Issuu on Google+


O Sabor da Traição A vingança nunca foi tão prazerosa

Anne Miller


Sumário Traída — Capítulo 1 Inconformada — Capítulo 2 Seduzida — Capítulo 3 Decidida — Capítulo 4 Satisfeita — Capítulo 5 Vingada — Capítulo 6 Conheça Meus Outros Trabalhos Marido de Aluguel SELVAGEM: Sexy, Sombrio e Assustador Canalha Irresistível Anne Miller Agradecimentos Copyright


Traída — Capítulo 1 Depois de um tempo jogando o “jogo da vida” — que não é aquele de cartas, que consegue ser ainda mais chato, diga-se de passagem —, você descobre que os contos de fadas acabam por uma razão bem específica. O maravilhoso “felizes para sempre” não costuma durar tanto tempo assim — pelo menos, não durou comigo. Por mais ridículo que possa parecer, eu costumava me ver como uma espécie de Cinderela da vida real, pois vim de uma família bem humilde e, estranhamente, casei-me com um milionário, alguém que pensei ser o meu príncipe encantado, o meu “amor verdadeiro”. Sim, eu costumava ser uma mulher bem inocente — ou uma extremamente idiota, se preferir. A pior parte de tudo isso, em minha opinião, era que o meu casamento estava sendo muito feliz, não existiam problemas entre nós dois. E, se eles realmente estavam ali, eu desconhecia — o meu marido certamente se esquecera de me contar. O nosso amor — aquele que eu pensei ser mais forte do que tudo — se tornou frágil demais, começando a acabar depois de eu assistir a uma única cena protagonizada por ele. Era uma noite fria de domingo, eu estava parada em frente à porta, sem reação, completamente devastada, encarando-os naquele momento totalmente asqueroso — algo que eu nunca mais seria capaz de esquecer —, logo depois de tê-lo seguido até a nossa casa de campo, em um ato desesperado. Todos os meus problemas começaram quando eu resolvi dar ouvidos aos conselhos da minha mãe. “Aquela mulher não me engana nenhum pouco, Greice. E se você não abrir os seus olhos logo, ela vai abri-los pra você”, dissera a minha mãe, logo depois que a minha amiga deixou a sala. E, agora, depois de tudo isso, eu descobri o quanto ela estava certa, pois os meus olhos nunca estiveram tão abertos. Em um primeiro momento, eu afastei todas essas possibilidades da minha cabeça, porque, por mais que a minha mãe estivesse com todas aquelas acusações, eu confiava completamente em Frederico e também na mulher que a minha mãe acusava sem nenhuma prova. Beatriz — “aquela mulher”, de acordo com a minha mãe — era uma amiga tão próxima


quanto uma irmã, eu nunca pensaria uma maldade como aquela — pelo menos, não uma que a envolvesse daquela forma. Não, eu confiava plenamente em Bia. Algo muito engraçado sobre a confiança é que, não importa o quanto ela seja forte, quando alguém te traz um pouco de dúvida, toda a sua estrutura se abala completamente, transformandoa em uma espécie de taça trincada, algo que pode se quebrar a qualquer momento. E, quando essa semente é plantada em sua mente, tudo se transforma, fazendo com que você precise tirar uma prova, algo que consiga afastar todas as vozes em sua mente. E, quando você menos percebe, o seu principal foco passa a ser silenciar todos esses sussurros. Nos últimos tempos, Frederico viajava muito para a nossa casa de campo para passar o fim de semana com os amigos, as famosas “noites dos homens” — como nós dois costumávamos chamálas. Eu nunca enxerguei nenhuma maldade no fato de ele ir se divertir com os amigos algumas vezes no mês — ao menos, não até a minha mãe plantar a desconfiança em minha cabeça. E, quando ele me contou que estava indo viajar, que passaria o fim de semana inteiro fora, instantaneamente, eu fiquei abalada, tão mexida ao ponto de nem mesmo conseguir disfarçar isso. Essa foi uma das primeiras vezes que em que brigamos. E, mesmo depois de eu implorar para que ele ficasse, para que passasse o fim de semana comigo no lugar de se divertir com os amigos, ele me deixou em casa, partindo em direção a nossa casa no interior. Eu não pensei bem, simplesmente, troquei de roupa e fiz com que um dos nossos motoristas me levasse pra lá. Eu cheguei algumas horas depois dele. A princípio, estranhei o fato de nenhum dos carros dos amigos de Frederico estar estacionado ali, mas ignorei esse fato, pois existiam milhões de explicações para isso. Eles poderiam ter combinado de chegar depois ou, simplesmente, o meu marido havia desmarcado o encontro, optando por descansar a mente, passando um período de tempo sozinho depois da briga que tivemos. Sim, eu gostava de me enganar, encontrando desculpas idiotas para as perguntas sem respostas ou, simplesmente, arrumando respostas alternativas para as que eu já possuía. Eu costumava fazer isso inconscientemente.


Mas, como deveria ter imaginado — pois praga de mãe é mais forte que macumba —, Frederico estava mesmo colocando-me chifres, uns tão grandes ao ponto de me fazer andar curvada. Provavelmente, essa era a causa das minhas dores nas costas. Maldito! Quando adentrei a casa, o encontrei na sala, completamente despido, dividindo o sofá — que costumávamos usar juntos — com a pessoa que se dizia ser a minha amiga, a melhor delas, mais especificamente. Enquanto eu encarava-os, podia sentir as várias facadas perfurando as minhas costas, Bia e Frederico nem mesmo me deram uma chance de se defender de seu ataque covarde. Naquela fração de segundos, eu não queria gritar, gastando a minha voz com aqueles dois, não valia a pena, eles não mereciam. Eu queria ter soado de uma maneira elegante — algo que a mãe dele sempre me acusava de não possuir —, eu queria parecer, de alguma maneira, completamente superior a aqueles dois safados. Mas, infelizmente, eu não consegui. Em vez de tudo isso, eu gritei com eles, acabei puxando o cabelo dela, quebrei algumas unhas e deixei um olho roxo na cara daquela falsa. O meu sangue era quente demais para ignorar. Se existia uma única regra entre amigas, com toda a certeza, era a de não pegar o homem da outra. Isso era quase uma lei da natureza, não se deve roubar a casa de quem te dá abrigo. Mas Beatriz nunca foi uma mulher inteligente. Eu já não sabia o que me deixara mais surpresa; o homem que eu amava com outra mulher ou a minha melhor amiga dormindo com o meu marido. Talvez não houvesse diferença, provavelmente me machucaram em uma intensidade parecia, pois eu não conseguia distinguir, só sentia a dor do golpe. E eu continuei sentindo, por mais dois anos. Se eu me separei de Frederico após descobrir aquela traição? Não, eu continuei casada com ele, fingindo que o nosso casamento era algo mais que uma grande fachada.


Eu não poderia chutar o balde, a situação era um pouco mais complicada. E, por mais que não tivéssemos filhos, eu não teria como me manter sem o dinheiro dele. Tudo o que eu tinha era a minha mãe, que também vivia da fortuna do meu marido. “Greice Rafaela da Silva Brandão, eu te criei para ser uma dama. E uma dama você se tornou. Não jogue tudo fora por causa de um filho de uma puta”, dissera a minha mãe, quando confirmei as suas suspeitas. E, desta vez, eu segui o seu conselho sem questionar. Por eu não ter dinheiro, a família dele só concordou com o nosso casamento se ele ocorresse com separação total de bens. E, naquela época, eu não me importei, pois vivia na ilusão de que nós dois ficaríamos casados para sempre, que nunca deixaríamos de nos amar. Eu nunca me importei com o dinheiro dele, só me casei com Frederico porque estava verdadeiramente apaixonada. Naquele tempo, eu acreditava que dinheiro não era a melhor coisa do mundo, que somente o amor verdadeiro poderia trazer a felicidade para a vida de uma pessoa. Eu só não imaginava que essa felicidade possuía um prazo de validade tão curto. Sem saber, eu, literalmente, assinei o meu péssimo destino, condenando-me a uma vida miserável ao lado de alguém ainda mais miserável. E quanto a minha querida amiga, ela continuou como estava, solteira e completamente rodada. As amantes nunca aprendiam a lição. Por mais que um homem jurasse lealdade a você, por mais que ele pronunciasse mil vezes o “eu te amo”, jamais iria se separar da atual mulher para te assumir perante a sociedade. Para eles, existe uma grande diferença entre a mulher com quem se dorme escondido e aquela com quem acorda pela manhã. E, mais uma vez, a minha mãe não estava errada. Depois de tudo o que aconteceu com Beatriz, Frederico me pediu perdão, prometendo não me trair novamente, jurando que faria o impossível para consertar a nossa relação, para se redimir comigo. Tudo isso, acompanhado de um belo colar de diamantes, claro — o melhor presente possível para um pedido de desculpas. Eu o perdoei, afinal, as pessoas podiam mudar, não é? Todos deviam ter direito a uma


segunda chance. E, realmente, o meu marido mudou, mas só por exatos três meses, até eu descobrir uma nova traição. Talvez ele nunca tivesse realmente deixado de me trair. Dessa vez, pelo menos, o cretino não usou a nossa casa de campo para transar com a vadia, deixando para fazer o seu trabalho sujo em um motel barato. Eu só descobri sobre a traição porque a sua mais nova — ou velha — amante me enviou as fotos pelo Facebook, em uma tentativa patética de se vingar dele. Como não sou boba — não depois de ter que aprender a cortar as galhadas em minha cabeça —, ajudei ela na vingança, vazando as fotos e envergonhando os dois, de uma só vez. Mas o infeliz do meu marido foi mais rápido do que eu e conseguiu remover todas as fotos da internet em um único dia, acabando com todo o meu plano vingativo. A minha sorte foi que Frederico nunca descobriu que havia sido eu a vazá-las e não a sua amante revoltada. Pelo menos, o meu plano serviu para afastá-los de uma maneira definitiva. Depois disso, Frederico se desculpou comigo novamente, jurando nunca mais me trair e, é claro, eu fingi acreditar nele, pois eu não tinha nenhuma outra opção além de aceitar continuar vivendo naquele ciclo eterno de traição.


Inconformada — Capítulo 2 Depois que você é traída, tudo passa a ser motivo para desconfianças. Absolutamente TUDO. As saídas com amigos, as mensagens no celular ou, simplesmente, as ligações no meio da noite. Frederico sempre foi um homem muito ocupado, mas, ainda sim, eu não conseguia deixar de fantasiar as inúmeras possibilidades de traição. Toda a confiança que eu tinha nele foi embora, junto com a pessoa que costumava me chamar de “amiga”. Nos últimos dois anos, eu deixei de ser a mulher inocente. A mulher que, após ser traída, colocava a culpa em si mesma, como se não tivesse cumprido com o seu papel de esposa, satisfazendo o seu marido completamente, forçando-o a procurar fora o que não encontrava em casa. Meu marido teria me traído de qualquer forma e comprovei isso logo na segunda vez — que eu tinha conhecimento, diga-se de passagem. Tudo estava perfeitamente normal, eu fingia que as “noites dos homens” não eram as “noites das vadias” e Frederico continuava fingindo que ainda era o meu príncipe encantado, o meu “amor verdadeiro”. Cheguei ao ponto de não me importar, de simplesmente me desligar da realidade, deixando tudo de lado, focando somente no meu trabalho como “a mulher de Frederico de Brandão”. — Carlos e Hannah ainda estão separados ou já resolveram o “probleminha”, como sempre fazem? — questionei, inteirando-me da fofoca do ano. Fred — o apelido que eu usava para tornar o nome dele um pouco mais bonito —, simplesmente, balançou a cabeça, como se não fizesse ideia de em que pé andava a relação dos nossos amigos, o que eu duvidava muito. Era exatamente como a minha mãe costumava dizer, você acha que a sua vida está ruim, até olhar para a janela do vizinho e vê-lo “trepando” com o jardineiro. A única diferença entre o nosso casal de amigos e o “vizinho” da história da minha mãe, era que Hannah flagrou o marido brincando com o motorista — o que não tornava as coisas menos engraçadas.


