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Paranaguá 363 anos Guardiões da memória e cultura


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Edifício Palácio do Café 50 anos da fase áurea de exportação

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Sendo um marco da fase áurea, na qual Paranaguá ostentou o título de maior porto exportador de café do mundo, o Edifício Palácio do Café, neste ano, completa 50 anos de fundação. O imponente prédio foi inaugurado em 29 de julho de 1961, durante as comemorações dos 313 anos da cidade de Paranaguá. O jornalista e radialista Amilton Aquim, é um dos parnanguaras que esteve presente na inauguração do prédio e relata detalhes do evento, que foi um marco na história da cidade. “Paranaguá vivia naquela época, o ciclo do café. O Centro do Comércio do Café que comandava esse ciclo, precisava de uma sede própria para fazer com que o mercado crescesse ainda mais em Paranaguá. Foi então construído na Avenida Arthur de Abreu, esquina com a Rua Dr. Leocádio, um prédio denominado Edifício Palácio do Café. Foi uma inauguração solene, quando cafeicultores de São Paulo, Minas Gerais e de outros estados, compareceram somando-se às autoridades estaduais e locais”, relata Amilton Aquim, destacando que presenciou o evento fazendo a cobertura jornalística. “Estive presente ao lado do saudoso companheiro de rádio Airton Poli, oportunidade em que fizemos a cobertura deste prestigiado evento para a Rádio Difusora de Paranaguá”, relembra, com emoção.

Aquim destaca ainda, que a inauguração marcou o ciclo do café em Paranaguá. “Com a inauguração do Centro do Comércio do Café, no Palácio do Café, a coisa ficou mais organizada. Da sobreloja até o 4.º andar foi ocupado pelo Instituto Brasileiro do Café, local onde trabalhei por muitos anos, na Seção de Registros, quando o chefe foi o saudoso Alexandre Antonio Gebran, o “Xandoca”, e os demais andares na sua maioria eram ocupados pelas empresas cafeeiras, que na época trabalhavam em nossa cidade como, por exemplo, Sertaneja e Produtores. Isso definiu ainda mais a era do café. Realmente foi um fato importante, a gente sentiu a emoção e a importância da inauguração”, diz o jornalista. “Existe um vídeo na rede mundial de computadores, do companheiro Celso Lück, que relata em alguns minutos a solenidade da inauguração do Edifício Palácio do Café. Confesso que cada vez que assisto este vídeo em casa me emociono, como também nas várias inaugurações que participei. Nesta época, além de cobrir eventos, eu fazia o esporte na Rádio Difusora, ao lado de Airton Poli, quando andávamos por todos os quatro cantos de Paranaguá levando a notícia”, externa Aquim. Ele lembra também que no último andar do Palácio do Café existia um restaurante panorâmico bem frequentado. “No último andar, por muito tempo funcionou o restaurante do Luighi, um italiano, os principais eventos da gastronomia aconteciam

Naque la épo último andar ca, no d do Ca fé func o Palácio ionava restau ran um bastan te panorâmic te con ceitua o, do

neste local. Inclusive como assessor de imprensa da Câmara Municipal, na época do general João da Silva Rebello e Nelson de Freitas Barbosa, tive a oportunidade de participar e frequentar muitos eventos neste restaurante, que era ao lado da sede do Centro do Comércio do Café”, recorda. “Foi realmente um momento áureo em nossa cidade”, avalia Aquim, destacando que com as empresas cafeeiras que eram em número de aproximadamente 26, vieram as instituições bancárias. Com isso, o ciclo do café terminou praticamente no final da década de 70 e início da década de 80, e chegaram a existir aproximadamente 27 instituições bancárias em Paranaguá, pois todos os bancos que existiam no país tinham uma filial em Paranaguá. “Teve um ano em que foram movimentadas por Paranaguá 60 milhões de sacas, o que fez do Porto de Paranaguá o maior porto exportador de Café. E com o encerramento destas atividades do café, muitas empresas bancárias encerraram suas atividades em nossa cidade. Eu que acompanhei de 1958 até o seu encerramento, sei que o ciclo do café foi um momento rico para a cidade de Paranaguá. Vivíamos uma atividade rica, pois éramos centro das atenções não só no Paraná, mas no país”, finaliza Aquim.


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Instituto de Educação Prosperidade de Paranaguá na década de 20 Quando Caetano Munhoz da Rocha foi presidente do estado (1924-1928), ele realizou diversas obras públicas no Paraná, entre elas, a construção da Escola Normal de Paranaguá. As obras iniciaram em 1924 e foram concluídas em 1927. A inauguração foi marcada por um dia festivo na cidade. Isso porque Paranaguá estava comemorando 279 anos. Para a época, a obra foi considerada um suntuoso edifício com suas vinte e quatro salas de aula e demais dependências. As aulas iniciaram em seguida, sendo registradas por vários fotógrafos e posteriormente, o local se tornou um dos cartões postais da cidade. Na década de 20 e 30, o Paraná estava no auge da produção agrícola de café e chá, e o Porto de Paranaguá exportava intensamente. A riqueza era tanta, que todos os armazéns de Paranaguá permaneciam lotados. Os registros da época contam ainda, que todas as famílias, grandes e pequenas, conheciam o conforto e a prosperidade. E foi neste contexto de grande prosperidade, que Paranaguá ganhou o suntuoso prédio, que atualmente, ainda é grande comparado aos demais estabelecimentos de ensino da capital. Escola Secundária Em 1952, o local passa

à denominação de Escola Secundária Dr. Caetano Munhoz da Rocha e, em 1967, Instituto de Educação, mantendo, porém, o nome de seu fundador. O prédio expressa no ecletismo, a linguagem neoclássica, que caracteriza os edifícios públicos daquele período. A história do Instituto de Educação é extensa e faz jus à sua importância para a contribuição da educação do litoral. O estabelecimento em 1971, passou a centralizar a administração de todos os grupos escolares de Paranaguá, tornando-se núcleo regional. Naquele período também entrou em atividade o curso profissionalizante de assistente em administração que existiu até o final da década de 90. O Instituto de Educação de Paranaguá é considerado um dos colégios modelos do Paraná, além de representar uma parcela da história dessa cidade. Implantado em terreno mais alto que as ruas que o circundam, impõe-se não só pelas suas dimensões, mas, sobretudo pela sua qualidade arquitetônica. Recentemente restaurado pelo governo, foram então evidenciadas a decoração interna das pinturas murais, os espaços internos, a escada em madeira, os vitrais e demais componentes que o tornam um belo exem-

plar da arquitetura educacional do Paraná. O colégio faz aniversário junto com Paranaguá. Neste dia 29, completa 84 anos de fundação. Calcula-se que o estabelecimento de ensino já tenha formado pelo menos 20 mil profissionais ao longo de sua existência. Devido a sua importância histórica, o prédio foi tombado em 1991 pela coordenadoria do Patrimônio Cultural do Estado do Paraná. Em todo este período o estabelecimento teve 24 diretores. O primeiro foi Segismundo Santos e atualmente, o Insti-

Primeiro dia de aula em 1927, no Instituto de Educação

tuto é dirigido pela professora Elaine Bestana Gimenes.

