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D IS P ON IB I L IZ A ÇÃ O : JU L IA N A A L VE S T R A D U ÇÃ O : A D D R IA N A R E V IS Ã O : N I CK L E IT U R A F IN A L : VI V I , L Y F OR M A T A ÇÃ O : D A D Á


ANNA ZAIRES


CAPTOR E CATIVA. AMANTES. ALMAS GÊMEAS. NÓS SOMOS TUDO ISSO E MUITO MAIS. NÓS PENSAVAMOS QUE TINHAMOS ULTRAPASSADO O PIOR. NÓS PENSAVAMOS QUE FINALMENTE TINHAMOS UMA CHANCE. NÓS ESTAVAMOS ERRADOS.

NÓS SOMOS NORA E JULIAN E ESTA É A NOSSA HISTÓRIA.

Hold Me é a conclusão da Trilogia Twist Me, contada pelo POV de Nora e Julian. Aviso: Este não é um romance de tradicional. Ele contém assuntos perturbadores, incluindo temas de consentimento questionável e Síndrome de Estocolmo, bem como, conteúdo sexual explícito. Esta é uma obra de ficção destinada a um público maduro, 18+ somente. A autora não aprova, nem tolera esse tipo de comportamento.


Para nossos leitores, por todo o amor e apoio, e Inna, por nos ajudar tremendamente nos Ăşltimos meses. E como sempre, um grande obrigada as nossas leitoras beta (Chancy, Erika, Kelly, Lina, Tanya, Jackie, Fima e Fern), a nossa colega Mella, e o surpreendente apoio de nossas famĂ­lias.


PARTE I


Um grito ofegante me acorda, me arrastando para fora do sono agitado. Meu olho não lesionado se abre em uma descarga de adrenalina, e eu pulo para a posição sentado, o movimento súbito fazendo minhas costelas quebradas gritarem em protesto. O gesso no meu braço esquerdo bate no monitor de frequência cardíaca ao lado da cama, e a onda de agonia é tão intensa que o quarto gira em torno de mim em um redemoinho doentio. Meu pulso está acelerado, e leva um tempo para perceber o que me acordou. Nora. Ela deve estar tendo outro pesadelo. Meu corpo, pronto para o combate, relaxa um pouco. Não há perigo, ninguém vem atrás de nós agora. Estou deitado ao lado de Nora na minha cama de hospital de luxo, e nós dois estamos seguros, a clínica na Suíça tão segura quanto Lucas pode fazê-la. A dor em minhas costelas e braço está melhor agora, mais tolerável. Movendo-me com mais cuidado, eu coloco minha mão direita sobre o ombro de Nora e gentilmente tento acorda-la. Ela se afastou de mim, virada no sentido oposto, então eu não posso ver seu rosto para verificar se ela está chorando. Sua pele, no entanto, está fria e úmida de suor. Ela deve ter tido o pesadelo por um tempo. Ela também está tremendo.


"Acorde, baby", murmuro, acariciando seu braço fino. Eu posso ver a luz passando através das cortinas na janela, e eu sei que deve ser de manhã. "É apenas um sonho. Acorde, meu animal de estimação..." Ela endurece sob o meu toque, e eu sei que ela não está completamente acordada, o pesadelo ainda a mantendo cativa. Ainda ouço sua respiração ofegante, e posso sentir os tremores correndo por seu corpo. Sua aflição me machucando, me cortando, mais do que qualquer ferimento, e o conhecimento que eu sou novamente responsável por isso, que eu não consegui mantê-la segura, faz minhas entranhas queimarem com fúria. Fúria de mim mesmo e de Peter Sokolov, o homem que permitiu que Nora arriscasse sua vida para me resgatar. Antes da minha maldita viagem para o Tajiquistão, ela tinha lentamente vindo a superar a morte de Beth, seus pesadelos se tornando menos frequentes com o passar dos meses. Agora, porém, os pesadelos estão de volta – e Nora está pior do que antes, a julgar pelo ataque de pânico que ela teve durante o sexo ontem. Eu quero matar Peter – e eu poderia, se ele cruzar o meu caminho novamente. O russo salvou a minha vida, mas ele ameaçou a de Nora no processo, e isso não é algo que eu um dia vá perdoar. E sua lista de merda de nomes? Esqueça. Não há nenhuma maneira que eu vá recompensá-lo por me trair assim, não importa o que Nora lhe prometeu. "Vamos lá, baby, acorde," mexo nela novamente, usando meu braço direito para me abaixar para fora da cama. Minhas costelas doem com o movimento, mas menos intensamente dessa vez. Eu cuidadosamente me aproximo mais de Nora, pressionando meu corpo contra o dela na parte de trás. "Você está bem. Está tudo acabado, eu prometo." Ela solta uma respiração profunda, soluça, e eu sinto a tensão dentro dela diminuir conforme ela percebe onde ela está. "Julian?", Ela sussurra, virando o rosto para mim, e vejo que ela está chorando, as faces cobertas com a umidade de suas lágrimas. "Sim. Você está segura agora. Está tudo bem." Eu a alcanço com a minha mão direita e arrasto os dedos sobre seu queixo, maravilhado com a beleza frágil de sua estrutura facial. Minha mão parece enorme e áspera contra seu rosto delicado, minhas unhas irregulares e feridas das agulhas


que Majid utilizou em mim. O contraste entre nós é evidente, embora Nora não esteja inteiramente incólume. A pureza de sua pele dourada está marcada por uma contusão no lado esquerdo do rosto, onde esses filhos da puta da Al-Quadar bateram nela. Se eles já não estivessem mortos, eu teria os rasgado com minhas próprias mãos por magoá-la. "O que você sonhava?", Pergunto suavemente. "era Beth?" "Não." Ela balança a cabeça, e vejo que a respiração dela está começando a voltar ao normal. Sua voz, no entanto, ainda mantém ecos de horror quando ela diz com voz rouca: "Era você dessa vez. Majid estava cortando os seus olhos, e eu não podia impedi-lo." Eu tento não reagir, mas é impossível. Suas palavras me jogam de volta ao lugar frio, sem janelas, às sensações nauseantes que eu tenho tentado esquecer nos últimos dias. Minha cabeça começa a latejar com a lembrança da agonia, minha cavidade ocular metade curada queimando com o vazio mais uma vez. Sinto meu sangue e outros fluidos escorrendo pelo meu rosto, e meu estômago se mexe com a lembrança. Eu não sou estranho à dor, ou até mesmo a tortura – meu pai acreditava que seu filho deveria ser capaz de suportar qualquer coisa, mas perder meu olho tinha sido de longe a experiência mais dolorosa da minha vida. Fisicamente, pelo menos. Emocionalmente, o aparecimento provavelmente detém essa honra.

de

Nora

naquela

sala,

É preciso toda a minha força de vontade para trazer os meus pensamentos de volta ao presente, longe do terror entorpecente de vê-la arrastada pelos homens de Majid. "Você o impediu, Nora." Mata-me admitir isso, mas se não fosse por sua bravura, eu provavelmente estaria em decomposição em algum lixo no Tajiquistão. "Você veio para mim, e você me salvou." Eu ainda tenho dificuldade em acreditar que ela fez isso, que ela voluntariamente se colocou nas mãos de terroristas psicóticos para salvar minha vida. Ela não o fez com alguma convicção ingênua que não iriam


machucá-la. Não, meu animal de estimação sabia exatamente o que eles eram capazes de fazer, e ela ainda teve a coragem de agir. Devo minha vida a garota que eu sequestrei, e eu não sei bem como lidar com isso. "Por que você fez isso?", Eu pergunto, acariciando a borda do lábio inferior com o polegar. No fundo, eu sei, mas eu quero ouvi-la admitir isso. Ela olha para mim, os olhos cheios de sombras do seu sonho. "Porque eu não posso sobreviver sem você", diz ela calmamente. "Você sabe disso, Julian. Você queria que eu te amasse, e eu o faço. Eu te amo tanto que eu andaria até o inferno por você." Eu ouço suas palavras com prazer voraz, sem vergonha. Eu não posso ter o suficiente do seu amor. Eu não me canso dela. Eu a queria inicialmente por causa de sua semelhança com Maria, mas minha amiga de infância nunca tinha evocado nem mesmo uma fração das emoções que Nora me faz sentir. Minha afeição por Maria tinha sido inocente e pura, assim como a própria Maria. Minha obsessão por Nora é tudo menos isso. "Ouça-me, meu animal de estimação..." tiro minha mão do seu rosto para descansar em seu ombro. "Eu preciso que você me prometa que você nunca vai fazer algo assim novamente. Estou obviamente feliz por estar vivo, mas eu prefiro morrer a ter você nesse tipo de perigo. Você nunca irá arriscar sua vida por mim novamente. Você me entende?" O aceno que ela me dá é fraco, quase imperceptível, e eu vejo um brilho rebelde em seus olhos. Ela não quer me deixar louco, então ela não está em desacordo, mas eu tenho uma forte suspeita de que ela vai fazer o que ela achar que é certo, independentemente do que ela diz agora. Isso, obviamente, exige mais medidas severas. "Bom", eu digo suavemente. "Porquê da próxima vez, se houver um dia uma próxima vez, eu vou matar qualquer um que te ajude contra minhas ordens, e eu vou fazê-lo lenta e dolorosamente. Você me entende, Nora? Se alguém puser em perigo sequer um fio de cabelo da sua cabeça, se for para me salvar ou por qualquer outra razão, essa pessoa terá uma morte muito desagradável. Eu fui claro?"


"Sim." Ela parece pálida agora, os lábios apertados, como se para conter um protesto. Ela está com raiva de mim, mas ela também está com medo. Não por si mesma, ela está além do medo agora, mas pelos outros. Meu animal de estimação sabe que eu quero dizer o que eu digo. Ela sabe que eu sou um assassino sem escrúpulos com apenas uma fraqueza. Ela. Agarrando seu ombro com mais força, eu me inclino para a frente e beijo sua boca fechada. Seus lábios estão duros por um momento, resistindo, mas quando eu deslizo minha mão sob seu pescoço e seguro sua nuca, ela exala e seus lábios amolecem, me deixando entrar. A onda de calor no meu corpo é forte e imediata, seu gosto fazendo com que meu pau endureça incontrolavelmente. "Um, desculpe-me, Sr. Esguerra..." O som da voz de uma mulher é acompanhado por uma batida tímida na porta, e eu percebo que são as enfermeiras que fazem suas rondas matinais. Porra. Estou tentado a ignorá-las, mas tenho a sensação de que só vou adiar isso um pouco - possivelmente para quando estiver enterrado até as bolas profundamente dentro da boceta apertada de Nora. Relutantemente liberando Nora, eu rolo de volta, sugando minha respiração com a sacudida de dor, e vejo como Nora salta para fora da cama e rapidamente puxa um robe. "Você quer que eu abra a porta para elas?", Ela pergunta, e eu aceno a cabeça, resignado. As enfermeiras têm que mudar minhas ataduras e ter certeza que estou bem o suficiente para viajar hoje, e eu tenho toda a intenção de cooperar com seus planos. Quanto mais cedo elas tiverem acabado, mais rápido eu posso sair dessa porra de hospital. Assim que Nora abre a porta, duas enfermeiras acompanhadas por David Goldberg, um homem careca, baixo, que médico pessoal na propriedade. Ele é um excelente cirurgião de então eu o tive para supervisionar os reparos no meu rosto, para que os cirurgiões plásticos na clínica não fodessem qualquer coisa.

entram, é o meu trauma, garantir


Eu não quero repelir Nora com as minhas cicatrizes se eu puder. "O avião já está esperando", Goldberg diz quando as enfermeiras começam a desenrolar as bandagens na minha cabeça. "Se não houver sinais de infecção, devemos ser capazes de ir para casa." "Excelente." Eu ainda estou deitado, ignorando a dor resultante dos movimentos das enfermeiras. Enquanto isso, Nora pega algumas roupas do armário e desaparece no banheiro que fica ao lado o nosso quarto. Eu ouço a água correndo e percebo que ela deve ter decidido usar esse tempo para tomar um banho. É provavelmente a sua maneira de me evitar um pouco, uma vez que ela ainda está chateada com a minha ameaça. Meu animal de estimação é sensível à violência contra aqueles que ela vê como inocentes, como aquele garoto estúpido do Jake que a beijou na noite em que a levei. Eu ainda quero arrancar suas entranhas por tocá-la... e um dia eu provavelmente vou. "Nenhum sinal de infecção", Goldberg diz quando as enfermeiras terminam de remover as ataduras. "Você está curando bem." "Bom." Eu tomo respirações lentas e profundas para controlar a dor enquanto as duas enfermeiras limpam as suturas e religam minhas costelas. Tenho tomado metade da minha dose prescrita de analgésicos nos últimos dois dias, e eu definitivamente estou sentindo isso. Em mais um par de dias, eu vou parar os analgésicos completamente para evitar tornarme dependente deles. Um vício é suficiente para qualquer um. À medida que as enfermeiras estão terminando, Nora sai do banheiro, de banho tomado e vestida com um par de jeans e uma blusa de manga curta. "Tudo limpo?", Ela pergunta, olhando para Goldberg. "Ele está bem para ir", ele responde, dando-lhe um sorriso caloroso. Acho que ele gosta dela, o que é bom para mim, dada a sua orientação homossexual. "Como você está se sentindo?" "Eu estou bem, obrigada." Ela levanta o braço para mostrar um grande Band-Aid sobre a área onde os terroristas cortaram seu implante de controle de natalidade por engano. "Eu vou estar feliz quando os pontos saírem, mas isso não me incomoda muito."


"Ótimo, feliz em ouvir isso." Voltando-se para mim, Goldberg pergunta: "Quando planejar ir?" "Peça para o Lucas deixar o carro pronto em vinte minutos," eu digo a ele, balançando cuidadosamente meus pés no chão enquanto as enfermeiras saem do quarto. "Eu vou me vestir, e nós vamos." "Vou fazer isso", Goldberg diz, virando-se para sair do quarto. "Espere, Dr. Goldberg, eu vou sair com você", diz Nora rapidamente, e há algo em sua voz que me chama a atenção. "Eu preciso de algo lá de baixo", explica ela. Goldberg parece surpreso. "Ah, com certeza." "O que é, meu animal de estimação?" Eu levanto, ignorando a minha nudez. Goldberg educadamente desvia os olhos quando eu pego o braço de Nora, impedindo-a de caminhar para fora. "Do que você precisa?" Ela parece desconfortável, seu olhar virando para o lado. "O que é, Nora?" Eu exijo, minha curiosidade aguçada. Meu aperto em seu braço forte conforme eu a puxo para mais perto. Ela olha para mim. Suas bochechas são tingidas, e há um ar desafiante na sua mandíbula. "Eu preciso de uma pílula do dia seguinte, ok? Eu quero ter certeza que eu a tenha antes de sair." "Oh." Minha mente fica em branco por um segundo. De alguma forma eu não tinha pensado sobre o fato de que sem o seu implante, Nora pode engravidar. Eu a tive na minha cama por quase dois anos e, durante esse tempo todo, ela estava protegida pelo implante. Estou tão acostumado a isso, não tinha sequer me ocorrido que temos de tomar precauções agora. Mas havia claramente ocorrido a Nora. "Você quer a pílula do dia seguinte?" Eu repito lentamente, ainda tentando processar a ideia de que Nora – minha Nora poderia estar grávida. Grávida do meu filho. Uma criança que ela claramente não quer. "Sim." Seus olhos escuros estão enormes em seu rosto enquanto ela olha para mim. "É pouco provável com apenas uma vez, é claro, mas eu não quero arriscar."


Ela não quer correr o risco de estar grávida do meu filho. Meu peito fica estranhamente apertado conforme eu olho para ela, vendo o medo que ela está tentando tão duramente esconder. Ela está preocupada com a minha reação a isso, com medo que eu vá impedi-la de tomar a pílula. Medo de eu forçar uma criança indesejada. "Eu estarei lá fora", Goldberg diz, aparentemente sentindo a crescente tensão no quarto, e antes que eu possa dizer uma palavra, ele desliza para fora da porta, deixando-nos sozinhos. Nora levanta o queixo, encontrando meu olhar fixo de cabeça erguida. Eu posso ver a determinação em seu rosto quando ela diz, "Julian, eu sei que nós nunca conversamos sobre isso, mas-" "Mas você não está pronta", eu interrompo, o aperto em meu peito se intensificando. "Você não quer um bebê agora." Ela balança a cabeça, os olhos arregalados. "Certo", ela diz com cautela. "Eu não terminei a faculdade ainda, e você foi machucado-" "E você não tem certeza se você quer ter um filho com um homem como eu." Ela engole nervosamente, mas não nega ou desvia o olhar. Seu silêncio é condenável, e o aperto em meu peito se transforma em uma dor estranha. Liberando seu braço, eu vou para trás. "Você pode pedir a Goldberg a pílula e qualquer que seja o controle da natalidade que ele ache que é melhor." Minha voz soa estranhamente fria e distante. "Eu vou tomar banho e me vestir." E antes que ela possa dizer qualquer outra coisa, eu vou até o banheiro e fecho a porta. Eu não quero ver a expressão de alívio no seu rosto. Eu não quero pensar sobre como isso me sentir.


Chocada, eu assisto o corpo nu de Julian desaparecer no banheiro. Ele está prejudicado por seus ferimentos, seus movimentos mais difíceis do que o habitual. Ainda assim, há uma certa graça na maneira como ele anda. Mesmo depois de sua provação infernal, seu corpo musculoso é forte e atlético, a bandagem branca em torno de suas costelas enfatizando a largura dos ombros e com o matiz bronzeado de sua pele. Ele não se opôs à pílula do dia seguinte. Conforme esse fato afunda, meus joelhos ficam fracos com alívio, a tensão induzida pela adrenalina indo para fora em uma lufada súbita. Eu tinha estado quase certa que ele iria me negar isso; a expressão em seu rosto quando falamos tinha sido fechada, ilegível... perigosa em sua opacidade. Ele tinha visto pelas minhas desculpas esfarrapadas sobre a minha escola e seus ferimentos, o olho não danificada brilhando com uma luz azul fria que fez um nó no estômago com medo. Mas ele não me negou a pílula. Pelo contrário, ele sugeriu que eu consiga um novo método de controle de natalidade com o Dr. Goldberg. Sinto-me quase tonta de alegria. Julian deve ser a favor de não ter filhos, sua reação é estranha, porém. Não querendo questionar a minha sorte, eu me apresso para fora do quarto para alcançar o Dr. Goldberg. Eu quero ter certeza que eu consiga o que eu preciso, antes de deixar a clínica.


Implantes de controle de natalidade não são fáceis de encontrar em nossa propriedade na selva.

"Tomei a pílula", digo a Julian quando estamos confortavelmente abrigados em seu jato – o mesmo avião particular que nos levou de Chicago a Colômbia depois que Julian voltou para mim em dezembro. "E eu tenho isso." Eu levanto o meu braço direito para mostrar-lhe uma pequena bandagem onde o novo implante entrou. Estou com dor no braço, mas estou tão feliz por ter o implante que eu não me importo com o desconforto. Julian olha para cima de seu laptop, sua expressão ainda fechada. "Bom", diz ele secamente, e recomeça a trabalhar no e-mail de um de seus engenheiros. Ele está descrevendo as especificações exatas de um novo robô que ele quer construído. Eu sei disso porque eu perguntei a ele sobre isso há alguns minutos atrás, e ele explicou o que ele está fazendo. Ele tem sido muito mais aberto comigo nos últimos dois meses, e é por isso que eu acho estranho que ele pareça querer evitar o tema de controle de natalidade. Eu me pergunto se ele não quer discutir o assunto por causa da presença do Dr. Goldberg. O homem baixo está sentado na frente do jato, a mais de uma dúzia de metros de nós, mas não temos privacidade total. De qualquer forma, eu decido deixá-lo ir por agora e trazê-lo novamente em um momento mais oportuno. Quando o avião sobe, eu me entretenho vendo os Alpes suíços até chegarmos acima das nuvens. Então eu me inclino para trás e espero a atendente bonita – Isabella – vir com nosso café da manhã. Nós deixamos o hospital tão rapidamente esta manhã que eu só consegui tomar uma xícara de café. Isabella entra na cabine, poucos minutos depois, seu corpo espremido em um vestido vermelho apertado. Ela está segurando uma bandeja com café e um prato de doces. Goldberg parece ter caído no sono, assim ela se dirige em direção a nós, seus lábios curvados em um sorriso sedutor.


A primeira vez que a vi, quando Julian voltou para mim em dezembro, eu estava louca de ciúmes. Desde então, eu soube que Isabella nunca teve um relacionamento com Julian e é casada com um dos guardas na propriedade, os dois fatos ajudaram a acalmar o monstro de olhos verdes dentro de mim. Eu só vi a mulher uma ou duas vezes nos últimos dois meses; ao contrário da maioria dos empregados de Julian, ela passa a maior parte de seu tempo fora do complexo, funcionando como seus olhos e ouvidos em várias empresas de jatos privados. "Você ficaria surpresa como as pessoas ficam com os lábios soltos depois de um par de bebidas a trinta mil pés", Julian explicou uma vez. "Os executivos, políticos, chefes do cartel... Todos eles gostam de ter Isabella por perto, e eles nem sempre prestam atenção ao que eles dizem em sua presença. Graças a ela, eu comecei tudo, desde dicas de informações privilegiadas até inteligência sobre o tráfico de drogas na área". Então, sim, eu já não sou tão ciumenta sobre Isabella, mas eu ainda não consigo deixar de sentir que sua atitude com Julian é um pouco coquete para uma mulher casada. Então, novamente, eu provavelmente não sou a melhor juíza do comportamento apropriado de uma mulher casada. Se eu fosse olhar para alguém mais de um segundo, eu estaria assinando sua sentença de morte. Julian leva possessividade a um nível totalmente novo. "O senhor gostaria de um café?" Isabella pergunta, parando ao lado do assento dele. Ela é mais cautelosa em sua olhada hoje, mas eu ainda sinto o desejo de dar um tapa no seu rosto bonito para o sorriso de “vem cá” que ela dá ao meu marido. Ok, então Julian não é o único com problemas de possessividade. Tão confuso como é, eu me sinto proprietária do homem que me sequestrou. Não faz sentido, mas eu desisti de tentar fazer sentido com meu relacionamento louco com Julian há muito tempo. É mais fácil apenas aceitá-lo. Com a pergunta de Isabella, Julian olha para cima de seu laptop. "Claro", diz ele antes de olhar em minha direção. "Nora?" "Sim, por favor", eu digo educadamente. "E alguns desses croissants."


Isabella nos serve um copo cada, coloca o prato de massa na minha mesa, e dá o fora de volta para a frente do avião, seus quadris exuberantes e curvos balançando de um lado para o outro. Eu experimento um momento de inveja antes de me lembrar que Julian me quer. Ele me quer muito, na verdade, mas isso é uma questão totalmente diferente. Pela próxima meia hora, eu leio em silêncio, enquanto eu como meus croissants e saboreio meu café. Julian parece estar se concentrando em seu email, então eu não o incomodo; em vez disso, eu faço o meu melhor para me concentrar no meu livro, um thriller sci-fi que eu comprei na clínica. Minha atenção, no entanto, se mantém vagando, meus pensamentos se afastam em cada par de páginas. Parece estranho estar sentada aqui lendo. Surreal, de certa forma. É como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse sobrevivido ao terror e a tortura. Como se eu não tivesse explodido o cérebro de um homem a sangue frio. Como se eu não tivesse quase perdido Julian novamente. Meu coração começa a bater mais rápido, as imagens do pesadelo desta manhã invadindo minha mente com surpreendente clareza. Sangue... O corpo de Julian cortado e mutilado... Seu belo rosto com órbitas vazias... O livro desliza para fora de minhas mãos trêmulas, caindo no chão quando eu tento sugar o ar através de uma garganta que de repente se contraiu. "Nora?" Dedos quentes e fortes fecham em torno de meu pulso, e através da névoa de pânico velando minha visão, eu vejo o rosto enfaixado de Julian na minha frente. Ele está me segurando firmemente, seu laptop esquecido sobre a mesa ao lado dele. "Nora, você pode me ouvir?" Eu me viro para acenar, minha língua saindo para molhar meus lábios. Minha boca está seca, com medo, e minha blusa está aderindo à minha volta com transpiração. Minhas mãos estão segurando a borda do assento, minhas unhas cavando o couro macio. Uma parte de mim sabe que minha mente está pregando peças em mim, que está extrema ansiedade é infundada, mas meu corpo está reagindo como se a ameaça fosse real.


Como se estivéssemos de volta àquele canteiro de obras no Tajiquistão, à mercê de Majid e dos outros terroristas. "Respire, baby." A voz de Julian é calmante enquanto sua mão surge para embalar delicadamente minha mandíbula. "Respire lenta e profundamente... Isso, boa menina..." Eu faço como ele diz, mantendo meus olhos em seu rosto enquanto eu respiro fundo para gerir o meu pânico. Depois de um minuto, meu coração bate mais lento, e minhas mãos desenrolam da borda da minha cadeira. Eu ainda estou tremendo, mas o medo sufocante desapareceu. Sentindo-me constrangida, eu envolvo meus dedos ao redor palma da mão de Julian e puxo sua mão longe do meu rosto. "Eu estou bem", eu consigo dizer em voz relativamente estável. "Eu sinto muito. Eu não sei o que deu em mim." Ele olha para mim, seus olhos brilhando, e vejo uma mistura de raiva e frustração em seu olhar. Seus dedos ainda estão segurando os meus, como se relutantes em me deixar ir. "Você não está bem, Nora", diz ele duramente. "Você está qualquer coisa, menos bem." Ele tem razão. Eu não quero admitir isso, mas ele está certo. Eu não tenho estado ok desde que Julian deixou a propriedade para caçar os terroristas. Eu tenho sido uma bagunça desde a sua partida, e eu pareço estar ainda mais confusa agora que ele está de volta. "Eu estou bem", eu digo, não querendo que ele pense que sou fraca. Julian foi torturado, e ele parece estar lidando com isso, enquanto eu estou caindo aos pedaços sem uma boa razão. "Tudo bem?" Suas sobrancelhas se erguem. "Nas últimas vinte e quatro horas, você teve dois ataques de pânico e um pesadelo. Isso não é bem, Nora." Eu engulo e olho para o meu colo, onde sua mão está segurando a minha em um aperto forte, possessivo. Eu odeio o fato de que eu não posso simplesmente tirar essas coisas fora, da forma como Julian faz. Claro, ele ainda tem alguns pesadelos sobre Maria, mas esta provação com os terroristas parece quase não ter perturbado ele. Por tudo, ele deveria estar em pânico, não eu. Eu mal fui tocada, ao passo que ele tinha sofrido dias de tortura.


Eu sou fraca, e eu odeio isso. "Nora, querida, me escute." Eu olho para cima, atraída pela nota mais suave na voz de Julian, e me encontro capturada por seu olhar. "Isso não é culpa sua", diz ele em voz baixa. "Nada disso. Você passou por muita coisa, e você está traumatizada. Você não precisa fingir comigo. Se você começar a entrar em pânico, me diga, e eu vou ajudá-la a passar por ele. Você me entende?" "Sim", eu sussurro, estranhamente aliviada por suas palavras. Eu sei que é irônico que o homem que trouxe toda a escuridão para a minha vida está me ajudando a lidar com ela, mas tem sido assim desde o início. Eu sempre encontrei consolo nos braços do meu captor. "Bom. Lembre-se disso." Ele se inclina para me beijar, e eu o encontro no meio do caminho, ciente de suas costelas feridas. Seus lábios são extraordinariamente suaves quando eles tocam os meus, e eu fecho meus olhos, a minha ansiedade restante desaparecendo com a necessidade quente que aquece o meu núcleo. Minhas mãos se encontram na parte de trás do seu pescoço, e um gemido vibra baixo na minha garganta enquanto sua língua invade minha boca, seu gosto familiar e sombriamente sedutor ao mesmo tempo. Ele geme conforme eu o beijo de volta, minha língua enrolando em torno da dele. Seu braço direito envolve em torno das minhas costas, me trazendo para mais perto dele, e eu sinto a crescente tensão em seu corpo poderoso. Sua respiração acelera, e seu beijo se torna duro, devorando, fazendo minha pulsação acelerar. "Quarto. Agora." Suas palavras são mais um grunhido quando ele arranca sua boca longe e levanta-me a seus pés, arrastando-me fora do meu assento. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele envolve seus dedos em volta do meu pulso e me leva em direção à parte de trás do avião. Dou graças mentais que o Dr. Goldberg está dormindo e Isabella voltou para a frente do avião; ninguém está lá para ver Julian me arrastando para a cama.


À medida que entramos no quarto pequeno, ele chuta a porta a fechando atrás de nós e me puxa para a cama. Mesmo ferido, ele é incrivelmente forte. Sua força tanto me desperta como me intimida. Não porque eu tenho medo que ele vá me machucar – eu sei que ele vai, e eu sei que vou apreciá-lo, mas porque eu vi o que ele pode fazer. Eu vi ele matar um homem com nada mais do que uma perna de uma cadeira. A memória deveria me dar nojo, mas de alguma forma é emocionante, bem como assustadora. Então, novamente, Julian não é o único que tirou uma vida essa semana. Nós dois somos assassinos agora. "Tira a roupa", ele comanda, parando perto da cama e soltando meu pulso. As mangas de sua camisa de botão foram arrancadas para acomodar o gesso em seu braço esquerdo, e com a atadura em seu rosto, ele parece ferido e perigoso ao mesmo tempo como um pirata moderno após um ataque. Seu braço direito é saliente com o músculo, e seu olho descoberto é surpreendentemente azul em seu rosto bronzeado. Eu o amo tanto que dói. Dando um passo para trás, eu começo a me despir. Minha blusa primeiro, seguida por meus jeans. Quando eu estou vestindo apenas uma tanga branca e um sutiã combinando, Julian diz com a voz rouca, "Suba na cama. Eu quero você de quatro, com seu rabo para mim." Calor desliza pela minha espinha, intensificando a crescente dor entre as minhas pernas. Virando-me, eu faço como ele diz, meu coração batendo com antecipação nervosa. Lembro-me da última vez que tivemos relações sexuais nesse avião e as contusões que decoraram as minhas coxas dias depois. Sei que Julian não está bem o suficiente para qualquer coisa tão extenuante, mas esse conhecimento não diminui minha ansiedade ou a minha fome. Com o meu marido, medo e desejo andam de mãos dadas. Quando estou posicionada para a satisfação de Julian, com minha bunda no auge de sua virilha, ele chega mais perto de mim e prende os dedos no cós da calcinha, puxando-a para baixo dos joelhos. Eu tremo ao


seu toque, meu sexo apertando, e ele geme, sua mão arrastando pela minha coxa para mergulhar entre minhas dobras. "A sua buceta está tão porra de molhada", ele sussurra aproximando quando ele empurra dois grandes dedos dentro de mim. "Tão molhada para mim, e tão apertada... Você quer isso, não é mesmo, querida? Você quer que eu te leve, te foda..." Eu suspiro enquanto ele torce os dedos, batendo num ponto que faz com que todo o meu corpo fique tenso. "Sim..." Eu mal posso falar enquanto ondas de calor correm sobre mim, nublando minha mente. "Sim, por favor..." Ele ri, o som baixo e cheio de alegria escura. Seus dedos saem, deixando-me vazia e pulsando com a necessidade. Antes que eu possa reclamar, eu ouço o som de um zíper sendo puxado para baixo e sinto a cabeça larga e lisa, de seu pau escovando contra minhas coxas. "Oh, eu vou", ele murmura rouco, orientando-se em direção a minha abertura. "Eu vou te agradar bem pra caralho" – a ponta do seu pau me penetra, fazendo minha respiração parar na minha garganta – “você vai gritar por mim. Não vai, baby?" E não esperando pela minha resposta, ele agarra meu quadril direito e empurra por todo o caminho, arrancando um grito ofegante da minha garganta. Como sempre, a sua entrada golpeia os meus sentidos, sua espessura me estica quase ao ponto de dor. Se eu não tivesse estado tão excitada, ele teria me machucado. Como sempre, a sua aspereza é um aditivo delicioso, intensificando a minha excitação e inundando o meu sexo com mais umidade. Com minha calcinha para baixo em torno de meus joelhos, eu não posso abrir as minhas pernas mais amplas, e ele parece enorme dentro de mim, cada centímetro dele duro e ardente. Eu espero que ele estabeleça um ritmo brutal para corresponder ao primeiro impulso, mas agora que ele está dentro, ele se move lentamente. Lenta e deliberadamente, cada movimento seu calculado para maximizar o meu prazer. Dentro e fora, dentro e fora... Parece que ele está me acariciando por dentro, provocando cada pequena sensação que meu corpo é capaz de produzir. Dentro e fora, dentro e fora... Estou perto do orgasmo, mas não posso chegar lá, não com ele movendo-se nesse ritmo de caracol. Dentro e fora...


"Julian", eu gemo, e ele retarda seu ritmo ainda mais, fazendo-me gemer de frustração. "Diga-me o que você quer, baby", ele murmura, retirando quase todo o caminho. "Diga-me exatamente o que você quer." "Foda-me," eu expiro, minhas mãos agarrando os lençóis. "Por favor, só me faça gozar." Ele ri de novo, mas o som é tenso, sua respiração voltando-se pesada e irregular. Sinto seu pau ainda mais grosso dentro de mim, e eu aperto meus músculos internos em torno dele, desejando que ele se mova um pouco mais rápido, para me dar um pouco mais do que preciso... E finalmente ele o faz. Segurando meu quadril, ele pega o ritmo, me fodendo mais e mais rápido. Seus impulsos reverberam através de mim, enviando ondas de choque de prazer que saem do meu núcleo. Minhas mãos agarram os lençóis, meus gritos crescendo em volume como a tensão dentro de mim que se torna insuportável, intolerável... e então eu me quebro em um milhão de pedaços, meu corpo pulsando impotente em torno de seu pau maciço. Ele geme, seus dedos cavando em minha carne conforme seu aperto no meu quadril intensifica, e eu o sinto duro mexendo contra a minha bunda, seu pau empurrando dentro de mim quando ele encontra a sua libertação. Quando tudo acaba, ele se retira de mim e dá um passo para trás. Sacudida com a intensidade do meu orgasmo, eu entro em colapso na cama e viro a cabeça para olhar para ele. Ele está lá com seu jeans aberto, seu peito subindo e descendo com a respiração pesada. Seu olhar está preenchido com persistente desejo quando ele olha para mim, seus olhos colados às minhas coxas, onde sua semente está vazando lentamente para fora da minha abertura. Eu enrubesço e olho ao redor do quarto, procurando por um lenço. Felizmente, há uma caixa em uma prateleira perto da cama. Eu chego até ela e uso um lenço de papel para enxugar a evidência de nossa união.


Julian observa minhas ações silenciosamente. Em seguida, ele recua, sua expressão crescendo fechada de novo enquanto ele enfia seu pau amolecendo de volta para dentro de seu jeans e puxa para cima o zíper. Agarrando o cobertor, eu puxo para cobrir o meu corpo nu. Eu me sinto fria e exposta, de repente, o calor dentro de mim se dissipando. Normalmente, Julian iria me abraçar depois do sexo, reforçando a nossa proximidade e usando ternura para equilibrar a ferocidade. Hoje, no entanto, ele não parece inclinado a fazer isso. "Está tudo bem?", Pergunto hesitante. "Fiz algo de errado?" Ele me dá um sorriso frio e senta-se na cama ao meu lado. "O que você poderia ter feito de errado, meu animal de estimação?" Olhando para mim, ele levanta a mão e pega uma mecha do meu cabelo, esfregando-a entre os dedos. Apesar da brincadeira do seu gesto, há um brilho duro em seus olhos que aprofunda a minha inquietação. Eu sinto um súbito lampejo de intuição. "É a pílula do dia seguinte, não é? Você está chateado porque eu tomei?" "Chateado? Porque você não quer um filho comigo?" Ele ri, mas há uma dureza no som que torce meu estômago em nós. "Não, meu animal de estimação, eu não estou chateado. Eu seria um pai horrível, e eu sei disso." Eu fico olhando para ele, tentando entender por que suas palavras estão me fazendo sentir culpada. Ele é um assassino e um sádico, um homem que impiedosamente me sequestrou e me manteve em cativeiro, e ainda assim eu me sinto mal, como se eu inadvertidamente tivesse machucado ele. Como se eu realmente tivesse feito algo errado. "Julian..." Eu não sei o que dizer. Eu não posso mentir que ele seria um bom pai. Ele veria através de mim. Então, em vez disso eu pergunto com cautela, "Você quer ter filhos?" Então eu prendo a respiração, esperando por sua resposta. Ele olha para mim, sua expressão ilegível mais uma vez. "Não, Nora", diz ele em voz baixa. "A última coisa que você e eu precisamos são crianças. Você pode ter todos os implantes anticoncepcionais que você desejar. Eu não vou forçá-la a ficar grávida."


Eu solto um suspiro de alívio. "Ok, bom. Então por que-" Antes que eu possa concluir a pergunta, Julian se levanta, sinalizando o fim da nossa discussão. "Eu estarei na cabine principal", diz ele uniformemente. "Eu tenho algum trabalho a fazer. Venha se juntar a mim quando você se vestir." E com isso, ele desaparece do quarto, deixando-me deitada na cama nua e confusa.


Eu Estou no meio de revisão da resenha do meu gerente de carteira em um investimento potencial quando Nora tranquilamente toma seu assento ao meu lado. Incapaz de resistir à tentação de sua presença, me viro para olhar para ela, vendo quando ela começa a ler seu livro. Agora que eu tive alguns minutos sem ela, a necessidade irracional de atacar e machucá-la se foi. Em seu lugar há uma tristeza inexplicável... uma estranha sensação inesperada de perda. Eu não entendo isso. Eu não menti para Nora quando eu disse que não quero ter filhos. Eu nunca pensei muito no assunto, mas agora que estou pensando nisso, eu não posso sequer me imaginar sendo um pai. O que eu faria com uma criança? Seria apenas mais uma fraqueza para os meus inimigos explorarem. Não tenho nenhum interesse em bebês, nem sei como criá-los. Meus pais não eram certamente modelos a esse respeito. Eu deveria estar feliz que Nora não quer ter filhos, mas em vez disso, quando ela falou da pílula do dia seguinte, parecia um pontapé no estômago. Como uma rejeição da pior espécie. Eu estava tentando não pensar sobre isso, mas vê-la limpar minha semente para fora de suas coxas trouxe de volta as emoções indesejáveis, lembrou-me que ela não quer isso de mim. Que ela nunca mais vai querer isso de mim.


Eu não entendo por que importa. Eu nunca planejei começar uma família com Nora. O casamento tinha sido uma forma de cimentar a nossa ligação, nada mais. Ela é meu animal de estimação... minha obsessão e minha posse. Ela me ama, porque eu fiz ela me amar, e eu quero ela porque ela é necessária para a minha existência. As crianças não são parte dessa dinâmica. Elas não podem ser. Nora me apanha olhando para ela e me dá um sorriso hesitante. "No que você está trabalhando?", Ela pergunta, colocando seu livro para baixo em seu colo. "Ainda projetando o avião?" "Não, baby." Eu me forço a me concentrar no fato de que ela veio por mim no Tajiquistão, que ela me ama o suficiente para fazer algo tão louco e meu humor começa a abrandar, a tensão persistente no meu peito desaparecendo. "O que é então?", Ela persiste, e eu sorrio involuntariamente, divertindo-me com sua curiosidade. Nora não é mais alguém para estar à margem da minha vida; ela quer saber tudo, e ela está ficando mais ousada na busca por respostas. Se fosse qualquer outra pessoa, eu ficaria irritado. Com Nora, no entanto, eu não me importo. Gosto de sua curiosidade. "Eu estou analisando um investimento em potencial," eu explico. Ela olha intrigada, então eu digo a ela que eu estou lendo sobre uma startup 1 de biotecnologia especializada em medicamentos químicos do cérebro. Se eu decidir continuar, eu seria chamado de anjo investidor2 e um dos primeiros a financiar a empresa. O capital de risco é algo que sempre me interessou; Eu gosto de saber de inovação em todos os tipos de campos e lucrar com isso da melhor forma possível. Ela ouve a minha explicação com fascínio evidente, aqueles olhos escuros dela focados no meu rosto o tempo todo. Eu gosto disso, do jeito que ela absorve o conhecimento como uma esponja. Isso torna mais Startup é uma empresa recém criada, ainda em fase de desenvolvimento e pesquisa de mercados, mas que tem um modelo de negócios inovador. 2 Investidor anjo é uma pessoa física que faz investimentos com seu próprio capital em empresas nascentes com um alto potencial de crescimento como as startups, ou seja, é só outro termo para investidor. 1


divertido para mim ensiná-la, mostrar a ela as diferentes partes do meu mundo. As poucas perguntas que ela faz são esclarecedoras, mostrando-me que ela entende exatamente o que eu estou falando. "Se essa droga pode apagar memórias, não poderia ser usada para tratar PTSD e tal?", Ela pergunta depois de eu descrever a ela um dos produtos mais promissores da inicialização, e eu concordo, tendo chegado à mesma conclusão poucos minutos mais cedo. Eu não tinha previsto isso quando eu a raptei – o puro prazer que eu teria de passar tempo com ela. Quando eu a levei, eu a vi apenas como um objeto sexual, uma bela garota que tinha me obcecado tanto que eu não conseguia tirá-la dos meus pensamentos. Eu não esperava que ela se tornasse minha companheira, bem como minha amante, não sabia que eu iria desfrutar de simplesmente estar com ela. Eu não sabia que ela viria a me possuir, tanto quanto eu possuo ela. É realmente o melhor que ela se lembrou de tomar a pílula. Uma vez que nós dois estivermos curados, nossa vida pode voltar ao normal. Nosso normal, pelo menos. Vou ter Nora comigo, e eu não vou deixá-la fora da minha vista nunca mais.

É escuro quando pousamos. Eu levo uma Nora sonolenta para fora do avião, e nós entramos no carro para ir para casa. Casa. É um pensamento estranho chamar esse lugar de casa novamente. Foi a minha casa quando eu era uma criança, e eu odiava. Eu odiava tudo sobre ela, desde o calor úmido até o cheiro pungente de vegetação da selva úmida. No entanto, quando fiquei mais velho, eu encontrei-me atraído por lugares como esse, locais tropicais que me lembraram da selva onde eu cresci.


Foi a presença de Nora aqui que me fez perceber que eu não odeio a propriedade apesar de tudo. Esse lugar nunca foi objeto de meu ódio, foi sempre a pessoa a quem pertencia. Meu pai. Nora se aninha mais perto de mim no banco de trás, interrompendo minhas reflexões, e boceja delicadamente em meu ombro. O som é tão parecido com o de um gatinho que eu rio e embrulho o meu braço direito em volta da sua cintura, puxando-a para perto de mim. "Sonolenta?" "Hmm-mm." Ela esfrega seu rosto contra o meu pescoço. "Você cheira bem," ela murmura. E assim, meu pau fica duro, reagindo à sensação de seus lábios roçando minha pele. Porra. Eu solto um suspiro frustrado quando o carro para em frente da casa. Ana e Rosa estão em pé na varanda da frente, prontas para nos receber, e meu pau está estourando fora de minhas calças. Eu mudo para o lado, tentando colocar Nora longe de mim, então minha ereção pode diminuir. Seu cotovelo roça contra minhas costelas, e eu tenciono de dor, mentalmente amaldiçoando Majid no inferno. Não posso esperar para curar. Até o sexo mais cedo hoje doeu, especialmente quando eu defini um ritmo mais forte no final. Não que tenha diminuído muito o prazer, estou quase certo que eu poderia foder Nora no meu leito de morte e me divertir, mas isso ainda assim me incomodou. Eu gosto de dor com o sexo, mas apenas quando eu sou o único distribuindo-a. Pelo lado positivo, a minha ereção não é tão visível. "Nós chegamos", digo a Nora enquanto ela esfrega os olhos e boceja novamente. "Eu a levaria pra cima, mas eu receio que eu não poderia fazêlo nesse momento." Ela pisca, parecendo confusa por um momento, mas depois um largo sorriso se espalha por seu rosto. Ela lembra também. "Eu já não sou uma noiva", diz ela, rindo. "Então você está fora disso." Eu sorrio de volta para ela, uma alegria incomum enchendo meu peito, e abro a porta do carro.


Assim que saímos, somos atacados por duas mulheres chorando. Ou, mais precisamente, Nora é atacada. Eu só assisto com perplexidade enquanto Ana e Rosa a abraçam, rindo e chorando ao mesmo tempo. Depois de terminarem com Nora, elas se voltam para mim, e Ana soluça mais forte quando ela pega um vislumbre do meu rosto enfaixado. "Oh, pobrecito...", ela fala em espanhol como ela faz as vezes quando ela está chateada, e Nora e Rosa tentam acalmá-la, dizendo que eu vou me recuperar, que o importante é que eu estou vivo. A preocupação da governanta é ao mesmo tempo comovente e desconcertante. Eu sempre fui vagamente consciente de que ela se preocupava comigo, mas eu não sabia que seus sentimentos eram tão fortes. Pelo que me lembro, Ana tem sido uma presença quente, reconfortante na propriedade, alguém que me alimentou, cuidou de mim, e enfaixou meus arranhões e contusões de infância. Eu nunca a deixei chegar muito perto, embora, e pela primeira vez eu sinto uma pontada de arrependimento sobre isso. Nem ela, nem Rosa, a criada que é amiga de Nora, tentam me abraçar como elas fizeram a minha esposa. Elas acham que eu não iria recebê-las, e elas provavelmente estão certas. A única pessoa de que eu quero carinho – não, anseio carinho – é Nora, e isso é um acontecimento recente. Após as três mulheres terem terminado com seu reencontro emocional, todos nós seguimos para dentro da casa. Apesar da hora tardia, Nora e eu estamos com fome, e nós devoramos a refeição que Ana preparou para nós com velocidade recorde. Então, satisfeitos e exaustos, nós vamos lá para cima para o nosso quarto. Um banho rápido e uma foda igualmente rápida depois, eu caio no sono com a cabeça de Nora apoiada no meu ombro ileso. Estou pronto para a nossa vida normal retomar.

O grito que me acorda é horripilante. Cheio de desespero e terror, ele salta fora das paredes e inunda minhas veias com adrenalina.


Eu estou em pé e fora da cama antes mesmo de eu perceber o que está acontecendo. Conforme o som morre, eu pego a arma escondida na minha mesa de cabeceira e, simultaneamente, bato no interruptor de luz com as costas da minha mão. A lâmpada de cabeceira acende, iluminando o quarto, e vejo Nora encolhida no meio da cama, tremendo sob o cobertor. Não há ninguém mais no quarto, nenhuma ameaça visível. Meu batimento cardíaco aumentado começa a abrandar. Nós não estamos sendo atacados. O grito deve ter vindo de Nora. Ela está tendo mais um pesadelo. Porra. O desejo de cometer algum ato violento é quase demasiado forte para ser contido. Ele preenche cada célula do meu corpo até que eu estou tremendo de raiva, com a necessidade de matar e destruir cada filho da puta responsável por isso. Começando potencialmente comigo mesmo. Afastando-me, eu puxo várias respirações profundas, tentando conter a fúria se agitando dentro de mim. Não há ninguém em quem eu possa me lançar aqui, nenhum inimigo que eu possa esmagar para amansar meu temperamento. Há apenas Nora, que precisa de mim calmo e racional. Depois que alguns segundos se passam e eu estou certo de que não vou machucá-la, eu viro para encará-la e coloco a arma de volta na gaveta do criado mudo. Então eu subo de volta na cama. As minhas costelas e ombro doem consideravelmente, e minha cabeça lateja de meus movimentos bruscos, mas essa dor não é nada comparada com o peso no meu peito. "Nora, querida...". Inclinando-me sobre ela, eu puxo o cobertor fora de seu corpo nu e coloco a mão direita sobre seu ombro para sacudi-la acordada. "Acorde, meu animal de estimação. É apenas um sonho." Sua pele é pegajosa ao toque, e os ruídos choramingantes dela estão me trazendo mais dor do que qualquer tortura de Majid. A raiva cresce, mas eu a suprimo, mantendo minha voz baixa e uniforme. "Acorda bebê. Você está sonhando. Não é real."


Ela rola sobre suas costas, ainda tremendo, e eu vejo que seus olhos estão abertos. Abertos e cegos enquanto ela ofega pelo ar, o peito arfando e suas mãos segurando os lençóis em desespero. Ela não está tendo um sonho, ela está no meio de um ataque de pânico, provavelmente causado por seu pesadelo. Eu quero jogar minha cabeça para trás e rugir a minha raiva, mas eu não o faço. Ela precisa de mim agora, e eu não vou deixá-la. Nunca mais. Ficando de joelhos, eu puxo seus quadris e me curvo para segurar seu queixo na minha mão direita. "Nora, olhe para mim." Eu falo as palavras em um comando, o meu tom duro e exigente. "Olhe para mim, meu animal de estimação. Agora." Apesar de seu pânico, ela obedece, seu condicionamento forte demais para ser negado. Os olhos dela deslizam para cima para encontrar o meu olhar, e eu vejo que suas pupilas estão dilatadas, sua íris quase preta. Ela também está arfando, a boca aberta enquanto ela tenta respirar ar suficiente. Foda-se e foda de novo. Meu primeiro instinto é de segurá-la contra mim, ser gentil e calmante, mas eu me lembro do seu ataque de pânico durante o sexo na noite anterior e a gentileza não parecia ajudá-la. Nada, exceto a violência. Então, ao invés de murmurar palavras carinhosas inúteis, eu inclinome para baixo, apoiando-me no meu cotovelo direito, e tomo sua boca em um beijo brutal, usando o meu aperto em seu queixo para mantê-la parada. Meus lábios esmagam contra os dela, e meus dentes afundam em seu lábio inferior conforme eu empurro a minha língua dentro, invadindo-a, machucando-a. O monstro sádico dentro de mim se emociona com prazer no gosto metálico do sangue dela, enquanto o resto de mim dói com a agonia de sua mente. Ela engasga na minha boca, mas o som é diferente agora, mais assustado do que desesperado. Eu posso sentir seu peito expandir quando ela toma uma respiração completa, e eu percebo que meu método bruto de


alcança-la está funcionando, que ela está se concentrando agora no físico, em vez da dor mental. Seus punhos relaxam, suas mãos já não agarram os lençóis, e ela ainda debaixo de mim, seu corpo tenso com um tipo diferente de medo. Um medo que desperta a parte predatória dentro de mim, a parte que quer subjugar e devorá-la. A raiva que ainda ferve dentro de mim acrescentando-se a essa fome, misturando-se com ela e alimentando-se disso até tornar-se essa necessidade, esse estúpido, terrível desejo. Meu foco se estreita, aguça, até que tudo do que eu estou ciente é a sensação sedosa dos seus lábios, com sabor de sangue, e as curvas de seu corpo nu, pequeno e indefeso sob o meu. Meu pau endurece de uma forma dolorosa enquanto ela agarra meu antebraço direito com ambas as mãos e faz um som suave, agonizante, na parte traseira de sua garganta. De repente, o beijo não é mais suficiente. Eu tenho que ter tudo dela. Deixando de lado seu queixo, eu me esforço com um braço, levantando-me de joelhos. Ela olha para mim, os lábios inchados e tingidos de vermelho. Ela ainda está ofegante, seu peito subindo e descendo em um ritmo rápido, mas o olhar sem ver nos olhos dela está desapareceu. Ela está comigo, ela está totalmente presente e isso é tudo que meu demônio interior quer no momento. Subo nela em um movimento rápido, ignorando a pontada de dor em minhas costelas, e chego na gaveta de cabeceira novamente. Só que desta vez, em vez de uma arma, eu puxe um chicote de couro trançado. Os olhos de Nora aumentam. "Julian?" A voz dela é sem fôlego com restos de seu pânico. "Vire." As palavras saem ásperas, traindo a necessidade violenta da fúria dentro de mim. "Agora." Ela hesita por um momento, em seguida, rola sobre seu estômago. "De joelhos." Ela fica de quatro e vira a cabeça para olhar para mim, à espera de novas instruções.


Um animalzinho tão bem treinado. Sua obediência aumenta o meu desejo, a minha fome desesperada de possuí-la. A posição mostra sua bunda e expõe sua vagina, fazendo com que meu pau inche ainda mais. Eu quero engoli-la inteira, reivindicar cada polegada dela. Meus músculos estão tensos, e quase sem pensar, eu balanço o chicote, deixando os fios do couro atingirem a pele suave de suas nádegas. Ela grita, fechando os olhos enquanto seu corpo enrijece, e a escuridão dentro de mim assume, apagando todos os vestígios do pensamento racional. Eu assisto, quase como se a distância, quando o chicote beija sua pele uma e outra vez, deixando marcas rosa e estrias avermelhadas nas costas, rabo e coxas. Ela recua nos primeiros golpes, gritando de dor, mas conforme eu encontro um ritmo, seu corpo começa a relaxar nos golpes, antecipando em vez de resistir a ardência. Seus gritos diminuem, e suas dobras na buceta começam a brilhar com a umidade. Ela está respondendo à flagelação como se fosse uma carícia sensual. Minhas bolas apertam quando eu largo o chicote e rastejo atrás dela, enrolando meu antebraço direito sob os quadris para arrastá-la para mim. Meu pau prensa contra sua entrada, e eu gemo quando eu sinto sua fricção escorregadia contra a ponta, revestindo-o com a umidade cremosa. Ela geme, arqueando as costas, e eu empurro para dentro dela, forçando a carne para me engolir, para me levar. Sua vagina é incrivelmente apertada, seus músculos internos apertando-me como um punho. Não importa quantas vezes eu transe com ela; cada vez é diferente, de alguma forma, as sensações mais nítidas e mais ricas do que em minha memória. Eu poderia ficar dentro dela para sempre, sentindo sua suavidade, seu calor úmido. Exceto que eu não posso – o desejo primitivo de me mover, empurrar para dentro dela, é muito forte para ser negado. Meu batimento cardíaco soa alto em meus ouvidos, meu corpo pulsando com a necessidade selvagem. Eu ainda me mantenho parado por tanto tempo quanto eu posso, e então eu começo a me mover, cada impulso fazendo minha virilha pressionar contra seu rabo rosa, recém-açoitado. Ela geme com cada estocada, seu corpo apertando ao redor do meu pau invasor, e as sensações construindo em cima umas das outras, intensificando a um grau insuportável. Minha pele arrepia com meu orgasmo iminente, e eu começo a


investir mais rápido, mais forte, até que eu sinto as contrações começarem, sua vagina ondulando em torno de mim conforme ela grita meu nome. É a última gota. O orgasmo que fiquei adiando toma conta de mim com força explosiva, e eu entro em erupção profundamente dentro dela com um gemido rouco, prazer impressionante subindo pelo meu corpo. É uma felicidade diferente de qualquer outra, um êxtase que vai muito além da satisfação física. É algo que eu experimentei apenas com Nora. Somente, sempre, apenas com Nora. Respirando pesadamente, eu saio do seu corpo, deixando-a cair na cama. Então eu me abaixo para o meu lado direito e a puxo contra mim, sabendo que ela precisa de ternura depois da brutalidade. E de certa forma, eu preciso disso também. Eu preciso confortá-la, acalmá-la. Uni-la a mim quando ela está mais vulnerável, para que eu possa garantir o seu amor. Pode ser calculista, sangue frio, mas eu não deixo as coisas importantes ao acaso. Ela se vira para mim e esconde o rosto na curva do meu pescoço, os ombros tremendo com soluços tranquilos. "Me abrace, Julian", ela sussurra, e eu o faço. Eu sempre vou segurá-la, não importa o que.


PARTE II


"Julian, você tem um minuto?" Entrando no escritório do meu marido, eu ando até sua mesa. Ele olha para cima para me cumprimentar, e eu me maravilho mais uma vez com o enorme progresso que ele fez em sua recuperação ao longo das últimas seis semanas. Seu gesso no braço já saiu por agora, assim como todos os curativos. Julian lida com a cura da mesma forma que ele lida com qualquer objetivo: com crueldade obstinada e determinação. Assim que o Dr. Goldberg aprovou a remoção do gesso, Julian mergulhou de cabeça na terapia física, passando horas a cada dia em exercícios destinados a restaurar a mobilidade e função do lado esquerdo de seu corpo. Com suas cicatrizes começando a desaparecer, há dias em que eu quase esqueço que ele estava tão gravemente ferido, que ele tinha ido ao inferno e emergiu relativamente incólume. Mesmo o seu implante ocular não parece chocante para mim. A nossa estadia na clínica na Suíça e todos os procedimentos custaram a Julian milhões – eu vi a conta em sua caixa de entrada – mas os médicos fizeram um trabalho fenomenal com seu rosto. O implante corresponde ao olho real de Julian tão perfeitamente que, quando ele me olha de frente, é quase impossível dizer que é falso. Eu não tenho nenhuma ideia de como eles conseguiram fazê-lo no mesmo tom exato de azul, mas eles o fizeram, até mesmo todas as estrias e variação da cor natural. A pupila falsa encolhe até


mesmo em luz brilhante e dilata quando Julian está excitado ou despertado, graças a um dispositivo de biofeedback que Julian usa como um relógio. O relógio mede o pulso e a condução da pele e envia as informações para o implante, permitindo a maior parte das respostas de aparência natural. A única coisa que o implante não faz é replicar o movimento normal dos olhos... ou permitir que Julian veja com ele. "Essa parte – a conexão com o cérebro vai levar mais alguns anos", Julian me disse um par de semanas atrás. "Eles estão trabalhando nisso agora em um laboratório em Israel." Então, sim, o implante é extremamente realista. E Julian está aprendendo a minimizar a estranheza de um olho só em movimento, rodando toda a cabeça para olhar para algo em linha reta da maneira como ele está olhando para mim agora. "O que é, meu animal de estimação?", ele pergunta, sorrindo. Seus belos lábios estão totalmente curados agora, e as cicatrizes desparecendo na sua bochecha esquerda acrescentam um ar ainda mais atraente e perigoso para a sua aparência. É como se um pouco de sua escuridão interior fosse visível em seu rosto agora, mas em vez de me repelir, ela me chama para ele ainda mais. Provavelmente porque eu preciso da escuridão agora - é a única coisa que me mantém sã esses dias. "Monsieur Bernard acabou de me dizer que ele tem um amigo que estaria interessado em mostrar as minhas pinturas", eu digo, tentando soar como se instrutores de arte de classe mundial me dessem esse tipo de notícia o tempo todo. "Aparentemente, ele é dono de uma galeria de arte em Paris." As sobrancelhas de Julian sobem. "Isso está certo?" Eu aceno, mal conseguindo conter minha emoção. "Sim, você pode acreditar? Monsieur Bernard enviou-lhe fotos dos meus trabalhos mais recentes, e o dono da galeria disse que eles são exatamente o que ele está procurando." "Isso é maravilhoso, querida." O sorriso de Julian se alarga, e ele chega mais perto para me puxar para baixo em seu colo. "Eu estou tão orgulhoso de você."


"Obrigada." Eu quero pular para cima e para baixo, mas eu me contento com levar meus braços em volta do seu pescoço e plantar um beijo animado em sua boca. É claro que, assim que nossos lábios se tocam, Julian assume o beijo, virando a expressão espontânea de gratidão em um assalto sensual e prolongado que me deixa sem fôlego e atordoada. Quando ele finalmente me deixa solta para puxar o ar, leva-me um segundo para me lembrar de como eu acabei no seu colo. "Estou tão orgulhoso de você", Julian repete, sua voz suave conforme ele olha para mim. Eu posso sentir a protuberância de sua ereção, mas ele não vai além. Em vez disso, ele me dá um sorriso caloroso e diz: "Eu tenho que agradecer ao Monsieur Bernard por tirar essas fotos. Se o proprietário da galeria acabar exibindo o seu trabalho, talvez nós façamos uma pequena viagem a Paris". "Sério?" Eu perco o fôlego com isso. Essa é a primeira vez que Julian indica que podemos não ficar na propriedade o tempo todo. E para ir para Paris? Eu mal posso acreditar nos meus ouvidos. Ele balança a cabeça, ainda sorrindo. "Certo. Al-Quadar não é mais uma ameaça. É tão seguro como é suposto ser, portanto, com segurança suficiente, não vejo por que não podemos visitar Paris um pouco, especialmente se há uma razão para fazê-lo." Eu sorrio para ele, tentando não pensar sobre como Al-Quadar deixou de ser uma ameaça. Julian não me disse muito sobre essa operação, mas o pouco que eu sei é o suficiente. Quando os nossos salvadores invadiram o canteiro de obras no Tajiquistão, descobriram uma enorme quantidade de informações valiosas. Após nosso retorno para a propriedade, cada pessoa mesmo remotamente ligada à organização terrorista foi eliminada, alguns rapidamente e outros lenta e dolorosamente. Eu não sei quantas mortes ocorreram nas últimas semanas, mas eu não ficaria surpresa se a contagem de corpos estiver bem nos dígitos triplos. O homem que está me segurando agora é responsável pelo que equivale a um massacre em massa e eu ainda o amo com todo meu coração. "Uma viagem a Paris seria incrível", eu digo, empurrando de lado todos os pensamentos de Al-Quadar. Em vez disso, concentro-me sobre a possibilidade incompreensível que minhas pinturas podem ser exibidas em


uma galeria de arte real. Minhas pinturas. É tão difícil de acreditar que eu pergunto a Julian cautelosamente: "Você não disse a Monsieur Bernard para fazer isso, certo? Ou de alguma forma subornou esse amigo dele?" Desde que Julian usou seu poder financeiro para me colocar no programa on-line altamente seletivo da Universidade de Stanford, eu não duvidaria disso. "Não, querida." O sorriso de Julian amplia. "Eu não tenho nada a ver com isso, eu prometo. Você tem um talento genuíno, e seu instrutor sabe disso." Eu acredito nele, mesmo porque Monsieur Bernard ficou delirante sobre minhas pinturas nas últimas semanas. A escuridão e a complexidade que viu na minha arte no início é ainda mais visível agora. A pintura é uma das maneiras que eu tenho lidado com os meus pesadelos e ataques de pânico. A dor sexual é outro, mas isso é um outro assunto. Não querendo me debruçar sobre meu estado mental fodido, eu salto do colo de Julian. "Eu vou dizer aos meus pais", eu digo brilhantemente enquanto vou para a porta. "Eles vão ficar muito animados." "Tenho certeza de que vão." E me dando um último sorriso, ele volta sua atenção para sua tela de computador.

