no lugar." Carter agarrou meu rabo de cavalo. "Continue falando, boca grande. Toda vez que você me provocar, vou provocá-la de volta." Ele deu ao meu cabelo um puxão forte, expondo o meu pescoço para ele. Em seguida, ele começou a inclinar-se para baixo e lentamente me lambeu da minha clavícula até o ouvido. Quando um pequeno choramingo saiu de meus lábios, ele sussurrou em meu ouvido. "Você vai ter que trancar esta porta se você decidir dormir aqui esta noite."

***

Meus lábios ainda estavam inchados quando chegamos ao Bingo com dez minutos de atraso. A sala irrompeu em animação quando Carter foi para frente da sala. Alguns dos homens caminharam para cumprimentá-lo, dando tapinhas em suas costas com as mãos trêmulas. Todas as mulheres zumbiam em seus assentos. Foi a coisa mais louca que eu já tinha testemunhado. 28 29

PILF: Pilot I’d like to fuck: piloto que gostaria de foder. MILF: Mother I’d like to fuck: mãe que eu gostaria de foder.


Carter era uma estrela do Rock... de um grupo de idosos em uma comunidade de aposentados. Assisti, divertida, no fundo da sala até que uma mulher mais velha se aproximou de mim. "Você deve ser Kendall?" "Sim. Como você sabe?" "Carter me mandou uma mensagem antes, me pedindo para cuidar de sua namorada esta noite. E... bem..." Ela olhou ao redor da sala. "Você é a única que não atira o seu peito por cima do ombro ao vê-lo caminhar até a sala de bingo." Eu sorri, e ela me ofereceu seu braço. "Vamos. Sou Muriel. Guardei um lugar para você entre Bertha e eu." Muriel e Bertha tinham pelo menos uma dúzia de cartões de bingo, cada uma, espalhados na frente delas. Ambas tinham configurado vários itens pessoais em suas mesas também. Muriel tinha um quadro de prata pequeno com uma imagem de três pequenas crianças, uma garrafa de água, três selos de tinta coloridas diferentes e um pequeno prato de doces cheios com jujubas. Quando ela me pegou olhando, ela ergueu o quadro. "Este é Seth, Rachel e Emma. São as crianças do meu filho. Casou-se com uma cadela, mas ela me deu os netos, então eu a tolero." "Eles são lindos." "Obrigada. Você e Carter querem ter filhos algum dia?"


Meu coração afundou com a simples menção de mim e um bebê. "Eu não sei. Nós não nos conhecemos há muito tempo." Bertha se inclinou e interrompeu. "Eu teria seus bebês se pudesse. Mãe de todos esses pequenos mini pilotos com covinhas no queixo." Muriel sussurrou para mim. "Ignore-a. Ela bebe antes de vir para o Bingo. Nós não reclamamos porque a torna incapaz de marcar seus cartões, o que significa melhores chances de vencer para o resto de nós." Bertha gritou. "Eu posso ouvir você, você sabe!" Muriel deu de ombros e acenou para ela. Bertha tinha uma fila de quatro 7-Ups30 no topo da sua mesa e me ofereceu um. "Você quer um 7-ups, querida? Na garrafa de água tem Seagram31 para você misturá-lo. Tenho que disfarçar porque alguns dos membros nervosinhos do conselho decidiram que a noite de Bingo deve ser livre de álcool." Muriel riu. "Diga a ela por que eles fizeram essa regra, Bertha." Bertha engoliu de seu copo vermelho. "Minhas calças estavam muito apertadas. Eu as abri enquanto estava sentada aqui e esqueci de fechá-las antes que me levantasse. Todas essas pessoas agem como se nunca tivessem visto um pouco de bunda antes." 30

Tipo de refrigerante

31

Marca de bebida alcoólica


Muriel acrescentou. "Em primeiro lugar, não veem um pouco de bunda desde 1953. E segundo, ela está deixando de fora a parte onde ela tentou andar com suas calças para baixo em torno de seus tornozelos, tropeçou, caiu e empurrou o Sr. Barthman para o chão. Ele quebrou um dente quando caiu." "Foi uma dentadura, não um dente real." Muriel e Bertha então começaram a brigar em cima de mim, ambas se inclinando para gritar em um ouvido diferente. Quando olhei para cima, Carter estava assistindo da frente da sala e estalou o dedo. Ele ergueu um dedo e depois ligou o microfone e bateu nele antes de falar. "Como estão todas as queridas do Bingo esta noite?" As mulheres ao redor da sala aplaudiram e gritaram. "Estão todos prontos? Nós estamos começando esta noite com um favorito, e eu gostaria de dedicá-lo à minha convidada aqui comigo esta noite. O primeiro jogo vai ser qualquer linha horizontal. Basta marcar cinco espaços em todo o seu cartão para ganhar." Ele olhou diretamente para mim quando continuou e piscou. "De qualquer maneira que você preencha uma horizontal, você ganha um prêmio meu." Revirei os olhos. Bertha me deu um de seus cartões e um carimbo e deslizou um dos seus bonequinhos de cabelos


bagunçados para minha frente me desejando sorte antes dos jogos começarem. Carter ficou na frente da sala atrás de uma mesa dobrável que tinha uma gaiola de arame cheia com pequenas bolas brancas. Ele acionou uma alavanca ao lado, que fez as bolas saltarem rodando. Interrompendo, ele estendeu a mão e tirou a primeira bola. "Hoje nós estamos começando com um pequeno pato." A sala aquietou e todos pegaram seus carimbos e começaram a carimbar. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, mas Muriel parecia estar carimbando o número dois. Quando ela viu que eu estava confusa, ela explicou. "Um pato pequeno... é um termo do bingo, isso significa que é o número dois. Os “dois” parecem com um pato." Eu não tinha um dois no meu cartão, mas vi os olhos de Carter examinando a sala. Ele estava fazendo com que todos tivessem tempo

suficiente

para

carimbar

suas

dezenas

de

cartões.

Eventualmente, ele acionou a alavanca novamente. Desta vez, quando ele puxou a bola e disse ‘Vovó está ficando atenta’ no microfone. Muriel traduz novamente. "G60. Atenta rima com sessenta." Mais uma vez todos carimbaram seus cartões. Parecia que eu era a única que precisava de um dicionário da linguagem de bingo. Enquanto eles estavam todos ocupados marcando os seus cartões,


Carter começou a cantarolar no microfone. Reconheci a melodia, mas não poderia dizer qual era exatamente. Algumas chamadas mais tarde, Carter olhou para a bola e, em seguida, piscou para mim. "De qualquer maneira uma das minhas favoritas." Não precisava de Muriel para traduzir, Carter tinha apenas chamado o ‘69’. Durante toda a noite ele continuou a cantarolar aquela mesma canção. Inicialmente assumi que era dos Beatles, mas quando ele começou a cantar a primeira linha sobre saber quando jogar os cartas reconheci como Kenny Rogers, The Gambler. Curiosa, perguntei a Muriel. "Ele canta canções dos Beatles, enquanto está lá em cima?" "Ele costumava. Até que o levei para o concerto de Kenny Rogers no seu aniversário." "Você o levou para ver Kenny Rogers?" "Sim. A maioria de nós não celebrava nossos aniversários mais até Carter se mudar. Mas agora, nós sempre fazemos. Em seu aniversário, nós o pegamos e o apresentamos a algo de nossa geração. Em nosso aniversário, ele nos surpreende com algo da sua." Fiquei encantada em como profundamente conectado Carter estava com essas pessoas.


"O que ele lhe deu em seu aniversário?" Perguntei a Muriel. Seus olhos se iluminaram, e ela virou-se, levantando o pé para me mostrar seus sapatos. "Tênis Reebok pumps 32. Minhas costas estavam me matando quando saía para a minha caminhada diária. Calcei esses tênis malucos que ele me deu... e a dor não voltou mais." "Eu nem sabia que ainda faziam deles." Até o final da noite, percebi que tive um grande momento. Muriel tinha escrito a receita da comida favorita de Carter, e Bertha, que estava a meio caminho de nos embebedar, disse-me dezenas de piadas picantes, todas centradas em torno de pilotos. Lá estava eu, sentada em uma sala de Bingo cheia de pessoas da mesma idade que a minha avó e não havia nenhum outro lugar que quisesse estar. Foi nesse momento, enquanto o observava de longe, limpando e conversando com alguns dos outros moradores, que percebi o quão profundamente já tinha me apaixonado. Muriel me notou em profunda contemplação. "Confusa sobre o homem?" Suspirei. "Como você sabe?"

32


"Eu conheço esse olhar. Já estive lá com o meu Connor. Conheci ele aos dezoito anos e me assustei muito. O homem poderia literalmente falar com as calças. Ele era especial como o Carter. Tentei manter distância. Não ajudou que ele era lindo e um policial que era áspero ao extremo, também." Eu sorri. "Você disse o meu Connor. Acho que você finalmente parou de correr para longe dele?" O rosto dela caiu. "Eu fiz. Mas, infelizmente para mim, não foi até que estava com quase trinta e cinco anos." "O que aconteceu?" "Eu tinha dezoito anos, e ele tinha vinte e cinco. Eu era uma menina judia, e ele era um irlandês, cujos pais não eram daqui. Meu coração dizia que sim, mas meu cérebro dizia que não. Como fez meu pai. Cometi o erro de ouvir meu cérebro sobre o meu coração. Eventualmente, eu fui para um lado. Ele foi para outro. Perdi quase vinte anos sem o amor da minha vida antes de nos encontramos novamente." "Uau. É ele... ele... vive aqui com você?" "Morreu em oitenta e dois. Uma Blitz aleatória acabou mal quando ele parou um homem que passava e estava com o bagageiro cheio de armas. Atirou à queima-roupa e me deixou


viúva aos trinta e sete. Descobri que estava grávida do meu filho alguns dias depois de seu funeral." Agarrei meu peito. "Meu Deus. Eu sinto muito." Ela assentiu com a cabeça. "Obrigada. Mas eu não queria te dizer meu conto de aflição para deixá-la triste. Eu te disse para lembrá-la que a vida é curta. Metade das pessoas no mundo vão dizer-lhe para seguir a sua cabeça, metade vai dizer-lhe para seguir seu coração. Meu conselho, siga aquele que não está confuso. O mais forte deles irá, finalmente, convencer o outro a cair na linha." Carter andou empurrando um homem em uma cadeira de rodas. "Você está pronta? Apenas necessito ajudar o Sr. Hank a chegar a seu carro lá fora." Agradeci a Muriel, puxando-a para um abraço. "Obrigada. Por tudo." Ela entendeu o que eu estava dizendo. "De nada, querida. Cuide bem do nosso Capitão, e vou me certificar de que Bertha não apareça à sua porta amanhã às 07h00 vestindo um pijama pequeno e achando que vai agarrar um jovem piloto." Carter beijou sua bochecha. "Boa Noite, Muriel."


Depois que todos estavam fora da sala de Bingo, Carter a trancou com uma chave de seu chaveiro e nós voltamos para a sua casa. Ele pegou minha mão enquanto caminhávamos. "Posso te perguntar uma coisa?" Eu disse. "Qualquer coisa." "Como você sabe todos esses termos de Bingo? Que oitenta e três era hora de chá ou que vinte e três era eu e você?" "Eles me disseram alguns deles. Vi que eles não protestaram quando usei a linguagem. Então olhei mais na Internet e memorizei os termos e alguns jogos." Carter deu de ombros. "Longas viagens e tempo para aprender coisas novas em voos para o exterior." Ele riu. "Embora ache que o meu copiloto pensou que eu estava louco quando eu o mandei me fazer perguntas durante toda a viagem da Alemanha para Nova York." "Eu não sei o que fazer com você, Carter. Um minuto você está falando safadezas no meu ouvido e no próximo você está me levando para o Bingo." "Não é exatamente o tipo de encontro que você está acostumada, estou supondo." "Definitivamente não." "Amanhã à noite vou levá-la para um encontro real. Só eu e você em algum restaurante chique."


Parei na calçada. "Não quis dizer isso assim. Este pode ter sido o melhor encontro que eu já tive." "Sério?" Balancei a cabeça. "O propósito do namoro é conhecer a outra pessoa. É triste, mas não acho que eu tenha percebido isso até hoje à noite. Vou ser honesta, para mim sempre foi sobre o restaurante que um cara iria me levar. Julguei homens com base no que eles gastavam e o estilista que usavam. O sobrenome significava mais para mim do que a maneira como tratavam as pessoas. Mas vendoo lá em cima esta noite, tive uma epifania." "Uma epifania, hein?" Nós ainda estávamos parados na calçada, segurando uma das mãos. Estendi a mão e peguei a outra de Carter na minha. Respirando fundo, no meio de uma comunidade de aposentados, decidi que era meu momento da verdade. "Eu sou louca por você, Carter Clynes. Prefiro estar com você em uma sala de Bingo sentada entre Bertha e Muriel enquanto elas discutem, do que estar em um restaurante cinco estrelas com um descendente de Rockefellers. Você canta Kenny Rogers porque sabe que eles amam, corta as unhas do pé do seu pai falso e compra tênis para uma mulher para ajudá-la com seus problemas nas costas." Dei um passo para Carter e envolvi meus braços em seu pescoço.


Tomando mais uma respiração profunda, falei diretamente olhando em seus olhos. "Eu sou louca por você, Carter. Não há outro lugar que preferiria estar do que ao seu lado, onde quer que isso possa me levar." Carter apoiou sua testa na minha e fechou os olhos. Ele ficou em silêncio por um momento antes de falar. "Perky, você não tem ideia do quanto significa para mim ouvir você dizer isso. Me sinto da mesma forma, talvez até mais. Eu não tenho todas as respostas, mas quero ser o único a ajudá-la a encontrá-las. ” Lágrimas escorreram pelo meu rosto. "Estou feliz, Carter. Tão feliz. E apavorada ao mesmo tempo." Seus polegares em minhas bochechas pegam minhas lágrimas. "Eu também, bonita. Eu também estou." Só então um pequeno carro vermelho reduziu a velocidade, parou e baixou a janela. "Você precisa de uma carona, Cap?" Carter levantou a mão. "Eu estou bem, George. Mas, obrigado." O velho acenou de volta. "Pareço mais jovem aqui, não é? As garotas gostam do meu carro." "Você está ótimo, George. Vai matá-las meu velho. Mas cuidado com o quadril."


O carro se afastou lentamente e então algo me ocorreu. "Isso era, por acaso... um Targa33?" "Isso era." "Esse era o seu carro, não é? O carro que você trocou com um amigo que teve a cirurgia?" "Ele precisa dele mais do que eu, de qualquer maneira." Carter passou o braço em torno de meu ombro e começamos a andar novamente. "Aparentemente, não preciso do carro. Eu posso pegar uma pequena loira gostosa no salão de Bingo."

33

Carro semiconversível, cujo teto pode ser parcialmente removido entre a moldura do para-brisa e um arco de proteção largo atrás do motorista e passageiro.


Capítulo 16

Carter

Era uma típica noite na Flórida, arejada com uma pitada de chuvisco no ar. Mas não havia nada típico sobre a lua está noite; estava espetacular, mágica mesmo. Também não era nada típica a forma como eu estava me sentindo, como se meu coração estivesse prestes a bater fora do meu peito; como se estivesse entrando em um território que nunca me aventurei antes com Kendall. Como se algo grande estivesse prestes a acontecer. A garota que eu estava louco para ter, apenas olhou para mim com lágrimas nos olhos e disse-me que era louca por mim também. Quero que este sentimento nunca chegue ao fim, quero que esta noite nunca termine. Eu estava nas nuvens. Foda-se isso... Eu estava numa nuvem 69. O tempo todo no Bingo, não tinha sido capaz de tirar os olhos da minha menina, não podia esperar para estar sozinho com ela de novo. Como Kendall e eu continuamos nossa caminhada de volta para a minha casa de mãos dadas, intencionalmente me arrastei ligeiramente atrás dela, incapaz de resistir, olhei para a forma como


a seda fina do seu vestido se agarrava a sua bela bunda. Senti-me como o homem mais sortudo do mundo por levá-la para casa. Ajustando minhas calças para combater o meu quase doloroso pau duro, olhei para o lago, à distância. Considerando que era quase hora de dormir por estas bandas, sabia que teria tudo para nós. Meus vizinhos mal se aventuravam para o lago mesmo durante o dia. Precisando prolongar esta noite, perguntei. "Quer mergulhar de cabeça na água? Vamos nadar?" Cabeça. Lá vai a minha mente poluída novamente. Apenas não poderia desligá-la esta noite. "Eu não tenho um maiô. Este vestido está limpo e seco. Não posso molhá-lo." Molhado. Porra. Levantei minha sobrancelha. "Eu estava pensando que poderíamos nadar sem roupa, na verdade." "Oh... esse tipo de mergulho." Ela mordeu o lábio inferior e sorriu. "Claro, capitão. Estou pronta para qualquer coisa esta noite." Qualquer coisa.


Kendall gritou quando, de repente, levantei-a do chão e corri em direção ao lago, enquanto ela enrolava as mãos no meu pescoço. Incapaz de lembrar a última vez que tive tanto tesão, me senti como um adolescente. Também não conseguia me lembrar da última vez que me senti tão feliz. Talvez, foi em algum tempo antes de Lucy morrer. Tudo o que sabia era que não havia dúvida de quão feliz Kendall estava me fazendo sentir esta noite. Quando a coloquei de volta em seus pés, ela olhou para mim. Eu ainda estava usando o meu uniforme de piloto enquanto estava parado perto dela. Ela observava cada movimento das minhas mãos quando lentamente desabotoei minha camisa e joguei-a sobre a grama. Estávamos longe o suficiente da casa mais próxima e sabia que ninguém iria nos pegar nus a esta hora. Eu não estava me segurando. Após tirar meu cinto, abri o zíper e sai fora das minhas calças, então coloquei minhas mãos em meus quadris olhando para ela me admirando. Suas pálpebras estavam pesadas, cheias de luxúria enquanto ela olhava para meu pau inchado, que estava praticamente estourando para fora das minhas cuecas boxer. Porra, eu amava o jeito que ela estava me olhando. Isto só me fazia mais duro. Nem


mesmo tentei esconder a minha excitação, queria que ela visse o que estava fazendo para mim. "Eu suponho que você possa nadar, Perky?" Ela finalmente olhou para cima e encontrou meu olhar. "Sim. Posso dar um mergulho médio." Mergulho. Porra. Meu pau se contraiu. Caminhando lentamente em direção a ela, digo. "Eu posso mergulhar muito bem." Ela limpou a garganta. "Ou mergulhar a si mesmo muito bem?" Passei meus braços em volta da cintura. "Sim... isso." "Eu aposto que você consegue. E sobre o nado de peito?" Ela murmurou, claramente afetada por meu toque. Beijando o pescoço dela e sobre os seios, eu disse. "O que sobre ele?" "Gostaria de mergulhar entre os meus seios, Carter?" Porra. Meu pau estava latejando agora. "Eu tenho sonhado em gozar sobre esses maravilhosos seios desde o saguão do aeroporto. Você está me matando, menina


safada. Estou me afogando, e nós não estamos nem mesmo perto da água ainda." "Não se preocupe. Se você se afogar, sei fazer boca a boca." Ela sorri contra os meus lábios. Puxando a alça do vestido, pergunto. "Posso tirar isso?" Ela concorda em silêncio. Eu levantei o vestido por cima de sua cabeça, em seguida, desabotoei o sutiã, deixando-o cair. Eu não poderia resistir em tomar seu mamilo em minha boca muito gentilmente, puxando-o com os dentes. Solto um grunhido involuntário, começando a sentir o gozo se aproximando. Enquanto segurava sua calcinha e, lentamente, a descia pelas suas pernas, tomei conhecimento de como molhada ela estava. Provando que nossa conversa picante tinha a atingido, tanto quanto me atingiu. Havia um ligeiro frio no ar, e quando ela estremeceu, uma enorme necessidade de aquecê-la levou-me a puxar seu corpo nu para mais perto do meu. As coisas caíram em uma espiral fora de controle muito rapidamente a partir dali. Quando duas pessoas estão conectadas da maneira que Kendall e eu estávamos, as palavras não eram necessárias. Suas unhas estavam cavando em minhas costas. Seu coração estava


batendo contra o meu. Com cada fibra de seu ser, ela estava me dizendo que estava pronta para render-se a enorme atração que existia entre nós desde aquele primeiro encontro no aeroporto. Não havia um pingo de resistência entre nós. Bem ali, sob a magnífica lua, sabia lá no fundo que não estávamos mesmo indo fazer sexo naquela água. Eu ia levá-la aqui sobre o que era tecnicamente uma propriedade privada à beira do lago. Segurando seu rosto em minhas mãos, beijei-a com tudo em mim enquanto ela passava os dedos pelo meu cabelo. Nós desabamos sobre a grama orvalhada quando me sustentei sobre ela com todo o meu peso, cobrindo seu corpo com o meu. Através do tecido da minha cueca, moí desesperadamente meu pau contra seu clitóris mais e mais enquanto ela se contorcia debaixo de mim. Ela encharcou minha cueca com a sua excitação e a necessidade de sentir sua buceta molhada enrolada no meu pau era insuportável. Fomos esfregando um contra o outro como dois adolescentes excitados. Seus quadris empurram. Sem usar palavras, ela estava me implorando por mais. Eu quebrei nosso beijo apenas o tempo suficiente para dizer. "Não posso segurar mais, Kendall. Se você continuar com isso, vou gozar em cima de você quando prefiro gozar dentro de você."


"Vem para dentro de mim, então." "Sério, me diga para parar. Caso contrário, estou prestes a transar com você na grama de alguma pessoa idosa." Ela respondeu me puxando mais duro para ela e envolvendo suas pernas em volta da minha cintura enquanto trabalhava para tirar as minhas cuecas boxer. Freneticamente, bati minhas mãos em busca de minhas calças. Escorreguei um único preservativo do bolso de trás, que tinha carregado por algum tempo. Nunca soube se iria tê-la a qualquer momento; mas precisava estar preparado e agradeci por ter lembrado de trazê-lo comigo esta noite, porra. Este preservativo eu tinha desde o Rio. Atrapalhei-me com o invólucro, nunca abri um tão rápido na minha vida. Colocando-o sobre meu pau, apenas o pensamento de que estava prestes a senti-la pela primeira vez foi o suficiente para me fazer explodir antes de sequer começar. Afundar nela foi pura felicidade. Sua buceta apertada se esticava para mim quanto mais profundo que eu me enfiava dentro dela. Incapaz de resistir peguei-a duro, em um ritmo desesperado. Foi o sexo mais cru, mais espontâneo que já experimentei. Estava desesperado, em parte porque, mesmo enquanto estava deitado nu


na grama, enfiado profundamente dentro dela, ainda não tinha ideia se ia perdê-la em questão de dias. Isso me apavorava. O pensamento me fez fode-la ainda mais forte, mais possessivo. "Abra mais as suas pernas." Ela de bom grado me atendeu enquanto agarrava minha bunda para ajudar a controlar os meus movimentos. Éramos como dois animais no cio, acasalando na calada da noite. Pensei sobre todos os pequenos aviões que voam baixo ao redor. Se fosse dia, que visão que eles teriam lá de cima: o meu traseiro nu e eu fodendo Kendall no meio do que era basicamente o gramado de alguém. Eu precisava gozar tão desesperadamente, mas só tinha um preservativo e precisava fazer isso durar, porque a caminhada para casa era extremamente longa. Estava tranquilo, exceto pelos sons da nossa respiração, nossos corpos unidos juntos, minhas bolas batendo contra a bunda dela, a umidade enquanto eu entrava e saía dela. Era uma sobrecarga sensorial e sexual, e eu estava me afogando nisto, afogando-me nela. Kendall era menor do que eu estava acostumado em uma mulher, tanto assim, que estava preocupado se a estava


machucando. Foi um desafio transar com ela do jeito que queria com todo o meu peso em cima dela. Ela me surpreendeu quando, de repente se afastou, em seguida ficou de quatro, deixando a bunda linda no ar, porra. Ela queria que eu a levasse por trás. Era como se ela tivesse lido minha mente. Puxando seu cabelo loiro, apreciava a sensação de entrar nela novamente. A visão de seu traseiro apertado enquanto a penetrava era

demais

para

suportar.

Em

questão

de

segundos,

inesperadamente atingi o orgasmo. "Porra, Kendall. Vou gozar. Deus... isso é tão..." Minhas palavras sumiram quando perdi a capacidade de falar. "Eu também," disse ela quando empurrou a bunda de volta para mim mais e mais, e ordenhou o meu pau. Porra, tudo isso valeu a pena. Senti um êxtase sem fim. Um final apropriado de dias após dias de reuniões físicas sem fim e preliminares mentais. Meu corpo tremia, até que a última gota de porra tinha esvaziado dentro da camisinha. Eu imediatamente queria mais. Depois de cuidadosamente sair dela, virei seu rosto para mim. Ficamos nos beijando na grama enquanto ela esfregava sua boceta molhada contra o meu abdômen. Ela estava me deixando louco.


"Estou duro como uma rocha novamente, baby. Tenho que descer você, caso contrário, vou acabar dentro de você novamente, e não tenho mais nada comigo. Nós precisamos voltar para a minha casa, rápido " "Ok." Ela me beijou mais forte, fazendo-me voltar para ela novamente. "Lembra do jantar extravagante que deveríamos ir amanhã à noite?" "Sim." Ela sorriu. "Eu acho que nós precisamos mandar entregar em casa, porque não acho que posso manter minhas mãos longe de você por tempo suficiente em público. Tudo bem?" "Soa como um plano." Forçando-me fora dela, digo. "Vamos sair daqui." "Só preciso lavar-me rapidamente no lago." Ela foi à minha frente, e corri para alcançá-la. Nós acabamos brincando na água durante vários minutos. Levantei-a, a joguei para baixo, girei em torno dela e nos beijamos mais e mais. Estive em um monte de lugares como piloto, viajei ao redor de todo o mundo, mas nada tinha sido mais espetacular do que esta noite com Kendall no lago.