— Vocês vão viajar nesse fim de semana? — perguntei a ele por simples obrigação. Eu não queria uma resposta, pois ela, provavelmente, seria um grande “nós vamos sim”. Entretanto, o meu marido balançou a cabeça, em um sinal negativo, fazendo-me tornar a questionar: — mas e as “noites dos homens”? Ele fez uma careta, antes de me responder: — Fernando vai passar o fim de semana com a gente. Fernando era o irmão mais novo de Frederico — também conhecido como o sortudo que ganhara o nome mais bonito. E, por mais que eu não gostasse de admitir, o nome não era a única coisa bonita no irmão do meu marido. Por ser um atleta, um nadador profissional, o seu corpo era uma perfeição, algo que parecia ter sido esculpido pelos próprios deuses, deixando o de Fred — que não era tão ruim — no chinelo de dedo. Mas, como a minha mãe não cansava de me lembrar, chinelo de dedo era artigo de luxo no exterior. O mais estranho de toda aquela história, era que já fazia meses desde que o irmão dele não nos visitava. Provavelmente, os dois haviam se desentendido. Mas eu não perdi tempo criando teorias da conspiração. — Parece que, ainda sim, nós teremos uma noite dos homens, não é mesmo? — comentei, antes de caminhar em direção a nossa cama. Frederico soltou a toalha em que estava enrolado, para vestir uma cueca e, nesse meio tempo, encarei as suas partes intimas. Realmente, o meu marido não era um homem de se jogar fora e, por mais que não se igualasse ao irmão, era um ótimo partido e incrivelmente bom de cama, o principal motivo para ter tantas amantes. Depois de colocar uma cueca branca, marcando bem a sua mercadoria — que não era pequena — aquele safado aproximou-se da cama, com um sorriso colorindo os seus lábios. Droga. Eu conhecia muito bem aquele sorrisinho safado. Sem nenhuma cerimônia, ele deitou-se do lado direito da cama e, logo em seguida, agarrou-


me por trás, roçando o seu brinquedo, que já estava dando sinais de vida, em minha bunda, como um cachorro. Como eu não estava com nenhum clima para transar com ele, preparei-me para usar a minha desculpa preferida, a da “eu estou com uma dor de cabeça infernal” — uma que funcionava perfeitamente bem, por sinal. — Já faz quase uma semana que nós não nos divertimos mais, meu amor — comentou Frederico, sussurrando em meu ouvido, um pouco antes de começar a beijar o meu pescoço, em uma trilha excitante de beijos. Depois de apertar a minha bunda por cima da camisola com força, ele completou: — e eu estou louco pra comer essa tua bocetinha. — Eu... hoje eu não estou com cabeça pra isso, Fred — respondi, tirando a sua mão das minhas nádegas. Eu não estava com a mínima vontade satisfazê-lo, principalmente depois de descobrir que ele provavelmente estava me procurando em uma quinta-feira porque não veria a sua amante no fim de semana. Depois de me desculpar, eu me virei para encarar a sua expressão inconformada, como a de uma criança levada que não aceitava que estava de castigo. Ninguém mandou Frederico ser um garotinho malvado. Sem dúvida alguma, o meu marido merecia ficar sem sobremesa por essa noite. — Nem mesmo uma “lambidinha”? — perguntou-me ele, fazendo-me revirar os olhos com aquela pergunta completamente desnecessária. — Eu prometo que vai ser bem rápido e que você vai adorar. Balancei a cabeça, em um sinal negativo, antes de responder, reforçando a minha decisão: — eu não estou me sentindo muito bem. A minha cabeça está explodindo, estou com uma dor infernal... Então, não, eu não vou chupar o seu pau hoje! — E quem te disse que a “lambidinha” seria em mim? E, de repente, toda a minha indisposição desapareceu, como em um passe de mágica. Em poucos segundos, eu já estava mais que pronta para aceitar a proposta dele. — Tudo bem, você vendeu. Eu faço isso por você... mas só se for bem rápido mesmo —


respondi, fazendo-me de difícil, mesmo adorado a ideia de ser chupada por ele. Fred podia não ser o melhor marido do mundo, nem mesmo o filho mais bonito — ou o com melhor nome —, no entanto, definitivamente, ele era um dos homens mais experientes que eu conhecia. E aquela “lambidinha” era a sua grande especialidade. Contradizendo as suas próprias palavras, o meu marido agarrou os meus seios por cima da camisola, indicando-me que seria muito mais que uma simples chupada, como ele me prometera. Mas, como o sexo oral seria em mim, eu não reclamei de seus toques indevidos, deixando-o aproveitar um pouquinho do meu corpo também. Depois de remover a minha calcinha de renda preta — que ele nem mesmo notara que era nova —, Frederico tocou em minha pérola com a sua mão direita, roubando toda a minha atenção no mesmo segundo. Sem aviso prévio, ele começou a vibrar sua mão em meu sexo, excitando-me com aqueles seus movimentos, capazes de fazer com que eu me contorcesse em cima daquela cama como uma louca. Mas eu sabia que o melhor ainda estava por vir, depois de todas aquelas preliminares, quando a sua língua finalmente encontrasse o caminho até as minhas partes mais intimas. Enquanto eu ansiava pelo toque da sua língua, o homem acomodado nos pés da cama já começava a introduzir o primeiro dedo, penetrando-me de uma maneira lenta, como se fôssemos um casal jovem e inexperiente, como se nunca tivéssemos feito isso antes. E era exatamente esse o grande segredo de Frederico, ele sempre conseguia tornar a experiência que tínhamos em cima de uma cama completamente única. Por mais cafajeste que ele pudesse ser, eu não podia deixar de reconhecer que o infeliz conseguia me satisfazer. Ele tornou a brincar com a minha vagina, movimentando o seu dedo lá dentro, segundos depois de tirá-lo da boca. Eu estava bem excitada com a nossa brincadeirinha, extremamente feliz por não ter usado a minha desculpa da “dor de cabeça infernal”. Quando o segundo dedo me invadiu, não consegui conter o gemido, que pareceu animá-lo ainda mais, motivando-o para introduzir um terceiro, que ele fez sem hesitar. E, então, seus dedos, o três, começaram a vibrar dentro de mim, fazendo-me gritar, enquanto eu agarrava a fronha azul de nossa cama com bastante força, como se precisasse me segurar


para não cair da cama. Ah, o maldito gostava de me torturar. Quando finalmente cansou de brincar com os seus dedos, Fred abaixou a sua cabeça, enfiando-a no meio das minhas pernas, afogando-se em mim. Antes que a sua língua tocasse em meu corpo, eu fechei os meus olhos, preparando-me para aquela incrível sensação. Ah, eu não estava enganada. Aquele maldito, com toda a certeza sabia como satisfazer uma mulher. Eu apenas reconfirmei isso, no exato instante em que a sua língua tocou em minha “área VIP”, beijando-a com muita vontade, arrepiando o meu corpo de uma maneira completa, deixando-me extremamente tensa. Ele começou a sua “lambidinha” naquela parte especial do meu corpo, de uma maneira insaciável, devorando-me completamente. Quanto mais ele me chupava, mais fome Frederico aparentava possuir. E depois de alguns minutos, eu já não era capaz de conter os meus gritos, que escapavam da minha boca, fazendo-o sorrir de uma maneira sacana. O meu marido adorava constatar o fato de que era capaz de me satisfazer com um simples beijo — e que beijo. Enquanto ele me chupava, os seus dedos continuavam ali, satisfazendo-me com aqueles movimentos extremamente excitantes. E, com isso, não demorou muito para que eu finalmente atingisse o êxtase, contorcendo-me sobre a cama, antes de olhar para o seu rosto quadrado, fitando os seus cabelos castanhos, perguntando-me o real motivo para que ele necessitasse da atenção de outras mulheres, perguntando-me o porquê de eu não ser o suficiente.


Seduzida — Capítulo 3 Talvez eu não devesse possuir desejos como aqueles, mas, ainda sim, eu os possuía. E, infelizmente, eles estavam aumentando a cada segundo, assustando-me completamente com o que poderiam vir a se tornar. No instante em que o meu querido cunhado cruzou a porta da sala, os meus olhos voaram em sua direção, de uma maneira automática, como se possuíssemos uma atração magnética. Droga. Droga. Droga. Ele estava ainda mais lindo do que antes — como se isso fosse possível. Fernando era um homem alto e completamente sarado. Era possível analisar isso mesmo com todas aquelas peças de roupa cobrindo o seu corpo perfeito. Mas eu não havia me enganado, ele realmente havia mudado. O seu cabelo estava com um corte muito diferente desde a última vez que eu o vi. Atualmente, as suas antigas mechas loiras estavam completamente podadas, em um corte estilo militar, tornando a sua expressão, de alguma maneira, mais séria. Entretanto, não fora apenas o cabelo que mudara, ele também estava com uma barba por fazer, algo que o deixava mais maduro e sexy. A traíra da Beatriz tinha razão em uma coisa. As barbas eram, definitivamente, a maquiagem dos homens. Como eu não poderia passar o restante do dia ali parada, encarando-o daquela forma desesperada, eu coloquei um sorriso em meu rosto e aproximei-me dele e de meu marido, que fora pessoalmente até o aeroporto para buscá-lo. Abracei-o, um pouco antes de lhe dar as boas vindas, não deixando de suspirar enquanto aqueles braços fortes apertavam-me daquela forma, algo completamente excitante. Mais alguns segundos colada ao corpo de Fernando e eu precisaria trocar de calcinha. Por muita sorte, ninguém percebeu que eu estava feliz demais, antes, durante e depois do abraço daquele homem maravilhoso. Mesmo depois de me afastar de Fernando, eu podia sentir o seu perfume, impregnado em meu corpo, como se ele tivesse me marcado. Passando a parte dos abraços constrangedores e cumprimentos de uma maneira geral, nós três seguimos em direção ao sofá, para conversarmos, contarmos as novidades uns aos outros.


Frederico, em alguns momentos, parecia estar mais animado do que eu ao rever o irmão, o que era bem estranho, fazendo-me pensar que, provavelmente, era só impressão minha. As coisas estavam estranhas entre os dois há algum tempo e, por esse motivo, quando recebi a notícia de que Fernando viria nos visitar, eu acabei estranhando. Mas seja lá o que acontecera entre os irmãos, eu nunca fiquei sabendo e duvidava muito que um deles fosse me contar o real motivo para o desentendimento. E continuávamos lá, sentados na sala, como se fôssemos uma família perfeita, como se o nosso casamente estivesse em sua melhor fase, como se eu não estivesse com mais vontade de transar com Fernando do que com o meu próprio marido. Diferente de todas as várias vezes em que estive em sua presença, eu não era capaz de passar muito tempo sem encará-lo. Por algum motivo, os meus olhos sempre buscavam pelo dono daquele par de lanternas cinzentas, sentado ao lado do meu marido. “Contenha-se Greice”, eu mentalizei como um mantra, na esperança de funcionar. Esse meu desejo era completamente errado e eu estava ciente. Fernando era o irmão do meu marido, o que significava que eu precisava conter-me, que eu não poderia, simplesmente, pensar em ter algo com alguém como ele, cinco anos mais jovem do que eu, alguém que era da nossa família. Não, nem mesmo Frederico conseguia ser tão baixo — com exceção da vez em que ficou com a minha melhor amiga, que também era considerada da família por mim. Em alguns instantes, enquanto encarava as suas pernas grossas e ia subindo em direção a sua virilha, imaginando o tamanho do pacote que ele guardava, os nossos olhares se encontravam, deixando-me completamente envergonhada, fazendo-me desviá-los no mesmo segundo, entregando-me ainda mais. Mas, aparentemente, o irmão de Fred nem imaginava as minhas intenções perversas envolvendo-o, pois continuava conversando com o irmão, sem se importar com os meus olhares nada discretos. Mas quem é que imaginaria que uma mulher, que aparentava estar feliz com o próprio casamento pensaria em outro homem além de seu marido? Ninguém lucido, pelo menos. Aqueles dois, quando começavam a falar sobre esportes, esqueciam completamente da


minha presença e eu não me importava nenhum pouco com isso, pois adorava ouvir as histórias de Fernando sobre os próprios treinos, sobre todas as dificuldades que ele enfrentava como um atleta. Isso era fascinante, mais que qualquer uma das histórias envolvendo o escritório, que Fred sempre me contava antes de dormirmos. E, de repente, o celular do meu marido começou a tocar. Ele encarou a tela do aparelho e, simplesmente, pediu licença e foi atender a ligação longe de nós dois, irritando-me completamente. Diferente do irmão dele, eu sabia exatamente do que devia se tratar aquela ligação. — E quanto a você? — perguntou-me Fernando, encarando-me me uma maneira intensa, obrigando-me a focar em meu “mantra da contenção” outra vez. Depois de captar a minha atenção, ele completou: — como anda a vida, maninha? Eu forcei um sorriso, que mais parecia uma careta de dor, antes de responder: — está completamente igual, em tudo. E, sim, eu ainda não sei nadar. Ele começou a rir, lembrando-me do dia em que estávamos assistindo a um de seus treinos, poucas semanas antes de um campeonato. Estávamos em um sábado à tarde, um tempo perfeito para um banho de piscina. Eu não me recordava do que estava fazendo naquele instante, mas, por um descuido bobo, acabei caindo dentro da piscina. E, só então — com exceção do meu marido que já tinha conhecimento —, todos descobriram que eu não sabia nadar. — Meu Deus, você nos deu um baita susto naquele dia — ele comentou, ainda com um lindo sorriso colorindo os seus lábios mais que convidativos. O meu cunhado balançou a cabeça, antes de tornar a falar: — mas aprendemos a lição, não é? — Que eu não devo, sob nenhuma circunstância, entrar em piscinas sem boias infantis nos meus dois braços? — questionei, usando a mesma frase que ele havia me dito após me tirar da água, naquela tarde. — Exatamente, mocinha... Principalmente, se eu não estiver lá para te salvar. Depois de ouvi-lo se vangloriar, comecei a rir, com uma expressão incrédula na face, não acreditando no quanto ele era convencido.