Terreno onde foi construído o Instituto de Educação

Odiléa Pedroni: aluna que se tornou professora da escola O Instituto Estadual de Educação formou inúmeros professores ao longo dos últimos 80 anos. Entre eles se destaca a professora Odiléa Pedroni, que concluiu em 1951, o curso ginasial e em 1954, a Escola Normal (Magistério). “Naquele tempo, a cidade oferecia apenas dois cursos que hoje, equivalem ao Ensino Médio. Tínhamos que optar entre o curso Co-


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do meu pai. A partir daquele dia passei a assinar apenas como Odiléa Pedroni, devido ao aviso feito pela Helena Sundin”, recorda-se, contando que ficou surpresa com a notícia. Ainda na década de 50, época em que se matriculou e se formou no Instituto, a professora Odiléa conta que era muito difícil entrar no curso ginasial da escola. “Tínhamos que fazer um exame de admissão. Era como um vestibular concorrido hoje em dia”, diz. E foi assim, fazendo exames e sendo aprovada e posteriormente premiada, que Odiléa fez sua história na educação parnanguara. Foram 45 anos sem interrupção dedicados ao Magistério. “Olhando para trás, vejo tudo que passou como se fosse ontem. Passou tão rápido!”, exclamou a professora, enquanto olhava as fotos dos tempos de aluno e professora e relembrado cada momento compartilhado. Em todo esse tempo, ela perdeu a conta e não sabe dizer um número aproximado de quantos alunos passaram por suas mãos. “Foram muitos para não dizer milhares e que hoje, me

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mercial que era oferecido no Colégio Alberto Gomes Veiga ou o Normal, no Instituto de Educação”, lembra a professora, que optou pela carreira do magistério seguindo uma propensão da família. Odiléa sempre foi destaque em sala de aula, vindo a receber no tempo de Magistério uma medalha de melhor aluna juntamente com sua colega de classe Rose Mari Correa Brande. Após três anos de estudo (1952 – 1954) concluiu o curso se formando professora. Foi nomeada professora em 1956 por Vidal Vanhoni, que na época, exercia o cargo de secretário de Educação e que havia sido seu professor. “Nossos professores naquela época, eram basicamente parnanguaras”, destacou ela, citando alguns nomes como Dr. Joaquim Tramujas e Heloina de Camargo Viana. Entre os fatos curiosos, a professora Odiléia destaca um episódio ocorrido na formatura. “A secretária do Instituto era a professora Helena Viana Sundin e certo dia ela me chamou dizendo que eu não poderia assinar com o sobrenome Rocha que era da minha mãe, pois na minha certidão de nascimento original constava apenas o sobrenome Pedroni, que é

Professora Odiléa se aposentou em 2002, quando lecionava na faculdade

gratifica muito. Me levanta o astral sair às ruas e ouvir os chamados dos ex-alunos, em cada esquina sempre tem algum deles me fazendo recordar os fatos do passado. É maravilhoso porque ainda me chamam de professora, título que não exerço, mas guardo no coração. É nesse momento que tenho certeza que tudo valeu a pena”, finaliza a professora.


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Gruta de Nossa Senhora do Rocio

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Local guarda histórias e relatos de bênçãos

Construída em 1959, primeira gruta foi substituída pela atual a partir dos anos 90

Feita de granito, foi no final de 1959, que aconteceu a construção da primeira gruta no bairro Rocio, em devoção à Padroeira do Paraná. Na época, as águas do mar chegavam quase à entrada da gruta, separada apenas por um muro construído para evitar a aproximação das águas da baía de Paranaguá. Mais tarde, por volta de 1975, o mar foi aterrado e durante muito tempo, o aterro permaneceu inalterado, sendo apenas usado como campo de futebol para moradores da localidade. A gruta foi construída na mesma época que ocorreu a reforma do Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio, no final dos anos 50 e início dos anos 60. Amante da história de Paranaguá e conhecedor dessas lembranças, o professor Nilande Ribeiro Filho relembra cada momento do passado. “Ao lado da gruta existe até os dias de hoje, uma pedra que simboliza o local onde a imagem de Nossa Senhora do Rocio foi encontrada pelo pescador Berê”, ressaltou. “Quando ocorreu uma transformação paisagística, em 1999, a

primeira gruta foi demolida e construída a atual. Na mesma ocasião foi construída a Praça da Fé e o aterro deixou de ser apenas um campinho de futebol para dar espaço a um ambiente mais bonito e acolhedor para os visitantes e parnanguaras. Em 2007, a gruta passou por uma reforma. Atualmente, os romeiros visitam o local não somente em novembro, quando ocorre a festa em louvor à Nossa Senhora do Rocio, mas também nos domingos de romaria. Desde 2005, o Santuário vem recebendo uma grande quantidade de devotos durante o ano inteiro”, contou o professor. No passado, muitas pessoas vinham com suas famílias, passear pela Praça do Rocio, tiravam fotos na pedra ao lado da gruta, na praça, na beira do mar. Muitos aproveitavam a sombra das mangueiras centenárias para fazer piqueniques com famílias e amigos. “Aos domingos era normal as pessoas frequentarem a praça com seus familiares, para lanchar, tirar fotos e descansar à sombra. Tinha também os vendedores de pipoca, era um outro Rocio na época da minha infân-

cia e toda essa tradição foi acabando com o tempo. Agora, os padres redentoristas querem resgatar esses costumes, essa imagem do Rocio antigo”, lembrou emocionado. A GRUTA DO PASSADO A gruta até 1999 era utilizada pelos devotos como local para agradecer graças alcançadas e fazer promessas. A localidade era repleta de velas, roupas e outros objetos que simbolizavam o pedido. Devido ao grande número de velas acesas no ambiente, pequenos incêndios eram comuns. Além disso, a gruta era escura e possuía as marcas do fogo em sua estrutura interna. “As pessoas que vinham agradecer à Nossa Senhora do Rocio traziam seus agradecimentos simbolizados por objetos, roupas, fotos, imagens e velas. Anteriormente à gruta, havia uma sala de promessas e com a extinção dessa sala, as pessoas começaram a depositar suas ofertas de agradecimento na gruta. Atualmente, isso não ocorre mais. Na parte superior do Santuário, existe hoje, uma Sala dos Milagres, e lá ficam então esses objetos.

Na gruta atual, apenas poucas velas são acesas, até por uma questão de estética, de conservar a gruta porque muitas velas eram acesas na gruta anterior e incêndios acabavam ocorrendo”, detalhou. PALMEIRAS Há muitos anos, havia três palmeiras em frente ao Santuário e ao lado da gruta, com o passar do tempo, apenas duas palmeiras restaram. “Em 1975, aproximadamente, mais uma das palmeiras centenárias morreu e a prefeitura precisou cortá-la. Agora só resta uma que tem mais de cem anos, talvez duzentos anos, mas também talvez precise ser retirada”, enfatizou Nilande. O Santuário do Rocio mantém a gruta como sinal de que a mãe do Rocio foi abrigada em um lugar simples, que era a casa do pescador Berê, e hoje também significa o coração de todos os seus devotos. Seja para agradecer, pedir bênçãos ou para manter a tradição, os devotos que chegam ao Santuário Estadual não deixam o local sem visitar a gruta da Mãe do Rocio. Alguns trazem flores e velas em forma de agradecimento pelas graças alcançadas.


