Issuu on Google+

Gelson Pereira

Jornal experimental do Curso de Comunicação Social - UNISC - Santa Cruz do Sul - MAIO/2009 - Edição Especial - 22a Feira do livro


02

opinião

editorial

Lembranças de um livro vivo

Eles têm estado no meio de nós

Editora

Letícia Mendes

Produção

Daiane Balardin

Diagramação Gelson Pereira

www.

Fotografia

Logotipo

Reportagem

Impressão

Márcia Melz

Francine Rabuske Heloísa Poll Letícia Mendes Márcia Melz Marisa Lorenzoni Sancler Ebert

Direção de arte Gelson Pereira Lázaro Fanfa

Romar Beling – jornalista e editor da Editora Gazeta Santa Cruz

Marli Silveira – coordenadora do Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Santa Cruz do Sul

“Acho, aliás, muito oportuno o slogan que a edição 2009 da Feira adota: ‘Ler te faz diferente’. Me faço com frequência uma pergunta que, com certeza, todo leitor já se fez: afinal, o que será que se passa na cabeça de quem não lê? Na minha opinião, a vida sem livros, ou sem a leitura, infelizmente tende a ser uma vida à qual falta algo essencial, uma vida limitada. E como a Feira do Livro celebra justamente livros e leitura, o papel que ela cumpre, em nossa agenda regular, só pode ser igualmente essencial.”

Kelly Moraes – prefeita de Santa Cruz do Sul

“A Feira do Livro é a nossa festa das letras. Um dos principais eventos culturais de Santa Cruz do Sul, que leva toda a comunidade para a Praça Getúlio Vargas, em busca de conhecimento. A programação nas escolas, que vai ser intensificada este ano, também é de grande importância. Estas ações aproximam os estudantes da literatura, fundamental para o futuro deles. A Prefeitura tem orgulho de apoiar mais este grande evento, e esperamos que todos possam aproveitar esta oportunidade, já que as atividades são todas gratuitas e em um espaço público, aberto para todos.”

Rodrigo/ Ag. Assmann

Lula Helfer/ Ag. Assmann

Samuel Heidemann

a cada visita, a cada autor. Então, passei a sentir além do algodão doce, comecei a rir da vida, dos palhaços, da chuva e do sol. Quanto mais eu participava da semana dos livros, mais meu universo se enchia de fantasia. Nas calçadas eu avistava o mulato de sorrisos para com a moreninha. O cortiço das memórias dos falcões, as parceiras que se encontravam na cabana. Ainda havia a menina que roubava livros e aqueles que lutavam contra o silêncio dos amantes. Durante as apresentações teatrais, Dom Quixote passava a ser o centro das atenções, assim como o caçador de pipas que ganhava o céu atrás de anjos e demônios. Ao avistar a Catedral, imponente como ela só, lembrava do brilho e da paz dos lírios do campo, que balançavam ao som do tempo e do vento. O pêndulo do relógio lembrava que pensar, antes de tudo, é transgredir. Ressurgia também, em meus pensamentos, que, na cidade do sol, a hora da estrela também impõe mistérios, que os amores, desamores e assemelhados espelham pensamentos em uma lâmina cega. Por fim, saía daquele alvoroço de contos e palavras com a sensação de não ter abusado o suficiente. Então, às vezes caminhando na chuva, Marley e eu saíamos felizes. Nos meus pensamentos restava apenas a lembrança de um esforço anormal para tentar, por meio dos livros, viver e ver a vida que ninguém vê.

“Oscar Wilde já dizia: ‘Para escrever só existem duas regras: ter algo a dizer e dizê-lo’. No encalço da leitura vem o poder de exercitar o que lemos, ou seja, escrever e ou se relacionar com o mundo. Quem não lê não pode ter algo a dizer, ou se disser, dificilmente dirá algo interessante, sintonizado. Portanto, a Feira do Livro é oportunidade ímpar para a leitura, para aproximar gente e desejos, para desenvolvermos condições para o exercício da plena cidadania.”