Meu vídeo chat com os meus pais leva cerca de uma hora. Como sempre, eu tenho que gastar uns bons vinte minutos assegurando a minha mãe que eu estou segura, que eu ainda estou na propriedade, na Colômbia, e que ninguém está vindo atrás de nós. Depois que desapareci no Chicago Ridge Mall, meus pais tornaram-se convencidos de que os inimigos de Julian estão em toda parte, prontos para atacar a qualquer momento. Se eu não ligar ou enviar e-mail aos meus pais diariamente hoje em dia, eles entram em pânico completo. Não que eles pensem que eu estou segura com Julian, é claro. Em suas mentes, ele não é diferente dos terroristas que me sequestraram. Na


verdade, eu acho que meu pai acredita que Julian é pior, uma vez que o meu marido me roubou não uma, mas duas vezes. "Uma galeria em Paris? Ora, isso é maravilhoso, querida!" Minha mãe exclama quando eu finalmente consigo partilhar a minha notícia com ela. "Estamos tão felizes por você!" "Você ainda está focando em suas aulas?" Meu pai pergunta, franzindo a testa. Ele é menos entusiasmado sobre a minha pintura. Acho que ele está com medo que eu vá abandonar todos os pensamentos de faculdade e me tornar um artista e morrer de fome -medo que está além de ilógico, dadas as circunstâncias. Se há uma coisa com que eu não preciso me preocupar esses dias, é dinheiro. Julian me disse recentemente que ele montou um fundo de confiança em meu nome e também me nomeou como a única beneficiária em seu testamento. Dessa forma, se alguma coisa acontecer com ele, ainda vou estar financeiramente estável – porque isso significa que vou ter dinheiro suficiente para dirigir um pequeno país. "Sim, pai", eu digo pacientemente. "Não se preocupe, eu ainda estou focada na escola. Eu te disse, eu só estou levando uma carga mais leve nesse trimestre. Eu vou compensar isso tomando um par de classes no verão." A carga mais leve é algo em que Julian insistiu quando voltamos, e apesar de minhas objeções iniciais, estou feliz que ele o fez. Por alguma razão, tudo parece mais difícil nesse trimestre. Levo uma eternidade para escrever meus trabalhos se estudar para os exames é desgastante. Mesmo com a carga mais leve, eu fui me sentindo sobrecarregada, mas isso não é algo que eu quero dizer aos meus pais. É ruim o suficiente para Julian estar preocupado. Tão preocupado, na verdade, que ele trouxe um psiquiatra para a fazenda para mim. "Você tem certeza, querida?" Minha mãe pergunta, olhando para mim com preocupação. "Talvez você deve descansar no verão, relaxar por um par de meses. Você parece muito cansada." Merda. Eu esperava que os círculos escuros sob meus olhos não fossem tão perceptíveis no vídeo.


"Eu estou bem, mãe", eu digo. "Eu só fiquei até tarde estudando e pintando, isso é tudo." Eu também acordei em meio a gritos pela noite e não pude voltar a dormir até que Julian me bateu e me fodeu, mas meus pais não precisam saber disso. Eles não iriam entender que a dor é terapêutica para mim agora, que eu passei a precisar de algo, que antes eu temia. Que o lado cruel de Julian é algo que eu abraço. À medida que encerramos a conversa, lembro-me de algo que Julian me prometeu uma vez: que ele iria me levar para visitar minha família quando o perigo da Al-Quadar diminuísse. Meu coração salta em emoção com o pensamento, mas eu decido manter a calma até que eu tenha a chance de perguntar a Julian sobre isso no jantar. Por agora, eu só digo aos meus pais que vamos falar novamente em breve, e saio da conexão segura. Agora há duas coisas que eu preciso discutir com Julian essa noite... e ambas vão ser um pouco complicadas.

"Uma viagem para Chicago?" Julian parece vagamente surpreso quando eu levanto essa questão. "Mas você viu seus pais a menos de dois meses atrás." "Certo, por uma noite, antes da Al-Quadar me sequestrar." Eu assopro a minha sopa de creme-de-cogumelo antes de mergulhar minha colher para o líquido quente. "Eu também estava preocupada com você, então eu não acho que aquela noite conte como um tempo de verdade com a minha família." Julian estuda-me por um segundo antes de murmurar: "Tudo bem. Você pode ter um ponto." Então ele começa a comer a sua própria sopa enquanto eu olho para ele, incapaz de acreditar que ele concordaria tão facilmente. "Então, nós vamos?" Eu quero ter certeza de que não há malentendidos.


Ele dá de ombros. "Se você quiser. Após os exames acabarem, eu vou levá-la lá. Nós vamos ter que reforçar a segurança em torno de seus pais, é claro, e tomar algumas precauções extras, mas deve ser possível." Eu começo a sorrir, mas então eu me lembro de uma coisa que ele me disse uma vez. "Você acha que nós irmos lá poderia colocar meus pais em perigo?" Eu pergunto, meu estômago torcendo com náuseas súbitas. "Eles podem se tornar um alvo se você for visto estando em estreito contato com eles?" Julian me dá um olhar. "É uma possibilidade. Uma possibilidade remota, mas não é completamente fora de questão. Havia, obviamente, muito mais perigo quando os terroristas estavam em busca de sangue, mas eu tenho outros inimigos. Ninguém tão determinado, pelo menos, tanto quanto eu sei, mas há uma abundância de indivíduos e organizações que adorariam colocar as mãos em mim." "Certo." Eu engulo uma colher de sopa e me arrependo imediatamente, pois o líquido cremoso me faz sentir ainda mais enjoada. "E você acha que eles poderiam usar os meus pais como moeda de troca?" "É improvável, mas não posso descartar completamente. É por isso que eu coloquei segurança em torno de sua família desde o início. É uma precaução, nada mais, mas é uma precaução necessária, na minha opinião." Eu respiro fundo, fazendo o meu melhor para ignorar a agitação na minha barriga. "Então a nossa ida para Chicago aumentaria o perigo para eles ou não?" "Eu não sei, meu animal de estimação". Julian parece vagamente arrependido. "Meu melhor palpite é que não, mas não há garantias." Eu pego o copo e tomo um gole de água, tentando me livrar do gosto nauseante de sopa na minha língua. "E se eu for sozinha?" Eu sugiro sem pensar muito. "Então ninguém vai pensar que você está de forma alguma perto de seus sogros." O rosto de Julian escurece em um instante. "Sozinha?" Eu aceno, instintivamente tensa com a mudança no seu humor. Embora eu saiba que Julian não me machucaria, não posso deixar de ser


cautelosa com o seu temperamento. Posso estar com ele de bom grado agora, mas ele ainda tem o controle absoluto sobre minha vida, assim como ele o fez quando eu era sua prisioneira na ilha. De todas as maneiras que contam, ele ainda é meu sequestrador amoral, perigoso. "Você não vai a lugar nenhum sozinha." A voz de Julian é macia, mas o olhar em seus olhos é duro, como o aço. "Se você quer que eu a leve para Chicago, eu vou fazer isso, mas você não vai pisar um pé fora desta propriedade sem mim. Você me entende, Nora?" "Sim." Eu tomo mais alguns goles de água, ainda sentindo o sabor da sopa na minha garganta. O que diabos Ana colocou nela essa noite? Até mesmo o cheiro é desagradável. "Eu entendo." Minhas palavras saem soando calmas ao invés de ressentidas – principalmente porque eu estou me sentindo doente demais para ficar zangada com a atitude autocrática de Julian. Tomando o resto da minha água, eu digo: "Foi apenas uma sugestão." Julian me olha por alguns instantes, em seguida, dá um aceno. "Tudo bem." Antes que ele tenha uma chance de dizer mais alguma coisa, Ana entra na sala, carregando nosso próximo prato de peixe com arroz e feijão. Vendo a minha sopa quase intocada, ela franze a testa. "Você não gostou da sopa, Nora?" "Não, está deliciosa," eu minto. "Eu só não estou com tanta fome e queria guardar lugar para o prato principal." Ana me dá um olhar preocupado, mas tira fora nossos pratos sem mais comentários. Meu apetite tem sido imprevisível desde o nosso regresso, essa não é a primeira vez que eu deixo uma refeição intocada. Eu não me pesei, mas eu acho que já perdi pelo menos um par de quilos nas últimas semanas o que não é necessariamente uma coisa boa no meu caso. Julian franze a testa também, mas não diz nada quando eu começo a brincar com o arroz no meu prato. Eu realmente, realmente não quero comer agora, mas eu me forço para pegar uma garfada e colocá-la na minha boca. O arroz também tem um gosto forte, mas com determinação mastigo e engulo, não querendo ter Julian focado na minha falta de apetite.


Eu tenho algo mais importante para discutir com ele. Assim que Ana sai da sala, eu coloco o meu garfo para baixo e olho para o meu marido. "Eu recebi outra mensagem," eu digo em voz baixa. A mandíbula de Julian aperta. "Eu sei." "Você está monitorando meu e-mail agora?" Meu estômago se agita novamente, desta vez com uma mistura de náuseas e raiva. Eu acho que não deveria me surpreender, dados os rastreadores ainda implantados no meu corpo, mas algo sobre essa invasão ocasional de privacidade realmente me perturba. "Claro." Ele não parece nem um pouco envergonhado ou com remorso. "Eu imaginei que ele poderia contatá-la novamente." Eu inspiro lentamente, lembrando-me que discutir sobre isso é fútil. "Então você sabe que Peter não vai nos deixar em paz até que você lhe dê essa lista", eu digo, tão calmamente quanto eu posso controlar. "De alguma forma, ele sabe que você a recebeu de Frank na semana passada. Sua mensagem dizia: 'É hora de lembrar da sua promessa’. Ele não vai embora, Julian." "Se ele continuar a lhe assediar via e-mail, eu vou ter certeza que ele vai embora para sempre." O tom de Julian endurece. "Ele sabe melhor do que tentar chegar a mim através de você." "Ele salvou a sua vida e a minha vida", eu o lembro pela décima segunda vez. "Eu sei que você está com raiva que ele desobedeceu suas ordens, mas se ele não tivesse, você estaria morto." "E você não estaria tendo esses pesadelos e ataques de pânico." Os lábios sensuais de Julian achatam. "Já se passaram seis semanas, Nora, e você não começou a melhorar. Você mal dorme, quase não come, e eu não consigo me lembrar da última vez que saiu para uma corrida. Ele nunca deveria ter colocado você nesse tipo de perigo-" "Ele fez o que era necessário!" Batendo as palmas das minhas mãos sobre a mesa, eu fico em pé, não mais capaz de se ficar sentada. "Você acha que eu estaria me sentindo melhor se você tivesse morrido? Você acha que eu não teria pesadelos se Majid nos tivesse enviado seu corpo em pedaços? Minha cabeça fodida não é culpa de Peter, então pare de culpá-lo por essa


bagunça! Prometi-lhe essa lista, e eu quero dar para ele!" Até o momento de eu chegar à última frase, eu estou gritando, zangada demais para me preocupar com o temperamento de Julian. Ele olha para mim, seus olhos se estreitaram. "Sente-se, Nora." Sua voz é perigosamente suave. "Agora." "Ou o quê?" Eu desafio, sentindo-me estranhamente imprudente. "Ou o que, Julian?" "Você realmente quer ir para isso, meu animal de estimação?", Ele pergunta no mesmo tom suave. Quando eu não respondo, ele aponta para a minha cadeira. "Sente-se e termine a refeição que Ana preparou para você." Eu seguro seu olhar por mais alguns segundos, não querendo ceder, mas então eu me abaixo para trás em minha cadeira. A onda de raiva desafiante que veio sobre mim tão de repente se foi, deixando-me drenada e com vontade de chorar. Eu odeio o fato de que Julian pode ganhar uma luta tão facilmente, que eu ainda não sou destemida o suficiente para testar seus limites. Não sobre algo tão pequeno como terminar uma refeição, pelo menos. Se eu vou desafiá-lo, será sobre algo que interessa. Deixando cair o meu olhar para meu prato, eu pego o garfo e pego um pedaço de peixe, tentando ignorar o meu mal-estar crescente. Meu estômago se agita com cada mordida, mas eu persisto até eu terminar quase a metade da minha parte. Julian, entretanto, come tudo em seu prato, o seu apetite, obviamente, não afetado pela nossa discussão. "Sobremesa? Chá? Café?" Ana pergunta quando ela volta para limpar os nossos pratos, e eu silenciosamente nego com a cabeça, não querendo prolongar o calvário dessa refeição tensa. "Eu vou passar também, obrigado, Ana," Julian diz educadamente. "Tudo estava maravilhoso, como de costume." Ana sorri para ele, claramente satisfeita. Tenho notado que Julian faz questão de elogiá-la com mais frequência desde o nosso regresso, que, em geral, a sua maneira para ela é um pouco mais calorosa hoje em dia. Eu não sei o que causou a mudança, mas eu sei que Ana aprecia. Rosa me


disse que a governanta esteve praticamente dançando no ar nas últimas semanas. Quando Ana começa a limpar a mesa, Julian se levanta e caminha ao redor para me oferecer seu braço. Eu coloco minha mão através da dobra do seu cotovelo, e nós subimos em silêncio. À medida que caminhamos, meu coração começa a bater mais rápido e meu mal-estar se intensifica. A discussão de hoje só confirma o que eu já sei há algum tempo: Julian nunca vai ver a razão sobre a questão da lista de Peter. Se vou manter minha promessa, eu vou ter que tomar isso em minhas próprias mãos e enfrentar as consequências do desagrado de meu marido. Só o pensamento disso, literalmente, me deixa doente.


Logo que entramos no quarto, Nora se desculpa e vai tomar um banho. Ela desaparece no banheiro, e eu tiro a roupa, desfrutando da liberdade de ter os dois braços livre de um gesso. Meu ombro esquerdo ainda dói durante o exercício, mas eu estou recuperando minha força e amplitude de movimento. Mesmo a perda do meu olho não me incomoda tanto assim; as dores de cabeça e cansaço nos olhos estão diminuindo a cada dia, e eu aprendi a compensar o ponto cego à minha esquerda, girando minha cabeça com mais frequência. No geral, estou praticamente de volta ao normal, mas eu não posso dizer o mesmo sobre Nora. Toda vez que eu acordo com seus gritos, cada vez que ela começa a hiperventilar do nada, uma mistura tóxica de raiva e culpa assola meu peito. Eu nunca fui propenso a reviver o passado, mas não posso deixar de desejar que eu pudesse de alguma forma retroceder o relógio, desfazer as consequências não intencionais de minhas escolhas fodidas. Que eu pudesse ter a Nora – minha Nora – de volta. Ela sai do banheiro alguns minutos depois, já de banho tomado e vestindo uma túnica de lã branca. Sua pele lisa está brilhante por causa da água quente, e seu cabelo comprido e escuro está preso ao acaso em cima de sua cabeça, expondo o pescoço delgado.


Um pescoço que está começando a parecer muito delicado, quase frágil com sua perda de peso. "Venha aqui, baby", murmuro, dando um tapinha na cama ao meu lado. Eu tinha pensado em puni-la por sua explosão no jantar, mas tudo que eu quero fazer agora é abraçá-la. Bem, fode-la e abraçá-la, mas essa porra pode esperar. Ela anda em direção a mim, e eu me aproximo dela assim que ela está dentro do comprimento do meu braço. Ela parece perturbadoramente leve conforme eu a puxo para baixo para o meu colo, as sombras sob os olhos traindo sua exaustão. Ela está completamente desgastada, e eu não sei o que fazer. O terapeuta que eu trouxe para a propriedade há três semanas parece ser inútil, e Nora se recusa a tomar os remédios anti-ansiedade que o médico receitou para ela. Eu poderia forçá-la, é claro, mas eu mesmo desconfio dessas pílulas. A última coisa que eu quero é fazer com que Nora fique presa neles. A única coisa que parece ajudá-la-temporariamente, pelo menos, é uma liberação emocional alcançada através da dor sexual. É algo que ela exige agora, algo pelo que ela implora quase todas as noites. Meu animal de estimação se tornou tão viciada em receber a dor como eu em dar-lhe – e isso tanto me agrada como me devasta. "Você mal comeu de novo", eu digo baixinho, colocando-a mais confortavelmente sobre os meus joelhos. Subindo, eu solto seu cabelo do clipe que o segura, e vejo o derramamento de massa escura pelas costas em um fluxo espesso e brilhante. "Por que bebê? Há algo de errado com a comida da Ana?" "O quê? Não- " ela começa a dizer, mas então ela corrige a si mesma. "Bem, talvez. Eu só não gostei da sopa de hoje. Era muito forte." "Vou pedir a Ana para não faze-la no futuro, então." Lembro-me de Nora comer a sopa e amá-la antes, mas eu decido não a lembrar disso. Não me importa o que ela coma, enquanto ela permanecer saudável. "Só, por favor, não diga a ela que eu reclamei." O olhar de Nora se enche de preocupação. "Eu não quero que ela fique ofendida."


"Claro." Um sorriso puxa meus lábios. "Vou levar o seu segredo para o túmulo, eu prometo." Um sorriso em resposta aparece em seu rosto, iluminando suas feições, e sinto um pouco da tensão persistente entre nós se dissipando. "Obrigada", ela sussurra, olhando para mim. Em seguida, colocando sua mão pequena no meu ombro e a outra na parte de trás do meu pescoço, ela fecha os olhos e aperta seus lábios macios nos meus. Eu inalo bruscamente, meu corpo apertado com desejo instantâneo. Sua respiração é doce e cheira a hortelã, seu peso leve e quente em meus braços. Eu posso sentir seus dedos finos na minha pele, sentir seu perfume delicado, e minha coluna se arrepia, com o aumento da fome, meu pau endurece contra a curva de seu traseiro. Dessa vez, porém, a fome não vem com a necessidade de machucá-la. Em vez disso, ele é tingida com ternura. Os impulsos mais escuros estão lá, mas eles são ofuscados pela minha consciência austera de sua fragilidade. Hoje à noite, mais do que nunca, eu quero protegê-la, curá-la dos ferimentos que ela nunca deveria ter sofrido. Eu quero ser seu herói, seu salvador. Por apenas uma noite, eu quero ser o marido de seus sonhos. Fecho os olhos e me concentro em seu gosto, na forma em que sua respiração muda quando eu aprofundo o beijo. A forma como sua cabeça cai para trás e seu corpo derrete contra o meu, suas unhas delicadamente arranhando meu couro cabeludo enquanto sua mão desliza em meu cabelo. Ela é o meu mundo, meu tudo, e eu a quero tanto que eu sofro com isso. Ela ainda está embrulhada no seu roupão felpudo, o tecido macio em minhas coxas nuas e no meu pau. Tão bom como ele se sente, no entanto, eu sei que sua carne nua vai ser ainda melhor, então eu agarro sua cintura, puxando-a. Ao mesmo tempo, eu levanto a cabeça e abro os olhos para olhar para ela. Conforme o laço solta, seu roupão abre, expondo um V de pele lisa, bronzeada. Eu posso ver as curvas dos seios e o nivelamento tenso de sua barriga, seus mamilos e a parte inferior do corpo estão cobertos ainda. É uma visão erótica, ainda mais sensual pela forma como ela está respirando, sua caixa torácica se movendo para cima e para baixo em um ritmo rápido, ofegante. Seus lábios estão avermelhados do beijo, e sua pele está suavemente corada.


Meu pequeno animal de estimação está excitado. Como se sentisse meu olhar sobre ela, ela abre os olhos, batendo os seus longos cílios. Nós olhamos um para o outro, e a dor dentro de mim cresce. É um sentimento que é de alguma forma diferente do desejo surgindo através de meu corpo, um desejo complexo que está em camadas a cima do meu desejo obsessivo de costume. Um anseio que me apavora com a sua intensidade. "Diga-me que você me ama." De repente, eu preciso disso dela. "Digame, Nora." Ela não pisca. "Eu te amo." Meus braços apertam em torno dela. "Mais uma vez." "Eu te amo, Julian." Ela segura o meu olhar, seus olhos suaves e escuros. "Mais do que qualquer outra coisa no mundo." Porra. Meu peito aperta, a dor intensificando ao invés de aliviar. É demais, mas mesmo assim não é suficiente. Curvando minha cabeça, eu reivindico seus lábios novamente, colocando todas as coisas que não posso expressar em palavras naquele beijo. Eu sinto sua respiração acelerada e superficial, e eu sei que estou segurando-a com muita força, mas não posso evitar. Misturado com o desejo esmagador há um estranho medo, irracional. O medo de que eu poderia perdê-la. Que ela poderia escapar, como um belo sonho, efêmero. Não. Eu viro minha cabeça para aprofundar o beijo em sua boca, deixando seu gosto, seu cheiro, absorver-me, afastando as sombras. Ela não vai escapar. Eu não vou deixá-la. Ela é real, e ela é minha. Eu a beijo até que nós dois estamos com falta de ar, até que o medo dentro de mim diminui, queimado pelo calor escaldante. Então eu faço amor com ela, o mais terno que eu posso. Quando eu caio no sono, algum tempo depois, estou com Nora encapsulada em segurança no meu abraço.


Leva toda a minha força de vontade permanecer acordada conforme ouço a respiração de Julian nivelar em um ritmo estável. Minhas próprias pálpebras se sentem pesadas, meu corpo letárgico de exaustão e saciedade sexual. Tudo o que eu quero fazer é fechar os olhos e deixar a escuridão reconfortante me engolir, mas eu não posso. Há uma coisa que devo fazer primeiro. Eu espero até que eu estou certa de que Julian está dormindo, e então eu cuidadosamente saio de seu aperto. Para meu alívio, ele não se mexe, então eu levanto e encontro o roupão que tinha caído no chão durante o sexo. Tranquilamente eu o coloco, e saio descalça para o banheiro. Meu estômago, ainda instável do jantar, se agita com náuseas de novo, e eu tenho que engolir várias vezes para evitar a comida de voltar para cima. Provavelmente não é a melhor ideia fazer isso quando eu estou me sentindo doente. Eu sei disso, mas também sei que se eu não fizer isso agora, eu posso não ter a coragem de tentar fazê-lo mais tarde. E eu preciso fazer isso. Eu preciso cumprir a minha promessa, para pagar a dívida que tenho com Peter. É importante para mim. Eu não quero ser a garota que não pode executar qualquer coisa sozinha, a esposa que vive sempre na sombra do marido.


Eu não quero ser o pequeno animal de estimação impotente de Julian para o resto da minha vida. Jogo água fria no meu rosto, e respiro fundo várias vezes para acabar com minha náusea e caminho de volta para o quarto. As cortinas estão abertas apenas uma pouco, mas a lua está cheia essa noite, e há luz suficiente para eu ver onde estou indo. Meu destino é o armário, em cima do qual o laptop de Julian está. Ele não traz sempre o computador para o quarto, mas ele o fez essa noite, o que é outra razão pela qual eu não quero esperar para implementar o meu plano. O plano em si é além de simples. Vou levar o laptop, acessar o e-mail de Julian, e enviar a lista para Peter. Se tudo correr bem, Julian não vai descobrir sobre isso por um tempo. E quando ele o fizer, vai ser tarde demais. Vou ter pago a minha dívida com o ex-consultor de segurança de Julian, e minha consciência estará limpa. Bem, apesar de saber que Peter provavelmente vai matar as pessoas nessa lista de maneiras terríveis. Não, não pense sobre isso. Lembro-me que essas pessoas são responsáveis pela morte da esposa e do filho de Peter. Eles não são civis inocentes, e eu não deveria considerá-los como tal. A única coisa que devo me preocupar no momento é mandar a lista para Peter sem acordar Julian. Eu atravesso o quarto tão silenciosamente quanto eu posso, meu coração batendo fortemente em meu peito. Quando eu chegar a cômoda, eu paro e ouço. Tudo está quieto. Julian ainda deve estar dormindo. Mordendo meu lábio, eu alcanço o laptop e pego. Então, faço uma pausa para ouvir novamente. O quarto está ainda em silêncio. Expirando lentamente, eu ando de volta para o banheiro, embalando o laptop contra o meu peito. Quando eu chego lá, eu deslizo para dentro, fecho a porta atrás de mim, e sento na borda da banheira de hidromassagem.


Por enquanto, tudo bem. Ignorando a agitação no meu estômago, eu abro o laptop. Uma caixa de solicitação de senha aparece. Eu tomo uma respiração profunda, lutando contra a náusea aumentando. Eu esperava isso. Julian é paranoico sobre segurança e muda a sua senha pelo menos uma vez por semana. No entanto, a última vez que ele mudou foi após o contato de Frank da CIA, quando recebeu o e-mail com a lista. Julian mudou quando eu já estava pensando no meu plano, e eu tive certeza de estar por perto quando ele fez isso. Eu não olhei para o seu laptop, é claro. Isso teria sido suspeito. Em vez disso, eu calmamente o filmei com meu smartphone enquanto fingia estar verificando meu e-mail. Agora, se eu interpretei as teclas gravadas corretamente... Segurando minha respiração, eu coloco "NML_ # 042160" e aperto "Enter". A Tela pisca no computador... e eu estou dentro. Minha respiração acelera. Agora tudo que eu preciso fazer é encontrar o e-mail de Frank, abrir o anexo, registrar em meu próprio e-mail, e enviar a lista para o mesmo endereço de e-mail que Peter me contatou. Deve ser bastante fácil, especialmente se eu puder manter o meu jantar no meu estômago. "Nora?" Uma batida me assusta tanto que eu quase deixo cair o computador. Meus pulmões se expandem com pânico, e eu congelo, olhando para a porta. Julian bate novamente. "Nora, querida, você está bem?" Ele não sabe que eu tenho o seu computador. A realização faz com que eu comece a respirar novamente. "Só usando o banheiro", eu grito, na esperança de que Julian não ouça o tremor induzido pela adrenalina na minha voz. Ao mesmo tempo, eu abro o programa de e-mail de Julian e começo a procurar o nome de Frank. "Eu vou sair logo."


"Claro, bebê, tome o seu tempo." As palavras são acompanhadas pelo som de passos saindo. Deixo escapar um suspiro de alívio. Eu tenho mais alguns minutos. Eu começo a olhar através dos e-mails que contenham a palavra "Frank". Há mais de uma dúzia da semana passada, mas o que eu quero deve ter um ícone ao lado dele... Aha! Lá. Rapidamente, eu abro. É uma planilha que contém nomes e endereços. Automaticamente, eu olho através deles. Há mais de uma dúzia de linhas e endereços de cidades na Europa e várias cidades nos Estados Unidos. Um em particular salta a minha vista: Homer Glen, Illinois. É um lugar perto de Oak Lawn, minha cidade natal. Menos de quarenta minutos de carro da casa dos meus pais. Atordoada, eu leio o nome ao lado do endereço. George Cobakis. Graças a Deus. Não é ninguém que eu conheço. "Nora?" A voz de Julian está de volta, e o tom tenso faz meu coração pular na minha garganta. Suas próximas palavras confirmam o meu medo. "Nora, você tem o meu computador?" "O quê? Por quê? "Eu espero que eu não soar tão culpada quanto eu me sinto. Merda. Merda, merda, merda. Freneticamente, eu salvo a lista no desktop e abro um novo navegador. "Porque o meu laptop não está aqui." Sua voz está apertada com um indício de fúria. "Você está aí com ele?" "O quê? Não!“ até mesmo eu posso ouvir a mentira na minha voz. Minhas mãos estão começando a tremer, mas eu vou para a página do Gmail e começo a colocar meu nome de usuário e senha. A maçaneta balança. "Nora, abra a porta. Agora mesmo." Eu não respondo. Minhas mãos estão tremendo tanto que eu digito errado a senha e tenho de colocá-la novamente. "Nora!" Julian bate na porta. "Abra essa maldita porta antes que eu a derrube!"


Finalmente estou no meu Gmail. Com meu coração batendo acelerado, eu procuro o último e-mail de Peter. Bang. A porta balança com um pontapé duro. Minhas náuseas aumentam, meu pulso corre conforme eu encontro o e-mail. Bang. Bang. Mais chutes contra a porta quando eu clico em "responder" e anexar a lista. Bang. Bang. Bang. Eu aperto "Enviar" – e a porta voa fora das dobradiças, caindo no chão na minha frente. Julian está parado lá, pelado, os olhos como fendas azuis geladas em seu belo rosto. Suas mãos poderosas estão fechadas em punhos, e as narinas estão queimando, manchas de cor queimando no alto de suas maçãs do rosto. Ele está magnífico e terrível, como um arcanjo enfurecido. "Dê-me o laptop, Nora." Sua voz é assustadoramente calma. "Agora." Bile sobe na minha garganta, forçando-me a engolir convulsivamente. Levantando-me, eu ando até ele com as pernas tremendo e a mão sobre o computador. Ele tira de mim com uma mão e, antes que eu possa recuar, envolve a outra em torno do meu pulso direito, me acorrentando a ele. Em seguida, ele olha para a tela. Eu vejo o momento exato em que ele percebe o que eu fiz. "Você enviou a ele?" colocando o computador para baixo no banheiro, no balcão, ele agarra meu outro braço e me arrasta para mais perto dele. Seus olhos queimam com fúria. "Você enviou essa porra para ele?" Ele me dá um aperto duro, seus dedos machucando a minha pele. Meu estômago salta, náuseas lavam sobre mim em uma onda nauseante. "Julian, me deixe sair-" E empurrando para fora do seu domínio com força e desespero, eu mergulho para o vaso sanitário, apenas para alcançá-lo antes de eu vomitar.


"Há quanto tempo você tem essas náuseas?" Dr. Goldberg pega meu pulso conforme eu deito na cama, com Julian andando pelo quarto como um jaguar enjaulado. "Eu não sei", eu digo, meus olhos rastreando os movimentos de Julian. Ele está vestindo uma camiseta e jeans agora, mas seus pés ainda estão descalços. Ele está fazendo círculos na frente da cama, cada músculo de seu corpo tenso e sua mandíbula cerrada. Ele está, tanto com raiva de mim, como loucamente preocupado comigo. Eu suponho que seja uma combinação dos dois. Dentro de minutos depois de eu vomitar, ele tinha o médico em nosso quarto e me empacotado confortavelmente na cama. Faz-me lembrar de quão rapidamente ele agiu quando tive apendicite na ilha. "Eu acho que eu só comi algo ruim ou talvez peguei um vírus", eu digo, voltando minha atenção para o médico. "Eu comecei a sentir-me doente no jantar." "Uh-huh." Dr. Goldberg leva a uma agulha de plástico envolta com um tubo ligado a um tubo de ensaio. "Posso?" "Ok." Eu particularmente não quero que ele tire o meu sangue, mas tenho a sensação de que Julian não me deixaria recusar. "Continue." O médico encontra uma veia no braço e desliza a agulha enquanto eu desvio o olhar. Eu ainda estou um pouco enjoada e não quero testar a fortaleza do meu estômago com a visão de sangue. "Pronto", diz ele depois de um momento, retirando a agulha e esfregando minha pele com uma bola de algodão com aroma de álcool. "Eu vou executar os testes e ver o que eu descubro." "Ela também está constantemente cansada", Julian diz em voz baixa, parando ao lado da cama. Ele não está olhando para mim, o que me irrita um pouco. "E ela está dormindo mal, com os pesadelos e tudo."


"Certo." O médico se levanta, segurando o frasco. "Eu preciso analisar isso no meu laboratório. Volto dentro de uma hora." Ele corre para fora do quarto, e Julian se senta na cama, olhando para mim. Seu rosto está pálido, uma carranca gravada em sua testa. "Por que você não me disse que estava se sentindo doente, Nora?", Ele pergunta baixinho, estendendo a mão para pegar a minha. Seus dedos são quentes na palma da minha mão, seu aperto suave, apesar da turbulência que sinto dentro dele. Eu pisco surpresa. Eu pensei que ele iria me questionar sobre a lista de Peter, não isso. "Não estava tão ruim no jantar," Eu digo com cuidado. "Eu me senti melhor depois que eu tomei um banho e nós... bem, você sabe." Eu aceno minha mão livre em um gesto que pretende abranger a cama. "Nós fodemos?" A expressão tensa de Julian alivia ligeiramente, diversão inesperada aparecendo em seus olhos. "Certo." calor acende o meu corpo com as imagens mentais que suas palavras trazem à tona. Aparentemente, não estou doente demais para ficar excitada. "Isso me fez sentir melhor." "Entendo." Julian me analisa especulativamente, acariciando o interior do meu pulso com o polegar. "E você decidiu que, como você estava se sentindo tão bem, você ia mexer no meu computador." E aí está. O acerto de contas que eu esperava. Exceto que Julian não parece tão bravo quanto antes, o seu toque em mim calmante em vez de punitivo. Parece que o envenenamento, ou os alimentos que eu comi tem suas vantagens. Eu ofereço-lhe um sorriso cauteloso. "Bem, sim. Achei que era uma oportunidade tão boa como qualquer outra." Eu não me incomodo em me desculpar ou negar minhas ações. Não há sentido. Está feito. Paguei minha dívida com Peter. "Como você sabia a minha senha?" O polegar de Julian continua movendo-se sobre meu pulso em um movimento circular. "Eu nunca te disse qual era."


"Eu filmei quando você estava mudando-a há poucos dias. Depois que eu descobri que Frank mandou a lista." Os cantos da boca de Julian se contraem, de forma quase imperceptível. "Isso foi o que eu pensei. Fiquei me perguntando por que você estava em seu telefone tanto naquele dia". Eu lambo meus lábios. "Você vai me punir?" Julian parece mais divertido do que com raiva no momento, mas eu não posso imaginar que ele vá me deixar impune. "Claro, meu animal de estimação." Não há nenhum traço de hesitação na voz. Meu pulso salta. "Quando?" "Quando eu escolher." Seus olhos brilham quando ele solta minha mão. "Agora, você gostaria de um pouco de água ou algo assim?" "Algumas bolachas e chá de camomila seria bom", eu digo no piloto automático, olhando para ele. Eu esperava isso, é claro, mas eu ainda não posso deixar de me sentir ansiosa. "Eu vou pegar isso para você." Julian se levanta. "Volto em alguns minutos." Ele desaparece pela porta, e eu fecho meus olhos, meu cansaço de antes retornando agora que a adrenalina foi embora. Talvez eu só dê um rápido cochilo antes de Julian voltar... Uma batida na porta me surpreende mais uma vez, levando-me a ficar na posição sentada. "Sim?" "Nora, é David Goldberg. Posso entrar?" "Oh, com certeza." Eu me reclino deitando na cama, meu coração ainda batendo muito rápido. "Você já fez os testes?", Pergunto quando o médico entra no quarto. "Sim." Há uma expressão estranha em seu rosto quando ele para ao lado da cama. "Nora, você esteve cansada ultimamente, certo? E excepcionalmente estressada?" "Sim." Eu franzo a testa, começando a me sentir desconfortável. "Por quê?"


"Você notou alguma coisa? Mudanças de humor? Desejos atípicos de comida ou repulsa por elas? Talvez um pouco de desconforto em seus seios?" Eu fico olhando para ele, uma apreensão fria em meu peito. "O que você está dizendo?" Os sintomas que ele está listando – certamente ele não quer dizer isso... "Nora, os exames de sangue que eu fiz mostram uma forte presença do hormônio hCG," Dr. Goldberg diz suavemente. "Você está grávida." Ele faz uma pausa, em seguida, acrescenta baixinho, "Dado o momento da retirada do implante, meu melhor palpite é que você está perto de seis semanas."


Carregando a bandeja com chá e biscoitos, eu subo as escadas em direção ao quarto. Eu deveria estar furioso com Nora, mas em vez disso, minha preocupação por ela é tingida com uma admiração relutante. Ela me desafiou. Ela se trancou no banheiro e invadiu meu computador para pagar uma dívida que ela acreditava que era devida. Ela sabia que seria pega, mas ela fez isso de qualquer maneira, e eu não posso evitar, de respeita-la por isso. Eu teria feito a mesma coisa em seu lugar. Em retrospectiva, eu deveria ter esperado por isso. Ela tem sido inflexível sobre querer entregar a lista para Peter, por isso não é de todo surpreendente que ela decidiu agir por conta própria. Desde o início, eu sentia uma força tranquila, teimosa dentro dela, um núcleo de aço que desmente a sua aparência delicada. Meu animal de estimação pode ser compassível a maior parte do tempo, mas isso é só porque ela é inteligente o suficiente para escolher suas batalhas, e eu deveria ter sabido que ela escolheria lutar contra essa. Ao me aproximar do quarto, eu ouço vozes e reconheço o tom ligeiramente nasal de Goldberg. Ele está de volta com os resultados do exame, e Nora parece chateada.


Porra. Medo, gelado e cortante, vem para mim. Se é algo sério, se ela está realmente doente.... Pegando o meu ritmo, eu alcanço a porta em dois passos longos. Chá cai por cima da borda da xícara, mas eu mal noto, todo o meu foco em Nora. Segurando a bandeja com uma mão, eu abro a porta e entro. Ela está sentada na cama, com os olhos enormes e o rosto pálido enquanto Goldberg diz: "Eu acredito que seja possível-" Meu coração gela. "O que é possível?", Pergunto bruscamente. "O que está errado?" Goldberg se vira para olhar para mim. "Oh, aí está você." Ele parece aliviado. "Eu estava apenas explicando a sua esposa que a pílula do dia seguinte é apenas noventa e cinco por cento eficaz quando tomada no prazo de vinte e quatro horas, e mesmo que a probabilidade de concepção seja baixa dado o momento da retirada do implante, ainda havia uma pequena chance de gravidez" "Gravidez?" Eu sinto que ele está falando uma língua estrangeira. "Do que você está falando?" Goldberg suspira, parecendo cansado. "Nora está de seis semanas de gravidez, Julian. Parece que a pílula do dia seguinte não funcionou." Eu fico olhando para ele, atordoado, e ele diz: "Escuta, eu sei que é uma responsabilidade muito grande. Por que não deixar os dois discutirem isso, e eu vou responder a quaisquer dúvidas que possam ter na parte da manhã? Por enquanto, a melhor coisa para Nora seria descansar um pouco. O estresse não é bom em sua condição." Eu aceno, ainda mudo de choque, e ele rapidamente se afasta, deixando-me sozinho com Nora. Nora, que está sentada ali como uma boneca de cera, com o rosto quase tão branco quanto o roupão que ela está usando. O líquido quente cai sobre a minha mão, me queimando, e eu percebo que eu esqueci a bandeja que estou segurando. A dor limpa minha mente, e eu finalmente processo o significado das palavras de Goldberg. Nora está grávida.


Não doente. Grávida. O medo gelado diminui, substituído totalmente estranha.

por uma nova emoção,

Colocando a bandeja com o copo meio cheio de chá na mesa de cabeceira, sento-me ao lado da minha esposa e embrulho as mãos em torno de suas pequenas mãos. "Nora." Eu puxo as mãos para levá-la a me encarar, e vejo que ela ainda está em choque, seu olhar vazio e distante. "Nora, baby, fale comigo." Ela pisca, como se voltando a si mesma, e suas mãos saem do meu alcance. Eu a liberto e vejo como ela foge para trás, puxando os joelhos para cima e envolvendo os braços em torno de si mesma. Seus olhos travam com os meus, e nós olhamos fixamente um para o outro em silêncio enquanto segundos passam. "Você fez isso?", Ela finalmente pergunta, sua voz um sussurro tenso. "Você pediu ao Dr. Goldberg para me dar um placebo em vez da pílula do dia seguinte? O novo implante no braço é falso?" "Não" eu não me incomodo em ficar indignado com a acusação. Se eu quisesse que ela ficasse grávida, eu poderia ter pensado em fazer algo nesse sentido, e Nora é inteligente o suficiente para saber disso. "Não, meu animal de estimação. Isso é um choque tanto para mim, como é para você". Ela balança a cabeça, e eu sei que ela acredita em mim. Não há nenhuma razão para eu mentir. Ela é minha para fazer o que eu quiser. Se eu tivesse a engravidado de propósito, eu não iria negar. "Venha aqui", murmuro, estendendo a mão para ela. Ela fica dura conforme eu a puxo para mais perto, mas eu ignoro sua resistência. Eu preciso segurá-la, senti-la em meus braços. Seu cabelo faz cócegas em meu queixo enquanto eu a puxo para o meu colo e inspiro profundamente, fechando os olhos. Nora não está doente. Ela está carregando meu bebê. Parece surreal, não natural. Ela é minúscula no meu abraço, pouco maior que uma criança. No entanto, ela vai ser mãe, e eu vou ser pai.


Um pai, como o homem que me deu vida e me moldou no que eu sou hoje. Espontaneamente, uma memória antiga vem a mim. "Pega!" Ele joga a bola para mim, rindo. Eu salto para ela, e minhas mãos de cinco anos de idade agarram em torno dela, agarrando-a no ar. "Eu consegui!" Eu me sinto tão orgulhoso de mim mesmo, tão cheio de alegria. "Pai, eu peguei na primeira tentativa!" "Bom trabalho, filho." Ele sorri para mim, e nesse momento, eu o amo. Sua aprovação importa para mim mais do que qualquer outra coisa no mundo. Eu esqueço a dor frequente de seu cinto, e todas as vezes que ele gritou comigo e me chamou de inútil. Ele é meu pai, e, nesse momento, eu o amo. Meus olhos se abrem, e olho fixamente para a parede, ainda segurando Nora. Eu não posso acreditar que eu amei esse homem. Ele tem sido o motivo do meu ódio por tanto tempo que eu tinha esquecido que havíamos tido esses momentos. Eu tinha esquecido que havia vezes em que ele me fez feliz. Eu faria o meu filho feliz? Ou ele ou ela me odiaria? Eu disse a Nora eu faria um pai horrível, mas eu não tenho ideia se essa é a verdade. Pela primeira vez, eu tento me imaginar segurando um bebê recém-nascido, jogando com uma criança bochechuda, ensinando uma criança de cinco anos de idade, como nadar.... As imagens vêm a mim com uma facilidade surpreendente, enchendo-me com uma mistura perturbadora de medo e desejo. Com um desejo por algo que eu nunca conheci. Um soluço sufocado me assusta, e eu percebo que é Nora. Ela está chorando, seu corpo magro tremendo nos meus braços. Eu posso sentir a umidade de suas lágrimas no meu pescoço, e isso me queima como ácido. Por um momento, eu tinha esquecido o quanto ela não quer que essa criança. O quanto ela não quer um filho comigo.


"Calma, meu animal de estimação". As palavras saem mais duras do que eu pretendia, mas não posso evitar. O aperto desagradável no meu peito está de volta e, com ele, o desejo irracional de machucá-la. Combatêla. Eu digo em um tom mais suave: "Esse não é o fim do mundo, acredite em mim." Ela acalma, ficando em silêncio por um momento, mas depois outro soluço sai de seu corpo. E outro. Eu não aguento mais. Sua miséria é como uma faca quente mergulhando no meu lado – angustiante e irritante ao mesmo tempo. Enfiando a mão em seu cabelo, eu fecho meu punho em torno dos fios sedosos e puxo a cabeça para trás, forçando-a a olhar para mim. Seus olhos, arregalados e chocados, encontram os meus. Eu posso ver as lágrimas brilhando em seus cílios, e a visão me enfurece ainda mais, despertando a besta dentro. Seus lábios tremem, se abrindo como se fosse falar, mas eu abaixo a cabeça, engolindo suas palavras com um beijo profundo, duro. Desejo, afiado e forte, acende em minhas veias, endurecendo meu pau e nublando meu cérebro. Eu quero ela, e eu quero puni-la ao mesmo tempo. Eu posso senti-la lutando contra mim, o gosto do sal de suas lágrimas, e isso me impulsiona, aumentando a fome torcida. Eu não sei como acabamos na cama, com ela esticada impotente debaixo de mim, mas as roupas que vestimos parecem uma barreira intolerável, então eu as tiro, me sentindo mais animal que homem. Meus dedos fecham em torno de seus pulsos, e seguro ambos com a mão esquerda, meus joelhos empurram entre suas coxas, separando-as grosseiramente. Eu posso ouvir Nora suplicando, implorando-me para parar, mas eu não posso. A necessidade de possuí-la é como um fogo sob a minha pele, queimando todo o pensamento racional. Agarrando meu pau com a mão livre, eu o guio para sua abertura e penetro em um impulso profundo, possuindo seu corpo como eu anseio reivindicar seu coração e alma. Ela é pequena e apertada em torno de mim, seus músculos apertando desesperadamente para manter-me para fora, mas a pressão de compressão única intensifica o meu desejo violento para transar com ela. A resistência


dela me enlouquece, me fazendo levá-la mais duro, batendo nela com meu pau conforme eu a seguro presa embaixo do meu corpo. Cada impulso é uma reivindicação impiedosa, uma conquista brutal do que já pertence a mim. Eu transo com ela pelo que parece horas, ciente de nada, só a fome feroz fervendo sob a minha pele. Não é até que eu caio em cima dela, respirando pesadamente de um orgasmo explosivo, que a neblina da luxúria apaga da minha mente, e eu percebo o que eu fiz. Liberando os pulsos dela, eu me empurro para cima nos cotovelos e olho para ela, meu pau ainda enterrado dentro de seu corpo. Ela está deitada debaixo de mim, com os olhos fechados espremidos e com o rosto pálido. Posso ver uma mancha de sangue em seu lábio inferior. Eu ou a cortei com os dentes ou ela mordeu-o com dor. Quando eu olho para ela, ela lentamente abre os olhos, encontrando o meu olhar... e pela primeira vez em décadas, eu sinto o gosto das cinzas amargas de remorso.


Minha mente fica em branco, vazia de todo pensamento conforme eu olho para Julian. Estou vagamente consciente de que ele ainda está dentro de mim, mas isso é tudo que eu posso processar no momento. Eu me sinto quebrada, destruída, a dor crua do meu corpo amplificada por uma dor profunda, esfaqueando minha alma. Eu não sei por que esse surto de sexo violento pareceu tanto com uma violação. Por que isso me lembrou daqueles primeiros dias na ilha, quando Julian era o meu captor cruel em vez do homem que eu amo. Apenas um par de dias atrás, ele me torturou com um chicote e grampos nos mamilos, e eu me deleitei com isso, implorando por mais. Eu implorei hoje também, mas não foi por mais. O sexo não era o que eu queria, não com meu coração quebrado pela pequena vida crescendo dentro de mim. Pela criança inocente concebida por dois assassinos. "Nora..." A voz de Julian é um sussurro dolorido. Uma dor que puxa o que resta do meu coração. Eu quero o odiar por me ferir, mas eu não posso. Faz parte da sua natureza. Ele é quem ele é. É por isso que qualquer criança nossa está condenada. Eu sustento seu olhar, sentindo-me como se desmoronando em pedaços. "Deixe-me ir, Julian. Por favor."

eu

estivesse


"Eu não posso." Sua cara torcida, as cicatrizes em torno de seu olho destacando-se em relevo gritante. "Eu não posso, Nora." Eu engulo dolorosamente, sabendo que ele não está falando sobre a nossa posição física. "Eu não estou pedindo isso de você. Por favor, eu só – eu só preciso de um momento." Ele retira de mim, rolando sobre suas costas, e eu me viro para o meu lado, recolhendo meus joelhos no meu peito. A náusea que me atormentou mais cedo se foi, mas eu me sinto fraca. Esgotada. Meu corpo dói do sexo duro com Julian, e uma sensação de desesperança me engolfa, acrescentando-se ao meu desespero crescente. Eu mal percebo Julian se levantar. É só quando ele pressiona uma toalha quente entre as minhas pernas que eu percebo ele deve ter ido ao banheiro e voltou. Eu não tenho a energia para me mexer, então eu continuo deitada e o deixo limpar os resíduos do sexo para fora das minhas coxas. Depois, ele me puxa para seus braços e nos cobre com um cobertor. Conforme o calor familiar de seu corpo se infiltra em mim, embalando-me para dormir, eu sonho que eu sinto o roçar de seus lábios contra a minha testa e ouço um sussurro, "Eu sinto muito."

"Como comecei a explicar ontem à noite, essa gravidez era improvável, mas não impossível", o Dr. Goldberg diz conforme eu sento no sofá ao lado de Julian. "A pílula do dia seguinte é ineficaz cerca de cinco por cento do tempo, e sua probabilidade de ser capaz de conceber alguns dias após a remoção do antigo implante também era em torno de cinco por cento, por isso, se você fizer as contas..." Ele dá de ombros, dando-me um sorriso tímido. "E sobre o fato de que Nora ainda está no controle de natalidade?" Julian pergunta, franzindo a testa. "Ela tem um novo implante no braço, ela teve isso por semanas."


"Certo." O médico concorda. "Nós vamos ter que remover o implante o mais rapidamente possível e a Nora deve começar a tomar vitaminas prénatais." Ele faz uma pausa, em seguida, adiciona delicadamente, "Isso é, se você quiser ficar com o bebê." "Nós queremos", Julian responde antes que eu possa processar a pergunta. "E nós queremos ter certeza de que a criança é saudável." Ele pega a minha mão e envolve seus dedos em torno da minha mão, apertando-a possessivamente. "E Nora, é claro." Finalmente compreendendo as palavras do Dr. Goldberg, Eu olho para Julian. Sua mandíbula está definida em linhas duras, inflexíveis. O aborto não tinha me ocorrido como uma opção, mas estou surpresa que Julian é tão veementemente contra ele. Ele afirmou que não quer ter filhos, e eu não posso imaginar que ele seria hipócrita o suficiente para ter objeções morais ou religiosas sobre o procedimento. "É claro", diz o médico. "Obstetrícia não é a minha especialidade, mas eu posso examinar Nora e remover o implante, e prescrever-lhe as vitaminas apropriadas. Também posso recomendar uma excelente obstetra que pode concordar em supervisionar a gravidez de Nora aqui. Eu já lhe enviei sua informação de contato." "Bom." Libertando a minha mão, Julian se levanta, parecendo inquieto e tenso. "Eu quero o melhor cuidado absoluto para Nora." "Você vai ter isso", Dr. Goldberg promete, levantando-se também. Voltando-se para mim, ele diz, "Pelo menos isso explica alguma coisa." "Explica o quê?" Levanto-me também, desconfortável por ser a única sentada. "Seus pesadelos persistentes e ataques de pânico." O médico me dá um olhar simpático. "Não é incomum com os hormônios da gravidez amplificar a ansiedade, especialmente na esteira de eventos traumáticos." "Oh." Eu fico olhando para ele. "Então eu não estou exagerando o que aconteceu?" "Você não está", o Dr. Goldberg me assegura. "A depressão e a ansiedade podem ocorrer em mulheres grávidas com muito menos provação. Você precisa ter calma e relaxar, tanto quanto possível, no


entanto, tanto para o seu bem quanto do bebê. O estresse agudo durante a gravidez pode levar a todos os tipos de complicações, incluindo um aborto espontâneo." "Eu vou ter certeza de que ela descanse e não se estresse." Julian chega até mim novamente, entrelaçando os dedos com os meus. É como se ele não pudesse suportar não me tocar hoje. "E quanto à comida, bebidas?" "Eu vou te dar uma lista do que evitar," diz o Dr. Goldberg. "Você provavelmente sabe sobre álcool e cafeína, mas há mais algumas coisas, como sushi e frutos do mar por conta do risco com mercúrio." "Tudo bem." Julian vira a cabeça para olhar para mim. "Baby, você estaria bem com o médico examiná-la agora e remover o implante?" Sua voz é excepcionalmente suave, seu olhar cheio de emoção indefinível. "Hum, claro." Eu não vejo nenhuma razão para recusar, e eu gosto de Julian me perguntar, em vez de apenas encomendar o exame em sua maneira autocrática habitual. "Bom." Ele levanta a mão – a que ele está segurando – e pressiona um beijo na parte de trás do meu pulso antes de deixá-lo ir. "Eu vou estar de volta daqui a pouco." Eu aceno, e Julian tranquilamente sai do quarto, fechando a porta atrás dele. "Tudo bem, Nora." Dr. Goldberg sorri para mim, pegando sua bolsa e retirando as luvas de látex. "Começamos?"

Depois que o Doutor sai, eu coloco um maiô e vou para a varanda de trás, agarrando o meu livro de Psicologia no caminho. Gravida ou não, eu tenho um exame para estudar, e eu estou determinada a fazê-lo, por nenhuma outra razão além de me distrair da situação. Meu braço novamente ostenta um minúsculo Band-Aid, e eu tento ignorar a dor fraca lá, não querendo me concentrar no fato de que o meu implante de controle de natalidade se foi... e a razão pela qual ele foi.


É estranho, mas o sentimento quebrado da noite anterior não está mais lá. Tem sido substituído por um tipo de dor distante. Eu provavelmente deveria estar traumatizada e com raiva de Julian, mas eu não estou. Como os dias logo após meu sequestro, ontem à noite parece que pertence a uma era diferente, a um tempo antes de nos tornarmos o que somos. Sei que estou jogando esse jogo comigo de novo, aquele em que eu existo apenas no momento e empurro todas as coisas ruins em um canto separado do meu cérebro, mas eu preciso desse jogo para manter a sanidade. Preciso desse jogo porque eu não posso parar de amar o meu captor, não importa o que ele faça. Não ajuda que o Julian dessa manhã está muito longe do selvagem e brutal da noite passada. A partir do momento que eu acordei, ele está me tratando como se eu fosse feita de cristal. Café da manhã na cama, seguido por uma massagem nos pés, beijinhos constantes e gestos afetuosos – se eu não soubesse melhor, eu acharia que ele está se sentindo culpado. Claro, eu o conheço melhor. Apenas uma fina linha separa o monstro de ontem à noite do amante dessa manhã. A culpa é uma emoção que é tão estranha para meu marido como pena por seus inimigos. Quando eu chego à varanda de trás, eu pego uma cadeira sob um guarda-sol e sento-me confortavelmente. Como sempre, o ar exterior é quente e úmido, tão espesso que é quase sufocante. Eu não me importo, no entanto. Estou acostumada com isso. Se ele ficar insuportável, eu vou pular na piscina. Por agora, eu abro o meu livro e começo a releitura do capítulo sobre neurotransmissores. Estou apenas no meio quando uma sombra se move me fazendo olhar para cima. É Julian. Vestido com calções de banho preto, ele está de pé ao lado da minha cadeira, seu olhar viajando em cima de mim com fome descarada. Eu lambo os lábios, olhando para ele. Na luz do sol brilhante, ele é quase insuportavelmente lindo, as novas cicatrizes de alguma forma adicionam uma beleza única à sua masculinidade gritante. Dos ombros até suas panturrilhas, cada polegada de seu corpo é repleto de massa muscular magra, dura. Seu poderoso peito é recoberto com pelo escuro, e seu


abdômen é claramente definido, com uma linha de pelos arrastando abaixo de seu umbigo em seus calções. Ele é impressionante, mais lindo do que qualquer homem que eu conheço, e eu quero ele. Eu quero ele, apesar de ontem à noite, apesar de tudo. "Como está se sentindo, baby?", Ele pergunta, com a voz baixa e rouca. "Alguma náusea? Cansaço?" "Não." Eu sento, balançando os pés no chão, e largo o livro. "Eu estou bem hoje." Julian se senta ao meu lado e enfia uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. "Bom", diz ele em voz baixa. "Estou feliz." "Queria dar um mergulho?" Eu tento ignorar o calor entre as minhas coxas ao seu toque. "Eu pensei que você iria para o seu escritório." "Eu fui, apenas por alguns minutos, mas eu estou tirando o resto do dia de folga." "Sério?" Dias de Julian de folga são tão raros que eles são praticamente inexistentes. "Por quê?" Ele me dá um sorriso irônico. "Eu não conseguia me concentrar." "Oh." Eu considero-o com cautela. "Você quer dar um mergulho, então? Eu estava pensando em mergulhar depois que eu terminasse esse capítulo, mas posso ir agora." "Claro." Julian se levanta e oferece-me a mão. "Vamos." Eu coloco minha mão na sua e deixo que ele me leve para a piscina. Quando nos aproximamos da água, de repente ele se abaixa, desliza seu braço sob os meus joelhos, e me pega. Assustada, eu rio, passando os braços em volta do seu pescoço. "Julian! Não me jogue! Eu gosto de entrar devagar-" "Eu não iria jogá-la, meu animal de estimação", ele murmura, me segurando enquanto ele desce para a piscina. Seus olhos brilham com humor inesperado. "Que tipo de monstro que você acha que eu sou?" "Hum, eu tenho que responder isso?" Eu não posso acreditar que eu estou no clima para provocá-lo, mas sinto-me ridiculamente leve, de


repente. Alguma flutuação hormonal estranha, sem dúvida, mas eu não me importo. Vou levar alegria sobre depressão em qualquer dia da semana. "Você tem que responder", diz ele, um sorriso perverso aparecendo em seu rosto. A água está agora até a cintura, e ele para, me segurando contra o peito. "Se não..." "Se não o quê?" "Isso." Julian me abaixa alguns centímetros, deixando meus pés pendurados tocarem na água. Ele tenta uma carranca ameaçadora, mas eu posso ver os cantos de sua boca se contraindo com um sorriso reprimido. "Você está me ameaçando com um mergulho, senhor?" Balançando meu pé direito na água, eu dou-lhe um olhar de reprovação simulada. "Eu pensei que nós acabamos de estabelecer que você não iria me jogar?" "Quem disse alguma coisa sobre jogar?" Ele dá um passo ainda mais para dentro da piscina, deixando a água mais acima nas minhas panturrilhas. Sua carranca falsa desaparece, superada por um sorriso escuro sensual. "Há outras maneiras de lidar com meninas impertinentes". "Oh, me diga... "Meus músculos internos apertam com as imagens que inundam minha mente. "Que tipo de maneiras?" "Bem, para começar", ele inclina a cabeça, seus lábios quase tocando os meus conforme eu seguro minha respiração em antecipação- "algum esfriamento é necessário." E antes que eu possa reagir, ele afunda, baixando-nos ambos à água, que imediatamente me engole até o queixo. "Julian!" Rindo de indignação, eu me solto do seu pescoço e empurro os ombros. A piscina é aquecida, mas a água ainda está fresca em comparação com a minha pele aquecida pelo sol. "Você disse que não faria!" "Eu disse que não iria jogá-la", ele corrige, seu sorriso perverso retornando. "Eu não disse nada sobre transportar-la dentro." "Ok, é isso." Eu consigo escorregar dos braços dele e coloco um pouco de distância entre nós. "Você quer guerra? Você tem isso, senhor! "Pegando água com a palma da mão, eu jogo nele e assisto, rindo, quando ela bate no seu rosto.


Ele limpa a água, piscando incrédulo, e eu recuo, rindo ainda mais forte. Recuperando-se de seu choque, ele começa a avançar em direção a mim. "Você acabou de se divertir?" Sua voz é baixa e ameaçadora. "Você acabou de jogar água na minha cara, meu animal de estimação?" "O quê? Não!" Eu ironicamente bato meus cílios conforme eu tento ir para o lado mais profundo da piscina. "Eu não ousaria-" Minhas palavras terminam com um guincho quando Julian se joga para mim, fechando a distância entre nós em um piscar de olhos. No último momento, eu consigo saltar fora de seu alcance e começo a nadar para longe, ainda rindo histericamente. Eu sou uma boa nadadora, mas menos de dois segundos depois os dedos de aço de Julian fecham em volta do meu tornozelo. "Peguei", diz ele, arrastando-me para ele. Quando estou perto o suficiente, ele agarra meu braço para me trazer para uma posição vertical e envolve seus braços musculosos em torno das minhas costas, sorrindo para as minhas tentativas ineficazes de afastá-lo. "Ok, você me pegou," Admito, rindo. "O que agora?" "Agora isso." Inclinando a cabeça, ele me beija, o calor do seu corpo grande contrariando o frescor da água. Conforme sua língua invade minha boca, eu fico tensa involuntariamente, as memórias da noite passada vêm à tona com clareza súbita. Por alguns momentos escuros, eu revivo o terrível sentimento de impotência, de traição dolorosa, e eu sei que não fui inteiramente bem sucedida em compartimentar o bom e o ruim. Tanto quanto eu gostaria de fingir que hoje é um dia como qualquer outro, não é, e nenhuma quantidade de riso brincalhão muda o fato de que o mal na alma de Julian nunca será completamente erradicado. Que o monstro sempre fica à espreita. E, no entanto, enquanto ele continua a me beijar, o calor do desejo cresce dentro de mim, me atraindo sob o seu feitiço. Ele é carinhoso comigo agora, e meu corpo amolece, aquecendo-se com a ternura, no calor insidioso de seu abraço. Eu quero acreditar na ilusão de seu carinho, na


miragem do seu amor torcido, e assim eu deixo as memรณrias escuras desaparecerem, deixando-me no presente mais brilhante. Deixando-me com o homem que eu amo.


Nora e eu acabamos de nadar e brincar na piscina quando Ana vem procurando por nós, dizendo que o almoço está pronto. Até então eu estou morrendo de fome, e suponho que Nora deva estar com fome também. Eu também estou sofrendo com as bolas azuis de tudo o que fizemos, mas isso é algo que vai ter que esperar até mais tarde. Quero que Nora coma até mais do que quero foder com ela. Vendo o meu animal de estimação assim, tão feliz, vibrante, e despreocupada – ajudou a aliviar a pressão pesada no meu peito, mas não removeu completamente. O olhar em seu rosto depois que eu a tomei... Ele me assombra, invadindo os meus pensamentos, apesar dos meus melhores esforços para colocá-lo fora da minha mente. Eu sei que fiz pior para ela no passado, mas algo sobre a noite passada pareceu pior. Parece que eu fiz uma injustiça com ela. Talvez seja porque agora ela seja completamente minha. Eu já não tenho que condicionar ela, para molda-la para o que eu preciso que ela seja. Ela me ama o suficiente para arriscar sua vida por mim, o suficiente para querer ficar comigo por sua livre vontade. Tudo o que fiz com ela no passado foi calculado, em certa medida, mas na noite passada eu a feri sem querer. Eu a feri quando tudo que eu queria era abraçá-la, curá-la.


Eu machuquei a mulher que está carregando meu filho e mesmo que Nora pareça ter me perdoado por isso, eu não posso me perdoar. "O que eu posso fazer por você, Nora?" Ana pergunta quando estamos sentados na mesa da sala de jantar. A senhora está sorrindo para minha esposa, tão feliz como eu já a vi. "Algumas torradas? Talvez um pouco de arroz simples?" Os olhos de Nora ampliam com as palavras da governanta, mas ela consegue dizer calmamente: "Eu vou comer o que você preparou, Ana. Estou melhor hoje, realmente." Apesar de meus pensamentos anteriores, não posso deixar de sorrir. Goldberg deve ter deixado escapar alguma coisa, ou então Ana nos ouviu falar essa manhã. É por isso que o sorriso de Ana é grande o suficiente para engolir todo o seu rosto: ela sabe sobre a gravidez de Nora e está muito feliz com a notícia. Com a tranquilidade de Nora, a expressão de Ana se ilumina ainda mais. "Oh, bom. Percebo agora que você devia estar enjoada pelo bebê ontem. Isso acontece, você sabe ", diz ela em um tom conspiratório. "Exatamente com cerca de seis semanas é quando dizem que começa." "Oh, ótimo." Nora tenta manter o melancolismo longe de sua voz, mas ela não é inteiramente bem sucedida. "Esperarei por isso." "Eu vou ter certeza de que tenha o melhor cuidado, baby", murmuro, atingindo o outro lado da mesa para cobrir a mão delicada de Nora com a minha. "Eu vou te dar o que você precisa para se sentir bem." Eu já entrei em contato com a obstetra que Goldberg recomendou, mandei um e-mail enquanto Nora foi fazer sua prova. Eu posso não ter planejado ter essa criança, mas agora que ele está aqui, o pensamento de algo acontecer a ele é insuportável. Quando Goldberg insinuou a possibilidade do aborto, hoje, tudo que eu pude fazer foi não rasgar a garganta dele. Planejada ou não, essa criança é a minha carne e sangue, e eu vou matar quem tentar prejudicá-la. Nora me dá um pequeno sorriso. "Eu tenho certeza que vou ficar bem. As mulheres têm filhos o tempo todo." Apesar de suas palavras


tranquilizadoras, sua voz soa tensa, e eu sei que ela ainda está desconfortável com isso. Desconfortável com o fato de que ela está carregando meu bebê. Respirando fundo, eu suprimo o instinto de raiva. Em um nível racional, eu entendo seu medo. Nora me ama, mas ela não é cega para a minha natureza. Ela não pode ser, especialmente depois de ontem à noite. "Sim, tudo vai ficar bem", eu digo uniformemente, dando-lhe um aperto de mão suave antes de liberá-la. "Eu vou me certificar disso." E pelo o restante da refeição, nós evitamos o assunto, ambos mais do que felizes em nos concentrar em outra coisa.