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Ginásio

Albertina Salmon

Alguns políticos parnanguaras poderão chegar na melhor idade e se orgulhar do legado deixado no período em que foram representantes desta sociedade, que hoje completa 363 anos. Isso porque, antes, diferentemente dos dias atuais, a representatividade política não estava tão afundada em notícias e suspeitas de ações corruptas e inescrupulosas. No entanto, valorizar a vida dos políticos honrados se faz necessário para mostrar que a cidade saberá sempre reconhecer aqueles que zelaram por seu progresso e desenvolvimento através de obras e benfeitorias. O ex-prefeito Waldir Salmon, hoje com 76 anos, olha para trás e vê com saudades os tempos em que foi prefeito. Chefe do Poder

Executivo no ano de 1982 até 1986, foi ele quem mandou construir uma das “joias” do esporte parnanguara, o Ginásio de Esportes Albertina Salmon, que ficou conhecido durante muitos anos como “Ginásio do Aterro”. “Eu me recordo com grande alegria daqueles tempos em que tínhamos como objetivo tornar a cidade sede dos Jogos Abertos do Paraná. Para isso, no meu governo, era preciso fazer uma praça esportiva que não deixasse dúvidas da nossa capacidade de sediar um grande evento”, conta o ex-prefeito. Erguido no ano de 1985 com uma grande festa e apoio popular, o “Ginásio do Aterro”, como também passou a ser chamado, exigiu da prefeitura a aquisição de duas dragas para melhorar as condições

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do local. “O pai do atual governador era figura presente em Paranaguá e nos ajudava muito quando precisávamos. Naquela época tínhamos uma grande parceria com o governo José Richa”, comenta. Apesar da cooperação financeira do governo estadual em Paranaguá, em 1985, o ginásio de esportes, orçado em R$ 1,5 milhões, foi 100% pago pelos cofres do próprio município. “Isso foi possível porque tínhamos


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Ex-prefeito relata sonhos para o esporte

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uma administração coerente e zeladora da economia. Além disso, havia um planejamento capaz de prever os custos de tudo aquilo que podíamos fazer sem endividar o município”, declarou Salmon.

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Decepção e frustração Waldir Salmon, que revelou ter sido recentemente chamado para fazer parte do pleito municipal em 2012, fez um desabafo. “Hoje fico triste com o fato de termos um espaço tão importante para o esporte, que ainda se soma com a piscina olímpica e com o estádio de futebol, mas que segue subutilizado. Questiono-me o porquê não temos equipes de ponta no cenário estadual, se temos o melhor complexo esportivo do Paraná”, diz o exprefeito. O ex-prefeito lembra ainda que na oportunidade da construção do ginásio, as equipes de futsal, basquete e handebol estavam entre as melhores do estado e que a construção de um grande ginásio daria o ‘status’ merecido para os times daquela época. “Foi uma obra ousada para os padrões da década de

80, pois era um ginásio para dez mil pessoas que intimidaria quem aqui visse para nos desafiar”, afirmou. A rivalidade com a cidade de Ponta Grossa, segundo ele, era tamanha que houve uma grande decepção de todos quando o título dos Jogos Abertos de 1985 ficou com a região dos Campos Gerais. “Fizemos o ginásio para sermos campeões daquele ano, mas acabou que os pontagrossenses nos superaram na classificação geral”, observou. Mas a derrota para Ponta Grossa não afastou de Waldir Salmon o orgulho por ter conseguido executar algo que até hoje é motivo de satisfação para todos os parnanguaras. “Temos aqui o melhor ginásio do Paraná. Sua estrutura foi pensada para desenvolver três modalidades ao mesmo tempo. A juventude da época tinha uma vida esportiva ativa e se empolgava com o fato de poder competir em pé de igualdade com qualquer cidade do Paraná. As empresas do município nos ajudavam com investimentos porque sabiam da fidelidade para com a aplicação dos recursos. Ao contrário de hoje em dia, que mesmo com leis de incentivo, não vemos os jovens sendo incentivados”, declara o exprefeito.


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Enquete

Paranaguá, uma cidade construída junto com o Paraná

Neste dia 29, Paranaguá completa 363 anos de fundação. Considerada a mãe da civilização paranaense, dotada de uma arquitetura peculiar, a cidade exala cultura e histórias contadas em cada monumento, rua e casario, sem contar que há décadas acolhe o porto, que é um dos agentes motrizes da região e do Paraná.

O que você mais gosta e admira em Paranaguá?

Genaro Verone, 80 anos, natural de Nápoles (Itália), morador no Conjunto Bertioga “Conheço Paranaguá desde 1954. Eu admiro tudo. O patrimônio histórico é todo bonito, tem um potencial turístico para mim fora de sério, mas não é explorado”.

Carlos dos Santos, 83 anos, morador no Parque São João “Todo o patrimônio é muito bonito, porque isso aqui vem de muitos anos, a cidade conta sua historia por si. Eu já estou com 83 anos e já vi muita coisa boa e bonita nesta cidade”.

Edson de França César, 49 anos, morador no Jardim Esperança “O que mais chama a minha atenção é a Praça 29 de Julho devido à estrutura que possui. Proporciona a quem chega na cidade, lazer realmente fora do comum e muitas das vezes que eu vou com a minha família ali me sinto muito realizado”.

Dirceu Miranda Paredes, 18 anos, morador no Parque São João “O Museu de Arqueologia e Etnologia porque é um lugar atrativo e conta a história de Paranaguá ao longo dos anos”.


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Ilha dos

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Passarela marca o desenvolvimento na região Conta a história, que há muitos anos, onde atualmente está hoje uma das localidades de maior crescimento em Paranaguá, a Ilha dos Valadares, morava uma família de sobrenome “Valadares”, que se dedicava ao tráfico de escravos entre as primeiras décadas do século XVIII. Depois da extinção total do tráfico negreiro, a família “Valadares” saiu de Paranaguá, deixando a ilha, que já era conhecida e chamada pelo mesmo sobrenome. Com o passar dos anos, a localidade insulana, que antigamente era habitada apenas pela família “Valadares”, foi crescendo

e se desenvolvendo, o que atraiu a chegada de muitas outras famílias. Porém, foi na gestão do ex-prefeito José Vicente Elias, de 1989 a 1992, que a localidade deu um salto. A construção da passarela Dr. Antônio José Sant´Ana Lobo Neto, que na época comportava apenas a passagem de pedestres e ciclistas, possibilitou a entrada e saída dos moradores com mais facilidade. Hoje, apenas uma ponte com 400 metros de extensão separa a Ilha dos Valadares do continente. Apesar da distância,

ela não é suficiente para extinguir laços históricos entre a ilha e a cidade berço do Paraná. O morador mais antigo da ilha, Romão Costa, de 82 anos, popularmente conhecido como Mestre Romão, reside na localidade desde a infância. Romão conta como os moradores na localidade viviam antes da construção da ponte. “No início, a ilha era dividida em duas partes, a do Itiberê e a do Cidron, uma em cada ponta da ilha.

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Histórias da Ilha dos Valadares Entre diversos nomes

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Em 2003, a passarela foi ampliada, comportando um número maior de pessoas

ampliação da passarela Dr. Antônio José Sant´Ana Lobo Neto. Foi então que o prefeito da época, Mário Manoel das Dores Roque fez o reforço das fundações e o alargamento da passarela, reinaugurada em 2003. “Nessa época, muitas famílias já tinham vindo morar na ilha, e a ponte já estava pequena para tanta gente. Hoje são mais de 30 mil casas na ilha, e isso nos deixa muito felizes, porque eu nasci aqui, e minha família, viu a ilha no seu início, quando tudo ainda era sítio. Hoje, vemos todo esse desenvolvimento, e a ilha passou a ser quase que uma nova cidade. Isso nos alegra muito”, completa o morador, ressaltando que não há mais terrenos vazios na Ilha dos Valadares. “Fico pensando onde essas milhares de crianças que moram aqui na ilha, vão morar quando formarem as suas famílias, porque não há mais terrenos vazios. Acho que vão ter que construir prédios, igual na cidade”, afirma Romão.

