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RELAÇÕES PÚBLICAS


UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS

ALUNOS DE RELAÇÕES PÚBLICAS 2º SEMESTRE

A VISÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO SÉC. XXI

SÃO BERNARDO DO CAMPO - 2013


A VISÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO SÉC XXI

Este e-book foi criado pelos alunos de Relações Públicas referente ao projeto de pesquisa em profundidade.

Edi Luiza Bacco Arlete Prieto dos Santos Lana Cristina dos Santos Paulo Ferreira Roberto Joaquim de Oliveira Roberto Malacrida Rodolfo Bonventti

SÃO BERNARDO DO CAMPO

2013


ÍNDICE

Conceito de capa................................................................................. 07 Os cinco passos do profissional de relações públicas para inovar a comunicação e evoluir em sociedade.................. 09 Relações Públicas no conceito atual e suas influências no mundo da comunicação............................. 15 Relações Públicas: visão estratégica, visão de futuro................ 23 Relações Públicas: uma profissão com embasamento na opinião pública................................................... 31 Explorando o RP do passado, vivendo o RP do futuro........................................................................ 41 Relações Públicas: uma nova conduta para os dias atuais.............................................................................. 49 Uma visão holística de Relações Públicas...................................... 57


CONCEITO DE CAPA A capa foi escolhida com o objetivo de reproduzir a evolução da comunicação com o passar do tempo. O túnel urbano representa a modernidade, os desenhos na parede do túnel mostram o desenvolvimento nos canais de comunicação e a influência que causam nas pessoas que são retratadas na imagem. Mostra-se também a globalização através das figuras, que demonstra a importância de nos adequarmos ao mundo atual e destaca uma das principais características de um bom profissional de Relações Públicas. A profissão é relativamente nova no mercado, porém têm princípios antigos, por isso destacamos um conceito de capa que represente essa constante evolução. Concluímos então, a necessidade de se atualizar e manter a contínua adaptação da empresa com seus funcionários e públicos para que se possa explorar todos os campos e obter resultados positivos em uma organização.

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

A sociedade tem um conhecimento básico sobre globalização e modernidade, porém são pouco citados os processos e as consequências destas mudanças dentro de uma organização. É evidente a profundidade com que isso afeta diariamente suas vidas, visto que, atualmente, são poucos os que parecem capazes de fugir da massa tecnológica. Sendo assim, as organizações precisam estar atentas a todos os públicos, seja de forma generalizada, procurando atingir até aqueles que não são consumidores, de forma específica, através da definição dos seus públicos de interesse, ou até mesmo no desenvolvimento da sua comunicação interna. E são nestas mediações, tanto na relação entre as áreas de uma empresa, quanto com seus públicos de interesse, que é necessária a intervenção de um profissional que tenha capacidade de perceber estratégias de comunicação que satisfaçam os dois lados. James E. Grunig define que Relações Públicas é uma função administrativa que avalia as atitudes públicas, identifica as diretrizes e a conduta individual ou da organização na busca do interesse público, planeja e executa um programa de ação para conquistar a compreensão e a aceitação públicas. De acordo com o presidente da agência multinacional de Relações Públicas Burson-Marsteller, Francisco Carvalho, um excelente profissional da área tem de possuir cinco características cruciais para ser um bom comunicador. São elas: ser auto motivado, ter um espírito empreendedor, ser curioso, saber se comunicar e ter a capacidade de se relacionar com a sociedade/produzir networking. · A auto motivação é o ato de buscar afirmação própria, com atitudes pessoais e profissionais determinadas por si mesmo, sem intervenção de terceiros, é a independência de ordens ou desejos de colegas para a tomada de atitudes, o estimulo pessoal. · Ter um espírito empreendedor é estar constantemente buscando novos caminhos, oportunidades e soluções, saber se relacionar com ou em qualquer empresa ou agência. Suas principais características são o espirito criativo e pesquisador. · Ser curioso é sempre buscar por informações, estar inteirado sobre as notícias, ler bastante e se interessar sobre diversos assuntos, seja política, economia, esporte, lazer, entre outros. 10


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Saber se comunicar é ser extrovertido, falar bem e, acima de tudo, escrever bem. Segundo Francisco, no fim do dia, grande parte da atividade de Relações Públicas se manifesta através de um texto. Não falar muito nem pouco, mas o suficiente para que a informação seja passada de forma clara. · Saber se relacionar com a sociedade e produzir networking é construir relações pessoais e profissionais por um grande período que beneficie as duas partes envolvidas, ou seja, conhecer pessoas e continuar mantendo contato com as mesmas é aumentar seu networking. Mesmo chegando ao Brasil em 1914, as Relações Públicas só começaram a se desenvolver de fato na década de 1950. Foi reconhecida como profissão durante a época da ditadura militar, onde era a intermediação entre os ditadores e a sociedade e, diante deste cenário, o profissional encontrava dificuldades para desenvolver a atividade dentro das limitações impostas pelo governo. Segundo Francisco Carvalho, ela depende de um ambiente democrático para se realizar, onde há troca de opiniões e debates. É claro que, naquele momento histórico, em que apenas uma das partes determinava o que a sociedade precisava, não havia a possibilidade de exercer a profissão em sua essência . Apesar das dificuldades enfrentadas, a explosão da atividade ocorreu na década de 1980, quando a sociedade começava a respirar a verdadeira democracia. Como consequência da ditadura, as pessoas começaram a exigir mais transparência em relação à mídia. Neste mesmo período, a Comunicação Integrada entram em cena. Trabalhando com o conceito de comunicação institucional, mercadológica, interna e administrativa, a Comunicação Integrada adotada por diversas empresas na época de forma prática nomeando setores específicos de Relações Públicas e diferenciando o profissional de outros da área de comunicação, como Jornalismo e Marketing fez com que a atividade decolasse no mercado e passou a exigir uma comunicação mais estratégica e atual. O profissional passou a ser cada vez mais participativo no mercado, com a chegada da globalização, o desenvolvimento da comunicação interna e a necessidade de divisão de públicos estrategicamente. Apesar disso, por conter pouco referencial teórico no início, há uma grande dificuldade em se definir a profissão. 11


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

A sociedade ou até mesmo outros profissionais da área da comunicação não reconhecem certas práticas como parte da profissão e mesmo com o conceito muito mais presente atualmente, está claro que esse objetivo ainda não foi alcançado. Através de uma pesquisa qualitativa exploratória realizada com estudantes de cursos de comunicação, podemos perceber através de suas respostas evasivas e muitas vezes silenciosas, que a falta de conhecimento sobre as relações públicas distorce o significado da profissão dentro do mercado, tornando isto um desafio a ser desenvolvido pelo profissional do século XXI. Mesmo tendo um espaço maior nos dias atuais, sempre foi um desafio para os profissionais de Relações Públicas serem reconhecido como necessário dentro do mercado de trabalho. Pensando nisso, profissionais do ramo fizeram um estudo baseado em fundamentos teóricos e pesquisar, chamado The Excellence Study (O estudo da excelência), com o objetivo de fazer com que as organizações e os públicos reconhecessem o valor do profissional de Relações Públicas dentro de uma organização. Foram dez anos de estudos e como resultado foram publicados livros que hoje servem de base teórica para a profissão. As relações públicas excelentes utilizam diversas ferramentas comunicacionais para atingir seus públicos-alvo, aqueles que têm poder de influenciar na construção da imagem da organização. Essas ferramentas são usadas e mensuradas constantemente em um processo contínuo, mutante e preciso para acompanhar as mudanças e exigências do mercado e garantir a sobrevivência da organização. A excelência é atingida após diversos passos, desde a razão de ser da organização até o envio da mensagem clara e objetiva para os públicos que pretende atingir. Transparência e acompanhamento com a sociedade é um bom começo para a construção de um modelo das relações públicas. Partindo deste princípio, a profissão continua a se desenvolver em um ritmo constante dentro de empresas e agências, levando suas definições e conhecimentos para o mercado de trabalho, mostrando resultados significativos diante de práticas aplicadas. O profissional de relações públicas faz com que diretores corporativos tenham a visão da importância da comunicação interna de sua empresa, trabalhando não só para seus clientes, mas também para seus funcionários, visando sua satisfação e fazendo com que a boa imagem da empresa se propague de dentro para fora. 12


Uma vez criada, o profissional de Relações Públicas acompanha a imagem da corporação diante dos olhos críticos de uma sociedade ativa e exigente, definindo públicos-alvo e trabalhando de forma estratégica para atingi-los. Podemos afirmar que a visão do profissional atualmente está claramente mais ampla diante de uma ferramenta poderosa que dominou a população de forma geral com a chegada da globalização: as redes sociais. A internet é uma nova ferramenta de comunicação e está em constante ascensão, assim como o seu conteúdo as redes sociais, pesquisas, facilidades de informação. Com ela, o profissional de relações públicas consegue ter acesso a tudo o que a sociedade tem a dizer sobre determinada empresa ou produto apenas com um clique, pode monitorar suas reações e se relacionar com essas mídias para benefício de uma determinada marca. Sobre este assunto, Francisco Carvalho afirma que a profissão de Relações Públicas tem se adaptado as novas mídias muito bem e elas estão causando uma democratização muito maior. Ele afirma que isto também requer cuidado, pois assim como é uma fonte de conhecimento e espaço para expressão de opinião, também trazem muita baixa credibilidade, manipulação e falsidade exigindo um cuidado muito maior. Apesar disso, é um fenômeno que tende a se aprimorar no futuro, fazendo parte da profissão de forma efetiva . A globalização fez com que a modernidade atualizasse a tradição, mesclando o velho com o novo. Falando de maneira global, o emissor consegue passar uma mensagem em um tempo muito menor para um grande número de pessoas, o que antes não acontecia. Essa constante mudança de hábitos da sociedade imposta pela internet e suas ferramentas trouxe mais mobilidade de informações e liberdade de expressão para os consumidores. O profissional de relações públicas também trabalha estrategicamente com uma nova questão trazida pela globalização e que afeta consideravelmente a imagem das organizações. A responsabilidade social e a sustentabilidade é um assunto que sensibiliza os consumidores cada vez mais e, por isso, a maioria das empresas são engajadas e preocupadas com o meio ambiente. Essa característica, sem dúvida, acrescenta um diferencial da marca e mostra que ela está profundamente interessada em suprir as necessidades e participar ativamente dos mesmos interesses que seus clientes. 13