Roberta Corrêa Pereira – gerente do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Santa Cruz do Sul

“Quando a gente pensa a Feira, em termos de programação, procuramos satisfazer a todos: desde a criança que está começando a ler (ou ainda nem lê sozinha), passando pelos adolescentes, até aqueles leitores mais experientes e exigentes, que buscam na Feira algo novo, uma redescoberta da leitura. E esse ano nós queremos, mais do que nunca, mostrar pra quem for conferir a Feira do Livro que ler nos faz diferentes, nos transforma e nos torna seres humanos melhores e mais críticos.”

Graphoset

Tiragem

500 exemplares

Agradecimentos Agência Assmann Loja Bmask

blogdounicom

.blogspot.com

Caco Barcellos – jornalista e escritor

“Feira do Livro, como leitor, é uma oportunidade de viajar pelo universo dos lançamentos nacionais e internacionais. Também aproveito para buscar alguma raridade antiga, algum clássico ou livro de meu interesse editado no passado. Já como escritor, a Feira representa uma instigante oportunidade de se aproximar de seus leitores (incluindo potenciais leitores), de ouvir deles as críticas, os comentários, esclarecer dúvidas e, sobretudo, aprofundar discussões sobre o tema da sua obra.”

Janaína Zilio/ Ag. Assmann

Demétrio de Azeredo Soster

Curso de Comunicação Social - Jornalismo. Bloco 15 - sala 1506. Fone: 3717-7383 Coordenadora do curso: Ângela Felippi

Dejair Machado

Editor-chefe

P

aixão, diversão e emoção sempre foram, a meu ver, os três “ãos” que constituem uma feira do livro. Digo isso por experiência própria. Por exemplo, quando ainda estava no Ensino Fundamental, o dia mais feliz da minha vida era quando saía da sala de aula e ganhava o mundo, literalmente, em meio aos livros que preenchiam uma das praças de Santa Cruz do Sul. Esse momento tornava-se também muito emocionante, principalmente quando discutia com os colegas para ver quem seguraria a mão da professora até a feira. Quando finalmente chegava ao universo dos livros, meus olhos quase saltavam da órbita. Cheiros, cores e amores surgiam nas árvores, nos peixes juntos ao chafariz e o prazer de estar ali fazia com que meu pequeno coração transmitisse a imensa alegria com o olhar. Então, quanto mais meus pés ganhavam o chão daquele ambiente mágico, mais a vontade de fazer parte daquilo tomava o meu ser. E assim, por anos, foram os mesmos sentimentos, as mesmas expectativas e o mesmo sabor de saber. As dezenas de visitações à feira, sempre nos dias singulares do outono, fizeram com que a empolgação virasse aprendizado. As pequenas barracas, cheias de planetas e aspirações, começaram a ganhar forma, pois passaram de um simples local para onde minhas mãos pudessem alcançar o infinito. Com o passar dos anos, notava algo de esplêndido

Lula Helfer/ Ag. Assmann

expediente UNISC Universidade de Santa Cruz do Sul Av. Independência, 2293 Bairro Universitário Santa Cruz do Sul - RS CEP: 96815-900

Heloísa Poll

Rodrigo/ Ag. Assmann

É com muita alegria e entusiasmo que o Unicom – o jornal-laboratório do curso de jornalismo da Unisc – saúda e comemora, por meio desta edição extra, a 22ª edição da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul. Mais que uma atividade acadêmica, entendemos que também aqui, nas páginas deste jornal, os livros, e, neles, a leitura, nos fazem diferentes, à medida que, por meio das palavras, novas e sucessivas realidades têm lugar; diferentes sentidos se estabelecem. A face mais visível deste movimento, desta geração de sentidos, pode ser mais visivelmente percebida na forma por meio da qual os alunos que integram esta edição receberam a proposta de abdicar de suas horas de folga, sempre necessárias em tempos de conclusão de curso, para esta atividade voluntária. O fato é que eles não apenas aceitaram o desafio como trataram de colocar em prática, imediatamente, e da melhor forma possível, o conhecimento que construíram ao longo de suas carreiras universitárias, notáveis desde já. Se isso foi possível, se resultados foram alcançados a partir de conhecimentos estabelecidos, é porque, desde há muito, eles, os livros, têm estado no meio de cada um dos envolvidos neste processo, direta ou indiretamente; em maior ou menor grau. Ou seja, também aqui ela, a leitura, estabeleceu diferenças, e não apenas em seu aspecto funcional-normativo, haja vista, sabemos, há construção no entretenimento. E é por isso, caros leitores, caras leitoras, que, ao saudá-los, reiteramos a certeza de que esta Feira do Livro não sairá tão facilmente de nossa memória, basicamente porque foi por meio dela, quem sabe, que reiteramos a certeza de que ler nos faz diferentes. Uma boa leitura a todos.