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Nessa época tinha apenas 64 casas em todo local. Por volta de 1958, o município disponibilizou aos moradores uma lancha para fazer a travessia da ilha para a cidade, porque muitos tinham canoa que fazia essa travessia, mas depois da lancha muitas pessoas vieram morar para cá e que então foram surgindo os outros bairros”, lembra Costa. “Quando as pessoas tinham que fazer a travessia de canoa, muitas morriam afogadas, porque a maré enchia e as canoas não aguentavam e viravam”, completa o morador. A realização de um sonho. Assim Costa resume o dia da inauguração da passarela da Ilha dos Valadares. Lembrando os detalhes da cerimônia, o morador ressalta que a ponte foi o ponto mais marcante para o desenvolvimento da ilha. “A ponte foi um sonho realizado para nós, foi inaugurada na gestão do ex-prefeito Vicente Elias. Para nós, moradores, foi muito bom, porque ninguém mais aguentava atravessar de canoa e batera. Se continuasse assim, a ilha nunca ia se desenvolver do jeito que está hoje. Além de ser um cartão postal para os turistas”, enfatiza Romão. Há alguns anos, o desenvolvimento da região era tanto, que foi necessário a

e cores, uma única história se confunde. É a própria memória da ilha, que nas primeiras décadas do século passado, davam espaço a navios negreiros carregados de escravos. Durante o período da noite, contam seus moradores mais antigos, que as embarcações “jogavam” os escravos, já que havia um entreposto apropriado para a compra dos mesmos. No dia seguinte, vinham os “traficantes” à ilha, a fim de negociar com os “escravagistas” da terra. Vendida essa “mercadoria humana”, era então transportada, à noite por homens de sobrenome Valadares. Muitos tentaram apagar a triste história, mas ela não conseguiu manchar a real importância da ilha para a própria comunidade.


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“A História é a Mestra da Vida”. Frase criada pelo pensador romano Cícero, serviu de “tema” à palestra de três idealistas que, animados em seus propósitos, esperavam vencer na empreitada que se propunham realizar. Chefiava o “trio” a figura ímpar de Vicente Nascimento Junior, historiador de mérito incontestável, a quem nossa Paranaguá muito deve e jamais deixará de lhe tributar a homenagem. Em conjunto com o Hugo Pereira Corrêa e Manoel Viana, resolveu Nascimento Junior criar uma Sociedade Cultural, tendo por base os estudos históricos e geográficos em ligação com o passado de Paranaguá. E o trio, assim constituído, contando com o apoio de mais de uma dezena de companheiros amigos, pensou e agiu. As-

Instituto Histórico e Geográfico

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Guardião da Cultura, História e Geografia parnanguara


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O INSTITUTO DE HOJE O Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá é uma instituição civil, cultural, sem caráter político nem religioso, de duração ilimitada. A entidade foi fundada no dia 26 de setembro de 1931 na cidade de Paranaguá e devidamente registrada onde tem sua sede própria, na Rua XV de Novembro, n.º 621. O Instituto Histórico e

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A SEDE PRÓPRIA DO INSTITUTO O atual prédio próprio do Instituto Histórico foi, primitivamente, uma “casa escolar” no início do século XX. Anteriormente serviu como uma espécie de Casa de Saúde, onde existia uma sociedade de auxílio às famílias e se intitulava “Associação Humanitária Paranaense” (a exemplo dos atuais Institutos de Previdência), que foi extinta em 1895. O instituto ganhara uma sede, passo fundamental para sua posteridade. De lá para cá, muito se passou, e foram eleitos como presidentes na ordem de gestão: Zenon Pereira Leite, Vicente Nascimento Junior, Joaquim Tramujas, Nelson de Freitas Barbosa, Hugo Pereira Correa e Alceu Maron.

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sim, nasceu um “Sodalício”, que recebeu o nome de Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá no dia 26 de setembro de 1931. O atual presidente do instituto, Alessandro Pires Staniscia, relata sobre os quase 80 anos que se passaram desde a fundação da entidade. “Além do trio, composto por Nascimento Junior, Hugo Pereira Corrêa e Manoel Viana, foram fundadores os confrades: Zenon Pereira Leite, Bernardino Pereira Neto, Ari Santos, Luiz Torres, João Salvador Dos Santos, Genaro Regis, Severo Canziani e Dario Nogueira dos Santos. A todos os fundadores, nesta oportunidade, reconhecemos a vitória daquele grupo de jovens, voluntariosos e cultos, que após 79 anos da semente por eles lançada, vingou e segue como um grande desafio para todos nós”, externa Staniscia. O presidente conta que em 1948 houve a comemoração do tricentenário de fundação política e social. “A terra ‘Carijó’ se preparou para celebrar seu programa de festejos para tão grande efeméride. E o Instituto Histórico, o nosso querido Sodalício não podia deixar de se fazer ‘presente’ a esse evento quando promoveu e instalou o 1.° Congresso Estadual de História e Geografia, trazendo de Curitiba intelectuais paranaenses, bem como de outros estados”, diz o presidente.

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Geográfico já foi declarado de utilidade pública pelo Município de Paranaguá através da Lei n.º 991, de 29 de agosto de 1.974, pelo Estado do Paraná através da Lei n.º 12.584 de 08 de junho de 1.999 e pela União Federal através da Portaria n.° 734 do Ministério da Justiça de 13 de agosto de 2001. O Instituto Histórico e Geográfico serve desinteressadamente à coletividade, não remunera a qualquer título os cargos da sua diretoria e não distribui lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes e mantenedores sob nenhuma forma ou pretexto. A entidade tem como intuito principal conservar o passado do “Berço da Civilização Paranaense” tornando-se útil à sociedade no que tange ao processo educacional e cultural, assim como: estudar e investigar a história

e a geografia de modo geral, promovendo estudos e pesquisas principalmente sobre o Paraná e Paranaguá; estudar e pesquisar o folclore do litoral paranaense; cultivar as tradições históricas do Brasil, comemorando datas cívicas e cultuando a memória dos grandes vultos brasileiros, paranaenses e parnanguaras; promover e manter intercâmbio cultural com instituições congêneres, nacionais e estrangeiras. BIBLIOTECA Hugo Pereira Corrêa Criada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, entre livros, jornais, revistas, álbuns e documentos alcança 25 mil exemplares, possuindo importantes documentos do Império como manuscritos de Vieira dos Santos datado de 1.850. A biblioteca e o arquivo de documentação vem servindo para estudos e pesquisas de profissionais liberais, professores e estudantes de todos os níveis, fornecendo subsídios para o preparo de teses e trabalhos de mestrado e pós-graduação. O museu e a biblioteca do Instituto Histórico e Geográfico são com frequência considerável, visitados e consultados por estudiosos, também o são por uma gama de turistas que chegam diariamente a Paranaguá diante de sua invejável situação geográfica. MUSEU DA IMAGEM E DO SOM No intuito de ver preservado o acervo visual e auditivo da história do Paraná existente no Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, disponibilizando-o inclusive na rede mundial de computadores a Internet, é que se processou a instalação do Museu da Imagem e do Som – MIS, durante o ano de 2003, que tem por objetivo a compilação e a digitalização de filmes, livros, fotos, quadros, fitas cassetes, discos de vinil e tudo mais que justifique registrar para a posteridade possibilitando inovadora sistematização e divulgação do acervo, divulgando o conteúdo de tez pretérita através de instrumentos futuristas, o que por certo atrairá sobretudo o interesse da juventude pela História.


