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O Toque De Uma Paix達o


O Toque De Uma Paix達o

Karina Freitas


Copyright © 2015 Editora Bezz

Capa: Evy Maciel Revisão: Valéria Avelar Esta é uma obra de ficção. Seu intuito é entreter as pessoas. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência. Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Todos os direitos reservados. São proibidos o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios — tangível ou intangível — sem o consentimento escrito da autora. Criado no Brasil. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei n°. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.


Agradecimentos: Bom, como eu havia dito antes, para quem acompanhou a minha história pelo Wattpad onde eu postava os capítulos, sou péssima quando se refere a agradecimentos. Mas, sou uma pessoa grata, só não consigo expressar exatamente o quanto sinto-me feliz por ser tão acarinhada por vocês, meus amigos e leitores. Escrever uma história, me fez evoluir. É sério! Agora resta plantar uma árvore que me dê frutos para dividi-los com vocês. Sou o tipo de escritora que se apaixona perdidamente pelos personagens que crio. E, o Gustavo Ferrari me pegou de jeito. Eu dormia Gustavo, acordava Gustavo, bebia Gustavo, comia Gustavo, e por fim, respirava Gustavo. Então, deu para perceber o quanto amo a minha história, né?! O destino ficou com dó de mim e me presenteou colocando anjos pelo meu caminho. E, esses anjos me ajudaram a reconstruir essa história. Anjos, obrigada por entrarem em minha vida! Agora sim, vamos aos agradecimentos. Agradeço primeiramente a Deus por me proporcionar essa divindade que é escrever, a minha enteada maravilhosa e amiga, que sempre me incentivou a continuar escrevendo, inclusive a construir a personalidade de alguns personagens, como por exemplo, Fernanda e Arthur Ferrari. Agradeço todos os meus leitores que no decorrer da história me incentivaram com críticas construtivas e opiniões que me faziam refletir horas e horas. Essa história me fez descobrir um mundo desconhecido, um mundo que pertencia somente a mim, mas que com muito carinho e satisfação, consegui dividi-lo com vocês. Obrigada! Karina Freitas


"A VIDA É MUITO PARA SER INSIGNIFICANTE. Charles Chaplin "

"Todo livro merece ser lido."


Prólogo "Cozinhar é uma arte" Essa foi à frase que a minha mãe usou quando decidi cursar gastronomia na Universidade de Gastronomia France, em Paris na França. E não poderia ser diferente, passei parte da minha infância e adolescência, enfurnada dentro da cozinha. Minha mãe era dona de um Bistrô no bairro Largo do Machado no Rio de Janeiro. Então, segui a mesma trajetória dela, mas, com um diferencial, me especializei e melhorei todas suas receitas. Deixei o Brasil em 2005, com apenas dezoito anos. Eu não fazia ideia do quanto a minha vida mudaria. Foi uma mudança abrupta de planos, assim que desci daquele avião os meus olhos foram atraídos pelos olhos negros e intensos dele, fui enfeitiçada de imediato, fiquei desnorteada, foi uma paixão avassaladora. Casamo-nos dois meses depois, engravidei em nossa lua de mel do nosso anjinho. Consegui levar adiante o meu curso, meu casamento e a maternidade, tudo fluía ao meu favor. Eu era feliz, consegui tudo que almejava um dia conseguir. Mas, de repente a minha vida foi revertida de ponta a cabeça e o que eu tinha se esvaiu em questão de segundos. E até hoje eu me pergunto: que Deus é esse que te arranca sem piedade, sem avisar e sem misericórdia, a sua vida? Eu não me conformo, não aceito e ainda sofro com a perda do meu amor. Perdi meu filho, meu marido, minha família. Fui do céu ao inferno. Carrego na alma a culpa dos meus erros e do meu destino. Fui abandonada, massacrada, roubada. Levaram meu coração e minha razão. Retornei ao Brasil em 2011, logo depois do meu divórcio. Vendi o Bistrô que minha mãe me deu depois que ela foi morar na Itália com seu novo marido. Abri um restaurante na Barra da Tijuca em frente à praia. Foi um grande passo, mas, precisava dar este salto e refazer a minha vida. Deu mais certo do que realmente eu esperava. Minha nova vida estava correndo bem, mas, meu passado ainda mal resolvido pairava em meus pensamentos dia e noite. Acredito ser impossível esquecer tudo que senti e ainda sinto. O Amor no meu ponto de vista e filosofia acontece somente uma vez em cada vida que vivemos. E, o meu "amor", eu tive o prazer de sentir e receber, infelizmente durou cinco anos. Cinco anos infinitamente inesquecíveis.


Capítulo 1 - Ana Beatriz Eu pareço estar feliz? Sim pareço, eu sei. Aparentemente eu sou uma mulher feliz e realizada, moro em um bairro nobre, tenho um restaurante bem conceituado no que se refere à gastronomia contemporânea, até aí, tudo parece estar a mil maravilhas. Mas, essa não sou eu. Aqui debaixo dessa roupa fantástica de chefe de cozinha, é apenas uma pessoa que não se importa em viver de verdade. Isso tudo aqui, é o só uma casca do que restou de mim. — Bia? — Alex entrou na cozinha procurando por mim. — Oi — respondi. — Minha chefa preferida, temos um probleminha com um cliente bastante exigente. Eu acho melhor você atendê-lo, já que o prato foi preparado por você. “Eles sempre terão toda a razão”. Repito essa frase em minha mente. Sigo para o salão do restaurante, rezando para não ser nada exorbitante, apenas um cliente exigente. Logo hoje que meu dia começou péssimo. Malditos sonhos repetitivos! Enfim, só me resta fazer uma expressão pacífica e tudo dará certo. Afinal, ser simpática e prestativa é a alma do negócio. E esse negócio só tem uma opção: dar certo sempre. Pois além de me sustentar, eu arco com todas as despesas da D. Cecília, minha mãe, e é o mínimo que eu tenho que fazer por ela depois de tudo que ela fez por mim. Chego ao salão e avisto o gerente do restaurante ao lado da mesa do cliente. Caminho a passos preguiçosos e desanimados até ter o prazer da imagem com mais nitidez... Nossa, nossa e nossa senhora das mulheres deprimidas! Se sentado ele é assim, imagine ele em pé? Quanto tempo eu não reparo na beleza de outros homens? Muito tempo. E, esse é realmente muito bonito. Ele está encarando-me, mas, a expressão em seu rosto mostra o quanto está insatisfeito. Ensaio um belo sorriso mentalmente e o coloco em prática. — Olá! Em que posso ajudar? Ocorreu algum problema, Carlos? — não consigo olhar diretamente para o cliente, não sei por que, mas, fiquei retraída. Carlos é o gerente. Ele é um profissional esforçado e trabalha conosco desde sua inauguração. É o meu braço direito e o braço esquerdo do meu sócio. — Sim. O cliente achou um cabelo em sua comida — ele fala discretamente. Cabelo? Bom, agora eu terei que olhar para o cliente, isso é irreparável. Um fio de cabelo é imperdoável. Meu rosto queimava de tanta vergonha, meu queixo foi parar completamente no chão. E o pior de tudo isso, eu teria que admitir meu erro, pois fui eu quem preparou o prato. — Desculpe senhor, não sei como isso pôde ter acontecido, já que todos os nossos cozinheiros e chefes usam toucas e máscaras protetoras. E seguimos todas as exigências da vigilância sanitária para obter uma preparação com qualidade nutricional e segurança alimentar — eu pedi desculpas, mas, todas as palavras saíam sozinhas, pois a minha atenção estava somente em um lugar... Nos olhos dele. Continuei me explicando quando ele decidiu me interromper. — Qual é o seu nome? — a voz dele, que voz rouca e grossa e... — Ana Beatriz — respondi baixo. — Senhorita Ana Beatriz, o fato é, achei um tufo de cabelos loiros em minha comida. Quero muito


acreditar em todas as palavras que você usou para tentar explicar esse... — Ele aponta para o prato e torce os lábios. Os lábios... Que lábios. — Essa nojeira em meu prato. Então, para facilitar a minha vida e a sua, exijo que troque imediatamente o meu prato — enquanto ele falava e apontava para o prato o meu coração contraía de uma forma diferente. O tom de voz dele, a forma como a sua boca se mexia a cada palavra... Essa carência está danificando o meu cérebro. Ele elevou a cabeça e fitou meus olhos, fiquei hipnotizada, perdi o rumo, o foco, o fio da meada. Um homem aparentemente com seus 1,90 cm de altura, a cor dos seus olhos é indecifrável, pois tem um tom de azul claro e azul marinho nas pupilas, são hipnóticos. Passeei pausadamente os meus olhos em seu rosto e... Fala sério! Que nariz é esse? Eu adoro homens com o nariz grande. Minha mãe disse para mim que isso é fetiche, e se for, eu estou sentindo fetiche pelo nariz deste Deus resgatado das histórias de mitologia grega. Afastei os meus pensamentos quando fui interrompida pelo... Como eu ainda não sabia o nome dessa divindade da natureza? Irei descobrir agora, não que isso fosse importante, mas, eu gosto de me referir às pessoas pelo nome. Só isso! — Desculpe-me senhor, qual é o seu nome? — Gustavo Ferrari — antes de responder ele enrugou a testa e fez uma expressão que lhe deu um ar de mau. Se ele quis me intimidar, não deu certo. Um bastardo arrogante, com nome de homem gostoso e sobrenome de marca de carro. Por isso, esse ar de prepotência. Até eu, se fosse homem e tivesse essa beleza e esse nome, seria assim. — Bom, Sr. Ferrari, vou imediatamente refazer o seu prato. — Espero que não venha nenhum outro fio de cabelo loiro em minha comida — ele disse ainda usando um tom seco e arrogante. E, praticamente afirmando que o fio de cabelo é meu. — Mas, é óbvio que não virá com cabelo — respondo. Sei que eu não deveria usar esse tom com o cliente, mas, ele está convencido de que o fio de cabelo é meu. — Você que irá preparar? Porque certamente poderá se repetir — ele diz tamborilando os dedos indicadores sobre a mesa e com um sorriso sarcástico. Ele está me provocando? Na mesma hora, retirei o meu chapéu de chefe de cozinha e soltei os meus cabelos para que ele visse que realmente não teria como vir cabelos loiros em seu prato. Ele franziu o cenho novamente e tomou uma postura mais ereta, encarou fixamente me deixando mais uma vez retraída. Pensei até que fosse gritar comigo, cheguei a encolher os ombros. — Ande logo com isso, pois não tenho tempo disponível para esperar sua boa vontade para preparar o meu prato. Estou com pressa e com fome. Muita fome — ele desconversou, olhando para o lado oposto onde eu estava, pareceu estar me ignorando. Prendi os meus cabelos ali mesmo, em sua frente, coloquei o meu chapéu de chefe e disse: — Com licença. — saí e fui em direção à cozinha. Que homem ignorante, arrogante, lindo e com cara de mau. Entrei na cozinha e comecei a preparar o prato novamente. Hum... Ele tem bom gosto. Salmão defumado ao molho de ervas, legumes ao vapor. Pensei. Acho que vou acrescentar purê de batata baroa para acompanhar. Pensando bem, é melhor não colocar mais nada além do que ele pediu. Pois do jeito que é arrogante, vai reclamar pelo simples purê acrescentado. Acabei de montar o prato e mandei o próprio gerente servi-lo. Realmente, hoje eu acordei com pé esquerdo. Estava péssima pelo simples fato de ter sonhado novamente com o meu anjinho, Rafael. Que saudades do meu amor. Saudade das suas risadas, seu cheirinho, seus carinhos e principalmente suas pirraças. Como me sinto infeliz sem ele aqui ao meu


lado. Queria ter o poder de voltar o tempo e não deixar que aquilo acontecesse com ele. E agora me acontece isso, um cabelo na comida de um cliente. Vou punir o responsável por isso. Quando for depois do horário do almoço, irei reunir todos os funcionários e descobrir de quem era aquele cabelo e simplesmente puni-lo por isso. Depois de vários treinamentos e cursos para evitarmos exatamente esse tipo de incidente, não tem desculpas, o culpado será advertido. Afasto todos os meus pensamentos, quando vejo Alex parado à minha frente, com a cara de safado que ele tem. Aproximou-se e sussurrou em meu ouvido: — Não vejo à hora de ficar a sós com você. Conheço Alex há três anos, nos conhecemos em um evento gastronômico no sul da Espanha. E, a partir desse momento, começamos uma relação digamos que ''corporal''. Desde então, coincidentemente ele começou a trabalhar em meu restaurante. Assumo, eu o chamei para ser meu sócio. Ele é um cara legal, mas, as cobranças ao nosso “relacionamento” me fizeram recuar por um tempo. Acabamos chegando a um acordo: sem cobranças. Ele faz o que ele quiser, e eu também. Alex é um homem bonito. Cabelos loiros, olhos verdes, atlético e alto. Digamos que ele é o cara! — Nossa, resolveu me procurar? — eu disse. — Estou morrendo de saudades do seu cheiro, do seu beijo e do seu corpo. — Sua voz rouca vibrou em meus ouvidos. — Ah! Então quer dizer que eu sou a gatinha da noite? — Foi você quem quis dessa forma, quando me propôs um relacionamento aberto — ele fala debochando. — Sabe eu acho que você já ocupou o seu coração com outro. Faz quase três meses que não ficamos mais juntos. O que está acontecendo? — Alex... Já conversamos sobre a minha vida e minhas decisões. E, realmente amigo, não estou disponível no momento para ninguém. Se não for desse jeito, não será de outro — digo a ele com a voz contida para que ninguém escute. — Estou com saudade, só isso. Vamos passar a noite juntos, como fazíamos sempre. — Ele acaricia o meu rosto com as costas de sua mão. — Alex, eu não estou no clima — suspiro ao sentir o seu carinho. — Por que ultimamente você vem se desvencilhando das minhas investidas? — Diz com um olhar triste e afasta a mão do meu rosto. — Eu não estou legal, só isso — respondo. — Bia, me dê só uma chance para lhe mostrar o quanto posso te fazer feliz — sorriu. — Vamos ao banheiro do nosso escritório? Rapidinho, não vai doer, prometo ser bonzinho. — Sai daqui seu safado! — sorrimos. — Quem escutar você falando assim, acreditará em seu lado romântico, Alex. — Bia? — Carlos entra na cozinha e olha para nós dois sorrindo e desconfiado. Todos que trabalham aqui desconfiam que além de sócios e amigos, eu e Alex, temos um “caso”. — Oi Carlos. — O cliente pediu para fechar a conta. Você quer falar com ele para agradecer a compreensão, ou posso fechar? — Não. Será cortesia, irei pessoalmente ver se ele ficou satisfeito. — Vai e arrasa minha Deusa — Alex fala ainda sorrindo. Quando chego ao salão, cruzo o meu olhar com o do tal cliente exigente com cara de mau. — Olá novamente, Sr. Ferrari. Gostou e aprovou o prato? — pergunto um pouco tímida, pois ele realmente tem um olhar intimidador. — Sim — ele responde seco olhando-me de cima a baixo.


— Que bom. Espero que tenhamos anulado esse mal-entendido — digo referindo-me ao cabelo loiro. — O prato será cortesia, faço questão — falo com toda a educação do meu ser interior, pois ele está me fuzilando com o olhar. — Não concordo com esta cortesia. Vou pagar pelo o que comi — ele diz, retirando da sua carteira duas notas de cem reais. Levantou-se e disse: —Você deveria treinar melhor os seus funcionários e melhorar o controle de qualidade do estabelecimento — virou-se e saiu com um ar de imponência. Ele é bem alto, gostoso e arrogante também... Balancei a cabeça aturdida com a beleza dele. Quando visualizei o seu traseiro perfeitamente delineado sob uma calça branca, quase me sentei para me recuperar da visão. Deus! Bom, o cliente está com toda a razão. Eu também não gostaria de encontrar em meu prato um cabelo. Na verdade ninguém gostaria. Parei para pensar qual dos funcionários tem cabelos grandes e loiros. — Renatinha! Penso tão alto, que o Carlos que estava ao meu lado, capta prontamente o meu pensamento. E me olha espantado. — Carlos quero a Renata agora em meu escritório. — Irei falar com ela, Bia. Passo pela cozinha e vejo Alex preparando uma sobremesa magnífica com calda de framboesa. Olho para ele e digo: — Quero um desses em meu escritório em cinco minutos. Ele assente e diz: — Claro chefinha. Pensei em um castigo perverso, mas, como sou um doce e não conseguiria fazer isso, vou apenas aplicar uma lição, para que ela pense duas vezes antes de deixar os cabelos soltos para servir os clientes. Alex entrou no escritório segurando um prato com a sobremesa que eu lhe pedi. Deixou-a sobre a mesa e piscou o olho para mim. Então, arranquei dois fios de cabelos e coloquei na sobremesa discretamente. Alex me olhou incrédulo e me questionou levantando as sobrancelhas. — Alex, eu não tinha comentado com você, que um dia, a Renata iria deixar um maldito cabelo loiro cair na comida dos clientes? — Sim, lembro. Por quê? — perguntou desconfiado. — Ela deixou cair cabelo na comida de um cliente — falei chateada. — Nossa, ela está encrencada com você — ele disse rindo da situação com seus dentes perfeitos e brancos. Na hora que eu pensei em começar a falar mais sobre a Renata, ela entrou em minha sala. Com uma calça preta apertada, blusa branca com um decote absurdo, maquiagem exagerada, e com os cabelos parcialmente presos em uma trança lateral com fiapos soltos. Fiquei olhando-a por longos segundos e me perguntei: quem admitiu a Renata? Ela só faz merda desde quando começou a trabalhar conosco. — Queria falar comigo chefinha? Bom, aqui estou — disse ela, fechando a porta atrás de si. — Sim Renata. Sente-se, por favor. — Está vendo essa sobremesa a sua frente? — Sim... Mas, o que a sobremesa tem a ver com o que deseja falar comigo? — disse preocupada.


— Quero que você prove, e veja se está satisfatória para colocar em nosso cardápio — eu disse com um leve tom de sarcasmo. Alex sorriu e pigarreou para disfarçar o divertimento em presenciar a cena. Ela deu de ombros, pegou a colher e colocou uma quantia generosa da sobremesa em sua boca. Fiquei apenas observando, vi em câmera lenta quando ela engoliu o doce. Sorrio internamente. Ela contorceu o rosto em uma expressão que demonstrou estar sentindo nojo. Logo em seguida, ela diz: — Isso é um cabelo? — perguntou retirando o fio de cabelo da boca. — Acho que sim — digo forçando um olhar perverso. — Porque você me deu uma sobremesa com cabelo? — Por quê? Porque a partir de hoje, eu quero você de coque, igual todas as outras funcionárias. E com o protetor no coque — disse já nervosa. — E a partir de hoje, eu quero que você se encaixe no mesmo padrão dos meus funcionários. Você não está em uma balada, e sim em seu trabalho. Alex arregala os olhos verdes e nos deixa a sós. — Você serviu um cliente e deixou os seus fios platinados, caírem exatamente sobre a comida dele — ela revira os olhos e fala: — Tem certeza que o cabelo era meu? — Existe outra funcionária loira platinada aqui? — pergunto elevando uma das sobrancelhas. Olho novamente pra sua roupa e digo: — Afinal, onde está o seu uniforme? — Está sujo — diz sem graça. — Sujo? — pergunto sem paciência. — Como assim sujo? É sua responsabilidade manter o uniforme limpo. E você tem sete uniformes. Um para cada dia da semana. A partir de agora, eu quero você de uniforme — falo olhando fixamente para ela. — Mas... Como vou colocar o meu uniforme? Eles estão em casa e sujos, Bia. — Se vira, dê o seu jeito. Quero você de uniforme quando eu passar pela cozinha novamente. Agora volte as suas funções — falo com toda educação. Ela saiu batendo forte o pé, parecendo uma criança de dez anos contrariada. Ela está achando o quê? Que aqui é a casa da mãe Joana. Não, mesmo. Eu e Alex depositamos todo o nosso sangue nesse restaurante. Ela precisa se adaptar as nossas regras, ou serei obrigada a demiti-la. Tentei relaxar e voltei ao trabalho.


Capítulo 2 - Gustavo Ferrari Acordei atrasado e ainda por cima esqueci que tenho companhia em minha cama. Só me dei conta da presença dela, quando passou os seus dedos frios e compridos em meu membro semi-ereto. — Meu anjo estou atrasado — digo já me levantando da cama completamente nu. Olho para ela e vejo a expressão de aprovação no que ela fixa os seus olhos pidões em mim. Ela senta na cama e deixa o lençol cair revelando os seios siliconados. Certamente eu não os coloquei na boca, eu só precisava aliviar a tensão que estava carregando em meu corpo e mente. — Vem aqui e coloca essa delícia na minha boca. — Não — eu disse olhando para ela. — Por que não, Gustavo? — ela pergunta fazendo uma voz de criança. Ela lembra o meu nome, pois eu não me recordo o dela. — Porque, não — respondo frio e seco. — Vista-se rápido, pois, estou atrasado — repito novamente já sem paciência. Deixo o quarto e entro em meu banheiro e tranco a porta. Enquanto deixo a ducha de água gelada cair sobre mim, repasso a noite anterior em minha cabeça. Depois do jantar na casa dos meus pais, fui à festa na cobertura do Arthur, meu irmão caçula, uma festa digamos que um pouco ousada. E foi aí que me perdi, bebi uísque além da conta. A partir daí, lembrei-me da loira lá fora e tudo o que eu fiz com ela. Peninha! Não lembro o nome da garota. Espero sair do banheiro e não encontrá-la mais. Saio do banheiro e não vejo a loira. Escolho uma roupa casual e confortável. Passarei mais tempo dentro de um centro cirúrgico do que no consultório, então não preciso preocupar com roupa. Quando deixo a minha suíte e sigo para a cozinha americana, vejo a loira sentada sobre o balcão. Eu não mereço isso! — Gustavo me dá uma carona até o meu apartamento? — fala sério, qual foi à parte que essa mulher não entendeu que estou atrasado? Apesar da minha impaciência, preciso pelo menos ser gentil com ela, pois não sou nenhum aproveitador, e uma carona não é nada, perto de tudo o que eu fiz com ela durante toda a madrugada. — Vamos. Qual é o seu nome? — pergunto com pressa e fecho a cara para ela perceber que está sendo inconveniente. — Patrícia. Para você Patyzinha — ela fala com a voz melosa. Credo! Esse é o famoso dia seguinte para os homens. Quando a deixo na entrada de seu condomínio, ela me rouba um beijo. Retribuo para não ser maleducado. Mas a verdade é: a pessoa não se toca que a boca não está cheirosa? Bebeu a noite toda, e, acredito que não tenha escovado os dentes ainda, pois eu não vi. Enfim, retribuí prendendo a minha respiração para não inalar o hálito fétido. — Não se esqueça da Patyzinha, tá bom? Promete que vai me ligar, Gugu? — Gugu? Ninguém merece isso, eu não mereço isso. Nossa, é a última vez que bebo além do meu limite e saio com esse tipo de mulher, o qual não é o meu. Mas, vou fazer o quê? Eu não encontro nada que preste, sempre as mesmas coisas, as mesmas formas moldadas por uma cânula e um bisturi. — Patrícia, eu não prometo ligar novamente. Na verdade eu não tenho nem o número do seu celular. Estamos aqui neste momento por que ontem rolou, estávamos à procura de aventura e aqui


estamos nós — falo educadamente. — Ah, tá! Entendi Gustavo. Nós transamos a noite toda e foi só isso — ela diz mostrando a sua indignação. — Menina inteligente — eu disse sorrindo. Se ela parar de malhar só um pouquinho e ler alguns livros didáticos, tenho certeza que pensaria ainda mais. — Então, até qualquer dia, Gugu. — Deus me livre! Até nunca mais. Gugu... Fala sério! — Tchau Patrícia. Saio arrancando com o meu Land Rover Evoque Preto, aumento o som e deslizo na avenida. Apesar de não estar me sentindo saciado completamente, consegui aliviar a tensão que meu corpo emanava. Ultimamente tem sido assim, uma foda mais ou menos, boquete mais ou menos, mulher ou duas mais ou menos. Bufo... Preciso mudar os ares, parar de frequentar as festas que o meu irmão promove porque isso já virou rotina, e odeio rotinas. Estaciono o carro em frente à minha clínica, passo pela recepção e cumprimento alguns dos meus funcionários. — Bom dia, Sofia! — Falo com a minha recepcionista, secretária, assistente pessoal. Ela é o meu braço direito e o esquerdo também. — Bom dia Dr. Gustavo. A paciente das 10hs já chegou e está lhe aguardando. Passo os olhos em volta da recepção e avisto uma bela senhora curvilínea, sentada em uma das poltronas da recepção. — Bom dia — cumprimento a paciente. — Bom dia Dr. Ferrari! — ela responde eufórica. Com um olhar de "Me fode". Eu sei que às vezes eu consigo ser um canalha, cafajeste, bastardo e muito mais. Eu admito! Mas, que essa senhora tem estampado no rosto um "Me fode" bem grande e isso não pode ser mudado nem com cirurgia plástica. Ela tem e, é verdade. — Sofia, daqui a cinco minutos, encaminhe a paciente até o meu consultório, por favor — eu disse me retirando da recepção. Amo a minha profissão, quando decidi cursar medicina meus pais ficaram chateados e desapontados com a minha decisão. A minha família tem uma empresa de construção civil renomada no Rio de janeiro, e a lógica seria eu seguir o mesmo trajeto do meu pai. Infelizmente, não rolou. Mas, meu irmão Arthur deu esse prazer a eles, mais especificamente falando, a ele, ao nosso pai. Arthur depois do curso de engenharia e de algumas especializações em administração assumiu a presidência da empresa e ampliou as construções pelo Brasil a fora. Tenho um orgulho imenso por esse moleque. Especializei-me em cirurgião geral e depois plástico, fiz o meu nome sozinho. Tenho duas clínicas aqui no Rio de janeiro, uma na Barra da Tijuca e outra em Ipanema. Ou seja, conserto o que está errado, dou jeito no que é feio e melhoro o que já é bonito. Resumindo, amo a minha profissão. — Sofia estou saindo para almoçar. Olha a minha agenda, por favor? — Você tem 2 horas disponíveis para o seu almoço, antes da primeira cirurgia. Retiro o meu jaleco e jogo em direção ao balcão da recepção. Ela o segura no ar e rasga um sorriso encantador. As outras duas recepcionistas sorriram a acompanhando. — Vou cuidar dele direitinho — ela disse dobrando-o. Pisquei o olho para ela, acenei com a cabeça e saí. Como hoje estou na clínica aqui na Barra da Tijuca, opto pelo meu restaurante preferido, Leparrie. Gosto dos pratos que eles oferecem e para ampliar meu tempo, ele é localizado a poucas quadras da clínica, eu poderia até ir caminhando, mas, prefiro ir de carro e com o ar condicionado


bem gelado. Escolho uma mesa em um canto mais reservado, para eu poder ficar mais à vontade, já que pretendo fazer uns pagamentos pelo iPad, enquanto eu almoço. Sou recepcionado pelo o mesmo senhor que me recebeu da última vez em que estive aqui. Ele me guia até a mesa que eu escolhi e me entrega o cardápio. — Fique à vontade — ele disse. — Obrigado. Observo todo o ambiente, acabo fixando o meu olhar em uma jovem que é a cópia perfeita da cantora “Lady Gaga”. O que é isso? Que garota estranha. Eu nunca vi essa cidadã por aqui, já que frequentemente eu venho aqui. Deve ser funcionária nova, mas está totalmente fora do padrão do local. O mesmo senhor gentil que me acomodou mostra a ela um aparelho parecido com um celular e a entrega. Seria cômico se não fosse comigo, mas, ela vem desfilando e ao mesmo tempo rebolando, como se realmente quisesse chamar a atenção dos clientes, e para de frente à minha mesa. — Boa tarde senhor. Gostaria de fazer o seu pedido? — Ela tem um sotaque diferente e chega até ser engraçado. Força o "X" típico dos cariocas, como se quisesse mudar o próprio sotaque. Mulher estranha. — Boa tarde — respondo quase rindo. Ela digita o pedido no Smartphone e se retira da mesma forma que chegou. Enquanto eu aguardo o meu pedido, aproveito e faço alguns pagamentos pela internet, confirmar e ler e-mails. — Rafaela Campelo? — pergunto falando comigo mesmo ao ler o nome na caixa de entrada do meu e-mail. Leio o e-mail desagradável. " Meu querido noivo, estarei retornando ao Brasil, preciso conversar com você um assunto de nosso interesse. P.S.: Estou com saudades de você. Até breve. Rafaela Campelo - Neurocirurgiã" Noivo? Saudades? Vai sentir saudades do inferno. Ela que não me procure ou teremos problemas. — Senhor, com licença — sou interrompido de novo pela cópia da “Lady Gaga”. Ela põe o prato e a bebida sobre a mesa, e faz menção de servir a bebida, mas a interrompo dizendo que eu mesmo me sirvo. Esse e-mail acabou com o meu humor, que já não estava muito lá essas coisas. Começo a comer, dou a primeira, a segunda e a terceira garfada e... — Que porra é essa?! — falo mais alto do que deveria, tirando um fio de cabelo loiro e longo da minha boca, cuspo dentro do prato na mesma hora. Pego o guardanapo e limpo a minha boca. O mesmo senhor gentil que me recepcionou antes, para ao meu lado e me pergunta com total discrição: — O que aconteceu? Posso ajudar o senhor? — Claro que pode! Olha esse tufo de cabelo — aponto para o prato, onde cuspi o cabelo. Eu sei, exagerei, é apenas um fio de cabelo e não um tufo, mas na hora só pensei na palavra “tufo”. — Que nojo! O que está acontecendo com a qualidade desse restaurante, isso é um absurdo! Eu quase engoli essa merda de cabelo — falo com toda grosseria, mas, logo depois me arrependo quando vejo que ganhei a atenção dos outros clientes. Não gosto de ser o centro das atenções.


— Senhor, peço desculpas em nome do restaurante. Isso nunca aconteceu em nosso estabelecimento, acredito que foi um acidente — ele fala, tentando explicar o trajeto do cabelo até o meu prato. — Eu quase engoli esse cabelo — repito um pouco mais baixo e respiro fundo, tentando recuperar minha paciência e educação. — Eu quero falar com o responsável pela cozinha. Não é possível que isso seja comum, já que um prato aqui custa mais do que a diária dos meus funcionários. — O senhor tem toda razão, irei chamar um dos chefes. Com licença. Espero que tenha uma ótima explicação. Eu não frequentarei mais esse restaurante. Cruz credo! Se tiver a próxima vez, ao invés de Champion, virá uma barata no lugar. O senhor se afasta, depois retorna e fica ao meu lado esperando o chefe responsável. Não, não e não! Se aquela coisinha linda ali, que vem caminhando, vestida toda de branco com aquele chapéu na cabeça, for a chefe eu retirarei tudo o que eu disse. — Olá! — A chefe me cumprimenta. Que voz linda e meiga. Retiro totalmente o pensamento de não retornar. Serei cliente assíduo. Ela começa a se desculpar, mas, eu não entendo nada do que ela diz, eu só consigo reparar em sua boca e admirar os seus olhos esverdeados. Interrompo o que ela fala com certa ignorância e rispidez e pergunto o seu nome. Eu preciso saber o nome dela. — Ana Beatriz — ela responde meio desconfiada e um pouco intimidada. Ana Beatriz, nome de princesa. Fitamo-nos mais do que o normal, desviei o olhar para recobrar a minha postura. Começo a explicar e exigir com total arrogância de um cliente exigente, que seja feita a troca do prato. Ela me interrompe e pergunta o meu nome. — Gustavo Ferrari — respondo. E para perturbar ainda mais a chefe de olhos esverdeados e rosto corado, insinuo que o cabelo em meu prato seria o dela. Estou louco para saber a cor dos cabelos dela, depois dessa ela vai retirar o chapéu. Eu preciso saber a cor... Nossa, fiquei até arrepiado quando ela retirou o chapéu e soltou os seus cabelos cor de chocolate para provar que o cabelo que eu quase engoli não era o dela. Tudo ao meu redor parou, inspirei um cheiro inebriante, alucinante, cheiro de... Morango? Hum... Se o cabelo tem esse cheiro, imagine o resto do corpo? Que mulher linda, linda e linda. E para acabar de vez comigo, ela é morena. Sou louco por uma morena, pena que quase não as encontro mais, já que todas querem ser insistentemente e a todo custo, loiras. Antes de se retirar, ela fala mais alguma coisa. Mas, antes fui mais imbecil do que já consegui ser hoje. Digo que não tenho todo tempo do mundo para esperar e estou com pressa e fome. E, ela se retira para preparar novamente o prato, visivelmente chateada e com um biquinho delicioso. Eu tive uma leve visão de seus quadris curvilíneos sob a roupa de chefe. Ela não é magricela e tem uma bunda linda e avantajada. Que delícia! Sinto o meu membro acordar do além. — Calma aí amigão, parece até adolescente, estamos em público — mexo na cadeira e ajeito a minha ereção inconveniente. Incrivelmente em 8 minutos o meu prato ficou pronto. Confesso que fiquei meio desconfiado. Remexi a comida para me certificar se tinha algum fio de cabelo. Acabei cedendo e comendo toda a comida que por sinal estava uma delícia, igual a quem preparou. Peço a conta ao gerente, mas, quem retorna é a chefe Ana Beatriz. Cruzo o meu olhar com os olhos mais lindos que já vi.


— Olá novamente, Sr. Ferrari. Aprovou o prato? — A voz dela saiu baixa, ela está intimidada. Ela é tímida? — Sim — respondo. — Que bom! Espero que tenhamos anulado esse mal-entendido — Ela diz com mais calma e relaxada. Fito-a nos olhos, mas, ela não consegue sustentar a troca de olhares entre nós dois por muito tempo, e desvia para o chão. — Será cortesia — ela disse elevando o rosto para olhar-me. — Não concordo com esta cortesia! Vou pagar pelo o que consumi — digo, retirando duas notas de cem reais e as coloco sobre a mesa. — Você deveria treinar melhor os seus funcionários e melhorar o controle de qualidade do estabelecimento — me retiro com rapidez e nem olho para trás. Com certeza, teremos inúmeros mal-entendidos. Dou um sorriso torto. Cara, que mulher é aquela? Só de olhá-la meu pau se rebelou. Preciso aliviar essa tensão toda, não aguento mais a tortura de masturbar-me porque não consigo me satisfazer o suficiente. Eu quero essa mulher.


Capítulo 3 - Ana Beatriz Encerrei meu expediente e fui direto para casa. Chegando, tomei um banho morno para relaxar um pouco e diminuir a tensão do dia. Fiz uma massagem em meus cabelos, para que pudessem ficar limpos e sem cheiro de gordura, já que passo a maior parte do meu dia dentro de uma cozinha fervilhando. Hidratei o meu corpo por inteiro e finalmente terminei meu banho. Saindo do banheiro, fui em direção ao meu guarda-roupa para pegar minha roupa de ginástica. Afinal, hoje era dia de academia. Ser chefe de cozinha exige muita disciplina e responsabilidade. Em meu restaurante existem duas cozinhas, a experimental, onde eu, Alex e os nossos cozinheiros criamos e aprimoramos as receitas. E, a cozinha principal, onde preparamos os pratos servidos. Ou seja, praticamente experimento e aprovo variadas iguarias o dia inteiro. Então, não abro mão de ir treinar na academia, três vezes durante a semana pelo menos para queimar essas toneladas de calorias que acabo consumindo. Coloquei a roupa e saí do quarto. Quando estou prestes a sair, o telefone de casa toca. Há quanto tempo não recebo ligação no telefone residencial, cheguei a ficar assustada com o toque estridente. Quem está ligando para o meu telefone residencial? Ninguém liga para esse número. — Alô? — escuto a voz da minha amiga louca. — Amiga... Estou saindo de casa agora para irmos até a academia. Encontramo-nos lá. Pode ser? — Ela diz entusiasmada. — Oi Fe! Porque você não mandou um whatsApp, ao invés de ligar sua louca? — disse rindo. — Ai amiga, é que eu adoro te perturbar e queria ouvir a sua voz doce e meiga. E aí, está ansiosa para conhecer a nova academia? — Fernanda, ansiosa para conhecer academia? Poupe-me! Só você mesmo para ficar entusiasmada com isso. — Chata de galocha, vai morrer com teias e mais teias nessa perseguida. Quando o Alex for fazer a bondade do ano, transando com você, vai precisar fazer uma escavação para achar o seu ponto G. — Ah... Aí é que você se engana. Eu gosto de sexo tanto quanto você, e tenho os meus meios para me manter na ativa. — Meios... Vou acreditar! Encontro você na recepção da academia — ela diz gargalhando. — Beijo amiga — me despeço e encerramos a ligação. Chegando a academia, vejo Fernanda sentada na recepção. Quando me vê, só falta pular em cima de mim. Adoro essa alegria dela. Sempre foi assim, alegre, espontânea e o melhor, cara de pau e safada. Isso tudo faz dela, uma mulher incrivelmente divertida. — Amiga! Que saudades — ela diz ainda me abraçando. — Nos vimos ontem, Fernanda! — Ah, mas, você sabe que eu não consigo ficar sem fazer uma boa fofoca com a minha melhor amiga, não é? — disse dando uma piscadela para mim. — Okay! Vamos entrar e a gente coloca a conversa em dia — eu disse. Assim que entramos, começamos a nos alongar para começar a fazer esteira. Quando estávamos na esteira, ela puxou assunto: — Então Bia, como vão às coisas no restaurante? — Estão bem, melhor não poderia estar. Mas, hoje tive um contratempo. — falo e me lembro daquele cliente com uma beleza máscula fora do normal.


— Ai amiga, conta tudo! Adoro saber da vida dos outros, já que a minha é um livro aberto. — Acredita que uma das funcionárias, deixou cair um fio de cabelo na comida de um cliente? — Me pego pensando naqueles olhos azuis penetrantes. — Gente, acabando com a sua fama. Manda embora, demite e envia para marte. E o cliente? — Era, O CLIENTE! Totalmente arrogante e muito exigente. Mas, ele também estava com razão em reclamar. Ninguém é obrigado a comer comida com cabelo. Concorda? — Claro. Dou toda a razão para ele. Que descuido da sua funcionária, ela vacilou feio — ela diz indignada. — Verdade, mas já resolvi e está tudo certo — falo e aumento a velocidade da esteira e passo a correr mais rápido. A conversa acabou entre nós duas, as fofocas do dia tinham sido todas discutidas. Rimos, brincamos e falamos um pouco dos “carinhas” que estavam malhando em nossa volta. Quando estava totalmente distraída, pensando nas coisas que eu iria fazer amanhã, recebi uma cutucada da Fernanda, que quase tive o prejuízo de uma perna ou um braço fraturado. — Quer me matar sua louca? — eu disse me recuperando do quase tombo e reduzindo a velocidade no painel da esteira. — Olha aquilo ali, Bia. Um Deus mitológico com a cara de malvado se alongando. Nossa senhora das calcinhas de renda. A minha está encharcada — ela disse ofegante por conta da esteira. Não pude evitar um sorriso. — Onde Fernanda? — pergunto tentando achar o tal Deus grego. E espero que ela não me faça passar vergonha, por que ela é dessas. Adora ser o centro das atenções, e às vezes eu passo até vergonha. — Ele está um pouco atrás de você, do lado esquerdo. Disfarça e olha. Fui virando devagar e disfarçadamente para trás. Não tenho o costume de ficar olhando para os carinhas que frequentam a academia, são todos iguais, largo em cima, fino embaixo. Viro toda a minha cabeça de uma vez e... Ei, eu conheço aquele homem, foco com mais precisão e consigo enxergar um vislumbre dos seus olhos. É ele! Ele estava se alongando em uma barra de ferro, seus músculos sutis dos braços estavam à mostra por causa da camiseta preta. — Fernanda, aquele é o cara do cabelo na comida. O cliente gostoso e arrogante. — Não sei por que, mas, os meus lábios e rosto forçaram-me a sorrir. — Meu Deus! Bia, você se deu bem em relação a homens arrogantes! — disse ela sorrindo e olhando descaradamente na direção dele. — Fernanda, para de ficar olhando descaradamente. Fala sério! — digo puta da vida com ela. A garota não pode ver um homem que entra em transe. Encerrei a conversa com a Fernanda, não olhei mais para o tal cliente, coloquei os fones do meu iPod em meus ouvidos. Se eu der confiança, ela chama o gato e ainda se embola sobre a lã dele, em qualquer corredor. Continuei a correr na esteira, estava distraída ouvindo uma música do “David Guetta - She Wolf ” quando percebi que tinha alguém na esteira ao meu lado esquerdo. Olhei rapidamente, e para não ser mal-educada, disse: — Boa noite — disse e desviei o olhar, tirando um dos fones. — Boa noite — o homem ao meu lado retribuiu. Essa voz rouca e ao mesmo tempo grossa... Eu conheço... Olhei de novo para o tal "estranho" que estava ao meu lado, e quando vi quem realmente era, gelei. Era ele, mexendo em seu celular, aparentemente colocando uma música para ouvir enquanto


corria. Não consegui não ficar olhando para ele. Será que não me reconheceu? Ou reconheceu e não quer falar comigo? Fiquei olhando de rabo de olho. Quando percebia que ele estava olhando também, parava na mesma hora. Até que escutei a sua voz novamente. — Ora... Ora... Se não é a chefinha de cozinha. — Seu tom foi debochado e animado ao mesmo tempo. — Ora, se não é o arrogante! — eu disse retirando totalmente os fones do ouvido e sorrindo. — Ana Beatriz a Chefe de cozinha do Leparrie — ele diz sorrindo. Meu Deus, que sorriso perfeito, que dentes perfeitos. E esse nariz? Gostei muito! — Você frequenta essa academia? — perguntou-me. Como ele ainda lembrava o meu nome? Será que ficou pensando em mim? Afastei os meus pensamentos quando ele falou algo que não entendi direito. — Ei, está me ouvindo? — disse ele me olhando e teclando o botão da esteira e diminuindo a velocidade. — Sim... Não. Desculpe o que disse? — perguntei. — Perguntei se você vem sempre nessa academia? Pois venho com frequência e nunca vi você por aqui — ele ficou me olhando com um sorriso torto nos lábios esperando a minha resposta. — Não, estou começando hoje aqui. Pois não estava muito satisfeita com a antiga academia onde eu frequentava — expliquei. — Então, seja bem-vinda. Espero que fique satisfeita com essa — o seu sorriso foi substituído por um olhar predador que vagueou em todo o meu corpo. Meu Deus, se ele me olhar mais uma vez assim, vou precisar trocar a minha calcinha. — Espero que sim — sorrio. — Bia vamos para a aeróbica — Fernanda fala mais alto do que o normal por causa dos fones no ouvido. Quando ela viu quem estava ao meu lado, chegou a tossir e a se abanar. Acenei para ele e desci da esteira. Quando entramos, Fernanda parou e disse: — Amiga, viu como ele te olhava? — Ela mexeu em seus cabelos, afastando-os de seus olhos. — Olhou? Não percebi, estava concentrada na corrida. E você só fala merda Fernanda — sorrio. — Falar a verdade agora é mentira? Ele estava entretido em todo o seu corpo. Vi tudinho com esses olhos grandes que Deus me deu, que um dia o fogo queimará. Aquele homem com cara de ser malvado e gostoso quer entrar na sua calcinha — ela me disse enquanto agachava-se. Balancei a cabeça negando tudo o que ela disse e encerrei o tema do assunto. Voltamos as nossas atividades físicas. Fizemos tudo o que tínhamos direito. Quando finalmente acabamos, nos aprontamos para irmos embora. Quando eu menos esperei, o Gustavo me surpreendeu no corredor da academia, segurando em meu braço. Olhei para ele um pouco assustada. — Foi bom reencontrar você, Ana Beatriz. Espero que aconteça mais vezes — ele falou olhando diretamente em meus olhos e desviando para os meus seios. Olhou-me de uma maneira diferente, como se estive os analisando pelo o formato e tamanho. — Boa noite, Sr. Gustavo — disse sorrindo para ele, fazendo-o desviar dos meus seios. — Senhor? O senhor está no céu. Para você é somente Gustavo — ele segurou a minha mão e a beijou. Pude sentir os seus lábios macios sobre a minha pele, cheguei a sentir um arrepio tão intenso que até os cabelos da minha nuca se ouriçaram. — Okay, boa noite Gustavo — larguei a mão dele e me afastei. Respirei fundo e deixei o corredor sem olhar para trás. Saindo da academia, lembrei que não estava de carro. Preferi vir a pé, já que moro a poucas


quadras da academia. Despedi da Fernanda, que seguiu em sentido contrário, também a pé. Quando eu estava me afastando da academia andando pelo calçadão largo e deserto, um carro parou ao meu lado e buzinou. Admito que fiquei com medo, pois já era tarde e o Rio de Janeiro apesar de lindo, não significa que é seguro. Então, fiquei ligada no mesmo instante, quando olhei com mais atenção para dentro do carro, vi o Gustavo. No momento, fiquei aliviada por ser ele. Pois não sei o que faria se fosse alguém tentando me assaltar ou sequestrar, sei lá. Parei e olhei para ele, esperando que ele falasse alguma coisa. E, ele finalmente falou: — Não está de carro? — Olhou-me fixamente. Sim, mas, meu carro é transparente. Dã... Pensei. — Não, moro a poucas quadras daqui, então preferi vir andando mesmo — retribuí o olhar fixo ao dele. — Vem eu te dou uma carona — falou já abrindo a porta. — Não precisa Gustavo, mas, obrigada mesmo assim — agradeci. Ele está sendo gentil em oferece carona. Mas, não posso aceitar de forma alguma. Não conheço esse homem o suficiente para entrar em seu carro. Só porque ele é um Deus Grego com cara de mau, não significa que devo aceitar. Ou devo? — Que isso, não é nada. Não aceito "não" como resposta. Aliás, uma moça bonita como você não pode sair andando pela rua sozinha a essa hora da noite. Concorda comigo? — deu uma piscadela para mim. Esse homem piscando é uma tentação. — Vamos? Aceite essa carona como um pedido de desculpas pela minha arrogância hoje mais cedo no restaurante — a voz dele saiu em um tom mais sério e rouco. — Tudo bem, eu aceito a sua carona — eu falei para ele sorrindo. Entrei no carro, bati a porta e coloquei o cinto de segurança. Olhei para ele, e seu sorriso era divertido. Ele deu partida e pôs o carro em movimento, mas, logo parou no semáforo. Meu coração disparava a cada inspiração e expiração. O cheiro de sua colônia emanava todo o carro. Era um cheiro perturbador de homem, chegava a ser excitante. Cheiroso e lindo! O sinal ficou verde e ele voltou a dirigir. Estávamos calados, olhei para ele de relance e vi quando franziu o cenho quando desviou os olhos da avenida, diretamente para mim. — Onde você mora? — Sua voz cortou o silêncio latente entre nós dois. Expliquei a ele onde o meu condomínio ficava e ele assentiu, mas, logo puxou novamente assunto. — Você trabalha a pouco tempo naquele restaurante? — Não. Na verdade, eu sou uma das donas de lá — rio. Estou nervosa e ao mesmo tempo sentindo uma ansiedade inexplicável. — Que legal! Sempre frequento o seu restaurante e sou um fã dos pratos que vocês servem — retribuiu o sorriso. E que sorriso! — É bom saber que temos um fã — falei e desviei para frente. — É esse condomínio — apontei e retirei o cinto de segurança. — É uma pena, você morar tão perto. Pensei que teria um pouco mais de sua presença. — Meu coração contraiu de forma violenta, senti até um afago no peito ao escutá-lo. — Obrigada pela carona, Gustavo. — Senti o meu rosto corar, ele mantinha os olhos parados em meus seios. — Não foi nada, Ana Beatriz. Vou deixar meu cartão com você com o número do meu telefone pessoal. Quando quiser, é só ligar — disse me entregando um cartão elegante. — Ah, Obrigada — peguei e li o cartão, estava escrito Dr. Gustavo Ferrari, Cirurgião Plástico. Quando nos despedimos, foi uma despedida um pouquinho inusitada. Ele pegou novamente em


minha mão e a levou até seus lábios e plantou um beijo bem relaxado e molhado em minha pele. Levantou a cabeça e se aproximou do meu rosto. Pude sentir seu hálito quente e mentolado, cheguei a fechar os olhos e imaginei até que ele fosse me beijar. Abri os olhos envergonhada e sorrio de mim mesma. Idiota! Você não é mais uma garotinha. Nossa, que sensação boa eu senti com o toque de seus lábios em minha mão. Na mesma hora senti um frio na barriga, não sentia isso há muito tempo. O que significa essa minha reação? Franzi o cenho e voltei do meu transe. — Tchau, Ana Beatriz — ele falou com uma voz rouca, carregada de significados que não captei. Interessado em mim, eu percebi que ele ficou, mas, não é disso que estou me referindo. Eu já senti essa mesma sensação antes, só não me recordava em que momento. Será que ele está flertando comigo mesmo? Cavalheiro, cheiroso, galanteador, bonito, atlético e bem sucedido. Muito bom para ser verdade. Às vezes ele está sendo apenas educado. Ele saiu, contornou o carro e parou ao lado da porta do carona, abriu a porta e me ofereceu a mão para que eu pudesse sair. Despedimo-nos rápido e ao mesmo tempo de um jeito estranho. Ele ficou segurando a minha mão e eu fiquei estremecida com a sua ação. Acabei soltando e caminhei apressada. Entrei no hall da portaria e segui direto para o elevador. Quando entrei soltei o ar que nem sabia estar segurando, tentei não pensar no clima que rolou agora. Chegando ao meu andar fui direto para minha porta, já com as chaves nas mãos para abri-la. Entrei, joguei minha bolsa no sofá e fui até o armário da cozinha, peguei a caixa de acrílico onde eu costumava guardar todos os meus remédios, separei dois comprimidos que me ajudam a dormir e os tomei com a ajuda de um copo cheio de água gelada. Já na sala, liguei a televisão e me joguei em meu sofá pequeno. A televisão servia apenas para me fazer companhia, para eu não me sentir ainda mais solitária. Fechei os olhos e tentei repassar o meu dia, mas aqueles olhos azuis penetrantes foram os primeiros a permearem os meus pensamentos. Gustavo Ferrari, o arrogante à primeira vista, e o cavalheiro no segundo encontro. Sorrio dos meus pensamentos. Depois me sentir mais relaxada, devido ao efeito instantâneo dos meus calmantes. Lembranças repetitivas do meu passado doloroso invadem a minha mente. “Quatro anos atrás... Paris, França, 2010 Há exatos infelizes quatro anos, perdi o meu bem maior, meu anjinho, meu bebezinho, a minha vida, em um trágico acidente de carro. Ele não resistiu aos traumas e faleceu em meus braços. Nesse dia eu perdi a minha única razão para continuar vivendo, perdi meu chão, meu único amor, eu perdi o meu filho. Era um dia chuvoso e típico, apanhei meu filho Rafael na creche, ele estava dormindo. Coloquei-o devidamente confortável na sua cadeirinha. Fiz um carinho em seu rostinho bochechudo e dei um beijo em sua cabecinha, sentir o cheirinho do meu filho era maravilhoso e reconfortante, depois de um dia agitado de trabalho. Fazia o mesmo trajeto de todos os dias, olhei pelo retrovisor dianteiro e percebi que Rafael ainda dormia como um anjo em um sono tranquilo. A estrada estava escorregadia, mas nada de anormal. Continuei o meu trajeto, quando de repente, vejo um caminhão vindo em minha direção na contramão em alta velocidade. Joguei o carro para o acostamento com um movimento brusco, mas, meu carro capotou várias vezes parando de cabeça para baixo. Consegui me soltar do cinto de segurança e sair do carro rastejando, eu só pensava em retirar o meu filho dali. Quando consegui abrir a porta do lado onde a cadeira estava, o vi o ensanguentado e desacordado, morri mil vidas e desejei estar em seu lugar. Retirei-o da cadeirinha e o abracei, percebi que ele ainda estava respirando, mas, ele abriu os olhinhos e


suspirou em meus braços, para em seguida fechar os seus olhos... Para sempre.” Sinto as lágrimas pesarem as minhas pálpebras e molharem os meus cílios. Abro e fecho os olhos tentando aliviar meu choro. Adormeço ali mesmo no sofá. E tem sido assim, a minha vida tornou-se insignificante, eu vivo apenas para não trazer sofrimento a minha mãe. Eu tento viver só por ela.


Capítulo 4 - Ana Beatriz Hoje é sexta-feira, estou cansada e com dor no pescoço. Maldito sofá minúsculo e duro! Eu quero somente chegar em casa, tomar uma ducha demorada e dormir. Não, eu não sou louca por gostar de ficar em casa em plena sexta à noite. É que às vezes o trabalho consome as minhas energias e não me sobra ânimo para nada. Estava na cozinha experimental, pensando em várias coisas quando sinto um corpo me abraçando por trás. — Alex... — Princesa... Vamos sair para dançar e curtir a noite — falou virando-me para que eu pudesse olhar em meus olhos. — Hoje não vai dar Alex. Estou muito cansada para cair na balada e encher a cara — sorrio. — Ana Beatriz, você vai sair comigo sim. Não aceito "não" como resposta. Não hoje. Você ficou a semana inteira sem sair. Só de casa para o restaurante, do restaurante para casa. Vamos princesa? Hein? — ele fala roçando a barba por fazer em meu pescoço. Fiquei arrepiada, mas não demonstrei o quanto mexeu comigo. Esquivei-me e saí de seus braços fortes falando: — Acho melhor não, Alex. Amanhã eu tenho que resolver várias coisas e quero descansar, não me cansar. — Bia, por favor, me dá essa chance de passar somente essa noite com você. Prometo que não vou forçar nada, a menos que me peça. Mas, sai comigo hoje — fez carinha de menino abandonado e me abraçou por trás de novo. O Alex é lindo, sem contestar, e além de bonito é gostoso. Mas, não tem aquela "essenciazinha" que me faria perder a cabeça por ele. — Tudo bem. Eu vou. Mas, não se acostume e não confunda as coisas. — Passo no seu apartamento às 22hs — ele disse e mordeu o levemente o meu pescoço. Resmunguei e belisquei o seu braço. —Isso, belisca que eu gamo ainda mais, princesa — sorrimos. — Tudo bem, estarei pronta. Posso levar a Fernanda também? — Claro. Adoro um ménage à trois. — Cara, eu não sei por que ainda sou sua amiga. Você é um safado, um cafajeste. Sai daqui, some da minha frente seu pervertido. Só quero te encontrar a noite — digo sorrindo. Ele saiu da cozinha experimental dando gargalhadas. Termino de fazer as minhas coisas, e finalmente meu dia chega ao fim. Saio do restaurante me despedindo de todos e indo para o meu carro, que é um Caltabiano vermelho com estofado em couro bege. Depois do financiamento do meu apartamento, ele foi a minha segunda conquista. Chego em casa e procuro pelas chaves, dentro da bolsa. Fui direto para o banheiro tomar um banho e relaxar um pouco. Saio enrolada na toalha, vou até o guarda-roupa e pego uma blusa simples e uma bermuda qualquer. Lembrei-me que precisava ligar para a Fernanda. Disco o seu número e ela atende logo no primeiro toque. — Fala gata! Porque está me ligando a essa hora? Aconteceu algo? Ou a carência bateu a sua porta? — Exagerada pensei. — Sim, aconteceu! Resolvi sair hoje com o Alex, e você vai junto também. — Claro amiga, aceito — deu uma gargalhada.


— Esteja aqui em meu apartamento às 21:30hs, Alex virá nos buscar às 22:00hs. — Estarei aí amiga. Beijos! Desliguei o telefone e corri para o quarto, revirei o guarda-roupa até encontrar uma roupa com cara de balada, decidi usar um vestido estilo túnica, preto com detalhes de brilho discreto. Para completar o “look” um cinto fino preto. Escolhi um par de brincos e, então optei por um Peep Toe de cetim preto para finalizar a produção. Fiz uma maquiagem apropriada para noite, soltei os meus longos cabelos, borrifei meu perfume preferido, Euphorria da Calvin Klein. Com uma última olhada no espelho peguei minha clutch dourada. Assim que terminei de me arrumar, a campainha tocou. Fui correndo atender, já me preparando para dar um abraço em minha amiga. Abro a porta toda feliz e já pulo em cima de minha melhor amiga. — Fernanda! — Oi amiga! Nossa... Você está maravilhosamente bonita. Arrasou no “look”! —Obrigada, você também está linda. — Então, quer dizer que nós vamos sair com o gato do Alex? — falou entusiasmada. — Sim amiga, nós vamos. E pelo visto você adorou a ideia. — Claro, com aquele gato do nosso lado, não teria como não gostar da ideia — disse sorrindo. Ficamos sentadas no sofá, conversando amenidades quando a companhia tocou. — Deixa que eu abro — disse Fernanda, correndo igual uma gazela no cio. Meu Deus, minha amiga não tem jeito. — Boa noite, minhas deusas — Alex falou entrando em meu apartamento. Ele estava lindo, vestindo um jeans escuro, blusa branca dobrada nos braços, bem casual. A aparência ajuda, não é? — Boa noite Alex! — respondemos juntas. — Nossa... Vocês estão gatas, serei um homem invejado hoje à noite. — Obrigada — agradecemos. — Já podemos ir? Ou as princesas ainda precisam retocar a maquiagem? — Deu o seu melhor sorriso mostrando seus dentes brancos e percebi o quanto seus lábios estavam com uma cor rosada. E, atrativos... — Não Alex. Nós já podemos ir, seu chato — Fernanda falou, olhando Alex por inteiro. — Então, vamos! Saímos do meu apartamento e seguimos em direção ao carro do Alex. Tínhamos combinado que iríamos em seu carro, pois ele com certeza faria questão de me deixar em casa. Fomos conversando durante todo o caminho. Rimos, cantamos, trocamos tapas e falamos de nossas roupas. Quando chegamos na “Boate Sensations” entramos na balada, que por sinal, já estava bem cheia e animada, Fazia tempo que não frequentava uma boate, quer dizer, fui umas duas vezes quando completei dezoito anos. O som estava totalmente alto, a ponto de não escutar nada do que Alex e Fernanda falavam. Tocava a música do “ FloRida - I Cry”. Escolhemos a nossa mesa e já fomos pedindo as nossas bebidas. Eu pedi uma margarita, Fernanda me acompanhou e Alex pediu uísque puro. Ficamos ali, conversando por um tempo, degustando as nossas bebidas. Como uma boa observadora, fiquei olhando para todo o ambiente, enquanto Alex e Fernanda conversavam sobre algo que não me interessava. O tempo passava e mais e mais drinks e uísque chegavam a nossa mesa. Há tempos eu não ingeria álcool, devido aos remédios que faço uso quase sempre. Mas, hoje eu extrapolei e enfiei o pé na jaca de uma vez só. Eu só não posso perder a cabeça. Dei um giro ao meu redor, e me surpreendi quando vi um “tal” homem de cabelos negros e lisos,


alto e com o mesmo olhar sério de sempre. Gustavo estava aqui, ou é outro homem muito parecido com ele. E se for ele, eu não quero que me veja, mas ao mesmo tempo eu quero que ele venha falar comigo. Fico olhando disfarçadamente na direção dele e... Oh Deus! Ele está um GATO! É muita tentação para um homem só. Sou interrompida por Fernanda me chamando para dançar. Alex já havia exagerado na bebida e ficar em pé lhe exigiu esforço, mas fez questão de ir dançar com nós duas. A música que tocava agora era do “Jason Durelo - Wiggle”. Fomos com tudo para pista de dança. Começamos a dançar juntos. Mais era óbvio que Alex fez questão de ficar se esfregando em mim. Até estava gostosinho... Estávamos nos divertindo bastante com a dança. Quando percebi, já tinha iniciado outra música. Agora tocava “Rihana - Where Have You Been” . Ficamos dançando até que Alex tentou me beijar e eu recusei. Ficou visivelmente contrariado e ainda por cima que estava bêbado, foi o que o incentivou a dizer: — Porra, Bia! De novo isso? Toda vez que tento alguma coisa, você recua. — Ele parecia estar transtornado e chateado. — Vai com calma. Não estou no clima — falei no ouvido dele. — De novo essa história? Sempre que eu me aproximo, você vem com a mesma história "Não estou no clima". Sempre a mesma desculpa: que você perdeu seu filho em um acidente e se seu marido se separou de você, por achar que você matou o filho dele. Que você não consegue superar nada disso, que vive presa no passado e que não consegue tocar sua vida por conta de uma coisa que já passou há quatro anos. É isso que você ia me falar, Bia? — Todas as palavras ditas por ele são verdadeiras, mas, a forma com que ele tratou isso me deixou muito chateada. Eu não espero o sentimento de pena de ninguém, e muito menos ser julgada pelos os meus erros. — Alex, você está sendo muito duro comigo. Você não tem o direito de julgar as minhas decisões e minha vida. Eu só pedi para irmos com calma. — Realmente fiquei chateada com ele. Para mim, a noite acabou. Enquanto discutia com Alex, percebi os olhares do Gustavo atentos em nós dois. Não entendi minha atitude, mas correspondi olhando-o fixamente. Desprendi-me de seus olhos azuis claros abruptamente quando o Alex me segurou duramente o meu braço, fazendo-me encará-lo a força. — Então, além de me dar as mesmas desculpas e sempre me dispensar, você ainda fica olhando para outros caras na minha frente? — falou gritando e me puxando para que eu o escutasse. — Eu não admito isso, Ana Beatriz! — gritou próximo ao meu rosto. — Alex, solta o meu braço, agora! Acho que você está confundindo as coisas. — Puxei meu braço, sentindo um alívio, pois ele tinha apertado demais a ponto de me causar dor. Ele nunca agiu assim antes. — Você ultrapassou todos os limites. O que está acontecendo Alex, ficou louco? Quer me respeitar, porra! — Bia dá um tempo. Eu cansei de ficar rastejando igual a um otário atrás de você. — Te dou o tempo que você quiser, pois estou indo embora agora. Não vou ficar aqui discutindo uma relação que nunca existiu e ainda por cima com um bêbado — grito em seu ouvido e empurro o seu peito. — Pode ir, a porta da saída fica logo ali. E, não pense que irei atrás de você! — disse gritando, para que eu o ouvisse. Fui em direção a Fernanda que estava alheia à nossa discussão e dançando com um rapaz, pedi a ela para que ficasse com o Alex, para que não o deixasse voltar dirigindo, pois ele estava completamente fora de si por causa do álcool. Olhei mais uma vez na direção onde o Gustavo estava, mas não o encontrei. Saí sem olhar para trás, a culpada disso tudo sou eu, sempre foi. Dei esperanças a ele, em troca


de prazer, eu errei nesse ponto. Chego à parte externa da boate, solto o ar que nem sabia estar segurando em meus pulmões. Encosto em um carro e tento recuperar as minhas forças prendendo um choro abafado em minha garganta. Engulo em seco e me sinto sozinha, perdida e abandonada. Como o Alex teve coragem de jogar tudo isso em minha cara, e desta forma? Ele não tem esse direito. Não tem... Não tem... Não consigo mais segurar e uma lágrima escorre em meu rosto, fecho os olhos com força para impedir que mais lágrimas saíssem, quando sinto alguém me puxar contra uma parede de músculos e me envolver em um abraço forte. Na hora, pensei que fosse o Alex, mas quando abri os olhos e foquei em olhos azuis claros, não acreditei.


Capítulo 5 - Gustavo Ferrari Estaciono o meu carro e ligo o alarme. Aciono o botão do elevador, segurando uma maleta com alguns instrumentos cirúrgicos e remédios, e com dois jalecos sujos pendurados em meu ombro. Cheguei em minha cobertura exausto, só quero tomar um banho e ficar jogado em minha cama, assistindo TV. Vou direto até o bar e sirvo uma dose de uísque para relaxar um pouco. Quando termino a bebida, sigo direto para a minha suíte. Entro no banheiro, abro a ducha, deixo a água cair. Retiro a roupa e entro debaixo da água morna. Fico ali de olhos fechados, deixando a tensão do dia ir embora. Que delícia, só faltou uma mão macia para me ajudar a relaxar. Sou tirado dos meus pensamentos quando ouço o toque do meu celular. Pego uma toalha e enrolo em meu quadril. Peguei o celular que estava em cima da bancada de mármore e li no visor, "Moleque". Atendi a ligação, saindo do banheiro indo em direção ao meu quarto. — Fala Moleque! Como estão às coisas por aí? — falo com meu irmão mais novo. — Está tudo na paz. E aí, qual vai ser a boa dessa noite? — perguntou. — Não sei cara. Na verdade, estava pensando em ficar em casa mesmo, estou cansadão. — É claro que você não vai ficar em casa. É "Sexyta" Feira, mano — ele riu. — Não faço à mínima ideia de onde eu possa ir, Arthur. Estou realmente muito cansado. —Ah... Mas, seu irmãozinho aqui, faz ideia, e você não irá se decepcionar. — Então diga o que tem em mente para hoje à noite? — Fico curioso. Arthur sempre me surpreende com as suas escolhas. — Nós vamos para uma balada meu irmão, cheia de ninfetinhas subindo pelas paredes! — Tô fora de novinhas, isso é problema na certa. Você está louco? — Olha, quem fala. Vamos mano! — Tudo bem Moleque, vamos para essa tal balada, mas sem ninfetas. Ok? — Isso eu já não posso te garantir. — Onde fica essa boate? — Falo sem nenhum entusiasmo. — Fica em Ipanema, vou te enviar o mapa pelo whatsApp — ele disse atropelando as palavras, parece estar dirigindo. — Te encontro às 22hs. Já é? — É um "carioca nato" esse filho da mãe. — Até logo Moleque! — Desligamos juntos. Só o Arthur mesmo para me fazer sair de casa. Saio em direção à cozinha e procuro alguma coisa para comer, mas, não acho nada pronto. Porra! A Vivi quer me ver morto de fome, só pode. — Foda! — falo alto e sozinho. Às vezes me pego conversando comigo mesmo, mania de quem mora sozinho. Não, eu não sou solitário e nem louco. Mas, quando não tenho com quem conversar, acabo falando comigo. Não sei por que, mas ultimamente quando penso em comida, a primeira imagem que vem em minha cabeça é de uma mulher morena, linda de olhos verdes, cabelos longos e cheios, e um cheiro indescritível de morango. Hum... Ana Beatriz. Morena linda! Ela me pareceu ser diferente das mulheres que costumo sair. Na verdade, diferente de tudo que já vi. Ela não fez a expressão que conheço muito bem "me fode se quiser", ao contrário, chegou a ser até um pouco retraída. Se eu contasse para alguém, ninguém acreditaria em mim. Eu tive que insistir


para ela aceitar a minha carona. Incrível! Não sabia que existiam mulheres assim. Enfim, acho que existe. O meu celular vibra em minha mão. Chegou mensagem. Visualizo e vejo que Arthur me enviou o mapa para chegar até a boate. Levanto e pego uma boxer branca, escolho uma roupa no meu closet, opto por uma coisa simples. Pego uma calça jeans escura, uma blusa azul escuro, e tênis de couro branco, moderninho. Dou uma rápida olhada no espelho do meu banheiro e vejo a minha imagem, até que não estou mal. Chega outra mensagem do Arthur. Arthur: Tem como você abrir a porta para o seu irmão? Porra meu irmão é insistente ao extremo, marca durinho. Parece até mulher. Gustavo: Você está aqui? Arthur: Sim, abre logo a porta branca de viado. Quando abro a porta, ele vai entrando como sempre fez. — Vim buscar a princesa. — É mesmo Rapunzel? — Porque especificamente, Rapunzel? — pergunta sério e eu sorrio sarcástico. —Não precisava vir me buscar, realmente já estava a caminho da boate — eu disse. — Está bonito pra caralho, mano! — ele fala e assobia. — Arthur deixa de ser maricas — falo lhe dando um abraço. E, para descontrair ele solta: — Mano a Patrícia mandou lembranças. Ela está gamadinha. — A "Paty"? — digo em tom de desdém. — É porra! Aquela loirinha saradona que você pegou. — Manda lembranças a ela, diz que virei celibatário e fui embora para o Himalaia. Terminamos dando largas risadas juntos. Ele confessou que no dia seguinte saiu com a Paty. Depois de um tempo, já tínhamos saído de casa, cada um em seu carro. Arthur presepeiro como sempre, foi com o seu Camaro amarelo. Chegamos à balada, deixamos nossos carros no estacionamento e entramos. Assim que entramos, fomos em direção ao bar. Pedimos um Black Label e ficamos ali conversando e observando o ambiente. Arthur logo avistou um grupo de mulheres em uma mesa ao canto. E começamos a troca de olhares, as risadinhas, blá... blá... blá. — Mano vou chegar naquela mesa ali — indicou com a cabeça para que eu olhasse. — Vai fundo, fica tranquilo estou bem aqui — falei para ele. — Vamos chegar juntos nelas. São lindas, repara só aquela loirinha de vestido branco — indicou com a cabeça novamente, bebericando sua dose de uísque. Olhei na direção da loira de vestido branco que ele me mostrou e, realmente era uma gata, mas, eu já estou enjoado de loiras, e ela nem é natural. A minha cabeça estava na lua, menos na loirinha artificial. — Vai Moleque, fica tranquilo. Hoje não estou a fim. Ele foi em direção à mesa. Dei mais uma olhada para as mulheres e vi que elas estavam olhando em nossa direção descaradamente. Desviei o olhar para o centro da boate, fiquei ali olhando as pessoas dançando, e foi quando eu vi uma morena, de cabelos longos, escuros e cacheados, balançando o quadril sensualmente em um vestido preto, de costas para mim. Linda. Perfeita. O rapaz que dançava com ela a segurou pela cintura, virando-a de costas para ele, e de frente para mim. Na mesma hora fiquei encantado com a imagem, ela estava de olhos fechados rebolando sensualmente


encostada no rapaz. E, eu ali, igual a um tarado pervertido olhando aquela cena. Santo Deus! Tomei um gole do meu uísque e continuei ali, olhando atentamente, sem piscar, sem perder qualquer detalhe daquela mulher sensual. Percebo que o cara fala algo em seu ouvido, em resposta ela abre os olhos e dá uma gargalhada. Fiquei ainda mais absorto com sua beleza, estava escuro e as luzes dificultavam um pouco a imagem dela, mas, tive a impressão que eu a conhecia. Forcei os olhos e dei um zoom em seu rosto. E... — Porra! É a Ana Beatriz! — falei comigo mesmo. Eu falo sozinho, lembram? Continuei ali na mesma posição observando, acho que não seria legal ir até eles, de repente ele é seu namorado, noivo, sei lá, e pode não gostar da minha aproximação. Mas vou continuar aqui olhando. Ela virou de frente para ele e se afastou um pouco. Tive a impressão de que eles iniciaram uma discussão. Ele mudou a postura e parecia estar falando alto no ouvido dela e ao mesmo tempo gesticulava sem parar, e ela retribuía da mesma maneira e postura. Fiquei rígido e altivo na mesma hora, pronto para ir até ela e ver se precisa de ajuda. Larguei o meu copo no balcão, e fui devagar a sua direção. Parei bem perto deles, me misturando entre as pessoas que estavam dançando, para que ela não percebesse a minha presença. Mas, isso não funcionou, ela acabou me encontrando e fincou os seus olhos nos meus, como se tivesse sido atraída instintivamente, sua expressão triste e desolada me atingiu de jeito. Eu não conseguia desfazer a nossa troca de olhares, eu estava atraído e encantado ao mesmo tempo. O rapaz percebeu que ela estava me olhando e a segurou pelo braço com agressividade. Ela se esquivou dele e afastou. Caminhei decidido na direção deles dois e me aproximei ainda mais perto. Eu consegui escutar algumas palavras que o otário desferia em seu rosto. Covarde! — A porta da saída é logo ali, mas, não pense que irei atrás de você — ele gritava totalmente alterado. Babaca! Ela o deixou falando sozinho, e parou ao lado de uma mulher loira que estava dançando e trocou algumas palavras que não consegui captar por causa da música alta. Elas se abraçaram e a Ana Beatriz saiu que nem um furacão e sumiu entre a multidão que estavam dançando freneticamente uma música com uma batida ensurdecedora. Eu não sirvo mais para vir a lugares como esse. Realmente, estou me convencendo de que estou ficando velho. Andei a passos largos, cheguei à recepção que fica na saída, larguei uma nota e joguei o tag que controla o consumo na boate. Praticamente saí correndo para alcançá-la. Só posso estar ficando louco. Quando fiz isso em minha longa vida? Correr atrás de uma mulher? E o pior, nem minha mulher ela é. Eu devo estar muito carente mesmo. Quando cheguei à parte externa da boate, encontrei-a encostada em um carro. Ela estava de olhos fechados, cabisbaixa e parecia estar atormentada. Andei devagar chegando bem perto de seu corpo. Senti um troço estranho em meu peito, um sentimento de proteção, e me deu uma vontade de confortála em meus braços. Toda ação causa uma reação, foi então que a peguei pelo braço e a aconcheguei com um abraço, fazendo-a encostar sua cabeça em meu peito. Ela abriu os olhos e me olhou, com aqueles olhos grandes e verdes. Abracei-a ainda com mais força, e encostei o meu nariz em seus cabelos, inalei o seu cheiro inebriante de morango. Nossa, que delícia. Meu coração batia desgovernado, enfurecido, entorpecido. — Você está bem, Ana Beatriz? — perguntei preocupado. — Sim — ela parecia estar chorando. — Você está de carro? — Não. Vou apanhar um táxi, não se preocupe. — Claro que não. Vem que eu te levo até o seu apartamento — falei segurando em sua mão.


Ela apenas balançou a cabeça e me acompanhou, segurando a minha mão. A princípio, pensei que teria que insistir novamente para que ela me deixasse levá-la para casa. Mas ela estava tão triste, que aceitou de primeira. Assim que entramos no carro, virei em sua direção e a olhei com carinho, e não pude deixar de afirmar o quanto ela é linda. Avancei a até ela, mas, no mesmo instante vi o quanto ficou assustada. Foi então, que peguei a fivela do cinto de segurança e lhe mostrei o que estava fazendo. — Calma, só quero proteger... Você — passei o cinto por ela e fixei-o. Sua expressão passou de assustada para meiga. E novamente reparei o quanto ela exalava beleza. Mas, isso não ficou só em pensamento e acabei falando. — Você é linda — minha voz saiu em um sussurro. Na mesma hora ela se mexeu no banco do carro, ficando mais ereta. — Calma, foi apenas um elogio. Agora relaxa e fique calma — consegui dizer somente isso, mas, ela acabou relaxando. Liguei o carro e saí. Ninguém falava nada, só podia ouvir o silencioso barulho do motor do meu carro. Olhei de relance em sua direção e ela parecia estar pensando, enquanto olhava para o lado de fora do vidro do carro. Decido então, quebrar todo o silêncio puxando assunto: — O que você tem? Você está bem? — pergunto e ela libera um longo suspiro. Virou a cabeça o suficiente para responder, mas, antes olhou diretamente nos meus olhos. Não sei explicar, mas, eu tive uma sensação parecida com o que chamam de dejávu. Eu senti que já tinha vivido esta mesma cena, mas, em outro momento. Só posso estar ficando sem juízo. Sua voz me trouxe de volta a realidade. — Sim — falou tão baixo, que quase não ouvi. — Não parece estar realmente bem, mas, entendo que não queira conversar Ana Beatriz. — Apesar de não te conhecer, você pode me chamar de Bia, Aninha, Ana, menos de Ana Beatriz. Fica muito Formal, sabe? — ela fala mais relaxada. Sorrindo. — Posso fazer algumas perguntas? — falo meio sem jeito. — Depende. Pois ainda não nos conhecemos o suficiente. — Me apresentei a você, lembra? — Ah sim! Sei que se chama Gustavo Ferrari, médico, só isso que sei a seu respeito — ela me olha novamente nos olhos, e abre um sorriso que revelou dentes alinhados e bonitos. Deus, essa mulher vai ser a minha perdição. Eu estou sentindo isso, e eu quando quero uma coisa... — Tudo bem! — falo sorrindo. — Prazer, meu nome é Gustavo Albuquerque Ferrari, tenho 32 anos, resido na Barra da Tijuca, sou cirurgião plástico, tenho um irmão caçula. Adoro viajar e sou solteiro — falo isso tudo com um sorrisinho torto idiota. Lembrei da música do cantor Leoni "Garotos" que descreve exatamente como eu me sinto: "Perto de uma mulher, são só garotos." — Agora é sua vez, Ana — a chamei apenas pelo o primeiro nome, e me senti um pouco mais íntimo com isso. Ela entra na brincadeira, sinto que está mais relaxada. Sorri e começa a falar: — Sou Ana Beatriz Medeiros, Gastrônoma, 27 anos, moro na Barra da Tijuca, filha única, amo cozinhar e ler romances de todos os tipos — terminou de falar e me olhou timidamente. Ela não disse se é solteira. Será que aquele otário que ela estava na boate é namorado dela? — Quem era aquele cara que você estava brigando? É seu namorado? — pergunto sem rodeios,


preciso saber. — Não. Hum... Significa que existem possibilidades... — Por que vocês estavam brigando? Ele parecia muito alterado. — Ele estava sim, mas, não foi nada demais. Não precisa se preocupar com isso — tocou no braço onde ele tinha apertado. E logo percebi as marcas dos dedos daquele infeliz. — Ana, ele te machucou? — Olhei para ela, franzindo o cenho. — Não foi nada Gustavo — colocou a mão sobre a marca dos dedos dele. — Foi sim. Olha como o seu braço está ele te machucou — peguei o braço dela e mostrei. — Aquele babaca te machucou — eu disse com raiva. — Eu cuido disso — ela falou, deixando uma lágrima escorrer pelo rosto. Estou virando uma porra de um fofo sentimental. Deus, que não me falte sanidade mental. Não aguentei ver a Ana chorando, na mesma hora parei o carro no acostamento. Olhei para aquela mulher tão perfeita e ao mesmo tempo tão frágil. Tive a mesma vontade de antes, abraçá-la e confortá-la em meus braços. Foi exatamente o que fiz. Fui em sua direção, soltei o cinto de segurança, puxei a Ana e a abracei. Envolvi meus dois braços nela, fazendo com que ela encostasse sua cabeça em meu peito, foi aí que ela chorou copiosamente. Inspirei aquele cheiro de morango que ela exalava e falei: — Pode chorar meu amor — foi à única frase que consegui balbuciar. Meu amor? Balancei a cabeça e afoguei o meu rosto em seus cabelos. Ficamos ali abraçados por um longo tempo, dentro do meu carro. Quando ela se acalmou, continuei o trajeto até a sua casa em silêncio. Estacionei em frente o seu prédio e falei: — Chegamos. Ela saiu dos seus pensamentos na mesma hora que ouviu a minha voz. — Obrigada Gustavo. E... Desculpe... Por... —Não precisa me agradecer, foi um prazer ter você por perto de novo. Quando ela elevou o olhar e me olhou novamente com aqueles olhos verdes lindos, porém tristes, senti um desejo incontrolável em tê-la só para mim. Segurei sua mão e acariciei o seu rosto com carinho. Aproximei nossos rostos e a olhei nos olhos profundamente. Mas, quando desci o olhar para seus lábios, não resisti e foi ali que me perdi. Encostei minha boca em seus lábios, inalei seu cheiro que se fixou em minhas narinas, como uma droga quando entra na corrente sanguínea. Tomei seus lábios com um beijo tão intenso e desesperador. Enfiei a língua em sua boca explorando toda a sua extensão, chupei sua língua, mordi seu lábio inferior, ficamos ali nos beijando. Quando a energia que estava entre nós esquentou, senti que ela recuou. Decidi não forçar a barra. Paramos respirando ofegantes, encostei minha testa na dela e falei: — Você vai ser minha perdição, mulher — sussurrei inspirando tudo o que vinha dela. — Eu preciso do número do seu telefone — eu disse e ela sorriu ainda com os olhos fechados. Peguei a bolsinha que estava em seu colo, abri e achei o seu celular. Disquei o meu número e esperei dar um toque e encerrei a ligação. Guardei-o novamente em sua bolsinha, e entreguei a ela. — Agora eu tenho o seu número, seu endereço residencial, comercial e o sabor mais gostoso que já experimentei em minha boca. O seu.


Capítulo 6 - Ana Beatriz — Mamãe, Papai? — Oi! — respondemos juntos. — Escuta isso: — ele fala com sua vozinha deliciosa. "Vaca amarela soltou um puff na panela, quem falar primeiro vai sentir o puff dela" — Sentir o que meu anjo? — eu pergunto. — A mamãe perdeu! Ela falou papai. — Perdi é? — Perdeu sim! Vai sentir o puff dela na panela. "Eca" que nojo, mamãe — ele faz uma careta engraçadinha e tão lindinha. — Ah! Perdi que pena... — Adorei a musiquinha, filhão — Lorenzo diz para Rafael. Gargalhamos juntos e ficamos ali em nossa cama em um final de domingo, frio e chuvoso até o Rafael pegar no sono entre nós dois. Permanecemos em silêncio velando o soninho tranquilo e gostoso do nosso anjinho. — Vocês dois são as pessoas mais importantes da minha vida. Não sei o que faria sem você e nosso filho. Amo vocês incondicionalmente — Lorenzo corta o silêncio, sussurrando em meu ouvido. — Você é o homem da minha vida. Eu te amo tanto — sussurro de volta em seu ouvido. — Obrigado por me fazer um homem feliz, o mais feliz do mundo. Agora vem aqui cuidar do seu marido — ele me puxou e nos rendemos a um beijo apaixonado. — Quero estar em você agora — ele disse mordiscando o meu lábio inferior. — Calma Lorenzo... Vou colocar o Rafael no quarto dele. Antes de levá-lo, ele beijou a cabecinha do nosso anjo e falou em seu ouvido: — Papai te ama, filho. Deixei o quarto com o Rafael no colo e o coloquei em sua cama personalizada com o formato de um carro. Beijei o seu rostinho gordinho, e o deixei sozinho. Entro em meu quarto e vejo Lorenzo me esperando, completamente nu. — Isso tudo é só para mim? — pergunto caminhando até ele. — Vem aqui minha Morena. Passei o dia inteiro desejando estar enterrado dentro de você, mas, o nosso anjinho não nos deu folga — beijou-me desesperado, arrancando a minha camisola curta. Olhou-me com os seus olhos negros e intensos, disse em sussurros: — Você é a mulher mais linda que já conheci em toda minha vida — puxou-me e me faz deitar em cima de seu corpo quente, inverteu-nos de posição, passando a ficar por cima de mim. O seu olhar carinhoso fez-me sentir uma felicidade plena e cravada em minha alma. Beijou o meu pescoço da maneira dele, devagar quase parando, passou a barba cerrada em meus seios me deixando toda arrepiada.


— Vou deixar você molhadinha, depois vou tomar todo o seu melzinho — alisou a minha bunda com adoração e sem que eu esperasse, rasgou com as duas mãos a minha calcinha branca de renda fina. — Ai... Lor... Desceu os lábios plantando beijos molhados e roçando sua barba em todo o meu corpo até chegar onde eu ansiava. Quando parou entre minhas pernas, massageou com seus dedos, a minha vulva e clitóris. — Ai que delí... Lorenzo... — Isso geme... Amo escutar você gemendo. Você está molhadinha e gostosa. Hoje vou comer você todinha — sussurrou com os lábios encostados em meu clitóris. — Vou comer você aqui — ele fala e lambi bem devagar. — Depois sua boquinha gostosa e por último, essa bunda redondinha, em que sou tarado — aumenta a velocidade da língua e enfia o dedo com tudo dentro do meu sexo latejando por mais e mais. — Oh Deus! — choramingo pronta para entrar em combustão. — Lorenzo... Por favor... — Por favor, o quê? — diz com sua voz grossa que me excita ainda mais. — Por favor, eu preciso de você agora... ** Acordei atordoada com o barulho da campainha. Nossa... Que sonho! Levanto-me da cama e pego o robe de seda branca que está na poltrona ao lado da cama e visto rapidamente. — Quem será a essa hora da manhã? Caminho até a sala de estar e escuto a campainha de novo. Olho no olho mágico e vejo a imagem do Alex. Então resolvo não abrir. — Bia eu sei que você está aí, abre a porta preciso falar com você. Por favor, princesa, abre essa porta. Respiro fundo e respondo: — Não, vai embora! — Não. Só saio daqui depois que eu conversar com você. Por favor, abre! — Não! Vai embora! — repito de novo, já sem paciência. — Por que você é tão teimosa? Pensando bem, acho esse seu jeito pirracento uma gracinha. Acho que foi esse seu lado que amei primeiro quando nos conhecemos. Lembra você discutindo comigo sobre ervas e condimentos químicos? Eu me apaixonei no mesmo instante que você me chamou de louco — escuto tudo calada, e a cada palavra, relembro o dia que nos conhecemos, dou uma risada quando ele me chama de pirracenta. — Bia? Você gostou de estar comigo pelo menos uma vez na sua vida? — pergunta, mas não respondo. Ele continua falando: — eu amei todas as vezes que estivemos juntos, principalmente as poucas vezes que estive aí dentro com você, em sua cama. Quase sempre eu repasso em minha cabeça, os detalhes só para reviver imagens suas comigo — Alex disse. Oh céus! Coitado. Vou ter que abrir. — Bia? Você está me ouvindo? — Sim Alex... Encosto na porta e consigo sentir e escutar o ruído da voz dele, quando diz: — Estranho seria se eu não me apaixonasse por você — conheço essa frase de alguma música que não me recordo. Mas, esta frase está cheia de significados, penso aturdida com a situação.


— Você... — ele suspira e consigo escutar o suspiro através da porta. — Bia... Você é especial para mim. Abre a porta princesa. — Você não deveria estar aqui, já viu que horas são? — perguntei, mas, não faço ideia de que horas seja. — Você deveria estar no restaurante — falo tentando não dá ênfase ao que ele acabou de me revelar. — Bia para de fingir que não escutou o que falei. Se você não abrir, vou gritar para todo mundo ouvir. Escutou? EU SOU APAIXON... — Nossa ele é louco mesmo. Abro a porta imediatamente, antes que os vizinhos achem que tem um louco gritando no corredor. — Oi! — ele fala com um olhar triste e com olhos vermelhos. — Oi. Entra Alex — dou espaço para ele passar e fecho a porta. — Senta. — Ele fica me olhando sem falar nada. — Não. — Teimoso. Veio em minha direção e perguntou: — Posso abraçar você? — Alex... Você disse que seria apenas uma conversa. — É isso que vim fazer. Mas, antes quero um abraço — ele abre os braços e acabo cedendo. Oh, senhor! Depois do sonho, com as lembranças do meu ex-marido. Dai-me forças! — Me perdoa? Fui um bundão filho de uma puta, por ter feito tudo aquilo com você — falou perto do meu ouvido. — Diz que me perdoa, por favor... Bia — ele continua falando. — Eu sei que está sendo difícil superar tudo o que você viveu. Mas, você sabe o que eu acho sobre tudo isso. Eu não quero te abandonar, mesmo que você tenha me mandado seguir minha vida por várias e várias vezes, com a desculpa de que você nunca se doaria o suficiente em um relacionamento. Agora ele está com a cabeça deitada em meu ombro. A imagem deve até ser engraçada. Alex um homem de 1,80cm, forte nessa situação, digo, deitado com a cabeça em mim que e tenho metade de seu peso. — Alex... Eu... Quero que você seja feliz por completo, não por partes. Olha para mim, Alex... — acariciei sua cabeleira loira e levantei o seu rosto com as duas mãos. Ele encarou-me com os seus olhos verdes, piscou-os para afastar uma lágrima solitária que escorreu pelo o seu rosto. — Diz que me perdoa? — Eu já te perdoei. Ok? — ele balança a cabeça e me abraça mais apertado e cheira o meu pescoço. — Eu te amo. Levo um susto com essa frase e no mesmo instante quase grito... — Não — digo desesperada. — Sim, e você não pode mudar isso. Eu. Te. Amo. Bia. Aconteceu o que eu evitei por muitos anos. Era para ser apenas uma aventura misturada ao prazer e satisfação. Ouvir Alex dizer o que sente, me entristece. Não quero ser amada, não quero amar ninguém, não estou pronta para assumir um relacionamento. Preciso deixar isso claro, não quero fazê-lo sofrer, de forma nenhuma. — Alex... — respiro fundo antes de falar o que realmente penso sobre isso tudo. — Você sempre foi e será meu melhor amigo, sempre esteve ao meu lado desde quando nos conhecemos. Mas... — Solto todo ar que estava segurando em meu peito. — Eu não... Não... — Eu não quero ser amada, não quero que crie expectativas entre nós dois. Nunca menti sobre o que realmente quero. Você sempre


soube e nunca se importou, agora vem com essa de que me ama e isso não pode ser mudado — sua expressão mudou rapidamente, fitando-me com o olhar triste. — Bia, eu te amo e você não pode mudar isso. Mesmo que você me deixe para um futuro distante, mesmo assim valerá a pena eu correr esse risco. Agora se você prefere somente sexo casual, tudo bem, eu aceito — como isso está sendo difícil, meu Deus! — Meu amor, eu sou sua amiga e preciso ser sincera, eu não quero te dar esperanças e não quero machucar você. — Não me importo em ser usado, desde que me use com carinho e me proporcione muito prazer — juro que estou me mantendo firme, mas, ele não facilita. — Me escuta, Alex Monteiro! Você não merece somente sexo. Cara, tu é lindo, inteligente, carinhoso. E... Especial. Não quero só te usar, eu queria poder corresponder à sua altura, mas, não posso. Eu não consigo — ele escuta tudo quieto. Quando termino de falar, ele se aproxima ainda mais, segura meu braço e diz: — Mas, se é somente isso que você pode me oferecer, eu aceito. Eu só preciso de você, mesmo que isso amanhã me faça sentir-me ainda mais infeliz — ele sorriu, mas, seu sorriso não chegou aos seus olhos verdes. Isso me entristece, não quero ver meu amigo sofrendo, ainda mais por mim. — Você enlouqueceu! Deus, isso não poderia ter acontecido— falo alto. — Princesa... Se um dia, não importa quando, você superar todo esse trauma que te corrói, e decidir recomeçar uma nova história, estarei aqui ao seu lado, esperando ansiosamente para fazer você a mulher mais feliz do mundo. Meu amor, eu não me importo em ficar esperando — fala acariciando com uma das mãos o meu rosto e a outra alisando o meu braço. Ele sorriu ainda com os olhos tristes e isso me golpeou. Não quero ser a responsável por seu sofrimento. — Pode me usar, sou todinho seu, da maneira que você quiser... Escuto tudo isso muito assustada. Alex sempre foi sacana, tem um jeito brincalhão. Mas nunca o ouvi falar dessa maneira. Nunca percebi esse amor todo que ele está dizendo ter por mim. Agora tudo faz sentido, suas ações, seus carinhos, não eram apenas sexo, sempre teve algo a mais, desde o início. Ai como fui imbecil, nunca irei me perdoar em ter usado o meu melhor amigo. Sim, eu o usei até enjoar. Essa é a mais pura verdade. — Você lembra quando rolou a primeira vez entre nós dois? Foi Inesquecível... Ahhh... — ele geme de olhos fechados e continua falando: — lembro-me de cada detalhe até hoje. Fez jogo duro, isso me deixou louco, fiquei desesperado atrás de você. Mas acabou caindo em meu colo e adorou. Gostou tanto que ficamos em meu apartamento por três dias, trancados, sem comunicação nenhuma com o mundo real. Recordo-me de você falando: "Ai... Alex não estou preparada, há muito tempo não tenho relações sexuais" — ele disse tentando emitir uma voz feminina. — Para! Você está me deixando sem graça, seu doido — eu falei realmente corada. Mas, essas lembranças fizeram minha vagina contrair involuntariamente. Afinal, são três meses sem ter um orgasmo de verdade. — Imagine só se você estivesse preparada? Eu seria um homem morto. Você foi uma menina malvada, abusou do loirinho aqui, por três dias e três noites — diz dando um sorrisinho safado. — Gostei tanto que te convidei para ser meu sócio, lembra? — sorrimos juntos. Seus olhos mudaram de verde claro para um verde escuro. Acompanhei em câmera lenta a sua língua tocar o lábio inferior para umedecê-lo. Ele está me seduzindo, conheço o Alex... Ele gosta desse joguinho de sedução. — Posso te pedir uma coisa? — perguntou-me com os olhos semicerrados. — Sim — respondo já sabendo do que se trata.


— Fica comigo, por favor? Nem que seja só por hoje. Diz que sim? Ai meu Deus! Sou uma bruxa de galocha que ilude pessoas para obter sexo, parece que os papeis inverteram-se, eu sou o homem dessa vez. Eu não queria fazer isso, mas, eu não resisto. Juro que tentarei ser mais decisiva da próxima vez... Por que agora estou no modo “fraca”. — Sim, mas, será a nossa última vez — estou sendo uma cretina, bastarda, vadia e aproveitadora. Mas, a carne é fraca. — Se você está dizendo isso... Sentou-se no sofá e me puxou pela cintura fazendo-me cair em seu colo. — Aiiii... Alex! Seu Louco! — deixei escapar um gritinho estridente. — Sou louco por você. Pode gritar princesa, mas, grita na minha boca — sugou os meus lábios com volúpia. Beijamo-nos intensamente, ele intercalou o beijo com mordidinhas em meu pescoço. Friccionei as coxas para aliviar a minha excitação, afinal estou há quase três meses sem sexo. — Você é deliciosa — sussurrou em meu ouvido, desceu e lambeu o meu pescoço. Consigo me afastar um pouco, viro de frente para ele, abro as minhas pernas em torno de sua cintura. Então, ele desfaz o nó do meu robe e vê que não uso nada por baixo. — Nossa... Bia! Nunca mais me deixa de castigo. Você é única em minha vida. Pode acreditar! Única. Sempre foi a única. Quando eu estiver enterrado dentro de você, não vou querer sair nunca mais. Ele acariciou meus seios com suas mãos e sugou o direito com força. — Ahhhh... — liberei um gemido baixo enquanto sentia a tortura deliciosa. Lambeu, chupou, mordeu e lambeu de novo, no modo Alex. Bruto e carinhoso. Às vezes tenho a impressão que ele quer me provar o quanto é bom, o quanto é macho Alpha. — Vamos pra cama, quero foder você todinha. E, só irei sair de dentro de você quando eu quiser, está me entendendo? — Levantou comigo em seu colo, com as pernas em torno de sua cintura. Continuamos nos beijando insanos como se estivéssemos fazendo sexo com boca, sua língua invadindo todo o meu espaço, me levando à loucura. Seguimos para a minha suíte. Quando chegamos ao quarto, ele me jogou na cama, e foi se livrando da blusa, e a jogou em minha direção. Oh Senhor, dê-me forças! Que corpo perfeito. Quando Alex não está no restaurante, ele está malhando ou vice e versa. É tão forte, que fico com receio de ser partida ao meio por ele, sou um papel de arroz em suas mãos. — Está apreciando? Eu sei que gosta do que vê. Todas gostam! — O safado faz um biquinho de cafajeste quando deixa claro que "transa" com outras. Ele me deixa confusa! Ele se ajoelha sobre a cama, senti o colchão afundar, deitou sobre mim, abri as pernas para acomodá-lo, sinto sua ereção enorme sobre o jeans, ele a esfrega em minha vulva completamente encharcada. — Vou deixar você preparada para receber meu pau todinho nessa bocetinha gostosa. Deslizou dois dedos e pressionou o meu clitóris, fazendo movimentos circulares, escorregou um dedo para dentro do meu canal. — Nossa... Alex... Eu... — O safado parou os movimentos e tirou o dedo, chupou e segurou o meu rosto com agressividade. Fitou-me nos olhos e falou: — Amo sentir esse gosto, mas, vou deixar para mais tarde, por que agora vou ser duro com você. — beijou-me invadindo minha boca com sua língua usurpadora e agressiva. Saiu de cima de mim e ficou de joelhos entre as minhas pernas, desceu o zíper e abaixou o jeans junto com a cueca. Segurou o membro masturbando-o. Deitou-se novamente sobre mim beijando-me dessa vez com carinho. Olhou-me por longos segundos e disse:


— Olha só como você me deixa — olho para seu membro rosado longo e grosso. Deu água na boca, minha vontade é chupá-lo até sentir todo seu esperma em minha boca, mas, vou deixá-lo conduzir a brincadeira. — Princesa... Não tenho camisinha... — a carinha que ele fez foi divertida, pareceu uma criança que fez arte. Alex e eu costumávamos a transar sem camisinha, mas, depois que decidimos por não termos mais compromisso, passamos a usá-la, mesmo que ele esteja sempre dizendo que não gosta. — Você ainda faz uso do anticoncepcional? Diz que sim princesa... Eu não vou aguentar ir até uma farmácia — engraçadinho. — Eu amo sentir a sua boceta sem ter um plástico apertando o meu pau. — Não uso mais Alex. — Por que não? — pergunta com curiosidade. — Para que vou tomar anticoncepcional? Eu não tenho uma vida sexual ativa e não transo há quase três meses — escuta com atenção e sorri com o que eu falo. — Então quer dizer que você não esteve com mais ninguém além do loirinho aqui? — fala apontando para o próprio corpo. — Alex, você sabe muito bem que nunca estive com ninguém depois de você. Mas não pense que vamos transar sem camisinha, de jeito nenhum. Agora a pouco você afirmou que esteve com outras, eu não vou me descuidar só para ter sexo. — Ficou com ciúmes das "outras"? — Não! — Sabia que quando você faz pirraça, fica ainda mais bonita? Eu também não estive com mais ninguém, eu disse a você que é a única em minha vida. — Não estou fazendo pirraça e eu não acredito em você. Nunca me disse isso antes. — Estou dizendo agora, isso é o que importa. Eu amo você, será que não percebeu isso? — Não fala nada, pare! Você sempre teve outras sim. E não fale mais isso. — Entendi... Isso é ciúme? Esse seu biquinho te entrega quando está nervosa. — Eu? Eu não estou com ciúmes, não estou fazendo pirraça e muito menos fazendo biquinho. Só quero transar com segurança — falo seca, mas, realmente senti uma pontada de ciúmes. — Tem camisinhas no banheiro, estão na primeira gaveta do armário — falo rápido demais. Ele saiu de cima de mim e levantou da cama com toda calma do mundo. Ficou de pé, tirou os tênis e livrou-se da calça jeans. Olhou-me nos olhos e desviou para o meu sexo com desejo. — Vai logo, Alex! Agora! Ele saiu dando gargalhadas. Voltou com o pacotinho nas mãos e colocou ali mesmo de pé ao lado da cama. Deitou sobre mim novamente e brincou com os meus seios, mordiscando e beijando os meus mamilos intumescidos. — Você tem os seios mais lindos que já vi. Mamilos rosados e seios redondos que cabem certinhos na minha boca — deu-me um sorriso carregado de desejo e luxúria. Segurou o pênis pela base, esfregou em minha entrada e enfiou devagar. Soltei um gemido alto. Estou ao ponto de ter um orgasmo precipitado. — Aiiii... Sinto um desconforto mais logo acostumo com a invasão. Fecho os olhos e começo a acompanhálo, movimentando-me por baixo dele. — Isso minha princesa, mexe vai. Eu amo essa sua... Bocetinha gostosa e apertadinha está estrangulando meu pau todinho. Vou enfiar todo ele — avisa já metendo toda sua extensão com força. Gememos juntos. Alex aumentou a velocidade, jogou a cabeça para trás e murmurou frases desconexas. Não


consegui captar nenhuma das palavras, mas, mesmo assim elas surtiram efeito, meu corpo aos poucos iniciou um processo de combustão, sinto-me pronta para explodir a qualquer momento. — Você é a única, sempre foi — beijou-me ensandecido, puxando os meus lábios com os dentes. Desceu dois dedos, encostou-se em meu clitóris inchado e massageou fazendo movimentos rápidos e circulares, ao mesmo tempo ele continuava estocando com força, me levando à loucura. Sinto o meu sexo contrair repetidamente me avisando que viria algo maior. — Oh... Alex... Vou... Você... Gostoso... — Goza... Minha princesinha — nos beijamos excitados até... A campainha tocar repetidamente. Alex e eu tomamos um susto, como se estivéssemos fazendo alguma coisa escondidos. Olhamos um para o outro ainda nos movimentando, mas ao mesmo tempo confusos. A campainha tocou de novo... — Quem será o empata foda? — ele pergunta com a respiração ofegante. — Não sei, os únicos que sobem sem serem anunciados pelo interfone, são você e Fernanda. — Porra! Vou matar a Fernanda! — Antes de sair de dentro de mim ele estocou devagar e retirou o membro totalmente ereto de dentro do meu canal úmido e quente. Senti o vazio que ficou no meio das minhas pernas e resmunguei baixinho. — Atende ou não? — perguntou-me sem paciência. — Cadê o meu robe? — Ficou na sala. — Vista a calça, coloca essa camisa — ordenei baixinho. — ARGH! — resmunga da situação. Saímos juntos do quarto. Quando chegamos à sala, vesti meu robe e fui até a porta. Olhei no olho mágico e tomei um susto com a pessoa que estava lá fora. — Quem é? — Alex pergunta alto demais. Faço sinal para ele se calar e falo baixinho: — Vai pôr a blusa e fecha essa calça, por favor! Vou abrir a porta. Ele me olhou desconfiado e perguntou de novo. — Quem é Bia? — Um amigo — foi à única frase que consegui dar como resposta. — Amigo? — pergunta insistentemente. — Sim. Vou abrir a porta. Passo as mãos em meus cabelos, na intenção de amansá-los, pois são cheios e a essa altura depois de tudo que eu fiz, deveriam estar avassaladores. Girei a chave e destravei o trinco da porta, rodei a maçaneta gelada e finalmente abro a porta. E... A imagem do Gustavo Ferrari invadiu o meu espaço. Fitamo-nos por alguns segundos que pareceram infinitos. Não falei, não respirei, fiquei ali, à mercê apenas do seu olhar penetrante de olhos azuis capazes de dominar qualquer ser vivo. E, por um instante esqueci-me até do meu nome e de tudo o que eu estava fazendo há alguns minutos atrás. Meu cérebro trabalhou rapidamente enviando aquela imagem perfeita diretamente para um espaço onde essa imagem jamais seria removida. Sabe aquela parte do cérebro onde acontecimentos importantes são armazenados? Então, foi exatamente isso que ocorreu. Aquela imagem quase épica foi classificada como memória programada, pois jamais esqueceria tanta beleza e certamente a visualizaria milhares de vezes em minha mente. A sua voz altiva e grossa, interrompeu a intensidade de nossos olhares. Ele é hipnótico, quase surreal, um mutante de olhos penetrantes.


— Oi Ana. Não sei ao certo porque, mas instintivamente levei minha mão direita a minha boca e toquei meus lábios. Lembranças do beijo molhado e insano que trocamos vieram como um bombardeio em minha mente. Não consigo esconder a surpresa em vê-lo. — Oi Gustavo — continuei olhando-o surpresa. — Não vai me convidar para entrar? — ele perguntou de cenho franzido e um leve sorriso em seus lábios morenos com o formado da letra “M”. Tentação! — Claro... Entre! — abro a porta completamente até o seu limite e me afasto dando passagem a ele. Entrou, virou-se e segurou a minha mão direita para em seguida puxar-me para um beijo. Nossos lábios quase se tocaram, consegui inspirar o cheiro amadeirado de sua colônia. Inclinei a cabeça no último instante, antes do beijo anunciado pelo o nosso corpo, ganhar vida. Ele se afastou e pareceu confuso. — Me desculpe vir até o seu apartamento. Mas, fiquei preocupado com o estado que você estava ontem. — Estou bem, obrigada. — Fico feliz por estar melhor — ele disse. — Atrapalho? — ele pergunta olhando de mim para um Alex completamente furioso no meio da sala. — Oh... Claro que não — fico constrangida com toda a situação e realidade. Para amenizar a tensão que se instalou no ambiente, decido apresentá-los. — Alex? — chamo Alex que está em pé ao lado da mesa de jantar. Ele fitou-me com fúria nos olhos. —Alex... Esse é o Gustavo, um amigo — Alex estende a mão para cumprimentar o Gustavo que não o cumprimenta com o aperto de mão, só acena com a cabeça. — Gustavo, esse é o Alex, meu amigo e sócio — quando falo a palavra "amigo" Alex me olha quase explodindo pelos olhos. Eles se olham como os lutadores de luta livre quando são apresentados antes do primeiro round. Que louco! — Gustavo sente-se, fique à vontade. Vou me trocar e já volto — quando digo que irei me trocar, Gustavo lança automaticamente os seus olhos em direção aos meus seios cobertos apenas por um robe branco, quase transparente. Na mesma hora coro de tanta vergonha da maneira que estou vestida na presença de dois homens. Estou parecendo uma pervertida, tentando seduzi-los. — Alex faça companhia ao Gustavo, enquanto me troco? Por favor! — Alex não responde e me lança um olhar mortal. Oh Deus! Dê-me paciência. — Bia, quero falar com você. Agora. E. Sozinho — Alex fala e me segura pelo braço praticamente me obrigando a segui-lo. Seguimos para o meu quarto, decidi não contrariá-lo para não brigarmos de novo, principalmente na presença do Gustavo. Quando entramos no quarto, ele fechou a porta atrás de nós, me olhou e disse: — Bia... Esse cara é o mesmo que você estava dando mole ontem na boate. Que porra é essa? O que ele está fazendo aqui? — esbravejou alto o suficiente para o Gustavo escutar lá da sala. — Fala baixo seu louco e nunca mais me segure com agressividade, não sou propriedade sua e de


ninguém — completo a frase apontando o indicador em seu peitoral definido. Ele me fita com raiva e bufa... — Responde Bia! — grita as palavras. — Sim. Quando você se acalmar — falo e desfaço o nó do meu robe e vou até o guarda-roupa para pegar minhas roupas. — Me acalmar? Porra... Você transou com esse playboyzinho? Bia... Fala logo! — Alex vou falar pela última vez... Não temos compromisso. Então, não lhe devo satisfações. Agora, sai daqui, você ultrapassou todos os limites possíveis. Consegui trazê-lo para realidade, pois seu olhar suaviza e ele se aproxima com cuidado, esperando alguma reação da minha parte. Grunhiu baixinho e disse: — Entendi — encostou sua boca em minha testa e plantou um beijo. — Olha como eu estou... — falou segurando a sua ereção protegida pelo jeans. — Não acredito que você vai me deixar nesse estado... Duro e com a porra de uma camisinha sufocando o meu pau — suspiro e encaro os seus olhos ainda com resquícios do que estávamos fazendo há poucos minutos atrás. — Alex... Depois conversamos com mais calma. Agora sai e me espera na sala, preciso me vestir. — Depois de estar completamente nua bem na minha frente, lembra que precisa se vestir? — ironiza a situação. — Sim. Preciso esfriar os pensamentos. Sai por favor! — assentiu. — Vou, mas eu volto — saiu batendo a porta atrás de si. Realmente o Alex está ficando louco. Será que eu estou deixando-o assim? Espero que não. Vesti uma calcinha branca de algodão e um sutiã branco todo de renda. Pus uma regata preta simples e uma bermuda jeans. Corri para o banheiro escovei meus dentes e uso de enxaguante bucal, pois ainda sentia o gosto amargo de todo o álcool que consumi ontem à noite. Lavei meu rosto, sequei com a toalha de rosto pendurada ao lado da pia. Passei os dedos em meus cabelos para diminuir o volume. Meus cabelos são ondulados e longos, então qualquer coisa no ambiente interfere diretamente no seu "humor". Quando terminei, fitei a minha imagem refletindo no espelho e me perguntei... — O que o Gustavo Ferrari, realmente está fazendo aqui? — expirei todo o ar dos meus pulmões e saí do quarto. Quando cheguei até a sala, vi o Gustavo mexendo em seu celular totalmente distraído. Olhei em torno da sala, que não era lá essas coisas, é média e aconchegante. Meu apartamento é de porte médio, dois quartos, uma varanda confortável, uma vaga na garagem. O ideal para mim. Não encontrei Alex na sala e nem na cozinha americana, que de onde eu estava parada dava para visualizar tanto a sala quanto a cozinha interligada com a sala. Quando pensei em me aproximar do Gustavo, ele levantou a cabeça e encarou-me com seus olhos azuis, a princípio o seu olhar era de surpresa, mas, logo depois, ele franziu o cenho e me olhou com... Raiva? Não entendi nada, mas, resolvi cortar esse contato, fazendo uma pergunta. — Cadê o Alex? — Se você que estava em seu quarto com ele não sabe para aonde ele foi. Eu é que vou saber? Simplesmente isso que escutei da boca de um homem que mal conheço, e pior dentro da minha casa. — Você realmente deveria saber para onde o seu namorado foi. Não eu — continuou falando com prepotência.


O olhei confusa e disse: — Quer satisfação também? — Quê? — ele pergunta sem entender. — Eu, estou te perguntando se você quer que eu lhe dê satisfações de tudo o que eu faço. Entendeu? — Não. Sinceramente, não entendi — ele respondeu. Espera aí... Estamos discutindo? Quando permiti que isso iniciasse? Oh Deus! — Me desculpe. Estou sendo grossa com você. Ele se levantou com a testa enrugada que o deixava ainda mais com a cara de mau. Aproximou mais um pouco e falou: — Vim saber se estava melhor, vejo que está bem melhor e até demais. Então, já vou indo — virou e seguiu em direção a porta da entrada. — Espere Gustavo! — falei alto. Ele parou no meio da sala, virou-se a fim de fitar-me e disse: — Ana Beatriz, ontem vi aquele babaca que você disse ser seu amigo, gritar com você e por pouco não lhe agrediu. Pensei que ele fosse uma ameaça a você. Então, corri igual a um louco para te encontrar e ver se precisava de ajuda. Te encontro atormentada e desolada, sozinha de madrugada na porta da boate, te ofereci carona e você aceitou. Não sei por que, mas você chorou desesperadamente em meu peito e depois nos beijamos igualmente desesperados. Confuso não é? — ele pergunta com ironia. — Agora eu te pergunto? — ele levanta as sobrancelhas e abre ainda mais os olhos azuis. E continua falando... — Ele é seu namorado? — Espera a resposta com o olhar fixo nos meus olhos. — Não — falei, mas saiu quase um grito, ao invés de uma palavra. Por que estou agindo desse jeito igual a uma idiota? Estou sendo grossa e mal educada com ele. — Me desculpe novamente Gustavo. Estou um pouco confusa com tudo que vivi em menos de um dia. — Ah sim! Mas você ainda não respondeu à minha pergunta — fitou-me ansioso. — Ele não é meu namorado. Ele é meu sócio e meu amigo — falo sem entender o seu interesse em saber se estou namorando o Alex. — Então, por que ele entrou no seu quarto e falou tudo aquilo com você? — ele escutou tudo o que Alex falou no quarto. Sabia! Avisei para aquele louco falar baixo, mas, ele é impulsivo e descontrolado. Meu Deus! — Gustavo, eu e Alex somos amigos há muito tempo, sabe... Temos intimidade o suficiente para entender as vontades um do outro — tento explicar todo o mal-entendido, mas parece que piorei a situação. — Entendi Ana Beatriz — ele me olha com desprezo. — Desculpe a intromissão, mas, achei que você estivesse com algum problema. Por isso vim até seu apartamento somente para saber se está melhor. Mas agora preciso ir... — Ah sim! Mas você precisa me responder algumas perguntas Gustavo — falo rápido demais e ele me olha sem entender. — Como você conseguiu subir sem ser anunciado? Como você sabia o número do meu apartamento? Por que você fez tudo aquilo por mim ontem à noite ou hoje de madruga, não sei ao certo? E, principalmente por que você me beijou? — Precisava entender tudo o que ele pensava sobre isso. Olhei para aquele homem com ar de arrogância e prepotência, vi como exalava imponência. Aquela imagem refletia em meu cérebro em forma de energia, meu cérebro funcionava a todo vapor. Observando e salvando cada detalhe dele. Cabelos cheios e negros, pele clara, rosto másculo chegando até ser um pouco épico, como aquele Deus Grego das histórias de mitologia. Nariz longo


que se encaixava perfeitamente a seu rosto, boca grande de lábios vermelhos e delineados como se tivesse sido desenhado à mão, queixo quadrado e perfeitamente enfeitado por uma barba escura por fazer, completando o pacote de um homem espetacularmente maravilhoso e soberano. Qualquer mulher ficaria de quatro por um homem assim, ainda mais depois de poder sentir a intensidade dos seus beijos. Mas eu, eu não sou qualquer mulher. Muito menos estou à procura de um homem. Enquanto visualizava cada parte de seu corpo e expressão de seus olhos, ele resolveu responder às minhas perguntas que, sinceramente nem lembro mais o que perguntei. — Eu disse na portaria que era seu irmão. E... O porteiro autorizou a minha entrada. E quando entrei na recepção, uma mulher, acho que era a recepcionista me informou seu andar e número do apartamento — ele explica na maior tranquilidade, como se aquilo fosse normal. Fiquei realmente desapontada com a segurança do prédio. Eu nem tenho um irmão. Que doideira! — E, quanto a tudo que houve entre nós dois... Creio... Que você gostou tanto quanto eu. Então, não tenho o que explicar a você. Preciso realmente ir, tenho compromisso daqui a pouco. — Ele me olha com arrogância como se quisesse me dizer que tem compromisso com alguém do sexo feminino. Ah vá! Pensei eu... Como se eu me importasse com isso... Ou me importo? — Ok! Obrigado por vir e fique à vontade para retornar quando quiser. Mas, peça para anunciá-lo antes de subir — falo no mesmo tom arrogante que ele usou para falar comigo, sobre o suposto encontro. Caminho até ele e estico a mão para abrir a porta. Quando abro, ele sai se aproxima e beija meu rosto, mas o beijo saiu meio que, molhado e eu pude sentir o cheiro refrescante de sua boca. Fechei os olhos por instinto e quando os abri encarei o seu rosto me olhando bem de pertinho, com uma expressão confusa. — Tchau Ana Beatriz! Até qualquer dia — virou-se e partiu. — Tchau Gustavo! — Seu nome saiu quase como um gemido dos meus lábios. Nem se quer olhou para trás. Nossa que difícil! Entrei e fechei a porta atrás de mim. — Nossa que começo de sábado animado. Que homem intenso! Fui até a minha pequena mesa de jantar de vidro e aço. Peguei minha clutch e retirei meu iPhone lá de dentro totalmente sem bateria. Fui até o banheiro do meu quarto e coloquei para carregar. Deixo carregadores estrategicamente espalhados pelo apartamento para me lembrar de carregar o celular, já que sou esquecida, então tive essa ideia louca de espalhá-los. Preciso ligar para Fernanda. Ontem não nos despedimos direito, depois da crise do Alex. Segui em direção a cozinha fui até meu refrigerador, abri e peguei uma garrafa de suco natural de laranja, levei até a boca e bebi desesperadamente sem respirar. Parecia que estava sem ingerir líquidos há dias. Quando terminei, segui para minha varanda para ver minhas plantas e flores. Peguei o mini regador, o abasteci e comecei a cuidar da minha mini horta, inspirei uma mistura de temperos que cultivava: alecrim, manjericão, pimenta dedo de moça e hortelã. Queria uma horta completa, igual eu tinha quando ainda era casada com Lorenzo e tinha Rafael ainda vivo e pulsante. Soltei um longo suspiro, chegou a doer meu peito. Mudei o foco da horta para minhas orquídeas expostas em vasos de porcelana branca. E fiz o de sempre: — Oi meus amores... Como vocês estão? — Cheirei carinhosamente uma por uma e depois reguei cada uma com o necessário de água. — Estão a cada dia mais lindas. Amo conversar com as flores, meu ex-marido Lorenzo era biólogo e me ensinou a amar as flores. Ele trabalhava em um centro de pesquisas na França que estudava espécies de plantas para produção de remédios e cura de doenças. Refiro-me a Lorenzo no passado porque para mim ele está morto,


pois cortou qualquer contato comigo, me exilou, aboliu, apagou da sua vida. Fecho os olhos com força para afastar a tristeza que sinto quando penso nisso. Eu tinha três vasos com orquídeas de cores diferentes. Em um dos vasos tinha orquídeas lilás e algumas nasciam brancas com detalhes rosa, No segundo eu mantinha orquídeas azuis, essas eu achava a mais especial, pois era difícil encontrá-la em qualquer floricultura. A do terceiro era uma cor indefinida entre amarelo e coral, ainda estava com pequenos botões fechados. Não via à hora de vê-las totalmente abertas e esplêndidas. Terminei meu ritual e aproximei do batente de blindex da varanda, me apoiei e olhei para imensidão do mar azul que considerava o meu quintal. Olhar para esse mar, me traz conforto, é como se estivesse sendo abraçada por alguém que me conforta sem questionar as minhas atitudes, juro que às vezes consigo escutá-lo me dar conselhos e depois disso, ganho forças para continuar minha vida e minha rotina. Fiquei ali, olhando para o infinito azul fixamente como se eu quisesse dizer de alguma forma e sem palavras que a cada dia que se passa, me sinto uma presidiária cumprindo sua sentença em liberdade, dada pelo meu passado. E não consigo mais carregar este fardo e principalmente a culpa cravada no meu peito. Sou jovem, não mereço me martirizar por acontecimentos do passado. Fecho os olhos e inspiro aquele cheiro de maresia que tanto amo. Resolvo sair dessa deprê. Sigo para o quarto e entro no banheiro para pegar meu celular. Assim que ligo o aparelho, entra várias mensagens do Alex e mensagens informando que tenho ligações que foram para caixa postal. Decido não verificar nenhuma. Disco para Fernanda e espero ela atender... Ela atende no terceiro toque. — Oi Fê, tudo bom? — Oi amiga, tudo maravilhoso! — Já sei... Esteve acompanhada essa noite? — Sim, amiga! Uma delicinha que conheci na boate — rimos juntas. — Amiga que furada que você me deixou ontem. Sacanagem! — ela fala me dando um sermão. Já até sei de quem está falando: Alex. — Amiga o Alex deu trabalho, depois que você saiu ele foi embora dirigindo. Fiquei muito puta com ele e preocupada pois ele estava "trêbado". — Desculpa Fê! — Até tentei seduzi-lo para ver se ele caía na minha, mas NADA! Conversei e tentei compreendê-lo enquanto dizia que você era dele e tal... Blá... Blá... Blá. Amiga ele é um gato, mas, quando bebe é chato pra caralho. — Minha amiga não economiza palavrões, ela tem um bloco de notas cheio de palavrões que não dispensa em usá-los. — Ai Fernanda, ele apareceu aqui... E... — Ela me corta falando: — Ele disse que ama você. Fiquei com pena dele, mas o doido me dispensou e meteu o pé. Ainda bem que tinha um bofinho novinho lá me dando maior mole. Não sou de açúcar né?! Precisava extravasar! — Fernanda minha vida está uma confusão. O Alex está me enlouquecendo e o Gustavo me levou hoje à beira do hospício. — O QUÊ? — ela praticamente grita. Cheguei até afastar o telefone do ouvido. — Que Gustavo é esse? O gatão com cara de macho do mau que malha na mesma academia que nós? Aquele que comeu cabelo? Amiga me abana, senão vou explodir! — Sim amiga. Ele mesmo — falo sem entusiasmo. — Sinto cheiro de ovário explodindo... — Ela usa essa frase quando acha um homem muito, muito


gato. Sorrio e balanço a cabeça, ela é doidinha mesmo. — Precisamos conversar mocinha. Você está no restaurante ou na caverna clean? — Ela se refere ao meu apartamento como caverna clean por ele ser claro demais. — Estou em casa. — Daqui a pouco tô chegando aí mulher. E quero saber todos os detalhes... Ah! Quero ir à praia. Vai vestindo o biquíni. Bia... Isso é uma ordem. — Ok! — desligamos juntas. Encerro a ligação e corro para um banho merecido. Depois de tudo que aconteceu hoje, preciso tomar: O BANHO! Entro debaixo da ducha gelada, deixo a água cair sobre meus cabelos. Fecho os olhos e apesar de toda tensão desta manhã muito Loka, a primeira imagem que aparece em meus pensamentos é a do Gustavo Ferrari. Minha mente é invadida e tomada por lembranças de nós dois nos beijando e discutindo. Mas, o que mais me impressionou foi o fato de eu me importar com o que ele achou sobre mim. Sei lá, depois de tudo o que ocorreu ontem, ele chega aqui e me encontra com o Alex e com rosto e cabelos pós-foda. Ele me tratou com desprezo, com certeza deve ter imaginado que sou uma libertina que beija um de noite e transa com outro na manhã seguinte. Enfim, sou independente e não preciso me importar com a opinião dos outros, sei disso. Mas a questão é: estou sim, preocupada com o que ele pensou sobre mim. Lavo meus cabelos e passo condicionador de morango, enquanto retiro todo o excesso dos cabelos, fecho os olhos novamente e agora sou invadida por imagens do nosso beijo, sua boca, respiração quente em meu pescoço, mãos grandes em torno de minha cintura. Ele é um homem maravilhoso, deve ter um fã-clube de mulheres loucas por ele. Fala Sério! Será que ele foi encontrar alguma mulher depois que saiu daqui!? Oh Deus! Não sei... Mas tenho quase certeza que ele ficou com ciúmes do Alex. Ele mudou a expressão na mesma hora que viu Alex. Por falar em Alex... Fiquei com dó dele, saiu daqui totalmente insatisfeito. Ele vai falar pra caramba na minha cabeça, já estou até imaginando. Eu tenho que ser sincera comigo mesma e assumir o que acho sobre isso tudo. Eu realmente amo transar com Alex, ele me deixa louca de tesão, mas, é só isso. Sinto-me suja, mas, ele não me deixa em paz. Seduz-me... E eu caio igual uma solitária libertina. Agora com o Gustavo foi diferente, sei lá, senti um arrepio e um frio na barriga. Quando o vi hoje, fiquei hipnotizada com sua imagem, sua cara de mau. Hum... Lindo! Imagina aquele homem em ação, com todo aquele ar de mandão. Nossa, acho que eu nem me mexeria de tão extasiada que eu ficaria. Saio dos meus pensamentos e termino meu banho. Sigo para o quarto e abro o guarda-roupa, escolho um biquíni azul piscina de cortininha, pego minha bolsa que já fica no laço só esperando para ser levada à praia. Uma saída de praia branca, óculos, chapéu. Penteio os cabelos, hidrato o corpo inteiro e depois protetor solar. Visto toda a roupa e calço minhas havaianas peroladas. Pego meu iPhone e vejo uma mensagem da Fernanda. Fernanda: Amiga desce, estou na portaria. Vem logo! Sua vaca sortuda. Bia: Já chego aí ♡ Pego a bolsa, chapéu, óculos e desço. Hoje quero aproveitar o dia de sol. Chego na portaria e vejo Fernanda, linda e loira com uma bermuda curta. Diz ela que a bermuda é igual da cantora Anitta. Sorrio com a lembrança do que me disse outro dia. Ela nem se deu ao trabalho de pôr uma blusa, está com um sutiã de cortininha vermelho tipo couro. Os silicones pulando para fora do pedaço de pano.


Ela me vê e grita igual uma louca... — Vai aonde com esse vestido transparente e biquíni fio dental? — Na mesma hora os porteiros olharam para mim. Essa garota é louca, mas, eu amo esse jeito dela. Resolvo entrar na brincadeira. — Vou à praia arrasar corações — falo e beijo seu rosto. Ela retira seus óculos de armação vermelha e fixa seu olhar em mim. Arqueia as sobrancelhas e fala sem pudor nenhum... — Amiga você fez coisinhas hoje. Tenho certeza — nem respondi, dei a mão a ela e puxei para atravessarmos para orla. — Me conte tudo. Tenho certeza que você transou hoje — ela fala mais baixo. Descemos a escada de pedra até a areia, logo apareceu o rapaz que aluga cadeiras e guarda sol. Gritou em nosso ouvido: — Duas cadeiras para as madames? — Sério ele fez a pergunta gritando. A Fernanda não deixou barato e deu à louca... — Eita, porra... Vai gritar no ouvido da mãe... Maluco, já fazendo escândalo cedo. — Foi mal aí madame! — o rapaz falou baixo e assustado com o esporro que ganhou. Fiquei só observando e sorrindo... — Ah! Traz um balde com gelo com seis Budweiser e não esquece as cadeiras. — Madame... Aqui não tem essa cerveja não — ele fala com a voz baixa, cheio de medo da louca te dar outro esporro. — Tem o que nessa barraca meu amigo? — Skol, Antártica, Cintra e... — Fofinho... Faz o seguinte? Arruma seis cervejas Budweiser e um balde com gelo. Arruma por aí, vê se nos quiosques tem. Dá seu jeito fofinho — sério ela disse isso! Coitado do rapaz. Escolhemos o lugar e o rapaz trouxe nossas cadeiras. Logo depois já estávamos instaladas com o conforto que uma praia carioca nos proporciona. Estendi a minha canga na cadeira, me livrei da roupa e joguei na bolsa. Sentei ao lado de Fernanda. Alguns minutos depois... O rapaz traz o balde com as cervejas que Fernanda exigiu. — Aí madames a cerveja das senhoras. — O quê? Senhora é a senhora sua mãe. Eu sou senhorita — ela fala sério fuzilando o rapaz que não tira o olho dos seios siliconados dela. Ele sorri e pede desculpas e se retira. Quando ele sai, ela fala: — Gatinho, mas muito escandaloso — olha quem fala?! Coitado do rapaz. — Não vai beber? — Ele estende uma cerveja para me dar, mas, acabei rejeitando. — Daqui a pouco Fê. Ela abre a lata e dá um gole como se fosse uma água gelada. Vira e fala: — Amiga, conta logo tudo. Todos os detalhes. Dei um sorriso um pouco triste e contei tudo o que aconteceu detalhadamente, inclusive tudo o que eu e Alex fizemos. Enquanto explicava ela fazia caretas para expressar os detalhes. Tipo: Ô, NÃO CREIO, ELE FEZ ISSO? É UM GOSTOSO PERVERTIDO, NOSSA, MIGA! E assim terminei toda a história. — Bia, agora é sério. — Ela apoia os óculos enormes para o seu rosto fino na cabeça, fita meus olhos com seu olhar, super maquiados. Sim, ela fez make para vir à praia. Continua falando... — O Alex gosta de verdade de você. Amiga ontem ele parecia estar chorando, fiquei com muita pena dele. Homem chorando acaba comigo... Mas, você tem que ser realista com ele.


