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Ellie Anthony Ellie Anthony não está à procura de amor. Ela nem sequer está à procura de um homem, mas quando Jax Mayson insiste em manter ela e sua filha seguras, ela não tem escolha a não ser confiar nele. Agora, só espera não se machucar ao se apaixonar por um cara que é conhecido por quebrar corações.

Jax Mayson Jax Mayson sabe que Ellie é o seu BOOM no momento em que a vê. Quando descobre que ela tem uma filha, ele percebe que quer uma família, e fará o que for necessário para manter as suas duas meninas seguras, mesmo que isso signifique enfrentar os demônios de seu passado. O amor nem sempre é o que queremos, mas é sempre o que precisamos.


Prólogo

Até chegar ao hospital e ser colocada em um quarto, eu já estava no fim da minha paciência. Meu corpo está exausto por não ter nada realmente substancial para comer ou beber durante os últimos dias, e minha mente está confusa do que simplesmente sobrevivi. Além disso, eu preciso chegar até Hope. — Eu estou bem, de verdade, — repito no que parece ser a centésima vez para o médico, que esteve me examinando desde que entrou no meu quarto há poucos minutos. — Ruth, vamos começar com uma IV, — ele disse, olhando por cima da minha cabeça para a enfermeira, mais uma vez me ignorando e puxando meu braço em sua direção, cutucando-o com os dedos. — Preciso chegar até Hope, — eu choramingo, tirando meu braço do seu alcance quando a enfermeira contorna a cama com a agulha em sua mão. — Deixe o médico colocar a IV, Ellie, — o cara chamado Jax diz, pegando a minha mão e alisando seu polegar sobre a palma da minha mão. Ele não saiu do meu lado desde que saí da floresta. Tenho tentado ignorá-lo, mas estou falhando miseravelmente. Ele é um gigante intimidante com boa aparência, o que torna quase impossível estar na presença dele, e não percebê-lo. — Você não entende. Hope precisa de mim, — grito com o médico quando ele segura meu braço novamente, colocando a agulha na minha pele, fazendo lágrimas de frustração encher meus olhos. — Ei, não chore. Tenho certeza que o seu cão está bem, — Jax diz suavemente, correndo os dedos sobre a palma da minha mão.


— De... desculpe-me? — Eu balbucio, virando a cabeça para ele. — Gato? — Ele pergunta, franzindo a testa. — Hope é a minha filha, — eu assobio, afastando a minha mão de seu alcance. — Filha? — Ele empalidece, me encarando. Não estou surpresa com a reação dele. Essa é a resposta normal que recebo dos homens quando descobrem que eu tenho uma filha, mas algo dentro de mim lamenta sua resposta. — Filha, — eu afirmo levantando meu queixo, e depois olho ferozmente para o médico. — Preciso sair daqui agora, — eu rosno entre dentes. — Foda-me, — murmura Jax, mas o ignoro e continuo a atirar punhais para o médico, que não dá à mínima enquanto coloca o saco de IV em um gancho acima da minha cabeça. — Sinto muito, Sra. Anthony, mas você está gravemente desidratada e nós precisamos mantê-la aqui por mais algumas horas antes de você ser liberada. — Eu vou beber um pouco de água, — digo, tentada a tirar a IV da minha mão e esfaqueá-lo com ela. — Vá dormir um pouco. — Ele me ignora mais uma vez, e se afasta para falar com a enfermeira. — Isso não pode estar acontecendo, — murmuro, caindo contra a cama e sentindo meus olhos ficarem pesados de repente, me perguntando se eles colocaram outra coisa na IV. *~*~* Acordo ao som de sussurros, meus olhos piscam, se abrindo lentamente. O quarto está escuro, a única luz vem de uma televisão no canto, que lança um brilho azul por toda a sala. Quando meus olhos se concentram na TV, eu pisco duas vezes. O tio de Jax, Nico, está em pé com um grupo de oficiais na frente da casa para a qual eu fui levada, e a mulher na frente da câmera está falando, mas o volume é tão baixo que não consigo ouvir o que ela diz quando o cinegrafista vira da mulher para a caminhonete que seguia atrás de nós. Sentando, eu encontro o controle remoto ao lado da cama e aumento o volume.


— As duas mulheres foram então perseguidas por esta caminhonete ao tentar fugir em um four-wheeler1 que tomaram de um dos assaltantes. Um captor está morto e o outro ainda está desaparecido. Se você tiver qualquer informação sobre o paradeiro do suspeito, por favor, ligue para o número listado abaixo, — diz a mulher, antes de a imagem desaparecer. Substituída por um homem e uma mulher sentados atrás da bancada na estação de notícias, anunciando, — Hoje à noite, você pode assistir a reportagem especial de Dan Seagan sobre o tráfico sexual na área de Nashville. Afastando os olhos da TV e me sentando, eu alcanço o telefone ao lado da cama, discando o único número que posso pensar que me levará a Hope. — Alô? — Minha tia responde ao primeiro toque. — Tia Marlene, — falo através de uma respiração entrecortada, segurando o telefone mais perto da minha orelha. — Você viu minha mãe? — Vi, mas agora ela já foi embora, — ela murmura, e a ouço acender um cigarro. Tenho certeza que ela está sentada em sua cadeira, onde sempre está, com os pés apoiados, fumando cigarro após cigarro e assistindo TV. — Onde está Hope? — Fecho meus olhos, rezando para que minha mãe não a tenha levado com ela. — Hope está comigo. Quando você vem buscá-la? — Estou no Tennessee, — choramingo; sem saber exatamente quão longe eu estou de Kentucky. — Eu sei. Sua mãe estava aqui quando a notícia apareceu, — ela me diz. Lágrimas enchem meus olhos, mas me recuso a deixá-las cair. Eu me recuso a deixar essas pessoas me machucarem mais. Não fiquei surpresa por minha mãe contar a minha tia o que aconteceu ou que ela não se importava. Minha mãe parou de se importar comigo quando meu pai morreu, quando já não precisava fingir que meu irmão e eu éramos mais importantes que sua próxima dose. — Estou a caminho. Por favor, diga a Hope que estarei aí em breve.

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— Preciso trabalhar amanhã à noite, de modo que mantenha isso em mente, — ela disse logo antes da linha cair. Colocando o telefone no gancho, eu esfrego os olhos. Minha família é o que a maioria da América classificaria como lixo do reboque2. Eu odiava esse termo quando criança, mas nós éramos pobres e vivíamos em um trailer. Houve um tempo em minha vida que eu não me importava das crianças na escola me chamarem assim, porque sabia que poderia viver em um trailer e ser pobre, mas pelo menos eu tinha a minha família. Então, quando eu tinha sete anos, meu pai morreu em um acidente na mineradora de carvão, deixando o meu irmão mais velho e eu sozinhos com a minha mãe, que era viciada em analgésicos. Embora ela estivesse doente muito antes de nós perdemos meu pai, nunca sofremos por causa disso. Meu pai sempre fez com que tivéssemos comida e roupa. Não tínhamos muito, mas tínhamos um ao outro. Depois que ele morreu, perdemos tudo. — Você está acordada. Olhando por cima do meu ombro para a porta aberta, meu olhar se conecta com o de preocupação de Jax. Eu não sei o que fazer com ele. Ainda não entendo como alguém que acaba de me conhecer poderia mostrar mais preocupação em apenas algumas horas do que as pessoas que conheci toda a minha vida. — Preciso chegar a Hope, — eu digo, colocando meus dedos na minha garganta, observando que está seca e áspera. — Eu sei, baby. Eu a levarei, — ele diz, entrando no quarto. Baby? Por que eu gosto disso? Porque me aquece cada vez que ele me chama assim? — Obrigada. — Fecho meus olhos aliviada, em seguida, os abro, dizendo, — Eu te pagarei assim que eu chegar em casa. — Não, — ele retruca, fazendo-me saltar, o que parece fazer sua mandíbula ranger. — Quero dizer que não é necessário, — ele diz suavemente, colocando as mãos nos bolsos da frente da calça jeans dando-me a oportunidade de realmente olhar para ele.

2 Aqui no Brasil seria o habitante de barracos, na favela. Termo usado pejorativamente, com a intenção de ofender, depreciar ou desqualificar. Pessoa mal vista na sociedade.


Eu não estava brincando quando disse que ele é gigante. Seus ombros são tão largos que tenho certeza que eu poderia caber duas vezes entre eles. Seus quadris são estreitos, suas coxas grossas e suas pernas longas. Sua cabeça está coberta por um boné, chamando a atenção para os olhos, que parecem cor de avelã, e ele tem um queixo angular, lábios carnudos e um nariz quase perfeito, o qual tem uma ligeira inclinação. — Minha mãe e meu pai estão aqui. Mamãe trouxe algumas roupas se você quiser se trocar antes de sairmos, — ele me informa, dando um passo na minha direção, parando e tirando o boné de sua cabeça, dando-me a oportunidade de ver seu cabelo castanho escuro pela primeira vez, o qual é curto nas laterais e mais comprido em cima. De pé e passando as mãos na frente da minha calça jeans suja, eu olho por cima do ombro para o corredor, onde há uma mulher com cabelo vermelho ao lado de um homem que parece uma versão mais velha de Jax. No momento em que meus olhos se conectam com o dela, ela entra no quarto. — Querido, — a mulher chama suavemente, — por que você não espera no corredor com o seu pai enquanto ajudo Ellie a se trocar? — Mãe. — Ele balança a cabeça, sem tirar os olhos de mim. — Vamos lá, rapaz, — o homem, que suponho que seja o pai dele, diz, dando um passo ligeiramente para dentro do quarto. Jax puxa uma respiração, em seguida libera-a, olhando para mim como se não quisesse sair. Estranhamente, eu não quero também. — Eu estarei lá fora, — ele diz depois de alguns batimentos. — Claro, — sussurro, lutando contra a vontade de ir até ele e implorar para ele ficar. — Você pode voltar quando ela estiver vestida, — sua mãe diz suavemente enquanto ele passa por ela para sair do quarto. Quando a porta é fechada, o quarto torna-se ainda mais escuro, mas em seguida, a luz é acesa, fazendo-me fechar os olhos em surpresa. — Oh merda, sinto muito. Nem sequer pensei, — a mulher murmura, e vejo através de minhas pálpebras fechadas a sala ficando escura mais uma vez. — Está tudo bem, pode ligar. — Tem certeza? — Ela pergunta.


— Sim. — Quando as luzes são acesas novamente, leva apenas um momento para os meus olhos se ajustarem, e quando o fazem, eu observo a mãe de Jax se aproximar de mim. — Sei que meu filho não nos apresentou, mas eu sou Lilly, e você é Ellie, certo? — Ela pergunta, me estudando. — Sim, — eu coaxo e ela franze a testa, caminhando até a cama. Pegando um copo cor-de-rosa da mesa ao lado, ela traz para mim, segurando-o para eu tomar. — Basta dar alguns goles, querida, — ela diz suavemente, com a mão sob a minha, como se eu fosse largar o copo. — Está melhor assim? — Sim, obrigada, — digo, surpresa ao ouvir a minha voz falhar novamente, mas desta vez por causa da emoção de ter alguém cuidando mim. Balançando a cabeça, ela pega o copo e o coloca no cesto ao lado da cama. — Jax disse que você era pequena, então peguei algumas das minhas roupas de yoga para você. — Obrigada, — murmuro distraída, observando-a retirar um par de calças de yoga pretas, uma blusa e uma jaqueta. — Você quer lavar-se um pouco no banheiro? Seguindo seu olhar até uma porta que não notara, eu aceno. Pegando as roupas, ela me leva para dentro do banheiro murmurando, — Estarei aqui fora se precisar de mim, — e fecha a porta atrás dela. Ligando a água da torneira, sequer olho para mim mesma no espelho sobre a pia quando retiro minhas roupas e pego algumas toalhas de papel, mergulhandoas na água. Esfrego-me da cabeça aos pés, tendo o cuidado com as minhas mãos, que ainda estão sensíveis por carregar um pedaço de madeira como uma arma. Quando estou tão limpa quanto possível sem um chuveiro, eu olho o meu reflexo no espelho e me encolho. Meu cabelo escuro está emaranhado, a minha pele pálida e meus olhos castanhos estão fundos, como se eu tivesse sido atropelada. — Você está viva, — eu me lembro, puxando as calças de ioga que são um pouco longas demais, mas estão limpas e felizmente cabem. Coloco a blusa, depois a jaqueta, fechando-a antes de colocar os meus tênis, e ao passar a mão pelo meu cabelo, folhas secas e sujeira caem no chão. Desistindo de desembaraçar


os nós, eu puxo tudo em cima da minha cabeça e giro em um coque, prendendo as pontas de forma que ele permaneça no lugar. — Tudo serviu, — digo ao sair do banheiro, encontrando Lilly sentada na cama, com a cabeça inclinada, como se estivesse perdida em pensamentos. — Estou feliz. — Ela sorri suavemente, e a cabeça pende para o lado, me estudando. — Jax disse que você tem uma filha. — Eu tenho. — Eu aceno, pego minhas roupas velhas e levo até o cesto de lixo, jogando-as lá dentro. — E sua mãe fez isso com você? — Ela pergunta, me surpreendendo com a pergunta, fazendo meu corpo tencionar em resposta. Lambendo meus lábios, eu me viro para olhá-la. — Ela fez. — Ela vive perto de você? — Ela pergunta baixinho, me olhando fixamente. — Cerca de 20 minutos de distância, com minha tia. — Então... o pai de sua filha? — Ele está morto, — eu digo, sentindo lágrimas encherem meus olhos com o pensamento. Hope não é a minha filha biológica. Edward, meu irmão, e a namorada dele, Bonnie, foram atingidos frontalmente por um motorista bêbado. Ambos morreram com o impacto. Hope sobreviveu com apenas alguns arranhões. Eu obtive a sua custódia no dia do meu aniversário de dezenove anos, quando ela tinha apenas quatro semanas de idade. — Sinto muito, — ela sussurra calmamente. — Foi há muito tempo, — eu digo, passando os braços em volta da minha cintura, tentando me controlar. — Você terá um emprego ao voltar para casa? Meu corpo enrijece ainda mais e sinto que meus olhos se estreitam. Sei que as pessoas fazem suposições sobre mim o tempo todo por causa de onde eu vivo e como cresci, mas eu fui para a escola e tirei a minha licença de cabeleireira logo após o ensino médio, e estive por conta própria desde então. Eu trabalhei duro para fazer uma vida para mim e para Hope, para que seu futuro seja mais brilhante do que o de Edward e o meu. Sei que é o que ele queria para ela, e para mim. — Eu sou cabeleireira, — respondo, só porque não quero ser rude após ela ter sido tão boa comigo.


— Sei que isso soará completamente estranho, mas já pensou em se mudar e começar de novo em outro lugar? — Ela pergunta em voz baixa. Claro, eu pensei nisso, mas como mãe solteira, eu só fui capaz de economizar alguns dólares aqui e ali. Ter um filho não é barato, e me recuso a usar o auxílio do governo. Minha mãe fez isso por anos, embora pudesse trabalhar. — Só pergunto, porque este é um lugar agradável para viver, um bom lugar para educar uma criança. — Talvez um dia, — murmuro, me sentindo desconfortável. — Eu fui mãe solteira por um tempo, — ela diz, me surpreendendo. — Sei como é difícil criar uma criança sem ter pessoas por perto para se apoiar. Não estou dizendo que você não tenha isso, mas... — Eu só tenho a mim mesma, — a interrompo. Sim, eu tenho alguns amigos, mas ninguém em quem eu possa confiar. Não completamente, de qualquer maneira, e família... não tenho isso também. Sempre foi Hope e eu. Seus olhos suavizam e ela levanta da cama. — Você poderia morar aqui. Eu tenho um amigo que é dono de um salão de beleza na cidade. Ele está sempre em busca de ajuda, e Jax já disse que você poderia ficar com ele até melhorar. Ele quase não está em casa de qualquer maneira. Ficar com Jax? Sim, não obrigada. — Todos nós nos sentiríamos melhor sabendo que você está aqui, pelo menos até o outro cara ser preso. Oh, Deus. Como o esqueci? Não sei se ele sabe onde eu moro, e se algo acontecer com Hope? Fechando os olhos, eu esfrego a testa sentindo uma dor de cabeça chegando. — Sei que você quer manter sua filha segura, e meu filho garantirá isso. — Eu não sei. — Abro meus olhos. Isso é demais para suportar agora. — Às vezes você tem que saltar do abismo com os dois pés, querida. Sei que este é um momento assustador para fazer grandes mudanças na vida, mas acredito que tudo acontece por uma razão, e talvez... apenas talvez... você deveria ter uma chance em algo novo. — Ela estende a mão, esfregando o meu braço. Minha avó antes de morrer me disse: Devore a vida sem mastigar, e reze para que você não se sufoque. Eu poderia fazer isso agora? Tomar uma chance e


rezar para o melhor? — Tem certeza que seu amigo precisa de ajuda? — Eu ouçome perguntar, mesmo sem perceber. Ela sorri depois assente. — Eu tenho certeza. — Talvez eu tenha uma concussão, — murmuro, surpresa por realmente pensar em fazer isso. Não é como se eu tomasse riscos desnecessários. — Eu estarei aqui para você sempre que precisar de mim, e sei que meu marido e filha farão o mesmo, juntamente com Jax. Oh, Deus. Jax. Não tenho certeza do que fazer com ele, mas preciso manter Hope segura, e quanto mais longe eu ficar da minha família, melhor, não só para ela, mas para mim também. — Ok, — eu afirmo. — Ok? — Sim, eu preciso garantir a segurança da minha filha, — Explico suavemente. Seus braços me envolvem em um abraço e ela murmura, — prometo que as coisas serão melhores agora. Não tenho tanta certeza sobre isso. Sinto que só saí da frigideira para o fogo.


CAPÍTULO 01

— Obrigada novamente por me levar. — Tirando meus olhos da estrada por um breve momento, eu olho para Ellie. Sua cabeça está descansando contra a janela, as pernas puxadas para cima do banco situadas perto de sua bunda, e seus braços fortemente envolvidos em torno delas. Uma coisa que observei nela ao longo dos últimos dias, é que está sempre envolvendo os braços em torno de si mesma ou dobrando o corpo como uma bola. É como se estivesse forçando-se a se manter firme. — Eu disse que cuidarei de você, baby, — digo suavemente, querendo mais do que qualquer coisa segurar sua mão, mas cada vez que a toco, ela congela, como se esperasse que eu fosse atacá-la, e eu estaria mentindo se dissesse que não me irrita para caralho. Pois irrita, é como um tapa na cara cada vez que acontece. — Eu sei, — ela sussurra, e as lágrimas que ouço em sua voz provocam uma dor aguda no meu peito. Porra. — Este é o trevo. — Seus pés vão para o piso e as mãos para o painel quando ela se endireita, aproximando o rosto do para-brisa. Dirigimos até uma estrada de terra com floresta e ocasionais carros quebrados em ambos os lados. Quando chegamos ao topo da colina, avistamos um trailer singlewide3 com carros velhos e pilhas de lixos na frente. Assim que paro o carro, ela abre a porta e desce antes que eu possa dizerlhe para manter seu pequeno traseiro na cabine. Não sei como vou lidar com as emoções que estou sentindo desde que a vi pela primeira vez. 3 Modelo de trailer


— Caralho do Boom, — murmuro, saindo atrás dela e acelerando os meus passos até que sou capaz de me aproximar dela, onde passo minha mão em torno de sua cintura e a puxo para perto de mim. Ela é tão pequena que o topo de sua cabeça escura atinge apenas o meu peito. Tão frágil, sua pele suave demais para seu pequeno tamanho. E ela é minha. — Você demorou muito, — uma mulher grande diz, abrindo a porta da frente do trailer. Seu fino cabelo loiro afastado do seu rosto por uma faixa na cabeça, e seu corpo grande e redondo está vestindo o que parece ser um vestido folgado, com mangas compridas. Eu sei imediatamente que esta deve ser a tia Marlene de Ellie, a irmã de sua mãe. — Onde está Hope? — Ellie pergunta do meu lado enquanto aperto minha mão em torno dela para mantê-la no lugar. Dando uma baforada do cigarro, Marlene joga a bituca no quintal, voltando para o trailer enquanto alcançamos os degraus de madeira rangentes que levam para dentro. — Onde está Hope? — Ellie pergunta após entramos na pequena sala de estar. Sentindo um arrepio deslizar através dela, a abraço de lado a fim de lembrála que não está sozinha. — Hope está dormindo no quarto dos fundos. — Sua tia aponta para um longo corredor, e olha para mim. — Quem é ele? — Ela pergunta, mas Ellie passa por ela e corre pelo corredor, ignorando sua pergunta. — Quem é você? Jesus. Esforço-me para manter minha boca fechada. Cruzando os braços sobre o peito, eu espero por Ellie, ignorando a mulher, com medo do que direi se falar. — Você é policial? Foda-me. — Não sou um policial, — rosno, querendo dizer que ela não deve parecer aliviada por isso. — Essa minha sobrinha sempre agiu como se fosse melhor do que todos nós. Imaginei que ela conheceria um cara que pensa o mesmo.


Meus punhos apertam e soltam ao meu lado. Não sei muita coisa sobre Ellie, mas não há dúvidas em minha mente que ela é melhor do que esta lixeira e sua fodida família. — Jax. Meu olhar vai para a entrada do corredor e encontra Ellie, que segura uma menina em seus braços, seu rosto pressionado contra o peito de Ellie, seu longo cabelo escuro pendurado sobre o braço de Ellie, e suas pernas envolvidas no seu corpo. — O que, baby? — Pergunto, fechando a distância entre nós. — Você pode segurá-la enquanto eu pego as coisas dela? — Ela pergunta em um tom abafado. — Claro, — murmuro, e ela desliza a menina dormindo em meus braços. Seu corpo pequeno e quente pressionado perto de meu peito e a levanto mais, ajustando-a contra mim. — Depressa, baby, — digo a Ellie, seus olhos permanecendo fixos em mim. — Baby, — digo; ela pisca, se virando e voltando pelo corredor, e meus olhos caem para a pequena menina. Sei que ela tem três anos a partir da informação que Ellie me deu. Sua pele é da mesma cor creme como a de sua mãe. Suas bochechas estão ligeiramente rosadas do sono, seus lábios em um pequeno beicinho, e seus longos cílios escuros atingem suas bochechas. Ela é linda, e nem sequer abriu os olhos. — O pai dela nunca a verá crescer, — diz Marlene, colocando um cigarro na boca. Olhando para a menina em meus braços, eu imagino se ela fosse minha e nunca mais vê-la. O pensamento só faz o meu coração sangrar e meus braços se apertar em torno dela. — Não acenda isso, — rosno quando ela levanta um isqueiro para o cigarro pendurado em sua boca. — É a minha casa. — Não dou a mínima. Você pode esperar até nós formos embora. Seu rosto aperta, mas ela puxa o cigarro fora e fecha a mão em torno dele. — Pronto, — diz Ellie, carregando uma grande bolsa sobre um ombro e uma bolsa de fraldas menor na outra mão. Tomando a bolsa grande dela e tomando cuidado para não despertar Hope, eu a levo à caminhonete. Assim que a tenho


afivelada na cadeirinha que pedi a minha mãe para pegar quando ainda estava no hospital, eu levanto Ellie a cabine e puxo o cinto de segurança em volta dela. — Jax. — Sim, querida? — Minhas mãos param e meu olhar encontra seus lindos olhos castanhos cercados por longos cílios escuros. — Eu posso colocar meu cinto, — ela sussurra, e meus olhos caem para sua boca. Ela tem uma lacuna entre os dentes da frente, dos quais me tornei obcecado desde que a conheci. Realmente, sou obcecado com sua boca. Seus lábios são cheios, o inferior ligeiramente mais cheio do que o superior, um rosa tão escuro que eu quero me inclinar para degustar, só para ver se eles são tão macios e doces como parecem. — Você me deve por cuidar de Hope, — a tia diz atrás de nós, quebrando o momento e fazendo um grunhido vibrar no meu peito. — Fique aí. — Rosno, clicando o cinto de segurança no lugar, recuando e batendo a porta. Quando estou a poucos passos de distância, eu tranco e ligo o alarme, assim saberei se Ellie tentar sair, em seguida, eu subo os poucos degraus do trailer. Fechando a porta atrás de mim, a pequena sala fica quase negra, a única luz vem de uma pequena janela na sala de estar e uma menor em cima da pia na cozinha suja. — O que você está fazendo? — Marlene pergunta, e posso ouvir o nervosismo em sua voz quando ela se afasta de mim. — Eu darei uma chance de você ser honesta comigo. Vou perguntar onde está a mãe de Ellie, e quero que me diga a verdade. Se você não me disser onde ela está agora e eu descobrir mais tarde que você conhecia o paradeiro dela e escondeu isso de mim, eu farei você pagar por esse erro. — Você não é da polícia. Você não pode falar assim comigo, — diz, colocando as mãos nos largos quadris e olhando para a porta. — Você está certa. Não sou um policial, e essa informação deve levá-la a fazer a coisa certa, — rosno. — Ela é minha irmã. — Não dou a mínima se ela é a porra do Papa. Diga-me onde ela está. — Não sei, — diz ela calmamente, depois de um longo momento.


— Você tem certeza que quer que essa seja a sua resposta final? — Pergunto a ela, virando para a porta. — É a verdade. — Lembre-se que eu te avisei, — digo, abrindo a porta e descendo as deterioradas escadas para a grama. — E o meu dinheiro? — Consiga com a sua irmã, — digo a ela, desligando o alarme da minha caminhonete e entrando. Estou tão chateado que posso realmente sentir meu coração batendo no meu pescoço. Quero pegar uma lata de gasolina e acender seu maldito trailer com fogo. — O que ela disse? — Ellie pergunta baixinho do meu lado enquanto sigo para a estrada principal. Tirando meus olhos do asfalto, eu olho para ela rapidamente, ver a tristeza em seu olhar faz meu punho apertar no volante. — Nada, baby. — Jax. — Ellie, — digo, no mesmo tom, sentindo meus lábios se contorcerem. — Eu não sei o que você poderia pensar que é engraçado agora, — ela bufa, e a vejo cruzar os braços sobre o peito pelo canto do meu olho, a ação me fazendo sorrir. Foda-se, mas ela é bonitinha. — Tão chato, — ela murmura baixinho, me fazendo rir. — Mamãe, — eu ouço, e olho por cima do meu ombro para Hope, cujos olhos piscam para a sua mãe no banco da frente. — Anjinho. — Ellie tira o cinto de segurança, levanta-se de joelhos, e inclina-se sobre o banco traseiro. Estacionando ao lado da estrada, coloco a caminhonete em ponto morto e desço para ajudar Ellie, mas antes que eu possa chegar lá, ela já está do lado de fora e abrindo a porta de trás, tentando tirar Hope da cadeirinha. No momento em que desafivela Hope e a pega nos braços, soluços começam a tomar conta de Ellie. Sem pensar, eu abraço ambas conforme uma certeza se instala em meu intestino. — Está tudo bem, mamãe. — Hope acaricia as costas de sua mãe, fazendo Ellie chorar mais.


— Eu sei, anjo, — Ellie diz, puxando o rosto do pescoço de Hope e beijando sua testa. — Senti sua falta. — Também senti sua falta. A vovó disse que estava trabalhando, — ela diz, colocando a mão no rosto de sua mãe e olhando para o rosto dela. — Eu estava anjo e adivinhe? — O quê? — Hope pergunta, e meu coração dá outro puxão quando ambos os seus rostos se iluminam com sorrisos tão brilhantes que roubam o ar dos meus pulmões. — Mamãe tem um novo emprego. — Yay! — Ela ri, e Ellie coloca a mão na parte de trás da cabeça de Hope e mergulha-a para trás, sussurrando em seu ouvido. — Eu amo você, anjinho. — Amu você, mamãe, — ela diz, seus olhos me encontram e ela inclina a cabeça para o lado. — Hope, este é Jax, — diz Ellie, e vejo seu rosto corar quando percebe que seu corpo está pressionado ao meu. — Jax, esta é Hope. — Ela se afasta, girando de modo que Hope fique de frente para mim. — É bom conhecer você, Hope. — Você também, Ax. — Ela sorri, mostrando uma lacuna entre os dentes da frente, o que a torna ainda mais bonita. — Tudo bem, anjo, volte para a sua cadeirinha no carro, — Ellie diz a ela, e Hope vai para o banco e se afivela no lugar, como se tivesse feito isso um milhão de vezes. Não confiando nela, eu verifico para ter certeza que está segura e toco na ponta do seu nariz, fazendo-a sorrir antes de fechar a porta. Uma vez que estou de volta ao volante, nós vamos para a casa de Ellie para que possamos pegar as coisas dela. Eu me sinto um merda por dizer à minha mãe para encontrar uma maneira de trazer Ellie para Nashville, até mesmo por ela precisar usar o medo dela contra ela? Um pouco, mas no final do dia, ela estará sob meu teto, então foda-se. Vale tudo no amor e na guerra, certo? — Vire aqui, — diz Ellie, trazendo-me dos meus pensamentos. Franzindo a testa, eu viro e entro em um grande parque de trailer. Conheço lugares como esses, o aluguel barato facilita que todos e qualquer um viva aqui. Seguindo as instruções de Ellie, nós paramos na frente de um pequeno trailer singlewide. Só


pelo lado de fora posso dizer que ela é uma das poucas pessoas no parque que tem orgulho de seu lugar, a julgar pelas flores em sua pequena varanda da frente, as quais morreram em sua ausência, e a bandeira floral colorida pendurada ao lado da porta da frente, acolhendo quem vem para uma visita. Desligando a caminhonete, eu pulo para fora e dou a volta no capô, observando ao meu redor. Dois trailers abaixo há um grupo de rapazes sentados em cadeiras de gramado, bebendo cerveja. Um pouco mais abaixo deles, eu vejo um homem passar um pequeno saco de algo para um garoto, que provavelmente não tem mais de dezessete anos. — A partir de agora, espere até eu abrir a porta, — digo a Ellie, tirando uma Hope dormindo dos seus braços. — Por quê? — Ela franze a testa, fechando a porta. — Porque minha mãe chutaria a minha bunda se eu não o fizesse. — Oh. — Ela aperta os lábios como se estivesse tentando não sorrir, me fazendo querer inclinar e beijá-la. — Pronta? — Pergunto, sabendo que não posso fazer o que quero, não ainda de qualquer maneira. — Pronta. — Ela suspira, indo para a varanda, levantando a borda do tapete, e tirando uma chave. — Você está brincando comigo? — Rosno, olhando para a chave na mão. — O quê? — Ela pergunta, abrindo a porta e entrando. — Ellie, baby, você não deixa a chave da sua casa em um lugar tão óbvio. Isso é basicamente um convite para alguém entrar e roubar toda sua merda. — Nada jamais aconteceu antes. — Ela encolhe os ombros. — Graças a Deus, mas há uma primeira vez para tudo, — digo a ela, tentando tornar minha voz gentil, o que é difícil de fazer considerando quão chateado estou sabendo que uma mãe solteira vive em um lugar como este, com a chave da casa sob o filho da puta de seu capacho. — Não farei isso de novo, — diz ela, lendo meu rosto. Balançando a cabeça, coloco Hope no pequeno sofá ao lado da porta, e olho ao redor. O lugar é pequeno, mas limpo e acolhedor. Uma pequena TV de tela plana se encontra na frente do sofá em um rack com toneladas de molduras espalhadas


por toda a superfície, a maioria contendo fotos de Ellie e Hope, mas em algumas, estão imagens de um homem segurando um bebê. Há uma com o mesmo homem, mas desta vez o braço dele está envolvido em torno de uma mulher que olha para o pequeno embrulho em seus braços, enquanto ele sorri para a câmera. Eu me pergunto distraidamente se era o ex de Ellie, mas ainda não é possível encontrar coragem o suficiente para perguntar. Puxando meus olhos para longe das fotos, eu olho o resto do espaço. Uma cadeira moderna no canto, adicionando cor para a sala, e combinando com a cor das cortinas nas janelas. Na cozinha há uma pequena mesa de jantar, com duas cadeiras velhas, mas que ainda se encaixam com a decoração. — Não sei o que deveria levar, — murmura Ellie, entrando na cozinha e olhando ao redor. — Tudo o que não levarmos agora nós podemos pegar depois, — digo a ela suavemente, movendo-me para o lado dela. — Minha casa tem tudo o que você precisa no momento. — Você realmente tem certeza sobre ficarmos com você? — Ela pergunta, enfiando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Eu sei que seu pai disse que poderia conseguir um apartamento na cidade. — Eu tenho certeza. — Sinto meu peito vibrar aborrecidamente. Não quero deixar Hope ou ela fora da minha vista. E Deus, eu amo meu pai, mas estava pronto para surrá-lo quando sugeriu isso. — Como minha mãe disse, quase não estou em casa. Trabalho muito, e minha casa já tem segurança instalada. É o lugar mais seguro para ambas. Seus olhos vão para o sofá, e sei que sem Hope não haveria uma chance no inferno que Ellie estaria morando comigo. — Eu realmente aprecio isso. — Baby, — murmuro, observando seus olhos semicerrados, — Estou feliz por poder ajudar. Lambendo os lábios, seus olhos suavizam e vão para o sofá novamente. — Hope vai querer sua cama. — Mostre-me onde está e a colocarei na caminhonete agora, enquanto você pega suas roupas e embalada outras coisas.


Balançando a cabeça, ela se dirige a um corredor curto e para em um quarto que é menor do que o meu armário em casa. Não há muitas coisas, apenas uma pequena cama de criança e uma cômoda branca, juntamente com bichos de pelúcia espalhados ao longo de um tapete rosa. — Eu pegarei isso, você começa a embalar, — ressoo, esfregando seus braços. Olhando por cima do ombro para mim, seus lábios abrem ao perceber quão perto estou. — Eu... eu v-vou começar a embalar, — ela gagueja, e desliza sob meu braço, indo para o corredor. Seguindo-a com meus olhos até que ela está fora de vista, eu sorrio. Ela pode não querer admitir, mas sei que ela sente a mesma atração que eu. Indo ao quarto de Hope, eu puxo a cama cor-de-rosa e o colchão, em seguida, pego a armação e tiro do quarto, verificando se ela ainda está dormindo antes de levar para a caminhonete. Assim que começamos, não leva muito tempo para ter tudo embalado e colocado na parte de trás da minha caminhonete. Teremos que voltar em uma semana para limpar o resto, mas temos tudo o que precisamos por agora. — Baby, chegamos, — sussurro, correndo o dedo pelo rosto de Ellie, realmente não querendo acordá-la. Ela adormeceu com a cabeça na minha coxa dez minutos depois que saímos do restaurante que paramos após abastecer o carro. Eu nem acho que ela percebeu o que fazia quando se deitou. Eu sei que ela deve estar esgotada depois de tudo que aconteceu. Piscando para mim, ela limpa o canto da boca, e senta-se rapidamente, olhando ao redor. — Esta é a sua casa? Olhando através do para-brisa, me pergunto por que ela parece tão assustada. Não é a casa mais bonita na rua, mas quando entrou no mercado imobiliário há um ano por cem mil abaixo do valor de mercado, eu tive que comprála, e lentamente a reformei desde então. — Sim. — É muito boa. — Ela engole, olha para as outras casas ao redor, que parecem semelhantes à minha. — É a sua casa agora também, — digo baixinho, querendo me livrar desse olhar em seu rosto, aquele dizendo que ela sente como se não pertencesse aqui.


— Até que eu tenha dinheiro suficiente para alugar outro lugar, — ela murmura, esfregando os olhos. Ignorando o comentário, eu cerro os dentes e saio da caminhonete antes que eu diga a ela que de maneira nenhuma ela se mudará para outro lugar. — Se controle antes de assustá-la, — rosno sob a minha respiração, abrindo a porta e a ajudando-a. Então, abro a porta da Hope e sorrio quando seu rosto se ilumina. — Você mora em um castelo! — Ela sorri, soltando seu cinto, me pegando de surpresa ao se jogar para mim. Olhando para trás em direção à minha casa, eu acho que meio que parece um castelo. O velho tijolo cinza Vitoriano com dois quartos redondos em cada lado da casa dá a aparência de torres, a faixa branca ao longo das extremidades e no meio uma janela que se assemelha a um mirante. — Acho que eu moro, — digo a ela, colocando-a no chão. — Tãooo legalllll, — ela suspira, olhando para mim com seus grandes olhos castanhos, fazendo meu peito doer. Puxando meu boné, volto-me para Ellie. — Por que não levo vocês para dentro e você pode olhar ao redor, enquanto pego tudo? — Tem certeza? — Ela pergunta, pegando Hope, e olhando todas as suas coisas na parte de trás da caminhonete, a maioria das quais estava em sacos de lixo pretos. — Tenho certeza. Além disso, você realmente deveria estar na cama descansando depois de tudo o que aconteceu, — digo baixinho, pegando sua mão e ajudando-a a subir os degraus da frente, soltando-a por tempo o suficiente para abrir a porta e caminhar até o teclado para desligar o alarme. — O código é zero, quatro, zero e três. Eu quero que o alarme seja acionado em todo momento que eu não estiver em casa com você. — Vejo-a acenar, pego a mão dela novamente e a levo através da casa, mostrando a sala de estar, cozinha e banheiro no térreo antes de levá-la para as escadas. — Você pode escolher os quartos. — Onde está o seu quarto? — Ela pergunta ao alcançar o patamar do segundo andar. — No final do corredor. — Aceno com a cabeça em direção ao meu quarto e ela olha na direção oposta. Largando minha mão, ela coloca Hope no chão, abrindo


a porta na nossa frente, o mais distante do meu, o que me faz segurar um sorriso. Alguns metros e um par de portas entre nós não importará em longo prazo, mas estou disposto a dar-lhe a sensação de espaço por agora. — Vamos ficar com este quarto. — Há muito espaço para Hope ter o próprio quarto, — digo a ela suavemente. — Eu me sentiria melhor se ela estivesse perto de mim, pelo menos por agora,

ela

responde

calmamente,

pegando

a

mecha

de

cabelo

que

constantemente cai do coque no alto da cabeça e colocando-a atrás da orelha. — Mamãe, eu quero viver na torre como uma plincesa real. Virando a cabeça, eu vejo que Hope abriu a porta na extremidade oposta do corredor, o segundo quarto tem uma seção redonda que se projeta para o jardim da frente, com grandes janelas e um banco debaixo delas. — Você não quer dormir comigo? — Ellie pergunta a ela, e o rosto de Hope aperta adoravelmente como se tentasse pensar sobre isso, então ela balança a cabeça. — Não sou um bebê, lemba? — Não, eu acho que você não é. — Ellie suspira, e olha para mim mordendo o lábio inferior. — Tem certeza que não se importa de nós ocuparmos dois quartos? — Positivo. — Sorrio, e ela olha para o final do corredor à minha porta, em seguida, volta para o dela, e meu sorriso se torna maior. Posso praticamente ouvir as engrenagens girando em sua cabeça. — Por que vocês não se limpam enquanto trago tudo? — Digo, abrindo a porta para o banheiro. — Baneira! Baneira! — Hope salta para cima e para baixo gritando, me fazendo rir. — Eu trarei suas roupas primeiro. Dessa forma, você terá algo limpo para se trocar. — Obrigada, Jax, — sussurra Ellie. — Não tem problema, baby, — digo a ela, e olho para Hope quando ela pega a minha mão, puxando-a. — Mamãe não é um bebê. — Ela ri, e corre para o banheiro, me fazendo rir. Apoiando no batente da porta, eu vejo as duas ligarem a banheira e me afasto, fechando a porta quando ambas tiram os sapatos.


Eu nunca realmente pensei sobre ter filhos, mas podia me acostumar a ouvir a risadinha de Hope. Movendo-me no andar de baixo, eu pego meu celular e pressiono ligar no número da minha mãe, ao ver que ela ligou algumas vezes. — Você não sabe como estávamos preocupados? — Ela repreende após o primeiro toque. — Você sabia que eu estava dirigindo. — Sei que meu pai não está realmente incluído nesse nós. É só a minha mãe, ela está sempre preocupada. — Você tem Bluetooth, — ela murmura, parecendo irritada. — Ellie e Hope dormiam, e não ia atender ao telefone com as meninas na caminhonete. — Oh, Deus, está realmente acontecendo, não é? — Ela sussurra, me fazendo franzir o cenho. — O que está acontecendo? — Nada, — ela diz rapidamente. — Como Ellie se sente, e como é Hope? — Ellie está cansada, mas acho que está bem. Hope é bonita. Você vai amála. — Eu gostaria que não fosse tão tarde, — ela resmunga, me fazendo sorrir. — Você pode vir amanhã. Se eu conheço Ellie, de qualquer modo, ela vai querer ir ao salão de beleza na parte da manhã. — Eu posso levá-la, — ela diz imediatamente quando tiro dois sacos da traseira da caminhonete e levo-os para dentro. — Obrigado, mãe, — digo sinceramente. — Estou feliz em ajudar. — Onde está o papai? — Ele está bem aqui. Espere, — ela diz, e tenho certeza que ela está sentada no colo do meu pai, ou aconchegada ao lado dele onde ela sempre está. — Hey, rapaz, — ouço a voz profunda vir do outro lado da linha. — Hey, pai. Você está ocupado amanhã? — Não tenho nada programado. Por quê? — Preciso conseguir um carro para Ellie. Você tem tempo para ir comigo? — Claro, eu levarei a sua mãe na parte da manhã, desde que posso dizer que ela está muito empolgada para conhecer Hope, nós estaremos aí.


— Obrigado, — murmuro, levando os dois sacos pelas escadas e colocandoos no quarto que Ellie escolheu. — A qualquer hora. Descanse um pouco e veremos você de manhã. — Até amanhã, então, — digo, desligo e volto para fora. O meu telefone vibra novamente, eu olho para a tela e sacudo a minha cabeça quando vejo o número de Mellissa aparecer com o emoji de uma faca de açougueiro que minha irmã Ashlyn colocou ao lado de seu nome. Mellissa e eu namoramos na escola, e ficamos uma vez no verão. Pensei que ela havia mudado com a idade e a faculdade, mas agora ela é uma vadia pior do que era naquela época. Pressiono ignorar chamada e coloco meu telefone no bolso, eu pego o resto das coisas e levo para a casa. Assim que coloco todas as coisas no andar de cima, encontro as duas meninas deitadas na cama no quarto de Ellie. — Obrigada por trazer tudo, — Ellie diz sonolenta. — Não tem problema. — Dou de ombros, observando-a enquanto ela sai da cama, e é quando percebo que ela veste apenas uma camisa, a qual atinge o meio das

coxas.

Meus

olhos

a

analisam

enquanto

ela

anda

em

minha

direção. Observando a cremosa expansão de suas pernas e a maneira como seu cabelo atinge abaixo de seus ombros, posso imaginá-la nua andando na minha direção, seu cabelo escovando as pontas de seus seios. — Ax, eu amu sua baneira, — diz Hope, tirando-me da minha leitura atenta de sua mãe. Limpando minha garganta, eu olho ao redor de Ellie para Hope, que agora está em pé sobre a cama e pulando. — Estou feliz, querida, — digo, ela sorri e então pula da cama, felizmente desembarcando em seus pés enquanto corro em sua direção, sentindo meu coração na garganta. Pegando-a do chão, eu murmuro, — Tome cuidado. — O que só parece fazê-la rir. — Sem pular na cama, anjo, — Ellie diz, e Hope sorri se mexendo para descer do meu colo e correndo para fora do quarto, passando por sua mãe. — Ela é incontrolável, — Ellie murmura, olhando da porta para mim novamente. — Ela é doce. — Além disso, eu já começava a ter a sensação de que eu teria minhas mãos cheias com ela e com sua mãe. — Você parece cansada.


— Eu estou, mas Hope quer dormir na cama dela, então vou arrumá-la para ela, — ela diz bocejando e voltando-se para a porta. — Já está arrumada, — digo atrás dela. Parando, ela se vira para me olhar por cima do ombro, e algo brilha em seu olhar, mas sua cabeça abaixa antes que eu pudesse decifrar. — Obrigada, — ela murmura, saindo do quarto. Seguindo-a até a porta de Hope, eu paro atrás dela. — Ela já está dormindo, — ela sussurra, inclinando a cabeça para olhar para mim. Inclinando meu queixo em direção a ela, eu coloco minha mão em seu ombro, enquanto estico minha outra mão para desligar a luz. — Você ainda encontrou um abajur, — ela sussurra, quase como se estivesse admirada. Deslizando minha mão pelo seu braço, coloco-a em sua cintura, dando-lhe um aperto. Desta vez, ela não se mexe, mas tem calafrios. — Vá para a cama, baby, você precisa descansar. — Ok. — Ela engole, e noto uma coloração rosa nas bochechas que não estava lá antes dela entrar no quarto. — Estou no final do corredor se precisar de mim. Você se lembra do código da casa? — Zero, quatro, zero, três, — diz ela, balançando a cabeça. — Boa menina. — Sorrio, estendendo minha mão e correndo meu dedo pelo seu rosto, observando seus olhos deslizarem semicerrados ao meu toque. — Mamãe e papai estarão aqui na parte da manhã. — Oh. — Mamãe disse que a levaria ao salão de beleza, caso você queira ir. — Eu quero. — Seu rosto se ilumina. — Eu tinha o pressentimento que você iria querer. — Sorrio quando ela boceja novamente. — Durma um pouco. — Boa noite, Jax, — ela diz baixinho, caminhando em seu quarto. — Boa noite, Ellie, — murmuro, observando sua porta fechar antes de ir para o meu quarto no final do corredor. No instante em que entro, eu chuto as minhas botas e tiro minhas calças jeans e camisa, enquanto vou para o banheiro. Algo dentro de mim se encaixa no lugar... algo que eu nem sabia que procurava o tempo todo.


Eu sabia sobre o Boom, cada homem na minha família sabia disso desde que éramos pequenos. A maioria de nós brincou sobre ser um conto da carochinha, mas isso não significa que eu não esperava que isso acontecesse comigo algum um dia. Cresci observando a maneira como os homens da minha família eram com suas esposas, conhecia a força de suas relações, os laços que compartilhavam, e o quão raro era ter algo verdadeiramente correndo tão profundo, algo que nada poderia se interpor. Sei que agora eu tenho sob o meu teto, só preciso convencer Ellie da mesma coisa. Preciso mostrar a ela que o nosso futuro pode ser bonito se ela me der uma chance. Com esse pensamento, eu vou para a cama esperando que um dia Ellie deite ao meu lado, enquanto os nossos filhos dormem no corredor.


CAPÍTULO 02

Abrindo meus olhos, eu os fecho novamente quando percebo que não sonhara. Realmente estou na casa de Jax, no Tennessee. Sentando e colocando os pés no chão, eu me alongo antes de levantar. Não quero que Hope acorde Jax, e minha filha – embora eu a ame mais do que tudo nesse mundo – é barulhenta. Acho que ela ainda não tem noção do que seria falar baixo. Abrindo a porta e olhando pelo corredor em direção ao quarto de Jax, eu vejo que a porta dele está aberta, mas ele não está acordado. Pelo menos, eu acho que não. Seu peito sobe e desce de forma constante. Os músculos do seu braço estão flexionados, um sobre sua cabeça, o outro em seu abdômen nu. Tudo o que posso ver é a bonita pele dourada sobre músculos... muitos e muitos músculos. Afasto meus olhos dele e ando nas pontas dos pés pelo corredor, alcanço o quarto de Hope e entro, fechando a porta. Encontro Hope adormecida em sua cama, de barriga para baixo com a mão pressionada sob sua bochecha, eu vou para a única outra peça de mobiliário no quarto, uma velha cadeira de balanço, e me sento. Minha vida com Hope nem sempre foi fácil, mas sempre fomos felizes. Sempre me certifico de que ela tem o que precisa, e um pouco mais quando posso pagar, mas ontem à noite, quando paramos na frente da casa do Jax e ela sussurrou que ele vivia em um castelo, eu sabia que precisava fazer mais. Ela merece viver em uma casa, não um parque de trailers onde drogas são vendidas bem do lado de fora da janela do seu quarto. Ela merece um quintal e uma boa escola, com amigos que sejam bons garotos. Não tenho certeza do que vai acontecer com a gente vivendo em Tennessee, mas juro


que trabalharei mais para dar a Hope uma vida completamente diferente do que eu tinha quando era criança. — Mamãe? — Ei, anjo. — Sorrio, abrindo os braços enquanto ela anda sonolentamente em minha direção. — Você dormiu bem? — Pergunto, colocando sua cabeça debaixo do meu queixo, abraçando e balançando-a suavemente. — Como uma plincesa. — Ela sorri, inclinando a cabeça para olhar para mim. — Estou com fomi. Eu sei que Jax disse para me sentir em casa, mas ainda me sinto estranha mexendo nas coisas dele quando ele não está por perto. Parece pessoal... muito pessoal. — Posso ter panquecas? Porcaria. Não vou matar a minha filha de fome, então preciso tomar coragem e superar quaisquer que sejam as reservas que tenho em estar na casa de Jax, especialmente porque esta é a nossa casa no momento, também. — Você tem que ficar muito quietinha até chegarmos lá embaixo. Pode fazer isso? — Como um rato, — ela sussurra, me fazendo sorrir. — Ok, pequeno rato, vamos, — digo a ela, levantando e segurando a mão dela. — Jax está dormindu, — ela sussurra em voz alta quando damos um passo para o corredor. — Lembre-se, quieta como um rato, — digo, e seu nariz franze para cima e para baixo algumas vezes como um rato faria, e sorrio. Chegando à cozinha, eu a levanto, colocando-a sobre o balcão, e olho ao redor. A casa de Jax é boa, mas você pode dizer que ele está reformando-a lentamente. Latas de tinta e azulejos diferentes estão no canto ao lado da porta dos fundos, a qual eu não notara na noite passada. Os armários superiores não coincidem com os inferiores, e os pisos de linóleo estão descascando e em alguns pontos completamente desaparecidos. A geladeira é nova, de aço inoxidável, com um tipo de display eletrônico na frente, mas os outros aparelhos são antigos e brancos. A única coisa concluída são as bancadas. Elas não são de granito, mas


parecem com concreto e tem partículas de vidro embutida neles. Olhando em volta, eu posso dizer que um dia, quando ele terminar tudo, será incrível. — O que você está fazendo? — Hope dá risadinhas, trazendo-me para fora da minha análise da cozinha. Sorrindo para ela, dou de ombros e começo a abrir os armários, um de cada vez, até que encontro os ingredientes necessários para fazer panquecas. — Você está pronta para ser minha batedeira? — Pergunto a ela, colocando um pouco de farinha na tigela e entregando uma colher. — Sim. — Ela sorri, mexendo a farinha, fazendo-a voar para fora da bacia e nos atingir na face. — Uh oh. — Ela cobre a boca com a colher ainda na mão, jogando mais farinha em mim e um pouco sobre ela no processo. Então começa a rir bem alto, o seu pequeno corpo tremendo com a força da gargalhada. Estreitando meus olhos, coloco minhas mãos em meus quadris. — Você fez isso de propósito. — Não fiz. Eu juro. — Você fez. — Eu rio, então faço cócegas nela enquanto beijo todo o seu rosto, fazendo-a se contorcer em meus braços. — Parece que cheguei bem na hora. — Congelando no lugar, eu levanto a cabeça e encontro o olhar sonolento de Jax. —

Nós

acordamos

você.

Sinto

muito,

eu

murmuro,

me

endireitando. Tento ignorar o fato de que ele está sem camisa e seu cabelo amarrotado do sono, e fiquei imaginando como pareceria se eu fosse passar a mão através dele. Você não precisa desse pensamento, Ellie, eu me repreendo. — Você não me acordou. Esta casa é muito tranquila, eu poderia começar a me acostumar a acordar com os sons que ouvi esta manhã. — Ele sorri, e sinto meu rosto esquentar quando seus olhos caem para minhas pernas. Eu sei que estou usando shorts, mas a camisa é tão longa que o esconde. Seus olhos escurecem mais conforme viajam para cima, encontrando os meus novamente antes de cair para minha boca quando eu mordo meu lábio inferior. — Estamos fazendo panquecas, Ax, — Hope entra na conversa, e seus olhos vão até ela, o calor desaparecendo e suavidade entrando. — Amo panquecas. Qual é o seu tipo favorito?