Algumas luzes piscando ao longe nos fizeram tomar conhecimento de que não estávamos sozinhos. Nos escondemos em baixo da água e nos beijávamos silenciosamente até que o que quer que seja passasse. Eu não poderia dizer se era um carro ou alguém de passagem com uma lanterna. Seria a minha sorte entrar em algum tipo de problema que iria estragar o que era, literalmente, a melhor noite da minha vida. Não podia deixar isso acontecer. "Você está pronta, linda?" "Sim. Me leve para casa, capitão." Quando voltamos para as nossas roupas, Kendall deslizou em seu vestido, enquanto eu procurava por minhas calças. "Onde diabos estão minhas calças?" Ela apertou a água em seu cabelo. "Você não consegue encontrá-las?" "Não. Elas se foram. Cueca, também." "Isso é uma piada? Será que tem algo a ver com aquelas luzes que vimos?" "Alguém aparentemente decidiu que seria engraçado levar apenas as minhas roupas." Kendall cobriu a boca. "Meu Deus. Não quero rir, mas isso é loucura. Você quer que eu caminhe até sua casa e pegue algumas calças?"


"Isso seria ótimo, exceto pelo fato de que a minha chave de casa estava dentro de minhas calças!" "Merda." Ela jogou sua calcinha para mim. "Aqui." "O que você está fazendo?" "Coloque-a." "Essa pequena coisa não vai cobrir metade do meu pacote." "É melhor que nada." Esfregando minhas têmporas, tentei pensar. Minha casa era mais de meio quilômetro de distância. "Vamos correr até a casa de Gordon. Comparado com a minha casa, ela é bem perto daqui, apenas na esquina. Ele provavelmente está dormindo, mas mantém uma chave no vaso de plantas fora de sua porta. Vou entrar lá e conseguir algumas calças." Kendall e eu não poderíamos deixar de rir enquanto corríamos. Com uma das mãos segurando a dela e a outra cobrindo minha bunda, nós finalmente chegamos na porta da casa de Gordon. Ela esperou do lado de fora por mim. Gordon estava roncando quando entrei em seu quarto. A porta do seu armário rangeu quando a abri, fazendo com que ele saltasse acordado. "Pai," sussurrei. "Sou eu. Está bem." "Brucey?"


"Sim." "O que você está fazendo aqui?" "Eu preciso pegar algumas calças." "Que tipo de problemas você entrou?" "Eu estava mergulhando nu com uma garota e alguém as roubou." "Michelle Pfeiffer?" "Sim." Sorri no escuro. "Grande rapaz." Em seguida, ele simplesmente se virou e começou a roncar novamente. Segurando as calças largas de Gordon com um cinto, voltei para fora e me juntei a Kendall. Nós não podíamos parar de rir quando fizemos o nosso caminho de volta para minha casa. As calças estavam ainda soltas e ridiculamente curtas em mim. Depois de quebrar uma janela, carreguei Kendall para meu quarto e mesmo sem colocá-la no chão alcancei um preservativo em minha gaveta. "Por favor, me diga que tirou suas calças." Eu ri contra sua boca e balanço a cabeça enquanto desafivelo as calças gigantes de Gordon a deixando cair no chão. Rasguei o preservativo com os dentes e de alguma forma consegui colocá-lo sem tirá-la do meu colo.


Engoli em seco após afundar-me nela. Ela já estava totalmente molhada. "Porra. Eu não posso te deixar ir agora, Perky. Você sabe disso, certo? Estou me sentindo muito bem. Malditamente bem." Eu já era viciado e não havia nenhuma maneira que poderia imaginar não ter isso em minha vida mais, não ter ela em minha vida. "Carter..." ela gemeu. Eu empurrei para ela. "Kendall." Mais uma vez. "Kendall." De novo. "Porra, Kendall. Como vou voar em aviões novamente quando isso é tudo que quero fazer pelo resto da minha vida?" De repente, ela começou a ter espasmos ao redor do meu pau, e imediatamente gozei em resposta. As costas dela bateram contra a porta enquanto eu bombeava dentro e fora dela, ainda precisando de mais, quando não havia mais nada para dar. Gotas de suor estavam escorrendo de nós. Falando contra seu corpo mole, eu disse. "Sinto como se tivesse perdido a maldita cabeça com você. Nunca me senti assim com ninguém. Não sei o que o amanhã irá trazer. Não sei nem onde a porra das minhas calças está! Tudo o que sei é que eu não posso deixar você ir, baby." Segurei-a perto. "Não posso deixar você ir."


Meu coração estava disparado mais rápido do que já esteve alguma vez depois do sexo. Eu sabia que era porque, pela primeira vez em minha vida, não era apenas sexo; era muito mais.


Capítulo 17

Kendall

O cheiro de bacon flutuava no ar. Envolvendo um lençol em meu corpo nu, segui o cheiro até a cozinha. Parei na porta para olhar a cena diante de mim. Carter estava completamente nu, sua bunda firme balançando para frente e para trás. Ele estava na frente do fogão fritando o bacon, enquanto cantava I Got a Woman dos Beatles, junto com o rádio. Era seriamente uma espantosa visão. O epítome do magnetismo de Carter Clynes em plena exibição, lindo, confiante, brincalhão, amoroso, um pouco louco e muito mágico. Quando ele me pegou encostada na porta, senti o seu sorriso dentro do meu peito. Meu coração inchou e o observei caminhar para mim, pegando uma mão na sua e envolvendo a outra em torno de minhas costas. Carter me puxou para perto e me conduziu com uma mão forte enquanto lentamente dançamos juntos. Ele cantou as palavras da canção com a boca no meu ouvido. Eu tenho uma mulher. Eu tenho uma mulher.


Foi um daqueles belos momentos na vida, que parecia um sonho. Queria que isso durasse para sempre. Eu queria que nós durássemos para sempre. A música terminou e Carter pressionou seus lábios na minha testa. "Bom dia, linda." Deus, não poderia haver uma maneira melhor de começar um dia, poderia? "Há quanto tempo você está aqui?" Perguntei. "Não muito. Talvez meia hora." Fumaça estava ondulando da frigideira atrás dele. "Humm... acho que você está queimando o bacon." "Merda." Ele correu para o fogão e torceu o botão para desligar a chama. O bacon fez uma crepitação alta, seguido de um estalo antes do óleo quente espirrar e acertar no abdômen de Carter. "Ouch. Merda! Droga." Eu ri. "Você pode querer colocar uma calça antes de queimar as partes boas." Acenando a espátula para mim, ele disse. "As partes boas, hein? Quer dizer as minhas mãos?" "Bem... essas são muito boas. Mas não era o que eu estava preocupada."


Ele apontou para os lábios e sorriu. "Minha boca? Isso deve ser o que você está preocupada." "Isso definitivamente é bom também. Especialmente aquela pequena coisa que você faz com a sua língua, onde você faz redemoinhos ao redor e, em seguida, agita." Suas pupilas estão dilatadas, e sua voz baixa e rouca. "Você gosta disso, hein?" Minhas bochechas coram pensando em como ele me trouxe ao orgasmo mais de uma vez com a boca. Eu balanço a cabeça. Sem tirar os olhos de mim, ele deu a volta, desligando a chama completamente e deslizando a panela para a direita. "Nem me lembro do que estávamos falando mais." "Eu tinha sugerido que você encobrisse uma determinada parte do corpo para que não se queimasse com gordura de bacon respingado." "Oh, vou cobri-la bem." Ele dá alguns passos largos para onde eu ainda estava de pé e me surpreende ao me pegar e me jogar sobre o ombro como um bombeiro. "Vou cobri-la com sua linda boceta em cerca de dez segundos." Ele golpeou minha bunda enquanto se dirigia para o quarto. "E sobre o bacon?"


"Foda-se o café. Eu vou te comer."

***

Era início da tarde quando nós sequer pensamos em comida de verdade novamente. Carter apenas pegou um dos recipientes Tupperware em sua geladeira, colocou no micro-ondas e estávamos sentados na cama comendo macarrão, passando o recipiente entre nós. Ele sorveu um pouco do macarrão em sua boca, ao mesmo tempo em que seus olhos ficavam vesgos. Era algo que uma criança de seis anos de idade faria e isso me fez pensar em como Carter se parecia quando era um jovem garoto. "Você tem álbuns de fotos?" Perguntei. "Não com fotos recentes." "Você tem alguma de você garoto?" "Eu tenho, na verdade. Quando me mudei para a Flórida, minha mãe me fez um álbum de fotos antigas da família. Encontreio com uma carta quando estava desempacotando. Ela escreveu que queria que eu me lembrasse do quanto era amado e me pediu para


olhar para o álbum, pelo menos, duas vezes por ano, no meu aniversário e no dela." "Isso é tão lindo." Ele me entregou o recipiente quase vazio e eu não quis minha vez de comer. "Estou satisfeita. Você pode terminá-lo." "Eu gosto de comer com você. Você só come metade e eu acabo com o resto." "É melhor ter cuidado. Pode acabar com uma barriga grande comendo dois jantares o tempo todo." "Vamos queimar alguns quilinhos depois." Eu não tinha dúvida do que faríamos. Carter me entregou a garrafa de água que estávamos compartilhando e tomei um gole. "Você faz o que sua mãe pediu em sua carta? Olhou para o álbum duas vezes por ano?" "Eu faço." "Quando é seu aniversário, afinal?" "Quatro de julho." "Você está de brincadeira?" "Não. Por quê?" "É o dia do meu aniversário, também." Carter resmungou. "E, eventualmente, as peças se encaixam." "O que é isso?"


"Nada. É algo que minha mãe sempre dizia." "O que você fez em seus aniversários?" Carter finalizou o macarrão na Tupperware e se levantou da cama. "Eu vou mostrar para você." Ele voltou um minuto depois com um álbum de fotos grosso e sentou-se de costas contra a cabeceira da cama. Ajustando-me, fiquei posicionada ao lado dele, ele abriu o álbum em seu colo. A primeira página tinha duas fotos de um bebê gordinho nu que tinha provavelmente cerca de três ou quatro meses de idade. "Esse é você?" "Sim. Olha o tamanho das minhas bolas. Por que elas são tão grandes? As bolas de todo bebê são desse tamanho, ou só eu as tenho?" Eu ri. "Eu não sei. Mas você era tão bonito! E gordinho, também." A próxima página tinha fotos de duas meninas que tinham provavelmente cerca de seis ou sete anos e um menino de talvez quatro, que definitivamente era Carter. A covinha no queixo denunciava, mesmo se não fosse por isso, parecia exatamente como ele. "Essas são suas irmãs?"


Ele assentiu. "Catherine e Camille." Elas pareciam ter a mesma idade. "São gêmeas?" "Elas são. Fraternas34. Minha mãe é uma irmã gêmea, também." Carter, Catherine, Camille. "Qual o nome dos seus pais?" "Minha mãe é Calliope e o meu pai é Carter." "Então vocês são uma dessas famílias, huh?" Encostei o ombro com o dele. "Todos os seus nomes começam com a mesma letra?" "Cinco pessoas, todas as nossas iniciais são duplos Cs. Odiava quando eu era criança, por algum motivo." Ele virou mais algumas páginas, e vi Carter crescer diante dos meus olhos. Ele era um bebê bonito e um menino ainda mais bonito, mas Deus, ele cresceu em aparência na sua adolescência. Nós rimos com a evolução de seus penteados ao longo dos anos. As últimas páginas de fotos pareciam ser recentes, nos últimos anos. Peguei uma foto de Carter segurando uma menina que tinha, provavelmente, cerca de dois anos. Eles estavam sentados na frente de uma árvore de Natal. "Quem é? Ela é adorável." Ela tinha tranças louras platinadas e o chapéu de capitão de Carter estava cobrindo metade de seus

34

Gêmeos não idênticos. Os gêmeos visigóticos ou fraternos, são formados a partir de dois óvulos. Nesse caso são produzidos dois ovócitos e esses são fecundados por dois espermatozoides, formando assim, dois embriões. Quase sempre são formados em placentas diferentes e não dividem o saco amniótico.


olhos. Seu sorriso cheio de dentes estava delineado no chocolate e ela segurava um chocolate esmagado em um punho. "Esta é Corinne, a filha de Camille. Não deixe que a cara a engane. Ela é um terror divino." "Aposto que ela é doce. Espera... outro nome com C?" "Sim. Catherine tem um filho. Quer dar um palpite?" "Charlie? Chance? Cash? Christopher?" Ele apontou para mim. "Christopher." "Você vai manter a tradição algum dia? Talvez um pequeno Carter ou Claire?" Todo o seu comportamento mudou. Os olhos de Carter adquiriram uma seriedade que eu não tinha visto anteriormente nele. "Eu não sei. Realmente nunca pensei sobre isto antes." Ele parecia

estar

contemplando

algo

por

um

longo

tempo.

Eventualmente, ele disse. "Não tinha certeza se queria filhos. Tenho ficado fora doze dias do mês. Mas agora, estou começando a me perguntar se talvez isso seja algo que quero. Acho que a mulher certa pode mudar o que um homem pensa que ele quer da vida. Acho que depende dela. De nós." Engoli em seco. "Isso faz sentido."


Ele olhou para o álbum de fotos. A última imagem era dele, seus pais e suas duas irmãs. Eles estavam todos com um largo sorriso e tinham seus braços ao redor dos ombros um dos outros. Ele roçou o os dedos sobre a página. "Minhas irmãs gostam de me encher o saco sobre ter filhos. Eles agem como se eu tivesse cinquenta em vez de trinta. Durante anos, a minha mãe fica dizendo essa coisa que pensei que era apenas algo que ela leu em um cartão Hallmark em algum lugar." "O que?" "Ela disse que eu teria uma família quando estivesse pronto para parar de viajar por todo o mundo em busca de alguma coisa e percebesse que o que estava procurando já estava em casa." Ele continuou olhando diretamente nos meus olhos. Desde a primeira vez que meu olhar caiu sobre Carter Clynes naquele saguão de aeroporto, meu coração tinha batido a um milhão de quilômetros por hora. Mas naquele momento, senti algo acontecer. Meu coração desacelerou, inspirei profundamente e soltei um suspiro gigante. Então ele cedeu incapaz de continuar lutando. Eu não fazia ideia de quanto tempo nós tínhamos ou como as coisas iriam se desenvolver, mas sabia, sem sombra de dúvidas que estava apaixonada por Carter.


***

As coisas só se abrandaram entre nós no final da tarde. Carter foi verificar Gordon e depois, quando voltou, fizemos sexo no chuveiro, seguido por sexo no chão do quarto. Tive a sensação que a minha bunda ia ficar estampada em todo apartamento do homem, quando nós saíssemos em poucos dias. Até meu corpo parecia como se tivesse acabado de tomar uma aula de ioga extenuante, seguido por correr uma maratona, mas Carter aparentemente não sofreu nenhum desgaste. "Que tal se nós fossemos para a academia por uma hora e, em seguida, te levo para um bom jantar esta noite?" Eu estava deitada na cama, com a cabeça pendurada para baixo fora da borda assistindo a uma reprise do ‘That 70’s Show’35. "Sério? Você quer ir fazer exercícios depois de todo esse sexo?" Carter riu, aproximou-se da cama, me virou e bateu forte na minha bunda. Parecia ser uma coisa que ele gostava. "Oww..." Esfreguei onde ele bateu.

35

That '70s Show - série (pt:Que Loucura de Família, br:That '70s Show, nos canais Sony e PlayTV; De Volta aos Anos 70, quando exibida na Rede Bandeirantes).


"Vamos preguiçosa. Eu ainda tenho muita energia para queimar. Se nós não formos para a academia, você não será capaz de andar por um mês." Decidimos ir a pé até a academia, mesmo porque ela era do outro lado do condomínio. O lago da noite passada ficava no caminho e Carter queria ver se sua calça de uniforme apareceu à luz do dia. "Onde diabos elas poderiam ter ido?" Perguntei. Vasculhando o lago, não havia nenhum sinal de suas calças em qualquer lugar. Era a coisa mais bizarra. "Não faço ideia." Carter deu de ombros. "Mas estou feliz que estou pegando minhas substituições anuais no próximo mês. Perdi metade dos meus uniformes ao longo do último ano." "Perdeu? Você os deixou para trás em hotéis quando estava viajando?" "Essa é a coisa estranha. Eu os perco em casa. No mês passado, poderia jurar que tinha um chapéu no Bingo, mas não pude encontrá-lo depois. Acho que o esquecimento de alguns dos residentes está começando a me afetar."

***


Decidi ir com tudo para o jantar. Coloquei um pequeno vestido preto apertado e um par dos mais altos e sexys sapatos de salto que eu tinha comigo. Eles eram abertos nos dedos e tinham fitas de seda que ajustavam até minhas panturrilhas. Um bom sutiã meia taça me deu uma abundância falsa que aparecia a partir do decote V do meu vestido. Lembrando o quanto Carter tinha gostado do visual sacana que eu tinha elaborado em mim mesma em Dubai, arrumei o meu cabelo loiro com algum volume extra, revesti meus olhos azuis com um denso preto e pintei meus lábios de vermelho sangue. O esforço extra valeu a pena quando saí do quarto. "Jesus Cristo!" Eu circulei. "Você gosta?" "Você parece com cada sonho molhado que eu já tive." "Eu não tenho certeza se isso é um elogio ou se é assustador." "É um elogio. Qualquer menino ou homem gostaria de se masturbar para você." Ele piscou, e eu ri. Do lado de fora, Carter abriu a porta do seu carro e me ajudou a entrar. Antes de fechar a porta, eu lhe disse: "Para sua informação, você se safa dizendo o que quer, só porque você é tão bom de olhar." "Ah é?"


"Sim. Eu acho que você deixa as pessoas delirantes com sua aparência e charme, e nós começamos a pensar que coisas como ‘qualquer menino ou homem gostaria de se masturbar para você’ é normal." "É normal. É simplesmente natural. Qualquer homem que não pensar isso de você com sua aparência esta noite é cheio de merda. Só digo a você a verdade nua e crua." Eu ri. "Novamente. Isso soou encantador, mas tenho certeza que se outro homem dissesse a mesma coisa... seria totalmente assustador." Carter me levou através do condomínio lentamente, embora ele não tinha muita escolha. Havia um inferno de um monte de redutores de velocidade em sua comunidade de aposentados. Enquanto fazíamos o nosso caminho em direção ao portão da frente, passamos por pelo menos uma meia dúzia de casais andando a pé em roupas de treino. Todos eles acenavam, e Carter respondia com uma saudação pela janela, a cada um pelo nome. Eu ainda não conseguia como ele ficou tão enraizado na comunidade de aposentados. A saída do condomínio ficava ao lado do club house onde o Bingo foi realizado, e o estacionamento estava lotado novamente. "O que está acontecendo hoje à noite?"


"Noite de dança para solteiros antiquados." "Você está brincando comigo?" Carter sorriu e balançou a cabeça. "Não. Existe um monte de viúvas e viúvos na área, então eles realizam algumas atividades para se enturmar." "Isso é ótimo." Nós paramos no portão e Carter cavou seu cartão-chave do bolso para abri-lo para que pudéssemos sair. Enquanto estávamos esperando, um pequeno carro parou no último ponto para deficientes em frente ao club house. "Não é seu carro velho?" Era mesmo, George, o velhinho que Carter tinha negociado o carro, estava saindo do porsche vermelho. Nós dois o observamos caminhar ao redor do veículo e abrir a porta do passageiro. Estendendo a mão, ele ajudou uma senhora a sair. "O que..." Carter parou. "É... o que eu penso que é?" Carter parecia atordoado, sua boca estava literalmente aberta. "Eu acho que é, porra." Nós dois observávamos, completamente sem palavras, quando George saiu do carro de Carter e caminhou com seu encontro para o


baile... Vestido com um uniforme completo de piloto. O uniforme de piloto de Carter.


Capítulo 18

Carter

Desejei uma tempestade enquanto assistia as notícias na pequena TV na cozinha. Um furacão, uma tempestade tropical, tornado, ciclone, o que diabos fosse para cancelar o meu voo esta noite. Desde o dia em que fixei minhas asas, nunca quis estar em terra. Nem uma única vez. No entanto, esta manhã, odiava ser um maldito piloto. A ideia de deixá-la e ir para uma viagem de sete dias, estava me fazendo sentir fisicamente doente. Sabendo o que estava se aproximando, desde ontem, uma dor no meu peito vinha se construindo. Eu tinha certeza que Kendall se sentia da mesma maneira. Nós tínhamos decidido ficar em casa hoje, em vez de sair mais uma vez. Durante cinco dias, tínhamos dançado em torno do elefante na sala, sem qualquer conversa direta sobre o que ela ia fazer. Precisávamos ter essa conversa. No entanto, eu estava me cagando de medo do que poderia ser o final do jogo. Dentro do meu coração, sabia que estava apaixonado por ela. Acho que a minha mente tinha começado a aceitar. O que eu temia não tinha nada a ver com o que poderia acontecer comigo se eu


admitisse. Meu medo era o que meu amor poderia fazer com ela. E se eu lhe dissesse que a amava, mas depois de um ano percebesse que era algo diferente de amor? Ou deixasse de amá-la? Lucy. Não poderia estragar a vida de Kendall, a menos que estivesse certo sobre isso. Mais do que certo. Eu tinha feito danos suficientes jogando falsas promessas ao redor. E se eu disser a ela, e isso influenciasse a sua decisão? Dinheiro ou amor? Parece fácil, não é? Não é. Embora a solução que tinha estado em minha mente nas últimas vinte e quatro horas parecia tão simples. Por que ela não podia ter os dois? Eu poderia dar-lhe tudo, não podia? Meu amor. Uma criança. Sua legítima herança. Uma criança. Nosso filho. Kendall estava no chuveiro. Ouvi a água desligar e olhei para o relógio. Doze horas. Eu precisava decidir. Nós precisávamos conversar. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac.


Doze horas era basicamente o dia inteiro, antes que eu tivesse que estar no aeroporto à noite, para o meu voo para a Venezuela. Não ligo para o que vamos fazer hoje, desde que ficássemos juntos até o último segundo. Quando Kendall saiu do banheiro, não poderia deixar de olhar para ela com um sorriso no meu rosto. Ela piscou os olhos. "O quê?" "Não posso simplesmente olhar para você?" Ela veio ao redor e montou em mim. "Eu não posso acreditar que você tem que ir hoje à noite." De repente, parecia que a carga de perguntas sem resposta que eu estava abrigando estava começando a me sufocar. Meu tom era abrupto. "Quais são seus planos, Kendall? Eu preciso saber." Ela encostou a cabeça no meu ombro e disse. "Estou indo para casa, para o Texas. Preciso de algum tempo longe para realmente pensar. Devo a Hans e Stephen uma resposta final." Eu me afastei para olhá-la nos olhos. "Estes são os seus nomes? Os caras na Alemanha?" "Sim. Eu não posso enrolá-los por muito mais tempo." Acenando para mim mesmo um pouco, eu disse. "Então, acho que é uma boa ideia. Tire algum tempo para pensar sobre as coisas.


Tanto quanto eu amo estar perto de você, nem um de nós pode pensar direito em torno um do outro." "Eu preciso conseguir um bilhete online. Vou tentar reservar algo de Miami, para que possamos embarcar ao mesmo tempo, do mesmo aeroporto." Dou um tapa na bunda dela de brincadeira, e digo. "Faça isso, adquira seu bilhete. Estava pensando que ficaríamos em casa, mas depois que você acabar, talvez devêssemos ir à praia, tomar um sol, ar fresco, apenas relaxar lá pelo resto do dia, até que tenhamos que ficar prontos." Meia hora depois, Kendall e eu fomos para Deerfield Beach. Mesmo que a água estivesse calma e perfeita, ambos optamos por simplesmente deitar na areia, aproveitando o som do mar e o céu azul cristalino. Tão relaxante quanto a praia deveria ter sido, estávamos ambos ainda tensos. Em um ponto, estávamos deitados de bruços e ela não largava minha mão. Nossos rostos estavam voltados um para o outro. Quando ela finalmente virou, segui o exemplo e soltei a sua mão para colocar a minha em seu estômago tenso. Eu esfreguei o polegar ao longo de seu umbigo perfeito e uma onda de ciúme e possessividade me atingiu. A resposta foi se tornando mais clara.


Eu queria que ela pertencesse a mim e só a mim. Eu não queria que ela tivesse o bebê de outro homem. De maneira nenhuma. Eu queria que ela tivesse o meu bebê. Não apenas por causa de alguma merda de herança louca, mas porque queria um bebê com ela, um futuro com ela. Apesar de que ter um bebê agora não seria o ideal, não havia dúvida de que eu queria. Assim, dada à situação de urgência, por que esperar? Lucy. Isso era tudo que eu poderia pensar. Foi o medo de ferir Kendall, como tinha ferido Lucy. Esse medo permanecia como uma nuvem negra em cima de mim, o medo de decepcionar Kendall. Ele estava sempre presente, mas porra, não era forte o suficiente para ofuscar a minha necessidade por ela, meu amor por ela. Essa situação era tudo ou nada. Agora ou nunca. Eu queria tempo com ela para mim, mas também tinha que respeitar o prazo. Ela perderia tudo se não agíssemos rápido. Não importa o que acontecesse, era ganhar ou ganhar, mesmo estando preocupado. Faria o suficiente para suportar tudo, mesmo que o dinheiro não viesse caso tivéssemos uma menina.