Passei o resto do dia com Nora, ignorando completamente o trabalho que está esperando por mim. Pela primeira vez em muito tempo, eu não posso me obrigar a me preocupar com problemas de fabricação na Malásia ou o fato de que o cartel mexicano está exigindo preços mais baixos em metralhadoras personalizadas. Os ucranianos estão tentando fazer as pazes e subornar-me para fora da minha aliança com os russos, a Interpol está em pé de guerra sobre a CIA me enviar a lista de Peter Sokolov, um novo grupo terrorista no Iraque quer entrar na lista de espera para um explosivo, e eu não dou a mínima para nada disso. Tudo o que importa para mim hoje é Nora. Após o almoço, vamos para uma caminhada em torno da propriedade, e eu lhe mostro um pouco dos lugares favoritos da minha infância, incluindo um pequeno lago na borda da propriedade onde eu uma vez encontrei um jaguar. "Sério? Um jaguar?" Os olhos de Nora ficam grandes conforme nós saímos da área florestal e emergimos para uma pequena clareira, gramada em frente ao lago. As árvores altas que cercam fornecem tanto sombra como


privacidade dos guardas – razão pela qual eu frequentemente passava um tempo lá quando criança. "Eles saem da selva, às vezes," eu digo em resposta à pergunta de Nora. "É raro, mas acontece." "Como você se fugiu dele?" Ela me dá um olhar preocupado. "Você disse que tinha apenas nove." "Eu tinha uma arma comigo." "Então você o matou?" "Não. Eu atirei em uma árvore ao lado e o assustei." Eu poderia tê-lo matado – a minha mira era excelente – mas o pensamento de ferir a criatura feroz tinha sido repelente por algum motivo. Não era culpa do jaguar que tinha nascido um predador, e eu não queria puni-lo por ter a infelicidade de errar em um território humano. "O que seus pais disseram que quando você disse sobre ele?" Nora se senta em um tronco de árvore quebrada e olha para mim. Seus ombros lisos brilham com a luz refletida fora do lago. "Os meus teriam ficado aterrorizados por mim." "Eu não lhes disse." Eu me sento ao lado dela e, incapaz de resistir, dobro a cabeça para pressionar um beijo em seu ombro direito. Sua pele tem um cheiro delicioso, e a fome inflamada por nosso jogo na piscina retorna, meu corpo endurece com sua proximidade mais uma vez. "Por que não?", Pergunta ela com voz rouca, voltando a olhar para mim conforme eu levanto a cabeça. "Por que não disse a eles?" "Minha mãe já estava assustada com a selva, e meu pai teria ficado chateado que eu não trouxe a ele a pele do jaguar. Portanto, não havia nenhum ponto em dizer a qualquer um deles," eu explico. Alcanço o seu cabelo, e enfio meus dedos através da massa espessa, sedosa, apreciando a sensação sensual dela deslizando pelas minhas mãos. Meu pau está duro com a necessidade, mas isso é tanto quanto eu pretendo levá-la agora. Não haverá sexo até esta noite, quando ela estiver confortável em nossa cama e eu possa ter certeza que eu não vou machucá-la. "Oh." Nora inclina a cabeça, movendo-a mais perto das minhas mãos, e me olha com as pálpebras semicerradas. Sua expressão é uma


reminiscência de um gato sendo acariciado. "E os seus amigos? Você lhes disse o que aconteceu?" "Não", murmuro, minha excitação crescendo apesar das minhas boas intenções. "Eu não contei a ninguém." "Por que não?" Nora solta enquanto eu deslizo os dedos pelo cabelo de novo, levemente massageando o couro cabeludo dela no processo. "Você acha que eles não iriam acreditar em você?" "Não, eu sabia que eles iriam acreditar em mim." Eu retiro minhas mãos de seu cabelo enquanto a minha necessidade se intensifica, ameaçando o meu autocontrole. "Eu só não tinha amigos íntimos, isso é tudo." Algo desconfortavelmente perto de pena treme em seu olhar, mas ela não diz nada ou faz perguntas. Em vez disso, ela se inclina para mais perto e pressiona seus lábios nos meus, suas pequenas mãos chegando para descansar em ambos os lados do meu rosto. Seu toque é estranhamente inocente e incerto, como se ela estivesse me beijando pela primeira vez. Seus lábios mal roçam nos meus, cada toque uma dica, uma promessa de mais por vir. Eu quase posso prová-la, quase senti-la, e a vontade de transar com ela é tão forte que eu tremo só com isso. É apenas a memória de ontem à noite – dos olhos feridos, traídos – que me permite ficar parado e aceitar seus muitos beijos, com minhas mãos descansando em seus ombros. Eu sei que deveria impedi-la, afastá-la, mas eu não posso. Seus beijos hesitantes são a coisa mais doce que eu já senti. Quando eu acho que eu não posso suportar muito mais, a pequena boca quente move-se para a minha mandíbula e, em seguida, trilha no meu pescoço, beijando e mordendo com a mesma gentileza torturante. Suas mãos liberam meu rosto e deslizam para baixo do meu corpo, seus dedos fechando em torno da borda inferior da minha camisa. Ela começa a levantar a camisa, e eu gemo quando os nós dos dedos roçam contra os meus lados nus, seu toque deixando minha pele queimando em seu rastro. "Nora..." Eu sugo a respiração enquanto ela vai para baixo e se ajoelha entre minhas pernas abertas, com o rosto no nível do meu umbigo. "Nora, querida, você precisa parar de me provocar."


Ela ignora a minha ordem, mantendo minha camisa amontoada. "Quem está brincando?", Ela sussurra, olhando para mim. E antes que eu possa responder, ela se inclina e coloca um beijo quente e úmido no meu estômago. Porra. Meu corpo inteiro treme, minhas bolas apertam em uma onda selvagem de desejo. A visão dela ajoelhada lá aperta meus botões em todas as formas erradas, ligando os meus desejos mais obscuros. Minhas mãos estão em punhos, e eu tomo respirações curtas e profundas, lembrando-me de que ela está frágil agora. Que ela está grávida do meu filho, e eu não posso levá-la como um animal de novo. Exceto que ela está lambendo meu estômago agora. Porra lambendo. Localizando cada músculo com a língua, como se ela estivesse tentando imprimi-lo em sua memória. "Nora." Minha voz é rouca. "Baby, isso é suficiente." Ela vai para trás, olhando para mim através daqueles cílios longos, grossos dela. "Tem certeza?", Ela murmura, ainda não deixando a minha camisa. "Porque eu acho que eu quero mais." E inclinando-se novamente, ela raspa seus dentes sobre o meu abdômen mais embaixo, então suga no local, a boca quente e molhada na minha pele nua. Pele que está bem próxima do pau latejante ainda confinado em meus shorts. Porra. "Nora..." Eu mal posso formar as palavras, meus dedos cavando a casca da árvore, em um esforço para não agarrá-la. "Você não quer isso, baby, pare-" "Quem disse que eu não quero isso?" Virando, ela olha para mim de novo, seu olhar escuro e aquecido. "Eu quero isso, Julian... Você me faz querer isso." Eu puxo uma respiração pesada, meu pau pulsando enquanto ela libera minha camisa e estende a mão para o meu cinto em seu lugar. "Eu não quero te machucar."


Seus lábios se curvam para cima. "Sim, Julian, você quer." Ela consegue desfazer o cinto, e sua mão adentra em meus shorts, seus dedos finos fechando em volta do meu comprimento inchado e apertando levemente. "Você não quer?" Eu quase explodo, minhas mãos alcançando ela antes mesmo de eu perceber o que estou fazendo. "Sim..." Minha voz está mais perto de um grunhido quando eu a arrasto para o meu colo, forçando-a a escarranchar nas minhas pernas. "Eu quero te machucar, foder, levá-la de toda forma possível e mais um pouco. Quero marcar sua pele bonita e ouvi-la gritar conforme eu entro profundamente na sua boceta e fazer você vir em todo meu pau. É isso que você quer ouvir, meu animal de estimação?" Segurando seus braços firmemente, eu olho para ela. "É isso que você quer?" Ela corre a língua sobre os lábios, seus olhos brilhando com uma escuridão peculiar. "Sim." A voz dela é um sussurro suave. "Sim, Julian. Isso é exatamente o que eu quero." Porra. Eu fecho meus olhos, literalmente tremendo com o desejo. Com a forma como ela está montando meu colo em seu vestido, apenas uma minúscula tanga separa sua boceta do meu pau. Se eu a mexer alguns centímetros, eu posso estar dentro dela, fodendo o seu pequeno corpo apertado... A tentação é insuportável. Um, mil. Dois, mil. Três, mil. Eu me forço a fazer a contagem mental até eu recuperar um mínimo de controle. Então eu abro meus olhos e encontro o seu olhar novamente. "Não, Nora." Minha voz é quase constante conforme eu deixo seus braços e movo minhas mãos para tocar seu rosto em minhas palmas em vez disso. "Isso não é como isso vai ser." Ela pisca, parecendo surpresa. "O que-" Eu dobro minha cabeça, cortando-a com um beijo. Lenta e profundamente, eu invado sua boca, saboreando-a, acariciando-a com a minha língua. Então eu seguro minha mão em seu cabelo e a empurro para


baixo entre as minhas pernas, apreciando o olhar de choque em seu pequeno rosto. "Você vai chupar o meu pau", eu digo asperamente. "E então, se você for uma boa menina, você vai receber sua recompensa. entendeu?" Os olhos de Nora ampliam, mas ela obedece imediatamente. Puxando meu pau para fora do meu short, ela fecha os lábios em torno dele e começa a acariciá-lo ritmicamente com a mão. O interior da sua boca é quente, sedoso e úmido, quase tão delicioso como sua vagina, e a pressão de sua mão é nada menos do que perfeita. Eu estou tão perto de gozar que leva um par de minutos, e o orgasmo ferve fora de minhas bolas, atirando através das minhas terminações nervosas. Gemendo, eu aperto o cabelo dela e empurro mais profundo em sua garganta, forçando-a a engolir cada gota. Então eu a puxo, ajoelho-me no chão ao lado dela, e a faço deitar na grama. "Abra as pernas," Eu ordeno, puxando seu vestido para expor a parte inferior do seu corpo. Ela faz como eu instruí, seu olhar cheio de expectativa e uma pitada de cautela. Eu coloco minhas mãos em suas coxas bronzeadas e as abro, apreciando a textura delicada de sua pele. Então eu me curvo, meus dedos em sua calcinha rosa, e a puxo de lado, expondo sua boceta brilhante e lábios. "Você tem uma buceta tão sexy, baby." As palavras saem baixas e roucas como a minha fome, apenas mal reprimida, retornando com uma vingança. Me abaixo, e inalo seu doce cheiro almiscarado. "Uma bela, buceta tão molhada." Sua respiração falha, um gemido vibrando em sua garganta quando eu pressiono meus lábios em suas dobras, beijando-as levemente. "Julian, por favor." Ela parece torturada. "Por favor, eu-eu preciso de você." "Sim." Eu sopro minha respiração sobre sua pele sensível. "Eu sei do que você precisa." Eu lhe dou uma longa lambida, lenta. "Você sempre vai precisar de mim, não vai?" "Sim." Ela empurra seus quadris para cima, implorando. "Sempre." "Então, meu animal de estimação, aqui está sua recompensa."


Pressionando minha língua em seu clitóris, eu começo a dar prazer a ela, bebendo em seus gemidos e súplicas. Quando ela finalmente estremece e grita sua liberação, eu lambo mais algumas vezes, prolongando seu orgasmo, e então eu viro para deitar ao lado dela na grama, cruzando o braço esquerdo debaixo da minha cabeça como um travesseiro e colocando sua cabeça no meu ombro direito. Nós deitamos assim por um tempo, olhando para a água cintilante do lago e ouvimos o chilrear tranquilo de insetos. Eu ainda a quero, mas o desejo está mais brando agora. Mais controlado. Eu não a machuquei nesse momento, mas o peso no meu peito ainda está lá, ainda pesando sobre mim. Finalmente, eu não posso mais permanecer em silêncio. "Nora, na noite passada... não foi por causa da lista de Peter." Eu não sei por que me sinto obrigado a dizer-lhe isso, mas eu o faço. Eu quero que ela entenda que eu não tinha a intenção de puni-la naquele momento, que a dor que eu infligi não era algum projeto cruel. Eu não sei por que isso importa para ela, vindo de seu sequestrador, ou qual é a distinção realmente, mas eu preciso que ela saiba disso. "Isso foi um erro. Não deveria ter acontecido." Ela não responde, não reconhece as minhas palavras de qualquer maneira, mas depois de alguns momentos, ela se vira em meus braços e descansa a mão direita no peito, diretamente sobre meu coração.


Nas próximas duas semanas, eu faço o meu melhor para gerir a nova realidade da minha situação. Ou, mais precisamente, sobre a minha vida e fingir que nada está acontecendo. A náusea vem e vai. Descobri que comer refeições pequenas e frequentes ajuda, assim como alimentos mais simples. Sob o olhar atento de Ana e Julian, eu religiosamente tomo vitaminas pré-natais e evito os alimentos da lista do Dr. Goldberg, mas eu tento não pensar sobre essas coisas. Até o bebê aparecer, tenho a intenção de agir como se tudo estivesse normal. Felizmente, meu corpo está cooperando por enquanto. Meus seios ficaram um pouco maiores, e eles estão mais sensíveis, mas essa é a única mudança que eu já notei. Meu estômago ainda está plano, e eu não ganhei nenhum peso. Se qualquer coisa, por causa da minha barriga instável, eu perdi um par de quilos, um fato que preocupa Julian, que está fazendo o seu melhor para me mimar até a loucura. "Eu não preciso descansar", eu protesto, exasperada quando ele mais uma vez tenta me fazer tirar uma sesta no meio do dia. "De verdade eu estou bem. Eu dormi dez horas na noite passada. Quantas horas de sono uma pessoa precisa?" E é verdade. Pelo último par de semanas, eu tenho dormido muito melhor. Por mais estranho que seja, sabendo que minha ansiedade tem


uma causa hormonal aliviou em grande medida, significativamente os meus pesadelos e ataques de pânico.

reduzindo

Meu psiquiatra me diz que é porque estou menos preocupada com a minha cabeça bagunçada depois de tudo o que aconteceu. Aparentemente, insistir em se estressar é particularmente ruim para a psique, enquanto coisas menos complicadas – como ter uma criança com um sádico negociante de armas – provoca menos ansiedade. "O cérebro humano é altamente imprevisível," Dra. Wessex diz, olhando para mim através de seus óculos Prada. "O que você acha que assusta você pode não ser o que pesa sobre o seu subconsciente. Você pode se preocupar com esse bebê, mas isso não a assusta tanto quanto o pensamento de que você pode nunca ter um controle sobre a sua ansiedade. Se os seus ataques de pânico derivam da gravidez, então você sabe que é um problema temporário e isso a ajuda a se sentir menos ansiosa sobre isso." Eu aceno e dou um sorriso, como se isso fizesse todo o sentido. Eu faço muito isso quando eu falo com ela. Se Julian não insistisse para que eu continuasse minhas sessões de terapia duas vezes por semana, eu já teria parado. Não é que eu não goste da Dra. Wessex – a, mulher no auge de seus quarenta e poucos anos, é bastante competente e, aparentemente, imparcial, mas eu acho que falar com ela apenas destaca a loucura que é a minha relação com Julian. Porque, sim, Doutora, meu marido, você sabe, o homem que te contratou e insistiu para que você viesse para o meio do nada – me manteve em cativeiro em sua ilha durante quinze meses, e agora eu tenho uma lavagem cerebral que não me permite viver sem ele e seu sexo abusivo. Oh, e nós vamos ter um bebê. Nada fodido sobre isso, é claro. Apenas normal, comum na família do crime. Sim claro. Em qualquer caso, tentar me fazer ter cochilos é o exemplo menos flagrante dos mimos excessivos de Julian. Ele também monitora a minha dieta, garante que a rotina de exercícios que retomei seja totalmente aprovada pelo médico, e o pior de tudo, me trata com luvas de pelica na cama. Não importa o quanto eu tente provocá-lo, ele não faz mais do que


me segurar na cama. É como se ele tivesse medo de desencadear a brutalidade dentro de si mesmo, a perder o controle novamente. "Eu te disse, o obstetra disse que sexo mais selvagem é aceitável, desde que não haja nenhuma mancha ou vazamento de líquido amniótico", digo a Julian depois que ele me leva suavemente mais uma vez. "Eu sou saudável, está tudo normal, então não há realmente nenhum dano." "Eu não vou correr nenhum risco", responde ele, beijando a borda externa do meu ouvido, e eu sei que ele não tem intenção de ouvir-me sobre o tema. Uma parte de mim ainda não pode acreditar que eu quero isso dele, que eu desejo a borda escura do nosso amor. Não é que eu estou sempre insatisfeita – Julian tem certeza que eu tenha, pelo menos, um par de orgasmos todas as noites, mas algo dentro de mim anseia a mistura inebriante de prazer e dor, a endorfina que recebo de sexo realmente intenso. Mesmo o medo que ele me faz sentir é viciante, de alguma forma, eu querendo admitir ou não. Isso é doentio, mas a noite em que nós soubemos sobre a minha gravidez, a noite em que ele me forçou, se transformou em uma das minhas fantasias mais recorrentes nos últimos dias. O que a Dra. Wessex diria sobre isso eu não sei, e eu não ligo para descobrir. É o suficiente ter a memória desse trauma, assim como as lembranças de meu tempo na ilha, de alguma forma, tomado um contexto erótico em minha mente. Já é o suficiente saber que eu estou completamente estragada. Claro, a gentileza incaracterística de Julian na cama não é o único problema. Outra vítima da sua preocupação sufocante comigo é o meu treinamento de autodefesa. É particularmente frustrante porque, pela primeira vez em semanas, tenho energia. Dormir bem reduziu meu cansaço e os trabalhos escolares não me cansam tanto. Eu mesma fui capaz de voltar a correr – após falar da atividade com o médico, é claro, mas Julian se recusa a me deixar fazer qualquer coisa que possa resultar em contusões. Tiro também está fora de questão; Aparentemente, disparar uma arma solta partículas que poderiam, em alguma quantidade desconhecida, prejudicar o feto.


Há tantas restrições que me faz querer gritar. "Você sabe que isso é apenas temporário, Nora," Ana diz quando eu cometo o erro de expressar a minha frustração com ela no café da manhã. "Só mais alguns meses, e você vai ter um bebê em seus braços e, em seguida, tudo vai valer a pena." Eu aceno e colo um sorriso no meu rosto, mas as palavras da governanta não me animam. Eles me enchem de pavor. Em pouco mais de sete meses, vou ser responsável por uma criança e a ideia me aterroriza mais do que nunca.

"Você ainda não contou a seus pais sobre o bebê?" Rosa me dá um olhar espantado quando nós saimos de casa para ir para a nossa caminhada matinal. "Não", eu digo, bebendo um smoothie de frutas com vitaminas em pó. "Eu não falei sobre isso ainda." "Mas eu pensei que você falasse com eles todos os dias." "Eu falo, mas o assunto não surgiu." Eu provavelmente soo na defensiva, mas não posso evitar. Em termos de coisas que eu temo, dizer a meus pais sobre minha gravidez está lá em cima com o parto. "Nora..." Rosa para debaixo de uma árvore grossa, coberta de trepadeiras. "Você está preocupada que eles não ficarão felizes por você?" Imagino a provável reação do meu pai ao saber que sua filha de vinte anos está grávida de seu sequestrador. "Você poderia dizer isso." "Mas por que não ficariam felizes?" Minha amiga parece genuinamente confusa. "Você está casada com um homem rico que você ama e que vai cuidar bem de você e da criança. O que mais eles poderiam querer?"


"Bem, por um motivo, por eu estar casada com esse homem", eu digo secamente. "Rosa, eu disse a nossa história. Meus pais não são exatamente os maiores fãs de Julian." Rosa balança a mão desconsiderando. "E isso é – como que você diz mesmo? – Águas passadas. Quem se importa com como tudo começou? O que importa é o presente, não o passado". "Ah, com certeza. Aproveite o dia e todo resto". "Não há necessidade de ser sarcástica," Rosa diz quando retomamos a nossa caminhada. "Você deve conversar com seus pais, Nora. É seu neto. Eles merecem saber." "Sim, eu provavelmente vou dizer-lhes em breve." Eu tomo outro gole de meu smoothie. "Eu não tenho escolha." Nós caminhamos em silêncio por alguns minutos. Então Rosa pergunta baixinho: "Você realmente não quer essa criança, não é, Nora?" Eu paro e olho para ela. "Rosa..." Como posso explicar minhas preocupações para uma menina que cresceu na propriedade e que pensa que esse tipo de vida é normal? Que meu relacionamento com Julian é romântico? "Não é que eu não quero um bebê. É só que o mundo de Julian – nosso mundo – é muito fodido para trazer uma criança para ele. Como alguém como Julian poderia ser um bom pai? Como eu poderia ser uma boa mãe?" "O que você quer dizer?" Rosa franze a testa para mim. "Por que você não pode ser uma boa mãe?" "Eu estou apaixonada por um senhor do crime que me sequestrou, e que mata e tortura pessoas como parte de seu negócio," eu digo suavemente. "Isso dificilmente me qualifica para ser uma boa mãe. Um estudo de caso da Dra. Wessex, talvez, mas não uma boa mãe". "Oh, por favor." Rosa revira os olhos. "Um monte de homens fazem coisas más. Vocês americanos são tão sensíveis. Señor Esguerra está longe de ser o pior que existe, e você não deve se culpar por se preocupar com ele. Isso não faz de você ruim de qualquer forma." "Rosa, não é só isso." Eu hesito, mas, em seguida, decido apenas dizê-lo. "Quando estávamos no Tajiquistão, eu matei um homem." Eu expiro


lentamente, revivendo a emoção escura de puxar o gatilho e assistir o cérebro de Majid salpicar toda a parede. "Eu atirei nele a sangue frio." "E daí?" Ela mal pisca. "Eu matei também." Eu embasbaco com ela, atordoada em silêncio, e ela explica, "Foi quando a propriedade foi atacada. Eu encontrei uma arma, me escondi no mato, e disparei contra os homens nos atacando. eu feri um e matei outro. Mais tarde soube que o ferido morreu também". "Mas você era apenas uma criança." Eu não consigo superar o meu choque. "Você está me dizendo que matou duas pessoas quando você tinha o que – dez, onze?" "Quase onze anos", diz ela, dando de ombros. "E sim, eu o fiz." "Mas... mas você parece tão-" "Normal?", Ela fornece, olhando para mim com um sorriso estranho. "Agradável? Claro, por que não seria? Eu matei para proteger aqueles que me importam. Eu matei homens que vieram aqui para nos trazer morte e destruição. Não é diferente de cortar a cabeça da serpente que quer morder você. Se eu não tivesse matado eles, mais do nosso povo teria morrido. Talvez eles teriam matado minha mãe, assim como meu pai e irmão". Eu não sei o que dizer a isso. Eu nunca poderia ter imaginado que Rosa – a alegre, de bochechas rosadas Rosa – era capaz de algo assim. Eu sempre pensei que o mal deixa um rastro. Eu vejo isso em Julian, gravado tão profundamente em sua alma que é uma parte dele. Eu vejo isso em mim mesma agora, também. Mas eu não vejo em Rosa. De modo algum. "Como você não deixa isso afetá-la?", Pergunto. Como você mantem a sua inocência? Ela olha para mim, e pela primeira vez, ela parece mais velha do que seus vinte e um anos. "Você pode optar por deixar a escuridão manchar você, Nora, ou você pode lutar contra isso", diz ela calmamente. "Eu escolhi a segunda opção. Eu matei, mas isso não é quem eu sou. Eu não deixo que o passado me defina. Foi o que aconteceu, e está feito. Está no passado. Eu não posso mudar o passado, então eu não vou me debruçar sobre ele. E você também não deveria. Seu presente, seu futuro, isso é o que importa."


Eu mordo meu lábio, meus olhos começam a arder com lágrimas incipientes. "Mas que tipo de futuro pode esta criança ter com pais como nós, Rosa? Olhe o que aconteceu para mim e Julian ao longo dos últimos dois anos. Como posso ter certeza que meu bebê não vai ser sequestrado ou torturado pelos inimigos de Julian?" "Você não pode ter certeza." O olhar de Rosa é inflexível. "Ninguém pode ter certeza de nada. Coisas ruins podem acontecer a qualquer um, em qualquer lugar. Há soldados que vivem até uma idade avançada, e trabalhadores de escritório que morrem jovens. Não há nenhuma rima ou razão para a vida, Nora. Você pode optar por viver cada momento de medo, ou você pode aproveitar a vida. Aproveite o que você tem com Julian. Aproveite esse bebê crescendo dentro de você. É um presente, não uma maldição, trazer vida. Você pode não ter escolhido trazer uma criança a este mundo, mas está aqui agora, e tudo o que você pode fazer é amá-la. Valorizá-la. Não deixe que seus medos estraguem isso para você." Ela faz uma pausa, e depois acrescenta baixinho: "Não deixe que a sua alma se manche pelo que você não pode mudar".


"Então qual é o dano?", pergunto a Lucas quando nós deixamos a área de treinamento. Eu estou respirando com dificuldade, meus músculos estão doloridos, e meu ombro esquerdo está doendo, mas eu me sinto satisfeito. Estou quase de volta a minha antiga forma de combate, como os três guardas mancando podem testemunhar. "Houve outra batida na França, e mais duas na Alemanha." Lucas enxuga o suor do rosto com uma toalha que está enrolada em volta do pescoço. "Ele não está perdendo tempo." "Eu não achei que ele o faria." Dado o foco singular de Peter Sokolov com a vingança, eu sei que é apenas uma questão de tempo antes que ele elimine o resto dos homens nessa lista. "Como ele fez dessa vez?" "O cara francês foi encontrado flutuando em um rio, com marcas de tortura e estrangulamento, então eu suponho que Sokolov deva ter sequestrado ele primeiro. Com os alemães, um foi um carro-bomba, e o outro um atirador de elite." Lucas sorri sombriamente. "Eles não deveriam tê-lo irritado tanto." "Ou ele fez por conveniência." "Ou isso," Lucas concorda. "Ele provavelmente sabe que a Interpol está em sua cola."


"Eu tenho certeza que ele o faz." Tento imaginar o que eu faria se alguém ferisse a minha família, e um tremor de fúria corre através de mim. Eu não posso sequer imaginar o que Peter deve estar sentindo – não que eu o desculpe por ter posto Nora em perigo para obter essa porra de lista. Eu ainda quero matá-lo por isso. "A propósito," Lucas diz casualmente, "Eu estou tendo Yulia Tzakova trazida para cá de Moscou." Eu paro no meu caminho. "A intérprete que nos traiu para os ucranianos? Por quê?" "Quero interrogá-la pessoalmente", Lucas diz, com a toalha em volta do pescoço. "Eu não confio nos russos para fazerem um trabalho completo." Sua expressão é impassível como sempre, mas eu vejo uma pitada de emoção no seu olhar pálido. Ele está ansioso por isso. Eu estreito meus olhos, estudando-o. "É porque você transou com ela naquela noite em Moscou?" A menina russa veio para mim primeiro, mas eu recusei o convite e, em seguida, Lucas manifestou interesse nela. "É disso que se trata?" Sua boca endurece. "Ela me fodeu. Literalmente. Então, sim, eu quero colocar minhas mãos sobre a pequena cadela. Mas eu também acho que ela poderia ter alguma informação útil para nós." Considero isso, por um momento, então aceno. "Nesse caso, siga com isso." Seria hipócrita da minha parte negar a Lucas algum divertimento com a loira bonita. Se ele quer fazer pessoalmente seu salário para a queda do avião, não vejo mal nisso. Ela teria sido morta em pouco tempo em Moscou de qualquer maneira. "Você já negociou isso com os russos?" Eu pergunto conforme nós retomamos a caminhada. Lucas acena. "Inicialmente, eles tentaram dizer que eles só iam lidar com Sokolov, mas eu os convenci que não seria sensato te deixar chateado. Buschekov viu a luz quando eu o lembrei dos problemas recentes com a AlQuadar ".


"Bom." Se até mesmo os russos estão inclinados a ceder, então a minha vingança contra a organização terrorista conseguiu o efeito pretendido. Não só a Al-Quadar está totalmente dizimada, mas minha reputação está substancialmente melhorada. Poucos dos meus clientes são susceptíveis a me trair agora – o que promete ser bom para os negócios. "Sim, é útil", Lucas ecoa meus pensamentos. "Ela vai chegar aqui amanhã." Eu levanto minhas sobrancelhas, mas decido não comentar sobre a velocidade disso. Se ele quer tanto brincar com a menina russa, é o seu negócio. "Onde você vai mantê-la?", Pergunto. "Em meus aposentos. Eu vou interroga-la lá." Eu sorrio, imaginando o interrogatório em questão. "Tudo certo. Aproveite." "Oh, eu vou", diz ele severamente. "Você pode apostar nisso."

Depois que eu tomo um banho, eu vou à procura de Nora. Ou melhor, eu verifico meu computador para a localização de seus rastreadores embutidos e vou diretamente para a biblioteca, onde ela deve estar estudando para as provas finais. Eu a encontro sentada em uma mesa de costas para mim, digitando furiosamente em seu laptop. Seu cabelo está amarrado em um rabo de cavalo solto, e ela está usando uma camiseta enorme que cai nos joelhos. Minha camiseta, pela aparência dela. Ela começou a fazer isso recentemente quando ela tem que estudar. Pegando minhas camisetas que são mais confortáveis do que seus vestidos. Eu não me importo. Vê-la vestida com minhas roupas só enfatiza o fato de que ela é minha. Tanto ela como o bebê que ela carrega. Ela não reage quando eu entro no quarto e caminho até ela. Quando eu chego a ela, eu vejo o porquê.


Ela está usando fones de ouvido, a testa lisa enrugada em concentração enquanto ela bate no teclado, os dedos voando sobre as teclas com velocidade surpreendente. Por um segundo, eu considero deixar ela, mas é tarde demais. Nora deve ter me visto com o canto do olho, porque ela olha para cima e me dá um sorriso deslumbrante, removendo seus fones de ouvido. "Oi." Sua voz é suave e um pouco rouca. "Já é hora do jantar?" "Não" Eu sorrio de volta e coloco as mãos na nuca. Seus músculos estão tensos, então eu começo a massageá-los com meus polegares. "Eu só dei algumas voltas com os meus homens e vim aqui para tomar um banho antes de voltar para o meu escritório. Percebi que eu iria ver você no caminho". "Oh." Ela arqueia em meu toque, fechando os olhos. "Oh, sim, bem ali... Oh, isso é tão bom..." Parece que estou transando com ela, e minha resposta é instantânea. Eu fico duro. Muito duro. Porra. Respirando, eu controlo o meu desejo, como eu tenho feito pelas duas últimas semanas. Quando eu a tomar hoje à noite, será de uma forma cuidadosa e controlada. Independentemente da provocação, eu não correrei risco de danificar o bebê. "Esse é o seu trabalho de Psicologia?" Eu mantenho o meu tom, mesmo que eu continue a massagear seu pescoço. "Você parece estar realmente nele." "Oh, sim." Ela abre os olhos e inclina a cabeça para olhar para mim. "É sobre a Síndrome de Estocolmo". Minhas mãos param "Está falando sério?" Ela balança a cabeça, um pequeno sorriso escuro nos lábios. "Sim. Assunto interessante, você não acha? " "Sim, fascinante," eu digo secamente. Meu animal de estimação está definitivamente ficando mais ousada. Insultando-me – provavelmente na esperança de que eu vá puni-la.


E eu quero. Minhas mãos coçam para dobra-la por cima do meu joelho, levantar essa camiseta gigante, e bater em sua bunda perfeitamente em forma até que ela esteja rosa e vermelha. Meu pau palpita com a imagem, especialmente quando eu me imagino espalhando aberta suas nádegas e depois penetrando-a no seu cu apertadoPorra, para de pensar nisso. Eu vejo o sorriso de Nora aprofundar enquanto seus olhos fixam-se brevemente na protuberância em meu jeans. A pequena bruxa sabe exatamente o que ela está fazendo comigo, que tipo de efeito que ela está tendo no meu corpo. "Sim, eu estou amando isso", ela murmura, seu olhar virado para o meu rosto. "Estou aprendendo muito sobre o assunto." Eu inspiro lentamente e retomo a massagem no seu pescoço. "Então você vai ter que me ensinar, meu animal de estimação", eu digo calmamente, como se meu corpo não estivesse queimando com a necessidade de transar com ela. "Eu receio que eu tenha pulado Psicologia na Caltech." O sorriso de Nora transforma-se em sardônico. "Você é apenas um natural, então, não é?" Eu seguro seu olhar em silêncio, sem me preocupar em responder. Não há nenhuma necessidade de palavras. Eu a vi, eu a queria, e eu a levei. É simples assim. Se ela quiser rotular o nosso relacionamento, para encaixa-lo alguma definição psicológica, ela é livre para fazê-lo. Ela simplesmente nunca vai ser livre de mim. Depois de alguns momentos, ela suspira e fecha os olhos, inclinandose para meu toque novamente. Eu posso sentir seus músculos lentamente relaxando conforme eu massageio seus ombros e pescoço. A expressão de desafio desaparece de seu rosto, deixando-a parecer peculiarmente jovem e indefesa. Com os cílios abanando sobre suas faces lisas, ela parece tão inocente como uma corça recém-nascida, intocada por qualquer coisa ruim na vida. Intocada por mim. Por um momento, eu me pergunto como seria se as coisas fossem diferentes. Se eu fosse apenas um rapaz que ela conheceu na escola, assim


como o Jake. Será que ela me amaria mais? Será que ela me amaria? Se eu não a levasse da maneira que eu fiz, ela teria sido minha? É tolice pensar sobre isso, é claro. Eu poderia muito bem especular sobre viagens no tempo ou o que eu faria se o mundo chegasse ao fim. Minha realidade não permite esse SE. E se meus pais não morressem e eu terminasse a Caltech? E se eu tivesse me recusado a matar aquele homem quando eu tinha oito anos? E se eu tivesse sido capaz de proteger Maria? Se eu pensar em tudo isso, eu vou ficar louco, e eu me recuso a deixar isso acontecer. Eu sou o que eu sou, e eu não posso mudar. Nem mesmo por ela.

"Eu conversei com meus pais, essa tarde," Nora diz quando nos sentamos para jantar naquela noite. "Eles me perguntaram novamente sobre visita-los." "Eles o fizeram agora?" Eu dou-lhe um olhar irônico. "E isso é tudo que você falou com eles?" Nora olha para o prato de salada. "Eu vou dizer a eles em breve." "Quando?" Isso me irrita, que ela se mantém agindo como se o bebê não existisse. "Quando você parir?" "Não, claro que não." Ela olha para cima e franze a testa para mim. "Como você sabe que eu não lhes disse ainda, de qualquer maneira? Você está escutando minhas conversas?" "Claro." Eu não ouço tudo, mas eu tenho escutado algumas vezes. Apenas o suficiente para saber que seus pais permanecem em feliz ignorância do mais recente desenvolvimento na vida de sua filha. Ainda assim, não faria mal Nora achar que todas as suas conversas são monitoradas. "Você esperava que eu não o fizesse?" Seus lábios se apertam. "Sim, talvez. Privacidade sendo um direito humano básico e tudo o mais".


"Não há tal coisa como um direito humano básico, meu animal de estimação." Eu quero rir de sua ingenuidade. "Isso é uma fantasia. Ninguém lhe deve qualquer coisa. Se você quer algo na vida, você tem que lutar por ela. Você tem que fazer isso acontecer." "Como você fez meu cativeiro acontecer?" Dou-lhe um sorriso frio. "Precisamente. Eu queria você, então eu peguei você. Eu não sento em torno ansiando e desejando". "Ou se detém sobre a construção dos direitos humanos, aparentemente." Sua voz contém apenas uma ponta mais fraca de sarcasmo. "É assim que você vai criar o nosso filho? Basta levar o que quiser e não se preocupar com pessoas feridas?" Eu inspiro lentamente, observando a tensão em suas feições. "É com isso que você se preocupa, meu animal de estimação?" "Um monte de coisas me preocupa", diz ela uniformemente. "E sim, criar um filho com um homem que não tem uma consciência está no topo na lista." Por alguma razão, as palavras dela doem. Quero tranquilizá-la, lhe dizer que ela está errada em se preocupar, mas eu não posso mentir para ela mais do que eu posso mentir para mim mesmo. Eu não tenho nenhuma ideia de como eu vou criar essa criança, que tipo de lições que eu vou dar. Homens como eu, homens como meu pai – não são feitos para ter filhos. Ela sabe disso, e eu sei disso também. Como se sentindo meus pensamentos, Nora pergunta baixinho: "Por que você quer mesmo este bebê, Julian? Por que é tão importante para você?" Eu olho para ela em silêncio, sem saber como responder à pergunta. Não há nenhuma boa razão para essa criança ser tão importante para mim como ela é. Não há razão para eu querer isso tanto quanto eu faço. Eu deveria ter ficado chateado, ou pelo menos, irritado com a gravidez de Nora, mas em vez disso, quando Goldberg nos deu a notícia, a emoção que senti foi tão estranha que eu não reconheci. Foi alegria. Pura, alegria não adulterada.


Por um breve momento, feliz, eu estava realmente feliz. Quando eu não respondo, Nora exala e olha para o prato novamente. Eu vejo como ela corta um pedaço de tomate e começa a comer sua salada. Seu rosto está pálido e tenso, mas cada um de seus movimentos é tão gracioso e feminino que estou hipnotizado, completamente absorvido pela visão dela. Eu posso vê-la por horas. Quando eu a trouxe para a ilha, as refeições eram a minha parte favorita do dia. eu amava interagir com ela, vendo-a batalhar com seu medo e tentando manter a compostura. Sua bravura estoica e frágil tinha me encantado quase tanto como seu corpo delicioso. Ela tinha ficado apavorada, mas eu podia ver o cálculo por trás de seus sorrisos tímidos e flerte tímido. Em sua própria maneira tranquila, meu animal de estimação sempre foi uma lutadora. "Nora..." Eu quero tirar o seu estresse, sua preocupação compreensível, mas não posso mentir para ela. Eu não posso fingir ser alguém que não sou. Então, quando ela olha para cima, eu digo apenas: "Esse bebê é parte de você e parte de mim. Isso é motivo suficiente para eu cuidar dele." E quando ela continua a olhar para mim, sua expressão imutável, acrescento baixinho, "Eu vou fazer o melhor que posso para o nosso filho, meu animal de estimação. Isso eu posso prometer-lhe." Os cantos dos seus lábios levantam num sorriso fugaz. "Claro que você vai, Julian. Assim como eu. Mas será isso suficiente?" "Nós vamos ter que esperar e ver, não é?" Eu respondo, e, conforme Ana traz o próximo prato, nos concentramos na comida e deixamos o assunto.


"Você viu a menina que foi trazida para cá essa manhã?" Rosa pergunta durante a nossa caminhada habitual. "Ana disse que estava algemada e tudo." "O quê?" Eu dou a Rosa um olhar assustado. "Que garota? Eu fui para uma corrida rápida antes do café da manhã, e eu não vi nada." "Eu não vi nada. Ana me disse que a viu, e ela é loira e muito bonita. Aparentemente, Lucas Kent está mantendo-a em seus aposentos." Rosa está claramente saboreando transmitir essa fofoca. "Ana pensa que ela pode ter traído Señor Esguerra de alguma forma." "Sério?" Eu franzo a testa. "Eu não sei nada sobre nada disso. Julian não mencionou isso para mim." Em geral, desde que invadi o computador de Julian, ele está me dizendo menos sobre o seu negócio. Eu não sei se isso é porque ele agora desconfia de mim ou porque ele está tentando me manter o mais calma possível, pela gravidez. Eu suspeito que é a última coisa, dada a forma superprotetora dele nos dias de hoje. "Você quer andar até a casa de Kent para ver?" Os olhos de Rosa brilham de excitação. "Talvez nós possamos espreitar em sua janela." Eu embasbaco com ela. "Rosa!" Essa é a última coisa que eu teria esperado dela. "Nós não podemos fazer isso." "Vamos," minha amiga me adula. "Vai ser divertido. Você não quer ver quem é essa menina loira e por que Kent está com ela?"


"Eu posso apenas perguntar a Julian sobre ela. Ele vai me dizer". Rosa me dá um olhar suplicante. "Sim, mas eu poderia morrer de curiosidade antes que ele o faça. Eu só quero ver o que Kent está fazendo com ela, isso é tudo". "Por quê?" Eu não tenho nenhum desejo de ver o braço direito de Julian torturar uma mulher infeliz, e eu não tenho ideia do porque Rosa quer testemunhar algo tão perturbador. "Se ela traiu Julian, não vai ser bonito." Meu estômago dá uma guinada com o pensamento. Hoje não é um dos meus melhores dias, náuseas a mil. Rosa fica vermelha. "Porque sim. Vamos, Nora." Pegando meu pulso, ela começa a me dar um puxão na direção dos aposentos dos guardas. "Vamos apenas ir até lá. Você está grávida, então ninguém vai ficar bravo com você por bisbilhotar." Deixei-me ser rebocada atrás dela, espantada com seu desejo inexplicável de brincar de espião. Normalmente, Rosa mostra pouco interesse em questões relacionadas a atividades criminosas do meu marido. Eu não posso imaginar o que está por trás de seu comportamento incomum, a menos... "Você está interessada em Lucas?" Eu deixo escapar, parando e trazendo-nos a um impasse. "É disso do que se trata tudo isso?" "O quê? Não!" A voz de Rosa assume um tom mais alto. "Eu estou apena curiosa, isso é tudo." Olho para ela, observando o rubor mais brilhante em suas bochechas. "Oh meu Deus, você está interessada." Rosa bufa e deixa ir o meu pulso, cruzando os braços sobre o peito. "Eu não estou." Eu ergo minhas mãos em um gesto conciliador. "Está bem, está bem. Se você diz." Rosa olha para mim por um momento, mas depois seus ombros cedem e os braços caem para os lados. "Ok, tudo bem", ela diz com tristeza. "Então, talvez eu o ache atraente. Apenas um pouco, ok?" "Ok, é claro", eu digo com um sorriso tranquilizador. Com seu cabelo loiro e rosto feroz, queixo quadrado, Lucas Kent me faz lembrar de um


guerreiro Viking, ou pelo menos a representação de um de Hollywood. "Ele é um homem de boa aparência." Rosa concorda com a cabeça. "Ele é. Ele não sabe que eu existo, é claro, mas isso é de se esperar." "O que você quer dizer?" Eu franzo a testa para ela. "Alguma vez você já tentou falar com ele?" "Falar sobre o quê? Eu sou apenas a empregada que limpa a casa principal e ocasionalmente traz aos guardas alguns quitutes de Ana." "Você pode perguntar a ele qual é sua comida favorita", sugiro. "Ou como foi seu dia. Isso não tem que ser algo complicado. Apenas um simples Olá provavelmente a coloque em seu radar." Quando eu digo isso, eu percebo que estar no radar de um homem como Lucas Kent pode não ser a melhor coisa para Rosa, ou qualquer mulher, realmente. Antes que eu possa ter de volta a minha sugestão, Rosa suspira e diz: "Eu já disse Olá a ele antes. Eu só não acho que ele me veja, Nora. Não gosto disso. E por que ele? Quero dizer, olhe para mim." Ela aponta ironicamente para si mesma. "O que você está falando?" Eu ainda não acho que receber a atenção de Lucas seria algo positivo na vida de Rosa, mas eu não posso deixar que o comentário passe. "Você é muito atraente." "Oh, por favor." Rosa me dá um olhar incrédulo. "Eu sou comum na melhor das hipóteses. Alguém como Kent está acostumado com supermodelos, como a menina loira que ele tem com ele agora. Eu não sou o tipo dele." "Bem, se você não é o tipo dele, então ele é um tolo", eu digo com firmeza, e quero dizer isso. Com o rosto agradavelmente redondo, os olhos castanhos e sorriso brilhante, Rosa é bastante bonita. Ela também tem o tipo de estrutura que eu sempre invejei: exuberante e cheia de curvas, com seios fartos e cintura fina. "Você é uma menina linda e um rapaz teria de ser cego para não ver isso." Ela bufa. "Certo. É por isso que a minha vida amorosa é tão grande."


"Sua vida amorosa é limitada pelas fronteiras dessa propriedade," Eu a lembro. "Além disso, você não me disse que você namorou um par de guardas?" "Oh, com certeza." Ela acena a mão com desdém. "Eduardo e Nick, mas isso não quer dizer nada. Guardas são limitados em sua seleção também, e eles não são tão exigentes. Eles fodem tudo que se move". "Rosa." Eu lhe dou um olhar de reprovação. "Agora você está exagerando." Ela sorri. "Ok, talvez. Eu provavelmente deveria dizer 'qualquer coisa feminina que se move', embora eu ouça que o Dr. Goldberg tenha um pouco de ação, também. Há rumores que caras tatuados são os seus favoritos." Ela balança as sobrancelhas sugestivamente. Eu balanço minha cabeça, involuntariamente sorrindo de volta, e ambas caímos na gargalhada com a imagem do médico sisudo com um dos guardas grandes, todo tatuado. "Ok, agora que nós estabelecemos que você está a fim do Sr. Loiro e Perigoso", eu digo um par de minutos mais tarde, quando paramos de rir e continuamos caminhando em direção a habitação dos guardas ", pode dizer-me outra vez porque você quer espiá-lo com essa garota?" "Eu não sei", admite Rosa. "Eu só o faço. É doentio, eu sei, mas eu só quero ver como ele é com outra mulher". "Rosa..." Eu ainda não entendo. "Se ela chegou aqui em algemas, eles não estão tendo exatamente um encontro romântico. Você sabe disso, certo?" "Sim, claro." Ela parece extremamente irreverente. "Ele provavelmente está fazendo algo horrível com ela." "E você quer ver isso por quê?" Ela encolhe os ombros. "Eu não sei. Talvez eu esteja esperando que vê-lo assim vá me ajudar a superar essa paixão tola. Ou talvez eu tenha apenas curiosidade mórbida. Será que realmente importa?" "Não, eu não acho." Eu me apresso para acompanhá-la no passo rápido. "Mas eu posso te dizer agora que a Dra. Wessex teria um monte de diversão com você."


"Oh, eu tenho certeza", ela diz e sorri para mim novamente. "É uma boa coisa que você seja a única em terapia, não é?"

Os alojamentos dos guardas estão no limite da propriedade, bem ao lado da selva. Misturados com o conjunto de pequenos edifícios estão algumas casas de tamanho normal. A partir de minhas explorações anteriores, eu sei que elas estão ocupadas por alguns dos empregados de maior classificação na organização de Julian e guardas que têm famílias. Quando nos aproximamos, Rosa faz um caminho mais curto para uma dessas casas maiores, e eu a sigo, meio correndo para acompanhar. Meu estômago está começando a se sentir perturbado, e eu já estou lamentando que cedi a essa insanidade. "É essa", diz ela em um tom abafado quando nós vamos para o lado da casa. "O quarto dele é esse aqui." "E como você sabe disso?" Ela sorri para mim. "Eu posso ter vindo aqui uma ou duas vezes antes." "Rosa..." Eu estou descobrindo um lado totalmente novo da minha amiga. "Você espionou o pobre homem antes?" "Apenas uma ou duas vezes", ela sussurra, agachando-se sob uma janela conforme eu caio para trás um pouco e observo. "Agora, shhh". Ela pressiona o dedo nos lábios em um gesto de silêncio. Eu me inclino contra um tronco de árvore, cruzo os braços, e vejo como ela sobe lentamente e espreita na janela. Estou espantada que ela é ousada o suficiente para fazer isso em plena luz do dia. Mesmo que esse lado da casa de Lucas dê para a floresta, há uma abundância de guardas na área, e eles poderiam teoricamente nos detectar rondando. Antes que eu possa expressar essa preocupação a Rosa, ela vira-se para mim com um olhar decepcionado no rosto. "Eles não estão lá", diz ela em voz baixa. "Eu me pergunto onde eles poderiam estar."


"Talvez ele a levou para outro lugar", eu digo, aliviada por isso. "Vamos." "Espere, deixe-me ver uma coisa." Ainda agachada, ela se move em direção a uma janela mais à esquerda. Eu relutantemente me arrasto atrás dela, cada vez mais enjoada e desconfortável com a situação. Mais um minuto, eu me prometo, e eu vou voltar. Assim que eu estou prestes a dizer-lhe que estou saindo, Rosa solta um suspiro e acena para eu chegar mais perto. "Não", diz ela em um sussurro animado, apontando para a janela. "Ele a tem ali mesmo." Agora minha curiosidade aparece. Inclinando-me, eu faço o meu caminho para onde Rosa está se escondendo e agacho ao lado dela. "O que ele está fazendo?", Eu sussurro, quase com medo de saber. "Eu não sei", ela sussurra de volta, virando para olhar para mim. "Ele não está no quarto. Ela está sozinha lá." "Então, o que ela está fazendo?" "Veja por si mesmo. Ela não está olhando para cá. " Eu hesito por um momento, mas a tentação revela-se grande. Segurando minha respiração, eu subo apenas o suficiente para ver por cima da borda inferior da janela, mal ciente da Rosa espreitando ao meu lado. Como eu temia, a visão interna vira meu estômago. O quarto que eu estou olhando é grande e escassamente mobiliado. A julgar pelo sofá de couro preto perto da parede e da TV no lado oposto, deve ser a sala de estar de Lucas. As paredes são pintadas de branco, e o tapete é cinza. É uma sala nitidamente masculina, funcional e intransigente, mas não é a decoração que me chama a atenção. É a jovem no meio. Completamente nua, ela está amarrada a uma cadeira de madeira resistente, com os pés afastados e as mãos atadas atrás das costas. Sua cabeça está abaixada, o cabelo loiro emaranhado escondendo seu rosto e a maior parte superior do seu corpo. Tudo o que posso ver dela são pés estreitos e membros pálidos e longos cobertos de hematomas.


Pernas que aparecem muito finas para uma menina da sua altura. Enquanto olho em uma fascinação horrorizada, ela levanta a cabeça num movimento espasmódico súbito e olha diretamente para mim, com seus olhos azuis claros em seu rosto delicadamente em destaque. Eu imediatamente abaixo, minha pulsação acelerada da explosão de adrenalina. Rosa, no entanto, ainda está olhando na janela, com uma expressão de ávida curiosidade. "Rosa," Eu assobio, agarrando seu braço. "Ela nos viu. Vamos." "Ok, ok," minha amiga admite, deixando-me puxá-la para longe. "Vamos." Voltamos para o nosso caminho habitual em silêncio. Rosa parece estar imersa em pensamentos, e eu não posso falar, minha náusea intensificando a cada passo. À medida que passamos por um conjunto de roseiras, eu ajoelho e vomito, enquanto Rosa segura o meu cabelo e repetidamente pede desculpas por me causar desconforto na minha condição. Eu aceito suas desculpas, ficando em pé de novo trêmula. O que me perturba mais não é o fato de que eu vi uma mulher amarrada e, provavelmente, prestes a ser torturada. É que a visão não me choca como deveria.

Julian não se junta a mim para o jantar naquela noite. De acordo com Ana, ele tem uma chamada de emergência com um de seus sócios de Hong Kong. Eu considero ir a seu escritório para ouvir, mas decido usar o tempo para ligar para meus pais. "Nora, querida, quando é que vamos vê-lo novamente?" Minha mãe pergunta pela décima segunda vez depois de eu dar-lhe uma rápida atualização sobre minhas aulas. Meu pai está viajando a negócios, por isso somos apenas duas no bate-papo de vídeo hoje. "Sinto tanta falta sua."


"Eu sei, mãe. Eu sinto falta de você também." Eu mordo o interior da minha bochecha, os olhos de repente queimando com lágrimas. Hormônios da gravidez do caralho. "Eu disse a você, Julian disse que vai ser capaz de ir em algum momento em breve." "Quando?" Minha mãe pergunta em frustração. "Porque você não pode apenas dar-nos uma data?" Porque eu estou grávida, e meu superprotetor sequestrador/marido se recusa a sequer falar sobre ir em qualquer lugar agora. "Mamãe..." Eu respiro, tentando reunir a minha coragem. "Eu acho que há algo que você deveria saber." Minha mãe se inclina mais perto da câmera, a preocupação imediata vincando sua testa. "O que é, querida?" "Estou grávida de oito semanas. Julian e eu vamos ter um bebê. "Assim que as palavras saem, eu me sinto como se uma placa de granito fosse tirada dos meus ombros. Eu não tinha percebido até o momento como esse segredo pesava fortemente sobre mim. Minha mãe pisca. "O quê? Já?" "Hum, sim." Essa não é a reação que eu estava esperando. Franzindo a testa, eu me inclino mais perto da câmera. "O que quer dizer, já?" "Bem, seu pai e eu imaginamos que, com vocês dois casados e tudo mais..." Ela encolhe os ombros. "Quero dizer, nós estávamos esperando que não fosse acontecer por um tempo, e você iria terminar a faculdade primeiro" "Você imaginou que eu iria ter filhos com Julian?" Eu sinto que estou em um universo alternativo. "E você está bem com isso?" Minha mãe suspira e se inclina para trás, olhando-me com uma expressão cansada. "É claro que não estamos bem com isso. Mas não podemos viver nossas vidas em negação, não importa o quanto seu pai possa querer tentar. Obviamente, isso não é o que queríamos para você, mas-" Ela para e solta outro suspiro antes de dizer: "Olha, querida, se é isso que você quer, se ele realmente faz você feliz como você diz, então não é nosso papel interferir. Nós só queremos você feliz e saudável. Você sabe disso, certo?"


"Eu sei, mãe." Eu pisco rapidamente, tentando conter um novo afluxo de lágrimas emocionais. "Eu sei." "Bom." Ela sorri, e eu tenho certeza que vejo seus olhos brilhando com suas próprias lágrimas. "Agora me conte tudo. Você esteve doente? Você esteve cansada? Como foi que você descobriu? Foi um acidente?" E pela próxima hora, minha mãe e eu falamos sobre bebês e gravidez. Ela me diz tudo sobre sua própria experiência – eu fui uma gravidez acidental para ela e papai, concebida durante a lua de mel, e eu explico que eu machuquei meu braço quando eu fui sequestrada pelos terroristas e tinha tido o implante retirado por um curto período de tempo. É o mais próximo que posso chegar da verdade: que a Al-Quadar cortou o implante do meu braço porque o confundiu com um dispositivo de rastreamento. Meus pais sabem sobre meu sequestro do shopping – eu tive que explicar meu desaparecimento a eles de alguma forma, mas eu não disse a eles a hist��ria completa. Eles não têm ideia de que sua filha agiu como isca para salvar a vida de seu sequestrador e matou um homem a sangue-frio. No momento em que, finalmente, encerramos nossa conversa, está escuro lá fora, e eu estou começando a sentir-me cansada. Assim que desligo, tomo banho, escovo os dentes, e vou para cama para esperar por Julian. Depois de um tempo, minhas pálpebras ficam pesadas, e eu sinto a letargia do sono vindo a mim. Conforme a minha mente começa a ficar à deriva, uma imagem aparece na frente dos meus olhos: o de uma menina amarrada e indefesa, amarrada a uma cadeira no meio de uma grande sala, de paredes brancas. O cabelo, no entanto, não é loiro. Está escuro... e sua barriga está inchada com uma criança.


É quase meia-noite quando eu termino o trabalho e chego ao nosso quarto. Ao entrar no quarto, eu acendo a luz da cabeceira e vejo que Nora já está dormindo, enrolada debaixo do cobertor. Eu tomo banho e me junto a ela lá, puxando seu corpo nu para mim assim que eu fico sob os lençóis. Ela me se encaixa perfeitamente, seu pequeno traseiro curvilíneo aninhado contra a minha virilha e o pescoço apoiado em meu braço estendido. Meu outro braço, dobrado, repousa sobre seu lado, minha mão colocada em um seio pequeno, firme. O seio está um pouco mais cheio do que antes, lembrando-me de que seu corpo está mudando. É tanto bizarro como erótico o fato de que eu tenho conhecimento sobre isso, como o pensamento de Nora crescendo redonda com uma criança me excita. Eu nunca pensei em mulheres grávidas como sendo sexy, mas com a minha esposa, encontro-me obcecado com seu corpo ainda magro, fascinado por suas possibilidades. Meu desejo sexual, sempre forte, está no telhado nos dias de hoje, e é tudo o que posso fazer para não atacar ela constantemente. Se não fosse por minhas sessões de punheta duas vezes por dia, eu não seria capaz de me conter. Mesmo agora, depois de ter me masturbado no chuveiro, encontrarme em volta dela assim é tortura. Eu não estou disposto a afastar-me,


apesar de tudo. Eu preciso senti-la contra mim, mesmo que tudo o que eu vá fazer é abraçá-la. Ela precisa de descanso, e eu tenho toda a intenção de deixá-la dormir. No entanto, conforme eu fico mais confortável no travesseiro, ela se move em meus braços e diz sonolenta, "Julian?" "O que foi baby?" Eu cedo à tentação e acaricio a pele macia atrás da orelha enquanto eu deslizo minha mão de seu peito para as dobras quentes entre suas pernas. "Quem mais poderia ser?" "Eu-eu não sei..." Sua respiração aumenta quando eu encontro o clitóris e faço pressão. "Que horas são?" "É tarde." Eu empurro um dedo nela para testar a sua umidade, e meu pau pulsa com a excitação que eu sinto em seu canal apertado, quente. "Eu deveria deixá-la voltar a dormir." "Não." Ela suspira quando eu curvo meu dedo dentro dela, atingindo o ponto G. "Eu estou bem, realmente." "Está?" Eu não posso resistir a atormentá-la um pouco. Eu tenho que controlar meus impulsos sádicos esses dias, mas ouvi-la implorar não é algo que posso deixar passar. Abaixando a minha voz, murmuro: "Eu não tenho tanta certeza. Eu acho que eu deveria parar. " "Não, por favor, não." Ela geme quando eu circulo seu clitóris com o polegar e, simultaneamente, esfrego meu pau duro na bunda dela. "Por favor, não pare." "Diga-me o que você quer que eu faça para você, então." Eu continuo circulando seu clitóris. Ela se sente como fogo vivo em meus braços, seu corpo quente e macio. Seu cabelo cheira a flores de seu shampoo, e suas paredes internas flexionam em torno de meu dedo, como se estivessem tentando sugá-lo mais profundo em sua vagina. "Diga-me exatamente o que você quer, meu animal de estimação". "Você sabe o que eu quero." Ela está ofegante agora, seus quadris dançando enquanto ela tenta forçar meus dedos em um ritmo constante. "Eu quero que você me foda. Duro." "Quão duro?" Minha voz torce quando imagens escuras, depravadas invadem minha mente. Há tantas coisas sujas que eu quero fazer com ela, tantas maneiras que eu quero levá-la. Mesmo depois de todo esse tempo, há


uma inocência nela que me faz querer corrompê-la. Faz-me querer empurrá-la para os limites. "Diga-me, Nora. Eu quero ouvir todos os detalhes." "Por quê?", pergunta ela, sem fôlego, moendo sua pélvis contra a minha mão. Sua vagina está gotejando agora, cobrindo meus dedos com sua umidade. "Você não vai fazer o que eu quero." "Você não saberá se não disser." Acalmando minha mão, eu deixo alguns dos desejos escuros escoarem em minha voz. "Agora me diga." "Eu-" Ela suga uma respiração quando eu volto a brincar com seu clitóris. "Eu quero que você me foda tão duro que doa." Sua voz falha conforme eu empurro um segundo dedo dentro dela, esticando a pequena abertura. "Eu quero que você me amarre e faça o que quiser." "Você quer que eu foda sua bunda?" Sua vagina aperta em torno dos meus dedos quando um tremor ondula através de seu corpo. "Eu-“ Sua voz falha. "Eu não sei." Se minhas bolas não estivessem como que prestes a explodir, eu ia achar sua evasão divertida. Um dia desses eu vou fazê-la admitir que ela gosta de sexo anal, que ela gosta de ser levada dessa forma. Na verdade, eu vou fazê-la implorar por meu pau em seu pequeno cu. Por enquanto, porém, toda essa conversa é apenas isso: falar. Por mais que eu adoraria foder cada um de seus buracos apertados, eu não posso. Não vou arriscar o bebê pelo prazer momentâneo. Esse interlúdio verbal terá que ser suficiente até Nora dar à luz. Retirando os dedos de seu corpo, eu aperto meu pau e o oriento para sua buceta quente, molhada. Ela geme quando eu começo a empurrar para dentro dela. Com nós dois deitados em nossos lados, e com as pernas fechadas, o ajuste é ainda mais apertado do que o habitual, e eu vou devagar, ignorando o desejo selvagem batendo nas minhas veias. Não a machuque. Não a machuque. As palavras são como um mantra em meu cérebro. Ela arqueia de volta, curvando sua espinha para melhor acomodar-me, e eu deslizo a minha mão para a frente de seu sexo, procurando o pequeno botão que espreita através de suas dobras. Conforme meus dedos fazem contato com o clitóris, ela suspira o meu nome, e eu a


sinto ter espasmos em torno de mim, seus músculos internos contraindo quando ela encontra seu orgasmo. Com meu coração batendo fortemente em meu peito, eu respiro fundo e fico quieto, tentando conter minha própria explosão iminente. Quando o desejo de vir diminui um pouco, eu começo a empurrar para dentro dela, esfregando seu clitóris inchado, ao mesmo tempo. Ela solta um ruído incoerente, algo entre um gemido e um suspiro, e seu corpo fica tenso no meu abraço. Enquanto eu continuo a foder, com estocadas rasas e curtas, ela tenciona ainda mais, gritando, e eu sinto sua carne inchada me apertando quando ela atinge o seu segundo clímax. A sensação de sua ordenha no agudo e elétrico. Ele corre através de repentino. Gemendo duramente, eu penetrando profundamente em sua irrompe com força violenta, orgásmica.

meu pau é indescritível, o prazer mim, atirando-me para um clímax mexo minha pélvis contra ela, vagina enquanto minha semente

Depois, nós nos deitamos lá tentando recuperar o fôlego, nossos corpos colados com suor. Conforme a minha frequência cardíaca retorna lentamente ao normal, uma sensação de saciedade, de contentamento relaxado, se espalha através de mim. Eu sei que deveria me levantar e trazer Nora para o chuveiro para uma lavagem rápida, mas parece bom demais simplesmente deitar ali, segurando-a como meu pau dentro de seu corpo. Fechando os olhos, deixo-me deleitar no momento, meus pensamentos à deriva, enquanto eu começo a afundar no sono pesado. "Julian?" A voz suave de Nora me sacode fora do meu quase-sono, fazendo meu coração pular. "O que é, baby?" Meu tom é afiado com a preocupação súbita. "Você está bem?" Ela solta um suspiro pesado e se vira em meus braços, movendo-se para trás para olhar para mim. "Claro que eu estou bem. Por que não estaria?" Eu expiro lentamente, muito aliviado – e sexualmente repleto- ficando irritado com o seu tom exasperado. "O que é então?", pergunto com mais calma, trazendo o cobertor para cobri-la. O quarto está gelado do ar condicionado, e eu sei que Nora fica com frio quando ela está cansada.