Mauro Ulrich – editor de Variedades da Gazeta do Sul

“Uma feira do livro, em qualquer comunidade em que ela esteja inserida, é imprescindível para a formação de cidadãos de ágil intelecto, críticos e em dia com as suas potencialidades culturais. Pois que a leitura é hoje uma forma acessível para o crescimento e enriquecimento de qualquer pessoa, independente de classe social, raça e crenças. Ler é se descobrir e descobrir novos mundos, sem precisar abrir a porta de casa. Basta abrir o livro.”


reportagem

03

A cada livro, uma nova vida A cada leitura realizada, quatro santacruzenses ampliam os seus horizontes, conhecem novos lugares e mudam as suas vidas Sancler Ebert ma jovem caminha lentamente pela rua, desviando das folhas que se desprendem das poucas árvores que restaram. Trajando um longo vestido ela cuida para não sujá-lo nas inúmeras poças de água. A beleza da jovem contrasta com o ar sombrio das ruas de uma pequena cidade Inglaterra, em plena Revolução Industrial. O coração da moça dispara quando a sua frente surge um homem alto, de cabelos negros e rosto pálido. Os dois se olham fixamente e... O telefone toca. Daylene é trazida de volta ao seu mundo. A telefonista larga o seu livro e com simpatia atende a ligação. Em poucos instantes, Daylene Fischborn Pinto, de 24 anos, vai deixar Santa Cruz do Sul novamente e voltar para a Inglaterra de 1800. O livro que a distrai é o quarto que ela lê nessa semana, mas nem sempre foi assim. O gosto pela leitura só surgiu durante o Ensino Médio, muito incentivado pelo professor Romar (guarde esse nome). Desde lá, Daylene tem experimentado novas visões e ampliado os horizontes. Em casa ela lê

U

para o filho Érick, de apenas um ano e dois meses, livros como Crepúsculo, sucesso atual da autora Stephenie Meyer. A jovem mãe acredita que se o filho não entende, pelo menos ele gosta desses momentos em que os dois vivem juntos um novo mundo. Por falar em mãe, dona Clécia Fischborn, de 49 anos, lê tanto quanto a filha Daylene, no entanto engana-se quem acha que uma influenciou a outra. Clécia se apaixonou pela leitura aos 41 anos, quando voltou a estudar. A mãe de Daylene entendeu que não podia continuar sem estudo e sem leitura num mundo que, cada vez mais, cobrava instrução das pessoas. A leitura tornou-a diferente. Antes a leitura era cansativa e um amontoado de letras. Hoje ela não dorme sem ter lido um bom bocado de páginas e entende além do que foi escrito pelo autor. E mais, toda manhã, quando acorda, torce para que a noite chegue logo para continuar a leitura e no aniversário, não pensa duas vezes antes de pedir um livro como presente. Se há uma coisa que

une mãe e filha além da leitura, é o professor que as influenciou a ler. Romar Beling é figura mais do que conhecida da Feira do Livro que acontece na cidade. Ele acredita que a cada dia se torna diferente com as leituras que faz. Se os autores escrevem de formas diferentes, lendo-os nos tornamos diferentes porque acumulamos visões. Se você quiser conhecer Romar, ao invés de uma fotografia comum, ele vai lhe mostrar os livros que leu, porque assim a pessoa verá, segundo ele, um retrato da sua alma.