O pensamento de uma pequena versão loira de Kendall me chamando de papai me fez sorrir. Eu queria fazer isso. Queria ser o pai de seu bebê. Nosso bebê. Meu coração começou a bater. "Eu te amo, Kendall." As palavras saíram fácil. Foi a primeira vez que eu já disse isso a alguém, só tinha dito a Lucy e minha família mais próxima. Ela se virou para mim, parecendo atordoada quando levou a mão à testa para proteger os olhos da luz do sol. Eu continuei. "Antes de dizer qualquer coisa, tenho muito mais que preciso dizer." "Ok," ela sussurrou. "Isso é loucura, certo? Apaixonar-se tão rápido? Mas estou convencido de que é assim que acontece quando a coisa é real. Você só sabe quando isso te faz se sentir bem. Kendall, você me faz tão incrivelmente feliz. E enquanto idealmente, quero você só para mim por um tempo, entendo que amar alguém também significa levar as suas necessidades em consideração. ” "O que você está dizendo?" "Estou dizendo que não quero dividir você com ninguém. Isso vale para o seu corpo também. Não quero que você carregue o bebê de outro homem. Quero ser o único. Quero que fique grávida. Mas


mais do que isso, quero ser um pai para seu bebê, amá-lo, porque seria uma parte de você e de mim. Eu quero tudo com você. Não me importo se nós nos conhecemos há dez minutos ou dez anos. Quando você sabe, você sabe." Segurando seu rosto na minha mão, digo. "Sei onde minha cabeça e meu coração estão. Eles estão na mesma página, mas acho que você tem que descobrir se quer as mesmas coisas que eu quero." Ela se inclinou e deu um beijo suave nos meus lábios. "Eu também te amo, Carter. Eu realmente faço. Não tenho dúvidas sobre isso, mas realmente não estava esperando que você se oferecesse como fez. Ter um bebê é uma coisa, mas criá-lo é outra. Acho que você acabou de me dar outra coisa para pensar muito e duramente." Um intenso alívio percorreu minhas veias, o alívio de que ela não me disse que eu era louco, alívio que ela parecia estar considerando a minha oferta. "Você não acha que sou louco por querer que você engravide?" "Para começar, essa situação não é uma loucura... em um bom sentido? De qualquer forma, se não o conhecesse tão bem, talvez parecesse um pouco maluco. Mas você é meu adorável, capitão


louco e nada sobre a nossa experiência inteira juntos tem sido convencional. Nem uma única coisa." "Acredite em mim, estou com medo. Eu nunca quero decepcionar você como decepcionei Lucy. Mas acho que pela primeira vez na minha vida, algo tem importância o suficiente para eu dar uma chance. Estou com mais medo de te perder do que jamais poderia ter de tentar e falhar. E posso te garantir que, se tivéssemos um filho juntos e se de alguma forma nos separássemos, nunca iria virar as costas para o meu filho. Não há nada mais importante do que uma criança ou seus interesses. Esse bebê ― nosso bebê — será a minha prioridade. Se isso significa encontrar outra carreira, porque você não pode lidar comigo estando longe, então que assim seja." "Eu não iria pedir-lhe para fazer isso, Carter." "Bem, acho que só quero te mostrar que levo isso muito a sério." "Entendido." Ela olhou para o céu. "Você se importaria se nós deixarmos a praia? Eu realmente gostaria de passar as horas restantes na sua casa." Eu me levanto do nosso cobertor e ofereço a mão para ajudála. "Vamos sair daqui."


Passamos o resto da tarde fazendo amor na minha cama com uma intensidade lenta que não existia antes da nossa conversa. Com a minha oferta e admissão de amor, a nossa relação tinha acabado de mudar para outro nível, e eu tinha que confiar que ela estar longe de mim, não mudaria nada entre nós. Por mais que estivesse pronto para mergulhar de cabeça em tudo com ela, ainda havia uma pequena parte minha que temia que hoje pudesse ser a última vez que a visse. Louco, certo? Depois de tudo o que tínhamos tido. Talvez essa fosse a parte de mim que ainda sentia que não merecia amar intensamente, quando Lucy não podia. O sol tinha quase completamente se posto quando fomos para o aeroporto. Kendall não largava minha mão. Parecia tão estranho não a levar comigo para a Venezuela. Era como se não pudesse lembrar como era voar sem ela. Quando

chegamos

ao

aeroporto

Miami

Internacional,

estacionei no local que a companhia aérea tinha reservado para mim. Nem um de nós se moveu para sair do carro, apenas olhamos um para o outro até que finalmente segurei suas bochechas e puxeia para um beijo apaixonado.


"Perky, por favor, não se esqueça disso, do quão certo isso parece." "Não vou. Eu não poderia esquecer isso, Carter." Seu voo será duas horas após o meu, então ela teria que me deixar no portão para o meu voo e esperar um tempo no aeroporto até que fosse hora do seu em uma companhia aérea diferente. Uma das comissárias de bordo, Renee, passou por nós. "É bom ver que você está de volta, Trip." Ela, então, piscou para mim. Eu sabia exatamente o que Kendall estava pensando, e ela estava certa. Essa comissária de bordo tinha sido apenas outro entalhe no meu cinto, há algum tempo. Senti-me enojado, especialmente agora que sabia como era significativo ter relações sexuais com alguém. Olhei para Kendall e queria gritar. "Pare de olhar para ela. Ela não importa!" Nós apenas não precisamos disso agora. Isto só foi uma adição ao estresse da nossa separação. Após um tranquilo silêncio de alguns minutos, a puxei para um abraço e cochichei em seu ouvido. "Eu tenho que ir." Suas lágrimas umedeceram a minha camisa de piloto, quando disse. "Isso parece surreal." "Eu sei, mas é apenas temporário. Nós estaremos juntos novamente em breve."


Ela fungou. "OK." Levantando seu queixo para encontrar seus olhos, eu digo. "P. S. Eu te amo." Ela poderia dizer pela minha expressão que havia mais, o sentimento de que informei o óbvio. "Uma canção dos Beatles?" "Sim. Mas essa música realmente corresponde a esse momento da minha vida, provavelmente mais do que qualquer uma delas." "Eu amo você, Carter." "Eu te amo, Perky. Prometa-me que vamos falar ao telefone e descobrir quando estaremos juntos novamente." "Eu prometo." "Eu vou estar pensando em você durante todo o voo. Você sabe disso, certo?" Ela divertidamente agarrou meu pescoço. "É melhor você estar." "Vou sentir sua falta." "Cante uma canção para mim, capitão." "Você pode garantir isso." Abracei-a uma última vez, apertando-a com força. "Porra. Eu não posso te deixar ir." Ela empurrou para trás e enxugou os olhos, antes de fazer sinal para eu ir embora. "Vá. Você vai se atrasar."


Eu comecei a caminhar pela segurança. Quando me virei, ela ainda estava de pé no mesmo lugar, me assistindo. Soprei-lhe um beijo antes de continuar pelo corredor. Logo antes de virar a esquina, me virei para trás uma última vez, mas ela se foi. Quando o jato atingiu a altitude de cruzeiro naquela noite, vi algo que nunca tinha visto durante um voo antes: Uma estrela cadente. Tomei isso como um sinal de que as coisas iam dar certo. Não me decepcione, Perky. Peguei o interfone. "Boa noite, senhoras e senhores. Aqui é o seu comandante supremo, também conhecido como Capitão Clynes. Eu gostaria de ter um momento para recebê-los neste belo Boeing 757. O tempo de nosso voo de Miami para Caracas é de aproximadamente três horas e trinta minutos. Prevemos uma viagem tranquila com pouca ou nenhuma turbulência. Então, sentem e relaxem. Mais uma vez, bem-vindos a bordo da Internacional Airlines, no voo 553 para Caracas, Venezuela. Como muitas vezes faço, gostaria de acolher meus passageiros a bordo com uma pequena versão de uma canção dos Beatles que é apropriada para esta noite, porque deixei meu coração com alguém que ficou para trás no aeroporto. Ela o está levando para o Texas. Tenho certeza de que alguns de vocês podem


reconhecer este sentimento. Então, a música para esta noite se chama, Don’t Let Me Down36.”

36

Não me decepcione.


Capítulo 19

Kendall

Minha mãe cheirava a álcool quando falou em meu rosto. "Você não pode estar falando sério!" Eu tinha cometido o erro de informá-la da minha viagem, para prepará-la para a possibilidade de que nada mais estaria indo de acordo com o planejado. Minha mãe sempre me incentivou fortemente a ir em frente com a inseminação na Alemanha, principalmente por suas próprias razões egoístas. "Eu

normalmente

não

estaria

dizendo

nada

disso,

especialmente quando você está meio bêbada, mas dada as circunstâncias, você precisa saber onde minha cabeça está e que os planos da Alemanha podem não acontecer." "E o que supostamente esses pobres rapazes vão fazer agora que você mudou de ideia?" "Eu não fechei a porta cem por cento, mas nunca lhes prometi qualquer coisa. Nem mesmo os encontrei pessoalmente, e não sou a última mulher na Terra com um útero. Eles iriam encontrar outro caminho."


"Sim, bem, você vai perdê-los como uma opção se continuar enrolando." "Você acha que eu não sei disso? Falei com eles esta manhã e disse a eles que iria deixá-los saber qual seria minha decisão, o mais tardar na próxima semana." "Você vai acabar sem ninguém, e vamos acabar na miséria!" Meu sangue estava fervendo. "Isso é tudo o que importa?" Minha mãe apontou o dedo para mim. "Eu não deveria ter que me preocupar com o que tenho direito. Seu avô desequilibrado nos colocou nesta posição, não eu." "Pare de ser tão egoísta. Nós estamos falando sobre uma vida humana aqui." "Não, nós estávamos falando sobre a vida, você dar o dom da vida humana a um casal agradável em necessidade, e nós garantindo a nossa vida. Agora, nós estamos falando sobre algum cenário de amor ridículo que está destinado a acabar mal." "E exatamente como você sabe disso?" "Kendall, você pode olhar para si mesma por um momento? Pense em como isso soa louco olhando de fora para dentro. Você vai a uma viagem, se apaixona pelo piloto de seu maldito avião... que agora quer ser pai do seu filho? Ah, e tenho certeza que não


tem nada a ver com o fato de que você só disse a ele que está prestes a herdar milhões de dólares! Querida, acorde!" "Carter não está interessado no dinheiro!" Gritei, assustando os cavalos do lado de fora. "Bem, isso é o que você quer acreditar, e francamente, pensava que você fosse mais inteligente do que isso." Ela cambaleou para trás em sua cadeira, em seguida, disse. "Você tem planejado meticulosamente uma estratégia durante meses com esses homens agradáveis no exterior. Se você mantivesse o plano original, você não teria que se preocupar sobre a criação de um bebê que não quer. Ele estaria em uma boa casa. E nós estaríamos feitas pelo resto da vida. Todo mundo iria ganhar. E, no entanto... você está pensando em fazer o oposto total de tudo o que falamos, apenas porque algum piloto enfiou a cabeça entre suas pernas." "Você é tão vil." "Vil, talvez, mas falo a verdade." "Bem, não tenho tanta certeza se quero isso mais. Poderia simplesmente virar as costas para fazenda e o dinheiro para sempre. Talvez você nunca vá me ver de novo." "Não fale assim, Kendall. Você não faria isso para si mesma." "Estou falando sério. Esta besteira de herança me causou nada além de estresse, desde o momento que descobri sobre ela. Não aja


como se você realmente desse a mínima para mim, mãe. Você não vê nada, só um cifrão de dólar quando olha para mim agora. É patético. Sou sua filha, não o seu ticket refeição." "Eu só estou tentando ajudá-la a conseguir o que é seu por direito." "Então, suponho que você não se importaria se eu tivesse um documento legal escrito, dizendo que você não tem direito a nada disso?" Silêncio mortal. Balancei a cabeça lentamente. "Isso é o que eu pensava." Incapaz de lidar com mais desta conversa, saio da casa e dirijo em direção à cidade. Enxugando as lágrimas dos meus olhos, aumento a música para abafar os pensamentos na minha cabeça. Quando finalmente paro o carro, percebi que realmente precisava de Carter. Eu imediatamente ligo para ele. Obrigado Deus, ele atendeu. Sua voz era baixa e sexy. "Como você sabia que eu estava pensando em você?" "Carter..." Ele poderia dizer que eu estava chorando. "O que há de errado querida?" "Eu nunca deveria ter voltado para casa."


"Por que você está chateada?" "Minha mãe. Ela está dizendo coisas para tentar me fazer uma lavagem cerebral." "Coisas como o que?" "Ela acha que sou louca por considerar sua oferta. Ela acha que você está somente interessado no dinheiro." Houve um longo momento de silêncio antes dele falar. A raiva na voz dele era penetrante. "Não posso sequer começar a dizer-lhe o quão irado isso me faz. Primeiro de tudo, gostaria que esta situação de dinheiro nunca tivesse existido. Em segundo lugar, vou assinar o que for necessário para provar que não tenho interesse em seu dinheiro. Para ser honesto, a parte do dinheiro me enoja um pouco. Só quero uma vida com você, Kendall. Vou assinar qualquer linha pontilhada para conseguir isso." Sua voz falhou, "Apenas me diga onde assinar essa porra, Perky." Deixei escapar um longo suspiro no telefone. "Só falar com você me faz sentir melhor. Sinto tanto a tua falta, demais." "Você quer que eu vá aí? Vou dizer a companhia aérea que é uma emergência familiar." "Eu não quero que você minta para sair do trabalho."


"Eu não estaria mentindo. Você é família para mim agora, a coisa mais importante na minha vida. Isso fez meu coração derreter. "Obrigada pela oferta, mas acho que ainda preciso de um pouco mais de tempo sozinha." "Ok, mas se você começar a sentir como se precisasse de mim, é só me dizer. Estarei aí em questão de horas." "Obrigada. Isso me faz sentir melhor sabendo que você faria isso por mim." "Eu faria qualquer coisa por você, Perky. Qualquer coisa." "Oh eu sei. Mesmo engravidar-me." "Não, isso seria para nós. Quanto mais o tempo passa, mais eu quero. E com certeza estou ansioso para trabalhar nisso. Deus, isso vai ser muito divertido." Quando eu ri, ele disse. "Isso é um sorriso que ouvi?" "Você pode até ouvir um sorriso?" Eu ri. "Nós vamos passar por isso juntos. Eu prometo. E no caso de você não ter me ouvido na Flórida, vou dizer isso de novo. Eu te amo. E se tivermos este bebê juntos, nada será mais importante para mim. Nunca iria virar as costas para o meu filho." "Ok... eu ouvi você."


"Talvez se der uma pausa de pensar sobre isso por um par de dias. Às vezes, quando você está se esforçando para descobrir as coisas, pensar em demasia torna mais confuso. Você precisa ficar longe da sua mãe, ir para algum lugar calmo e relaxar. A resposta virá." Carter estava certo. Eu precisava de distância da fazenda. "Eu acho que é uma boa sugestão." "Adivinha onde estou?" Perguntou. "Onde?" "Na praia em Caracas. Sentindo falta pra caramba de você e bebendo a nossa bebida." "Qual é a nossa bebida?" "Você não se lembra?" "Não?" "Caipirinha. Pode não ser o Brasil, mas é uma bebida popular aqui também." "Ah sim! Nossa bebida do Rio. Diga novamente em seu sotaque português, capitão." "Caipirinha." "Mmm." "Eu sinto falta desse pequeno gemido. Você está me fazendo ficar duro."


"Com sorte, você vai ouvi-lo em pessoa novamente em breve. ” "Eu estou vivendo pela promessa disso, baby."

***

Eu terminei seguindo o conselho de Carter e ficando por alguns dias em um hotel. Isto me ajudou a ficar longe da minha mãe e suas fortes opiniões sobre o assunto. Sabia no meu coração o que eu queria. Queria uma vida com Carter, mas devo concordar em deixar que ele me engravide ou simplesmente abandonar a herança completamente? Por que não poderia ter as duas coisas, Carter e o dinheiro? Quase parecia bom demais para ser verdade, como se fosse uma decisão simples demais. Ao mesmo tempo, parecia que estaria sempre esperando o outro sapato cair sob esse cenário. Nada é perfeito na vida. Parei na área externa de um shopping, perto do meu hotel, para um comprar sorvete e sentei-me em um banco do lado de fora de uma das lojas. Eu precisava de um sinal de Deus.


Por favor, me dê um sinal de que a decisão em meu coração é o caminho certo. Continuei a olhar para o espaço enquanto lambia em torno da circunferência do sorvete mais e mais, formando linhas suaves em torno da bola gelada e macia. Quando me levantei para jogar fora o último pedaço do cone, olhei para cima. Olhando para mim estava uma propaganda gigantesca de roupa de bebê. Ela apresentava um grande bebe gordinho com rolos de gordura em suas pernas. Ele parecia exatamente como a foto de Carter bebê que ele tinha me mostrado. Meu coração parecia se expandir a cada segundo que eu olhava para o sorriso alegre do bebê. Se isso não fosse um sinal, não sabia o que era. Na verdade, não poderia pensar em um melhor se eu tentasse. Isto é, até que olhei para o nome da loja de roupas infantis. Carter’s.

***

Eu estava pegando minhas compras do dia quando meu celular tocou. Come Fly With me de Frank Sinatra, me fez sorrir de orelha a orelha. Eu tinha mudado o toque do Carter depois de ouvir essa canção no carro esta tarde. Outro grande sinal. Não me


lembrava de ouvi-la no rádio alguma vez. Talvez no CD player do vovô, mas definitivamente nunca escutei em qualquer estação. No entanto, hoje, lá estava ela. Depois de jogar o meu cone de sorvete fora, caminhei até a Carter’s para dar uma olhada. Esta era honestamente a segunda vez que me aventurei em uma loja de roupa infantil. A primeira foi para a minha prima Harper, que ficou grávida quando tinha dezoito anos de seu professor casado de trinta e nove anos de idade. Nós mulheres Sparks da alta sociedade, realmente éramos todas fumaça e espelhos. "Ei, bonitão," eu respondi. "Você parece melhor do que quando falei com você esta tarde." Suspirei. "Eu me sinto melhor, na verdade." "Alguma razão especial? Não que eu esteja reclamando. Mas gostaria de saber o que mudou o seu humor. Guardarei isso em minha mente, por que um dia que eu posso precisar novamente." "Foi você, na verdade." "Continue. Estou gostando desta história até agora." Eu ri. "Bem... hoje eu estava fazendo uma reflexão pesada. E vamos apenas dizer que, de alguma maneira, você estava presente comigo." Dobrei a pequena roupa que eu tinha comprado hoje em minha mala. Não só a loja tinha o nome Carter, mas lá dentro tinha


encontrado uma pequena roupa da marinha com um ornamento nos lados das calças que pareciam quase exatamente como uniforme de piloto de Carter. Não pude evitar. Fui ao caixa antes mesmo de registrar em meu cérebro que eu estava comprando roupas para um bebê que tinha acabado de decidir que queria tentar ter. Do lado de fora da loja com a sacola na minha mão, o sol parecia estar mais brilhante. O respirei um pouco mais aliviada. Minha cabeça e meu coração que tinham passado semanas em tumulto, finalmente entraram em perfeito alinhamento. Meu Deus. Eu ia ter um bebê. Um bebê. Com um homem que era loucamente apaixonada. Sentindo-me libertada, fiz o que toda debutante bem-educada do Texas faria. Fui fazer compras. O centro comercial tinha uma dúzia de outras lojas e entrei em todas e cada uma delas. Minhas sacolas estavam quase demasiado pesadas para carregar quando cheguei na última loja, uma loja da Marinha do Exército, onde encontrei um conjunto de antigas asas de aviador. Olhando para o terno dobrado com as asas presas à lapela, poderia realmente visualizar um garotinho com covinhas usando-o, enquanto seu pai o segurava com orgulho. Seu papai. Perdida na terra dos sonhos, quase esqueci que Carter estava no telefone.


"Perky, você ainda está aí?" "Estou. Desculpe. Mas estava pensando que vou adiar dizerlhe mais sobre o meu dia. Seria muito melhor mostrar o que me fez lembrar de você." "Isso significa que eu vou te ver em breve?" Ouvi a esperança em sua voz, e isso fez as palmas das minhas mãos suarem com entusiasmo. “Na verdade, significa. Estava esperando que nós pudéssemos nos encontrar." Terminei de fechar minha mala e me estatelei na cama. "Diga a palavra. Onde e quando? Vou desviar meu voo para Dubai na parte da manhã, se tiver que fazer. Sequestrarei um 757 cheio de árabes para o Texas, se você tiver alguma notícia boa para mim." Eu sabia que ele estava brincando, mas não duvidava deste homem louco. "Onde você vai estar na segunda-feira da próxima semana?" "Espera ahh... deixe-me ver o meu telefone." Trinta segundos depois, ele estava de volta. "Eu estarei em Miami segunda-feira." Isso tinha que ser outro sinal. "O aeroporto que nós nos conhecemos?"


"É isso mesmo. Tenho uma parada durante a noite e então vou voltar para o Brasil novamente. Parece como destino para mim, linda. O que me diz? É um encontro? Encontre-me em Miami. Mesmo bar onde tudo começou. Vou reservar-lhe um bilhete para que esteja o mais perto possível quando eu pousar?" Tomei uma respiração profunda de coragem e deixei o resto do meu medo ir. "Sim. Eu preciso ver você. Tenho algumas coisas que quero falar. Mas também sinto sua falta como uma louca." "Pode deixar. Você vai ter uma passagem pela manhã." Conversamos por mais uma hora depois disso. Não contei a ele sobre minhas compras ou a decisão que tinha tomado. Tudo precisava ser feito pessoalmente. Mas no fim da chamada, disse. "Eu comprei algo hoje que me fez lembrar de você." "Oh sim? O que é isso?" "É uma surpresa." "Você sabe, provavelmente não deveria dizer isso, mas tenho algo que me faz lembrar de você, também. Não comprei embora. Meio que roubei de você antes de sair. " Eu estava deitada na cama do quarto de hotel na diagonal, olhando para o teto e virei no meu estômago. "O que você poderia ter..." Então me lembrei, pensei que tivesse desaparecido na


secadora quando lavei minhas roupas em casa. Todos os meus sutiãs e calcinhas eram pares, e a calcinha correspondente do meu sutiã vermelho parecia estar faltando. "Oh meu Deus... você não fez isso." Carter tomou uma respiração profunda através do telefone, e sabia que ele estava cheirando. Minha mão voou para a minha boca. Meu Deus. "Você a tem sobre o seu rosto, agora, não é?" Sua resposta foi um cruzamento entre um gemido e um suspiro. "Oh meu Deus, Carter!" Eu ri. "Você é doido. Eu não posso acreditar que você roubou minha calcinha!" "Sério? Eu teria pensado que você já esperava por isso." "Acho que isso é verdade." Mordi o lábio. "Você…" "O que você está me perguntando?" "Você sabe…" "Claro que eu sei. Mas quero ouvir você me perguntar de qualquer maneira." Carter era definitivamente muito mais agressivo na arena da conversa picante do que eu. Isso era algo que eu provavelmente precisaria trabalhar, se estava indo ter um relacionamento de longo prazo com um piloto e estarmos constantemente separados. Então empurrei minha zona de conforto normal para o passado. Minha


voz era baixa, realmente parecia meio sexy. "Você... toca o seu pau quando me cheira?" Ele literalmente rosnou. "Deus, a palavra pau em sua boca vai me fazer explodir." "Sério?" Eu mexi em torno da cama. "Estava pensando que seu pau na minha boca faria você explodir." "Kendall..." alertou. "O que? Você começou isso." "Sim... e você não pode brincar comigo desse jeito." "Eu gostaria de poder brincar com você agora." Ele riu. "Eu vou precisar começar a viajar com um pouco de loção para as nossas chamadas noturnas." "Eu acho que é uma ideia muito boa. Por que você não escolhe alguma na loja do aeroporto na parte da manhã, e desde que estou voltando para casa amanhã, vou ser capaz de ter Jack para a nossa ligação de amanhã à noite." "Jack?" "É o nome para o meu pequeno coelho vibrador." "Será que acabamos de marcar um encontro para nos masturbarmos juntos amanhã à noite?" Eu ri baixinho. "Acho que nós fizemos." "Eu vou chamá-la assim que estiver no meu hotel."


"OK. Isso soa bem." A voz de Carter ficou séria. "Eu te amo, Kendall." "Eu também te amo, capitão. Mais quatro dias e nós vamos estar juntos novamente." Mais quatro dias.


Capítulo 20 Kendall

Eu nunca estive tão animada em minha vida. Tinha chegado ao aeroporto três horas mais cedo, embora estivesse pegando um voo doméstico, Carter tinha me reservado um bilhete de primeira classe que tinha a sua própria fila e preferência para passar pela segurança. Eu não conseguia parar de sorrir. A menina na minha frente tinha um daqueles chapéus negros de orelha do Mickey Mouse e quase não podia ficar parada enquanto a mãe fazia o check-in de seu voo para Orlando. A antecipação dela estava entorpecida em comparação com o que eu sentia. Se tudo corresse dentro do cronograma, eu estaria de volta nos braços de Carter em um pouco menos de seis horas. Seu voo estava programado para chegar uma hora antes do meu, e ele me garantiu, o capitão ansioso, que estaria aterrissando seu belo avião na hora certa. Só de estar no aeroporto, vendo todos os uniformes das companhias aéreas internacionais, que eram similares ao de Carter, me fez sentir melhor do que tinha estado em dias. Era muito


estranho que o aeroporto de Dallas me trouxesse mais conforto e me fazia sentir mais em casa, do que indo para minha verdadeira casa esta semana. Depois que tinha tomado a minha decisão sobre o que ia fazer, decidi

não

compartilhar

com

a

minha

mãe.