Ela suspira novamente quando eu dobro o cobertor em volta dela. "Você sabe que eu não sou feita de vidro, certo?" Eu não me incomodo em responder a isso. Em vez disso, eu olho para ela, os olhos apertados, até que ela solta um suspiro e diz: "Eu só queria que você soubesse que eu falei com meus pais, isso é tudo." "Sobre o bebê?" "Sim". Um sorriso satisfeito aparece em seus lábios. "Minha mãe reagiu surpreendentemente bem." "Ela é uma mulher inteligente, sua mãe. E o seu pai?" "Ele não estava na chamada, mas minha mãe disse que ela vai falar com ele." "Bom." Acho que é estranhamente gratificante, saber que Nora finalmente passou por essa etapa. Isso significa que ela está muito mais perto da aceitação, para finalmente admitir que o bebê é um fato em nossas vidas. "Agora você pode parar de se preocupar com isso." "Certo." Seus olhos brilham pretos na luz suave do abajur. "A parte mais difícil já passou. Agora, tudo o que eu preciso fazer é dar à luz e criar a criança." Seu tom é leve, mas eu posso ouvir o medo sob o sarcasmo. Ela está apavorada sobre o futuro, e, tanto quanto eu quero tranquilizá-la, eu não posso dizer-lhe que tudo vai dar certo. Porque no fundo, eu estou tão apavorado quanto ela.

Dado o trabalho até tarde da noite no escritório, eu durmo mais que o normal, e quando eu acordo, Nora já está se mexendo. Ouvindo os meus movimentos, ela rola na cama e me dá um sorriso sonolento. "Você ainda está aqui." "Eu estou". Cedendo a um impulso momentâneo, eu a puxo para perto, envolvendo meus braços firmemente em torno dela. Às vezes parece


que o tempo que temos juntos não é o suficiente. Mesmo que eu a veja todos os dias, eu quero mais. Eu sempre quero mais com ela. Ela enrola sua perna sobre a minha coxa e chega ainda mais perto, esfregando o nariz contra o meu peito. Meu corpo reage de forma previsível, minha ereção matinal endurecendo de uma maneira dolorosa. Antes que eu possa fazer qualquer coisa, no entanto, ela me distrai falando. "Julian..." Sua voz é abafada. "Quem é a mulher na casa de Lucas?" Surpreso, eu vou para trás para olhar para ela. "Como você sabe sobre isso?" "Rosa e eu vimos ontem." Nora parece relutante em encontrar o meu olhar. "Nós estávamos, hum... passando por ali." Ela olha para mim através de seus cílios. "Você estava?" Apoiando-me no meu cotovelo, eu a estudo, observando o rubor no seu rosto. "E por que você estava passando? Você normalmente não caminha nessa área". "Nós fizemos ontem." Puxando o cobertor em torno de si mesma, Nora se senta e me dá um olhar determinado. "Então, quem é ela? O que ela fez?" Eu suspiro. Eu não queria Nora exposta a esse drama, mas parece que eu não posso evitá-lo. "A menina é a intérprete russa que nos vendeu para os ucranianos," eu explico, observando atentamente a reação de Nora. Meu animal de estimação está apenas começando a melhorar de seus pesadelos, e a última coisa que eu quero é provocar uma recaída. Quando eu falo, os olhos de Nora crescem largos. "Ela é responsável pela queda do avião?" "Não diretamente, mas a informação que ela deu para os ucranianos levou a isso, sim." Se Lucas não tivesse decidido a tomar conta da situação, eu teria enviado alguém para Moscou para cuidar da traidora – se os russos não tivessem feito isso para mim primeiro. Conforme Nora digere essa informação, eu vejo sua expressão mudando, escurecendo. É fascinante observar. Seus lábios macios endurecem, e seu olhar se enche de puro ódio. "Ela quase o matou", diz ela com a voz embargada. "Julian, aquela cadela quase o matou."


"Sim, e ela matou cerca de cinquenta dos meus homens." É essa perda que me consome mais do que qualquer coisa, e eu sei que consome Lucas também. Seja qual for a punição que ele decida dar para sua prisioneira não será menos do que ela merece, e vejo que Nora está chegando à mesma conclusão. Enquanto eu a observo, ela salta para fora da cama, deixando o cobertor lá. Agarrando o roupão, ela o puxa antes de começar a andar ao redor do quarto, visivelmente agitada. O breve vislumbre de seu corpo nu me desperta novamente, mas eu mantenho o meu olhar focado no seu rosto quando eu me levanto. "Isso lhe Incomoda, meu animal de estimação?", Pergunto. Nora para de andar, seus olhos desviando da minha parte inferior do corpo antes de olhar para mim. "É por isso que você quer saber sobre ela?" "É claro que isso me incomoda." A voz de Nora é preenchida com uma tensão que eu não consigo definir. "Há uma mulher amarrada em nossa propriedade." "Uma traidora do sexo feminino," eu corrijo. "Ela não é uma vítima inocente." "Por que você não podia deixar que as autoridades russas cuidassem dela?" Nora dá um passo mais perto. "Por que você precisou trazê-la aqui?" "Lucas quis isso. Ele tem um pouco de um... relacionamento.... pessoal com ela". Os olhos de Nora acentuam-se com a compreensão. "Ele teve um caso com ela?" "Mais como um caso de uma noite, mas sim." Eu ando em direção ao banheiro, e Nora me segue lá. Quando ligo a torneira e começo a escovar os dentes, ela pega sua própria escova de dentes e faz o mesmo. Eu posso ver que ela ainda parece agitada, por isso depois de eu enxaguar a pasta de dentes, eu digo: "Se isso realmente incomoda você, eu posso levá-la para outro lugar." Nora abaixa sua escova de dentes e me dá um olhar sarcástico. "Assim, ele poderia torturá-la ainda mais? Como faria isso melhor?"


Eu dou de ombros, caminhando até o chuveiro. "Você não iria ver." Eu deixo a porta do box aberta, para que eu possa falar com ela. O chuveiro é espaçoso o suficiente para que a água não saia. "Sim, claro." Ela olha para mim conforme eu começo a ensaboar-me. "Então, se eu não ver, isso não está acontecendo." Eu solto outro suspiro. "Venha aqui, baby." Ignorando o sabão cobrindo minhas mãos, eu chego até ela e a puxo para o box comigo. Então eu tiro o robe e jogo-o no chão. Ela não resiste quando eu a trago sob o jato quente comigo. Em vez disso, ela fecha os olhos e fica parada enquanto eu derramo shampoo em minha palma e começo a massagear seu couro cabeludo. Mesmo molhado, seu cabelo é macio ao toque, espesso e sedoso ao redor dos meus dedos. É estranho o quanto eu gosto de cuidar dela assim. Como o simples ato de lavar seu cabelo, tanto me acalma como me excita. Em momentos como esses, é mais fácil esquecer a violência dentro de mim, os desejos que não podem ser satisfeitos pelos meses vindouros. "Que diferença faz se Lucas é o único a castigar, ou se são os russos?" Eu pergunto quando eu termino de ensaboar seu cabelo. Nora não está dizendo nada, mas sei que ela ainda está pensando sobre a intérprete, se obcecando sobre o seu destino. "O resultado seria o mesmo. Você sabe disso, meu animal de estimação, certo?" Ela balança a cabeça em silêncio, em seguida, inclina a cabeça para trás para enxaguar o xampu. "Então por que você está pensando nisso?" Eu alcanço o condicionador de cabelo enquanto ela limpa a água fora de seu rosto e abre os olhos para olhar para mim. "Você quer que ela seja livre?" "Eu deveria." Ela olha para mim quando eu começo a trabalhar o condicionador no cabelo dela. "Eu não deveria querer que ela sofra assim." Meus lábios curvam com diversão selvagem. "Mas você faz, não é? Você quer vingança tanto quanto eu." Sua agitação faz sentido para mim agora. Tal como aconteceu com o homem que ela matou, sua sensibilidade de classe média está em conflito com seus instintos. Ela sabe o que a


sociedade dita para ela sentir, e isso a incomoda, que as emoções reais que ela está enfrentando são bastante diferentes. Não é da natureza humana dar a outra face, e meu animal de estimação está começando a perceber isso. Nora fecha os olhos novamente e move a cabeça sob o jato. As cascatas de água no seu rosto, transformando seus cílios longos em pontos escuros. "Eu queria morrer quando eu pensei que você estivesse morto", diz ela, com a voz quase inaudível através da água corrente. "Foi ainda pior do que quando eu perdi você na primeira vez. Quando eu vi a menina, eu percebi que ela fez alguma coisa para prejudicar o seu negócio, mas eu não sabia que ela tinha causado o acidente." Imagino como Nora deve ter se sentido naquele dia, e uma dor aguda se espalha através de meu peito. Eu ficaria louco se eu pensasse que eu a tinha perdido. "Baby..." Aproximando, eu uso minhas costas para protegê-la do jato e pego seu rosto nas palmas das minhas mãos, olhando para ela. "Acabou. Esse episódio em nossas vidas acabou, ok? Está no passado." Ela não responde, então eu curvo minha cabeça e tomo sua boca em um beijo profundo, lento, confortando-a da única maneira que eu sei.


Eu estou me perdendo. Lenta e seguramente, estou sendo atraída para a órbita escura de Julian, sugada pelo pântano torcido que é esta propriedade. Eu sei disso a um tempo, é claro. Tenho observado a minha própria transformação com uma espécie de horror distante e curioso. Coisas que antes pareciam abomináveis para mim agora fazem parte da minha vida cotidiana. Assassinato, tortura, armas ilegais-intelectualmente, eu ainda condeno tudo, mas já não me incomoda, como antigamente. A minha bússola moral tem está gradualmente inclinada fora de curso, e eu deixei isso acontecer. Fui deixando o mundo de Julian me mudar sem colocar uma luta. Mesmo antes de eu saber o que a loira tinha feito, sua situação não me afetou em qualquer tipo de nível emocional. Como Rosa, eu tinha tido a curiosidade mórbida em vez de me chocar. E agora que eu sei que ela é a intérprete que quase matou Julian, o ódio surgindo através de minhas veias deixa pouco espaço para pena. Eu entendo que é errado deixar Lucas punila dessa maneira, mas eu não sinto o erro dele. Eu quero que ela sofra, para pagar a agonia que ela nos fez passar. O fato de que eu posso pensar em tudo agora, ser muito mais analítica e deixar as minhas emoções de lado é desconcertante, é bizarro. Eu estou no chuveiro, e Julian está me beijando, drogando meus sentidos


com seu toque. Suas mãos estão embalando o meu rosto, e meu corpo está respondendo a ele como sempre, a água morna escorrendo sobre a minha pele adicionando fogo ao calor queimando dentro de mim. Meus pensamentos, no entanto, são frios e claros. Só há uma solução que eu posso ver, apenas uma maneira que eu possa tentar salvar o que resta da minha alma. Eu tenho que ir embora. Não permanentemente. Não para sempre. Mas eu tenho que sair, mesmo que seja apenas por um par de semanas. Eu preciso recuperar meu senso de perspectiva, e reimergir no mundo fora da nossa propriedade. Se não for para o meu próprio bem, então, pela pequena vida que eu estou levando. "Julian..." Minha voz treme quando ele finalmente libera meus lábios e desliza uma carícia pelo lado das minhas costas, fazendo meu sexo pulsar com necessidade. "Julian, eu quero ir para casa." Ele para abruptamente e levanta a cabeça, ainda me segurando contra ele. Seu olhar endurece, o calor do desejo transformando em algo frio e ameaçador. "Você está em casa." "Eu quero ver os meus pais," Eu insisto, meu coração batendo rapidamente no meu peito. Com o poderoso corpo de Julian em volta de mim e o vapor do chuveiro embaçando em volta, eu sinto que estou presa em uma bolha de carne nua e desejo. Meu corpo clama por seu toque, mas minha mente grita que eu não posso desistir. Não com tanta coisa em jogo. Um músculo começa a mexer em sua mandíbula. "Eu disse que eu vou levá-la em algum momento. Mas agora não. Não em sua condição". "Então, quando?", Eu me forço a sustentar seu olhar. "Quando eu tiver um bebê para cuidar? Ou quando ele já estiver andando? Ou quando ele já estiver totalmente crescido? Você acha que vai ser seguro para mim ir, então?" Os lábios de Julian comprimem em uma linha dura, perigosa. Colocando-me contra a parede do chuveiro, ele agarra meus pulsos e os levanta acima da minha cabeça. "Não me empurre, meu animal de


estimação", ele murmura, sua ereção pressionando em meu estômago. "Você não vai gostar das consequências." Apesar da minha determinação, um toque de medo surge no meu peito. Sei que Julian não vai me machucar agora, mas o castigo físico não é a única arma no arsenal do meu marido. Imagens do espancamento brutal de Jake piscam na minha mente, trazendo com eles um calafrio nauseante. "Não", eu sussurro conforme ele se inclina para baixo e roça os lábios contra o meu ouvido, o gesto terno um forte contraste com a ameaça de seu corpo pairando sobre mim. "Julian, não faça isso." Ele se endireita, os olhos como pedras azuis duras. "Não fazer o quê?" Transferindo meus pulsos para uma de suas mãos largas, ele arrasta a mão livre sobre os meus seios e para baixo da minha barriga, seus dedos passeando sobre a minha pele quente. "Não-" Minha voz quebra, seu toque fazendo meu núcleo pulsar com necessidade apesar do frio persistente. "Não deixe que seja assim." Sua mão vem para cima, seus dedos pegando meu queixo em um aperto inquebrável. "Assim como?", Pergunta ele, seu tom enganosamente calmo. "Como você sendo minha?" Minha respiração pega. "Eu sou sua esposa, não sua escrava" "Você é o que eu desejo que você seja, meu animal de estimação. Eu possuo você." A crueldade deliberada de suas palavras me atinge como um soco, retirando todo o ar dos meus pulmões. Algo na minha reação deve ter se mostrado porque seu aperto em mim diminui, seu tom suavizando um pouco quando ele diz, "Essa é a sua casa, Nora. Aqui. Comigo. Não lá fora." "Eles são meus pais, Julian. Minha família. Assim como você é minha família agora. Eu não posso passar minha vida inteira trancada em uma jaula para minha segurança. Eu vou ficar louca." Eu posso sentir as lágrimas reunindo atrás das minhas pálpebras, e eu pisco rapidamente, tentando segurá-las. A última coisa que eu quero é mostrar a bagunça emocional que eu sou esses dias. Hormônios de gravidez estúpidos. Julian me olha, seus olhos brilhando com a frustração e, em seguida, com um movimento brusco, ele me libera, dando um passo para trás.


Desligando a água, ele sai do box, agarrando uma toalha com violência mal contida. Seu pau ainda está duro, e o fato de que ele não está sobre em mim é surpreendente, mesmo considerando o meu estado atual e a sua nova abordagem, como se eu fosse feita de vidro. Movendo-me com cautela, eu o sigo saindo do chuveiro, meus pés molhados afundam na suavidade da pelúcia do tapete do banheiro. "Você pode por favor-" Eu começo, mas Julian já está vindo em minha direção com a toalha. Envolvendo-a em torno de mim, ele dá uns tapinhas para secar antes de recuar para pegar outra toalha para si mesmo. "O que tudo isso tem a ver com Yulia Tzakova?" Suas palavras me param no caminho quando eu estou prestes a sair do banheiro. Quando viro para ele em confusão, ele esclarece: "A intérprete russa que você viu ontem. Ela tem algo a ver com o seu súbito desejo de ver seus pais?" Eu considero negar isso por um segundo, mas Julian pode dizer quando eu estou mentindo. "De certa forma," eu digo com cuidado. "Eu só preciso de algum tempo longe daqui, uma mudança de cenário. Eu preciso de uma pausa, Julian." Eu engulo, segurando seu olhar. "Eu preciso muito." Ele olha para mim, e então, sem dizer outra palavra, vai para o quarto para se vestir.

No café da manhã, Julian está em silêncio, aparentemente absorvido com e-mails em seu iPad. Sinto-me ignorada – uma sensação estranha para mim. Normalmente, quando temos as refeições juntos, eu tenho a atenção completa de Julian, e o fato de que ele está se concentrando em outra coisa me incomoda muito mais do que é razoável. Eu debato sobre tentar quebrar o silêncio, mas eu não quero tornar as coisas piores. Como está, a discussão dessa manhã provavelmente matou minhas chances de ficar fora da propriedade. Eu deveria ter esperado até um momento mais apropriado para falar sobre a visita a meus


pais; deixar escapar no meio de uma sessão de pegação não tinha sido o mais inteligente. Claro, não há nenhuma garantia de que uma abordagem diferente teria alterado o resultado. Uma vez que Julian toma uma decisão, eu tenho pouca chance de mudar sua cabeça, especialmente se o assunto diz respeito a minha segurança. Eu lutei contra ele, sobre os rastreadores, e eles ainda estão embutidos no meu corpo. Julian nunca vai me deixar removê-los, assim como ele nunca poderia me deixar fora da propriedade. Para todos os efeitos, ele me possui, e não há nada que eu possa fazer sobre esse fato. Tentando não ceder ao desespero crescente dentro de mim, eu termino os meus ovos e levanto-me, não querendo permanecer na atmosfera tensa. Antes que eu possa afastar-me da mesa, no entanto, Julian olha acima de seu iPad e me dá um olhar afiado. "Onde você vai?" "Estudar para os exames", eu respondo com cautela. "Sente-se." Ele gesticula imperiosamente em direção a minha cadeira. "Nós ainda não terminamos." Suprimindo um surto de raiva, eu volto para o meu lugar e cruzo meus braços. "Eu realmente tenho que estudar, Julian." "Quando é a sua última prova final?" Encaro-o, meu pulso acelerando como uma pequena bolha de esperança no meu peito. "É flexível com o programa on-line. Se eu terminar todas as palestras cedo, eu posso fazer os exames imediatamente." "Então, início de junho?", Ele pressiona. "Não, mais cedo." Eu coloco minhas mãos suadas sobre a mesa. "Elas podem potencialmente ser feitas na próxima semana e meia." "Ok." Ele olha para o iPad de novo e digita algo conforme eu o observo, mal ousando respirar. Depois de um minuto, ele olha para cima novamente, prendendo-me com um olhar azul duro. "Eu só vou dizer isso uma vez, Nora", diz ele uniformemente. "Se você me desobedecer, ou fizer qualquer coisa para pôr em perigo a si mesma enquanto estivermos em Chicago, vou puni-la. Você me entende?"


Antes mesmo que ele termine de falar, estou do outro lado da mesa, quase derrubando sua cadeira enquanto eu salto sobre ele. "Sim!" Eu nem sei como eu acabo no colo dele, mas de alguma forma eu estou lá, meus braços em volta do seu pescoço enquanto eu dou beijos por todo o seu rosto. "Obrigada! Obrigada! Obrigada!" Ele me deixa beijá-lo até que eu fico sem fôlego, e então ele segura meu rosto com as mãos grandes, olhando para mim atentamente. Eu posso ver o brilho de desejo em seus olhos, sentir a protuberância dura pressionando em minhas coxas, e eu sei que nós vamos continuar o que começamos essa manhã. Meu corpo começa a pulsar em antecipação, meus mamilos apertando sob o tecido do meu vestido. Como se sentisse a minha excitação crescente, Julian sorri sombriamente e se levanta, me segurando contra o peito. "Não me faça me arrepender disso, meu animal de estimação", ele murmura enquanto ele me leva para a escada. "Você não quer me decepcionar, acredite em mim." "Eu não vou", eu me comprometo com fervor, enrolando meus braços em volta do pescoço. "Eu prometo a você, Julian, eu não vou."


PARTE III


Eu estou indo para casa. Oh meu Deus, eu estou indo para casa. Mesmo agora, quando eu olho para fora da janela do avião nas nuvens abaixo, mal posso acreditar que isso está acontecendo. Apenas duas semanas se passaram desde a nossa conversa no café da manhã, e aqui estamos nós, no nosso caminho para Oak Lawn. "Esse avião não é nada parecido com o que eu vi na TV," Rosa diz, olhando ao redor do interior luxuoso da cabine. "Quer dizer, eu sabia que não estaria voando em uma linha aérea regular, mas isso é muito bom, Nora." Eu sorrio para ela. "Sim eu sei. A primeira vez que eu vi, eu tive a mesma reação." Eu dou um rápido olhar para Julian, que está sentado no sofá com seu laptop, aparentemente ignorando a nossa conversa. Ele me disse que está planejando se encontrar com o seu gerente de carteira enquanto estamos em Chicago, então eu suponho que ele está analisando investimentos futuros. É isso ou a última modificação do projeto do drone de seus engenheiros; o projeto que tomou um monte de seu tempo nessa semana. "A minha primeira vez voando, e é em um jato particular. Dá pra acreditar? A única maneira que isso poderia ser melhor é se nós estivéssemos indo para Nova York," Rosa diz, trazendo minha atenção de volta para ela. Seus olhos castanhos estão brilhando com emoção, e ela está


praticamente pulando em seu assento de couro de pelúcia. Ela tem estado assim durante vários dias, desde que fiz Julian concordar que ela viesse conosco para a América, algo que minha amiga sonha há anos. "Chicago é muito bom também", eu digo, divertida com seu esnobismo não intencional. "É uma cidade legal, você vai ver." "Oh, é claro." Percebendo que ela insultou minha casa, Rosa solta. "Eu tenho certeza que é grande, e eu não quero que você pense que eu sou ingrata", diz ela rapidamente, olhando distraída. "Eu sei que você está me trazendo junto apenas porque você é boa, e estou em êxtase de vir-" "Rosa, você está vindo junto, porque eu preciso de você", eu interrompo, não querendo que ela fale disso na frente de Julian. "Você é a única em quem confio além de Ana para fazer meus smoothies de manhã, e você sabe que eu preciso dessas vitaminas." Ou pelo menos é isso que eu disse ao meu marido obsessivamente protetor quando eu pedi para Rosa vir com a gente. Estou bastante certa de que eu poderia ter feito os smoothies – ou simplesmente engolido as pílulas de vitamina, mas eu queria ter certeza de que ele iria permitir que a minha amiga se juntasse a nós. Sendo sincera, eu não tenho certeza que ele concordou, porque ele acreditou em mim, ou porque ele não tem quaisquer objeções. De qualquer maneira, eu não quero que Rosa balance inadvertidamente o barco... ou o jato particular, como é o caso. Isso ainda não parece inteiramente real, o fato de que nós estamos no nosso caminho para ver meus pais. As últimas duas semanas simplesmente voaram. Com todos os exames e trabalhos, eu mal tive tempo para pensar sobre a viagem. Não foi até três dias atrás, que eu fui capaz de recuperar o fôlego e perceber que a viagem estava, de fato, acontecendo, e Julian já tinha feito todos os preparativos necessários, o reforço da segurança em torno de meus pais para níveis da Casa Branca. "Oh, sim, os smoothies," Rosa diz, lançando um olhar cauteloso na direção de Julian. Ela finalmente pegou. "É claro, eu esqueci. E eu vou ajudar a desempacotar todos os materiais de arte, para que você não se canse." "Certo, exatamente." Eu dou-lhe um sorriso cúmplice. "Não posso levantar telas pesadas e tudo mais."


Naquele momento, o avião balança, e o rosto de Rosa fica branco, sua excitação evapora. "O que é isso?" "Só turbulência", eu digo, respirando lentamente para combater um aumento imediato de náuseas. Eu ainda não estou totalmente fora da fase de passar mal de manhã, e o movimento espasmódico do avião não ajuda. "Nós não vamos cair, vamos?" Rosa pergunta com medo, e eu balanço a cabeça para tranquilizá-la. Quando eu olho para Julian, porém, vejo que ele está olhando para mim, o rosto invulgarmente tenso e os nós dos dedos brancos conforme ele agarra o computador. Sem pensar, eu desato o cinto de segurança e levanto-me, querendo passar por cima dele. Se Rosa tem medo de cair, eu apenas posso imaginar como Julian deve se sentir, tendo experimentado um acidente a menos de três meses atrás. "O que você está fazendo?" A voz de Julian é afiada quando ele se levanta, deixando cair o computador no sofá. "Sente-se, Nora. Não é seguro." "Eu só-" Antes de eu terminar de falar, ele já está ao meu lado, forçando-me de volta para o banco e me amarrando. "Sente-se", ele late, olhando para mim. "você não prometeu se comportar?" "Sim, mas eu só-" Depois de ver a expressão no rosto de Julian, eu caio em silêncio antes de murmurar: "Não importa." Ainda olhando para mim, ele recua e se senta na minha frente e de Rosa. Ela parece desconfortável, as mãos torcendo em seu colo enquanto olha para fora da janela. Me sinto mal por ela; Eu tenho certeza que é difícil ver sua amiga ser tratada como uma criança desobediente. "Eu não quero que você caia se o avião atingir uma bolsa de ar", Julian diz em um tom mais calmo quando eu não mostro mais sinais de tentar me levantar. "Não é seguro ficar andando em torno da cabine durante a turbulência." Concordo com a cabeça e me concentro em respirar lentamente. Isso ajuda tanto com as náuseas como a raiva. Às vezes eu esqueço os fatos e começo a pensar que temos um casamento normal, uma parceria entre


iguais, em vez de.... Bem, seja o que for que temos. No papel, eu poderia ser a esposa de Julian, mas, na realidade, eu estou muito mais perto de sua escrava sexual. A escrava sexual que está desesperadamente apaixonada por seu proprietário. Fechando os olhos, eu encontro uma posição confortável no meio do assento de couro espaçoso e tento relaxar. Vai ser um longo voo.

"Acorde, baby." Lábios quentes roçam contra a minha testa conforme o meu cinto de segurança é solto. "Chegamos." Abro os olhos, piscando lentamente. "O quê?" Julian sorri para mim, seu olhar azul enche-se com diversão enquanto ele está parado na minha frente. "Você dormiu todo o caminho. Você deve estar esgotada." Eu tinha estado um pouco cansada – o rescaldo de todo o estudo e a arrumação das malas, mas um cochilo de oito horas é um novo recorde para mim. Devem ser os hormônios da gravidez novamente. Cobrindo um bocejo com a minha mão, eu me levanto e vejo Rosa já de pé na saída, segurando sua mochila. "Nós pousamos", diz ela animada. "Eu mal senti o avião pousar. Lucas deve ser um piloto incrível." "Ele é bom", Julian concorda, envolvendo um xale de cashmere em volta dos meus ombros. Quando eu lhe dou um olhar questionador, ele explica, "está apenas vinte graus3 lá fora. Eu não quero que você fique com frio." Eu seguro o impulso de rir silenciosamente. Só alguém dos trópicos consideraria vinte graus "frio" -embora, para ser justa, provavelmente é um pouco frio para o vestido de mangas curtas que estou usando. O tempo em Chicago no final de maio é imprevisível, com dias frios de primavera 3

Converti 68 graus fahrenheit em Celsius, que dá aproximadamente 20 graus.


intercalados com o calor do verão. O próprio Julian está vestido com um par de jeans e uma camisa de manga comprida abotoada. "Obrigada", eu digo, olhando para ele. Em algum nível, eu acho sua preocupação tocante, mesmo se ele levar longe demais como no dia de hoje. É claro que não faz mal que a sensação de suas grandes mãos nos meus ombros me faz querer derreter contra ele, mesmo com Rosa de pé apenas alguns metros de distância. "De nada, baby", diz ele com voz rouca, segurando meu olhar, e eu sei que ele sente a mesma atração profunda e inexplicável. Eu não sei se é a química ou alguma outra coisa que nos une firmemente em um laço. O barulho da porta do avião abrindo me tira de qualquer feitiço em que eu estava. Assustada, eu dou um passo para trás, agarrando o xale para que ele não cair. Julian me dá um olhar que promete uma continuação do que começamos, e um arrepio de antecipação passa através de mim. "Está tudo bem se eu descer?" Rosa pergunta, e eu viro para vê-la esperando impacientemente pela porta aberta. "Claro", diz Julian. "Vá em frente, Rosa. Nós estaremos lá." Ela desaparece através da saída, e Julian dá uns passos mais perto de mim, fazendo minha respiração parar na garganta. "Você está pronta?", Ele pergunta baixinho, e eu aceno, hipnotizada pelo olhar quente em seus olhos. "Nesse caso, vamos", ele murmura, pegando a minha mão. Sua grande palma masculina engolfa meus dedos completamente. "Seus pais esperam."

O carro que nos leva do aeroporto para a casa dos meus pais é uma limusine comprida, de aparência moderna com vidros muito espessos. "À prova de balas?", Pergunto quando entro, e Julian acena com a cabeça, confirmando o meu palpite. Ele está sentado na parte de trás comigo e Rosa, enquanto Lucas está dirigindo, como de costume.


Pergunto-me se o homem loiro se ressente dessa viagem, por levá-lo para longe de seu brinquedo russo. A última vez que ouvi, a intérprete ainda estava viva e ainda mantida prisioneira de Lucas. Julian me contou que Lucas deixou dois guardas para vigiá-la na sua ausência e se certificar de que ela esteja bem. Aparentemente, ele não quer que ninguém tenha o privilégio de torturar a menina. Essa situação toda me deixa doente, então eu tento não pensar sobre isso. A única razão pela qual eu mesma sei, tanto quanto eu sei é porque Rosa se recusa a deixar de lado, constantemente me implorando para perguntar a Julian por atualizações. Sua obsessão estranha com o braço direito de Julian me preocupa, mesmo que eu tenha chegando à conclusão de que Rosa estava certa sobre Lucas não ter o menor interesse nela. Ainda assim, tanto quanto eu não quero que ela se envolva com ele, eu também não quero que ela fique de coração partido e eu tenho medo que as coisas estejam indo nessa direção. "Tem certeza de que seus pais não se importam de nós virmos tão tarde?" Rosa pergunta, interrompendo meus pensamentos. "São quase nove da noite." "Não, eles estão realmente ansiosos para me ver." Eu olho para o meu telefone, que apita com mais um texto de mamãe. Pegando, eu leio a mensagem e digo a Rosa, "Minha mãe já tem a mesa posta." "E eles não se importam de eu estar junto?" Ela morde o lábio inferior. "Quero dizer, você é sua filha, então é claro que eles querem ver você, mas eu sou apenas a empregada-" "Você é minha amiga." Impulsivamente, eu alcanço através do corredor da limo e aperto a mão de Rosa. "Por favor, pare de se preocupar sobre isso. Você não está se impondo." Rosa sorri, parecendo aliviada, e eu olho para Julian para ver sua reação. Seu rosto é impassível, mas eu pego um vislumbre de diversão em seu olhar. Meu marido não está claramente preocupado com chegar nos meus pais tão tarde da noite. E isso faz todo o sentido. Por que algo assim o faria quando ele assumidamente raptou sua filha? Esse deve ser um jantar interessante.


"Nora, querida!" Assim que a porta dos meus pais abre, sou envolvida em um abraço macio, perfumado. Rindo, eu abraço minha mãe e, em seguida, meu pai, que está de pé bem atrás dela. Eles me seguram firmemente por alguns momentos, e eu sinto seu coração batendo rapidamente em seu peito. Quando ele dá um passo para trás para olhar para mim, há um brilho de umidade em seus olhos. "Estamos tão felizes em vê-la", diz ele em voz baixa, profunda, e eu sorrio para ele através do meu próprio véu de lágrimas. "Eu também, papai. Eu também. Eu realmente senti sua falta e da mamãe." Assim que eu digo isso, eu me lembro que eu não estou sozinha. Virando-me, vejo que minha mãe está olhando para Rosa e Julian, seu sorriso agora rígido e pouco natural. Eu respiro fundo para me preparar. "Mamãe, papai, vocês já conhecem Julian. E essa é Rosa Martinez. Ela é minha melhor amiga na propriedade." Eu convidei Lucas para se juntar a nós para o jantar, também, mas ele se recusou, explicando que ele faz parte da equipe de segurança essa noite e deve permanecer fora. Minha mãe balança a cabeça cautelosamente para Julian. Então seu sorriso aquece uma fração quando ela olha para a minha amiga. "É bom conhecê-la, Rosa. Nora nos contou tudo sobre você. Por favor entre." Ela dá um passo para trás para recebê-los, e Rosa entra, sorrindo hesitante. Ela é seguida por Julian, que dá um olhar tão calmo e confiante como sempre. "Gabriela. É tão bom ver você." Dando a minha mãe um sorriso deslumbrante, meu ex-captor se inclina para roçar os lábios contra sua bochecha em um gesto Europeu. Quando ele se endireita, ela parece corada, como uma estudante em sua primeira paixão. Deixando-a para se recuperar, Julian volta sua atenção para o meu pai. "É um prazer conhecêlo pessoalmente, Tony", diz ele, estendendo a mão.


"Da mesma forma," meu pai diz, sua mandíbula apertada conforme ele leva a mão estendida de Julian em um aperto de mão ficando com os nós dos dedos brancos. "Estou feliz que vocês finalmente foram capazes de vir aqui." "Sim, eu também," Julian diz suavemente, soltando a mão do meu pai. Percebo as marcas de dedos vermelhos em sua mão onde meu pai propositadamente espremeu muito forte, e meu coração salta uma batida. No entanto, quando eu roubo um olhar para a mão de meu pai, eu percebo com alívio que não há nenhum dano correspondente lá. Julian deve ter perdoado meu pai por este pequeno ato de agressão, ou pelo menos eu espero que seja o caso. À medida que caminhamos em direção a sala de jantar, eu lanço olhares de soslaio ao perfil do meu marido. Ter o meu ex-captor na minha casa de infância é além de estranho. Estou acostumada a estar com ele em locais exóticos e estrangeiros, não Oak Lawn, Illinois. Ver Julian na casa dos meus pais é um pouco como encontrar um tigre selvagem em um shopping do subúrbio – é bizarro de uma maneira assustadora. "Oh, querida, você está tão magra," minha mãe exclama, olhando-me criticamente quando nós entramos na sala de jantar. "Eu sabia que você não iria começar a arredondar com o bebê ainda, mas parece que você perdeu peso." "Eu sei", Julian disse, colocando uma mão nas minhas costas embaixo. Seu toque tanto me aquece como me desconcerta, já que é feito na frente dos meus pais. "Com a náusea, tem sido difícil fazê-la comer bem. Pelo menos ela parou de perder peso. Você deveria ter visto ela há quatro semanas." "Foi muito ruim, querida?" Minha mãe pergunta simpática, quando paramos em frente à mesa. Ela está mantendo os olhos no meu rosto, claramente determinada a ignorar o gesto possessivo de Julian. Meu pai, no entanto, range os dentes com tanta força que posso praticamente ouvir o barulho de moagem. "Ficou melhor, uma vez que soube que eu estava grávida. Comecei a comer alimentos mais leves em intervalos regulares, e parece ajudar", eu explico, com rubor. É estranho falar sobre a minha gravidez na frente do


meu pai. Nós dançamos em torno da questão durante as nossas conversas de vídeo, com meu pai bruscamente perguntando por minha saúde e me sacudindo em seus inquéritos. Eu sei que ele odeia o fato de que estou grávida, na minha idade, e despreza toda a situação com Julian. Minha mãe provavelmente sente o mesmo, mas ela é muito mais diplomática sobre isso. "Eu espero que você possa comer essa noite", minha mãe diz, preocupada. "Seu pai e eu preparamos um monte de comida." "Eu tenho certeza que vou, mãe." Sorrindo, eu sento na cadeira que Julian puxa para mim. "Tudo parece delicioso." E é verdade. Meus pais superaram-se. A mesa tem frango com alecrim, receita do meu pai que ele usa apenas para ocasiões especiaistamales 4 da minha avó e meu prato preferido de costeletas de cordeiro assado. É uma festa, e meu estômago ronca na apreciação dos deliciosos odores que emanam das travessas cobertas de vidro. Julian ocupa um lugar à esquerda de mim, e minha mãe e meu pai se sentam em frente a nós. "Venha, sente ao meu lado, desse lado", digo a Rosa, batendo a cadeira vazia à minha direita. Eu posso ver que a minha amiga ainda não se sente confortável, convencida de que ela é de alguma forma uma intrusa. Seu habitual sorriso brilhante é incerto e um pouco tímido quando ela se senta ao meu lado, alisando as palmas das mãos sobre a parte dianteira de seu vestido azul. "Essa mesa está incrível, Sra. Leston", diz ela em sua voz suavemente acentuada. "Oh, obrigada, querida." Minha mãe sorri para ela. "Seu Inglês é tão bom. Onde você aprendeu a falar assim? Nora me disse que você nunca veio para os EUA antes". "Não, eu não vim." Parecendo satisfeita com o elogio, Rosa explica como a mãe de Julian lhe ensinou inglês, quando ela era uma criança. Meus pais ouvem sua história com interesse, fazendo uma série de perguntas, e eu aproveito essa oportunidade para me desculpar e ir ao banheiro. Tamales são umas “pamonhas” muito típicas por toda a América Central e parte norte da América do Sul. Os tamales, na sua maioria são salgados e recheados. 4


Quando eu volto poucos minutos mais tarde, a atmosfera na mesa é grossa com a tensão. A única pessoa que parece confortável é Julian, que está inclinando-se para trás na cadeira e olhando meus pais com um olhar inescrutável. Meu pai está visivelmente eriçado, e minha mãe tem a mão em seu cotovelo em um gesto calmante. A pobre Rosa parece que preferia estar em qualquer outro lugar. Eu sento e debato sobre perguntar o que aconteceu, mas tenho a sensação de que iria agitar o ninho de vespas ainda mais. "Como está o novo trabalho, pai?" Pergunto brilhantemente. Meu pai respira fundo, depois outra vez, e tenta algo que é suposto ser um sorriso. Parece mais uma careta, mas eu lhe dou crédito por tentar. Antes que ele possa responder à minha pergunta, Julian se inclina para frente, colocando os braços sobre a mesa, e diz: "Tony, você pode não estar ciente disso, mas sua filha é agora uma das mulheres mais ricas do mundo. Ela não vai precisar de nada, independentemente da sua escolha de profissão ou a falta dela. Eu entendo que ter um filho durante a faculdade não é o ideal, mas eu não chamaria isso de 'destruir sua vida,' particularmente nessa situação." O peito de meu pai se enche de fúria. "Você acha que a criança é o único problema? Você roubou-" "Tony." A voz da minha mãe é suave, mas a inflexão faz papai parar no meio da frase. Ela então se volta para Julian. "Peço desculpas pelos maus modos do meu marido", diz ela uniformemente. "Obviamente, estamos bem conscientes de sua capacidade de manter Nora financeiramente." "Bom." Julian lhe dá um sorriso frio. "E você está também consciente de que Nora está se tornando uma artista em ascensão?" Faço uma pausa no meio de pegar uma costeleta de cordeiro e olho para Julian. Uma artista em ascensão? Eu? "Eu sei que uma galeria em Paris expressou algum interesse em suas pinturas," minha mãe diz cautelosamente. "É isso que você quer dizer?" "Sim." O sorriso de Julian afia. "O que você pode não saber, no entanto, é que o proprietário dessa galeria é um dos principais colecionadores de arte na Europa. E ele está muito intrigado com a obra de


Nora. Tão, intrigado, que ele de fato, acabou de me enviar uma oferta para comprar cinco de suas pinturas para sua coleção pessoal". "Sério?" Eu não posso esconder a ansiedade em minha voz. "Ele quer comprá-las? Por quanto?" "Cinquenta mil euros, dez por pintura. Embora eu tenha certeza que podemos negociar por mais". Eu paro de respirar por um momento. "Cinquenta mil?" Eu teria ficado em êxtase por obter quinhentos dólares. Inferno, eu teria levado cinquenta dólares. Só o fato de que alguém quer minhas obras é inacreditável. "Você disse cinquenta mil euros?" "Sim, querida." O olhar de Julian aquece quando ele olha para mim. "Parabéns. Você está prestes a fazer sua primeira grande venda." "Oh meu Deus", eu respiro para fora. "Oh. Meu. Deus." Eu posso ver o mesmo choque refletido nos rostos dos meus pais. Eles também estão atordoados com o rumo dos acontecimentos. Apenas Rosa parece normal. "Parabéns, Nora", ela exclama, rindo. "Eu disse que essas pinturas são surpreendentes." "Quando você recebeu essa oferta?", Pergunto a Julian quando eu posso falar. "Logo antes de chegarmos aqui." Julian se aproxima para dar um aperto de mão suave. "Eu ia lhe dizer mais tarde essa noite, mas eu percebi que seus pais podem querer saber também." "Sim, nós definitivamente o fazemos", minha mãe diz, finalmente se recuperando do choque. "Isso é.... isso é incrível, querida. Estamos tão orgulhosos de você." Meu pai balança a cabeça, ainda mudo, mas eu posso ver que ele está tão impressionado. E, possivelmente começando a mudar de ideia sobre o potencial do meu hobby. "Pai," eu digo suavemente, olhando para ele, "Eu não pretendo abandonar a faculdade. Mesmo com o bebê a caminho, ok? Por favor, não se preocupe comigo. Verdadeiramente, eu estou bem."


Meu pai olha para mim, depois para Julian, e depois de novo para mim. Eu espero que ele diga alguma coisa, mas ele não o faz. Em vez disso, ele chega até o prato com as costeletas de cordeiro e empurra para mim. "Vá em frente, querida", diz ele em voz baixa. "Você deve estar com fome depois da longa viagem." Aproveito de bom grado a oferta, e todos os outros começam a encher seus pratos. O resto do jantar corre tão bem como era de se esperar. Enquanto existem alguns silêncios tensos, a maior parte da refeição é gasta em conversa relativamente civilizada. Minha mãe pergunta sobre a vida na fazenda, e Rosa e eu mostramos algumas fotos no telefone de Rosa. Enquanto isso, meu pai entra em uma discussão política com Julian. Para surpresa de todos, os dois acabam por ter as mesmas visões sobre a situação no Oriente Médio, embora o conhecimento de Julian da geopolítica seja muito superior ao de meu pai. Ao contrário de meus pais, que assistem as notícias da mídia, Julian faz parte da notícia. Ele molda a notícia, na verdade, embora poucas pessoas fora da comunidade de inteligência saibam disso. Eu tenho que dar crédito aos meus pais. Para pessoas que acreditam que Julian deveria estar atrás das grades, eles são anfitriões surpreendentemente graciosos. Eu suspeito que é porque eles têm medo de me perder se afastarem Julian. Minha mãe iria jantar com o próprio diabo se isso fosse lhe assegurar um contato permanente com sua única filha, e meu pai tende a seguir seu exemplo quando se trata de situações difíceis. Ainda assim, eles assistem Julian durante a refeição, olhando-o cautelosamente como observam uma criatura selvagem. Ele está sorrindo, seu potente encanto ligado, mas eu sei que eles podem sentir a sua aura sempre presente de perigo, a sombra da violência que se agarra a ele como um manto escuro. Quando chegamos ao café e sobremesa, Julian recebe uma mensagem com carácter urgente de Lucas e se desculpa saindo por alguns minutos. "Não é nada sério", ele me diz quando eu lhe dou um olhar preocupado. "É só uma questão de negócios de pequeno porte que precisa da minha atenção."


Ele caminha para fora da casa, e Rosa escolhe esse momento para visitar o banheiro, deixando-me sozinha com os meus pais, pela primeira vez desde a nossa chegada. "Uma questão de negócios?" Meu pai pergunta incrédulo, assim que Rosa está fora do alcance da voz. "Às dez e meia da noite?" Eu dou de ombros. "Julian lida com pessoas em diferentes fusos horários. São dez da manhã em algum lugar." Eu posso ver que meu pai quer me questionar mais, mas, felizmente, minha mãe me ajuda. "Sua amiga é muito boa", diz ela, apontando para o corredor, onde Rosa foi. "É difícil acreditar que ela cresceu assim." Ela abaixa a voz. "Com os criminosos, quero dizer." "Sim, eu sei." Eu me pergunto o que os meus pais pensariam se soubessem que Rosa tinha matado dois homens. "Ela é maravilhosa." "Nora, querida..." Minha mãe lança um olhar furtivo ao redor da sala vazia, então se inclina para frente, baixando a voz ainda mais. "Eu sei que não tenho muito tempo agora, mas nos diga uma coisa. Você está realmente feliz com ele? Porque agora que você está em solo dos EUA, o FBI pode ser capaz de-" "Mãe, eu não posso viver sem ele. Se algo lhe acontecer, eu quero morrer." A dura verdade escapa dos meus lábios antes que eu possa pensar em uma maneira mais delicada de dizer isso. Eu suavizo o meu tom. "Eu não espero que você entenda, mas ele é tudo para mim agora. Eu realmente o amo." "E ele também te ama?" Meu pai pergunta baixinho. Ele parece mais velho, nesse momento, como se a tristeza o tivesse envelhecido. "Alguém assim é mesmo capaz de amar você, querida?" Abro a boca para tranquilizá-lo, mas por alguma razão, eu não posso dizer as palavras. Eu quero acreditar que, em sua própria maneira Julian me ama, mas há uma pequena semente de dúvida que está sempre presente em mim. Meu pai acertou o “x” da questão. Julian é capaz de amar? Na verdade, eu ainda não sei.


O Lincoln preto já está esperando quando eu saio. "Eu disse a eles que estava ocupado, mas eles insistiram nessa reunião", Lucas diz, indo para fora das sombras perto da casa. "Achei que era melhor deixá-lo saber." Concordo com a cabeça e caminho até o carro. A janela na parte de trás rola para baixo. "Vamos dar um passeio," Frank diz, abrindo a porta. "Nós precisamos conversar." Dou-lhe um olhar duro. "Eu não penso assim. Se você quiser conversar, vamos fazer isso aqui." Frank me estuda, provavelmente imaginando o quanto ele pode me empurrar, e eu vejo o momento exato em que ele decide não me irritar ainda mais. "Tudo bem." Ele sai do carro, seu terno cinza se estendendo através de seu estômago redondo. "Se você não se importa com os vizinhos curiosos, com certeza." Eu rastreio nosso ambiente com um olhar experiente. Infelizmente, ele está certo. Já existe uma contração de cortina do outro lado da rua. Estamos começando a atrair a atenção.


"Há um pequeno parque virando o quarteirão," eu digo, chegando a uma decisão. "Por que não caminhamos nessa direção? Você tem exatamente 15 minutos." Frank acena com a cabeça, e o Lincoln preto se afasta, provavelmente para circundar o quarteirão. Eu não tenho nenhuma dúvida de que há segurança adicional fora de vista, assim como os meus homens. Não há nenhuma maneira que a CIA iria deixar um deles comigo sem proteção. "Tudo bem, fale," eu digo quando começamos a andar na direção do parque. Faço um gesto para Lucas seguir a uma certa distância. "Por que você está aqui?" "A melhor pergunta é: por que você está" a voz de Frank é afiada com frustração. "Você sabe o quanto de problema a sua presença nos está causando? O FBI sabe que você está em sua jurisdição, e eles estão loucos-" "Eu pensei que você tivesse cuidado disso." "Eu o fiz, mas Wilson se recusa a deixá-lo ir. Ele e Bosovsky estão farejando, tentando desenterrar alguma coisa. É uma bagunça do caralho, e sua visita não está ajudando." "Como isso é problema meu?" "Nós não queremos você nesse país, Esguerra," Frank diz quando nós chegamos na esquina. "Você não tem nenhuma razão para estar aqui." "Não?" Eu ergo uma sobrancelha. "Os pais da minha esposa estão aqui." "Sua esposa?" Frank bufa. "Você quer dizer a garota de dezoito anos de idade, que você sequestrou?" Nora tem vinte agora, ou terá em um par de dias, mas eu não o corrijo. Sua idade não é a questão principal. "Essa mesma", eu digo friamente. "Como você sabe muito bem, já que você me arrastou do jantar com seus pais... Meus sogros." Frank me dá um olhar incrédulo. "Você está falando sério? De onde você tira a coragem de olhar essas pessoas nos olhos? Você sequestrou sua filha-"


"Que é agora a minha esposa." Meu tom afia. "Meu relacionamento com os seus pais não é da porra da sua conta, portanto, fique fora disso." "Eu vou – se você ficar fora deste país." Frank para, respirando com dificuldade de manter-se com o meu passo. "Eu não estou brincando sobre isso, Esguerra. Podemos apagar arquivos e registros, mas não podemos apagar pessoas. Não nesse caso." "Você está me dizendo que a CIA não pode silenciar dois agentes do FBI intrometidos?" Dou-lhe um olhar frio. "Porque se eles são a única questão-" "Eles não são," Frank interrompe, percebendo rapidamente para onde estou indo com isso. "Não é apenas o FBI, Esguerra". Ele seca o suor da testa. "Há seus superiores que estão nervosos sobre a sua presença aqui. Eles não sabem o que esperar." "Diga-lhes para me esperar visitar meus sogros e sair." Pela primeira vez, eu estou sendo totalmente honesto com Frank. "Eu não estou aqui para realizar negócios, portanto os seus superiores hierárquicos não precisam se preocupar." Frank não parece acreditar em mim, mas eu não dou a mínima. Se a CIA sabe o que é bom para eles, eles vão manter o FBI fora das minhas costas. Estou aqui por Nora, e quem não gostar pode ir direto para o inferno.

Quando eu volto para casa, encontro Nora discutindo com Rosa sobre a limpeza da mesa. "Rosa, por favor, hoje você é a convidada", Nora diz, pegando o prato com os restos do cordeiro. "Por favor, sente-se, e eu vou ajudar minha Mãe-" "Não, não, não," Rosa reclama, caminhando ao redor da mesa e pegando os pratos sujos. "Você tem o bebê para se preocupar. Por favor, esse é o meu trabalho. Deixe-me ajudar." "Eu estou de dez semanas, não nove meses-"


"Ela está certa, baby", eu digo, caminhando até Nora e arrancando o prato de suas mãos. "Tem sido um longo dia, e eu não quero que você se canse demais." Nora começa a discutir, mas eu já estou carregando o prato para a cozinha, onde os pais de Nora estão embalando os restos. Conforme eu entro os olhos de Gabriela ampliam, mas ela aceita o prato de mim com um tranquilo "Obrigada." Eu sorrio para ela e caminho de volta para a sala de jantar para mais pratos. Demora algumas viagens para Rosa e eu limparmos a mesa e trazermos tudo para a cozinha. Nora se senta no sofá da sala, observandonos trabalhar com uma mistura de irritação e curiosidade. Por fim, a mesa está limpa, e os Lestons saem da cozinha para se juntar a nós. Eu sento ao lado de Nora no sofá e pego a mão dela, trazendoa para o meu colo para que eu possa brincar com seus dedos. "Gabriela, Tony, obrigado pelo jantar maravilhoso", eu digo, quando os pais de Nora se sentam ao lado de Rosa no segundo sofá. "Peço desculpas que eu tive que sair e perder a sobremesa." "Eu te guardei uma fatia de bolo", Nora diz enquanto eu massageio a palma da sua mão. "Mamãe embalou para nós levarmos." Eu dou a sua mãe um sorriso caloroso. "Obrigado por isso, Gabriela. Eu agradeço." Gabriela inclina a cabeça. "Claro. É lamentável que o seu negócio te levou tão tarde da noite." "Sim, é," Eu concordo, fingindo não notar a pergunta implícita na sua declaração. "E você está certa, está ficando tarde..." Eu olho para baixo para Nora, que está cobrindo um bocejo com a mão livre. "Nora diz que vocês estarão hospedados em uma casa em Palos Park," Tony diz, olhando para nós com uma expressão ilegível. "É lá que vocês estarão dormindo esta noite?" "Sim, isso é certo." A casa é na extremidade mais distante da cidade, com suficiente área cultivada vazia em torno dela onde Lucas foi capaz de


implementar os recursos de segurança necessários. "É lá que vamos ficar durante nossa visita." "Vocês dois são convidados a utilizar o quarto de Nora se quiserem," Gabriela oferece, parecendo incerta. "Obrigado, mas não gostaria de me impor. Seria melhor se tivéssemos o nosso próprio espaço por essas duas semanas." Ainda segurando a mão de Nora, levanto-me e dou aos Lestons um sorriso educado. "Falando nisso, eu acredito que é hora de ir. Nora precisa descansar." "Nora está bem", o tema da minha preocupação murmura conforme eu a conduzo em direção à saída. "Eu sou capaz de ficar até depois das dez, você sabe." Eu abafo um sorriso para o tom mal-humorado em sua voz. Meu animal de estimação não gosta de admitir que se cansa facilmente estes dias. "Sim, eu estou ciente. Mas seus pais precisam de seu descanso também. Amanhã é quinta-feira, não é?" "Ah, certo, é claro." Parando antes de chegar à porta da frente, Nora se volta para seus pais. "Eu esqueci que vocês dois têm trabalho amanhã", ela diz arrependida. "Eu sinto muito. Nós provavelmente deveríamos ter saído antes-" "Oh, não, querida", sua mãe protesta. "Estamos tão felizes em tê-la aqui, e nós dissemos-lhe para vir esta noite. Quando é que a vemos agora?" Nora olha para mim, e eu digo, "Amanhã à noite, se isso funcionar para vocês dois. O jantar dessa vez será na nossa casa." "Nós vamos estar lá", Tony diz, e eu assisto ambos os Lestons abraçarem e beijarem Nora enquanto se despedem.


Quando entramos na limusine, percebo que estou cansada, a excitação tensa da noite me deixou drenada. Rosa, novamente, senta no banco no fim do corredor, e Julian me puxa para perto dele, passando seu braço sobre meus ombros. Conforme seu perfume masculino quente me cerca, eu relaxo contra o seu lado, deixando meus pensamentos à deriva. Meu ex-captor e eu tínhamos acabado de jantar com meus pais. Como uma família. É tão absurdo que eu ainda não posso acreditar que isso aconteceu. Eu não tenho certeza do que eu imaginava quando Julian concordou em me levar para uma visita, mas não foi isso. Eu acho que em algum nível, eu tinha simplesmente me recusado a pensar sobre como algo como isso poderia acontecer – meu sequestrador se sentando para uma refeição civilizada com a minha família. É como um limite que eu tinha colocado na minha mente, que eu pensei que nunca fosse atravessar. Quando eu tinha pensado em voltar para casa, eu tinha me imaginado com meus pais... apenas nós três, como se Julian fosse ficar em segundo plano, mantendo-se parte da minha outra vida, mais escura. Era ridículo pensar dessa maneira, é claro. Julian nunca fica em segundo plano. Ele domina qualquer situação que ele está, dobrando-a à sua vontade. E mesmo nessa – no meu relacionamento com meus pais, ele toma seu cargo, inserindo-se em nossa família em seus próprios termos, perfeitamente confortável, onde outros homens teriam se encolhido de vergonha.


Aparentemente, a consciência é uma coisa útil de faltar. "Como está se sentindo, meu animal de estimação?" Com a questão murmurada de Julian, eu inclino minha cabeça para olhar para ele, percebendo que eu estive em silêncio durante os últimos minutos. "Eu estou bem", eu digo, ciente da presença de Rosa a pouca distância. "Apenas digerindo tudo." "Oh?" Julian me dá um olhar divertido, afrouxando o aperto em mim para que eu possa sentar mais confortavelmente. "Alimentos ou pensamentos?" "Ambos, eu acho." Eu sorrio, intencional. "Foi uma boa refeição."

percebendo

minha

piada

não

"Sim, foi." Mesmo no interior escuro do carro, eu posso ver a curva sensual de sua boca. "Seus pais fizeram um bom trabalho." Eu concordo. "Eles definitivamente fizeram." Eu me pergunto como deve ter sido para eles, jantar com o homem que raptou a sua filha. Com o criminoso, que agora é genro e pai de seu neto. Suspirando, eu aconchego as costas contra o lado de Julian e fecho os olhos. A insanidade da minha vida chegou a um nível totalmente novo.

Demora menos de vinte minutos para chegar ao bairro de classe alta de Palos Park. Enquanto crescia, eu sempre soube de sua existência, passado por lá, no caminho para a reserva do lago Tampier. Os moradores de Palos Park tendem a ser advogados e médicos, e eu nunca ouvi falar de alguém alugar uma casa lá por um par de semanas. Claro, Julian não é qualquer um. A casa que ele escolheu está no limite da cidade, isolada por uma cerca alta, ferro fundido. Uma vez que passamos os portões eletrônicos, nós dirigimos por um caminho sinuoso por mais alguns metros antes de atingirmos a casa propriamente.


No interior, a casa é luxuosamente decorada, quase tão boa como a nossa mansão na propriedade. De pisos em parquet brilhantes à arte moderna nas paredes, tudo sobre a nossa residência de férias grita "extrema riqueza." "Quanto é que você pagou por isso?", Eu pergunto quando nós caminhamos através de uma sala de jantar enorme. "Eu não sabia que uma casa como essa poderia ser alugada." "Não é", Julian diz casualmente. "Eu comprei isso." Meu queixo cai aberto. "O quê? Quando? Você disse que alugou". "Eu disse que tenho uma casa para a nossa visita", ele corrige. "Eu nunca disse como eu a obtive." "Oh." Eu me sinto tola na minha suposição. "Então, quando você teve a chance de comprá-la?" "Comecei a fazer os arranjos logo depois que chegamos a um acordo sobre essa viagem. Demorou quase uma semana para o proprietário anterior sair, mas a casa agora é nossa." Nossa. A palavra rola tão facilmente de sua língua que não me toco por um segundo. Então eu processo o que ele disse. "Nós possuímos essa casa?", Pergunto cuidadosamente. "Como em, nós dois?" "Tecnicamente, uma das nossas empresas de fachada possui, mas eu fiz você uma acionista de cinquenta por cento nessa corporação, então sim, nós possuímos," Julian diz enquanto nós entramos em um espaçoso quarto com uma cama de dossel. "Julian..." Parando em frente à cama, eu olho para ele. "Por que você fez isso? Quer dizer, o fundo fiduciário é mais do que o suficiente-" "Porque você pertence a mim." Ele dá um passo mais perto, seus olhos inflamados com um calor familiar quando ele chega até os botões do meu vestido. Seus dedos roçam contra a minha pele nua, deixando meus mamilos duros com a necessidade. "Porque eu quero cuidar de você, mimála, certificar-me que você nunca mais vai querer mais nada em sua vida..." Apesar de suas palavras ternas, seus olhos brilham mais escuros enquanto ele termina de desabotoar o vestido e deixa-o cair no chão. "Alguma outra pergunta, meu animal de estimação?"


Balanço a cabeça, olhando para ele. Agora estou vestindo apenas uma tanga azul e um sutiã combinando, e do jeito que ele está olhando para mim me faz lembrar de um leão faminto, prestes a atacar uma gazela. Ele pode querer tomar conta de mim, mas nesse momento particular, ele também quer me devorar. "Bom." Sua voz é um profundo ronronar, ameaçador. "Agora vire-se." Com meu pulso acelerado em antecipação nervosa, eu faço o que ele diz. Mesmo que eu anseie pela escuridão agora, há uma pequena onda, instintiva de medo em minha barriga. Julian tem sido sempre imprevisível. Pelo que sei, a vida doméstica desta noite despertou seus desejos sádicos, desencadeando o demônio que ele tem mantido em cheque nessas últimas semanas. Um calor quente, traiçoeiro, começa a pulsar entre as minhas coxas com o pensamento. Enquanto eu estou lá, eu ouço um barulho silencioso, e, em seguida, um pano macio cobre meus olhos. Uma venda, percebo, prendendo a respiração. Privada da minha visão, sinto-me infinitamente mais vulnerável. Minha mão direita contrai com a súbita vontade de levantar o braço e tirar o pedaço de pano. "Oh, não, não." Julian pega meu braço, os dedos como punhos de aço no meu pulso. Inclinando-se, ele sussurra em meu ouvido: "Quem disse que você poderia fazer isso, meu animal de estimação?" Eu tremo com o calor de sua respiração. "Eu só-" "Quieta." Seu comando vibra através de mim, somando-se ao pulsar aquecido entre as minhas pernas. "Eu vou te dizer quando falar." Liberando o meu pulso, ele me empurra para frente, fazendo-me tropeçar e colocar o rosto para baixo na cama. "Não se mova", ele ordena, se aproximando. Eu obedeço, mal respirando enquanto ele corre suas mãos sobre mim, começando com meus ombros e terminando com as minhas coxas. Seu toque é suave, mas de alguma forma invasivo, como o de um estranho. Ou talvez eu só me sinta dessa maneira por causa da venda. Eu posso senti-lo atrás de mim, mas eu não posso ver nada, e ele está me tocando como se fosse um objeto... fazendo comigo o que lhe agrada. Eu posso sentir


os calos em suas grandes palmas, quentes e a memória da nossa primeira vez juntos passa pela minha mente, deixando minha barriga apertada com a ansiedade e necessidade escura. Quando ele acaba de me acariciar, ele me rola sobre minhas costas e me reorganiza na cama, colocando um travesseiro sob a minha cabeça. Então ele agarra meu braço, e eu o sinto enrolando uma corda de textura áspera em volta do meu pulso. Ele prende a outra extremidade da corda, eu só posso supor em um dos postes da cama. Depois disso, ele anda ao redor da cama e faz o mesmo com o meu outro braço. Eu sou deixada ali como uma espécie de sacrifício sexual, meus braços esticados para fora na diagonal e a venda ainda cobrindo meus olhos. Estou ainda mais impotente do que o habitual, e esse fato tanto me alarma como me excita, como a maioria de minhas interações com Julian. Para outros casais, isso é só fingimento. Mas, para nós, é tão real quanto possível. Eu não tenho a opção de dizer não. Julian vai me levar se eu quiser ou não, e perversamente, esse conhecimento aprofunda a dor necessitada em meu sexo. "Você é linda." Seu sussurro áspero é acompanhado de um toque leve de seus dedos sobre a pele sensível do meu estômago. "E toda minha. Não é, meu animal de estimação?" "Sim." Minha respiração se torna irregular quando seus dedos se aproximam do topo da minha tanga. "Sim, toda sua." O colchão afunda quando ele sobe na cama e fica entre as minhas pernas. O tecido de seu jeans é áspero em minhas coxas nuas, lembrandome que ele está ainda totalmente vestido. "Está certo..." Ele se inclina para baixo, os botões de sua camisa pressionando em meu estômago enquanto ele me cobre com o seu peito duro, largo. Seus dentes passam sobre a minha orelha, causando arrepios e sobem ao longo dos meus braços enquanto ele murmura em meu ouvido: "Ninguém nunca vai ter você, só eu." Eu suprimo um tremor conforme me inundo com calor líquido. De um homem diferente, isso seria apenas conversa possessiva de travesseiro, mas vindo de Julian, é tanto uma ameaça como uma declaração de fato. Se eu


um dia fosse tão tola a ponto de permitir que outro homem me tocasse, Julian iria matá-lo sem pensar duas vezes. "Eu não quero ninguém além de você." É verdade, mas minha voz treme quando Julian beija meu pescoço, então suga a carne macia sob a minha orelha. "Você sabe disso." Ele ri baixinho, o som profundo, masculino, reverberando através de mim. "Sim, meu animal de estimação. Eu sei." Ele sai de cima de mim, e eu o sinto se movendo para o pé da cama. Quando ele pega meu tornozelo direito, eu sei porquê. Ele vai amarrar as pernas também. A corda é enrolada em volta do meu tornozelo enquanto eu fico ali, meu coração acelerado. Julian raramente me restringe tão completamente. Ele não precisa. Mesmo se eu estivesse inclinada a lutar, ele é forte o suficiente para me controlar, sem cordas e correntes. Claro, eu não sou inclinada a lutar. Não quando eu sei do que ele é capaz, o que ele está disposto a fazer para me possuir. Quando a minha perna direita está presa, ele chega para a minha esquerda. Suas mãos são fortes e ele envolve a corda em volta do meu tornozelo e amarra a outra extremidade ao pé da cama restante, deixandome ali com as minhas pernas abertas. É uma posição desconcertante, e assim que Julian se move para trás, instintivamente tento trazer as pernas juntas. Eu não posso fechá-las mais de um centímetro, é claro. Com as cordas em torno de meus pulsos, os apoios de tornozelo me seguraram firmemente no lugar sem cortar minha circulação. Meu sequestrador pode não ser um BDSM tradicional, mas ele certamente sabe como amarrar alguém. "Julian?" Ocorre-me que eu ainda estou usando minha roupa íntima, tanto o sutiã como a calcinha fio dental. "O que você vai fazer comigo?" Ele não responde. Em vez disso, eu sinto o colchão afundar novamente conforme ele se levanta, e então eu ouço seus passos e o som da porta se fechando. Ele saiu do quarto, deixando-me amarrada à cama.