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Relações Públicas no conceito atual e suas influências no mundo da comunicação

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Por que conhecer Relações Públicas? Para que entendê-la? Essa é a dúvida que surge em um jantar de família quando você precisa explicar sua profissão. Esperamos que com esse artigo sejam esclarecidas dúvidas, questões que possam surgir e que possamos trazer de forma simples o conceito de RP. A necessidade de se comunicar fez surgir a profissão de Relações Públicas. Se notarmos o conceito de RP, vamos perceber que existiam muitas pessoas que já praticavam a profissão. Relatos bíblicos e a mitologia grega apontam momentos em que foi necessário traçar estratégias e melhorar o relacionamento de acordo com aquilo que lhes interessavam. Foi nos Estados Unidos que Rockfeller, dono de uma empresa com problemas, contratou Ivy Lee para criar conceitos de comunicação e assim se aproximar de seu público. Na época, as empresas tinham a necessidade de informar o público sobre suas atividades, então ele criou a primeira agência de Relações Públicas e fez o primeiro trabalho de assessoria de imprensa. O Brasil, na década de 30, passava por um processo de urbanização e o nascimento de muitas indústrias. Com a Revolução Industrial, ficou eminente a importância de se dedicar à experiência de trabalhar uma melhor comunicação. A empresa que tomou a iniciativa foi a antiga The Light & Power Co. Ltda., conhecida hoje como Eletropaulo que em 30 de janeiro de 1914, em São Paulo, criou um departamento de RP. Por ser uma empresa nova no país, a gestão da Light sentiu a necessidade de se especializar em um relacionamento mais estratégico para lidar com a imprensa e com o Estado. A partir desse ano, a profissão só se desenvolveu, criando novas teorias e conceitos. Durante 40 anos, RP não possuía a regulamentação necessária e, sabendo disso, um grupo com 27 executivos e praticantes de RP, no dia 21 de Julho de 1954, fundou a Associação Brasileira de Relações Públicas-ABRP. O Brasil passou por momentos históricos que marcaram o crescimento deste país e o mesmo aconteceu com a nossa profissão, que embora criada por um Jornalista, com o tempo conquistou características próprias e independentes. Como no caso da Ditadura Militar brasileira (1964 -1985), onde os profissionais de comunicação tiveram uma extrema dificuldade de passar informações adiante, servindo somente ao governo. Eram os RP's se submetendo a fazer o que o Estado mandava. 16


Relações públicas no conceito atual e suas influências no mundo da comunicação

A Ditadura acabou e o povo brasileiro conquistou a democracia, exercitando assim o seu poder de influencia na opinião pública. Com o passar do tempo, a profissão foi se consolidando no mercado e outras profissões que integravam a área de comunicação ocuparam-se de muitas atividades que um Relações Públicas praticava, mas acreditamos que isso ocorreu devido a pluralidade de culturas ou a diversidade das mesmas, etc. Outro ponto que pode ter contribuído para isso foi a criação de departamentos que uniram várias profissões da área da comunicação, como Publicidade e Propaganda, Marketing, Comunicação Mercadológica, Jornalismo e Relações Públicas. Trabalhando em conjunto, cada um com sua especialidade, passou a contribuir ainda mais para os grupos industriais ou para as organizações. Hoje, definindo em uma frase, RP é um profissional especializado em criar relacionamentos utilizando a comunicação para desenvolver seus projetos. Para a profissional Thais Germano, com uma bagagem significativa na área de Relações Públicas, que hoje trabalha na Editora CT, e que é apaixonada pela sua profissão, é preciso usar técnicas da profissão também na própria vida pessoal. Como ela também é professora, acredita que a troca com os alunos é fundamental e alimentadora. Sempre diz que lecionar, de alguma forma, é ser remunerado para estudar e se atualizar, e acha uma honra participar da formação de um profissional ou mesmo de um cidadão. Para a profissional Thais Germano, com uma bagagem significativa na área de Relações Públicas, que hoje trabalha na Editora CT, e que é apaixonada pela sua profissão, é preciso usar técnicas da profissão também na própria vida pessoal. Como ela também é professora, acredita que a troca com os alunos é fundamental e alimentadora. Sempre diz que lecionar, de alguma forma, é ser remunerado para estudar e se atualizar, e acha uma honra participar da formação de um profissional ou mesmo de um cidadão.

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

A profissão, segundo Thais Germano, é vista como uma grande ferramenta de marketing que evoluiu devido às consequências sofridas no século XX no Brasil e no mundo. A maior dificuldade é a confusão que surge dentro de outras áreas da comunicação fazendo com que um profissional receba diversas nomenclaturas, o que acaba atrapalhando a busca por oportunidades de emprego. Sendo uma profissão que está evoluindo devido ao avanço da tecnologia, e que agrega resultados rápidos e de longo prazo, as empresas estão dando mais valor, e isso foi o que lhe chamou mais atenção ao iniciar a carreira nessa área. A sociedade vem exigindo cada vez mais transparência das organizações e como qualquer outra profissão nova no mercado, a atividade de Relações Públicas enfrente adversidades que serão superadas com o decorrer do tempo. Impactando diretamente na área de RP, a globalização alterou o comportamento e funcionamento da sociedade e das organizações em geral, sendo assim um dos principais novos modelos de pensamentos e métodos para facilitar a comunicação com seu público. A concorrência de mercado faz com que as organizações passem a investir em novas tecnologias para preparar profissionais. Essa nova perspectiva envolve a informação, a comunicação e as relações para estabelecer novas maneiras de realizar as comunicações movidas pela tecnologia, além disso, envolve também mudanças culturais, intelectuais e educacionais a nível pessoal e organizacional. James Grunig e Todd Hunt criaram quatro modelos de Relações Públicas que apontam as diferentes formas de relacionamento com o público e a organização. Três modelos procuram se promover no mercado usando informações e pesquisas, porém apenas um representa um Relações Públicas eficiente. Este modelo acredita no equilíbrio de pesquisas e informações, porém, buscando o consenso entre as partes. Ele é denominado ideal a ser seguido na maioria das organizações da atualidade. Por isso, as empresas hoje buscam um bom relacionamento com seus públicos internos e externos, e com base na opinião pública resolvem conflitos com objetivo de satisfazer ambas as partes e alcançar no ambiente profissional as Relações Públicas Excelentes. Um dos principais fundamentos para a sobrevivência das organizações no mercado é a responsabilidade social e a sustentabilidade. 18


Relações públicas no conceito atual e suas influências no mundo da comunicação

Com essa mudança gradativa das companhias e dos públicos as relações públicas puderam atuar juntos com os interesses da maioria. Para Margarida Kunsch, uma especialista na área de relações públicas, a questão do desenvolvimento ambiental ultrapassa as fronteiras das nações, inserindo-se na sociedade global e somente com uma colaboração internacional e ativa será possível tornar possível a preservação e a melhoria das condições do meio ambiente. Permitindo realizar essas mudanças a partir de pesquisas e possuindo uma importância na globalização, a comunicação hoje, por ser uma prática simétrica de duas mãos, pode realizar estratégias capazes de administrar conflitos sociais e políticos. Com isso, o profissional necessita almejar o equilíbrio e fazer o uso dessa modernidade sabendo que o maior meio de manifestação de tecnologia são as mídias sociais. Mídias sociais são ferramentas digitais personalizadas ou de prestação de serviços que permitem publicação de conteúdo e formação de relacionamento, sempre por meios virtuais. Possibilitam a publicação de conteúdos por qualquer pessoa e abrange várias atividades que compõem a tecnologia, interação com pessoas e a construção de palavras, fotos, vídeos e áudio. Várias empresas já descobriram e adotaram as mídias sociais para melhorarem o marketing de relacionamento e procuram se aperfeiçoar cada dia mais, pois são instrumentos poderosíssimos que podem tanto alavancar quando afundar uma marca. Com o avanço da tecnologia hoje temos tantas ferramentas que possibilitam um relacionamento mais próximo do público que as plataformas de mídias sociais podem ser classificadas como uma das mais influentes formas de mídia criadas até hoje. Ao falarmos com alunos da Faculdade de Comunicação (FAC) da Universidade Metodista de São Paulo, tivemos como resultado que a palavra Relações Públicas remete uma ligação entre a empresa e o público totalmente vinculada à imagem da instituição. Os entrevistados concordaram que há uma relação entre as funções de comunicação, porém cada um com sua devida importância, e nos mostra como a prática de Relações Públicas é confundida com as outras áreas.