— Eu sabia, no final das contas, nós sempre voltamos para parte em que você salva a donzela em perigo. — Depois de olhar dentro de seus olhos e, logo em seguida, disfarçar, eu prossegui: — e eu tinha até me esquecido do quanto você é convencido, maninho. Antes que ele pudesse responder, o meu marido voltou para a sala, destruindo o clima que estava se formando. Eu ainda não tinha certeza se isso era algo bom ou ruim. — Surgiu um imprevisto e eu vou precisar viajar a trabalho — comentou Frederico, não fazendo mistério a respeito da sua ligação. Ele voltou o seu olhar em minha direção, antes de finalizar: — vou precisar passar o fim de semana inteiro fora. Ele não estava pedindo a minha permissão, Frederico apenas me informava sobre a sua decisão de viajar. Eu querendo ou não, ele partiria em sua viagem, nem mesmo o irmão o faria mudar de ideia. O “trabalho” dele era urgente demais para deixar pra segunda-feira. — Que pena, pensei que teríamos um fim de semana em família — comentei, como se realmente sentisse muito ou estivesse triste com a sua partida. — Eu sei amor, mas prometo te recompensar depois. Cumpri com o meu papel de esposa sonsa — o tipo que os maridos mais amavam. Eu sorri e balancei a minha cabeça, concordando com as suas palavras, mesmo conhecendo a verdade por trás do “compromisso de trabalho”. E, naquele instante, com toda a minha submissão, eu me odiei mais do que odiava Frederico. Fernando tentou convencê-lo a ficar e deixar de lado os seus compromissos de trabalhos, dando atenção a sua esposa e ao irmão, as pessoas que eram a sua família, quem realmente deveria importar. Mas o meu marido desconversou, dizendo que garotos como Fernando, que não precisavam trabalhar de verdade, nunca entenderiam. — Você é um grande imbecil, sempre foi um. Eu juro que tentei me reaproximar de vocês, mesmo com todas as suas bolas fora. Cara, agora eu percebo que foi um erro ter vindo, um que não vou cometer de volta — finalizou o irmão mais novo, pegando a mochila e se preparando para ir embora. Eu o impedi de fazer isso, convencendo-o a tomar um banho quente antes e deixar com que


um dos nossos motoristas o levasse até o aeroporto. Já o meu marido pareceu não se importar, se dependesse dele, o irmão já estaria do outro lado da rua, esperando por um táxi. Por sorte, Fernando aceitou a minha proposta e seguiu para o quarto de hospedes, deixando-me com o seu irmão, que conseguia ser ainda mais cabeça dura. — Vocês precisam se entender logo — eu comecei a dizer, enquanto caminhava em direção a ele. Toquei o peito de Fred, enquanto encarava os seus olhos castanhos. — Tome um banho, jante conosco e conserte essa situação com o Fernando. Depois disso, você viaja e resolve esse problema de trabalho. Ele se afastou, indicando-me qual decisão havia tomado. — Não, eu não quero resolver nada... vou ir agora mesmo, deixo para tomar banho quando chegar no hotel em que combinei de me encontrar com alguns dos acionistas. Mais uma vez, balancei a minha cabeça, concordando com as suas palavras. E foi exatamente isso o que ele fez, Fred juntou algumas de suas coisas e saiu, sem nem mesmo se despedir de mim, deixando-me ainda mais irritada com toda aquela situação. Eu já estava cansada de nunca agir, de ser sempre a boa esposa e de acatar a todas as suas ordens. Estava mais que na hora de começar a devolver tudo o que o meu marido estava me causando.


Decidida — Capítulo 4 Depois que o meu marido deixou a casa, sem nem mesmo se desculpar com o irmão, resolvi fazer isso por ele. Diria, simplesmente, que Fred me pedira para se desculpar em seu nome, pois não queria continuar daquela forma, brigado com alguém da família. Subi as escadas e adentrei o quarto de hóspedes, na esperança de encontrá-lo na cama, arrumando as suas malas, pronto para deixar a minha casa, como prometera. Entretanto, ele ainda estava no chuveiro e o simples barulho da água fez com que o meu corpo se arrepiasse. Pensei em deixar o quarto antes que ele desligasse o chuveiro, mas eu não consegui conter a minha curiosidade. “Contenha-se Greice”, tentei tornar a mentalizar o meu mantra contra a safadeza, mas, desta vez, acabou não funcionando. Aproximei-me da porta e tentei espiar algo pelo buraco da fechadura, mas não consegui ver nada de interessante. E, quando estava quase desistindo daquela loucura, o corpo dele se movimentou e pude finalmente observar o seu documento, que mais parecia um terceiro braço. Não era só grande, era enorme e me deixou sem reação. E antes que eu pudesse me afastar, ele desligou o chuveiro. Como eu ainda estava um pouco grogue, os meus movimentos não foram os mais rápidos, eu só tive tempo de me afastar da porta, antes que ela abrisse. Fernando apareceu com uma toalha branca enrolada na cintura. A água ainda escorria por seu peitoral, fazendo-me querer perder o controle e avançar em cima dele para lamber cada um daqueles gomos em sua barriga. E, próximo a sua virilha, o caminha da felicidade me convidava a olhar mais abaixo. Se não fosse por aquela toalha idiota, eu teria mais sucesso. “Não, ele é o seu cunhado, o irmão do seu marido. Não seja uma depravada, Greice”, eu tornei a refletir, em uma última tentativa. — Oi — disse ele, obviamente, estranhando a minha presença no quarto. — Eu só vou me trocar e, então, nós já podemos ir para o aeroporto, O.K? — O.K — respondi, virando-me e pronta para deixar o quarto. Mas quando cheguei próximo da porta, tornei a voltar a minha atenção para ele, lembrando-me do motivo pelo qual eu entrei no quarto.


— Na verdade, eu vim aqui me desculpar pelo que aconteceu... — Você não tem culpa por ter se casado com um babaca, relaxa — disse Fernando, interrompendo-me. E, pela primeira vez, eu notei o seu olhar em minha direção, tão indiscreto quanto o meu costumava ser. — Ele não te merece... E eu já disse que ele é um babaca? Eu forcei um sorriso e desisti da ideia de mentir, dizendo que o meu marido me pedira para se desculpar em seu nome, Fernando não acreditaria em uma mentira idiota dessas, não depois da cena que Fred protagonizou. — Eu acho melhor te deixar se trocar — comentei, voltando a encarar o seu peito molhado. Ah, como eu queria lamber aqueles mamilos. Eu já não conseguia disfarçar os meus pensamentos, eles passaram a ser visíveis através de minha expressão facial. Porque, pela maneira que Fernando me encarava, ele já havia sacado qual era a minha, que a esposa do seu irmão era uma pervertida, tão safada ao ponto de desejar o próprio cunhado. — Ou nós poderíamos bater um papo, o que você acha, maninha? — perguntou-me ele, aproximando-se de mim, lentamente. Enquanto caminhava, Fernando puxou a toalha, deixando-a cair no chão, propositalmente. — Ops... caiu. O meu olhar me entregou. No mesmo instante, os meus olhos fitaram o seu membro, que já estava duro como uma barra de ferro, algo grande e extremamente grosso. Droga, eu já estava completamente melada. E presa em um maldito transe, pois não conseguia me mover, era como se eu estivesse hipnotizada, incapaz de fazer qualquer outra coisa além de encarar o sexo de Fernando. — Eu preciso fazer... Antes que eu pudesse concluir a minha frase, ele levou a minha mão em direção ao seu membro. E, por algum motivo, eu o apertei, sentindo-o pulsar em minhas próprias mãos. Suas veias pulsavam e a cabeça rosada já começava a babar, deixando completamente sedenta de desejo. Eu queria abocanhá-lo naquele instante.


“Contenha-se Greice”, tentei, por uma última vez, resistir ao desejo. E, então, eu finalmente voltei ao meu estado normal, percebendo o que estava prestes a fazer, soltando o membro de Fernando. — Desculpe, eu... Ele continuou me encarando, esperando pelo restante das minhas palavras. De repente, eu percebi que poderia me conter sim, eu percebi que o “contenha-se Greice” funcionava. Mas por qual motivo que eu me conteria mesmo? Para ficar em casa, completamente sozinha, enquanto o meu marido preparava um novo par de chifres pra mim? Se eu dispensasse Fernando, não teria outra chance de me vingar, não uma tão boa. Elegância nunca foi o meu forte mesmo — pelo menos, de acordo com a mãe do meu marido. — Você não tem vergonha por desejar a mulher do seu irmão? — ataquei o meu cunhado, com um sorriso nos lábios. O primeiro que eu não precisei forçar, o único a formar-se naturalmente em minha face. Ele começou a rir, respondendo-me, sem papas na língua: — talvez, um pouco antes de eu descobrir que ele estava comendo a minha ex-namorada. — Depois de perceber a minha expressão, completamente surpresa, ele prosseguiu: — Frederico não é o marido perfeito, Greice. E, só então, descobri o motivo para o estranhamento entre os dois, o motivo de toda a distância. Eu já devia ter imaginado que isso estava relacionado às várias puladas de cerca do meu marido. — Não é a primeira vez que descubro uma traição do seu irmão. Mas, por conta disso, eu devo me tornar uma espécie de vadia, alguém que fica com o irmão do marido... — encarei os olhos claros de Fernando, antes de finalizar: — por vingança? Ele levou uma das mãos em direção ao meu rosto, acariciando-o, enquanto mordia o seu lábio inferior, seduzindo-me com a sua expressão sexy. — Se te serve de consolo, eu sempre tive vontade de te comer... bem antes do Frederico pegar a Camila. Esse lance de vingança só vai apimentar um pouquinho as coisas. Eu disse um alto e claro “NÃO”. Mas Fernando não era do tipo que desistia fácil, ele tornou a se aproximar e, desta vez, me abraçou por trás, secando o seu corpo molhado em mim,


dificultando muito as coisas para o meu lado. A cada segundo ficava um pouco mais difícil de rejeitá-lo. — O que foi, maninha? Vai me dizer que não sente vontade de me dar essa bocetinha? — sussurrou ele, ao pé do meu ouvido, antes de começar a beijar o meu pescoço, enquanto eu continuava presa em seus braços musculosos. — Cada vez que o corno do seu marido te encarar com tesão, você vai se lembrar de que o irmão dele te comeu todinha, que te vez vadia. Não existe melhor vingança que isso, existe? Não... Fernando estava completamente certo, não existia. Ele vingaria a mulher que, naquele tempo, era a namorada, a mesma que fora seduzida pelo próprio irmão. No meu caso, seria pelos vários chifres que levei em todos os meus cinco anos de casamento. Era o acordo perfeito. — Você estava planejando isso há quanto tempo? — questionei, não querendo acreditar que, de um jeito ou de outro, seria arrastada para os braços daquele homem. — Se eu não tivesse aparecido no quarto ou... — Eu não fiz nenhum plano mirabolante, só prometi a mim mesmo que quando tivesse a chance, eu daria o troco — disse ele, mudando o foco de suas mãos. Fernando as levou em direção aos meus seios, apertando-os com força. — Eles já estão de biquinhos duros... você é muito safadinha, maninha. Ele me virou e abriu o meu vestido. Não demorou muito para que nos livrássemos dele, deixando-me apenas com um conjunto de lingerie vermelho, que usei no meu aniversário de casamento. Definitivamente, eu não poderia estar usando algo melhor. Tirei as mãos de Fernando do meu corpo e caminhei em direção à porta, trancando-a, pois não podíamos correr o risco de um dos empregados — aqueles que não estavam de folga — nos flagrar naquela cena pervertida. Quando voltei para perto do meu cunhado, ele ficou me encarando, analisando o meu corpo de uma maneira intensa, com um sorriso bobo no rosto.


— Só um idiota deixaria uma mulher como você pra ir atrás de uma amante — comentou ele, relando-me os seus pensamentos. — Com todo o respeito, maninha, você é muito gostosa. Eu não sabia o que me fizera rir mais o “maninha” que ele insistia em dizer ou o “com todo o respeito”, pronunciado momentos depois de agarrar os meus seios com vontade. — Sei... Provavelmente, você só está me dizendo isso pra transar comigo, seu safado — comentei, retribuindo o sorriso. — O gene cafajeste, com toda a certeza, está nessa família. Suas mãos tornaram a explorar o meu corpo. Desta vez, elas foram em direção a minha calcinha, tocando em meu sexo por cima do tecido negro. — Eu realmente quero comer você, mas não estou mentindo sobre você ser gostosa — insistiu ele, em seu elogio. — Na verdade, é exatamente isso que faz com que eu queira te comer, sua bobinha. “Isso e a vingança que você deseja, é claro”, pensei em dizer, mas acabei ficando em silêncio. Simplesmente, voltei o olhar para o meu cunhado e me livrei de todos os pensamentos envolvendo Frederico. Naquele instante, a única coisa em que eu estava pensando era em como a minha vingança seria prazerosa.


Satisfeita — Capítulo 5 A mão boba de Fernando continuava em minha calcinha, roçando o tecido em meu sexo, em uma tentativa muito bem sucedida de me provocar. Os poucos minutos que passei com Fernando foram capazes de me provar que eu estava errada sobre muitas coisas, principalmente naquelas que envolviam o meu marido. A primeira delas, definitivamente, era que o meu marido não era o único capaz de me satisfazer completamente, pois Fernando me deixara molhada somente com o seu olhar sacana. Ele piscava e, de repente, eu já estava me entregando daquela forma, permitindo com que a sua mão tocasse em minha preciosa pérola. A segunda, como não poderia deixar de ser, era que eu estava enganada em relação a ele também. Fernando aparentava ter muito mais experiência do que o irmão, isso era muito evidente, pois ele estava me excitando sem nem precisar tocar diretamente em meu sexo, provando que conhecia muito bem o corpo feminino, sabendo exatamente o que realmente excitava uma mulher. E, por fim, a nossa vingança não seria apenas prazerosa. Aparentemente, ela estava prestes a me presentear com a noite mais prazerosa de toda a minha vida. A nossa vingança seria épica e eu não fiz questão de acelerar as coisas, queria aproveitar o máximo que pudesse de toda aquela sacanagem. Fernando removeu o meu sutiã sem precisar da minha ajuda, o que provava, mais uma vez, a sua experiência. E, depois de apreciar a visão, ele não fez nenhuma cerimonia para envolver os meus seios com os seus lábios, um pouco antes de começar a lamber os meus mamilos, mordiscandoos levemente. Meu cunhado chupava-os de maneira afobada, como se pudessem desaparecer a qualquer momento. Eu podia ver toda a voracidade em seu olhar, quando ele erguia a cabeça, para observar-me gemendo, com uma expressão sacana. Fernando estava faminto. E, nesta noite, eu seria a encarregada de servi-lo a janta. — Eu quero muito meter com o meu cacete no meio dessas tetas — comentou ele, enquanto tornava a me chupar, como um completo esfomeado. Fernando era, definitivamente, um garoto muito guloso e eu adorava isso nele.