— Fê... Sempre joguei limpo com ele, nunca prometi um relacionamento. — Eu sei, mas, o que você pretende fazer? Continuar transando com ele. Seria o que eu faria — ela diz sorrindo e continua... — Mas, você não é assim — fala me olhando com ternura. — Eu sei, mas, eu gosto tanto dele, nos damos bem, sabe? Mas ele quer mais e mais. Apesar de me dizer que aceita ser usado. Jamais faria isso com ele. — É Bia... Difícil essa situação entre vocês dois. E, agora tem o homem mitológico com cara de mau — sorrio. — Acho que o Gustavo não virá me procurar novamente — falo um pouco triste. Ela escuta tudo quieta e com atenção. — A situação foi muito constrangedora. Amiga... Eu estava quase gozando quando ele tocou a campainha. Atendi a porta só de robe, transparente. Alex com o rosto vermelho e um volume enorme sob a calça jeans. Você tem noção?! — Bia... Sei não... Eu iria convidá-lo para participar da brincadeira, com certeza! — gargalhamos juntas. — Fê, você não existe. — Agora é sério Bia... Tenho certeza que você está caidinha por esse bonitão do Gustavo. É melhor aceitar querida, dói menos — ela termina de falar e solta um gritinho típico de Fernanda. — O que é aquilo? — O que foi? — pergunto assustada com o gritinho. — Aquelas coisas ali indo mergulhar... NOSSA! Amiga vou lá dá um "tchibum" também — fala e levanta no mesmo instante, ajeita a calcinha do biquíni. Vira de frente para mim e fala: — Olha naquela direção ali — aponta segurando os óculos. — Sim. Estou olhando. — Você está vendo aquele moreno novinho de suga branca e o outro mais alto de sunga azul? Aquilo que são homens! Levanta esse corpo de sereia da cadeira e vamos dar um mergulho. Vem? — Vai lá. Vou ficar aqui olhando você se insinuando e dando mole — rimos... E, ela foi mesmo... Fiquei olhando os rapazes que estavam de costas e de frente para o mar. Realmente, chamativos, principalmente o de sunga azul... Parece o mesmo azul do meu biquíni. Ela passa entre os dois, rebolando com o biquíni todo enfiado no bumbum. Que situação! Sorrio. Eles olham quando ela passa e esbarra praticamente neles. Entra na água e dá um mergulho bem sensual. O de sunga branca foi na direção dela e mergulhou também. Foi só o tempo que levei para piscar o olho e quando abri Fernanda já estava abraçada... Abraçada? Nossa muito rápida! Ri de sua loucura. O outro homem fica em pé observando os dois, mas, não vejo interesse dele querer entrar no mar. Volto minha atenção para a louca e vejo que ela acena para mim e aponta em minha direção e grita: — Vem Bia! Que isso, ela ficou louca? Abaixo afundando o chapéu na minha cabeça puxando a aba para tapar meu rosto. Que vergonha! O rapaz de sunga azul está olhando na minha direção fixamente. — Puta merda! Vou matar a Fernanda! Ele continua olhando fixamente, chegou a tirar os óculos, modelo aviador, para me olhar com mais nitidez. Que merda! Ele vem andando lentamente em minha direção... E... Acho que conheço esse homem. Sei lá, Já o vi antes.


É o Gustavo? Nossa Senhora. Fiquei toda arrepiada. Ele acelera os passos e não consigo disfarçar minha surpresa. Ai meu Deus! Ele para na minha frente, a única coisa que consigo fazer e me encolher todinha na cadeira e enterrar meus pés da areia. Como se isso fosse o suficiente para eu poder me esconder. — Oi! — Antes de responder elevo minha cabeça o mínimo possível, para olhá-lo, mas outras coisas me chamaram a atenção. Meu Deus! Que pernas são essas? E esse tanquinho? Nem vou comentar o volume bem generoso, generoso demais por baixo da sunga azul. Ele levanta uma das sobrancelhas grossas e escuras, como quem diz: gosta do vê? Decido responder ao Oi. — Oi! — ficamos nos olhando. Ele abaixa e fica na mesma altura da cadeira e fala: — Que coincidência, não é?! — Ah... Sim! — gaguejo ao falar. — Posso sentar aqui ao seu lado? — Claro! Ele senta na cadeira ao lado e olha descaradamente para meus seios e barriga. — Tira esses óculos — ele ordena! Não pensei duas vezes, tirei os óculos e tirei o chapéu também. — Você está linda. Quer dizer, você é linda! — Meu abdômen chegou a contrair ao ouvir seu elogio. Aproveito e faço um comentário... — Seu encontro é na praia? Você disse que estava com pressa porque tinha um encontro. Lembra? — Nossa... Como estou sendo infantil. Arrependi-me na mesma hora que fiz as perguntas. — Seus olhos são mais verdes do que eu imaginava — diz com o cenho franzido e olhando fixamente para meu rosto, mas, ignorou as minhas perguntas.


Capítulo 7 - Gustavo Ferrari Senti igual a um adolescente ridículo que não resiste a uma mulher bonita, ao deixar o apartamento da Ana Beatriz. Mas, não vou desistir de fazê-la minha, tomá-la de todas as formas até me fartar. Apesar de toda tensão, senti o desejo por ela só aumentar sem limitações. Agora sim, eu posso afirmar com veemência que essa mulher vai ser minha perdição. Quando fecho os olhos à primeira imagem que vem a minha cabeça é a dela em meus braços dentro do meu carro se rendendo ao nosso beijo, desesperador e carregado de desejo. A minha vontade foi tomá-la ali mesmo nua e crua, sem pudor. Mas, respeitei sua vulnerabilidade. Quando eu quero alguma coisa, só sossego quando consigo. E, cheguei à conclusão que: estou sedento por ela e quero tudo. Sem restrições e limitações eu a quero por inteira. Quando invadi a sua boca, quis mostrar de alguma forma como eu reagi a ela. Enfiei minha língua toda em sua boca e suguei toda a sua saliva, além do seu sabor, consegui sentir cada partícula da mucosa da sua boca. Foi tão pesado, tão invasor que por pouco não cravei o meu DNA dentro dela. Tive um desejo louco de urrar para ela ouvir que a partir daquele momento ela seria somente minha, só faltei urinar em sua perna para marcar território, igual um animal. Isso tudo, apenas com um beijo. Que loucura! Essa feiticeira reinou a madrugada inteira, nos meus sonhos, nos meus pensamentos e até debaixo do chuveiro. BUFO... Ah... Ana... Quando eu te pegar, não vou parar até me saciar, saturar, esgotar, esvaziar tudo, até eu sentir a sensação de satisfação plena. Pareço ter perdido o juízo, sinto ele se esvair entre meus dedos. Depois desse momento delirante, decidi que não ficaria assim, desorientado por causa de uma mulher que mal conhecia e já estava interferindo diretamente em minha sanidade mental. Precisava resolver essa vontade. Segui até seu apartamento, entrei com facilidade, menti para o porteiro e disse que era irmão dela, apesar de ter me dito que é filha única. Passei pela recepção e perguntei a senhora que estava sentada atrás da bancada, qual era o número do apartamento dela, informando apenas seu nome e características. A mulher foi muito prestativa ao informar o andar e o número do apartamento. Dei meu melhor sorriso e ela arfou encantada. Quando entrei no elevador bateu uma insegurança, mas, já estava lá, iria até o fim. Cheguei ao andar dela e logo encontrei sua porta com um enfeite que parecia ser um olho grego, pendurado para disfarçar o olho mágico. Toquei a campainha várias vezes e nada. Achei até que ela estivesse no restaurante. Quando decidi ir embora, ela abriu a porta. E... Fui golpeado pela sua imagem e invadido pelo seu cheiro inebriante e viciante de morango, tive um desejo descontrolado de beijá-la ali mesmo. Mas quando me aproximei para beijá-la, ela virou o rosto e o beijo pegou no cantinho da boca. Fique confuso, pois a maneira que nos olhamos quando ela abriu a porta, parecia tão afetada quanto eu estava. Inspirei todo o ar que consegui, fechei os olhos com força para afastar o desejo que estava sentindo, mas, quando os abri tive a visão mais excitante. Ela estava vestida apenas com um robe branco transparente, não havia reparado antes. Tentei focar meus olhos no rosto dela, mas, os meus olhos passaram a ter vida própria e automaticamente pairavam nos seios dela. Não tive culpa, pareciam ímãs, seus mamilos se arrepiaram e aquilo foi demais para mim, tentei me controlar. Ficamos ali, trocando olhares durante alguns segundos que pareceram infinitos. Mas, fui surpreendido pela presença do OTÁRIO que ela estava discutindo na


boate ontem à noite. E, com certeza ele não gostou de me ver ali. Apesar de não nos conhecermos, ele pareceu estar muito puto! Pois me lançou um olhar que dizia tudo por ele. No mesmo instante, devolvi o mesmo olhar a ele, ainda mais depois de lembrar tudo que o vi fazer ontem na boate com a Ana Beatriz. Covarde! Ela percebe a tensão entre nós dois e decide nos apresentar para tentar amenizar a situação, mas não adiantou muito, pois não fui com a cara dele. Ele estica a mão para me cumprimentar, não retribuo, apenas aceno com a cabeça. Ela interrompe o momento constrangedor e pede para eu aguardá-la enquanto ela se troca, no mesmo instante meus olhos me traem novamente e pairam em seus seios, ela percebe o meu olhar e seus mamilos se arrepiam na mesma hora que olho. Nossa... Que delícia! Ela cora e fica mais gostosa do que parece ser. Senti meu amigão aqui em baixo acordar, cheio de sede. Mas... Alex me puxa para realidade, quando segura e aperta o braço da Ana, e sai puxando-a para o quarto. Instintivamente senti meus dentes trincarem e fechei meus punhos. Tive vontade de tirar a Ana de seu poder e enfiar socos no meio da cara dele. Mas, ela cedeu e aceitou acompanhá-lo. Decido então, sentar no sofá que por sinal é tão baixo que parecia que estava sentado no chão ou em uma almofada, acho que esse troço foi desenvolvido exclusivamente para anões. Assim que eles entraram no quarto começaram a discutir. Não tinha como eu não escutar, foi impossível não prestar atenção, pois eles discutiam muito alterados um com o outro. Fiquei decepcionado com algumas coisas que escutei, mas, não me afetou diretamente. Cada um faz da vida o que quer! E, não vou ser hipócrita, em criticar as atitudes da Ana. Só quero ouvir diretamente dela que tipo de relacionamento eles dois cultivam. Fico atento a todo o ambiente e observo atentamente o corredor. De repente escuto a porta bater e vejo o Alex com o peito estufado igual a um pombo asmático, seguindo em minha direção. Ajeito-me no sofá e olho para ele, que me encara com ódio e fúria nos olhos. Desvio o olhar e finjo mexer no celular que está na minha mão. Tentei não revidar e evitar um desentendimento, embora eu não costume levar desaforos para casa, mas, não queria arrumar brigas na casa dos outros, principalmente na casa da Ana Beatriz. Mas, ele ultrapassou o limiar que me mantém pacífico. Inspirei todo o oxigênio do ambiente e, tentei me acalmar... Mas o filho da mãe insistiu e começou a me provocar. Sua voz cortou o ambiente silencioso em um timbre baixo, porém ameaçador. Ele disse: — Fique longe da Bia — acho que isso foi uma ameaça, mas, me fiz de desentendido e continuei fingindo que estava mexendo no meu celular e o ignoro. Ele parou na minha frente, achando que conseguiu me assustar ou me intimidar com sua ameaça. Estufou o peito de pombo asmático de novo e ficou ali, bem na minha frente me desafiando. Levantei a cabeça o suficiente para olhar o pavão marcando presença. Guardei o celular no bolso na maior tranquilidade, franzi o cenho e levantei da droga do sofá baixo e pequeno demais, que parece ter sido feito exclusivamente para os sete anões da Branca de Neve. Não estufei o peito como ele, mas, precisei pender a cabeça para baixo para fitá-lo diretamente nos olhos, pois sou mais alto do que ele. Aproximei nossos rostos e falei: — Você está me ameaçando? — Arqueei as sobrancelhas e o fitei com raiva. — Entenda como quiser — ele respondeu ainda me desafiando. — Já entendi. Você se sente ameaçado por mim — falei sério e olhando ainda em seus olhos. — Eu? Ameaçado por você? Você é um otário — ele me chamou de otário? O que ele sabe sobre mim? Nada. — O único otário aqui é você, seu covarde — estou a um passo de cometer meu primeiro


homicídio. Ele estufa ainda mais o peito e fala: — Você pode até conseguir alguma coisa com ela, mas sempre que eu quiser, ela vai ceder e acabar me dando o que eu quero. Sempre foi assim — estúpido! Atitude de homem abandonado. Vou deixar que ele continue falando... — Agora vai lá ao quarto e termina o que comecei mais cedo — foda! Eu tenho certeza que meus olhos mudaram de azul para vermelho. Pois essa é a cor que consigo enxergar na cara desse idiota. No mesmo instante seguro com força o seu pescoço somente com uma mão e aperto sua garganta enquanto ele escuta o que falo, sem esboçar reação, só arregala os olhos. — Alex? É esse o seu nome? Vou te dar um aviso: Não sou moleque igual a você, então não me ameace, e não ofenda a Ana Beatriz. Nunca mais! Agora pegue essa tua cara de babaca, junta com esse seu peito estufado e vai embora sem fazer espetáculo, sai quietinho. Ou... Eu arrebento essa tua cara de miss Brasil a base de socos e chutes — solto todo o ar que nem percebi estar prendendo. Vou dá uma finalização nessa marra toda. AGORA! — Faz o que a Ana mandou, vai embora e aprende a ter orgulho e dignidade quando for dispensado, seu otário — falei isso, para ele ficar ligado que eu escutei toda a conversa deles dois, aqui da sala. O tempo todo ele falava alto e alterado com ela. Decidi que o soltaria, mas antes disse: — só mais um lembrete... A próxima vez que você se dirigir a ela com agressividade... Você está escutando? Está que eu sei — sorrio e depois faço a cara de mau que meu irmão diz que faço quando estou nervoso. Seus olhos saltavam de tanto que eu apertava sua garganta. Continuei... — Da próxima vez, que eu presenciar mais uma dessas ignorâncias, que você faz com ela... EU... Vou arrebentar você. Isso não é uma ameaça. Eu vou fazer se tiver uma próxima vez — termino de falar e solto o pescoço dele. Ele se desequilibra e dá uns passos para trás tentando recuperar o fôlego, se afasta para manter a distância entre nós dois e fala: — Quem é você para se meter na vida da Bia? — Você verá quem eu serei na vida da Ana Beatriz. Coloque-se no seu lugar e abaixa seu chifre, tourinho. Agora vaza daqui e faz o que ela mandou você fazer quando estavam no quarto — falo e arrasto ele até a porta. Tudo silenciosamente para ela não escutar e se assustar. Abro a porta e espero ele sair. Assim que ele sai assustado com minha reação, fecho a porta e sento novamente no sofá para esperar a Ana. Como se nada tivesse acontecido. Meu celular vibra no bolso indicando que recebi uma mensagem. Pego para visualizar e vejo uma mensagem do meu irmão Arthur. Arthur: Gustavo, vamos à praia fazer stand up? ;) Gustavo: Daqui a pouco falo com você. Quando termino de digitar, sinto aquele cheiro inconfundível dela... Elevo um pouco meus olhos e encontro os seus olhos verdes me olhando. Seus olhos falam por ela, eu sei que sente o mesmo desejo que eu. Fico ali embasbacado com sua beleza, passo os olhos por todas as partes do seu corpo em segundos que pareceram infinitos, pois consegui captar tudo. Suas pernas longas e definidas, quadris curvilíneos, seios fartos e o rosto emoldurado por seus cabelos ondulados. Essa Feiticeira vai me pagar caro por me deixar assim... Franzo o cenho e sinto uma raiva dela, por estar me fazendo sentir esse misto de sensações estranhas, que estão me fazendo perder a cabeça e o juízo. Quando ela abre a boca para falar, a primeira coisa que ela pergunta é sobre o Alex. Não acredito! Dou uma resposta com bastante sarcasmo, percebo que ela fica aliviada quando chega à conclusão que ele não a aguardou e foi embora. Só que não vou dizer de que maneira ele saiu. Se quiser ele que conte, não eu. Apesar de não nos conhecermos o suficiente, quis saber o que rola entre ela e o Alex. Sei que fui


grosso, mas precisava entender essa relação entre eles dois. A única coisa que eu entendi e ela deu a entender foi que eles são amigos e sócios, mas esse "amigos" que ela explicou deu para entender claramente o tipo de amizade que eles têm. Surpreendi-me com a força que ela utiliza nas palavras, em alguns momentos ela conseguiu até me intimidar. O tempo todo não tirei a atenção dos seus olhos e boca. Claro que depois dessa confusão toda, não consegui resolver o que realmente eu queria quando cheguei ali. Consegui somente dizer que fiquei preocupado com ela, depois do que aconteceu ontem. Fiquei tão aturdido com tudo aquilo, que precisava sair dali, para respirar e retomar meu equilíbrio. Despedi-me apenas com um beijo, mas quando encostei meus lábios no seu rosto, fui invadido novamente pelo seu cheiro viciante. Inspirei tudo, até encher meus pulmões com seu cheiro. Quando afastei, ela estava de olhos fechados. Naquele momento, vi que precisava sair correndo, ou terminaria o que o babaca do Alex não terminou como ele mesmo havia dito. Ela seria minha, isso é fato e não seria mudado. Mas, o pouco de juízo e discernimento que me restou, falou mais alto. E, decidi dar um tempo até eu conseguir reorganizar as ideias. Estou sentindo umas coisas estranhas, o meu coração está batendo descompensadamente e na parte inferior do meu abdômen parecem ter vespas voando, pois sinto um frio involuntário nessa região a todo o momento. Acho que estou desenvolvendo alguma virose. Pensando bem, esses sintomas não se encaixam em viroses comuns. Não tenho febre, cefaleia, dores no corpo, sem vômitos e diarreia, não consegui palavra melhor do que essa para me referir, será que estou com algum tipo de insuficiência cardíaca?! Já que meu coração acelera a cada minuto com mais intensidade, principalmente quando penso naquela feiticeira com cheiro de morango. Tiro o meu iPhone do bolso, e vejo que tenho mensagens do Arthur. Acabei esquecendo de retornar a mensagem que ele enviou enquanto estava na casa da Ana Beatriz. Visualizo a mensagem: Arthur: Cadê você princesinha? ;) Gustavo: Estou em casa Rapunzel. Ele consegue ser pior do que mulher chiclete no dia seguinte. Arthur: O que aconteceu que ontem você foi embora e nem falou comigo? *__* Gustavo: Não deu tempo de avisar a você, antes de ir embora da boate. Arthur: Arrumei uma ruivinha para você ontem, mas, você foi embora. Tive que dar conta da ruivinha e da loirinha de vestido branco que te mostrei. Estou quebrado, desfalecido! Elas só saíram hoje de manhã do meu apartamento. ;) Gustavo: Legal. Isso é novidade? Gustavo: Cara o que são esses negócios que você põe no final das frases? Arthur: Carinhas, demonstrando minha expressão para você. o.o Gustavo: Você está de zoação com a minha cara? Diz que sim! Toma vergonha nessa tua cara cheia de barba Arthur. Arthur: Relaxa mano, todo mundo usa isso em mensagens. Tu tá ficando um velho chato. :0 — Gustavo: E VOCÊ ESTÁ VIRANDO UM VIADO. — Arthur: VIADO? NUNCA! Estou chegando ao seu apartamento daqui a pouco. — Gustavo: Tá bom! — Arthur: <3 Acredito que isso seja um coração, mas vou fingir que não entendi. Arthur e eu moramos próximos, então tenho certeza que em menos de dez minutos ele tocará a


campainha. E, foi assim como imaginei... A campainha toca insistentemente, pois ele é ansioso demais e prefere me irritar pressionando o interruptor da campainha até eu abrir. Sigo até a porta, giro a maçaneta e abro. Ele invade meu apartamento e me cumprimenta com um empurrão no ombro. — E aí? Tranquilo? — Tudo certo! — Respondo. Ele vai em direção a sala e se joga no sofá, e fala: — Tô morto! Passei a madrugada inteira trabalhando em dois corpinhos exigentes, preciso dormir um pouco — diz sorrindo com a cara de cínico que é marca registrada dele. — Mano fui para o céu e voltei, as mulheres eram insaciáveis e me fizeram de canudo, sugaram todas minhas reservas de energia. — Fala sério! Livra-me de ouvir isso Moleque. — Estou mortooooooo! — Ele berra alto, igual um louco. — E por que não dorme na sua casa? — falo para ele se tocar que ele tem casa. Ele fecha os olhos e fala: — Não. Preciso conversar com você uma parada muito séria — seu sarcasmo muda e dá lugar a um tom de preocupação. — O que aconteceu? — pergunto preocupado. — Antes de começar a falar, preciso de uma cerveja. Tem? — Tem. Pega lá no refrigerador. — Pega lá mano. Aproveita e traz para você também. Pois o assunto irá render e você vai precisar relaxar — o moleque é folgado, não muda nunca. Arthur e eu, além de irmãos, somos acima de tudo, grandes amigos. Apesar da diferença de sete anos de idade entre nós dois, e personalidades totalmente distintas, aproveitamos juntos nossa infância e adolescência. Na verdade aproveitamos até hoje! Ele tem essa maneira muito doida de encarar a vida, mas é um homem do bem. Há pouco tempo atrás, decidiu morar sozinho, no início ele ficou empolgado em poder ter sua privacidade sem ter que dar satisfações a ninguém. Sei que esse "ninguém" me inclui também. Não demorou muito para transformar seu apartamento em uma espécie de abatedouro. As festinhas estão cada vez mais ousadas e frequentes. Suas preferências são um pouco peculiares e modernas demais, fora isso ele é comum como qualquer outra pessoa. Somente nós dois, sabemos tudo que ele enfrentou e superou para conseguir estar exatamente como hoje. Ele já esteve no fundo do poço. Há exatos três anos atrás, ele ficou vinte dias sumidos, eu e nossos pais ficamos desesperados. No início achávamos que ele poderia ter sido sequestrado, mas os dias foram passando e não tínhamos nenhuma pista do seu paradeiro. Procuramos em todos os lugares possíveis, fiquei tão desnorteado e abalado com toda a situação que cheguei a achar que ele estivesse morto. Quando completara exatos vinte dias do seu desaparecimento, recebi a ligação de um homem, dizendo que estava com ele dentro de uma favela. Na mesma hora senti um peso se esvair do meu peito na esperança de encontrá-lo com vida. O homem disse que o Arthur pediu para que eu fosse buscá-lo sozinho e não falasse com ninguém sobre isso. Fiquei desconfiado, mas, era a única maneira de reencontrar meu único irmão. Então, marquei com o tal homem em um lugar estratégico para nós dois, pois tanto ele quanto eu estávamos atentos a real situação. Assim que cheguei ao local exato, fui golpeado com a cena deplorável que se encontrava meu irmão. Ele não me olhava nos olhos, estava sujo, barbudo, parecia um mendigo. Fiquei chocado e ao mesmo tempo com raiva de vê-lo naquele


estado, o tempo todo ele manteve a cabeça baixa, enquanto o homem que na verdade era um senhor de idade, explicava como o encontrou. Ele disse que o Arthur estava vagando na favela por dias, drogado e fora de si, à única coisa que ele conseguia lembrar era meu nome e o número do meu celular. Quando saímos daquele lugar, leveio direto para a clínica de reabilitação de um amigo psiquiatra. Foram três meses de reabilitação e desintoxicação, quando o tratamento chegou ao fim e o psiquiatra decidiu dar-lhe alta, o trouxe para minha casa. Desde então, ele morou comigo até decidir comprar seu próprio apartamento. Tive que dizer aos nossos pais que ele estava com uma namorada durante esses dias que ficou desaparecido, e os três meses em que ficou internado, fiz com que acreditassem que ele estivesse em Londres fazendo um curso. Foi difícil ter que mentir para eles, principalmente para nossa mãe, mas, não tive outra opção a não ser mentir. Quem o vê hoje, jamais acreditaria nessa história. Logo depois do tratamento ele assumiu a presidência da empresa da nossa família, tornando-se um excelente CEO. E embora ele tenha feito toda essa burrada e loucura com a sua própria vida consigo sentir orgulho desse moleque. — Toma — sento ao seu lado e entrego a sua cerveja. Abrimos nossas cervejas juntos e da mesma maneira. Com os dentes. Ele dá um longo gole no líquido, me olha e diz: — Estupidamente gelada! — E começa a falar o que tanto ele quer conversar comigo. — Gustavo eu preciso da sua ajuda na empresa. Esse assunto de novo? — Arthur serei sincero, não vejo possibilidades de como posso ajudar você na empresa. Não tenho nada a ver com os negócios de vocês, o engenheiro e presidente da empresa é você — respondo. — Entendo o seu lado, mas, o assunto é sério. O papai fez um investimento muito alto junto com o Senhor Campelo em algumas ações de uma empresa do ramo de extração de minério e fabricação de aço. Tenho certeza que ele foi induzido pelo Sr. Campelo para comprar essas malditas ações. Está entendendo? — pergunta-me paciente. — Estou. Anda logo com isso e vai direto ao ponto crucial do problema — falo sem paciência. — Gustavo, as ações desvalorizaram e caíram mais de 70%. — Onde você esteve durante este investimento? — pergunto perplexo com o que ele me explica. — O papai fez tudo fora da empresa, fiquei sabendo essa semana, mas, esperei reunir mais dados para começar agir. — Ele foi precipitado Arthur, você não poderia o deixar tomar as rédeas da empresa, ele não tem mais capacidade para isso. E você sabe os motivos — me refiro ao desenvolvimento do Alzheimer prematuro do nosso pai. — Eu descuidei, admito. Mas foi por uma boa causa. Estive envolvido em um novo projeto que consegui fechar com a uma empresa multinacional da Rússia. Isso estava tomando todo o meu tempo dentro da empresa. — Mas você desconfia de alguma coisa? — pergunto. — Contratei um investigador e um auditor para se infiltrarem em todo o esquema. Eles conseguiram rastrear todo o histórico dessa empresa, que o papai comprou a maioria das ações. E... Chegaram até o Sr. Campelo. — O quê? Como assim? — Sr. Campelo é pai da minha ex-noiva. Ele e meu pai possuem alguns negócios juntos. Sempre desconfiei da sua integridade. — Ele é o verdadeiro dono da empresa, só que ela estava registrada em nome de terceiros, ou


seja, “laranjas”. — Ele aplicou um golpe no papai. Velho ordinário. — Esse contrato com a Rússia que estou fechando, será cancelado se não conseguirmos recuperar todo o nosso dinheiro de volta — consegui enxergar no Arthur o quanto estava possesso e preocupado com toda essa história. — Arthur esse homem tem que ser preso. O que ele fez é crime, ele vendeu ações de uma empresa que nunca existiu e que está em nome de laranjas. — Mano, estou de mãos atadas. Preciso recuperar todo o dinheiro que o papai investiu, para eu poder aplicar na execução do projeto que estou fechando na Rússia. E, se isso não for possível, só falo uma coisa: estamos falidos. — Mas, como você pretende recuperar e ainda por cima pôr aquele velho asqueroso atrás das grades? — Sinto asco só de me lembrar da cara daquele pilantra. — Tenho um plano. Ele inclui você e a Rafaela Campelo — me olha sério e continua falando: — Ela será a chave principal para tudo que tenho em mente, dar certo. — Não vejo possibilidades de como poderia ajudá-los, sou cirurgião plástico. Lembra-se disso? A não ser que você queira que eu faça uma lipoescultura nas estruturas metálicas que vocês fornecerem para a Rússia. Pois não vejo outra forma de ajudar — desdenho do assunto sem paciência com o que ele acabara de falar. — Ainda mais se esse plano incluir Rafaela Campelo, sinto muito, mas não poderei ajudar — falo decidido. — Gustavo eu só posso contar com você, não tenho provas suficientes para mandar aquele infeliz para a cadeia. Se eu tivesse, jamais envolveria você nessa história — solto todo ar dos meus pulmões, encaro ele diretamente nos olhos e consigo ver o quanto ele está nervoso. — Qual é o seu plano? Fala logo! — exijo a ele, que me explique o que pretende. Ele explica detalhadamente parte do plano e me surpreende com sua capacidade de formular tudo nos mínimos aspectos. Apesar de não concordar diretamente com o que decidimos fazer, infelizmente terei que ajudar o meu irmão nessa loucura toda que o irresponsável do nosso pai, o Sr. Ferrari fez com seu império. — Mano o plano é esse. A merda está feita e nós precisamos revertê-la — ele termina de explicar. — Agora mudando de assunto, vamos à praia, preciso dar um mergulho para poder tirar toda essa tensão da minha aura. E, me empresta uma sunga, pois estou sem nada por baixo — fala levantando do sofá e seguindo para o meu closet. — Pega a sunga lá no closet, mas pode ficar para você. Nunca irei usar uma sunga que acalentou um pau que não fosse o meu. Saímos do condomínio, atravessamos a avenida e chegamos à praia, mas decidimos caminhar até o posto três, onde se concentra a maioria dos praticantes de Stand Up. Arthur era praticante assíduo desse esporte, diferente de mim que praticava uma vez ou outra. Fomos caminhando e conversando assuntos corriqueiros e principalmente em como colocaríamos o plano em prática. Quando chegamos ao posto três, encontramos alguns amigos que praticam “Stand Up Paddle”. Inclusive Miguel, meu amigo de longa data. Fizemos faculdade de medicina juntos, só que ele se especializou em cardiologia. Assim que me viu me cumprimentou com um aperto de mão. — Fala aí, sangue bom! — Tudo certo? — perguntei. — Tudo tranquilo. Livrei-me da bermuda e sentei na areia bem próximo ao mar. Fiquei ali ao lado deles enquanto falavam sobre vento, onda, meteorologia. Não conseguia prestar atenção em nada do que eles


falavam, ainda estava perplexo com tudo que Arthur havia me contado. Fecho os olhos com força para tentar recuperar o controle. Fixo os meus olhos no mar azul, e a única imagem que veio nos meus pensamentos era da feiticeira com cheiro de morango. Lembrei da maneira que ela reagiu quando saí do seu apartamento e lhe dei um beijo no rosto. Ela só faltou gemer quando encostei meus lábios em seu rosto, ficou tão perdida que fechou os olhos. Chamou meu nome como se quisesse me pedir para ficar, saí e nem olhei para trás. Arthur rompe o silêncio dos meus pensamentos... — Vamos cair no mar, mano? — Vai fazer stand up? — pergunto. — Vou. Vamos? — Vai lá, vou ficar por aqui mesmo. O Arthur pegou a prancha e o remo de um dos rapazes entrou no mar. Esperei sentado, tentei desviar os pensamentos e me inteirar sobre o que conversavam para não ficar isolado com as lembranças. Depois de um tempo remando e fiscalizando as marolas, Arthur saiu do mar e largou a prancha ao lado das outras e falou: — Vou dar uma corrida na areia. — Sossega Moleque. Você tem uma energia indecifrável. Corre, nada, surfa... E sempre está com energia. — Fodo pra caralho, também — dou um soco em seu braço e ele sorrir. Acompanho você na corrida — levantei-me. Deixamos as coisas com os rapazes e saímos usando somente sunga e óculos. O Miguel gritou: PARECEM DUAS GAZELAS SALTITANTES. — Gazelas que já pegou a sua mulher — Arthur gritou aos ventos. Escutamos todos zoando o Miguel. — Você já transou com a mulher dele Arthur? — perguntei perplexo, apesar de ter ficado com ela também, antes deles começarem a namorar. — Transei não, fodi ela de todas as formas possíveis. E, se eu quiser pego de novo. — Sério? — perguntei sorrindo. — Mano aquela mulher é um furacão — assenti ainda sorrindo e disse: — Eu sei — na mesma hora Arthur virou para me olhar. — Você já ficou com ela? — perguntou surpreso. — Já! Várias vezes. Moleque, quando você pensou em fazer, eu já tinha feito e me lambuzado— gargalhamos juntos. Diminuímos a corrida, e passamos a caminhar até pararmos. — Vou dar um mergulho mano. Está calor pra caramba! — quando ele terminou de falar, passou uma loira entre nós dois e esbarrou no Arthur. Levamos um susto, ela olhou para trás e pediu desculpas olhando para o Arthur. Claro que, ele não poderia ter outra reação. Partiu pra cima da loirinha "bunduda". — Mano... Aquela loirinha ali está me esperando — olhamos na direção dela e realmente ela estava dando mole pra ele. Deu um mergulho tão obsceno que conseguimos enxergar tudo, quando ela empinou o traseiro para o “corcovado”. — Fui... — quando pisquei, ele já segurava ela pela cintura. Caralho! Esse moleque é bom no que faz — sorrio orgulhoso da minha cria. A loirinha dá uma risada escandalosa, grita e acena chamando alguém.


— Vem, Bia! Olho por curiosidade na mesma direção em que ela acenava. O nome também me chamou atenção. A mulher estava de chapéu e óculos, mas mesmo assim dava para perceber o quanto é bonita. Fiquei olhando, olhando e achei que era muito parecida com Ana Beatriz. Tirei os óculos e olhei mais fixamente em sua direção. Desviei o olhar para a loirinha que estava agarrada ao Arthur, e lembrei que a vi com a Ana na boate e outro dia na academia. Olhei novamente para a direção da pessoa para quem ela acenava e confirmei, é ela. Não pensei, aliás, não consegui pensar. Fui andando em direção a ela, aumentei os passos e parei bem na sua frente fechando toda a sua visão com o meu corpo. Ela parecia que estava tentando se esconder, mas, acabou surpresa com a minha presença. Passou os olhos por todo o meu corpo até chegar ao meu rosto. — Oi! — Embora ela estivesse de óculos escuros, percebi o quanto estava distraída olhando para meu corpo. — Gosta do que vê? — pergunto deixando-a totalmente corada. — Oi — ela respondeu, elevando lentamente seu rosto para me fitar através dos óculos. Ficamos em silêncio nos olhando, abaixei, ficando entre suas pernas e na mesma altura que ela. Aproximei nosso rosto e inspirei aquele cheiro inebriante e excitante de morango. Deliciosa! — Que coincidência, não?! — pergunto bem próximo a ela, mas meus olhos me traíram novamente e foram atraídos pelos seus seios redondinhos como eu imaginava expostos apenas sob duas cortininhas. — Ah... Sim! — Ela gagueja ao pronunciar as palavras e ali, confirmei o quanto ela fica extasiada na minha presença. — Posso sentar aqui? — Toco a cadeira fazia ao lado dela. —Claro! Sento, aproximo mais as cadeiras. Mas, involuntariamente meus olhos, que possuem vida própria, passam por todo o seu corpo, só não contava com o desejo que se formou, bem aqui embaixo. Fui surpreendido pelo meu amigaozão que resolveu acordar neste exato momento. Mexi na cadeira tentando disfarçar minha ereção crescendo a cada segundo como se fosse uma bomba relógio. Pisquei os olhos várias vezes, tentando afastar os pensamentos pecaminosos que se formaram em minha mente. — Tira esses óculos — ordeno já quase perdendo a minha sanidade mental. No mesmo momento que ela retira os óculos e o chapéu, aproveito para cruzar a perna esquerda na direita, e pouso as duas mãos enlaçadas sobre a minha ereção, para disfarçar. Mas fica cada vez pior, pois ela remexe toda, para passar os dedos nos cabelos. E a cena foi excitante. Fiquei ali embasbacado, excitado igual a um tarado, apreciando atentamente todos os detalhes, como se ela fosse uma obra de arte rara. Para finalizar o receituário do louco aqui, os sintomas que senti a manhã toda, retornaram com mais intensidade, meu coração parecia que queria sair do meu peito, um furacão se apoderou da minha barriga, e para fechar e acabar comigo de vez, minha ereção ganhava força e estava a ponto de sair de dentro da sunga. Dessa cadeira eu não levantaria por nada. Não com essa obscenidade entre as minhas pernas. Mas, a culpa é dessa feiticeira que está com esse biquíni pequeno, que a deixou ainda mais gostosa.


Capítulo 8 - Ana Beatriz A presença dele me deixou estremecida e impulsiva. Não consigo frear meus pensamentos ao ponto de não filtrar nada antes de falar. Que pergunta foi essa? Eu nem o conheço suficiente, para intrometer em sua vida exigindo saber sobre seu suposto "encontro". Estou totalmente envergonhada e, óbvio ele não respondeu às perguntas, as quais arrependi na mesma hora de ter feito. Meu rosto não corou, ele latejou com o calor que atingiu as minhas bochechas. Ele parece nervoso, cruza as pernas e descruza, põe as duas mãos entrelaçadas uma na outra sobre a barriga. — Seus olhos são mais verdes do que eu imaginava — diz, me olhando com seus olhos incríveis e intensos que me fizeram estremecer. Continuou a fitar-me sem reservas, sustentou o olhar por longos segundos, todo dono de si. Ele sabe o efeito que causa nas mulheres, principalmente o que está causando em mim. Retribuí, lançando um olhar mais lento e comedido, quanto mais eu o encarava, mais ele me olhava fixamente. Um frio na minha barriga formou-se, e a energia que cresceu dentro de mim era latente a ponto de transbordar e se espalhar por cada partícula do meu ser. — Deus dai-me discernimento e juízo, amém. — Sim! Foi uma oração. Ele se moveu mais uma vez na cadeira, parecendo estar desconfortável. Quando ele descruzou a perna, meus olhos pairaram em seu abdômen definido, mas, consigo ser bem discreta, desço só mais um pouco para dar uma conferida de novo. E... MEU DEUS! Esse homem está excitado. Não consigo de forma alguma disfarçar a minha reação, meus olhos devem ter triplicado de tamanho para visualizar melhor a proeminência explícita dentro da sunga azul piscina. Cheguei até a morder o lábio inferior para diminuir o desejo que só aumentou dentro de mim, impossível parar de olhar, é muita pressão. Óbvio que ele viu minha reação ao perceber sua ereção explícita, mas não se importou, pareceu até aumentar ainda mais depois que percebi. Depois que a merda toda foi jogada no ventilador, ele simplesmente deu um sorriso convencido, esticou as pernas, levou as mãos até sua cabeça, e as pausou ali, parecendo estar tranquilo quanto àquela ereção anormal, a ponto de pular para fora da sunga. Quase joguei meu chapéu de sol em cima daquele ser de vida "própria", que só aumentava a cada segundo que se passava. Consegui desviar com muito esforço meus olhos da sua ereção, para os seus olhos. Ele enrugou a testa e com o olhar semicerrado sorriu. — Gostou? — perguntou-me pela segunda vez desde que me encontrou. Sua voz estava carregada de desejo e luxúria, seus olhos são do tipo que não escondem ou mentem quando desejam alguma coisa. "Pessoas que falam com os olhos, sorriem com olhos". — Gostei — respondi. Realmente estou agindo impulsionada pelo meu desejo. Aproximou-se o suficiente para fitar-me olho no olho, consegui enxergar as suas pupilas se dilatarem e ganharem um tom de azul escuro, sua respiração faltou queimar meu rosto, de tão quente que estava. Cheguei até a sentir espasmos involuntários no meu baixo ventre. Estou perdida, quero esse homem, nem que seja por um dia. — Ah... Ana Beatriz... Olha como eu estou por você, desde ontem. Sabe o que vou fazer com você? Vou foder o seu juízo. Senti um calor desesperador se esvaindo entre as minhas pernas e subindo pelo meu corpo inteiro. Se ele queria me fazer perder o juízo, conseguiu. — O juízo? Sinto em dizer, você já conseguiu — falei com a respiração ofegante.


— Tem certeza do que está falando? — falou acariciando a minha perna na altura da virilha. — Tenho! — Só faltei gritar: EU QUERO! Não vou me fazer de mocinha difícil, não que eu seja uma libertina pervertida, mas, somos adultos e maduros o suficiente para entender o que queremos. Ele levantou da cadeira, e parou na minha frente novamente, sua ereção a ponto de pular para fora da sunga. Engoli saliva por saliva, eu estava com água na boca. Fitou-me e falou: — Calma... Terá ele só para você e sem pressa — mordi meu lábio inferior instintivamente e arfei com suas palavras. Ele me ofereceu a mão para me ajudar a levantar, eu a segurei confiante, e com um puxão "delicado", já estava em seus braços. Ele me abraçou intensamente, desceu a cabeça até meu ouvido e disse: — Olha... Como você me deixou sua feiticeira — esfrega sua ereção disfarçadamente no meu ventre e lambe meu pescoço lentamente, fazendo-me arrepiar até pelos que nem sabia que existiam no meu corpo. Meus seios pesaram e os mamilos se arrepiaram e endureceram ao máximo, chegou a doer. Ele apertou ainda mais seus braços em torno da minha cintura, e continuou a falar: — Vamos entrar na água comigo, preciso diminuir isso aqui — esfrega sua ereção novamente em mim. — Não posso sair assim, vou abraçado a você até entrar no mar. Virou-me de costas para ele, como se fossemos um casal apaixonado comum em um sábado de sol, curtindo uma praia. E, saímos andando bem devagar, eu na frente dele e ele agarrado a mim. — Quero o seu pescoço — ele falou baixo em meu ouvido. Inclinei a cabeça para o lado dandolhe acesso ao meu pescoço. Assim que afastou meus cabelos do pescoço ele encostou os seus lábios e beijou-me molhado e quente. Deixou os seus lábios parados ali, sua respiração ofegante me fez estremecer completamente. Ele passou a língua em minha pele, ainda com os lábios colados. Quando ele conseguiu deixar-me completamente absorta e entregue a excitação, ele surpreendeu-me com uma mordida suave e deliciosa, quase tive um orgasmo apenas com essa carícia. Paramos na beirada do mar, que estava calmo e azul cristalino, ele ainda abraçado a mim, viroume de frente para ele, me olhou e disse: — Vamos entrar no mar, quero te mostrar uma coisa. — S-Sim... — respondi gaguejando baixinho. Não argumentei, estava tão envolvida que eu desejava que ele me tomasse ali mesmo, sem me importar com as pessoas ao nosso redor. — Sorte a nossa que a praia está vazia — ele disse olhando para os meus seios com os mamilos intumescidos. Fechei os olhos e soltei um gemido, sua voz grossa causara vibrações em todo o meu corpo. — Ana Beatriz... Entre no mar lentamente e me espera. Vou ficar daqui olhando para você enquanto caminha — foi o que eu fiz, acatei a sua ordem. Desvencilhei-me dos seus braços e andei lentamente até a água alcançar a altura do meu umbigo. Ainda de costas para ele, virei somente o rosto para olhá-lo, ele caminhava em minha direção com a maior calma do mundo, como se nada estivesse acontecendo, todo dono de si. Quando se aproximou, me puxou pela cintura, desceu a cabeça lentamente até meu ouvido e falou: — Eu gosto de você — enfiou suas mãos enormes em meus cabelos, encostou seus lábios nos meus com carinho, como se estivesse massageando-os com os seus. — Se você permitir levarei você ao céu. — Depois dessa frase, invadiu minha boca com sua língua habilidosa e faminta, ele dominou o ritmo do beijo. Quando senti aquele peito musculoso me apertando pensei que fosse desfalecer em seus braços, minhas pernas pareciam ser de papel, um desejo berrante se apoderou do meu corpo. — Linda! — ele disse com a boca ainda colada à minha, sinto a vibração de sua voz grossa em meus


lábios e um gemido fugiu dos meus pensamentos dando vida à fantasia. — Haaa... — Está sentindo o meu pau? — Esfregou lentamente a sua ereção na minha pélvis, me pegou no colo e caminhou para o fundo, quando a água batia na altura do peitoral dele, ele me fez enlaçar as minhas pernas ao redor do seu quadril. — Nossa! — exclamei ao sentir seu membro em minha vulva protegida somente por um biquíni de lacinho. — Agora está na posição certa — diz com sua voz rouca e carregada de tesão. Ficamos nos beijando cheios de desejo, luxúria, excitação... Tudo misturado em apenas um beijo. Ficamos naquela dança erótica de línguas se entrelaçando como se aquilo fosse à última coisa que precisávamos fazer antes do fim do mundo. — Que isso, hein mano! Você não brinca nem na água. — O rapaz que estava com ele, se aproximou e mergulhou até nós dois, junto com a minha amiga louquinha. Eu nem me lembrava deles. Estava fixada apenas em nós dois. — Amiga... Quem te viu quem te vê, hein! — Fiquei tão sem graça, que escorreguei dos braços do Gustavo e afundei na água para tentar recuperar a minha consciência. Ele me puxou para cima, e me segurou de novo. Falou no meu ouvido: — Vamos sair daqui, quero você agora — e, claro! Eu Iria com ele para onde ele quisesse. Confirmei apenas balançando a cabeça. Fernanda e o rapaz que a acompanhava, pararam ao nosso lado, que por sinal era tão bonito quanto o Gustavo. Ele tinha algumas semelhanças com o Gustavo, mas, seus olhos eram escuros e sua pele era dourada, deveria vir à praia com frequência, o corpo é bem atlético. Parece mais uns desses playboys que pegam onda o dia inteiro na praia. Não estou generalizando, foi só uma comparação. — Bia... Vou embora com o Arthur. Quando ela termina a frase, o rapaz pega na minha mão e beija. — Prazer! Arthur — falou todo galanteador. Gustavo me puxou e segurou em minha cintura, como se quisesse mostrar a quem eu pertencia. Sorrio. — Prazer, Ana Beatriz. Mas pode me chamar de Ana ou Bia — falei entrando na brincadeira. — Você é linda! Sua beleza é descomunal, Afrodite. — Nossa que elogio diferente, obrigada — falei sorrindo. — Chega Arthur. Ana, esse é o meu irmão caçula. — Arthur abre um sorriso lindo, revelando dentes brancos e alinhados perfeitamente. — Será que na família Ferrari só tem homem bonito? — Pensei. — Amiga, estou indo. Você vai ficar, ou já vai também? — Fernanda pergunta ansiosa para ir embora, fazer o mesmo que eu pretendia. — Pode ir Fernanda. Vou ficar, mas daqui a pouco vou embora também. — Ela vai comigo, fica tranquila Fernanda — Fernanda quase se desmanchou quando ouviu a voz do Gustavo pronunciando o nome dela. Ele continuou falando: — Prazer, Gustavo — disse a cumprimentado com um aperto de mão. —Prazer... É o meu sobrenome garotão — pelo menos ela não o chamou de novinho, mas esse "Prazer", ser o seu sobrenome foi o acúmulo do absurdo. Queremos liberdade sexual, mas "senso" é a palavra primordial para não extrapolar o limiar do ridículo. Mas, minha amiga não liga para nada disso. Então deixa quieto. — Gustavo nossas coisas ficaram no posto 3. Vamos ter que ir andando — Arthur fala com o irmão fazendo uma carinha igual de criança, não deve ter mais de vinte e cinco anos. Do jeito que


Fernanda gosta, novinho. — Vamos? — Gustavo segurou a minha mão e caminhamos em direção às minhas coisas, que estão na areia. Pisquei os olhos para afastar as gotas de água salgada que caiam dos meus cabelos em meus olhos. Fernanda e Arthur saíram da água, praticamente correndo, ela já vestia a bermuda jeans e chamava aos berros o coitado do rapaz que alugou as cadeiras para acertar o que alugamos e consumimos. — Ei... Coleguinha! Estou com muita pressa, vamos logo! — ela diz ao rapaz. Vesti minha saída de praia, juntei minhas coisas na bolsa, e desembaracei meus cabelos. Não tive a sorte de nascer com os cabelos iguais aos da minha mãe, mas, saíram ondulados e cheios como os do meu falecido pai. Apesar de darem muito trabalho para manter, amo os meus cabelos exatamente do jeito que ele é longo, ondulado e castanho. Enquanto eu passava os dedos nos cabelos, percebi o Gustavo me observando sem piscar e com o cenho franzido formando uma ruga entre as sobrancelhas, cheguei até a achar que estivesse bravo com alguma coisa, mas, ele se aproximou de mim e me beijou com carinho. Fui engolfada por um sentimento que não sei exatamente como definir, mas, achei diferente essa demonstração de carinho. Há muito tempo... Quer dizer, há quatros anos, desde Lorenzo eu não recebo ou retribuo carinhos em público. Mas até que foi gostoso e estranho... Mais, gostoso que estranho. Saímos juntos caminhando na areia, sentido ao posto 3, para os rapazes apanharem os seus pertences que deixaram com os amigos. Andamos uns oito minutos, conversando amenidades e sorrindo de tudo que Fernanda falava. É o jeito dela, engraçada, sincera, amiga, mas, só um pouquinho sem "noção". Gustavo entrelaçou nossos dedos e caminhamos de mãos dadas, ele muito sério, me observando todo o tempo com aqueles olhos azuis claros quase transparentes. Arthur falava sobre uma festa que ele daria em sua cobertura, para comemorar seus vinte e seis anos. Disse que será inesquecível, pois será uma das últimas e que exigia a nossa presença. Insistiu para que eu lhe passasse o número do meu celular, para poder confirmar a nossa presença, mas o Gustavo lançou um olhar mortal o fuzilando. Não soube exatamente se ele não gostou da ideia de irmos à festa, já que não nos conhecemos direito, ou apenas ciúmes do irmão atrevido, porém divertido. Fernanda o adicionou no wathsApp e disse que não perderia essa festa por nada, eu apenas sorrio com o seu comentário. Não costumo ir a festas com muita frequência, pois o restaurante me consome, talvez até eu fique animada para ir, até o dia da festa tem muito tempo para me decidir. Avistamos os amigos deles, quando nos aproximamos, todos pararam de falar, ficaram em silêncio e olharam para eu e Fernanda como se fôssemos E.Ts. Fiquei sem graça, Fernanda na mesma hora apresentou-se com beijinhos no rosto e um sorriso em todos os rapazes. Enfim, eu sorrio educadamente para todos, até que um rapaz magro e dentucinho disse: — Não vai apresentar à morena, Gustavo? — sorrio, para não ser antipática, mas, quase lhe dei uma resposta malcriada. Ele está achando o quê? Que sou um pedaço de carne? E o Arthur com toda a sua ousadia disse: — Essa Deusa aqui, está com o Gustavo. Se eu fosse vocês, mudaria essas caras de açougueiros, ou o campeão de artes marciais aqui — fala dando um tapinha no peito do Gustavo, — Vai fazer estrago — continua. Gustavo segurou minha cintura e beijou minha testa, mais um carinho em público. Sua ruguinha entre as sobrancelhas continuavam lá, enfeitando sua expressão de homem mau. Ele pegou suas coisas e disse:


— Quando você aprender a se comportar na frente de uma mulher, quem sabe um dia, eu lhe apresente uma — ele respondeu ao rapaz dentuço que foi chacota dos outros rapazes. — Vamos? Vamos caminhando pela orla, moro mais à frente — quando fui me despedir da Fernanda, ela falou em meu ouvido: — Amiga aproveita, esse homem é inédito. Nunca vi homem com essa cara de mau, ele deve até dar umas palmadinhas gostosas na hora de... Aiii que tudo miga! — Me esquivei para encerrar os comentários, pois sei que ficaria horas falando tudo o que achou do Gustavo. — Tchau Deusa Afrodite. Espero você em minha festa — Arthur beijou minha mão se despedindo e olhou para o irmão, como se quisesse provocá-lo. Achei engraçada a maneira como se tratam. Gustavo mais comedido e Arthur divertido. Adorei ele com esse jeitinho sacana e divertido, deve saber curtir a vida de verdade. — Tchau Arthur! Adorei conhecer você. Gustavo se despediu dos rapazes e da Fernanda, apenas com um aceno, sem largar a minha mão. Saímos provavelmente em direção ao seu condomínio. Agora caiu a ficha, estava indo com um homem que conheço há poucos dias, para a sua cobertura, com intenção de transar até foder o meu juízo, segundo ele disse. Esses pensamentos começaram a me deixar nervosa. Sempre gostei de sexo, muito, muito mesmo. Mas, estou insegura em relação ao que ele deverá achar de mim. Eu e Lorenzo éramos fogo e paixão entre quatro paredes, ele era insaciável, tudo que sei aprendi com ele, inclusive essa insaciabilidade. As poucas vezes que estive com Alex, ele sempre se assustara com a minha vontade por mais e mais. Não me negava fogo, mas, eu sempre lhe dava trabalho. Falando em Alex... Bateu um desconforto, preciso conversar com ele definitivamente e pôr um ponto final nessa amizade com benefícios que cultivamos por três anos. Ainda mais agora que ele disse que me ama, não quero magoá-lo de maneira alguma, ele sempre esteve ao meu lado quando precisei, não quero perder sua amizade nunca, pois é importante tanto para mim quanto para ele. — O que houve? Está nervosa, sua mão está transpirando — Gustavo fala com sua voz grossa que me traz a realidade. — Não... Quer dizer, não houve nada. — Minto, pois minha cabeça está um turbilhão. Mas, vou tentar relaxar, preciso de orgasmos múltiplos e infinitos hoje. Espero que a campainha não nos interrompa. Deus! — Vamos atravessar aqui. Eu moro ali — ele aponta para um condomínio luxuoso de apartamentos com detalhes em mármore branco, mas, prevalecendo os vidros espelhados. Atravessamos todo o condomínio de mãos dadas. Quando chegamos ao hall principal ele acionou o botão do elevador que já estava no térreo e que no mesmo instante abriu as portas. Assim que adentramos, ele pressionou o número de seu andar, que por sinal era o último, o elevador entrou em movimento. Gustavo me fitou com um olhar diferente de quando entramos no condomínio. Seus olhos eram de um azul celeste, como um cristal transparente. Na realidade não sei nem definir que tom de azul, pois nunca vi esse tom. Poderia até nomeá-lo de “azul transparente". Sorrio dos meus pensamentos. Ele franze o cenho como se estivesse confuso, em relação ao meu sorriso impulsivo que saiu antes de pensar. — Você está sorrindo do quê? — ele sorri ao fazer a pergunta. — Ah... De nada! — sorrio de novo. — Sei... — ele disse. — Tudo bem, desde que não seja rindo de mim — sorriu lindamente, mostrando seus dentes brancos, além da perfeição. Como esse homem é bonito. Pensei baixo, ainda bem.


Quando a porta do elevador abriu, saímos em direção a uma porta branca laqueada, com uma maçaneta enorme de aço cromado, muito bonita a porta, parece até casa de revista de decoração. Ele tem bom gosto. Quando paramos em frente à porta, ele digitou um código no painel de led ao lado da porta, quase imperceptível. Escutei a porta destravar e logo um sinal sonoro como de um bip soou no ambiente. Quando entramos, fui surpreendida pela decoração luxuosa de sua cobertura. Paredes claras, no chão um porcelanato de muito bom gosto, logo que chegamos à sala avistei o estofado enorme de chaise preto encostado na parede, uma TV que pegava quase toda a parede. Uma mesa de madeira maciça em frente ao estofado, um tapete do estilo persa cor branco e quadros com pinturas a óleo em pontos estratégicos para serem apreciados. A cozinha era interligada a sala, tipo cozinha americana, mas, ela era perfeita, o balcão com tampo de granito preto e banquetas de aço cromado. Uma linda mesa de jantar de madeira maciça ficava bem próxima a cozinha, ao lado um aparador do mesmo estilo com uns objetos de arte exposto sobre ele. Ele tem bom gosto, isso era visível. Quando me recuperei do encantamento, senti suas mãos me puxando para si. Ele já estava excitado, quando me encostei a ele. Senti seu membro ereto ao extremo, cheguei a me assustar quando se encostou a minha barriga. Ele não disse nada, me pegou no colo como se eu fosse uma boneca de pano e seguiu em um corredor grande, acredito que em sentido a seu quarto. — Agora você é minha. — Foi à frase que escutei. Já estava arfando com a respiração entrecortada, não tinha reação, na verdade não conseguia reagir. Eu sabia que ele faria o que quisesse comigo e eu permitiria, sem restrições. — Você não acha melhor eu tirar à areia do corpo? Vai sujar todo o seu quarto — falei ainda em seu colo. Não sei por que, mas, eu só falo asneiras, sempre na hora errada. — Não. Primeiro vou sentir você salgada com areia e tudo — ele me beijou com voracidade como se quisesse invadir o meu interior, deu alguns passos para trás me carregando ainda em seu colo, ajeitou e encostou-me em uma parede de canto toda espelhada. — Só vou deixar você ir embora quando eu quiser. Vou foder você de todas as formas — falou cheirando os meus cabelos e esfregando seu membro em minha vulva. Ele levantou meus braços acima da minha cabeça, somente com uma mão, com a outra mão ele rasgou minha saída de praia. Olhou para a minha vulva, e com delicadeza desfez os laços da minha calcinha. Eu estava absorta, envolvida e perplexa por sentir todas essas sensações ao mesmo tempo por um quase desconhecido.


Capítulo 9 - Ana Beatriz Desfez o laço da parte de baixo do meu biquíni, deixando-o cair no chão. Olhou para o meu sexo exposto e gemeu baixinho, expulsando sua respiração quente em minha pele. — Uhrrrr... — soltou um gemido gostoso. Homem que geme é uma delícia, mas, quando gemem iguais a homens é mais gostoso ainda. — Você será a minha perdição — disse olhando para a minha vagina vermelha e quente de tanta excitação. Eu era apenas uma massa trêmula e molhada em torno de seu quadril. Desceu seus lábios até meus seios, com uma das mãos desatou o laço do meu sutiã e o retirou passando pelo meu pescoço e o jogou no chão. Abocanhou meu seio direito, e o outro ele massageou lentamente, beliscou o mamilo com os dedos longos, que me fizeram sentir uma dorzinha gostosa. Dedicou-se com tanto prazer aos meus seios, que não consegui nem fechar meus olhos para receber a carícia. Fiquei com os olhos fixos no seu rosto e sua boca colada em meu seio. Até nessa circunstância o homem conseguia ser lindo, quando ele passou para o outro seio, olhou-me surpreso por estar concentrada nele. Sorriu abocanhando o seio esquerdo, deu uma mordidinha leve no meu mamilo, depois lambeu e fechou os olhos. Morri e cheguei ao céu. Depois se afastou dos meus seios, elevou a cabeça para ficar com o rosto de frente ao meu, empurrou-me ainda mais contra a parede espelhada, esfregando sua ereção em minha vulva encharcada de tanta excitação, envolvi com mais intensidade minhas pernas em torno do seu quadril. Sua mão desceu lentamente acariciando minha barriga, seu toque me fez arquear a coluna e afastá-la da parede espelhada atrás de mim, parou a carícia quando chegou ao meu sexo. Olhou-me diferente, com o olhar mais intenso, me excitando ainda mais. Deslizou um dedo no meu clitóris massageando com movimentos circulares, levantou a cabeça e levou seus lábios ao encontro do meu, nos beijamos cheios de lasciva e desejo. Ficamos naquela dança erótica, enquanto ele intensificava os movimentos com o dedo em meu clitóris inchado, sem desgrudar seus lábios dos meus, quando eu menos esperava ele invadiu meu canal todo molhado com seu dedo médio, e com o polegar estimulou o meu clitóris, foi o suficiente para eu explodir em um orgasmo que me fez estremecer em seus braços e gemer alto em sua boca. — Aaaaa Gust... Ahhhh... — gemi loucamente, extravasando meu orgasmo intenso, seguido de contrações involuntárias em meu ventre. — Até gozando você consegue ser linda. Parece uma gatinha miando — suas palavras prolongaram o meu êxtase que pareceu não ter fim. — Nossa! — falei assim que me recuperei do meu êxtase intenso. — Nossa... O quê? — Perguntou com um rostinho lindo, mas, cheio de malícia. — Responde! — Ele ainda mantinha seu dedo médio dentro do meu sexo, fazendo movimento leve de vai e vem. — Nossa que delícia — falei sorrindo. — Sim Morena, nossa que delícia! Você é uma delícia, meu pau está babando aqui dentro da minha sunga, tudo por você. Que bocetinha vermelha, deliciosa. Não vejo à hora de chupar ela todinha. Quando ele usou a palavra "morena", no mesmo instante tive um resquício de lembranças entre eu e Lorenzo, pois somente ele usava carinhosamente esse apelido quando se referia a mim, principalmente quando nos amávamos. Afastei as lembranças do passado, voltando à realidade. E, que realidade!


— Esse seu cheiro é uma loucura, parece uma droga, quanto mais eu inspiro, mais eu fico viciado em você. Nossa senhora, esse homem é intenso, sabe usar as palavras. Sua respiração queimava minha pele, ele parecia estar febril, pois sua temperatura estava elevadíssima. Retirou o dedo do meu canal totalmente molhado, levou até a boca e chupou devagar, como se aquilo fosse um ganache de chocolate. Quando tirou o dedo da boca ele simplesmente, fechou os olhos e cheirou. Que porra de homem erótico! — Você já está pronta para receber o meu pau todinho nessa boceta molhada. — No mesmo instante, passou suas mãos em minha bunda, firmou-as para me afastar da parede espelhada. Seguiu segurando-me ainda em seu colo, depositou-me cuidadosamente em sua cama macia. Afastou ficando totalmente de pé para se despir, tirou o short estilo surfista, com suga e tudo. Quando ficou totalmente nu, revelando seu membro grande, tão ereto que sua extensão terminava na altura do umbigo. Estranho, mas, seu membro estava em posição vertical, quase entrei em um colapso nervoso, fiquei tão impressionada com a sua beleza máscula, que me transformei em muda, só ansiava desesperadamente em possuir tudo aquilo dentro de mim, todinho até a base. — Oh Deus! — exclamei impressionada com o tamanho daquele homem. Ele sorriu maliciosamente ao ouvir meu desabafo. — Meço 1,88 cm de estatura, não poderia ser diferente — ele disse sorrindo referindo-se a proeminência exorbitante. Esse bastardo sabe que é bonito e gostoso, deve estragar corações por aí a fora. Senti o colchão afundar quando ele ajoelhou lentamente na cama, afastou com as mãos minhas pernas para abri-las. Deitou sobre o meu corpo encostando sua ereção em minha vulva melada, colou seus lábios nos meus, invadiu com sua língua toda extensão da minha boca, apesar de toda a nossa excitação, ele me beijou com carinho e lentidão. Esperei um beijo avassalador, mas não. Fiquei aturdida e surpresa com sua ação, não consegui fechar meus olhos, fiquei ali observando seu rosto, seus cabelos espessos e negros, seu nariz grande dando harmonia ao seu rosto, seus cílios longos e escuros, seguidos por sobrancelhas negras. Continuamos nos beijando devagar, seu pênis na entrada do meu sexo, abri ainda mais a perna para senti-lo, inalei desesperadamente seu cheiro de macho misturado com a água salgada do mar, meu abdômen contraiu involuntariamente várias vezes quando seu cheiro passou por minhas narinas, cheiro excitante. Senti uma pontada no peito estranha, como se servisse de alerta para alguma coisa que ainda não sei explicar. Abriu os olhos, mas continuou me beijando, agora me olhando fixamente, cheguei até a ficar vesga por olhá-lo tão de perto, pois estávamos com lábios e rostos colados. Não entendi o que exatamente ele transmitia, mas nossos olhos mostravam o quanto aquilo estava sendo intenso. Tanto eu quanto ele franzimos o cenho, como se estivéssemos com alguma dúvida. Eu tinha as minhas, mas, não fazia à menor ideia quais seriam as dele. — Espiando? Você beija sempre com os olhos abertos? — perguntou tirando-me dos meus pensamentos. — Não, só quando sinto vontade de gravar a cena, para repassá-la mais vezes em meus pensamentos — sorrio com os lábios nos dele. Suas pupilas se dilataram diante dos meus olhos, ficaram mais escuras e seu olhar intenso, pecaminoso. Imagem digna de ser gravada. Não falou nada, apenas deu um beijo em minha testa, e foi descendo distribuindo beijos molhados em todas as partes do meu corpo até chegar à minha vulva. Ele se acomodou entre as minhas pernas, abrindo-as mais ainda, olhou-me antes de começar o que ele iria fazer, fui invadida por aquela imagem linda entre minhas pernas, minha vagina pingava de


tanto tesão. Antes de passar sua língua quente, ele separou os lábios superiores com os dedos com cuidado, parecia que estava se habituando a um novo brinquedo, pois olhou tão fixamente para o que estava a sua frente. Apesar do desejo louco que eu sentia, diante daquele gesto, fiquei corada. Imaginei mil coisas do tipo: será que não gostou da minha vagina, ou não gostou da minha depilação, achou ela é estranha e feia? Sei lá, tem louco pra tudo. Mas não, ele beijou e enfiou sua língua invasora, usurpadora, lambendo tudo com movimentos rápidos, sua língua habilidosa invadiu meu canal fazendo movimentos semelhantes a uma penetração. Senti um calor descer através da minha barriga, se instalando no meu ventre, fechei os olhos com tanta força, devo ter feito uma expressão de dor, mas, era puro prazer, êxtase, tesão. Quando ele parou sua língua somente no clitóris, intensificou o movimento, cheguei a arquear as costas quando senti espasmos involuntários, avisando que eu explodiria em mais um orgasmo... — Ohhhhh... — Segurei com as duas mãos sua cabeça para forçá-lo a ir mais rápido, mais fundo. — Isso... Faz... Gostoso... Aaaaaa... — Meu corpo inteiro estremeceu, levantei a bunda da cama, totalmente descontrolada, ele segurou meu quadril para me conter na cama. Isso foi demais! Quero mais, muito, mas muito mais... Ele se aproximou da minha boca, beijou-me com volúpia e sofreguidão, investiu a sua língua sugando toda a minha saliva, parecendo um esfomeado, faminto, sedento impulsionado pelo desejo. — Sua bocetinha é uma delícia, até nela tem esse cheiro viciante de morango — ele disse ainda me beijando intercalando mordidas e lambidas nos meus lábios, esfregando seu pênis no meu sexo, fazendo-me sentir novos espasmos involuntários. — Eu quero você, quero agora — eu disse impulsionada pelo êxtase do prazer. Ele sorriu e falou: — Calma Morena, ainda nem começamos — arfei totalmente ansiando por mais. Ele sentou ao meu lado, encostou a coluna na cabeceira da cama acrescida de travesseiros, me puxou para cima dele e me abraçou cheirando meu pescoço e cabelos. — Quero sentir sua boca linda no meu pau — falou guiando-me até seu pênis ereto parecendo uma alavanca em posição vertical. — Chupa meu pau de quatro — disse já me levantando com apenas uma mão. Ele ficou ali, sentado com as pernas esticadas, encostado em sua cabeceira luxuosa e estofada. Uma cena digna de ser lembrada, se eu pudesse tiraria uma foto com meu celular. Oh Deus! — Isso... Boa menina! Agora vire essa bunda deliciosa para mim. — Fiquei de quatro de costas para ele, e de frente para seu pênis. Aproximei-me dele e o segurei com as duas mãos, com devoção, massageando toda a sua extensão, abaixo mais um pouco e inspiro seu cheiro... Que delícia. Pensei até em demorar mais um pouquinho para fazer um charminho, mas, seu pau me chama... Coloquei meus lábios nele... E... Ali eu perdi o controle. Chupei aquele pau com volúpia, com vontade. Acariciava, chupava, sugava, passava a língua até seu saco depilado e moreno. Enquanto lambia e sugava, conseguia sentir suas veias com a língua, a cabeça lembrou o formato de um cogumelo. Liberei um gemido, quando ele segurou minha bunda com força, puxando-me para cima dele. Ficamos em posição 69, aproveitei e relaxei meu corpo em cima dele e me deliciei com seu pau delicioso. Ficamos nessa posição, enquanto eu o chupava, ele se dedicava com minha boceta. Eu já perdida com suas lambidas e sugadas. Quando chupei seu pau até a base ele soltou um gemido tão intenso que achei que ele fosse gozar. No mesmo instante mordeu meu clitóris, aí foi a minha vez de gemer. — Ahhhh Gustavo... — Assim eu gozo gostosa... — Alisou minha bunda, abriu-a com as duas mãos e passou a língua no meu buraquinho. Soltei mais um gemido, mas, dessa vez saiu histérico.


Ele abriu a gaveta do criado mudo e retirou um pacote com a camisinha, abriu e a colocou em seu pênis. Achei que não caberia, fiquei até receosa dessa merda rasgar dentro de mim. — Agora vou foder o seu juízo, Morena. Ajoelhou na cama, mudando-me de posição, deitei de barriga para cima. Ele invadiu meu canal com aquele pênis gigantesco, senti como se eu estivesse sendo rasgada. Arfei... — Ahhhh... — Relaxa meu amor, ainda falta mais um pouco, vou meter em você até o saco — enrosquei minha perna em torno de sua cintura, esperando o restante. — Nossa você é muito apertadinha, sua bocetinha está estrangulando o meu pau — ele enfia tudo sem avisar, mexo meu quadril ao seu encontro, fico louca com tudo aquilo dentro de mim. — Ohhh delícia, é um sonho comer você. Ele estoca com força e rápido, eu já estava no meu limiar para expelir meu orgasmo. Não desgrudou seus lábios da minha boca, beijando-me com força. Ele girou o quadril, fazendo movimentos rápidos e profundos de vai e vem. Eu sentia seu pênis chegar ao meu útero, já não podia mais segurar o meu orgasmo. Ele desceu uma das mãos e pressionou o meu clitóris, gritei em sua boca. — Ahhhh... Ohhhh... — Isso gostosa goza no meu pau, goza no meu pau todinho. — Bastou isso, e eu explodi como uma bomba em um orgasmo que fez meu corpo inteiro arrepiar e estremecer. — Isso goza tudinhooo... Olha para mim, quero olhar para você gozando... A cada estocada eu sentia seu pau contrair dentro do meu canal sensível. Aproveitei para mexer na mesma velocidade que ele usava para estocar e retirar seu pau de dentro da minha boceta. — Sua feiticeira, gostosa — ele goza, soltando um urro igual a um animal, segurando minha bunda com força fazendo-me elevar meu corpo todo. — Ohhhhhh... Anaaaa... Ele cai sobre mim, com a respiração ofegante e ainda urrando baixinho. Ficamos assim, por um longo tempo. Eu embaixo dele com as pernas arreganhadas e ele deitado sobre mim, com o rosto enterrado no meu pescoço e cabelos. — Você foi maravilhosa! Você não sai daqui por nada. — Você também foi maravilhoso, Gustavo. — Sou maravilhoso em muitos aspectos. Quero mostrar todos a você Morena.


Capítulo 10 - Gustavo Ferrari Acordei com um cheiro invadindo meu nariz, como uma droga agressiva que invade a corrente sanguínea, destruindo toda a sanidade mental de uma pessoa. Hum... Meu braço está dormente, mexome ainda com os olhos fechados. Quando os abro, encontro uma imensidão de cabelos enroscados no meu braço que está dormente, no meu rosto e meu nariz. —Ana Beatriz — sussurrei para mim mesmo. Com o braço livre ajeitei sua cabeça, encostando-a em meu peito, para aliviar meu braço esquerdo. Ajeitei seu corpo bem colado ao meu, afastei seus cabelos cheios do seu rosto com cuidado, para não acordá-la. Desci a cabeça para olhá-la melhor, parece um anjo dormindo, está até suspirando em alguns momentos, deve estar cansada. Desviei os olhos do seu rosto e desci lentamente pelo seu corpo... — Como você é linda. Perfeita! — sussurrei. Acariciei devagar sua cintura afilada, parei com a mão na sua bunda. — Linda! — Redonda. Carnuda no ponto certo. Alisava levemente com as costas da mão. Seu corpo arrepiou todo, puxei o edredom que estava ao meu lado, cobrindo nossos corpos. Até queria ficar admirando seu corpo lindo, mas, não posso ser egoísta a ponto de deixá-la passar frio. Quando a cobri, ela mexeu aconchegando-se ainda mais em meu peito, seus cabelos taparam novamente o seu rosto, afastei as madeixas cheias e os joguei para o lado. Sorrio de mim mesmo. Se o Arthur visse essa cena, ele registraria só para me perturbar o resto da vida. Ela se mexeu de novo, colocou uma das pernas em cima da minha. Meu coração disparou, pensei que ele sairia através da minha boca. Não sei porque essa feiticeira me deixa assim... Ainda não decifrei esse misto de sensações diferente. Na verdade, não sei como nomear tudo o que estou sentindo. Até o início da semana meu único foco eram apenas minhas clínicas, meus pacientes e minha família. Mulheres? Hum... Não costumo repetir, gosto de variar, mas, acabo sempre insatisfeito, pois a maioria delas acaba sendo repetitivas. Silicone, músculo, ossos, loiras, morenas, ambas querendo ser loiras a todo custo, sempre a mesma coisa. Não entendo as mulheres, querem sempre ficar parecidas com algo que acham ser um padrão de beleza, realmente acabam sendo classificadas como "Padrão". Por que simplesmente não usam pelo menos a cor dos cabelos diferente?! Ficam parecendo um exército de clones, todas iguais, mesmos interesses... Não dá! Cansei de procurar, já que a maioria são clichês. Decidi ter apenas sexo, sexo e só sexo. Quando foi a última vez que estivesse com uma mulher assim... Nos meus braços dormindo? Acho... Na verdade, nunca! Até que está gostoso ficar assim, pelo menos ela é cheirosa e macia, sem músculos vistos a olho nu. Não curto mulheres musculosas. Gosto de carne macia. Olho para a porta de vidro da minha suíte que dá para a varanda e vejo que ainda está escuro. Ainda é madrugada, perdi o sono. Estico o braço na mesinha ao lado da cama, procuro meu celular espalmando a superfície da mesinha. — Achei! Desbloqueio, diminuo a luz da tela e vejo que ainda são 05:40 da manhã. Ainda é madrugada, mas perdi meu sono. Meu estômago faz um barulho duvidoso, avisando o quanto estou faminto. Ontem não comi nada, depois que chegamos aqui não fizemos outra coisa a não ser sexo... Lembrar fez meu pau ressurgir do além. Cara... Essa mulher é insaciável, quanto mais eu pegava, mais ela queria, achei até que eu não estivesse satisfazendo ela. Enquanto me recuperava, depois de gozar, ela já estava em cima, pedindo mais. Fiquei louco! Gozei


na sua boceta, na sua boca, na barriga, no rosto dela, nas costas e para finalizar, na sua bunda apertada. Delícia! Nunca vi uma mulher tão... Tão gostosa e insaciável igual a essa. Respirei fundo, lembrando do seu rosto enquanto gozava seus gemidos parecendo miados de uma gata, tão delicada e ao mesmo tempo devassa. Enquanto vaguei em meus pensamentos, a claridade começou a invadir em silêncio o quarto. Está amanhecendo. Desvio os olhos para a Ana afogada no meu peito, tão à vontade que por mim ficaríamos nessa posição o dia inteiro. Não me importaria de olhar o dia todo, olhando para seu rosto delicado enfiado no meu peito. — Você é linda... — Não me contive, abri o aplicativo para fotografar, mirei bem no seu rosto e fotografei. Estou perdendo o juízo, completamente. Visualizei a imagem, ela ficou linda. Sua mão espalmada no meu peito, seus cabelos espalhados tapando os seios, sua boca formando um biquinho engraçado. — Linda! Levanto devagar da cama, ajeitando ela no travesseiro com cuidado para não acordá-la. Saio em direção ao banheiro da minha suíte. Abro a ducha e entro debaixo da água morna, tomo um banho merecido, lavo os cabelos. Quando toco no meu pau, as cenas que vivi ontem invadem meus pensamentos, dando início a uma ereção rapidamente. Massageei lavando meu pênis, que a cada segundo ficava ainda mais duro. Nossa... Solto ele rapidamente quando vejo a porta do banheiro abrindo lentamente. Ela entra no banheiro, um pouco tímida, sem jeito. Olha-me com aqueles olhos verdes misteriosos, que no fundo consigo enxergar que carregam um pouco de tristeza. — Oi. Bom dia! — disse ao se aproximar. — Oi... Ana. Dormiu bem? — perguntei com o sorriso pecaminoso. Meu pênis ficou mais duro ao vê-la. É amigaozão... — Sim — ela respondeu e timidamente falou, — eu preciso usar o banheiro. — Você está em um banheiro. Pode ficar à vontade — falo abrindo os braços para lhe mostrar que ela está em um banheiro. Falei sorrindo. Ela desvia os olhos para minha ereção. — Não, eu sei que isso é um banheiro, mas, eu quero... Quero fazer xixi. — ela fala tão rápido que nem respirou. — Ana... Pode fazer seu "xixi", juro que não vou olhar — falo, e viro dando as costas a ela. Escuto a tampa do vaso ser aberta. Espiei disfarçadamente, mas, ela estava olhando para mim. Sorrio com o suspiro de reprovação que ela deu. — Sua bunda é linda! — ela diz. — Não mais do que a sua, Morena — respondi. Virei de frente, e ela já estava em pé, próxima a pia. Abri o blindex, saí molhando todo o banheiro, peguei em sua cintura e caminhei lentamente de costas para não desviar nossos olhos. — Quero foder você debaixo do chuveiro. — ela arfou quando encostei meus lábios em seu ouvido e lambi seu lóbulo. — Aaaa... — gemeu baixinho. — Acho que nunca vou cansar de ouvir você gemer. Isso é fodidamente gostoso. Entramos no box nos beijando desesperadamente. Meu pau já duro que nem uma pedra chegava a doer de tão ereto, esfreguei em sua barriga, pois era onde ele batia, ela é bem mais baixa do que eu. — Anaaa... Vou foder você de quatro — virei-a de frente, ela espalmou as mãos na parede, empinando sua bunda maravilhosa. — Isso gostosa... Maravilhosa... — Segurei em sua cintura bem forte e com uma das mãos o meu pau ereto, esfreguei em sua bocetinha vermelhinha. — Humm...


molhadinha... Você sempre está preparada Morena? — Continuei estimulando-a esfregando o meu pau. — Nossa... Sua bunda é linda, perfeita... —Acariciei sua bundinha empinada com a mão que estava livre, abaixei um pouco para alcançar sua bunda com minha boca, beijei e passei a língua descontrolada em toda sua extensão. Ela empinou ainda mais o quadril, deixando sua boceta encharcada toda exposta para mim. Desci a língua e suguei todos os fluídos que ela expelia. — Ah... Ana... MULHER VOCÊ JÁ ESTÁ SENDO MINHA PERDIÇÃO... Fiquei viciado no seu sabor. — Em resposta ela empinava ainda mais aquela bunda digna de seguro. — Meu amor... Espera... Preciso de camisinha — saí do banheiro igual a um tornado, retornei já com a camisinha no meu pau. Entrei de novo no box, ela continuava na mesma posição, não avisei... Enfiei em uma estocada só, até o seu útero. — Porra... De boceta gostosa você tem... Caralho! Não vou durar muito tempo. Meti com força, ela empurrava o quadril empinando, procurando o seu prazer, desci um dedo em seu clitóris e o estimulei, massageei com movimentos rápidos, senti sua boceta contrair estrangulando meu pau, ela arqueou a coluna inteira, na mesma hora beijei sua coluna, levei minha mão aberta até seus dois seios acariciando-os e estimulando os mamilos, até que ela chegou a um orgasmo, intenso... — Aaaaaaaa... Gustavo... — Quando a ouvi chamar o meu nome e gozando ao mesmo tempo, foi demais para mim... Acabei chegando ao ápice do prazer. — Anaaaa... Caralhooo... — gozei puxando ela em minha direção, pelos cabelos molhados. Cristo! Quando terminamos o banho demorado, digo demorado, por que ela quis mais, fizemos no chão do box, ela cavalgou meu pau, cheia de vontade... Não deu outra, gozei igual a um cavalo. Antes de gozar ela pediu que eu gozasse tudinho no rosto dela. Eu? Fiz o que ela desejou. Por uma mulher dessa insaciável, acho que eu daria tudo. Pronto! Realmente perdi a sanidade, de médico passarei à paciente, mas, paciente de algum manicômio. Escovamos os dentes juntos, sorrimos da nossa imagem refletida pelo espelho. Ela conseguia ser séria e ao mesmo tempo divertida. Sorriu quando tentei pentear os seus cabelos com minha escova pequena de cabelo. Dei um roupão para ela usar, ficou enorme e engraçado, mas, ela usou na boa, sem se importar se estava sensual ou não. Vesti uma boxer preta e fiquei sem camisa. — Gustavo, eu preciso ir — ela disse depois de sentar na cama ao meu lado. — Eu não vou deixar você ir hoje — falei sem medir as palavras, mas, não queria que ela fosse mesmo. Ela arregalou os olhos assustada, me arrependi no mesmo instante pela forma que falei. — Eu estou sem roupa. Você rasgou a única que eu estava, preciso ir embora. — Fica comigo, amanhã eu te levo antes de amanhecer. Você pode usar uma blusa minha, ou se quiser pode passar o dia inteiro nua — dessa vez falei mais manso para não assustá-la. — Você quer que eu fique mesmo? — É claro! —Você pretendia ir para o restaurante hoje?— perguntei. — Não. Geralmente nos fins de semana e feriados, Alex fica sozinho, já que durante a semana ele faz mestrado e às vezes não consegue ir ao restaurante. — Ah... O babaca! — Então, você fica — falei puxando-a para abraçá-la. Meu coração só faltou rasgar meu peito e me dar um soco na cara, nessa cara de babaca encantado. — Preciso comer alguma coisa. Urgente! Ou vou desmaiar — falou sorrindo.


— Desculpe Ana! Não me lembrei de te oferecer nada. Mas, a culpa foi sua, insaciável. Toma — ela me olha confusa. — Eu, Gustavo Ferrari, entrego o meu bastão nomeado de INSACIÁVEL, para a mulher mais quente e faminta que já conheci Ana Beatriz Medeiros. — Ela gargalhou tão alto que chegou a tossir. — Você se lembra do meu sobrenome. Legal! — Ana... Nunca vou esquecer nada de você. — Ah, tá! — Ela sorriu desdenhando do que falei. — Vamos? Preciso alimentar uma gatinha faminta. — Saímos do quarto. Quando chegamos à cozinha, disse para que ficasse à vontade. Ela sentou na cadeira alta do balcão, esperando eu preparar o café da manhã. Na verdade, não sei preparar nada, mas, vou manter a calma e postura, pelo menos tentar preparar alguma coisa. Enquanto eu abria a geladeira e tirava o que eu achava que seria necessário para preparar não sei o que, ela puxou assunto. — Sua cobertura é linda! Sua cozinha é o sonho de qualquer chefe de cozinha, perfeita! — diz com um entusiasmo que me deixou igual a um bobão. — Fico feliz por você ter gostado — falo segurando uma jarra de suco de maracujá. Quando virei de costas para ela, vi o quanto eu estava perdido, sem saber preparar alguma coisa comestível. Geralmente saio para correr no domingo e como na padaria do Padoca. Sinto suas mãos em meu abdômen e sua voz... — Deixa que eu faço isso. Arruma a mesa com os pratos, copos e talheres. — Já disse o quanto você é linda?! — Estou mesmo virando um babaca. — Sim. Mas, não sem estar querendo transar... — sorriu. Em pouco tempo ela preparou um banquete, torradas, misto quente e fez uma vitamina deliciosa. Depois que terminamos, ela ficou calada encostada no batente da varanda com um olhar perdido em direção ao mar. — O que houve? — perguntei abraçando-a por trás e beijando seus cabelos. — Nada — sorriu, mas, foi um sorriso que não alcançou seus olhos verdes. — O que vamos fazer aqui dentro o domingo inteiro? — Ela perguntou. — O quê? Vem... — A puxei pelas mãos. — Vou apresentar o segundo andar da minha cobertura. — Gostou? — perguntei quando já estávamos no segundo piso. — Sim... Mas... Juro que não havia observado uma escada na sala. Não imaginava que poderia ter esse espaço aqui em cima — sorriu. — Sim, eu não te "dei" oportunidade para observar nada ao seu redor — segurei sua mão e a guiei até a sauna. — Aqui fica a sauna e a hidromassagem. Eu costumo chamá-la de: sala de SPA. — E, eu vou comer você aqui, ali e lá também. — Sorrio do meu pensamento, acho que o sorriso sobressaiu malicioso, pois ela me olhou e arqueou uma das sobrancelhas. — Legal! No condomínio onde moro tem sauna e hidromassagem, mas é quase impossível usálos, sempre está cheio e dividir espaço com pessoas que nunca vi antes, é estranho. Se eu tivesse uma hidromassagem dessa só minha usaria todos os dias para relaxar — fitei-a sorrateiro, constatando o quanto estava encantada com todo o ambiente. Que mulher linda! — Você usa com frequência ou esporadicamente? — Depende, quando estou acompanhado sim. Sozinho, às vezes. — Hum... Sei — esse hum... Sei dela, soou estranho. Será que foi por causa do que eu acabara de afirmar? Seguimos para a sala envidraçada ao lado.


— Aqui eu montei uma academia pequena, mas, possui todos os aparelhos necessários. — Nossa... Que legal! Odeio academia cheia, frequento por obrigação. Já pensei em transformar o quarto de hóspedes do meu apartamento em uma mini academia também. — Apesar de frequentar uma academia, gosto mesmo é de vir aqui à noite e socar esse saco aqui — dou um soco no saco pendurado ao lado dela. — Aiii! Seu louco, que susto — soltou um gritinho que pareceu mais um gemido do que um grito. Gostei. Afastou os cabelos que caiam sobre a testa. Como consegue ser tão natural? Aproximeime e a segurei pela cintura sob o roupão que usava a girei com cuidado, para que ela pudesse olhar o que tinha atrás dela. — Que lindo! — Ela exclamou sorridente, quando avistou a piscina interligada a academia. — Nossa... Que criativo. Uma piscina que começa dentro da academia, que é envidraçada. O reflexo da água no vidro torna o ambiente claro, diferente. — Viu? Não passaremos nosso domingo trancados o dia todo no quarto. Podemos aproveitar tudo. Virou-se, ficou de frente, olhou fixo em meus olhos, e ficou assim por longos segundos, sustentando o olhar, arqueou as sobrancelhas escuras e alinhadas. Pensei que fosse dizer alguma coisa, mas, não, não falou nada. Franzi o cenho em resposta, não entendi nada. Voltou a olhar compenetrada em direção a piscina. — Você é sempre assim? — perguntou sem me olhar. — Assim... Como? —Assim... Gentil, atencioso e carinhoso? — perguntou. Não, não sou assim. Nem sei porque estou assim. Nunca permiti que usassem minha cozinha, quem dirá a minha escova de dente. — Nem sempre — respondi. — Entendi. — Vamos para a piscina? — peguei em sua mão, e estava suada. Será que está nervosa? — O que foi Ana Beatriz? Sua mão está molhada — falei acariciando-a na mão. — Nada demais, está calor. Chegamos à parte externa da cobertura, onde ficava a churrasqueira e uma copa completa. Ela sentou em uma das espreguiçadeiras que ficam sobre o deck de madeira. Sentei ao seu lado na mesma espreguiçadeira, observei que está mais calada e séria. — Você faz festas aqui? — Ah... Não. Na verdade, não tenho tempo. Sou muito ocupado, tenho que administrar duas clínicas, sem contar as cirurgias. Mas o Arthur se encarrega dessa parte. Sempre promove festas em sua cobertura, que por sinal é o dobro do tamanho dessa. — Arthur é divertido. Gostei dele. — É? — perguntei franzindo o cenho. Será que gostou dele em outro sentido? — Sim. Ele e Fernanda combinam, ela é exatamente como ele — fiquei calado. — Você deve ser mesmo muito ocupado, imagino. Eu tenho um restaurante, e isso me consome a semana inteira. Se não fosse o Alex, ficaria louca. É muita responsabilidade — o nome do babaca de novo. Bufei... — A sei, o seu amigo e sócio. Que vez ou outra gosta de pegar no seu braço com força — amigos... Sei. — É... Aquilo que você presenciou... Não acontece com frequência — disse desviando os olhos para o sol. — Mas acontece — disse. — Vocês não são apenas, amigos e sócios. Apesar de não nos conhecermos o suficiente, percebi o quanto ele é obsessivo por você — olhou-me surpresa, mas,


acabou trocando de assunto. — Tenho vontade de fazer uma lipoaspiração — sério? Passei meus olhos avaliando seu corpo perfeito. — Tenho certeza, que você está fazendo uma piada — disse. — Não. É sério, mas, não agora. — Ana Beatriz, você não precisa fazer nenhum procedimento estético. Posso afirmar com veemência. Você é jovem, ainda terá filhos. Pense em cirurgia plástica só depois dos filhos. Tenho pacientes novas que já não tem onde esticar, modificar. Imagino quando tiverem filhos... Irão perceber o quanto foram precipitadas — ela me olhou assustada, pensei que fosse gritar comigo. — Filhos? Não terei. Disso eu tenho certeza absoluta. Excluí dos meus planos há muitos anos. Essa suposição está fora de cogitação — nossa que desespero. — Entendo sua decisão, mas, lipoaspiração realmente você não precisa — mudei até de assunto. A mulher ficou possessa. Para acalmá-la, desfiz o nó do roupão dela. Estremeceu quando acariciei sua barriguinha lisa e firme. — Sua barriga é perfeita, não tem nada sobrando aqui — continuei acariciando e subi a mão para os seios expostos. — Nem aqui — massageei seus seios redondos e macios, os dois mamilos ficaram intumescidos ao meu toque. — São lindos... Seus seios são lindos. Deitei ao seu lado na espreguiçadeira e a puxei junto. Ela ficou de costas para mim, com sua bunda redonda encostada no meu pau, que já estava ereto. Apoiei minha cabeça com o braço, e ela apoiou a cabeça em meu outro braço. Inspirei seu cheiro, apesar de ter lavado os cabelos, ainda havia resquícios do cheiro de morango, o qual já estava ficando viciado. Desci a mão devagar até sua bocetinha, ela abriu a perna toda receptiva. — Você é sempre receptiva, isso é... Fodidamente gostoso — escorreguei um dedo dentro do seu canal, enfiei e tirei algumas vezes. Ela fechou os olhos e mordeu o lábio inferior. —Que imagem! Retirei o dedo da sua bocetinha molhada e levei até a boca dela. — Já sentiu o seu sabor? Abre essa boquinha linda... — enfiei o dedo na sua boca. — Chupa tudo, gostosa — ela chupou meu dedo com uma delicadeza, como se fosse um doce, meu pau já estava escapando na boxer que vestia. — Sentiu como você é gostosa? — Ela balançou a cabeça concordando, virou de frente para mim e abriu os olhos. Fui invadido pela mesma sensação que estava se tornando comum. Fitou-me intensamente por muito tempo, eu também não conseguia desviar e nem piscar. Falou: — Seus olhos parecem azul transparente. — Essa cor não existe — disse cheirando seu rosto igual um cachorro quando reconhece sua fêmea. — Existe! Eu nomeei a cor dos seus olhos de azul transparente — dei uma gargalhada alta. — É? E o que mais você apelidou em meu corpo? —perguntei sorrindo e olhando-a fixamente. — 4G — ela sorriu ao falar. Fiquei embasbacado com seu sorriso. Piscou os olhos várias vezes. Seus cílios são da mesma cor dos cabelos. — O que isso quer dizer? —pergunto confuso. — Hum... Deixa isso pra lá. — Não... Agora você vai ter que falar — falo sorrindo. — Não. — Ah vai... — comecei a fazer cócegas em sua barriga. Ela gargalhou alto. — Linda. Ah... Vai falar sim. Fala logo, ou vai ser pior do que isso — intensificava as cócegas e ela se desmanchava toda. — O que pode ser pior do que isso Gustavo? —fala gargalhando alto. — Pense no que poderia ser pior...


— Não consigo pensar em nada — ela fala ainda gargalhando. Desci a mão até o seu clitóris, e massageei rápido com o dedo indicador, encostei minha boca na dela. — Fala. Agora. Ana. Beatriz. — Aaaaaa... Esse é o jeito pior para me fazer falar? — gemeu e perguntou baixo, sem fôlego. — Intensifiquei os movimentos circulares no clitóris, beijei sua boca com força, mordi seus lábios e não descolei os lábios dos dela, deixando-a quase sem ar. Quando senti que ela estava estremecendo e gemendo em minha boca, parei o dedo e o beijo. — Que rostinho lindo — falei com sarcasmo. — Por que parou? — Porque eu quis — respondi. Quando ela pensou em falar mais alguma coisa, voltei a estimular seu clitóris inchado. — Agora fala o que significa esse apelido. — Aaaaaa eu vou gozar. — Só quando eu deixar — falei e parei de estimular seu clitóris. — Nãoooo — ela falou baixo e começou a se masturbar. — Não. Você não vai gozar até eu deixar — segurei suas duas mãos. Ela revirou os olhos, ficou mais linda ainda. Friccionou as coxas para aliviar sua excitação. Meu pau já babava dentro da cueca, estava dolorido de tão duro. — Renda-se, sua feiticeira — falei ainda segurando seus braços pelos pulsos finos e frágeis. — Nunca! Nunca irei me render, nem mesmo para um homem como você... Assim... Espe... — Ela não terminou a frase. Não sei por que, mas, ela não continuou falando, só fechou os olhos e balançou a cabeça. — É só falar o significado do apelido, princesa... Só isso — falei no seu ouvido. — Tá bom. Mas, promete terminar, e me dar o meu orgasmo de volta? — sorrio com o pedido. — O orgasmo é seu? — Sim. — Ele é seu. Mas, agora será para mim, por mim. — Grande, grosso, gostoso e guloso — ela sussurrou. — Hum? Não entendi. — Não me peça para explicar — ela fala de olhos fechados. — Grande, grosso, gostoso e guloso? — Sim. Estou falando do seu pênis — ela balançou a cabeça. Soltei uma gargalhada, quando entendi finalmente o que ela estava falando. — Já o apelidaram de muitas coisas, mas, não de 4G — seguro minha ereção enquanto falo. — Gostou dele? — perguntei. — Muito. — Vou fazer você lembrar-se dele todos os dias — falei esfregando meu pau na barriga e vagina dela. Terminei o que comecei, dei a ela um, dois, três orgasmos, que a fizeram gritar meu nome, totalmente descontrolada. Depois, fodi sua boquinha, esporrando todo meu esperma nos seus seios, que balançaram o tempo todo enquanto puxava seus cabelos, forçando-a a engolir meu pau todinho até a garganta. Nunca fodi tanto em menos de um dia. Nem nos meus vinte anos eu fazia esse estrago todo. Essa mulher me estimula me excita e me faz perder a cabeça. Estou encostado na borda da piscina, observando cada detalhe dela. Pareço um louco, um


tarado. Ela está do outro lado da piscina de frente para mim, apoiada na borda da piscina, com a cabeça encostada nos braços, de olhos fechados e seios expostos para o sol. No fundo, lá no fundo eu sei que ela mexeu comigo, mas, talvez seja por ser diferente, natural, e isso me deixou curioso e entusiasmado. Isso vai passar, sempre passa. — Caralho! Se eu soubesse, teria vindo mais cedo — puta que pariu Arthur! Saí em direção à espreguiçadeira, peguei o roupão e dei para Ana. — Veste agora — ela estava corada de vergonha. — Arthur, espera lá na academia, por favor. — E perder esse espetáculo? NUNCA MANO! — Se você não quiser que eu arranque seus olhos, seguidos de suas bolas... VAZA MOLEQUE! — Saí empurrando ele para outro lugar, até a Ana se vestir. Quando o enfiei dentro da academia, ele disse: — Mano... Olha a bunda dela... — Esqueci que a academia tinha vista panorâmica. — Arthur se você não tirar os olhos daí vou implantar seios em você — empurrei-o já o virando de costas. — Mano... Você é um homem de sorte! — Arthur, evita fazer suas piadas sem graça para a Ana — pedi. — Ela gosta das minhas piadas. E eu não vou perder tempo, mano. Quero aquela gostosa na minha cama — meus dentes trincaram involuntariamente, soltei um grunhido, fechei os punhos. — Não Moleque, você não quer! — falei alto. — Nós vamos até lá, e... Se você falar qualquer gracinha, te prendo na sauna e te deixo morrer lá dentro. — Que isso, Gustavo? Que violência, Mano. — Leve a sério o que estou falando Arthur. — Você teria coragem de matar seu único irmão? — pergunta colocando a mão no peito. — Vou contar tudo pra mamãe! Mas, antes vou furar todas as suas camisinhas com uma agulha de costura e vou fazer você ter tantos filhos, que irá trabalhar só para pagar pensão alimentícia para os filhotes. — De novo? — perguntei fazendo-o lembrar de quando eu tinha dezessete anos e ele apenas dez anos, quando furou todas as minhas camisinhas que estavam no banheiro e se arrependeu confessando tudo quando viu a mamãe chorando no quarto. Achou que ela chorava por que eu havia engravidado alguém, mas, na verdade, chorava por que eu tinha passado no vestibular para cursar medicina, e iria morar longe. Sorte minha, que não usei nenhuma daquelas camisinhas. — Como conseguiu entrar aqui? — perguntei curioso. Ele não possui o código para destravar a porta principal e nem as chaves. — Ahhh Gustavo! Quantas vezes eu vi você digitar aquele código idiota? Fala sério. E outra 2209 é a data do meu nascimento. Como você consegue ser... Tão idiota? Quando toco a campainha é só para irritar você. Sei que odeia quando faço isso, mas, minha diversão é irritar você campeão filho da mãe — não respondo, só observo a infantilidade do meu irmão caçula. — Mano você me ama tanto que usou a data do meu nascimento como código. Isso é... Muito gay. — Não tenho que te dar explicações. — Ah... Tem sim! Nunca, nesses meus quase vinte e seis anos de vida, vi você passar mais de 12 horas com uma mulher. Daria tudo para filmar a cena que flagrei. Gustavo Ferrari o exigente e idiota apreciando a imagem de uma mulher tomando sol. Se você visse a cara de boboca que você estava, não acreditaria. Posso virar de frente caralho? Quero ver a Deusa Afrodite nua — pergunta ainda sarcástico. Eu o mantinha imobilizado na parede virado de costas. — Mano, acho que vou passar o dia na piscina com vocês. — Chega Arthur — falei baixo dando fim as gracinhas dele.


Voltamos até a área da piscina e Ana estava vestida com o roupão, sentada na espreguiçadeira. Sentei ao seu lado e passei meu braço em torno de sua cintura. Ela não estava mais relaxada como antes. — Ana... Afrodite — Arthur beijou o seu rosto, mas, ela nem se mexeu, apenas acenou com a cabeça. — Está corada? Está com vergonha? — É um idiota mesmo. — Arthur... — Calma mano, deixa a Ana responder por ela — cortou-me quando comecei a falar. — Não. Por que eu estaria com vergonha? — Se mexeu na cadeira e respondeu. — Por nada! Mas eu tenho que fazer um comentário... Posso fazer papai Gustavo Ferrari? — Não respondi. — Seu silêncio, significa um sim. Então... Ana você tem os seios mais lindos que já vi nessa minha vida pervertida — ele sorri, parecendo natural. Não tem o que falar, cale a boca. Pensei. — Obrigada Arthur — sorrio timidamente ao falar. — Obrigada, falo eu, por me proporcionar aquela imagem — sorriram juntos, não vi nada de engraçado para estarem sorrindo. — Arthur o que trouxe você aqui? — perguntei, tentando ser direto com ele. — Te enviei mensagem, você não respondeu, como sempre. Aí, como sempre resolvi vir pessoalmente vê-lo. — Meu celular está no quarto, não vi mensagem. — Está perdoado, sei que foi por uma boa causa — olhou para Ana e finalizou: — eu te entendo, eu faria o mesmo que você — lançava olhares em sua direção, para ele se tocar que estava atrapalhando, mas, o bastardo fingia nem me ver, ignorava a minha presença. — Marquei com a Fernanda, para irmos a Sensations, curtir uma balada. Já é, Ana? — Frisou o ANA, ou seja, ele está me descartando. — Hoje? — Não acredito que irá aceitar. Apertei com mais força, sua cintura. Ela elevou a cabeça para fitar-me. Fitei-a fixamente e disse: — Ela trabalha amanhã Arthur. — É Arthur, amanhã acordo muito cedo. Preciso atender alguns fornecedores. — Você trabalha aonde? — Ele está muito intrometido, sem limites. — Você conhece o LeParrie? — Sim, é um dos melhores da região. Sou cliente, já há bastante tempo. Você faz o que lá? — Então, esse restaurante é meu. Sou chefe de cozinha — sorrio ao falar. — Fico muito feliz em saber que você é cliente — sorri lindamente ao falar do restaurante. — Linda, simpática e ainda por cima cozinha? É muita coisa para uma mulher só. Perfeita! — Filho da puta fura olho. — Obrigada Arthur! Sempre que estiver lá, peça para me chamar. — Com certeza, gata! — Não consigo falar nada, só presto atenção. Continuo o encarando, mas, o bastardo ignora. — Ah... Ana! Sou o cliente que leva várias preparações para congelar. Sempre peço risoto de camarão com rúcula, para viagem. A última vez que estive lá, o outro chefe, um homem jovem, preparou todos os pratos e separou em descartáveis. Muito atencioso. — Ah... É você? O meu sócio disse que temos um cliente assíduo, que leva várias preparações para congelar. — Eu adoro suas preparações. Só de pensar fico com água na boca — não acredito! Ele lambe o lábio e passa a língua, olhando para os seios dela.


— Eu também gosto dos pratos que vocês servem lá — disse tentando participar do bate papo. — Você a conheceu no restaurante?— pergunta Arthur. Oh, curioso! — Sim — agora sim ele e viu meu olhar fulminante. Ana soltou uma gargalhada gostosa. Deve ter lembrado como realmente nos conhecemos. Acabei sorrindo também. — Pensei que tivessem conhecido um ao outro, ontem na praia. Agora me conte como foi que se conheceram. Pela a cara da Ana, deve ter sido bem divertido. — Sim... Você não vai acreditar! — sorrio ao ouvi-la falar. — Melhor não. — Conta você, Gustavo — ele pede curioso. — Na minha comida tinha um cabelo... — Nem terminei a frase e o Arthur já gargalhava junto com a Ana. Acabei sorrindo também. Ela olhou para mim e disse: — Desculpe! — Tudo bem, esquece isso. — Fui um grosso com você. Perdoa-me? — perguntei acariciando seu rosto. Arthur parou de gargalhar e fitou-me embasbacado, franziu o cenho e balançou a cabeça. — Claro! Você estava com a razão. "O cliente sempre tem a razão" — se ela soubesse que desde aquele dia não a tirei mais da minha cabeça. Arthur continuou me olhando. — O que foi Moleque? — perguntei sorrindo. — Você está bem? — perguntou com as sobrancelhas arqueadas. — Estou. Por quê? — franzi o cenho. — Mano... Estou perplexo! — sorriu e olhou para Ana, que continua sorrindo. — Com o quê? — perguntei. — Deixe quieto! — levantou-se e despediu de nós dois. — Ah! Ana eu espero você na minha festa. — Obrigada pelo convite — não confirmou se irá ou não. — Gustavo eu quero falar com você — seu olhar demonstrou que estava preocupado. Conheço esse moleque como a minha alma. — Ana, espere um instante. — Claro! — piscou um olho para mim. Saímos do segundo andar, descemos a escada em direção a sala. Arthur estava com a expressão diferente. — O que houve Arthur? —Indaguei preocupado. — Gustavo acrescentei mais provas ao dossiê contra o Sr. Campelo. E vim avisar que chegou a hora de você agir e por nosso plano em prática. Estamos em setembro, preciso finalizar este plano até dezembro, o contrato na Rússia terá início em janeiro. Preciso que tudo seja concluído o mais rápido possível. — Eu sei — bufo ao me lembrar do plano. — A peça principal já está no tabuleiro. Ela chegou hoje de manhã, você precisa agir logo, ou decretarei falência em breve. E vou te avisando que papai e mamãe ficarão sob a sua responsabilidade se isso acontecer. — Vai sonhando. — Mano... Sei que você não tem nada a ver com tudo isso, mas, eu só posso contar com você. Enviei para o seu e-mail, toda a rotina dela, horários, lugares. Agora é com você Mano. Ah... Ela é uma gata! E você está de quatro por ela? — Quem?


— Ana. — Espero que nada disso atrapalhe nossos planos e tire o seu foco. — Tchau Arthur — acenou com a cabeça e saiu sem olhar para trás. Onde eu estava com a cabeça para concordar com esse plano. Nunca me envolvi nos negócios do meu pai e Arthur. Meu pai sempre me criticou, nunca me apoiou. Tive que me virar sozinho para terminar meu curso, nunca sentiu orgulho de mim, nem um parabéns, nem um abraço. E até hoje, insiste nesse assunto, sempre a mesma coisa. Não sei por onde começar para pôr o plano de Arthur em prática. Até entendo a preocupação dele com esse assunto, mas, é difícil seguir com tudo. Tenho que ter um estômago resistente. Eu estou é fodido! Cheguei ao segundo andar vi que Ana havia adormecido na espreguiçadeira, parece estar em sono profundo, deve estar cansada depois de tudo que fizemos. Agachei ao seu lado e acariciei seus cabelos, ela se mexeu e abriu os olhos verdes que não saem da minha cabeça. Não saberei o que fazer depois que ela for embora, nunca precisei cortejar uma mulher. É óbvio que gostaria de poder estar com ela sempre que puder, mas, não quero iludi-la. — Você dormiu. O sol está muito forte, vem dormir no quarto — a ajudei ela a levantar e descemos a escada. Chegamos na minha suíte, ela tirou o roupão e colocou-o na poltrona de frete para a cama. Deitou na cama e fechou os olhos e entrou em seu sono profundo. Queria dormir rápido assim. A imagem dela ali na minha cama, dormido de barriga para baixo, com sua bundinha linda para cima, me deixou estarrecido, parece que fui golpeado por um soco certeiro. Sem palavras, estou ligado a uma mulher que mal conheço. — Feiticeira... Bruxa... — dei um beijo na sua testa, puxei a coberta e a cobri. Peguei o celular e vi que já se passava de 12h. Ela irá acordar com fome, mas, não permitirei que ela cozinhe para nós dois, mesmo tendo ciência do quanto ela cozinha bem, não quero fazê-la de empregada. Procurei na agenda do meu celular o número do restaurante que faz delivery. Sempre peço comida quando estou sozinho em casa, geralmente nos fins de semana propriamente falando. Pois durante a semana a Vivi que é minha cozinheira, arrumadeira, mãe, babá deixa comida pronta na geladeira. Disquei para o restaurante, e no segundo toque a telefonista atendeu. Arrumei toda a comida que pedi, separei os talheres, pratos, copos, tudo que achei necessário para um almoço. Escolhi vinho e suco para acompanhar. Olhei no celular de novo e vi que já era 13:30. — Nossa, ela gosta mesmo de dormir — sigo para minha suíte, ela ainda está dormindo mesmo. Tenho uma parcela de culpa nesse cansaço todo. Sento ao lado dela e acaricio sua coluna, desço o lençol lentamente, paro quando chega à bundinha redonda e empinada. Massageio sua carne macia, desço a mão até encontrar sua bocetinha vermelha, passo o dedo de leve e ela acaba reagindo abrindo um pouco as pernas. Mexeu e abriu os olhos verdes que jamais irei conseguir esquecer, mesmo sendo tristes, são lindos. — Oi. Está muito cansada? — Sim — sorriu e fechou os olhos de novo. Deitei ao seu lado e passei o braço por baixo dela para aconchegá-la no meu peito. Em resposta ela virou-se ficando de frente para mim. — Preciso ir embora — não posso obrigá-la a ficar, uma hora ela teria que ir mesmo. — Tá bom — sussurrei em seu ouvido. — Arrumei nosso almoço, vamos comer antes que esfrie. — Não precisava se incomodar com isso. Eu poderia cozinhar para nós dois. — Não queria te explorar. — Você explorou — sorriu com malícia. — Você deixou. Não me recordo de ter rejeitado — disse.


— Gustavo, você é um homem bom. Quer dizer, você é uma pessoa boa. — Qual a diferença entre um homem bom e uma ótima pessoa? — perguntei curioso. — Não sei — sorrimos. —Vem... — levantamos juntos. Ela vestiu o roupão, e seguimos até a sala. —Você arrumou tudo sozinho? — Sim, menos a comida. Eu pedi pelo telefone — ela sorriu lindamente, mostrando seus dentes brancos. — Está tudo uma delícia. — Está mesmo — concordei. — Bebe o seu vinho. — Você é controlador. — O quê? — Sou? — sorrimos. Ela saiu de sua cadeira e sentou no meu colo. — Sim. Mas eu gostei de você — gostei de escutá-la dizendo que gosta de mim. Abracei-a pela cintura. — E você é uma dorminhoca — disse bem pertinho da sua boquinha em formato de coração. — Nem sempre, só quando me canso. — Por que você quer ir embora? Cansei você? — Eu preciso dos meus remédios. — Remédios? Você tem algum problema? — Não. Mas são controlados, e já estão me fazendo falta. — É o anticoncepcional? — pergunto franzindo o cenho. — Não uso, me deixa mal-humorada. — Hum... Se você quiser podemos pedir a farmácia para entregá-los aqui, se forem tão importantes assim. — Não. Na verdade, precisam de prescrição médica, só vendem com o receituário. — Quais são os remédios? — Ela pensou antes de falar, mas, olhou fixamente nos meus olhos e disse: — Escitalopram e Rivotril em gotas. — Okay, Okay... Ela não é uma louca, isto está claro. — Você faz uso desses medicamentos com frequência, ou estar sendo por um tempo específico? — Sim. Uso esses e outros há quatro anos — pisquei repetidamente para me controlar e não perguntar mais nada, mais foi ela quem quebrou o silêncio. — Não sou louca! Sua expressão mostra o quanto ficou assustado. Uso os remédios para combater a insônia, ansiedade e só isso. Não precisa me olhar assim... Como se eu fosse uma ameaça. — Não, não é isso... Você é muito jovem para tomar todos esses medicamentos. Geralmente são prescritos para pacientes com algum tipo de doença crônica — a maioria psiquiátrica. Pensei! — Eu sei, mas, preciso deles como o ar para me manter erguida. — E, eu achando que você tem facilidade para dormir — sorrio um pouco retraído. — Bem, também não estou entendendo esse sono todo. Deve ser cansaço devido ao excesso de sexo que praticamos— sorriu. — Você vai ficar? — Sim — alívio me define ao ouvir o "sim". — Posso te pedir uma coisa? — Depende! — respondeu. — Fica, mas sem tomar essas drogas? — Sim, eu fico!


Dessa vez, ela tomou iniciativa e me beijou, mas, foi tão lento e intenso ao mesmo tempo, que me senti perdido, totalmente perdido em suposições, perguntas, curiosidade em querer saber tudo sobre ela. Mas, tenho que me controlar, não invadir a privacidade de uma pessoa que eu mal conheço. — Você ficou estranho, depois que disse que irei ficar — claro, fiquei no mínimo curioso em saber porque usa essas drogas. Pensei. — Eu? Não. Estou como antes, cheio de vontade de foder você... Todinha de novo. — Hum... Isso é bom, muito bom Gustavo Ferrari — enquanto falava ela roçava sua boceta em cima do meu pênis semi-ereto. Sua lubrificação ultrapassava o tecido da minha boxer. Colou sua boca na minha, abraçou-me em torno do meu pescoço. Seu beijo apesar de suave e macio, tinha uma dose de lascívia. Desfiz o laço do roupão que ela vestia, deslizei lentamente através dos braços dela, até cair no chão. Afastei nossos corpos para poder olhá-la, sua barriga lisa, cintura afilada, quadril curvilíneo, seios redondos e perfeitos com mamilos rosados, os pelos pubianos aparados e depilados dando o formato de um triângulo de cabeça para baixo, mas nos lábios superiores não tinha nenhum pelo, era lisinho. Voltei a fitá-la, e ficamos nos olhando por um logo tempo. — Tão macia e suave — murmurei perdido pelo tesão que já me consumia. Acariciei sua barriga, suas coxas e parei as duas mãos em sua bunda. Ela desviou seus olhos para o meu pênis, extravasando da boxer. — 4G — disse sorrindo. — Você é a culpada por ele estar assim — acariciei os pelos negros da sua vulva. — Não havia reparado antes, mas, entre os poucos pelos, ela tem uma cicatriz fina e branquinha. Ué, ela já fez uma cesariana? Não tem filhos. Poderia ter sido alguma intervenção cirúrgica no útero? Levantei da cadeira com ela grudada no meu pescoço e com as pernas enroscadas em minha cintura. Espalmei as duas mãos em seu rabinho delicioso... E dei um tapinha leve. — Gostou? — Sim. Muito! — disse sorrindo. — Foi bom saber que você curte uns tapinhas. —Há muito tempo não recebo uns tapinhas — essa mulher é de outro planeta. Só pode!


Capítulo 11 - Ana Beatriz Gustavo Levantou da cadeira me levando junto com ele. Eu envolvi minhas pernas em sua cintura. Abracei-o com sofreguidão e deitei minha cabeça em seu ombro, dando-lhe acesso ao meu pescoço. Seus lábios febris colaram em meu pescoço, intercalando beijos, mordidas e chupões. Estava ligada no 220, se ele escorregar um dedo no meu canal melado, entrarei em êxtase no mesmo instante. Suas mãos seguravam minhas nádegas abrindo-as, expondo todo o meu sexo e meu ânus. Fiquei enlouquecida com o cheiro de macho e sexo que ele exalava. Perdi a noção de tudo, dei-me por inteira, deixaria que me fizesse dele de qualquer maneira, de qualquer jeito. Arfava em seu ouvido, gemendo silenciosamente, mostrando o quanto me deixava extasiada, excitada, dada. Sexo para mim é assim: ou é tudo, ou nada. Nunca tive frescuras, gosto de sexo, sexo e sexo. Sexo duro, sexo cru, sexo com carinho, sexo acompanhada e até mesmo sexo sozinha. Na verdade, fui ensinada, aprendi assim, a ser entregue completamente. — Delícia vou te dar duas opções — sua voz vibrou no meu pescoço, Fazendo-me estremecer inteira. Seu hálito quente, gostoso e excitante. — Cama ou hidromassagem? — Ele não imagina o quanto estou excitada, digo, por dentro. O fogo me consome, paira no meu ventre, conseguiria gozar apenas com um assopro no meu clitóris. Mas não quero assustá-lo. Então, farei apenas a escolha. Elevo minha cabeça o suficiente para falar em seu ouvido. Deslizo a língua molhada em toda sua orelha, paro no lóbulo, colo meus lábios e mordo, resolvo responder: — Na cama — procura meus olhos, seu olhar pesado de tanto tesão, fitou-me com adoração. Antes de falar qualquer coisa, lambeu meu rosto, meu nariz, e meus lábios. Voltou a fitar-me e disse: — Sem limites. Mulher sem limites. Empurrou a porta da suíte com o pé e me jogou na cama. Mostrou o quanto aquilo seria duro e cru. Seus olhos passaram por todo o meu corpo, parou na minha boceta vermelha e molhada. Abri as pernas, levantei uma das mãos, acariciei os meus seios sem pressa, desci minha mão até a minha vulva, enfiei dois dedos e estoquei-os bem devagar e me masturbei lentamente. Seus olhos brilhavam, o pênis fugia da boxer, ele passava a língua molhada em seus lábios, massageava seu pau. Seu peito o entregava, pois subia e descia, mostrava o quanto gostava do que via. Retirei os dedos, ajoelhei na cama, e o chamei apenas com o dedo. Sem desviar o olhar, ele se livrou da boxer, ajoelhou na cama de frente para mim, levou sua mão até meu rosto e acariciou-o com carinho. — Você é surpreendente. Sua fome me deixa louco, faz o meu pau babar só de te olhar — seu pênis contraía involuntariamente encostando-se na minha barriga. Segurei-o com as duas mãos e o masturbei com delicadeza. — Assim... Eu gozo, delícia. Deitou-se na cama levando-me junto, tomou meus lábios com uma fome voraz, invadindo com sua língua hábil. Fui golpeada por tantas sensações, meu ventre contraía, meu coração explodia, minhas mãos transpiravam. Há muito tempo não sentia tudo isso, depois de Lorenzo só transei com o Alex, embora seja intenso e gostoso, nunca conseguira levar-me à beira da loucura. Agora... Com Gustavo, a sensação é de plenitude, nos encaixamos com perfeição. Só consegui sentir tudo isso com Lorenzo, ele me ensinou e viciou-me nessa plenitude. Agora sou engolfada pelas mesmas sensações, não consigo me limitar, não consigo parar, só quero me abrir mais e gozar, sem limites. — O que está passando nessa cabecinha?


— Nada... Continua — choraminguei em sua boca. Seus lábios lascivos com fome e pressa desceram até meus seios, ele chupou, lambeu, mordeu e beijou-os. Afastou para pegar a camisinha, deitou na cama igual a um lorde. Entregou-me o pacotinho e pediu: — Veste meu pau, antes que eu faça uma loucura e te fodo sem camisinha. Rasquei o pacotinho, deslizei até a base do seu pau, grande, grosso, suas veias grossas estavam evidentes, mostrando o quanto ele transborda virilidade. Segurou em minha cintura fazendo-me montar em seu pênis, fui invadida por sua cabeça larga que entrou me rasgando, fazendo-me sentir um misto de dor e prazer. Cavalguei loucamente, seus olhos estavam fixos nos meus, joguei a cabeça para trás e me perdi completamente quando ele disse: — Isso... Cavalga meu pau... Minha putinha. Essa bocetinha agora é só minha. Não quero que ofereça para mais ninguém. Escutou? — Eu só gemia e concordava balançando a cabeça. Segurou com muita força em minha bunda e intensificou ainda mais as estocadas. Elevou-me arqueando seu quadril ao meu encontro, cheguei ao clímax cavalgando loucamente naquele pau gostoso e delicioso. — Isso... Goza no meu pau todinho — com um único movimento ele me pôs de quatro e me invadiu, estava mais bruto, sem beijinhos, sem carícias. Estocava com tanta força que chegava a doer. — Quero essa boceta só pra mim, só minha — sua voz saiu autoritária. Enquanto segurava minha cintura com uma das mãos, a outra mão ele massageava meus seios. Desceu sua mão até o meu clitóris e estimulou-o, fazendo meus espasmos ficarem mais intensos. Quando menos eu esperava, ele afastou e sem retirar o pênis de dentro do meu canal, desferiu um tapa na minha nádega direita, continuou estocando forte e duro, desferiu outro, outro, e mais outro. Não falava nada, só escutava grunhidos de macho sentindo prazer. Quando senti o tapa mais quente e ardido, soltei um grito para libertar o que estava sentindo. — Vou gozar... Aiiiii... Gustavo... Aiiiiiiiii — cheguei a um clímax avassalador. Estremeci meu corpo sem controle. Senti seu pau crescer, inchar dentro de mim. Ele segurou meus cabelos como se estive montando uma égua, puxou-me ainda mais, fazendo-me ficar de joelhos, empinando apenas o suficiente para ele continuar suas estocadas. Seu prazer chegou, fazendo-o urrar igual a um animal fodendo sua fêmea. — Aaaaaa. Você está me enlouquecendo. Virei apenas para fitá-lo. Sorrio quando ele fecha os olhos e balançou a cabeça, tentando recuperar o controle sob si. Ficamos deitados em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos. Minha cabeça fervilhava, dúvidas, suposições e lamentações. Uma delas era óbvia, pelo menos para mim. Como pode um homem desse carinhoso, maravilhoso no sexo, vive sozinho? Quer dizer, pensando bem, com certeza ele deva ter companhia sempre quando desejar. A maneira que me tratou com tanto carinho, me trouxe muitas lembranças, saudades... AI DEUS! Entendo que eu estou sendo a transa do final de semana dele, mas, foi tudo tão intenso que eu arriscaria até a palavra especial. Amanhã será outro dia, e com certeza lembrarei por muito tempo, esses dois dias intensos. É claro, que não o procurarei. Com certeza, tem rios de mulheres lindas, sem traumas e problemas, para satisfazê-lo. Apesar dessa realidade, eu tenho certeza que ele não esquecerá facilmente tudo o que fizemos. — Daria tudo para saber o que se passa nessa cabecinha e no seu coração — sua voz grossa soou baixa, ao pé do meu ouvido. Respirei fundo, tentando ganhar equilíbrio novamente, virei de lado para fitá-lo.


— Estou repassando os compromissos que tenho para amanhã — mentira pura. — Hum... Esquece os compromissos por enquanto — aconchegou-me em seu peito. Por que ele precisa ser tão, tão desse jeito? Carinhoso. Realmente estou tendo a prova do nível de carência que me encontro. Qualquer gesto eu estou reconhecendo como carinho. — Me fala um pouco sobre você. — Não tenho nada de diferente e entusiasmante sobre minha vida. — Conte qualquer coisa, para mim já está valendo. — Tá bom! Sou filha única, minha mãe mora em Veneza na Itália, com seu esposo há 3 anos, nos encontramos uma vez por ano, geralmente no natal. Eles vêm para o Brasil, sempre em dezembro. Tenho poucos amigos, no momento tenho dois, mas, esses valem mais do que um exército. Os nomes você já deve saber, Alex e Fernanda. Não costumo sair muito para festas, amo minha profissão. Sou viciada em doces principalmente doces que levam morangos nos ingredientes, tenho dificuldade para dormir. Frequento a academia três vezes por semana, corro na orla sempre que posso. Hum... Mais o quê? — pensei. — Gosto de assistir filmes, principalmente os infantis, ler romances. É isso. Já falei muito. Ah! tenho um segredo... Eu, como pizza dormida, acompanhada de um copo de leite gelado com achocolatado. É simplesmente maravilhoso! — sorrio. — Hum... Seu segredo é bem cabeludo, hein? — Deu um sorriso torto. Oh Deus! Que sorriso lindo esse homem tem. — Você vive aqui no Brasil sozinha. Não têm familiares? — Moro sozinha, não me lembro de ter familiares. — Você é tão nova, cheia de energia. Nunca namorou? — Aí, já está querendo saber demais. — Já. Há muito tempo... — Hum... Sei. Aposto que quebrou o coração dele. — Não. O meu coração é que foi quebrado — essa frase saiu sem que eu percebesse. Ô boca! — Quem foi o louco que te fez sofrer? Não é possível! — Ah! Já passou... — sorrio, mas essa pergunta me fez lembrar o dia que realmente meu coração foi estraçalhado. — E você? Fale da sua vida — o safado chegou a tossir antes de responder, e ainda por cima, soltou uma gargalhada. — Ah... Ana! A minha vida é normal. — Então, conte-me as suas normalidades. — Hum... Deixa eu ver... Tenho duas clínicas, uma aqui na Barra e a outra em Ipanema. Divido meus horários em prol das clínicas. Sempre que posso viajo para relaxar, nem que seja ir a Búzios. Treino todos os dias, pratico Jiu-Jitsu desde os meus nove anos, corro sempre que tenho tempo disponível, às vezes quando bate na telha pratico Stand Up Paddle, saio para curtir uma vez ou outra, sou péssimo na cozinha... Mas o quê? É... Ah! Meus pais moram em Ipanema, no mesmo lugar onde eu e meu irmão fomos criados, eles são pessoas especiais, mas, enchem o saco querendo netos, principalmente minha mãe Dona Estella Ferrari. Só isso — quando acabou de contar tudo sobre sua vida, que para mim, não vi nada de novidade, ele belisca meu mamilo esquerdo e me faz sentir arrepios. — Ai... — soltei um grito fino. — E você, já namorou? — perguntei só por curiosidade. — Não. — Nunca? — Não. — Tá bom, neh? Não quer falar sobre isso. Eu que não irei insistir. — Quando vi você na boate dançando com o seu amigo, pensei que fossem namorados. Você parecia estar feliz.