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Questionados sobre a diferença entre RP e Marketing, os alunos responderam que MKT é focado diretamente nos interesses finais dos consumidores, ou seja, o produto é parte integrante da função de um mercadólogo, diferente da função das Relações Públicas, onde o foco principal é na imagem da organização, sem se posicionar diretamente na venda do produto, e sim no valor da marca. Por diversas vezes foi comparada a profissão de RP com a de um promoter ou recepcionista e isso levou os alunos a dividirem opiniões, onde para alguns existem cursos melhores para se tornar um promoter e já para outros é um pouco da prática de relações públicas sem a teoria. O mesmo aconteceu quando foi perguntando sobre a desvalorização do profissional. Alguns dos alunos acreditam que RP tem muito a crescer já que ela é fundamental para as empresas. Por fim, na visão geral de todos os pesquisados as técnicas mais citadas para um bom Relações Públicas são a boa comunicação, ter uma boa oratória e ser dedicado ao curso e à profissão. Atualmente, dentro das organizações que procuram resultados palpáveis, a palavra que mais se usa é estratégia . São inúmeros conceitos que definem a palavra, porém na prática ela não funciona sozinha. É necessário um planejamento analítico, estratégico e possíveis investimentos para o desenvolvimento de resultados positivos. Pensando na política, as organizações que trabalham com Relações Públicas lidam diariamente com a execução de técnicas e planejamentos, porém esses não se diferem dos planejamentos aplicados a outras atividades. A diferença está nas técnicas e em alguns elementos, como divisão dos públicos e utilização de recursos de comunicação. A importância do profissional para uma organização, independente da área que ele atua, possui os mesmos princípios. É importante que haja a determinação de aspectos essenciais como: fazer um diagnóstico, conhecer os fatos, o clima, os públicos e fazer uma analise total da organização num todo. Os profissionais de Relações Públicas, portanto, possuem um diferencial, que é ser altamente capacitado em estabelecer a comunicação entre a organização e seus públicos como um todo, essencial para o bom andamento de uma organização. 20


Relações públicas no conceito atual e suas influências no mundo da comunicação

Na comunicação Integrada, que segundo Kunsch é a atuação conjunta da comunicação institucional, mercadológica, administrativa e interna, o profissional de Relações Públicas atua mais na área de marketing institucional trabalhando com conceitos culturais e sociais, imagem corporativa, assessoria de imprensa e diversas outras áreas dentro da empresa. Na área institucional, o profissional de Relações Públicas é de extrema importância, pois gerencia e faz a prevenção de crises dentro da organização, além disso, tem como objetivo construir uma imagem e uma identidade corporativa positiva, também colabora na construção de um bom posicionamento no mercado e por fim está relacionado com o prestígio e reconhecimento social da organização. Podemos concluir com esse estudo, a evolução da comunicação e como ela vem nos impactando. A tecnologia já garantiu sua permanência e vem nos mostrando à importância que nos comunicólogos temos de usar ao nosso favor. São canais, teorias e pensamentos a serem estudados e aperfeiçoados com o tempo e usados para a criação de um relacionamento transparente, honesto e sustentável de organização para seu público.

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Relações Públicas: visão estratégica, visão de futuro

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

A comunicação sofreu grandes mudanças e evoluiu bastante em função do fenômeno chamado globalização, que de maneira geral impulsionou a interação entre pessoas e países, além de modificar a velocidade com que as informações são transmitidas. A profissão de Relações Públicas está em frequente expansão, ampliando de forma significativa seu papel no cenário corporativo. As constantes mudanças da nossa sociedade e a evolução dos meios de comunicação fizeram com que o profissional se adaptasse de forma a mediar ações em prol dos interesses dos diversos públicos, bem como da própria empresa. Por meio da promoção de relacionamentos e desenvolvimento de diálogos, o profissional desta área atua em diversos segmentos exercendo suas atividades no primeiro, segundo e terceiro setor. As atividades práticas nas instituições são sempre facilitadoras de interação entre os diferentes públicos, proporcionando a crescente gama de atividades dentro do mercado de trabalho.Com pouco mais de um século, a história da atividade é relativamente curta comparada a outras profissões, por isso suas definições são diversas e algumas vezes opostas. A profissão surgiu no ano de 1906 nos Estados Unidos, por meio do trabalho do jornalista e mais tarde publicitário Ivy Lee, após a greve sangrenta da "Colorado Fuel and Iran Co . Foi a primeira vez em que uma organização abriu as portas para a imprensa e admitiu o diálogo com líderes da comunidade e do governo.

No Brasil a atividade surgiu formalmente em 1914, quando a companhia The Light and Power criou o primeiro departamento de Relações Públicas, gerenciado por Eduardo Pinheiro. Na década de 60 foi criado o primeiro curso de graduação ministrado pela Escola de Comunicação e Cultura na Universidade de São Paulo, atual ECA-USP. Nesta mesma década a profissão foi legitimada pela lei nº 5.377. 24


Relações Públicas: visão estratégica, visão de futuro

Mas foi na década de 90 que a profissão ganhou prestígio e valorização, expandindo-se por todos os países da América Latina graças ao rompimento das fronteiras internacionais. Desde então a profissão abrange um leque de ações práticas e diversificadas. Análise de cenários e mediação de conflitos são alguns pontos chaves desta atuação, onde o profissional tem a capacidade de entender o todo, analisar e agir em prol do bem comum, tendo uma visão transversal das necessidades, se comunicando com os públicos e expressando ideias concisas para a obtenção de resultados positivos para ambas as partes. Segundo Raquel Trevezan, Líder de Contas de Consumo na agência Edelman Significa, o que diferencia um profissional de Relações Públicas dos outros profissionais da comunicação é a capacidade de analisar o todo, de prever cenários, de adequar mensagens e de saber como promover o diálogo de uma forma mais integrada . Enquanto os outros profissionais da comunicação preocupamse com setores e públicos específicos, o relações públicas analisa e identifica os cenários como um todo. O mercado atual exige que a comunicação seja realizada de forma estratégica, integrando todos os setores institucionais como um só. A comunicação integrada pode ser compreendida como o mix das comunicações institucional, mercadológica, interna e administrativa, e exerce um papel fundamental na empresa por aproximar os seus diversos públicos e setores. Além de prever crises e dessa mesma forma gerenciá-las, é fundamental para qualquer tipo de instituição o planejamento prévio de uma possível crise, contando com a colaboração e empenho de todos os setores dentro da instituição, de forma a solucioná-la com maior rapidez e eficiência. Sobre esses momentos o doutor em comunicação Wilson da Costa Bueno diz, um momento crítico pode acontecer a qualquer empresa, a qualquer momento, e é preciso estar preparado para enfrentá-lo . 25


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

A Retórica e a Oratória são outras duas características indispensáveis para a atividade de relações públicas. É de suma importância que o profissional saiba se apresentar, falar em público, transmitir a mensagem e expressar suas ideias de forma clara e concisa. É preciso falar com prioridade, de forma a persuadir e convencer o público. O diálogo criado entre organizações e públicos pode ser gerado a partir de diversos meios de comunicação, podendo expandir-se a outros países. Tornando assim de devida importância o conhecimento de outros idiomas e culturas, destacando-se o inglês que é a língua universal. Com a globalização e a expansão dos negócios pelo mundo é fundamental para qualquer profissional nos dias atuais saber comunicar-se de forma mais abrangente, com o maior número de pessoas, em qualquer parte do mundo. A evolução tecnológica que vem ocorrendo ao longo dos tempos é um fator que interfere na atividade de qualquer profissional de qualquer área da comunicação. Para o profissional de Relações Públicas essas adaptações ocorreram naturalmente conforme as exigências do mercado, que atualmente se apresenta bem dinâmico e transparente. É essencial que um profissional de comunicação se mantenha constantemente atualizado quanto às novas tecnologias que surgem a cada dia, pois esses instrumentos da era digital são importantes para auxiliar no diálogo entre públicos e organizações. Assim como o computador revolucionou os instrumentos de trabalho, a internet e as redes sociais revolucionaram a comunicação, pois além de se tornarem grandes difusores de informações acabaram se tornando grandes influenciadores online. É necessária a consciência de que todas as pessoas geram conteúdo nos dias de hoje e a informação se encontra muito mais facilmente disponível e veloz. 26


Relações Públicas: visão estratégica, visão de futuro

Algo que surge nas redes sociais influencia a imprensa tradicional, que influencia o governo, que influencia as decisões e atitudes das pessoas, e assim por diante. A integração entre as mídias é claramente observada e isso exige que um profissional de RP também se mantenha integrado com esses instrumentos tão poderosos como Facebook, Twitter, Blogs, site da empresa, além dos tradicionais jornais, rádios, e televisão. O posicionamento da empresa no ambiente digital tornou-se muito importante, assim como a troca com o público. A comunicação deve ser sempre uma via de mão-dupla, de forma bem planejada, rápida e eficiente. O consumidor espera ser ouvido, compreendido e esclarecido com a maior transparência possível. O consumidor ganhou um novo valor no mercado. Antigamente, as organizações ditavam as regras, o modo de vida e aspectos da sociedade. Seus públicos eram totalmente atingidos pela marca, sem poder de decisão ou escolha. Existia uma comunicação unilateral, que não oferecia aos públicos a oportunidade de dialogar e principalmente, opinar a respeito dos produtos e serviços que utilizavam em suas vidas. Com os avanços da internet, e pelo poder de propagação de redes sociais e canais de comunicação digitais, a demanda de públicos assíduos por informações cresceu, trazendo a possibilidade de interagir e expor opiniões diversas a respeito das atividades das organizações. Outro aspecto importante é a relevância que as opiniões públicas passaram a ter, dentro de um mercado extremamente competitivo, onde é essencial que as empresas mantenham boas práticas e que zelem muito mais por uma visão positiva frente a seus públicos. Um conceito conhecido como

Pirâmide invertida

é inserido neste contexto,

quando as organizações dedicam-se a um foco muito maior em pessoas comuns, pois qualquer opinião ou afirmações negativas podem gerar uma crise sem precedentes. 27