— Mas antes, eu vou dar mais uma mamada. Sua mão desceu, tornando a tocar em minha “área VIP”. Mas, desta vez, ele simplesmente, puxou a minha calcinha, arrancando-a de meu corpo, de uma maneira selvagem. E, enquanto chupava os meus seios, Fernando passou a roçar seus dedos em minha vagina. Agora, não possuía nenhum tecido separando a minha carne úmida de sua mão esperta, o toque ocorria de uma maneira mais direta. Ele começou a introduzir os seus dedos, brincando com a minha parte mais intima. E, tudo isso, enquanto continuava a chupar-me lá em cima, dominando-me de uma maneira completa. Naquele instante, eu estava completamente entregue a Fernando, naquela fração de segundos, eu pertencia a ele e não ao seu irmão. — Pense no seu marido, aquele corno — começou Fernando, tirando-me do sério. Eu não estava entendendo o que ele queria com o nome do irmão, mas não demorou pra que eu entendesse. — Imagina ele sentado ali naquela cama. — A voz dele soou rouca, levando-me a loucura, pois realmente comecei a imaginar o que ele estava falando. Imaginei o meu marido sentado na cama, assistindo-nos. — Imagine ele assistindo a esposa safada, peladinha em pé, engolindo os dedos do irmão com a boceta... e, tudo isso, com ele mamando em suas tetas. — Sua mão lá em baixo tornou a dar sinal de vida, começando a se movimentar, arrancando-me baixos gemidos. Droga. Aquele desgraçado estava mesmo querendo mesmo acabar comigo. — Ele nem imagina que a esposa recatada é, na verdade, a vadia do irmão. E, então, os seus movimentos tornaram a aumentar, transformando os meus baixos gemidos em gritos. Eu não conseguia mais controlar o que deixava a minha boca. Fernando tomara todo o controle sobre o meu corpo. — Diz pra mim... diz que você é a minha vadia — ele sussurrou, com um voz manhosa. — Diz que quer o meu cacete no meio dessa sua bocetinha molhada, diz vagabunda. Antes que ele aumentasse ainda mais os movimentos, eu comecei a dizer o que ele ordenava, com um pouco de dificuldade: — sim, eu sou... Eu sou a sua droga de vadia. — Quer o meu pau na xoxotinha, quer? — disse Fernando, antes de morder o meu mamilo,


judiando um pouco mais de mim. Ele deu alguns tapas em meu sexo, forçando-me a olhar para cima, dentro de seus olhos. — Vamos tornar o seu maridinho corno, vadia? Balancei a cabeça e ele se fez de desentendido, forçando-me a pronunciar. — Vamos, seu puto. Outro de seus tapas estalou em meu sexo, transformando a minha expressão de prazer em uma careta de dor. Quando os seus movimentos lá embaixo cessaram, eu soube o que me aguardava e ansiava muito por isso. E, então, como se ele precisasse me provar o quanto era forte, deixou de mordiscar os meus seios, para me tomar em seu colo. Lentamente, ele levou-me em direção a cama, onde, de acordo com os seus sussurros pervertidos, eu seria completamente fodida. Toquei em seu peito e esperei até que ele me colocasse na cama, o que não demorou muito para aconteceu. — Começamos pela bucetinha ou pelo seu rabinho? — questionou-me ele, assustando-me no mesmo instante. Ao perceber a minha expressão, Fernando começou a rir, daquela sua maneira safada, uma que eu passei a amar. — O que foi, maninha? Nós temos que nos vingar daquele corno de todas as formas, não é mesmo? Como não houve resposta da minha parte, ele completou: — eu, pelo menos, vou adorar saber que até o cuzinho da mulher dele consegui foder. — Você é um cara muito mal, Fernando — comentei, com o meu olhar fixo em seus olhos cinzentos. Ele lambeu os lábios, respondendo: — o que eu posso fazer? As vadias adoram. De acordo com a sua teoria, eu havia acabado de me tornar uma grande vadia, pois passei amar aquele seu jeito cafajeste de ser. Adorava observá-lo daquela forma, desejando-me de todas as formas. Era incrível saber que eu era capaz de seduzir um homem cinco anos mais jovem que eu, que estava acostumado a pegar garotinhas de vinte anos. — Você é muito convencido...


E, de repente, ele caminhou em minha direção, como um felino, prestes a abater a presa. Naquele momento, eu era uma gazela em frente a um leão faminto. Sim, ele iria me devorar completamente, mas eu não estava com nenhum pouco de medo. Sua cabeça ficou no meio das minhas pernas, exatamente como ele estava planejando. Fechei os meus olhos — como sempre fazia com Fred — e esperei pelo toque de sua língua. Mesmo sem poder ver a expressão de seu rosto, eu tinha certeza que aquele safado estava rindo e comprovei isso com as suas próximas palavras. — O idiota do seu maridinho nem imagina que, nesse momento, eu vou me afogar na boceta da mulher dele — após dizer, ele realmente mergulhou de cabeça em mim, beijando-me de uma maneira intensa e completamente excitante. Sua língua conseguia ser ainda mais experiente do que a de Fred, pois era como se Fernando soubesse onde estava tocando, o lugar em que eu sentiria mais prazer. Melhor que sentir a sua língua, era ter a sua barba roçando em meu sexo constantemente, de uma maneira proposital. Fernando percebeu que eu adorava ter a sua barba me pinicando e passou a abusar disso. — Eu estou quase chegando lá – comentei, abrindo ainda mais as minhas pernas. Logo após eu dizer aquilo, Fernando estapeou-me, acertando a minha carne três vezes seguidas com a sua mão. Como fui pega de surpresa, eu me assustei e fiquei completamente atônita, ainda sem saber se os seus tapas excitaram-me mais ou não. — E quem disse que eu te deixei gozar? — perguntou-me ele, de uma maneira autoritária. — Você se esqueceu de que eu ainda tenho que meter em você? Não, eu não havia me esquecido, muito menos a parte em que nós dois faríamos sexo anal, algo que eu nunca cheguei a fazer, nem mesmo com o meu marido. Fernando desceu da cama e caminhou até o outro lado do quarto, onde estava a sua mochila. Ele, aparentemente, tirou um preservativo de sua carteira e não demorou muito para abrilo, encapando o seu membro. Depois disso, o puto retornou para a cama e sobrepôs o meu corpo com o dele, prendendome em sua prisão do prazer — uma da qual eu nem pensava em escapar. — Agora, enquanto eu fodo essa sua buceta gostosa, pense no seu maridinho, naquele corno


manso — comentou ele, ao olhar diretamente para mim, dentro dos meus olhos, de uma maneira intensa. — E também pense no quanto você é safada, uma vadia nata. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa ou pensar em alguma coisa, como Fernando havia me instruído, o seu membro começou a me invadir, de uma maneira bruta. Depois que entrou daquela forma, quebrando-me ao meio, ele começou a estocar de uma maneira lenta, tornando a se concentrar em meus seios. Aquele cachorro não demorou muito para voltar a chupá-los, como fizera antes de virmos para a cama. Mas, diferente do que ele havia me pedido e do que eu pensei que faria, eu não estava pensando em Frederico e nem no quanto ele se sentiria humilhado se soubesse. Eu estava pensando em mim, no quanto eu estava excitada. E estava pensando em Fernando, no cafajeste capaz de me excitar daquela forma. Não, não havia mais espaço para Frederico em minha cabeça, não aquele instante. E, conforme ele ia chupando o meu seio daquela sua maneira voraz, como se estivesse tentando sujar algo dele, seu membro começou a me penetrar em uma velocidade maior, fazendome morder o meu lábio inferior, jogar a minha cabeça para trás e gemer. Gemer, naquele instante era tudo o que eu podia e queria fazer. Eu estava completamente entregue a ele, de uma maneira que talvez não estivesse para o meu marido nos últimos anos — depois de eu finalmente cair na realidade. Talvez ainda existissem príncipes encantados e talvez eles fossem tão safados quanto Fernando. Talvez eles não quisessem nada sério com as Cinderelas. E, de certa forma, isso — quando se possuía um marido do qual não se podia abandonar — não parecia ser tão ruim. — Já imaginou o seu marido vendo a vadia da esposa sendo comida pelo irmão dele? — comentou ele, deixando-me ainda mais excitada com aquelas palavras safadas. Absolutamente tudo em Fernando era, de alguma forma, safado. Ele começou a rir, não deixando de meter o seu membro em mim. — Lembra de quando você caiu na piscina e eu te salvei? — Depois de balançar a cabeça, confirmando a sua pergunta, ele continuou: — aquela foi a primeira vez que senti vontade de te foder. Você estava lá... ah, toda molhadinha... caralho! Era bem evidente de que o meu cunhadinho estava chegando ao êxtase e eu torcia


para que isso acontecesse logo, para que ele desistisse de me pegar por trás — algo que dificilmente aconteceria. Sua mão direita voou em direção a minha boca, invadindo-a com o seu dedo. Sem hesitar, comecei a chupá-lo da maneira mais sexy que eu consegui. Fernando, pelo que pude notar, adorou. — Acho que está na hora de colocar essa boquinha pra trabalhar, não é? Balancei a cabeça, concordando com ele. Adorava a ideia de ter aquele pedaço de carne em minha boca. Eu queria fazer isso desde que o vi pelo buraco da fechadura, um pouco mais cedo. E também, provavelmente, Fernando não conseguiria evitar o orgasmo, o que significava ”nada de foda anal”. Ele sentou-se em cima da cama e removeu a camisinha que já estava bem melecada. Depois de voltar o seu olhar em minha direção e me encarar de uma maneira incrivelmente sacana, ele removeu o máximo de porra que conseguiu da camisinha, sujando completamente a sua mão. E, por fim, a estendeu para mim, deixando-me confusa. Eu hesitei em colocar minha boca em sua mão melada, pois, naquele instante, eu senti um pouco de nojo, algo que ainda não havia acontecido com Fernando. — Vai me dizer que não quer tomar o leitinho do cunhado? — começou ele, após eu recuar. Até então, eu estava acatando a todas as vontades do homem a minha frente, mas, por algum motivo, não estava muito a fim de lamber o seu esperma e ele não gostou muito de descobrir isso. — Você vai mesmo perder a chance de poder dizer que tomou até o restinho de porra da camisinha? Aquele vadio era muito manipulador, tão bom ao ponto de eu deixar aquele pudor de lado e começar a lamber sua mão, degustando o líquido salgado que a sujava. Chupei cada um de seus dedos, lambendo até mesmo os espacinhos entre eles, pois não queria deixar nenhum restinho daquele seu líquido. E, por mais incrível que possa parecer, todo o nojo desapareceu. Não havia nada nojento naquilo, só havia beleza e muito, muito desejo.


— Muito bem, minha safadinha — comentou ele, com um sorriso no rosto. Então, ele segurou o seu membro, que estava mais duro do que nunca e o balançou, dizendo: — mas ainda falta limpar o meu cacete. E não esperei para começar a chupá-lo. Comecei justamente por onde se acumulava a maior quantidade de esperma, naquela cabeçona rosada. Passei minha língua por ela, lentamente, removendo todo aquele líquido dali. Em seguida, abocanhei o seu mastro, em uma tentativa de engoli-lo por completo, mas como era muito grande, eu nem cheguei perto disso. Depois de desistir de tê-lo completamente em minha boca, passei a lambê-lo em partes, certificando-me de que estava passando a minha língua por todas as suas partes. Quando eu cheguei nos testículos, coloquei uma bola de cada vez em minha boca, fazendo-o urrar de prazer. Eu era completamente capaz de satisfazê-lo somente com a minha boca e me orgulhava muito disso. Chupava-o como se fosse um sorvete “Itu”, um daqueles em forma cilíndrica, que era muito parecido com o formato de um pênis, principalmente um tão grosso quanto o de Fernando. Perto do dele, o brinquedinho do meu marido era pequeno. E, por algum motivo, isso me fez sorrir, como se fosse uma piadinha interna. Fernando estava chegando ao êxtase e isso me deixou muito feliz, pois eu estava praticamente livre do sexo anal. Hoje, ninguém iria me pegar por trás, nem mesmo um deus grego como Fernando — o único capaz de me convencer a fazer aquilo. Comecei a acelerar esse processo, passando a masturbá-lo, enquanto mantinha o seu membro em minha boca. — Ei, vai com calma maninha — comentou o meu cunhado, provocando-me com o seu “maninha”. — Desse jeito, eu vou acabar gozando antes de foder o seu cuzinho... Droga. Droga. Droga. É, aparentemente, ele não havia se esquecido daquele detalhe. Mas já que eu estava na chuva, o que era me molhar — ou me melecar — mais um pouco? — Só... só vai com calma, O.K? — eu o adverti, com um olhar sério. Eu só esperava que aquele cretino fosse me ouvir. — Você vai navegar por terras que o seu irmão nem mesmo chegou


a conhecer. Fernando se surpreendeu com a minha relação, seu olhar de espanto me indicava isso. E, como não poderia deixar de ser, a sua face se iluminou. O meu cunhado adorou saber que teria algo que seu irmão não chegou a ter, isso reforçava ainda mais a nossa vingança. — Cada vez que eu olhar para a cara daquele cretino, vou me lembrar da sensação que senti ao meter em você — ele comentou, virando o meu corpo, antes de sobrepor o meu corpo. — O mesmo vale pra você, mocinha. Sempre que ele começar com o “vou viajar a trabalho”, se lembre de que o cacete do irmão dele fodeu o seu cuzinho, algo que ele nem chegou a comer. Fernando era muito bom em te manipular, fazendo com que a vontade dele passasse a se tornar a sua, foi exatamente isso o que aconteceu com o fator “sexo anal”, comecei a noite não querendo e estava terminando-a prestes a fazê-lo. Ele continuou sussurrando palavras sacanas em meu ouvido, coisas como o quanto ele havia gostado de me “traçar” e que eu era uma mulher muito gostosa. Mas nada disso fez com que eu não sentisse dor no momento em que o seu membro me invadiu. Doeu bastante porque, ao que tudo indicava — com exceção da própria saliva, — nada estava lubrificando o mastro de Fernando. Era oficial, ele era um garoto muito mal, do tipo que nunca devia sair do castigo. Ele me abraçou com força, envolvendo-me com os seus braços e, em seguida, virou-nos, mudando a nossa posição, ainda com o seu membro dentro de mim. Ficamos de ladinho, uma posição que aceitei melhor que a anterior. E o simples fato do meu cunhado estar me abraçando daquela maneira, completamente dominadora, fazia com que eu me excitasse um pouco mais, diminuindo muito da dor da penetração. — Imagine... imagine o seu irmão aqui... Ah, imagine ele assistindo você enrabando a mulher dele — comentei, com um pouco de dificuldade, imitando o que ele costumava a fazer comigo. — Imagine a expressão do rosto dele... E, então, a velocidade de suas estocadas aumentou tanto ao ponto de eu sentir os seus testículos batendo com força em minha bunda. O melhor de tudo, sem dúvida, era o barulho do sexo, a colisão entre os nossos corpos. Isso me excitava completamente. E ao notar o meu desconforto, através dos meus gritos de dor. Fernando levou a sua mão em direção ao meu sexo e começou a brincar com ele novamente, devolvendo-me o prazer.