Meu coração começa a bater mais rápido. Eu flexiono meus braços, testando a corda novamente, embora eu sei que é inútil. Como esperado, estou totalmente presa; a corda machuca dolorosamente a minha pele quando eu tente puxar. Estou quase nua e sozinha, com os olhos vendados e amarrada nessa casa estranha. E embora eu saiba que Julian não vai deixar nada de ruim acontecer comigo, eu não posso evitar a tensão que invade meu corpo enquanto os segundos vão passando sem nenhum sinal de seu retorno. Depois de alguns minutos, eu testo a corda novamente. Ainda dando na mesma... e ainda nenhum sinal de Julian. Eu me forço a tomar um fôlego e, lentamente, expira-lo. Nada de terrível está acontecendo; ninguém está me machucando. Eu não sei qual jogo Julian está jogando, mas não parece particularmente brutal. Mas você quer brutal, uma voz pequena, insidiosa, dentro da minha cabeça me lembra. Você quer que dor e violência. Eu acalmo a voz e me concentro em manter a calma. A abordagem mercurial de Julian para fazer amor pode me excitar, mas também me assusta. A parte sã de mim, pelo menos. Quero dor, mas eu a temo em medidas iguais. É sempre assim hoje em dia. É como se eu tivesse sido dividida em duas, os restos da pessoa que eu costumava ser em guerra com quem eu sou agora. Mais alguns minutos se passam. "Julian?" Eu não posso mais permanecer em silêncio. "Julian, onde está você?" Nada. Nenhuma resposta de qualquer tipo. Eu esfrego a parte de trás da minha cabeça contra os lençóis, tentando desalojar a venda, mas ela não se move mais do que um centímetro. Frustrada, eu puxo as cordas com todas as minhas forças, mas tudo o que consigo fazer é me machucar. Finalmente, eu desisto e tento relaxar, ignorando a ansiedade rastejando através de mim. Mais alguns minutos passam. Só quando eu acho que eu poderia sair da minha mente, a porta range aberta, e eu ouço o som suave de passos.


"Julian, é você?" Eu não posso esconder o alívio na minha voz. "O que aconteceu? Onde você foi?" "Shhh." O som é seguido por uma sensação de cócegas em meus lábios. "Quem disse que você podia falar, meu animal de estimação?" Meu pulso salta com o tom frio em sua voz. Ele está me punindo por alguma coisa? "O que-" "Silêncio." Seus dedos pressionam meus lábios, silenciando-me. "Nem mais uma palavra." Eu engulo, minha garganta de repente ficando seca. Ele não está me tocando em qualquer lugar, mas meus lábios, o meu corpo inflama, a minha excitação de volta apesar do meu nervosismo crescente. Ou talvez por causa disso. É impossível dizer. "Chupe meus dedos." Seu comando sussurrado é acompanhado pelo aumento da pressão sobre os meus lábios. "Agora." Obediente, eu abro minha boca e chupo dois de seus dedos grandes. Eles têm um gosto limpo e ligeiramente salgado, as bordas de suas unhas curtas, ásperas, contra o céu da minha boca. Eu viro minha língua ao redor de seus dedos como eu faria com seu pau, e sua mão empurra, como se a sensação fosse intensa para ele também. Conforme eu estou começando a pegar um ritmo, Julian retira os dedos e corre na frente do meu corpo, deixando uma trilha úmida e fresca na minha pele. Eu tremo em resposta, meus músculos internos tensos enquanto seus dedos circulam meu umbigo, suas unhas raspando levemente sobre minha barriga. Mais baixo, desejo em silêncio, por favor, basta ir um pouco mais pra baixo, mas ele levanta a mão em vez disso, privando-me do seu toque. Eu abro minha boca para argumentar com ele, mas depois eu me lembro que ele não quer que eu fale. Engulo, suprimindo as palavras, não querendo desagrada-lo quando ele está com esse humor imprevisível. Se Julian está realmente me punindo por alguma coisa, eu não quero provocá-lo ainda mais. Assim, em vez de implorar, eu ainda me encontro à espera, minha respiração rápida e superficial conforme eu tento ouvir seus movimentos.


Não consigo ouvir nada. Ele está apenas ali me observando? Olhando para o meu corpo semi-nu estendido e preso na cama? Finalmente, eu ouço alguma coisa. Um ruído de raspagem, como se ele pegasse alguma coisa da mesa de cabeceira. Eu espero, ouvindo tensa, e então eu o sinto. Algo frio e duro corre sob a faixa apertada do meu sutiã, pressionando entre os meus seios. Eu quase vacilo de susto, mas consigo conter-me, ainda assim, meu coração bate freneticamente. Recorte. O ruído é inconfundível. É o som de corte de metal em tecido grosso. Julian acabou de usar uma tesoura na parte frontal do meu sutiã. Permito-me uma pequena exalação de alívio, mas então eu fico tensa novamente conforme eu sinto a tesoura fria correndo pelo meu corpo. Recorte. Recorte. Ambos os lados da minha tanga são cortados, a borda da tesoura pressionando em meus quadris. Eu sinto o calor da mão de Julian quando ele puxa os restos mutilados de tecido do meu corpo, e então eu o ouço soltar uma respiração. Ele está olhando para mim. Eu sei isso. Eu imagino o que ele está vendo enquanto eu fico ali nua, com as pernas abertas, e um rubor aquece minha pele com a imagem pornográfica na minha mente. "Você já está molhada." Sua voz, baixa e grossa com o desejo, me faz queimar ainda mais. "A sua buceta está gotejando para mim." Ele acompanha as palavras com um toque de borboleta, suave, no meu clitóris dolorido. As pontas dos dedos ásperos na minha carne sensível disparam foguetes em minhas veias, enchendo-me de necessidade desesperada. Espontaneamente, um gemido escapa da minha garganta, e eu levanto meus quadris para ele, silenciosamente implorando por mais. Dessa vez, ele responde a meu apelo. Eu sinto o colchão afundando novamente quando ele sobe na cama, estabelecendo-se entre as minhas pernas. Suas mãos, grandes e fortes, agarram na parte superior das minhas coxas, e então ele abaixa a cabeça no meu sexo. Sinto seu hálito quente sobre minhas dobras abertas. Eu


quase choramingo em antecipação, mas eu seguro no último segundo, não querendo fazer nada para fazer Julian mudar de ideia. Eu quero seu toque. Eu preciso disso. É angustiante ficar sem ele. E então eu sinto a pressão suave, o molhado de sua língua entre minhas dobras, a pressão que tanto me sacia como intensifica a dor. Ele não me lambe; ele só controla a língua contra o meu clitóris, mas é o suficiente. É mais do que suficiente. Eu balanço meus quadris em pequenos movimentos, espasmódicos, criando o ritmo exato que eu preciso, e a tensão dentro de mim cresce, o encontro de prazer em uma bola quente, pulsando dentro do meu núcleo. Sua língua se move, então, seus lábios fechando em volta do meu clitóris em um forte movimento de sucção, e a bola arrebenta, cacos de ecstasy explodem através de minhas terminações nervosas quando eu grito, não sendo capaz de ficar em silêncio. Antes do meu orgasmo estar completamente terminado, ele começa a lamber-me. Lambidas suaves que se estendem até os tremores de prazer percorrendo o meu corpo cessarem. É uma sensação boa, mesmo com meu clitóris inchado e sensibilizado, então eu fico ali, apreciando-o, limpando o conteúdo da minha libertação. Não é até um minuto depois que eu percebo que o prazer está vindo mais uma vez, cada vez mais forte, transformando aquela tensão dolorida. Eu suspiro, arqueando em direção a sua boca, precisando de mais pressão para trazer-me sobre a borda, mas ele continua me tocando com essas lambidas leves, sua língua apenas mal passando sobre o meu clitóris. "Por favor, Julian..." As palavras escapam antes que eu possa lembrar a restrição de não falar, mas para meu alívio, ele não para. Em vez disso, ele continua me lambendo, sua língua se movendo em um ritmo que de forma lenta e tortuosa me faz mais apertada, me empurrando mais perto, mas não me deixa encontrar o que eu preciso. Eu tento empurrar meus quadris mais alto, mas eu não posso ganhar muita altura, esticada e espalhada como eu estou. Tudo o que posso fazer é suportar, totalmente à mercê de qualquer prazer-sofrimento que Julian escolha me dar. Só quando eu acho que eu não posso suportar muito mais, ele se desloca para o lado, movendo a mão direita da minha coxa para o meu sexo


latejante. Seus dedos grandes, sondam a minha entrada, e eu gemo quando ele empurra dois deles dentro, penetrando-me com uma rapidez surpreendente. Estou quase lá, é quase o que eu preciso... e depois o polegar pressiona duro em meu clitóris. Eu voo além, o prazer agudo ondulando através do meu corpo enquanto eu convulsiono, ofegante e chorando. "Sim, é isso, baby", ele murmura. Sua mão me deixa, e eu ouço o som de um zíper descendo. Eu registro apenas vagamente. Eu me sinto bêbada de orgasmos, desgastada pela intensidade brutal de tudo. Meu coração está batendo como se eu tivesse corrido uma corrida, e os meus ossos parecem como se fossem de geleia. Não há nenhuma maneira que eu possa querer mais, mas quando ele me cobre com seu corpo grande, uma pequena contração da sensação renovada faz minha barriga apertar. Ele está nu, já tirou suas roupas, e eu posso sentir seu calor, sua dureza. Seu poder masculino cru. Mesmo se eu não estivesse presa, eu me sentiria impotente e pequena, rodeada como eu estou por ele, mas com a corda em meus tornozelos e pulsos, esse sentimento é ampliado. Eu mal posso respirar sob o seu peso, mas não importa. Mesmo respirar parece opcional no momento. Tudo que eu preciso é Julian. Ele se move em cima de mim, apoiando-se nos cotovelos. A ponta de sua ereção roça contra a minha coxa quando ele abaixa a cabeça para me beijar, e eu estico com antecipação conforme eu o sinto começando a pressionar. Eu estou molhada e escorregadia dos orgasmos, meu corpo preparado para a sua posse, mas eu ainda sinto o alongamento quando seu pau grosso força sua entrada, abrindo minhas paredes internas, a sensação quase de dor. Sua língua invade minha boca, ao mesmo tempo, e eu não posso nem gemer quando ele começa a se mover, suas estocadas profundas e rítmicas. É impressionante, a sensação dele, o gosto dele, a maneira como seu corpo domina completamente e reivindica o meu. Eu não posso ver, não pode me mover. Eu estou me afogando, e ele é a minha única salvação.


Eu não sei quanto tempo leva antes do meu sexo pulsante gozar mais uma vez. Tudo o que sei é que quando Julian vem, eu venho com ele, tremendo e chorando em seu abraço. Depois, ele remove a venda e as cordas e me leva para o chuveiro. Estou tão exausta que mal posso ficar em pé, então Julian me lava, cuida de mim como se eu fosse uma criança. Quando ele me traz de volta para a cama, ele me puxa para seus braços, e conforme eu caio no sono, eu o ouço dizer em voz baixa: "Eu vou te dar o mundo, meu animal de estimação. Toda a porra do mundo, contanto que você seja minha."


Eu acordo na manhã seguinte com a sensação familiar de Nora esparramada em cima de mim. Como de costume, ela está dormindo com a cabeça apoiada no meu peito e uma de suas pernas finas enrolada toda em minhas coxas. Eu posso sentir o peso suave, seus seios cheios contra o meu lado, ouço até mesmo sua respiração, e meu pau endurece conforme lembranças da noite passada invadem minha mente em detalhes gráficos. Eu não sei por que, ocasionalmente, sinto esse desejo de atormentála, ouvi-la pedir e implorar. Por que a visão de seus limites na minha cama me dá tanta satisfação. Quando estávamos a caminho de seus pais na noite passada, eu planejava levá-la com cuidado e deixa-la ir dormir, mas quando a vi de pé ao lado dessa cama de dossel, minhas boas intenções viraram fumaça. Algo sobre o jeito que ela estava olhando para mim aguçou a fome perigosa no interior, trazendo a escuridão para a superfície. O que eu queria fazer com ela começou só com as cordas, e se eu não tivesse saído da sala depois de amarrá-la, eu teria quebrado o voto que fiz a mim mesmo na noite que eu a machuquei. O voto em manter a violência fora do nosso quarto pelos próximos meses. Felizmente, deixa-la um pouco e tomar um banho de água fria em um dos quartos pareceu dar certo, tendo a borda fora do desejo. Quando voltei, eu estava mais no controle, capaz de resolver torturá-la com prazer, em vez de dor.


Uma mudança na respiração de Nora traz minha atenção de volta para ela. Ela se mexe em cima de mim, fazendo um barulho suave, e esfrega o rosto contra meu peito. "Você não se levantou ainda", ela murmura sonolenta, e eu sorrio, um peculiar sentido de bem estar se espalhando através de mim com o tom de prazer em sua voz. "Não, ainda não", confirmo, acariciando suas costas lisas nuas. "Eu vou em alguns instantes, no entanto." "Você tem que ir?" Suas palavras são abafadas. "Você faz um bom travesseiro." "Eu estou feliz que eu possa ser útil." Com meu tom seco, ela move a cabeça, olhando para mim através de seus cílios longos e escuros. "Isso te incomoda? Que eu durma em cima de você assim?" "Não." Eu sorrio para sua pergunta. "Você acha que eu iria deixar se isso acontecesse?" Ela pisca. "Não. Claro que você não iria." Afastando-se de mim, ela se senta, puxando o cobertor em volta dela. "Nós provavelmente devemos levantar. Eu queria ir para uma corrida antes do café da manhã." Sento-me também. "Uma corrida?" "Sim. É seguro aqui, não é? " "Não é tão seguro como no complexo." A ideia dela correr lá fora me deixa desconfortável, mesmo com todas as medidas de segurança e nenhuma ameaça óbvia à vista. Se alguma coisa acontecesse com ela... "Julian, por favor." Nora começa a olhar aborrecida. "Eu só vou correr aqui, em Palos Park. Não vou longe, mas eu não posso ficar enfiada em casa por duas semanas-" "Eu vou com você." Eu me levanto e caminho até o armário para encontrar um par de shorts de corrida. "Vista-se. Nós devemos nos apressar. Eu suponho que Rosa já esteja preparando o café da manhã."


Começamos a correr devagar para aquecer. Está 15 graus lá fora, mas me movimentar me impede de sentir o frio, mesmo que eu não esteja vestindo uma camisa. Eu discuto com Nora para colocar mais camadas, mas ela parece confortável em suas leggings curtas e uma camiseta, então eu decidir deixá-la ir. À medida que saímos da nossa entrada e viramos para a rua, eu mantenho um olhar atento sobre os carros dos vizinhos saindo de suas garagens e as pessoas indo para fora para a sua própria manhã. Estar em volta de tantos estranhos me deixa desconfortável. Meus homens estão estrategicamente posicionados ao redor da propriedade, então eu sei que estamos seguros, mas não posso deixar de observar sinais de perigo. "Você sabe que ninguém vai saltar sobre nós dos arbustos, certo?" Nora diz, obviamente, percebendo minha preocupação com o ambiente. "Não é esse tipo de vizinhança." Eu olho para ela. "Eu sei. Eu os investiguei." Ela sorri e pega velocidade. "Claro que você o fez." Eu igualo o seu ritmo, e mantenho um ritmo acelerado pelos próximos quarteirões. Um leve brilho de suor aparece no rosto de Nora, deixando sua pele com um brilho dourado, e eu encontro-me cada vez mais distraído pela visão dela. Ela sempre parece sexy quando ela corre, seu corpo pequeno atlético e feminino ao mesmo tempo. Os músculos tensos, redondos de sua bunda, flexionados com cada passo que ela dá, e não posso deixar de imaginar minhas mãos apertando essa bunda enquanto eu enfio o meu pau dentro dela. Porra. Nesse ritmo, eu vou precisar de outro banho frio. "O que você vai fazer depois do café?" Nora pergunta sem fôlego quando passamos por um casal correndo. "Você tem algum trabalho para fazer?" "Eu tenho que encontrar com o meu gerente de carteira na cidade", eu respondo, tentando controlar o impulso de virar e encarar o corredor masculino. O filho da puta olhou Nora um pouco demais quando passou por ele. "Eu vou estar de volta antes do jantar."


"Oh, isso é bom." Ela está começando a ofegar enquanto ela fala. "Eu quero cortar o cabelo hoje, e talvez encontre com Leah e Jennie." "O quê?" Eu viro a cabeça para olhar para ela conforme chegamos na esquina. "Onde exatamente você está planejando fazer essas coisas?" "No Chicago Ridge Mall. Eu enviei mensagens a Leah e Jennie na semana passada, deixando que elas soubessem que eu estaria na cidade, e elas disseram que viriam hoje e ficariam para o feriado do Memorial Day." Ela diz tudo em um longo suspiro, então engole mais ar e me dá um olhar suplicante. "Você não se importa se eu vê-las, certo? Eu não vejo Jennie a dois anos, e Leah- "Ela abruptamente fica em silêncio, e eu sei que é porque ela ia dizer que ela viu Leah da última vez que ela esteve naquele shopping amaldiçoado, quando Peter deixou-a agir como isca para a al-Quadar. Meu animal de estimação não percebe que já sei sobre esse encontro e sobre a presença de Jake naquele dia. "Você não vai a esse shopping." Eu sei que soo duro, mas eu não posso evitar. Apenas o pensamento dela vagando naquele lugar sozinha é suficiente para me fazer ver vermelho. "É muito lotado para ser seguro." "Mas-" "Se você quiser se encontrar com suas amigas, você pode fazê-lo aqui na casa ou em algum restaurante em Oak Lawn-depois de eu ter certeza que é seguro." Os lábios de Nora apertam, mas ela sabiamente não expressa quaisquer objeções. Ela sabe que isso é o máximo que ela pode me empurrar. "Ok, eu vou pedir-lhes para me encontrar no Fish-of-the-Sea", diz ela depois de um minuto. "E o meu corte de cabelo?" Eu olho o rabo de cavalo longo pendurado pelas costas. Parece bonito para mim, especialmente com o fim balançando para trás sobre sua bunda bem torneada. "Por que você precisa de um?" "Porque", ela ofega quando nós pegamos ritmo "Eu não tenho um corte a dois anos." "Então?" Eu ainda não vejo o problema. "Eu gosto do seu cabelo comprido."


"Você é um cara." Ela mal consegue falar, mas de alguma forma consegue rolar os olhos. "Eu preciso dar forma a esta confusão. Está me deixando louca." "Eu não quero que você corte curto." Eu não sei por que eu me importo, de repente, mas eu faço. "Se você cortar, não tire mais do que um par de centímetros." Nora me dá um olhar incrédulo quando nós paramos para deixar um carro sair da calçada em frente a nós. "Sério? Por quê?" "Eu te disse. Eu gosto dele comprido." Ela revira os olhos novamente, nós voltamos a correr. "Sim, tudo bem. Eu não ia cortar muito ou qualquer coisa. Eu só quero ter algumas camadas." "Não mais do que um par de centímetros", repito, dando-lhe um olhar duro. "Uh-huh, com certeza." Tenho a impressão de que ela está fazendo o rolar de olhos de novo. "Então eu posso ter um corte de cabelo?" "Não no Chicago Ridge Mall. Encontre um lugar calmo nas proximidades, e eu vou ter os meus homens lá." "Ok", ela suspira quando começamos a correr. "É um acordo."

Antes de eu sair para a cidade, eu me certifico de que Nora está totalmente resolvida com seus planos para o dia. Atribuo uma dúzia dos meus melhores homens para serem seus seguranças e dou-lhes ordens para serem os mais discretos possível. Ela provavelmente nem vai perceber a presença deles, mas eles vão ter certeza que ninguém suspeito fique dentro de trezentos metros dela. "Eu vou ficar bem", diz ela, quando eu hesito no corredor antes de sair de casa. "Realmente, Julian. É apenas um corte de cabelo e almoço com as meninas. Eu prometo que tudo vai ficar bem".


Eu respiro fundo e a libero. Ela está certa. Eu estou sendo paranoico nesse momento. As precauções que estou tomando são a melhor maneira de mantê-la segura fora da propriedade. Claro, eu sempre poderia mantê-la dentro da propriedade para o resto da sua vida, o que seria ótimo para minha paz de espírito, mas Nora não seria feliz assim, e a sua felicidade importa para mim. Importa muito mais do que eu esperava. "Como está se sentindo?" Eu pergunto, ainda relutante em ir por algum motivo. "Alguma náusea? Cansaço?" Eu olho para seu estômago, um estômago que ainda é plano nos jeans apertados que ela está vestindo. "Não, nada." Ela me dá um sorriso tranquilizador quando eu olho para cima para encontrar seu olhar. "Nem mesmo uma pitada de náuseas. Eu estou tão saudável como um cavalo." "Tudo bem, então." Andando em direção a ela, eu levanto a minha mão para suavemente acariciar sua bochecha. "Tenha cuidado, bebê, ok?" "Ok", ela sussurra, olhando para mim. "Você também, Julian. Fique seguro, e eu vou vê-lo em breve." E antes que eu possa me afastar, ela ergue-se nas pontas dos pés e dá um beijo breve, queimando em meus lábios.


"Rosa, você tem certeza que não quer ir comigo?" "Não, não, eu disse a você, eu tenho muito a fazer antes do jantar. O Señor Esguerra está confiando em mim para impressionar a sua família com essa refeição, e eu não quero desapontá-lo. Vá em frente, divirta-se e mate a saudade das suas amigas." Rosa praticamente me chuta fora da enorme cozinha. "Vá, ou você vai se atrasar para seu corte de cabelo." "Tudo bem, você está certa." Balançando a cabeça com a obstinação de Rosa com suas obrigações, eu sigo para a entrada principal, onde um carro já está esperando por mim. Felizmente, não é a limo, mas uma Mercedes preta de tamanho normal. Eu não vou ficar fora por muito tempo, muito embora este carro, como o limo, também parece ser equipado com vidro à prova de balas. O motorista é um homem alto e magro que eu vi em volta da propriedade, mas nunca falei. Julian me disse essa manhã que seu nome é Thomas. Thomas não se apresenta ou fala muito desta vez, toda a sua atenção focada na estrada. Ao deixarmos a entrada de automóveis, vejo dois SUVs pretos atrás de nós e seguindo a uma certa distância. Faz-me sentir como se eu fosse a primeira-dama, ou talvez uma princesa da máfia. A última é provavelmente uma melhor comparação. Demora menos de uma hora e meia para chegar ao cabeleireiro. Não é um lugar sofisticado, mas tem uma boa reputação na área, e mais


importante, Julian considerou a sua localização fácil. Eu não esperava conseguir um horário com tanta facilidade, mas eles tinham tido um cancelamento essa manhã e foram, portanto, capazes de me encaixar as onze. "Apenas uma aparada, por favor," eu peço após uma senhora tatuada de cabelo roxo lavar meu cabelo e me levar a uma das estações de corte. "Não mais do que um par de centímetros." "Tem certeza?", Ela pergunta. "Olhe para a espessura que está. Você deve pelo menos colocar algumas camadas. " Eu franzo a testa, estudando meu reflexo no espelho. "Ainda vai ficar comprido?" "Claro. Você não vai perder qualquer comprimento - vai estar apenas moldado melhor. As camadas mais curtas, aquelas em torno de seu rosto, serão bem abaixo de seus ombros". "Nesse caso, pode ser." Tento parecer decisiva, embora eu não sinto nada do tipo. É difícil desobedecer Julian, mesmo nessa coisa pequena, e isso me deixa determinada a fazê-lo. "Vamos colocar em camada essa bagunça." Conforme a cabelereira agita em torno de mim, puxando e cortando o meu cabelo, eu assisto as outras pessoas no salão. Depois de semanas de isolamento na propriedade, me sinto estranha em estar entre tantos estranhos. Ninguém está me dando muita atenção, mas eu ainda me sinto desconfortavelmente exposta, como se todo mundo estivesse olhando para mim. Eu também estou um pouco ansiosa. Eu sei que aqui ninguém me faria qualquer dano, de modo que o sentimento é ilógico, mas um pouco da paranoia de Julian está passando para mim. Ainda assim, estar aqui no meu próprio país é emocionante. Eu sei que os homens de Julian estão lá fora, então eu realmente não tenho qualquer liberdade, mas parece que eu tenho. Parece que eu sou uma garota normal, para um dia de arrumação e sair com seus amigos. "Pronto," a estilista anuncia após alguns minutos. "Agora é só secar, e você vai estar pronta."


Eu aceno, tentando evitar olhar para as longas madeixas espalhadas por todo o chão. Parece um monte de cabelo, embora os fios molhados que vejo no espelho não pareçam particularmente curtos. "Então, o que você acha?", Ela pergunta depois que meu cabelo está seco. Ela me dá um espelho. " Você gosta?" Viro-me na cadeira giratória, estudando meu novo penteado de todos os ângulos. Parece um anúncio de shampoo, longo, escuro e elegante, com as camadas mais curtas em torno de meu rosto acrescentando algum volume lisonjeiro. "Perfeito." Eu devolvo o espelho com um sorriso. "Muito obrigada." Desobedecendo Julian parece combinar comigo. Parece pelo menos.

Eu ainda tenho algum tempo para matar antes de me encontrar com Leah e Jennie, então eu faço o pé e a mão no mesmo salão. No meio da pedicure, meu telefone toca com uma mensagem de Julian. Você ainda está aí? ele manda. Thomas diz que faz quase duas horas. Tendo minhas unhas pintadas, eu respondo. Como estão as coisas com você? Provavelmente não tão coloridas quanto com você. Eu sorrio e coloco meu telefone longe. Isso tudo parece tão maravilhosamente normal, mesmo com a supervisão de Thomas. É como se nós fossemos apenas um casal, com nada escuro e confuso em nossas vidas. Impulsivamente, eu pego meu telefone na minha bolsa novamente. Te amo, Eu escrevo, acrescentando um rosto sorridente no final para dar ênfase. Não há uma resposta, mas eu não esperava. Julian nunca iria reconhecer seus sentimentos por mim – quaisquer que sejam – por mensagem de texto. Ainda assim, o meu coração fica apenas um pouco


mais pesado quando eu coloco o telefone longe e pego uma revista de fofocas em seu lugar. Meia hora mais tarde, eu estou tão arrumada e brilhante como as modelos de revista. Meu cabelo flui pelas minhas costas em uma cortina lisa, brilhante, e minhas unhas estão mais bonitas do que elas estiveram em meses. Adicionando uma gorjeta generosa, eu pago e saio do salão de beleza, pronta para a continuação do meu dia. Como esperado, Thomas está aguardando por mim lá fora. Eu não vejo qualquer um dos outros da equipe de segurança, mas eu sei que eles estão lá, me guardando fora de vista. Ainda assim, a sua falta de presença visível aumenta a ilusão de normalidade, e o meu espírito levanta novamente enquanto nós dirigimos ao restaurante de frutos do mar, onde Leah e Jennie concordaram em me encontrar para almoçar. Elas já estão lá quando eu entro, e os primeiros minutos são preenchidos com abraços e exclamações excitadas sobre o tempo que passou desde que nós vimos uma a outra. Eu tinha medo de que as coisas poderiam ser tensas com Leah após o último encontro – no shopping, mas minhas preocupações parecem ter sido infundadas. Nós três juntas, é como os nossos dias de escola mais uma vez. "Oh Deus, Nora, eu tinha esquecido como você é linda", Jennie exclama quando estamos todas sentadas. "Ou isso, ou viver na selva está fazendo bem pra você." "Ora, muito obrigada", eu digo, rindo. "Você está ótima. Quando você decidiu ir pro vermelho? Eu amo essa cor em você”. Jennie sorri, seus olhos verdes brilhando. "Quando comecei a faculdade. Eu decidi que era hora de uma mudança, e era vermelho ou azul." "Eu a convenci a ficar no vermelho," Leah diz com um sorriso maroto. "azul não teria combinado com sua tez irlandesa." "Oh, eu não sei", eu digo com uma cara séria. "Eu ouvi que Smurfs estão em alta ultimamente." Leah explode em riso, e Jennie e eu participamos. É tão bom estar de volta com as duas. Eu saí com Leah um par de vezes desde o meu rapto,


mas eu não via Jennie a quase dois anos. Ela estava estudando no exterior, quando eu estive em casa nos quatro meses após a explosão do armazém, de modo que nunca tivemos a chance de nos reconectar além de algumas mensagens no Facebook. "Ok, Nora, solte," Jennie diz após o garçom tirar nossos pedidos. "Como é ser casada com um Pablo Escobar moderno? Os rumores que ouço são além de bizarros". Leah engasga com sua água, e começo a rir novamente. Eu tinha esquecido a propensão de Jennie para chocar as pessoas. "Bem," eu digo quando eu me acalmo o suficiente para falar ", Julian lida com armas, não drogas, mas caso contrário, estar casada com ele é muito bom." "Oh vamos lá. Muito bom?" Jennie me dá uma careta exagerada. "Eu quero todos os detalhes. Ele dorme com uma metralhadora debaixo do travesseiro? Come filhotes de cachorro de café da manhã? Quer dizer, o cara sequestrou você, pelo amor de Deus! Dê-nos tudo-" "Jennie", Leah corta bruscamente. Ela não parece nem um pouco divertida. "Eu não acho que esta seja uma questão para brincar." "Está tudo bem", eu a tranquilizo. "Realmente, Leah, está tudo bem. Julian e eu estamos casados agora, e estamos felizes juntos. Nós realmente estamos." "Felizes?" Leah olha para mim como se tivesse crescido chifres em mim. "Nora, você sabe o que ele é capaz de fazer, o que ele fez. Como você pode ser feliz com um homem assim?" Eu olho para ela, sem saber como responder. Quero dizer que Julian não é assim tão mau, mas as palavras param na minha garganta. Meu marido é assim tão mau. Na verdade, ele é provavelmente pior do que a Leah pensa. Ela não sabe sobre a erradicação em massa da Al-Quadar nos últimos meses ou o fato de que Julian é um assassino desde a infância. Claro, ela também não sabe que eu sou uma assassina. Se ela soubesse, ela provavelmente acharia que Julian e eu nos merecemos.


Para meu alívio, Jennie vem em meu socorro. "Pare de ser tão desmancha prazeres", diz ela, cutucando Leah nas costelas. "Então ela está feliz com ele. Isso é melhor do que ser infeliz, certo?" A pele clara de Leah fica vermelha. "Claro. Desculpe, Nora." Ela tenta um sorriso fraco. "Eu acho que eu tenho dificuldade de entender tudo. Quero dizer, você está aqui, finalmente, voltou para os EUA, e você está planejando voltar para a Colômbia com ele." "Isso é o que acontece quando as pessoas se casam," Jennie diz antes que eu possa responder. "Elas vivem juntas. Como você e Jake. É natural que Nora iria voltar com seu marido" "Você e Jake estão vivendo juntos?" Eu interrompo, olhando para Leah em estado de choque. "Desde quando?" "Há duas semanas," Jennie diz alegremente. "Leah não te disse?" "Eu ia dizer a você hoje," Leah diz para mim. Ela parece desconfortável. "Eu queria dizer-lhe pessoalmente." "Por quê? Eles só tiveram um encontro," Jennie diz razoavelmente. "Não é como se eles fossem namorado-namorada." "Jennie está certa", eu digo. "Realmente, Leah, eu estou feliz por vocês dois. Você não tem que ter medo de me dizer coisas assim. Eu não vou pirar, eu prometo." Eu dou-lhe um grande sorriso antes de perguntar: "Vocês estão alugando um apartamento fora do campus?" "Estamos", Leah diz, parecendo aliviada com a minha pergunta. "Nós dois tivemos problemas com companheiros de quarto, por isso decidimos que viver juntos pode ser a melhor opção." "Faz sentido para mim", Jennie diz, e pelos próximos minutos, discutimos os prós e contras de viver com namorados contra companheiros de quarto. "E você, Jennie?", Pergunto após o garçom trazer os nossos aperitivos. "Quaisquer namorados no horizonte para você?" "Ugh, não." Jennie faz uma cara de nojo. "Há apenas uma dúzia de caras ok – olhando em Grinnell, e eles estão todos comprometidos. Vocês duas deveriam ter me impedido quando eu decidi ir para a faculdade no meio do nada. Sério, é pior do que estar na escola."


"Não!" Eu alargo os meus olhos em fingido horror. "Pior do que estar na escola?" "Nada é pior do que estar na escola", Leah diz, e as duas começam a discutir sobre a disponibilidade comparativa de caras em uma escola suburbana versus uma pequena faculdade de artes liberais. Conforme a refeição prossegue, falamos sobre tudo e qualquer coisa, exceto o meu relacionamento com Julian. Leah nos fala sobre um estágio que ela conseguiu em um escritório de advocacia de Chicago, e Jennie conta divertidas histórias sobre suas recentes férias em Curaçao. "Eles tinham uma fábrica de processamento de petróleo próxima ao nosso hotel. Dá para acreditar?", ela reclama, e Leah e eu concordamos, mesmo com uma piscina infinita de água salgada – um recurso interessante no hotel que Jennie se hospedou- não pode se somar a algo tão atroz como uma refinaria de petróleo, principalmente, em um local de férias. Eventualmente, a conversa se volta para a minha vida na fazenda, e eu lhes digo tudo sobre minhas aulas on-line em Stanford, as aulas de arte que eu estou tendo de Monsieur Bernard, e minha amizade crescente com Rosa. "Eu queria que ela se juntasse a nós hoje, mas ela não podia," eu explico, me sentindo um pouco culpada por isso. "Meus pais estão vindo para o jantar, e Julian pediu a Rosa para ajudar com a refeição." Conforme eu disse isso, eu percebo como mimada eu soo e pelos olhares invejosos de Jennie e Leah, elas percebem isso também. "Uau," Jennie diz, balançando a cabeça. "Não admira que você esteja feliz com esse cara. Ele te trata como uma princesa. Se alguém me desse Stanford, servos, e uma enorme propriedade, eu não me importaria em ser sequestrada." "Jennie!" Leah dá-lhe um olhar horrorizado. "Você não quer dizer isso." "Não, eu provavelmente não", Jennie concorda, sorrindo. "Ainda assim, Nora, você tem que admitir, a coisa toda é bem legal." Eu dou de ombros, sorrindo. "bem legal" é uma maneira de descrevêla. Confusa e complicada é outra, mas estou feliz em ficar com a descrição de Jennie por agora.


"Espera, você disse que seus pais estão vindo para o jantar?" Leah pergunta, como se só agora processasse essa parte da minha afirmação. "Como, para jantar com você e ele?" "Sim", eu digo, apreciando as expressões em ambos os rostos das minhas amigas. "Tivemos um jantar na casa dos meus pais na noite passada, por isso hoje eles estão vindo para a nossa." E, como Leah e Jennie continuam olhando para mim em estado de choque, eu explico que Julian comprou uma casa em Palos Park, por isso, temos um lugar seguro para ficar durante as visitas. "Menina, eu tenho que dizer, você vive em um mundo totalmente diferente agora", Jennie diz, balançando a cabeça. "ilha particular, uma propriedade na Colômbia, agora isso..." "Nada disso compensa o fato de que ele é um psicopata", Leah diz, dando a Jennie um olhar penetrante antes de virar para mim. "Nora, como seus pais lidam com ele?" "Eles estão... lidando." Eu não sei de que outra forma descrever a aceitação cautelosa por parte dos meus pais. "Não é, obviamente, fácil para eles." "Sim, eu posso imaginar", diz Jennie. "Eles são guerreiros, os seus pais. Os meus teriam ficado loucos." "Eu não acho que 'enlouquecer' teria ajudado", Leah diz astutamente. "Tenho certeza de que os pais de Nora estão apenas felizes em tê-la de volta." Eu começo a responder, mas, naquele momento, tanto Jennie como Leah olham para cima, de boca aberta para algo atrás de mim. Instintivamente, eu viro e olho para cima em linha reta encontrando o olhar azul de meu antigo captor. Ele está de pé em cima de mim, sua mão descansando casualmente na parte de trás da minha cadeira e seus lábios se curvam em um sorriso perigosamente sexy. "Se importa se eu me juntar a vocês, senhoras?", Ele pergunta, parecendo divertido. "Julian." Eu pulo no meu lugar, assustada e mais do que um pouco perturbada. "O que você está fazendo aqui?"


"Meu encontro terminou mais cedo, então eu pensei em passar por aqui e ver se você estava pronta para ir para casa", diz ele. "Mas eu vejo que você não está ainda." "Hum, não. Nós estávamos prestes a pedir a sobremesa." Eu lanço um olhar incerto a Leah e Jennie, e vejo que ambas estão olhando para Julian. Leah parece que está pronta para fugir, enquanto a expressão de Jennie é uma mistura de fascínio e temor. Merda. Tanto para um almoço normal com meus amigos. Virando a atenção para Julian, eu digo com relutância, "Quer dizer, eu posso terminar se-" "Não, não, por favor se junte a nós, se você tiver tempo," Jennie salta, aparentemente se recuperando do choque. "Eles têm um ótimo cheesecake aqui." "Bem, nesse caso, devo ficar", Julian diz suavemente, sentando-se ao meu lado. "Eu não gostaria de privar Nora de tal delicadeza." Ele sorri para mim. "Seu cabelo parece ótimo, por sinal, baby. Você estava certa sobre as camadas". "Oh." Lembrando o meu pequeno ato de rebeldia, eu toco o meu cabelo, sentindo os fios mais curtos. Sua aprovação é tanto uma decepção como um alívio. "Obrigada." "Ele fica bem nela", Leah diz com voz rouca, e vejo seus olhos com menos pânico agora. Limpando a garganta, ela acrescenta desnecessariamente, "O novo corte de cabelo, eu quero dizer." O sorriso de Julian amplia. "Sim. Ela está linda, não é?" "Sim, linda," Jennie ecoa, exceto que ela está olhando para Julian, em vez de mim. Ela parece hipnotizada, e eu não posso culpá-la. Com as cicatrizes em seu rosto quase desaparecidas e seu implante ocular indistinguível da coisa real, Julian é tão magnífico como sempre, sua beleza masculina escura e marcante. Finalmente, reunindo meu juízo disperso, eu digo: "Desculpe, eu esqueci de apresentar todos. Julian – essas são minhas amigas Lia e Jennie. Leah, Jennie – esse é Julian, meu marido."


"É bom conhecê-las", Julian diz com fácil charme. "Nora me contou um pouco sobre vocês." "Oh?" Leah franze a testa. Ao contrário de Jennie, ela não parece deslumbrada com sua aparência. "Como o quê?" "Como o fato de que vocês são amigas desde o ensino médio", diz Julian. "Ou que você, Jennie, foi o par de Nora no baile do segundo ano de boas vindas." Eu pisco, surpreendida. Eu tinha mencionado isso para Julian, em algum momento, mas eu não esperava que ele se lembrasse de tais trivialidades. "Oh, wow," Jennie respira, os olhos ainda colados no rosto de Julian. "Eu não posso acreditar que ela lhe disse tudo isso." A boca de Leah aperta, e ela faz um gesto para o garçom. "Uma fatia de cheesecake, por favor, e, em seguida, a conta", ela pede, quando ele se aproxima. "As suas porções são enormes", explica ela, embora ninguém se oponha ao tamanho de seu pedido. "Todos nós podemos dividi-lo." "Isso está bom para mim", eu digo. Estou surpresa que Leah esteja disposta a ficar tempo suficiente para comer o cheesecake. Eu não teria a culpado se ela tivesse saído dali agora mesmo. Sei que ela está ciente do que aconteceu com Jake, e o fato de que ela está disposta a ser um tanto civilizada com Julian fala muito sobre seu compromisso com a nossa amizade. "Então me diga," Julian diz quando o garçom se afasta, "como foi o seu almoço até agora? Nora já lhes disse a grande notícia?" Eu congelo, horrorizada que ele esteja fazendo isso. Dizer as minhas amigas sobre o bebê era algo que eu planejava fazer muito mais tarde, quando fosse inevitável. Não hoje, quando eu ainda posso fingir ser uma menina da faculdade despreocupada. "Que grande notícia?" Jennie pergunta ansiosamente, inclinando-se para a frente. Seus olhos estão arregalados de curiosidade. "Nora não nos disse nada."


"Ela não informou sobre o dono da galeria em Paris?" Julian me dá um olhar de soslaio. "Aquele que colocou uma oferta para comprar suas pinturas?" "O quê?", Exclama Leah. "Quando isso aconteceu, Nora?" "Um, ontem," murmuro, uma onda de alívio varrendo a sensação de mal estar no estômago. "Julian me falou sobre isso, mas eu não vi a oferta ainda." "Uau, parabéns." Jennie sorri para mim. "Então você está prestes a ser uma artista famosa, hein?" "Eu não sei sobre famosa-" Eu começo, mas Julian me corta. "Ela é", diz ele com firmeza. "O dono da galeria está oferecendo dez mil euros para cada uma das cinco pinturas." E no meio de exclamações de emoção das minhas amigas, ele explica que o dono da galeria é um colecionador de arte conhecido, e que minhas pinturas já estão ganhando notoriedade em Paris devido a conexões de Monsieur Bernard. No meio de tudo isto, a nossa fatia de cheesecake chega. Leah tinha razão em pedir apenas uma; A fatia é quase do tamanho da minha cabeça. O garçom traz quatro pratos pequenos, e nós dividimos o bolo enquanto Julian responde às perguntas de Jennie sobre a arte de Paris e da França em geral. "Uau, Nora, que vida excitante você está prestes a começar," Jennie diz, pegando a conta que o garçom trouxe. "Você vai nos dizer quando você tiver sua primeira exposição, certo?" "Eu pago isso," Julian diz, pegando a conta antes que Jennie possa tocá-la. E antes das minhas amigas poderem proferir uma palavra de protesto, ele entrega duas notas de cem dólares para o garçom, dizendo: "Fique com o troco". "Oh, obrigado," Jennie diz quando o garçom extático vai para longe. "Você não tem que fazer isso. Você só deu uma mordida no cheesecake, nada da comida". "Por favor, vamos pagar a nossa parte", Leah diz secamente, pegando sua carteira, mas Julian acena para ela.


"Por favor, não se preocupe. É o mínimo que posso fazer pelas amigas de Nora." Levantando-se, ele estende a mão para mim. "Pronta, baby?" "Sim", eu digo, colocando minha mão na sua. Minhas poucas horas de liberdade acabaram, mas de alguma forma eu não me importo. Tão emocionante como o dia tinha sido, me sinto confortável em ser reivindicada por Julian novamente. Para estar de volta onde eu pertenço.


"Por que você veio me encontrar?" Nora pergunta, conforme nós entramos no carro depois de dizer adeus a suas amigas. "Você estava com medo que eu poderia fugir?" "Você não teria ido longe se você tentasse." Virando-se para encará-la, eu corro meus dedos pelos cabelos. Está um pouco mais curto na frente, mas ainda muito comprido e até mesmo mais sedoso do que o habitual. "Eu não estava indo fugir." Nora franze a testa para mim. "Eu não quero fugir de você. Não mais." "Eu sei disso, meu animal de estimação." Eu me forço a parar de tocar seu cabelo antes de eu desenvolver um fetiche. "Eu não a teria trazido para a América de outra forma." "Então por que você veio me pegar? Eu estaria em casa em uma hora de qualquer maneira." Eu dou de ombros, não querendo admitir o quanto eu sinto falta dela. Meu vício é completamente fora do controle. Não importa o que eu esteja fazendo, estou constantemente pensando nela. Mesmo algumas horas de intervalo são intoleráveis nos dias de hoje, tão ridículo como isso possa ser. "Ok, bem, eu estou feliz que Leah não pirou muito", Nora diz quando eu permaneço em silêncio. "Eu pensei que ela iria correr ou ligar para a polícia quando aparecesse pela primeira vez." Ela olha para baixo, em


seguida, olha para cima. "Se você não tivesse mencionado a grande novidade, as coisas teriam sido muito estranhas." "Sério?" Eu digo suavemente. "Talvez eu devesse ter dito a elas a grande notícia." Foi o que eu pretendia originalmente, perguntar se Nora já lhes havia dito sobre o bebê, mas a expressão de horror em seu rosto mostrou a verdade antes que qualquer de suas amigas pudessem falar. Nora chega para o meu lado, seus dedos finos curvando em torno da minha palma. "Estou feliz que você não o fez." Ela dá um aperto de mão suave. "Obrigada por isso." "Por que não disse a elas?" Eu pergunto, colocando minha outra mão sobre sua pequena mão. "Elas são suas amigas, eu esperava que você compartilhasse essas coisas com elas." "Eu vou dizer a elas." Ela parece desconfortável. "Só ainda não." "Você tem medo que elas vão julgá-la?" Eu franzo a testa para ela, tentando entender. "Somos casados. Isso é apenas natural. Você sabe disso, certo?" "Elas vão me julgar, Julian." Seus lábios torcem. "Eu vou ser mãe aos vinte. Meninas da minha idade não falam em casamento e bebês. Pelo menos a maioria que eu saiba, não." "Entendo." Eu a estudo pensativo. "O que elas fazem? Festas? Clubes? Namorados?" Ela abaixa o olhar. "Tenho certeza que você acha que é bobagem." É, no entanto, não é. Ele ainda me pega de surpresa, às vezes, o quão jovem ela é. Como sua experiência tem sido limitada. Não me lembro nunca de ser tão jovem. Até o momento que eu tinha vinte anos, eu já estava à frente da organização do meu pai, tendo visto a maior parte do mundo e feito coisas que fariam endurecer mafiosos. A juventude tinha me ignorado, e eu continuo esquecendo que Nora ainda mantém um pouco da sua. "É isso que você quer?", Pergunto quando ela olha para mim novamente. "Sair? Para se divertir?" "Não, quero dizer, isso seria bom, mas eu sei que não é real." Ela solta uma respiração profunda, sua mão se contraindo ao meu alcance. "Está


tudo bem, Julian. Sério. Vou dizer-lhes em breve. Eu só não queria que o nosso almoço hoje fosse sobre isso". "Ok." Liberando sua mão, eu coloco meu braço sobre os ombros e a puxo para mais perto. "Tudo o que você achar melhor, meu animal de estimação".

Para minha satisfação, o segundo jantar com os pais de Nora corre bem. Nora dá-lhes uma excursão pela casa enquanto eu recupero o atraso no trabalho, e pelo tempo que eu me junto a todos para o jantar, os Lestons parecem muito menos tensos do que antes. "Uau, olhe para esta mesa", Gabriela diz quando todos nós sentamos. "Rosa, você preparou tudo isso?" Rosa balança a cabeça, sorrindo com orgulho. "Eu fiz. Espero que todos gostem." "Tenho certeza de que vamos", eu digo. A mesa está coberta com pratos que vão desde uma salada de espargos brancos até a receita tradicional colombiana de Arroz con Pollo5. "Obrigada, Rosa." "Eu ainda estou cheia do cheesecake", Nora diz, rindo, "mas eu vou tentar fazer justiça a essa refeição. Tudo parece delicioso." À medida que pegamos a comida, a conversa gira em torno do dia de Nora com suas amigas e as últimas fofocas locais. Aparentemente, um dos vizinhos divorciados dos Lestons começou a namorar uma mulher dez anos mais velha, enquanto o Chihuahua do homem entrou em uma briga com o gato persa do outro vizinho. "Dá para acreditar?" Tony Leston diz, rindo. "Esse gato supera o cão em tamahho." Nora e Rosa riem enquanto eu observo os Lestons com estupefação. Pela primeira vez, eu entendo por que Nora queria visitar tanto aqui, o que ela queria dizer quando ela disse que precisava de uma pausa da

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Arroz con Pollo é um arroz com frango


propriedade. A vida que os pais de Nora levam – a vida que ela tinha antes de me conhecer – é tão diferente como se eu visitasse outro planeta. Um planeta povoado por pessoas deliciosamente ignorantes das realidades do mundo. "O que vão fazer no sábado, querida?" Gabriela pergunta, sorrindo calorosamente para a filha. “Vocês já tem planos?" Nora olha intrigada. "Sábado? Não, ainda não." E então seus olhos se arregalam. "Oh, sábado. Quer dizer meu aniversário?" Eu suprimo uma labareda de aborrecimento. Eu estava esperando surpreender Nora de novo, de preferência com um melhor resultado desta vez. Ah bem. Nada a ser feito agora. Inclinando-me para trás na cadeira, eu digo: "Nós temos algo planejado para a noite, mas não durante o dia." "Maravilhoso." A mãe de Nora sorri para ela. "Por que vocês não vêm para o almoço, então? Vou fazer todos os seus pratos favoritos." Nora olha para mim, e eu dou-lhe um pequeno aceno de cabeça. "Nós ficaríamos felizes, mamãe", diz ela. O sorriso de Gabriela escurece um pouco no "nós", então eu inclino para a frente e digo a Nora, "Eu receio que eu tenho algum trabalho a fazer, baby. Por que você não passa algum tempo com seus pais sozinha?" "Oh, com certeza." Nora pisca. "OK." Tony e Gabriela olham em êxtase, e eu volto a comer, desligando-me do resto da conversa. Tanto quanto eu não gosto da ideia de estar longe de Nora, eu quero que ela tenha algum tempo livre de tensão com seus pais, algo que só pode ser alcançado sem a minha presença. Eu quero que o meu animal de estimação seja feliz em seu aniversário, não importa o que é preciso.

Após os Lestons saírem, Nora se dirige para o chuveiro, e eu pego meu telefone para verificar as minhas mensagens. Para minha surpresa, há um e-mail de Lucas. É apenas uma linha:


Yulia Tzakova escapou. Suspirando, eu coloco o telefone longe. Eu sei que deveria estar furioso, mas por alguma razão, eu estou apenas um pouco irritado. A menina russa não vai chegar longe; Lucas vai caçá-la e trazê-la de volta logo que voltarmos. Por enquanto, porém, eu imagino sua raiva – a raiva que eu posso sentir nas palavras do e-mail e solto uma risada. Se a queda do avião não tivesse matado tantos de meus homens, eu quase sentiria pena da menina.


"Um olho por um olho." Os olhos de Majid queimam com o ódio quando ele vem na minha direção, passando por cima do corpo mutilado de Beth. O sangue está até os tornozelos enquanto ele anda, o líquido escuro espirrando ao redor de seus pés em um redemoinho malévolo. "Uma vida por uma vida." "Não." Eu estou de pé ali, balançando, o medo pulsando dentro de mim em uma batida doentia. "Isso não. Por favor, não isso." É tarde demais, porém. Ele já está lá, pressionando a faca contra o meu estômago. Sorrindo cruelmente, ele olha para trás e diz: "A cabeça vai ser um pequeno troféu agradável -depois que eu cortá-la um pouco, é claro..." "Julian!" Meu grito ecoa pela sala conforme eu salto para fora da cama, tremendo de terror gelado. "Baby, você está bem?" Braços fortes fecham em torno de mim na escuridão, me puxando para um abraço forte, quente. "Shh..." Julian acalma quando começo a soluçar, agarrando-me a ele com toda a minha força. "Você teve outro sonho?" Eu dou um pequeno aceno de cabeça. "Que tipo de sonho, meu animal de estimação?" Sentado na cama, Julian puxa-me em seu colo e acaricia meu cabelo. "O antigo sobre mim e Beth?"


Eu enterro meu rosto contra seu pescoço. "Mais ou menos", eu sussurro quando eu posso falar. "Exceto que Majid estava me ameaçando dessa vez." Eu engulo a bile subindo na minha garganta. "Ameaçando o bebê dentro de mim." Eu posso sentir os músculos de Julian enrijecerem. "Ele está morto, Nora. Ele não pode te machucar mais." "Eu sei." Eu não consigo parar de chorar. "Acredite em mim, eu sei." Uma das mãos de Julian se movem até a minha barriga, aquecendo a minha pele gelada. "Vai ficar tudo bem", ele murmura, gentilmente me balançando para frente e para trás. "Tudo ficará bem." Eu agarro com força, tentando acalmar meus soluços. Eu quero acreditar tanto nisso. Quero que as últimas semanas sejam a norma e não a exceção, em nossas vidas. Deslocando no colo de Julian, eu sinto uma dureza crescente pressionando em meu quadril, e por algum motivo, acalma o meu medo. Se há algo que eu posso ter certeza, é a necessidade desesperada de nossos corpos, queimando um pelo outro. E, de repente, eu sei exatamente o que eu preciso. "Faça-me esquecer", eu sussurro, pressionando um beijo para o lado de seu pescoço. "Por favor, só me faça esquecer." A respiração de Julian altera, seu corpo tenso de uma maneira diferente. "Com prazer", ele murmura, virando-se para me colocar no colchão. E, conforme ele se dirige para dentro de mim, eu coloco minhas pernas ao redor de seus quadris, deixando o poder de seus golpes empurrarem o pesadelo da minha mente.

Eu acordo tarde na sexta-feira de manhã, meus olhos parecendo como se tivessem areia por ter chorado ontem a noite. Me arrastando para


fora da cama, eu escovo os dentes e tomo um longo banho quente. Então, sentindo-me infinitamente melhor, volto para o quarto para me vestir. "Como você está, meu animal de estimação?" Julian entra no quarto, assim que eu fecho os meus shorts em frente ao espelho. Ele já está vestido, sua altura e estrutura muscular fazendo os jeans escuros e uma camiseta que ele está usando parecerem como algo saído da GQ. "Eu estou bem." Virando, eu dou-lhe um sorriso tímido. "Eu não sei porque eu tive esse sonho na noite passada. Eu não tinha um a semanas ". "Certo." Encostado na parede, Julian cruza os braços e me dá um olhar penetrante. "Aconteceu alguma coisa ontem? Algo que poderia ter desencadeado uma recaída?" "Não", eu digo rapidamente. A última coisa que eu quero é que Julian pense que eu não posso estar sozinha por algumas horas. "Ontem foi um dia incrível. Eu acho que é apenas uma daquelas coisas. Talvez eu tenha comido demais no jantar ou algo assim." "Uh-huh." Julian me encara. "Certo." "Eu estou bem", eu repito, voltando-me para o espelho para escovar meu cabelo. "Foi apenas um sonho estúpido." Julian não diz nada, mas eu sei que não consegui dissipar as suas preocupações. Durante todo o café, ele me observa como um falcão, sem dúvida, à procura de sinais de um ataque de pânico incipiente. Eu faço o meu melhor para agir normalmente, uma tarefa auxiliada por Rosa e sua fácil tagarelice e quando estamos satisfeitos, sugiro ir para um passeio no parque. "Qual parque?" Julian franze a testa. "Qualquer parque local", eu digo. "Qualquer um que você ache que é mais seguro. Eu só quero sair da casa, um pouco de ar fresco." Julian parece pensativo por um segundo; em seguida, ele digita algo em seu telefone. "Tudo bem", diz ele. "Dê a meus homens meia hora para se prepararem, e nós vamos para fora." "Você vem com a gente, Rosa?", Pergunto, não querendo excluir minha amiga novamente, mas para minha surpresa, ela balança a cabeça.


"Não. Eu vou para a cidade", explica ela. "Señor Esguerra," ela olha para Julian, "disse que está bem com isso contanto que eu pegue um dos guardas para mim. Eu não preciso de tanta segurança como vocês dois, então eu pensei em usar o dia para explorar Chicago." Ela faz uma pausa e me dá um olhar preocupado. "Você não se importa, não é? Porque eu não tenho que ir-" "Não, não, você definitivamente deve ir. Chicago é uma grande cidade. Você vai se divertir." Eu dou-lhe um grande sorriso, ignorando a lavagem repentina de inveja. Quero que Rosa tenha esse tipo de liberdade; não há nenhuma razão para ela ficar presa nos subúrbios. Não há nenhuma razão para ela ficar confinada como eu.

A ida para o parque leva menos de trinta minutos. Quando nos aproximamos, eu percebo para onde estamos indo, e meu estômago aperta. Eu conheço esse parque. É aquele onde eu estava andando com Jake na noite que Julian me sequestrou. As memórias que vêm são nítidas e vívidas. Num piscar de olhos, eu revivo o terror de ver Jake inconsciente no chão e sinto a picada cruel da agulha na minha pele. "Você está bem?" Julian pergunta, e eu percebo que eu devo ter ficado pálida. Suas sobrancelhas se unem. "Nora?" "Eu estou bem." Eu tento sorrir quando o carro para no meio-fio. "Não é nada." "Não é nada." Seus olhos azuis estreitam. "Se você não está se sentindo bem, vamos voltar para a casa." "Não." Eu agarro a maçaneta da porta e puxo freneticamente. A atmosfera no carro se sente pesada, de repente, espessa, com memórias. "Por favor, eu só quero um pouco de ar fresco."


"Tudo bem." Aparentemente sentindo meu estado, Julian faz um gesto para o motorista, e as fechaduras da porta, abrem. "Continue." Eu vou para fora do carro, a sensação de ansiedade em meu peito aliviando assim que eu piso fora. Respirando fundo, eu viro para ver Julian saindo do carro atrás de mim, o rosto tenso de preocupação. "Por que você escolheu esse parque?" Eu pergunto, tentando manter minha voz calma. "Há outros na área." Ele parece confuso por um segundo; em seguida, a compreensão dá lugar a preocupação em seu rosto. "Porque eu já tinha analisado esse lugar", diz ele, dando um passo em direção a mim. Suas mãos se fecham em torno dos meus braços enquanto ele olha para mim. "É isso que está incomodando você, meu animal de estimação? Minha escolha do local? " "Sim, um pouco." Eu puxo uma respiração profunda. "Ela traz de volta certas... recordações." "Ah, é claro." Os olhos de Julian brilham com diversão súbita. "Eu acho que deveria ter sido mais ciente disso. Esse só aconteceu a ser o parque mais fácil de manter a segurança, desde que eu tinha todos os esquemas de antes." "Desde quando você me roubou." Eu olho para ele. Às vezes, a sua total falta de arrependimento ainda me pega de surpresa. "Você esteve no escopo do parque há dois anos para o meu sequestro." "Sim." Seus belos lábios abrem em um sorriso enquanto ele libera meus braços e anda para trás. "Agora, você está se sentindo melhor, ou devemos voltar?" "Não, vamos dar um passeio," eu digo, determinada a aproveitar o dia. "Estou bem agora." Julian pega a minha mão, entrelaçando os dedos nos seus, e entramos no parque. Para meu alívio, na luz do dia, tudo parece diferente daquela noite fatídica, e não demora muito antes que as memórias sombrias recuem, retrocedendo de volta para aquele canto proibido, fechado do meu cérebro. Eu quero mantê-los lá, então eu foco na luz do sol e a brisa quente de primavera.


"Eu amo esse clima," eu digo a Julian enquanto passamos por um parque infantil. "Estou feliz que saimos." Ele sorri e traz a minha mão para roçar um beijo em meus dedos. "Eu também baby. Eu também." À medida que caminhamos, vejo que o parque está invulgarmente ocupado para uma sexta-feira. Há casais mais velhos, mães e babás com suas crianças, e um bom número de pessoas da minha idade. Eu suponho que eles sejam estudantes universitários, em casa para o fim de semana prolongado. Aqui e ali, eu também detecto alguns tipos de aparência militar fazendo o seu melhor para se misturarem. Os homens de Julian. Eles estão aqui para nos proteger, mas a sua presença é também um lembrete de que eu ainda sou uma prisioneira, de certa forma. "Como você foi capaz de me encontrar?", Pergunto quando nos sentamos em um banco. Eu sei que deveria parar de me deter sobre o passado, mas por alguma razão, eu não consigo parar de pensar naqueles primeiros dias. "Depois de nosso primeiro encontro no clube, quero dizer?" Julian se vira para olhar para mim, sua expressão ilegível. "Eu mandei um guarda segui-la até em casa." "Oh." Tão simples, mas tão diabólico. "Você já sabia que queria me roubar?" "Não." Ele aperta as minhas duas mãos entre as palmas das mãos. "Eu não tinha chegado a essa decisão ainda. Disse a mim mesmo que eu só queria saber quem era, para me certificar de que você chegava em casa com segurança". Olho para ele, tanto fascinada como perturbada. "Então, quando você decidiu me sequestrar?" Seus olhos brilham com um azul cintilante. "Foi mais tarde, quando eu não conseguia parar de pensar em você. Eu fui a sua graduação porque eu disse a mim mesmo que você não poderia ser do jeito que eu lembrava, do jeito que você aparecia nas fotos que eu mandei meus guardas tirarem. Eu me convenci que, se eu te visse em pessoa novamente, essa obsessão


desapareceria... mas é claro que isso não aconteceu." Seus lábios se curvam com ironia. "E ficou ainda pior. E ainda está piorando." Eu engulo, incapaz de desviar o olhar da intensidade escura em seus olhos. "Você nunca se arrependeu? Levar-me da maneira que você o fez?" "Se lamento que você é minha?" Ele levanta as sobrancelhas. "Não, meu animal de estimação. Por que eu deveria?" Por que, de fato. Eu não sei que outra resposta eu esperava. Que ele se apaixonou por mim e que agora se arrepende de ter me feito sofrer? Que passei a significar tanto para ele que ele agora vê suas ações como erradas? "Nenhuma razão", eu digo em voz baixa, puxando minhas mãos fora do seu alcance. "Eu estava pensando, isso é tudo." Sua expressão suaviza um pouco. "Nora..." Eu me inclino, mas antes que ele possa continuar, somos interrompidos por uma explosão de riso infantil. Uma menina pequena com tranças loiras anda saltitando para nós, uma grande bola verde agarrada firmemente em suas mãos gordinhas. "Pega!", Ela grita, lançando a bola em Julian, e eu assisto com perplexidade como Julian estende a mão para o lado e habilmente pega o objeto lançado sem jeito. A criança ri alegre e caminha em nossa direção mais rápido, as pernas curtas pulando conforme ela corre. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ela já está no nosso banco, agarrando as pernas de Julian, casualmente, como se fosse uma árvore. "Oi", ela fala devagar, dando a Julian um sorriso com covinhas. "Por favor, posso pegar a minha bola de volta?" Ela pronuncia cada palavra com uma clareza que faria uma criança mais velha orgulhosa. "Eu quero jogar mais." "Aqui está." Julian sorri quando ele entrega de volta para ela. "Você pode definitivamente tê-la de volta." "Lisette!" Uma mulher loira movimenta-se até nós, com o rosto corado. "Aí está você. Não incomode esses estranhos." Agarrando a criança pelo braço, ela nos dá um olhar de desculpas. "Eu sinto muito. Ela fugiu antes que eu pudesse-"


"Não se preocupe", eu a tranquilizo, sorrindo. "Ela é adorável. Qual a idade dela?" "Vai completar dois e meio dia vinte," a mulher diz com orgulho visível. "Eu não sei de onde ela tira isso; Deus sabe que seu pai e eu mal terminamos o ensino médio." "Eu posso ler", Lisette anuncia, olhando fixamente para Julian. "E você?" Julian se move fora do banco e se agacha em um joelho na frente da menina. "Eu também posso", diz ele gravemente. "Mas nem todo mundo pode, então você está definitivamente à frente no jogo." A criança sorri para ele. "Eu também posso contar até cem." "Sério?" Julian inclina a cabeça para o lado. "O que mais você pode fazer?" Vendo que não nos importa a presença da criança, a mulher loira visivelmente relaxa e solta o braço de sua filha. "Ela sabe todas as palavras dessa música Frozen 6 ", diz ela, alisando o cabelo da criança. "E pode realmente cantar junto." "Você pode mesmo?" Julian pergunta para a menina com aparente seriedade, e ela entusiasticamente acena antes de cantar a canção em uma voz estridente, infantil. Eu sorrio, esperando Julian impedi-la a qualquer momento, mas ele não o faz. Em vez disso, ele escuta atentamente, sua expressão aprovando sem ser condescendente. Quando Lisette termina a música, ele aplaude e pergunta a ela sobre seus filmes favoritos da Disney, o que leva a criança a se lançar em uma tagarelice animada sobre Cinderela e A Pequena Sereia. "Sinto muito", sua mãe pede desculpas para mim novamente quando Lisette não mostra sinais de parar. "Eu não sei o que há com ela hoje. Ela nunca é tagarela assim com estranhos." "Está tudo bem", Julian diz, levantando-se com fluidez, quando Lisette faz uma pausa para recuperar o fôlego. "Nós não nos importamos. Você tem uma filha maravilhosa."