Não

havia

absolutamente nada de bom que pudesse vir disso. Ela só iria colocar um amortecedor na minha excitação. Sempre soube que minha mãe colocaria as finanças em primeiro lugar em sua lista de prioridades. Só não queria acreditar que a minha felicidade não estava acima de seu desejo de manter um certo estilo de vida. Na semana passada tinha me forçado a ver as coisas claramente, pela primeira vez. Ou talvez sempre vi o que ela era; mas tinha escolhido fechar os olhos para tudo. Mesmo que não admitisse para minha mãe que tinha tomado a minha decisão, acho que ela sabia. Quando acordei esta manhã, tinha encontrado um envelope pardo sobre a mesa da sala de jantar com o meu nome nele. Dentro havia um longo acordo de coparentalidade, que enunciava que Carter não tinha direitos jurídicos de reivindicação financeira a qualquer herança minha ou de qualquer futura criança. Tudo que eu precisaria fazer era preencher o nome de Carter e tê-lo assinando. Quando minha mãe acordasse ao meio-dia com a sua ressaca diária, ela encontraria o


envelope exatamente onde ela educadamente o deixou para mim. Exceto que o acordo estava em cima do envelope, e também foi rasgado ao meio. Percebi que iria fazer o meu ponto um pouco menos sutil do que ela fez. Parei em uma banca de jornal, pegando algumas revistas e lanches, e me dirigi ao meu portão. Lá tinha um bando de comissárias de voo sentadas na minha frente. Odiava que eu imediatamente me perguntei se Carter tinha dormido com alguma delas. Não era que não confiasse nele, pois por incrível que pareça, confiava completamente. Mas senti-me extremamente territorial quando se tratava de Carter. O pensamento dele estar com mais alguém causou uma dor no meu peito. Mesmo que soubesse que era ridículo, e que nós já estivemos com outras pessoas, eu não podia deixar de me sentir assim. O avião embarcou quase uma hora antes da decolagem, que era um bom sinal. Eu tinha prioridade no embarque desde que estava na primeira classe, mas esperei até que o portão tivesse quase completamente vazio antes de ir para a passarela para embarcar. Estava sentada na fila 2A, em um assento no corredor. Arrumei minha bolsa em cima, rapidamente me organizei e tomei o


meu lugar. Sorri para a mulher ao meu lado enquanto colocava o cinto. A comissária de bordo veio rapidamente para nos oferecer uma bebida antes do voo. Ela olhou para sua lista de cabine. "Posso pegar algo, Srta. Sparks?" "Isso seria bom. Vou tomar um copo de Merlot. ” Ela então falou com a passageira ao meu lado. "E você, Cass? Leite, água, suco de laranja?" "Vou tomar uma água. Obrigada, Lana." Quando olhei para minha companheira de voo novamente, e ela ofereceu uma explicação. "Sou uma assistente de voo nesta companhia. Foi uma viagem de última hora e tive sorte o suficiente para obter os grandes bancos." Ela sorriu. Eu só tinha o meu vinho por menos de cinco minutos quando o capitão veio pelo alto-falante e disse que estávamos taxiando para longe do portão. Precisando de algo para acalmar meus nervos por muitas razões, bebi o copo cheio sabendo que a comissária de bordo viria recolher a qualquer segundo. A mulher ao meu lado suspirou de forma audível. "O que eu não daria para fazer o que você fez." "Beber um copo cheio como um marinheiro e esperar que ninguém perceba?"


Ela acariciou sua barriga e sorriu. "Exatamente. Estou de quatro meses." "Uau." Eu olhei para sua barriga praticamente inexistente. Ela mal estava mostrando. "Eu nunca teria imaginado. Você é tão pequena." "A maior parte do peso parece ter ficado confuso e virou-se para trás. Minha bunda está enorme já." "Eu duvido que isso seja verdade. Você parece toda magra. Mas mesmo se fosse, bundas grandes estão agora, na moda." "Estou

esperando

que

eu

ganhe

algum

em

cima

eventualmente. Meus seios são tão pequenos e o papai deste carinha aqui é um homem de peitos." Minha mente vagou para meu próprio corpo. Será que meus seios ficarão grandes quando eu estiver grávida? Carter sempre disse que gostava dos meus alegres peitos B, mas algo me disse que ele não ficaria chateado se ganhasse um pouco mais de peitos. Após o voo decolar e nivelar, Cass, que descobri ser o diminutivo de Cassandra, tirou um par de fones de ouvidos Beats e, em vez de colocá-los sobre suas orelhas, colocou-os sobre sua pequena barriga de grávida. Ela estava tocando a música para seu estômago. Quando ela me pegou olhando, ela disse. "Eu li em


algum lugar que os bebês podem ser capazes de ouvir no útero, então comecei a colocar para ele música clássica." "Ele? É um menino?" "Eu ainda não tenho certeza." Ela esfregou sua barriga. "Mas realmente acho que é." Havia tanta coisa que ia ter que aprender. Desde que não conheço essa mulher, decidi deixá-la saber meu pequeno segredo. "Posso te fazer uma pergunta pessoal?" "Claro. Vá em frente." "Demorou muito tempo para engravidar? Quer dizer, você estava tentando há muito tempo? Estou perguntando por que meu namorado e eu..." Hesitei antes de admitir isso em voz alta pela primeira vez. "Nós decidimos que vamos tentar engravidar." A mulher me deu um sorriso genuíno. "Isso é ótimo. Parabéns." Era a primeira vez que alguém tinha visto algo de positivo sobre o meu plano para ter um bebê. E me senti bem. Tudo estava começando a ficar no lugar. "Obrigada." "Na verdade... não demorou muito tempo em tudo. Engravidei na segunda vez que ficamos íntimos." "Uau. Isso é incrível."


"É, não é? Este carinha definitivamente não foi planejado. Mas acho que ele estava destinado a ser. Ele é a cola que vai ligar nós três juntos para sempre." "Você vai ser capaz de trabalhar muito mais tempo? As companhias aéreas têm regras contra voar ao longo da gravidez, não é?" "Sim. Outras doze semanas ou mais, e então vou ficar de castigo. A maioria das companhias aéreas não deixa nem mesmo passageiros voarem depois de vinte e oito semanas, ainda mais suas comissárias de voo. Risco muito grande de trabalho de parto prematuro.

Eles

vão

me

dar

um

trabalho

de

secretária.

Provavelmente verificar pessoas dentro e fora ou trabalhar no portão. Estou esperando que eu possa me transferir para a Flórida de qualquer maneira, por isso a mudança será em um bom tempo." "Você vive no Texas agora?" Ela assentiu com a cabeça. "Eu moro em Allen. Mas sou originalmente da Florida, e a maioria da minha família ainda está lá. Além disso, o pai do bebê vive na Flórida, então provavelmente vou me mudar." "Você acha que vai voltar ao trabalho depois que o bebê nascer?"


"Espero que não. Tudo o que queria fazer era me casar, ter um monte de crianças e ficar em casa. Não é fácil viver hoje em dia com um salário. Tenha certeza de capturar um partidão como eu fiz." Sua colocação azedou-me um pouco. Pegando um pouco da minha alegria. Foi provavelmente porque era algo que minha mãe diria. Depois do meu segundo copo de vinho, comecei a baixar a minha adrenalina, e a exaustão estava começando a se infiltrar. Sabendo que Carter ia ser insaciável quando nos encontrássemos, pensei em dormir um pouco enquanto ainda podia. Eu não acordei de novo até que o capitão estava falando sobre informações gerais, nos dizendo que íamos pousar em apenas alguns minutos. Estiquei no meu lugar. "Uau. Eu fiquei fora do ar." "Você estava. Tive que usar os fones de ouvido do bebê para abafar o pequeno ronco que você estava dando." Cobri minha boca. "Meu Deus. Sinto muito." Ela destampou sua garrafa de água e acabou com o resto. "Estou apenas provocando você. Você estava roncando, mas isso não me causou qualquer incômodo. Acho que estou muito nervosa para dormir, ou teríamos feito um dueto juntas." "Nervosa sobre o bebê?"


"Não. Vou me encontrar com o pai do bebê. Nós não vemos um ao outro em um tempo." "Eu sei como você se sente. Não vi o meu namorado em uma semana e estou uma pilha de nervos. Se não tivesse bebido esses copos de vinho, nunca teria dormido. Estou tão animada." "Tem sido um pouco mais de uma semana para nós." "Oh? Por quanto tempo?" "Três meses." "Uau. Isso é muito tempo. Ele nem sequer viu o seu novo corpo de gravidez ainda." "Sim, é verdade. Embora essa seja a menor das minhas preocupações.” Minhas sobrancelhas curvam para baixo pedindo que ela explicasse. "Ele ainda não sabe que estou grávida." "Oh. Uau. Oh meu..." "Sim. Agora você pode entender por que queria dar um trago no vinho." "Certamente." "Você... você acha que ele não ficaria feliz sobre se tornar um pai?" "Eu não tenho ideia de como ele vai reagir. Ele é um pouco selvagem. Não tenho certeza se ele pretende ser domesticado. Mas


lá no fundo, acho que ele é um homem de caráter e vai fazer a coisa certa." Eu não tinha certeza se queria saber o que a coisa certa mesmo era. Toda a conversa estava começando a revirar o meu estômago. Que tipo de mulher não diz a um homem que está grávida durante meses? Embora suponha que poderia haver um monte de razões para isso. Talvez ele não seja o melhor cara e ela nem mesmo consideraria ter o bebê ou algo assim. Realmente não era o meu lugar julgar. Especialmente com todas as coisas loucas que eu estava pensando em fazer. Você nunca sabe a verdadeira história de ninguém a menos que esteja em seu lugar. O pouso foi irregular, mas estava muito satisfeita por ter chegado alguns minutos mais cedo. Queria usar o banheiro do aeroporto para refrescar-me antes de me encontrar com Carter no bar. À medida que o avião taxiava até o portão, comecei a recolher as minhas revistas e jogar meu lixo na minha bolsa. Sorrindo, me virei para Cass. "Boa sorte. Você vai ver o seu namorado em breve?" "Amanhã," diz ela. "Ele tem um voo de manhã e vou acompanhá-lo. Embora ele não saiba ainda, de qualquer maneira."


O avião parou e um ding veio pelo alto-falante, indicando que era seguro sair de nossos assentos. Comecei a desatar o cinto. "Será que ele viaja muito a trabalho ou algo assim?" "Ele faz. Durante todo o tempo, na verdade. Ele é um piloto." Levantei-me e abri a sobrecarga, agarrando minha bolsa. "Oh, isso é engraçado. O meu namorado também é." A porta da cabine se abriu mais rápido do que qualquer voo que estive antes. Os deuses apenas pareciam estar sorrindo para mim hoje, um voo suave, companheira de viagem grávida, chegada no horário. Pisando no corredor, digo. "Foi bom conhecê-la. Boa sorte com sua gravidez e tudo." "Obrigada. Você também. Espero que você engravide tão facilmente como eu fiz." Estava prestes a caminhar para fora do avião quando ouvi a comissária de bordo se despedir de Cass que estava bem atrás de mim. "Boa sorte, querida. Dê-me uma chamada mais tarde, e deixeme saber como Trip recebeu a notícia." Eu congelei no meio do caminho. Minha mente tinha que estar pregando peças em mim. Virando-me, perguntei. "Ela acabou de dizer Trip... como Trip receberia a notícia?"


Cass sorriu, não pensando em nada disso. "Sim. É um apelido para o pai do meu bebê. Seu nome tem três da mesma letra, por isso que eles o chamam de Trip pelo triplo." Eu senti o sangue fugir do meu rosto. "Que três letras?" "C. Seu nome é capitão Carter Clynes."


Capítulo 21

Kendall

Minha bagagem foi a última a sair na esteira. Quanto tempo ela viajou em círculos antes que eu finalmente percebesse isso? Quanto tempo estive parada aqui? A alegria que senti nas últimas vinte e quatro horas foram completamente transformadas em uma mistura de choque, pânico e tristeza. Não conseguia me lembrar da última vez que uma profunda tristeza me consumiu totalmente como isso. Minhas emoções me deixaram em uma concha congelada enquanto estava na esteira de bagagem. Eu tinha perdido a noção por algum momento depois que ela revelou o nome do pai do seu bebê. Para ser honesta, mal me lembrava de sair do avião e chegar a este ponto. Finalmente tirei a minha mala para fora da esteira, olhei em volta para a multidão de pessoas fazendo o seu caminho através do aeroporto. Uma parte de mim queria apenas correr, mas uma grande parte sabia que tinha que ouvir dele, que ele a conhecia, e se ele era o pai deste bebê.


Havia uma chance de que ela poderia ter inventado? Rapidamente bani o pensamento do meu cérebro, recusando a darme uma falsa esperança. Minha cabeça parecia que ia explodir entre os anúncios intermitentes de intercomunicação, os sons das pessoas correndo em volta de mim e os pensamentos de medo na minha cabeça. Tudo parecia alto. Olhando para o meu telefone, percebi que estava atrasada para o encontro com Carter no saguão do aeroporto. Um pé na frente do outro. Andar. Você tem que enfrentá-lo. A escada rolante desceu lentamente para o que eu tinha certeza que seria o meu próprio inferno pessoal. Quando cheguei ao salão, fechei os olhos para me recompor antes de entrar. Quando abri, vi ele no canto. Ele estava todo enfeitado com seu uniforme de piloto e olhando para um canal desportivo que estava passando na televisão. Parei na entrada, fiquei lá, com o meu coração batendo e admirando sua alta estatura sem ele me notar, pela simples razão de que esta poderia ter sido a última vez que poderia fazê-lo.


De repente, ele se virou. Meu coração caiu quando notei que ele estava segurando um grande buquê de flores. Quando nossos olhos se encontraram, a boca de Carter se curvou em um enorme sorriso. Meu coração estava quebrando a cada passo que ele dava em direção a mim. E a cada passo, seu sorriso lentamente desaparecia quando ele percebeu que eu estava chorando e que não eram lágrimas de felicidade. Ele descuidadamente jogou as flores em uma mesa próxima. "Perky? O que está errado? O que está acontecendo?" Incapaz de falar, agarrei sua camisa para me equilibrar. "Aconteceu alguma coisa no voo?" Ainda incapaz de formar palavras, assenti. Ele me puxou para um abraço e eu estava fraca demais para resistir. Chorando na dobra do seu braço, poderia sentir seu coração batendo a mil por hora contra a minha bochecha. Quando ele se afastou e examinou meus olhos novamente, ele disse: "Diga-me o que está acontecendo." Quando continuei em silêncio, ele implorou: "Por favor." Fechando os olhos, orei por força para passar por isso, então finalmente falei. Minha voz estava trêmula. "Eu estava sentada ao lado de uma mulher no avião. Ela está grávida de quatro meses."


"OK. Ela te assustou?" "Não." "Aconteceu alguma coisa com ela?" Agarrando uma cadeira para o equilíbrio, sentei-me e olhei para ele. Ele não se moveu. "Diga-me o que aconteceu, Kendall." "Ela era uma comissária de bordo de folga." "Bem. Não estou entendendo." "O nome dela é Cass. Você a conhece?" Ele começou a abrir a boca para dizer alguma coisa, então congelou quando realização o atingiu. "Eu a conheço, sim." "Você saiu com ela." "Sim. Quantas vezes já passamos por isso? Não quis dizer nada. Foi antes de nos conhecermos e..." Seus olhos se arregalaram e um olhar de pânico atravessou o seu rosto quando ele colocou dois e dois juntos. "Espera. Você acha que eu a engravidei?" "Não é o que acho. É o que ela me disse com suas próprias palavras. Ela disse que você é o pai de seu bebê, Carter. Ela estava voando para a Flórida para vir dizer-lhe pessoalmente. Ela deverá estar no seu voo amanhã."


Ele balançou a cabeça em descrença, em seguida, gritou. "O quê? Não!" Ele se ajoelhou onde eu estava sentada a fim de me olhar nos olhos. "Não, Kendall. Não." "Você pode me olhar no rosto e me dizer com certeza absoluta que não é possível que você seja o pai de seu bebê?" Seus olhos moviam de um lado para outro enquanto ele lutava para dar sentido a isso. Ele passou a mão através de seu cabelo. Esta notícia bateu nele também e não tinha dúvida de que ele estava em choque total. Eu repeti. "É uma possibilidade?" Ele finalmente levantou-se e sentou em um assento na mesa diante de mim, aparentemente ainda atordoado demais para falar. Eu reformulei minha pergunta. "Você dormiu ou não dormiu com ela há quatro meses?" "Sim," ele sussurrou. "Eu fiz." "Então, é tecnicamente possível." A luz drenou de seus olhos quando realmente bateu-lhe. Era possível. Ele não podia negar. Inclinando a cabeça em suas mãos, ele perguntou. "Não sabemos nada. E se ela está mentindo sobre a gravidez?"


"Ela não sabia quem eu era, Carter. Ela não tinha nenhum motivo para mentir para mim." Ainda segurando os lados da cabeça com as duas mãos, ele apenas continuou a olhar para mim. O medo dentro de mim estava se expandindo a cada segundo que testemunhava o medo crescendo em seus olhos. Queria que ele dissesse que Cass estava delirando. Queria que ele me dissesse que era tudo mentira. Queria que ele me fizesse sentir segura, e ele não podia. Ele simplesmente não podia provar nada de uma forma ou de outra. A voz de minha mãe soou na minha cabeça. Você vai acabar sem ninguém, e vamos acabar na miséria! As próprias palavras de Carter do passado também voltaram para me assombrar. Eu nunca iria virar as costas para meu filho. Não há nada mais importante do que uma criança ou seus melhores interesses. Minha cabeça estava girando. "Sinto muito, Carter." "Desculpa? O que você está dizendo?" "Eu tenho que ir." Ele segurou minhas mãos. "Perky, não. Não faça isso. Aconteça o que acontecer, podemos passar por isso." "Eu não posso." Balançando a cabeça com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, repito, "eu não posso. Estou tão... desculpa."


"Não é possível o quê?" "Eu não posso estar com você." Algo que nunca esperava dele aconteceu enquanto ele continuava a olhar para mim. Seus olhos começaram a brilhar. Sendo o homem que ele era, ele lutava contra as lágrimas quando me encarou, incrédulo. Incapaz de suportar vê-lo tão mal, forjei uma mentira. "Eu estava vindo dizer-lhe que decidi ir em frente com a inseminação, de qualquer maneira. Então, acho que este momento é bom." Seus olhos estavam vermelhos. "Isso é besteira." "Não." "Não minta para mim," ele gritou. Eu precisava rasgar o Band-Aid fora. Meus olhos ainda estavam cheios de lágrimas quando, de repente, levantei-me e andei até a minha mala. "Eu tenho que ir." Ele seguiu de perto atrás de mim. "Kendall, não faça isso." "Eu não tenho escolha." "E se isso for uma mentira, ou se... e se o bebê não for meu? Nós não sabemos nada ainda," ele implorou. "E se for?" Eu gritei. "Então, não importa. Eu pertenço a você. Isso não muda nada."


"Isso muda tudo, Carter! Tudo. Eu nunca senti mais dor na minha vida do que neste momento. Não posso lidar com isso. Se você realmente me ama, por favor, deixe-me ir." Minhas lágrimas estavam agora me cegando quando sussurrei uma última vez. "Deixe-me ir." Minhas palavras pareciam ter chegado até ele. Ele ficou lá congelado, enquanto me observava andar para longe. Concentreime no som das rodinhas da minha mala, lutando contra o desejo de voltar e olhar para ele uma última vez. Eu não fiz. Precisava sair do portão da Internacional Airlines tão rápido quanto possível. Quinze minutos mais tarde, encontrei-me no balcão da Lufthansa Airlines. "Quando é o seu próximo voo para Munique?" Depois de pesquisar o computador, o atendente disse: "Nós temos um que sai em uma hora com uma escala em Nova York." Fechei os olhos para afastar a imensa tristeza rastejando dentro de mim quando percebi o que eu estava prestes a fazer. Tudo estava piscando diante dos meus olhos: Rio, Dubai, Amsterdã, Boca. O amor que cresceu mais e mais com cada etapa da nossa viagem. Eu ainda o amava, e sabia que sempre seria assim,


mas não podia arriscar perder tudo. Mais do que isso, não poderia lidar com a dor. Carter ser pai do bebê de outra mulher era muito difícil de aceitar. Eu o amava muito e não poderia testemunhar ele viver uma parte do nosso sonho com outra pessoa. Tinha estado à procura de sinais para me ajudar a tomar uma decisão. Diria que o destino ter me colocado ao lado de Cass era apenas o maior sinal que poderia ter recebido. Antes que tivesse uma chance de mudar minha mente, deixei escapar um longo suspiro e finalmente respondi o atendente. "Eu vou querer."


Capítulo 22

Onze Meses Depois

Carter

“Na semana passada nós exploramos o seu passado e o que aconteceu com Lucy. Nós não tivemos tempo suficiente para rever a situação que você aludiu que o trouxe aqui para procurar ajuda. Então, acho que devemos nos aprofundar hoje, se estiver tudo bem com você. Eu gostaria que você me dissesse a respeito dela," disse o Dr. Lemmon. "Bem." "Não tenha pressa." De repente, parecia que eu não conseguia respirar. As palavras simplesmente não queriam sair. "Desculpa. Isso não é fácil para mim. Não falei sobre ela com ninguém. Passei vários meses, basicamente correndo, gastando menos tempo em casa do que antes, porque, apesar dela só ter estado lá comigo por um curto período de tempo, é o lugar que agora me faz lembrar mais dela, porque que é onde nós..." hesitei, "consumamos o nosso relacionamento."


"Conte-me sobre ela," ele repetiu. "O nome dela era Kendall. Uh, é Kendall. Quer dizer, ela não está morta. Ela ainda está lá fora em algum lugar." "Como vocês se conheceram?" "No aeroporto." "Não é muito incomum para um piloto, suponho." "Sim, mas a nossa história foi tudo menos normal." Os vinte minutos seguintes foram gastos descrevendo as semanas que Kendall e eu nos apaixonamos. As palavras fluíram livremente até que me deparei com a parte mais difícil. "Então, ela o chamou e disse que ia encontrá-lo no aeroporto. Parecia bom. Você assumiu que ela estava aceitando sua oferta para ser o pai de seu bebê. Você se sentiu pronto para ser pai..." Fechei os olhos. "Sim. Sim eu fiz. Com ela... eu fiz." "O que aconteceu naquele dia?" Continuei minha história, dolorosamente recordando os últimos momentos com Kendall dentro do saguão do aeroporto, antes que ela revelasse seu encontro com Cass e saísse da minha vida para sempre. Dr. Lemmon tirou os óculos, parecendo afetado pela minha história. "Este deve ter sido um momento difícil."


"Eu ainda não posso entender, como tudo simplesmente se desintegrou tão rápido." "Você a culpa por sair tão abruptamente?" "Não. Não, eu não. Eu poderia ter feito a mesma coisa em seu lugar." "O que você fez depois que ela saiu?" "Fiquei na sala de estar em descrença. Levei um par de horas para trabalhar minha energia para ir para casa. Tinha um amigo que foi me pegar, porque eu tinha bebido um monte, então desmaiei na minha cama e dormi toda a noite até a hora de acordar para o meu voo no dia seguinte." "Como foi isso?" "Assim como Kendall tinha me avisado, Cass apareceu. Ela trabalhou no voo e me disse que precisava falar comigo sobre algo importante uma vez que desembarcássemos. Quando chegamos ao Brasil, ela me disse tudo... que ela estava grávida e carregando meu bebê." "Qual foi a sua reação?" "Eu estava desanimado, também com o coração partido para pensar na informação. Nesse ponto, tudo o que podia pensar era que estava perdendo Kendall. Nada mais importava. Disse a Cass que a apoiaria e ao bebê se ele fosse meu, mas que não seria capaz


de dar-lhe mais nada. Deixei claro que insistiria em um exame de sangue, uma vez que o bebê nascesse." "Ela estava bem com isso?" "Ela não estava feliz com a minha falta de interesse ou emoção, mas não havia nada que eu pudesse fazer para mudar isso. Não queria uma vida com ela. Tudo o que importava era Kendall e não tinha energia para lidar com qualquer outra coisa." "O que aconteceu com Kendall?" "Eu gostaria de saber." Ele parecia atordoado. "Você não sabe?" "Até hoje, não sei. Ela disse que planejava ir adiante com a inseminação, mas se ela realmente seguiu em frente é um mistério." "Você já tentou chamá-la?" "Sim. Várias vezes. Ela deve ter desconectado seu telefone ou mudou de número, mas não tenho conseguido. Lembro-me dela me dizendo o nome de sua mãe uma vez. Enviei uma carta a uma Annabelle Sparks em Dallas, mas ainda não sei se chegou a Kendall. Não posso encontrá-la em nenhuma mídia social. Não sei mais o que fazer, ou se ela ainda quer me ver, se eu conseguisse encontrá-la." Dr. Lemmon fez algumas notas antes de olhar para mim. "Diga-me o que aconteceu... com o bebê."


"Eu estava no hospital quando ele nasceu. Ela o nomeou Aidan. Não sabia como me sentir, porque uma parte de mim ainda não acreditava que ele fosse meu. Ao mesmo tempo, me senti culpado por não sentir mais." "Ele é seu?" "Duas semanas depois que ele nasceu, ela finalmente teve o exame de sangue feito. Os dias de espera pelo resultado foram uma tortura." "E?" "Ele não é meu filho." Deixei escapar um longo suspiro. Sempre que revivia o momento da verdade, não poderia me ajudar, sentindo o mesmo alívio da primeira vez novamente. Dr. Lemmon reposicionou-se em seu assento. "Uau." "Sim." "Como você se sentiu sobre isso?" "Foi uma estranha mistura de raiva e alívio, alívio porque ele me absolveu de qualquer responsabilidade em uma situação que nunca escolhi, mas a raiva por causa de tudo o que eu tinha perdido. Coisas que nunca voltariam." A mulher que eu nunca teria de volta. A família que eu nunca teria. A vida que nunca voltaria.