— Nunca namorei o Alex — embora não faltasse oportunidade. Pensei. Ele franziu o cenho e formou uma ruguinha entre as sobrancelhas, que lhe caiu muito bem, deixando-o com uma cara de mau. — Mas, é fato que vocês transam — hum? Ele disse isso mesmo? Decido trocar de assunto. — Aonde você guardou minha bolsa? — Entendi. Não quer falar. Guardei no closet, vou pegar para você — ficou sério, e foi buscar minha bolsa. Quando encontrei meu celular dentro da bolsa, ainda tinha bateria. A caixa de entrada estava cheias de mensagens do Alex e Fernanda. Visualizo uma por uma com calma. Alex: Cadê você? Estou aqui fora. — 23:30. Ontem Fernanda: Miga, o Alex me ligou querendo saber notícias sobre você. Disse que você não está em casa e não atende ao telefone. O cara é gostoso! Mas é um chiclete. Disse que você saiu com um bofe e não volta hoje. Não precisa agradecer o favor que eu te fiz. — 23:35. Ontem Alex: Entendi por que não responde as mensagens. Tenha uma ótima noite. — 23:40. Ontem Argh! Fernanda só faz merda. Amanhã vou pôr um ponto final nessa história com o Alex. Quando falo ele finge que não entende e isso me dar nos nervos. Prefiro perder a sua amizade de que fazê-lo sofrer. — Algum problema? Você está fazendo uma carinha engraçada, enquanto mexe no celular. — Ah! Minha amiga está preocupada. Ela é exagerada demais — minto e sorrio. — Entendo. Meu irmão também é assim. — O Arthur é divertido, dá para ver o quanto se gostam e são unidos. Sempre quis ter irmãos. — Quando você casar, você pode ter vários filhos e suprir a vontade de ter irmãos — nossa... Se ele soubesse um terço da minha vida, não ousaria tocar nesse assunto. Sorrio em resposta. Ele me olha esperando resposta, mas, se conforma e sai em direção ao banheiro. Olho a hora e vejo que já são 18:59. Nossa, a hora passou rápido demais. Decido enviar uma mensagem para a Fê e Alex, dizendo que estou bem. É... Acho que preciso de um banho. Levanto e sigo para o banheiro também. Abro a porta devagar. — Oi! Posso entrar? — Ele está se olhando no espelho, ainda com a ruguinha entre as sobrancelhas. Fita-me com seus olhos azuis transparente, intensos que parecem desvendar a alma. — Pode — ele está mais sério, desde quando terminarmos o almoço. — Preciso de um banho. Posso tomar? — pergunto meio sem jeito. — Claro! — responde desviando o olhar para seus produtos de higiene expostos sobre a pia de granito. Ele pega um pote, acredito que seja um shampoo. — Toma. É condicionador. Acho que vai precisar. — Obrigada! Entro no box e abro a ducha, espero a água atingir uma temperatura aceitável, o banho será rápido, eu acho. Fecho os olhos e deixo a água cair do meu rosto. Amanhã será um dia decisivo entre eu e Alex, teremos uma longa conversa. Espero que ele aceite minha decisão, entenda o meu lado também. Ele sempre foi paciente e amigo, nunca imaginei que nutria esse amor todo. Sempre foi um safado, saía com várias mulheres ao mesmo tempo. Apesar de sermos amantes, nunca me importei com o fato de ter outras. Às vezes rolava um ciúme, mas, sempre passava. Amo-o como um amigo. Respiro fundo, balanço a cabeça e abro os olhos. — Posso tomar banho com você? — Nem percebi quando ele entrou. — Claro! — O banheiro é dele, ele é quem sabe. Ele pega o sabonete líquido refrescante de ervas e despeja na esponja.


— Vire-se de costas — só a voz dele já me deixa excitada. Ele passou a esponja delicadamente em cada parte do meu corpo. Retribuí da mesma forma, seu pênis o tempo todo esteve ereto, mas, não transamos. Apenas nos beijamos e trocamos carícias. Saímos do banheiro, ele me emprestou um pijama cinza, bem comportado, ficou igual a um saco de batatas, mas, nem me importei, a temperatura diminuiu, e estava frio. Quando fui até a sala a sua procura, ele estava assistindo um filme em sua TV exageradamente grande. Sentei ao seu lado, e ele me aconchegou em seus braços, também estava vestido, mas, com um moletom preto. Enquanto ele estava distraído e concentrado no filme "Eu sou a Lenda", o observava discretamente: tão sério com cara de mau, parecia até que estava bravo comigo, mas, acho que deva ser o seu jeito mesmo. Tem essa cara malvada, mas, é carinhoso ao extremo. Quando me distraí apreciando cada detalhe do seu rosto másculo, sua voz grossa atravessa meus ouvidos. — O que você tanto olha? — Nada. Quer dizer... Estava olhando o seu rosto, você tem uma cara de mau — falei sem graça. Ele deu um sorriso torto lindo, de desmanchar calcinhas. Menos a minha, pois estou sem. — Só tenho cara. Mas, sou bonzinho. — Muito bonzinho e gostoso também, pensei — Está com fome? — Estou. — Vou pedir alguma coisa pra gente comer. O que você está com vontade de comer? — Apesar de ser chefe de cozinha, sempre gosto de apreciar pratos que não são preparados por mim. Gosto de avaliar. — Prefiro que você escolha. — Ok! Vamos de japa? — perguntou com expectativas. — Adoro. Pode ser! Depois que terminamos, fomos para o quarto, escovamos os dentes juntos novamente. Fitou-me nos olhos através do espelho, ainda sério demais. Sorrio várias vezes para amenizar o clima. Quando terminamos ele ligou a TV e o ar condicionado, deitou na cama e me puxou até eu encostar minha cabeça em seu peito. Inspirei seu cheiro delicioso, meu ventre chegou a contrair, mas, não avançaria. Já passava da meia-noite, depois de trocarmos beijos o tempo todo, percebi que ele havia adormecido. Hum... Quero dormir também. Peguei o controle que estava em sua mão e desliguei a TV. Fechei os olhos, mas, meus pensamentos me levaram diretamente para Lorenzo. Não sei o porquê, mas, o Gustavo me fez pensar nele, mais do que eu gostaria. Tentei desviar as lembranças e foquei no rostinho que não sai da minha memória. Rafael. Lindo da mamãe... Lembrei o dia que ele ganhou sua primeira bicicleta, fez uma festa, ficou tão feliz que não parava de agradecer a mim e ao pai. Não consigo fechar meus olhos e não lembrar-me dos dois, é natural, eles ainda estão presentes em minha vida, não consigo esquecê-los, isso é torturante. Meus olhos começaram a pesar, relaxei e adormeci. “Quatro Anos Atrás... Estou deitada em torno dos brinquedos, fotos, roupas, tudo que me aproxima dele. Depois que Rafael morreu, eu e Lorenzo não nos tocamos e nem conversamos mais, nem uma palavra de conforto, nada. Não somos mais o casal de antes. Agora, vivemos separados, não dormimos mais no mesmo quarto e raramente nos esbarramos pela casa. Ele mudou bastante comigo. Admito que foi minha culpa. Mas, eu não tive outra saída, a não ser desviar do caminhão, que estava vindo em nossa direção. Fiz o que achei certo! Passaram-se dois meses que meu anjo se foi, não tenho vontade de fazer mais nada, não quero mais sobreviver, pois é isso que estou fazendo, sobrevivendo. Não quero viver, não quero sair, não


quero receber visitas, nem mesmo minha mãe. Estou perdida em algum lugar, que não é em meu corpo. Vago na minha escuridão a procura do meu anjo, não aceito isso. Como Deus permitiu que isso acontecesse com uma criança? Injusto. Isso que ele é. Um Deus injusto. Por que não me levou no lugar dele? Por quê? Emagreci uns quilos também, pelo fato de não estar me alimentando diariamente. Na verdade nem sinto vontade de comer ou beber água. Não sei como ainda tenho forças para levantar da cama para ao menos tomar um banho. Já passam da meia-noite, e nem sinal de meu sono chegar. Estou deitada no chão do quarto do meu anjo, quando ouço um barulho vindo da sala. Algo parecia ter se quebrado. Saí correndo em direção a sala. Chegando, me deparo com uma cena que destruiu ainda mais meu coração. Lorenzo... Tinha quebrado o único porta retratos da família completa que restou, depois de ter destruído os outros. Parecia estar embriagado, com os olhos vermelhos, revelando todo seu ódio por mim. Estava sentado, entre uma parede e o aparador onde mantínhamos as fotos, se balançando e falando algo, que não conseguia entender. Cheguei perto dele, me abaixei a sua frente e tentei acalmá-lo. Acariciei seus cabelos negros, senti uma saudade de quando éramos unidos e felizes... Faria de tudo para deixá-lo feliz novamente. — O que aconteceu meu amor? Lorenzo, você está bem? — toquei em seu braço, e na mesma hora, fui empurrada brutalmente por ele, fazendo-me cair no chão. — Não... Não encoste-se a mim! Sai da minha casa. Desapareça. Não quero mais ter que olhar na sua cara. Sua assassina! — Se levantou e me pegou pelo braço, praticamente me arrastando até a porta. — Me solte Lorenzo! Solte-me! Você está me machucando — não aguentei e deixei as lágrimas caírem sobre meu rosto, molhando parte de minha blusa. — Você vai sair dessa casa agora! Não fica mais nem um minuto dentro dessa casa! Você matou meu filho! E nunca vou te perdoar por isso! Você é uma assassina! — abriu a porta e me jogou para fora de casa, gritando, me ofendendo. — Eu não quero te ver nunca mais! Some da minha vida! Você é uma desgraçada! — Lorenzo, eu não tenho para onde ir a essa hora. Deixe-me ficar apenas essa noite. Você não vai me ver saindo amanhã. Não faz isso comigo meu amor, eu preciso de você. Vamos passar por isso tudo juntos, como sempre fomos. Escuta-me, por favor, Lorenzo! Eu não conseguirei seguir sem você. Eu preciso de você! Por favor, me escuta — implorei. — Lorenzo, eu te amo! Não faz isso comigo. Vamos superar isso tudo, vamos tentar ao menos refazer nossas vidas. Deixe-me ficar, por favor — suplico. — Eu não posso amar a mulher que matou meu filho. Não mais. Eu não te amo mais Ana Beatriz — olhou bem nos meus olhos, e continuou: — Faça como eu, arranque esse amor do seu peito. Esquece que um dia me conheceu. Eu tenho NOJO de você, não aguento mais chegar aqui e te encontrar com essa cara de coitada. EU NÃO TE AMO MAIS! — gritou descontrolado, acordando os vizinhos da vila onde morávamos. — Você prometeu que me amaria enquanto existissem estrelas no céu, ou até mais se pudesse. E agora? Vai me expulsar da sua vida? Mentiroso! Você jurou me amar e me fazer feliz eternamente — gritei descontrolada. — Eu... Eu menti, foi isso. Eu menti... Espere aqui fora. Vou juntar suas coisas — bateu a porta na minha cara. Parecia que eu estava em outra dimensão, não acreditava no que estava acontecendo. Não demorou muito. Ele voltou com uma mala enorme, com parte das minhas roupas dentro.


Pegou a mala e jogou-a em minha direção, fazendo-a cair em cima dos meus pés, que agora latejavam pela pancada. — Aqui estão as suas roupas, documentos, tudo. Tem o dinheiro que precisa para passar a noite em um hotel. Mas, aqui Ana Beatriz, aqui você não entra mais! — entrou e fechou a porta. Fiquei ali, morta, como um inseto esmagado. Estou me sentindo um lixo, pois tinha acabado de perder o único amor que ainda me restava.”


Capítulo 12 - Gustavo Ferrari — Ana... Acorda! — Ela se mexe agoniada ao meu lado, falando palavras ininteligíveis. —Eu te amo... Não Lorenzo... Você... Prometeu... — Quê? — pergunto a mim mesmo. — Ana acorda! — toco em seu rosto, mas, ela continua agoniada, parece estar tendo um pesadelo. — Ana... Ana. — Ela abre os olhos lentamente, mas, seu olhar está perdido. — Ana? Você está se sentindo bem? — Acaricio seu rosto, e afasto alguns cachos que estão grudados no seu rosto suado. Ela está chorando e com o olhar sem foco. — Ana... — Sentou-se na cama e limpou algumas lágrimas. — Onde estou? — pergunta desnorteada. Como assim, onde estou? — Ana sou eu, Gustavo. Você está no meu quarto, quer dizer, no meu apartamento — falo baixo para não assustá-la ainda mais do que parece já estar. — Oi... Desculpe Gustavo! Acordei você... — fala choramingando. — Calma Morena, foi apenas um pesadelo. Passou... — Aos poucos ela volta a realidade. — Você teve um pesadelo, chamou por um tal de Lorenzo — esse nome, fez meu estômago embrulhar. Queria perguntar quem era, mas, preferir não insistir no assunto. — Me desculpe Gustavo! — Não... Meu amor, não precisa se desculpar. Isso acontece, todo mundo tem pesadelos. Isso é normal — beijo sua boca com carinho. — Vou pegar água para você — falo limpando as lágrimas com os dedos. — Não precisa. Vou embora. — Já é tarde! Como assim você quer ir embora? — pergunto preocupado. — Preciso ir — ela levanta da cama, pega o celular na mesinha ao lado da cama. — Ana, está tarde! — repito. — Você não entende, mas, eu preciso ir. Eu preciso dos remédios que estão na minha casa. Estou há dois dias sem tomá-los. EU PRECISO! — vendo o seu desespero e descontrole, vejo o quão importante são esses remédios para ela. — Eu levo você — levanto-me da cama, olho fixamente em seus olhos tentando entender o que está acontecendo. — Não precisa! Eu peço um táxi é tão perto que eu poderia até ir andando. — Vamos Ana Beatriz! — saí da porra do quarto sem esperá-la. Saiu em seguida segurando sua bolsa. — Gustavo, depois eu mando lhe entregar seu pijama. — Ela irá mandar? Por que ela mesma não faz isso? Que loucura! Isso é hora de pensar em pijama? — Tá bom. —Não sei porque estou agindo assim, ela teria que ir embora de qualquer maneira quando amanhecesse. Saímos do meu apartamento, chamei o elevador. Olhei para ela, mas, não correspondia ao meu olhar. Não sei de que maneira reagir em relação a esse desprezo. Talvez, esteja envergonhada pelo que aconteceu, mas, ter pesadelos todos nós temos, pelo menos uma vez na vida. Se bem, que o dela foi esquisito, pois estava chorando e gritando algumas palavras que não consegui entender. As únicas que não saíram da minha cabeça foram: Eu te amo, e, não Lorenzo. Essa mulher está me deixando confuso e a princípio da loucura. Não sei como irei reagir, quando realmente ela não estiver ao meu lado. Seria possível em apenas dois dias ficar viciado em uma


pessoa? Não arriscaria a palavra apaixonado, mas, viciado encaixa-se perfeitamente nessa situação que me encontro. Se ela está achando que irá fugir de mim, mas, não vai mesmo. O elevador abre as portas, toco em seu ombro e guiei-a para dentro do elevador, aperto o botão para ir até o subsolo. Ela olha para o painel de led do elevador, mas, não olha para mim. Aproximo-me e a abraço, ela está toda rígida, mas, acaba relaxando. — Ei... Você está muito nervosa. Relaxa! — balançou a cabeça concordando. — Seus pesadelos são repetitivos? — pergunto tentando puxar assunto. — Sim. — Você não acha que tomar os seus calmantes e o antidepressivo ha essa hora, irá atrapalhá-la em seus compromissos amanhã? — Não sou de rodeios, melhor ela entender o que quero que saiba. Os remédios que disse que utiliza são antidepressivos e calmantes, se tomá-los agora, com certeza só acordará amanhã à tarde. — Não. Não se preocupe comigo. Sempre me cuidei sozinha — me deu essa cortada e se livrou do meu abraço. — Tá certo... Ana. Entramos no meu carro, seguimos para o condomínio dela, que fica menos de dez minutos de onde moro. Quando cheguei à portaria, desci o vidro e a Ana falou com porteiro. Estava sem o tag para entrar na garagem para moradores. Quando estacionei o carro, ela falou: — Gustavo, desculpe por fazê-lo vir até aqui a essa hora. Desculpe-me! — Sem problemas. Não me peça desculpas. Você não fez nada de errado — fiquei olhando para ela na esperança de me convidar para subir, mas, isso não aconteceu. Ela ficou quieta, sem olhar diretamente para mim, mas, acabei entendendo. Aproximei um pouco mais para beijar o seu rosto, mas, ela se afastou. O que eu fiz? Não entendo as mulheres! Quando tratamos com carinho, não gostam. Se tratamos com indiferença ficam atrás iguais loucas. — Tchau! Tchau, né?! Não saí para abrir a porta para ela. Passa dois dias gemendo e gritando meu nome para que o mundo inteiro pudesse ouvir, e agora fica assim... Toda estranha. Difícil! Ela saiu lentamente do carro, bateu a porta e acenou com as mãos dando tchau. Quando vi aquela cena, senti como se o meu coração estivesse sido esmagado. Queria que ela ficasse nos meus braços até o amanhecer. FODA! Essa mulher vai ser minha perdição. Mas se ela está pensando que pode me dispensar assim, como se não tivesse acontecido nada nesses últimos dois dias, ela está errada. Sou GUSTAVO FERRARI, e mulher nenhuma diz não para mim e me trata com desprezo. Sei que para tudo tem sua primeira vez, mas, essa não será a minha. Eu quero essa feiticeira. Não quero saber de Alex, o Babaca e muito menos desse tal de Lorenzo que ela chamou durante o sonho. Ela será minha, até quando eu quiser. Não vou pedir, e nem avisar. Estaciono meu carro em frente à clínica, entro na recepção e avisto a Sofia, concentrada na tela do computador. — Bom dia Sofia! — Bom dia, Dr. Gustavo, o senhor tem pacientes para daqui vinte minutos. E hoje às 15horas terá uma abdominoplastia. Já avisei o anestesista para não se atrasar. — Sofia, eu já sei disso tudo — falo irritado. — Desculpe Dr. Gustavo! Mas, é minha obrigação avisá-lo. Lembra? — diz com um sorriso no rosto que só ela tem. — Sim, lembro menina abusada. Fui um grosso com você. Desculpe! — retribuo o sorriso. — Não desculpo! — fala ainda sorrindo. É uma bela ruiva, depois que fez a rinoplastia, ficou


mais feliz e segura. Adora contar piadas e abala o coração de alguns pacientes. — Tá bom! Estarei em meu consultório. Entro no meu consultório, higienizo as mãos, visto o jaleco. Ligo meu Mac, sento na minha cadeira. Estou quase cometendo uma infame loucura, não sei se envio uma mensagem para ela ou ligo. Na verdade, durante o banho pensei em mandar flores, agradecendo a companhia, mas, logo depois disso, minha sanidade falou mais alto. Nunca enviei flores a uma mulher, a não ser para minha mãe. Mas, agora, sinto vontade de fazer tudo o que nunca fiz antes por uma mulher, precisamente para Ana Beatriz. Se Arthur soubesse dos meus pensamentos, riria da minha cara por tempo ilimitado. Se eu decidi fazê-la minha, terá que ser a partir de hoje. Pego o telefone e chamo no ramal da Sofia. — Sofia? — Oi, Dr. Gustavo. — Envie flores para Sra. Ana Beatriz Medeiros, Av. Lúcio Costa, Restaurante Leparrie. Mas, tem que ser agora! — Dr. Gustavo? Flores? O Senhor? O quê? Pra quem? — Sofia, quantas perguntas. Envie as flores, rápido! Mas antes venha até aqui, para eu lhe entregar um bilhete para anexar ao cartão — ela escuta tudo em silêncio e depois solta uma gargalhada, não entendi. Mas, deixa isso pra lá. — Sofia? AGORA! — Mas qual tipo de flores? — Sei lá... Espera aí, sei lá não. Rosas rosa, com doze rosas. Foi à quantidade de orgasmos que dei a ela — pensei alto demais e acabei falando sem pensar. — NOSSA! — Sofia falou quase em um grito. — Desculpe, não era necessário dizer isso a você — desliguei sem que ela terminasse de falar. Pego uma folha do meu bloco do receituário e começo a tentar escrever com minha melhor letra. “Ana, Passarei no seu apartamento às 21:00hs, Esteja pronta. P.S.: Saudades da minha feiticeira insaciável. G.F.” Termino de escrever e logo Sofia entra no consultório. Está com um sorriso bobo no rosto, não sei o porquê. Ela senta na cadeira de frente a mesa e fala: — O Senhor deu doze orgasmos a uma mulher? — pergunta se abanando com as mãos. — Sofia, não me obrigue a ter que explicar esse assunto. Por favor! — Temos intimidade para conversarmos qualquer tipo de assunto. Na verdade, ela que conta as proezas dela. Sempre fui na minha, não tenho facilidade para expor detalhes da minha vida. Mas dessa vez, acabei falando. — Sim — disse sério, mas, ela está quase gargalhando. — Dr. Gustavo, você é um homem raro. Acredito que a felizarda que irá receber as flores, agradeceu aos orgasmos. SANTO DEUS! MULTIPLICA SENHOR, TRIPLICA, MANDA MAIS DESSES. Então, quer dizer que o Dr. Gustavo Ferrari vai enviar flores para uma senhorita — franzi o cenho para ela e disse: — Toma esse bilhete. Anexe, ao cartão que irão com as rosas. O endereço está nesse outro papel. Agora, ande logo com isso. E, não faça mais perguntas.


Capítulo 13 - Ana Beatriz Meu fiel escudeiro, o despertador de todas as manhãs toca ao pé do meu ouvido a música, Wake Me Up-Avicci. Apesar de estar acordada como um zumbi, o barulho me desperta ainda mais. Levanto da cama, espreguiço-me... Estou morta de cansada. Essa maratona de prazer me deixou acabada. Não consegui dormi pensando em várias coisas e uma delas foi o Gustavo que deixou sua marca no meu corpo. Impossível esquecer toda a maratona de sexo que tivemos, meus músculos doem, minha vagina está ardida, meus seios estão doloridos de tanto serem sugados, tenho quase certeza que foram mais de dez orgasmos. Fui tão grossa com ele, depois do meu episódio de loucura, ainda não acredito que tive aquele sonho logo ao lado do Gustavo. Não consegui agir naturalmente depois de tudo, fiquei com ódio de mim mesma, por não conseguir controlar esses sonhos que na verdade são lembranças. Que vergonha! Ninguém merece uma mulher que não tem controle sobre suas ações enquanto dorme. Uma louca que faz uso de antidepressivos, calmantes e terapias, para esquecer o passado. — Hummm... Pijama cheiroso, cheirinho do Gustavo. Ai... Tudo dói, parece que fiz treinamento intensivo para participar de algum campeonato de fisiculturismo. Sigo para minha cozinha, preparo o suco "detox de todos os dias", duas torradas com queijo branco. Sento-me no sofá da sala que é interligada à cozinha. Ligo a TV e coloco no noticiário. Faço meu desjejum com calma e assim que termino, vou cuidar das minhas orquídeas e da mini horta. — Olá princesas... Estão lindas! Ora, ora, temos mais duas flores novas. Que lindas! Enquanto converso com as minhas orquídeas rego todas com a água mineral. Minha mãe diz que sou louca por regá-las com água mineral, mas outro dia assisti no Discovery Channel que os minerais mantêm as flores por mais tempo. Como estão vivas e floridas até hoje, agradeço aos minerais. Despeço-me das plantas, depois de meditar olhando para o mar azul que insiste em me chamar para um diálogo. Vou até minha suíte e escolho uma combinação moderna e confortável para um longo dia de trabalho. Mesmo não sendo mais necessário ficar na cozinha, pois temos os cozinheiros chefes e os auxiliares, gosto de participar das preparações. Nosso restaurante foi padronizado, qualquer preparação possui uma ficha de técnica padrão, isso vai do prato mais caro até a simples caipirinha. Sempre terão o mesmo sabor, a mesma textura, temperatura e características, independente de quem tenha preparado. Demorou um longo tempo para conseguirmos organizar desta forma, mas, hoje seguimos à risca este método. O Alex, empreendedor como sempre, pensa até em abrirmos dois novos restaurantes. Estou seriamente pensando neste assunto. Termino meu banho, seco os cabelos e não sobra um cacho para contar história, faço uma make básica, pego minhas bolsas, isso inclui itens para depois que sair do restaurante e ir à academia. Odeio, mas, agora tenho motivos de sobra para não faltar um dia de treino. O Gustavo! Pensei em enviar uma mensagem agradecendo a maratona sexual e principalmente pedir desculpas pela maneira que o tratei depois da minha crise de loucura. Mas, logo desisti. O Gustavo é um homem interessante, sua beleza é apenas um item. Ele... é... fantástico, carinhoso, educado... Tá chega! O homem é um Deus, puta de um gostoso na cama, sem contar o 4G e sua língua usurpadora e invasora. Agora imagine só, se um homem desses, vai querer saber de uma mulher problemática como euzinha? Nunca! Entro no meu carro, fito-me no retrovisor interno. — Esse rostinho cansado foi por uma boa causa.


Passei a madrugada inteira repensando a minha vida, desde quando ainda eu era uma criança até hoje. Algumas lembranças óbvias me fizeram chorar e foi muito doloroso, mas, por outro lado, pela primeira vez em quatro anos, consegui refletir sobre o meu futuro. Pensar sempre foi um hobby, gosto tanto de pensar, que minha mãe dizia que eu seria filósofa, historiadora ou antropóloga. E, realmente foram as minhas disciplinas preferidas no colégio e na universidade. Não sei por que, mas meu subconsciente começou a cobrar planos para o futuro, parece que ele dominou minha cabeça e toda hora as mesmas perguntas pairam em minha mente com letras gigantescas: Solidão? Futuro? Novo? Recomeçar? Então, tomei uma decisão, irei retornar às terapias com o Dr. João Pedro meu psiquiatra. Logo quando retornei ao Brasil, ajudou-me a aceitar a morte do Rafael, foi importante em minha recuperação, jamais aceitarei a morte dele, amor de mãe dura até mesmo depois do fim. Embora isso não mude, procurei adquirir controle sobre minhas emoções, principalmente na presença de outras pessoas. Não suporto quando me olham com pena. Isso eu não aceito! Os únicos que sabem parte da minha história são o Alex e a Fernanda, com exceção da minha mãe e o terapeuta. Eu e a Fernanda somos amigas desde a adolescência, mesmo assim, qualquer assunto que se refira ao meu passado é estritamente proibido. Estaciono meu carro em frente ao restaurante. Logo aparece Felipe, o rapaz que cuida dos carros que ficam estacionados na orla. Ele almoça todos os dias junto com os meus funcionários, fico muito feliz em poder proporcionar a ele um almoço digno. Pois ele mora em um abrigo e nem sempre consegue fazer as principais refeições. O Alex não concorda com isso, mas, eu fico com tanta pena das histórias dele que acabo cedendo. — Bom dia Bia! — A maioria das pessoas me chamam de Bia inclusive ele. — Bom dia Felipe! — Ontem à praia bombou de carros. Consegui uma boa grana e consegui alugar uma quitinete na Cidade de Deus — vejo a felicidade em seus olhos, isso é gratificante. — Que legal Felipe! — Bom, agora sou um cidadão e tenho um endereço fixo — tive uma ideia! Espero que ele aceite. Nossa! Por que não havia pensado nisso antes?! — Felipe, depois do horário do almoço, mais ou menos às 16hs, peça para falar comigo. Certo? — Claro! Um pedido da madame é uma ordem — sorrio para ele e digo: — Te espero —aceno e corro para a calçada. Felipe é um rapaz de mais ou menos uns vinte e dois anos. Digamos que, talvez se ele tivesse condições de se cuidar mais, seria um rapaz pintoso. Ele tem olhos azuis e cabelos loiros que batem na altura do ombro. A Fernanda sempre fala: — esse "flanelinha", apelido de guardador, aqui no Rio de Janeiro, — com um banho de loja e um dentista milagroso, iria ficar um pedaço de homem. Sempre que vem até meu restaurante ela perde horas batendo papo com ele. Tadinho do Felipe, ele fica todo encantado pela Fernanda. — Bom dia Carlos! — cumprimento, assim que entro. — Bom dia, Bia! Entro no salão principal e vejo que os fornecedores já estão aguardando. O Alex está distraído, sentado ao lado deles. — Bom dia Senhores. — Bom dia! — responderam em uníssono. — Desculpe fazê-los esperar — digo. — Não se desculpe, a senhorita está dentro do horário — um homem volumoso e calvo fala


sorrindo. Aproxima-se e diz: — Prazer, sou Roberto, fornecedor de hortifrutigranjeiros. Ao seu dispor, gracinha — beija minha mão. Já de manhã? Argh! — Bom dia Alex — falo em seu ouvido quando sento ao seu lado. Ele ignora o meu bom dia, e continua conversando com o outro fornecedor. Ué, vai ser assim? Então, vou atrapalhar a conversa dele. — Prazer sou a Ana Beatriz. Eu e Alex somos sócios e estamos à procura de novos fornecedores. A princípio pensamos em apenas hortifrúti, pescados e especiarias — senti que o Alex não gostou muito quando falei, mas, não estou nem aí. A cada repetição do seu nome, ele franzia o cenho e me olhava. Palhaçada! A reunião com os novos fornecedores foi concluída. Decidimos mudar os dias de entrega dos hortifrútis e dos pescados. A próxima reunião será com o fornecedor de vinhos e espumantes. Mas, esta Alex conduzirá sozinho, pois ele é especialista em vinhos. Quando levantei para retirar-me da mesa onde havíamos realizado a reunião o Alex toca no meu ombro e fala: — Você está diferente. — Diferente, como? — Não sei. Seus olhos... Estão diferentes. — Alex, dizer que eu e meus olhos estão diferentes é muito relativo. Melhor dizer o que realmente está diferente em mim, embora não tenha mudado nada. Seriam os meus cabelos? — escovei antes de sair de casa, queria mudar um pouco. — Não é isso. Não sei explicar! — Estarei no escritório, precisamos conversar — retiro-me e ele concorda balançando a cabeça. Antes de ir para o escritório que fica em um espaço distante do salão principal, encontro alguns funcionários na cozinha experimental. Entro e dou bom dia a todos. Vejo a Renatinha de cabeça baixa, triste. — Bom dia Renata. O que houve? — pergunto baixo. Ela levanta a cabeça e vejo que possui um hematoma no olho esquerdo. — O que foi isso? — pergunto preocupada. Assim que pergunto ela começa a chorar silenciosamente. — Meu companheiro, quer dizer meu ex-companheiro. — Venha comigo até o escritório — seguro sua mão e a levo para o escritório. Depois de acomodá-la na cadeira e sentar-me de frente para ela, resolvo iniciar a conversa. — Renata você foi agredida pelo seu namorado. Que absurdo! Você precisa denunciá-lo. — Eu não posso Bia, ele me ameaçou de morte. Disse que se eu largar ele me mata. — O quê? — E você irá fazer o que ele quer? — Eu não tenho para onde ir. Não tenho mais contato com minha família que moram em Itaperuna. — Você ainda ama esse homem? — Não. Nunca amei. Fui morar com ele por conveniência e acabei me prejudicando mais ainda. Ele sempre me humilha, esconde meus uniformes de trabalho, minhas coisas pessoais, rouba todo o meu salário. Desculpe Bia, não deveria estar preocupando você com isso. — Agora entendo por que sempre está sem o uniforme. Desculpe-me! — Você estava certa quando chamou minha atenção. — Escuta Renatinha, vamos pensar em algo para você sair dessa. Agora se acalme! A partir de


hoje você ficará auxiliando na preparação dos drinks, isso até o seu olho voltar ao normal. No fim do dia, voltaremos a conversar. — Obrigada. Você sempre tão gentil. — Ela se retira do escritório ainda cabisbaixa. Respiro fundo, antes de abrir o notebook que está em cima da mesa. Pego uma caneta e minha velha agenda e começo fazer algumas anotações. Eu e Alex recebemos constantemente convites para eventos gastronômicos, palestras, workshops pelo mundo inteiro. Mas, nem sempre conseguimos participar, mas, sempre que temos tempo comparecemos. Abro minha caixa de e-mail e respondo os mais importantes. — Bacana! — falo alto quando leio um e-mail sobre gastronomia molecular. — Bacana o quê? — Uma voz feminina familiar invade o ambiente. — Amigaaa! — Fernanda. — Olá sumida — ela diz. — Eu, sumida? — Sim! Quero saber de tudo sua "safadenha". — Nem tudo... — O que você quer saber? — pergunto. — Sobre você e o bofe com cara de mau. — Gustavo. O nome dele é Gustavo — falo. Não sei por que, mas senti uma pontinha de ciúmes dele. Ela insistiu tanto que acabei fazendo um resumo bem resumido, sobre tudo que aconteceu, omitindo a maior parte da história. Ela não precisa saber o quão gostoso aquele homem é. Eu é que não irei fazer marketing dele. — Ai amiga, ele é um fofo. — Sim, meu fofo. — Ele é sim, gentil. Você e o Arthur se deram bem, não foi? — Ah, Sim! Mas é só amizade. Nos demos muito bem. Muitas coisas em comum. Acabamos nos tornando amigos. — Tá, mas não rolou... Nada? — pergunto curiosa. — Claro! — Ela sorri abertamente com seus lábios pintados de vermelho intenso. Cruza as pernas e vejo que está sem calcinha. É uma doidinha mesmo. — Você está sem calcinha? Por quê? — pergunto sorrindo. — Esse vestido — ela aponta para o seu vestido — é exclusivo para o novinho que vou pegar daqui duas horas e ele pediu para ir sem calcinha — ela acha isso normal, então acabo concordando com o que diz. — Já de manhã? — pergunto perplexa. — Amiga! Você sabe muito bem que eu não tenho horário certo — sei muito bem que é uma patricinha mimada pelos pais. — Entendi — mentira pura. — Arthur e eu ontem saímos, fomos para Sensations. Ele é divertido ao extremo! — concordo. — Ele falou que você e o gato do Gustavo estavam no maior love, ontem na piscina — ela fala sorrindo. — Ele disse isso? — Sim. E disse mais, contou que o irmão gostou de você — sorrio igual a uma adolescente apaixonada. — Ontem o Arthur foi até a cobertura do Gustavo. Eu e o Gustavo estávamos bem à vontade, e nos pegou desprevenidos — sorrio. — Vocês estavam... Transando?


— Felizmente, não. — Menos mal! Você gostou dele, vejo isso em seus olhos. — Impossível não gostar Fernanda. Ele é encantador. — Será que ele gostou mesmo de você, como o Arthur comentou? — Espero que sim. — Não sei... Ontem estraguei tudo, deixa isso pra lá Fernanda. — Amiga conversa comigo! Sabe que me preocupo com você — ela se aproxima e me abraça. — Sua bobinha. Pensa que não conheço você? Posso adivinhar o que aconteceu? Você sonhou com o gostoso covarde do Lorenzo de novo, e fugiu igual uma menininha assustada de cinco aninhos para não ter que explicar ao Gustavo o que realmente se passa nesse coraçãozinho e nessa cabeçona — concordei com o que disse. Fitou meus olhos e balançou a cabeça em reprovação. — Bia, quem sou eu para dar-lhe conselhos? Sou apenas uma mulher de trinta anos, mimada, que gosta de curtir a vida e ser feliz. Entendo, que o modo que eu escolhi viver e desfrutar da minha liberdade, não agrada a todos, mas, essa foi a minha escolha. Sou feliz ao extremo por viver assim. Mas, você minha amiga, você ainda não fez a sua escolha. Olhe para você e veja o quanto é linda, especial, você é única. Queria poder te ajudar a seguir, mas, somente você poderá recomeçar seu novo trajeto. Amiga... Espero que você refaça a sua vida e seja feliz para o resto de sua vida. Você sempre sonhou em casar e ter filhos e ser feliz para sempre. Mas a vida é uma caixinha de surpresas, nos prega cada peça, cabe a nós, depois da demolição saber o tempo exato para reerguer um novo castelo. Amiga... Carpe Diem! E toca um foda-se para o seu passado e seus traumas. — Fernanda... Belas palavras. Apesar desse seu jeito muito loko de viver, admiro muito você. — Agora, chega! Vai borrar minha make — ela fala com lágrimas nos olhos. — Ai... Fê. Eu tive um pesadelo bem ao lado do Gustavo. Fiquei envergonhada, e de certa forma acabei tratando ele com desprezo. Sabe eu tento mais não consigo seguir sem que essas lembranças me arrastem para o fundo — continuo falando, na verdade desabafando... — O Gustavo foi tão... Tão perfeito, que conseguiu me fazer lembrar o quanto é bom estar acompanhada de alguém que lhe ofereça carinho, amizade, lealdade, proteção. Apesar de estar ciente que tudo aquilo tanto para mim, quanto para ele, foi apenas sexo. A maneira que nos tratamos foi essencial para fazer-me repensar as minhas decisões. Eu quero sim, um dia quem sabe, voltar a amar outra vez, mesmo que eu sofra novamente, isso faz parte. Amar é muito gostoso, chega até ser mais prazeroso do que ser amada. O amor é futurista, libertador, acolhedor. — Amiga você está falando sobre Amor? Não acredito? Santo Gustavo Ferrari! — sorrimos juntas. Bateram na porta do escritório e a abusada da Fernanda grita: — Pode entrar! — Bia? — Carlos o gerente entra segurando um enorme buquê de rosas cor de rosa. — Oi Carlos! — São para você. O entregador acabou de trazer — levanto e pego o buquê. — Nossaaaaaa Amigaaaaaa! AI QUE TUDO! — A Fê fala alto, batendo palma. — Nossa quem será que enviou? — Adoro flores, inspiro o perfume delicioso que elas exalam. Quem será que me mandou? Procuro pelo cartão e logo o encontro. Pego o envelope vermelho, abro e retiro um cartão médio, mas, está afixado neste, um bilhete escrito com letras de forma. “Ana, Passarei no seu apartamento às 21:00hs, Esteja pronta. P.S.: Saudades da minha feiticeira insaciável.


G.F.” — Amiga esse está na sua. — Fernanda fala ao meu lado bisbilhotando o bilhete que ele enviou. Olho para frente e vejo o Carlos se retirando do escritório e um Alex muito bravo entrando e batendo a porta atrás de si. — Agradece as flores e diz que irá esperá-lo — Fernanda continua falando sem se importar com a presença do Alex. — Oi Alex. Tudo bem? — ela pergunta com sarcasmo. — Não. Está tudo errado, tudo fora do lugar — ele responde alto. — Ele vem em minha direção e toma o cartão e o bilhete da minha mão e lê em voz alta. — Me devolve isso agora! — vocifero. — O que significa isso Bia? — Ele aponta para as flores e balança o bilhete com as mãos. — Não te interessa! Devolve isso, AGORA! — Ele precisa de limites. — Foi com ele que você passou o final de semana. Fui até seu apartamento várias vezes, enviei centenas mensagens e nada de você atender. Por quê? Por quê, Ana? Você não consegue me amar? — Seus olhos estão vermelhos e ele está muito nervoso. Olho para a Fernanda que está assistindo ao show do Alex com as sobrancelhas arqueadas e um bico vermelho. — Fernanda dê licença a nós dois, por favor! — peço com a voz baixa e tentando manter a calma. — Acha que vou sair e deixar você sozinha com esse LOUCO gostoso. Na... Não! — Amiga, por favor. — Tudo bem! Mas, ficarei lá fora esperando o teatro acabar. — Alex... Vamos direto ao assunto de novo. Não temos compromisso. Não somos um casal — ele continua fitando meus olhos com ira. — Quero por um ponto final nessa relação de amizade com "benefícios". Eu não quero e não admito ser cobrada por uma coisa que nunca existiu. Sei que errei em ceder e transar com você no sábado de manhã, sabia que você criaria expectativas. A partir de agora, seremos apenas amigos e sócios. Se não for assim, prefiro sair da sociedade, vender minhas cotas para você e desaparecer da sua vida. Respeito o sentimento que tem por mim. Na verdade, saber que você me ama me faz sofrer tanto quanto você. Alex... Tenta seguir a sua vida, pois tentarei seguir a minha. — Nada do que eu te falei em seu apartamento tocou esse seu coração impenetrável, nada? — ele pergunta com a voz embargada. — Não, Alex — ele se aproxima e me entrega o bilhete. — Sempre estarei esperando por você e nada fará com que eu desista de tê-la. — Alex... Vou repetir, EU E VOCÊ DAQUI EM DIANTE SEREMOS APENAS BONS AMIGOS. — Entendi, mas, você não tem o direito de tirar do meu peito todo o amor e carinho que sinto por você — ele termina de falar e se retira batendo a porta com força total. Fernanda entra logo depois. — Amiga eu gosto muito do Alex, mas, ele está se tornando obsessivo demais. Você fez o certo, dando um ponto final a esse lenga-lenga todo. — Fiz o que deveria ter feito há muito tempo. Mas, fico insegura, em relação a nossa amizade. Isso me entristece, gosto tanto dele que não gostaria de vê-lo por aí sofrendo por mim. — Que loucura! — Ela sorri. Sento de volta na minha cadeira e só penso em enviar uma mensagem para o Gustavo. Pego meu celular e procuro nas últimas chamadas o número dele. Acabei me lembrando do nosso primeiro beijo e a atitude dele, pegou meu celular e discou para o próprio celular, só para gravar o meu número. Sorrio ao lembrar.


— Bia, tem exatas doze rosas. O que significam? — Não sei — respondo ainda procurando o número do Gustavo. — Achei! — O quê? — O número do Gustavo. Vou enviar uma mensagem agradecendo as flores e dizer a ele que não poderei sair com ele hoje. — Por que não? — Estou estressada. — Isso não é desculpa Ana Beatriz. Com certeza ele fará você ter orgasmos alucinantes. Quer maneira melhor do que essa para relaxar? — Verdade! — Caracoles... Você concordou comigo? Não acredito! — sorrimos juntas. — Agora deixe que eu enviar a mensagem. — Ele está online. — Aproveita e digita logo! Ana Beatriz: Oi! Obrigada pelas rosas, São lindas! Ele está digitando... Gustavo: Estou com saudades. Não consegui dormir depois que voltei sozinho para meu apartamento. Ana Beatriz: Sério? Eu também não. Gustavo: Seu cheiro impregnou no meu quarto, no meu banheiro, no apartamento inteiro. Não sei nem o que escrever, depois disso. Ana Beatriz: Eu também tenho o seu cheiro. Esqueceu do pijama? Agora ele é meu. Gustavo: Para que o pijama, se você pode ter o dono do pijama só para você. Ana Beatriz: Ok! Não sei como agir perante toda essa novidade. Gustavo: Não vejo à hora para te encontrar. Estou ansioso para arrancar sua calcinha e cair de boca na sua bocetinha apertada e molhada. Só de pensar meu pau reage. Oh Deus! Esse homem é intenso demais. Ana Beatriz: Gustavo? Isso é sério? Esperei, mas, a resposta não veio. — Esse homem me deixa confusa — falo relendo as mensagens. — Deixe eu ver as mensagens? — Não! — Fala sério! Você sempre me conta tudo, agora vai ficar com essa palhaçada de segredinhos? — Fernanda nós somos adultas. Não quero expor minha intimidade assim... — Você está doente? — Ela toca na minha testa para ver se estou com febre. Sorrindo ela diz: — Está doente. Sabe qual é o nome da doença? PAIXÃO, CIÚMES, BLÁ... BLÁ... BLÁ... — Claro que não! Nada a ver, isso tudo que você disse. — Amiga... Conta outra. — Tchau Fernanda, preciso trabalhar. — Tchau sua bruxa malévola. Tenho compromisso mesmo, se não tivesse ficaria aqui o dia inteiro perturbando você e paquerando o gato obsessivo do Alex. — Tchau, vai com Deus — às vezes a Fê consegue ser insistente ao extremo. Ela fecha a porta e vai embora. Volto a apreciar minhas flores com mais atenção e privacidade. Estou com um sorriso idiota no


rosto, eu sei disso. A última vez que ganhei flores... A não, não quero lembrar a última vez que ganhei flores. Argh! Cérebro traidor. Depois que coloquei as rosas em um vaso com água mineral e as deixei no canto da minha mesa, resolvi responder todos os e-mails acumulados. Meu celular vibra em cima da mesa, indicando que recebi mensagem. Gustavo: Claro que sim! Pego você às 21hs no seu apartamento. Vou repetir os doze orgasmos, com prazer. Quero escutar os seus gemidos a noite inteira. Ana Beatriz: Uma rosa para cada orgasmo? Gustavo: Sim! Ana Beatriz: Que criativo! Gustavo: Antes, irei castigá-la, por me obrigar a desperdiçar minha ereção matinal. Ana Beatriz: Então, obriguei você a se tocar? Gustavo: Sim, duas vezes. Ana Beatriz: Reconheço que errei me perdoa? Gustavo: Perdoada, minha feiticeira. Para onde será ele pretende me levar? O relógio parece estar de mal comigo, o dia se arrasta, a hora não passa. Sigo para o salão, que está lotado de clientes. Graças a Deus! — Ana? — Oi Carlos. — Tem um grupo de atores, que gostaria de serem fotografados ao seu lado e do Alex. — Já estou indo. Criamos até um Instagram para o Leparrie. A maioria dos clientes gostam de fotografar os pratos e marcar o restaurante. Foi uma ideia fantástica! A propaganda acaba sendo feita pelos próprios clientes, já virou até brincadeira. As sobremesas que são a especialidade do Alex levam o nome de clientes ou até mesmo artistas. Até eu tenho uma sobremesa só minha, Morango Bia. Coisa de Alex! Ouço batidas na porta. — Oi! Pode entrar. — Sou eu, Bia — diz Felipe. — Oi querido, sente-se — ele está todo envergonhado de estar em meu escritório. — Aceita uma água, suco, chá, refrigerante? — Não. Obrigada! — Então, vamos direto ao assunto: — Estamos precisando de um motoboy para fazer entregas na parte do dia. O que você acha em ocupar o cargo? — Bia... Estou sem palavras para descrever a felicidade... Minha vida está tomando um rumo. Eu aceito. — Quanto ao salário, benefícios, horários o Carlos passará tudo para você. Amanhã não esqueça a documentação. Principalmente sua habilitação, pois você retirará a moto amanhã — ele sempre comentou que estava juntando uma grana para comprar uma moto, por isso sei que tem habilitação. — Nossa! Que felicidade. Obrigada! Renata abre a porta silenciosamente e fala: — Boa tarde, posso entrar? — Claro! — Tive uma ideia. Quando Renata entra e fecha a porta, ela avista o Felipe e acaba fazendo uma cara de nojo.


—E... A Patricinha está de máscara para participar de The Walking Dead — Felipe implica com ela. — Quem te deu um soco na cara? — ele pergunta interessado no assunto. — Cala a boca, seu desdentado! Vai manobrar os carros, vai. — Renata e Felipe, me respeitem. O que significa essa troca de gentilezas? — Eufemismo puro da minha parte. — Ele não aceitou o NÃO que levou, quando pediu para ficar comigo. Deus me livre de beijar esse troço! — Felipe olha para ela com o olhar triste. Não gostei disso! Ela está humilhando ele. — Que dia? Que dia foi esse que não lembro, Lady Gaga da Rocinha? Quer dizer, Valesca Popozuda depois do atropelamento — ele rebate suas ofensas, com mais ofensas. Aí tem! — Cala a boca, banguela! — Ele solta um grunhido triste e fica quieto. — Renata para de julgar as pessoas pela aparência. O Felipe é um rapaz excelente com um coração terno. Só não teve as oportunidades certas — falo. — Bia eu não me importo com o que essa louca fala — diz ignorando os olhares da Renatinha. — Vai colocar uma dentadura seu ridículo, antes de falar comigo — pegou pesado. — Renata! O que isso? — repreendo-a. — Desculpe chefinha. — Quietos os dois! Chega de trocar ofensas — eles ficaram em silêncio e encararam o chão. Resolvi começar a falar: — Felipe, a Renata precisa alugar um lugar para morar, e como você me contou que alugou uma quitinete, pensei que de repente poderia haver mais para serem alugadas — Felipe levanta uma sobrancelha como se estivesse com dúvidas. Ele tira o celular do bolso de seu bermudão azul esfarrapado. — Vou ligar para o proprietário das quitinetes, sempre tem disponível. — Alô! Seu Bahia sou eu o Felipe que alugou a quitinete ontem. — Isso! — Tenho uma amiga aqui no meu trabalho precisando alugar também, você teria alguma vazia? — Tem. Vou passar para ela o endereço. — Tu vai ficar aí na comunidade até as 17horas. Obrigado seu Bahia. — Bia, ele disse que estará até as 17horas lá no quintal. Se quiser posso levá-la comigo — por isso gosto dele, prestativo e sempre educado. Vou mandar consertar esses dentes dele. Amanhã! Renata está quieta esperando eu falar com ela. — Renatinha, arrume tudo o que você tem na casa onde estava morando e vai com o Felipe para Cidade de Deus. — Bia, eu não tenho como adiantar o aluguel, não tenho um real sequer. Estou apenas com meu Rio Card, e mesmo assim, a passagem está contadinha para durar até o final do mês. — Vou te dar um vale para você resolver os seus problemas, mas, irei descontar do seu salário todo mês — junto em um envelope o dinheiro e lhe entrego. — Bia eu não sei como te agradecer, o que você está fazendo por mim. — Você tem como agradecer. Primeiramente, pare de chamar o Felipe de desdentado e continue dedicada ao trabalho. Depois do corretivo e dos sermões que dei a ela outro dia, por incrível que pareça ela mudou, pelo menos está sempre de uniforme e cabelos totalmente preso. Pensando bem, se não fosse essa indisciplina dela, jamais teria conhecido o fofo do Gustavo. Sorrio sozinha com minha conclusão. — Recapitulando: Felipe, não esqueça todos os seus documentos, quero você aqui todos os dias às 8 da manhã, com esses cabelos PRESO. Renatinha, você está liberada para resolver seus problemas, mandarei um táxi levá-los até sua antiga casa e depois deixá-los na casa nova. Estamos


entendidos? — Sim — responderam em uníssono. — Agora vão... Preciso trabalhar. Assim que o Felipe chegar amanhã, mandarei que ele vá ao consultório da minha dentista. Ele precisa de um bom tratamento odontológico, e não poderá aparecer no salão para fazer as entregas com esses dentes quebrados na boca. Nessa hora o caminhão que entrega os pescados já deve estar descarregando. Levanto e saio em direção à porta de carga e descarga. Passo por Alex, mas, ele parece estar evitando qualquer contato comigo. Argh! Vejo o caminhão parado e os pescados sendo recebidos por um dos funcionários que verifica a temperatura dos pescados. Por mais que tenha havido uma discussão entre eu e Alex, termino a jornada de trabalho satisfeita. Quando Alex deixou a cozinha experimental para ir até o salão, aproveitei para fazer um sanduíche e um suco. Estou evitando problemas e briguinhas desnecessárias no ambiente de trabalho. No balcão, estão expostos vários pratos com novas preparações para serem fotografados, a maioria de minha autoria. Porém, as sobremesas são meramente exclusividade do Alex. Ele arrasa! Termino meu lanche, vou até o salão, que há esta hora fica vazio. Quando chego vejo Alex conversando com Carlos o gerente. Aproximo-me para fazer umas perguntas. — Oi! — Alex ignora a minha presença, mas, não me abalo. — Carlos, os vinhos chegaram? — Sim! Já estão guardados na adega. — Tá bom — sigo para a adega, que fica do lado esquerdo da entrada principal. Ela é refrigerada, mas, não lembra nada uma câmara frigorífica, pois seu estilo colonial embeleza o ambiente. Olho atentamente os vinhos e espumantes. — Hum... Vou levar esse aqui — falo e retiro o vinho do nicho sorrio igual a uma idiota. Quando penso em deixar a adega, Alex entra. Aproximando-se mais e mais, fita meus olhos e diz baixinho: — Eu. Te. Amo. — oh Deus! Isso está acabando comigo. — Ale... — ele me interrompe. — Não... Não vou obrigá-la a corresponder. A culpa por sentir esse amor por você é somente minha, eu me deixei envolver por uma mulher impermeável. Mas mesmo assim, você me pegou de jeito — escuto tudo calada e sem encará-lo. — Bia... Há três anos vivo de suas migalhas, sabe é muito difícil quando você me ignora, mas, é ainda mais difícil quando tenho que fingir que não me importo. — Alex... Meu amigo gostaria de corresponder à sua altura, mas, não posso. E, não pense que é por causa do meu passado, por que realmente, não é. A questão é aqui — aponto para meu peito, no coração. — Isso é o mais importante para estabelecermos um relacionamento. Eu te amo, mas, não o suficiente para fazê-lo feliz. Eu te amo como um amigo — fui direta e sem rodeios, por mais que isso doa tanto nele quanto em mim. Ele bufa e segura meu queixo para olhá-lo. — Bia... Devo sorrir porque somos amigos ou chorar porque nunca passaremos disso? — Não quero estragar a nossa amizade. Não quero destruir a nossa cumplicidade. Você entende isso Alex? Entende? — pergunto já me desfazendo em lágrimas. — Não. Eu não entendo — beija minha testa e sai da adega. Oh Deus! Isso não é justo! Depois disso o melhor a fazer é seguir para a academia e acabar com essa angústia e estresse na esteira.


Capítulo 14 - Gustavo Ferrari Eu e minha equipe terminamos a cirurgia agora. Foi delicada e complexa, pois se tratou de uma abdominoplastia e lipoescultura. —Nossa, estou cansado — comento com a equipe médica. — Preciso descansar, amanhã serão três cirurgias. Todas serão de implantação de próteses mamárias. — Vamos sair para tomar alguma coisa Gustavo. Você vai relaxar, prometo. Carol, a enfermeira da equipe convidando-me para tomar alguma coisa? No mínimo ela está esperando uma boa noite de foda. Está aí, mais, uma foda que me arrependo de ter dado. Sempre que surge oportunidade ela se insinua para mim. Evito ao máximo não ser grosso, principalmente com as mulheres, mas, essa aí, não tem pudor nenhum em relação à rejeição. Encaro seus olhos dourados e falo: — Carol nós já resolvemos isso. Lembra? — É claro que me lembro da nossa conversa, Gustavo. Lembro-me perfeitamente do dia seguinte, depois de você abusar de duas ao mesmo tempo, dispensou-me como se nada tivesse acontecido — ela fala sem se importar com a presença do Dr. Ricardo o anestesista. — Eu? Você disse que eu abusei de vocês? Lembro-me de você implorando para eu ser mais duro — sei... Estou sendo um bastardo, mas, ela me tira do sério. Se não fosse uma excelente profissional, já teria demitido essa louca. — Carol eu espero sinceramente não ter lhe causado traumas. Eu tenho compromisso — minha voz saiu com rispidez. Dr. Ricardo olhou-me e sorriu. — Sabia que eu tenho fetiche por enfermeiras loiras e de olhos dourados? E se vier acompanhada de brinde por uma amiga, seria uma fantasia completa para se realizar — Ricardo falava olhando para Carol que revirava os olhos para ele. — Deus que me livre de você e essa tua agulha, anestesista — Carol desdenhou de Ricardo. — Eu sei muito bem, qual é o seu fetiche, Ricardo. — Ah... É? Então me diga. — Sua fantasia é pegar a Sofia. Pensa que ninguém percebeu seus flertes para ela? Dessa eu não sabia. Ricardo nem de longe seria ideal para a doce e extrovertida Sofia. — Pois é. Ela é diferente, sabe? Ops... Esqueci você não sabe — essa doeu. — Diferente por quê? Aquela sonsa não deve saber a diferença entre papai e mamãe e... — Carol... Para de ofender minha secretária — rosnei para ela. — Caráter passou longe de você. Como você consegue ser tão indescritível ao ponto de falar mal de uma pessoa, onde esta, não está presente para rebater as ofensas? — Calma Gustavo! Essa é nova... Não sabia que você também está na fila para foder a pobre e pequena Sofia da recepção — senti até um gosto amargo na boca. Que mulherzinha malcomida. — Para você é Dr. Gustavo, diretor da clínica. Hierarquia passou longe de você, não foi? Outra coisa respeite as pessoas no seu ambiente de trabalho, já ouviu falar que respeito é mútuo? Se sim, a partir de hoje exijo respeito quando estiver na minha clínica. Carol e Ricardo, guardem suas diferenças para discutir em algum lugar isolado que não seja no centro cirúrgico. Principalmente, quando temos uma paciente costurada, esticada e anestesiada — dei as costas e sem olhar para trás deixei o centro cirúrgico, mas, ainda consegui escutar o que a Carol gritou para que todos ouvissem: — Gustavo... Se você quiser posso participar desse seu compromisso. É só dizer que sim. Você sabe muito bem que minhas preferências são um pouco peculiares. — O quê? Não entendi. Franzi o


cenho, provavelmente estou com a cara de mau que o Arthur e agora a Ana, disseram que eu tenho. Virei de frente para que ela entendesse o que viria. — NÃO. — Saí sem dar ênfase ao que ela me propôs. Quando era mais novo, transava com duas ou até três mulheres ao mesmo tempo. Mas, isso, conforme o tempo foi passando, foi ficando sem graça, repetitivo, então, cheguei à conclusão que minha praia é outra. Prefiro ficar com uma mulher por vez, mesmo que sejam no mesmo dia, mas, uma por vez. Mas... Nesse momento quero somente a Ana, aquela feiticeira com cheiro de morango. São exatamente 19:40, vou direto para casa, preciso de um banho. Essa feiticeira roubou os meus pensamentos o dia inteiro. Quase larguei tudo e fui atrás dela. Depois das mensagens que trocamos essa vontade louca de estar com ela só piorou. Estou morto de fome, fome de comida, fome de Ana. Ahhhhhh! Que vontade é essa que não passa? Meu celular toca. — Fala Mano! — Oi Arthur. Tudo beleza? — pergunto destravando o alarme do carro e abrindo a porta. — Mais ou menos. — Ah é? O que houve? — sento do banco, coloco o cinto de segurança e dou partida no carro. — Porra! Você sabe o meu problema, Gustavo você precisa iniciar nosso plano. Está entendendo mano? — Estou Arthur — coloco o celular no viva-voz e continuo a falar. — Arthur sei que precisamos dar início, pois o tempo é limitado e curto, mas, não sei exatamente como iniciar — falo a verdade. — Mano... Eu sei exatamente como iniciar tudo. Você pelo menos pensou no assunto? — Não tive tempo. Terminei agora uma cirurgia complexa, não estou com cabeça para este assunto — não estou mentindo. — Então... Você sabe do que preciso. Vou deixar em suas mãos para dar início ao plano. — Moleque só você para me fazer levar isso adiante. — Não tenho opção. — Mano... O tempo está passando, imploro que comece isso para ontem. — Valeu Arthur! — desligo sem me despedir. —Droga! Droga! Droga! — vocifero dando murros no volante. Estaciono meu carro no subsolo, subo direto para minha cobertura. Digito o código fatídico que trocarei em breve. A porta se abre, eu entro, sigo em direção ao meu quarto. Livro-me da calça, blusa, meias, sapatos. Entro no banheiro e abro a ducha, e não espero a água aquecer. Tomo um banho relaxante e demorado. Saio apenas com uma toalha enrolada abaixo da cintura, entro no meu closet e escolho um jeans escuro e uma blusa de manga longa clara, sapatenis preto de couro. Me visto rápido, passo os dedos entre os cabelos, borrifo o perfume de sempre. Dou uma olhada no espelho. Deveria ter me barbeado, mas, não tive tempo. Hum... Pareço normal, isso é o que importa. Sigo para a cozinha, abro o meu refrigerador moderno de duas portas. — Hum... — vejo que a Vivi fez o empadão de frango com azeitona e catupiry que eu ADORO, mas, ficará para depois. Encho um copo de água, bebo tudo em poucos goles. — Ahhhh... Que sede! — Sinto meus dentes sensíveis depois de escová-los. Nossa essa doeu! — Tenho que ligar para Rafaela. Foda! Isso é uma loucura — disco o novo número dela e espero... — Alô. — Uma voz melosa e fina invade meus tímpanos. — Alô! Tudo bom? — pergunto receoso. — Sim. Quem está falando? — Não reconheceu a minha voz. — Hum... Não lembra mais da minha voz?


— Ah! Meu noivinho lindinho. Estou de volta! Enviei vários e-mails essa semana para você, mas não retornou nenhum deles. Estava decidida a visitar você pessoalmente em sua clínica. — Deus me livre! — Como você está? Por que você sumiu e não me avisou antes? Fiquei tão preocupado príncipe. — Odeio mentir, mas, está sendo necessário. Na verdade até comemorei quando os pais dela disseram que ela havia viajado e ficaria fora por um ano. Dei o noivado por encerrado a partir daquele momento, essa merda nunca existiu de verdade, foi um contrato sem papéis entre nossos pais. — Vejo que não conseguiu me esquecer. Sempre soube que você me amava, mas, não conseguia demonstrar isso. Mas, respondendo à sua pergunta, eu precisava relaxar e descansar, depois de perder nosso bebê. — Até hoje não acredito que fiz um filho nessa mulher. Só acreditei depois de olhar os exames e as ultrassonografias. —É... Rafaela nunca te esqueci. — Então, podemos nos ver hoje? — pergunta ansiosa. — Hoje não, mas amanhã passo no apartamento dos seus pais às 19h. — Quanto mais cedo melhor. — Combinado Gato! Até amanhã! Desligo sem me despedir. Sigo direto para o apartamento da Ana, entro sem problemas em seu condomínio, pois o mesmo porteiro de sábado passado garantiu a minha entrada. Toco a campainha duas vezes. Escuto-a dizendo que já vem. Espero pacientemente até sentir a maçaneta se mexer. Meu coração acelerou descompassadamente, se eu fosse hipertenso ou fosse portador de alguma insuficiência cardíaca, provavelmente morreria neste momento. Antes que a porta seja aberta, o cheiro... Aquele cheiro ilícito que me faz perder a minha sanidade. Entra diretamente na minha corrente sanguínea, mais rápido do que as anestesias que utilizo antes das cirurgias. — Oi Gustavo! — Ela está linda! — Oi. — Não consegui terminar de falar, invadi seu espaço segurando-a pela cintura, batendo a porta atrás de nós. Suguei seus lábios pintados de rosa, enfiei uma das mãos em seus cabelos, forçando ela me beijar. Invadi a sua boca pequena com estocadas generosas da minha língua. Quero tudo dela, tudo. Seu gosto, seu cheiro, seu toque. Sem afastar os nossos lábios, ela fala baixinho: — Senti saudades. — Sua voz vibrou nos meus lábios. Ela enfiou as duas mãos nos meus cabelos e os puxou. Meu pau já estava no limite, chegou a doer de tanto que latejava. Agora era assim, bastava lembrar-me dela ou estar perto que ele latejava de tanto tesão. Ela estava receptiva, totalmente ao contrário de quando a deixei aqui. Levantei uma de suas pernas para facilitar o contato dos nossos sexos, que se comunicam e encaixam como se um entendesse o outro. Esfreguei meu pau imprensando ela na parede, desci uma das minhas mãos e levantei o vestido coral soltinho que ela vestia, quando acariciei sua bunda redonda e rechonchuda, senti o pedaço de renda que ela usava. Virei a Ana de costas, fiz com que empinasse, ficando de quatro, precisava ver a imagem da sua bunda e o pedaço de renda. Levantei o vestido até acima do umbigo. — Nossa... Ana você tem a bunda mais linda que já vi — ela soltou um gemido gostoso. Quando ela gemeu, não me contive e com um movimento brusco, rasguei sua calcinha. Ela chegou a dar um gritinho: — Aiii! — Inclinou a cabeça para o lado e sorriu. Puxei seus cabelos e aproximei seu rosto do meu. Mordi seu pescoço e depois chupei, mas chupei com tanta intensidade que quando parei e olhei, encontrei uma marca vermelha. Sorrio do meu pensamento: tem dono! — Minha cadelinha... Quero você todinha. Nunca mais vai fugir da minha cama. Escutou? — Ela


rebolava sua bundinha no meu pau, toda descontrolada. — Si... Sim — ela gemeu o sim. — Apoie as mãos na parede e empina mais... Isso gostosa — Levei uma mão até seus seios, acariciei por cima do tecido, senti o quanto estavam endurecidos, isso fez meu pau babar dentro do jeans. Procurei a alça do vestido, as desci com cuidado para não rasgá-las. Enfiei minha mão dentro do vestido e soltei os dois seios, expondo-os. — Que delícia... Ana — ela só sabia gemer e rebolar. — Você parece uma putinha. Minha putinha — desci dois dedos até o seu clitóris e massageei fazendo movimentos circulares. Mas, meus dedos escorregavam por causa do excesso de fluídos que ela expelia. — Nossa Senhora! Isso tudo é pra mim gostosa? — Ela não respondeu, só gemeu quando enfiei o dedo médio em seu canal transbordando. Fodi sua bocetinha com um dedo e com o outro brinquei com seu clitóris até sentir que ela fraquejava e gemia igual uma gata no cio. Intensifiquei a velocidade dos movimentos até que seus espasmos foram ficando incontroláveis, indicando a avalanche que viria depois. — Que delícia. — Dessa vez foi ela quem falou. E ouvi-la, quase me fez ter uma ejaculação precoce. — Isso minha putinha, goza, goza na minha mão. — Essa mulher gozando é surreal. Quanto mais estocava meu dedo, mais ela expelia líquidos. Quando o êxtase do orgasmo diminuiu, virei ela de frente e a peguei ela no colo. Fitamo-nos por um tempo, até que ela me surpreendeu com um abraço, mas foi um abraço carinhoso como se estivesse agradecendo por alguma coisa, aninhou-se no meu peito e inspirou de olhos fechados o meu cheiro. — Eu também senti sua falta — falei no seu ouvido. Sabe o que ainda eu não decifrei? Esse sentimento ardente e esse afeto excessivo que sinto até quando não estamos juntos. A única opinião que consegui concluir, pelo menos para dar uma satisfação à minha consciência foi: ela é uma droga nociva que com facilidade, se acoplou a cada célula do meu corpo, fazendo-me um viciado dominado. Essa suposição me causa até um alívio, pois um dia poderão criar algum tipo tratamento para curar esse tipo de dependência. Eu sei que causo a mesma coisa a ela, sinto que essa energia e atração é recíproca. Por isso, estou empenhado em tê-la em todos os sentidos. Cheirei seus cabelos e os beijei, fui direto para o quarto dela, abri a porta e entrei segurando-a em meu colo. Avistei sua cama, bagunçada e com várias roupas, bolsas e até sapatos. — Passou um furacão por aqui? — disse sorrindo. Ela balançou a cabeça e abriu os olhos. — Não sabia o que usar — ela disse. — Nossa! Você é indecisa? — falei sorrindo. — Ainda bem que você não acendeu a luz — disse com a boca encostada na minha blusa. — A é? Onde é o interruptor? — procurei rapidamente e o achei ao lado da porta. — Achei! — andei até lá e acendi a luz do quarto dela. — Não Gustavo! — gargalhamos. — Minha Morena... Quanta roupa! — falei olhando para o emaranhado de roupas, calcinhas, bolsas, sapatos e uns trecos que eu não soube identificar. — Apesar da bagunça, seu quarto tem seu cheirinho de morango — disse dando um beijo molhado em seus lábios. Depositei-a no chão. Assim que ela olhou ao redor, acompanhei seu olhar... Parei quando vi as imagens coloridas estampadas no papel de parede, aproximei-me das imagens e fiquei surpreso. Na verdade, as imagens eram fotomontagens de diversas fotos da Ana em vários lugares, momentos, ao lado de um homem e uma criança, um menino. Na maioria das fotos eles estavam sorrindo, se beijando,


abraçando. O papel de parede ficava na parede onde a cabeceira da cama estava fixada. Continuei compenetrado nas fotos, até mesmo por curiosidade. Em todas ela estava radiante e sorrindo, os seus olhos tinham um brilho diferente, um brilho que não existia mais. Olhei para ela surpreso, mas sua expressão parecia de uma Ana assustada e incomodada com a situação. Resolvi não fazer nenhuma pergunta ou comentário. Sei lá, não consegui formar uma opinião sobre o que eu acabara de ver. Principalmente, as fotos dela beijando o mesmo homem das outras fotos. Senti quando meu estômago liberou Ácido Clorídrico, isso ardeu, queimou. Não gostei de vê-la beijando esse cara, eles pareciam estar apaixonados. Quando a fitei de volta, ela sorriu retraída fui em sua direção e a beijei com carinho. — Já está tarde. Pegue o que precisará para trabalhar amanhã e vamos para o meu apartamento. — Jamais transaria com ela nesse quarto, com essas fotos dela com outro homem. Deus me livre! — Você vai dormir comigo — falei. — Tem certeza que você quer que eu durma de novo na sua casa? — Que pergunta. — Mas é claro! — respondi de imediato. Olhei novamente para ela. — E foda cara! Que mulher! Seus seios redondos de mamilos rosados e pequenos estavam expostos, seu rosto corado e seus cabelos bagunçados. — Você é linda — falei tocando um dedo nos seus lábios. Ela fechou os olhos em resposta e pude sentir sua respiração ofegante e quente. — Linda — repeti. — Vou esperar você na sala. Não demore muito, pois estou com meu pau doendo dentro desse jeans — beijei sua testa. — Pode deixar, prometo não demorar. Saí do quarto e fui para a sala. Não ousei sentar no sofá feito exclusivamente para anões. Fiquei ali em pé, observando cada detalhe da sala e encontrei mais fotos, no home onde ficava a TV. Não havia reparado antes que havia porta-retratos ali. Nessas fotos estavam apenas ela e o menino abraçados sorrindo, em uma o garotinho a beijava com um selinho. O garotinho parece com o homem que Ana beijava nas outras fotos de seu quarto. Será que esse cara é o tal que quebrou o seu coração? Segundo o que ela disse ontem? É, pode ser! De repente ele tinha um filho, e a Ana gostava da criança, por que em todas as fotos ela estava carinhosa com o garotinho. — Pronto! Vamos? — Sua voz tirou-me dos meus pensamentos. Seguimos em silêncio para o meu apartamento, fiz todo o trajeto repassando todas as imagens que vi. Por que ela mantinha aquelas fotos? Sinto muito Ana, mas meu instinto fala mais alto e você explicará tudinho, um dia — pensei comigo mesmo. Olhei para ela e recebi um sorriso, quando olhou correspondendo o meu olhar. Chegamos já entrando em colapso, larguei sua bolsa no chão logo na entrada. Ela rodeou as pernas na minha cintura, enquanto nos beijávamos cheios de lascívia. Procurei por botões ou zíper em seu vestido, mas não encontrava de jeito nenhum. Aquilo foi me irritando, até que agi sem pensar e rasguei seu vestido com as duas mãos, ela não se importou, pois me agarrou ainda mais com suas mãos e pernas. Saí em disparada em direção a minha suíte, abri a porta e a joguei na cama sem cuidados. Afastei-me da cama para me livrar das roupas. — Abra as pernas, quero ver sua bocetinha vermelha e melada — ela arreganhou-se toda, sem pudor. — Quero ver você se masturbando — disse com a voz carregada de luxúria. — Primeiro quero você nu. — É uma putinha mesmo. Sabe o que quer e vai direto ao ponto. Enquanto tirava minha roupa, não desviava dos olhos dela. — Abre essa bocetinha vermelha para eu apreciá-la. Com seus dedos delicados e com unhas médias pintadas de rosa, ela tocou seus grandes lábios e expôs toda a sua bocetinha vermelha. Escorregou o apenas um dedo no seu canal e com o polegar


estimulava seu brotinho inchado. — Nossa... Você é linda! — Sua boceta brilhava com o líquido que ela expelia. O que mais me deixava louco de tesão e vontade de fodê-la duro era essa sua disposição e entrega. — Porra! Vou comer você até o dia amanhecer. — Então se livra agora dessas roupas ou vou acabar tendo uma síncope — ela disse toda desejosa. — Vem logo Dr. Ferrari, ou irei gozar com meus dedos. Confesso que eles fazem o trabalho direitinho, mas hoje quero sentir esse seu pau me rasgando — soltou um gemido jogando a cabeça para trás. — Ana... Você não sabe onde está se metendo. — Eu não preciso saber, vem aqui me dar prazer que isso já basta. Tirei toda a roupa e tênis. Ela se masturbava e olhava fixamente para meu pau. Quando ela jogou a cabeça para trás outra vez, fechou os olhos e gemeu, quase gozei só de olhar. — Abra os olhos — ela abriu os olhos e gemeu de novo. Ajoelhei rendido àquela mulher que possuía um poder sobre mim, que me deixava desesperado só de olhar para ela. — Agora pare de se tocar — ordenei. Afastei as duas mãos dela, puxei seu quadril em minha direção a deixando na beira da cama. — Hum... Seu cheiro me excita — inspirei todo o cheiro da sua bocetinha molhada. Passei a língua entre os lábios superiores para abri-los ainda mais, depois minha língua se revezou entre o seu canal e o clitóris. — Deliciosa — ela arqueou o corpo e inclinou-se para olhar meu desempenho. — Ai Gustavo, não para... Isso... Eu vou gozar — e assim foi. Ela gozou descontroladamente, segurando minha cabeça para que eu intensificasse as investidas com a língua, e meu pau babava livremente por ela. Subi na cama, deitei sobre ela, ainda ofegante. Beijei sua boca com um desejo louco, o beijo saiu como se fosse a única maneira de dar prazer. Eu comi a boca dela com voracidade, urgência, luxúria, tudo que definisse excitação, tesão, eu estava sentindo. Desci os beijos para seu pescoço, distribuí beijos e chupões, minha vontade é de morder essa mulher de tão gostosa que é. Parei em seus seios redondos e empinados, abocanhei-os sem medir o limiar entre dor e prazer, chupei com tanta força que acabei me atrapalhando e mordendo meu lábio inferior. — Droga! — esbravejei alto. — O que foi? — ela perguntou assustada. — Mordi meu lábio — falei passando a língua onde mordi e sangrava. Ela aproximou nossas bocas e sugou meu lábio inferior, onde havia mordido. — Beijo de amor, cura? — sussurrei ainda com nossos lábios colados. — Pior que cura, mas acredito que esse tenha sido beijo de sexo. Cura? — ela devolveu a pergunta. Senti-me ridículo, bobalhão por ter falado de amor com ela. Sorrimos juntos. — Quero entrar em você agora — ao ouvir, ela se abre toda e esfrega sua vulva molhadinha no meu membro. — Calminha aí minha garotinha! Preciso colocar o preservativo, mesmo desejando sentir sua boceta sem um plástico separando nossas peles — afastei o suficiente para pegar na gaveta da mesinha ao lado da cama, os preservativos. — Agora sim... — meti nela de uma só vez, não consegui esperá-la se acostumar com o meu pau. Estava sedento para sentir sua bocetinha comer meu pau sem restrições. — Aaaaaa... Gustavo, mais forte vai.


— Você quem manda — estoquei, estoquei, mas estoquei com força em seu canal. — Isso gostoso... Eu quero... Eu vou gozar. Seus gemidos fizeram-me ter espasmos que me deixaram ainda mais embriagado de tesão. A cada estocada seus seios balançavam pesados, deitei ainda mais sobre ela e lambi seus seios com volúpia. Senti sua boceta estrangular meu pau. Deslizei minha mão entre nós dois e alcancei seu clitóris quente e inchado, com apenas um dedo e um movimento ela gozou gemendo e pronunciando quase em um sussurro o meu nome. Neste exato momento, olhei para seu rosto e fui invadido por um sentimento que vinha me atormentando desde quando a conheci. Busquei sua boca, necessitando dos seus lábios suguei com sofreguidão, enfiando minha língua que invadia sua boquinha pequena. Quando ela abriu os olhos e fixou nos meus, foi o suficiente para esporrar todo meu prazer para ela. Soltei grunhidos que eu mesmo nunca havia notado que era capaz, urrei igual a um lobo. Caí sobre ela, que me recebeu abraçando-me com braços e pernas. Ficamos assim, quietos e com a respiração se acalmando gradativamente. Saí de cima dela, que gemeu baixinho quando descolei nossos sexos. — Calminha... Minha gatinha, preciso me livrar disso — apontei para a camisinha cheia que transbordava. Livrei-me da camisinha e deitei ao seu lado, apoiando minha cabeça sobre a mão sustentada pelo cotovelo. Olhei para ela, que parecia se sentir tão relaxada ao meu lado e falei: — Você sentiu minha falta — afirmei o que ela havia falado ainda em seu apartamento. — Sim. — Eu também senti saudades. — Me perdoa? — Pelo o que? — Por ter sido grossa com você. Depois fiquei tão arrependida, me senti tão mal, sabe? Enquanto estive aqui, você a todo o momento me tratou com gentileza e carinho. — Eu sei que esse coração — toquei em seu peito. — Esconde segredos. Percebi antes mesmo de torná-la minha. Mas está perdoada. — Torná-la sua? — Ela abriu ainda mais os olhos e sorriu ao perguntar. Fiquei surpreso com o que eu acabei de dizer em voz alta, mas a verdade é essa. — Você não sabia? Agora você é minha. Só minha. Não quero ninguém tocando-a, além de mim — ela escutava tudo quieta. — Gustavo? — Oi Morena. — Você fala sério, ou apenas está brincando? Sabe como é né? Depois do sexo, vem a consciência. — Ana, quando digo que você é minha, eu falo sério. — Ai meu Deus! — ela cobriu os olhos com o braço e balançou a cabeça negativamente. — Ana? — Oi. — Deixe-me eu cuidar de você? — Você pode se arrepender de dizer tudo isso e principalmente de prometer que cuidará de mim. Gustavo a questão em si é muito complexa, nunca esteve em meus planos conhecer outra pessoa. Mas aí você cai como se fosse um anjo na minha vida. E... — Nunca. Tenho certeza que nunca me arrependerei de cuidar de você — interrompo enquanto ela fala. — Só me responde uma coisa? — Depende. — Você é madura o suficiente para responder a minha pergunta.


— Nossa que direto você é! — Ana, depois de vê-la se masturbar bem aqui na minha cama e gritando o meu nome, não poderia ser diferente disso. — Você gostou? — Ela pergunta. — De vê-la deliciosamente excitada e procurando o próprio prazer? Se for isso, sim. Amei. Agora eu faço as perguntas — falo mais sério. — Você já ama alguém? Não me leve a mal, mas eu preciso saber disso — afastei os cabelos que caiam em seu rosto e fitei-a nos olhos. Ela pareceu estar em inércia, pois analisou todo o meu rosto por longos segundos. Parecia estar em dúvida se me dizia a verdade ou... Sei lá, mentiria. — Sim — tomei um soco no estômago com sua resposta. Bufei igual um cavalo. Esperei eternamente ela continuar a falar, até que sua voz saiu quase que em um sussurro manso, típico dela. — Sim, mas não há possibilidades desse amor ser revivido. — Entendi — procurei mudar de assunto, esse não estava me fazendo bem. — Mas quando eu disse que você é minha, eu falei sério — disse com segurança e com a voz rouca perto de sua boca. Ela sorriu em resposta. — É? — É Morena... Devemos criar umas regras — falei brincando com ela. — Quais seriam essas regras? — 1. Monogamia, 2. Sem mentiras, 3. Sexo todos os dias. — Eita! — Ela disse sorrindo. — O que foi? — Essas regras seriam para ambos? — Depende... Tal... — Ela interrompeu quando ainda terminava a frase. — Talvez nada — disse irritada. — É pegar ou largar, as regras devem servir para os dois. — Aceito — eu disse sério. — Então, temos um acordo? — Sim. — ofereci minha mão para ela apertar e selar o acordo. — Feito! — ela disse sorrindo. — Ana Beatriz Medeiros? — Meu nome... — Sua voz é tão meiga e suave. Meu amigaozão aqui reagiu ao ouvir essa melodia. — Gustavo, pare de ser assim tão fofo, vou ficar mal acostumada com esses elogios. — Escuta Morena, não serei seu amigo com "benefícios". Você será somente minha. Fui claro? — disse sério, pois não suportaria dividi-la com outro homem. — Você é sempre assim, possessivo? — Não sei, é a primeira vez que faço uma proposta dessas a uma mulher — ela sorri maldosamente e segura meu pau semi-ereto, massageando com suas mãos delicadas. — Adoro essa sua entrega ao sexo. Isso é delicioso. — Enquanto eu falava, ela aumentava os movimentos e meu pau já latejava em torno das suas mãos. Então, ela ajoelhou entre as minhas pernas e caiu de boca chupando o meu pau com maestria, parecia até que foi desenvolvida só para eu foder a boquinha dela. — Isso... Chupa gostoso. Engole tudo minha putinha. Só minha — quanto mais eu usava as palavras sujas, mais ela chupava. Inclinei um pouco para frente e segurei seus cabelos, forçando ainda mais a entrada do meu pau na sua garganta.


— Ele é lindo — distribuiu beijos em toda a extensão do meu pênis até o saco. — Todo seu. Use-o com carinho. E foi isso que ela fez, chupou meu pau com vontade até eu esporrar tudo na sua garganta. — Aaaaa Ana... Gostosa. — Meu esperma parecia não cessar, jorrei tudinho até a última gota. O que mais me surpreendeu foi à audácia dela, engoliu tudinho, confiante. Sei que isso não é hora, mas sou médico e zelo pela saúde das pessoas, mas a verdade é: corajosa. Engoliu tudinho, confiou em mim. Ela deitou seu corpo quente sobre o meu e procurou desesperadamente minha boca. — Já sentiu o gosto do seu prazer? — ela perguntou. — Não — quando respondi, ela enfiou a língua na minha boca depositando resquícios do meu esperma. Beijamos lentamente, sem pressa até meu pau ficar duro igual a uma pedra de novo. Aí já viu né? Gozamos suados e ofegantes depois dela montar meu pau loucamente até perdermos os sentidos. Acabamos adormecendo acabados. Acordei todo suado durante a madrugada, esqueci de ligar o ar condicionado. Quando me mexi na cama e fui abraçar a Ana, meu braço abraçou apenas o travesseiro. Que porra é essa? — Cadê essa mulher? — levantei rápido e saí chamando o nome dela pelo apartamento. Puta que pariu, estou pior do que mulher quando gama em uma pica. — Ana? Ana? — Encontrei-a sentada, fazendo um lanche na cozinha. — Achei você, sua fujona. — Desculpe, mas não tive tempo de comer nada ontem e acabei esquecendo a noite também. Então decidi vir atacar sua geladeira. Achei esse empadão magnífico — ela fala tudo isso com a boca cheia. Depois pede desculpas por falar de boca cheia, com a boca ainda cheia. — Pensei que tivesse fugido — sentei ao lado dela no balcão. — Vou acompanhar você. Ontem só almocei, depois não coloquei nada para dentro. — Eu te sirvo — ela pega mais um prato e coloca um generoso pedaço de empadão. — Hum... Isso está divino — falei também com a boca cheia. Gargalhamos de boca ainda cheia. Cheguei a entalar, ela me ofereceu o suco que estava bebendo. Eu estou encantado por essa mulher — Sua cozinheira está de parabéns! — Amanhã você conhecerá a Vivi. Ela é meu braço direito. Trabalhou anos na casa dos meus pais, depois a roubei só para mim, mas agora ela se reveza entre eu e Arthur. — Legal. Ela deve fazer todas as suas vontades — franziu o cenho e fitou-me nos olhos. Será que sentiu ciúmes da Vivi? — Nem todas — respondi. — A maioria está sendo feita por uma feiticeira com um cheiro de morango viciante. Ah! Você deveria ler atentamente a composição química da sua colônia. Tenho certeza que tem algum componente ilícito que causa dependência química — o sorriso dela fez meu abdômen contrair, pareciam vespas atacando a parede do meu abdômen. Senti até um arrepio. — Seu sorriso é lindo. Você deveria sorrir mais vezes. —— Obrigada. Você me faz sorrir.


Capítulo 15 - Ana Beatriz Senti sua mão grande e quente acariciando meus seios e descendo até minha barriga, aproveitei ao máximo esses carinhos. É tão gostoso, acordar assim, já não lembrava mais como era sentir essa sensação. — Bom dia dorminhoca — abri os olhos lentamente e aqueles olhos azuis transparentes me encaravam. Estava tão quentinho e gostoso seu peito que me aconcheguei ainda mais. Ele deu uma gargalhada que senti seu peito musculoso e liso vibrar. — Você gosta de dormir mesmo. Se eu pudesse ficaria com você o dia todo em meus braços e debaixo desse edredom. Mas... São quase 9:30h. — Sério? Dormi até 9:30h da manhã? — Esse homem me trouxe benefícios. — Dormiu. Eu já até tomei banho. Ele beija meu pescoço e pingos d'águas dos seus cabelos caem nos meus seios que intumesceram ainda mais. O safado, ainda por cima desce dois dedos na minha vulva, me pegando de surpresa. — Aiii... Gustavo — minha voz saiu quase em um gemido. — Que vozinha mais manhosa... Assim eu gamo ainda mais. — Suas carícias me deixaram assim... Não tenho culpa! — Beijou-me na boca com carinho e continuou invadindo-me com seus dedos. — Aiii... — Você já quer gozar, gostosa? — Sim... Se você cont... — Xiiii... Cala essa boquinha gostosa e goza na minha mão, bem quietinha. Bastou ele friccionar um dedo no meu clitóris que meu orgasmo veio lento e preguiçoso. Delicioso! — Gustavo... — Isso... Esse é o último nome que quero ouvir sair dessa boquinha linda enquanto goza. Agora sim, bom dia — ele fala todo dono de si. — Essa maneira de me acordar e desejar que eu tenha um bom dia é... Muito gostosa e com certeza posso acostumar com isso. — Sempre que estiver em minha cama será desta maneira que irei acordá-la. Depois de ontem à noite, acredito que esteja cansada. — Muito cansada e com uma preguiça — sussurro. — Vamos? — ele pergunta e beija a bagunça que se define em meus cabelos. — Ai... Não. Estou com sono, Gustavo! — Não abri os olhos, mas eu sei exatamente o sorriso torto que ele está no rosto. — Vai tomar seu banho, a Vivi já preparou o nosso café da manhã — ele puxa o edredom de cima de mim e me dá um tapinha no bumbum. — Hum! Bate que eu gosto — provoco. — Ah é? Prometo que hoje à noite, vou espancar essa bundinha rechonchuda, até você pedir clemência. — Rechonchuda? Você me chamou de gorda? — Não. Que isso! Eu só acho que sua bundinha é gostosa e carnuda. Só isso! — Tá bom — falo ainda afogada no seu peitoral. — Se você quiser, pode ficar dormindo aqui e me esperando. Prometo que assim que terminar eu


venho voando para ficar com você. Mas agora, preciso ir, a primeira cirurgia está marcada para 11h — ele fala no meu ouvido baixinho. — Não posso, apesar de ser tentador. Tenho que ficar no restaurante hoje o dia inteiro — afastome e levanto, tentando disfarçar a juba de leão. Ainda bem que ontem escovei os cabelos, se não fosse por isso, estaria muito pior. — Vou tomar banho — sigo para o banheiro da suíte. — Belo traseiro Morena. — Merci, délicieux. (Obrigada, gostoso) — Que delícia! Minha Morena fala francês? — Ouaip. (Sim) — Vous n'avez rien vu. (Você ainda não viu nada) — Tá bom, agora não entendi nada. Pode voltar a falar português — ele disse sorrindo. — Fique à vontade para se arrumar. Estarei na cozinha esperando por você — ele me abraça e me beija com carinho. — Vou deixar você no restaurante, antes de ir para a clínica — caminhou até a porta vestindo apenas uma boxer branca, desfilando com a bunda mais gostosa e perfeita que já vi. Lembrei-me de um dos personagens literários de um livro que estou lendo. Onde o safado do vizinho passa o dia inteiro de sunga seduzindo a pobre coitada da vizinha. — Santo Cristo! — Belo traseiro, délicieux — disse olhando para seu traseiro definido e suas pernas compridas também definidas. — Todo seu, Morena — falou alto enquanto fechava a porta do quarto. Oh Deus! Esse homem é um délicieux sem volta. Estou ferrada! Espere aí? Ele fica só de boxer na frente da senhora que cuida da casa, Vivi? É acho que sim. Tomo um banho não muito demorado, opto por não molhar os cabelos, à noite dou o tratamento que eles merecem. Enrolo-me na toalha e lembro que minha bolsa ficou na entrada da sala. O Gustavo acabou largando bem no meio do caminho. — Ai meu Deus! Vou ter que pedir para ele pegar — assim que chego ao quarto vejo minha mini mala em cima da poltrona que fica ao lado da cama. Alívio! Imagina? Eu, gritando o Gustavo nessa cobertura enorme, enrolada na toalha? O que a senhora que trabalha para ele, iria achar? Escovo os dentes, hidrato meu corpo, visto uma calça de linho branca e uma blusa de seda azul de alcinhas finas. Calço uma sandália anabela creme, uma trança lateral e uma make básica. Borrifo meu perfume preferido e... Estou pronta. Junto todas as minhas coisas e guardo na mala. Procurei pelo chão o vestido que usei ontem, antes do Gustavo rasgá-lo, infelizmente não o encontrei. Se toda vez que nos encontrarmos ele rasgar minha roupa, brevemente terei que fazer estoque de roupas. A sensação de ter a roupa rasgada é unânime, inexplicável, mas vou acabar ficando sem ter o que usar. — Adorava esse vestido, mas foi por uma boa causa. Saio do quarto segurando a mala e minha bolsa, sigo pelo corredor enorme que separam os quartos da sala. Chego à sala e avisto o Gustavo na cozinha, sentado em um banco alto, mexendo no seu tablet. Nunca fui de ficar babando por um homem, sempre os admirei calada sem fazer alarde, mas a beleza do Gustavo é diferente, sei lá. E... Nossa Senhora, hoje ele caprichou. Está vestindo jeans escuro, blusa branca e blazer fit azul marinho. Está um gato! Os genes dos pais são bastante específicos. Vai ser bonito assim... Lembrei até de uma citação só que um pouquinho modificada de Vinicius de Moraes: "Que me perdoe os feios, mas beleza é fundamental". E põe fundamental nisso. — Bom dia! — cumprimento uma senhora que está com um sorriso esplêndido no rosto e olhando atentamente na minha direção. — Bom dia! — ela responde. — Meu dengo, ela é linda mesmo! — Minhas bochechas queimaram de vergonha.


— Obrigada! — ela deu uma gargalhada tão gostosa de ouvir. Larguei a mala encostada na parede entre a sala e a cozinha e fui em direção a senhora simpática. — Prazer, Ana Beatriz — ofereço minha mão, mas ela me puxa para um abraço caloroso, retribuí com o mesmo calor. Ela é uma senhora por volta dos seus cinquenta anos, fofinha, baixinha e negra. Linda! — Sou a Vivi do Gustavo e do Arthur. Qualquer coisa que precisar quando estiver aqui, pode falar comigo que eu faço. — Nossa que senhora amável e simpática. — Pode deixar não me esquecerei disso. Ah! O empadão estava divino. Parabéns! — Que honra ouvir uma chefe de cozinha elogiar meu simples empadão de frango — pelo visto, o Gustavo deu minha ficha completa para ela. — Que isso, você cozinha tão bem quanto eu. A única diferença é que eu sou curiosa e estou sempre desvendando segredos e estragando receitas épicas — sorrimos. — Imagino as delícias que você faz em seu restaurante. O Gustavo disse que é tudo delicioso — ela conversa tão descontraída e entusiasmada comigo, parece até que nos conhecemos há anos. — Gustavo, quando você tiver um tempinho disponível, leva a Vivi lá no restaurante. Ou melhor, você está convidada quando quiser. É só anunciar seu nome e pedir para falar comigo. Será um prazer, recebê-la. A mulher ficou toda animada. Disse que adoraria conhecer, mas só iria depois de dar uma arrumadinha nos cabelos. Sorrio ao ouvi-la falar com tanto entusiasmo e passando as mãos nos cabelos crespos presos por grampos espalhados. — Então vamos combinar uma coisa? Quando a senhora se sentir pronta para ir, é só pedir o Gato ali, — aponto para o Gustavo, que sorri — para me ligar que irei reservar uma mesa especial para nós duas, pois irei acompanhá-la. — Ué, me excluíram? Fiquem sabendo que irei junto — Gustavo disse fingido estar chateado. Sorrimos. — Ai menina... Pode deixar! — Ana, sente-se aqui — Gustavo puxa um banco alto que compõe o balcão frio de granito escuro. Tinha praticamente um banquete exposto sobre o balcão. — Demorei? — perguntei ao sentar-me ao seu lado. — Um pouco. Mas valeu apena, você ficou ainda mais linda. — Me dá um beijo estalinho de surpresa. — Obrigada! Enquanto comíamos, conversamos diversos assuntos ao mesmo tempo. Gustavo falou um pouco sobre sua rotina entre administrar as duas clínicas e as cirurgias. Acabei explicando um pouco da minha atuação no restaurante, disse a maneira como funciona, o sistema que eu e o Alex implantamos para que tudo funcionasse no piloto automático, mesmo sem estarmos presentes. Ele ficou impressionado com tudo que contei e a cada pergunta que me fazia ele me beijava com um selinho. Ele é uma pessoa incrivelmente educada e carinhosa, se não fossemos amantes, seriamos facilmente grandes amigos, independente do sexo ou não. — Ah, por isso você vai trabalhar linda desse jeito. Seu restaurante é o queridinho dos artistas do momento e da geração teen da novelinha "Malhação" — sorriu ao falar. — Não exatamente por isso. Na verdade, o restaurante atende um público de classe alta aqui dessa região, entre Barra da Tijuca, Recreio e toda Zona Sul. Aí... Já viu né? Os clientes sempre pedem para conhecer os chefes e os donos. Então, procuro estar sempre apresentável para atendêlos. E, quase sempre sou fotografada por eles — sorrio.


— Não gostei. — Do que? — Seus clientes pedindo para serem fotografados com você e esse tal Alex. — Faz parte! Devo uma boa parte do sucesso aos meus clientes. O fato de fotografarem os pratos e postarem nas redes sociais contribuiu para o sucesso, mesmo que indiretamente, meu restaurante ficou "famoso" por causa dos clientes. Relaxa! A próxima vez que você for, eu faço uma Selfie com você. — Há... Há... Há! Mesmo assim, ainda não curti o fato de você posar para fotos. Imagino quantos babacas por aí tem sua foto no celular. Não gostei — ele fez biquinho, o biquinho mais lindo do mundo. — Eita! O que é isso? Ciúmes? — Sua expressão muda, dando lugar à velha ruguinha entre as sobrancelhas. Então, ele acaba trocando o foco do assunto. — Você não costuma ficar à noite no restaurante? — Às vezes, mas prefiro ficar durante o dia e me revezar com o Alex. Temos um ótimo gerente que dá conta de tudo, o Carlos. — Ah, sim... Aquele senhor que me atendeu da última vez que estive lá. — Ele mesmo! Um profissional dedicado. Devo respeito e admiração a ele. — Legal! Também tenho um braço direito na clínica aqui da Barra. O nome dela é Sofia, uma menina esforçada e dedicada. A coitada tem jogo de cintura para me aturar — imagino o jogo de cintura dela, com esse gato dando ordem a ela o dia inteiro. Ah vá! — Agora tenho você para me aturar — sempre direto e intenso. Inspirou meu cheiro esfregando o nariz em meu pescoço como se quisesse guardar tudo em seus pulmões. Senti todas as extremidades do meu corpo arrepiar e uma moleza dos meus membros se apossar. Sabe aquela sensação tipo um presságio? Assumo que estou totalmente envolvida com esse homem, ele é envolvente, quente, carinhoso. Mas, sinto que estamos indo rápido demais. Sei lá, posso até estar errada em levantar essa questão nos meus pensamentos mais pessimistas, mas eu tenho medo de me machucar, sofrer e de acreditar que tudo isso é real, que posso me permitir ser feliz e depois bem lá no fim me decepcionar e voltar à estaca zero. Isso seria o meu fim. O Gustavo é persuasivo e sua espontaneidade é uma de suas qualidades. Ele é decidido quando se trata do que realmente quer. Mesmo depois de presenciar um dos meus pesadelos e consequentemente minha atitude, mesmo depois de ver todas aquelas fotos em meu apartamento, em nenhum momento ele foi desagradável, não fez nenhuma pergunta em relação às fotos e fatos. Ainda não estou pronta para revelar todo o meu passado, minhas frustrações e toda essa merda que há anos me corrói aos poucos. Mas ele não é o tipo de homem que fica às escuras, logo, logo exigirá saber mais sobre minha vida. Ainda não questionou para me dar tempo de amadurecer as novidades. — Tchau Vivi, foi um prazer conhecê-la. — Tchau, menina. — Vivi — Gustavo se despede dela dando um beijo em sua testa. Ela sorri alegremente. Peguei minha mala e bolsa, pronta para ir embora. — Deixe suas coisas aqui, Ana. — Gustavo... — Ana, Por favor! Eu quero que você durma aqui hoje também — o cenho franzido e a ruga entre as sobrancelhas estavam lá completando a cara de mau de novo. — Gustavo, melhor não. — Por que não? — Ele retira a mala da minha mão e a deixa no chão, segura meu rosto e


aproxima nossos olhares. Ficamos ali, no meio da imensa sala acoplada à fina cozinha estilo americana completamente perdidos um no outro. Senti um frio no ventre, cheguei a ficar toda arrepiada, meu coração contraiu em câmera lenta. — O que você espera de nós dois? — perguntei sem ao menos avaliar o significado da frase. — Ainda não sei — sua voz saiu rouca. — Só sei que quero você como nunca quis antes uma mulher — fechei os olhos com força para processar cada palavra que eu escutei. Não conseguia encará-lo, mas tenho que ser forte e deixar a vida me levar. Eu quero a minha vida de volta. Quero ser feliz! Então, respondi: — Por enquanto, isso basta — ele aquiesceu concordando. Minha mala? Ficou ali no chão de sua sala como se fosse uma garantia para o meu retorno. Retorno para os seus braços. O Gustavo me deixou no restaurante, antes de partir nos beijamos com uma fome que me roubou todo o ar, meus pulmões imploravam por oxigênio, mas o beijo entrou em um ciclo vicioso, quanto mais nos beijávamos, mais eu queria. Afastamos nossas bocas e nos encaramos. — Passarei às 21h para buscar você no seu apartamento. — Te espero — ele saiu do carro, deu a volta e abriu a porta do passageiro, ofereceu sua mão para ajudar-me a sair. Assim que segurei sua mão, ele puxou-me para mais um beijo. Mas, esse beijo foi terno e lento. — Tenha um ótimo dia, minha Morena. — Tenha um dia produtivo, meu 4G. Quando dei por mim, percebi que o Alex saia do seu carro e seguia em direção a entrada do restaurante. Mas ele se portou em seu lugar e passou direto. O Gustavo saiu com seu carro e buzinou para mim, eu entrei indo direto pra cozinha. — Bom dia! — cumprimentei todos. — Bom dia, Bia — responderam juntos como se estivessem em um couro. — Cadê os seus auxiliares? — perguntei ao cozinheiro que trabalha no primeiro turno. — Ainda não chegaram, mas já estão a caminho. — Está bem, então. — Bia? — Oi. — Ontem recebemos um cliente, estrangeiro que insistiu que preparássemos para ele uma feijoada. Foi maior correria aqui na cozinha — apesar da seriedade do Francisco (o cozinheiro), não consegui ficar séria. Gargalhei tanto que cheguei a perder o ar. — Mas e aí? Como solucionaram isso? — Tivemos que cozinhar o feijão e as carnes. No final deu tudo certo. O seu Carlos tentou explicar que servimos pratos contemporâneos e não comidas típicas, mas o estrangeiro que por sinal parecia até artista de cinema, insistia em comer a tal feijoada. Acredita que ele disse que a feijoada preparada por você é mais saborosa — ele sorriu. — Esse povo rico está ficando tudo louco. — Sério? — Perguntei perplexa, pois nunca servimos e preparamos feijoada aqui no Leparrie. — Onde esse cliente comeu a feijoada feita por mim? Há anos não cozinho uma feijoada. — Sei não Bia... Ele insistiu que queria a sua feijoada. — Que estranho. — João, separa os ingredientes principais para uma feijoada e deixa na cozinha experimental. Irei criar uma feijoada melhorada. E, se der certo, colocaremos no cardápio. O dia foi bastante produtivo. O que mais me surpreendeu foi ver o Felipe, meu novo funcionário,


com os cabelos cortados em um corte moderno e de roupas de motoqueiro. Ficou um gatinho, só faltaram os dentes. Mas já, já darei um jeito nisso. — Pode entrar! — falei para quem estava batendo a porta do escritório. — Boa tarde, Bia! — Felipe entra segurando o capacete da moto e sorrindo igual a uma criança. — Olá! Você está muito diferente com esses cabelos. — Ficou estranho? — pergunta preocupado e fazendo uma carinha de criança. — Não, ao contrário, está lindo! — Sei, passei dos limites para dizer que ele está lindo. Pois suas covinhas estão ainda mais bonitas. Limite para mim, por favor! — Obrigada Bia. Mas sei que não estou tão assim... "lindo" — sorrimos. — Felipe eu marquei uma consulta para você com a minha dentista, amanhã 8h e te darei o dia de folga — seus olhos verdes arregalaram-se, deixando ele ainda mais bonito. — Mas... Bia... Não precisava. Eu estava esperando as coisas melhorarem para eu ir a um dentista — ele está com vergonha de falar sobre isso. — Então, fiz o certo! Amanhã você irá até a dentista e... Ela vai dar um jeito nos seus dentes quebrados — falei rápido demais. Ele ficou cabisbaixo e falou: — Foi uma surra. — Quê? Não entendi. — Eu... Eu levei uma surra de uns policiais que me confundiram com um dos ladrões que faziam arrastões na praia. — Desculpe Felipe. Não queria intrometer na sua vida. — Mas eu te garanto que não roubei nada. Você acredita em mim? — Claro! — respondi surpresa com sua revelação. — Meus pais, não acreditaram e me excluíram de suas vidas. — Sinto muito — ai que dó desse menino. Sim, menino, ele tem rostinho de anjo. — Bia, quero agradecer tudo que tem feito por mim. Você está sendo como uma fada madrinha para mim. Apesar de ser meio gay usar a palavra "fada", você é minha fada — morri, quero chorar e por esse menino no meu colo. — Felipe, desde a primeira vez que vi você, pude ver o quanto você é puro e do bem. Sei que não irá me decepcionar, nunca — ele sorrir expondo suas covinhas lindas, mas a escuridão entre os dentes estava lá. — Escute... Aqui está o endereço da clínica odontológica, tudo que a dentista disser que precisará fazer qualquer procedimento, você aceitará. Escutou? Se você se negar a aceitar, vou ficar muito chateada. — Jamais faria você ficar chateada — nos encaramos por um tempo até que ele falou: — Tchau — ele levanta da cadeira e me oferece sua mão. Quando retribuo o gesto e toco em suas mãos, sinto o quanto está nervoso e com as mãos trêmulas. Deve ser emoção. — Vai com Deus, Felipe — assim ele se retira e fecha a porta. As pessoas só precisam de atenção e novas oportunidades. Fui criada sem pai, ele faleceu quando eu ainda era uma criança, mas minha mãe me criou com muito amor e dedicação. Ela foi uma guerreira, conseguiu me proporcionar estudos, viagens e o principal: caráter. Minha mãe sempre foi uma pessoa altruísta, herdei parte desse seu dom, mas não abro mão de viver no conforto, ao contrário dela que passou a se dar o prazer de ter conforto e lazer, há poucos anos atrás. Bateu uma saudade da minha véia! Ela odeia quando a chamo assim. É dona Cecília, você esqueceu que tem filha. Mas tarde ligarei com calma, só para escutar a voz melosa dela. Alex não ficou no restaurante, acho que ainda está chateado, ainda mais depois de ver o Gustavo


me beijando. Vou dar tempo ao tempo, um dia ele irá se conformar que somos apenas amigos e entenderá minhas decisões. Não posso deixar de pensar no que eu realmente quero para não magoálo, seria injusta comigo mesma. Vou até a cozinha experimental e vejo que o Francisco deixou tudo que eu pedi sobre a bancada. Então... Mãos na massa! Preparei a feijoada, acompanhada de farofa com torresmos, arroz branco, couve refogada no azeite, pequenos pedaços de laranja. Arrumei tudo no prato de forma elegante. Ficou perfeito! Saquei meu celular do jaleco e fotografei, postei no Instagram do Leparrie. — João! — chamei o cozinheiro. — Experimenta! Está uma delícia — disse animada. — Perfeito! — Sério? — Sim! — Incluí ao cardápio. A receita está aqui, toma — entreguei meus rabiscos para ele. — Agora entregue a nutricionista responsável por calcular o custo do prato, valor calórico, blá... blá... blá... Diga que quero a ficha técnica para amanhã. — Ok Bia! Saí do restaurante e fui direto pra terapia, assim que cheguei fui anunciada ao Dr. João Pedro. Quando entrei em sua sala, fui recebida com um sermão. Assumo, foi merecido. — Sua louca, por que abandonou as terapias? Deixou a amiga aqui, preocupada. Estou de mal com você — meu psiquiatra é gay, mas é um gay bem gay mesmo, tipo o personagem do Teo da novela Império. Tornamo-nos bem próximos, mas acabei fugindo das consultas. Não sei porque mas achei que estava bem e parei de ir as consultas. — Eu sei, mereço o seu esporro Dr. Pedro. — Ele levanta de sua cadeira e me abraça com carinho. — Como você está radiante! Hum... Sinto cheiro de... Tem bofe novo na parada. Não minta, tenho faro pra isso, senta no divã, quero primeiramente saber de tudoooo, uma anamnese completa. Depois retornaremos ao ponto de onde paramos na última consulta. Sempre me sinto leve quando saio da consulta. Apesar dos esporros que ganhei, principalmente por continuar fazendo o uso deliberado dos antidepressivos e calmantes sem o consentimento dele. Depois ele explicou os efeitos colaterais quando são consumidos além do período necessário, disse que isso poderia regredir ainda mais os meus traumas. Agora sim, minha vida vai engrenar, independentemente de estar acompanhada ou sozinha. Meu bem estar virá sempre antes de qualquer coisa. Expliquei a ele os constantes pesadelos e insônias, ele disse que aos poucos irão diminuir, só depende da minha força de vontade para dar continuidade ao tratamento. Vai dar tudo certo! Assim, espero. Como de rotina, vou para a academia, queimar a tensão e calorias. Tive que pegar um táxi para ir até a clínica e depois para academia. Assim que entro através da grande porta de vidro da academia, vejo minha amiga esperando com um shake na mão. — Oi Fê! Tudo Bom? — Sim! Tenho novidades miga... Trocamos nossas roupas e fomos fazer esteira, enquanto corria Fernanda não parava de falar sobre a festa do Arthur. Eles desenvolveram uma espécie de amizade aberta. — Claro que entendo. Quando vocês estiverem a fim de transar vão lá e ploft! — Não... Amiga é muito mais que isso.


Olhei para ela perplexa, Fernanda nunca foi de se apegar. — Vou te explicar. Amiga... Ele curte as mesmas coisas que eu. Então, combinamos de jogar juntos. — Entendi perfeitamente! Sou bastante esclarecida quanto a minha opção sexual e minhas preferências entre quatro paredes, mas minha amiga vai além das quatro paredes. Ela é adepta ao sexo grupal, ménage, resumindo: Swing. Quando ela me contou essa sua necessidade de estar com mais de uma pessoa durante o sexo, admito fiquei impressionada, mas não chocada. Essa é uma condição sexual, e existem pessoas que só se satisfazem dessa maneira. Ela sempre conta detalhadamente às coisas que rolam nesses clubes que ela frequenta. Os adeptos a essa prática definem sexo em sexo, e procuram usar o termo "Jogar". Sim, ela diz... — Hoje vou sair para jogar. — acho até engraçado quando ela se refere o sexo grupal em jogo. E agora, pelo que entendi ela achou um parceiro ideal para "jogar", e segundo ela, além de jogador é um dominador. — Não acredito! O Arthur Ferrari, todo brincalhão daquele jeito é um Dom? — E que dominador, Ana! — Estou passada. Subestimei a capacidade do menino. — Amiga... Será que o gostoso do Gustavo, também é? — Não. Ele é dominador, mas de outra maneira. Nada a ver com esses negócios aí que você curte. Ele é carinhoso demais, gosta de dormir de conchinha e tudo. — Hum... Delícia! — Fernanda, dá um time? E, não chama mais ele de gostoso. — Nossaaaaaaaaaaa... Para tudo! Ana Beatriz, coração de diamante, está com ciúmes? Amiga? Tu está bem? — Argh! Só que não me sinto confortável em ouvir você falando dele assim. É estranho, eu sei, mas não gosto. — Tá bom! Desculpe amiga. — Voltando ao assunto: Arthur Ferrari. Ele me convidou para ajudá-lo organizar a festa dele. — Imagino até o que vai sair... Tua ajuda? Vai virar uma boate de striper — sorrimos. — Ainda bem que você me conhece — ela falar um pouco mais alto. — Bom, ele adiou a festa para daqui um mês, disse que está com questões inadiáveis para resolver na empresa da família. Parece que o negócio é sério! — Hum... Sei! Tomara que ele consiga solucionar os problemas. Neh?! — falo. — Sei lá, amiga! Eu que não quero saber dos problemas dos outros. Só de ouvir as palavras empresa, problemas, trabalho, me causa uma coceira no pescoço e nos braços, fico toda empolada. — Amiga você já pensou em um dia abrir alguma coisa para você? Alguma coisa que você goste muito de fazer. — A única coisa que eu gosto de fazer, não posso comercializar. Se não estarei vendendo meu corpo. — Fernanda é sério! — A conheço há anos, mas a cada encontro essa tampinha me surpreende. — Sim, estou falando sério Bia. — Então abre uma casa de... Uma casa desses negócios que você curte. Um lugar para se jogar com segurança. Existem milhares de pessoas que curtem as mesmas coisas que você. Vai que dar certo?! — Amiga... Você é um gênio! — Ela diz diminuindo o ritmo. — Okay! Concordo! Sou um gênio.


Saí da academia e vim direto para o meu apartamento, ele estava precisando de uma arrumação urgente, coisas rotineiras do dia-a-dia. Termino a arrumação que incluiu guardar todas as roupas que estavam em cima da minha cama. Agora com o Gustavo entrando e saindo daqui, não posso deixar minhas coisas assim... Tudo jogado. Não sou desleixada, realmente não sabia o que usar para encontrá-lo ontem, não sabia se iríamos a um restaurante, sei lá. Por isso, espalhei tudo até encontrar alguma coisa apresentável. Sou indecisa quando o assunto é roupas e acessórios, sempre termina tudo espalhados sobre a cama. Já são 19:30h, quando estou em casa a hora voa. Quase não mexi no meu celular, acabei esquecendo de tirar do silencioso. Como sou desligada, ainda por cima está descarregando. Tenho três mensagens do Gustavo e cinco chamadas perdidas do número dele. Leio as mensagens: 12:40h Gustavo: Queria você aqui agora. 13:00h Gustavo: Vamos almoçar juntos? 13: 08h Gustavo: Ana cadê você que não responde? Esqueci completamente de verificar as mensagens. Vou enviar uma para ele me desculpando. Admito que sou péssima em lembrar de carregar meu celular e sempre o esqueço no modo silencioso. 19:32h Ana Beatriz: Desculpe-me por não ter respondido antes, esqueci meu celular no modo silencioso. Estou com saudades! Espero ele responder, mas não chega. Deve estar na clínica ocupado, o melhor que posso fazer é tomar um merecido banho e esperá-lo. Escolho um conjunto de lingerie preta com detalhes em cetim e renda. Para facilitar a vida do meu esquentadinho e impaciente que rasga tudo que vê pela frente, a calcinha é de amarrar, ou seja, é só desfazer os laços. Pego um macaquinho jeans claro, regata vermelha, sapatilhas estilo bailarina de camurça vermelha. Aproveito e separo a roupa que usarei amanhã e os acessórios. Deixo tudo arrumado em cima da cama e sigo para o banheiro. Levo o celular e o iPod junto, coloco o telefone para carregar ligado no volume máximo. E meu iPod na base de ligação, deixo as músicas rolarem aleatoriamente no ambiente. A primeira música que invade o pequeno espaço do meu banheiro é “Demons - Imagine Dragons”. Tomo banho sem pressa, lavo meus cabelos com calma, hidrato-os e escovo os dentes. Termino o banho ao som de “ Radioactive - Imagine Dragons”. Adoro essa banda, as músicas são de letras complexas, mas acho que a intenção do compositor é essa, confundir a cabeça de quem ouvi-la. Termino de me arrumar, pego minhas coisas e vou para a sala. Ligo a TV, só por costume mesmo. Meu psiquiatra disse que isso é comum em pessoas que moram sozinhos por muito tempo. Pelo que entendi a TV diminui um pouco a sensação de solidão. Enfim, raramente presto atenção no que está passando. Prefiro livros e músicas, mas não abro mão de ligá-la. Meu celular toca, olho a tela e me alegro logo quando vejo a foto da minha mãe. — Oi mamãe! — Oi filha, que saudade da minha bonequinha. — Aaaa mamãe, você ficou muito desnaturada depois que casou com o Mateo. Quase não me liga mais, esqueceu que tem filha?


— Não bebê da mamãe. Eu e Mateo viajamos para o sul da Itália, e lá meu celular ficou sem rede o tempo todo. — Fico feliz que a senhora esteja curtindo a vida, mamãe. — Ai Ana Beatriz, o Mateo e um ótimo marido. Amamo-nos muito. É muito amor que chega a transbordar do meu peito. Minha mãe sempre foi uma romântica, viciada em livros e filmes de romance. Quando eu era criança ela dizia que quando me tornasse adulta e independente ela encontraria seu príncipe e viveriam felizes para sempre. — É véia, está muito melosa e a culpa é do Mateo. Manda um beijão para ele. — Filha você está tão relaxada, arrisco até dizer que está feliz. — É mãe, tenho tantas novidades... Uma delas é que retornei às consultas e terapias com o Dr. Pedro. — Não acredito! Deus ouviu minhas preces. — Mãe? — Fala meu bebê. — Conheci uma pessoa — ela ficou em silêncio por longos segundos, até que escutei seus afagos e suspiros. Está chorando. — Ai filha estou tão feliz que acabei chorando de felicidade. Esperei por tanto tempo ouvir você me dizer isso. Estou muito feliz! — Ah... Mamãe não, não chore. — Filha Deus ouviu minhas preces, viu ele não desistiu de você! Oh meu Deus, muito obrigada! — Tá bom, mãe. Chega! — Agora me conta quem é o rapaz. — Mãe... Ele é especial. Só isso que posso falar até agora. Estamos nos conhecendo melhor e não quero criar expectativas. Estou curtindo essa fase e tentando mudar a página da minha história. Cansei de ficar fechada para o mundo. — Filha você me fez ainda mais feliz, ao dizer todas essas palavras. Isso tudo, significa que você está aceitando o seu destino. — Talvez... Talvez mamãe. — Qual é o nome do homem que fez esse milagre? — Gustavo. — Que nome lindo! — Sempre achei que você e o Alex ficariam juntos, mas veja só, me enganei — se ela soubesse que eu e Alex já fomos amantes... — Não mãe nós somos apenas bons amigos. Só isso! — Quero virar essa página também. — Filha... Liguei por que tenho uma surpresinha para você. — Hum... Odeio surpresas. — Você não será mais filha única. Descobri no final de semana que estou grávida. Oh meu... — Mãe... Que notícia maravilhosa! — É querida, foi uma surpresa! Nunca imaginei que eu pudesse conseguir engravidar com meus 47 anos. O Mateo está radiante, nem dormiu direito pensando no bebê — ela fala e chora ao mesmo tempo. — Mãe não chora! Pensa no meu maninho ou maninha. — Ai minha filha é muita emoção ao mesmo tempo. Você e suas mudanças e a minha gravidez é muita felicidade.


— Mãe... Não vejo à hora de ver a senhora e beijar essa barriga. — Mais uma novidade... Meu ciclo estava desregulado por um tempo, fiquei sem menstruar um tempo. Minha ginecologista achou que fosse o início da menopausa, mas na verdade eu já estava grávida. Ontem fiz uma ultra e mostrou que estou com 16 semanas. — MÃE! Já dá para saber o sexo. — Não deu filha, mas logo saberemos. — Não vejo a hora de vocês virem ao Brasil em dezembro. — Meu bebê fica com Deus! Durante a semana ligo para saber como você está. Juízo! Nada de sexo sem compromisso. Escutou? — Risos infinitos para minha mãe. — Que isso mãe? Recuso-me a falar sobre sexo com a senhora carregando meu irmão na barriga. — Tá bom! Te amo. — Também te amo — desligamos juntas. Que saudade da minha véia. Meu Deus! Nunca imaginei nessa vida que minha mãe fosse ter outro filho. Agora eu terei um irmãozinho só meu. Não Acredito! Ela merece toda a felicidade do mundo. Minha mãe é uma guerreira. Arrependo-me profundamente de ter feito ela sofrer junto comigo, todos esses anos. Não mereceu. É uma mulher que me amou incondicionalmente todos esses anos, merece toda a imensidão de felicidade desse mundo. — Irmão ou irmã, tanto faz. Que felicidade! São 22:20h... É tomei um bolo! Fazer o que né?! O Gustavo não retornou a mensagem, não ligou pelo menos para avisar que não viria mais. Odeio esperar, se ele soubesse o quanto sou ansiosa nunca teria me feito esperar igual a uma idiota sentada nesse sofá. Sabe de uma coisa? Vou dormir. Ganho muito mais com isso. Argh! Troco de roupa visto minha camisola rosa de sempre. Adoro ela! Escovo os dentes, lavo o rosto. Deito em minha cama macia, fecho os olhos e procuro seguir às regras do meu psiquiatra para evitar os sonhos que me fazem acordar angustiada durante a madrugada. — Ai que saudade do meu médico gostoso! Minha vontade é de mandar uma mensagem obrigando ele vir dormir comigo. ARGH! Procuro não pensar em nada relacionado ao passado, penso somente em eventos ocorridos no meu presente, cotidiano no trabalho, compromissos... Até tentei mais a única coisa que pensei foi no Gustavo, ele tomou espaço nos meus pensamentos. O despertador do celular invadiu meu sonho e me arrancou do céu. Acordei, mas ainda estou de olhos fechados. Acho que voltei a dormir, não sei. Sinto duas mãos envolverem minha cintura, acariciar minha barriga e seios por baixo da camisola e um beijo quente no meu pescoço. Voltei a sonhar com o Gustavo, só pode! Gustavo, nome bonito, nome de homem. Acabo pronunciando além do meu sonho e sinto seu nome escapulir dos meus lábios como se eu estivesse bêbada. — Gustavo... — Oi Morena, estou aqui — escuto sua voz sair em meu ouvido. Chego até sentir sua respiração quente no meu pescoço. Parece tão real, acho melhor abrir os olhos, pois estou sonhando demais. Abri os olhos espantada com a realidade do sonho. Mas o que eu vejo me mostra que não era apenas um sonho. — Homem de Deus! O que você está fazendo na minha cama? Como você entrou? — O safado sorri e abre ainda mais seus olhos azuis. — Calminha... Aí! Bom dia meu amor — beija minha boca com carinho. Ainda surpresa com ele não consigo fechar os olhos para acompanhar o beijo. Ele está só de cueca boxer branca é muito abusado esse gostoso. — Bom dia! — Consigo falar. — Agora explique como invadiu meu apartamento.


— Não invadi o seu apartamento. Você é minha namorada, namorados não invadem apartamentos — oh Deus! Tenho um namorado e não estava sabendo. — Ontem tive uns contratempos, fiquei até tarde conversando com meu irmão e acabei saindo tarde da casa dele. Fui direto para meu apartamento, mas não consegui dormir sem você, meu corpo acostumou com o seu. Aí... Decidi resolver minha insônia, vim parar na sua porta, mas você não atendia o merda do celular e nem a campainha, fui obrigado a descer até meu carro e pegar um instrumento cirúrgico e abri a sua porta. Pode ficar tranquila a porta não sofreu danos. Amor foi tão fácil! — sorriu tão travesso. — Você arrombou a minha porta? Seu louco... — Louco por você — ele me abraça mais forte e me beija com carinho. — A culpa é sua, Feiticeira. Você tem que me ensinar ao menos a dormir sem você, por que viver eu não consigo mais — suas palavras são diretas e me deixaram sem reação. — Ah Gustavo, você é tão... Especial. — Ele fica encarando meus olhos com uma expressão tão carinhosa que meu ventre chega a contrair. Uma pessoa fácil de amar, carinhoso... Ai Céus! Será? Será que estou ficando apaixonada por ele? Fecho os olhos para desfazer os pensamentos, quando os abro o Gustavo está olhando para o papel de parede acima de nossas cabeças, fazendo um esforço para olhar, mas está concentrado e com os olhos fixos na foto que Lorenzo e eu estamos nos beijando. Toco em seu rosto e o seguro forçando-o a olhar para mim. — Ei? — falo. — Apesar de ter aberto a minha porta igual ao James Bond, amei acordar ao seu lado — aquiesceu e continuou olhando para as fotos. Ah meu Deus! — Gustavo... — Ele interrompe quando começo a falar. — Desculpe! É estranho ver essas fotos acima da minha cabeça — sorriu. Não sei o que dizer para ele. — Odeio ver esse cara beijando você. Seguro as lágrimas com todo o meu controle. Desvio o olhar dos seus olhos e fito o teto. — Ei, olha pra mim, não foge — ele segura meu queixo em direção ao seu rosto e obriga-me a olhar em seus lagos azuis. — Ana, eu sei que você sofre por alguma coisa, ainda não sei exatamente do que se trata, mas tenho certeza que envolve esse homem da foto. Sabe qual foi o primeiro detalhe que percebi em você? — pergunta concentrado no meu rosto. Meus olhos estão pegando fogo. Se ele continuar vou explodir em lágrimas. — Seus olhos são lindos, mas estão sem brilho, parecem tristes. Esses mesmos olhos que vejo aqui na minha frente não são os mesmos daquela foto ali — ele aponta para a foto onde estou sorrindo ao lado de Lorenzo e Rafael. Fecho meus olhos com força e ele continua falando sem parar. Escuto cada palavra com atenção e tudo que ele fala me afeta de uma forma que me desestabilizou. — Foi isso que percebi — ele termina a frase. Pelo que entendi, ele disse que meus olhos são tristes. — Não sou o tipo de homem coadjuvante, aceito apenas ser o principal. Odeio ficar às escuras, não suporto mistérios e surpresas. Quero que saiba que por você, só por você, terei paciência e esperar o seu tempo. Espero que não demore muito, pois isso poderá refletir na nossa relação futuramente. Quando estiver pronta para conversar sobre tudo que se passa nessa cabecinha e nesse coração, espero que me conte tudo sem omissões. Entendeu? Em quanto isso, estarei aqui ao seu lado te esperando. Escutei tudo quieta e de olhos fechados, até tentei, mas minhas lágrimas saíram livremente, não consegui ser forte e mais uma vez choro na frente dele. Nem sei por que estou chorando. — Ana... Desculpe! Eu não pretendia fazê-la chorar — minhas lágrimas saíam copiosamente e eu suspirava como uma criança. — FODA! Não consigo vê-la chorar. Desde a primeira vez que a vi perdida e chorando depois de sair da boate, não consigo te esquecer — limpa minhas lágrimas com


os dedos. — Meu anjo não suporto ver você chorar. Por que você chora tanto? — senta na cama e me puxa para seus braços e procura minha boca com uma necessidade inexplicável. Correspondi na mesma precisão e intensidade. Beijamo-nos sem pressa, lentamente como se não existisse nada nos esperando lá fora. — Você desperta um instinto de proteção em mim que nunca tive antes, sinto um desejo enorme de cuidar de você — me abraça ainda mais e cola nossos lábios de novo, mas mantemos nossos olhos abertos e fixos um no outro. Ele pisca algumas vezes parecendo estar confuso com tudo isso e fala: — Eu... Eu sinto medo. É até um pouco difícil de explicar isso tudo, mas tenho medo de sofrer, tenho medo de não ser correspondido, medo desse sentimento todo, esse negócio que sufoca meu peito toda vez que penso em você. Isso não é normal, não é? Se não for pode me internar, pois certamente estou com o juízo danificado — quanto mais ele falava, minhas lágrimas desciam. Ele solta sua respiração quente e pesada no meu pescoço. — Estou louco por você — sussurrou tão baixo que a frase saiu inaudível, suficiente para nós dois escutarmos. — Por favor, Ana, não demore muito tempo perdida. Já te encontrei, agora permita que eu cuide de você.