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Frozen é uma animação da disney


"Você tem filhos?" A mãe de Lisette pergunta, sorrindo para ele com a mesma expressão de adoração, da sua filha. "Você é tão bom com ela." "Não" Julian olha para baixo para o meu estômago "Ainda não". "Oh!" A mulher suspira, dando-nos um sorriso enorme, encantada. "Parabéns. O bebê de vocês será lindo, eu sei disso." "Obrigada", eu digo, sentindo meu rosto ficar quente. "Nós estamos ansiosos." "Bem, nós temos que ir", a mãe de Lisette diz, agarrando o braço de sua filha novamente. "Vem, Lisette, querida, diga adeus para o casal jovem e bonito. Eles têm coisas para fazer, e precisamos ir almoçar." "Tchau". A criança ri, acenando para Julian com a mão livre. "Tenha um bom dia." Sorrindo, Julian acena de volta para ela, e então se vira para me encarar. "Almoçar não soa como uma má ideia. O que você acha, meu animal de estimação? Pronta para ir para casa?" "Sim." Eu chego mais perto de Julian e seguro minha mão através da dobra do cotovelo. Meu peito dói estranhamente. "Vamos para casa." Em nossa volta de carro, pela primeira vez, permito-me um pequeno devaneio. Uma fantasia em que Julian e eu somos uma família normal. Fechando os olhos, vejo o meu ex-captor enquanto ele estava no parque hoje: um homem perigoso, moreno e bonito ajoelhado ao lado de uma menina precoce. Ajoelhado ao lado da nossa criança. Uma criança que, durante essa fantasia, eu anseio com todo o meu ser.


No sábado de manhã, eu me levanto cedo e faço o meu caminho até a cozinha. Rosa já está lá, e depois de eu verificar que ela tem tudo sob controle, eu volto lá para cima para Nora. Ela ainda está dormindo quando eu entro no quarto. Aproximandome da cama, eu cuidadosamente puxo o cobertor de cima dela, fazendo o meu melhor para não acordá-la. Ela murmura algo, rolando sobre suas costas, mas não abre os olhos. Ela parece incrivelmente sexy, deitada nua assim, e eu tento ignorar a ereção em minhas calças quando eu pego o vidro de óleo de massagem que eu trouxe da cozinha e despejo o líquido em minha palma. Eu começo com os pés, pois sei o quanto meu animal de estimação gosta de uma massagem nos pés. Assim que eu a toco, os dedos dos pés enrolam, e um gemido sonolento escapa de seus lábios. O som me deixa ainda mais duro, mas eu resisto ao desejo de subir na cama e me enterrar no seu corpo apertado, delicioso. Essa manhã, o prazer dela é tudo que importa. Eu esfrego um pé primeiro, dando igual atenção para cada dedo, em seguida, mudo meu foco para o outro pé antes de trabalhar o meu caminho até suas pernas finas e coxas. Até então, Nora não faz nada, além de ronronar, e eu sei que ela está acordada, embora seus olhos ainda estejam fechados.


"Feliz aniversário, baby", murmuro, inclinando-me sobre ela com o óleo de massagem em sua barriga lisa, esticada. "Você dormiu bem?" "Mmm." O som inarticulado parece ser tudo o que ela é capaz de dizer conforme eu movo minhas mãos para os seios. Seus mamilos duros com o toque das minhas mãos, me implorando para sugá-los. Incapaz de resistir à tentação, eu me curvo e tomo um em minha boca, puxando-o com um forte movimento de sucção. Ofegante, ela arqueia para cima, seus olhos voando abertos, e eu volto minha atenção para o outro peito, os dedos com óleo escorregando para baixo de seu corpo para estimular o clitóris. "Julian", ela geme, sua respiração ficando mais rápida quando eu empurro dois dedos em seu apertado canal quente e os enrolos dentro dela. "Oh meu Deus, Julian!" As palavras dela terminam em um grito suave enquanto seu corpo fica tenso, e então eu sinto sua pulsação na liberação. Quando as contrações diminuem, eu retiro meus dedos de sua carne inchada e vou até sua caixa torácica. "Vire, baby", eu digo suavemente. "Eu não terminei com você ainda." Ela obedece, e eu pego o óleo de massagem novamente. Vertendo uma quantidade generosa em minha mão, eu massageio seu pescoço, braços e costas, apreciando seus gemidos contínuos de prazer. Até o momento que eu chego às curvas firmes de sua bunda, eu estou respirando pesadamente, o meu pau como um espeto de ferro em minhas calças. Escalando para a cama, eu escarrancho suas coxas e inclino para a frente, cobrindo-a com o meu corpo. "Quero transar com você", eu sussurro em seu ouvido, sabendo que ela pode sentir a pressão forte da minha ereção contra seu traseiro. "Você quer isso, baby? Você quer eu te leve e faça você vir de novo?" Ela estremece debaixo de mim. "Sim. Por favor, sim". Forma-se um sorriso escuro nos meus lábios. "Seu desejo é uma ordem." Abrindo minhas calças, eu retiro meu pau e deslizo meu braço esquerdo sob seus quadris, elevando seu traseiro para um ângulo melhor. Em um dia diferente, eu derramaria o óleo em seu pequeno cu e a levaria lá, divertindo-me com a relutância dela, mas não hoje. Hoje, eu vou dar-lhe apenas o que ela quer.


Pressionando o meu pau na sua entrada pequena, lisa, eu começo a empurrar. O calor suave, molhado, me engole enquanto eu faço meu caminho mais fundo em seu corpo. Apesar do desejo batendo através de mim, eu me movo lentamente, deixando-a ajustar-se ao meu tamanho. Quando estou totalmente dentro, ela geme, apertando em torno de mim, e eu quase entro em combustão com a sensação da compressão, minhas bolas apertando contra o meu corpo. "Julian..." Ela está ofegante de novo, se contorcendo debaixo de mim quando eu começo a empurrar em movimentos lentos e controlados. "Julian, por favor, deixe-me vir..." Sua mendicância me empurra sobre a borda, e com um rosnado baixo, eu começo a fode-la com mais força, batendo em sua carne apertada, sedosa. Eu posso ouvir seus gritos, sentir seu corpo me apertando ainda mais, e quando as contrações começam de novo, eu explodo com um gemido rouco, minha semente jorrando em sua buceta em espasmos. Depois, eu me deito ao lado dela e a tomo em meus braços. "Feliz vigésimo aniversário feliz, baby," murmuro em seu cabelo emaranhado, e ela ri baixinho, o som cheio de prazer.

"Oh, Julian, você realmente não deveria", Nora protesta quando eu coloco o pingente de diamante delicado no lugar em torno de seu pescoço. "É lindo, mas-" "Mas o que?", Eu dou um passo para trás, admirando a forma como a pedra em forma de crescente fica contra sua pele dourada no espelho. Ela vira as costas ao espelho para me encarar, seus olhos escuros e sérios. "Você já fez o dia tão especial para mim, com a massagem e as panquecas de Rosa feitas para o café da manhã. Você não precisa me dar um presente tão caro também. Especialmente uma vez que eu nunca tive a chance de lhe dar qualquer coisa para o seu aniversário."


"Meu aniversário é em novembro", eu digo, divertido. "Em novembro passado você nem sabia que eu tinha sobrevivido à explosão, então não havia nenhuma maneira que você poderia ter conseguido qualquer coisa por mim. E no ano anterior, também..." Eu sorrio, lembrando o quanto ela se ressentia de mim nos seus primeiros meses na ilha. "Certo." O olhar de Nora é sem piscar. "No ano anterior, eu tinha outras coisas em minha mente." Eu ri. "Tenho certeza. Em todo caso, não se preocupe com isso. Eu não comemoro meu aniversário." "Por que não?" Suas sobrancelhas reúnem em um cenho franzido. "Você não gosta de aniversários?" "Não o meu próprio, não." Meus pais rotineiramente esqueciam quando eu era uma criança, e eu aprendi a esquecê-lo também. "Em todo caso, isso não tem nada a ver com este presente. Se você não gostar, posso comprar outra coisa." "Não" Nora agarra o colar possessiva. "Eu amo esse." "Então ele é seu." Indo em direção a ela, eu inclino seu queixo com os dedos e pressiono um breve beijo em seus lábios antes de recuar. "Agora você deve ficar pronta. Seus pais estão esperando para almoçar com você." Ela pisca, olhando para mim. "O que vamos fazer hoje? Você disse a eles que já temos planos." "Nós temos. Vou levá-la a um restaurante na cidade." Faço uma pausa, olhando para ela. "A menos que você queira fazer algo mais? É sua escolha." "Sério?" Seu rosto se ilumina com entusiasmo. "Nesse caso, podemos fazer algo louco?" "Tal como?" "Podemos ir a uma boate depois do jantar?" Minha primeira inclinação é dizer não, mas eu engulo de volta as palavras. "Por quê?", Eu pergunto.


Ela encolhe os ombros, parecendo um pouco embaraçada. "Eu não sei. Eu só acho que seria divertido. Eu não fui a um clube desde-" Ela fica em silêncio, mordendo o lábio. "Desde que você me conheceu." Ela balança a cabeça, e lembro-me da conversa que tivemos depois do almoço com as amigas. Tinha havido uma certa melancolia na voz de Nora quando ela falou de sair e se divertir, um anseio por coisas que ela acha que nunca vai experimentar. "Qual clube você quer ir?" Eu pergunto, incapaz de acreditar que estou mesmo aceitando a ideia. Os olhos de Nora iluminam. "Qualquer clube", diz ela rapidamente. "Qualquer um que você ache que seja mais seguro. Não me importa onde vamos, contanto que haja música e dança". "Que tal aquele onde nos conhecemos?" Eu sugiro com relutância. "Meus homens estão familiarizados com ele desde antes, por isso vai ser mais fácil-" "Sim, perfeito", ela interrompe, sorrindo para mim. "Podemos levar Rosa com a gente? Eu sei que ela iria adorar também." Minha expressão deve refletir meus pensamentos, porque ela rapidamente esclarece: "Apenas para o clube, não jantar. Eu também quero que o jantar seja apenas nós dois." Eu suspiro. "Certo. Vou mandar um dos guardas levá-la, para que ela possa nos encontrar no clube depois do jantar." Nora grita e joga os braços em volta do meu pescoço. "Obrigada! Oh, eu mal posso esperar. Isso vai ser demais." E, conforme ela dirige-se para o almoço com seus pais, eu me junto a Lucas para descobrir como proteger uma casa noturna popular em Chicago em uma noite de sábado.


"Uau, Julian, isso é incrível", Nora exclama enquanto caminhamos para o restaurante francês que eu escolhi para o nosso jantar. "Como você conseguiu uma reserva? Eu ouvi que as pessoas têm de esperar meses..." Então ela para e revira os olhos. "Oh, não importa. O que estou dizendo? Claro que você dentre todas as pessoas pode ter uma reserva." Eu sorrio para sua excitação evidente. "Estou feliz que você goste. Vamos esperar que a comida seja tão boa quanto o ambiente." O garçom leva-nos para a nossa mesa, que está em um canto privado na parte de trás do restaurante. Em vez de vinho, eu peço água com gás para nós dois, e também solicito o menu degustação primeiro, explicando as restrições associadas à gravidez de Nora. "Muito bem, senhor", o garçom diz, curvando-se um pouco, e antes de percebermos, o primeiro prato está sobre a nossa mesa. À medida que como o risoto de aspargo e ravióli de lagostins, Nora me diz sobre seu almoço e quão feliz seus pais ficaram em celebrar esse aniversário com ela. "Eles me deram um novo conjunto de pincéis", diz ela, rindo. "Eu suponho que significa que meu pai não está mais tão cético sobre o meu hobby." "Isso é bom, baby. Ele não deve estar. Você tem um talento incrível." "Obrigada." Ela me dá um sorriso brilhante e estende a mão para o copo de água. Enquanto conversamos, eu me vejo incapaz de olhar para longe dela. Ela está radiante essa noite, mais bonita do que eu já vi. Seu vestido azul sem alças é sexy e elegante ao mesmo tempo, embora muito curto para minha paz de espírito. Quando eu a vi descendo as escadas, essa noite, naquele vestido e nos sapatos de salto alto prateados, fiz tudo que eu podia fazer para não arrastá-la de volta para cima e transar com ela por três dias seguidos. Não ajuda que ela usou algum tipo de maquiagem que deixa os lábios brilhantes e extra exuberantes. Toda vez que ela envolve os lábios em torno do garfo, eu a imagino chupando meu pau e minhas calças ficam desconfortavelmente apertadas. "Você sabe, você nunca me disse o que estava fazendo naquele clube quando nos conhecemos", diz ela quando estamos no meio do terceiro


prato. "Por que você estava em Chicago? A maior parte do seu negócio é fora dos EUA, não é?" "Sim", eu digo, balançando a cabeça. "Eu não estava aqui para negócios nesse sentido. Um conhecido meu recomendou esse analista de fundos de carteira para mim, então eu estava entrevistando-o para a posição do meu gerente de portfólio pessoal." "Oh." Os olhos de Nora aumentam. "É o cara com quem você se reuniu outro dia?" "Sim. Eu gostei do que vi há dois anos, por isso eu o contratei. E então eu decidi sair e ver um pouco da cidade – que é como eu acabei naquele clube". "Você não estava preocupado com a segurança em volta, então?" "Eu tinha alguns dos meus homens comigo, mas não, a Al-Quadar ainda não era uma grande ameaça, e, além disso, eu não tinha por que me preocupar." Não foi até que eu adquiri Nora que comecei com essa paranoia com segurança. Meu animal de estimação não sabe o quão vulnerável ela me faz, não percebe até onde eu iria para protegê-la. Se eu estivesse certo que Majid a deixaria ir ilesa, eu teria dado a ele o explosivo e tudo o que a Al-Quadar exigiu. Eu teria feito qualquer coisa para recuperá-la. "Você estava planejando encontrar uma mulher naquela noite?" Nora pergunta, tomando um gole do seu copo. Seu tom é informal, mas o olhar em seus olhos é tudo menos isso. Eu sorrio, satisfeito com seu aparente ciúme. "Talvez," eu brinco. "É por isso que a maioria dos homens vão para clubes, você sabe. Não é para dançar, eu lhe garanto." "Então, não é?" Ela se inclina para a frente, sua pequena mão apertando o garfo. "Você pegou alguém depois que eu saí?" Estou tentado a provocá-la um pouco mais, mas eu não posso ser tão cruel. "Não, meu animal de estimação. Voltei para o meu quarto de hotel sozinho naquela noite, incapaz de pensar em qualquer coisa, além dessa bela menina, pequena, que eu conheci." Eu também sonhei com ela. Com


seu rosto que era tão parecido com o de Maria... de sua pele sedosa e curvas delicadas. Com as coisas torcidas e escuras que eu queria fazer com ela. "Entendo." Nora relaxa, um sorriso aparecendo em seu rosto. "E no dia seguinte? Você saiu de novo?" "Não" eu alcanço um figo recheado com caranguejo. "Eu não vi por que." Não quando eu estava tão obcecado. Passei horas olhando através das imagens que meus guardas tiraram dela. Não quando eu já sabia que nunca iria querer tanto qualquer mulher novamente.


Pelo tempo que nós caminhamos para fora do restaurante, eu sinto que estou no sétimo céu. Nosso jantar essa noite foi a coisa mais próxima que tivemos de um encontro real, e pela primeira vez em meses, estou me sentindo esperançosa sobre o futuro. Nós nunca poderemos ser “normais”, mas isso não significa que não podemos ser felizes. Conforme nos dirigimos ao clube, permito-me sonhar novamente, que Julian e eu somos uma família. O sonho parece mais real agora, mais substancial. Pela primeira vez, posso imaginar-nos criando o nosso filho juntos. Não seria fácil, e nós constantemente estaríamos cercados por guardas, mas poderíamos fazê-lo. Poderíamos fazer funcionar. Viveríamos na propriedade a maior parte do tempo, mas nós viajaríamos muito. Iriamos visitar meus pais e amigos, e nós iriamos a lugares na Europa e Ásia. Gostaria de ter uma carreira como artista, e os negócios de Julian seriam algo que estaria no fundo de nossas vidas, em vez de na frente e no centro. Não seria o tipo de vida que eu sonhava quando era mais jovem, mas seria uma boa vida, no entanto. Nos leva meia hora para chegarmos ao clube com o trânsito da cidade. Quando saímos do carro, Rosa já está ali, esperando por nós. Vendo-me, ela sorri e corre até o carro.


"Nora, você está linda", ela exclama antes de virar para Julian. "E o senhor também, Señor." Ela nos dá um enorme e radiante sorriso. "Muito obrigado por me levar com vocês esta noite. Eu estava morrendo para ir a uma boate americana de verdade." "Estou feliz que você foi capaz de vir", eu digo a ela, sorrindo. "Você está incrível." E ela está. Com saltos vermelhos sensuais e um vestido amarelo curto que reproduz suas curvas, Rosa parece quente o suficiente para ser uma pinup. "Você realmente acha isso?", Diz ela, ansiosa. "Eu comprei esse vestido na cidade na quinta-feira. Eu estava preocupada que poderia ser demais." "Não mesmo", eu digo com firmeza. "Você está absolutamente fenomenal. Agora, venha, vamos dançar." E agarrando-lhe o braço, eu a levo para a entrada do clube, com um Julian com aparência divertida seguindo em nossos calcanhares. Apesar da localização do clube em uma parte mais antiga, de indigentes do centro de Chicago, há uma longa fila de pessoas esperando na porta. O local deve ser ainda mais popular agora do que era há dois anos. À medida que caminhamos, os homens estão de olho em mim e Rosa, enquanto as mulheres se embasbacam com Julian. Eu não culpo as mulheres, apesar de alguma parte escura de mim querer arrancar seus olhos. Meu marido está vestido essa noite com um blazer acentuadamente ajustado e jeans escuros, e ele parece sem esforço algum quente, como uma estrela de cinema que sai de uma estreia de filme. Claro, estrelas de cinema não costumam esconder armas e facas debaixo de seus casacos elegantes, mas estou tentando não pensar sobre isso. Uma palavra de Julian para o segurança, e nós estamos dentro, ignorando a multidão que esperava. Ninguém verifica nossos IDs, nem mesmo no bar, onde Julian compra a Rosa uma bebida. Eu me pergunto se é porque os homens de Julian já avisaram à diretoria do clube sobre nós. De qualquer maneira, é um lugar elegante e agradável. São apenas dez horas, mas o clube já está cheio, os últimos sucessos pop estridentes nos alto-falantes. Mesmo que eu não tenha tomado álcool, eu me sinto alta, bêbada com entusiasmo. Rindo, eu agarro Rosa e Julian e


os arrasto para a pista de dança, onde milhares de pessoas já estão umas contra as outras. Quando chegarmos ao meio da pista de dança, Julian me gira ao redor e me puxa contra ele, segurando-me na parte de trás enquanto nós começamos a nos mover com a música. Eu imediatamente percebo o que ele está fazendo. Com a forma como ele está me segurando, eu estou de frente para Rosa, e os três de nós estão meio dançando juntos, mas é o corpo grande de Julian que me rodeia. Ninguém pode me tocar, seja de propósito ou por acidente, não sem passar por ele primeiro. Mesmo no meio de uma pista de dança lotada, eu pertenço a Julian e só a Julian. Rosa sorri, aparentemente, também percebendo a intenção de Julian. Ela é ainda mais animada do que eu, seus olhos brilhando enquanto ela balança com a última canção de Lady Gaga. Pouco tempo depois, dois rapazes jovens de boa aparência vão até ela, e eu assisto, sorrindo, quando ela começa a flertar com eles e gradualmente se afasta de mim e Julian. Assim que ela está ocupada, Julian me vira para encará-lo. "Como está se sentindo, baby?", Pergunta ele, sua voz profunda cortando a música explodindo. As luzes coloridas piscam sobre seu rosto, fazendo-o parecer surrealmente bonito. "Algum cansaço? Náusea?" "Não." Sorrindo, eu balanço vigorosamente com a cabeça. "Eu estou perfeita. Melhor do que perfeita, na verdade". "Sim, você está", ele murmura, me puxando mais apertado contra ele, e eu me molho toda conforme eu sinto a protuberância dura em suas calças. Ele me quer, e meu corpo responde imediatamente, o ritmo pulsante da música ecoando a dor repentina no meu núcleo. Estamos cercados por pessoas, mas todos eles parecem desaparecer enquanto nós olhamos fixamente um para o outro, nossos corpos começam a se mover juntos em um ritmo primal, sexual. Meus seios incham, meus mamilos ficam duros conforme eu pressiono o meu peito contra o dele, e até mesmo através das camadas de roupa que estamos vestindo, eu posso sentir o calor saindo de seu corpo grande... o mesmo tipo de calor que está crescendo dentro de mim.


"Porra, baby", ele respira, olhando para mim. Seus quadris balançando para trás e para a frente enquanto nós balançamos juntos, impulsionados tanto pela nossa necessidade como a batida da música. "Você não pode usar essa porra de vestido nunca mais." "O vestido?", Eu olho para ele, meu corpo em chamas. "Você acha que é o vestido?" Ele fecha os olhos e respira fundo antes de abri-los para fixar o meu olhar. "Não", diz ele com voz rouca. "Não é o vestido, Nora. É você. É sempre quero te foder." Eu meio que esperava que ele me arrastasse para longe, em seguida, mas ele não o faz. Em vez disso, ele afrouxa seu aperto em mim, colocando um par de centímetros de espaço entre nós. Eu ainda posso sentir seu corpo contra o meu, mas a sexualidade crua do momento é reduzida, permitindo-me respirar novamente. Dançamos assim por mais algumas músicas, e então eu começo a sentir sede. "Por favor, posso tomar um pouco de água?", Pergunto, levantando a voz para ser ouvida acima da música, e Julian acena com a cabeça, levando-me em direção ao bar. À medida que passamos por Rosa, vejo que ela ainda está dançando com os dois rapazes, aparentemente feliz de ser colocada entre eles. Dou-lhe uma piscadela e um discreto sinal de positivo, e então nós estamos fora da dança, contorcendo pela multidão. Julian me dá um copo cheio de água gelada, e eu com gratidão engulo, sentindo-me seca. Ele sorri enquanto ele me vê beber, e eu sei que ele está lembrando do nosso primeiro encontro, aqui nesse bar. Quando viramos para voltar para a pista de dança, vejo Rosa caminhando em direção a parte de trás, onde são os banheiros. Ela acena para mim, sorrindo, e eu aceno de volta antes de virar para Julian. "Vamos dançar um pouco mais", eu digo, pegando sua mão, e nós mergulhamos de volta para a multidão, assim que uma nova música começa. Poucos minutos depois, eu começo a sentir a sensação familiar de uma bexiga sobrecarregada.


"Eu tenho que fazer xixi", digo a Julian, e ele sorri, me levando para fora da pista novamente. Nós caminhamos juntos para a parte traseira do clube, e eu fico na fila para o banheiro das meninas, enquanto Julian inclina-se contra a parede, observando enquanto eu espero a minha vez no corredor sombreado e circular que leva para os banheiros. Gostaria de saber se ele está me protegendo, mesmo aqui e quase relincho com a ideia de ele estar preocupado o suficiente para me acompanhar até o banheiro das mulheres. Felizmente, ele não o faz. Em vez disso, ele fica junto à entrada para o corredor estreito, com os braços cruzados sobre o peito. A fila é longa, e leva quase 15 minutos para chegar ao meu destino. Quando a minha vez finalmente chega, eu passo para o pequeno espaço com três cabines e faço o meu negócio. É só quando eu estou lavando minhas mãos que me ocorre que Rosa desapareceu nessa direção, e eu não a vi sair. Retirando meu telefone da minha pequena bolsa, eu mando um texto Julian: Rosa passou por você? Você a vê em qualquer lugar? Não há uma resposta imediata, assim que eu saio do banheiro, prestes a voltar, um flash de algo vermelho a alguns metros de distância me chama a atenção. Franzindo a testa, eu ando mais fundo no corredor circular, passado os banheiros, e então eu vejo. Um sapato vermelho, de salto alto descartado no chão. Meu coração pula uma batida. Inclinando-me, eu o pego, e um frio corre pela minha espinha. Não há dúvida agora. É o sapato de Rosa. Meu pulso acelera, eu me endireito, olhando ao redor, mas eu não a vejo em qualquer lugar. Com a forma encurvada do corredor, mesmo a fila do banheiro está fora da vista agora. Deixando cair o sapato, eu retiro meu telefone novamente. Há um texto de Julian, em resposta ao meu: Não, eu não a vejo. Eu começo a digitar uma resposta, mas, naquele momento, uma porta que eu não tinha notado antes abre alguns metros de distância.


Um cara baixo e magro sai, fechando a porta atrás dele, e se inclina contra a moldura da porta. Um jovem rapaz, eu percebo, olhando para ele. Mais como um menino em sua adolescência, seu rosto pálido e sardento marcado por pequenos indícios de espinhas. Sua postura é casual, quase preguiçosa, mas algo sobre a maneira como ele olha para mim me pausa. "Desculpe-me." Eu me aproximo dele com cuidado, franzindo o nariz ao cheiro forte de álcool e cigarros saindo dele. "Você viu minha amiga? Ela está usando um vestido amarelo" Ele cospe no chão na minha frente. "Sai daqui, puta." Eu estou tão assustada que dou um passo para trás. Depois a raiva explode através de mim, misturada com adrenalina. "Desculpe-me?" Minhas mãos fecham em punhos. "Do que você acabou de me chamar?" A postura do adolescente muda, tornando-se mais combativo. "Eu disse-" E naquele momento, eu ouço. Um grito de mulher atrás da porta, seguido pelo som de algo caindo. Meus níveis de adrenalina aumentam. Sem pensar, eu passo para a frente e bato nele com meu punho direito, assim como Julian me ensinou. O ímpeto do meu movimento aumenta a força do golpe, e o cara arfa quando meu punho bate na sua cara. Ele começa a dobrar-se, e, naquele momento, o meu joelho vem para cima, esmagando suas bolas. Ele se inclina com um grito estridente, agarrando sua virilha, e eu agarro a parte de trás do seu pescoço, usando o impulso para puxá-lo para a frente conforme eu enfio meu pé direito para fora. Isso funciona ainda melhor do que no treinamento. Ele vai para a frente, agitando os braços, e sua cabeça bate na parede do lado oposto do corredor. Em seguida, ele desliza para o chão, seu corpo inerte e imóvel na minha frente. Tremendo, eu olho para ele. Eu não posso acreditar que eu fiz isso. Eu não posso acreditar que derrubei um cara em uma luta, mesmo que esse cara fosse um adolescente bêbado.


Outro grito atrás da porta me tira do meu torpor. Eu reconheço a voz agora, e uma nova explosão de adrenalina faz meu coração acelerar. Agindo apenas por instinto, eu salto sobre o corpo caído do jovem rapaz e empurro abrindo a porta. O espaço interior é longo e estreito, com uma outra porta na outra extremidade. Um sofá manchado está perto da porta e naquele sofá está minha amiga, lutando e soluçando embaixo de um homem. Por um segundo, eu estou muito congelada para reagir, e então eu percebo listras de vermelho no amarelo brilhante do vestido rasgado de Rosa. Uma raiva quente, explode no meu peito, varrendo todos os restos de cautela. "Deixe-a ir!" Eu grito, correndo para o quarto. Assustado, o cara pula de Rosa, e, em seguida, como se recordando da sua maneira vil, agarra-a pelos cabelos e arrasta-a para fora do sofá. "Nora!" Rosa grita histericamente, apontando para algo atrás de mim. Horrorizada, eu gire ao redor, mas é tarde demais. O outro homem já está em mim, a parte de trás da sua mão voando em direção ao meu rosto. O golpe me joga na parede, o impacto da batida doendo cada osso. Tonta, eu afundo no chão, e através do toque em meus ouvidos, eu ouço uma voz de homem dizer: "Você pode foder qualquer uma se quiser. Vou levar a minha vez com essa no carro." E, conforme mãos ásperas começam a rasgar minhas roupas, vejo o atacante de Rosa arrastando-a para a porta do outro lado da sala.


Entediado, eu me afasto da parede e sigo para o corredor. Nora já está na frente da fila, então eu inclino contra a parede e me preparo para esperar um pouco mais. Eu também faço uma nota mental para nunca mais voltar a esse clube. Essas filas devem ser uma ocorrência regular aqui, e acho que é ridículo que eles não coloquem um banheiro maior para as mulheres. Tirando o meu telefone, eu verifico meu e-mail pela terceira vez. Como esperado, nada aconteceu desde três minutos atrás, então eu coloco o telefone longe novamente e considero caminhar até o bar para pegar uma bebida. Eu não bebi durante toda a noite para manter meus reflexos rápidos em caso de perigo, mas uma cerveja não deve afetar nada. Ainda assim, eu decido contra isso. Mesmo que vários dos meus guardas estejam espalhados por todo o clube, eu não me sinto confortável com Nora fora da vista por mais de um par de minutos. Eu teria até mesmo esperado nessa fila com ela, mas o corredor curvo é tão estreito que só há espaço para as mulheres e em homem ocasional empurrando seu caminho. Então eu espero, me divertindo assistindo os bailarinos na pista. Com todos os corpos se mexendo, a atmosfera é muito sexual, mas as luzes piscando e a batida forte não fazem nada para mim. Sem Nora em meus braços para me excitar, eu poderia muito bem estar de pé em uma esquina vendo a grama crescer.


O meu telefone vibra no meu bolso, me distraindo de meus pensamentos. Puxando-o para fora, eu olho para mensagem de Nora e franzo a testa. Rosa passou por você? Você a vê em qualquer lugar? Afastando-me da parede de novo, eu olho para o corredor. Eu não vejo nem Rosa ou Nora lá, mas a menina que estava atrás de Nora na fila ainda está esperando sua vez. Ciente de que Nora deve estar dentro do banheiro, volto-me para o clube, à procura de um vestido amarelo no meio da multidão. É difícil de ver, com todas as pessoas e iluminação suave, mas o vestido da Rosa é brilhante o suficiente para que eu fosse capaz de encontrá-la. Eu não vejo nada, embora. Nem pelo bar e nem na pista de dança. Começando a me sentir desconfortável, eu empurro através da multidão para chegar ao outro lado do bar e olhar novamente. Nada. Nenhum vestido amarelo em qualquer lugar. Meu mal-estar se transforma em alarme completo. Agarrando o telefone novamente, eu verifico a localização dos rastreadores de Nora. Ela ainda está no banheiro ou bem próximo a ele. Sentindo-me ligeiramente mais calmo, eu mando uma mensagem a Lucas para colocar os homens em alerta e mando a Nora minha resposta antes de fazer o meu caminho de volta para os banheiros. Talvez eu esteja sendo paranoico, mas eu preciso ter Nora comigo. Agora mesmo. Meus instintos estão gritando que algo está errado, e eu não vou descansar até eu tê-la de forma segura ao meu lado. Quando eu chego ao corredor, vejo que a fila de mulheres é ainda maior agora, e não há sequer uma fila para o banheiro dos homens. O corredor estreito está completamente bloqueado, assim que eu começo a empurrar as pessoas para o lado, ignorando seus gritos de indignação. Nora não está nessa fila, embora os rastreadores indiquem que ela está por perto. Ela também não está no banheiro das mulheres, o que percebo quando passo por ele. De acordo com meu aplicativo de rastreamento, ela está a cerca de 30 pés à frente, um pouco à esquerda do


corredor curvo. A multidão limpa além desse ponto, e eu pego o ritmo, a minha preocupação se intensificando. Um segundo depois, eu vejo. O corpo de um homem no chão, ao lado de uma porta fechada. Meu sangue se transforma em gelo, o medo acentuado e acre na minha língua. Se alguém pegou Nora, se ela foi machucada de qualquer formaNão. Eu não posso permitir-me ir para isso, não quando ela precisa de mim. Uma calma gelada me engolfa, bloqueando o medo. Agachando-me, eu pego a faca do meu coldre do tornozelo e deslizo-a para a minha fivela de cinto para facilitar o acesso. Então, levantando-me, eu tiro minha arma e passo sobre o corpo, ignorando o sangue escorrendo da testa do homem. De acordo com o aplicativo, Nora está a apenas alguns metros à esquerda de mim, o que significa que ela está atrás daquela porta. Respirando fundo, eu abro a porta e entro na sala. Imediatamente, um grito abafado à minha direita me chama a atenção. Girando, eu vejo duas figuras lutando na parede... e todos os vestígios de calma somem. Nora – minha – Nora está lutando com um homem com o dobro do seu tamanho. Ele está em cima dela, uma de suas mãos abafando seus gritos e a outra rasgando suas roupas. Seus olhos são selvagens e furiosos, seus dedos se curvam em garras enquanto ela arranha o seu rosto e pescoço, deixando estrias de sangue através de sua pele. Uma névoa vermelha desce sobre mim, uma raiva mais violenta do que qualquer coisa que eu conheço. Em um salto, eu estou em cima deles, arrastando o homem para fora de Nora. Eu não atiro – é arriscado demais com ela perto, mas a faca está na minha mão quando eu o fixo no chão, meu antebraço esquerdo esmagando sua garganta. Ele está sufocando, com os olhos esbugalhados quando eu levanto a faca e mergulho no seu lado, uma e outra vez. O sangue quente jorra, pulverizando em cima de mim, e eu sinto seu terror, seu conhecimento da morte iminente. Suas mãos batem em mim, mas eu


não sinto os golpes. Em vez disso, eu assisto seus olhos enquanto eu o esfaqueio de novo e de novo, deleitando-me em sua luta. "Julian!" O grito de Nora me tira fora da minha sede de sangue, e eu salto para os meus pés, deixando o corpo contraindo do atacante no chão. Ela está tremendo, rímel e lágrimas escorrendo pelo seu rosto enquanto ela tenta se levantar, segurando a parede como suporte. Porra. Um medo doentio enche meu peito. Corro para ela e a reúno contra mim, freneticamente apalpando-a em busca de lesões. Nada parece quebrado, mas o lábio inferior está dividido e inchado, e seu vestido tem um pequeno rasgo no topo. E a criança – Não, eu não posso pensar nisso agora. "Baby, você está machucada?" Minha voz está quase irreconhecível. "Ele machucou você?" Ela balança a cabeça, os olhos ainda selvagens. "Não!" Ela torce em meus braços, empurrando-me com força surpreendente. "Me deixe ir! Temos que ir atrás dela!" "O quê? Quem?" Assustado, eu passo para trás, segurando-a pelo braço para que ela não caia. "Rosa! Ele tem ela, Julian! Ele agarrou-a e arrastou-a." Nora indica com a mão livre na direção da porta na parte de trás. "Nós temos que ir atrás dela!" Ela parece histérica. "Outro homem a levou?" "Sim! Ele disse- "A voz de Nora pega em um soluço. "Ele disse que estava indo para ter a sua vez no carro. Havia dois deles aqui, e um tomou Rosa!" Olho para ela, uma nova fúria crescendo dentro de mim. Eu posso não ser próximo de Rosa, mas eu gosto da menina e ela está sob minha proteção. A ideia de que alguém se atreveu a fazer isso, a agressão a ela e a Nora no caminho"Depressa!" Nora implora, freneticamente puxando o braço que estou segurando me puxando para a porta. "Vamos, Julian, temos que nos apressar! Ele simplesmente a arrastou para fora, então ainda podemos pega-lo!"


Porra. Eu cerro os dentes, cada músculo do meu corpo vibrando com a tensão. Eu nunca estive tão dividido em minha vida. Nora está ferida, e tudo dentro de mim grita que ela é minha primeira prioridade, que eu deveria agarrá-la e apressá-la para a segurança o mais rápido possível. Mas se o que ela diz é verdade, então a única maneira de salvar Rosa é agir imediatamente, e isso vai levar aos meus homens, pelo menos alguns minutos para chegarmos onde estamos. "Por favor, Julian!" Nora pede, soluçando, e o pânico nos olhos dela decide por mim. "Fique aqui." Minha voz é fria e afiada quando eu solto seu braço e dou um passo para trás. "Não se mexa." "Eu vou com você" "O diabo que você vai." Tirando a minha arma, eu enfio em suas mãos. "Espere por mim aqui, e atire em qualquer um que você não reconheça." E antes que ela possa discutir comigo, eu caminho rapidamente para a porta de trás, mandando mensagens a Lucas sobre a situação no caminho.


Assim que Julian desaparece pela porta, eu afundo no chão, segurando a arma que ele me deu. Minhas pernas estão tremendo e minha cabeça está girando, ondas de náuseas rolando através de mim. Eu sinto que estou pendurada sobre a minha sanidade por um fio. Apenas o conhecimento de que Julian está a caminho para resgatar Rosa me impede de deslizar em histeria completa. Respirando e tremendo, eu enxugo a umidade no meu rosto com as costas da minha mão, e conforme eu abaixo meu braço, um traço vermelho me chama a atenção. Sangue. Há sangue em mim. Eu fico olhando para ele, repelindo ainda que fascinada. Tem que ser do homem que Julian matou. Julian estava coberto de sangue quando ele me tocou, e está em cima de mim agora, as estrias de vermelho em meus braços e peito lembram uma de minhas pinturas. Estranhamente, a analogia me acalma um pouco. Respirando fundo, eu olho para cima, voltando minha atenção para o homem morto deitado a alguns metros de distância. Agora que ele não está me atacando, eu percebo com choque que eu o reconheço. Ele é um dos dois jovens com quem Rosa estava dançando. Isso significa que o segundo atacante é o outro homem? Eu franzo a testa, tentando lembrar as características do segundo homem, mas ele é apenas


um borrão na minha mente. Eu também não lembro de ter visto o cara adolescente que estava guardando a entrada para esse quarto. Ele estava com os companheiros de dança de Rosa? Se sim, por quê? Nada disso faz qualquer sentido. Mesmo que os três sejam estupradores seriais, como eles poderiam ter pensado que iam fugir com um ataque tão brutal em um clube? Claro, as motivações do homem morto não importam mais. Eu sei que ele está morto porque seu corpo já não está se contraindo. Seus olhos estão abertos assim como sua boca, um fio de sangue escorrendo pelo seu rosto. Ele fede a morte também, eu percebo – Sangue, fezes e medo. Como os registros de cheiros repugnantes, eu fujo para longe, arrastando-me alguns metros para amontoar-me mais perto do sofá. Outro homem foi morto na minha frente. Eu espero por horror e nojo, mas eles não vêm. Em vez disso, tudo o que sinto é uma espécie de alegria viciosa. Como se em uma tela de cinema, vejo a faca de Julian subindo e descendo, afundando o lado do homem de novo e de novo, e tudo que eu posso pensar é que eu estou feliz que o homem está morto. Estou contente por Julian fazer isso com ele. É estranho, mas a minha falta de empatia não me incomoda nesse momento. Eu ainda posso sentir as mãos do homem no meu corpo, suas unhas arranhando a minha pele enquanto ele rasgava a minha roupa. Ele conseguiu me colocar para baixo, enquanto eu estava atordoada de seu golpe, e mesmo que eu lutasse tão duro quanto eu podia, eu sabia que eu estava perdendo. Se Julian não tivesse chegado quando ele o fezNão, eu bloqueio esse pensamento. Julian veio, por isso não há necessidade de me debruçar sobre o pior. Pesando todas as coisas, eu sobrevivi com o mínimo de danos. Meu lábio cortado pulsa e minhas costas doem como se um hematoma gigante se formasse, mas não é nada irreparável. Meu corpo vai curar. Eu fui atingida antes e sobrevivi. A verdadeira questão é: e Rosa? O pensamento dela machucada, quebrada e violada, me enche de raiva. Quero que Julian abata o outro homem como ele ferozmente matou esse. Na verdade, eu quero fazer isso sozinha. Eu teria insistido em ir junto, mas discutir com Julian teria protelado o resgate de Rosa.


Por enquanto, tudo o que posso fazer é esperar e torcer para que Julian a traga de volta. Vendo a minha pequena bolsa no chão, eu rastejo até pegá-la. Cada movimento dói, mas eu quero essa bolsa comigo. Ela tem meu telefone, o que significa que posso chegar a Julian. E isso é importante, porque, de repente me ocorre que Rosa não é a única em perigo no momento. Meu marido também está. Não, eu empurro esse pensamento também. Eu sei do que Julian é capaz. Se alguém é capaz de lidar com isso, é o homem que me sequestrou. A vida de Julian foi mergulhada na violência desde a infância; matar um verme ou dois deve ser como cortar grama para ele. A menos que o verme esteja armado ou tenha amigos. Não. Eu aperto meus olhos fechados, recusando-me a ter tais pensamentos. Julian voltará com Rosa, e tudo ficará bem. Tem que ser. Nós vamos ser uma família, construir uma vida juntos... Uma família. Meus olhos se abrem, minha mão voando para o meu estômago enquanto eu suspiro em voz alta. Pela primeira vez, parece-me que, sem a intervenção de Julian, Rosa e eu poderíamos ter sido apenas vítimas dos estupradores. Se eu tivesse sido brutalizada, agredida um pouco mais, não há como dizer o que poderia ter acontecido com o bebê. O pensamento aterrorizante rouba meu fôlego. Eu começo a tremer novamente, lágrimas se formando em meus olhos. Eu nem sei por que estou chorando. Tudo está bem. Tem que estar. Agarrando minha bolsa, eu me concentro na porta na parte de trás. A qualquer momento, Julian vai atravessá-la com Rosa, e as nossas vidas vão voltar ao normal. A qualquer segundo. Os segundos vão passando lentamente. Tão lentamente que tudo que eu posso fazer é não gritar. Eu fico olhando para a porta até que as lágrimas param e meus olhos começam a queimar de secura. Não importa o quanto eu tente, não consigo manter as imagens longe, e o medo dentro de


mim parece que está indo me engolir, me corroendo até que não há mais nada. Finalmente, a porta começa a ranger aberta. Eu salto em pé, dores esquecidas, mas então me lembro das palavras de despedida de Julian. Ele não é o único que pode entrar por aquela porta. Levantando a arma que ele me deu, e miro com as mãos trêmulas e espero.


Assim que eu envio a minha mensagem para Lucas, eu abro a porta e saio para o beco atrás do clube. Imediatamente, o cheiro de lixo atinge as minhas narinas, se misturando com o odor pungente de urina. Deve ter chovido enquanto nós estávamos no interior porque o asfalto cheio de buracos está molhado, a luz de uma lâmpada de rua distante refletindo nas poças oleosas na frente. Controlando minha raiva violenta e preocupação, eu metodicamente digitalizo meus arredores. Mais tarde eu vou me deixar pensar no rosto manchado de lágrimas de Nora e como eu fodi isso, mas agora preciso me concentrar em salvar Rosa. Devo a ela e a Nora isso. Não vejo ninguém por perto, então eu faço o meu caminho através das lixeiras, indo em direção à rua. Alguns ratos correm com a minha abordagem. Eu me pergunto se eles podem sentir a violência nas minhas veias, o desejo de sangue que se intensifica a cada passo que dou. Uma morte não foi suficiente. Não é suficiente. Meus passos ecoam no chão molhado conforme eu chego na esquina, virando para uma rua lateral estreita, e então eu vejo. Duas figuras lutando perto de um SUV branca a cerca de cinquenta metros de distância.


Eu posso ver o amarelo do vestido de Rosa quando o homem tenta arrastá-la para dentro do carro, e raiva negra surge através de mim novamente. Puxando minha faca, eu corro em direção a eles. Eu sei o momento exato que o atacante de Rosa me vê. Seus olhos se arregalam, seu rosto torcendo com medo, e antes que eu possa reagir, ele empurra Rosa para mim e entra no carro. Tenho uma explosão de velocidade, conseguindo pegar Rosa antes que ela caia, e ela agarra-me, soluçando histericamente. Tento acalmá-la enquanto me desembaraço de sua mão, mas é tarde demais. O carro sai com um rugido, e os pneus cantando enquanto o assaltante de Rosa sai, escapando como o covarde que ele é. Porra. Eu olho depois que o carro desaparece, ofegante. Eu sei que meus homens estão estacionados no cruzamento em frente, mas um tiroteio público iria chamar muita atenção. Segurando Rosa com um braço, eu puxo o meu telefone e digo a Lucas para seguir o carro branco. Então eu volto minha atenção para a mulher soluçando em meus braços. "Rosa." Ignorando a adrenalina através de mim, eu gentilmente puxoa para longe de mim para ver a extensão de seus ferimentos. Um lado do rosto está inchado e com uma crosta de sangue, e há arranhões e hematomas por todo o corpo, mas para meu alívio, eu não vejo nenhum osso quebrado. Ela parece tão abalada, porém, que eu lanço minha voz baixa, falando com ela como eu faria a uma criança. "O quanto você está machucada, querida?" "Ele... eles..." Ela parece incoerente enquanto ela está lá tremendo, o vestido rasgado, e eu cerro os dentes, lutando contra uma nova onda de fúria. Já estou vendo que tudo o que aconteceu com ela não é algo que ela vá facilmente superar. "Vem, querida, deixe-me levá-lo de volta para Nora." Eu mantenho a minha voz suave e calmante enquanto eu me curvo para pegá-la. Seu tremor intensifica quando eu a pego em meus braços, e eu aperto minha mandíbula, caminhando de volta para o beco tão rápido quanto eu posso.


Quando estamos em frente da porta para o clube, eu ponho Rosa em seus pés. Então, segurando seu cotovelo dando apoio, eu cuidadosamente a conduzo através da porta. Somos recebidos pela visão de Nora apontando a arma em nossa direção. No segundo que ela nos vê, no entanto, seu rosto se ilumina e ela abaixa a arma. "Rosa!" Ela deixa cair a arma e corre através do quarto para nós. "Você tem ela, Julian! Oh, graças a Deus, você tem ela!" Nos alcançando, ela sobe na ponta dos pés e me abraça ferozmente antes de envolver seus braços em volta de Rosa e guia-la para o sofá. Eu posso ouvir suas garantias murmurantes quando Rosa se apega a ela, chorando, e eu aproveito a oportunidade para chamar o nosso carro para vir ao redor do beco. Um par de minutos depois, o carro está pronto. "Venha, amor. Nós temos que ir, levá-las para o hospital", eu digo baixinho, aproximando-me do sofá, e Nora balança a cabeça, os braços ainda envoltos em torno de Rosa tremendo. Minha esposa parece muito mais calma agora, sua histeria anterior nada em vista. Ainda assim, eu tenho que lutar contra a vontade de agarrá-la e ter certeza que ela está tão bem quanto parece. A única coisa que me impede é saber que Rosa vai desmoronar sem a ajuda de Nora. Felizmente, meu animal de estimação parece à altura da tarefa de lidar com sua amiga traumatizada. Esse núcleo de aço que eu sempre senti dentro dela nunca foi mais evidente do que agora. Mesmo com a raiva queimando em minhas entranhas, eu sinto um lampejo de orgulho conforme eu assisto Nora pegando Rosa do sofá e levando-a em direção à saída para o beco. Lucas está encostado no carro, esperando por nós. Conforme seu olhar recai sobre Rosa, eu posso ver seu rosto mudando, sua expressão impassível transformada em algo escuro e assustador. "Esses filhos da puta", ele murmura grosso, andando em volta do carro para abrir a porta para nós. "Esses desgraçados filhos da puta." Ele parece que não consegue parar de olhar para Rosa. "Eles vão morrer, porra."


"Sim, eles vão," Eu concordo, observando com alguma surpresa como ele cuidadosamente separa Rosa de minha esposa e orienta a menina chorando no carro. Sua maneira de cuidar soa tão estranha que não posso deixar de me perguntar se há algo entre os dois. Isso seria estranho, dada a sua fixação na intérprete russa, mas coisas mais estranhas têm acontecido. Encolhendo os ombros mentalmente, eu viro para Nora, que está de pé ao lado da porta do carro aberta, a mão esquerda segurando a parte superior da porta. Ela parece perdida em seu próprio mundo, seu olhar estranhamente distante, enquanto ela levanta a mão direita e coloca em sua barriga. "Nora?" Eu passo na direção dela, um medo súbito agarrando meu peito, e, naquele momento, eu vejo seu rosto ficando branco.


A sensação de cólicas que comecei a sentir alguns segundos atrás, de repente se intensifica, se transformando em uma dor aguda. Ela se lança em meu estômago, roubando minha respiração assim que Julian dá passos para mim, o rosto tenso de preocupação. Arfando, eu me inclino, e imediatamente eu sinto suas mãos fortes em mim, levantando-me. "Hospital, agora!", Ele late para Lucas, e antes que eu possa piscar, eu me encontro dentro do carro, embalada no colo de Julian conforme nós guinchamos para fora do beco. "Nora? Nora, você está bem? "A voz de Rosa está cheia de pânico, mas não posso tranquilizá-la no momento, não com minhas entranhas em cólicas e se torcendo. Tudo o que posso fazer é tomar respirações ofegantes e curtas, minhas mãos cavando convulsivamente nos ombros de Julian quando ele me balança para frente e para trás, seu grande corpo tenso debaixo de mim. "Julian." Eu não posso evitar chorar quando uma cãibra particularmente cruel rasga minha barriga. Eu posso sentir a umidade quente, escorregadia em minhas coxas, e eu sei que se eu olhar para baixo, eu vou ver sangue. "Julian, o bebê..." "Eu sei, querida." Ele aperta os lábios na minha testa, balançando-me mais rápido. "Espere. Por favor, espere."


Nós voamos pelas ruas escuras, as luzes das ruas e semáforos indefinidos na frente dos meus olhos. Eu posso ouvir Rosa falando comigo, suas mãos suaves sobre o meu cabelo, e eu estou ciente de um vago sentimento de culpa que ela tem que lidar com isso depois de tudo o que ela passou. Principalmente, porém, o que eu sinto é medo. Um medo horrível que seja tarde demais, de que nada vai dar certo novamente.

"Sinto muito, Sra. Esguerra." A jovem médica para ao lado da minha cama, seus olhos cor de avelã preenchidos com simpatia. "Como você pode ter adivinhado, você abortou. A boa notícia, se pode haver alguma em um momento como esse, é que você ainda estava no seu primeiro trimestre, e o sangramento já parou. Pode haver algumas manchas e descargas pelos próximos dias, mas o seu corpo deve voltar ao normal rapidamente. Não há nenhuma razão para que você não seja capaz de tentar outra criança em breve... se você desejar fazê-lo, é claro." Olho para ela, meus olhos sentindo como se tivessem sido raspados com lixa. Eu não posso chorar mais. Eu chorei todas as lágrimas dentro de mim. Estou ciente da mão de Julian na minha quando ele se senta na borda da cama, das cólicas maçantes que continuam na minha barriga, e tudo que eu posso pensar é que eu perdi o bebê. Eu perdi nosso bebê, e é tudo culpa minha. "Onde está a Rosa?" Minha garganta está tão inchada que eu tenho que forçar as palavras. "Ela está bem?" "Ela está no quarto ao lado," a médica diz suavemente. Ela é extraordinariamente bonita, com um rosto pálido, em forma de coração emoldurado por cabelos castanhos ondulados. "Gostaria de falar com ela?" "Eles a examinaram?" A voz de Julian é tão dura como eu já o ouvi. Seu rosto e mãos estão limpos agora – ele usou garrafas de água para limpar a maior parte do sangue de nós antes de sairmos do carro, mas sua


jaqueta cinza está manchada de marrom. Eu me pergunto o que os médicos pensam da nossa aparência, se eles percebem que nem todo o sangue em nós é meu. "Sim, os exames foram feitos." A médica hesita por um segundo. "Sr. Esguerra, sua amiga disse que ela não quer prestar queixa ou falar com a polícia, mas isso é algo que nós recomendamos fortemente em casos como esses. No mínimo, ela deve deixar a nossa enfermeira de agressão sexual recolher as provas. Talvez você possa falar com Sr. Martinez, e nos ajudar a convencer ela-" "Algum de seus ferimentos necessitam de hospitalização?" Julian interrompe, sua mão apertando meus dedos. "Ou ela pode ir para casa com a gente?" A médica faz uma carranca. "Ela pode ir para casa, mas-" "E a minha mulher?" Ele dá a jovem um olhar penetrante. "Você está certa, não há lesões além das contusões?" "Sim, como eu lhe expliquei anteriormente, Sr. Esguerra, todos os testes voltaram normais." A médica atende ao seu olhar sem vacilar. "Não há nenhuma concussão ou qualquer tipo de ferimentos internos, e não há necessidade de uma D & C – dilatação e procedimento de curetagem quando a perda ocorre tão cedo na gravidez. Eu recomendo que a Sra. Esguerra fique calma pelos próximos dias, mas depois ela pode retornar às suas atividades normais." Julian olha para mim. "Baby?" Seu tom suaviza uma fração. "Você quer ficar aqui até de manhã apenas no caso, ou você prefere ir para casa?" "Casa." Eu engulo dolorosamente. "Eu quero ir para casa." "Sra. Esguerra..." a médica coloca a mão no meu braço, seus dedos finos e quentes na minha pele. Quando eu olho para ela, ela diz suavemente, "Eu sei que é pouco consolo para sua perda, mas eu quero que você saiba que a grande maioria dos abortos não pode ser impedido. É possível que o incidente com você e sua amiga foi um fator nesse evento lamentável, mas é bem provável que houvesse algum tipo de anormalidade cromossômica que teria ocasionado isso independentemente. Estatisticamente falando, cerca de vinte por cento das gestações terminam em aborto conhecidos, e até setenta por cento dos abortos no primeiro


trimestre ocorrem por causa dessas anomalias – não é algo que a mãe fez ou deixou de fazer." Eu ouço suas palavras devidamente, o meu olhar escorregando de seu rosto para o nome preso em seu peito. Dra. Cobakis. Algo sobre isso parece familiar, mas eu estou muito cansada para descobrir o quê. Apática, eu olho para cima novamente. "Obrigada", murmuro, esperando que ela deixe o assunto. Eu entendo o que ela está tentando fazer. A médica provavelmente sabe da tendência automática da mulher de se culpar quando algo dá errado com sua gravidez. O que ela não percebe é que, no meu caso, eu sou a culpada. Eu insisti em ir para esse clube. O que aconteceu a Rosa e ao bebê é culpa minha e de mais ninguém. A médica dá ao meu antebraço um aperto suave e dá um passo atrás. "Eu vou deixar a sua amiga pronta para ir, enquanto você se veste", diz ela, e sai do quarto, deixando-me sozinha com Julian, pela primeira vez desde a nossa chegada ao hospital. Assim que a médica se foi, ele solta minha mão e se inclina sobre mim. "Nora..." Em seu olhar, eu vejo a mesma agonia que está me rasgando por dentro. "Baby, você ainda está com dor?" Eu balanço minha cabeça. O desconforto físico não é nada para mim agora. "Eu quero ir para casa", eu digo com voz rouca. "Por favor, Julian, apenas me leve para casa." "Eu vou." Ele acaricia o lado ileso do meu rosto, seu toque quente e suave. "Eu prometo a você, eu vou."


Eu nunca conheci um vazio como esse antes, um vazio que queima e pulsa com a dor crua. Quando eu perdi Maria e meus pais, havia raiva e tristeza, mas não isso. Não esse vazio terrível misturado com a sede de sangue mais forte que eu já senti. Nora está quieta e silenciosa enquanto eu a levo até as escadas para o nosso quarto. Seus olhos estão fechados, os cílios crescentes escuros em suas bochechas pálidas. Ela tem estado assim – toda catatônica pela perda de sangue e exaustão – desde que deixamos o hospital. Enquanto eu a deito sobre a cama, eu vejo sua maçã do rosto machucada e o lábio cortado, e tenho que me afastar para recuperar o controle. A violência fervendo dentro de mim é tão tóxica, de modo corrosivo, que eu não posso tocar Nora agora – não sem marca-la de alguma forma. Depois de alguns momentos, sinto-me acalmar o suficiente para enfrentar a cama. Nora não se moveu, ainda deitada onde coloquei ela, e eu percebo que ela está adormecida. Inalando lentamente, eu me curvo sobre ela e começo a despi-la. Eu poderia deixá-la dormir até de manhã, mas há vestígios de sangue seco em suas roupas, e eu não quero que ela acorde assim. Ela vai ter o suficiente para lidar na parte da manhã.


Quando ela está nua, eu tiro minhas próprias roupas e a pego, embalando seu corpo pequeno, flácido, contra o meu peito enquanto eu caminho até o banheiro. Ao entrar no chuveiro, eu ligo a água, ainda segurando-a com força. Ela acorda quando o jato quente atinge sua pele, os olhos voando abertos conforme ela convulsivamente agarra no meu bíceps. "Julian?" Ela parece alarmada. "Shh," Eu a acalmo. "Está tudo bem. Estamos em casa." Ela parece um pouco mais calma, então eu a coloco em seus pés e peço suavemente, "Você pode ficar em pé por um minuto, baby?" Ela balança a cabeça, e eu faço o trabalho rápido de lavar ela e depois eu. Até o momento que eu acabo, ela está balançando em seus pés, e vejo que ele está gastando todas as suas forças para permanecer na posição vertical. Rapidamente, eu a enrolo em uma toalha grande e a levo para a cama. Ela desmaia antes de sua cabeça tocar no travesseiro. Enfio um cobertor em volta dela e sento ao lado dela por alguns momentos, observando seu peito subir e descer com sua respiração. Então eu me levanto e me visto para ir lá embaixo.

Entrando na sala, vejo que Lucas já está esperando por mim. "Onde está Rosa?" Eu pergunto, mantendo o meu nível de voz. Mais tarde eu vou pensar sobre a nossa criança, sobre Nora ali tão ferida e vulnerável, mas por enquanto eu empurro tudo para fora da minha mente. Eu não posso me dar ao luxo de ceder a minha dor e fúria, não quando há muito a ser feito. "Ela está dormindo", Lucas responde, levantando-se do sofá. "Eu deilhe Ambien e fiz com que ela tomasse um banho." "Bom. Obrigado." Eu cruzo a sala para ficar ao lado dele. "Agora digame tudo."


"A equipe de limpeza teve o cuidado com corpo e capturou o garoto que Nora bateu para fora no corredor. Eles estão segurando-o em um armazém alugado no South Side." "Bom." Meu peito se enche de expectativa selvagem. "E quanto ao carro branco?" "Os homens foram capazes de segui-lo para um dos arranha-céus do centro. Nesse ponto, ele desapareceu em uma garagem, e eles decidiram não o perseguir lá. Eu já procurei o número da placa." Ele faz uma pausa nesse ponto, me levando a dizer com impaciência, "E?" "E parece que nós poderíamos ter um problema", diz Lucas severamente. "o nome Patrick Sullivan não significa nada para você?" Eu franzo a testa, tentando pensar onde eu já ouvi isso antes. "É familiar, mas eu não sei." "Os Sullivans são donos de metade dessa cidade. Prostituição, drogas, armas – seu nome está ligado a tudo isso. Patrick Sullivan lidera a família, e ele tem cada chefe político e a polícia local em seu bolso." "Ah." Faz sentido agora. Eu não tenho relações com a organização Sullivan, mas eu fiz a minha pesquisa para saber os potenciais clientes nos EUA e em outros lugares. O nome de Sullivan deve ter vindo em minha pesquisa, o que significa que podemos de fato ter um problema. "O que Patrick Sullivan tem a ver com isso?" "Ele tem dois filhos", diz Lucas. "Ou melhor, ele tinha dois filhos. Brian e Sean. Brian está atualmente marinando em soda cáustica no nosso armazém alugado, e Sean é o proprietário do SUV branco." "Entendo." Então os filhos da puta que atacaram Rosa e minha esposa estão conectados. Mais do que conectados, de fato, o que explica a sua arrogância idiota em assaltar duas mulheres em um clube público. Com o seu pai mandando nessa cidade, eles devem estar acostumados a ser os maiores tubarões na piscina. "Além disso," Lucas continua, "a criança que temos pendurada naquele armazém é seu primo de dezessete anos de idade, sobrinho de


Sullivan. Seu nome é Jimmy. Aparentemente, ele e os dois irmãos são próximos. Ou eram, eu diria." Meus olhos estreitam em súbita suspeita. "Será que eles têm alguma ideia de quem somos? Eles poderiam ter escolhido Rosa para chegar a mim?" "Não, eu não penso assim." O rosto de Lucas aperta. "Os irmãos Sullivan têm uma história desagradável com mulheres. Estupro, agressão sexual, sexo grupal com garotas de irmandades – a lista vai longe. Se não fosse por seu pai, eles estariam apodrecendo na prisão agora." "Entendo." Minha boca torce. "Bem, no momento em que tivermos acabado com eles, eles vão querer que estivessem." Lucas concorda com a cabeça tristemente. "Devo organizar uma equipa de ataque?" "Não", eu digo. "Ainda não." Eu viro e ando até ficar perto da janela, olhando para o quintal escuro, arborizado. São quatro da manhã, e a única luz visível através das árvores vem da meia-lua pendura no céu. Essa propriedade é um lugar calmo e tranquilo, mas não vai ficar assim por muito tempo. Uma vez que Sullivan descobrir que matei seus filhos e sobrinho, essas ruas paisagísticas estarão vermelhas com sangue. "Quero Nora e seus pais levados para a propriedade antes de fazermos qualquer coisa", eu digo, voltando-me para enfrentar Lucas. "Sean Sullivan vai ter que esperar. Por enquanto, vamos nos concentrar sobre o sobrinho". "Tudo bem." Lucas inclina a cabeça. "Eu vou começar a fazer os arranjos." Ele caminha para fora da sala, e eu viro para olhar para fora da janela novamente. Apesar da meia-lua, tudo o que vejo lá fora, é a escuridão.