» No lugar perfeito Onde um apaixonado por leitura poderia trabalhar e sentir-se em casa? Numa biblioteca responderia Jonas Uberti, de 22 anos. O rapaz que cursa Letras e não fica um dia sem ler, trabalha na biblioteca da Escola Guido Herberts. A leitura que o influenciou na hora de escolher o que queria da vida foi apresentada a ele pela irmã Angela, aos 11 anos, por meio de um conto do Analista de Bagé, de Luis Fernando Veríssimo. Encantado pelo universo daquele livro, o pequeno Jonas

correu à escola e devorou toda a obra do autor. Nela, Veríssimo lhe apresentou um outro autor, o argentino Jorge Luis Borges. Já este, apresentou um mundo de autores ao jovem leitor. A cada leitura Jonas passou a conhecer países diferentes sem sair de casa e vivenciar coisas que só são possíveis por meio da imaginação. Se fosse somar tudo o que leu, ele talvez já tenha passado por mais de cem vidas. Isso porque a cada novo livro, ele ganha uma nova vida e, assim a sua vida se transforma.

Márcia Melz


04

22ª FEIRA DO LIVRO DE 30 de maio a 07 de junho de 2009 - Praça Getúlio Vargas

Programação 30/05 - Sábado

10:00 – Abertura oficial - Autoridades 10:30 – Banda 7º BIB 10:45 – Teatro infanto-juvenil: “Dom Quixote” – Cia de Teatro Camarim – Santa Cruz do Sul – Local: Praça Getúlio Vargas 15:00 – Teatro infanto-juvenil: “Dom Quixote” – Cia de Teatro Camarim – Santa Cruz do Sul – Local: Praça Getúlio Vargas 16:00 – Lançamento coletivo de obras da EDUNISC: “Educação ameríndia: a dança e a escola Guarani” (Ana Luisa Teixeira de Menezes e Maria Aparecida Bergamaschi); “Amor de Dinos” (Valquíria Ayres Garcia); “Escola itinerante: uma análise das práticas educativas do MST no contexto da democracia liberal” (Charles Luiz Policena Luciano); “Instituições comunitárias: instituições públicas não-estatais” (João Pedro Schmidt); “Estratégias de atenção à saúde da criança e do adolescente” (Beatriz Marques e Renita Moraes); “Edição de imagens em jornalismo” (Ângela Felippi, Fabiana Piccinin e Demétrio Soster); “Estratégias de atenção à saúde da criança e do adolescente” (Magda de Sousa Reis) 17:00 – Show musical: Nattaniel e Banda (Santa Cruz do Sul) – Local: Palco da Praça

31/05 - Domingo

14:00 – 3º Encontro Sobre Livros e Leituras e pessoas com deficiência. Local: Praça Getúlio Vargas – Promoção: Grupo Encontros sobre Livros e Leituras. Apoio: Proext/ UNISC e Núcleo de Apoio Acadêmico/UNISC 16:00 – Teatro infanto-juvenil: “Dom Quixote” – Cia de Teatro Camarim – Santa Cruz do Sul – Local: Praça Getúlio Vargas 17:30 – Show musical: Banda Íris Ativa (Santa Cruz do Sul) – Local: Palco da Praça

01/06 - Segunda

09:00 - Animação cultural no Palco da Praça: animador ALEX RIEGEL 09:30 – Encontro com o autor: MARÔ BARBIERI – Local: Praça Getúlio Vargas (público-alvo: infantil, alunos até 5ª série)

14:00 – A Feira vai à Escola: MARÔ BARBIERI na Escola Municipal de Ensino Fundamental Menino Deus 14:00 - Animação cultural no Palco da Praça: animador ALEX RIEGEL 14:30 – Encontro com o autor: AIRTON ORTIZ (público alvo: 8ª série e Ensino Médio) – Local: Praça Getúlio Vargas 19:30 – Bate-papo com o autor: AIRTON ORTIZ (públicoalvo: alunos do noturno, CEMEJA, ensino médio) – Local: Auditório do Colégio São Luis – Entrada franca