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Museu do Instituto Histórico A memória da cidade entre quatro paredes Paranaguá é uma cidade que preserva e valoriza sua memória. E isso se deve em grande parte às pessoas abnegadas pela causa, como é o caso do Dr. José Maria de Freitas, um homem apaixonado por Paranaguá que cumpre com muita dedicação seu expediente no Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá. Todos os dias lá está ele, sempre pronto a mostrar à nova geração de parnanguaras as relíquias que aquele prédio guarda. Por fora, quatro paredes antigas, mas por dentro, um vultoso acervo que é capaz de mostrar a identidade histórica de toda uma sociedade que nos últimos séculos, deixaram os registros de modos de vidas, costumes e tradições. Dr. José Maria acompanhou as transformações do museu que leva o nome “Dr. Aníbal Ribeiro Filho”, um médico que viveu em Paranaguá no século passado que assim como Dr. José Maria, que é dentista, tinha a mesma preocupação em preservar a memória da cidade. Ao olhar o passado e observar tudo organizado nas paredes e armários, ele destaca com expressão de orgulho que o museu é a con-

cretização de um sonho. “Era um velho sonho do Instituto Histórico instalar e manter um museu para preservação do patrimônio histórico artístico de Paranaguá, que estava sendo desfalcado pela evasão de preciosas peças transferidas para mãos de colecionadores e entidades de outras cidades”, destaca José Maria, em meio às relíquias preservadas no local. Para concretizar tal desejo, em 1953, no governo do Bento Munhoz da Rocha Neto, aconteceu uma reunião no Clube Literário onde foi convocado o Instituto Histórico para a campanha de fundação de um museu na cidade, sendo na ocasião criada a Sociedade Amigos do Museu. A diretoria tinha como presidente nato o Dr. Roque Vernalha, além de vários membros, dentre os quais o Dr. Aníbal Ribeiro Filho. A princípio, o museu deveria ser instalado no antigo Convento dos Jesuítas (atual MAE/UFPR), cujo prédio estava em tombamento pelo Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional. Problemas de ordem burocrática retardavam a restauração do velho convento e o Instituto lutava então pela aquisição

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eleito diretor, quando ocorreu a revitalização com elevados investimentos em restauro dos quadros, novas vitrines expositoras, recuperação das instalações, registro das peças e significativo aumento do acervo. Desde 1998 o museu está aberto todos os dias do ano para visitação, com acervo de aproximadamente 2 mil peças.

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Concretização de um sonho Em 30 de novembro de 1963, o Governo do Estado doou o prédio ao instituto. Foram feitas várias reformas até que foi possível inaugurar o Museu Histórico. Terminava assim dez anos de trabalho e sacrifício para a instalação do Museu. Em 1962 foi criado o cargo de diretor, sendo aclamado o Dr. Aníbal Ribeiro Filho em virtude dos relevantes serviços prestados. “A sua importância foi tanta que lhe foi concedido à prerrogativa de Diretor Perpétuo do Museu”, enfatiza. Com o falecimento do Dr. Aníbal em 1988, quem assumiu a direção do Museu foi o professor Leônidas Boutin com a colaboração do Dr. José Maria de Freitas que juntos, favoreceram o engrandecimento do acervo e resgate de documentos e peças de valor histórico. Em 1997, o Dr. José Maria foi

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de uma sede própria onde pudesse definitivamente se instalar. Mas a história mudou de rumo e Instituto conseguiu abrigo a princípio de forma provisória no prédio atual, ao lado do antigo convento. A partir disso, passou a pleitear junto ao Governo do Estado sua ocupação definitiva.


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Matando a saudade

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Parnanguaras recordam histórias do passado

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Paranaguá de ontem e de hoje, com saudade e emoção percebida na voz. É com essas características que dois parnanguaras relembram o passado da cidade que é berço da civilização e completa hoje, seus 363 anos de existência e modificações contínuas. A Praça Fernando Amaro já foi palco para bandinhas que emocionavam casais de namorados e famílias com suas crianças que aproveitavam os dias especialmente de sol para descansar às sombras das centenárias árvores. Os dois cinemas da época eram os principais divertimentos dos jovens, além das “festas americanas” de finais de semana. Como destaque também do passado, os parnanguaras lembraram dos matadouros. Há cerca de 40 anos, as carnes eram vendidas assim que cortadas, sem frigoríficos para ficarem estocadas, era distribuído apenas o necessário para venda naquele dia, evitando que as carnes dos bois estragassem. Alexandra também foi lembrada pela venda de frutas frescas na Estação Ferroviária, que era feita,

muitas vezes, pelos adolescentes que ao sair da escola, corria para ganhar uns “trocadinhos” com a venda das guloseimas, além da tranquilidade que a época proporcionava aos moradores. Milton Evangelista de Souza tem 65 anos e viveu os “bons tempos de Paranaguá” e lembra com saudade da época da Jovem Guarda. “Dá saudade do tempo de antigamente. Há cerca de 40 anos, a Praça Fernando Amaro era bem mais alegre que nos dias de hoje, havia bandinhas tocando no coreto, as famílias se reuniam embaixo das árvores. Era uma alegria”, recordou. Os cinemas Santa Helena e Rosário, que hoje

não existem mais, também foram lembrados pelo saudosista. “Tinha aquela tradição da roupa de domingo, principalmente no tempo da Jovem Guarda, com calças boca de sino e rapazes com cabelos longos”, contou o parnanguara, que também citou como destaque a tranquilidade do passado. “Era muito diferente, a cidade era tranquila, as pessoas dormiam com as janelas abertas, não se preocupavam. Claro que o número de habitantes era muito menor, hoje a cidade cresceu e com isso também a insegurança, hoje a gente olha para todos os lados com medo de ser assaltado”, acrescentou. “A saudade é muito grande,

principalmente falando dessa tranquilidade. Todos se conheciam, vínhamos à Praça Fernando Amaro para paquerar, convidávamos as meninas e na semana seguinte já estávamos no cinema. Pensando no passado dá muita saudade”, enfatiza o aposentado. MATADOURO E ALEXANDRA Natural de Alexandra, onde ainda vive, Airton Zella, lembrou do tempo em que Paranaguá contava com matadouros que serviam os açougues da região. “Os bois vinham de trem e a ‘molecada’ cutucava os bichos. Toda mercadoria que vinha para o porto era de trem. Não tinha frigorífico. Era cortada com

machadinhas e vendida”, lembrou Zella. “Quando um boi fugia, a cidade parava, não tinha aula, muitos não trabalhavam, todos se uniam para pegar o boi fujão, era uma festa”, acrescentou Milton, que também lembra da história vivida há cerca de 40 anos. Em 1877, os produtos vendidos no interior do mercado, foram organizados através de sua setorização, em uma sequência de casinhas e a exclusividade da venda de carne verde, visto que os animais deveriam ser esquartejados somente no Matadouro Municipal, seu sangue enterrado e a carne transportada até o mercado em carros perfeitamente fechados, de forma que não fossem vistos.

Praça Ferna ndo A sempr maro e foi p encon onto d tro do e parna nguar a

Airton lembrou de sua região com carinho e saudade dos velhos tempos. “Alexandra também era muito melhor. Saí por alguns anos e retornei, senti a diferença. Na época, a Estação Ferroviária de Alexandra era muito movimentada, o trem era nosso meio de transporte, só havia esse, na verdade. Eram dois horários, um pela manhã que vinha para Alexandra e outro após às 16 horas que retornava a Curitiba. A criançada aproveitava para vender frutas para os turistas, goiaba, carambola e outras frutas”, contou Airton, que também vendeu muitas frutas ao visitantes. “Queríamos ter um ‘dinheirinho’ e como tinha pé de goiaba em casa, eu cortava e ia para a Estação vender, era muito divertido, vendia tudo rapidinho. Dá muita saudade. Hoje, muitos dos meus amigos faleceram, há alguns ainda, mas são poucos”, recordou o morador, que estudava no Grupo Escolar de Alexandra, hoje, Escola Tiradentes. Milton também lembrou de sua antiga escola. “Antes se chamava Grupo Escolar Noturno da Costeira, hoje é o Colégio Helena Viana Sundim”, registrou.