Capítulo 16 - Gustavo Ferrari Eu me surpreendo com minhas atitudes, não acredito que arrombei a porta de uma pessoa. Preciso de limite urgente ou não responderei pelos meus atos. Mas a culpa foi dela! Liguei insistentemente assim que deixei a casa do Arthur, ela não atendeu as minhas ligações. Cheguei ao meu apartamento, liguei de novo, enviei centenas de mensagens e nada dela atender ou responder. Isso foi me dando uma agonia, vaguei por horas andando de um lado para o outro, perdi até o meu sono por causa da abstinência proveniente a minha feiticeira gostosa. Fiquei tão agitado e agoniado que não aguentei e fui para o apartamento dela. Toquei a campainha insistentemente e nada da mulher atender a porra da porta. Deve ter tomado aquelas drogas de novo, só pode! Mas eu me conheço, sei que não passo vontade, quando vi, já tinha encontrado uma maneira de abrir a merda da porta. Engraçado foi à maneira que entrei, sorrateiramente, tirando toda minha roupa. Abri a porta do quarto dela e não pensei, só fiz deitar ao seu lado e sentir o calor do seu corpo e seu cheiro maravilhoso. Colei o corpo dela ao meu e nos cobri com a coberta. Ela aconchegou a bundinha mais gostosa do mundo bem no meu pau, mas não a acordei. Não demorou muito e adormeci com o nariz afogado nos seus cabelos cheios. Durmo feliz e tranquilo ao lado da minha Morena e acordo na mesma posição, até ser despertado por um som ensurdecedor que sai do seu celular. Ela se mexe, mas não abre os olhos, nem percebeu que eu desliguei o alarme do celular. Que sono pesado minha garota tem, não sei por que ela usa calmante. Acaricio sua cintura e barriga por baixo da camisola. Nossa que delícia! Acho que ela percebeu ou está sonhando comigo. Pois chamou meu nome gemendo. Isso é muito bom! Sorrio igual a um apaixonado sem cura. Quando falei em seu ouvido ela levou um susto. Achei engraçado quando ela abriu os olhos e fez uma cara de zangada por me ver ao seu lado. Mas só foi fazer um carinho que logo esqueceu. Essa mulher me deixa descompensado, ainda mais quando chora. Não quero vê-la chorar mais, sei que se esforça mais não consegue esconder suas emoções, ela é muito sensível e emotiva. Isso eu percebi desde a primeira vez que a beijei. Pensei que depois de tudo que falei para ela, ela fosse ficar estranha comigo, sei lá... Mas foi ao contrário, se entregou completamente a mim. Não consegui fazer nada no seu quarto, impossível meter nela e olhar aquelas fotos beijando outro homem. Então, nos restou o banheiro. Parecíamos dois coelhos no cio, até me envergonho do tempo que demorei para gozar, mas eu estava com fome dela. Ainda bem que gozamos juntos e foi nesse momento que eu a fiz prometer que arrancaria aquele papel de parede ridículo da parede. Ela? Gozou gritando um “PROMETO GUSTAVO” desesperador. Agora é só esperar. Espero mesmo, que da próxima vez que eu dormir em seu quarto, aquele cara não esteja mais distribuído na parede, aquilo tira o tesão de qualquer homem. Deixei bem esclarecido para ela minha posição em relação a nós dois. Infelizmente não pude contar realmente onde estive antes de encontrar o Arthur. Não vale a pena preocupá-la com assuntos corriqueiros, preferi omitir e deixar tudo como estar. Assim que deixei o apartamento dos pais da Rafaela fui direto falar com o Arthur. Ele estava ansioso demais para saber todos os detalhes do jantar. A princípio não descobri nada de importante, mas foi produtivo, acabei me infiltrando de certa forma. O velho asqueroso ficou feliz em me ver com a filha, a mãe coitada nem fala direito, fica calada o tempo todo. É uma incógnita. A Rafaela não mudou nada, continua a mesma mulher fresca e fútil, sorte a minha que ela não gosta de borrar o batom. Graças a Deus! Por que para mim seria demais ter que ficar com ela, não que seja um sacrifício, ela é uma mulher muito bonita, mas suas futilidades me deixa enojado. E agora, tenho a


Ana, minha mulher. O tempo que estive com a Rafaela e seus pais, só conseguia pensar em estar dentro da minha feiticeira. Durante o jantar recebi uma mensagem da Ana, mas não tinha como responder, pois o velho Campelo não parava de falar. Quando me despedi de todos e da Rafaela, soltei um suspiro de alívio. Sei que isso será por pouco tempo mais é sufocante, ainda mais agora que eu sei do golpe que o Sr. Campelo aplicou no meu pai. A semana passou rápida e tranquila. Eu e Ana criamos uma rotina, onde eu decidi que ela dormiria comigo todas as noites, disso não abriria mão. Todos os dias pela manhã a deixo no restaurante e à noite, depois que saio da clínica passo em seu apartamento para buscá-la e seguimos para minha cobertura. Eu estou amando tê-la ao meu lado todos os dias, principalmente pelas manhãs. Uma semana depois... — Arthur e se essa porra não der certo? — Mano, fica tranquilo. As microcâmaras possuem uma espécie de adesivo na parte posterior. Basta encostá-las em qualquer superfície e o serviço estará pronto. Elas já estão sincronizadas no meu notebook e do hacker que eu contratei. Além das câmeras você vai ter que instalar um programa em todos os computadores que encontrar pela casa. — Arthur aí já é demais! Você está achando que sou o que? James Bond ou que eu estarei contracenando no filme missão impossível? — Mano, fácil eu sei que não será. Mas você é detalhista e precavido, dará certo pode ter certeza. — Falando assim, parece fácil mesmo. Agora como é que vou chegar até o escritório do Sr. Campelo? Estive estudando todo o ambiente e o escritório fica na ala oposta aos banheiros e quartos. O cômodo fica justamente entre a sala de jantar e a sala de visitas. — Na hora você vai conseguir se virar. Gustavo? — Fala Moleque — lá vem bomba. — Leva a Rafaela para uma boate. Deixe-a bêbada e depois diz que quer foder ela no escritório do pai. Pronto, resolvido! — Fácil? — Pode ser! — Mano, posso conseguir umas paradas que irá deixá-la doidona na mão do palhaço. Faço questão de ver depois o vídeo. — Arthur não irei drogar ninguém! Posso até perder o direito de exercer a minha profissão. Fui claro? — Calminha aí, Dr. Gustavo Ferrari. Estava só te “zoando”. — Arthur, vindo de você eu espero tudo. — Já ouviu falar em “boa noite Cinderela”? — Sim. Moleque isso vai dar merda — não aguento meu irmão cara. Ele é foda! — Não vai dar merda. Relaxa Gustavo se não o nosso plano não vai encaixar. — Sabe o que me deixa mais perplexo? É essa sua tranquilidade para resolver os seus problemas. Repito SEUS PROBLEMAS! Arruma a substância que eu farei a minha parte. Que até agora percebi que é a mais difícil. — Difícil? Você tá pegando a gostosa da Rafaela. Acha isso difícil? — Não tenho nada com ela. Na verdade nunca tive Arthur. Você sabe melhor do que eu, que eu e Rafaela não passamos de um erro de percurso. — quero esquecer essa fase.


— Graças a Deus, ela não cismou comigo quando a conhecemos naquele jantar. — Infelizmente não posso dizer o mesmo. Ela me atentou até conseguir o que queria e depois mudou completamente. Até hoje não entendi qual foi a real intenção dela. Você acredita que eu nem lembro quando transamos? Só lembro quando acordei de manhã com ela nua ao meu lado. — Você nunca me contou isso. Acho que você tomou “ boa noite Cinderela” também — o engraçadinho cai no riso. — Fiquei tão perturbado na época com a porra do noivado e a gravidez, que fiquei aéreo. Mas esquece isso, não vale mais a pena lembrar. — Verdade! — Mano, tenho certeza que Sr. Campelo faz todas as transações bancárias e suas falcatruas dentro daquele escritório. As duas pessoas que infiltrei na empresa dele, espalharam essas microcâmaras e microfones do mesmo seguimento em todo o escritório e departamento financeiro da empresa dele, mas até agora nada. Chegamos à conclusão que ele executa tudo através de seu escritório pessoal. Ele não é tão desprovido como imaginei. Acredito que alguém esteja o ajudando a movimentar todo esse dinheiro. — Arthur, o valor que o papai transferiu para a compra da suposta empresa, certamente não está mais aqui no Brasil. Ele deve manter alguma conta aberta em um desses paraísos fiscais. — Pode ficar tranquilo que eu estou ligado nessa parada. O hacker já invadiu todas as contas sincronizadas ao nome da família dele e da empresa, mas não conseguiu encontrar onde o dinheiro foi parar. Papai fez a transferência entre contas através das empresas e a partir daí aparece somente o valor exorbitante na conta dele no dia da transferência, mas sem movimento, sem destino. Ou seja, nosso dinheiro está viajando por aí. — Cada dia eu sinto mais nojo daquele velho interesseiro. Ele puxou meu saco o tempo todo quando estive na casa dele. Provavelmente, acha que juntando eu e a filha ele terá acesso a empresa da nossa família com maior facilidade, já que sou dono de 19%. — Nosso pai está preocupado com o rumo da empresa depois da perda das ações que ele acha que comprou. Mal sabe que na verdade levou um arcaico golpe do vigário. Disse a ele que não precisa mais frequentar diariamente a empresa. Ele me pede desculpas toda hora por ter investido alto nessa empresa. — Arthur, você tem que dar um jeito de tirar o direito do nosso pai de tomar decisões e principalmente, assinar e movimentar a conta da empresa. Infelizmente, ele não tem mais capacidade cognitiva para tomar decisões. — Aos poucos estou fazendo isso. Mas se ele insistir teremos que interditá-lo. Estou pensando no bem estar dele e de nossa mãe. Pois se deixasse ele no comando, já teria falido a Ferrari Engenharia, completamente. — Concordo com você Arthur. Agora me deixa ir para casa que a Ana está me esperando. Só você para me tirar dos braços da minha morena. — Sai daqui seu bund... — Bundão é você, que só gosta de foder uma mulher com outro homem junto — até hoje não entendo essas preferências do meu irmão. — A mano, isso eu não vou negar. É gostoso pra carambaaaa — vai entender neh? — O dia que você quiser experimentar, pode trazer a Ana. Ela é perfeita do jeitinho que eu gosto. — não irei entrar na zoação dele, se não irei acabar com esse rostinho dele de princesinha. Nós nos despedimos com as gentilezas de sempre e fui direto para meu apartamento buscar a Ana para irmos ao cinema. A cada dia que passa estou mais envolvido. Impossível não ficar viciado nela.


Duas semanas depois... Sempre tive aversão a relacionamentos estáveis, nunca gostei de seguir rotinas, mas depois de conhecer a minha feiticeira, tudo o que eu não gostava comecei a gostar. Rotina? Só se for com ela. Estou louco naquela morena, só de pensar nela eu fico excitado. A rotina mais parecida com a de um relacionamento que tive antes de conhecer a Ana Beatriz, foi à exatamente um ano atrás com minha ex quase noiva Rafaela. Não sei se eu estava azarado demais ou foi falta de sorte mesmo, mas acreditem, eu engravidei ela na primeira transa. Juro que não fui um irresponsável, estava bêbado, e até hoje não lembro como tudo isso aconteceu. Com certeza se estivesse sóbrio, nunca teria transado com a louca da Rafaela. Praticamente fui obrigado a ficar noivo, meu pai o Sr. Ferrari e o pai da minha ex quase noiva, tinham negócios em comum e isso facilitou a loucura do noivado. Fui intimado e obrigado pelo meu pai a assumir o noivado, acabei resistindo e acatando a sua ordem. Ele sempre manipulou minhas decisões e principalmente as do Arthur, tudo em prol de seus interesses pessoais. Naquela época, meu pai e o Senhor Campelo faziam projeto de unir as duas empresas a Ferrari Engenharia e a Campelo Construtora, a fim de aumentarem o capital social e futuramente fecharem um contrato bilionário, o qual nunca aconteceu. Graças a Deus! Aceitei o noivado até as coisas se acalmarem, mas era fato, jamais me casaria com a Rafaela, nunca! Assumiria meu filho, mas nunca assumiria um compromisso com a ela. Conheci a Rafaela em um jantar na casa dos meus pais. A partir desse dia, a mulher não me deixou em paz, passou a me perseguir, sabia todos os meus passos, passou a frequentar os mesmos lugares do que eu. Nunca cedia às suas investidas, a pesar de ser uma mulher bonita, nada me atraia nela. Meu ponto fraco são as morenas. Até que um dia fui a uma dessas festas "Privês" que Arthur promove em sua cobertura. Assim que cheguei à festa vi que ela estava lá, na hora amaldiçoei Arthur por tê-la convidado, mas ele jurou que ela foi sem ser convidada e quando chegou ele não soube o que fazer. Foi nessa maldita festa, não sei em qual momento, que eu a arrastei para meu apartamento e acordei com ela ao meu lado nua em minha cama. Chega a ser cômico, mas depois dessa noite surgiu o tal noivado que na verdade estava mais para acordo sem papel, mas um acordo de negócios entre nossos pais. Meu pai, não sei por que, comprou um apartamento na zona sul para nós dois, alegando ser presente de casamento. Uma loucura sem fim. Depois que as empresas não conseguiram o contrato bilionário e perderam feio a licitação para construção do metrô Barra da Tijuca, a Rafaela sofreu um aborto espontâneo. Apesar de ter perdido um filho, não consegui sentir nada, além de alívio. Durante os cinco meses que ficamos juntos a mulher fez um inferno na minha vida. Ela é desequilibrada, obsessiva e passional demais. Depois do que aconteceu entre nós, fato que não me lembro de nada, não transamos mais. Evitei a Rafaela de todas as formas, mas graças a Deus a louca parecia não gostar muito de sexo, dizia que isso poderia machucar o bebê. Mesmo sendo médica ela afirmava que machucaria. Enfim, foi melhor assim. Não gosto nem de tocar e muito menos relembrar este assunto. Prometi a mim mesmo que meu pai e seus negócios, não influenciariam nunca mais em minhas escolhas e na minha vida. Ele nunca aceitou o fato de eu ter me tornado médico e não um CEO da Ferrari Engenharia. E mesmo depois de conquistar prestígio e reconhecimento como cirurgião, ele nunca nem se quer me deu um parabéns. Passaram três semanas desde que reencontrei a Rafaela. Confesso que estou fazendo um esforço inexplicável para aturar suas futilidades. Jantei na sua casa três vezes durante esse tempo, foi um


porre ter que aturar o Senhor Campelo. Toda vez que olho para a cara dele sinto asco, repulsa. Só de lembrar o golpe que ele aplicou no meu pai, sinto vontade de estourar o botox da cara dele de coringa. O velho picareta! Mas eu e Arthur o faremos devolver centavo por centavo para o nosso pai, ou não nos chamamos Ferrari's. Fiquei perplexo com as descobertas que fiz ao passar a frequentar a casa deles. O velho pretende se aposentar em breve e irá morar na Suíça para desfrutar da aposentadoria. Ou seja, usufruir do dinheiro que meu pai usou para comprar uma empresa "promissora" que na verdade, pertencia indiretamente a ele e que, coincidentemente faliu, assim, do nada. Mal sabe ele que irá descansar pelo resto de sua miserável vida atrás das grades. Arthur investiu pesado nas investigações, descobriu outros golpes aplicados antes em outros empresários. Meu irmão é detalhista e perfeccionista, conseguiu desfazer o nó que faltava para completar o quebra cabeça. Agora é a minha vez de agir. Implantarei quatro câmeras imperceptíveis no escritório da casa. Não será fácil, mas não poderei errar ou tudo estará perdido, só falta descobrirmos para onde ele enviou todo o dinheiro que roubou da empresa da minha família. O que vou fazer hoje não entrará para a minha lista de boas ações, e assim que eu terminar não me arrependerei e nem pedirei perdão. Estaciono o carro no condomínio luxuoso onde a família Campelo reside. Pego as mini câmeras e coloco no meu bolso. São quatro no total, se eu conseguir fixá-las no escritório a minha parte no plano estará cumprida e sairei satisfeito direto para o apartamento da minha feiticeira. Assim que chego à entrada principal da mansão, avisto a Rafaela me esperando. Ela está parecendo àquelas modelos de passarela, parece estar desnutrida. Não sei por que ela insiste em fazer essas dietas, já é magra. Essa porra deve estar com anorexia, só pode! — Boa Noite Gustavo — começo a encenar a partir de agora. — Boa noite, gata! — beijo seu rosto. — Está linda como sempre. — A genética ajuda! — Ela fala e sorri. — Vamos entrar? Meus pais estão nos aguardando para jantarmos juntos. Acompanho Rafaela em silêncio, assim que adentramos observo todo o ambiente estudando a melhor forma de começar a implantar as câmeras. O escritório fica entre a sala de jantar e a sala de visita, fica difícil arrumar uma desculpa e simplesmente invadir o escritório do velho. Chegamos à sala de visitas e avisto o rei momo sentado em sua poltrona vermelha de chenille. Ele tenta levantar só que a barriga não permite. Aproximo-me e peço que ele continue sentado. — Boa noite Sr. Campelo — aperto sua mão com total repulsa. Esse filho de uma puta vai pagar caro por ter enganado meu pai. — Boa noite Dr. Gustavo! — Ele responde todo entusiasmado. — Sente-se, precisamos conversar — já sei qual será o assunto, o Arthur adiantou parte do assunto. Ele está espionando a Ferrari Engenharia e descobriu que a empresa está passando por dificuldades, por conta do golpe que ele aplicou, mas vim preparado para escutar tudo com calma sem esboçar reação. — Rafaela pode nos servir uísque, por favor? — Claro! — A louca vai até o bar e prepara dois copos, mas não poderei beber nada. Principalmente vindo dessa família maldita. — Então, o que o senhor quer conversar comigo? — Dr. Gustavo, você sabe que sou um grande amigo e parceiro de negócios do seu pai, e recentemente seu pai investiu em um setor que não lhe trouxe benefícios e sim uma perda de grande parte de sua fortuna. Você está sabendo disso? — Ele é astuto, está jogando verde para colher maduro.


— Sr. Campelo, serei bem honesto com o senhor, na verdade, não sei nada que acontece na empresa da minha família, não sei quanto valem as ações da empresa. Não entendo nada disso e estou pouco me importando com a situação que a empresa se encontra. Por mim, aquilo tudo pode afundar. Sou só um cirurgião plástico — minto descaradamente, acho que passei o que realmente pretendia. — Sim, devo admitir que você é um excelente cirurgião, criou um pequeno império sozinho, sem ajuda do seu pai. Andei pesquisando sobre você e vi que está com duas clínicas em alta rotatividade de pacientes. Devo lhe dar meus parabéns! Essa porra espionou a minha vida? Não acredito nisso. Ele é maluco! — Obrigado Sr. Campelo. — Então... Vou direto ao assunto: as ações da empresa da sua família estão desvalorizadas e logo não valerão nada, pois a empresa está à beira da falência. Quero lhe fazer uma proposta, uma proposta bastante lucrativa. —Sim?— Minha cara não é uma das melhores. — Gostaria de comprar as suas cotas na Ferrari, você tem 19% das ações e acredito que não terá interesse nelas depois que não valerem nada. Estou certo? — Que ordinário! — O que você me diz Gustavo? — Eu... Concordo com o que o senhor falou. — Ótimo! — Podemos fechar amanhã, meus advogados procurarão você para assinar os papeis passando suas cotas para a Campelo Construtora, mais precisamente para a Rafaela, minha filha. — Certo! Fechado Senhor Campelo — apertamos a mão para selar o acordo que ele acha que acabamos de fazer. Mas ele está desinformado, minhas cotas foram transferidas para o Arthur poucos dias, tornando-o sócio majoritário da Ferrari Engenharia. Agora ele poderá tomar todas as decisões sem antes consultar o nosso pai. O jantar transcorreu como imaginei, jantamos em silêncio e logo que terminamos os pais da Rafaela nos deixaram a sós se retirando para dormir. — Boa noite Dr. Gustavo. — Boa noite Sr. Campelo. Aguardo contato amanhã — o velho tentava sorrir mais o excesso de botox não permitia. — Amanhã entrarei em contato com você. É agora é a hora do show... Peguei na mão da Rafaela e a levei para a sala. Sentei no sofá e a coloquei em meu colo. — Você está cada dia mais gostosa. Hoje vou foder você todinha — beijei seu pescoço e ela foi logo se esfregando em mim. — Sabia que você não resistira mais Gustavo. — Quem resiste? Você é maravilhosa — ela sorri, mas o ar de superioridade não diminui. Subo a mão em sua perna fina demais e ela se arrepia toda. Levanto o seu vestido até deixar sua bunda exposta. Ela tenta encontrar minha boca a todo o momento, mas desvio tomando uma postura dura. — Só irei beijar você quando eu quiser. — Minha voz saiu dura e rouca ao mesmo tempo. — Nossa... Nossa noite promete — ela fala e esfrega o silicone na minha cara. Meu Deus! Ela desce a mão até meu pau e faz uma careta estranha. Olho para ela e explico: — Estou ansioso demais para ter você, por isso ainda não estou duro. É muita pressão gata — ela dá uma gargalhada alta demais.


— Xiiiii. — Quer que seus pais venham ver o que vamos fazer? — Não — ela fala no meu ouvido. — Vamos para o seu quarto? — pergunto ansioso. — Só se for agora. — Vamos brindar? — Vamos! Mas brindar ao que? — A nós dois — odeio mentiras, mas essas estão sendo necessárias. — Eu preparo — levanto exasperado do sofá quase a deixando cair no chão. — Desculpe gata! Eu preparo as bebidas e você sobe para seu quarto e prepara a cama para nós dois. Por que vou parar de foder você só amanhã. — Deus me livre! Nunca eu passaria a noite em claro transando. No dia seguinte ficaria cheia de olheiras e com um mau humor terrível — Deus me livre mesmo! — Você vai fazer o que eu quiser gata! — Estou tentando ser o mais canalha possível para ela não me procurar nunca mais. — Vai logo! E me espera nua e deitada — ela sobe as escadas correndo desesperada. Assim que tenho o ambiente limpo sigo para o escritório do velho, abro a porta com cuidado para não fazer barulho e entro. Respiro fundo e começo a colar as mini câmeras que possuem um adesivo na parte posterior a lente. — Vamos lá... Uma aqui debaixo da mesa, outra aqui nessa prateleira bem de frente para a mesa. Essa pegará qualquer conversa dele de um ângulo perfeito. Espalho as outras duas entre os livros que ficam nas prateleiras mais altas que formam uma mini biblioteca. Perfeito! Acho que não esqueci nada... Saio do escritório, fecho a porta com cuidado. Preciso ganhar tempo para instalar o programa de transferência de dados que está no pen drive que Arthur me deu. Vou seguir o que ele me disse, e só inserir o pen drive e deixá-lo por dez segundos que automaticamente o programa que o hacker criou especificamente para esta operação. Sigo para a sala e preparo as bebidas, preciso de mais tempo, adiciono sonífero na bebida da Rafaela. Subo as escadas e me deparo com várias portas no corredor. Que droga! — Ei, meu quarto é esse — quando abri a porta do banheiro achando que seria a do quarto dela, ouvi sua voz me chamando da porta ao lado. Ela estava completamente nua e com os cabelos loiros presos. Exalava um cheiro enjoativo de baunilha, eu acho. Sei que estava me deixando nauseado. Ela sentou na cama e me chamou. — Vem logo acabar com isso, pois amanhã acordo cedo — ela fala cheia de autoridade. — Trouxe nossas bebidas — entreguei a ela o copo. Bebi a minha sem tirar os olhos dela. Ela vira a bebida toda de uma vez só. — Você está trabalhando? — pergunto para passar o tempo até o sonífero fazer efeito. — Sim, no Hospital das Clínicas. Só por um tempo, em breve deixarei o cargo e não precisarei mais perder meu precioso tempo abrindo e fechando cabeças. — ela termina a bebida e boceja várias vezes. Sento ao seu lado na cama e ela me puxa para beijar-me, mas desvencilho de suas mãos e a fito nos olhos. — O que tanto você olha para minha cara? Sei que sou bonita e gostosa e que você me quer, mas estou começando a acreditar que você tem problema — sua voz sai arrastada. O sonífero está fazendo efeito. — Deita — disse duro e seco. — Agora escuta o que vou falar — ela deita e olha pra mim com


os olhos pesados. — Não vou transar com você — ela me olha exasperada e surpresa. — Nunca cometeria o mesmo erro duas vezes. Você foi à foda mais repulsiva que dei em toda a minha vida. — Por... Que? — Ela fecha os olhos e apaga. — Por que não quero, simples assim... — Termino a frase mesmo depois de vê-la dormindo. Desço novamente até o escritório, entro e fecho a porta silenciosamente. Agora tenho mais tempo para instalar o programa de transferência de dados. Faço da mesma maneira que o Arthur explicou, é só inserir o pen drive e automaticamente será instalado o programa, mesmo com o aparelho desligado. Inseri em dois notebooks que encontrei no escritório, contei dez segundos conforme o Arthur disse. — Isso... Foi — retiro o pen drive da entrada e o guardo no bolso. Deixo o escritório sem problemas e meto o pé daquele antro de ladrão. — Não acredito que consegui! — entro em meu carro e dou partida em direção a saída. — Alô! Arthur... Moleque eu consegui. — Eu já estou recebendo imagens do escritório no meu notebook. E o programa que você instalou nos computadores já está transferindo todos os dados para o meu computador e para o Douglas o hacker que contratei. — Nem acredito que esse inferno terminou cara — falo aliviado. — Valeu mano! Você foi um amigão se arriscando desse jeito. — Arthur, acredita que ele se ofereceu para comprar a minha parte na empresa? — Eu sabia que ele seguiria essa linha. — Ele falou que a ação seria colocada no nome da Rafaela. — O investigador descobriu duas contas abertas na Suíça e estão em nome de Rafaela Campelo. Foram abertas há quase dois anos atrás. — Cheguei à conclusão que a Rafaela se aproximou de mim desde o início por interesse. Mas ela viu que não seria fácil e desistiu. — Mano, a mulher é uma gata, mas sempre foi ordinária. Aquela vadia perturbou você e inventou uma gravidez. Tenho certeza que aquilo tudo era uma farsa. Pode deixar que logo irei descobrir se realmente aqueles exames que ela te entregou na época comprovando a gravidez, eram verdadeiros. Pensa bem... Com certeza tudo aquilo era falso. — Se era uma farsa ou não, para mim não importa. O que importa hoje para mim é a Ana Beatriz. — Hum... Menino apaixonado. — Arthur vou desligar. Tenho que ligar para a Ana. Ela deve estar me esperando e eu estou exatos vinte minutos atrasado para buscá-la em seu apartamento. —Tu gamou mesmo! Caralho mano, você está muito fofo e apaixonado. — Arthur já te mandaram hoje? Não? Então vai tomar nesse teu... — Tá bom, chega! — Tchau princesinha. — Tchau Rapunzel. — Desligamos juntos.


Capítulo 17 - Gustavo Ferrari — Vem Gustavo, O filme vai começar. — Estou esperando o micro-ondas apitar para eu poder retirar a pipoca. Você quer refrigerante ou suco? — grito da cozinha para ela escutar. Na verdade, eu sei o que ela irá escolher, já até enchi o copo com o suco de maracujá. Não custa nada perguntar, não é? — Suco de maracujá — responde com a voz um pouco mais alta para eu poder escutar. Eu já sabia. Sim, ela ama suco de maracujá. Ela bebe suco de maracujá no café da manhã, no almoço, em qualquer ocasião ela bebe "suco de maracujá". Chego à sala, e a vejo praticamente embrulhada debaixo do edredom, chega até a ser engraçado. Sorrio quando vejo a cena. Sentei ao seu lado e lhe entreguei a pipoca. Coloquei os copos na mesa de centro de frente para o sofá. — Esse filme é bom demais. — disse com entusiasmo, olhando para a abertura do DVD, falando sobre pirataria. — Você já assistiu? — Ela pergunta fazendo uma expressão confusa. — Claro meu amor, se fui eu quem comprou o DVD. — Não, Gustavo. Esse DVD eu comprei hoje nas Lojas Americanas, não é o que você separou para assistirmos. Chega de filmes de Zumbis. — Não vamos assistir Guerra Mundial Z? — Essa pergunta saiu meio desesperada. — NÃO! — Está bravinha comigo? — Desde ontem ela está impaciente, inquieta e irritada. — Não — respondeu. — Não é o que parece. Quando cheguei ao seu apartamento ontem à noite, depois de sair da casa da família Campelo, ela estava com um bico muito engraçado me esperando. Pela primeira vez, percebi o quanto fica estressada e ansiosa quando me atraso para buscá-la. Apesar de toda pressão psicológica e estresse que passei antes de encontrá-la, bastou eu olhá-la e sentir o seu cheiro, que todo o meu corpo relaxou e meu estresse se esvaiu para o inferno. Incrível o poder que ela tem sobre mim. — Então, qual é desse filme aí que você colocou no Blue Ray? — Pergunto enquanto ela mexe no controle. — A culpa é das estrelas. — Que? Que nome de filme é esse? — Ela aperta o botão pausa e olha para mim com um olhar mortal. O que eu fiz? — O nome do filme é "A culpa é das estrelas". É um romance. — Tem sexo? — Estou irritando ela, eu sei. — É claro que não — ela me olhou furiosa e fez o biquinho mais sexy que já vi. — Amor, por que você está tão estressada? — Eu não estou estressada. Só quero assistir ao filme. —Está sim. Você está até fazendo biquinho. — Eu não faço biquinho. — Ah... Faz sim. Toda vez que fica brava ou nervosa, você faz um biquinho assim... Olha para mim! — faço um bico parecido com o dela. Mas isso só irritou ainda mais minha feiticeira. — Tá bom assumo. Estou sendo irritante. Pode apertar o play — me deu uma vontade de rir da cara dela,


mas me contive. Tenho quase certeza que ela está fora do normal, não tem outra explicação para essa irritação toda. Desde quando nos conhecemos e passamos a nos relacionar, nossos dias tem sido assim. Dormimos juntos todos os dias, às vezes ela traz nosso jantar, outras acabamos pedindo pelo telefone. Ana é uma mulher carinhosa, doce, emotiva e sensível demais. Pensa em uma mulher manteiga derretida... Agora multiplique por mil, esse é o nível de emoção da minha mulher. Cada dia que se passa fico mais encantado pela minha feiticeira morena com cheiro de morango. Depois que descobri a marca do hidratante dela, shampoo e outros negócios que usa nos cabelos, fiz estoque no meu banheiro. Só assim, ela não ficará pedindo para ir embora por que quer hidratar os cabelos. Agora não tem desculpas, tem tudo aqui, só que ela ainda não sabe, chegaram hoje. Anotei tudo e comprei pela Internet. Confesso que me assustei com o valor de um dos produtos, mas ela merece. — Amor? — Oi — responde sem muita vontade. — Esse filme é para adolescentes. Não estou entendendo nada. Só sei que a menina tem câncer e está participando de... — Parei de falar quando a Ana deu um gritinho quando apareceu um tal de... De Augustus Waters? — Franzi o cenho e fitei-a. — Ele é um fofo — ela diz eufórica olhando para o tal do Augustus. — Hum? Ele é um fofo? — Ela me chama de fofo. E agora está chamando esse garoto do filme de fofo? — Não gostei. — Você é meu fofo e ele é um fofo — continuo não gostando. — Olha Gustavo, eles dois são lindos juntos. — Não acredito que estou assistindo esse filme — meu celular toca me tirando a atenção. Olho para a Ana e ela está com cara de mulher apaixonada olhando para a TV. Pego o celular para desligar. Hoje a Rafaela ligou o dia inteiro e enviou uma mensagem dizendo que precisava falar comigo urgente, assunto do meu interesse. Isso me deixou intrigado. Antes de desligá-lo, vejo que recebi algumas mensagens do Arthur. Leio: 20:08h Arthur: Fala aê! 20:10h Arthur: Mano, estou indo para seu apartamento. TENHO BOAS NOTÍCIAS. 20:14h Gustavo: Não, Ana está aqui. Não quero que ela saiba de toda essa merda. Isso tudo pode assustá-la. Sem contar que ela vai acabar sabendo o que tive que fazer para executar toda a ação, incluindo a parte: Rafaela Campelo. 20:15h Arthur: Conseguimos a descrição e toda a movimentação dos últimos dois anos das contas em nome da Rafaela. Nosso dinheiro está intacto na Suíça. 20:17h Gustavo: É melhor não conversamos sobre isso por aqui. Falamo-nos amanhã. 20:18h Arthur: Beleza! Amanhã vou correr na praia, vou sair por volta das 07h, passo aí e tomamos café da manhã juntos. 20:18h Gustavo: Encontro você na praia, vou correr também.


20:19h Arthur: Vou hoje para a boate Sensations. Vamos? 20:19h Gustavo: Você acha que vou largar minha namorada cheirosa e gostosa em casa para ir a uma boate cheia de machos e fêmeas com cheiro de nicotina e álcool? NUNCA! 20:20h Arthur: Mano, tu é sortudo demais! Têm essa Deusa Afrodite todos os dias. Hoje almocei no restaurante dela. Olha... A mulher é bonita. Fica tranquilo, ela não me viu e eu não cumprimentei. ;) 20:20h Gustavo: Sim. Muito sortudo! Tenho só pra mim. 20:20h Arthur: O que vocês estão fazendo? Meu irmão sempre foi bisbilhoteiro e entrão. 20:21h Gustavo: Assistindo o filme, A culpa é das estrelas. 20:21h Arthur: Hahahahaha... Que peninha! Eu não acredito nisso. Mano, você já está pronto para receber algemas. Agora é só marcar a data do casamento. Tu tá muito, muito, mais muito fodido. Não vou responder às provocações do Arthur, ele gosta de me provocar sem motivos, sempre foi assim. Quando desligo o celular de vez e ponho de volta na mesinha, olho para a Ana e ela está... — CHORANDO? — Ela olha para mim com os olhos cheios de lágrimas. — Essa história é muito bonita, sempre fico assim, emocionada. Os pais dela sofrem tanto, quando é ela que está enfrentando um câncer terminal. É muito triste perder um filho. Foge da linha tênue da natureza. É injusto demais você enterrar um filho. Ela parece estar envolvida completamente no filme. Fala com uma tristeza na voz e nos olhos, como se soubesse a dimensão da dor de perder um filho. Deitei no sofá e abri as pernas para que ela se acomode melhor entre elas. Ela continua chorando, com o rosto triste olhando para a TV. Beijo o topo de sua cabeça e falo: — Amor, é só um filme. Não precisa chorar desse jeito — passo meus braços em torno de sua cintura e ela pende a cabeça para fitar-me nos olhos. Pensei até que ela fosse falar alguma coisa comigo, mas apenas sorriu e voltou a encostar a cabeça em meu peito e prestar atenção no filme. — Que lindo! — Ela fala olhando para TV. Depois que me concentrei no filme, entendi um pouco da história. Quando a personagem "Hazel Grace" diz para o amigo, namorado, sei lá, que as pessoas costumam prometer, o que não conseguirão cumprir, foi mais ou menos isso que entendi. A Ana me olhou com tanta ternura que eu fiquei sem reação. Ali, naquele sofá, assistindo àquele filme água com açúcar e inegavelmente para adolescentes, pude ver o quanto estou apaixonado por essa mulher. Meu coração chegou a vibrar, senti uma vontade intensa de abraçá-la e dizer tudo que sentia por ela. Nesse momento a frase realmente fez sentido. Eu prometeria, ou melhor, eu lhe daria o mundo se ela quisesse. Sendo assim, estaria prometendo o que jamais conseguiria cumprir, já que o mundo seria impossível de ser doado. Mas eu poderia lhe dar o meu mundo, o meu tempo, a minha vida se ela quisesse. — Gustavo? — Oi meu amor. — Adoro quando você me chama de amor.


— É? — É. Sinto-me importante na sua vida. — Ana, você é importante na minha vida. — Posso chamar você de amor também? — perguntou baixinho. — Seria muito bom se você me chamasse de amor — sorrio. — Quer dizer, eu ficaria ainda mais louco por você — ela jogou a cabeça para trás, até encostar-se ao meu peito e deu uma gargalhada animada. — Está rindo dos meus sentimentos? — Não. Amor. Amor. Amor da minha vida — disse baixinho, sem olhar diretamente para mim. Beijei-a com ternura e voltamos a prestar atenção no filme. "A dor precisa ser sentida" Ouvir essa frase no filme me fez lembrar a tristeza que consigo ver nos olhos dela. Olho para a Ana que está prestando atenção no filme e com os olhos cheios de lágrimas. Depois do dia que conversamos em seu apartamento sobre o seu passado e meu desabafo, nunca mais toquei nesse assunto, pois prometi a ela que iria esperar o tempo que fosse necessário até se sentir segura e me contar toda a sua história. Isso não atrapalha o nosso relacionamento, mas sinto que isso é o que falta para nos entregarmos de verdade, na verdade, ela se entregar completamente. A dor precisa ser sentida, mas não vivida. Ninguém merece viver à mercê de uma dor, seria injusto demais. Acabei assistindo todo o filme e assumo que fiquei comovido com o final. Sou um bobo emotivo agora. Só me faltava essa para fechar com chave de ouro a minha lista de "fofurisses". Argh! Olho para minha feiticeira e vejo que adormeceu. Levanto com cuidado para não acordá-la e a pego no colo. Desligo a TV e as luzes e sigo para minha suíte. Estou cansado e tive um dia bastante corrido. O sono chegou rápido e acabei me entregando. Acordei pela madrugada com a Ana se mexendo repetidamente, está inquieta e não para de balançar a perna. Ela afasta meu braço da sua cintura e deita de bruços. Escuto um ela soltar um gemido baixo quando muda de posição. — O que você tem meu amor? Está sentindo alguma coisa? — Estou nervosa, estressada, mal humorada. EU ESTOU COM CÓLICA! — tah fiquei com medo. — Está doendo muito? — Muito, mais muito mesmo. — Vou ver se eu tenho remédio para cólicas ou dor. Espere aí e procure ficar calma. — Eu trouxe e já tomei, mas não passa de jeito nenhum — sua voz sai trêmula, acredito que seja por causa da dor. — Hum... Coitadinha do meu bebezinho — sorrio da voz que fiz para falar. — Eu vou cuidar de você. Vou fazer essa dor sumir. — É sério, Gustavo. Está doendo muito. — Você tem alergia a algum medicamento? — Não que eu me lembre. — Okay, Okay, Okay. — Prestou atenção no filme mesmo, hein? — É neh? Não tive outra opção. Minha namorada dormiu e me deixou sozinho assistindo o filme que ela escolheu — ela se contorceu de dor e gemeu. Fiquei com uma pena. Essa porra deve doer muito. — Fica calminha aí — levanto da cama e saio do quarto. Vou até o banheiro lavo minhas mãos. Pego minha caixa de medicamentos e levo para o quarto. Acendo a luz e sento-me na cama. Ela abre os olhos e me olha assustada. — Vou aplicar um analgésico para aliviar a dor — enquanto falo, abro a embalagem onde está a seringa e coloco o remédio. Pego algodão e molho no álcool 70%.


Faço tudo concentrado e não olho para a Ana que ainda continua deitada. — Ana? Você vai ficar deitada? — Ela continua assustada e sem falar nada. — Vem, levanta para eu poder aplicar essa injeção em você. — Ah... Não Gustavo. Já está passando. — Meu amor, não vai me dizer que você está com medo? — Seu olhar entrega seu desespero ao ver a seringa. Aproximo e ela se afasta desesperadamente. — Prometo que não vou deixar doer. Agora vem aqui, para eu poder acabar com esse seu sofrimento. Ela me olha com os olhos cheios de lágrimas e o nariz vermelho. Funga o nariz e fala: — Jura que não vai doer? — Mas é claro, meu amor. Agora vem aqui, vem — sentou na cama, olhou ao redor do quarto meio perdida e com medo, desceu devagar. Parou de frente para mim e desceu o shortinho do pijama, deixando a bunda exposta. Não resisti e beijei sua bunda redonda e carnuda. Ela se arrepiou toda, mas em seguida gemeu de dor. — Aiiiii está doendo — que pena da minha feiticeira. Passo o algodão onde irei aplicar a injeção e pego a seringa. Ela olha para trás na mesma hora que pego a seringa. — Ai é muito grande — ela começa a tremer e a reclamar. — Ah não Gustavo! — Ah... Sim, Ana! Não vai doer, eu prometo. Vira a cabeça pra lá e fecha os olhos. — Assim que ela virou apliquei a injeção. Quando terminei soltou um gemido que pareceu mais um miado. — Aiiiiii... Doeu! Senti meu glúteo tremer. — Não resisti e soltei uma gargalhada bem alta. Coloquei as coisas em cima da mesinha ao lado e desliguei a luz. Sentei de volta na cama e a puxei para meu colo. Beijei seu rosto inteiro e cheirei seus cabelos. Coloquei umas mexas atrás de sua orelha e beijei o seu pescoço. Ela deitou a cabeça em meu ombro e cheirou meu pescoço distribuindo beijos molhados que fizeram meu amigãozão acordar literalmente. — Seu cheiro me acalma. Seus beijos me acalmam. Tudo em você me acalma — sussurrou em meu ouvido. Eu sorrio todo abobalhado ao ouvi-la dizer tudo isso para mim. — Imagine o poder que você tem sobre mim. Você... Você dominou a minha vida completamente, não consigo mais dormir sem te ter ao meu lado. Virei um dependente que não consegue dar dois passos sozinhos. Isso tudo me assusta. Mas quer saber? Até o que eu sinto, eu gosto de sentir. Estranho neh? — A Ana continua no meu colo e com a cabeça deitada no meu ombro, o coração dela está tão descompensado que consigo senti-lo bater. — Eu gosto de você — ela fala ainda em sussurro. — Gosta? — pergunto fingindo estar chateado. — Gosto muito, muito, muito e muito — fala ainda baixinho. — Isso é pouco, perto do que eu sinto. Eu amo estar com você, eu amo acordar com você ao meu lado, eu amo a sua comida, eu amo o seu cheiro de morango, eu amo os seus cabelos revoltados, amo as suas carícias as suas manhas, eu... Eu... Estou apaixonado Ana, isso... Eu estou apaixonado por você — sua respiração ficou ofegante, ela gemeu baixinho e fitou-me nos olhos. Mesmo no escuro consegui ver os seus olhos reluzentes e arregalados. — Gustavo. — Seus olhos estão lacrimejando, ela vai chorar de novo. — Ei, eu não quero ver você chorando. Não agora. Acabei de falar pela primeira vez em quase trinta e três anos, que estou completamente apaixonado, fissurado, viciado. E você chora? Ficou assustada? — Não. Estou emocionada. — Suas palavras saem quase incompreensíveis. — Desculpe, mas hoje estou emotiva demais. Além de estar com cólicas, estou triste. Eu sabia que tinha alguma coisa diferente com ela. Desde ontem, estava irritada e sem paciência


comigo sem eu ter feito nada para merecer. É, sou um sobrevivente. Essa mulher poderia até ter me assassinado por causa das minhas provocações. Foi por pouco. Ufa! Uma vez li um artigo científico onde dizia que algumas mulheres durante este período têm atitudes homicidas. Deus me livre contrariá-la. — Você está com Tensão Pré-menstrual. A famosa TPM. E pela primeira vez, saí da teoria direto para a prática. Prometo que amanhã irei comprar 1kilo de chocolate para acalmar seus ânimos. — Obrigada meu A.M.O.R., por ser paciente e compreensivo. — Ouvi-la me chamando de amor, foi reconfortante. Mesmo que não tenha correspondido a minha declaração de um homem apaixonado, fiquei feliz. — Por você. Só por você, estou sendo assim. — Sabe... Às vezes me pergunto, se você é ou foi carinhoso com todas as mulheres que já ficou. Quero acreditar que sou a única a ter recebido todo esse carinho. Estou sendo egoísta? — A única coisa que posso dizer é que: "Depois de você, os outros são os outros e só" Cantei o refrão da música "Os outros — do cantor Leoni” em seu ouvido. Seus olhos brilharam e ela sorriu. — Entendeu? — aquiesceu concordando. Deitamos na cama e ela fechou os olhos e ficou alisando a barriga, acho que tentando aliviar o desconforto da cólica. Virei para ela e segurei a sua mão afastando-a, encostei minha mão em seu ventre e comecei pressionar com cuidado fazendo massagem para tentar aliviar a dor que está sentindo. Não lembro exatamente quanto tempo durou, mas ela acabou relaxando e adormecendo em meus braços.


Bônus - Lorenzo Berluscon Ódio seria a palavra certa para dar nome ao que eu senti pela Ana Beatriz. Senti muito ódio, tristeza, mágoa, rancor. Mas o tempo passa, ah... E como passa. O tempo passou e me esbofeteou, trouxe-me de volta à realidade, mas a minha realidade estava mais para pesadelo. Minha esposa e meu filho de quatro anos sofreram um trágico acidente que exilou da minha vida o meu pequeno Rafael de apenas quatro anos, há exatos quatro anos, nove meses e vinte e dois dias. Triste? Não... Trágico. Não consegui raciocinar, inegavelmente fui um egoísta. Deixei o transtorno e a raiva se apoderarem da minha razão. Fui um covarde em não reconhecer que a vida foi injusta e não a mulher que me fez um homem feliz um dia foi injusta. Demorei muito para assumir que estive errado e fui um covarde, só me dei conta do que realmente fiz, quando a minha esposa assinou o divórcio e sumiu para sempre da minha vida. Ainda consigo escutá-la suplicando o meu amor, suplicando uma superação juntos, mas eu nesse momento era uma ilha, um egoísta. Eu a afastei, então eu, irei trazê-la de volta. Seja se passaram mais de três anos desde que ela deixou a França e voltou para o Brasil. Quando ela partiu fiquei em estado de inércia, demorei a acreditar que tudo o que tínhamos foi destruído por um raio fodido, chamado de destino. Três anos a procura incansável cheguei a achar que ela havia sumido desse planeta, pois não a encontrava em lugar nenhum. A casa onde ela foi criada foi demolida e no local construído um grande Shopping Center. O bistrô de sua mãe não existia mais e ninguém da região ouviu falar nelas duas. A única pessoa mais próxima a ela que cheguei a conhecer foi uma amiga com cara de ninfomaníaca, Fernanda Morais, filha de um empresário renomado do ramo de lojas de conveniência. Foi através dessa informação, que depois de três anos encontrei a Ana Beatriz. Contratei um novo investigador particular no Rio de Janeiro e lhe passei todas as informações que eu tinha e foi em menos de 48h que recebi seu retorno. Quando dei por mim, estava em frente a um luxuoso restaurante estilo parisiense, em um bairro nobre chamado Barra da Tijuca e de frente ao mar. Fiquei horas dentro de um táxi olhando em direção a entrada, esperando ela aparecer. E quando meu coração distraiu a imagem de uma mulher exuberante em uma calça branca e uma blusa azul, invadiu meu campo de visão. Era ela... Mais linda do que nunca. Seus cabelos presos em uma trança típica dela, o seu caminhar exaltando o quadril curvilíneo perfeito. Que saudade dessa mulher! Não consegui chamá-la, não tive coragem. Bateu-me uma insegurança, minha consciência perguntou se eu lembrava a forma que a exilei da minha vida. Sim, lembro-me nitidamente, mas nesse momento não consigo pensar em nada. A única certeza que eu tenho é a que eu quero a minha mulher de volta. Saí dali e fui direto para o hotel onde fiquei hospedado para tentar me recompor, infelizmente isso não aconteceu. Decidi ir até o restaurante para tentar vê-la novamente, mas não a encontrei. Nenhum de seus funcionários falava meu idioma e o meu português é pobre, foi difícil conseguir dialogar com eles, mas consegui entender quando uma senhorita extravagante disse que a Ana Beatriz costuma ficar durante o dia no restaurante. Tudo ali lembrava ela, todos os detalhes até mesmo o menu. Pedi que preparassem uma feijoada para mim, apesar de saboroso o prato não tinha o mesmo toque que ela dava ao prepará-lo para mim em nossos finais de semanas. Não poderia mais ficar nem mais um dia no Brasil, então retornei à França para exigir meu ano sabático. Aqui estou, segurando um papel que autoriza meu desligamento temporário, só falta o chefe de departamento assinar. “Departamento de Pesquisas – França”. Leio antes de bater à porta do Dr. Michael François. Escuto sua voz dura autorizando a minha entrada.


— Sim? — ele usa sua postura dura e fria de sempre. — Bom dia Dr. François. Gostaria de conversar com o senhor. — Sente-se Dr. Lorenzo — ele indica a cadeira que está em frente à sua mesa imponente de madeira maciça. Que certamente daqui a alguns anos será minha. O sistema hierárquico aqui na França funciona. — Comece a falar porque já estou atrasado para a convenção de novos aprendizes a cientistas, na qual você irá palestrar — aquiesço concordando. — Preciso do meu ano sabático — François fitou-me confuso, então tratei de lembrá-lo sobre posições e leis. — Não estou lhe pedindo, estou de partida amanhã. Só falta o senhor autorizar e assinando aqui — entrego-lhe o papel, onde autoriza meu desligamento do centro de pesquisas por um ano. Ele pega o papel e lê com desgosto, pois na ausência dele eu sou o responsável pelo instituto. Logo, ele estará vulnerável sem seu braço direito. — Irá atrás da sua ex-mulher de novo e em menos de um mês? — Irei, mas dessa vez com um prazo de um ano para retornar a França — respondo ríspido e frio. — Espero que não se decepcione, pois ninguém sofre tanto tempo ou espera por longos anos por um amor destruído. Pense nisso Lorenzo. Você pode... Você certamente se decepcionará com o que poderá encontrar — Ele assina a autorização e continua falando... — Você já pensou na possibilidade da sua ex-mulher, estar com uma nova família formada? — Sim. E se ela estiver nessa condição, não hesitarei em tirá-la para mim e trazê-la de volta. Farei o impossível para que venha comigo. E pode ter certeza, ela virá — olhou-me perplexo ao escutar minhas palavras e me devolveu o papel. — Boa Sorte! — Apesar de não concordar ele entende meu desespero. Ele acompanhou minha meus atos destrutivos desde o início. Retiro-me da sala e sigo para o auditório onde será realizada a convenção. Não consigo prosseguir com a palestra, então deixo o evento e sigo com meu carro e minha mala direto para o aeroporto. ** Chego a um imponente apart hotel de frente ao mar na Barra da Tijuca. Sigo calmamente até a recepção, onde encontro uma senhorita negra recepcionando e auxiliando os hóspedes. Aproximo-me do balcão de granito e falo em português, para facilitar o diálogo. — Boa noite senhor! — Boa noite. Sou Lorenzo Berluscon. Reservei um apartamento em meu nome — ela fixa seus olhos na tela de um computador a sua frente. — Apartamento 504, coluna 3 — me entrega o cartão de acesso ao apart. — Obrigado! — agradeço em português. Chego ao luxuoso e pequeno apartamento e organizo todas as minhas coisas Irei ficar aqui o tempo que for necessário até a Ana Beatriz voltar comigo para nossa casa. Enquanto tomo um banho demorado, pois aqui a temperatura está elevada, já que a primavera está chegando. Repasso tudo o que tenho em mente, tudo detalhadamente. Eu preciso encontrar a Ana, hoje, de preferência agora. Olho para meu celular e vejo que são 8h da manhã. Coloco uma roupa fresca, está muito quente, não sei como esse povo aguenta. Peço um táxi na recepção e sento-me em um enorme sofá de couro preto. Aguardo e enquanto não chega, navego na Internet. Respondo aos meus e-mails e mensagens. Entro no táxi e tento o máximo possível ser claro e entendido com o meu português chulo. O


motorista entende e segue para o restaurante. Fico dentro do carro, aguardando a Ana Beatriz, já são 10h da manhã, mas não vejo nem sinal dela. Resolvo dispensar o motorista, e saio do carro ficando em frente ao restaurante. Observo os funcionários chegando aos poucos e entrando pela lateral do restaurante. Vejo um BMW branco estacionando ao meu lado, um homem branco e loiro sai de dentro do carro e nossos olhos se cruzam por um instante. Estranho... Ele me olhou... Assustado? É, foi como se me conhecesse. Achei até que ele fosse falar alguma coisa, mas ele atravessou a rua e entrou no restaurante. Homem estranho. Será que ela não vem hoje? Vou esperar mais um tempo, se ela não aparecer vou ao seu apartamento. Depois que o investigador descobriu o endereço do restaurante, o do seu apartamento foi só uma questão de tempo. Quando me distraio olhando o mar, um Land Rover preto para em cima da calçada ao lado da porta de entrada do restaurante. Presto atenção, na esperança de ser a Ana Beatriz, mas um homem bem alto sai do carro e dá a volta para abrir a porta do carona, ele estica a mão e uma mão delicada segura a sua. Foi... Foi... Como se eu estivesse assistindo em câmera lenta toda a cena. Ana! Ele a abraçou e beijou a sua boca por um longo tempo. E eu juro que consegui ler os lábios dela dizendo: bom dia, meu amor. Soltei todo o ar que nem sabia que estava prendendo. Foquei dez vezes mais na cena e vi quando aquele homem, segurando a cintura da minha mulher, disse: hoje venho buscar você aqui. E... Ela concordou e encheu o rosto daquele bastardo fodido de beijos. Senti uma fúria se apossar da minha corrente sanguínea e a minha bile chegou ao meu esôfago queimando toda a minha mucosa. Minhas narinas dilataram, fechei minhas mãos e punhos, pronto para cometer uma loucura. Grunhi ruidosamente, expirei tudo dos meus pulmões e me recompus. Senti-me em uma guerra fria. Tenho um oponente, um obstáculo, uma pedra no meu caminho. O que eu faço com pedras? Explodo, destruo, quebro e depois recolho os entulhos.


Capítulo 18 -Ana Beatriz — Gustavo você saiu para correr e não me avisou? Acordei e não te achei em lugar nenhum. — Você estava dormindo. Mas antes de sair beijei você todinha. — Ah, está bom! Você poderia ter me avisado que estava indo correr. Fiquei sem saber o que fazer aqui sozinha. — Odeio isso, ficar na casa dos outros sozinha. É estranho! — Você chegou só de sunga de praia. Correu assim? — Não sou ciumenta, mas o homem é o pecado de sunga. Imaginem o frenesi que ele causou? Hum... Não gostei. — Eu e Arthur corremos e depois caímos no mar. Sempre fazemos isso. Ficou com ciúmes? — perguntou divertido. — Não... Quer dizer, imagino o frenesi que vocês dois causaram na orla. A essa hora da manhã com um sol lindo lá fora, uma manada de mulheres praticando exercícios na praia. Aí você sai para correr só de sunga de praia. Difícil, neh?! — Ciumenta! Sabe que eu adoro esse seu jeitinho de falar? Nunca daria abertura para outra mulher. Escutou? Nunca! Agora relaxa. — Tudo bem. Da próxima vez use pelo menos uma camisa — ele solta uma gargalhada gostosa e rouca. — Amor? — Até escovando os dentes ele consegue ficar bonito. — Oi. — Quero apresentá-la aos meus pais. — Boom! Foi dessa forma que recebi a frase. Não que eu não queira, mas não sei se estou pronta para dar esse passo. Olhei para ele que estava com a boca cheia de espuma e mesmo assim, sorriu quando o encarei. Ele é tão perfeito. — Não gostou da ideia? — Ah... Sim! Quer dizer, não sei. E se sua mãe não gostar de mim? — O que? Minha mãe vai amar você. Tenho certeza que vocês duas ficarão amigas. — É? Então, eu aceito conhecê-los — meus olhos brilharam ao escutar-me. A cada dia estamos amadurecendo nosso relacionamento. Desde a nossa primeira noite não nos separamos mais. Ele não consegue dormir sem estar ao meu lado, E eu, não durmo sem seus carinhos. Ele não me pediu em namoro, as coisas foram acontecendo e ganhando força e vida. Eu acho que já somos namorados. — Pode ser amanhã? — Mais já?! Minha mãe sempre fala que meus olhos são desproporcionais para meu rosto, tenho absoluta certeza que agora eles estão absurdamente desproporcionais para o meu crânio inteiro. — Si... Sim! — disse meio insegura. — Ligarei para avisá-los. Dona Estella Ferrari vai ficar animada com o jantar. Ela adora cozinhar e receber visitas — ele seca o rosto com a toalha e me abraça por trás. Nossos olhos se encontraram através do espelho do banheiro e acabei borrando a maquiagem quando me perdi em seus oceanos hipnóticos. — Amor... Aí, borrou meu delineador — sorrio. — Sabia que você não precisa usar esse "treco" preto nos olhos? — Pode até ser que eu não precise usar isso, mas adoro uma maquiagem nova. Então, hoje irei usar esse "treco" que se chama delineador. — Olhe isso Morena, já ia esquecendo-me de mostrar a você! — Ele abre uma das gavetas do balcão branco laqueado. — Tudo seu. — Não acredito no que estou vendo. — Gustavo! Quando você comprou tudo isso?


— Já tem uns dias, mas demoraram muito para entregarem pelos Correios. Comprei tudo pela Internet — ele continua com seu sorriso marcando o rosto. Gustavo tem vários tipos de sorriso. O que eu mais amo é esse que mostra todas as suas linhas de expressão. Fica lindo! Aiiiii... — Aqui tem tudo que eu costumo usar, shampoo, condicionador, hidratante. Nossa... Não acredito! Você comprou a máscara capilar que eu uso? — Olhei para ele, que balança a cabeça confirmando. — Gustavo, não precisa gastar seu dinheiro com minhas futilidades. Mas, mesmo não concordando com isso, obrigada meu amor — beijei seus lábios carinhosamente, mas o meu Dr. está no modo mau. Ele me empurra até eu encostar minha cintura no balcão, segura minha perna direita e esfrega seu pênis semi-ereto na minha vulva protegida por dois tipos de absorventes. Broxante, mas vou fazer o que? Retribuo o beijo e me esquivo. — O que foi? Vem aqui! — segurou minha cintura com mais intensidade, agora moendo seu pênis totalmente ereto. — Não vai dar! — Que vergonha. — Estou naqueles dias. —Que dias? — Cólicas, mau humor, estressada... Lembra? — Ah! Você ficou menstruada. E o que tem isso? — Como assim?— Perguntei curiosa. — Eu quero você assim mesmo. Não me importo com isso. — O quê? Gustavo, sem condições de transar nesse estado. Isso dura apenas dois dias, depois de amanhã estarei limpa. — Ana... Olha isso aqui — ele tira seu pau de dentro da cueca boxer branca e balança o extravagante e soberano na minha direção. — Gustavo estou inchada e dolorida. Entende? — Tá bom! Amanhã eu tiro o atraso. — Safado! — Seu safado! — ele fala com sua voz sexy e rouca. — Mudando de assunto, a minha mãe conseguiu ver o sexo do bebê. Adivinha? É um menino. Estou tão ansiosa para segurar esse bebê. — Parabéns! Agora você saberá a força de um irmão caçula. Será que terá paciência para aguentar as birras? — ele sorriu e abriu ainda mais seus olhos azuis. — É claro! O meu filh... — Não é o momento certo para contar a minha história. — Eu adoro crianças! — Ele está com o velho cenho franzido e confuso. — Tá bom... Termina logo de se arrumar — ele beija minha testa e sai do banheiro. Termino a minha make e sigo para o quarto para poder terminar de me arrumar. Estamos iniciando a primavera, esta época do ano é muito quente, então hoje irei com uma roupa fresquinha. Vamos lá, separei uma saia longa, de tecido suave azul escuro e uma blusa de alça fina branca de seda. Escolhi os acessórios e as sandálias. Aprontei-me com calma. Quando estou olhando para a minha imagem na parede espelhada do quarto do Gustavo, ele entra e fala: — Você está linda! Isso é um truque para eu ficar mais ainda apaixonado? — Me abraçou por trás e beijou meus cabelos. — Querido, são seus olhos. — São meus olhos? — Sim.


— Você é linda! E não são meus olhos. Toda vez que estamos em público, percebo os olhares que você recebe. A sua beleza é exótica, foge dos padrões de beleza impostos pela sociedade. Seus cabelos são naturais, tudo em você é natural e suave. — Obrigada! Apesar de achar tudo isso um exagero. Exagerado! — Até parece que você não recebe os olhares de cobiça. Olha só para você — aponto para o espelho. Ele dá um sorrisinho torto que o deixou com uma expressão de safado. — Imagino as cantadas que você recebe de suas pacientes, colegas de trabalho, na academia. Você é um gato Gustavo! Tudo em você é lindo — levantou uma das sobrancelhas negras e disse: — Estou começando a achar que a senhorita é uma ciumenta possessiva. — Não... Não sou. Só estou falando o quanto você chama a atenção da mulherada. — Amor, a única mulher que eu quero roubar os olhares e a atenção, está ao meu lado. Você, só você. Acredita em mim, falo a verdade. — Acredito e confio em você — não sou ciumenta, só que o homem é muito bonito, a pressão psicológica é forte. Eu sei muito bem o que é ter um homem bonito. É foda isso, cara! — Vamos? — Vamos. Chegamos à garagem, ele abriu a porta do carona e me ajudou a entrar. Sentou ao meu lado e deu partida. — Posso ligar o iPod? — Todo seu. Nem precisava pedir permissão. Selecionei a pasta de MPB, aprendi a gostar desse estilo de música depois que passamos a conviver juntos. Ele é bem eclético, curti de Caetano Veloso até Imagine Dragons. Coloco para rolar aleatoriamente as músicas e a melodia invade o carro. “Vander Lee - Esperando Aviões — Ótima escolha, essa música é linda. Lembra-me você. — Sua voz sai rouca e baixa. — Presta atenção na letra — ele canta baixinho, com sua voz rouca. "Meus olhos te viram triste Olhando pro infinito Tentando ouvir o som do próprio grito E o louco que ainda me resta Só quis te levar pra festa Você me amou de um jeito tão aflito Que eu queria poder te dizer sem palavras Eu queria poder te cantar sem canções Eu queria viver morrendo em sua teia Seu sangue correndo em minha veia Seu cheiro morando em meus pulmões Cada dia que passo sem sua presença Sou um presidiário cumprindo sentença Sou um velho diário perdido na areia Esperando que você me leia Sou pista vazia esperando aviões Sou o lamento no canto da sereia Esperando o naufrágio das embarcações".


Ele ficou concentrado no trânsito e em nenhum momento olhou para mim. E, eu fiquei... Impressionada com a letra dessa música. É uma canção que fala de um amor desesperado por alguém perdido. Sim, fiquei tocada demais. Senti as lágrimas chegando, mas tratei de abafá-las, piscando os olhos repetidamente. Esse homem chegou à minha vida sem pedir licença, sem pedir permissão. Ele foi direto ao ponto, direto no meu peito. Hoje, não saberia o que fazer se isso tudo terminasse. Eu sofreria o inferno por ele. Quando a música terminou e automaticamente iniciou outra, ele me olhou com carinho e sorriu. É melhor eu admitir logo de uma vez... Estou amando esse homem. Sim, eu estou amando o Gustavo. Repeti essa frase várias vezes em minha mente. — Ana Beatriz? Você está distraída demais. Pensativa? — Estou pensando... — Pensando em alguma coisa que te chateia? — Não, por quê? — sorrio para ele. — Você está concentrada no botão do ar condicionado, como se ele fosse um talismã e ao mesmo tempo está fazendo o biquinho que você só faz quando está irritada ou preocupada. — Incrível como você consegue me decifrar. — Te observo sempre que posso. Conheço a maiorias das suas expressões. Incrível, não?! — olhei para ele que agora estava concentrado no trânsito. Não pensei muito, só precisava dizer a ele tudo que estou sentindo. — Estou apaixonada. Apaixonada por você Gustavo. — Sério, foi difícil admitir e ainda por cima falar, mas consegui desfazer essa barreira e falei. Ele não olhou para mim, mas um sorrisinho torto o entregava. Hoje à noite contarei toda a minha história, falarei tudo, principalmente sobre meu Anjinho. Quero dividir toda a minha vida com ele. — Eu tinha um filho — consegui atrair a atenção dele. — O quê? — Eu tinha um filho. — Tinha? — É, tinha — ele parou o carro no acostamento e ligou o pisca alerta. — Como assim... Tinha? Cadê o seu filho? Está com o pai? — Calma! Vou te explicar tudo — é sempre assim, quando falo sobre o que aconteceu com o Rafael, não consigo controlar essa angústia que me corrói há anos. — Estou calmo. Só que... Ainda não assimilei. Cadê o seu filho? Ele não vive com você. Então onde ele está? — Eu tinha, não tenho mais. Quer dizer, ele será para sempre meu filho. — Você perdeu a guarda dele? — Não. — Eu o perdi. Ele está morto — entrei em crise, minhas lágrimas saem e me causam dor, uma dor que não cessa, uma dor terrível. Ele se aproxima com cuidado, solta o cinto de segurança e me puxa para o seu peito. Abraça-me com força, beija minha cabeça com devoção e respeito. — Eu não sei como te confortar com palavras, aceite esse conforto — ficamos abraçados até minhas lágrimas cessarem. Ele não fez mais perguntas, o silêncio era crucial, conseguia senti-lo. Seguimos em silêncio, sem nos olharmos e nos tocarmos. Olhei pela janela, e o meu amigo confidente estava lá, o mar. O mesmo de sempre, azul e transparente. Da cor dos olhos do homem que me tomou de todas as formas e me fez assim... Apaixonada. — Ana? — fitei-o sem saber o que viria. Se dele sairiam novas perguntas. Caiu à ficha, agora ele


precisaria saber de tudo. Tudo incluindo o acidente, a perda, Lorenzo, depressão. Soltei todo o ar que prendia em meu peito. — Oi. — Estou com você, não precisa ter medo — limpei uma lágrima solitária e respondi. — Promete que nunca irá me deixar? — Nunca! — Hoje meu dia será tranquilo. Posso vir buscar você aqui mais cedo? Aí terminamos de conversar com calma. — Não havia notado que já estávamos estacionando na porta do restaurante. — Aqui? — É. — Ah tá bom! — Eu ligo avisando quando eu sair da clínica. Ok? — Okay — sorrimos. — Minha feiticeira. — acariciou meu rosto com as costas da mão. — Melhorou da cólica? — Melhorei, meu médico particular é maravilhoso. — Hum sei... Mas se voltar a doer, venho até aqui e aplicarei outra injeção — deu o seu melhor sorriso e saiu do carro. Contornou e abriu a porta ao meu lado e me ofereceu sua mão. Assim que segurei, fui puxada para uma parede de músculos bem definidos do meu... Do meu amor. Ele segura firme minha cintura e toma meus lábios com volúpia, nos beijamos apaixonados, entregues a essa paixão avassaladora e inexplicável. — Bom dia meu Amor — minha voz sai baixa e melodiosa, digo olhando em seus olhos. — Venho buscar você aqui — confirmei aquiescendo e sorrindo. Ele fez uma careta tão bonitinha que acabei distribuindo beijinhos em todo o seu rosto. — Preciso ir, mas tarde estarei aqui — ele diz baixinho cheirando meu pescoço. — Tchau! — Senti seu celular vibrar no bolso da camisa, ele se afastou um pouco para visualizar a tela do seu iPhone. Sua expressão mudou, dando lugar a cara de mau, mas dessa vez estava misturada com preocupação. O que deve ser? — Foda! — Ele esbravejou olhando para o display do celular. — Vai lá amor, preciso ir — aconteceu alguma coisa, ele mudou completamente. Mesmo depois de revelar parte do meu passado para o Gustavo, sinto-me leve. Não irei ficar depressiva e nem ansiosa, tentarei ser firme e persuasiva. Hoje irei conversar e explicar tudo o que aconteceu na minha vida. Ele irá me compreender! Vou levá-lo para o meu apartamento para mostrar que retirei o papel de parede, como eu havia prometido. Tudo que me faz entristecer excluirei da minha vida. Mantive algumas fotos do meu anjo no home da sala. Ele merece ser lembrado, nunca será excluído da minha vida. Bom... Chega de pensar nisso. — Bia! — Olá Carlos! — Bom dia querida. — Bom dia — ele está bem animado. — Temos 64 reservas para hoje à noite. Acredita nisso? — Nossa! Sério? — São esses detalhes que eu tento me apegar para voltar a ser feliz. Isso significa que estamos trabalhando corretamente. — Sim. Estou muito feliz por você e o Alex. Vocês desenvolveram tudo sozinhos, essa padronização dos pratos, as criações de vocês. O Leparrie é um sucesso! — Hoje ele está feliz! Que bom! — Nós somos uma equipe. Para chegarmos onde estamos, trabalhamos em conjunto em um ciclo


vicioso. Cada um com suas funções. Você, as meninas, os cozinheiros e seus ajudantes, todos são responsáveis pelo sucesso. — Estou emocionado. Obrigada pela confiança que você deposita em mim — nos abraçamos. — Seu bobinho! — E o Alex? — Está na cozinha experimental. Hoje ele está inspirado. — Vou pôr as botas e a roupa para ir à cozinha. Se eu for com esse salto, posso até sofrer ou causar um acidente. — Tá bom! Tenha um ótimo dia Bia. Assim que troquei os sapatos, vesti o jaleco de chefe, chapéu e retirei todos os acessórios, segui para a ala onde ficam as cozinhas. — Olá... Bom dia meninos! — Todos me cumprimentaram com carinho e respeito. — Hoje vocês terão muito trabalho. Nada de Facebook, música. Prestem atenção no que estão fazendo. — Seria uma ordem, mas eles sorriam alegremente para mim. Eu sei que eles me chamam de bruxa boa. Não me importo, apesar de ser exigente e querer sempre o melhor sei que gostam de mim. Assim, que adentro a cozinha experimental, vejo Alex concentrado. Ele esteve por duas semanas em um congresso de gastronomia na Grécia, muito importante para finalizar sua tese do mestrado. — Bom dia, Alex! — Ele estava fatiando compenetrado alguns cogumelos silvestres. Assim que me aproximei, virou-se ficando de frente para mim e segurou minha cintura e falou: — Temos 64 mesas reservadas — disse animado. — Sim! Vamos pôr a mão na massa? — Vamos! — Deu seu sorriso lindo. — Senti sua falta! — Depois que voltou, parece estar mais compreensível e alegre. Acho até que ele se conformou com o fim de nossa história, fico muito feliz em poder tê-lo como amigo novamente. — Eu também! Fico muito feliz em saber que você sentiu minha ausência. Eu cheguei há dois dias, mas nossos horários não batem. Por isso, não nos vimos — beijou-me no rosto e se afastou para retirar uma enorme frigideira do fogo. — Esse restaurante não é o mesmo sem você, Alex. — Eu sei que vocês aqui não funcionam sem mim — sorriu. — Ana? — O que? — Você está diferente. Seus olhos estão diferentes. Você está feliz, e isso me faz feliz em saber que está refazendo a sua vida, mesmo que esse recomeço não esteja sendo ao meu lado. — Eu estou vivendo uma nova fase. Isso está me fazendo muito bem. — Você e aquele playboyzinho ainda estão saindo? — Não estamos "saindo", Estamos namorando. — É... Ele conseguiu o que eu tentei por anos. Tiro o meu chapéu para ele — ele retirou o chapéu e segurou-o se curvando em reverência. — Ana quero que você seja feliz. Escutá-lo dizer tudo isso me deixa aliviada e ao mesmo tempo satisfeita. Sempre fomos grandes amigos e isso é importante para mim. — Você se supera. Sempre foi forte e determinado. Nunca deixou ser derrotado, principalmente por uma vadia sem coração — mesmo sabendo que a vadia sou eu, sorrimos e ele me abraçou. — Ana aos poucos estou me conformando com tudo isso. Aprendi que cedo ou tarde, essa ferida no meu coração irá cicatrizar e a dor cessará. É só dar tempo ao tempo. — Alex, me perdoe por ser a causadora dessa ferida. Não foi a minha intenção. — Perdoo. Você não tem culpa — seus olhos entristeceram.


— Mas não pense que estou fora do mercado por que uma morena me fisgou de jeito. Tenho novidades! Conheci uma pessoa — ele praticamente sussurrou. — Que legal! É sério? Quero dizer, é um relacionamento? — Ainda não, mas pretendo levar adiante. — Então, se te faz feliz, siga adiante — nos abraçamos por um longo tempo. Mas acabei me afastando para ele não confundir as coisas. — O que é essa gororoba aí? — apontei para a frigideira. — Gororoba do Alex! — Bia... Experimenta esse molho de iguarias silvestres — pegou um pouco com uma colher de sopa e trouxe até a minha boca. Assoprei primeiro para depois engolir. — Espetacular! Realmente uma delícia. — Modifiquei o molho que acompanha o camarão grelhado por esse. — Que delícia. — Sabia que você iria gostar. — Ah! Em falar em modificações, sua feijoada ontem à noite, foi o prato mais pedido. — Sério? — É. — Só boas notícias — sorrimos. Então, mãos na massa! Assim, meu dia iniciou. Foi bastante corrido, quando chegou o horário do almoço, ficamos loucos naquela cozinha trepidante exalando variados aromas diferentes. Alex ficou só nas sobremesas e eu me dediquei aos pescados. Quando foi mais ou menos 15h o fluxo de clientes diminuiu. Então, deixei a cozinha nas mãos dos cozinheiros e seus ajudantes. Segui para o escritório, livrei-me de toda a roupa e vesti as minhas roupas frescas. Deixei o ar condicionado em clima de montanha, bem gelado. Quando começo a ler os meus e-mails, escuto batidinhas discretas na porta. — Oi! Pode entrar. — Sua vaca! Abandonou-me mesmo. Trocou a amiga por duas bolas e um pau — e que pau! — Oi Fê! — Ela está estonteante, em uma bermuda jeans marmorizada de cós alto, uma blusa croped solta na cor preta escrito na frente "delicius". Para completar o look seus sapatos são de um vermelho brilhante e ganham toda a atenção dos meus olhos. — Oi nada. Levanta esse traseiro e vem abraçar sua amiga — nos abraçamos e ela não parava de reclamar. — Você está linda! Como foi a viagem até a Espanha? — Acreditem! Ela foi até a Espanha para conhecer todas as casas de swing que existe por lá. Ela fez uma espécie de laboratório. Realmente, levou a sério o que eu te disse. Ela está abrindo um clube de swing no Recreio dos Bandeirantes. É... Eu sei, ela é doida, mas é minha amiga. — Sente-se e me conte tudo. — Amiga... O povo de lá, gosta muito de sexo — imagino. Ela contou todos os detalhes e suas pérolas ao vivenciar de perto esse mundo do qual de certa forma ela já faz parte. Só que dessa vez, realmente me impressionou a capacidade dela ir além do normal. — Meu Deus! Não acredito. Você não fez isso. Não creio. É mentira. — Pasmem ela é guerreira. — Bia... Eu fiz e gostei. Gostei muito. — Quatro? Ao mesmo tempo? — Ainda estou aturdida com tantas informações ao mesmo tempo. Eu gosto muito de sexo, já até conversei sobre isso com o meu psiquiatra, mas ele apenas me mandou curtir e relaxar. Mas, a Fê é quase uma ninfomaníaca, quanto mais ela faz, mais ela quer.


— Sim, Bia! — Tá certo! Nunca irei criticá-la. — Por isso eu te amo, minha amiga Deusa. Amiga voltei ao Brasil só para ir à festa do seu cunhadinho gostoso, Arthur Ferrari. Será sexta-feira. Você vai né? — Sim. Vamos eu e Gustavo. — Preciso arrumar um bofe escândalo para me acompanhar. Eu e Arthur vamos jogar depois da festa. Então, pensei em levar mais alguém para melhorar o "balacobaco". — É? Balacobaco? Para mim isso tem é outro nome. Mais deixa quieto! Já tem alguém em mente para acompanhá-la? — Ainda não. Os bofes que tenho já enjoei. Quero carne nova, nova mesmo. — Amei a blusa — ela olha para a blusa e depois para mim e fala: — A sua está no carro. Achou que eu fosse me esquecer de você? — Hum... Presentes? Adorooooo... — Beijinho no ombro mana — ela beija o ombro esquerdo e sorri. — Amiga, semana que vem irei fazer umas visitas nos clubes de Las Vegas. Uma semana soltinha em Vegas. Ai que tudo né?! Você poderia vir comigo. Vamos? — Não sei... Tem o restaurante e o Gustavo. — Por isso corro de compromissos. — É. Cuidado para não voltar casada. — CRUZ CREDO! Deus me livre e guarde disso — fez o sinal da cruz e depois caiu na gargalhada. — Não cospe para o alto, pode cair no meio da sua testa — falo para irritá-la. — Isso é praga? Amiga, quero continuar solteira, sem compromisso e na pista. — Como está o Gostos... O Gustavo? — Quando comecei a responder fui interrompida. — O meu gosto... Ouço batidas na porta. — Entre! — falo em um tom mais elevado. — Olá, boa tarde! — Oi Felipe! — Felipe entra segurando um capacete e vestido todo de preto. Ele realmente a cada dia que passa fica mais bonito. Seu sorriso está perfeito. Depois que fez a restauração dos dentes ficou até mais desinibido e extrovertido. Assim que ele entra e vê a Fê, seu sorriso aumenta gradativamente. Ela está parada que nem uma estátua olhando para ele. Acho que me esqueci de comentar com ela que ele estava trabalhando aqui há quase um mês. — Felipe? Felipe que manobrava os carros lá fora. É aquele Felipe? — Ela pergunta sem acreditar. — Em carne, músculo e osso — ele responde. — Garoto, você está um puta de um pedaço de mau caminho. Puta que pariu! — Ela é assim, vou fazer o que? Nada! Vou só assistir. — Se isso foi um elogio, muito obrigada — ele sorri e suas covinhas sobressaem ainda mais. — Elogio? Isso foi veneração gato! Estou lhe venerando. Você está perfeito — ele está ficando corado com os elogios explicitamente diretos da Fernanda. — Bia estou indo ao banco para pagar algumas contas que o Alex pediu. Você tem alguma para pagar? — Desde quando ele começou a trabalhar aqui, vem se mostrando interessado e prestativo. É o seu primeiro emprego de carteira assinada e ele está valorizando todas as oportunidades. Quando não está fazendo entregas, ele quebra nosso galho.


— Não meu querido. São somente essas que o Alex lhe deu mesmo. — Tá bom! Tchau meninas — quando ele segurou a maçaneta para abrir a porta a Fernanda levantou num pulo da cadeira e chamou-o. — Felipe! — Meu nome! — Engraçadinho. Lá vem bomba! — Você está de moto? Preciso de uma carona até o banco? Preciso pagar umas contas também. — Se você quiser posso pagar para você. Sem problemas. — Não, sabe o que é? Eu quero ir com você. — Eu preciso ver se tem algum capacete sobrando no estoque. — Aqui... Vamos em meu carro. Está calor e, meu carro tem um ar condicionado potente, funciona que é uma beleza. — Ele está meio perdido escutando a minha amiga louca falar. Fitou-me como se estivesse pedindo permissão. Eu aquiesci concordando e sem falar mais nada, ele ofereceu o braço para a Fernanda. Ela ficou toda eufórica, nem se despediu de mim. Enroscou-se no braço dele e meteu o pé. Tenho quase certeza que ela acabou de encontrar o "bofe" para acompanhá-la. O que ela veio fazer mesmo aqui? Acho que veio me ver, mas... O gatinho do Felipe apareceu e: Wolll!!! Espero que ela não o magoe. Enquanto respondo alguns e-mails e ao mesmo tempo atendo ligações de fornecedores e alguns clientes, meu celular vibra em cima da mesa. Pego e olho a tela... — Número desconhecido. Detesto isso, ligam para o celular dos outros no modo desconhecido. Atendo. — Alô. — Ana Beatriz? — Sim. Quem fala? — Rafaela Campelo. — Oi. Não estou lembrada de você, desculpe. — Mas é claro que não, consegui o número do seu celular quase agora. Vou lhe dar uma dica: você deveria ensinar os seus funcionários a não repassar o seu número para estranhos. O mundo está perigoso e cheio de loucos soltos por aí — escuto tudo calada e sem entender o que essa pessoa que não conheço diz ao telefone. — Você quer falar comigo? — É claro, se eu liguei para a merda do seu celular. — Hum... O que ela quer? — Seja breve, por favor. Pois estou atarefada. — Imagino o quanto você está atarefada — ela solta uma risada estridente igual à de uma bruxa. Credo! Mulher desequilibrada. — Você é faxineira? Desculpe cozinheira? — Agora para mim já deu. Que mulher louca. — Se essa informação é importante para você, sim sou Gastrônoma. — Querida, faxineira, cozinheira, gastronômica, — não sabe nem falar. — Para mim é tudo igual. São todas subprofissões, subempregos de um submundo que não é o mesmo que o meu. — Rafaela, né? —Sim. — Tenha uma ótima tarde! Não diálogo com loucas — encerrei a ligação. Que doideira, como uma pessoa desequilibrada desse jeito vive por aí? A mulher me ofendeu sem ao menos me conhecer. Que absurdo!


Meu celular vibra de novo, mas dessa vez é o Gustavo. — Oi amor. — Ana... Está tudo bem? — A voz dele está carregada de preocupação, parece estar tenso e nervoso. — Sim, quer dizer, tirando uma louca que ligou para o meu celular e me desferiu ofensas sem nem me conhecer, tirando isso, o resto está tudo bem. — Não atende nenhuma ligação de número diferente. Escutou? — Ele está muito alterado. Aconteceu alguma coisa. — Sim Gustavo. Mas o que aconteceu? Você está nervoso demais — ele bufa ruidosamente ao celular. — Você confia em mim? — Hum... Ele está me escondendo alguma coisa. Eu é que fiquei nervosa agora. — Você está me assustando. O que aconteceu Gustavo? — Ana... Você acredita e confia em mim? — Melhor responder para acalmá-lo. — Meu amor, eu confio em você. Agora por favor, me diz o que está acontecendo. Você está nervoso e estranho. — Sua respiração está ofegante demais ele parece que vai ter um troço. — EU TE AMO. — Senti um afago no meu peito depois de escutar essa frase. Sua voz está carregada de desespero. — Gustavo... O que está acontecendo? Responde por favor! — Estou indo aí buscar você. E quando estivermos juntos, conversaremos. — Gustavo? — Oi. — O que você me falou é verdade? — Ele liberou um grunhido como se estivesse sentindo... Dor? — Sim Ana. Eu te amo e preciso que acredite em mim. — Eu também — desligamos juntos. Meu Deus! O que está acontecendo? Ele estava nervoso. E o que foi esse desespero todo que o fez dizer que me ama? Soltei todo o ar dos meus pulmões. Recolhi em silêncio todas as minhas coisas de cima da mesa, quando termino meu celular vibra de novo. Olho o display e vejo escrito: número desconhecido. Foda! Essa mulher maluca de novo. Vou atender essa merda! — Sua puta mal educada! — Quê? Assim que atendi escutei essas palavras. — Escuta só... — Escuta é o caralho! — Ela corta o que eu pretendia falar. — Enviei um vídeo para o seu celular. Assista com atenção e veja o protagonista da cena. E... — desliguei antes dela terminar de falar. Essa mulher é louca, só pode! Peguei minha bolsa e meu celular. Atravessei o grande salão do restaurante sem me despedir de ninguém, paro na entrada principal e ligo para o celular do Gustavo, mas chama e ele não atende. Meu celular vibra, olho para o display e vejo que recebi um SMS com um vídeo anexado. Sou curiosa, preciso ver do que se trata o vídeo que provavelmente a louca me enviou. Leio rapidamente a mensagem antes de abrir o anexo. “17:58h De: Rafaela Campelo Para: Ana Beatriz Cozinheira sem educação aprende a dizer tchau antes de desligar. Assista ao vídeo com


moderação e veja como o seu namoradinho sabe levar uma mulher à loucura”. Espere aí, ela está se referindo ao Gustavo? Ai meu Pai! Não penso duas vezes antes de clicar no anexo e aperto o play. Assim que o vídeo carregou, fui surpreendida com a cena: O Gustavo, o meu Gustavo, está com uma mulher loira e magra sentada em seu colo de pernas abertas se esfregando nele. Ele passa as duas mãos em suas pernas lentamente até chegar ao quadril dela, levanta o vestido até deixar a mulher toda exposta. Ele aperta a bunda dela e ao mesmo tempo beija o seu pescoço. Assim, o vídeo termina. A data é de dois dias atrás e às 21:58h, justamente no dia em que ele se atrasou para me buscar. Mentiroso! Ele disse que estava com um problema e precisou resolver antes de me buscar. Mentiroso! Mentiroso! Mentiroso! Mas é claro que um homem como ele, solteiro, bem sucedido e bonito, saí fodendo Deus e o mundo. Babaca! Me fez acreditar nele. Argh! Como eu fui burra! Não acredito que estou passando por isso. Não acredito! Não irei derramar uma lágrima sequer por ele. Nenhuma! São todos iguais, todos mentirosos. Atravesso a pista correndo e dou sinal para o primeiro carro amarelo que avisto. Um táxi para ao meu lado e eu pulo para dentro sem olhar para os lados. Quero espairecer a minha cabeça e digerir toda essa informação e decepção. — Boa tarde! Vamos para onde? — o taxista pergunta. Sabe aquela sensação de estar flutuando sobre um mar calmo, azul e transparente e, de repente do nada vem uma onda violenta e destruidora que te lança toda a sua fúria, fazendo com que você afunde. E quando você tenta se reerguer e ficar de pé novamente vêm outra ainda mais furiosa e te derruba, sem lhe dar chances de se defender? Então... Eu estou me sentindo exatamente assim, derrubada e de mãos atadas. — Madame? Senhora? Senhora? — Desculpe! — Me leva para a Lapa — falei sem pensar. Nem sei o que farei na Lapa. Eu só quero ficar sozinha e repensar tudo o que está acontecendo. O taxista liga o som e sintoniza na rádio MPB-FM. E, para completar a minha fossa a voz melodiosa do cantor Caetano Veloso - Para te Lembrar , preenche o silêncio do carro e invade meus tímpanos com sua letra bastante propícia para a merda do momento que estou vivendo. Eu não vou chorar, não quero chorar, não... Ai merda! Eu já estou chorando... Que fossa que eu me enfiei. Agora até essas músicas com letras que parecem até mais indiretas do que uma melodia está me perseguindo. “Caetano Veloso — Pra te lembrar Que é que eu vou fazer pra te esquecer? Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim Cada sonho teu me abraça ao acordar Como um anjo lindo Mais leve que o ar Tão doce de olhar Que nenhum adeus pode apagar... Que é que eu vou fazer pra te deixar? Sempre que eu apresso o passo, passas por mim E um silêncio teu me pede pra voltar Ao te ver seguindo


Mais leve que o ar Tão doce de olhar Que nenhum adeus pode apagar Me abraça ao acordar Como um anjo lindo Mais leve que o ar Tão doce de olhar Que nenhum adeus pode apagar... Que é que eu vou fazer pra te lembrar? Como tantos que eu conheço e esqueço de amar Em que espelho teu, sou eu que vou estar? Ao te ver sorrindo” Fechei meus olhos com tanta força que chegou a doer, são tantas lágrimas que estou derramando que acho que se eu continuar chorando desse jeito elas irão acabar secando. O Gustavo me decepcionou, nunca esperei esse tipo de comportamento partindo dele. E o pior é que eu já estou tão envolvida que por mais que eu diga ou tente não consigo sentir ódio... Suas declarações, seus carinhos, sua dedicação e principalmente suas últimas palavras não saem da minha cabeça. "EU TE AMO". Ele não precisava me iludir. Respiro fundo e tento me acalmar. — Senhora, está bem? — A voz do taxista me livra dos meus pensamentos. — Não. Mas, irei ficar! Não se preocupe, sou forte. Eu sou forte! — falei mais para mim do que para o pobre taxista, que me olhava com pena. Deus, se realmente você existe peço que não me desampare e me dê discernimento para enfrentar qualquer coisa. Eu sei que sou vulnerável e não aceito muito bem perdas e decepções, mas se o senhor me ama de verdade como a minha mãe sempre diz, peço que acalme o meu coração e a minha mente. Não me deixe declinar novamente, me tira dessa inércia. Por favor! — Amém! — sussurrei entre lágrimas. Aquele vídeo não me fará desistir do meu recomeço, da minha nova vida. Não, de jeito nenhum. Eu comecei essa reconstrução e irei até o final. Só eu sei o inferno que vivi até pouco tempo atrás, ainda lembro-me como se fosse hoje. Eu me entupia de antidepressivos e calmantes, meu organismo não absorvia mais os componentes. Ficando dias sem dormir, vagando em outra dimensão, parecia uma usuária de drogas sem volta, não conseguia formular palavras para me comunicar com o mundo externo, fora do meu inferno. Fiquei muito mal mesmo. Depois que o Lorenzo me expulsou de nossa casa e da sua vida, eu ainda fiquei um ano na França na esperança dele se arrepender e me aceitar de volta, mas isso nunca aconteceu. E para acabar de vez com minhas esperanças, ele deu entrada no divórcio e fui obrigada, coagida pelos os seus advogados a aceitar o divórcio e as condições que me propuseram. Assinei, mas não aceitei nada em troca, a única coisa que eu queria era ele de volta. Dois dias depois do divórcio minha mãe foi me buscar na França, foi dura as palavras que ela usou para me fazer reagir. Nesse dia eu tinha extrapolado excessivamente nos remédios, estava dopada, estava em outro lugar, não conseguia focar meus olhos em nada, cheguei a pensar que minha alma havia me abandonado, pois eu conseguia me ver de fora, como se eu fosse uma telespectadora de um filme dramático. Eu me vi ali, caída no chão de um quarto pequeno, escuro, uma imagem deprimente. Senti pena de mim mesma, me senti abandonada por um Deus que todos exaltavam, mas que para mim havia virado as costas. Nesse dia eu cheguei a desistir de mim. Mas um anjo lindo apareceu e me ajudou a me reerguer.


Há três anos... — Ana Beatriz Medeiros, levante-se desse chão. AGORA! — escutei a voz da minha mãe, bem longe, mas consegui entender. Eu queria pedir ajuda para me levantar, mas eu não tinha energia para proferir nem sequer uma palavra. Tentei focar meus olhos na imagem dela, mas até eles já estavam falhando. — ANA BEATRIZ LEVANTE-SE AGORA! — senti ela me puxando pelos cabelos, seus olhos estavam raivosos, mas ao mesmo tempo tristes. Assim que ela me ajudou a ficar de pé, ela disse fria e dura: — olha aqui nos meus olhos, enquanto eu falo com você. — Não conseguia encarála, sentia vergonha de mim. Ela não merecia presenciar tudo isso. Abaixei minha cabeça e fitei o chão. Ela segurou o meu queixo e o ergueu, nos deixando frente a frente, olho no olho. Minhas pernas fraquejaram e eu caí novamente, ficando de joelhos. — Desculpe... Mamãe. — ela ajoelhou e me fez fitá-la. — Até quando você vai ficar nesse país esperando aquele filho de uma puta vir atrás de você? Até quando? — abaixei novamente a cabeça. — Olhe para mim Ana Beatriz! — Ela puxou meu rosto com agressividade e o manteve elevado enquanto falava: — é a última vez que eu venho te buscar. É a última vez que eu tento de ajudar. É a última vez que eu tento te proteger. Seu filho está morto! Você está viva! O Lorenzo não vai voltar para você. Ele não te ama. Você está entendendo? Estou sendo clara? — chorava sem piscar os olhos e sua expressão era dura. Ela sofria tanto quanto eu. — Vamos, saia desse porão escuro e volte a viver, volte pra mim minha filha. Por favor! Eu te amo! — elevou ainda mais a minha cabeça para nos olharmos. — Vamos, Levante-se! — levantou e me estendeu a mão. — Ana... Eu te criei sozinha, criei você para ser feliz. Vamos, segure a minha mão — olhei para sua mão pequena e delicada, mas ao mesmo tempo cheia de garra, força, pronta para defender a sua cria. Mas eu sou covarde e fraquejei. — Eu não consigo. — Finalmente consegui falar. — Você consegue minha filha. — Eu não posso, eu não consigo. — Confia em mim. Você Consegue. Consegue sim. — Quando levantei a minha mão para segurar a dela, ela me puxou com toda a sua força. Segurou-me com firmeza. Fitou-me e disse: — Sabe por que eu sei que você consegue? Por que fui eu quem te criou e educou. Você é forte como eu. A partir desse dia eu prometi a ela que nunca mais a faria sofrer. Relembrar tudo isso, me deixa angustiada. Minhas lágrimas caiam pesadas e doloridas, até respirar me causava dor. Eu só queria que o dia terminasse bem. Mas infelizmente, nem sempre é como desejamos. Pensando bem, nenhuma relação é uma perda de tempo. Se não consegui o que eu buscava, pelo menos aprendi o que precisava. Eu preciso ser forte! — Chegamos. Paguei o táxi e desci no bairro boêmio do Rio de Janeiro, Lapa. Liguei meu celular para ver a hora, mas as mensagens e avisos de ligações perdidas fizeram meu celular ficar em congestionamento. Vinte e duas ligações do Gustavo, dezesseis mensagens. Que fique desesperado! Mentiroso! Entrei no primeiro pub que encontrei, sentei em uma mesa próxima ao palco, onde um rapaz jovem estava cantando uma música e ao mesmo tempo tocando violão. O garçom se aproximou e perguntou o que eu gostaria de beber. — Tequila. A garrafa.


— Sim, senhorita. Fiquei olhando para o pequeno palco e para os casais apaixonados que dançavam caladinhos. Onde fui me meter? Desviei o olhar para o balcão onde havia alguns rapazes bebendo e sorrindo, alguns gritavam palavrões enquanto outros gargalhavam entre eles. Homens! Argh! — Aqui está senhorita, sua tequila — pedi a garrafa mais ele só trouxe uma dose. Melhor assim, não vale à pena ficar de porre por causa de homem. Mesmo sendo o gostoso do Gustavo. Ai já estou com saudades daquela cara de mau, da barba serrada dele. Entorno toda a tequila em uma golada só. O cantor inicia outra música, que a princípio não conheço de quem seja. Começa só no violão, até que o som é bom Caralho! Quero ir embora daqui... Se eu continuar escutando essas músicas românticas e que parece que o compositor escreveu especialmente para terminar de foder a sua vida, eu vou ficar mais depressiva do que antes. Pedi mais uma dose de tequila ao garçom. Tentei não me concentrar na letra da música, mas foi impossível. Não depois de ter escutado há poucos dias o seu namorado cantar no seu ouvido. Devo aceitar que ele foi o meu melhor namorado. Tirando esse dia fodido, os outros foram inesquecíveis. “Leoni - Os Outros. Já conheci muita gente Gostei de alguns garotos Mas depois de você Os outros são os outros Ninguém pode acreditar Na gente separado Eu tenho mil amigos, mas você foi O meu melhor namorado Procuro evitar comparações Entre flores e declarações Eu tento te esquecer A minha vida continua Mas é certo que eu seria sempre sua Quem pode me entender Depois de você Os outros são os outros e só São tantas noites em restaurantes Amores sem ciúmes Eu sei bem mais do que antes Já estou na maior fossa mesmo, para que impedir as lágrimas de caírem. Quer sair? Saiam lágrimas! Peguei o telefone, preciso falar com o Gustavo e perguntar a ele por que ele transou com aquela loira seca e desequilibrada. Ele deve ter uma explicação. Não é possível, o homem outro dia arrombou a minha porta, alegando que não conseguia dormir sem mim. Ele sente alguma coisa por mim, ninguém mente tão bem assim. Aonde foi que erramos? Desde quando ele está com essa louca? Ela vai ter que me explicar tudo. Quando desbloqueio a tela do meu celular e penso em ligar, um homem senta de frente para mim. Estou de cabeça abaixada, olhando para o telefone e quando elevo a cabeça o suficiente para olhar o sujeito abusado que sentou na minha mesa, sem minha permissão sou


surpreendida pela sua fisionomia, seus olhos... Até que ele fala: — Salut! (Oi) — Um sotaque francês familiar invadiu meus ouvidos. Eu não assimilei a imagem à voz, mas eu sei quem está sentado à minha frente.


Capítulo 19 - Gustavo Ferrari Falei com o Arthur várias vezes que aquela mansão deveria ter câmeras espalhadas por todo canto, mas ele insistiu nesse plano de implantar micro câmeras. Eu sabia tudo estava fácil demais. Tinha algum ponto que não se encaixava completamente em toda essa loucura. E esse eixo foram às câmeras que possuem em cada canto da casa. Tudo que conseguimos juntar e adicionar ao dossiê são suficientes para abrir um inquérito para investigação. Tenho certeza, que aquele velho asqueroso, não ficará livre por muito tempo e devolverá tudo que de certa forma roubou da minha família. Mas, o que está me deixando grilado mesmo são as ameaças da desequilibrada da Rafaela. Estou me sentindo péssimo, se ela realmente não estiver blefando, estarei perdido. Arrependo-me amargamente de não ter explicado toda essa merda para a Ana Beatriz, seria mais fácil lidar com toda essa situação, pois assim, teria ciência que tudo aquilo foi uma encenação, uma mentira. Meu celular vibra e na tela aparece escrito "Moleque". Atendo e ponho no viva-voz, para não me distrair na direção e provocar um acidente. — Oi Arthur. — Gustavo não tenho boas notícias. As imagens que estavam sendo transmitidas através das câmeras que você implantou no escritório dos Campelo, foram bloqueadas, encerradas. Mano, certamente eles já sabem de tudo e descobriram as câmeras. — Já estou por dentro. A Rafaela fez questão de ligar e me deixar ciente disso tudo. Eles possuem um moderno sistema de vigilância interna, ou seja, possuem câmeras de alta definição e imperceptíveis espalhadas por todos ambientes. Todas às vezes que estive lá, observava atentamente tudo, mas infelizmente não consegui identificar as câmeras. Falhei! — Puta. Que. Pariu — sua voz sai ensurdecedora pelo viva-voz. — Fala baixo! — disse em um tom autoritário. — Gustavo, como você não foi capaz de identificar as câmeras? Ainda bem que conseguimos o que queríamos senão estaríamos ferrados. — Ferrados? Ferrou tudo só para mim. Para a empresa e você, tudo deu certo, pois tem o dossiê completo. Tudo que você precisa está aí, basta entregá-los para o Dr. Augusto, o delegado. E... — Ele me interrompe antes de eu terminar de falar. — Independente de terem descoberto as câmeras, ainda estamos no controle. — Não. Não. Não. Eles podem ter imagens minhas dopando a Rafaela. Eu posso perder o direito de exercer minha profissão. Você tem noção da rabuda que me enfiou? Cara, não é só isso. Ela disse que esses últimos dois dias vêm me seguindo o dia inteiro e, obviamente se deparou comigo e Ana Beatriz, agora está ameaçando enviar o vídeo onde estou seduzindo-a, antes de toda a ação. E agora? Ela já sabe onde encontrar a Ana Beatriz e, disse que se eu não encontrá-la hoje, ela irá dar um jeito da Ana receber o vídeo. Eu... Estou sem saber o que fazer. Ela acredita que transamos. Pensando bem, é bom ela acreditar mesmo. Não quero nem imaginar se ela tiver algum vídeo onde me mostra adicionando sonífero em sua bebida. — Deixe-a achar que foi fodida! Está preocupado com isso, mano? O que ela disse? Algo que possa atrapalhar a finalização de nosso plano. — Não. Mas irá complicar a minha vida. — Minha voz sai desesperada. — Mano conversa com a Ana e explica a ela. — Claro, vou explicar. Mas ela é um pouco frágil, eu não sei se irá reagir muito bem, mesmo


depois de que souber tudo. — Gustavo, isso não é hora de se preocupar com mulher. —Você não entende, nunca teve uma de verdade. Por isso, é muito fácil dar a sua opinião. — Na real? Você tem absoluta razão, concordo com tudo que está falando. Nunca tive uma mulher de verdade, por isso não entendo toda essa sua preocupação. Estou indo levar o dossiê. Já estou com tudo aqui, inclusive o meu notebook onde estão todos os históricos e movimentações das contas abertas na Suíça no nome de Rafaela Campelo. Tudo! — Não sei como ele consegue ficar calmo. — Boa sorte! Tchau — desligamos juntos, porém meu sossego não durou por muito tempo. Meu celular vibra e entra outra ligação da Rafaela, atendo sem muita paciência para escutá-la fazer às suas chantagens. — Fala Rafaela. — Calminha aí gato. Só quero paz e amor — rosnei ruidosamente, ao ouvir sua voz fina. — Escuta com atenção, gato: vou lhe enviar um videozinho básico. Com certeza depois desse vídeo, você insistirá desesperadamente para me encontrar. Mas, como sou obcecada por controle, já estou lhe aguardando em sua clínica, dentro do seu consultório — escuto tudo em silêncio me sentindo esgotado para travar uma guerra contra Rafaela. Assim que termina de falar, desliga na minha cara. O que essa louca quer? Ela está achando que estou em suas mãos por causa de um vídeo. Prefiro me ferrar todo, mas não darei o gostinho a ela de me ver derrotado e a sua mercê. Realmente essa mulher não me conhece. Merda! Onde fui me meter? Que porra de mulherzinha intragável! Deixo a clínica em Ipanema e sigo para a Barra da Tijuca. Assim que estaciono meu carro, entro na clínica e sem cumprimentar ninguém, passo direto e chego ao meu consultório. Assim que destravo a maçaneta e abro a porta, vejo um cabelo loiro liso e um corpo magricela sentado em uma das cadeiras de frente para minha mesa. Fecho a porta atrás de mim, batendo-a com força e um barulho estridente toma o ambiente. Olho bem na cara dela e falo sem rodeios e cuidados: — O que você quer? Já vou avisando que nada me fará ceder a qualquer chantagem sua — lançolhe um olhar atroz, mortal. Odeio ser controlado e chantageado. Isso não vai acabar bem. — Está nervoso Dr. Ferrari? Vamos aprumar sua ira, pois eu estou no comando — ela eleva a mão para me mostrar o tal vídeo que estava rodando em seu celular. — Veja... O nosso momento de amor — me entrega o celular, mas decido não assistir aquilo. Devolvo e falo: — Esse vídeo não me intimida — espero que ela tenha somente esse, pois se tiver cenas minhas colocando o sonífero, estarei fodido de todas as formas. — Gustavo é o seguinte: você realmente achou que entraria na mansão dos Campelo, implantaria câmeras no escritório do papai e instalaria um programa fajuto nos computadores que encontrou e, depois transaria comigo como se nada tivesse acontecido, e sairia sem consequências? Onde você perdeu o juízo? Ah... Perdeu neurônios quando passou a pegar a cozinheira. Explicado! — Ela ri igual a uma megera. Ela acredita que transamos, melhor assim. Pois se ela desconfiar que foi dopada não pensará duas vezes antes de me ferrar. — Não estou aqui para debater sobre a minha vida pessoal. E só para deixar esclarecido a você: a "cozinheira" tem nome e se chama Ana Beatriz, minha namorada. Então não se refira a ela como se fosse insignificante, a única insignificante aqui é você. Ficou claro? — Ela me fuzila com seus olhos verdes cheios de ódio. — Ai, como você é bobinho e idiota. Sempre vulnerável e manipulável. — O som de sua gargalhada ecoou todo o espaço do consultório. — Eu? Bobinho e idiota? — Sim! Então, você ainda não entendeu por que me aproximei de você? Prefere que eu explique


ou que o tempo lhe mostre? — perguntou com a voz cheia de ódio, lascívia, sarcasmo. Só de olhar para ela e lembrar que todo o dinheiro roubado de minha família certamente está em sua conta, aberta em paraísos fiscais, sinto nojo. — Gato, você continua sendo um idiota. — Então, vamos lá... Explique-se, pois não compreendo por que continuo sendo um idiota. — Pense bem... Eu te manipulei todo o tempo que ficamos juntos. Desde o início eu te enganei. Foi fácil, bastou te dar um “boa noite cinderela”, te guiar até o seu apartamento e, depois foi só encenar. Seu otário! Eu nunca estive grávida de você, nós não transamos. Apenas ajudei você a deitar e depois tirei toda a sua roupa. Os exames, ultras foram fáceis de conseguir. Sou médica, esqueceu? Seu pai acreditou e o obrigou a assumir um compromisso comigo. Até hoje me pergunto, se você é tão idiota assim? Ou se faz de idiota? — Nunca fui violento com mulheres, mas essa mulher me faz sentir vontades que nunca senti antes. Quebrar esse pescoço seco. — Tá bom! Realmente você conseguiu me enganar, mas nunca me casaria com uma mulher como você. — Como eu? Querido eu sou maravilhosa! — Ela fala e passa as mãos pelos cabelos longos e loiros. — Para quem? — falo. — Otário, idiota, babaca... — Admito. Fui um idiota em acreditar. NUNCA me casaria com você. Deus me livre! Olhe para você Rafaela... Fútil, mesquinha, preconceituosa e vazia. Assumiria o suposto filho, mas nunca, jamais assumiria qualquer relação com você. — Seus olhos saltaram para fora de tanto ódio. — Agora me diga, por que toda essa mentira? — apoiei meu queixo em minha mão e aguardei a resposta. — Ah... Gustavo! Você não sabe? Seu pai nunca se orgulhou de você, sempre deixou claro o desgosto dele em relação as suas escolhas. Então, papai e eu, concluímos que você seria um forte aliado para nos ajudar a pôr em prática o nosso projeto. Comprar a Ferrari Engenharia, mas não deu certo, pois o incompetente do seu irmão junto com o inválido do seu pai conseguiram perder um contrato milionário. Com isso, papai e eu, decidimos mudar de estratégia. Aí me livrei do tal "filho" e fui viajar para descansar. — Entendi. Acharam que eu venderia as minhas ações para vocês terem participação no controle da empresa da minha família. Nossa! Que imaginação fértil — meneei a cabeça reprovando seu plano fajuto. — E você? Conseguiu tudo que queria quando se infiltrou na minha casa? — O suficiente — respondi. Ela me analisou com cautela e disse: — Vou direto ao assunto: eu quero o apartamento que seu pai me presenteou quando estávamos noivos. Estou precisando dele. Enviei milhares de e-mails falando sobre isso, mas você sempre ignorou. Mas agora eu o quero e, para ontem. Devem estar falidos mesmo. — Claro que não! Nunca lhe daria o meu apartamento. — Lembro-me do seu pai dizer que era nosso. — Aqui não tem nosso. Você nunca foi nada minha. — Se você não me passar esse apartamento, pode ter certeza que irei pessoalmente ao botequim onde aquela cozinheira trabalha e mostrarei esse vídeo — levantou-se da cadeira e fitou-me me desafiando. — Rafaela, eu não vou ceder a sua chantagem. Essa é minha decisão final. Agora se retire da minha clínica, por favor. — Ela anda até a porta, mas antes de sair fala: — Ah... Deixe-me falar, já ia esquecendo... Quando você me ligou dizendo que gostaria de me


encontrar, logo depois que voltei para o Brasil, eu só concordei por que meu pai achou que você poderia vender suas ações para a Campelo S.A. — E daí? — E daí, que eu nunca me senti atraída por você. Quando o deixei nu depois de dopá-lo, senti nojo de você. NOJO! — Tive que rir da cara dela. — É mesmo? Não foi o que eu vi há dois dias. Melhor, esse vídeo, mostra o quanto você estava implorando para eu foder você. — Você é tão ruim de cama que nem me lembro desta noite. — hum... — Se quiser, eu te conto tudo o que você fez. — Não precisa. Aposto que o Arthur é muito mais atrativo. Manda um beijo para ele. — Entendo. Agora vaza daqui sua louca. — Você tem até as 17hs para me procurar. Pense bem, acho que a Ana Beatriz não gostaria nadinha de assistir o namorado perfeito com uma mulher esfregando-se em seu pau — ela sai e bate à porta com tanta fúria que a maçaneta cai no chão. Como irei explicar isso para a Ana Beatriz? Logo agora que ela se rendeu e resolveu se despir de todos os segredos. Eu preciso fazê-la entender, não quero que ela se decepcione por conta das minhas ações impensáveis. Poderia muito bem ter evitado tudo isso, não participando dessa loucura. Poderia ter explicado a ela toda a situação, até pensei, mas decidi não envolvê-la nessa merda toda. — Ana... Você precisa acreditar em mim — sussurro enquanto ligo para ela. Chama, chama mais ninguém atende. Insisto Até ela atender... Escutar a sua voz, me traz paz. — Oi amor — me faz um bem escutá-la me chamando de amor. Eu já amo essa mulher. Preciso que ela esteja ao meu lado todos os dias, já sou seu prisioneiro. — Ana... Está tudo bem? — Claro que não, mas ela ainda não sabe. — Sim, quer dizer, tirando uma louca que ligou para meu celular e me desferiu ofensas sem nem me conhecer, tirando isso, o resto está tudo bem. — Aquela louca não está blefando. Se ela se aproximar da Ana Beatriz, não sei o que seria capaz de fazer com ela. — Não atende nenhuma ligação de número diferente. Escutou? — Ela percebeu meu desespero, não quero magoá-la. Logo agora que começamos a nos entender e a confiar um no outro. Depois de ela conseguir me contar partes de sua vida e dizer que está apaixonada por mim. Ela precisa de mim. — Sim Gustavo. Mas o que aconteceu? Você está nervoso demais. — Preciso ir até ela e explicar toda essa merda. — Você confia em mim? — Minha voz sai ruidosamente e meu desespero sobressaiu com certeza. — Você está me assustando. O que aconteceu Gustavo? — Gostaria de dizer a ela que nada está acontecendo. Não quero magoá-la e nem deixá-la preocupada. Preciso ouvi-la dizer que confia em mim. —Ana... Você acredita e confia em mim? — Meu amor, eu confio em você. Agora por favor, me diz o que está acontecendo. Você está muito nervoso e estranho. — Eu nunca disse essas três palavras antes, nem mesmo para minha mãe. Sempre fui comedido, sempre fugi de relacionamentos, odiava rotinas, cobranças. Mas agora, sinto um afago no peito só de pensar em não poder ter mais ela. Como pode existir esse tipo de sentimento e eu nunca tê-lo sentido antes? É diferente de tudo que eu já provei. Sua voz melosa, seu sorriso, seu biquinho, seu corpo, tudo me atrai. Eu estou amando essa mulher, mesmo com seus medos e tristezas. — EU TE AMO. — Será que quando dizemos essa frase a uma pessoa, devemos justificá-la antes? Não sei nem como agir perante tudo isso, mas ela precisa saber o que sinto e acreditar nos meus sentimentos. São verdadeiros. Ela está muda, só consigo escutar sua inspiração e expiração.


Sei que sente o mesmo por mim, mas ainda não sabe. Meu amor, você não sabe a quantidade de amor que estou acumulando no meu peito por você. — O que está acontecendo? Responde, por favor! — Não consigo falar mais nada pelo telefone, preciso explicá-la tudo e fazer com que confie em mim. — Estou indo buscar você. Quando estivermos juntos, conversaremos. — Gustavo? — Oi — senti uma contração mais intensa no meu coração, estou com muito medo dela não compreender e achar que a traí. Não! Isso não irá acontecer. — O que você acabou de me falar é verdade? — fechei meus olhos tentando encontrar uma forma de me acalmar, antes de responder um grunhido escapou dos meus lábios. — Sim Ana. Eu te amo e preciso que acredite em mim. —Eu também. — Eu também? Eu também te amo? Ela encerrou a chamada. Saio da clínica, da mesma forma que cheguei, sem me despedir de ninguém, Sofia está desmarcando todas as avaliações e consultas. Quando passo pela recepção ela me chama, mas eu apenas fiz sinal com a mão, indicando que não. Eu preciso da minha mulher. Quero-a agora. Entro no meu carro e saio igual a um desesperado. O restaurante dela fica próximo a minha clínica, mas o congestionamento, torna-os distantes. — Fala sério! Para que tanto semáforo? Apesar do tráfego não estar fluindo muito bem, mesmo assim consegui chegar o mais rápido possível, mas assim que encosto o meu carro, avisto a Ana entrando em um táxi na pista sentido contrário. Até eu conseguir fazer o retorno não a alcançarei. Tenho certeza que a Rafaela fez o que prometeu fazer. Ana parecia estar fugindo. — Não! Essa puta me paga. Tento o celular dela, mas está desligado. Estou de mãos atadas, nesse engarrafamento, sem poder fazer nada. Envio uma mensagem a ela, mas não responde e nem visualiza. Ela desligou o celular. O que está passando em sua cabeça? Eu preciso encontrá-la. Depois de uma hora parado no engarrafamento, decido mudar o rumo e sigo para meu apartamento. Quando chego vou direto tomar um banho para refrescar a cabeça. Assim que termino de me arrumar sigo direto para o apartamento dela. Os porteiros já até me conhecem, entro no condomínio e estaciono meu carro na vaga para visitantes. Quando chego a sua porta, toco a campainha insistentemente, mas parece que ela não está lá dentro. Tento ligar, enviar mensagem e nada. Lembrei que o Arthur ficou muito amigo da Fernanda que também é amiga da Ana. Ligo para ele. — Arthur eu preciso do número do celular da Fernanda, amiga em comum entre você e Ana. — Você que o número dela para quê? — Preciso encontrar a Ana, ela sumiu. Não atende às minhas ligações e não está em seu apartamento. — A Rafaela cumpriu a chantagem? — Sim — solto todo ar dos meus pulmões. — Você gosta mesmo dela, não é? — Não. Eu a amo. — Mano... Estou perplexo! Vivi por longos vinte e seis anos para te ver louco de amor — ele ri, mas não vejo graça no que acabei de falar. — Desculpe! Sou insensível, mas vou tentar me acostumar com a realidade: meu mano, amando. — Me passa o número dela, preciso que ela me diga onde a Ana está.


— Deixa que eu ligo. Você está muito nervoso. — Okay! — desligamos. Até dizer essa palavra faz me lembrar dela. — Feiticeira, não me deixe — desisto de tocar a campainha e acabo sentando no chão e encosto minha cabeça na porta, fecho meus olhos e repasso todos os nossos momentos juntos, desde a primeira vez que a vi. Quando tirou o chapéu para me mostrar que seus cabelos não eram loiros, seu olhar retraído quando nos vimos pela primeira vez, seu olhar perdido naquela boate, seu cheiro que se tornou uma droga para mim, nosso primeiro beijo. Ana... Não faz isso comigo. Meu celular vibra. — Oi Arthur. — Mano, a Fernanda não está conseguindo falar com ela e não tem ideia de onde ela possa estar. — Será que ela está com... O Alex? — Só de pensar nessa possibilidade, sinto um gosto amargo na boca. — Algum ex-namorado? Ex-foda? Ex-noivo, Ex-marido? — Da para você parar de fazer piada com tudo? — Desculpe mano! Só quero deixar o clima menos pesado. — Alex é um amigo. Você o conhece. É o sócio dela. — Hum... Sei um loiro pintoso e musculoso? — Arthur? Você já se decidiu quanto à sua opção sexual? Às vezes, eu acho que você ainda está indeciso quanto a isso. — Gustavo você leva tudo para outro lado. Fala sério! Só quero ajudar encontrar a minha cunhadinha gostosa. — Menos, menos. Okay? — Você pode ligar de novo para a Fernanda e pedir para ela te dar o número do Alex? — Tá bom. Já te retorno. Se a Ana estiver com aquele otário, não sei qual será a minha reação em relação a isso. Acho que ela não seria capaz... Ou, se bem que quando eu apareci em sua vida, ela e esse Alex, tinham uma espécie de amizade com benefícios. Passo as duas mãos entre meus cabelos, não quero pensar nisso. Atendo o Arthur. — Oi. — Te enviei o número do Alex por WathsApp. Recebeu? — Não vi. Mas devo ter recebido. Vou ligar agora. Valeu Moleque! Abri a mensagem que o Arthur enviou e liguei para o Alex, no segundo toque ele atende. — Alô. — Não acredito que estou passando por isso. Ligando para o ex da minha namorada para saber se ela está com ele. — Alex? — Sim. — Alex, sou o Gustavo, namorado da Ana Beatriz. — Sim, e o que você quer? — Quero saber se ela está com você? — Comigo? Por que comigo? Esqueceu que você a tirou de mim? — Alex... Eu não a tirei de você. Ela nunca foi sua. — Ah... Pode ter certeza que foi, e por um longo período. — É? Então, realmente eu a tirei de você. Ela não estava satisfeita, se estivesse não teria encerrado o acordo de vocês dois em serem amigos com benefícios. Estou falando merda? Não. — Não foi isso que ela disse da última vez que estivemos juntos. Posso te garantir que ela gostou


e muito. Pergunta se ela gostou? — A Ana transou com ele depois de nós? Não acredito nisso. Mantive-me mudo, sem palavras para descrever o que acabei de escutar. — Gustavo, eu e a Ana estivemos juntos por longos três anos. Logo depois que ela se divorciou e voltou para o Brasil. Ela nunca te contou isso? — Estou confuso. Deixe-me ajustar as palavras. Divórcio, três anos, voltou? — Ela me dispensou, mas eu continuo amando-a. — Ele ama a minha mulher? Ela nunca me disse isso? Realmente ela precisa me contar muita coisa. — Infelizmente Alex eu não compreendo o que está falando. — Ah! Desculpe! Ela não confiou em você o suficiente para se abrir. Ela é assim mesmo, sei como funciona aquela cabecinha. — Cara, eu confio na Ana Beatriz e ela confia em mim. Já que ela não está com você não tenho por que escutá-lo — valeu pelas informações, tchau! — Calma! O que houve? Já tentou encontrá-la no apartamento dela? Já ligou para a Fernanda? — Sim e Sim. — Gustavo, a Ana não tem outros amigos, além de mim e Fernanda. — Você não sabe onde ela pode estar? — Não. Agora fiquei preocupado. — Ele parece estar sendo sincero. — Vocês brigaram? — Não. Mas houve um mal-entendido. — Assim que você tiver notícias me ligue. — Certo! — desliguei o telefone. Por que ela nunca conversou comigo sobre o seu passado? Agora tudo se completa! As fotos, seus pesadelos, sua repulsa quando falei sobre filhos. Minha cabeça está confusa. Tento mais uma vez ligar para o celular dela. Agora está chamando, mas não atende. Envio uma mensagem: 20:56h Gustavo: Ana, cadê você? Precisamos conversar. Meu amor, eu quero ver você. Diz para mim onde está que eu te busco. Espero ela responder, mas não respondeu. Minha cabeça está fervilhando com tantas informações. Ex-marido, filho morto, antidepressivos, calmantes, amigo com benefícios, pesadelos. Eu posso ter errado feio em ter omitido para ela os problemas da empresa do meu pai, mas ela conseguiu se superar no quesito omissão. Só saio daqui depois que ela me explicar tudo. Acabei adormecendo sentado no capacho da porta, com a cabeça apoiada na minha perna. Deprimente? Não... É o amor.