02/06 - terça

09:00 - Animação cultural no Palco da Praça: com o ator ALEX RIEGEL 09:30 – Contações de histórias para as crianças e a terceira idade: “Fuxicando histórias”, com Elaine Follmann – Local: Praça Getúlio Vargas 14:00 - Animação cultural no Palco da Praça: animador ALEX RIEGEL 14:30 – Teatro infantil: “A família sujo”, com o Grupo Cuidado que Mancha/POA – Local: Auditório do Colégio São Luis – Entrada Franca 14:30 – Contação de histórias para as crianças, com Elaine Follmann – Local: Praça Getúlio Vargas 15:00 – Encontro com o autor: ANA HARTMANN – gerontóloga, livros voltados à terceira idade. – Local: Praça Getúlio Vargas 16:00 – Contação de histórias para a terceira idade, com Elaine Follmann – Local: Praça Getúlio Vargas 19:30 – Encontros com o Professor / Projeto Saideira: RUI CARLOS OSTERMANN entrevista DAVID COIMBRA – Local: Teatro Espaço Camarim – Entrada franca 21:00 – Lançamento de Livros: Rui Carlos Ostermann e David Coimbra – Local: Livraria e Cafeteria Iluminura Promoção: Encontros com o Professor, Projeto Saideira/ Curso de Comunicação Social, UNISC, XXII Feira do Livro de Santa Cruz do Sul e SESC Apoio: Livraria e Cafeteria Iluminura

03/06 - Quarta

09:00 – Animação cultural no P ALEX RIEGEL 09:30 – A Feira vai à Escola: MA Escola Estadual de Ensino Méd Polivalente 09:30 – Encontro com autor: KA Getúlio Vargas (infantil) 14:00 – Encontro com autor: KA Getúlio Vargas (infantil) 19:30 – Encontros com a poesi Projeto Encontros com a poesi UNISC – Participação especial d e Killy Freitas - Local: Espaço Ca

04/06 - Quinta

09:00 – Animação cultural no P ALEX RIEGEL 10:00 – Encontro com o autor e VALQUIRIA AIRES – Local: Praça 14:00 – Animação cultural no P ALEX RIEGEL 14:30 – Encontro com o autor e VALQUIRIA AIRES – Local: Praça 19:30 – Bate papo com o autor LEONARDO BRASILIENSE e AND Mediação do jornalista Demétr Souza Cruz (101) da UNISC (pú universitários)

05/06 - Sexta

09:00 – Animação cultural no P ALEX RIEGEL 09:00 – A Feira vai à Escola: VAL de Educação Básica Educar-se 10:00 – Encontro com o patron Local: Praça Getúlio Vargas 14:00 – A Feira vai à Escola: CH Municipal São Canísio


05

E SANTA CRUZ DO SUL HORÁRIOS DE FUNCIONAMENTO - Segunda à Sexta – 8h30 às 19h - Sábados - 9h às 19h - Domingos - 14h às 19h

ALUNGA – Local: Praça

14:00 – Animação cultural no Palco da Praça: animador ALEX RIEGEL 14:30 – Encontro com o autor: VALESCA DE ASSIS – Praça Getúlio Vargas (infanto-juvenil e adulto) 15:00 – Teatro infanto-juvenil: “Vendedor de palavras” com o grupo Mototóti – POA – Local: Praça Getúlio Vargas

ALUNGA – Local: Praça

06/06 - Sábado

Palco da Praça: com o ator

ARCELO SPALDING na dio Willy Carlos Frolich –

ia: “O AMOR” – Realização: ia, curso de Letras da dos músicos Renato Sperb amarim – Entrada franca

Palco da Praça: com o ator

e contação de histórias: a Getúlio Vargas (infantil) Palco da Praça: animador

e contação de histórias: a Getúlio Vargas (infantil) r: SERGIO SCHAEFER, DRÉ CZARNOBAI – rio Soster – Local: Sala úblico adulto em geral e