— As com xarope. — Ela sorri. — Eu gosto de pedaços de chocolate na minha, — ele diz a ela, fazendo seus olhos brilharem como se ele acabasse de dizer a ela que há um unicórnio de verdade no quintal e ela pode montá-lo. — Pedaços de chocoate, — ela repete, olha para mim e franze a testa. Nunca fiz panquecas com qualquer coisa nelas, e aparentemente, ela acha que eu escondi isso dela. — Nós podemos fazê-las com pedaços de chocolate outro dia, depois que eu for ao supermercado, — prometo a ela. — Temos pedaços, baby. — Tirando meu olhar de Hope, encontro o dele novamente. — Como eu disse ontem à noite, use o que quiser, — ele diz sorrindo, pegando um pano de prato enquanto limpa meu rosto, e o de Hope. — Obrigada, — murmuro. Juro que as únicas palavras que realmente falei para ele foi obrigada. Ele está constantemente fazendo coisas que são doces e me pegando desprevenida. Não estou acostumada com as pessoas sendo agradáveis. — Então eu posso ter chocoate nas minhas panquecas? — Hope pergunta, me fazendo rir. Inclinando, eu beijo sua bochecha gordinha e sussurro, — Sim, você pode tê-lo nas suas panquecas. — Yay. — Ela sorri, esfregando o rosto contra o meu como um gato. Sentindo algo estranho vindo de Jax, eu viro minha cabeça, vendo um olhar em seus olhos que envia um arrepio através de mim. É carinhoso e sombrio, mas tão suave, e pergunto-me o que causou isso. Limpando a garganta e passando a mão sobre sua mandíbula, ele atravessa a cozinha e tira do armário um pacote com pedaços de chocolate, entregando-o para mim. — Obrigada. — Quando sorrio, sua mão levanta e ele passa os dedos ao lado do meu rosto, em seguida olha para Hope tocando a ponta do seu nariz, fazendo-a sorrir antes de se mover para a cafeteira e ligá-la. — Você quer uma xícara de café? — Claro. — Aceno a cabeça, observando ele pegar uma caneca de cima da cafeteira. Forçando-me a olhar para longe dele, eu vou para a geladeira e retiro leite


e ovos para adicioná-los à tigela. Uma vez que tudo está misturado, Jax coloca uma frigideira elétrica sobre o balcão e a liga. Levanto uma sobrancelha para ele e ele sorri, em seguida dá de ombros. — Minha irmã vem muitas vezes para o café da manhã, e sempre fazemos panquecas. — Você tem uma irmã? — Hope pergunta. — Sim, o nome dela é Ashlyn. Ela trabalha no consultório do dentista na cidade. Tenho certeza que você a conhecerá em breve. — Eu quero uma irmã, — diz Hope, olhando para mim, e de volta para Jax, os cantos de sua boca se levantando maliciosamente. Minha filha de três anos de idade está seriamente tentando nos unir? — Talvez um dia, querida, — Jax murmura, passando os olhos em cima de mim, fazendo meu pulso aumentar e o espaço entre as minhas pernas formigar. — Jax. Pulando ao som de uma voz feminina, viro-me para encontrar uma bela morena vestindo uma camisa de botão parecendo seda, uma saia apertada, e saltos, entrando a passos largos na cozinha, ela procura algo em sua bolsa. Quando levanta a cabeça, os olhos param em mim. — Ellie, — ela exala, me pegando de surpresa ao me abraçar. Sem saber o que fazer, eu a abraço sem jeito quando ela nos balança para frente e para trás. — Eu... Eu te conheço? — Murmuro, franzindo a testa para Jax, cujo corpo treme com risada silenciosa. — Oh, Deus, eu sinto muito. — Ela se afasta. — Sou Ashlyn. Provavelmente deveria ter dito isso antes de atacar você, certo? — Ela solta em um só fôlego enquanto ri. — Está tudo bem. Prazer em conhecê-la. — Você palece como uma plincesa, — Hope suspira; Ashlyn se vira para ela e seu rosto se ilumina. — Você deve ser Hope. — Hope acena e Ashlyn vai para frente. Quando passa a mão pelo cabelo de Hope, ela diz, — Acho que você é a única que parece uma princesa. — Eu tenho uma cama de princesa, e agora um quarto de princesa em um castelo, — informa, sorrindo de orelha a orelha. — Você é uma princesa muito sortuda.


— Eu sei, e agora nós estamos tendo pedaços de chocolate no café da manhã. — Hope pula, ainda sentada no balcão. — Pedaços de chocolate? — Ela pergunta, olhando para Jax. — Jax disse a Hope que suas panquecas favoritas têm pedaços de chocolate, então agora Hope quer experimentá-las, — explico para ela enquanto Jax se move, me beliscando antes de tirar do armário outra caneca de café. — Ahhh. Bem, panquecas de chocolate são as minhas favoritas também. Você se importa se eu ficar e comer uma? — Mamãe, pode... — Hope pausa, e olha para Ashlyn novamente. — Hope, esta é a minha irmã, Ashlyn. Ashlyn, você já conhece a Princesa Hope, — Jax apresenta-as. — Eu conheço. — Ashlyn faz reverência, fazendo Hope rir, o que me faz sorrir. — Aqui, Ash. — Ele entrega a ela uma caneca de café, que ela pega e cutuca o ombro dele com o dela, murmurando, — Obrigada. Observando os dois, eu sei que se as coisas fossem diferentes, se meu irmão estivesse vivo, assim seria a nossa vida. Nós sempre fomos próximos, e depois que meu pai faleceu, chegamos a depender um do outro ainda mais. — Mamãe, Ashlyn pode ficar? — Hope pergunta, puxando-me dos meus pensamentos. — Claro. — Sorrio para ela, mergulhando a concha na mistura e colocandoa na grelha. — A chave para a perfeita panqueca de chocolate é a dispersão dos pedaços, — Jax diz a Hope, pegando-a no balcão e a segurando em seu quadril. — Você acha que pode ajudar a salpicá-las? — Sim. — Ela balança a cabeça vigorosamente, colocando a mão dentro do saco. Ela deposita alguns pedaços em uma panqueca antes que ele possa mostrar a ela o que fazer, fazendo-o rir. — Assim, querida, — diz ele em voz baixa, fazendo um rosto sorridente em uma, e um coração em outra. Olhando atentamente, ela inclina a cabeça em seu ombro, e meu coração palpita dentro do meu peito com tanta força que parece um pássaro batendo contra meu peito. — Minha mãe disse que você é cabeleireira.


Afastando meus olhos de Hope e Jax, olho para Ashlyn inclinada sobre os cotovelos na bancada, a caneca de café entre as mãos. — Sim, há alguns anos. — Aceno a cabeça, pegando minha caneca e tomando um gole de café, me perguntando como Jax sabia exatamente como eu gostava, mesmo sem me perguntar. — Você tem um ótimo cabelo. — Ela sorri, e constrangida passo a mão pelos meus fios emaranhados. — Tenho certeza que parece uma loucura agora. Não tive tempo ontem à noite de encontrar o meu secador de cabelo após lavá-lo, — murmuro, e ela balança a cabeça. — Parece sexy, selvagem, — ela me garante, me pegando desprevenida. A maior parte da minha vida, eu fui cercada por mulheres rápidas para desprezar ou dar um elogio indireto. Mas não havia malícia em seus olhos quando Ashlyn falava. Eu estou tendo a sensação que todos os Mayson são apenas pessoas muito boas, e realmente preciso de pessoas boas na minha vida agora. — Obrigada, — digo para o que parece ser a bilionésima vez nas últimas setenta e duas horas. — Apenas falando a verdade, menina. — Ela sorri, e olha para Hope, que ri de algo que Jax disse. — Ela é realmente adorável, e parece já ter envolvido o grande e mau Jax Mayson em torno do seu dedinho, — ela sussurra, piscando para mim. Olhando para Jax falando baixinho com Hope, eu me pergunto quantas vezes ele já fez esse tipo de coisa. Pelo que sei, ele poderia ter mulheres com crianças o tempo todo, eu penso, enquanto algo que não gosto se instala no fundo do meu estômago. — Quem está pronto para panquecas? — Jax pergunta. — Eu estou! — Hope grita em voz alta, fazendo-o rir. — O que aconteceu com o meu pequeno rato? — Pergunto a ela, e ela mexe o nariz para mim por cima do ombro. — Voz baixa, anjo, — a lembro suavemente. — Tudo bem, mamãe. — Ela suspira. — Você tem uma mesa? — Pergunto a Jax, olhando ao redor e tentando lembrar se eu vi uma na última noite, quando ele nos levou ao redor da casa. — Não. Merda, — ele murmura, colocando Hope de volta no balcão.


— Você disse uma palavra feia, — ela diz a ele. — Eu quis dizer bruto, — diz ele, tentando parecer apaziguador, mas falhando. Sua cabeça se inclina para o lado, estudando-o, em seguida ela olha para mim. — Mamãe, bruto é uma palavra ruim? — Não, anjo. — Balanço a cabeça para ela, pressionando os lábios para não rir quando ela começa a murmurar bruto sob a respiração uma e outra vez, fazendo Jax fazer careta. Uma coisa que aprendi desde cedo é nunca dizer a uma criança de três anos para não dizer alguma coisa, porque de repente se torna sua palavra favorita. — Não tenho uma mesa de jantar. — Está tudo bem, podemos comer aqui, — asseguro, vendo Ashlyn ir até um dos armários e tirar os pratos. — Eu vou pegar alguns banquinhos para a ilha hoje enquanto estiver fora com o meu pai, — ele diz, e olha em volta, seus olhos indo para as coisas no chão. — E tirarei este material também. — Jax, — digo baixinho, esperando seus olhos voltarem até mim. — Está realmente bom. Por favor, não faça nada. Você já fez demais. — Ellie... Ele começa a dizer algo, mas é cortado quando um, — Querido! — É gritado pela casa. — Porra, eu preciso pegar as chaves de todos de volta, — ele resmunga, me fazendo rir, e provocando um sorriso em seus lábios. — Você disse uma palavra feia, — Hope pausa, em seguida acrescenta, — novamente. Seu peito se expande com uma respiração profunda e seu rosto suaviza quando ele olha para ela, murmurando, — Desculpe, querida, — quando seus pais entram na cozinha. — Ellie, — Lilly diz, cumprimentando e dando-me um abraço caloroso. — Oi. — Sorrio e viro um pouco para receber um abraço do pai dele, Cash, que conheci no hospital antes de Jax me levar para buscar Hope. — Como você está, querida? — Ele pergunta suavemente enquanto Lilly se move para Jax, beijando seu rosto.


— Bem, — digo sinceramente, e pego Hope do balcão. — Eu gostaria que vocês conhecessem Hope. Hope, este são o pai e a mãe de Jax e Ashlyn, Cash e Lilly. — Oi. — Hope sorri timidamente, inclinando a cabeça no meu ombro. — É bom finalmente conhecer você, Hope, — diz Lilly com uma aparência suave em seu rosto, estendendo a mão e passando-a pelo rosto de Hope. — Oi, Hope. — Cash envolve seu braço em torno de sua esposa, puxandoa mais perto dele. — Ax disse palavras feias, — ela diz a seus pais, e mordo meu lábio inferior quando Ashlyn começa a rir ao meu lado e Jax geme, inclinando a cabeça para trás. — Ele fez, não é? — Lilly franze a testa por cima do ombro para o filho. — Duas vezes, — diz ela, levantando três dedos, o terceiro subindo porque seus dedos pequenos são tão gordinhos. — Devemos ser dedo-duro? — Pergunto a ela, e ela franze a testa balançando a cabeça. — Bom, agora você está pronta para comer? — Levanto uma sobrancelha e ela balança a cabeça, então a coloco de volta no balcão, uma vez que não há mesa, e corto sua panqueca colocando ao lado dela. — Aqui, querida, — Jax diz, dando-lhe um copo com tampa com suco de laranja. Dou-lhe um olhar apreciativo, e ele encolhe os ombros, então, pergunta, — Você comerá alguma coisa? — Estou fazendo dieta, então comerei uma banana ou algo assim, — digo a ele distraidamente, observando Hope comer. — Por que você está fazendo dieta? — Ele franze a testa, avaliando-me e me fazendo corar conforme seus olhos escurecem. — Você está perfeita. — Eu percebi quão fora de forma estou, quando... — paro e olho para Hope, não querendo que ela ouça o que aconteceu. — Eu só preciso entrar em forma, — sussurro. — Posso te ensinar algumas coisas de autodefesa, — ele diz em voz baixa. Meus olhos passam sobre ele e sinto meu rosto aquecer novamente. Ele não está apenas em boa forma, o corpo dele é perfeito. Duvido que ele tenha um pingo de gordura nele. Puxando meus olhos de seu abdômen, eu olho em seus olhos.


— Eu só quero ser capaz de correr sem sentir como se estivesse tendo um derrame, — digo, observando sua mandíbula enrijecer. — Você não precisará correr de novo, — ele rosna. — Isso pode ser verdade, mas preciso saber por mim mesma que eu posso, — digo a ele, estendendo a mão e apertando seu bíceps. Seus olhos caem para minha mão e seu corpo relaxa. — Eu ainda gostaria de mostrar algumas coisas para você, — ele pressiona. — Tudo bem, — murmuro, e olho em torno da cozinha, encontrando todos olhando para nós. Meus olhos param em Lilly, cujos olhos estão na minha mão, que eu não sabia que agora está contra seu peito sobre o coração. Retirando-a rapidamente, murmuro um pedido de desculpas e me afasto dele, indo para o lado de Hope. — Você já terminou, anjo? — Pergunto a ela, precisando ficar longe de Jax. — Sim. — Ela sorri, com chocolate ao redor de sua boca. — Vamos limpar você. — Eu rio, puxando uma toalha de papel do suporte e limpando o seu rosto. — Posso tomar banhu? — Hoje à noite, — digo a ela, levantando-a do balcão e virando para enfrentar as pessoas que ainda nos assistem. — Vamos nos arrumar. — Claro, querida, — diz Lilly, recebendo uma caneca de café enquanto Cash acena e Jax só fica com os braços cruzados sobre o peito com uma carranca no rosto. — Foi um prazer conhecer você, Ashlyn. — Sorrio ao passar por ela. — Nós podemos tomar um café algum dia desses. — Eu gostaria disso. — Aceno a cabeça e vou para o segundo andar, onde arrumo Hope primeiro, vestindo leggings, um vestido de suéter e suas sapatilhas. Indo para o meu quarto, eu procuro através dos sacos de lixo com as roupas até que encontro meu confiável jeans preto, que sempre parece perfeito, uma blusa preta aberta na frente, apenas o suficiente para dar um toque de decote, minhas botas pretas e um grande colar de prata e turquesa, que me faz parecer mais arrumada. — Vamos escovar os dentes e cabelos. — Estendo minha mão para Hope sentada na cama brincando com sua boneca favorita.


Caminhando pelo corredor, noto que a porta de Jax está fechada, mas posso ouvi-lo falando alto com alguém do outro lado. Fechando a porta do banheiro, eu dou a Hope a sua escova de dente, enquanto arrumo seu cabelo em uma trança francesa. Quando ela termina, eu também escovo meus dentes, e ao me olhar no espelho noto que o sono fez maravilhas. As bolsas sob os olhos se foram, e Ashlyn estava certa; meu cabelo realmente parece legal com as ondas desarrumadas. Pegando meu creme para cabelo, eu espremo um pouco na minha mão, usando-o apenas nas extremidades para domá-las um pouco. Tudo o que uso no meu rosto é um pouco de rímel e blush. — Posso ter maquiagem? — Hope pergunta, me observando. — Que tal um gloss? Ela balança a cabeça, puxando um dos mais rosa da minha bolsa de maquiagem e o coloca em si mesma, então me inclino ao nível dela e a deixo colocar um pouco em mim também. — O que você acha? — Você palece bonita. — Ela sorri, batendo no meu rosto. — Assim como você. — Digo a ela, dando-lhe um beijo. Quando abro a porta do banheiro, Jax está de pé no corredor encostado na parede com o telefone na mão, franzindo a testa para algo na tela. Quando levanta a cabeça e nossos olhos se encontram, eu olho para baixo em Hope. — Por que você não vai pegar um par de suas bonecas para levar conosco, anjo? — Digo, e depois a observo ir para seu quarto, antes de olhar para Jax novamente e perguntar, — Está tudo bem? — Yeah, baby, eu só queria ver se você precisa de algum dinheiro antes de sair. — O quê? — Pergunto, sentindo algo estranho rastejando sobre mim, fazendo meu interior virar com inquietação. — Eu sei que sua bolsa se foi, e vai demorar alguns dias para obter um novo cartão do banco. Não sei se você precisa comprar alguma coisa na loja para você ou Hope. — Oh, — eu exalo. — Nem sequer pensei nisso. Eu preciso conseguir uma nova ID. Tenho o cartão de débito da minha conta poupança, onde tem cerca de quatro mil dólares, o que pode nos manter até eu ter todo o resto funcionando, — murmuro, distraída. Não posso acreditar que esqueci que minha bolsa está


desaparecida. Não tinha muito nela, talvez quarenta dólares, meu celular e minha carteira com o cartão do banco. Nem sequer tenho um cartão de crédito em meu nome. — Você tem certeza que não quer algum dinheiro, apenas no caso? — Tenho certeza, — digo, balançando a cabeça, quando Hope sai de seu quarto com sua boneca e o carrinho de boneca. — Millie quer ir para uma caminhada, mamãe. — Bem, você terá que esperar até voltarmos mais tarde para levá-la para um passeio. — Mas ela realmente quer ir, — ela faz beicinho. — Hope, — digo o nome dela na minha voz de mãe, inclinando a cabeça para o lado e esperando ela levar o carrinho de volta para o quarto antes de balançar a cabeça e encontrar o olhar de Jax novamente. — Você ficará bem com a minha mãe? — Pergunta, estendendo a mão e tocando minha mão tão brevemente que eu me pergunto se aconteceu. — É claro, sua mãe parece muito legal. — Se precisar de mim, é só ligar. — Tenho certeza que ficaremos bem, e que não será necessário, — asseguro. — Eu sei, mas me ligue de qualquer maneira. — Você sabe que não tenho um telefone, certo? — Pergunto baixinho. — Mer... — seus olhos se movem para Hope, que caminha para ficar ao meu lado, e então seus olhos varrem para encontrar os meus novamente. — Quero dizer, eu vou te dar um hoje. — Posso conseguir meu próprio telefone. — Você estará ocupada. Não me importo de pegar um, — ele diz suavemente. Puxando uma respiração profunda, eu a solto lentamente. Não estou acostumada com ninguém cuidando de mim, mas talvez seja hora de aprender a aceitar ajuda de outras pessoas. — Ok, mas eu darei o dinheiro para pagá-lo quando eu chegar em casa. Você pode se certificar que não seja mais de cinquenta? Preciso manter um orçamento.


— Claro, — ele concorda imediatamente, o que me faz sentir que isso foi muito fácil. Não conheço Jax muito bem, mas tenho a sensação de que ele é o tipo de cara habituado a fazer do jeito dele, ainda que seja reprovado. — Além disso, tome! — Ele diz, entregando um tipo de barra em um invólucro brilhante. — O que é isso? — Eu franzo a testa, a viro para ler o que tem nela. — Você precisa comer. — Isso tem quase mil calorias, — digo a ele, estendendo-a de volta para ele. Se pretendo ficar em melhor forma, eu terei que perder um pouco de peso. A fim de fazer isso, precisarei ingerir cerca de mil e trezentas calorias por dia. Comer essa barra me deixaria com apenas algumas calorias faltando para o resto do dia. — É bom para você. — Obrigada, mas eu pegarei uma banana no caminho, — digo, estendendo a barra mais perto dele até que ele a pega de volta. — Ellie, você precisa comer, — ele insiste. — Eu irei. — Você precisa comer algo mais do que uma banana. Seu corpo precisa de proteínas para funcionar mais eficientemente. — Você é irritante, — murmuro, arrebatando a barra dele abrindo-a, e dando uma grande mordida, que eu mastigo duas vezes antes de empurrar o resto para ele e correr para o banheiro para cuspi-la. Isto tem gosto de giz e manteiga de amendoim, o que não é uma boa combinação, se você me perguntar. Como alguém estaria disposto a comer isso, eu não sei. Quando volto para o corredor após lavar minha boca e escovar meus dentes de novo, Hope e Jax estão rindo histericamente. — Você come essa porcaria? — Pergunto a Jax, e ele sorri, seu corpo ainda tremendo de tanto rir. — Sim, antes do treino. — Ele ri. — Porque no mundo você desperdiça perfeitamente boas calorias nesse lixo? — Pergunto, e ele coloca a mão em sua barriga e ri ainda mais enquanto Hope dá risadinhas. Revirando os olhos para eles, pergunto a Hope, — Você está pronta para ir?


— Sim. — Ela sorri, pegando a minha mão e me puxando em direção às escadas. Quando chegamos ao primeiro andar, Cash e Lilly estão esperando no fundo, ambos sorrindo estranhamente para nós. — Está tudo bem? — Pergunto, pegando o casaco de Hope e depois o meu. — Perfeitamente. — Lilly sorri, e volta-se para beijar seu marido quando ele diz a ela que Jax e ele estão saindo. — Nós faremos o jantar aqui esta noite, baby, — Jax diz, e me viro para olhar para ele. — Uh... certo, — concordo, embora não saiba como me sinto sobre jantar com Jax. Esta situação já parece muito mais íntima do que eu estou pronta. — Além disso, aqui está a sua chave, e se lembra do código, certo? — Eu lembro, — digo, colocando a chave no bolso da frente da minha calça jeans. — Tenha um bom dia, baby. — Ele sorri, fazendo meu estômago vibrar. — Até mais tarde, — murmuro, observando-o tocar na ponta do nariz de Hope e fazendo-a sorrir, antes de sair pela porta. — Pronta, querida? — Lilly pergunta, de pé na porta aberta. — Pronta. — Sorrio, segurando a mão de Hope e a seguindo. — Espere, eu preciso colocar a cadeirinha de Hope no carro. — Jax já cuidou disso. — Oh, — murmuro, e ela sorri, abrindo a porta traseira do seu carro. Levantando Hope, eu a afivelo e entrego sua boneca antes de entrar no banco do passageiro. — Quão longe é o salão da casa? — Pergunto a Lilly. — Cinco minutos de carro. Isso é bom, eu poderia caminhar para o trabalho. Ainda preciso encontrar uma babá para Hope, mas espero poder encontrar um programa de cuidados infantis4 no qual ela possa ir enquanto trabalho, já que é o que ela fazia antes e adorava. Quando paramos na frente do salão de beleza, eu olho a área ao redor dele. É em um shopping center, o que significaria uma área movimentada, e desde

4 No Brasil seria como as creches mantidas pelos governos.


que eu precisava construir uma nova clientela, isso seria perfeito. Em Kentucky, eu possuía minha cadeira no salão no qual trabalhava. Eu gostei, porque eu fazia meu próprio horário e só trabalhava quando tinha alguém marcado. Aqui, começarei d o zero até ter uma base suficiente para talvez poder abrir meu próprio lugar ou alugar a cadeira de alguém. — Estou muito nervosa, — digo quando Lilly desliga o carro. — Você será ótima. Frankie é realmente um doce. Você vai amá-lo, e as meninas que trabalham com ele são todas muito boas também. — Eu sei que você está provavelmente certa, mas eu nunca realmente fiz isso. O salão em que trabalhava é o mesmo no qual treinei quando estava na escola. Nem me lembro do que é uma entrevista. — Você já tem o trabalho, querida. Você só vai para encontrá-lo. Estarei aqui com Hope se precisar de mim. — Você não vai comigo? — Pergunto, desejando que ela segure a minha mão, o que é estranho, já que eu nunca tive ninguém por perto para segurar minha mão antes. — Eu posso, se quiser. Só achei que você iria querer ir sozinha. — Lilly dá de ombros. — Não, você está certa. Eu deveria ir sozinha, — murmuro, olhando para a loja. — Ele sabe que você vinha. Enviei uma mensagem para ele quando saímos de casa. Ficará tudo bem, querida. Relaxe um pouco. Puxando um fôlego, eu o solto lentamente, e coloco a mão na maçaneta da porta. — Me deseje sorte. — Boa sorte, mamãe, — diz Hope do banco traseiro. — Obrigada, anjo, — sussurro quando Lilly encoraja, — Vá pegá-los. Abrindo a porta e fechando-a atrás de mim, eu puxo meu casaco mais apertado em volta de mim enquanto ando pela calçada. Quando chego ao salão de beleza e entro, sou bombardeada com o cheiro familiar de produtos de cabelo. Olhando em volta, o lugar é mais do que agradável. A decoração é simples, mas de alta classe. Um grande sofá roxo escuro situa-se em frente às vitrines da loja, com almofadas brancas espalhadas e estrias douradas através delas. Em


frente ao sofá há uma mesa espelhada, duas pequenas cadeiras de criança e uma pilha de livros para colorir e lápis de cor. — Posso ajudá-la? — Uma mulher bonita com longos cabelos loiros, quase brancos, pergunta quando chego à recepção. — Estou aqui para ver Frankie, — digo baixinho, me sentindo subitamente desconfortável. O salão em que trabalhava em casa não era sequer metade tão bom quanto este, e as mulheres com quem trabalhei eram mais velhas. Não sei se vou me dar bem com mulheres da minha idade. — Você tem um horário marcado? — Sim, eu sou Ellie. Lilly me enviou, — digo, e seu rosto suaviza, tornandoa ainda mais bonita. — Sou Kimberly, mas todos me chamam de Kim. Prazer em conhecêla. Frankie está com alguém agora, mas se você der a ele cinco minutos, ele terá terminado. — Não tem problema. — Sorrio, sentando no sofá. — Sinto muito pelo que aconteceu com você, — diz ela, pegando-me desprevenida. — Frankie nos contou sobre o que aconteceu, e então eu vi a notícia. Espero que eles peguem o outro cara. Você já ouviu falar alguma coisa? — Hum, não, ainda não, — digo, sentindo um frio deslizar sobre mim. Não quero pensar sobre ele ainda estar vivo, ou o fato de ainda poder estar em perigo. — Tenho certeza que eles vão pegá-lo. — Espero que sim, — respondo, depois penso em Jax e algo dentro de mim sabe que ele se certificará de que Hope e eu estejamos seguras. — Você vai amar aqui. Frankie é o melhor, e Mickey, Ian e Kendal são todos realmente ótimos também. — Você trabalha aqui há muito tempo? — Pergunto, sobressaltada com sua mudança de assunto. — Acabei de me mudar para a cidade há um mês, e este foi o primeiro lugar que eu parei. — Ela encolhe os ombros, mas ainda pego alguma coisa brilhando através de seus olhos antes de ir. — Você é cabeleireira?


— Sim, e todos nós trabalhamos na recepção entre os clientes, exceto finais de semana. Então Becka vem para ajudar, porque todos nós normalmente estamos reservados. — Legal, — murmuro, observando uma mulher alguns anos mais velha do que eu se aproximar. Ela é impressionante, com grandes olhos verdes que se destacam contra o seu cabelo escuro, quase preto e pele pálida. Seus olhos me avaliam e seu lábio se enrola nos cantos, não um sorriso, mas como se ela cheirasse algo ruim, ela então vira seu cabelo sobre o ombro e gira, dispensando-me para ficar de frente para o balcão. — Kim, você pode cuidar de Mellissa para mim? — Ouço atrás dela. — Claro. — Kim sorri, mas não é nada como o sorriso que ela dirigiu a mim antes. Posso dizer que esse é do tipo ensaiado. — Ellie? — Puxando meu olhar de Kim, eu viro e fico cara-a-cara com um homem muito bonito vestindo jeans e uma camisa lisa. Seu rosto é contornado com maquiagem, sobrancelhas afiadas, seus cílios longos, seus lábios cheios e brilhantes. Sim, muito bonito. — Sou eu. — Sorrio quando ele estende sua mão. — Frankie. É tão bom conhecer você, — ele diz, sorrindo de volta. — Também é um prazer te conhecer. — Por que não vamos ao meu escritório e nos sentamos por alguns minutos. — Claro, — respondo, e ele coloca a mão na parte baixa das minhas costas, levando-me através do salão de beleza, o qual eu observo ter seis cabines, tudo limpo e arrumado com divisórias entre elas, oferecendo um pouco de privacidade para o cabelereiro e seus clientes. Quando chegamos ao seu escritório, ele senta em uma cadeira pink atrás de uma mesa branca com a superfície espelhada. Sentome na frente dele em uma das duas cadeiras turquesa elegantes, cruzando uma perna sobre a outra. — Então, me conte sobre você e sua experiência, — ele pergunta casualmente. Inclinando para trás na cadeira, eu faço exatamente isso. Digo a ele sobre mim e sobre o que aconteceu para me fazer mudar para o Tennessee. Digo a ele sobre a minha experiência como cabelereira e o que eu quero para Hope e meu futuro. Conto tudo a ele, e quando acabo sinto como se tivesse acabado de passar


uma hora com um psicólogo, ao invés de vinte minutos me candidatando a um emprego. — Onde você se vê em cinco anos? — Ele pergunta, fazendo com que visões de Hope e eu vivendo com Jax em seu castelo em nosso próprio felizes para sempre preencher meu cérebro. — Você tem objetivos? Limpando a garganta e tirando da minha cabeça a visão de Jax, Hope e eu juntos, digo, — Sim, me vejo com o meu próprio salão de beleza ou gerenciando um. Vejo minha filha e eu em uma bela casa comprada por mim. Vejo uma infância diferente para ela do que a que eu tive, e um futuro muito mais brilhante. — Vejo isso para você também, menina, — Frankie diz em voz baixa, endireitando-se em sua cadeira. — Vejo você segunda-feira. — Espere, o quê? — Pergunto. — Aproveite o fim de semana para resolver as coisas com a sua filha, e verei você na segunda-feira. — Então, eu tenho o trabalho? — Pergunto, só para esclarecer. — Menina, você já sabia que tinha o trabalho. Você acabou de provar que é digna de trabalhar aqui. — Incrível, — suspiro, levantando quando ele faz. — Vejo você segunda-feira, Ellie, e diga a Lilly que eu disse oi. — Eu vou, — prometo, sorrindo ao sair de seu escritório, sentindo-me melhor do que tenho me sentido há um longo tempo. Quando chego ao carro, Lilly está em pé com Hope em seu quadril, vestindo um tutu roxo que não vestia mais cedo. Ela conversa com Mellissa, a garota não tão agradável do salão. — Oh, lá está ela, — Lilly diz quando chego perto o suficiente para Hope se mover de suas mãos para as minhas. — Como foi, querida? — Realmente ótimo, eu começo na segunda-feira. — Sorrio e giro quando sinto olhos me examinando, onde Mellissa está de pé. — Desculpe, eu sou Ellie, — eu me apresento. — Mellissa, — diz ela, e olha para Lilly. — Diga a Jax que o amo e para ele ligar ou vir sempre que tiver alguns minutos, — ela diz, enquanto algo feio rasteja sobre a minha pele. — Claro. — Lilly franze a testa.


— Obrigada, Sra. Mayson, e prazer conhecer você, Ella, — ela diz, virando sobre os saltos e saindo antes que eu tenha a chance de responder ou corrigi-la quanto ao meu nome. — Eu estou com fome, — Hope diz; olho para a minha filha e beijo sua bochecha, sabendo que ela é a razão pela qual estou fazendo tudo isso e que preciso me lembrar disso. — Que tal parar para um lanche? — Lilly pergunta, interrompendo meus pensamentos. — Claro, — concordo, e corremos para entrar no carro. *~*~* — Timing perfeito, parece que os rapazes acabaram de chegar também, — diz Lilly, olhando no espelho retrovisor. Virando a cabeça, eu olho pela janela de trás, vendo que Cash dirige a caminhonete de Jax e Jax dirige um Range Rover branco. Depois que paramos para o lanche, onde comi waffles, ovos e uma salada de frutas, eu jurei que começaria a minha dieta amanhã. Em seguida, fomos para o DMV5 onde tirei uma nova licença de motorista, antes de ir ao banco para um novo cartão. Saindo do carro, eu abro a porta traseira. Assim que abro, Hope pula para fora e corre em direção a Jax, gritando, — Ax! — No topo de seus pulmões. Ela para no meio do caminho e gira em círculos, mostrando o tutu roxo que a mãe dele comprou para ela enquanto eu estava no salão de beleza. Ela comprou em uma loja chamada Temptations, cuja dona se chama Liz. Sorrindo, ele a pega dizendo algo que a faz rir antes de colocá-la no chão e andar na minha direção. De repente, gritando, — Pega, baby! — Jogando algo para mim. Apanhando um conjunto de chaves, eu as seguro, franzindo a testa. Ele já me deu a chave da casa esta manhã, então eu não tenho ideia do que são estas. — O que é isso? — Pergunto, estendendo as chaves na direção dele.

5 Department of Motor Vehicles. Órgão do governo americano que cuida da parte de Trânsito. Igual ao nosso Detran, porém com a atribuição adicional de emitir documento de identificação.


— Eu comprei um carro para você. — Ele sorri, sacudindo a cabeça por cima do ombro em direção ao Range Rover branco estacionado atrás do carro de sua mãe. — Você comprou um carro para mim? — Repito apenas para confirmar enquanto a raiva e algo desagradável revira meu estômago. — Sabia que você precisaria de um carro para se locomover, então... — Você não comprou um carro para mim, — murmuro, olhando para o carro e depois para ele. — Eu comprei. — Ele sorri. — Yay, Mamãe! Você tem um carro! — Hope grita, dançando em volta de mim. — Não posso acreditar em você, — assobio, jogando as chaves para ele, as quais ele pega antes de bater em sua cara estúpida. — Não sou um caso de caridade. — Uh oh, mamãe está chateada, — ouço Hope dizer atrás de mim enquanto ando em direção a casa. Estou com raiva, mas também me sinto extremamente vulnerável. Tanto, que sinto minha garganta se fechando com as lágrimas. Não querendo ser rude, eu me viro para olhar para Lilly, que franze a testa para seu filho. — Muito obrigada por me levar hoje, — eu coaxo. — A qualquer hora, querida, — ela diz suavemente. Concordo com a cabeça e espero até Hope me alcançar para ir até a casa e fechar a porta, desejando saber como alterar o código para que pudesse trancar Jax do lado de fora. Indo para o meu quarto, eu me certifico que Hope esteja estabelecida enquanto começo a arrumar a minha roupa. — Ellie, eu preciso falar com você por um minuto. — Jax diz, batendo levemente na porta. Rangendo os dentes, eu saio da minha cama, distraindo Hope com sua boneca antes de abrir a porta e sair no corredor, e me colocando de lado quando Jax dá um passo em minha direção. — Eu nunca disse que você era um caso de caridade, — ele diz, e a vontade de socá-lo no estômago me acerta com tanta força que tenho minhas mãos em punhos aos meus lados para me impedir de fazer exatamente isso.


— Nunca pedi um carro, e se quisesse um carro, eu teria encontrado uma maneira de obter um para mim. — Só tento ajudá-la, Ellie. — Bem não assim e, por favor, leve o carro de volta, Jax, — digo, cruzando os braços sobre o peito. — Comprei à vista, portanto você terá que engolir seu orgulho e aceitá-lo. — Eu terei que engolir? — Repito, só para ter certeza que ouvi corretamente. — Ele está pago. — Não tenho ideia de quanto um carro como este custa, mas tenho o pressentimento de que é um monte de dinheiro, e não há nenhuma maneira

no

inferno

que

eu

aceitaria

um

carro

como

aquele

de

alguém. Definitivamente, não de um quase desconhecido, mesmo se ele estivesse apenas tentando ser legal. — Não quero. Leve de volta. — Muito ruim, ele é seu, — ele rosna para mim. Sim, rosna, como se tivesse o direito de estar chateado comigo por não aceitá-lo. — Nós terminamos de falar, — anuncio, girando e voltando para o quarto, ouvindo-o rosnar de novo ao fechar a porta. Não me importo, mesmo que pareça que esteja agindo como uma criança tendo um acesso de raiva. Eu sou grata pela ajuda dele, mas de maneira nenhuma eu aceitarei um carro dele. E ele não pode me obrigar, eu penso imaturamente conforme vou até a cama e caio ao lado de Hope, decidindo então que a única forma de Jax e eu nos falarmos novamente será quando ele devolver o carro.


CAPÍTULO 03

Minha cabeça levanta quando a porta dos fundos se abre e Ellie sussurra alto, — Jax? — Tropeçando na cozinha. Ela se segura em Wes, cujo corpo é quase o dobro de seu peso. — O que diabos aconteceu? — Pergunto, saindo do banco em que estava sentado, trabalhando em um caso de um cliente enquanto esperava Ellie chegar em casa para que pudéssemos conversar, ela querendo ou não. — Ela, July e todas as irmãs e primas decidiram ter uma festa de despedida de solteira improvisada no complexo, — ele diz, rindo quando Ellie diz algo sobre amar July e ir à corridas com ela. — E você não pensou em ligar para mim? — Rosno, afastando Ellie dele e colocando-a na minha frente, cheirando tequila misturada com seu perfume doce. — Desculpe, cara. — Ele balança a cabeça. — July me disse que se eu te ligasse eu não ia dormir na cama com ela esta noite. Eu faço um monte de merda, mas de jeito nenhum eu ficarei no sofá por causa de alguma merda que não é minha culpa. — Não estou falando com Jax, — Ellie interrompe, olhando para Wes então para mim, apontando um dedo, em seguida fica vesga e murmura, — não estou falando com você. Eu sei disso, já que ela não fala comigo há quase uma semana. Não tinha ideia do caralho que mulheres poderiam usar o silêncio como um castigo, mas Ellie usa e é uma merda. Esta merda vem acontecendo desde o dia em que eu trouxe o Rover, que ainda está estacionado na frente da casa, porque me recuso a devolvê-


lo. Ellie precisa de algo seguro para ela e Hope, e sei que, eventualmente, ela verá isso do meu jeito. Ou pelo menos eu espero que ela veja. Por cinco dias, qualquer coisa que Ellie sentiu que era necessário me dizer, fez através de mensagens de texto, incluindo o fato de que July pediu para ela ser uma das suas damas de honra em seu casamento neste fim de semana. Após July ser sequestrada, Wes disse a ela que eles se casariam agora, e não em poucos meses. Tia November se recusou a deixar July casar apenas no cartório como ela, então chamou a minha mãe e tias para se unirem e planejarem um casamento em poucos dias, o que aparentemente incluía uma festa de despedida de solteira esta noite, já que o casamento será amanhã à noite. Eu também soube por meio de mensagem que Harlen acompanharia Ellie no casamento. Embora essa mensagem viesse da minha prima, que eu tenho certeza que disse isso apenas para me irritar. E funcionou. Naquele dia, eu levei a minha bunda no Broken Eagles Bike Shop, onde tive uma conversa com Harlen sobre suas mãos e o que aconteceria com ele se tocasse em Ellie de uma forma que eu não gostasse. — Meu casamento é amanhã. Qualquer outro momento, eu teria ligado, mas a minha menina precisava desta noite, então eu dei a ela. — Isso é porque você é doce... e quente, — Ellie arrasta, olhando para Wes, o que faz meu peito vibrar em aborrecimento, mas o sentimento termina abruptamente quando ela pressiona o rosto contra a minha camisa, envolvendo os braços na minha cintura. Dizer que estou irritado com essa porra é um eufemismo, mas agora, ver Ellie bêbada e fofa, porra, eu estou completamente arruinado. Nós precisamos conversar, e ela querendo ou não, isso acontecerá. Talvez não hoje à noite, porque ela provavelmente não se lembrará de nada, mas seria muito em breve. — Você deveria ter ligado para que eu fosse buscá-la. — Como eu disse... — ele dá de ombros, olha para Ellie em meus braços e levanta a sobrancelha. Balançando a cabeça, eu pergunto, — Onde está Hope? — Puxando as mãos de Ellie da parte de trás da minha camisa, onde elas se desviaram. Já era difícil vê-la nos jeans apertados e camiseta ainda mais apertada, com o seu corpo


pressionado contra o meu, mas suas mãos na minha pele me enviariam sobre a borda. — Sua mãe a levou para casa dela para uma festa do pijama quando as meninas decidiram que iam beber e passar tempo. Minha mãe está apaixonada por Ellie e Hope, e completamente apoia Ellie em seu tratamento do silêncio, por isso nem sequer me surpreende ela não ligar para avisar sobre esta noite. Ainda assim, essa merda me irrita muito. O que aconteceu com lealdade? — Se está tudo bem, eu vou embora. July está na caminhonete, — Wes comenta. Levantando o meu queixo, eu ando com Ellie, ainda colada em mim, até a porta e a tranco atrás dele. — Está tão quente, — ela murmura. Inclinando a cabeça, vejo que ela está olhando para mim. Fecho meus olhos por um momento, rezando por força. — Preciso tirar essas roupas. — Abrindo meus olhos, eu a vejo puxar a minha mão e deixar cair o casaco no chão, tirando sua camisa e ficando em um sutiã de renda roxo escuro e calça jeans. — Jesus, — me ouço chiar sob a minha respiração, sabendo que eu deveria impedi-la, mas foda se posso fazer ou dizer qualquer coisa com suas mãos indo para os botões de sua calça jeans e vendo renda roxa escura lá também. — Ellie, — eu rosno, precisando que ela pare. — O quê? — Ela pergunta, inclinando para o lado, mas antes que ela possa cair no chão, eu a pego no estilo de noiva e vou para as escadas. — Sou muito pesada para você carregar. Sou uma porcaria para fazer dieta, eu nem gosto de legumes, — ela murmura, pressionando seu rosto no meu pescoço, onde juro sentir sua língua tocar brevemente. — Você não precisa fazer dieta, Ellie. Você é perfeita do jeito que é, e eu poderia correr quilômetros com você em meus braços, assim. — Sério? — Ela sussurra, puxando o rosto do meu pescoço para olhar em meus olhos. — De verdade, — resmungo, sentindo meu zíper imprensar no meu pau só por sentir seu peso em meus braços, sua pele contra a minha, e a vista de seus peitos em seu sutiã de renda.


— Posso ver? — Ela pergunta, envolvendo os braços em meu pescoço enquanto subo as escadas. — Outro dia. — Eu sorrio por causa do olhar sério em seu rosto. — Tudo bem, — ela faz beicinho, e coloca a cabeça contra o meu ombro. Uma vez que chego ao segundo andar, a levo para o meu quarto e a coloco na cama. Eu sei que provavelmente deveria colocá-la em sua própria cama, mas digo a mim mesmo que preciso estar perto, caso ela passe mal e precise de mim durante a noite. — Por que estamos aqui? — Ela pergunta, sentando e olhando ao redor. Ignorando sua pergunta, vou até a cômoda e encontro uma camisa antes de voltar para ela e responder, — No caso de você passar mal, meu banheiro está mais perto do que se estivesse em sua cama e teria que ir para o outro lado do corredor. — Oh. — Ela sorri, se jogando na minha cama e levantando os braços acima da cabeça, me dando a imagem dela espalhada para eu desfrutar. Agitando minha cabeça, levanto um de seus pés, depois o outro e retiro suas botas e meias, ajudando-a a se sentar. Coloco a camisa, e assim que ela está coberta, ela faz a merda que meninas fazem e coloca as mãos atrás das costas, abrindo o sutiã e deslizando-o para fora pela manga da camisa. — Espero que Mellissa não fique chateada por eu estar aqui, — ela murmura, levantando a cabeça para olhar para mim. — Mellissa? — Eu franzo a testa, imaginando como ela poderia saber sobre ela. — Sim, Mellissa... a pessoa que você ama, — ela canta, fazendo meus olhos estreitarem. — Baby, Mellissa e eu namoramos na escola, — retruco. — Bem, ela te ama, e até disse a sua mãe para te dizer isso. — Eu não a amo, e não estou com ela, ou qualquer outra pessoa, — digo, sabendo que terei de repetir essa merda quando ela estiver sóbria, porque tenho certeza que ela não compreende nada que digo agora. — Tire o Jeans, baby, e fique sob as cobertas, — ordeno, virando-me em direção ao banheiro, para que eu possa pegar a lata de lixo, mas paro quando ela se levanta e passa correndo por mim, indo até o banheiro e se ajoelhando na frente do vaso sanitário.


Puxando os cabelos do seu rosto, esfrego suas costas esperando ela terminar de vomitar para pegar um pano e molhá-lo na água fria. Colocando-o em sua testa, aguardo um momento até perceber que ela está bem, e limpo sua boca. Eu a ajudo a sentar-se, e depois pego uma escova de dente do suporte. Murmurando, — Abra, — a movo ao redor de sua boca enquanto sua cabeça se inclina e seus olhos se fecham. Assim que termino, levo-a para a pia para enxaguar a boca antes de pegá-la no colo e carregá-la até a cama, colocando os joelhos no colchão com ela em meus braços, abaixo-a, jogando as cobertas sobre nós. — Jax? — Ouço seu sussurro quando bato no interruptor para apagar a luz. — Yeah, baby. — Obrigada por cuidar de mim. — Eu sempre cuidarei de você, Ellie, — digo suavemente, ouvindo seu ronco suave preencher o silêncio. Passando os braços apertados em torno dela, eu adormeço com seu peso contra mim, sabendo que esta é a forma como é suposto ser, e de maneira nenhuma eu desistirei. Acordando, eu sinto a minha mão em algo macio e suave antes de registrar que Ellie está comigo, sua bunda pressionada contra a minha ereção matinal, minha mão segurando seu estômago, e meu outro braço dormente por estar debaixo dela. Fiquei ali, apreciando por um momento, percebendo exatamente quando ela acorda, porque seu corpo fica tenso contra mim e sua mão vai para a cabeça. Se virando ela olha por cima do ombro, seus olhos sonolentos encontram os meus, e um rubor intenso se arrasta sobre suas bochechas. — Bom dia. — Sorrio, tentando aliviar qualquer constrangimento que ela esteja sentindo. — Hum... — ela murmura, e olha em volta. — Eu... o que estou fazendo aqui? — Você ficou bêbada ontem à noite, — a lembro, e ela balança a cabeça, rolando sobre seu estômago e piscando. — Wes te trouxe para casa e você vomitou. — Você cuidou de mim, — ela diz suavemente, fechando os olhos como se estivesse lembrando. — Sinto muito que você precisou fazer isso.


— Baby, cuidar de você não é um sofrimento para mim. Além disso, agora eu posso dizer que você me deve uma, pode aceitar o Rover e o tratamento de silêncio pode terminar. — Não quero o carro, Jax. — Ela franze a testa. — E se eu disser que o carro é meu e você está apenas pegando emprestado? — Jax. — Ela sacode a cabeça contra o travesseiro. — Eu quero que você e Hope estejam seguras, Ellie, eu sei que você pode conseguir um carro sozinha, mas até que faça isso, por favor, use o Rover, — imploro. — Eu olhei o preço do telefone que você comprou para mim, Jax, — ela diz, apertando os olhos. MERDA. — Eu comprei de alguém por cinquenta dólares, Ellie, — minto, e ela fecha os olhos. — Odeio sentir que devo às pessoas. Sempre fiz tudo sozinha, e é realmente difícil aceitar ajuda, — ela confessa, em seguida abre os olhos, soltando sua voz. — Você e sua família foram tão incríveis, e não quero sentir que estou aproveitando da sua generosidade. — Baby, — eu passo o meu braço em volta da sua cintura e a puxo para perto de mim, tão perto quanto posso levá-la, antes de seu corpo enrijecer, — Você me pediu algo? — Não, — ela sussurra, olhando para minha garganta. — Você pediu a minha família alguma coisa? — Não, — ela repete, e dou-lhe um aperto, trazendo seu olhar de volta até encontrar o meu. — Então você não está se aproveitando. Se isso faz você se sentir melhor, podemos dizer que o carro é um empréstimo, e quando você terminar com ele, eu posso vendê-lo. Mas até então, por favor, use-o. — Eu já te disse que você é irritante? — Ela pergunta, e bufa quando eu sorrio. — Algumas vezes. — Você é irritante. Mandão. E irritante. — Você já disse que sou irritante. — Sorrio.


— Precisa de repetição, — ela murmura baixinho. — Nada mais de tratamento de silêncio, — digo a ela em um aperto, mergulhando meu rosto próximo ao dela. — Não gosto disso. — Bem, não gosto de você me comprando telefones caros ou carros, então estamos quites. — Só mais uma coisa que precisamos falar, — adverti. — O quê? — Ela franze a testa. — Na noite passada, você trouxe o nome de Mellissa, — digo, vendo seu rosto perder a cor e ela tentar se afastar. — Pare, — eu rosno, puxando-a de volta para mim quando ela tenta se desvencilhar dos meus braços. — Você tem uma namorada. Nós não deveríamos, — ela chora, aflita. — Ellie, me escute, — afirmo com firmeza, e seu corpo para e os olhos vão para minha garganta novamente. — Eu não tenho uma namorada, ainda não, de qualquer maneira. — Gentilmente a cutuco, sentindo-a endurecer ainda mais. — E quando eu tiver uma, eu garanto que você será a primeira a saber. — Eu tenho uma dor de cabeça. — Ela exala um sopro de ar que atinge meu peito. — Eu pegarei um pouco de aspirina e um pouco de comida em um minuto, mas só depois de você me dizer que entende o que eu disse. — Eu entendo, — ela chia, suas unhas cavando no meu braço. — Bom. — Eu dou-lhe um aperto, mergulho meu rosto, e escovo minha boca na dela antes de rolar para fora da cama e ir ao banheiro. Voltando ao quarto, eu não estou surpreso de ver que Ellie não está mais na minha cama. Tenho certeza que ela está no final do corredor, surtando sobre o que aconteceu esta manhã. Em vez de dar-lhe tempo para pensar muito, eu vou até a porta dela, e bato duas vezes. Leva apenas um segundo para ela abrir a porta, e quando o faz, seus olhos encontram os meus, e caem para a minha boca antes de situarem em minha garganta, enquanto ela murmura, — Acho que eu vou apenas voltar para a cama. — Você tomará estes, — digo, entregando dois Advil, — E então nós teremos o café da manhã. Depois disso, vamos buscar Hope na casa dos meus pais, então se vista. Sairemos em quinze minutos.


— Eu... Nós não comeremos aqui? — Ela pergunta, puxando a parte inferior da minha camisa. — A melhor comida de ressaca que você terá é extra gordurosa e de um lugar chamado Jones na Rua Principal. — Minha dieta... — Baby. — Balanço minha cabeça, interrompendo-a antes que ela possa dizer mais, meus olhos deslizando sobre ela. Não tenho nenhuma ideia de onde esta merda de dieta vem, mas de nenhuma maneira no inferno que ela precisa perder peso. Ela é perfeita. — Você não precisa fazer dieta. — Quando meus olhos viajam até seu rosto, ele tem uma tonalidade rosa que não estava lá antes, e seus olhos suavizam de uma forma que faz com que seja realmente muito difícil não me inclinar e beijá-la. Limpando minha garganta, me viro em meus calcanhares e rosno por cima do meu ombro, — Se vista e me encontre lá embaixo. — Antes que eu faça algo como empurrar você de volta para a cama e mostrar com a minha boca quão bonita eu acho que você é. Ouço-a murmurar, — Irritante, — quando sua porta se fecha, eu sorrio e vou para a cozinha, pegando o casaco e a blusa do chão antes de enviar uma rápida mensagem para minha mãe, dizendo que estarei lá para pegar Hope em uma hora mais ou menos. Então envio uma mensagem para Sage, perguntando como foi seu encontro esta manhã com o nosso cliente. Meu primo odeia ser aquele a dar más notícias e as notícias que ele entregaria esta manhã era definitivamente isso. A esposa do homem estava tendo um caso com o colega de trabalho. Obviamente, uma vez que ele nos contratou para vigiá-la, ele tinha suas suspeitas, mas pensar que pode estar acontecendo e ver a prova é duas coisas completamente diferentes. Recebi a resposta da minha mãe quase imediatamente, me fazendo sorrir, porque a mensagem traz somente uma carinha triste. A resposta do Sage leva mais tempo, mas a mensagem me permite saber que ele precisou convencer o cara a não ir até a casa do colega de trabalho da esposa e enlouquecer quando viu a evidência fotográfica. Não posso imaginar o que o cara está sentindo. Ele e sua esposa têm dois filhos, ambos com menos de cinco anos, e agora ele tem que pensar sobre o que fazer a respeito do seu casamento. Digitando uma resposta rápida, eu digo para ele me atualizar quando terminar de arquivar a papelada e fechar o caso, então digo que sairei com Ellie


para tomar o café da manhã. Para isso, ele responde quase que imediatamente com, Ela está falando com você de novo? O que respondo, Vá se foder. Meus primos e Evan vinham me dando merda a semana toda por causa do tratamento silencioso de Ellie, a maioria deles ficou fora do meu caminho porque sabiam que eu era suscetível de explodir a qualquer minuto. Sei que ela está lá embaixo antes de vê-la ou ouvi-la, porque seu cheiro envolve meus pulmões. Estive com mulheres que usam perfume como uma armadura, o que é avassalador e encobre seu aroma natural, mas não Ellie. Seu aroma de baunilha e cerejas é tão sutil que almejo ficar mais perto dela, querendo identificar onde o cheiro está localizado em seu corpo para que eu possa respirá-lo mais. — Pronto, — ela diz, entrando na cozinha, franze a testa e vai até o balcão onde eu estava sentado com o seu casaco e a sua blusa. — Como isso chegou aqui? — Ela pergunta, segurando sua blusa. — Você tirou ontem à noite quando chegou em casa, — digo com um encolher de ombros, não querendo que ela tenha vergonha, mas não querendo mentir também. — Tirei aqui em baixo, co... com você aqui? — Ela sussurra horrorizada, enrolando a camisa em sua mão. Movendo em direção a ela, pego a camisa dela deixando-a sobre o balcão, coloco meus dedos sob o seu queixo, inclinando sua cabeça até seus olhos encontrarem os meus. — Não vi nada mais do que veria se nós fôssemos para uma piscina e você usasse um biquíni. — Não uso biquínis. — Ela fecha os olhos. — Nem sei nadar. — Nós vamos adicionar aprender a nadar na lista de coisas que vou te ensinar, — declaro calmamente. — Isso é tão embaraçoso, — ela murmura com os olhos ainda fechados, movendo a cabeça para trás e para frente e fazendo seu cabelo deslizar sobre minha mão. — Você se sentiria melhor se eu tirasse minha camisa? — Pergunto, puxando-lhe o queixo para que ela abra os olhos. — Já vi você sem camisa, — ela murmura, suas bochechas corando.