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Clube AtlĂŠtico Seleto A histĂłria do futebol parnanguara teve vĂĄrios dos seus capĂ­tulos contados atravĂŠs dos jogos do Rio Branco Sport Club. No entanto, quis o destino que o rival do alvirrubro, o rubro negro Seleto, fosse o protagonista da principal conquista estadual da regiĂŁo litorânea do estado. O tĂ­tulo seletense de 1964 foi o Ăşnico em toda a histĂłria de ParanaguĂĄ dentro do Campeonato Paranaense de Futebol. Motivo de orgulho para a cidade, os jogadores da “Baleiaâ€?, autores do inĂŠdito feito, estĂŁo imortalizados na mente da torcida seletense e na mente de todos os parnanguaras que amam o futebol. Como forma de homenagear a conquista que em muito felicitou a cidade, a Folha do Litoral conversou com o principal jogador da equipe seletense, Alcedir Madureira, o “Quarentinhaâ€?. Autor do gol do tĂ­tulo contra o Ă gua Verde, o atacante fez lembranças inĂŠditas e reveladoras sobre o ano em que a “Baleia sagrou-se campeĂŁ estadual. “Sou e sempre serei grato a ParanaguĂĄ e ao Seleto, pois minha maior felicidade no futebol foi ter participado daquele grupo vencedor e, particularmente, ter sido um dos destaques do time campeĂŁo. No entanto, quase deixei de ir para o Seleto em 1964 em razĂŁo do sonho de me tornar um dos maiores Ă­dolos da histĂłria do Coritiba, time que eu defendia antes do Seletoâ€?, lembrou. A contratação de “Quarentinhaâ€?, a peso de ouro, sĂł ocorreu apĂłs a insistĂŞncia do dirigente JoĂŁo HĂŠlio Alves, que aceitou todas as imposiçþes do jovem promissor atacante. “Esse homem fez o possĂ­vel e o impossĂ­vel para me contratar, pois ele atendeu as minhas exigĂŞncias de ter um emprego na cidade, morar no centro e ter um alto salĂĄrioâ€?, recorda. De acordo com o prĂłprio “Quarentinhaâ€?, o investimento para tĂŞ-lo no elenco foi alto, porĂŠm nĂŁo menor do que a tĂĄtica de convencimento do dirigente seletense para fazĂŞlo jogar no Rubro Negro. “Ele veio por inĂşmeras vezes me procurar e eu o recusava, mas, apĂłs as minhas exigĂŞncias terem sido aceitas fui a ParanaguĂĄ para mostrar meu futebol. O HĂŠlio enfatizava que eu seria o grande jogador do tĂ­tulo que o Seleto iria conquistar em 1964. Ele estava convicto que eu seria uma peça importante para os planos do clube. Sua certeza era tamanha, que nĂŁo tive como deixar de acreditarâ€?, DÂżUPRX Apesar das promessas do dirigente, o atacante que tambĂŠm despertava o interesse de clubes como Flamengo e BotaIRJR YLD FRP FHUWD GHVFRQÂż-

ança a crença de HĂŠlio Alves no tĂ­tulo estadual. “O Seleto acabara de subir para primeira divisĂŁo e queria jĂĄ naquele ano ser campeĂŁo. Aquilo me soava como inimaginĂĄvelâ€?, comentou o ex-jogador. O AZARĂƒO CAMPEĂƒO Se antes da competição iniciar o time do Seleto era tido como o azarĂŁo, o desenrolar do campeonato mostrou que a força parnanguara no certame era muito grande. “O time tinha brio, garra e talento. Logo me deparei com jogadores de primeira grandeza e sentia que o sonho de JoĂŁo HĂŠlio Alves tinha tudo para se tornar realidade. Os jogos foram passando e nĂłs superando, um a um, os adversĂĄrios atĂŠ que chegamos na decisĂŁo contra o Ă gua Verdeâ€?, conta o ex-jogador. Foram necessĂĄrias cinco partidas para que o tĂ­tulo IRVVHHQÂżPGHÂżQLGR$VGXDV primeiras terminaram em 0 x 0. Na terceira, o Seleto venceu pelo placar de 2 a 0, com um dos gols marcados por “Quarentinhaâ€?. Na quarta partida GDÂżQDOGHXĂˆJXD9HUGH&RP isso, houve a necessidade de uma quinta partida, em campo QHXWUR SDUD YHU TXHP ÂżFDULD com a taça. O GRANDE JOGO Cercado de grande expectativa em todo o estado, a torcida seletense se via em meio a um sonho prestes a ser realizado. “O jogo começou e os dois times lutavam por todas as jogadas. NĂŁo dĂĄvamos espaços para o time adversĂĄrio, mas sabĂ­amos que o jogo seria decido em pequenos detalhes. Tanto ĂŠ que atĂŠ os 36 minutos do segundo tempo, o placar seguia inalterado. 1RPLQXWRGDHWDSDÂżQDO YHLR HQÂżP R ODQFH TXH PXdou a nossa histĂłria dentro daquele campeonato. Recebi uma bola na ponta direita e ao invĂŠs de chutar com o pĂŠ direito, arrisquei com a esquerda. A bola foi para a rede e eu, enlouquecido, corri para RYHVWLiULRTXHUHQGRRÂżPGR jogo. Obviamente que tive que retornar, pois faltavam alguns PLQXWRVSDUDRÂżP(XHVWDYD nervoso e ansioso demais para RXYLU R DSLWR ÂżQDO 4XDQGR ele aconteceu, chorei igual a uma criança. Na verdade, todos choravam e se abraçavam, pois naquele momento chegĂĄvamos ao auge, ao topo, entrĂĄvamos para a histĂłriaâ€?, detalhou o ainda emocionado “Quarentinhaâ€?, artilheiro da competição com 16 gols. A FESTA Na volta para ParanaguĂĄ o time ĂŠ recebido com grande festa. Ainda em Curitiba, prĂłximo Ă  saĂ­da da cidade, muitos eram os carros que se


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HQÂżOHLUDYDP UXPR D 3DUDQDguĂĄ com bandeiras e fogos de artifĂ­cio. Ao passarem por MorUHWHVRSRYRHVWDYDQDVUXDV aplaudindo o time campeĂŁo. 0DV D JUDQGH IHVWD HVWDYD SUHSDUDGD SDUD D 3UDoD )HUnando Amaro, onde milhares GH SHVVRDV HVWDYDP DJXDUdando a chegada da equipe. Âł4XDQGR FKHJDPRV QD SUDoD WRGRV ÂżFDUDP LPSUHVVLRQDGRV FRP D PXOWLGmR SUHVHQWH )Lcamos a madrugada comemorando e atĂŠ hoje, lembramos emocionados o dia em que o futebol paranaense se renGHXDRTXHULGRHLQHVTXHFtYHO Clube AtlĂŠtico Seletoâ€?, concluiu “Quarentinhaâ€?, hoje com 69 DQRVGHSXUDYLWDOLGDGH

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Um gol histĂłrico para alegria eterna dos parnanguaras


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Sociedade Amigos da MĂşsica de ParanaguĂĄ

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Uma histĂłria de arte e talentos

Corria o ano de 1954. Com uma paisagem de inverno, a histórica terra de Fernando Amaro presenciava o alvorecer de mais uma entidade cultural e artística. Assim começou a conversa com a presidente da Sociedade Amigos da Música de

ParanaguĂĄ, Terezinha Cordeiro Hamud. A artista conta que “o sonho acalentado no coração de alguns idealizadores que amam o belo, cultivam o gosto musical, começou a criar corpo, alçar vĂ´o e concretizar-se em uma reali-