"Como a sua vida ficou depois que descobriu a verdade?" "Não mudou muito, para ser honesto. Trabalho tantas horas quanto posso. Fazendo o meu trabalho. O que eu sempre fiz." "Você usa o seu trabalho como um meio para se esconder de seus demônios. Primeiro foi Lucy. Agora é Kendall." Levantei minha voz em defesa. "O que você sugere que eu faça?" Não sou eu que te pago para me dizer o que diabos devo fazer? "Até que você saiba o que aconteceu com Kendall, não vai encontrar a paz interior. Vir aqui foi um bom primeiro passo, mas não há nada que eu possa fazer para impedir que isso te assombre." "Eu te disse. Tentei entrar em contato com ela. Não sei onde ela está." "Você disse que ela tem um endereço em potencial no Texas. Por que não vai lá, ver se você pode descobrir o que está acontecendo em sua vida?" Eu não poderia responder, mesmo que soubesse a verdade; estava apavorado. Com medo do que ela tinha passado, com medo de perturbá-la, com medo do desconhecido. Uma coisa era certa; se soubesse que ela queria me ver, estaria lá num piscar de olhos.


***

A sessão de terapia tinha me deixado drenado. Em vez de sentir-me melhor, parecia que as comportas que guardavam minha sanidade tinham estourado abertas. Naquela noite, de volta ao meu apartamento em Boca, eu estava pendurando meus uniformes que tinha pegado na lavanderia a seco, quando meus olhos pousaram no pelo branco no canto de trás do meu armário. Era exatamente onde eu o tinha jogado meses atrás. Tinha comprado um urso de pelúcia na Venezuela e planejado dar a Kendall se ela tivesse aceitado minha oferta. Peguei o urso e olhei para ele enquanto estava sentado na beira da minha cama. "Eu deveria ter jogado você no lixo. Então, não teria que olhar para você agora." Ótimo. Agora eu estava falando com objetos inanimados. "O que você acha? Devo ir para o Texas? Tentar encontrá-la?" Você é louco, Carter. "O que eu tenho a perder? Perdi tudo, certo?"


Trazendo o urso mais perto do meu rosto, digo. "Estou deixando você tomar a decisão. Se você continuar a permanecer em silêncio, vou assumir que você não se opõe." Coloquei-o no topo da minha cômoda e dei um passo para trás, cruzando os braços e ainda olhando para ele. "Fale agora ou cale-se para sempre," digo antes de me deitar na minha cama e abrir meu laptop. Com três dias de folga antes que tenha que voar para o Rio, usei minhas milhas e reservei um voo para o aeroporto DFW. Virando-me para a cômoda, apontei para o bicho de pelúcia. "Se isso explodir em meu rosto, estou culpando você."

***

O rancho Sprawling tinha pelo menos oito hectares. Havia poucos cavalos pastando, mas parecia muito desolado e desleixado, dado o tamanho da propriedade. O infame rancho Sparks. Sempre quis ver onde Kendall cresceu; só não esperava visitar este lugar sem ela.


Uma mulher loira que parecia que poderia ter sido bonita vinte anos atrás abriu a porta. Ela tinha um cigarro pendurado em sua boca e cheirava a bebida. "Posso ajudar?" "Você mora aqui?" "Sim, esta é minha propriedade." "Você é Annabelle?" "Sim. Quem é você?" "Estou procurando por sua filha, Kendall. Meu nome é Carter Clynes. Eu a conheci." Ela deu uma longa tragada em seguida, soprou a fumaça para fora, apontando o dedo para mim. "Meu Deus. É você. Você é o piloto." "Sim. Ela falou de mim?" "Ela fez." Isso me agradou. "Ela está aqui?" "Não. A minha filha não vem aqui em meses." Cheio de medo, perguntei. "Onde ela está?" "Não faço a mínima ideia. Kendall deixou claro que não quer que eu saiba seu paradeiro." "Quando foi a última vez que esteve aqui?"


"Ela tinha feito uma viagem à Alemanha. Não me pergunte o que aconteceu lá. A viagem durou cerca de duas semanas. Só descobri que ela tinha ido para lá pelo ticket em sua bagagem, caso contrário ela não teria nem mesmo me dito muito." "Quanto tempo ela estave aqui depois de voltar da Alemanha?" "Alguns dias. Ela disse que veio apenas pegar suas coisas e sairia novamente. Ela me disse para não me preocupar com ela." "Ela não disse se ela realizou a inseminação?" "Não. Minha filha prefere me torturar, mudou seu número de telefone, tornando impossível para eu encontrá-la. Ela prefere me deixar aqui sofrendo, me perguntando se vou perder tudo ou não. Não temos muito tempo. Se ela não der à luz a um bebê do sexo masculino, tudo terá ido em breve. Vai ser o fim do meu mundo como o conheço." Esta mulher era inacreditável. Levou tudo em mim para não dizer a ela para ir se foder. Mas precisava que ela não me chutasse para fora ainda. "Eu diria que você está sendo um pouco dramática, senhora. Você sabe, há a opção de redução de gastos e conseguir um emprego. É quase o fim do mundo só porque você não pode manter esta propriedade ou seu estilo de vida. Neste ponto, acho


que você deveria estar mais preocupada com o bem-estar da sua filha." Ela optou por ignorar os meus comentários. "O que é que você quer?" "Eu preciso encontrá-la." Annabelle se aproximou de um cinzeiro e colocou o cigarro. "Sinto muito. Como eu disse, não posso ajudar você." Olhando em volta do vasto espaço, perguntei. "Será que ela tem um quarto aqui?" "Sim." "Estaria tudo bem se eu desse uma olhada lá dentro para ver se posso encontrar alguma pista quanto ao seu paradeiro?" Quando ela pareceu hesitar, eu disse. "Isso poderia nos beneficiar se pudesse localizá-la." Ela acendeu outro cigarro, deu uma longa baforada e encolheu os ombros. "Vá em frente. Segunda porta à esquerda pelas as escadas." Balançando a cabeça uma vez, eu disse. "Obrigado." Abrindo a porta, entrei no quarto de Kendall. O sol estava derramando no espaço, lançando uma sombra em sua colcha amarelo claro. Tudo era tão limpo, delicado e feminino, assim como ela.


Meu coração estava pesado quando tracei meus dedos ao longo de seus itens pessoais. Minha mão parou ao longo de uma foto emoldurada de Kendall com um homem mais velho que poderia ter sido seu avô. Era de alguns anos. Vendo seu sorriso bonito novamente só me fez mais determinado do que nunca a encontrá-la. Depois de vasculhar o quarto, nenhuma informação apareceu. Senti-me derrotado. Abrindo o armário meio vazio, levantei alguns dos vestidos restantes, um por um, cheirando cada um, esperando qualquer reconhecimento de seu perfume. Minha mão pousou em algo incomum. Congelo. Pendurado no canto mais à esquerda do armário estava um minúsculo terno feito para um bebe. Era da marinha com debrum nos lados e parecia um pouco com um uniforme de piloto. Olhei para a etiqueta. O nome da marca era Carter. Puta merda. Peguei-o da prateleira, e foi quando vi isso: um par de asas de piloto presas à frente do terno. Cheio de desejo doloroso, fechei os olhos e lembrei suas palavras de uma de nossas últimas conversas antes que tudo fosse destruído. Eu comprei algo hoje que me fez lembrar de você.


Isto deve ter sido o que ela estava me levando. Era a prova de que ela estava planejando aceitar minha oferta. Ela queria o bebê, também, tanto quanto eu queria. Agarrei o terno contra o meu peito. Ela mentiu ter decidido sobre a Alemanha. Mas a verdade era que ela acabou indo para lá. Eu precisava saber o que aconteceu, onde ela estava. Precisava dizer a ela que ainda a amava e aceitaria qualquer decisão que ela tivesse tomado. Será que ainda a amaria se ela desse à luz a um bebê de outro homem? Sim. Droga. Sim, eu iria. Eu precisava encontrá-la. Pense. Pense. Pense. Poderia envolver o FBI? A polícia? Ela se foi de bom grado. Eles não iriam passar o tempo procurando por ela. Eu poderia contratar um investigador particular, mas isso a deixaria com raiva se ela descobrisse que eu tinha feito isso contra a sua vontade?


Então, tive um momento iluminado. Em dois dias, estaria no Rio novamente. Se havia alguém que poderia me ajudar a resolver este mistério, era a maluca. Este não era um trabalho para a polícia. Este era um trabalho para Maria Rosa.


Capítulo 23

Carter

Era quase meia-noite quando o táxi me deixou. Um hóspede atendeu a porta e voltou para o seu quarto. Segui meu nariz que me levou direto para a cozinha. Maria estava mexendo uma grande panela no fogão com uma mão, enquanto alimentava Pedro com uma fatia de manga com a outra. Ela não se virou, e eu não tinha chamado para que ela soubesse que eu estava vindo, então assumi que ela pensou que era outra pessoa. "Venha comer. Então conversaremos." "É Carter, Maria." Ela ainda não se virou. Em vez disso, pegou uma tigela do armário ao lado dela e colocou um pouco de feijoada. Quando ela se virou e colocou a tigela sobre a mesa, não estava surpresa em me ver. Ela sabia que eu estava vindo o tempo todo. "Coma!” Ela era psíquica suficiente para saber que eu estava vindo, mas a peguei de surpresa quando deixei cair minhas malas e a abracei. Por alguma razão, estar lá me fez sentir algo que não sentia a quase


um ano, esperança. Não a soltei por um tempo, mas quando fiz, ela apertou meu rosto e beijou minhas bochechas. Depois, sentamos e comemos juntos em um silêncio confortável. No momento em que terminamos, estava começando a ficar ansioso sobre o que queria falar com ela. Eu nunca perguntei a ela nada sobre meu futuro. Ela apenas colocava aleatoriamente para fora as coisas quando olhava para mim, às vezes. Não estava nem certo se ela poderia responder às minhas perguntas. Clarividência é uma capacidade sob demanda? Depois que limpamos a mesa, estava começando a criar coragem para perguntar quando de repente ela pegou minhas duas mãos na dela. Eu nunca tive que fazer uma única pergunta. Não era necessário, pois ela me disse para sentar e começou a me contar tudo sobre o meu futuro. Três horas mais tarde, estava no meu quarto e minha cabeça estava girando. Tentei dormir, mas foi quase impossível, porque o único quarto disponível era o que Kendall e eu tínhamos compartilhado. Eu podia ainda sentir seu espírito, mesmo depois de onze meses. Onze meses. Como seria a sua aparência grávida? Seus peitos ficariam pesados com leite e sua bunda um pouco mais cheia. O pensamento


de uma Kendall muito grávida estava me fazendo duro? Porra. Ela era a única que poderia me deixar duro. Onze meses de celibato. Foi o tempo mais longo da minha vida desde que eu tinha dezesseis anos. Eu tinha decidido durante o longo voo que realmente não me importava se ela carregava o filho de outro homem. Em um modo fodido, quase queria que ela o tivesse. Tê-la conseguindo tudo o que queria, faria com que o tempo que passamos separados contasse para alguma coisa, pelo menos. Porque o pensamento de ambos desperdiçando os últimos onze meses de nossas vidas, por nenhuma boa maldita razão, era o suficiente para fazer o meu peito se apertar. Pensei sobre tudo o que Maria tinha dito esta noite mais e mais na minha cabeça. Como de costume, suas mensagens foram enigmáticas e era difícil decifrar o que ela estava tentando me dizer. Mas estava determinado a ouvir seus conselhos, não importa o que fosse. O problema era que não tinha certeza do que ela queria que eu fizesse. “A resposta está no céu. A resposta está no céu. ” Ela apenas repetia a mesma frase uma e outra vez. A resposta está no céu. A resposta está no céu.


***

Já era de manhã, quando finalmente dormi, e era fim de tarde quando acordei. O meu voo só saía no dia seguinte, então tinha muito tempo para tentar descobrir o que Maria estava tentando me dizer. Ela estava fora, no mercado, quando fui procurá-la, então fui para uma caminhada na praia, tentando limpar minha cabeça. Depois de andar por cerca de cinco quilômetros sob um sol escaldante, me deparei com uma cadeira solitária na beira da água. Lembrei-me que da última vez que andei na praia estava com Kendall. Quase neste exato local, nós nos deparamos com duas cadeiras aleatórias. Esperava que este não fosse um sinal... que eu só precisaria de uma cadeira de agora em diante. Sentindo-me abandonado, sentei para tentar fazer algum sentido na minha vida louca. Inclinando a cabeça para trás, fechei os olhos e deixei o sol brilhar em meu rosto enquanto lembrava o que havia acontecido na última vez que me sentei neste mesmo lugar com Kendall. Ele passou pela minha cabeça como um filme. Nossas cadeiras estavam de frente uma para a outra, e estávamos brincando com nossos pés na areia. Perguntei-lhe por que estava


viajando e ela inicialmente tinha sido vaga. Eu logo descobri que ela estava evitando me dizer seu segredo porque estava envergonhada em admitir a verdade. Ela pensou que eu iria achá-la superficial e desesperada. Mas a verdade era, antes de conhecer Kendall, eu era o único que estava vivendo uma vida superficial e desesperada. Indo de mulher para mulher, nunca querendo ficar em um lugar por muito tempo. A mulher que pensava que era desesperada acabou por ser o que eu precisava desesperadamente. O amor verdadeiro. Kendall não só tinha me contado seu segredo neste local, mas eu também abri o jogo sobre Lucy. Foi a primeira vez que disse a alguém sobre ela. Realmente nunca sequer falei com meus pais sobre tudo o que tinha acontecido. No entanto, eu tinha compartilhado meus demônios com Kendall, e apesar de tudo, ela tinha aberto o seu coração, de qualquer maneira. Pelo menos pensei que tinha. O sol me fez sentir bem, aquecendo meu rosto. O som das ondas levemente batendo me embalou para relaxar. Deixei escapar uma respiração profunda e permiti que a praia lavasse algumas das minhas tensões. Não havia como voltar ao passado mais. A única coisa que eu podia controlar era o futuro agora. Meu futuro.


A resposta está no céu. A resposta está no céu. As palavras de Maria Rosa continuavam tocando na minha cabeça repetidamente. A resposta está no céu. A resposta está no céu. Que diabos ela estava tentando me dizer? A resposta está no céu. A resposta está no céu. Usando a mão para proteger os olhos, olhei para o sol. De repente, a resposta me surpreendeu em um momento de clareza. A resposta está no céu. Lucy in the Sky with Diamonds37. Maria estava tentando me dizer para ir ver Lucy. Como eu poderia ter sido tão estúpido?

***

Eu tinha pedido uns favores para fazer isso acontecer. Considerando que assumi todos os voos disponíveis que alguém me pedisse para pegar ao longo dos últimos cinco anos, não foi tão difícil quando pedi para me cobrirem durante cinco dias. Após meu voo de volta para os Estados Unidos hoje, eu estaria voando de 37

Lucy está no céu com diamantes- Música dos Beatles


volta para Michigan. Fazia mais de um ano desde que estive em casa e ainda mais tempo desde que visitei Lucy. Na verdade, a última vez que fui ao túmulo de Lucy foi... nunca. Havia chegado a hora. Eu não sei como ou por que, mas Maria sabia. A resposta está no céu. Era uma típica manhã do final de março em Michigan. A neve cobria o chão e o gelo cobria a neve. Meus passos rangiam debaixo de mim enquanto caminhava na grama congelada até a fileira sessenta e oito do Fairlawn Cemitério no Crestwood. Quando as estacas numeradas no solo atingiram a linha designada, olhei em volta e respirei profundamente. Felizmente, não havia ninguém à vista, tanto quanto eu podia ver. Fiquei aliviado, porque definitivamente não estava pronto para me encontrar com a família de Lucy. Ver alguém hoje era mais do que eu poderia lidar. Na fileira de Lucy havia cerca de vinte lápides. Caminhei lentamente, lendo os nomes em cada uma até que vi a dela.

Lucy Langella 10 de julho, 1986 – 07 de setembro, 2004


A dor cortou em meu peito. Chupei uma respiração irregular antes de ler o epitáfio esculpido em um roteiro debaixo de seu nome.

Às vezes o amor é por um momento. Às vezes o amor é para toda a vida. Às vezes, um momento é uma vida. Ou por pouco tempo. Asas para a eternidade.

Fazia doze anos, mas o tempo não tinha fechado a ferida que foi aberta pela morte de Lucy. Ainda doía como o inferno. Dor fresca. Só que hoje, em vez de persegui-la à distância, congratulei-me com ela. Eu li o início das palavras inscritas novamente. Às vezes o amor é por um momento. Às vezes o amor é para toda a vida. É isso que Maria queria que visse? Tentei achar o sentido disso. Era Lucy meu momento e Kendall minha vida? Asas para a eternidade.


Ela estava tentando me dizer que eu não merecia tanto? Que estava destinado a voar ao redor do mundo pela eternidade e nunca me estabelecer? A dor se intensificou. Apertei meus olhos fechados enquanto o gosto de lágrimas salgadas atingia minha passagem nasal. Este seria o meu castigo? Lucy tinha amado e perdido. Eu tinha feito isso com ela. Isso me fez perceber que minha vida era mais fácil de viver antes de Kendall andar naquele bar do aeroporto. Eles dizem que é melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado, mas agora, estava pensando que é um monte de besteira. Lucy e eu teríamos ficado melhores se nunca tivéssemos nos amado? Eu não teria percebido que a minha era uma merda antes de Kendall e Lucy... ainda estarem aqui. Meus ombros começaram a tremer muito antes que o som viesse. Quando tudo me atingiu, tive que sentar na neve ou teria caído. Por mais que tentei lutar contra isso, não podia mais. Os soluços saíram de dentro de mim e chorei por todas as perdas. Pelos pais de Lucy, que nunca chegaram a experimentar qualquer uma das alegrias que meus pais tiveram. Por Lucy e Kendall, por magoá-las, porque eu não podia manter o meu pau na minha calça. E pela percepção de que... Às vezes, um momento é uma vida inteira...


E isso é tudo que você tem.


Capítulo 24

Carter

Cinco dias de descanso e recuperação não ajudou. Eu tinha decidido renunciar a visitar aos meus pais, embora estivesse a uma curta distância de sua casa. Estava uma bagunça e se eles tivessem me visto nesta condição, isto só os deixaria preocupados. Infelizmente, não podia esperar para voltar ao trabalho. Estar no ar tornou-se a minha casa e ia ficar louco em qualquer outro lugar. Cheguei no aeroporto de Detroit três horas e meia mais cedo que o meu voo. A equipe do check-in ainda não tinha aberto, então fui para o restaurante com vista panorâmica para obter um café enquanto esperava. Eu pedi omelete de peito de peru e queijo suíço e sentei para ler o jornal quando uma voz familiar chamou meu nome. "Hey, Trip." Alexa Purdy definitivamente não estava vestida com o uniforme padrão de capitã. Ela parecia mais como se estivesse indo para a praia do que comandar um voo comercial. Suas pernas tonificadas já eram longas, mas com os shorts curtos que ela usava,


juntamente com sandálias de salto alto, fez parecer como se ela pudesse ser uma Rockette38 na cidade de New York. "Alexa." Eu assenti. "Onde você vai hoje?" "New York. Você?" Ela me deu um sorriso eu vou comer você no jantar e ronronou, "New York." "O plano de voo tinha Ken Myers listado como o segundo." "Oh. Eu sou apenas uma passageira. Era para eu encontrar minha amiga na cidade por alguns dias. Mas ela cancelou no último minuto." Ela fez beicinho flertando e balançado para trás. "Agora estou sozinha." Limpei a garganta. "É uma cidade movimentada. Tenho certeza que você vai encontrar muitas coisas para fazer." Sem ser convidada, ela se sentou na minha frente e inclinou a cabeça. "Você ainda tem aquela namorada loira? Qual era o nome dela? Kylie?" Não me preocupei em corrigi-la, porque dizer o nome dela doía muito. "Acabou."

38


Alexa nem sequer tentou esconder que a minha resposta a fazia feliz. "E quanto tempo você ficará em Nova York, Trip?" "Apenas uma noite. Tenho um voo para Copenhagen amanhã à noite." “Uma noite, hein?" Fiquei grato quando o garçom veio com a minha omelete. Mesmo que não estivesse realmente com fome, coloquei um pedaço para ocupar minha boca para que não tivesse que continuar a falar. Alexa optou por um parfait de iogurte e café preto. Com sua altura, corpo magro, longos cabelos escuros e grandes olhos castanhos, ela realmente era uma mulher bonita. Apesar de ser muito bonita ela era o oposto de Kendall. Se eu me lembrava corretamente, ela também era o oposto de Kendall na cama. Enquanto Kendall tinha um apetite sexual saudável, gostava que eu assumisse a liderança e desempenhasse o papel de parceiro dominante na cama. Alexa, por outro lado, era agressiva e gostava de remover o mistério que cercava toda mulher, dizendo a seu amante muito especificamente o que queria. Ela tinha feito todo o trabalho. Depois disso houve um rápido e fácil final feliz para nós dois. Desde que o meu tempo com ela tinha sido limitado a algumas traquinagens, estava ansioso para uma liberação seguido por algum bom cochilo.


Pensar em Alexa dessa forma me fez sentir raiva de mim mesmo. Mas também me deixou zangado com Kendall. Nos últimos cinco dias, percebi que ela ficar grávida de outro homem não era o suficiente para me fazer correr. Agora sabia que ficaria com ela, independentemente de estar grávida. Seria confuso, mas na minha mente, ela valia o que fosse necessário. No entanto, ela me deixou antes de ter certeza que eu teria um filho. Estava oscilando entre tristeza e raiva, e repensando algumas vezes ao longo dos últimos dias, meu humor estava atualmente na zona da raiva. Durante a hora seguinte, Alexa e eu falamos de alguns dos lugares que tínhamos passado e falamos sobre quem tinha se aposentado. Qualquer coisa relacionada ao trabalho me trazia uma sensação de conforto. Porque era tudo o que eu tinha, porra. "Você tem um lugar reservado para a sua hospedagem?" Perguntou ela. Eu realmente não tinha reservado qualquer lugar porque não tinha verificado minha tarefa de voo até que acordei esta manhã. "Eu provavelmente vou ficar no JFK Radisson. Acho que é onde eles me colocaram." "Eu tenho um quarto no Plaza. O que você diz, vem para a cidade comigo e passamos a noite. Podemos sair para dançar? Ou


se você não estiver com vontade, podemos ignorar a dança e apenas ir direto para cama." Ela arqueou uma sobrancelha. Alexa não era nada, se não direta. Embora realmente não tivesse nenhum desejo, percebi que poderia muito bem voltar atrás na minha vida. Isto seria o fim para mim. Eu não estive com outra mulher em mais de onze meses. Se estava voltando para a ação, poderia muito bem ser com uma mulher que sabia que eu era compatível e também não tinha expectativas para algo mais do que apenas uma foda. Que diabos? Era melhor do que estar sozinho. "Claro, por que não."

***

Após pousarmos, tive que esperar que um dos mecânicos da Internacional Airlines local aparecesse. Um dos indicadores do avião parou de funcionar em pleno voo. Não era essencial para a segurança, mas nossa política nos obrigava a ficar até que encontrássemos com o técnico de serviço para que pudéssemos explicar o problema em primeira mão. Eu disse ao meu segundo


oficial para sair, que ficaria para trás e esperaria. Ao contrário de mim, ele tinha uma família esperando por ele em casa. Eu também tinha Alexa me fazendo companhia enquanto esperava. Pelo visto, havia uma cópia de segurança em chamadas de serviço e estaria sentado por até uma hora. Alexa se juntou a mim na cabine para esperar. "Lembra-se daquela vez que quase fomos pegos em Berlim, enquanto estávamos atrasados por causa do tempo? Eu sentada em seu colo te cavalgando, a porta estava aberta para a cabine e nós não ouvimos o anúncio de que eles finalmente iam começar o embarque?" Ela estava sentada na cadeira ao meu lado e esfregava os dedos para cima e para baixo no meu braço enquanto falava. Balancei a cabeça, incapaz de responder em voz alta porque sabia que a minha voz sairia cheia de desgosto. Lembrei-me do dia que ela estava falando, embora o pensamento me fizesse sentir mal no momento. Sem amor, porra. O que tinha acontecido comigo que não estava realmente mais interessado? Eu tinha certeza que se eu a dissesse para ficar de joelhos naquele momento, enquanto esperávamos pelo mecânico, ela teria ficado feliz. Houve um tempo em que ter sua boca no meu pau na cabine era melhor do que qualquer outra coisa. Será que eu voltaria para aqueles dias em que me sentia assim? Com certeza não me sinto assim no momento.


"Nós temos uma hora para matar. Poderíamos colocar o escudo protetor de sol e começarmos o pré-jogo?" "Eu só prefiro cuidar disso e seguir para o hotel." Ela ficou em silêncio por um momento. "O que está acontecendo com você, Trip? Você não parece com você." "Nada. Apenas cansado do voo." Eu não iria insultá-la e dizer a verdade, que sentia como se estivesse esperando pra enfrentar o pelotão de fuzilamento em vez de estar ansioso para estar dentro dela novamente. Não havia razão para ferir seus sentimentos. A merda que eu estava passando era meu problema. Ela deve ter percebido que minha mente estava em outro lugar. "O que aconteceu com você e a pequena loira, de qualquer maneira? O rumor em torno da equipe era que alguém tinha finalmente amarrado o Capitão pau grande?" Minhas sobrancelhas se uniram. "Capitão pau grande?" "Não finja que você não sabe do que as comissárias de bordo o chamam. Não é nenhum segredo que você gosta de foder e é bem equipado." Eu balancei a cabeça, com desgostoso comigo mesmo. Deus, eu realmente era um idiota antes de conhecer Kendall.