Palco da Praça: com o ator

LESCA DE ASSIS na Escola

no: CHARLES KIEFER –

HARLES KIEFER na Escola

10:00 – Teatro infanto-juvenil e adulto – “Histórias que chovem” – Local: Praça Getúlio Vargas 14:00 – Sarau literário com autores locais: Mauro Klafke (Invenção de Santa Cruz - poesia); David Nóbrega (Uns e Outros - contos); Letícia Losekann Coelho (Ensaios Amadores ou Não - poesia); Marli da Silveira (Pedaços poesia); Moira Fairon Rech (Uma Janela para o Passado - memórias); Roni Ferreira Nunes (Café com K - poesia); Leila Figueiredo (Antologia 4º Concurso Vargas Netto de Poesia de São Borja); Everaldo Teixeira (Etc & Tal - poesia e crônica); Roberto Schultz (Segredo e Fim - romance); Valquiria Ayres Garcia (Amor de Dinos - infanto-juvenil); Gil Kipper (O Filho do Pantanal - infanto-juvenil); Mozart Linhares da Silva (Educação, Etnicidade e Preconceito no Brasil - livro acadêmico); Claudete Sulzbacher (Travessias e Um Soneto para Machado de Assis- antologias) e Guido Ernani Kuhn (Um Homem de Fibra - biografia) Local: Praça Getúlio Vargas 16:00 – Teatro infanto-juvenil e adulto – “Histórias que chovem” - Local: Praça Getúlio Vargas 17:00 – Show musical com a Banda Os Alkimistas (Santa Cruz do Sul) – Local: Palco da Praça

07/06 - Domingo

16:00 – Teatro infanto-juvenil e adulto: “O Auto da Alta” 17:00 – Show musical com MP3 Trio (Santa Cruz do Su) – Local: Palco da Praça 19:00 – Encerramento da Feira

Atividades paralelas » Exposição Dom Quixote – no Centro de Cultura Jornalista Francisco Frantz – Estação Férrea » Oficina de Haikai – com Telma Scherer (POA/RS) Dia 01/06 09:00 - Escola de Educação Básica Educar-se 13:30 - Escola Estadual de Ensino Médio Santa Cruz » Oficina de Minicontos – com Marcelo Spalding (POA/RS) Dia 03/06 às 13:30 na Sala Champagnat – Colégio São Luis com agendamento prévio no SESC, fone 3713-3222 com Aline

Atividades de dinamização RECANTO DA ARTE E DA LEITURA Realização: Sesquinho e Unimed » Espaço infantil para desenhos, pinturas » Livros, revistas e jornais à disposição da público para leitura local » Contadores de histórias » Oficinas literárias (produção de textos). BIBLIOTECA PÚBLICA ELISA GIL BOROWSKI – SMEC » Oficinas ludo-literárias (xadrez e artes) » Acervo de jornais, livros, gibis e revistas para leitura local CIRANDA LITERÁRIA - CONTADORES DE HISTÓRIAS Realização: SESC e Pioneer Sementes » Em espaços na Praça, contadores de histórias caracterizados como personagens, encantam crianças e adultos dramatizando contos e fábulas. RECANTO DA LEITURA DO SESI » Livros e revistas, e atividades literárias e artísticas com a equipe da Biblioteca do SESI Santa Cruz do Sul.

Márcia Melz


06

entrevista

O Rio de Schaefer

Apaixonado pela literatura e suas possibilidades o grande homenageado da 22ª edição da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul acredita que todo o autor deseja ser reconhecido Letícia mendes m mais de trinta anos como escritor Sérgio Schaefer se aventurou pelos romances, inovou ao reinventar grandes personagens da literatura e encontrou a maturidade na vida e na forma de escrever. O menino que em uma cidade

Márcia Melz

E

do interior do Rio Grande do Sul (Santo Cristo) devorava os romances de aventuras de Karl May não se desapegou dos livros, pelo contrário, passou a criá-los e recriálos. Nessa entrevista, concedida ao Unicom no câmpus da

Unisc de Santa Cruz do Sul, onde é professor de Filosofia, o bem-humorado Schaefer recorda os tempos de infância, o gosto pelos livros e as aventuras de um escritor disposto a aproximar, por meio das suas obras, humildes leitores de grandes escritores.