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

No contexto atual, os públicos são ouvidos, e têm o poder de decidir os rumos de qualquer empresa, pois a principal ferramenta de propulsão ou de declínio de qualquer organização concentra-se nos meios digitais e em seus usuários cada vez mais atentos e críticos. Essas pessoas buscam soluções para problemas, reivindicam resoluções e pronunciamentos mais ágeis e que atendam as suas necessidades. Estes aspectos trazem de certa forma o público ao topo da pirâmide, considerada invertida, pois pessoas comuns estão mesmo que indiretamente, influenciando drasticamente no futuro e na longevidade das organizações. Sustentabilidade tornou-se um dos temas atuais mais importantes dentro das instituições. Trazendo consigo a preservação do meio ambiente, o crescimento econômico e a responsabilidade social, que juntos formam três pontos essenciais para o sucesso de uma organização. A opinião do cliente ganha espaço, quando o mesmo está mais exigente e busca empresas e produtos socialmente responsáveis, incluindo também a curiosidade quanto à missão, visão e valores adotados pela mesma. Para isso é necessário que o profissional de relações públicas assuma esse papel, não somente na geração de lucros, mas como uma unidade social, promovendo e cooperando para o bem estar da sociedade. Engajar-se a esse meio é uma questão de consciência, o mundo mudou e as necessidades sociais também. Aderir aos relatórios de sustentabilidade tornou-se uma linha de corte estabelecida pelo próprio mercado, hoje é necessário embarcar mais a fundo neles. A comunicação busca mostrar o processo que esta sendo aplicado para reduzir os impactos negativos no ambiente. E há também a preocupação em incluir seus fornecedores e consumidores no projeto para obter maior resultado sustentável, auxiliando não somente no desenvolvimento, mas no crescimento da empresa. 28


Relações Públicas: visão estratégica, visão de futuro

A valorização da profissão de Relações Públicas ocorreu a partir do momento em que as organizações perceberam que necessitavam de alguém especializado para cuidar da imagem e reputação de determinada empresa ou personalidade, mas a partir do surgimento da internet e redes sociais essa valorização se tornou mais forte, pois a capacidade de promover diálogos construtivos, altamente éticos e integrados é uma característica diferencial do profissional de RP. Hoje as coisas acontecem muito rapidamente e as marcas estão muito expostas, por isso as empresas se preocupam com a imagem que está sendo passada para os seus públicos. Enquanto o fato está ocorrendo, a televisão e internet já estão divulgando ao vivo, por isso o profissional de RP deve estar atento a tudo que está acontecendo, monitorando os diálogos nas redes sociais, sabendo ouvir e se pronunciar. A opinião pública é um fator determinante para as decisões de um profissional de RP, e para lidar com posicionamentos massivos diante de situações ocorridas é necessário um preparo e domínio de todas as ferramentas que possam ser utilizadas para potencializar uma boa imagem/reputação. Para desempenhar o papel de um profissional de RP é preciso estar ligado a tudo que acontece no mundo e a chamada era digital proporcionou isso de maneira bastante eficiente, tanto para empresas quanto para seus públicos. Ser criativo, dinâmico, observar as coisas de uma maneira mais ampla e integrada, e saber como se posicionar diante de diferentes públicos é característica essencial para manter diálogos mais concisos e consistentes com qualquer que seja o público, e é isso que o mercado espera de um profissional de Relações Públicas.

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Relações Públicas: uma profissão com embasamento na opinião pública

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

A profissão de Relações Públicas vem se tornando cada vez mais necessária, devido ao seu trabalho de fazer o intermédio entre a empresa e seus públicos e para preservar uma boa imagem. Atualmente, os profissionais de Relações Públicas são contratados não só diante de crises internas ou externas, mas também a fim de se anteciparem para evitá-las. No entanto, essa atividade só terá a devida importância em uma sociedade democrática, onde a opinião pública possa dar embasamento para o seu exercício pleno. Relações Públicas é uma profissão recente no mercado. Anteriormente era vista como uma ocupação (profissionais improvisados), mas em 1967 a USP colocou na Escola de Comunicação e Arte o primeiro curso de Relações Públicas, tornando assim, uma profissão com gabarito. A atuação do RP vem composta por categorias e com objetivos claros. De acordo com Margarida Kunsch se divide em funções: administrativas, estratégicas, mediadoras e politicas, que compõe um núcleo especifico de atuação. A função administrativa trás atividades como o controle da opinião pública em relação à empresa; gerenciamento de crises ou acasos que possam prejudicar a organização, e o principal criar o melhor canal entre sociedade

empresa e vice-versa. É bem parecida

com a função politica, mas o que diferenciam ambas é que além da politica também realizar essas tarefas de um modo mais estratégico, há também o gerenciamento hierárquico, ou seja, uma boa relação entre todos os setores. Na função estratégica, a posição da profissão é vista no escritório , diferente da administrativa que se trata de uma comunicação ampla. Nessa função, as atividades do profissional são focadas no crescimento da empresa; em efetuar missão, visão e valores e fazer com que os funcionários as sigam, e em assessorar os responsáveis a transmitir a mensagem da empresa para um público heterogêneo ou homogêneo (público alvo). 32


Relações Públicas: uma profissão com embasamento na opinião pública

O que diferencia a função mediadora das outras, é que ela trás uma base ideológica junto, pois a função do Relações Públicas é transmitir não apenas a mensagem, e sim, adicionar os valores da organização a ela. Para isso, é necessário fazer a leitura do ambiente, mapeando o público alvo e como atingi-lo diretamente. A profissão é aplicada nos três setores da economia (empresas privadas, governamentais e sem fins lucrativos), e a atuação varia pelas necessidades de cada setor. Começou nos Estados Unidos, em 1906, com o jornalista Ivy Lee, considerado o pai das relações públicas até hoje, porém não foi o primeiro lugar em que pudemos vê-las em ação e sim quando foi, de fato, denominada com tal nome. A arte de lidar com a opinião pública já era utilizada pelos imperadores chineses há cinco mil anos, e desde então vem ganhando cada vez mais espaço, até que alguém finalmente pôs um nome e algumas regras para a profissão. Há um século, no início de tudo, o exercício da atividade de relações públicas como uma profissão era visto

e executado

de

maneira mais técnica, não havia educação formal uma vez que o estudo especializado não era exigido, não existiam pesquisas sobre as áreas de relações públicas no campo acadêmico e não havia normas, princípios e nem corpo de conhecimento. Os profissionais eram considerados improvisados e vistos como peça trivial no sucesso de uma empresa. É incrível ver como as relações públicas sofreram uma revolução repentinamente, mesmo que tardia. Deixou de ser um recurso de tempos de crise e se tornou uma parte importante da equipe e do planejamento da empresa. Passou de uma ocupação a uma profissão embasada em conhecimentos científicos, assumindo função de gerente da comunicação e não apenas técnico. 33


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

As relações públicas estão mais estratégicas e menos preocupadas com a publicidade nos meios de comunicação em massa. Segundo James E. Grunig, hoje em dia toda prática de RP é global e não está confinada as fronteiras de um só país. Há quem diga que somente grandes empresas podem se dar ao luxo de ter um relações públicas, mas há também quem diga que justamente por dar importância ao relações públicas que essas empresas se tornaram grandes. As relações públicas chegaram ao Brasil em 1914, com a empresa canadense de energia The Light and Power Co. Ltda., conhecida popularmente como Light. O problema é que, mesmo chegando no começo do século e com o crescimento iminente de toda a área, as atividades profissionais de RP só foram formalizadas em 1967, vinte anos depois da formalização nos Estados Unidos. Depois disso, foram criadas associações a fim de fiscalizar e administrar as diretrizes e bases dessa nova profissão que vinha ganhando força, mesmo que timidamente. A partir de 1990, firmou-se como profissão em toda a América Latina, que foi o fruto das fronteiras internacionais. Desde então a sociedade passou a exigir mais transparência no comportamento das empresas e organizou grupos de pressão e ativismo; A responsabilidade social e a sustentabilidade passaram a ser de extrema importância para o desenvolvimento humano e para a sobrevivência do planeta. De acordo com Maria Aparecida Ferrari, a mudança de comportamento das organizações e dos públicos abriu um excelente espaço para que as Relações Públicas passassem a atuar de forma sinérgica com os interesses da coletividade. No inicio do século XXI pode-se perceber que a comunicação tende a atuar de forma interdisciplinar, mostrando um novo perfil para os profissionais de comunicação. 34


Relações Públicas: uma profissão com embasamento na opinião pública

As melhores oportunidades para um Relações Públicas hoje em dia estão em empresas privadas, principalmente nas de grande porte e multinacionais nas áreas de comunicação institucional e organizacional. Há uma grande demanda do profissional em setores públicos, onde as agências de Relações Públicas prestam serviços para essas empresas contratar esse profissional. A Região Sudeste, principalmente o estado de São Paulo, concentra o maior número de vagas. Primeiramente, o profissional deve obter seu registro profissional. As empresas exigem esse registro no momento da contratação, para qualquer profissão regulamenta por lei, provando assim a conclusão do curso. Consequentemente, houve um aumento extraordinário de profissionais de comunicação, que todo ano tornam a competitividade cada vez maior dentro do mercado. No final da década de 80, após o fim da ditadura militar, foi quando as agências de Relações Públicas mais cresceram, até os anos 90. Algumas delas, ao invés de usar a denominação Relações Públicas, passaram a chamá-la de Comunicação e Marketing, o que demonstra a pouca excelência da atividade na época. A descoberta da comunicação organizacional e da promoção das agências de propaganda contribuiu para o desenvolvimento do mercado de comunicação

incluindo

jornalistas e publicitários e proporcionou a transformação de tudo em marketing. Os RPs precisam entender melhor a função corporativa e pública da sua atividade, e ousar, para poderem conquistar suas vagas no mercado de trabalho. É considerável também as transformações das empresas e do mercado ao longo dos anos, por conta da globalização, que trouxe a necessidade de uma boa comunicação das organizações com seus públicos, abrindo assim novas vagas e perspectivas para os profissionais da área de comunicação.