Sua mão esquerda ficou em meu seio, a direita em meu sexo e o seu membro enterrado em minha bunda. O meu cunhado possuía-me de todas as formas possíveis e isso fez com que eu atingisse ao orgasmo. E, logo depois dos meus gritos, chegou a vez dele de urrar, indicando-me que finalmente estava próximo de atingir o êxtase. Enquanto ele gemia alto, foi como se o seu mastro começasse a crescer dentro de mim, inchando e, de repente, senti que estava melada. Aquela sensação aumentou no segundo em que ele tirou o seu membro de mim. O esperma começou a escapar, escorrendo de mim. — Nossa vingança está, oficialmente, completa! — comentou o meu cunhado, atirando-se para o outro lado da cama.


Vingada — Capítulo 6 — Nós nos vingamos — comentei, antes de começar a rir de toda aquela situação. Voltei o meu olhar para Fernando, que estava deitado ao meu lado na cama. — E agora? Depois de pensar um pouco, ele respondeu, com o mesmo olhar sacana: — acho que precisamos nos vingar mais um pouco. Foi impossível não rir. Aproximei-me dele para completar a minha vingança, fazendo a única coisa que ainda não havíamos feito. Depois de aproximar nossos rostos, eu o beijei com muita vontade, pois queria muito saber se ele era tão bom no beijo quanto era na cama. E Fernando não me decepcionou. O irmão de Frederico retribuiu o beijo, engolindo-me. Continuei deitada, beijando-o, esperando por aquele momento em que eu me arrependeria de tudo o que havia feito com Fernando. Depois de duas horas, quando já havíamos deixado o banheiro, após nos vingar mais um pouco debaixo da água, a culpa ainda não fora capaz de me alcançar. E, então, eu finalmente desisti de esperar por ela. — A minha vingança terminou aqui, mas eu acho que a sua precisa ser algo continuo — comentou Fernando, enquanto esfregava a toalha branca por seu corpo sarado, um que usei bastante. — O safado do Frederico não vai parar... só acho que você também não deveria. Balancei a minha cabeça, rindo, ainda sem acreditar nas palavras dele. — Deixe-me adivinhar... e você quer se voluntariar pra me ajudar nessa vingança contínua? — O que é que posso fazer se eu sou uma pessoa prestativa? — respondeu ele, vestindo uma camisa branca. — Mas, da próxima vez, precisamos fazer isso no quarto de vocês. Eu vou adorar meter em você lá em cima. Fernando terminou de se trocar e caminhou em minha direção, beijando-me um pouco antes de me empurrar em cima da cama e xingar baixinho por não podermos repetir a tudo — algo que deixei bem claro.


Não podíamos tornar aquilo uma rotina, por mais que eu estivesse tentada a aceitar a sua proposta de “vingança contínua”. Quem sabe futuramente eu mudasse de ideia, após descobrir sobre uma nova traição ou simplesmente ser abandonada por um fim de semana inteiro? Eu não possuía certeza de nada. Eu pedi para que um de nossos motoristas o levasse até o aeroporto e, enquanto ele deixava a minha casa, notei o quando estava feliz e realizada, pela primeira vez em muito tempo. E, estranhamente, a culpa ainda não me atingira. Talvez ela nunca fosse, pois passei tempo demais calada, aceitando a todas as traições do meu marido. Agora, pelo menos, eu possuía uma coisa para me apegar. O gosto da minha vingança ainda estava presente em minha boca, era delicioso. A garota que acreditava em contos de fadas finalmente aprendera a lição. Príncipes Encantados podiam até existir, assim como Cinderelas. Entretanto, o amor — por mais que fosse vendido como algo eterno — chegava ao fim, como qualquer outra coisa. Algumas pessoas conseguiam reciclá-lo, aproveitando-o novamente, criando, de alguma forma, uma sustentabilidade. Outras, como no meu caso, não possuíam a mesma sorte. A vingança — por mais excitante que tivesse sido — não arrancou o vazio de dentro do meu peito, causado pela falta daquele amor que costumávamos ter. Essa vingança serviu apenas para tornar-me igual ao meu marido, uma pessoa que se obriga a deitar com outra para sentir-se bem consigo mesma. E, com o passar das semanas, descobri o motivo das outras traições de Fred. Aquele sentimento, completamente nostálgico depois do sexo — algo que Fernando me proporcionava como ninguém —, possuía um prazo bem curto de validade e, infelizmente, ele viciava. Talvez esse sentimento fosse amor, talvez não. Eu não tinha a mínima ideia. A minha única certeza era de que a minha vingança se tornaria algo contínuo, como Fernando sugeriu, pois o seu gosto era tão bom, que acabei viciando no ato de me vingar.


Conheça Meus Outros Trabalhos O primeiro deles chama-se “Marido de Aluguel”. É um romance divertido e completamente sexy, um livro que vai te envolver tanto quanto “O Sabor da Traição”. Além desse livro, eu tenho outros contos eróticos, o primeiro volume da série “Desejos Selvagens”, que se chama Selvagem. E como o próprio título já diz, ele é sexy, sombrio e assustador. Como seria se todos os seus desejos sexuais se realizassem? Descubra ao ler. E, por fim, um outro conto erótico, spin-off do livro “Marido de Aluguel”, que narra a lua de mel do casal de Pablo e Gabriele, esse conto se chama “Canalha Irresistível”. Para saber mais sobre eles, basta deslizar as páginas.


Marido de Aluguel Prólogo Eu cresci ouvindo que o maior sonho de uma mulher — ao menos, da maior parte delas — era, definitivamente, ter o casamento perfeito — com o homem perfeito —, no entanto, a única coisa que eu almejava era o cargo de editora chefe na revista Global, o que me tornava totalmente estranha, de acordo com a sociedade. Mas talvez eu fosse mesmo estranha e isso nunca foi um problema pra mim. Pelo menos, até a manhã daquela segunda-feira, no momento em que o meu supervisor se colocou à minha frente e cuspiu todas aquelas palavras na minha cara. — O que você disse? — perguntei a ele, ainda não acreditando naquela grande bobagem que havia saído da sua boca. Respirei fundo, tentando manter a calma, enquanto o meu olhar continuava fuzilando o centro do seu rosto, sem me importar com o que ele pudesse fazer. Quando percebi que ele não iria repetir, tornei a falar. — Você não pode estar falando sério. Ele levantou as mãos, rendendo-se a mim. — Você é, sem dúvida alguma, a melhor funcionária que eu já tive em anos nessa revista. Mas... mas eu tenho que ser sincero e te falar a verdade, aquilo que ninguém além de mim quer dizer. Gabriele, eles não vão te oferecer o meu cargo. Naquele instante, tudo o que eu mais quis foi arrancar a cabeça de Gaspar com as minhas próprias mãos. Nunca pensei que pudesse chegar a odiar aquele idiota — não da maneira que eu o odiei naquele instante. Eu não conseguia me conformar com o fato de não ganhar aquilo que, por direito, deveria ser meu. — Eu tentei... antes mesmo de eu me demitir, falei com Frederico e te indiquei para esse cargo, eu disse a ele que você era a melhor, a mais capacitada para me substituir. Mas tudo o que ele disse, foi que nunca daria um cargo assim para uma mulher... uma mulher solteira. Era ridículo e totalmente injusto comigo, uma pessoa que passou anos se dedicando, esperando por aquele momento. E, quando ele finalmente chegava, tudo era arrancado dos meus braços com brutalidade. Não havia como compreender. Eu não ganharia o cargo porque era uma mulher e, pior do que isso, sem um marido por trás da minha imagem, passando uma espécie de confiança para uma sociedade extremamente


machista. Era como se eu não tivesse um valor, pelo menos, não sem um homem ao meu lado. — Então, você está supondo que se eu fosse uma mulher casada, aquele machista me daria o cargo? Gaspar riu, ainda encarando o meu rosto, antes de responder: — Eu não estou supondo, estou afirmando. Você é perfeita para o cargo e Frederico não tem como ignorar isso. Mas sem uma aliança de casamento no dedo ou, no mínimo, a promessa de uma, ele não vai te promover. Sentei-me na cadeira ao seu lado e encarei o piso branco, sem a mínima ideia do que responder a ele. Não foi nada fácil assistir a todas as minhas esperanças serem esmagadas daquela forma. — Eu não sei o que dizer... — Mas eu sei — disse ele, interrompendo-me. — Diga um “muito obrigado pela dica Gaspar, você é incrível”. Eu sei que você está namorando, só precisa convencer o cara a te propor em casamento e, caí em entre nós, isso não vai ser tão difícil. E, no fim das contas, Gaspar estava certo a respeito da proposta de casamento. Não seria nem um pouco difícil conseguir fazer o meu namorado me propor em casamento, seria completamente impossível pelo simples fato de ele, na verdade, ser gay.

O Homem Perfeito — Capítulo 1 Depois de um dia cansativo de trabalho, tudo o que eu mais gostava de fazer era chegar em casa e me sentar no sofá da sala, onde eu colocaria o notebook em meu colo e começaria a editar um artigo que escrevi para a revista. Um artigo que, infelizmente, não teria nem a chance de ser publicado, como de costume — pelo menos, até que eu assumisse o cargo de editora chefe. E, sim, escrever sobre coisas das quais eu não poderia publicar era totalmente deprimente, mas era o que eu gostava de fazer. Durante toda a minha vida, eu sempre coloquei o meu trabalho na frente de todas as outras coisas existentes nela e os homens, definitivamente, não eram uma exceção. O meu plano sempre foi muito simples; eu deveria me dedicar ao meu trabalho na revista, àquilo que eu realmente gostava de fazer e, se eu seguisse por esse caminho, tudo daria certo para mim, contanto que eu não colocasse nenhum homem como o centro do meu universo. E pensar que toda essa minha


estratégia desmoronou tão fácil. Entretanto — apesar de tudo —, existia um único homem que quase conseguia me dobrar. O meu namorado — como Gaspar havia lembrado bem — com toda a certeza era esse homem perfeito. Só existia um pequeno detalhe que contrariava toda essa sua perfeição. No momento em que abri a porta da minha casa, eu fui contemplada com uma cena extraída do início de um pornô — um gay, por sinal —, uma cena em que um garoto beijava a boca de Eduardo — a pessoa que todos do meu trabalho conheciam como o meu namorado — em meu sofá. Eduardo não fez cerimônia para retribuir o beijo quente que havia acabado de receber. E, enquanto enfiava a sua língua na boca do outro garoto, ele agarrou o menino magrelo e o colocou em cima de seu colo, dominando-o completamente. Sim, o meu namorado tinha um namorado. Eduardo encarou o meu rosto e esticou os seus lábios em um sorriso mais que perfeito. Alguns segundos depois, o garoto em cima dele virou o seu pescoço e cumprimentou-me também, da mesma forma gentil que a pessoa a sua frente fizera. — Vocês dois não transaram no meu sofá, não é? — perguntei a eles, torcendo para que a resposta fosse um enorme “é claro que não transamos”. Com o silêncio dos dois, eu obtive a minha resposta. — Incrível... mas eu vou logo avisando, se vocês mancharam alguma coisa, vão limpar com a língua. Eduardo se limitou a continuar sorrindo. Por outro lado, Kauan — o garoto no colo de Eduardo — afastou-se do meu “namorado” e caminhou em minha direção, para um abraço forte e, infelizmente, inevitável. Eu poderia muito bem acrescentar um “forçado” na descrição do abraço. — Eu já estava até com saudades – disse ele, ainda me abraçando, como se eu fosse a sua pessoa preferida no universo, o que era uma completa mentira. Antes de se afastar, Kauan completou, mantendo a sua falsidade em um nível bem alto: — eu espero que você não se importe por eu ficar aqui essa noite. — A casa é sua — respondi, no momento em que ele se afastou de mim, também com o modo “falsiane” ligado. – E saiba que pode ficar o tempo que quiser. Você é sempre bemvindo aqui em casa. Por mais que não aparentasse, eu não era a dona do apartamento. A pessoa que havia comprado o apartamento e todas as outras coisas dentro dele não era eu, mas Eduardo. Foi