GDGH(HVVDPDJQt¿FDFRQcepção onírica jå completou Jubileu de Ouro e, em 2011, completa 56 anos de realizaçþes�. Terezinha conta que ainda na infância, participava das memoråveis reuniþes literomusicais realizadas nas

l ltura o Cu ĂŁ g 55, r 9 Ă“ m1 e o d nda eâ€? foi fu idade mĂŁ c “ na ranĂĄ do Pa

levam as novas geraçþes a esse caminhar artĂ­stico e culturalâ€?, destaca a fundadora. Passados 56 anos de sua fundação, a Sociedade Amigos da MĂşsica de ParesidĂŞncias parnanguaras, ranaguĂĄ orgulha-se em como do casal Alberto e manter acesa a chama do Malvina Barletta Cordeiro, fazer acontecer a arte e a seus pais, Anita Ribeiro Fon- cultura e de congregar os tes, Alceu Zanardini, AlcĂ­- amantes da boa mĂşsica, da dia de Mello, Clovis Beraldi arte poĂŠtica, do vivenciar e outros, que culminaram artĂ­stico. “Hoje, as reuniĂľes na fundação da Sociedade acontecem mensalmente na Amigos da MĂşsica de Para- sede da Fundação Musical naguĂĄ. “Temos muito para de Cultura, na Casa Cecy, nos orgulhar, pois Parana- congregando desde os culguĂĄ, terra de grandes po- tuadores de mĂşsica clĂĄsetas como Fernando Amaro, sica aos amantes da mĂşsica JĂşlia da Costa, Ada Mac- popular, cantores, corais incaggi, Anita Fontes, Malvina strumentais, os mais variadBarletta Cordeiro, Manoel os jovens talentos que desViana, pode orgulhar-se de pontam no cenĂĄrio cultural, ter a primeira Sociedade musicistas renomados e toAmigos da MĂşsica do Brasil. dos aqueles que apreciam a Acontecimento este mar- mĂşsica e arteâ€?, enfatiza a cante nos registros de nossa musicista, destacando que histĂłria, e que se faz con- muitos eventos jĂĄ foram tinuidade nos dias atuais, realizados pela Sociedade FRP ÂżOKRV QHWRV DPLJRV Amigos da MĂşsica. “Dentre desses valorosos desbrava- vĂĄrios eventos que particidores de nossas artes que pamos podemos destacar perpetuam o seu sonho e a participação da Sociedade

nos festejos do aniversĂĄrio de ParanaguĂĄ, com dois riquĂ­ssimos momentos: a noite da seresta e a noite dos pianistas. Esses espetĂĄculos sĂŁo participados por inĂşmeros adeptos desta modalidade musical, a seresta e o piano. As comemoraçþes da Semana da Marinha, tambĂŠm jĂĄ ĂŠ marca da Sociedade, pois a Capitania dos Portos do ParanĂĄ sente-se enaltecida com a participação da Sociedade em sua programação. Como tambĂŠm as Instituiçþes de Ensino Superior locais que solicitam a presença da Sociedade em suas atividades culturaisâ€?, ressalta a presidente. â€œĂ‰, nesse congraçamento pleno do ontem no hoje, que a Sociedade Amigos da MĂşsica se empenha para legar as futuras geraçþes a nossa cultura, nossas raĂ­zes, nossa tradição, com muita garra, entusiasmo e pertinĂŞncia, vivenciando toda riqueza artĂ­stica e beleza cultural de que somos detentoresâ€?, enfatiza a presidente.

Socied a sonho de represen ta o dos id e que cu alizadores bom g ltivam o osto m usical


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Rua da Praia

Grande avanço ao Centro Histórico de Paranaguá

As turvas águas do Rio Itiberê deram espaço a uma linda praça, a um ginásio, onde jovens e adolescentes aperfeiçoam e mostram seus talentos no esporte, e até à nova sede da Câmara de Vereadores de Paranaguá. Conta a história popular, que tudo começou com um sonho, que anos após o seu início, se tornou realidade. O desejo de construir o aeroporto da cidade naquela região, impulsionou o ex-prefeito da cidade mãe do Paraná, Constantino João Kotzias, mais conhecido como “Costinha”, a dar início ao aterro do Rio Itiberê por volta de 1969. Entretanto, por ironia do destino, “Costinha” acabou cassado pela Ditadura Militar, sendo obrigado a abandonar a obra. Segundo informações do historiador Floriando Wistuba

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Junior, desde então, prefeitos entravam e saíam do poder dando continuidade ao aterro, e o serviço de grande porte foi sendo finalizado na gestão do ex-prefeito José Vicente Elias, quando começaram as construções no local. A cargo de Vicente Elias ficou a construção do Mercado de Peixe “Brasílio Abud”. Logo após, o prefeito Waldir Salmon garantiu em seu currículo a construção da Rodoviária Municipal e do Ginásio de Esportes “Albertina Salmon”. Alguns anos depois, à frente da Prefeitura de Paranaguá, Carlos Alberto Tortato projetou algumas obras, e na gestão do prefeito Mário das Dores Roque é que a região aterrada adquiriu o formato de hoje. Com a Praça de Eventos, popularmente conhecida como Rua da Praia,

Foto: Gediel Mendes

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e toda pavimentação do Centro Histórico, com a construção do local conhecido como “Ferradura” e o Centro Gastronômico, ponto de encontro dos parnanguaras e turistas naquele local, é que o desenvolvimento foi registrado na região. Sendo um período bastante marcante na história de Paranaguá, as cenas dos caminhões de areia trabalhando na região da atual Rua da Praia, ficam marcadas na memória de muitos parnanguaras, como é o caso do comerciante Nicolau Borges. Vindo de Guaraqueçaba, por volta de 32 anos, Borges conta que quando chegou na cidade, já residindo na Rua General Carneiro, à beira do Rio Itiberê, nunca imaginava que aquela imensidão de água poderia se tornar o que hoje, denomina-se Praça 29 de Julho. “Tudo aqui era uma imensidão de água, o Rio Itiberê chegava bem próximo dos casarios históricos, e com o passar do tempo, esse cenário foi se modificando. Tudo aqui era rio, onde hoje, é a Câmara de Vereadores, a Praça 29 de Julho toda, o Mercado do Peixe, era bem diferente”, lembra o comerciante, que hoje, está com 69 anos. “Nessa época, não tinha esse calçadão em frente aos casarios da General Carneiro, a rua era de duas mãos, isso também lembro-me bastante. Com todas as mudanças, foi construído esse calçadão e diminuíram a rua para uma faixa só, mais estreita”, conta Borges. As gestões do ex-prefeito


Beleza incontestável Todos os anos de muito trabalho e estudos no aterro do Itiberê valeram à pena. Com o passar dos anos, com a estrutura sendo aprimorada, a popular Rua da

Praia e Praça 29 de Julho se tornaram o principal cartão postal de Paranaguá. Pela preservação de suas formas, pela fidelidade de suas linhas, a Rua General Carneiro é o cenário da beleza que se oferece a cada olhar. Inaugurada no dia 29 de julho de 1998, nos 350 anos de Paranaguá, a Praça 29 de Julho é o palco de festividades, passeios e diversão na cidade. Já a Rua General Carneiro, encanta os que por ali passam. O seu cenário histórico acompanhado dos casarios são fundamentais para exaltar a beleza da cidade berço do Paraná.

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eles também brincavam em meio a tudo isso”, diz Borges. “Hoje, eles também fazem parte dessa história e lembram os detalhes da construção dessa região da cidade. É bom fazer parte de tudo isso, e poder contar um pouco do desenvolvimento de Paranaguá”, conclui o comerciante.