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Porém, o aumento de empregos na área não cresceu significativamente por conta de que os recém-formados não atendiam ao perfil requerido, faltando-lhes uma boa formação, domínio de línguas estrangeiras, excelente redação, conhecimentos de planejamento estratégico, marketing, administração, empreendedorismo, criatividade, dedicação aos assuntos públicos, corporativos, informática, mas principalmente maturidade profissional necessária para alguém assumir os relacionamentos da empresa com o mercado, além da pouca credibilidade da atividade junto às empresas. É essencial a especialização dos estudantes no atendimento do relacionamento das empresas com seus diferentes públicos, evitando assim falhas básicas como deficiência do domínio da língua portuguesa pois o mercado está cada vez mais exigente e competitivo. Atualmente conquistar uma posição de trabalho é uma dificuldade que não só um Relações Públicas enfrenta, mas também como todas as profissões. A revolução provocada pelo desenvolvimento de novas tecnologias vem atingindo muito profissões. Algumas desapareceram, não são mais usadas, mas uma grande maioria sofreu algum tipo de transformação. Essas mudanças tecnológicas fazem uma grande diferença para o profissional de Relações Públicas, já que ele está totalmente ligado à comunicação e trazem muitos benefícios aos profissionais, mas em alguns casos podem trazer aspectos negativos. Dentre as ferramentas de comunicação que podem ser utilizadas pelo RP muitas são as mesmas a serem usadas em publicidade, a diferença está na abordagem da mensagem, no uso que se faz da ferramenta e no direcionamento do público. Dessa forma, podemos encontrar na comunicação interna para os colaboradores de uma empresa um programa de TV exibido no horário de almoço com o intuito de esclarecer os riscos de não se usar os equipamentos adequados de segurança, repasse de informação sobre problemas que a sociedade enfrenta e etc. 36


Relações Públicas: uma profissão com embasamento na opinião pública

Suas vantagens são que atinge a todos os públicos, é possível inserir comerciais e o impacto que causa as cores com os movimentos, atrai a atenção das pessoas. Porém tem suas desvantagens que é o custo elevado e a mensagem que é televisionada não pode ser revista pelo telespectador. Uma ferramenta que também pode ser utilizada na comunicação interna são os jornais que circulam dentro da organização e que podem ser levados para casa, possui uma variedade de assunto e são distribuídas na empresa ou para o domicilio dos colaboradores. Mas por outro lado, o jornal interno demanda tempo de redação, custo de impressão e há um baixo índice de leitura dos funcionários. Para se comunicar com a comunidade, o RP tem como foco a atuação em projetos comunitários, como o auxilio em instituições carentes, creches, programas de voluntariado dos colaboradores e outros projetos sociais. O Relações Públicas está inserido em todos esses processos. Esses são alguns exemplos de ferramentas que o RP pode usar para se comunicar com o público. Porém, mesmo com todos esses meios de comunicação a internet é a tecnologia que mais é usada atualmente. A internet tem muitos pontos positivos, um deles é que o público ao acessar o site ou a pagina da empresa em alguma rede social, deixa de ser um leitor passivo e passa a dar sua opinião, fazer seu comentário. Outra vantagem é que os internautas têm acesso às informações durante 24 horas. A desvantagem é a falta de monitoramento das redes sociais, que pode gerar uma crise com grandes proporções já que qualquer pessoa pode expressar sua opinião, positiva ou negativa sobre a organização. 37


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

O mercado de trabalho está em expansão. Cada vez mais ampla para a atuação profissional, pois as empresas estão percebendo que a manutenção de sua imagem no mercado está vinculada ao relacionamento que elas estabelecem com seus públicos (funcionários, fornecedores, comunidade, imprensa, mundo oficial, dentre outros). E esse relacionamento deve ser feito de forma profissional. diferentes públicos. A profissão é voltada para profissionais capazes de analisar situações complexas e de elaborar ações de estratégias de comunicação que resultem em relacionamentos positivos para as organizações e a sociedade. De acordo com Angelina Gonçalves, que atuou como assessora de relações públicas e atualmente é educadora, a interação desse profissional com outras pessoas é muito grande, pois ele é o responsável por intermediar a comunicação da instituição com seus diversos públicos, sejam eles internos ou externos. É por meio desta interação que este profissional terá condições de detectar algum problema na organização e desenvolver estratégias e ações de comunicação direcionadas para aquele público específico. Para que o profissional de relações públicas desempenhe seu papel com eficiência, é fundamental que ele tenha bom relacionamento também com os gestores e, principalmente, com o departamento de recursos humanos, pois muitas ações que serão desenvolvidas na empresa precisarão do envolvimento destas áreas e também de todos os funcionários da instituição, afinal de contas, ninguém trabalha sozinho. Para se firmar num mercado tão competitivo é necessário que o relações públicas construa a sua própria imagem profissional, que só é possível com muito trabalho e atualização constante. Claro que a atualização é necessária em qualquer profissão. 38


Relações Públicas: uma profissão com embasamento na opinião pública

Segundo o Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas, 44% dos profissionais registrados no país possuem alguma especialização e 17% estão com a especialização em curso. Além disso, o conhecimento de uma língua estrangeira não é apenas necessário e, sim, obrigatório nessa profissão. É preciso que o RP fique atento e demonstre sempre que é necessário o retorno deste investimento, pois o maior desafio para o exercício da profissão é mensurar os resultados dos investimentos feitos pela empresa, pois o trabalho do profissional de relações públicas é intangível. Além disso, deve ser dinâmico, pró-ativo e vanguardista. Deve ter a capacidade de ler e prever cenários, assim como ser ético e correto, sempre atentos às questões socioculturais e econômicas de nossa sociedade. Na Europa e nos Estados Unidos, o profissional de relações públicas é autônomo, e muitas vezes presta serviços de consultoria para empresas públicas ou privadas; ou é dono de agências de comunicação e relações públicas. No Brasil, a cada dia cresce este tipo de atuação profissional e hoje já é possível encontrarmos vários profissionais autônomos atuando como consultores ou assessores. Porém, na América Latina a profissão de relações públicas tem como principal característica a departamentalização , ou seja, a atuação em departamentos e setores de comunicação e relações públicas de uma empresa pública ou privada. Ainda existem inúmeras dúvidas quanto a capacidade e quanto ao que realmente faz um RP. Portanto, o que se deve buscar são nichos de mercado ligados à Comunicação. Entre na empresa, e depois mostre do que é capaz um Relações Públicas. As redes sociais vieram para ser uma grande aliada: toda empresa precisa ter um profissional que cuide da sua imagem na Internet. 39


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Além das redes sociais, veem se destacando nas áreas de Marketing que é um termo forte no Brasil já que muitos empresários acreditam que a comunicação está inserida nesse termo; na Assessoria de Imprensa, que é uma área mais voltada para jornalista, porém a busca por RP's veem aumentando; e como Assessor de Comunicação que está em ascensão e basta o profissional identificar como incluir as técnicas da profissão no seu dia a dia, contribuindo para o crescimento da organização e para o seu crescimento profissional. Essas são as mais destacadas e procuradas pelo graduado, porém existem outras áreas onde as relações públicas podem ser muito uteis.

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Explorando o RP do passado, vivendo o RP do futuro.

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Na comparação com o RP atual, com a primeira versão do mesmo, podem-se notar aspectos interessantes nesta trajetória. Voltando algumas décadas atrás, podem-se considerar alguns pontos das características do profissional, porém para entender todo o contexto deve-se começar por uma noção de tempo e espaço. Por volta do século XIX o profissional estava adentrado em um contexto histórico marcado por revoluções em seu país de origem, os Estados Unidos. O mesmo se encontrava cercado de revoltas e descontentamento público, um espaço ideal para a formação do profissional de Relações Públicas, que foi inserido no momento propício para desencadear suas práticas de estabelecimento da comunicação da organização com seu público. No século XX,

a família Rockfeller sofria uma crise, sem

recursos estratégicos para salvar a própria imagem. Aparece então, o que viria a se tornar a maior figura de Relações Públicas, Ivy Lee. O trabalho dele foi melhorar a imagem da família e ao comparar com o RP atualmente, percebe-se que o mesmo faz isso diariamente com as relações da organização com seus públicos, e quando a mesma passa por uma crise de imagem cabe ao profissional contornar a relação e restabelecer uma nova e melhor identidade para a empresa. Ao avançar alguns anos, após a chegada da Light São Paulo e a criação do departamento de comunicação, chega-se em 1937, ano em que o país estava mergulhado em uma ditadura militar. No governo estava Getúlio Vargas e o mesmo encarregava o profissional de Relações Públicas a atuar no setor de melhoramento da imagem do governo, porém, ao que seria mais correto dizer, ele fazia o acobertamento das práticas inconcebíveis realizadas com a população e demais setores, tanto da mídia como internamente.

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Explorando o RP do passado, vivendo o RP do futuro.