ele quem me convidou para morar ali e não o contrário, o que significava que, na verdade, o namorado dele possuía muito mais poder dentro daquela casa do que eu. O meu melhor amigo levantou-se do sofá e caminhou em minha direção. Correção, Eduardo caminhou na direção do namorado dele e o abraçou por trás. Após beijar o pescoço de Kauan, ele finalmente voltou o seu olhar para mim e encarou-me por alguns segundos, com uma expressão de paisagem, enquanto me analisava. — Você está muito estranha hoje — observou ele, rapidamente. Edu franziu a testa e continuou queimando o meu rosto com o seu olhar. Não demorou muito para que ele perguntasse: — aconteceu alguma coisa que eu deva saber? Ele, definitivamente, era a pessoa que mais me conhecia em todo o universo. Se colocassem Eduardo de um lado e a minha mãe biológica de outro, em um programa de perguntas e respostas sobre mim — um De Frente Com Gabriele, dois ponto zero —, Eduardo ganharia sem nem se esforçar. Mas não que a minha mãe fosse concordar em participar de um programa em que ela não fosse à atração principal. — Eu... eu acho que preciso me casar, Edu — disse a ele, em um tom sério, com o olhar fixo em seus olhos castanhos claros. Com um nó enorme na garganta, continuei a falar: — eu não acredito que vou dizer isso, mas eu preciso que você se case comigo. Respirei fundo e continuei sustentando o meu olhar em sua direção, enquanto esperava pela resposta do meu melhor amigo. Mas o que aconteceu em seguida foi completamente diferente daquilo que eu havia imaginado. Não houve nenhum abraço seguido por um “é claro que eu te ajudo, somos irmãos, não é?”. — Mas é claro que precisamos nos casar, minha princesa — respondeu ele, não segurando a risada. Edu gargalhava como se eu estivesse contando uma piada muito engraçada, do tipo que não envolvia gays ou loiras burras, coisas que afetavam a nós dois. Após ver que eu não havia compartilhado do seu humor e que a minha expressão continuou a mesma, Eduardo levantou as sobrancelhas, perguntando, totalmente surpreso: — Você não está falando sério, não é? Gabriele Novais, por favor, me diga que não! Ele se afastou muito antes de eu começar a explicar o quanto tudo aquilo era importante para mim, acabando com toda a minha estratégia dramática, algo do tipo “eu pensei


que fôssemos irmãos, mas tudo bem. Eu... eu me viro”. No entanto, Eduardo não queria saber dos detalhes, estava mais do que claro que ele não toparia me pedir em casamento — não com o seu namoro em jogo. Dessa vez, era oficial, eu estava mesmo sozinha, de uma maneira que nunca estive antes — pelo menos, não antes de ele aparecer. Com uma expressão nada legal estampada na face, Eduardo respondeu totalmente irritado: — essa nossa mentira já foi longe demais, Gabriele. — Ele disse aquelas palavras com o olhar focado o rosto de Kauan, como se precisasse se certificar de que o namorado ciumento estivesse ouvindo a cada uma de suas palavras. — Eu não quero e não posso mais me envolver em todas essas suas mentiras sem fim. Sem mais cartas escondidas na manga, restava-me apenas um último truque, o meu olhar pidão ou, como eu gostava de chamar, o calcanhar de Aquiles para Eduardo — o mesmo que o convenceu a fingir ser o meu namorado para as pessoas do meu trabalho. — Mas é o emprego dos meus sonhos — eu disse a ele, lentamente, usando aquele meu olhar bandido. Fiz uma careta de choro, enquanto fingia limpar uma lágrima com a manga da minha camisa. — Eu... eu não sei o que fazer, é o meu sonho, Eduardo. — Mas e quanto aos meus sonhos? — questionou-me ele, voltando o olhar para mim. Após ouvi-lo falar daquela forma, eu soube que não havia mais o que eu pudesse fazer para mudar a sua opinião. O meu melhor amigo não salvaria a minha pele desta vez. – E quanto a minha felicidade, Gabriele? Como é que eu fico nessa história toda? Kauan nem mesmo esperou o seu namorado terminar de falar e deixou a minha casa. E a atitude dele era totalmente compreensiva, uma vez que eu estava tentando me casar com a pessoa que ele, certamente, amava. Talvez — seu eu estivesse em seu lugar —, fizesse muito pior, pulando em cima do pescoço da amiga — vaca — egoísta e manipuladora. Eu não odiava o namorado do meu melhor amigo e, bem no fundo, sabia que ele também não nutria um ódio mortal por mim. Mas não éramos amigos e nem mesmo podíamos nos considerar colegas. Eu era, simplesmente, a pessoa que ficava entre ele e o namorado. Eu era, definitivamente, aquilo que os afastava. Entretanto, talvez o que Kauan mais odiasse em mim fosse à preferência que o seu namorado sempre me daria. Mesmo depois de ele ter deixado o apartamento, Eduardo continuou comigo, esperando pelo que eu tinha para falar. — Desculpe — eu disse, com o olhar voltado para o chão da sala. Depois de alguns segundos em silêncio, criei coragem para continuar. — Gaspar me contou que eles não querem me


dar o cargo pelo simples fato de eu ser uma mulher solteira, como se isso fosse algum tipo de doença contagiosa ou uma ficha criminal. Caminhei em direção ao sofá e Eduardo me acompanhou, sentando-se ao meu lado. O meu amigo estava sem camisa, trajando apenas uma fina bermuda azulada. Uma das coisas mais lindas em Eduardo, sem dúvida alguma, era o seu abdome totalmente definido, onde os gominhos eram esculpidos perfeitamente. Coloquei a minha mão em cima da sua coxa e suspirei, enquanto virava o meu pescoço em sua direção. Ele colocou a mão em cima da minha e continuamos sentados, em um silêncio profundo. Não havia uma maneira de ele me ajudar, não sem aceitar ser o meu noivo perfeito e isso, infelizmente, parecia estar totalmente fora de questão naquele instante. — Kauan me deu um ultimato mais cedo, dizendo que eu deveria escolher entre você e ele. Acho que, no final das contas, ao ficar aqui, eu acabei escolhendo você. Por mais que eu gostasse da ideia de ser a escolha de Eduardo, aquilo não era certo e nem mesmo uma pessoa egoísta como eu poderia ignorar. Então, eu fiz aquilo que deveria ter feito há muito tempo, mas que acabei não fazendo por medo de perdê-lo. — Nós terminamos, oficialmente — eu disse, surpreendendo tanto a ele quanto a mim mesma. Ainda em um estado hesitante, completei: — eu não vou mais roubar a sua vida, nunca mais. Ele ficou me encarando, como se estivesse esperando pelo momento em que eu desmentiria tudo, um momento que não aconteceu nos segundos seguintes e nem depois disso — por mais que eu quisesse desmentir e voltar atrás em toda aquela história. — Não fique aqui me olhando, seu idiota. Vá atrás do seu garoto!

Plano B — Capítulo 2 ​A maior parte das pessoas teria um plano B, entretanto, tudo o que eu possuía era uma enorme dor na boca do meu estômago. Por mais que eu soubesse que Eduardo não aceitaria de primeira participar mais uma vez dos meus planos — diga-se de passagem —, bem no fundo, eu nutria esperanças de que ele fosse, eventualmente, ceder a toda a pressão acompanhada do drama que eu estava fazendo. Mas isso não aconteceu e, parte disso, era culpa minha, que o dispensei na noite anterior. Eu estava arrependida, por mais que tivesse feito à coisa certa para o meu amigo. ​


Sim, eu era uma pessoa extremamente egoísta e parte disso, infelizmente — ao quadrado —, acabei puxando da minha mãe biológica, que não conseguia viver sem ser o centro do universo de todas as pessoas que a cercavam. Mas a última coisa que eu precisava era ficar pensando em Clarisse. Caminhei em direção à cozinha, mas antes que eu pudesse me sentar à mesa, Eduardo apareceu, com o seu namorado ao lado, o que significava que, felizmente, eu não havia destruído o relacionamento dele com Kauan — o que também não era muito bom pra mim. Por mais que eu quisesse me esconder e evitar toda aquela conversa que estávamos prestes a ter, aproximei-me dos dois, dizendo, de uma vez só: — Eu sinto muito por ontem, O.K? Kauan se limitou a balançar a cabeça, o que era melhor do que nada. Eduardo, por outro lado, sorriu, mostrando-me que estava mais do que bem para nós dois. Saber que a minha relação com Eduardo não estava completamente destruída, deixou-me mais feliz. E quanto à de Kauan, sinceramente, eu não me importava. ​ Eai? — perguntou-me ele, referindo-se ao que eu faria a respeito do cargo de — editora chefe. Éramos tão íntimos ao ponto de quase não precisarmos de palavras para que nós dois nos entendêssemos. — O que você está pensando em fazer agora, qual o seu plano B? Fiz uma careta, balançando a cabeça, mostrando a ele que, na realidade, eu não possuía nenhum plano B. Tudo o que eu tinha, naquele instante, era ódio e um sentimento enorme de impotência. Eu odiava o dono daquela revista por ser um machista com M maiúsculo, mas eu me odiava ainda mais por precisar de um homem para provar o meu valor. — Eu vou desistir... Não preciso de um homem para provar que sou boa o suficiente e se eles não enxergarem isso, quem perde não sou eu — eu disse a eles, mesmo sabendo que Frederico nunca nem mesmo pensaria em olhar para mim sem uma aliança. Gaspar não me contaria isso se não fosse a mais pura verdade. — Eu não preciso disso. E, ao pronunciar o “eu não preciso disso”, eu estava dizendo outra mentira. A revista Global já não era um simples trabalho para mim. Depois de um tempo, aquele trabalho passou a ser a minha vida, ele passou a definir a pessoa que eu era e, com isso, tornou-me mais que uma simples dependente. Parte de mim sentia muito medo de não ser capaz de me reconhecer sem fazer aquilo que eu tanto gostava.


— Você não precisa desistir só porque o meu namorado não quer bancar o seu noivinho — disse Kauan, após cansar de se fingir de estátua. Com uma estranha expressão no rosto, ele continuou, dizendo: — nós não somos amigos, mas eu sempre admirei você, pois nunca te vi desistir de algo. Essa pessoa aí, com toda a certeza, não é você. A Gabriele que eu conheço nunca deixaria com que o chefe machista ganhasse, não sem lutar. Depois daquelas palavras arrebatadoras, eu finalmente poderia dizer que aquele garoto magrelo havia ganhado algumas dezenas de pontos comigo. Entretanto, eu não tinha a mínima ideia do que fazer, de como me tornar aquela pessoa forte que Kauan dizia que eu era. — O que você me sugere? — arrisquei na pergunta, pronta para qualquer coisa, com exceção daquilo que ele me respondeu. Depois de alguns segundos pensando, de uma maneira hesitante, Kauan respondeu a minha pergunta, aparentemente, ainda em dúvida se deveria mesmo estar dizendo aquilo: — um amigo de uma amiga, que conhece um cara, que conhece outro cara... bem, o que eu quero dizer é que tem um homem que faz esse tipo de serviço, ele é muito discreto e apenas algumas poucas pessoas sabem sobre o que ele realmente faz. Voltei o meu olhar — um nada bacana — para Eduardo, que estava fingindo uma expressão de paisagem ao lado de Kauan, como se nem estivesse prestando atenção nas coisas que deixavam a boca do seu namorado. — O seu namorado está me mandando contratar um puto para ser o meu noivo. Você está ouvindo isso, Eduardo? — perguntei a ele, completamente possessa de ódio. — Ele quer que eu me envolva com um puto? Com um sorriso nos lábios, o meu amigo respondeu: — sim, eu ouvi e, na verdade, até acho uma ótima ideia. E não é como se você precisasse transar com ele... seria mais como um acompanhante de luxo. Não importava o quanto ele tentasse melhorar aquela frase, no fim das contas, continuaria significando que eu precisava contratar um garoto de programa para fingir ser o meu noivo. Naquele instante, eu não estava apenas odiando o mundo por ser completamente machista, eu estava me odiando por não ser capaz de encontrar um homem decente sem ter que pagar por isso. Voltei o meu olhar para Kauan, já com o meu nível de ódio por ele reduzido. Afinal, que diferença faria usar o meu melhor amigo gay ou um puto para fingir ser um cara interessado em


mim? Em ambas as formas, eu era um fracasso total como mulher. — Então, esse seu amigo da amiga, do amigo, do amigo tem o número deste prost... acompanhante de luxo?