Capítulo 20 - Ana Beatriz Rejeição, desespero... Senti tudo isso na carne, na minha alma. Machucou, doeu muito. Aprendi sozinha e na prática a dar tempo ao tempo. Pois tudo acontece na hora certa, no dia exato. Nem um dia antes, nem um dia depois. O tempo foi meu aliado e meu amigo, algumas vezes me sacaneou, demorou, parou, mas chegou. No dia do casamento da minha mãe e seu atual marido, me perguntei várias vezes como ela conseguiu esquecer o amor que sentiu pelo meu falecido pai. Perguntei a ela, precisava de respostas que talvez servissem para me ajudar a matar a angústia de amar o Lorenzo. Sua resposta foi bastante enigmática, naquela época não me ajudou muito, mas hoje decifrei esse enigma e as seguintes frases tornaram-se claras e compreensíveis. "Não é possível uma vida sem amor. É pecado viver sem amor e sem ser amada. O verdadeiro amor, não dorme nunca, não morre. O amor verdadeiro deve ser mantido guardado em um lugar confortável e de fácil acesso. Eu guardei o meu amor no bolso, às vezes alimento-o com lembranças para mantê-lo vivo dentro do meu coração. É pecado não amar. Entendeu?" Não entendi, mas guardei cada palavra que saiu da boca dela. Agora, neste exato momento, as suas palavras se concretizaram no meu consciente se tornando compreendidas por mim. Estou de frente para o homem que me apresentou o céu, me ensinou amar, me mostrou como sentir prazer. Foi deslumbrante, mas tudo terminou e ele me atirou em um abismo, me enviou direto para o inferno. Isso não foi o pior. O pior foi não ter aprendido a esquecer. Isso ele não me ensinou, tive que aprender sozinha e foi muito difícil, ainda tenho feridas tornando-se cicatrizes. Agora sim as palavras fizeram sentido. Realmente o amor não dorme, não morre, ele acaba aos poucos. Eu o alimentei de lembranças, o mantive vivo, Deixei-o em estado de hibernação, fiz de tudo para mantê-lo pulsante e a flor da pele. Depois de tudo que passei, infelizmente diante dele, eu devo admitir que ainda existam resquícios de amor no meu bolso. Eu disse: resquícios. — Ana... — Mesmo que eu vivesse mil anos não conseguiria esquecer a voz dele. Maldito! Mas a imagem, não acompanhou a voz. Demorei um pouco para assimilar a voz à imagem. — Pensei que nunca mais eu fosse conseguir encontrar você. Onde se escondeu? Em Marte? — Não consegui falar, minha respiração ficou acelerada, preciso de oxigênio urgente. — Fala comigo. Eu quero escutar a sua voz. — Aos poucos meu cérebro está mapeando as suas características e comparando com as armazenadas há séculos, tipo um teste de reconhecimento, um teste de compatibilidade. E foi quando os meus olhos foram seduzidos e atraídos por seus olhos negros, foi nesse instante que memórias antigas, guardadas a sete chaves transbordaram. — No inferno. — Consegui falar, mas uma dor no meu coração me enviou lágrimas pesadas. Consegui afastá-las fechando os olhos com toda a minha força. Eu gostaria de "querer" socá-lo, xingá-lo, arranhar a sua face. Mas esse sentimento não chegou. Perdeu-se em lembranças. Coração traidor e covarde. — Loren... Lorenzo? — Sim, seu Lorenzo. — Em seu rosto não encontro sorriso. Vejo um sentimento diferente transparecer. Seria curiosidade? Ou saudade? Estou em um conflito interno. Não sei se sorrio ou se choro. Se grito ou se ignoro. — Meu Lorenzo? — Minha voz saiu baixa. Um sussurro. Estou com medo do que o futuro está aprontando novamente comigo. Não seria justo! Seus olhos ainda estão fixados nos meus. Não sei se


desvio, ou se continuo a encará-los e mostrar o quanto sou forte. Piegas, não consigo. Desvio o olhar para o meu celular e meus dedos. Respiro fundo, fecho os olhos e tento ganhar equilíbrio emocional para encará-lo. Talvez quando eu elevar minha cabeça e abrir os olhos, ele não esteja mais aqui, me darei conta que tudo isso foi uma alucinação, causada pela tequila. Levanto minha cabeça e encaro a realidade a minha frente. — Você voltou por quê? — Treinei esta pergunta milhares de vezes, esperando o dia que ele se arrependesse e viesse ao meu encontro. Agora preciso saber, não por isso, mas para entender o que o trouxe aqui. — Por você. — Meus olhos, traidores me deixam na mão e passeiam pausadamente sobre ele. Primeiro os olhos e seu nariz afilado e harmonioso, depois nos seus lábios vermelhos e delineados, seu queijo quadrado, seu pescoço longo. Ele mudou. Está mais velho, mais bonito. Será que o tempo me fez bem, igual a ele? — Você me expulsou da sua vida. Depois de quatro anos você volta para mim? — Agora foi à vez de ele fechar os olhos com força. Passou a mão direita entre os cabelos negros e espessos e balançou a cabeça. — Me perdoa? — Me perdoa? Eu o perdoei no mesmo dia que me expulsou de nossa casa, feito um inseto peçonhento. — Você se arrependeu do que me causou, veio me procurar para eu te dar o meu perdão? Se for isso, eu já te perdoei. — Seu perdão é importante para mim. — Não respondo a sua afirmação. — Refez a sua vida? — Ele não tem o direito de querer saber. — Isso fará diferença? — Não. Nada fará diferença para o que eu vim fazer aqui no Brasil. — Sua voz saiu firme. Ao fundo tocava uma música irritante. Minha cabeça latejava e meu corpo pedia cama. Hoje foi um dia de treinamento para uma "presente" guerra interna. Juro, que se o Gustavo estivesse ao meu lado, conseguiria passar por isso com mais segurança e determinação. Infelizmente, o que restou de nos dois foram apenas dúvidas e omissões. — Nada? — perguntei. Esticou seu braço sobre a mesa e encontrou uma das minhas mãos. Acariciou com o dedo polegar, devagar quase parando. Fechei os olhos por instinto. Lembranças vieram imediatamente em minha mente fértil. Abri os olhos assustadas com as imagens que me invadiram e, afastei minha mão da dele. — Você pode não acreditar em nada que eu disser, por causa de tudo que te fiz, mas não pode me impedir de dizê-las. — Então fale. Comece. — Ele infla o peito e solta um grunhido ruidoso. — Ana... Eu me arrependi. Arrependi de tudo que eu fiz com você. — Tudo? Você sabe tudo que eu passei? Não, Lorenzo. Você não sabe nem um terço do que eu passei e ainda passo. — Não, mas eu tenho noção do que você passou. Eu sofri com minhas atitudes. Não foi fácil, abrir mão do nosso casamento. Sempre fui louco por você. Eu estava transtornado, você precisa entender o meu lado. Eu perdi um filho tragicamente, foi um baque em minha vida. Eu fui injusto e covarde quando a acusei de causar toda essa tragédia. Eu assumo, mas eu sofro até hoje pela a perda do nosso Rafael. — Entendo — falo sem entender realmente o que estava acontecendo ali. — E o meu sofrimento? Você entendeu, ou só agora você começou a entender? — É claro que entendo, só demorei em encontrar você. Acredita em mim! —Não, não consigo acreditar em você. Eu vi em seus olhos o ódio direcionado a mim. O único


erro aqui foi eu ter deixado toda essa loucura roubar anos da minha vida na esperança de você se arrepender e vir atrás de mim. Tudo que eu conseguir te dizer aqui, não chega perto da imensidão de tristeza que eu vivi. Nós perdemos um filho, nós dois. Você foi egoísta demais. Covarde! — Apesar do meu nervosismo, minha voz saiu em sussurros. Estou esgotada. Nem forças tenho mais para discutir. — Ana... Isso já passou, agora vamos recomeçar de novo. Lembra da promessa que eu te fiz no dia do nosso casamento? Eu lembro claramente como se fosse hoje. Eu prometi te amar eternamente e, enquanto existissem estrelas no céu ou até mais se pudesse, eu continuaria amando você. Lembra? Era para ser para sempre o nosso amor. — Senti uma fúria tomar conta do meu ser. Cheguei para frente e aproximei os nossos rostos, minha vontade foi de enfiar um tapão no meio de sua cara de pau, mas seu cheiro me invadiu me deixando inebriada. Lembrei o motivo de ter me aproximado dele e continuei; — Cala essa boca. Não acredito nesse amor, não mais. Demorou, mas hoje eu entendo perfeitamente que você nunca me amou Lorenzo. Nunca! — Como nunca te amei? Eu te amo. — Ama porra nenhuma! No dia que enterramos o Rafael, você nem sequer me olhou. Nem um abraço, uma palavra de conforto. Que amor é esse? — Desculpe! Eu estava mal. Eu não quero mais viver sem olhar para você, sem te amar. Ana, eu preciso de você. Entende isso. — Lorenzo deixa de ser mentiroso. Esquece tudo que vivemos. Melhor, arranque esse amor do peito. Lembra? Lembra dessas palavras? — fitei-o com ódio. — Me perdoa... Por favor... Ana... — Sua voz estava baixa e triste. — Perdoado. Agora me deixe em paz. — Eu quero você de volta e para sempre. — Lorenzo, o para sempre, sempre acaba. E para mim acabou. — E por causa dele? — Dele quem? — Do homem que te beijou hoje de manhã? — Você esteve me seguindo? — Sim. Como você acha que consegui encontrá-la nesse lugar? Responde a minha pergunta. — Não é por causa dele. E por minha causa. — Ele é o que? Um casinho? — perguntou. — Você realmente quer saber? — Não me respondeu, mas seus olhos fixos aos meus me causaram raiva. Raiva de mim mesma, por me sentir atraída por ele, mesmo depois do inferno que senti por todo esse tempo. — Se isso for fazer diferença em sua vida... Ele é meu namorado. — Assim que termino de falar ele soca a mesa, fazendo um barulho estridente no ambiente. Olhei ao nosso redor e percebi que ele conseguiu chamar a atenção de outras pessoas. — Eu. Quero. Você. De. Volta. — Depois de ouvir suas palavras não consegui conter minhas lágrimas, deixei que escorressem copiosamente. Foda! Esse homem tinha que voltar justamente agora? Se ele chegasse um mês antes, essa conversa seria facilmente conduzida por ele e, eu aceitaria sem reservas ser totalmente dele novamente, sem nem questionar o seu abandono. Eu sou uma fraca vulnerável. Deus... Ajude-me! — Querer não é poder — falo determinada e enxugo minhas lágrimas. — Lorenzo eu sofri o inferno por causa de você. Fiquei na merda, abandonada, solitária, vegetando, fiquei em inércia a espera que acontecesse um milagre e você voltasse para mim. Mas, hoje Lorenzo, hoje não —


levanto-me da mesa e jogo uma nota de cem reais. Saio rapidamente do local e chego à área externa. Solto o ar que poupei e tento me acalmar para poder ir embora. Por hoje chega de novidades. Quando começo a andar para procurar um táxi, sinto duas mãos segurando minha cintura e me puxando para uma parede. Oh Deus, aonde você se esconde que não me ajuda? Lorenzo me encurralou em um muro. Olhei para ele assustada, pronta para gritar, mas tentei ser discreta para não chamar a atenção das pessoas circulando na rua. — Ana... Passa essa noite comigo? Por favor! — Não vou negar que ele mexeu comigo. Nós fomos um casal apaixonado. Lorenzo foi meu primeiro tudo. Iniciou-me no sexo e também me viciou em sexo. Ainda consigo sentir todas as sensações que ele me causava. Mas, dessa vez não poderei, quer dizer, nunca mais. — Não. — nossos olhos estão perdidos um no outro. — Um beijo? Qualquer migalha eu aceito, por favor, Morena. — Esse apelido... Somente ele me chamava de Morena, até eu conhecer o Gustavo. Não tive muito tempo para pensar no bei... Ele segurou apenas com uma das mãos as minhas duas mãos. Aproximou seus lábios dos meus, mas parou. — Hum... Que saudade desse cheiro — bufou ruidosamente. Senti seu hálito quente e refrescante. Cheirou todo o meu rosto e parou no meu pescoço. Meu coração parecia que queria sair do meu peito, consegui sentir ele se contrair aceleradamente. Encostou seus lábios em meu pescoço e beijou. Levantou a cabeça e disse: —Você ainda sente alguma coisa por mim. — Não consegui impedi-lo quando seus lábios sugaram os meus como se fosse um ato de veneração e ao mesmo tempo desespero. Eu não mexia minha boca, fiquei estática, apenas sentindo tudo que ele fazia comigo. Com a mão livre, ele segurou firme em minha cintura colando os nossos corpos e encurralando-me contra o muro. O seu beijo era o mesmo, foi como se eu estivesse de volta para ele, mas faltava uma parte minha que foi perdida, talvez morta. Juntei uma força, uma determinação descomunal e soltei minhas mãos de sua posse. Empurrei-o ele e falei: — Não toque nunca mais em mim — desferi um tapa em seu rosto. Assim que retirei minha mão ele a segurou novamente e a beijou. Puxei e me desvencilhei dele. Pode até ser grande, mas não é dois. Saí andando na frente até que avistei um táxi parado, aumentei os passos entrei no carro e falei para o motorista: — Barra da Tijuca! Por favor! — Assim, que termino de falar o Lorenzo entra no táxi e senta ao meu lado. Argh! Isso vai ser mais difícil do que eu pensava. — O que você está fazendo aqui? — Vamos dividir o táxi. Aluguei um apart hotel próximo ao seu condomínio. — Você ficou louco? Quer acabar comigo? — Não Morena. Eu te amo. — Ele diz em francês, fazendo com que eu me sinta derrotada. O motorista olha para trás e pergunta curioso: — O casal vai para a Barra da tijuca? — Sim... — respondemos juntos, eu em português, ele com o seu francês. — Lorenzo quero que você me deixe em paz. — Não. Nunca mais irei deixar você. Padeci na sarjeta até reencontrá-la. Virei esse Rio de Janeiro inteiro atrás de você por três anos, indo e vindo na esperança de achá-la. — Não existe nós dois. Eu amo outra pessoa. Isso não importa? — Não. Não me importo. Eu só desejo levá-la comigo e retomar a nossa união. — Tá bom! — encosto minha cabeça no couro do encosto do banco do táxi e fecho os olhos. Deus, Isso é uma alucinação, só pode! Amanhã tudo isso será apenas lembranças de uma alucinação. Ele me puxou para o seu peito, fazendo-me encostar a ele. Não briguei, não discuti, fiquei ali e


acabei dormindo. — Ana... Chegamos. — Ainda não abri os olhos, mas o sotaque francês me trouxe de volta a realidade. Abri sem pressa os meus olhos e encontrei os olhos negros de cílios espessos e sobrancelhas perfeitas e grossas, me olhando. — Lorenzo. — Chegamos — olho através do vidro escuro do táxi, e vejo que ele estacionou em frente a um luxuoso apart hotel. Ops! Retirando-me dessa loucura. — Você chegou. Eu tenho ainda mais quatro quadras pela frente. Não insista! Irei para o meu apartamento. Quando ele pensou em retrucar eu me adiantei e falei: — Meu namorado está me esperando na minha cama. Se eu não aparecer em casa, ele irá revirar o Rio de Janeiro inteiro até me encontrar. Lorenzo me lançou um olhar, não muito amigável. Finalmente ele se rendeu e desceu do táxi. Tive que contar uma mentira para ele se ligar. — Tchau! Informei ao taxista onde ficava o condomínio onde eu moro. Quando fui pagar ele não aceitou, disse que o rapaz francês já havia pagado. Chamei o elevador do meu bloco. Assim que entrei apertei no painel o andar do meu apartamento. Fiz tudo automaticamente. Estou com preguiça de pensar em todas as emoções que passei hoje. As portas do elevador se abrem e sigo pelo corredor virando a direita, onde fica o meu apartamento. Não acredito nisso! Eu não estou a fim de conversar, discutir. O Gustavo dormindo, sentado em cima do meu capacho e com a cabeça apoiada nos braços e joelhos. Aproximo dele, abaixo e acaricio seus cabelos lisos e pretos. Ele está cansado! Nem se mexeu. — Gustavo... Acorda! — falo em seu ouvido. Ele abre seus olhos azuis e parece surpreso quando me vê. Quando se situou com a situação, levantou-se me levando junto. Abraçou-me tão forte que cheguei a sentir dor e falta de ar. Afastei na mesma hora, quando as imagens do vídeo, onde ele e aquela loira magricela estavam iguais animais no cio, bateu na minha consciência. — Amor, você precisa me ouvir. — Agora não. Estou cansada, tive um dia infernal, minha cabeça está latejando — abri a porta e entrei. Quando ele ia entrar eu o empurrei. — Não. Vai para o seu apartamento. — Amor, eu preciso dormir com você. Não faz isso comigo. Por favor! — Não. Pede a Rafaela Campelo para te ajudar a dormir. Vocês são tão íntimos, não é possível que ela não consiga por você para dormir. — Sua expressão cansada me fez sentir pena dele, mas eu preciso ser mais forte. — Nunca dormi com ela. Eu preciso que você me escute — ele empurra a porta, me afasta, entra e a tranca. — Vai embora Gustavo! — Eu não vou embora. Vou dormir aqui e, ao seu lado. — Como é mandão. Ele se aproxima e me abraça, desce o rosto até o meu pescoço e cheira. Ele se afasta imediatamente e fala alto demais para o horário: — Você está com um cheiro de perfume francês masculino. — Hum... Fodeu! — Gustavo, se liga! Vai embora. — Com quem você estava? — Saí para espairecer a cabeça. E tentar esquecer você fodendo uma loira magricela. Ela se esfregando no seu pau, suas mãos na bunda dela. Saí para pensar nisso. Mas, aí apareceu um moreno


delicioso onde eu estava e me tirou para dançar. A carne e fraca, não é "amor"? — Que direito ele tem de me cobrar? — Vai ser assim então? Você não me deixou explicar, e saiu para arrumar outro homem? — Cale a sua boca, e fale baixo — deixei ele na sala e fui para o meu quarto, entrei no banheiro. Ele está achando que vou acreditar nas suas desculpas. Que ódio! Que mentiroso! Mentirosos! Livrei-me das peças de roupas, sandálias e acessórios. Abri a ducha e entrei na água morna... Nada melhor do que um banho para relaxar. Fecho os olhos e foi inevitável não pensar em todas as novidades de hoje. A voz mais deliciosa de ouvir me tira dos meus devaneios. — Ana... Você beijou esse cara que te tirou para dançar? — Ainda de olhos fechados e passando o sabão líquido no meu corpo, falei: — Não. Eu não o beijei, mas ele me beijou. — O que? Você deixou? — Não. Eu o empurrei e saí de seus braços. — Estou indo embora. Amanhã eu te procuro — abri meus olhos imediatamente e gritei: — Você fica. — Não. É muita informação para uma noite só. Quando você resolver contar tudo sobre a sua vida, me procure. — Seu filho de uma... — Não termine esta frase. — Ele praticamente gritou comigo. — Sabe qual é o seu problema? Sua puta entregou a sua cabeça para a otária aqui. Homens são todos iguais, sempre fazem nós mulheres nos sentirmos culpadas. Conseguem reverter à situação, mas comigo essa porra não cola. — Eu quero te explicar, mas você é a dona da verdade, e não quer me escutar. Se isso te faz se sentir melhor, eu prefiro ir embora. Minha consciência está limpa. Eu não te traí — ele saiu do banheiro e bateu a porta. — GUSTAVOOOO! — grito, mas ele não responde. Desligo o chuveiro e saio toda molhada do boxe, pego a toalha enrolo nos cabelos e visto meu roupão de banho. Ele não vai me deixar falando sozinha. Vou até a sala e o encontro sentado no sofá de olhos fechados e com a cabeça encostada na parede. Nunca tinha reparado, mas meu sofá e muito pequeno para ele. Chega a ser cômica a cena. Parece um gigante em uma mini poltrona. Sento ao seu lado e falo: — Comece a falar. Explique o inexplicável. — Seus olhos estão vermelhos, parecem cansados. — Você vai me escutar? — Sua voz sai rouca e baixa. Queria abraçar ele e dizer que tudo vai ficar bem, mas nem tudo é como desejamos. — Sim — encaro seus olhos que neste instante estão fixos nos meus. — Ana... Eu e o Arthur estamos passando por sérios problemas na empresa... — escuto tudo quieta, sem questionar. Ele explica o tal plano que ele e o irmão executaram para juntar provas contra o pai da loira magrela e abusada. Ainda não está claro o porquê de ele ter ficado com a parte do plano mais "fácil". A única coisa que eu queria era poder deitar em seu peito e sentir os seus carinhos, os seus beijos... E esquecer tudo o que me aconteceu hoje.


Capítulo 20 - Gustavo Ferrari Não sei por quanto tempo esperei essa feiticeira, mas acabei dormindo sentado em um capacho, com minha cabeça apoiada nas pernas. Se alguém chegasse até a mim e me dissesse que eu passaria por tudo isso e por causa de uma mulher, com certeza absoluta diria que a pessoa estaria blefando. Mas não, aqui estou eu, esperando a mulher que me enfeitiçou e me fez se tornar um louco apaixonado. Sinto o cheiro que se tornou meu vício e, mãos macias entre os meus cabelos. Acho que estou sonhando com um anjo consolador. Relaxo ainda mais, mas sua voz me despertou e me trouxe de volta a tempestade que preciso enfrentar. Explicar-me, dar satisfações a uma mulher. Quando, nesses longos 32 anos de vida, fiz isso? Nunca! Nem para minha mãe. Sempre fui quieto, comedido, conversava pouco. Mas agora tenho uma mulher que provavelmente tentará arrancar as minhas bolas. Será que fiz bem esperá-la aqui? Claro, Gustavo! Você é um homem adulto e responsável. — Acorda Gustavo — tentei acostumar-me com a iluminação. Olhei para ela, senti um conforto e ao mesmo tempo um alívio por ela ter voltado para casa. Confesso que fiquei meio receoso dela passar a noite fora. Sabe aquela sensação de ser corno, mas se você não vê o coração não sente, e tudo continua como sempre foi? Senti-me assim, nossa que alívio. Levantei do chão levando-a junto comigo. Abracei minha feiticeira com tanta força que ela chegou a ficar vermelha. Quando amenizei a intensidade do abraço, olhei para seu rosto mais centrado, lembrei do que realmente viria depois do abraço, mas ela foi rápida e se afastou abruptamente. Bateu um desespero. — Amor você precisa me escutar. — Vou ser direto e verdadeiro. Odeio discussões, ela terá que me entender. Posso estar sendo um bastardo, pensando dessa maneira, mas ela vai entender, não há outra possibilidade. Ela se negou a ouvir qualquer palavra que partiu dos meus lábios Tive que tomar uma postura mais incisiva e forcei a barra. Eu quero fazê-la entender, porém, para isso acontecer ela precisa ser mais compreensiva. Assim que forcei a minha entrada em seu apartamento, peguei-a a força e a abracei, mas... Assim que beijei e cheirei o seu pescoço, senti o cheiro de uma fragrância que usei por muitos anos, "Paco Rabane One Million". Como assim? Esse perfume é masculino. Quando a beijei hoje de manhã o único cheiro predominante era o dela. Que porra é essa? Ahhh... Ela deve ter uma boa desculpa. — Você está com cheiro de um perfume francês masculino. — Minha voz não saiu firme, até falhou um pouco. Simplesmente, mandou eu me ligar, ir embora, entre outras frases que não prestei atenção. Tudo isso, causado por minha imbecilidade de omitir. Agora aguenta, Gustavo Ferrari. Insisto por sua atenção para eu poder me explicar, embora ela se mantenha firme e tenta me expulsar em todas as oportunidades. Fiquei surpreso e ao mesmo tempo possesso. Possesso não, POSSUÍDO, quando ela afirma que estava na companhia de outro homem e, que ainda por cima eles se beijaram. Então o cheiro é desse filho da puta, desgraçado. Fico igual a um corno inconformado parado no meio da pequena sala de seu apartamento. Já que ela disse que não correspondeu ao beijo, sigo com a missão de fazê-la me escutar. Guardo meu orgulho de homem ferido para depois. Vou até o quarto, mas quando entro, sou surpreendido, a porra do papel de parede, sumiu. Ela fez isso por mim! Não sei se me sinto muito feliz, tipo assim feliz pra caralho! Entro naquele banheiro e tomo ela na marra do jeito que ela gosta, ou continuo a batalha de


conversar com minha feiticeira estressadinha. Invado o banheiro, mas continuamos com a discussão. Infelizmente, está sendo mais difícil do que imaginava, saio do banheiro jurando que estou indo embora. Ela gritou meu nome desesperadamente, não sabia que ela era tão brava. Cheguei até a sala e sentei no maldito sofá para anões. Fecho meus olhos e começo a pensar, minha cabeça está a mil por hora, tudo estava perfeito, ia apresentá-la aos meus pais, daria mais um tempo a ela para acostumar um pouco mais comigo, depois a pediria em casamento. Sim! Casamento. Eu amo essa mulher, tenho certeza que nunca mais conseguirei amar outra pessoa com a mesma intensidade. Minha mãe sempre diz para Arthur e eu: "Quando sentirem aqueles bichinhos voando dentro de vocês e o coração sendo esmagado, pode ter certeza que vocês dois irão se render, pois isso se chama amor e, poucos conseguem resistir". Sempre caímos na risada, quando ela insistia nesse assunto. Sinto tudo isso e mais um pouco, quando penso e estou com ela, mas esse desejo incontrolável de tê-la para sempre cresce a cada milésimo de segundo e está me sufocando. Sinto sua presença, mas não abro os olhos, ela senta ao meu lado e pede para eu explicar o inexplicável. Não é inexplicável! Começo a explicar com detalhes, mas ela parece impassível, fica quieta e indiferente a tudo o que eu falo. Porra! Assim fica difícil. — Ana, foi tudo encenação. Eu precisava ganhar tempo para instalar as câmeras e o programa. Esse vídeo que ela te enviou terminou ali mesmo. Não tivemos nada, além disso, que você viu. — Por que eu deveria acreditar em você? Por quê? — Ela pergunta com seus olhos verdes encarando os meus olhos. — Por que eu te amo e nunca mentiria para você. — Ela está processando todas as informações, mas sua expressão me deixa assustado. Ela não quer entender. — Tem mais merda nessa história toda Gustavo. Eu quero a verdade! — Deus, isso não vai ser fácil. — Ana, eu e Rafaela fomos noivos há um ano, mas durou apenas quatro meses. — O quê? Você disse que nunca teve um relacionamento sério, antes de me conhecer. — Sim minha vida. Você é a única. — Sim, eu disse isso para você, porque eu não levei esse noivado a sério. — Explica essa história direito. É muita informação para uma noite só. — Acho que agora ela se interessou no assunto. — Ana... A Rafaela forjou uma gravidez e com isso, embarquei nessa história de noivado. Eu aceitei, mas nunca me casaria com ela, eu só queria ganhar tempo para me retirar dessa merda toda. — seus olhos estão mais tristes do que o normal dela. — Então isso confirma que vocês... — Não meu amor. Nunca transamos. Ela me fez acreditar que transamos. — Como ela conseguiu essa proeza? — Sua pergunta veio carregada de deboche. Ela definitivamente não está acreditando no que estou lhe contando. — Ela me dopou e criou toda uma situação que me fizesse acreditar que transamos. E como eu não me lembrava de nada, acreditei. Mas nunca imaginaria que ela fosse tão longe com essa mentira. — Você tem algum tipo de sentimento por ela? — Me aproximo e levo minha mão até o seu rosto para secar suas lágrimas, mas ela virou o rosto e tirou a minha mão de seu rosto. Meu peito parece que está contando os segundos para uma demolição. Ela precisa me perdoar e acreditar em mim. —Sim, tenho nojo. Senti-me sujo, não foi a minha intenção usá-la para alcançar o objetivo desse plano que Arthur e eu planejamos, mas foi preciso. Infelizmente. — Gustavo... Você não tem ideia do quanto estou angustiada. Eu preciso muito acreditar em você,


por que eu vou precisar de você. Mas está cada vez mais difícil, acreditar nessa história que parece mais uma sinopse de filme de ação. — Imaginei que ela fosse ficar triste com tudo isso. Ledo engano! Ela está transtornada, desolada, angustiada. — Você me traiu, nunca esperei esse tipo de comportamento partindo de você. Eu sabia desde o início e me perguntei se não estávamos indo rápido demais. Não vou ficar te acusando, nós dois somos culpados. — Sua voz esta rouca e falhada. — Amor, eu não te traí. Acredite em mim! — Por que você não me contou isso antes? Preferiu mentir para se aproveitar da Rafaela, mas deu errado e a louca entregou-me a sua cabeça. — Eu não sou assim. Nunca me aproveitei de ninguém, principalmente de mulheres. — Mesmo que eu tivesse tido na maioria das vezes, contato com mulheres diferentes a cada vez que queria uma noite de foda, todas sabiam o que eu realmente queria. Então, não me aproveitei de nenhuma. — Mas é claro, qual mulher não gostaria de ser fodida pelo o Dr. Gustavo Ferrari. Bem sucedido, bonito, gostoso. — Ela não está bem. Nunca me julgou dessa forma. Sua voz sai desesperada e entre lágrimas ela solta um grunhido abafado, como se tentasse se conter. Mas sou surpreendido com socos no meu ombro, peito. — O que é isso Ana? Calma! — Tento me defender. Quando seu choro ficou mais intenso, ela deitou no sofá e fechou os olhos totalmente perturbada. Fora de si. — O que foi isso Ana? — Estou impressionado com sua atitude. Ela me agrediu? — Você nunca percebeu? Eu sou desequilibrada. Tomei antidepressivos, calmantes, tudo tarja preta por quatro anos. Agora só faço uso por hobby. Acho melhor você sair dessa furada e, me deixar sozinha, nunca serei perfeita para você. — Seu peito sobe e desce repetidamente, ela está transtornada. Eu sou o culpado por isso? Ou tem mais do que isso? — Meu amor, você está muito nervosa. — Tentei tocá-la, mas sua voz foi mais rápida do que o meu toque. — Não me toque! — levantou e foi até a pequena cozinha americana. Abriu o armário, retirou uma caixa que estava escrito na tampa "Farmacinha". Abriu e começou a separar alguns comprimidos, colocando-os em cima do balcão. Observei tudo calado, não acredito que ela vai tomar todos esses comprimidos. Cheguei bem próximo ao balcão e puxei a caixa de suas mãos. — Me devolve isso agora! — esbraveja em cima de mim. —Não! — grito um não assustador. — Gustavo, me esquece. — Nunca! — peguei as caixas que ela estava manuseando e confirmei o que imaginei que fossem. As drogas dos remédios que ela se tornou dependente. — Você não vai ingerir esses comprimidos. Quer morrer? O que você tem nessa cabeça que te faz acreditar que pode engolir essas drogas? — pego a caixa onde tinha inúmeros tipos de remédios, fui até a pia, abri a torneira e coloquei sob a água. Olhei para ela e disse: — Perdeu o juízo? — Seu... Seu... Filho da... — Não termine esta frase, ou irá se arrepender. — Pela segunda vez ela tenta me chamar de filho da puta. Não admito isso. Minha mãe é uma santa, não merece ser chamada de puta. — Bastardo! — Bastarda! — grito com ela de volta. — Argh! — Ela libera um som da boca, chegou a ser engraçado e ao mesmo tempo assustador. — Isso, grita, chora, quebra tudo. Pode até me agredir, mas não deixarei você ingerir esses remédios. Você sabia que eles causam dependência? É o mesmo efeito de qualquer droga. Porra! Você deve estar louca!


— Eu te odeio! — Odeia merda nenhuma. Não é isso que você diz quando está gozando. — Arghhhhhh! — Ela grita descontroladamente. — Eu finjo todas às vezes. — Finge porra nenhuma. Você gosta, e gosta muito. — Rebato indignado, com o nível que chegou a nossa discussão. — Eu sei diferenciar uma mulher que está fingindo da que está gozando. Ana, eu tenho 32 anos, não sou um moleque. Agora chega! — fechei a torneira da pia, segurei seu braço e puxei-o com força até ela se mexer e aceitar ser guiada até a sala. — Senta nesta merda de sofá. — Fiz com que sentasse a força. — Escute... Eu, não sou seu amigo com benefício. Sou seu namorado, não aceito ser tratado como qualquer merda. Nunca fui ignorante com você, sempre a tratei com respeito e carinho. O mínimo que exijo hoje é que me respeite. Okay? — Hipócrita — diz com a voz mais controlada. — Ah, eu sou Hipócrita? Então Ana Beatriz, somos dois hipócritas. — Ela me ignora e desvia os olhos para o teto. — Olha para mim enquanto falo, não desvie os olhos — sento ao seu lado e virome até ficar de frente para ela. — Eu exijo que você me conte tudo sobre a sua vida. Quero saber de tudo e por você — arregalou os olhos grandes e verdes. Tirou a toalha que estava enrolada em sua cabeça. Os cabelos longos e pesados caíram como se fossem cortina em suas costas. — Estou cansada. Hoje não vou conseguir falar nada. Minha cabeça está congestionada com muitas informações. — Comece a falar agora! — exijo. Suas sobrancelhas arqueadas mostrando o quanto esta surpresa com minha atitude. — O que você quer saber? — Ela acha que sou otário, só pode. — Tudo sobre a sua vida. Tudo! Sem mentiras, sem omissões. —Gustavo eu tenho defeitos como qualquer outra pessoa. Mas nunca menti para você. Não condiz com a minha índole. Eu sou assim, preciso de tempo e confiança para expor a minha vida. Não poderei expor toda a minha vida para um bastardo pornográfico que se deixa ser filmado em momentos inusitados. — Estou abismado. Como você está sendo reservada. Deixe de ser pudica! Não acredito nisso, depois do que vivemos e fizemos juntos, você vem falar sobre confiança? — Você ocultou a realidade, usou uma máscara de aparência, fingiu... Fingiu um comportamento, que não condizia com o que você me mostrou ser. — Ela tenta mudar de assunto para desviar o foco da minha atenção. Foda! Oh mulher difícil. — Ana Beatriz, eu nunca fingi e muito menos encenei minhas atitudes enquanto estivemos juntos. Nunca mesmo! Agora sim, você... Você mentiu ou omitiu, não sei ao certo, a sua vida para mim. Esperei com paciência você se abrir, conversar sobre sua vida. Mas o que eu ganhei? Nada! Bastou eu errar, para você se rebelar dessa maneira. E o babaca aqui, todo condescendente, compreensivo. — Gustavo não reverta os papéis, isso não diminuirá a sua culpa quanto ao vídeo pornográfico. — Perdi a paciência. — Porra! Eu não estou revertendo nada. Eu errei sim, admito. Mas, não irei ficar me martirizando por causa de uma droga de mal-entendido. Já expliquei tudo e detalhadamente a você. Agora se a dona da razão, não consegue ser indulgente por causa do seu PASSADO, eu juro que me retiro da reta. — Indulgente... Indulgente! Você quer é ser perdoado com facilidade. — Chega — levanto-me da droga do sofá. — Se eu sair por aquela porta — apontei com indicador para a porta da sala, — Eu não voltarei mais. — Nunca conseguiria viver sem minha feiticeira, mas ela precisa se posicionar e parar de agir dessa maneira. Então eu minto dizendo que


irei embora. — A porta da rua e serventia da casa — diz com sarcasmo. — Deixa de ser intolerante Ana. Pode ter certeza que irei embora, mas eu só saio hoje daqui depois que você me explicar tudo sobre a sua vida. Eu disse tudo. — O silêncio se fez presente e minha angústia só aumentou quando ela me olhou com ódio, mas continuou calada. — Você não quer conversar, não é? — Não — deu de ombros. — Tá bom. Deixa que eu começo a falar — digo determinado. Ela arregala seus olhos em desespero. — Odeio me meter na vida dos meus amigos, funcionários até mesmo da minha família. Mas você é minha namorada, eu preciso te decifrar com mais exatidão, ou essa ponte que fizemos entre nós dois, irá se romper. Adianto que se ela se romper será dolorido demais tanto para mim quanto para você. Então Ana Beatriz, para isso não acontecer precisamos deixar alguns detalhes esclarecidos. OK? — Ela não respondeu e desviou seus olhos para as fotos de frente ao sofá. Fitou as fotos do garotinho, que acredito ser o filho que perdeu. Olhei dela para as fotos e continuei... — Você é divorciada, teve um filho, porém já está morto. Você e o seu amigo Alex mantiveram um relacionamento por três anos e estiveram juntos de novo, mesmo depois de estarmos juntos. — Suas lágrimas caíam livremente, e seu corpo tremia a cada gemido. Minha vontade era de pegá-la e abraçá-la, mas meu ego está no controle. Esperei ela se acalmar pacientemente. Que pena! Deve ser maior barrar enterrar um filho, ainda mais uma criança. — Gustavo me desculpe. Eu não omiti e nem muito menos menti para você sobre tudo isso. Eu só estava esperando nós dois termos mais confiança um no outro para poder contar tudo para você. — Deixei que ela continuasse. Decidi não questionar enquanto ela falava. — Quando fiz 18 anos, fui estudar gastronomia na França. Conheci o meu ex-marido... Lorenzo é o nome dele, — o nome que ela chamou durante o sonho. — Nos casamos pouco tempo depois de nos conhecermos e logo depois de nos casarmos eu engravidei do Rafael. Aquele ali é o Rafael — ela aponta para as fotos. — Serei bastante realista e sincera — diz encarando os meus olhos. Prevejo que não irei gostar nadinha do que ela irá falar, mas prefiro saber logo de tudo de uma vez. — O Rafael nasceu, conciliei a maternidade e a vida a dois ao curso de gastronomia. Nós éramos felizes, fazíamos planos, nos respeitávamos, mas infelizmente o destino pregou-nos uma peça. Quando o meu anjinho, — a voz dela falhou e ela respirou mais ofegante, — tinha apenas quatro aninhos, fui buscá-lo no colégio, era um dia nebuloso e chuvoso, nada fora do normal se tratando da região onde morava, na volta para a casa à chuva fina que caía se intensificou. Foi em questão de milésimos de segundos desviei a atenção da estrada para o retrovisor interno para observar o Rafael, quando retornei o olhar para frente, vinha um caminhão na contramão, a única reação que eu tive foi jogar o carro para o acostamento, mas a velocidade que estava fez com que capotássemos para a lateral, invadindo a pista contrária. Foi horrível! Eu saí ilesa, mas quando fui retirar o Rafael da cadeirinha, ele estava sangrando muito, pois sua cabeça foi arremessada várias vezes contra o encosto da cadeirinha e o vidro da janela ao seu lado estilhaçou todo em cima dele. Mas ele estava respirando quando o retirei — seu choro copioso rompe o ambiente causando-me arrepios. — Enquanto esperávamos o socorro chegar, ele abriu os olhinhos e se despediu para sempre de mim. — Que triste. Aproximei nossos corpos e a puxei pelos braços, coloquei-a em meu colo para tentar confortá-la. — Meu amor, chore o quanto achar necessário, pode chorar. Estou aqui com você. — Ai, desculpe estou molhando a sua blusa. — Não me importo com isso — falo baixo beijando o topo de sua cabeça. — Depois... Depois que ele... Morreu, o Lorenzo passou a me acusar de ter matado o nosso filho.


Eu aceitei essa culpa, era o mínimo que podia fazer para amenizar a dor dele. Mas ele... Ele me expulsou de sua vida. Atirou-me em um abismo. Acabou comigo, entrei em depressão profunda. Mas... Mesmo depois de ele ter me excluído de uma maneira tão covarde e egoísta, mesmo depois disso, continuei amando-o com todas as minhas forças. Depois de um ano da morte do meu anjinho, o divórcio chegou, neguei em assinar, pois ainda eu tinha esperança dele se arrepender e me pedir para voltar para nossa casa e para vida dele. Mas... Isso não aconteceu. Assinei o divórcio e voltei para o Brasil com o apoio da minha mãe. Refiz a minha vida, conheci o Alex, nos tornamos sócios e amantes por três anos, mas no início apenas a amizade prevalecia, por isso conseguia expor a minha vida a ele, depois de um tempo começamos a nos relacionar, sem compromisso. Desde o início chegamos a este acordo de não nos envolvermos sentimentalmente, mas o Alex levou para outro lado e esqueceu o nosso acordo e, infelizmente passou a me amar. Porém, o máximo que consegui sentir além do carinho e admiração, foi apenas o desejo que nos manteve todo esse tempo. E, desde que estamos juntos eu juro, nunca mais estive com ele. Dei a nossa história por encerrada. — Ela soltou um ar que parecia estar prendendo enquanto falava, e começou a passar os dedos entre suas ondas de cabelos longos e cheios. Estou aturdido com tanta informação, mas a que me chamou mais atenção foi à parte deste bundão do Lorenzo. Ela continuou amando-o mesmo depois de ter sofrido a decepção de ser largada por ele. Ela ainda sofre por ele ou pelo filho morto? Ela tremia entre lágrimas e suspiros. Preciso acalmá-la. Passei as minhas mãos por baixo do roupão que ela vestia. Acariciei sua cintura e barriga, subi uma das mãos até os seus seios e massageei-os com carinho. De olhos fechados e lacrimosos, arfou em meu colo ao sentir o meu toque. Encostei meu rosto no pescoço dela e passeei o nariz em todo o seu pescoço e rosto. — Ana... Eu te amo tanto — segurei seu rosto, fazendo com que nossos lábios se tocassem, mas quando nos tocamos, ela se afastou assustada. — O que houve? — apontou para o roupão de banho e minha calça jeans. Demorei a assimilar de onde vinha tanto sangue. Mas logo me recobrei e me lembrei do que se tratava. Ela ficou corada e escondeu o rosto com as mãos. — Desculpe, estou menstruada. Quando você disse que estava indo embora e não respondeu quando o chamei, saí de qualquer jeito do banheiro, esqueci até desse probleminha aqui. Desculpe! — Tentou se desvencilhar do meu colo, mas mantive-a parada segurando ela pela cintura. — Gustavo eu preciso ir ao banheiro. Estou sujando você todo. — Eu não tenho nojo de você. — Isso é nojento Gustavo. Nem eu mesma me suporto. Quem dirá você que é homem. Ai que vergonha Deus! — Eu amo tudo que vem do seu corpo, que vem de você — desci uma mão até a sua vagina. — Não! — Ela diz estremecendo. —Sim! — Rebato decidido a continuar. Senti um tesão só de pensar nela toda aberta expondo sua boceta encharcada com o sangue rubro escorrendo. — Você é deliciosa... — escorreguei dois dedos em seu canal cremoso e quente. — Nãooo... Gustavo. Por favor! Aaaaaaa... Eu preciso terminar nossa conversa. Ainda não acabei. Você precisa saber que o... — Daqui a pouco Morena — mordi o seu pescoço com uma fome voraz, misturada ao medo de perdê-la. Desci os lábios até seus seios redondos e rechonchudos. Lambi os dois, desesperado, mordisquei os seus mamilos rosados e pequenos. — Eu te amo. Eu te amo feiticeira. Não foge de mim mais não. Deixa eu te fazer feliz, por favor! — Ela gemia, gemia não, ela miava baixinho e rebolava em cima dos meus dedos. — Vou fazer você esquecer de vez esse tal de Lorenzo. Vou te


levar até outras dimensões, sempre ficaremos juntos. Independentemente de qualquer problema sempre estarei ao seu lado — levanto do sofá com ela agarrada no meu pescoço, suas pernas em minha cintura. Entre beijos e gemidos, entro em sua suíte. Olho para a parede e sinto um sentimento de vitória ao confirmar que aquela merda de papel de parede foi para o lixo, mas ao mesmo tempo sinto-me derrotado por saber que esse babaca ainda existe. Não foi nada legal, lembrar dele neste momento não muito propício, meu lado dominador, exigiu de mim mais respostas. Não consegui evitar, ela saiu sem que eu pensasse antes de falar: — Você ainda sente alguma coisa por ele? Por esse tal de Lorenzo o seu ex-marido — sentei na cama com ela ainda em meu colo. Forcei-a olhar para mim, segurando seu queixo e elevando-o. — Eu realmente preciso saber, não quero vaguear na escuridão. Por favor, seja franca comigo. — Ele voltou. — Não foi isso que eu perguntei a ela. Espera ai... Quem voltou? Ele voltou? O Lorenz... Não é verdade. — Ele voltou? E você ainda sente alguma coisa por ele. — Não foi uma pergunta, foi uma afirmação que eu fiz. — Sim ele voltou e, eu não sei de mais nada. — Ela passou a mão delicada entre as ondas de seus cabelos bagunçados. — Por que você não me falou antes? — Hum... Ela estava com ele, antes de chegar aqui. O beijo, o perfume, seu nervosismo e intolerância... É claro, esse boçal voltou e estava com a minha mulher. Senti um animal se apossar de mim e possuir a minha alma. — Você estava com ele — a tirei do meu colo, e me coloquei de pé. Seus olhos encheram de lágrimas de novo, aquiesceu confirmando a minha pergunta. Desviou seus olhos para baixo e ficou fitando as mãos entrelaçadas. — Gustavo, eu não sabia que ele estava aqui no Brasil. Logo depois de assistir ao vídeo, saí desesperada do restaurante e peguei o primeiro táxi. Eu só queria organizar as ideias, porém tudo deu errado. Fui até a Lapa, entrei no primeiro barzinho, mas logo depois fui surpreendida por ele. Não tive culpa! Nem em meus sonhos mais impossíveis eu imaginaria que ele fosse retornar para tentar uma reconciliação. Não depois de tanto tempo. — Reconciliação? — pergunto alto demais. — Sim. — O que esse babaca pensou? Que você fosse esperar por ele até a morte? — perguntei furioso. — Sim. — Suas respostas monossilábicas estão me deixando mais nervoso ainda. — Então, entendi. Foi ele que beijou você — afirmei, mas ainda na esperança que ela dissesse não. — Ele beijou, mas, eu não correspondi ao beijo. Quando ele aprofundou com a língua... — Chega Ana! Meu poupe dessa parte de "língua". — Você sente alguma coisa por ele? — Meu coração está acelerando a cada segundo que se passa desde quando ela começou a falar sobre isso. Parecendo uma bateria de escola de samba. — Estou muito confusa. — Confusa? Você é uma mulher feita. Não acredito que depois de tudo que te aconteceu você... Você ainda... Ai Deus! Onde esse filho da puta está? — Estou como um animal furioso atrás de sua presa. — Está hospedado em um apart hotel aqui próximo. — Eu quero o endereço dele. E, se você não me der, pode ter certeza que eu o encontrarei até mesmo no inferno. — Gustavo, Fique calmo! — Não é uma boa frase para o momento, pois só me deixou mais possesso.


— Calma porra nenhuma! Você disse que estava apaixonada por mim Ana, por mim. E quando eu disse que te amava você respondeu "Eu também". Então quer dizer que você me iludiu, e tudo não passou apenas de uma aventura para te distrair, até esse filho da puta do Lorenzo voltar? Fala! — Ela não reage a nada, só sabe chorar e isso me deixa ainda mais nervoso. — Esse covarde te fez sofrer por anos e depois de tudo o que nós dois vivemos, você vem e me diz que está confusa? Confusa é o caralho. — Ela não se moveu e nem me encarou, seus olhos estão fixos no chão. — Estou saindo — saio do quarto dela e bato a porta com tanta força que rachou a madeira do acabamento da porta. — Gustavooo! Não me deixe sozinha, por favor — olhei para ela. Mesmo sua imagem triste e indefesa não me fez recuar. Preciso repensar algumas decisões. — Ana, vá se trocar. Tire este roupão sujo, coma alguma coisa e tente descansar. Tchau — saí sem olhar para trás. Não sei por onde começar, mas esse babaca não irá tirar a Ana de mim. Mas não vai mesmo. Olho as horas no celular e vejo que já são 00:56h. Melhor eu ir direto para casa, a essa hora não conseguirei resolver nada. Olho para meu jeans manchado com o sangue dela. Era para eu sentir nojo, mas não consigo. Isso só me fez sentir o quanto eu estou amando essa mulher complicada. Ahhh... Feiticeira que trabalho você está me dando. Foi difícil conseguir deixá-la sozinha naquele estado. Mas, foi melhor assim mesmo. Ela precisa sentir a minha ausência, precisa repensar nas suas decisões. A minha vontade nesse exato momento é ir novamente até ela, pegá-la bem duro do jeitinho que ela gosta, e foder até seus pensamentos para fazê-la exilar essa "dúvida" de sua cabecinha. Depois de tudo que passou por conta daquele babaca, vem me dizer que está confusa? Eu preciso avisar aos porteiros para não deixarem esse babaca subir até o apartamento dela. Já que o Lorenzo a está seguindo, acredito que já saiba o endereço dela e até mesmo o meu. Paro na guarita e chamo o porteiro que sempre está aqui no turno da noite. Procuro sempre agradá-lo, ele é bastante prestativo, mesmo quando termina o expediente, faz alguns serviços extras para alguns moradores, inclusive para a Ana Beatriz. Ela disse que ele tem uma cópia de suas chaves, sempre que pode sobe até o apartamento dela para regar as orquídeas que ela cultiva. Mas antes de fazer, ele liga para o celular dela pedindo autorização. É um senhor bacana! — Boa noite Severino. —Oba oba... Sr. Gustavo! — Severino vou viajar por um tempo e a Ana Beatriz, vai dormir por uns dias sozinha. Se algum homem chamado Lorenzo vier aqui procurá-la, diga que ela não se encontra. Em hipótese nenhuma, interfone para o apartamento dela. Quebra essa pra mim? — aperto sua mão e lhe dou um agrado, ele sorrir abertamente. Eu gosto dele, atencioso e prestativo. — Pode deixar Doutor, vou ficar de olho e passarei esse pedido para os outros porteiros e segurança deste turno e os diurnos. Senhor? Nem o Sr. Alex? Ele não tem aparecido por aqui, mas de repente se ele vier... É para deixar que ele suba? Sabe como é? Ele tem autorização de subir sem ser anunciado. — Porra! É muito desgosto para uma madrugada só. — Não deixa subir, sem antes ser anunciado pelo interfone — pensando bem e lembrando bem as palavras que ele me disse... — Não. Nem ele você autoriza. Diga que ela não se encontra. — Tá certo! Chego em minha cobertura sem saber o que fazer, como organizar tudo dentro da minha cabeça. Ponho tudo que está em meu bolso sobre o aparador, que fica na entrada. Na geladeira não encontro nada de bom para comer, mas no freezer tem várias vasilhas cor de rosa que a Ana comprou para organizar as nossas refeições, repletas de variedades. Escolho qualquer uma que vejo pela frente, risoto de camarão. Fecho a porta e me deparo com um papel onde


ela escreveu as instruções para aquecer a comida. Até a letra dela é bonita. Retiro os imãs que sustentam o papel e cheiro o papel. Isso mesmo cheiro um papel na esperança de sentir o cheiro dela. Olha só a que ponto eu cheguei. Depois leio as instruções: — Levar ao forno por aproximadamente 30 minutos — demora muito. — Levar ao micro-ondas por 15 minutos. Hum... Agora sim. — Coloco a vasilha e marco 15 minutos. Tomo um banho cronometrado, enquanto me enxugo, escuto o bip que o micro-ondas emite, indicando que o meu risoto está aquecido. Saio do banheiro e visto uma boxer. Voltei a fazer as mesmas coisas de antes quando ainda não conhecia a Ana Beatriz. Voltei a ser solitário. Logo, logo estarei conversando comigo mesmo, como sempre fiz quando me sentia só. A convivência é uma merda, te deixa dependente de mínimos detalhes. Depois de comer na maior solidão, sigo para o meu quarto sem ânimo nenhum. Escovo meus dentes, lavo o rosto e deito em minha cama grande e fria. Tentei dormir, mas nada do sono chegar, só conseguia pensar na Ana Beatriz, dizendo-me que esta confusa. CONFUSA... Fecho meus olhos com força para ver se essa sensação estranha deixa o meu peito. Fui vencido pelo sono, logo depois de bater uma punheta, pensando nela mamando meu pau todinho na sua boquinha vermelha e carnuda, e depois pedindo para eu gozar na sua bunda redonda e cheia de carne. Isso se repetiu por mais duas vezes depois que acordei, estou com tesão acumulado. Ah, meu grande arquiteto do universo! Falar sozinho, comer sozinho, tocar uma, dormir sozinho. Como vou reaprender a me acostumar com essa condição? Não, não, não. Na verdade, acordei a madrugada inteira, quando ela invadia os meus sonhos sempre chorando. Isso foi uma tortura para mim. Tomo um banho rápido, visto qualquer jeans, tênis e uma blusa azul de botões. Quando estou na cozinha tomando meu café da manhã, Vivi sai da lavanderia segurando um monte de roupas, falando alguma coisa... — Gustavo? Gugu, meu nego. Você está bem? — O sotaque baiano é a marca dela. É gostoso de ouvir. — Bom dia Vivi. Estou bem. — A minha menina está no banho? Quero saber dela se eu posso passar esses vestidos? — Ai Deus! — Não. Ela não dormiu aqui. Pode passar os vestidos Vivi — fitou-me desconfiada e fez um bico de reprovação. — Hum... Vocês brigaram, foi? — Não. — Meu dengo, não minta pra sua véia. — Nos desentendemos. Só isso. — Olhe só o seu estado... Você não está nada bem, meu dengo. Está pálido demais. — Vou ficar bem. Não se preocupe. — Não largue dela. Você a ama! Eu te conheço rapaz, desde quando sua mãe tinha você dentro da barriga, sei o quanto é orgulhoso. — Vivi, fique tranquila. Daqui a pouco tudo irá voltar a ser como antes. — Sei... Eu quero o telefone de Aninha. Vamos, me passe agora seu teimoso. — Ela tirou o celular que eu dei a ela no dia das mães de dentro do avental colorido. Ela é safa e esperta! Aprendeu a mexer rapidinho no aparelho moderno. — Ande menino, não tenho o dia todo. Tive que dar o número da Ana Beatriz e ainda por cima o endereço do apartamento dela. Vivi


alegou que elas combinaram de limpar o apartamento semana que vem. Por isso, ela precisa do número e endereço. Eu? Óbvio que não acreditei. Vivi é uma leoa, não pode ver seus meninos (Eu e Arthur), chateados ou calados. — Meu nego vou sair mais cedo hoje. O Arthur precisa de mim, para dar ordens nas diaristas que irão limpar a cobertura dele. Ele dará uma "festinha" amanhã. Vou espalhar pelo apartamento inteiro, recadinhos do tipo: jogue as camisinhas na lixeira. — Ela não para de falar. Não presto atenção em nada, só consigo pensar na Ana. — Tá bom Vivi — levanto-me e dou um beijo em sua testa. Ela tem um cheiro de amaciante. Sorrio. — Vai com Deus meu nego. — Mesmo morando no Rio de janeiro há 33 anos, ela não perdeu o sotaque do nordeste. ** Chego à minha clínica sem muito entusiasmo, passo pela Sofia e as meninas que ficam na recepção. Elas me olham e suas expressões mudam visivelmente. Será que estou tão mal assim? — Bom dia — passo por elas e sigo para um dos diversos consultórios que possuo, além de um centro cirúrgico completo. Escuto-as responderem ao meu bom dia, mas nem olho para trás. Entro em minha sala, sento e a primeira coisa que penso em fazer é confirmar a agenda de atendimento no meu celular, mas vou direto para as mensagens que a Ana Beatriz me enviou durante toda a madrugada. Quando cheguei em casa desliguei o celular e só lembrei de ligá-lo agora. Estou meio aéreo, parece até que traguei um cachimbo da paz. Leio as mensagens: "Desculpe". -A.B "Vem me buscar, não consigo dormir sem você." - A.B "Gustavo, não faz isso comigo." - A.B "Eu preciso de você ao meu lado." - A.B "Eu juro de dedinhos, que farei você feliz. Eu também te amo muito."- A.B. "Amor volta pra mim." - A.B "Você não me quer mais? É isso?" - A.B "Se você não responder as minhas mensagens, significa que você não me quer mais". - A.B "Me perdoa!" - A.B "Estou com Saudades". - A.B Leio todas as mensagens repetidamente, nada me surpreendeu. Esperei que ela me dissesse que estava enganada quando me disse que estava "confusa", em dúvidas entre eu e esse babaca do Lorenzo. Pego o telefone e chamo o ramal da Sofia. — Sofia... Desmarca todas as consultas que estão marcadas para depois das 14h da tarde. — Dr. Gustavo, está acontecendo alguma coisa? Ontem desmarquei algumas consultas e remarquei para hoje. Tem certeza que o senhor quer que eu desmarque? — Absoluta certeza! — Doutor? — Oi Sofia. — O Senhor está ciente que na segunda feira tem três cirurgias para implantes de silicones? — É claro que eu sei. Pergunta idiota. — Des... Desculpe! Mas hoje o senhor está na merda mesmo, hein? — Perdão Sofia. Não estou nos meus melhores dias. — Escuto uma voz ao fundo. — Hum... Só um instante. — Ela está falando com outra pessoa. Deve ser alguma paciente que


chegou e está fazendo a triagem. — Dr. Gustavo, tem uma senhorita aqui, aquela louca que invadiu ontem a sua sala — sussurra. — Bastante temperamental que quer que eu autorize a entrada dela para falar com você. Ela se chama Rafaela Campelo. — Manda os seguranças expulsarem ela daqui. Agora! Depois vem até o meu consultório. Por favor. — Sim, senhor. Não sei por que essa louca ainda está atrás de mim. Será que o que ela fez ontem, não bastou? Que inferno. Entrou mais uma mensagem da Ana Beatriz em minha caixa de entrada. "Apesar de toda a minha reação, depois de assistir ao vídeo e escutá-lo explicar tudo o que aconteceu, eu acredito em você." — A.B Não respondo, mas com certeza ela viu que estou online e visualizei a mensagem. Desligo o celular, se eu deixá-lo ligado não consigo trabalhar hoje. Sofia entrou em meu amplo consultório, exalando seu perfume adocicado e um sorriso indescritivelmente só dela. — Nossa o senhor está péssimo. Parece que não dorme há dias — sentou na cadeira e fez um coque nos cabelos prendendo-os com os próprios cabelos. Não sei como as mulheres conseguem fazer um coque imaginário. — Estou sem dormir. Tá foda! — Dor de cotovelo? Essa merda dói pra caramba! Não sei por que chamamos de dor de cotovelo, deveria ser dor de coração — sorriu. Pensei um pouco antes de responder. — Não — respondo e falo em seguida — Sofia, a Rafaela Campelo não é bem vinda aqui. Se ela voltar a aparecer de novo, não pense muito antes de expulsá-la. Entendeu? Avise aos seguranças da clínica. — Sim. — Ela disse que é sua noiva. Tive que rir da cara dela. Mulher louca! — Ela é maluca mesmo — falei. — Desmarca as consultas, por favor. — Tá bom! Mas hoje o senhor está com a agenda completa. Já aviso! — Eu sei. — Vou fazer o seguinte. Tentarei adiantar o máximo de pacientes para esta manhã. Ainda são 8h, acho que dá tempo para convencer as madames látex a virem mais cedo. — Só ela para me fazer sorrir. — Sofia você não existe. — Muda essa cara de mau. — Não sei como vou conseguir mudar, é a única que eu tenho. — Não. Você tem uma que é bem mais agradável do que essa. Parece até que ganhou uma coroa na cabeça — só rindo das suposições da Sofia. Ela não existe! — Coroa? — Perguntei. — Sim! É o mesmo que "Chifres". — Foi mais ou menos isso que eu ganhei. Pensando bem... Acho que não chegou a ser uma traição. — É a morena que te deixou assim? — apontou para a foto da Ana que estava sobre a mesa. Quando fomos ao cinema da última vez, tirei com meu celular mais uma foto dela, enquanto aguardávamos na fila do cinema. Pedi para a Sofia imprimir e colocar em um porta-retratos. Agora a foto está aqui em cima da minha mesa, e a cada espiada eu sinto os meus olhos arderem e a minha


voz embargar. — Sim. — Ela é uma gata! Mas se esta te fazendo sofrer, ela é um urubu para mim. — Seu senso de humor se iguala ao do Arthur. — Ela ficou corada ao ouvir o nome do meu irmão. Provavelmente ele já a rondou com sua conversinha. — Fico feliz que o senhor goste das minhas piadas, mas comparar-me ao Arthur... Aí já é demais. —Você e ele... Você sabe? — elevei as sobrancelhas. — Ah... Deixa isso quieto, Doutor. — Ela termina de falar e levanta-se da cadeira ajeitando o vestido preto e elegante. — Tenha um bom dia Dr. Delícia! Xiiii... Desculpe. Não fui eu que inventei esse apelido. Eu juro! Foram as suas pacientes. — Mesmo sem ânimo e motivos, sorrio de novo. — Tchau, Sofia! Termino de atender todas as minhas pacientes que estarão em fase de pré-operatório e outras que voltaram para fazer revisão. Hoje bati minha cota mensal de ver e tocar em peitos e, também me impressionei com a capacidade de algumas pessoas acharem que sou Deus para fazer milagres. Eu consigo melhorar o que não está legal, mas fazer um milagre, impossível. Passo pela recepção e me despeço das meninas. Encontro algumas pacientes antigas, esperando para serem atendidas por outros profissionais de especialidades diferentes. — Dr. Gustavo que saudades — paro e sorrio para não ser mal educado. — Tudo bom... — esqueci o nome dela, mas lembro que fiz lipoescultura e implante de silicones há pouco tempo nela. — Camila Marquês. — Ela levanta da poltrona e oferece a sua mão. Mas ela me puxa abruptamente para beijos no rosto, típicos de nós cariocas. —E... Você como vai? — Estou louco para ir embora. Paciência Gustavo... — Estou muito bem — paciência... Essa paciente que agora eu sei o nome me convidou para sair em todas as consultas que a atendi. Mas eu nunca me interessei, sempre dei desculpas, até que da última tentativa dei um chega pra lá nela. Fui curto e direto, disse que tinha namorada. Só isso. Mas me parece que ela não se conformou. É uma senhora de aproximadamente uns 50 anos. Depois dos reajustes que fiz nela, até que ficou bonita. Mas ela acha que pode ter tudo o que deseja por causa do seu dinheiro. — Vai fazer o que agora? — Que mulher insistente. — Estou indo almoçar com a minha namorada. Desculpe, estou atrasado — saio e não volto a olhar para trás. Irei ao restaurante da Ana Beatriz para conversarmos, não posso fugir. Mas antes vou até a empresa do Arthur. Chego ao escritório principal da Ferrari Engenharia. Fica localizado em um centro empresarial luxuoso ao lado dos shoppings Village Mall e Barra Shopping. Para chegar até aqui fiquei mais de 40 minutos em um congestionamento deprimente na Avenida das Américas, não sei o que esses governantes pensam da vida, não conseguem nem ao menos fazer o básico. Chego e a recepcionista me cumprimenta. — Boa tarde senhor Gustavo. — Olá, tudo bom com você? — Também não me recordo do seu nome, mas é uma bela morena e sempre tão receptiva. — Tudo. E com o senhor? — Tudo certo. O Arthur, está me aguardando. — Ela me olha como se estivesse hipnotizada e parece não entender nada do que falei. — Vou até a sala dele — aquiesceu concordando.


Amanhã será a festa do Arthur, não estou com humor para festas. Mas ele não irá me poupar dessa vez. — Mano você está um gato com essa roupinha das meninas superpoderosas. — A única menina que vejo aqui é você. Passou a noite fungando algum peito cabeludo? — Sempre é assim, trocamos ofensas diariamente. É normal entre a gente. — Você é bem sem graça — fala. — Começou agora aguenta — devolvo. — Eu, sem graça? Só perguntei por que achei você animado demais. Sempre que você está saltitante significa que você dormiu com um amiguinho. — Cala a boca e senta aí Rapunzel. O que te trouxe aqui? Estou surpreso, nunca aparece por aqui. — Conversar... — Se é sobre o inquérito de investigação, ainda não tenho notícias. — Não. Não é isso. Eu não quero mais saber disso. Agora é com você a minha parte eu já fiz. — Ele aquiesceu e disse: — Eu sei. Mas pode deixar que depois que essa merda toda for resolvida, você receberá a sua parte. — Não quero nada que venha do nosso pai — digo ríspido e seco. — Não é dele. É nosso. — Não. É seu. — Você é muito orgulhoso Gustavo. — Vamos mudar de assunto? — pergunto sem paciência. — O que você manda? — Ele pergunta preocupado. — Moleque eu e Ana Beatriz, nos desentendemos feio ontem. — Isso eu já sei. Faz parte, daqui a pouco vocês se acertam. Contei tudo para ele, inclusive sobre tudo o que a Rafaela Campelo fez e, a reação da Ana Beatriz em relação a toda essa história, incluindo o ex-marido dela. — Porra! Essa Rafaela é uma vadia mesmo. Agora, essa parada de ex-marido, confusa... Isso aí tá foda! — conversa naturalmente, usufruindo da sua cartilha extensa de palavrões e até algumas gírias. — Moleque, eu não sei o que eu faço. Eu amo aquela mulher. Isso está acabando comigo. — Mano, você tem que fazer ela entender na marra que o "cuzão" do ex-marido é um bosta. Se eu fosse você levaria ela até um calabouço e enchia aquela bunda carnuda de porradas. Eu não me importaria de fazer isso por você. Seria um prazer, poder te ajudar. Daria umas batidinhas de leve só para assustá-la. — Não acredito no que estou ouvindo. Olho para ele e balanço a cabeça. — O que foi? Falei alguma coisa absurda? — Que moleque debochado. Não vale a pena revidar seus comentários. Respiro fundo e falo: — Eu não posso espancá-la, mas se isso for necessário para ela entender que é minha, pode ter certeza que farei. EU FAREI! Não um moleque igual a você — sorrimos. — Só quero ajudar! — levantou os braços se rendendo. — Aqui, será que você consegue descobrir o endereço de onde o babaca do ex-marido alugou apart hotel? A Ana disse que ficava próximo ao condomínio dela. Só que não tenho muita informação que contribua. Só sei o nome e que é francês. Parece ser alto, moreno, no máximo 35 anos. O vi em algumas fotos que tinham na casa dela. — Ou seja, é um concorrente pintoso? — Lá vem ele com essa história de achar homem bonito. — Digamos que pelas fotos ele parece um... Babaca — respondo e ele desconversa. — Vou ligar para um investigador particular que sempre presta serviços para mim. — Ele busca na agenda do celular o número do homem e liga. Passa os dados para o investigador e pede urgência.


— Valeu sangue bom. Tenta resolver isso hoje. Esse otário que levar a mulher do meu irmão embora. — Filho da mãe. Eu não disse para ele falar isso. Ele encerra a ligação e me olha, com um sorrisinho sarcástico no rosto. — Ele disse que vai virar todos os aparts pelo avesso até encontrá-lo. Assim, que ele tiver novidades entrará em contato para avisar. — Vamos almoçar juntos? — pergunta-me com entusiasmo. Sempre que temos tempo livres almoçamos juntos. — Pode ser. Mas eu preciso ir ao restaurante da Ana Beatriz. Pode ser lá? — Claro que sim. Amo a comida daquele lugar. Hum... Delicius! Vou demorar mais uns 30 minutos para me liberar de uma videoconferência com a Rússia. Lembra do contrato que te falei? Estamos na fase de números, zeros e mais zeros. Se eu continuar assim, terei mais cabelos brancos que o nosso pai. — Boa sorte. Espero que tudo ocorra como o previsto — disse amistoso com a notícia. — Vou indo na frente. Encontra-me lá? — Okay. Encontro sim. — Preciso passar no shopping. A Mamãe faz aniversário domingo, lembra? — Ele aquiesceu. — Vou aproveitar que estou ao lado do shopping e, comprar logo o presente dela. Sabe como ela é exigente? — Joias! — falamos juntos. Nossa mãe adora receber presentes. — Quebra um galho para seu maninho aqui... Compra qualquer anel que tenha diamante, brilhante, ouro... Esses troços que ela gosta, para eu poder presenteá-la. Depois eu acerto o valor com você. Mais olha nada acima de três zeros. Pelo amor de Deus! — Ele põe a mão no peito e arregala os seus olhos negros. — Tá bom. — Já é mano! A conta do almoço é sua — sorri ao falar. — Valeu Moleque. — Nos cumprimentamos com aperto de mãos. — Ha... Gustavo? — Quando já estava me dirigindo à porta para ir embora e ele me chamou. — Oi. — Amanhã vai rolar a festinha na minha cobertura. Você vai né? — Arthur pretendo ir sim. Você já me perguntou isso centenas de vezes. — Ele ficou visivelmente satisfeito quando disse que irei. Mesmo com nossas desavenças diárias, nos damos muito bem. — Eu convidei a Sofia. Da última vez que estive na clínica, conversamos bastante, aí acabamos trocando números de telefones. Desde então, nos tornamos amigos. Fiz mal em convidá-la? — Hum sei não. Arthur é um jogador, vive em função da empresa e sexo. Com certeza tem algum interesse sexual nessa história toda. Mas quer saber? Não quero saber de nada, cada um que cuide da sua própria vida. — Fez bem. Ela é uma boa menina — disse. — Boa mesmo! Coloque boa nisso. — Sabia! Ele fala e joga as duas mãos para frente e movimenta as duas simultaneamente desenhando um violão imaginário no ar. —Está bem! Preciso ir Moleque. Vejo você daqui a pouco. Deixei o imponente prédio luxuoso onde a Ferrari Engenharia ocupava todas as salas do último andar, seguidos da cobertura inteira. Entrei no shopping ao lado do centro empresarial e caminhei distraído olhando as vitrines das lojas. Minha intenção é escolher um conjunto de joias para a Senhora Estella Ferrari. No próximo domingo será o seu aniversário. Todos os anos ela oferece um jantar para nossa família e sempre espera ansiosa por seus presentes. Ela adora receber joias. Espero ter me acertado com a Ana Beatriz até lá. Minha mãe está ansiosa para conhecê-la. Entro na joalheria onde minha mãe costuma comprar suas joias, e logo sou recepcionado por uma


vendedora. — Bom dia, senhor. — Boa tarde — sorrio para ela. — Há... Desculpe! — Ela olhou à hora em seu relógio de pulso delicado. — Já são 12:23h. Passo tanto tempo aqui no shopping que acabo confundindo os horários. — Seu sorriso é retraído não chega a aparecer os dentes. Ela é uma morena bonita, estatura baixa, corpo com curvas bem desenvolvidas, olhos negros e cabelos lisos quase na altura da cintura. Meus olhos passearam por todo o seu corpo e quando retornei aos olhos para o rosto dela, ela estava com o olhar perdido no meu rosto. Eu sei que não sou tão ruim assim de aparência. Pelo menos nenhuma mulher nunca reclamou. Sei que meu nariz é grande demais, mas e daí? Quem é que liga para nariz? — Podemos continuar? — perguntou com uma voz fina, tentando soar sexy. Odeio quando as mulheres tentam mudar o timbre da voz. Ana às vezes faz uma voz melodiosa, mas é diferente quando é a voz dela. Eu amo até a voz daquela feiticeira. — Sim. — Sente-se. Irei mostrar a nova coleção de joias. — Ela foi até um balcão todo de vidro cristalino e retirou alguns modelos de joias. Sentou de frente para mim e pôs algumas joias sobre a mesa de madeira escura. — Desculpe não me apresentei ao senhor — estendeu sua mão em minha direção. — Me chamo Mayna Resende. — Segurei em sua delicada mão e falei: — prazer, Gustavo Ferrari. — O Senhor está procurando alguma peça diferente? — perguntou-me ainda forçando a voz sexy. — Sim. Um presente para a minha mãe — sorrio para tentar ser pelo menos simpático e, em resposta ela sorriu abertamente revelando dentes tortos e de aparelhos estéticos ortodônticos, são quase imperceptíveis, parecem de cristais. Na verdade, Acho que ela ficou alegre em saber que o presente seria para a minha mãe. Mostrou-me com paciência muitas peças extremamente delicadas e ricas em detalhes que eu sinceramente não prestei atenção em quase em nada. — Pode separar esse colar e esses brincos cravejados de esmeraldas e brilhantes — pedi decidido e louco para sair dali. A mulher não parava de utilizar sua voz forçada e de mexer nos longos cabelos. Levantei-me da cadeira estofada de madeira e olhei para algumas joias expostas sobre as vitrines. Meus olhos foram atraídos por um par de brincos delicados de pedras azuis. No mesmo instante imaginei a Ana Beatriz com eles. — Linda! — Minha imaginação se esvaiu dos meus pensamentos me fazendo dizer em voz alta. A vendedora achou que eu tivesse me referindo a ela, por isso respondeu. — Oi — olhei para ela ainda meio confuso com meus pensamentos. — Gostou desses? — Ela apontou para o par de brincos. — Sim. — São da mesma cor dos seus olhos. — Ela disse encarando-me com olhar pesado e aquela expressão foda-me se quiser. Não gostosa, eu não vou foder você. — Irei levá-los. Realmente são do mesmo tom de azul dos meus olhos. Minha namorada dirá o mesmo que você quando receber os brincos. — É... Namorada? Quer dizer, sua namorada irá gostar do presente. — Pode apostar — disse em um tom divertido. Ela desviou o olhar e disse: — Temos o colar e o anel que formam o conjunto desse par de brincos. O senhor gostaria de olhá-los? — Sim.


— Olhe só que deslumbrantes! — Ela abre a sofisticada caixa de camurça dourada e revela um colar com mini pedras azuis, seguidos do anel de brilhantes e com uns detalhes com a mesma pedra azul. — Perfeitos! Irei levá-los. — Ela aquiesceu e seguiu para o balcão de vidro cristalino. Depois de alguns minutos aguardando os produtos, meu celular vibra indicando que recebi mensagem. Olhei o visor e não pude evitar um sorriso torto nos lábios. "Eu te amo." - A.B "Desculpe-me por ontem?" -A.B "Venha almoçar comigo. Preciso olhar para você e ver nos seus olhos que ainda me quer. Se não vier, eu irei até a sua clínica atrás de você." - A.B Estou indo minha feiticeira. Mas não pense que será fácil me dobrar. Mesmo depois de ler tudo isso, não consigo entender por que ontem disse que estava confusa. Infelizmente, sou orgulhoso e só irei relaxar depois que ela tirar essa maldita dúvida de sua cabeça confusa. — Volte sempre, senhor Gustavo Ferrari. Sua namorada é uma mulher de sorte — entregou-me três bolsas delicadas e olhou-me com desejo. Se fosse em outra época até ficaria com ela. Apesar dos dentes um pouco desalinhados, ela é uma morena de parar o trânsito. — Obrigado — deixei a joalheria e segui direto para a restaurante da Ana Beatriz. Quero chegar primeiro que o Arthur, pois preciso conversar com a Ana, sem a intromissão de ninguém. Estaciono o carro em frente ao restaurante, do outro lado da avenida. Atravesso entre os carros parados no engarrafamento e entro no ambiente confortável e refrigerado. Avisto o gerente Carlos e me aproximo dele. O lugar está cheio, a Ana deve estar ocupada. — Oi Gustavo. — Ana nos apresentou a um tempo atrás quando vim almoçar com ela. — Olá Carlos. — Tudo bem? — apertamos a mão um do outro. — Tudo certo! — respondi. — Veio almoçar com a Bia? — Aqui no restaurante todos a chamam de Bia. Ela odeia que a chamem de senhora, principalmente de Ana Beatriz. Mas eu a chamo pelo nome. É muito bonito para ser trocado por um apelido. — Sim, mas antes vou até ao escritório dela. — Tá bom. Pode ir, acho que ela está com a Fernanda lá dentro. Enquanto isso vou dar um jeitinho de arrumar uma mesa para vocês. — Okay! Segui em direção ao escritório dela, quando cheguei ao corredor parei na hora quando encontrei a Fernanda discutindo com um Alex muito nervoso. Impossível não escutar o que conversavam. Foi o que eu fiz, escutei: — Eu sabia que o conhecia de algum lugar. Ontem de manhã ele estava aqui em frente ao restaurante. Cansei de olhar para a cara dele naquelas fotos... Fernanda deixe-me entrar nesta porra! — Que? Fotos? — Não Alex! Ela pediu para sairmos, então temos que respeitar a decisão dela. — Fernanda... Eu vou te tirar da frente dessa porta a força. — Fiquei parado próximo a eles, mas não perceberam a minha presença. Diminuíram o tom da discussão. — FERNANDA. DEIXA. EU. PASSAR. AGORA! — Me surpreendi com a voz que o babaca usou para gritar com a Fernanda. Fui brutalmente surpreendido na verdade quando ele terminou de falar... — Que porra de amiga é você? Que deixa a melhor amiga trancada com um babaca que quase


destruiu a vida da Bia? — segui a passos largos até ouvi-lo novamente: — Eu vou matar esse Lorenzo. Você escutou? E pode ter certeza que eu estarei fazendo um bem para humanidade. — O quê? Ele está com a minha mulher aí dentro? — perguntei atônito. Eles se entreolharam e depois me olharam. — Estão. — Alex respondeu. — Ele chegou aqui e foi entrando no escritório. — Fernanda disse. Eu só consigo ver vermelho. Vou arrebentar esse covarde. — Me dê licença. — Minha voz saiu alta e dura. — Gustavo... Não posso. Ela pediu para esperarmos aqui fora. Eles estão apenas conversando. — Fernanda tenta impedir que eu entre no escritório. — Sai. Não me obrigue a tirar você à força. — Seus olhos se abriram exageradamente e ela falou: — Quer saber? Odeio esse demônio demolidor de corações. Vou deixar vocês entrarem, mas façam valer à pena. — Ela se retirou do caminho e eu abri a porta com uma brutalidade que se esvaia da minha alma. Quando eu era garoto, costumava descer para o playground com o Arthur, para brincarmos no parquinho do condomínio. Até que um dia me distraí conversando com meus amiguinhos e o Arthur caiu do balanço e quebrou o braço. Quando meu pai descobriu que ele havia quebrado o braço por causa da minha irresponsabilidade, ele me deu uma surra. Enquanto me esmurrava, ele me mandava chorar e eu não conseguia. Ele dizia que só pararia de me bater quando eu chorasse, mas mesmo assim nenhuma gota de lágrima saiu dos meus olhos, mas jorraram para dentro da minha alma. Quando cansou de me esbofetear ele disse: "Você é tão ruim que nem chorar você consegue. Seu merdinha". Não sei por que me lembrei disto agora, talvez seja por que pela primeira vez depois daquele dia, sinto minhas lágrimas jorrarem para dentro de novo. Isso dói demais. É uma dor que sufoca. — Ana? — perguntei perplexo. Nada poderia me preparar para a cena que vi. Eles estavam se beijando. Ele segurava os cabelos dela com força para manter a boca dela grudada na dele. — Gustavo! — Ela chorava copiosamente e pedia para o... Argh! Eu vou matar esse homem. Avancei possuído para cima deles. — Tire as mãos da minha mulher — desferi um soco bem no meio da cara desse francês de merda. Ele caiu igual uma marionete e foi se arrastando para trás. — Gustavo pare com isso! — gritou. — Levanta covarde! Vem aqui, puxar os meus cabelos. Vem seu fudido! — chutei seu abdômen e seu rosto. Ele se escorou na parede e conseguiu levantar. Seus olhos não saiam da Ana e quando eu me distraí para olhar para ela, senti ele me acertar um soco no meu maxilar. Derrubei-o no chão e pressionei o meu corpo no dele. Apertei o pescoço dele só com uma mão e com a outra segurei as suas mãos. — Volta para a França! Não existe mais espaço para você na vida dela. — Homem chorando é uma merda. Ele chorava e ao mesmo tempo tentava olhar para ela. Senti a Ana e o Alex me puxando pela camisa. — Gustavo, larga esse bosta aí. — Alex falava atrás de mim. — Gustavo... Por favor, solte-o. — Ela me puxava pela camisa. — Tira a mão porra! Me solta! — esbravejei. — Cara você já quebrou a cara dele. Se continuar vai acabar matando esse merda. Não vale a pena! — Alex disse ainda puxando minha blusa. — Solta ele Gustavo! Por favor, meu amor. —Vamos solta ele Gustavo. — Quanto mais ela pedia


mais ódio eu sentia dele e dela. Larguei-a e me levantei. — Me solta porra! — gritei pela primeira vez desde que cheguei nesse inferno. Ela retirou suas mãos de cima de mim e ajudou o Lorenzo a levantar. Fiquei parado, destruído assistindo aquela cena. Ela deveria estar me ajudando e não a ele. — Lorenzo? Você está bem? Consegue ir embora sozinho? — Ela pergunta baixo em seu ouvido e ele diz que não e a abraça. Não pensei... Arranquei-a dos braços dele e a virei de frente para mim. — Você fodeu a minha vida! — gritei na cara dela. — Meu amor... — Meu amor é o caralho. Nunca mais me chame... — Para de gritar com ela! — O francesinho resolveu falar. Seu português é fraco, mas consegui entender o que esse infeliz disse. — Ah! Você fala seu merda? — segurei a Ana pelo braço, mantendo-a parada. Aproximei dele e o encarei. — Sabe de uma coisa? Tome. — empurrei-a em sua direção. — Você não vale o meu esforço. SOME. DA. MINHA. VIDA. SUA... — Calma cara! — Alex me puxou em direção a porta. — Me Solta Alex! Não toque em mim. — Ele me soltou mas pediu para que eu me acalmasse. Mesmo sabendo que ele ama a mesma mulher do que eu, ele está sendo pacífico em relação a essa situação. Confesso que estou perdido, atordoado e confuso. Não sei se luto por ela, ou se largo tudo e vou embora. — Gustavo... Não... Você entendeu tudo errado. — Ela disse entre lágrimas e gemidos. — O que eu não entendi Ana Beatriz? Fala! Explique o inexplicável. — Uso as mesmas palavras que ela me disse ontem, enquanto eu me explicava. Sou interrompido pela voz do Lorenzo. — Vai gritar no inferno seu infeliz! — volto a minha atenção a Ana. — Errado, foi o maldito dia em que eu te conheci sua Bruxa! — Ela balançava a cabeça e chorava, não consegui sentir pena, nada do que sentia sempre quando a via chorando se fez presente. — Seja infeliz, ao lado desse infeliz. Isso é o que vocês merecem — disse olhando nos olhos dela, ela não parava de chorar. — Ana... — Ele disse algumas palavras em francês a ela. Ela respondeu em francês. Isso só fez o meu ódio crescer. — Lorenzo some daqui! Vai embora agora! Olha só para mim... Você me destruiu, destruiu a nossa vida. Já era Lorenzo não existe mais nós dois. — Ele segurava o braço dela com posse e gritava palavras agora em português. — Vamos voltar para a nossa casa. — Forçou um português péssimo. — Eu não vou embora com você. Ficou louco? — Ela murmura próximo ao rosto dele que sangrava por causa do soco certeiro que dei em seu rosto. — Eu te amo. Você é minha mulher. — Essas duas frases ele fez questão de dizer em português. Meu estômago se revirou e eu tive vontade de vomitar de tanto nojo que senti dessa cena deprimente, a qual eu estava envolvido. Eu estou possesso. — Ela é sua mulher porra nenhuma. Você a abandonou quando o filho de vocês dois morreu. Ela sofreu o inferno por causa de você. — Ele me encarava fixamente. Seu nariz ainda sangrava muito, o sangue jorrava e sujava a blusa branca que ele estava vestido. — Seu covarde! — O Alex disse se aproximando dele. — Ana qual o endereço dele? — Alex perguntou a ela. — Eu não sei. Tire-o daqui e leve para um hospital, parece que fraturou o nariz. Mantenha-me informada Alex. — Ele assentiu e segurou o braço do Lorenzo. Ele parou de frente para mim fitando-


me com ódio. — O que é seu está guardado. Ela é minha mulher — ameaçou-me, mas não me importei com suas palavras. — Pois faça bom proveito — empurrei-o, mas o Alex o segurou antes dele cair. — Lorenzo, amanhã EU te procuro. Fique calmo e longe de confusões! E não faça nenhuma besteira. — Que tipo de besteira ela estava se referindo? Alex se retirou carregando o covarde. Fernanda e Arthur entraram no escritório. Arthur parecia nervoso, olhou-me com olhar preocupado. — Amiga... Você precisa se acalmar. — Fernanda a abraçava. Ambas choravam em silêncio. — Mano o que aconteceu aqui? Quando entrei no restaurante vi a Fernanda e ela me rebocou até aqui e... Aquele todo quebrado era o tal Lorenzo? — aquiesci e ele olhou para a Ana. — Ele fez o que com ela? — perguntou assustado com o estado em que eu e Ana nos encontrávamos. Soltei um grunhido ruidoso. — Vamos sair daqui Arthur. — Não! — Ana gritou de onde estava encostada, junto com a Fernanda. Gustavo... Você entendeu tudo errado. Ele apareceu aqui... Ele me beijou. — Cala a sua boca. Eu não quero saber de nada. EU VI ANA BEATRIZ. Aquele filho de uma puta e você aos beijos, encostados nessa mesa. E se eu não aparecesse aqui, vocês teriam terminado o que pretendiam fazer. — Não fale assim comigo. Eu jamais trairia você desta forma. Me escuta pelo menos... Ele me beijou. Foi muito rápido, você entrou e... Você entendeu tudo errado. Eu te amo meu amor. Sei que ontem eu disse que estava confusa, mas... — Errado, foi o maldito dia em que eu te conheci sua Bruxa. — Pela primeira vez na minha vida, estou transtornado por uma mulher. Isso dói demais, é sufocante. — Gustavo, você tem que dar uma chance para ela contar o que aconteceu aqui. A Bia não é uma pessoa que sai beijando qualquer um. Por mais que seja doloroso para você entender, você terá que escutá-la. Não seja injusto! — Fernanda saía em defesa da amiga. Mas meu ódio, orgulho, machismo, estavam elevados a níveis catastróficos. Eu não quero ouvir nada. — Fernanda, ele não é qualquer um, eles foram casados e tiveram um filho. Porra! Ela cultivou um amor por ele, mesmo depois de ter sido abandonada e escorraçada quando mais precisou. — Você está sendo injusto com ela Gustavo. — Arthur falou baixo bem próximo ao meu ouvido. —Eu? Injusto? Eu fui é paciente com ela. Estou sendo injusto com você Ana? — Perguntei com sarcasmo. — Está sim, sendo injusto. Eu amei o Lorenzo e, isso não pode ser mudado. Amei! Mas depois que te conheci... Eu... Descobri que posso ser feliz novamente. Eu amo você. Isso não basta? — Não me dei o trabalho de rebater. Saí com o Arthur que me olhava assustado. — Gustavo! — Ela deu um grito ensurdecedor no corredor que terminava no salão principal. — Bia, não grite! O restaurante está cheio — escutei a Fernanda falando com ela. Seguimos o corredor e chegamos ao salão principal. Foi inevitável. Todos olhavam em nossa direção. Minha camisa social rasgada e sem botões, eu com o rosto inchado. Deplorável demais! Com certeza escutaram toda a briga. O Carlos me olhava preocupado, fiz um sinal para ele dizendo que estava tudo bem. Ele aquiesceu e continuou olhando para mim. — Mano... Desconheço você. Cara, tu acabou com o tal do Lorenzo. Aquela gata te ama! Disso eu tenho certeza! — Muda de assunto, ou cala a boca.


— Claro, vamos! Que tal falarmos de você. — Não estou bem. Leva meu carro? — disse entregando a chave. — Mano tenta pelo menos ficar Zen... É sério. Estou preocupado com você. Tu está pálido. — Arthur... Eu estou muito puto! A mulher que eu amo estava aos beijos com o ex-marido dentro do escritório. Isso foi doloroso demais cara. — Não quero ver você sofrer. Mas se quiser chorar, tem o meu ombro aqui, mano — meus olhos ficaram marejados, afastei as lágrimas que anos não transbordavam dos meus olhos, fechando-os com força. — GUSTAVO, você precisa descansar a cabeça. Vou levar você para o seu apartamento. Vamos? Eu te levo no seu carro. Depois volto e pego o meu — pela a primeira vez, Arthur toma as minhas rédeas. Não paro de pensar nela. Que amor é esse que não acaba. Só aumenta? Fizemos todo o trajeto calados. Arthur até tentou conversar, mas foi em vão, eu não queria falar sobre nada. Só queria a minha cama. Sim, a minha cama! Às vezes é necessário repensarmos as nossas atitudes. Sempre fui orgulhoso, comedido, introspectivo. Lembro-me somente de ter chorado quando reencontrei o Arthur depois de ele ter ficado vinte dias desaparecido. As minhas lágrimas foram de alívio por saber que não o perdi. Agora estou aqui retardando uma por uma, jogando-as para alma. Arthur estacionou o meu carro na garagem. Peguei as bolsas da joalheria e entreguei uma a ele. — O presente da mamãe? — Sim — respondi. — Valeu mano. Fica tranquilo. — Beleza — disse. Entrei em casa e fui me livrando de minhas roupas. Cheguei ao quarto, liguei o ar condicionado, fechei as cortinas. Entrei no banheiro, tomei um banho demorado. Não pude evitar as lágrimas que desceram pesadas e dolorosas. O que mais está me deixando transtornado, é o fato de não conseguir deixar de amá-la. Aprendi a amar, agora preciso aprender a esquecer. Se o amor é sufocante desse jeito, imagine a dor que irei sentir para esquecê-la? Bruxa! Saí do banheiro e deitei em minha cama. Minha cabeça dói tanto que para manter meus olhos abertos, preciso fazer um esforço enorme. Fecho os meus olhos e me desligo completamente.


Capítulo 21 - Ana Beatriz — Bia se acalme! Ele já foi querida. Se acalme! — Fernanda me abraçava e limpava meu rosto — Ele não podia ter me deixado sozinha de novo. Ontem, ele fez a mesma coisa. Foi embora e me deixou sozinha. Maldito orgulhoso! — Nossa senhora das mulheres desesperadas, não me deixe nunca passar por isso. Amém! — Fernanda fez uma pequena prece. — Arruma as suas coisas, vou levar você para casa — diz determinada a me domar. — Estou com o meu carro — disse com a voz ainda chorosa. — Não tem problema, levo você e o seu carro. Vamos? — Espera um pouco. Preciso ligar para o Alex, para saber como o Lorenzo ficou depois que saiu daqui. Estou preocupada com ele. — Bia... Fala sério! Vai ficar toda preocupadinha com aquele babaca? Deixe que ele se dane sozinho. — Eu, me preocupo sim. Você sabe o que ele disse que vai fazer se não reatarmos? Disse que se eu e ele não ficarmos juntos, ele vai fazer uma loucura com a própria vida. Isso é sério Fernanda! — Que morra! O que você tem nessa cabecinha? Esqueceu tudo o que passou por causa daquele desgraçado? Ele ferrou com a sua vida. Quase te destruiu. Se não se recorda, eu não me importo de lembrá-la detalhadamente. — Tá bom chega, por favor! — Não aguento mais essa pressão psicológica, esses ressentimentos. Quero livrar-me de tudo isso. — Chega nada! Você vai escutar! Eu gastei rios de dinheiro com passagens aéreas para te visitar naquele muquifo que você ficou hospedada na França. Eu e a tia Cecília, ficávamos preocupadas com você o tempo todo. Bia você prometeu à sua mãe que nunca mais voltaria a procurar o Lorenzo, isso inclui não voltar nunca mais para ele. — Chega Fê! Eu nunca voltaria para ele. NUNCA! Eu só quero que ele fique bem, só isso. Ele está fora de si, você não tem ideia de tudo o que ele me falou. — Pelo Amor de "Dadá" Bia! Deixa esse demônio em forma de homem se matar. Você é que não pode morrer por ele. Como consegue ser tão ingênua? Isso que ele está fazendo é chantagem emocional. Não percebeu? — Eu sei amiga. Mas se esse louco se matar aqui no Brasil? Olha só a merda feita! — Sinceramente, se isso acontecer, eu não vou me importar. — Ela diz debochando de tudo o que eu falei. Se ele fizer isso, eu posso até ser apontada como culpada. Sei lá. — Vamos Bia! Vamos logo, antes que eu desista de vez de fazer essa boa ação. E já vou avisando: vou dormir com você em seu apartamento. Quando Alex saiu para levar o Lorenzo para o hospital, pediu para eu não deixá-la sozinha. Chegamos ao meu apartamento, ainda estava dia, decidi regar as minhas orquídeas e conversar um pouco com elas e com o meu amigo: o Mar. Fernanda não parava de me dar uma sentença de esporros por eu não ter avisado sobre a chegada de Lorenzo. Mas como? Se eu mesma fui surpreendida por ele. — Eu não sabia que ele estava no Brasil. Será que você não entende o que eu digo? — Argh! — Já imaginou, se a tia Cecília descobre que ele está aqui? Aí sim, a tragédia estaria completa. Com certeza ela faria o que o Gustavo não terminou. Ela mata ele pode ter certeza.


— Já pensei nisso. — Ela não para de falar e, eu não paro de enviar mensagens e ligar para o Gustavo. As horas foram passando, minha ansiedade aumentando, meu desespero berrando no nível máximo e, nada do Gustavo me ligar ou responder pelo menos uma das mais de mil mensagens que enviei para ele. Meu celular toca. Olho no visor e vejo que é o Alex. Tive esperança que pudesse ser o Gustavo. Ledo engano. — Alô. — Oi Bia. Estou aqui na portaria do seu condomínio. Autoriza a minha entrada, por favor. — Pode subir. Você tem acesso livre. Esqueceu? — Bia, tem uma ordem aqui, do seu namorado, para não autorizar a minha entrada e nem anunciado pelo interfone. — Vou ligar para a portaria e autorizar a sua entrada. Só um instante. — Gustavo não dá ponto sem nó. Esse é o meu amor! — Tá bom, princesa. Fernanda se aproxima e pergunta com quem eu estava falando. Bisbilhoteira. — É o Alex. Espera aí, vou falar na portaria. — Toca três vezes até o porteiro atendê-lo. — Boa noite. Sou a Ana Beatriz do 701 bloco 1. Autoriza o rapaz que está na guarita em um BMW branco, a entrar. Por favor! — É você Severino? Não reconheci a sua voz — escuto o que ele diz. — Sim, Severino. Estou autorizando. Não proibi nada. Ele tem livre acesso nesse condomínio. Ah! O Sr. Gustavo proibiu? Sei... Eu sou a moradora, não ele — falo tentando manter a calma. — Me diz quais são os nomes que ele proibiu até de serem anunciados pela portaria? — escuto tudo calada, o Severino está bastante argumentador, disse que não quer descumprir a promessa que fez ao Gustavo. Severino meu doce, diga os nomes. Lorenzo e Alex? — escuto tudo calada enquanto o porteiro Severino insiste em manter a ordem do Gustavo. — Autoriza a entrada do Alex, Severino. Boa noite — ponho o interfone no gancho. — Bia, que babado! O Gustavo é dos meus. Adoro aquele gostoso com cara de mau. Ele proibiu a entrada do Alex e do Lorenzo? — fitei-a com um olhar mortal, se eu fosse uma mutante, certamente teria os mesmos poderes do "Scott" do desenho X-Man. — Cala essa boca Fernanda. Pare de chamar o meu namorado de gostoso. Entre nós duas, a única que pode afirmar se ele é gostoso ou não, sou eu — falo irritadíssima com ela. Ela solta uma tsunami de risos e diz: — Ai... Ai... Deixa eu sentar nesse sofá ridículo. Estou sem ar, você só me faz rir, Bia. Mas ele é gostoso? — Ela insiste no assunto. Melhor ignorar. — Não te interessa! — Claro que me interessa. Vai fala! — pensei em alguma coisa para falar e ela sossegar essa libido exorbitante, mas me fez lembrar de pequenos detalhes de nós dois nos amando. Foi instantâneo, caí no choro. Que merda! — Amiga desculpe. Eu só queria fazer você sorrir. Ai meu Deus! Senta aqui do meu lado — sento-me e ela me abraça com força e fala: — Eu não faço à mínima ideia do que você sente por ele. Amor é um sentimento proibido no meu campo físico. E eu espero nunca sentir isso. Deus me livre sofrer desse jeito. Lágrimas eu derramo só por você e minha mãe. — Ela se afasta um pouco e limpa as minhas lágrimas. — Agora engole esse choro. — Tá Bom! — Somos surpreendidas pela campainha. — Alex! — falamos juntas. — Vai ficar de fio dental? — perguntei.


— Ainda você perde o seu tempo me perguntando se vou ficar só de calcinha? Deixa que eu atendo a porta. Da fruta que eu gosto esse loiro gostoso chupa até o caroço — fala e sai para atender a porta. Não entendi nada do que disse. — Alex! — Ela abre a porta e dá um abraço nele. Alex olha para o corpo dela e a vira de costas para olhar a bunda exposta por um fio dental. Não ligo! Acostumei com a minha amiga pornográfica. — Como sempre... Perfeita! — Eles sorriram. Ela trancou a porta e o acompanhou até a sala. — Da próxima vez que eu te encontrar naquele clube, pode ter certeza que você e o seu amiguinho não me escaparão. — O que? Estou boiando com o que ela disse a ele. Alex olhou para ela surpreso. Balançou a cabeça concordando, mas a sua expressão está atônita. Ele se aproxima e senta ao meu lado no sofá. — Você está bem? — pergunta e beija o topo da minha cabeça. — Sim, tirando a dor no meu peito e a dor de cabeça, está tudo bem — respondo. — Sei mais ou menos o que você está sentindo. Dói muito, mas os dias se passam e a dor se torna apenas um incômodo. Vai passar! — sorriu. Fernanda e Alex trocam olhares cúmplices. Isso está me incomodando! Alex volta a falar: — Deixei o Lorenzo no endereço que ele me passou. Ele não fraturou o nariz, mas tomou uns pontinhos nele. Espero que você e o Gustavo se acertem — escutá-lo dizer essa frase me causou uma confortável sensação de alegria, por saber que ele torce por mim e Gustavo. — Ahh... Alex, meu amigo. Eu não sei, ele... — Minha voz falhou e as lágrimas surgiram de novo. — Ele não me quer mais — consegui concluir a frase. — Não chora princesa! Você não agiu corretamente com ele. Em hipótese nenhuma você poderia ter se trancado com aquele... Com o Lorenzo no escritório. Refresca essa sua cabeça e, depois procura o Gustavo. — Assumo o meu erro. Eu só tentei evitar um escândalo no restaurante. Você viu como o Lorenzo estava transtornado. — Vi e confesso que estou preocupado Bia. Ele disse dentro do carro quando voltávamos do hospital, que o Gustavo vai pagar por cada hematoma ele ficou no rosto. Ele parecia meio aéreo, sei lá, fora de si. Bia esse homem é doido. Você e o Gustavo precisam estar precavidos. — Estou preocupada com tudo isso. Não sei o que eu poderia fazer para ele ir embora. E me deixar em paz. — Na hora certa, você deverá procurá-lo para tentar um diálogo pacífico. Se ele fizer ameaças, mesmo que sejam irrelevantes ou até mesmo blefles, você deverá ir direto a uma delegacia registrar um boletim de ocorrência contra ele. — A voz dele soa perspicaz e ao mesmo tempo preocupada. — Eu vou tomar cuidado Alex. — Evite sair sozinha, principalmente durante a noite. Ontem o Gustavo me ligou desesperado atrás de você. — Mandou o Arthur ligar para mim também. Ele queria saber se eu tinha ideia de onde você estava. — Fernanda diz interrompendo-o. Ele continua a falar: — No início da ligação eu o provoquei, mas logo depois me arrependi quando constatei o nível de preocupação dele. — Então foi ele? Fofoqueiro. — É? Seu bastardo! Então, foi você que disse a ele sobre o divórcio e o tempo que ficamos juntos. Seu... Seu... Argh, Alex! Eu vou te dar uns beliscões nos seus mamilos, seu branquelo azedo — ele gargalhou enquanto eu o ofendia. — Bia, ele merecia escutar a verdade. Exagerei um pouco, mas eu juro que logo depois eu me arrependi. Eu não tinha o direito de falar sobre sua vida. — Ainda bem que ele reconhece que passou


dos limites. — Alex. Você só pode estar desmiolado da cabeça. Como você teve coragem de dizer a ele que nós dois transamos, depois que eu e ele já estávamos juntos? — Estou impressionada com a capacidade masculina de pensar com a outra cabeça. Só pode ser ausência de neurônios. — Eu não disse isso. Ele entendeu tudo errado. Quer dizer, eu insinuei. Ahh Bia, eu queria me vingar dele, só isso. — Se vingar? Alex, ontem eu e ele discutimos por sua causa. Seu louco! — Calma! Eu posso explicar. Eu só queria fazê-lo sentir o que eu senti quando ele nos atrapalhou quando nós dois tivemos a nossa última vez. — Que babaca. Foi a nossa última e frustrante vez. E foi a minha primeira e inesquecível vez com o Gustavo. Lembro-me de cada detalhe. Saudades do meu amor. — Desculpe! Ele mereceu. Bia ele me colocou para fora do seu apartamento só com uma mão. Ele quase me matou por esganadura. Foi horrível! Ainda sinto aquela mão grande no meu pescoço. — Fernanda solta um riso involuntário e comenta: — Hum... Sei. — Alex fitou-a com olhar de reprovação. Ele e ela estão me escondendo alguma coisa. Em relação ao que o Alex acabou de me dizer, nada a declarar a respeito desses dois. Estou quase rindo, imaginando como foi essa cena. — E o que você fez para receber uma esganadura tão inesquecível? — perguntei bastante curiosa. Com certeza o Alex o provocou. — Eu falei... É... Você vai ficar com raiva. Melhor eu não falar. Eu disse a ele para terminar o que eu comecei e, o ameacei. Não lembro mais qual foi à ameaça que fiz, só sei que eu escapei com vida. Nunca mais me meto com o trator do seu namorado. Ele é lutador de MMA? — Alex vou fingir para o bem de nossa amizade, que nada disso aconteceu. — Muito filho da mãe. — Desculpa! — Estou feliz por ele estar reagindo bem, em relação a nós dois. Voltamos a ser amigos, como sempre fomos. — Fernanda vai dormir aqui com você? — disse olhando para a Fernanda, sentada ao meu lado. — Se quiser eu posso ficar contigo. — Fez silêncio e respirou fundo. — Como amigos — concluiu. — Gente... Eu não estou doente. É só uma dor de cotovelo. Vou sobreviver — reclamei. — Eu vou dormir sim — respondeu por mim. — Boa sorte com essa doidinha — Alex disse e sorriu. — Doida é você! — rebateu a brincadeira de Alex. Entreolharam-se novamente. — Vocês dois estão de segredinhos? Estão mirando esses olhos um para o outro quando me distraio. O que vocês estão escondendo de mim? Aconteceu alguma coisa com o Gustavo? — Eu conheço esses dois, eles não sabem mentir. Fizeram um silêncio crucial que me fez sentir arrepios. — O que aconteceu? Alex? Fernanda? — Fernanda sorri e olha para o Alex. Ele não retribui o sorriso e balança a cabeça em sinal de negativo, mas a Fernanda abre a boca e ameaça a falar alguma coisa: — Eu... — Alex a interrompe. — NÃO! — O que, que tem Alex? A Bia não é preconceituosa — Fernanda fala. — Eu? Preconceituosa? Do que você está falando Fernanda? — pergunto confusa. Ela toma uma postura séria e fala: — Bia, o Alex saberá explicar muito melhor do que eu, o que descobri sobre ele. Ele nos enganou feio amiga. Desperdício! — Minha cabeça trabalha para ligar as peças, as piadinhas da Fernanda... Sei não, acho que já imagino o que vai sair disso tudo. — Alex, conte tudo a ela. Estarei esperando a


conversa terminar no quarto. — Ela me beija no rosto e dá um estalinho no Alex, que está vermelho igual a um camarão. Quando escuto a porta do meu quarto sendo fechada, Alex começa falar... Estou perdida entre palavras e suspiros. — Bia, eu sou homossexual. — Quê? Você é gay? — Sim. — Impossível! Eu posso afirmar que não tem como ser verdade — falo perplexa. — Então, você mentiu quando disse que me amava? — Não estou chateada, mas ele não deveria brincar com isso. — Não. Ao contrário, eu queria muito que nós dois déssemos certo. Eu ainda te amo, mas hoje eu compreendo que esse amor é diferente. Você foi à única mulher que me fez repensar em um futuro. Planejei nós dois juntos, casados, filhos e felizes para sempre — ele sorri ao falar, mas algumas lágrimas caem sobre o seu rosto de pele branca. — Ainda não entendi Alex. — Está tudo confuso na minha cabeça. Estou reorganizando as peças e tentando descobrir como eu não percebi isso antes. Convivemos por tanto tempo juntos. — Princesa, quando nos conhecemos eu já era gay. Falando a verdade, eu nasci assim. — Ele para e coça a cabeleira loira. — Você foi uma experiência incrível que eu pude viver. É muito complicado o que eu vou te falar — fitou meus olhos. — Você sabe como meus pais são religiosos e antiquados. Sou o único filho homem da família, fui criado para ser o machão da casa, mas eu segui outro trajeto. — Imagino o quanto está sendo difícil para ele assumir tudo isso para mim. — Não atendi às expectativas dos meus pais e nem das minhas quatro irmãs mais velhas. Eu precisava fazêlos acreditar novamente que eu era hétero. Eu não menti, mas de certa forma, você contribuiu para amenizar esse desprezo que eles sentiam por mim. — Faz silêncio e fecha os olhos, como se quisesse resgatar lembranças. — Dois anos antes de te conhecer, logo depois de concluir meu curso de Gastronomia, o qual todos, principalmente o meu pai, não aceitaram muito bem a minha escolha, resolvi conversar com toda a minha família sobre a minha opção sexual. Foi horrível, meu pai me expulsou de casa, minhas irmãs passaram a me ignorar e minha mãe não aceitou muito bem. Depois de passar por tanto desprezo e receber olhares humilhantes carregados de preconceitos, eu cansei e resolvi reverter à situação, estava decidido a tentar uma vida normal de um homem. — Ele para e respira fundo e conclui. — Quando eu te vi pela primeira vez, acredite, eu senti uma atração por você que nunca havia sentido antes por mulher nenhuma. Cheguei à conclusão que eu sentia sim atração por mulheres e, quando passamos a nos relacionar eu só confirmei isso. Você passou a ser o meu alicerce, o meu tudo. Bia, eu fiz de tudo, de tudo mesmo, para ter o seu amor. Eu juro, que se você correspondesse um terço do meu amor, eu seria o homem mais feliz do mundo. Mas não, isso nunca aconteceu. Esperei com paciência, aceitei as suas condições para ficarmos juntos, mesmo não concordando com nada — ele faz uma careta, parece que sente dor enquanto fala. — Alex... Você saía com várias mulheres. Lembro-me que até sentia um pouco de ciúmes. Lembra? — Não princesa, eu não estive com nenhuma outra mulher depois que te conheci. Eu inventava situações para você achar que eu me relacionava com outras mulheres. Queria apenas, fazer ciúmes, na esperança de fazer você se dar conta do quanto eu te amava e, também manter a minha reputação de "macho pegador". Eu sei que por diversas vezes fui estúpido, e sentia que você escapulia entre os meus dedos. Bia você era a minha única esperança para eu ser normal como qualquer outro homem. Eu contava os dias para estar ao seu lado, qualquer migalha que você me dava, eu conseguia me sentir mais homem. Entende? Eu queria mostrar para a minha família que eu mudei e, que eles poderiam me aceitar de volta.


— Alex, você não tem que mudar por ninguém. Você anulou a sua alma quando decidiu mudar para ser aceito nessa sociedade impregnada de preconceito e hipocrisia. — Seus olhos entristeceram e de novo, novas lágrimas caíram. Limpei com os meus dedos. — Pode chorar. Desculpe por não ter te ajudado. Mesmo sabendo que você jamais seria feliz ao meu lado, eu tentaria te ajudar. — Nos abraçamos por um longo tempo. — Eu te amo. Por todos esses anos você se portou como um irmão que eu nunca tive. — Ele abre os olhos e fala: — Eu só queria ser normal. — Entendo — disse. — Bia... Todas as minhas atitudes foram apenas para me defender desse fato. Aquele dia na boate, eu te ofendi e fui agressivo por causa disso tudo. Eu estava fora do meu normal, o seu desprezo era sufocante para mim. Eu precisava fazê-la entender a minha necessidade, mas eu não conseguia. Eu não podia simplesmente chegar aqui e dizer para você: oi Bia, eu sou gay e preciso me casar com você, para a minha família me respeitar e "eu" finalmente me aceitar. — Alex, ser homossexual, bissexual ou hétero, não contribui para a formação do caráter de uma pessoa. Põe isso dentro da sua cabeça. Você é uma pessoa maravilhosa. Honesto, inteligente, esforçado, amigo, conseguiu tudo sozinho, sem ajuda dos seus pais e irmãs. Acorda! Você está se autoflagelando, se escondendo atrás desse homem que eu vejo daqui de fora. Eu quero que seja o Alex que está aqui dentro — toco em seu peito. — Esse sim, é o verdadeiro. — É difícil para eu mesmo admitir isso. Vai contra tudo o que eu aprendi na igreja quando era uma criança. Às vezes eu me pergunto se realmente vou para o inferno, como todos da minha família me disseram quando resolvi contar para eles. — Acho que Deus não seria capaz de mandá-lo para o inferno por conta da sua condição sexual. Isso sim seria um absurdo! — sorrio. — Toda vez que vou à casa dos meus pais, escuto minha mãe dizer que ora a Deus, para eu me redimir e me curar dessa doença e, que eu estou sendo manipulado por um demônio. Isso é frustrante Bia! — Alex cada ser humano tem o direito de formar as opiniões que quiserem. Essa é a que os seus pais sustentam. Isso vem lá da base de educação que eles tiveram — ele concorda e eu continuo a falar. Quem me vê de fora, consolando o meu amigo, não imagina o quanto sou vulnerável e desequilibrada. —E daí? Foda-se a opinião deles. O que importa aqui é a sua vida, o resto é o resto — soltei uma gargalhada desnecessária para o momento e situação que me encontro. Alex me olha e fala: — O que foi? — Minha mente fértil, lembrou-me de um "post" que vi outro dia no Instagram. Tinha a imagem de Deus abraçando um homem e ele dizia: “Perdoe-me meu filho por ter feito você assim (Homossexual), mas agora eu precisarei enviar você para o inferno”. Entendeu? — Sim — ele respondeu assustado. — Alex... Eu não creio nisso! Você tem medo de ir para o inferno por gostar de homem? — ele aquiesceu. Não sou a única a ter problemas com o ego. — Esquece isso. Tenho certeza que você irá direto para o paraíso colorido — sorrio. — Bia, eu sou gay, mas não quer dizer que sou adepto a arco íris e glitter. Sou um homem que gosta de homens, não preciso mudar minhas características para mostrar do que eu realmente gosto. Que isso fique claro! — Xiiiii... Calminha aí amigo! Entendi perfeitamente a sua posição. E, depois disso tudo que foi revelado passei a te amar incondicionalmente. EU TENHO UM AMIGO GAY! — ele sorriu e me


abraçou de novo. — Alex? Na verdade, eu acho que você é bissexual. Se não, jamais você conseguiria... Você sabe... Eu e você. Entendeu? — Pode ser — sorriu ao falar. — Agora me diga uma coisa, essa pessoa que você me disse que conheceu em sua viagem: é ele ou ela? — ele sorriu e seus olhos chegaram a brilhar. — Ele. — Eu quero conhecer essa pessoa. — Na hora certa eu irei apresentá-lo. Na verdade, ele já te conhece um pouco, sempre falo de você para ele. — Ele é bonito? — Seu rosto toma uma expressão divertida. — Hum... Deixa ver... É! — gargalhamos juntos. Fernanda sai do quarto ainda trajando uma calcinha fio dental. — Que Desperdício! — Fernanda fala e senta ao nosso lado. — Bia outro dia eu encontrei esse pervertido acompanhado de um GATO, na boate onde frequento quando quero... Vocês sabem! Ele fingiu que não me viu e meteu o pé. KKKKK — ela ri abertamente. Por incrível que pareça, quase não pensei no Gustavo. O papo entre nós três foi tão descontraído e leve, que os meus problemas e o mundo foram excluídos por um tempo dos meus pensamentos. Alex se despediu e foi embora. — Não me olha desse jeito. Ele me fez jurar que não contaria nada para você — Fernanda declarou desculpando-se. Ela fez o certo. Não gostaria de ficar sabendo por outra pessoa. O único que poderia me contar era ele. — Tá bom. Relaxa! Eu quero que ele seja feliz, só isso — dei de ombros. — Vou tomar um banho. — Procuro pela sala o meu celular. Mas não o encontro. — Droga! Que mania de perder o celular dentro da própria casa — resmungo sozinha. — Você viu o meu celular Fernanda? — Vi. Escondi de você. — Me devolve o meu celular, por favor! — Não. Você precisa descansar. Desde que chegou não para de enviar mensagem para o coitado do Gustavo. Ele deve estar e muito puto, por conta das centenas de mensagens que terá que excluir. — Me devolve agora! Fernanda não brinca com isso — ela corre para o meio da sala e pega um porta-retratos com a foto do meu filho Rafael. — Olha só afilhado, como sua mãe ficou malvada com a dinda. — Aproximo-me dela e tiro o porta-retratos de sua mão. — Olha só filho, como a sua dinda está cada dia mais vadia. Dá o meu celular seu toco de amarrar burro. — A chamei pelo apelido que ela odiava de ser chamada quando éramos adolescentes. — E você? Sua vassoura! — Esse é demais! Ela me chamava de vassoura e espanador, na época do colégio. Fala e sai correndo para o meu quarto. — Fernanda! Eu vou te torturar sua vaca! — Entro no quanto e a encontro deitada mexendo no meu celular. — Fê me devolve vai. Não me faça retirá-lo a força de suas mãos. — Não! — Comecei a chorar de raiva. — Se você não me devolver, pode esquecer que somos amigas. — Toma sua chantagista. Só estou devolvendo por que estou com muita preguiça de discutir. Eu só queria que você relaxasse um pouco e parasse de perturbar o Gustavo. — Devolveu-me o celular


e falou: — Você vai à Festa do seu cunhadinho amanhã? — Mas é claro que eu vou. Tenho certeza que o Gustavo estará presente. Essa será a oportunidade para eu conversar com ele a sós. — Farei com que ele entenda o que realmente aconteceu e não o que a cabeça dele entendeu. O que me deixa indignada é saber que o perdoei, mesmo depois de assistir ao vídeo dele com outra mulher. Tudo bem, que eu fiquei descontrolada ao extremo quando conversamos, mas o que custa ele reavaliar e me perdoar também? Minha mãe me ensinou uma regrinha básica, não sei se é saudável segui-la, mas às vezes vale a pena ser aplicada. A regra consiste: nunca em hipótese nenhuma fale sobre as suas frustrações amorosas e tradições para as suas amigas ou familiares. Nunca segui esta regra ridícula, mas hoje a apliquei no meu dia. Não falei nada para a Fernanda, sobre o vídeo do Gustavo com a loira magrela. Sabe por quê? A Fê pode ser toda devassa e moderninha, mas não admite qualquer tipo de traição, mesmo eu acreditando cegamente nas palavras do Gustavo, eu jamais contaria a ela sobre isso. Pois na primeira oportunidade me faria lembrar. Somos amigas desde crianças. Nós estudamos nos mesmos colégios e fomos da mesma turma durante toda a nossa infância e adolescência. Partilhamos bons e maus momentos em nossas vidas, mas dessa vez irei omitir sobre esse episódio. Tentei mais uma vez na ligação para o Gustavo, mas o celular dele está desligado. Enviei repetidamente mensagens, pedindo, implorando para ele vir até aqui me buscar, mas ele não respondeu nenhuma e, nem ao menos visualizou. Oh frustração! Eu estou me sentindo presa nesse apartamento, preciso ir atrás dele e dizer o quanto eu o amo. E isso! — Fernanda vou até o apartamento do Gustavo. — Bia, você é adulta. Não vou te impedir de se humilhar igual a uma louca para um homem que te chamou de bruxa. Eu sei que ele não queria me chamar de bruxa ou de qualquer outro nome. Existem homens e homens e, o Gustavo é O HOMEM. Ele está magoado e decepcionado comigo, mas jamais me ofenderia. Ele só estava nervoso. — Vou tomar banho — termino de falar e entro no banheiro do meu quarto. Enquanto a água caía sobre a minha cabeça e corpo, minhas lágrimas saíam sem pausa. A única coisa que eu quero é o Gustavo de volta. Só isso! Ele estando ao meu lado, tudo fica mais claro, prazeroso, fácil. Não consigo raciocinar sem ele, respirar tornou-se uma função trabalhosa, dormir é um martírio. O que ele deve estar fazendo agora? Será que está dormindo? Encosto na parede fria de piso e escorrego até o meu corpo encontrar o chão. Fico ali perdida em lembranças e detalhes que passamos juntos. Será que ele nunca irá me perdoar? Deus! Maldita hora que me tranquei com o Lorenzo no escritório, eu só pensei em evitar um escândalo. Não esperava, quer dizer, depois de ontem eu deveria sim esperar que o Lorenzo fosse tentar me beijar de novo. Assumo para mim mesma, ele mexeu comigo, mas não ao ponto de me fazer esquecer tudo o que passei por ele. Isso eu nunca esquecerei, nem que eu vivesse mil anos, mil vidas. Soltei todo o ar do meu peito e soluços invadiram o meu choro silencioso. Eu queria que tudo fosse diferente, eu queria que ele nunca tivesse retornado e, que eu e o Gustavo estivéssemos agora dormindo juntos, abraçados como foi desde o início. Saí do banheiro e encontrei a Fernanda cochilando. Resolvi acordá-la para comer alguma coisa. — Ai merda! Deixe-me sonhar com meu gatinho. — Desculpe atrapalhar o seu sonho, mas precisamos comer alguma coisa. Venha, vou por uma lasanha no micro-ondas — levantou e seguiu-me até a minha mini cozinha. Jantamos em silêncio. Eu perdida em meus pensamentos, conclusões, suposições, dúvidas e angústia. Ela perdida sabe-se lá aonde. Talvez, estivesse pensando em algum ménage inesquecível.


—Fê? Está pensando em que sua levadinha? — Nada não... Deixe quieto! — Tá bom! Limpamos a cozinha e seguimos para o meu quarto. Liguei a TV, ar condicionado e estiquei os lençóis da cama. Fernanda deitou e reinou ao meu lado. Ela pegou o controle e foi direto para o menu da TV a cabo, para alugar filmes. Escolheu nada mais, nada menos do que Magic Mike. Não estou com cabeça para prestar atenção em nada, então conectei o fone no meu celular, pus nos meus ouvidos e comecei às tentativas incansáveis de ligar para o Gustavo. Decidi enviar a última mensagem para ele. "Vou fechar meus olhos e reviver cada detalhe que passamos juntos. Eu te amo.'' Quando termino de digitar a mensagem a Fernanda fala comigo alguma coisa, mas não prestei atenção. Envio a mensagem e olho para ela. — O que você disse? —Eu disse que estou morrendo de sono e vou desligar a televisão. E, se você ficar com essa merda de celular acesso na minha cara, vou pegar e jogar dentro do vaso. — Eita! Já vou desligar. — Bia, para de insistir. Deixa o homem dormir, quanto mais você ligar e enviar mensagens, mais ele vai ficar puto. Você não sabe como são os homens? — Sei, mas o Gustavo não é assim. — Fecha a merda desses olhos gigantes e trate de dormir — ordenou. —Não. Fernanda me deixa em paz! Eu quero fazê-lo entender que tudo não passou de um malentendido e, que está sendo egoístas demais. — Bia, não me faça se arrepender de ter vindo passar a noite com você. Eu deixei o gatinho do Felipe na mão, para dormir aqui, pior do lado de uma louca que não para de se mexer. — 1° Não sou louca. A única louca aqui é você — falo contando os números nos dedos. — 2° Eu não creio que você e o anjo do Felipe... Confuso isso... — Só para registrar: posso ser a louca, mas a única que toma Rivotril aqui, é você. Bem... Continuando... kkkkkkkkkkkkkkk! Felipe anjo? Você se enganou mais uma vez minha doce e ingênua amiga. Felipe não é um anjo. Felipe é um homem bem grande e gostoso — sua voz maliciosa saiu baixa e rouca. — Ontem depois que vocês saíram do restaurante para ir ao banco, deu tempo de rolar alguma coisa? — Só deu. Ele relutou e se esquivou, mas sou brasileira e não desisto nunca. Convidei-o para tomar um drink no meu apartamento, aí ele aceitou. O restante você já pode imaginar. Neh?! — E, aí? Gostou? — perguntei muito curiosa. — Estou nas nuvens até agora. Ele é simples, básico, completo, compacto, tudo ao mesmo tempo. Intimei-o a me acompanhar na festa do Arthur comigo. — Será que o Arthur, vai sentir ciúmes de vocês? Já que uma vez ou outra costumam, jogar, ficar... Sei lá. Você entendeu! — Arthur sentir ciúmes? Claro que não Bia. Nós somos amigos que transam de vez em quando e, nunca sozinhos. Entendeu a função do Felipe? — Sei, entendi. Ele vai completar o joguinho seu e do Arthur. Fernanda toma cuidado para não machucar o Felipe. Ele é um rapaz bom e inocente. Não perdoaria você, se o ferisse. —Tá bom Bia. Agora fecha o olho e vai dormir. Amanhã o dia promete. Fechei meus olhos e continuei com os fones no ouvido. Meu sono demorou de chegar, mas quando


decidiu vir, veio repleto de sonhos que envolviam a mim e meu amor. Por incrível que seja, dormi a noite inteira, sem acordar. Quando o alarme do meu celular tocou, abri meus olhos e a primeira coisa que veio em minha mente foi a do Gustavo me olhando com ódio e desprezo. Esfreguei os olhos e espreguicei. Fernanda ainda dormia toda espaçosa ao meu lado. Levantei devagar da cama, para não acordá-la. Coloquei o celular para carregar no banheiro, liguei a ducha e entrei com tudo na água morna. Terminei de fazer minha higiene matinal, escolhi qualquer jeans, uma regata branca e um All Star bege de couro. Estou com o meu astral prejudicado, escolher roupas tornou-se um martírio. — Já acordou? Que horas são? — Fê pergunta meio perdida do tempo. — Ainda é cedo. Pode voltar a dormir se quiser. — Não. Tenho uma reunião com o arquiteto que desenvolveu o projeto do meu futuro clube — levantou-se e seguiu direto para o banheiro. Parei na porta do banheiro e falei: — Pode escolher uma roupa minha. Vou preparar alguma coisa para comermos. Cheguei ao restaurante muito cedo, precisava me ocupar com alguma coisa e, nada melhor de ocupar a mente com trabalho. Estou devastada dos dois lados, interno e externo. Todo o meu glamour se foi. Hoje o Gustavo não me escapa, ele vai voltar pra mim. Apesar de ser sexta feira, o dia foi tranquilo. O Alex não me deixou fazer nada, fiquei dentro do escritório no ar condicionado, apenas respondendo e-mails e telefonemas de fornecedores e clientes. Recolho minhas coisas e as coloco na bolsa Já estou atrasada para a minha consulta com o meu psiquiatra favorito. Consegui o impossível, não liguei e não enviei mensagens para o Gustavo. Preciso dar um tempo, ele deve estar muito chateado comigo. Chateado não, deve estar é muito puto, com ódio mortal. Vou até o banheiro, tento amenizar com corretivo minhas olheiras. Passo batom, hidratante nas mãos e borrifo o meu perfume favorito. Despedi-me do Alex que está conversando com o Carlos próximo a adega. — Tchau! — Tchau princesa — me beija na testa, mas sempre segurando na minha cintura. Meu amigo que por anos foi um amante quente, é gay. Que vida mais confusa. — Presta atenção se não tem carro te seguindo. Antes de sair do carro dá um giro a sua volta só para conferir se está tudo certo — ele disse com preocupação. Entendo toda essa preocupação, pois tenho um ex-marido decidido a me levar de volta com ele para a França. — Okay! Não fique neurótico, vou ficar bem — saio com muita pressa, pois estou atrasada. Entro em meu carro e vou direto para o consultório do meu psiquiatra. Chego cinco minutos atrasada, mas consigo ser atendida por ele. Sua descontração contribui para o meu relaxamento, todas as palavras minuciosamente escolhidas por ele para me mostrar que a vida não é sempre como desejamos, me trazem segurança e me fortalecem. Desde o meu retorno às terapias, passei a compreender um pouco mais sobre a morte e abandono. Conversamos sobre os últimos acontecimentos da minha movimentada vida. Saí do consultório dele e fui até o "Shopping Rio Design Barra", onde fica o salão que costumo frequentar. Fiz tudo o que tinha direito: depilação, esfoliação no corpo inteiro, hidratação com sais minerais, unhas, sobrancelhas. Por fim, decidi fazer uma hidratação nos cabelos e finalizei com uma escova modelada. O Gustavo não gosta muito quando escovo os cabelos, sempre reclamava e, eu acabava lavando os cabelos só para agradá-lo. Mulher apaixonada é um bicho besta! Passeei no shopping com paciência, vidrada nas vitrines, estou à caça de alguma roupa legal para vestir hoje à noite. — Nossa! Preciso daquele vestido — falei sozinha. Entrei na loja e pedi à vendedora que trouxesse o meu tamanho. Assim que vesti fiquei apaixonada. — Ficou Lindo! — A vendedora simpática falou.