— Bem, então estamos quites. — Sorrio. — Agora, você está pronta para ir tomar café da manhã? Puxando uma golfada de ar, ela solta lentamente, e depois assente. — Bom. — Sorrindo, eu me inclino antes que ela possa me parar, colocando um beijo suave em sua boca. Afasto sem reconhecer sua ingestão rápida de ar ou como seus olhos ficam semicerrados, embora eu realmente queira fazer isso novamente para ver se posso obter a mesma reação. Entregando-lhe o casaco, eu pego as chaves do balcão e sigo para a porta, mantendo-a aberta para ela sair na minha frente. Então espero, observando ela morder o lábio inferior, colocar o casaco e deslizar por mim até o lado de fora, abaixando a cabeça enquanto se move para a minha caminhonete. — Você conduzirá, baby. — Seu corpo se vira para mim e atiro as chaves do Rover para ela. Ela pega, murmurando algo sob sua respiração antes de pisar no lado do motorista, desligando o alarme e subindo atrás do volante. Deslizando no banco do passageiro, eu luto contra o meu sorriso e a vontade de bater no meu peito como uma espécie de homem das cavernas, ela olha em volta do carro. Seus olhos brilham com emoção e felicidade, embora tente esconder enquanto liga o carro e move suas mãos ao longo do volante. — Você acha que seria um bom momento para dizer que não tenho carteira de motorista? — Ela pergunta, virando o carro, pressionando o acelerador e então freando forte, levando-me a ir para frente antes de bater de volta contra o meu assento. Sentindo meu coração bater disparado no meu peito, estou prestes a dizer que vamos adicionar condução a lista, quando ela quebra em um ataque de riso, fazendo meu peito se apertar. Sem pensar, eu passo minha mão ao redor de sua cabeça, entrelaçando os dedos em seus cabelos, e a puxando para perto de mim, cobrindo sua boca com a minha e engolindo seu riso na minha garganta, quando empurro minha língua em sua boca. As mãos dela, que foram para o meu peito a fim de me afastar, seguram a minha camisa e me puxam para mais perto. Gemendo quando ela choraminga, eu começo a abrandar o beijo, deslizando minha língua sobre a dela mais uma vez, antes de puxar seu lábio inferior em minha boca, dando-lhe um puxão suave e beijinho antes de relutantemente afastar a minha boca e colocar minha testa contra a dela. Abrindo meus olhos, vejo que os dela ainda estão fechados.


— Isso... isso foi uau, — ela sussurra, abrindo os olhos lentamente e engolindo quando nossos olhares se conectam. — É sempre assim? — Ela pergunta em um sussurro. Colocando a outra mão na parte inferior de sua mandíbula, eu murmuro, — Nunca, baby. — Nós... um... — Ela olha para longe. — Devemos tomar café, — ela afirma após um longo momento, escapando das minhas mãos, seus olhos indo para o para-brisa antes de olhar para mim mais uma vez. Ela balança a cabeça e coloca os dedos contra os lábios, suspirando e balançando a cabeça novamente. — Você tem o mesmo gosto do seu cheiro, — eu digo, não querendo que ela se esqueça de que estou aqui com ela, que ainda estou no carro, que só porque a minha boca não está na dela não significa que ainda não possa ter seu gosto ou sentir seus lábios contra os meus, suas mãos envolvidas em torno de minha camisa. Virando o carro, ela começa a sair, sem reconhecer o meu comentário, o que só me incentiva. Sei que ela me quer tanto quanto eu a quero, e me recuso a deixá-la ignorar essa coisa crescendo entre nós só porque ela tem medo. — Eu me pergunto se o resto tem o mesmo gosto. — Sorrio quando ela pisa nos freios, sacudindo o carro. — Você está bem para dirigir, baby? Não me importo de assumir se você precisar de tempo. — Jax, — ela adverte, virando para olhar para mim. — Baby, a menos que você vá me dar algo para comer em casa, — eu direciono os meus olhos para seu colo, — Então me leve para conseguir comida. — Levantando o olhar para o dela, eu vejo seu rosto adquirir uma sombra ainda mais escura de rosa, começando a se espalhar pelo pescoço. — Você realmente gosta de me envergonhar, não é? — Ela franze a testa, respirando pesadamente, o que mostra que não está envergonhada, mas excitada. — Se está perguntando se eu quero lamber o rosa de sua pele para descobrir o sabor, então a resposta é sim. — Oh, meu Deus, — ela sussurra, cobrindo o rosto com as mãos. Rindo, eu puxo as mãos de seu rosto. — Ok, baby, eu vou parar. — Trazendo uma de suas mãos na minha boca e beijando-a, eu murmuro, — Palavra de escoteiro, — sustentando dois dedos.


— Duvido que você tenha sido um escoteiro. — Ela revira os olhos antes de olhar por cima do ombro e voltar para a rua. Quando chegamos ao restaurante, o local está lotado como acontece normalmente na manhã de sábado. Você pode dizer pela multidão que a maioria dos clientes ficou até tarde em festas. Quase todo mundo usa moletons, e metade usa óculos escuros e segura copos de café ao seu alcance, rezando para ele curar a ressaca que estão sofrendo. Colocando minha mão contra a parte inferior das costas de Ellie, eu nos movo através do pequeno restaurante até a parte de trás, onde há uma mesa livre para dois perto do balcão, de onde você pode assistir os três cozinheiros na grelha. — Jax, — Jones, o proprietário e amigo meu, grita de trás do balcão, onde mexe os ovos. Jones e eu estudamos juntos. Ele jogou futebol comigo, com sua constituição baixa e robusta, ele comandava o campo toda vez que pisava no gramado. Era a nossa arma secreta. Inferno, ele ainda é. — Como vai, cara? — Pergunto, puxando a cadeira de Ellie para ela se sentar antes de tomar o meu lugar em frente a ela, e tendo a visão de todo o lugar. — Não posso me queixar muito. — Ele sorri. — Você sabe que me deve dez dólares do jogo Giants, certo? — Eu o lembro, observando enquanto balança a cabeça sorrindo. — Você realmente me fará pagar? — Ele pergunta, apontando para si mesmo. — Porra sim, você teria a minha bunda atrás dessa grelha se eu perdesse. — Você está certo. — Ele sorri. — Quer café? — Sim, dois, — digo a ele, observando ele sinalizar para um dos ajudantes nos trazer dois cafés. — Como Sylvia está? — Pergunto, falando sobre sua esposa. — Bem, ela chegará logo. Quem é sua amiga? — Ele pergunta, acenando a cabeça para Ellie, que está olhando para o menu, e ao mesmo tempo tentando se esconder atrás dele. — Esta é a minha namorada, Ellie, — anuncio, observando algumas cabeças na sala girar em minha direção. Ela sussurra, — Jax, — me chutando debaixo da mesa.


— Baby, este é Jones, o proprietário, — digo, ignorando o olhar em seus olhos, o qual promete vingança. — Prazer em conhecê-lo, — ela diz, forçando um sorriso no rosto. — Você também, linda. — Ele sorri, depois ri quando Ellie tenta me chutar novamente, perdendo as minhas partes. — Eu disse que você seria a primeira a saber se eu tivesse uma namorada, — eu a lembro. — Estou de ressaca e não tive bastante café para sequer cogitar como diabos eu acabei nessa situação, — ela murmura, tomando outro gole de sua caneca. — O destino, baby... é o destino, — digo a ela seriamente, querendo saber quão louco ela acharia que eu era se dissesse a ela sobre o Boom. — Jax? — Puxando meus olhos de Ellie, eu gemo, vendo Felícia caminhando em direção a nossa mesa. Felícia era uma das minhas parceiras regulares no ano passado. Ao contrário do que a minha família pensa, eu não durmo com qualquer uma. A maioria das mulheres com quem estive eram mulheres sem tempo para relacionamentos ou simplesmente não desejando um. O que era perfeito para mim – isto é, até Ellie. — Você não retornou minhas ligações, — ela diz com um falso bico, cruzando os braços sob o peito. — Estou fora do mercado, — digo a ela com um encolher de ombros, esperando que ela entenda e vá embora. Ela é uma mulher agradável, muito inteligente quando se trata de livros, mas quanto ao bom senso, nem tanto. — Eu vi Mellissa no salão de beleza e ela me disse que vocês dois estavam juntos novamente, mas eu sinceramente não acreditei nela, — ela murmura; meus dentes rangem e o corpo de Ellie fica tenso diante de mim, os dedos ao redor do seu copo de café ficando brancos. — Não estou com Mellissa, — rosno irritado; porra, eu terei que ligar para ela e esclarecer o status da nossa relação. Já que esse nós não existe. — Oh. — Ela inclina a cabeça. — Com quem você está? — Eu vou ao banheiro, — Ellie diz, levantando de repente, fazendo Felícia se afastar da mesa e eu me levantar com ela, tentando agarrar o seu braço, o qual ela afasta do meu alcance. — Foda-se, — eu corto, observando Ellie correr pela sala e ficar fora da vista.


— Sinto muito. Eu não sabia, — Felícia diz enquanto esfrego minhas mãos pelo meu rosto. — Está tudo bem, mas falo sério. Não a chamarei novamente, — digo a ela, odiando me sentir um idiota, mas sabendo que preciso deixar claro para todos, não apenas para ela, que estou fora do mercado. — Claro, eu entendo. Tome cuidado, Jax, — ela diz, virando-se para sair, mas não antes de captar algo em seus olhos que coloca os meus nervos na borda e me deixa instantaneamente em guarda. — Você terá suas mãos cheias, meu amigo, — Jones diz, puxando meus olhos de onde estavam colados na porta do banheiro e virando para olhá-lo. — Você sabe que eu te amo, cara, mas algumas das meninas com quem você ficou são, — ele rola o dedo ao redor de sua orelha, — muy loca, e aquela menina... sua menina parece com medo da própria sombra. — Ela passou por muita coisa, — digo, e ele aponta a espátula em sua mão para mim. — Eu sei, e é por isso que estou dizendo para você esclarecer as coisas com essas cadelas, para que não pensem que têm o direito de ferrar com ela. Porque, mano, você querendo aceitar ou não, elas vão ferrar com ela, e até que você solidifique o seu relacionamento, você não pode ter essa merda. — Eu sei, cara. — Deixo escapar uma respiração profunda, e me levanto quando Ellie volta para a mesa. — Você está bem? — Pergunto, puxando sua cadeira novamente. — Sim, bem, desculpe, — ela murmura, pegando o menu de volta. — Você sabe o que quer, linda? — Jones pergunta, e tento não me incomodar com o fato dele chamá-la de linda, mas ainda incomoda. — O que é bom? — Ela pergunta, abaixando o menu, girando seu corpo em direção a ele. — Tudo, mas se confiar em mim, eu farei algo especial para você, — ele diz, dando-lhe o sorriso que fazia as mulheres deixar cair as calcinhas à esquerda e direita antes dele se casar com Sylvia. — Claro. — Ela encolhe os ombros. — Você quer o de sempre?


— Sim, cara, — digo, e olho para Ellie, que tem os olhos em sua xícara de café na frente dela. Inferno, eu não tenho ideia de como provarei a ela que ela é tudo para mim, mas sei que nada no caralho a impedirá de ser minha. *~*~* — Agora você pode beijar a noiva, — o pastor diz, e Wes inclina July para trás sobre seu braço, beijando-a de uma forma que estou surpreso por tio Asher não sair de seu assento e invadir o corredor, tomando-a dele. — Oh, Deus, — minha irmã sentada ao meu lado chora; olho para ela conforme ela enxuga os olhos e envolve seu braço em torno de meu. — Eles são tão perfeitos um para o outro, — ela diz, e olha para mim, sorrindo antes de se levantar quando todo mundo se levanta. — Ax, — Hope me chama do outro lado; tiro meus olhos da minha irmã e prendo a respiração quando Hope sorri para mim. Ela se parece com a mãe... a mãe dela, que assumiu todos os meus pensamentos desde que a conheci. — O que foi, querida? — Pergunto em voz baixa, ainda sem saber o que fazer com uma menina de três anos de idade. — Você pode me levantar para que eu possa ver a mamãe? — Ela pergunta, e meu peito aperta, semelhante à maneira como faz cada vez que olho para a mãe dela. — Claro, — digo, e ela levanta as mãos para mim. Eu a levanto em seu enorme vestido rosa, em seguida a levanto até meus ombros para que ela possa ver a mãe caminhar até o altar atrás de July, segurando o braço de Harlen, o que faz um tipo diferente de aperto preencher meu peito. Ela está linda hoje. Seus longos cabelos castanhos estão amarrados com uma fita branca tecida no meio de uma trança, presa atrás da orelha e com alguns fios soltos emoldurando seu rosto. Seu corpo está envolto por um vestido tão apertado que eu sei, só de olhar, que seus seios se encaixam perfeitamente em minhas mãos. Inferno, seu corpo se encaixa perfeitamente contra o meu. Eu sei disso, porque sempre que posso, eu tenho-a perto. Desde o café da manhã, eu


venho mostrando para ela que eu a quero e que ela é a única mulher em quem eu penso. Ela é minha. Ela não pode compreender – inferno, nem sei se eu entendo – mas ela foi feita para mim. Levando Hope comigo, encontro Ellie no final do corredor e a levo para longe de Harlen, que apenas sorri quando a puxo de suas mãos com uma mão na cintura dela. — Mamãe, você palece tão bunita, — Hope diz, saindo do meu aperto para os braços de Ellie. — Obrigada, anjo, — Ellie diz, e olha para mim. — Não posso acreditar quantas pessoas estão aqui. — Olhando em volta do quintal do meu tio, eu tenho que admitir que há muitas pessoas para um casamento tão espontâneo, mas não estou surpreso. Se nada mais, as mulheres da minha família são determinadas. — Estou morrendo de fome, — Hope diz dramaticamente, inclinando seu corpo até que ela está olhando para mim de cabeça para baixo. Sorrindo para ela, eu murmuro, — Vamos pegar algo para vocês comerem meninas, — coloco a minha mão contra a parte inferior das costas de Ellie, levandoa através da multidão em direção ao alimento que foi colocado do lado de fora. Assim que enchemos nossos pratos, eu vou para a mesa onde os meus pais estão sentados com a minha irmã. No momento em que Hope vê meu pai, ela grita, — Vovô! — E corre para ele. Ele a pega, jogando-a no ar, fazendo seu vestido enorme flutuar em torno dela enquanto ela ri alto. Então ela olha para a minha mãe e sorri, gritando, — Vovó, olha! Meu vestido de plincesa serviu em mim! — Fazendo os olhos da minha mãe suavizarem e ela dizer algo que não posso ouvir. — Não sei quando ela começou a chamá-los de vovó e vovô, — sussurra Ellie, parando a poucos metros da mesa. — Minha mãe provavelmente a subornou, — digo a ela, querendo afastar o aparente mal-estar do seu rosto. E isso provavelmente não é uma mentira, eu sei que minha mãe e meu pai adoram crianças. Eles teriam tido mais do que minha irmã e eu se as coisas fossem diferentes, mas após estarem separados por tanto tempo, eu sei que eles queriam se concentrar em nossa família.


— Hope nunca realmente teve avós. Minha mãe, como você sabe, é uma louca, e meu pai, que teria a adorado, morreu muito antes dela ter a chance de conhecê-lo. — Ela faz uma pausa. — Ela já os ama, — diz baixinho, e antes que eu tivesse a chance de perguntar a ela sobre a família do pai de Hope e o porquê deles não estarem por perto ou envolvidos em sua vida, ela se afasta de mim, indo em direção à mesa e sentando. Eu a sigo e me sento ao lado dela, observando seu rosto enquanto ela observa Hope, que agora está sentada no colo da minha mãe e tagarelando sobre alguma coisa para o meu pai. — Eles já estão apaixonados por ela também, — digo, empurrando o ombro de Ellie com o meu para chamar sua atenção. Quando seus olhos encontram os meus, eu inclino meu rosto para mais perto dela e digo suavemente, — Você tem uma família agora. Ambas, Hope e você. Ela pressiona os lábios, e aquela tensão enche meu peito novamente, deixando-me desconfortável. Retirando sua mão da mesa, eu a trago até a minha coxa, colocando minha mão sobre a dela. Pode levar algum tempo, mas de uma forma ou de outra, ela aprenderá a aceitar que não está mais sozinha.


CAPÍTULO 04

Após guardar o resto das roupas de Hope no armário e arrumar a cama dela, eu vou para cozinha. Desde que Ashlyn pegou Hope esta manhã, não tenho nenhuma razão possível para ficar aqui por mais tempo, e tenho certeza que Jax, que bateu na minha porta trinta minutos atrás a fim de me dizer que precisava falar comigo, não me dará mais tempo para evitá-lo. É terça-feira, três dias desde o casamento de July, e não vi muito Jax desde então. No domingo, o dia após o casamento, eu precisei trabalhar, assim a mãe de Jax cuidou de Hope enquanto Jax a buscou e fez o jantar. Ele me mandou uma mensagem no trabalho perguntando se Hope poderia tomar sorvete, o que eu respondi dizendo que só depois do jantar. Posso ver agora que a minha menina o tem envolvido em torno do seu dedinho. Quando cheguei em casa, eu tive um jantar rápido, e felizmente Hope estava tão cansada quanto eu, por isso fomos dormir cedo. Ontem, Jax trabalhou, então eu só o vi por um breve período, quando ele parou na porta do quarto de Hope. Seu olhar colidiu com o meu e encaramos fixamente um ao outro até que ele retumbou, — Boa noite, — silenciosamente e saiu da entrada do quarto. Hope caíra no sono há muito tempo, mas não podia deixá-la, e se for honesta comigo mesma, eu useia como um escudo para me proteger de Jax. Sei que o acho atraente. Sei que o beijo que ele me deu no carro roubou mais do que as minhas risadas. Sei como me senti quando ele disse ao amigo dele que eu era namorada dele. Sei que no casamento, quando compartilhei uma dança lenta com ele e ele me segurou firme contra seu corpo, eu me senti a única mulher no mundo. Sei o que senti ao vê-lo segurar minha filha, que adormeceu no colo


dele enquanto ele ria com sua família, ao mesmo tempo em que segurava firmemente a minha mão. Sei que eu quero mais do que tudo acreditar que é a minha vez de encontrar a felicidade, mas também sei como me senti quando uma bela mulher enfiara a realidade no meu rosto e na minha garganta, estando eu sentada na frente do Jax em um restaurante. Eu odeio a maneira como me sinto sobre Jax estar com outras mulheres. Não espero que qualquer homem neste dia e idade seja virgem ou espere até o casamento para ter relações sexuais. Mas posso dizer honestamente, que a ideia de estar com um homem com a aparência de Jax, e que tem um histórico de namoro, é preocupante. Não posso pensar só em mim, eu tenho uma filha que observa tudo o que faço. Não quero mostrar tão cedo para ela que alguns homens são idiotas e não são confiáveis. Descendo as escadas, eu paro. Até mesmo meus pulmões congelam ao ouvir Jax perguntar, — Quando ela foi levada? — Meu coração bate com força contra meu peito e minhas pernas começam a ficar fracas. Outra mulher foi levada. Poderia ser os mesmos caras que sequestraram July e eu? Os mesmos caras que drogaram aquela menina, e a trouxeram de volta tão dopada e enlouquecida que ela nem sequer sabia quem era? Odeio que um deles tenha sobrevivido, e odeio ainda mais saber que há outros que ninguém conhece. Não quero viver com medo, mas eu tenho medo. Não consigo deixar de pensar que eles virão atrás de mim novamente. A primeira vez que me levaram, eu acabara de sair do trabalho no salão e me dirigia para o ponto de ônibus, quando uma van parou e abriu a porta lateral, e alguém me levou para dentro como em uma cena de um filme. Eu estava tão atordoada que não pensei em gritar até perceber o que faziam, quando começaram a envolver uma fita em meus pulsos e depois me disseram que minha mãe me vendeu para eles. Que tipo de pai vende sua única filha viva para o tráfico sexual? Como alguém sequer sabe como entrar em contato com as pessoas que traficam? A coisa toda me perturbava, mas uma coisa eu sei – eu tenho Jax agora, e embora possa me sentir em conflito sobre o estado do nosso relacionamento, eu sei que no fundo ele protegerá Hope e eu. Indo na ponta dos pés em direção à porta de entrada para a cozinha, tento ficar em silêncio, caminhando para poder tentar ouvir mais. Não adianta, porém,


Jax fica quieto, de alguma forma ele está ciente que estou por perto, mesmo sem fazer barulho, pois ele diz a pessoa no telefone que eu estou lá e ele os verá no escritório mais tarde. — Hey, — digo suavemente, evitando seus olhos enquanto me movo até o balcão para o pote de café, depois eu pego uma caneca do armário, me sirvo um copo, e vou para a geladeira. Pego o creme, coloco um respingo antes de me mover para o balcão, puxo uma colher da gaveta, coloco três colheres cheias de açúcar e misturo tudo. — Você vai olhar para mim? — Ele pergunta. Realmente quero dizer não, mas em vez disso, eu digo, — Hmm? — Tomando um gole de café e fechando os olhos, deixo o sabor e o aroma trabalhar o seu caminho através do meu sistema. Rezo para que me teletransporte magicamente para outra dimensão, onde eu possa olhar para Jax, mas não ter que falar com ele, onde posso ser invisível. — Você tem me evitado desde o casamento. Sabendo que não tenho escolha, eu viro minha cabeça e olho para ele. — Eu sei, — concordo em vez de mentir, o que faz seus olhos se arregalar de surpresa. — Você sabe? — Ele repete; suas sobrancelhas franzidas, formando duas rugas entre elas. — Eu poderia mentir e dizer que não estive evitando você, mas você sabe que estaria mentindo, e sou uma péssima mentirosa, então posso apenas dizer a verdade, — explico, tomando outro gole de café e tentando manter minha boca ocupada. — Aprecio isso. Não gosto de jogos, — ele diz, seu rosto suavizando. — Nem eu, — concordo, embora nunca tenha jogado o tipo de jogos que ele provavelmente está falando. — Então, por que você está me evitando? — Ele pergunta, recostando-se contra o balcão atrás dele e cruzando os pés descalços na altura dos tornozelos. Como alguém pode inclinar-se e parecer quente? Eu não sei, mas se tivesse uma câmera, tiraria algumas fotos dele agora, com o cabelo ainda ligeiramente úmido, sua camisa azul escura lutando contra os músculos de seus braços, suas calças jeans de cintura baixa, o desgastado material apertado o suficiente para mostrar a espessura de suas coxas, eu provavelmente poderia vender essas fotos por um


monte de dinheiro para um catálogo de qualquer uma das marcas que ele está usando. — Eu gosto de você, — digo, então mordo o lábio inferior em punição. Por que diabos você disse isso? — Eu gosto de você também, — ele afirma simplesmente, pegando seu copo no balcão e tomando um gole. — É por isso que eu quero passar mais tempo com você e conhecê-la melhor, e você me evitando realmente não me permite fazer isso. — Você já namorou muuuito, — arrasto a palavra, dizendo algo que ele já deve saber, porque, obviamente, o meu filtro não está funcionando corretamente e estou vomitando tudo e qualquer coisa que vem à mente. Observando-o de perto, fico surpresa ao ver arrependimento em seus olhos. — Já namorei muito. — Ele balança a cabeça, e eu aceno de volta, por que o que diabos mais eu deveria fazer? — Mas, -— ele começa a dizer algo, quando há uma batida forte na porta, e a campainha toca. — Foda-se, — ele murmura, olhando para a porta, depois de volta para mim. — Eu voltarei. Basta beber o seu café, — ele diz, saindo da cozinha em direção à porta da frente. Tomando um gole, eu franzo a testa ao ouvir um gemido, um barulho alto e a porta batendo contra a parede. Movendo-me para a porta da cozinha, meu coração afunda antes de acelerar, batendo com força contra meu peito. A loira do restaurante, vestindo um jeans skinny, botas de vaqueiro e uma blusa transparente, tem seu corpo envolto em torno de Jax, suas longas pernas em seus quadris, seus braços em volta de seu pescoço, e sua boca na dele... ou a dele na dela, eu não sei. Mas sei que as mãos dele estão na bunda dela conforme ele se inclina contra a mesa da sala de entrada. Recuando para a cozinha, coloco a minha caneca no balcão, distraidamente sentindo o líquido quente respingar na minha pele antes de agitá-la, agarro rapidamente meu casaco e as chaves, e saio pela porta dos fundos. Chegando ao Rover que Jax comprou para mim, o Rover, que até aquele momento eu não havia sido verdadeiramente grata, saio da garagem, por pouco não batendo no carro estacionado atrás de mim, e viro para a rua. Não me lembro de alguma vez me sentir como me sinto agora, como se fosse esfaqueada no peito, o que não faz sentido, porque Jax não é meu.


Estacionando na entrada da casa de Ashlyn, que fica a apenas alguns quarteirões de distância, eu caminho para a porta da frente e toco a campainha, tentando acalmar a minha respiração, e assim não soar como se acabasse de correr. — Hey! ��� Ela sorri, abrindo a porta, em seguida, franze a testa quando vê meu rosto. — O que há de errado? — Ela pergunta, agarrando minha mão. Quero dizer tudo a ela. Quero dizer a ela que gosto muito do seu irmão e que ele acabara de ser atacado por uma loira, mas aparentemente ele estava gostando, antes de eu sair correndo da casa. Quero perguntar se esta dor em meu peito é normal, se deveria me sentir assim por alguém que mal conheço. Quero dizer a ela tudo isso, mas em vez disso, eu digo, — Outra garota foi sequestrada. — Oh, não, — ela sussurra, cobrindo a boca. — Sim, eu sinto muito por fazer isso. Sei que vocês passariam o dia juntas, mas você se importa se eu levar Hope mais cedo? — Claro. — Ela balança a cabeça quando seu telefone celular começa a tocar em algum lugar da casa. — Mamãe, — Hope grita com entusiasmo, correndo na minha direção. — Oia a minha maquiagem! — Ela grita alegremente, me mostrando o kit de maquiagem infantil rosa em suas mãos que Ashlyn, obviamente, comprou para ela. — Tão legal, anjinho. — Sorrio, pegando-a no colo, vendo Ashlyn fazer carranca quando seu telefone da casa começa a tocar. — Agradeça a Ashlyn, anjo, — digo a Hope, me inclinando e erguendo a bolsa que está à direita da porta. — Eu estou ino? — Ela faz beicinho. — Sim, mas você pode voltar outra vez, — asseguro-lhe baixinho, realmente precisando sair dali. — Obrigada, tia Ashwyn, — Hope diz, soprando um beijo. — Adeus, Princesa Hope. — Ashlyn sorri, depois olha por cima do ombro quando o telefone silenciado toca novamente. — Você poder atender, vamos vê-la depois, — digo a ela, mas posso ver nos seus olhos que ela sabe que alguma coisa está acontecendo. — Tem certeza que não quer um café? Acabei de colocar um bule. — Sentindo as lágrimas me sufocando, balanço minha cabeça.


— Ligue para mim se precisar, querida, — ela diz gentilmente, quando me afasto da porta e levo Hope para a porta traseira do Rover, coloco-a no assento, me certificando que ela está afivelada antes de ficar atrás do volante e sair da garagem de Ashlyn. Olhando para a casa, vejo Ashlyn em pé na porta da frente com o telefone no ouvido e um olhar preocupado em seus olhos. Dando um ligeiro aceno, eu termino de sair, e tento descobrir o que diabos eu estou fazendo. Eu moro com Jax, então não posso evitá-lo para sempre, mesmo desejando poder pegar minhas coisas da casa dele e voltar para o meu trailer. Meus olhos vão para o espelho retrovisor e vejo que Hope está me olhando e engulo. Não, eu não desejo isso. Estamos no melhor lugar para nós, eu só preciso tirar meu coração da mistura. — O que você diz de passarmos o dia no zoológico, anjinho? — Pergunto. — Zoo? — Ela sussurra, e grita, — Yay! Zoo! — Me fazendo rir. Atravessando a cidade, eu pego a estrada e leva cerca de 20 minutos para chegarmos ao jardim zoológico. Após estacionar o carro, eu alugo um dos carrinhos disponíveis, embora agora Hope queira andar. Eu sei que em algumas horas, ela não se sentirá da mesma forma, e não posso carregá-la como fazia quando ela era um bebê. Caminhando no jardim zoológico, eu paro em uma das lojas e pego um suco de maçã para ela e um café para mim, juntamente com um mapa. — Onde primeiro, anjo? — Pergunto a ela, me abaixando para que ela possa olhar para o mapa comigo. — O que é isso? — Ela pergunta, apontando para uma das imagens no mapa. — São flamingos, — digo a ela, observando seu rosto estudar a imagem. — Eles são rosa, — ela diz, apontando a cor. — Eles são. Essa é a sua cor verdadeira. — Posso vê-los? — Ela pergunta esperançosa. — Sim, — concordo, segurando a sua mão, usando a outra para empurrar o carrinho enquanto caminhamos ao longo das trilhas, parando às vezes quando passamos por algo que chama a atenção dela.


— Ax! — Hope grita, puxando sua mão da minha quando nós paramos para olhar alguns bisontes que vagavam em um grande campo aberto. Meus olhos encontram os de Jax, antes dele se ajoelhar e pegar Hope, que se joga em seus braços. Nossos olhos ficam trancados e engulo. Ele parece chateado... ou qualquer emoção pior do que chateado. — Ei, baby. — Ele sorri, beija a bochecha de Hope, a coloca no chão e pega a mão dela. — Uhh... — exalo quando meu batimento cardíaco acelera e ele se aproxima de mim. — Mamãe, Ax está aqui, — Hope aponta alegremente, e abro minha boca, em seguida a fecho novamente, porque não sai nada. — Hey, baby. — Jax inclina a cabeça para mim, tocando sua boca na minha. Mais uma vez, eu observo como seus lábios se sentem – a forma como são tão quentes, a forma como o lábio superior parece ser mais suave do que o inferior, como têm gosto de canela e hortelã, e como desejo me inclinar e me aproximar. — Uhh... — gaguejo, abrindo os olhos e olhando para ele. — Nós vamos ver fwamingos, — Hope diz a Jax, puxando a mão dele, sem mencionar que ele me beijou, como se fosse completamente normal ele fazer isso. — Parece bom, querida. — Jax sorri, e sorrio de volta, em seguida Hope entra no carrinho de criança, puxando a pala de sol sobre sua cabeça, o que me deixa sozinha com ele. Juro que minha filha é esperta demais para seu próprio bem. — Vamos ver os flamingos, baby, — Jax diz, me tirando do meu estupor, envolvendo seu braço em minha cintura e enfiando a mão no bolso de trás da minha calça jeans. — Jax, — assobio sob a minha respiração, torcendo meus quadris para tentar desalojá-lo. — Não, — ele rosna baixinho perto da minha orelha. — Você me deixou. Não posso nem mesmo dizer o quanto eu quero dobrar você sobre algo e bater em você agora. — Ele soa quase com dor, rosnando as palavras para mim, fazendo meu coração bater nos meus ouvidos.


— Você beijava outra mulher, — sussurro gritando, sentindo a dor no meu peito mais uma vez, então ele para o carrinho, me gira de forma que minhas costas estejam contra ele, e envolve seus braços em volta do meu corpo. — Você sabe que eu não estava, Ellie, por isso nem sequer tente puxar o cartão de besteira comigo, — ele rosna em meu cabelo. Tenho certeza que para os transeuntes, nós parecemos um casal se abraçando. Seu corpo apertado contra o meu, um braço em minha cintura, a outra mão sob meu queixo, segurando minha cabeça para o lado. Não podia me mover, nem se eu quisesse, e posso dizer honestamente que não quero. Eu sei que ele está certo. Sabia disso quando saí da garagem, mas estou tão assustada. Tão malditamente assustada, eu penso ao fechar meus olhos. — Sente isso? — Ele pergunta contra a minha orelha, pressionando sua ereção em minhas costas. — Isso só acontece com você. Ninguém mais, baby, e essa é a porra da verdade. Você, sem saber, me arruinou para todas as outras mulheres. Balançando a cabeça, eu sussurro, — Jax, — deixando cair a minha cabeça até o queixo descansar em seu braço. — Eu ia dizer a ela para sair quando abri a porta, mas ela me emboscou como um macaco-aranha, porra, me pegando desprevenido. Eu juro que nunca faria isso, — ele sussurra contra meu pescoço, sua mão se movendo, espalmandoa contra o meu abdômen, me trazendo para ainda mais perto dele. — Eu odiei, — digo sinceramente. — Sinto muito, — ele respira contra a minha pele, fazendo os pelos em meu corpo se arrepiar, meu corpo se inclinar contra o seu, enquanto minha cabeça inclina para o lado, desejando sentir essa sensação novamente. — Nós falaremos sobre isso, mas primeiro, precisamos levar Hope para ver os flamingos, — ele diz, beijando o ponto contra o qual acabou de sussurrar, me virando novamente ele coloca a mão no bolso da minha calça, enquanto me ancoro contra ele ao caminharmos. — O que aconteceu? — Pergunto calmamente ao pegarmos uma trilha até um caminho de terra, atravessando um grupo de árvores que fazem sombra no caminho. — Apenas tivemos a nossa primeira briga.


Sinto meu rosto franzir ao virá-lo para ele, e ele sorri, beijando meu nariz. — Ok, mas como você sabia que eu estava aqui? — Seu carro tem um rastreador. — Ele dá de ombros, como se não fosse grande coisa, enquanto o meu coração se aquece. Meu estúpido coração pensa ser quente ele ser um perseguidor. — Tem um rastreador? — Repito, e ele deve reconhecer o meu tom, porque fica mais lento e se vira para mim novamente. — Tem um rastreador, Ellie. — Ele balança a cabeça, e acrescenta, — Você e Hope estão no carro. Vocês duas estão vindo a significar algo para mim, por isso se quer estar chateada com isso, vai apenas ter que superar. Vai ficar, e não há nada que você possa dizer que me fará tirá-lo, — ele diz causalmente, como se falássemos sobre as coisas que ele precisa comprar na mercearia. — Você é louco, — sussurro, respirando fundo. — Você é seriamente maluco. Como camisa de força e quarto acolchoado para louco, — divago, olhando para ele. — Não era louco antes de você, então se eu for diagnosticado como mentalmente instável, é tudo culpa sua, baby. — Ele sorri e cubro meu rosto. — Eu vou dizer a sua mãe sobre isso, — digo, sabendo que a mãe dele provavelmente seja a única pessoa na terra de quem ele tem medo. Espero que ela possa me ajudar a corrigir o seu filho, ou fazer com que seja medicado, eu penso quando começamos a andar novamente. — Baby, ela teve um rastreador em todos os seus carros desde que ela e meu pai ficaram juntos. — Portanto, isto obviamente é genético. Seu pai é louco também, — digo, e sinto-me abrandar ao ver Jax sorrindo. — O quê? — Pergunto, inclinando a cabeça e estudando-o. — Nada. Você simplesmente é realmente muito bonita quando divaga. — Eu não divago. Às vezes eu tenho muito a dizer sobre as coisas, mas não divago, — corto, sabendo muito bem que eu divago. Faço isso desde que me lembro. Tenho a tendência a falar demais ou dizer muito, quando deveria calar a boca. — Tudo bem, você não divaga. — Ele sorri novamente, então se inclina ao lado do carrinho, olhando em Hope. — Ela dormiu.


— Ela acordou cedo, — digo, quando começamos a andar novamente. — Quão brava Ashlyn está comigo? — Pergunto depois de um longo momento de silêncio. — Ela está preocupada, — ele diz em voz baixa, me puxando um pouco mais para perto dele. — Ela sabe como me sinto sobre você. Sabe também que as mulheres podem ser umas cadelas, por isso ela se preocupa com você se assustando e deixando todos nós para trás se algo assim acontecer novamente. Eu quero dizer a ele que não vou fugir, que sou corajosa e forte, mas eu sei que é uma mentira, então mantenho a minha boca fechada e meu lado colado ao seu à medida que avançamos ao longo do caminho à sombra. — Sei que nós acabamos de nos conhecer, Ellie, mas preciso que você saiba que, enquanto estivermos nos descobrindo, eu estou totalmente envolvido. — Eu tenho uma filha, Jax, — eu lembro calmamente. — E? O que Hope tem a ver com isso? — Eu tenho uma filha. Namorar comigo não é tão simples como namorar uma garota que não tem responsabilidades. Tenho um ser humano que conta comigo para tudo, uma mini pessoa que vive, respira, come e precisa de muita atenção, — digo; ele para de andar e me vira para encará-lo. — Eu sei disso, Ellie. — Ele sorri, inclinando-se e beijando minha testa antes de sussurrar, — eu sei disso, e ainda estou aqui com você agora. Se eu quisesse estar com alguém, eu poderia, mas não estou. Eu quero isso. Eu quero você e Hope. — Você me assusta, — admito, inclinando minha testa contra o peito dele. — Você me assusta também, baby, — ele diz, pegando a minha mão e a colocando sobre o seu coração. — Você sente isso? — Ele pergunta quando seu coração bate contra a palma da minha mão. — Sim. — Duas vezes, você o conquistou. Na primeira vez que eu vi você com tanto medo, como se o mundo estivesse contra você ao sair sozinha da floresta, eu o dei a você. Hoje, quando se afastou de casa, você o tomou. Ele sabe que pertence a você, por isso foi voluntariamente com você quando saiu. Ele é seu, Ellie, se você quiser.


— Você é realmente bom neste tipo de coisa, não é? — Pergunto, levantando os olhos para encontrar os dele. — Nunca fiz nada assim antes, — ele confessa, fazendo meu fôlego parar e meu corpo se fundir ainda mais ao dele. — Há tanta coisa... — Faço uma pausa e inclino minha cabeça contra seu peito novamente, travando meu queixo. Não sei por que não contei a ele sobre o pai de Hope. Bem, acho que eu sei. Quando as pessoas descobrem que ela não é minha filha biológica, elas têm a tendência a agir como se ela não devesse me chamar de mãe, que eu não deveria considerá-la minha filha. Eles não entendem que ela é minha. Não, eu não dei à luz a ela, mas tenho cuidado dela desde que ela tinha apenas algumas semanas de vida. Fui eu quem passou noites sem dormir, trocas de fraldas intermináveis e mamadeira. Eu estava lá na primeira vez que ela rolou, seu primeiro passo. Eu estarei lá para cada primeiro que ela tiver. Ela é a única

pessoa

neste

mundo

que

me

ama,

me

ama

de

verdade,

incondicionalmente. Ela era a Hope do meu irmão, para um futuro mais brilhante, e agora ela é minha. — Sabe a coisa sobre o tempo? — Jax pergunta suavemente, segurando minha mandíbula até meus olhos se encontrar os dele. — O quê? — Sussurro, vendo desejo e otimismo em seu olhar, levando o meu coração a bater um pouco mais forte. — Há sempre mais do mesmo. É algo que estará sempre disponível, um recurso que nunca diminuirá. Temos tempo, Ellie. Só preciso de uma chance. Eu poderia fazer isso? Dar uma chance para ele e arriscar ser ferida novamente por alguém que me importa? Não sei se eu posso, mas meu estômago dói quando penso em não tentar, quando penso sobre não ver, por uma vez na minha vida, se eu posso ter o que as outras pessoas têm, um futuro com alguém, alguém no meu coração e ao meu lado quando eu precisar, alguém para me apoiar quando a estrada ficar esburacada. Eu sei que Hope o adora, e ele é alguém em quem eu confio para cuidar dela. — Eu quero tentar, mas precisamos levar isso devagar. Eu não... — Faço uma pausa, tomando um fôlego. — Tem sido um longo tempo desde que eu namorei, e nós moramos juntos. — Faço uma pausa de novo, afastando o olhar, e digo, — Até que eu possa conseguir um lugar para mim e Hope... — Seus dedos


apertam a minha mandíbula, onde ele ainda me segura, fazendo minha cabeça girar em direção a ele. — Não quero que isso fique estranho, — eu termino em um sussurro, depois engulo ao notar o olhar de determinação crua em seus olhos. — Apenas me diga que você está nessa comigo. Não posso acreditar que estou fazendo isso, que estou tomando esse tipo de risco, mas eu realmente não quero mais lutar contra essa atração que sinto. — Estou, — eu falo, e seus lábios batem nos meus, puxando o ar dos meus pulmões quando sua língua empurra na minha boca, enredando-a com a minha. Minhas mãos apertam sua camisa fortemente, sentindo o material entre meus dedos quando ele move as mãos, uma deslizando em meu corpo, bem acima da minha bunda. A outra no meu cabelo, onde o envolve em um punho para que possa aprofundar o beijo antes de se afastar lentamente, mordendo meu lábio inferior uma última vez, deixando-me ofegante. Ao abrir meus olhos, os seus estão em mim, e não há como negar a felicidade que vejo nas profundezas da cor de avelã. Só espero que ele não se arrependa. Nunca namorei – ok, eu namorei na escola, mas foram dois garotos diferentes, e tudo o que sempre fiz foi beijar, então penso que realmente nem sequer conta. Logo após o colegial, eu comecei a escola de cosmetologia e trabalhei em tempo integral, por isso nunca houve uma oportunidade de namorar durante esse tempo. Então foi concedida a custódia da Hope para mim, e fiquei com ainda menos oportunidades, além disso, eu não queria trazer caras aleatórios ao redor da minha filha. Agora, eu sou uma virgem de vinte e quatro anos de idade, com uma criança e nenhuma experiência de namoro. O que diabos eu sei sobre namorar um cara como ele? — Agora, vamos ver os flamingos, — ele diz, tirando-me de meus pensamentos ao me colocar na frente dele, de costas para o seu peito, colocando as mãos nos meus quadris enquanto seguro automaticamente a barra do carrinho de criança na minha frente. À medida que começamos a andar novamente, aperto minhas mãos na barra para que não caia de cara no chão enquanto Jax caminha atrás de mim, ocasionalmente acariciando meu pescoço e enviando sensações através do meu corpo que fazem o meu núcleo pulsar. Quando alcançamos a área onde os flamingos estão, eu me curvo e verifico se Hope ainda está dormindo, o que ela está.


— Vamos voltar aqui quando ela acordar, — digo a Jax sobre o meu ombro. Balançando a cabeça, nós avançamos, seguindo a indicação para os gorilas. Quando chegamos ao pé de uma pequena colina, há uma formação rochosa que se parece com uma grande caverna. No interior, há três grandes painéis de vidro, onde você pode observar os gorilas se espreguiçando ao sol morno do outono. No outro lado, há bancos que revestem as paredes, para que possamos sentar no ar frio. Movendo o carrinho até um banco, eu me sento ao lado de Jax quando ele me puxa para ficar ao lado dele, então coloco o carrinho de Hope na nossa frente, para que possamos manter um olho nela. Inclinando a cabeça no ombro de Jax, eu assisto as famílias indo e vindo até que um dos grandes gorilas vem até o vidro diante de nós, olhando diretamente para mim. — Acho que você tem um novo admirador, baby, — Jax grunhe contra o meu ouvido, me fazendo sorrir. Levantando do banco, vou até o vidro, mantendo meus olhos na grande criatura diante de mim e no jeito que ele se afasta, em seguida, levanta-se em seus pés e bate no peito. — Posso ver por que ele está fascinado por você. Você é muito bonita. — Saltando com a voz ao meu lado, eu viro minha cabeça, ficando cara a cara com um homem muito bonito, cerca de dez anos mais velho do que eu, com a pele cor de caramelo, cabelo escuro e surpreendentes olhos verdes, segurando um menino em seus braços. — Eu... obrigada, — murmuro, dando mais um passo para longe dele, ao notar algo estranho na maneira como ele olha para mim. — Baby, venha aqui. — Virando-me para olhar para Jax, vejo que os olhos dele estão sobre o homem ao meu lado. — Baby, — ele repete, estendendo a mão. Abaixando minha cabeça, vou para ele e coloco minha mão na dele. Assim que estou em suas mãos, sua mão vai ao redor da minha cintura e ele me move para o outro lado de seu corpo, o lado mais distante do homem e do seu filho, e leva-me para o lado de fora, empurrando o carrinho com uma mão. — Você está bem? — Pergunto, sentindo a tensão em seus músculos. — Estou bem, — ele diz, apertando a minha cintura enquanto voltamos para a colina que acabamos de descer. — Não gostei do jeito que o cara olhava para você quando se aproximou.


— Eu não o vi, — admito. — Eu sei, você observava o gorila quando ele entrou, mas não era como se ele estivesse ali para vê-los. Era como se ele estivesse ali para vê-la. Acho que ele nem sabia que eu estava lá até que te chamei, — ele diz, provocando arrepios em mim. — Ouvi você no telefone, esta manhã. Você disse que outra menina foi sequestrada, — confesso em voz baixa, me inclinando para certificar que Hope ainda está dormindo. — Sim, outra menina foi levada. Sua família entrou em contato comigo. A polícia não pode fazer nada ainda, porque não tem mais de setenta e duas horas. Eles esperavam que pudéssemos procurá-la. — O que você faz aqui? Deveria estar procurando por ela. — Todos os meus rapazes estão nisso, e correndo o risco de soar como um idiota, baby, você é mais importante para mim do que isso. Eu precisava vir e me certificar de que você estava bem, — ele afirma. — Jax, eu estou bem, mas você precisa ajudá-la. Sabe como eu estava com medo quando fui sequestrada? Orei repetidas vezes para alguém me encontrar, que alguém procurasse por mim, mas eu sabia que orava em vão, porque as pessoas que deveriam ter informado à polícia que eu desapareci foram as mesmas pessoas que organizaram o meu sequestro em primeiro lugar. — Sinto tanto, baby, — ele diz, deixando escapar uma respiração irregular e me segurando um pouco mais apertado. — Você precisa encontrá-la, — repito, sentindo minha garganta se fechar com as emoções. — Estamos trabalhando nisso, e Wes e os caras também estão. — Wes está ajudando? — Pergunto com uma careta. Sei que Wes e alguns de seus amigos possuem uma loja de conserto, mas não sabia que ele ajudava a Jax, além disso, July nunca mencionou nada. — Desde que July foi sequestrada, ele esteve em uma missão para encontrar o cara que fugiu. — Vocês estão mais perto? Sabem quem ele é? — Pergunto, ouvindo a esperança na minha voz.


— Estamos chegando mais perto, — ele diz, mas noto que ele não responde plenamente a minha pergunta, o que me faz pensar o que ele tenta esconder de mim ou se eu estou em perigo. — Nada acontecerá com você, Ellie. Ninguém chegará perto de você ou de Hope, você tem minha palavra. — Você não pode prometer isso, Jax, — sussurro, o medo rastejando sobre mim. — Posso prometer isso, — ele rosna. — Você e Hope são minhas, e se alguém pensar em prejudicar qualquer uma de vocês, ele desejará nunca ter nascido. — Jax, você não é um policial, — eu o lembro. — Não respondo a lei, Ellie, o que me faz ser seu pior pesadelo, — ele rosna, me abraçando com tanta força que fica difícil respirar. Bufando pesadamente, eu escondo meu rosto contra seu peito, rezando para que ele possa manter Hope e eu seguras.


CAPÍTULO 05

Parando na frente do meu escritório, eu rosno ao ver que Mellissa está de pé na frente, segurando duas xícaras de café, com seus olhos fixos em mim. — Porra. Sei que ela recebeu a minha mensagem. Sabia que ela iria ignorá-la, e o fato de que eu disse para ela me ligar quando tivesse alguns minutos, para que pudéssemos conversar. Também a conheço bem o suficiente para saber que ela apareceria aqui, a fim de tentar falar comigo cara a cara. Não quero lidar com a merda dela hoje, não quando deixei Ellie e Hope em casa comendo as panquecas que fiz para o café, ambas as minhas meninas ainda sonolentas enquanto eu dava um beijo de adeus em cada uma, e pudesse entrar no escritório e lidar com um telefonema que eu precisava fazer esta manhã. Saindo da cabine da caminhonete, eu bato a porta e puxo as chaves do escritório do meu bolso da frente. — Hey, estranho. — Mellissa sorri quando me aproximo, entregando-me uma xícara de café, a qual eu pego, dando quatro passos até a lata de lixo na esquina da rua e o despejando. — Isso foi rude. — Ela franze a testa, me observando andar até o edifício e abrir a porta. — Eu disse para você me ligar, Mellissa. Não disse para você passar e trazer café. — Sei que estou sendo um idiota, mas essa garota somente entende imbecil. Se tentar jogar o papel de bom rapaz, ela lerá esse sinal errado e pensará que eu quero voltar para ela, o que não quero. — Imaginei que pudéssemos conversar tomando um café, — ela faz beicinho.


— Não precisamos conversar pessoalmente, Mellissa. Tudo que eu quero é que você entenda que nós transamos uma vez, há cinco meses. Você não é minha garota. Você não é minha garota desde que éramos crianças. Não quero estar com você, e apreciaria se você parasse de mandar mensagens por meio da minha mãe para mim. Ela é muito simpática para dizer que ela pensa que você é uma esnobe, e chutará a minha bunda se eu até pensar em voltar com você. — É por causa daquela cadela com uma criança? — Ela pergunta com raiva, jogando o copo de café no chão aos meus pés, fazendo o líquido quente respingar, encharcando a parte inferior do meu jeans. Dando um passo mais perto dela, eu rosno, — Aquela é a minha mulher, assim pega leve, Mellissa. Não dou a mínima para quem seja o seu pai. — Ela é lixo, Jax. — Sugiro que você vá embora, — Sage diz, vindo do outro lado da rua. — Se não sair, eu ligarei para o meu pai, Mellissa, e vamos apenas dizer que se ele procurar em seu carro, você irá para a cadeia, e acho que seu pai não ficaria muito feliz com você se isso acontecesse. — Não tenho nada no meu carro, — ela diz, cruzando os braços sobre o peito, olhando para o meu primo mais novo. — Você não tem? — Ele pergunta, e olha por cima do ombro em direção ao seu carro. — Vi o seu carro estacionado do lado de fora de uma casa na quinta avenida na noite passada, a mesma casa que foi invadida nesta manhã. A casa estava limpa, mas duvido que seu carro esteja, — ele diz, e vejo seu rosto empalidecer. Então, sem mais uma palavra, ela se move para o carro, entra e acelera ao descer a rua. — O que foi isso? — Pergunto, e ele dá de ombros. — Palpite de sorte. Sei que ela sai com um cara chamado Benji. Ele é um traficante de drogas de baixo grau, mas esta semana chegou uma grande oferta de metanfetamina, e o boato é que ele começaria a vendê-la. Os policiais invadiram a casa dele esta manhã, mas não encontraram nada, nem mesmo um baseado, — ele diz, enquanto abro a porta do escritório, e pergunta, — Por que ela estava aqui? — Ela ouviu falar sobre Ellie, e vem espalhando rumores de que voltamos para quem quiser ouvir. Eu disse a ela para me ligar a fim de dizer para ela parar com essa merda, mas apareceu aqui em vez disso.


— Você tem a varinha mágica, primo. — Ele sorri, me seguindo pelo corredor. — Você é um idiota, — digo, balançando a cabeça. Atravesso o corredor até o meu escritório, deixando-o na cozinha para preparar uma garrafa de café. Jogando minhas chaves sobre a mesa, eu pego o celular e o telefone de mesa, ligando para o número que mandou uma mensagem para mim esta manhã enquanto eu fazia o café da manhã das meninas. — Jax? — Meu amigo desde o colegial, Mav, atende no segundo toque. — Como vai, cara? — Pergunto, abrindo o meu e-mail e peneirando-o. — Indo. Alexa se prepara para dar à luz a qualquer minuto. Espero encerrar este caso a tempo de chegar em casa, para que eu possa estar lá e assistir minha filha ter sua primeira respiração. Não posso imaginar fazer o que ele faz. Viver com a escória, trabalhar disfarçado, ter que estar longe da minha família por semanas a fio, faltar a eventos importantes e momentos da vida. Acho que eu não poderia fazer isso, mas respeito Mav, porque ele faz. Tudo o que sei é que por causa dele, há famílias que dormem melhor à noite. — Então, que informação nova você tem para mim? — Pergunto. — Ontem, Deborah Anthony foi levada em custódia por tráfico de drogas. Deve haver uma ligação em algum momento esta tarde sobre o caso de Ellie Anthony, e o papel que Deborah teve no sequestro dela. — Isso é bom, mas não entendo por que você me ligou. Você sabe que meu tio conseguiria essas informações para mim. — Você está certo, mas antes que fosse levada em custódia, ela conversou com um dos meus informantes sobre uma maneira de fazer vinte mil fácil, — ele diz, e eu me sento, sentindo minhas sobrancelhas se juntarem. — Como é isso? — Pergunto, realmente não tendo certeza se estou pronto para ouvir o que ele vai me dizer, especialmente se essa informação tem algo a ver com Ellie. — Ela contou para ele que tudo o que ele precisava fazer era encontrar uma virgem e dizer a Deborah quem era a menina. A garota seria sequestrada, e eles receberiam o dinheiro e o dividiriam meio a meio. — Ela está vendendo virgens? — Pergunto incrédulo.


— Ela está vendendo virgens, e quando meu informante disse que ela estava cheia de merda, ela explicou que sabia que era legítimo, porque a primeira que vendeu era filha dela. — Você sabe que Ellie tem uma filha, certo? — É algo que ele sabe, ele leu o relatório da polícia. Ele sabia que eu levara Ellie até Kentucky para pegar Hope. — Ela não tem uma criança, Jax. Não estou dizendo que ela não pensa em Hope como dela, mas Hope é filha do irmão dela. Ele, a namorada de longa data e Hope, sofreram um acidente de carro. O irmão de Ellie e a namorada morreram com o impacto. Hope sobreviveu com ferimentos leves, e foi concedida a custódia a Ellie pouco tempo depois dela ser liberada do hospital. — Você está brincando, certo? Ela se parece com ela, — digo, sentindo algo azedo estabelecer no fundo do meu estômago. — Elas são da mesma família, — ele diz em voz baixa, compreendendo a angústia na minha voz. — Jesus. — Esfrego meu peito, sentindo uma dor aguda onde meu coração está. — Ela nunca te disse? Achei que ela diria alguma coisa a você sobre isso, — ele murmura, parecendo distraído. — Ela nunca me disse, — confirmo. — Me desculpe, cara. — Ela ainda está no radar deles? — Pergunto, sabendo que se eles pagaram muito por ela, as chances são de que não desistirão dela tão facilmente. — Ainda é um caso aberto, então os caras ainda estão lá fora, mas se tivesse que adivinhar, eu diria que não. Estes homens não são burros, e sabem que a história foi notícia. Eles não vão querer esse tipo de atenção. — Obrigado, cara. — Ainda se mantenha vigilante, — ele avisa. — Estarei, e me informe se quiser que eu vá verificar Alexa. — Nunca vou mandá-lo verificar a minha esposa, Mayson. — Você sabe que ela me ama. — Não me lembre, — ele brinca, e murmura, — Falaremos em breve.