Por essa prática, o profissional ficou conhecido como alguém manipulador da opinião pública. Diferentemente do que ocorre hoje, o RP não é mais visto como alguém que manipula a opinião pública, e sim como aquele que tende a melhorar a imagem de uma empresa perante os setores públicos, utilizando a seu favor, outras áreas que englobam a profissão, como Jornalismo e Marketing. Após o ano de 1939, com a criação do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) e do DASP (Departamento Administrativo de Serviço Público) e a Constituição brasileira criada em 1946, a Publicidade começou a crescer via agências. A preocupação da relação do público com os órgãos administrativos também cresceu, podendo ser mais comparado com o RP atual. Um dos pontos que se torna igual ao que temos hoje é que a profissão passa a não ser mais confinada em um único país ou local, sendo exercida globalmente. Em 1952, houve a criação da primeira empresa brasileira de Relações Públicas. A empresa tinha como objetivo a "prestação de serviços especializados de Relações Públicas, formação de opinião pública e propaganda". Avançando dois anos, vem o ano em que foi fundada a ABPR (Associação Brasileira de Relações Públicas). Porém, durante o regime militar, nos anos 1960, o Brasil se centrava de novo na questão de manipulação para fins políticos. A profissão demorou a restabelecer uma boa imagem de si própria, até mostrar às organizações e públicos que era uma profissão centrada a estabelecer um bom contato da organização com os seus chamados stakeholders. Já em 1967 quando a profissão é regulamentada, segundo Fábio França, a mesma define quem é o Relações Públicas, quais são suas funções específicas e fixa condições para o registro profissional e a fiscalização da profissão. Em 1980 vemos por fim, a então maior mudança de cenário. O profissional que antes atuava em um campo mais fechado, sem grandes definições do público, até então tratado como massa e sem distinção, recebe o desafio de lidar com o novo público que surge. 43


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Esse se torna mais exigente, mais informado e atualizado, podendo ter um maior acesso às informações. Com isso, torna-se fundamental fazer com que a organização tenha uma maior responsabilidade social e estruturação de uma imagem boa e de qualidade perante os olhos da sociedade. Porém, a profissão perde credibilidade após a ditadura e é criado o Parlamento Nacional e sob o comando do CONFERP, ocorre a mudança da Lei que regulamentou a profissão, tendo como objetivo modernizar a atividade. Pensando sobre todos esses aspectos de tempo e espaço, notam-se os seguintes pontos de mudança do profissional de Relações Públicas ao longo dos anos:

O que mudou basicamente nas últimas décadas foi o contexto em que o mesmo se insere. O mundo foi de analógico para digital e o profissional passou a atuar com um público moderno e globalizado, mais difícil de enganar e persuadir. Houve uma mudança de táticas, e o profissional passou de um mero técnico para um profissional voltado para a área gerencial. O RP ficou propenso a auxiliar a organização a construir imagens positivas sobre ela mesma, e a se comportar como o público espera que ela aja. O que mais mudou foram os papéis dos RPs que ficaram divididos entre as funções técnicas e gerenciais. São elas: Técnicas: Realizam a edição, redação, contatos com a mídia e produção de publicações. 44


Explorando o RP do passado, vivendo o RP do futuro.

Gerenciais: Assessoram a alta administração, planejam e dirigem programas de RP. Os modelos de RP então discorreram em quatro, sendo eles o de imprensa e propaganda, de informação pública, assimétrico de duas mãos e simétrico de duas mãos. O primeiro refere-se ao mais antigo, visa publicar notícias e despertar a atenção da mídia. O segundo, de informação pública, é caracterizado como a disseminação de informações objetivas por meio da mídia. O terceiro, chamado de assimétrico de duas mãos, leva esse nome pelos profissionais buscarem e devolverem informações, utilizando a pesquisa para conseguir estratégias que convençam e definam seu público alvo. No último, o simétrico de duas mãos, foca-se em dizer a verdade, interpretar o cliente e o público. O estudo de RP Excelentes baseia-se no que pode tornar a profissão e a prática da mesma em todos os aspectos. Neles estão: a conquista de objetivos; a constituição de sistemas; a identificação de valores e a abordagem do público de interesse. Outro diferencial que se destaca são os meios digitais. As empresas acima de tudo devem fazer um monitoramento contínuo nas redes sociais e mídias em geral, para acompanhar o que os públicos estão articulando e como isso pode atingir a imagem e reputação da empresa. Elas não podem mais compreender e se inserir no mercado, sem a noção de que se está envolto numa grande teia de relacionamentos. Essa sociedade se encontra em um cenário totalmente novo, complexo e mutante. É mais atualizada, mais inteligente e acompanha mais de perto se a empresa realmente cumpre com seus valores, objetivos e missões. Por isso é necessário cuidado na incorporação desses novos meios de comunicação, mesmo que signifique uma forma mais barata e acessível de se promover a empresa. 45


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Se esses recursos não forem utilizados de forma correta, eles podem acarretar sérios problemas a organização, causando ruídos e outras barreiras na comunicação. Com a globalização, as empresas foram forçadas a assumirem um mercado global totalmente marcado pela competição. O papel de Relações Públicas nesse meio é organizar estratégias para que a empresa tenha um diferencial de seu produto diante de um mercado altamente competitivo e de poucas variações. Para entender melhor a posição atual do RP no mercado de trabalho, comparamos os novos paradigmas com a opinião de estudantes dos cursos de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo e com um profissional que atua na área, como diretor executivo de uma empresa. Ao comparar os relatórios das entrevistas com os estudantes, junto às definições e o trabalho de um profissional de Relações Públicas, nota-se nas mesmas, principalmente, um pouco conhecimento sobre a prática desta profissão. É subentendido nas áreas de comunicação que se deve ter a necessidade de conhecimento sobre outras áreas que influenciem a sua, não se centrando apenas em seu espaço. Tudo isso favorecendo um melhor trabalho em conjunto e um melhor resultado na comunicação com todos os públicos. Um ponto comum em todas as entrevistas foi sobre a ocupação do RP. Todos concordaram que o mesmo trata da comunicação organizacional ou da imagem da empresa ou da produção de eventos. Também acreditam que os possíveis locais de trabalho são em escritórios, empresas multinacionais, ONGs, assessorias de imprensa e até mesmo na área política. E sobre as áreas de uma empresa possíveis de se trabalhar, os estudantes que participaram da pesquisa acreditam que um RP possa trabalhar em qualquer segmento. 46


Explorando o RP do passado, vivendo o RP do futuro.

Para os entrevistados, ele é indispensável para o auxílio a outras profissões de comunicação, por exemplo, é de grande ajuda na criação de uma propaganda, ou na elaboração de uma marca. Ao serem questionados sobre os riscos que a empresa pode ter, por não ter um profissional de Relações Públicas, é consenso geral a importância e o papel dele nos gerenciamentos de crise. Dia a dia as pessoas que querem seguir a área se deparam com questionamentos sobre a atividade de Relações Públicas, e conforme a sociedade muda, as pessoas e o trabalho de um RP também segue essa mudança, por isso é necessário estar a par das novas informações e novos paradigmas dessa profissão. Para o profissional Flávio Valsani, diretor executivo da agência LVBA, Relações Públicas na agência em que ele trabalha, tem como propósito fazer com que a imagem de uma corporação seja de qualidade à sociedade. Na opinião do entrevistado, em questão de gerenciamento de crises, a maior dificuldade que a empresa pode passar é o ato de não manifestação ao caso. Segundo ele, a empresa deve ter um profissional que consiga assessorar o mais rapidamente o problema, dar satisfações ao público e mostrar sua posição sobre a crise. Ao fazer isso, deve encontrar possíveis soluções, mesmo que esta seja admitir o erro publicamente ou demonstrar de alguma forma à mídia como a sociedade ou pessoas ligadas à empresa tomaram decisões precipitadas sobre a organização. A posição do entrevistado sobre como se prevenir de crises é investir em treinamentos. Por exemplo, a agência de Flávio vai até a empresa, faz um mapa de riscos e cria possíveis casos de crises, e trabalha em cima desses casos como se fossem reais, colocando em teste seu programa. Hoje, as empresas montam seus programas de combate à crise, mas nunca experimentam, e a melhor maneira para descobrir é testando. 47


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Questionado sobre a influência das mídias sociais em seu dia a dia, o entrevistado disse que os tempos não são fáceis, as pessoas estão conectadas a tudo, em qualquer lugar e a todo tempo, e por isso muitas empresas têm medo de estarem presentes e participarem das redes sociais, e preferem apenas monitorá-las. Porém, elas erram ao fazer isso, a experiência de Flávio ensinou que se ganha mais defensores quando você está inserido nesse contexto midiático, porque isso demonstra que a organização não tem nada a esconder, e se ocorrer o contrário chegarão à conclusão de que a instituição tem algo com o que se preocupar e então vão ganhar motivos para atacar a empresa. O que é preciso para ser um bom profissional de RP? A primeira coisa indispensável para alguém que pretende atuar na área é saber falar outra língua, de preferência o inglês. A segunda mais importante é ter conhecimento sobre tudo, mesmo que pouco, é essencial que se tenha uma cultura geral, pois dessa forma a pessoa passa a ser mais bem informada do que outras, e é o que vai garantir um bom emprego no futuro. Ética e uma boa formação também são indispensáveis. Entende-se assim que o papel do RP além das teorias, é colocado em prática e, além disso, foi visto a opinião de todos que são envolvidos na área, que atuam conjuntamente e em prol de uma melhor comunicação interna e externa das empresas. Conclui-se que o profissional de RP atua principalmente na identidade de uma empresa, no papel de gerenciamento de crise e na comunicação dela com a sociedade.

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Relações Públicas: uma nova conduta para os dias atuais

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

A profissão de relações públicas inicia em meio a lutas de classes sociais, de movimentos sindicais e no desenvolvimento do Capitalismo. Com o tempo foi pegando forma e regras a serem seguidas, com fundamentos ligados á opinião pública, Já que em uma democracia é preciso que as pessoas expressem suas opiniões e sejam criados diálogos entre o povo e os governantes. Ivy Lee foi considerado como o primeiro profissional de relações públicas, por ter trabalhado em conjunto com John Rockefeller, intitulado o pai das relações públicas , para superar sua crise de imagem, em meados de 1906, na cidade de Nova Iorque. Na época, as empresas de Rockefeller passavam por uma forte crise, com seus funcionários lutando por seus direitos e por uma jornada de trabalho mais justa e humana. A imagem do pai das relações públicas ficou seriamente abalada com esses escândalos, e com a ajuda de Lee, seu assessor, ele recuperou sua imagem . Logo depois, por volta de 1918, na Inglaterra, a atividade de relações públicas começa a ser desenvolvida pelo governo para auxiliar na mobilização dos britânicos e dos aliados na I Guerra Mundial, ficando por muito tempo ligada somente à política, e se tornando quase que uma extensão do próprio Estado sendo usada como arma para manipulação de massa com interesses políticos, sociais e economicos. Isso durou por muitos anos, Franklin Roosevelt, presidente dos Estados Unidos na década de 30, usava as relações públicas como método de persuasão da opinião pública, e até no Brasil, na década de 60, durante a ditadura militar, o governo se apoderou da profissão para impor seus interesses, criando a lei 5377, de 11/12/1967. Essa lei surgiu para regulamentar a profissão, tornando-a não mais uma simples ocupação de cada empresa, que a aplicava como bem entendia. Através dela a profissão passa a ser constituida como uma área específica e ligada ao trabalho público interno e externo das organizações. A partir desta data, os profissionais que exerciam as atividades, passariam a ter o direito de ter um registro legal de relações públicas que rege a profissão até os dias de hoje.