— Obrigada! — falei toda animada. — A beleza ajuda muito — ela disse sorrindo. O vestido é perfeito! Todo rendado com um tipo de renda espessa com detalhes dourados. Não é curto, mas é bem provocante, o busto é sustentado por apenas uma alça transpassada na diagonal. Uma obra de arte! Não precisarei nem usar sutiã. Acabei levando mais quatro vestidos e três macaquinhos de seda, bem fresquinhos. Cheguei ao meu apartamento por volta das 20h, liguei o meu celular e fui bombardeada por mensagens da Fernanda, Alex e o do... Gustavo? Meu coração chegou a contrair quando li o nome dele. Sentei em uma das cadeiras da minha pequena mesa de jantar e comecei a ler as mensagens. '' Amiga estou chegando no seu apartamento para me arrumar junto com você. Estou levando o Felipe." — F.M "Bia, liga o telefone. Estou preocupado com você." — Alex '' Pare de me enviar mensagens repetidas, já encheu o saco!" — G.F — Idiota! Vou enviar mensagens até quando eu quiser — falo sozinha de novo. Argh! Estou literalmente ficando a cada instante mais louca. Quando começo a digitar uma resposta malcriada a campainha toca insistentemente. Corro até a porta e olho no olho mágico. Fernanda e o anjo do Felipe. Abro a porta e sou quase derrubada pela minha amiga baixinha e espevitada. — Olá! — digo enquanto seguro a louca praticamente no colo. Ela me larga de vez e fala: — Olha quem eu trouxe para nos ajudar a escolher nossos looks — ela fala com uma voz estranhamente diferente e animada. Eu hein?! Parece que está tentando outro timbre de voz, mas acabou saindo meio infantil. — Entre! — Dei passagem a eles. O Felipe está todo envergonhado. — Boa noite Bia — ele beija meu rosto. — Oi Felipe. Tudo bom? — Hoje não esbarrei com ele no restaurante, não saí de dentro do escritório. — Tudo! Bonito apartamento. — Pode sentar no sofá ou onde você quiser — disse sorrindo. Sentou-se no sofá e disse: — A Fernanda me obrigou a acompanhá-la nessa tal festa de bacana. Não sei se estou vestido de acordo com vocês — aponta para as roupas e sorrir. — Fica tranquilo, sua roupa é perfeita. Relaxa! — Ele aquiesceu e sorriu de novo. Agora é assim, depois que fez o tratamento nos dentes, não para de sorrir. Se ele soubesse o que espera ele durante a festa. Tadinho! Será devorado pelas fantasias da Fernanda. Olhei para a Fernanda e a flagrei olhando para o Felipe deslumbrada. — Fernanda, serve uma bebida para ele. Fique à vontade Felipe! — Ele sorriu de novo e eu retribuí. Deixei a sala e segui com as minhas compras para o quarto. Logo depois a Fernanda entrou no quarto com suas bolsas. Ela conseguiu se aprontar primeiro que eu, saiu do quarto e fechou a porta. Depois de alguns minutos uma música suave tomou todo o meu apartamento, uma voz deliciosa e leve. A música é do "Coldplay - The Scientist", mas o som era acústico, só no violão. A música repetiu mais duas vezes. Peguei minha clotch, saí do quarto e segui até a sala. A cena que eu vi, foi surreal, pensei que não viveria o suficiente para presenciar um momento desses. Felipe deitado no meu sofá, com a cabeça apoiada no colo de Fernanda que por sua vez, acariciava a cabeleira loira dele, carinhos esses, seguidos de beijinhos na testa, na ponta do nariz. — Oi — falei baixinho para não assustá-los. Felipe levantou na velocidade da luz. Fernanda apenas sorriu. Conheço minha amiga, ela está aprontando alguma coisa. Pior, ela vai iludir esse menino. Quando o conheci, imaginei que ele tivesse uns vinte e dois anos pelo menos, mas me enganei, ele tem vinte anos recém completados. Ele é apenas um menino e, a Fernanda uma mulher


madura e experiente de trinta anos. — Estou pronta! — falei sorrindo. — Vocês duas estão lindas. Eu nunca vi de perto mulheres como vocês. Quer dizer, nunca me relacionei com nada parecido. — Ele se enrolou todo explicando. Entendi exatamente o que quis dizer. — Amiga, escutou a música? — Fernanda me perguntou. — Linda! Que voz linda. — A voz é do Felipe. Acredita? — Que? — Nossa você tem uma voz linda. Já pensou em seguir carreira? — Agora sim, o sorriso fez com que as covinhas na bochecha sobressaíram perfeitamente. Fernanda está com os olhos brilhando. Parece até uma loba do mau. Senti uma vontade incontrolável de rir da expressão dela, mas me contive. — Obrigada Bia. Canto só por hobby mesmo — respondeu. — Você deveria tentar — falei. Antes de sairmos, bebi um copo de água e enviei uma mensagem para o Gustavo. "Enquanto eu viver, enviarei mensagens para você. Eu te amo." — A.B Fernanda e Felipe saíram de carro na frente para que eu pudesse segui-los até chegarmos ao luxuoso condomínio onde Arthur mora. Estacionamos na vaga para visitantes. Reaplico meu batom, fito-me no espelho retrovisor, confiro à hora no painel e vejo que já são 23:30h. Acho que chegamos cedo demais. Saio do carro e encontro-os encostados no "Kia Sportage" vermelho da Fernanda. Dou uma bagunçada arrumada nos cabelos e me aproximo do futuro casal. —Vamos? — Fernanda pergunta. — Vamos — eu e Felipe respondemos juntos. Seguimos por um jardim lindo repletos de flores coloridas e um chafariz espetacular de granito preto. Passamos pela recepção, uma senhora nos cumprimentou e perguntou os nossos nomes. Entramos no elevador e subimos até a cobertura, seguindo por um corredor enorme. Não conseguia escutar nenhum tipo de barulho que identificasse uma festa. — Tem certeza que está acontecendo uma festa nesse andar? — Felipe nos perguntou. — Sim — Fernanda respondeu. — O apartamento tem um sistema acústico antirruídos. Esse andar inteiro é a cobertura do Arthur. — Nossa! Paramos diante de uma porta enorme preta, com detalhes dourados. Fernanda tocou um interfone e liberaram a nossa entrada. E... E nossa senhora dos trabalhadores pacatos. Eu nunca vi um apartamento luxuoso igual a este. A expressão que o Felipe fez chegou a me assustar. Pensei até que ele não fosse entrar. Aproximei dele e disse: — Fica tranquilo. Relaxe! Você está bonito — vi em seus olhos o quanto esta desconfortável. A Fernanda segurou a mão dele como se fossem um casal. A música estava em um volume aceitável, conseguíamos conversar sem precisar gritar e cheirar o cangote dos outros. Um garçom passou e nos ofereceu bebida. Eu não queria beber, mas é impossível, dispensar um bom champagne. Paramos próximo ao bar em um canto mais escondido. Meus olhos varreram todo o espaço procurando pelo o Gustavo. Aparentemente ele ainda não chegou. Os convidados começavam a chegar aos poucos e o ambiente estava sendo preenchido por mulheres e homens de todos os tipos, para todos os gostos. Fernanda e Felipe estão ao meu lado sugando a língua um do outro. Dei duas cotoveladas para eles se ligarem que estou aqui. Não quero ser a vela do momento. — Quero conversar! — disse a eles. — Estou carente e vocês ficam aí nesse love todo. — A noite é uma criança amiga! — Deu uma piscadela e fez a cara de safada que é a sua marca. Ela vai aprontar com esse menino. Do nada ela descolou do Felipe e me rebocou até um grupo de


rapazes. — Vamos ali — apontou. Concordei. — Olha quem está aqui — Arthur fala com seu timbre malicioso. Sorrio e lhe dou um abraço. — Destruidora de corações! Você veio mesmo. Fico muito feliz! — Eu gosto do meu cunhado. — Fernanda! — Acreditem! Ele segurou a Fernanda pela cintura e lhe tascou um beijo pornográfico. Sabe aqueles que não encostam os lábios e, só as línguas se encontram e ficam expostas em uma dança erótica? Foi exatamente esse beijo. Olhei na direção do Felipe e constatei o que já esperava. Ele vinha em nossa direção. Respirei fundo. Arthur desgrudou a boca da Fernanda e perguntou: — Aquele é o nosso brinquedinho? — Ela aquiesceu e eu só comprovei o que já tinha concluído em minha mente fértil. Quando o Felipe parou ao nosso lado o Arthur se apresentou todo receptivo: — Prazer, Arthur Ferrari. Fernanda segura à mão do Felipe e o beija na boca com um estalinho e fala alguma coisa no ouvido dele. — Puta que pariu! Estou em um filme pornográfico? — sorrio da situação. Felipe estica o braço direito e aperta a mão do Arthur, que lhe retribui o aperto de mãos com um sorriso malicioso. Se a Fernanda não tivesse me explicado exatamente do que o Arthur Ferrari gosta, eu acharia que ele curte homens também. E, eu só tenho a declarar... Ela é uma filha da puta sortuda e corajosa. — Cunhada você está muito linda! Com certeza será a mulher mais bonita dessa festa. Entendo perfeitamente a possessividade do meu irmão, quando se trata de você — sorrio. — Obrigada Arthur! — Olá... — Arthur se afastou para cumprimentar uma loira que o abraçou por trás. Quando virei para falar com a Fernanda que iria ao toalete, meus olhos foram atraídos pela imagem mais perfeita que já vi em toda a minha vida. — Gustavo — falei alto, mas acho que ninguém escutou. Que bom! Ele é perfeito! Os cabelos jogados para trás, parece que estão com um pouco de fixador, a barba cerrada, a boca vermelha e espessa. Esta de jeans escuro e uma blusa jeans de mangas compridas, mas estas estão dobradas. Ele para ao lado de um garçom e pega dois drinks, caminha até parar... E... Ele está acompanhado de uma mulher ruiva. Engulo em seco a saliva mais saliva. Estou visivelmente me sentindo arrasada. Olho em direção à Fernanda e ela fala sem mexer os lábios: calma! Aquiesço e saio em busca do tolete. A cobertura do Arthur é enorme e, não faço à mínima ideia de onde possa ficar o banheiro. Sigo um grupo de mulheres e subo as escadas, encontrei um toalete ao lado da imensa piscina ao lado da sauna. Entro e tranco a porta. Eu não quero ser fraca, saí de lá para não fazer um escândalo! Olho-me no espelho e aplico mais batom vermelho nos meus lábios, limpo com a ponta do dedo um borradinho do rímel que manchou quando uma lágrima persistente e solitária vazou sem minha concepção. Cadê aquele amor todo que ele disse que sentia por mim? Ninguém deixa de amar de um dia para o outro. Ele já está com outra, nem esperou um tempo para jogar essa merda na minha cara. Eu tento, eu me esforço, mas sou uma besta fraca. Maldito coração molenga. Quer saber? Irei voltar para aquela merda de festa e, não será o Gustavo que vai terminar de assassinar a minha noite. Chego ao enorme salão e, não encontro a Fernanda. Droga! Vou ter que ficar por aqui sozinha. Onde ela se enfiou. — Ei garçom o que é isso no copo? — pergunto — Uísque Jhon Wallker — ele responde com um sorriso bastante simpático. — Me dá um desse aí. — Se é para aproveitar, então vou beber para esquecer os meus problemas. Pego o copo e dou um gole generoso. Nossa... Desceu ardendo. Caminho até o meio do salão, onde várias mulheres e homens dançam ao som de "Avicci - Hey Brother". Sou praticamente


puxada pelo Arthur, que me pega pela cintura e começa a dançar comigo. — Eita garoto! Vai cair uísque na nossa roupa — falo e viro todo o líquido do copo de uma vez. Arthur pegou o copo da minha mão e colocou em uma bandeja de um garçom que passava entre a gente. — Quero dançar com minha cunhadinha. Posso? — perguntou com carinha de menino levado. — Pode! — Ficamos ali dançando sei lá o que, até a Fernanda surgir e me tirar para dançar com ela e o Felipe. Virei ioiô. — Amiga, não se abale com a presença do Gustavo e aquela piriguete cabelos de fogo. Vamos nos permitir, dançar até cansar. — Aquiesci e acompanhei ela e o Felipe em mais uma música. O DJ da festa caprichou nas músicas e montagens. Agora Iniciou uma música muito show da minha Diva "Jennifer Lopez — I Luh Ya Papi (Explicit) ft. French Montana". — Minha música! — Fernanda gritou animada com o embalo. Fui surpreendida quando ela e o Felipe fizeram um sanduíche da minha pessoa. Fiquei igual uma barata envenenada por "Raid". — Rebola Bia! — Fernanda gritou, como se eu fosse surda. Ela pegou as duas mãos do santo do Felipe e colocou na minha cintura. O Felipe ficou todo sem jeito, mas levou na brincadeira. Quer saber? Vou curtir essa porra toda. Virei de costas para ele, este que estava tendo o abdômen molestado pelas mãos nervosas da Fernanda e passou a ficar no meio. Imaginem só a cena: eu de costas para o Felipe e a Fernanda atrás dele dançando libertinamente com as mãos passeando no corpo do coitado. Quando entro na brincadeira e até consigo dar uns sorrisos maliciosos, meus olhos encontram os olhos mais azuis desse planeta. Seu olhar não demonstrava o mesmo sentimento que vi ontem, quando me olhou com ódio. Ele desviou os olhos dos meus e encarou o Felipe com raiva. Ai meu Deus, melhor eu parar com essa dança ou o Felipe irá perder os dentes de novo. Desvencilhei deles e quando pensei em ir até ele, a mulher que o acompanhava puxou ele para o meio da pista. VAGABUNDA! — A minha vontade, se eu tivesse coragem, é de arrastá-lo pelos cabelos e mostrar a quem ele pertence — disse no ouvido da Fernanda enquanto ela olhava descaradamente para o Gustavo e a mulher ruiva com quem ele estava dançando. Não era exatamente uma dança entre os dois, a ruiva balançava o quadril no ritmo da música e o Gustavo balançava discretamente a cabeça em um movimento lento até demais para a batida da música, mas eles estão próximos demais. — Vontade retrógrada — Fernanda disse e bebericou o espumante que segurava. — Fernanda, eu não vou conseguir ficar nessa festa. Olha só, como o Gustavo está dançando com aquela mulher — aponto para os dois que estão dançando próximos demais. — Bia, pelo o amor de "Dadá"! O homem está apenas dançando. Ele não está nem com as mãos sobre ela — dei um zoom mais preciso na direção deles. Que abuso! — Acho melhor eu sumir daqui. Não conseguirei ficar aqui de plateia assistindo-os a noite inteira. — Não acredito nisso! Você quer ir embora e me largar aqui sozinha? Acabamos de chegar! Que drama. — Conta-me outra! Você está em ótima companhia — olhamos para o Felipe que estava disperso, olhando em direção da cabine onde o DJ da festa estava. — Embora eu esteja em boa companhia, prefiro a sua companhia por hora — deu uma piscadela e fez biquinho. Baixinha abusada. — Não estou no clima de festa, música, álcool — falo. — Isso é um absurdo! — segura no meu braço e continua falando. — Você quer ir embora de uma festa maravilhosa como essa, por causa de um bofe que está te ignorando a todo o instante? Deixa de


ser boba, vamos curtir! Faz isso por mim? — Reviro os olhos e dou de ombros. — Se realmente for minha amiga de verdade, vai soltar o meu braço e me deixar voltar para a minha casa e minha cama fria e solitária. — Querida não sou do tipo que apenas enxuga as lágrimas de amigas e, sim aquela que fala a verdade. E, se você ficar de mimimi por causa daquele bofe, pode ter certeza que te darei uns bons tapas nesse rostinho de diva. — E, se você me obrigar a ficar, fazendo uma ameaça ridícula como essa, pode ter certeza que minha vingança será "unforgettable" — sorrimos. — Arrancarei suas unhas de porcelana — dei um sorrisinho perverso. — Uma por uma, sem removedor. — Tá Bom, tá bom... Quando você pensa em vingança, sai crueldade desses pensamentos. Cruz credo! — Faz o sinal da cruz. Voltamos a olhar na direção do Gustavo e a da tal ruiva. Ódio! Por que a mulher tinha que ser tão bonita? Olha os cabelos dela? Lisos, vermelhos e brilhosos. E o corpo? Perfeito. — Ela não faz o tipo dele — falo no ouvido da Fernanda. — Por quê? Ela é bonita. Muito nova, mas mesmo assim, uma mulher linda. — Ele não aprecia mulheres desse biótipo — afirmei mais para mim, do que para a Fernanda. — Bia, relaxa... Você é uma leoa perto daquela gatinha ali — apontou de novo na direção deles dois, que agora estavam conversando com duas loiras desfilando micro vestidos. Uma das loiras, a mais alta acariciava o braço do Gustavo enquanto conversavam. Ele sorrir abertamente. — Cachorro! Ele só pode estar me provocando. Olho para a Fernanda e ela fala: — Okay! Agora vamos dançar — me oferece uma taça de espumante e me obriga a brindar. — Viva a nossa noite! — Levantamos nossas taças e brindamos. — Sua noite! — Vibro com alegria forçada. Bebo o liquido sem respirar. Tentei ao máximo não olhar para o Gustavo. Tentei, mas não consegui. Será que eles se conhecem há muito tempo, ou se conheceram hoje? Pois a intimidade em que estão demonstrando ter, prova: certamente é um caso antigo. Não sou de brigas, mas quando fico nervosa demais, como estou neste exato momento, sinto uma vontade de extravasar, gritar, chorar e até mesmo de agredir. — Melhora essa carranca! — Forcei um sorriso congelante e petrificado que o Felipe que até então manteve-se quieto e disperso, sorriu com vontade. — Está rindo de mim ou para mim, Felipe? — perguntei em um tom divertido. — Desculpe, mas é de você. Seu sorriso saiu um pouquinho engraçado — pisquei o olho e fiz um charminho para ele e disse: — Imaginei que fosse de mim. Saímos do salão onde a pista de dança improvisada estava movimentada, chegamos ao espaço gourmet, nos servimos de queijos, pães e pastas. Eu e Felipe sentamos em um enorme sofá de couro preto, Fernanda pegou um prato de porcelana preta e serviu-se de uvas, sentou no colo do Felipe e o alimentou como se fosse a mãe dele. Tive uma incontrolável crise de risos, misturei mágoa, ódio, desprezo, decepção, tudo junto com essa cena da Fernanda alimentando o Felipe. Ri tanto, mas tanto que quase tive uma síncope. — Fernanda me deixa tirar uma foto de vocês dois? — Minha voz saiu trêmula devido aos resquícios dos risos incontroláveis. — Ai que tudo amiga! Faz uma selfie de nós três — ela se remexe toda no colo do Felipe e dá uma sacudida nos cabelos loiros platinados. — Primeiro vou fotografar vocês dois — falei sorrindo. — Vai Fê, coloca a uvinha na boca dele, vai. — Felipe fica todo sem graça e fala: — Meninas, não curto essas paradas de redes sociais, selfies. Não sou fotogênico.


— Relaxa anjinho! — disse toda altinha. Acho que o álcool já está se apossando da minha corrente sanguínea. — Isso... Perfeito. — O flash quase nos cegou, mas eu não poderia perder essa cena épica. — Deixe-me conferir, quero saber como eu saí na foto. — Fernanda pega o celular da minha mão, olha a foto e fala: — Ficou legalzinha — mostra para o Felipe, ele sorri e me entrega o celular. — Agora nós três. — Felipe nos abraça e o flash quase nos deixa cegos de novo. — Huhuhu! Fernanda gritou sem modéstia. — Fernanda saiu com cara de bêbada e boca aberta, Felipe saiu de olhos fechados. Eu fiquei maravilhosa, o bege e o dourado do meu vestido sobressaíram grandiosamente — disse e mostrei a eles. — Credo! Exclui isso Bia — Fernanda fala e faz uma careta de reprovação. — Não vou excluir nada, eu fiquei maravilhosa na foto. Essa vai para o Instagram! Ficamos os três juntinhos, sorrindo e conversando sobre diversos assuntos. Fernanda e Felipe estavam bastante entrosados, quem os vissem de longe enxergaria um casal apaixonado. Sou observadora e, não pude deixar de notar a sintonia entre eles dois. Fernanda é uma mulher linda. Tem seios fartos e redondos, graças ao Deus silicone, cabelos loiros platinados, olhos verdes claríssimos e pele branca. Seus 1,54 cm de estatura a tornam uma baixinha sexy. Fico ao lado deles dois olhando as pessoas, alguns homens laçam olhares em minha direção, outros piscam ou gesticulam para demonstrar o interesse, mas sinceramente nada me atrai. Eu só queria estar nos braços dele, só penso nisso. Não que eu pense nele vinte e quatro horas por dia, mas ultimamente ele tornou-se o evento principal para o meu cérebro. Quando já estávamos satisfeitos e de energias recarregadas, decidimos voltar para a pista de dança. Passamos por um corredor carregado de testosterona, minha libido já estava transbordando por conta do álcool e dos contos eróticos que minha amiga estava nos contando. Por isso, já fiquei na espreita para controlar as minhas ações. — Que isso Morena — um Deus de ébano de quase uns dois metros de altura e uma tonelada de massa muscular trincada segurou na minha mão. Puxei no mesmo instante. — Assim eu me apaixono! — escutei o Deus de ébano falando alto, nem me dei ao trabalho de olhar para trás. Vou deixar para as amigas. Chegamos à pista de dança iluminada por diversos tons de cores. Começamos a nos remexer ao som de "David Gueta - Shot me down". — Delicioso! — gritei no ouvido da Fernanda, para provocá-la. — Quem? Quer dizer, o que? — perguntou e sorrimos. — Falo do seu anjinho, — aponto para o Felipe. — Dançando de olhos fechados. Ele manda Bem! — Ela sorriu e concordou. — OH, se manda! — completou. — Bia. Bia. Bia. — Fernanda cutuca a minha cintura com o cotovelo. — Ai... Osso dói. Sabia? — reclamo alisando a minha cintura. — Peguei o Gustavo olhando para você duas vezes. — Jura? — Meus olhos encheram de lágrimas. — Daqui a pouco você olha disfarçadamente em direção a um grupo que está do seu lado esquerdo. Ele está entre eles — viro o rosto apressada. — Porra Bia, não precisa virar a cabeça igual à garota do filme exorcista para olhar. — Ele não percebeu. Fica tranquila — disse. — A ruiva está ao lado dele toda sorridente. — Se ele tratá-la, como sempre me tratou, será mais


uma mulher enlouquecida e apaixonada por ele. — Garota estranha! Não tira aquele sorriso idiota dos lábios — disse para Fernanda. — Pois é também achei — olhamos juntas para eles e fomos surpreendidas pela ruiva, ela sorriu abertamente para nós duas. — Ela está debochando de você. Se sorrir de novo, vou oferecer o meu dedo médio a ela. — Que isso Fernanda? Não faça isso — sorriu divertidamente com cara de travessa. — Ela sorriu de novo Bia, esta debochando de você — soltei um grunhido ruidoso. — Vamos dançar, vem! Deixa o Gustavo pra lá. Provavelmente ele está garantindo a foda da noite, que neste caso, é a ruiva — disse tentando soar despreocupada com a situação. Tomar ciência disso fez meu estômago revirar. — Não fica cabisbaixa. Ah! Tive uma ideia — ela sai praticamente correndo e some no meio da multidão organizada dentro da cobertura. Eu e Felipe ficamos conversando sobre o trabalho, ele disse que está adorando trabalhar no meu restaurante. — Que bom que está gostando. Estou satisfeita com o seu desempenho — digo ao Felipe. — Bia aquele rapaz, — apontou discretamente na direção onde o Gustavo estava, — é o seu namorado? Parece com o homem que eu vi no restaurante outro dia com você. — Pelo jeito, ele não soube nada sobre a briga de ontem no escritório. Que bom! — Na verdade, eu não sei se somos namorados ou ex-namorados — fitei-o com o cenho franzido. — Você se importa de ficar aqui sozinha? Preciso ir ao banheiro — perguntou. — Me importo! Vou com você — ele sorriu e concordou. Seguimos rumo às escadas, ele segurou na minha mão para evitar que eu fosse parada quando passássemos entre alguns rapazes atiradinhos. Quando chegamos ao segundo piso, ele para embasbacado e assobia. — Que piscina! — sorriu. — Parece um clube aquático. — Esse espaço e bem legal — falei e ele aquiesceu. — Onde é o banheiro? — Ali — apontei para duas portas brancas laqueadas ao lado da sauna. — Pode ir naquele que vou ao lado. — Tinha uma pequena fila no banheiro disponibilizado para os homens, por isso o Felipe demorou um pouco mais do que eu. Saí do banheiro e encostei-me em uma pilastra tão solitária quanto eu. Abri a minha clutch, peguei a alcinha dourada, encaixei nas laterais da bolsa e a transpassei sobre o meu ombro. Vou parar de beber, estou ficando tonta. Pisquei os olhos várias vezes na tentativa de livrar-me da sensação de olhos embaçados, dei uma desarrumada nos cabelos para deixá-los mais bagunçados e cheios. Quando eu faço isso, fico com cabelos iguais das divas pop. Distraio-me olhando para o céu estrelado e, me pergunto: qual daquelas estrelas é o meu anjinho? Se ele estivesse hoje aqui, estaria com oito aninhos de idade. Às vezes fico imaginando como seria sua aparência aos oito anos, ele era a cópia do Lorenzo, até o temperamento. Adorava cantar e andar de bicicleta, Lorenzo era tão carinhoso com nós dois, sempre quando tínhamos folgas prolongadas, viajávamos. Nossa última viagem foi para Cancun, nos divertimos, aproveitamos o máximo à companhia um do outro. Rafael estava feliz por estar com nos dois, a felicidade dele transbordava, seus olhinhos negros idênticos ao do pai, brilhavam de tanta alegria. Lembro-me como se fosse hoje Lorenzo e ele mergulhando em uma piscina rasa natural ao lado de peixes e filhotes de tubarões. Fiquei desesperada enquanto os dois entraram na piscina. Rafael adorava os animais marinhos, talvez ele seguisse a mesma profissão do pai e se tornaria um excelente biólogo, só que em especialidade distintas, já que Lorenzo seguiu para área de pesquisa em plantas para produção de remédios. Dois meses depois dessa viajem inesquecível, meu anjinho partiu. Fechei meus olhos e afastei as lembranças. Quando os abri,


esbarrei meus olhos nos olhos azuis do Gustavo, que me fitava com o cenho franzido. Eu queria ir até ele e dizer o quanto isso tudo está me matando aos poucos, mas o meu orgulho resolveu aparecer, principalmente quando percebi a ruiva ao seu lado segurando uma taça de espumante. Ficamos nos encarando fixamente, até eu ser despertada por duas mãos geladas. — Vamos descer? — Felipe perguntou, tocando no meu ombro nu, com suas mãos geladas. — Vamos. — Não segurei em sua mão, mas ele como um bom cavalheiro, tocou o meu ombro e foi me guiando entre as pessoas. Passei ao lado do Gustavo, ele não esboçou nenhum sinal de que gostaria de falar comigo. Senti todos os pelos que restaram no meu corpo, depois da depilação, se arrepiarem. Inspirei todo o seu cheiro, até encher os meus pulmões, expirei lentamente para aproveitar por mais tempo. Sempre fui emotiva, mesmo antes de desenvolver uma profunda depressão a qual eu lutei por todos esses anos. Choro até assistindo Shrek, quem dirá por um amor que me rejeita. Então, naturalmente lágrimas formaram-se em meus olhos e caíram sem minha permissão. Felipe olhou-me preocupado, mesmo em um ambiente pouco iluminado ele percebeu que eu chorava. — Bia, o que houve? — Nada não. Estou com a vista turva por causa da quantidade de álcool que ingeri. — Apertou o meu ombro, como se estivesse fazendo um carinho para consolar-me. Encontramos a Fernanda conversando com o Arthur e algumas mulheres, nos aproximamos e acabamos sendo incluídos no assunto. Eu não fazia ideia do que eles falavam, apenas concordava e ao mesmo tempo vasculhava o ambiente com olhos de águia. Já estou de saco cheio. Não sou uma boa companhia! O DJ, fala em um microfone alguma coisa e que também não prestei atenção. — Amiga vem dançar! Pedi ao DJ para tocar uma música bem alegre em dedicação a você. — Fernanda arrastou-me até a pista, fomos seguidas pelo Felipe. Estava tocando uma música que nunca ouvi antes, começamos a dançar, formamos um triângulo para que pudéssemos ficar um de frente para o outro e, conversar ao mesmo tempo em que dançávamos. A música terminou e logo em seguida começou uma música conhecida e bem alegre do cantor "Don Omar - Danza Kuduro". Assim que o som invadiu o ambiente, ouvi gritinhos típicos de nós mulheres quando achamos que a música é especialmente para a gente. —Adorooo! Essa é para você... Amigaaa — Fernanda gritou. Ela agarra o Felipe por trás que por sua vez, segurou-me novamente pela cintura, incentivado pela a louca da Fernanda. — Rebola essa bunda redonda Bia! — Ela grita atrás do Felipe. Deixei me levar ao som contagiante, rebolei tanto que o Felipe chegou a se afastar um pouco. Tadinho acho que o assustei. — Que isso Anjinho, vai pedir arrego? — Fernanda perguntou a ele. — Segura essa cintura com força igual eu te ensinei ontem — ela o obriga a me pegar de jeito. — Melhor não. O namorado dela está me fuzilando o tempo todo — disse à Fernanda. — Sério? Não havia notado — disse com uma leve satisfação na voz. — Felipe, ele é um otário! — gritei. — Segura logo e para de "mimimi" — ela ordena, mas ele não se intimida com seu tom autoritário. — Bia posso segurar a sua cintura? — ele perguntou com a boca colada ao pé do meu ouvido, todo envergonhado. Fiquei arrepiada com o calor de seu hálito em meu pescoço. — Pode pegar com força, Felipe. — Acreditem ele estava com medo. Fernanda segurou as duas mãos dele e as colocou em minha cintura de novo. — Faça uma pobre menina abandonada feliz! — Fernanda gritou apertando o abdômen do garoto. Morri de rir. Cheguei a uma breve conclusão: ele


está vivendo uma noite de treinamento para ser jogado aos lobos. Segurou-me com jeito. Minha coluna bateu em seu abdômen e nas mãos nervosas da Fernanda. — Nossa Senhora! — gritei animada, mas minha animação quase se esvaiu quando vi o Gustavo e a ruiva, chegando na pista. Ele falou alguma coisa em seu ouvido que a fez sorrir igual a uma hiena no cio. Isso só me atiçou, rebolei como se não houvesse o amanhã. Quando estava totalmente imersa no ritmo da música, senti o Felipe se afastar de novo, Pendi a cabeça para o lado para fitá-lo, seus olhos verdes estavam escuros e o rosto vermelho. Tentei ver a Fernanda mais não a encontrei. — Cadê a Fernanda? — mostrou-me indicando com a cabeça. Ela estava dançando com o Arthur e mais uma mulher. Nem percebi que ela havia nos deixado. — Acho melhor pararmos de dançar assim — disse com a boca próxima ao meu pescoço. — Por quê? — perguntei, mas sem perder o rebolado, continuei remexendo-me. — Melhor pararmos — ele fala. — Não. Estou gostando. Vamos continuar. — Tá bom! Mas para de rebolar desse jeito. Está difícil aqui em baixo — pendi a cabeça novamente para fitá-lo. — Não tenho culpa. Você é linda e eu sou homem. — É impressão minha, ou a voz dele mudou de timbre? — Vou tentar não rebolar próximo ao seu amiguinho — disse movida pela adrenalina e álcool — Agradecemos — referiu-se a ele e o seu amiguinho de baixo. Que situação! Virou-me de frente para ele, segurou em minha cintura e dançamos como se estivéssemos em um concurso de lambada. — É melhor assim — ele disse e eu concordei. — O cara que você não sabe se é o seu namorado ou não, não tira os olhos de nós dois. Ele está com uma expressão que não está nada satisfeito com o que vê. — Esquece ele — disse. — Posso até esquecer, mas ele não me esquecerá. Pois está vindo em nossa direção com uma fúria, estou quase saindo daqui correndo, fugido. Bia... Acho que ele vai quebrar a minha cara. Ele fechou as mãos... — Fica calmo — tentei tranquilizá-lo, mas foi em vão. O garoto tremeu todo quando uma voz grossa e incisiva nos atingiu. — Tire as mãos dela. AGORA! — Felipe só faltou empurrar-me na direção do Gustavo. — Não! — gritei para ambos ouvirem, pois a música estava mais alta do que antes. — Vem... Vem que eu vou te mostrar uma coisa — Gustavo me segurou pelo braço e saiu me levando em direção a uma porta imensa, ao lado dela tinha dois homens de terno e gravata, parecem ser seguranças. Eles abriram a porta e nos deixaram passar. Conforme nos afastávamos, a música aos poucos se tornava baixa, até que desapareceu qualquer ruído que pudesse identificar que acontecia uma festa no mesmo andar. — Gustavo me solta! — Ele caminhava decidido, segurando o meu braço. — Não! — Vai deixar a sua amiguinha sozinha? Vai acabar perdendo sua foda da noite. Percebeu que está repleto de homens gostosos e sozinhos na festa? — Pare de falar asneiras — juro que não consegui segurar o surto de risos. — Asneiras? Quem é que usa essa palavra arcaica? — disse com deboche. — ''Pare de falar merda'', soa mais contemporâneo — falei para irritá-lo. — "Cale a boca", soa do jeito que eu quero — ele disse com a voz grossa e seca. — Se você não me soltar vou gritar.


— Grita, ninguém vai te escutar. — Um sorriso sarcástico surgiu no seu rosto. — Me larga seu maluco. — A única maluca aqui é você. — Maluca que você usou e se lambuzou até enjoar. — Quem disse que eu enjoei? — segurou-me com posse, encurralou-me contra uma parede fria e uniforme. Seus olhos encaravam os meus com desejo. Mas logo uma expressão dura tomou o lugar do desejo e me fez recuar. Desviei os olhos para o chão. — Ei? Não desvia os olhos dos meus. — Minhas lágrimas disseram: oi voltei! — Gustavo, se você me arrastou até aqui para me ofender, ou sei lá... Fazer-me sofrer ainda mais com o seu desprezo, peço que pense duas vezes, antes de começar. Pois a única coisa que posso oferecer a você é o meu amor. Não me faça se sentir pior do que já estou. — Xiiiiii... — colocou dois dedos nos meus lábios para que eu me calasse. Seu cheiro me deixou inebriada, sua voz grossa chegava aos meus ouvidos causando-me arrepios em lugares que eu nem lembrava que existiam pelos. O toque de suas mãos em minha pele enviou vibrações que fizeram os meus membros fraquejarem. Aproximou seu corpo ao meu e, desceu a cabeça até o meu pescoço. — Ana Beatriz... — falou com a boca em meu pescoço. — Seu cheiro tornou-se um vício e, eu preciso saciar-me com a minha droga. Quero sofrer uma overdose causada por excesso de você. Feiticeira... Eu te amo tanto... — acariciou os meus lábios com os próprios lábios. — Que saudade... Morena. — Não parece que estar com saudades. Não perdeu tempo e arrumou logo outra mulher para satisfazer as suas vontades — disse carregada de ressentimentos. Ele se afastou o suficiente para me fitar. — Do que você está falando? — perguntou-me com malícia. — Você sabe do que estou falando. Não me obrigue a lembrá-lo — jogou a cabeça para trás e deixou escapar uma risada rouca deliciosa, que só ele consegue ter. — Está rindo de mim? — Estou. — Ficamos em silêncio e nos fitamos fixamente um nos olhos do outro. Meus olhos marejados. Pisquei para aliviá-los da ardência que as lágrimas provocam. — Não suporto vê-la chorar — toca o meu rosto com carinho e enxuga algumas lágrimas. — Eu não suporto ficar longe de você — falei com a voz trêmula por causa da angústia. — Isso dói... Dói muito. Sabe? O amor machuca demais — sussurrou o suficiente para nós dois escutarmos. — Eu sei que dói. Sou reincidente, sofro a todo o instante por causa dele, pior é quando além dele, surge um dos sentimentos mais urgentes, a saudade. Essa sim, te derruba de vez. — Sentimento egoísta e orgulhoso — diz ainda sussurrando, agora com os lábios encostados nos meus. Sinto a vibração da sua voz baixa e rouca nos meus lábios dormentes, cheios de lasciva e ansiedade. — O amor é um sentimento bipolar. Você constrói movido por ele e, ele te destrói sem avisar — minha voz sai baixa. — Eu te amo e, meu amor nunca irá destruir você — sua língua quente invadiu de vez a minha boca, suas mãos tornaram-se múltiplas, pois alcançaram várias partes do meu corpo ao mesmo tempo. Minhas pernas já não existiam, pareciam dormentes. Segurei em torno de seu pescoço, ele levantou-me com eficiência, como se eu fosse uma folha de papel. Prendi minhas pernas ao redor de sua cintura enquanto ele caminhava a passos largos até o final do imenso e escuro corredor, quando


dei por mim, estávamos em uma enorme sala de estar com gigantescos sofás que pareciam ursos polares. — Te amo Morena — deitou-me com cuidado em um dos gigantescos sofás, depois abaixou e ficou de joelhos, levantou meu vestido lentamente. Parou e ficou olhando para o meu corpo. Balançou a cabeça como se tivesse pensando em alguma coisa que o fizesse se sentir culpado. Seus olhos pararam em meus pés que estavam calçados por uma sandália branca perolada e de saltos altíssimos. — Nunca falei antes, mas até os seus pés me deixam excitado. — Seu sorriso mostrava os dentes pelos quais eu sou apaixonada e suas ruguinhas no rosto me atiçaram pedindo minha língua. Inclinei um pouco o meu corpo e sentei-me. Puxei-o com força, fazendo-o levantar cambaleando para o lado, minha tentativa de levantá-lo foi em vão, pois ele ajoelhou de novo. — Deita em cima de mim, adoro sentir seu peso quando estamos fazendo amor — dominada pela excitação, pedi. — Saudades? — perguntou encostando o nariz, no meu ventre. — Muita saudade! Até dos seus filmes chatos sobre ficção científica e zumbis, eu sinto saudades — elevou a cabeça e olhou-me por alguns longos segundos e disse: — Você é minha — beijou entre minhas coxas e desceu os lábios em toda a extensão da minha perna direta. — Eu sou sua. Só sua — falei baixo. — O que você quer me mostrar? Arrastou-me até aqui, para mostrar-me uma coisa. Lembra? Levantou-se do tapete, desceu o zíper do jeans escuro e a calça deslizou, ele desceu a calça e, junto com a cueca preta que dessa vez não era boxer. Meus olhos triplicaram, o pau dele escapulia por cima do cós. — Olhe... O que eu quero mostrar... Isso aqui — segurou o pênis ereto e sacudiu. — Há três dias ele está assim. Por causa de você. Vou te castigar por ter me deixado assim e por ter dançado com aquele franguinho a noite toda. Nunca mais você irá rebolar daquele jeito para outro homem. Só eu tenho esse direito. — Sorrio sarcasticamente ao ouvir suas palavras. Eu seria dele eternamente. Abri-me toda, foi automático. Meu corpo reconhece o dele. É natural, é o instinto. — Vem... Eu preciso de você agora — disse movida pelo desejo. — Feiticeira... Vou precisar de você a vida inteira ao meu lado — deitou sobre o meu corpo e rasgou minha calcinha de renda. — Aiii... — A brutalidade com que ele puxou o pedaço de pano, causou-me dor. Seu pênis ereto e grosso veio de encontro a minha vulva que parecia um vulcão pronto para entrar erupção. Esfreguei-me em seu pau procurando alívio e satisfação. — Amor... — Entre beijos sequiosos e carícias ele diz: — Vou amar você, rápido e duro. Mas quando eu terminar, nós iremos embora. Vou amar você na nossa casa, no nosso quarto, na nossa cama. Invadiu-me sem avisar, causando-me um misto de sensações que me fizeram gemer em seus lábios a procura de consolo. — Geme... Eu amo escutar os seus gemidos. Mia... Gatinha... Estocava profundo e duro, os movimentos desconexos de nossos corpos liberavam espasmos em todo o meu corpo. Seu pênis me rasgava a cada arremetida que ele dava. Eu amo esse homem, amo tudo que vem dele. Seus olhos se fecharam e ele liberou de seus lábios vermelhos e espessos o ruído mais excitante que ouvi. — Arrrrr... Esse é o nosso lugar — sugou minha língua e desceu a mão até o meu brotinho inchado e sensível. — Goza no meu pau... Goza feiticeira... — A pressão causada pela excitação, seguidas de espasmos concentrou-se em meu ventre, iniciando um orgasmo demorado e diferente,


pois junto com ele chegaram lágrimas... De medo, desejo, insegurança... Quando os gemidos escaparam dos meus lábios os soluços saíram em seguida. — Ahhhh... Aiiii... Te amo... Gustavo, eu te amo. — Um desespero avassalador tomou conta de mim e assumiu o controle. — Não chora. Eu te amo! — Fechou os olhos, eu já sabia antes mesmo dele fechar os olhos, que ele gozaria. Seu pênis inchou e cresceu alargando meu canal antes mesmo de ouvi-lo: — Anaaaaa... Deitou totalmente sobre mim, soltando todo o seu peso. Abracei-o com sofreguidão e amor. Nossa respiração aos poucos foi se restabelecendo. Bufou em meu pescoço, beijou a minha pele e falou com a voz rouca que só ele fica depois de gozar: — Promete que nunca vai me deixar? — Eu é que tenho que fazê-lo me prometer. — Prometo — falei baixinho e ele envolveu-me em um abraço forte e protetor. — Eu te amo — disse em meu ouvido. — Eu te amo muito. — Vamos? Vamos para a nossa casa? — perguntou no meu ouvido e logo desceu espalhando beijos em meu pescoço e colo. Mexeu o quadril e afundou ainda mais o pênis semi-ereto. Gemi em resposta e ele sorriu, mas no mesmo instante sua expressão mudou drasticamente, as pupilas dos seus olhos "azuis transparente", dilataram e deu lugar a um tom azul petróleo. Levantou-se exasperado, como se tivesse se lembrado de algum compromisso importante e, estivesse atrasado. — Ana...


Capítulo 22 - Gustavo Ferrari Pior do que dormir chorando e acordar com enxaqueca e chorando. Acordei, mas ainda não tive coragem para abrir os meus olhos, não sei por que não consigo ser mais resistente, tornei-me um fraco, um covarde. Preciso me posicionar, ou esse sentimento passara por cima de mim como se fosse um rolo compressor destruindo o pouco de juízo e sanidade que me restaram. Eu só queria amá-la sem restrições, dar uma chance para a vida e ser feliz ao lado da mulher, da única mulher que meu coração conseguiu amar até hoje. O amor que ofereci a ela, não foi o suficiente para nos dois, sem dúvidas não foi o suficiente. Não consigo apagar ou esquecer o que presenciei: a mulher que roubou meus pensamentos, meu sossego e por fim o meu coração, sendo beijada pelo o homem que a fez mulher e a tornou mãe. E, que mesmo depois de fazê-la sofrer por longos anos, ainda possui o seu amor e respeito. Isso eu tenho que admitir, ela ainda o ama. Nunca fui muito compreensivo quando se trata de perder, perder lutando, perder brincando, perder alguém, perder objetos. Agora vejo que estou perdido e perdendo alguém que eu achei que seria minha para sempre. Quando nos conhecemos, desde o início ela deu indícios, pistas de que nunca estaria completa, mesmo assim eu aceitei. Sou tão culpado quanto ela. A questão não e perdoá-la e sim, a confusão que se resume ao que ela pensa sobre tudo isso. Não adianta dizer que me ama. Isso não seria o suficiente para nos dois. O que realmente seria o suficiente para ficarmos juntos e sem a sombra de outra pessoa, seria ela decidir-se. Pois está completamente perdida, eu vi em seus olhos, enquanto ajudava e se preocupava com o Lorenzo depois que o agredi. Eu não posso ficar com uma pessoa que não se entregará por inteira. Abro meus olhos e pisco várias vezes, meus olhos acostumados com a mesma rotina, ainda não se adaptaram a ausência dela, por isso, no mesmo instante que os abri, olhei para o travesseiro ao meu lado. Poderia ser apenas um sonho e, se fosse apenas um sonho, estaria neste exato momento acordando ela, como eu fiz nos últimos dias. Não lembro a que horas exatamente adormeci, mas sei que dormi bastante, mais do que costumo dormir. Entro no banheiro, olho-me no espelho por longos segundos... Fecho os olhos e meus pensamentos me atiram agressivamente ás lembranças dos últimos dias em que estivemos juntos aqui: eu me barbeando e fitando-a sem que percebesse... Ela estava sentada no vaso de olhos fechados, parecia que estava cochilando, achei engraçado e acabei acordando-a beijando o alto de sua cabeça, assim que a beijei, abriu os olhos e sorriu quando me olhou. Voltei a minha atenção para o espelho e retornei ao que fazia, ela inclinou para o lado e apoiou a cabeça em meu quadril e voltou a dormir, como se eu fosse o seu apoio. Acordei-a quando terminei, ela ficou toda envergonhada por ter cochilado sentada no vaso sanitário e ter me feito de travesseiro. Disse a ela que foi a coisa mais linda que aconteceu, senti-me seguro em relação a nós dois e percebi depois desse momento, que a cada dia que passávamos juntos, a confiança e intimidade aumentava. Tudo me lembra ela. Cada canto desse apartamento me faz lembrá-la. Odeio ter que desperdiçar minha ereção matinal. Praticamente todas as manhãs, eu a acordava com meu pau ereto a invadindo sem permissão e, o que me levava à beira da loucura, era ver em câmera lenta os seus olhos sendo abertos somente quando ela chegava ao ápice de seu prazer, segurava-me atá vê-la abrir os olhos e gozando, depois gozava para ela. — Bom dia Vivi! — sento-me no balcão, onde havia um café da manhã farto. Acho que a Vivi contava com a presença da Ana Beatriz ao meu lado.


— Bom dia meu nego! — ela diz animada, com um fone no ouvido. — E a minha menina? Não vai me dizer que ainda estão brigados? — perguntou preocupada. Sentou ao meu lado e serviu-me uma xícara de café. Sorrio para mostrá-la que está tudo sob controle. Levei a xícara até os meus lábios e depois a coloquei sobre o balcão. Olhei para Vivi que esperava ansiosa e curiosa ouvir a minha resposta. — Está no apartamento dela — eu disse desviando o olhar dos seus olhos negros e astutos. — Meu dengo, não deixe essa menina ir embora — ir embora? Como assim? Olho para ela assustado, não, desesperado. — Ela disse para você que vai embora? — perguntei desesperado. — Não. Não a vejo desde o último dia que servi o café da manhã para vocês dois juntos. Faz quatro dias. — Achei que tivesse falado com ela. Então, por que você disso isso? Você acha que ela pode ir embora? — Isso o que Gustavo? Meu filho você não está nada bem. — Por que você disse para eu não deixá-la ir embora? — Eu só disse para você não romper com ela. Só isso. — Que alívio. — Vivi... Não se preocupe com isso, sempre estive sozinho. Não será difícil voltar a minha rotina normal. — Minto. Já estou sofrendo pra caralho com essa porra toda. — Meu dengo, vocês se amam. Não seja injusto com você mesmo. Não faço ideia do que aconteceu entre vocês, mas posso afirmar que a culpa foi sua — olho para ela incrédulo. Eu não tive culpa de nada. Ignoro o que ela diz e me despeço com um aceno. Antes de chegar ao corredor que fica na entrada da minha cobertura, escuto-a gritando: — Se na segunda feira ela não estiver aqui nessa mesa, bebendo o suco de maracujá e comendo a torrada integral com queijo minas, que tanto ela gosta, juro que te aplicarei umas boas lições, seu menino mimado. E, não se atreva a voltar trazer essas periguetes que você costumava dormir. E não me responda entredentes e nem pelo pensamento. Deus está vendo! Tenha um ótimo dia meu dengo. — Vivi enlouqueceu. Por que sempre o homem leva a culpa de tudo? Eu não fiz nada. Enquanto desço até a garagem pelo elevador, lembro que deixei o meu celular desligado desde ontem depois que cheguei em casa. Entro no carro e coloco o meu celular para carregar. Assim que ele liga, entram centenas de mensagens. Sempre que tento pegá-lo sinto vibrar indicando mais mensagens. Ligo o ar condicionado e regulo o banco e os retrovisores. Porra! Arthur mexe em tudo. Pra que desregulou o banco? Ele e tão alto quanto eu. Pego o celular e encosto no banco, sinto-me um pouco mais relaxado. Abro as mensagens e confiro uma por uma e, todas são da Ana Beatriz. Passo as mãos pelos os cabelos e tento manter-me firme ao ler as mensagens. Se eu não tivesse desligado o celular ontem antes de entrar em meu apartamento, com certeza após ler essas mensagens, eu teria ido buscá-la. São quarenta e sete mensagens no WhatsApp e dezesseis de chamadas perdidas. Nossa... Ela dedicou-se boa parte de seu tempo para me enviar mensagens. Eu faria o mesmo, quer dizer eu fiz o mesmo há dois dias depois que ela assistiu ao vídeo. Droga! Encosto minha cabeça no encosto do banco estofado e fecho os olhos. Talvez se eu não tivesse visto eles se beijando, seria mais fácil entendê-la. Ela tentou explicar sobre o beijo, mas sinceramente não tenho vocação para ser corno. Finalmente ligo o meu carro e sigo para o trabalho. Hoje ficarei na clínica de Ipanema, pois algumas pacientes que moram na zona sul, preferem ser atendidos lá. A clínica possui outras especialidades como, dermatologista, endocrinologista, psicóloga, nutricionista, ginecologista e clinico geral. Daqui há alguns anos pretendo transformá-la em uma clínica completa com variadas especialidades. Entro no hall de entrada e cumprimento os novos funcionários que estão na recepção.


— Bom dia — passo direto e entro em meu consultório. Atendo o dia inteiro, não tive tempo de almoçar e, aqui eu não tenho uma secretária como a doce Sofia, que traz almoço e lanche quando me esqueço de almoçar. Escuto batidas na minha porta e falo: — Pode entrar. — E aí... Tá sumido! Só quer ficar na Barra da tijuca. — Dr. Gabriel Tavares. Somos sócios há algum tempo. Ele e sua esposa compraram 30% da clínica faz dois anos. — E aí, tudo bem? — Ele é sempre simpático, sempre está de bem com a vida. Ainda mais agora que sua esposa está grávida de trigêmeos fica igual pinto no lixo. — Tudo normal! Dr. Gabriel... E as meninas? — Ele sorri abertamente. — Daqui a duas semanas estarão em casa. — Nossa... Três e muita responsabilidade. — Que bom cara! Vai dar tudo certo. A cesariana da Martinha está marcada para daqui duas semanas? Passou muito rápido a gestação dela. Lembro-me como se fosse ontem quando vocês entraram aqui e me disseram que o tratamento funcionou. — Pois é, passou mesmo — ele sorri e continua falando... — Eu e Martinha, vimos você na fila do cinema há alguns dias atrás — ele para e fita meus olhos. — Cara, você estava com uma gata! Uma morena maravilhosa de parar o trânsito — meu sorriso automaticamente sumiu quando o ouvi dizer tudo isso da minha... Da Ana Beatriz. — Quem era ela? — perguntou-me. — Minha namorada — respondi. — Cara, legal! Não sabia que você estava namorando. — Não gosto de misturar vida pessoal com o lado profissional. — Está certo! Eu também sou adepto a não misturar as coisas. Mas puxa vida, achei que fôssemos amigos. Desculpe a falta de respeito quando referi a sua namorada. Amanhã vou fazer um churrasco na minha casa. Vê se aparece... Leva à gata, a Martinha ficará feliz quando souber que finalmente você está namorando — aquiesço. — Pode contar com minha presença. Diz à Martinha que estarei no churrasco. — Ela vai ficar feliz! — ele diz. Eu e Martinha formamos juntos e durante o curso de medicina nos tornamos grandes amigos. Logo depois que nos formamos, ela e Gabriel se conheceram e casaram em menos de um mês. Ela dizia-me que o amor que ela sentiu foi tão avassalador que eles não conseguiam dormir separados. Ela não conseguia nem sequer raciocinar sem que ele estivesse ao seu lado. Ficava preocupado com eles dois, cheguei até desconfiar que sofressem de algum transtorno, pois eu não conseguia entender de onde surgia tanto amor. — Agora... Vê se compra uma picanha macia. Abre essa mão de vaca e compra carne decente — falei com um leve tom de sarcasmo. — Picanha, coração e costelinha de porco — ele diz se levantando e aperta a minha mão. — Já estou indo também. — O acompanhei até a saída. — Amanhã, em Gustavo! Não esqueça. — Valeu! — Entro em meu carro e sigo rumo a Barra da Tijuca. Durante todo o dia conferia no celular se haviam novas mensagens da Ana Beatriz. Eu já não conseguia raciocinar. Meus olhos ficaram fixos no visor do celular. O que houve? Depois de todas aquelas mensagens, ela desistiu realmente de mim? E, se ela e o Lorenzo... Não, não sem chances. Ela não seria capaz... Ou seria? Isso está me pilhando demais, precisamos conversar ou ficarei maluco de vez. Lembro da última mensagem em que ela repetia que me amava, uma das mensagens ela pedia para que eu fosse buscá-la, enviou-me centenas de mensagens com frases repetidas. Sorrio feito um bobo.


Quando chego ao Elevado do Joá o trânsito para de vez, aproveito e envio uma mensagem para ela. "Pare de me enviar mensagens repetidas, já encheu o saco!'' - G.F O trânsito fluiu e eu me enrolo todo na hora de enviar a mensagem, mas acabo enviando. Sorrio ao imaginar o rostinho dela e o biquinho que fará quando ler a mensagem malcriada. A resposta não veio, então decido ligar para ela. Estou preocupado, pois ela tem um ex-marido disposto a levá-la a qualquer custo de volta para a França. Sei lá do que ele seria capaz, mas acho melhor começarmos a nos preocupar. Aproveito que o semáforo fechou, ligo para o celular dela, e cai direto na caixa postal. — Cadê você Morena? Atende essa merda de celular. — Tento várias vezes, mas parece estar desligado. Procuro me acalmar, de repente ela ainda está no restaurante e muito ocupada. Preciso dar um tempo com toda essa obsessão, ou vou acabar enlouquecendo e fazendo uma loucura. Estaciono em frente ao seu condomínio, na verdade não sei o que vim fazer aqui. Espero... Espero... Vejo o carro dela passando pela cancela. Eu sou fraco demais. Essa mulher rouba minhas forças, mas meu orgulho fala mais alto. Ligo o carro e decido sair dali, antes que eu perca a cabeça e suba até o seu apartamento. Preciso de tempo. Tempo para reorganizar a minha cabeça. Nem eu mesmo sei o que eu quero. Agora sou eu quem está confuso. Chego em casa sem ânimo, livro-me de toda as roupas e me jogo no sofá, estou sem fome e com preguiça até para tomar um banho. Daqui a pouco eu tomo uma ducha. Ligo a TV e acabo cochilando. Sou despertado pelo som do celular. Levanto-me imediatamente e pego sobre a mesa de centro. Olho o visor e leio: '' Enquanto eu viver irei enviar mensagens para você. Eu te amo.'' A.B. Sorrio ao ler a mensagem. Deitei novamente no sofá e fechei os olhos, fiquei assim por um bom tempo, estou com enxaqueca que até para respirar minha cabeça dói. Meu celular toca de novo, espero que seja a Ana, mas infelizmente é o Arthur, já imagino o porque ele está ligando. Não estou a fim de ir à festa que ele está oferecendo para comemorar o seu aniversário. O que leva uma pessoa comemorar o aniversário um mês depois? Só o meu irmão mesmo. Atendo a ligação dele um pouco desanimado. — Oi Moleque. — Cadê você? — Estava dormindo. Você me acordou. — Fala sério Gustavo! Meu único irmão não pode vir na minha festa? — Arthur não estou com clima para festas. Vê se entende. — Mano, a sua mulher está aqui na minha festa. Se você não vier... — Ele fica em silêncio, mas eu sei que ele está com o sorriso cínico e malicioso que só ele tem. — E se eu não for? Completa a frase Arthur. — Ela está uma gata Gustavo. Preciso desligar, ela e a Fernanda estão vindo me cumprimentar — ele encerra a ligação e eu fico com o celular ainda no ouvido. Que porra a Ana acha que está fazendo, indo para uma festa como a do Arthur, sozinha? Não sei como, mas entre banho, escolher roupa e dirigir até a cobertura do meu irmão, demorou apenas 30 minutos. Agora aqui estou seguindo-a por toda a festa, não quero falar com ela. Ainda estou puto com tudo que aconteceu ontem. Hoje ela se superou. Esfregando descaradamente em um garoto. Estou mantendo-me controlado, pois Arthur garantiu-me que o garoto é um dos ficantes de Fernanda.


Independentemente disso, eles estão dançando muito colados. Estou ao ponto de ir até a pista de dança e arrastá-la pelos cabelos. Porra! Ela só pode ter ficado louca. Se não fosse a Sofia para manter-me calmo e pacífico, pode ter certeza que ela receberia uns bons castigos e esse garoto umas boas porradas. Encaro-o sempre que nossos olhares se cruzam. Haaaaa... Feiticeira, você vai ter o que merece na hora certa. Assim que cheguei à recepção do condomínio, encontrei a Sofia. Ela ficou me fazendo companhia por toda a noite, sempre simpática e sorrindo para todo mundo. Mas, infelizmente ela veio com esperança do Arthur e ela ficarem. Sua expressão mudou completamente quando ela viu Arthur e Fernanda dançando e se beijando na pista improvisada bem no meio do salão. Disse a ela para não ficar chateada, pois meu irmão não agiu com intenção de magoá-la. Esse é jeitão dele de viver a vida. — Sofia, o Arthur vive a vida dessa maneira — ela aquiesce, mas seu semblante triste me comove. — Eu sei Dr. Gustavo. Eu que sou uma besta quadrada e boba. Onde esse homem iria querer alguma coisa comigo? — Você é linda! Fica tranquila. — Não sabia que vocês dois tinham um... O que vocês têm? — pergunto um pouco sem jeito. Não gosto de meter-me na vida dos outros. — Nada. Nunca tivemos nada. Ele convidou-me para vir e disse que estava ansioso para nos encontrarmos. Só isso! Acho que entendi tudo errado. — sorrio. Coço minha sobrancelha e falo: — Você sente alguma coisa por ele? — Não sei. Deixa isso pra lá, Dr. Gustavo. — Não precisa de cerimônia para conversar comigo. Não estamos no ambiente de trabalho. Pode se dirigir a mim, apenas como Gustavo — sorriu mostrando seus dentes e boca pequena rosada. — Acho que sua morena está se divertindo — ela aponta na direção da pista de dança. Durante boa parte da festa ela ficou ao meu lado, pois não conhece ninguém. Então presenciou todo o meu descontrole e obsessão para acompanhar os passos da Ana Beatriz. A Ana passou dos limites, estão dançando muito agarrados. Ela perdeu o juízo? Repeti essa mesma pergunta centenas de vezes em minha cabeça. — Se você ama aquela mulher, tire-a dali. Pois aquele carinha que ela está se esfregando, é um gatinho com cara de anjo e corpo de homem. Nenhuma mulher resiste a esse tipo exclusivo de homem. Eu não resistiria. Ficaria "facinha" para ele. Olho fixamente para os dois e meu sangue ferve, quando ele fala no ouvido dela e a safada sorri ao escutá-lo. Eles se afastam e ficam de frente um para o outro. Sei que minha cara não é das melhores neste exato momento. Foi o suficiente para o garotinho assustado empurrá-la em minha direção, antes mesmo que eu terminasse a frase... — Tire as mãos dela. Agora! — vociferei carregado de fúria, ciúmes, ódio... Essa mulher está acabando comigo. Eu sabia que ela me levaria para perdição. Sabia! Passei a noite inteira vigiandoa. Não consegui raciocinar direito, arrastei-a até o corredor totalmente isolado da bagunça. Rebati todas as suas tentativas de me fazer soltá-la, mas todas foram em vão. Quando a encurralei na parede e a prendi com meu corpo, enxerguei em seus olhos o quanto ela estava perdida e triste como eu. Tentei ser firme, mas seu cheiro, sua voz, a maciez de sua pele contra a minha, deixaram-me louco mais ainda por ela. Esse cheiro é ilícito, toda vez que ela chegar ao meu lado com esse cheiro, conseguirá o que quiser. Depois de ouvir a sua voz dizendo que me ama, foi o suficiente para eu


desarmar e me entregar a ela. E foi assim a minha rendição. Amei Ana Beatriz com uma intensidade descomunal, dando a ela apenas o meu amor, deixando para trás toda a confusão do dia anterior. Só o nosso amor importava nesse momento. Quando sua bocetinha quente e apertadinha contraiu-se toda estrangulando o meu pau, eu já sabia o que viria. Ela fechou os olhos e os abriu coberto de lágrimas e quando seu orgasmo chegou ao ápice ela disse que me amava. Isso foi o suficiente para eu entrar em combustão, em erupção, em colapso. — Não chore! Eu te amo. — Meu prazer chegou com tanta intensidade, causando-me sensações inimagináveis, fechei os olhos e dei todo o meu prazer para ela. Eu amo essa mulher. — Anaaa... — Perdi as forças nos braços e joelhos, larguei todo o meu peso sobre ela, ela me abraçou com as pernas e braços. Ficamos em silêncio, recuperando fôlego. Enfiei meu nariz no pescoço dela e inspirei todo o cheiro que me deixa maluco, beijei sua pele. Bateu um desespero, quando minha consciência atacou-me com imagens dela beijando o Lorenzo. Senti muita insegurança em relação a nós dois. — Promete que nunca vai me deixar? — a pergunta saiu em tom de desespero, Mas eu estou desesperado. Tenho um rival e ele pretende levar a minha mulher para longe de mim. — Prometo — respondeu com a voz baixa e ainda um pouco embargada por causa do choro. — Eu te amo — disse em seu ouvido. — Eu te amo muito — fala com sua voz mansa que me acalma, e acaricia os meus cabelos. — Vamos? Vamos para a nossa casa? — disse baixo, ainda em seu ouvido. Desci um pouco a cabeça e espalhei beijos em seu pescoço e colo, ainda estava enterrado em sua boceta quente e apertada. Afundei mais um pouco dentro dela e senti uma sensação diferente. Quando ela gemeu, senti meu pênis crescer e... Quando pensei em sair de dentro dela e livrar-me da camisinha... Camisinha? Fitei-a deitada, seu rosto perfeito, seus olhos encarando-me... — Ana... — saí abruptamente de dentro dela e fiquei de pé. — O que foi amor? — sentou no sofá e de cabeça abaixada, ajeitou o vestido curto demais para o meu gosto. — Amor... Esqueci da camisinha — foi em câmera lenta, sua cabeça subiu e seus olhos grandes fitaram os meus. — Amor, desculpe! A culpa foi minha — disse ainda olhando-a, que parecia parada no tempo. Ajoelhei entre suas pernas e puxei suas mãos que estavam sobre suas cochas e as beijei. — Me desculpe! — Gustavo... — Ela está sorrindo? — Amor, eu posso tomar a pílula do dia seguinte. Na verdade, não há possibilidades de ocorrer uma gravidez, ainda não estou no meu período fértil, minha menstruação acabou ontem. — Meu amor, isso não quer dizer nada. Algumas mulheres têm os ciclos menstruais curtos e irregulares, possuem uma janela fértil imprecisa, então é possível sim engravidar durante e após a menstruação. Sem contar que alguns espermatozoides mais espertinhos, conseguem resistir até três dias dentro do corpo da mulher e se ele encontrar um óvulo maduro... — Acho que estou mais nervoso mais que ela. — Baixou o ginecologista? — perguntou sorrindo. — Ana, ter um filho com você seria um sonho, mas fiquei preocupado — coço a cabeça e continuo. — Você disse que ser mãe está fora dos seus planos. Lembra? — encarou-me em silêncio, e pude ver a tristeza em seus olhos. — Sim, estava. Mas agora, eu pretendo ter pelo menos uns três filhos — olhei para ela assustado.


Ela mudou de... — Amor, você fala sério? — pergunto ainda meio sem entender. — Sim. Quero pelo menos ter uns três filhos. Dois meninos com olhos azuis e cabelos negros e uma menina de olhos verdes e cabelos negros — ela sorri e ao mesmo tempo lágrimas escorrem em seu rosto. Levantei e vesti minha cueca e a calça. Sentei ao seu lado ainda surpreso com sua declaração, perguntei a ela: — Eu, você, dois meninos, uma menina, uma casa com piscina e churrasqueira e dois cachorros? — Vou querer um carro grande igual o seu — encarou-me ainda sorrindo. — O que foi? Exagerei em relação ao carro? Amor serão três filhos, precisarei de um carro espaçoso e confortável — abriu um sorriso lindo. — Ana Beatriz... — acariciei seu rosto delicado, afastei alguns cachos que caíam sobre os olhos dela. — Você é a mulher da minha vida, farei tudo que estiver ao meu alcance para satisfazer você. Segurei sua cintura e a fiz sentar em meu colo. Agarrou o meu pescoço e puxou-me até os seus lábios delicados e macios. Beijamo-nos sem pressa, levei minhas mãos até a sua nuca e intensifiquei nosso beijo. — Eu te amo — disse com os lábios friccionados nos meus. Abri os meus olhos e vi que ela beijava com os olhos abertos. Sorrio nos lábios dela ao lembrar quando ela disse que só beijava desta forma quando queria gravar o beijo para repassá-lo depois em pensamentos. Diminuí a intensidade do beijo, afastei-me o suficiente para olhá-la mais nitidamente. Não pensei muito, eu só queria que ela soubesse o nível do meu amor por ela. — Feiticeira... Casa comigo? — Seus olhos pareceram maiores do que o normal. Fita-nos por longos segundos, sem piscar e até mesmo sem respirar. — Quando? — perguntou e beijou com carinho a ponta do meu nariz. Não respondi, mas entendi a resposta. Ela será minha eternamente, somente minha. Encostamos nossas testas, fechei meus olhos, meu coração parecia que estava recebendo uma massagem cardíaca, consegui sentir um toque esmagando-o. Suspirei ao sentir essa sensação e quando menos esperei uma lágrima escorreu sobre o meu rosto. Lábios quentes e macios beijaram meus olhos, meu rosto, meu nariz novamente, queixo. Fui bombardeado por beijos no rosto. Eu amo esses carinhos. — Quando? Eu aceito — ela repetiu a pergunta. — Amor, pode ser segunda-feira? — Sua risada ecoou todo o ambiente. — Pode! — respondeu com lágrimas nos olhos. — E as crianças quando vamos começar a fabricá-las? — pergunto sorrindo. — Acho que isso, nós dois já começamos a fazer — diz sorrindo. — Verdade! Então, vamos providenciar o carro, a casa e os cachorros — falei. — Quero uma casa de dois andares e, com uma cozinha surreal, maravilhosa. — Sabia que você é linda? — Eu sei que não sou feia, mas linda, já é demais. Olha esses cabelos? — mexe nos cabelos e os sacode. — Amo os seus cabelos. Não gosto quando você aparece com ele liso desse jeito — meus dedos passearam em seus cabelos macios e longos. — Ana Beatriz... Precisamos conversar — ela aquiesce e fecha os olhos. — Você já me perdoou? — perguntou com sua voz melosa. — Sim. Mas isso não é o suficiente, precisamos juntos encontrar uma solução em relação ao Lorenzo. Eu não suporto saber que ele está esperando a primeira oportunidade para arrancá-la dos


meus braços e levá-la embora para a França. — Gustavo, isso nunca vai acontecer. O único homem que eu quero estar ao lado o resto da minha vida é você. Ele vai ter que entender. Eu sei que te feri quando disse que estava confusa, quando você o viu beijando. Mas... Você precisa confiar em mim. — Você o amou. — Amei. Amei incondicionalmente, o amor que em senti por ele me causou dor. Eu quase morri de amor. Mas agora... Eu tenho você. Um homem maravilhoso, carinhoso, amoroso, arrisco a palavra milagroso. Sabe por quê? — Não — respondi um pouco baixo e seco. Ouvi-la dizer que amou esse babaca, me faz sentir uma fúria dentro de mim, que se eu não extravasar irá sufocar-me. — Você... Você... É um anjo. Tirou-me sem saber, de um abismo. Quando enterrei meu filho, abandonei a minha alma dentro do caixão dele e fui embora, embora para outra dimensão. Por diversas vezes achei que Deus não existisse e o culpei por tudo o que aconteceu, mas a único culpado foi o destino. Eu amo você Gustavo — ela pisca os olhos excessivamente e lágrimas caem em seu rostinho delicado. Limpo-as com o meu polegar. — Vamos esquecer tudo isso — abraço ela com força. — Você não estará sozinha nunca mais. Okay? — ela aquiesceu e deitou a cabeça em meu ombro. Ficamos assim por um longo tempo, ela deitada e eu a acariciando. Até que depois de tanto pensar em tudo que descobri, resolvo falar: — Ana Beatriz na próxima consulta com o seu psiquiatra eu quero ir junto. Não quero que você continue o tratamento fazendo uso daquelas drogas. Você não precisará mais deles. — Amor, o Dr. João Pedro não foi o culpado por eu consumir por longos quatro anos tudo aquilo. Eu pulei de psiquiatria em psiquiatria, eu não queria saber das terapias, meu interesse era apenas os remédios. Chegava a frequentar três psiquiatras diferentes ao mesmo tempo, só para conseguir as receitas. — Ana! — pensei melhor e resolvi não criticar. — Vulnerável, depressiva, triste... Era assim que eu me sentia. Eu precisava dos remédios. — Há um ano conheci o Dr. João Pedro e quando comecei a sentir-me bem, achei que já estivesse voltando ao meu normal e, não precisaria ter mais um psiquiatra, então resolvi deixar de frequentar as consultas. Há mais ou menos um mês atrás retornei as terapias e ele modificou todo o tratamento anterior, suspendeu a maioria dos remédios, manteve dois, mas com doses reduzidas — ela conta tudo com calma. — Ana, independente de tudo isso que me contou, você é irresponsável. Bebeu a noite inteira, os fármacos que você utiliza não podem ser misturados com álcool. — Eu sei amor... Eu não os uso mais. O Dr. João Pedro, manteve apenas dois remédios e um deles é o calmante, mas a orientação que ele fez, foi apenas para que eu os usasse se eu sofresse de insônia ou ansiedade. E, desde que estamos juntos, nunca precisei tomá-los — olhou-me com o rosto triste e continuou falando baixo. — Aqueles comprimidos que eu pensei em tomar e você os colocou sob a água, foram os remédios que eu usava e fiz estoque. Os que foram prescritos pelo meu psiquiatra ficam na minha bolsa e no seu banheiro. — No meu banheiro? — perguntei surpreso. — Amor... Eu dormi todos os dias com você. Por isso guardei-os na gaveta do banheiro, por que se eu tivesse mais um dos meus pesadelos ao seu lado, não precisaria ir embora, atrás dos meus calmantes — segurei sua mão e beijei os nós de seus dedos delicados. — Então... Você não usa mais nenhum dos fármacos que vi em sua casa? — Não. Eu não quero usá-los nunca mais. O meu remédio agora é você — sorriu. — E, como eu


o terei para toda eternidade, não precisarei de mais nada além de você. — Certo! Não quero a senhorita bebendo igual a uma desequilibrada, perdendo a linha para qualquer garoto. Quem é aquele garoto? Você passou a noite inteira se esfregando nele. — Gustavo! Eu não me esfreguei em ninguém, só estava dançando com os meus amigos. Mas, respondendo a sua pergunta: ele é o Felipe, um amor de menino, sem maldade nenhuma. — Vou fazer vista grossa, não quero brigar com ela. Depois ela irá explicar direitinho por que do showzinho na pista de dança. — Mandão, possessivo, grande, gostoso, guloso... — Todo seu. Só seu — enroscou as pernas ao redor de minha cintura e esfregou a vulva no meu pau debaixo do jeans. Beijei-a com volúpia enquanto gemia em minha boca. Enfiei minhas mãos por baixo de seu vestido e segurei sua bunda carnuda incentivando-a roçar sua bocetinha com mais força. — Que putaria é essa aqui na minha sala de TV? — Cara... Esse Moleque... Retiro-a com cuidado de cima de mim e levanto para pegar os meus sapatos. — Arthur... — Sinto cheiro de sexo... — Ele para no meio da sala, inspira o ar e fecha os olhos. — Sexo com cheiro de morango. Delicia! — Filho da mãe! — Fizeram as pazes? — ele pergunta com um sorriso besta no rosto. — Fizemos — Ana Beatriz respondeu e levantou-se do sofá. Arthur aproxima-se dela e abaixa para pegar alguma coisa no chão. Quando levanta revela a calcinha que ela usava e eu arranquei de seu corpo. — Cheirosa... Do jeito que eu imaginei. — Esse Moleque quer morrer. Ele leva a calcinha ao nariz e inala o cheiro de olhos fechados. Olho para a Ana e ela está boquiaberta olhando para o Arthur. — Me dá essa porra aqui! Ficou maluco? — Minha voz saiu dura e alta. — Cheirosa... Caralho de bocet... — falou diretamente para a Ana e ela sorri. — Cala a boca Arthur. Não termine essa frase seu moleque. — Okay! — diz levantando as mãos em sinal de redenção. — Pensei que estivessem se matando. A Fernanda e a Sofia pediram para eu vir até aqui conferir se vocês estão bem. — Quem e Sofia? — Ana perguntou olhando diretamente para mim. — Ana, a Sofia é a minha secretária. Lembra? Já falei com você sobre ela diversas vezes — fuzilou-me com seus olhos grandes e verdes, quase castanhos. — Não olha assim para mim, ela é apenas minha amiga. — Amiga gostosa Ana! Oh ruiva gostosinha... — Arthur fala com sua voz debochada. — Não quero o meu noivo sendo amigo de nenhuma mulher bonita. — Suas palavras fazem com que meu peito infle, deve ser a mesma sensação que o peixe baiacu sente. Aproximei-me dela e a abracei por trás e beijei o alto de sua cabeça coberta por uma imensidão de cabelos. — NOIVO? — Arthur perguntou surpreso. — É Moleque, seu maninho aqui vai casar e ter três filhos. E o primeiro eu acho que já foi produzido, bem ali no seu sofá peludinho de mariquinha. — Vocês falam sério? — Sim — respondemos em uníssono. — Eu te avisei... Só faltavam as algemas. — Ele se aproxima e abraça nos dois ao mesmo tempo. Ele se afasta um pouco e fala: — Que alívio — põe uma das mãos no peito e continua... — Alívio? — Ana pergunta ainda sem entender, mas conhecendo bem esse moleque, sei que e só mais uma de suas brincadeiras. — Alívio, por saber que esse cara aqui não é uma gazela encubada — Ana cai na gargalhada e o


abraça. — Mas não é mesmo, Arthur! Esse aqui e cabra macho dos bons. — Ele intensifica o abraço e deita a cabeça próxima aos seios da Ana. Que porra é essa? — Fofinho e cheiroso — enquanto ele fala, segurei bem em sua clavícula e o afastei da minha mulher. Moleque abusado. — Ai... Ai... Gustavo! Essa porra dói seu bastardo. — Vocês são sempre assim? Parecem duas crianças mimadas brigando pelo mesmo brinquedo — Ana fala sorrindo. — Amor a culpa é dele. Deixamos a festa e fomos direto para a nossa cobertura, nos amamos até o dia amanhecer e caímos extasiados em nossa cama. Puxei-a e coloquei sua cabeça em meu peito, cheirei seus cabelos como se eu dependesse apenas disso para adormecer. Quando meus olhos pesaram e entreguei-me de vez, consegui ouvir sua voz melodiosa e baixa dizendo: — eu te amo. —Amor... — senti suas mãos macias acariciarem meu rosto, abri meus olhos e a primeira imagem que vejo é o seu sorriso perfeito. — Preparei o café da manhã para você — ela mostra uma bandeja em cima do criado mudo ao lado da cama. — Morena obrigada! Estou fraco mesmo. — Faço uma cara de coitado. — Abusaram do meu corpo a madrugada inteira. — Ah é? E quem foi essa malvada, essa bruxa malvada? — ela fala e beija todo o meu rosto como sempre fez quando acordamos. Nunca nenhuma mulher beijou meu rosto desta maneira. Quando ela faz isso, sinto-me amado. — Quem? Uma morena que enfeitiça pobres homens solitários, com o seu cheiro inebriante e ilícito de morango. Conhece? — Ela balança a cabeça negando. — Abra a boca Dr. Gustavo — uma uva é enfiada em minha boca sem que eu esperasse. — Ana, hoje tem um churrasco na casa dos meus sócios da clínica de Ipanema e amanhã é o aniversário da minha mãe — lembrei-me das joias que comprei de pedras naturais e brilhantes. — Nós iremos juntos. — É claro que irei com você. Não quero meu futuro esposo solto por aí. — Amor sou todo seu. Depois de comermos o mini banquete, ela me obrigou a tomar banho quando a prendi embaixo do meu corpo. Acho que o meu cheiro não estava lá essas coisas. Mas... De brinde recebi um sexo oral surreal. Que boquinha deliciosa que essa mulher tem. Estou na porta do banheiro há exatos 20 minutos esperando-a terminar de se arrumar. Quando ela começa a trançar os cabelos eu a interrompo... — Não. Deixe solto. Você fica linda com eles soltos e cheios. — Sério? Acho que eles irão ficar cheios demais — fala olhando-se no espelho, mexendo nos cabelos. — Amor estamos atrasados para o churrasco. — Acabei! — Você está linda! Mas, está faltando alguma coisa — analisei seu rosto e vi o quanto ficou indignada quando disse que faltava alguma coisa. — Vem? — Saímos do quarto e fomos para a sala. Fui até a enorme mesa de jantar e peguei as duas caixas com as jóias e, uma pequena caixa onde está o anel. Caminhei até ela e a chamei para sentar no sofá. — O que são essas caixas? — abri a primeira caixa e o lindo colar chegou a brilhar quando viu a minha morena. — Que lindoooooo... Ai Deus! Vou ter que comprar a ROUPA para usá-lo — abro a segunda caixa, e ela da outro gritinho. Parece uma criança abrindo presentes. Amei! Ela retira os


brincos que carregava na orelha e colocou imediatamente os novos. — Ficaram lindos! — disse. Abri à última e pequena caixa e mostrei à ela. Seus olhos brilharam, — LINDO! — retirei com cuidado o anel com uma discreta pedra natural azul turquesa e brilhantes cravejados. Segurei sua mão direita e coloquei-o em seu dedo anelar. Coube! — Lindo! Lindo! Lindo! Fazem lembrar a cor dos seus olhos — sorrio. Eu sabia que ela falaria isso. Fui surpreendido com o pulo que ela deu para sentar em meu colo. — Obrigada! Você é o noivo mais lindo, gostoso, carinhoso, gostoso, gostoso e gostoso. — Tá bom, entendi! Eu sou gostoso. — Meu gostoso. Esse é o meu anel de noivado? — perguntou com curiosidade. — Amor, na verdade nós não ficaremos noivos por muito tempo. Eu quero casar logo com você. Nossos anéis serão de casados. Mas, por enquanto esse servirá como o de noivado. Tá bom? — Eu amei! Mas se você está achando que vai ficar sem uma aliança em seu dedo até nos casarmos, está muito enganado. Hoje mesmo irei a uma joalheria e comprarei a sua aliança. — Ciumenta! — Sou mesmo, e não estou nem aí para o que vão falar de mim. Segurei sua nuca e a invadi com a minha língua. Beijamo-nos com amor e carinho. Eu desejo que isso nunca seja mudado, e que nada nos atrapalhe mais. — Agora vamos!


Capítulo 23 - Gustavo Ferrari Maldita hora que resolvi ligar o celular, a cada minuto que se passa entra uma mensagem da Rafaela. Eu não sei o que essa mulher ainda quer de mim, já encerramos qualquer assunto que tinha para ser esclarecido, mas ela insiste entre mensagens e ligações. A cada vibração que parece mais um trem de carga passando, Ana olha para o celular que está no porta-treco do carro, com desconfiança. Parei no semáforo e imediatamente peguei o celular e coloquei no silencioso, mas antes chega à última mensagem: "Você está de putaria com a minha cara? Está achando que estou à mercê sua e do filho da puta do seu irmão? Eu, meu pai e alguns funcionários da empresa, fomos intimados até a delegacia. O que acham que estão fazendo? Vocês são uns abutres egoístas. Vou te dar um aviso: dá o seu jeito, eu quero te encontrar agora, ou a sua namoradinha ridícula receberá vídeos inéditos." Essa mulher está me provocando de todas as formas, está decidida a me prejudicar de qualquer jeito. Mulherzinha mal comida! E, que vídeo é esse? Será que ela conseguiu ver quando coloquei sonífero no copo? Espero tudo dela, mais eu não vou ficar esperando o ataque. — Gustavo... O sinal abriu — Ana me tirou desse inferno. Vou tentar agir normalmente. — Aconteceu alguma coisa? Recebeu alguma mensagem desagradável? — Viro a cabeça o suficiente para fitá-la rapidamente. — Não. Não é nada. — Não quero estragar o nosso dia por causa dessa louca. De maneira nenhuma ela será o pivô de mais um desentendimento entre eu e minha noiva. À noite contarei a ela com calma, mas agora eu só preciso relaxar ao seu lado. — Se não é nada, então muda essa cara de mau. — Mas você disse que gosta da cara de mau que faço. — Gosto? Gustavo, eu simplesmente amo essa sua cara de homem malvado. Mas só quero que você use-a quando estivermos no seu quarto. — Nosso quarto — corrijo e ela sorrir. — Nossa casa, nosso quarto, nossa cama. Lembra? — pergunto. — Lembro... Nossa casa! — Amor, estive pensando durante essa manhã, você poderia se mudar de vez para o nosso apartamento — franzi o cenho e continuo... — Pensa bem: se vamos nos casar, não vejo o porquê você manter um apartamento só seu. E, eu não vejo à hora de ver o nosso closet entupido com seus trecos, essas coisas de mulher. — Amor... Ainda não. — Ana não vejo lógica nisso. Para que manter um apartamento em frente ao mar em um bairro de classe alta? Eu não quero você tendo essas despesas desnecessárias. Por que você não aluga o seu apartamento? — Gustavo vamos por partes? Primeiro eu tenho algumas coisas para resolver. — O que você tem para resolver que te impede de morar comigo? — Assuntos pendentes. — Você não quer dividir esses assuntos pendentes comigo? — pergunto um pouco ofendido. — Não é isso... Eu preciso me organizar financeiramente antes de se mudar para seu apartamento.


Entendeu? — Não. Explique melhor. — Meu apartamento é financiado, primeiramente preciso quitar o que resta no banco, depois coloco para alugar ou vender. Só depois que eu conseguir resolver isso tudo, ficarei tranquila. — Quanto falta para quitar? — Pouco, vou resolver isso essa semana. — Como você pretende resolver isso? — Eu tenho uma quantia aplicada, com ela consigo quitar o apartamento e trocar o meu carro — escuto suas explicações com atenção. — Os imóveis aqui nessa região estão muito valorizados, imagino que esteja valendo uma boa grana. Então, quando formos comprar a nossa casa — ela acaricia o meu braço e continua falando, — eu terei parte do dinheiro para darmos entrada. Entendeu agora? — Amor, eu jamais permitiria isso. Eu vou comprar a nossa casa, a casa que você escolher. Será sua. — Gustavo, eu quero ajudar! — Não aceitarei que você gaste seu dinheiro. E por falar em casa, o que você acha de visitarmos algumas casas? — Acho legal. Não abro mão de morar nessa região. Por isso, quero poder ajudar Gustavo. Aqui os imóveis são caros, eu quero poder contribuir também. — Primeiro, escolhemos a casa, depois pensaremos em como pagar. Embora, Ana tenha ficado visivelmente irredutível em relação à ajuda para comprarmos a nossa casa, eu não permitiria que ela gastasse seus investimentos, eu comprarei a nossa casa. E ainda esta semana trocarei o carro dela, mas isso será surpresa. Durante o restante do trajeto até o bairro Vargem Grande onde Gabriel e Marta moram, ela ficou calada e distraída olhando através do vidro os carros passarem. O que deve estar passando em sua cabeça? Será que se arrependeu por ter aceitado se casar comigo? De repente, está um pouco assustada com os últimos acontecimentos e o pedido inesperado para se casar comigo. Estou ansioso, minha mente pensa em várias coisas ao mesmo tempo, não posso esperar muito para torná-la minha esposa. Na segunda-feira irei ao cartório mais próximo com todos os documentos exigidos para darmos entrada e nos casarmos no civil. Lembrar que ela já foi casada, me faz sentir um ciúme avassalador, mas não posso deixá-lo se apossar, ou isso nos trará desentendimentos desnecessários e imaturos. — Amor, está quieta demais. O que você tem? — Nada. Estou aqui, lembrando da primeira vez quando vi você — pendeu a cabeça para o lado, a fim de olhar-me enquanto fala. — Primeiro achei você lindo, depois achei lindo e ignorante — piscou os olhos e sorriu. — Eu, quando te vi a primeira vez te achei gostosa — ela sorriu e me deu um tapinha no meu braço. — Seu safado. — Nunca disse o contrário — encostou a cabeça no encosto do banco onde estava e riu ao mesmo tempo em que balançava devagar a cabeça. Fiquei maravilhado com a maneira que ela sorria e gargalhava, é engraçado, parece que a sua respiração falha e ela precisa várias vezes parar de rir para respirar, para depois voltar a gargalhar, como se a risada tivesse um botão para parar e outro para continuar assim que ela tiver vontade de sorrir de novo. Afasto minha mão direita do volante e seguro a sua mão, acaricio com o dedo polegar e a levo até meus lábios. — Esse foi o gesto que me


fez ficar louco por você. Quando beijei a sua mão pela primeira vez. Seu cheiro invadiu o meu nariz e ali mesmo percebi que já estava perdido. — Os olhos dela estão mais brilhosos e alegres, fico ainda mais apaixonado quando vejo o quanto brilham. — Quando senti seus lábios em minha pele, percebi uma conexão que nos unia no mesmo instante, mas e óbvio que na hora não consegui decifrar, mas hoje entendo o que senti — ela disse. — O que você sentiu? — perguntei. Eu também tive uma reação diferente com a sensação quando nos tocamos. — Não saberia explicar. Não consigo encontrar palavras para expressar. Foi surreal. — Surreal... — desviei os olhos da estrada mais uma vez e fitei-a. — Eu te amo. — Lindo... — Talvez, nos dois sentimos o que chamam de ''dejavu'' — eu falei sorrindo. — Tive a mesma sensação. ''De javu'' — ela pronuncia a última palavra pausadamente, como se estivesse gravando-a. Sorrio... Sorrio... Sorrio... Estou feliz por tê-la. E, agora para sempre ao meu lado. Ela pegou o meu iPod e ligou. A música invadiu o ambiente com seu volume baixo. Aumentei o volume pelo comando de controle nas laterais do volante. Ela assustou e me encarou ainda com a expressão de dúvida. — Aumentei o volume por aqui — levanto apenas os dedos, mas mantenho a base das mãos presas ao volante, para que ela veja os discretos inúmeros botões na borda do volante. — Os botões são imperceptíveis — fala ainda olhando para o volante. — São. Essa é a intenção. Gostou? — aquiesceu. — Será que esse modelo caberia três cadeirinhas para bebês? — consegui chamar a sua atenção. Ela olhou para trás do carro, como se tivesse conferindo o espaço, sorriu e falou: — Não. — Então comprarei uma van para você. — Amor, pensando bem... Acho melhor termos apenas dois. Sabe por quê? — Desistiu dos meninos e da menina? — perguntei. — Não. Só que três, vai me dar muito trabalho. — Estou as suas ordens, mas não abro mão de ter filhos com você. Ana, você não irá cuidar deles sozinha. — Não, não é isso. Quando o nosso primeiro filho nascer, irei me dedicar totalmente — ela para de falar, sinto sua respiração ofegante. Olho para ela de novo só para conferir se está bem, pois sua voz falhou. — Eu quero cuidar dos meus filhos com mais dedicação. Não quero trabalhar, quero ser mãe e esposa integralmente. Sei que isso é arcaico, antiquando... blá... blá... blá... Mas é a minha vontade. Quero viver intensamente cada momento, cada fase, cada detalhe da vida de nossos futuros filhos. Não quero perder nada — viro-me rápido e ao mesmo tempo atento ao trânsito, para fitá-la. — Eu gostaria de ter me dedicado ainda mais ao Rafael. Logo depois que ele nasceu, precisei deixálo em um colégio integral onde tinha berçário, para eu poder terminar o meu curso de gastronomia. E, depois surgiram propostas de trabalho, acabei emendando deixando-o para segundo plano — seus olhos estão marejados, mas nenhuma lágrima desceu pelo seu rostinho delicado. — Ana... Não serei hipócrita! Eu seria um filho da mãe mais sortudo do mundo se você fosse só minha e dos nossos filhos, mas isso é você quem decidirá. Eu não quero pressioná-la e exigir que fique em casa. — Eu e Alex, estamos pensando em abrir mais um restaurante, talvez eu fique só administrando, isso poderei fazer de casa mesmo. — Não vou deixar de jeito nenhum ela ter ainda mais vínculo com esse Alex.


— Mais um restaurante? Você não vai ter tempo para cuidar de mim e das crianças — olhou-me e sorriu. — Eu quero ser cuidado. Sempre fui sozinho e depois que senti o sabor de ser cuidado por você, não aceitarei menos do que isso. — Aiii... Que fofinho. — Não, fofinho não. — Tá bom. Gostoso. Guloso. — Melhorou. Estacionei meu carro na entrada da casa do Gabriel e Martinha e logo uma baixinha barriguda abriu o portão para nos receber. O mais engraçado foi a Ana olhando para a barriga da Martinha, sem desviar ao menos para o rosto dela. — Você veio — abraçou-me pela cintura. Beijei seu rosto e ela se pendurou em meu pescoço. — Me abandonou seu safado! — Sua atenção muda de foco quando ela olha para a Ana, que ainda encarava a barriga dela com admiração. Consegui por um segundo, imaginar a Ana carregando uma barriga desse tamanho. Ficaria linda. — Quem é essa morena? — sorriram uma para outra. Ana se aproximou ainda fitando a barriga de Martinha e a tocou com carinho, sua mão delicada acarinhou suavemente a barriga redonda, sob um vestido de tecido fino. Só depois ela levantou a cabeça para olhar o rosto maravilhado da Martinha. — Já gostei de você, antes mesmo de sermos apresentadas. Prazer, Marta Carolo — ofereceu um abraço terno a Ana. — Prazer, Ana Beatriz — se abraçaram. — Gustavo eu pensei que não viveria o suficiente para vê-lo namorando — afastaram-se. A Ana sorriu ao ouvi-la e olhou-me com carinho. Eu amo essa feiticeira morena com cheiro de morango. — Noiva — disse corrigindo-a. — Noiva? Meu Deus! Isso foi um milagre. —Parabéns! — virou-se para a Ana de novo e falou — Faça o meu amigo muito feliz. — É o que eu pretendo pelo resto de minha vida — disse sorrindo para mim. Segurei sua mão e entramos na casa. Senti o cheiro delicioso de carne assada na brasa. Chegamos à parte externa nos fundos da casa, Gabriel encontrava-se assando as carnes e quando nos viu veio até nós com sua simpatia que contagiava qualquer mal humorado, como eu. — E, aí cara! — apertamos nossas mãos. — Essa é a Ana Beatriz, minha noiva — segurou a mão dela e beijou. Tenho que controlar esse ciúme que está se tornando doentio. Ele é apenas o Gabriel. Gabriel o simpático! — Prazer, Gabriel Carolo. — Ana Beatriz — disse com a voz baixa. — Venham, sente-se Ana — Marta indica uma mesa de fibra com guarda sol e cadeiras de plásticos. Fui até o freezer ao lado da churrasqueira e peguei três refrigerantes, levei para mesa, servi primeiramente elas e depois bebi o meu na lata mesmo. Ana e Martinha aparentemente tinham bastante assunto em comum, pois não paravam de falar. Prestei atenção em cada detalhe dela. Na forma como mexia nos cabelos enquanto explicava ou concordava com o que a Martinha falava. O mais engraçado e quando ela abre os olhos quando alguma coisa que Martinha fala a deixa impressionada. — Vocês pretendem casar quando? —Ana olhou para mim esperando a resposta. Acenei só com um movimento a cabeça, dando liberdade para ela falar o que quiser. — Logo! — responde animada.


— Logo, quando? Mês que vem? — Espero que até dezembro estejamos casados. — Então, já está bem próximo. Já estarei com as minhas trigêmeas nos braços e carrinhos — sorriram. — Como estão os preparativos? No meu casamento eu fiquei maluca com tantos detalhes que envolvem um casamento — ela faz uma careta engraçada ao ouvir a Martinha falando. Ficou confusa, pois ainda não conversamos sobre festa, cerimônia... Essas coisas de casamento. —Na verdade, a festa será no meu restaurante. Então, quase não irei me estressar. —Você tem um restaurante? Que legal! — Sim — sorriu. —Você é chefe de cozinha ou apenas empresária? — Sou chefe e empresária. — Legal! Hum... Olhe só eu sou péssima na cozinha, se você achar que minha comida não está legal, não precisa fingir que gostou. Okay? — Martinha falou. — Que isso eu sou visita. Jamais criticaria sua comida. — Isso porque ela ainda não experimentou a sua comida. Depois que comer vai querer isolar a sua cozinha e proibir a sua entrada — eu disse, provocando a Martinha. — Ingrato. Se não fossem as minhas gororobas, você ficaria desnutrido na época da universidade. — Obrigada, por me fazer comer macarrão instantâneo por longos seis anos, Marta. Ana sorria o tempo todo, eu sorria por vê-la sorrir. Foi um surto de sorrisos e estou virando um maricas sorridente. Meu celular não para de receber mensagens, a cada mensagem a tela acende. Eu e Ana encaramos ao mesmo tempo o visor que mostrava o nome: Rafaela. Puta que pariu! Essa mulher quer o quê? Peguei-o e retirei do silencioso e coloquei para vibrar, guardei no bolso de trás da minha bermuda, quando voltei a minha atenção para a Ana, percebi o que já imaginava, ela estava com o biquinho com o formato de um coração, ou seja: está desconfiada e nervosa. Ela e Marta continuaram embarcadas em assuntos relacionados ao trabalho, casa, crianças... Coisas de mulheres. No meu bolso, sem pausa o celular continuava vibrando, eu não poderia fazer mais nada, a não ser desligá-lo. Retirei do bolso, mas agora era Arthur quem ligava. Precisarei atendê-lo. – Me deem licença — pedi e levantei, retirando-me do assunto. Fui caminhando até à piscina distraído e retornando a ligação para o Arthur. — Oi Arthur. — E, aí tudo tranquilo? — Tudo certo! — eu disse tentando ser mais agradável. Pois na verdade estou puto com essa mulher louca que não me deixa em paz. — Sua voz está estranha. O que está acontecendo? Sabe que percebo que está com problemas, apenas pela voz mano. Então fale logo! — Isso é verdade, desde criança, Arthur e eu temos essa conexão. — Arthur, a Rafaela está infernizando a minha vida. A cada dois segundos ela envia mensagens e liga para mim. A última eu tive o desprazer de ler. Ela e o pai já foram intimados a se apresentarem a delegacia, ela está possessa, acusou nós dois e, disse que isso não ficará assim. Falava sobre mais um vídeo entre eu e ela. Cara... Eu estou com um pressentimento nada, nada legal. — Gustavo ignora. Bloqueia suas ligações e mensagens. Eles serão presos. Eu tenho quase certeza que não voltarão para casa quando forem depor. Daí pra frente é com a justiça, eu só quero o dinheiro de volta. Só isso. — Arthur, e se ela possuir imagens minha colocando a porra do sonífero no copo com uísque? Não é medo, mas fico pouco reticente em relação a isso.


— Calma! Temos os melhores advogados do Brasil. Ela sairia perdendo em qualquer ação que tentar mover contra nós dois, seja lá o que ela usar para nós acusar. — Vou trocar os números dos meus celulares pessoais e trocarei o da Ana também. O negócio é fazê-la entender. — Faz isso. — Na mensagem, ela dizia que se eu não a encontrasse hoje, ela enviaria mais vídeos a Ana Beatriz. Eu não quero que envolva ainda mais a Ana nessa merda toda. Ela é frágil demais! — Gustavo, tem certeza que você não fodeu essa louca da Rafaela? — Moleque você acha que mentiria para você sobre isso? Eu nunca transei com ela, muito menos naquele dia. — Pensando bem... Acho que você deveria encontrá-la e tentar descobrir que vídeo é esse. — Arthur, sem condições de encontrar aquela desprovida de sanidade. — Tive uma ideia, mas não sei se você irá concordar. Se eu colocasse uns investigadores na cola dela e eles forjarem um assalto, levando os celulares, tablets... Tudo o que ela tiver no carro? — Sei lá, melhor não. Vai que ela nos acuse depois? — Você é muito pacífico e medroso. — Não, não sou. Você que é audacioso demais. — Aaaah Gustavo! Deixa que eu resolvo. Quando você for ver já foi, já passou. — Okay! — Gustavo eu liguei para conversar com você sobre outro pé no saco. No seu saco! — Bastardo! — O que você manda, Moleque? — Lembra que você pediu para investigar o ex-marido da sua atual noiva. Estranho isso não é? Ex-marido e ex-atual noiva? Muito estranho. — Fala logo. — Enviei para o seu e-mail tudo o que meu amigo que fez as investigações, descobriu sobre ele. — Adianta por aqui mesmo. — Está pronto para ouvir? — Parece que o Lorenzo tem segredos. Penso. — Vamos lá... Promete que não vai se rasgar de ciúmes? — Fala sério! Ciúmes de um otário que abandonou a esposa quando mais precisou dele? Nunca! — Então, você já deve saber que eles tinham um filho e esse morreu em um acidente de carro, o qual a Ana Beatriz foi à responsável, pois ela dirigia. — Sei. Ela já me contou toda essa história. — Maior barra que minha cunhadinha passou. Fiquei na maior deprê quando li isso no relatório. Essa porra toda deve doer os infernos — Arthur disse, comovido com a história. — O nome dele é Lorenzo Berluscon, tem 35 anos, francês, mora em um bairro nobre de Paris, divorciado há três anos. Ele e a Ana Beatriz casaram em 2005 e se divorciaram no final de 2010 — ficou em silêncio. — Está ouvindo? — perguntou. — Sim. Continue. — Ele é coordenador do departamento de pesquisas do Instituto de pesquisas France, ocupa o segundo cargo mais importante do departamento onde atua. Ou seja, ele é um biólogo fodão! Mas isso não vem ao caso. Está hospedado no Hotel Barra Plazza, na Avenida Lúcio Costa. Ah! Já ia esquecendo... No departamento dele, informaram que ele está de férias por um ano, o que os europeus, chamam de ano sabático. Ele tem um ano livre para destruir o seu juízo e depois levar a nossa Ana Beatriz... Ela é minha cunhada e mãe do meu sobrinho, fabricado no meu sofá. Ela é tão sua quanto minha — escutei tudo atentamente e nem questionei as suas brincadeiras.


— Estou impressionado, seu investigador é bom mesmo. — Ele é o melhor desse país! Só trabalho com os melhores, mano. Agora... Falando sério, você quer que eu mande sumir com ele? — Por um instante imaginei que se eu pudesse, daria um fim nisso tudo. Infelizmente, não perdi o juízo e a razão ao ponto de acabar com a vida dele. E, a Ana jamais me perdoaria. — Gustavo? Escutou? — Você quer que eu o faça voltar para a França ou melhor, dar um sumiço eterno nele? — Não. Às vezes consigo acreditar quando você fala isso. — Pode acreditar mano! Você quem sabe — ele fala sério. — Enviei para seu e-mail pessoal o relatório, incluindo telefones e endereços da residência dele, de seus pais e do instituto de pesquisas onde trabalha. — Como você conseguiu essas informações somente pelo nome? — Mano, foi muito fácil. O investigador iniciou com as seguintes informações: homem francês, moreno, que se chama Lorenzo, hospedado próximo ao endereço do apartamento da Ana Beatriz. Recebi centenas de relatórios com fotos de diversos tipos de Lorenzo, mas quando bati o olho em uma das fotos de um homem de terno, lembrei do otário deformado e ensanguentado, que vi sendo carregado para fora do restaurante. Depois que confirmei para o investigador que aquele era o tal Lorenzo, ele aprofundou mais a investigação. Foi simples! —Valeu Moleque — olhei ainda distraído para o lado e passei a mão livre pelos cabelos. — Amanhã nos vemos no jantar da mamãe. — Ela vai ficar feliz quando souber que você vai casar — não havia pensado em contar para nossos pais, mas pensando bem e melhor eles ficarem sabendo logo. — Vai. O sonho dela é ver nós dois casados e abarrotados de filhos — eu disse tentando relaxar. — Eu estou fora dessas paradas de casamento, filhos, coração, chocolates... Você ficou muito meigo, fofo e gut-gut, depois que conheceu a Ana. — Vai à merda Arthur! Eu não sou nada disso. — Garanto a você, que tudo isso é muito mais gostoso do que a vida que você leva e a que eu fui adepto por muitos anos. E, Moleque? Quando chegar à sua vez... Ah... Estarei de camarote assistindo a sua rendição, mas antes quero ver drama, muito drama, até você amadurecer seu lado passional e romântico — suas risadas quase me fizeram surdo, aos 32 anos. — Você está rindo, relinchando, chorando ou sentindo dor? — Não. Nenhuma dessas opções. Estou sendo chupado por uma boquinha rosinha. Que aliás tem os cabelos mais vermelhos e macios desse planeta. — Fala sério! Ele deve estar brincando. Não, não está. — Haaar... Isso gostosa — afastei o celular do ouvido... Ele gemeu em meu ouvido? — Porra Arthur! Gemeu no meu ouvido. Como você consegue? Vai terminar de comer a sua acompanhante e depois nos falamos. — Nem um, obrigado Arthur, eu te amo e você é o irmão mais fodão desse planeta? — Obrigada Moleque. — Valeu! — desligamos. — Pensei que não sairia nunca do desse telefone — sua voz tirou-me dos meus devaneios. Seu olhar inquisitivo me avaliou com atenção, e o biquinho lindo estava ali, esperando uma resposta. Surpreendi-a com um abraço que a fez dar um gritinho. Levantei-a, seus pés flutuaram, seu rosto foi ganhando um sorriso manso e preguiçoso. — Estava falando com o Arthur — eu disse. — Arthur? Não foi esse nome que li no viso do seu celular quando estava na mesa — eu sabia esse biquinho... Sempre a entregara. Sorrio para ela, afastei-me um pouco, olhei para os seus lábios


pintados por um batom rosa cremoso. Senti meu pau acordando aos poucos, imaginei sendo chupado e meu pau marcado por esse batom. Ela percebeu o que eu olhava e sorriu, levou a boca próximo ao meu ouvido, mordiscou com carinho o lóbulo da minha orelha e depois chupou. Fechei meus olhos, meu pau já estava latejando, provavelmente babando por ela. Sua voz baixa e melosa ecoou como se fosse uma música para os meus ouvidos quando ela disse: — Vou chupar e depois morder você todinho — afastou e saiu caminhando balançando o quadril sensualmente sob uma saia longa branca e... Transparente? Onde eu estava que não havia reparado que a calcinha dela aparecia explicitamente por baixo do tecido? Se eu tocar o meu pau tenho certeza que terei uma ejaculação precoce. Quando Marta chamou-a para conhecer o interior da casa e o quarto das trigêmeas, fiquei entretido com o que o Gabriel falava comigo. Conversávamos sobre a rotina da clínica e a importância de conseguirmos mais dois cirurgiões, pois nossos pacientes são a cada dia em maior quantidade e às vezes adiamos por um longo tempo cirurgias por falta de profissional qualificado e dedicado. Ele aproveitou que Marta e Ana não estavam próximas e contou-me que a Carol, a enfermeira chefe da clínica da Barra da Tijuca, está marcando duro em cima dele, insinuando-se sempre que tem oportunidade. Eu sei que ela é sem noção, mas respeito vem em primeiro lugar. — Cara, ela está esfregando na minha cara. Eu fico em um beco sem saída, com a faca no pescoço. Daqui a pouco isso chega aos ouvidos da Marta e, só Deus sabe. Ela vai extrair o meu pau amigo. Posso prever o dia. — A Carol, precisa de limite — já peguei a Carol e mais uma amiga dela. Arrependo-me. Não por ela ser ruim de cama, mas pelas gracinhas que ela fala pelos corredores das clínicas. — Infelizmente, se ela não tomar uma postura descente, terei que demiti-la, o que seria uma pena, pois ela é uma excelente profissional. — Gustavo, estou falando isso com você por que sei que tomará uma atitude. Não quero mais ela acompanhando nenhuma cirurgia que eu seja o responsável. Não quero mesmo. — Fica tranquilo. Vou dar um jeito nisso — tentei tranquilizar ele. Alguns parentes e amigos de Gabriel e Marta foram chegando aos poucos, mas eu não seria hipócrita em ficar ali, se o meu desejo é ficar apenas com a minha Morena. Então, logo depois do almoço nos despedimos igual a cachorros magros e famintos, Ana repreendeu-me dizendo que isso era falta de educação, mas não estou importando-me com a opinião deles. Prometi a Marta que assim que as meninas estivessem em casa, voltaríamos com calma para conhecê-las. Ana e Marta trocaram números de telefones e redes sociais. Marta a adorou e disse que se eu aprontasse, ela iria transformar-me em um transexual. Cheguei a me arrepiar, essa mulher tem um pouco de ''transtorno da loucura''. Coitado do Gabriel, esse sofre. Liguei o iPod e deixei as músicas tocarem aleatoriamente, aumentei um pouco o volume e a música ''Imagine Dragons - Radioctive'' com sua batida instigadora me incentivou a cantar. — Amor, você curte Imagine Dragons? — perguntou surpresa. — Sim. Você não? — Sou louca por eles — levantei uma sobrancelha e a encarei ela. — Louca por eles? — Não, quer dizer... Argh! Você confunde a minha cabeça. Sou fã das músicas deles. Estou surpresa, não sabia que curtia também. Sempre futriquei seu iPod e nunca tinha reparado que você tinha essa música — franziu o cenho, mexeu nos cabelos cheios e disse: — Pensei que você gostasse só de MPB. — Sou eclético. Gosto do que é bom.


— Eu também. Inclusive, passei a curtir MPB depois que te conheci — sorrio para ela. O sol invadia o interior do carro e atrapalhava ela a manter os dois olhos abertos ao mesmo tempo, abaixei o para sol, para diminuir o desconforto. — Seus óculos ainda estão no porta-luvas — falei e meneei a cabeça indicando o porta-luvas de frente para ela. Ela chegou o corpo para frente, abriu e me arrependi no mesmo instante. — De quem é esse estojo rosa? — olhou-me com o cenho franzido. Ela já abria a porra do estojo. — Batons, blush, sombras, gloss labial, camisinhas, cotonetes... Juro que se for seu, entenderei — fechou o zíper do estojo e atirou bem no meio das minhas pernas. Bem em cima do meu amigo. — Ai... Isso doeu! — De quem é isso? — Eu não lembro! — falei alto acariciando meu pau por cima da bermuda, e prestando atenção ao trânsito. — Como assim, não lembra? — A Vivi achou no banheiro onde fica a sauna e a hidromassagem. — Acho que eu piorei ainda mais a minha situação. — Amor... Isso foi antes de você... — Me deixa! — virou todo o corpo em direção a janela e ficou olhando para os carros de novo. — Ana Beatriz, deixa de ser imatura. Antes de você, eu tinha uma vida. Okay? — Ah! Disso eu já sabia. Eu também tinha uma vida. — O que ela quer dizer com isso? Para que eu fui mandar ela pegar os óculos dentro dessa merda. Pior que quando o coloquei ali dentro, esqueci completamente que esse estojo rosa estava ali também. — Eu sei. Eu sei que você tinha uma vida, não precisa me lembrar. — Dê um fim para essas maquiagens de puta. Joga no lixo! — Ela começou a falar sem dar pausas para respirar. — E, me leva ao shopping — olhei para ela e sorrio. — Qual shopping madame? — perguntei. — Sei lá, qualquer um que tenha uma joalheria. — Joalheria? — Pensando bem, vamos ao Barra Shopping — ela disse. — Seu pedido é uma ordem feiticeira. — Não me chame disso. Não quero. — Por que feiticeira? — Por que não quero. — Tá bom feiticeira. — Argh! — Resmungou. — Feiticeira. Feiticeira. Feiticeira. Eu te amo Feiticeira. — Ela não aguentou segurar o riso. Quando eu terminei a frase ela caiu na risada. — Seu chato, insistente! — Feiticeira — me olhou com carinho, fez menção como se fosse falar alguma coisa, mas parou. — Ana Beatriz vamos combinar um detalhe entre nos dois? — disse já estacionando o carro dentro do shopping. —Vamos. Qualquer detalhe eu aceito — disse retirando o cinto de segurança. — Não vamos brigar por causa de outras pessoas, principalmente as que ficaram no passado? Vamos viver o nosso presente e preparar para o nosso futuro. Eu sou possessivo, admito. Mas não tenho paciência para discutir sobre detalhes como esse — disse retirando o estojo rosa do meio das minhas pernas. — Sei que estou sendo egoísta, pois se fosse comigo eu ia quebrar a cara do dono do estojo, mas esse é o ponto que quero que entenda meu amor... Você foi e sempre será a única mulher que me fez perder a cabeça a ponto de enlouquecer de amor, as outras são as outras, elas não contam,


foram apenas noites de sexo. Só isso! E eu não quero discutir com você por causa disso — balancei o estojo no ar. — Isso nunca mais irá se repetir, eu te garanto. — Consigo sentir o vapor que sua respiração está liberando. Hum... Isso não está legal. — Okay! Sei bem como é isso. Tive até que trocar o papel de parede do meu quarto para não causar desconforto ao meu namorado, e para diminuir um pouco a pressão dessas cobranças. — Ela para e faz o biquinho mais lindo. — Nem contestei a sua ordem sem minha autorização, proibindo o meu amigo de subir até o meu apartamento, o qual ele está habituado a frequentar há anos, tive que ameaçar o porteiro para autorizar a entrada dele. Sabe como é, neh? Sem brigas! Fica tranquilo, sei relevar esses detalhes, sem desavenças — abriu a porta do carona e desceu. — Você o quê? Você ficou sozinha na sua casa com o Alex? — Meu Deus! Tive até que respirar fundo antes de segui-la pelo extenso estacionamento. — Espera! Não me faça correr — alcancei-a e segurei sua mão. Entrelacei nossos dedos. Quando pensei em falar, ela me corta. — Nunca mais o proíba de subir. Ele é meu amigo e você não tem esse direito. — Amigos? — Minha risada saiu desdenhosa. — Sim. — Tá bom, Ana Beatriz. Amigos. — Você terá que aceitá-lo, pois ele estará sempre presente na minha vida. Só para lembrar e refrescar a sua memória: ele é meu sócio e trabalhamos juntos todos os dias. — Penso nisso quase sempre — confesso. Ainda tenho um pé atrás com esse Alex, ele deixou bem claro o seu descontentamento quando disse que eu roubei a Ana dele. — Que bom. Sinal que está aceitando muito bem a situação — ela sorri e mexe nos cabelos, passando os dedos entre os cachos. — Vou tentar. Farei o possível, para saber como lidar com essa situação — minto, preciso acalmá-la. — Agora vem aqui — puxei-a até os meus braços. — Eu te amo. Não quero brigar por besteiras como essas. Promete que não vamos deixar essas coisas do passado nos atrapalhar? — Prometo — beijei sua boca pintada com o batom rosa. — Amor — ela para na entrada do shopping e analisa a minha boca. — Sei que sua boca é linda, mas esse batom não combinou com você — esfrega os dedos nos meus lábios para tentar limpar a mancha de batom. — A sua boca também está toda borrada — ela limpou os lábios esfregando a palma da mão. Caminhamos pelo shopping sem pressa, Ana olhava as vitrines atentamente. Tudo que chamava a sua atenção, eu queria comprar, mas ela não aceitava. Entramos na joalheria onde havia comprado as joias para ela e para minha mãe. Então, entendi o que ela pretendia. Meu sorriso fixou em meu rosto. Quando ouvi a voz dela, falando com a vendedora... Puts! — Gustavo Ferrari! — A vendedora que me ajudou a escolher as joias ignorou a Ana e exclamou o meu nome como se tivesse decretando uma lei. Olhei dela para Ana, que piscava os olhos várias vezes, como se quisesse ganhar controle. — Amor vamos ver nossas alianças? — Ela apertou a minha mão com força. — Sim, Morena. — Boa tarde — disse com um tom de voz normal sem demonstrar reação à sua indiscrição ao clamar o meu nome. Minha cara? Paisagem... Estou fazendo o desentendido. — Boa Tarde! — A vendedora disse. Mas qual é o nome dela mesmo? — Gostaríamos de olhar as alianças. — A mão da Ana apertava a minha mão toda vez que a vendedora falava. Sentamos no mesmo lugar onde eu havia sentado quando estive aqui. Ana estava indiferente em relação à vendedora, que mesmo vendo que eu estava acompanhado, não deixou de sacudir os


cabelos exageradamente e com um sorriso forçado nos lábios. — Gostou amor? — perguntei quando ela admirava um par de alianças douradas. — Sim. Perfeitas! — Experimenta — estiquei minha mão direita para ela, que sorriu. Deslizou o anel dourado e espesso em meu anelar direito. — Ficou lindo! — ela disse. Puxou minha mão e levou até os lábios e beijou. Esse gesto fez meu estômago contrair. É muito amor para um homem só, preciso extravasar isso. Segurei seu queixo e a puxei, beijei seus lábios com carinho e logo ela se afastou para experimentar a dela. Apressei-me e retirei a outra aliança que estava na palma de sua mão e, deslizei no anelar esquerdo, já que o direito tinha o anel que a presenteei hoje mais cedo. — Perfeito! — eu falei olhando para as nossas mãos. A vendedora fazia uma expressão de cinismo o tempo todo. — A senhora... — A vendedora começou a frase, mas Ana a interrompeu. — A senhora? Como assim? — A mulher olhou para ela, como se ela tivesse duas cabeças. — Quando entramos aqui, você simplesmente ignorou a minha presença e foi logo chamando o meu noivo sem cerimônias. Agora vem com esse negócio de "Senhora"? — Meu Nome é Ana Beatriz. Chame-me pelo meu nome, por favor. — Descul... Desculpe Ana Beatriz. — Não precisa gaguejar. Eu te entendo. Ele é um gato, não é? E ainda por cima tem cara de mau. Além desse rostinho de menino malvado, faz coisas inimagináveis, mas eu o recompenso direitinho — piscou o olho esquerdo para a mulher como se estivesse trocando figurinhas e eu bem ali na frente delas. Cocei a minha cabeça e olhei para a minha noiva, ciumenta e estressadinha. — Querida, qual é o seu nome mesmo? — perguntei. — Mayna Resende. — Mayna Resende nós vamos levar o par de alianças. — Amor, gostou de mais alguma coisa? — Gostei de tudo. Mas estou sem paciência para escolher — deu mais uma piscadela, mas dessa vez foi para mim. — Okay, feiticeira. Deixamos a loja, já com nossas alianças. É diferente carregar um anel enorme e dourado no dedo, pelo menos para mim, mas acho que consigo me acostumar. Olho para ela que ainda está sorrindo. — O que foi? Perguntou-me sarcasticamente. — Nada. Vamos tomar um suco? — Na verdade, quero um sorvete. Depois de tomarmos sovertes, fomos até uma livraria. Escolhi novos DVDs, a maioria do seriado The Walking Dead , outros filmes sobre vírus letais. — Gustavo... Mais filmes sobre zumbis? — Sempre, Morena. Eu gosto! — Escolhi uns interessantes — seu sorriso debochado se ampliou ainda mais quando ela mostroume os DVDs. — Frozen, Meu Malvado Favorito 2, Divergente. Cada um com seus gostos — eu disse. — Você vai assistir comigo — saiu em direção aos livros. — Não acreditoooo! — Juro que fiquei com vergonha. Ela gritou. — Ana não precisa gritar. — Seu rosto estava rubro, os olhos cheios de lágrimas. — O que foi amor? — Que emoção, o livro do ''meu safado favorito''. É muita emoção — ela segurou o livro e


beijou a capa onde tinha um carinha comendo um tomate. Minha mulher não está bem. — Não acredito! — Mais um gritinho estridente sai de seus lábios. De novo, isso está ficando constrangedor. Ela pôs a mão livre no peito e respirou ruidosamente. — Meu lobo mau, como eu te esperei — disse olhando para o livro e beijou a capa do qual ela chamou de '' meu lobo mau''. Seus olhos brilhavam. Quando estávamos na fila para pagar, ela olhava para os livros como se estivesse hipnotizada. Prestei bastante atenção nas capas, nos nomes dos livros... Eu cheguei à conclusão que se trata de livro que tem alguma sacanagem. Sorrio abertamente... Hum, vou ganhar benefícios. Está aí... Uma coisa que nunca terei ciúmes. Ter ciúmes desses personagens imaginários? Isso não tem sentido. Ou tem? — Amor, se quiser pode escolher mais livros desse gênero. É bom ler, adquirir novas experiências sex... Literárias. Quer mais? — Depois eu compro mais, pois estou com meu Kindle entupido de e-books que ainda não tive tempo de ler. Vamos por partes, depois compro mais. — Gostei da capa — apontei para o livro que ela disse que é do ''lobo mau''. — Ficou linda mesmo. — Se a capa é assim, imagine o conteúdo — acabei falando alto. — Amor... Que conteúdo! — A safada pareceu entender o duplo sentido em minhas palavras. Esfregou os lábios em meu ouvido antes de sussurrar: estou louca para chupar seu pau. — Que isso amor? — Ela sabe como consegue me deixar. Meu pênis já está duro igual pedra. Segurei em sua cintura, um carinho sem tensão sexual. Abaixei um pouco a cabeça para alcançar o seu ouvido, inspirei seu cheiro delicioso e falei: — Hoje vou foder todos os seus buracos. Quero tudo, começando por essa boquinha rosa — senti o seu corpo enrijecer ao escutar as minhas palavras. Continuei... — Minha cadelinha... Vou ser bem duro do jeito que você gosta — juro que ela soltou um gemidinho tímido e saiu assim: ainnn gust... — Deliciosa! — Eu disse ainda em seu ouvido. Pagamos as compras e seguimos para o apartamento da Ana Beatriz, para buscar mais roupas para ela. É isso quer deixa estressado! Se ela sabe que nunca mais vai dormir no apartamento dela, por que não leva logo tudo de a vez? Ela já tem a sua parte no meu closet, o qual já tem vários vestidos no cabide, sapatos e roupas íntimas, mas pelo que já vi em seu guarda-roupa ela tem uma tonelada de roupas. Olhei de relance para ela que mexia em seu celular compenetrada, parecia estar lendo mensagens. Suas caretas, já diziam por ela, ela não gostava do que lia. — O que foi? — perguntei preocupado. Lembrei da ameaça da Rafaela. — Nada demais. — Como assim, nada demais? Você está lendo centenas de mensagens e fazendo uma careta atrás da outra. É melhor você me dizer a verdade. — Alex, enviou-me mensagens, dizendo que Lorenzo esteve no restaurante quatro vezes procurando por mim. Ele disse que precisa falar comigo urgente. — Quando esse cara irá nos deixar em paz? — Quando? Não tenho paciência para entrar em uma disputa como essa. É esgotante! — Você não vai falar com ele — minha voz autoritária a surpreendeu. — Gustavo, eu preciso conversar com o Lorenzo, sem brigas. Desde que pediu para conversar comigo, não dei importância ao que ele dizia. Nós precisamos encerrar essa história e pôr um ponto final — minha cara não é uma das melhores.


— Ana Beatriz, Não. Por favor, não — meu pedido saiu em suplica desesperada. — Gustavo, sim — disse decidida a encontrar aquele imbecil. Isso, eu não irei admitir. Estacionei o carro no subsolo do condomínio dela, saí do carro e abri a porta para ela sair. Fitei os seus olhos com um pouco de raiva, por ela me desafiar. Subimos pelo elevador em silêncio, encarei o painel de led do elevador onde passavam os números dos andares, ainda estou perplexo com as suas palavras. Não é possível, que viveremos a sombra de um homem que a fez infeliz por anos. — Foda-se o Lorenzo! Você não irá encontrar ele. Nunca! — Gustavo... Não vamos brigar por isso. Lembra do que combinamos? — Fico em silêncio, não respondo e desvio meus olhos dos olhos dela. Ela abriu a porta do apartamento e entramos, quando passamos pela porta pisei em um envelope branco, acabei chutando sem querer, abaixei e peguei. Olhei para a Ana que trancava a porta e a entreguei, ela olha um pouco confusa para o envelope. — O que e isso? — Não sei. Abre! — Continuei encarando o envelope em suas mãos. Sentei no sofá e ela sentou ao meu lado. Procuramos um remetente, mas não havia nada escrito. Ela liberou a aba colada e retirou de dentro algumas fotos do tamanho de um papel A4. Seu rosto se contorceu como se sentisse dor, puxei de suas mãos as fotos para olhá-las. Assim que as peguei de sua mão, uma folha que pareceu ser uma carta caiu no chão. Ana se apressou e pegou o papel, ela leu o que tinha escrito em silêncio. Desviei a minha atenção dela para as fotos. São três fotos: a primeira que olhei, ela estava sentada no colo do Lorenzo, enquanto ele olhava para ela com um sorriso no rosto, a outra Lorenzo está com o filho no ombro, dentro de uma piscina natural e a terceira Lorenzo, Ana e o garoto, os três estão deitados em uma cama, pareciam felizes. — O que ele pretende conseguir enviando essas fotos? — Não pensei muito, peguei a foto onde ela estava sentada no colo dele só de biquíni e ele de sunga de praia, rasguei em pedaços. — Não. Não rasgue as fotos que tem o meu filho. Por favor! — Seus olhos já estavam encharcados de lágrimas. Arranquei a carta que ela segurava e, lhe devolvi as duas fotos que restaram. — Chantagem emocional! — falei alto demais. Ela ficou quieta, mas me olhava com carinho. Desviei de seus olhos para o papel em minhas mãos. "Morena, Queria encontrar você para conversarmos, eu te devo uma explicação mais sensata em relação às minhas atitudes. Essas são as fotos da nossa última viajem. Viu como ele estava feliz nas fotos? Viu como nós dois éramos apaixonados e felizes? Ainda penso nele todos os dias, e posso jurar que quando estou em nossa casa sozinho, consigo escutar as risadas e a voz dele. Mas, infelizmente são apenas lembranças. Quando você voltar para mim, farei logo dois filhos de uma vez só você. Você fará o que quiser. Se quiser cuidar das crianças e não trabalhar, concordarei. Pense com carinho, eu mereço um encontro, só nós dois. Não esqueço os beijos que trocamos. Tenho certeza que você ainda não me esqueceu. Quando nos beijamos eu senti o quanto ainda me deseja. Eu te amo! Você é, e sempre será a minha Morena. Lorenzo Berluscon "


A carta estava escrita em português, entendi cada palavra que estava escrito. Eu nunca permitirei que ele se aproxime da minha mulher. Nunca! Assim que terminei de ler a última frase, rasguei o papel. Encarei a Ana Beatriz e descarreguei tudo o que eu acho sobre isso. — Ana Beatriz, você não vai de jeito nenhum encontrar esse maluco! Você está me escutando? — Estou Gustavo. — Se eu sonhar que ele se aproximou ou esteve no mesmo ambiente que você... Juro, que eu não terei clemência por ele. — Amor... Eu entendo. Mas... — Mas, Porra nenhuma! — perdi a cabeça e gritei. — Não grita! Passei as duas mãos nos meus cabelos e os puxei de raiva. Levantei do sofá e segui para o quarto dela. Abri o guarda-roupa e procurei por alguma bolsa ou mala. Acabei achando duas malas na parte superior do guarda-roupa. Coloquei-as sobre a cama e comecei a jogar tudo que via pela minha frente dentro da mala. — Você vai comigo para a nossa casa, não quero você sozinha aqui — falava alto o suficiente para ela escutar lá da sala. — O que está fazendo? — encostada na porta com os braços cruzados e os olhos inundados, já com as lágrimas. — Arrumando a sua mala. E não se meta aqui! — continuei pegando tudo o que via pela minha frente, até que quando eu peguei uma maleta grande sem jeito nas mãos, ela espatifou no chão, espalhando vários... Que porra é essa? Olhei para a Ana que estava apoiada na porta do quarto observando-me. A safada sorriu e balançou a cabeça. — Então quer dizer que você é adepta a esses brinquedinhos aqui — abaixei e comecei a pegálos. — Gustavo deixa que eu termino — ela disse ainda sorrindo. — Qual deles você gosta mais? —Apontei para os vibradores que coloquei em cima da cama. — Desse aqui — se aproximou com a cara de safada e pegou um e o levou até a boca. — É? Você gosta desse? — Gosto. Mas o seu pau é mais grosso e muito mais gostoso. Enquanto ela falava, eu já tirava meu tênis, bermuda e camisa. Peguei sua cintura com força, esfreguei minha ereção em seu ventre, ela tentava se livrar da blusa. — Se você demorar mais um segundo terei que rasgar a sua roupa de novo. Ela levantou os braços e eu a ajudei a retirar a blusa e o sutiã. Desceu a saia longa e se livrou das sandálias. Lembrei das malas cima da cama, então afastei as duas até que elas caíram no chão espalhando as roupas. Joguei a Ana na cama sem nenhum cuidado. — Você gosta desse pau de borracha? — Gostava até conhecer o meu 4G. — Vou ensiná-la a usar de uma forma que nunca mais irá esquecer. Assim, que terminei de falar deitei sobre ela, cobri seus lábios com a minha boca. Mordi e chupei a sua boquinha rosa com força, depois desci até os seus seios carnudos e chupei com voracidade, ela gemia sob o meu corpo. Enquanto me deliciava com seus seios, levei uma mão até o pescoço dela, apertei de leve e voltei a beijá-la. Lambi seus lábios como um animal faminto, meu pau babava, pingava, segurei-o pela base e deitei ao mesmo tempo puxando ela para cima de mim. — Chupa! Ela se afastou, para mastigar meu pau com sua boquinha, mas a adverti.


— Não! Deita em cima de mim e esfrega essa boceta e esse rabinho gostoso na minha boca — ela deitou e enfiou a bunda na minha boca, logo em seguida engoliu meu pau. —Arrrr... Puta gostosa. Rebola e chupa... Chupa meu pau — peguei o vibrador ao meu lado e, sem que ela percebesse enfiei em sua boceta melada. — Aiiii... Gustavo! — Xiiii... Fica calminha — enfiava a porra do vibrador sem dó. Ela rebolava a cada estocada e chupava meu pau toda descontrolada. Quando eu senti os primeiros espasmos iniciando e indicando que eu gozaria, estiquei meu braço e encontrei os seus cabelos, enrosquei em meu pulso, puxei até sua boca soltar o meu pau. Com a outra mão enfiava o vibrador com força na boceta dela. Liguei e coloque na velocidade máxima, quando sentiu a vibração ela gritou o meu nome: — Gustavooooooo! Eu vou gozar! — Minha feiticeira passou a ficar falante. — Enfia mais essa porra na minha boceta! Eu quero trepar com você a noite toda. — Goza, gostosa. Goza tudo, vou lamber sua boceta todinha. Vou comer você até amanhecer — eu disse colocando pressão no vibrador. — Você já fodeu com dois paus ao mesmo tempo? — perguntei, mas confesso que fiquei rezando para ela dizer, não. —Não... — sorrio com satisfação ao ouvir que não. — Vou foder o seu cuzinho e a sua bocetinha ao mesmo tempo — afastei dela com cuidado, para me ajeitar na cama. Sentei na cama e encostei-me nos travesseiros amontoados atrás de mim. Segurei meu pau e a chamei... Ela veio engatinhando igual uma gatinha no cio. — Vem aqui. Senta no meu pau, — ela se ajeitou para sentar de frente. — De costas — segurei-a pela cintura e a ajudei, quando ela sentou no pau, quase gozei... — Aaaaa gostosa... Eu amo foder você. Passei meu braço em volta de sua cintura e a levantei um pouco, com a outra mão segurei meu pau e esfreguei na boceta dela, esfreguei espalhando toda a lubrificação no ânus dela. Quando o buraquinho vermelho e fechado, estava molhadinho com sua excitação, eu forcei a cabeça do meu pau nele. — Arrrrrrr... Doeu um pouco. Hummmm... — Relaxa, gostosa — com o braço na cintura dela e a mão segurando meu pau, forcei a entrada e foi delicioso. — Isso rebola essa bunda deliciosa no pau do seu macho — beijei e lambi o seu ombro. — Senta... Isso... Agora fica paradinha, não se mexe — retirei a mão debaixo da bunda dela e peguei o vibrador ao meu lado na cama. Enfiei bem devagar em sua bocetinha e o seu buraquinho estrangulou o meu pau, por causa do vibrador, seus dois buracos ficaram apertadinhos. Deus, não me deixe gozar. Sei que isso não é hora de conversar com Deus, mas só o conheço para me ajudar, nesse instante. Quando ela gemeu, foi como se tivesse atirando fogo em álcool, soquei seu rabinho com força e enfiava o vibrador ao mesmo tempo. Ela gritava descontrolada. — Aiiii... Estou... Colei meu abdômen em sua coluna, apertei meu braço ainda com mais força em torno de sua cintura e pedi: — Goza, goza minha cadelinha... Estocava duro e seco no seu cuzinho, senti-a enrijecer e depois gemer o meu nome... — Gustavoooo... — Ela gozou tudo só pra mim. Bastou ouvi-la gemendo, que gozei tudo no cuzinho dela, foi tão intenso que meu esperma não cessava nunca. — Eu te amo... Anaaaaa... Deitei ainda com ela sentada com o meu pau enterrado no ânus dela e vibrador sua boceta. Virei


de lado, retirei com cuidado o meu pau e o vibrador de dentro dela. — Aiii... — Reclamou a ausência. Abracei-a e beijei sua cabeleira bagunçada. — Eu te amo. Não vou permitir que nenhum outro homem toque em você. — Eu não quero outro, só quero você. — Você é só minha. Minha Morena. Estávamos exaustos e acabamos dormindo abraçados, eu com o rosto enterrado em seus cabelos e ela toda esparramada, pernas enroscadas nas minhas, as mãos e nariz enterrados em meu peito. Dormirmos o resto da tarde inteira. Despertei do sono quando já era noite. Tomei um banho e vesti minhas roupas. Fui até a cozinha e bebi um suco de goiaba perdido na geladeira. Deixei a cozinha e sentei no sofá, olhei para o meu celular e vi que realmente a Rafaela, tinha me enviado um vídeo, como ela havia ameaçado hoje mais cedo. Abri o arquivo e logo apareceu e o áudio me assustou, diminuí o volume e prestei atenção. Rafaela aparecia sendo fodida por um homem que vestia a mesma camisa do que eu quando estive na casa dela. De repente ela grita o meu nome no áudio e eu entendo o que ela está fazendo. — Mete Gustavo Ferrari, come com força — Rafaela grita no vídeo. Credo. Que bizarro! Mulher louca. O que leva uma pessoa a se rebaixar a esse ponto? A intenção dela é me desestabilizar, atingindo diretamente a minha relação com a Ana Beatriz. Tenho pena dela, realmente é uma pobre coitada digna de pena. Antes que a Ana assista a essa loucura, terei que explicar a ela toda essa loucura. Essa doente já deve ter enviado o vídeo para o celular da Ana. Preciso achar o celular da Ana Beatriz! Vejo a bolsa dela em cima da mesa, pego e vejo mesmo com a tela bloqueada, que ela recebeu uma mensagem. Droga! Droga! Qual é a senha numérica para desbloquear?