Quando não respondi, ela me apertou novamente." O que? Você estava apaixonado por ela ou algo assim?" Loucamente apaixonado. "Eu não quero falar sobre isso com você, Alexa." "Por quê? Fui casada uma vez. Estava apaixonada. Eu poderia ser uma amiga, também, você sabe. Há muito mais em mim do que apenas um lugar para você enfiar seu pau de vez em quando. Você nunca teve nenhum interesse em me conhecer antes." Olhei para ela. Ela estava absolutamente certa. Antes de Kendall, eu não teria concordado com ela, mas agora sabia como era deixar alguém entrar, me abrir para mais do que apenas sexo, então era capaz de ver as coisas claramente. Nunca tinha dado a ela uma chance. "Eu sinto muito por isso, Alexa." Ela baixou a guarda e, por um segundo, vi um lado vulnerável dela que nunca tinha visto antes. "Tudo bem. Peguei o que eu poderia conseguir de você." Felizmente, o mecânico apareceu mais rápido do que o esperado e encerrou o nosso pequeno interlúdio de ‘coração para coração’. Depois que lhe mostrei o indicador quebrado e respondi uma lista de outras questões, eu tinha acabado e fui liberado do meu dever. Alexa e eu desembarcamos, fomos para o terminal e começamos a nossa caminhada para a saída do aeroporto.


Enquanto fazíamos o nosso caminho através da multidão, minha mente estava correndo. Este era o caminho certo a seguir, para me fazer sentir como o velho eu outra vez? Irracionalmente transando com uma colega de trabalho? Por que senti como se fosse errado agora? Kendall foi embora, tinha sido mais de onze meses e não havia razão para permanecer fiel a um fantasma. Quando passamos por uma banca de jornal, pensei que realmente vi um fantasma. Uma mulher estava folheando uma revista, de costas para mim, mas por trás, ela parecia exatamente como Kendall. Meu batimento cardíaco começou a acelerar mais em um flash rápido do que tive em um longo tempo. Ver o fantasma de Kendall tinha me deixado mais agitado do que o pensamento do que estava prestes a fazer com Alexa. Olhei para a mulher quando passamos. Percebendo que ela estava vestindo um uniforme de comissária de uma companhia irmã, National Elite, me senti esvaziar e obriguei-me a desviar o olhar. Estava realmente começando a perder a cabeça. Uma consciência que não sabia que ainda possuía tinha começado a chutar no momento em que chegamos à saída. Não havia nenhuma maneira que poderia fazer isso com Alexa. Por mais que me odiasse por não ser capaz de me mover, simplesmente não estava pronto. Na fila de táxi tinha apenas uma pessoa esperando.


Chegamos e um táxi rapidamente parou. Quando o motorista saiu do carro e abriu o porta-malas, esperei até que ele pegasse à bagagem de Alexa. "Alexa. Eu sinto muito. Agradeço o convite, mas não posso fazer isso." "Fazer o quê?" Ela parecia sinceramente perplexa. "Ir com você. Para o hotel. Eu não estou pronto." "Não está pronto? Você quer dizer…" "Não, não gosto disso. Não é um problema físico. Eu sou apenas... minha mente está em outro lugar e não é justo fazer isto com você." Ela se aproximou e agarrou a gola do meu uniforme. "Eu não me importo." Forcei um sorriso triste. "Sinto muito. Mas eu me importo." Ela suspirou alto. "Existe alguma coisa que eu possa fazer para convencê-lo?" Você pode fazer um fantasma se transformar em realidade? "Não. Eu sinto muito." Abri a porta traseira do carro e esperei ela entrar. Ela deslizou para dentro e parecia genuinamente triste, em vez de raiva. "Se você mudar sua mente, sabe onde me encontrar."


"Obrigado. Cuide-se, Alexa." Fechei a porta e bati os nós dos dedos na parte superior do carro amarelo para deixar o motorista saber que ele podia ir. Então fiquei lá por uns dez minutos olhando para o nada, na calçada. Não sabia o que fazer comigo mesmo. Poderia ficar em um hotel, mas esse pensamento me deprimiu ainda mais do que o incidente com Alexa. Então fiz a única coisa que parecia fazer-me sentir melhor ultimamente e voltei para o aeroporto. A comida do restaurante com vista panorâmica não era de todo ruim e iria matar algum tempo antes de ir para o meu deprimente hotel sozinho. Eu passei pela segurança a qual tinha acabado de sair e voltei pelo saguão da Elite Nacional. Quando passei pelo portão trinta e dois, tive um vislumbre do que pensei que fosse Kendall, a fantasma loira andando pelo corredor, para embarcar em seu voo. Realmente parecia com ela por trás. O balanço de seus quadris era similar. Parei para vê-la andar por todo o caminho, sem me mover até que ela desapareceu de vista. Mais uma vez, meu coração estava batendo fora de controle apenas vendo uma mulher que era parecida com Kendall. Que porra havia de errado comigo?


Balancei a cabeça, piscando algumas vezes, e me forcei a continuar andando. Eu tinha passado por dois ou três portões quando de repente me virei. "Estou perdendo minha mente fodida," resmunguei para mim mesmo. Era ridículo, eu sabia. Mas meu coração ainda estava correndo e nunca seria capaz de dormir esta noite se pelo menos, não perguntasse. Esperei na fila atrás de uma mulher que queria mudar seu assento. Quando foi a minha vez, tendo a certeza que meu chapéu de capitão estava na minha cabeça. "Oi, sou Carter Clynes da International. Eu poderia jurar que vi um velho amigo com quem trabalhei. ” "Você quer dizer Capitão Reisher?" "Não. A comissária de bordo. Nós costumávamos trabalhar juntos." "Vamos ver. Temos Melissa Hansen, Nat Ditmar e... "A mulher virou-se para seu colega de trabalho. "Qual é o nome da nova comissária de voo? A loira?" Meu coração começou a bater com antecipação. "A que acabou o treinamento na semana passada?" "Sim, é ela. Ela acabou de embarcar no voo de hoje."


"Oh. O nome dela... é Kendall." Eu congelo. Não podia ser. "Você disse Kendall?" "Sim. É essa que você pensou que era?" Tem que ser uma coincidência gigante. "Kendall... seu sobrenome é Sparks?" "Sim, é isso. Ela trabalha no serviço de voo de Nova York para Boston agora." Estou imaginando o que estou ouvindo? Perdi o resto do meu juízo? Ou pode realmente ser possível que Kendall tinha se tornado uma comissária e estava bem lá naquele corredor? O pensamento parecia louco. Olhei para o quadro de voo. Ele mostrava Boston, o atraso estava piscando. "Que horas vocês estão saindo?" "Nosso tempo é de quinze minutos, mas estão nos dizendo para esperar pelo menos uma hora de atraso devido a ventos fortes." "E o voo está completo?" Ela digitou algumas coisas. "Há alguns lugares vagos no momento." "Eu estarei de volta." Fui o mais rápido que pude, correndo para o balcão onde poderia comprar um assento.


Uma vez que não era a minha linha aérea, tive que esperar na fila como todos os outros e estava começando a ficar impaciente. Eu tinha verificado o tempo no meu telefone uma dúzia de vezes nos quinze minutos que estava esperando. O cara na minha frente deve ter notado. "Parece que você está preocupado que vai perder o seu voo, companheiro." Ele tinha o que eu pensava ser um sotaque australiano. "Estou tentando entrar em um voo atrasado. Não há muitos lugares embora." "Você é um piloto, não é?" Eu balancei a cabeça. "Não dão qualquer preferência ao menino grande na cabeça do avião? Por que você está esperando na fila como nós, o gado?" "Não é a companhia para a qual eu trabalho." "Ah. Bem, você pode ir na minha frente, se isso ajudar. Estou a três horas para o meu voo." O cara tinha uma caixa transportadora de cão de grande porte na frente dele. "Você chegou cedo para o check-in de seu cão ou algo assim?" "Ou algo assim." Ele riu. "Minha esposa e eu estávamos visitando Nova York. Ela não vai sair e deixar a carne de carneiro aqui sozinha em casa. A maldita coisa vai onde quer que vamos."


"Carne de carneiro?" Ele se inclinou e sussurrou. "Isso é uma cabra." Então ele levou o dedo à boca dando o sinal universal para shhh. "Não conte para as pessoas no avião. Minha mulher acha que eles não vão gostar da notícia." Inclinei-me e olhei para dentro da caixa. Com certeza, o cara tinha uma pequena cabra dentro. "Você não acha que eles vão saber que é uma cabra?" "Você não conheceu minha esposa, Aubrey. Ela foi ao banheiro. Mas pelo tempo que acabarmos aqui no balcão, eles vão oferecer a Pixy aqui um leite. Ela pode vender madeira para uma floresta. Pensando bem, é melhor você passar na minha frente. Porque se eles tentarem fazer essa coisa voar com animais de fazenda, ficaremos aqui por um bom tempo." Balancei a cabeça, divertido. O cara era tão carismático e com bom aspecto, que algo me dizia que ele poderia convencer as senhoras atrás do balcão que o bode era um gatinho, se tentasse. Nós conversamos por alguns minutos, avançando um pouco de cada vez. "Então, onde você está indo? Tendo algum tipo de aventura?" "Espero que sim," disse eu.


Quando a comissária de bordo chamou 'próximo', o Australiano me disse para ir à frente dele. Estendi minha mão. "Obrigado. Boa sorte com seu... animal de estimação." "Obrigado. Espero que você encontre a sua aventura." Eu também espero.


Capítulo 25

Carter

Era ela. Meu peito estava apertado. Puta merda. Eu não estava imaginando tudo isso. Enquanto estava sentado no meu lugar na parte de trás do avião, olhava para ver cada movimento que Kendall fazia enquanto trabalhava a frente da Boeing 737. Foi surreal vê-la neste papel. Era como se meus mundos estivessem colidindo da forma mais estranha. De alguma forma, ela não tinha me visto a bordo. Isto foi uma bênção, porque precisava de tempo para processar. Ela estava ajudando um homem idoso a guardar sua bagagem no compartimento quando olhei para ela com incredulidade. Debati em confrontá-la naquele momento, mas este não era o momento nem o lugar para lidar com tudo o que tínhamos que lidar. Minha maior esperança era que ela não surtasse quando inevitavelmente me notasse. Fazê-la ser demitida também é algo que eu realmente queria evitar. Sabia como era o negócio. Havia muitas pessoas à espera


para conseguir uma posição como comissário de bordo. A maioria que passa por treinamento acaba não sendo contratado pela companhia aérea. Mesmo não entendendo como ela veio parar aqui, claramente, era algo que ela queria. Eu não ia correr o risco de tomar isso dela. A confusão rodava em torno da minha cabeça, deixando minha mente entorpecida. Ela teve o bebê ou não? O treinamento para comissária de voo era apenas um par de meses. Tecnicamente, ela poderia ter treinado quando estava grávida, então voou até certo ponto, quando eles pararam de permitir isso. O que realmente aconteceu com ela todo esse tempo era um mistério total. O voo para Boston seria apenas de uma hora. Graças a Deus. Não havia nenhuma maneira que poderia ter aguentado mais, ficando preso neste lugar e incapaz de conseguir respostas. Gotas de suor se formavam na minha testa. Meu coração estava batendo tão rápido que, pela primeira vez em um avião, realmente tive um pouco de pânico. Eu particularmente nunca gostei de voar a menos que estivesse controlando as coisas da cabine, de qualquer maneira.


Kendall assumiu sua posição na frente para a decolagem. Uma vez que estávamos no ar, ela provavelmente teria que ir para a cozinha em algum ponto. Não havia nenhuma maneira que eu seria capaz de passar despercebido até o fim do voo. O pensamento de ficar cara a cara com ela na frente de todas essas pessoas me fez doente. Trabalhar como um piloto tinha me preparado para lidar com dezenas de cenários potencialmente catastróficos. Apesar disso, não me sentia preparado nem um pouco para enfrentar Kendall. Eu a estudei o melhor que pude de longe. Ela estava usando uma saia lápis cinza e uma blusa azul com mangas três quartos. Havia uma listra azul mais escuro que corria pelo meio. Os cabelos dela normalmente rebeldes foram amarrados ordenadamente em um coque baixo. Ela parecia reservada e mecânica ao interagir com os passageiros. O sorriso que lembrava que era utilizado para iluminar a sala, agora parecia falso com uma pitada de escuridão debaixo dele. Kendall me lembrou de mim mesmo antes de conhecê-la. Não há melhor profissão do que voar para as pessoas que desejam fugir de seus problemas.


Assustou-me pensar sobre o que ela poderia estar fugindo neste momento. Ela teve o bebê e se sentiu culpada por abandoná-lo? Porra. A urgente necessidade de saber o que aconteceu estava fazendo minha pele arrepiar. Kendall estava conversando com um dos passageiros quando, de repente, começou a fazer o seu caminho pelo corredor em direção à parte de trás do avião. Ela falou com uma das outras comissárias de voo. "Eu preciso de um curativo para o passageiro na 6C. Onde mantemos o kit?" "Eu vou pegar," disse sua colega de trabalho. Ela passou a olhar em minha direção enquanto estava esperando por sua colega buscar o kit de curativo. Nossos olhos se encontraram e não havia como voltar atrás. Com a aparência de quem viu um fantasma, Kendall agarrou a parte de trás de um dos assentos para se equilibrar. Nós apenas nos olhamos por um tempo. O olhar em seu rosto me deu a impressão de que, se não estivéssemos a milhares de metros de altitude no ar, ela teria corrido para longe de mim, não em minha direção. Na verdade, mais parecia que ela estava debatendo sobre saltar.


Mesmo que ela estivesse bem na minha frente, ela parecia estar à quilômetros de distância, longe de estar pronta para me encarar. Talvez, ela realmente achava que nunca iria me ver novamente. Sempre quis saber se esse seria o caso. "Nós precisamos conversar," eu disse em voz baixa antes de silenciosamente murmurar, "mais tarde." Antes que ela pudesse responder, a outra comissária voltou. "Eu tenho o kit." Kendall não se mexeu. Ela ainda estava olhando para mim, piscando, confusa. A mulher acenou com a bandagem para ganhar a atenção dela. "Kendall..." Quebrando seu olhar, Kendall limpou a garganta e falou. "Oh, muito obrigada." Sua caminhada de volta para frente era lenta e quase vacilante. Ela segurou na parte de trás de cada assento enquanto fazia seu caminho pelo corredor. Sabia que minha aparição seria um choque, mas é evidente que tinha realmente feito um efeito sobre ela. Suando em bicas, eu não estava em melhor forma. Até o momento que o avião pousou, não tive mais interações com Kendall.


Sua voz chegou pelo interfone uma vez. "Por favor, lembre-se de pegar todos os seus pertences antes do desembarque." Esperei que todos os passageiros saíssem da aeronave antes de lentamente caminhar na direção de onde ela estava começando a limpar. Parei ao som do Capitão se dirigindo a ela. "Kendall, você quer ir para uma bebida conosco no centro da cidade?" Meus punhos apertaram instintivamente. Sabia muito bem o que ele estava fazendo. Isso era a porra de uma encenação. Isto era o roto falando do esfarrapado, é claro; eu fui uma víbora, uma vez. "Não. Obrigada. Estou um pouco cansada. Vou para casa." Casa? Ela estava morando em Boston? Ela não olhou para mim enquanto passava por eles para sair. Com todos os olhos sobre ela, não podia arriscar fazê-la se desfazer aqui no avião. Em vez disso, simplesmente andei com um nó na garganta na passarela para o terminal e esperei. Dez minutos depois, Kendall surgiu, ladeada pelos dois pilotos e o resto da tripulação. Ela estava rolando uma pequena mala preta. Quando parou, o capitão virou. "Tem certeza de que não posso convencê-la a vir?"


"Tenho certeza. Vejo você na próxima semana." "Bem." Dei-lhe um olhar mau. Quando eles estavam fora do alcance da voz, Kendall, finalmente, virou-se para mim. Pressionando minha mandíbula, estava ali, de frente para ela, ainda mal conseguindo respirar e muito menos falar. Eu consegui dizer: "Oi, Perky." Seus olhos lentamente se encheram de lágrimas que não caíram. "O que você está fazendo aqui?" "O que você acha? Eu precisava vê-la." "Você deveria ter me deixado em paz." Dei alguns passos mais perto. "Eu precisava saber se você estava bem." Ela recuou um pouco. "Estou bem." "Não, você não está." "Como você me achou?" "Eu estava parado, olhando e então aconteceu." Compreensivelmente, ela parecia confusa. As pessoas estavam passando por nós, mas só ficamos imóveis no mesmo lugar. "Eu preciso saber o que está acontecendo com você, Kendall."


Balançando a cabeça, ela gritou. "Bem, não quero saber o que está acontecendo com você. Porque eu não posso lidar com isso." Levantei minha voz. "Você não pode lidar com o pensamento de que sou pai de uma criança com outra mulher porque você ainda me ama." A polegadas de seu rosto agora, disse. "Eu odeio tê-la machucado, mas você me deixou por nada." "O que você quer dizer?" "O bebê não era meu. Ele não era meu, Kendall! Um teste de DNA confirmou. Ela estava tentando armar uma armadilha para mim." "De quem é?" "Porra, eu não sei." Pensar

em

toda

essa

situação

estava

me

deixando

incrivelmente irritado, de repente. Ela levou a mão à boca. "Oh meu Deus." Ficamos em silêncio por cerca de um minuto enquanto uma voz feminina soou pelo interfone para anunciar que alguém estava perdido. Quando o barulho parou, continuei. "Todo esse tempo, poderíamos ter ficado juntos. Eu poderia ter sido o único a partilhar isso com você. Onde está?" "Onde está o quê?" "O bebê! Você fez isso? Será que realizou a inseminação?"


Ela balançou a cabeça lentamente e sussurrou: "Não" Uma dor de cabeça me paralisou. "Não?" "Não." "Você quer me dizer que tudo isso..." Fiz uma pausa para me recompor. "Aconteceu... para nada?" Esfregando minhas têmporas, eu disse. "Nem sei o que dizer a você. Estou paralisado." Olhei para o chão, incrédulo, antes de encontrar o olhar dela novamente. "Você não podia ficar grávida ou você não poderia ir em frente com isso?" "Podemos ir para outro lugar para falar sobre isso, longe de todas essas pessoas?" "Aonde você quer ir?" "Eu tenho um carro estacionado na garagem." "Tudo bem." Agarrando o meu saco de viagem, segui Kendall para o local onde seu velho SUV Ford Explorator estava estacionado. Nós entramos e sentamos em silêncio até que ela começou a falar. "Eu fui para a Alemanha, passei algum tempo com Hans e Stephen depois que deixei você no saguão do aeroporto. Era para eu ir para casa, para pegar minhas coisas e voltar. Acabei indo de volta para Dallas e embalei algumas coisas. Eu tinha uma passagem de volta para a Alemanha, mas enquanto estava no aeroporto,


apenas decidi que não poderia passar por isso, não poderia trazer um bebê ao mundo pelas razões erradas. Além disso, não poderia trazer um bebê ao mundo e dá-lo para adoção. O dinheiro parou de importar muito antes desse ponto, eu acho. A herança não significa mais nada." "Por que você não veio para mim naquele momento?" "Estava com medo. Não acho que poderia lidar com o que eu achava que estava acontecendo com você e aquela mulher. Foi devastador." Optei por não dizer a ela que visitei o rancho no Texas. Não queria desviar o assunto em questão, que era descobrir o que diabos ela estava fazendo durante os últimos onze meses. "Então, você não foi para a Alemanha. Onde você foi?" "Eu estava me sentindo tão perdida. Parecia que era o ponto mais baixo da minha vida inteira. O único lugar que senti que podia ir foi de volta a essa praia no Rio." Meu coração começou a bater mais rápido. "Você foi para o Rio?" "Sim. Eu fiquei com Maria Rosa." O que? "O que?" "Sim."


"Ela nunca me disse." "Eu sei. Eu fiz ela jurar que nunca te diria que estava lá. Houve um pensionista que falava Inglês que estava traduzindo para mim o tempo todo. Mesmo que isso me assustasse, pedi a Maria para me dizer o que devo fazer com o resto da minha vida." "O que ela disse?" "Que traduzido era: a resposta está no céu." Puta merda. Com meu queixo caído, deixei ela continuar. "Pensei muito sobre o que isso poderia significar. A primeira coisa que assumi era que ela estava me dizendo para voltar para você. Mas não podia fazer isso. No meu voo de volta para os Estados Unidos, pensei sobre como sentia que realmente eu não pertencia a nenhum lugar. Tornei-me invejosa, porque na maior parte do tempo, seu trabalho não exigia que você estivesse em um só lugar. Isso era exatamente o que eu precisava naquele momento da minha vida. Eu precisava voar, viajar, viver... me encontrar. Mas também precisava de dinheiro suficiente para sobreviver. Em seguida, tudo iluminou. A resposta está no céu. Alguns dias mais tarde, em um quarto de hotel no Texas, comecei a pesquisar sobre a escola de comissárias, começando a treinar um mês depois. Depois de seis semanas fui contratada, e porque era a mais nova, eles me


colocaram na rota suburbana de Nova York a Boston. Mantenho um apartamento aqui em Everett, mas não gasto muito tempo nele. Voo em minhas folgas sempre que posso para visitar outros lugares. Basicamente, eu vagueio." Uau. "Perdoe-me Kendall, mas esta é apenas uma pílula difícil de engolir. Você me deixou em um saguão de aeroporto, com meu coração rasgado em pedaços, de modo que você poderia basicamente voar ao redor durante todo o dia como uma concha de uma pessoa fugindo da vida. Nossa... soa terrivelmente familiar para mim, porra." "Eu basicamente tornei-me você." "Você fodeu aquele piloto?" "Não!" O pensamento dela com alguém me deu impulsos assassinos. Algo deslocou no ar quando olhamos um para o outro, e naquele momento, eu só precisava tocá-la, sentir seus lábios contra os meus e antes que quaisquer outras palavras fossem trocadas. Sem pensar, coloquei minha mão em seu joelho e apertei. Ela fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás com o simples toque. Sua respiração acelerou, levantei a minha mão e coloquei-a em torno de sua cabeça, puxando-a para mim e devorando sua boca.


O beijo foi ardente e desesperado, diferente de todos os outros que tivemos antes. Este estava liberando quase um ano de emoções reprimidas e fome sexual, para mim, pelo menos. Rezei para que fosse o mesmo para ela, que ela não tivesse estado com ninguém. Mesmo que ainda estivesse com raiva, precisava tê-la como se minha vida dependesse disso. Empurrei meu encosto até onde foi possível e a levantei em cima de mim. Também estava muito excitado, até mesmo para falar. Disse a mim mesmo que iria deixála respirar, e que seu corpo continuaria a guiar-me, me deixando saber que estava tudo bem fazer isso. Quando Kendall começou a moer desesperadamente por cima do meu pau dolorosamente duro, sabia que não havia como voltar atrás. Quando, de repente, ela levantou a saia de modo que ficasse em sua cintura, desabotoei minha calça e dentro de segundos, ela desceu sobre mim. A sensação de afundar em sua boceta molhada e quente depois de todo esse tempo foi como nada que eu tinha sentido antes. Nunca tinha ficado tanto tempo sem sexo e nunca me separei de alguém que realmente amava. Essas duas coisas combinadas fizeram isto diferente de qualquer coisa que já tinha experimentado. Era frenético. Era imparável.


Era

totalmente

inadequado

em

uma

garagem

de

estacionamento do aeroporto. Era além de sensual. Durou menos de um minuto. Quando senti seu espasmo em torno de mim, gozei dentro dela, na esperança de que ela estivesse tomando a pílula, mas não me importando o suficiente sobre o risco para parar. Parecia bom demais. Ela ficou em cima de mim por um tempo antes voltar para o banco do motorista. Ainda ofegantes e exaustos, ambos inclinamos a cabeça para trás e olhamos um para o outro com olhares que gritavam, ‘Que porra aconteceu’? Ela foi a primeira a falar enquanto ajustava sua roupa. "Precisava descobrir quem eu era, Carter, além da rica cadela Kendall Sparks de Dallas, Texas. Não estava pronta para ter um bebê. Não estava pronta para qualquer coisa. Eu precisava crescer. Quando você me conheceu, eu ainda era uma pessoa tão confusa. O tempo sozinha me ajudou a crescer. Tenho sido miserável. E isso tem me ensinado que este não é o tipo de vida que realmente quero a longo prazo. Mas, por agora, serve o seu propósito. O que também sei, é que não houve um momento em que me arrependi de não ter dinheiro. Toda a herança foi para a caridade como meu avô prometeu que seria. E sabe de uma coisa? Não poderia estar mais


feliz com isso. O dinheiro não teria me feito feliz. Ele não teria mudado nada. A única coisa que teria feito era manter a bunda da minha mãe em casa, quando ela deveria estar trabalhando como todos os outros." Eu precisava saber. "Você esteve com alguém durante todo esse tempo?" "Não. Não, eu não estive." Ela engoliu em seco. "Você esteve?" "Não. Eu não poderia. Mesmo que tenha pensado que você tinha ido embora para sempre, ainda não poderia. Mas estou tão zangado, Kendall. Estou com raiva que você me deixou, que você não acreditou em mim o suficiente para resolvê-lo. Estou com raiva que os últimos onze meses de inferno foram basicamente por nada. Mas o que me irrita mais é que, apesar de tudo... eu entendo. E ainda te amo tanto, porra." Colocando minhas mãos em seu rosto, finalmente admiti. "Eu fui para Maria Rosa, também. Assim como você, estava desesperado. A mensagem que ela me deu foi, ‘The answer is in the sky39’. Você sabe o que isso significa?" "Não." "A resposta está no céu." Os olhos de Kendall se arregalaram. "Você está de brincadeira?" 39

Aqui, ele fala em português para Kendall, como Maria Falou, mas para melhor leitura, deixamos em inglês.