Ligação — Capítulo 3 Já havia se passado uma semana desde que Kauan me deu a incrível ideia de contratar um garoto de programa para fingir ser o meu noivo. Primeiramente, pensei muito sobre a decisão que estava prestes a tomar e acabei desistindo por ser um plano totalmente irresponsável, uma vez que eu poderia estar colocando um assassino dentro da minha própria casa. Entretanto, no dia seguinte, Gaspar me confidenciou que Frederico daria uma pequena festa e convidaria algumas pessoas e que, por muita sorte — ou muito azar —, eu e o meu acompanhante estávamos inclusos nesta pequena lista de convidados. Como eu, Gabriele Novais, não acreditava nem um pouco em sorte, confrontei o meu chefe e, desta forma, obtive a minha resposta de uma maneira rápida. Em uma tentativa desesperada de me colocar em seu atual cargo, Gaspar mentiu para Frederico, dizendo que eu já estava noiva. Mas, ao que tudo indicava, Frederico precisava ver isso com os seus próprios olhos. — Agora, por favor, me diga que convenceu o cara a se casar com você? — A voz dele soou um tanto desesperada, assim como a expressão de seu rosto. Depois de alguns segundos em um silêncio constrangedor, Gaspar completou: — eu espero, de verdade, que esse seu silêncio signifique um imenso “sim, ele vai se casar comigo”. Então, eu fiz aquilo que sabia fazer de melhor. Eu menti para Gaspar, dizendo que tudo estava sob o meu incrível controle, que o meu namorado — o homem mais perfeito de todo o universo — havia aceitado se casar comigo e que eu nem mesmo havia me esforçado, pois o pedido de casamento havia partido dele. Pelo jeito, eu estava muito ferrada — com a lama até a minha cintura —, tão ferrada ao ponto de reconsiderar a ideia ridícula de Kauan. Eu não tinha outra opção a não ser contratar aquele puto para me acompanhar, ao menos, se eu quisesse continuar na disputa pelo cargo de editora chefe, o que eu, certamente, queria e muito. Quando entrei na minha casa, a primeira coisa que fiz foi correr até o meu quarto e apanhar o papel em que Kauan anotou o número daquele garoto de programa ou, como ele


gostava de dizer, acompanhante de luxo — que, pra mim, dava no mesmo. Depois de várias horas encarando o número daquele ser totalmente desconhecido por mim, decidi arriscar e ligar para ele. Afinal, pior do que estava, definitivamente, não poderia ficar. Eu estava oficialmente no fundo do poço, com os meus saltos completamente sujos de lama, não tinha como me afundar mais. Instantes depois de digitar aquele número de celular, eu percebi que estava totalmente perdida, o que era completamente compreensivo já que nunca me imaginei ligando para um homem que vendia o próprio corpo. Eu não sabia nem mesmo o que dizer quando ele atendesse a minha ligação. Deveria dizer um “oi, você é aquele garoto de programa do panfleto que encontrei no telefone público?” ou “oi, eu falo com um profissional do sexo?”. Não importava qual fosse a minha ideia, ela sempre seria pior que o ridículo. Mas no final das contas, nem mesmo precisei dizer uma única palavra, já que ele não atendeu a minha ligação. E depois da terceira tentativa, eu finalmente desisti de ligar. Algo me dizia que ele devia estar “trabalhando”, enfiando o seu pinto em alguma mulher de meia idade entediada com o próprio casamento. Entretanto, o fato de eu estar ligando para ele, por precisar de um simples acompanhante, com toda a certeza, tornava-me alguém em uma situação muito pior do que a dessas mulheres que só queriam se divertir. Cansada de esperar por um retorno de ligação que, obviamente, não aconteceria, sentei-me em meu sofá e me preparei para mais um dos meus artigos. Por mais deprimente que aquilo fosse, eu adorava ficar ali sentada, escrevendo sobre coisas das quais eu gostava de falar, coisas que poderiam dar outra visão do mundo para os leitores da revista, coisas inovadoras e, talvez, coisas revolucionárias, mas, principalmente, coisas que nunca seriam publicadas na revista Global — ao menos, até que eu assumisse o cargo de Gaspar. Quando o ponteiro do meu relógio apontou para as dez da noite, eu recebi uma mensagem de Eduardo, uma em que ele dizia que não voltaria para o jantar. Aparentemente, estar com o namorado era muito melhor do que ficar ao lado de uma amiga chata, completamente viciada em trabalho — e obcecada por um garoto de programa. Caminhei até a cozinha na esperança de encontrar alguma coisa bem gordurosa e suculenta, algo que faria com que eu engordasse uns três quilos, mas tudo o que eu encontrei foram bolachas e algumas outras porcarias que não eram da família do bacon. Apanhei um pacote de pipoca instantânea no armário e o preparei rapidamente. Quando retornei à sala, com uma bacia repleta de pipocas na mão, sabia exatamente que tipo de filme eu deveria assistir.


E, mais uma vez, eu assistiria a Saga Crepúsculo e embarcaria na jornada de Bella Swan ao lado de Edward Cullen, em uma história de amor proibido, envolvendo uma humana sem graça e um vampiro sexy que brilhava no sol. Era uma história de romance água com açúcar? Sim, era e não importava o quanto falassem mal daquela saga, eu nunca deixava de amar cada um daqueles personagens maravilhosos. Aparentemente, só me faltava os gatos para a situação ficar ainda mais deprimente. O toque do meu celular fez com que eu me assustasse, soltando a bacia que estava em minha mão esquerda, derrubando toda a pipoca no tapete da sala. Mesmo sem voltar o meu olhar para a tela do telefone, visualizando o número que me ligava, eu sabia quem era e foi por esse motivo que me assustei, como um pressentimento daquilo que estava por vir. Corri até a mesinha de centro e peguei o meu celular. Como cheguei tarde demais para atender, retornei aquela ligação e, desta vez, eu esperava que o garoto de programa me atendesse. E, para a minha sorte, ele realmente atendeu. — Quem fala? — perguntei, ainda sem saber exatamente o que eu deveria dizer para alguém como ele. — Eu... estou falando com quem? A voz do outro lado da linha finalmente soou, em uma risada completamente sarcástica. E, por algum motivo, essa única ação dele foi capaz de me irritar. — Então, como foi você quem me ligou primeiro, não sou eu quem deve se apresentar aqui! — respondeu ele, de uma maneira grosseira e mandona. E antes que eu pudesse responder à altura, ele tornou a falar, cortando-me: — eu também não tenho todo o tempo do mundo... então, fale logo o que você quer! Sem paciência para a grosseria daquele imbecil, disse as minhas próximas palavras, sem nem mesmo pensar uma segunda vez: — por quê? No puteiro em que você trabalha precisa bater cartão? — A única coisa que eu vou bater, será o meu pin... Quer saber, obviamente, isso é algum tipo de trote idiota, feito por uma garota virgem idiota. E eu não vou mais perder meu tempo com isso aqui. Foi bom falar com vo... — Não, espere! — eu gritei, interrompendo-o e o impedindo de desligar a ligação. Engoli todo o meu orgulho de uma só vez, como se fossem cem gotinhas de dipirona e prossegui de uma


maneira totalmente hesitante: — eu... eu gostaria de contratar os seus serviços. Adquira o livro e complete a leitura: clique aqui para comprar.


SELVAGEM: Sexy, Sombrio e Assustador Sedução e Liberdade — Capítulo 1 Talvez, no fim das contas, eu estivesse enganada sobre tudo. Os homens não eram todos iguais — como eu não cansava de repetir. Naquela noite, eu descobri que existiam alguns ainda mais depravados que os ditos “normais”. Mas eu poderia mesmo julgá-los por isso? Definitivamente, não! Mas, de qualquer forma, eu adorava fazer isso. Mas não se engane comigo, pois eu sou apaixonada por eles — talvez, até demais, eu admito. Gosto dos prazeres que um homem é capaz de proporcionar a uma mulher. Gosto de tocar e ser tocada por eles, dos movimentos frenéticos que nossos corpos são capazes de fazer em conjunto. E, principalmente, gosto de toda a brutalidade escondida dentro deles, aguardando o momento exato para se revelar ao mundo. Se o seu palpite é de que sou uma prostituta, saiba que quase acertou. Sou, basicamente, uma colega de profissão delas, uma das famosas strippers de casa noturna. Mas, obviamente, não uma qualquer. Eu sou “a stripper” ou, simplesmente, a grande estrela da noite. A verdade — que muitos não gostam de assumir — é que algumas pessoas não foram feitas para se formar em uma faculdade importante. Para alguns — onde certamente estou inclusa —, um canudo é completamente irrelevante. Diploma nenhum conseguiria substituir o sentimento que eu sentia toda vez que pisava naquele palco. Nenhum emprego convencional faria com que eu me sentisse livre — não daquela forma, pelo menos. O “errado” para muitos, tornou-se incrivelmente “certo” para mim. Enquanto eu dançava, sentia-me a criatura mais livre do universo. E, também, com toda a certeza, a mais desejada delas. Cada olhar malicioso e sorriso sacana, desferidos por todos aqueles homens, conseguiam me satisfazer de forma completa, provando-me mais uma vez o quanto eu amava estar ali, entregando-me parcialmente para eles. As luzes coloridas piscavam sem parar, enquanto os meus cabelos dourados voavam, pulando junto com o meu corpo em uma dança sensual. Se eu possuía algum dom, certamente, era o da sedução — algo que aprendi a usar desde muito cedo. Com o tempo, eu me tornei irresistível e me orgulhava muito disso, mais do que qualquer outra coisa. E, então, a minha parte preferida da noite finalmente começou. Os barbados — e os sem


barbas também —, que cercavam o meu palco, começaram a atirar aquilo que eu amava mais do que homens — talvez, no fim das contas, essa fosse à única exceção. Aquelas notas amassadas que estavam sendo arremessadas em minha direção, incentivavam-me a continuar descendo, em minha dança cheia de posições sexys bem ensaiadas — uma dança que eles adoravam. A visão de todo aquele dinheiro colorindo o meu palco, não tinha preço — ou quase isso. No instante em que comecei a juntar todo o dinheiro do chão, sem deixar de dançar enquanto o fazia, avistei um homem loiro nos fundos, queimando-me com o seu olhar duro. Por algum motivo desconhecido, ele conseguiu se destacar de todos os outros daquele lugar. Talvez fosse a sua jaqueta de couro preta, que deixava transparecer o seu corpo bem trabalhado, repleto de músculos. Talvez fosse seu olhar cheio de desejo, que não deixou de me secar até o final do show. Eu não sabia o motivo, mas fiquei completamente atraída por ele. No entanto, antes mesmo de eu pensar em caminhar até onde ele se encontrava, aquele homem já havia deixado o local, tornando impossível a possibilidade de conhecê-lo. Depois do show, as garotas eram obrigadas a entregar trinta por cento de tudo que ganharam para o dono da casa noturna — o que não facilitava muito para nenhuma de nós —, pelo espaço cedido. O negócio até era justo, mas, ainda sim, não tornava mais fácil de entregar o dinheiro conquistado, literalmente, com muito suor. Contra a minha vontade, eu deixei uma parte do que arrecadei com Fred e me preparei para deixar o local. — Está me dizendo que só conseguiu isso? — questionou-me ele, evidenciando toda a sua desconfiança em seu tom de voz. Depois de eu balançar a cabeça, confirmando a sua pergunta, ele finalizou: — então, é oficial, você está precisando mexer mais essa bunda, Alice. Limitei-me a concordar, balançando a minha cabeça. Fred era um ser humano repulsivo e estúpido ao ponto de se achar o homem mais inteligente do universo. No entanto, depois de conhecê-lo melhor, você acabava descobrindo que ele não passava de um grande idiota, alguém que era facilmente manipulado por qualquer pessoa que possuísse o mínimo de inteligência. Os trinta por cento que ele acreditava ter ganhado com o meu esforço, na verdade, não chegaram a passar de dez. Alice era a maneira como o dono da casa noturna — e todas as outras pessoas — referiam-se a mim, naquele determinado ambiente. Em um resumo simples, esse era o meu “nome de guerra”. Longe daqueles palcos, eu tornava a responder por Camila, uma dançarina que descobriu da pior forma que não é nada fácil ganhar dinheiro dançando fora de uma boate. Mas, como já disse, não tenho o que reclamar do meu trabalho, pois é através dele que tenho, diariamente, a chance de me


sentir livre.

Cena de Crime — Capítulo 2 Como não podia deixar a casa noturna seminua, eu apanhei uma saia preta curtinha, junto com uma blusinha básica branca. Depois de vesti-las, escondendo o conjunto vermelho de lingerie que havia usado para me apresentar no palco, não tardei a deixar o meu local de trabalho. Enquanto atravessava a rua, encarei um dos outdoors que estampavam um banner promocional do filme “Marido de Aluguel”, baseado no livro de Anne Miller. De acordo com aquele cartaz, o longa seria estrelado por Bianca Bittencourt e Wesley Dolberth, que, ao meu ver, não passavam de dois rostinhos bonitos — mas, não vou mentir, existiam controversas quanto ao talento. Em minha opinião, aquela adaptação cinematográfica só comprovava o quanto as pessoas eram hipócritas. Não se cansavam de criticar casas noturnas, garotas de programas e qualquer outra coisa relacionada ao sexo explícito, mas não perdiam a estreia de um filme que, na realidade, continha exatamente tudo o que eles julgavam como “errado”. Para essas pessoas, infelizmente, só era arte e só tinha valor o que elas queriam que tivesse. E todo o restante era pré-julgado e rotulado de perversão e pecado. Eu estava tão concentrada no outdoor que nem mesmo prestei atenção na movimentação da rua — algo que, em hipótese alguma, se deve deixar de fazer, a menos que não se queira continuar vivendo, o que, definitivamente, não era o meu caso. Eu só fui reparar nesse detalhe quando entrei em um beco medonho, em uma tentativa estúpida de cortar parte do caminho até a minha casa. O lugar era escuro e deserto, completamente sombrio, mas, mesmo com todos esses “probleminhas”, eu continuei seguindo. E, como se não fosse o suficiente, dois homens pareciam conversar a uns cem metros de onde eu estava. Depois de avistá-los, a minha mente já começou a simular uma espécie de assalto, deixando-me ainda mais paranoica. Eu nunca fui do tipo “garota medrosa”, mas, naquele momento, foi como um instinto daquilo que estava prestes a acontecer. E só me dei conta do quanto estava errada sobre a conversa daqueles homens, quando um deles puxou um revolver da cintura e disparou duas vezes, derrubando o outro no mesmo segundo. Infelizmente, eu já estava muito próxima da cena do crime para fugir sem ser notada pelo assassino.