Você sempre foi ligado à literatura?

Sim. Eu era um grande leitor já na minha juventude. Eu lia todos os tipos, mas principalmente os romances de aventuras.

O seu primeiro livro, Zé Divino, o Messias (1976), foi escrito quando você morava no Mato Grosso. De onde surgiu a idéia dessa obra?

A idéia surgiu da região em que morávamos, em Nortelândia, que era uma região garimpeira. A idéia foi surgindo aos poucos, mas o momento em que eu decidi escrever foi quando comprei o Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa e eu fiquei entusiasmado com aquela maneira de escrever. Escrevi o romance, ilustrei e mandei para a editora Civilização Brasileira, por Correio, e após um mês veio a resposta de que eles iam publicar o livro, pronto, então começou.

Já o seu segundo livro, Rosas do Brasil (1989), foi escrito treze anos depois com uma proposta diferente. O que você buscava ao reinventar personagens de Guimarães Rosa?

Esse livro foi uma experiência nova, uma maneira de escrever que chamamos de metaliteratura, ou seja, uma tentativa de reescrever um autor e de reelaborar uma série de idéias contidas na sua obra. Eu penso que essa também é uma maneira de dessacralizar um autor, no seguinte sentido, quando um autor começa a se tornar um grande nome, como Guimarães Rosa, ele começa a se afastar das pessoas. Então, para quebrar esse gelo que se cria entre o grande autor e os humildes leitores, eu tentei fazer esse trabalho de metaliteratura.

Como você se sente dando novos destinos a personagens como o Macunaíma de Mário de Andrade em O Gaudério Macunaíma (2001)?

Nessa obra eu tomei os traços principais desse personagem que é um índio, meio não índio, brasileiro, com traços de aventura, de preguiça, de malandragem e tentei trazê-lo para o contexto do Rio Grande do Sul e da nossa região de plantação de fumo. Aqui ele se mistura com toda uma cultura diferente daquela que é a cultura propriamente brasileira do Mário de Andrade. Enfim, como eu me sinto? Eu me sinto muito bem ao fazer esse trabalho de reelaborar um autor.


entrevista

Então, o que mudou em Sérgio Schaefer nesses mais de trinta anos como escritor?

É mais complicado porque você precisa ler, não apenas aquele livro que você vai trabalhar, mas toda a obra, pois você tem que conhecer a mentalidade do autor. Isso é complicado, é demorado e você leva alguns anos para entrar dentro desse mundo de alguns dos autores. Eu penso que é mais difícil escrever metaliteratura do que escrever uma obra que vem somente da sua cabeça. No caso do meu último livro, O Rio de Heráclito, eu parei de fazer metaliteratura e decidi escrever algo que viesse totalmente da minha cabeça. Esse romance, ao mesmo tempo em que ele relata a mudança que acontece na vida dos personagens, também pode representar uma mudança na minha maneira de escrever. Mudaram muitas coisas. Primeiramente, eu me tornei um pouco mais maduro e um pouco mais ponderado na maneira de escrever. Eu já não sou mais tão afoito para criar novas palavras, por exemplo, porque eu penso que o leitor pode se sentir um pouco atrapalhado com palavras que ele não entende ou que ele não consegue colocar dentro de um contexto da literatura ou da língua portuguesa. Nesse sentido eu mudei sim, mas o que não mudou em mim foi o gosto pela literatura e o gosto pelo escrever. Só me falta tempo para colocar algumas idéias no papel (risos).

Em 1998, você foi patrono da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul. Como se sentiu ao saber que seria outra vez homenageado?