"Não. Achei que tinha algo a ver com Lucy no céu com diamantes. Por causa dessa mensagem, fui ao túmulo de Lucy, chorei até meus olhos incharem. Nunca o tinha visitado, nem uma vez. Mesmo sendo doloroso, me deu o fechamento que era desesperadamente necessário. O momento dessa viagem quebrou até minha rotina normal, me colocando em Nova York no momento que vi você no aeroporto. Caso contrário nunca teria visto você." "Nós dois recebemos a mesma mensagem." "Nenhum de nós estaria aqui agora se não fosse por essas palavras. Maria deu-nos o mapa da estrada de volta um para o outro. Interpretamos isso da nossa própria maneira, tomamos caminhos diferentes, mas acabamos aqui. Depende de nós agora descobrir a próxima etapa da viagem, quer ela seja em conjunto ou separados."


Capítulo 26

Kendall

Nós dois ficamos quietos todo o caminho para o meu apartamento. Eram apenas dezesseis quilômetros, mas o tráfego deu-me mais do que meia hora para pensar. Carter estava olhando para fora da janela, aparentemente perdido em seus próprios pensamentos.

Depois do

nosso

frenesi no

estacionamento,

perguntei se ele queria voltar para casa comigo. Surpreendeu-me que a sua resposta imediata não foi um sim. Ele realmente sugeriu que talvez fosse melhor ele ficar em um hotel a fim de dar-nos um tempo. Mas o convenci a passar a noite no meu apartamento. E agora... estava começando a perceber que não foi a coisa mais inteligente a fazer. Minha cabeça girava pensando em tudo o que havia acontecido durante as últimas duas horas. Especialmente o que aconteceria com nós daqui para frente. Parei o SUV em meu local de estacionamento designado e quebrei o nosso silêncio. "Não é aconchegante como Silver Shores, mas é onde eu moro." Carter olhou para o sinal no gramado. "O Charleston Chew Lofts, hein? Certeza que ninguém em Silver Shores poderia comer


Charleston Chew. Essas coisas sempre foram assassinas para os dentes. Eu lasquei um dente comendo um congelado uma vez. “Provavelmente é mais difícil com dentaduras. ” "O edifício é na verdade a velha fábrica de doces Charleston Chew. Foi convertida em condomínios, mas ainda tem um monte de detalhes originais de fábrica, como tijolos expostos e vigas de madeira. Meu lugar é pequeno, apenas um estúdio que mal posso pagar agora que sou uma garota que trabalha, mas a estrutura tem um grande terraço com deck e passo muito tempo lá." Apontei para o topo do edifício. "Eu passei horas olhando para o céu e pensando ao longo dos últimos meses." Estava indo para a minha casa, e quando me virei para Carter, percebi que ele estava olhando para mim. "O quê?" Perguntei. Ele balançou sua cabeça. "Nada." Carter levou nossas malas e liderei o caminho para o meu apartamento. No elevador, pareceu quase surreal estar de pé ao lado dele novamente. Durante o ano passado, muitas vezes sonhei com ele estando aqui comigo. Por isso não era surpresa eu estar atualmente me sentindo como se estivesse no meio de uma fantasia obscura, em vez da realidade. Foi provavelmente por isso que


quando as portas do elevador se abriram no terceiro andar, não me mexi. "É este o seu andar? Você apertou o três quando chegamos." "Oh. Sim. Desculpe." Eu me atrapalhei com as minhas chaves quando abri a porta do meu apartamento. Uma vez lá dentro, me virei segurando minhas mãos. "Este é o seu tour. Você pode muito bem ver a maioria do lugar a daqui." Carter colocou nossas malas no chão e olhou em volta. "Muito agradável. É moderno, mas aconchegante. Ele combina com você." "Obrigada. Meus vizinhos de ambos os lados trabalham nas companhias aéreas também. Gabby está no 310; ela é uma comissária de voo da Delta. Max está no 314 é um piloto da American. Nós nos encontramos de vez em quando para um churrasco juntos, nas raras ocasiões em que nossos horários estão em sincronia." Eu percebi a mandíbula de Carter tensa. "Um piloto mora ao lado?" "Sim." Ele assentiu.


O fato de que ele estava contendo seu comentário me fez oferecer mais. "Ele acabou de fazer cinquenta e três anos e está pensando em se aposentar na Flórida. Talvez quando ficar um pouco mais velho possa ser seu vizinho." "Espertinha." Chutei meus sapatos e caminhei até a geladeira, pegando para nós algumas bebidas. "Falando da Florida. Como está seu grupo? Muriel, Bertha, Gordon?" O rosto de Carter caiu. "Gordon não está indo muito bem, na verdade. Teve um derrame cerca de quatro meses atrás e a fisioterapia não está indo tão bem quanto esperavam. Ele perdeu o uso completo de um braço e sua fala ainda é muito arrastada." "Isso é terrível. Eu sinto muito. Será que ele tem família por perto?" "Nenhuma. Tomei algumas semanas de férias depois de ter acontecido, para ajudá-lo. Mas quando saio por quatro ou cinco dias, ele não consegue se virar muito. Muriel e Bertha se revezam olhando por ele, mas elas não podem levantá-lo. O fisioterapeuta vai a casa para fazer seus exercícios, mas diferente disso, é difícil para ele." "Ele tem sorte que tem você."


"Você quer dizer Brucey." Carter sorriu. "Sim, seu filho maravilhoso, Brucey." Hesitei antes de continuar, sem saber se deveria ser tão atrevida. Finalmente, decidi que o que queria dizer era sobre Carter e não nós, então disse. "Você sabe que na primeira vez que fomos visitar Gordon, e percebi que não só fomos cuidar de um homem que era um estranho para você, mas você estava o deixando chamá-lo de Brucey e preenchendo o vazio da falta de seu filho, foi o momento que admiti para mim mesmo que estava apaixonada por você. Porque você não era apenas este homem bonito por fora, que era divertido de passar o tempo, você era bonito por dentro." Carter olhou para mim. Quando ele falou, sua voz estava rouca. "Se você realmente me amava, como pôde me deixar, Kendall?" Envergonhada, desviei o olhar. "Eu não sei." "Você se arrepende agora?" "Eu me arrependi todos os dias desde que o deixei naquele bar do aeroporto." "Então, por que não fez algo sobre isso? Você sabia onde me encontrar. Você sabe onde eu trabalho, onde vivo... sabe tudo que havia para saber sobre mim, pelo amor de Deus."


Ele passou os dedos pelo cabelo. Mesmo que eu tenha me feito a mesma pergunta mais e mais no ano passado, ainda não tinha uma resposta. "Eu não sei. Sinto muito, Carter." Depois de alguns minutos tensos, Carter falou. "Você está com fome? Quer pedir algo? Ou quer dormir um pouco? Você deve se levantar cedo para trabalhar no aeroporto." "Estou realmente muito cansada." "OK. Então, vamos dormir um pouco." Olhei em volta do apartamento, estranhamente insegura de como seria nosso arranjo de dormir, mesmo se tivéssemos sido íntimos no carro. "Eu posso dormir no sofá, se quiser. Você pode ficar na cama." Carter caminhou para mim, ele levantou o meu queixo para que nossos olhos se encontrassem. "Estou confuso sobre um monte de coisas que tem a ver com a gente. Mas querer dividir a cama com você não é definitivamente uma delas. Se você está bem com isso, gostaria de nada mais do que dormir ao seu lado de novo." "Eu adoraria." Sua mão no meu queixo mudou para o meu rosto, e ele se inclinou para que nossos narizes quase se tocassem. "E outra coisa. Quando acordamos, pretendo te foder na cama que estaremos


compartilhando. Só que desta vez, não vai durar dois minutos como foi no estacionamento." Engoli em seco. "Eu adoraria isso, também." "Bom. Agora vamos dormir. Porque você vai precisar disso."

***

Carter e eu estávamos sentados no deck da cobertura ao lado de um aquecedor elétrico. Era um pouco depois da meia-noite, e eu estava enrolada nele no sofá de vime com um cobertor sobre nós. Ele não estava brincando quando disse que a segunda vez que fizéssemos amor, duraria mais do que dois minutos. Depois de uma hora e meia de cochilo, passamos três horas fodendo na minha cama. Eu estava satisfeita e contente enquanto ele acariciava meu cabelo e nós dois olhávamos para as estrelas. "Eu conheci sua mãe." Bem, isso chamou a minha atenção. Certamente, nunca esperava que essas palavras saíssem da boca de Carter. Virei minha cabeça para olhar para ele. "Você acabou de dizer que você..."


"Eu conheci Annabelle." "Onde? Como?" "Eu fui para Dallas depois que descobri que o bebê não era meu. Precisava vê-la." "Como você conseguiu o endereço?" "Não é difícil encontrar pessoas na internet, Kendall. Envieilhe uma carta e você nunca respondeu. Meu terapeuta disse que eu precisava de encerramento, então decidi dar uma chance e fui para o endereço que tinha enviado a carta." Havia tanta coisa na sua resposta que eu tinha mais perguntas. Terapeuta? Encerramento? Mas minha curiosidade sobre minha velha mamãe venceu. "O que ela disse para você?" Ele encolheu os ombros. "Não muito. Ela basicamente disse que não sabia onde estava e insinuou que você a deixou na miséria." "Eu meio que fiz. Meu estilo de vida não foi o único a mudar drasticamente pelas decisões que tomei. Fui egoísta em fazer minhas escolhas." Carter ficou com raiva. "Porra. Você não foi a única egoísta. Ela não tinha o direito de esperar que você cumprisse aquela cláusula louca que seu avô colocou em seu testamento. Quando eu achava que havia uma


chance que poderia ser pai, no começo tive um monte de pensamentos sobre o que isso significaria para mim. Então um dia estava em pé na frente do avião, cumprimentando os passageiros do avião, e um casal embarcou com um bebê. Não os conhecia, mas olhei para aquele pequeno monstro de olhos azuis gritando e percebi como isso me afetou, tudo mudou. Não tenho muito para dar ao meu filho, mas lhe daria o melhor de mim, não importa o que. Qualquer um pode ser pai de uma criança, mas um bom pai coloca as necessidades de um filho antes dele mesmo. Um pai deve ser altruísta, não egoísta. O que sua mãe esperava que você fizesse era egoísta. Ela nunca deveria pressioná-la." "Uau. Parece que você estava realmente preparado para que esse bebê fosse seu." "Eu não sei sobre isso. Mas decidi que se essa fosse a maneira como ele viesse, ia dar-lhe o meu tudo." "Ele. Ela teve um menino?" "Sim." Estava escuro, mas vi a dor nos olhos de Carter. "Doeu quando você descobriu que ele não era seu, não é?" Ele assentiu. "Eu não esperava por isso. Mas, sim, doeu. Por mais que não queria ter um bebê com ela, de alguma forma comecei a me importar com a criança."


Levantei-me de joelhos para olhá-lo diretamente nos olhos. "Você é um homem incrível, Carter Clynes. Algum dia você vai ser um pai incrível." A manhã seguinte veio muito rapidamente. Mesmo que não tivesse que estar no trabalho até o dia seguinte, Carter tinha um voo à tarde e ainda tinha que voltar para Nova York. Encontrei-me olhando o relógio a cada poucos minutos, enquanto ele estava no chuveiro. Quando ele saiu, já vestido com sua camisa e calças de piloto ao invés da toalha que eu esperava, fiquei desapontada. "Eu estava ansiosa para ver seu corpo todo molhado após o banho." Ele se sentou na cama e puxou as meias. "Eu não posso estar seminu ao seu redor. Isso acabaria comigo seminu dentro de você. E preciso chegar ao aeroporto se vou pegar o voo das dez horas de volta para Nova York para fazer o meu voo." Nós ainda não tínhamos falado sobre o que iria acontecer depois que ele saísse hoje. Estávamos juntos novamente? Isso era apenas físico para ele? Sabia que ele ainda me amava, mas tive a nítida sensação de que ele não estava tão certo sobre querer ficar comigo como eu estava sobre ele. Seria doloroso se ele não quisesse tentar mais uma vez, embora possa ser o que eu


merecia, depois de correr para longe quando ele mais precisava de mim. Abordei o assunto hesitante. "Você estará em Boston em breve?" Ele olhou para mim e balançou a cabeça sem dizer nada. Meu coração afundou. "Que tal Nova Iorque? Você deve ter uma escala em Nova Iorque em sua programação." Ele deslizou um de seus grandes pés em seu sapato. "Ainda não verifiquei." Quando ele estava vestido, se levantou e fechou a mala. "Nós provavelmente devemos pegar a estrada no caso de haver tráfego." Balancei a cabeça e de alguma forma consegui conter as lágrimas. Engoli-as na minha garganta enquanto me vestia, deixando um grande pedaço de emoções obstruídas no meu peito. Assim como no caminho do aeroporto ontem, hoje também dirigimos em silêncio. Cada minuto estava me deixando irritada por ser mais e mais difícil de me concentrar. Nós acabamos de nos encontrar novamente, e eu não estava pronta para perdê-lo novamente. Não precisava de um compromisso, mas precisava saber que este era o começo de algo. Que íamos tentar descobrir as coisas. No entanto, quando saí da estrada para o aeroporto


movimentado em Boston, comecei a me sentir mais diante de um fim do que de um início. Oh, Meu Deus. Seria o fim? Foi este o encerramento que ele tinha falado com o seu terapeuta? Era uma coisa boa que estávamos quase chegando ao terminal, porque estava lutando contra as palpitações no peito e o início de um ataque de pânico chegando ao estilo de uma hiperventilação. Estacionei no meio-fio e olhei para frente. Sabia que se olhasse para seu rosto, ia desmoronar. Carter estava me observando atentamente; eu podia sentir isso. "Perky..." As lágrimas começaram a encher meus olhos e me recusei a deixá-las cair. Minhas mãos agarraram o volante com tanta força que meus dedos ficaram brancos. Ele continuou. "Eu tive um grande momento." Ouvindo o início de suas palavras, minha tristeza de repente se transformou em raiva. "Não se atreva, Carter. Eu sei que estraguei tudo. Mas não se atreva a passar a noite comigo e, em seguida, dar-me o cartão especial de capitão Carter Clynes." Finalmente me virei para encará-


lo. "Eu te amo. Nunca parei. E sei que lá no fundo você ainda me ama também. Portanto, não rebaixe o que temos, me tratando como uma do seu harém... uma comissária de foda. Diga-me que acabou se quiser, mas me respeite, pelo menos." Carter abaixou a cabeça. Sua voz era suave e tensa quando falou novamente. “Sinto muito. Isso não é o que eu quis dizer." Só então uma forte batida na janela do passageiro me assustou. Era o segurança do aeroporto nos dizendo que precisávamos sair e seguir em frente. Carter disse a ele que iria sair em um minuto e, em seguida, pegou a minha mão. "Eu vou ligar para você. Ok, bela?" "Quando?" Mais uma vez, ele desviou o olhar. "Eu não sei." Eu queria tanto saborear o último beijo que ele me deu. Mas não podia. Tudo estava dormente. Ele escovou seus lábios suavemente contra os meus e, em seguida, segurou meu rosto com as duas mãos. "Yesterday40," ele sussurrou. Eu sorri e acenei. Os Beatles resumiam o nosso momento perfeitamente. O amor de ontem parecia muito mais fácil. Mas o que o amanhã trará? 40

Ontem.


Capítulo 27

Carter

Esta é sua segunda visita em uma semana. Aconteceu alguma coisa para trazê-lo de volta aqui hoje?" Dr. Lemmon perguntou. "Eu não consigo dormir." "É dificuldade de adormecer ou manter o sono?" "Ambos. Eu tenho uma energia incrível dentro de mim e simplesmente não consigo me livrar dela." "Como é que você normalmente faz para queimar o excesso de energia?" "Isso não é uma opção." Dr. Lemmon assentiu como se eu tivesse lhe dado a resposta, embora não tivesse dito nada. "Então vamos falar sobre isso. Estou errado em assumir que, no passado, você usou o sexo como uma forma de relaxar o suficiente para descansar?" "Você não está errado sobre isso." "E quando você diz que não é uma opção, estou supondo que não é no sentido literal. Você é um piloto bonito. As opções devem ser ilimitadas."


"Não, não quis dizer que não há opções. Quis dizer que não quero tomar qualquer uma das opções disponíveis." "Então, tem sido o que, uma semana desde que você e Kendall passaram a noite juntos?" "Uma semana hoje." "E já faz três dias desde que você esteve aqui." "Você quer que eu coloque esta porcaria em um calendário para você?" Dr. Lemmon sorriu. "Não, acho que entendi agora. Você já falou com Kendall recentemente?" "Já lhe falei que só uma vez. Quando ela me ligou." "Qual foi o dia da semana que você falou com ela, mesmo?" Que diabos tinha com esse homem e as datas hoje? Pensei. Eu tinha aterrissado na Flórida do meu voo de Dubai quando ela ligou, por isso deve ter sido terça-feira. "Terça-feira." "E você falou por cerca de uma hora, se bem me lembro." "Mais ou menos, sim." "E como você dormiu naquela noite?" Vamos ver. Kendall e eu tínhamos falado todo o caminho até em casa e, em seguida, enquanto fazia um sanduíche no meu


apartamento. Eu tinha acordado na manhã seguinte ainda em meu uniforme, depois de quase dez anos. "Essa foi a minha última boa noite de sono. Mas estava cansado de um longo voo." "Voou ontem?" "Sim." "Por quantas horas?" "Nove." "E de quantas horas foi o voo quando você falou com a Kendall, e estava cansado naquela noite que dormiu bem?" "Aproximadamente o mesmo." Dr. Lemmon apenas olhou para mim. "Então você está dizendo que não consigo dormir mais sem falar com a Kendall?" "Estou dizendo que os dois estão muito provavelmente ligados. Você está se sentindo ansioso. Inquieto. Nervoso. Tudo isso está o impedindo de dormir. Existe alguma outra razão para você estar se sentindo dessa forma, além da maneira como você deixou as coisas após o seu encontro com Kendall?" Incomodava-me muito que ele estivesse tão certo. "Não." "Bem, então você já tem a resposta."


"Então, o que devo fazer? Chamá-la todas as noites para que ela possa me cantar uma canção de ninar?" "Você já sabe o que precisa fazer." "Então, por que diabos estou te pagando se já sei todas as respostas?" Deixei escapar um suspiro frustrado. "Você precisa tomar uma decisão, se quer avançar com Kendall ou cortar os laços. Falaremos sobre isso outro dia. Posso ajudá-lo a resolver os seus pensamentos e descobrir seus próximos passos, mas só você pode tomar a decisão sobre a oportunidade de estar com a mulher que ama ou não. Você tem problemas de confiança com Kendall. É compreensível. Ela lhe deixou uma vez e está com medo que ela vá fazê-lo novamente quando as coisas ficarem difíceis." Dr. Lemmon tirou os óculos e esfregou os olhos. "Carter, Lucy tinha uma doença." "Lucy? Estamos falando de Kendall aqui, Doc." "As duas estão muito interligadas. Em nossas sessões anteriores, você admitiu que sentia como se Lucy tivesse tomado o caminho mais fácil com o seu suicídio. Isso é um equívoco comum dos entes queridos deixados para trás. Mas a verdade é que as pessoas que cometem suicídio acreditam que não há outra escolha. A depressão é uma doença, da mesma forma que a asma, sarampo


ou a praga. Se não for tratada, todas elas pioram, e, eventualmente, levam a vida." Eu passei os dedos pelo meu cabelo. "OK. Mas não entendo o que isso tudo tem a ver com Kendall." "Você teve duas mulheres especiais em sua vida. Lucy, a quem você percebeu que deixou você quando as coisas ficaram difíceis. E Kendall, que fez o mesmo. Você está com medo de que isso aconteça novamente." Eu não tinha certeza se ele estava certo, mas senti-me drenado e queria que a conversa continuasse em frente. "Portanto, resumindo, preciso tomar uma decisão sobre se posso confiar em Kendall novamente ou nunca vou dormir?" Dr. Lemmon riu. "Posso lhe prescrever alguma coisa para ajudar a dormir à noite, a curto prazo. Mas tirando isso... cague ou saia da moita." Cague ou saia da moita? Eu estava pagando duzentos e cinquenta dólares por hora pelo conselho que meu pai me deu na terceira série. Tinha medo de tomar as pílulas para dormir. Mesmo que tenha comprado a prescrição, o aviso na embalagem tinha advertia contra a condução de máquinas pesadas durante vinte e quatro horas depois de tomar o medicamento.


Eu diria que o meu Boeing 747 se qualificava como máquina muito pesada, e desde que tinha um voo amanhã à tarde, precisava encontrar outras maneiras de me cansar para dormir um pouco.

***

Depois de correr cinco quilômetros pelos arredores do meu condomínio,

decidi

parar

e

verificar

Gordon

novamente.

Infelizmente, a visita só tinha feito eu me sentir pior. Eu não era um especialista, mas ele parecia estar se deteriorando um pouco mais a cada dia. Seus tornozelos estavam constantemente cheios de fluidos e hoje à noite ele teve problemas para mexer os dedos de um pé. Mesmo que fosse depois do expediente, eu tinha ligado para o seu médico para dar-lhe uma atualização. Ele basicamente me disse que eu deveria me certificar de que ele estava confortável, que não havia muito mais que pudesse fazer para um homem da idade e saúde de Gordon. Era tarde quando cheguei ao meu apartamento. Sentindo uma tristeza intensa sobre a forma como as coisas estavam progredindo


com Gordon, não queria nada mais do que pegar o telefone e ligar para Kendall. Além do Dr. Lemmon, ela foi a única pessoa que eu já tinha realmente me aberto na vida. Sabia que ela entenderia como me sentia. Mas não era justo fazer isso com ela. Precisava descobrir se poderia haver um futuro para nós antes de descarregar minha merda depressiva sobre ela. A coisa fodida era, eu não sabia como ver um futuro para nós. No entanto, não podia ver um futuro para mim sem ela. Estava preso no purgatório. História da minha vida. À meia-noite, decidi arrumar minha mala para o meu voo na manhã seguinte. Muriel tinha lavado e engomado todos os meus uniformes, mesmo que dissesse a ela que não era necessário um milhão de vezes. O que amava sobre as pessoas daqui em Silver Shores, era que sabiam que precisavam de ajuda às vezes, mas eles nunca queriam ela gratuitamente. Isso os fazia se sentirem bem por cuidar das coisas que eu poderia usar. Elas eram pessoas boas. Meu armário estava cheio de camisas engomadas. Peguei três e as dobrei em minha bolsa. Eu tinha perdido um pouco de peso ao longo dos últimos meses, assim que empurrei o meu casaco tamanho extragrande para o lado e fui mais para dentro do armário


para pegar um tamanho grande que estava escondido na parte de trás. O cabide que peguei tinha um casaco menor, tudo bem. Só que era cerca de quarenta tamanhos menores. Na minha mão estava o pequeno uniforme de piloto que eu tinha encontrado no armário de Kendall, quando fui à procura de pistas em seu quarto. Eu tinha escondido debaixo da minha camisa e levado comigo por algum motivo naquele dia. Depois que cheguei em casa, ele me deixou com raiva de vê-lo todos os dias, por isso, eventualmente, o empurrei para a parte de trás, onde não pudesse vê-lo. No entanto, nunca me livrei dele. Olhei para o pequeno uniforme por um longo tempo. Visões de um menino de cabelo bem loiro vestido com ele, correndo em círculos em torno de sua mãe enquanto ria, eram claras como o dia. O menino tinha olhos azuis brilhantes assim como sua mãe. E Kendall parecia mais bonita do que nunca. Na verdade, fechei os olhos e sorri assistindo a cena se desenrolar na minha cabeça. Naquela noite, dormi como um bebê. Sonhei com esse menino e sua mãe. Era tão vívido, tão real, que estava confuso quando acordei. Por um momento esperava que eles viessem correndo para o meu quarto. Mas eles não fizeram.


O que causou uma dor que roeu no meu peito. E isso era tudo sobre mim. Quando corri para me preparar para o meu voo, o terno do pequeno piloto ainda estava em cima da minha cômoda. Esfreguei o dedo sobre as pequenas asas na lapela e me lembrei do rosto do menino do meu sonho. Peguei as asinhas do casaco de criança e as troquei com as asas do meu próprio uniforme. Elas não eram tão diferentes na aparência, mas tinham feito toda a diferença para mim. Eu podia ver o meu futuro. Eu podia ver a minha família. Eu podia ver a mulher que amava. Agora eu só precisava descobrir como fazer as coisas ficarem bem novamente.

***

Decidi verificar rapidamente Gordon antes de sair para o aeroporto, uma vez que seriam alguns dias antes de voltar para casa novamente.