— Falo com você em breve, — concordo; desligo e sento na minha cadeira, levantando meus braços acima da minha cabeça, unindo meus dedos e colocandoos atrás do meu pescoço, fecho os olhos e tento descobrir o que sinto agora. Hope não é filha de Ellie. Eu nem sei se deveria confrontá-la sobre isso, ou se deveria esperar até que ela venha a mim com a informação. — Jesus. — Balançando minha cabeça, eu tiro meu boné e o atiro em cima de minha mesa, passando a mão pelo meu cabelo. Ela é virgem? Que porra é essa? E é mesmo verdade? Ela é linda, e tenho dificuldade em acreditar que ela nunca teve um relacionamento. Acho até que eu nunca tive relações sexuais com uma virgem. — Foda-se, — rosno, me sentindo ficar duro. Aparentemente meu pau gosta da ideia dela ainda ser virgem. Levantando, eu pego o meu boné e vou pelo corredor até a cozinha, encontrando Sage e um dos meus caras novos, Evan, falando baixinho. Percebendo o olhar no rosto de Evan, eu pergunto, — O que foi? — Apenas pedi a Evan para verificar esse novo cara que June está namorando, — Sage diz, e olho novamente para Evan, sentindo minhas sobrancelhas franzirem ao notar que o olhar em seus olhos momentos atrás se foi, agora substituído por uma expressão em branco. — Por que estamos verificando o novo homem de June? — Pergunto. Minha prima vai à faculdade, no Alabama, e sei que ela pensa em voltar para casa assim que se formar. Não ouvi nada sobre ela ter um namorado, mas isso não me surpreende. As fêmeas da minha família têm a tendência de serem cautelosas, e elas com certeza não nos contam sobre os homens com quem estão namorando. — Ouvi Willow e Harmony falando sobre ele e não gostei da vibração que peguei. — Sage dá de ombros. — Você está verificando-o com base em uma vibração que teve a partir de uma conversa ouvida? — Não posso explicar isso, e a mãe de Evan ainda vive na área, por isso, pedi para ele checá-lo na próxima vez que for até lá para visita-la. — Você está bem com isso? — Pergunto a Evan.


— Sim, não é um problema. Eu deveria estar lá neste fim de semana, então perguntarei ao redor enquanto estiver lá, — ele diz casualmente, mas noto um tique em sua mandíbula que não estava presente antes. — Você sabe que as meninas odeiam quando interfiro, — digo, deslizando meu boné para trás e colocando meu celular no bolso de trás. — Sim, mas elas sempre superam isso. — Sage sorri. — Bem, isso é com você. — Proponho à porta. Tive bastante drama lidando com July e Wes quando eles se juntaram. — Sairei por algumas horas, mas tenho meu celular comigo, — digo a eles sobre o meu ombro, recebendo dois levantar de queixo antes de fechar a porta atrás de mim. Entrando em minha caminhonete, eu me afasto, primeiro pensando em ir para casa, mas sei que não posso fazer isso ainda. Preciso de um tempo para me acalmar. Não sei se deveria dizer a Ellie que eu sei sobre Hope ou se preciso deixála contar para mim. Sentindo-me em conflito, dirijo, e antes mesmo de perceber onde vou, eu paro na frente da casa dos meus pais. Olhando fixamente para a casa em que cresci, sinto meu intestino se apertar ao ser bombardeado por memórias felizes. Sem pensar, desligo a caminhonete, saio e vou até a porta, batendo duas vezes antes de abrir. — Mãe? — Chamo, entrando na casa, passando pela sala de estar. — Aqui, querido, — ela grita de volta, enfiando a cabeça na porta da lavanderia que fica do lado da cozinha. — Me dê um minuto. Você tomou café da manhã? — Ela pergunta, e ouço a lavadora ligar. — Sim, eu tomei um shake de proteína, — digo a ela, observando seu rosto franzir enquanto ela caminha até a cozinha. — Não tenho nenhuma ideia de como você bebe essas coisas, tem gosto de sujeira, — ela diz, me fazendo sorrir. — Você come sujeira muitas vezes, mamãe? — Eu brinco, tomando um lugar na ilha em frente a ela. — Não, mas tenho certeza que é o mesmo gosto. — Ela sorri, mas então seus olhos me encaram e seu sorriso desaparece. — O que está errado? — Não sei, — suspiro, tirando o boné da cabeça e colocando na bancada, então esfrego minhas mãos no rosto. — Hope não é filha de Ellie, — digo, necessitando tirar isso do meu peito.


— Sim, ela é, — ela responde imediatamente, franzindo a testa. — Ela não é. Hope é filha do irmão de Ellie. Ele e a mãe de Hope morreram em um acidente de carro quando a menina tinha apenas semanas de vida, e foi concedida a custódia a Ellie logo após, quando ela tinha dezenove anos. Vejo as lágrimas nos seus olhos deslizarem silenciosamente pelo seu rosto enquanto ela me estuda. — Você não tem o meu sangue, Jax, — ela sussurra baixinho, e sinto minha garganta se fechar. — Eu te amo como se eu tivesse dado à luz a você, mas você não tem o meu sangue em suas veias. Ela inclina a cabeça para trás à medida que mais lágrimas caem dos seus olhos. — Ninguém... ninguém poderia me dizer que você não é meu filho. Eu te amo com o mesmo ardor que amo Ashlyn. Você é o meu garoto. Aqui é o lugar onde você pertence a mim, — ela diz, apontando para seu coração. Engolindo em seco, eu engasgo com as emoções que parecem me sufocar enquanto olho para a mulher que me criou, a mulher que eu chamo de mãe desde que me lembro. Observar seus olhos se iluminarem com um fogo por mim faz minha visão nublar. — Hope é filha de Ellie, querido, — ela diz baixinho, e pisco até poder ver claramente outra vez. — Você não precisa dar à luz um filho para amá-lo como seu. Balançando a cabeça, eu engulo novamente, levanto-me do banco em que estava sentado, contorno a ilha e abraço a minha mãe enquanto ela chora. — Ela é tão forte, Jax, tão forte e bonita, e ama Hope com tudo o que tem dentro dela. — Ela se inclina, colocando a mão no meu rosto. — Por favor, entenda isso antes de ir até ela com o que descobriu. Se ela achar que você sente que Hope não é filha dela, realmente vai machucá-la. — Ela balança a cabeça, fechando os olhos, e posso ouvir a angústia em sua voz quando diz, — Ela era apenas um bebê quando assumiu a responsabilidade de criar um filho que não deu à luz. Isso me diz tudo que eu preciso saber sobre o tipo de mulher que Ellie é, e espero que agora você entenda a mulher incrível que tem dormido sob seu teto. — Eu entendo, — digo baixinho, beijando seu rosto, e soltando-a, voltando para o banco em que estava sentado. — Devo deixá-la me dizer? — Pergunto silenciosamente, ainda sem saber o que fazer com a informação.


— Deixe que ela diga; eu sei que quando ela fizer é por confiar em você. Acho que ela não confia em alguém de verdade há muito tempo. — Ela confia em você, — aponto. Ellie é muito exigente com quem ela permite cuidar de Hope, e até agora, essa lista consiste apenas em mim, minha mãe e meu pai. Até mesmo Ashlyn teve que passar na inspeção antes de Ellie permitir que ela levasse Hope para a casa dela. — Acho que muitas pessoas se aproveitaram dela, — ela diz baixinho, pegando minhas mãos do outro lado da ilha. — Não sei por que ela confia em mim, mas a amo como uma filha. Eu pularia na frente de uma bala por ela ou Hope, da mesma forma que faria por você ou Ashlyn. Eu quero ser alguém em quem ela confie, alguém que ela possa depender. Não quero que ela se sinta como se estivesse sozinha, e aquela garota que conheci no hospital estava sozinha, — ela confidencia, chorando novamente, o que faz meu peito doer. Sei que um monte dessa tristeza é resultante do seu passado e do meu pai. Ela criou a minha irmã sozinha durante anos, pensando que meu pai a abandonara para estar com minha mãe biológica. Ela não fazia ideia que meu pai sofria tanto quanto ela. — Estou me apaixonando por ela... ela e Hope, — admito, observando seus olhos se fecharem. — Então, esteja lá para ela, e quando ela contar para você a história dela, entenda que ela acredita que está segura com você, que seu coração está seguro com você. — Obrigado, mãe. Por tudo, não apenas isso. — Sempre estarei aqui quando precisar de mim, querido. Balançando a cabeça, eu solto sua mão e me inclino para trás. — Você tem tempo para fazer café da manhã para mim? — Pergunto, observando seu rosto suavizar. — Claro. — Ela endireita suas costas e limpa as lágrimas do rosto, dandome um sorriso antes de ir até a geladeira. Respirando um pouco mais fácil, eu me sento no banco e a observo se movimentar ao redor da cozinha enquanto prepara o café da manhã para mim. — Você quer que eu cuide de Hope para você e Ellie uma noite? — Ela pergunta. Pego de surpresa pela pergunta, meu garfo para no ar com um pedaço


de macia panqueca pendurado no final, o xarope ainda pingando no prato debaixo dela. — Querido, não sou burra, eu me lembro de como era quando eu e seu pai ficamos juntos novamente e tínhamos vocês em casa. — Mãe, — eu gemo, e ela ri. — O quê? Seu pai é um homem muito atraente. — Pode parar. — Balanço a cabeça, abaixando o meu garfo, meu apetite de repente desaparecido. — Bem, basta lembrar que ofereci. — Ela sorri, e levanto minhas mãos, desistindo de terminar minhas panquecas. — Obrigado por arruinar meu café da manhã, — digo a ela, observando-a rir. — Você precisa ir de qualquer maneira. Ellie trará Hope aqui, — ela olha para o relógio sobre o meu ombro, — em quinze minutos. — Você está me chutando para fora? — Pergunto com diversão. — Sim, Hope gosta de você mais do que de mim, então quando você não está aqui, eu a tenho para mim. — Ela sorri. — Ela gosta de mim mais do que de você, não é? — Pergunto presunçosamente. — Não precisa esfregar na cara, — ela diz, beijando minha bochecha. — Agora vá, e saiba que estou sempre aqui se precisar de alguma coisa. — Obrigado, mãe, — murmuro, deslizando meu boné na minha cabeça, e tirando as chaves do meu bolso. — Eu estarei aqui para pegar Hope antes do jantar, por isso não a deixe te enganar para ganhar sorvete. — Querido. — Ela revira os olhos, colocando as mãos no meu braço e me dando um leve empurrão em direção à porta. — Amo você, mãe. — Sorrio, beijo seu rosto e vou para a caminhonete, sentindo que o peso se foi do meu peito. *~*~* — Obrigada por pegar Hope na sua mãe, — Ellie diz calmamente, tomando um assento ao meu lado no sofá, colocando as pernas debaixo dela.


Ela chegou em casa uma hora atrás, mas assim que entrou pela porta, Hope estava sobre ela, então tudo que eu consegui foi um cumprimento silencioso antes dela desaparecer com Hope no andar de cima para colocá-la no banho, e então, na cama. — Você pode me agradecer com a sua boca, — digo a ela, envolvendo uma longa mecha de seu cabelo em meu dedo, e observando seu rosto adquirir uma máscara escura de rosa. — Jax, — ela murmura, abaixando a cabeça, fazendo com que seu escuro e espesso cabelo caia na frente de seu rosto. — Venha aqui, — digo, puxando a mão dela até ela estar pressionada contra mim, com as mãos em meu peito e seus grandes olhos olhando para mim. — Você está bem? — Pergunto, correndo meu polegar sobre o lábio inferior. — Sim, — ela respira calmamente, seus olhos vagueando sobre minhas feições. — Eu gosto quando você não usa um boné. — Por quê? — Pergunto em voz baixa, sentindo a intimidade do momento ao nosso redor. Ela estuda o meu rosto por um longo tempo antes de dizer com um encolher de ombros, — Não sei. Posso ver seus olhos, eu acho. — Ela abaixa a cabeça novamente, enquanto me pergunto o que ela realmente está pensando. — Mentirosa, — sussurro, enfiando uma mecha de cabelo atrás de sua orelha. Sua cabeça se levanta, seus olhos encontram os meus novamente e ela lambe seu lábio inferior, enquanto meus olhos seguem o movimento sensual. — Ok, eu menti, mas a razão soa tão estúpida, agora que penso nisso. — Diga, — digo com um aperto, inclinando minha cabeça até nossos olhos se encontrarem novamente. — Gosto de pensar que sou uma das poucas pessoas que vê você assim. Puxo-a para mim com a minha mão enrolada ao redor da sua nuca até compartilharmos o mesmo fôlego, e digo a ela baixinho, — Eu gosto dessa razão, — antes de cobrir a boca dela com a minha, lambendo seu lábio inferior e o puxando entre meus lábios, saboreando-a na minha língua. Quando sua língua toca a minha timidamente, eu a levanto, ouvindo-a gritar quando a coloco no meu colo para me escarranchar. — Jax, — ela exala fortemente, inclinando-se para olhar para mim.


Vendo a ansiedade em seus olhos, corro minha mão sobre seu cabelo, parando na parte inferior de sua mandíbula, e voltando a enrolá-la em seu cabelo. — Devagar, Ellie. Prometo que levaremos devagar. — Devagar, — ela repete contra a minha boca quando a puxo para frente. Varrendo a minha língua entre seus lábios, eu gemo quando suas mãos deslizam do meu peito para o meu cabelo e seus dedos se movem através dos fios. Arrastando-a mais perto de mim com uma mão em sua bunda e outra em seu cabelo, eu rezo para não gozar em minhas calças, como um garoto de dezesseis anos de idade que nunca teve uma garota em seu colo antes. Deslizando minhas mãos para cima na parte de trás de sua camisa, meus dedos vagueiam sobre sua pele lisa. Sua língua se move levemente contra a minha enquanto seus quadris circulam. Não sei nem se ela entende o que faz comigo, e com ela mesma, enquanto passa seu núcleo contra a minha ereção. Movendo minhas mãos, eu paro seus quadris, afastando minha boca dela gemendo, — Nós precisamos parar. Ver o ardor em seus olhos torna mais difícil permanecer firme, quando tudo que eu quero fazer é deitá-la para poder explorar seu corpo. Balançando minha cabeça, eu puxo seu rosto para debaixo do meu queixo enquanto meu coração bate rapidamente em meu peito. — Você está bem? — Ela pergunta em voz baixa, e sinto suas mãos em minha camisa, correndo os dedos sobre o material. — Sim, baby. — Beijo a cabeça dela e levanto meu queixo. — Você gostaria de assistir um pouco de TV comigo? — Claro, — ela concorda, e seus olhos caem na minha boca, me fazendo sorrir. — Só TV, minha menina gulosa, — eu a repreendo de brincadeira. Corando, ela abaixa a cabeça novamente, resmungando, — Desculpe. — Devagar, lembra? — Pergunto, correndo o dedo sobre seus lábios, ganhando sua atenção mais uma vez. — Devagar, — ela concorda, movendo-se para sentar-se do outro lado do sofá. Envolvendo um braço na cintura dela, a puxo de volta, colocando-a ao meu lado antes de pegar o controle remoto e ligar a TV.


Abrindo meus olhos, vejo que o aparelho de TV a cabo desligou, deixando a tela azul lançar um brilho ao redor da sala. Sinto o peso de Ellie ao meu lado, seu braço sobre minha cintura e seu hálito quente contra a minha camisa. Sorrindo, eu inclino minha cabeça, e ouço uma voz sussurrar, — Ax. Virando a cabeça para olhar por cima do meu ombro, eu vejo Hope em pé na porta da sala de estar, vestindo um pijama que tem um boneco de neve na frente. Seus longos cabelos castanhos estão soltos em uma massa de ondas furiosas, e seu rosto suave e sonolento. — Ei, querida, — sussurro, conforme ela caminha em direção ao sofá. — Você está bem? — Eu tive que ir ao penico, — ela sussurra em voz alta, me fazendo sorrir, então, olha para a mãe dormindo ao meu lado. — Mamãe está dormindo, — ela aponta, subindo no meu colo. — Ela está cansada, — digo, observando ela me estudar. — Eu também, — ela diz em um sussurro, puxando minha mão do braço do sofá e colocando-a ao redor da sua cintura. Então, dobra-se como uma bola contra o meu peito enquanto seus dedos minúsculos brincam com os meus por um momento até pararem. Abaixando a cabeça, eu a encontro dormindo também. Emocionado, eu beijo o topo de sua cabeça, deixando meus lábios descansar contra seu cabelo e puxando uma respiração profunda, em seguida a solto lentamente quando sinto meu peito se abrir, como se elas tivessem simplesmente rasgado o meu coração e o dividido entre elas. Ouvindo-as respirar, eu fecho meus olhos segurando cada uma delas um pouco mais apertado, entendendo exatamente o que minha mãe queria dizer. Protegeria estas meninas com a minha vida. Morreria por elas. E nunca deixarei ninguém levá-las de mim. Afastando-me de Ellie, ajusto-a cuidadosamente até ela estar deitada, mas ainda mantenho Hope contra o meu peito. — Ax? — Shhhh, querida, eu a deitarei na cama novamente, — digo a ela suavemente, e subo as escadas. Abrindo a porta, coloco-a na cama, dobrando as cobertas ao seu redor, e depois a beijo novamente no cabelo antes de ir para a porta e fechá-la pela metade.


Voltando lá embaixo, encontro uma Ellie ainda dormindo no sofá e a levo até o quarto dela. — Jax? — Ela sussurra, agarrando-se a mim. — Estou colocando você na cama, baby, — digo a ela, beijando sua testa e usando o meu ombro para abrir a porta. Carregando-a através do quarto escuro, eu a deito na cama desejando subir atrás dela. Em vez disso, sussurro, — Devagar, — contra seu ouvido quando ela aperta os braços em volta do meu pescoço deixando-me saber que ela quer a mesma coisa. Beijando-a mais uma vez, eu afasto seus braços de mim e me movo para a porta antes que não possa me forçar a sair. — Boa noite, Jax. Olhando por cima do meu ombro para minha bonita mulher, eu sussurro de volta, — Boa noite, baby, — fechando a porta atrás de mim deixando apenas uma fresta. Será um teste da minha força de vontade ter Ellie longe de mim estando logo no final do corredor, especialmente após ver o jeito que ela vai à loucura quando a toco. Indo para o meu quarto, deixo a porta aberta, dessa maneira posso ouvir se elas precisarem de mim, depois tiro minha roupa, ficando com a boxer, e vou para a cama. Indo até a cozinha na manhã seguinte, fico contente de ver Ellie sozinha, estou surpreso por minha irmã não ficar quando veio pegar Hope. Rangendo os dentes. Sei que os homens têm dado em cima de Ellie o tempo todo. Porra, se ela estivesse no outro lado da rua, eu atravessaria para o outro lado e veria se conseguia o número dela. Hoje, seu cabelo está solto e com grandes ondas. Sua camisa preta de mangas compridas é apertada, com uma gola arredondada, o que faz seus seios parecerem ainda mais cheios. Seus jeans são rasgados e folgados, cortados na parte inferior, revelando um par de botas pretas com saltos que fazem sua bunda parecer fenomenal e suas pernas mais longas. — Bom dia, baby, — a cumprimento com um beijo no pescoço, enquanto levanto meu braço sobre sua cabeça para pegar uma xícara de café. — Bom dia. — Ela sorri e abaixa a cabeça, mas ainda pego o rubor que subiu em suas bochechas.


— Precisamos conversar sobre uma coisa, — digo a ela, observando seu rosto empalidecer. — O quê? — Aqui, sente-se, — digo, colocando-a sobre o balcão e abrindo suas pernas para poder ficar entre elas. — Jax, o que é? — Sua mãe foi presa ontem, — eu explico, observando seu lábio inferior ficar entre seus dentes. — Meu tio ligará para você hoje, explicando o que está acontecendo e quando ou se você terá que comparecer ao tribunal. — Eu preciso vê-la? — Ela sussurra preocupada. — Provavelmente. — Aceno a cabeça, esfregando suas coxas. — Minha mãe é... — Sua mãe não tem nada a ver com sua vida agora, — digo, colocando um beijo suave em seus lábios. — E estou aqui com você. Você não está sozinha. — Não estou, não é? — Ela pergunta baixinho, me estudando enquanto seus dedos se movem ao longo da minha mandíbula, seguindo para o meu lábio inferior. — Nunca mais, Ellie, — digo a ela, e então ela descansa a testa contra o meu queixo. Ela e Hope não têm apenas a mim, mas também toda a minha família. Nunca estarão sozinhas novamente.


CAPÍTULO 06

Andando pelo corredor até o escritório de Jax, eu paro no limiar, mordiscando meu lábio inferior ao me encostar ao batente da porta para não cair. Jax está sentado em sua mesa sem camisa. Seu cabelo está bagunçado, e tem um par de óculos de armação preta que nunca o vi usar antes. Enquanto o observo, ele levanta a mão e passa os dedos pelo cabelo, fazendo os músculos de seus braços flexionarem, juntamente com seus peitorais e abdominais. — Hey, — murmuro, sentindo meu rosto esquentar quando seus olhos me veem e me varrem da cabeça aos pés. — Hey, baby. — Ele sorri, gesticulando para eu ir até ele. Balançando a cabeça, dou um passo atrás. Não confio em mim mesma. Sei que se chegar perto dele, eu vou querer beijá-lo, e então vou querer me agarrar com ele. Não tenho tempo para fazer isso e correr antes de ter de me preparar para o trabalho. E eu realmente preciso correr, desde que a coisa toda de dieta naufragou. — Eu vou correr, — explico às pressas quando ele levanta da cadeira e noto que seus shorts de nylon delineiam uma grande ereção. — Então venha me dar um beijo de adeus. — Não posso. — Balanço minha cabeça freneticamente, vendo-o sorrir. — Você pode, — ele me assegura, pressionando os dedos na mesa, fazendo com que seus braços e abdominais flexionem. — Não posso. Eu sei que não posso, — digo a ele, dando mais um passo para trás no corredor. Então, sem pensar, eu corro para a porta da frente, ouvindoo correr atrás de mim quando abro a porta e desço os degraus até a calçada. — Ellie, — Jax rosna enquanto corro pelo quintal da frente.


— Eu voltarei, — grito por cima do ombro, correndo mais rápido. Chegando ao final da quadra, eu viro à direita em direção ao parque no final da rua, onde levo Hope para brincar. Assim que alcanço o grande campo gramado, eu caio de costas ofegando pesadamente. — Estou morrendo, — eu chio, tentando recuperar o fôlego. Não tenho nenhuma energia para correr novamente. Para começar, realmente não tenho ideia do que eu estava pensando quando disse que queria começar a correr. Puxando meu telefone do bolso, eu pressiono discar quando encontro o número de July no registro de chamadas. — Ei, o que você está fazendo? Você está bem? Parece sem fôlego, — ela responde. — Tenho certeza que acabei de morrer, — digo a ela através de respirações profundas. — Você decidiu, finalmente, começar a correr? — Ela pergunta sobre um bufo. — Sim, e percorri duas quadras antes de precisar descansar. Agora, estou deitada na grama do parque, falando com você no telefone, matando tempo antes de precisar voltar para casa e enfrentar Jax, — digo através de ofegos e ouvindo a risada dela. — Acho que Jax não se importará por você não ter corrido, — ela murmura. — Eu sei, mas você já viu seu primo? Ele é... — Pare. Não quero saber. — Isso não é justo. Não tenho nenhuma amiga que não esteja relacionada com Jax. Com quem vou falar sobre ele? — Você pode me dizer tudo sobre ele, exceto o que for relacionado a sexo, seu corpo e, especificamente, o seu pênis. — Isso é tudo de bom, — indico, fazendo-a rir. — Bem, então, você terá que arrumar uma nova amiga. — Tudo bem, — murmuro, e digo baixinho, — Eu disse a Hope que Jax e eu estamos namorando. — Como foi? — Ela pergunta curiosa. Ela sabe como estava preocupada com isso. Eu disse a ela a última vez que conversamos que estava preocupada com Hope e expliquei que ela nunca esteve perto de ninguém além da família, e Jax não


estava exatamente me ajudando a manter um segredo dela. Quando contei para ela as minhas preocupações, ela me disse que eu deveria apenas ser honesta com Hope sobre nós. Ainda não sei o que pensar, por isso mesmo que é estranho como o inferno, eu falei com Lilly sobre isso, e ela disse que Hope fala sobre Jax e eu o tempo todo. Aos olhos de Hope, nós nos tornamos uma espécie de família, e embora as coisas sejam novas e ela seja jovem, ela deve saber o que está acontecendo, porque a longo prazo é algo que irá afetá-la. Após Lilly dizer isso, eu compartilhei com ela sobre como Hope veio ficar sob meus cuidados. Hope sabe sobre seus pais, mas não se lembra deles. Para ela, eles são apenas imagens e histórias. Não sei o que esperava, mas não esperava Lilly ter a reação que teve. Em vez de me diminuir como mãe, ela me fez sentir como se eu fosse a melhor mãe do mundo para Hope. — Terra para Ellie, — July me tira dos meus pensamentos. — Desculpa. — Está tudo bem. Então, o que ela disse? — Perguntou se pode ter uma irmã, então eu acho que está tudo bem. — Sorri com a lembrança e ouvi July ri no meu ouvido. — Eu disse que não, e então ela perguntou se poderia ter um cachorro, ao invés disso. — Bem, você obviamente criou uma menina inteligente se ela já está negociando. — Ela ri novamente. — Ela é muito inteligente. Você está no trabalho? — Pergunto, ouvindo um cão latindo. — Sim. Oh, agora que estou no telefone com você, posso eu mesma te perguntar se você virá ao composto hoje à noite. Nós teremos um encontro. Sei que Ashlyn tentaria convencê-la a vir. — Provavelmente não. Eu tenho Hope... — Você sabe que minha mãe ou qualquer uma das minhas tias gostaria de cuidar dela. — Não sei. Odeio ficar pedindo às pessoas para cuidar dela. Quero dizer, toda vez que comento de pagar alguém, eles me ignoram, o que me deixa me sentindo culpada. — Somos uma família, menina, — ela diz baixinho.


— Verei sobre isso, mas não posso prometer nada, — digo a ela após um longo momento observando as nuvens embaçadas através das minhas lágrimas. É estranho saber que tenho todo este grupo de pessoas com quem contar, e ainda mais estranho que eu realmente confie neles. — Deixe-me saber, — ela responde calmamente. — Eu irei, falo com você depois, — digo; então, desligo e coloco meu celular no bolso. Puxando uma respiração profunda, eu a solto, me levanto, espano minha bunda e começo a caminhar para a casa. Quando chego à esquina em frente à casa, eu começo a correr novamente, assim parece que eu estava correndo o tempo todo, então, vou até a entrada de automóveis na calçada da frente e abro a porta. — O que você está fazendo? — Eu chio quando um Jax sem camisa me puxa completamente para dentro da casa, batendo a porta e empurra-me contra a parede. Ele cai de joelhos, cobrindo meu sexo com a boca através do material das minhas calças de treino, puxando tão forte que minha cabeça cai para trás e meu clitóris pulsa contra sua língua. — Jax, — eu gemo, sentindo suas mãos deslizarem pelos meus quadris, puxando meu núcleo mais perto de sua boca. — O... o que você está fazendo? — Pergunto, forçando meus olhos a se abrirem. Vê-lo de joelhos, com a boca aberta em cima de mim, faz com que algo dentro de mim comece a desvencilhar. Deixando escapar um gemido alto, minhas mãos em punho apertam seu cabelo e minha cabeça cai contra a parede com um baque forte. — Ellie, — ele geme, me puxando para baixo e me escarranchando em seu colo. Uma de suas mãos envolve meu rabo de cavalo. A outra trilha sob minha camisa, descendo sobre a pele da minha barriga e sob o material da minha calça, onde um dedo desliza através das minhas dobras, fazendo meus quadris empurrarem para frente. Colocando minhas mãos em seus ombros, nossos olhos se conectam, e meu batimento cardíaco se estabiliza quando a realidade do que fazemos me acerta. — Você está segura comigo, baby, — ele diz, lendo o olhar no meu rosto quando sinto dois dedos circularem meu clitóris mais e mais. Mordendo meu lábio inferior eu engulo, e começo a balançar meus quadris para frente em sincronia com os dedos.


— Dê-me sua boca, Ellie, — ele rosna, mordiscando meu queixo. Inclinando o meu rosto para frente, eu o beijo timidamente, e então mordo o lábio ao sentir um dedo entrar em mim, depois dois, o que faz minha respiração falhar. — Você é apertada, baby, apertada para caralho e molhada, — ele geme, afastando sua boca da minha, seus dedos se movendo impiedosamente dentro de mim. Minhas unhas cravam em seus ombros e minha cabeça cai para trás novamente quando grito, sentindo os músculos da minha parte inferior do corpo apertar mais e mais. Então, sua boca está no meu peito através da minha camisa e seus dentes apertam meu mamilo. Meus quadris pulam quando a tensão se construindo em meu núcleo explode, enviando-me sobre a borda, e cegando-me com luz branca. Distraidamente, o ouço sussurrar, — Shhh, eu tenho você, — contra a minha orelha enquanto ele me ajusta em seu colo no chão. Enterrando meu rosto em seu pescoço, meu corpo treme incontrolavelmente e lágrimas enchem meus olhos. Nunca vi assim antes. Era como se eu tivesse saído da minha pele por alguns segundos. Segurando-me bem apertado, ele me balança contra seu peito, beijando meu cabelo. Levantando os olhos para os dele, eu engulo, tentando pensar no que dizer. Quero dizer, você diz obrigada por algo assim? — Como se sente? — Ele pergunta baixinho, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — Hum... — Não te machuquei, não é? — Ele observa o meu rosto e os olhos. — Não, não... isso foi bom. — Bom? — Ele pergunta com um sorriso que aparenta ser um pouco arrogante demais. — Você convulsionava e gritava, baby, se isso foi bom eu me pergunto o que ótimo soa para você. — Foi bom. — Reviro meus olhos. Quero dizer, até onde sei, foi medíocre, desde que foi o meu primeiro orgasmo. Poderia ser melhor, embora eu duvide que isso seja verdade. Eu sei que as senhoras no salão com quem eu trabalhava constantemente reclamavam sobre seus maridos e a falta de orgasmos, e pareceme que Jax sabe exatamente o que fazer. — Nós teremos que trabalhar nisso depois, — ele diz, acariciando meu pescoço.


— Preciso me arrumar para o trabalho, — suspiro, inclinando a cabeça para trás, e virando para que ele pudesse beijar o lado debaixo do meu queixo. — Eu também, — ele geme, parecendo desapontado. — Não sabia que você usava óculos, — digo, abrindo meus olhos e levantando minha mão, empurrando os óculos para a ponta de seu nariz. — Preciso deles para usar o computador. — Ele sorri. — Você gosta deles? — Eles são ok. — Dou de ombros. — Só ok? — Ele pergunta, suas mãos subindo em meus quadris e fazendo cócegas. — Como você pode entrar no carro ou passar pelas portas com sua cabeça gigante6? — Você nem sequer viu o quão grande a minha cabeça é, baby. — Ele sorri, levantando seus quadris, o que faz a grande cabeça de seu pau escovar contra mim, enviando arrepios pela minha pele. — Você é tão convencido7, — murmuro, e pressiono meus lábios quando percebo como soou. — Não quis dizer assim. — Balanço minha cabeça quando ele começa a rir. — Se não tivéssemos que trabalhar, eu mostraria para você quão convencido eu sou. — Você é tão brega, — digo, lutando contra um sorriso. — E você é linda quando goza, — ele diz, ficando de joelhos e me empurrando para trás até que estou deitada sobre o piso de madeira com ele em cima de mim, suas mãos segurando as minhas acima da minha cabeça contra a madeira. — Jax, — eu sussurro quando seus joelhos deslizam entre os meus. — Eu adoro quando você diz meu nome assim, sem fôlego, como se me implorasse para beijar e tocar em você, — ele diz, e sua boca cai sobre a minha, me beijando completamente, e depois passando pelo meu rosto ao meu ouvido, onde rosna, — Vou levá-la para sair hoje à noite, e você precisa usar um vestido.

6 O mesmo que dizer é vaidoso 7 Jogo de palavras. Ela diz a palavra Cocky (convencido, pretensioso) que é semelhante a palavra Cock, (pênis)


— July me pediu para ir ao composto hoje à noite, — eu digo sem fôlego, sua boca descendo para meu queixo e pescoço, onde me belisca com força o suficiente para picar. — Vamos lá depois do nosso jantar. — Hope, — choramingo, suas mãos subindo pelos meus quadris, sob a minha camisa. — Meus pais cuidarão dela, — ele diz, sua boca beliscando minha orelha. — Odeio deixá-la, — digo sinceramente. Seu rosto se move até pairar sobre mim e seus olhos me encaram. Vejo algo lá que me faz parar e me sentir aquecida. — Você pode ter uma noite, baby. Nós a buscamos amanhã cedo. — Durante a noite? — Sussurro, sentindo meu coração começar a bater forte contra minhas costelas. — Durante a noite, mas lembre-se que estamos levando isto lento. É um encontro, depois saímos com os amigos e talvez alguns aconchegos, se você for boa para mim, — ele diz com um beijo. Pressionando os lábios para não sorrir, eu murmuro, — Se eles não se importarem de cuidar dela, então tudo bem. — Envolvo minhas pernas em sua cintura e passo minhas mãos sobre a pele de suas costas. — Mas o aconchegar é negociável. Sorrindo, ele balança contra mim, fazendo o seu comprimento esfregar contra mim através do material da minha calça e um gemido subir pela minha garganta. Sorrindo, ele murmura, — A convencerei do aconchego. — Talvez, — sussurro, finalmente cedendo ao meu sorriso. Seu rosto suaviza e suas mãos enquadram meu rosto enquanto seus olhos se movem sobre o meu cabelo, olhos e boca. — Gosto de ver você assim, — ele diz, beijando meus lábios, e então o meu queixo e o meu pescoço. Suas mãos se movem e seguram os meus seios, enfraquecendo os meus joelhos e apertando o meu núcleo. — Preciso me arrumar para o trabalho, — eu gemo, tanto de frustração quanto de alívio. Não sei se estou pronta para me abrir com ele, especialmente quando ele não sabe tudo. Acho que não há uma maneira de esconder o fato de


que sou virgem, e uma vez que ele souber disso, ele saberá sobre Hope. Preciso dizer a ele, mas estou tão assustada. Saindo de cima de mim, ele me puxa para me levantar, perguntando, — Que horas você sai hoje à noite? — Suas mãos alisam meu cabelo e seus olhos me encaram. — Fechamos o salão às sete. É muito tarde demais para jantar? — Não, e me informe quando for almoçar, que levarei Hope, assim podemos passar algum tempo com ela, visto que não vamos vê-la até amanhã. — Eu adoraria isso, — digo tranquilamente, com lágrimas presas na minha garganta. — Vá se arrumar que a deixarei no trabalho, depois irei buscá-la às sete. — Por favor...? — Pergunto, estreitando meus olhos. — Não me importo de ficar aqui e usar seu corpo como entretenimento pelo resto do dia, — ele diz com um encolher de ombros, seus olhos me varrendo mais uma vez, fazendo meus mamilos endurecerem e o lugar onde seus dedos estavam se contrair. — Eu... eu vou... me arrumar, — gaguejo, depois decolo até as escadas, ouvindo sua risada me seguir quando fecho a porta do banheiro atrás de mim e me inclino contra ela, respirando pesadamente. Eu estou tão envolvida com ele que isso não é sequer engraçado. *~*~* — Esse era Jax Mayson, — Kim sussurra para mim quando coloco minha bolsa debaixo da minha estação. — Ele acabou de beijar você. — Ela pisca para mim, e olha para a porta pela qual Jax acabou de sair. Mordendo meu lábio, eu aceno, porque não posso mentir. Jax insistiu em me acompanhar dentro do salão, e quando tentei dar um adeus casual, ele agarrou o cós da minha calça jeans e me puxou contra ele para que pudesse me beijar de uma forma que deixou todos saberem que éramos mais do que amigos. — Pensei que ele estava com Mellissa. Respirando fundo, eu solto lentamente enquanto aborrecimento se derrama sobre mim. Eu nem acho que esteja com ciúmes sobre a coisa toda de Mellissa realmente. Estou chateada por ela achar que tem alguma reclamação sobre ele,


quando ele deixou claro que ela não tem. — Ele não está. Não sei o que ela acha, mas sei o que Jax me disse, e acredito nele. — Ei, eu não quis dizer nada com isso, — ela diz, segurando o meu braço. — Não o conheço, eu só sei dele porque o vi ao redor e ela diz a todos que eles estão juntos. — Está tudo bem, e eu sei. É uma loucura. Por que você se empurraria para alguém que não está interessado em você? — Pergunto, observando seu rosto perder um pouco da cor. — O que está errado? — Você conhece Sage, o primo de Jax? — Ela pergunta baixinho, posicionando-se na frente do espelho, entre as nossas estações, prendendo seu cabelo em um rabo de cavalo alto, e percebo que suas mãos estão tremendo. — Um pouco, mas as coisas estiveram, na verdade, tão ocupadas que cada vez que o vi, foi apenas oi e tchau. Por quê? — Pergunto; perguntando-me o que ela poderia ter contra Sage. Ele é sempre legal comigo, e ele é tão legal com Hope, que ela o adora. — Eu tenho uma irmã, — ela sussurra. — Não sabia que você tinha uma irmã, — murmuro, observando-a morder o interior da bochecha. — Somos gêmeas idênticas, e ela não é exatamente uma boa pessoa. Não me entenda mal, eu a amo, porque temos o mesmo sangue, mas ela é... — ela faz uma pausa e seus olhos encontram os meus no espelho novamente. — Ela tem alguns problemas. — Oh. — Eu sei exatamente o que ela está dizendo. Tenho uma família cheia de pessoas com problemas. — Minha irmã teve um desentendimento com Sage antes de sair da cidade, — ela diz, e seus olhos caem, junto com sua voz. — Ela tentou drogá-lo quando estavam no mesmo bar. — O quê? — Exalo, cobrindo minha boca. — Sim, — ela sussurra com lágrimas nos olhos. — Ela o deixaria sozinho e pegaria a carteira dele... eu não sei exatamente, mas ele a pegou quando ela tentava drogar a bebida dele. E agora ele pensa que eu sou ela. — Talvez você possa dizer a ele que não era você. — Ela saiu da cidade. — Ela balança a cabeça.


— Se você conversar com ele... — tento novamente, mas ela me corta. — Acredito que suas palavras foram, Fique longe de mim, sua puta psicopata, quando tentei. — Isso não é bom, — digo quando ela se vira para me encarar. — Quer saber o pior? — Pergunta suavemente, movendo-se para se sentar na minha cadeira de cabelereira. — O quê? — Pergunto, pensando que isso não poderia ficar pior. Ela tem uma irmã gêmea má – isso é um conto de fadas ruim. — Eu o conheci no dia anterior do acontecimento. — Ela inspira, soltando lentamente. — Meu carro teve um pneu furado em Old Fork Road, e ele parou para me ajudar a trocar. Após colocar o novo, ele me perguntou se eu queria tomar um café com ele e eu disse que sim. Nunca digo sim, — ela sussurra, as lágrimas enchendo seus olhos. — Eu sei que você pensará que sou uma vagabunda, mas juro que nunca fiz nada assim. — Tomar café com um cara? — Pergunto confusa, vendo a dor em seus olhos. — Não, depois que tomamos café, voltamos para a minha casa, e uma coisa levou à outra, — ela diz, acenando com a mão ao redor, e entendo o que ela está dizendo. — Oh, — suspiro, e ela concorda. — Então, mais tarde, na noite seguinte, ele conheceu a minha irmã, e agora... — ela para. — Agora ele acha que você é ela, — eu termino seu pensamento. — Sim. — Ela balança a cabeça novamente, sua boca formando um sorriso triste. — Tem que haver uma maneira de provar para ele que não era você. — Tentei falar com ele, mas ele se recusou a me ouvir, e honestamente, acho que não me importo mais. No início, eu estava chateada, porque eu realmente gostava dele, ou o que eu sabia dele, mas desde então, o vi ao redor da cidade várias vezes, e ele está sempre com uma garota diferente. De fato, ele deixou minha casa, e na noite seguinte saiu para um bar, isso diz tudo, eu acho.


— Sinto muito, — murmuro, não sabendo mais o que dizer agora. Quero dizer, talvez Sage seja realmente um idiota, porque isto não parece ser algo que um cara legal faria. Um cara legal iria, pelo menos, ouvi-la. — Está tudo bem, de verdade. Não sei por que acabei contando tudo isso para você. — Gostaria de pensar que estamos nos tornando amigas, — digo a ela suavemente, abraçando-a. — Ele não vale a pena as lágrimas, — sussurro, quando a ouço soluçar baixinho no meu ombro. — Não é ele. Eu só... eu poderia precisar de uma amiga agora, — ela diz, afastando-se e limpando as lágrimas de debaixo de seus olhos. — Se quiser conversar, eu estou aqui, — asseguro-a, dando um apertão em seu ombro. — As senhoras estão prontas para abrir a loja? — Frankie pergunta, saindo da sala dos fundos. — Pronta. — Sorrio para ele quando ele passa, e volto a olhar para Kim, que tirou um pó compacto de sua bolsa. — Você ficará bem? — Uma coisa eu sei, Ellie, eu sempre ficarei bem, — ela diz baixinho, mas compreendo imediatamente o que ela quer dizer. Ser feliz não é algo que encontrei facilmente até que fui abençoada com a guarda da Hope. Sei como é lutar todos os dias sem realmente sentir quaisquer emoções verdadeiras, como felicidade ou alegria. Sempre apenas estando ok. Sentindo minha garganta apertar, eu engulo em meio à dor e pressiono os lábios por um momento. — Um dia, você encontrará a felicidade, Kim, — digo a ela baixinho quando encontro seus olhos no espelho diante de nós. — Um dia, — ela concorda, guardando o compacto e indo para frente do salão de beleza, sumindo da vista. Puxando um fôlego, eu termino de arrumar minha estação e vou para frente do salão a fim de dar uma olhada no livro de agendamento. Quando alcanço a sala de espera, vejo Mellissa conversar com Frankie. Ignorando-a, vou até a recepção e pego o calendário. Por enquanto, tenho um cliente que chegará em vinte minutos para fazer algumas mechas no cabelo, então vou para a parte de trás do salão de beleza onde está localizada a pequena cozinha colorida. Começo a pegar os produtos que vou utilizar, de modo que


quando o meu cliente chegar, o processo será mais rápido. Assim que pego tudo, começo a ir em direção a minha estação, mas quando passo por Frankie, que está de costas pegando um dos vidros de shampoo para lavar o cabelo de Mellissa, sinto o pé dela chutar-me logo acima do tornozelo, me fazendo cair para frente. Derrubo os itens em minhas mãos, e caio com força no chão, em minhas mãos e joelhos. — Ellie, você está bem? — Frankie grita, envolvendo um braço em minha cintura e me ajudando a levantar. — Estou bem, — murmuro, limpando os joelhos e mãos e sentindo meu rosto ficar vermelho de vergonha. — Tem certeza? — Ele pergunta suavemente, empurrando meu cabelo para trás, acima do meu ombro, e examinando o meu rosto. — Tenho certeza. Só espero que meus joelhos não estejam machucados. Jax e eu temos um encontro hoje à noite, e trouxe um vestido para me trocar, — digo a ele alto o suficiente para Mellissa ouvir. Se ela acha que me fazer tropeçar como se estivéssemos na escola me fará abandonar Jax, ela que pense outra coisa. — Oh, — os olhos de Frankie brilham, — um encontro com Jax. Por favor, me diga que eu posso fazer o seu cabelo. — Uhh... — não deixo ninguém tocar no meu cabelo desde que eu tinha cerca de doze anos. Eu mesma faço meus próprios cortes quando preciso de um. — Você não está com medo, não é? — Ele sorri maliciosamente, cutucando o meu ombro. — Você deve realmente deixar Frankie fazer o seu cabelo, ou pelo menos, cortar as pontas quebradas, — Mellissa cantarola de sua posição no lavador, fazendo meus dentes apertar. Olhando para ela, eu dou um sorriso falso e minto, — Isso é uma grande ideia. Obrigada, Mellissa. — De nada, — diz ela, revirando os olhos e inclinando a cabeça na bacia. Pegando as coisas que derrubei no chão, eu olho de Mellissa para Frankie, vendo que os olhos dele se estreitaram sobre ela. Quando seus olhos voltam para mim, ele pergunta baixinho, — Você tem certeza que está bem? — Estou bem. — Aceno, e ele acena com a cabeça em ok, e dá um aperto de mão. — Vamos falar sobre seu encontro mais tarde. — Ele pisca.


— Ok, — digo, mas desta vez eu realmente sorrio e ele sorri de volta enquanto balança a cabeça e se move em direção a Mellissa. Indo à minha estação, eu coloco os itens no balcão, então rio ao ouvir Mellissa gritar, — Oh, meu Deus! Isso está muito frio! — Karma é uma cadela, — Kim diz, sorrindo para mim através do espelho entre nós. — Sim, é, — concordo e rio ainda mais ao ouvir Mellissa gritar: — Você está me molhando! *~*~* — Mamãe, — Hope grita, correndo para mim na frente do salão. — Ei, anjinho. — Sorrio, mas em seguida, franzo a testa ao eu ver que ela tem chocolate cobrindo seu rosto, do nariz até o queixo. Pegando-a, eu olho para Jax, que não me dá a chance de perguntar por que ele deu chocolate para ela, antes de fechar a distância entre nós e me beijar até perder o fôlego. Quando sua boca se afasta da minha, ele sussurra, — Não fique chateada. — Não estou, — digo, e sorrio quando ouço a risada de Hope. — Mas pensei que almoçaríamos. — Estamos tenu almoço, — Hope diz, balançando alegremente para sair dos meus braços e subir na minha cadeira de cabelereira. — Nós precisamos limpar o seu rosto primeiro, menina chocolate, — digo a ela, agarrando minha bolsa e tirando um lenço umedecido. — Você enganou Jax para comprar chocolate para você de novo? — Pergunto enquanto limpo seu rosto. — Não, ele apenas pegou para mim, — ela diz, fazendo Jax rir e eu sacudir a cabeça. Erguendo-me, eu olho para Jax e sussurro, — Molenga. — Não posso dizer não para ela. — Ele dá de ombros, não nega e reviro meus olhos. — Você está pronta para almoçar, ou está muito cheia por comer chocolate? — Pergunto a Hope, pegando sua mão e ajudando-a a sair da cadeira.


— Estou com fome. Só comi quatro pedaços da minha barra de chocolate, — ela me diz, levantando os dedos. — Oh, coitadinha. Você deve estar morrendo de fome, — provoco, pegandoa e fazendo cócegas nela. — Frankie, nós vamos alimentar esta pobre criança faminta. Você quer alguma coisa para você? — Pergunto ao meu chefe, que sorri para nós, enquanto Mellissa – que tem folhas por toda a sua cabeça como Medusa esperando por um ataque alienígena – tenta me matar com seus olhos. — Não, obrigado. Tenha um bom almoço, — ele diz, rindo. — Obrigada. — Aceno. — Então, onde comeremos? — Pergunto a Jax. — Eu imaginei que poderíamos ir à lanchonete na esquina, — ele responde, segurando a porta aberta. — Parece bom, — concordo, passando por ele com Hope em meus braços. — Eu quero que Ax me leve, — Hope diz quando chegamos à calçada, fazendo-me sentir algo que não esperava. Nunca pensei que ficaria com ciúmes, mas isso é exatamente o que sinto quando Hope estende os braços minúsculos em direção a Jax. Apertando-lhe um pouco mais apertado para mim por um segundo, eu quase me sinto em pânico quando ele a leva de mim. — Ei, você está bem? — Ele pergunta, inclinando o rosto para o meu e procurando meus olhos. Engolindo em seco, eu olho para ele e Hope e sei que é completamente irracional me sentir como me sinto agora, mas isso não significa que os sentimentos não estejam lá quando aceno a cabeça, murmurando, — Apenas com fome. — Vamos pegar um pouco de comida para vocês meninas, — ele diz, mas posso dizer que ele não acredita em mim. Não tenho nenhuma ideia de onde este sentimento vem, mas agora que ele está lá, eu o sinto roer meu estômago enquanto caminhamos pela rua, virando a esquina até a pequena delicatessen no final do quarteirão. Assim que entramos, pedimos os nossos sanduíches, e sentamos em uma das mesas perto da entrada. — Mamãe e papai disseram que estão felizes em cuidar de Hope hoje à noite, — Jax anuncia, e Hope sorri para mim, dizendo, — Vovó disse que vamos ser vegetais e assistir ao filme boneco de neve. — Ela sorri.


— Oh, — murmuro, mordendo meu lábio. Talvez tudo isso seja uma péssima ideia. Talvez eu não esteja pronta para nada disso. — Ellie, — Jax chama, ganhando minha atenção. — O que está acontecendo? Oh, Deus, por que sinto vontade de chorar de repente? — Só com fome, — repito minha mentira anterior, e seus olhos se estreitam para mim do outro lado da mesa, mas ignoro-o. — Mamãe, o que é ser um vegetal? — Hope pergunta, me fazendo sorrir. — Significa apenas ser preguiçoso, anjinho, — explico. — Oh. — Ela franze o rosto e Jax ri. — Mayson, pedido pronto, — um dos caras grita. — Já volto, — Jax diz, deixando a mesa para ir buscar os nossos sanduíches. Ao voltar, ele coloca o meu sanduíche na minha frente e a minha boca começa a encher d’água com o cheiro de frango grelhado, mussarela fresca, tomate e manjericão. Em seguida, ele murmura, — Aqui, querida, — para Hope. Ele pega o queijo grelhado dela e corta-o em pedaços pequenos, o que deveria ser doce, mas encontro-me irritada, — Eu sou a mãe dela, posso fazer isso, — tentando tirar a faca da mão dele. — Você pode terminar de comer, — ele diz em voz baixa, mas ainda ouço a irritação em sua voz quando ele termina de cortar para ela. Sentada lá no resto do almoço, eu posso sentir o olhar de Jax perfurando-me do outro lado da mesa, mas não olho para ele. Ou me concentro em Hope, ou no meu sanduíche, que deveria ter um gosto incrível, mas em vez disso, nem mesmo apreciei. Quando chegamos à caminhonete de Jax e tenho Hope afivelada, eu posso sentir-me mais uma vez lutando contra as lágrimas. — Adeus, mamãe, — Hope canta. Dando-lhe um beijo e um abraço, eu me impeço de dizer que ela me verá daqui a pouco, e me contento em dizer, — Eu amo você, anjinho. Seja boa, ok? — Tudo bem, mamãe. — Ela sorri. Fechando a porta, eu chio quando Jax pega a minha mão e me puxa para a parte traseira da sua caminhonete, me empurra contra o bagageiro, prendendo o meu corpo com o seu e abaixando o rosto para o meu.


— Não sei o que diabos está acontecendo em sua cabeça agora, Ellie, mas falo sério. Você é minha, e Hope é minha. Não dou a mínima para quão forte você tente me afastar, isso não vai acontecer. Nós acontecemos, e não darei um passo atrás, assim lide com a fodida merda que tem passado na sua cabeça e acabe com isso. Hoje à noite, vamos jantar e passar um tempo com a minha prima. Depois disso, eu te levarei para casa e comerei a sua boceta até você me pedir para parar, e então continuarei até você pedir desculpas por sua merda hoje, — ele rosna, abaixa a cabeça e sua boca suga o meu pescoço. Eu o sinto puxar a pele em sua boca com tanta força que grito e minhas pernas ficam fracas. Envolvendo as mãos em seus ombros, eu me seguro para não cair, então ele afasta sua boca do meu pescoço e me beija suavemente. — Vejo você as sete, — ele diz, levando-me para a calçada. Ele me dá outro beijo na boca antes de ir para sua caminhonete e ficar atrás do volante. Abrindo e fechando a minha boca, eu fico lá parada na calçada, observando ele se afastar, então viro e vou para o salão de beleza. — Você tem um chupão, — Kim sussurra, cobrindo sua boca enquanto usa sua mão livre para apontar em meu pescoço. Olhando no espelho, eu respiro fundo e cerro os dentes. Não tenho apenas um chupão, mas tenho um enorme chupão roxo escuro que provavelmente nunca sairá. — Tão elegante, — ouço Mellissa dizer da cadeira em que está, para todo o salão de beleza, e sem pensar, eu viro e olho para ela murmurando, ciumenta, antes de retirar o corretivo da minha bolsa e cobrir a maldita coisa.


CAPÍTULO 07

— Hey, você, — Ashlyn cumprimenta calmamente com os olhos em Hope nos meus braços ao abrir a porta da casa dos nossos pais. — Mamãe e papai estão nos fundos. — Estarei lá em um minuto. Vou deitá-la, ela desmaiou na caminhonete no caminho até aqui, — digo a ela, e ela me segue pelo corredor em direção ao meu antigo quarto, o qual a mamãe transformou em um quarto de hóspedes, logo que me mudei. Colocando Hope na cama e cobrindo-a com um cobertor, eu pressiono um beijo na sua testa, e sigo Ashlyn para fora do quarto, perguntando, — O que você faz aqui? Ashlyn é recepcionista do dentista da família. Ela conseguiu o emprego alguns anos atrás, quando começou a ir à faculdade de odontologia. — Saí do trabalho mais cedo e queria passar por aqui. — Ela encolhe os ombros, mas posso dizer que é outra coisa pelo olhar em seus olhos. — O que aconteceu? — Repito. — Você sabe que é irritante, certo? — Ela pergunta, pegando uma garrafa de água da geladeira e tomando um gole. — Bem, já me disseram. Então o que aconteceu? — Pergunto, pegando uma garrafa para mim. — Gregory está vendendo o consultório, — ela diz, e não estou surpreso. Toda vez que preciso vê-lo, tenho medo de mexer no dente errado, ou pior. Seus óculos ficaram progressivamente mais espessos a cada ano, e as suas mãos não são tão firmes como costumavam ser. — Todos nós sabíamos que estava chegando. Ele tem o que, setenta agora?