Eu fiquei muito alegre quando me escolheram novamente. É uma grande honra porque, penso eu, você está sendo reconhecido como alguém que contribuiu para as letras e eu acredito que todo autor quer ser reconhecido. A gente escreve para ser lido, não para ser guardado na gaveta.

O tema desta edição da Feira é “Ler te faz diferente”. Como você acredita que as leituras modificam as pessoas?

As leituras abrem novos horizontes para que as pessoas percebam que o mundo é maior do que o mundo em que elas vivem. Por meio da leitura você consegue sair de si e entrar em um outro mundo, em outro ambiente e isso permite que você se torne mais livre como pessoa. Um dos grandes papéis da literatura, embora não seja o único, é abrir novas perspectivas de liberdade.

Quando ser escritor é lutar contra o tempo Marisa Lorenzoni ma agenda lotada. Assim nós podemos definir a vida do escritor gaúcho, nascido em Três de Maio, Charles Kiefer. Com mais de 330 mil exemplares de livros vendidos nos seus 21 anos de carreira, o patrono da 22ª Feira do Livro de Santa Cruz do

U

Charles é verdade que desde menino tu já pensavas em ser escritor? De onde veio essa certeza?

Sim, e não sei de onde veio a certeza.

O que mais tu leste na tua infância?

Li de tudo, desde revista em quadrinhos aos clássicos gregos. Esse gosto pelas leituras foi influenciado por alguém da tua família?

Pelo avô paterno, pelo pai e pelos bons professores. O tema da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, neste ano, é “Ler te faz diferente”. Tu acreditas que a leitura modifica a visão de mundo das pessoas? Como?

Sim, ler transforma. Em A última trincheira, livro editado pela Editora Artes e Ofícios, há um texto meu sobre o assunto. O que tu lês?

Vários livros por semana, de tudo, desde os livros dos alunos aos grandes clássicos.

Sul, tirou um tempinho entre as aulas na PUC de Porto Alegre, onde é professor, e a organização do lançamento de mais uma obra, para falar ao Unicom. Numa entrevista por e-mail, a pedido dele, Charles Kiefer contou um pouco sobre a sua trajetória. Charles, tu saíste muito jovem de uma cidade do interior e hoje é um escritor reconhecido em todo o país. O que foi mais difícil neste percurso?

Dormir em banco de rodoviária, pra economizar o dinheiro do hotel.   Tu já foste patrono da Feira do Livro de Porto Alegre e agora é patrono da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul. Como tu te sentes com esse reconhecimento?

Me sinto bem, mas vejo isso como conseqüência natural de meu trabalho. Tu estás escrevendo no momento e tens previsão de lançamento de mais um livro?

Sim, sempre estou tentando escrever. Mas são tantas aulas, entrevistas e etc que não tenho conseguido produzir literatura. Dentro de um mês, deve sair A revolta das coisas, meu novo livro, pela Editora Record.

Existe alguma das tuas obras que te marcou mais?

Todas me marcaram.

Divulgação

É mais difícil escrever metaliteratura?

07


08

reportagem

Feira de todos os tempos V Francine Rabuske Márcia Melz asculhar títulos naquele emaranhado de bancas de livreiros é uma das tantas atividades prazerosas proporcionadas por uma Feira do Livro. Encontrar aquela obra que há tempos você namora, ter a chance de levá-la para a casa – com precinho camarada – e colocá-la, enfim, naquela estante abarrotada de papéis, documentos e, claro, livros, o fará lembrarse do evento com carinho ou, no mínimo, satisfação. Mas a memória de uma feira, em especial a de Santa Cruz do Sul,

extrapola os limites da escrita e oferta de títulos. Cada momento é eternizado por meio de fotografias, que registram a sutileza e o encantamento de seus participantes para com os personagens centrais [os livros]. As imagens evidenciam, inclusive, o grau evolutivo de cada uma das edições do evento, cujo objetivo continua sendo a formação de um público leitor em potencial. Nos cliques abaixo, você se delicia com a memória fotográfica da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul.

Fotos: Arquivo SESC


UNISC - Unicom - Feira do Livro 2009