"Nora, querida..." Um toque suave familiar me puxa para fora do meu sono agitado. Forçando minhas pálpebras pesadas abertas, eu olho sem compreender a minha mãe, que está sentada na beira da cama e acariciando meu cabelo. Minha cabeça dói tanto que me leva alguns minutos para processar a sua presença no nosso quarto – e observar seus olhos inchados avermelhados. "Mãe?" Segurando o cobertor, eu sento, suprimindo um gemido da dor causada pelo movimento. Minhas costas estão rígidas e doloridas, e meu abdômen inferior tem uma cólica. "O que você está fazendo aqui?" "Julian nos chamou essa manhã", diz ela, com a voz trêmula. "Ele disse que você e Rosa foram atacadas em um clube na noite passada." "Oh." Um flash de raiva me acorda totalmente. Como Julian se atreve a preocupar os meus pais como isso? Eu iria inventar algo menos assustador para dizer-lhes, alguma forma suave para explicar a perda do bebê. A perda do bebê. A agonia é tão acentuada e repentina que eu não posso evitar. O soluço irregular explode fora da minha garganta, trazendo com ele uma torrente de lágrimas ardentes. Tremendo, eu aperto minha mão sobre a boca, mas é tarde demais. As poças de dor vêm para cima e derramam para fora as lágrimas como ácido na minha pele. Eu posso sentir os braços da


minha mãe em torno de mim, ouvi-la chorar, e eu sei que tenho que parar, mas não posso. É muito, a dor, o conhecimento de que eu fiz isso. De repente, não é mais minha mãe que me segura. Em vez disso, eu estou enrolada no cobertor no colo de Julian, seus braços fortes em volta de mim enquanto ele me embala contra ele, balançando-me como uma criança. Eu posso ouvir a voz do meu pai, o timbre baixo e calmante, e eu sei que o papai está consolando a mamãe, tentando acalmá-la em sua dor. Em algum momento, ele e Julian devem ter entrado na sala, mas eu não sei como ou quando isso aconteceu. Eventualmente, Julian me leva para o chuveiro. É ali, longe dos olhos dos meus pais, que eu sou finalmente capaz de recuperar o controle. "Sinto muito", eu sussurro quando Julian me enrola na toalha e me veste com um roupão espesso. "Eu sinto muito. Onde está a Rosa? Como ela está?" "Ela está bem", diz ele em voz baixa. Seus olhos estão vermelhos, fazendo-me suspeitar que ele não dormiu muito na noite passada. "Bem, tudo tão bem quanto se pode esperar. Ela ainda está em seu quarto, mas Lucas falou com ela e disse que ela está melhor. E você não tem nada que se desculpar, baby. Nada." Eu balanço minha cabeça, a culpa terrível me ataca novamente. "Eu preciso ir ver ela-" "Espere, Nora." Ele agarra meu braço, assim que eu estou a ponto de correr de volta para o quarto. "Antes que você vá, há algo que você e eu precisamos discutir com seus pais." "Meus pais?" Ele balança a cabeça, olhando para mim. "Sim. É por isso que eu os chamei aqui. Todos nós precisamos conversar."

"Os mafiosos Sullivan?" A voz do meu pai sobe incrédula. "Você está me dizendo que os homens que atacaram minha filha fazem parte da máfia?"


"Sim", Julian diz, com o rosto duro e inexpressivo. Ele está sentado ao meu lado no sofá, a mão esquerda apoiada no meu joelho. "É algo que eu descobri ontem à noite, depois que voltamos do hospital." "Precisamos ir à polícia imediatamente." Minha mãe se inclina para frente, as mãos apertadas com força no colo. "Esses monstros precisam pagar por isso. Se você sabe quem eles são-" "Eles vão pagar, Gabriela." O olhar de Julian se transforma em aço. "Você não tem que se preocupar com isso." "É por causa de você, não é?", Meu pai diz brutalmente, levantandose em um movimento acentuado. "Eles vieram atrás de você" "Não", eu interrompo, balançando a cabeça. Eu ainda estou me recuperando do que acabei de saber, mas se há uma coisa eu tenho certeza, é que pela primeira vez, o negócio de Julian não é sua culpa. "Foi aleatório, pai. Eles não tinham ideia de quem Rosa e eu éramos. Eles estavam apenas,” estremecendo – eu lembro – “apenas fazendo isso por diversão." "Diversão?" Meu pai me olha, seus traços tensos de raiva enquanto ele se senta novamente. "Esses babacas pensam que ferir duas mulheres seria divertido?" "Bem, tecnicamente, eles queriam só Rosa", eu digo estupidamente. "Acontece que eu intervi." A mão de Julian aperta no meu joelho quando ele olha na minha direção. Pela primeira vez, essa manhã, eu vejo um flash de fúria por trás de sua fachada. Eu não tenho nenhuma dúvida de que ele me culpa por isso, por usar o meu aniversário para manipulá-lo a ir ao clube, por tentar resgatar Rosa sozinha. Por perder nosso filho... o que eu nem sabia que eu queria, até que fosse tarde demais. Não tenho a menor ideia de qual será meu castigo, mas seja o que for, vai ser mais do que merecido. "Nós temos que ir à polícia", minha mãe diz novamente. “Precisamos relatar" "Não." Dessa vez, é Julian que se levanta e começa a andar na frente do sofá. "Isso não seria sábio."


"Por quê?" Meu pai pergunta bruscamente. "Isso é o que as pessoas civilizadas fazem nesse país. Eles vão para as autoridades-" "As autoridades estão no bolso de Sullivan." Julian pausa para dar ao meu pai um olhar severo. "E mesmo que não estivessem, nós poderíamos muito bem enviar ao Sullivan um e-mail dizendo quem somos." "Certo." Eu salto para os meus pés, ignorando a dor em meus músculos doloridos. Finalmente, meu cérebro lento conecta todos os pontos, e eu percebo porque Julian trouxe meus pais aqui. Se o homem que Julian matou na noite passada é de fato o filho do mafioso, então meu marido não é o único criminoso perigoso querendo vingança. "Mamãe, papai, não podemos fazer isso." Minha mãe parece assustada. "Mas, Nora-" "Seria melhor se vocês dois viessem nos visitar um pouco", Julian diz, caminhando até ficar ao meu lado. "Só até termos essa situação resolvida." "O quê?" Minha mãe olha para nós. "O que você quer dizer? Por quê? Oh." Ela abruptamente fica em silêncio. "Você fez alguma coisa para um desses homens na noite passada, não é?", Diz ela lentamente, olhando para Julian. "Você não quer que eles saibam quem somos porque... Porque-" "Porque um dos filhos de Sullivan está morto, sim." Julian poderia muito bem estar dando a previsão do tempo. "Eles vão procurar por nós, e quando descobrirem quem somos, eles virão atrás de você e Tony." Minha mãe visivelmente empalidece, e meu pai se levanta. "Você está dizendo que a máfia está atrás de nós?" Sua voz está cheia de descrença e raiva. "Que eles podem atacar-nos porque... porque você-" "Matei um dos filhos de Sullivan por tentar fazer mal a Nora, sim." A voz de Julian é a mais fria que eu já ouvi. "Podemos nos preocupar com quem culpar depois. Por agora, já que eu não quero Nora de luto por seus pais, eu sugiro que vocês notifiquem seus chefes de suas férias e comecem a fazer as malas." "Quando partimos?" Minha mãe pergunta, o rosto pálido quando ela se levanta também. "E quanto tempo de férias vai ser?" "Gabs, você não está pensando sério" meu pai começa, mas minha mãe coloca a mão em seu braço.


"Eu estou." A voz da minha mãe é firme agora, seu olhar cheio de determinação. "Eu não quero isso mais do que você quer, mas você já ouviu falar sobre os Sullivans. Eles não boa coisa, e se Julian diz que estamos em perigo-" "Você confia nesse assassino?" Meu pai se vira para olhar para ela. "Você acha que vai ser mais seguro com ele?" "Do que aqui com eles em busca de vingança? Sim, acho que vai ser", minha mãe retruca. "Nós não exatamente temos muitas opções, não é?" "Nós podemos ir para a polícia ou o FBI-" "Não Tony, não podemos, não se o que Julian diz é verdade." "Bem, obviamente ele seria contrário a ir para a polícia-" Enquanto eles discutem, sinto minha dor de cabeça se intensificando. Finalmente, eu não aguento mais. "Mamãe, papai, por favor." Eu dou um passo à frente, ignorando as batidas nas têmporas. "Basta virem com a gente por um tempo. Isso não tem que ser para sempre. Certo, Julian?" Eu olho para o meu marido para confirmação. Julian acena com frieza. "Como eu disse, só até eu colocar essa situação em ordem. Esperemos que não mais do que um mês ou dois". "Um ou dois meses? Como exatamente você vai endireitar isso em apenas um mês ou dois? "Minha mãe pergunta enquanto meu pai está ali, vibrando com raiva tensa. "Você realmente quer saber, Gabriela?" Julian pergunta suavemente, e minha mãe se torna ainda mais pálida. "Não, está tudo bem." Ela parece um pouco rouca. Limpando a garganta, ela pergunta: "Então o que vamos dizer no nosso trabalho? Como explicar um tempo de férias, assim nesse prazo? Quero dizer, é realmente como uma licença" "Pode dizer-lhes a verdade: que sua filha sofreu um aborto espontâneo e precisa de vocês nas próximas semanas." As palavras duras de Julian me fazem recuar. Percebendo a minha reação, ele chega até mim, seus dedos curvando em torno da minha palma quando ele diz a minha mãe em um tom mais suave ", ou você pode vir com alguma outra história. É realmente com você. "


"Ok, vamos fazer isso", minha mãe diz calmamente, olhando para nós, e quando eu olho para o meu pai, eu vejo que a raiva deixou seu rosto. Em vez disso, ele parece estar segurando as lágrimas. Pegando meu olhar, ele anda na minha direção. "Sinto muito, querida", ele diz calmamente, sua voz profunda cheia de tristeza. "Eu não tive a chance de dizer isso ainda, mas estou tão, tão triste por sua perda." "Obrigada, pai", eu sussurro, e então eu tenho que virar, senão eu vou começar a chorar novamente. Imediatamente, os braços de Julian fecham em torno de mim, trazendo-me em seus braços. "Tony, Gabriela," Eu ouço-o dizer em voz baixa. Sua mão esfrega círculos suaves nas minhas costas enquanto eu estou lá, lutando contra as lágrimas, meu rosto pressionado contra o seu peito. "Eu acho que é melhor se Nora repousar por agora. Por que vocês dois não discutem isso, e podemos conversar um pouco mais tarde? Idealmente, eu quero vocês e Nora voando amanhã, antes que Sullivan descubra quem somos." "Claro," minha mãe diz calmamente. "Vamos, Tony, temos muito o que fazer." E antes que eu possa virar, eu ouço seus passos saindo da sala. Quando eles se foram, Julian afrouxa seu domínio e puxa de volta para olhar para mim. "Nora, bebê-" "Eu estou bem," eu interrompo, não querendo sua piedade. A culpa que eu consegui deixar de lado durante a última hora está de volta, mais forte do que nunca. "Eu vou falar com Rosa agora." Julian estuda-me por um momento e, em seguida, dá um passo atrás, deixando-me ir. "Tudo bem, meu animal de estimação", diz ele em voz baixa. "Continue."


Enquanto eu assisto Nora sair do quarto, eu estou consciente de uma pressão pesada e densa no meu peito. Ela está tentando esconder sua dor, para ser forte, mas posso dizer que o que aconteceu a está rasgando. O colapso dessa manhã foi apenas a ponta do iceberg, e o conhecimento que eu sou o culpado por isso, que eu sou o culpado por tudo contribui para a fúria violenta agitando no meu intestino. Isso é tudo culpa minha. Se eu não tivesse estado tão porra de ansioso para agradá-la, fazê-la feliz, dando a ela todos os seus caprichos, nada disso teria acontecido. Eu deveria ter escutado meus instintos e a mantido na propriedade, onde ninguém poderia ter tocado ela. No mínimo, eu deveria ter negado seu pedido para ir para esse clube maldito. Mas não o fiz. Deixei-me ficar suave. Eu deixei minha obsessão por ela nublar meu julgamento, e agora ela está pagando o preço. Se eu não tivesse a deixado ir sozinha para aquele banheiro, se eu tivesse escolhido um clube diferente.... Os arrependimentos venenosos rodam na minha cabeça até que eu sinto que minha cabeça vai explodir. Eu preciso encontrar uma saída para a minha indignação, e eu preciso fazê-lo agora. Virando-me, eu vou para a porta da frente. "Eu trouxe o primo aqui", Lucas diz assim que eu saio para a calçada. "Achei que você podia não querer ir todo o caminho para Chicago hoje."


"Excelente." Lucas me conhece muito bem. "Onde ele está?" "Nessa van ali." Ele aponta para uma van preta estacionada estrategicamente atrás das árvores mais distantes dos vizinhos. Cheio de expectativa escura, eu ando em direção a ela, com Lucas me acompanhando. "ele nos deu qualquer informação já?", Pergunto. "Ele nos deu os códigos de acesso à garagem de estacionamento e dos elevadores do prédio do seu primo", diz Lucas. "Não foi difícil fazê-lo falar. Pensei em deixar o resto do interrogatório para você, no caso de você querer falar com ele pessoalmente". "Isso foi uma boa ideia. Eu definitivamente quero." Aproximando-me da van, eu abro as portas traseiras e olho para o interior escuro. Um jovem magro está deitado no chão, amordaçado. Seus tornozelos estão presos a seus pulsos atrás das costas, colocando-o em uma posição não natural, e seu rosto está ensanguentado e inchado. Um forte cheiro de urina, medo e suor sopra em direção a mim. Lucas e meus guardas fizeram um trabalho sólido. Ignorando o mau cheiro, eu subo na van e me viro. "O carro é à prova de som?", Pergunto a Lucas, que permanece no chão. Ele balança a cabeça. "Cerca de noventa por cento." "Bom. Isso deve ser suficiente." Eu fecho as portas atrás de mim, me trancando com o menino que imediatamente começa a se contorcer no chão, fazendo barulhos frenéticos por trás da mordaça. Puxando minha faca, eu agacho ao lado dele. Sua luta intensifica, em pânico seus ruídos crescem em volume. Ignorando o olhar aterrorizado em seus olhos, eu agarro o pescoço para segurá-lo firme e coloco a faca entre a mordaça e seu rosto, cortando o pedaço de pano. Um filete de sangue corre por sua bochecha onde a faca cortou ele, e eu assisto, apreciando a vista. Eu quero mais de seu sangue. Quero ver essa van coberta com ele. Como se sentindo meus pensamentos, o adolescente começa a choramingar. "Por favor, não faça isso, cara", ele implora, soluçando. "Eu não fiz nada! Eu juro, eu não fiz nada" "Cale a boca." Eu fico olhando para ele, deixando que a antecipação se construa. "Você sabe por que você está aqui?"


Ele balança a cabeça. "Não! Não, eu juro", ele balbucia. "Eu não sei de nada. Eu estava no clube, e havia uma garota, e eu não sei o que aconteceu porque eu acabei de acordar nesse armazém, e eu não fiz nada-" "Você não tocou na menina de vestido amarelo?" Eu viro a minha cabeça para o lado, girando a faca entre os dedos. Eu sei exatamente como os gatos se sentem quando jogam com os ratos; esse tipo de coisa é divertido. Os olhos do jovem aumentam. "O quê? Não! Foda-se, não! Eu juro, eu não tenho nada a ver com isso! Eu disse a Sean que era uma má ideia-" "Então você sabia o que eles estavam indo fazer?" Imediatamente percebendo no que ele está, o menino começa a balbuciar novamente, lágrimas e ranho escorrendo pelo rosto maltratado. "Não! Quer dizer, eles nunca me dizem nada até que eles façam, então eu não sabia! Eu juro, eu não sabia até que estávamos lá, e eles disseram para cuidar da porta, e eu disse-lhes que não era justo, e eles disseram que eu só devia fazê-lo, e depois essa outra menina veio, e eu lhe disse para ir embora-" "Cale a boca." Eu pressiono a ponta afiada da faca contra sua boca. Ele fica em silêncio instantaneamente, seus olhos brancos com medo. "Tudo bem," eu digo suavemente, "agora me escute com cuidado. Você vai me dizer onde seu primo Sean come, dorme, caga, fode, e tudo o que ele faz. Quero uma lista de todos os lugares que ele pode ir. Entendido?" Ele dá um pequeno aceno de cabeça, e eu movo a faca. Imediatamente, o menino começa a vomitar nomes dos restaurantes, clubes, academias de luta subterrâneas, hotéis e bares. Eu uso o meu telefone para gravar tudo, e quando ele o fez, eu sorrio para ele. "Bom trabalho." Seus lábios rachados tremem em uma fraca tentativa de um sorriso em resposta. "Então agora você vai me deixar ir, certo? Porque eu juro que eu não tinha nada a ver com isso." "Deixá-lo ir?" Eu olho para a faca na minha mão, como se estivesse considerando suas palavras. Então eu olho para cima e sorrio novamente. "Por quê? Porque você traiu seu primo? "


"Mas... mas eu lhe disse tudo!" Seus olhos estão temerosos novamente. "Eu não sei mais nada!" "Sim, eu sei." Eu pressiono a faca contra seu estômago. "E isso significa que você é inútil para mim agora." "Eu não sou!", Ele começa a gritar. "Você pode pedir resgate! Eu sou Jimmy Sullivan, o sobrinho de Patrick Sullivan, e ele vai pagar para me ter de volta! Ele vai, eu juro-" "Oh, eu tenho certeza que ele vai." Eu deixo a ponta da faca cavar, apreciando a vista do sangue brotando em torno da lâmina. Tirando meus olhos do ferimento, eu encontro o olhar petrificado do jovem. "É muito ruim para você que o seu dinheiro seja a última coisa que eu preciso." E conforme ele solta um grito aterrorizado, eu o corto aberto, observando o derramamento de sangue em um escuro rio bonito de vermelho.

Depois que eu limpo as minhas mãos na toalha que alguém cuidadosamente deixou na van, eu abro a porta e salto para fora. Lucas está esperando por mim, para que eu diga a ele para se livrar do corpo e voltar para a casa. É estranho, mas eu não me sinto muito melhor. A matança deveria ter aliviado um pouco a pressão, aliviado a necessidade premente por violência, mas em vez disso, parece só ter adicionado a ela, o vazio dentro de mim crescendo e escurecendo a cada momento. Quero Nora. Eu preciso dela mais do que nunca. Mas quando eu entro na casa, a primeira coisa que faço é seguir para o chuveiro. Eu estou coberto de sangue, e eu não quero que ela me veja assim. Como o assassino selvagem que seus pais me acusaram de ser. Quando eu saio, a primeira coisa que faço é verificar o aplicativo de rastreamento para localizar Nora. Para minha grande decepção, ela ainda está no quarto de Rosa. Penso em ir lá para pegá-la, mas eu decido dar-lhe


mais alguns minutos e recuperar o atraso em algum trabalho enquanto isso. Quando eu abro meu laptop, eu vejo que minha caixa de entrada está cheia com as mensagens habituais. Russos, ucranianos, o Estado Islâmico, alterações contratuais de fornecedores, um vazamento de segurança em uma das fábricas da Indonésia.... Eu examino tudo com desinteresse até que eu vejo um e-mail de Frank, meu contato na CIA. Abrindo, eu leio rapidamente e minhas entranhas gelam.


"Hey." Equilibrando uma bandeja com chá e sanduíches em minhas mãos, eu abro a porta do quarto de Rosa e me aproximo de sua cama. Ela está deitada de lado, de costas para a porta, um cobertor enrolado em torno dela. Descanso a bandeja na mesa de cabeceira, sento-me na beira da cama e gentilmente toco seu ombro. "Rosa? Você está bem?" Ela vira o rosto para mim, e eu quase vacilo com os hematomas no seu rosto. "Muito ruim, hein?", Pergunta ela, observando a minha reação. Sua voz soa um pouco arranhada, mas ela parece muito calma, os olhos secos em seu rosto inchado. "Bem, eu não diria que está bom", eu digo com cuidado. "Como você está se sentindo?" "Possivelmente melhor do que você", diz ela em voz baixa, olhando para mim. "Sinto muito sobre o bebê, Nora. Eu não posso sequer imaginar o que você e Julian devem estar passando." Eu aceno, tentando ignorar a pontada de agonia no meu peito. "Obrigada." Eu forço um sorriso nos meus lábios. "Agora, está com fome? Trouxe-lhe algo para comer." Estremecendo, ela se senta e olha desconfiada para a bandeja. "Você fez isso?"


"Claro. Você sabe que eu sou capaz de ferver a água e colocar queijo no pão, certo? Eu costumava fazer isso o tempo todo antes de Julian me sequestrar e me fazer viver no luxo". A sombra de um sorriso nos lábios agredidos de Rosa surge. "Ah sim. Esses tempos escuros no passado, quando você tinha que cuidar de si mesma". "Exatamente." Eu alcanço uma xícara de chá e entrego com cuidado para Rosa. "Aqui está. Camomila com mel. Cura todos os males, de acordo com Ana." Rosa toma um pequeno gole e levanta uma sobrancelha para mim. "Impressionante. Quase tão bom quanto o da Ana". "Hey." Eu faço uma careta exagerada. "Quase? E eu pensando aqui que eu tinha aprendido essa coisa de chá." Seu sorriso é um pouco mais brilhante dessa vez. "Você está muito perto, eu prometo. Agora deixe-me tentar um daqueles sanduíches. Eu tenho que dizer, eles parecem apetitosos " Dou-lhe um prato e vejo como ela come seu sanduíche. "Você não vai se juntar a mim?", Ela pergunta a meio caminho, e eu balanço minha cabeça. "Não, eu comi um pouco na cozinha antes de vir," eu explico. "Eu não deveria estar com fome também", diz Rosa depois que ela come a maior parte de seu sanduíche. "Lucas me trouxe uma omelete mais cedo essa manhã." "Ele o fez?" Eu pisco para ela com surpresa. "Eu não sabia que ele sabe cozinhar." "Eu também não sabia." Ela dá as últimas mordidas e entrega o prato de volta para mim. "Isso estava realmente bom, Nora, obrigada." "Claro." Eu levanto, ignorando a rigidez dolorosa nas minhas costas. "Posso pegar alguma coisa para você? Talvez um livro para ler?" "Não, está tudo bem." Fazendo uma careta de novo, ela empurra o cobertor, revelando uma camiseta comprida, e balança os pés no chão. "Eu vou me levantar. Eu não posso ficar na cama o dia todo."


Eu franzo a testa para ela. "Claro que você pode. Você deve descansar hoje, vá com calma." "Como você está descansando?" Ela me dá um olhar sarcástico e caminha até a cômoda do outro lado do quarto. "Eu já descansei. Eu quero falar com Lucas e descobrir o que está sendo feito com os filhos da puta que nos atacaram." Eu olho para ela. "Rosa..." Eu hesito, incerta se devo proceder. "Você quer saber o que aconteceu ontem à noite com esses caras, certo?" Ela puxa um par de jeans e pausa para olhar para mim, com os olhos brilhando. "Você quer saber o que eles fizeram para mim antes de você chegar lá." "Só se você quiser me dizer", eu digo rapidamente. "Se você não se sentir confortável com-" Ela ergue a mão, silenciando-me no meio da frase. Em seguida, ela respira fundo e diz: "Eles me seguiram até o banheiro." Há apenas uma sugestão de fragilidade em sua voz. "Quando eu saí, eles estavam lá, os dois, e o mais velho, Sean, disse que havia uma sala VIP na parte de trás que eles queriam me mostrar. Você sabe, como eles têm por vezes nos filmes?" Concordo com a cabeça, sentindo um caroço crescendo em minha garganta. "Bem, a idiota que eu sou, acreditou neles." Ela se afasta, atingindo a cômoda. Eu assisto em silêncio enquanto ela tira a camiseta e coloca um sutiã, seguido por uma camisa preta, de mangas compridas. Há arranhões e hematomas em sua pele lisa, alguns na forma de marcas de dedos, e eu tenho que esconder minha reação quando ela se vira para mim e diz: "Eu lhes disse anteriormente que essa era a minha primeira visita a esse país, então eu pensei que queriam me mostrar coisas boas." "Oh, Rosa..." Eu passo em direção a ela, meu peito dolorido, mas ela segura a mão. "Não." Ela engole. "Apenas deixe-me terminar." Eu paro perto dela, e ela continua depois de um momento. "Assim que passamos os banheiros, fora da vista das pessoas em pé na fila, o mais


novo, Brian, deu um salto e me arrastou para o quarto. Havia um cara com rosto adolescente também, e ele viu a coisa toda antes de Sean dizer para ele ir ficar no corredor e se certificar de que ninguém entrasse. Eu acho que eles iam dar a ele sua vez" – ela pausa para se recompor por um segundo "depois que eles tivessem ambos satisfeitos. " Enquanto ela fala, a raiva que eu senti no clube retorna. Tinha começado a sumir sob o peso da dor, deixada de lado pela agonia da minha própria perda, mas agora eu estou ciente disso novamente. Afiada e ardente, a raiva me enche até que eu estou tremendo com ela, minhas mãos abrindo e fechando nos meus lados. "Eu acho que você sabe o resto da história," Rosa continua, sua voz cada vez mais frágil a cada segundo. "Você veio quando eu estava tentando lutar contra Sean. Se não fosse por você..." O rosto dela amassa, e desta vez eu não posso ficar para trás. Fechando a distância entre nós, eu a abraço, segurando-a quando ela começa a tremer. Debaixo de minha raiva, eu me sinto impotente, totalmente inadequada para a tarefa em mãos. O que aconteceu com Rosa é o pior pesadelo de toda mulher, e eu não tenho ideia de como consolá-la. Para um estranho, o que Julian fez para mim na ilha pode parecer o mesmo, mas mesmo durante aquele primeiro momento traumático, ele tinha me dado alguma aparência de ternura. Eu me senti violada, mas também acarinhada, tão incongruente como essa combinação poderia ser. Eu nunca me senti da maneira que Rosa deve estar se sentindo agora. "Sinto muito", eu sussurro, acariciando seus cabelos. "Eu sinto muito. Esses bastardos vão pagar. Vamos fazê-los pagar." Ela funga e se afasta, com os olhos brilhando de lágrimas. "Sim." Sua voz é sufocada quando ela recua. "Eu quero isso, Nora. Eu quero isso mais do que qualquer coisa." "Eu também", eu sussurro, olhando para ela. Quero os atacantes de Rosa mortos. Eu quero eles eliminados da forma mais brutal possível. É errado, é doente, mas eu não me importo. Imagens do homem que Julian matou ontem à noite flutuam pela minha mente, trazendo com elas um


peculiar sentido de satisfação. Eu quero que o outro – Sean – pague da mesma maneira. Quero libertar Julian dele mesmo e ver meu marido trabalhar a sua magia selvagem. Uma batida na porta nos assusta. "Entre," Rosa chama, usando sua manga para enxugar as lágrimas do rosto. Para minha surpresa, Julian entra no quarto, sua expressão tensa e estranhamente preocupada. Ele trocou de roupa desde essa manhã, e seu cabelo está molhado, como se ele tivesse acabado de tomar um banho. "Qual o problema?", Pergunto imediatamente, minha frequência cardíaca aumentando. "Aconteceu alguma coisa?" "Não", Julian diz, atravessando o quarto. "Ainda não. Mas podemos precisar acelerar sua partida." Ele para na minha frente. "Eu acabei de saber que o esboço de um artista de nós três está sendo divulgado no escritório do FBI local. O irmão que escapou deve ter uma boa memória para rostos. Os Sullivans estão procurando por nós, e se eles estão bem conectados como nós pensamos, nós não temos muito tempo." O medo envolve como arame farpado em volta do meu peito. "Você acha que eles já sabem sobre os meus pais?" "Eu não tenho ideia, mas não é totalmente fora de questão. Ligue para eles agora, e diga-lhes para embalarem o que podem. Vamos pegá-los em uma hora, e eu vou levar todos para o aeroporto." "Espere um minuto." Eu fico olhando para Julian. "Todos nós? E você?" "Eu preciso lidar com a ameaça dos Sullivan. Lucas e eu vamos ficar para trás junto com a maior parte dos guardas." "O quê?" Eu acho difícil de respirar, de repente. "O que quer dizer, você vai ficar para trás?" "Eu preciso limpar essa bagunça", Julian diz, impaciente. "Agora, vamos perder tempo falando sobre isso, ou você ligar para os seus pais?"


Eu engulo as acusações amargas subindo na minha garganta. "Vou ligar agora", eu digo firmemente, pegando o meu telefone. Julian está certo; agora não é hora para discutir sobre isso. No entanto, se ele acha que eu vou cooperar humildemente com isso, ele está profundamente enganado. Vou fazer o que for necessário para não perdê-lo novamente.


O caminho para a casa dos pais de Nora passa em silêncio tenso. Estou ocupado coordenando a logística de segurança com a minha equipe, e Nora está furiosamente trocando mensagens com seus pais, que parecem estar bombardeando-a com perguntas sobre a súbita mudança de planos. Rosa assiste nós dois em silêncio, o inchaço preto-e-azul no rosto escondendo sua expressão. Assim que chegamos, Nora corre para dentro da casa, e eu a sigo para dentro, não querendo deixá-la sozinha, mesmo que por meia hora. Rosa permanece no carro com Lucas, explicando que ela não quer estar no caminho. Quando eu entro, vejo que Rosa estava certa de ficar de fora. Dentro, a casa dos Lestons é um hospício. Gabriela está correndo em volta, tentando enfiar tantos itens quanto possível em uma mala enorme, e seu marido está falando alto ao telefone, explicando a alguém que sim, ele tem que deixar o país agora, e não, ele está arrependido que ele não possa dar mais atenção. "Eles vão me demitir", ele murmura sombriamente conforme ele desliga, e eu resisto ao impulso de dizer que nenhum trabalho vale a pena sua vida. "Se eles o demitirem, eu vou ajudá-lo a encontrar outro emprego, Tony," eu digo em vez disso, sentando-me à mesa da cozinha. O pai de Nora


me lança um olhar zangado em resposta, mas eu o ignoro, concentrandome nas dezenas de e-mails que se acumulam na minha caixa de entrada nas últimas horas. Quarenta minutos depois, Nora finalmente faz os Lestons pararem de embalar. "Nós temos que ir, mãe", ela insiste quando sua mãe lembra ainda outra coisa que ela esqueceu de pegar. "Temos repelente de insetos na propriedade, eu prometo. E tudo aquilo que você precisar, nós vamos encomendar para você. Nós não vivemos em um deserto completo, você sabe." Gabriela parece apaziguada com isso, então eu a ajudo a fechar a mala enorme e transporto para o carro. A coisa pesa, pelo menos, cento e vinte quilos, e eu solto grunhidos com o esforço quando eu a levanto no porta-malas da limusine. Enquanto isso, o pai de Nora traz uma segunda mala, menor. "Vou levá-la", eu digo, estendendo a mão para ele, mas ele empurra fora. "Eu levo", ele diz bruscamente, então eu dou espaço para deixá-lo lidar com isso por conta própria. Se ele quer continuar, problema seu. Uma vez que tudo está carregado, os pais de Nora sobem no carro, e Rosa vai sentar-se na frente ao lado de Lucas. "Para dar aos quatro mais espaço", explica ela, como se a parte de trás da limusine não pudesse facilmente acomodar dez pessoas. "Todos esses carros precisam estar aqui?" A mãe de Nora pergunta quando eu sento ao lado de Nora. "Quero dizer, isso é realmente perigoso?" "Provavelmente não, mas eu não quero arriscar", eu digo conforme nós vamos para fora da garagem. Além da divisão de vinte e três guardas entre sete SUVs – todas as quais estão atualmente em marcha lenta nesse quarteirão tranquilo – eu também tenho um estoque de armas, sob a nossa sede. É um exagero para uma viagem pacífica para Chicago, mas agora que há problemas, estou preocupado que não seja o suficiente. Eu deveria ter trazido mais homens, mais armas, mas eu não queria Frank e companhia pensando que eu estava aqui para fazer um trabalho.


"Isso é loucura", murmura Tony, olhando pela janela de volta para a procissão de carros nos seguindo. "Eu não posso sequer imaginar o que nossos vizinhos estão pensando." "Eles estão pensando que você é um VIP, pai", Nora diz com alegria forçada. "Você nunca se perguntou como deve ser com o Presidente, sempre viajando com o Serviço Secreto?" "Não, eu não posso dizer que me perguntei." O pai de Nora se volta para nos olhar, sua expressão suavizando quando ele olha para sua filha. "Como está se sentindo, querida?", Pergunta ele. "Você deveria estar descansando em vez de lidar com essa loucura." "Eu estou bem, pai." O rosto de Nora aperta. "E eu prefiro não falar sobre isso, se você não se importa." "Claro, querida", sua mãe diz, piscando rapidamente, eu presumo que para parar de chorar. "Tudo o que você quiser, meu amor." Nora tenta dar a sua mãe um sorriso, mas falha miseravelmente. Incapaz de resistir, eu estendo a mão e coloco meu braço sobre seus ombros, puxando-a contra mim. "Relaxe, baby", murmuro em seu cabelo enquanto ela se aninha contra o meu lado. "Nós estaremos lá em breve, e você pode dormir no avião, ok?" Nora deixa escapar um suspiro e murmura em meu ombro, "Parece bom." Ela parece cansada, então eu acaricio seu cabelo, apreciando sua maciez sedosa. Eu poderia sentar assim para sempre, sentindo o calor de seu corpo pequeno, cheirando seu aroma doce e delicado. Pela primeira vez desde o aborto, um pouco do peso no meu peito, a escuridão, a amarga tristeza alivia ligeiramente. A violência ainda pulsa em minhas veias, mas o vazio terrível é preenchido no momento, o vazio doloroso não expandindo. Eu não sei quanto tempo sentamos assim, mas quando eu olho através do corredor da limusine, vejo os pais de Nora nos assistindo estranhamente. Gabriela, especialmente, parece fascinada. Eu franzo a testa para eles e posiciono Nora mais confortavelmente ao meu lado. Eu não gosto que eles estejam testemunhando isso. Eu não quero que eles saibam o quanto eu dependo do meu animal de estimação, quão desesperadamente eu preciso dela.


Com o meu olhar, ambos desviam o olhar, e eu volto a acariciar o cabelo de Nora enquanto nós saímos da Interestadual para uma estrada de duas pistas. "Quanto tempo até chegarmos lá?" O pai de Nora pergunta um par de minutos mais tarde. "Nós estamos indo para um aeroporto privado, certo?" "Certo", eu confirmo. "Nós não estamos muito longe agora, eu creio. Não há tráfego, por isso vamos estar lá em cerca de vinte minutos. Um dos meus homens foi na frente para preparar o avião, por isso assim que chegarmos lá, nós vamos ser capazes de decolar." "E podemos partir assim? Sem passar pela alfândega?" A mãe de Nora pergunta. Ela ainda parece estar invulgarmente interessada na maneira que estou abraçando Nora. "Ninguém vai nos impedir de voltar a entrar no país ou qualquer coisa?" "Não", eu digo. "Eu tenho um acordo especial com-" Antes que eu possa terminar de explicar, o carro ganha velocidade. A aceleração é tão acentuada e repentina que mal consigo me manter e segurar a Nora, que suspira e agarra na minha cintura. Seus pais não têm tanta sorte; eles caem em seus lados, quase voando para fora do assento longo da limusine. O painel que nos separa do motorista rola para baixo, revelando o rosto sombrio de Lucas no espelho retrovisor. "Nós temos alguém atrás", diz ele secamente. "Eles estão atrás de nós, e eles estão vindo com tudo o que eles têm."


Meu coração para de bater por um segundo; em seguida, a adrenalina explode em minhas veias. Antes que eu tenha a chance de reagir, Julian já está em movimento. Desafivelando meu cinto de segurança, ele agarra meu braço e me arrasta para fora do assento para o chão da limusine. "Fique aí", ele late, e eu assisto em choque quando ele levanta o assento, revelando um enorme estoque de armas. "O que-" minha mãe suspira, mas naquele momento, as guinadas de limusine, me batem contra a lateral do assento de couro de pelúcia. Meus pais gritam, agarrando desesperadamente um ao outro, e Julian agarra a borda do assento elevado para evitar cair. E então eu ouço. O rat-tat-tat de armas automáticas. Alguém está atirando em nós. "Gabriela!" O rosto de meu pai está branco austero. "Segure em mim!" A limusine desvia novamente, fazendo com que a minha mãe deixe sair um grito assustado. De alguma forma, Julian permanece na posição vertical, inclinado sobre o esconderijo enquanto a limusine acelera ainda mais. De minha posição no chão, tudo o que posso ver através das janelas


são as copas das árvores passando. Devemos estar dirigindo nessa estrada a uma velocidade vertiginosa. Outra rajada de tiros, e as árvores passam mais rápido, a vegetação indefinida na minha visão. Eu posso ouvir o rufar de meu pulso; quase abafando o grito de pneus na distância. "Oh meu Deus!" Ao grito de pânico da minha mãe, eu agarro um banco e fico de joelhos para olhar pela janela traseira. A visão que recebo é como algo saído de um filme Velozes e Furiosos. Atrás dos nossos guardas nas sete SUVs, há uma carreata inteira de carros. Cerca de uma dúzia são SUVs e vans, mas também há três Hummers com armas gigantes montadas em seus tetos. Homens com metralhadoras estão pendurados para fora das janelas dos carros, trocando tiros com os nossos guardas-que estão fazendo o mesmo. Enquanto observo em estado de choque, eu vejo um dos carros dos perseguidores ganhar da última das nossas SUVs e esmagar seu lado em um aparente esforço para forçá-la para fora da estrada. Ambos os carros vacilam fora do curso, faíscas, onde seus lados juntam, e eu ouço outra rajada de tiros, seguida pelo carro dos perseguidores saindo fora da estrada e capotando. Um a menos, quinze mais para ir. A matemática é cristalina em minha mente. Quinze carros contra oito, contando a nossa limusine. As probabilidades não estão a nosso favor. Meu coração bate descontroladamente conforme a batalha de alta velocidade continua, os carros se esmagando em conjunto em meio a uma saraivada de balas. Boom! O som ensurdecedor vibra através de mim, sacudindo cada osso do meu corpo. Atordoada, eu assisto a SUV dos guardas atrás de nós voar, explodindo no ar. Seu tanque de gás deve ter sido atingido, eu penso atordoada, e então eu ouço Julian gritando meu nome. Meus ouvidos vibrando, eu viro e o vejo empurrando algo volumoso para mim. "Coloque isso!" Ele ruge antes de jogar dois dos mesmos itens para os meus pais. Coletes à prova de balas, eu percebo em descrença. Ele apenas entregou-nos os coletes.


A coisa é pesada, mas eu consigo colocar, mesmo com a limusine desviando por todo o lugar. Eu posso ouvir os meus pais freneticamente instruindo um ao outro, e eu viro para ver Julian já vestindo seu próprio colete. Ele também está segurando um-AK-47 que ele empurra em minhas mãos antes de voltar a levantar uma grande, arma de aparência incomum para fora do esconderijo. Eu fico olhando para ele, intrigada, mas depois eu reconheço o que é. Um lançador de granadas de mão. Julian tinha me mostrado uma vez na propriedade. Sacudindo do meu choque, eu subo no banco, segurando o fuzil com as mãos trêmulas. Eu tenho que fazer a minha parte, não importa o quão aterrorizante possa ser. Mas antes que eu possa rolar para baixo a janela e começar a ver, Julian me puxa para o chão novamente. "Fique aí", ele ruge para mim. "Não faça a porra de um movimento!" Eu aceno, tentando controlar a minha respiração rápida. A adrenalina escaldante através de mim tanto acelera tudo como retarda, a minha percepção nebulosa e afiada, ao mesmo tempo. Eu posso ouvir minha mãe chorando e Rosa e Lucas gritando algo na parte da frente, e então eu vejo a mudança rosto de Julian quando ele se vira para a janela da frente. "Foda-se!" O palavrão explode para fora de sua garganta, me aterrorizando com a sua veemência. Impossível ficar parada, eu me levanto de joelhos novamente... e meus pulmões deixam de funcionar. Na estrada à frente de nós, apenas algumas centenas de pés afastado, está um bloqueio policial e estamos indo em direção a ele na velocidade de carros de corrida.


A parte fria, racional da minha mente registra instantaneamente duas coisas: não há espaço para nós virarmos, e os quatro carros da polícia bloqueando nosso caminho estão cercados por homens vestindo roupas da SWAT. Eles estavam nos esperando, o que significa que eles estão no bolso de Sullivan e aqui para matar a todos. O pensamento me enche de raiva apavorada. Eu não tenho medo por mim, mas saber que Nora pode morrer hoje, que eu posso nunca segurá-la de novoNão. Foda, não. Impiedosamente, eu empurro paralisante de lado e avalio rapidamente a situação.

o

pensamento

Em menos de vinte segundos, vamos chegar à barreira policial. Eu sei o que Lucas pretende: correr pelos dois carros que têm a maior diferença entre eles. A diferença é de apenas dois pés de largura, mas nós estamos indo a 120 milhas por hora e o carro é fortemente blindado, o que significa que o momento está do nosso lado. Tudo o que precisamos fazer é sobreviver à colisão. Segurando o lançador de granadas na minha mão direita, eu grito para os pais de Nora, "Preparem-se!", E caio no chão, em torno de Nora com o meu corpo.


Alguns segundos depois, nós batemos a limusine nos carros da polícia com força para quebrar os ossos. Eu posso ouvir os pais de Nora gritando, sentir a inércia do impacto me arrastando para a frente, e eu tenciono cada músculo do meu corpo, em um esforço para parar de acontecer. Isso funciona mal. Meu ombro esquerdo bate no lado do assento, mas eu continuo mantendo Nora segura debaixo de mim. Não tenho dúvidas de que estou esmagando-a com o meu peso, mas é melhor do que a alternativa. Eu posso ouvir o barulho metálico das balas que atingem o lado e janelas do carro, e eu sei que eles estão atirando em nós. Se estivéssemos em um carro regular, já estaria cheio de buracos. Assim que eu sinto o excesso de velocidade da limusine de novo, eu salto para os meus pés, observando com o canto do meu olho que os pais de Nora parecem ter sobrevivido ao impacto. Tony está embalando seu braço com uma careta aflita, mas Gabriela parece apenas atordoada. Eu não tenho tempo para olhar mais de perto, no entanto. Se formos ter alguma chance de sobreviver a isso, precisamos cuidar dos homens dos Sullivans, e precisamos fazê-lo agora. O lançador de granadas ainda está na minha mão, então eu pressiono um botão no lado da porta para ativar a abertura escondida no teto. Então eu me levanto no meio do corredor, a cabeça e os ombros saindo do carro. Levantando a arma, eu aponto para os carros perseguindo-nos – que agora incluem um carro da polícia junto aos quinze veículos dos Sullivans. Não, treze veículos dos Sullivans, eu me corrijo depois de fazer uma contagem rápida. Meus homens conseguiram tirar mais dois deles no último par de minutos. É hora de nivelar as probabilidades um pouco mais. Balas passam zunindo pela minha cabeça, mas eu ignoro-as enquanto eu miro com cuidado. Eu só tenho seis tiros nesse lançador, então eu tenho que fazer com que cada uma valha a pena. Boom! O primeiro tiro sai como um chute forte. O recuo bate no meu ombro, mas a granada encontra o seu alvo, o carro da polícia, que está bem na nossa cola. O carro voa, explodindo no ar, a terra ao seu lado


queimando. Um dos Hummers bate nele, e eu assisto com satisfação sombria quando ambos os carros explodem, fazendo uma das vans dos Sullivans deslizarem para fora da estrada. Onze veículos inimigos. Eu aponto novamente. Dessa vez, o meu objetivo é mais ambicioso: um dos Hummers restantes mais para trás. Ele tem um lançador de granadas de um único tiro montado em seu teto; isso é o que tirou um dos nossos SUVs antes, e eu sei que eles vão usar a arma novamente assim que recarregarem. Boom! Outro recuo forte e para meu desgosto, eu erro. No último segundo, o Hummer desvia bruscamente, batendo em um dos nossos SUVs com força brutal. Eu assisto com raiva impotente quando o carro dos meus homens vira, rolando para fora da estrada. Estamos agora com cinco SUVs de guarda na nossa limusine. Deixando de lado todos os traços de emoções, eu aponto a próxima tacada em uma van mais perto. Boom! Dessa vez, eu acerto. O veículo vira, explodindo no processo, e os dois SUVs dos Sullivans diretamente atrás dele chocam a toda velocidade. Oito veículos inimigos. Eu aponto o lançador de novo, fazendo o meu melhor para compensar o constante ziguezague da limusine. Eu sei que Lucas está tecendo toda a estrada, em um esforço para nos fazer um alvo mais difícil, o que também os torna alvos mais difíceis para mim. Boom! Eu atiro, e outra SUV dos Sullivans explode, tirando uma atrás dela no processo. Seis veículos inimigos, e eu tenho mais duas granadas para lançar. Respirando fundo, eu aponto de novo, e naquele momento, ambos os Hummers cospem fogo. Duas das nossas SUVs voam no ar, rolando para fora do lado da estrada. Três SUVs de guarda.


Suprimindo meu furor, eu seguro a arma firme e miro no Hummer que está ganhando de nós. Um, dois... boom! A granada atinge o alvo, e o carro enorme vai para fora da estrada, a fumaça subindo de seu capô. Um Hummer e quatro SUVs inimigas. Eu tenho uma última granada. Respirando fundo, eu aponto, mas antes que eu possa apertar o gatilho, um dos carros inimigos vira e bate em outro. Meus homens devem ter baleado o motorista, melhorando nossas chances um pouco mais. As forças Sullivan encontram-se agora com um Hummer e dois SUVs. Aliviado, eu miro novamente... e então eu ouço. O rugido inconfundível de lâminas de helicóptero à distância. Olhando para cima, eu vejo um helicóptero da polícia vindo do Oeste. Porra. Ele está ou com mais policiais sujos ou com as autoridades dos EUA trazidas pelo vento dessa escaramuça. De qualquer maneira, isso não traz nada de bom para nós.


Quando o novo som atinge meus ouvidos, os meus níveis de adrenalina saltam. Eu não sabia que era possível se sentir assim – dormente e agudamente viva ao mesmo tempo. Meu coração está correndo a um milhão de milhas por minuto, e minha pele está arrepiada de medo gelado. No entanto, o pânico que tomou conta de mim mais cedo se foi; desapareceu em algum ponto entre a segunda e a terceira explosão. Aparentemente, você pode se acostumar com qualquer coisa, até mesmo carros explodindo. Segurando a arma que Julian me deu, eu seguro a cadeira com a mão livre, incapaz de desviar o olhar da batalha que ocorre fora da janela do carro. A estrada atrás de nós é como algo saído de uma zona de guerra, com carros batidos e queimando desarrumando o trecho vazio da estrada estreita. É como se nós estivéssemos em um jogo de vídeo, exceto que as vítimas são reais. Boom! Um toque de um botão controlador, e um carro voa. Boom! Outro carro. Boom! Boom! Eu me pego mentalmente dirigindo cada granada, como se eu pudesse orientar o objetivo de Julian com meus pensamentos. Um jogo. Apenas um jogo de tiro realista com efeitos sonoros impressionantes. Se eu enquadrá-lo assim, eu posso lidar. Eu posso fingir que não existem dezenas de cadáveres queimando atrás de nós, tanto do


nosso lado como do deles. Posso dizer que o homem que eu amo não está em pé no meio da limusine segurando um lançador de granadas, a cabeça e parte superior do corpo exposta a saraivada de tiros do lado de fora. Sim, um jogo em que há agora um helicóptero. Eu posso ouvi-lo, e quando eu subo no banco e inclino-me mais perto da janela, eu posso vê-lo também. É um helicóptero da polícia, dirigindo-se diretamente para nós. Deveria ser um alívio que as autoridades estão tentando interceder, exceto que o bloqueio que acabamos de passar não parece ser uma tentativa de restaurar a lei e a ordem. Eu vi o carro da polícia perseguindonos à direita ao lado das forças de Sullivan; eles não estavam tentando prender os criminosos envolvidos nessa perseguição mortal. Eles estavam tentando nos matar. Uma nova onda de terror corre em mim, perfurando minha falsa calma. Isso não é um jogo. Há pessoas morrendo ao nosso redor, e se não fosse pela blindagem da limusine e as habilidades de condução de Lucas, já estaríamos mortos também. Se fosse só eu, não importaria tanto. Mas todo mundo que eu amo está nesse carro. Se algo acontecer com elesNão, pare. Sinto-me começando a hiperventilar, e eu forço o pensamento longe. Eu não posso me dar ao luxo de entrar em pânico agora. Olhando para a frente, eu vejo os meus pais amontoados no banco, segurando o cinto de segurança. Eles estão tão pálidos, eles parecem quase verdes. Eu acho que os dois estão em estado de choque agora, já que minha mãe não está mais gritando. A limusine faz uma curva acentuada à direita, quase me jogando para fora do assento. "Eu estou indo para o hangar!" Lucas grita da frente, e eu percebo que nós acabamos de sair da rodovia para uma estrada ainda mais estreita. O pequeno aeroporto aparece em frente, acenando com a promessa de salvação. O rugido do helicóptero está diretamente acima de nós agora, mas se pudermos chegar ao nosso avião e decolarBoom! Minha visão fica escura, todos os sons desaparecendo por um segundo. Ofegante, eu seguro na borda do assento, tentando


desesperadamente me segurar com a guinada que a limusine dá, acelerando ainda mais. Quando meus sentidos voltam, eu percebo que a SUV dos guardas atrás de nós foi atingida. Há agora um buraco, soltando fumaça em seu teto. Eu assisto em choque horrorizado conforme ela derrapa em direção a outro dos nossos carros, colidindo com ele com vigor. Os pneus cantando, e, em seguida, ambos os carros estão rolando para fora da estrada em um emaranhado de metais esmagados. O helicóptero da polícia atirou em nós, percebo com um sobressalto de pânico. Ele atirou em nós e tirou dois dos nossos carros, deixando apenas um veículo de guarda para nos proteger. Virando-me, lanço um olhar frenético na janela da frente novamente. O hangar onde nosso avião está estacionado está perto, tão perto. Apenas algumas centenas de jardas, e nós vamos estar lá. Certamente podemos sobreviver até lá Boom! Meus ouvidos apitam, eu viro para ver o Hummer atrás de nós ficar em chamas. Julian deve ter atingido-o, percebo com alívio. Há apenas o helicóptero e dois SUVs perseguindo-nos agora, e ainda temos os guardas na última SUV. Outro par de tiros assim, e nós vamos ficar seguros "Nora!" Braços poderosos envolvem em torno de minha cintura, arrastando-me para o chão. Um Julian furioso está ajoelhado em cima de mim, seu rosto como um trovão. "Porra eu disse para você ficar para baixo!" Em uma fração de segundo, eu registro duas coisas: ele está ileso, e suas mãos estão vazias. O lançador de granadas deve estar sem munição. Boom! Uma explosão balança a limusine, fazendo nós dois voarmos. Estou vagamente consciente de que Julian me abraçou, me protegendo com seu corpo, mas eu ainda sinto o impacto brutal conforme batemos no carro. Todo o ar deixa meus pulmões, e o interior do carro gira em torno de mim, a minha visão borra enquanto algo espeta em minha pele. Minha cabeça está martelando, como se meu cérebro estivesse lutando para sair. "Nora!" A voz de Julian chega através do zumbido nos meus ouvidos. Atordoada, eu tento focar nele. Conforme algumas das manchas limpam, percebo que estamos no chão novamente, com ele deitado em cima de mim. Seu rosto está coberto com sangue; ele está escorrendo, pingando em mim.


Ele também está dizendo algo, mas suas palavras não registram em minha mente. Tudo o que vejo é o vermelho vicioso e mortal de seu sangue. "Você está ferido." O coaxar aterrorizado tem pouca semelhança com a minha voz. "Julian, você está ferido-" Ele agarra minha mandíbula, atordoando-me em silêncio. "Ouça-me", ele grita. "em exatamente um minuto, eu vou precisar que você corra. Você me entende? Corra em linha reta para o avião de merda e não pare, não importa o quê". Eu fico olhando para ele, sem compreender. Gotejamento. Gotejamento. Gotejamento. As gotas vermelhas continuam a descer. Eu posso sentir a umidade na minha cara, o gosto do calor metálico em meus lábios. Seus olhos são de um azul brilhante no meio de todo aquele vermelho, azul e incrivelmente belo... "Nora!" Ele ruge, me sacudindo. "Você me entende?" Alguns dos barulhos na minha cabeça diminuem, e o significado de suas palavras finalmente me atinge. Correr. Ele quer que eu corra. "E-" você, eu quero dizer, mas ele me corta. "Você vai pegar seus pais, e vocês todos vão correr pra caralho." Sua voz é afiada o suficiente para cortar o aço, seu olhar queimando dentro de mim. "Você vai ter a arma com você, mas eu não quero que você banque a heroína. Você entende, Nora?" Eu dou um pequeno aceno de cabeça. "Sim." Através das batidas em minhas têmporas, eu percebo que o carro ainda está em movimento, ainda dirigindo apesar de tudo o que nos atingiu. Eu posso ouvir o helicóptero pairando sobre nós, mas nós estamos vivos por agora. "Sim eu entendo." "Bom." Ele segura o meu olhar por um par de momentos a mais, e então, como se fosse incapaz de resistir, ele abaixa a cabeça e pega a minha boca em um beijo ardente, duro. Eu gosto do sal e do metal de seu sangue, e o sabor único que é Julian, e eu quero que ele fique me beijando, para me fazer esquecer o pesadelo em que estamos. Muito em breve, no entanto, seus lábios se movem para o meu pescoço, e eu sinto o calor de sua


respiração enquanto ele sussurra em meu ouvido: "Por favor, leve você e seus pais ao avião, baby. Thomas já está lá, e ele pode pilotar o avião, se necessário. Lucas vai cuidar de Rosa. Essa é a nossa única chance de sair dessa vivo, então quando eu lhe disser para correr, você corre. Eu estarei bem atrás de você, ok?" E antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele salta para cima e me puxa de joelhos, entregando-me o AK-47 que eu tinha deixado cair. Minha cabeça gira com o movimento repentino, mas eu sacudo as tonturas, segurando a arma com toda a minha força. Tudo parece fora, meu corpo estranhamente travado, mas eu sou capaz de me concentrar o suficiente para ver que a janela traseira se foi e há fumaça saindo da parte de trás do carro. Para meu alívio, meus pais ainda estão amarrados a seus assentos, sangrando e atordoados, mas vivos. A janela de trás deve ter quebrado, enviando fragmentos de vidro voando em direção ao carro que explica o sangue sobre eles e Julian. A limusine começa a abrandar, e Julian agarra meu queixo de novo, trazendo a minha atenção de volta para ele. "Em dez segundos", diz ele duramente, "eu vou abrir a porta e sair. Nesse momento, você escapa pela outra porta. Entendeu, Nora? Você salta para fora e corre como o inferno". Eu aceno, e quando ele me libera, volto-me para os meus pais. "Tirem os cintos", eu digo com voz rouca. "Nós vamos fazer uma corrida para o avião assim que o carro parar." Minha mãe não reage, com o rosto branco com o choque, mas meu pai começa a mexer nas fivelas do cinto de segurança. Com o canto do meu olho, eu vejo o hangar chegando, e eu freneticamente começo a ajudar os meus pais, determinada a libertá-los antes que o carro pare. Eu consigo desafivelar o cinto de segurança da minha mãe, mas meu pai parece preso, e nós dois puxamos desesperadamente o dele, as nossas mãos no caminho um do outro quando a limusine passa através de um portão alto, aberto em um edifício do tipo armazém. "Depressa!" Julian grita enquanto a limusine chega a um impasse. Eu sou quase jogada novamente, mas eu consigo segurar a correia do cinto de segurança. "Agora, Nora!" Julian grita, abrindo a porta. "Vá agora!"


A fivela de cinto de segurança, finalmente, se solta, e eu pego a mão do meu pai quando ele agarra a minha mãe. Abrindo a porta oposta, lutamos para fora do carro, caindo sobre nossas mãos e joelhos. Meu coração batendo, eu giro a cabeça, procurando pelo nosso avião, e então eu o vejo. Ele está parado perto da saída no lado oposto do hangar, com uma dezena de outros aviões entre nós e ele. "Por aqui!" Eu salto em pé, puxando o meu pai. "Vamos, nós temos que ir!" Nós começamos a correr. Atrás de nós, há um outro guincho de freios, seguido por uma explosão furiosa de tiros. Virando minha cabeça, eu vejo Julian e Lucas atirando em um SUV que chegou no edifício atrás de nós. Rosa está correndo muito; ela está bem nos nossos calcanhares. Meu coração martelando, eu abrando, tudo dentro de mim gritando para voltar atrás, para ajudar Lucas e Julian, mas então me lembro de suas palavras. Nossa melhor chance de sobrevivência encontra-se em fazer com que todos cheguem a esse avião. Mesmo com a minha ajuda, meus pais mal estão funcionando. Então eu suprimo o desejo de correr de volta para a limusine e, em vez disso grito: "Depressa!" Para Rosa, que está quase nos alcançando. Em seguida, os quatro de nós estão correndo novamente, meu pai rebocando a minha mãe junto. Ele está pálido e seus olhos estão selvagens, mas ele está colocando um pé na frente do outro, e isso é tudo que eu preciso que ele faça no momento. Se passar por isso, eu vou me preocupar com o impacto sobre a psique dos meus pais e agonizar tudo isso. Por agora, a nossa única tarefa é a sobrevivência. Ainda assim, mesmo sabendo disso, eu não posso me impedir de lançar olhares desesperados para atrás de nós conforme nós corremos. O medo por Julian é um nó gigante no meu estômago. Eu não posso imaginar perdê-lo novamente. Eu não acho que eu iria sobreviver. A primeira vez que eu olho para trás, vejo que Julian e Lucas se abrigaram atrás da limusine e estão trocando fogo com homens escondidos atrás do SUV. Já existem dois cadáveres no chão, e um buraco com sangue no para-brisa do SUV.


Mesmo em meu pânico, eu sinto um lampejo de orgulho. Meu marido e seu braço direito sabem o que estão fazendo quando se trata de tomar vidas. A segunda olhada que eu dou revela uma situação ainda melhor. Quatro cadáveres inimigos e Lucas fazendo o seu caminho em torno da limusine para chegar ao atirador restante enquanto Julian fornece fogo de cobertura. Na terceira vista, o atirador final é eliminado, e o tiroteio para, o hangar estranhamente silencioso depois de todo tiroteio. Eu vejo Lucas e Julian em seus pés, aparentemente, não lesionados, e lágrimas de alegria começam a rolar pelo meu rosto. Nós fizemos isso. Nós sobrevivemos. Nós já estamos perto do avião, e eu vejo Thomas, o motorista que me levou no cabelereiro, de pé ao lado da porta aberta. "Por favor, leve-os para dentro," eu digo a ele em uma voz trêmula, e ele balança a cabeça, ajudando os meus pais e Rosa a subirem as escadas. "Eu estarei com você em um segundo," eu digo ao meu pai quando ele tenta me juntar a eles. "Eu só preciso de um momento." Libertando-me do seu aperto, eu volto para a limusine. "Julian!" levantando o AK-47 acima da minha cabeça, eu aceno para ele com a arma. "Por aqui! Venha, vamos lá!" Ele olha para mim, e eu vejo um enorme sorriso iluminar seu rosto. Meio rindo, meio chorando, eu começo a correr em direção a ele, ciente de nada, mas da minha alegria e, em seguida, a parede ao lado da limo explode, mandando ele e Lucas pelos ares.


Dor. Escuridão. Por um segundo, eu estou de volta naquele quarto sem janelas, com a faca de Majid cortando meu rosto. Meu estômago dói, vômito subindo na minha garganta. Então minha mente limpa, e me torno ciente de um toque sem graça em meus ouvidos. Isso não aconteceu no Tajiquistão. Eu não me senti assim lá, quente. Muito quente. Tão quente que eu estou queimando. Porra! Um surto de adrenalina afugenta todos os vestígios do nevoeiro mental. Movendo-me com a velocidade de um raio, eu rolo várias vezes, apagando as chamas que incendeiam meu colete. Náuseas apertam em minhas entranhas, minha cabeça latejando de agonia, mas quando eu paro, o fogo está desaparecido. Ofegante furiosamente, eu ainda deito e tento recuperar meus sentidos. Que porra aconteceu? O toque na minha cabeça alivia um pouco, e eu abro minhas pálpebras para ver pedaços de escombros queimando ao redor de mim. Uma explosão. Deve ter sido uma explosão. Assim que essa realização vem para mim, eu ouço. Uma rajada de tiros, seguida por resposta de tiros.


Meu coração para de bater. Nora! O choque do pânico é tão intenso, que ele substitui tudo. Não mais consciente da dor, eu pulo em pé, tropeçando conforme os meus joelhos se dobram por um segundo antes de reforçar para apoiar o meu peso. Virando a cabeça de lado a lado, eu olho para a fonte de tiros, e então eu vejo. A pequena figura correndo atrás de um grande avião depois de deixar solta outra rajada de tiros. Atrás dela está um grupo de quatro homens armados, todos vestidos com coletes da SWAT. Em uma fração de segundo, eu percebo o resto da cena. A parede do hangar perto da limusine se foi, soprada em pedaços, e através da abertura, eu vejo o helicóptero da polícia parado na grama, suas lâminas agora quietas e silenciosas. Meus homens nessa última SUV devem ter perdido a luta, deixandonos expostos as forças remanescentes de Sullivan. Antes que o pensamento esteja completamente formado em minha mente, eu já estou em movimento. A limusine está queimando ao meu lado, mas o fogo está na frente, e não em volta, por isso ainda tenho alguns segundos. Pulando para o carro, eu arranco uma das portas abertas e subo dentro. As armas ainda estão no estoque, assim eu pego duas metralhadoras e salto para fora, sabendo que o carro poderia explodir a qualquer momento. Quando faço isso, noto Lucas lutando para ficar de pé uma dúzia de jardas de distância. Ele está vivo; eu registro isso com um sentimento distante de alívio. Eu não tenho tempo para pensar nisso. Cem jardas de distância, Nora está correndo pelos aviões, trocando tiros com os seus perseguidores. Meu pequeno animal de estimação contra quatro homens armados – só o pensamento me enche de terror nauseante e raiva. Segurando duas armas, uma em cada mão, eu começo a correr. No segundo que eu tenho uma linha clara de visão dos homens de Sullivan, eu abro fogo. -Rat-tat tat! A cabeça de um homem explode. -Rat-tat tat! Outro homem cai.


Percebendo o que está acontecendo, os dois homens sobreviventes viram-se e começam a disparar contra mim. Ignorando as balas zunindo em torno de mim, eu continuo correndo e atirando, fazendo o meu melhor para fazer um zig-zag em torno dos aviões. Mesmo com o colete protegendo o meu peito, eu estou longe de estar imune a tiros. -Rat-tat tat! Algo fatia meu ombro esquerdo, deixando um rastro ardente na sua esteira. Xingando, eu aperto as armas mais apertado e retorno o fogo, fazendo com que um dos homens salte atrás de um pequeno caminhão de serviço. O segundo continua atirando em mim, e conforme eu corro, eu vejo Nora sair de trás um dos aviões e mirar, seus olhos escuros e enormes no rosto pálido. Pop! A cabeça do atirador explode com um estrondo. Sua bala atingiu seu alvo. Girando, ela se vira e abre fogo naquele que se esconde atrás do caminhão. Usando a distração que ela está oferecendo, eu mudo de caminho, serpenteando ao redor do caminhão onde o homem restante está se abrigando. Quando eu chego por trás dele, eu vejo como ele mira em Nora e com um berro de raiva, eu aperto o gatilho, salpicando-o com balas. Ele desliza para o lado do caminhão, uma massa sangrenta de carne sem vida. Não há mais tiros, o silêncio resultante quase surpreendente. Ofegante, eu abaixo minhas armas e saio de trás do caminhão.