— Setenta e dois anos. — Ela balança a cabeça. — Então você pode vir trabalhar para mim. Você sabe que eu preciso de uma recepcionista, visto que as coisas aumentaram. Bufando, ela balança a cabeça. — Não, obrigada. Ele vendeu para um cara chamado Dillon. Ele parece ser um pau, mas prefiro trabalhar para um idiota a trabalhar para o meu irmão, até a faculdade terminar, — ela murmura. — Então você conheceu o cara? — Pergunto a ela, e ela balança a cabeça novamente, recostando-se contra o balcão. — Sim, ele acabou de se mudar de Nova York. Acho que no mundo dental ele é venerado. — Ela revira os olhos. — Ele disse se você poderia continuar no emprego? — Ele disse que seria necessário me re-entrevistar, — ela diz, fazendo aspas com os dedos. — Suas palavras foram, Eu não preciso de objetos bonitos ao redor para olhar. Preciso de alguém que saiba o que faz para trabalhar comigo. Franzindo a testa para isso, eu me pergunto se eu mesmo deveria ter uma conversa com Dillon. — Nem sequer pense nisso, — diz ela, lendo meu rosto. — Ele é um idiota, mas se ele acha que qualquer um pode fazer um trabalho melhor do que eu, eu gostaria de ver essa pessoa. Trabalhei com Gregory nos últimos três anos. Tenho apenas um ano de aulas noturnas para me formar, e então posso mudar para outra prática. — Bem, se quiser que eu chute a bunda dele, eu vou, — digo a ela, e um sorriso contrai seus lábios. — Posso lidar com ele, — ela diz após pensar nisso por um momento. — Acho que é meio engraçado, finalmente há um cara que não é suscetível ao seu charme, — digo a ela honestamente. Homens normalmente migram para minha irmã mais nova, o que é irritante, mas também é verdade. — Bem, talvez ele seja suscetível a cianeto, — ela murmura baixinho, me deixando ainda mais curioso sobre Dillon. — Você sabe que eu cuido das suas costas, — digo a ela, saindo pela porta dos fundos para o solário. Mamãe construiu o ambiente há um ano, quando decidiu parar de lecionar e ficar em casa. Passando pela porta de correr, não estou surpreso de encontrar os


meus pais sentados juntos em um dos sofás, mamãe com os pés dobrados sob ela e meu pai encostado no sofá, com o braço em volta dela. — Onde está a minha menina? — Mamãe pergunta, olhando ao redor e procurando por Hope. — Ela está no quarto. Adormeceu na caminhonete no caminho para cá. — Você está bem? — Ela pergunta, inclinando seu rosto e me estudando. — Eu estou bem. — Aceno a cabeça, me sentando diante deles em uma das cadeiras. — O que aconteceu? — Ela franze a testa. — Como você sabe que algo aconteceu? — Pergunto. — Você tem o mesmo olhar em seu rosto que sua irmã tinha quando entrou, — mamãe explica. — Eu não tinha um olhar, — queixa-se Ashlyn, estatelando-se na cadeira ao meu lado, minha mãe olha para ela e balança a cabeça. — Você tinha, e então você falou sobre Dillon, o Pau, por uns bons vinte minutos, — meu pai diz, sorrindo. — Que seja, — ela bufa, cruzando os braços sobre o peito. — Então o que aconteceu? — Papai pergunta neste momento, olhando de Ashlyn para mim. — Eu levei Ellie e Hope para almoçar, e Ellie esteve agindo de forma estranha. Então, ela disse algo que me pegou desprevenido. — O que ela disse? — Mamãe pergunta, tirando seus pés de debaixo dela e sentando-se. — Ela estava chateada por eu cortar o sanduíche de Hope, e disse, Eu sou a mãe dela, posso fazer isso, — digo, tirando o meu boné e o colocando no meu joelho dobrado. — Querido, é o bebê dela. Ela não está acostumada a compartilhá-la. Ela teve uma série de mudanças ao longo dos últimos dois meses. Basta dar algum tempo, — mamãe explica. — Eu estou indo devagar, — digo, deslizando o boné na cabeça. — Preciso voltar para o escritório, mas se Hope precisar de alguma coisa, é só me ligar. — Ficará tudo bem, querido, — ela diz baixinho enquanto me levanto e me inclino para beijar seu rosto.


— Eu sei, — concordo, e murmuro, — Até mais, — para minha irmã, e olho para o meu pai enquanto ele beija a bochecha da minha mãe, depois me segue até a caminhonete. — Pensei que eu jamais daria este conselho a alguém. Você sabe que eu acho que seus tios são idiotas na metade do tempo, mas seu tio, Trevor, me disse uma coisa quando comecei a ver a sua mãe de novo, — ele diz, e levanto uma sobrancelha. — Ele me disse para encurralar a sua mãe em um canto, para não dar a ela a chance de recuar. Na época, eu pensei que ele estava louco, mas acho que estava certo. Eu sei que Ellie teve um tempo difícil com tudo o que aconteceu, mas se ela é seu Boom, ela é sua para sempre. Nada mudará isso. — Obrigado, papai, — murmuro enquanto ele bate nas minhas costas. — Eu te amo, cara, — Eu também te amo, — digo a ele, abrindo a porta da caminhonete. — Você pode me fazer um favor e não deixar Hope comer muito porcaria esta noite? Ela já teve uma barra de chocolate. — Claro. — Ele balança a cabeça, mas sei que está mentindo. Balançando a cabeça, eu bato a porta e levanto o queixo para ele quando ele recua para que eu possa sair de casa. Seguirei o conselho dele. Talvez ir devagar foi um movimento errado. *~*~* Saindo da caminhonete, bato a porta e vou para o outro lado da calçada, vejo Ellie através do vidro da porta do salão. Sinto meu corpo apertar enquanto a observo na sala de espera, conversando com uma loura. O cabelo dela está solto, com novas mechas vermelhas e em ondas desarrumadas que caem em cascata sobre seu peito. O vestido azul marinho molda firmemente cada curva de seu corpo, deixando os ombros nus e atingindo o meio da coxa. Movendo os olhos pelas suas pernas, que parecem ir por milhas, eu engulo ao ver os saltos altos cor de creme envolvendo

seus

pés

com

um

milhão

de

tiras

terminando

em

seus

tornozelos. Vendo quão alto eles a deixam, eu sei que eles colocarão a bunda dela na altura perfeita para eu fodê-la por trás, enquanto ela se curva.


— Como diabos eu posso ir devagar quando ela se parece com isso? — Murmuro para mim mesmo, batendo no vidro para chamar a atenção dela. Quando seus olhos encontram os meus, eu a vejo respirar fundo antes de se mover para a porta. — Oi, — ela sussurra, abrindo a porta. — Você está bonita. — Eu... Obrigada, — ela sussurra timidamente, e olha por cima do ombro para a loira. — Jax, esta é Kimberly. Kim este é Jax, não sei se você já o conheceu. — Prazer em conhecê-la, — murmuro, dando-lhe uma elevação de queixo ao pegar a mão de Ellie na minha e a puxar para perto de mim. — Você também, — Kim diz, e a ouço rir, mas não posso tirar meus olhos de Ellie e quão incrível ela está. Não é que ela não tenha sempre boa aparência, mas agora, ela parece ser boa o suficiente para comer, o que dificultará compartilhá-la com alguém hoje à noite. — Você ficará bem fechando sozinha? — Ellie pergunta a Kim, pegando sua bolsa do sofá perto da porta. — Sim, vá se divertir e a vejo no domingo. — Vejo você domingo, — Ellie responde calmamente, em seguida olha para mim e morde o lábio inferior, fazendo o meu peito vibrar com um grunhido. Abrindo a porta para ela, eu a deixo sair antes de mim, só assim eu posso ver a bunda dela, depois pego a mão dela novamente e a levo para a minha caminhonete, abrindo a porta do passageiro para ela. — Obrigada, — ela murmura, abaixando a cabeça novamente. Girando-a para me encarar, eu a pressiono contra a lateral da minha caminhonete e mergulho a cabeça, cobrindo a boca dela com a minha, uma mão apertando seu cabelo, e puxando-a para perto de mim com a outra. Belisco seu lábio inferior, seu suspiro de surpresa me permite lamber sua boca, saboreando-a e a hortelã. No momento em que a minha língua toca a dela, suas mãos em punho vão para a minha camisa e seus seios imprensam com força contra o meu peito. Quando o meu boné cai no chão, ela puxa meu lábio entre os dela e morde com força suficiente para machucar. Movendo minha mão para a sua bunda, eu a balanço contra minha ereção, precisando que ela sinta o que faz comigo.


— Jax, — ela choraminga em minha boca, suas mãos viajando para cima, envolvendo a parte de trás do meu pescoço. Afastando minha boca da dela, eu descanso minha testa contra a dela, desejando-me controlar, quando tudo que eu quero fazer é pegá-la e colocá-la no assento da minha caminhonete, levantar seu vestido até a sua cintura e erguer as pernas nos meus ombros para poder festejar. Erguendo sua boca perto da minha mais uma vez, eu balanço minha cabeça, dando-lhe um aperto ao ver dor surgir em seu olhar. — Nós vamos jantar, e se nós continuarmos, a única coisa que comerei é você. — Jax, — ela geme meu nome. — Foda-se, — eu resmungo, pegando-a e colocando-a no assento, dandolhe um último beijo antes de afastar sua mão e fechar a porta. Pegando o meu boné do chão, eu o agito e o coloco na cabeça, em seguida tomo meu tempo contornando a caminhonete, para fazer minha ereção diminuir o suficiente para poder dirigir. Abrindo a porta, eu subo atrás do volante, ao fechar a porta, a voz suave de Ellie rompe o silêncio, fazendo o meu peito doer. — O nome do meu irmão era Edward. Você teria gostado dele, — ela diz com um sorriso triste. — Ele estava sempre fazendo coisas malucas. Ele era o cara de quem todo mundo queria ser amigo, o cara que todas as meninas desejavam que desse um segundo olhar para elas. Ela faz uma pausa, e sua voz é quase um sussurro quando diz, — Ele era meu melhor amigo. — Odiando vê-la parecer tão sozinha, eu estico e desprendo seu cinto, em seguida arrasto-a para o meu colo. Acomodando-a contra mim, seus olhos me encaram, antes de cair para o seu colo, então ela continua, — Quando ele conheceu Bonnie e vi quão apaixonado ele estava por ela, eu me lembro de pensar que tudo mudaria. Eu o perderia. Ele era tudo que eu tinha por tanto tempo que eu estava com medo e ciúmes. Eu queria odiá-la. Seus olhos encontram os meus e se forma um sorriso suave em sua boca enquanto ela sussurra, — Tentar odiá-la era como tentar odiar o ar. Bonnie tornouse como uma irmã para mim. Seu pai era um bêbado e sua mãe estava morta. Ela precisava de nós tanto quanto precisávamos dela.


Ela, Edward e eu nos tornamos uma família, — ela relembra, e vejo as lágrimas encherem seus olhos. — Quando Bonnie descobriu que estava grávida, Edward estava tão animado que dizia absolutamente a todos. Ele só falava sobre fazer uma vida melhor para suas meninas. Seus lábios pressionam juntos e o queixo oscila. — Hope nasceu em vinte e quatro de julho às sete e vinte da manhã, ela veio ao mundo gritando a plenos pulmões. Ela ainda grita, — ela sussurra a última parte, inclinando o corpo dela no meu. — Eu a amei desde o primeiro momento que a segurei em meus braços, mas ela não era minha, — diz, e se deixa cair antes de continuar. — Em vinte sete de agosto, isso mudou. Eu estava no trabalho quando recebi um telefonema da polícia rodoviária. Eles disseram que Edward, Bonnie e a filha deles sofreram um acidente e eu precisava ir ao hospital. Nem me lembro de entrar no carro ou como cheguei ao hospital. Nem me lembro da polícia me dizendo que Bonnie e Edward estavam mortos. Tudo era um borrão. Nada disso parecia real, e então eles me levaram para a UTI. Ela balança a cabeça. — Os médicos e a polícia disseram que Hope não deveria ter sobrevivido. Disseram que ela tinha sorte de estar viva, mas porque ela era tão nova, seu corpo ainda era suave e isso salvou a vida dela. — Jesus, — assobio, pensando em uma vida sem Hope e quão triste que seria. — Ela tinha pequenos cortes e hematomas no rosto e nas mãos, mas estava bem. Estava acordada, e enquanto caminhava em direção a ela, eu poderia dizer que ela sabia exatamente quem eu era. Ela me conhecia, e era tão pequena e sozinha. Nós duas estávamos sozinhas. Observei quando lágrimas silenciosas caíram de seus olhos, eu sei o quão difícil deve ter sido para ela, quão devastada ela deve ter estado. — Eu tinha apenas dezenove anos. Não sabia nada sobre criar uma criança, mas sabia que não deixaria Edward ou Bonnie decepcionados. Sabia que eles iriam querer que eu cuidasse dela, que a criasse, então, depois que embalei Hope para dormir na UTI, fui em busca de uma assistente social, e eles me disseram o que eu precisava fazer para conseguir a custódia dela. — Você é tão forte, baby. — Beijo o lado de sua cabeça e respiro-a. — Hope não veio de mim, mas ela é uma parte de mim.


— Ela é sua filha, — digo a ela suavemente, querendo saber como eu poderia ter pensado de outra forma antes. Minha mãe estava certa; você não precisa dar à luz um filho para amá-lo como seu. — Ela sabe sobre seus pais, mas para ela, eles não são nada, apenas as imagens e histórias que conto. Quando ela for mais velha, espero poder fazê-la entender que Bonnie e Edward a amavam mais do que amavam qualquer coisa neste mundo, que dariam qualquer coisa para ficar aqui com ela. Mas até que ela tenha idade suficiente para entender, eu sou tudo o que ela conhece. — Eu entendo isso, — digo a ela suavemente, pressionando um beijo em sua têmpora. — Eu fiquei com ciúmes dela querer você hoje em vez de mim, — ela diz, e a ouço puxar uma respiração. — Eu sei, — digo suavemente, e acrescento, — Não quero afastá-la de você, baby. Eu só quero ser uma parte de suas vidas. Quero ser mais uma pessoa que ela saiba que a ama, e quero que nós tenhamos algo sólido, assim um dia, todos nós poderemos ser uma família. — Família, — ela sussurra, deixando cair os olhos novamente. — Não sei se você sabe disso, — digo, correndo os dedos ao longo de sua bochecha até seus olhos encontrarem os meus mais uma vez. — Lilly não é a minha mãe. Ela não deu à luz a mim. Meu pai saiu com ela quando ela estava na faculdade. Quando meu pai ia pedir para ela morar com ele, minha mãe de nascimento, com quem meu pai teve um caso de uma noite meses antes, disse que estava grávida. Meu pai, acreditando que fazia a coisa certa, terminou com Lilly. Ele não queria que ela fosse arrastada por tudo o que estava acontecendo no momento. Ele e minha mãe de nascimento se casaram, e meu pai não sabia que também deixara Lilly grávida. Minha mãe de nascimento, que é a definição de loucura, recebeu uma mensagem de Lilly destinada ao meu pai, dizendo que estava grávida, então ela respondeu dizendo que ela deveria fazer um aborto. — Oh, meu Deus, — Ellie suspira. — Minha mãe de nascimento e meu pai acabaram se divorciando, e quando eu tinha três anos, meu pai me levou para este lugar com trampolim, e Lilly estava lá com Ashlyn. Ele soube imediatamente que Ashlyn era filha dele, e pensou que Lilly tentou escondê-la dele.


— Pobre Lilly, — ela diz com entendimento, e minha mão se move para envolver seu pescoço. — Eventualmente, meu pai conquistou Lilly e eles se juntaram novamente, mas desde o momento em que a conheci, eu me lembro de pensar que eu queria uma mãe como ela. Ela era o oposto da minha mãe. Tão boa toda vez que falava comigo, ela falava baixinho e me fazia sentir importante. Eventualmente ela e meu pai se casaram e ela se tornou minha mãe. Sempre vou considerá-la a minha mãe. — Você entende, — ela diz suavemente, colocando a mão no meu peito sobre o meu coração. — Eu entendo, — concordo. — Sinto muito sobre o almoço. Eu... — ela faz uma pausa, respirando. — Eu só... sempre foi apenas Hope e eu. Não estou acostumada a compartilhá-la. Sei que soa egoísta, mas não quero que ela pare de precisar de mim. — Isso não vai acontecer, baby, e não quero afastá-la de você, — prometo. — Eu sei, — ela diz, inclinando a cabeça no meu peito. Recostando, eu a seguro apertado contra mim. Sei que nós ainda teremos merda para lidar, mas sabendo que ela veio e me contou seu problema me salvou de uma porrada de problemas e tempo. — Agora, eu posso levá-la para sair? — Pergunto, pressionando um beijo no topo da cabeça dela depois de alguns instantes. — Jax, sobre nós... — Isso está acontecendo, Ellie. Não vou parar até cada parte de você pertencer a mim, começando daqui, — eu digo, colocando minha mão sobre o seu coração, sentindo-o bater forte. Então eu corro minha mão sobre seu peito e para seu estômago, sobre sua coxa, e sob a borda de seu vestido, onde corro meus dedos sobre o tecido fino que cobre seu núcleo. — Até isso, — eu termino. — Jax... — Não, baby, agora saia de cima de mim para que eu possa levá-la para jantar, — eu interrompo. — Mas... — Saia, — rosno, ajudando-a a voltar para o banco do passageiro, e colocando o cinto. — Você é chato, — ela resmunga.


— Você ama isso, baby. Meus dedos ainda estão molhados e eu mal os corri sobre sua calcinha. — O que é verdade, pois cada vez que a toco, ela está molhada. — Você não acabou de dizer isso. — Ela esconde o rosto atrás de seu cabelo. Sorrindo, eu puxo sua mão para o meu colo, e coloco a palma da sua mão sobre o meu pênis. — Você não é a única, — digo a ela, ouvindo sua inalação aguda e gemendo quando sua pequena mão tenta me envolver através da calça jeans que cobre minha ereção. Antes que eu possa dizer foda-se e prendê-la no banco, eu puxo sua mão até minha boca e dou um beijo em seus dedos, colocando-a de volta contra a minha coxa, para poder ligar a caminhonete e sair. Chegamos ao restaurante depois das oito e o estacionamento ainda está cheio, o que não é uma surpresa. Bryson Stakehouse é o lugar que todo mundo vem para comemorar. Acho que eu passei cada aniversário e ocasião especial aqui, desde os dez anos. Desligando a caminhonete, eu pulo para fora e a contorno, esperando enquanto Ellie adiciona alguma merda brilhante nos seus lábios, os deixando aparentemente ainda mais cheios do que normalmente. Ajudo-a a sair, envolvo meu braço em sua cintura e a levo para dentro. Pela primeira vez, eu percebo que a decoração rústica e a iluminação dão ao restaurante uma sensação romântica. Nunca trouxe uma mulher aqui, eu só venho com a família. Felizmente, meu pai é um bom amigo de Mani Bryson e foi capaz de conseguir uma reserva no curto prazo. — Reserva para Mayson, — digo o maître, segurando Ellie um pouco mais apertado quando seus olhos varrem a minha menina e descansam um pouco demais em sua boca, e depois, no seu peito. Nunca fui ciumento, nem mesmo na escola, quando eu namorava Mellissa e caras davam em cima dela, eu não dava a mínima. Ellie é diferente. Não posso suportar a ideia de alguém olhando para ela, e se alguém tiver bolas para tocá-la, eu não serei capaz de me controlar. — Se vocês me acompanharem, — ele diz, pegando dois menus e conduzindo-nos através do restaurante. Colocando minha mão nas costas de Ellie, passamos pelas mesas, e paramos em uma das cabines na parte de trás. Meus dentes apertam quando olho para a esquerda e vejo que Mellissa está aqui com a irmã, a mãe e o pai. O pai de


Mellissa, Calder, possui uma das agências imobiliárias mais rentáveis da cidade. Se andar ao redor e vir uma placa de Vende-se em uma casa, o logotipo da empresa normalmente está relacionado a ele. Ele é um cara legal, mas é um molenga e mimara as mulheres de sua vida. O trabalho da mãe de Mellissa é ficar em casa e ficar bonita, e ela criou suas duas meninas para fazerem o mesmo. Elas esperam que tudo seja entregue para elas e que qualquer homem com quem estejam atuem como o pai delas, dando-lhes tudo o que desejam. E se você não cair de joelhos e agir de acordo, começam as lágrimas e as reclamações. Posicionando Ellie para que ela ficasse mais afastada delas, eu me sento. Levanto uma sobrancelha quando o maître fica na cabeceira da mesa olhando para Ellie novamente. — Você pode ir, — ouço-me rosnar, e observo as bochechas de Ellie corarem quando ela olha para mim e estreita os olhos. Porra, como se fosse minha culpa o garoto ficar observando-a. — Desculpe, você gostaria de ver o menu de vinhos? — Ele pergunta de repente. — Não, obrigado. — Balanço minha cabeça e sinto Ellie me chutar por baixo da mesa antes de olhar para o cara. — Vamos apenas esperar pela nossa garçonete. — Ela diz suavemente e sorri, pegando o menu das mãos dele e colocando-o sobre a mesa. Então, observa ele ir embora antes de olhar para mim e rosnar, — Você é tão rude. — Sério? E não é rude encarar a mulher de outro homem quando eles estão, obviamente, em um encontro? — Pergunto quando um dos meninos da limpeza para na mesa, deixando a água. — Ele não estava olhando. Apenas fazia o trabalho dele. — Ela balança a cabeça. — O trabalho dele não é o de verificar seus peitos, baby. — Ele não estava, — ela sussurra com raiva e aborrecimento. — Foda-se, sim, ele estava, — rosno. — E uma vez que esses seios, bunda, boca e todo resto pertencem a mim, ele não pode olhar para eles, — digo, observando seu peito subir e sua boca abrir e fechar. — Jax, Ellie.


— Foda-se, — eu corto, observando o corpo de Ellie ficar tenso diante de mim, e sua cabeça virar para Mellissa. Virando a cabeça, digo brevemente, — Mellissa, — com os dentes cerrados. — Só queria dizer oi. — Ela sorri seu sorriso falso, e olha para Ellie, correndo os olhos sobre ela. — Esse vestido combina totalmente com você. — Ela zomba. — É muito trailer... — Saia de perto da minha mesa, Mellissa, antes de me forçar a fazer uma cena, — ameaço. — Não tenho medo de você, Jax, — ela rosna, colocando as mãos nos estreitos quadris. — Mais uma vez, Mellissa. Saia de perto da mesa. — Não posso acreditar que você me trocou por uma puta cadela de lixo do reboque. Tudo acontece em câmera lenta, eu vejo Ellie com o canto do meu olho quando ela agarra o copo de água e o joga em Mellissa, que grita a plenos pulmões. Ellie sai da cabine e corre para fora do restaurante. — Sua puta! — Mellissa grita, indo atrás de Ellie. Agarrando-a pela cintura, eu a levanto, giro-a ao redor e a empurro nos braços de seu pai. — Coloque uma coleira em sua filha, Calder, — digo a ele. Seus olhos estreitam e seus braços apertam em torno de Mellissa. Atravessando o restaurante, vejo Mani, o proprietário, caminhar da cozinha em minha direção. — Está tudo bem, Jax? — Ele pergunta, com preocupação em seu tom, olhando para mim, e então, sobre meu ombro para a comoção acontecendo atrás de mim. — Ligarei e explicarei o que aconteceu, mas agora, eu preciso ver se Ellie está bem, — digo sem parar, passando o maître. — Claro. — Ele balança a cabeça. Empurrando a porta, eu olho para a minha caminhonete e vejo que Ellie não está lá. Caminhando até a rua, vejo Ellie andando a pé, abraçando a si mesma, seus ombros baixos encurvados e sua cabeça inclinada em direção a seus pés. —

Ellie,

pare,

grito,

observando-a

acelerar

e

balançar

a

cabeça. Alcançando-a, eu coloco um braço em seus ombros e outro sob seus joelhos, atraindo-a para o meu peito. Ouvir seu suave soluço rasga meu coração.


— Por favor, não chore. Odeio quando você chora, — sussurro, pressionando meus lábios no topo de sua cabeça, aproximando-a mais contra mim. Quando a levo para a caminhonete, eu a coloco no banco do passageiro afivelando seu cinto, e corro ao redor para chegar ao volante. — Você pode me levar para casa? — Ela pergunta após um soluço silencioso, enxugando as lágrimas que caem. — Sim, baby, — concordo, saindo estacionamento. Tomando-lhe sua mão, a puxo para mim, entrelaçando meus dedos firmemente entre os dela, querendo que ela saiba que estou aqui com ela. Quando chegamos em casa, eu saio e vou para o lado dela, meio que esperando que ela lute, mas seu corpo me envolve firmemente quando a levanto da caminhonete e levo-a para dentro da casa. Nem sequer paro lá embaixo. Eu a levo até o meu quarto, e deito na cama junto com ela. Assim que estou posicionado atrás dela, ela gira em meus braços para me encarar, enterrando seu rosto contra o meu peito. — Eu sinto muito, — ela diz em meio às lágrimas, quando a trago para mais perto. — Você não precisa se desculpar. — Não deveria tê-la deixado me perturbar do jeito que eu fiz. — Ela é uma cadela, Ellie. Você fazer isso é muito melhor do que eu brigando com ela por falar com você desse jeito, — asseguro. — Estou tão envergonhada, — ela sussurra dolorosamente. — Você não tem nada para se envergonhar. Ela não deveria ter vindo para a nossa mesa, deveria ter ficado com a família dela. E não tinha o direito de falar com você daquele jeito, — digo a ela, sentindo a raiva queimar através de mim. Mellissa tem sorte de ser uma garota, porque eu juro que se ela fosse um cara, ela teria um olho roxo antes que eu saísse do restaurante. — Sabe o que me deixa realmente louca? — Ela pergunta de repente, puxando sua cabeça do meu peito e olhando-me com seus grandes olhos ainda cheios de lágrimas. — O que, baby? — Estou com fome, — ela diz tristemente, me fazendo sorrir. — Estava realmente ansiosa para jantar com você. Kim disse que eles têm os melhores bifes, e agora eu não serei capaz de descobrir por mim mesma.


— Podemos voltar quando quiser. Bryson e minha família são amigos. — Nunca voltarei lá, — ela faz beicinho. — Nós voltaremos lá. É tradição, — digo a ela, ignorando sua cabeça balançando. — Agora, quer pedir algo e assistir a um filme? Ou quer ir encontrarse com July? — Pergunto a ela, correndo os dedos pelos seus cabelos. — Quero sair deste vestido e colocar um moletom. — Estou mais do que feliz em ajudá-la a sair do vestido. — Sorrio, correndo a mão sobre sua coxa nua. — Jax. — Ellie, — respondo, então a rolo de costas e pairo sobre ela. Não posso acreditar como ela é linda, e é minha. Para o resto da minha vida, este será o rosto que eu olharei. Meses atrás, esse pensamento me assustaria, mas agora envia uma espiral de excitação através do meu sistema. Direcionando meus olhos para sua boca, eu me inclino e coloco um beijo suave contra seus lábios, correndo as pontas dos meus dedos da sua panturrilha até a coxa, ouvindo sua respiração falhar. Movendo-me sobre ela, eu coloco minha perna entre as dela, enquanto tomo suas mãos nas minhas e puxo-as sobre a sua cabeça, observando seu peito começar a subir e descer mais rapidamente. — Eu sou virgem, — ela suspira, e levanto os meus olhos para encontrar os dela. — Eu... — ela para, parecendo insegura e nervosa. — Shhh, baby, eu a guiarei, — digo a ela suavemente, beijando-a novamente. Segurando suas duas mãos em uma das minhas, eu corro os dedos da minha mão livre sobre seu decote. Suas unhas cavam na pele da minha mão e seu peito se levanta para encontrar minha palma. Sorrindo, eu puxo lentamente o seu vestido para baixo, expondo o sutiã preto de renda, sem alças, que ela usa. Meu zíper corta em meu tesão, enquanto meus olhos se concentram em como ela é perfeita. Seus mamilos são visíveis através da renda, e correndo o dedo sobre o pico duro e o tecido, eu gemo ao franzirem ao leve toque. Deslizando o material para baixo, eu me inclino para trás e encontro seus olhos novamente, conforme chupo seu mamilo duro.


Um gemido alto deixa sua boca e seus olhos se fecham, pressionando a cabeça contra o travesseiro. Movendo-me para o outro seio, eu faço o mesmo, sentindo o mamilo endurecer na minha língua e suas coxas apertarem minha perna. Liberando suas mãos, eu me coloco entre suas pernas, minhas mãos em seus seios passam de um para o outro, lambendo, chupando e mordendo seus mamilos, enquanto seus dedos se movem timidamente no meu cabelo antes das unhas começarem a raspar meu couro cabeludo. Sentando no meu calcanhar, eu seguro seu vestido e puxo lentamente pelo seu corpo, amando o jeito que ela me observa, com os olhos vidrados de luxúria e calor. Puxando o tecido sobre seus quadris, minha respiração pega quando vejo que a renda do sutiã corresponde com a renda transparente cobrindo seu centro. Pegando suas pernas, eu ergo-as sobre um ombro e tiro seus sapatos, os deixando cair no chão, e então puxo o vestido pelas pernas e atiro-o no chão atrás de mim. Sentando, suas mãos vão para minha camisa, e a ajudo, levando uma mão nas minhas costas, puxo-a sobre a cabeça e deixo cair no chão junto ao vestido. — Eu não terminei com você, — digo a ela, beijando-a enquanto a empurro de encontro à cama. Suas pernas me envolvem, colocando meu pau coberto pelo jeans em contato com o calor de seu núcleo. Gemendo, eu puxo minha boca da dela enquanto seus dedos abrem minha calça jeans e sua mão se movimenta entre o material e a minha pele. Agarrando a mão dela, eu a impeço antes que ela possa segurar o meu pau. Já estou próximo de perdê-lo, e sei que se ela me tocar, empurrarei a calcinha dela para o lado e transarei com ela como um animal. Eu quis isso por muito tempo, mas não posso transar com ela como desejo. Preciso fazer que isso seja bom para ela. Não quero que ela se arrependa por dar-me sua virgindade. — Preciso te provar, Ellie. Eu preciso disso mais do que preciso da minha próxima respiração, — digo a ela, beijando ao longo de seu corpo, me estabelecendo entre suas pernas. Seus olhos me observam quando me inclino, correndo meu nariz ao longo da renda. Seu cheiro é inebriante; ela cheira a baunilha, a cereja e a Ellie, e esse cheiro enche a minha boca d’água. Tomando a frágil renda em


minhas mãos eu rasgo-a, vejo seu corpo pular em surpresa e sua respiração aumentar. — Jax? — Cristo, Ellie, você está molhada para caralho, baby, — digo a ela, correndo um dedo por suas dobras brilhantes e ao redor de seu clitóris. Então, eu coloco minhas mãos em suas coxas e as espalho amplamente, dando uma longa lambida acima de seu centro. — Oh. Meu. Deus, — ela sussurra, e suas coxas começam a tremer quando a lambo novamente, então me concentro em seu clitóris, puxando o pequeno pedaço de carne entre meus lábios e sacudindo-o com a minha língua. Olhando acima de seu corpo, seus seios estão eretos, sua cabeça para trás e suas mãos cobrem os olhos. — Ellie, me deixe ver seus olhos, baby. — Não posso, — ela chora, sacudindo a cabeça. Movendo para cima em seu corpo até meu rosto estar sobre o dela, eu a beijo e belisco seus mamilos até suas mãos saírem de seus olhos. — Você vai assistir, Ellie, — eu ressoo contra sua boca. — É demais, — ela respira contra meus lábios, e corro meus dedos sobre o clitóris, fazendo seus quadris pularem. — Supere, — digo, rolando para minhas costas, levantando-a facilmente escarranchada sobre meu rosto, e puxando seus quadris rudemente na minha boca. — Oh, Deus, — ela grita, pressionando a mão contra a parede diante dela. Mantendo nossos olhos unidos, eu enterro minha língua dentro dela. Então eu uso primeiro um e em seguida dois dedos, empurrando-os para dentro e para fora lentamente, até que seus quadris estão balançando e ela está inundando minha boca com os sucos e gritando seu clímax. Deslizando minhas mãos por suas costas, eu abro o sutiã e coloco-a na cama. Seus olhos estão vidrados e sua respiração ainda é superficial devido ao orgasmo. Limpando minha boca com a mão, eu tiro meus jeans e botas e pego um preservativo na mesa de cabeceira, deslizando-o debaixo do travesseiro perto da cabeça dela. Tiro minha boxer e envolvo a minha mão em volta do meu comprimento, bombeando e apertando a ponta, tentando aliviar um pouco da


pressão. Sinto-me construir na base da minha espinha. Sei que tenho resistência, mas se eu entrar dela agora e a sentir em torno de mim, eu vou gozar. Deitando ao lado dela, eu coloco minha boca ao redor do mamilo e meus dedos contra seu clitóris, revirando meu dedo médio sobre ela, e deslizando-o mais baixo em seu calor molhado. Suas pernas se espalham mais, querendo mais quando movo o dedo para cima e bato seu ponto G. Ouvindo-a gemer, eu me movo entre as pernas dela pegando o preservativo e deslizando-o. Assim que estou posicionado entre as coxas dela, suas pernas envolvem meus quadris e os braços os meus ombros. Uma pontada acerta profundamente o meu peito quando olho em seus olhos. — Isso está realmente acontecendo? — Ela pergunta, me fazendo sorrir. Mordiscando seus lábios, eu abro a minha boca sobre a dela quando minha mão envolve meu pau, e o passo para cima e para baixo em suas dobras, ouvindo sua respiração engatar cada vez que passo a cabeça sobre seu clitóris. — Pronta? — Pergunto, alinhando e pressionando a ponta. Balançando a cabeça, suas unhas cavam em minhas costas conforme deslizo lentamente, centímetro por centímetro. Ela é tão apertada, caralho, que preciso segurar minha respiração para não gozar. — Cheia, estou tão cheia, — ela choraminga, e meu pau contrai com aprovação, como se tentasse se mostrar. — Não fale, baby, — digo, puxando para fora só para deslizar mais fundo. — Jax, oh, Deus, — ela geme, elevando ainda mais os seus quadris, levando-me mais profundo, o que não me ajuda a manter a calma. — Foda-se, — eu corto, puxando e empurrando lentamente, rompendo a barreira de sua virgindade até estar com as bolas aprofundadas, fazendo sua respiração engatar e as unhas apertarem fortemente a minha pele. Respirando pesadamente, eu a beijo até seu corpo relaxar mais uma vez sob o meu. — Você está bem? — Pergunto, afastando seu cabelo do seu rosto e olhando em seus olhos. — Sim. — A mão dela vem para descansar contra a minha bochecha. — Você pode se mover, — ela diz, balançando os quadris.


Inclinando a cabeça, eu estico meus braços e giro os quadris. Sua buceta é tão gostosa e tão apertada que não serei capaz de adiar por muito tempo. Eu sabia que ela me arruinaria, mas não entendia o quanto até que senti suas paredes ondularem ao redor do meu comprimento, seus braços apertando os meus ombros e as pernas apertando meus quadris, como se cada parte dela tentasse me segurar, me manter perto. Ela se encaixa perfeitamente em mim. Tudo nela foi feito apenas para mim. — Jax... — Eu sei, baby, — digo, encostando minha testa na dela quando suas paredes ondulam mais uma vez com o menor movimento. — Tão receptiva. Você é tão sensível, baby. Aposto que você poderia gozar apenas com meu pau, não poderia? — Pergunto, girando meus quadris novamente. Sua resposta é um gemido, suas paredes apertando o meu pau a tal ponto que é quase doloroso. — Jesus, — gemo, observando seu rosto e sentindo seu núcleo convulsionar quando seu súbito orgasmo ameaça puxar o meu. — Eu preciso mover, baby, — digo a ela, ajustando a perna sobre meu braço, me colocando em um ângulo diferente. Puxo para fora e entro novamente, seus lábios abrem e suas paredes apertam. Ganhando velocidade, eu forço sua perna a se apertar em volta de mim, e cubro sua boca com a minha, empurrando minha língua entre os lábios quando sinto meu orgasmo subir pela minha espinha, mergulhando mais três vezes. Então entro profundamente e puxo minha boca da dela, rugindo para o quarto ao sentir ela se apertar em torno de mim quando gozo forte, enviando-a para outro orgasmo. Rolando nas minhas costas para não desmoronar em cima dela, eu a seguro contra meu peito, ainda sentindo sua buceta contrair ao redor do meu pau. — Eu juro, baby. Sua buceta é perigosa, — digo a ela, sentindo seu corpo tremer contra o meu. — É verdade. Pensei que você arrancaria meu pau fora quando você gozou, — digo sinceramente, e sua risada silenciosa se transforma em risos altos que me fazem sorrir. Colocando os dedos debaixo do seu queixo, eu inclino seu rosto em direção ao meu. — Como você se sente? — Bem. — Ela sorri e seu rosto suaviza, mais suave do que já vi, e naquele momento eu sei, com o seu peito contra o meu, e ainda enterrado profundamente


dentro dela, o nosso cheiro nos cercando, eu sei que estou apaixonado por ela. Tão apaixonado que quero envolvê-la em algodão para que nada pudesse acontecer com ela. Como diabos você deveria sobreviver, quando a parte de você que você precisa para viver anda do lado de fora do seu corpo? — Jax? — Yeah, baby? — Pergunto, me concentrando nela e correndo os dedos em seus cabelos. — Você tem um olhar estranho em seu rosto, — ela sussurra, me estudando. — Só pensando, — digo suavemente. Sei que continuarei a empurrar-nos, mas não quero assustá-la deixando-a saber que a amo. Preciso encontrar uma maneira de deixá-la viciada em mim. Preciso fazer com que ela me implore, que o pensamento de não estar comigo a assuste mais do que qualquer medo do futuro. — Sobre o quê? — Ela pergunta, soando insegura. — Você. Quão perfeita você é e o quanto eu quero isso, — digo uma meiaverdade, beijando-a na testa. — Eu quero isso também, — ela sussurra, e observo seu rosto, vendo algo nas profundezas dos seus olhos que não notara antes, mas acho que sempre esteve lá. Engolindo em seco, eu a puxo para o meu corpo e a rolo em suas costas. — Preciso cuidar deste preservativo. — Ok. — Ela balança a cabeça quando puxo o lençol do pé da cama e o coloco sobre ela. Indo ao banheiro, tiro o preservativo e noto uma pequena mancha de sangue, o que me faz lembrar que Ellie é minha, e só minha, trazendo a besta do homem das cavernas dentro de mim para a superfície. Jogando o preservativo no lixo, eu inicio o banho, e volto para o quarto. — Vamos, vamos tomar um banho, — digo a ela, puxando-a da cama e levando-a para o banheiro. Entrando na grande banheira com ela em meus braços, eu a coloco entre as minhas pernas e corro minhas mãos sobre ela enquanto a banheira enche. Ouvindo seu estômago roncar no quarto silencioso, eu inclino sua cabeça para poder ver o seu rosto. — Você ainda não me alimentou, — ela diz timidamente. — O que você quer comer? — Pergunto, correndo meu polegar em seu lábio inferior.


— Panquecas com pedaços de chocolate, — ela diz, se virando sobre o estômago,

seus

seios

ficando

na

direção

do

meu

pau,

que

endurece

instantaneamente. Olhando entre seus seios, ela morde seu lábio inferior e seus olhos se levantam lentamente para encontrar os meus. A imagem dela com seu cabelo solto, as pontas molhadas do banho, sua pele ainda brilhando do orgasmo recente, e os olhos cheios de calor, olhando para mim com luxúria, é uma imagem que usarei muitas vezes quando não puder levá-la para a cama. Então ela me choca. Sua cabeça mergulha e sua língua toca a cabeça do meu pau, lambendo a gota de pré-sêmen que escoou da extremidade. — Oh, merda, — ouço-me gemer. — Baby, — respiro quando ela se senta, seus seios ficando acima da água. Sua mão tenta me envolver, e ela bombeia timidamente, então sua boca cobre a cabeça e sua língua faz redemoinhos na ponta. Com as mãos apertando a borda da banheira, eu tento me manter parado. Não quero bater na garganta dela ou agarrar seu cabelo. Não sei nem se ela sabe o que está fazendo. Seus olhos encontram os meus quando suas mãos bombeiam, cada curso me matando lentamente. Quando a boca cai, levando-me mais fundo na sua boca, eu flexiono os meus músculos, sabendo que ela será a minha morte. Sua inocência incerta é o que dificulta manter minhas mãos sobre a banheira. Sentindo-me bater no fundo da sua garganta, ouvindo-lhe engasgar quase me faz gozar. — Ellie, foda, baby. Oh, Deus. — Meus dedos enrolam e sua mão se move mais rápido, como se soubesse que estou perto. — Eu vou gozar, baby, — digo a ela, e sua boca sai do meu pênis, mas a mão bombeia. Envolvendo a minha mão sobre a dela, eu a ajudo a me fazer gozar e uso a outra mão para puxá-la para frente, cobrindo seus seios com meu gozo. — Você vai me matar, — eu confesso, puxando-a para descansar contra o meu peito, inclinando minha cabeça e fechando os olhos, tentando recuperar o fôlego. Sentindo-me tremendo, eu abro um olho e inclino meu queixo, vendo que Ellie tem a boca coberta e seu corpo treme com uma risada silenciosa. — Desculpe, — ela ri quando seus olhos encontram os meus. — Você acha engraçado me matar? — Pergunto, seu riso se acalma e ela sorri, balançando a cabeça. — Precisamos tomar banho, — digo, levantando-a e a levando comigo.


— Você está chateado? — Ela pergunta atrás de mim quando ligo o chuveiro. — Não, baby. — Eu a empurro para o chuveiro, e movo-a contra a parede, ouvindo-a ofegar quando sua pele toca o azulejo frio. — Vamos ver se você ainda estará rindo quando eu terminar, — digo, caindo de joelhos e colocando sua perna em cima do meu ombro.


CAPÍTULO 08

— Aqui, baby. Olhando feio para a camisa estendida para mim, eu a pego de qualquer maneira, me certificando de puxar com força da mão de Jax, e a puxo sobre a minha cabeça. Ouvindo-o rir, eu tiro meu cabelo molhado para fora através gola da camisa e estreito os olhos para ele, o que só parece fazer seu sorriso aumentar. — O quê? — Ele pergunta, vestindo um moletom largo, caindo na sua cintura, mostrando o V bem definido de sua cintura. — Não é engraçado, — rosno quando ele começa a rir alto. — Baby, eu não estou rindo de você. — Você está totalmente rindo de mim, — digo, olhando ao redor com olhos arregalados e dramáticos, apontando que não há absolutamente ninguém na sala, ou mesmo na casa. — E quem faz isso a alguém? Quem tortura com sexo como uma forma de ouvir o que você quer? — Pergunto, sentindo meu rosto esquentar apenas com o pensamento do que aconteceu no chuveiro. — Tortura com sexo? — Ele ri mais alto, e sinto um sorriso nos meus lábios com o som dele. Quando seus olhos me encontram novamente, eu recomponho minhas características. — Tortura com sexo, aquela coisa que você fez quando... quando não me deixou ter um orgasmo até eu dizer o que você queria ouvir. — Você é adorável. — Não sou adorável. — Reviro meus olhos, pegando minha toalha no final da cama.


— Você é. Agora, você está pronta para comer panquecas? — Ele pergunta, pegando a toalha da minha mão e a jogando no chão em direção ao banheiro, me fazendo fazer cara feia. — Eu ia pendurar isso... Ele me corta, abaixando a boca sobre a minha em um beijo brutal, enfraquecendo as minhas pernas. Quando sua boca sai da minha e finalmente abro meus olhos, eu o encontro olhando para mim com um sorriso muito presunçoso. — Agora... você está pronta para panquecas? — Ele pergunta novamente. — Você é irritante, — digo, dando um passo para trás e virando-me para a porta, fazendo um ponto ao ir para o corredor e descer as escadas. No caminho eu observo que algo está diferente, mas não consigo descobrir o que. Quando chegamos à cozinha, Jax me levanta sobre o balcão e começa a puxar os ingredientes para fazer panquecas. — O que aconteceu aqui? — Ele pergunta, parando na minha frente. Distraidamente o sinto correr os dedos sobre a pele do meu joelho, mas meus olhos estão colados em seu abdômen e no contorno de sua ereção sob seu moletom. — Baby. — Hmm? — Murmuro em transe, sentindo um formigamento em meu núcleo. — O que aconteceu com seus joelhos? Eu fiz isso? — Ele pergunta parecendo preocupado, e meus olhos se concentram nos seus dedos, que mais uma vez correm sobre um joelho, depois o outro. Vendo que a ferida não é enorme, mas é perceptível. — Mellissa me fez tropeçar quando eu passava por ela no salão. — Dou de ombros, tentando não fazer disso um grande negócio. Ela já arruinou o meu jantar. Não permitirei que ela arruíne a nossa noite. — Que porra é essa? — Ele rosna; balanço minha cabeça, pressionando a mão contra o seu peito. — Ela está com ciúmes e é má. Honestamente, não posso acreditar que você saiu com ela, — digo a ele, movendo minha mão até sua mandíbula e correndo os dedos nela, ganhando o seu olhar. — Nós namoramos na escola, — ele explica.


— Você ainda saiu com ela. Não posso imaginar que ela fosse diferente naquela época. — Você está certa. Ela sempre foi a mesma. — Então, por que ela pensa que você é dela agora? — Pergunto. Seu peito se expande com uma respiração profunda, e posso dizer que ele não quer me dizer. — Nós transamos. — Você dormiu com ela recentemente, — esclareço, e sua mandíbula começa a tremer. — Odeio você ter visto parte do meu passado. Odeio que ele continue aparecendo, mas não posso mudar isso. — Eu não te pedi para mudar isso. Quero dizer, se meus ex-parceiros de sexo aparecessem o tempo todo, entrando na casa, aparecendo em restaurantes e no seu trabalho, você teria que lidar, certo? — Pergunto, observando aquele tremor em sua mandíbula se tornar um ranger, e a mão na minha coxa apertar quase dolorosamente. — Não falaremos sobre você estar com mais ninguém, — ele rosna. — Por quê? Não se sentiria da mesma forma sobre mim como sente agora? — Pergunto, inclinando a cabeça e levantando uma sobrancelha. — Porque isso seria um enorme duplo critério. — Precisaria aprender a lidar com isso, ou acabaria na cadeia. — Bem, acho que sou apenas uma pessoa melhor do que você, — digo, pressionando os lábios para não rir quando seus olhos se estreitam. — Você tem uma boca inteligente. Talvez eu devesse dar-lhe algo para preenchê-la. — Sim, comida, — digo, apontando para a tigela ao meu lado, e ele sorri, mas logo seu rosto fica sério. — Sinto muito sobre Mellissa, baby. Eu odeio que ela fez isso com você, e realmente odeio que ela arruinou o nosso encontro. — Ela não está aqui, então eu ganho. — Sorrio com um encolher de ombros, e seu rosto suaviza. — Você é boa demais para mim, Ellie. — Sua mão vem para descansar embaixo da minha mandíbula e seu polegar movimenta pelos meus lábios. — Boa demais para mim, mas agora que eu tive você e me apaixonei por sua filha, eu não


desistirei de você. Nunca desistirei de você, — ele diz, inclinando-se e colocando um beijo suave na minha boca, em seguida move-se para o fogão antes que eu pudesse responder. Não quero ter esperança, mas Deus, eu espero que ele sinta por mim, mesmo que pela metade, o que sinto por ele agora. — Baby. — Sim? — Pergunto, levantando meu olhar para encontrar o dele. — Essa coisa vai durar. Temos tempo, muito dele, para descobrir tudo. Mas você e Hope me têm completamente. Sim? — Sim, — concordo sem fôlego, sentindo algo bom estabelecer em cima de mim, sabendo que estou me apaixonando por ele. Eu oro para que ao amá-lo eu tenha a família que tão desesperadamente ansiei desde que meu pai faleceu. Hope seria capaz de ter a família que nunca tive. Com esse pensamento, ansiedade se instala em meu intestino. Se as coisas não derem certo, onde isso deixará Hope? É justo com ela dar-lhe tudo isso, apenas para tirá-lo? — Que olhar é esse? Lambendo meu lábio inferior, eu balanço minha cabeça, murmurando, — Apenas viajei. Ele se move para ficar na minha frente mais uma vez e segura meu rosto entre suas grandes mãos. — Hoje à noite, nós teremos panquecas e assistiremos a um filme. Amanhã, nós pegaremos Hope na casa dos meus pais e passaremos o dia com ela. No dia seguinte, Hope ficará comigo durante o dia enquanto você está no trabalho, e quando sair do trabalho nós jantaremos juntos. No dia seguinte, nós descobriremos Ellie, mas nós descobriremos isso juntos. — Ok, — concordo, porque não sei mais o que fazer. — Ok, — ele repete suavemente, e ordena, — Agora me beije, — abaixando o rosto para o meu, apenas suficientemente longe a ponto de precisar ser a única a fechar o espaço entre nós. Sei que isto é um teste. Se beijá-lo, estou dizendo que confio nele. Se não fechar o espaço, eu não acredito nele ou em nós. Levantando sem pensar, eu pressiono meus lábios nos dele. Sei que este é um daqueles momentos que minha avó me falou, um dos momentos em que você precisa colocar seus medos de lado ou deixá-los te engolir por inteiro. Eu quero isso, e se isso acabar sendo algo bonito, eu sei que terá valido a pena o risco, e se isso explodir


na minha cara, eu só terei que sobreviver com os belos momentos que criarmos agora. Quando os lábios deixam os meus e movem para pressionar levemente na minha testa em um toque suave, eu absorvo a sensação no meu peito e sinto. Eu o vejo ir até o fogão e ligá-lo, e sorrio quando ele prepara panqueca, colocando a mistura na panela sobre fogão, absorvendo tudo deste momento. Não tenho certeza porque este momento parece tão importante, mas sei que é. *~*~* — Quantos filhos você quer? Movendo-me no sofá para poder ver o rosto dele, eu sinto meu coração acelerar com o olhar em seus olhos e o tom de sua voz. Quando terminamos de comer panquecas, ele me levou para a sala de estar e me colocou no sofá entre suas pernas para que meu corpo estivesse no meio dele. Suas pernas assentadas em torno de mim, ele ligou a TV em algum filme de terror, o que eu sabia que iria acabar comigo dormindo completamente. — Baby, — ele diz, puxando-me dos meus pensamentos. — Eu... eu não sei. Acho que realmente nunca pensei nisso, — digo, rolando sobre o meu estômago, e colocando minhas mãos em seu abdômen, uma em cima da outra, e o meu queixo em cima delas. — Quantos filhos você quer? — Pergunto, estudando seu rosto. — Quatro, se não mais. — Isso é um monte de crianças, — murmuro, meu estômago começando a aquecer. — Você não quer mais filhos? — Ele pergunta baixinho, correndo o dedo em meu cabelo e atrás da minha orelha. — Eu gostaria que Hope tivesse irmãos e irmãs. Sei que ela quer irmãos, — confesso, observando seus olhos escurecerem de uma maneira que eu gosto muito. — Quanto tempo você teria que namorar alguém antes de se casar com ele e ter filhos? — Ele pergunta, me arrastando para cima do seu corpo e me ajustando, assim estou montando seu colo.