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Relações Públicas: uma nova conduta para os dias atuais

Atualmente, a profissão ganha cada vez mais espaço, e se destaca, por saber trabalhar com diversos públicos, como por exemplo, os acionistas, ativistas, as comunidades do entorno das empresas, entre outros. Além disso, a área de relações públicas trabalha com o mundo digital, e é na maior parte das vezes, um porta voz da sociedade. Com todas essas atribuições, o mercado exige um profissional multidisciplinar. E então, o que seria isso? Atualmente, ele precisa estar atento ás tendências, estar informado sobre as notícias locais e mundiais, ler sempre, ser dinâmico e trabalhar de forma ética e eficaz para trazer benefícios à empresa em que ele irá atuar. A rápida troca de informação, a globalização e a necessidade de uma maior interação e relação entre empresa-consumidor, torna a mídia social uma ferramenta indispensável para auxiliar no trabalho deste profissional. A comunicação com diversos públicos e de forma que todos tenham acesso, torna o trabalho do relações públicas mais presente e atuante na sociedade. As empresas não podem mais simplesmente existir, elas precisam desenvolver ações sociais, culturais e educativas para as comunidades próximas, trabalhando lado a lado com a responsabilidade com o próximo e interferindo positivamente na vida dos seus públicos, que por sua vez estão mais exigentes e querem atuações de forma consciente, fazendo o papel de empresa que não visa só lucro, e sim cumprindo o seu papel com responsabilidade perante a sociedade, criando a esperança de uma relação mais humana. Na medida em que os públicos crescem, a profissão também evolui, pois as necessidades mudam, já que o mercado segue o processo de constante atualização, visando o upgrade do mercado frente à tecnologia. Hoje, com toda a certeza, já é possível afirmar que a comunicação é uma area nova das estratégias. Ou seja, agregando valor diante da posição da opinião pública e contemplando os setores da organização, o profissional de relações públicas não deve limitarse apenas à área de assessoria de imprensa e gestão de crises. O comunicador do futuro tem que ser multimídia, deve saber utilizar todas as plataformas possíveis para se comunicar. 51


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Ele não pode apenas utilizar as redes sociais como usuário, ele deve fazer cursos para se especializar na área, sabendo usar todas suas funções e operações de maneira estratégica e como mediador da opinião pública. Não importa qual é a profissão do comunicador, seja ele jornalista, publicitário ou relações públicas, todos eles tem um papel a exercer nas mídias sociais. O publicitário pode criar campanhas para a nova mídia. Ele marca presença em todas as plataformas, não só nas digitais, protegendo uma marca diante de muitos públicos. Já os jornalistas produzem textos e mensagens no meio. No geral, o profissional, para se dar bem precisa propagar a mensagem da marca, sabendo lidar com diversos públicos (consumidores, fornecedores, imprensa, colaboradores) e produzir conteúdo centralizado na mídia, mas é o profissional de relações públicas aquele que, inegavelmente, mais trabalha e cuida da imagem desse cliente. Nos dias atuais, os profissionais de comunicação estão ganhando espaço ao lado dos tomadores de decisões das empresas, assumindo uma função estratégica e ajudando os executivos a alcançarem metas, se comunicando com seus públicos de interesse e fortalecendo a marca da organização, procurando sempre trabalhar com ética e habilidade na área dos negócios, para ser o agente da mudança na organização. O perfil do comunicador do século XXI deve estar sintonizado com as mudanças e atualizações que acontecem diariamente, já que hoje, as empresas mudam com mais frequência seus logotipos, mantêm perfis na mídias sociais em constante mudança e as empresas jovens cada vez mais ganham espaço, tudo isso em decorrencia dos novos paradigmas e das necessidades atuais. O perfil desse profissional exige dinamismo, estar atento às novidades e saber adequa-las ao seu trabalho. Além disso, a estratégia ainda é um dos pontos chave para a área dos negócios e o mercado de trabalho. Exige-se a necessidade de um bom plano estratégico antes de uma crise que antecipe o futuro, é preciso ter habilidades e competencias, onde o profissional de relações públicas torna-se membro indispensavel na instituição, bem como gestor de tal área, alinhando-se a cargos da alta administração, atuando sempre de forma estratégica e eficaz. 52


Relações Públicas: uma nova conduta para os dias atuais

O professor Prahalad, autor do livro Competindo pelo futuro , acredita que antecipando o futuro é a maneira que o profissional tem de descobrir como chegar ao objetivo principal antes de seus competidores, e ainda complementa dizendo que o comunicador tem que ser empreendedor, o que significa ser criativo, ágil e flexível. Há pouco tempo surgiram as mídias sociais. Elas trouxeram mudanças na forma como as pessoas se comunicam, como elas trabalham entre outras coisas. Ela se tornou a comunicação de todos para todos, pois hoje em dia, todos podem produzir e receber informações. A Comunicação não está mais restritamente ligada a informação produzida pela televisão, como antigamente. Com a evolução tecnológica e a participação fluente da internet nos dias atuais, as empresas não tem outra opção a não ser acompanhar o que acontece nos trending topics. Sabendo trazer essa nova tecnologia para a melhoria da empresa, os frutos dalí retirados trarão um feedback positivo. Além de manter contato com os clientes e fornecedores, o uso da internet para a comunicação interna é imprescindível, assim mantendo um diálogo aberto com consumidores, empregados e todos os outros usuários da world wide web ( o www que da acesso à internet), podendo balancear com as mídias tradicionais (rádio, televisão, jornal impresso, entre outros). Essa ideia é reforçada pela Elaine Martins, profissional de relações públicas na agência Ketchum. Ela comenta: a gente está tendo ali um relacionamento muito forte com influenciadores online que são blogueiros, consumidores, e isso tudo mexe com a imagem da empresa, então o relações públicas tem que ficar de olho nesse meio. Muitas pessoas querem trabalhar nas empresas com as mídias sociais, mas, elas já sendo usuárias das plataformas digitais, deverão fazer cursos online ou presenciais para adquirirem conhecimento específico e técnicas para poderem exercer um trabalho de qualidade, além de saber utilizar recursos que são os adequados para sua empresa, saber qual mídia é a mais próxima de seu produto e de seus clientes, saber monitora-la e acompanha-la diariamente. Por ser uma comunidade nova, saber lidar com os públicos em tempo real é um dos mais novos desafios para o profissional de relações públicas, já que hoje em dia para uma empresa ativa no mundo virtual precisa se preocupar, além das visões, missões e 53


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

valores, a relação para com o mercado - local ou global - e fixar que a opinião pública, reputação e credibilidade é a nova tradição que a empresa vai carregar. Ninguém sabe como estará o mundo digital daqui dez anos. Surgirão novas mídias sociais? Algumas irão sumir da internet? Haverá algo que deixará as pessoas mais conectadas do que as redes sociais? São perguntas que ainda não tem uma resposta exata. É preciso que pesquisadores da área façam estudos para tentar descobrir antecipadamente o que irá acontecer com as mídias digitais, por que é de extrema importância para os admiradores e para quem trabalha com social media saber qual o rumo que elas irão tomar. As mídias sociais são muito importantes para o trabalho dos formados em Comunicação, para as pessoas que ficam conectadas diariamente na internet e para quem gosta da área. Ela traz rapidez, contato fácil, compartilhamento de notícias, informações e estudos, socialização entre os indivíduos, entretenimento, divulgação de ideias, pensamentos, projetos, eventos e produtos, mas é preciso que as empresas tenham cuidado com o que irão escrever para os seus públicos pois pode gerar uma crise de imagem perante a sociedade. No século XXI, as empresas deixaram de apenas existirem, elas agora precisam interagir com a comunidade adotando políticas de bom relacionamento, entre todos os públicos. Essa nova politica deve existir, pois "seus vizinhos" devem ter satisfação em ter aquela organização ao seu lado. Quem tenta essa aproximação e faz esse trabalho, sem sombra de dúvidas é o profissional de relações públicas, já que é ele quem cria as ações em benefícios da comunidade para estreitar esse contato. Sua conduta é baseada em iniciativas locais tanto no campo cultural e esportivo quanto no econômico e social. Essas políticas de responsabilidade social são importantes, porque fazem com que as empresas ajam como as pessoas esperam que elas sejam, que pensem nos indivíduos, que não pensem apenas no lucro, assim, as instituições ganham um diferencial, obtêm simpatia por parte da comunidade e fazem com que sua identidade corporativa seja lembrada. 54


Relações Públicas: uma nova conduta para os dias atuais

De acordo com o grande número de públicos com que a empresa lida, as relações públicas crescem na mesma proporção, papéis e cargos das empresas. Passam de técnicos a gestores, a estratégia vem como principal fonte de trabalho e a necessidade de uma comunicação impecável passa de ser necessária a se tornar imprescindivel. Podemos também associar ao gerenciamento de crise e a reputação, a qual passa a ser mais vulnerável com as mídias e a movimentação da opinião pública, assim o gerenciamento de crise passa a ter um papel de extrema importância e ao mesmo tempo tem uma necessidade de viabilizar discursos e lidar com bombardeios de internautas fazendo das suas redes sociais um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC). Os desafios do profissional de relações públicas no século XXI tornam-se maiores quanto aos seus públicos, que hoje são mais questionadores e ativos na sociedade. Saber lidar, acompanhar e tratar da reputação e identidade da organização passa a ser uma atividade mais exaustiva, onde o dinamismo faz-se necessário e o perfil multidisciplinar forma o profissional que busca manter-se atualizado em todos os sentidos, principalmente com seus públicos, assim buscando feedback em tempo real.