Capítulo 24 - Gustavo Ferrari Entrei no quarto e sentei na cama devagar, olhei para ela que dormia tranquilamente de bruços. A imensidão de cabelos espalhados sobre o travesseiro escondia o rosto dela. — Morena... Acorda! — deslizei a minha mão nas costas dela até chegar ao meu paraíso, seu bumbum redondo, carnudo e empinado. Apertei e acariciei. — Delícia... Acorda — afastei os cabelos dela do seu rosto — abriu os olhos e me encarou ainda perdida, mas logo em seguida sorriu, piscou os olhos repetidamente, cacoete mais lindo que já vi. — É madrugada? — perguntou sentando na cama e espreguiçando-se completamente nua. Difícil formular qualquer pensamento coerente, quando tenho de frente para mim seios deliciosos. Aaaa... Fiquei com água na boca. Encostei os nossos lábios para ela sentir o quanto salivei por ela. Fechou os olhos e gemeu em meus lábios: — Arrrr... Seu gosto é delicioso. Gostinho de menta misturado com goiaba — disse com a voz ainda rouca por causa do sono. — Morena, minha Morena. Só minha. — Só sua. Toda sua. — Vamos para casa? — disse, intercalando beijos entre o pescoço e o rosto dela. — Vamos. Preciso terminar de arrumar as malas e pegar as roupas que estão jogadas no chão. — Eu ajudo você com isso. — Tomou banho, está fresquinho e gostoso — bagunçou os meus cabelos, que ainda estava molhado. — Pois é. Depois do que fizemos precisei de um banho. É muita pressão amor! — Trouxe o meu celular para eu poder ver? — Ela disse apontando para o celular entre as minhas pernas. — Amor... É — cocei a sobrancelha direita e respirei fundo, antes de falar. — Então... É... A Rafaela enviou um vídeo para o meu celular e disse que enviaria para o seu celular também. Ana, aquela louca está me perseguindo sem pausa, envia mensagens, liga insistentemente, me procura na clínica. Ela está infernizando o meu juízo! — olho para ela e observo atento à sua reação. Franzo o cenho quando o biquinho toma forma lentamente. Ela ficou enfurecida! — Como assim? Você fala com ela e a recebe na clínica? — Não! Ela está correndo atrás do prejuízo. Lembra de toda a história que te contei? — ela aquiesce e pisca os olhos. — Ela quer vingar a derrota do pai. Então, as atitudes dela extrapolam o limite. — Gustavo, chega de enrolar, fale logo o que está acontecendo. — Amor, eu não sei o que ela quer comigo. Estou sendo sincero. Ela liga e envia mensagens sem nexo, sempre pedindo para me encontrar. As últimas mensagens, ela pediu para encontrá-la, se eu não a encontrasse, ameaçou dizendo que enviaria um novo vídeo para o seu celular. — Como assim, tem mais vídeos? — perguntou-me decepcionada. — Você confia em mim? — Minha voz saiu falhada. Ela fitou-me e ficou em silêncio. — Você confia mim? — Me devolveu a pergunta apontando o dedo em minha direção. Foi a minha vez de manter-me em silêncio. Confesso que meu maior pesadelo é ela me abandonar e voltar para o Lorenzo, ainda mais depois de saber que ele ainda mexe com ela. Eu sei que ela me ama, mas o que eles dois tiveram foi muito forte, e eu tenho um medo enorme, só de pensar me causa


desespero. Eu tenho que fazê-la acreditar em nós dois, eu tenho que acreditar em nós dois. — Confio. Confio em nosso amor. — Eu confio em você, independente do conteúdo desse maldito vídeo. Ela para e fecha os olhos com força. Balança a cabeça negando talvez algumas suposições, ou até mesmo a sua própria consciência alertando-a. Abre os olhos novamente e se aproxima um pouco mais. — Você é meu noivo. Eu preciso confiar em você, mas só te peço que nunca mais me esconda nada e jamais minta para mim. Gustavo quando eu amo, eu amo muito. Então, te imploro para que nunca você me decepcione Ou... Expulse-me de sua vida. Por que mesmo se fizer isso... Eu continuarei te amando e me deteriorando esperando por você. É difícil, mas eu só consigo amar desta forma, infelizmente. Eu gostaria muito ser menos vulnerável, aceitar o fim de um jeito pacífico, mas eu não consigo — ela respira ruidosamente E faz um coque nos cabelos. Parou, e continuou encarando-me. — Ana, eu nunca vou te expulsar da minha vida. Eu te amo, meu amor. Nem todos os homens são iguais, eu jamais deixaria você se deteriorar. — Gustavo, eu não quero assistir outro vídeo daquele. Não me deixa assistir! O que os olhos não veem o coração não sente. Eu não quero sentir. Eu confio em você — fiquei perplexo com o que ela pediu. — Minha vida. Você é a minha vida. Eu não vou deixar você assistir o vídeo. Não é por que eu quero te fazer de boba, eu só quero te proteger. Não quero vê-la sofrer. Mas... Eu preciso pelo menos dizer a você do que se trata esse vídeo. — Não. Eu não quero saber. Eu não quero! — Ela tapa os ouvidos e balança a cabeça. — Ana... No vídeo a Rafaela está transando com um homem e ele está com a uma camisa parecida com a que eu usava da última vez que estive na casa dela. Ela armou essa encenação para fazer você acreditar que sou eu que estou transando com ela. Inclusive, ela até grita o meu nome. Chega a ser bizarro! Eu tenho certeza, que ela enviou para você também. Amor, não sou eu nesse vídeo. Você continua acreditando em mim? — Sim. — Eu preciso da senha numérica para desbloqueá-lo e depois excluir o vídeo que certamente estará aqui — balanço o celular no ar, mostrando a ela. — Me dê a sua senha. — 0611 — sussurrou o código. Digitei e logo a tela foi desbloqueada. E, pude confirmar o que imaginei: duas mensagens de um número desconhecido, sendo uma com um texto e a outra com um anexo. Não fiz questão de abrir, excluí e desliguei o telefone. — Tome, desculpe estar fazendo você passar por isso. Mas eu prometo que darei uma definição nesse assunto. Pode ter certeza que eu não vou deixar ninguém importunar nós dois — ela me abraçou com sofreguidão e me bombardeou de beijos no meu rosto. — Te amo. Te amo. Te amo. — dizia enquanto me beijava. Terminamos de arrumar as malas, mas restou uma tonelada de sapatos, bolsas, roupas, roupas íntimas... Vou ter que mandar fazer um closet improvisado para mim e deixar o meu todo para ela. É muita coisa! Acho que nem se ela vivesse uns 300 anos, conseguiria usar tudo isso. — Ana, quanta roupa, bolsas e sapatos. — Eu sei, prometo que me livrarei da metade. Vou doar para algum abrigo, sei lá. — Okay! — Fiquei assustado com a quantidade de roupas! Deixamos o apartamento dela e seguimos para o meu. Como já estava tarde, resolvemos jantar,


namorar, dormir, namorar e namorar. Foi o que nos restou para o fim de sábado. Acordei sobressaltado, tive um sonho horrível. Deus! Que sonho foi esse? No sonho eu e Ana nos desencontrávamos em um aeroporto. Procurava por ela em todos os lugares, mas não a encontrava. Senti um desespero, um afago no peito, um sentimento de perda desesperador. Foi apenas um sonho, nunca deixarei ela se perder. Levantei da cama e fui ao banheiro, olhei-me no espelho e, nossa... Minha barba está horrível! Separei a máquina e as lâminas para aparar e as coloquei sobre a pia. Ainda é cedo, estou surpreso com a minha dorminhoca, segunda vez que ela acorda primeiro que eu. Escovo os dentes, jogo uma água no rosto e visto uma boxer. Cheguei à cozinha e meus olhos foram atraídos por uma imagem perfeita. Perfeita, somente para mim! Mas... Aonde ela pensa que vai com esse... Esse biquíni? Não quero agir como se eu quisesse interferir em suas escolhas, ou monopolizá-la. Mas... Deus, ela não vai usar um biquíni deste tamanho. Mas não vai mesmo. Aproximo dela e encosto meu corpo no seu. — Bom dia! — falei em seu ouvido. — Me abandonou na cama — disse virando ela de frente para mim. — Fugiu dele? — esfreguei minha ereção em seu ventre. — Que isso garotão? Acordou petrificado, parece uma pedra. — Pedra não, diamante! — disse encurralando ela na pia da cozinha. Beijei-a, invadindo sua boca com minha língua. — Estou com fome mulher — ela sorriu. — Cadê o meu café da manhã? — Estou terminando de preparar meu senhor. Sente por favor. Mas antes pegue o requeijão no refrigerador — riu ainda nos meus lábios. Afastei abrindo a geladeira, retirei o requeijão e uma travessa de salada de frutas. Eu amo isso tudo! Até essa salada de frutas, preparada por ela, eu amo. Coloquei tudo sobre o balcão, onde já tinha frutas, pães e frios. — Amor — virou apenas a cabeça a fim de prestar atenção enquanto falo. — Onde você pensa que vai usando esse pedaço de pano que você intitulou como biquíni? — Vamos à praia?! — Fez uma expressão como se estivesse confusa. — Você quer ir à praia? — Quero. Vamos comigo? — Mas é claro! Ou a senhorita achou que iria sozinha? — sorriu. — Não achei nada. — Amor a sua bunda é linda. Por acaso você não teria outro biquíni para usar? Por que esse aí está de matar! Eu não quero matar ninguém, principalmente agora que estamos fabricando bebês. Eles precisarão de mim. — Gustavo, ter eu tenho. Porém são todos parecidos com este aqui ou até menor do que este — aponta para o biquíni de baixo. — Vou pegar um moletom para você vestir, aí sim você estará de acordo para irmos à praia — seus risos ecoaram entre a cozinha e a sala. Ela achou engraçado, mas, eu não disse nenhuma piada. Eu falo sério! — E aí você acordou de um sonho, onde eu me deixava ser coagida e obedecia todas as suas ordens. Não, não meu Doutor Gostoso, você não irá interferir nas minhas escolhas, principalmente relacionada ao meu biquíni de cortininha. Dou o meu sangue na academia para esse biquíni ficar confortável em meu bumbum — ela desatou a falar. — Acostume-se meu príncipe! — Acostumar? Nunca! Ana você é gostosa, isso mesmo. Gostosa pra caralho, essa bunda é espetacular! — Obrigada pelo elogio — acariciou-se e disse: — gostei de saber o que meu noivinho acha do


meu corpinho. Gustavo relaxa! Vamos a praia pegar um sol, beber uma água de coco, olhar a moda... — Relaxar? Não vou conseguir relaxar na praia. Esse biquíni indecente... Ai Deus! Antes dos 40 anos estarei de cabelos totalmente grisalhos ou pior... Careca! — balancei a cabeça negando o meu futuro e voltei a encarar aquela bunda redonda. Perdição! Aproximei dela e acariciei o seu bumbum exposto pelo minúsculo biquíni. — Deixa de bobeira. O único homem que pretendo roubar a atenção é você. — Assim eu espero — disse abraçando ela por trás, enquanto termina de preparar o suco para o nosso café da manhã. — Eu te amo — falei e me afastei. Sentei no banco alto do balcão e peguei um morango fresco. A Vivi é uma santa! Merece aumento todos os meses. Ela sempre se lembra de comprar as frutas. Agora aqui em casa não faltam morangos e maracujás! — Adoro morangos! — disse mastigando a fruta. Terminamos o café da manhã, vesti uma roupa de banho e descemos para a praia. Até que consegui relaxar, a praia estava um pouco deserta, pois do nada a meteorologia agiu ao meu favor e o sol ficou tímido. Então, tinham poucos banhistas, apenas aqueles de sempre que geralmente são moradores dos condomínios que ficam de frente ao mar. Enfim, foi gostoso o início de domingo. O único detalhe desagradável foi o meu amigo aqui em baixo, não se comportou de forma respeitosa. A Ana me obrigou a vestir a bermuda, pois a cada olhada que eu dava na direção dela, ele ficava duro, agitado, desesperado para ser libertado. E, ela não conseguiu desviar os olhos dele. E ela que não é imune ao meu amigo, implorou para irmos embora. Assim, que digitei o código na porta para destravá-la, Ana pulou em meu colo desesperada. — Calminha gostosa. — Eu quero “Ele” dentro de mim, agora! — Eu vou foder você cadelinha, mas antes eu quero te chupar todinha. Agora se acalme e deixa comigo — ela enroscou suas pernas em volta da minha cintura e me abraçou pelo pescoço. — Gustavo, deixa para me chupar depois, eu quero seu pau dentro de mim, agora! — Está aí... Uma das coisas que amo nessa mulher, essa entrega. Ela não perde por esperar. Caminhei até a sala, sentei no sofá com ela ainda em meu colo. Ajudei a retirar o vestido branco que usava por cima do biquíni e logo depois a deitei sobre o sofá. Afastei um pouco e me livrei da sunga e bermuda que já estavam deslizando pelas minhas pernas. Fiquei de joelhos entre as pernas dela, mexendo em meu pau, que já estava babando por ela. Passeei meus olhos em seu corpo lentamente. — Amor, eu quero você agora! — ela disse desfazendo o laço da parte de cima do biquíni e segurou os seios com força e disse: vem! Você quer chupar? Chupa e ao mesmo tempo faz amor comigo. — Shiiii... Calada! Passei minha mão em seu abdômen, subi até os seios fartos e macios. — Gostosa... Você quer fazer amor ou quer se fodida? — Com a outra mão, retirei a calcinha e joguei no rosto dela. — Responde! — Ela passa a língua nos lábios e sorri. — Está indecisa? Eu posso fazer os dois ao mesmo tempo. Enfiei só a cabeça do meu pau em sua boceta molhada. — Aiiii... — Já está gemendo? Eu nem enfiei tudo — meto tudo de uma vez, mas retiro tudo logo depois. — Quer ser fodida — confirmei por ela. — Vai me torturar? — sussurrou com a voz carregada de luxúria. — Se esta for à tortura, sinto em te dizer, está uma delícia. Passaria o resto da minha vida sendo torturada. — É? Você está gostando? — arremeti tudo, mas dessa vez segurei com as duas mãos o quadril dela, abrindo-a ainda mais. — Eu seria um torturador muito malvado — disse, e retirei meu pau


todo. Olhei para a sua vulva depilada e molhada. — Deliciosa... — Meus dedos foram atraídos pela sua boceta vermelha, brilhando de tão excitada estava. Com o dedo indicador massageei seu clitóris com movimentos circulares e lentos, com a outra mão acariciei sua barriga e seios. Ela arqueou o corpo elevando à bunda, segurei, mantendo-a firme contra o sofá. Fechou os olhos e gemeu. — Arrrr... Gustavo, eu te amo, amo, amo... — parei de estimular o clitóris e ela reclamou. — Não para! Eu estou pronta, eu quero gozar. — Não. — Por favor, me deixe gozar. — Deixo — voltei a circular o brotinho inchado e vermelho. — Mas... Antes quero que me prometa uma coisa. Okay? — escorreguei um dedo, dois e ela urrou igual a uma loba no cio. — Tudo... Eu faço, prometo tudo que você quiser. Agora por favor, me faz gozar. — Promete tudo? — Agora são três dedos ao mesmo tempo na bocetinha dela. — Até a minha alma... O que você quiser — tirei as minhas duas mãos que tocavam nela. Levantou a cabeça o suficiente para me olhar. Segurei meu pau e o massageei bem devagar. — Por que parou? — Preste atenção... Nunca mais você usará esse biquíni. Nunca mais. Você não precisa de um biquíni destes para mostrar o quanto é gostosa. Até de beca dá para perceber o quanto é gostosa. A partir de hoje, somente eu, irei ver você com esse biquíni, na nossa piscina. Entendeu? — ela meneou a cabeça concordando. Quando fechou os olhos, ainda possuída pela excitação, enfiei tudo dentro dela. — Aiiiiiiii... — Geme feiticeira, geme — a cada investida, ela estremecia debaixo do meu corpo. Prendeu-me com suas pernas firmes, mais ao mesmo tempo delicadas e macias. Apoiei meu peso em uma de minhas mãos e com a outra segurei um seio e o chupei, chupei com tanta vontade que o outro seio reagiu ficando intumescido, olhei para ele e aquele biquinho rosado que me lembrava uma rosa, seduziu a minha língua e boca, lambi, chupei e terminei mamando e empurrando duro em sua boceta quente e úmida. — É um sonho meter em você sem aquele elástico atrapalhando as nossas peles. Eu amo isso! — Amor... Arrrr... — Entendi o recado antes mesmo de ouvi-la gemer, pois a boceta dela contraiu me estrangulando violentamente. Eu amo essa parte, amo ver em seus olhos o quanto me deseja enquanto seu orgasmo extravasa tudo só para mim. — Abra os olhos Morena. Abra, eu preciso olhar para eles — ela abriu os olhos e me encarou. Senti novamente sua boceta apertar meu pau e... — Nossaaaaa... Que Porra de boceta gostosa! — Deslizei entre nossos corpos minha mão direita e toquei o seu clitóris, repeti os movimentos e ao mesmo tempo beijava e chupava seus seios, e metia com força buscando meu próprio prazer. — Gustavoooo... — ela gozou segurando e puxando a minha cabeça até a sua boca. Desviei minhas mãos e as coloquei embaixo de suas costas puxando ela toda em minha direção. — Senta nele — ajeitei nossos corpos, em questão de milésimos de segundos ela já montava descontroladamente meu pau, com as unhas cravadas na minha carne. Fodas-se. Até isso eu amo quando ela faz. — Fala que me ama — ela pediu procurando a minha boca. Segurei sua cintura ajudando-a nos movimentos. Suguei seus lábios fora de mim, mordi o seu lábio inferior e ela gemeu igual uma gatinha miando. —Aiiiinnn... — Fala você — disse. Eu estava fora de mim, só pensava em gozar. — Eu amo você, amo foder com você, ser amada por você. Amo gozar para você — ela dizia


olhando para mim, enquanto rebolava em meu pau. — Ahhhh... Morena... Eu te amo... — urrei igual a um animal raivoso e louco. Louco de prazer, prazer descomunal, louco de amor... Louco por tudo que vinha dela. Esporrei tudo até a última gota dentro da boceta mais gostosa que já fodi em toda a minha vida. — Que delícia! — disse em seu ouvido. — Vai ser sempre assim? — perguntou e descansou a cabeça em meu ombro. — Sempre. Eternamente — enfiei uma mão em seus cachos e fiz um cafuné. — Amor, as suas torturas me enlouquecem! Pode me torturar todos os dias. — Eu poderia ser mais malvado, mas você estava muito gostosa e, eu não resisti. Vamos almoçar? — perguntei. — Eu quero cozinhar! — ela disse já se descolando do meu membro ainda semi-ereto. — Só preciso de um banho. Saiu em direção ao imenso corredor — eu? Estou aqui, com cara de bobão admirando a beleza natural da minha mulher. Linda! Ela preparou o almoço, e como sempre, uma delícia. Depois que almoçamos, ela desmaiou de sono e acabei acompanhando. Abracei-me a ela e a puxei para apoiar a cabeça em meu braço. Dormimos a tarde inteira, mas às 17h o celular dela despertou, só que a minha dorminhoca nem sequer se mexeu. Ela continuou imersa em um sono profundo, provavelmente um sonho agradável pois seus lábios se curvaram em um leve sorriso. — Amor, já são 17h. — Hum... Quero dormir mais — resmungou e virou de barriga para baixo. — Você pediu para insistir e acordá-la, pois você precisaria de mais tempo para arrumar os cabelos. Lembra? — Já estou indo... Vai tomar seu banho, enquanto isso eu durmo mais um pouquinho. — Ana, levanta! Você demora muito se arrumando e o jantar do aniversário da minha mãe começa às 18h. Ela é ansiosa e está louca para conhecer a nora — ela levantou, olhou para mim e disse: — Eu demoro muito para me produzir? — Nem sempre. Agora vai logo tomar seu banho. Vou usar o banheiro do quarto de hóspedes, pois se tomarmos banho juntos, chegaremos atrasados. Acho que ela ficou um pouco ressentida quando disse que ela demorava muito para se aprontar, pois em menos de uma hora já estava arrumada. — Podemos ir — ela disse saindo da nossa suíte. — Você está linda! — puxei-a pela cintura e beijei seus lábios. Adoro tirar o batom dela. — Você também não está nada mal, meu gato de jaleco — sorrio do elogio. — Imagino o quanto é assediado por suas pacientes, funcionárias, pelas mulheres alheias — fingi que não entendi, segurei sua mão e partimos. — O que importa, é que a única mulher que tem o meu amor é você. Isso basta Morena!


Capítulo 25 - Ana Beatriz Preciso encaixar as peças desse quebra cabeça, em minha cabeça. Estou feliz, mas isso não quer dizer que minhas questões internas foram resolvidas. Eu preciso encontrar uma maneira de encerrar minha história com o Lorenzo ou nunca conseguirei ser feliz plenamente. Preciso exorciza todos os meus demônios, por um ponto final no fim dessa história e me doar por inteira ao homem que veio ao meu encontro para me salvar e me amar. Quero um futuro sem ressentimentos, sem palavras não ditas, sem sentimentos reprimidos escondidos. Viro-me sutilmente para observá-lo enquanto dirige o seu carro moderno, confortável e luxuoso. Ao fundo a música de "Caetano Veloso - Pra te lembrar" , embala o silêncio entre nós, fazendo-me refletir sobre o quão difícil é dizer adeus para iniciar uma nova história. Comparo a vida a um bom livro, por mais que você se apaixone loucamente pela história, um dia chegará ao fim, e você terá que se conformar. — Morena? — Oi — respondi ainda observando ele e acabo me perdendo nas frases da música. "Mais leve que o luar, tão doce de olhar, Que nem um adeus, pode apagar..." "O que, que eu vou fazer para te esquecer? Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim." "E o silêncio teu, me pede pra voltar ao te ver seguindo." — Eu te amo. Nunca se esqueça disso. — Essa frase me roubou a atenção. Olhei para ele com carinho e sorrio. — Essa música é linda — eu disse a ele. Lembro do dia que assisti ao vídeo do Gustavo com aquela mulher. Fugi feito um animal acuado e essa mesma música estava tocando dentro do táxi que havia pegado. E a cada frase que ecoava em meus ouvidos, eu sentia o quanto eu já estava envolvida com ele, as palavras fizeram outro sentido ao ouvi-la em outro momento. Agora, ela me faz refletir de outra maneira em relação a minha vida neste exato momento. Eu realmente preciso dar adeus a tudo o que vivi para iniciar um novo ciclo em minha vida. Pois realmente quando eu não me lembrar mais o passado lembrará por mim. — Gostou da música? — Muito. — Está pronta para conhecer a sua sogra e seu sogro? — Perguntou, entrando na garagem do condomínio onde os pais dele moram. — Acho que sim — sua mão deslizou do volante e tocou a minha, que já estava em sua perna desde que entramos no carro. Sentir seus carinhos me causa um misto de sentimentos ao mesmo tempo. Sentimentos esses que me deixam segura e confiante, diante de tudo que terei que enfrentar para ser feliz. Confesso que estou um pouco ansiosa e nervosa. Sei lá vai que a mãe dele não gosta de mim? Vou tentar manter a calma e agir naturalmente. Entramos no elevador e o Gustavo apertou sétimo andar, creio eu que seja o último andar, já que a família parece gostar somente de coberturas. Olho a minha imagem no espelho enorme do elevador, e dou uma bagunçada em meus cachos, fito os olhos do meu noivo delicioso, encarando-me como se eu fosse a sua presa. Ele está um gato e espero não precisar marcar território. Odeio isso, tenho até um pouco de preguiça quando preciso marcar território, mas se for preciso marcarei como uma leoa. Olho para sua mão direita e sorrio ao ver o quanto a aliança


é grande. Bom, pelo menos antes de flertarem com ele, terão a noção que por trás deste homem, existe uma grande mulher para enfrentar. E se for preciso eu mostro as minhas garras. — Gostei da sua também. — Da minha o quê? — pergunto sem entender. — Gostei da aliança em seu dedo anelar direito, mostrando para o mundo que você tem dono, mas não vejo à hora de trocá-la para o dedo anelar esquerdo. Pensando melhor Ana Beatriz, você deveria mudá-la agora para a outra mão. — Pensando bem... Gustavo Ferrari, Hummmm... Não! — Vamos ver feiticeira, vamos ver — não pude evitar e sorrio com sua quase ameaça. Gustavo disse que esse jantar é especialmente para comemorar o aniversário da sua mãe, seria apenas um jantar formal, se o pai dele não tivesse convidado alguns amigos empresários e alguns políticos. O jantar que seria apenas para a família, tornou se um evento de "gala". Escolhi especialmente para hoje, um vestido de seda creme e um escarpin vermelho, carteira vermelha, cabelos soltos, brinco de pérola, bracelete de cristais. O Gustavo está vestido com a roupa que eu escolhi para ele, calça social esporte creme com um corte fit, blusa azul claro, sapatos italianos pretos e cinto preto. Modéstia parte, meu noivo está maravilhoso, a blusa combinou perfeitamente com o azul de seus olhos. Os cabelos, penteados todo para trás e a barba aparada. Está parecendo com aqueles modelos famosos que fazem propaganda de perfume importado de grifes italianas. Meus olhos piscam involuntariamente ao olhar para ele que não para de sorrir desde que fizemos as pazes. E, a cada sorriso que me lança, meu ventre contrai em resposta. — Chegamos! Ele girou a maçaneta dourada, liberando a nossa entrada. Inevitável não reparar a decoração: chão de tábua corrida escura, quadros em preto e branco, um enorme aparador de madeira escura na entrada. Todos os móveis seguiam o mesmo padrão, eu parecia estar dentro de algum filme do século 17. —Não precisa ficar nervosa — respirei silenciosamente e aquiesci. O salão é enorme, seguido de uma varanda gourmet, onde estão poltronas estilo vintage. O ambiente por si só, já me enviou a mensagem, dizendo que a mãe dele não é muito moderna, talvez um pouco rústica. Fomos até a varanda que destoava da decoração da sala, sendo mais moderna em relação à decoração. Gustavo cumprimentou algumas pessoas que estavam conversando e bebendo vinho e uísque. Aproximamos de um senhor cara de poucos amigos, que estava sentado em uma poltrona de couro branca, segurando um copo com uísque. — Boa noite — Gustavo olhou para o copo que o senhor segurava, e balançou a cabeça reprovando-o. — Boa noite — disse olhando para o Gustavo. A voz rouca e grossa, quase inaudível. Desviou dele para mim. Confesso que gelei quando sua voz foi dirigida em minha direção. — Boa noite. — Boa noite! — respondi oferecendo o meu melhor sorriso. — Sua benção, pai — Gustavo se curvou e beijou a mão do senhor, que agora sei que é o seu pai. Embora, ele seja idoso está elegante em um blazer preto, calça preta e blusa azul escuro. Procurei semelhanças entre ele e meu noivo, mas não encontrei nada. — Deus te abençoe — o senhor respondeu. — Pai, essa é a minha noiva — Gustavo olha para mim e sorri. — Ela se chama Ana Beatriz Medeiros.


— Prazer Augusto Ferrari — ele diz o nome com uma arrogância, como se fosse um rei. Apertou a minha mão com força, cheguei a contorcer o meu rosto. — Prazer — falei baixo. — Quando você ficou noivo? — Sexta-feira de madrugada. Que louco, não? — riu, mas o pai dele continuou com a expressão arrogante. — Dessa vez você me surpreendeu — terminou de falar e desviou o olhar para um dos empregados e fez sinal com a mão para que viessem servi-lo, nos ignorando. Meu sorriso se desfez e eu não entendi a indiferença dele em relação ao Gustavo. — Não sirva. Ele não pode consumir álcool. Todos vocês sabem que ele não pode mais beber — Gustavo repreende um funcionário que servia o uísque ao Sr. Augusto. — Prepotente! Se meta na sua vida. Eu não preciso de mais um médico cuidando da minha vida — o Sr. Augusto disse quase aos gritos olhando para nós. Afastamos um pouco, Gustavo olhou para mim com o rosto vermelho e o cenho franzido e disse: — Ele é assim mesmo — abracei-o e dei um beijo carinhoso em seu rosto vermelho. — Tá bom, mas eu preciso de um médico — disse no ouvido dele. — Você quer brincar de médico comigo? — Quero — disse e ele balançou a cabeça. Tenho certeza que imaginou o que faria comigo. — Vamos até o quarto da minha mãe? — Melhor esperarmos ela aqui. Você não acha? — perguntei. Confesso que eu estou um pouco intimidada com tanta polidez do ambiente e do meu futuro sogro. — Vamos, vem... Ela está nos esperando — ele me conduz pelo imenso salão. Seguimos por um corredor pouco iluminado com cheiro de cera incolor, meus saltos ao entrar em contato com a brilhante tábua corrida, liberavam um ruído estridente. Passamos por umas seis portas cor de tabaco. Segurei com firmeza a mão do Gustavo, para me guiar, pois o ambiente estava escuro. Paramos de frente para uma porta dupla. Meu coração disparou descompensado e minhas mãos ficaram trêmulas. Essa palavra sogra me causa um desconforto, me fez relembrar a minha ex-sogra, a mãe de Lorenzo. Ela era um ser humano desprezível, sempre que podia me ofendia com palavras preconceituosas. Como eu odiava aquela bruxa. Ela nunca aceitou o meu relacionamento com o seu filho, a opinião dela foi primordial para fazer o Lorenzo se afastar de mim. Ainda bem, que me vi livre daquela preconceituosa, intrometida e superprotetora. Não admitia e aceitava que o filho era apaixonado por mim, uma brasileira. — Mãe? — Gustavo bate levemente na porta enorme. — Entre meu príncipe — uma voz meiga e fina invadiu os meus ouvidos. Gustavo encarou-me com um sorriso lindo nos lábios. Deu uma piscadela com o olho direito e disse: — Ainda nervosa? Aquiesci, mas sorrio para amenizar o nervosismo. O que poderia acontecer? Nada demais. Talvez ela não goste de mim, ou goste muito de mim. Ainda bem que ela também é brasileira. Entramos, Gustavo colocou o braço em volta da minha cintura e um sorriso lindo nos lábios. Ele parece estar feliz demais. — Ora, Ora, Ora! Ela é linda! — Mãe, essa é a Ana Beatriz. — Ana Beatriz, a morena que roubou o coração do meu príncipe.


Meu coração parece que vai rasgar o meu peito, e sair à procura de um abrigo mais calmo e corajoso. — Oi, boa noite! — Minha voz entrega o meu nervosismo. Pareço uma mulher com a voz de uma menina de cinco anos. Levantou-se de uma penteadeira espelhada, com inúmeros produtos expostos sobre ela, se aproximou de nós dois. Ela é alta, esguia e morena. Seus olhos são negros, acompanhados de sobrancelhas espessas minuciosamente delineadas. — Prazer Ana Beatriz, sou a mãe desse príncipe. Estella Ferrari. E agora? A chamo como? De Dona Estella ou só de Estella? — Prazer, Sra. Estella — ofereci a minha mão, mas ela me surpreendeu com um abraço e dois beijos no rosto. O cheiro dela é suave e sua pele é macia. Ela se afastou um pouco para olhar diretamente em meus olhos. Sorrio com a sua empolgação e concluí que ela não poderia ser tão malvada assim. — Então foi você que deixou meu príncipe dormindo na porta do seu apartamento há alguns dias atrás? Meu sorriso congelou e meus olhos arregalaram automaticamente. É para responder a ela, que eu sou essa malvada que fez com que ele dormisse sentado em um capacho, encostado na porta de meu apartamento? Bom, acho que devo responder. Aquiesci ainda um pouco aturdida. — Não faça nunca mais isso com ele. Quando o Arthur disse isso, custei a acreditar, mais quando a Vivi disse que o Gustavo não estava bem, aí sim acreditei. Meu Deus! Arthur é um fofoqueiro e Vivi uma linguaruda. — Desculpe, não foi a minha intenção — resolvi falar e reverter essa imagem. — Foi sim, mãe. Ah! Já ia esquecendo, ela me agrediu também. — Minha cabeça ganhou vida própria e girou sozinha para encarar o Gustavo. — Amor, você me agrediu. — Sua voz ganhou um timbre divertido, mas eu ainda estava envergonhada. — Gustavo... — sussurrei quase chorando. Ele está de brincadeira? — Agrediu? Qual nível de violência? — a Sra. Estella perguntou também sorrindo. — Nível mulher apaixonada e nervosa — respondi, entrando na brincadeira. Sorrimos os três, Gustavo abraçou a mãe. Ela em relação a ele é totalmente diferente do velho chato que nos recebeu. — Estou feliz por vocês, nem acredito que meu príncipe número 1 está apaixonado. Eu sabia que logo ele se entregaria ao amor. — Não mãe! Entreguei-me somente para ela. — Ana Beatriz, acredita que eu nunca conheci uma namorada desse garoto? Sempre fui louca para ter uma nora, mais ele nunca me deixou viver essa experiência. Não incluí como namorada, aquela garota estranha filha do Campelo, pois aquilo nunca existiu, foi mais uma das loucuras do seu pai — olhava para nós dois enquanto falava com toda a sua delicadeza e ao mesmo tempo altivez. — Agora a senhora terá uma nora — Gustavo disse. — Estou nas nuvens, agora terei companhia para passear, viajar, fazer compras... — Não mãe, a senhora não vai roubar a minha noiva. Ela só terá tempo disponível em 2018 — resolvi entrar no assunto, já que ele me deixou curiosa para saber o porquê da minha agenda estar cheia até 2018. — 2018? E quais serão os meus compromissos até lá? — Ué, amor... Esqueceu? — Na verdade, eu não sei quais serão — pensei só em sexo ocupando todos os horários em minha


agenda. Mas, além disso, creio que vem mais por aí. Ele encarou-me com a cara de safado e passeou seus olhos pelo meu corpo. No mesmo instante desviei dos olhos dele e virei para a minha futura e descontraída sogra. — Ana Beatriz, ele quer te manter em cárcere privado até 2018? Ele vai te matar de tanto amor e sexo — moderninha essa minha sogra. — Espero que não — eu falei sorrindo. — Amor, presta atenção na sua agenda: 2015: Dar a luz ao nosso primogênito; 2016: Dar a luz ao nosso segundo filho; 2017: Teremos dois filhos pequenos para cuidar. 2018: Agenda livre, sendo de apenas uma hora, uma vez por mês. — Não acredito! Vocês vão... — Mãe nós ainda estamos em fase de produção. Quem sabe no mês que vem? — Meu filho eu já me sinto avó! — Calma Estella Ferrari — Gustavo fala abraçando-a. — E, vocês ficaram noivos? Quando foi isso? — Há dois dias. Por isso, não ficou sabendo. Arthur não teve tempo de fofocar com a senhora sobre isso — Gustavo mostra a mão direita e aponta com a mão esquerda o anel de noivado. — Ela quis me marcar mãe. Escolheu a aliança mais grossa da joalheria. — É verdade, quis marcá-lo mesmo. — Eu sou só seu minha Morena. Se quiser eu tatuo o seu nome no meu corpo, ou melhor, o seu rosto. — Jura? Até que não seria uma má ideia. — Juro! Mas você não está pensando... — Estou. — Só se tatuar o meu primeiro — o safado aperta disfarçadamente o meu bumbum, mostrando aonde ele gostaria que seu nome fosse tatuado. — Príncipe você está tão descontraído. Cadê aquele rapaz calado e introspectivo? — sua mãe perguntou, mas ele não respondeu. Olhamos para a senhora elegante a nosso frente para ouvi-la: — Filho estou feliz por ter encontrado uma mulher que te fez mudar de ideia em relação a relacionamentos. Desejo que vocês construam uma linda família e sejam felizes — ela ficou emocionada e nos puxou para um abraço triplo. Senti um afago no peito que logo chegou aos meus olhos, mas pisquei para livrar-me das lágrimas. — Parabéns mãe! Espero que a senhora tenha mais 52 anos de vida pela frente. — Deus que me livre disso! Imaginem uma idosa de 104 anos dando trabalho para os meus tataranetos? Não quero não — sorrimos. — A não ser que meu filho cirurgião plástico faça milagres com o seu bisturi. Aí sim, viveria mais uns 50 anos. Porém, ao lado de algum gato esbanjando virilidade. — Prometo jogar mais rebocos no seu rosto. Mas, sem gatos. — Palhaço! Foram apenas três cirurgias. — Sete! Três executadas por mim e as outras por outros cirurgiões. — Malcriado! Pare de falar os meus segredos — ele sorri e pega a mão da mãe e beija com carinho.


— Minha rainha quero que você seja muito feliz. Independente de plásticas e gatos. Eles dois parecem ter uma relação leve e divertida. Gustavo é extremamente excessivo quando o assunto é carinho. Eu sempre fui carinhosa, mas depois que nós conhecemos, intensifiquei ainda mais esse meu lado, para acompanhá-lo e retribuir tudo o que ele me oferece. — Parabéns Sra. Estella! Espero que possamos nós conhecer melhor, confesso que já estou curiosa para saber mais sobre você — entreguei seu presente. — Nada de Senhora Estella, apenas Estella ou se preferir, Estellinha — sorriu abertamente e foi nesse detalhe que encontrei semelhança entre ela e Gustavo. Os dentes deles são parecidos, na verdade os lábios, a boca inteira. Olhei para o meu noivo e ele estava com o mesmo sorriso nos lábios. Lindo! — Eu quero saber tudo sobre você. E, não se esqueça de uma coisa: joias, sempre joias! — sorrio. Não fui eu quem escolheu o presente, mas depois desse lembrete, preferi não falar nada, apenas concordei. Ou seja, não importa a ocasião, ela sempre terá preferência em receber como presentes em joias. Voltamos para o ambiente onde será o jantar. Gustavo apresentou-me para alguns funcionários que trabalham para os pais dele e alguns amigos da família. — Dr. Gustavo Ferrari. — Um senhor baixinho e obeso, vestindo um terno apertado preto, cumprimentou-o com entusiasmo. — Oi! Quanto tempo, Deputado Corins — que nome diferente. — Como você está rapaz? — Estou ótimo! — E a senhora Jandira? — Gustavo perguntou. — Está bem! Está conversando com sua mãe. Ah! Obrigado pelo milagre. Diminuir aqueles silicones foi uma ideia espetacular — ele falava baixo, o suficiente para o Gustavo escutar. Mas tenho ouvidos de bebê, então escutei tudo com um sorriso leve no rosto. — De nada! Apenas fiz o que achei o que seria o ideal. Estavam desproporcionais para o corpo dela. A Sra. Jandira é uma mulher de baixa estatura e tronco médio e, tudo aquilo ao longo do tempo traria consequências à saúde dela. Constatei que apenas o meu noivo tem os olhos azuis e acabei ficando curiosa para saber de quem ele herdou esse par de olhos azuis. Sentamos em uma confortável poltrona na varanda gourmet e conversamos um pouco mais com alguns familiares dele. Fiquei todo tempo observando a maneira que ele conversava, sorria e dava atenção às pessoas. Ele é bastante comedido e às vezes introspectivo, não consegue sustentar por muito tempo uma longa conversa. Algumas vezes eu até sorria da forma que ele encontrava para se livrar das pessoas que o cumprimentava e o incluía em alguma conversa mais demorada. O Sr. Augusto Ferrari se dirigia ao Gustavo de maneira rude e seca. Essa forma de tratar o Gustavo já estava me dando nos nervos. Por que ele o tratava desta forma? Poucas vezes se designou o olhar em minha direção, confesso que isso me incomodava. Será que ele não gostou de mim? — Distraída? A Estella sentou ao meu lado e acariciou o meu ombro, um gesto que fez aumentar ainda mais a minha curiosidade em conhecê-la melhor. — Não, estou observando as pessoas. Sou bastante observadora. Gosto de definir a personalidade de cada um. — Psicóloga? — Ah, não! Gastrônoma e curiosa — sorrio.


— Linda profissão. — Obrigada! — agradeci orgulhosa. — Você é chefe em algum restaurante, ou não exerce a profissão? — Sou chefe — não sei por que, mas as pessoas sempre me fazem essa pergunta. — Eu nunca pude exercer a minha profissão. Sou psicóloga — a voz dela saiu baixa e com um leve tom de tristeza. — Por quê? Fitou-me, como se quisesse encontrar algum sinal de cumplicidade. Sorrio para ela e resolvo tomar iniciativa. — Não teve tempo para exercê-la? — seus olhos desviaram dos meus e procuraram a pessoa exata que a impediu de exercer a sua profissão. O Sr. Augusto. Sem palavras, entendi o que ela quis me passar. — Ele não deixou? — perguntei, mesmo já sabendo qual seria a resposta. — Não. — Entendo. Eu faria o mesmo pelo Gustavo. Principalmente se tivermos filhos. Mas não para sempre, apenas até as crianças crescerem. — Eu pensava o mesmo, mas quando chegou na hora falhei. Não tive estrutura psicológica para enfrentá-lo. — Sei, entendo — não nos conhecemos para termos intimidade, mas fiquei tão à vontade interagindo com a minha futura sogra que parecíamos amigas de longas datas. — Ei não precisa me olhar com esse rosto de pena. Ele me proibiu na época, mas também o fiz pagar direitinho com viagens, presentes, sapatos... Impossível não reparar o quanto o pai do Gustavo é mais velho que a sua mãe. Ele parece debilitado e ela cheia de vitalidade pronta para outra. Fiquei por um instante dispersa e não escutei o que ela disse... — Desculpe. O que a senhora falava? Distrai-me e não escutei — desviei o olhar da direção do Gustavo e a encarei. — Você gosta muito dele, não é mesmo? — Muito — respondo e sorrio para ela que também retribui na mesma intensidade. — Ele é um homem especial, sempre foi carinhoso comigo e o irmão. — Extremamente carinhoso — eu disse. — Eu não fui uma mãe muito presente, sempre viajava com o Augusto, e acabava deixando os meninos sob os cuidados de empregados. Arrependo amargamente por isso, sempre coloquei meus príncipes em segundo lugar. Se eu pudesse fazer o tempo voltar, faria tudo diferente — ela ficou em silêncio e olhou na direção do Gustavo, onde ele conversava impacientemente com dois senhores já idosos ao lado do pai. — Nunca é tarde, para recuperar o tempo perdido. Eu que o diga! — falei mais para mim que para ela. — Pois é. Depois de algumas decepções mudei completamente as minhas atitudes em relação aos meus meninos. Ainda bem, que acordei para a vida e enxerguei o que estava fazendo. Abri mão deles por um amor egoísta — seus olhos ficaram marejados, mas nenhuma lágrima extravasou. — Desculpe, me senti tão à vontade ao seu lado que acabei contando parte de minha extensa vida para você — coloquei minha mão sobre a dela e fiz um carinho delicado para confortá-la. — O importante você nunca deixou de sentir, — me olhou com carinho e seus lábios se curvaram em um sorriso idêntico ao que o meu amor me oferece a todo instante. — Nunca deixou de amá-los.


E, nunca é tarde para recomeçar e isso você já fez, recomeçou. — Eu amo os meus meninos. O Gustavo foi o que menos recebeu atenção, até os sete anos, praticamente foi criado pela Vivi. Você já deve conhecê-la — aquiesço. — Eu passava até um mês sem vê-lo, era angustiante, mas quando nos reencontrávamos era mágico, ele me recebia cheio de amor e carinho. Por um momento, consegui imaginar o Gustavo aos sete anos de idades, um menino magro e moreno, cabelos negros e olhos azuis, solitário, sem carinho, sem aquele cheirinho de mãe que nos conforta sempre que precisamos. Senti pena dele, olhei de novo em sua direção e vi que ele também me olhava. Sorrimos um para o outro e ele piscou o olho para mim. — Eu te amo. — Saiu em sussurros. — Eu também. — Fiz leitura dos seus lábios e sorrio. Onde esse homem estava escondido? Eu o amaria em qualquer fase da minha vida. Ele parou de me olhar e pegou o celular do bolso, olhou o visor e se afastou. Provavelmente foi atender em algum local com mais privacidade. Voltei a minha atenção para a história que Estella acabará de me contar. Até entendo a justificativa dela, mas eu jamais abandonaria um filho meu aos cuidados de outras pessoas, para seguir um marido egoísta e soberbo. Mas quem nunca errou? Ainda bem, que ela percebeu que não estava agindo de acordo com que realmente desejava ser, e reverteu a história. — Me fale mais sobre você. Quantos anos você tem? — 27 anos. — Idade linda! Aproveite bastante a vida como se não houvesse o amanhã, experimente todos os prazeres dessa vida. Passa muito rápido e levam consigo sonhos. — Eu sei, a vida passa e nos deixa de mãos atadas. Ela é como uma surpresa indesejável. Quando menos esperamos, ela nos atira em um abismo ou nos eleva até o paraíso — eu disse para ela, mas na verdade falava comigo mesma. A vida é assim, um dia no paraíso e outro no inferno. — Boa reflexão sobre a vida. Isso tudo em apenas vinte e seis anos de vida. Alguma decepção? — Foi a vez de ela acariciar a minha mão. — Digamos que na minha vida, as fases foram acontecendo fora da ordem cronológica. Porém, mesmo assim valeu a pena viver, independente de ter me causado muita dor — ela continuava acariciando minha mão com carinho o que de certa forma me confortava mesmo sem saber do que exatamente eu falava. Sem explicações e sem palavras, conseguimos nos entender. — Você é uma menina tão especial quanto o meu príncipe, tenha certeza que ele fará você superar qualquer tristeza ou decepção. Só peço que faça dele o homem mais feliz desse mundo. Só exijo isso, o faça feliz — concordei e retornei a fitar o Gustavo. Ele estava com o cenho franzido e o olhar cerrado, olhando para mim. Será que aconteceu alguma coisa. — Olá, posso abraçar as mulheres da minha vida? — A voz maliciosa do Arthur me fez desviar a atenção do Gustavo. — Príncipe da mamãe! Arthur chegou acompanhando da mesma ruiva que estava com o Gustavo durante sua festa, à qual ele disse ser a sua secretária na clínica. Olhando-a assim de perto, confirmo o quanto ela é linda. — Parabéns minha Rainha — ele beija com um estalinho na boca da mãe e entrega a ela uma embalagem igual a que o Gustavo me deu para entregar. — E você, como está? — disse se desfazendo do abraço da mãe e largando a mão da ruiva. — Ótima! — eu disse. Ele me abraçou e depositou um beijo na minha testa. — Mãe, Ana Beatriz... Essa aqui é a Sofia. Minha namorada. — Sofia abriu os olhos


exageradamente e sua boca se curvou em um sorriso lindo. Acho que ela foi pega de surpresa ao ouvir Arthur dizer que ela é sua namorada. Ele a apresenta, e posso jurar que consegui enxergar um brilho passando em seus olhos negros. — Prazer Sofia, Ana Beatriz — ela ofereceu-me a mão e eu a segurei olhando diretamente em seus olhos. — Prazer. Você realmente é linda! — Ela disse um pouco intimidada com a maneira que a olhei. — Obrigada — agradeci. — Sofia, você é linda! — Estella disse e depois a puxou para um abraço. — Obrigada. — Seus olhos verdes escuros estão assustados. Ela parece estar tão nervosa quanto eu estava antes de chegar aqui. — Agora eu tenho duas noras ao mesmo tempo. E, são lindas! É uma felicidade que não cabe no meu peito. — Cabe sim mãe. Olha o tamanho do seu peito, cabemos todos aí dentro. — Arthur. Juízo menino. — Te amo Rainha — dá uma piscadela para nós e abraça a Estella de novo. — Mãe... Chegou o bastardo — Arthur fala para provocar o irmão que se aproxima de nós. — Bastardo? Eu? Você que é o bastardo. Esqueceu onde foi encontrado? Você foi encontrado dentro da caçamba de um caminhão de lixo esgoelando. — Parem! Ninguém é bastardo muito menos foi encontrado em caçamba de lixo. — Estella freou as ofensas “inofensivas” dos dois. — Te amo — Gustavo me abraça por trás e sussurra com os lábios colados em meu ouvido. Sorrio ao escutá-lo. Viro de frente e o abraço. — Meu príncipe — murmuro baixinho. — Sofia! Você por aqui? — Não acredito que ele se afastou de mim para cumprimentá-la. — Gustavo! — Quanta intimidade. Não gostei! — Foi difícil convencê-la vir comigo — Arthur disse segurando a mão da Sofia. — Imagino o quanto foi difícil — Gustavo disse. Sofia o fitou envergonhada. Eu peguei sua mão e apertei com força. Ele sorriu e balançou a cabeça. — Com licença, preciso falar a sós com a minha noiva. — Saímos em direção à porta que dava acesso aos quartos. Seguimos pelo corredor gigantesco e mal-iluminado, paramos em frente a uma porta cor de tabaco. — Está com ciúmes? — Encurralou-me contra a porta. — Não — menti. — Te arrastei até aqui só para te dizer uma coisa — encostou seu corpo no meu e segurou com apenas uma mão a minha cintura e com a outra levantou minha perna esquerda e roçou o seu membro duro em meu ventre. — Gustavo, pode aparecer alguém aqui. Por favor, aqui não. — Foi em vão o meu pedido, pois o sorriso delicioso já havia tomado espaço do seu semblante. — Gust... — mordeu o meu pescoço. — Não. — Sim. Eu vou te comer bem aqui. — Está louco? — Eu sou um louco. Louco por você e por essa boceta gostosa dos infernos. Escutei passos no corredor, logo me afastei dos seus braços possessivos. — Oi pai — Gustavo o cumprimentou. O velho nos olhou sem esboçar nenhuma reação. Passou por nós dois e entrou no mesmo quarto onde Estella estava quando chegamos.


— Viu? Seu pai vai achar que eu sou uma put... — Xiiii — colocou dois dedos nos meus lábios me calando. — Eu não me importo com a opinião dele. Aliás, não me importo com a opinião de ninguém. — Seu doido. É melhor voltarmos para o salão. — Sim, mas antes eu vou te levar só um pouquinho ao céu — a porta de onde estávamos encostados foi aberta sem que eu percebesse. Ele me rebocou para dentro de um quarto escuro. — Gustavo... Eu... — Ele enfia a língua em minha boca, me joga em uma cama dura. — Aiiiii doeu! — Xiiii... Quieta Morena! Seus dedos abrem o cinto e descem o zíper da sua calça. Seus olhos pareciam duas lanternas sobre mim. — Quero você. Rápido, meu pau está tão duro, que chega a doer. E a culpa é sua que fica me provocando — ele libera o pênis e o massageia com uma das mãos. Só de olhar, minha vulva contrai. — Eu provocando? — Sim... Esse vestido, essa bunda, essas pernas, esses saltos vermelhos... — Se tudo isso deixou você assim, com esse pau delicioso, imagine só quando ver o que estou usando aqui embaixo — levanto o meu vestido com cuidado para não estragar ou amassar. Sorrio ao ouvir o seu gemido em resposta à minha calcinha. — Hum... — Declinou o suficiente para ficar de cara com minha pequena calcinha preta toda rendada e com detalhes perolados de cetim. — Calcinha linda — enfiou e enroscou um dedo em cada lateral. — Foda! Você é gostosa demais! — Abro as pernas e me mexo sensualmente sob seu olhar. Ele ajoelhou entre as minhas pernas e me puxou segurando firme em meu quadril. Inalou meu cheiro, fechou os olhos por um instante e falou: — Esse cheiro me excita, me deixa com um tesão dos infernos. Você só pode ser uma bruxa, por que feiticeira é pouco para o que você me causa — depositou força nas mãos e rasgou a calcinha delicada ao meio. Sorrio olhando diretamente nos olhos dele. — Cheirosa e molhada — colocou o pedaço de renda fina, dentro do bolso da calça que estava pendurada em seu quadril. — Bruxa? — Perguntei alisando meus seios por cima do vestido e descendo até o meu ventre. Cheguei a minha vulva e parei friccionando meu dedo médio no meu clitóris inchado. — Vai se masturbar para mim? — Você quer? — Sim, feiticeira. Pressionei o dedo com movimentos circulares. Desenhei todos os tipos de números e letras em meu clitóris. Eu estava tão absorta esperando uma avalanche sair de mim que nem percebi que o Gustavo se masturbava entre as minhas pernas. Se não fosse o seu urro assustador e descontrolado eu continuaria de olhos fechados. Gemi o nome dele, parei o que fazia e segurei as suas mãos, antes que ele gozasse. — Gustavo... Não goza. Eu quero que goze tudo dentro de mim, — Eu vou gozar nessa bocetinha, agora. Continua putinha. Amo ver o quanto você gosta de se tocar. Isso me deixa com um puta de um tesão louco. — Você quer assistir eu me dando prazer? — Não, eu exijo que você se masturbe até gozar. Só não se esqueça do principal quando estiver gozando — ele para de falar e começa a imitar o que seria a minha voz quando estou gozando: — "Gustavoooo... Aiii..." Não se esqueça disso Morena. Isso é satisfatório! Não esperei ele terminar de falar, retornei de onde parei, esfreguei o meu clitóris freneticamente,


escorreguei um dedo dentro do meu canal encharcado e não demorou muito. E lá estava eu gritando o nome dele: — Aiiiiii... Gustavoooo... — Cheguei a elevar a minha coluna e a bunda da cama pela intensidade do orgasmo. — Espetáculo de cena. Agora abra os olhos por que eu preciso de você aqui. A voz dele estava rouca e baixa. A cada palavra que sai de sua boca, sinto-me entrando em um colapso nervoso. Minha vulva lateja e escorre feito uma cachoeira. Oh Deus! — Fica de quatro cadelinha. Não quero que fique toda amassada — sentei sobre os joelhos e desci o zíper lateral do meu vestido e em seguida o retirei colocando esticado sobre a cabeceira da cama. — Isso... Menina inteligente. Virei de costas e ajoelhei ficando de quatro. Sem me tocar, ele enfiou o seu membro duro em meu canal, invadiu-me duro. Logo depois suas mãos seguraram minha cintura, para ele se apoiar. Empinei-me toda para ele continuar indo fundo. — Isso Morena, empina essa bunda gostosa. Arrrrrrr... — ele gemeu baixinho. — Por que é gostosa desse jeito? Puta que pariu! Mulher, se tu abrir essas pernas para outro eu te mato. Isso aqui é só meu. Está escutando? Responde! — O que? Eu não entendi. — Que isso? Um tapa? Hum... Delícia! — Ahhhh... — gemi sentindo os tapas na minha bunda. — Responde! — Eu. Vou. Gozar! — Minha voz saiu igual à voz dessas meninas possuídas em filmes de exorcismo. Senti mais tapas em minhas nádegas, que só ajudaram a elevar o grau do meu orgasmo. — Mais, mais, mais... — Você ainda não me respondeu. Vou parar se você não me responder. — Responder o que Gustavo? Eu estou... Aiii... Não vou falar porra nenhuma — fechei meus olhos e mexi meu quadril enquanto eu gozava deliciosamente. — Se quiser parar agora, pode parar. Eu já gozei. Não sei o que deu nesse homem, mas ele está possessivo demais. Segurou-me e me retirou da cama. Estou parecendo uma maria-mole em seus braços. Ele me fez rodear as pernas em torno de seu quadril, encurralou-me contra a parede do quarto e prendeu-me apenas com seu corpo. Olhou dentro dos meus olhos, com um olhar furioso. — Se você abrir essas pernas para o Lorenzo ou Alex, eu juro que não responderei por mim. Escutou? — Não sei o que deu nesse homem. De onde ele tirou isso? — Por que isso agora? — Por que eu quero que saiba. Estou me entregando a você e não quero ser enganado. Entendeu? — Não. Não entendi Gustavo. — Ana Beatriz... Enfiou o seu pau agora semi-ereto em meu canal, sem desviar os olhos dos meus. Com movimentos leves de vai e vem, senti o seu pênis ganhar força e espaço dentro de mim. Fechei os olhos para gemer, mais a única frase que saiu da minha boca foi essa: — Eu te amo — ele tocou o meu rosto e me beijou suavemente, enquanto gozava dentro de mim ainda estocando-me com movimentos leves. O que deu nesse homem? Depois de nos limparmos, ele ficou totalmente calado e indiferente. Eu estou sem entender nada. Voltamos para a festa. Arthur estava em uma animada conversa com a tal Sofia. Quando nos viu, acenou para que fôssemos até eles. É péssimo ficar sem calcinha, ninguém merece!


— Você já transou com ela? — sussurrei em seu ouvido. — Não — respondeu-me seco. Tentei não demonstrar reação a forma em que ele estava se comportando, não quero que percebam essa tensão toda. — Sentem aqui conosco — Arthur ajeitava-se no enorme estofado, para que eu sentasse ao lado da ruiva com cara de mocinha indefesa. — Onde vocês estavam? — O indiscreto do meu cunhado perguntou na cara de pau. Eu só fiz sorrir em resposta. — Não interessa — Gustavo respondeu ríspido. Olhei para ele que sentou ao meu lado, mas minha atenção foi desviada para duas mulheres que entravam e cumprimentavam todos por onde passavam inclusive os meus futuros sogros. — O que essa cretina está fazendo aqui? — Arthur fala alto olhando na mesma direção do que eu. Gustavo se mexe nervoso ao meu lado. Impossível esquecer aqueles cabelos loiros de fios retos. Rafaela Campelo! Soltei imediatamente a minha mão da dele. Ele me fuzilou ainda furioso. O que eu fiz? — Quem convidou essa família maldita? — Arthur perguntou para o Gustavo, mas este estava ainda me encarando sem ao menos piscar. — Com certeza, seu pai os convidou — Gustavo responde, mas sem desviar o olhar do meu. Meus olhos já estavam marejados, pisquei repetidamente para impedir que as lágrimas caíssem. — Vai chorar? — Murmurou baixo o suficiente para apenas eu escutar. — Se você continuar me tratando assim, eu vou embora — disse em seu ouvido. — Essa eu quero v... — Sua frase foi cortada. — Boa noite Gustavo! — Uma voz fina e melosa interrompeu-nos. — Boa noite Rafaela! — Ele sorriu para a vadia manipuladora que gosta de atuar em vídeos pornográficos? — Arthur Ferrari, quanto tempo não nos encontramos por aí. — Pois é, estive ocupado executando uma missão. — E conseguiu bons resultados nessa missão? — perguntou com sarcasmo. — Ótimos resultados! Agora é só relaxar e esperar os bônus — Arthur piscou o olho para ela e jogou um beijo silencioso. Acredito que toda essa formalidade e palavras desferidas em duplo sentido se referiam ao golpe que o pai dessa vadia aplicou na empresa do Arthur e do Sr. Augusto Ferrari. Gustavo levantou do sofá e ficou de frente para ela, encarando-a sem demonstrar nenhum tipo de sentimento. Nem ódio, fúria, desprezo. Nada! — O que você veio fazer aqui? — Minha família foi convidada para esse jantar, mas somente eu e mamãe pudemos comparecer. Pois papai viajou pelo mundo afora, sem prazo para voltar. — Ele fugiu, você quer dizer? — Interprete como quiser — ela disse olhando-o fixamente. Arthur levantou e parou ao lado do Gustavo. Com a voz contida e movimentos articulados ele segura o braço dela e fala: — Ele pode até ter fugido, mas o dinheiro será devolvido em breve às minhas contas. E vocês viverão respondendo processos e sendo procurados pelo resto de suas vidas. Sua vadia dissimulada. — Eu? Eu não tive envolvimento diretamente em nada, apenas cedi o meu nome para as aberturas das contas. E, fui manipulada e coagida pelo meu querido pai. Entendeu? Essa é a minha defesa — Rafaela fala.


Eu e Sofia nos olhamos assustadas ao escutar o que eles falavam. Sem que eu esperasse sorriu para mim e puxou conversa. — Essa mulher é louca! — Você a conhece? — perguntei. — Sim, quero dizer, não exatamente como você imaginou — sorriu e continuou: — Ela esteve algumas vezes na clínica do Dr. Gustavo... Gustavo. E, fez um pequeno teatro, mas agora está proibida de pôr os pés na porta de entrada. — Ela é louca — disse olhando na direção da loira arrogante entre o Gustavo e o Arthur. Paramos para escutar o que eles ainda conversavam: — Eu não vou embora. Vou ficar no jantar da minha ex-sogrinha e quero ver o meu sogrinho que me adora. Ela disse olhando ao redor da grande sala luxuosa, mas seu olhar malévolo pairou sobre meus olhos. — Ana Beatriz! É um desprazer imenso conhecer você pessoalmente — ofereceu-me sua mão. Óbvio que a deixei no vácuo. — Recebeu o vídeo que te enviei ontem? Ele manda bem, viu? Fiquei olhando para os lábios finos dela, para o rosto delicado e olhos pequenos e verdes, enquanto ela falava. Vale à pena rebater as indiretas? Acho que não. Virei de frente para a Sofia que até que é legal, e a ignorei pela segunda vez. — Arrasou... Diva não discute. Ignora e faz cara de rica — Sofia falou baixinho próximo ao meu ouvido. — E como é essa cara de rica? — perguntei curiosa. — Assim: prende a respiração, aí seu nariz ficará arrebitado ao máximo. Depois, curva os lábios em um suave biquinho sexy — sorrio ao vê-la fazer exatamente o que descrevia para mim. — Adorei... — Testei e deu certo! Sofia chegou a deixar escapulir um gritinho tímido de seus lábios. — Fiquei feliz de ver você e Gustavo juntos. Ele está tão feliz! Nunca tinha visto antes ele assim. — Eu também estou feliz. Vamos nos casar em breve. — Eu faço questão de ser madrinha dele. Você tem noção do quanto eu aturo o mau humor dele? Ai dele se não me escolher! Deixarei ele à mercê das recepcionistas e sem comida — ela fala sorrindo. — Às vezes ele se esquece de almoçar. Acredita? — ela fala. — Imagino, o dia dele é tenso. — Muito. Apesar de termos outras especialidades ele é o mais requisitado entre os pacientes. Conseguir horário com ele, só marcando dois meses antecipadamente. Esses últimos dias ele esteve na merda por sua causa e me fez desmarcar e remarcar toda a agenda desse mês. Culpa sua! Não volte a brigar com ele. Irei agradecer se não brigarem mais. — Desculpe, não foi a minha intenção prejudicar o seu trabalho. — Relaxa, estou só descontraindo o nosso papo. Mas é sério! — sorrio. — A anoréxica se afastou dos nossos bofes — ela disse baixo e deu um sorriso para disfarçar. Eles voltaram a sentar ao nosso lado. Arthur beijou a Sofia com um beijo provocante. Gustavo segurou a minha mão, mas não se deu o trabalho de olhar para mim. Não sei o que ele tem mais se continuar assim, eu vou embora. Levantei do sofá, me desvencilhei de sua mão possessiva e caminhei procurando um banheiro. Inferno de cobertura grande! Quando uma senhora vestida com um uniforme engraçado passou ao meu lado, perguntei a ela onde ficava o banheiro. Explicou-me onde ficava e apontou para outro corredor. — Obrigada — agradeci e segui por um corredor em sentido oposto ao outro. Abri a primeira


porta que avistei. — Até que enfim, achei você banheiro. Retirei o meu celular e sentei sobre o vaso sanitário. Lembrei que estou sem calcinha só agora. Preciso de papel. Achei! Olho a tela do meu celular e vejo que tenho mensagens. Mensagens de um número com o código diferente. Eu conheço esse código, respirei fundo antes de abrir as mensagens. "Ana, eu preciso te ver. Por favor, vem até o meu apart hotel. Precisamos conversar a sós, sem esse idiota que você disse ser o seu namorado. Eu te amo.” - L.B "Não me ignora. Depois de três anos te procurando nesse país inteiro, a única coisa que mereço é um tempo a sós com você.” - L.B Onde ele conseguiu o meu número? Se bem que, para um desesperado como ele, conseguir meu número não é nada diante de toda essa loucura. Meu celular vibra, atendo no impulso e não verifico o número. — Alô. — Por que está me ignorando desse jeito? — Lorenzo fala do outro lado da linha. — Lorenzo, não me ligue mais. Por favor! — Por... Quê? Eu quero você Ana... — ele fala em francês, mas a sua voz está arrastada. Ele está embriagado. — Lorenzo, não existe possibilidades de reatarmos — converso com ele em francês, pois ele está bêbado. Se sóbrio ele não entende português, imagine nesse estado. — Não. Eu te quero de volta. Se não for assim, prefiro morrer. Eu não quero seguir essa vida sem você. — Eu amo outro e vou me casar. Tenta entender isso. Refaz a sua vida, pois eu refiz a minha. — Se ele não existisse você voltaria para mim? — Ana Beatriz, abra a porta. — Gustavo! Levantei do vaso na velocidade da luz, desliguei o telefone sem ao menos despedir e ainda por cima estou mais nervosa do que no dia em que fui fazer o exame de direção. Minhas mãos trêmulas me traíram e meu iPhone caiu com tudo no chão frio do banheiro. — Ana, você está bem? — Não querido, eu não estou nada bem. Idiota! Trata-me com indiferença sem eu ter feito nada, ainda tem a cara de pau de perguntar se estou bem. Olhei minha imagem refletida no imenso espelho iluminado por luminárias antigas, mas ao mesmo tempo charmosas. Lavei as mãos e mexi em meus cabelos. — Se você não abrir, eu irei abrir. — Idiota! Girei a chave e destravei a maçaneta. — Estava falando no telefone? — Perguntou desconfiado. Se for para ser indiferente, consigo ser pior. Passei por ele e segui pelo corredor sem olhá-lo. Olhei para o meu celular e... — Mil vezes droga! — A tela espatifou-se toda. — Ana Beatriz, eu te fiz uma pergunta. — Hã? Fez? Desculpe Gustavo, não escutei. Pode repetir? Ele alcançou e segurou minha mão, entrelaçou os nossos dedos e disse: — Você falava com quem no telefone? — Olhei para o meu celular, com a tela espatifada, desligado em minha mão e resolvi deixar isso pra lá. Chega de desentendimento. — Estava falando sozinha! Xingando as minhas mãos, por deixarem o meu iPhone se suicidar — mostrei a ele o celular danificado e desligado e, o guardei em minha carteira de mão. — Trincou a tela toda. Amanhã eu compro um novo para você — ignorei o que ele disse.


Sentei novamente ao lado de Sofia e ela logo se animou ao me ver. — Vamos comer alguma coisa? Estou morrendo de fome! Eles só servem espumante e uísque. Quem se alimenta apenas com álcool? — Sei lá! Vamos? — eu disse. Deixei mais uma vez o idiota do meu noivo sozinho e com cara de poucos amigos. Saí com o meu melhor sorriso no rosto, arrastando um quarteirão de olhares admirados por onde passei. Na verdade metade foi para a Sofia. A ruiva é linda! Mas tem para todos os gostos... — O que deve ser aquele troço ali? — Ela apontou para uma pirâmide de cristal, onde tinham queijos diferentes e geleias exóticas. — São queijos aquecidos. É só escolher uma geleia e comer. Ela pegou um pratinho de porcelana vermelha e olhou para os queijos com dúvida em qual escolher. — Pega esse com essa capinha branca em volta e acrescenta aquela geleia de damasco — apontei na direção das geleias. Gostou? — perguntei. — Não. Mas a fome é tanta que vai isso mesmo para o estômago. — Você é divertida! — eu disse sorrindo. — Você também. Além, ser de linda. — Nossa... Chega de elogios! — eu disse. — É mesmo! Vão achar que somos lésbicas — gargalhamos. Experimentamos todos os queijos e geleias, servi uma taça de vinho seco para nós duas e ficamos ali conversando e observando as senhoras elegantes que desfilavam corpos plastificados ao extremo. Sofia me contou que o nariz dela era enorme, ela parecia o legítimo pica-pau. — Imagine cabelos vermelhos e nariz gigante? Eu era um trubufu assumido. O Gustavo é um homem bom — ela disse. — Ele operou o meu nariz e não me deixou pagar pelo procedimento — ela faz uma expressão pensativa e termina: — mas eu nunca teria o dinheiro para pagar mesmo. Então me fiz de maluca e aceitei. — Você é demais! — Duas gatinhas elegantes — olhamos na mesma direção e a Rafaela com a mão na cintura nos olhava da cabeça aos pés. Ignorei e voltei a beber o meu vinho e comer mais queijo com geleia. — Ei vocês duas parecem mortas de fome. Estão comendo feito esfomeadas. Sofia olhou para mim e riu, virou para ela e falou com a boca cheia de queijo. — O que a Madame disse? — Morta de fome! — Moça realmente estou com muita fome. Será que a senhora não teria alguma comida mais pesada para encher o meu estômago? Estou com fome de sete mendigos e cinco pedreiros. — Cruz credo! Quem convidou você para essa festa? — perguntou com cara de nojo. — Eu. Eu convidei! — Arthur parou ao lado de Sofia, pegou com a mão dois pedaços de queijo brie e enfiou na boca. — Por que você ainda não foi embora, noiva cadáver? — Arthur disse com a boca cheia de queijo. Não consegui segurar e gargalhei horrores. — Está rindo de mim, cozinheira? — Estou ladra! — respondi. — Quanta prepotência. Você insiste em ficar com o Gustavo, só pode ser por interesse. Uma pobre coitada como você aproveitaria qualquer oportunidade para crescer na vida. Olhei para ela com desprezo e cheguei mais uma vez, a conclusão que o melhor é ignorá-la. Passei ao lado dela para ir até o Gustavo, mas antes ela segurou o meu braço cravando suas unhas


gigantescas nele. — Wolll! Ficou louca? — Eu vou acabar com o seu namoradinho mentiroso. Vou acabar com vocês dois, nem que seja a última coisa que eu faça em minha vida. Ele vai sentir na pele tudo que ele merece. Nunca mais ele irá se aproveitar e humilhar uma mulher como eu. — Me solta! — Ela intensificou o aperto. Eu segurei em sua clavícula com tanta força que ela liberou um gemido de dor, mas não soltou o meu braço. — Rafaela, solte ela agora, ou terei que intervir e te rebocar até a rua — Arthur falou com a voz comedida para não chamar a atenção de algumas pessoas que entravam na varanda gourmet. — Me solta mulher! Ou vou fraturar a sua clavícula — apertei com muita força até ela perder a força por causa da dor. — Puta! — disse soltando o meu braço. — Só quando meu noivo pede — soltei a clavícula dela. — Arrasou! — Sofia disse ao meu lado. — Olha só o que aquela noiva cadáver fez nela Arthur! — Vadia! Se eu pudesse mandava essa louca para o inferno — Arthur cuspiu as palavras olhando para a louca se afastando de nós. — Vá até o banheiro social e abra a terceira gaveta, lá tem uma caixa de primeiros socorros. Vai com ela Sofia. — Cadê o Gustavo? — perguntei forçando uma voz controlada, mas na verdade minha vontade é de chorar igual a uma criança assustada. — Ele subiu com a mamãe até o segundo piso, para conhecer algumas velhotas gordas e caídas. Elas ficam ouriçadas de ouvir o nome do Dr. Gustavo Ferrari — revirei os olhos e o deixei falando sozinho. Sofia e eu entramos no mesmo banheiro que estive antes. Não consegui segurar as lágrimas, e me desmanchei toda em um choro silencioso. — Calma, não chore! Ela é só uma louca que provavelmente foi rejeitada pelo Dr. Delícia — ela arregalou os olhos verdes escuros e pôs a mão na boca. — Desculpe Ana Beatriz, é costume chamálo por esse apelido. Eu e as meninas o chamamos assim, quando ele não está por perto. Não me olhe assim! Não tenho culpa! Prometo não chamá-lo nunca mais dessa forma — ela eleva as mãos em sinal de rendição e eu acabo rindo de sua atitude. — Gostou do apelido, não é? — Combina com ele — suspiro e fecho os olhos. Ela pega a caixa e começa a cuidar do ferimento que a noiva cadáver me causou. — Aiii... Isso arde que é um inferno! — Pelo amor de Deus! Isso aqui é fichinha perto da dor que senti ontem por causa do Arthur. Não reclame! — Ele te bateu? Machucou? — perguntei assustada. Mas aí, logo depois lembrei de que a Fernanda tinha me contado sobre o meu cunhado devasso e pornográfico. — Quase isso, mas ele disse que aos poucos eu irei me acostumar com a dor. Até que foi gostoso! — Imagino! Se ele fizer metade do que o meu Dr. Delícia faz já está valendo. Sorrimos. Essa vida realmente é uma caixinha de surpresas. A menos de uma hora atrás estava me rasgando de ciúmes da Sofia e agora estamos aqui, dentro de um lavabo luxuoso, trocando informações sexuais sobre os irmãos Ferrari. Ironia do destino! — Agora vou colocar dois Band Aid para não deixar isso exposto. Aquela noiva cadáver não é digna de um barraco. Você se comportou como uma verdadeira dama da realeza. Arrasou! — Ana! — levamos um susto com a voz grossa e alta do Gustavo.


— Aiiii... — Sofia deu um gritinho e eu sorrio. — Espera um pouco, estou retocando a maquiagem. Falei alto para ele escutar. — Limpa esse rímel borrado e retoca esse batom maravilhoso — Sofia disse ainda sorrindo. Abri a porta e logo ele me abraçou, todo preocupado. Ainda estou chateada com ele. — Morena, o Arthur falou o que a Rafaela... — ele olhou para o meu braço esquerdo. — Essa louca está passando dos limites. — Está mesmo! — Sofia sai detrás de mim e se envolve na conversa. — Dr. Deli... Gustavo, se eu fosse a Ana Beatriz, teria acabado com aquele nariz nojento de mulher nojenta. — Desculpe, eu fui até a área da piscina com a minha mãe, e... — Deixa pra lá, já aconteceu — eu disse olhando para ele. — O Arthur a convidou sutilmente para se retirar. Meu pai convidou a família Campelo, nós não sabíamos. Fomos surpreendidos. Minha mãe ficou possessa e preocupada com sua reação. —Deixa isso pra lá. Eu quero ir embora. É aniversário da sua mãe, então não acho justo você ir comigo. — Não. Você é minha mulher, vai ficar aqui comigo e vamos ir embora juntos, para o nosso apartamento — mandão, de uma figa. — Não adianta fazer esse biquinho — dei o meu olhar mortal a ele e amaldiçoei todos os Deuses e cupidos que trabalharam juntos para me fazer se apaixonar por esse homem possessivo. Argh! — Essa é a hora que eu tenho que sair de fininho? — Sofia pergunta, mas não respondemos. — Okay! Entendi. Estou saindo! Gustavo me avaliava minuciosamente, não sei que bicho mordeu esse homem. Isso já está me corroendo. — O que você tem? Está estranho comigo. Além dos problemas que já sabemos que teremos que enfrentar surgiram novos? — Os dois dias que dormimos separados, você dormiu sozinha? — O quê? Não estou entendendo! Você quer saber se eu dormi sozinha? Eu preciso responder? — Nos encaramos por longos segundos. Até que eu desisti. — Não sei o que está passando na sua cabeça, mas você prometeu acreditar em nós dois. Por isso não perderei o meu tempo para responder a sua pergunta idiota — larguei a mão dele e tentei, eu disse tentei passar por ele. — Ei, me solte! O que está acontecendo? — chamei a sua atenção, ao segurar no meu braço. — Eu acredito. Desculpa — me abraçou e beijou a minha testa. — Gustavo, o que aconteceu? Você mudou o seu comportamento de repente. Sinceramente, estou preocupada. — Não fique, eu é que sou um ciumento inseguro. É difícil admitir, mas eu sou um idiota ciumento. E ainda tem seu ex-marido, esperando a primeira oportunidade para levá-la embora. Isso tudo está me deixando um pouco louco — quando ele souber que o Lorenzo e eu nos falamos ao telefone, ele vai uivar igual um lobo das montanhas atrás de sua presa. — Me perdoa? — Desculpado. Eu te amo, não precisa ficar inseguro. Lembra? Nós confiamos em nosso amor. E nenhum outro homem vai me tirar de você. — Não vejo à hora de nos casarmos — ele intensifica o abraço e me deixa sem ar. — Eu também — falo tentando inspirar oxigênio. — Será que demora muito depois de darmos entrada no civil? — perguntei. — Não. Acredito que antes de dezembro já estaremos casados — ele para de falar e sorri. Coça a sobrancelha direita, uma mania dele que eu amo. — Amor, você quer casar na igreja com todas aquelas coisas de casamento e tal? — perguntou-me.


Ainda não parei para pensar diretamente nesses detalhes. Mas, pensando bem, eu já fui casada, casei na igreja com tudo que manda o figurino. Não sei se seria o certo passar por tudo isso de novo. — Pensei em algo mais reservado. O que você acha? — perguntei a ele. — Acho muito bom, odeio essas palhaçadas de festas e cumprimentar a todos. Isso é chato, eu não tenho paciência. Mas se você quiser, eu posso te dar a festa de casamento dos seus sonhos. — Não quero. Eu só quero ser a sua esposa pelo resto de minha vida. Só isso. — Isso você já está sendo diariamente. Não percebeu? Precisamos apenas oficializar. A partir de amanhã, usaremos a aliança na mão esquerda. — Amor vamos esperar até oficializarmos no civil. — Não. Hoje você escolheu até as minhas roupas. Esposas fazem isso, não é? — Por que você é assim, mandão desse jeito? — Eu não sou mandão! — Mandão, meu mandão gostoso — fiquei na ponta dos pés e o abracei pelo pescoço. — Dr. Delícia — sorriu ao ouvir. — Quer dizer que as suas secretárias e recepcionista chamam você de Dr. delícia? — Eu não tenho culpa! — Amanhã vou à sua clínica te fazer uma visita e mostrar a todas elas a quem você pertence. — Seria muito bom você aparecer por lá. — Safado! Você já transou com alguma de suas funcionárias? — Que isso Morena? Eu nunca levei minhas funcionárias para cama. Não que eu me lembre. De onde tirou isso? — Da minha mente fértil. — Para de pensar nisso — segurou uma mecha dos meus cabelos e colocou atrás da minha orelha. — Você é a única. Lembre-se sempre disso.


Capítulo 24 - Ana Beatriz Ele não me convenceu com essa desculpa. Ciúmes? Pode até ser, mas tem mais coisa aí. Estava tudo normal e de repente ele ficou totalmente frio comigo, como se estivesse desconfiando de mim. E o que foi aquilo? Dizer que seria capaz de me matar se eu "abrisse" as pernas para Lorenzo ou Alex. Meu noivo deve realmente estar ficando louco, como ele mesmo afirmou estar ficando. — Isso é um jantar? — Sofia murmura próximo ao meu ouvido. — Acho que sim. — Então, cadê a comida? — É um jantar estilo americano. Cada um serve-se como quiser e o quiser. Por isso, o buffet exposto a mesa. É só você se servir — ela me olha ainda sem entender. — Jura que o jantar são aqueles troços ali, naquela mesa gigante? — Juro! — respondo sorrindo da expressão no rosto dela. — Vamos. Eu te faço companhia até a mesa — chamei encorajando ela a comer. — Não vejo nada comestível nesse buffet. Que nojo! Ana, isso é peixe cru com limão, quem comeria isso? — Ceviche, o nome é ceviche. E, não é tão ruim assim. Experimente! — Ela nega com a cabeça. — Sabe de uma coisa? Quando eu e Arthur formos embora, pedirei a ele para passar no Mac Donalds. Eu não como mais nada desse buffet. Acho que eu não tenho enzimas para digerir esses troços. Que nojo, está sentindo esse cheiro? — Sofia... Sou chefe de cozinha e dificilmente um aroma como esse me causaria nojo. — Se não demorarmos muito aqui, poderíamos ir até o meu restaurante — ela sorrir como uma menininha que acabara de escutar que amanhã vai para a Disney. — Vamos agora! Não aguento mais nem um minuto aqui. — Vamos esperar o Gustavo e o Arthur terminarem de conversar com o Sr. Augusto, eles estão entretidos no assunto — disse e apontei para onde eles estavam. Olho para eles e vejo que na verdade apenas o Arthur está recebendo a atenção do Sr. Augusto. Sinto um aperto no coração quando vejo o Gustavo calado apenas prestando atenção enquanto o irmão e o pai sorriem abertamente e gesticulam em uma animada conversa. E, quando o Gustavo interrompe a conversa e fala algumas palavras o Sr. Augusto para de sorrir e o ignora. Não gostei disso! — Vamos chamá-los — falo para Sofia que me acompanha. — Oi amor — falo com o Gustavo e sorrio para o meu futuro sogro, mal-humorado e arrogante. Ele não retribui o sorriso, mas não me importo com isso. — Morena... — Ele segura a minha mão direita e beija a aliança, me puxa para um abraço e é nessa hora que falo em seu ouvido, somente para ele escutar: — Amor... Eu e Sofia gostaríamos de jantar no meu restaurante — olhou-me ainda sério e piscou os olhos antes de falar: — Vamos nos despedir da mamãe — ele me oferece um sorriso triste, não chegou aos seus olhos. — O que foi Gustavo? — Nada, estou com dor de cabeça. — Se você preferir podemos ir direto para casa. — Não, quando sairmos daqui, tenho certeza que essa dor vai passar — aquiesci.


Arthur conversava animadamente com alguns empresários, políticos e o Sr. Augusto Ferrari, que olhava para o filho com admiração e orgulho. Enquanto ele explicava e gesticulava alguma coisa sobre estruturas metálicas e viadutos, Gustavo olhava fixamente para o grupo, com um olhar triste. Isso estava me matando! Ver o quanto ele fica triste ao sentir a rejeição desse pai indiferente. — Ei... — seguro em seu rosto, viro ele para me olhar. — Por que esse rostinho triste? — Não estou triste. Estou prestando atenção no Arthur explicando o próximo projeto dele — dou um beijo casto em seus lábios e resolvo não fazer mais perguntas. Olho para o lado e vejo Sofia hipnotizada olhando para o Arthur. Gustavo se aproxima do grupo e se despede do pai e dos outros senhores. — Vem se despedir dos meus pais — Estella sentou ao lado do esposo, que olhou para ela com carinho. Pelo menos ele é carinhoso com a esposa. — Mãe... Nós já estamos de saída — Gustavo fala, ajudando-a a se levantar da poltrona. — Eu também mamãe — Arthur fala em seguida. — Adorei conhecer você Ana Beatriz. — Foi um prazer conhecê-la, Estella! — nos abraçamos e ela disse baixinho: — Cuida do meu príncipe — aquiesci. — Gustavo vamos marcar um novo jantar para nos conhecermos melhor — olhou para o Arthur e continuou. — Escutou Arthur? — Sim, mamãe! — Sofia... Foi um prazer conhecê-la. — Adorei você — Sofia a puxa para um abraço. — Espero que vocês apareçam com mais frequência, principalmente agora que tenho noras tão lindas. — Menos mamãe — Arthur a adverte. — Gustavo meu filho, sempre que você e Ana Beatriz quiserem me visitar, podem vir. Não precisa nem me avisar — sorriu abertamente e nos abraçou de uma vez só. — Boa noite Sr. Augusto — o cumprimentei por educação. Ele apenas acenou com a cabeça. — Tchau seu Augusto — Sofia fala com seu jeitinho de moleca. A expressão do velho chato, não é uma das melhores. Acho que ele não gostou da Sofia. Deixamos o jantar da Estella e seguimos para o meu restaurante. Durante o trajeto, consegui ligar o meu celular, mesmo com a tela danificada. Pedi ao Carlos o gerente do meu restaurante, para reservar uma mesa para quatro pessoas em meu nome. Durante o jantar, Sofia e Arthur me fizeram rir até não aguentar mais. Eu não sei o que será deles dois, mas posso afirmar que dariam ótimos humoristas. Sofia tentou disfarçar a fome que sentia, mas o Arthur a entregava descaradamente com os seus comentários deixando-a completamente sem graça. Quando já estávamos nos despedindo, Alex veio até a nossa mesa nos cumprimentar. — Alex! — Boa noite! — beijou-me na testa e sorriu para os demais que estavam na mesa. Por baixo da mesa Gustavo apertava a minha mão como se quisesse amputá-la. Sorrio para disfarçar. — Saudades Princesa... — Alex disse. Consegui ouvir um grunhido baixo que Gustavo deixou escapulir. Alex intensificou o sorriso, como se gostasse da reação do Gustavo. — E, Aí... Não está lembrado de mim? — Arthur perguntou, levantando-se para apertar a mão do Alex, que enrugou a testa e pareceu confuso. — Ah! Você é o cliente que sempre leva várias preparações para casa. Estou ligado, lembro sim. A maioria das vezes sou eu quem as prepara — Alex sorrir com aquele sorriso que só ele tem. Enquanto Alex e Arthur entram em um assunto sobre comida, falo ao ouvido do Gustavo:


— Amor, o cumprimenta. Ele é meu amigo, faz isso por mim? — fitou-me e sorriu. Alívio foi o que eu senti. — Tudo certo, Alex? — Gustavo levanta e aperta a mão do Alex. — Tudo... Gustavo — Alex responde com educação e volta à atenção para o Arthur. — Viu? Sou um bom menino — Gustavo fala no meu ouvido e beija meus lábios. Sofia nos interrompe e murmura baixinho: — Ana... Que gato é esse? — Gustavo fechou a cara e ignorou o comentário que ela fez. — Ele é meu amigo e sócio. — Menina de sorte — dou um sorriso sem graça e viro-me para o Gustavo. — Eu te amo — sussurro para ele, que apenas aquiesceu e ficou calado. Homem ciumento! Hoje não, mas em breve explicarei ao Gustavo a condição sexual do Alex. — Voltem sempre! — Alex fala para o Arthur e estendeu a Sofia e Gustavo. Aproximou-se de mim e falou: — Princesa, amanhã você vai ficar sozinha. Tenho mestrado, e à noite tenho compromisso — deu uma piscadela para mim e sorriu. — Okay... — retribuí a piscadela e o sorriso. Deixamos o restaurante e seguimos para pegar os carros que ficaram estacionados na orla. Antes de entrarmos no carro, Sofia me passou o número do celular dela e, me fez prometer que eu ligaria e marcaríamos para nos conhecermos melhor. Ao chegarmos a nosso apartamento, Gustavo foi direto para a suíte, entrou no banheiro e fechou a porta. Acho que ele quer ficar sozinho melhor eu dar espaço para ele. Sento na cama e retiro meu sapato, abro a minha carteira e pego o celular que ponho para carregar. Entro no closet e pego uma boxer para ele e um baby doll para mim. — Ainda com dor de cabeça? — pergunto encostada na porta do banheiro que agora está aberta. — Estou. — Peguei para você — entreguei a boxer para ele. Passou por mim e a vestiu, deitou na cama ligando o ar-condicionado. — Desliga a luz, por favor? — Aquiesci mesmo sabendo que ele não me olhava. Tomei um banho rápido, lavei meus cabelos e escovei os dentes. Enrolei uma toalha felpuda em minha cabeça, organizei algumas coisas que estavam desorganizadas sobre o balcão de granito, retirei a toalha da cabeça e desembaracei meus cabelos com calma. Saí do banheiro sem fazer barulho para não incomodá-lo, já que está com dor de cabeça. Porém, encontro ele sentado na cama mexendo no meu celular. Não! — Você falou com o Lorenzo. — Atendi a ligação sem olhar para o visor. Não tire conclusões precipitadas. Sentei ao seu lado e peguei o celular de sua mão. — Gustavo, não foi a minha intenção esconder isso de você. — Então por que mentiu quando perguntei se você falava ao telefone? — Você estava estranho comigo, então achei que você poderia ficar mais estranho do que já estava. — Você pretendia me contar? — Não hoje, mas amanhã falaria. — Você está mentindo. — Por que você acha que minto? — Ele resfolegou ruidosamente, massageou as têmporas e gemeu baixinho. — Ana... Estou com a minha cabeça explodindo, amanhã a gente conversa.


— Como quiser — disse levantando-me com meu celular na mão. Vou para a sala e ligo a televisão só para fazer-me companhia. Pego em cima da mesa de centro um dos livros que comprei, olho para o celular com a tela trincada e decido desligá-lo, deito no sofá e mergulho na leitura. Vou deixá-lo descansar, amanhã é outro dia e tenho certeza que ele estará mais indulgente. Acabo dormindo no sofá. “Mamãe... Acorda mamãe! — Rafael? Olho para ele que está em pé ao meu lado no sofá com as mãozinhas em meu rosto. — Filho? — Sou eu mamãe, seu anjinho — ele segura na minha mão e beija o meu rosto. Sinto as lágrimas saírem sem minha permissão. — Não chore mais mamãe — toca o meu rosto de novo com a mão pequena e macia. — Cadê o papai? — Estou dentro de um sonho? Sento-me no sofá, olho ao meu redor e vejo que estou exatamente na sala do apartamento do Gustavo e com a televisão ligada. Volto a olhá-lo ainda perdida no espaço e tempo. — Cadê o meu papai, mamãe? Eu quero o meu papai... Cadê ele? — Ele começa a chorar. Eu quero gritar para ser ouvida pelo Gustavo, mas o meu grito não sai. — Me leva no papai? Leva o Rafael no papai? — Senhor, se isso for um sonho me deixe acordar agora. —Você não me ama? Mamãe fala com o seu bebê — ele coça o olhinho, sobe no meu colo e me abraça. Não consigo abraçá-lo, mas sinto seu corpinho pequeno contra o meu. — O papai se perdeu, não sei onde ele está. Me leva nele? — Levo — consegui responder e o abracei. Parece ser tão real.” — Ana... Acorda! Abro os olhos e vejo o Gustavo olhando para mim um pouco assustado. Era um sonho, parecia tão real. Sinto um aperto no peito e uma vontade de chorar incontrolável. — Você estava tendo um pesadelo? — Não — respondo chorando. — Você gritou o meu nome duas vezes. — Sonhei com o Rafael, ele estava bem aqui sentado no meu colo. Ele chorava perguntando pelo pai. Parecia tão real que, realmente pensei que fosse. — Foi só um sonho. Vem, vamos para a nossa cama — seguro na sua mão e deixo-me ser conduzida. Deitamos na cama e nos cobrimos. Gustavo abraçou-me por trás, aconchegou a cabeça próxima aos meus cabelos ainda úmidos. Não consegui dormir, fiquei relembrando o sonho, era para eu estar me sentindo feliz pelo sonho ter parecido real, mas na verdade estou péssima. Fiquei até um pouco amedrontada. A insônia apossou de mim, me nego a tomar qualquer medicamento, mesmo porque fiz ingestão de álcool. Suspiro ao lembrar novamente do meu sonho. Nunca dei muita importância para sonhos enigmáticos, mas posso jurar que o meu anjinho de alguma forma tentava me alertar sobre alguma coisa. — Está acordada ainda? — sussurrou no meu pescoço. Fiz silêncio, não estou a fim de conversar sobre o sonho que tive. — Sim — murmurei baixinho. Ele suspirou e beijou a pele do meu pescoço. — A dor de cabeça passou? — perguntei. — Um pouco. — Quer tomar algum comprimido? Eu posso pegar para você, se quiser. — Antes de acordá-la, tomei um comprimido. Gostou de ter conhecido os meus pais?


— Gostei muito, da sua mãe — ele dá uma gargalhada contida e curta. — Ela adorou você. Que bom! — Gustavo? — Fala... — O seu pai... — o sinto enrijecer o peito colado nas minhas costas. — Ele tratou você com tanta polidez e arrogância. Eu não gostei dele. Pronto, falei! — sua respiração saía fazendo ruídos. — Ele não gosta de mim. Na verdade, ele nunca gostou de mim. — Estranho. — Como assim, meu amor? — Não sei te explicar. Ele sempre me tratou com indiferença, já até acostumei com isso. Tudo piorou quando decidi estudar medicina. — Era para ele ter orgulho — falei indignada. — Quando passei no vestibular para cursar medicina, pensei que ele ficaria feliz, mas a única palavra que escutei sair da boca dele foi: — a partir de hoje, se vire sozinho. — Nossa! Que rude. Viro-me de frente para ele e beijo o seu rosto. — Amor, ele só pode ter problemas. — Não, ele apenas não me ama como um pai deveria amar o seu filho. — Como você fez para chegar até aqui, digo, sem a ajuda financeira dele? — Minha mãe... Quando ainda eu era um bebê, ela abriu uma caderneta de poupança para mim, onde ela depositou durante anos uma boa quantia em dinheiro. Foi com esse dinheiro que me mantive na faculdade e montei parte da minha clínica aqui da Barra. — Nossa, era uma grande quantia! — Sim! Até hoje me pergunto como a mamãe conseguiu juntar toda aquela grana. — Desviando do seu pai — sorrio. — É, pode ter sido. — Amor, você herdou esses olhos de quem? Algum avô? Avó? — Não sei. Meus avós tanto maternos, quanto paternos tinham olhos negros. Nunca parei para pensar nisso — ele coça a sobrancelha e enruga a testa. — O importante é que seus olhos são azuis transparentes, os mais bonitos que já vi em toda a minha vida — ele acaricia os meus cabelos e os afasta do meu rosto. — Você fica triste com essa rejeição do seu pai. Eu vi o quanto fica chateado. — Hoje em dia, não fico muito abalado. Mas quando era criança e adolescente, sentia muito e ficava cabisbaixo. Eu tentava agradá-lo a todo o momento, até assumir um noivado por interesses dele, eu assumi. E foi a gota d'água, a partir daí prometi a mim mesmo que nunca mais deixaria ser influenciado pelos desejos dele. — Desculpe intrometer-me, mas eu estava com esse assunto entalado na garganta. — Você é curiosa — suas mãos alisavam a minha cintura e quadril. — Sou observadora e curiosa! Seu pai está doente? Ele aparenta ser doente. Isso foi impossível não perceber — levantei as mãos para me defender. — Qualquer um percebe só de olhá-lo, que ele não está nada bem. — Além de hipertensão e diabetes do tipo dois, há dois anos, foi diagnosticado com Alzheimer precoce. — Ele sofre de Alzheimer? Pensei em várias doenças, menos essa. — Sim. Ele desanimou e acabou se entregando a doença. — Então ele não lembrará que me conheceu? — perguntei. — Não é bem assim... Por enquanto esses episódios de esquecimento e confusão mental estão


controlados, mas as alterações visuais e a capacidade de completar tarefas que antes eram comuns impossibilitaram a rotina dele — a mudança de humor conta? Não custa nada perguntar. — E o mau humor dele, faz parte da imensa lista de sintomas? — perguntei com curiosidade. Realmente estou interessada em saber. — Sim, conta e muito! Alguns portadores de Alzheimer desenvolvem mudanças de personalidade, humor, alguns até acabam se afastando dos familiares e amigos. — Entendi. Isso explica o mau humor dele. Tenho pena da sua mãe, ela é jovem e bonita. — Pobre coitada ter que aturar um homem ignorante e que futuramente estará completamente tomado pela demência. — Eu também tenho. Mas é na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Lembra? — passou a perna direita sobre as minhas pernas. — Lembro. Na saúde e na doença — repito as suas palavras. Ele fechou os olhos, passaram longos minutos, acho que ele dormiu. Fico olhando para o seu rosto e acabo acariciando. Ele abriu os olhos e sorriu. — Cochilei... Seu cheiro é um calmante para mim — sua voz rouca e sonolenta invade o nosso espaço. Beijei a ponta do nariz dele. Amo esse nariz grande dele. — Ainda está chateado comigo, por causa da ligação e mensagens do Lorenzo? — Eu só não entendo por que mentiu. — Não queria estragar a nossa noite, só isso. Eu queria entender o que aconteceu para que você mudasse completamente comigo durante o jantar da sua mãe. Você quer me contar ou vamos ficar nessa? — Vou ser claro e direto. O Lorenzo subiu até o seu apartamento, no mesmo dia em que brigamos. — Não! De onde tirou isso? — Ana... Explique então, como o Lorenzo conseguiu subir até o seu apartamento e deixar aquelas fotos e carta? — Eu não sei como, mas eu nem estava lá. — Ana, na quinta-feira, depois que brigamos e a deixei sozinha. Pedi ao Severino que não autorizasse a entrada do Alex e Lorenzo para ir até o seu apartamento. Pedi a ele que nem interfonasse para anunciá-los. Ele concordou e disse que avisaria aos outros porteiros, mas você suspendeu a ordem que eu deixei. — Eu apenas disse a ele para deixar o Alex subir — disse. — Ontem quando estivemos em seu apartamento, interfonei para a portaria para falar com o Severino, mas ele estava de folga. Deixei o meu número e pedi para que ele me ligasse. Hoje durante a festa ele me ligou, fiz algumas perguntas a ele, pois queria saber como o Lorenzo conseguiu subir para deixar aquelas fotos e cartas em seu apartamento, mas ele disse que você o autorizou e deu livre acesso a ele para entrar em seu condomínio e, que no dia em que brigamos ele subiu com a sua autorização. — Não estou entendendo, o Severino porteiro do meu prédio, não faz à mínima ideia de quem seja o Lorenzo. Como afirmou para você que ele esteve em meu apartamento? E eu o autorizei a subir? — Estranho isso, não? — perguntou desconfiado. — Gustavo, você não tem nem o direito de acreditar nessa loucura. Dormimos eu e Fernanda e, em nenhum momento interfonaram anunciando o Lorenzo. O único que esteve em meu apartamento foi o Alex — falei indignada com toda essa loucura. — Gustavo, espero que não acredite nisso — fecha os olhos de novo e bufa.


— Eu também achei tudo estranho, mas fiquei um pouco mexido, até porque no dia que soquei a cara daquele otário, você o defendeu — olho para ele incrédula, mas decido calar-me. — Ana... Eu não vejo a hora de tudo isso ser resolvido. Rafaela e Lorenzo estão me desgastando. Esse cara não te deixa em paz, até quando isso vai durar? — Eu também estou desgastada, imagine a minha cabeça? Não seja egoísta. Eu tenho uma louca me enviando vídeos pornográficos e ameaçando o meu bem-estar e, ainda por cima um ex-marido decidido a me desestabilizar emocionalmente — fecho os olhos e respiro. — Gustavo eu preciso procurar o Lorenzo. Você querendo ou não, eu vou procurá-lo e pôr um fim dessa história. — Sinto muito, mas não vou permitir que você faça isso. — Sinto muito? Sinto muito, você Gustavo! A única responsável por dar um basta nisso sou eu. — Não, você não vai encontrar esse cara — levantou da cama passando por cima de mim e saiu do quarto. Levantei-me e fui atrás dele. — Gustavo... Você prefere viver do jeito que estamos, do que tentarmos resolver? — Eu não quero que você o encontre. Ele vai beijar você. Ele te ama! Será que você não entendeu isso? Ele te ama e quer ficar com você de qualquer maneira — grita do meio da sala. — Entendo isso... Mas eu só quero o seu amor — me aproximo dele e o abraço, mas ele me afasta e vai para a cozinha. Meu Deus! — Eu não quero o seu desprezo — falo obrigando ele a me abraçar. — Então faça o que estou pedindo. Fique longe dele — ele fala olhando diretamente nos meus olhos. Desvencilha-se do meu abraço e abre a geladeira ignorando-me. — Desisto, vou dormir — olho para ele uma última vez antes de seguir para o quarto. Meu Deus, esse homem bravo e de boxer preta é uma combinação perfeita. Meu corpo pediu para eu agarrá-lo, mas minha mente pediu para eu dar um espaço até ele ficar mais passível. Rendo-me, vou tentar dormir! Olho para o relógio pendurado na parede da cozinha, passa das 02h da manhã. O melhor a fazer é voltar para o quarto e tentar dormir. Não vamos ganhar nada se ficarmos nesse jogo de cão e gato. Até por que essa briga é só minha. Acordei atrasada. O Gustavo havia saído, pois ele tem três cirurgias marcadas, uma delas pela manhã. Quando saí do quarto e passei pela sala, Vivi fez uma festa quando me viu. Ela disse que saiu de casa decidida a dar umas boas lições ao Gustavo, caso não me encontrasse no apartamento. Porém, assim que ela chegou e viu a jarra onde estava o suco de maracujá vazia sobre a pia da cozinha, se alegrou ao concluir que eu estava de volta. Quando mostrei a minha mão direita a ela, fui surpreendida com um abraço e um pedido. Pediu-me para eu cuidar e amar o dengo dela. Fiquei emocionada com suas palavras, pois é exatamente o que eu pretendo fazer pelo resto de minha vida. Despedi da Vivi, depois de ser obrigada a comer várias torradas com queijo minas e beber dois copos cheios de suco de maracujá, saí rumo a minha rotina. Antes fui até o meu condomínio buscar o meu carro, afinal não posso ficar dependendo do Gustavo e muito menos de táxi para me locomover. Ao passar pela cancela com o meu carro, encontrei o Severino o porteiro que eu achava ser gente boa. Ledo engano, fofoqueiro da pior espécie. Não resisti e exigi explicação em relação à história que ele havia contado para o Gustavo. Explicou que o porteiro que o substituiu a noite, disse a ele que eu suspendi a ordem do Gustavo para não interfonarem e nem autorizarem a entrada de Lorenzo e Alex. E, que depois do Alex deixar o condomínio, um homem moreno e estrangeiro, foi autorizado por mim a subir e ter livre acesso ao condomínio. Ou seja, ele contou ao Gustavo, o que ouviu do porteiro que o substituiu, que certamente foi subornado pelo Lorenzo. Proibi a entrada de Lorenzo e


disse, que se isso voltar a acontecer, levarei toda essa história até a administração do condomínio. Ele se desculpou e devolveu a chave que havia deixado com ele, quando ofereceu para molhar as minhas orquídeas, já que as levei para a cobertura do Gustavo, não vejo necessidade dele ficar com a chave do meu apartamento. Enfim, cheguei à conclusão que algumas pessoas realmente conseguem nos trair apenas por uma nota de dez reais ou até mesmo por uma lata de Coca-Cola. Deprimente! A semana passou rápida e foi bastante produtiva. Fernanda desistiu de ir a Las Vegas por que o Felipe não pôde acompanhá-la, já que além de trabalhar ele não possui passaporte. Ela jurou resolver isso brevemente. Renatinha, ultimamente anda dispersa e aparentemente doente, não sei o que ela tem, mas deve estar passando por uma fase complicada. Perguntei se estava bem e ofereci-me para conversarmos, mas ela não me pareceu muito disposta a dividir os seus problemas, compreendi e decidi não insistir no assunto. Alex está atarefado com a finalização de sua tese de mestrado, então quase não nos encontramos durante a semana, com exceção de hoje, que ele chegou pela manhã todo alegre e cheio de amor para distribuir. — Princesa, Bia! — Olá, vejo a felicidade e sinto cheiro de açúcar no ar. — Menos, açúcar não. Cheiro de uísque combina mais comigo. — Ops! Esqueci que acima de tudo ele é homem. — Conte-me o real causador dessa alegria. — Digamos que fui convencido pelo ''meu amigo'' a dividir o mesmo teto que ele. O que você acha disso? — Ele conta a novidade com entusiasmo e pede a minha opinião. — O que eu acho? Se vocês se amam, não vejo problemas em morarem juntos — parei de falar e o fitei. — Alex você o ama de verdade? — É estranho... Ter essa conversa com você — ele fala um pouco envergonhado. — Mas, quer saber? Eu estou amando e quero ser feliz! — fala animadamente sobre os seus sentimentos. — Então meu amigo, seja feliz! — Nos abraçamos e sorrimos. Espero que ele e seu amigo, que na verdade é namorado, sejam eternamente felizes. Vamos falar de Fernanda e Sofia: elas não se suportam. Motivos? Felipe e Arthur. Na verdade, nenhuma das duas me contou o que realmente aconteceu depois que eu e Gustavo deixamos a festa do Arthur, mas como sou uma boa observadora e formadora de opiniões, deduzi que Arthur e Fernanda escolheram os integrantes errados para o joguinho deles. Melhor dizendo, para o ''bacanal deles''. Fernanda por sua vez, disse que o Felipe não aceitou participar do joguinho entre ela e Arthur, e a Sofia acabou roubando toda a atenção do Arthur e negou-se a participar dessa troca entre eles. Cada um com sua vida e suas preferências. Cada louco com suas loucuras, eu já tenho as minhas o suficiente para o resto de minha vida. Terminei o expediente, fui até a academia, e como hoje é sexta feira, como de costume vou ao salão que fica dentro de um Shopping. — Pronto! — o cabeleireiro fala e gira a cadeira para eu poder me olhar através do espelho. — Gostou? — Ficou ótimo! — disse aprovando o resultado. Fiz uma escova que deixou meus cabelos mais hidratados e extremamente lisos. A correria do meu dia a dia, não me permite cuidar dos meus cachos, então optei por amansá-los. — Lembrando: esse efeito liso não é definitivo, mas os cachos estarão mais disciplinados quando seus cabelos não estiverem escovados — o cabeleireiro explica.


— Gostei! Vai ser um pouco mais prático para cuidar. Obrigada! — agradeço pelo trabalho e resultado. — Não foi nada querida. Volte sempre! Saí do salão sentindo-me leve e um pouquinho mais apresentável. Olho para o meu novo iPhone, presente do meu noivo gostoso e ciumento, vejo que enviou-me uma mensagem. "Morena, meu carro parou bem no meio da Avenida das Américas, estou aguardando o reboque chegar. Não conseguirei chegar a tempo para irmos ao cinema. Eu te amo!" - G.F. " Okay! Estou indo para casa." - A.B Respondi descendo a escada rolante, sentido estacionamento para pegar o meu carro. Mas, antes entra última mensagem dele. '' Não fica nervosinha. Quando eu chegar em casa quero ver você me esperando nua dentro da hidromassagem." - G.F — Meu safado! Depois do nosso último desentendimento, não tocamos mais no assunto "Lorenzo", decidi não procurá-lo por hora, já que o Gustavo mostrou-se irredutível quando eu disse que o procuraria. Não tive mais notícia, não recebi mais mensagens e nem ligações dele. Ele não apareceu mais em meu restaurante e segundo os porteiros do meu condomínio, com o dom para jornalismo sensacionalista, também disseram que nunca mais ele apareceu por lá me procurando. Estou quase acreditando que ele desistiu e voltou para a França. Seria muito bom, se isso fosse verdade. Marcamos o nosso casamento para daqui quarenta dias. Depois que contei a novidade à Fernanda e para minha mãe, que mesmo de longe junto com a Fernanda, decidiram por mim que meu casamento será inesquecível. É óbvio que não deixarei que elas exagerem na dose "Inesquecível", pois eu e Gustavo não curtimos muito essa coisa toda que envolve um casamento. O buffet será oferecido pelo meu restaurante e a cerimônia será realizada por um juiz de paz. Enfim, agora basta decidirmos onde será realizado. Destravo o meu carro e abro o porta-malas para guardar as bolsas de compras, termino de organizá-las e dou um passo para trás para fechar a tampa. Esbarrei em um muro humano, não percebi que tinha uma pessoa atrás de mim. — Desculpe! — disse ainda de costas. — Ce n'était rien. (Não foi nada.) — Ah, não... Deus, o que significa isso? Decidiu me enlouquecer de novo? Virei devagar, mas suas mãos já estavam em minha cintura e eu posso jurar que eu senti uma leve proeminência em meu bumbum coberto apenas por uma calça jeans clara de cós baixo. — Senti sua falta! — Lorenzo fala bem próximo ao meu rosto. — Você estava me seguindo de novo? — pergunto afastando-me de seus braços. — Sim. Essa foi à única maneira que encontrei para não perdê-la de vista de novo. — Lorenzo... Não... Vamos parar com essa obsessão de ficar me perseguindo. — Não. Eu quero você de volta. Quantas vezes eu terei que repetir essa frase? Hein? Me responde! De quanto tempo você precisa para dar um chute no rabo daquele médico? — Você só pode ter enlouquecido de vez. Eu nunca... Repito, nunca trocaria o Gustavo para nós dois reatarmos. Sabe por que, Lorenzo Berluscon? Porque você me expulsou de sua vida e obrigoume a esquecê-lo. Fiz o que pediu. Agora é tarde e eu exijo que você nos deixe em paz — ele fica calado escutando com atenção e ao mesmo tempo avaliando-me dos pés à cabeça repetidamente, até seus olhos fixarem em minha mão, mais precisamente em minha aliança. — O que significa essa aliança? — ele puxa o meu braço e segura a minha mão com


agressividade. — Acho melhor você soltar o meu braço — falo com a voz comedida para não chamar a atenção das pessoas passando no estacionamento. — Eu e o Gustavo vamos nos casar. — Nunca! Eu não vou permitir que se case com ele — a voz dele sai dura. Aperta o meu braço e me puxa até encostar-me em seu corpo. Com a mão livre ele tenta retirar a minha aliança. — Lorenzo me solta! — fecho a mão impedindo que a aliança saia do meu dedo. — Me esquece! EU NÃO VOU FICAR COM VOCÊ! EU NÃO TE AMO! — grito o mais alto que consigo. — Pare de gritar Ana! — Ele larga a minha mão, mas intensifica o aperto em meu braço. — Prefiro vê-la morta, prefiro morrer, de que vê-la nos braços de outro homem. — Então me mate agora. Pois já estou nos braços de outro — falo alto. Ele encosta a testa na minha. — Desculpe! Eu me excedi. Eu preciso de uma resposta sua, somente uma. Se ele não existisse, você voltaria comigo para a França? — pergunta de olhos fechados, testa colada na minha e mãos me segurando duramente. — Lorenzo... Tudo o que senti por você acabou. E... — Vou contar de um a um e meio. — Meu Deus olha a merda feita! Essa voz é do meu cunhado Arthur. — Um, Um e... — Arthur começa a contagem. — Lorenzo me solte! Você está transtornado, precisa conversar com alguém. Volte para França. Eu amo o Gustavo. E você não pode mudar isso. Desiste desse amor, tenta uma nova vida, faça como eu — ele abriu os olhos e fui desarmada com suas lágrimas. — Francês, solte a minha cunhada por bem. Eu não quero sujar a minha roupa, tenho compromisso. Vamos, facilite a nossa vida! — Arthur fala e olha para o Relógio, avança e tenta me puxar. — Calma Arthur! — Assim que falei ele recuou. — Ana... Isso não está certo. O Gust... — Arthur, eu preciso resolver isso aqui. — Okay, mas eu só saio daqui com você. Vou esperar você encostado ali naquele carro — apontou na direção de um carro amarelo. Aquiesci e ele se afastou já com o celular pendurado no ouvido. Olhei para o Lorenzo que ainda chorava. — Solte o meu braço — murmurei e ele soltou. Olhei para o meu braço e massageei o vermelhão que ficou. Voltei a encará-lo. — Lorenzo, eu não te amo. Isso basta! Volte para a França e refaça a sua vida. — Eu preciso de você — ele passa as mãos nos cabelos negros, que estão bem maiores. — Eu te amo Ana Beatriz. Procurei por você incansavelmente durante três anos. Já pedi perdão por tê-la abandonado quando mais precisou do meu apoio e amor, reconheci que fui um covarde e injusto com você, mas agora a única coisa que eu mais quero é ter o seu amor de volta. — Você não terá mais esse amor, nunca mais. Ele acabou aos poucos, até que chegou o dia que ele morreu de vez — falo com a voz calma e controlada. Ele acaricia os meus cabelos com carinho e toca o meu rosto. — Gostava dos seus cachos naturais — suspira tentando ganhar força e controle. — Eu fiz você feliz? Responde, preciso saber! Eu fiz você feliz? — A voz dele está rouca, embargada. Imagino que tudo isso esteja sendo muito difícil para ele. Pois sempre foi controlado e todo dominador em nossa relação. E, se humilhar desta forma com certeza está ferindo o ego dele. — Você me fez feliz. Vivemos uma história linda, tivemos a sorte de conceber um anjo que nos trouxe alegria. Eu o amei incondicionalmente — encaro-o e toco em seu rosto triste, ele fecha os


olhos ao sentir a minha mão em sua pele. — Vai ser feliz, tenho certeza que existem outras mulheres dispostas a fazer você o homem mais feliz do mundo — ele sorriu, mas seus olhos negros não acompanham esse sorriso. — Nenhuma delas será como você. — Lorenzo, eu preciso seguir a minha vida — meus olhos não conseguem mais interromper as minhas lágrimas e elas saem copiosamente. — Eu preciso escutar dos seus lábios... Adeus — ele balança a cabeça negando. — Promete que vai tentar ser feliz de novo? Promete? — Ele não respondeu, mas me surpreendeu quando disse: — Obrigado por me fazer feliz por cinco anos, obrigado por ter me dado a oportunidade de ser o pai do Rafael, mesmo que ele tenha ficado conosco por pouco tempo — fica em silêncio me olhando com os olhos transbordando lágrimas pesadas. — Adeus! — abraçou-me com intensidade, retribuí o abraço entre lágrimas. Agora sim, eu poderei seguir a minha nova história. — Tire a mão dela. Se não quiser apanhar de novo — Arthur fala alto ao se aproximar e nos separar. — Chega de despedidas, vaza francês — Arthur fala e me segura pela cintura. — Essa aqui já foi lacrada e tatuada com código de barras chamado Gustavo Ferrari. — Lorenzo ignora o que Arthur disse, acena com a cabeça para mim e vai embora. Olhei para ele enquanto se distanciava de nós, até a maneira de andar do Lorenzo me faz relembrar do meu anjinho, eles eram parecidos em todos os aspectos. — Adeus Lorenzo — sussurro. — Ana... Vamos? Vou te deixar em casa — olhei para o Arthur ainda um pouco perdida em lembranças. — Não. Estou de carro. — O Gustavo pediu para levá-la para casa. — Você ligou para ele? — Sim. — Está certo! Vou acompanhando o seu carro. Não vou deixar o meu carro no estacionamento do shopping. — Okay! Você venceu. Não tenho paciência para convencer uma mulher — ele diz sorrindo. — Obrigado por não insistir — ele aquiesceu. — Cara... Esse Lorenzo saiu daqui acabado — ele fala. — Vamos esquecer isso. Ele foi embora para sempre. — Ainda bem que te encontrei aqui. Estava no shopping e vi quando você desceu pela escada rolante, tentei alcançá-la, mas acabei enfrentando uma pequena fila para pagar o estacionamento e perdi você de vista. Quando cheguei aqui e vi aquele otário apertando o seu braço, fiquei nervoso. Ana... Minha vontade era de socar a cara dele, mas você disse que estava tudo certo... Na verdade, respeitei o seu pedido. — Obrigado, mais uma vez. — De nada cunhadinha... Linda! Eu já te amo também — sorrimos. — Vamos? A Sofia está me esperando em um ponto de ônibus próximo daqui. — Hum... Vocês estão juntos mesmo. Fico Feliz! Ela me pareceu ser uma boa menina — disse. — Não confunda as coisas cunhada. Ela é apenas uma... — ele parou para pensar, me olhou e disse: — eu ainda não sei o que nós dois somos — disse confuso. — Mas, você a apresentou como sua namorada no jantar da sua mãe. Lembra? — Sim, lembro! Mas a mamãe não entenderia se eu a apresentasse como uma "Temporada". Entendeu?


— Não. Não entendi. — Não esquenta a cabeça com isso. Siga-me os bons! — Ele consegue ultrapassar a infantilidade do ''Peter Pan''. Entrei em meu carro e fui seguindo-o, quando entramos na via que beira a orla, ele parou o carro para a Sofia entrar. Voltei a segui-lo, sem necessidade, estou em perfeitas condições para fazer esse trajeto sem um carro me guiando. Que doideira! Meu celular vibra insistentemente. Quando paro no semáforo atendo sem olhar para o visor. — Oi. — Morena... — Gustavo! — Oi meu amor. Estou dirigindo, daqui a cinco minutos estou em casa — ele fica em silêncio escutando a minha voz. — Dirigindo? — Sim, não se preocupe com isso. Arthur está fazendo a gentileza de me acompanhar. — Estou te esperando — pensei que ele estivesse do outro lado da Barra da Tijuca, esperando o reboque para retirar o carro da avenida. Pensei... — Ok! Eu te amo — falo e desligo. Quando cheguei próximo ao condomínio, ultrapassei o Camaro amarelo do Arthur e buzinei para ele agradecendo a ''gentileza'', mas ele continuou me seguindo. Desci até a garagem subterrânea e ele desceu logo em seguida. Segui até a minha vaga, aqui as vagas são numeradas e cada morador tem a sua, como eu e Gustavo moramos na cobertura temos direito a três vagas. Uma das vagas fica o carro do Gustavo, ao lado do carro dele fica o meu carro, e ao lado do meu carro fica uma moto que ele disse ser dele, mas nunca o vi pilotando. Nem quero ver! Não gosto de motos, deixam as pessoas vulneráveis demais. — Ué, tem um carro na minha vaga — abaixo o vidro do motorista para falar com o Arthur que parou ao lado do meu carro. — Vou estacionar ali ao lado — Arthur aponta na direção de uma vaga para visitantes. — Estacionaram na minha vaga — falo sem saber o que fazer. Ele sorrir e fala: — Estranho... Você não sabe de quem é esse carro? — Não — olho para o carro... — Aquilo é um laço? — Acho que sim — Arthur responde. Olho de novo para o carro que só agora percebi ser do mesmo modelo do carro do Gustavo que está estacionado ao lado, sendo que na cor branca. Volto à atenção para o Arthur que já está se desmanchando de tanto rir da minha cara. Não sei por que! — Arthur... — vejo Sofia sorrindo e se esgueirando para conseguir olhar para o carro. — Arthur? Você está rindo do quê? — De você! Cunhada tu é lerda... Puta que pariu! — Ele só pode estar brincando comigo! — Vou dar uma volta aqui na garagem para tentar achar uma vaga para visitantes — disse para ele escutar, mas ele continua rindo de mim. O elevador de serviço abre as portas e vejo Gustavo saindo e vindo em nossa direção. Presta atenção na descrição: ele está de sandálias Havaianas com as cores do Brasil, short branco, sem camisa e os cabelos bagunçados. Vou proibi-lo de sair desse jeito! — Morena... — Já chegou abrindo a porta do meu carro e destravando o cinto de segurança e desligando. Segurou minha mão e me ajudou a sair. Quando pensei em falar sobre o carro estacionado na minha vaga, ele me abraçou com tanto carinho que eu esqueci até o que eu pretendia falar.


— O que você fez nos cabelos? Cadê os seus cachos? — As perguntas saem em um tom de desespero. Sorrio. — Sumiram! — respondi ainda inspirando o cheiro de sua pele e acariciando os seus braços com músculos sutis e definidos. — Quando subirmos vou enfiar sua cabeça debaixo do chuveiro e você só sairá de lá quando os seus cachos forem achados — sorrio. — Saudade... De você — encostou os lábios nos meus e invadiu-me com sua língua deliciosa, gelada e com gostinho de uísque. Quando se afastou um pouco para me olhar, sorriu mostrando todos os dentes, um sorriso aberto e lindo que só ele sabe dar. — Meu príncipe! Eu te amo tanto, mas tanto que chega a doer — sussurrei ainda próximo aos seus lábios. Não aguentei segurar as lágrimas e chorei. Eu choro mesmo, sou emotiva, derretida, boba, sentimental. Tudo isso e mais um pouco. — Não chora. Eu te amo! — falou me abraçando. — Vamos parar com esse mela-cueca? — Olhamos juntos para o Arthur e Sofia. — Vou estacionar o carro — Arthur disse e saiu com seu carro amarelo. Virei para o Gustavo e disse: — Amor estacionaram em minha vaga — olhou-me ainda sorrindo e levantou uma das mãos e balançou um chaveiro com uma chave parecida com a do carro dele. — Tira o carro — colocou a chave na minha mão. — Você quer que eu tire o seu carro? — perguntei ainda sem entender. — Morena... Você está devagar hoje. Ainda não entendeu? — balancei a cabeça dizendo não. — Aquele carro ali, com aquele laço rosa ridículo — olhei para o carro, para o laço, para os lábios do Gustavo que falava e gesticulava ao mesmo tempo. — Ele é seu! — Meu? — É, meu amor. Lembra? Três filhos, uma casa com churrasqueira e piscina, dois cachorros e um carro igual ao meu. — Onde você esteve que eu não te encontrei antes? — perguntei com novas lágrimas nos olhos. — Esperando por você — respondeu com sua voz rouca, já colando os lábios nos meus. — Esperando por você — repetiu e invadiu a minha boca com sua língua deliciosa.


Capítulo 26 - Gustavo Ferrari Quando me perguntou onde estive antes de nos conhecermos, fui sincero, disse apenas a verdade. Estive esperando por ela! Não tenho outra explicação, eu já era dela e ela era minha, só não sabíamos disso. Cheguei a uma conclusão sobre a maneira em que levei a vida durante anos: eu testava outros abraços, outros corpos, outras bocas, outros perfumes, procurando por ela. Por isso afirmo com segurança, estive esperando por ela. Procurando por ela. Esse sorriso me desarma, viro uma marionete quando me oferece o seu sorriso. Pode fazer o que quiser comigo, pode levar tudo que tenho, pode me dominar, me amarrar, me surrar. Sou todo seu Morena... Todo seu. Nunca precisei agradar uma mulher antes, mas com a Ana é diferente. Sinto essa necessidade constante de agradá-la, fazê-la sorrir, e quando eu faço, sou recompensado com sua alegria, seus carinhos e seu amor. Enquanto ela sorri, e passa a mão em toda superfície do carro, observo cada gesto e detalhe de seu corpo. Seus cabelos, agora lisos parecem uma cascata de chocolate escorrendo pelos ombros parando acima da cintura fina. Quando ela levanta os braços para fazer um coque desengonçado nos cabelos, sou privilegiado com a imagem maravilhosa do contorno dos seus seios redondos, empinados e naturalmente fartos. Depois que fez o coque, desceu as mãos até a cintura e puxou o cós baixo da calça jeans para cima, totalmente justa que delineava o seu bumbum avantajado, carnudo e delicioso. Fechei os olhos e tentei afastar as imagens que brotaram dela chupando a cabeça do meu pau, esfregando totalmente desinibida a sua bunda no meu rosto, e eu mordendo toda a carne oferecida por ela. Fazer amor com essa mulher é um sonho. Amo essa feiticeira que chegou em minha vida e bagunçou toda a minha rotina, que trouxe junto consigo esse amor que até então era desconhecido por mim. Disfarço minha ereção totalmente exibicionista, protegida por apenas um short branco, colocando as duas mãos disfarçadamente em minha ereção. — É lindo! — fala, passando a mão no carro. — Eu tenho um Land Rover Evoque? — Agora tem — respondo sorrindo do entusiasmo dela. — Você me enganou direitinho. Disse que estava enguiçado, esperando o reboque... E quando chego aqui, encontro essa máquina esperando por mim. — Esse carro é lindo! — Sofia fala ao lado de Arthur, que se aproxima e me cumprimenta, fazendo-me desfazer do meu disfarce. Aperto sua mão rapidamente e as pauso imediatamente sobre o meu pau. — Então o laço gigante, era para pôr no carro? — Sofia pergunta e sorri. Hoje durante o dia a obriguei achar um laço gigante. Ela ficou louquinha, foi parar no mercadão popular de Madureira atrás desse laço. — Foi! Valeu a pena o seu esforço. Obrigada! — Ficou lindo! — Se ela soubesse o trabalho que eu tive para colocar esse laço cor de rosa, ridículo... Não consegui colocar da maneira que esperava que ficasse, mas o que vale é a intenção. — Amor... Estou "In Love" com meu carro! — Olhou para a Sofia e sorriu. — Eu tenho um Land Rover Evoque, branco! — Ela me abraça e se pendura em meu pescoço fazendo nossos lábios encostarem um no outro. Mas esse beijo foi apenas um atiçador para minha ereção. — Todo seu. O carro! — disse baixinho em seu ouvido. Encarou-me nos olhos.


— Você está excitado — murmurou próximo ao meu pescoço, depois que sentiu meu pau contra o seu abdômen. O hálito morno só me deixou ainda mais excitado. Concordei com sua afirmação e ela pressionou o ventre em meu pau. — Vamos subir, ou vou acabar fodendo você aqui mesmo, na frente do Arthur e da Sofia — gemeu baixinho e arranhou o meu ombro com suas unhas pintadas de vermelho. Afastei e voltei a minha atenção para Sofia e Arthur, que olhavam o interior do carro, compenetrados. Arthur adora carros e motos. — Mano você vai fazer o que com essa moto? — Pedi a administração aqui do condomínio para ceder-me mais uma vaga. Até lá vou deixá-la entre os carros mesmo — respondo a ele. — Se quiser, pode levá-la para o meu condomínio. Tenho cinco vagas, mas só ocupo três. — Segunda-feira a levarei para fazer revisão. Estive pensando em voltar a ir trabalhar de moto, o trânsito está muito desorganizado, acabo perdendo muito tempo em engarrafamentos — Ana me olhou assustada. Acho que não gostou muito do que eu acabei de dizer. — O que foi? Eu ando de moto desde os dezoito anos. Fique tranquila! — Não. De jeito nenhum você vai sair por aí de moto — sua voz baixa saiu desesperada. Segurei-a pela cintura e beijei o topo de sua cabeça. — Calma Morena! Sou prudente e experiente — ela balançou a cabeça negando algum pensamento. — Depois resolvemos isso com mais calma. Okay? — ela aquiesceu e eu a abracei por trás. — Estou indo para a empresa de moto praticamente todos os dias. O trânsito depois de certo horário fica congestionado demais, Só de moto para conseguir resolver os problemas e reuniões — Arthur fala incentivando-me a voltar a pilotar minha moto. Nossas motos são do mesmo modelo, muda somente o ano de fabricação. — Mas... Se você quiser guardar o carro antigo da Ana lá, pode levá-lo sem problemas. Acho uma boa ideia — concordo balançando a cabeça. — Gustavo se quiser pode vender esse carro. Ele é novo, acredito que ainda valha uma boa grana — Ana fala. — Resolvo isso semana que vem. Pode ser? — Acredito que o dinheiro da venda do carro, ela enviará para a minha sogra na Itália. Ela arca com todas as despesas da mãe desde que voltou para o Brasil. — Ele é de que ano, Ana? — Arthur pergunta. — 2013. Comprei ano passado. — Realmente o carro é novo e bonito. — Gostou Sofia? — Arthur pergunta a Sofia, mas acho que ela não entendeu a pergunta. — De quê? — Do Caltabiano vermelho da Ana Beatriz — ele fala e ela olha para o carro, ainda sem entender. — E, o que é isso? — O carro Sofia! — ele fala apontando para o carro estacionado fora da vaga ao nosso lado. — Ah! Ele é lindo! Parece carro de colecionador. Lindo e charmoso! — Sofia sorri ao falar. — Então, ele é seu — Arthur termina de falar, vira-se para falar com a Ana. — Quanto você quer nele Ana? — ela me olha e coça a cabeça. — Não sei. Eu não entendo nada sobre carros, não saberia avaliar quanto está valendo. — Pode levar. Depois você acerta comigo, e na semana que vem resolvemos a questão da documentação e transferência — tomo as rédeas e assumo a responsabilidade.