— Por que todas essas perguntas? — Pergunto sem fôlego, seus dedos correndo entre as minhas pernas, lembrando-me que não estou usando calcinha. — Curioso, — ele geme, espalmando a parte de trás da minha cabeça e puxando a minha boca em direção a dele, enquanto seus dedos deslizam entre minhas dobras. Ele suga meu lábio inferior entre os lábios e morde-o com os dentes. — Você está dolorida? — Ele pergunta contra minha boca. — Um pouco, — choramingo quando a ponta de um dedo desliza dentro de mim. — Só um pouco? — Ele pergunta, virando o dedo para cima e sobre o meu clitóris, fazendo com que um miado suba minha garganta, minhas unhas cravem seu peito, e meus quadris empurrem para frente. — Desejo poder deslizar dentro de você, baby, mas não quero te machucar. — Está tudo bem, — assobio agitada, seus dedos se movendo lentamente sobre o meu clitóris e voltando a minha entrada. — Não, — ele rosna, me virando e se movendo para baixo do meu corpo. — Não! De jeito nenhum! — Grito, percebendo o que ele está fazendo e tentando fechar as pernas. Acho que não posso lidar com ele me atormentando novamente como fez no chuveiro. — Calma, — ele ressoa, separando levemente meus joelhos. Quando ele belisca a pele da minha coxa, eu grito, sua boca cai no meu núcleo e sua língua lambe meu centro, terminando no meu clitóris, meus quadris levantam do sofá e minha mão agarra seu cabelo querendo segurá-lo no lugar. — Oh, Deus, — eu suspiro quando ele puxa meu clitóris em sua boca, passa a língua nele e desliza suavemente um dedo dentro de mim. Sentindo tudo isso, tudo dele, minhas costas arqueiam e meus calcanhares pressionam fortemente o sofá para poder me aproximar da boca dele. Sua mão na minha coxa aperta quase dolorosamente quando sua língua volta até meu centro. Apertando os olhos fechados, eu sei que estou perto. Meu corpo parece enrolado e pronto para quebrar a qualquer momento, o seu grunhido e o toque de seus dedos contra o meu ponto G enviam-me sobre a borda. Meu corpo começa a tremer e minhas pernas tentam se fechar quando meu orgasmo se derrama sobre mim. Sentindo sua língua lamber meu centro mais uma vez e a aspereza de sua


mandíbula roçando minha coxa, meus olhos piscam abertos, conectando com o dele. — Venha cá, — ele diz, levantando o meu corpo inerte de seu peito e me colocando em seu colo. Descansando contra ele, leva alguns minutos para voltar para mim mesma. Todo o meu corpo está completamente relaxado e o espaço entre as minhas pernas ainda envia pequenos choques de prazer. Inclinando a cabeça, o queixo abaixa e seu olhar encontra o meu. Ele sempre olhou para mim como se eu fosse algo precioso, como se eu fosse algo que ele deseja proteger, mas o olhar em seus olhos agora é diferente. É mais quente e mais suave, de alguma forma mais doce do que qualquer outra coisa que já vi nele antes. As palavras eu te amo estão na ponta da minha língua, mas não posso fazer a minha boca se abrir para dizê-las. Não quero estragar isso. — Eu sei, — ele murmura baixinho, colocando minha cabeça sob o queixo e quebrando a nossa conexão. Meu coração começa a bater mais forte, e me pergunto se ele de alguma forma, sabe o que estou pensando, o que estou sentindo. Fechando os olhos, eu mergulho em seu cheiro e a sensação de seus braços ao meu redor, e antes que eu perceba, adormeço. Acordando lentamente, eu sorrio quando ontem à noite volta para mim. Eu fiz sexo. Não apenas tive relações sexuais com Jax, eu tive sexo incrível com ele. Abrindo os olhos, viro minha cabeça e vejo que estou na cama de Jax, mas ele se foi. Empurrando meu braço para fora das cobertas, toco os lençóis, notando que estão frios ao toque, como se ele estivesse fora por um tempo. Sentando, eu olho em volta e realmente observo seu quarto pela primeira vez. As paredes são um azul-cinzento, que é masculino, mas ainda suave. O quarto é quase da forma exata do quarto que Hope foi dormir, com uma grande janela curva que se projeta para fora, e tem um banco sob ela com uma grande almofada. Então, se quiser se sentar e ler, você poderia fazê-lo confortavelmente. Entre a porta do quarto e o banheiro há um armário alto e escuro. A frente das gavetas parece com couro preto e têm alças de prata incomuns. Outro armário com gavetas, o mesmo estilo de couro, está no lado oposto do quarto. Esse é extenso, com um grande espelho em cima dele na forma de um prato raso, de aparência metálica com as pontas desiguais em cima da superfície escura.


Olhando à minha direita, em seguida, à esquerda, eu vejo que há criadosmudos combinando com a cama, juntamente com abajures que se curvam em uma forma incomum e são feitos da mesma prata escura, como as alças nas gavetas. Recostando-me contra a cabeceira, sinto a frieza atingir minhas costas através da minha camisa, viro para olhar por cima do meu ombro. A cabeceira da cama é do mesmo couro preto da frente dos armários, com pedaços incrustados de prata escura. Puxando o cobertor, eu me pergunto se a mãe dele o ajudou a decorar, e isso me faz sorrir. A colcha combina perfeitamente com o mobiliário, com rebites em cinza escuro, preto e branco. Ouvindo barulho lá embaixo, vou para a lateral da cama e coloco meus pés no chão, tentando não fazer barulho enquanto arrumo a cama, pegando as almofadas decorativas do chão e arremessando junto com as de cor cinza escuro, colocando-as na cama. Assim que arrumo a cama, pego minhas roupas do banheiro e jogo as toalhas de ontem à noite no cesto, vou pelo o corredor até o banheiro que tenho utilizado. Cuido das coisas rapidamente, e vou para o meu quarto pegar calcinha e moletom, vestindo ambos antes de descer as escadas, onde vejo Jax na parte inferior. Sem camisa e vestindo um par de shorts, seu corpo está dobrado, martelando algo no chão. Movendo-me silenciosamente no último degrau, olho para os meus pés, e giro para olhar por cima do meu ombro. E é quando vejo que as escadas agora têm um tapete cinza escuro no centro delas. — Acordei você? Puxando meu olhar das escadas atrás de mim, eu olho para Jax e meus olhos caem para seu peito e abdômen cobertos por um fino brilho de suor. — Não, — digo distraidamente, e olho para trás novamente nas escadas, recordando a noite passada quando pensei que algo estava diferente, e eu simplesmente não conseguia descobrir o que era então. — Quando foi que você fez isso? — Pergunto, virando para olhá-lo e apontando as escadas. — Comecei ontem, mas queria terminar antes de Hope chegar em casa hoje. Ela me assusta completamente toda vez que desce as escadas. — Ela assusta você ao descer as escadas, então você está colocando o tapete? — Pergunto, apenas para esclarecer enquanto algo quente passa por mim.


— Eu faria de qualquer maneira, — ele diz, passando a mão sobre a cabeça e olhando ao redor. — Ela assusta você ao descer as escadas... então você está colocando o tapete? — Repito, seu rosto suavizando e sua mão se estendendo em minha direção. Quando pego a mão dele, ele me puxa contra seu corpo, e me beija suavemente, resmungando, — Esperava terminar isto antes de você acordar, para poder ir acordá-la. — Está tudo bem. Posso ajudar, — murmuro contra sua boca, seu braço me apertando ainda mais, permitindo-me sentir sua excitação contra o meu estômago. — Está quase pronto. Por que não faz um café e liga para July. Ela ligou algumas vezes, mas disse que você estava dormindo. — Ela está bem? — Ela se perguntava por que não aparecemos ontem à noite, — ele explica. — Oh, — sussurro, sentindo meu rosto esquentar, o que o faz sorrir. — Retorne à ligação dela. Quando eu terminar, vou fazer o café para nós, e então podemos ir pegar Hope. — Claro. — Eu aceno, ficando na ponta dos pés e colocando um beijo na boca dele, então me afasto e vou para a cozinha. Encontrando a minha bolsa sobre o balcão, eu pego o celular, vendo que July enviou três mensagens, todas enquanto estava provavelmente bêbada. A maioria delas não faz muito sentido, mas todas me fazem sorrir. Pressionando chamar em seu número, eu coloco o telefone na orelha e pego um copo de café, enchendo-o antes de ir até a geladeira para pegar o creme. — Liguei para você, — July atende quase imediatamente. — Eu sei, desculpe. Acabei de acordar. — Tudo bem. Eu estava preocupada com você na noite passada. Ouvi que o seu plano para o jantar foi arruinado, por causa de Mellissa. — Como ouviu sobre isso? — Pergunto, despejando um pouco de creme e açúcar no meu café e agitando. — É uma cidade pequena, e fofoca viaja rápido.


— Estou tão envergonhada. Não deveria tê-la deixado me perturbar, mas ela me deixa tão louca, — digo honestamente; volto até a geladeira, retiro a caixa de ovos e algumas sobras de bife de algumas noites atrás, juntamente com queijo, uma cebola cortada e pimentão. — Ela provocou isso, além disso, ela simplesmente está com inveja que Jax está apaixonado por você e não por ela, — ela diz e sinto meu coração vibrar. — Como foi ontem à noite? Suas mensagens estavam um pouco difíceis de entender. — Eu digo mudando de assunto. — Isso é o que acontece quando você tenta beber mais que um gigante, — ela murmura, e ouço Wes dizer alguma coisa em segundo plano, e então July diz para ele ficar quieto porque ele deveria cuidar dela. — Então, quais são seus planos para o dia? Quer ir às compras comigo e Ashlyn? Acho que o novo chefe dela é um idiota e disse que ela não pode mais usar saias ou vestidos para trabalhar. — Você está brincando comigo? — Pergunto. Ashlyn me contou um pouco sobre o novo chefe, mas não sabia que ele era um idiota. — Sim, mas acho que ele tem uma queda por ela. — Ele não está noivo? — Sua noiva está em Nova York. Ashlyn o ouviu no telefone com ela, e ela reclamava sobre o tamanho da casa que ele escolhera para eles. — O quê? — Sussurro, enquanto quebro os ovos em uma tigela e os bato. — Sim, o meu palpite é que as coisas não estão tão boas para ele, e ele vê a doce Ashlyn tão perto, mas tão longe, então desconta seus problemas com mulheres nela. — Qual a idade dele? — Acho que perto de trinta. Você o viu? Ele é lindo, — ela sussurra e ouço um estalo alto, em seguida ela diz, — Querido, quero dizer apenas que ele é um cara bonito. — July, não me irrite, — ouço Wes rosnar, e sorrio quando July começa a rir. — Eu precisarei ligar para você depois, — ela grita, rindo um pouco antes do telefone fica mudo. Rindo e balançando a cabeça, eu coloco o telefone no balcão ao meu lado e começo a cortar o bife. Então acendo o fogo e coloco a carne em uma panela, junto


com as cebolas e os pimentões, em seguida, coloco outra panela no fogão. Volto à geladeira e pego a manteiga, pegando uma porção a coloco na panela antes de despejar alguns dos ovos em cima dela. — O que você está fazendo? — Jax pergunta, vindo atrás de mim e me abraçando, beijando a pele abaixo da minha orelha. — Omeletes. — Sorrio, então rio quando seus dentes mordiscam minha orelha. — Cheira bem, — ele murmura distraidamente. — Eu sei como cozinhar, — digo a ele, recostando em seu abraço e inclinando a cabeça mais para o lado, enquanto sua boca viaja em direção ao meu ombro e suas mãos movimentam debaixo da minha camisa para segurar meu peito nu. — Se não tivéssemos que pegar Hope, eu teria você no café da manhã, — ele sussurra contra meu ouvido antes de mordê-lo, lambendo a picada enquanto uma enxurrada de lembranças da noite anterior volta para mim rapidamente, enfraquecendo os meus joelhos. Olhando por cima do meu ombro para ele, eu me pergunto se posso falar com ele sobre desistir do café e ir tomar um banho. — Não olhe para mim desse jeito, baby. Sei que ainda está dolorida, e não quero te machucar. — Você não vai, — asseguro, deixando cair os olhos para sua boca, observando um sorriso aparecer em seus lábios. — Você gosta da minha boca? — Ele pergunta com um sorriso. Dando de ombros, eu olho o fogão novamente, levantando alguns dos bifes, cebola e pimentão da panela sobre a outra panela e jogo-os sobre os ovos. Então, pego um pouco de queijo, murmurando, — Está ok. — Só ok? — Ele pergunta, lambendo o pulsar do meu pescoço, e posso dizer que ele está sorrindo. — Na verdade, não tenho um ponto de referência, mas se precisasse darlhe uma nota, seria em torno de sete, — digo, esperando que ele tente transformar esse sete, que é na verdade uma centena, em um dez. — Sete? — Ele pergunta incrédulo. — Sim, mas como eu disse, não tenho um ponto de referência. Se quiser, posso encontrar alguém para experimentar e ver se sua nota sobe. — Dou de


ombros novamente, então grito quando ele me gira ao redor, e me joga por cima do ombro antes de desligar o fogão e me carregar pelas escadas até seu quarto, onde me deixa cair em cima da cama, e prossegue para provar que ele definitivamente não é um sete. *~*~* — Ax, eu posso ter uma irmã? — Hope pergunta assim que entramos na casa dos pais de Jax. Sentindo minha boca cair aberta, eu olho para a mãe de Jax, que cobre a boca tentando não rir, e depois para o pai de Jax, que tem os lábios firmemente juntos enquanto observa a minha filha. — Talvez um dia, querida, mas realmente, acho que você não pode escolher. Você pode ter um irmão, — Jax diz a ela, pegando-a. — Eu tenu que pedir a Deus ou Papai Noel para uma irmã, mamãe? — Ela pergunta franzindo o rosto, olhando para mim. — Oh, Senhor, — suspiro, olhando para Jax quando ele ri. — Você quer mostrar a sua mãe e Jax o que você fez? — Lilly entra na conversa, solicitamente mudando de assunto dos bebês. — Nós fizemos bolas de cockporn8, — ela grita alegremente, balançando para sair do colo de Jax, enquanto assisto horrorizada ela correr por nós até a cozinha. — Bolas de cockporn? — Jax pergunta, levantando uma sobrancelha para sua mãe, que revira os olhos batendo no peito dele de brincadeira. — Pipocas, — ela diz, vindo até mim e deslizando seu braço no meu, mergulhando o rosto em direção ao meu ouvido, onde sussurra, — Nós ouvimos sobre a noite passada. Você está bem? — Nossa, todo mundo ouviu sobre isso? — Sussurro, sentindo meu rosto aquecer de vergonha. Sei que esta é uma cidade pequena, mas sério, isso está ficando ridículo. Kim e Frankie me enviaram mensagens certificando-se de que eu estava bem, porque também ouviram falar sobre o que aconteceu noite passada.

8 Ela quer falar pipoca (popcorn), mas sai cockporn (pau e pornô)


— Não, Mani estava preocupado com você, e ligou para perguntar a Cash se ele viu Jax. Ele queria ter certeza que vocês estavam bem e nos deixou saber que ele disse a Mellissa e a família dela que eles já não eram permitidos no restaurante. — Agora me sinto ainda pior do que antes, — murmuro, sentindo meu estômago revirar. — Não se sinta mal. Ouvimos o que ela disse para você. Na verdade, um monte de gente ouviu, e sei que muitos deles estão revoltados com a forma como ela agiu e estão tirando as casas que tinham na imobiliária do pai dela. — Acho que isso não me faz sentir melhor, — digo, minha ansiedade começando a aumentar. Odeio o que aconteceu ontem à noite, mas acho que não há outro caminho para isso. Só não acho que o pai de Mellissa deve ser punido simplesmente por ela ser má. — Se você está falando sobre Mellissa, então pare, nós não falaremos sobre ela hoje, — Jax diz, se aproximando e me abraçando. — Levaremos Hope ao parque e para comer pizza. Nós não discutiremos sobre Mellissa ou até mesmo pensaremos nela, — ele declara com firmeza, dando a minha cintura um aperto e olhando incisivamente para sua mãe. — Quando você se transformou no seu pai? — Ela pergunta baixinho, sacudindo a cabeça. — Mãe, não fique toda melosa comigo agora, ok? — Não estou ficando melosa, — ela murmura, limpando debaixo de seus olhos, mas posso dizer que ela estava totalmente no modo mamãe melosa. — Jesus, — ele resmunga, me soltando e tendo sua mãe em seus braços, dando-lhe um abraço e um beijo no topo de sua cabeça. — Aqui está a sua bola de cockporn mamãe, — Hope diz alegremente, vindo até mim, trazendo uma grande bola de pipoca desembrulhada em uma forma estranha e entregando-a para mim, fazendo o revestimento de doce grudar na minha mão. — Amo bolas de cockporn, — ela me diz, lambendo a palma da mão coberta de doces. — Anjinho, — digo baixinho, descendo ao seu nível e pegando a sua mão coberta de doces na minha, então ela se concentrará em mim.


— É pipoca, — digo lentamente. Não tenho nenhuma ideia de onde ela tirou a coisa toda cockporn, mas isso é definitivamente algo que não a quero dizendo em público, ou nunca, para esse assunto. Posso nos ver indo ao cinema e ela gritando, Eu quero COCKPORN! a plenos pulmões no meio de um teatro lotado. — Eu sei, cockporn. — Ela balança a cabeça, lambe a palma da mão novamente. — Não anjo. Pipoca, — digo a ela, pronunciando cada sílaba. — COCK-porn, — ela diz lentamente de volta, como se eu fosse surda, e coloca as mãos nos quadris. — Oh, nossa, — murmuro desistindo, olhando para Lilly, que está lutando contra o riso, e perguntando, — Você tem um saco para isso? — Enquanto seguro a minha mão virada para baixo, mostrando que a bola está presa na palma da minha mão e agora se parece com um pênis e bolas. — Eu tenho. — Ela ri, e olha para Jax olhando para Hope como se ela fosse a coisa mais fofa no mundo inteiro. É como se ele perdeu tudo o que acabou de acontecer, assim como fato de que ela está dizendo cockporn. — Você quer ir ao parque, querida? — Pergunta a ela, pegando-a. — Sim! Você pode me empurrar no balanço? — Claro, e após o parque, nós podemos ir comer pizza para o jantar. — Podemos ter fwozen yogut9? — Ela pergunta, olhando para ele e batendo os cílios. Seus olhos me encontram, e tudo o que posso fazer é revirar os meus. Ela o tem enrolado em seu minúsculo dedo mindinho, e sabe disso também. — Se você jantar tudo, então sim, — ele diz a ela quando vou a cozinha, onde encontro Lilly envolvendo as bolas de pipoca com papel filme. — Obrigada por cuidar de Hope, — digo, caminhando até a pia e lavando a pegajosa bagunça das minhas mãos. — Nós a amamos, e a você, mas você deve saber que ela falou sem parar sobre ter uma irmã. Balançando a cabeça, puxo uma toalha de papel do rolo, e sento ao lado dela, começando a ajudá-la a envolver as bolas de pipoca restantes.

9 Frozen Yogurt – é um iogurte gelado, parecido com o sorvete, porém com menor teor de gordura.


— Desde que eu disse a ela que Jax e eu estávamos namorando, ela me perguntou isso todos os dias. — Não estaríamos chateados com isso. Quero dizer, vocês têm muito tempo para namorar e conhecer um ao outro, mas quando vocês tiverem mais bebês, sempre poderão contar conosco para cuidar das crianças. — Obrigada, — digo a ela, me sentindo estranha. Jax e eu ainda somos tão novos. Embora eu sinta que o conheço desde sempre, a verdade é que ainda temos muito a aprender um com o outro, e quero esperar antes de ter mais filhos. — Me ouviu? Concentrando-me em Lilly, balanço a cabeça, e murmuro, — Desculpe, não. Sorrindo, ela olha para a sala de estar, e viro minha cabeça para olhar por cima do meu ombro para Jax, que conversa com seu pai, com Hope ainda em seus braços e sua cabeça descansando em seu peito. — Normalmente, no aniversário de Jax, nós temos um jantar em família, mas não queria fazer planos antes de saber se você planejara algo. — Quando é o aniversário dele? — Pergunto, horrorizada por não ter ideia que seu aniversário estava até mesmo chegando. — Oh, quarta-feira, — ela diz, envolvendo outra bola. — Preciso trabalhar. — Não se preocupe com isso. Podemos fazer reservas para jantar no sábado, se quiser. — Que tal uma festa surpresa na segunda-feira ou terça-feira? — Pergunto, e seu rosto se ilumina. — Ele odeia surpresas, — ela sorri, e murmura, — Vamos fazer, — quando Cash entra na cozinha. — O que vocês estão cochichando? — Ele pergunta, indo até a geladeira, pegando uma cerveja e encostando-se ao balcão. — Nada, só guardando todas essas bolas de cockporn, — Lilly sussurra alto o suficiente para ele ouvir, fazendo-o rir e a mim a gargalhar. — Você está pronta para ir, baby? — Jax pergunta, colocando a mão no meu ombro ao entrar na cozinha. — Sim, — eu digo, levantando e abraçando Cash e Lilly, agradecendo mais uma vez por cuidar de Hope e os vejo abraçá-la antes de sair da casa.


Quando paramos no parque, eu olho pelo para-brisa da caminhonete. O parque que normalmente vou está a poucos quarteirões da casa, e apenas algumas crianças vão lá para brincar. Este parque é o oposto. O lugar está cheio de crianças, com a maioria dos pais sentados ao redor das mesas ao ar livre na extensa área de areia, conversando e não realmente prestando muita atenção ao que seus filhos estão fazendo. Esperando Jax abrir minha porta, eu desço e pego o casaco de Hope do banco da frente. — Quero que você fique na área de recreação, onde eu possa vê-la. Você entendeu? — Pergunto, me agachando e fechando o zíper da jaqueta dela e colocando seu chapéu. — Sim, mamãe, — ela diz com entusiasmo, saltando para cima e para baixo enquanto observa as crianças correndo ao redor rindo. Ela nunca foi a um parque grande assim antes, e estou um pouco preocupada que com tantas crianças ao redor eu a perca de vista. — O que sua mãe acabou de dizer, Hope? — Jax pergunta, soando tanto como um pai que sou um pouco pega fora de guarda. — Ela disse para ter certeza que ela pode me ver, — ela diz a ele, e a mão dele sai para tocar o rosto dela. — Bom, querida, — ele diz; ela sorri para ele e levanta a mão coberta de luva para a dele quando me levanto. Segurando a outra mão, nós andamos ao longo do caminho de concreto, e paramos ao chegarmos à área de recreação, escavada com troncos lisos colocados ao redor, mantendo a areia separada da grama em torno dela. — Posso ir escorregar? — Hope pergunta, apontando para um escorregador que tem outras duas crianças nele, um menino e uma menina, ambos em torno da mesma idade de Hope. — Claro, anjo, — eu digo, e ela solta a mão de Jax, pula na areia e vai até o escorregador. — Ela ficará bem, — digo a Jax, sentindo sua mão apertar a minha quando ela tropeça antes de endireitar-se e correr novamente. — Sinto que há uma bola constante de preocupação no meu peito quando se trata dela. Estou sempre querendo saber se algo vai acontecer, se há algo que eu possa fazer para impedir que isso aconteça. Isso é normal?


— Sim, mas fica mais fácil depois de algum tempo, — digo, e ele levanta o braço para envolvê-lo nos meus ombros a fim de poder me puxar com mais força contra ele. Vendo Hope subir as escadas do escorregador, eu sorrio e aceno quando ela chega ao topo e depois vejo quando um menino sorri para ela e permite que ela desça antes dele. — Aquele garoto acabou de flertar com ela? — Jax pergunta, parecendo irritado e surpreso. — Ele está apenas sendo gentil, — digo a ele, observando Hope deslizar pelo escorregador e cair com os pés na areia antes de correr para as escadas novamente. — Não, ele está flertando, — reclama, e rosna quando Hope chega ao topo das escadas, e o menino diz alguma coisa para ela, o que faz sua risada ser mais alta do que o ruído do parque. — Você está me dizendo que ele não está flertando? — Ele pergunta, e sinto minha boca abrir quando o menino puxa algo do bolso e dá para Hope. Ela sorri para ele, então se inclina, e sei que ela vai abraçá-lo ou beijá-lo, mas o assovio ensurdecedor de Jax faz todo mundo se virar e olhar para ele, incluindo Hope e o menino. — Vamos para o balanço, — ele grita para Hope, cujas sobrancelhas se juntam antes de dizer alguma coisa ao menino e devolver o que ele deu para ela, em seguida, desliza no escorregador e corre para nós. — Meu novo amigu pode vir? — Ela pergunta quando nos alcança. — Não, — Jax diz imediatamente, e dou um aperto na mão dele. — Agora não, querida, — ele diz a ela mais suavemente, pegando a mão dela e levando-a aos balanços, o que acontece de ser no lado oposto do parque, longe do menino. — Ela está dormindo? — Jax diz, e eu viro, olhando dele para Hope sorrindo, porque ela conversava animadamente sobre o parque momentos atrás, mas agora dorme com um cotovelo na mesa apoiando a cabeça enquanto a outra mão segura o pedaço de pizza. — O parque deixou ela exausta. — Eu rio quando sua cabeça cai de repente, fazendo seus olhos abrirem. — Você está cansada, anjo? — Pergunto, envolvendo meu braço em torno dela para que ela possa descansar contra mim.


— Não, apenas meus olhos estão pesados, — ela murmura, e ouço Jax rir do outro lado da mesa. — Eu vou pegar uma caixa para a pizza e podemos comer em casa. — Jax diz, deslizando da mesa até o meu lado e abaixando a cabeça para mim, beijando meus lábios antes de se endireitar e ir até a pizzaria. Ajustando Hope para que seu corpo esteja no banco, eu sinto algo arrepiar toda a minha pele e os finos cabelos no meu corpo ficando em pé. Olhando ao redor, não noto nada fora do lugar, mas algo sobre o sentimento é inquietante. — Você está bem? — Jax pergunta, voltando à mesa carregando uma caixa. Olhando em volta, novamente, eu afasto o sentimento. — Sim, apenas calafrios, — digo a ele, e seus olhos me encaram antes de olhar ao redor como se soubesse exatamente do que estou falando. — Espere aqui, — ele manda, deixando cair a caixa sobre a mesa e se movendo através do pequeno restaurante, e saindo pela porta. Meu coração acelera enquanto espero ele voltar. Não sei se alguém nos observa, ou se tenho uma razão para estar preocupada, mas quando Jax volta, eu solto um suspiro de alívio. Não sei o que faria se algo acontecesse com ele. — Está tudo bem? — Pergunto, vendo o olhar em seu rosto e a forma como seu corpo parece estar tenso, como todos os músculos de seu torso estão maiores do que eram antes dele sair. — Está tudo bem, — ele diz, mas seu tom e comportamento dizem algo completamente diferente. — Vamos, — ele afirma, pegando Hope e ajustando-a em seus braços. — Quando chegarmos lá fora, você precisa ficar perto de mim. — O que foi, Jax? — Pergunto, tentando esconder a hesitação da minha voz, o que é difícil, porque estou muito assustada. — Havia um bilhete no meu carro. — Sobre mim? — Pergunto, olhando para Hope. Eu morreria se alguma coisa acontecesse com ela. — Assim que eu tiver vocês duas em casa, eu vou ligar para meu tio. — Jax, — sussurro, sentindo minhas entranhas começarem a se encher de adrenalina, o que me faz querer pegar Hope e correr tão longe e tão rápido quanto puder.


— Nada acontecerá com você ou Hope. Agora, preciso que você me ouça e faça o que eu digo. — Ok, — concordo com um aceno de cabeça, pegando minha bolsa da mesa e colocando-a em meu ombro. — Vamos lá, baby, — ele diz, pegando a minha mão e me levando para fora do restaurante até a sua caminhonete estacionada em frente. Entrando na parte de trás com Hope, assisto Jax correr ao redor da frente da caminhonete para o lado do condutor, e depois olho ao redor tentando ver se alguma coisa está fora do lugar, mas não noto nada. Quando chegamos em casa, Jax nos leva para dentro e nos deixa na sala de estar antes de sair com o telefone no ouvido. Olhando para Hope, eu rezo para que Jax, ao contrário de todos os outros que eu conheço, seja capaz de manter a sua palavra.


CAPÍTULO 09

— Vocês ficarão bem? — Sim, Ellie está apavorada, mas acho que uma vez que souber que isso não tinha nada a ver com o cara que a sequestrou, ela dormirá um pouco mais tranquila, — digo ao meu tio Nico, olhando na direção da escada, onde Ellie desapareceu com Hope alguns minutos atrás. Odiei ela ter ficado com medo no restaurante, e eu não poder tranquilizá-la que as coisas ficariam bem, mas meu único pensamento era tirar Hope e ela de lá e trazê-las para casa. Não estou muito preocupado que Mellissa faça algo enquanto eu estiver por perto, mas ainda assim não arriscarei a deixar algo acontecer com qualquer uma das minhas meninas. — Quando conseguirá uma a ordem de restrição contra Mellissa? — Pergunto, indo até a geladeira e pegando duas cervejas. — Conheço um dos juízes da cidade, e garantirei que saia amanhã de manhã, — ele diz, enquanto pego o abridor de garrafas e abro as duas antes de entregar uma para ele e me encostar ao balcão atrás de mim tomando um longo gole. — Não acho que ela fará algo para ferir Hope ou Ellie, — ele acrescenta, e sinto minha mandíbula enrijecer. — Também não penso assim, mas não darei nenhuma chance. A garota acha que tem algum tipo de poder sobre mim. Mesmo após eu deixar claro em mais de uma ocasião que não há nada entre nós, nem nunca haverá. Ela insistindo de forma diferente só me diz que ela está louca, e atualmente, você não pode virar as costas para uma louca. — Eu concordo. É melhor ter cuidado, — Nico concorda.


— Não sei como meu pai fez isso, — murmuro, tomando outro gole da minha cerveja, vendo o rosto de meu tio mudar ligeiramente. Eu sei que ele entende o que estou falando. Ele ajudou o meu pai a pegar Ashlyn de volta depois que minha mãe biológica a sequestrou quando ela era pequena. Ainda me lembro de estar com medo quando ela pegou Ashlyn bem no nosso quintal enquanto brincávamos de esconde-esconde. Mesmo com tanto medo, ainda encontrei coragem para caminhar para a parte de trás da caminhonete, onde me escondi sob uma lona. Quando a caminhonete parou em uma casa velha no campo, eu corri por um campo até a casa de um velho agricultor e disse a ele o que aconteceu, e ele ligou para o meu pai. Felizmente, o cara para quem minha mãe biológica venderia Ashlyn era na verdade um agente secreto, mas se não fosse, as coisas poderiam ter sido completamente diferentes. — A ideia de Hope e Ellie estarem em qualquer tipo de perigo me provoca um pânico que não estou acostumado a sentir. — O amor faz isso com você, faz você se sentir inseguro e instável. Nestes dias, eu me preocupo com sua tia Sophie e seus primos. Acho que não há um minuto ou segundo que passe em que não quero saber se há algo que eu possa fazer para garantir que eles estejam seguros e cuidados. Você só precisa saber que merda vai acontecer, coisas que estão fora de seu controle ocorrerão, e a única coisa que você pode fazer é ser grato por estarem todos juntos quando a poeira assentar, — ele diz, logo quando o cheiro de Ellie me acerta, informando-me que ela está por perto. Quando ela vira para a cozinha, seu olhar prende com o meu e sinto meu rosto suavizar. — Ela está dormindo? — Pergunto quando ela vem em minha direção. — Sim, não queria nem tomar um banho, então eu sei que ela está cansada, — ela murmura, andando até ficar ao meu lado e pegar a cerveja da minha mão, colocá-la na boca e tomar um gole antes de olhar para o meu tio e dizer, — Obrigada por vir. Os lábios do tio Nico se contorcem. — Não há problema, — ele diz, deixando a cerveja no balcão. — Eu vou sair. Ligarei amanhã, depois que sair a ordem de restrição contra Mellissa. Se precisar de alguma coisa é só me avisar. — Farei, — eu digo, envolvendo meu braço na cintura de Ellie e seguindo-o até a porta da frente.


— Precisamos marcar um jantar logo, sua tia Sophie tem estado sobre as bundas das meninas quanto a se estabelecer desde que você conheceu Ellie. Espero que se ela passar algum tempo com Hope, ela relaxe. Não estou pronto para ser vovô ainda. — Ele sorri quando Ellie ri, se inclina e dá um beijo na testa dela, murmurando, — Tudo ficará bem, — me dando uma elevação de queixo enquanto abre a porta e a fecha atrás dele. — Não posso vê-lo como um vovô também, — Ellie diz, sorrindo para mim. — Ele é meio durão. — Ele é durão, — digo, pegando sua mão e levando-a para a sala, onde a coloco no meu colo. — Você está bem? — Pergunto, pegando a cerveja de sua mão e colocandoa sobre a mesa ao lado do sofá. — Sim, mas você ainda não me disse o que o bilhete dizia, — ela se queixa em voz baixa, levantando a cabeça para olhar para mim. — Você não precisa se preocupar com isso. — Não faça isso, não me faça sentir como se eu não tivesse controle sobre minha vida ou as coisas que afetam a mim e a Hope, — ela diz, e minha boca se abre para falar, mas ela a cobre com a mão. — Sei que você quer nos proteger. Entendo isso, mas preciso saber o que está acontecendo. Você não pode esperar que eu o siga cegamente, não quando Hope e eu estamos envolvidas. — Tirando sua mão da minha boca, eu a ajusto no meu colo, assim ela monta minha cintura e levanto suavemente o seu rosto com minhas mãos. — Não gosto de ser a razão de isso estar acontecendo. Eu odeio que, por causa da minha má decisão, ela ache que pode foder comigo e, por sua vez, foder com você. Não quero nada disso tocando você ou Hope. Não quero que você tenha que se preocupar. — Eu já estou preocupada. Você saiu correndo comigo e com Hope de um restaurante como se uma multidão estivesse atrás de nós, — ela diz, fazendo-me lutar contra um sorriso. Puxando-a para mim, a beijo suavemente e inclino para estudar seu rosto. — O bilhete não disse muita coisa. — Jax, — ela rosna, empurrando o meu peito e tentando sair do meu colo.


Lançando-a de costas, eu puxo suas mãos acima da sua cabeça e seguro-a sob mim. — Dizia, quando ela se for, você voltará para mim, — eu rosno, sentindo a raiva ao ler as palavras pela primeira vez aumentar novamente no meu sistema. — Oh, meu Deus, — ela diz, a cor sendo drenada de seu rosto. — É por isso que não queria que você soubesse o que dizia. Esse olhar em seu rosto agora é a razão pela qual eu quis manter essa merda longe você. — Eu sabia que ela era louca, mas não sabia quão louca era, — ela respira aflita, com seu corpo parado sob o meu. — Ela não tocará em você ou Hope. Nada acontecerá com qualquer uma de vocês. — Ela é louca, — ela repete. — Eu ligarei para o pai dela na parte da manhã. Sei que ele não quer esse tipo de atenção, especialmente depois do que aconteceu na outra noite no restaurante. Esperemos que ele seja capaz de colocar algum sentido nela. — Não posso acreditar nisso, — ela sussurra, olhando por cima do meu ombro antes de encontrar meus olhos mais uma vez. — Que tipo de mulher faz isso? Quero dizer, eu sei que Kim me contou sobre a irmã gêmea tentando drogar Sage, mas isso não é assim. Ela não está tentando roubá-lo, — ela diz, e me afasto, porque não tenho nenhuma ideia do que diabos ela está falando. — Ela quer você e pensa que se eu for embora, você voltará para ela. É seriamente insana, e digo insana... como se precisasse de medicação e um psiquiatra, talvez até mesmo uma camisa de força. — O que aconteceu com Sage? — Pergunto, ignorando seu divagar. — Uhh... — Ela congela, e morde o lábio inferior. — O que aconteceu com Sage? — Pergunto novamente. — Acho que não cabe a mim dizer para você, — ela sussurra, tentando se sentar. — Fale, — exijo, segurando seu pulso firmemente contra o sofá. — Você é um idiota. — Ellie. — Tudo bem, mas acho que se Sage quisesse que você soubesse disso, ele mesmo teria dito. Ela provavelmente está certa, mas não me importo. — Fale, — repito.


Bufando, e apertando os olhos, ela diz, — Kim tem uma irmã gêmea do mal. Kim gostava de Sage, e eles... — ela faz uma pausa, ficando vermelha. — Eles ficaram, mas na noite seguinte que ela e Sage... você sabe... Sage saiu e a irmã de Kim tentou drogá-lo. Então, agora Sage pensa Kim é uma louca, mas ela não é; sua gêmea do mal é. — Que porra é essa? — Digo, soltando-a e sentando no sofá, tentando compreender tudo isso. — Sei que isso é muito confuso, e me sinto mal, porque acho que Kim realmente gostava dele antes dele a chamar da palavra com P e dizer que ela era louca, — ela diz sentando, inclinando-se sobre mim, pegando a cerveja da mesa, pressionando-a em minha mão e levantando-a a minha boca. — Eu falaria com Sage sobre isso, mas não fui capaz de ficar sozinha com ele, — ela diz; meus olhos encontram os dela e estreitam. — Nem mesmo comece com esse negócio de homem das cavernas. Ele é seu primo. Quero dizer, ele é bonito, mas... — Pare, — rosno, abaixando a cerveja. — O quê? Só estou dizendo que ele é um cara bonito. — Ela encolhe os ombros, mas vejo o sorriso que tenta esconder. — Você acha que é engraçado me deixar louco? — Pergunto a ela, e ela dá de ombros novamente. — Você tem sorte que eu te amo, — digo sem pensar, e sua respiração para completamente, em seguida ela sai do sofá antes que eu possa pegá-la. — Eu... eu vou... tomar banho e ir para a cama, — ela gagueja, deixando a sala de estar correndo, e ouço seus pés bater nas escadas. Correndo a mão sobre a minha cabeça, eu murmuro, — Foda-se, — sob a minha respiração; pego a cerveja e a termino antes de me levantar, fecho a casa, e ligo o alarme. Subindo, ouço o chuveiro do corredor ligado, então apago a luz e espero no escuro até que seja desligado e ela abra a porta. Assim que ela pisa no corredor, eu cubro sua boca com a mão e sussurro, — Não acorde Hope, — em seu ouvido antes de arrastá-la pelo corredor até o meu quarto. Fechando a porta atrás de mim, a empurro para a cama no meio do caminho, e rastejo em cima dela com as pernas entre as dela. A única coisa que nos separa é a pequena toalha em que está enrolada e meus jeans.


— Jax, — ela diz, e ouço o medo e preocupação em seu tom. Esticando, eu acendo a luz ao lado da cama para poder ver seu rosto. — Não me importo se é muito cedo para dizer. Não me importo se você acha que precisamos de mais tempo. Não fingirei que não te amo. — Jax, — ela repete, mas desta vez há uma suavidade em sua voz que não estava lá antes. — Amo você, Ellie. Eu amei você antes mesmo de saber quem você era. Não tenho nenhuma ideia de como isso funciona. Não tenho nenhuma ideia de como é possível encontrar alguém feito apenas para mim, mas é você. Você foi feita para mim. Você é tudo que eu jamais soube que queria. Você e Hope me completam, e não importa se eu te digo agora ou daqui a um ano, porque os meus sentimentos ainda serão os mesmos. Você estava destinada a ser minha, — eu digo, vendo as lágrimas deslizarem pelos cantos dos seus olhos, nas têmporas e no cabelo. — É muito cedo, — ela sussurra. — Não é. — Nós nem sequer conhecemos um ao outro. — Eu conheço o suficiente para saber como me sinto. — É muito cedo, — ela repete suavemente, estudando o meu rosto enquanto seus dedos se entrelaçam com os meus. — Não é, — digo novamente, inclinando para beijá-la, e me afastando o suficiente para revelar, — O tempo só deixará o que eu sinto agora ainda mais forte, o que você sente mais forte. — Eu a beijo, rolando de costas e a ajustando para descansar em cima de mim. — Eu também te amo, — ela diz tão baixinho que eu mal a ouço sobre o barulho alto de meu próprio coração. — Não pensava que era possível me sentir desse jeito. — Você tem a mim, Ellie. Você e Hope ambas me têm, sempre, — digo a ela, correndo

minha

mão

sobre

seus

cabelos

molhados,

ouvindo-a

chorar

suavemente. — Prometo que seremos felizes. — Eu já estou feliz, — choraminga, e sinto seu corpo estremecer contra o meu. Segurando ela um pouco mais apertado, escuto quando as lágrimas param e sua respiração se estabiliza, e então a rolo para o lado, ajustando-a até que esteja debaixo das cobertas, e saio da cama.


Indo até o final do corredor, eu abro a porta de Hope e atravesso seu quarto quase escuro, me agachando ao lado dela, coloco minha mão em seu peito, sentindo a ascensão e queda sob minha mão antes de beijar sua testa e voltar ao meu quarto. Tirando meus jeans e camisa, deito na cama atrás de Ellie, e adormeço. *~*~* — Você precisa ficar quieta, anjo, — ouço Ellie dizer, então eu sinto um balanço e uma pequena mão quente no meu rosto. — Ele ronca realmente alto, — ouço Hope sussurrar em voz alta, então a ouço rir. — Ele soa como um monstro. — Pensei que você ainda estivesse cansada, — ouço Ellie sussurrar enquanto abro um olho depois o outro e inclino meu queixo, vendo ambos os olhos de Hope e Ellie em mim. Hope está no lado oposto de Ellie com o braço sobre o pescoço de sua mãe e a mão descansando na minha bochecha. — Bom dia, — eu ressoo e Hope ri, mas os olhos de Ellie suavizam. — Bom dia. Eu ia deixá-lo dormir, — Ellie diz. — Está tudo bem, — digo a ela, inclinando e pressionando um beijo em sua testa, e levantando a mão para tocar o cabelo de Hope. — Podemos ter panquecas de Skittle10? — Hope pergunta, e sorrio conforme o rosto de sua mãe empalidece apenas com a ideia de panquecas de Skittle. — Acho que não, querida, — digo a ela. — Oh, — ela faz beicinho. — Que tal comermos ovos e torradas? — Ellie sugere, rolando em suas costas. — Mas eu quero panquecas. — Não podemos ter panquecas todos os dias, querida, — digo a ela suavemente, colocando meu cotovelo na cama e descansando minha cabeça na minha mão. — Por que não?

10 Panquecas com confeitos coloridos.


— Se tivermos todos os dias, elas não serão especiais, — Ellie diz a ela, puxando-a para colocá-la contra o peito, e noto que agora ela veste a camisa que eu usava ontem, o que é uma coisa boa, uma vez que Hope entrou no quarto. — Oh, — Hope diz, e olha para mim. — É por isso que não podemos ter bolo de aniversário todos os dias? — Exatamente, — Ellie confirma com um sorriso. — Posso ter uma irmã? — Senhor, — Ellie sussurra. Rindo, eu digo, — Talvez um dia. — Posso ter um cachorro? — Ela pergunta depois de alguns segundos. — Que tal sair? — Ellie pergunta a ela. — Não quero sair. — Ela franze a testa. — Vá escovar os dentes, querida, então faremos o café, — eu digo. — Ok, — ela faz beicinho, beija a mãe dela e a mim, e levanta na cama, pulando duas vezes antes de pousar de bunda na borda e deslizar para o chão, correndo para fora do quarto. — Ela é persistente, — Ellie murmura, e rolo sobre ela, prendendo-a debaixo de mim. — Eu digo que devemos apenas dar a ela o que ela quer, — murmuro na pele do pescoço dela, ouvindo sua ingestão aguda da respiração. — É muito cedo para um bebê, — ela choraminga quando deslizo meus joelhos entre os dela e passo a mão sobre sua coxa, colocando-a na bunda dela e puxando seu núcleo para mais perto da minha ereção. — Talvez, — digo, esfregando contra sua orelha, mordendo-a e amando o gemido que vem depois. — Jax, — ela sussurra, passando as mãos pelas minhas costas e levantando o joelho, envolvendo seu pé na parte de trás da minha coxa, me trazendo ainda mais perto. Moendo contra ela, eu seguro seu peito, e me inclino para lamber seus lábios. — Estou pronta! — Hope grita de algum lugar no corredor, fazendo-me gemer de frustração. Rolando nas minhas costas, ouço Ellie rir e levanto a cabeça para assistir ela sair da cama e caminhar até a porta. — Vejo você lá embaixo. — Ela sorri, olha para o meu colo e ri.


— Vejo você lá embaixo, — concordo, me segurando e tentando aliviar a pressão antes de rolar para fora da cama e ir para o chuveiro. Vou para a água fria, matando meu tesão depois de alguns minutos dolorosos antes de mudar para água quente e me ensaboar rapidamente. Quando chego lá embaixo, Ellie está vestida e seu cabelo preso em um coque, combinando com a roupa que ela vestiu. Uma camisa preta e justa de manga comprida que termina em seus joelhos, aonde se une as meias pretas e botas pretas de salto baixo que vem até o joelho. — Para onde vamos? — Pergunto a ela, vendo que ela está vestida para o dia. Virando-se para olhar para mim por cima do ombro, ela responde, — Trabalho. Conversamos sobre isso ontem. Você disse que cuidaria de Hope. — Isso foi antes de ontem à noite, — a lembro calmamente. — Ainda vou para o trabalho, — ela responde, e olha para Hope sentada no balcão, nos observando. — Ela não me incomodará lá. — Ela vai à geladeira e pega uma caixa de ovos. — Ellie, — digo severamente, observando seus olhos endurecerem. — Jax, — ela retruca no mesmo tom áspero, caminhando até o balcão e dizendo a Hope que ela pode quebrar os ovos para mexê-los. Puxando uma respiração profunda, eu a solto lentamente, tentando me acalmar. — Tudo bem, eu colocarei um dos caras lá o dia todo. — Isso é ridículo, — ela resmunga, enquanto ajudo Hope a quebrar os ovos em uma tigela, e entrego um garfo a ela, beijando seu nariz quando ela sorri. — Aceite isso ou fica em casa, — digo a ela, tentando esconder a frustração no meu tom na frente da Hope. — Tudo bem, — ela bufa, colocando uma porção de manteiga na panela que está no fogão. — Tudo bem, — concordo, me aproximando dela para pegar uma xícara de café, e mergulhando meu rosto perto de seu ouvido. — Ainda está dolorida? — Pergunto, sentindo-a tremer contra mim. — Não, — ela suspira após algumas batidas.


— Saboreie esse sentimento, baby, porque amanhã, você não sentirá o mesmo, — digo, beijando seu pescoço e puxando a pele em minha boca, mordendo até ela engasgar. — Por favor, não mande Sage para o salão de beleza, — Ellie diz, depois do o café da manhã e guardarmos os pratos que acabamos de lavar. — Não quero tornar isso difícil para Kim. — Vou mandar Tallon, — digo a ela, mas sei que precisarei falar com o meu primo. Na verdade, estou surpreso dele não trazer à tona o que aconteceu com ele e Kim. Não é como se ele guardasse algo assim para si mesmo. — Ainda acho que é ridículo enviar alguém. — Eu prefiro estar seguro a me arrepender, — digo a ela, secando minhas mãos, recostando contra o balcão e puxando-a para ficar entre minhas pernas. — Preciso saber que você está segura, — digo, e ela estuda meu rosto por um longo tempo antes de deixar escapar um suspiro. — Ok, mas apenas por hoje. — Não negociarei com você, Ellie, não quando se trata da sua segurança e de Hope. — Ter um namorado durão, é chato, — ela murmura baixinho, me fazendo sorrir. — Você se acostumará com isso, eventualmente, — prometo, passando minhas mãos em sua cintura. — Se você terminou de mandar em mim, eu posso ir terminar de me arrumar para o trabalho e ver se Hope não pintou a si mesma ou outra parede? — Ela pergunta, referindo-se a última vez que deixou Hope sozinha e ela começou a pintar a parede do quarto com esmalte. Sentindo minhas sobrancelhas franzirem, eu olho para ela e pergunto, — Pensei que você estava pronta. — Ainda preciso me maquiar, e quero arrumar Hope antes de ir. Sem ofensa, mas a última vez que você a arrumou, ela usava as calças justas verdes de Natal e o vestido Frozen, eu fiquei um pouco envergonhada. — Ela quis vestir. — Dou de ombros, agarrando sua bunda e puxando-a para mais perto. — E você não precisa de maquiagem, já está linda. — Você é um cara. — Ela sorri, inclinando-se e beijando meu maxilar.


— Eu quero um beijo de verdade antes de ir, — digo, puxando-a com mais força contra mim e mergulhando o rosto para o dela. — Mand... Interrompendo-a, eu cubro sua boca com a minha e passo a minha língua sobre a costura dos seus lábios, gemendo quando seus lábios se abrem e sua língua passa através da minha, deixando para trás o gosto dela e café. Afastando-me lentamente com um último beijo, eu sorrio quando seus olhos se abrem e as mãos relutantemente liberam minha camisa. — Hoje à noite, — digo a ela, observando o calor de seus olhos e sentindo seu corpo derreter no meu. *~*~* — Você pode pintar minhas unhas, Ax? — Hope pergunta, entrando na cozinha, onde estou de pé conferindo a vigilância de uma das empresas locais que tem sofrido uma série de arrombamentos nos últimos dois meses. — Eu... — olhando o esmalte em sua mão, eu sei que isso será desastroso, ainda pior do que ela fez em si mesma, o que é ruim, considerando que da última vez ela tinha esmalte cobrindo ela e suas roupas. — Que tal sairmos para fazer suas unhas? — Eu digo vez disso. — Sério? — Ela suspira feliz. — Claro, querida, depois nós podemos visitar July no veterinário. — Yay! — Ela grita, dançando em círculos, me fazendo rir. — Vá buscar o seu casaco e os sapatos, — digo, e ela corre para fora da cozinha. Desligando o meu laptop, eu pego o meu boné do balcão e as minhas chaves, colocando-as no bolso. — Não consigo encontrar o meu casaco. — Indo ao corredor da entrada e abrindo a porta do armário, eu retiro o casaco pendurado em um dos ganchos mais baixos. — Você sequer procurou? — Pergunto, entregando o casaco, sabendo que ela nunca procura nada; ela sempre diz que não consegue encontrar seja o que for que estiver procurando para que alguém busque para ela.


— Olhei em todos os lugares, mas não aqui, — ela diz, séria, fazendo-me lutar contra um sorriso. — Sabe onde estão seus sapatos? — Pergunto. — Sim, — ela diz, correndo para a sala de estar e voltando alguns segundos depois com um par de saltos de plásticos vermelho brilhante infantil que me lembra de O Mágico de Oz. — Não sei se você deve usar esses, — digo a ela, observando ela tentar andar nos sapatos, que são muito grandes e feitos apenas para brincar de se vestir. — Mas eles palecem bonitos, — ela afirma, olhando para si mesma e batendo as pontas dos sapatos juntas. Sabendo que Ellie não ficará feliz se ela usar os saltos, eu vou à porta da frente e pego suas botas de cano longo de borracha listrada do arco-íris e pergunto, — Que tal estes, ao invés? — Mas gosto desses, — ela insiste, seu lábio inferior treme e lágrimas enchem seus olhos. — Não chore, querida. Você pode usá-los, mas levaremos estes apenas no caso de precisar. — Tudo bem, — ela diz com um sorriso, suas lágrimas secando instantaneamente, deixando-me saber que acabei de ser enganado. Caminhando para o salão de beleza trinta minutos depois, carregando Hope porque ela não pode andar com os sapatos, eu me pergunto se isso foi um erro enorme. Há apenas mulheres lá dentro, e pela forma como todas olham para mim, você pensaria que acabei de entrar em uma reunião de speed-dating11. — Como posso ajudá-lo? — Pergunta uma mulher mais velha, olhando para mim, e para Hope, que de repente ficou tímida. — Ela gostaria de ter as unhas pintadas, — digo a ela. — Oh, — a senhora diz sorrindo para Hope. — Sabe que cor você quer? — Rosa, — Hope diz, colocando a cabeça no meu ombro. — Que tal eu te mostrar alguns dos tons de rosas que temos, e então você pode escolher o seu favorito? — A senhora pergunta com um sorriso gentil.

11Speed-dating é um processo que permite que pessoas solteiras tenham a oportunidade de conhecer vários pretendentes em um mesmo lugar, por meio de encontros rápidos. Como por exemplo, no filme Hitch: O conselheiro amoroso.


— Tudo bem, — Hope responde quando a coloco no chão para que pudesse seguir a senhora em seus saltos brilhantes até um grande display de esmaltes. Sentindo o calor nas minhas costas, eu me viro, notando que algumas mulheres no salão de beleza têm seus olhos em mim, e a maioria tem uma apreciação que me deixa desconfortável. Girando e indo até Hope, eu vejo como ela não se limita a escolher rosa, mas também roxo e brilhos, entregando as cores para a mulher, que então a leva para uma das cadeiras. — Você gostaria de uma massagem enquanto ela faz as unhas? — A menina mais nova pergunta, vindo até mim. — Não, obrigado, — digo, tentando ser educado, sentando na cadeira ao lado de Hope. — Tem certeza? — Ela pergunta, e sinto meu queixo ranger quando seus olhos vagueiam sobre mim. — Tenho certeza, — murmuro, me afastando dela e assistindo a mulher que faz as unhas de Hope dar um olhar fulminante em cima do meu ombro antes de voltar sua atenção para Hope. — Foi bom seu pai trazer você aqui para fazer as unhas, — a mulher fazendo as unhas de Hope diz, e meu corpo se aperta. Se um dia ela decidir me chamar de papai, serei completamente a favor, mas não quero que ela se sinta obrigada a me chamar, ou deixá-la se sentir estranha sobre isso. — Ele é sempre bom para mim. Ele até me dexo usar meus sapatos blilantes hoje, — Hope diz, batendo os pés juntos, fazendo os sapatos cair e atingir o chão. — Aposto que você o tem envolvido em seu dedinho, não é? — A senhora pergunta, sorrindo para Hope, então para mim. — Não. — Hope dá risadinhas. — Você tem, querida, — ela diz para Hope, sorri para mim e pisca antes de pintar as unhas, só para ter de corrigi-las três vezes antes de secar. Assim que deixamos o salão e vamos à clínica veterinária onde July trabalha já passa das duas e o estacionamento está meio vazio. — Você pode me carregar? — Hope pergunta quando a coloco de pé no estacionamento de cascalho. — Que tal trocar de sapatos?


— Eu quero mostrar para July que meus sapatos brilhantes combinam com o meu esmalte, — ela me diz, levantando os dedos cobertos de glitter agora para eu ver. — Ok, pule, — digo a ela, me inclinando para ela subir em minhas costas e carregá-la pelo estacionamento. Assim que chegamos à entrada, eu deixo Hope descer, e abro a porta, a qual toca quando entramos. — Ei, está tudo bem? — July pergunta, saindo de uma das salas dos fundos, arrumando sua camisa, seguida por Wes. Sorrindo para ela, ela revira os olhos quando digo, — Seu pai disse que ontem deixaram aqui alguns filhotes, e eu queria mostrar para Hope. — Filhotes de cachorro? — Hope sorri, inclinando a cabeça para olhar para mim, em seguida, olhando para July, ela pergunta, — Posso tocá-los? — Claro que pode, querida, e amei os seus sapatos, — July diz, passando a mão sobre a parte superior de seu cabelo. — Como vai, cara? — Pergunto a Wes, dando-lhe um aperto de mão enquanto July conversa com Hope sobre as unhas dela. — Ia ligar para você assim que saísse daqui, — ele diz em voz baixa, olhando para Hope e July. — Tudo bem? — Precisamos conversar, — ele diz, tirando os olhos das meninas. — Ellie sai do trabalho às cinco. Você pode me encontrar depois disso? — Eu ficarei com os caras na loja, — ele diz, recostando-se contra o balcão atrás dele. — Devo levar o meu tio? — Pergunto, sabendo que se isso tiver alguma coisa a ver com as meninas, então meu tio precisa saber, já que o caso é dele. — Leve-o com você. — Nós estaremos lá, — murmuro, sentindo-me ficar tenso. — Você dará um cachorro para Hope? — Ele pergunta, mudando de assunto ao olhar para Hope e July. — Ela está pedindo uma irmã, — digo a ele, balançando a cabeça. — Jesus. — Ele sorri. — Eu sei. — Sorrio de volta, murmurando, — Ela pode ser um gênio, porque cada vez que pede uma irmã, ela pede um cão logo depois.