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Vicente Elias, foram as que de fato o cenário na Praça 29 de Julho começou a ser modificado. “Acompanhei todo esse processo de mudança. Era incrível ver aqueles maquinários retirando montantes de areia e aterrando. Foram muitos caminhões de areia retirados daqui, e fora os que foram levados para outros locais que estavam aterrando também”, diz o comerciante. “Sem sombra de dúvidas, o aterro do Itiberê só veio a somar para o desenvolvimento e história de Paranaguá. Foi a partir do aterro, que os próximos prefeitos puderam construir as edificações que hoje, temos aqui como, por exemplo, a Câmara de Vereadores, o Ginásio de Esportes, a Praça 29 de Julho, se não fosse o início do aterro com o Costinha, nada disso existiria em Paranaguá”, ressalta Borges. Há 37 anos residindo na localidade, Borges lembra também da infância dos filhos, que hoje, com idade adulta, também contam das brincadeiras que participavam à beira do Rio Itiberê. “Na época que chegamos aqui, os meus filhos adoravam brincar à beira do Rio Itiberê, e com o início do aterro,

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Brasil Colônia

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Paranaguá se destacou com a Casa de Fundição de Ouro

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A história do Brasil está cheia de relatos em busca de minas de ouro. O vasto território brasileiro formou-se pela ocupação do solo para encontrar a riqueza dourada, que movia a economia mercantilista da época do Brasil Colônia. O recém lançado livro “Boa Ventura - A corrida do ouro no Brasil (1697 -1810)”, do jornalista

e escritor Lucas Figueiredo, mostra aos brasileiros como foi a saga dos pioneiros lusitanos na busca do descobrimento das minas de ouro pelo sertão brasileiro. Embora não tenha sido citado na obra, Paranaguá também foi, a partir de 1650, um centro de mineração de ouro, inclusive, com o estabelecimento de

uma casa de fundição para a cobrança do “quinto” (imposto cobrado pelo governo colonial). A partir da elevação de Paranaguá a categoria de vila (1648), consequência direta da importância da mineração de ouro na região, foi necessária a instalação de uma casa de fundição para a legalização

do ouro com a cobrança do “quinto”, pois na época era proibida a circulação de ouro em petitas ou em pó, sendo permitida sua circulação apenas em barras cunhadas com o brasão da casa de fundição. Quem é conhecedora dessa época é a moradora na Rua Conselheiro Sinumbú há mais de 60 anos, Maria Chemure Chechelero, conta que desde criança escutava “histórias” ou “estórias” da referida casa. “Paranaguá acabou virando o centro das atenções, uma vez que as pessoas vinham

para cá para ‘garimpar’ o ouro, com isso conta à história, que por volta de 1650 até meados de 1730, a cidade de Paranaguá possuía uma casa de fundição. Muitas pessoas e um historiador relatam que um imóvel localizado na Rua Conselheiro Sinumbú esquina com Antonio Bittencourt poderia ter sido a sede desta fundição, casa esta que atualmente pertence a nossa família”, explica Maria. Ela lembra ainda que o mar chegava até a atual Rua Pêssego Junior, onde atualmente se localizada a


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nos falavam, que naquele lugar havia ouro. Muitas vezes meu pai pegou pessoas com aparelhos que procuram metais ‘fuçando’, como se diz popularmente, o terreno a procura de ouro escondido”, explica Maria Chemure. O historiador Francisco Carlos Fanine, também conta algumas histórias envolvendo a extração de ouro em Paranaguá. “O ouro da região de Paranaguá era de aluvião, encontrado em rios da Serra do Mar e de difícil extração através de bateias (bacias rasas), ao contrário do ouro encontrado em Minas Gerais, a partir de 1720, que era de veio (filão de ouro), mais farto e de extração facilitada. Antes da descoberta de ouro em Minas Gerais, Paranaguá concentrava a atenção do governo colonial, e foi um importante pólo minerador entre 1650 e 1710, entrando em decadência a partir de 1710, diante das fartas levas de ouro encontradas em Minas Gerais. Durante esses 60 anos que a ‘real casa de fundição dos quintos de ouro de Paranaguá’ operou foram fundidos

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cos de pedras, e as paredes têm mais de um metro de largura, todas com pedras, sendo muito parecidas com a construção da Igreja de São Benedito. Na parte de baixo para o lado do Rio Itiberê existiam uma galerias, que pressupõem ser o local onde se embarcavam os navios com o ouro que devia seguir para o Rio de Janeiro. “As pessoas mais antigas sempre

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Escola Eva Cavani. “Acredita-se que os navios ou barcos chegavam até o fundo dessas casas para carregar, pois existiam saídas para o mar. Inclusive a fontinha da Gamboa foi construída com essas pedras, descarregadas dos navios negreiros. Aqui na casa existia essa entrada para encostar o navio, assim como vi na Bahia, quando fui visitar um forte. Ali percebi que a arquitetura era muito parecida, era o mesmo formato feito para a entrada das embarcações. Isso eu vi e presenciei”, destaca Maria, que hoje está com 64 anos. Com o nome sugestivo de “Gruta do Tesouro”, pelas informações que orbitavam o local, foi aberta uma churrascaria na década de 50. “Quando meu pai comprou o imóvel, funcionava naquele local uma churrascaria, que tinha o nome de ‘Gruta do Tesouro’, que foi muito famosa em nossa cidade, onde ultimamente funcionou uma casa noturna e hoje, está instalada uma marcenaria”, afirma. O prédio é muito antigo, construído com pedra e óleo de baleia. São blo-

mais de 1.000 quilos de ouro e enviados para a Coroa Portuguesa mais de 200 quilos a título de imposto (quinto). Esses fatos mostram a importância de Paranaguá na formação territorial, histórica e cultural do Estado do Paraná merecendo ser lembrada e estudada por todos os paranaenses”, relata Fanine. “A ‘Real Casa de Fundição dos Quintos de Ouro de Paranaguá’ foi a terceira casa de fundição de ouro do Brasil e ainda existem pelo menos suas paredes. Ela está localizada na Rua Conselheiro Sinimbu esquina com a Rua Coronel Antônio Bittencourt, sendo atualmente ocupada por uma marcenaria, antigo Clube Brasileirinho”, completa.


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Arte e Cultura

Apresentações prometem agitar o final de semana

Paranaguá está em festa desde a véspera do feriado de Corpus Christi, 22 de junho, quando foi aberta a Festa da Tainha. A programação, que não parou um dia sequer, tem seu grande momento à meia noite de 29 de julho com a queima de fogos, e segue até domingo com shows na Praça de Eventos. Nesta sexta-feira, 29, feriado municipal, a programação começa ao meio-dia com o fundo musical na Feira das Nações. O cantor Aroldo Amer toca no palco principal mostrando o melhor da música popular brasileira com o acompanhamento do violão. Ainda na sexta, às 22h, se apresenta o cantor Kleber Lucas e banda, um dos grandes nomes da música gospel. O cantor já lançou 10 CD´s, sendo o mais recente em 2011, intitulado “Deus é Fiel”. O trabalho de maior repercussão foi em

2001, quando teve mais de 500 mil cópias vendidas, denominado “Aos pés da cruz”. No sábado, dia 30, ao meio-dia se apresenta o cantor João Nertea e às 22h a Banda Vinagretchen. O grupo é reconhecido pela irreverência e as brincadeiras no palco fazendo um show interativo. Vinagretchen tem um repertório dançante com sertane-

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da D prog izcov f ech ram aa a dom ção no ingo

jo universitário, gauchesco, funk, pop rock e clássicos da Village People. A programação encerra no domingo, 31. Ao meio-dia acontece a apresentação da Família Nascimento (MPB).

A noite promete um grande público pelo fato de reunir duas bandas parnanguaras de estilos diferentes e que nos últimos meses se projetaram no cenário da música paranaense. Às 21h toca a banda

The Revenge, que tem repertório voltado para o rock, do metal ao clássico, passando pelos grandes sucessos dos anos 80. Em seguida é a vez da banda Dizcov, grupo de pop/rock que lançou um

CD demonstrativo em 2011 intitulado ‘Outono’, ganhando repercussão em toda região sul do Brasil.


Caderno Aniversário Paranaguá