Uma das mulheres geralmente vinha para sua casa no final da manhã e ficava até um fisioterapeuta aparecer, mas provavelmente ninguém estava lá ainda. Sabendo que ele poderia estar dormindo, tive o cuidado de abrir a porta devagar. "Pai?" Gritei em voz baixa. Não houve resposta. Gordon foi sempre um roncador pesado, então era estranho que nenhum ruído estivesse vindo do quarto. Ele estava deitado de costas no colchão, completamente imóvel. "Pai?" Ele não respondeu. Sentado na beira da cama, repeti mais alto, enquanto cutucava seu ombro. "Pai, é Brucey. Acorde." Colocando meus dois dedos contra o pescoço dele, verifiquei a pulsação. Não havia nenhuma. Abaixando minha cabeça, escutei por um instante tentando ouvir uma batida de seu coração que não estava lá. Mantive meu rosto em seu peito e chorei. Ele podia ter sido meu pai falso, mas não havia nada falso nas lágrimas que caíam dos meus olhos.


Capítulo 28

Kendall

Uma simples mensagem de telefone estava prestes a mudar tudo. Rolando minha mala através do aeroporto de Logan, percebi que tinha perdido um telefonema de Carter. O telefone deve ter tocado enquanto estava dirigindo para o trabalho com a música alta. Ouvi a mensagem.

"Ei, Kendall. Estou prestes a embarcar no meu voo. Queria ouvir a sua voz antes da decolagem, mas acho que não vai ser possível. Foi uma manhã de merda. Hum..." Houve uma longa pausa. "Gordon morreu. Encontrei-o na cama. Não estava respirando. Deve ter falecido em seu sono. Ele estava sozinho."

Meu coração caiu. Ah não. Um longo suspiro lhe escapou no telefone.


"Ele morreu sozinho, sem ninguém para segurar sua mão. É triste pra caralho. Ninguém deveria ter que morrer sozinho."

Uma lágrima caiu pelo meu rosto quando a mensagem continuou.

"De qualquer forma, ele me fez ver o que realmente importa. Sinto sua falta. Vou precisar ouvir a sua voz hoje à noite para dormir. Estou apenas deixando você saber." Houve um pouco de silêncio antes de dizer: "Merda. Tenho que ir. Eu te ligo quando desembarcar no Rio."

Estando ali congelada no meio do terminal, de repente me senti completamente como um peixe fora da água neste aeroporto. Suando em meu uniforme, sabia que não poderia deixar isso continuar. O que eu estava fazendo aqui? Eu precisava estar com ele. Eu controlei o jogo por tanto tempo, que não tinha mais jeito. Fui a única que o tinha deixado; precisava ser a única a nos unir novamente. O tempo que ficamos separados até que nos reencontramos, tinha sido bom para nós, tinha dado tempo para pensarmos, mas


estava na hora. Não havia nenhuma maneira de qualquer coisa funcionar entre nós se eu continuasse neste trabalho. Por causa de sua programação, era difícil ter um relacionamento. Multiplique por duas pessoas trabalhando em diferentes companhias aéreas, era praticamente impossível. A este ritmo, nunca iria vê-lo. Alguém tinha que ceder. Foi a minha vez de ceder.

***

Maria Rosa deixou-me entrar com inquisição mínima. Não que teria entendido suas perguntas de qualquer maneira. Acho que ela sabia muito bem porque estava lá. Balancei a cabeça. "Obrigada." Finalmente aprendi a dizer ‘obrigada’ de forma apropriada em Português. Pedro pulou no meu ombro, e para minha surpresa não urinou em mim antes de fugir novamente. Talvez, depois de três visitas, estava finalmente com a turma dos macacos.


Maria me apontou o quarto correto, sinalizando com o dedo indicador para ficar quieta porque Carter estava dormindo. Lentamente abri a porta, fui recebida com um colírio para os olhos. Eu não sabia o que Carter estava sonhando, mas é evidente que era algo... sensual. Seu pau estava duro como pedra e brilhante, apontando para cima em linha reta no ar. Ele estava completamente e gloriosamente nu. Muito cansada da minha viagem, não queria nada mais do que deitar na cama com ele. Despindo-me até a última peça de roupa, subi de quatro sobre o colchão. Os olhos de Carter se abriram e ele estremeceu antes de perceber que era eu. "Perky?" "Sim." "Meu Deus. Pensei que estava sonhando." "Você não está." "O que você está fazendo aqui?" "Shh," eu disse quando baixei minha boca sobre seu pau. Suas palavras sumiram quando ele perdeu a capacidade de falar. Inclinando a cabeça para trás, ele desistiu de todo o controle quando fui em cima dele. Segurando meu cabelo, ele guiou o movimento da minha boca.


Eu adorava ouvir os gemidos baixos de êxtase escapando dele. Em um ponto, ele se afastou e levantou meu corpo sobre o dele. A cama balançou enquanto nós estávamos fodendo. Era bastante alto para o início da manhã e estava certa de que estávamos atrapalhando os outros hospedes que estavam dormindo ou tomando o café, mas não me importei. Nós precisamos disso. Nós gozamos em menos de alguns minutos. Tinha sido um longo tempo. Mergulhada em êxtase pós-sexo, respondi a sua pergunta anterior. "Eu recebi sua mensagem. Disse a eles que era uma emergência familiar. Assim que desembarquei em New York, reservei um bilhete para o próximo voo para o Rio. ” "Você mentiu por mim?" "Não. Não era uma mentira. Você é a única família real que tenho agora. E realmente precisava vê-lo como se minha vida dependesse disso. Então, é uma emergência para mim." Nós ainda estávamos deitados nus em cima um do outro quando ele perguntou: "Quanto tempo você pode ficar?" "O tempo que você precisar de mim." "Para sempre então, porra?" "Ok."


Ele se afastou para examinar meu rosto. "Ok?" "Sim." "Você não vai voltar a trabalhar?" "Voar nunca foi para mim, Carter. Era apenas um meio para fugir e, ao mesmo tempo, de alguma forma, tentar me conectar com você. Foi uma experiência boa e serviu o seu propósito, mas preciso ser capaz de vê-lo sempre que você estiver em casa." "O que você vai fazer?" "Você." Eu ri. “Eu vou ficar com você... até que me diga para fazer outra coisa.” Correndo os dedos pelo meu cabelo, ele sorriu. "Eu acabei ter uma posição de tempo integral aberta para isto." "Honestamente, vou encontrar alguma coisa, algo que ame. Por agora, só te amo. Devo-lhe muito, por vir para mim e por não desistir, mesmo que eu tenha abandonado você. Eu parei de correr. E não há lugar melhor para parar do que onde tudo começou." "Temos dois dias aqui. Então vou voltar para a Flórida, para o funeral de Gordon." "Vamos voltar para a Flórida." "Você vem comigo?" "Se Silver Shores não se importar com uma moradora adicional mais jovem?"


"Isso está realmente acontecendo?" "Sim. Se você me quiser, sou sua. Quero cantar para você dormir pessoalmente, sempre que você estiver em casa." "Este é verdadeiramente o dia mais feliz da minha vida, Perky. Eu quero que você saiba disso."

***

No final da tarde, Carter e eu estávamos na praia bebendo caipirinha, como tínhamos feito durante o início de nossa jornada. Lembrei-me de quão assustador foi para mim em comparação com a paz que estava experimentando agora. "A última vez que estávamos aqui fazendo isso, não sabia quem era. Eu era apenas uma menina sentada com um piloto gostoso, tomando uma bebida na praia, no Rio. Era uma pessoa confusa, pronta para vender sua alma e de seu futuro filho." "E agora?" "Agora, sou apenas... amada. Não quero mais nada, mas ser a garota sentada na praia com o piloto que me ama. Tudo que sempre precisei, realmente tive naquele dia. Eu só não sabia ainda. E meus futuros filhos não terão apenas a mim, mas terão a sorte de ter você como pai."


"Você quer ter um filho comigo, Perky?" "Algum dia, sim. Mas quero estar com você por um tempo antes." Ele olhou para mim por um bom período de tempo antes que ele dissesse. "Eu guardei." Inclinei a cabeça. "Guardou o quê?" "A roupinha que você comprou na Carter’s que parecia um uniforme de piloto." "Como você sabe sobre isso?" "Ela estava pendurada em seu armário no Texas. Quando vi, foi assim que soube." "Então, você sabia que eu estava indo dizer-lhe que queria ter o seu bebê, que menti no saguão do aeroporto quando disse que tinha tomado a decisão de ir adiante com a inseminação." "Aquele pequeno terno foi o que segurei com esperança por todo esse tempo." "Eu tive certeza que era um sinal quando vi na loja com seu nome." "Sim. Tivemos apenas alguns desvios, entretanto." "Há sinais em todos os lugares, não há?" O som de um pequeno avião podia ser ouvido. Carter apontou para ele. "Há um agora."


Nós dois olhamos para o céu em harmonia. Uma faixa com uma mensagem seguia a pequena aeronave. Carter gruniu, "Foda-se! O idiota arruinou tudo. A faixa deveria dizer, ‘A resposta está no céu: Kendall ama Carter’. Eu sabia que esse cara não tinha me entendido!" Em vez disso, lia-se: A resposta está disfarçada: Boneco Ken ama peidar.

***

Carter e eu estávamos de volta em Silver Shores separando as coisas após o funeral de Gordon. Era um dia chuvoso, apropriado para a tarefa. Estávamos limpando a sua casa, escolhendo quais itens seriam doados e quais Carter iria guardar. "Não tem como jogar fora essas fotos dele e de seu filho. Vou mantê-las comigo enquanto viver. É o mínimo que poderia fazer por ele." Gordon não tinha família conhecida, por isso, se Carter não guardasse essas coisas, todas as lembranças seriam provavelmente destruídas.


Quando estava limpando o armário do quarto, ri quando vi a calças que Carter Havia pegado emprestado na noite do nosso infortúnio, quando as roupas sumiram no lago. "Lembra-se destas, capitão?" "Como poderia esquecer? Isso me lembra, você percebeu que o velho George apareceu no funeral em um dos meus uniformes? Eu simplesmente não consigo descobrir como ele entra em minha casa e rouba minhas coisas. Acontece que ele está enganando todas essas senhoras, dizendo-lhes que ele costumava ser um piloto de avião. Ele os deixa sob medida e tudo. Ele tem sorte por não o desmascarar." "Deixe-o ter a sua diversão. Ele é um velho inocente pensando em sexo." Só então uma batida na porta interrompeu nosso riso. Quando eu abri, um homem em um terno cinza estava parado lá, segurando uma pasta. "Posso ajudar?" "Sim, estou procurando Carter Clynes." Carter abaixou a caixa que estava vasculhando. "Este sou eu. Como posso ajudá-lo?" "Gary Steinberg. Sou o advogado de Gordon Reitman."


"Advogado? Ele tinha um advogado? Ele nem sequer tinha um celular." "Sim. Eu estive com Gordy durante anos." "Como posso ajudá-lo?" "Ele me instruiu a dar-lhe esta nota após seu falecimento. Talvez você deva lê-la primeiro e então podemos passar para a seu testamento." "Testamento?" "Sim. Reitman tinha uma quantidade significativa de dinheiro. E o deixou como único beneficiário." "Não, você não entende. Ele tinha perdido a cabeça há alguns anos atrás. Pensava que eu era seu filho. Ele queria deixar tudo para Brucey. Não posso me aproveitar dele, sabendo que pretendia deixar tudo para o seu filho." "Você é Carter Clynes?" "Sim." "Ele nomeou especificamente você, não Brucey Reitman." "Eu não entendo." "Talvez a carta vá explicar." O advogado deu-lhe o pequeno envelope branco. Carter abriu e desdobrou cuidadosamente o papel. Depois de lê-lo, ele parecia aturdido. Em seguida, ele passou para mim.


Eu sei. Obrigado por me deixar fingir que era verdade. Eu nunca poderei recompensá-lo, mas vou tentar. Atenciosamente, Gordon C. Reitman, III

Uau. Apenas, Uau. Carter balançou a cabeça em descrença. "Não entendo. Todo esse tempo ele sabia que eu não era seu filho?" O advogado assentiu. "Aparentemente, sim." Ajoelhando-me onde Carter estava sentado, coloquei minha mão em seu ombro. "Meu Deus." O advogado continuou. "Como mencionei, o Sr. Reitman acumulou uma quantidade considerável de ativos durante sua vida. Sem família imediata, ele nomeou você como o único herdeiro de seu patrimônio que está avaliado em mais de vinte milhões de dólares." Senti como se fosse entrar em colapso. O que ele acabou de dizer?


Os olhos de Carter saltaram. "Desculpe?" "Gordon tinha investido consideravelmente em imóveis quando

era

mais

jovem

e

vendeu

a

suas

propriedades

gradualmente ao longo dos últimos quinze anos. Ele tinha um bocado de dinheiro guardado. No entanto, escolheu viver modestamente." A mandíbula de Carter caiu. "O que... quando é que ele colocou o meu nome lá?" "Cerca de um ano atrás ele veio até mim e mudou o beneficiário. Ele tinha anteriormente deixado tudo para um sobrinho ausente. Especificamente lembro-me dele apontando isso, em suas palavras, o ‘filho de uma cadela’ nunca me fez qualquer visita. Ele sabia que você estava completamente inconsciente de sua riqueza. Porque tinha certeza de que estava ajudando-o pela bondade do seu coração, que ele queria fazer isso por você." "O que isto significa?" "Isso significa que vinte milhões de dólares serão colocados em seu nome em breve. Vamos marcar outra reunião em meu escritório para me certificar de que todos os fundos das várias contas foram transferidos devidamente." Eu só fiquei lá sem palavras.


Carter olhou para mim depois para o advogado. "Eu não sei o que dizer. Eu não sinto que mereço isto." "Bem, se você merece ou não, é irrelevante, Sr. Clynes. O dinheiro é seu."

***

Demorou alguns meses antes que isso realmente acontecesse. Carter acabou doando parte do dinheiro para a caridade e a criação de um programa de bolsas de estudos chamado Bruce Reitman. Havia certamente muito sobrando, o suficiente para manter-nos pela vida. Nós não nos sentimos culpados por manter o resto do dinheiro, uma vez que foi o que Gordon pretendia. A ironia não foi perdida por nós, que uma vez que tínhamos parado de pensar sobre dinheiro e paramos de deixá-lo impactar nossas vidas, acabamos ganhando mais do que sabíamos o que fazer com ele. Carter continuou a trabalhar como piloto por agora, e eu me mudei para o condomínio na Flórida permanentemente.


Ele disse que iria saber quando fosse o momento certo para parar. Foi uma sensação boa para ele não ter que trabalhar mais por dinheiro, mas voar apenas porque gostava. Quando lhe foi dada a opção de sair, Carter percebeu que verdadeiramente amava ser um piloto. E que chegaria um momento em que as crianças entrariam em cena, quando ele provavelmente iria reduzir ou parar. Lidaríamos com isso quando fosse a hora. Quanto a mim, estava dando às velhas senhoras aqui no Silver Shores uma concorrência. Tinha avisado aos Anjos de Carter (como eu as tinha apelidado) que não precisavam mais fazer as refeições para o meu homem. Na verdade, deu-me imenso prazer aprender a cozinhar as coisas que ele amava. A Flórida era a minha casa agora. Mesmo Matilda, a gata, tinha desistido de sua determinação em me assustar, uma vez que percebeu que eu estava lá para ficar. Sentindo-me eternamente grata pela vida confortável que Carter tinha me proporcionado, também descobri uma maneira de retribuir. Minha avó sempre dizia que se você quiser mudar o mundo ou fazer a diferença, você não tem que viajar para longe. Basta olhar em seu próprio quintal para as pessoas que precisam de você.


Carter era o melhor exemplo disso. Um dia, estava pensando sobre o que ele costumava fazer por Gordon e bateu-me que havia muitas coisas básicas que as pessoas idosas não podiam mais fazer para si mesmas. Coisas que nós nem tomamos conhecimento, como a capacidade de curvar-se e cortar as unhas, era uma tarefa impossível para elas. Depois de fazer um curso curto de cosmetologia, comecei a oferecer os meus serviços ao redor da comunidade de Silver Shores gratuitamente. Viajando algumas horas por dia de condomínio para condomínio, gostava de agendar compromissos para dar a algumas das mulheres, pedicure e manicure. Quero dar-lhes o meu tempo e em troca elas me contam histórias e me dão grandes conselhos. Algumas das mulheres se tornaram uma figura materna para mim. Por estar distante da minha mãe, eu apreciava isso mais do que elas jamais saberiam. Os melhores dias, é claro, eram os que traziam Carter para casa, para mim. Não era incomum cumprimentá-lo completamente nua na nossa cozinha, segurando uma caipirinha recém-feita quando ele retornava de uma longa viagem. Em um dia especial, porém, ele me pediu para encontrá-lo no aeroporto em vez disso. Ele me instruiu a levar uma mala


juntamente

com

o

meu

passaporte.

Nós

estaríamos

nos

encontrando no mesmo restaurante onde nos conhecemos. Quando cheguei, Carter estava sentado na mesma mesa em que se sentou no primeiro dia. Ele também estava usando a mesma jaqueta de couro marrom com suas asas fixadas nela. Deu-me uma sensação séria de déjavu. Sobre a mesa estavam palitos de queijo mozzarella, asas e rolos de ovos, o mesmo aperitivo que tinha pedido naquela época. Ele fez um gesto para eu me sentar. "Você sabe que dia é hoje, Perky?" Eu balanço minha cabeça. "Não." "Não?" "Não." "Dois anos atrás, hoje Kendall." "É o aniversário de dois anos do dia em que nos conhecemos? Como é que não sei disso?" "Bem, nunca vou esquecer. Vinte e oito de julho." "Tanta coisa pode acontecer em dois anos, né?" "Sim. Mas algumas coisas permanecem as mesmas. Ainda sou um homem perdidamente apaixonado por uma bela loira sem sutiã." "Então, me diga, para onde estamos indo?"


"De acordo com a tradição, isso é você quem decide." Puxando os horários de voo em seu telefone, ele disse: "O mundo está ao seu alcance, querida." "Você está falando sério? Vai me deixar escolher?" "Sim. Vamos para onde quiser. Mas escolha sabiamente. Será uma viagem importante que você vai lembrar para o resto de sua vida." Meu corpo se encheu de adrenalina. Meu Deus. Ele ia me propor lá? "Será?" "Sim. Confie em mim." "Eu não sei, capitão. A última vez que fiz isso acabei ficando chateada com um macaco, fui presa em Dubai e virei uma prostituta em Amsterdã." Ele fechou os olhos. "Naquela noite, no distrito da luz vermelha foi tão excitante. Essa foi a primeira vez que você realmente me chocou." Balançando, ele disse "Ok, para onde?" Rolando as opções de programação de voo, eu digo: "Que tal a Austrália?"


Ele sorriu. "Isso me lembra de uma garota que conheci uma vez. O nome dela era Sydney. Sydney Opera House. Ela tinha incríveis seios macios." Eu bati nele de brincadeira. "Então, Sydney?" Ele pegou o telefone. "Sim. Voo 853, saindo em duas horas. Vamos fazer isso."

***

Eu deveria saber que nada com o capitão Carter Clynes era previsível. Nós estávamos acomodados em nossos lugares na primeira classe quando a aeronave decolou. Era noite e o avião estava escuro. Eu tinha cochilado e tinha acordado com a visão de Carter me observando. "Você estava me observando dormir?" "Eu estava." "E o que você estava pensando?" "Estava pensando em como foi fácil escorregar o anel em seu dedo enquanto você estava dormindo."


Meu coração parecia saltar. Ajeitei-me no meu lugar e quando olhei para baixo, um anel com uma enorme pedra em corte almofada41 estava em volta do meu dedo anelar. Cobrindo minha boca com a outra mão, disse. "Oh meu Deus!" "Kendall Sparks, você vai dar-me a honra de se tornar minha esposa durante a nossa viagem para a Austrália?" Ele tinha sussurrado, querendo manter este momento privado entre nós dois. "Sim. Sim!" Eu balancei a cabeça mais e mais. "Isso não era o que eu esperava." "Eu sei." Ele levou a mão à boca e a beijou. "Você gostou do anel?" "É fenomenal." "É Carter com um 'I' no meio." Ele piscou. Levei alguns segundos. Oh! Cartier. Nós nos abraçamos por vários minutos. "Eu te amo tanto, Carter." "Eu também te amo, Sra. Clynes." Ele sorriu. "Ei, posso perguntar uma coisa?"

41


"Sim. Qualquer coisa." "Será que você ainda me amará quando eu estiver com sessenta e quatro?" "Essa é uma idade estranha. Por que você escolheu ela?" Ele piscou. "Canção dos Beatles, querida. When I’m Sixty-Four." "Eu deveria saber. Não mude nunca, homem louco." Puxei-o para um beijo, falei sobre a seus lábios. "Eu te amo tanto! Não posso esperar para casar com você lá em baixo." Nós nos beijamos por vários minutos. As pessoas ao nosso redor pareciam estar alheias ao momento da nossa mudança de vida. Carter quebrou o beijo. "Você sabe... falando de lá em baixo... Eu adoraria ir para lá agora. De repente, tenho que usar o banheiro. Quer vir?" "Depois de todo esse tempo, como é que só agora estamos prestes a entrar para o club42e juntos? Você é um piloto e eu era uma comissária de bordo, pelo amor de Deus!" Carter sorriu. "Nunca é tarde demais para começar."

42

Miles High Club: Pessoas que fazem sexo em aviões.


Epílogo

Cinco Anos Depois

Carter

"Vamos lá, corra! Você não quer que eu ganhe a corrida, não é?" Olhei para o meu filho, que se arrastava atrás de mim. Nós dois estávamos usando capacetes correspondentes à medida que deslizamos ao longo da estrada vazia. Eu estava no meu Segway43, enquanto ele andava de scooter infantil tradicional44. Por causa de dias como este, que nunca me arrependi de me aposentar da companhia aérea. Eu não conseguia imaginar perder estes momentos preciosos com Brucey. Hoje, o levei para visitar o antigo bairro no Silver Shores. Nós tínhamos nos mudado para uma casa maior a cerca de três quilômetros de distância quando ele tinha um ano de idade, mas ainda vínhamos visitar os moradores o tempo todo.

43

44


Apontei para o meu velho apartamento. "Nós te levamos para aquela casa lá quando você era um bebê." "Foi lá que fui feito?" Inseguro quanto a como responder a isso, digo. "Tecnicamente, você foi feito na Austrália, mas nasceu aqui." "Austrália?" "Sim." "Eu sou como um urso Koala?" "Acho que sim." Eu ri. Kendall tinha descoberto que estava grávida de Brucey pouco depois de voltarmos do nosso casamento australiano privado. Nós tínhamos nos casado sob o sol do lado fora do Sydney Opera House. Nós vivíamos modestamente em uma típica casa de três quartos em Boca. Kendall foi inflexível, porque não queria que nosso filho crescesse como ela. Ela não queria que ele colocasse tanto valor nas coisas materiais e Kendall estava amando ser uma dona-de-casa. Enquanto isso, aceitei uma posição de piloto de contrato para uma empresa de jato particular que me permitiu escolher quando queria trabalhar. Foi o melhor dos dois mundos. Eu ainda tenho que voar, mas em meus próprios termos.


À medida que continuamos no caminho, tive o cuidado de olhar para todos os carros que se aproximavam. Apontei para o antigo apartamento de Gordon. "Vê esta casa aqui?" "Sim?" "Aqui foi onde seu avô Gordon viveu." "Gordon? Como Trash Gordon da Vila Sésamo?" "Mesmo nome, sim. Seu avô era um grande homem, muito mais frio do que Trash Gordon. Algum dia, quando você for um pouco mais velho, vou lhe contar uma história muito legal sobre ele e como você tem o seu nome." "Ok." Abrandando, perguntei. "Você está cansado? Quer fazer um lanche?" Ele assentiu. Nós acabamos parando sob uma árvore frondosa. Tirei as caixas de suco e vários lanches que Kendall tinha embalado. Brucey olhou para mim. Ele tinha o meu cabelo escuro e olhos azuis de Kendall. "Papai, me diga uma das suas histórias." "Qual?" "Lucy."


Eu sorri e despenteei o cabelo dele. Desde quando ele tinha cerca de dois anos de idade, inventava histórias para contar a ele na hora de dormir. Às vezes, ele me pedia para recitar aleatoriamente uma durante o dia. Lucy no céu com diamantes era sua favorita, em parte porque, como ele sempre apontou, Lucy rimava com Brucey. "OK. Será Lucy no céu com diamantes." Soltando uma respiração profunda, coloquei meu braço em torno dele e comecei. "Era uma vez, uma garota chamada Lucy, que vivia no céu..."

FIM


AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, obrigada a todos os blogueiros que espalham a palavra sobre nossos livros. Vocês são a nossa salvação, conectando-nos aos leitores todos os dias. Somos eternamente gratas a todos pelo seu trabalho duro. Para Julie - Este ano você trouxe um novo significado para o que significa ser uma mulher forte. Você não é somente uma escritora incrível, mas uma pessoa incrível, e amiga. Para Elaine - Obrigada por sua atenção aos detalhes na prova e formatação e também por seus bons conselhos no sentido de tornar esta história o melhor que poderia ser. Para Luna - O que faria sem a sua magia? Obrigada por dedicar tanto tempo para trazer nossos livros para a vida. Para Cleida - Nosso Português teria sido totalmente errado se não fosse por você. Obrigada! Para Lisa - Obrigada por organizar a nossa blitz de lançamento e turnê e por estar sempre lá para nós. Para Letitia – Outra capa incrível para adicionar à lista. Obrigada por manter os nossos bastardos arrogantes semelhantes, e ainda sim diferentes.


Para nossos agentes, Kimberly Brower e Mark Gottlieb Obrigada por trabalhar para trazer a Série Cocky Bastard a muitos olhos e ouvidos por todo o mundo. Por último, mas não menos importante, para os nossos leitores - Seu entusiasmo nos mantém adiante. Contanto que vocês nos queiram escrevendo, nós o faremos. Obrigada pela abundância de apoio que vocês nos dão. Vocês são um tesouro.

Muito amor Vi & Penelope

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