— Garota esperta. — Ele ri. — Estou fodido, — digo sinceramente, girando quando ouço Hope ri. — Consiga o cachorro, depois lhe dê uma irmã, — ele diz, dando um tapinha no meu ombro. — Planejo isso, — digo, e seus olhos enrugam ao balançar a cabeça. — Vejo você mais tarde. — Até mais, — eu concordo, observando ele ir até July, dizendo algo que a faz corar antes de beijá-la, e estender seu punho para Hope colidir com o dela antes de sair. — O que você acha de vermos uns filhotes? — July pergunta, e Hope salta para cima e para baixo em seus saltos, fazendo o clique clack ecoar nas paredes, segurando a mão dela e seguindo-a pelo corredor em direção à parte de trás da clínica. Passando por uma porta dupla, ela nos leva a uma pequena sala com um banco ao longo de uma parede. — Sente-se no chão que eu já volto, — July diz, e Hope se senta no chão enquanto me sento no banco, descansando os cotovelos sobre os joelhos, observando ela sorrir para mim animadamente. Um momento depois, July retorna à sala com dois filhotes de cachorro, um em cada mão. Um é marrom escuro, e o outro é creme, ambos balançando em seu aperto. — Eles são tão bonitos! — Hope grita quando July coloca os cachorros no chão, e eles imediatamente vão para Hope e começam a subir nela. — Quais são os nomes deles? — Hope levanta um e depois o outro, segurando-os perto de seu rosto para que eles possam lambê-la. — Ainda não dei nomes para eles. Você quer me ajudar? — Pergunta July, e Hope solta um e pega o outro. — Este é Chocolate Chip12, — ela diz, segurando o marrom em um abraço, e me deixando preocupado com o pequeno cachorro. — E este? — Pergunto, pegando o filhote de cor creme, o qual não é tão hiperativo quanto o outro. — Pancake13. — Ela sorri, então ri quando Chocolate Chip rasteja até o seu peito, forçando-a a cair de costas para que ele possa lamber seu rosto. 12 Lascas de chocolate 13 Panqueca


— Você sabe que tipo de cães que eles são? — Pergunto a July, que se senta ao meu lado no banco, enquanto Pancake caminha na curva do meu braço. — Achamos que é uma mistura de laboratório, mas não há como saber com certeza sem um teste de DNA, — ela diz, sorrindo para Hope, que late para Chocolate Chip, fazendo-o latir de volta. — O Chocolate é macho, e Pancake é fêmea. Ambos são doces. — Ela me dá um olhar compreensivo. — Ellie vai me matar, — digo, vendo seu sorriso. — Ela não será capaz de matá-lo quando vir como eles são bonitos, — ela canta, passando a mão sobre o corpo de Pancake. — Dois filhotes de cachorro, — murmuro para mim mesmo, e olho para Hope deitada de costas, observando Chocolate andar para trás, arrastando seu sapato vermelho brilhante ao redor. Estou tão fodido. — Onde assino? — Suspiro; e o rosto de July se ilumina. Ao ouvir o sinal sonoro de alarme na porta da frente, eu olho para Hope e coloco o dedo na minha boca, dizendo-lhe para ficar quieta enquanto caminho até a sala em direção a Ellie. — Olá, baby. Como foi o trabalho? — Pergunto enquanto ela fecha a porta e tira a jaqueta. — Bom, não muito ocupado, e nada aconteceu, — ela diz, olhando para mim com triunfo. — Eu sei. Conversei com Tallon, e também falei com o pai de Mellissa, que me disse que enviaria Mellissa para ficar com a tia por um tempo, — digo a ela, observando uma expressão de alívio passar por seus olhos. — Oh, — ela diz. Então seus olhos se movem sobre o meu ombro quando Hope grita, — Não! Não coma isso, Pancake! — O que está acontecendo? — Ela franze a testa, e me movo para ficar na frente dela. — Antes de ficar chateada, sei que isso é melhor do que a alternativa, — digo a ela, e a impeço novamente quando ela tenta passar por mim.


— Jax, — ela rosna, mas antes que eu possa dizer qualquer outra coisa, o som de patas pequenas batendo no piso de madeira, seguido pelo som de pés minúsculos ecoa pela sala. — Você não fez isso, — Ellie diz, e Chocolate Chip corre para seus pés, pulando em cima de suas pernas por trás, arranhando as botas pretas de Ellie. — Não fique chateada, — digo, inclinando-me e pegando Chip. — Como você pode ficar brava com esta carinha? — Seguro o filhote perto do meu rosto. — Não posso deixá-lo sozinho com ela, posso? — Ela pergunta, lutando contra um sorriso quando Hope anda por trás de mim, segurando Pancake. — Dois? Você arrumou dois filhotes de cachorro? — Ela pergunta, vendo Pancake. — Surpresa! — Hope canta, e os olhos de Ellie vão até ela, e voltam para mim enquanto ela balança a cabeça. — Não são bonitos, mamãe? — Muito bonitos, anjo, — Ellie responde quando sinto algo quente molhar a frente da minha camisa. Olhando para baixo, eu gemo enquanto Ellie e Hope riem. Colocando o cachorro no chão, eu tiro minha camisa, agora encharcada, sobre a minha cabeça, e sorrio quando o olhar de Ellie cai para o meu abdômen. — Preciso ir tomar banho e sair para encontrar o meu tio e Wes, — digo, observando sua face mudar. — Está tudo bem, — asseguro a ela, lendo seu rosto, estendendo a mão e correndo os dedos sobre os dela. — Quando eu chegar em casa, vamos conversar. Balançando a cabeça, ela morde o lábio inferior antes de dizer, — Ok, quando você chegar em casa. — Eu voltarei em um segundo, — saio correndo pelas escadas e pulo no chuveiro rapidamente. Quando desço novamente, encontro Hope e Ellie na sala de estar, sentadas no chão, brincando com Chocolate Chip e Pancake, ambas com sorrisos em seus rostos. — Eu voltarei, — digo, entrando na sala e agachando, beijando Ellie, e inclinando e pressionando um beijo no topo da cabeça de Hope. — O que você quer para o jantar? — Ellie pergunta, e foda-me se essa simples pergunta não mexe comigo. — O que você quiser, baby. Se não quiser cozinhar, eu cozinho quando chegar em casa, ou podemos sair para comer.


— Eu gostaria de comer algo com gosto bom, e sem ofensa, mas a única coisa que você faz com sabor são panquecas, — ela diz, me fazendo sorrir. — Você não gosta de peito de frango e legumes no vapor? — Se você adicionar manteiga e purê de batatas com molho nisso, então sim, — ela retruca. — Então, você quer cozinhar? — Eu vou cozinhar, e depois você desembrulhe uma barra ou algo assim, — diz ela sorrindo e dando palmadinhas no meu abdômen. Balançando a cabeça, seguro sua nuca e puxo-a para mim, beijando-a e dizendo, — Eu comerei o que você cozinhar, baby. — Então, digo adeus à Hope, saio de casa e vou para a caminhonete. *~*~* — Então, o que você tem? — Pergunto, quando sento ao lado do tio Nico, Sage e Tallon em uma das cadeiras dobráveis de metal ao redor de uma grande mesa no meio da área livre do composto. Observando os outros homens na mesa, vejo que Z, Mic, Everett, Harlen e Wes têm o mesmo olhar em seus rostos. — Você sabe que estamos mantendo nossos ouvidos atentos, e há sempre muita conversa, a maioria nunca é nada. Mas na noite passada, Everett fez contato com uma fonte online. Essa pessoa disse que tinha uma pista sobre o nosso cara, e enviou mais de um nome. Quando fizemos uma pesquisa on-line simples, encontramos uma foto de um Yury Letov, — Wes diz, e Mic desliza um pedaço de papel sobre a mesa na minha direção com a foto de prisão de um cara na frente. — Ele estava no Tennessee quando July foi sequestrada, mas desde então desapareceu, — acrescenta Mic, enquanto meu tio pega o telefone e começa a enviar uma mensagem para alguém. — Não mostrei a July esta foto ainda. Sei que será a maneira mais rápida de descobrir se esse é o cara, mas odeio puxar essa merda de volta quando ela finalmente começou a relaxar, — Wes diz, e sei exatamente o que ele está dizendo. Ellie não salta mais. Não vejo a preocupação constante em seu olhar, mas sei que não tenho escolha neste assunto. Eu preciso mostrar a ela.


— Foda-se, — rosno, tirando meu boné e correndo minha mão sobre minha cabeça, e pelo meu rosto. — Não quero ter que mostrar isso para Ellie, mas sei que se ela descobrir que escondi dela, ela ficará chateada, especialmente quando ela quer ajudar. — Você quer que eu vá com você quando mostrar a ela? — Pergunta meu tio, e balanço minha cabeça. — Não, eu não vou mostrar até depois de Hope ir para a cama. Envio uma mensagem quando tiver a resposta dela. — Eu falarei com July hoje à noite, também, — Wes diz, senta e cruzando os braços sobre o peito. — Se esse for o cara, será muito mais fácil encontrá-lo com um nome ligado ao rosto, — diz Tallon, olhando para a foto. — Mas este não é o cara que comprou Ellie, — os lembro, e a mandíbula de Wes enrijece. — Se encontrá-lo, ele pode saber quem era o comprador. — Mic acrescenta. — Ainda não posso acreditar que algum fodido doente está comprando virgens, — Z resmunga do outro lado da mesa. — Você e eu, — rosno, esperando fodidamente pegar esse cara antes que mais mulheres sejam sequestradas. Ainda não há nenhuma pista sobre a mulher cuja família entrou em contato conosco assim que ela foi levada semanas atrás. A única coisa que sabemos é que ela se encontraria para jantar com um cara que conheceu online. No dia em que desapareceu, o mesmo fez seu perfil, juntamente com o perfil do homem com quem se encontraria e as conversas on-line. Era como se nunca tivesse acontecido. — Nós pegaremos esses caras. Eles vão se foder, e é aí que nós vamos prendê-los, — meu tio diz levantando, e olhando para Wes e eu. — Deixe-me saber o que as meninas dizem, e descobriremos o próximo passo depois disso. — Farei. — Aceno a cabeça, observando-o sair, seguido de Tallon, então eu levanto também. — Vou ligar depois que eu conversar com Ellie, — digo, observando Wes ranger a mandíbula e levantar o queixo, recebendo acenos do resto dos caras e sair.


— Você quer falar comigo sobre o que aconteceu com a colega de trabalho de Ellie? — Pergunto ao meu primo Sage, recostando-se contra a minha caminhonete do lado de fora do Broken Eagle’s Bike Shop. — Não há nada acontecendo. Nós transamos, ela é louca e eu disse a ela para ficar longe, fim de história. — Ela contou a Ellie que tem uma irmã gêmea, e foi a irmã quem fez isso com você. — Ouvi isso. Não comprei. — Ele dá de ombros, mas vejo algo nos olhos dele dizendo que ele está mentindo, ou pelo menos que não sabe no que acreditar. — Você a checou? — Pergunto em voz baixa, cruzando os braços sobre o peito, observando seus olhos endurecerem. — Já me envolvi em algum dos seus relacionamentos? — Ele pergunta, apontando o dedo para mim, e rosnando, — Porra, não, eu não fiz. Então, pare. — Não é sobre isso e você sabe disso. Eu conheci Kim. Ela parecia legal, e definitivamente não parecia o tipo de garota que iria drogar alguém em quem estava interessada. — Eu te amo como um irmão, mas estou dizendo para você ficar fora disso. — Faça uma verificação, — digo, observando seus olhos brilharem. — Eu fiz a verificação, ela é filha única. Então, como eu disse, pare porra, — ele rosna, indo com raiva em direção ao seu carro. Observando-o ir, eu balanço minha cabeça, abrindo a porta da minha caminhonete, em seguida, fazendo uma pausa antes de entrar e olhar na direção dele. — Quando tirar a cabeça da sua bunda, eu estou aqui, — grito em suas costas, observando seus ombros caírem antes de saltar dentro da cabine, eu ligo a caminhonete e tomo o caminho de casa, onde sei que Ellie e Hope esperam por mim.


CAPÍTULO 10

Sentada de pernas cruzadas na cama de Jax, eu olho para a foto em minhas mãos, sentindo algo feio correr por mim. Embora me lembre da noite em que July e eu escapamos da casa para qual fomos levadas, e ainda que possa me lembrar de cada momento assustador, eu nunca conseguia lembrar completamente dos rostos dos homens que me sequestraram. Mas agora, olhando para a foto na minha mão, memórias começam a se derramar, mais detalhadas do que jamais foram antes. — Ei, você está segura aqui, lembra? — Jax diz suavemente, e sinto os dedos dele embaixo do meu queixo, trazendo os meus olhos para os dele. — Prometo que nada acontecerá com você. — Nunca conseguia realmente imaginar o rosto dele até agora, mas é ele, — digo, lambendo meu lábio inferior, sentindo meu pulso acelerar e minhas mãos tremerem. — Isso acontece às vezes. A pressa do momento ofusca tudo, o que torna difícil se lembrar de algo claramente, mas então algo acontece e o nevoeiro se limpa, tornando mais fácil se lembrar, — ele diz, e isso é exatamente o que sinto. Quando eles perguntaram a mim e a July se poderíamos ajudá-los a fazer um esboço do assaltante, nenhuma de nós foi capaz de formar uma imagem bastante clara para o artista de esboço e eles tiveram que desistir. — Então, o que isso significa? — Pergunto, segurando o pedaço de papel, e então o deixando cair no meu colo.


— Wes mostrará isso a July hoje à noite. Se ela disser a mesma coisa que você, que este é o cara, então começaremos a rastreá-lo, — ele diz, e medo enche o meu peito. — Não quero que nada aconteça com você, — digo, vendo-o sorrir, o que me irrita. — Falo sério, — rosno aborrecida. — Eu sei que está, e isso é o que torna tão bonito, — ele diz, pegando o papel no meu colo e jogando-o no chão. Ele rasteja sobre mim, empurrando minhas costas na cama. — Você acha que ela está dormindo? — Ele pergunta no meu ouvido enquanto se instala entre as minhas pernas abertas, permitindo-me sentir sua ereção através dos seus jeans e do fino algodão do meu short de dormir. — Ela estava meio dormindo quando terminei de ler o livro, — murmuro, quando ele lambe o meu pescoço, puxando um gemido do fundo da minha garganta. — Eu acho que você precisa ser punida por todas as suas respostinhas de hoje. O que você acha? — Ele pergunta, fazendo o meu núcleo se agitar, meus joelhos apertam em torno de seus quadris e minhas mãos envolvem firmemente seus ombros. — Ok, — concordo, sem pensar, fechando meus olhos quando sinto o peito dele vibrar de encontro ao meu com riso. — Quero dizer, não, — eu retraio, deixando cair as minhas pernas e escorregando minhas mãos de seus ombros. — Claro que sim, — ele diz, levantando a cabeça, sorrindo para mim e, não pela primeira vez, estou impressionada por quão absolutamente lindo ele é. Levantando minha mão, corro meus dedos sobre sua nuca ao longo de sua mandíbula, e no seu lábio inferior, lembrando a sensação dele contra o meu toda vez que me beija. — A primeira vez que te vi, meu mundo parou, — ele diz, pegando-me desprevenida, e meu olhar encontra o seu. — Nada mais existia, apenas você, e então ele parou de novo quando segurei Hope pela primeira vez. E desde aquele momento, houve um milhão de pausas, cada uma dando-me uma coisa bonita para recordar, — ele explica, e sinto minha visão borrar com as lágrimas. Então faço a única coisa que posso: eu levanto e pressiono o meu rosto em seu pescoço, onde sussurro, — Eu te amo, — envolvendo minhas pernas e braços ao redor dele, absorvendo a sensação de estar em seus braços.


— Deixe-me verificar Hope, baby, — ele diz, pressionando um beijo em minha testa depois de alguns minutos. Soltando-o, eu viro de lado e o vejo sair do quarto e caminhar pelo corredor, voltando poucos segundos depois e tirando a camisa ao entrar no quarto. — Ela e os filhotes estão dormindo, — ele sussurra, fechando a porta atrás dele, então liga o monitor ao lado da cama que nos avisará se ela acordar, depois tira as botas com os pés e abre os botões da calça jeans. Cativada por seu torso, eu pisco para ele quando ele ordena, — Tire a camisa, — tão baixinho que as palavras são quase inaudíveis. Olhando para a porta, meus olhos voam para ele novamente quando ele rosna, — Agora, — em um tom que provoca uma umidade entre as minhas pernas. Alcanço a barra da minha camisa, deslizando-a lentamente pelas minhas coxas, barriga e parando abaixo dos meus seios quando seus olhos ficam mais escuros. Engolindo em seco, eu puxo sobre a minha cabeça e solto-a ao meu lado, sentindo meu cabelo deslizar sobre meus seios. — Tão perfeita, — ele ressoa, dando um passo em direção à cama, correndo um único dedo sobre um mamilo, depois o outro. — Agora os shorts. Mordendo meu lábio inferior, fico de joelhos e puxo meus pequenos shorts de dormir sobre a minha bunda, então eu sento e termino de tirá-los, soltando-os perto da minha camisa. — Você está molhada? — Ele pergunta, puxando-me até estar ajoelhada na cama em frente a ele. Balançando a cabeça, porque as palavras estão bloqueadas na minha garganta, eu sinto seus dedos deslizarem no meio do meu peito, sobre minha barriga, meu osso púbico, através das minhas dobras, coletando a umidade antes circular meu clitóris. Fazendo meus quadris pularem para frente e minhas mãos pousarem com força contra seu peito nu. — Calma, baby, — ele diz, segurando meu cabelo em sua mão livre, forçando minha cabeça para trás e meus olhos encontrar os dele. — Amo esta boceta. Amo como você está molhada. — Ele morde meu lábio com força quando dois dedos mergulham em mim. — Amo quão apertada é, — ele rosna contra a minha boca, tirando esses mesmos dois dedos só para empurrá-los novamente. — Adoro a forma como posso senti-la implorando para que a foda, — ele diz asperamente, circulando os dedos sobre o meu clitóris enquanto a mão no meu cabelo aperta e sua boca cobre a minha em um beijo brutal. Meus quadris se


balançam, fodendo-me tão forte com os dedos que sinto as paredes do meu núcleo se apertar. — Ainda não, — ele geme, tirando os dedos e os trazendo entre nós, passando um sobre meu lábio inferior, que se sente inchado e depois o lambendo. — Deite-se e abra as pernas para mim. Oh, Deus. Fazendo o que ele manda, eu deito timidamente e espalho minhas pernas, trazendo minhas mãos para cima, cobrindo meus seios. — A menos que você vá puxar seus mamilos para mim, não os cubra, — ele exige, e minhas mãos caem ao meu lado enquanto as suas deslizam sobre os meus joelhos e

na

parte interna das coxas, onde sinto

seus polegares me

abrirem. Sentindo meu corpo tremer de nervosismo e emoção, eu assisto seu rosto abaixar e sua língua sair, lambendo entre minhas dobras, e circulando meu clitóris, puxando-o entre os lábios. — Jax, — sussurro ao arquear minhas costas, e minhas mãos se moverem para os meus seios, segurando-os e puxando meus mamilos entre meus dedos. — Mostre para mim, Ellie. Deixe-me assistir você gozar na minha boca, — ele ordena, seus dedos se movendo e dois deles deslizando dentro de mim, girando e batendo nesse ponto que puxa um gemido de dentro do meu peito. Pressionando a ponta dos pés na cama, eu me levanto e me movo contra sua boca, gozando tão forte que o mundo se estilhaça em torno de mim, estrelas escurecem minha visão e calor corre pelo meu sistema como um incêndio. Voltando lentamente, ouço o som de plástico rasgando, então sinto o peso dele se estabelecer em cima de mim. — Tão perfeita pra caralho, — ele diz quando os nossos olhos se encontram, e desliza lentamente em mim, me alongando e enchendo. Pressionando uma mão na cama perto da minha cabeça, e envolvendo a parte de trás da minha coxa, eu elevo-as e aperto ainda mais contra ele, fazendo a cabeça de seu pênis esfregar contra o meu ponto G com precisão assustadora. — Mais forte, — imploro em sua boca conforme seus lábios cobrem os meus e seus quadris ganham velocidade. — Por favor, mais forte, — digo novamente quando percebo que ele está se segurando. Pressionando a minha cabeça no travesseiro, eu levanto meus quadris com cada um de seus impulsos, raspando minhas unhas nas suas costas, e segurando


sua bunda, sentindo o poder de cada movimento quando ele bate em mim, mais e mais. Fechando os olhos, os abro quando ele nos vira, me colocando em cima dele com as mãos na minha bunda. — Me monte, — ele rosna, balançando-se em mim. — Jax, — eu suspiro insegura, e gemo quando suas mãos levantam e me derrubam em seu comprimento, colidindo contra algo que envia uma pontada de dor e prazer através do meu núcleo. — Oh, Deus! — Suspiro, levantando meus quadris e afundando mais e mais até o meu centro começar a apertar fortemente. Quando ele segura meu cabelo em um punho, minhas costas arqueiam e minhas mãos deixam seu peito, sentindo o aperto dos músculos rígidos de suas coxas atrás de mim. Seus quadris saltam nos meus, e a mão livre segura meu peito, puxando meu mamilo, enviando uma faísca para meu ventre e desencadeando o meu segundo orgasmo, enviando-me em órbita. Soltando meu cabelo e peito, suas mãos agarram minha cintura e me seguram firme contra ele quando meu nome sai de sua boca. Caindo contra o peito dele, sinto seu coração bater forte contra o meu e seu peito se mover em uníssono com o meu, enquanto nós dois tentamos recuperar o fôlego. — Eu preciso cuidar do preservativo, baby, — ele diz gentilmente, me rolando e me beijando enquanto sai lentamente, e instantaneamente sinto falta dele, e meus membros se apertarem ao redor dele, não estando pronta para perder seu peso. — O que acha de iniciar o controle de natalidade? — Ele pergunta, afastando meu cabelo do meu rosto e pressionando outro beijo nos meus lábios sensíveis. — Pensei que usávamos preservativos, — sussurro quando sua boca deixa a minha. — Nós usamos, mas se você entrar no controle de natalidade, nós não precisaremos. — Oh. — Mordo meu lábio e aperto minhas coxas em torno dele mais uma vez, com a ideia de não ter nada entre nós. — Oh. — Ele sorri, e murmura, — Se quiser dar a Hope uma irmã, então podemos renunciar a todas as formas de controle de natalidade. — Vou marcar uma consulta com o médico, — digo, revirando os olhos.


— Só dando-lhe opções, baby. — Não quero ter um filho até estar casada, — digo baixinho, afastando meus olhos dos dele, só para sentir seu dedo levantar o meu queixo. — Podemos fazer uma nomeação no cartório em vez disso. — Você é tão ridículo. — Eu rio, sabendo pelo olhar em seus olhos que ele fala com total seriedade. — Eu vou me casar com voc�� um dia, Ellie, e então vou adotar Hope para que ambas tenham o meu sobrenome, — ele diz, fazendo o ar escapar dos meus pulmões e meu corpo sacudir. — Jax. — Preciso cuidar do preservativo, baby, e fazer algumas ligações, — ele diz, rolando de cima de mim e saindo da cama, voltando alguns minutos depois com um pano quente, o qual ele usa entre as minhas pernas antes de jogá-lo no banheiro. Indo para seu armário, ele agarra um moletom, enquanto eu visto meus shorts e camiseta. — Eu deveria voltar para o meu quarto, — digo, observando ele pegar a foto do chão e o telefone celular em cima da cômoda. — Fique aqui, — ele diz, vindo em minha direção, me forçando a voltar para a cama. — Hope, — murmuro baixinho, olhando em seus olhos, e para a porta. — Está bem. — Ele me prende com uma mão em cada lado de mim na cama. — Eu voltarei, então apenas tente dormir um pouco, — ele diz, beijando minha testa, lábios e saindo do quarto. Deitando de costas, eu olho para o teto e sinto um sorriso se formar nos lábios enquanto os meus olhos ficam pesados. *~*~* Levantando minha xícara de café até a minha boca, eu olho para Jax sobre a borda e luto contra a vontade de rir ao ver a expressão em seu rosto quando Hope me diz sobre o dia com ele ontem. Acho que com todo o entusiasmo com os novos filhotes, ela se esqueceu de dizer sobre ela e Jax irem ao salão de beleza e usarem


seus saltos ao redor da cidade. Mas meu doce anjo conta todos os detalhes agora, e cada um desses detalhes faz Jax me olhar suplicante. Nem sequer fico com raiva dele por ceder a Hope. Sei que ele não pode evitar. Olhando para ela agora e sabendo o que foi tirado dela, eu quero dar-lhe tudo o que seu coração deseja. Mas, como uma mãe, eu sei que isso é impossível e só causará problemas no futuro. — Parece que você teve um bom dia, anjo, — digo, observando ela girar para trás e para frente e de lado a lado no banco em que está sentada, comendo o seu café. — Eu amo os dias com papai Ax. — Ela sorri, enquanto meu coração para e meus olhos voam para Jax, que tem um olhar em seu rosto que não consigo decifrar. — Eu... — ele limpa a garganta, olha para mim e depois para Hope. — Eu amo passar o tempo com você também, querida. — Eu sei, porque sou a melhor. — Ela balança a cabeça, e mergulha sua colher no cereal, empurrando uma grande colher em sua boca como se não tivesse apenas balançado o meu mundo. — Olá? — É gritado quando a porta da frente abre e fecha, e olho de Hope para a porta da cozinha, assistindo Ashlyn entrar vestindo um simples par de sapatilhas pretas de balé, calça cinza escuro e blusa preta. Tudo parece bem nela, mas não é o que ela normalmente usa, e me pergunto se este é o uniforme de trabalho que seu novo chefe solicitou. — Hey, princesa, — ela cumprimenta Hope com um beijo na bochecha, e vira para olhar seu irmão, então a mim. — Interrompo alguma coisa? — Ela pergunta, e balanço minha cabeça, sabendo que não serei capaz de falar com Jax até mais tarde hoje à noite sobre Hope chamá-lo de papai Ax. Não que eu realmente queira falar com ele sobre isso. Não sei o que farei se ele disser que não se sente confortável com ela chamando-o assim. — Não, mas amei a sua roupa, — digo, observando-a revirar os olhos. — Meu chefe é um idiota, — ela murmura, o nariz enrugando em desgosto. — Idiota é uma palavra feia, — comenta Hope de forma solícita, fazendo-a se encolher.


— Desculpe, querida, — ela diz, observando Hope dar de ombros, e tomar outra colherada de seu cereal. — Eu preciso sair, — Jax diz, colocando o copo na pia e enfiando as chaves no bolso. — Não voltarei até o jantar. — Estaremos aqui durante todo o dia, — digo, ficando na ponta dos pés quando seu braço passa ao redor da minha cintura. — Seja boa. — Talvez. — Sorrio, observando seus olhos escurecerem logo antes de mergulhar a cabeça e sussurrar, — Ou não, — beijando-me suavemente, e então me soltando. Colocando a mão no topo da cabeça da irmã, ele esfrega-a, bagunçando seu cabelo e fazendo-a gritar antes de ir para Hope e beijar sua testa. — Os homens são uns idiotas, — Ashlyn resmunga, passando a mão pelo cabelo, tentando domá-lo. Ela olha para a porta da frente e para mim novamente quando a ouvimos fechar, sinalizando a partida de Jax. — Ele se foi, — ela sussurra. — Vá escovar os dentes, anjo, e quando voltar eu vou te dizer o que vamos fazer hoje, — digo a Hope, observando-a sair da cadeira e correr para as escadas. — Trouxe o material? — Pergunto, olhando para Ashlyn, me referindo as decorações para a festa surpresa de Jax. — Estão no meu carro. — Ela sorri, e sinto emoção borbulhar dentro de mim. — Que horas todo mundo chega aqui? — Por volta das cinco. Eu voltarei as três para ajudar a arrumar, — ela diz, indo até a garrafa de café e servindo-se de uma xícara. — Tem certeza que não quer que eu compre um bolo? — Ela pergunta, indo até a geladeira e tirando o creme de leite, derramando um pouco em sua xícara. — Tenho certeza. Eu imaginei que Hope e eu poderíamos fazer um. — Ele vai adorar isso, — ela diz, seu rosto suavizando. — Espero que sim, — murmuro. Essa coisa de família inteira ainda é meio nova para mim, mas isso é o que eu sempre quis, e é com isso que eu quero que as memórias de Hope sejam preenchidas. — Já falou com July hoje? — Ela pergunta, mudando de assunto e encostando-se ao balcão.


— Conversamos esta manhã, — digo, imaginando se ela sabe que confirmamos que a foto era do cara que escapara. — Ela me disse que vocês identificaram o outro assaltante. — Sim, — digo baixinho, olhando para o corredor no caso Hope voltar. — Você está bem? — Estou contente por sabermos quem ele é e que agora há uma chance de ser pego, — digo, e solto a minha voz. — Mas não parece mais real. Parece algo que eu criei em minha mente, como se nunca tivesse acontecido de verdade. — Acho que é porque você sabe que está segura. — Talvez, mas me preocupo que se eu abaixar a minha guarda demais, isso será muito fácil. — Talvez chegou a hora de ser fácil para você, — ela retorna quando ouço os pés de Hope no piso de madeira e a vejo correr pela porta da cozinha. Então ouço o som dela sendo seguida por patinhas um momento depois, deixando-me saber que ela deixou os filhotes sair do canto deles na sala de estar. — Você tem um cachorro? — Ashlyn pergunta, e luto contra meu sorriso. — Seu irmão deu a Hope dois filhotes, — murmuro, sustentando dois dedos quando Hope corre para a cozinha, seguida por Chocolate Chip e Pancake. — Oia meus cachorrinhos, Tia Ashwyn! — Hope fala animadamente, e noto que ela colocou o tutu sobre suas calças de pijama. — Oh, meu Deus, — sussurra Ashlyn, olhando para mim. — Eu sei. — Balanço minha cabeça, observando-a curvar-se para pegálos. — Cuidado, é preciso sair com eles novamente. Ontem à noite esse fez xixi em Jax, — digo, apontando para Chocolate Chip, que late para mim. — Não. — Ela ri. — Sim. — Eu aceno, indo para a porta dos fundos, abrindo-a para ela, e a seguindo até a grama, onde vemos os dois cachorrinhos correrem e brincarem até que finalmente lidam com seus negócios. Quando voltamos para dentro, eu digo a Hope o que nós faremos hoje, enquanto Ashlyn vai ao carro dela, voltando alguns minutos depois com as mãos cheias de sacos e uma promessa de voltar às três horas. Fechando a porta atrás dela após sair, eu me viro para olhar para Hope e pergunto, — Você está pronta para assar?


— Sim! — Ela grita me fazendo sorrir. Olhando para o telefone na minha mão, eu digito com raiva as palavras: Nós nunca teremos bebês, para Jax antes de pressionar enviar. Não me importo se estou sendo irracional. Cuidar de Hope e dos dois cachorrinhos

colocou

as

coisas

em

perspectiva

para

mim

hoje.

Estou

completamente esgotada, a casa está mais bagunçada do que antes de limpá-la esta manhã, e o bolo de aniversário de Jax – colocado sobre o balcão da cozinha – está queimado e completamente torto. Eu quero chorar e dormir por uma semana, mas ainda preciso tentar decorar, cozinhar e recepcionar a festa surpresa de aniversário. Sentindo meu telefone vibrar na minha mão, eu olho para baixo e luto contra o sorriso que sinto rastejar no meu rosto ao ler a mensagem dele: Bebês são mais fáceis do que filhotes. Claro que não, eles não são, eu respondo, pressionando enviar ao entrar na sala de estar, onde encontro Hope dormindo no cesto, com os dois filhotes enrolados em torno dela. Tirando uma foto, eu a envio para ele, dizendo, Ok, isto é definitivamente bonito, antes de sentar no sofá, necessitando descansar por um minuto. Abrindo os olhos ao ouvir Hope dizer, — Ela está dormindo, — eu fico cara a cara com Ashlyn, July e um cara que nunca vi antes. — Está tudo bem? — Pergunto, sentando e olhando ao redor. — Usei minha chave e encontrei vocês dormindo, — Ashlyn diz, enquanto o cara pega Pancake do chão, quando ela pula em cima de sua perna. — Oh, que horas são? — Só depois de três. Se quiser dormir, podemos lidar com tudo, — ela oferece gentilmente, me estudando. — Não, está tudo bem, — digo a ela, levantando do sofá e abraçando July quando ela se aproxima de mim. — Esse é Doutor Quente, — murmura July no meu ouvido antes de me soltar. Ela não está errada, o cara é de boa aparência. Ele é alto, com cabelos loiros acobreados presos em um coque de homem, com uma forte mandíbula coberta de barba, e olhos verdes que se destacam contra sua pele bronzeada.


— Sou Dillon, — ele diz, virando-se para olhar para mim. — Uh... bom conhecer você, — respondo, olhando para Ashlyn e me perguntando como ele acabou aqui. — Mamãe o convidou, — ela me diz, revirando os olhos. — Oh... bem, isso é bom. — Sim... bom, — Ashlyn resmunga baixinho, e olha em volta. — Vou começar a arrumar as coisas. — Então ela olha para Dillon, dizendo: — Por que você não enche os balões? Você parece ter uma coisa para hélio. Observando-o, seus olhos mudam quando ele olha para ela e murmura, — Claro, baby, — antes de olhar para Hope e perguntar, — Você quer me ajudar a encher os balões? — Você é o namolado de tia Ashwyn? — Hope pergunta, inclinando a cabeça para o lado e estudando-o. — Hope, — digo, observando Dillon sorrir, mostrando duas covinhas. — Somos apenas amigos, — ele diz a Hope enquanto Ashlyn bufa, cruzando os braços sobre o peito. — Hum... acho que precisaremos conseguir outro bolo, — eu jogo, tentando quebrar o constrangimento que se infiltrou no momento. — Queimei o que eu fiz. — Eu vou escolher um da loja, — July diz, pegando a mão de Ashlyn e puxando-a para fora da sala de estar. — Obrigada, — eu grito, ouvindo-a dizer algo para Ashlyn sobre Ser agradável. — Você não é lealmente o namolado dela? — Hope pergunta, e não posso evitar, eu cubro meu rosto e rio. *~*~* — Ele está aqui, — digo, apagando a luz, o que faz a sala cheia de pessoas ficar instantaneamente em silêncio. Caminhando para a porta da frente, eu me encontro com Jax logo que ele entra, pego a mão dele sem dizer nada e começo a levá-lo, rindo, em direção à sala de estar, onde todos estão reunidos. — Minha mãe veio pegar Hope? — Ele pergunta, me girando de repente e me empurrando contra a parede. Antes que eu possa respondê-lo, sua boca cai na


minha, silenciando qualquer coisa que eu ia dizer e me fazendo esquecer que temos uma sala cheia de pessoas esperando por nós. — Surpresa! — O rugido alto soa através da casa, e ele se afasta apenas o suficiente para ver meu rosto. — Surpresa, — sussurro, observando seu rosto suavizar, e depois rir quando Hope corre para nós, gritando, — Feliz aniversário, papai Ax, — antes de lançar-se contra nós. Pegando-a, ele sorri e passa o braço em volta dos meus ombros. — Obrigado, querida, — ele diz a ela, beijando sua testa. — Feliz aniversário, querido, — Lilly diz, aproximando-se e beijando seu rosto. — Obrigado, mãe. — Feliz aniversário, — Cash diz, batendo nas costas de seu filho. — Obrigado, pai. Obrigado a todos. Isto é definitivamente uma surpresa. — Ele ri, inclinando-se e pressionando um beijo no meu cabelo, fazendo todo o estresse do dia valer a pena. — Estou pronto para meu verdadeiro presente agora, — Jax diz, entrando no quarto e fechando a porta e tirando a camisa no meio do caminho. A festa foi um sucesso e todos tiveram um bom tempo. Eu mesmo peguei Dillon e Ashlyn rindo juntos algumas vezes, o que foi inesperado, uma vez que parecia haver uma grande tensão entre eles. Jax ainda insistiu em comer um pedaço do bolo que Hope e eu fizemos para ele, o que foi doce, considerando que ele poderia ter acabado no hospital. — Já te dei o seu presente, — digo, com uma risada quando ele me empurra para a cama e tira a minha camisa. — Eu amei aquele presente, baby, mas o que eu realmente quero está aqui, — diz ele, empurrando a mão na frente do meu short, entre as minhas pernas, me fazendo ofegar. — Você pode ter esse também, — gemo em sua boca antes de dar-lhe exatamente o que ele quer, embora eu tenha certeza que fui a única a conseguir o melhor presente de todos.


Acordando, eu viro e vejo que Jax se foi, então levanto a cabeça e olho para o relógio. É depois das oito e meia, e hoje não preciso estar no trabalho até às onze horas. Ouvindo

risadas

vindas

do

corredor,

saio

da

cama

e

caminho

silenciosamente até a porta do quarto de Hope, onde a encontro vestindo seu pijama, e Jax sem camisa, vestindo moletom, sentado na pequena mesa que a mãe dele dera para ela. Encostada na porta, eu observo Jax tomar um gole de café, enquanto Hope coloca um pedaço de pão em um pequeno prato de plástico na frente dele. — Obrigado, princesa, — ele diz, pegando o pedaço de torrada, dando uma mordida, e sorrindo quando Hope ri. Erguendo o copo de suco de laranja, ela toma um gole e olha para a boneca ao lado da mesa, em seu carrinho. — Você gostaria de um pouco de leite? — Ela pergunta, colocando uma garrafa de plástico no colo da boneca, fazendo Jax rir. Ontem à noite, após Jax fazer amor comigo, ele contou que amava Hope chamá-lo de pai, e eu sei que se o meu irmão pudesse opinar sobre o tipo de homem que consideraria um pai para ela, Jax seria esse cara. Sentindo lágrimas queimarem na parte de trás dos meus olhos, eu saio silenciosamente pelo corredor até o banheiro e entro no chuveiro, deixando a água lavar minhas lágrimas felizes. *~*~* — Kim, você está bem? — Pergunto, batendo na porta do banheiro, quando a ouço vomitar. — Sairei em um minuto, — ela responde, e ouço a descarga e a água ligar. Eu sei exatamente o que está acontecendo, porque ouvi a mesma coisa quando Bonnie estava grávida de Hope. E todos os dias em que trabalhei com Kim na última semana, ela vomitou. — Kim, — sussurro quando ela sai do banheiro, segurando uma toalha de papel na boca. Entregando-lhe uma garrafa de água, eu a abraço. — O que está acontecendo? — Não é o que você pensa, — diz ela, balançando a cabeça e virando o rosto para mim com lágrimas nos olhos.


— Você tem certeza? — Sim, — diz, puxando-me para o banheiro e fechando a porta atrás de nós, ela abaixa o olhar para o chão, balançando a cabeça. — O que está acontecendo? — Pergunto gentilmente depois de um longo momento. — Dois anos atrás, eu comecei a ficar doente, e descobri que meus rins estavam nos estágios iniciais de desligar. — Kim, — sussurro, agarrando a mão dela. — Foi também quando descobri que era adotada e que tinha uma irmã gêmea. Minha irmã é obviamente compatível, mas cada vez que as coisas ficam difíceis, ela foge. — Oh, meu Deus, — sussurro, cobrindo minha boca, não compreendendo como sua irmã gêmea podia deixar Kim enfrentar isso sozinha, e não quando ela precisa. — Estou tentando convencê-la a voltar. Aqui é o lugar onde os médicos estão, mas se ela se recusar, eu posso precisar sair e segui-la novamente. — Eu falarei com Jax, — digo a ela, sabendo que Jax ajudará a achar a irmã dela. — Não, eu sei que Sage trabalha com ele, e não quero que ele saiba o que está acontecendo. Não quero que ninguém saiba. Meus pais foram abordados por minha irmã algumas semanas atrás, e ela disse que se eles dessem a ela o dinheiro que pedia, ela voltaria e me ajudaria. — Ela quer dinheiro? — Assobio. — Ela teve uma vida difícil. A mãe dela – minha mãe biológica – é uma bagunça, — ela defende. — Eu tive uma vida difícil, Kim, mas família é família. Você não faz isso para a família. — Eu preciso dela, — ela sussurra em dor. — Eu sei que ela é sua irmã, mas sério, ela é uma vadia. — Quando eu melhorar, não importa mais, — ela diz, e espero que ela esteja certa. Espero que a irmã dela apareça antes que seja tarde demais. — Estou aqui, o que você precisar, mesmo um rim, — digo honestamente, vendo-a me dar um sorriso triste.


— Apenas não conte a ninguém. Estou trabalhando nisso sozinha. — Você não precisa ficar sozinha, — digo suavemente, tirando um pedaço de toalha de papel e entregando a ela quando as lágrimas começam a cair de seus olhos. — Eu tenho os meus pais, — ela sussurra, abrindo a porta e deixando-me no banheiro tentando pensar em uma maneira de dizer a Jax sem realmente dizer a ele, mas não pensando em nada.


CAPÍTULO 11

Observo Ellie gemer e pressionar a cabeça no travesseiro enquanto lambo e circulo seu clitóris novamente. — Você é tão malditamente doce, Ellie. Juro que desejo comer você em cada refeição, — rosno contra seu núcleo, sentindo-a apertar em torno de meus dedos. — Eu... acho que isso não é muito nutritivo. Não a cada refeição, de qualquer maneira, — ela murmura, e posso dizer pelo seu tom que ela fala sério. — Baby. — Eu rio, descansando minha testa em seu estômago, olhando para em seu belo rosto. — Por que você está rindo? — Ela pergunta, e sei que ela está ainda bêbada, a julgar pelo olhar vidrado de seus olhos. Subindo na cama, eu rolo para o meu lado e coloco a mão sobre a sua boceta, deslizando meus dedos dentro dela. — Você é bonita quando está bêbada, — digo, acariciando seu ouvido. — Não estou bêbada, — ela mente, circulando seus quadris e forçando meus dedos a aprofundar mais. Sei que ela está bêbada, porque vi July e ela com as doses de tequila, tentando superar Harlen, que comparado a elas é um gigante. Não tenho ideia do por que July pensou que seria uma boa ideia para ela e Ellie tentar juntar-se contra o homem, mas ela teve, e as regras era para cada drinque que tomavam, ele tomaria dois. Ambas as meninas estavam acabadas antes de a garrafa esvaziar, quando Harlen levantou-se e saiu, murmurando, — Amadores.


— Você sabe que noite é hoje? — Ela pergunta, olhando para mim e mordendo o lábio. — O que, baby? — Pergunto, inclinando minha cabeça e puxando seu mamilo em minha boca, fazendo-a arquear as costas e meus dedos deslizarem mais fundo dentro dela. — Sem preservativos, — ela suspira, e meu corpo para. — Você foi ao médico? — Sim, está bem aqui, — diz ela, me mostrando a face interna de seu braço, onde há um nódulo e uma pequena contusão. — Tem a duração de três anos, — acrescenta, lambendo os lábios. — Então eu tenho que esperar três anos para colocar minha criança em você? — Eu franzo a testa estudando seu braço. — Temos dois cachorros e uma criança de quase quatro anos para mantêlo ocupado. — Não esperarei três anos, Ellie. — Podemos não falar sobre isso agora? — Ela faz beicinho, colocando a mão sobre a minha e pressionando meus dedos dentro dela, o que me faz sorrir. — Falaremos sobre isso quando estiver sóbria. — Menos conversa, mais ação, — ela choraminga, montando minha mão. Observando-a, fascinado, enquanto goza sozinha nos meus dedos, eu espero até ela terminar, então tiro minha boxer, me movo entre suas pernas, e as puxando para cima enrolo-as ao redor de meus quadris. — Jesus, — gemo, deslizando dentro dela, sentindo o calor úmido de suas paredes me apertarem. De jeito nenhum eu serei capaz de segurar, sentindo completamente a sua buceta pela primeira vez, enquanto ela olha para mim com admiração em seus olhos. — Amo sentir você dentro de mim, — ela geme, e sinto meus dedos enrolarem. — Porra, baby, — rosno; eu a viro de bruços e levanto seus quadris. Bato profundo, tão profundo que sinto a parede do colo do útero contra a ponta do meu pau, e faço uma e outra vez, ouvindo-a gritar quando suas paredes se fecham ao meu redor. Envolvendo minha mão em sua cintura e uma abaixo do peito, eu a levanto, espetando-a em mim, quando meus dedos rolam sobre seu clitóris.


— Jax. — Estou aqui, baby. Dê para mim, — digo a ela, tomando sua boca com a minha e me plantando profundamente dentro dela, sentindo suas paredes contraírem em volta de mim quando ela goza novamente. Espero seu orgasmo passar para cerrar meus dentes e empurrar o rosto dela na cama, segurando-a no lugar pela parte de trás do seu pescoço, deslizando para dentro e para fora dela lentamente no início, sentindo meu pau se arrastar ao longo de suas paredes, então transo com ela tão forte que a cama treme sob nós, e seu grito enche o quarto quando me planto profundamente dentro dela, gozando com um gemido. Descansando minha testa contra suas costas, escuto a respiração sair em duros ofegos que correspondem a minha, antes de retirar-me lentamente e rolar para o meu lado, trazendo-a comigo, passando minhas mãos sobre sua barriga e seios. — Que horas pegaremos Hope de manhã? — Ela pergunta ao recuperar o fôlego, e posso ouvir o sono em sua voz. — Nós vamos à tarde. Mamãe quer levar ela e os filhotes para uma classe que eles têm na loja de animais. — Ainda acho que sua mãe é louca por querer levar Hope e os filhotes. — Ela adora ter Hope, e Hope não concordaria em dormir lá a menos que os filhotes fossem juntos, — digo a ela, correndo a mão pelos seus cabelos. — Você já pensou em sua mãe de verdade? — Ela sussurra, me pegando desprevenido, conforme seus dedos desenham distraidamente sobre a pele do meu braço, e me pergunto se é o álcool falando, ou se isso é algo que ela tem pensado. — Às vezes, — digo, deixando escapar um suspiro profundo. — Às vezes eu me pergunto como ela poderia me deixar de lado do jeito que fez, — eu confidencio sinceramente, sentindo uma dor tocar o meu peito, a qual está sempre presente quando penso em Jules. — Conheço esse sentimento. Você tem sorte de ter seu pai e Lilly. Eu gostaria de ter um pai com quem pudesse compartilhar as coisas. Queria que meu pai ainda estivesse vivo, — ela engasga, umidade atingindo meu bíceps. Virando-a em meus braços, eu a seguro contra mim. — Você tem uma família, baby, — sussurro, enfiando sua cabeça debaixo do meu queixo.


— Você sabe qual a parte triste? — Ela funga. — O que? — Eu a perdoaria. Se ela viesse até mim e pedisse desculpas, eu a perdoaria, porque quero ter esse relacionamento com ela. Sou tão anormal que a aceitaria de volta na minha vida se ela me pedisse desculpas, — ela choraminga, e sinto meu coração parar por ela, porque sei exatamente o que ela sente. — Você não é anormal, Ellie. Está impregnado em nós desde crianças, a amar nossa família e querer estar perto deles. É da natureza humana, baby. — Eu a odeio. — Shhh... — a acalmo, dizendo o quanto a amo, o quanto Hope a ama, e a tranquilizo mais e mais, com o que ela significa para mim; ouvindo os soluços provenientes do coração até que ela finalmente para de chorar ao dormir. Saio da cama, vou ao banheiro e lavo-me, levo uma toalha molhada até a cama, limpando Ellie antes de colocá-la debaixo das cobertas. Agarrando o meu laptop em cima do armário, eu atravesso o quarto e sento na cadeira ao lado da janela. Tenho me mantido a par de Jules desde que foi libertada da prisão há alguns anos, e sei que ela vive a duas horas de distância, perto da mãe e irmão. Ouvindo Ellie esta noite me fez perceber que é hora de enfrentar meus demônios, e, finalmente, ter um fechamento muito necessário. Pegando seu endereço on-line, eu envio do computador para mim uma mensagem com a informação, em seguida, desligo o laptop e o coloco na cadeira. Voltando para a cama, eu deito atrás de Ellie e a puxo contra mim, ouvindo-a murmurar, — Eu te amo, — me fazendo sorrir antes de cair no sono. *~*~* — Ei, cara, o que há? — Saúdo Evan quando ele pisa no meu escritório e se senta em uma das duas cadeiras em frente à minha mesa. — Deixando isso, — diz ele, esticando e entregando-me uma pasta, o que faz as minhas sobrancelhas franzirem. — Quem é este? — Pergunto, abrindo e tirando uma pilha de papeis, todos se referindo a um cara chamado Lane Diago, que é um traficante de droga de baixo escalão, no Alabama.


— Esse é o homem da sua prima, — ele range, e meus olhos se encontram com ele, vendo algo em seu olhar que faz os meus olhos se estreitarem. — June? — Pergunto, e ele balança a cabeça, inclinando-se e passando a mão sob a barba que cresceu ao longo dos últimos meses. — Você sabe quanto tempo ela está vendo esse cara? — Pergunto. Esqueci tudo sobre Sage pedindo para ele olhar isso há alguns meses. — Meu palpite: cerca de cinco meses, mais ou menos. — Quer me dizer por que você parece ter acabado de levar um soco no estômago? — Pergunto, estudando seu rosto. — Não, — ele diz, cruzando os braços sobre o peito. — O que você fará sobre isso? — Ele balança a cabeça em direção à pasta que ainda está na minha mão e adquire uma expressão indiferente. — Eu lidarei com isso, — digo, e sua mandíbula treme. — Você precisa dizer a ela para terminar com ele. Ele vai acabar colocandoa em problemas, ou pior. — Como eu disse, eu lidarei com isso. — Que seja. Ainda vamos à Kentucky hoje à noite? — Ele pergunta, mudando de assunto. — Sim, nós sairemos depois das onze, — murmuro, entrando no jogo dele, vendo que ele não me dirá o que diabos está comendo-o, ou por que ele parece tão chateado com isso para começar. — Eu estarei aqui, — ele diz, se levantando e saindo do escritório, fechando a porta atrás de si. Evan ainda é um coringa. Sei que ele é esperto pra caralho e um trabalhador. Também sei sobre sua história no serviço militar e como ele foi o único a sobreviver quando sua unidade foi atacada, mas tudo mais sobre está no ar, e vendo que ele esconde algo de mim não se senta bem. Pegando a pasta, eu folheio e balanço a cabeça. June ficará puta por estarmos vigiando-a, mas conhecendo minha prima, ela não tem nenhuma pista do tipo de homem com quem esteve passando o tempo, e se ela tivesse, ela provavelmente chutaria a bunda dele para fora. Colocando a pasta sobre a mesa, eu inclino em minha cadeira e cubro o meu rosto. Ontem à noite, quando disse a Ellie que iria para Kentucky com Wes e os caras verificar uma pista, eu podia ver em seus olhos que ela estava preocupada,


mas também podia ver o alívio por essa merda poder acabar logo. Desde que a mãe dela estava na prisão esperando um julgamento e nós estávamos na pista de Yury, eu espero que assim que rastreá-lo, ele me leve ao homem que a comprou primeiramente, e poderemos finalmente, acabar com toda essa merda. De pé, eu desligo meu computador, coloco o arquivo de June em minha mesa e saio pela porta, ficando cara a cara com Sage. — Eu ia vê-lo, — ele diz, e aponta o meu escritório com a cabeça. — Podemos conversar? — Claro, — concordo, abrindo a porta, atravessando a sala e cruzando os braços sobre o peito. — Eu queria dizer que sinto muito pela maneira que deixei as coisas na outra noite. Sei que você está apenas tentando ajudar. — Eu entendo, — digo, descruzando os braços. — Eu vou falar com ela, — ele diz, enfiando as mãos nos bolsos da frente da calça jeans. — Bom. — Nós estamos bem? — Você não tem que sequer perguntar essa merda. Somos uma família, — eu confirmo, observando seu corpo relaxar. — Você está pronto para esta noite? — Ele pergunta, me estudando. — Sim, Ellie e Hope ficarão com meus pais. Se a pista estiver certa, vamos ligar para o seu pai e colocá-lo dentro. — Você e Wes serão capazes de manter a calma, se for ele? — Não tenho certeza, — digo sinceramente, sabendo o que o cara fez para Ellie e July. — Eu tenho suas costas, aconteça o que acontecer, — ele murmura, e olha para a porta. — Eu vou sair. Precisa de alguma coisa antes de eu ir? — Ele pergunta, abrindo-a e saindo para o corredor. — Nah, eu te vejo hoje à noite, — digo, saindo do prédio atrás dele, puxando as chaves do bolso e trancando a porta, enquanto ele caminha até o carro. Entrando na minha caminhonete, eu vou ao salão de beleza encontrar Ellie para almoçar, em seguida, paro na casa dos meus pais para dizer adeus à Hope, antes de ir para casa e me arrumar para ir até Kentucky.