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Uma visão holística de Relações Públicas

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A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

As facilidades do mundo contemporâneo incorporadas aos meios de comunicação atuais acarretam mudanças na atuação profissional de diversas áreas, em especial, nas Relações Públicas, que contam com novos paradigmas tanto no campo de atuação como no ensino acadêmico. Com os fatores da globalização, entre eles, a notoriedade das novas mídias sociais, a troca de informação se torna cada vez mais dinâmica e acessível, fato este que influi na aquisição de conhecimento por parte do público e exige das organizações, discursos transparentes e códigos de conduta politicamente corretos. Deste modo, o profissional de relações públicas conquista seu espaço no mercado e se torna peça chave na comunicação organizacional, que por sua vez, ocupa uma posição estratégica, prevendo e gerenciando crises, além de exercer a mediação do relacionamento entre empresa e seus diversos públicos de interesse. Por meio de uma entrevista com a profissional de relações públicas, Jocélia Mainardi, atual sócia-diretora da agência Backstage Brasil Comunicação, foi possível ter uma visão mais ampla sobre a atuação de um RP e diferenciar o lado prático do lado teórico da profissão. De acordo com Jocélia, sua percepção sobre o vasto campo de atuação de Relações Públicas e o envolvimento de duas áreas mercadológicas, em outras palavras, Administração e Comunicação, formam a força motriz da profissão, ou seja, a Gestão de Relacionamento, o que não deixa de ser verdade, já que nos estudos teóricos realizados pela professora e RP, Margarida Kunsch, Comunicação Integrada nada mais é do que um mix de Comunicação Interna, Mercadológica, Institucional e Administrativa . Em conformidade com a citação acima, a Comunicação precisa ocupar um lugar estratégico principalmente nas tomadas de decisões organizacionais, deste modo, ela não pode ser considerada como uma ação isolada. Fazer o diagnóstico de uma organização é essencial para nortear os caminhos e as ações a serem feitas para melhorias contínuas, relacionamentos fiéis e duradouros, assim como, ajudar na construção e manutenção de uma reputação condizente com as diretrizes traçadas anteriormente pela organização. Essa posição mais estratégica foi uma conquista recente dos profissionais de relações públicas, já que antes o cargo era apenas técnico. 58


Uma visão holística de Relações Públicas

Nas atividades técnicas podemos ver profissionais de outras áreas atuando no lugar de um RP, dentre eles jornalistas, publicitários e até mesmo engenheiros, já que esses últimos são sistemáticos e conseguem transformar um cenário conturbado em uma realidade mais clara. Por outro lado, o grande problema enfrentado pelos profissionais de relações públicas se concentra na escassez do campo de atuação nessa área, pois organizações, principalmente nacionais, não consideram necessária a atuação de um RP, ou então, a vaga existente acaba sendo ocupada por qualquer profissional formado em Comunicação. De acordo com a Lei nº5.377, de 11 de dezembro de 1967, apenas profissionais bacharéis formados nos respectivos cursos de nível superior em Relações Públicas podem exercer as atividades tituladas como práticas exclusivas de RP. Essa lei tanto ajudou como também atrapalhou, em certos aspectos, a profissão. Algumas empresas, por receio de infringir essa lei, acabam mudando o nome da função de Relações Públicas, que passam a ser denominadas como: Comunicação Social, Endomarketing, e assim por diante. Pois, desta forma, profissionais com outras formações acadêmicas exercem o que por lei, se aplica à rotina de um relações públicas. Em contrapartida, existe uma tendência de aceitação e reconhecimento maior por parte das multinacionais devido à cultura local de sua matriz, no qual a profissão historicamente já conquistou o seu espaço. O jornalista norte- americano Ivy Lee foi o primeiro a usufruir, por instinto, das técnicas de Relações Públicas, e a partir de então, essas práticas foram desenvolvidas e se tornaram, enfim, uma profissão. Aprofundando nesse contexto histórico, encontramos também explicações para os preconceitos que as Relações Públicas sofreram e ainda sofrem, por também trabalhar em lobby, ou seja, uma ação que carrega preceitos errôneos de manipulação e mentira. Diferentemente da fama popular disseminada sobre a atividade, o lobby pode ser uma prática saudável se utilizado com ética e para fins com benefícios a ambas as partes envolvidas. Dado o contexto histórico vivenciado pela população brasileira durante o período da ditadura militar (1964-1985), algumas pessoas utilizavam o trabalho de rp governamental para induzir a população a aceitar e concordar com as ações políticas. 59


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Por outro lado, conceitos das escolas de Comunicação Americana e de Frankfurt, mostram uma visão negativa desta prática. A Escola Americana, por sua vez, dado o contexto histórico e político, através da teoria da agulha hipodérmica, também conhecida como bala mágica, refere-se à informação como algo penetrante na cabeça das pessoas, onde as mesmas não tem outra ação, senão apenas aceitar. Do mesmo modo, a Escola de Chicago trabalha também a manipulação, porém com uma visão de interação das massas. Sendo assim, a atual realidade das Relações Públicas necessita ser compreendida por todos como uma profissão ética e que busca orientar a organização para que suas diretrizes sejam cumpridas. Com o objetivo de pesquisar e descobrir a visão que outros profissionais têm das Relações Públicas, ao longo do segundo semestre de 2013, realizamos dez entrevistas com alunos da Faculdade de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo. Com isso, foi possível notar que embora façam parte do universo de comunicação, alguns alunos de Publicidade e Propaganda, Rádio, TV e Internet e de Comunicação Mercadológica, têm uma visão limitada e raso conhecimento sobre a atuação de um RP, e demonstraram não se importar com os reais propósitos dessa profissão. Diversos autores renomados de Relações Públicas não entram em um acordo quanto à definição do que é a profissão. Existem muitas explicações sobre o que seria; como e onde atua e quais ferramentas utilizam. Diante disso, concluímos que, se até mesmo os autores não conseguem uma única definição para Relações Públicas, dificilmente alunos de outros cursos e pessoas leigas no assunto, conseguirão saber, de fato, do que se trata a profissão. Surge a indagação: Por que um profissional que cuida principalmente da imagem corporativa das organizações teria sua própria imagem mal expressada pelas pessoas sem contato direto com a área? As empresas em geral não costumam citar ou valorizar seus RPs para os seus públicos de interesse? Um bom exemplo ocorre quando comunicados são lançados na mídia para esclarecimentos ou até mesmo informações com o nome da corporação em geral, e não com a assinatura do provável relações públicas que redigiu o texto. Ou seja, o trabalho realizado é utilizado sem o devido crédito ao profissional de relações públicas. 60


Uma visão holística de Relações Públicas

Atualmente, cada vez mais pessoas se tornam adeptas ao uso das redes sociais e passam mais tempo conectadas. Deste modo, os internautas conseguem se comunicar com a organização de um modo mais rápido, bem como criticá-las ou elogiá-las, e para isso, nada melhor do que aderir a esses novos veículos de comunicação no dia a dia da instituição. Não há como driblar a situação! Para um melhor posicionamento e gerenciamento do que ocorre diariamente com a opinião do público externo, é preciso incorporar essas novas mídias, e utilizá-las a seu favor para uma comunicação mais rápida e eficaz. Como a FIAT, que utilizou o Formspring.me para responder perguntas do mundo todo sobre o novo UNO, ou a Coca-Cola, que lançou na internet um posicionamento sobre as frequentes acusações sobre o episódio ocorrido em 2001, no qual um consumidor alegava ter encontrado um rato em sua garrafa de refrigerante da marca. Estar inserido nas mídias sociais também pode ser uma boa maneira de trabalhar a imagem e reputação, pois é um canal a mais de comunicação que a empresa tem com o seu público e investidores. Além de ser uma boa maneira de divulgar e valorizar a atuação de um RP. Nota-se que muitas organizações recorrem às agencias de comunicação corporativa para exercer funções relacionadas à área de Relações Públicas, ao invés de contratar um colaborador oficial ou montar uma equipe interna de comunicação. Em uma visão macro da situação, uma agência consegue trabalhar para várias empresas, consequentemente pode vir a contratar mais RPs para executar essas tarefas e assim, pode acabar oferecendo mais oportunidades de trabalho. Mesmo assim, a profissão continua, por muitos, não valorizada. Em conclusão geral do grupo, conseguimos avaliar a visão de um profissional de Relações Públicas em diversas áreas da comunicação, envolvendo organizações, públicos, profissionais, e estudantes. A profissão é evolutiva, porém o intuito é que ela seja cada vez mais dinâmica. A multifuncionalidade, visão do futuro, e empreendedorismo são requisitos desejáveis para qualquer universitário, o que torna o crescimento do curso evidente. Muitos jovens procuram por uma área em que a atuação seja ligada ao mercado de trabalho efetivo, na qual as Relações Públicas se encaixa perfeitamente. 61


A visão do profissional de Relações Públicas no séc. XXI

Aliás, este é o campo de melhor atuação de um RP: A gestão dos relacionamentos estratégicos para a construção da reputação organizacional atual. Em uma sociedade globalizada, uma imagem que desperte credibilidade, associada a um desempenho construído sobre valores éticos e sustentáveis, é o que vai permitir a sobrevivência das organizações, o que desperta total interesse ao futuro estudante em tornar-se um profissional de influência. Por mais que o plano seja prosseguir com este avanço e incentivo ao estudo do curso, concluímos que muitos ajustes devem ser feitos para melhor visão do RP na atualidade. Cabe aos futuros profissionais de RP, mudar este cenário e fazer com que a profissão seja conhecida da maneira que se deve, com atitudes profissionais que divulguem a profissão, em geral, tanto pela internet como por meio de matérias jornalísticas nos mais diferentes veículos de comunicação de massa.

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