Devido a uma descarga de adrenalina em meu corpo, eu até tentei correr, mas, como eu já devia saber, foi totalmente inútil. Tudo o que eu fiz, foi chamar a atenção do assassino e provar de vez que eu havia presenciado a tudo, que eu era uma porcaria de testemunha — uma mulher que estava com a sua sentença de morte devidamente assinada. Quando percebi que ele havia me identificado, interrompi os meus movimentos, pois, se continuasse correndo, eu sabia que ele não hesitaria em atirar na minha direção. Entre morrer naquele instante e no seguinte, sem nem pensar, eu optei pelo que levava um pouco mais de tempo. Esperar pela sua aproximação, em passos lentos, sem dúvida alguma, foi a pior parte — pelo menos, até aquele momento, diga-se de passagem. Eu pensei em dizer “não se preocupe, eu não vou contar sobre o que vi” ou “eu juro que não vou dar uma de X9, colega”, mas essas frases nunca funcionaram antes, o que significava que também não funcionariam comigo. Então, temendo por minha vida, optei pela boa e velha apelação, com direito a sorriso e tudo. Virei-me, encarando-o se aproximar de mim. Ele era grande e estranhamente familiar. Sim, eu conhecia aquele cara. O assassino do beco era o loiro que chamara a minha atenção mais cedo na casa noturna, o mesmo que não deixou de me encarar até que eu estivesse fora do palco. E, no fim das contas, eu o conheceria. — Você me pegou — eu disse a ele, tentando disfarçar todo o meu desespero. A minha atuação não ficou cem por cento, mas, mesmo assim, consegui controlar o meu nervosismo. Com o olhar fixo em seus olhos, completei: — e foi de jeito. Após lançar-me um sorriso cruel, Alemão — a maneira como decidi me referir a ele — apanhou um objeto em sua cintura, um revolver, mostrando-me que seria um pouco mais difícil de convencê-lo a não puxar aquele gatilho, como fizera há pouco. Mas nem isso fez com que eu desistisse de tentar. E, sabendo que o próximo minuto seria completamente decisivo para a minha sobrevivência, não fiquei perdendo tempo e coloquei o meu plano infalível em prática. Adquira o livro e complete a leitura: clique aqui para comprar.


Canalha Irresistível Depois do Altar — Capítulo 1 Nós estávamos completamente ferrados. E, definitivamente, não foi muito difícil chegar a essa conclusão, bastava olhar ao meu redor, observando os detalhes do barraco que aluguei para um dos momentos mais especiais de toda a minha vida — a minha lua de mel. Não existia piso algum naquela casa, era, simplesmente, chão e, como se não fosse o suficiente, em alguns cômodos, que eram divididos por uma espécie de cortina artesanal, era coberto por areia da praia. Provavelmente, eu havia alugado a casa do Tarzan. Não, aquilo não era um simples engano, estava mais para um meteoro gigantesco, um tão grande quanto o que extinguiu os dinossauros há milhares de anos. Eu nunca me senti tão burra. Talvez, com exceção do dia em que eu decidi contratar um acompanhante de luxo para ser promovida a editora chefe na revista em que eu trabalhava. Mas eu podia mesmo reclamar do meu passado? Se eu não tivesse agido por impulso, não teria conhecido o amor da minha vida — sim, o acompanhante de luxo—, mas isso era uma outra história, que, por sinal, já fora contada. Eu devia ter suspeitado desde o início, pois tudo estava barato e fácil demais. Mas eu não suspeitei e acabei viajando para o lugar em que Judas perdeu as botas — botas que, provavelmente, estavam enterradas naquela areia maldita. Eu devia ter aceitado o pacote que os meus pais me ofereceram — uma viagem caríssima em um cruzeiro no Caribe —, mas o meu orgulho falou mais alto e acabei enfiando eu e o meu novo marido em uma grande furada. Furada? Ah, estava mais para um buraco negro. — E, só pra constar, minha querida, essa ideia idiota não foi minha, O.K? — Pablo começou a dizer, antes de revirar os olhos, acusando-me outra vez de ferrar com as nossas férias. Não, ele não estava me acusando. Pablo afirmava a minha culpa. — Nós devíamos ter ficado no nosso novo apartamento, aproveitaríamos a nossa lua de mel do mesmo jeito, mas não... Tínhamos que viajar para essa maldita praia.


Antes mesmo de completarmos um dia de casamento, já estávamos brigando como se estivéssemos casados há anos. Eu estava me esforçando muito para não esganá-lo com uma daquelas cortinas de bambu, mas o “Pablo Puto” — a maneira “carinhosa” como eu costumava chamá-lo — não estava cooperando nem um pouco. Por mais que eu odiasse admitir, o idiota do meu marido tinha um pouco de razão. Tudo bem, talvez ele tivesse muita razão. Eu, simplesmente, decidi comprar passagens para um lugar bem afastado da cidade, em uma praia deserta, onde — em teoria — teríamos toda a paz do mundo para aproveitar nosso momento especial. Eu só não pensei que isso incluiria a escassez de mercados, farmácias, restaurantes ou, simplesmente, de eletricidade. — Sabe a pior parte? Essa droga de lugar não tem nem uma cama decente, Gabriele Novais — continuou Pablo, transparecendo a raiva que estava sentindo ao dizer o meu nome completo. Enquanto resmungava, o homem a minha frente olhava para o monte de tábuas forrado por um fino colchão, a nossa mais nova cama. — Nós vamos ter que dormir em cima dessa porcaria aqui... você está me entendendo agora? Quando eu contei sobre os meus planos para Pablo, ele desconversou e tentou me convencer de todas as formas a ficarmos na cidade, em nosso novo apartamento — um presente dos meus pais, um que eu aceitei de maneira muito relutante. Mas, no final das contas, ele acabou cedendo aos meus desejos. A minha lavagem cerebral foi tão bem feita que Pablo confidenciou-me que até achava sexy a ideia de estar comigo em uma “espécie de floresta”. Ao julgar por sua reação, isso não devia ser muito verídico. — Não, meu amor, a pior parte foi você ter me dito que adoraria ficar preso comigo em uma “espécie de floresta” — lembrei ele, enquanto fazias aspas com meus dedos. — Então, bonitão, uma cama dessas não deve ser um problema para o Tarzan aqui, não é? Ele balançou a cabeça, como se ainda não aceitasse o fato de estarmos completamente ferrados, presos no meio do nada. Às vezes, eu me esquecia do quanto Pablo podia ser direto. Mas, nesses determinados momentos, ele sempre fazia questão de me lembrar. — Eu só disse isso porque nunca pensei que você fosse nos enfiar em uma droga de “espécie de floresta” — argumentou ele, copiando o meu gesto de aspas, completamente sarcástico. — É


bem provável que uma cama de pedra seja mais confortável do que isso. Eu já estava cansada de ouvi-lo reclamar sobre a porcaria da cama. Eu havia entendido que não dormiríamos bem ali, que aquele monte de taboas velhas era desconfortável, mas reclamar disso várias vezes não tornaria a taboa macia. — Por que você está tão irritadinho por causa de uma porcaria de cama? Primeiro, ele me encarou como se não estivesse acreditando em minhas palavras. Em seguida, lembrou-me do dia em que nos conhecemos, sendo completamente grosso, ao dizer: — Nós estamos em lua de mel — gritou ele, com uma voz séria, como se eu fosse surda. — Nós deveríamos passar noventa por cento do nosso tempo livre em cima dessa maldita cama... Ou será que você quer que eu te foda lá na areia da praia? Aquilo foi a gota d’água, a única coisa que faltava para eu explodir. Sem paciência para continuar com aquela discussão ridícula, eu finalizei, encerrando o assunto: — você é um imbecil... E, quer saber, fique aqui com essa cama, pois ela será tudo o que você vai foder nessa lua de mel, seu babaca. Depois de dizer, com o mesmo tom de voz usado por ele, eu deixei o barraco, segurando-me para não começar a chorar. Do lado de fora, contemplei a grande desgraça em que me enfiei. Toda a casa era feita de madeira e a pior parte, certamente, não era toda a tinta descascada. Ela parecia estar podre, prestes a desmoronar. Era impossível não compreender Pablo em relação a péssima hospedagem. Entretanto, eu não conseguia aceitar a maneira como ele reagiu em relação a isso. Esse, definitivamente, não era o homem que escolhi para viver ao meu lado pelo resto da minha vida. Cansada de encarar o que, provavelmente, era um dos meus maiores arrependimentos, vireime, caminhando em direção a praia, a única coisa bonita de todo aquele lugar. Mas até mesmo a beleza dela possuía algumas controversas. Por ser em um local afastado da cidade e muito pouco frequentado, a areia era limpa, mas completamente tomada pelo mato, que dominava praticamente toda a extensão dela, deixando apenas uma pequena trilha que levava até bem próximo do mar. O mato só chegava ao fim perto da areia úmida.


Eu tirei os meus chinelos, um par de havaianas na cor rosa, e comecei a andar, acompanhando a margem do mar, molhando os meus pés, enquanto pensava na briga que tive com Pablo. As palavras dele conseguiram me irritar mais que o lugar, pois elas me mostraram que em nosso primeiro obstáculo — um muito idiota, por sinal — nós dois optamos por brigar em vez de superálo juntos, como um casal deveria fazer. — ESPERE! A voz de Pablo fez com que eu caminhasse ainda mais rápido, ignorando o seu pedido. Eu ainda não tinha digerido todo o episódio do “ou será que você quer que eu te foda lá na areia da praia?” Mas, infelizmente, de nada adiantou, Pablo correu, alcançando-me em pouco tempo. Ele nem mesmo se esforçou. Ele me encarou por alguns segundos, provavelmente, pensando em como se desculpar por agir feito um idiota, a sua maior especialidade. Eu reconhecia aquele olhar de cachorro sem dono, algo arquitetado para que eu sentisse pena dele. Mas, desta vez, o seu olhar não funcionaria, ele teria que se esforçar um pouco mais. — Desculpe pela parte de “te foder na areia da praia” — comentou ele, tentando permanecer sério enquanto pronunciava a frase “foder na areia da praia”. — Eu... eu sou um imbecil e sei muito bem disso. Mas, em minha defesa, você já sabia disso antes de se casar comigo. Continuei em silêncio, mostrando a ele que nós ainda não estávamos nada bem. Se ele quisesse acertar as coisas comigo, precisaria de uma desculpa bem melhor, de preferência uma que não me culpava por seus erros. — Ei, amor... — Pablo sorriu do seu jeitinho especial, roubando-me um meio sorriso. Aquele canalha sabia bem como me derreter, foi impossível não sorrir com aquela expressão em seu rosto. — Desculpe por eu ter surtado, jogando toda a culpa em cima de você. — Pablo tornou a rir, antes de completar: — por mais que ela realmente seja sua. Eu... eu acho que só queria que tudo fosse perfeito. E, no meio disso tudo, eu acabei me esquecendo de que você é a coisa mais perfeita na minha vida. E, sim, esse lugar é uma droga, mas ter você aqui comigo o torna, de alguma forma, um pouquinho melhor. Eu parei de andar, rendendo-me completamente a ele. Eu deveria judiar um pouquinho mais de Pablo, mas não consegui — e depois, provavelmente, me arrependeria. Aquele homem era o meu ponto fraco, o meu calcanhar de Aquiles.


Pablo aproximou-se, mantendo os olhos fixos em mim, como se estivesse prestes a me devorar. E, talvez, ele realmente estivesse cogitando essa ideia, pois avançou sobre mim como um verdadeiro predador, beijando-me de uma maneira voraz. — Eu estou começando a achar que você realmente quer que eu te foda na areia da praia — disse ele, sem afastar os nossos rostos. As suas mãos, que estavam em minha cintura, desceram, agarrando a minha bunda com força, de uma maneira dominadora e safada. — Minha loirinha top. Eu empurrei ele, antes de dizer: — você falou “top”? O nosso casamento terminou aqui. Ele tornou a me agarrar, prendendo-me em seus braços fortes e protetores. — Eu posso não dizer tanto quanto eu queria, eu posso não demonstrar tanto quanto eu sinto, mas eu quero que saiba que te amo e que sempre vou amar — disse ele, com uma voz séria, olhando dentro dos meus olhos. E, então, Pablo sorriu, finalizando: — minha loirinha top. Enquanto meu marido envolvia-me daquela forma, finalmente eu fui capaz de notar toda a beleza daquele lugar. Ela não estava no barraco que aluguei, não estava na areia, tampouco no mar. Estar com ele era o que tornava aquele lugar maravilhoso. Adquira o livro e complete a leitura: clique aqui para comprar.


Anne Miller “Anne Miller é, simplesmente, uma autora independente que começou a sua jornada na plataforma Wattpad. Como muitas outras, ela sempre sonhou em contar as suas histórias — com uma pegada bem quente — para o mundo e, finalmente, está tendo a chance de vivenciar esse sonho. Além do conto “Selvagem”, também tem o livro “Marido de Aluguel” — o seu primeiro livro — disponível na Amazon”. Acompanhe-me nas redes sociais e fique por dentro de todas as novidades. Wattpad: https://www.wattpad.com/iannemiller Página Oficial: https://www.facebook.com/annemillerautora/ Site: http://annemilller.blogspot.com.br/


Agradecimentos Quando você trabalha de maneira independente, a parte de “agradecimentos” será sempre recheada de gente, pois, por mais que esteja fazendo tudo “sozinha” — entre aspas, virgulas e parênteses —, várias pessoas te auxiliarão de alguma forma durante esse caminho. Revisão, capa e as preciosas dicas são apenas alguns dos exemplos. Então, o primeiro agradecimento vai para o autor Icaro Trindade — que está fazendo sucesso com o conto Prazer em Dobro (procurem, é ótimo!) — tanto pelo incentivo quanto pela criação da capa. O ”Temos que lançar!” e o “Vai dar tudo certo” ajudou e muito. E eu não consigo decidir qual das capas dos meus livros eu gosto mais, todas são incríveis. Obrigada, você é <3. Agradeço a minha família e aos leitores por todo o apoio que sempre me dão. E também agradeço aos grupos no Facebook, que nos ajudam demais na parte de divulgação. Muito obrigada.


Copyright Copyright ©2016 by Anne Miller.

Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, total ou parcial, constituí violação de direitos autorais. (Lei 9.160/98)

Capa: Icaro Trindade

Edição digital: julho de 2016


Anne miller sabor da traição a vingança