Parado no quarto escuro de hotel, eu movo a cortina para o lado mais uma vez e coloco os binóculos nos meus olhos, ampliando o quarto em frente ao nosso no estacionamento. A senhora na recepção confirmou que o cara que procuramos está hospedado neste hotel, e após Mic falar com ela, ela colocou cada um de nós em um quarto que nos daria um ponto de vista diferente. — Vê alguma coisa? — Wes pergunta, puxando uma cadeira ao meu lado, e juro ver as cortinas no quarto que vigio se movimentarem. Mas se o quarto for igual a este, o ar condicionado está sob a janela, o que poderia causar a vibração. — Ainda não, — murmuro, apertando os olhos fechados, e então olhando através das lentes novamente, vendo a mesma coisa, só que desta vez, o movimento é um pouco mais acentuado do que antes. — Envie uma mensagem para Harlen e pergunte se ele vê algo do ponto de vista dele, — digo a Wes logo quando o telefone dele toca. — O que foi? — Wes pergunta, e levanta. — Você tem certeza? Afasto os binóculos do meu rosto e deixo a cortina se fechar, observando ele caminhar em direção à porta. — O que está acontecendo? — Pergunto, vendo que ele vai sair. — Mic disse que ouviu uma batida e um gemido vindo do quarto, — diz ele. Corro minhas mãos sobre o meu rosto, sabendo que esta merda poderia ir para o sul do caralho muito rápido se o gemido é nada mais do que alguém no quarto ao lado do dele, uma vez que este hotel é conhecido por taxas baratas por hora. Colocamos Mic e Sage no quarto ao lado do quarto que Yury deve ocupar, Harlen e Evan no meio, enquanto Z ficou na caminhonete do lado de fora da entrada do estacionamento do hotel. — Foda-se, vamos, — digo, seguindo Wes até o segundo andar do hotel. Assim que chego à porta onde Harlen e Evan estão, eles saem e seguem atrás de nós. Não há como passar despercebido. O hotel é aberto, com as portas dos quartos principais voltados para o estacionamento. Quando chegamos ao quarto, eu paro e pego minha arma, pressionando o ouvido na porta. Não ouvindo nada, estou prestes a passar para o quarto que Sage e Mic ocupam, quando ouço uma batida e o que soa como alguém tentando gritar. Sem


pensar, eu dou um passo para trás e chuto a porta barata com minha bota, enviando lascas de madeira em todas as direções. Segurando minha arma na minha frente, eu faço a varredura no quarto, então meus olhos param em uma mulher nua amordaçada sentada no chão, com as mãos e os tornozelos amarrados e as costas pressionadas ao ar condicionado debaixo da janela. — Foda-se, — exalo, vendo os hematomas cobrindo sua pequena forma. — Está tudo bem, — digo, caminhando em direção a ela, guardando minha arma e puxando minha faca do bolso. Primeiramente, removo a mordaça de sua boca, sua cabeça abaixa e um alto soluço rasga de seu peito enquanto corto os laços que a prendem no lugar. — Ficará tudo bem. — Digo a ela, tirando meu casaco e usandoo para cobri-la. — Ele está voltando, — ela diz, levantando os olhos cheios de medo até encontrar os meus. — Ele me matará quando voltar. — Você não estará aqui quando ele voltar, — asseguro a ela, pegando-a e entregando-a para Harlen, que está do meu lado. — Leve-a ao hospital, — digo, e olho para Wes, que mal se aguenta, depois para meu primo. — Ligue para o seu pai e informe a ele o que está acontecendo. — Nisso, — ele murmura, dando um passo para o fundo do quarto. — Mic, veja se consegue arrumar a porta, — digo calmamente, e os olhos de Mic escurecem com fúria quando ele sai para a passarela e arranca os pedaços de madeira, depois retorna, fechando a porta atrás de si. De pé na sala, eu olho em volta, vendo que o lugar está uma bagunça. Há roupas, embalagens de alimentos vazias e garrafas de cerveja jogadas pelo quarto, juntamente com embalagens de preservativos abertas, o que faz a raiva queimar através de cada célula do meu corpo. — Aguente firme, — Sage diz, chegando perto de mim. — Meu pai está a caminho, e esse cara talvez seja a única pista que temos para encontrar a pessoa que queria Ellie. — Eu sei, — concordo, mas isso não impede que as imagens de mim colocando uma bala entre os olhos de Yury entrem em meus pensamentos. — Ele estacionou, — Wes diz em voz baixa, caminhando para a porta e segurando o telefone na mão, digitando algo antes empurrá-lo no bolso. Ele puxa a arma na parte de trás da calça jeans, e desliga a luz. — Quão chateado Nico ficará


se eu atirar nesse merda estúpido? — Ele pergunta, e eu sorrio, andando para o lado da porta. Colocando minhas costas contra a parede, ouço o som de metal e alguém subindo as escadas de concreto que levam ao segundo andar. Quando finalmente ouço chaves tilintando, abro a porta e enfio minha arma no rosto de Yuri. — Querido, estive esperando por você, — rosno, agarrando a camisa dele e puxando-o para o quarto. Uma vez lá dentro, Wes o coloca de joelhos enquanto coloco meu pé nas costas dele, forçando-o a ficar de cara no tapete sujo. — Experimente, e atiro em você porra, — rosno, restringindo a mão que tenta chegar a suas costas, onde tem uma arma. Bloqueando as mãos dele nas costas, eu uso um dos plásticos zip-ties14 do meu bolso para uni-las, e o revisto a procura das armas. Ele não tem apenas a arma da cintura, mas há também uma no tornozelo em sua bota. — Eu não fiz nada, — ele diz quando Sage me ajuda a sentá-lo na borda da cama. — Sim? Que tal jogar Vamos fazer um negócio? — Digo, seus olhos digitalizando o quarto, e sei que ele procura a mulher. — Foda-se. Não fiz nada, — ele repete quando não a vê. — Diga-me quem pagou você para pegar Ellie Anthony. — Não direi merda, — ele grita, cuspindo em meus pés. Vendo Wes pisar ao meu lado com a arma na mão, eu olho para ele, e novamente para Yury quando Wes aponta a arma ao lado da orelha direita dele. — Fale, filho da puta, — Wes rosna, e os olhos de Yury se erguem, indo para Wes antes de encontrar os meus novamente. — Não sei quem é ele. Ele sempre envia um de seus homens. — Ele sorri, e verifica o quarto mais uma vez. — Vocês não sabem com quem estão fodendo. Colocando uma bala na câmara de minha arma, engatilho e a coloco contra o seu joelho. — Quem entra em contato quando você tem uma entrega? — Pergunto novamente, colocando meu rosto a polegadas do dele. — Foda-se, — ele responde, e atiro no joelho dele, fazendo-o cair para frente, gemendo.

14


— Eu fiz uma pergunta, caralho. Quem entra em contato quando você tem uma entrega? — Nah, primo. Vivo, lembra? — Sage diz, colocando a mão na minha arma quando a aponto para a testa de Yury. — Ele não merece viver, — Wes rosna, e os olhos de Yury voltam para ele. — Isso é maior do que você e eu, — Yury diz, movendo o olhar para o meu. — Atire em mim, filho da puta. Estou morto de qualquer maneira. — Diga-me quem é o seu contato, — exijo, assistindo algo trabalhar atrás de seus olhos, e suas narinas abrirem. — Tudo que eu tenho é um e-mail, — ele diz, deixando a cabeça cair quando algo que esteve me estrangulando desde que Ellie saiu da floresta em direção a mim se desfaz. Dando um passo para trás, eu pego o celular do meu bolso e começo a digitar as informações que ele me dá. Então esperamos meu tio aparecer, o qual não diz nada sobre o fato de Yury estar sangrando em todos os lugares. Entro na minha caminhonete e a ligo do lado de fora do hospital, onde passei para verificar Avalee, a mulher que Yury sequestrara, eu inclino a cabeça contra o apoio de cabeça e fecho os olhos. Harlen ficará com ela no hospital até a família chegar à cidade. Ela ainda está dormindo e ficará no hospital por alguns dias enquanto se recupera do pior de seus ferimentos, então irá para casa com seus pais, que vivem em Mississippi. Ela não quis falar com a polícia sem Harlen com ela e se recusou a deixá-lo ir, mesmo quando os médicos explicaram que precisavam examiná-la, deixando-os sem escolha, ao não ser sedá-la. Pelo que Harlen foi capaz de entender antes de a drogarem, seus amigos insistiram para ela sair e namorar, então ela fez o download de um app de namoro em seu telefone e encontrou com Yury. Eles conversaram por um par de dias antes que ela finalmente concordasse em se encontrar com ele para tomar um café, e foi quando ele a levou. Sabendo como a história dela era semelhante à outra mulher que ainda estava desaparecida, Tallon fez uma pesquisa do site do app de namoro e não encontrou nada. O perfil de Avalee foi apagado, juntamente com quaisquer conversas que teve com Yury que antecederam o encontro. Agora que havia uma correlação entre os dois casos, existe uma chance de a outra mulher poder ser encontrada.


Levantando a cabeça e olhando através do para-brisa, eu coloco a caminhonete em movimento e saio do estacionamento em direção à rodovia. Quando falei com Ellie mais cedo e expliquei o que aconteceu, eu podia ouvir seu grito de alívio e tristeza enquanto eu contava sobre Avalee. Eu sabia que, de alguma forma, ela podia entender o que Avalee passara, e essa merda me matou. Nenhuma mulher deveria ter que entender algo assim, e porra, de maneira nenhuma uma mulher deveria jamais precisar experimentar essa merda em primeira mão. Alcançando à estrada, eu tomo uma decisão de última hora e giro no sentido oposto de casa. Preciso falar com Jules. Não consigo descobrir por que é tão importante falar com ela depois de todos esses anos. Apenas sei que há algo em mim que precisa finalizar essa parte do meu passado a fim de poder seguir completamente em frente. Não leva muito tempo para chegar à cidade que agora ela chama de casa, e quando paro na frente da pequena casa localizada em uma rua com casas semelhantes em tamanho, estou surpreso ao ver quão bem cuidada é. A grama do jardim da frente está cortada, e os canteiros de flores parecem terem sido recentemente lavrados, como se estivessem apenas à espera de flores a serem plantadas. Coloco a caminhonete em ponto morto e saio, a porta se abre, assim que estou na frente do capô. — O que você faz aqui? Vendo Jules pela primeira vez em mais de vinte anos, estou surpreso com quão diferente nós somos. Não sei por que pensei que haveria algum tipo de semelhança, mas olhando para ela agora, eu vejo que não há nenhuma. — Não quero nenhum problema, — ela diz, deixando a porta de metal bater atrás dela com um whoosh quando pisa na pequena varanda, envolvendo um longo suéter azul em volta da cintura. — Não estou aqui para causar problemas, — digo, movendo para ficar na parte inferior das escadas abaixo dela. Ela envelheceu bem. Eu sabia por rumores que ela era uma garota bonita, e o tempo foi surpreendentemente bom para ela. Seu cabelo castanho escuro está cortado pouco acima dos ombros, e sua pele cremosa quase não mostra qualquer sinal de rugas. Não sei por que a imaginei acabada e envelhecida, mas eu fiz. — Na verdade, não tenho certeza por que estou aqui, —


confesso, colocando minhas mãos nos bolsos da calça jeans e me inclinando nos saltos das minhas botas. — Vá para casa, Jax, — ela instrui calmamente, virando as costas para mim e abrindo a porta. — Por quê? — Pergunto, sem pensar, observando seu corpo sacudir e seus olhos voltarem para mim por cima do ombro. Prendendo a respiração com a dor que vejo lá, eu questiono, — Por que você fez isso? Por que não me amou? — Sussurro a última parte, o que parece ser a questão que me corrói mais. — Eu nem sequer me amei, — a ouço dizer antes de voltar para a casa sem um segundo olhar, fechando a porta atrás dela. Puxando minhas mãos do bolso, eu volto para a caminhonete e entro, olhando para a casa por um longo tempo. Eu não esperava que ela me convidasse para entrar para cookies, mas pensei que ela iria, pelo menos, me dar alguma coisa, mas então, talvez ela tenha dado. Dando ré, eu saio da garagem dela, e olho para a casa através do retrovisor. Ellie estava certa, eu tive sorte pra caralho de ter os pais que tenho. Nunca houve um dia em que não soubesse que eles me amavam, e então prometi para mim mesmo, que Hope e quaisquer outras crianças que Ellie e eu tivéssemos não se sentiriam da mesma maneira. Eles nunca precisarão adivinhar ou imaginar quando se tratar do meu amor por eles. *~*~* — É a sua vez, — digo a Ellie, deitando de costas e cobrindo os olhos com o meu braço quando ouço um choramingar e um latido vindo do quarto de Hope no final do corredor. — Você queria filhotes, — ela murmura, e tiro meu braço dos meus olhos para encará-la enquanto ela puxa as cobertas sobre a cabeça. — Os filhotes querem sair, e estou cum fome! — Hope grita um minuto depois. — Três anos, — Ellie murmura sob o cobertor, me fazendo sorrir e balançar a cabeça, sabendo que ela se refere ao tempo de duração do implante anticoncepcional.


Passaram-se duas semanas desde que encontramos Yury, e nesse tempo, ele confessou os assassinatos de três mulheres, sendo uma delas, Vanessa Commerce, a mulher que sumira meses atrás. Embora a família dela estivesse de luto pela perda, eles estavam aliviados por ter um encerramento e saber que o assassino estava fora das ruas e atrás das grades, onde não pode ferir ninguém. Avalee também esteve em contato com Harlen. Ela explicou que ia bem, então, pediu os números de July e Ellie após descobrir que elas também passaram por uma situação semelhante, embora não tão grave como o que ela sofreu. Ellie e July falaram com ela algumas vezes e tinham planos de se encontrar assim vez que Avalee se sentisse um pouco mais forte. — Você quer que eu vá? — Ellie pergunta, espreitando debaixo das cobertas, tirando-me dos meus pensamentos. — Não, baby, durma, — digo, pressionando um beijo na testa dela e deslizando para fora da cama, andando pelo corredor até o quarto de Hope, onde a encontro tentando abrir o fecho da casinha de cachorro enquanto Chip e Pancake saltam na porta, tentando se aproximar dela. — Bom, você está aqui. — Ela suspira, e aponta para os filhotes. — Eles querem sair. — Eu vejo isso, — confirmo, rindo ao abrir o portão e permitir que ambos os filhotes corram da grade e circundem os pés dela, o que lhe dá um ataque de risos. — Vamos levá-los lá embaixo antes que eles tenham um acidente, — digo a ela, pegando os dois filhotes balançando e carregando-os até lá embaixo, a ouço me seguir pela porta dos fundos da cozinha, onde estou sem camisa no frio, prometendo colocar uma cerca e uma porta de cachorrinho em breve para não precisar fazer essa merda sempre. Abrindo a porta de trás, Hope grita, — Bom dia! — Para Ellie, que está na cozinha, vestindo minha camisa, então ela corre por ela até a sala sendo seguida por ambos os cachorros, que latem a seus pés enquanto fecho a porta atrás a mim. — Três anos, hein? — Digo, e ela me dá um sorriso, colocando a mão no meu abdômen e inclinando-se para beijar meu maxilar, pressionando seus seios contra mim, me fazendo querer levantá-la até o balcão e dar bom dia para ela de


uma forma completamente diferente. Apertando minha mão em seu cabelo, eu inclino a cabeça dela e mergulho minha boca mais perto dela. — Papai Ax, Chocolate Chip está comendo o sofá! — Hope grita, quebrando o momento e fazendo-me gemer. — Definitivamente três anos, — Ellie diz, deixando escapar um suspiro contra a minha boca e voltando aos seus pés. — Três anos, — murmuro, beijando-a mais uma vez antes de sair da cozinha e ir para a sala de estar, onde encontro Chip comendo à beira do sofá. Felizmente, é de couro, de modo que o dano é mínimo. Indo lá em cima após dar um telefonema, eu paro e olho severamente, vendo Ellie pendurar roupas no armário do quarto que escolheu quando veio ficar comigo pela primeira vez... um quarto em que não dormiu por semanas. — O que você está fazendo? Pulando, ela se vira para olhar para mim segurando uma camisa em um cabide. — Guardando a minha roupa. — Por que diabos você está guardando-a aqui? — Eu franzo a testa, olhando para o armário e vendo-o cheio de roupas. — Hum... — Que porra é essa, Ellie? — Eu... -— ela começa, mas levanto minha mão, ando até a pilha de roupa na cama, pego-a juntamente com tudo mais e levo até o final do corredor, onde a lanço na cama, girando para encará-la. — Você dorme aqui. Sua merda deveria ficar aqui. — Você está me pedindo para mudar? — Ela pergunta em voz baixa. — Jesus, Ellie, que porra é essa? Você acha que sairia daqui? — Eu rosno, observando seus olhos estreitarem e as mãos irem para seus quadris. — Eu não sei. — Ela estende os braços, e gira em torno deles. — Você nunca me pediu para morar com você. Não sou uma leitora de mente! Colocando minhas mãos em meus quadris, eu me inclino, ficando em seu espaço. — Você já mora comigo, porra. Não sabia que precisávamos conversar sobre isso. — Bem, nós precisávamos. Quero dizer, você não disse nada sobre isso até agora, como eu ia saber.


— Você mora aqui, Ellie, você dorme na minha cama, em nossa cama. Hope dorme na cama dela no final do corredor, e dormirá lá até finalmente sair para faculdade, então vá pegar suas coisas e pendurar ali, — eu digo, apontando para o armário em nosso quarto. — Ou espere até eu chegar em casa em algumas horas, e a ajudo a movê-las. — Você poderia muito bem me perguntar se eu quero morar com você, — ela resmunga. — Não é algo que preciso perguntar. Está feito. Agora eu preciso ir, então pare de ser difícil e me dê um beijo antes de eu sair. — Não sinto vontade de beijar você agora. — Ela franze a testa. — Que pena, — eu resmungo, fechando a distância entre nós, apertando minha mão em seu cabelo, tomando sua boca em um beijo brutal, o que faz o meu pau empurrar com força contra meu zíper e as unhas dela cavarem meu couro cabeludo antes de me afastar. — Pendure sua merda no armário, — ordeno, pressionando um último beijo em sua boca antes de me afastar, sorrindo ao sair do quarto e descer escadas, onde encontro Hope pairando sobre a borda do sofá de cabeça para baixo. — Papai Ax, — ela diz quando me vê na porta. — Ei, querida, eu preciso sair por algum tempo, por isso, ajude a sua mãe enquanto eu estiver fora, ok? — Tudo bem, — diz ela, virando-se e levantando. — Seja boa. — Eu irei. Amu você, — ela diz, envolvendo os braços em volta das minhas pernas, e foda-me se isso não é ainda melhor do que ela me chamar de pai. — Eu também te amo, querida, — murmuro, correndo a mão pelos cabelos dela, beijando-a na testa, então coloco o meu boné na cabeça e saio pela porta da frente.


CAPÍTULO 12

Após pendurar a última das minhas roupas no armário, eu percorro o corredor para verificar Hope, quando ouço os cachorros latindo. Sei que eles dormiam com ela na última vez que verifiquei, então não tenho ideia o que os deixou tão irritados. Ao entrar no quarto, leva um segundo para o meu cérebro registrar o que vejo, mas quando faço, adrenalina e medo inundam meu sistema. — Largue a minha filha, — digo, mas não tenho certeza se as palavras foram altas o suficiente para ouvir conforme atravesso para o outro lado até o homem que conheci brevemente no zoológico, segurando uma Hope chorando em seus braços. — Mamãe! — Hope grita, trazendo a minha atenção para ela enquanto ela estende suas mãos para mim. — Está tudo bem, anjinho. Ficará tudo bem, — engasgo, estendendo a mão para ela, mas deixo cair as minhas mãos novamente quando a mão dele sobe para envolver a garganta dela. — Você já se perguntou como as crianças podem ser tão inocentes, mesmo enquanto crescem em uma vida de pecado? — Ele pergunta, beijando o topo da cabeça dela, enquanto seus olhos me varrem da cabeça aos pés. — Por favor, dê ela para mim. Eu farei o que quiser, apenas, por favor, soltea. — Tal devoção por uma criança que não é realmente sua. — Ele balança a cabeça. — Ela é minha, — sussurro, querendo tanto tirá-la das mãos dele, mas sabendo que não há nenhuma maneira de fazer isso sem machucá-la no processo.


— Agora, ela pertence a mim, e você também, — afirma calmamente, em seguida olha por cima do ombro e levanta o queixo para quem está atrás de mim, mas de maneira nenhuma eu tirarei meus olhos da minha filha, e não quando ele ainda tem a mão envolvida ao redor de seu pescoço pequeno. — Por favor, solte-a. Ela é apenas um bebê, — imploro. — Ela vem com a gente, — ele diz com firmeza, passando a mão sobre seu cabelo quase carinhosamente, fazendo a bile queimar na parte de trás da minha garganta. — Por favor, não faça isso, — boto para fora. — Tudo o que planejou, por favor, não faça isso. Nós podemos pensar em algo. Ele começa a se mover ao meu redor, e me estico para tentar agarrar Hope, que agora grita e chuta, mas ele vira seu corpo de modo que ela fique mais longe de mim, e olha para o homem de pé na porta do quarto. — Leve-a até o carro. Estaremos lá em um momento. — Não, por favor, não! — Grito, tentando tirar Hope dele, apenas para ser agarrada pela cintura e peito e puxada para trás em um tronco sólido com tanta força que o ar é tirado de mim. — Por favor, não a machuque, — imploro ao homem segurando Hope quando ele sai do quarto com ela gritando e chutando em seus braços e os cachorros latindo a seus pés. — Ninguém vai machucá-la. Ela viverá uma vida livre de todos os pecados que você tem mostrado para ela, — ele diz perto da minha orelha e sinto sua excitação em minhas costas. — Não, — eu exalo, sentindo lágrimas encherem meus olhos ao ouvir o que soa como um dos filhotes chorar e um grande estrondo, como se batesse na parede. — Por favor, não faça isso, — choramingo, tentando me afastar dele, mas ele é forte, forte demais para mim, mesmo com os movimentos que Jax me ensinou não consigo me libertar. — Você é minha, Ellie. Eu possuo você. — Não. — Sim, — ele rosna, mordendo meu pescoço tão forte que não ficaria surpresa se tivesse rasgado a pele. — Por favor, não, — sussurro, minhas pernas cedendo debaixo de mim e suas mãos envolvendo meus seios, apertando dolorosamente.


— Sua virgindade era para ser minha, mas você jogou fora, — ele rosna, movendo as mãos dos meus seios para o meu pescoço, apertando com tanta força que o oxigênio em meus pulmões fica preso e estrelas e lágrimas me cegam. Tentando mais uma vez me libertar, eu só consigo agarrar a pele do braço dele com minhas unhas, mas não faz nada. Seu aperto não diminui, e sinto-me enfraquecer à medida que tento respirar. — Posso não ser capaz de tirar a virgindade, mas seu ventre é meu. Você me dará um bebê antes que eu acabe com você. — Não! — Balanço minha cabeça em negação quando a escuridão nubla minha visão. — Quem é você? Onde está Jax? — Ouço a voz de uma mulher perguntar, mas parece que estou debaixo d’água, e então sou liberada, caindo no chão e com falta de ar. Sentindo uma dor aguda em todo o lado do meu rosto, é preciso um momento para perceber que ele me bateu. — Você fará o que eu digo ou morrerá, — ele ameaça, puxando uma arma e pressionando na minha testa. Balançando a cabeça em concordância, ele me puxa rudemente para ficar em pé, me arrasta tropeçando atrás dele para fora do quarto, ainda tentando recuperar o fôlego. Chegando ao final das escadas, uma mulher que nunca vi antes está de pé na porta com o peito arfando enquanto impede de sair o homem com Hope em seus braços. — Onde está Jax? — Ela grita, e seus olhos voam para mim quando tropeço vertiginosamente no último degrau e bato na parede com meu ombro. — Entre na casa agora, ou colocarei uma bala em você, — o homem próximo a mim diz, me puxando mais ou menos contra seu peito e colocando o cano da arma contra a minha testa. Observando-a entrar na casa, as lágrimas enchem meus olhos e caem silenciosamente pelo meu rosto. — Coloque-a no chão e verifique se chamamos atenção para nós mesmos, — o que segurava a arma na minha cabeça diz, e o homem segurando Hope acena, coloca-a no chão, e vai para a cozinha enquanto ela corre para a mim. — Está tudo bem, — digo a ela, pegando-a e colocando-a contra meu peito enquanto ela soluça na curva do meu pescoço.


— Vocês podem ir. Não diremos nada, — a mulher oferece, vindo em minha direção. — Não as deixarei dizer nada, apenas saia, por favor, e esqueceremos tudo isso, — ela implora. — Cale a boca antes de eu atirar em você, — ele diz, e Hope choraminga, apertando seu pequeno corpo contra mim. — Ninguém está lá fora. Podemos ir, — o cara que saiu momentos atrás diz, voltando para ficar perto da porta da frente. — Ela virá, — ele diz, apontando para a mulher desconhecida. — Deixe que ela e Hope fiquem. Eu farei o que quiserem, — sussurro, tentando fazer Hope me soltar para poder entregá-la para a mulher. — Ela virá! — Ele ruge, e a porta da frente se abre. — Jax, — sussurro, vendo seus olhos caírem em confusão, ao ver a cena, e voar para a mulher na sala. — O que diabos você faz aqui, Jules? — Ele pergunta, e minha mente registra que Jules é a mãe dele, aquela que ele foi ver. — Não! — Jules grita, correndo em direção Jax quando o homem perto da porta saca a arma. Enviando Hope na direção da cozinha, um grande estrondo enche a sala. — Corra, — eu digo a ela, desembrulhando-a de mim e colocando-a no chão, empurrando-a para a cozinha. — Agora! — Grito, vendo-a olhar para mim com lágrimas encharcando seu rosto antes de correr. Procurando em volta freneticamente por algo que eu possa usar como arma, eu corro para a prateleira perto da porta da frente e arranco uma das gavetas, fazendo papéis se caírem em torno de mim quando a levanto sobre a minha cabeça e desço com força, atingindo um dos homens na cabeça. Jax luta com o outro, tentando afastar a arma dele. Batendo no cara no chão novamente e novamente, um tiro soa e meu corpo pula com o som, então outro, e respingos molham meu rosto. Meus olhos começam a ir para o homem aos meus pés, mas a mão de Jax inclina meu queixo. — Ele está morto, baby. Vá encontrar Hope. Engolindo em seco, olho em volta, sentindo como se estivesse fora do meu corpo. — Ellie, seja forte um pouco mais e vá buscar a nossa menina.


Descartando a gaveta que ainda segurava, aceno e seus olhos encaram meu rosto por um breve momento antes de seu corpo se afastar de mim enquanto ele vai até Jules. Ele se inclina sobre ela, pressionando os dedos em seu pescoço e uma mão em seu peito, onde sangue ensopa sua camisa. Tropeçando pelo corredor até a cozinha, vejo Pancake se escondendo na cozinha sob o balcão, então a pego e a abraço contra o meu peito enquanto caminho até a porta dos fundos e três carros de polícia param na entrada, suas sirenes e luzes estridentes. Procurando por Hope ao redor freneticamente, eu passo correndo pelos carros da polícia, ignorando-os me dizendo para parar, e vejo Hope em pé no quintal ao lado, com uma senhora e um homem. — Hope! — Grito, e ela vira a cabeça para mim. — Mamãe! — Ela grita, correndo para mim enquanto caio de joelhos, soltando Pancake na grama quando Hope bate com força no meu peito, me balançando para trás. — Oh, Deus, anjo! Você está bem? Está ferida em algum lugar? — Pergunto, afastando-a para poder verificá-la. — Minha senhora, quem está na casa? — Pergunta um oficial, agachandose ao nosso lado. — Jax. A mãe dele foi baleada, ela precisa de uma ambulância, — digo, e ele grita por cima do ombro para alguém. — Os assaltantes ainda estão lá dentro? — Ele pergunta. — Os dois estão mortos, — digo a ele, observando seu rosto suavizar antes de olhar para o lado e dar instruções para os homens atrás dele. Então pega Pancake do chão e acena com a cabeça em direção a um dos carros. — Venha comigo e se limpe, então pode esperar no carro da polícia enquanto nós verificamos tudo, — ele diz suavemente. Ajudando-me a levantar com Hope em meus braços, ele me leva até um dos carros e me dá alguns lenços que cheiram a álcool. Queima quando limpo meu rosto e as mãos. Em seguida, ele abre a porta traseira, ajudando-me a entrar antes de colocar Pancake sobre o assento ao nosso lado e fechar a porta. — Onde está Chocolate Chip? — Hope soluça, colocando Pancake entre nós. — Não sei, anjo, — murmuro, segurando-a contra mim, olhando a porta da frente da casa quando policiais e paramédicos entram. Então vejo Jax sair pela


porta da frente, segurando Chip em suas mãos e correndo pelo quintal. Bato no vidro da porta e seus olhos me encontram, ele salta os degraus e corre em nossa direção. Assim que alcança o carro, ele abre a porta e nos abraça. — Eu sinto tanto... tanto para caralho, — ele repete mais e mais, nos balançando contra ele. — Está tudo bem. Estamos bem, — grito, me inclinando para ver seus olhos. — Estamos bem, — repito quando seus olhos se fecham e sua testa toca a minha. — Ela está morta, — ele sussurra, apertando-nos com força, e meu coração se parte. *~*~* — Você precisa de alguma coisa? — Lilly pergunta, de pé na porta aberta do antigo quarto de Jax com o braço de Cash em sua cintura. Colocando Hope na cama, eu cubro-a com as cobertas e pressiono um beijo na cabeça dela. Após responder algumas perguntas da polícia e conseguir reorganizar as coisas, eu sabia que de maneira nenhuma eu seria capaz de ficar em casa. Não esta noite, e provavelmente não por um tempo. Não poderia sequer me forçar a ir para a casa e pegar roupas e outras coisas que necessitamos para ficar fora por alguns dias, e não sei o que Jax fez. — Estamos bem, mãe, — Jax diz a ela, abraçando-a, e seu pai lhe dá outro abraço, um dos muitos que ele deu assim que descobriu o que aconteceu. Acho que Lilly e Cash ainda estão em estado de choque. Ninguém além de mim sabia que Jax esteve recentemente em contato com Jules, e não acredito que alguém teria imaginado que ela daria a vida dela por ele, conhecendo a sua história. — Obrigada novamente por nos deixar ficar aqui, — digo em voz baixa, sentando na cama e esfregando os olhos. — Somos uma família, — ela diz, e meus olhos se enchem de lágrimas. — Tem certeza que todos querem dormir aqui? — Cash pergunta. — Preciso de minhas meninas perto, — Jax explica calmamente, movendo o olhar para a cama, onde Hope dorme, então para mim.


— Tudo o que você precisar, rapaz, — Cash diz, e ouço a crueza em sua voz, o que só serve para fazer a dor no meu peito se expandir. — Vá dormir um pouco e veremos vocês de manhã. — Boa noite, — digo, saindo da cama, abraçando Cash, e depois a Lilly, e assistindo Jax fazer o mesmo antes de fechar a porta. — Você está cansada, baby? — Ele pergunta quando vou para a mala no canto do quarto e pego uma de suas camisas. — Sim, mas não sei se serei capaz de dormir, — digo enquanto tiro a roupa que coloquei após o banho que tomei ao chegarmos aqui, e coloco a camisa dele. — Eu fodi hoje. — Você não fez, — sussurro, sentando ao lado da cama, observando ele trocar seu jeans por um moletom. — Eu fiz, Ellie, — argumenta ele em voz baixa, ficando diante de mim, e passando a mão sobre as contusões em minha garganta. — Ele era louco, Jax, e agora que se foi, todas as mulheres que tinha como refém estão livres dele. Elas têm uma chance de recomeçar, seus filhos têm a chance de uma vida normal, — digo a ele, sentindo a tristeza se derramar através de mim pelas mulheres e seus filhos e o que ainda precisariam enfrentar. Após o médico legista analisar as digitais dos homens mortos, eles descobriram que o nome do cara principal era Tobias Benedict. Ele era filho de uma prostituta que vivia nas montanhas do Tennessee em um terreno de seiscentos acres de terra, o qual ele transformou em um tipo de complexo. Ele alegadamente disse que falou com Deus e que Deus disse que era dever dele trazer filhos puros ao mundo, e sua prole conduziria a guerra contra o mal no final dos tempos. Ele tinha um harém de mulheres, todas foram sequestradas ou compradas, e todas eram virgens, com quem ele teve filhos. Fiquei espantada quando o tio de Jax nos disse que ele tinha mais de duzentos seguidores e que todos acreditavam nele. Mas conhecendo o mundo em que vivemos, e no quanto algumas pessoas querem acreditar em alguma coisa, qualquer coisa, eu sei que é possível. — Você quase foi sequestrada em nossa casa. Eu poderia ter perdido você e Hope, e não teria nenhuma maneira de encontrá-las, — ele diz, se ajoelhando na minha frente, abraçando minha cintura e descansando a cabeça no meu colo.


— Você teria nos encontrado. — Sussurro, forçando seus olhos a encontrar os meus, e segurando seu rosto em minhas mãos. — Você não teria parado até que encontrasse, — digo, e encosto minha testa na dele. — Não quero jogar e se, não quando estamos juntos aqui, não depois do que aconteceu, — sussurro, fechando os olhos, sentindo seus braços se apertarem ao meu redor. — Você está certa, — ele diz em voz baixa, pressionando sua boca na minha brevemente. Abrindo os olhos para encontrar os dele, eu vejo dor e pesar em seu olhar, o que faz com que seja quase difícil respirar. Eu odeio que ele se sinta tão culpado por algo completamente fora de seu controle. — Eu te amo, — sussurro quando ele me ajuda a ir para a cama e ajusta Hope entre nós. — Eu também te amo, vocês duas, — ele diz, desligando a luz e lançando o quarto na escuridão. Deitada lá, ouço ele e Hope respirar e tento dormir, mas meu cérebro se recusa a desligar, e posso dizer que ele tem o mesmo problema, porque seus dedos em minha cintura se movem continuamente. Finalmente, a luz encontra o seu caminho no escuro, e sou capaz de adormecer. Acordando, olho a cama e entro em pânico ao ver que Jax e Hope se foram. Sentando-me, coloco meus pés no chão, e caio aliviada quando vejo que Hope está no quarto em frente ao meu, sentada no chão brincando com os dois filhotes e sua boneca. Agarrando meu moletom, o coloco e atravesso a sala, sentando ao lado dela no chão. — Ei, anjinho, — a cumprimento em silêncio, vendo que ela não está na sua feliz hiperatividade normal e que na verdade não me respondeu. — Os homens maus se foram, mamãe? — Ela pergunta, e meu coração se parte enquanto a puxo em meus braços, colocando-a no meu colo. — Sim, — sussurro em seu cabelo, respirando o cheiro dela. — Eles machucaram Chocolate Chip, — ela me diz, e pressiono meus lábios para não chorar. — Eu sei, anjo, mas lembre-se que tia July disse que ele ficaria bem, — asseguro. Chocolate Chip teve uma de suas patas quebradas e agora ostentava um gesso, mas July disse que ficaria bem, levaria apenas algumas semanas para se curar.


— Podemos ir para casa? — Ela pergunta, inclinando a cabeça para olhar para mim. — Em poucos dias. — Aceno, correndo os dedos pelo seu cabelo; ela deita a cabeça no meu peito até finalmente se levantar e começar a brincar com os filhotes. Observo-a por um longo tempo, não me levanto e saio até ouvi-la rir. Esse som me deixa saber que ela ficará bem. — Por que não nos contou que iria falar com Jules? — Ouço Cash perguntar quando alcanço a cozinha, vendo Jax e seus pais junto com Ashlyn, sentados à mesa e bebendo café. — Não queria trazer merda velha para vocês. Na verdade, não sei o que eu queria dela, — Jax responde, esfregando as mãos no rosto. — Quando a vi, ela não falou comigo. Nem sei por que ela estava na minha casa ontem, — ele diz com uma voz cheia de dor, então seus olhos me encontram e estende a mão em minha direção. Seguro-a, e ele me puxa para o seu colo, envolvendo seus braços em volta de mim e beijando o meu pescoço. — Estou feliz por ela estar lá, — Lilly diz suavemente, e aceno de acordo, girando no colo dele e correndo os dedos sobre o seu queixo. Se ela não estivesse lá, as coisas seriam completamente diferentes agora. Não quero nem sequer imaginar quão terríveis as coisas poderiam ter sido. *~*~* — Eu atendo, — Jax grita lá de baixo quando a campainha soa. — Ok, — grito de volta, sorrindo para Hope quando ela ri. Já se passaram três semanas desde que tudo aconteceu, e ontem à noite foi a primeira vez que ficamos em nossa casa desde então. Foi aterrador caminhar pela porta da frente, mas Jax, junto com seus primos e tios, pintaram e fizeram algumas mudanças enquanto estávamos com seus pais, e também reparou e atualizou o sistema de alarme. Facilitando lidar com o retorno para casa. — Você está pronta para ir caçar os ovos de Páscoa, anjo? — Pergunto a Hope, sentada na penteadeira no banheiro me vendo colocar a maquiagem.


— Sim. — Ela sorri, afofando seu vestido de casca de ovo azul ao seu redor, levantando seus pés e batendo junto seus sapatos de plástico brilhantes, que ela não usa para sair de casa. — Posso ter maquiagem? — Um pouco. — Sorrio, pintando suas bochechas e olhos com um pincel, e a deixo usar o meu brilho labial após usá-lo. — Você está bonita, mamãe. — Assim como você. — Sorrio para ela, levantando-a do balcão e colocandoa no chão. — Vá ver se os filhotes estão bem e troque seus sapatos, assim nós podemos sair. — Mas quero usar meus sapatos de princesa. — Ela franze a testa. — Se quiser ganhar um monte de ovos, você precisa ser capaz de correr rápido, então precisa dos outros sapatos. — Ok, — ela resmunga, saindo do banheiro comigo balançando a cabeça. Indo até o armário, eu coloco meus saltos, e olho para mim mesma no espelho mais uma vez antes de descer, onde encontro Jax sentado na sala de estar com os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça entre as mãos. — O que aconteceu? Quem era? Levantando a cabeça lentamente, seus olhos encontram os meus e a mão dele estende um pedaço de papel dobrado para mim. — O que é isso? — Sussurro, e ele balança a cabeça. Pegando o papel dele, o desdobro, e sento no sofá quando vejo que é uma carta da mãe dele. Caro Jax, Dizer que fiquei surpresa ao vê-lo do lado de fora da minha casa seria o eufemismo do século. Por anos e anos pensei o que eu diria a você se alguma vez nos encontrássemos face a face, mas estar em sua presença e ver de perto a dor que causei a você tornou isso muito real. Poderia dar um milhão de desculpas e dizer um milhão de mentiras, mas a verdade é que eu era uma covarde egoísta. Sinto muito pela dor que causei a você e sua família, e se fosse possível voltar no tempo, eu sei que faria um monte de coisas de forma diferente. Tudo, exceto dar à luz a você.


A primeira vez que vi o teu pai te abraçar, eu sabia que era como o amor deveria parecer, e embora estivesse com ciúmes no momento, agora entendo como eu estava errada por me sentir assim. Eu tive sorte por um breve momento ao ver algo tão bonito e saber que ajudei a trazê-lo à vida. Sei que nós nunca seremos próximos, e fiz as pazes com isso, mas desejo o melhor para você e espero que encontre a sua própria felicidade. XX Jules — Oh, meu Deus, — suspiro, as lágrimas caindo sobre o papel tremendo em minhas mãos. — É por isso que ela estava aqui, ela veio me trazer essa carta. A mãe dela encontrou em seus pertences quando pegou suas coisas do médico legista, — ele diz, apertando sua mandíbula. Saindo do sofá, eu vou para onde ele está sentado, e sento no colo dele, então seguro seu rosto em minhas mãos. — Sinto muito, baby, — sussurro, observando seus olhos se fecharem brevemente antes de encontrar os meus novamente. — Ela salvou minha vida, e por causa dela, você e Hope ainda estão aqui. — Eu sei, — concordo, pressionando minha boca para a dele, e inclinando para encarar o seu rosto enquanto minha mão segura a mandíbula dele e meu polegar se move sobre o queixo. — Eu a odiei por tanto tempo, e agora não sei o que sentir. — Sei que não é fácil depois de tudo o que aconteceu, mas acho que você se sentirá melhor quando encontrar uma maneira de perdoá-la, — digo baixinho, correndo os dedos sobre seus lábios. — Como posso fazer isso? — Ele pergunta, parecendo perdido. — Não sei, — confesso, sentindo lágrimas encherem meus olhos. — Mas vou te ajudar. — Eu vou ajudar também, papai Ax, — Hope diz correndo pela sala e subindo na cadeira com a gente. — O que estamos fazendo?


Rindo, Jax pressiona um beijo em seu cabelo, então sorri para ela. — Você está fazendo isso, querida. Você e sua mãe estão. — Eu sou uma boa ajudante. — Ela sorri, fazendo-nos rir. — Você é a melhor ajudante que existe, anjinho, — digo, beijando sua testa, em seguida a de Jax antes sair de seu colo e assistir Hope beijar o rosto dele e se levantar, puxando-o para cima. — Você está pronta para ir à caça do ovo de Páscoa? — Ele pergunta a ela. — Sim, eu vou conseguir todos os ovos, — ela grita alegremente, correndo em direção à frente da casa. Segurando a mão dele antes que ele a siga, eu dou um passo em direção a ele e me inclino, envolvendo minhas mãos em seu pescoço e trazendo seu rosto para mais perto do meu. — Eu faria tudo de novo, até mesmo as partes assustadoras, desde que soubesse que Hope e eu encontraríamos você no final. Faria tudo de novo, — digo sinceramente. — Baby. — Ele balança a cabeça, descansando sua testa contra a minha. — É verdade, — murmuro, e aperto os braços quando sua boca desce para a minha, me beijando suavemente. — Vamu, gente! — Hope grita, interrompendo o momento, nos fazendo sorrir. *~*~* — Case comigo. Abrindo os olhos para olhar Jax através da sala enluarada, sinto minha boca secar. — O quê? — Eu tinha toda essa porra planejada, em como eu ia perguntar, mas não quero esperar mais. Case-se comigo, Ellie, — ele diz, pegando a minha mão, colocando algo gelado e pesado no meu dedo. — Jax. — Vamos para Vegas na próxima semana. — Oh, meu Deus. — Balanço minha cabeça, sentindo minha garganta fechar-se. — Podemos levar as pessoas com a gente ou ter uma festa quando chegarmos em casa, mas não quero esperar.


— Ok, — sussurro, me pressionando contra ele e fechando minha mão em um punho, com medo do anel desaparecer se eu não fechar. — O quê? — Ele pergunta contra a minha testa, onde seus lábios desembarcaram. — Quando jovem, eu vi um comercial onde o casal alugou um conversível e se casaram em um drive-thru. Será que eles realmente têm isso? — Pergunto, e seu rosto mergulha em direção ao meu. — Eu vou descobrir. — Ok, — murmuro, e enfio minha cabeça sob o queixo dele. — Você não quer ver seu anel? — Ele pergunta com um sorriso enquanto seus braços se apertam em volta de mim. — Já sei que é perfeito, — sussurro, as lágrimas enchendo meus olhos. Sei que demorará um pouco para nos curarmos, mas sei que, com o tempo, as coisas ficarão um pouco melhor a cada dia, e no final, enquanto tivermos um ao outro, nada mais importa.


EPÍLOGO

Três anos e sete meses mais tarde

— O que diabos você está fazendo? — Jax ruge, colocando as mãos na parte de trás dos meus joelhos. Colocando a caixa de cereal na prateleira no armário, eu reviro meus olhos. Juro que se ele não está rugindo, ele está rosnando. — Fiz-lhe uma maldita pergunta, Ellie Mayson. — Guardando as compras, — digo, virando-me para encará-lo. Então fico de joelhos e balanço minhas pernas ao redor para que possa me sentar na bancada, a qual eu usei como cadeira para subir, a fim de poder guardar as coisas que comprei nos armários perto do teto. — Eu disse que faria as compras, — ele diz, me abraçando e me puxando contra seu corpo, depois me deslizando cuidadosamente no chão. — Também disse que se fosse necessário colocar qualquer coisa lá em cima, — ele diz, apontando para os armários, — Eu faria isso quando chegasse em casa. Você está me ouvindo? — Ele franze a testa, se aproximando de mim. — Desculpe, o quê? — Pergunto, piscando para ele. Desde que fiquei grávida, ele tem sido mais mandão do que nunca, e na metade do tempo eu não presto atenção quando ele fala sobre o que eu posso ou não posso fazer. — Ellie, você está grávida de sete meses, e não de dois. — Estou sendo cuidadosa. Não faço nada que o médico não disse que é bom eu fazer. Você precisa relaxar, Jax. Hey, rimou. Relaxe, Jax deve ser um slogan. — Sorrio e sua carranca se aprofunda.


— O médico disse que está tudo bem subir na bancada? — Ele pergunta, ignorando minha piada e colocando as mãos na minha barriga cada vez maior, esfregando suavemente. — Não, mas... — Não quero que nada aconteça a você ou ao meu menino. — Tudo bem, eu não subirei no balcão, — eu cedo, sabendo que ele não vai parar até que eu faça. — Entre você e Hope, eu terei cabelo grisalho antes dos trinta anos, — ele diz, suas mãos descendo pelas minhas costas e descansando na minha bunda. Inclinando e beijando seu queixo, digo baixinho, — Eu gostaria de lembrálo que a ideia brilhante de colocar beliches foi sua, sabendo que ela adora pular na cama. — Como eu ia saber que ela pensaria estar tudo bem saltar da cama de cima? — Porque ela é louca e aventureira. Não ficaria surpresa se ela quiser fazer paraquedismo e bungee jumping quando ficar mais velha. — Pare de falar, — ele diz, me fazendo rir. — É verdade, e esse cara será tão indisciplinado, a julgar pela forma como joga futebol com a minha bexiga. — Pelo menos ele parou de fazê-la vomitar. Isso é verdade. Os primeiros quatro meses de minha gravidez foram gastos no banheiro. A maioria dos dias eu não poderia nem mesmo ir trabalhar por causa do quanto eu vomitava. — Quanto tempo nós temos até Hope descer do ônibus escolar? — Ele pergunta, mudando de assunto. Olhando para o relógio sobre o fogão, eu sorrio. — Tempo suficiente para eu tirar vantagem de você, — digo, colocando minhas mãos no botão de sua calça jeans. — Você apenas me usará? — Ele sorri. — Não se preocupe. Prometo que você vai gostar, — digo quando sua mão segura o meu cabelo e sua boca cai na minha. Levantando-me com cuidado na bancada, ele levanta meu vestido de gestante e corre um dedo sobre o meu clitóris. — Você está inchada e molhada, baby.


— Eu sei. — Engulo, deixando minha cabeça cair para trás enquanto seus dedos deslizam dentro de mim. — Apoie-se em suas mãos e afaste as pernas, — ele ordena, então coloco minhas mãos atrás de mim no balcão e espalho minhas pernas conforme ele abre sua calça jeans, e puxa para baixo a parte superior do meu vestido, expondo meus seios, que agora são supersensíveis. — Adoro ver você grávida, — ele diz, seus olhos escurecendo ainda mais. — Jax, — suspiro quando seus dedos deslizam através das minhas pregas mais uma vez, a cabeça de seu pau se alinha, e lentamente empurra dentro de mim. — Foda-se, você é tão gostosa, — ele rosna, inclinando e puxando o meu peito em sua boca, o que me envia a mais de um orgasmo repentino e me faz gritar seu nome, envolvendo minhas pernas firmemente em torno dele. — Jesus, baby. — Ele empurra em mim mais três vezes, plantando-se profundamente e gozando. Tentando recuperar o fôlego, eu deito contra o balcão, e gemo enquanto ele sai de mim e me ajuda a sentar. — Vá se deitar, baby, — ele diz, segurando gentilmente meu rosto entre as mãos. — Levarei Chip e Pancake comigo ao ponto de ônibus para pegar Hope. — Tem certeza? — Sei que você não tem dormido bem, — ele diz, correndo os dedos debaixo dos meus olhos. — Isso é culpa do seu filho, — indico, fazendo-o sorrir e mover as mãos para segurar minha barriga. — Em pouco tempo ele estará aqui, e poderei ajudá-la quando ele estiver tentando mantê-la acordada. — Mal posso esperar para conhecê-lo, — digo, colocando minhas mãos sobre a dele. — Hope ainda está irritada por ele ser um menino. — Ele sorri e eu rio. — Eventualmente, ela se acostumará com isso. *~*~*


Há algumas vezes na minha vida em que posso olhar para trás e saber exatamente sobre o que Jules falava: toda vez que meu pai me deu um tapinha nas costas ou uma palavra de aconselhamento quando necessário. O momento que Lilly olhou para mim como uma mãe olha para o filho, com orgulho em seus olhos. A primeira vez que vi Ellie e sabia que eu estava vendo meu futuro ao olhar para ela. O dia em que Hope me chamou de papai, e o dia em que assinei os papéis de adoção dela. E então hoje, o dia em que meu filho nasceu e respirou pela primeira vez. Levantando Jasper da cama, eu puxo a borda do cobertor no qual Ellie envolveu-o firmemente, fazendo dele um burrito de bebê, como Hope brincou, e corro o meu dedo sobre seu queixo. Não posso acreditar que ajudei a criar esse pequeno ser humano, que Ellie e eu fizemos algo tão perfeito. Ele tem as bochechas da mãe, o resto é tudo meu. Trazendo-o até meu peito, eu pressiono um beijo na testa e respiro-o. Andando com ele para o outro lado do quarto onde sua mãe e irmã conversam em voz baixa, eu me sento ao lado da cama do hospital, pressionando um beijo na sua cabeça antes de colocá-lo nos braços de Ellie. Vejo o rosto dela suavizar quando Hope se inclina para beijar o rosto dele, dando-me mais uma pausa, mais um belo momento. Cinco anos depois — Mamãe, papai, eu exijo uma irmã! — Hope grita a plenos pulmões a partir de algum lugar da casa, então Ellie olha para mim do outro lado da mesa da cozinha. — Mais um? — Pergunto sorrindo, e Ellie revira os olhos. — Nós não teremos mais nenhum bebê. Ainda não sei bem como acabei com o último, — ela murmura, e olho para Toby sentado na sua cadeira alta,


empurrando macarrão em sua boca... ou tentando, de qualquer maneira. — Não que eu o trocaria, jamais, mas ainda assim. — Ela sorri para ele, correndo o dedo sobre o rosto gordinho, ganhando dele um sorriso de um dente. — Mamãe, papai, falo sério. Eu quero uma irmã, — Hope diz, marchando na cozinha, seguida por dois cães, Jasper e Edward, que cantam, — Hope e Ty, sentados em uma árvore... — A loja de bebê está fechada, querida. Além disso, se você tivesse uma irmã, você teria que compartilhar seu quarto, — Ellie diz, enquanto meus olhos estreitam, ouvindo os meninos cantando. — Quem é Ty? — Pergunto, e o rosto de Hope fica vermelho. — Não posso esperar até poder ir embora! — Ela grita, saindo, presumivelmente indo para o quarto, onde ouço a porta bater. — Quem é Ty? — Pergunto a Ellie, ela revira os olhos, e me entrega Toby. — Quem é Ty? — Pergunto aos meus meninos, e eles apenas olham para mim antes de correrem para causar o caos em outro lugar. — Você sabe quem é Ty? — Pergunto a Toby, que dá um tapinha na minha bochecha e balbucia algo que não posso decifrar.

— Shhhhhh, — Jax diz, cobrindo minha boca com a mão, o que só me faz rir mais alto, porque foi ele quem me bateu contra a parede da cozinha com tanta força que os armários balançaram ao me encontrar fazendo um lanche de fim de noite. Envolvendo minhas pernas em seus quadris, eu gemo contra a palma da sua mão quando seus dedos deslizam entre minhas dobras. — Sem calcinha e está molhada, — ele geme, sinto a cabeça de seu pau deslizar sobre o meu clitóris e deslizar para entrar lentamente.


— Oh, Deus, — suspiro, sentindo seu comprimento largo me encher e a cabeça esfregar perfeitamente contra o meu ponto G. — Mais forte, — imploro quando minha cabeça cai contra a parede e sua mão deixa a minha boca. — Não, apenas assim, — ele diz, movendo-se lentamente, tão lentamente que parece uma tortura, enquanto uma de suas mãos segura meu peito e a outra segura minha bunda. — Mais forte, — imploro, usando minhas mãos em seus ombros para levantar-me, e cair em seu comprimento. Acalmando e me pressionando mais contra a parede, sua boca se move até o meu ouvido, onde rosna, — Estou fodendo você, Ellie, e não o contrário. — Em seguida, ele cobre a minha boca com a mão, apertando minha cabeça firmemente contra a parede e batendo em mim de novo e de novo, me enviando ao longo da borda, então se planta profundamente, gemendo seu orgasmo em meu pescoço. — Você precisa me levar lá para cima, — digo a ele, sem fôlego, voltando para mim mesma. — Eu já te carreguei para o andar de cima, — ele ri, e sinto a cama debaixo de mim quando ele me abaixa. — Oh, — murmuro, sentindo meus olhos pesados, e ele deitando na cama e me virando para encará-lo. — Quem é Ty? — Ele pergunta, e meu corpo começa a tremer com o riso, enterrando meu rosto contra seu peito e ignorando sua pergunta. Na maioria dos dias, ainda não posso acreditar que esta é a minha vida, que tenho um homem como Jax que ama a mim e a nossa família completamente... ainda que ele seja um pouco louco.

Fim. P.S. Alycia, Jax é todo seu menina.


Aurora rose reynolds serie until him 02 until jax (traduzido)