— Eu acabei de ganhar um carro? — Sofia pergunta, sem acreditar. — Sim! — Arthur diz. — É um presente? É dado? Por que eu não tenho nem um real sobrando para contribuir — Arthur sorriu ao escutá-la, puxou-a pelo braço e deu um beijo nela que conseguia de longe ver a língua dele invadindo a boca da Sofia, que parecia estar quase desmaiando nos braços dele. Quando terminaram de se beijar, ela olhou para ele e disse: — Arthur... Não precisa — se aproximou do ouvido dele e disse algumas palavras, mas somente ele pôde escutar. Ele se afastou o suficiente para olhá-la e balançou a cabeça negando alguma coisa. — Tome a chave Sofia. Cuide dele! — Ana disse e entregou a chave, depois fez o biquinho que tanto amo. — Pode deixar que vou cuidar — Sofia balançou a chave e sorriu. — Que tal pedirmos uma pizza? — Ana pergunta. Acabou com meus planos... É meu amigão, nossa feiticeira está conspirando contra nós. Agora só mais tarde! — Já é! — Arthur fala. — Depois levo você na sua casa para buscar os seus trabalhos e notebook — Arthur disse para a Sofia. Ela aquiesceu. Ele nos olhou e falou: — Amanhã ela tem curso preparatório. Acreditam? — ele sorri e ela fica envergonhada. — Ela estuda para ser promotora de justiça — ele fala todo orgulhoso. — Você quer ser promotora de justiça? — Ana pergunta animada. — Pretendo! — Se Deus quiser, você será — Ana a incentiva. Sofia é uma menina esforçada, quando seu pai faleceu, ela ficou desnorteada e sem rumo, acabou contando-me toda a sua história. Nunca conheceu a mãe, o pai a criou sozinho e com bastante dificuldade. Ela mora em uma comunidade da zona Sul em uma casa bastante humilde. No dia do enterro de seu pai, há seis meses, ofereci-me para levá-la até a sua casa, então pude ver o quanto ela é humilde. Depois de saber toda história, passei a incentivá-la nos estudos, nos cursos preparatórios e passei a observá-la com mais atenção. Nunca senti nenhuma atração por ela, ao contrário o sentimento era outro, talvez carinho ou até mesmo um pouco de pena. Eu e Arthur estudamos nos melhores colégios da zona sul, sempre fomos incentivados pelos nossos pais, eu apenas pela a minha mãe. Imagino o que a Sofia passou para chegar aonde chegou. Merece a minha admiração. Depois irei chamar o Arthur para conversar sobre esse relacionamento entre eles. Espero sinceramente que ele não a machuque, pois é sozinha e não tem ninguém por ela, e se for decepcionada isso interferirá diretamente em sua vida acadêmica e profissional. — Nossa, não dirijo desde o dia em que fiz a prova de direção — Sofia fala alto entrando no antigo carro da Ana Beatriz. — Ué... Automático? Oh Glória! Não preciso pisar na embreagem quando for sair com carro? Isso só pode ser um sonho! Ana Beatriz me ajude aqui... Preciso entender esses comandos — ela continua falando toda animada. Ana sentou ao lado no banco do carona e começou a instruí-la. Enquanto elas davam voltas e mais voltas no estacionamento, eu e Arthur subimos com as bolsas da Ana Beatriz e alguns pertences que estavam dentro do carro. — Porra... A Ana comprou o shopping inteiro? — Arthur pergunta jogando as bolsas no sofá. — Parece que comprou — falo olhando as bolsas. A maioria é de lojas femininas, mas duas eram da loja que costumo comprar roupas e sapatos. Sorrio ao ver que ela se lembrou de mim. Amo essa mulher! — Deus me livre de uma mulher consumista — ele faz o sinal da cruz.


— Hum... Sei! Você acabou de comprar o carro da Ana para a Sofia. Você é igual ao seu maninho aqui — aponto para o meu peito. — Vai ficar gamadinho na ruivinha, já estou até vendo você sofrendo pelos cantos, barbudo e magro. Morrendo de amores — disse tudo isso para provocá-lo, mas ele levou a sério. — Nada disso, eu e Sofia estamos apenas curtindo. Ela me satisfaz e eu a recompenso. — Ela transa com você em troca de benefícios? — pergunto um pouco preocupado. — Não. Não é isso. Eu também a satisfaço, apenas expressei-me errado. — Arthur, a Sofia é uma menina com um passado sofrido. Não a machuque, por favor! Você nunca se prendeu a uma mulher e agora não sai do pé dela. Estou preocupado com ela. Você sabe que ela é órfã, mora sozinha e não têm parentes? — Ele me olha surpreso. — Nunca perguntei nada sobre a vida dela. Não sabia disso — ele estala os dedos da mão direita. Faz isso desde criança, quando fica nervoso ou pensativo. — As únicas informações sobre a vida dela que eu sei, é que é bolsista na PUC, estuda direito, faz curso preparatório todos os sábados, trabalha em sua clínica e tem 21 anos. — Moleque...Vou te lembrar apenas de um detalhe: ela não é como as mulheres que você costuma jogar — ele sorri e fala: — Eu sei. Vamos mudar de assunto? Temos outras prioridades neste momento — fitou-me preocupado. — Gustavo o que você pretende fazer, em relação ao Lorenzo? — Ainda não sei. Pedi ao investigador que você indicou-me para não sair da cola dele, mas pelo visto ele falhou, ou o Lorenzo é esperto demais. — Pois é, assim que saí do shopping liguei para ele. Ele esteve o tempo todo na porta do apart hotel, onde ele está hospedado, mas ele não o viu sair em nenhum momento. Será que ele percebeu que estava sendo monitorado? — ele diz preocupado. — Pode ser — respondo. — Mano, sei lá... Ele pareceu derrotado. Tive a impressão que realmente ele deu um adeus a Ana Beatriz, para nunca mais voltar. — Não acredito que ele desistiu. Amanhã saberei com mais exatidão tudo o que ele pretende fazer. Irei procurá-lo pessoalmente de novo. Eu cumpro com a minha palavra e ele vai ver que não estava o persuadindo. — Amanhã antes de procurar por ele, não se esqueça de me avisar. Vou com você. — Não precisa Arthur! Vou resolver isso sozinho. — Gustavo eu vou com você — não vou discutir sobre isso, ele não vai e acabou. — Aconteceu mais alguma coisa entre eles dois, que você se esqueceu de me contar? — Contei tudo o que eu vi. Quando cheguei ao estacionamento, vi o Lorenzo e a Ana em uma discussão contida, mas a maneira que ele a segurava pelo braço me irritou. Quando me aproximei deles, já fui falando tudo o que eu faria, mas a Ana pediu para eu ficar tranquilo e disse que estava tudo sobre controle. Dei espaço para ela, mas fiquei próximo, encostado no meu carro. Eles conversaram, o babaca chorou, ela também chorou e depois ele foi embora. Ela me disse que ele foi embora para sempre. Só isso... — ele me analisa com cuidado. — Eles se abraçaram, mas eu interrompi e o mandei vazar. E, ainda deixei claro que ela pertencia a você, mas ele fingiu que não escutou. Agora sim, só foi isso. Relaxa! Ela te ama e cuspiu isso na cara do francês marrento — meneei a cabeça. —Você deveria colocar um segurança com a Ana Beatriz, até confirmarmos se ele foi embora mesmo. Sabe? Não dá bobeira — calou quando ouviu a Ana e Sofia entrarem na sala. — E aí, gostou do carro? — Arthur pergunta a Sofia. — Adorei! Obrigada!


— Ela aprendeu os traquejos, rápido! — Ana disse animada. Olhou para mim e disse: — Amor, já pediu a pizza? — Não. Qual sabor vocês preferem? — pergunto a todos. — Calabresa com bastante cebola! — Arthur fala deitando no sofá. — Margarita com bastante manjericão! — Ana disse e saiu em direção ao quarto. Olhei para a Sofia e ela disse sorrindo: — Tanto faz! Gosto de qualquer coisa que misture carboidratos e lipídeos. — Sofia senta aqui — Arthur chama Sofia, que está um pouco tímida, observando todo o ambiente. — Querem beber alguma coisa? — Queremos — Arthur responde. — Então levante e sirva a Sofia, pois ela é visita e você não. Fique à vontade Sofia — disse seguindo pelo corredor em direção ao quarto. Quando entrei no quarto, tive a visão mais gostosa. Minha mulher, completamente nua em uma posição provocadora, deixando toda a sua bunda e boceta exposta. Quando me viu entrar, sorriu e continuou de joelhos, parecia estar procurando alguma coisa no chão. — Amor que posição é essa? — Minha ereção já estava ressurgindo. — Perdi meu brinco de pérola. Acho que caiu... Há! Achei — levantou falando sobre a importância do brinco. — Esse brinco foi o meu pai quem deu para minha mãe, e ela passou para mim. Ele é importante tanto para mim quanto para minha mãe. — Acho melhor evitar usá-lo, vai que você perde e não o encontra nunca mais? — É verdade. Vou guardar — saiu em direção ao banheiro. Sentei na cama, peguei o meu celular que estava carregando sobre a mesinha ao lado. Liguei para pizzaria que costumamos frequentar e fiz o pedido. Vou até o closet e pego uma roupa. Entro no banheiro e vejo o quanto ela está distraída, não percebeu quando entrei. Está alheia a minha presença, parece estar com o pensamento em outra dimensão. Seus olhos estão fechados, enquanto ela passa a esponja em todo o corpo, os cabelos protegidos por uma touca de banho, ela faz os movimentos mecanicamente ao pegar mais sabão liquido e o óleo de morango que costuma misturar com o sabão. Cruzo os braços no peito e continuo olhando sem piscar, espero que não esteja estremecida por causa do encontro com o Lorenzo. Ela ainda não falou sobre o encontro inesperado com o Lorenzo no estacionamento do shopping. Não quero importuná-la exigindo cobranças e explicações. Não sei o que realmente aconteceria se o Arthur não a encontrasse coincidentemente. Talvez o Lorenzo tentasse beijar ela novamente, ou talvez ele perdesse a cabeça e a levasse contra a vontade dela. Quando Arthur me ligou, avisando que encontrou a Ana e Lorenzo discutindo, senti um desespero perturbador. Depois de ouvi-la dizer dias atrás, que procuraria por ele e daria um ponto final em toda essa loucura, senti uma raiva misturada com ciúmes, isso foi virando uma bola de neve e quando dei por mim, uma avalanche se formou dentro mim. Não pensei muito, procurei por ele antes que ela fizesse a besteira de procurá-lo. Cheguei ao Apart Hotel, onde ele hospedou, pedi para recepcionista avisá-lo que estaria esperando no saguão. Mas, ele pediu para que eu fosse até o seu conjugado. Na hora não achei muito seguro, mas teria que resolver essa história imediatamente, ou alguém entre nós três sairia muito machucado, então subi decidido a pôr um ponto final. Toquei a campainha e logo a porta foi aberta por ele. Cerrei meus dentes, fechei as minhas mãos em punho, senti uma vontade de socar aquela cara dele até ele perder a consciência. — O que você quer aqui? — Levantei uma sobrancelha e disse:


— Não é óbvio? — abri a porta ainda mais e entrei no conjugado. Acho que ele não entendeu a palavra "óbvio", pois fez uma expressão confusa e repetiu a palavra. — Sobre a Ana Beatriz, minha mulher — respondeu. Quando ele terminou a frase, senti a adrenalina percorrendo os meus vasos sanguíneos, meus músculos contraíram involuntariamente. Preciso manter-me controlado ou cometerei um estrago nesse babaca. — Sua EX-MULHER... MINHA, MINHA MULHER! — falo alto. — Não adianta insistir nessa história entre vocês dois, o que eu e ela vivemos foi muito intenso e verdadeiro para ser esquecido — fala com um português péssimo. — Foi intenso? Uma linda história de amor que acabou por causa de um covarde, que humilhou e expulsou a mocinha indefesa de sua vida, fazendo com que ela vivesse no inferno por quatro anos a base de drogas antidepressivas e calmantes — minha voz saiu altiva e desdenhosa. Ele precisa saber tudo o que ela viveu por causa dele. — Você não tem nada a ver com isso. Será que não percebeu que está nos atrapalhando? Você mesmo viu o quanto ela ainda me deseja. Lembra do beijo? Eu a beijei, ela correspondeu sem muito esforço. Ela é minha. Eu a fiz mulher, eu a tornei mulher, eu fui o primeiro homem da vida dela, eu dei um filho a ela. Tudo o que ela sabe e faz, fui eu quem a ensinou — respirei fundo para obter controle sobre o meu corpo que já está começando a reagir a ele. — Quantos "EU"! Eu... Eu... Eu, porra nenhuma! — disse alto, invadindo totalmente o espaço físico entre nós dois. — Você pode até ter sido o primeiro em tudo, mas ela não está mais com você. Ela escolheu ficar comigo, antes mesmo de você reaparecer do inferno. Eu a fiz mulher novamente, eu fiz com que ela apagasse completamente você da vida dela. Eu sou o último homem, o último homem da vida dela — encaro seus olhos escuros e desafiadores. Estou bufando, pareço um touro contido, qualquer reação ou movimento, será o suficiente para perder a minha cabeça completamente. Ficamos em um silêncio perturbador. Observei-o fixamente, seu nariz ainda inchado destacando-se na pele morena. Sou mais alto do que ele, mas ele parece ser um pouco mais forte do que eu, porém já provei a ele que músculos não quer dizer nada. — Lorenzo não vim até aqui para lhe oferecer um tratado de paz ou uma bandeira branca. Vim até aqui para te dar um último aviso, ou melhor, última ameaça — olhou-me fixamente dos pés à cabeça e sorriu. — Não sei o que ela viu em você — acho que minha cara não é uma das melhores. Arqueei as sobrancelhas e cerrei o maxilar. — Um médico, metido a besta, brasileiro... Não entendo o que ela viu em você — ele continua encarando-me com despeito. Por que esses europeus se julgam os melhores da face da terra? Sorrio ao escutá-lo. — Bom... Não tenho culpa se a minha mulher prefere a mim, a você. — Ela é linda e especial, merece um homem a sua altura. — Fala sério! Ele quer explicação sobre a minha beleza em relação à dele? Porra! Mulher gosta de homem e não de um rostinho de mister Brasil. — É mesmo, quem seria esse homem? Você? Não, ela não merece um covarde como você. É... Realmente minha mulher é linda. Por isso estou com ela. E pode ter certeza, que ela achou em mim o que não encontrou em você. E, vamos parar com essa palhaçada de medir beleza, por que não é isso que está em questão — fito seus olhos e procuro manter-me a todo o momento, calmo. — Lorenzo, se eu fosse você voltaria para o seu país — digo sarcasticamente. — Por quê? — Por quê? Porque, se continuar no meu caminho atropelo você... Não duvide. Não se aproxime


da minha mulher, não procure por ela ou eu mato você — viro-me em direção a porta, mas lembrei de mais um aviso para alertá-lo. — Ah! Só mais um detalhe... Você está sendo monitorado 24h por dia. Qualquer deslize, terei o prazer em deportá-lo direto para a França, dentro de uma caixa de madeira, aos cuidados de sua família para enterrá-lo — ele soltou uma lufada de ar e socou a parede. — Está me ameaçando Dr. Gustavo Ferrari? — ele fala o meu nome um pouco diferente, pois o Ferrari saiu totalmente diferente. — Também estou monitorando você 24h por dia. Sei exatamente quando está ou não com a Ana — ele para de falar e passa os dedos nos cabelos, esfrega os olhos e belisca os lábios com os dedos. — Eu posso até não conseguir ficar com ela, mas você também não ficará. — E? — pergunto provocando-o. — Você não vai ficar com a Ana Beatriz. Não Vai! — gritou. — Pode gritar! Bate o crânio na parede, pula da janela, toma veneno, mas não se atreva a atravessar o meu caminho, seu francês de merda. Recado dado. Adeus! — saio sem olhar para trás. Eu sei que ele não irá desistir, mas eu precisei mostrá-lo que não brincando. Dei o meu aviso à ele, sem rodeios e intermediários. Ele não levou a sério quando disse para não se aproximar da minha mulher. Vou cobrar dele, sou homem e tenho palavra. Agora... Olhando para ela, vejo o risco que correu andando sozinha. Colocarei um segurança a acompanhando até eu ter certeza que o Lorenzo realmente desistiu e foi embora. Olhei para os seus seios e consegui relaxar, só ela para conseguir me fazer feliz. Livrei-me do short, abri a porta de vidro do box, entrei sem que ela percebesse. Vi a olho nu todo o seu corpo se arrepiar, seus olhos continuaram fechados. Abraceia por trás e falei baixo em seu ouvido: — Está triste? — Virei-a de frente. — Não. Estou cansada — abriu os olhos e fitou-me. — Arthur falou para você... Eu ia falar, nunca esconderia de você. — Eu sei. Não quero obrigá-la a falar sobre isso. Não vamos estragar a nossa noite — ela sorriu e me abraçou. — Não quero trazer esse assunto novamente para a nossa vida. Ele foi embora, nunca mais voltará — sua voz sai baixa e chorosa. Beijo seus lábios com carinho. Ela acreditou que ele foi embora, melhor assim. Não quero que fique preocupada ou se sinta ameaçada. — Não voltará mais — disse com meus lábios encostados no dela. Alcancei a touca de banho e a retirei, seus cabelos longos e agora lisos caíram sobre as suas costas. Sorrio. — Gustavo! Puxa vida! Você estragou um trabalho de mais de duas horas — me deu uma mordida no braço. — Eu te avisei que molharia os seus cabelos. Lembra? — Amor... Você não gostou? — Você fica linda de qualquer jeito, mas prefiro os seus cachos. — Sinto muito em te dizer, mas nem tão cedo eles retornaram. — Por quê? O que você passou nesses cabelos? Não vai dizer... Não, você não faria isso — falo. — Sim. Fiz e já me arrependi! Você não gostou. — Você passou aqueles troços que desfazem as pontes de sulfetos dos cabelos? — Minha pergunta saiu um pouco desesperadora. Não acredito que ela fez isso nos cachos. — Quê? Pontes de sulfetos dos meus cabelos? Não, eu só fiz uma escova que alisa os cabelos. Não Passei nada de sulfetos — me olhou confusa. — Aprendi isso nas aulas de bioquímica aplicada à dermatologia — disse. Peguei o shampoo que ela usa e despejei quase todo o líquido nos cabelos dela. Comecei a


massagear e a despejar mais, mas nada faziam os fios dos cabelos ficarem cacheados. — Porra! Por que você fez isso? — Ela gargalhava da minha reação. — Sua... Maluca! — enfiei a cabeça dela debaixo do jato de água para retirar o excesso do shampoo. — Acho que passando isso aqui, eles retornarão — despejei todo o condicionador e esfreguei. — Ana Beatriz... Vou castigar você! — Adoro os seus castigos e torturas — ela fala com os olhos fechados e segurando o meu pau semi-ereto. — Castiga agora Dr. Delícia! — Adora os meus castigos? — Amo... Só de pensar no que virá, fico com água na boca — passeou com a língua em meu peito. Parece uma cachorrinha no cio. Terminei de retirar o excesso do condicionador, desliguei o chuveiro, segurei com uma mão todo os cabelos dela e a obriguei a se ajoelhar. — Ajoelhe. Levei a cabeça dela de encontro com o meu pau. Estoquei em sua boca até a garganta, os seus olhos encheram-se de lágrimas quando forcei ainda mais na garganta dela. — Quer continuar? — retirei todo o meu pau de sua boca e levantei pelos cabelos, para me olhar. — Quero. Esse é o castigo? — perguntou sorrindo. — Não. O seu castigo virá quando menos esperar — minha mãe sempre falava isso quando eu e Arthur aprontávamos. Eu ficava ligado esperando o castigo. — Levante-se e fique de quatro. Vou foder essa boceta, rápido! Temos vistas nos esperando na sala — ela revirou os olhos e mostrou a língua. Quando suas mãos tocaram os azulejos da parede e seu bumbum delicioso roçou o meu pau, segurei firme em sua cintura com uma das mãos e com a outra segurei meu pau. Esfreguei em seu canal e clitóris, ela gemia baixinho rebolava descontrolada. — Amor... Enfia logo! Estou sensível, quero gozar, mas quero gozar com ele dentro de mim — enfiei mais uma vez em sua boceta, estoquei com força, Segurei um dos seus seios e belisquei o mamilo intumescido. — Goza o meu pau, Morena. — Gozo... Amo o seu pau — ela acompanhava-me nos movimentos, rebolando a boceta encharcada em volta do meu pau. — Ama? — Sou viciada nele. Aiiiiiii... Isso... — Quanto mais ela gemia, mais eu metia com força. Sentei no chão e encostei-me à parede, fiz com que ela montasse meu pau, sentada de frente para mim. Passei um dos meus braços em sua cintura e com o outro segurei em sua nuca, nos beijamos e nos amamos ali no chão do banheiro. Enquanto ela desembaraçava os cabelos, me vesti. Peguei o celular, abracei-a por trás e a fitei através do espelho. — Eu te amo. Nunca se esqueça disso! — beijei seu pescoço. — Eu amo você — disse apoiando a cabeça em meu peito. — Seca os cabelos direito, não quero que fique doente. — Pareceu até a minha mãe falando. — Não vejo à hora de conhecer a minha sogra, Mateo e o meu futuro cunhadinho. — Tenho certeza que você vai amá-los. — Ela está com quantas semanas de gestação? — Não sei exatamente com quantas semanas ela está, mas já completou seis meses de gestação —


ela está feliz com o futuro irmão. Sorrio ainda fitando-a através do espelho. — Será que... — acaricio a barriga dela sob o roupão. — Já temos um zigoto aqui dentro sofrendo um ataque de divisão celular? — Ela fez uma careta engraçada. — O que? Um zigoto sendo dividido? — gargalhei e ela não gostou muito. — Amor fui uma péssima aluna em biologia celular. Não rir! Cada um com seus dons! — Vou ser menos específico: eu acho que aqui dentro, tem uma sementinha germinando — ela virou de frente e me beijou. — Será que já tem? — perguntou-me sorrindo. — Acredito que sim! Estou esforçando-me para isso. Já gozei tanto nessa bocetinha gostosa, tenho certeza que eu fiz um bom trabalho e emplaquei um golaço bem no seu útero. — Marquei uma consulta com a minha ginecologista para daqui vinte dias. Conversei com ela pelo telefone e expliquei mais ou menos a nossas expectativas. Ela disse que geralmente, doze dias após a ovulação é possível detectar a gravidez. — Sim. E, você ansiosa do jeito que é, vai aguentar três semanas para saber se está grávida ou não? — Tentarei! — Okay... Agora vamos dar atenção ao Arthur e Sofia — saímos do quarto e encontramos Arthur e Sofia arrumando a mesa de jantar. — Porra! Pensei que eu teria que invadir o quarto de vocês e jogar água para desgrudarem. A pizza chegou e eu autorizei o entregador a subir. Atende a porta e paga. Estou sem dinheiro aqui, deixei minha carteira no carro — assim que terminou de falar a campainha tocou. — Amor... Pega na minha carteira o dinheiro — ela aquiesceu e foi até o quarto pegar o dinheiro. A noite ao lado de Arthur e Sofia foi divertida. Fiquei maravilhado com os sorrisos descontraídos que minha morena liberava ao ouvir as piadas do Arthur. Quero vê-la sorrindo sempre, não quero vêla chorando mais. Levantei da mesa e fui até a nossa pequena adega e peguei mais duas garrafas de vinho. Eles estão conversando animadamente sobre diversos assuntos ao mesmo tempo. — Mano... Lembra quando pegamos o carro da mamãe escondidos e fomos ao shopping? — Lembro! — sorrio ao recordar desse dia. — Pegamos o carro da mamãe, Gustavo tinha uns dezesseis anos mais ou menos, e eu uma criança de nove anos, indefesa e desprotegida. Ele até que dirigiu direitinho, mas esquecemos de um detalhe... Esquecemo-nos de guardar o dinheiro para pagar o estacionamento — ele me olhou sorrindo, olhou para a Ana e Sofia e continuou, — Nessa aventura, gastamos toda a nossa mesada comprando fitas de videogame do Mortal Kombat e Street Fighter, comemos um Mac Lanche Feliz e uma casquinha mista. Juro, aquele dia foi maneiro... Foi... Divertido pra caralho! — Ele mudou a expressão, talvez tenha lembrado o motivo de termos fugido com o carro da mamãe. Olhei para ele e sorrio. Lembro-me como se fosse ontem, eu estava olhando ele enquanto a Vivi havia ido à padaria, mas na verdade não conseguia nem cuidar de mim mesmo. Quando ele pediu para jogar bola na sala eu deixei e ainda montei uma mini rede de futebol para ele. Só não contava com a tragédia que ele causou, ele chutou a bola para o alto, exatamente na direção da luminária enorme de cristal que por sua vez caiu em cima da mesa de jantar de vidro, que atingiu o bar do nosso pai derrubando a maioria das garrafas de uísque. Nesse dia eu quis morrer! Fiquei nervoso, peguei as chaves do carro reserva da nossa mãe e decidi ir refrescar as ideias, mas Arthur quis ir atrás de mim. — Eu também me diverti nesse dia. Só não curti muito quando lembramos que para sair com o


carro precisaríamos pagar o estacionamento — eu disse. — Bateu um desespero... Vasculhamos o carro todo, atrás de moedas e nada! O Gustavo começou a ficar nervoso e a hora passando, até que eu tive uma ideia — gargalhamos alto e as meninas sorriram. — A ideia foi absurda, mas meu irmão concordou — olhou de novo na minha direção e falou: — continua Gustavo! — Fiz com que ele pedisse esmolas dentro do shopping — todos gargalhamos. — O Gustavo bagunçou os meus cabelos e rasgou a gola da minha blusa polo da Lacoste. E falou: vai lá Moleque, faz uma expressão triste, diz que está com fome e fica nas coroas, elas são mais sensíveis. — Conseguiu o dinheiro? — Sofia perguntou. — O que vocês duas acham? — Elas se entreolharam e sorriram. — Ah, sei lá! — Ana respondeu. — Fiz um sucesso, não só com as coroas, mas com todos que eu abordava. Inventei uma história muito louca, porém bastante convincente. Disse que estava arrecadando dinheiro para ajudar na construção de um ginásio poliesportivo que seria dentro da comunidade do Vidigal. Saímos do shopping com uma grana, e eu só tinha nove anos de idade. Lembra mano? — Oh, se eu lembro! Fiquei de castigo por duas semanas, sem surf, Jiu Jitsu, videogame, cinema... Meu pai cortou tudo, até a minha mesada. Sem contar que levei a culpa por ter causado uma catástrofe na sala de jantar da nossa mãe. Esse moleque já não prestava desde pequeno. — Você também não prestava Gustavo! Meu pai sempre falava: o Gustavo é sonso, essa cara dele não me engana. — Imagino o seu pai falando isso. Se hoje, o Gustavo adulto e formado, ele parece não facilitar, imagine quando ele tinha apenas dezesseis anos? — Ana sai em minha defesa. Ela realmente não ficou nada satisfeita com a maneira que meu pai se dirige a mim. Mas, vou fazer o que? É o jeito dele! — Meu pai sempre foi ignorante e frio, mas eu guardo boas lembranças dele quando éramos crianças — Arthur fala. — Você guarda Arthur! Eu não guardo, ele sempre foi distante e indiferente, pelo menos em relação a mim — falo. — O Pai tem aquele jeitão, mas é uma boa pessoa — ele fala, mas a Ana continua irredutível em relação ao meu pai. Arthur sempre foi o filho preferido dele, mas eu até ficava feliz por ele ser carinhoso com o meu irmão, pois não o suportaria se fizesse ignorância com o Arthur. Ana e Sofia foram para a varanda interligada a sala. Terminamos a pizza, Ana Beatriz e Sofia lavaram a louça e arrumaram a mesa. Eu e Arthur fomos até o segundo piso, onde fica a piscina, pois ele pediu para conversarmos a sós. — Gustavo, estive hoje de tarde com o investigador da polícia federal, ele disse que já tem o paradeiro do bosta do Campelo, e a Rafaela Campelo será indiciada junto ao pai por vários crimes de tipologia de lavagem de dinheiro. Aí, é muito crime para duas pessoas só. Mas, como são ricos não se sabe se ficarão presos por muito tempo. Porém, só o fato de estar recuperando o montante desviado por eles de volta, fico satisfeito. — Será que ela já fugiu? — perguntei. — Desde o jantar na casa da minha mãe eu não tenho mais notícias dela. Troquei o número do meu celular há uma semana, então não tenho mais notícias daquela louca. — Não, fica tranquilo! Os seguranças que contratei para vigiá-la, ainda estão na cola dela, 24h


por dia. E tem alguns policiais federais na cola dela também. — Não quero mais me envolver em nada disso. Não tenho estrutura psicológica para entender a mente corrupta e desumana de algumas pessoas. Eles aproveitaram-se da condição que nosso pai se encontra. Isso foi sujo demais! — Mas, o papai assinou tudo muito consciente, pois até hoje ele fala sobre esse assunto e pede desculpas por ter sido precipitado e individualista por não ter pedido a minha opinião. — Você pretende contar para ele? Acho que deveríamos contar tudo para a nossa mãe. Ela precisa saber quem são eles de verdade, e para de ficar de amizade com aquela família. — Vamos contar, ela precisa saber — ele diz e olha na direção da escada. — Vamos mudar de assunto, as meninas... — sussurra baixinho. Pedi a ele para não conversarmos sobre esse assunto quando a Ana estiver presente, não quero a minha mulher fique preocupada com esses problemas. — Vão ficar aqui em cima a noite toda? — Ana Beatriz pergunta se aproxima e me abraça. — Não amor. Já terminamos de conversar. Vocês duas se enfurnaram no closet, então resolvemos subir para conversar. — A Sofia me ajudou a separar as roupas que falei que pretendia doar, mas dei tudo para ela, coube direitinho — Sofia sorri e agradece. — Obrigada Ana! Não vou comprar mais nenhuma peça de roupa, pelo menos até o fim deste ano. — Arthur a abraça por trás e apoia na mureta de vidro da cobertura, beija o topo da cabeça de Sofia e fala: — Você estava precisando de roupas? Por que não falou comigo? — Não, mas aceitei de bom grado a doação. Até os sapatos couberam. Sorrio internamente, lembro-me perfeitamente dele pedindo a Deus para livrá-lo de uma mulher consumista. E, agora presencio essa cena... Arthur já está gamado e não sabe, quer dizer: não aceita! — Mano... Vou chegar lá. Está tarde e ainda tenho que levar a Sofia em casa para pegar os trabalhos dela e o notebook — ele me abraça eu e a Ana ao mesmo tempo. — Arthur não acho que seria uma boa vocês irem a essa hora para zona sul, ainda por cima subir na comunidade onde ela mora. — Relaxa Gustavo. A comunidade onde moro é pacificada e essa hora — ela olha à hora no celular. — 22h, o morro está bombando — Sofia fala. — Tudo bem, mas o carro dele chama muita atenção — tento explicar a minha preocupação. — Vou no carro dela com ela dirigindo — Arthur fala fungando o pescoço da Sofia. — Porque eu estou pronto para dormir, bebi além da conta. — Ah! Então buscaremos amanhã antes do curso. Você com sono e eu na direção, não combina — ela fala exasperada. — Se quiserem, podem dormir aqui — Ana fala, Sofia olha para o Arthur e ele pergunta: — Quer dormir aqui? — Você quem sabe. O importante é dormirmos juntos — um sorriso malicioso surge em seus lábios. — Então vou preparar o quarto de hóspedes para vocês dois — Ana Beatriz disse. Depois de acomodá-los no quarto de hóspedes, fomos para a nossa suíte. — Vou fazer uma trança nos meus cabelos, talvez amanhã eles fiquem ondulado — parou de frente para o espelho do banheiro e trançou as madeixas, enquanto eu escovava os dentes. Quando ela terminou, olhou para mim, enfiou a mão no bolso da bermuda jeans que vestia e retirou um pedaço de


papel. — Quem é Carol? — cuspi toda a espuma dentro da pia e com a boca ainda suja de pasta de dente, e disse: — Quem? — Quem é Carol? Responde por favor! Quem é essa Carol? — Amor... Eu não sei. — Como assim, não sabe? Encontrei esse pedaço de papel dentro da sua carteira, nele tem o nome e telefone dessa tal de Carol, e bem aqui embaixo está escrito: "Dr. Delícia quero replay" — peguei o papel da mão dela e li. — Perguntei a Sofia se alguma mulher chamada Carol trabalha em sua clínica, mas ela desconversou e disse que não lembra se existe alguma funcionária chamada Carol. — Carol é a enfermeira chefe da minha clínica — respirei fundo, pois estou tentando lembrar como esse papel foi parar na minha carteira. — Você transou com ela. — Sim, mas foi muito antes de conhecer você. — Lembro perfeitamente quando você me disse que nunca levou suas funcionárias para a cama. — Ana... — Gustavo... Chega! — saiu do banheiro e bateu a porta. Confesso que tremi um pouco com a reação dela, mas ela tem toda a razão. Eu disse a ela que nunca havia transado com nenhuma funcionária, mas acabei esquecendo-se desse encosto. Segundafeira ela vai direto para o RH. Não basta estar infernizando o meu sócio, agora que ferrar com a minha vida? Ela não perde por esperar. Aproximo-me dela que está vestindo a camisola e a seguro por trás. — Me solta! — Amor... Você precisa acreditar em mim. Ela não significou nada, por isso não me lembrei dela. Com certeza, ela colocou esse papel na minha carteira, às vezes deixo dentro de uns dos meus jalecos que ficam pendurados no banheiro do meu consultório. Ela pode ter entrado e colocado o papel na minha carteira. — Okay... Agora me deixa dormir — se desvencilha do meu abraço e deita na cama cobrindo-se até o pescoço. — Ana Beatriz... Eu te amo, pare de bobeira. — Eu também te amo, mas não sou idiota. Quero essa puta longe da clínica! Nunca mais ela vai dar em cima de homem comprometido. Retirei toda a roupa e fiquei só de boxer, deitei ao lado dela e a abracei, mas ela ficou toda rígida. Acariciei sua cintura por baixo da camisola e senti sua pele se arrepiando quando a toquei. — Para de bobeira... Eu te amo — ela continuou calada. — Amor, tudo que eu vivi antes de te conhecer, me preparou para você. Não se ofenda com os meus casos de antes, todos eles tornaram-se pontes para que eu chegasse até você — sussurrei em seu ouvido enquanto desfazia a sua trança.


Capítulo 27 - Ana Beatriz Eu sei, às vezes consigo ser pirracenta e mimada. Minha mãe faz questão de lembrar-me o quanto fui chorona e insistente e que quando eu queria alguma coisa, chorava até conseguir. Hoje em dia considero-me um pouco pacífica e compreensiva, graças ao meu amigo e psiquiatra. Sempre fui filha única, então dividir atenção e amor não é comigo. Por isso mesmo, "essazinha" abusada terá o desprazer de me conhecer pessoalmente. A maioria dos funcionários da clínica do Gustavo sabe que ele está noivo e de casamento marcado, ou seja, ela também sabe. Estive na clínica várias vezes, fui apresentada por ele a todos, como sua noiva, seria impossível ela não estar sabendo. Agora é uma questão de honra conhecer essa enfermeira cara de pau. Não estou fazendo o papel da noiva ciumenta e passional, mas é muita falta de respeito o que essa mulher fez. Não toquei nesse assunto durante todo o nosso final de semana, procurei me manter pacífica e sem fazer comentários desnecessários sobre a porra do pedaço de papel que encontrei na carteira do Gustavo. Na verdade, não me faltou vontade de debater sobre esse mal entendido, mas ele como sempre, foi tão carinho e romântico que me fez esquecer até o meu nome. Como isso é possível? — Bom dia príncipe! — Ele nem se mexe, escuto sua respiração ruidosa, acho que ele está roncando. Sorrio igual a uma babona. Ontem às 02h da manhã ele recebeu uma chamada de emergência para atender uma paciente que teve os pontos nos seios rompidos, depois de ir à praia e ficar sob um sol de 42º C. Quem em sã consciência vai à praia com apenas oito dias após a cirurgia? Só de pensar nos pontos rompidos e na mucosa exposta, fico toda arrepiada. Ai que nervoso! — Amor... Acorda! Já passa das 10h — mudou de posição e deitou de barriga para baixo, o edredom ficou preso debaixo do peito dele, então sou obrigada a olhar essa bunda perfeita e, se eu descer só mais um pouquinho consigo visualizar boa parte de seu membro e saco com pelos aparados. Meu Deus! Ele não pode mais dormir desse jeito, completamente nu. Mentira pode sim! — 4G da mamãe... Acorda! Se não acordar vou molestar você — até onde uma pessoa apaixonada chega! Olho para seu rosto que está apoiado de lado sobre o travesseiro. Mesmo dormindo e relaxado, ele não desfaz a ruguinha entre as sobrancelhas que lhe dão uma expressão de homem malvado. Acaricio o rosto dele, mas precisamente falando, acaricio uma cicatriz que ele tem um pouco abaixo do olho direto. Lindo! — Não vai acordar? Pensei ter ouvido você me dizer que hoje faria três cirurgias. Acorda meu amor — beijo a cicatriz e saio distribuindo beijos em seu rosto, mas ele não se mexe e nem abre os olhos. — Agora você vai acordar! — Começo pelo pescoço, beijo e passo a língua, paro em seus ombros largos e definidos, dou uma mordidinha leve, continuo descendo minha língua até o final da coluna dele. — Hum... Delícia. Vou continuar, se você não acordar — ele não responde, mas posso jurar que ele está sentindo tudo o que estou fazendo, pois ficou arrepiado. Primeiro beijo, depois passeio com a minha língua em sua bunda dura. — Você está com o cheirinho do meu sabonete — mordo o meu lábio inferior depois de um pensamento um pouco mais ousado... Se eu continuar lambendo até o final da extensão do bumbum dele, terei que invadir um lugar um pouquinho proibido. Vou continuar! Seguro com carinho cada glúteo e deslizo impiedosamente seu lugar restrito. Não reclamou então está gostando. Enfio uma mão por baixo dele e procuro o seu membro. Achei! Parece uma pedra de tão ereto que esta. Massageio e abro a sua glande lubrificada, sinal que está muito excitado, muito tesão, muita vontade. Passo a língua de novo no lugar restrito e massageio seu membro totalmente ereto, fricciono minhas cochas para aliviar a minha excitação.


— Arrr... — ele gemeu baixinho, levantou a cabeça. — O que você está fazendo? — A voz dele saiu rouca e sonolenta. — Não sei, mas você estava gostando, pois seu pau está todo babado na minha mão. Pode continuar? — levanto a cabeça que estava apoiada no bumbum dele, para olhá-lo melhor. Ele ainda está de olhos fechados e suspirando igual a um touro. Abaixo de novo e passo a língua novamente, mas ele elevou a minha cabeça pelos meus cabelos, afastando do seu glúteo. — Não! Eu não quero gozar com uma língua bem no meio do meu rabo — ele estava gostando, disso eu não tenho dúvidas. — Okay... Se você quiser que eu continue e faça você gozar com a minha boca, vire-se de barriga para cima, por favor! — virou-se devagar, mas acabou sentando na cama. Olhou-me desconfiado, franziu o cenho, coçou os olhos e espreguiçou. — Você vai aonde com essa roupa? — Nossa que mudança de humor repentina. Olho para a minha roupa, que ao meu ponto de vista está perfeita. — Trabalhar? — pergunto ironicamente. Ele levanta a sobrancelha esquerda, morde o lábio inferior e meneia a cabeça dizendo que não. — Não com essa roupa. — Por quê? — Está muito curta. — Não, não é — estico-me e ele olha para todo o meu corpo. — Gustavo está calor, estamos na primavera e eu preciso estar à vontade. — À vontade de quem? — ele pergunta e eu reviro os olhos para ele. — Ana você... Amor você está muito gostosa com esse vestidinho, mas... — Ele se levanta da cama e fica de pé de frente para mim. Oferece um sorriso, quer dizer, o sorriso malicioso e safado que só ele sabe dar. Meus olhos são atraídos como imãs para o aço entre as pernas dele. — Isso não é um vestido. É um macaquinho de seda, que por sinal está na moda e estou sentindome moderna e confortável vestida assim — olho meu reflexo na parede espelhada ao meu lado e passo as mãos na barra do macaquinho vermelho. — Não faça chantagem, não ouse me seduzir para depois rasgá-lo, ele foi caro e custei para fazer esses seios caberem nele. — Você está sem sutiã? Ana Beatriz... Não me faça perder a cabeça. — Sabia que já são quase 10h da manhã, Senhor Autoridade Máxima? — Ele passa as mãos entre os cabelos e fala: — Tenho uma cirurgia daqui duas horas — sorrio ao constatar a minha vitória. — Então vai tomar o seu banho — olho para o seu pênis agora semi-ereto e depois nos seus olhos azuis. — Você venceu! — ele disse. — Eu sei, mas preciso receber o meu prêmio — avanço na direção dele e ajoelho-me totalmente rendida àquela barra de aço. Ele sorri e segura meus cabelos e força a minha cabeça contra o seu pênis. — Hummm... Que delícia — eu falo e chupo a cabeça gorda do seu pau. Fecho a boca em volta de toda a extensão e faço movimentos rápidos com minha língua, desfaço subindo e sugando tudo. — Boquinha nervosa — sorrio ao ouvir sua voz rouca. Seguro na base do seu pau e massageio sem retirar a minha boca e sem interromper as lambidas na cabeçona deliciosa do meu Dr. Gostoso, delicioso e maravilhoso. — Ahhh... Feiticeira... Arrr... — Sinto-o crescer e contrair involuntariamente sobre a minha língua nervosa, um jato forte, quente e espesso invade minha garganta sem um aviso prévio para me


dar chances de respirar e recebê-lo. Engoli tudo e continuei sugando até última gota de porra, quando terminei dei um beijinho em toda a extensão de seu membro e falei: — Até mais tarde, garotão! A mamãe precisa trabalhar. — Aonde a senhora pensa que vai? — Trabalhar, já disse! Você sabe muito bem que eu não posso deixar de ir ao restaurante hoje. O Alex — ele revira os olhos quando cito o Alex em nosso assunto. — O Alex, meu amigo e sócio, está entretido na tese de mestrado que ele irá apresentar daqui dois dias. — Hoje eu te levo — ele termina de falar e sai em direção ao banheiro. — Tem um rastro de batom do pescoço até sua a bunda — sorrio internamente. Entro no banheiro e o encontro olhando as manchas de batom. — Deixei a minha marca! — encostei-me a porta. — Estou vendo. Você abusou de mim enquanto eu dormia — ele bem que estava gostando. Deu mais uma olhada na própria imagem refletida no imenso espelho do banheiro. — Vou tatuar o meu nome em você — entrou no box do banheiro e abriu a ducha. — Arrrr... Água gostosa — disse quando o seu corpo recebeu o jato de água gelada. Franzi o cenho e só assimilei depois o que ele disse. De novo esse papo de tatuar o nome dele no meu corpo? — Como? — Me aproximei da porta de vidro do boxe. Ele continuou esfregando os cabelos com o shampoo, depois retirou toda a espuma e pegou a esponja. — Você disse que... — Disse que vou tatuar o meu nome no seu corpo. — E... Quando vai ser isso? Em qual parte do meu corpo? — Bem na sua bunda — alisei meu bumbum. Isso deve doer muito! — E você vai tatuar o meu nome em qual parte do seu corpo? — Perguntei curiosa, esperando a reação dele. — Hã? — Ele para de esfregar a esponja nos braços e me olha. — Isso mesmo. Aonde você quer tatuar o meu nome? — E... Eu disse... — Gaguejou? Pois bem, eu toparia tatuar o seu nome discretamente bem no meio da minha bundinha, mas você teria que fazer o mesmo. Fechado? — esperei, mas ele não respondeu, só ficou com aquele sorrisinho de safado e cínico no rosto. — Gustavo Tchau! Preciso ir... Fui. — Ana eu vou levar você. — Para que você comprou uma porra de um carro de 200 mil, se eu não posso sair sozinha? Tchau! — E eu fui mesmo. Passei pela sala e avistei a Vivi limpando a cozinha e ao mesmo tempo fritando ovos para o Gustavo. — Tchau minha Deusa de Ébano — ela não tira esse fone do ouvido. Por isso não me ouviu. AH! Deixa pra lá! Hum... Cheiro de carro novo. Adorei o meu. Sempre quis comprar um carro maior e mais luxuoso, mas minha mãe e Alex sempre foram contra. Sou péssima para fazer baliza, não sei como vou estacionar esse carrão em uma vaga minúscula na orla. Conforme eu for dirigindo aos poucos irei me adaptando ao tamanho do carro. Fico até com receio de testar esses botões, são tantos comandos no painel que fico com medo de pressionar algum e o carro explodir. Conecto o iPod e deixo a música rolar. Coloco os óculos de armação dourada e lente espelhada. Paro no semáforo, aproveito e retoco o batom, o celular vibra entre minhas cochas, aposto que é o Gustavo. Dou uma espiada rápida no visor e confirmo, é ele. Infelizmente não poderei atendê-lo, o sinal abriu e eu sou prudente. Estaciono o carro sem muito esforço, graças à câmera interna do carro e o sensor de ré. Pronto! Olho para a entrada do restaurante que fica do outro lado da avenida e vejo o Felipe arrumando no


bagageiro da moto, algumas pastas. Saio e atravesso correndo igual a uma louca. — Bom dia, Felipe! — Olá, bom dia! — Desde a noite que dançamos juntos na festa do Arthur, Felipe evita ficar no mesmo ambiente do que eu. Acho que ele ficou com medo do Gustavo, ou está sem graça depois da nossa dança mais intima. — Alex passou por aqui? — pergunto olhando para ele e para as pastas. — Esteve e pediu para eu levar esses documentos para o contador. — Eu preciso que você pague umas contas, vamos até o escritório. Atravessei o salão, avistei o Carlos, Renatinha e mais dois funcionários limpando a Adega. —Bom dia! — Bom dia! — eles responderam em uníssono. Olhei para cada um e sorrio. A Renatinha estava com a aparência melhor, parecia até animada enquanto o Carlos explicava a ela as diferenças entre os vinhos, mas quando viu o Felipe o olhou com desprezo e retornou a atenção ao que estava fazendo. Abri a porta do escritório e dei graças a Deus que o Alex deixou o ar-condicionado ligado. Pendurei a minha bolsa próxima à mesa Sentei e liguei o notebook que fica sobre a mesa. Olhei para o Felipe e ele continuava em pé, aguardando as contas. — Felipe? — Oi. — Senta menino — sorrio. — Você está bem? — pergunto. — Estou — ele levantou o olhar e fixou os seus olhos azuis claros sobre os meus verdes quase castanhos. — Não parece. Quer conversar? — Ele sorriu e suas covinhas lindas deram o ar da graça. — Você e Fernanda... — passei as mãos nos cabelos e só agora lembrei que ainda estou de óculos de sol. Balancei a cabeça e sorrio de mim mesma. Retirei-os coloquei sobre a mesa. — Acho que não estamos mais juntos — ele fala baixo. — O que houve? Ela me ligou no sábado e disse que vocês estavam bem. Pensei que estivessem se entendendo — na verdade, eu sei que eles estão brigados. E a Fernanda praticamente me obrigou a prestar esse papel de Maria conciliadora. Deus perdoe-me! Olho para ele e vejo que está realmente triste. Amo a minha amiga doidinha e loira, mas ela tem que entender que nem todos os homens são iguais, uns curtem o mesmo que ela, mas outros simplesmente não gostam. — Não consigo acompanhá-la em suas preferências — ele respondeu com a voz contida e com um rosto entristecido. — Felipe... Fernanda é uma mulher incrível, mas tem essa necessidade que eu também não compreendo, mas não a recrimino — ele fica com o rosto vermelho, acho que de vergonha por eu saber o que realmente a Fernanda gosta e praticamente o aliciou a fazer. — Desculpe-me por estar sendo direta. Você não curte ter que dividi-la durante o sexo? — Não curto. Não suporto vê-la com outro homem, não suporto ter que pensar nessa hipótese... — Ele para de falar e balança a cabeça negando algum pensamento. — Felipe realmente entendo o seu lado, mas você precisa dar um voto de confiança para ela. A Fê é uma mulher incrível, especial, divertida e feliz. Se não for você o alicerce dessa relação, ela deixará como estar mesmo apaixonada por você. — Estou sendo sincera com ele. A Fernanda me confidenciou através do telefone que estava apaixonada por ele. — Bia é difícil. Existem vários empecilhos que nos divide ao meio e, eu não estou disposto a ceder a práticas que não condizem comigo — os olhos dele estão vermelhos, acho que ele está


engolindo as lágrimas. Dizem que é o choro mais doloroso que existe. —Bom... — respiro e me concentro para continuar. — E se ela estiver disposta a ficar somente com você? — Ela não está. Pode até dizer que está, mas é da boca para fora, por que o corpo dela pede por mais e mais — nossa! Esse aí é decidido. — Bia, eu não tenho nada a mais para oferecer a ela, além de mim mesmo. Não tenho dinheiro, não tenho uma profissão especifica, eu não tenho nada a altura dela. Foi melhor terminarmos. Ela não me respeitou como homem e essa nossa história só nos machucaria. — Imagino que além do assunto em si, ainda exista alguma coisa a mais — ele aquiesceu. — Pensa direitinho Felipe, ela gosta de você e está sofrendo. — Ela não está sofrendo, pode ter certeza disso. Ela não sofre, principalmente por um homem só — ele realmente está magoado. A Fernanda não me contou toda a verdade entre eles dois. Aconteceu algum episódio a mais. — Bia... Cadê as contas? Acho melhor eu ir logo ao contador — entreguei a ele um malote vermelho com as contas do mês para serem pagas. — Tchau, Felipe. — Valeu! Até mais tarde! Peguei meu celular para ligar para a Fernanda, mas assim que olho o visor vejo as chamadas perdidas do Gustavo. Retorno antes que ele apareça por aqui dando chiliques. — Oi amor — escuto o ruído que ele fez ao atender. — Por que você não me esperou? — Amor eu já estava atrasada e não pude esperar por você. — Eu disse que levaria você. — Qual é o problema de eu vir sozinha e dirigindo? — Ele ficou em silêncio até eu escutar uma voz feminina do outro lado da linha. — Bom dia para o Dr. mais gostoso da clínica. Sua enfermeira chefe mais gostosa chegou e está prontinha para servi-lo. O Quê? Respira fundo Ana Beatriz Medeiros. Respira e não se estressa, não se abale, lembre-se das palavras e conselhos do seu psiquiatra. — Já estou pronta para a iniciarmos a próxima cirurgia — escuto a mulher que acabou de chamar o meu noivo de gostoso, e que se identificou como a enfermeira chefe mais gostosa. Quer saber de uma coisa, ele é gostoso mesmo, não vou falar nada. — Gustavo? — Oi Ana. — Quantas cirurgias você tem hoje? — Duas, meu amor. — Okay! Tenha um ótimo dia. Eu te amo — desliguei. Enfermeira chefe? Sei... Para mim ela é a vadia chefe! Se ela fala dessa forma com ele, o único culpado é ele próprio que permite esse tipo de intimidade. Só de pensar que eles já transaram, vai acumulando uma ira aqui dentro do meu peito, e quando transbordar não vai existir nesse mundo um calmante que me mantenha na linha. Respiro fundo e tento concentrar-me nos meus afazeres. Visto a minha roupa de chefe de cozinha, sigo para o "forno" e logo absorvo o meu papel de chefe de cozinha. Hoje o movimento está frenético, pois está um sol de 42ºC e o restaurante acaba recebendo mais clientes, principalmente os banhistas. Quando o movimento diminui, aproveito e deixo a cozinha. Retiro a roupa de chefe, lavo o rosto, refaço a make básica e hidrato as mãos. Sento-me novamente de frente ao computador e confirmo alguns serviços que acabei tendo que


contratar para a festa do nosso casamento. Eu e Gustavo decidimos que a cerimônia será realizada na casa dos pais dele em Angra dos Reis. Ele disse que a casa é grande e acomodará perfeitamente os nossos poucos convidados. Ainda não conversamos sobre a nossa lua de mel, ele tem várias cirurgias marcadas para os próximos quatro meses, segundo a Sofia. Não me importo com lua de mel, o que realmente importa para mim é estarmos juntos e felizes, sem nada nos impedindo de viver a nossa vida. Recolho as minhas coisas de cima da mesa e guardo na bolsa, confiro à hora, pego um projeto que o Alex deixou para eu ler com atenção e saio do escritório. — Carlos! — Oi Bia. — Carlos, eu e Alex estamos pensando em contratarmos um subgerente para ajudá-lo. Graças a Deus a cada dia nossa lista de clientes assíduos aumenta, porém o número de funcionário deverá seguir o mesmo trajeto. Eu preciso de uma lista com o nome dos funcionários, indicados por você para assumir os cargos de subgerente, atendentes, auxiliar de serviços gerais e dois ajudantes de cozinha. — Está bem! Vou pedir a agência de empregos e RH que contratamos para providenciar os melhores profissionais — aquiesço. — Quanto ao cargo de subgerente, quero que seja indicado diretamente por você. — Perfeito, Bia. Até o final desta semana estaremos com todos os cargos ocupados — me despeço dele e corro para a minha consulta com o psiquiatra. Depois de uma boa conversa com o Dr. João Pedro, sigo para o atelier da costureira que a Estella indicou-me. — Boa tarde! — a recepcionista do atelier me saudou. — Boa tarde! Tenho horário marcado com a Rosana. — Qual é o nome da senhorita? — perguntou-me enquanto abria uma agenda lilás. — Ana Beatriz Medeiros. — Sim, ela está aguardando por você. Pode entrar — ela mostra uma porta ao lado do balcão. Entro e encontro uma senhorinha idosa, fazendo apliques de pérolas em um vestido branco. — Boa tarde! — Ela levanta o olhar e me fita sem parar de costurar. Eu já teria enfiado a agulha na minha mão, se fizesse isso. — Oi bonequinha — sorrio ao ouvi-la me chamar de bonequinha. Ela me mostrou um catálogo da coleção primavera verão, com diversos modelos de vestidos, incluindo os de noivas. Ajudou a decidir sobre o modelo ideal para o meu corpo e ocasião. Expliquei a ela que meu casamento será simples e praticamente teremos a praia em nosso quintal. — De uma olhada nesse catálogo de acessórios. Olhe, temos vários modelos de tiaras e coroas de flores. — São lindos! Olha essa aqui — mostrei a ela. — Perfeita. Perfeita. Perfeita. — Vai combinar com o seu vestido — ela diz ao olhar a imagem do catálogo. — Com o meu vestido e principalmente com os olhos do meu noivo. — Os olhos dele devem ser lindos! — ela fala olhando nos meus olhos. — Os seus são verdes ou castanhos? — Ela enruga a testa para focar em meus olhos com mais precisão. — São verdes, mas às vezes assumem um tom mais acastanhado. Minha mãe diz que são de cor indefinida. Eu sou apaixonada por plantas e flores. A senhora pode encomendar essa coroa de flores azuis? — ela anota no mesmo rascunho onde escreveu as minhas medidas. — Olha a foto do meu noivo. — coloquei o meu iPhone na mão dela. Ela ajeitou os óculos no rosto e olhou para a tela do


celular. — Meu Deus! —É eu sei... Ele é um gato. — Ochenteee... Parece até um modelo — sorrio. — Pois é! — Olhe só esses olhos. Aumenta essa imagem menina! — ela me pediu totalmente interessada em ver com mais nitidez os olhos do Gustavo. — MORRI! Que homem bonito! Benza Deus! Para eu conseguir um igual a esse, só na próxima reencarnação. — Obrigada! — Eu fico orgulhosa quando as senhoras o acham bonito. Apenas as senhoras. Despedi-me da senhora simpática, ela disse que daqui quinze dias o meu vestido estará pronto, e terei que retornar para fazer os ajustes finais. Entrei no carro, liguei o ar-condicionado e disquei o número da Fernanda. — Alô! — Oi — sussurrou baixinho. — Tudo bom? Sua voz está estranha. — Ai amiga, estou precisando de colo — respirei fundo para me preparar e consolá-la. — Falou com ele, amiga? Tudo que eu te pedi? — Ela pergunta ansiosa. — Conversei com ele, Fernanda. Mas não quis me meter muito nesse assunto. O Felipe é tímido e reservado, porém decidido — ela grunhiu ruidosamente. — Você está onde? — pergunto. — Na porta do seu restaurante. Eu preciso ver o Felipe, ele não atende as minhas ligações e me proibiu entrar na quitinete que ele mora. Amiga, estou me humilhando para ele, não estou bem. Eu peguei essa doença de você, que está toda apaixonada pelo Gustavo. — Fernanda... Ele está magoado. Eu achei que você tivesse me contado toda a história que houve entre vocês dois. — Amiga eu fiz uma burrada, mas estou aqui pronta para me humilhar aos pés dele. Será que isso não basta? — Não sei o que você fez, antes de dar a minha opinião, precisarei entender o que realmente aconteceu, Fernanda. — Você passou essa doença para mim, só pode! Meu coração dói muito, parece estar machucado. Eu quero o meu anjo de volta, Bia! — Levei um susto quando bateram no vidro do meu carro. Estava distraída e não havia percebido que tinha um carro querendo estacionar onde eu estava com o carro parado. — Espere na linha, estão batendo no vidro do meu carro — abaixo o vidro e tenho uma surpresa desagradável. — Porra! Vai ficar duas horas para liberar a vaga? Eu quero estacionar — ela fala com arrogância e sem nenhuma educação. — Pois não, Rafaela — ela não me reconheceu, talvez seja por causa dos meus cabelos. — Cozinheira do bandejão popular! Bom encontrar você por aqui — ela olha o meu carro e arregala os olhos e as mucosas anêmicas ficam expostas. Ela deve estar com anemia profunda, só pode, pois está mais pálida do que nunca. — Deu o golpe direitinho, parabéns! — ela bate palmas e gargalha. Fico em silêncio aguardando o espetáculo terminar. — Acabou? Se sim, me dê licença — tento levantar o vidro, mas ela impede atravessando o braço magricelo e apoiando-o sobre vidro. — Ai... Você é louca? Qual é o seu problema comigo? — pergunto já sem paciência. Odeio brigar, pois eu me conheço e posso me descontrolar a qualquer momento e junto do meu descontrole chega à agressividade. Que droga! Eu só quero viver em paz na maior passividade.


— Você não me fez nada, mas o seu noivo sim — ela olha para a minha mão direita e faz uma cara de nojo, afasta-se um pouco e cospe no chão. — Ele me usou. — E você gostou — eu disse e ela fez uma careta medonha, para logo seguida lançar o seu veneno. — Como? Eu nunca o provei. Sabe como é, né? Quando chegou na hora do vamos ver, ele brochou. — E você forjou uma gravidez, depois de dopá-lo. Deixa de ser ridícula. — Essa foi à história que ele te contou. Você precisa escutar a minha versão! — A voz dela sai desesperada e ela começa a chutar a porta do meu carro. — Calma! Pare de chutar o meu carro. — Sua vadia! Era para eu estar noiva dele. Eu! — Se você não se afastar, vou te atropelar — disse gritando. Ela conseguiu alcançar os meus cabelos e puxou com força fazendo minha cabeça encostar-se ao vidro. — Me solta sua maluca! — consegui abrir a porta e empurrei com força fazendo-a cair no chão. Desci do carro em um pulo. — Me deixe em paz! — perdi o controle e chutei-a com força, mas não consegui parar só no chute. Abaixei e segurei seus cabelos loiros, fazendo-a se levantar. — Socorroooo! Vagabunda! — Socorro sua louca? Quem começou foi você, agora aguente as consequências! — disse intensificando o puxão de cabelos. Ela cuspiu no meu rosto e isso só fez aumentar a minha ira. — Nojenta! — disse limpando o meu rosto com uma das mãos. Juntei toda a minha saliva e cuspi bem no meio do nariz dela. Derrubei-a no chão de novo e comecei a esbofeteá-la com socos no rosto. — Nunca mais se meta comigo sua ladra! — Puta! — Puta é a sua mãe! — Imobilizei-a com o meu corpo e segurei as mãos dela prendendo acima de sua cabeça. — Sabe qual é o seu problema? — disse olhando nos olhos dela. — Você não aceitou ser rejeitada e usada. — Eu? Querida eu nunca fui rejeitada por homem nenhum. Olha bem para mim, sou linda, médica e rica. Qualquer homem cairia aos meus pés. — É Rafaela todos... Menos o Gustavo. O Seu plano era seduzi-lo ao ponto de conseguir manipulá-lo contra a empresa do pai dele, mas tudo deu errado e você fugiu igual uma bandida de quinta — ela sorriu e cuspiu de novo no meu rosto. Não pensei muito e fui com tudo, dei uma cabeçada nela. — Aiiii... Socorro! — ela gritou. — E quando o Gustavo se aproximou de você e a usou, sentiu o seu ego sendo ferido. Foi isso? — Não é nada disso! Ele e o Arthur acabaram com a minha família. Meu pai não pode mais voltar ao Brasil e eu não posso sair dessa merda de país. Ele me usou para destruir o nome do meu pai. Eu vou fazer de tudo para vingar o nome da minha família. Vou atingi-lo bem em sua ferida. — Só lamento por vocês. Rafaela, você não é páreo para Gustavo e o Arthur. Desiste dessa loucura de vingança, a única prejudicada aqui será você. — Vou registrar um boletim de ocorrência contra você — ela grita no meu rosto. — Faça isso, e não sairá da delegacia nunca mais. — Cachorra! — xingou gritando descontroladamente. — Só quando o Gustavo pede — sorrio. — Vai cuspir de novo? Vai? Cospe e eu te asfixio aqui mesmo sua louca — senti duas mãos me puxando com rapidez. — O que as senhoritas pretendem? — Um homem gigantesco e nervoso nos pergunta. Olhei para


ela ainda deitada no chão em posição fetal. — Acho que ela precisará de cuidados. Ela tentou me assaltar, mas acabei reagindo — sussurrei para o homem. — Sendo assim, você precisa prestar uma queixa contra tentativa de furto — ele olhou incrédulo para a loira magricela, vestida toda de branco e com o rosto vermelho e a boca sangrando. — Pode deixar ladra, não prestarei queixa contra você — aproximei e cuspi as palavras na direção dela. Afastei-me e cuspi no chão, bem ao lado dela. — Nunca mais se aproxime de mim e do meu noivo. LADRA! Parei ao lado do meu carro, analisei a porta que ela havia chutado descontroladamente. Até que não ficou amassado, somente manchado. Entrei e vi que ainda estava com o motor ligado, ajeitei confortavelmente no banco, bati a porta com força e coloquei o cinto de segurança. Que loucura! Estava tudo tranquilo até essa mulher desagradável surgir ao meu lado. Peguei o celular que estava jogado no banco do carona, olhei a tela, vi que a Fernanda havia desligado e que tinha centenas de chamadas perdidas do número dela. Dei partida, manobrei e não olhei quando Rafaela deixou o local. Liguei novamente para a Fernanda e esperei até que ela atendesse. Coloquei no viva-voz e pus o celular em um compartimento específico para ele. — Bia! Eu já estava ligando para o celular do Arthur, para ele avisar ao Gustavo. Escutei boa parte da discussão. — Tudo está resolvido — disse. — Essa é a louca da qual você me falou? — É, e ela me agrediu sem eu ter feito nada, perdi o controle e dei uma surra nela. — Você está bem? — Estou — respirei profundamente e senti minha cabeça latejar. — Ela é fraca. Não sabe bater, só cuspir. Estou com o rosto fedendo a saliva. Abri o console do carro, peguei a caixa de lenços umedecidos que eu tenho costume de guardar para emergências. Peguei alguns lenços e limpei todo o meu rosto. — Que nojo! — eu disse indignada. — Se eu estivesse aí, daria uma boa cuspida carregada de muco bem no meio da cara dela. — Fernanda, Que nojo! — escutei ela rir. — Amiga você está vindo? — Estou indo para o restaurante, me espere aí. Ok? — Okay! Liguei para o Gustavo, mas quem atendeu a ligação foi a Sofia. — Alô. — Sofia? — Sou eu, Ana Beatriz! O Dr. Gustavo está na sala de cirurgia e deixou o celular para eu atender as ligações para ele. — Tudo bom? — perguntou-me. — Mais ou menos — minha respiração falhou. — Aconteceu alguma coisa? — Aconteceu, mas não foi nada grave. Por coincidência encontrei a Rafaela Campelo, próximo ao atelier aonde encomendei o meu vestido de noiva. Agredimo-nos! Mas ela saiu mais machucada — sorrio. — Que doideira! Quer vir até a clínica para conversarmos? Você pode esperar no consultório do


Dr. Gustavo. — Estou voltando para o meu restaurante para encontrar a Fernanda. Depois passo na clínica. — Nossa Ana! Essa Rafaela deveria estar seguindo você. É muita coincidência! — Pode ser! Ela estava totalmente transtornada. — Você quer que eu chame o Dr. Gustavo? Dou o meu jeito aqui. — Não precisa, ele pode perder a concentração com tudo isso e fazer uma besteira. — Está bem, mas assim que ele deixar o centro cirúrgico peço a ele para entrar em contado com você. — Obrigada Sofia, tchau. Parei ao lado do Kia Sportage vermelho da Fernanda e buzinei. Mas ela estava concentrada olhando para dentro do restaurante, encostada no carro com uma bermuda jeans e um cropped vermelho de alça fina. Estacionei um pouco mais à frente do carro dela e a surpreendi quando me aproximei. — Fernanda! — Porra! Deu-me um susto — olhou-me dos pés até a cabeça. — Pensei que encontraria você toda desmazelada e suja de poeira de asfalto. Enganei-me! — Eu falei que eu acabei com ela. Ela só me cuspiu e puxou os meus cabelos. — Seus cabelos ficaram lindos, mas prefiro os cachos — revirei os olhos e resmunguei. — Argh! Que saco! Por que você não entrou? — perguntei sem entender muito o porquê de ela estar parada igual a uma estátua de frente ao restaurante. — Aquela sua funcionária que parece com a Lady Gaga, mora na mesma vila que o Felipe. Ontem ela me viu fazendo uma cena deprimente na porta da quitinete dele. Olha o nível que cheguei... Com vergonha de uma merda dessas! — ela aponta para dentro do restaurante. — Entendo, mas o que tem isso? É comum casais brigarem. Você viu meu estado quando o Gustavo me deixou. Não é vergonha nenhuma você lutar por uma pessoa que realmente goste e valha à pena. — O que tem isso? Ela dá mole descaradamente para o Felipe, eles já ficaram e tal, mas não passou de beijos. Mas só de pensar, meu sangue ferve. — Você nunca ligou em compartilhar — lembrei-a desse detalhe. — Não, você ainda não entendeu. Eu gosto de ser compartilhada e não compartilhar o que é meu. — Ah, tah! — disse ainda sem entender. — Ele está aí? — perguntei. — Ainda não chegou — ela respondeu e olhou para o relógio dourado no pulso. — Já são quase 18h. — Geralmente nesse horário ele é dispensado aqui do restaurante — falei ainda um pouco perplexa em constatar o estado em que ela se encontra. Sempre a apaixonada e sofredora fui eu, vê-la nesta situação é deprimente. — O que você pretende fazer? — perguntei preocupada com ela. — Não sei. Bia, eu só posso estar doente por ele. De onde surgiu essa sina, essa necessidade excruciante de ter insanamente esse garoto? Eu vou morrer se ele não me perdoar. — Nossa... Choquei! Essa é a Fernanda Morais que conheço desde o primário escolar? — Amiga como eu posso te ajudar? — Ligue do seu celular para ele, assim que atender passe para mim — fiz o que ela pediu. — Ele atendeu — falei baixinho com a mão abafando o telefone. — Oi — ela ficou quieta. — Por quê? Eu preciso ver você agora. Não foi exatamente uma traição. Porra... Você quer que eu morra com essa angústia no peito? Eu preciso de você Felipe. Eu... Eu... Não desligue! — Ela me devolveu o celular e pela primeira vez desde que nos conhecemos,


vejo Fernanda chorar por um homem. — Ai minha amiga... Não sei o que fazer — abracei-a com ternura e tentei confortá-la igual fez comigo durante tantos anos. Acabei chorando também. — Fernanda, me conte toda a verdade. Eu preciso saber o que realmente aconteceu — ela se afastou e fitou-me com o olhar triste. — Amiga, antes de ontem ele me procurou em meu apartamento com um buquê de flores, mas assim que eu o atendi, se deparou comigo nua e acompanhada de dois bofes, um deles era o Arthur. — Arthur e Sofia não estão em um relacionamento sério, mas achei os dois tão fofos juntos que jamais imaginaria essa atitude vinda do Arthur. Quer dizer, dele espero tudo! — Você é louca? Por que o atendeu? Você queria magoá-lo? Sua desvairada da cabeça! — Eu sei, mas no mesmo instante que vi o desprezo nos olhos dele, arrependi-me amargamente. Eu não queria ter feito aquilo, mas eu precisava provar a mim mesma que todo esse sentimento devastador e doloroso que estou sentindo, eu poderia controlar e voltar a ser quem eu sempre fui antes de nos envolvermos. — Fernanda ele está magoado e desprezando você com total razão. Desculpe, mas você foi uma filha da puta fazendo essa babaquice com o garoto. — Eu sei. Eu havia prometido a ele enquanto gozava que não o trairia. Eu estava gozando... Eu menti! — Entendo! Já passei por isso — sorrio saudosamente. — Formar uma opinião em relação a este assunto é muito complicado, consigo entender tanto o lado dele quanto o seu. Fernanda se vocês haviam combinado algo, era para ser respeitado. — Tudo começou no aniversário do Arthur, quando ele desistiu bem na hora do vamos ver. O Felipe não teve muitas experiências, tudo para ele é novidade, então achei que ele fosse gostar tanto quanto eu. Enganei-me! — Se você viu que o menino não era adepto a isso, para que insistiu nessa história? — EU NÃO SEI! — ela gritou e suas lágrimas intensificaram-se. — Desculpe! — Ela fechou os olhos com força e fez um coque nos cabelos, abriu os olhos e falou: — não me conformo com o desprezo dele, nunca passei por isso antes. Essa porra toda me pegou desprevenida. — Vamos entrar e tomar um suco de maracujá — eu disse tentando diminuir a angustia dela. — Não. Vou atrás dele — ela disse abrindo a porta do carro. — Vou tentar reconquistá-lo de novo — entrou em seu carro vermelho e saiu feito uma doida. — Que dia! — Olho para a parte interna do restaurante e aceno para o Carlos que recebia alguns clientes. Chego em casa desesperada por um banho, entro no chuveiro e começo a esfregar meu rosto com uma esponja, fico debaixo do chuveiro por um bom tempo até me sentir limpa. Quando termino, ligo para o celular do Gustavo e, Sofia atende de novo... — Alô, Sofia. — Oi Bia! — E o meu Doutor Delícia? — Ainda está no centro cirúrgico. Daqui a pouco deve terminar. — Está bem! Obrigado. — Bia? — Oi meu anjo. — Obrigada pelas roupas e sapatos. — Não precisa me agradecer de novo. — Mas...


— Espero que use todas. E quando eu tiver tempo separarei mais peças de roupas e sapatos para você. — Eu aceito. Vindo de você, sei que é de coração. — Preciso desligar. Beijos — desligamos. Preciso estar pronta em menos de vinte minutos. Entro no meu closet, visto um vestido branco, confortável e fresquinho. Terminei de me produzir e calcei um par de sandálias verdes. Dirigi até a clínica do Gustavo, aproximei-me da recepção e falei com uma das recepcionistas que havia conhecido quando estive visitando o Gustavo há alguns dias atrás. — Boa noite, Ana Beatriz. — Boa noite. — O Gustavo terminou a última cirurgia? — Acho que sim. Vou interfonar para a enfermaria. Só um instante, por favor. — Oi Carol — é essa a enfermeira vadia que dá em cima do Gustavo. — O Dr. Gustavo já finalizou o procedimento? — Ela aguarda, acho que está escutando a enfermeira. Ela desliga e fala: — Terminou, mas está prescrevendo medicações para a paciente. Você quer aguardar no consultório dele? — Ah, prefiro! — Segui o extenso corredor e fui lendo as plaquinhas nas portas, as portas são parecidas, sempre fico confusa. Paro ao ver uma loira de olhos dourados vindo na minha direção. Ela está de jaleco e tem um crachá pendurado no pescoço. Diminuo o ritmo dos meus passos para tentar ler o nome no jaleco ou no crachá. Assim que ela se aproximou consegui ler: “Carol da Silva Enfermeira Chefe”. Ops! Esperei ela se afastar um pouco mais, virei e a chamei: — Carol? — Sim? — caminhei na direção dela. — Prazer, Ana Beatriz. Sou noiva do Dr. Gustavo Ferrari — ela fez uma expressão debochada e sorri. — E? — perguntou sarcasticamente. Quando pensei em responder, senti as mãos e braços do Gustavo envolvendo-me e girando-me para ficar de frente para ele. — Morena! — beijou-me nos lábios. — Saí do centro cirúrgico agora. — Eu sei, a recepcionista me falou — ele me abraça e sussurra em meu ouvido: — Vamos até o meu consultório — encarei os seus olhos azuis cansados. — Não. Foi essa aí que colocou o papel em sua carteira? — perguntei alto. — Sim, fui eu quem colocou. Por quê? — Ainda por cima é abusada. — Não perca o seu tempo com ela, foi demitida hoje. — Sua voz saiu em um tom seco e duro. — Vou correr atrás de todos os meus direitos. E vou acusá-lo de assédio sexual — Gustavo libera uma gargalhada desdenhosa. — Processe! — Aguarde e verás Dr. Gustavo. Vou te processar! — Todos aqui na clínica conhecem você e seu comportamento. Você fodeu com o corpo clínico inteiro — ele fala irritado. — Inclusive com você. Esqueceu? — ela pergunta desafiadora. — Ah! Esqueci... Fodemos nós dois e minha amiga. Foi Sensacional! Surreal! Maravilhoso! — ela aumenta o tom de voz. Olhei para o Gustavo, mas não demonstrei minha decepção, até consegui sorrir, ao lembrar-me de suas palavras ontem à noite antes de nos amarmos loucamente sob o edredom. — Foi? Não me recordo, pois foi tão insignificante que não tenho nenhuma lembrança daquele dia — ele parou de falar como se tivesse lembrando de alguma coisa e sorriu. — Lembrei! Dispensei vocês logo depois, foi isso? — Ela não responde e baixa a guarda. — A partir de amanhã, você irá


cumprir o seu aviso prévio na clínica de Ipanema — ele fala, da às costas para ela e me guia até o seu consultório. — Sente-se amor. Ele caminha até o banheiro do consultório e volta segurando o celular. Retira o jaleco e o joga em minha direção. — É para você lavar, mulher — sorrio. Mas eu não estou para brincadeiras. Encarei-o, firme e sem piscar. Observei ele se sentar devagar na cadeira giratória branca e estofada. — Já a demiti. Perdoado? — Não é bem assim, Dr. Gustavo. — Morena... Vamos brigar por causa de uma malcomida? — Malcomida? — perguntei impressionada com o palavreado dele. — Amor, ela atira para todos os lados, não apenas para mim. Você tem noção do quanto me arrependo de ter transado com ela? — balanço a cabeça negando. — Elas — ele franziu o cenho e grunhiu. — Isso já faz muito tempo — disse com desgosto. — Lembra-se do que disse ontem a você? — aquiesci. — Então minha Morena, não se preocupe com isso. "Depois de você, os outros são os outros e só." — Ele canta com sua voz grossa o refrão da música "Os outros — Leoni". — Eu te amo. Não esqueça nunca disso! — ele fala olhando nos meus olhos. — Eu também amo você — ele dá um sorrisinho torto. Lindo! Desvia os olhos para uma agenda preta com o logotipo da clínica e começa a ler. — A Sofia deixou vários recados seus aqui. O que houve? — perguntou preocupado. — Rafaela — disse baixinho. — Nos encontramos e acabamos brigando em um estacionamento de rua. — O quê? Ela enlouqueceu de vez! — ele coça a cabeça e disca um número no celular. — Onde você estava que não viu quando a Rafaela seguiu a minha mulher? — ele gritava ao telefone. — Desculpe é o caralho! Estou pagando para ela ser protegida. Como ela saiu sem que você a visse? Como? Se vire! — ele esmurrou a mesa de vidro e gritou. — Mande o seu segurança se virar e encontrar aquela louca. Não quero saber. E você continue atrás de pistas sobre o... — encarou-me antes de terminar a frase, mas eu entendi perfeitamente a quem ele se referia. Lorenzo. — Quero evidências e não suposições. Quero horário do check-in, horário do voo, confirmação da passagem retirada por ele. Isso são evidências. Os pais dele disseram que ele ainda está aqui no Brasil — ele dá mais um soco na mesa. — Quero o seu segurança na cola dela até ser presa — desligou. — O que aconteceu? Conte-me tudo! — disse ainda alterado. — Ela se descontrolou me agrediu e eu revidei — levantou-se e me abraçou. — Eu prometo a você que tudo isso vai acabar. Prometo! — fechei os olhos ao sentir suas mãos acariciarem os meus braços. — Ela machucou você? — sorrio ao relembrar a cena ridícula de nós duas iguais a duas galinhas de ringue. — Não. Eu reboquei a cara dela de mulher azeda — disse sorrindo. — Isso não vai se repetir de novo — beija o topo da minha cabeça e inspira o cheiro dos meus cabelos. — Gustavo, me desculpe, mas eu não vou ficar à mercê de uma perseguidora. No jantar da sua mãe, ela crava as unhas no meu braço e hoje me agride sem em eu ter feito nada a ela. Virei alvo de uma perseguidora sem limites? — indaguei querendo mais atitudes da parte dele. — Ana ela será detida ainda essa semana. O Arthur disse que não passava de hoje.


— Se ela fugir? — Não, ela não tem como fugir — aquiesci já sem ânimo para questioná-lo. — Então, eu tenho um segurança e você está caçando o Lorenzo — afirmei olhando-o. — Sim e Sim. Vamos embora? — indagou com o olhar esgotado. — Vamos — minha voz saiu baixa e fraca.


Capítulo 28 - Gustavo Ferrari — Vamos no meu carro. Amanhã levarei o seu para casa — disse enquanto caminhávamos de mãos dadas em direção ao estacionamento. — É seguro deixar o carro estacionado na orla? — me perguntou não muito satisfeita em ter que deixar o carro estacionado em frente a clínica. — Seguro não é, mas acho que não vai acontecer nada com ele, e se acontecer estamos segurados. Não se preocupe! — tentei tranquilizá-la, mas ela não parecia muito amistosa, e o seu biquinho está mais evidente do que nunca. — Está chateada comigo? — Não — respondeu sem muito ânimo. — Está sim. Conheço você o suficiente para saber quando está nervosa e chateada. E dessa vez é comigo. — Não, não é isso. Eu só estou um pouco cansada disso tudo. — Prometo a você que tudo será resolvido. Vamos nos manter calmos? — balançou a cabeça concordando com o que eu disse, mas não olhou para mim, abriu a bolsa e pegou um treco para prender os cabelos em um rabo de cavalo. Respirei e bocejei ao mesmo tempo. Estou cansado, esgotado, estressado, eu quero chegar a nossa casa e dormir, só isso. Abri a porta do carro para ela e a ajudei entrar e a se acomodar, dei um beijo em sua testa e ela fez um cafuné nos meus cabelos com uma das mãos quando me debrucei sobre ela para encontrar o cinto de segurança. Dei a volta por trás, abri a porta e entrei no carro. Ela tem razão. Um dia é o Lorenzo no outro é a Rafaela. Isso já deu o que tinha que dar. O investigador particular, que Arthur indicou, ainda não conseguiu identificar o paradeiro do Lorenzo. Ele até levantou a hipótese do Lorenzo ter ido embora, porém só irei ficar tranquilo depois que eu tiver fatos e provas conclusivas de que realmente ele se foi de vez. Quanto à Rafaela, esse assunto já passou dos limites. Eu não sei o que essa mulher pretende, nem o que ela realmente quer quando diz que pagarei por tê-la usado. Ela foi usada tanto quanto eu, mulherzinha intragável e insistente. E como se não bastasse, a sem noção da Carol, simplesmente decide infernizar o meu juízo, como se eu não tivesse nada mais importante para me preocupar. E, se ela aprontar mais alguma ou ficar de disse e me disse na clínica de Ipanema, onde irá cumprir o seu aviso prévio, não hesitarei e quebrarei o contrato empregatício sem pensar nas consequências. — Você está vendo um carro preto acompanhando o meu carro? — virou-se o suficiente para olhar para trás. — Sim, estou. Mas, o que esse carro tem a ver com nós dois? — Ele é o seu segurança. Foi ele quem separou você e a Rafaela quando estavam brigando — ela sorriu sem muita vontade e balançou a cabeça. — Estive a maior parte do dia dentro do centro cirúrgico, por isso não recebi a mensagem dele, avisando-me sobre o que houve entre vocês duas. — Tem certeza que precisamos chegar a este ponto? Um segurança? — Sim. Pelo menos até a Rafaela ser presa e... — virei a minha cabeça o suficiente para olhá-la de relance. — Até eu saber onde o Lorenzo está. — Entendi. Deixa eu te dizer uma coisa: o Lorenzo e eu nos despedimos, dissemos adeus um para o outro. Ele se foi, Gustavo. Vamos esquecê-lo de uma vez por todas, por favor! — Ana, eu sei que você quer esquecer tudo isso, eu também meu anjo, mas antes precisamos nos


certificar se realmente ele foi embora. — Ela não faz ideia que estive com o Lorenzo há alguns dias atrás, e ele em nenhum momento mostrou-se disposto a desistir dela. Um dia depois que ele a abordou no estacionamento do shopping, eu e Arthur fomos até o apart onde ele esteve hospedado, mas não o encontramos. A recepcionista disse que ele não se encontrava, mas não havia ido embora, portanto não aparecia há dois dias. Só vou conseguir relaxar depois de ter o Lorenzo longe daqui. — Ele não é esse monstro que você pensa... Ele apenas estava descontrolado e... Não aceitou a nova realidade, eu e você juntos — ela diz com a voz trêmula. — Você quer arriscar? Quer arriscar a sua vida por causa desse sentimento de pena que tem por ele entranhado em você? Repasse os últimos acontecimentos entre vocês dois e me responda se vale à pena, pois preciso entender o porquê disso tudo. — Gustavo... Eu só quero viver em paz, só isso. — Sinceramente, não entra na minha cabeça esse sentimentalismo todo que você usa para lidar, quando o assunto é esse filho da puta. —Amor... Não é sentimentalismo. Eu... Esquece! — ela se calou e eu voltei à atenção para a estrada. Ela pegou o celular e ficou entretida lendo e respondendo mensagens, mas em nenhum momento olhou para mim, está me ignorando. — Amor, as trigêmeas da Martinha e Gabriel, nasceram hoje — ela sorriu e acabei ganhando a sua atenção. — Que felicidade precisamos visitá-los. Elas estão bem? — Acho que estão. O Gabriel me enviou uma mensagem hoje de manhã avisando, mas acabei esquecendo de te avisar e também não tive tempo para respondê-lo. Só de imaginar as trigêmeas, consigo sentir o cheirinho de bebê — ela fala sorrindo. — Tenho o número do celular e as redes sociais da Martinha. Vou enviar uma mensagem para eles os felicitando — ela digita a mensagem com um sorrisinho nos lábios. — Enviei! Avisei que assim, que elas estiverem em casa e descansadas, iremos visitá-las — disse ainda mexendo no celular. — Aqui Gustavo, eles postaram uma foto no Instagram, o Gabriel segurando as três ao mesmo tempo, parece que foi tirada logo depois do parto — desviei a atenção da estrada e olhei rapidamente para o celular que ela mantinha suspenso para eu olhar. — Lindas. Olha a cara de felicidade do Gabriel! Salva essa foto e envia para o meu WhatsApp? — ela balançou a cabeça concordando. — Não vejo à hora de ver a sua barriga redonda e grande — soltei minha mão direita do volante e acariciei a sua perna nua e macia. Ela sorriu e desviou o olhar para os carros através do vidro. — A Martinha fez inseminação artificial? — perguntou ainda olhando os carros. — Fez. Eles estão juntos há um bom tempo, e tentaram há anos através do método natural, mas ela não conseguia engravidar, até que decidiram por tentar um tratamento eficaz, e na primeira tentativa ela engravidou. — Que lindo três de uma só vez. Imagine a loucura que será daqui para frente, e quando estiverem adultas e com filhos, a casa cheia na noite de natal, dia das mães, dia dos pais — me olhou e sorriu. — Realmente deve ser maravilhoso — sussurro enquanto presto atenção na estrada. Desviei novamente o olhar para fitá-la, e vi quando acariciou a barriga. Deve ter se lembrado do filho que perdeu. — Quando você estava grávida do Rafael, ficou barriguda? — Mais ou menos — sorriu mostrando seus dentes brancos e alinhados. No início da gestação eu ficava muito enjoada, quase não comia, vomitava tudo que tivesse no meu estômago. Acabei emagrecendo muito até os cinco meses, mas no final deu tudo certo e meu anjinho nasceu com 52 cm


e 3.800g. Acredita? Eu engordei apenas o que havia emagrecido no início da gestação. — Tem fotos suas quando estava grávida? — Não trouxe nenhuma comigo. Quando retornei da França não trouxe quase nada, apenas minhas roupas e documentos. Depois que eu e Lorenzo nos separamos, esperei que ele fosse se humanizar e pelo menos dividir as nossas lembranças, mas ele não quis dividir nada do nosso filho comigo. O dia do nascimento, o primeiro dentinho, a primeira frase, o primeiro aniversário, o primeiro banho de mar, o primeiro dia na escola, tudo isso tínhamos registrado em vídeos e fotos, mas hoje os tenho na memória. — E, ela ainda sente pena daquele desgraçado? Fala sério! — Por quê? Por que você não exigiu por meio judicial, que ele dividisse tudo com você? — Por que eu era uma fraca. Eu só sabia chorar e dormir, minha vida resumia apenas a isso. Depois que estava mais conformada, comecei a recolher fotos através do celular, máquina digital, emails e em algumas redes sociais. Gostaria muito de assistir o vídeo novamente, do nascimento do meu filho. Seria um sonho, sendo realizado — senti um nó se formar na minha garganta. Além de covarde é um estúpido. — Ele foi um estúpido! Não foi digno do seu amor e muito menos merece o respeito e pena que sente por ele — fiquei sensibilizado com o que me disse. Ela contorce o rosto como se tivesse sentindo dor e franze o cenho. — Eu sei. Deus que o julgue! — Ana se você quiser, mesmo tendo se passado muitos anos, podemos abrir um processo reivindicando a divisão desses objetos. Basta você querer! — Não quero que tenhamos contato com ele, abrir essa porta é reviver o passado. Eu não quero — assenti. Chegamos a nossa cobertura, ela demonstrava através de suas ações o quanto está chateada. Não é apenas pelo o que ocorreu com a Rafaela, mas também com a Carol. Sei que eu fui tão culpado quanto a Carol, por mantê-la trabalhando na clínica, mesmo depois de nos desentendemos inúmeras vezes. — Vai tomar um banho, vou preparar alguma coisa para comermos. — Vem, vem tomar banho comigo — ela parou no meio da cozinha e ficou me olhando com um rostinho entristecido. Caminhei até ela e a abracei. — Morena... Está chateada comigo, eu sei — beijei seus cabelos e inspirei aquele cheiro de morango delicioso que ela exalava em todas as partes do corpo. — Não dê importância ao que a Carol disse na sua frente. Aquilo faz parte do meu passado. O que importa é o que vivemos hoje, e o meu presente e futuro é você. — Estou indo para o banho, mais tarde cuidarei de você — ela escondeu o rosto em meu peito e me abraçou com força. — Ei olhe para mim — segurei o rosto dela com as duas mãos e beijei seus lábios com carinho. — Não fica chateada comigo, eu te amo. — Eu te amo mais — disse beijando meu queixo e depois invadindo a minha boca com sua língua pequena e nervosa. — Minha Morena — sorriu. Deixei-a preparando o nosso jantar e fui direto para debaixo da ducha. Repassei durante o banho tudo que precisaria resolver ainda hoje, são tantos problemas que até desanima. Hoje a minha vontade é pegar a Ana Beatriz e viajar sem rumo, sem data para voltar. Pensando bem, acho que farei isso mesmo, logo depois do nosso casamento. Em pensar em casamento, estou muito ausente, estou sem tempo disponível para opinar sobre qualquer detalhe, sei que ela também é ocupada com o restaurante, porém é mais detalhista com tudo isso. Nem sei o que vou usar no dia do meu casamento, quem dirá as flores da decoração.


— Hum... Que cheiro maravilhoso — abracei-a por trás enquanto ela higienizava algumas folhas para salada. Afastei-me e fui até a ilha onde ficava o fogão e os fornos, levantei a tampa de vidro e inalei o aroma delicioso. — Amor isso é covardia, vou acabar com essa massa em dois tempos. Daqui a pouco estarei barrigudo e você não poderá reclamar, a culpa será toda sua. — Continuarei te amando, mesmo barrigudo — gargalhei e ela virou o corpo o suficiente para olhar na minha direção e sorriu. Não percebi antes, mas tocava uma música em um volume baixo, "My Girl" cantada por uma voz mais jovial e romântica. Arrumei sobre a mesa os talheres, pratos, peguei a jarra de suco de maracujá, azeite e um molho de ervas artesanal que ela disse que o "Alex o Babaca" fez. Até que estou me socializando melhor com ele, mas nunca seremos amigos, apenas teremos que conviver pacificamente para não chateá-la. Sentei sobre uma das banquetas altas que complementavam o balcão. Peguei o celular e liguei para o Arthur, pois não havia visto antes, tinham dezesseis ligações do número dele e de nossa mãe. — Oi Moleque! O que houve? — Mano, hoje saiu à ordem de prisão da Rafaela. Eles irão surpreendê-la amanhã antes do amanhecer. — Que bom! — É, que bom! Mesmo sabendo que ela não ficará por muito tempo presa, talvez fique apenas o suficiente, até algum advogado eficiente conseguir um habeas-corpus, e ela responder o processo em liberdade. Estamos no Brasil, infelizmente é desta forma que as coisas aqui são resolvidas. O importante é o dinheiro de volta para a conta da Ferrari Engenharia. E, se ela vai ficar presa ou não, a justiça é quem decide — ele disse um pouco desanimado. — O investigador que você contratou para ficar na cola da Rafaela, hoje deu mole, ela seguiu a Ana Beatriz e acabaram brigando em um estacionamento de rua. — Ele me ligou, pedindo desculpas. Disse que realmente não viu o momento em que ela saiu de casa, mas que vai continuar de olho nela. — Neste momento, ela está em casa? — perguntei preocupado com a possibilidade de ela fugir. — Não. Ele disse que ela está em uma boate com dois homens. Estou apreensivo, ele falou que o local está cheio e ela já o observou de longe várias vezes. Provavelmente percebeu que está sendo seguida. — Pode ser. Ela disse a Ana que eu a pagarei por tê-la usado. É uma louca! — Não esquenta a cabeça com isso mano. — Como não? Ela perseguiu e agrediu a minha mulher, Arthur. E se ela enlouquecer de vez e fizer uma besteira? Sei lá, ela não está psicologicamente normal. — Porra, minha vontade é despachar essa maluca para o além — sorrio ao ouvi-lo dizer. — Qualquer notícia me liga? — Claro! Mantenha o celular ligado. — Valeu Moleque. — Valeu — desligamos. Depois do jantar Ana pegou algumas pastas que estavam sobre a mesa de jantar da sala. Deitou e ligou a luminária que fica ao lado de nossa cama. — O que é isso? — É um projeto, Alex quem criou — ela diz compenetrada nas folhas que estão em sua mão. Deitei ao seu lado e ela enfiou a mão livre em meus cabelos. — É sobre o que, esse projeto? — Ele projetou aqui, passo a passo para montarmos uma franquia de restaurantes mais populares,


com intuito de atingirmos uma nova classe de clientes, ou seja, classe abaixo da média. O custo benefício é tentador. Dê uma olhada — ela me entrega o projeto encadernado. Li a capa, Alex Monteiro, mestrando em qualidade e quantidade alimentar. Procurei ler com atenção para ela não achar que estou fazendo pouco caso. Mas a verdade é: não gostei de saber que ela terá ainda mais trabalho. O projeto é interessante, ele até que tem talento para projetar e descrever o objetivo do projeto. — Ana você pensa em atribuir a você todo esse trabalho? — perguntei ainda inconformado. Espero que ela responda que não. — Não — sorrio abertamente. — Você não entendeu. Nós vamos vender estas franquias. Precisaremos montar uma estrutura administrativa somente para essa cadeia de lojas. — Entendi sim. Você é quem não entendeu — ela bufou e retirou o projeto da minha mão. Fitoume nos olhos e sorriu. — Quero ser sua esposa e mãe dos seus filhos. O resto é lucro! Pense comigo, eu poderia apenas administrar as franquias e o Alex cuidar dos restaurantes, pois pretendemos em breve abrir mais um LeParrie na zona sul. — Você sabe que se quiser pode largar tudo? — Ah! Gustavo, pode até ser, mas eu não pretendo depender de homem para comprar um batom ou para bancar a minha depilação cavada. Pelo amor de Deus! — Mas você disse que iria se dedicar a nossa família. Lembra? — E, farei isso. Você ainda não entendeu? — neguei com a cabeça. — Deixarei os restaurantes para o Alex gerenciar. Esse projeto aqui — ela pega o projeto e balança na minha direção. — Montaremos uma empresa apenas para administrá-lo. Minha contribuição e dedicação serão mínimas. Entendeu? — olhei para ela que continuava encostada na cabeceira da cama e disse: — Não. Não entendo e não quero dividir você. — Em breve entenderá — colocou sobre a mesinha o projeto e deu uma piscadela. Deitou sobre um dos meus braços, inspirei o cheiro delicioso de seus cabelos e a beijei no pescoço. — Escolhi o meu vestido — disse baixinho. Sorrio. — Me desculpe por não estar te ajudando com esse negócio de festa e tal, mas eu prometo que faremos uma viajem longa para recompensar a minha ausência e também porque merecemos. Estive pensando, que tal irmos até a Grécia e depois à Itália — beijou meu braço e passou o braço sobre o meu peito. — Acho perfeito, mas sei que você não pode se ausentar da clínica por muito tempo, então pensei em irmos até o nordeste. — Nordeste do Brasil? Aqui mesmo? — Sim. Ainda não conheço como gostaria. Tenho vontade de ir até Alagoas, vi umas fotos na internet e fiquei encantada. Depois, quando você conseguir tirar férias, podemos viajar o mundo a fora. — Sabia que você é perfeita? — ela montou em cima de mim, apertou as pernas no meu quadril e disse: — Perfeita para você. — Você veio a esse mundo para ser minha — deslizei a camisola de seda azul e a ajudei tirar. — Amo os seus seios — segurei e os puxei, fazendo com que eles encostassem à minha boca. — Doeu — ela disse sorrindo. — Mas era para doer mesmo — abocanhei faminto um dos seios e o outro massageei o mamilo


intumescido. Escutei o gemido mais gostoso do mundo, amo quando ela geme assim. Suguei o outro seio com mais delicadeza, passei a língua em toda a carne rechonchuda e depois lambi o mamilo. Quando chupo desta forma ela sempre fica desesperada por mais. — Ahhhhh... — gemeu se esfregando em cima do meu pau, ainda protegido pela boxer. Segurei sua cintura forçando ainda mais o atrito dos nossos sexos. — Gostosa — desci as mãos até sua bunda, enfiei um dedo em cada lateral de sua calcinha de renda branca, rasguei ao meio e joguei em seu rosto. Ela sorriu, pegou e jogou no meu rosto. Inspirei profundamente a calcinha, cheiro de excitação, o cheiro que me faz perder a cabeça, me deixa igual a um animal no cio. — Arrrr... Você me enfeitiçou. Fico em êxtase quando sinto o seu cheiro. Ela parou de friccionar em cima do meu pau e o libertou, afastou um pouco, abaixou e ficou olhando para ele. — Ele é lindo — abriu a glande e passou o dedo polegar na cabeça. Fechei os olhos ao sentir a caricia. — Fico louca quando ele fica assim... — ela lambe a cabeça do meu pau e volta a falar: — todo babado. — Enfiou todo dentro da boca e o chupou com vontade, cheguei a elevar o quadril. — Fica quietinho aí Dr. Ferrari — sorrio. — Tenho uma vontade de amarrar você nessa cama e deixálo aqui a minha disposição. — Tenho vontade de amarrar você ao pé da mesa, completamente nua, e deixá-la igual a uma cadelinha indefesa, e fodê-la sempre que eu sentisse vontade. — Safado. — Safada — elevei o meu corpo o suficiente para olhá-la mais de perto e segurei os seus cabelos que caiam sobre o rosto tampando a visão dela chupando o meu pau. — Vem aqui — puxei-a pelos cabelos até que ficasse completamente deitada sobre mim. Ela procurou a minha boca desesperadamente e eu a suguei com força, estoquei a minha língua por toda a sua extensão, suguei toda a sua saliva. Enquanto a beijava, segurava os dois globos redondos e a forçava moer contra o meu pênis. — Senta nele, Morena. Estou quase gozando com esse roça-roça. — Ajudei-a a se equilibrar e coloquei com a mão o meu pau ereto dentro dela. — Aiiiiii... — Arrrrr... — gememos juntos. Ela cavalgava sem medir esforços, segurei bruto em sua cintura forçando-a ir mais rápido. Quando nossos sexos se encontravam, eu a ajudava estocando fundo em sua boceta. — Gustavooo... — Isso Morena, goza meu pau todinho, goza — ela jogou a cabeça toda para trás, mantive-a fixa em cima do meu pênis segurando-a pela cintura. Fechei os meus olhos e gozei... Tudo para ela. — Arrrr... — sentei e a trouxe para os meus braços e continuei estocando até os meus espasmos e êxtase cessarem. — Eu te amo. Nunca se esqueça disso — beijei-a na boca e depois a sua testa. Meu celular vibrou sobre a mesinha. Ela esquivou-se o suficiente para olhar o visor e disse: — Arthur! — Ainda bem que consegui gozar antes dele ligar — ela me empurrou e caí deitado na cama. Esticou o braço e pegou o meu celular e atendeu. — Isso são horas de ligar para o meu noivo? — sorriu. — Ah... Sim... Quase atrapalhou — jogou cabeça para trás e riu. — Manda um beijo para ela — ela afastou o celular do ouvido e olhou para a tela. — São exatamente 23:40, ele está cansado — sorriu de novo. — Que nojo Arthur! Tchau, seu pornográfico — entregou o celular e retirou o meu pau lentamente de dentro dela, gemi reivindicando o abandono. — Arrr... Volte aqui, gostosa — seguiu para o banheiro, desfilando igual a uma gata. — Fala Moleque!


— Porra... A mãe da Rafaela ligou para a casa dos nossos pais. Mamãe ligou agora para o meu celular. — Fala sério! Mas ela falou exatamente o quê? — Mano... — escuto sua respiração ofegante. — A Rafaela fugiu. Não me pergunte como, não saberei te responder — ele bufa e continua. — A mãe da Rafaela ligou e quem atendeu foi o papai. E, ele não está se sentindo muito bem, a mamãe pediu para que fôssemos até a casa deles agora para tentar acalmá-lo. A Sra. Campelo disse a eles que agora ela está sozinha, pois por causa de nós dois, o marido dela e a única filha tiveram que ir embora. — Que merda! — Já estou indo — ele fala. — Agora? — Sim, agora! Eles já estão nos esperando. — Ok! — Como você sabe que a Rafaela fugiu? Se agora a pouco o investigador particular disse a você que ela estava em uma boate com dois homens? — Sim, mas a acabei de receber uma mensagem dele dizendo que ela saiu da boate sem que ele a visse, e para concluir... É melhor conversarmos pessoalmente. — O que foi amor? — Ana senta ao meu lado e coloca a mão em meu ombro. — Daqui a pouco encontro você no apartamento deles — desligo. — O que houve Gustavo? — Ana pergunta de novo. — Meu pai não está se sentindo bem. A mãe da Rafaela ligou para a casa deles e conversou com o meu pai sobre tudo o que eu e Arthur fizemos para incriminar o marido dela e consequentemente a filha. — Nossa... Será que é grave? — Acredito que não, mas agora minha mãe quer que expliquemos toda a história a eles. Aproveitando vou fazer uma avaliação clínica nele. Sabe como é, hipertenso, diabético e ainda por cima com Alzheimer. Quer ir comigo? — Não sei, é uma conversa entre família. — Você é a minha família — digo puxando ela pelo braço. — Minha mulher, minha vida, meu tudo — beijei o pescoço dela. — Quer que eu vá com você? — Quero. Vamos? — levantamos e nos vestimos. Encontramos o Arthur no hall da recepção do prédio onde meus pais moram em Ipanema. Sofia o acompanhava, estava com os olhos e rosto vermelho. — E aí mano? — Arthur me abraça. — Moleque, que merda essa mulher ter conseguido fugir. Explica-me isso direito. — Sofia meu amor, tudo bem? — Ana perguntou com a voz preocupada. — Estou — disse olhando para o Arthur. Ana a abraçou como se entendesse o que está acontecendo. — Sofia. — Boa noite Doutor... Quer dizer, Gustavo — ela disse séria. — Boa noite. Entramos em silêncio no elevador, Ana e Sofia trocaram olhares cúmplices, Arthur fixou os olhos no painel. Está acontecendo alguma merda que eu ainda não estou sabendo. Saímos do elevador e seguimos pelo extenso corredor até a porta grande e antiga da cobertura dos meus pais. Arthur abriu


com as chaves que ele ainda possuía, pois uma vez ou outra, costuma dormir com eles. — Boa noite mãe — disse beijando o topo da cabeça dela. — Boa noite meus filhos — ela nos cumprimentou abraçando nós quatro ao mesmo tempo. — Estella boa noite — Ana fala. — Boa noite — Sofia a acompanha. — Venham! O pai de vocês está esperando no escritório. — Amor, fique aqui na sala com a Sofia — dei um beijo casto em seus lábios. Ela sorriu e aquiesceu. Arthur olhou para a Sofia e balançou a cabeça disfarçadamente, como se tivesse pedindo a ela que não. Mas não o quê? Mamãe seguiu a nossa frente e entrou no escritório. Escutei-a dizer ao nosso pai: — Os meninos chegaram — ele resmungou alguma coisa inaudível. Entramos e nos acomodamos cada um em uma cadeira de frente para ele. — O senhor está bem, papai? — Arthur perguntou. — Nunca estive melhor do que hoje — respondeu sarcástico. — O Senhor está tomando os remédios corretamente? — perguntei. — Estão achando que sou um inválido imbecil que não consegue tomar os remédios corretamente? — disse olhando para o Arthur. Sempre ignorante. — Não, não é isso. Só não queremos aborrecê-lo — Arthur respondeu sério. Ele ainda não se dignou a olhar em minha direção, mamãe sentou ao meu lado e segurou a minha mão esquerda. Olhei para ela e sorrio. — Cansado meu príncipe? — perguntou-me próximo ao meu ouvido. — Um pouco. — Isso é hora de perguntar sobre o bem-estar de Gustavo, Estella? — ela olhou na direção do meu pai, assustada com o tom de voz que ele usou. Pensei que ela fosse respondê-lo ou impor a ele que a respeitasse, mas não, ela olhou para as nossas mãos entrelaçadas e o obedeceu. Olhei diretamente em seus olhos negros, que por muitos anos foi mortal para mim. Bastava esse olhar e eu abaixava a guarda e fazia o que ele queria. Ele desviou o olhar do dela, para as nossas mãos entrelaçadas, levantou a cabeça e disse: — A culpa foi sua, por ele não ter se tornado um executivo da Ferrari Engenharia. Sempre passou a mão na cabeça dele, sempre o apoiou em tudo. Agora eu sou obrigado a ver a empresa que fiz crescer sozinho, desabar dessa maneira. Criei dois homens, mas apenas um seguiu o meu trajeto. Só pode ser castigo de Deus, ter criado um homem que prefere implantar seios a construir prédios — ele termina de falar, olho para a minha mãe e vejo que tem lágrimas em seus olhos. Olho para frente e vejo que o Arthur o encara fixamente. — Pai... O senhor não tem o direito de falar assim com a mamãe — Arthur fala, mas ele o manda calar a boca. — Cala essa boca, seu moleque. — Pai... — tento argumentar, mas ele me surpreende com suas palavras cruas e sem nenhum teor de sentimentalismo. — Pai? — perguntou olhando para mim e minha mãe. Olhei para ela de novo e vi que agora chorava copiosamente. Limpei suas lágrimas, mas foi em vão, pois ela continuava chorando. — Por que o senhor sempre faz isso com ela? — perguntei encarando-o fixamente. — Por quê? Não bastou ter monopolizado ela por tantos anos, fazendo com que eu e Arthur fôssemos criados por empregadas por causa do seu ciúme doentio e caprichos? — Filho não o deixe nervoso — minha mãe pede.


— Mano relaxa... O pai está nervoso — Arthur fala. Respirei fundo e juro que tentei me acalmar, mas a mágoa só fez crescer durante todos esses anos de rejeição, indiferença, anos vivendo essas cenas idiotas de ciúmes que ele fazia questão em deixar claro que sentia entre eu e minha mãe. Então transbordou. — Estou calmo, mas ele precisa entender que não reina mais aqui. Seu reinado acabou. Pare com essa porra de ciúme descabido em relação a minha mãe e eu. Anos vivendo isso, sempre a mesma palhaçada. Cansei! — Você está dizendo que eu sou um palhaço? Cadê as boas maneiras que lhe ensinei, guardou aonde? — Boas maneiras ou boas porradas? Porque só consigo lembrar as surras desnecessárias que você me oferecia. — Mesmo tendo apanhado, não aprendeu nada seu delinquente. — Cale a boca, Augusto! — minha mãe grita. — Nem mesmo essa doença maldita, desfez esse seu coração de pedra — ele a ignora e desvia a sua atenção para o Arthur. — Explique-se Arthur. Quero entender o que levou o meu amigo de anos e sua filha a fugirem da justiça brasileira. — Pai, depois de adquirir a empresa, que o Senhor Campelo o incentivou a comprar por um valor exorbitante, deixando a Ferrari à beira da falência, decidi investigar por meios próprios essa empresa que prometia mundos e fundos e do nada faliu. Infelizmente, cheguei à conclusão que o senhor caiu no papo de um charlatão de quinta, levando um golpe — olho para ele e Arthur, seus olhos astutos prestando atenção em tudo que Arthur explica. Juro que quando eu sair daqui, não voltarei tão cedo a esta casa. — E foi isso pai, o Gustavo acabou se arriscando para nos ajudar a salvar a nossa empresa. Infelizmente Rafaela Campelo e o Sr. Campelo estão foragidos. A própria senhora Campelo afirmou ao telefone para o senhor e minha mãe que eles fugiram por nossa culpa — Arthur explica detalhadamente tudo o que precisamos fazer. Nosso pai dá um soco na mesa e nos encara fixamente. — Por que não me contaram antes? — passou as duas mãos nos cabelos completamente brancos. —Vocês não poderiam esconder isso de mim! Eu não estou morto, seus merdas imprestáveis. — Merdas e imprestáveis? — perguntei indignado com a maneira que ele se referiu a nós dois. — Eu arrisquei a minha carreira por você e pela mamãe. Eu dopei uma pessoa para conseguir finalizar um plano do qual eu não tinha nada a ver. Até a minha noiva está sofrendo as consequências de toda essa história. Como assim, sou um merda? Nada conta? O senhor queria perder tudo? — Você fez apenas a sua obrigação, Gustavo. Sustentei você durante anos, mesmo depois de dizer a sua mãe que não arcaria com suas despesas durante a faculdade, ela passou por cima das minhas ordens e financiou essa merda de medicina que você fez. E, depois ajudou em sua primeira clínica. Vocês dois pensam que sou um velho ignorante e idiota? — ele pergunta olhando em nossa direção. Olho para a minha mãe e ela suspira, limpa as lágrimas e se levanta. — Idiota não, mais ignorante sim. Você não fez mais do que a sua obrigação. Pelo que eu sei, pais sustentam e arcam com as despesas dos filhos. Pelo menos isso, já que respeito e carinho eu nunca recebi do senhor — falo e minha mãe me interrompe falando mais alto ainda. — Ajudou o meu filho? Nunca! Ele cursou medicina em uma universidade pública. Eu banquei os gastos dele, seu egoísta. Sua sorte é que eu tenho respeito por você, se não fosse por isso, já teria o abandonado sozinho há muito tempo. — E por que não fez isso há trinta e três anos? — ele pergunta e se levanta com muita dificuldade da cadeira. Eu e Arthur nos olhamos sem entender nada.


— Por que você prometeu cuidar de nós dois — olhei para a minha mãe e ainda sem entender nada, ela me pede perdão. — Me perdoa meu filho. — Você não me largou porque não teve outra opção, sua vagabunda — eu e Arthur levantamos no mesmo instante, pois minha mãe avançou com tudo na direção do nosso pai. — Acalma-se mãe — seguro ela pela cintura. — Seu demônio. Eu te odeio! — gritou. — Odeia por quê? Por eu não ser ele? Por eu não ter feito você feliz por todos esses anos Estella? Ou me odeia por que não consegui aceitar esse daí? — ele pergunta e aponta na minha direção. As informações ainda não estão claras em minha cabeça. Olho para o Arthur e vejo que ele está chorando, minha mãe escorrega das minhas mãos e ajoelha no chão. Meu pai sai detrás da mesa e se ajoelha com muita dificuldade de frente para ela. — Eu quem deveria te odiar Estella. Você me traiu sua vadia, e de brinde veio esse bastardo com os olhos do seu amante — Arthur o ajudou a se levantar e minha mãe ficou ali, derrotada sobre os joelhos. Fechei os meus olhos e uma retrospectiva de toda a minha infância até hoje passou em minha cabeça, detalhes que nunca esquecerei foram esclarecidos em meus pensamentos. Eu não sou filho... Olhei para o Arthur que me olhava ainda chorando e assustado ao escutar o que o nosso pai dizia: — Me seduziu com sua beleza, prometeu ser fiel, jurou que me amaria e o que eu ganhei? Uma punhalada bem no meio das costas, mas não ficou só por isso — olhou para mim e disse: — você é fruto de uma traição. Você não é meu filho — olhei para a minha mãe esperando explicações, mas ela ficou calada por um tempo e depois murmurou para mim: — Perdoa-me meu príncipe — ajudei-a a se levantar. Abracei-a e acariciei seus cabelos negros e lisos. — Perdoo — respondi e ela deitou a cabeça em meu peito e continuou soluçando. — Eu só preciso entender — eu disse, olhando para o meu pai. — Por isso, Gustavo eu disse que você não fez mais do que a sua obrigação, quando se arriscou nessa história — me olhou dos pés à cabeça e balançou sua cabeça. — Você é o lembrete vivo de que fui traído por essa puta barata. Seus olhos são iguais os dele, seu rosto, até a sua profissão é a mesma que a dele — minha mãe se desvencilhou dos meus braços e o empurrou. Arthur o amparou antes que ele caísse no chão. — Diga a ele o que você fez com o Otávio, o verdadeiro pai dele? Diga Augusto? — minha mãe falava entre gritos e lágrimas. — Será um prazer contar a seu filho bastardo qual foi o destino do papaizinho dele — olhou para mim e disse: — Eu o matei. Quer dizer, mandei matá-lo, antes mesmo de você nascer — mantive a minha postura séria, não quero demonstrar a eles o quanto estou desestabilizado. Nunca passou em minha cabeça, que eu não pudesse ser filho do meu pai, e muito menos fruto de uma traição. — Você o matou por vingança, pelo fato de eu ter abandonado você para ficar com ele — ela disse esmurrando o peito do meu pai. — Eu amei o Otávio e você o assassinou. Você me enganou... Disse que me amava... Seu monstro. — Bate! Agora você pode bater, não valho mais nada, estou doente e inválido. Se você levantasse está mão para mim em outra época, você a perderia Estella. A sua sorte querida, foi o amor incondicional que eu senti todos esses anos por você. — Você nunca me amou seu doente. Isso que você diz ter sentido por mim, foi uma obsessão. Se me amasse de verdade, demonstraria isso tratando meu filho com carinho e respeitando às minhas vontades. — Dei muito mais do que carinho para vocês dois. Dei teto, comida, roupas limpas e mesmo


contra a minha vontade, esse diploma de médico que você carrega — disse cuspindo o favor que fez por mim e minha mãe. — O Gustavo é médico e dono de duas clínicas graças ao Otávio. Sabe o que ele fez ao saber que eu estava grávida? Incluiu-me no testamento dele. Depois de dez anos da morte dele, um advogado me procurou, herdei uma boa quantia em dinheiro e guardei por anos em uma conta poupança para ajudar o meu filho quando fosse necessário. Olhe só para ele, — apontou para mim e sorriu. — Um médico renomado, um homem honesto e carinhoso. Eu tenho orgulho de você meu filho. — Sua traidora, bandida, ordinária. Nunca me contou sobre a existência desse dinheiro — desferiu um tapa no rosto dela. Segurei-a com mais força e a afastei dele. — Covarde! — gritei na direção dele. — Não encosta na minha mãe. Nunca mais levante a mão para ela, ou esquecerei que o senhor é meu pai — Arthur fala gritando com ele. — Infelizmente um dia voltei a te amar, Augusto. Amei muito, mas essa sua indiferença e ódio pelo Gustavo, sua arrogância e prepotência me fizeram desgostar de você, e depois de saber que você foi o mandante do assassinato do Otávio, ajudou a derramar esse amor que senti um dia por você, no esgoto. — Chega! Acabou! — eu disse gritando. — Não quero mais ouvir tudo isso. Chega mãe, chega, por favor — engoli em seco. — Entendo você — disse olhando para o meu pai. — Imagino a inferno que o senhor passou quando foi traído e pior ainda quando eu nasci trazendo comigo a semelhança entre eu e meu pai biológico. Mas, porque a manteve ao seu lado por todos esses anos? Por quê? Por que matou o meu pai biológico? Você é um assassino — ele ficou mudo e encarou-me nos olhos. — Fiz o que tinha que ser feito. Ela era casada comigo e não com ele. — Mãe, porque a senhora aceitou toda essa humilhação? Porque deixou que ele me humilhasse por tantos anos? — olhei para ela procurando por respostas. — Eu fiquei na rua, sem dinheiro e grávida, não conseguia arrumar um emprego, pois nem estudos eu tinha naquela época. O Augusto me procurou logo depois da morte do Otávio e disse que me amava e assumiria eu e você e foi isso o que aconteceu. Mas ele nunca me perdoou, tentei por longos anos fazê-lo feliz, em vão — soluçou e Arthur acariciou o rosto dela. Minha cabeça latejava, parecia que a qualquer momento explodiria. — Quando conheci o Otávio, — ela olhou para o Arthur e para mim. — Foi inexplicável o que senti por ele, eu o amei de longe, antes mesmo de nos envolvermos. — Vadia! — meu pai a xingou e Arthur o puxou pelo braço e saiu do escritório, nos deixando a sós. — Sente-se e procure ficar calma — disse a ela e sentei ao seu lado. — Você vai me escutar? — ela perguntou. — Sim, continue. Eu não tenho mais nada a perder mãe, já doeu tanto que agora é impossível doer mais. — Meu príncipe... Eu errei, mas não consegui controlar esse amor desesperador que senti pelo seu pai biológico. Você foi fruto de uma traição e ao mesmo tempo de um amor verdadeiro. Foi tudo muito rápido, conheci seu pai, Augusto e eu nos casamos. Eu era muito pobre, trabalhava na casa dos seus bisavós. Ele se apaixonou por mim e me propôs casar com ele, aceitei, mesmo não o amando como eu gostaria. Ele me deixou totalmente submissa a ele e sempre foi muito frio e ignorante. Sei que isso não justifica a minha traição, mas eu me encantei por outro homem mais jovem que o seu pai. Admito, fui infiel, mas a gente não manda no coração. Contei toda a verdade para o Augusto, mas ele não quis entender, fiquei com pena dele, pois tinha muita gratidão por ter me ajudado em muitos


aspectos, dois dias depois de deixá-lo e ir ao encontro do Otávio, ele foi assassinado. Eu não sabia o que fazer, o corpo dele foi extraditado, pois era Argentino e não tinha familiares aqui no Brasil. Fiquei a mercê do destino até que pouco tempo depois, Augusto me procurou e reatamos o nosso casamento. Durante a gravidez, ele procurou não tocar nesse assunto, conseguiu me reconquistar, tornou-se o meu mundo, um marido mais presente, atencioso e carinhoso, mas quando você nasceu, começou a lembrar-me sempre que podia que você não era filho dele. Até que chegou um momento que desisti de tudo e fugi com você, mas ele nos achou e implorou para que voltássemos para casa, prometendo ser mais carinhoso e menos indiferente em relação a você. Eu aceitei e aqui estamos até hoje. A culpada de tudo isso fui eu. — Continuou com ele mesmo depois de saber que ele matou o meu pai biológico? Mãe você foi cúmplice de um assassinato. — Eu sei, por favor, me perdoa. Ele me contou que mandou matar o Otávio quando você e Arthur já estavam adolescentes. Você queria que eu o entregasse a polícia? Eu não podia fazer isso, Gustavo. — Mãe... Apesar de tudo isso, considero e respeito ele, infelizmente foi o único pai que tive, mas não serei o mesmo Gustavo de antes — ela aquiesceu e me puxou para um abraço apertado e começou a falar no meu ouvido: — Desculpe por não ter falado sobre isso antes, e por ter sido conivente durante todos esses anos a essa rejeição que você sofreu. Eu tentava me redimir dando o meu melhor como mãe, mas era muito nova, não conseguia deixar sobressair as minhas vontades e desejos. Juro que tentei mudar e ser uma mãe atenciosa, carinhosa, dedicada, mesmo acatando as decisões do seu pai, dando o meu melhor a você e ao seu irmão. — Eu te perdoo mãe. Só não me obrigue a entender o porquê a senhora manteve as ordens dele, mesmo depois de saber que ele mandou a assassinar uma pessoa, independente, de ser o meu pai biológico ou não. Augusto Ferrari, não é um Deus e eu não sou o servo dele. A partir de hoje, não venho mais na casa de vocês. Se a senhora quiser, pode ir me visitar na minha casa. Diga a ele que mesmo me renegando, agradeço os benefícios que tive na vida, proporcionados por ele. Preciso ir. Tchau! — Vá meu filho e Deus te abençoe — saí do escritório e a deixei sozinha chorando. Cheguei à sala encontrei Arthur e Sofia conversando, Ana estava na varanda olhando na direção do mar de Ipanema. Abracei-a por trás, ela apoiou a cabeça sobre o meu peito, beijei sua cabeça e disse: — Vamos Morena? — minha voz saiu embargada, tentava segurar um choro contido durante anos. A minha cabeça doía intermitentemente. Bufei e fechei os olhos para tentar aliviar a tensão. — Você é maravilhoso, meu melhor namorado. Eu te amo — virou-se e fitou meus olhos. Ficamos nos olhando por um instante e ela disse: — pode chorar, não segure essa lágrima que está na borda da sua alma. Chore e verás como essa angústia aqui no seu peito irá diminuir — colocou as duas mãos sobre o meu peito e o massageou. Fechei os olhos e desabei. — Eu não sou filho dele, amor — disse chorando igual a um garoto de quatro anos. — Escutamos toda a briga, foi impossível não ouvir. — Por isso ele sempre me desprezou e me humilhou. Ele matou o meu pai biológ... — Shiii... Não precisa repetir essa parte da história, ninguém além de nós precisa ficar sabendo disso. Ok? — concordei com a cabeça. Senti duas mãos me abraçando por trás e a voz do Arthur. — Mano, me perdoe por ter chamado você de bastardo durante todos esses anos. Eu te amo, cara! — nos abraçamos e ele chorou no meu ombro. — Você é meu irmão de sangue, independente de


termos saído de sacos distintos — Ana o encarou brava. — Péssima hora para piadas? — Perguntou fungando o nariz. — Péssima hora — disse. — Vem aqui cunhadinha gostosa, vem me abraçar. — Ana nos abraçou. — Posso participar desse abraço coletivo? — Sofia chegou já se enfiando entre nós três. — Agora ficou completo do jeito que eu gosto — Arthur falou e as meninas sorriram. — Nunca vou dividi a minha mulher com você Arthur — disse. — O mundo dá voltas. Você se lembra da história da Catarina de Aragão a espanhola que foi a rainha da Inglaterra? Então, ela se casou com o príncipe mais velho, mas infelizmente ele morreu. O príncipe sucessor foi obrigado a casar com a cunhada. Que merda, não é? O mundo dá voltas, Gustavo — Ana gargalhou e disse: — Arthur você é ridículo. — Só não chuto suas bolas por que estou com dor de cabeça e esgotado — puxei a Ana de seus braços e me desvencilhei do abraço coletivo. Decidi não ficar remoendo toda essa história, não me faria bem. Minha mãe errou em nunca ter me contado, não a recrimino pela traição, mas ela não tinha o direito de esconder tudo isso de mim durante todos esses anos. Quanto ao meu pai, passarei a ser tão indiferente quanto ele consegue ser comigo, apesar de tudo sempre será o meu pai e continuarei respeitando-o. Não quero saber nada que venha do meu pai biológico, mesmo sabendo que ele não teve culpa, foi tão vítima quanto eu, de um amor destruidor e egoísta. Eu e Ana conversamos e ela me confortou com suas palavras carinhosas que me fizeram ainda mais louco e apaixonado. Não preciso de mais nada, eu já tenho tudo o que necessito ao meu lado. Ela. Isso é o suficiente e reconfortante. Isso basta. Acordei, mas ainda não abri os olhos, nem sei ao certo se ainda é madruga ou se já amanheceu. Minha cabeça acordou, mas o meu corpo ainda, hiberna. Eu poderia passar o dia inteiro aqui, deitado e de olhos fechados. E seu eu ficasse aqui, repassaria um filme em minha mente e tentaria entender a vida. É, a vida! Ela é surpreendente, nos prega cada peça. Estou quase desacreditando na hipótese de vivermos inúmeras vidas. Pois em apenas uma noite consegui vivenciar momentos que seriam suficientes para serem vividos e divididos por três reencarnações ou mais. Então para que morrer e nascer de novo? Eu disse, se eu ficasse, mas felizmente não ficarei aqui deitado repassando e repensando. Sem lamúrias e nada de lamentações, foi assim desde o princípio, apenas alguns empecilhos retardaram a verdade. Não posso mudar o passado e mesmo se eu tivesse esse poder, não mudaria nada, deixaria exatamente assim. Uma nova fase dessa vida me espera, e eu estou ansioso por ela. Sinto suas mãos quentes e macias deslizarem sobre o meu abdômen, sobem e pausam em meu peito. Os seus cabelos encosta-se em meu rosto e pescoço, esse roçar me arrancou um gemido rouco, quando senti os pelos do meu corpo arrepiar-se. — Arrrr... — Bom dia meu amor — a voz mais doce e quente invadiu os meus pensamentos. Sorrio antes mesmo de abrir os meus olhos. — Bom dia Morena — virei à cabeça o suficiente para olhá-la. Seus cabelos soltos e cheios caindo nos ombros, alguns fios desciam sobre o seu rostinho, seus lábios curvados em um sorriso preguiçoso e olhos ainda um pouco inchados os acompanhando. — Não me importaria de repetir essa cena pelo resto da minha vida — disse puxando ela para deitar em meu peito. — Você me faz bem. Olhar para você logo depois de acordar, recarrega as minhas energias. — Sou a sua energia matinal. Por isso cuido muito bem de você e sacio as suas necessidades —


sua voz vibrou em meu peito. — Ainda bem que sabe disso. Você é a minha fonte do prazer — beijei seus cabelos e o afastei, estava enroscado no meu braço e no meu rosto, ela levanta a cabeça e eu o prendo entre o pescoço dela e o meu peito. — Agora sim, consigo olhar para você. — Dormiu bem? — perguntou acariciando o meu peito e meu braço. — Dormi. — Quer conversar sobre ontem? — Não. Já Conversamos o suficiente, não quero ficar me lamentando. Tinha que ser assim, desde o princípio. Fique despreocupada, não irei virar um delinquente revoltado — ela sorriu e balançou a cabeça. — Gosto da sua atitude, você é forte. Meu alicerce. — E você, dormiu bem? — perguntei Acariciando