Conforme Julian emerge de trás do caminhão, ensanguentado, mas vivo, eu largo o AK-47, meus dedos não mais capazes de segurar a arma pesada. A emoção enchendo meu peito vai além de felicidade, além do alívio. É euforia. Impressionante, exaltação selvagem que nós matamos nossos inimigos e sobrevivemos. Quando a parede explodiu e homens armados correram para dentro do hangar, eu pensei que Julian tinha sido morto. Agarrada por uma fúria cega, eu abri fogo contra eles, e quando eles começaram a atirar em mim, eu corri sem pensar, operando por puro instinto. Eu sabia que não iria durar mais do que um par de minutos, e eu não me importava. Tudo que eu queria era viver o tempo suficiente para matar tantos quanto eu podia. Mas agora Julian está aqui, na minha frente, mais vivo e vital do que nunca. Eu não sei se eu corro em direção a ele, ou se ele corre em direção a mim, mas de alguma forma eu acabo em seus braços, abraçada com tanta força que eu mal posso respirar. Ele está chovendo beijos quentes por todo o meu rosto e pescoço, suas mãos vagando sobre o meu corpo em busca de lesões, e todo o horror da última hora desaparece, empurrado pela alegria selvagem.


Nós sobrevivemos, novamente.

estamos

juntos,

e

nada

vai

nos

separar

"Esses dois estavam perto do helicóptero," Lucas diz quando vamos para fora do hangar em busca dele. Como Julian, ele está sangrando e instável em seus pés, mas não menos mortal, como evidenciado pelo estado dos dois homens deitados na grama. Ambos estão gemendo e chorando, um agarrando o braço sangrando e o outro tentando conter o sangue jorrando de sua perna. "Ele é quem eu acho que é?" Julian pergunta, a voz rouca, apontando para o homem mais velho, e Lucas sorri selvagemente. "Sim. Patrick Sullivan, juntamente com a seu filho restante – o favorito e último, Sean." Eu olho para o homem mais jovem, agora reconhecendo suas feições contorcidas. É o agressor de Rosa, o único que escapou. "Eu suponho que eles vieram no helicóptero para observar a ação e aparecer no momento certo", Lucas continua, fazendo uma careta quando ele segura as costelas. "Apesar do momento certo nunca ter vindo. Ele deve ter sabido quem você era e chamou todos os policiais que lhes deviam favores." "Os homens que mataram eram policiais?" Eu pergunto, começando a tremer quando os meus picos de adrenalina elevados começam a desaparecer. "Os que estão nos Hummers e SUVs, também?" "A julgar pelo seu equipamento, muitos deles eram," Julian responde, envolvendo seu braço direito em volta da minha cintura. Sou grata por seu apoio, quando as minhas pernas estão começando a parecer como macarrão cozido. "Alguns eram provavelmente corruptos, mas outros apenas seguiram cegamente as ordens de seus superiores hierárquicos. Não tenho dúvidas de que eles foram informados de que éramos criminosos de alta periculosidade. Talvez até mesmo terroristas".


"Oh." Minha cabeça começa a doer só de pensar, e de repente eu tomo conhecimento de todas as minhas dores e contusões. A dor me atinge como uma onda, seguida por um esgotamento tão intenso que eu me inclino contra Julian, a minha visão fica cinza. "Foda-se." Com esse palavrão murmurado, meu mundo se inclina, transformando-se na horizontal, e eu percebo que Julian me pegou, me levantando contra seu peito. "Vou levá-la ao avião", eu o ouço dizer, e eu uso todas as minhas forças restantes para balançar a minha cabeça. "Não, eu estou bem. Por favor, coloque-me para baixo," eu peço, empurrando seus ombros, e para minha surpresa, Julian cumpre, cuidadosamente colocando-me em meus pés. Ele mantém um braço em volta da minha cintura, mas deixa-me ficar em pé. "O que é isso, baby?", Pergunta ele, olhando para mim. Faço um gesto em direção aos dois homens sangrando. "O que você vai fazer com eles? Você vai matá-los? " "Sim", diz Julian. Seus olhos azuis brilham com frieza. "Eu vou." Eu tomo uma respiração lenta e libero-o. A menina que Julian trouxe para a ilha teria se oposto, oferecido alguma razão para poupá-los, mas eu não sou aquela garota mais. O sofrimento desses homens não me toca. Eu já senti mais simpatia por um besouro virado sobre suas costas do que por essas pessoas, e eu estou feliz que Julian está prestes a tomar conta da ameaça que eles apresentam. "Eu acho que Rosa deveria estar aqui para isso", diz Lucas. "Ela vai querer ver a justiça sendo feita." Julian olha para mim, e eu aceno de acordo. Pode ser errado, mas, nesse momento, parece certo ela estar aqui, para ver aquele que a machucou encontrar seu fim. "Traga-a aqui," ordena Julian, e Lucas segue de volta para o hangar, deixando Julian e eu sozinhos com os Sullivans. Nós observamos os nossos cativos em silêncio sombrio, nenhum de nós quer falar. O homem mais velho já está inconsciente, tendo desmaiado a partir do sangramento intenso, mas o atacante do Rosa é bastante vocal em seus pedidos de misericórdia. Chorando e se contorcendo no chão, ele


nos promete dinheiro, favores políticos, a introdução a todos os cartéis dos EUA... o que quisermos se nós o deixarmos ir. Ele jura que não vai tocar em qualquer mulher outra vez, diz que foi um erro, ele não sabia, não tinha percebido quem era Rosa.... Quando nem Julian nem eu reagimos, suas tentativas de negociação se transformam em ameaças, e eu o ignoro, sabendo que nada do que ele diz que vai mudar qualquer uma das nossas mentes. A raiva dentro de mim é gelada, não deixando espaço para pena. Pelo que ele fez para Rosa e pela criança que perdi, Sean Sullivan merece nada menos do que a morte. Um minuto depois, Lucas volta, trazendo uma Rosa instável – olhando para fora do hangar. No segundo que ela coloca os olhos sobre os dois homens, no entanto, seu rosto recupera a cor e seu olhar endurece. Aproximando do seu agressor, ela olha para ele por um par de segundos antes de levantar os olhos para nós. "Posso?", Pergunta ela, estendendo a mão, e Lucas sorri friamente, entregando-lhe seu rifle. Com as mãos firmes, ela mira o cara. "Faça-o", Julian diz, e eu assisto mais um homem morrer quando seu rosto é explodido. Antes do eco do tiro de Rosa, Julian dá um passo em direção ao inconsciente Patrick Sullivan e libera uma rodada de balas em seu peito. "Nós estamos feitos aqui", diz ele, afastando-se do cadáver, e os quatro de nós caminhamos de volta para o avião.

No caminho para casa, Thomas pilota o avião, enquanto Lucas descansa na cabine principal com Julian, eu e Rosa. Ao ver todos nós vivos, minha mãe se rompe em soluços histéricos, então Julian leva os meus pais para o quarto do avião, dizendo-lhes para tomar um banho e relaxar. Eu quero ir ver como eles estão, mas a combinação de exaustão e depressão pós-adrenalina tem seu efeito finalmente em mim. Assim que estamos no ar, eu desmaio no meu lugar, a minha mão segura com força no aperto de Julian.


Não me lembro do pouso ou de chegar em casa. Na próxima vez que eu abro meus olhos, já estamos no nosso quarto em casa, e o Dr. Goldberg está limpando meus arranhões e colocando curativos. Lembro-me vagamente de Julian lavando o sangue de cima de mim no avião, mas o resto da viagem é um borrão na minha mente. "Onde estão meus pais?", Pergunto conforme o médico usa uma pinça para tirar um pequeno pedaço de vidro do meu braço. "Como eles estão se sentindo? E Rosa e Lucas?" "Eles estão todos dormindo," Julian diz, observando o procedimento. Seu rosto está cinza com exaustão, sua voz tão cansada como eu já ouvi. "Não se preocupe. Eles estão bem." "Examinei-os na chegada," Dr. Goldberg diz, enfaixando o ferimento sangrento no meu braço. "Seu pai machucou bastante o cotovelo, mas ele não quebrou nada. Sua mãe estava em choque, mas nada mais do que alguns arranhões do vidro quebrado e um pouco de dor, ela está bem, assim como a senhorita Martinez. Lucas Kent tem um par de costelas quebradas e algumas queimaduras, mas ele vai se recuperar." "E Julian?" Eu pergunto, olhando para o meu marido. Ele já está limpo e enfaixado, então eu sei que deve ter visto o médico enquanto eu estava dormindo. "Uma concussão leve, o mesmo que você, juntamente com queimaduras de primeiro grau nas costas, alguns pontos no braço onde uma bala atingiu de raspão ele, e alguns hematomas. E, claro, essas pequenas feridas do vidro voador". Tirando mais um pedaço de vidro do meu braço, o médico faz uma pausa, olhando para nós como se estivesse tentando decidir como proceder. Finalmente, ele diz baixinho, "Eu ouvi sobre o aborto. Eu sinto muito." Concordo com a cabeça, lutando para conter uma onda repentina de lágrimas. A pena no olhar de Dr. Goldberg dói mais do que qualquer caco de vidro, lembrando-me do que perdemos. A dor agonizante que eu tinha enterrado durante a nossa luta pela sobrevivência está de volta, mais nítida e mais forte do que nunca. Nós podemos ter sobrevivido, mas nós não saímos ilesos.


"Obrigado", Julian diz com a voz grossa, se levantando e andando até ficar perto da janela. Seus movimentos são rígidos e espasmódicos, sua tensão irradiando em sua postura. Aparentemente, percebendo seu erro, o médico acaba de me tratar em silêncio e sai com murmurado "boa noite", deixando-nos a sós com a nossa dor. Assim que o Dr. Goldberg sai, Julian retorna para a cama. Eu nunca o vi tão cansado. Ele está inteiro, mas balançando enquanto anda. "Você dormiu um pouco no avião?", Pergunto, vendo quando Julian retira a camiseta e as calças de moletom que ele deve ter vestido quando chegamos em casa. Meu peito dói com a visão de seus ferimentos. "Alguns hematomas" é um eufemismo sério. Ele está preto e azul por toda parte, com grande parte de sua volta muscular e torso envolto em gaze branca. "Não, eu queria manter um olho em você", ele responde, cansado, subindo na cama ao meu lado. Deitado de frente para mim, ele enrola um braço sobre meu lado e me aproxima. "Imaginei que você podia ter tido uma concussão daquele tombo que você levou no carro", ele murmura, com o rosto a meras polegadas do meu. "Oh, eu entendo." Eu não posso olhar para longe do azul intenso do seu olhar. "Mas você também teve uma concussão, com a explosão." Ele balança a cabeça. "Sim, eu percebi. Outra razão para eu ficar acordado mais cedo." Eu fico olhando para ele, meu peito apertando ao redor dos meus pulmões. Eu sinto que estou me afogando em seus olhos, sendo sugada profundamente nessas piscinas azuis hipnóticas. Espontaneamente, lembranças da explosão deslizam em minha mente, trazendo com elas o horror desses eventos recentes. Julian voando a partir da explosão, o estupro de Rosa, o aborto, os rostos aterrorizados dos meus pais quando nós corremos na estrada em meio a uma saraivada de balas.... As cenas horríveis se embaralham no meu cérebro, enchendo-me com uma dor sufocante e culpa. Porque eu nos arrastei para esse clube, em um período de dois dias curtos, eu perdi meu bebê e quase perdi todos os outros que importam para mim.


As lágrimas que vêm são como o sangue espremido para fora da minha alma. Cada gota queima através de meus canais lacrimais, os sons que estouram fora da minha garganta rouca. Meu novo mundo não é apenas escuro; é preto, totalmente sem esperança. Apertando os olhos fechados, eu tente me enrolar em uma bola, fazerme tão pequena quanto possível para manter a dor de explodir para fora, mas Julian não me deixa. Envolvendo os braços em volta de mim, ele me segura como se eu fosse quebrar, seu grande corpo aquecendo-me enquanto ele acaricia minhas costas e sussurra em meu cabelo que sobrevivemos, que tudo vai dar certo e que em breve tudo vai voltar ao normal... O som baixo e profundo de sua voz me rodeia, enchendo meus ouvidos até que eu não posso evitar, mas ouvir, as palavras proporcionando conforto, apesar da minha consciência de sua falsidade. Eu não sei quanto tempo eu choro assim, mas, eventualmente, o pior dos refluxos de dor passa, e eu me torno consciente do toque de Julian, de sua enorme força. Seu abraço, uma vez a minha prisão, agora é a minha salvação, mantendo-me de um afogamento em desespero. Conforme as minhas lágrimas diminuem, eu me dou conta de que estou segurando-o tão firmemente como ele está me segurando, e que ele também parece tirar conforto do meu toque. Ele está me consolando, mas eu estou consolando-o em retorno e de alguma forma esse fato diminui minha agonia, levantando um pouco da névoa escura pressionada dentro de mim. Ele me segurou enquanto eu chorava antes, mas nunca assim. Direta ou indiretamente, ele sempre foi a causa de minhas lágrimas. Nós não estivemos unidos em nossa dor antes, nunca passamos por agonia conjunta. O mais próximo que temos vindo a experimentar a perda juntos foi a terrível morte de Beth, mas mesmo assim, não tivemos uma chance para lamentarmos juntos. Após a explosão do armazém, eu lamentei Beth e Julian sozinha, e quando que ele voltou para mim, havia mais raiva do que tristeza dentro de mim. Dessa vez, é diferente. Minha perda é sua perda. Mais sua perda, de fato, uma vez que ele queria essa criança desde o início. A pequena vida que estava crescendo dentro de mim, a qual ele guardava tão ferozmente se foi, e eu não posso nem imaginar como Julian deve sentir.


O quanto ele deve me odiar pelo que eu fiz. O pensamento me quebra de novo, mas dessa vez, eu consigo segurar a agonia. Eu não sei o que vai acontecer amanhã, mas, por enquanto, ele está me confortando, e eu sou egoísta o suficiente para aceitá-lo, a contar com sua força para me ajudar a passar isso. Deixando escapar um suspiro trêmulo, e me refugio mais perto do meu marido, ouvindo a batida forte, constante de seu coração. Mesmo que Julian me odeie agora, eu preciso dele. Eu preciso muito dele para deixá-lo ir.


Conforme a respiração de Nora desacelera e se equilibra, o corpo relaxa contra o meu. Um tremor ocasional ainda ondula através dela, mas mesmo isso para quando ela mergulha mais profundamente no sono. Eu deveria dormir também. Eu não fechei os olhos desde a noite anterior ao aniversário de Nora, o que significa que eu estou acordado por mais de quarenta e oito horas. Quarenta e oito horas que contam entre as piores da minha vida. Nós sobrevivemos. Tudo ficará bem. Iremos em breve voltar ao normal. Minhas garantias para Nora soam ocas em meus ouvidos. Eu quero acreditar nas minhas próprias palavras, mas a perda é muito fresca, a agonia muito afiada. Uma criança. Um bebê que era parte de mim e parte de Nora. Ele não devia ser nada, apenas um conjunto de células com potencial, mas mesmo em dez semanas, a pequena criatura tinha feito um estouro no meu peito com emoção, me contorcendo em torno de seu minúsculo dedo, mal formado. Eu teria feito qualquer coisa por ele, e ele ainda não tinha nascido. Ele morreu antes de ter a chance de viver. Uma fúria amarga, escura, me sufoca novamente, dessa vez dirigida apenas a mim mesmo. Há tantas coisas que eu poderia – deveria – ter feito


para prevenir esse resultado. Eu sei que é inútil insistir nisso, mas meu cérebro exausto se recusa a deixá-lo ir. O inútil “e se” mantem girando, girando, até que eu me sinto como um hamster em uma roda, correndo no lugar e chegando a lugar nenhum. E se eu tivesse mantido Nora na propriedade? E se eu tivesse chegado ao banheiro mais rápido? E se, o que acontece... Minha mente gira mais rápido, o vazio aparecendo debaixo de mim mais uma vez, e eu sei que se eu não tivesse Nora comigo, eu cairia na loucura, o vazio me engoliria todo. Apertando o meu domínio sobre seu corpo pequeno, quente, eu olho para a escuridão, desejando desesperadamente por algo inatingível, por uma absolvição que eu não mereço e nunca vou encontrar. Nora suspira em seu sono e esfrega o rosto no meu peito, seus lábios macios pressionando contra a minha pele. Em uma noite diferente, o gesto inconsciente teria me excitado, despertando o desejo que sempre me atormenta em sua presença. Hoje à noite, no entanto, o toque só intensifica a pressão crescendo no meu peito. O meu filho está morto. A finalidade austera disso me bate, esmagando meus escudos, me entorpecendo desde o âmago. Não há nada que eu possa fazer, nada que alguém possa fazer. Eu poderia aniquilar toda Chicago, e não mudaria nada. O meu filho está morto. A dor corre incontrolavelmente, como um rio caindo sobre uma represa. Eu tento lutar contra isso, para mantê-lo de volta, mas isso só torna pior. As memórias vêm para mim como um maremoto, os rostos de todos que eu perdi nadando através de minha mente. O bebê, Maria, Beth, minha mãe, meu pai como ele tinha sido durante aqueles raros momentos em que eu o amava... A onda de tristeza é esmagadora, carregando tudo, menos a consciência dessa nova perda. O meu filho está morto. A angústia corre através de mim, mas de alguma forma excruciante purificando também. O meu filho está morto.


Tremendo, eu me seguro a Nora atĂŠ que eu paro de lutar e deixo a dor entrar.


PARTE IV


Duas semanas após a nossa chegada em casa, Julian considera seguro para os meus pais para voltarem para Oak Lawn. "Eu vou ter segurança extra em torno deles por alguns meses", ele explica conforme nós caminhamos para a área de treinamento. "Eles precisam colocar-se com algumas restrições quando se trata de shoppings e outros lugares lotados, mas eles devem ser capazes de retornar ao trabalho e retomar a maioria de suas atividades habituais." Eu aceno, não particularmente surpresa ao ouvir isso. Julian tem me mantido informada dos seus esforços nessa área, e sei que os Sullivans não são mais uma ameaça. Utilizando as mesmas táticas cruéis que ele empregou com a Al-Quadar, meu marido realizou o que as autoridades tinham tentado em vão fazer há décadas: livrar Chicago da sua família do crime mais proeminente. "E sobre Frank?", Pergunto enquanto passamos por dois guardas que lutam na grama. "Eu pensei que a CIA não queria que qualquer um de nós voltasse para o país." "Ele cedeu ontem. Demorou um pouco para convencer, mas seus pais devem ser capazes de voltar sem ninguém de pé em seu caminho." "Ah." Eu só posso imaginar que tipo de "convencimento" Julian teve que fazer, tendo em conta a devastação que deixamos para trás. Mesmo a tripulação enviada pela CIA não tinha sido capaz de manter a história de


nossa batalha de alta velocidade em segredo. A área ao redor do aeroporto privado pode não ser densamente povoada, mas as explosões e tiros não passaram despercebidas. Pelas últimas duas semanas, a operação clandestina de Chicago para "prender um traficante de armas mortais" foi tudo o que se falou nas notícias. Como Julian tinha especulado no carro, os Sullivans haviam de fato cobrado alguns favores grandes para organizar o ataque. O Chefe de polícia, amigo dos Sullivans, no momento do ataque, pegou informações com eles sobre nós e usou os "explosivos de contrabando do traficante de armas que está na cidade" como pretexto para montar rapidamente uma equipe de agentes da SWAT. Os homens de Sullivan que se juntaram foram explicados como "reforços de outra área", e toda a operação que correu foi mantida em segredo das demais agências de aplicação da lei, que é como eles foram capazes de nos pegar de surpresa. "Não se preocupe", Julian disse, interpretando mal a minha expressão tensa. "Além de Frank e alguns outros funcionários de alto nível, ninguém sabe que seus pais estavam envolvidos no que aconteceu. A segurança extra é apenas uma precaução, nada mais". "Eu sei disso." Eu olho para ele. "Você não iria deixá-los voltar se não fosse seguro." "Não", Julian diz suavemente, parando na entrada para a academia de luta. "Eu não." Sua testa brilha com o suor do calor úmido, a camisa sem mangas agarrada a seus músculos bem definidos. Existem ainda algumas cicatrizes meio-curadas dos cacos de vidro em seu rosto e pescoço, mas pouco fazem para prejudicar a sua face potente. Estando a menos de dois pés de distância e me assistindo com seus olhos azuis, meu marido é a própria imagem da vibrante masculinidade, saudável. Engolindo em seco, eu olho para longe, minha pele rastejando com o calor da memória de como eu acordei essa manhã. Nós não podemos ter relações sexuais desde o aborto, mas isso não significa que Julian iria abster-se de sexo comigo. De joelhos com seu pênis na minha boca, recebendo carícias de sua língua no meu clitóris.... As imagens em minha mente me fazem queimar conforme a sempre presente culpa me pressiona.


Por que Julian continua sendo tão bom para mim? Desde o nosso retorno, eu estive esperando por ele para me punir, fazer alguma coisa para expressar a raiva que ele deve sentir, mas até agora, ele não fez nada. Se qualquer coisa, ele tem sido extraordinariamente cuidadoso comigo, ainda mais carinhoso em alguns aspectos do que durante a minha gravidez. É sutil, essa mudança em seu comportamento – alguns beijos extras e toques durante o dia, massagens de corpo inteiro, todas as noites, pedindo a Ana para fazer mais das minhas comidas favoritas.... Não é nada que não tenha feito antes; é só que a frequência desses pequenos gestos tem aumentado desde que voltamos da América. Desde que perdemos nosso filho. Meus olhos formigam com lágrimas repentinas, e eu sacudo minha cabeça para escondê-las conforme eu passo por Julian para o ginásio. Eu não quero que ele me veja chorar novamente. Ele viu muito no último par de semanas. Isso é provavelmente o porque ele está adiando o castigo: ele acha que eu não sou forte o suficiente para levá-lo, com medo de eu vou voltar a ser um naufrago no pânico como eu era depois do Tajiquistão. Só que eu não vou. Eu sei disso agora. Algo dessa vez é diferente. Algo dentro de mim é diferente. Caminhando até as esteiras, eu me curvo e estico, usando o tempo para me recompor. Quando eu volto para encarar Julian, meu rosto não mostra nada da dor que me embosca em momentos aleatórios. "Eu estou pronta", eu digo, posicionando-me sobre o tapete. "Vamos fazer isso." E pela próxima hora, enquanto Julian me treina como derrubar um homem de duzentas libras em sete segundos, eu tenho sucesso em empurrar todos os pensamentos de perda e culpa fora da minha mente.

Após a sessão de treino, volto para casa para tomar banho e depois ir para a piscina para contar aos meus pais a notícia. Meus músculos estão cansados, mas estou vibrando com as endorfinas do treino duro.


"Assim, podemos voltar?" Meu pai senta-se em sua poltrona, a desconfiança em guerra com o alívio no rosto. "E sobre todos os policiais? E as conexões desses bandidos?" "Eu tenho certeza que isso está bem, Tony," minha mãe diz antes que eu possa responder. "Julian não iria nos mandar de volta se não fosse com todo cuidado." Vestida em um maiô de uma peça amarela, ela parece bronzeada e descansada, como se ela tivesse passado o último par de semanas em um resort – o que, de certa forma, não é tão longe da verdade. Julian saiu da sua rotina para garantir o conforto dos meus pais e fazê-los sentir como se estivessem realmente em férias. Livros, filmes, comida deliciosa, até mesmo bebidas de frutas à beira da piscina, tudo já foi fornecido para eles, fazendo com que o meu pai admitisse, relutantemente, que a minha vida na propriedade de um traficante de armas não é tão horrível como ele tinha imaginado. "É isso mesmo, ele não o faria", confirmo, sentando-me em uma espreguiçadeira ao lado da minha mãe. "Julian diz que vocês estão livres para saírem quando quiserem. Ele pode ter o avião pronto para vocês amanhã, embora, obviamente, adoraríamos se vocês ficassem mais." Como esperado, a minha mãe balança a cabeça em recusa. "Obrigada, querida, mas eu acho que devemos ir para casa. Seu pai tem estado muito preocupado com seu trabalho, e meus chefes têm perguntado diariamente quando eu vou ser capaz de voltar..." Sua voz sumindo, ela me dá um sorriso de desculpas. "Claro." Eu sorrio de volta para ela, ignorando o ligeiro aperto no peito. Eu sei o que está por trás de seu desejo de sair, e não é o seu trabalho ou seus amigos. Apesar de todos os confortos aqui, meus pais se sentem confinados, cercados pelas torres de vigia e os drones circulando sobre a selva. Eu posso ver isso na maneira que olham os guardas armados, no temor que atravessa os seus rostos quando eles passam pela área de treinamento e ouvem tiros. Para eles, a vida aqui é como estar em uma prisão de luxo, repleta de criminosos perigosos em todo o lugar. Um desses criminosos é a sua própria filha.


"Devemos ir para dentro e embalar", meu pai diz, levantando-se. "Eu acho que é melhor se nós voarmos a primeira hora amanhã de manhã." "Tudo bem." Eu tento não deixar que suas palavras me machuquem. É bobagem se sentir rejeitada porque os meus pais querem voltar para casa. Eles não pertencem aqui, e eu sei disso, assim como eles o fazem. Seus corpos podem ter curado dos hematomas e arranhões que eles sofreram durante a perseguição de carro, mas suas mentes são uma questão diferente. Vai demorar mais do que algumas horas de terapia com a Dra. Wessex para meus pais suburbanos superarem ver carros explodirem e pessoas morrerem. "Você quer que eu te ajude a arrumar?", Pergunto quando meu pai coloca uma toalha em volta dos ombros da minha mãe. "Julian está falando com seu contador, e eu não tenho nada para fazer antes do jantar." "Está tudo bem, querida," minha mãe diz suavemente. "Vamos gerir. Por que não dá um mergulho antes do jantar? A agua está agradável e fresca." E deixando-me à beira da piscina, eles se apressam para o conforto do ar condicionado da casa.

"Eles estão partindo amanhã de manhã?" Rosa parece surpresa quando eu a informo da partida próxima dos meus pais. "Oh isso é muito ruim. Eu nem sequer tive a oportunidade de mostrar a sua mãe o lago você esteva dizendo." "Tudo bem", eu digo, pegando um cesto de roupa suja para ajudá-la a carregar a máquina de lavar. "Felizmente, eles vão vir nos visitar de novo." "Sim, eu espero," Rosa ecoa, em seguida, franze a testa quando ela vê o que estou fazendo. "Nora, coloque isso para baixo. Você não deve-" Ela para abruptamente.


"Não devo levantar coisas pesadas?" Eu termino, dando-lhe um sorriso irônico. "Você e Ana continuam esquecendo que eu já não sou uma inválida. Eu posso levantar pesos novamente, e lutar e atirar e comer o que quiser." "Claro." Rosa parece arrependida. "Sinto muito", ela chega até a minha cesta "mas ainda assim você não deve fazer o meu trabalho." Suspirando, eu renuncio a ela, sabendo que ela só vai ficar chateada se eu insistir em ajudar. Ela tem sido particularmente sensível sobre isso desde o nosso regresso, determinada a não ter ninguém a tratando de forma diferente de antes. "Eu fui estuprada; Eu não tive meus braços amputados", ela virou-se para Ana quando a governanta tentou atribuir tarefas de limpeza mais leves. "Nada vai acontecer comigo se eu aspirar e usar um esfregão." Claro que fez Ana começar a chorar, e Rosa e eu tivemos que passar os próximos vinte minutos tentando acalmá-la. A mulher mais velha está muito emocional desde o nosso regresso, lamentando abertamente o meu aborto e o ataque de Rosa. "Ela está tornando-se pior do que a minha própria mãe," Rosa me disse na semana passada, e eu balancei a cabeça, não me surpreendendo. Embora eu só vi a Sra. Martinez um par de vezes, uma mulher gorda, sisuda, me pareceu uma versão mais velha de Beth, com a mesma reserva resistente e perspectivas cínicas sobre a vida. Como Rosa conseguiu manter-se tão alegre com uma mãe como ela é algo que será sempre um mistério para mim. Mesmo agora, depois de tudo o que ela passou, o sorriso da minha amiga só está um pouco mais frágil, o brilho em seus olhos apenas uma sombra menos brilhante. Com seus hematomas quase curados, ninguém nunca saberia que Rosa sobreviveu a algo tão traumático, especialmente dada sua insistência feroz em ser tratada como normal. Suspirando novamente, eu vejo como ela carrega a máquina de lavar com enérgica eficiência, separando as roupas mais escuras e colocando-as em uma pilha arrumada no chão. Quando ela termina, ela se vira para mim. "Então, você ouviu?", Diz ela. "Lucas localizou a menina intérprete. Acho que ele vai atrás dela depois que ele voar com seus pais até em casa."


"Ele te disse isso?" Ela balança a cabeça. "Eu encontrei com ele essa manhã e perguntei como ia isso. Então, sim, ele me disse." "Oh, eu entendo." Eu não entendo, nem um pouco, mas eu decido contra a curiosidade. Rosa tem sido cada vez mais fechada sobre seu estranho não-relacionamento com Lucas, e eu não quero pressionar a questão. Eu acho que ela vai me dizer quando ela estiver pronta – se há alguma coisa para dizer. Ela se volta para iniciar a máquina de lavar, e eu debato se eu deveria compartilhar com ela o que eu soube ontem... o que eu ainda não compartilhei com Julian. Finalmente, eu decidi ir para isso, uma vez que ela já sabe parte da história. "Você se lembra da bela jovem médica que me tratou no hospital?" Eu pergunto, encostada na secadora. Rosa se volta para mim, perplexa com a mudança de assunto. "Acho que sim. Por quê?" "Seu sobrenome é Cobakis. Lembro de ter lido isso em seu crachá e pensado que parecia familiar, como eu se tivesse me deparado com isso antes." Agora Rosa parece intrigada. "E você? Se deparou com ela antes?" Eu concordo. "Sim. Eu simplesmente não conseguia lembrar onde e em seguida, ontem, isso veio a mim. Havia um homem com o nome de George Cobakis na lista que eu dei a Peter". Os olhos de Rosa aumentam. "A lista de pessoas responsáveis pelo que aconteceu com a sua família?" "Sim." Eu respiro fundo. "Eu não tinha certeza, então eu verifiquei meu e-mail na noite passada, e com certeza, lá estava ela. George Cobakis de Homer Glen, Illinois. Notei o nome originalmente por causa da localização." "Oh, uau." Rosa olha para mim, de boca aberta. "Você acha que a boa médica está de alguma forma ligada a esse George?"


"Eu sei que ela está. Procurei George Cobakis ontem à noite, e ele apareceu nos resultados de pesquisa. Ela é sua esposa. Um jornal local escreveu sobre uma arrecadação de fundos para veteranos e suas famílias, e eles tiraram sua foto sendo identificados como um casal que fez muito por essa organização. Ele é, aparentemente, um jornalista, um correspondente estrangeiro. Eu não posso imaginar como seu nome acabou nessa lista". "Merda." Rosa parece tanto horrorizada como fascinada. "Então o que você vai fazer?" "O que posso fazer?" A pergunta está me atormentando desde que eu soube da ligação. Antes, os nomes nessa lista eram apenas isso: nomes. Mas agora um desses nomes tem um rosto ligado a ele. Uma foto de um homem de cabelos escuros sorrindo ao lado de sua esposa inteligente, bonita. A mulher que eu conheci. Uma mulher que vai ser uma viúva se o ex-consultor de segurança de Julian se vingar. "Você falou com seu marido sobre isso?", Pergunta Rosa. "Ele sabe?" "Não, ainda não." Também não estou certa de que quero que Julian saiba. Algumas semanas atrás, eu disse a Rosa sobre a lista que enviei para Peter, mas eu não disse a ela que eu fiz isso contra a vontade de Julian. Essa parte e o que aconteceu depois que soube da minha gravidez, é muito privada para compartilhar. "Eu suponho que Julian vai dizer que não há nada a ser feito agora que a lista está nas mãos de Peter," eu digo, tentando imaginar a reação do meu marido. "E ele provavelmente vai estar certo." Rosa me dá um olhar firme. "É lamentável que conheceu a mulher e tudo, mas se o marido estava de alguma forma envolvido no que aconteceu com a família de Peter, não vejo como podemos interferir." "Certo." Eu tomo uma respiração profunda, tentando deixar a ansiedade que eu tenho sentido desde ontem ir. "Nós não podemos. Nós não devemos". Mesmo que eu tenha dado a Peter essa lista.


Apesar de que tudo o que vai acontecer será minha culpa mais uma vez. "Esse não é o seu problema, Nora," Rosa diz, intuindo a minha preocupação. "Peter teria sabido sobre esses nomes de uma forma ou de outra. Ele era muito determinado para que isso não acontecesse. Você não é responsável por aquilo que ele vai fazer para essas pessoas – Peter é." "É claro", murmuro, tentando um sorriso. "Claro, eu sei disso." E, como Rosa retoma a triagem através da roupa, eu mudo de assunto para nossos mais novos recrutas da guarda.


Depois de encerrar a conversa com meu contador, eu me levanto e me estico, sentindo o afrouxamento da tensão nos meus músculos. Imediatamente, meus pensamentos se voltam para Nora, e eu busco a localização dela no meu telefone. Eu faço isso pelo menos cinco vezes por dia, agora, o hábito tão profundamente enraizado como escovar os dentes pela manhã. Ela está na casa, que é exatamente onde eu esperava que ela estivesse. Satisfeito, eu coloco o telefone longe e fecho meu laptop, terminando o trabalho por hoje à noite. Entre toda a papelada para uma nova empresa de fachada e as entrevistas que eu tenho que conduzir com potenciais substitutos de guarda, eu tenho trabalhado acima de doze horas por dia. Uma vez, isso não teria importado – o negócio era tudo o que eu tinha para viver, mas agora trabalho é uma distração indesejada. Isso me impede de passar o tempo com minha linda esposa, estranhamente distante. Não tenho certeza quando notei pela primeira vez, como os olhos de Nora constantemente deslizam longes dos meus. O jeito que ela retém algo de si mesma durante o sexo. No início, eu atribuía sua maneira retirada para pesar e as consequências do trauma, mas com o passar dos dias, percebi que há algo mais.


É sutil, quase imperceptível, essa distância entre nós, mas ela está lá. Ela fala e age como se as coisas estivessem normais, mas posso dizer que elas não estão. Seja qual for o segredo que ela está escondendo de mim, ele está pesando sobre ela, fazendo-a erguer barreiras entre nós. Eu pude senti-lo hoje, e solidificou minha determinação de chegar ao fundo da questão. Segundo os médicos, ela finalmente está totalmente curada do aborto e de uma maneira ou de outra, essa noite ela vai me contar tudo.

No jantar, eu observo Nora quando ela interage com seus pais, faminto, analisando cada movimento de suas mãos, cada lampejo de seus longos cílios. Eu teria pensado que seria impossível, mas a minha obsessão por ela atingiu um novo patamar desde o nosso regresso. É como se toda a tristeza, raiva e dor dentro de mim se fundiram em uma sensação similar a ter um coração, uma sensação tão intensa que me rasga por dentro. Um desejo que está totalmente focado nela. À medida que terminamos o prato principal, eu percebo que eu quase não disse uma palavra, passando a maior parte da refeição absorvido na visão dela e o som de sua voz. Isso provavelmente é o melhor, dado que é última noite dos pais de Nora aqui. Embora seu pai já não seja abertamente hostil em relação a mim, eu sei que ambos os Lestons ainda desejam que pudessem libertar sua filha de minhas garras. Eu nunca iria deixá-los levála de mim, é claro, mas eu não tenho um problema com os três passarem algum tempo por conta própria. Para efeito, assim que Ana traz a sobremesa, eu me desculpo dizendo que eu estou satisfeito e vou à biblioteca, deixando-os terminar a refeição sem mim. Quando eu chego lá, eu sento em uma das espreguiçadeiras ao lado da janela e passo alguns minutos respondendo e-mails enquanto estou no meu telefone. Em seguida, o quebra-cabeça da distância incaracterístico de Nora se arrasta em minha mente novamente. A maneira como ela tem sido


nessas duas últimas semanas me faz lembrar de quando eu primeira forcei os rastreadores nela. É como se ela estivesse chateada comigo, só que dessa vez, eu não tenho ideia do porquê. Olhando para o relógio na parede, eu percebo que já se passou uma meia hora desde que saí da mesa. Felizmente, Nora já terá ido lá para cima. Quando eu verifico sua localização, no entanto, vejo que ela ainda está na sala de jantar. Ligeiramente irritado, eu pego um livro para ler enquanto espero, mas então eu tenho uma ideia melhor. Puxando para cima um aplicativo diferente no meu telefone, eu ativo a alimentação de áudio escondido da sala de jantar, coloco meu fone de ouvido Bluetooth, e inclino-me para trás na chaise para ouvir. Um segundo depois, a voz frustrada de Gabriela enche meus ouvidos. "-pessoas morreram", ela argumenta. "Como pode que não te incomodar? Havia policiais entre os criminosos, bons homens que estavam apenas seguindo ordens-" "E eles teriam nos matado, seguindo essas ordens." O tom de Nora é extraordinariamente calmo, fazendo-me sentar e ouvir mais atentamente. "É melhor morrer pela bala de um bom homem do que se defender e viver? Eu sinto muito que eu não estou mostrando o remorso que você espera, mãe, mas eu não sinto por todos nós estarmos vivos e bem. Não é culpa de Julian que isso aconteceu. Se alguma coisa-" "Foi ele quem matou o filho de um gangster," Tony interrompe. "Se ele tivesse feito a coisa civilizada, ligando para o 911 ao invés de recorrer a assassinato-" "Se ele tivesse feito a coisa civilizada, eu teria sido estuprada e Rosa teria sofrido ainda mais antes que a polícia chegasse lá." Há uma nota frágil na voz de Nora. "Você não estava lá, pai. Você não entende." "Seu pai compreende perfeitamente bem, querida." A voz de Gabriela é mais calma agora, afiada com cansaço. "E sim, talvez o seu marido não poderia ficar de lado e esperar que a polícia chegasse, mas você sabe tão bem quanto eu que ele poderia ter se abstido de matar esse homem."


Se abster de matar o homem que machucou e quase estuprou Nora? Meu sangue ferve com uma fúria repentina. Ele tem a porra da sorte que eu não o castrei e enchi o saco dele com suas entranhas bastardas. A única razão que ele morreu tão facilmente foi porque Nora estava lá, e minha preocupação por ela era maior do que a minha raiva. "Talvez ele poderia ter." O tom de Nora combina com sua mãe. "Mas há todas as razões para acreditar que os Sullivans teriam ficado livres, por conta de suas conexões. É isso que você quer, Mãe, que homens como eles continuassem fazendo isso com outras mulheres?" "Não, claro que não", diz Tony. "Mas isso não dá a Julian o direito de definir-se como juiz, júri e carrasco. Quando ele matou aquele homem, ele não sabia quem ele era, então você não pode usar essa desculpa. Seu marido matou porque ele quis e por nenhuma outra razão". Por alguns segundos tensos, há silêncio no meu fone de ouvido. A fúria dentro de mim cresce, a raiva enrolando e apertando enquanto eu espero para ouvir o que Nora tem a dizer. Eu não dou a mínima para o que os pais de Nora pensam de mim, mas eu tenho percebido que eles estão tentando virar sua filha contra mim. Finalmente, Nora fala. "Sim, Pai, você está certo, ele o fez." Sua voz é calma e firme. "Ele matou aquele homem por me machucar sem dar-lhe um segundo pensamento. Você quer que eu o condene por isso? Bem, eu não posso. Eu não vou. Porque se eu pudesse, eu teria feito a mesma coisa." Outro silêncio prolongado. Então: "Querida, quando você saiu do avião e havia todos aqueles tiros, foi você?" Gabriela pergunta baixinho. "você atirou em alguém?" Uma breve pausa, em seguida, um ainda mais suave, "Você matou alguém?" "Sim." O tom de Nora não muda. Posso imaginá-la sentada ali, de frente para os pais dela sem vacilar. "Sim, mãe, eu o fiz." Uma respiração acentuada vem, em seguida, mais algumas batidas de silêncio. "Eu te disse, Gabs." É Tony que fala agora, sua voz sob o peso da tristeza. "Eu disse que ela devia ter. A nossa filha mudou – ele a mudou."


Há um ruído de raspagem, como de uma cadeira movendo-se pelo chão, e em seguida, um instável, "Oh, querida." Ele é seguido por um soluço sufocado e a voz da Nora murmurando: "Não chore, mãe. Por favor, não chore. Eu sinto muito que eu a desapontei. Eu sinto muito..." Eu não posso suportar ouvir mais. Salto fora da chaise, saio para fora da biblioteca, determinado a recolher Nora e trazê-la para cima. Essa culpa é a última coisa que ela precisa, e se eu tiver que protegê-la de seus próprios pais, que assim seja. Conforme eu ando, eu os ouço falar de novo, e eu abrando no corredor, ouvindo. "Você não nos desaponta, doçura," o pai de Nora diz roucamente. "Não é isso, não. É apenas que vemos agora que você não é mais a mesma garota... que mesmo se você viesse conosco, não seria a mesma." "Não, papai", Nora responde calmamente. "Não seria." Mais um par de segundos se passam, e, em seguida, sua mãe fala novamente. "Nós amamos você, querida", diz ela em voz baixa, tensa. "Por favor, não duvide nunca que te amamos". "Eu sei, mãe. E eu amo, vocês dois." a voz de Nora racha pela primeira vez. "Lamento que as coisas aconteceram dessa maneira, mas eu pertenço aqui agora." "Com ele." Curiosamente, Gabriela não soa amarga, apenas renunciando. "Sim, vemos isso agora. Ele te ama. Eu nunca teria pensado que eu ia dizer isso, mas ele o faz. A maneira que vocês dois estão juntos, do jeito que ele olha para você..." Ela solta uma risada trêmula. "Oh, querida, nós daríamos um braço e uma perna para ele ser outra pessoa para você. Um bom homem, um homem amável, alguém que iria manter um emprego normal e comprar-lhe uma casa perto de nós-" "Julian me comprou uma casa perto de vocês", Nora diz, e sua mãe ri de novo, soando um pouco histérica. "Isso é verdade", diz ela, quando ela se acalma. "Ele fez, não foi?" Agora, as duas mulheres riem juntas, e eu solto um suspiro aliviado. Talvez Nora não precise da minha interferência, afinal.


Outro som de uma cadeira raspando no chão, e depois Tony diz rispidamente, "Estamos aqui para você, querida. Não importa o que, nós estamos sempre aqui para você. Se alguma coisa mudar, se você quiser deixá-lo e vir para casa-" "Eu não vou, pai." A calma confiança na voz de Nora me aquece, afastando os restos da minha raiva. Estou tão feliz que eu quase perco o que ela acrescenta baixinho: "A não ser que ele queira que eu vá." "Oh, ele não vai", o pai de Nora diz, e ele soa amargo. "Isso é óbvio. Se esse homem tiver o que quer, você nunca estará mais do que dez passos longe dele." Eu ouço as suas palavras, meditando sobre a declaração estranha de Nora em seu lugar. A não ser que ele queira que eu vá. Ela parecia quase como se tivesse medo que fosse o caso. Ou será que ela quer que isso seja o caso? Uma suspeita feia serpenteia através de mim. É por isso que ela está tão distante nos últimos dias, porque ela quer que eu a deixe ir? Porque ela não quer mais ficar comigo e espera que eu vá deixá-la sair como uma forma de reparar o que aconteceu? Meu peito aperta com a dor súbita, mas um novo tipo de raiva acende dentro de mim. É isso o que o meu animal de estimação espera? Algum tipo de gesto grandioso onde eu dou-lhe a liberdade? Onde eu imploro seu perdão e finjo me arrepender por ter tomado ela, em primeiro lugar? Foda-se. Eu tiro o fone fora do meu ouvido, fúria escura rolando através de mim quando eu viro e subo as escadas dois degraus de cada vez. Se Nora pensa que eu vou tão longe, ela não poderia estar mais enganada. Ela é minha, e ela vai ser minha para o resto de nossas vidas.


Cansada depois de falar com meus pais, eu subo as escadas em direção ao nosso quarto. Apesar de uma parte de mim ainda querer que eu tivesse protegido a minha família da minha nova vida, estou aliviada que eles agora sabem a verdade. Que conhecem a mulher que me tornei e ainda me amam. Alcançando o quarto, eu abro a porta e entro. Não há luzes acesas no quarto, e conforme eu fecho a porta atrás de mim, eu me pergunto onde Julian poderia estar. Enquanto eu estou feliz que eu tive a chance de limpar o ar com os meus pais, o fato de que ele deixou o jantar sem uma boa explicação me preocupa. Aconteceu alguma coisa, ou ele simplesmente se cansou de nós? Será que ele se cansou de mim? Assim que o pensamento devastador passa pela minha mente, eu noto uma sombra escura próxima a janela. Meu pulso acelera, minha pele formigando com o terror primitivo quando eu vou para o interruptor de luz. "Deixe-o." A voz de Julian sai da escuridão, e meus joelhos quase falham com alívio. "Oh, graças a Deus. Por um segundo, eu não sabia quem era-" Eu começo, e então registro seu tom áspero. "Você," eu termino incerta.


"Quem mais seria?" Meu marido se vira e atravessa o quarto, se aproximando de mim com a marcha silenciosa de um predador. "É o nosso quarto. Ou você esqueceu isso?" Ele coloca as mãos em ambos os lados da parede atrás de mim, me enjaulando. Puxo a uma respiração assustada, pressionando as palmas das mãos contra a parede fria. Julian está claramente em um péssimo estado de espírito, e não tenho ideia do que aconteceu. "Não, claro que não", eu digo lentamente, olhando para suas feições sombreadas. Há tão pouca luz que tudo o que posso ver é o brilho fraco de seus olhos. "O que você faz-" Ele dá um passo mais perto, moldando seu corpo mais próximo ao meu, e eu suspiro quando eu sinto seu pau duro contra a minha barriga. Ele está nu e já desperto, seu cheiro quente de sexo masculino me cercando enquanto ele me segura presa no lugar. Mesmo através do tecido do meu vestido, eu posso sentir o desejo pulsando dentro dele, desejo e algo muito, muito mais escuro. Meu corpo desperta com um solavanco, o meu pulso acelerando em uma onda de medo. Deve ser isso: o castigo que eu estava esperando. Com os médicos tendo me considerada curada hoje cedo, a minha recuperação acabou. "Julian?" O nome dele sai em uma respiração engasgada quando ele pega a minha nuca, seus dedos longos quase envolvendo minha garganta. Seu corpo enorme é todo músculos, duro e inflexível em torno de mim. Um aperto daqueles dedos de aço, e ele esmaga minha garganta. O pensamento me arrepia, mas sinto uma pontada de dor no meu núcleo, meus mamilos como um pico de tão excitados. A raiva saindo dele é palpável, e chama algo selvagem dentro de mim, alimentando o fogo escuro fervendo dentro. Se ele decidiu finalmente me punir, eu vou ter a maldita certeza eu recebo o que eu mereço. Ele se inclina para mim, seu hálito quente no meu rosto, e, naquele momento, eu faço a minha jogada. Minha mão direita faz um punho ao meu lado, e eu balanço para cima com todas as minhas forças, atingindo a parte inferior do queixo. Ao mesmo tempo, eu giro para a direita, quebrando seu aperto no meu pescoço, e bato sob o seu braço estendido, girando em torno para bater-lhe nas costas.


Só que ele não está mais lá. No meio segundo que me levou para virar, Julian se moveu, tão rápido e mortal como qualquer assassino. Em vez de conectar-se com as costas, a ponta afiada da minha palma bate em seu cotovelo, e eu grito como o impacto que envia um choque de dor através do meu braço. "Foda-se!" Seu silvo furioso é acompanhado por um movimento rápido. Antes que eu possa reagir, ele me envolve em seus braços, os pulsos cruzados na frente do peito e a perna esquerda envolvida em torno dos meus joelhos para me impedir de chutar. Com ele me segurando por trás, eu não posso mordê-lo, e minhas tentativas de cabeçada em seu queixo falham deploravelmente já que ele mantém o seu rosto fora do meu alcance. Todo aquele treinamento, e ele me derrubou em três segundos. Frustração se mistura com adrenalina, aumentando a fúria se formando dentro de mim. Fúria com ele por me provocar com carinho essas duas semanas, e acima de tudo, a fúria de mim mesma. Minha culpa, minha culpa, é tudo minha culpa. As palavras são uma batida viciosa em minha mente. Culpa, amarga e grossa, sobe na minha garganta, sufocando-me como se misturada com a tristeza doendo. Rosa. Nosso bebê. Dezenas de homens mortos. O som que explode para fora da minha garganta é algo entre um grunhido e um soluço. Apesar da futilidade disso, começo a lutar, resistindo e torcendo nas mãos de ferro de Julian. Eu não tenho muita chance, mas com uma das pernas presas, meus frenéticos, movimentos bruscos são o suficiente para empurrá-lo fora de equilíbrio. Com uma maldição alta, ele cai para trás, ainda me segurando firmemente. Suas costas levam o impacto da queda. Eu quase não sinto o impacto quando ele resmunga e imediatamente rola, prendendo-me ao chão de madeira dura. Desconsiderando o peso dele em cima de mim, eu continuo lutando, lutando com todas as minhas forças. A madeira fria aperta no meu rosto, mas o desconforto quase não se registra. Minha culpa, minha culpa, tudo minha culpa. Meio ofegante, meio soluçando, eu tento chutá-lo, arranhá-lo, fazê-lo sentir ainda que apenas uma pequena fração da dor me consumindo por


dentro. Meus músculos gritam com a tensão, mas eu não paro, não quando Julian agarra meus pulsos colocando-os para trás e prendendo-os com o cinto, e nem mesmo quando ele me arrasta pelo meu cotovelo e me joga para a cama. Eu luto como ele, lágrimas salpicando meu vestido e roupa interior, quando ele agarra o meu cabelo e me força a ficar de joelhos. Eu luto como se eu estivesse lutando por minha vida, como se o homem me segurando fosse o meu pior inimigo em vez do meu maior amor. Eu luto porque ele é forte o suficiente para levar a fúria dentro de mim. Porque ele é forte o suficiente para tirá-la de mim. Enquanto eu me contorço em seu domínio brutal, sua força no joelho abre minhas pernas, e seu pau pressiona contra a minha entrada. Em um impulso selvagem, ele me penetra por trás, e eu grito de dor, ao alívio indizível de sua posse. Estou molhada, mas não o suficiente, e cada impulso punitivo raspa-me crua, me machucando, me curando. Meus pensamentos se dispersam, o canto dentro da minha mente desaparecendo, e tudo o que resta é a sensação de seu corpo no interior do meu, a dor e o prazer agonizante da nossa necessidade. Eu estou correndo em direção ao orgasmo quando Julian começa a falar comigo, rosnando que ele vai sempre me manter, que eu nunca vou pertencer a ninguém, além ele. Há uma ameaça escura, implícita, em suas palavras, uma promessa que ele não vai parar. Sua crueldade deveria me aterrorizar, mas conforme o meu corpo explode na liberação, o medo é a última coisa em minha mente. Tudo do que eu estou ciente é a pura e absoluta felicidade. Ele me vira de costas, em seguida, liberando meus pulsos, e eu percebo que, em algum momento, eu parei de lutar. A fúria foi embora, e em seu lugar está profunda exaustão e alívio. Alívio que Julian ainda me quer. Que ele vai me punir, mas não vai me mandar embora. Então, quando ele agarra meus tornozelos e coloca em seus ombros, eu não resisto. Eu não luto quando ele se inclina para a frente, quase me dobrando ao meio, e eu não luto quando ele escava a umidade abundante do meu sexo e enfia ela entre minhas nádegas. É só quando eu sinto sua


espessura pronta naquela outra abertura que eu solto um som sem palavras de protesto, meu esfíncter apertando enquanto minhas mãos se movem para empurrar contra seu peito duro. É um gesto fraco e principalmente simbólico não poder mover Julian de cima de mim dessa maneira, mas mesmo que ligeiro o toque de resistência parece enfurecê-lo. "Oh, não, você não", ele rosna, e à luz fraca da janela, vejo o brilho escuro de seus olhos. "Você não pode me negar isso, me negar nada. Eu possuo você... cada polegada de você." Ele pressiona para a frente, o seu pau enorme forçando-me aberta quando ele sussurra duramente," Se você não relaxar essa bunda, meu animal de estimação, você vai se arrepender". Eu tremo só com a excitação perversa, minhas unhas cavando em seu peito conforme o anel apertado do músculo cede à pressão implacável. A invasão queima e é agonizante, meu interior agitando quando ele empurra mais e mais fundo. Tem sido meses desde que ele me tomou assim, e tinha esquecido como lidar com essa parte do meu corpo, como relaxar na sensação de estar cheia. Apertando minhas pálpebras fechadas, eu tento respirar, para permanecer forte, mas as lágrimas, estúpidas, traidoras lágrimas, vêm de qualquer maneira, escorrendo para fora dos cantos de meus olhos. Não é a dor que me faz chorar, embora, ou a resposta torcida do meu corpo para ele. É o conhecimento de que a minha punição não acabou, que Julian ainda não me perdoou. Que ele talvez nunca me perdoe. "Você me odeia?" A questão escapa antes que eu possa segurá-la de volta. Eu não quero saber, mas, ao mesmo tempo, eu não posso suportar manter o silêncio. Abrindo os olhos, olho para a figura escura em cima de mim. "Julian, você me odeia?" Ele acalma, seu pau dentro de mim. "Odiar você?" Seu corpo fica tenso, sua voz áspera de desejo enche com descrença. "Que porra, Nora? Por que eu odiaria você?" "Porque eu abortei." Minha voz treme. "Porque a nossa criança morreu por minha causa."


Por um segundo, ele não responde, e então, com uma maldição baixa, ele puxa para fora, me fazendo ofegar de dor. "Foda-se!" Ele me libera, movendo-se de volta na cama. A súbita ausência de seu calor e seu peso sobre mim é impressionante, quando ele liga a luz da lâmpada de cabeceira, leva um instante diante dos meus olhos para me acostumar com o brilho e eu vejo a expressão em seu rosto. "Você acha que eu te culpo pelo que aconteceu?", Pergunta ele com voz rouca, sentando-se sobre as pernas para trás. Seus olhos queimam com intensidade à medida que ele me encara, seu pau ainda plenamente ereto. "Você acha que foi de alguma forma sua culpa?" "Claro que foi." Eu sento, sentindo a dor pungente no cu, onde ele estava enterrado. "Eu sou a única que queria ir para Chicago, ir para esse clube. Se não fosse por mim, nada disto teria-" "Pare." Seu comando duro vibra através de mim mesmo com suas feições se contorcendo em algo semelhante a dor. "Apenas pare, baby, por favor." Eu caio em silêncio, olhando para ele em confusão. Não era por isso toda essa cena? Meu castigo por decepcioná-lo? Por pôr em perigo a mim mesma e nosso filho? Ainda segurando meu olhar, ele respira fundo e se move em direção a mim. "Nora, meu animal de estimação..." Ele pega meu rosto em suas grandes palmas. "Como você poderia pensar que eu odeio você?" Eu engulo. "Eu espero que você não odeie, mas eu sei que você está bravo-" "Você acha que eu estou com raiva porque você queria ver seus pais? Por sair para dançar e se divertir?" Suas narinas alargam. "Foda-se, Nora, se o aborto é culpa de alguém, é minha. Eu não deveria ter deixado você ir ao banheiro sozinha-" "Mas você não poderia ter sabido-" "E nem você poderia." Ele toma uma respiração profunda e descansa as mãos no meu colo, agarrando as palmas das mãos minhas mãos nas suas. "Não foi culpa sua", diz ele asperamente. "Nada disso foi culpa sua." Eu umedeço os lábios secos. "Então por quê"


"Por que eu estava com raiva?" Sua bela boca torce. "Porque eu pensei que você queria me deixar. Porque eu interpretei mal algo que você disse a seus pais essa noite". "O quê?" Minhas sobrancelhas franzem em uma carranca. "O que eu Oh." Lembro-me de meu comentário improvisado, nascido do medo e da insegurança. "Não, Julian, não foi isso que eu quis dizer," Eu começo, mas ele aperta nossas mãos antes que eu possa explicar melhor. "Eu sei", diz ele em voz baixa. "Acredite em mim, baby, agora eu sei." Nós olhamos um para o outro em silêncio, o ar espesso com ecos de sexo violento e emoções escuras, com as consequências do desejo e dor e perda. É estranho, mas, nesse momento, eu compreendo-o melhor do que nunca. Eu vejo o homem por trás do monstro, o homem que precisa de mim tanto que ele vai fazer de tudo para me manter com ele. O homem que eu preciso tanto que eu vou fazer de tudo para ficar com ele. "Você me ama, Julian?" Eu não sei o que me dá a coragem de colocar a questão agora, mas eu tenho que saber, de uma vez por todas. "Você me ama?" Repito, segurando seu olhar. Por alguns momentos, ele não se move, não diz nada. Seu domínio sobre as minhas mãos é apertado o suficiente para machucar. Eu posso sentir a luta dentro dele, o desejo em guerra com o medo. Eu espero, prendendo a respiração, sabendo que ele nunca pode se abrir assim, nunca pode admitir a verdade até para si mesmo. Então, quando ele fala, eu sou quase pega de surpresa. "Sim, Nora", diz ele com voz rouca. "Sim, eu te amo. Eu te amo pra caralho, tanto que dói. Eu não sabia, ou talvez eu só não queria saber, mas sempre esteve lá. Passei a maior parte da minha vida tentando não sentir, tentando não deixar que as pessoas se aproximassem de mim, mas eu me apaixonei por você desde o início. E só me levou dois anos para perceber". "O que fez você perceber isso?", Eu sussurro, meu coração dolorido com alegria e alívio. Ele me ama. Até esse momento, eu não sabia o quão desesperadamente eu precisava das palavras, quanto sua falta pesava sobre mim. "Quando você soube?"


"Foi na noite em que voltamos para casa." O musculo de sua garganta move quando ele engole. "Foi quando eu deitei aqui ao seu lado. Deixei-me realmente sentir isso, a dor de perder nosso bebê, a dor de perder todas as outras pessoas na minha vida, e eu percebi que eu estava tentando me proteger da agonia de perder você. Tentando me impedir de te amar para isso não me destruir. Só que era tarde demais. Eu já estava apaixonado por você. Eu tinha estado por um longo tempo. Obsessão, vício, amor, é tudo a mesma coisa. Eu não posso viver sem você, Nora. Perder você me destruiria. Eu posso sobreviver a qualquer coisa, menos a isso". "Oh, Julian..." Eu não posso imaginar o que foi para esse homem forte, implacável, admitir isso. "Você não vai me perder. Estou aqui. Eu não vou a lugar nenhum." "Eu sei que você não vai." Seus olhos estreitam, todos os vestígios de vulnerabilidade desaparecendo de suas feições. "Só porque eu te amo não significa que eu vou deixar você ir." Uma risada trêmula escapa da minha garganta. "Claro. Eu sei disso." "Nunca." Ele parece sentir a necessidade de enfatizar isso. "Eu sei disso também." Ele olha para mim, em seguida, com as mãos segurando a minha, e eu sinto a força de seu comando sem palavras. Ele quer que eu admita meus sentimentos também, para desnudar a minha alma a ele como ele acabou de desnudar a dele para mim. E assim eu dou o que ele exige. "Eu te amo, Julian," eu digo, deixando-o ver a verdade disso no meu olhar. "Eu sempre vou te amar, e eu não quero que você me deixar ir, nunca." Eu não sei se ele se move em direção a mim, em seguida, ou se eu faço o movimento primeiro, mas de alguma forma a sua boca está na minha, seus lábios e língua, me devorando conforme ele me segura em seus braços. Nos reunimos em dor e prazer, na violência e paixão. Nós nos reunimos em nosso tipo de amor.


Na manhã seguinte, eu estou ao lado da pista, enquanto vejo o avião que transporta os meus pais para casa decolar. Quando é nada mais do que um pequeno ponto no céu, eu viro para Julian, que está de pé ao meu lado, segurando minha mão. "Diga-me de novo," eu digo suavemente, olhando para ele. "Eu te amo." Seus olhos brilham quando ele encontra o meu olhar. "Eu amo você, Nora, mais do que a própria vida." Eu sorrio, meu coração mais leve do que tem sido nas últimas semanas. A sombra de tristeza ainda está comigo, assim como a sensação persistente de culpa, mas a escuridão não ofusca tudo. Eu posso imaginar um dia em que a dor vai desaparecer, quando tudo o que vou sentir é o contentamento e alegria. Nossos problemas não acabaram, não podem acabar, sendo quem somos, mas o futuro não me assusta. Em breve, eu vou ter de falar da médica bonita e o plano de Peter de vingança, e em algum momento mais tarde, teremos de discutir a possibilidade de uma outra criança e como lidar com o perigo sempre presente em nossas vidas. Por enquanto, porém, não precisamos fazer nada, só desfrutar um do outro. Desfrutar de estarmos vivo e apaixonados.


"Nora Esguerra!" Conforme o presidente da Universidade de Stanford chama o nome dela, eu vejo minha esposa caminhando em frente ao palco, vestida com o mesmo chapéu preto e beca como o resto dos formandos. As ondas do manto ao redor de sua estrutura pequena, escondendo o pequeno, mas já visível, inchaço do estômago, a criança que ambos aguardamos ansiosamente dessa vez. Parando na frente do oficial da universidade, Nora balança a mão ao som de aplausos e, em seguida, volta-se para sorrir para a câmera, o rosto delicado brilhando no sol radiante da manhã. O flash dispara, assustando-me, embora eu sabia que estava chegando. Me pego segurando a arma na minha cintura, eu forço minha mão a soltar e se afastar da arma. Com uma centena de nossos melhores guardas fixos no campo, a arma não é necessária. Ainda assim, eu me sinto melhor tendo-a comigo, e eu sei que Nora está contente que sua semi-automática está guardada dentro de sua bolsa. Embora a abertura de sua segunda exposição de arte em Paris tenha acontecido sem problemas no ano passado, nós dois estamos mais do que um pouco paranoicos hoje,


determinados a fazer o que for preciso para garantir a segurança da nossa filha que vai nascer. Outro flash apaga-se ao meu lado. Olhando para os assentos à minha direita, vejo os pais de Nora tirando fotos com sua nova câmera. Eles parecem tão orgulhosos como eu me sinto. Percebendo meu olhar sobre eles, a mãe de Nora olha na minha direção, e eu dou-lhe um sorriso caloroso antes de voltar minha atenção de volta para o palco. O próximo graduado já está de pé, mas eu não percebo quem é. Tudo o que vejo é meu animal de estimação, fazendo com cuidado seu caminho para o lado esquerdo do palco. A pasta de couro com o diploma está em suas mãos, e o pendão sobre seu capelo está pendurado no outro lado do rosto, significando seu novo status de diplomada. Ela é linda, ainda mais bonita do que em sua formatura do ensino médio, cinco anos atrás. Conforme ela faz o seu caminho através das fileiras de graduados e suas famílias, nossos olhos se encontram, e eu sinto meu coração em expansão, enchendo com a mistura de possessividade escura e terno amor que ela sempre evoca em mim. Minha prisioneira. Minha esposa. Meu mundo inteiro. Eu vou amá-la até o fim dos tempos, e eu nunca, nunca vou deixá-la ir. FIM

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Anna zaires trilogia twist me 3